Num futuro não distante quatro jovens delinqüentes, liderados por Alex, inteligente e amante de música clássica, reúnem-se para praticar a ultra violência.

Atacam a socos e pontapés um mendigo bêbado e agridem e causam tumultos em bares da noite, um deles o favorito “Leite Bar Korova”, que servia um “milk com alguma coisa” que os deixava acesos para um “horrorshow”.

Num desses episódios, entram em confronto com uma gangue rival em que vários são feridos por facas, correntes, socos ingleses, etc. até que a sirene da polícia os dispersou.

Alex, o intelectual e Dim, o mais violento e obtuso, se desentendem com freqüência e isso traz desarmonia à quadrilha, colocando também em xeque a liderança, o que trará sérias conseqüências ao líder.

Numa noite, após os distúrbios habituais, dirigem-se à periferia da cidade e encontram uma casa isolada. Alex consegue um meio de burlar os moradores e entram.

Imediatamente passam a agredir os moradores com extrema violência, estuprando a esposa e ferindo gravemente o marido, um escritor reacionário, deixando-o paraplégico.

Essa e as demais agressões ficaram impunes por falta de provas ou flagrante, até que um dia a quadrilha invadiu a casa de uma funcionária pública que reagiu e Alex, por ela ferido, acabou matando-a. Ao fugirem, já sob a sirene policial, Dim agride Alex com uma garrafa e ele cai com a cabeça sangrando. Num ato de vingança, seus comparsas deixam-no e ele é preso em flagrante.

Julgado e condenado, cumpre a pena em presídio de férrea disciplina e aproxima-se do capelão, ajudando-o nas missas e lendo a bíblia, não por nobreza, mas para auferir benefícios.

Na prisão houve falar e se interessa por um método novo de recuperação de uníssonos, o Método Ludovico em fase experimental e busca a opinião do padre, que o desestimula.

Eis que, numa visita ao presídio, o Ministro da Justiça, interessa-se por aquele jovem delinqüente, um perfeito exemplar para ser submetido ao método, em que acreditava. Achava ele que além de re-inserir os criminosos na sociedade, o método esvaziaria as penitenciárias, economizando dinheiro público.

O Método Ludovico, assim designado, em homenagem ao seu idealizador, um psiquiatra, consistia em manter o paciente imobilizado e exibir filmes de extrema violência, com agressões, assassinatos, estupros, campos de batalha, etc. e, ao mesmo tempo, uma trilha sonora com a nova sinfonia de Beethoven, paixão irresistível de Alex.

Após várias sessões o personagem passou a reagir mal, com náuseas, vômitos, cefaléia e pavor e seu subconsciente passou a associar a violência ao mal-estar. Nisso se fundamentava o método.

Num encontro solene, com a presença do ministro, Alex foi testado e tido por curado. Submetido a várias agressões, o simples esboço de reação lhe causava enorme mal-estar.

Regenerado e apto a se re-inserir no meio social, tem sua pena extinta e deixa o presídio. Procura, naturalmente, a casa de seus pais, mas é rejeitado. Vaga pelas ruas e é agredido passivamente por vítimas do passado. Reencontra por acaso dois ex-colegas de quadrilha, dentre eles, Dim, agora policiais, que o agrediram seriamente.

Acabou sendo coincidentemente socorrido pelo escritor, agora paraplégico e viúvo, pois sua esposa morrera algum tempo após. Não tendo sido de imediato reconhecido, recebeu todo apoio e assistência. Mas, depois, já descoberto, descreveu os motivos de estar naquela situação e o tratamento de regeneração que lhe fora aplicado.

Conhecedor do método, o escritor se vingou utilizando-o e induziu Alex a atentar contra a própria vida, pulando de certa altura. Muito ferido, é hospitalizado e tratado com toda pompa, à custa do governo, a essa altura, preocupado com o uso político do episodio, pois o escritor era adversário e culpava o Ministro da Justiça pelo desfecho do caso. Além disso, era ano de eleições.

O filme se encerra com Alex engessado, no leito do hospital, abraçado e sorridente, junto ao Ministro, sob a luz dos holofotes da imprensa.

Este livro, também um belo filme, ocupa de imediato nossa mente, quando vemos jovens da classe média alta queimarem um índio em praça pública, ou agredir uma operária a caminho de casa, após um dia estafante.

No primeiro caso, argumentaram que o índio parecia um mendigo e, no segundo, uma prostituta, como se isso justificasse.

A obra também nos mostra que não há mágica para diminuir ou prevenir a violência, pois não se torna bom ou ruim da noite para o dia. Principalmente, na delinqüência juvenil, a base da violência está no cerne da sociedade.

A família tem que dar o exemplo, transmitir valores, dar uma educação sólida, não só de banco escolar, reprimir e estabelecer limites, incutir nas crianças e jovens o respeito e amor à vida, bem maior de todos.

Valorizar o SER e não o TER.

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