16.7 C
Sorocaba
quinta-feira, setembro 29, 2022

DOENÇAS DA TIREOIDE NO IDOSO

Os problemas da tireoide são frequentes em pessoas com idade superior a 60 anos. Neste grupo etário podem ter uma apresentação e evolução particulares. Por esse motivo são, por vezes, de difícil diagnóstico.

Hipertiroidismo

É comum nos doentes idosos. Na maior parte dos casos os sintomas são típicos: nervosismo, palpitações, hipersudorese, tremor e perda de peso. Noutras situações os sintomas de hipertiroidismo podem ser escassos. Pode estar ausente o nervosismo, intolerância ao calor, aumento do apetite e o bócio (aumento do volume da tireoide). O metabolismo aumentado associado à perda do apetite condiciona uma perda de peso marcada, sendo frequente a suspeita clínica de depressão ou neoplasia antes do diagnóstico correcto. Nos doentes idosos a apatia e a falta de forças são sintomas frequentes.

As análises ao sangue revelam um aumentam da concentração das hormonas tiroideias e níveis baixos de TSH.

Nos doentes idosos a coexistência de outros problemas médicos pode levar a determinada particularidade no tratamento. Devido à segurança e simplicidade de administração o tratamento de eleição é quase sempre o iodo radioactivo. Em doentes idosos particularmente com doença cardíaca subjacente – angina de peito ou arritmias cardíacas – está frequentemente indicada a administração de antitiroideus de síntese antes do tratamento com iodo radioactivo. Do mesmo modo o uso de um medicamento b-bloqueador impede algumas da acções das hormonas tiroideias no organismo diminuindo a gravidade dos sintomas.

Em algumas situações, pode ser preferível o tratamento inicial com antitiroideus de síntese – propiltiouracilo e metimazol.

Geralmente o tratamento apenas é eficaz enquanto é administrado, sendo a recaída frequente após a suspensão. Devido a este facto, e também pela possibilidade de certos efeitos secundários graves (diminuição dos glóbulos brancos), estes medicamentos são menos utilizados.

Raramente a cirurgia é indicada no tratamento do hipertiroidismo. Pode ser necessária no caso de um aumento marcado da tiróide com sintomas compressivos – dificuldade na deglutição ou na respiração.

Hipotiroidismo

O sinal mais precoce é um aumento da TSH. O hipotiroidismo é frequente nos indivíduos idosos. Grandes estudos populacionais demonstram que uma em cada dez mulheres com mais de 65 anos tem um valor de TSH elevado. A grande maioria não tem qualquer sintoma, no entanto pode ser o início de uma falência da tiróide. É fundamental o seguimento regular destas situações.

Os sintomas de hipotiroidismo podem ser semelhantes ao processo de envelhecimento, daí, por vezes, a dificuldade de diagnóstico. É uma situação que se instala muito lentamente, passando despercebida. É frequente o doente consultar vários médicos antes do diagnóstico correcto. Os sintomas mais frequentes são: falta de forças, lentificação, voz rouca, pele seca, aumento de peso, intolerância ao frio, surdez, cãibras, formigueiros, desequilíbrio na marcha, anemia, obstipação…

O diagnóstico de hipotiroidismo pode ser difícil com base apenas no exame físico. Determinadas características nos doentes ou seus familiares directos podem sugerir o diagnóstico. A presença de diabetes juvenil, artrite reumatóide, anemia perniciosa, manchas brancas na pele (vitíligo) e peladas no cabelo aumenta a probabilidade de uma deficiência da tiróide.

As análises ao sangue revelam um aumento da concentração de TSH, com as hormonas tiroideias – T3 e T4 baixas. Pode haver apenas um aumento da TSH com T3 e T4 normais.

Frequentemente são detectados anticorpos dirigidos contra componentes da tiróide.

A presença de T3 e/ou T4 diminuídas com TSH elevada requer tratamento.

Desconhece-se se um aumento isolado da TSH necessita de terapêutica.

O tratamento deve ser iniciado com doses baixas com um aumento gradual até à normalização da TSH. Num doente com doença cardíaca, pode ser necessário começar o tratamento com doses muito pequenas e aumentar muito lentamente. O hipotiroidismo quando é diagnosticado frequentemente já tem muitos meses ou anos de evolução, de modo que o organismo já está adaptado, sendo todo o seu funcionamento lentificado. Se a substituição se efectua com doses demasiado elevadas, pode levar a uma sobrecarga excessiva para o organismo e sobretudo para o coração.

É fundamental o seguimento regular do doente.

Outros trabalhos relacionados

FERTILIZAÇÃO IN VITRO

A fertilização "in vitro" consiste em técnica de procriação assistida mediante a qual se reúnem, extracorporeamente, num tubo de ensaio, o material genético masculino...

CANCÊR NO INTESTINO PODE SER COMBATIDO COM SUCESSO

Exames de colonoscopia para diagnóstico precoce são fundamentais. Estudo americano mostra que, apesar disso, eles são pouco difundidos. Segundo pesquisadores norte-americanos, menos da metade dos cidadãos...

FEBRE

A Febre é uma elevação da temperatura do corpo de origem interna, provocada por um aumento do metabolismo e, portanto, com maior produção de...

APLASIA DE MEDULA ÓSSEA

A aplasia de medula óssea, é uma doença rara e extremamente séria, que resulta da falência da medula óssea (órgão responsável pela produção do...