FRATURA DE BENNETT

RESUMO

A fratura de Bennett é uma lesão comum e de tratamento variado. Os autores relatam um caso de fratura de Bennett em que houve associação à fratura do trapézio e chamam a atenção para esse tipo de lesão, que é raro e aumenta a incidência de maus resultados.

INTRODUÇÃO

Foi descrita por Edward H. Bennett, em 1882, uma fratura-luxação trapézio-metacarpiana em que a maior porção da articulação se desloca lateral e posteriormente pela ação do músculo abdutor longo do polegar e em abdução pela ação da inserção distal do adutor do polegar, O fragmento triangular menor – parte da articulação mantém-se em relação normal com o trapézio graças ao forte ligamento oblíquo anterior.
Vários métodos de tratamento têm sido propostos durante os anos, tais como redução anatômica e congruência.

DESCRIÇÃO DO CASO

Paciente branco, 36 anos, sexo masculino, atendido em serviço de urgência por acidente de motocicleta com queda e conseqüente trauma no 1º dedo em hiperextensão e hiperabdução. Após o trauma, notou crepitação e perda de força e instabilidade do polegar ao nível da articulação trapézio metacarpiana, uma vez que relatou não conseguir segurar objetos quando fazia pressão do polegar contra o indicador. Ao exame radiográfico, verificou-se fratura da base do
lº metacarpo esquerdo com subluxação trapézio-metacarpiana e ainda fratura do trapézio com traço longitudinal e cominuição lateral, fato muito raro naquele tipo de lesão.

Dez dias após o traumatismo, o paciente foi submetido a redução aberta da fratura, fixação do fragmento lateral ao fragmento medial da fratura com dois fios de Kirschner e retirada de fragmentos osteocondrais pequenos (provenientes da fratura do trapézio) do interior da articulação, a fim de proporcionar melhor congruência articular. Após o ato cirúrgico, foi mantida imobilização com tala gessada antebraquiopalmar para escafóide.

DISCUSSÃO

Na maioria dos casos, o mecanismo do trauma é uma força axial direcionada contra o metacarpo parcialmente fletido.
Como descrito anteriormente, o mecanismo do trauma foi atípico, o que supomos produziu, em associação com a fratura de Bennett, uma lesão rara de ocorrer mesmo de forma isolada, segundo Pardini.
São poucos os relatos na literatura sobre esse tipo de lesão, tendo maior relevância a descrição desta associação numa série de dez fraturas do trapézio, das
feita por Walker quais uma estava associada à fratura de Bennett.
Dentre os vários tratamentos propostos por autores distintos citados anteriormente, preferimos a redução aberta e a fixação interna para este caso, por acreditarmos que com esse método obtemos melhor resultado funcional.

Chamamos a atenção para este caso por haver lesão rara a aumentar a incongruência articular e dificultar a redução anatômica perfeita, requerida para a obtenção de resultados satisfatórios

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