Turismo Cultural em Cemitérios

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Esta pesquisa tem o objetivo de apresentar as características básicas do recente Dark Tourism e de uma de suas vertentes mais famosas: o turismo em cemitérios. Através deste trabalho são elencadas as características destes dois segmentos, seu surgimento, sua contextualização no mundo, sua situação atual no Brasil e no exterior, sua aceitação pela sociedade além das principais questões éticas sobre o assunto. Uma pesquisa realizada na cidade de Uberlândia analisa o ponto de vista da população uberlandense sobre o Turismo em cemitérios, revelando seu grau de conhecimento acerca deste tópico, bem como sua percepção sobre o espaço das necrópoles e sua opinião sobre a exploração turística das mesmas. Foi realizado também um breve levantamento dos principais cemitérios existentes no Brasil e no mundo, com suas características e potencialidades turísticas.

SUMÁRIO

Introdução 
Capítulo I 
1.1 A evolução do Turismo e suas ramificações
1.2 Dark Tourism: visão geral
1.2.1 O Surgimento do Dark Tourism e sua contextualização
1.2.2 Contextualização no mundo
1.2.3 Tipos de Thanatourism
1.2.4 Motivações que atraem o visitante
1.3 Ética e respeito
1.4 Dark Tourism no Brasil
1.5 Black Spots famosos no mundo

Capítulo II

2.1 Cemitérios e sua representatividade para a sociedade
2.1.1 Cemitérios e sua espacialidade
2.1.2 Cemitérios e a sociedade
2.2 Turismo em cemitérios: aspectos gerais
2.3 Turismo em cemitérios no mundo
2.4 Turismo em cemitérios no Brasil
2.5 Análise da pesquisa
Conclusão
Referências Bibliográficas 

INTRODUÇÃO

O comportamento humano é algo que intriga a sociedade há séculos, sendo motivo de diversos estudos, pesquisas, análises, questionamentos e, por causa desta grande complexidade fez com que o homem se desdobrasse em inúmeras facetas. Somados à estas características ainda pode-se acrescentar algumas variantes como os aspectos geográficos, climáticos, culturais, sociais, comportamentais, genéticos e vários outros. 
Mesmo com todos estes diferentes aspectos em sua vida, o homem se adaptou ao meio, controlou a natureza, domesticou a fauna, catalogou a flora utilizando-a para os mais diversos fins, criou máquinas que otimizam seu trabalho e descobriu tecnologias fantásticas como a eletricidade e o uso do vapor. Ainda em tempo, este mesmo indivíduo desenvolveu atividades grandiosas de interação com o restante dos habitantes, se organizou em sociedades, ergueu gigantescas metrópoles e criou artifícios fascinantes como o turismo, responsável de certa forma por uma maior aproximação dos povos e culturas do mundo, bem como por ser uma grande fonte de geração de rendas e divisas.
Até mesmo em alguns aspectos de seu ciclo de vida o homem atingiu relativo sucesso, conseguindo modificar algumas características de suas crianças ainda dentro da barriga das mães, eliminar doenças que antigamente assolavam nações inteiras ou até mesmo retardar consideravelmente os sinais de envelhecimento. Mas apesar de todo este progresso existe um aspecto comum à todos os habitantes deste planeta que, por mais que se tente compreender ou dominá-lo, o homem ainda está muito longe destes objetivos: a morte. Ninguém ainda conseguiu evitá-la, modificá-la ou revertê-la e, mesmo com toda a tecnologia existente, pouco ainda se sabe sobre este evento.
Ela está presente em muitos campos da vida humana, seja na cultura, na religião, na biologia, na sociologia e até mesmo nos negócios. Apesar de não conseguir dominá-la, o indivíduo moderno convive diariamente com esta e, por isso à ela adaptou-se, até mesmo explorando-a comercialmente. Desta forma ela foi incorporada aos mais diversos setores da sociedade, dentre eles o turismo.
O Dark Tourism é uma das inúmeras tipologias do turismo, ao lado de outras como o ecoturismo, o de negócios, o religioso, o de eventos e outros mais. Por trabalhar com aspectos mais polêmicos e muitas das vezes trágicos, esta é uma modalidade que demanda pesquisas e estudos mais profundos e minuciosos, além do fato de que as informações hoje existentes ainda divergem um pouco de autor para autor e ainda não convencionou-se termos e definições comuns para este grupo.
Ainda focando no Dark Tourism, uma das vertentes que dele se deriva é o Turismo em cemitérios, que consiste basicamente na visitação de cemitérios para a apreciação de obras de arte (esculturas, pinturas, obras arquitetônicas) e de aspectos históricos e culturais da sociedade onde a necrópole está inserida, porém de modo sustentado e orientado.
Ao longo deste trabalho serão apresentadas as características do Dark Tourism bem como sua contextualização no mundo, repercussão, segmentação, os embates éticos, além de sua atual forma de exploração pela sociedade. Em seguida, o mesmo processo é realizado com o Turismo em cemitérios, inclusive abordando outros aspectos dos cemitérios tais como características ambientais, historicidade e sua relação com a sociedade que o circunda.
Desta forma, este trabalho tem a finalidade de agregar um pouco mais de informações à este recente e não tão explorado nicho turístico, procurando também clarificar mais esta prática e conseqüentemente contribuir para a fundamentação e planejamento de futuros projetos relacionados ao tema, seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

CAPÍTULO I

Neste capítulo serão delineadas as características básicas do Dark Tourism, partindo desde seu surgimento até a sua ramificação em vários outros segmentos. Além disso, serão explicitados os diferentes enfoques e linhas de estudo desta nova modalidade de turismo no mundo e no Brasil. Tais esclarecimentos fazem-se necessários para uma melhor compreensão do turismo em cemitérios, foco principal deste trabalho.

1.1 A EVOLUÇÃO DO TURISMO E SUAS RAMIFICAÇÕES

O turismo desponta hoje no cenário mundial como uma das mais promissoras atividades comerciais, movimentando cifras gigantescas e empregando milhões de pessoas em todo o mundo. Sua área de abrangência é extremamente ampla e variada já que a atividade turísitca pode ser adaptada a basicamente qualquer tipo de terreno, clima e contexto político, sócio-econômico ou cultural.
De modo sucinto o turismo teve seus primeiros traçados durante a Grécia antiga quando as pessoas se deslocavam de seus lares para visitar as estâncias hidrotermais e, posteriormente, outros eventos foram agregando contexto à este movimento, como por exemplo o surgimento das Olimpíadas. Além disso, diversos adventos tecnológicos contribuíram para alavancar o seu desenvolvimento tais como o advento no uso do vapor, a evolução dos meios de transporte, do computador, da internet, etc.
Desta forma, ele veio desdobrando e adaptando-se aos diversos cenários da história, cada um com suas características peculiares, sejam elas climáticas, culturais, econômicas e outras. E ao mesclar-se à estes panoramas tão singulares o turismo criou ramificações que em alguns casos chegam até mesmo a ser exóticas, surgindo então segmentos de mercado como o turismo religioso, o ecoturismo, o turismo de negócios, o gastronômico, o esotérico e, mais especificamente, o Dark Tourism.

1.2 Dark Tourism: VISÃO GERAL

O foco deste capítulo é o conhecido (ou nem tanto) Dark Tourism, cujo nome ainda não foi definido ou regulamentado. As definições mais utilizadas são Dark Tourism (LENNON e FOLEY, 2000); Thanatourism (SEATON, 1999) que remonta do grego antigo thanatopsis que significa contemplação da morte; Black Spots (ROJEK, 1993), além de alguns outros como Death Tourism ou Purple Tourism. Não existe um nome convencionado para a língua portuguesa, de modo que daqui em diante será adotado um dos vocábulos acima mencionados. Assim, para qualquer um dos termos acima citados, todos terão igual teor quando mencionados daqui pra frente.
Visando facilitar um pouco a leitura a seguir, doravante também será utilizado o termo Dark Turismo, criado especificamente para esta monografia. Ressalta-se que ele não é oficial e foi criado unicamente para este trabalho.
Os estudos sobre este assunto são reduzidos e os poucos que existem divergem entre si em alguns aspectos devido à ausência de padronização de termos e conceitos. Sendo assim, este trabalho não se baseará especificamente em apenas uma linha de pensamento mas buscará coletar os pontos essenciais destas e agregá-los em um único raciocínio.

1.2.1 O surgimento do Dark Turismo e sua contextualização

Basicamente, o conceito para Thanatourism é… viagem para um local total ou parcialmente motivado pelo desejo de encontro real ou simbólico com a morte, seja ela violenta ou não e cuja motivação pode ser desencadeada em níveis diferentes pelas intenções pessoais daqueles cuja morte é o seu foco.1 (SEATON, 1996: 240).
Segundo Lennon e Foley em seu livro Dark Tourism: The Attraction of Death and Disaster, os movimentos de peregrinação são o berço do Dark Turismo uma vez que associam a idéia de visitação à locais onde os corpos de seus líderes ou mártires jazem, buscando associar a sua presença no local como um ato de devoção ou até mesmo pagamento de promessas ou penitências. Faz sentido interpretar as peregrinações sobre este prisma pois elas envolvem o deslocamento de várias pessoas para um local específico, com um objetivo em mente que é a realização de determinado trajeto geralmente em uma época determinada do ano (período religioso ou algo similar) com o intuito de concluir alguma promessa, alguma visita à um local sagrado, ou simplesmente reunir-se com um grupo em local específico para a realização de orações ou devoções, sendo tudo isto basicamente motivado pelo desejo de se encontrar, mesmo que simbolicamente, com alguém que já morreu.
Com a eclosão dos tempos modernos, a morte que antigamente era tratada como um processo ritualístico, respeitoso e cerimonioso, passou a ser comercializada e até mesmo industrializada. Esta nova forma de tratamento deve-se principalmente, segundo Lennon e Foley (2000) ao aumento da longevidade da população e à fragmentação geográfica das famílias, dificultando a reunião de seus integrantes para a celebração das cerimônias pertinentes. Surgiu ao longo das últimas décadas uma verdadeira indústria da morte, com a criação de diversos produtos e serviços relacionados ao tema, indo deste a personalização de caixões e mausoléus, passando pela vasta gama de seguros funerários e culminando com a cristalização das cinzas mortuárias em gemas preciosas, como é o caso de uma empresa Suíça descrita em matéria da revista Veja:
Nascer, viver, morrer. E, sobrevindo a morte, enterrar ou cremar. A essa seqüência praticamente imutável desde o início dos tempos uma empresa suíça, a Algordanza, oferece um passo a mais: transformar em diamante as cinzas do ente querido. (JACOMINO, 2005: 188)
Somada à essa banalização da morte, a mídia aparece como veículo potencializador dessa nova tendência. Com a exibição de filmes, documentários e reportagens sobre eventos de caráter trágico como guerras, desastres ou massacres, ela aproxima quase que instantaneamente toda a população mundial sobre os fatos ocorridos. Não que isso não seja bom, pelo contrário, faz com que as pessoas interem-se de toda a gama de acontecimentos mundiais num espaço de tempo surpreendente, mas o ponto negativo é que ao expor tais espectadores constantemente à este tipo de produto, sua interpretação real corre sérios riscos de ser deturpada já que tal notícia pode ser veiculada de acordo com rótulos ou conceitos do povo que a promove. Soma-se a isso a inclusão de uma maior familiaridade da população para com a morte uma vez que ela é exposta freqüentemente em diferentes meios como filmes, novelas e documentários, gerando ao mesmo tempo curiosidade e indiferença sobre este tópico que em outros tempos era tratado de forma tão reservada.
Exemplos claros do parágrafo anterior são os solos das Scottish Wars of Independence (INNES, 1995) que são os locais onde inúmeras batalhas pela independência da Escócia foram travadas. Após o filme Coração Valente2, tais locais viraram uma das principais atrações turísticas do país, recebendo milhares de turistas anualmente e que viajam não com o intuito de conhecer os locais onde aconteceram as guerras de independência, sentir mais de perto a possível sensação das chacinas ali ocorridas ou resgatar um pouco da memória dos que lá combateram, mas sim para confrontar o que assistiram no filme com a realidade ali exposta. 
No entanto, os professores Lennon e Foley (2000) atestam que tais eventos não se enquadram como Dark Tourism devido à distância cronológica que os separa da sociedade moderna, sem que existam pessoas vivas para validar tais fatos. Além disso, tais acontecimentos não geram questionamentos sobre suas conseqüências para o mundo moderno uma vez que sua interpretação é na maioria das vezes moldada pela mídia como melhor lhe convém. Tal ponto de vista gera ainda bastante controvérsia entre os estudiosos do tema.
Existe algo a ser salientado para que não se gerem futuras controvérsias: o Dark Turismo não ocorre exclusivamente no local onde aconteceu o evento, como por exemplo, o complexo de campos nazistas de Auschwitz-Birkenau, mas também em locais que remontam ou buscam resgatar a história de fatos relacionados ao tema, como é o caso do Museu do Holocausto em Houston, situado em um continente diferente de onde o fato central ocorreu mas que nem por isso deixa de estar relacionado ao evento.

1.2.2 Contextualização no mundo

Diversos assuntos existentes hoje em dia são analisados de maneira diferente dependendo da região e no caso do Dark Tourism é possível identificar tanto a visão oriental quanto a ocidental, sendo que tal diferenciação se dá principalmente pelo modo como que cada um destes hemisférios interpreta a morte e os demais aspectos a ela relacionados.
No caso da cultura ocidental a sociedade é em grande parte impregnada pelos fundamentos capitalistas apregoadores de aspectos como o consumismo, o sensacionalismo, a exploração comercial de tudo que é exótico, diferente, passível de ser industrializado pela mídia. Desta forma o Purple Tourism torna-se mais um produto a ser oferecido à população que, ávida por novidades e entretenimento, consome-o sem a devida apreciação, sem o devido respeito pelo que lhe é ofertado.
O hemisfério ocidental caracteriza-se por possuir uma cultura comercial voltada mais para cifras e resultados do que para a interiorização do homem. Busca obter êxito em praticamente todos os aspectos que lhe são apresentados mesmo que tal sucesso signifique a exploração de seus semelhantes ou a deturpação e manipulação de dados e fatos. Diante deste cenário, o Dark Turismo é comercializado em larga escala, sendo divulgado através de filmes, documentários, programas de televisão, livros e outros meios de comunicação. 
Porém esta propagação em massa não é sempre benéfica pois pode gerar interpretações errôneas por parte da população. A exemplo disto temos os filmes feitos sobre o Holocausto, que buscam documentar e retratar as atrocidades acontecidas naquele período mas por mais fiéis que estes busquem ser, muitas das vezes contam o ponto de vista de um grupo que nem sempre é imparcial na exposição dos dados já que o sensacionalismo atrai mais pessoas aos cinemas, aumentando receitas e popularidade. 
É comum que atrações pertinentes ao Thanatourism gerem sensações ou interpretações diferentes em cada tipo de indivíduo, pois este aborda eventos não comuns ao cotidiano da maioria das pessoas e assim cada cidadão pode reagir de uma forma diferente, seja com repulsa, asco, indignação, entusiasmo ou até mesmo indiferença. Independentemente da forma que este indivíduo filtra a informação que lhe é transmitida, esta é uma interpretação sua, fruto de sua reflexão e concatenação dos dados ali expostos com sua experiência de vida até o presente momento. Uma superprodução cinematográfica pode simplesmente destruir essa interpretação pessoal ao apresentar não só a um mas a milhões de pessoas ao longo do globo um ponto de vista deturpado, industrializado e massificado, de algo que lhe deveria ser único e singular.
Ao contrário dos ocidentais a população oriental possui em suas raízes conceitos mais profundos e reflexivos sobre a morte e a espiritualidade devido à grande diversidade de religiões lá existentes e que têm em suas bases uma maior aceitação da morte, do pós-vida e da efemeridade da vida terrena. 
Por causa destas características o Dark Tourism não é tão expressivo no oriente quanto é no ocidente. É comum a existência de locais bastante propícios à exploração pelo Dark Turismo mas que estão abandonados, esquecidos, sujeitos às intempéries do tempo e da natureza. São locais como o Lepong Japang no oeste da Sumatra, que é um complexo de túneis subterrâneos construídos com trabalho escravo durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial. De acordo com Lennon e Folley (2000), o local é mal sinalizado e são os habitantes que fazem o papel de guias conduzindo os turistas pelo emaranhado de túneis, contando um pouco da história do local no idioma local, o Bahasa, sem sequer se preocuparem em adquirir especializações como guias ou aprender outro idioma para abranger outros grupos. A correta exploração destes túneis poderia beneficiar em grande escala as cidades mais próximas pois atrairiam turistas, receitas e conseqüentemente geraria empregos para a população, além de preservar a história do local.
Para o oriente a morte é apenas um estágio, uma etapa pela qual todo humano deve passar durante sua existência e por isso não é encarada com tanto espetáculo como no ocidente. Atrações que exploram o lado mais obscuro da humanidade não são tão chamativas para os orientais pois abordam um evento comum à todos e que deve ser visto com naturalidade. E como já é sabido o oriente foi, assim como o ocidente, cenário de inúmeros eventos caracterizados pela atrocidade, chacina e devastação. É só recordar das batalhas promovidas pelos mongóis na época de Gengis Khan ou a batalha de Sekigahara no Japão no ano de 1600 onde morreram milhares de combatentes em combates sangrentos disputando o controle do arquipélago japonês.
Convém ressaltar que apesar dos orientais não enxergarem a morte como algo espetacular, mesmo assim eles têm grande devoção e respeito por seus antepassados, mais mesmo do que os próprios ocidentais pois cultuam e honram bastante seus ancestrais, mas não acham correto explorá-los comercialmente. Por causa desta visão mais natural que o oriente possui sobre a morte, a mídia em torno deste assunto não busca o mesmo sensacionalismo objetivado pela imprensa ocidental onde basicamente tudo é passível de ser explorado, televisionado e exposto à milhões de telespectadores. São valores e culturas diferentes que portanto, levam a comportamentos diferentes.
Assim, é possível verificar que o foco capitalista utilizado pelo ocidente favorece o surgimento e desenvolvimento do Dark Tourism mas é preciso tomar cuidado para que esta avidez pela exploração do exótico não entre em choque com os preceitos éticos e morais da sociedade, principalmente daquela à qual o produto do Dark Turismo faz referência.

1.2.3 Tipos de Thanatourism

O Thanatourism pode ser subdividido, segundo Seaton (1996):
Viagem para ver a morte. Ex: execuções públicas e enforcamentos:
Este é um segmento raramente praticado hoje em dia, uma vez que tais atos como execuções públicas e enforcamentos não acontecem mais para os olhos do público como antigamente. Não afirma-se que eles não existam, porém quando ocorrem são restritos a pequenos grupos ou facções (geralmente quem os executa) e portanto torna-se uma categoria de Dark Tourism passível apenas de ser mencionada;
Viagem para locais onde ocorreram mortes:
Vsta é um nicho de Thanatourism muito forte e que atrai inúmeros visitantes durante o ano todo. São locais onde já se evidenciou inclusive historicamente, que ali foi palco para grandes massacres ou genocídios e, em alguns dos casos, ainda existem vestígios de tais acontecimentos. São locais onde deve-se tomar muito cuidado em não oferecer interpretações fabricadas sobre o ocorrido, ou seja, deve-se apenas elencar os fatos, seus detalhes e deixar que o próprio visitante teça suas próprias conclusões e interpretações. Exemplos claros disso são os complexos nazistas de Auschwitz-Birkenau (figuras 14, 15 e 16); a praia de Omaha na Normandia (figura 7) onde aconteceu o caótico Dia D; os solos escoceses, palco das sangrentas batalhas pela independência do país (figura 6), dentre outros;
Viagem para locais de enterro, exumação ou sepultamento:
Neste grupo envolve os túmulos, cemitérios e locais de exumação e cremação. Tais estruturas atraem uma quantidade gigantesca de turistas em diversas partes do globo buscando inclusive a visitação de túmulos de pessoas famosas.Viagem para reencenamento de eventos:
Este é um nicho que se relaciona com o Purple Tourism de forma um pouco mais tênue e portanto deve ser mais cautelosamente explorado. Isso se deve ao fato de ele não acontecer, na maioria das vezes, no local onde realmente aconteceu o evento, apesar de isso não descaracterizar a prática do Dark Turismo como já foi citado anteriormente. Além do mais, ele oferece uma interpretação específica do fato ocorrido, o que nem sempre pode ser a real, distorcendo ou deturpando parte dos eventos.
Viagem para locais criados, onde evidências sobre a morte foram reunidas e expostas:
Nesta categoria os principais expoentes são os museus pois neles encontram-se reunidas e expostas diversas evidências sobre eventos ocorridos. Existem casos tanto de museus que se localizam no local exato do eventos, como o Sixth Floor Museum, localizado exatamente no local de onde saiu o disparo fatal contra o presidente Kennedy; ou então o Museu do Holocausto (figura 3), situado em Houston, bem distante do local foco de sua representação.
Convém ressaltar que assim como qualquer outro aspecto relacionado ao Dark Tourism essa classificação não é fixa ou dada como decisiva e tais categorias e conceitos estão constantemente sendo revistos, analisados e ampliados.

1.2.4 Motivações que atraem o visitante

Dentre os aspectos pertinentes ao Thanatourism as motivações que levam as pessoas a praticar este tipo de turismo são um dos pontos mais intrigantes de todo o estudo até hoje já realizado. É comum a existência de grandes debates acerca do assunto bem como a crítica e descrença por parte dos menos informados. Mas são constantes os levantamentos e pesquisas sobre este tópico pois antes de tudo é preciso identificar qual o tipo de turista que o pratica e quais suas aspirações ao realizar tal viagem, pois só de posse destes dados é que se pode fazer um planejamento efetivo para exploração sustentável do local.
É bastante comum a combinação de interesses ao se realizar este tipo de turismo, combinando focos como curiosidade mórbida e validação ou recordação e peregrinação, por exemplo. Aliado ao fato de ser uma modalidade de turismo recente sem muitas pesquisas ou embasamentos teóricos, a vasta gama de interesses despertados nos turistas ainda é um aspecto bastante complexo a ser analisado neste nicho de mercado.
Dentre as principais motivações já enumeradas pelos especialistas na área serão listadas algumas delas, seguidas de um breve comentário e eventuais considerações.
Recordação: busca de reavivação de episódios acontecidos e resgate de memórias antigas ou fatos passados. Dependendo da distância cronológica que separa o evento ocorrido e o tempo presente, este tipo de interesse torna-se bastante vago ou até mesmo incapaz de se manifestar. Lennon e Foley (2000) já levantaram este tipo de argumentação alegando inclusive que a distância cronológica do evento bem como a sua relevância e conseqüências para a atual sociedade devem ser avaliadas antes de enquadrar um acontecimento ou estrutura como pertinente ao Dark Turismo. Tal afirmação gera muita controvérsia pois outros especialistas já defendem a idéia de que, independente da data que ocorreram, os acontecimentos são enquadrados no segmento estudado de acordo com suas características básicas como nível de morbidez ou de atrocidade. 
Reações ou sentimentos incomuns: Tal manifestação é corriqueira mas ao mesmo tempo muito controversa pois a maioria das pessoas que visita algum local relacionado ao Thanatourism motivadas por essa sensação não demonstra o devido respeito para com a história ali presente. Este tipo de reação é mais presenciada em uma das ramificações do Dark Tourism que é o Fright Tourism, ou literalmente traduzindo, Turismo de Susto, que é caracterizado pela busca de uma oportunidade assustadora simplesmente por prazer e geralmente em um local que tenha uma história sinistra ou seja promovido como tal (BRISTOW, 2004). No caso dos demais eventos ou estruturas do Dark Turismo relacionadas com fatos históricos menos pitorescos, como guerras, genocídios e assassinatos, este tipo de reação é condenada pois por trás de todo o produto turístico ali ofertado existe uma história, tradição e memórias do povo ali residente que, de forma mais discreta ou explícita, ainda nutre uma série de lembranças e recordações sobre o evento ali ocorrido tempos atrás;
Validação e autenticidade: A busca pela validação de informações sobre este tipo de turismo é um poderoso agente motivador de deslocamento de pessoas principalmente por causa da influência maciça da mídia na sociedade atual. Lennon e Foley (2000) já afirmavam que o Dark Tourism e a mídia estão intimamente ligados, pois esta última é encarregada de despertar o interesse de visitação de milhares de pessoas através dos documentários, filmes, artigos e outros. Sendo assim é grande a variedade de pessoas que visitam locais mórbidos ou associados a grandes atrocidades somente depois que eles foram esmiuçados e promovidos pela tv ou pelo cinema. Mais uma vez é citado como exemplo clássico os campos escoceses, palco de inúmeras batalhas sangrentas travadas na busca de objetivos específicos ao território. Tal fato por si só já gerava grande fluxo de visitantes para o país mas com a exibição do filme Coração Valente houve uma verdadeira avalanche de turistas que buscavam a validação da história, paisagens e aparatos que compuseram a história outrora encenada nos cinemas;
Contemplação: Praticar o Dark Turismo simplesmente pela contemplação dos locais, das obras de artes, dos monumentos, das paisagens e dos demais elementos ali existentes é algo bastante comum. Apesar deste tipo de motivação não ser exclusiva deste tipo de turismo é neste nicho que ela manifesta-se em grande escala principalmente na visitação de cemitérios. Os cemitérios, principalmente os maiores, são verdadeiros museus à céu aberto que reúnem diversas obras arquitetônica e esculturas de refinado bom gosto. No entanto, a maioria da sociedade não tem conhecimento destas obras ou se o tem não realiza tais visitas por achar no mínimo estranho entrar em um cemitério apenas para ver obras de arte. É baseado neste aspecto e em outros fatores que a Prefeitura Municipal de São Paulo lançou o projeto Arte Tumular, que oferece visitas monitoradas aos principais cemitérios da cidade, buscando disponibilizar às pessoas a oportunidade de conhecer o local e apreciar sua história e as obras de arte ali existentes;
Ainda existem outras motivações que levam os turistas a praticar este tipo de turismo mas a descrição e comentário de todas elas utilizariam demasiado espaço deste trabalho tornando-o muito extenso. Convém apenas ressaltar que o correto levantamento e detalhamento destas manifestações, combinadas com outros aspectos dos visitantes (faixa etária, nível econômico, etc) são pontos cruciais na elaboração de qualquer projeto de planejamento para este segmento de turismo.

1.3- ÉTICA E RESPEITO

No atual mundo dos negócios é comum analisar as transações comerciais, empreendimentos, produtos e demais atividades sob o ponto de vista da ética, uma vez que ela busca regular ou pelo menos equalizar as relações existentes nestes campos. Não somente nas empresas mas em praticamente todos os momentos da vida é necessário que o indivíduo se comporte de maneira adequada perante determinadas situações e pessoas, de modo a poder inserir-se em determinado grupo.
No campo do turismo a ética também é um aspecto primordial a ser analisado principalmente por estar intimamente relacionada à cultura e costumes dos povos, além do fato de que nas interações visitante e visitado são comuns os choques culturais e conseqüentemente, os choques éticos. Como exemplo vejamos o caso de punições em praça pública em alguns países do oriente: crimes mais simples ou até mesmo banais como roubar uma fruta em uma feira são punidos fisicamente, podendo até deixar seqüelas permanentes nos infratores. Para a população ocidental, além de uma atrocidade trata-se de uma conduta anti-ética. Para os orientais é algo comum e faltar com a ética seria ignorar tal fato e não punir o infrator.
É com base neste choque cultural que será pautada esta discussão sobre a ética no Dark Tourism. À exemplo disto, nos campos de concentração do complexo Auschwitz-Birkenau ocorreram milhares e milhares de assassinatos, conceituando um dos maiores atentados contra à humanidade ocorridos nos últimos cem anos, culminando com a dizimação de grande porcentagem de uma etnia através do extermínio em massa. Mesmo com todo este histórico, hoje os campos nazistas recebem milhares de turistas anualmente que buscam ali momentos de reflexão, comprovação histórica, ou até mesmo apenas um pouco de distração. Diante deste cenário a ética é abordada em dois pontos: a exploração comercial de um momento tão devastador na história da humanidade e o comportamento dos turistas durante a visitação destes complexos.
No primeiro caso este embate ocorre não somente na exploração dos antigos campos nazistas, mas praticamente em todos os produtos turísticos ofertados pelo Death Tourism já que são nestes trilhos dor, sofrimento, morte, genocídio e outros que este sustenta sua existência. A diferença é que busca-se na maioria das vezes uma interpretação neutra dos acontecimentos, evitando sensacionalismos, preconceitos ou constrangimentos para as pessoas envolvidas no processo, sejam elas visitantes ou pertencentes à comunidade local, de modo a resgatar a história da sociedade porém sobre o ponto de vista dos derrotados, dos vencidos, uma visão mais realista já que quase sempre os fatos ocorridos ao longo da existência humana foram narrados pelos vitoriosos, conforme afirma Donat (1965), sobre o Holocausto:
Tudo depende de quem transmite nosso testamento para as futuras gerações, de quem escreve nossa história deste período. A história é geralmente escrita pelo vitorioso… Nossos assassinos sendo vitoriosos, eles escrevendo a história desta guerra, nossa destruição será apresentada como uma das páginas mais bonitas da história mundial, e as futuras gerações os reconhecerão como justiceiros impávidos. Todas suas palavras serão tidas como absoluta verdade. Ou eles varrerão nossas memórias como se nunca tivéssemos existido… (DONAT (1965: 6) apud LENNON (2000: 32))3
É visto portanto que o Dark Turismo almeja em muitos casos um encontro com a história da humanidade através de outros prismas: o dos derrotados, o dos excluídos, o dos assassinados. No entanto é necessário prezar por uma interpretação imparcial dos fatos ocorridos, pois estes podem ser altamente deturpados pela visão sensacionalista da mídia.
O segundo embate à respeito da ética neste tipo de turismo é referente ao comportamento do visitante no local, vez que existem relatos de pessoas que se comportam inadequadamente neste tipo de recinto, seja através do comportamento verbal (risos, alto tom de voz, chistes) ou das posturas corporais (fotos com flash em locais proibidos, depósito de lixo no chão, descaracterização do local pela retirada de souvenirs não autorizados, etc). Tais comportamentos também acontecem nas demais vertentes do turismo, mas nesta eles têm um peso maior pois grande parte da memória de um povo outrora desolado, dizimado e destruído está ali exposta, devendo portanto ser no mínimo respeitada.
O correto comportamento durante uma visita a um local com estas características deveria ser interiorizado pelos turistas, de modo que já se agisse automaticamente com respeito simplesmente por estar entrando em um local de dor e sofrimento, do mesmo jeito que a maioria das pessoas se comporta ao entrar em um hospital, por exemplo, pois apesar dos avisos, todos sabem que devem se manter em silêncio e evitar tumultos e balbúrdias. Em alguns sítios de Dark Tourism existem placas e dizeres orientando o comportamento dos visitantes, além dos guias também serem instruídos a passar tais informações. Como exemplo, nos complexos nazistas na Polônia existem logo na entrada avisos instruindo a pessoa a se portar com dignidade e respeito aos que ali morreram. 
Desta forma percebe-se que o Thanatourism está intimamente relacionado com a ética na sociedade pois aborda eventos polêmicos muitas das vezes ignorados propositalmente por esta, trazendo junto lembranças e recordações abafadas pelo tempo. Portanto, cabe aos profissionais que trabalham nesta área, turismólogos ou não, realizar minuciosos estudos e planejamentos antes de qualquer implementação de um produto turístico relacionado a este setor, visto que o passado, a integridade e a moral de sociedades inteiras podem ser abalados caso tais atitudes sejam praticadas à esmo, sem planejamento. Faz-se necessário também a correta orientação dos turistas que vivenciam este novo nicho de mercado, no tocante ao comportamento e respeito adequado ao presenciar qualquer manifestação deste novo segmento.

1.4 DARK TURISMO NO BRASIL

Como já foi mencionado no início deste capítulo, o turismo é uma atividade de abrangência muita ampla, podendo ser adaptado à praticamente qualquer tipo de terreno, clima e contexto. Por causa deste grande poder de adequação, diferentes modalidades de turismo bem como suas características peculiares se espalharam ao longo do globo terrestre, tornando-se parte de culturas bem diferente daquelas onde elas surgiram. Ressalva-se porém que alguns ajustes são realizados de modo a não conflitar com os costumes e preceitos do local e visando evitar situações constrangedoras ou embaraçosas.
Desta forma, o Purple Tourism também se espalhou por todo o planeta mas é diferentemente interpretado e aceito nas diferentes localidades onde é praticado. Como já foi discutido anteriormente, sua adequação ocorre de forma diferente no ocidente e no oriente devido à posicionamentos da sociedade frente a questões cruciais, como a morte e alguns eventos à ela relacionados.
No caso do Brasil este tipo de turismo ainda é pouco difundido, sendo que sua principal vertente no país é o Turismo em cemitérios. Existem alguns estudos, artigos e monografias acerca do tema e inclusive algumas ações práticas já estão sendo tomadas, como é o caso do projeto Arte Tumular, promovido pela Prefeitura Municipal de São Paulo que visa resgatar parte da história da cidade através da visita aos cemitérios, já que as esculturas e obras arquitetônicas lá existentes contam trechos da existência da antiga metrópole, da Belle Époque paulistana, onde o ideal da elite era a imitação dos hábitos europeus. (http://portal.prefeitura.sp.gov.br/empresas_autarquias/servico_funerario/arte_tumular/0001)
Existem outras cidades que também estão dando seus primeiros passos na exploração do Turismo em cemitérios como é o caso de São Luís no Maranhão, onde a uma monografia sobre turismo em cemitérios estimulou a criação de roteiros e atividades em algumas necrópoles da cidade. (http://www.extranet.ceuma.br/noticias_mostrar.asp?noticia=118www.ushmm.org) 
Mas nem só de Turismo em cemitérios pode sobreviver o Thanatourism no Brasil, pois existem no país inúmeras situações passíveis de serem trabalhadas e ofertadas à população como Dark Tourism: o enforcamento do mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes; a escravidão dos negros no período colonial ou então o massacre no Presídio do Carandiru, que inclusive virou filme com o mesmo nome. Estes são apenas alguns exemplos onde o turismo pode atuar de forma planejada, resgatando a história destes acontecimentos e contribuindo para a evolução da consciência da sociedade. 
Vale destacar que a escravidão dos negros é um tópico já amplamente discutido e documentado principalmente nos livros escolares de história do país. Estes mesmos livros dizem que realmente ouve uma exploração por parte dos senhores de engenho, e que estes usavam trabalho escravo para conduzir suas fazendas, alimentando o famoso ciclo canavieiro brasileiro. O que eles não contam ou pelo menos disfarçam é que estes negros viajavam dias e dias amontoados no porão de navios mercadores, sujeitos às piores condições higiênicas imagináveis, convivendo durante toda a viagem com ratos, baratas e insetos e, ao chegarem aqui no Brasil, continuavam amontoando-se em senzalas nas mesmas condições, destituídos de suas posses, de seus familiares e de sua dignidade. Eram comuns as mortes, açoitamentos e mutilações daqueles que não cooperavam ou que tentavam fugir dos latifúndios. Mais uma vez, de acordo com Donat (1965) a história é contada pelos vitoriosos e por isso cria-se histórias lindas e varre-se a identidade dos derrotados, como se estes nunca tivessem existido. 
Outro evento interessante para a atuação do Thanatourism foi o massacre no Presídio do Carandiru em São Paulo (SP) no dia 19 de Outubro de 1992, onde 111 presos foram brutalmente mortos e cerca de outros 86 foram feridos (MARRA e BUOSI, 2002) caracterizando uma das maiores chacinas dos últimos 15 anos ocorridas no Brasil e cuja repercussão foi internacional devido ao número de mortos e pela forma como foram executados. O local onde se situava o presídio foi implodido em 2002, provavelmente buscando apagar ou atenuar o ocorrido na lembrança dos paulistanos e do restante dos brasileiros e nele foi construído o Parque da Juventude, projeto do arquiteto Gian Carlo Gasperini, que conta com áreas de lazer, passeio, culturais e outras. No entanto, a Casa de Detenção do Carandiru ainda permanece aberta ao público para visitação de terça a domingo, mostrando que apesar de todo o ocorrido, a memória do presídio ainda está viva, disponível para quem quiser conhecê-la. (www.saopaulo.sp.gov.br/acoes/parque_da_juventude.htm)
Mas dentre todos os eventos já ocorridos na história brasileira, existe um que é bastante expressivo, seja por sua dimensão, repercussão e principalmente por ter sua real amplitude distorcida em todo o país, apesar de ter sido provavelmente o maior massacre já ocorrido na América Latina: a colonização brasileira. Milhares e milhares de nativos foram dizimados pelos conquistadores europeus, que trouxeram a prosperidade e o progresso para o território tupiniquim, outrora povoado por índios sem cultura, educação formal e religião. A população brasileira ainda hoje é instruída a enxergar este episódio como uma das mais belas páginas de nossa história, onde tudo começou, onde toda a prosperidade se iniciou. Trata-se realmente de um episódio marcante para todos os brasileiros, mas o Dark Turismo poderia trabalhá-lo de outra forma, valorizando a memória de todos aqueles que foram dizimados neste processo, de modo a evitar a banalização ou o esquecimento destes povos além de contribuir para o desenvolvimento do turismo no país.
Torna-se portanto bastante evidente a necessidade da aplicação deste tipo de turismo em uma maior escala no Brasil, visto que ele pode contribuir para a preservação da história brasileira ao cultivar fatos e acontecimentos marcantes em nossa história, mas que por motivos muitas vezes não explicados ou justificáveis, são apagados ou deturpados, para que a população futura não se recorde destas atrocidades.

1.5 BLACK SPOTS FAMOSOS NO MUNDO

Apesar de ser uma prática recente em todo o mundo, o Death Tourism já conta com diversas locações específicas espalhadas ao longo do mundo, sendo muitos deles extremamente conhecidos até mesmo por aquelas pessoas que sequer têm noção do que vem a ser este tipo de turismo. Neste tópico serão enumerados vários dos mais famosos black spots existentes seguidos por um breve comentário e ressaltando-se que não estão ordenados por nenhuma classificação:
Gestapo Museum em Berlim na Alemanha: O antigo quartel general da Gestapo abriga hoje uma exibição denominada The Topography of Terror, em exibição desde 1987. O governo alemão havia decidido construir no local um museu, denominado The Gestapo Museum (figura 1) e realizou inclusive concurso para arquitetos, buscando o melhor projeto para o local. Após vitória do projeto do suíço Peter Zumthor, a construção foi iniciada mas posteriormente cancelada por esbarrar no milionário déficit da cidade de Berlim. Calcula-se que cerca de 15 milhões de euros foram gastos até então na obra e que seriam necessários aproximadamente mais 25 milhões para terminá-la, o que foi considerado inviável pelo governo da cidade. Segundo eles, tratava-se de um projeto muito artificial e complicado. Mesmo assim, o local ainda pode ser visitado e mantém-se como uma das principais atrações turísticas da cidade. (KUMKOVA, 2004)

CAPÍTULO II

O segundo capítulo deste trabalho tratará especificamente do turismo em cemitérios que, como já mencionado no capítulo anterior é uma doa segmentos do Dark Turismo. Inicialmente é realizada uma apresentação deste tipo de modalidade turística, seguida por sua incidência no mundo e posteriormente no Brasil. Além disso, é exposto o resultado da pesquisa realizada com freqüentadores do Cemitério São Pedro em Uberlândia sobre seu conhecimento e aceitação do ao Turismo em cemitérios.

2.1 CEMITÉRIOS E SUA REPRESENTATIVIDADE PARA A SOCIEDADE

As necrópoles são provavelmente uma das estruturas mais antigas já criadas pelo homem e que compõem o complexo cenário de suas vilas e cidades. Não importando o tamanho da sociedade ou a cultura, os cemitérios estão presentes desde a antiguidade no cotidiano das pessoas, fazendo parte da organização de suas cidades e povoando a imaginação dos habitantes com alguns mitos e lendas.
Por ser um local de estreita relação com a morte, inúmeras são as histórias em torno dos cemitérios, tais como o misticismo em torno das frutas que nascem em suas árvores: praticamente ninguém se atreve a degustar os frutos de uma árvore de um cemitério, alegando que a árvore se nutriu dos corpos dos cadáveres e por isso seus frutos são contaminados. São mitos antigos, passados de geração para geração, mas que muitas pessoas ainda ficam receosas em rompê-los.

2.1.1 Cemitérios e sua espacialidade

Do ponto de vista ambiental os cemitérios podem trazer impactos para uma região basicamente através da contaminação dos lençóis subterrâneos de água, sendo portanto descartada a hipótese ou mito de contaminação através do ar. O que efetivamente motivou a construção dos cemitérios foi o fato de se considerar anti-higiênico o sepultamento no interior das igrejas e por isso tal prática foi inicialmente abolida na Europa e posteriormente adotada no Brasil. 
Os corpos em decomposição liberam um líquido conhecido como necro-chorume, cuja designação correta é produto da coliquação e este é um dos principais fatores norteadores da construção das necrópoles, inclusive sendo regidas por códigos e instruções, principalmente o Código Sanitário Estadual. No caso de São Paulo, existem artigos específicos relacionados à construção destas estruturas tais como o Artigo 151 que diz que Os cemitérios serão construídos em áreas elevadas, na contravertente das águas que possam alimentar poços e outras fontes de abastecimento e o Artigo 152 onde está escrito que Deverão ser isolados, em todo o seu perímetro, por logradouros públicos ou outras áreas abertas, com largura mínima de 15,00 m, em zonas abastecidas por redes de água, e de 30,00 m, em zonas não providas de rede além de outros artigos tratando de aspectos como a declividade do terreno e o nível de arborização.
Ainda com relação à implantação das necrópoles, é importante observar alguns critérios como os aspectos topográficos, geológicos, geossanitários, hidrogeológicos e geoambientais, que englobam fatores como a qualidade dos solos (não muito argilosos, pois dificultam a decomposição) além de se evitar a proximidade de outras estruturas como aterros sanitários ou hospitais. (http://www.funerarianet.com.br/?id=16&codigo=21). 
Os cemitérios são geralmente construídos nas zonas limítrofes das cidades e definem as fronteiras desta, mas com o nível frenético de urbanização enfrentado pela sociedade nos últimos anos eles acabam sendo engolidos, tornando-se estruturas bem centrais em algumas metrópoles como é o caso do Cemitério da Consolação em São Paulo, construído em 1858 nos limites da cidade e hoje situado à apenas alguns metros da Avenida Paulista, centro nervoso da capital. Sobre isso, já afirmou Pierre George (1983):
Os cemitérios situam-se nos limites da cidade… Os maiores são os mais recentes e os mais periféricos. Eles representam durante certo tempo o papel de fronteira da cidade, constituem uma zona de isolamento, depois são bruscamente ultrapassados, cercados pelo crescimento de novos bairros. (GEORGE (1983: 199) apud REZENDE (2000: 19))
Não é muito preciso o número de cemitérios no Brasil, mas somente São Paulo conta com mais de 20 necrópoles, conforme informações datadas de 1999 do Serviço Funerário do Município de São Paulo. Dentre estes existem alguns bastante famosos como o Araçá, o Consolação, o Santo Amaro e o Vila Formosa, sendo que este último é considerado o maior da América Latina com seus 763.000 m² de área e, por causa de sua grande extensão, foi dividido em Vila Formosa I e II de modo a facilitar seu controle.
No caso de Curitiba existem outros também bastante conhecidos como o Santa Cândida, o São Francisco de Paula, o Municipal do Água Verde e o do Boqueirão. Inclusive um deles, o Parque São Pedro, se destaca por ser o único com certificação ISO 14001, tendo sido construído todo de acordo com as normas ambientais exigidas e tornando-se referência para as demais necrópoles existentes. (ACKERMANN)
Em Uberlândia existem os cemitérios de São Pedro e o do Bom Pastor que, conforme já mencionado, também foram construídos nos arredores da cidade mas hoje são estruturas centrais, rodeadas pela urbanização e que tornaram-se parte do cenário uberlandense. Eles possuem características distintas, sendo que o do Bom Pastor é uma necrópole de terreno mais aberto, praticamente sem esculturas arquitetônicas ou obras de arte, possuindo basicamente lápides simples e individuais. Já o Cemitério São Pedro é detentor de uma espacialização mais complexa, apresentando diversos mausoléus e obras arquitetônicas, além é claro de jazigos famosos como o do João Relojoeiro que é uma figura popular bastante conhecida, outros de políticos locais famosos e também do ator Grande Otelo.
O Cemitério do Bom Pastor é o maior em extensão e número de sepultamentos, sendo que conforme dados das tabelas I e II abaixo, em 2002 ocorreram cinco vezes mais sepultamentos do que no Cemitério São Pedro.

Independente da estrutura espacial dos cemitérios uberlandenses ou da quantidade de túmulos famosos e de estruturas arquitetônicas, ambos são passíveis de exploração pelo Turismo em cemitérios, pois detêm grande parte da história da cidade, representada através dos túmulos das pessoas que já fizeram parte de Uberlândia.

2.1.2 Cemitérios e a sociedade

Existe uma certa relação entre estas estruturas e a sociedade em que estão inseridas principalmente com relação aos aspectos do cotidiano e à organização do local. Em muitas das vezes esta estreita ligação passa desapercebida pela maioria dos observadores, mas se analisada com detalhes pode revelar traços fabulosos do modo de vida das pessoas que convivem em suas redondezas.
Importantes características da sociedade são expressadas na organização e exposição dos cemitérios existentes, tanto no Brasil quanto no mundo. Um aspecto presente em praticamente todos as necrópoles é a presença marcante do patriarcalismo, que é a estruturação social onde o homem, o pai, o chefe de família figura como principal representante de toda uma casta, colocando as mulheres e demais dependentes em segundo plano. Tal característica faz parte da cultura do homem desde o seu surgimento, onde o homem sempre foi visto como o caçador, o provedor, o gestor e, por isso, é o ponto central de sua prole. É muito comum presenciar principalmente nos mausoléus a inscrição Sr. Fulano e família além de, no caso de túmulos de mulheres, encontrar expressões como Aqui jaz Fulana de Tal, esposa de Fulano de Tal que foi o maior representante de… e outros dizeres similares.
A distinção de classes é algo que pode se manifestar inclusive após a existência física do homem na Terra, manifestando-se também através da organização dos cemitérios. Os túmulos e mausoléus de grandes personalidades ou de pessoas que detiveram alto poder aquisitivo são, na maioria das vezes, ostentados por esculturas de grande porte, por estruturas arquitetônicas expressivas ou até mesmo por enormes blocos de mármore ou granito, de modo a demonstrar que ali jazem os restos mortais de alguém que teve grande poder ou grande fortuna quando em vida. Desta forma, mesmo após a vida do indivíduo as elites se impõem perante a sociedade, buscando manter ativa sua história e poder.
No caso das camadas economicamente inferiores os túmulos são geralmente mais simples, constituídos de covas de terra (que aceleram a decomposição do cadáver) e raramente dispõem de jazigos familiares. Isto é uma certa exigência imposta pela própria sociedade, onde devido ao gigantesco número de mortos faz-se necessário um rodízio entre as covas mais comuns, para que todos tenham o direito de serem enterrados. Sendo assim, estas covas se confundem com as demais, tornando-se padronizadas tal como é a massa proletária em nossa sociedade. Rezende (2000) interpreta este fenômeno como se os pobres fossem despejados de sua propriedade mortuária, pois precisam ceder espaço aos outros enquanto os ricos têm sua casa fúnebre perpétua, assim como era durante sua vida terrena.
A grandiosidade e imponência de alguns túmulos e mausoléus é claramente percebida, como por exemplo o da família Matarazzo no Cemitério da Consolação em São Paulo: ele possui 20 metros de altura e dimensões de área de uma casa popular. Segundo informações do responsável pelo cemitério, além dos locais para o depósito de ossos, existe espaço suficiente para acomodar até 28 cadáveres e, em algumas ocasiões, missas são celebradas dentro do túmulo. Ainda no Cemitério da Consolação existe um outro túmulo apresentado na forma de uma catedral gótica, com cerca de 12 metros de altura e uma grande riqueza de detalhes, além de diversos outros que ostentam esculturas de artistas famosos, como por exemplo, obras do escultor Victor Brecheret.
A organização espacial dos cemitérios também é um espelho da sociedade onde se insere pois assemelha-se à uma cidade com suas ruas, bairros, vias e até mesmo pela distinção de locais mais valorizados, seja de um cemitério para outro ou dentro da própria necrópole. Sobre isto, Coelho (1991) escreveu:
Quem faz os cemitérios não são os mortos, mas os vivos. E fazem-nos não apenas para os mortos mas também (para não dizermos sobretudo) para os vivos. Por isso, a organização da cidade dos mortos (com as suas avenidas, os diferentes tipos de habitações que contém, a forma de as embelezar, as suas relações de vizinhança, a hierarquização dos seus espaços) obedece a critérios semelhantes à ´cidade dos vivos. Assim, os cemitérios funcionam como espelhos das aldeias, vilas ou cidades que os produzem. (COELHO (1991: 8) apud REZENDE (2000: 33))
A própria localização do cemitério, como fora mencionado no tópico anterior à este, pode ser analisada também no âmbito social. As necrópoles não são locais destinados à geração de capital ou de lucros por isso ficam mais distantes das áreas centrais e populosas já que essas sim têm todo o seu foco no comércio ou em outras atividades que envolvam a transação de capital de alguma forma. É claro que a escolha do local de um cemitério se deve à fatores físicos e ambientais como também fora mencionado anteriormente, mas a sua expulsão para os arredores da cidade é algo demandado pela estrutura social dos habitantes de uma cidade, pois mesmo que existisse uma área com condições físicas adequadas à instalação de um cemitério no centro da cidade, as chances de que ali fosse construído outra coisa como uma galeria de lojas, um shopping ou um conjunto residencial seriam muito maiores.
Ainda com relação à desvalorização do local do cemitério, assim como acontece com a periferia das grandes cidades, à medida que a urbanização vai se expandindo e o capitalismo vai fagocitando todos as áreas e locais disponíveis para a construção de novos empreendimentos, são comuns as tentativas de desapropriação dos cemitérios para a viabilização de empreendimentos comerciais. É um fato corriqueiro no desenvolvimento das cidades onde praças ou locais antigos cedem espaço a imensos shoppings, galerias comerciais e condomínios, onde a explosão demográfica sobrepuja a história e as raízes da cidade.
No caso de Uberlândia, o local onde hoje se encontra a praça Clarimundo Carneiro já foi local de um cemitério mas que foi desativado para dar lugar ao antigo prédio da Câmara Muncipal de Uberlândia, juntamente com o Coreto Municipal. Tal fato é relembrado por antigos moradores da região, como neste relato do Sr. Oswaldo Borges de Oliveira:
Quem anda pela Praça Clarimundo Carneiro nem imagina que naquele local já foi o segundo cemitério de Uberlândia. Como os moradores ficavam preocupados pelas doenças transmitidas pelos bichos existentes ali, resolveram demolir para construir um jardim. Precisavam retirar os restos mortais, mas só foram transladados dois destes, causando revolta nos parentes dos mortos. (www.museudapessoa.net)

2.2 TURISMO EM CEMITÉRIOS: ASPECTOS GERAIS

O homem sempre fora regido pelo seu ciclo de vida: nascer, crescer, reproduzir e morrer, sendo este imprescindível à todas as pessoas, excetuando somente a reprodução, uma vez que é possível completar tal ciclo sem gerar indivíduos para perpetuar a espécie. 
As etapas acima citadas vêm desde antigamente sendo tratadas com bastante cerimônia, envoltas em rituais de diversas espécies e celebrações que variam bastante de acordo com a época e cultura do povo. À exemplo disso pode-se verificar as diversas manifestações que envolvem o nascimento de um criança, comparando-se toda a religiosidade envolvida neste episódio em algumas sociedades mais antigas, passando pela infinidade de celebrações, comemorações e mimos providenciados por algumas culturas ocidentais e culminando em algumas atrocidades, como é o caso das mulheres na China, menosprezadas desde sua chegada à este mundo, devido à aspectos histórico-culturais e populacionais.
É percebido também que o avanço da sociedade em termos tecnológicos e até mesmo da mentalidade desta fez com que muitos destes acontecimentos outrora tidos até como desígnios divinos (a morte em muitas culturas ainda é vista como um propósito superior, algo incontestável) passassem a ser interpretados com um pouco mais de naturalidade e discernimento e, encadeada a estes, como é de praxe na sociedade capitalista atual, segue-se a exploração comercial. 
Todas as etapas inicialmente citadas são exploradas pelo mercado, uma vez que este oferta inúmeros aparatos, produtos e serviços relacionados à estes acontecimentos. Mesmo a fase final, a morte, que ainda é vista com certo receio e temor por uma grande parcela da população, já é explorada intensamente pelo capitalismo. A indústria da morte já é comum na sociedade em que vivemos pois existe uma vasta gama de produtos e serviços que são à ela relacionados: seguros funerários, preparadores de cadáveres (tanatopraxia), cristalização de cinzas (anexo 1) e outros mais. Em alguns desses exemplos ocorre uma verdadeira banalização deste momento tão único, deturpando a real mensagem e teor da morte.
Na vanguarda deste novo mercado surgiu o turismo em cemitérios, caracterizado pela visitação, orientada ou não, de cemitérios e outros locais a estes relacionados. Seu surgimento data-se do início do século 19, quando o cemitério francês Père Lachaise tornou-se um local atrativo e turisticamente explorável, despertando o interesse de várias pessoas tanto para a apreciação das obras ali existentes quanto para os túmulos ilustres deste. (SCOTT). 
O turismo em cemitérios é mais uma das especialidades do Dark Tourism conforme a classificação de Seaton (1996), pertencendo à categoria de visitação à locais de enterro, exumação ou sepultamento. É um movimento recente onde diferentemente da comum visitação somente à túmulos de parentes e amigos, busca a apreciação das obras de arte da necrópole e de suas estruturas e obras arquitetônicas, além da visitação de túmulos de personalidades famosas.
Ademais dos objetivos supra citados esta modalidade de turismo procura principalmente resgatar a história da cidade, do local e das pessoas que ali já residiram. As diferentes pistas dadas por uma necrópole através de sua arquitetura, organização, caracterização, das obras de arte ali expostas e das pessoas ali enterradas fornecem informações valiosas acerca do passado de toda a região e seus habitantes, fazendo com que a visitação de um cemitério seja uma experiência cultural tão rica quanto ir a um museu ou à uma galeria de arte.
Dentre os segmentos do Dark Turismo, o turismo em cemitérios é um dos que mais desponta e atrai pesquisadores e teóricos sobre assuntos relacionados. Tal fato pode ser associado à simbologia que os cemitérios têm no inconsciente das pessoas, fazendo parte do cotidiano de vários povos e gerações e, conseqüentemente, sendo interpretado e aceito de diversas maneiras. Sendo assim, várias áreas buscam estudar este novo fenômeno do turismo mundial, tais como a sociologia, a história, a geografia e a arte.
A difusão do turismo em cemitérios ainda é algo que gera certa polêmica, pois busca a apreciação e visitação de um lugar geralmente evitado pela maioria das pessoas exatamente por ter uma relação tão estreita com a morte. Logo, diferente de um destino sol e praia ou uma excursão de negócios, o turismo em cemitérios é um tema que deve ser tratado com especial atenção, exigindo além do trivial planejamento necessário a qualquer projeto turístico, uma interpretação da sociedade circunvizinha, tratando de aspectos como a implantação desse movimento em suas necrópoles, sua repercussão, aceitação e outros itens importantes.
É preciso que as necrópoles sejam vistas e valorizadas tais como são os museus e demais galerias, agregando-lhes o caráter de local detentor de importantes aspectos culturais para toda a sociedade, vez que podem ser exploradas com os mesmos objetivos. Diferentemente do marketing usualmente agressivo do turismo, neste caso ele deve ser cauteloso antes de tudo, pois estará promovendo um local onde os sentimentos de perda ainda permeiam o ambiente e por isso a propaganda deve ser criteriosa de modo a atingir nichos específicos da população, que saibam realmente tratar o local visitado com respeito e dignidade.

2.3 TURISMO EM CEMITÉRIOS NO MUNDO

A prática do turismo em cemitérios já é bem conhecida em vários países do mundo, principalmente nos Estados Unidos da América (EUA) e em alguns outros da Europa, como França e Inglaterra. Inclusive, como já mencionado neste trabalho, esta modalidade teve seu início com o cemitério Père Lachaise na França no início do século 19. Nele, atualmente jazem personalidades bastante importantes como Jim Morrison (ex-vocalista da banda The Doors), Frédéric Chopin e Oscar Wilde, além de ser possível realizar um tour virtual pelo cemitério através do site www.pere-lachaise.com.
Diversas são as formas de divulgação e de turismo nestes cemitérios, pois isso depende tanto da estratégia de promoção desta necrópole como também de aspectos físicos e estruturais. Por exemplo, o Arlington National Cemetery nos EUA dispõe de um tour feito dentro de um microônibus, com um guia que ao longo do percurso relata a história do local, sua construção e alguns dos principais nomes ali enterrados. Tal passeio só é possível graças à grande extensão do local, bem como à existência de largas e pavimentadas vias de acesso que permitem o trânsito destes veículos. Tal atividade seria impraticável em vários outros cemitérios, pois muitos destes possuem apenas vielas entre os pavimentos, além de não permitirem a entrada de veículos por questões de impacto ambiental e capacidade de carga.
Diferentemente dos cemitérios que ostentam inúmeras obras de arte e esculturas complexas, o Arlington National Cemetery é relativamente plano, composto de um gramado bem cuidado e inúmeras lápides brancas que dão um certo tom de homogeneidade e padronização para o local. Esta organização remonta os preceitos militares de ordem e igualdade entre seus componentes (desde que sejam da mesma patente) e refletem-se não só no Arlington, mas em praticamente todos os outros cemitérios americanos mantidos pelo Department of Veteran Affairs, ou Departamento de Assuntos dos Veteranos, que encarrega-se dos direitos e da memória daqueles que lutaram pelo país, totalizando cerca de 120 cemitérios deste tipo no país. 
Ainda no caso do Arlington, lá estão enterradas personalidades ilustres tais como o antigo presidente William Howard Taft, os restos dos sete tripulantes da nave espacial Challenger e, com maior destaque o também ex-presidente John F. Kennedy, lembrado neste cemitério através de um monumento conhecido como Eternal Flame ou Chama Eterna (figura 17). Nesta necrópole pode-se observar o poder que as personalidades americanas exercem sobre seu povo mesmo após sua morte, pois sua representatividade ainda é bastante forte junto aos cidadãos, intensificando cada vez mais o sentimento de patriotismo dos americanos.
Na França temos o já citado Cimetière du Père Lachaise e outros de igual renome como o Des Gonardes em Versailles onde foi enterrado Pierre Napoleon Bonaparte, o Montparnasse em Paris onde jazem personalidades como Charles Baudelaire e Jean-Paul Sartre, o Pantheón com Voltaire, Rousseau, Descartes, Louis Braille criador do método Braille para deficientes visuais e Alexandre Dumas, autor da obra Os Três Mosqueteiros.
Ainda na Europa existem outros cemitérios importantes na Itália, Alemanha, Irlanda, Inglaterra e até na Grécia, com o Karameikon, que é um cemitério antigo em Atenas. No Oriente Médio, o cemitério Wadi-us-Salaam ou Vale da Paz em Najaf no Iraque é o maior cemitério Islâmico existente com cerca de 6 Km² e aproximadamente cinco milhões de corpos.

Na América do Sul os principais são o da Recoleta na Argentina, famoso por abrigar o túmulo de Eva Perón que recebe milhares de visitantes anualmente e o do ex-piloto de Fórmula 1 Juan Manuel Fangio e o Cementerio de la Chacarita também na Argentina, onde os túmulos do antigo presidente argentino Juan Perón juntamente com o de Carlos Gardel e outras personalidades ilustres atraem inúmeros turistas todos os anos. Além destes são famosos também o Cementerio General de Chile no Chile com o túmulo do ex-presidente Salvador Allende e diversos outros cemitérios no Brasil, que serão detalhados no tópico a seguir.
São inúmeras as necrópoles ao longo do planeta que possuem atrativos de diversas espécies, seja a história peculiar do local, suas personalidades que ali estão enterradas, as obras artísticas e arquitetônicas ali existentes ou até mesmo números e detalhes curiosos acerca do cemitério. O que convém ressaltar é que todos possuem um forte apelo cultural que pode ser potencializado e explorado pelo turismo, contribuindo para a preservação da história da sociedade e do local onde este se insere, além da atrair milhares de turistas.

2.4 TURISMO EM CEMITÉRIOS NO BRASIL

O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial, detém uma das principais florestas mundiais, possui um litoral bastante extenso que ostenta praias magníficas além de fauna e flora extremamente ricas no interior do país. Agregados a todos estes atrativos naturais existe uma grande diversidade de povos, o que culmina com a existência das mais diversas manifestações artísticas e culturais. Porém em muitos casos todo este arcabouço cultural é negligenciado ou simplesmente ignorado, fazendo com que anos e nos de história e tradição fiquem esquecidos, distantes da sociedade.
No caso dos cemitérios eles assemelham-se a museus, com diversas esculturas e obras arquitetônicas, além de todo um legado histórico representado através das personalidades ali enterradas, sejam elas de renome local, nacional ou até mesmo internacional. As necrópoles são portanto, elementos culturais essenciais ao desenvolvimento de um povo e, caso sejam adequadamente exploradas, constituem-se em uma grande fonte de atração de turistas e divisas para o local. Listados abaixo alguns dos principais no Brasil:
Cemitério do Morumbi em São Paulo (SP): famoso pela presença dos túmulos de Elis Regina e do ex-piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. Visitantes de todas as partes do Brasil e do mundo ainda visitam periodicamente o tumulo deste último, mesmo mais de 10 anos após sua morte;

Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro (RJ): possui personalidades famosas enterradas como Tom Jobim e Carmem Miranda.
Cemitério da Consolação em São Paulo (figura 25): é o mais antigo da cidade e por causa do vertiginoso crescimento da metrópole, hoje situa-se a alguns metros da Avenida Paulista, centro econômico da capital paulistana. Nele jazem personalidades famosas como Monteiro Lobato, Campos Sales e Tarsila do Amaral.

Cemitério da Vila Formosa em São Paulo (SP): Foi construído com o propósito de propiciar um rodízio mais rápido entre os cadáveres e por isso, não permite que nele sejam construídas mausoléus ou túmulos externos e fixos. O processo de sepultamento nele utilizado é a inumação, onde o caixão permanece em contato direto com a terra, acelerando o processo de decomposição. Fato interessante é que nele as lápides possuem cores diferenciadas para homens e mulheres, eliminando portanto o patriarcalismo existente nos demais cemitérios;
Ainda é bastante comum o misticismo e conceitos deturpados sobre as necrópoles, caracterizando grandes entraves ao desenvolvimento deste tipo de turismo no país. Em vários países os cemitérios são encarados com maior naturalidade e informalidade, vistos como estruturas passíveis de visitação e apreciação. No caso do Brasil, é comum ainda a atribuição do caráter místico e intocável do cemitério, sendo estes vistos como um local sagrado e que portanto não deve ser explorado comercialmente.
No Brasil, a falta de pesquisa e estudos sobre o turismo em cemitérios é um grande sinal de descaso e desinteresse pois são poucas as análises, dissertações, teses e pesquisas sobre o assunto. Existem uns poucos nichos de estudiosos sobre os cemitérios e estes são de diversas áreas como o Turismo, a Geografia, Artes, História, Antropologia e outros, mas os números possuem resultados pífios se comparados com outros grupos de estudos.
Certa parte da população já vem utilizando os cemitérios para outras finalidades diferentes do armazenamento dos restos mortais de cadáveres. Devido ao contexto das cidades onde estão inseridos, o uso de seu espaço é tomado pelas mais diversas atividades como soltar pipa, fazer caminhada, leitura, namorar e outros. São atividades características de parques e praças, mas devido à questões de acessibilidade ou até mesmo econômicas, muitas pessoas buscam os cemitérios como local alternativo para essas práticas. A grande e intensa urbanização das cidades é um fator crítico à essa invasão, pois como são cada vez mais escassos os parques e praças além do aumento da distância dos já existentes, as necrópoles tornam-se opções bastante viáveis para a realização de atividades mais lúdicas e relaxantes.
A insuficiência de áreas destinadas ao lazer na grande São Paulo por exemplo, faz com que cemitérios como o do Araçá ou Vila Formosa tornem-se verdadeiros parques onde as pessoas realizam as mais diversas atividades. Segundo Rezende (2001), o Cemitério da Vila Formosa com seus mais de 700.000 m² ocuparia o quarto lugar na lista de parques de São Paulo se fosse enquadrado como tal, ficando atrás somente de parques como o Anhangüera, o Ibirapuera e o Carmo. Este é portanto um dos motivos pelos quais diversas pessoas preferem relaxar nas necrópoles.

2.5 ANÁLISE DA PESQUISA

Para a complementação deste trabalho foi realilzada pesquisa com os visitantes habituais de um dos cemitérios de Uberlândia, no caso o Cemitério São Pedro, buscando identificar seu perfil, conhecimento e aceitação sobre o turismo em cemitérios.

CONCLUSÃO

Foi possível verificar através deste trabalho que o surgimento do Dark Tourism foi concomitante ao desenvolvimento da mentalidade da sociedade, uma vez que esta passou a identificar nos eventos trágicos e mórbidos uma maneira de recontar a história dos povos, resgatar aspectos culturais antigos e também, logicamente, gerar divisas através da exploração de um segmento turístico que vem crescendo cada vez mais em todo o mundo.
Através de uma maior aceitação e elucidação dos aspectos relacionados à morte o homem teve a oportunidade de adaptar diferentes pontos de sua vida à esta nova realidade, permitindo que houvesse um maior desenvolvimento dos negócios à ela relacionados, tais como a cristalização de cinzas, a tanatopraxia, a comercialização de seguros funerários e também o Thanatourism.
Com este último está sendo possível uma maior divulgação e apreciação de eventos relacionados á tragédias, desastres e morbidez mas não com o simples pretexto de exploração comercial, mas sim de modo sustentado e orientado, fazendo com que fragmentos outrora tidos como perdidos sejam revelados à sociedade visando uma maior compreensão de sua história e de suas intrínsecas nuances.
O Thanatourism e o turismo em cemitérios estão inegavelmente presentes nas sociedades atuais, mas ainda carecem de muitas pesquisas e estudos além é claro, de um nível maior de esclarecimento e informação para a sociedade. Porém foi percebido através da pesquisa realizada neste trabalho que apesar da população entrevistada ser na maioria formada por católicos, sua aceitação quanto ao turismo em cemitérios é grande, principalmente pelo fato de se enxergar neste um veículo potencializador das necrópoles, capaz de incrementar sua divulgação, sua história e principalmente sua conservação. 
Como qualquer outro ramo do turismo, estas duas novas práticas devem ser exaustivamente estudadas e analisadas, uma vez que sua relação com a sociedade é mais tênue e frágil já que aborda temas não muito comuns como a morte, tragédias, morbidez e outros. O correto trabalho com a sociedade permite a visualização das potencialidades destes novos segmentos, seus preceitos, sua preocupação com o local e com praticamente tudo à ele ligado, sejam os aspectos físicos, históricos, culturais ou até mesmo sociais.
Um dos principais obstáculos enfrentados pelo Turismo em cemitérios no Brasil ainda é a falta de informação, tanto por parte dos gestores quanto por parte da população, pois toda a potencialidade destas estruturas ainda não é adequadamente explorada ou divulgada, fazendo com que todo o arcabouço cultural existente nas necrópoles fique adormecido.
Foi possível verificar também que a prática do Turismo em cemitérios possui bastante força mundo afora, com cemitérios famosos como o Pére Lachaise e o Arlington Park que recebem milhares de turistas anualmente, interessados em conhecer um pouco mais da história do próprio local, apreciar suas artes e visitar túmulos de personalidades ali enterradas. No Brasil ela ainda está se iniciando, mas já desponta em locais como o Cemitério da Consolação em São Paulo, dotado de esculturas de artistas famosos, túmulos de antigos presidentes e personalidades e algumas curiosidades como o maior túmulo da América Latina; o Cemitério da Vila Formosa, famoso também pela sua gigantesca extensão, tornando-se o maior da América Latina; o Cemitério do Morumbi com túmulos de pessoas como Ayrton Senna e Elis Regina que são visitados por centenas de pessoas anualmente, além de várias outras necrópoles com alto potencial a ser explorado.
Um ponto que merece bastante atenção é, além do planejamento, a correta adequação deste tipo de turismo à sociedade local, vez que ela é parte integrante do processo e sua insatisfação pode comprometer todo o projeto. Uma abordagem correta, seguida de explanações, demonstrações de resultados em outras partes do mundo e até mesmo simulações são algumas das atividades de conscientização de uma das partes essenciais ao sucesso do projeto.
Apesar da falta de material teórico acerca do assunto no Brasil, alguns estudos já estão sendo realizados visando identificar as potencialidades das necrópoles brasileiras, levantar alguns pontos a serem trabalhados e a adequar os cemitérios para a visitação turística, como por exemplo o projeto Arte Tumular em São Paulo que promove visitações orientadas por guias a diversos cemitérios da cidade. Somados à estas iniciativas, esta trabalho busca incrementar o número de informações sobre esta nova tendência do turismo, visando melhorar as condições de viabilização de projetos na área, bem como a informar à qualquer pessoa que busque entender um pouco mais deste fascinante assunto.
A deficiência acima citada não será sanada de modo instantâneo, somente com propagandas e promoções. É claro que o marketing tem papel fundamental neste aspecto, mas antes de tudo é necessária a conscientização da população local, informando-a de todo o potencial destas estruturas, de sua correta exploração e principalmente dos benefícios trazidos à sociedade por causa desta. 
Assim como todo produto turístico, o turismo em cemitérios deve ser precedido de uma série de fatores e análises, tais como viabilidade, capacidade de carga, análise de impacto ambiental e social, comparações entre custo e benefício e outros tópicos mais. A correta inter-relação entre alguns dos principais setores é essencial para um planejamento adequado, não só para este ramo especificamente, mas para qualquer setor do turismo. Deve haver uma conciliação de direitos entre o Governo, a população local, o setor privado e o meio ambiente, sendo que o setor acadêmico pode auxiliar todo o processo através de análises, levantamentos e pesquisas.
O Governo, ou mais especificamente o município, é encarregada da fiscalização e regulamentação de toda a ação a ser realizada. O empresariado é a parte financeira do processo, construindo benfeitorias no entorno do cemitério de modo a valorizá-lo ainda mais e criando atrativos internos e externos à necrópole, desde que estes sejam condizentes com as regras estabelecidas. Em seqüência existe a população local que não pode ser esquecida e, de alguma forma deve ser incluída no processo já que o sucesso do projeto depende da satisfação deste grupo. Além disso, o meio ambiente deve ser respeitado levando-se em conta todas as suas potencialidades além também do setor acadêmico, que pode auxiliar todo este ciclo com suas pesquisas, análises e ponderações teóricas.
É necessário portanto a correta integração destes segmentos para que sejam estabelecidos planejamentos adequados à exploração sustentável dos cemitérios potenciais brasileiros, pois são inegavelmente uma fonte expressiva de cultura, história e geração de riquezas para a sociedade.

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