Literatura – Pré Modernismo

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Pré-Modernismo Literatura

Pré-Modernismo (fim séc. XIX e início XX).

Esta época apresenta, na literatura, um entrecruzar de várias correntes estéticas. Por um lado, tem-se a queda da proposta realista-naturalista-parnasiana, e de outro uma afirmação da poesia simbolista. Na mesma época, então, vai surgir uma prosa de ficção que, ligada à tradição realista, vai revelar criticamente as tensões da sociedade brasileira. Não pode ser considerada uma escola literária, mas sim um período literário de transição para o Modernismo.

Referências históricas

– Bahia – Rev. de Canudos

– Nordeste – Ciclo do Cangaço

– Ceará – milagres de Padre Cícero gerando clima de histeria fanático-religiosa

– Amazônia – Ciclo da Borracha

– Rio de Janeiro – Revolta da Chibata (1910)

– revolta contra a vacina obrigatória (varíola) – Oswaldo Cruz

– república do café-com-leite (grandes proprietários rurais)

– imigrantes, notadamente os italianos

– surto de urbanização de SP – greves gerais de operários (1917)

– contrastes da realidade brasileira – Sudeste em prosperidade e Nordeste na miséria

– Europa prepara-se para a 1ª GM – tempo de incertezas

Características:

Na prosa, tem-se Euclides da Cunha, Graça Aranha, Lima Barreto e Monteiro Lobato que se posicionam diante dos problemas sociais e culturais, criticando o Brasil arcaico e negando o academicismo dominante. Na poesia, Augusto dos Anjos modifica o Simbolismo, injetando-lhe traços expressionistas e revelando uma visão escatológica (cenas de fim do mundo) da vida.Quanto às características, percebe-se um individualismo muito forte, ainda assim pode-se destacar alguns pontos de aproximação desses autores.

– ruptura com o passado, principalmente em Augusto dos Anjos que afronta a poesia parnasiana ainda em vigor

– denúncia da realidade brasileira, mostrando o Brasil não oficial do sertão, dos caboclos e dos subúrbios

– regionalismo N e NE com Euclides; Vale do Paraíba e interior paulista com Lobato; ES com Graça Aranha e subúrbio carioca com Lima Barreto

– tipos humanos marginalizados (sertanejo, nordestino, mulato, caipira, funcionário público)

– apresentação crítica do real na ficção

Autores:

Euclides da Cunha (1866/1909)

Exerceu a função de engenheiro civil no meio militar. Foi membro da ABL, do Instituto Histórico e catedrático em Lógica pelo Colégio Dom Pedro II. Viajou muito e escreveu Os Sertões pela experiência própria de ter testemunhado a Guerra de Canudos como correspondente jornalístico. Envolvido num grande escândalo familiar, foi assassinado em duelo pelo amante da esposa.Positivista, florianista e determinista, é seu estilo pessoal e inconformismo caracterizam-no como um pré-modernista. Foi o primeiro escritor brasileiro a diagnosticar o subdesenvolvimento do país, diagnosticando os 2 Brasis (litoral e sertão).

Obras principais:

– Os Sertões (1902)

– Contrastes e Confrontos (1906)

– Peru Versus Bolívia (1907)

– Castro Alves e seu Tempo (1908)

– À Margem da História (1909)

– Canudos: Diário de uma Expedição (1939)

Lima Barreto (1881/1922)

Nascido de pai português e mãe escrava, era mulato e pobre. Afilhado do Visconde do Ouro Preto, conseguiu estudar e ingressar aos 15 anos na Escola Politécnica. Lá sofreu toda sorte de humilhações e preconceitos e, quando estava no 3º ano, teve de trabalhar e sustentar a família, pois o pai enlouquecera.

Presta concurso para escriturário no Ministério da Guerra, permanecendo nessa modesta função até aposentar-se.Socialista influenciado por autores russos, Lima Barreto vive intensamente as contradições do início do século, torna-se alcoólatra e passa por profundas crises depressivas, sendo internado por duas vezes. Em todos os seus romances, percebe-se traço autobiográfico, principalmente através de personagens negros ou mestiços que sofrem preconceitos. Mostra um perfeito retrato do subúrbio carioca, criticando a miséria das favelas e dos cortiços.

Posiciona-se contra o nacionalismo ufanista, a educação recebida pelas mulheres, voltada para o casamento, e a República com seu exagerado militarismo. Utiliza-se da alta sociedade para desmascará-la, desmistificá-la em sua banalidade. Seus personagens são humildes funcionários públicos, alcoólatras e miseráveis.. Sua linguagem é jornalística e até panfletária.Triste Fim de Policarpo Quaresma é a obra que lhe garante notoriedade. Antes de falir, o editor Monteiro Lobato publica Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e, pela primeira vez, Barreto é bem pago por algum original.

Obras principais:

– Romance:

– Recordações do Escrivão Isaías Camnha (tematiza preconceito racial e crítica ao jornalismo carioca – 1909)

– Triste Fim de Policarpo Quaresma (inicialmente publicado em folhetins – 1915)

– Numa e Ninfa (1915)

– Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá (1919)

– Clara dos Anjos (1948)

– Conto:

– História e Sonhos (1956)

– Sátira Política e Literária:

– Os Bruzundangas (1923)

– Coisas do Reino do Jambon (1956)

– Humorismo:

– Aventuras do Dr. Bogoloff (1912)

– Artigos e Crônicas:

– Feiras e Mafuás (1956)

– Bagatelas (1956)

– Crônicas sobre Folclore Urbano:

– Matginália (1956)

– Vida Urbana (1956)

– Memórias:

– Diário Íntimo (1956)

– Cemitério dos Vivos (1956)

Monteiro Lobato (1882/1948)

Homem de diversas atividades (escritor, editor, relojoeiro, fazendeiro, promotor, industrial, comerciante, professor, adido comercial etc.). Tem por formação Direito e participa de grupos e jornais literários, entre eles o Minarete.Torna-se editor com a instalação da Editora Monteiro Lobato, que traz grandes inovações para o mercado editorial brasileiro. Ainda assim, Lobato acaba falido. No ano de 1925, funda a Companhia Editora Nacional e começa a escrever sua vasta obra de literatura infantil. Isso se dá por decepção com o mundo adulto, por isso começa a investir no futuro do Brasil. Em 1917, publica, no jornal O Estado de São Paulo, o artigo contra a pintora Anita Malfatti (estopim do Modernismo).

A Propósito da Exposição Malfatti, expressa uma postura agressiva contra as novas tendências artísticas do século XX, que resultará no seu desligamento dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Sua crítica acalorada se dá porque ele não admitia a submissão da cultura brasileira às idéias européias, daí ser chamado de Policarpo Lobato.Faz campanhas nacionais favor da exploração das riquezas do subsolo: petróleo e minérios. Funda a Companhia de Petróleo do Brasil, acreditando no nosso desenvolvimento e denunciando o monopólio internacional. Aproxima-se das idéias do Partido Comunista Brasileiro.

Controvertido, ativo e participante, Lobato defende a modernização do Brasil nos moldes capitalistas. Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e pouco desenvolvido, como no Jeca Tatu (estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades governamentais) do livro Urupês. Curioso é que, na quarta edição de Urupês, o autor, no prefácio, pede desculpas ao homem do interior, enfatizando suas doenças e dificuldades.

Obras principais:

– Contos:

– Urupês (1919)

– Idéias de Jeca Tatu (1918)

– Cidades Mortas (1919)

– Negrinha (1920)

– Mundo da Lua (1923)

– O Macaco que se Fez Homem (1923)

– O Choque das Raças ou O Presidente Negro (1926)

– Jornalismo:

– A Onda Verde (1921)

– Problema Vital (1946)

– Epistolografia e crítica:

– Mr. Slang e o Brasil (1929)

– Ferro (1931)

– América (1932)

– Na Antevéspera (1932)

– O Escândalo do Petróleo (1936)

– A Barca de Gleyre (1944)

– Literatura Infantil:

– Reinações de Narizinho

– Viagem ao Céu

– O Saci

– Caçadas de Pedrinho

– Hans Staden

– Histórias do Mundo para Crianças

– Memórias de Emília

– Peter Pan

– Emília no País da Gramática

– Aritmética de Emília

– Geografia de Dona Benta

– Serões de Dona Benta

– História das Invenções

– D. Quixote para as Crianças

– O Poço do Visconde

– Histórias de Tia Nastácia

– O Pica-pau Amarelo

– A Reforma da Natureza

– O Minotauro

– Fábulas:

– Os Doze Trabalhos de Hércules

– O Marquês de Rabicó

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