HISTORIA DA EDUCAÇÃO

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Após a queda de Robespierre e a ditadura jacobina na França em 1794, foi formado o Diretório logo em seguida, 1795. O Diretório representava o poder executivo da grande burguesia conservadora. Foi contra esse Diretório, que surgiram os planos de uma conspiração.

A fim de derrubar o Diretório, extinguir a Constituição de 1795 e organizar a sociedade francesa nos moldes igualitários que nasceu a Conspiração dos Iguais. A Conspiração era inspirada por G. Babeuf e liderada por Felipe Buonarroti.

A chamada Conspiração dos Iguais é classificada como o primeiro movimento do Socialismo na história. Defendia no seu programa, entre outros objetivos, o direito de todos à educação. Mesmo não acontecendo necessariamente em um país socialista, temos as primeiras manifestações socialistas.

Consideremos que a formação do homem é conseqüência da educação. A teoria materialista diz que o homem modificado é aquele que é produto de circunstâncias diferentes e de uma educação modificada. Mas circunstâncias são modificadas justamente pelos homens e o próprio educador precisa ser educado. Tal teoria não pode esquecer isso. Consequentemente a isso, tem-se a divisão da sociedade em duas partes.

A relação entre modificação das circunstâncias e atividade humana deve ser encarada e racionalmente compreendida como prática transformadora. Assim argumenta Karl Marx em “Teses sobre L. Feuerbach”. Durante a revolução industrial via-se caos e confusão por todos os lados. Mas Robert Owen enxergou com outros olhos.

Acreditava que ali era o lugar apropriado para comprovar sua tese favorita, introduzindo ordem no caos. De 1800 a 1829 ele orientou, com liberdade e com um êxito que lhe valeu fama na Europa, a grande fábrica de fios de algodão na cidade de New Lanark, na Escócia, da qual era sócio e gerente.

Atingiu a marca de dois mil e quinhentos operários vindos dos elementos mais heterogêneos da sociedade. Grande parte formada por pessoas desmoralizadas, que se converteu em suas mãos numa colônia-modelo. Assim essas pessoas passaram a não ter mais contatos com o alcoolismo, brigas com a polícia, juizes de paz, processos, asilos para pobres e nem a beneficência pública.

Robert Owen conseguiu tal feito quando deu aos seus operários condições mais humanas de vida e acima de tudo consagrando um cuidado especial à educação da família e suas gerações posteriores. R. Owen criou os jardins de infância que funcionaram pela primeira vez na cidade escocesa. As crianças eram levadas para as escolas a partir dos dois anos. Eram levadas para casa somente em casos mais graves, pois ficavam muito bem nas escolas. Owen permitia em sua fábrica uma jornada de trabalho menor que a da concorrência.

Trabalhavam três ou quatro horas a menos. Isso lhes garantia uma condição mais humana de trabalho. Certa crise do algodão fez a fábrica fechar por quatro meses. Porém, mesmo sem trabalho, seus operários continuaram recebendo as suas diárias integrais.

É com atitudes como essas que percebemos como a dignidade humana vale mais. Foi recuperado essa dignidade e o valor do homem com essa prática que é educativa também. A revolução filosófica foi na Alemanha do século XIX o início de um desmoronamento político, assim como na França do século XVIII.

Mesmo cada uma com suas particularidades. Os franceses contra a Igreja, a ciência oficial, e até mesmo contra o Estado. Os alemães, contrariamente, eram professores.

O Estado colocava a educação como sua responsabilidade. Suas obras, livros de texto consagrados.

Como poderia a revolução esconder-se por trás desses professores, por trás de suas obscuras palavras e de suas frases chatas e longas? Pois não eram precisamente os liberais, considerados então os verdadeiros representantes da revolução, os inimigos mais encarniçados desta filosofia que trazia confusão às consciências?

Fidel Castro, em uma entrevista publicada no Granma Internacional Digital, em Havana, disse: “Embora não chegamos ainda aos níveis de produção e consumo que tínhamos quando se produziu o desastre socialista na Europa, nós fomos recuperando com passo firme e visível; os indicadores de educação, saúde, segurança social e outros muitos aspectos sociais que eram orgulho do país. Mantivemo-los e inclusive alguns foram ultrapassados.

Defendendo o movimento socialista podemos relatar a relação entre os socialistas e a Igreja. Vamos subentender que os social-democratas estão dispostos a acabar com exploração do povo pela classe dominante.

Até poderíamos pensar que o clero tivesse interesse para ser pioneiro na prática dessa ação igualitária, mais ainda que os social-democratas. Afinal, o clero segue a Cristo, que diz: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus”. Os social-democratas tentam implantar nos países, regimes sociais baseados na igualdade, liberdade e fraternidade para todo o povo.

Partindo desse ponto, a Igreja deve acolher com entusiasmo a bandeira dos social-democratas, fazendo jus ao que ela prega. Os social-democratas tentam, através de um combate incansável e, sobretudo da educação para o povo, libertá-lo da opressão e oferecer um futuro digno para os seus filhos. Devemos concluir que essa relação com a Igreja é bastante complexa devido aos valores que estão inerentes nela.

É o interesse de cada uma das partes que entra em choque, mesmo com a aparência de serem concordantes e lutarem pelos mesmos objetivos. A Constituição de Cuba, país socialista, de 1976 traz alguns aspectos importantes sobre a educação para o seu povo.

Colocando a responsabilidade na mão do Estado, instiga-o a promover, incentivar e cuidar de suas manifestações. O próprio Estado que cuida de organizações sociais que visam a prática política e educacional.

Assim como fala no Artigo 39 da Constituição. Sua política educacional e cultural é embasada nos avanços científicos e tecnológicos. Traduzindo assim, um processo educacional mais dinâmico e condizente com a realidade atual.Também é função do Estado manter um sistema que irá facilitar o acesso aos estudos aos trabalhadores, para terem mais conhecimento e habilidades também.

Todo cidadão deve estudar e ter uma preparação básica. A Constituição cubana também assegura a formação comunista das gerações e prole para o convívio social. Integrar a educação geral e específica com o trabalho, assim como também práticas artísticas, técnicas, esportivas e até mesmo militares, é uma forma de realizar a formação também. Dá liberdade às manifestações artísticas desde que não sejam contra a Revolução.

O próprio Estado incentiva a profissão artística e sua aceitação pelo povo. Outro aspecto de importância que a Constituição traz é a defesa do patrimônio cultural. Assim como incentiva a cultura, também zela por ela protegendo monumentos, lugares de beleza natural e que tenham um reconhecimento histórico e cultural.

O Artigo 40 discorre também sobre os benefícios que os estudantes merecem. O Estado e a sociedade devem uma proteção particular à criança e ao jovem. A escola, família, órgãos estatais e organizacões sociais tem o dever de prestar especial atenção à formação integral dos estudantes.

Essa é uma maneira de acolher e zelar pelo bem estar da criança e do adolescente. Tudo isso a fim de criar uma estrutura benéfica para seu desenvolvimento educacional. Essa prática, quando bem aplicada, resultará em bons resultados.

Já na Rússia, que permitiu as mudanças sonhadas e pensadas pelos comunistas, incluindo grandes pedagogos, podemos destacar a Revolução Bolchevique. Por volta da segunda década do século XII, implantada nesse país, oficialmente, o governo comunista, seguindo a teoria marxista.

Com a formação da União Soviética, o objetivo do governo era restaurar a sociedade usando bases comunistas. Para que isso acontecesse era preciso redefinir conceito de educação em sua totalidade.

Makarenko foi o maior pedagogo que a Rússia já teve. Seu intuito era formar moralmente e desenvolver o comunismo nos homens. Nesse período após o início da Revolução Bolchevique o país estava marcado por um sentimento muito grande de renovação das instituições já existentes. Para formar o homem, o governo propôs a educação gratuita e obrigatória para qualquer nível de conhecimento.

Houve reformas administrativas como extinção de instituições educacionais que eram mantidas pela Igreja, e particulares também. Havia estudo para formação de professores tanto do ensino fundamental como do ensino superior.

Mergulhado em um clima tenso para a educação, a ação pedagógica de Makarenko está também num contexto cheio de boas esperanças de um país que vive um período pós-revolucionário. Paira um profundo desejo de transformação do homem.

É qualificado por um sentido contrário ao individualismo. Assim a ação do pedagogo deve ser sustentada. Busquemos ações menos individualistas que façam reaparecer o valor do ser humano.

– Bibliografia

– “Teses sobre L. Feuerbach”. Escrito por Karl Marx em 1845 e publicado por F. Engels como apêndice de sua obra “Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã”.

– FRIEDRICH, Engels. Do socialismo utópico ao socialismo científico, 1877.

– LUXEMBURGO, Rosa. O Socialismo e as Igrejas: O comunismo dos primeiros cristãos, 1905, Polônia.

– Constituição de Cuba de 1976 (Capítulo V – Educação e Cultura).

– MAKARENKO, Anton. Poema Pedagógico. Lisboa. Livros Horizonte, 1980.

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