Este texto tem como finalidade apresentar as investigações sobre a hipnose, no final do século XIX e início do século XX,, bem como mostrar sua aplicação como auxiliar na terapia, no campo da psicologia, e os desdobramentos desta na atualidade. Tendo como foco a nossa época, tentamos entender a “redescoberta” da hipnose, seus usos na atualidade e diferenças.

Para esta exposição foi feito um levantamento bibliográfico sobre o assunto e também realizada uma pesquisa de campo, com entrevistas a psicólogos que utilizam a técnica como instrumento de trabalho.

Com esse trabalho foi-nos possível verificar que há sim um crescimento do uso da técnica da hipnose e este não mais se restringe às abordagens tradicionais, sendo encontrado em diferentes áreas da saúde.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1 BREVE HISTÓRICO DA HIPNOSE
1.1PRINCIPAIS PRECURSORES DA HIPNOSE
2 A HIPNOSE
3 A HIPNOSE NA ATUALIDADE
3.1 A HIPNOSE NO BRASIL
4 ENTREVISTAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS
ANEXO I – CRONOLOGIA
ANEXO II –FENÔMENOS HIPNÓTICOS
ANEXO III – TÉCNICA DE AUTO-HIPNOSE
ANEXO IV- ROTEIRO DAS ENTREVISTAS



INTRODUÇÃO

A psicologia progrediu muito no Brasil nos últimos anos, tanto na produção de artigos e livro, quanto na pesquisa, nos diferentes campos de atuação como nas abordagens terapêuticas. Com relação a estas últimas temos assistido,hoje sobretudo nas técnicas aí utilizadas, a um incremento do uso da hipnose, como um instrumento auxiliar, por parte de muitos profissionais. Essa observação levou à questão norteadora dessa investigação: por que, como e para o quê os psicólogos estão utilizando o método hipnótico?

O tema é relevante na medida em que todo método terapêutico requer conhecimento e investigação, na busca do bem estar do outro, cabendo aos profissionais da saúde mental investigar a eficácia, deste ou de qualquer outro método, bem como os possíveis males proporcionados pelo mesmo, na esfera mental e física. E uma vez que a hipnose tem sido um método, uma técnica bastante difundida cabe-nos investigar os aspectos que dizem respeito ao uso desta, na atualidade. Com isso poderemos contribuir para uma maior compreensão e conhecimento acerca do tema e também para a formulação de uma crítica sobre o mesmo.

O objetivo geral é esclarecer como e por quem o método da hipnose vem sendo utilizado e qual a contribuição para a eficácia do tratamento psicológico, dando origem ao tema “O Uso da Hipnose na Atualidade”.

Não poderíamos abordar a hipnose hoje sem falarmos das investigações sobre a mesma, no final do século XIX e início do século XX, bem como mostrar sua aplicação como auxiliar na terapia, no campo da psicologia, e os desdobramentos até a atualidade.

Assim, para se realizar tal exposição foi necessário fazer uma síntese das ocorrências que contribuíram de forma relevante para a consolidação da hipnose como uma prática terapêutica; fizemos isso em ordem cronológica apresentando, no primeiro capítulo, os principais personagens que compuseram a história da hipnose, seus estudos e suas mais valiosas contribuições que fundamentaram a prática hipnótica e possibilitaram chegar ao entendimento dos seus mecanismos.

Os principais aspectos sobre a hipnose encontram-se no capítulo dois no qual é exposto o conceito, a relação com a mente consciente e o subconsciente, o papel da sugestão e da sugestionabilidade, a suscetibilidade hipnótica, a função do hipnólogo e as áreas de atuação que fazem uso da técnica.

No capítulo três veremos como a hipnose se consolidou na atualidade no campo jurídico e profissional,em específico no Brasil e, posteriormente, no capítulo quatro, chegaremos ao que pensam os profissionais entrevistados, que trabalham com hipnose, a respeito do tema e como atuam na sua área, cotejando suas opiniões e experiências com os autores pesquisados.

Para a construção deste trabalho foi realizada uma pesquisa bibliográfica e como o tema se refere à atualidade tornou-se fundamental o trabalho de campo com entrevistas semi-estruturadas com cinco psicólogos que utilizam a técnica da hipnose no consultório.

CAPÍTULO 1 – BREVE HISTÓRICO DA HIPNOSE

Nesse capítulo será apresentado um histórico da hipnose incluindo os principais personagens que figuraram na prática hipnótica ao longo da história da humanidade.

De acordo com Sofia Bauer (2002), as induções hipnóticas podem ser encontradas na história da humanidade desde seus primórdios. Indícios obtidos através de papiros encontrados no Egito informam que no século XXX a.C. sacerdotes induziam pessoas, naquela região, a certo tipo de estado hipnótico. Segundo Faria (1986) no antigo Egito eram utilizados meios de indução hipnótica não muito distintos dos habituais nos chamados “Templos dos Sonhos”, locais em que aconteciam sugestões terapêuticas, porém a prática do hipnotismo era envolta de mistérios e superstições. Já na China do século XVIII a.C.,de acordo com Bauer (2002), buscava-se a aproximação entre pacientes e seus antepassados através de um tipo de estado de transe.

Mais adiante na história:

No século X o persa, de origem árabe, Abu-Alihussain Bem Abdallah Ibn-Sina (Avicena 980 a1036), que era filósofo e médico, foi o verdadeiro precursor da reflexologia pavloviana. Ele achava que a imaginação humana tinha poderes e forças, que podiam atuar não só sobre o seu próprio corpo como também sobre o funcionamento corporal de outras pessoas.Avicena afirmava que pela palavra pela vontade e pela persuasão muitos padecimentos poderiam ser curados. (FERREIRA, 2006, p.8)

Já no século XVI, considerado pai da medicina hermética Paracelsus (Philippus Aureolus Thephrastus Bombastus von Hohenheim, 1493-1541), “acreditava na influência magnética das estrelas na cura de pessoas doentes” (BAUER, 2002, p.26). Ele ainda “admitia que a imaginação e a fé eram capazes de modificar estados de saúde atuando sobre o todo físico” (FARIA,1986, p.11).

Avicena e Paracelso foram perseguidos por suas convicções, segundo Faria (1986), embora com uma diferença de quase 500 anos entre os dois, continuaram aceitando a existência de uma “força interior” capaz de agir substancialmente em nosso próprio organismo.De acordo com esse autor alguns reis da Idade Média e imperadores romanos também realizavam supostas curas através de toques e de passes dados aos seus súditos.

Outros relatos de práticas hipnóticas puderam ser encontrados no sul da Alemanha, no século XVIII, com o padre Gassner que usava métodos hoje reconhecidos como hipnóticos em um processo de exorcismo em que realizou dezenas de curas, por isso concordamos com Weissmann (s.d) ao dizer que a hipnose nunca deixou de ser usada mesmo por métodos e com objetivos e motivos diversos.

Ainda segundo Weissmann (s.d) nesse mesmo século surge também o mesmerismo, desenvolvido intermédio do médico austríaco Franz Anton Mesmer (1734-1815), que obtinha a cura de seus pacientes através do magnetismo do imã e posteriormente pelo magnetismo do próprio corpo (magnetismo animal).

De acordo com Sofia Bauer(2002) foi feita uma comissão para verificar se os resultados obtidos eram verdadeiros e concluíram que Mesmer era um charlatão:

Ele propunha que a cura se dava por uma ab-reação da harmonia orgânica,produzida por uma concentração inadequada de um fluido magnético invisível.Pensava que a cura se dava ao fazer fluir o tal magnetismo. Foi constituindo fama com suas curas e logo chamou a atenção pelo suposto charlatanismo.Foi feita uma comissão para investigar se a cura era real ou não. (…) Consideraram então Mesmer um charlatão.O mesmerismo foi proibido (…). (BAUER, 2002,p. 26-27)

Posteriormente, o marquês Armand Marie Jacques Chastenet de Puységur (1751-1825), utiliza as técnicas de Mesmer acrescentando a estas um “estado de sono profundo que denominou de sonambulismo, termo ainda hoje usado em certas fases do aprofundamento hipnótico” (FARIA, 1986, p. 26-27); era uma forma de indução. Segundo Faria (1986), durante algumas práticas de magnetismo, Puységur observou que os pacientes atingiam um inesperado estado de relaxamento, conversavam enquanto dormiam e manifestavam hipermnésia (reprodução de memórias antes esquecidas).

Em Paris, no ano de 1815, o Padre José Custódio de Faria (1755-1819), português mais conhecido sob o nome de Abade Farias, foi o primeiro a lançar a doutrina da sugestão e a mostrar que hipnose não era sinônimo de sono. Também reconheceu o lado subjetivo do fenômeno, ou seja, que o resultado da hipnose acontecia em função do sujeito, o que contribuiu para o papel da sugestão na prática do hipnotismo, segundo Weissman (s.d.). Como se pode ver, os estudiosos deste “estado” nunca deixaram de existir e pesquisar, variando deste o nome, a técnica de investigação e a explicação. Contudo, ainda assim o nome atribuído aos fenômenos hipnóticos continuou sendo, por algum tempo chamado de magnetismo e mesmerismo.

No século XIX o magnetismo propagou-se como um modismo, uma forte tendência, ainda que de maneira não científica. O primeiro uso médico da hipnose, nos diz Weissman (s.d.) foi feito por D. John Elliotson, médico inglês, no tratamento da histeria; ele introduziu o “sono magnético” na prática hospitalar, tanto para fins cirúrgicos como para os expedientes psiquiátricos e fundou o Mesmeric Hospital em Londres. Mas na verdade,

Os adeptos da escola magnética anunciavam seus feitos terapêuticos em toda parte. Na Alemanha, na Áustria, na França e mesmo nos Estados Unidos se realizavam intervenções cirúrgicas sob ‘sono magnético’. Na América, o Dr. Albert Wheeler remove um pólipo nasal de um paciente, enquanto o ‘magnetizador’ Phineas Quimby atua como anestesista. Já em 1829 o Dr. Jules Cloquet usou o mesmo recurso anestésico numa mastectomia. Jeane Oudet comunica à Academia Francesa de Medicina seus sucessos magnéticos obtidos em extrações de dentes. (WEISSMANN, s.d., p. 24-25).

Tem-se ainda conhecimento, através de Weismann (s.d.) de um médico do século XIX e adepto da escola mesmeriana, James Esdaile, que teve grande importância no reconhecimento da hipnose como auxiliar nas intervenções cirúrgicas como efeito anestésico, sendo que. Nesta época o éter e o colofórmio não eram reconhecidos como agentes anestésicos.

A estruturação científica do hipnotismo é atribuída ao inglês James Braid (1795-1860), segundo Faria (1986), também data do século XIX. Braid conclui que não há fundamento no mecanismo mesmérico, nenhum paciente sofre influência fluídica derivada de astros, da atmosfera ou de outras pessoas. Para ele, nos diz Faria (1986), a causa do sono hipnótico está dentro de nós mesmos, tendo ele observado que a fadiga dos órgãos sensoriais através da estimulação continuada, levava ao sono hipnótico. Isso o fez pioneiro na utilização da fixação do olhar para o alcance do estado de transe hipnótico. Aquilo de que Braid se deu conta, no entender de Ferreira (2006), foi que a indução da hipnose dependia da contribuição, da concentração mental e da vontade do paciente; e que uma vez obtida a hipnose, podia-se plantar idéias e vontades no cérebro do paciente.

Considerado então o pai do hipnotismo, segundo Weissmann (s.d.) Braid acreditava que o fato derivava de um estado de sono que podia ser induzido por agente físico e nomeou o fenômeno com o vocábulo grego, hypnos , sono. No final da carreira passou a dar maior importância à sugestão verbal e descobriu que os fenômenos do hipnotismo poderiam ser produzidos sem a necessidade de a pessoa dormir, ou seja, não era mais preciso submergir o sujeito na inconsciência onírica. Braid tentou mudar o nome hipnose para monoideísmo porém o termo já havia se firmado.

A idéia da presença de um fator psicológico no estado hipnagógico foi apontada em 1820, por Alexander Bertrand que, segundo Weissmann (s.d.), é considerado pelos historiadores da psicologia médica o ponto de transição do magnetismo para o hipnotismo.

Bertrand antecipou-se ao abade Faria e a Braid. Foi o primeiro a afirmar francamente que o sonambulismo artificial podia explicar-se simplesmente à base das leis da imaginação.(…). As obras do abade Faria, do general Noizet, na França, e as de Braid, na Inglaterra,só contribuíram com a formulação mais clara destes conceitos, desenvolvendo esta interpretação psicológica em forma mais precisa. (PIERRE JANET apud WEISSMANN,sem data, p. 29-30)

Ainda no século XIX, de acordo com Weissmann (s.d.) o médico francês Liébeault, após ter entrado em contato, em 1864, com os estudos de Braid acrescentou ao método de fixação ocular deste o da sugestão verbal e ressaltava a influência do psíquico sobre o físico. Hyppolite Bernheim, um dos expoentes da medicina na França, tornou-se discípulo de Liébeault e insistiu no caráter subjetivo, ou seja, essencialmente psicológico da hipnose, e na necessidade de estudar a técnica sugestiva e as características da sugestibilidade.

Segundo Weissmann (1964, p.30-36) e Bauer (2002,p.27-28) no séc. XIX., surge a escola de Nancy (1854-1890) que foi liderada pelo médico Ambroise Auguste Liébeault (1823-1904) e pelo neurologista Hippolyte Bernheim (1840-1919), esta escola considerava que o estado de transe era um estado normal e não patológico.

Conduzindo pesquisas e estudos independentes, de acordo com Bauer (2002), havia a escola da Salpêtriére em Paris que foi fundada e chefiada por Jean Martin Charcot (1825- 1893), um neurologista de grande prestígio, que considerava o estado de transe como algo que só acontecia como estado patológico e dividiu o transe em três níveis: a catalepsia, a letargia e o sonambulismo.

Dentro do contexto da evolução da hipnose científica, surge no século XX a figura de Ivan Pavlov, “médico russo que definiu o transe como “sono incompleto” causado por sugestões hipnóticas,(…) criador da indução reflexológica” (BAUER, 2002,p.27). Pavlov conduziu estudos a respeito da existência da associação entre o corpo e a alma, da consciência, da dedução e da inteligência. Segundo Faria (1986) ele concluiu seu trabalho ressaltando os conceitos de arco reflexo simples, que são as atitudes naturais às quais não estão associados nenhum tipo de experiência anterior e arcos reflexos condicionados, que são respostas fruto de algum aprendizado ou experiências anteriores.

Também no século XX, de acordo com Bauer (2002), Pierre Janet (1849-1947), descreveu o transe como uma dissociação, e introduziu o termo subconsciente para diferenciá-lo do inconsciente.

Passada toda essa trajetória, na chegada ao século XX a hipnose se consolidou como metodologia científica e como prática promotora de repouso e bem estar. No próximo capítulo serão destacados os principais precursores da hipnose que influenciaram na teorização e na prática da mesma na contemporaneidade.

1.1 PRECURSORES DA HIPNOSE

Uma vez apresentados os acontecimentos históricos de maior relevância na formação da teoria científica da hipnose, serão apresentados dois dos grandes percussores da prática da terapia hipnótica.

FREUD E A HIPNOSE

Sigmund Freud (1856-1939) Médico neurologista e fundador da Psicanálise , interessou-se inicialmente pela histeria, tendo como método de tratamento a hipnose e posteriormente desenvolveu o método da associação livre o qual foi o primeiro passo para a formulação da Teoria Psicanalítica.

Segundo Stengers (1990), foi no asilo Salpetrière em 1893, ano da morte de Charcot, que Freud, seu aluno publicou os resultados de suas pesquisas sobre hipnose e histeria. Foi com Charcot que ele aprendeu sobre a distinção entre as paralisias orgânicas e histéricas, sendo que as segundas não poderiam ser explicadas pela primeira.

Como foi mencionado acima, ainda de acordo com Stengers (1990), Charcot utilizou a hipnose para demonstrar que a histeria não era determinada por causas orgânicas, concluindo que as paralisias histéricas que aparecem depois de traumas era produto das representações que dominavam o cérebro, a partir de alguma disposição peculiar,ou seja, sobre as paralisias traumáticas, o que estava na origem dos distúrbios era o medo e não o choque físico.

A histeria desconhece relações entre funções fisiológicas que não traduzam as representações lingüísticas habituais. As razões do sintoma, portanto, não devem ser buscadas no cérebro, mas numa experiência que implique nossas representações, que implique, não a perna ou o braço no sentido orgânico, mas a concepção que temos desses órgãos. (STENGERS. Ano, pág. 54)

Charcot, na verdade, não fez uso da hipnose com fins terapêuticos, no sentido de “desfazer” os sintomas, mesmo sabendo que através da sugestão o que “foi feito poderia ser desfeito”. Seu grande trabalho e passo foi mostrar, através da hipnose, que a histeria não era uma simulação mas sim uma doença nervosa. Isso porque Charcot não estava interessado em investigar profundamente a “psicologia das neuroses”.

“Seria um equívoco pensar que é muito fácil praticar a hipnose com fins terapêuticos.Pelo contrário, a técnica de hipnotizar é um método médico tão difícil como qualquer outro.Um médico que deseja hipnotizar deve tê-lo aprendido com um mestre nessa arte e mesmo depois disso, deverá ter tido bastante experiência própria, a fim de obter êxitos em mais do que alguns poucos casos”.(FREUD, 1886-1899,p.145)

Segundo Stengers (1990), o interesse de Freud pelo método catártico se deu através da história de Anna O e seu terapeuta Joseph Breuer. Após o falecimento de seu pai, Anna O apresentou alguns sintomas histéricos (paralisia dos membros, contraturas, distúrbios visuais e de linguagem) e dupla personalidade. O desaparecimento de seus sintomas ocorreu por meio de hipnose na qual ao falar fatos de sua vida revelou a origem de seus sintomas.

Em relação aos sintomas Freud nos diz:

Não há dúvida de que a área coberta pelo tratamento hipnótico é muito mais extensa do que a de outros métodos de tratamento de doenças nervosas.E não há nenhuma justificativa para a acusação de que a hipnose só é capaz de influenciar sintomas, e apenas por breve período de tempo. Se o tratamento hipnótico é dirigido somente contra os sintomas, e não contra os processos patológicos, está seguindo justamente o mesmo caminho que todos os demais métodos de tratamento são obrigados a trilhar.(FREUD, 1886-1899, p.153)

De acordo com Jones (1989) em dezembro de 1887, Freud volta a fazer o tratamento por sugestão hipnótica à maneira de Bernheim , após ficar um período de vinte meses sem fazer uso desta, e posteriormente pelo método catártico de Breuer. Freud foi incapaz de hipnotizar vários de seus pacientes , concluindo como inadequados para o método catártico o que o levou a buscar um outro método que não dependesse da hipnotizabilidade do paciente desenvolvendo o método da associação livre entre 1892 e 1895.

“…podemos partir da presunção de que qualquer pessoa é hipnotizável;porém, todo médico encontrará determinado número de pessoas que dentro das condições de suas experiências, não conseguirá hipnotizar e muitas vezes, será incapaz de dizer de onde se originou seu fracasso.” (FREUD, 1886-1899,p.146)

Outro motivo e o principal que contribui para Freud abandonar definitivamente a hipnose, segundo Jones (1989), foi ao constatar que a melhora terapêutica dependia do relacionamento pessoal entre paciente e o médico e o hipnotismo ocultava os fenômenos da resistência e da transferência , principais descobertas para a transição do método catártico para o psicanalítico.

A HIPNOSE ERICKSONIANA

Segundo Ferreira (2006), o psiquiatra americano Milton H. Erickson (1901-1980) foi o criador de uma abordagem inovadora que revolucionou a hipnologia no século XX. Esta abordagem, conhecida como ericksoniana, é centrada no sujeito e utilizava a indução indireta e interativa, partindo da observação de todas as reações e comportamentos dos pacientes.

Erickson expõe o objetivo da hipnoterapia da seguinte forma:

A indução e a manutenção do transe servem para promover um estado psicológico especial, no qual os pacientes podem reassociar e reconhecer suas complexidades interiores e utilizar suas próprias capacidades em manejá-las de acordo com sua experiência de vida.(ERICKSON apud BAUER, 2002, p.66)

Milton Hyland Erickson “percebeu a natureza multidimensional do transe, que se modifica experiencialmente de pessoa a pessoa” (Bauer,2002, p.29). Segundo essa autora, entre os grandes e mais conhecidos disseminadores das técnicas ericksonianas pode-se citar Jay Haley, que publicou Terapia não-convencional tendo Erickson como o criador das abordagens de terapia estratégica breve, e Jeffrey Kenneth Zeig que desenvolveu um modelo de psicoterapia baseados nos ensinamentos de Erickson.

Segundo Zeig (1995) a abordagem Ericksoniana tinha como marca a utilização de anedotas , que representavam o uso efetivo e desenvolvido da comunicação verbal, em seu método didático e como instrumento terapêutico, sendo sua comunicação precisa e focal de acordo com determinado paciente. Erickson criou várias abordagens novas e permissivas para a hipnose, como terapeuta era inflexível quanto a manter-se anti-teórico, não promovendo nenhuma teoria explícita da personalidade, acreditava que limitaria o psicoterapeuta e o tornaria mais rígido, se comprometendo então com as idéias de flexibilidade , unicidade e individualidade.

A hipnose naturalista, segundo Bauer (2002), é o método de hipnose criado por Milton H. Erickson que consiste em utilizar a linguagem do próprio cliente com sugestões indiretas , ás vezes diretas, como uma ferramenta para colocar o cliente em transe e fazê-lo experienciar e eliciar os seus recursos internos, tornando-o responsável pela sua cura. Esta forma de fazer hipnose tem como objetivo trazer à tona a natureza do sujeito , é baseada em motivar, o que é essencial no tratamento,metaforizar, uma forma de linguagem indireta e mover, consistindo em promover a mudança desejada pelo cliente.

Ferreira (2006) cita que segundo a abordagem ericksoniana pode-se induzir qualquer pessoa ao transe hipnótico e que a hipnoterapia ericksoniana “tem como característica essencial … ,um sistema interpessoal de comunicação focalizado unicamente nos indivíduos envolvidos e objetivando primeiramente descobrir capacidades inconscientes de respostas” (FERREIRA, 2006,p.34)

De acordo com Jeffrey K. Zeig (1995), Erickson é considerado uma das maiores autoridades mundiais em hipnose aplicada à psicoterapia e à medicida e o comunicador mais criativo e hábil de todos os tempos. A partir de 1956 a hipnose foi incorporada como técnica psicoterápica devido ás habilidades e práticas de Erickson.

Por fim podemos afirmar que a hipnoterapia ericksoniana é reconhecida mundialmente e tem se expandindo cada vez mais como uma forma de psicoterapia e como técnica auxiliar em algumas áreas da saúde.

No capítulo seguinte iremos abordar os conceitos que envolvem a hipnose baseado em pesquisas recentes.

CAPÍTULO 2 – A HIPNOSE

Para melhor compreensão do tema este capítulo apresentará alguns conceitos sobre a hipnose e as questões que norteiam sua aplicação. Inicialmente podemos afirmar que as manifestações da hipnose podem ocorrer na vida cotidiana das pessoas em diversas situações sem que as mesmas percebam.

Durante atividades muitas vezes cotidianas, as pessoas podem entrar em hipnose sem que nenhuma sugestão verbal seja pronunciada:simplesmente dirigindo um veículo (…); (…) assistindo a um programa na televisão.(FERREIRA, 2006, p.4)

A hipnose na vida diária ocorre mais frequentemente do que imaginamos, e contribui para a compreensão de que não é necessária a indução formal para obtermos a hipnose.No consultório do profissional médico,odontólogo ou psicólogo,faz-se a indução formal da hipnose para obtê-la no momento desejado e com finalidades específicas.(FERREIRA, 2006, p.5)

As manifestações da hipnose na vida diária, segundo Ferreira (2006), ocorrem por exemplo em uma aula, no momento em que o aluno interessa-se e focaliza a sua atenção no professor e fica limitado ao assunto e os ensinamentos ficam gravados no seu subconsciente e no consciente, também quando estamos lendo e reagimos emocionalmente ao conteúdo sem analisar a letra ou as falhas na impressão limitamos a nossa atenção visual ao conteúdo do que lemos e somos auto-hipnotizados, outro exemplo é quando uma pessoa procura os óculos e percebe que estão sobre seus olhos, até que os encontre apresenta uma ilusão negativa visual e tátil, também quando olhamos uma foto própria em uma festa e conseguimos perceber vivamente imagens da festa como se estivesse acontecendo naquele momento.

Podemos afirmar então que quando focalizamos a atenção em determinada situação ou coisa, seja de modo visual, auditivo, tátil, gustativo ou imaginativo, entre outros, fazendo com que os fenômenos que acontecem à volta, nas nossas ações ou no corpo passem despercebidas encontramo-nos, segundo este autor,hipnotizados.

Além dessas situações, consideradas “naturais”, a hipnose acontece também de forma induzida e com objetivos terapêuticos. Sabe-se hoje, através de alguns autores da área psi que, as doenças podem ter causas emocionais e acredita-se também na influência dos estados físicos nas condições emocionais.

A nossa vivência a nossa sabedoria biológica,mesmo sem se saber explicar,nos faz concordar com autores que afirmam existir alguma coisa dentro do organismo das pessoas que as faz se modificarem e se curarem, e segundo Grinder e Bandler: “Existe algum mecanismo dentro das pessoas que é capaz de fazer todas essas coisas mas elas necessitam ser convencidas precisam ser motivadas precisam entrar em comunicação e ser dotadas de um contexto dentro do qual apresentam respostas”. (FERREIRA, 2006, p.110-111)

Segundo Ferreira (2006) o essencial em um tratamento é a existência de uma mudança e, através da hipnose, pode-se modificar a interpretação de uma determinada situação, influenciando por fim as respostas fisiológicas do sujeito. Para esse autor, por meio da hipnose pode-se eliminar bloqueios, hábitos, ampliar a memória, performance, alcançar objetivos, aspirações e também entrar em contato com o seu próprio “eu”. Para se ter um bom resultado pela hipnose é necessário ser um profissional competente, ético, pois só desta forma produzirá benefícios para o paciente,já que um hipnólogo pouco treinado pode causar dificuldades para o mesmo.Ainda em Ferreira (2006) na prática os profissionais trabalham em sintonia com o paciente, dando as explicações necessárias de como é o tratamento pela hipnose contribuindo para o sucesso dos resultados e, assim, auxiliando–os a acionar as suas potencialidades para a solução de seus problemas.Um paciente mal informado pode sentir medo dificultando o processo de hipnose.

Segundo Bauer (2002), devido à complexidade na tentativa de conceituar o que é hipnose vários autores não conseguiram absorver toda a riqueza que envolve a experiência da hipnose.Uma boa definição, de acordo com Ferreira (2006), é a de Stark, para quem

(…) a hipnose é um “estado alterado” pelo menos no sentindo que prestando atenção de um modo particular ou sentindo de uma particular maneira são “estados alterados”, e a influencia hipnótica significa alterar o que nós esperamos perceber e o que nós esperamos que aconteça;e isso por sua vez, modifica como nós interpretamos a situação alterando desse modo o que nós esperamos tem o poder de alterar como nós pensamos sentimos e agimos e desse modo a influencia hipnótica está relacionada com a alteração do nosso senso de autocontrole. (FERREIRA, 2006,p.48)

Ferreira (2006), define estado alterado (alternativo ou modificado) “como uma modificação temporária no padrão total da experiência subjetiva, tal que o indivíduo acredita que o seu funcionamento mental é distintamente diferente de certas normas gerais do seu normal estado de consciência e vigília”. A consciência para Davitz e Cook, citado por Ferreira (2006), “é a conseqüência da interação entre o acontecimento em si e a forma pela qual ele é vivenciado pelo ser humano” (FERREIRA, 2006, p.55).

Cada pessoa percebe o mundo de modo diferente por isso é difícil delimitar a consciência, entretanto os processos hipnóticos são produzidos na mente e partindo da proposta do tema, falaremos sobre a consciência remetendo somente aos aspectos que envolvem a hipnose.

Ao conceituar o que é a consciência, de acordo com Myers (1999), devemos considerar duas vertentes, uma especulativa e reflexiva, mais analítica vinda da Filosofia que dá origem, por exemplo, a teoria Freudiana da estruturação psíquica, a teoria do Self, a rogeriana e a existencial-humanista, que além de estudarem sobre os estados mentais de acordando, dormindo, sonhando também investigaram as alterações da consciência por hipnose e droga. A outra vertente é a experimentalista tendo influencia Behaviorista e Cognitivista com base nas neurociências, teorias cognitivistas e na neurofisiologia.

Conceitua-se hoje a consciência para Myers (1999) como a percepção de nós mesmos e do nosso ambiente sendo ela o resultado da interação gradual de múltiplas funções cognitivas, permitindo uma representação unificada do mundo, de nossos corpos, de nosso eu, também representa a subjetividade e a individualidade. Este autor atribui à consciência as seguintes características; é unitária e isso se expressa pela fusão, durante um período variável de tempo, de todas as nossas percepções, pensamentos e emoções; não está circunscrita a uma ou outra área, se espalha difusamente pelo cérebro, é, simultaneamente uni temporal e multi-espacial; é apenas a ponta do iceberg do processamento de informação.

Diferente do processamento subconsciente de informação, o que ocorre simultaneamente em muitos canais paralelos, o processamento consciente ocorre serialmente (em seqüência) de forma lenta e limitada, visto que as tarefas que exigem atenção consciente não podem ser realizadas simultaneamente pois só há possibilidade de concentração em uma tarefa de cada vez. Myers (1999) conclui que “…a consciência é o meio da natureza de nos impedir de fazermos e pensarmos tudo ao mesmo tempo” (MYERS, 1999, p.147)

Descrever sobre consciência e subconsciente ou inconsciente é importante para entendermos o que ocorre quando uma pessoa é hipnotizada. Apresentaremos então mais definições do que é hipnose para outros autores.

Para Zeig (1995) discípulo de Milton Erickson a hipnose é “um tipo de focalização da consciência na qual o paciente entra em contato com possibilidades pessoais no nível fisiológico e psicológico”. (Entrevista, p. 4)

Sillamy (1998) define hipnose da seguinte forma:

Estado mal definido, próximo do sono parcial, em que o sujeito continua a obedecer a certas injunções do hipnotizador.Pode ser provocado artificialmente peal fixação da atenção em um objeto brilhante ou pela sugestão.

O sono hipnótico é profundamente diferente do sono normal:as percepções sensoriais não diminuem, a atenção pode concentrar-se, são possíveis diferentes ações, o registro dos ritmos elétricos do cérebro (eletroencefalograma) é comparável ao obtido durante o estado de vigília. Trata-se,pois, de uma “paralisia da vontade” (S. Freud).Sob o efeito da hipnose, podem-se observar efeitos somáticos, como analgesia (supressão da dor) ou a modificação de tecidos (formação de ampolas na pele, desaparecimento de verrugas, etc.) (SILLAMY, 1998,p.120).

As manifestações da hipnose apresentam-se, segundo Ferreira (2006), como atos do subconsciente, que para esse autor corresponde ao inconsciente,em que a soma total das funções bioquímicas e neurológicas do sujeito funcionam abaixo do nível de percepção consciente.A hipnose dá acesso ao subconsciente através de uma reprogramação mental que acontece da seguinte forma: as mensagens passam pelo senso crítico do consciente alcançam o subconsciente e por fim se amplifica.

A maneira de acessar o subconsciente pela hipnose consiste no primeiro momento limitar o foco da atenção, a qual estará relacionada com a audição, visão e sensações do paciente.Citando Hartlant, Ferreira (2006) diz que, por este autor o poder de criticismo, no estado hipnótico, é parcial ou completamente suprimido.Aceitando-se o conceito de mente inconsciente considera-se o criticismo como restrito à mente consciente, podendo esta rejeitar uma sugestão, já o subconsciente não rejeita as sugestões o que faz então com que as respostas,durante a hipnose,dependam do quanto o criticismo é diminuído.

A finalidade do subconsciente, diz Ferreira (2006), não é pensar, e sim atender às informações e comandos que lhe são fornecidas, apresentando raciocínio dedutivo e tornando generalizado essas informações como verdade. Ele tem também a função de proteger e preservar as informações e quando as sugestões podem prejudicá-lo, na medida em que são contra a tais funções o paciente rejeita as sugestões.

Segundo Bauer (2002) dentro da visão de Erickson pode definir mente inconsciente da seguinte maneira:

…é o reservatório de todas as experiências adquiridas através da vida.Experiências pessoais, aprendizados, necessidades,motivação para interagir com seu próprio mundo e as muitas funções automáticas .É uma mente sábia, não rígida, nem analítica e tampouco limitada. Ela responde a comunicações experimentais, é capaz de interpretações simbólicas e tem tendência a uma visão global. Carrega os recursos para as mudanças.(BAUER, 2002, p.41-42)

De acordo com Ferreira (2006) o subconsciente não deseja mudanças e essas só são transmitidas e sugeridas pelo profissional apenas quando o paciente demonstrou interesse.Isso é feito durante a hipnose, pois pode-se ensinar o subconsciente do paciente através da repetição constante de pensamentos ou ações, de sugestões diretas ou indiretas, de analogias e metáforas e da imaginação a buscar outros modos de funcionar e agir. Desta forma a hipnose pode ser utilizada para mudar hábitos, facilitar o uso e o desenvolvimento de habilidades já existentes, favorecer o relaxamento físico e/ou mental reduzindo a tensão, entre outros. Pode-se alcançar com o tratamento com hipnose por exemplo; emagrecer, tornar-se não fumante, permanecer afastado das bebidas alcoólicas, vencer fobias, tornar-se alegre, buscar a felicidade, vencer a dor, estancar hemorragia, relembrar acontecimentos e tornar-se tranqüilo e calmo.

Existe uma variedade de técnicas de indução, algumas padronizadas, porém não á necessidades delas para obter a hipnose. Uma indução hipnótica, segundo Ferreira (2006), tem como objetivo obter a hipnose, em comum acordo com o paciente, em um determinado momento e com uma finalidade específica apresentando sugestões para o estreitamento do campo da atenção e sua focalização.

Segundo Bauer (2002) através dos fenônemos hipnóticos , que são o rapport, catalepsia, dissociação, analgesia, amnésia, anestesia, regressão, progressão, distorção do tempo, alucinações positivas e negativas, hipermnésia, atividade ideossensória e ideomotora e sugestão pós hipnótica, capacita-se uma pessoa a utilizar da sabedoria do seu incosnciente em benefício próprio. Fazer um transe hipnótico, diz essa autora, quer dizer comunicar alguma coisa que o outro possa entender, assim utiliza-se de estratégias de comunicação. Desta maneira a sugestão faz parte do transe e para Erickson segundo Bauer :

O transe é um período no qual as limitações que uma pessoa tem, no que diz respeito à sua estrutura comum de referências e crenças, ficam temporariamente alteradas, de modo que o paciente se torna receptivo aos padrões às associações e aos moldes de funcionamento que conduzem à solução de problemas.(BAUER, 2002, p. 39)

De acordo com Bauer (2002) quando uma pessoa entra em transe a mente consciente é absorvida dando vazão à mente inconsciente aparecendo os fenômenos hipnóticos, sendo possível perceber alterações nos sinais físicos que dizem sobre um estado entre o acordado e o dormindo. Bauer (2002) considera três níveis de transe ; leve, médio e profundo , e afirma que a sugestionabilidade é maior no transe médio pois no transe leve a consciência está mais acentuada e com ela a crítica e a resistência, no transe médio a pessoa sabe que está diferente mas é participativa na hipnoterapia e ocorre amnésia parcial, já no transe profundo o qual parece com o sono, ocorre na maioria das vezes amnésia total e não se torna participativa da terapia de maneira consciente.

No entanto, esta autora nos diz que pode ocorrer vários níveis de transe e variar os fenômenos hipnóticos de um transe para o outro, e pontua que o mais importante é estabelecer um bom rapport fazendo com que o paciente tenha confiança e se sinta seguro, a motivação e a necessidade de melhora também é essencial para se ter bons resultados.

Muitos psicólogos consideram que uma pessoa em transe encontra-se com a atenção limitada e há certa repetição de pensamentos. Para O´Halon, citado por Ferreira (2006), transe hipnótico é um estado diferenciado de linguagem e diz que “ provar a existência do estado de hipnose seria o equivalente a encontrar um meio de medir o amor”(FERREIRA, 2006, p.54)

Diferente de Erickson, o qual considera haver um estado de transe, Baber por Ferreira (2006) pontua que os conceitos de transe hipnótico, estado hipnótico e de hipnose são desnecessários e enganosos para explicar o fenômeno, pois no ponto de vista cognitivo-comportamental os pacientes podem levar ao comportamento hipnótico quando possuem atitudes positivas, motivações e expectativas.

A motivação do indivíduo, de acordo com Ferreira (2006), é essencial para o sucesso do tratamento por meio da hipnose, sendo a motivação a probabilidade do paciente se envolver, continuar e aderir à mudanças necessárias, e também a expectativa positiva do paciente facilita a aceitação das sugestões.

As sugestões exercem um papel fundamental para as induções hipnótica, aconteçam elas no consultório medico, psicológico ou odontológico. Iremos então apresentar o conceito de sugestão e classificar os modos que estas podem estar sendo empregadas.

De acordo com Ferreira (2006) a sugestão é “a mensagem de alguma fonte interna ou externa, a indicar o que se deve fazer ou como as coisas devem ser feitas;o que é certo, o que é errado. É uma mensagem que nos ajuda a nos condicionarmos”. “Uma sugestão é uma comunicação indicando que um indivíduo terá a experiência de uma resposta particular”.

A sugestão deve ser também entendida pelo subconsciente que tem apenas capacidade de raciocínio dedutivo,percebendo e interpretando as sugestões de modo literal.Esse significado literal muitas vezes é aprendido durante o período da aquisição da linguagem falada….O subconsciente percebe melhor a sugestão específica do que a sugestão vaga inespecífica.”(…) A habilidade faz o especialista transmitir as sugestões privilegiando o canal de comunicação preferido pelo paciente para processar a informação.Pode ser o canal visual,utilizando frases de imagens; o auditivo utilizando fraseologia mais auditiva ou o canal cinéstésico, empregando fraseologia mais relacionada com as sensações. (FERREIRA, 2006 p.80-81)

O que determina as respostas voluntárias e as percepções das respostas involuntárias durante a hipnose do paciente, são a estrutura e a fraseologia das sugestões transmitidas pelo hipnólogo. Elas apresentam, uma variabilidade de interpretações por parte do paciente e essas interpretações são responsáveis pelas variações de respostas subjetivas e comportamentais do paciente.

Segundo Ferreira (2006) “é difícil que uma pessoa esteja sob a influência de um só tipo de sugestão”, já que nesse processo está envolvida tanto a relação especialista-meio, ambiente-paciente, quanto o conteúdo e o modo das formulações das sugestões e também o aspecto das respostas.

Para ajudar na compreensão do que discutiremos adiante julgamos necessário colocar aqui os tipos de sugestão classificada por Ferreira (2006).

• Sugestões Terapêuticas Específicas – “São sugestões de qualquer tipo,com conteúdo específico, especialmente direcionadas para o tratamento de determinada manifestação clínica do paciente.”(p.108)
• Sugestões Terapêuticas Não-inespecíficas – “Quando o conteúdo é inespecífico e deixamos o próprio paciente digerir a sugestão e criar os resultados,porque o sistema de cura está dentro dele e a sua mente converte idéias imaginações intensas e expectativas em realidades bioquímicas,os neuropeptídeos.(p.109)
• Sugestão Sensorial- “Quando agimos com qualquer dos nossos analisadores ou com qualquer substância ou vibração sobre um ou vários analisadores do paciente. A sugestão sensorial pode ser direta ou indireta e pode ser apresentada de vários modos.” (p.72)
• Sugestão Sensorial Direta- “Quando são sugestões que são diretas e objetivamente transmitidas para a obtenção de uma resposta clara e definida.” (p.73)
• Sugestão Sensorial Indireta -“São sugestões tranmitidas ao paciente de modo indireto e sutil, geralmente não relacionados com a experiência do paciente, e necessitando da interpretação dele. São sugestões que além de atingirem a mente consciente do paciente, alcançam principalmente a mente subconsciente, associando-as com a dinâmica das experiências internas do paciente” (p.75)
• Sugestão Sensorial Sonora -“Quando utilizarmos um som.Esse som sendo a voz a sugestão pode ser sugestão sonora verbal direta, verbal indireta ou extra-verbal.(p.76)
• Sugestão Sonora Extraverbal -“ É a sugestão transmitida ao paciente nas entrelinhas das frases, das palavras, dos gestos ou dos toques. A idéia contida na comunicação extraverbal é transmitida ao paciente mais do que expressada”. (p.76)
• Fonação Extraverbal -“Geralmente são sugestões produzidas pela voz do proficional como sons sem o enunciado de palavras ou frases. Esses sons transmitem emoções ao paciente.” (p.77)
• Sugestão Sensorial Sonora Não-verbal “ Quando o som não é o da voz humana e sim qualquer outro som.” (p.77)
• Sugestão Sensorial Visual -“Quando utilizamos uma imagem ou qualquer substância ou vibração influenciando o paciente através do sentido da visão.(p.77)
• Sugestão Sensorial Olfativa -“ Quando utilizamos qualquer substância que emite odores ou vibração, influenciando o paciente através do sentido do olfato.(p.77)
• Sugestão Sensorial Gustativa-“Quando utilizamos qualquer substância ou viibração influenciando o paciente através do sentido da gustação.”(p.77)
• Sugestão sensorial Tátil, Térmica, Dolorosa, Cinestésica- “Quando utilizamos qualquer substância toque ou vibração, para influenciar o paciente através do tato ou através dos analisadores das sensibilidades térmicas (calor e frio), dolorosa,noção de posição segmnetar batiestásica e palestésica.” (p.77)
• Sugestões Combinadas -“Quando há associação simultânea de mais de um tipo de sugestão.”(p.78)
• Sugestão pela Atitude- “Atitudes são sentimentos que se tornaram hábitos.” (…) A atitude adequada do especialista traduz a sua crença em poder ajudar o paciente, sendo um excelente fundo para a transmissão das sugestões que devem estar harmonizadas com a sua expressão corporal e com a sua verbalização.(p.78)
• Sugestão Psíquica -“Quando a mente pelo pensamento influencia o paciente.” (…)A sugestão psíquica não é considerada por muitos pesquisadores.”(…) Na parapsicologia considera-se que a influencia humana sobre pessoas e coisas ocorre espontaneamente e dentro de uma distância de cinqüenta metros”.(p.78)
• Sugestão Ambiental “Quando qualquer coisa do universo visível à nossa visão usual ou aos nossos analisadores influencia o paciente.” (p.78)
• Sugestões Ideomotoras – “quando as respostas estão relacionadas à motricidade” (p.79)
• Sugestões desafios- estão relacionadas com a dificuldade ou impossibilidade de realizar alguma coisa que usualmente as pessoas fazem.(p.79)
• Sugestões cognitivas -quando relacionadas com modificações da percepção e da memória.Estas sugestões podem transmitir idéias de anestesia,ilusões, distorção do tempo, relembrança, revivificação ou amnésia pós-hipnótica.(p.79)
• Sugestões Assim Chamadas Pós-Hipnóticas- “São sugestões apresentadas ao paciente durante a hipnose,associadas a um sinal condicionado,para serem realizadas depois da consulta,quando já não haja mais relacionamento direto entre o hipnólogo e o paciente.” (p.91)
• Sugestões de Imagens (Visualização)- “Visualização significa formar conceitos sentimentos com imagens na mente.(…) A visualização é poderosa porque vem de dentro da pessoa e a pessoa acredita nela.A pessoa imagina, visualiza imagens de suas próprias memórias, experiências,sentimentos e pensamentos.” (p.95)
• Sugestões de Relaxamento -“Geralmente são as sugestões iniciais que conduzem o paciente a um confortável relaxamento físico e psicológico” (p.101)

Ainda em Ferreira (2006) é necessário o máximo de informações sobre o paciente para formular e transmitir as sugestões e que quando o paciente está atento às sugestões verbais (palavras) ou não –verbais não se importa com o que está à sua volta.

Comum a todas sugestões hipnóticas são os mecanismos de atenção focalizada, resultado do funcionamento da atividade cortical frontal e alucinação obstrutiva, resultado do funcionamento dos sistemas corticais posteriores, que modulam as imagens mentais.113 (FERREIRA, 2006, p.38)

Segundo Bauer (2002), André Weitzenhoffer define sugestionabilidade como a capacidade de responder às sugestões. Para Ferreira (2006) “sugestionabilidade é o grau que um indivíduo é inclinado em direção à aceitação sem crítica de idéias e proposições” (p.67). Atualmente considera-se a sugestionabilidade como sendo respostas comportamentais aos procedimentos hipnóticos, sendo a aceitação de novas idéias e informações. Para Meares “a hipnose não é simplesmente um estado de sugestionabilidade aumentada; seria melhor considerar o aumento da sugestionabilidade um traço constante do estado hipnótico” (MEARES apud FERREIRA, 2006, p.169).

Outro conceito importante para entendermos a hipnose é o de suscetibilidade à hipnose, que de acordo Ferreira (2006), seria a avaliação da capacidade de hipnotização de um indivíduo, ou seja a habilidade de uma pessoa tornar-se hipnotizada e, para isto, o resultado do sujeito ao processo hipnótico depende de suas atitudes, crenças e expectativas, interagindo com diferenças de processamento cognitivo.

Para se formular uma teoria psicológica da hipnose é importante considerar, além desses aspectos supracitados, os substratos psicofisiológicos e neurológicos do processo.

Desde a última década do século XX, os estudiosos sobre hipnose aproximam-se com maior freqüência dos neurofisiologistas e imaginologistas para analisar o que ocorre no encéfalo durante a hipnose, usando a medição do fluxo sanguineo cerebral regional (FSCR), a PET, a RMf, o MEG, o registro eletroencefalográfico de potenciais evocados relecionados com eventos (PRE). Neste novo milênio espera-se a multiplicação dos estudos clínicos controlados e randomizados com o uso da hipnose para estabelecer normas corretas do emprego da hipnose no tratamento das diversas doenças, para ajustar-se à tendência atual da medicina baseada em evidências. (FERREIRA, 2006, p.40)

A revisão feita por Lauence, e citada por Ferreira (2006) nos diz que as diferenças individuais na velocidade do processamento cognitivo nos lobos frontais exercem um grande papel na hipnose. Ferreira (2006) afirma que os indivíduos considerados altamente suscetíveis ao processo hipnótico,de acordo com as suas respostas aos requisitos das escalas de suscetibilidade hipnótica, possuem sistemas de atenção e inibição mais efetivos e os indivíduos com baixa sucetibilidade hipnótica, de um modo geral são aqueles que têm menor vontade de experienciar a hipnose.

Abela considera a hipnose como um estado distinto apresentando características neurofisiológicas específicas e opostas de acordo com a alta ou baixa suscetibilidade das pessoas e simultaneamente com uma habilidade maior do que a normal para acessar e influenciar a experiência. (FERREIRA, 2006, p.48)

Atualmente todas as pessoas são consideradas como hipnotizáveis independente das suas idades, desde que sejam auxiliadas por um hipnólogo habilidoso e com experiência.Ferreira (2006) portanto considera por exemplo que a pessoas com demência, estágio avançado de Alzheimer, em que muitos neurônios deixam de funcionar, são impossíveis de serem hipnotizadas diretamente.

Para Theodore Barber por Ferreira (2006), as pesquisas indicam três principais tipos de pessoas altamente susceptíveis à hipnose: pessoas com propensão à fantasia, com propensão à amnésia e as pessoas positivamente estabelecidas que estão prontas para cooperar com o que é sugerido.Essa cooperação, por sua vez, implica alguns aspectos que Shames e Sterin consideram como sendo os quatro ingredientes da hipnose.

(a) motivação, (b) relaxamento (c) concentração, (d) direção. A motivação seria o mais importante. O relaxamento é um fator algumas vezes dispensável. A concentração seria limitar as coisas que está fazendo a uma só coisa. A direção seria a aplicação de uma técnica para dirigir as energias para a finalidade específica dentre essas a principal técnica é a da visualização.(FERREIRA, 2006,p.56)

Ainda em Ferreira, toda a hipnose é auto-sugestão guiada, por isso o mérito do profissional hipnólogo esta na formulação sugestiva adequada e individualizada sendo que o poder de alcançar um objetivo, uma mudança está na mente do paciente. Desta forma na hipnose ou relax-reflex o papel do hipnólogo é de guiar o paciente auxiliando-o a sintonizar-se com o relaxamento e com os objetivos do tratamento.

(…)Outros nomes para hipnose incluem relaxamento programado imaginação programada, sugestão guiada, imaginação guiada, visualização criativa, reprogramação mental, programação neurolinguistica (PNL) aplicada, técnicas de controle mente-corpo, alfagenia, introspecção, psicocibernética, hipnocibernética, letargia, sofrologia, anesis, sugestões orais, dianética, samadhi. (FERREIRA, 2006,p.146)

Durante o processo de hipnose o paciente pode ouvir e entender tudo o que o hipnólogo está falando e se comunicar com o hipnólogo verbalmente ou por gestos. Desta forma o que as pesquisas nos mostra é que “a hipnose não tem nenhuma correlação física conhecida e não pode ser definida por quaisquer critérios exteriores, mas apenas pela própria experiência subjetiva do indivíduo” (FERREIRA, 2006, p.122)

Atualmente a tendência na condução da hipnose é evitar o uso de palavras como sonolência, sono, sono profundo, dormir. Segundo Ferreira (2006) a eficácia do tratamento não depende da lembrança ou não das palavras do hipnólogo e é o próprio paciente o responsável pela mudança, uma vez que ele concordar, desejar e se permitir entrar em hipnose.

Para finalizar, vale ressaltar que, a hipnose não é uma medicina alternativa, mas sim um procedimento médico e ético, podendo ser exercido por médicos, psicólogos e odontólogos.

Agora que vimos alguns aspectos relevantes para o esclarecimento da hipnose iremos apresentar como esta prática vem sendo exercida, no próximo capítulo.



CAPÍTULO 3 – A HIPNOSE NA ATUALIDADE

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria (2007), atualmente existem várias sociedades formadas por profissionais que atuam na prática da hipnose em todo o mundo, também há médicos trabalhando com hipnose em várias universidades, alguns Conselhos diplomam e titulam profissionais em hipnose e algumas instituições internacionais já se posicionaram sobre a Hipnose Médica, reconhecendo-a como auxiliar útil a Medicina.

Podemos notar que há uma aceitação e comprovação da técnica da hipnose como auxiliar nos procedimentos terapêuticos e que funciona como um instrumento promotor de saúde e bem-estar.

No campo da Psicologia esta prática não se restringe a uma abordagem independente da área de trabalho e da utilizada pelo psicólogo, na verdade a hipnose é hoje vista como uma técnica com fundamentos teóricos e resultados práticos, sendo necessária uma qualificação e estudos para a utilização no âmbito terapêutico.

No que diz respeito ás terminologias utilizadas segundo a Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria (2007) temos por Hipnologia o estudo da natureza da hipnose e investigação científica de seus fenômenos e repercussões; Hipnoterapia, terapia feita através da hipnose; Hipnoterapeuta chama-se o profissional ou terapeuta, de ordinário médico, odontólogo ou psicólogo, que exerce a hipnoterapia; Hipnotista sendo o profissional que pratica a hipnose; Hipniatria que se refere ao procedimento ou ato médico que utiliza a hipnose como parte predominante do conjunto terapêutico, Dehipnotizar; ato de retirar o paciente do transe hipnótico; Hipnodontia, hipnose usada no ato odontológico.

No site Wikipédia (2007) o termo Hipnoanálise é definido como o “método psicanalítico em que se faz uso da hipnose para com o paciente, de modo a obter informações analíticas, livre associação e reações emocionais da infância, que de outra forma, eventualmente seriam velados pela consciência ordinária”, é uma das formas de hipnoterapia.

A partir das nomenclaturas é que vamos melhor delimitando as áreas de atuação, conseqüentemente as finalidades e os objetivos com o qual a hipnose é utilizada. Assistimos hoje um forte retorno desta técnica e em conjunto uma banalização no que diz respeito a sua prática. Não é difícil encontrar nos meios de comunicação o assunto Hipnose através de curso via Internet, sites formados por profissionais da saúde e de profissionais de outras áreas. Além disso encontramos um número reduzido de artigos acadêmicos brasileiros mas um vasto número de sites relacionados ao tema.

Em bancas de Jornal o acesso a esse assunto é fácil, revistas de PNL (programação neurolingüística) divulgam sobre o tema e vendem CDs, ou melhor, programas terapêuticos em áudio conduzidos e elaborados por profissionais nos quais contém técnicas de hipnose ericksoniana com os temas : “Livre-se do Cigarro”, “Conquiste seu peso ideal”, “Seja um campeão de vendas”, “Ame e seja amado”, “Multiplique seus potenciais” e etc.

Segundo Bazzi (2007) a hipnose tem que estar associada a um procedimento, ela sozinha não resolve, é a interação que faz as coisas mudarem. Diante disso podemos afirmar que para haver um bom resultado não basta ser submetido a uma indução generalizada que propõe as programações em áudio, para haver um tratamento é importante se ter um bom diagnóstico e posteriormente implantar técnicas adequadas, dentro de um processo individualizado, para assim trazer real benefício para as pessoas.

3.1 – A Hipnose no Brasil

A questão da prática da Hipnose perpassa pelos critérios da saúde, da ética e da justiça, desta forma foi-se necessária uma regulamentação legal, firmando a utilização desta técnica apenas por profissionais médicos, dentistas e psicólogos, sendo que a utilização por pessoas leigas é configurada como Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica, ou Curandeirismo, ambos atos ilícitos definidos como crime no Código Penal, nos artigo 282 e 284, respectivamente (BRASIL, 1940) .

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria (2007), na década de 1960, a Hipnose em espetáculos foi proibida no Brasil pelo presidente Jânio Quadros em 1961, através do Decreto Nº 51.009, que permitia a hipnose somente de caráter puramente científico executadas por médicos com curso especializado na matéria (BRASIL, 1961). No entanto essa lei foi revogada pelo presidente Fernando Collor através do Decreto nº 11 de 18/01/1991.

Em 20 de agosto de 1999, o Conselho Federal de Medicina, emitiu um parecer (nº 42/99) sobre a Hipnose Médica, recomendando que os profissionais de saúde utilizassem o termo Hipniatria para diferenciar a Hipnose Médica de outras formas de Hipnose. Além disso, esse parecer reconhece a hipnose como “uma valiosa prática médica”, que pode ser utilizada em diagnóstico e tratamento.

Para os Odontólogos a prática da Hipnose está regulamentada pelo artigo 6º, I a VI, da Lei nº 5.081 de 24/08/66.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por sua vez, aprovou e regulamentou o uso da Hipnose como recurso auxiliar ao trabalho do Psicólogo em 20 de dezembro de 2000, através da Resolução CFP nº 013/00. Foi considerando o valor histórico da utilização da Hipnose como técnica de recurso auxiliar no trabalho do psicólogo, as possibilidades técnicas do ponto de vista terapêutico como recurso coadjuvante, o avanço da Hipnose, a exemplo da Escola Ericksoniana no campo psicológico, de aplicação prática e de valor científico, considerando o reconhecimento na área de saúde, como um recurso técnico capaz de contribuir nas resoluções de problemas físicos e psicológicos e ser a Hipnose reconhecida pela Comunidade Internacional e Nacional como campo de formação e prática de psicólogos.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina, em 20 de agosto de 1999, reconheceu a hipnose como uma forma de diagnose e terapia que somente deve ser executada por profissionais devidamente qualificados, médicos odontólogos e psicólogos; e foi adotado como oficial o termo hipniatria para definir o procedimento ou ato médico que utiliza a hipnose como parte predominante do conjunto terapêutico. O Conselho Federal de Psicologia em 20 de dezembro de 2000, inclui o uso da hipnose como recurso auxiliar de trabalho do psicólogo, quando se fizer necessário, dentro dos padrões éticos, garantidos a segurança e o bem-estar da pessoa atendida.(FERREIRA, 2006, p.154)

Cumpre destacar que a referida Resolução está em conformidade com o disposto no Decreto nº 53.464 de 21/01/64 que determina as atribuições dos Psicólogos:

Art. 4º São funções do psicólogo:

1) Utilizar métodos e técnicas psicológicas com o objetivo de:

a) diagnóstico psicológico;
b) orientação e seleção profissional;
c) orientação psicopedagógica;
d) solução de problemas de ajustamento.

2) Dirigir serviços de psicologia em órgãos e estabelecimentos públicos, autárquicos, paraestatais, de economia mista e particulares.

3) Ensinar as cadeiras ou disciplinas de psicologia nos vários níveis de ensino, observadas as demais exigências da legislação em vigor.

4) Supervisionar profissionais e alunos em trabalhos teóricos e práticos de psicologia.

5) Assessorar, tecnicamente, órgãos e estabelecimentos públicos, autárquicos, paraestatais, de economia mista e particulares.

6) Realizar perícias e emitir pareceres sobre a matéria de psicologia. (BRASIL, 1964)

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipnose e Hipniatria (2007), a hipnose abrange qualquer procedimento que venha causar, por meio de sugestões, mudanças no estado físico e mental, podendo produzir alterações na percepção, nas sensações, no comportamento, nos sentimentos, nos pensamentos e na memória.

Segundo Bauer (2002) o professor Malomar Lund Edelweiss foi um dos primeiros divulgadores das obras de Milton Erickson no Brasil. Malomar é psicólogo, professor universitário graduado em Direito e Filosofia com formação em psicanálise,fundador do Circulo Brasileiro de Psicanálise no Rio Grande do Sul, onde nasceu, e deu inicio ao Circulo Psicanalítico de Minas Gerais residindo atualmente na cidade de Belo Horizonte. Bauer (2002) considera Malomar como sendo o padrinho brasileiro de hipnoterapia, dedicou-se os últimos 15 anos à pratica da hipnoanálise e hipnoterapia.

Desde especialmente o fim da Segunda Guerra, em 1945, o estudo científico da hipnose tem crescido de modo admirável e sua aplicação clínica tomou impulso novo e intenso,em particular no campo das psicoterapias e no terreno da psicossomática. Têm voltado à circulação, em algumas pesquisas, os chamados “estados hipnóides” da mente, defendidos por Breuer e rejeitados por Freud. Ao mesmo tempo em que se redescobre e se reanima deste, a constatação de que, em meio aos piores ciclones que transtornam a vida psíquica, subsiste ilesa num recanto da mente, como observador imperturbável e inatingível, uma pessoa normal oculta. Daí parte a volta à cura.É onde pode entrar, com enorme proveito, a hipnoterapia ou a hipnoanálise, conforme o caso e tanto uma quanto a outra, com surpreendente profundidade e considerável economia de tempo. (EDELWEISS, 1994, p.104)

No Brasil, como vimos, a hipnose vem sendo praticada por profissionais qualificados em prol da saúde e do bem-estar, e para maiores informações a cerca do tema na atualidade foi realizado entrevistas semi-estruturadas com profissionais que a utiliza em seu trabalho, como veremos no capítulo seguinte.

CAPÍTULO 4 – ENTREVISTAS

Nossa pesquisa, como já dito, foi composta por um levantamento bibliográfico e um trabalho de campo no qual foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, com psicólogos que fazem o uso da hipnose nos dias de hoje, com o objetivo de investigar como esses profissionais vêm utilizando esta técnica em seus clientes.

A escolha da amostra foi de cinco psicólogos, que atendem clinicamente na cidade de Belo Horizonte – MG e já atuam há algum tempo na clinica utilizando a hipnose como instrumento. Foram eles:

• Sandra Donato, graduada em Psicologia pela PUC.Minas com formação em Hipnoanálise;
• Cláudia Valadares Roquette Maia, Psicóloga e pós-graduada em Hipnoterapia e Hipnoanálise, especializada em Hipnose Ericksoniana, fundadora e presidente do Instituto Brasileiro de Hipnose Clínica, professora e responsável pelo curso O Uso da Hipnose Clínica;
• Mariana Diláscio, formada em Psicologia pela UFMG, com mestrado em Psicologia Social e formação em Hipnoterapia;
• Rodrigo Rezende, psicólogo com formação em hipnoterapia pelo Instituto Milton Erickson – com pouco tempo de formação e atuação.
• Ângela Cristina Cota Guimarães Mendonça, graduada em psicologia, pós- graduada em psicopedagogia, psicodiagnóstico, com formação na abordagem Ericksoniana e mestrado em psicologia Clínica Ericksoniana pelo centro Ericksonino do México.

As entrevistas foram realizadas com base em um roteiro (ver Anexo 1) e gravadas em fita cassete. Para melhor compreensão e visualização desse trabalho de campo os resultados foram divididos em categorias, por assuntos, nas quais é especificado e ilustrado o ponto de vista e a forma de trabalho dos profissionais entrevistados. Relacionaremos com o Capítulo 2 cada um dos tópicos selecionados, são eles: 1-Conceituação, 2-Objetivo, 3-Indicação, 4-Contra-Indicação, 5-Riscos, 6-Eficácia, 7-Perfil dos Clientes, 8-Aceitação social e profissional e 9-Mudanças desde o século XX.

O estabelecimento dessas categorias tomou como base a análise de conteúdo que, de acordo com Bardin (2004) tem como objetivo fornecer uma representação simplificada dos dados brutos e isso por condensação.

1 – Conceituação

Com relação ao conceito de hipnose todos os profissionais mostram consenso ao considerar a hipnose uma técnica. Conceituam a hipnose de modo diferente porém, como foi mencionado no capítulo dois, não existe um único conceito que possa abranger toda a complexidade do tema; desta forma não há certo ou errado e as respostas se completam devido a abrangência do conceito.

Sandra Donato não formulou um conceito sobre a hipnose, respondendo que a hipnose “é uma técnica complementar ao meu trabalho…é uma técnica não é uma abordagem teórica, não é um modo de entender o aparelho psíquico”.

Já os outros, ainda que de maneira diversa, tentaram definir a hipnose. Dentro da abordagem ericksoniana Rodrigo Resende nos diz: “hipnose para mim é uma forma de comunicação, na qual você como terapeuta pode lançar idéias, mensagens através de metáforas ou outras formas de indiretas que o terapeutizando irá interpretar de alguma forma que fará sentido para ele”. Uma outra definição é apresentada por Cláudia Maia, que diz ser a hipnose “um estado especial de consciência onde a mente inconsciente está mais presente”.

Mariana Diláscio tem para si que a hipnose “é uma forma diferente de o cérebro funcionar” e Ângela nos diz que:

“A hipnose é um estado alternativo de consciência onde o sujeito que está se submetendo à hipnose vai ter condição de acessar alguns recursos que podem estar destituídos, também existe a possibilidade de estar encontrando paz, calma, uma forma diferente de lidar com as coisas. Mas tudo vai estar ligado aos recursos que não estão sendo utilizados ou não estão sendo bem utilizados.O estado alternativo de consciência é o que a gente consegue a partir do momento que a gente foca a atenção do cliente em coisas diferentes, que na verdade antigamente acreditava que a hipnose era uma inconsciência era trabalhar o próprio inconsciente, hoje a gente sabe que é um estado alternativo de consciência podemos falar em estados alterados de consciência, mas alterado pode dar aquela idéia de uma coisa mais patológica.Alternativo, porque é um estado alternativo de consciência, existe uma dimensão da consciência que não está sendo acessado e a hipnose vai permitir isso.(Ângela Cristina)

Resumindo o conceito para esses profissionais podemos afirmar que a hipnose é uma técnica, uma forma de comunicação, um estado especial, alternativo e diferente do cérebro funcionar.

2 – Objetivo

Ao se investigar os objetivos com que fazem uso da hipnose, em seu trabalho, os psicólogos responderam associando a hipnose a um instrumento para facilitar, melhorar, comunicar e mudar o padrão neural no tratamento psicoterápico.

Condizente ao explicitado Sandra nos diz:

A hipnose como eu a tenho usado no meu consultório, isso é até uma definição do professor Malomar, é uma técnica, um instrumento que ajuda a permear, o trabalho na psicoterapia, ela funciona como um permeabilizante, favorecendo que o paciente possa absorver mais profundamente e mais facilmente o que está sendo elaborado, trabalhado na psicoterapia. (Sandra Donato)

Cláudia Maia, além de falar do uso em função de aspectos facilitadores, menciona também os casos para os quais a julga uma técnica adequada, utilizando-a então para isso.

A hipnose tem sido útil no tratamento de depressão, síndrome de pânico, ansiedade, bulimia, anorexia, insônia, dificuldades de concentração, fobias(elevador, altura, avião, dentista, agulha, anestesia, cirurgia) e outro,. podendo ser usada com diferentes objetivos. Na terapia, ela facilita o acesso aos conteúdos inconscientes abreviando o tempo de terapia. O paciente em estado de hipnose se torna mais susceptível a aceitar novas possibilidades e a novas aprendizagens. No tratamento de fobias de dentista, agulha ela ajuda a resolver o medo possibilitando o paciente passar pelo procedimento odontológico se sentindo seguro.Pode ser também usada como substituto anestésico nos casos de pacientes com alergia ao anestésico químico.(Cláudia Maia)

A comunicação ocorre em todo processo psicoterápico e o uso da hipnose não poderia tornar isso diferente, visto que a fala do hipnólogo desempenha um papel fundamental na formulação das fraseologias e das sugestões. Em função disto o objetivo do uso da hipnose, para um dos entrevistados, é dito da seguinte forma.

Com o objetivo de comunicar. Comunicar com o terapeutizando, geralmente em uma parte da sessão agente faz uma comunicação através de dialogo normal e em outra parte da sessão agente faz um trabalho que eu costumo chamar de exercício, que seria uma continuação do mesmo sentido daquele dialogo de comunicação..(Rodrigo Rezende)

Em uma perspectiva cognitivista Mariana diz que faz uso desta técnica “Para mudar padrão de funcionamento neural”.

Ângela Cristina tem como objetivo, “estar ajudando o cliente a eliciar recursos a acessar coisas que podem ser úteis para ele viver melhor.”

O que podemos depreender é que, para os psicólogos entrevistados, há um objetivo de facilitação do trabalho e conseqüente melhoria do problema, e isso independente da abordagem utilizada por eles; há também menção a uma necessidade apresentada pelo cliente.

3 – Indicação

Foi perguntado se existe um caso mais indicado para a aplicação da hipnose. Os psicólogos entraram em consenso ao dizerem que não existe um caso indicado para a aplicação da hipnose.

Para Sandra Donato existem momentos em que se percebe a necessidade de utilizar a técnica.

Particularmente não consigo dizer que há um caso mais indicado, mas no momento do atendimento a gente percebe que aquele paciente vai ter a necessidade de uma técnica complementar.(Sandra Donato)

A hipnose pode ser aplicada para ajudar a pessoa em qualquer situação. Não há um caso em que sua aplicação seja mais indicada, sendo muito eficaz nos casos de depressão, síndrome de pânico, quadros de ansiedade, doenças psicossomáticas como alopecia areata, vitiligo, síndrome do intestino irritável, retocolite ulcerativa, quadros dispépticos, nas fobias de dentista e fobias em geral. (Cláudia Maia)

A indicação para Rodrigo está voltada para o rapport que é estabelecido entre o terapeuta e o cliente , sendo um dos fatores importantes para a hipnose acontecer como foi dito no capítulo 2.

Para haver hipnose tem que haver um vínculo, tem que haver uma confiança, tem que haver um estado no qual a pessoa se permita concentrar em alguma coisa, dar um tempo para ela mesma.(Rodrigo Resende)

Existem várias técnicas de hipnose, cada qual para um caso específico , assim Mariana afirma que

Não tem um caso indicado. Síndrome de pânico, muitas vezes agente usa relaxamento progressivo, ai tem técnicas de hipnose mais indicadas para determinados casos ou para outro.(Mariana Diláscio)

Para Ângela a indicação está relacionada com a própria abordagem que ela utiliza e afirma o seguinte: “Dentro da minha formação quase que sempre, eu uso tanto indireta e indiretamente com praticamente todo tipo de caso que eu trabalho”.

Existem várias propostas de técnicas para cada tipo de caso, assim o que determina a indicação está mais voltado a qual das técnicas é favorável para a particularidade do problema apresentado ou do que melhor se identifica com o cliente do que propriamente com uma indicação pré-escrita por parte do psicólogo.

4 – Contra-Indicação

A contra-indicação para a aplicação da hipnose no tratamento psicoterápico está vinculada à motivação, a ética profissional e na aceitação de quem a está recebendo, neste aspecto os entrevistados concordam entre si em não haver uma contra-indicação em algum caso específico patológico ou físico.

Em concordância Sandra Donato afirma que “Não há contra-indicação, não há risco. Não há problemas, o que pode acontecer é a pessoa não querer.”

A motivação do paciente é fundamental , ele tem que concordar e se permitir entra em hipnose para que seja feito o tratamento, sem esses requisitos não é indicado. Maia cita algumas situações que são desfavoráveis .

Ausência total de interesse e/ou motivação por parte do paciente, simples remoção de sintomas, sem intenção de se chegar à causa dos mesmos e tratá-los para a cura da doença ou sem conhecimentos adequados para tanto.Como meio de satisfazer as necessidades de “poder” do profissional e em situações em que o profissional não se sinta preparado.(Cláudia Maia)

Rodrigo relaciona a pergunta ao momento em que o processo hipnótico não é consumado “O que pode acontecer é a hipnose não funcionar, a comunicação não acontecer. Mas não seria exatamente uma contra-indicação.” (Rodrigo Rezende)

O modo como se entende a hipnose hoje vai dizer também sobre como ela é utilizada , desta forma Mariana afirma que

Para erickson qualquer estado no qual a sua atenção é focado, no seu interno é um estado hipnótico, então você não precisa fazer aquela hipnose formal “vou popotizar você com um pendulizinho” nem nada. Com essa forma de entender hipnose não há contra indicação.(Mariana Diláscio)

Em respeito à ética profissional Ângela nos diz: “A contra-indicação vai ser a hipnose mais formal quando o cliente não estiver confortável, mas se algum tipo de caso trazer alguma complicação é reversível, tudo a gente pode estar trabalhando e ajudando o cliente a ficar bem.” (Ângela Cristina)

A contra-indicação, então para esses profissionais tem haver com a postura por parte do hipnólogo e a aceitação do paciente do que propriamente da hipnose em si.

5 – Riscos

Diante dos mitos relacionados com o ato de hipnotizar e ser hipnotizado foi perguntado se há riscos na utilização desta técnica. Como podemos observar não há riscos para o paciente porém as causas maléficas estão ligadas ao mau uso da técnica pelo profissional.

Não há problema nenhum. Isso é um mito de que a hipnose poderia fazer emergir um surto, ou outro estado, de jeito nenhum, a hipnose é um estado de consciência, um estado de relaxamento, e são muito bom os resultados que obtemos. .(Sandra Donato)

Como foi mencionado para se ter um bom resultado e benefícios com a hipnose o profissional tem que ser competente e ético.

“Tudo que inicialmente pode ser de grande utilidade, quando usado de forma inadequada ou indevida, pode causar prejuízos. Um bisturi que é tão útil à vida profissional do cirurgião, se usado indevidamente, pode causar danos à saúde da pessoa. A hipnose, quando usada por alguém que não tenha os conhecimentos necessários, pode acionar, desnecessariamente, processos internos que estavam bem acomodados.” (Cláudia Maia)

Não com a Hipnose Erickisoniana quando a pessoa tem uma boa formação é uma coisa muito protegida e não tem riscos para o paciente não. O risco vai depender da formação do terapeuta e da abordagem que ele vai utilizar. Com a Hipnose Ericksoniana, hoje têm muitas pesquisas e sabemos que não há riscos.(Ângela Cristina)

O subconsciente também é sábio, tendo também a função de preservar e proteger informações, assim quando uma sugestão dada é recebida como algo prejudicial ele rejeita a sugestão.

Não, o risco que pode haver, a comunicação não acontecer. E a ruptura seria uma má intenção á comunicação, o terapeutizando ele se protege, da mesma forma que quando a gente na nossa vida normal, quando agente recebe uma mensagem uma comunicação que a gente considera perigosa ou não boa, nós nos recusamos a aceitar aquela mensagem o mesmo acontece no caso da hipnose. (Rodrigo Rezende)

A hipnose ericksoniana trabalha com aquilo que o cliente traz , respeitando-o e direcionando o tratamento até onde ele suporta.

Nenhum. Justamente por causa da utilização e do cortar sobre medida, a terapia ericksoniana ela é extremamente ética ela não vai além do que o cliente dá conta. Então a gente não vai fazer nenhuma dessas coisas zem, de regressão a vidas passadas, que pode colocar o paciente em muita angústia.(Mariana Diláscio)

Todos os entrevistados concordaram em não haver risco para o cliente ao ser hipnotizado, destacando a ética profissional , a abordagem e a capacidade do subconsciente em aceitar ou não sugestões.

6 – Eficácia

Quanto á eficácia produzida no tratamento onde a hipnose é uma ferramenta que auxilia o paciente na busca do bem-estar existe limitações para um resultado prático e eficiente, visto que como muitos autores afirmam a hipnose não funciona como uma mágica.

Ao dizer sobre a eficácia Sandra, Cláudia e Ângela citam alguns casos que se obtêm bons resultados com a hipnose.

Eu utilizo em vários casos, agora eu acho especialmente é muito bom utilizar quando há um caso de angústia, de ansiedade muito explicita, muito aguda, é uma técnica que ajuda muito.(Sandra Donato)

Nas doenças do aparelho digestivo, nas doenças dermatológicas, na depressão, pânico e outros. Essas doenças apresentam uma deficiência na captação do neurotransmissor serotonina, 90% da serotonina do nosso corpo atua no aparelho digestivo. Do ponto de vista da neurofisiologia, a hipnose atua na formação reticular que é uma rede de neurônios. (Cláudia Maia)

Em praticamente em todos os casos vai ser eficaz, sabemos por exemplo que em caso de depressão, transtorno de sono, ansiedade, todos os transtornos de ansiedade desde TOC, pânico, vai ser muito interessante o uso da hipnose porque ajuda a pessoa a encontrar um controle interno.(Ângela Cristina)

A eficácia de um tratamento depende de vários fatores , Rodrigo e Mariana apontam para um processo psicoterápio onde a hipnose é uma ferramenta, porém o que irá determinar os resultados é o conjunto desta.

Muitas vezes os resultados de uma comunicação hipnótica elas acontecem ao longo do processo, ela não é uma resposta imediata. E a partir de algum momento você percebe que está tendo uma recuperação muito boa, esta muito bem você pode suspeitar que a comunicação hipnótica colaborou muito para tanto, mas como na terapia não é só a hipnose que faz o trabalho, às vezes é difícil você identificar, qual foi o papel da hipnose. (Rodrigo Resende)

O trabalho de erickson tem um princípio fundamental que é o principio da utilização e do portar sobre medida, são dois princípios, então o que a gente pensa, a gente trabalha com o que o cliente traz, a gente vai ver o que é eficiente para aquele cliente, naquele momento naquela situação de vida dele. (Mariana Diláscio)

A eficácia do tratamento por meio da hipnose tem relação com o que o cliente traz e com o processo da terapia. A hipnose como foi visto no decorrer do trabalho contribui para o tratamento e por meio dela pode modificar a interpretação de uma situação e influenciar nas respostas do sujeito.

7 – Perfis dos Clientes

Não existe um perfil específico do cliente que procura ou busca o tratamento psicoterápico como afirma uma das entrevistadas: “Não há um perfil de pessoa que procura pela hipnose. São as pessoas em geral, que buscam ajuda, que buscam tratamento para as doenças orgânicas ou emocionais”. (Cláudia Maia)

“Tem pessoas que vem procurar especialmente a hipnoterapia e eu acho que são pessoas ou curiosas, ou já cansadas de outras abordagens, em geral cansadas da psicanálise clássica do divã que querem buscar uma outra abordagem mais dinâmica, e até mesmo mais rápida, embora agente não possa garantir que seja mais rápida por estar usando a hipnose, há uma tendência mas não é garantido.” (Sandra Donato)

Há concordâncias na fala de Sandra com da psicóloga Ângela:

Normalmente são pessoas, quando procuram sabendo que o profissional trabalha com hipnose, que já passaram por vários tipos de terapia diferentes e não conseguiram encontrar uma solução para o que estavam buscando, também pessoas que estão fazendo tratamento com algum psiquiatra ou com alguma abordagem mais moderna que tem conhecimento dos benefícios da hipnose e alguma patologia mais séria eles indicam mais. Mas para qualquer pessoa serve.(Ângela Cristina)

As pessoas ao buscar pela terapia muitas vezes não sabem que abordagem ou técnicas o profissional utiliza, porém ao serem informados como é o tratamento com a hipnose, como afirma Ferreira (2006), contribui para o sucesso dos resultados.

Na minha pouca experiência, o que eu vejo é uma postura frente à hipnose, alguns ficam curiosos e querem matar uma curiosidade, enquanto que outros têm algum receio, tem algum medo que seja uma técnica manipuladora e que elas vão fazer alguma coisa que não é da intenção delas, mas quando elas percebem que não se trata disso elas se sentem a vontade e as vezes eu percebo que alguns clientes gostam, sentem um relaxamento, um prazer em fazer a hipnose.(Rodrigo Resende)

“…Trabalho muito por indicação… até hoje não teve uma pessoa que me procurasse por conta da hipnose” (Mariana Diláscio)

Podemos dizer que não existe um perfil pela variedade de pessoas que buscam terapia, encontramos nas respostas dos profissionais alguns tipos de clientes, aqueles curiosos, outros cansados de outras abordagens, pessoas buscando soluções, alguns indicados e alguns desinformados.

8 – Aceitação social e profissional

A aceitação da utilização no meio profissional e social da prática hipnótica para esses profissionais está ligada à informação sobre o assunto. Como vimos no capítulo 3 , a hipnose pode ser utilizada por médicos, psicólogos e odontólogos havendo um crescimento desta técnica na área da saúde, no entanto os entrevistados apontam para a pouca divulgação e desinformação a respeito.

Em relação aos profissionais, o que a gente nota,…que há muito desconhecimento, muitas vezes alguns profissionais são contra a técnica á priore, mesmo antes de terem informações sobre o que é a hipnose,… há um preconceito muito grande dos psicólogos e do meio psi, como se a hipnose fosse uma mágica, uma técnica alternativa, holística e não é nada disso, é ciência, ciência pesquisada no mundo inteiro. …Então é um estudo cientifico e sério….os pacientes quando vem procurar a terapia, eles vêm em busca de ajuda, eles querem, resultados, querem resolver aquela situação que estão vivendo e muitas vezes estão abertos a novas técnicas, a possibilidades novas que eles nem conhecem,acho que, por parte dos pacientes é muito boa a aceitação. (Sandra Donato)

Existe ainda pouco entendimento do que é hipnose mesmo por que existem abordagens diferentes, mas eu vejo que outros profissionais como dentistas médicos, têm utilizado da hipnose e então eu vejo mais abertura nesse sentido, mas existe pouca divulgação da hipnose cientifica como terapia. (Rodrigo Resende)

O modo que entende-se a hipnose é importante para aqueles que a busca , seja para complementar o seu trabalho, seja como forma de tratamento.

As pessoas procuram o trabalho com a hipnose muito mais confiantes do que ela possa ajudá-las, efetivamente. Já são muitos os profissionais que buscam o curso de hipnose certos de que a técnica será mais uma ferramenta de trabalho que poderá ajudá-los com os seus pacientes. (Cláudia Maia)

Há pouco conhecimento sobre hipnose no meio acadêmico para Mariana , no entanto Ângela pontua uma maior abertura e busca pelo tema. Nota-se uma mudança na postura do corpo docente e dos alunos frente a hipnose, desta forma as entrevistadas nos diz:

Na academia, na universidade eu vejo ainda muito preconceito. No semestre passado eu dei uma disciplina em Betim, que era Terapia Ericksoniana, era um tema contemporâneo, e ai que as pessoas descobriram que eu trabalhava com hipnose, porque até então eu não alardeava muito, ai os meninos falavam você trabalha com hipnose? isso funciona? Então ai a gente vê muito desconhecimento e muito preconceito. Porque ainda entende hipnose como forma de eliminar sintoma, então o que eu vejo é que precisamos divulgar essa nova forma de fazer hipnose. (Mariana Diláscio)

Está crescendo cada vez mais, desde antes da regulamentação da hipnose, depois o próprio Conselho Regional recomenda para alguns casos que buscam o conselho, o uso da hipnose, agora a gente tem recebido alunos de faculdade buscando formação, informação o que há dez anos atrás não acontecia. Estando abertos mesmos a novos conhecimentos. Atribuo esta aceitação principalmente ao crescimento da Escola Ericksoniana no Brasil porque além de ser uma hipnose mais moderna é uma abordagem mais protegida e que existe muita pesquisa, é uma coisa mais científica, é uma hipnose que não parou no tempo e que começou lá com Erickson, Escola de Nancy, na primeira metade do século passado e têm avançado cada vez mais com profissionais renomados que vem se modernizando, atualizando, temos grandes divulgadores viajando pelo mundo.(Ângela Cristina)

Contudo a aceitação da hipnose no meio profissional e social, para esses profissionais, está intimamente relacionada com o conhecimento a respeito desta técnica e distante de uma crítica negativa sobre a mesma.

9 – Mudanças desde o século XX

No sentido de averiguar quanto ás mudanças que ocorreram nas últimas décadas que prosseguiram, em relação à utilização da técnica da hipnose pelos psicólogos, encontramos uma postura diferente ao qual é explicitada pela fala dos atuais profissionais do século XXI.

Apesar de Freud ter abandonado a hipnose como foi descrito no capítulo 1 , assistimos hoje a um retorno da técnica por profissionais psicanalistas.

Mudou bastante. A utilização, o entendimento do uso da hipnose, desde a época de Charcot, a utilização nas histéricas. Naquela época supunha-se que haveria uma regressão, e que a hipnose trabalharia o estado traumático, eliminando aquele sintoma. Era necessário que utiliza-se um estado de transe hipnótico profundo e que a paciente tivesse amnésia, tinham como intenção, trabalhar o momento do trauma, e o que eles perceberam é que resultados aconteciam em alguns casos porque nem todos os pacientes entravam no estado de transe profundo, os resultados eram obtidos só nos que entravam em transe profundo, e que os sintomas voltavam depois de algum tempo,. Então hoje já se sabe de tudo, Freud a partir daí desenvolveu a técnica da associação livre por que ele percebeu o fracasso da utilização apenas da hipnose. Então hoje nós que estamos retomando a técnica consideramos tudo isso, o estado de transe que trabalhamos, é um estado de transe leve ou médio.

Na hipnoterapia a gente utiliza um estado de transe chamado médio ou estado de transe leve, não é aquele estado de transe profundo que eles utilizavam lá no século XX, e também a nossa intenção é muito diferente não é a redução de sintoma, não é sumir com os sintomas, a intenção é utilizar esta técnica como um complemento á abordagem analítica ou qualquer outra abordagem profissional venha a ter, no meu caso a Psicanálise .(Sandra Donato)

A mudança ocorreu tanto no entendimento sobre a hipnose como a maneira que se faz uso dela. O estado de transe mais indicado na hipnoterapia segundo Bauer (2002) é o médio sendo considerado um estado em que a sugestão é mais eficaz, e o transe profundo por ocorrer amnésia prejudica nos resultados.

As mudanças são inúmeras e podem ser vistas tanto na forma da hipnose ser conceituada quanto de ser aplicada. Hoje, não usamos instrumentos para levar a pessoa ao estado de hipnose, apenas a palavra. A pessoa não precisa estar num transe profundo para desenvolvermos um bom trabalho. As mudanças acontecem de dentro para fora, é a própria pessoa a responsável pelo processo da cura.(Cláudia Maia)

O papel do hipnólogo também é algo que modificou , como foi citado no capítulo dois, a mudança que ocorre está na mente do paciente sendo o mérito do profissional apenas a formulação adequada das sugestões, diferente de como era considerado em outras épocas, em que atribuía ao indutor poder sobre as mudanças que ocorriam no receptor.

“…certamente mudou mais em vários formatos, porque a hipnose é apenas uma técnica uma ferramenta não é uma abordagem psicológica, então a hipnose pode ser utilizada em diversas abordagens em formato diferente, no caso da abordagem ericksoniana, certamente é muito diferente da hipnose divulgada no inicio do século XX ou final do século IX, naquela época era uma coisa muito diretiva, em colocar uma pessoa sobre o controle de outra, no caso da hipnose ericksoniana, é mais no sentido de pessoas livremente entrar em contato com o seu universo interior e escolher e encontrar recursos que possam ajudá-la a resolver questões que ela está vivenciando naquele momento, que ela está sentindo dificuldade, o trabalho do terapeuta é apenas propiciar essa condição, melhorar as condições das pessoas buscar dentro dela mesma os recursos que ela tem ou ajudá-la a formatar esse recurso de tal forma que possa ajudá-la mais efetivamente.” (Rodrigo Resende)

As pessoas confundem e vê a hipnose só de uma maneira, temos várias escolas de hipnose. A gente percebe que tem avanços principalmente dentro da Escola Ericksoniana, quando começamos a estudar o primeiro livro do erickson que chama “Seminarios Didáticos” de Jeffry Zeig.Erickson não descreveu uma teoria, ele foi um grande prático, ele escreveu muito sobre o que ele fez, ele não decreveu uma teoria de que o homem é assim, de uma visão de homem e tal, muito menos ele foi didático para ensinar a se fazer hipnose. Muita coisa avançou, temos ampliado a possibilidade de utilização da hipnose, por exemplo temos grupo terapêutico e não de terapia, que a pessoa vem para trabalhar alguns temas que propomos, que algum tempo atrás não havia se pensado desta forma. Não é que tenha mudado mas ficou mais claro e com uma utilização mais ampla. (Ângela Crisinta)

A eficácia comprovada por meio de pesquisa científica, o próprio CFP já sancionou a hipnose por meio de portaria. Ta havendo muita pesquisa, básica mesmo, com o uso de estado alterado de consciência e a gente tem visto que realmente o cérebro muda de funcionamento. O fato de ter mudado o foco também, da hipnose como uma forma de mudar a forma de funcionar o nosso cérebro, e não de eliminar sintoma. Então a volta da hipnose está muito mais ligada a uma nova postura cientifica, que tem haver com essa pós-modernidade uma volta uma exploração de recurso pela ciência do que simplesmente pela rapidez, porque tem terapia que demora, a gente fala que a terapia com base cognitivista ela tem duração limitada isso não significa que ela seja breve. (Mariana Diláscio)

Na atualidade a hipnose possui mérito científico e também é considerada uma ferramenta quando administrada por um profissional habilidoso e ético, promotora de saúde e bem estar.Por fim os estudos e a prática desta técnica vem se desenvolvendo cada vez mais.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do resgate histórico, nos defrontamos com a trajetória que a utilização da hipnose teve na história da humanidade para se firmar como uma ferramenta científica para a promoção da saúde e do bem estar das pessoas. Muitos pesquisadores foram perseguidos, chamados de charlatães, outros conseguiram provar e argumentar sua eficiência e seus fundamentos, alguns a utilizaram como uma ferramenta para atingir o sucesso e o reconhecimento e outros ainda com o intuito de proporcionar às pessoas um alívio de sua dor psíquica e física. Chegamos na contemporaneidade com uma melhor aceitação científica e social, do que ainda pode vir a se aperfeiçoar cada vez mais em prol da saúde.

Sem dúvida resultado do empenho desses pesquisadores, atualmente estamos vendo uma vasta aceitação no meio médico, odontológico e psicológico do uso da hipnose. O porquê disto pode ser inferido a partir dos excelentes resultados obtidos com a utilização dessa prática na terapia, como anestesia e na recuperação de enfermos. O êxito desse uso, ao concluir a partir da pesquisa feita, é que os mecanismos cerebrais em sua complexidade de funcionamento respondem indiscutivelmente ao poder da sugestão e da auto-sugestão, incluindo a sugestionabilidade e a suscetibilidade como fatores deste processo. Sendo assim, não podemos negar a eficiência da hipnose quando bem empregada pelo hipnólogo e quando aceita por quem a recebe.

Não se trata aqui de acreditar ou não no poder hipnótico e sim de reconhecer sua prática como sendo formalmente utilizada pelos profissionais da saúde e da sua real e exitosa intervenção física e psíquica. As entrevistas nos mostram uma prática ética e teoricamente fundamentada da hipnose, o que a transforma em uma ferramenta útil com valiosas contribuições no processo psicoterápico.

Contudo ainda há muito que ser estudado e aprofundado na prática do hipnotismo, para que possamos explorar cada vez mais as capacidades cerebrais.



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