BRUTUS E CÉSAR

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BRUTUS E CÉSAR
No antigo império romano, existiu um imperador, bastante afamado que foi Júlio César. Júlio César tornou-se Imperador em razão de seu brilhantismo como político e estrategista militar. Governou províncias, conquistou territórios e ganhou batalhas nas guerras civis romanas. Tinha grande popularidade. Seu nome é cultuado até os dias de hoje.
César era considerado um homem bondoso. A prova disso é que adotou o filho de sua amante, um menino chamado Marco Brutus. Este foi bem educado e também tornou-se um estrategista militar, chegando a governar províncias de Roma. Mais tarde, graças à influência do pai, Brutus chegou ao senado romano.
De acordo com a história, quando César tomou o poder como imperador entrou em choque com o senado.
Houve disputa pelo poder, provocando desentendimentos. Os senadores revoltados formaram um conluio que se voltou contra César. O resultado deste conluio foi o assassinato de César. Quem desferiu os golpes que provocaram a sua morte foi Brutus.
Se analisarmos a história até aqui poderemos concluir que Brutus foi um ingrato, uma pessoa de caráter degenerado. Todavia a história oficial conta que César estava muito envaidecido com o poder que tinha conquistado demonstrando intenções de acabar com o senado romano, a fim de que pudesse comandar sozinho Roma. Séculos depois, o grande dramaturgo William Shakespeare escreveu uma peça teatral onde ele interpreta este período histórico. O nome da peça é Júlio César. No início da peça, Shakespeare mostra Brutus como um homem dividido: além de ser filho de César é também um homem público, um senador romano. Ele ama o pai e nutre uma grande gratidão por ele. Por outro lado, teme as reações deste pai enquanto imperador, pois bem sabe o quanto o poder torna o seu pai cego. O trecho mais significativo dessa obra de Shakespeare é a fala onde Brutus justifica-se perante o senado romano explicando o porquê de ter se voltado contra o pai. Brutus assim diz: Romanos, cidadãos e amigos! Ouvi a exposição da minha causa e fazei silêncio, para que possais ouvir. Crede em minha honra e respeitai minha honra para que possais acreditar nela. Julgai-me segundo vossa sabedoria e ficai com os sentidos despertos para que possais julgar melhor. Se houver alguém nesta reunião, algum amigo afetuoso de César, dir-lhe-ei que o amor que Brutus dedicava a César não era menor
do que o dele. E se esse amigo, então, perguntar por que motivo Brutus se levantou contra César, eis a resposta: não foi por amar menos a César, mas por amar mais a Roma. Que teríeis preferido: que César continuasse com vida e Vós todos morrêsseis como escravos, ou que ele morresse, para que todos vivessem como homens livres? Por me haver amado César, pranteio-o, por ter sido ele feliz, alegro-me, por ter sido valente, honro-o; mas por ter sido ambicioso, matei-o. Logo: lágrimas para sua amizade, alegria para sua fortuna, honra para seu valor e morte para sua ambição. Haverá aqui, neste momento, alguém tão vil que deseje ser escravo? Se houver alguém nessas condições, que fale porque o ofendi. Haverá alguém tão grosseiro para não querer ser romano? Se houver que fale porque o ofendi. Haverá alguém tão desprezível que não ame sua pátria? Se houver que fale porque o ofendi. Faço pausa, para que me respondam

BRUTUS E CÉSAR

Brutus antes de ser filho de César era um homem preocupado com seu país e não desejava que este país fosse governado por um tirano. Assim, por amar a liberdade, Brutus insurgiu-se contra aquele que lhe dera uma casa e educação. Brutus não amava menos seu pai, amava mais seu país. Brutus não amava menos a César, amava mais a liberdade e a igualdade. O sentimento de liberdade de Brutus contrastava com os ímpetos de tirania e opressão de César. Por isso voltou-se contra César.
Em nossa vida, muitas vezes nos deparamos com situações similares a de Brutus e de César. Situações onde temos vontade de agir de certa forma, contrariando a vontade de um ente querido. Acabamos por oprimir nossas vontades, para realizar as vontades de nossos entes queridos. Vamos dizer que são como César que tentam cercear nossa liberdade e impedem o desenvolvimento de nossa Roma. Vamos dar alguns exemplos: a) o filho que para atender a expectativa de seu amado pai escolhe cursar uma faculdade que não é de seu agrado, porém do pai; b) a mulher que deixa de namorar um rapaz de seu interesse em função da desaprovação das amigas; c) o cônjuge que se sujeita a realizar caprichos da companheira mesmo não concordando somente para agradá-la.
Simbolicamente falando, os césares de nosso cotidiano não percebem a ingerência invasiva que fazem sobre a nossa Roma. Assim matar metaforicamente estes césares é defender a nossa Roma. Roma simboliza nossos valores, nossas crenças e nossa liberdade de expressão. Defender Roma é conseguirmos nos colocar melhor, não contrariarmos os nossos sentidos, nem os nossos valores, saber falar não. Enfim, defender Roma é dar valor para nós mesmos independente da aprovação do outro. Matar César é fazer como Brutus, defender aquilo que acreditamos. Felizmente vivemos em tempos onde os conflitos não precisam ser resolvidos por meio de conluios mortais. Basta conversarmos com amorosidade e objetividade. Aprender a expor nossos pensamentos e saber defender nossos valores. E não nos deixar invadir em razão do amor que sentimos pelos césares com medo de sermos retalhados ou procurando evitar sentimentos de culpa e remorso. É importante lembrar que nascemos livres para optar e exercer o livre arbítrio. Portanto, é importante sabermos colocar e defender nossas idéias. É o mesmo que defender nossa Roma.
Ponto de reflexão: Quantos césares existem em sua vida? Será que você consegue defender a sua Roma?
Será que você ama mais os césares do que a Roma?

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