Este projecto pretende fazer um resumo teórico sobre as “Diferenças cognitivas de género: Percepção e aptidões verbais”. Usaremos como base para pesquisa o livro de Doreen Kimura.

É do conhecimento da sabedoria popular que homens e mulheres não são iguais. Para além das conhecidas diferenças físicas, sabe-se que existem outras pequenas diferenças inerentes a forma como o cérebro processa informação (Kimura, 2004).

Os homens e mulheres, percepcionam os sentidos: visão, audição, tacto, olfacto e paladar, de formas distintas, a maneira como cada um deles utiliza esses sentidos e a percepção que cada um tem do mundo ao seu redor pode se dever a características físicas ou simplesmente a processos cognitivos.

Introdução

Este projecto pretende verificar se entre homens e mulheres à diferenças quanto as funções cognitivas, mais especificamente: Percepção e aptidões verbais.

É do conhecimento da sabedoria popular que homens e mulheres não são iguais. Más, para além das conhecidas diferenças físicas, sabe-se que existem outras pequenas diferenças inerentes a forma como o cérebro processa informação (Kimura, 2004).

A maneira como recebemos e lidamos com a informação que chega através dos nossos sentidos (visão, paladar, audição, tacto, olfacto, etc.), depende, na maioria das vezes, da forma como nosso cérebro percepciona as informações que chegam através dos nossos órgãos. De acordo com Kimura (2004), “ As mulheres são, regra geral, mais sensíveis do que os homens, pois detectam níveis de estimulação mais baixos em todos os sentidos, excepto à visão”.

As diferenças no campo visual entre homens e mulheres, diriam respeito a acuidade visual e a abrangência dos campos visuais, vamos fazer um breve resumo sobre esse tema, que será aprofundado posteriormente no artigo científico.

Iremos também abordar a questão da percepção social, e se há diferenças entres os géneros na maneira como se percepciona o que os outros nos querem comunicar.

Finalmente, veremos se aptidões verbais diferem entre homens e mulheres.

Enquadramento Teórico

Os sentidos mandam inputs ao cérebro e este percepcionaria de forma diferente para homens e mulheres. No caso do paladar, por exemplo, as mulheres teriam maior pré-disposição para perceber todos os sabores: Doce, salgado, ácido e amargo (Kimura, 2004).

Ainda de acordo com o autor, normalmente as mulheres teriam a capacidade de ouvir sons mais baixos do que os homens, ou seja, a audição feminina seria mais sensível do que a masculina, isso se deve provavelmente por ser o ouvido interno feminino mais sensível do que o ouvido interno do homem (Kimura, 2004).

O autor sugere que, existem estudos que indicam uma ligeira diferença em relação à sensibilidade do tacto entre homens e mulheres, mesmo havendo poucos estudos inerentes ao estudo do tacto, estes apontariam para uma pouquíssima diferença a favor das mulheres (Kimura, 2004).

Para Kimura, (2004), há muito pouca informação referente as diferenças entre todas as modalidades perceptivas entre os sexos, exceptuando à visão; Esta, apresenta resultados um pouco confusos. Das poucas formas de medir ou calcular a visão, uma das mais empregadas consiste em medir o campo visual do indivíduo, ou seja, aferir o alcance da sua visão periferia quando os olhos se encontram fixos em determinado ponto, segundo o autor, as mulheres teriam os campos visuais ligeiramente mais amplos do que os homens.

Em contra-partida, a acuidade visual, ou seja, a capacidade de medir o tamanho mais pequeno de um objecto dentro do seu campo visual, se apresentaria melhor nos homens do que nas mulheres (Kimura, 2004.).

A sensibilidade à intermitência também é uma capacidade visual básica, ela se refere a capacidade de enxergar quando uma luz é ligada e desligada intermitentemente, quando as fases ligada/desligada se tornam demasiado aceleradas, chamamos esse ponto de limiar de fusão de intermitência crítico, os homens também aqui, apresentam uma ligeira vantagem em relação as mulheres, pois seriam capazes de detectar a intermitência a taxas de alternâncias mais rápidas (Kimura, 2004.).

Para Witkin (citado por Kimura, 2004), as mulheres teriam menores capacidades de discriminação espacial do que os homens, este feito se deveria ao facto de os homens ignorarem o contexto em que estão inseridos, já as mulheres levariam mais em conta o input irrelevante do contexto (Kimura, 2004).

A partir dos estudos de Witkim, Dewar (1967), previu que as mulheres deveriam estar mais pré-dispostas a apresentarem maior sensibilidade face a uma ilusão perceptiva específica, a ilusão de Müller-Lyer por exemplo, onde são mostradas duas setas com tamanhos iguais mais com as pontas voltadas respectivamente para dentro e para fora das linhas. A medida que testes foram sendo aplicados a participantes de uma amostra, o investigador percebeu que os homens se davam conta que as setas tinham o mesmo tamanho mais rapidamente que as mulheres, o que confirmava os estudos de Witkin sobre a maior capacidade de discriminação espacial dos homens em relação as mulheres (Kimura, 2004.).

Kimura explica que ao procurar correlações visuais básicas na superioridade masculina, Rhonda Peterson (1993) fez investigações sobre a visão estereoscópica em ambos os sexos, a visão estereoscópica se refere a capacidade de enxergar a 3 dimensões, ou seja, perceber os níveis de profundidade, os nossos olhos percebem diferente os objectos se vistos separadamente, fechando um olho e observando e a seguir, repetindo o mesmo procedimento com o outro olho, ou seja, a imagem de um dado objecto é diferente da retina direita para a retina esquerda, essa disparidade, chamada disparidade binocular é o que nos fornece informação da disposição de um objecto no espaço. A união destas duas imagens na retina é o que nos dá a noção de profundidade (Kimura, 2004).

Segundo o autor os homens teriam uma maior capacidade visual a 3 dimensões, o que sugere que, posteriormente se possa aferir de que forma ou com o que estaria relacionada esta superioridade no que diz respeito a capacidade visual (Kimura, 2004).

Percepção Social

No campo social, homens e mulheres teriam diferentes maneiras de percepcionar o comportamento das outras pessoas, principalmente no que diz respeito a comunicação, Kimura indica que, não somente a linguagem falada estaria envolvida neste processo, mais também a entonação vocal, a postura, a atitude e os gestos de um indivíduo seriam indicadores de um certo tipo de comportamento, e que os homens e as mulheres diferem também na identificação destes aspectos (Kimura, 2004).

Aptidões Verbais

As raparigas em via de regra teriam mais facilidade para comunicação do que os rapazes, isso se deveria ao facto de elas começarem a falar mais precocemente do que eles, o que acarretaria um vocabulário mais extenso e frases mais longas (Kimura, 2004).

Ainda de acordo com Kimura (2004),” as mulheres demonstram mais facilidade para recordar palavras ou materiais que possam ser imediatamente mediados verbalmente”. Ou seja, teriam maiores capacidades para recordarem-se de palavras aleatoriamente, independente destas palavras serem relacionadas entre si.

Inclusive em testes de memória visual, parece ser que as mulheres apresentam resultados melhores do que os homens, facto este citado pelo autor, as mulheres teriam facilidade em recordar-se e com maior nível de acertos, uma lista de itens passado alguns instantes (Kimura, 2004).

Parece ser, que as mulheres teriam melhor memória incidental do que os homens por utilizarem palavras ou estímulos imediatamente verbalizáveis (Kimura, 2004).

Conclusões

Esperamos aferir com esse projecto, desde uma pesquisa unicamente bibliográfica, se existem realmente diferenças cognitivas significativas entre homens e mulheres, no que diz respeito a percepção e aptidões verbais.

Partindo da bibliografia de base, iremos verificar se o que sugere (Kimura, 2004), ou seja, as mulheres estariam mais pré-dispostas a primarem tarefas que envolvam destreza manual e recuperação rápida da memória e em contra-partida, os homens demonstrariam maiores habilidades em detectar objectos com menor tamanho e a distâncias maiores e tarefas que envolvessem espacialidade.

Referências Bibliográficas

Kimura, D. (2004). Sexo e Cognição. (1ª Ed.). Lisboa: Gradativa

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