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O LEGADO CULTURAL GREGO

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O Legado Cultural da Grécia

Introdução.

O estopo do tema Grécia abrange o estudo panorâmico do legado cultural grego, com enfoque nos aspectos históricos. A contextualização histórica é de fundamental importância no nosso estudo que tem por seu título: O legado cultural Grego.

Iniciaremos nossa contextualização pelo chamado O legado cultural grego, que tem por fim abordar a sua ligação histórica.

Resumo.

As principais características gregas eram: a sua religião que era politeísta, mas não impunha verdades absolutas. As cerimônias religiosas eram importantes porque reuniam pessoas de todas as cidades do mundo grego que peregrinavam até os santuários mais famosos.

A Filosofia quer dizer amigo da sabedoria é o método utilizado para observar o mundo e refletir sobre ele.

As principais fases da filosofia grega são: Pré-socrática ou cosmológica; Socrática ou antropológica; Sistemática.

Os deuses eram cultuados nas casas e em cerimônias públicas, com orações, sacrifícios e oferendas ou libações.

Desenvolvimento.

O Legado Cultural da Grécia.

As principais características gregas era: que a religião era politeísta, mas não impunha verdades absolutas. As cerimônias religiosas representavam um elo entre as pessoas e entre as cidades. Os deuses tinham emoções e defeitos, como os humanos. E o mais importante dos deuses era Zeus.

Para a mitologia grega, Urano e Gaia surgiram do nada. Urano comia os próprios filhos e foi destituído pelo mais jovem deles, Cronos. Este, por sua vez, passou a comer os próprios filhos, até que Rea, sua esposa, salvou Zeus, o último deles, escondendo-o. Ao crescer, Zeus obrigou o pai a devolver os irmãos e dividiu então o universo com eles. Zeus assumiu o papel de mais importante dos deuses e casou-se com sua Irmã Hera. O mundo subterrâneo ficou a cargo de Hades, enquanto o mundo dos oceanos coube a Poseidon.

Os heróis eram homens que se destacavam por seus feitos e ações gloriosas. O maior de todos eles era Hércules. Outros foram Perseu, Teseu, Jasão.

Os deuses eram cultuados nas casas e em cerimônias públicas, com orações, sacrifícios e oferendas ou libações. No templo, os sacrifícios podiam ser de animais. A religião estava presente no cotidiano e todo momento da vida era motivo para rituais. Nascimento, funeral, casamento, homenagem aos mortos, festas, procissões, jogos (como os olímpicos) eram oportunidades para celebrações religiosas. Alguns deuses eram homenageados em determinadas regiões, enquanto outros recebiam culto em toda a Hélade e tinham grandes e famosos santuários. Os mais conhecidos estavam em Delos, Olímpia e Delfos.

As cerimônias religiosas eram importantes porque reuniam pessoas de todas as cidades do mundo grego que peregrinavam até os santuários mais famosos. Dessa forma, preservava-se a cultura, além de se incentivar o teatro, a música e a arte nos concursos organizados nas festas.

As pecas teatrais gregas, muitas até hoje representadas nos teatros contemporâneos ou publicadas em livros, abordavam temas como a vida e a morte, as relações de poder, o sofrimento, o amor, a traição.

Filosofia quer dizer amigo da sabedoria. É o método utilizado para observar o mundo e refletir sobre ele, buscando explicações racionais e lógicas. Filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles e outros eram pessoas que se dedicavam a esse método e arte.

As principais fases da filosofia grega são:
a) Pré-socrática ou cosmológica, preocupada com o problema da origem do mundo. Seus filósofos principais são Tales, Pitágoras, Heráclito, Parmênides;

b) Socrática ou antropológica, aborda temas relacionados com os problemas do individuo e da organização da humanidade. Preocupa-se com a justiça, o bem , o belo, a virtude. Seus expoentes principais são Sócrates e Platão;

c) Sistemática, que tem em Aristóteles seu principal filósofo. Reflete sobre os mais variados assuntos: plantas, animais, astros, pessoas.

A maiêutica quer dizer trabalho de parteira. Foi utilizada em homenagem a mãe de Sócrates, que era parteira. Seguindo esse método, Sócrates não respondia diretamente as perguntas que lhe faziam. Ao contrário, fazia outra pergunta, ajudando a pessoa a chegar por si mesma ao conhecimento

Heródoto, chamado Pai da História, antes de escrever seus estudos, procurava conhecer os costumes dos povos que descrevia. Viajou muito. Além de descrever Os fatos, ele Os interpretava de acordo com suas crenças religiosas. Pois, para ele, os acontecimentos eram resultado da vontade dos deuses. Para Tucídides, os fatos eram causados não pelos deuses, mas pelos interesses políticos. Ele é o precursor da História como ciência, pois tinha um olhar mais objetivo do que Heródoto.

O desenvolvimento da cultura Fenícia.
A região povoada pelos fenícios, que corresponde ao atual estado do Líbano e parte da Síria, consistia em uma pequena faixa de terra estreita, comprimida entre o Mar Mediterrâneo e as montanhas do Líbano. Vivendo praticamente “espremido” entre o mar e a montanha.

Gradativamente, os fenícios vão sendo impulsionados ao mar pela excelente localização geográfica, desenvolvendo uma intensa atividade comercial no Mediterrâneo e se transformando nos melhores navegadores da Antiguidade.

Os fenícios fizeram da navegação e do comércio sua principal atividade econômica.

A organização política da Fenícia caracterizou-se pela descentralização administrativa; as cidades jamais constituíram um estado unificado.
Cada cidade possuía seu próprio regime de governo, independente das outras cidades fenícias. Por essa razão, as principais cidades – estados, Ugarit, Biblos, Sidon e Tiro, criaram um sentimento de rivalidade e disputa pelo domínio das principais rotas comerciais, formando um verdadeiro império marítimo. As viagens fenícias, ultrapassando os limites do Mediterrâneo, contribuíram para o conhecimento das terras ocidentais.

A exploração destas terras a oeste e o contato com vários povos de línguas e costumes diferentes determinaram o desenvolvimento da cultura fenícia.

Com relação à produção artística, não há nada de original. Os homens limitaram-se a reproduzir o que os povos da região haviam criado. Quanto à religião, o politeísmo continua predominando, uma vez que cada cidade-estado fenícia possuía uma divindade local.

O grande destaque da reprodução cultural fenícia foi, sem dúvida, a criação da escrita alfabética. O alfabeto fenício consistia na maior contribuição cultural deixada por esta civilização aos demais povos do ocidente. A escrita fenícia espalhou-se por todo o mediterrâneo, influenciando o alfabeto grego e, posteriormente, o latino.

Os homens sentiam a necessidade utilizar um sistema simplificado da escrita em virtude do grande volume de transações comerciais realizadas com vários povos, de nacionalidade, língua e costumes diferentes.

O aprimoramento das técnicas de navegação, a intensificação da atividade mercantil e o desenvolvimento da escrita fonética foram elementos fundamentais de aproximação das sociedades orientais com as ocidentais, além de representar o grande legado cultural deixado pelos fenícios.

O Legado Grego.

Florianópolis – A comemoração dos 120 anos da primeira colônia grega do Brasil, a Comunidade Ortodoxa Helênica de São Nicolau, de Florianópolis, neste domingo, 21 de setembro, chama a atenção para a colonização grega na Capital. Embora a presença dos gregos seja desconhecida por muitos, a comunidade influenciou significativamente na formação da identidade sócio-cultural da cidade. Durante muitos anos tiveram hegemonia no comércio de secos e molhados no centro. Alguns descendentes exerceram papel de destaque na sociedade, como o governador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, natural de Paranaguá, que administrou o Estado entre 1956 e 1958; o vereador Antônio Paschoal Apóstolo, que em agosto de 1956 assumiu a prefeitura interinamente enquanto o prefeito Osmar Cunha estava em viagem aos Estados Unidos e o ex-presidente da Academia Catarinense de Letras (ACL) Paschoal Apóstolo Pítsica. Recentemente o casamento de uma descendente, Priscila Komninos, com o jogador de vôlei Giovane, feito na tradição ortodoxa, foi noticiado na TV e nos jornais, e contribuiu para colocar a colônia em evidência.

Os ‘helênicos’ chegaram em Santa Catarina em 1883, quando Florianópolis ainda era Nossa Senhora de Desterro. O navio Lefkí Peristerá (Pomba Branca), de propriedade do capitão Savas Nicolau Savas, havia partido da ilha de Kastelorizón, situada no Dodecaneso, região próxima à Turquia, e pretendia seguir viagem pela costa brasileira até Buenos Aires. Porém, a expedição passou por Desterro para recuperar danos na embarcação e a tripulação ficou encantada com as belezas naturais da Ilha, que lembravam sua terra natal. Parte dos gregos resolveu buscar um substituto para Kastelorizón, dilapidada por invasões e guerras diversas. O capitão Savas deixou então alguns parentes e tripulantes e, após fazer outras viagens comerciais e ter passado um ano em Portugual, onde aprendeu o português, trouxe mais familiares e amigos da Grécia, fixando moradia em Desterro no final de 1889. Nessa época, havia cerca de cem gregos morando na Capital.

A comunida de grega em Florianópolis gira em torno da Igreja Grega Ortodoxa São Nicolau, localizada no centro da Capital (rua Tenente Silveira, 494), também sede da Associação Helênica. As missas, realizadas aos domingos, das 10 às 11 horas, contribuem para manter a colônia unida e preservar as tradições. A Igreja Católica Ortodoxa, religião predominante na Grécia, é muito semelhante à Igreja Católica Apostólica Romana, da qual se separou oficialmente em 1054 d.C. “A igreja ortodoxa permite ao padre se casar, tem pinturas em vez de imagens, mas as orações são praticamente as mesmas”, diz Syriaco Spyros Diamantaras, tesoureiro da Associação Helênica. Na sede do templo de São Nicolau é possível conhecer os ícones pintados pelo catarinense Eduardo Dias, “um artista notável, da estatura de um Martinho de Haro”, segundo Pítsica, além de obras do pintor Malinverni, natural de Lages. “Todos os um randili (lamparina acesa), e muitos possuem ícones executados por Dias”, completa.

Um evento bastante concorrido é o Lanche de São Nicolau, uma atividade beneficente realizada às terças-feiras, cada vez na casa de uma associada. A tradição mantém-se desde 14 de julho de 1951, quando Kiriaki Nicolau Spyrides ofereceu a primeira recepção a senhoras da religião ortodoxa e pessoas que falavam o grego. Nos casamentos, como de Priscila e Giovane, os noivos e convidados fazem o ritual de “quebrar pratos”, uma maneira de desejar alegria e prosperidade aos noivos. Outro costume é jogar amêndoas e dinheiro sobre o casal, para desejar-lhe doçura e riqueza. Nem sempre os descendentes optam por fazer a cerimônia tradicional, mas o casamento ecumênico permite aos parceiros e filhos obter a dupla nacionalidade.

Os descendentes preservam também as datas importantes, como 25 de março, Dia da Independência da Grécia em relação aos turcos otomanos, e o dia 28 de outubro, Dia do Oxi, o Dia do Não, marcando a ocasião que o primeiro-ministro italiano João Metaxás opôs-se à ocupação da Grécia pela Itália na Segunda Guerra Mundial. A Páscoa, importante também para os ortodoxos, nem sempre coincide com a dos católicos romanos, pois a comemoração segue o calendário bizantino. Uma curiosidade é que o ovo usado não é de chocolate, mas um ovo comum cozido pintado de vermelho e coberto por papel celofane. “Existe um ritual em que duas pessoas pegam cada uma um ovo, fazem um pedido, e batem um contra o outro. Aquela que conservar o ovo intacto tem o desejo realizado”, diz Alceu Atherino Neves, 25, irmão de Augusto.

Geração atual é síntese de duas culturas.

Florianópolis – Após três ou quatro gerações desde a primeira leva de imigrantes gregos, a identidade cultural da colônia já não é tão forte, tendo ocorrido, como diz Savas Apóstolo Pítsica, uma “síntese cordial entre as duas culturas”. Para fazer a apresentação de dança da comunidade grega na Festa das Nações, em agosto passado, por exemplo, foi preciso trazer um grupo de Curitiba para apresentar o sirtáki e o kalamatianós. “Embora não tenhamos hoje um grupo de dança, estas são praticadas durante as festas”, defende Pítsica. Mesmo as missas já não têm a mesma participação da comunidade. “Infelizmente, a igreja muitas vezes fica vazia aos domingos”, diz Syriaco Spyros Diamantaras, tesoureiro da Associação Helênica. “Tentamos levar mais jovens à celebração, mas atualmente são poucos os que vão”, afirma Augusto Atherino Neves, de 22anos.

O idioma, muito freqüentemente usado em conversas nos cafés freqüentados pelos gregos das primeiras gerações, hoje raramente é falado. “Poucos conhecem a língua. A terceira geração mal sabe dar bom dia”, diz Diamantaras. O jovem Augusto Neves já fez aula de grego na Associação Helênica, mas não domina o idioma. “Consigo compreender algumas expressões, mas manter uma conversação é difícil”. Segundo Pítsica, que atualmente ministra os cursos da língua no salão paroquial da igreja, “os descendentes, especialmente os das primeiras gerações, geralmente falam o grego, e o utilizam para conversar em casa. Os mais jovens muitas vezes não falam, mas entendem um pouco e conseguem assimilar rapidamente, pois ouviam o grego em casa”.

Uma tradição marcante que está se perdendo é o comércio. Os gregos já tiveram a hegemonia no atacado de secos e molhados realizado no centro da cidade, em que eram vendidos produtos importados, vinhos, bacalhau, azeite, charque, frutas natalinas. Porém, hoje resta apenas a Kotzias Presentes & Utilidades, na Conselheiro Mafra, e ainda assim a loja está prestes a ser vendida. “Antes a rua toda era ocupada pelos comerciantes gregos. A maioria fechou por causa da concorrência com as grandes redes”, diz Estefano Kotzias, proprietário. Em outros segmentos, poucas lojas, como a Casa Kotzias, de tecidos, fundada em 1910, mantêm-se prósperas. Os descendentes dos gregos estão migrando para outras atividades econômicas. “Hoje são quase todos profissionais liberais. A maioria agora trabalha dentro dos consultórios como médico, advogado ou engenheiro”, diz Pítsica, que tem vário parente nesses segmentos.

Embora em seu livro “Os Gregos no Brasil” diga que o núcleo começa a mostrar sinais de desagregação, Pítsica não considera que a comunidade esteja sofrendo aculturação. “Os gregos não estão perdendo seus valores, até porque muitos ainda são da primeira geração. Meus pais vieram de Kastelórizon. Ainda é cedo para fazer uma análise”, diz. A colônia de Florianópolis não recebeu novas levas de imigrantes, e atualmente deve ter cerca de 200 famílias. Alguns membros da comunidade mudaram-se para cidades como Curitiba e Paranaguá, ambas no Paraná e onde formaram-se novas colônias. Já os gregos de outras regiões do Brasil, como São Paulo e Brasília, geralmente são provenientes de correntes migratórias distintas. “Há 30 anos a colônia em Florianópolis era bem maior. Talvez porque cerca de 90% dos integrantes vieram de Kastelórizon, cuja população se dispersou, não houve renovação de gregos aqui”, diz Diamantaras. Além disso, muitos descendentes se misturaram a famílias de outras origens e mudaram seus nomes. “Devemos ressalvar que miscigenação não significa aculturação. A população grega está sendo naturalmente absorvida pelo meio, o que acho ótimo. Mesmo a Grécia é formada por várias etnias, que ajudaram a formar seu tecido social. Essa miscigenação social fortalece uma raça”, diz.

Os descendentes visitam a Grécia quando possível, mas após a adoção do euro a viagem encareceu bastante. Antes da unificação monetária, a Grécia era um dos países europeus mais baratos para o turismo. “Já fui cinco vezes, mas depois do euro não sei quando poderei ir outra vez”, diz Diamantaras. “Eu e meu irmão ainda não fomos ainda. Sei que o governo grego dá bolsas de viagem e estudo a descendentes, e espero conhecer o país assim que possível”, diz Alceu.

Kastelórizon resistiu a muitas guerras

A ilha de Kastelérizon, uma das 1,5 mil que formam a Grécia, é o ponto territorial mais oriental daquele País, próximo de Chipre e da Turquia. Segundo a mitologia, era lá que Apólo, filho de Zeus e irmão de Artemis, criava seus rebanhos e praticava suas artes. Atacada inúmeras vezes entre a Primeira e Segunda guerras mundiais, Kastelérizon teve sua população reduzida de 18 mil pessoas, no século passado, para os apenas cerca de cem habitantes atuais. “Metade da população foi para Sidney, e a outra metade veio para Florianópolis”, diz o dr. Savas Apóstolo Pitsica, autor de obras sobre a colonização grega e vice-presidente da Associação Helênica de Santa Catarina.

Escritor liderou movimento Litoral.

Paschoal Apóstolo Pítsica (1938-2003), nascido em Florianópolis, o descendente de uma tradicional família de imigrantes da Grécia foi presidente da Academia Catarinense de Letras (ACL) durante mais de 14 anos e também da Colônia Grega em Santa Catarina, além de sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC). O escritor liderou o movimento Litoral e dirigiu a revista “Litoral” entre 1959 e 1960. Entre os livros publicados estão “A Contribuição Grega”, de 1994, “Aquarela Grega”, de 2000, e Memória Visual da Colônia Grega de Florianópolis, em 2003.

Capitão

Savas Trouxe Gregos À Ilha.

Savas Nicolau Savas, o grande estimulador da colonização grega para o Brasil, nasceu no dia 6 de março de 1858, na ilha de Kastelorizón. Ainda jovem transferiu-se para Atenas e Syro, onde cursou a Escola Naval. Savas navegou todo o Mediterrâneo após haver cruzado Gibraltar, atravessou o Atlântico, e chegou a Montevidéu, no Uruguai, no dia 27 de abril de 1883, após 85 dias de viagem. Na volta, ao passar por Desterro, teve de trocar o mastro principal de seu veleiro.

Alguns gregos ficaram na ilha, e nos anos seguintes a imigração passou a se desenvolver. Retornou à Grécia, e em fins de 1889 de novo atracou em Desterro. Prosseguiu viagem até Montevidéu e Buenos Aires, onde vendeu sua caravela Pomba Branca com toda a carga que transportava, em 1890. Depois se estabeleceu em Desterro, com membros de sua família, e abriu uma casa comercial. O comércio prosperou, e possibilitou ao capitão adquirir três pequenos navios. Retornou à Grécia em 1892, e depois voltou ao Brasil. Chegando ao Desterro, encontrou os primeiros gregos e demais habitantes da Ilha vivendo um clima de horror e guerra, devido ao governo despótico do Coronel Moreira Cesar. Embarcou dezenas de catarinenses nos porões de seus barcos, levando-os às escondidas para o exterior e salvando-os da Ilha de Anhatomirim. Em 1892 abriu um comércio de exportação no Desterro, com filiais em Paranaguá, Montevidéo e Buenos Aires. Faleceu em 2 de outubro de 1926.

A Influência do Ocidente: Grécia e/ou Roma.

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Arquitetura Romana

Em vários aspectos culturais, atualmente na Civilização Ocidental, está ocorrendo uma supervalorização aos valores da Grécia clássica, que se refletem na política, cultura, historiografia e costumes, deslocando para um segundo plano todo o legado humanístico de Roma, que também contribuiu na formação da cultura ocidental tanto quanto a influência grega, pois as culturas das duas maiores civilizações da Antigüidade são complementares e não tão antagônicas como nos são mostradas hoje. A influência romana, além de estar em segundo plano em nossos dias, está sendo deixada de lado como modelo no âmbito da política, que prefere eleger Atenas como modelo de democracia ao invés da República Romana.

Para o ensaísta norte-americano Michael Lind em seu ensaio intitulado: “A Segunda Queda de Roma”, constata que a imagem da civilização romana vem sendo constantemente deturpada e prejudicada por partidários da civilização grega, que rebaixam a cultura, política, filosofia, literatura, arte e arquitetura romana para enaltecerem à Grécia. Para eles, o legado político e cultural deixado pela civilização romana não passou de uma cópia inferior à matriz cultural grega. Muitos intelectuais e políticos organizadores da sociedade norte-americana depois da sua independência, se apropriaram do modelo de constituição política da República Romana. Todavia, não admitiam essa influência e atribuía a sua forma de organização política ao modelo da sociedade inglesa.

Michael Lind afirma que: “A reputação da civilização romana no mundo ocidental nunca esteve pior que hoje. O legado cultural e político da República e do Império Romano foram extirpados da memória coletiva dos EUA e de outros países ocidentais em grau notável (…)” . Até os supostos tradicionalistas que se julgam defensores da cultura romana são os primeiros a relegá-la.

A democracia ocidental que tanto bebeu na fonte do legado político do Império e da República Romana, hoje tem as suas origens identificadas em Atenas. “O filósofo e estadista romano Cícero (106-43 a.C.), possivelmente o mais importante modelo histórico na cabeça dos primeiros europeus modernos e republicanos americanos, teve seu lugar tomado pelo líder ateniense Péricles como ideal de estadista ocidental”.

Ao legado do Império Romano, hoje os modernos ocidentais se referem à influência negativa aos governos ditatoriais e totalitários do século XX como o fascismo italiano e o nazismo alemão. A arte e a literatura romana também caíram em descrédito depreciativo, como simples imitações inferiores da arte e literatura grega. “Autores romanos como Virgílio, Horácio, Sêneca e Plauto são freqüentemente descritos, em tom displicente, como imitadores de segunda categoria dos gregos. Os três maiores poetas épicos do Ocidente são identificados, por consenso, como Homero, Dante e Milton. Embora o épico fosse especialidade romana, Virgílio, Estácio e Lucano são relegados a uma categoria secundária ou ignorados por completo”.

As raízes deste desprezo aos romanos pelas sociedades ocidentais atuais e a supervalorização dos gregos é o resultado de um viés anti-romano e anti-latino que vem deturpando a cultura européia desde o século XVIII – um viés que o modernismo do século XX herdou do romantismo do século XIX e do neoclassicismo do século XVIII.

Nesse contexto, apresentaremos uma rápida descrição paralela entre o legado político cultural da Grécia e de Roma.

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Arquitetura Grega

A Religião Grega.

A religião grega caracterizou pelo politeísmo antropomórfico, ou seja, os gregos acreditavam em vários deuses que se assemelhavam aos Homens, tendo as mesmas fraquezas, paixões e virtudes do gênero humano. O que distinguia os deuses dos Homens era a imortalidade e seus poderes, que se devia ao alimento do qual se nutriam – a Ambrósia.

Os deuses gregos moravam no Monte Olimpo, de onde comandavam os destinos humanos. A população grega possuía uma série de mitos, lendas e histórias – a respeito de seus deuses e heróis. Os principais personagens da mitologia grega, além dos deuses, são os semi-deuses Hércules, conhecido por sua força extraordinária, Perseu, que domou o cavalo alado Pégaso e decapitou a cabeça da tenebrosa Medusa, cujo simples olhar petrificava qualquer ser vivo e Teseu, que livrou a ilha de Creta da opressão do Minotauro, ao matá-lo e conseguir sair de um labirinto.

Os principais deuses eram: Zeus, senhor de todos os deuses; Hera, sua esposa e protetora das mulheres, fertilidade e casamento; Atena, filha de Zeus, deusa da razão e da sabedoria, protetora da cidade de Atenas, que em sua homenagem foi construído o Pártenon no governo de Péricles; Apolo, deus da luz e das artes; Afrodite, deusa do amor; Ares, deus da guerra; Hermes, mensageiro dos deuses e deus do comércio; Dioniso, deus do vinho; Poseidon, deus das águas e dos mares e Hades, deus do mundo subterrâneo dos mortos.

Os deuses que habitavam o Olimpo formavam uma família, e em sua honra, de 4 em 4 anos os gregos celebravam os Jogos Olímpicos.

A Cultura Grega e o Helenismo.

A civilização grega apresenta o mais notável desenvolvimento artístico – cultural da Antigüidade. Seus valores intelectuais da lógica e da filosofia moldaram metade da mentalidade ocidental de nossos dias.

O chamado século de Péricles (século V a.C.) foi o momento áureo da cultura grega. Os principais dramaturgos, poetas, filósofos, arquitetos e artistas em geral do mundo grego viveram nessa época. O pensamento grego tinha por base a razão humana e, por isso, supervalorizava o Homem (antropocentrismo), influenciando profundamente o racionalismo ocidental.

A cultura grega é celebre pela riqueza de sua arte, onde várias formas de expressão artística surgiram no século dourado (V a.C.).

O Teatro foi uma das áreas artísticas que mais se destacou, os grandes dramaturgos com suas tragédias e comedias atestam a genialidade da cultura grega.

*Ésquilo: considerado como primeiro grande autor de tragédias. Escreveu “Prometeu Acorrentado”, “Os Persas” e “Sete Contra Tebas”.

*Sófocles: considerado como o maior dramaturgo grego e pai da tragédia por Aristóteles. Escreveu “Édipo Rei”, “Édipo em Colona”, “Electra”, “Antígona”, entre outras.

*Eurípedes: Autor de “Medéia”, “As Troianas” e “As Bacantes”.

*Aristófanes: Autor das comédias satíricas “As Nuvens”, “As Rãs” e “As Vespas”.

Na história, Heródoto é o historiador considerado o “pai da História”, pois descreveu com pormenores as guerras médicas, encarando-as como desígnios de Zeus. Tucídides, autor de “A Guerra do Peloponeso”, buscou esclarecer os fatores políticos que determinaram os acontecimentos históricos.

Na literatura, além das tragédias, se destacam as poesias épicas, com a “Ilíada” e “Odisséia”, cuja autoria é atribuída a Homero e “Teogonia” e “O Trabalho e os Dias” de Hesíodo. Na arquitetura, os grandes nomes foram Ictínio e Calicrates, responsáveis pela construção de vários monumentos, dos quais o mais famoso é o Pártenon em Atenas. Três foram os estilos arquitetônicos que se desenvolveram na Grécia antiga distintos pela forma e feitio das colunas e do capitel: o Jônico caracterizado pela leveza e elegância das colunas; o Dórico, apresentando colunas de linhas mais rígidas e capitel liso, o que oferece mais funcionalidade; e o Coríntio, com colunas mais ornamentadas, expressando luxo e abundância.

Na escultura, vale lembrar o nome de Fídias, escultor da estátua da deusa Atena, de Zeus e dos relevos do Pártenon e Miron, conhecido pela estátua do Discóbolo.

A civilização grega é igualmente influente por suas realizações filosóficas e cientificas. A Filosofia surgiu no período arcaico com a Escola de Mileto, onde se destacaram Tales, Anaxímenes e Anaximandro. Na concepção dessa escola, tudo na natureza descendia de um elemento básico (água, ar ou matéria). Pitágoras, considerado o pai da Matemática, atribuía aos números a essência de tudo. Acreditando na mobilidade do universo, Heráclito opôs-se a estas idéias, afirmando que o universo achava-se em constante mudança.

Os sofistas eram dedicados à crítica da tradição do Estado, religião, privilégios e defensores da democracia. Dizia Protágoras: “O Homem é a medida de todas as coisas”. Platão, discípulo de Sócrates e Aristóteles, seu discípulo foram considerados os maiores filósofos do período clássico grego.

Nas ciências, vale destacar o avanço da Matemática com Euclides, criador da geometria, a Física com Arquimedes de Siracusa, Geografia com Eratóstenes e da Astronomia com Aristarco, Hiparco e Ptolomeu, este ultimo defensor do geocentrismo, teoria que foi aceita universalmente até o início da era moderna (séculos XV e XVI).

O helenismo, que foi a expansão da cultura grega pelos domínios do Império Macedônico de Alexandre O Grande e Império Romano, originou ainda novas correntes filosóficas como:

Estoicismo: fundada por Zenão, defendia a felicidade como equilíbrio interior, o qual oferecia ao Homem a possibilidade de aceitar, com serenidade, a dor e o prazer, a ventura e o infortúnio;

Epicurismo: fundada por Epicuro de Atenas, pregava a obtenção do prazer e da amizade como bens supremos e base da felicidade, e procurava aliviar o medo da dor, morte e dos deuses. Ceticismo: fundada por Pirro, caracterizava-se essencialmente, pelo negativismo e defendia que a felicidade consiste em não julgar coisa alguma;
O helenismo acrescentou a cultura grega o despotismo, segundo o qual a autoridade do governante era inquestionável;
A divisão do Império Macedônico e as lutas internas resultaram no enfraquecimento político, o que possibilitou a conquista romana, concretizada durante os séculos II e I a.C. Entretanto, mesmo conquistando a Grécia, Roma teve de se curvar perante a grandeza da civilização grega, assimilando muitos de seus valores culturais.

Aspecto Cultural Da Roma Antiga

Em termos culturais, a República e o Direito foram as mais importantes contribuições para a civilização ocidental. Ainda hoje muitas das leis em vigor no ocidente, têm as suas raízes no antigo Direito Romano.

No início da civilização romana, as leis não eram escritas. Foi a pressão da plebe que originou o primeiro código jurídico de Roma: a Lei das 12 Tábuas. Aprimorada pelos jurisconsultos, a legislação romana dividia-se em 3 ramos principais:

Jus Civile (Direito Civil), conjunto das leis a serem obedecidas pelos cidadãos romanos; Jus Gentium (Direito dos Gentios), código mais abrangente, que dizia respeito a todos os habitantes do Império, independentemente da nacionalidade;

Jus Naturale (Direito Natural), verdadeira filosofia jurídica, destacando-se entre seus fundamentos o seguinte princípio: “Todos os Homens são por natureza, iguais e detentores de certos direitos que os governos não tem autoridade para transgredir”.

Entre os principais jurisconsultos romanos estão Sálvio Juliano, Emílio Papiano, Ulpiano e Caio.

No plano artístico, a cultura romana apresenta significativa influência grega, tanto na literatura como na escultura, arquitetura e pintura.

Na literatura, alguns nomes merecem ser mencionados:

Cícero, um dos maiores oradores da Antigüidade, foi discípulo de Zenão, seguidor do estoicismo e defensor da idéia de que o direito do individuo está acima do direito do Estado.

Virgílio, autor de “Eneida”, “Bucólicas” e “Geórgicas”, grande influência para Dante Alighieri e sua “Divina Comédia”.

Horácio, autor de odes e sátiras.

Ovídio, autor do poema “Ars Amatoria” (A Arte de Amar).

Tito Lívio, autor da primeira grande obra histórica em latim.

Tácito, autor de Anais e Histórias, foi o mais importante historiador da Roma clássica.

No campo das artes, a que mais se destacou em Roma e no Império, especialmente pela grandiosidade de suas obras foi a Arquitetura. Aquedutos, estradas e muralhas romanas ainda hoje estão conservadas na Europa, refletindo as dimensões alcançadas pelos domínios da Roma Imperial.

Nas ciências, destacam-se Plínio O Velho, com sua História natural e Celso na medicina. O progresso científico foi, todavia, bastante reduzido, restringindo-se basicamente aos conhecimentos herdados e desenvolvidos pelos gregos.

Também a primitiva religião romana assumiu traços da grega, igualmente politeísta e antropomórfica. Algumas divindades latinas confundiam-se com as gregas, alterando-se simplesmente os nomes, Zeus chamou-se Júpiter, Hera chamou-se Juno, Afrodite chamou-se Vênus, Dioniso chamou-se Baco, Ártemis chamou-se Diana e assim por diante.

Porém, a partir do período imperial, essa forma religiosa começou a ser suplantada pelo Cristianismo, o qual baseava-se nas pregações de Jesus de Nazaré, morto crucificado durante o governo de Tibério.

Conclusão.

Durante este trabalho pude obter a conclusão que a herança cultural deixado pelos gregos foram riquíssimas e influenciaram em toda a civilização ocidental.

Suas concepções de beleza são retratadas nas obras como: pinturas, esculturas e arquiteturas. Em se tratando de história, os gregos foram os primeiros a tratar a história com espírito cientifico, reparando as lendas ou mitos dos fatos concretos, verídicos.

O teatro grego, basicamente é dividido em tragédias (guerras) e comedias. Já nas artes, os gregos alcançarão notável desempenho, especialmente na arquitetura e na escultura. As artes caracterizam-se pelo humanismo através da glorificação do ser humano e do nacionalismo que simbolizava o orgulho do povo pela sua cidade. Portanto na escultura grega valorizam o antropocentrismo de suas obras.

Bibliografia.

Sites.

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http://www.unifap.br/borges/filosofia1.htm

http://www.lasalle.g12.br

http://www.duplipensar.net/materias/2004-05-grecia-roma.html

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