Existem várias opções para a cirurgia da tiróide, dependendo a escolha do tipo de operação da doença da tiróide subjacente, embora a anatomia da glândula também tenha influência.

Lobectomia parcial

Lobectomia (direita ou esquerda) – É a cirurgia mínima actualmente praticada, embora raramente. Utilizada em casos de nódulo solitário dominante benigno

Hemitiroidectomia (direita ou esquerda) – Significa remoção de um dos lobos da tiróide bem como do istmo. É uma cirurgia mais alargada do que a anterior e é a opção mais frequente nas situações benignas, em que os nódulos se localizam apenas num lobo e/ou istmo tiroideu. Pode ser utilizada em casos de tumores muito pequenos, pouco agressivos em doentes jovens. Na prática clínica utilizam-se frequentemente os termos lobectomia e hemitiroidectomia com o mesmo significado, isto é, ao realizar-se uma lobectomia inclui-se a remoção do istmo.

Tiroidectomia subtotal – Esta opção remove o lobo mais afectado pelo problema do doente, o istmo e grande parte do lobo oposto. É uma opção para os cancros pouco agressivos, nos bócios que causam compressão das estruturas do pescoço e/ou se estendem para o tórax (bócios mergulhantes). Hoje em dia, a tendência vai no sentido de abandonar a tiroidectomia subtotal, substituindo-a pela tiroidectomia total.

Tiroidectomia total – Remoção de toda a glândula tiróide. É a cirurgia indicada nos bócios muito volumosos e no carcinoma da tiróide, principalmente se papilar ou folicular grande, agressivo e em indivíduos com mais de 40 anos, no carcinoma medular da tiróide e no carcinoma anaplásico. Neste caso nem sempre é possível retirar toda a glândula, já que muitas vezes o tumor invade órgãos vitais do pescoço como a traqueia e as artérias carótidas.

A incisão utilizada na cirurgia da tiróide mede entre 7,5 e 12,5 cm e geralmente cicatriza muito bem.

Complicações

As complicações da cirurgia da tiróide são de um modo geral raras e de evolução favorável. Problemas como hemorragia, infecção da ferida operatória, dificuldade respiratória, pneumonia e tromboflebite quase nunca acontecem. Nos casos de cancros avançados que invadem as vias respiratórias, pode existir dificuldade respiratória com necessidade de traqueostomia (abertura na traqueia que permite respirar através de um tubo).

As duas complicações mais preocupantes, embora pouco frequentes, são a lesão do nervo recorrente e o hipoparatiroidismo.

Os nervos recorrentes situam-se muito perto da região posterior da tiróide, e são responsáveis pelo movimento das cordas vocais. Se pelo menos um dos nervos é lesado durante a cirurgia, pode causar rouquidão temporária ou permanente. Por isso, o cirurgião deve ter muito cuidado para evitar esta complicação rara (1-2%), mas grave.

A paratormona (PTH) é uma hormona segregada nas glândulas paratiróides que regula os níveis de cálcio e fósforo no sangue. As paratiróides são geralmente em número de quatro e situam-se, cada uma junto de cada polo da tiróide, muito perto desta glândula. São muito pequenas e passam facilmente despercebidas se não forem identificadas no início da cirurgia. A sua irrigação é a mesma da tiróide, pelo que inadvertidamente, pode haver lesão dos vasos sanguíneos que lhes levam o sangue, quando se laqueiam os vasos da tiróide. Se isso acontece, o doente pode ficar com deficiência de PTH temporária ou permanente, o que leva a um quadro clínico de hipoparatiroidismo. O hipoparatiroidismo é um estado em que existe uma diminuição da secreção ou da actividade da PTH. Como consequência, os níveis de cálcio diminuem (hipocalcemia) e os valores do fósforo aumentam (hiperfosfatemia). Os sintomas podem ser ligeiros: formigueiros nas mãos, dedos e à volta da boca, ou graves: cãibras musculares que podem levar a tetania (cãibras generalizadas de vários músculos) ou mesmo convulsões (muito raro).

O tratamento baseia-se na administração de suplementos de cálcio e de vitamina D, que ajuda à absorção de cálcio pelo intestino. Por vezes existe também deficiência de magnésio, o que obriga a prescrever magnésio. Durante o internamento, quando os níveis de cálcio atingem valores muito baixos, pode ser necessário administrar cálcio por via injectável.

Cuidados pós-operatórios

O doente é mantido sob vigilância dos sinais vitais (tensão arterial, pulso, frequência respiratória, temperatura, débito urinário) nas primeiras horas a seguir à cirurgia.

A evolução da ferida operatória é verificada. De início, o doente sente um ligeiro “inchaço da garganta”, pode referir dor e enjoo, mas é-lhe prescrita medicação para alívio desses sintomas.

São pesquisados os sintomas e sinais clínicos de baixa de cálcio: “formigueiros” e “picadelas” das mãos e face. Em caso de dúvida o enfermeiro ou o médico pode pesquisar o sinal de Trousseau, que consiste em insuflar o aparelho de medir a tensão arterial até níveis acima da tensão máxima. É positivo se provocar uma contratura dos dedos.

Pode ser necessário colher sangue para determinação dos níveis de cálcio.

Na noite a seguir à cirurgia, o doente já deve poder ingerir dieta líquida ou ligeira e levantar-se da cama.

Após a alta

O doente pode andar, comer e beber.
A incisão operatória deve ser mantida limpa (pode tomar banho com uso do chuveiro no local).
É possível conduzir passados 2-3 dias e regressar ao emprego dentro de 5-7 dias, se não existirem complicações.
O cirurgião marca consulta pós-operatória para breve.
São pedidas análises de função tiroideia a curto prazo.
Nos casos de cirurgias mais alargadas é necessário tomar hormona da tiróide em comprimidos para substituir aquela que é fabricada pela tiróide que foi removida, excepto nos casos de malignidade em que pode ser preciso esperar pela realização de cintigrama e/ou tratamento com iodo 131 para iniciar a medicação.

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