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sexta-feira, abril 12, 2024

QUALIDADE DE VIDA NOS IDOSOS 1/2

1 INTRODUÇÃO

O processo de envelhecimento do idoso diante de certas adversidades e dificuldades, nas quais eles necessitam fazer intenso uso de seus aparelhos psíquico, um trabalho mais frequênte de elaborações de luto, independente da estrutura de personalidade, e que caracteriza-se de várias perdas, que vão desde limitações físicas, cognitivas, sociais, afetivas, decorrentes da idade avançada, bem como doenças ou condições sócio econômicas desfavoráveis, obscuros e críticos para a ciência.

Dessa forma o idoso é visto, como um corpo físico composto de ossos, interligados por cadeias musculares, que se relacionam através de comandos neuronais na busca de um equilíbrio estático e dinâmico¹.

Quando falamos de idosos é como, somente um corpo doente, modificado em suas estruturas e sem necessidades emocionais, em um contexto de trabalho anátomo funcionais que envolvem a manutenção de um padrão postural consequentemente de mecanismo neurofisiológicos que se relacionam ao comando das suas estruturas músculo-esqueléticos².

Ao estabelecermos uma atenção a ser baseada no físico e nas patologias, uma condição de um idoso que é tido por uma perspectiva desumanizada ao ser visto apenas por sua estrutura corpórea a luz de sua concretude biológica².

Ao observar a necessidade da elaboração de mais estudos sobre as características de uma população idosa e atenção a eles, é delicada. A população de idosos é muito peculiar em suas necessidades. Relatos antigos na história mundial, já expressavam preocupações quanto aos cuidados, ao relacionamento familiar e as questões éticas no processo de envelhecimento. Em 1999, uma organização sem fins lucrativos revisou a situação das políticas nacionais sobre o envelhecimento em 46 países³.

No Brasil, a preocupação com essa explosão demográfica, também ocorre há vários anos e vem crescendo cada vez mais devido ao aumento da expectativa de vida, em aumento do número de idosos. O último Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Bioestatística (IBGE) acusou que, no Brasil, a população com idade igual ou superior a 60 anos soma mais de 14,5 milhões de pessoas, 8,56% da população total, sendo que quase 2 milhões estão acima dos 75 anos, e destes, cerca de 25 mil estão acima dos 100 anos. Chama a atenção que dessa população já viveu 100 anos ou mais, quase 90% são mulheres4.

Estima-se também que em 2050 a população de idosos represente 18% do total de brasileiros, o que corresponderá aproximadamente 47 milhões de idosos. Com uma dinâmica de cuidado aos idosos algumas adaptações da família, dos programas governamentais, da sociedade, das instituições, e, em especial, da equipe que atende essa população idosa³.

Torna-se cada vez mais evidente a necessidade de discutir os direitos dos idosos, assim como ocorreu em 2003 no Senado Federal, momento em que foi lançada uma redação do estatuto do idoso que garante que ele goze de todos os direitos fundamentais inerentes a pessoa humana. Um bom exemplo, pela lei todas as facilidades para prevenção da sua saúde física ou mental seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social em condições de liberdade e dignidade4,5.

O envelhecimento é um processo natural que desperta muito medo e fantasia. É importante rever que o envelhecer é uma qualidade de vida que está presente em todos, entretanto nem todos conseguem isto. O idoso no Brasil deve merecer cada vez mais o interesse dos órgãos públicos, dos formuladores de políticas sociais e da sociedade em geral, dado o volume crescente desse segmento populacional de suas características demográficas, econômicas e sociais requerendo cuidados e atenção ao idoso6.

O envelhecimento é bem sucedido como competência adaptativa do individuo, pois as capacidades generalizada são desafios para resultante do corpo, da mente e o ambiente. Competência adaptativa é dimensional como: estratégias e habilidades para lidar com o individuo estressores em relação a capacidade para a resolução de problemas e no desempenho e competência social6.

Os idosos tem tarefas que diferem entre outras idades por serem mais defensores e preventivas, pois a qualidade de vida dos idosos são ajustadas ao decrécimo da força física e saúde; á aposentadoria e á redução de renda; se ajustar a morte do esposo(a); estabelecer filiação a um grupo de pessoas idosas: manter as obrigações sociais e cívicas e estabelecer arranjos físicos satisfatórios para viver bem a velhice6.

Os idosos tem sido estereotipados na sociedade ocidental, o idoso ao fim da vida são olhados na sociedade com um preconceito que idosos são: todos iguais.Os idosos temem a sua ida ao seu lar pois diminui a sua dependência. Os profissionais da saúde que tem um alerta sobre que a internação do seu nível de autonomia e qualidade são os princípios éticos dos cuidados de saúde e a ação social 7.

Há a necessidade de programas de apoio aos idosos e políticas sociais para que os idosos se mantenham plenamente capazes de enfrentar não só a vertente assistencial mais sim valorizar a ocupação da educação e autonomia7.

Novos caminhos para os idosos são: as comunidades e familiares, destaques na criação de uma estrutura, bem como proporcionar efetivas opções aqueles que decidem a deixar o serviço ativo. Um ambiente familiar detecta características no comportamento do idoso. Em convívio com sociedade, o idoso tem mais carinho, experiências, idéias, sentimentos, conhecimentos, dúvidas.

Para trazer felicidade ao idoso é preciso engajá-lo em atividades para sentir se útil. As atividades em grupos são formas que o individuo engajado socialmente, pode se relacionar com outras pessoas, o que contribui significativamente para a sua qualidade de vida8 .

Profissionais da saúde devem minimizar e prevenir os efeitos do envelhecimento, estimulando a participação dos idosos em grupos de afetividades para contribuição da qualidade de vida dependente da sua participação e autonomia9.

A qualidade de vida resulta em valorização aos idosos. Um bom relacionamento, com os amigos e familiares, pois sua participação em organização social é de imensa importância, para contribuir com o bem estar, alegria e amor, condição financeira estável de trabalho10.

O envelhecimento com qualidade é importante, pois as questões familiares, da sua vivência conjunta, dada à especificidade do relacionamento nessa etapa do ciclo, principalmente, da perda de papéis por parte do senescente, bem como da transferência desses papéis para os filhos, demandando transformações nas maneiras de definir os elementos presentes na experiência familiar¹¹.

Os processo atributos de envelhecimento nas suas múltiplas dimensões, tem como a relação dos senescentes com a sociedade e a família que, suscita nos idosos padrões de comportamentos que prejudicam sua qualidade de vida¹¹.

A relevância científica e social ao investigar as condições do bem-estar na senescência e os fatores associados à qualidade de vida de idosos, no intuito de criar alternativas de intervenção e propor ações e políticas na área da saúde, buscando atender às demandas da população que vem cada dia mais se envelhecendo¹².

As condições de vida e saúde do idoso são avaliadas de forma que permite implementação de propostas de intervenção, tanto em programas geriátricos quanto em políticas sociais gerais, no intuito de promover o bem-estar dos que envelhecem¹².

A qualidade de vida e a percepção refletem os indivíduos que necessitam ser satisfeitas ou que lhes estão sendo negadas oportunidades de alcançar a felicidade e a auto-realização, com independência de seu estado de saúde físico ou das condições sociais e econômicas¹².

Segundo a OMS, o ambiente físico em que o idoso está inserido pode determinar a dependência ou não do indivíduo. Dessa forma, é mais provável que um idoso esteja física e socialmente ativo se puder ir andando com segurança à casa de seus vizinhos, ao parque ou tomar o transporte local. Idosos que vivem em ambientes inseguros são menos propensos a saírem sozinhos e, portanto, estão mais susceptíveis ao isolamento e à depressão, bem como ter mais problemas de mobilidade e pior estado físico, o que vem a influenciar a qualidade de vida. A moradia e o ambiente físico adequados têm influência positiva na qualidade de vida do idoso. Quanto mais ativo o idoso, maior sua satisfação com a vida e, consequentemente, melhor sua qualidade de vida¹².

O idoso em domicílios tem a convivência com familiares pode tanto oferecer benefícios, no sentido do apoio familiar nas condições debilitantes e de dependência, podendo reduzir o isolamento, mais também podendo gerar conflitos, que acabam o auto-estima e o estado emocional do idoso, afetando de forma marcante a qualidade de vida¹².

Alguns programas da terceira idade, caracterizam-se como propostas de educação permanente ou de educação continuada. A educação permanente é concebida como um fato educativo global, sem limites de idade, sociais e culturais. Uma forma diferente, a educação continuada equivale à educação convencional de adultos, referindo-se ao prolongamento do sistema ao longo de toda a vida, segundo a demanda do indivíduo e a sociedade¹³.

Os motivos principais que levam os idosos a procurarem as os grupos da terceira idade são a busca por conhecimentos,amigos,companheiros, atualização cultural, autoconhecimento, autodesenvolvimento, contato social, ocupação do tempo livre e o desejo de ter maior conhecimento para ajudar outras pessoas na defesa de seus direitos¹³.

Uma característica para a terceira idade é a maioria da população que são mulheres Pode estar relacionado às diferenças entre homens e mulheres quanto à representação do envelhecimento e como esses indivíduos percebem estas mudanças: as mulheres com maior interesse cultural, e os homens mais pelos assuntos políticos¹³.

Uma relação entre qualidade de vida e sintomas depressivos são formas que os indivíduos avaliam a sua qualidade de vida, pois apresentam mais sintomas depressivos do que aqueles que têm esperança, pois melhora a condições de saúde, entre eles a qualidade de vida¹³.

O idoso tem alguns fatores que podem desencadear sintomas depressivos, tais como a falta ou perda de contatos sociais, depressão, viuvez, vida estressantes, casas asilares, baixa rendam, ansiedade, falta de atividades sociais, nível educacional baixo e uso de medicação antidepressiva, a perda do estado de saúde física, e o início da depressão¹³.

Podem evitar a depressão o apoio que o indivíduo recebe em relações interpessoais, uma rede de amigos e de familiares podem ajudar os idosos a evitar a depressão. Amizades ou vínculos de confiança, parceiro ou amigo podem proteger os indivíduos contra o surgimento de sintomatologia depressiva¹³.

A tendência das condições crônicas que afetam os idosos são abrangente e de forma geral num processo incapacitante das suas funcionalidades, se manifestando de forma expressiva atingindo as suas atividade cotidiana. Ao se manifestarem essas infuncionalidades há necessidade de freqüentes cuidados14.

Dentro das incapacitantes funcionalidade do idoso está a deficiência auditiva que mais acometem essa população. Dificultando a comunicação, favorecendo o isolamento social, depressão e sentimentos negativos afetando seriamente a qualidade de vida, há prejuízos nas relações nas relações interpessoais do idoso, dificuldades para se manter informados pelos meios de comunicação e a usufruir de lazer 15.

Para melhorar a qualidade de vida da população, tende a crescer nos próximos anos, é de grande valia social. A realização de avaliações auditivas e os encaminhamentos para a seleção e adaptação de prótese auditiva devem fazer parte da rotina de profissionais das mais variadas áreas que trabalham com adultos e idosos15.

Limitações , impacto e agravamento progressivo na qualidade de vida, são comumente causados pela insuficiência cardíaca que tem como desfecho final das doenças cardio vasculares, As limitações vem dos sintomas físicos, como fadiga dispnéia que são características da doença, com o agravamento progressivo, vem o medo, e sintomatologias emocionais com a insegurança, a tristeza, perda da memória e de atenção, pode diminui o equilíbrio, onde pode ocasionar quedas comprometimento da calcificação óssea pela idade, além de ferir a qualidade de vida 16.

A insuficiência cardíaca está associada ao comprometimento do desempenho funcional, traduzindo no relato das idosas pelas limitações nas atividades habituais do dia-a-dia, incapacidade para o trabalho e no estabelecimento de relações sociais e perda da independência. A avaliação do tratamento do idoso com insuficiência cardíaca, que venham subsidiar o desenho de intervenções que, por meio da melhora da independência funcional, possam resultar em melhoria de sua qualidade de vida relacionada à saúde dos idosos 16.

Cuidar do idoso é o objetivo dos profissionais da saúde, além de integrá-lo a sociedade, protege-lo, almejando estar preparados a lidar com especificidade deste processo do envelhecimento, tratar seus distúrbios e não apenas lidar com um organismo biológico .Os dados demográficos e epidemiológicos no Brasil,deve-se considerar a necessidade de abordagem abrangente que valoriza o ser humano a partir de suas complexidades, abrindo espaços para adicionar autonomia e bem-estar aos anos de vida ampliados16.

Há influência significativa dos fatores físicos, ambientais, psicoemocionais e sociais para o bem estar do idoso que são fundamentais para manter uma vida saudável, feliz e participativa. Para beneficiar idosos, familiares e a população que está envelhecendo uma abordagem preventiva, global e multidisciplinar para reabilitar reduzindo e postergando as doenças orgânicas e crônicas17. Políticas saudáveis devem ser implementadas utilizando de mecanismos operacionais concretos e estratégicos promovendo a saúde e qualidade de vida numa gestão social integrada a municípios, considerando o contexto local, utilizando-se de programas de integração para atacar o ciclo de pobreza, doença e sofrimento. Esta responsabilidade para o profissional da saúde implica na saúde e qualidade de vida do idoso como um todo17

O Estado ganha favorecendo pessoas maior de 65 com o menor custo benefícios ao promover saúde e profilaxia comprimindo a morbidade. Trata-se da educação para auto formação da pessoa que aprende a se tornar um cidadão, em busca do mais auto grau de saúde física e da sua própria identidade. Segundo a Organização Mundial de saúde (OMS), O objetivo da educação em saúde é desenvolver nas pessoas o senso de responsabilidade pela sua própria saúde e da comunidade a que pertençam capacitando os de maneira participativa e construtiva 18.

Nos programas educacionais está o objetivo de envolver todos os membros do grupo patológico, familiares e pessoa mais próxima ao idoso, integrando-os e influenciando a interagir conjuntamente com os profissionais da saúde construindo uma compreensão das implicações do processo do envelhecimento e o que traz na vida do indivíduo e seus desdobramento no contexto familiar 18.

Com o trabalho educacional em saúde do idoso o que se pretende, é ir de encontro aos desejos de familiares e idosos de melhorar a qualidade de vida, Funciona como motivação, tornando interessante o aprendizado. Profissionais e sujeitos autônomos desenvolvem e constroem essa autonomia com base na imaginação de um futuro melhor 18 .

Alguns aspectos a serem considerados nas atividades de ensino aos idosos são os fatores fisiológicos, sociais, econômicos e culturais, como alteração da memória, comprometimento sensorial, escolaridade e deficiência de sistemas de suporte à saúde e da rede social de apoio. É preciso valorizar os sujeitos naquilo que têm de melhor, sua história, seu tempo a sua capacidade de criação 18.

Estimulando ao sentimento do idoso, na família e na sociedade a participar construtivamente, fundamentando este respeito de direito à saúde com qualidade de vida, com os idosos nas comunidade saudável, fica mais fácil identificar e entender os determinados condicionamentos das desigualdades, construindo assim meios de superar e promover integração com toda a sociedade!. Integrando também os programas de saúde na terceira idade em o idoso e a sua família 18 .

2 OBJETIVO

Analisar as publicações que abordam a qualidade de vida do idoso no Brasil.

3 METODOLOGIA

3.1 Característica da pesquisa

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica no período de 1999 a 2009. Segundo Severino8 revisão bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, livros, artigos, teses etc. Utiliza-se dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados.

3.2 Critérios de Busca

Os artigos serão localizados em periódicos científicos, nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde ) e Scielo ,com recorte temporal a partir de 1999 e somente textos no idioma português realizados no Brasil. Serão utilizadas os seguintes descritores de busca: Qualidade de Vida e idoso.

4 ANÁLISE e DISCUSSÃO DOS DADOS

Na base de dados Scielo, foram encontrados 60 artigos, sendo que 15 artigos atendiam ao propósito da pesquisa.

Na base de dados LILACS, que registra as pesquisas produzidas na América Latina e Caribe. Foram encontrados 58 artigos sendo que 15 artigos estavam presentes também na Scielo e somente 04 falam sobre qualidade de vida no idosos.

DISCUSSÃO

IBGE

No Brasil, a transição demográfica é incontestável. Até o ano 2025, possivelmente ocuparemos o sexto lugar da população de idosos do planeta com 31,8 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais. Porém, estamos longe de atingirmos o envelhecimento bem sucedido4 .

ENVELHECIMENTO

O envelhecimento populacional brasileiro caracteriza-se pelo acúmulo de incapacidades progressivas nas suas atividades funcionais e de vida diária, associada a condições socioeconômicas adversas. A mortalidade é substituída por comorbidades e a manutenção da capacidade funcional surge, portanto, como um novo paradigma de saúde, relevante para o Idoso. O acelerado ritmo de envelhecimento no Brasil cria novos desafios para a sociedade Brasileira contemporânea, onde esse processo ocorre num cenário de profundas transformações sociais, urbanas, industriais e familiares 9, 8 6

INSTITUCIONALIZADOS

A família encontra grandes dificuldades para o desempenho das funções tradicionais a ela atribuídas, de educadora das crianças e cuidadora dos mais velhos. Se as instituições para idosos, conhecidas como asilos, se destinavam à velhice desvalida, hoje, na sociedade marcada pelo envelhecimento, passam a ter uma nova missão: cuidar de idosos necessitados de uma assistência multiprofissional, em face das perdas funcionais que tornaram problemática a vida a sós ou com a família. Com o crescimento dessa população idosa e dependente de cuidados especiais, as instituições destinadas a prestar assistência a essa população se tornam cada vez mais necessárias. A busca de novos modelos institucionais que propiciem um ambiente e cuidados específicos e que preservem e promovam os direitos fundamentais do idoso como ser humano devem ser incentivados. Essa busca muitas vezes proporciona a aproximação entre a comunidade e a universidade e vice-versa 29 .

Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado, grande nível de sedentarismo, carência afetiva, perda de autonomia causada por incapacidades físicas e mentais, ausência de familiares para ajudar no autocuidado e insuficiência de suporte financeiro. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e comorbidades refletindo em sua independência e autonomia. O novo paradigma de saúde do idoso brasileiro é como manter a sua capacidade funcional mantendo-o independente e preservando a sua autonomia. O idoso institucionalizado e a entidade que o abriga, geralmente, não conseguem arcar sozinhos com a complexidade e as dificuldades da senescência e/ou senilidade. Como se pode ver, o prolongamento da vida não é uma atitude isolada8, 9 .

PROFISSIONAIS EM AZILOS

Profissionais que trabalham com o processo do envelhecimento nas mais diversas áreas de saber (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros), tentam proporcionar, em todos os níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terciário), o bem estar bio-psico-social dos idosos institucionalizados, potencializando suas funções globais, a fim de obter uma maior independência, autonomia e uma melhor qualidade para essa fase de vid8, 9

UNIVERSIDADE E ASILO

Para se alcançar esta abordagem holística do idoso, foi criado o Programa de Extensão Universitária: Melhoria da Qualidade de Vida dos Idosos Institucionalizados, tendo, como temática principal, a manutenção da capacidade funcional global que é, em essência, uma atividade multiprofissional33,

Esse programa faz parte do Núcleo de Geriatria e Gerontologia (NUGG) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e é composto por quatro projetos: Atividades Educativas com Idoso de Instituição Asilar, Assistência Fisioterápica aos Idosos da Casa do Ancião da Cidade de Ozanan, Assistência Multiprofissional aos Idosos da Casa do Ancião da Cidade de Ozanan, Oficina de Extensão da Terceira Idade: Desenvolvimento de Tecnologias na área de Gerontologia. As atividades são realizadas nas áreas de medicina, fisioterapia, enfermagem e engenharia mecânica, e recentemente somou-se ainda a colaboração participativa da fonoaudiologia33.

ENVELHECIMENTO

O envelhecimento se refere a um fenômeno fisiológico de comportamento social ou cronológico. É um processo biossocial de regressão, observável em todos os seres vivos expressando-se na perda de capacidade ao longo da vida, devido à influência de diferentes variáveis, como as genéticas, danos acumulados e estilo de vida, além de alterações psico-emocionais1. Definido como um fenômeno altamente complexo e variável, comum a todos os membros de uma determinada espécie, progressivo envolvendo mecanismos deletérios que afetam a capacidade de desempenhar um grande número de funções. Trata-se de um processo multidimensional e multidirecional, pois há uma variabilidade na taxa e direção das mudanças (ganhos e perdas) em diferentes características em cada indivíduo e entre indivíduos 8,9 20.6

3 IDOSO OU TERCEIRA IDADE

Entende-se por idoso ou pessoa da terceira idade, indivíduos com mais de 60 anos de idade, instituído pelo estatuto do idoso. O envelhecimento vem aumentando consideravelmente, o que se atribui a um aumento da expectativa de vida, a diminuição da taxa de natalidade, a um melhor controle de doenças infecto-contagiosas (imunização) e crônico-degenerativas 10

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, existiam 390 milhões de pessoas acima de 65 anos em 1998 e estima-se que em 2025 essa população será o dobro. Em muitos países em desenvolvimento, especialmente na América Latina e Ásia é esperado um aumento de 300% na população idosa chegando a 02 bilhões de pessoas acima de 60 anos até 2025 10

IBGE

No Brasil, a população de idosos era de 15 milhões em 2002 e estima-se que em 2020 o número de pessoas acima de 60 anos de idade na população brasileira terá crescido 16 vezes em relação a 1950. O índice de envelhecimento (pop. > 65 anos x pop. De 0 a 14 anos x 100), que representa a razão entre a população maior que 65 anos e a população de 0 a 14 anos vezes 100(6), em 1980 era de 10,49%, em 1991 de 13,90% e em 2000 de 19,77% 4.

CEARA X SÃO PAULO IBGE

Um estudo sobre a epidemiologia do envelhecimento no Nordeste do Brasil, mostra que o percentual de idosos na cidade de Fortaleza é de quase 8% da população, sendo similar à cidade de São Paulo e superior à média nacional, além disto a maioria destes idosos reside em domicílios multigeracionais e apresentam morbidade física e mental particularmente alta em áreas mais pobres, mostrando uma realidade preocupante em termos de seu progressivo impacto sobre os serviços de saúde das próximas décadas 4.

MUDANÇAS ESTRUTURAIS

Verificamos portanto, que o aumento da população idosa gera necessidades de mudanças na estrutura social para que estas pessoas, ao terem suas vidas prolongadas, não fiquem distantes de um espaço social, em relativa alienação, inatividade, incapacidade física, dependência, conseqüentemente sem qualidade de vida3.

4.3 CINCO FATORES PARA O BEM VIVER DO IDOSO

Cinco fatores são recomendados para o idoso ter saúde: vida independente, casa, ocupação, afeição e comunicação. Se algum desses fatores estiver deficiente a qualidade de vida do idoso estará comprometida. A mostra que baixos níveis de saúde na velhice associam-se com altos níveis de depressão e angústia e com baixos níveis de satisfação de vida e bem estar. Também afirma que as dificuldades do idoso em realizar as atividades da vida diária, devido a problemas físicos, ocasionam dificuldades nas relações sociais e na manutenção da autonomia, trazendo prejuízos à sua saúde emocional 13., 4

O conceito “envelhecimento com sucesso”, que engloba três diferentes domínios multidimensionais: a) evitar as doenças e incapacidades; b) manter uma alta função física e cognitiva; e c) engajar-se de forma sustentada em atividades sociais e produtivas 2.

ARTIGO 3º DO ESTATUTO DO IDOSO

Segundo o Estatuto do Idoso, no seu artigo 3o, há a obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público em assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. O direito à liberdade compreende, de acordo com o estatuto, a faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; a opinião e expressão; crença e culto religioso; a prática de esportes e de diversões; a participação na vida familiar e comunitária; a participação na vida política, na forma da lei; a faculdade de buscar refúgio, auxílio e orientação 5., 3

Benefícios da Atividade Física

Atualmente, está comprovado que quanto mais ativa é uma pessoa menos limitações físicas ela tem. Dentre os inúmeros benefícios que a prática de exercícios físicos promove, um dos principais é a proteção da capacidade funcional em todas as idades, principalmente nos idosos.20.

O QUE É CAPACIDADE FUNCIONAL

Por capacidade funcional entende-se o desempenho para a realização das atividades do cotidiano ou atividades da vida diária. As atividades da vida diária podem ser classificadas por vários índices. As atividades da vida diária (AVD) são referidas como: tomar banho, vestir-se, levantar-se e sentar-se, caminhar a uma pequena distância; ou seja, atividades de cuidados pessoais básicos e, as atividades instrumentais da vida diária (AIVD) como: cozinhar, limpar a casa, fazer compras, jardinagem; ou seja atividades mais complexas da vida cotidiana. Um estilo de vida fisicamente inativo pode ser causa primária da incapacidade para realizar AVD, porém de acordo com seu estudo, um programa de exercícios físicos regulares pode promover mais mudanças qualitativas do que quantitativas, como por exemplo alteração na forma de realização do movimento, aumento na velocidade de execução da tarefa e adoção de medidas de segurança para realizar a tarefa20.

Além de beneficiar a capacidade funcional, o exercício físico promove melhora na aptidão física. No idoso os componentes da aptidão física sofrem um declínio que pode comprometer sua saúde. A aptidão física relacionada à saúde 20, 10 .

Pode ser definida como a capacidade de realizar as atividades do cotidiano com vigor e energia e demonstrar menor risco de desenvolver doenças ou condições crônicas degenerativas, associadas a baixos níveis de atividade física. Os componentes da aptidão física relacionados à saúde e que podem ser mais influenciados pelas atividades físicas habituais são a aptidão cardiorrespiratória, a força e resistência muscular e a flexibilidade, por isso são os mais avaliados, sendo preditores da condição da saúde14.20

ATIVIDADE FÍSICA

A prática de atividade física também promove a melhora da composição corporal, a diminuição de dores articulares, o aumento da densidade mineral óssea, a melhora da utilização de glicose, a melhora do perfil lipídico, o aumento da capacidade aeróbia, a melhora de força e de flexibilidade, a diminuição da resistência vascular e, como benefícios psicossociais encontram-se o alívio da depressão, o aumento da auto-confiança, a melhora da auto-estimam 14.

O tipo de exercício físico recomendado para idosos no passado era mais o aeróbio pelos seus efeitos no sistema cardiovascular e controle destas doenças, além dos benefícios psicológicos. Atualmente, estudos mostram a importância dos exercícios envolvendo força e flexibilidade, pela melhora e manutenção da capacidade funcional e autonomia do idoso 10 e 20

O potencial do ser humano será aumentado se, na fase de não trabalho e/ou no tempo livre, o idoso se ocupar com novas aprendizagens, o que significa uma atualização permanente e uma inserção no mundo que demandam novos aprenderes num fluxo rápido e contínuo. Uma das condições que o ambiente deve oferecer para que o idoso mantenha-se atualizado é a prática regular de exercícios físicos 20.

Através da percepção de seus entrevistados, as mudanças no bem-estar e na disposição geral, a melhoria na aptidão física e no desempenho das atividades da vida diária, as sensações corporais agradáveis, uma maior disposição, a alteração de quadros de doenças com supressão ou diminuição do uso de medicamentos, o resgate da condição de eficiência, independência e autonomia, levando os idosos a serem novamente ativos e abertos para o mundo, devolvendo-lhes uma das possibilidades do ser, que é a motilidade primordial que predispõe à ação 20.

Programas de atividades físicas para o idoso

Há uma diminuição no nível de atividade física com o envelhecimento e estudos mostram que a atividade física mais prevalente é a caminhada e o alongamento e exercícios de força entram em declínio com o avanço da idade.

Estudos mostram a importância dos exercícios de força para a manutenção do equilíbrio, agilidade e da capacidade funcional dos idosos. Para manter a força muscular e o equilíbrio, importante realizar exercícios com pesos, de 2 a 4 vezes por semana, que estimulem a musculatura e auxiliem na manutenção da postura e do equilíbrio.20

As pessoas com mais de 50 anos de idade realizam atividades físicas em função de orientação médica, amigos, familiares, procura por companhia, colegas de trabalho, programas de incentivo à pratica de atividades físicas. As barreiras citadas pelo mesmo autor foram falta de local e equipamentos apropriados, falta de clima adequado, falta de conhecimento, medo de lesões e necessidade de repouso. Estes dados evidenciam a relevância do profissional da saúde, sobretudo dos médicos no envolvimento regular com a atividade física nesta faixa etária.

Um programa de exercícios físicos bem direcionado e eficiente para esta idade deve ter como meta a melhora da capacidade física do indivíduo, diminuindo a deterioração das variáveis de aptidão física como resistência cardiovascular, força, flexibilidade e equilíbrio, o aumentodo contato social e a redução de problemas psicológicos coma ansiedade e a depressão 20.

Na Carta de Ottawa (20), dentre os cinco aspectos básicos a serem desenvolvidos para a promoção da saúde, menciona a construção de políticas públicas voltadas à saúde, nas quais o objetivo maior é o de indicar aos dirigentes e políticos que as escolhas saudáveis são as mais fáceis de realizar.

Os programas de incentivo à prática de atividades físicas para esta população ainda são escassos, pouco explorados em ambientes de promoção da saúde, necessitando assim, maior atenção dos gestores, dos atendimentos em saúde, dos programas em educação em saúde e da própria sociedade.

Poucos programas de incentivo à prática de atividades físicas tem sido desenvolvidos no Brasil. No entanto, as poucas iniciativas tem trazido avanços nessa área. Um bom exemplo foi o Programa Agita São Paulo (21), que, buscou mostrar a importância da atividade física de intensidade moderada, 30 minutos por dia, de forma acumulada ou contínua, na maioria dos dias da semana, para a promoção da saúde, tendo havido especial atenção com o público da terceira idade.20.

4.3 Universidade para o idoso

Mais do que qualquer época, o século 20 se caracterizou por profundas e radicais transformações, destacando-se o aumento do tempo de vida da população como o fato mais significativo no âmbito da saúde pública mundial. A esperança de vida experimentou um incremento de cerca de 30 anos ao longo do século 20, numa profunda revolução da demografia e da saúde pública. Tal revolução formula para os especialistas, homens públicos e coletividades um dos maiores desafios sociais da história humana e uma intensa demanda por estudos e análises para uma melhor definição de políticas públicas de prevenção de saúde no envelhecimento 13.,18, 33

Trata-se de um fenômeno simultaneamente global e local, com evolução preocupante a curto e médio prazo, à medida que a rápida diminuição das taxas de natalidade observadas nos últimos anos na maioria dos países sinaliza um incremento ainda maior do processo global de envelhecimento da população. A equação demográfica é simples: quanto menor o número de jovens é maior o número de adultos atingindo a terceira idade, mais rápido é o envelhecimento da população como um todo (Camarano, 1999).

TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

O cenário que se desenha é de profundas transformações sociais, não só pelo aumento proporcional do número de idosos nos diferentes países e sociedades, mas igualmente em função do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Estima-se que os avanços científicos e técnicos permitirão ao ser humano alcançar de 110, 120 anos ¬ uma expectativa de vida que corresponderia aos limites biológicos ¬ ainda no presente século. São mudanças fantásticas e muito próximas, que reclamam modelos inovadores e sintonizados com a contemporaneidade, que garantam vida já de dez anos, desenvolvido em uma instituição voltada para o idoso. Pretende-se com isso contribuir para uma melhor compreensão da lógica de promoção da saúde do idoso e compartilhar com o público leitor os marcos de um modelo de cuidado integral, reconhecidamente exitoso.

UNTAI/UERJ

Possivelmente uma das maiores qualidades do programa da UnATI/UERJ (Universidade da Terceira Idade, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é que sua concepção leva em conta o escopo e a complexidade do envelhecimento humano no país, reclamando uma superação dos modelos até então vigentes 33

Pelo fato de se localizar no interior de uma grande universidade pública, este modelo deve possibilitar o convívio entre distintas gerações, como estratégia de redução da discrepância de valores e conceitos. A enorme gama de cursos e atividades nas mais diversas áreas do conhecimento, as estruturas de apoio, como laboratórios, bibliotecas, e, ainda, as tecnologias inovadoras desenvolvidas na universidade foram agregadas ao projeto como suporte para a transmissão de conhecimentos novos e qualificados em diferentes áreas, para os estudantes com mais de 60 anos .

Visando assegurar qualidade às atividades planejadas, houve a preocupação com a utilização de metodologias com qualidade para este crescente contingente populacional 21.

O foco do presente artigo é descrever um programa, com uma experiência que respeitassem as características dos alunos idosos. Levou-se em consideração o modo de repassar as informações, e com esta finalidade foram utilizados modelos pedagógicos específicos, que incorporam os valores, a cognição e as características próprias desta faixa etária. O idoso foi integrado a um espaço de pessoas mais jovens, oferecendo-lhe atividades que pudessem ser bem assimiladas e que fossem tão relevantes quanto o são as atividades universitárias habituais para o público mais jovem.

Todo este trabalho se deu com uma preocupação, que constitui um dos princípios do programa: oferecer serviços de qualidade, fazendo com que as atividades oferecidas aos idosos tenham relevância social e atendam ao interesse deste público, levando em conta suas trajetórias de vida. Houve preocupação explícita de não incluir no projeto ações com o intuito exclusivo de ocupar o tempo livre do idoso ou de tratá-lo como pessoa incapaz de aprender novas habilidades e adquirir novos conhecimentos. Procurou-se evitar o equívoco de estabelecer estruturas infantilizadoras, que pudessem reforçar os estigmas e preconceitos da sociedade para com os idosos.

Em sintonia com a concepção de cursos e atividades para os idosos, esteve sempre presente a preocupação da qualificação e formação de recursos humanos capazes de lidar com este segmento etário. Seria contraditório lidar com as demandas provenientes desta população, no interior de uma universidade, sem o necessário estímulo à formação qualificada dos jovens que estão se graduando em diversas áreas do conhecimento e que irão atuar em uma sociedade marcada pelo crescente envelhecimento populacional 21.

Por outro lado, apesar da relevância indiscutível dos programas educacionais, culturais e de lazer dirigidos aos idosos, sabe-se que muitos idosos não se beneficiam destas atividades devido ao comprometimento de sua capacidade funcional. Isto se deve à relação estreita entre o próprio processo de envelhecimento e a maioria das doenças que acometem o indivíduo idoso. “Vida com qualidade” foi o eixo que norteou o programa. A abordagem proposta prioriza a promoção da saúde, o cuidado e a manutenção da autonomia. Deste modo, todas as ações desenvolvidas no programa visam, em última análise, à preocupação com a preservação da saúde do indivíduo idoso.

Pode-se considerar o projeto um aprofundamento de práticas preventivas, balizado pelo afã de detectar precocemente os agravos de saúde que acometem os idosos. Cabe observar, no entanto, que a proposta não se esgota aí, mas avança em direção a uma nova fronteira: a Saúde Coletiva. Considera-se aqui como referência o conceito de “saúde coletiva” formulado por Paim & Almeida Filho (2000):

Podemos entender Saúde Coletiva como campo científico, onde se produzem saberes e conhecimentos acerca do objeto “saúde” e onde operam distintas disciplinas que o contemplam sob vários ângulos; e como âmbito de práticas, onde se realizam ações em diferentes organizações e instituições por diversos agentes (especializados ou não) dentro e fora do espaço convencionalmente reconhecido como “setor saúde”.

Ao se estabelecer uma estratégia de lazer, ensino, cultura e pesquisa, que tenha como fio condutor este conceito, configura-se uma proposta de saúde coletiva baseada num modelo de vida ativa com cidadania.

Mais do que qualquer época, o século 20 se caracterizou por profundas e radicais transformações, destacando-se o aumento do tempo de vida da população como o fato mais significativo no âmbito da saúde pública mundial. A esperança de vida experimentou um incremento de cerca de 30 anos ao longo do século 20, numa profunda revolução da demografia e da saúde pública. Tal revolução formula para os especialistas, homens públicos e coletividades um dos maiores desafios sociais da história humana e uma intensa demanda por estudos e análises para uma melhor definição de políticas públicas de prevenção de saúde no envelhecimento. Trata-se de um fenômeno simultaneamente global e local, com evolução preocupante a curto e médio prazo, à medida que a rápida diminuição das taxas de natalidade observadas nos últimos anos na maioria dos países sinaliza um incremento ainda maior do processo global de envelhecimento da população.

A equação demográfica é simples: quanto menor o número de jovens e maior o número de adultos atingindo a terceira idade, mais rápido é o envelhecimento da população como um todo (Camarano, 1999).

REPETIDO

O cenário que se desenha é de profundas transformações sociais, não só pelo aumento proporcional do número de idosos nos diferentes países e sociedades, mas igualmente em função do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Estima-se que os avanços científicos e técnicos permitirão ao ser humano alcançar de 110, 120 anos ¬ uma expectativa de vida que corresponderia aos limites biológicos ¬ ainda no presente século. São mudanças fantásticas e muito próximas, que reclamam modelos inovadores e sintonizados com a contemporaneidade, que garantam vida com qualidade para este crescente contingente populacional33.

O foco do presente artigo é descrever um programa, com uma experiência já de dez anos, desenvolvido em uma instituição voltada para o idoso. Pretende-se com isso contribuir para uma melhor compreensão da lógica de promoção da saúde do idoso e compartilhar com o público leitor os marcos de um modelo de cuidado integral, reconhecidamente exitoso.

Possivelmente uma das maiores qualidades do programa da UnATI/UERJ (Universidade da Terceira Idade, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é que sua concepção leva em conta o escopo e a complexidade do envelhecimento humano no país, reclamando uma superação dos modelos até então vigentes.

Pelo fato de se localizar no interior de uma grande universidade pública, este modelo deve possibilitar o convívio entre distintas gerações, como estratégia de redução da discrepância de valores e conceitos.

A enorme gama de cursos e atividades nas mais diversas áreas do conhecimento, as estruturas de apoio, como laboratórios, bibliotecas, e, ainda, as tecnologias inovadoras desenvolvidas na universidade foram agregadas ao projeto como suporte para a transmissão de conhecimentos novos e qualificados em diferentes áreas, para os estudantes com mais de 60 anos.

Visando assegurar qualidade às atividades planejadas, houve a preocupação com a utilização de metodologias que respeitassem as características dos alunos idosos. Levou-se em consideração o modo de repassar as informações, e com esta finalidade foram utilizados modelos pedagógicos específicos, que incorporam os valores, a cognição e as características próprias desta faixa etária. O idoso foi integrado a um espaço de pessoas mais jovens, oferecendo-lhe atividades que pudessem ser bem assimiladas e que fossem tão relevantes quanto o são as atividades universitárias habituais para o público mais jovem.

Todo este trabalho se deu com uma preocupação, que constitui um dos princípios do programa: oferecer serviços de qualidade, fazendo com que as atividades oferecidas aos idosos tenham relevância social e atendam ao interesse deste público, levando em conta suas trajetórias de vida. Houve preocupação explícita de não incluir no projeto ações com o intuito exclusivo de ocupar o tempo livre do idoso ou de tratá-lo como pessoa incapaz de aprender novas habilidades e adquirir novos conhecimentos. Procurou-se evitar o equívoco de estabelecer estruturas infantilizadoras, que pudessem reforçar os estigmas e preconceitos da sociedade para com os idosos.

Em sintonia com a concepção de cursos e atividades para os idosos, esteve sempre presente a preocupação da qualificação e formação de recursos humanos capazes de lidar com este segmento etário. Seria contraditório lidar com as demandas provenientes desta população, no interior de uma universidade, sem o necessário estímulo à formação qualificada dos jovens que estão se graduando em diversas áreas do conhecimento e que irão atuar em uma sociedade marcada pelo crescente envelhecimento populacional.

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