RESUMO DO FILME: O OITAVO DIA

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1.INTRODUÇÃO

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Cena Emocionante do Filme ” O Oitavo Dia “

O Oitavo Dia conta a história de um homem comum (Harry) que encontra George, um portador de necessidades especiais por sofrer de Síndrome de Down. George é o simulacro dentro do simulacro. E sua libertação da doença que carrega e que o impede de ser aceito como normal por todas as outras pessoas vem por meio da morte. Por ser portador da síndrome de down ,George não mascara seus sentimentos, além disso é uma pessoa muito sensível, e tem respostas muito fortes para cada rejeição ou censura sofrida. Este trabalho tem como objetivo analisar todos os aspectos emocionais contidos na obra cinematográfica , como veremos no próximo item.


Harry (Daniel Auteuil)

2.DESENVOLVIMENTO
Já no inicio do filme fica claro que o narrador da criação, mesmo antes de mostrar sua face, possui uma singular maneira de perceber o mundo, e também fortes traços de distorção seletiva da história real da criação, ele remonta a história com itens pertencentes à sua realidade, e também ultilizando-se de coisas de que ele gosta. Nota-se também, que em suas descrições ele baseia-se principalmente em estímulos sensoriais, ou seja, ele relaciona o fenômeno ou objeto com uma sensação produzida pelo mesmo.

Quando ele comenta sobre as mulheres,olhando Nathalie dançar, obtemos um ótimo exemplo da maneira que George faz suas descrições, pois ele diz que prefere mulheres, pois estas não espetam quando beijadas.

Na seqüência, ele dia que um dia vai casar com Nathalie, deixando transparecer seu afeto em relação à ela. No jardim , Georges propõe casamento à Nathalie, e esta diz que não dá para se casarem porque ela ama outro. George diz que não tem problema,demonstrando que não tem uma exata noção do que significa a instituição do casamento, como veremos mais adiante.

George acha que nasceu na Mongólia, pois devido à síndrome de down, suas características físicas realmente se assemelham às do povo daquela região, e isto se incorpora à visão que ele tem de seu próprio eu.

Na parte do casal de outdoor, podemos perceber nitidamente a existência de um ruído na comunicação entre o fotógrafo e o casal, pois quando o fotógrafo dirige ao casal uma frase mal estruturada, o “marido” indaga em relação a que, ele deveria sentir-se confiante,então, segue-se uma correção por parte do fotógrafo.

No momento em que George encontra setas ele sempre reage da mesma forma, apontando e fazendo em barulho com à boca, o que demonstra que a seta é um impulso para que ele realize tal ação.

Depois que desembarca do avião , Harry dirige-se para um auditório onde realizará uma palestra de vendas. Na maior parte da palestra ele usa de conceitos da psicologia, nos quais é baseado seu método de vendas. Em um determinado momento Harry citar o contágio emocional, no momento em que fala para os vendedores mostrarem entusiasmo.

Ao chegar em casa, Harry sente-se muito triste pois sente falta de sua mulher e filhas, que o deixaram, uma situação que ele próprio foi o causador porque ele era muito envolvido com o trabalho. Um sentimento também demonstrado nesta hora, e diretamente ligado à sua auto-estima, é o remorso, ele sente que deveria ter passado mais tempo com sua família.

Com o passar do tempo Harry vai ficando cada vez mais amargurado, e também vai perdendo sua confiança usual, fato que decorre de sua baixa auto-estima. Percebe-se isto quando ele faz “jóia” para o espelho, para tentar entusiasmar-se, ato que condena em suas palestras.

Na segunda palestra do filme, Harry diz para os vendedores tentarem se parecer com os clientes, adotarem seus gestos e atitudes. Sua intenção é criar empatia na relação vendedor-cliente, criando um clima favorável na comunicação e conseqüentemente aumentando as vendas. Uma outra frase marcante que cita, é que o contato entre pessoas semelhantes é mais fácil, e que só a diferença choca.

E isto se comprova quando analizamos o aspecto da comunicação, que realmente é facilitado quando o clima é receptivo.

Logo em seguida à palestra , Harry lembra das filhas na estação de trem, e que deveria ter ido busca-las a horas, ele corre até a estação porém não chega a tempo, e conseqüentemente vem novamente o sentimento de remorso.

George, ouvindo música, começa a ver sua mãe, que na verdade é a sua própria consciência, pois ela sempre diz à ele que atitude deve tomar. Ela também funciona como uma compensação pela perda de sua mãe, fato que ocorreu faz quatro anos.

No fim de semana, ignorando o fato de não ter mais lar, George decide voltar para sua antiga casa, e novamente funcionando como um impulso, encontramos a seta branca, dizendo à George que direção que deve tomar.

No trabalho Harry sente-se confuso e angustiado e se abre com um colega, revelando não saber com certeza qual o tipo de sentimento que experimenta. Ao chegar em casa, vivencia uma estranha cena com a imagem de sua mulher Julie. De volta à rotina, Harry mostra-se profundamente perturbado, demonstrando seu descontrole publicamente, logo após uma de suas palestras.

Depois do trabalho, Harry passa em uma loja de brinquedos, compra um ursinho de pelúcia, e resolve viajar até a cidade onde moram sua mulher e filhas. Chegando lá, ele se acovarda diante da possibilidade de ser rejeitado e ter que aceitar a perda de sua família.

Na volta, muito deprimido, Harry tenta o suicídio tirando as mãos do volante, porém ele atropela o cão de George.

Depois que Harry atropela o cão de George, ele experimenta o medo, de que George o agrida, e demonstra isto dando alguns passos para trás. Podemos dizer que este medo é complementar ao sentimento que Harry achou ter despertado em Georges.

Harry tenta comunicar0se com George para perguntar onde ele mora, porém George não quer informar nada antes de saciar sua fome. George também é muito teimoso e não tem certeza da localização exata de sua casa, ele só decorou o nome da rua e o número da casa. Nesta mesma noite Harry leva George para dormir em sua casa, e logo pela manhã, George decide acordar mais cedo para se alimentar, porém come muito chocolate, que para ele pode ser fatal.

Harry decide levar George para casa, porém antes tem que dar uma passada no trabalho. No meio do caminho George desce do carro, que estava parado no semáforo, e entra em uma loja de sapatos. Ele propõe casamento à vendedora, e esta diz que já é casada, novamente ele diz que não tem problema, demonstrando seu descaso com as convenções sociais.

Na estrada que o levaria para casa, George faz gestos obscenos para um caminhoneiro e depois diz à Harry que ria, e George começa a rir , contagiando Harry com sua alegria.

Chegando em sua antiga morada George começa a gritar por sua mãe, que como foi citado anteriormente já está morta. George desenvolveu um tipo de bloqueio em relação à morte de sua mãe, que deve ter sido uma experiência muito traumática para ele.

Na volta, George provoca novamente um caminhoneiro, mas deste vez , o caminhoneiro decide não deixar barato a provocação, pára o carro dos dois e espanca Harry, que havia descido do carro para explicar a situação. Inconformado com a falta de consideração de George, que no momento do espancamento trancou as portas do veículo, Harry decide abandoná-lo na estrada, o que de fato realmente chega a fazer, mas logo em seguida, tomado pelo remorso, volta para buscar George.

Quando Harry leva George para a casa de sua irmã, e este é rejeitado por ela e tem um tipo de ataque que se mostrará uma constante reação de georges frente à rejeição, Harry passa a gostar realmente de George, pois agora ele se identifica com ele, por serem dois rejeitados.

Diante do acontecido, George continua com Harry, e os dois vão para um restaurante, antes de entrar, Harry dá a George um par de óculos escuros (Note que os óculos, mascaram o traço mais marcante da fisionomia de um portador da síndrome de down).

Já sentados, eles são atendidos por uma garçonete, pela qual George prontamente sente atração, esta também é uma característica muito marcante nos portadores da síndrome de down, apesar de serem infantis, possuem uma sexualidade muito desenvolvida. Quando ela está limpando a mesa, George entrega-lhe uma flor que estava em um vasinho, ela prontamente agradece e fica feliz. Vendo que teve efeito seu intento, George a segue até a cozinha onde entrega para ela a blusa que tinha feito para sua irmã e em seqüência tira os óculos. A garçonete recua assustada, pois saber que aquele com quem estava flertando era um doente mental foi um “golpe no estomago”, devolve a blusa e sai correndo. Mais uma vez rejeitado George “implode” emocionalmente e sofre mais um de seus ataques, indo ao chão do restaurante gritando e esperneando. Harry vai à seu socorro e o tira de lá. Este fato vem a confirmar a instabilidade emocional de George. Harry leva Georges para ver o mar, mas há muita neblina, mesmo assim George fica agradecido. Neste episódio é confirmada a afeição que se desenvolveu em Harry em relação à George, pois este fica muito preocupado quando seu amigo some na névoa.

Logo de manhã, Harry decide ir à casa de sua mulher, mesmo sabendo que não seria bem recebido. Chegando lá, Harry se descontrola e parte para cima de sua mulher, só parando quando George vai impedi-lo. Terminada a confusão, chegam as filhas de Harry, a maior já sabendo das intenções do pai, que eram de justificar a falta em seu aniversário entregando-lhe o presente antecipadamente, manda ele ir embora. Harry não suporta ouvir isto da boca de sua própria filha, e fica muito triste, George tenta consola-lo de qualquer maneira, mas tudo é em vão.

Por fim George decide ensinar a Harry seu modo de ver e sentir o mundo, e depois disso ele fica maravilhado com o seu novo modo de percepção.

No hotel ,depois de deitar-se, George, novamente se encontra com sua mãe, que novamente age como se fosse sua consciência, alertando-o para ele perceba que não pode morar com Harry, pois este não consegue nem relacionar-se com sua família e George seria um fardo muito pesado para ele, a mãe pergunta se ele já revelou ao amigo suas intenções, e ele diz que não, encerrando assim a conversa.

Com o amanhecer do dia Harry, leva George de volta para o instituto, tentando assim separar-se do amigo. Porém isto não seria possível , pois agora estão unidos por uma forte amizade, como veremos adiante.

Depois da separação cada um volta para a sua rotina usual, mas um não pára de pensar no outro. George foge da visita ao museu, com vários de seus amigos, eles roubam uma van e vão em busca de Harry e Nathalie para comparecerem no aniversário da filha de Harry.

Na palestra Harry tinha que explicar para todos o seu engenhoso método de vendas porém ele não conseguia se concentrar, e estava falando muito pausadamente e sem nenhuma ordem. Com a chegada de seu amigo George, ele ficou novamente feliz e sai em disparada , correndo pelo prédio. Eles roubam os fogos de artifícios destinados à alguma festa que o banco iria realizar, e vão buscar Nathalie. Chegando no parque começam com uma grande festa, e quando a filha de Harry vê que tudo é para ela, perdoa o pai instantaneamente. Enquanto isto George e Nathalie praticam sexo em um trailer do parque.

Com a chegada da polícia e dos pais de Nathalie, ela resolve voltar para casa deixando George novamente sozinho, e isto foi um golpe muito duro para ele, que sai correndo e gritando demonstrando ativamente sua tristeza.

Depois, na boate ele é novamente rejeitado, e mais uma vez vai ao chão. Mais tarde na praça, George conscientiza-se de que é diferente e que é um problema para Harry, então novamente encontra-se com sua “Pseudo-mãe”, e neste momento ela diz que ele deve ser um adulto agora, então, ele acha que é hora de deixar que Harry siga seu próprio destino.

George pega um pouco de dinheiro da carteira de Harry e vai comprar chocolate, o qual ele come na cobertura de um prédio. Logo em seguida ele se joga do prédio.

Harry passa por seu amigo morto, e decide-se por largar o emprego e passar mais tempo com suas filhas, e ensina o que aprendeu com George à ela.

3.CONCLUSÃO

Uma frase dita por Harry no começo do filme se encaixa perfeitamente com a realidade: “a diferença choca”. O preconceito está enraizada na sociedade e por sua vez impede o ser humano se dizer o que pensa e expressar seus sentimentos da maneira que lhe é pertinente, impede também de ser diferente.Este filme mostra que mesmo sendo um deficiente mental, George era um ser muito mais digno , honesto e sincero do que a maioria dos “normais”. George não se suicidou, foi assassinado pela intolerância.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Crepaldi, Lideli. Psicologia aplicada à comunicação, São Caetano 2001.

ANTROPOLOGIA JURÍDICA

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Introdução

O livro antropologia jurídica nos mostra uma visão geral do nascimento do direito dentro de vários tipos de sociedades e por fim uma visão antropológica do nosso país, este resumo procura detalhar o que foi entendido neste assunto.

O que é antropologia ?

Ciência social e natural, que estuda os povos de um modo genérico. Podemos encontrar a antropologia dividida em três temas: O pragmático que procura conhecer um determinado povo a fim de muda-lo e domina-lo, o romântico que procura conhecer o povo e passa a defende-lo e/ou até a adotar seus costumes, e por fim o científico que procura conhecer o povo cientificamente , com o estudo de sua vivência, no sentido de vida humana.

Os antropólogos desenvolverão ao longo desses anos vários conceitos de estudo da antropologia.

A observação participante, a qual requer um período longo de vivência com o povo a ser estudado esse método é criticado pois o antropólogo acaba se envolvendo tanto, que passa até adotar seus conhecimentos, criando para si o que chamamos de “choque cultural”. O não etinocentrismo que consiste na negação.

O que é antropologia legal ?

A antropologia legal leva em consideração o estudo do direito “primitivo”, as regras e costumes de cada sociedade.

Aquelas sociedades que não possuem Estados, embora isso não quer dizer que não tenham regras de conduta e punição.

Toda a sociedade que possui regras primárias sobre o comportamento individual e regras secundárias, normas da sociedade, referentes as regras primárias.

Por isso a antropologia considera que este estudo se da de dupla institucionalidade.

Isto é são instituições sobre a conduta individual e instituições punitivas a conduta extravagante.

É possível que uma sociedade funcione muito bem sem leis expressas por fórmulas, mais é certo que a sociedade “primitiva”, sem Estado, tenham instituições com o poder de punir seus transgressores.

As bases legais da antropologia diz respeito as regras sociais de cada povo. Pois o direito não é lógico e se de acordo com a experiência de cada sociedade, seja ela primitiva ou moderna.

Então o estudo da antropologia pergunta: Porque o homem obedece a outro homem ?

Teremos três conceitos a serem analisados:

Conceito de Autoridade

Seria a obediência voluntária

Conceito de Poder

A obediência obtida através de coação, do uso da força.

Conceito de Legitimação

Este seria o equilíbrio entre os dois conceitos anteriores, a obediência livre, já que é o processo de criar o poder, ou padrão de ordem, esse processo deverá levar em consideração os interesses do povo.

A antropologia legal vai estudar justamente as leis de sociedades simples, “primitivas”, sem o estado e estudar também as leis da sociedade moderna, as leis judiciais e por fim estudará a comparação entre esses dois estudos.

A história da antropológia legal ?

A história da antropologia, baseia-se nas três escolas fundamentais à história antropológica. A escola britânica, holandesa e americana. A característica da escola britânica foi a dominação indireta, na Inglaterra antigamente e até agora ainda é aplicado a “Common Law”, o uso do costume local.

Já na escola holandesa, apesar de levar em conta a sociedade primitiva, focaram-se mais nas leis de sua colônia principal a Indonésia.

De uma maneira totalmente diferente, e de um modo interessante, da escola americana inova na maneira que passa a aprender os costumes locais para aperfeiçoar a estrutura jurídica americana. Os americanos eram povos que visavam mais a conquista de terras do que o estudo de sociedades, porém esta maneira adotada por eles ajudou muito a antropologia jurídica no campo das instituições jurídicas.

Algumas observações sobre a evolução social

Deveremos levar em consideração que a revolução social, parte do princípio da evolução econômica. Os povos Agricultores, nômades e pastorais tiveram grande importância para essa evolução. O desenvolvimento da agricultura fez surgir a necessidade de se organizar socialmente, envolvendo direito e política.

A agricultura possibilitou o acumulo de bens, o fato de fixar o homem na terra acaba viabilizando a aquisição de bens materiais como por exemplo a moradia, proporcionando um maior desenvolvimento cultural e social.

Com a produção em escala, dar-se o acumulo de produtos, principalmente de grãos, gerando um sério problema, onde armazenar tantos alimentos?

Surge então o processo de mercado de trocas, organizados pelos sacerdotes, que cediam suas igrejas para armazenamento e interferiam neste mercado.

Nasce então o Estado primário, baseado na autoridade religiosa, que passa administrar o comércio e funda as primeiras cidade-estados, composta de camponeses, negociantes e por conseqüência sacerdotes.

Porém como estes povos são na maioria de origem agrária, ficam suscetíveis a invasões e conquistas militares pelos povos nômades e pastorais.

Neste período destacamos a Inglaterra, que passou a ser a primeira nação industrial moderna, pois dominaram o comercio mundial por um século.

O problema da ordem nas sociedades

As sociedades simples, embora o nome já diga, possuíam simples conduta, e não tinham até então leis expressas, porém possuíam leis que eram de origem da própria comunidade.

Cada povo possuía seus valores, cultura e uma orientação básica de conduta, geralmente as famílias eram responsáveis pela ordem, e orientação dessas condutas.

Cada família agia de maneira direta a punir certas condutas dos membros que infringiam de certa forma os valores daquele povo.

O conceito de viver só, isoladamente, era altamente dificultado, sendo o indivíduo obrigado a retornar ao seu povo ou procurar outros povos, para poder sobreviver. Assim aquele indivíduo que por ventura desviasse das condutas naturais de seu povo, passaria por uma série de punições, de acordo com o ato cometido, até a expulsão violenta do seu povo. Sendo que quem aplicava essas punições era normalmente os membros de sua própria família.

Regras, disputas, juízes e julgamentos das instituições jurídicas

Com o surgimento dessas regras de conduta, surge o “direito primitivo”. O conceito de crime, sanções, parte deste princípio, sendo que o indivíduo considerado criminoso é aquele que não pode ser reabilitado. Este ficará sujeito a pagamento de impostos, sanções formais e até exílio.

Um indivíduo que era considerado criminoso, sofria tanta pressão, que muitas vezes o impediam de retornar a sua vida normal, sendo obrigado a sair da sociedade.

Na época não eram considerados só os crimes contra a natureza humana, mas também crimes contra o patrimônio ou até o enriquecimento ilícito. Como era difícil o acumulo de riquezas, o acúmulo de bens materiais de qualquer tipo era visto como “excesso de bens” e deveria ser retirado e dividido.

Começam então a surgir as disputas de terras. A unidade básica de propriedade da terra é a família, então o indivíduo que acumula riqueza mesmo sendo protegido pela família, deve cumprir as normas da sociedade, pis caso contrário a própria família poderá rejeitá-lo e o mesmo poderá perder tudo e ainda pagar multa em dinheiro à sua família.

Esta multa em dinheiro poderá passar à sociedade caso o indivíduo devedor não cumpra com seus compromissos, tendo a própria família de arcar com a dívida e dividi-la entre seus membros. Para que isso ocorra aparecerá uma pessoa importante nessa conduta, o julgador, que deverá definir a conduta dos cidadãos, tendo como finalidade a reconciliação pacífica.

Portanto o cargo de juiz é a posição jurídica mais antiga na sociedade humana. Embora nas sociedades sem estado cabia a própria comunidade como todo, tomar suas devidas providências.

Sobre as formas de estado e do direito

Nas cidades-estado a forma inicial de direito era o direito municipal. Esta é a forma primitiva de direito, pois nasce praticamente da consciência humana, do que é verdadeiro e justo, no parecer da sociedade.

Já nos estados subjugados, os impérios, esta maneira de pensar se torna mais complicada, pois parte do princípio que já existe uma cultura da elite dominante, sobre a população conquistada.

Os antropólogos analisam o estado como sendo “um grupo de pessoas organizadas como administradoras profissionais acima de outro grupo, muito maior, de indivíduos num território determinado.” O que diverge de uma nação é um grupo de pessoas que possuem uma mesma língua e costumes semelhantes. Podendo existir uma nação independente de ter um estado.

A maioria das cidades-estado mantinham o seu próprio sistema de leis, o estado agrário só intervinha quando tinha necessidades ligadas à “segurança nacional”. Cabia aos líderes dessas comunidades compreender as necessidades de seu povo e tentar satisfaze-lo, mesmo que simbolicamente, para poder se manter como autoridade.

O maior benefício que estas autoridades traziam para sua comunidade era a justiça, a solução das disputas, o estímulo ao comércio e proteção de um modo geral. Nessa época os reis-sarcedotes eram os “juizes” que viviam a administrar conflitos e eram sustentados por impostos. Embora possuíssem pouquíssima capacidade de coerção, pois sua autoridade era apenas simbólica e cultural.

As duas formas de estado na época eram o estado teocrático ou primário, baseado na cultura e na religião e a outra forma de governo era o estado de conquista ou estado secundário, formado pela posse dos estados teocráticos através da força militar, onde a base do poder é a dominação.

A maioria dos estados modernos se desenvolveram através do estado de conquista. Esses estados não possuíam legitimidade pelo fato de serem formados por vários outros estados, que por sua vez possuíam suas leis, línguas e cultura diferentes. Portanto povos conquistados não tinham interesse de mante-lo. Assim como era difícil manter um exercito formado pois isso implicava em impostas.

O mais antigo mecanismo de legitimidade era a religião, embora os povos dos estados-agrários usavam pouco deste artifício nas suas conquistas. Pois preferiam assegurar a cultura religiosa de cada povo conquistado, impondo poucas mudanças de comportamento. Destacamos nesta época os povos romanos, que introduziram aos seus estados conquistados o direito de família, deveres e contratos, o que permitia o comércio no mediterrâneo, e também os chineses que introduziram a filosofia confunciana e por conseqüência burocrática.

Como observamos nos estados de conquista, não há legitimidade, pois é permanente a mistura de cultura. Outro detalhe importante é que para manter o exercito, era obrigado a usar a política de arrecadação de impostos. Ao passo que nos estados agrários os impostos até então eram pagos voluntariamente e com isso acarretava a instabilidade do exercito.

A necessidade de ter um exercito efetivo e da força policial, levou o estado agrário a criação de impostos mais conhecido como “dinheiro de proteção”.

Vejamos o exemplo da china, que era um estado conquistado e possuía estrutura jurídica e política mais eficaz do mundo. Até os meados do século passado, baseado nos ensinamento de Cafúcio, que dizia: “a responsabilidade do estado estava em garantir a justiça e agir eticamente para manter a paz e prosperidade”.

A sua sabedoria foi comprovada na prática, pois a estrutura de estado criada pelo general Liu Pang durou cerca de 2.133 anos, até ser derrubada por outro governante, o que é mais do que normal, segundo o próprio Cafúcio “as dinastia emergem e caem, porque é da natureza do poder corromper os homens e, uma vez corrompidos, os governantes precisam ser afastados, e outros honestos, colocados em seus lugares.

Algumas considerações sobre a indústria e a cidade

Na sociedade agrária devemos levar em consideração que praticamente a metade da população não vivia da agricultura, pois possuía um grande número de administradores, escriturários e exercito efetivo. Seriam as cidades “patrimoniais”, formadas por nobres e grandes famílias proprietária de rendas e terras. Esta grande concentração de riqueza fazia com que acidade se desenvolvesse voltada à essa elite, os artífices, artistas passam a morar nos grandes palacetes, pois lá encontravam trabalho. Era muito comum a população agrária nos tempos de fome, sair da zona rural e passar a viver na cidade, daí era notável a divisão de classe entre nobreza e pobreza.

O surgimento de grandes escolas eram voltadas para as classes governantes e aristocracia, pois era partiam do princípio que os camponeses eram incapazes e só possuíam conhecimento técnico de suas terras. As cidades agrárias estavam realmente voltadas para sua administração, religião e defesa militar, pouco se importando com a economia, a não ser a economia básica que ficava restrita do comércio de troca e produção de artigo de luxo para elite.

Com o surgimento da indústria ocorre uma mudança total, aplicam-se as técnicas de produção em massa. A forma como era usada a energia, fazia a produção crescer e o uso de máquinas à vapor, movidas a carvão fez com que a evolução setores como ferroviário, navegação, produção de metais, principalmente de armas, mudassem o mundo e em um século essa capacidade de produção, influenciasse não só os países industrializados, como também outras nações.

Esta mudança fez com que fosse analisado a estrutura de estado e o padrão de leis, pois agora não era a zona rural a principal base de produção e sim a cidade. Há uma divisão maior dos campos de atuação na sociedade industrial do que na sociedade agrária, e com isso ocorre também a evolução da sociedade agrária, pois essa passa a contar com máquinas, produtos químicos, meios de transportes e comunicação, é a agricultura se industrializando.

Um fato importante é que com a evolução, os trabalhadores das zonas rurais e urbanas, passam a ter domínio sobre os setores-chaves, e organizam-se no sentido de greve e protesto contra o sistema.

A cidade acaba se transformando em um grande centro de conhecimento, pesquisa, o que acaba criando a desigualdade àqueles que não podem acompanhar essa evolução. O estado a essa altura está totalmente comprometido e com a missão de modificar o sistema jurídico, até então responsável somente pela ordem e arrecadamento de impostos, passando a atender a democracia e igualdade dos cidadãos.

Daí nasce o princípio do sistema jurídico, derivado do sistema econômico, voltado a atender as necessidades do povo. Porém o direito mais bem elaborado seria aquele que satisfaça a maioria das pessoas, auxiliando as resoluções das disputas humanas, protegendo-as de ameaças físicas feitas por outros indivíduos ou organizações, inclusive o estado.

Alguns problemas de antropologia jurídica no Brasil

Na análise dos antropólogos, o Brasil é a terra de contradições jurídicas, quase todas as formas de problemas jurídicos são encontrados no nosso país, a desigualdade de classe, fez com que o Brasil fosse dominado por uma aristocracia voltada aos interesses externos, tudo isso se deve ao processo de colonização feita aqui.

O Brasil embora tenha sido conquistado não se caracteriza como estado de conquista, como os nossos indígenas não resistiram as doenças e as guerras de conquista, não tivemos a população nativa agrícola comum aos outros países. Os portugueses foram obrigados a trazer africanos para tocar a mão-de-obra agrícola, só que os mesmos não eram tratados como colonos e sim como escravos, sem direito algum, assim não puderam criar as comunidades agrícolas, como no resto do mundo.

Por esse motivo desde o início da colonização o direito era voltado à burguesia, aos donatários e fazendeiros. A coroa portuguesa só estava interessada na arrecadação de impostos e não em elaborar regras para garantir a justiça dos povos, acabando o direito ficando totalmente desvinculado do estado e sim nas mão dos coronéis, a população não tinha nenhuma voz ativa no governo, pois eram escravos.

O que ocorreu é que havia uma constante fuga de escravos para o interior e foram se formando pequenas colônias mais conhecidas como “quilombos”. Ao longo do século o Brasil era povoado com essas colônias e a mistura de pequenas colônias indígenas. Com a independência do país, o brasil passou a contar com o governo, que tinha como desafio principal fundar um estado com uma mistura de diversas culturas, sociedades e famílias aristocráticas e ainda com vínculos econômicos e sólidos com vários países. Estava criado a República velha.

O governo imperial conseguiu construir um estado com ordem jurídica escrevendo uma constituição e códigos legais para o Brasil. É importante lembrar que o código penal e o código de processo penal foram concluídos no império, ao passo que o código civil só foi ser concluído um século depois, mostrando total desinteresse quanto aos problemas gerais.

Um dos primeiros atos do governo imperial foi a fundação da faculdade de direito. Os alunos ingressavam nestas escolas e saíam de lá designados a cargos de juiz, administração pública, governadores, ministros e conselheiros de estado, até um certo tempo essa iniciativa foi válida, mas com a guerra do Paraguai o exercito ficou fortalecido, formando uma grande força militar. É importante dizer que nessa época a economia já exercia um papel importante no país, pois começavam a aquecer o mercado de exportação, principalmente de café, a essa altura a população que era basicamente escrava não podia se aliar ao governo, forçando com que o mesmo levasse a libertação dos escravos, medida esta totalmente impensada pois só aumentou a desigualdade social, colocando nas ruas um monte de pessoas sem dinheiro, destino e com fome. A abolição da escravatura acarretou com o enfraquecimento da família imperial, sendo derrubada pelo mesmo exercito formada para guerra do Paraguai.

Esta falta de legitimação acompanha o Brasil até hoje, formando três correntes de direito:

As leis formais elaboradas por uma elite urbana que se coloca acima da lei.
As leis dos coronéis, fazendeiros, formados pela elite comercialmente ativa, que tem perdido suas forças coma industrialização.
As leis populares, consuetudinárias.
As três correntes estão ligadas de algum modo, embora na prática prevalece as duas primeiras, sendo a terceira totalmente esquecida, pois apesar de estabelecida a República e a Democracia, é muito difícil um governo totalmente popular.

Voltando a República velha, a distância entre o governo e o povo era cada vez maior, a elite era muito rica, o que permitiu dominar o governo estadual e federal, principalmente no sul e sudeste, já o norte e nordeste acontecia o inverso, a pobreza da população era imensa, havia a esta altura rebelião por tudo o país e os líderes populares eram taxados de “bandidos” ou “fanáticos”. O judiciário era um fiasco e prevalecia o coronelismo. Apesar destes conflitos a indústria crescia demasiadamente do sul e sudeste, movidas pela exportação, o que acarretou um crescimento da classe operária industrial, esta grande classe denominada de proletariado industrial, ganhou força sindical, e quem acabou tirando proveito disso foi Getúlio Vargas, pois reconheceu explicitamente a necessidade de desenvolvimento industrial e as classes trabalhadoras, criou a Fábrica Nacional de Aço de Volta Redonda e a Petrobrás, criou as leis trabalhistas e os tribunais do trabalho. Embora contudo isso não podemos chama-lo de defensor das classes e sim como o político mais popular do Brasil.

O impulso dado por Vargas, prosseguiu pelos outros governos, em pouco tempo São Paulo se tornou o maior complexo industrial da América do Sul. Hoje a evolução do sul e sudeste do país sobressai o norte e o nordeste, que ainda é praticamente agrário. Essa breve explicação nos mostra o porque o Brasil não conseguiu construir uma nação unificada, o pensamento jurídico é sempre voltado à educação do povo para democracia, porém o governo não oferece o mínimo de recursos à população, embora queira construir uma potência mundial criada em cima da desigualdade social.

O governo acabou criando um estado sólido, porém desvinculado da população e o desafio agora é unir os dois pólos para realmente se tornar uma grande nação.

Algumas aplicações da antropologia legal e da antropologia jurídica no brasil

No ponto de vista de criação de leis, o Brasil é considerado um país desenvolvido, aplicação das leis é que está o problema, algumas leis são criadas para atender interesses dos legisladores, outras com fins meramente de propaganda própria, e por fim outras são aprovadas mesmo sabendo que não condiz com a nossa realidade. Isso faz com que os Brasileiros não acreditem na lei, e passem a acreditar no poder paralelo, a famosa “lei de Gerson”, é por isso que as pessoas não acreditam no sistema jurídico e preferem resolver seus problemas de acordo com as suas intenções, sem a justiça. Embora o verdadeiro problema do Brasil esteja na formação de sua sociedade, formada de forma totalmente diferente do resto do mundo e ao mesmo tempo tentando ser igual ao resto do mundo.

Não temos uma tradição antropológica e social, de uns tempos para cá é que acordamos para esse assunto e estamos tentando recuperar esse prejuízo, tentando pesquisar o porque das injustiças sociais, as arbitrariedades e dando voz a população até então ignorada, a melhorar o país.

Conclusão

Foi bastante importante a leitura deste livro pois ele nos dá uma noção de direito totalmente voltada a sociedade, fora realmente dos padrões que estamos acostumados, além do mais para mim foi de bastante importância, clareando o porque que nosso país possui leis tão boas embora muitas vezes não são aplicadas, e por final me dá uma visão do que pode ser feito daqui para frente.

Bibliografia

Shirley, Robert W., Antropologia Jurídica, São Paulo, Saraiva, 1987.

EMPREENDEDORISMO

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O que significa o termo empreendedorismo?

É uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneurship. Designa uma área de grande abrangência e trata de outros temas além da criação de empresas:

geração do auto-emprego (trabalhador autônomo);
empreendedorismo comunitário (como as comunidades empreendem);
intra-empreendedorismo (o empregado empreendedor);
políticas públicas (políticas governamentais para o setor);

Exemplos do que seja um empreendedor:

Indivíduo que cria uma empresa, qualquer que seja ela;
Pessoa que compra uma empresa e introduz inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir ou de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores;
Empregado que introduz inovações em uma organização, provocando o surgimento de valores adicionais.
Não se considera, contudo, empreendedor uma pessoa que, por exemplo, adquira uma empresa e não introduza qualquer inovação (seja na forma de vender, de produzir, de tratar os clientes), mas somente gerencie o negócio.

Para que servem tais conceitos, definições ?

São eles o ponto de partida dos pesquisadores para o estudo das condições que levam o empreendedor ao sucesso. É através desse entendimento que é possível ensinar-se a alguém a ser empreendedor. Os empreendedores podem ser voluntários (que têm motivação para empreender) ou involuntários (que são forçados a empreender por motivos alheios à sua vontade: desempregados, imigrantes etc.). Timmons acha que “o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20”.

O que é ser empreendedor?

Mas o que é um empreendedor ? Como vamos defini-lo ?

Acredita-se hoje que o empreendedor seja o “motor da economia”, uma agente de mudanças. O economista austríaco Schumpeter associa o empreendedor ao desenvolvimento econômico, à inovação e ao aproveitamento de oportunidades em negócios. Iremos trabalhar com a definição de Filion [1991], por ser simples e abrangente: “Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”.

Mas o que se sabe hoje, através das pesquisas em todo o mundo, sobre o perfil do empreendedor ?

Empreendedor é um ser social, produto do meio que habita (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá motivação para criar o seu próprio negócio.

Como os conhecimentos obtidos através das pesquisas podem ajudar a quem quer abrir uma empresa ?

Presume-se que, se uma pessoa tem características e aptidões mais comumente encontradas em empreendedores de sucesso, terá ela melhores condições para empreender. Como se sabe, são as características comportamentais básicas pelas quais o candidato a empreendedor deve se pautar. Por outro lado, sem tais características, a pessoa terá dificuldades em obter sucesso. Tais características são examinadas posteriormente.

No estágio atual de conhecimento sobre empreendedorismo, sabe-se como ajudar os empreendedores em potencial e os empreendedores de fato a identificar as características que devem ser aperfeiçoadas para obterem sucesso. A tese de que o empreendedor é fruto de herança genética não encontra mais seguidores nos meios científicos. Assim, é possível que as pessoas aprendam a ser empreendedores, mas dentro de um sistema de aprendizagem especial, bastante diferente do ensino tradicional.

O que ainda não se pode fazer no estágio atual de conhecimento na área de empreendedorismo:

Determinar com certeza se uma pessoa vai ou não ser bem sucedida como empreendedora; garantir que as pessoas possuidoras das características essenciais ao empreendedor terão sucesso.

Perfil do empreendedor de sucesso

A grande pergunta que se faz é: “quais são as características dos empreendedores de sucesso ? Eles têm algo diferente dos outros ?”. Hoje há muita concordância entre os cientistas sobre as características dos empreendedores de sucesso: traços de personalidade, atitudes e comportamentos que ajudam a alcançar êxito nos negócios. E por que essa preocupação em identificar o perfil do empreendedor de sucesso ? Para que possamos aprender a agir, adotando comportamentos e atitudes adequadas. Mas é importante termos consciência de que ainda não se pode estabelecer uma relação absoluta de causa e efeito. Ou seja, se uma pessoa tiver tais características, certamente vai ter sucesso. O que se pode dizer é que, se determinada pessoa tem as características e aptidões mais comumente encontradas nos empreendedores, mais chances terá de ser bem sucedida.

A pesquisa acadêmica sobre empreendedorismo é relativamente recente e está ligada à grande importância que a pequena empresa exerce no quadro econômico do mundo atual. Esse ramo do conhecimento está ainda em uma fase pré-paradigmática, já que não existem padrões definitivos, princípios gerais ou fundamentos que possam garantir de maneira cabal o conhecimento na área. Questões cruciais como: “é possível se ensinar alguém a ser empreendedor?”, “quais são as características empreendedoras determinantes do sucesso?”. Sem conotações determinativas, tais características têm contribuído para a identificação e compreensão de comportamentos que podem levar o empreendedor ao sucesso, servindo de base para o ensino na área. Ou seja, não se pode dizer que o sucesso será conseqüência de determinadas características comportamentais, mas certamente se pode afirmar que um conjunto de condições, presentes no indivíduo, contribuirão para o seu sucesso como empreendedor.

Um dos campos centrais da pesquisa na área do empreendedorismo concentra-se fundamentalmente no estudo do ser humano e dos comportamentos que podem conduzir ao sucesso. Por outro lado, o conjunto que compõe o instrumental necessário ao empreendedor de sucesso, ou seja, o know-how tecnológico e o domínio de ferramentas gerenciais, é visto como uma conseqüência do processo de aprendizado de alguém capaz de atitudes definidoras de novos contextos: o empreendedor. Em outras palavras, o indivíduo portador das condições necessárias para empreender saberá aprender o que for necessário para a criação, desenvolvimento e realização de sua visão. No ensino do empreendedorismo o ser é mais importante do que o saber: este será conseqüência das características pessoais que determinam a sua própria metodologia de aprendizagem.

A seguir apresenta-se um resumo das características dos empreendedores, segundo pesquisadores da área (Timmons [1994] e Hornaday [1982]) :

O empreendedor tem um “modelo”, uma pessoa que o influencia.
Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização.
Trabalha sozinho.
Tem perseverança e tenacidade.
O fracasso é considerado um resultado como outro qualquer. O empreendedor aprende com os resultados negativos, com os próprios erros.
Tem grande energia. É um trabalhador incansável. Ele é capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e sabe concentrar os seus esforços para alcançar resultados.
Sabe fixar metas e alcança-las.
Luta contra padrões impostos.
Diferencia-se.
Tem a capacidade de ocupar um intervalo não ocupado por outros no mercado, descobrir nichos.
Tem forte intuição. Como no esporte, o que importa não é o que se sabe, mas o que se faz.
Tem sempre alto comprometimento.
Crê no que faz.
Cria situações para obter feedback sobre o seu comportamento e sabe utilizar tais informações para o seu aprimoramento.
Sabe buscar, utilizar e controlar recursos.
Sonhador realista.
É racional, mas usa também a parte direita do cérebro.
Líder. Cria um sistema próprio de relações com empregados. É comparado a um “líder de banda”, que dá liberdade a todos os músicos, deles extraindo o que têm de melhor, mas consegue transformar o conjunto em algo harmônico, seguindo uma partitura, um tema, um objetivo.
É orientado para resultados, para o futuro, para o longo prazo.
Aceita o dinheiro como uma das medidas do seu desempenho.
Tece “redes de relações” (contatos, amizades) moderadas, mas utilizadas intensamente como suporte para alcançar os seus objetivos. A rede de relações internas (com sócios, colaboradores) é mais importante que a externa.
O empreendedor de sucesso conhece muito bem o ramo em que atua.
Cultiva a imaginação e aprende a definir visões.
Traduz seus pensamentos em ações.
Define o que deve aprender (a partir do não- defino) para realizar as suas visões. É pró-ativo diante daquilo que deve saber: primeiramente define o que quer, aonde quer chegar, depois busca o conhecimento que lhe permitirá atingir o objetivo. Preocupa-se em aprender a aprender, porque sabe que no seu dia-a-dia será submetido a situações que exigem constante aprendizado de conhecimentos que não estão nos livros. O empreendedor é um fixador de metas.
Cria um método próprio de aprendizagem. Aprende a partir do que faz. Emoção e afeto são determinantes para explicar o seu interesse.
Aprende indefinidamente.
Tem alto grau de “internalidade”, que significa a capacidade de influenciar as pessoas com as quais lida e a crença de que pode mudar algo no mundo. A empresa é um sistema social que gira em torno do empreendedor. Ele acha que pode provocar mudanças nos sistemas em que atua.
O empreendedor não é um aventureiro; assume riscos moderados. Gosta do risco, mas faz tudo para minimizá-lo.
É inovador e criativo. (A inovação é relacionada ao produto. É diferente da invenção, que pode não dar conseqüência a um produto.)
Tem alta tolerância à ambigüidade e incerteza e é hábil em definir a partir do indefinido.
Mantém um alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidades de negócios.

Assumir Riscos

Arriscar é a disposição de enfrentar desafios conscientemente, ousar a execução de um empreendimento novo e escolher os melhores caminhos. É a qualidade mais importante do empreendedor, e seu sucesso está condicionado a sua capacidade de conviver com os riscos e sobreviver a eles. Os riscos fazem parte de qualquer atividade, e é preciso aprender a administrá-lo.

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Aproveitar as Oportunidades

O empreendedor precisa estar sempre atento para perceber as oportunidades de negócio, no momento certo que o mercado oferece. Para isso, é necessário estar permanentemente ligado ao que acontece a sua volta. A percepção faz aumentar o conhecimento e visão do mercado. O ambiente está sempre oferecendo uma oportunidade ao empreendedor.

Conhecer o Ramo

O conhecimento do ramo é muito importante para o sucesso de um negócio. Quanto mais você dominar o ramo em que pretende atura, maiores serão suas chances de êxito. Caso já tenha conhecimento, ótimo. Se não tem, procure aprender tudo que for relacionado com o sue negócio: clientes, fornecedores, parceiros, concorrentes, colaboradores etc. Aprender através de curso, leituras, pesquisas, etc.

Saber Organizar

Ter senso de organização é compreender que se obtém mais facilmente resultados positivos com a aplicação dos recursos humanos, materiais e financeiros de forma lógica, racional e organizada, fazendo com que o resultado seja maior do que a simples soma das partes. Definir metas, garantir a execução conforme o planejado e corrigir os erros de forma rápida é essencial para obter o sucesso desejado.

Tomar Decisões

Essa qualidade requer vontade de vencer obstáculos, iniciativa para agir objetivamente, e confiança em si mesmo. O empreendedor deve ser capaz de tomar decisões corretas no momento exato, estar bem informado, analisar a situação e avaliar as alternativas para poder escolher a solução mais adequada.

Ser Líder

Liderar é saber conduzir os esforços das pessoas sob nossa coordenação em direção a um objetivo. O empreendedor deve saber definir os objetivos, orientar a realização das tarefas, combinar métodos e procedimentos práticos, incentivar pessoas no rumo das metas definidas, e produzir condições de relacionamento equilibrado entre a equipe trabalho.

Ter Talento

Ter talento e uma certa dose de inconformismo diante das atividades rotineiras faz com que simples idéias se concretizem em negócios efetivos. É ter habilidade naquilo que se faz ou seja é saber fazer o que se faz.

Ser independente

É necessário soltar as amarras e, sozinho, determinar seus próprios passos, abrir caminhos próprios, decidir o rumo de sua vida, ser seu próprio patrão.

Ter Otimismo

O empreendedor precisa enfrentar os obstáculos com confiança, enxergar o sucesso, em vez de temer possíveis fracassos. O caminho de um empreendedor até a estabilidade pode ser longo e difícil. Muitas vezes pode ocorrer a vontade de desistir. Para que isso não ocorra, sua visão deve ser ambiciosa. Não se contente com o possível, mas o desejável.

A decisão de criar sua própria empresa e tornar-se empresário é um desafio, um sonho, que pode levar à realização profissional e pessoal.

Formação e desenvolvimento da “visão” do empreendedor

A teoria visionária de L. J. Filion [1991] ajuda a entender como se forma uma idéia de produto e quais são as condições para que ela surja. Ela diz que as pessoas motivadas a abrir uma empresa vão criando, no decorrer do tempo, baseadas na sua experiência, idéias de produtos. Tais idéias, a princípio, emergem em estado bruto e refletem ainda um sonho, uma vontade não muito definida. Ou seja, ainda não sofreram um processo de validação, podem ainda não ser um produto.

O futuro empreendedor, para aprofundar-se em sua idéia (ou idéias) emergente, procura pessoas com quem possa obter informações para aprimorá-la, testá-la, verificar se é um bom negócio. Procura também ler sobre o assunto, participar de feiras, eventos. Ao obter tais informações, a pessoa vai alterando a sua idéia inicial, agregando novas características, mudando alguma coisa, descobrindo ou inventando novos processos de produção, distribuição ou vendas. E, ao modificar o produto, vai atrás de novas pessoas, livros, revistas, feiras etc. É um processo contínuo de conquistas de novas relações. E esse processo é circular, na medida em que tais relações irão contribuir para melhorar o produto, alterando-o e assim por diante.

Para Filion, essas idéias iniciais são visões emergentes. Prosseguindo em sua busca, vai chegar um dia em que o empreendedor sente que encontrou a forma final do produto e já sabe para quem vai vendê-lo. Nesse momento, ele acaba de dar corpo à sua visão central, ou seja, tem um produto bem definido e sabe qual é o mercado para seu produto.

Esse é o processo de formação da visão. Visões emergentes levam a novas relações (nos níveis secundário e terciários) que, por sua vez, contribuem para aprimorar a visão emergente inicial (o produto). Novas relações são estabelecidas em função do novo produto, e assim por diante, até que seja atingida a visão central, que pode ser fruto de uma ou várias visões emergentes.

Mas para desenvolver o processo de formação da visão, o empreendedor tem que se apoiar em alguns elementos. O principal deles são as chamadas Relações. Mas tem ele que trabalhar intensamente, sempre voltado para os resultados. O alvo não é o trabalho em si, mas o resultado que dele advém. Filion chama isso de Energia.

Deve o empreendedor ser uma pessoa com autonomia, autoconfiança, tem que acreditar que pode mudar as coisas, que é capaz de convencer as pessoas de que pode ainda possuir a capacidade de convencer as pessoas de que sua idéia é ótima e de que todos vão beneficiar-se dela. Enfim, deve saber persuadir terceiros a ajudarem-no a realizar o seu sonho. É o que Filion chama de Liderança.

E, lógico, exige-se de tal pessoa Conhecimento do Setor em que vai atuar.

Por fim, Filion fala da Visão Complementar, que trata da gerência da empresa, da organização e controle das diversas atividades administrativas, financeiras, de pessoal etc. Através da visão complementar é que vai ser criada a estrutura para que o produto seja vendido aos clientes, da forma mais eficaz possível, gerando os resultados esperados: viabilidade, consolidação, crescimento, altos lucros.

A importância das relações para o empreendedor

Nas pesquisas, verificou-se que os empresários de sucesso são influenciados por empreendedores do seu círculo de relações (família, amigos) ou por líderes ou figuras importantes, tomados como “modelos”. Esta admiração nos remete ainda a algumas perguntas, as mesmas que os grandes pesquisadores desta área se fazem:

Como alguém se torna empreendedor ?

O empreendedor nasce pronto ? Ou seja, é fruto de características genéticas ?

É possível se ensinar alguém a ser empreendedor ?

O empreendedorismo não é ainda uma ciência, apesar de ser uma das áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não existem paradigmas, padrões que possam, por exemplo, nos garantir que, a partir de certas circunstâncias, haverá um empreendedor de sucesso. Mas muita coisa pode ser dita sobre o empreendedor.

Todos os pesquisadores acreditam ser possível a alguém tornar-se um empreendedor. Mas a metodologia de ensino deve ser diferente daquela tradicional, que vemos nos cursos primários até a universidade. Mais adiante voltaremos ao assunto do ensino de empreendedorismo.

Sabe-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor através da convivência com outros empreendedores, em um clima em que ser dono do próprio nariz, ter um negócio, é considerado como algo muito positivo. Pesquisas indicam que as famílias de empreendedores têm maior chance de gerar novos empreendedores e que os empreendedores de sucesso quase sempre têm um modelo, alguém a quem admiram e imitam.

Consideremos agora três níveis de relações, o primário, o secundário e o terciário, no esquema abaixo:

Primário: familiares e conhecidos; ligações em torno de mais de uma atividade.
Secundário: ligações em torno de determinada atividade; redes de ligações.
Terciário: cursos, livros, viagens, feiras e congressos.
Podemos dizer que o nível primário é a principal fonte de formação de empreendedores. Mas os níveis secundário e terciário podem também ser importantes na geração de empreendedores. Um dos pontos básicos do ensino de empreendedorismo é fazer com que o aluno busque estabelecer relações que dêem suporte ao seu negócio. Assim, a convivência é muito importante nessa área. Existe um ditado no empreendedorismo que reza:

“dizei-me com quem andas que te direi quem queres ser.” Se há, portanto, empreendedores que nascem prontos, não é por razões genéticas, mas sim porque o nível primário de relações os influenciou. Há poucas décadas dizia-se o mesmo em relação a administradores, gerentes: “fulano tem o dom para administrar, ciclano nasceu assim, beltrano jamais saberá gerenciar”. Hoje ninguém duvida que alguém pode aprender a ser administrador. O empreendedorismo, em termos acadêmicos, é um campo muito recente, com cerca de vinte anos. Mas os cursos nessa área têm-se multiplicado com uma velocidade incrível. Em 1975, nos EUA, havia cerca de 50 cursos. Hoje há mais de 1000, em universidades e segundo grau, ensinando empreendedorismo.”

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Por que o ensino de empreendedorismo?

Razão 1 – A alta taxa de mortalidade infantil. No mundo das empresas emergentes a regra é falir, e não ter sucesso. De cada três empresas criadas, duas fecham as portas. As pequenas empresas (menos de 100 empregados) fecham mais: 99% das falências são de empresas pequenas. Se alguns têm sucesso sem qualquer suporte, a maioria fracassa, muitas vezes desnecessáriamente. A criação de empresas é um problema de crescimento econômico.

Razão 2 – Neste final de século, as relações de trabalho estão mudando. O emprego dá lugar a novas formas de participação. Na verdade as empresas precisam de profissionais que tenham uma visão global do processo, que saibam identificar e satisfazer as necessidades do cliente. A tradição do nosso ensino, de formar empregados, nos níveis universitário e profissionalizante, não é mais compatível com a organização da economia mundial.

Razão 3 – Exige-se hoje, mesmo para aqueles que vão ser empregados, um alto grau de “empreendedorismo”. As empresas precisam de colaboradores que, além de dominar a tecnologia, conheçam também o negócio, saibam auscultar e atender as necessidades do cliente, posam identificar oportunidades, e mais: buscar e gerenciar os recursos para viabilizá-las.

Razão 4 – A metodologia de ensino tradicional não é adequada para formar empreendedores.

Razão 5 – As nossas instituições de ensino estão distanciadas dos “sistemas de suporte”, ou seja, das empresas, órgãos governamentais, financiadores, associações de classe, entidades das quais os pequenos empreendedores dependem para sobreviver. As relações universidade-empresa ainda são incipientes no Brasil.

Razão 6 – Cultura. Os valores do nosso ensino não sinalizam para o empreendedorismo.

Razão 7 – Ainda há uma percepção insuficiente da importância da PME (Pequena e Média Empresa) para o desenvolvimento econômico.

Razão 8 – Predomina, no ensino profissionalizante e universitário, a cultura da “grande empresa”. Não há o hábito de se falar na pequena empresa. Os cursos de administração, com raras exceções, são voltados quase exclusivamente para o gerenciamento de grandes empresas.

Razão 9 – Ética – Uma grande preocupação no ensino do empreendedorismo devem ser os aspectos éticos que envolvem esta atividade. Por sua grande influência na sociedade e na economia, é fundamental que os empreendedores – como qualquer cidadão – sejam guiados pelos princípios e valores nobres.

Razão 10 – Cidadania. O empreendedor deve ser alguém com alto comprometimento com o meio ambiente e com a comunidade, com forte consciência social. A sala de aula é um excelente lugar para o debate desses termos.

Fatores de sucesso, segundo o próprio empreendedor

E na opinião dos próprios empreendedores, o que conduz ao sucesso ?
Eis algumas respostas à pesquisa. Timmons [1994]
Faça o que lhe dá energia. Divirta-se.
Imagine como fazer funcionar algo.
Diga, “posso fazer”, ao invés de “não posso” ou “talvez”.
Tenacidade e criatividade irão triunfar
Qualquer coisa é possível se você acredita que pode fazê-la.
Se você não sabe que não pode ser feito, então vá em frente e o fará.
Veja o copo metade-cheio e não metade-vazio.
Seja insatisfeito com o jeito que as coisas estão e procure melhorá-las.
Faça coisas de forma diferente.
Não assuma riscos se você não precisa, mas assuma um risco calculado se é a oportunidade certa para você.
Os negócios fracassam; os empreendedores de sucesso aprendem. Mas tente manter baixo o custo do aprendizado.
Faça da oportunidade e dos resultados a sua obsessão.
Fazer dinheiro é mais divertido que gastá-lo.
Uma equipe constrói um negócio: um só indivíduo ganha a vida.
Tenha orgulho das suas realizações, isso é contagioso!
É mais fácil implorar por perdão do que pedir permissão.

Idéia e oportunidade

“Há uma grande diferença entre uma idéia e uma oportunidade”

Não saber distinguir entre uma idéia e uma oportunidade é uma das grandes causas de insucesso. A confusão entre idéia e oportunidade é muito comum entre os empreendedores iniciantes. Identificar e agarrar uma oportunidade é, por excelência, a grande virtude do empreendedor de sucesso. É necessário que o pré-empreendedor desenvolva essa capacidade, praticando sempre. Atrás de uma oportunidade sempre existe uma idéia, mas somente um estudo de viabilidade, que pode ser feito através do Plano de Negócios, indicará seu potencial de transformar-se em um bom negócio.

Fontes de idéias:

Negócios existentes – Pode haver excelentes oportunidades em negócios em falência. É lógico que os bons negócios são adquiridos por pessoas próximas (empregados, diretores, clientes, fornecedores). Franquias e Patentes.
Licença de produtos – Uma fonte de boas idéias é assinar revistas da área. Corporações, universidades e institutos de pesquisa não-lucrativos podem ser fontes de idéias.
Feiras e exposições.
Empregos anteriores – Grande número de negócios são iniciados por produtos ou serviços baseados em tecnologia e idéias desenvolvidas por empreendedores enquanto eram empregados de outros.
Contatos profissionais – Advogados de patentes, contadores, bancos, associações de empreendedores.
Consultoria – Dar consultoria pode ser uma fonte de idéias.
Pesquisa universitária
A observação do que se passa em volta, nas ruas.
Idéias que deram certo em outros lugares.
Experiência enquanto consumidores.
Mudanças demográficas e sociais, mudanças nas circunstâncias de mercado.
Caos econômico, crises, atrasos (quando há estabilidade, as oportunidades são mais raras).
Usa das capacidades e habilidades pessoais.
Imitação
Dar vida a uma visão.
Transformar um problema em oportunidade.
“Descobrir” algo que já existe: melhorar, acrescentar algo novo na idéia já existente.
Combinar de uma forma nova.

Sobre a oportunidade

Ela deve se ajustar ao empreendedor. Algo que é uma oportunidade para uma pessoa pode não ser para outra, por vários motivos (know-how, perfil individual, motivação, relações etc.)

É um alvo móvel. Se alguém a vê, ainda há tempo de aproveitá-la.

Um empreendedor habilidoso dá forma a uma oportunidade onde outros nada vêem, ou vêem muito cedo ou tarde.

Idéias não são necessariamente oportunidades (embora no âmago de uma oportunidade exista uma idéia).

A oportunidade é a fagulha que detona a explosão do empreendedorismo.

Há idéias em maior quantidade do que boas oportunidades de negócios.

Características da oportunidade: é atraente, durável, tem uma hora certa, ancora-se em um produto ou serviço que cria, ou adiciona valor para o seu comprador.

Apresenta um desafio: reconhecer uma oportunidade enterrada em dados contraditórios, sinais, inconsistências, lacunas de informação e outros vácuos, atrasos e avanços, barulho e caos do mercado (quando mais imperfeito o mercado, mais abundantes são as oportunidades).

Reconhecer e agarrar oportunidades não é uma questão de usar técnicas, checklists e outros métodos de identificar e avaliar; não há receita de bolo (a literatura tem mais de 200 métodos), mas depende da capacidade do empreendedor.

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ANEXOS

Histórico do Empreendedorismo nas universidades brasileiras.

1981 – É criada pela escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas a disciplina Novos Negócios, dirigida ao curso de Especialização em Administração para Graduados.

1984 – A Fundação Getúlio Vargas estende o curso para graduação.

A USP (Universidade de São Paulo) começa a oferecer a disciplina Criação de Empresas, no curso de graduação em administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade.

O Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul cria a disciplina de Ensino de Criação de Empresas.

1985 – A FEA/USP inaugura a disciplina Criação de Empreendimentos de Base Tecnológica, no Programa de Pós-Graduação em Administração.

1992 – Com o apoio do Sebrae, A FEA oferece o Programa de Formação de Empreendedores voltado a profissionais da comunidade interessados em abrir uma empresa.

A Universidade de Santa Catarina cria a Escola de Novos Empreendedores (ENE) com profunda inserção acadêmica e envolvimento com projetos e órgãos internos, com outras universidades e organismos internacionais.

Nasce o Cesar – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, por iniciativa do Departamento de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, com suporte da Fundação de Apoio a Ciência do Estado de Pernambuco (Facepe).

1993 – O programa Softex, do CNPq, desenvolve uma metodologia de ensino para ser oferecida no curso de graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Brasília.

1995 – A Escola Federal de Engenharia de Itajubá, em Minas Gerais, cria o Cefei – Centro Empresarial de Formação Empreendedora. O estilo da escola expõe todo o corpo discente ao conteúdo, já que todas as disciplinas contribuem para o desenvolvimento do espírito empreendedor do aluno.

1996 – Surgem em todo país importantes projetos universitários de empreendedorismo, entre os quais o Instituto Gênesis para a inovação e Ação Empreendedora, da PUC – RJ.

1997 – É criado em Minas Gerais, o Programa Reune – Rede de Ensino Universitário de Empreendedorismo, apoiado por um consórcio de instituições formado pelo Sebrae-Minas, Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Fumsoft, Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Fundação João Pinheiro.

1998 – O IEL e Sebrae Nacional lançam o Programa Reune-Brasil, expandindo a filosofia para todo país. Paralelamente, o número de incubadoras de empresas nas universidades cresceu de dois para setenta e oito, as quais abrigam atualmente 614 projetos, gerando 2,765 empregos.

1998 – O Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL – cria o NEMP, com objetivo de agregar valores de cultura empreendedora à sua comunidade acadêmica, desenvolvendo-a nesta área.

1999 – Instituto Euvaldo de Lodi cria o Prêmio IEL de Interação Universidade Indústria – Programas de Empreendedorismo nas Instituições de Ensino Superior, que tem como vencedora a sua primeira edição a PUC-RJ

O Plano de Marketing

Os trabalhos de MKT se distribuem em dois grandes grupos:

1 – A Análise de Mercado, em que você vai estudar detalhadamente:

– O setor do mercado em que você pretende atuar. Embora esta seja uma decisão sua, estudos bem feitos e uma pesquisa consistente podem ajudá-lo a decidir melhor. Em conjunto com o segmento de mercado em que você pretende atuar, trata-se aqui de determinar o seu nicho de mercado. Por exemplo, se você pretende abrir uma firma no setor de alarmes, o seu segmento pode ser o de alarmes para bancos.

– As oportunidades e ameaças que estão presentes em sua proposta de mercado. Outra vez trata-se de analisar claramente a situação, sendo que um estudo da concorrência é um grande auxiliar para que se determinem estes importantes fatores de sucesso. No exemplo acima, como ameaças estão as grandes empresas que já atuam neste setor (o que demonstra que quando mais criativo você for maior será sua chance de sucesso), mas as oportunidades poderão ser, por exemplo, atuar com um diferencial tecnológico que seus concorrentes não possuam ainda.

– O Mercado Concorrente, ou seja, quem vai concorrer com você. Esta análise é importantíssima, pois você estará constantemente medindo forças com seus concorrentes. Analise preços praticados, serviços de qualidade que eles prestam, como efetuam o pós-venda, como tratam o cliente, quais são suas falhas, etc. Procure o seu concorrente, converse com ele. Vá à Internet e olhe seus sites; converse com seus clientes. Entenda perfeitamente como ele opera: de seus pontos falhos pode sair a sua grande oportunidade! No exemplo que estamos dando, o problema pode ser o alto preço praticado pelos concorrentes, ou o péssimo serviço de assistência técnica; e pode ser aí que você vai atuar…

– O Mercado Fornecedor, ou seja, quem vai fornecer insumos, componentes, etc. para você. É preciso ter certeza de entrega, com bom preço, e boa qualidade. No negócio do alarma para banco, já pensou se você fecha um ótimo negócio com uma grande rede de bancos, com curto prazo de entrega, e aquele fornecedor, que é o único, ou sobe o preço ou vai fornecer aquele micro-controlador que é fundamental só daqui a três meses?

2 – A Estratégia de Mercado, através da qual você vai estudar e apresentar pontos tais como:

– O Produto ou Serviço, que aqui deve ser descrito sucintamente, se possível mostrando suas vantagens competitivas. Aliás, as Vantagens Competitivas são tão importantes que merecem um item à parte: o que há de diferente nos seu produtos ou serviços que os diferem dos concorrentes, convencendo os seus prováveis clientes a trabalhar com você?

– A Tecnologia e o Ciclo de Vida. A apresentação da tecnologia envolvida e do tempo em que você pretende atuar (principalmente no caso de produtos) é importante, até por que você fica obrigado a pensar se está atualizado e se seu produto “durará” no mercado. Muitos fabricantes de Réguas de Cálculo sumiram do mercado porque não pensaram nas calculadoras eletrônicas que já estavam vindo…

– Planos de Pesquisa e Desenvolvimento. Como você evoluirá tecnologicamente, com empresa e no seu produto/serviço?

– Preço, que deve ser estabelecido em função do praticado pelos concorrentes, do interesse dos cliente, dos custos de produção, etc.

– Distribuição, ou seja, como você vai fazer chegar o seu produto ao mercado. Você o colocará nas lojas ou utilizará distribuidores? Você o venderá diretamente ao cliente? Qual será o melhor modo de vender o seu produto ou serviço?

– Promoção e Publicidade, ou seja, como você vai acessar o seu cliente, e através de que tipo de mídia. Isto, é evidente, dependerá do seu produto ou serviço e de quem é sua clientela, já estudada anteriormente. No caso do banco por exemplo, não compensará colocar anúncios em TV; talvez um contato pessoal seja melhor.

– Finalmente, quais serão os seus Serviços ao Cliente e o seu Pós-venda. Atualmente, estes são fatores absolutamente importantes para a manutenção da empresa no mercado. Quando você perde um cliente, que foi difícil de obter, ele leva vários outros consigo.

Como pode ser visto, um bom Plano de Marketing remete você a pensar seriamente sobre aonde e como atuar no mercado extremamente competitivo que é o atual.

Para ajudá-lo, ao final deste resumo, há um ótimo texto sobre Marketing, (“Para que serve o marketing”), como está citado no excelente livro “O Segredo de Luísa” (Dolabela, Fernando – Cultura Editores Associados – 1999 – pags.147 e 148):

Para que serve o Marketing ?

“Marketing é o processo de planejamento de uma organização que busca realizar trocas com o cliente, cada um com interesses específicos: o cliente quer satisfazer suas necessidades; uma empresa quer gerar receita.”

As atividades de marketing são basicamente divididas em quatro áreas, conhecidas como os “4 As”.

Análise – Consiste em compreender as forças que atuam no mercado em que a empresa opera ou pretende operar no futuro. É um processo contínuo de investigação das condições que determinam a localização, a natureza, o tamanho, a direção e a intensidade daquelas forças vigentes no mercado que interessam comercialmente à empresa. É a busca e processamento sistemático de informações para reduzir os riscos das decisões. São feitos levantamentos e interpretações de informações que visam facilitar algum processo decisório específico. Para realizar a análise, utiliza-se um instrumental denominado pesquisa de mercado. Essas informações envolvem tipicamente o acompanhamento dos resultados das vendas realizados nos diversos segmento d e mercado, confrontos dos movimentos de venda da empresa com os de seus principais concorrentes, a evolução dos custos e despesas de venda, além das informações básicas, de ordem econômica e social, sobre as principais áreas geográficas em que a empresa opera.

É uma atividade fundamental para se manter em dia quanto às oportunidades, ameaças, mudanças e tendências do seu mercado.

Adaptação – É a atividade responsável pelo ajuste da oferta da empresa – ou seja, as suas linhas de produtos/serviços – às forças externas detectadas através da análise, isto é, às necessidades do cliente. Design, marca, embalagem, preço e assistência aos clientes, conjunto freqüentemente denominado composto de apresentação, fazem parte do processo de adaptação.

Ativação – É o conjunto de medidas destinadas a fazer com que o produto atinja os mercados pré-definidos e seja adquirido pelos compradores, com a freqüência desejada. Envolve o composto de comunicação, que consiste nas áreas e nos instrumento de distribuição, logística, venda pessoal e publicidade. Nessa fase ocorrem a escolha e o controle dos meios de comunicação que a empresa utilizará. Visa colocar o produto à disposição do comprador na hora e no lugar em que ele mais o deseja.

Avaliação – Atividade que se propõe a exercer controles sobre os processos de comercialização e de interpretação dos resultados, a fim de racionalizar os futuros processos de marketing. Nela existe uma preocupação contínua em melhorar a relação custo/benefício das atividades sobe seu controle.

Para isto deve haver uma elaboração sistemática de métodos e técnicas destinadas a mensurar os resultados de determinadas ações, com o intuito de recomendar melhorias que contribuam com um maior grau de eficácia de futuros processo de fabricação e comercialização. Deve haver um exame periódico, formal e imparcial de todas as operações de marketing, a partir de seus objetivos e padrões de desempenho.

Finalidades básicas do marketing

1 – Detectar oportunidades (nichos mercadológicos) de mercado ou demandas inadequadamente satisfeitas pelas ofertas existentes, seja da própria empresa, seja de seus concorrentes.

2 – Preencher esses nichos com o mínimo de recursos e custos operacionais, em troca de uma desejável receita.

Observações: os “4 As” devem girar em torno de uma definição prévia dos objetivos que a empresa estabeleceu.

Análise e Avaliação constituem funções de staff (auxiliares) ou de apoio às outras duas funções. Elas operam essencialmente com o levantamento e a interpretação de informações provenientes do mercado. Compostos de apresentação e compostos de comunicação são denominados de marketing mix ou composto de marketing. O marketing mix contém basicamente quatro elementos principais, que devem ser administrados pela organização. Conhecidos também como os “4 Pês” , são eles:

Produto (Product) – Que produto vender?
Preço (Price) – Quanto cobrar pelo produto?
Comunicação (Promotion) – Como promover o produto?
Ponto (Place) – Como distribuir o produto?
A Comunicação e o Ponto preocupam-se em atingir os seus clientes potenciais, e o Produto e o Preço permitirão que se satisfaçam as exigências do cliente.

Os “4 As” são as atividades do marketing que têm como objeto de trabalho o “4 Pês”, variáveis importantes que a empresa deve administrar para conseguir satisfazer às necessidades do cliente e gerar lucros”.
Richers (1983)

REPETÊNCIA NA ESCOLA – EVASÃO ESCOLAR

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INTRODUÇÃO

No Brasil, 83% dos estudantes repetem pelo menos uma vez da primeira à oitava série ou desistem da escola antes de concluir o primeiro grau.

O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1996 contou 3,65 milhões de adolescentes com essa idade. Entre eles, só 621500 (16,99%) estavam na oitava série no ano passado, de acordo com o Ministério da Educação (MEC).

Apesar dos índices de repetência indicarem uma queda na taxa, eles são ainda muito altos, principalmente nas séries iniciais.

A situação em Resende não é muito diferente.

Neste trabalho será feita uma análise da situação da repetência na Escola Noel de Carvalho, abrangendo os dados referentes anos de ……

A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, com consulta a dados do Inep, IBGE e dados existentes na própria unidade escolar.

Serão também apontadas algumas causas dessa situação em Resende e no país e alguns procedimentos que poderão auxiliar a minimizar o problema.

DESENVOLVIMENTO

A Educação Brasileira está em processo de mudança.

Segundo Paulo Freire, “não há educação fora das sociedades humanas e não há homem no vazio”

Segundo dados do INEP, o Brasil tem hoje aproximadamente 53 milhões de estudantes, considerando-se todos os níveis e modalidades da educação básica e somadas as matrículas do ensino superior e da pós-graduação, o que corresponde a um terço do total da população.

Em três décadas, o sistema educacional brasileiro mais do que triplicou seu tamanho. Trata-se, portanto, de um sistema de massa, exigindo vultosos investimentos do setor público, que responde por 89,3% das matrículas do ensino fundamental, 80,2% do ensino médio e 38,35% do ensino superior.

O Brasil ainda possui uma elevada taxa de analfabetos, de 14,7% da população com 15 anos ou mais de idade, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 1996, feita pelo IBGE. Em números absolutos, são 15,5 milhões de pessoas.

Mas essa taxa vem caindo num ritmo mais acelerado, de 1,08% ao ano, desde o início da década de 90, contra um ritmo relativamente lento, de 0,63% ao ano, nas décadas de 70 e 80. O estudo destaca o crescimento do nível de escolaridade dos brasileiros e diz que tem havido redução das taxas de analfabetismo em todos os grupos de idade, muito embora sua intensidade diminua conforme aumentam as faixas etárias da população.

O percentual de analfabetos entre as pessoas com idade entre 15 e 19 anos caiu de 16,5%, em 1980, para 6%, em 1996. No grupo de 20 a 24 anos, a queda foi igualmente significativa, de 15,6% para 7,1% no mesmo período.

O índice de analfabetos também já é inferior a dois dígitos no grupo de 25 a 29 anos (8,1%). Os grupos de idade com mais de 30 anos, em contraste, apresentam taxas bem mais elevadas, sobretudo entre a população com mais de 50 anos, na qual a proporção de analfabetos chega a 31,5%.

De acordo com estimativa feita a partir dos resultados preliminares do Censo escolar de 1998, a taxa de escolarização líquida da população de 7 a 14 anos já é de 95%, antecipando e superando uma meta estabelecida pelo Plano Decenal de Educação para Todos, que previa elevar a cobertura até o ano 2.003 para, no mínimo, 94% da população em idade escolar.

O Brasil está muito perto de universalizar o acesso ao ensino fundamental. O que precisa, agora, é assegurar as condições de permanência no sistema e de sucesso escolar.

Apesar do declínio da taxa de distorção série/idade e da evolução positiva dos principais indicadores de fluxo escolar, o quadro geral ainda é insatisfatório. Quase a metade dos alunos (47%) está defasada em relação aos seus estudos, o que pode ser resolvido com a implantação do ciclo básico, que eliminaria a reprovação, ou então com as chamadas classes de aceleração, assegurando, contudo, a qualidade do processo de aprendizagem.

A taxa de repetência deverá situar-se neste ano em 29%, mantendo a tendência de queda que se verifica desde a década de 80. Ao mesmo tempo, a taxa de promoção segue em alta, devendo atingir 67% no final do ano letivo de 1998.

A evasão, por sua vez, continua em queda, podendo atingir 4% dos alunos.

A melhoria da qualidade do ensino fundamental passa, necessariamente, pela melhoria das condições de oferta do ensino e pela superação das disparidades regionais. Este quadro ficou evidenciado em pesquisa recentemente concluída pelo Inep sobre a infra-estrutura das escolas públicas e privadas de todo o país.

Menos de 50% dos alunos da educação básica estudam em escolas equipadas com biblioteca, por exemplo. Na maioria dos estabelecimentos de ensino fundamental não há laboratórios de ciências e informática: 24,2% dos alunos estudam em escolas que possuem laboratórios de ciências e 4,1% em escolas dotadas com laboratórios de informática. Falta, ainda, instalar telefone em 46% das escolas de primeiro grau com mais de 100 alunos.

No nordeste, por exemplo, 8,4% dos alunos de ensino fundamental freqüentam escolas sem abastecimento de água, índice que é de apenas 0,3% no sul e de 0,7% no sudeste.

A situação é ainda mais discrepante em relação ao percentual de alunos que estudam em estabelecimentos que não possuem energia elétrica, condição que afeta 19,6% dos alunos na região norte e 14,6% no nordeste, em contraste com os índices de 0,9% no sul e de 1,7% no sudeste. A falta de esgoto sanitário nas escolas atinge 18,1% dos alunos de ensino fundamental na região norte e 9,3% no nordeste, contra 1,7% no sudeste e 1,8% no sul.

A precariedade das condições de infra-estrutura ocorre principalmente nas escolas rurais, que são mais numerosas no norte e nordeste, representando, respectivamente, 82% e 74% do total dos estabelecimentos de ensino destas regiões.

As regiões norte e nordeste apresentam ainda as piores taxas de escolarização em todos os níveis de ensino. É, também, nestas duas regiões que se concentram cerca de 60% das crianças fora da escola.

Outro grande desafio que terá de ser equacionado nos próximos dez anos para satisfazer exigência da LDB, incorporada ao Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso Nacional, é promover a melhoria do perfil de escolaridade do magistério.

De acordo com o resultado preliminar do Censo do Professor, realizado em 1997, mais da metade dos professores da Educação Básica (53,49%) não possui curso superior completo. Em números absolutos, são cerca de 820 mil professores que terão que complementar sua formação, caso queiram permanecer no magistério.

Para se ter uma idéia da magnitude do esforço demandado, basta considerar que, para atingir a meta estabelecida pela LDB deverão ser formados a cada ano cerca de 100 mil professores no nível superior durante a próxima década.

CONCLUSÃO

O problema da repetência deve ser enfrentado com políticas de nucleação de escolas e com ações específicas que considerem as características geográficas e sociais de cada região.

A nova LDB permite que algumas medidas sejam tomadas para minimizar o problema: organização do ensino por ciclos; organização de classes de aceleração; maior flexibilidade do sistema de avaliação.

Além dessas medidas previstas na Lei é necessária também uma ação junto ao professorado para que os docentes utilizem métodos variados e flexíveis de avaliação, principalmente a avaliação continuada. É preciso que os professores procurem observar alguns preceitos ao lidar com alunos defasados:

A auto-estima do repetente precisa ser estimulada. Mas o professor não pode se limitar a encorajá-lo. O estudante só se sente seguro quando consegue cumprir tarefas. É um erro exigir menos dos alunos defasados por achar que eles são problemáticos.
Para saber como o estudante evolui, é preciso avaliar o desempenho dele em cada atividade. Isso exige enorme atenção do professor. E não basta ver se o aluno acertou: é preciso saber que habilidade e raciocínio ele demonstrou.
Conversar com os pais e pedir o apoio deles para conferir tarefas e incentivar os filhos a estudar. Antes de qualquer coisa, a família deve acreditar que o aluno é capaz de aprender.
Em classes com muitos repetentes, as idades e os interesses são variados. Para satisfazer a todos, sempre é bom utilizar atividades e projetos que integrem várias disciplinas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e

Terra, 1978.

TROTSKY O LIDER COMUNISTA E A REVOLUÇÃO RUSSA

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TROTSKISMO – REFLEXÕES DE TROTSKY O LIDER REVOLUCIONÁRIO COMUNISTA E A REVOLUÇÃO RUSSA

O trotskismo é um termo comumente empregado para designar as teses e reflexões teóricas sobre a práxis e a teoria revolucionária comunista elaborada por Leon Trotsky (em russo: Lev Davidóvitch Trótskii). Intelectual marxista e líder revolucionário bolchevique, Trotsky nasceu em 1879, na Ucrânia, e morreu em 1940, no México.

O conjunto de seus escritos e publicações enfoca quatro temas centrais, que tiveram grande influência no ideário e nos movimentos socialistas:

– a lei do desenvolvimento combinado e desigual;
– a crítica à degeneração do Estado soviético (devido à burocratização);
– a elaboração das características constitutivas da sociedade socialista;
– o internacionalismo.

Todos esses temas integram a teoria da Revolução Permanente que, segundo o próprio Trotsky, não deve ser considerada uma contribuição original porque está baseada no pensamento e teorias formuladas por Karl Marx, Friedrich Engels e também por Vladimir Lênin.

Teoria da Revolução Permanente
De acordo com o próprio Trotsky, a teoria da Revolução Permanente foi inspirada no pensamento de um judeu russo, chamado L. Helfand, que depois emigrou para a Alemanha e adotou o pseudônimo de Parvus. Ao tomar conhecimento das reflexões de Parvus, Trotsky enriqueceu sua teoria agregando novas contribuições à análise.

A teoria da Revolução Permanente veio a público logo após a revolução abortada de 1905, na Rússia czarista, a partir de um breve texto intitulado “Balanços e Perspectivas”. De acordo com a teoria marxista, a revolução socialista será alcançada após um processo histórico e mediante algumas etapas, cuja finalização ocorre quando se liquida com a sociedade de classes.

Entre os adeptos do marxismo, acreditava-se que era imprescindível a etapa relacionada ao desenvolvimento das forças produtivas capitalistas e, por conseguinte, da burguesia e do modelo de democracia parlamentar, para depois chegarmos ao socialismo. Trotsky rejeitou, porém, essa tese e defendeu o princípio segundo o qual era possível “pular” algumas etapas do processo revolucionário.

Rússia czarista
A base empírica que sustentava a tese de Trotsky era um minucioso estudo das características do desenvolvimento social e econômico da Rússia sob o regime czarista. O Estado russo era um aparelho político cuja estrutura e funções serviam aos interesses da aristocracia czarista. Ou seja, o aparelho estatal russo era um Estado absolutista.

O desenvolvimento econômico fomentado pelo Estado russo no final do século 19 acarretou um acelerado processo de industrialização que, embora tardio em comparação com outros países europeus, provocou o aparecimento das fábricas e, por conseguinte, o surgimento do proletariado industrial.

Conforme as teses de Trotsky, o desenvolvimento econômico da Rússia era do tipo “desigual” e “combinado” e foi estimulado por influências externas. A Rússia foi obrigada a avançar por “saltos”, mas a conseqüência desse tipo de modernização foi a coexistência de estruturas produtivas novas e arcaicas. Desse modo, entende-se por que a classe média manteve-se exígua e a burguesia industrial permaneceu estritamente dependente, fraca e temerosa diante do aparelho estatal.

A revolução de 1905 mostrou, porém, que o proletariado tinha força para promover a ruptura da ordem social. Com essa análise, Trotsky defendeu a tese de que o proletariado industrial russo, embora sendo uma minoria da população, poderia vencer. E a concretização da revolução provaria, portanto, que não seria necessário atravessar a fase de domínio da burguesia e do regime democrático de tipo parlamentar.

Trotsky salientou, porém, que a consolidação da revolução socialista na Rússia só seria viável se ocorressem processos revolucionários similares em outros países. Esta última tese se baseava no fato de que sem o apoio de outros Estados, o atraso tecnológico, industrial e cultural da Rússia se revelaria um obstáculo à consolidação de um Estado socialista naquele país.

Expansão internacional
As principais teses contidas na teoria da Revolução Permanente se concretizaram com a Revolução de Outubro de 1917. O Estado absolutista russo foi derrubado por um processo revolucionário socialista liderado pelo proletariado. Porém, a necessidade da expansão internacional da revolução socialista não teve aceitação entre os principais líderes revolucionários russos.

Trotsky refinou suas teses e análises sobre o tema publicando, em 1924, o texto intitulado “As Lições de Outubro”, cujo conteúdo ratifica a tese de que a construção do Estado e sociedade socialista não poderia ficar permanentemente circunscrita a um território nacional. O risco era de não conseguir se consolidar em sua plenitude devido ao aparecimento de contradições internas e externas. Ou seja, se o Estado soviético continuasse no isolamento correria o perigo de sucumbir.

De acordo com a perspectiva de Trotsky, a Revolução de Outubro de 1917 deveria expandir-se internacionalmente de modo a provocar a chamada revolução mundial. Embora Trotsky tenha acertado ao assinalar o potencial revolucionário do proletariado de um país atrasado, como era o caso da Rússia, sua tese sobre a necessidade da revolução mundial como condição de sobrevivência do Estado socialista russo não se comprovou.

O teor das análises de Trotsky sobre esse último tema fez com que os líderes bolcheviques, Stalin, Zinoviev e Kamenev, rompessem com ele. Com a morte de Lênin, em 1924, Stalin assume o poder e envia Trotsky para o exílio. No último ano de exílio, em 1929, Trotsky consegue terminar de escrever a teoria da Revolução Permanente.

Em 1930, o líder revolucionário é expulso definitivamente da Rússia e dez anos depois é assassinado no México a mando do próprio Stalin.

FIM DO CZARISMO E BREVE GOVERNO SOCIAL DEMOCRATA

Nem econômica, nem militarmente a Rússia estava preparada para entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Sua participação no conflito, portanto, foi uma sucessão de desastres, com números imensos de mortos e feridos. Além disso, a própria posição política do país na guerra era paradoxal: a Rússia aliou-se aos regimes democráticos da França e da Inglaterra, combatendo os Impérios centrais da Alemanha e da Áustria-Hungria (mais a Turquia).

No entanto, a Rússia não era uma democracia, mas uma autocracia: o czar (imperador) governava com poderes absolutos. O Parlamento ou Duma, instituído em 1906, mal e mal se opunha a ele. Para complicar, a czarina (imperatriz) era alemã e boa parte da corte simpatizava com a Alemanha, querendo mudar de lado no conflito. Para isso, não hesitavam em sabotar seus próprios exércitos, facilitando as vitórias adversárias.

Não bastasse tudo isso, o czar Nicolau 2º era um homem medíocre e indeciso, que sofria forte influência da esposa, Alexandra. Esta por sua vez estava praticamente dominada por um homem chamado Grigori Rasputin, um camponês que era ao mesmo tempo um místico e um charlatão e que passou a governar a Rússia, nos bastidores.

Rasputin aconselhava, por exemplo, a czarina a nomear um ministro à noite, alegando que Deus lhe transmitiu essa ordem. No dia seguinte, mandava demiti-lo, afirmando que o homem fora possuído pelo demônio. “A corte parece ora o zôo, ora o pátio dos milagres”, escreveu um deputado russo da época.

Repressão policial
Esse governo caótico era mantido à força de violenta repressão policial a seus opositores, que eram muitos e que se manifestavam desde as últimas décadas do século 19, quando a Rússia começou a se industrializar – embora o país permanecesse essencialmente agrário nas primeiras décadas do século 20: 85% de seus 170 milhões de habitantes viviam no campo.

Tentando sublevar os camponeses contra o regime autocrático, existiam grupos ou organizações como os “narodniks” (populistas), socialistas revolucionários e anarquistas, mas não obtiveram grandes êxitos: eram formados por intelectuais de classe média, cuja visão do povo era basicamente idealizada. Havia ainda uma oposição liberal burguesa ao czarismo, que acreditava na possibilidade de criar uma monarquia constitucional e efetivamente parlamentar no país.

O Partido Social-Democrata
Entre os grupos de esquerda, destacou-se – por seu papel histórico – o Partido Social-Democrata, de orientação marxista. Este, porém, como em geral tem acontecido às agremiações marxistas, já surgiu praticamente dividido em dois grupos:

1) Os mencheviques (termo russo que significa “minoria”), que acreditavam que uma revolução socialista só podia acontecer na Rússia depois que essa se tornasse industrializada e capitalista, de acordo com o pensamento original de Karl Marx;

2) Os bolcheviques (que significa “maioria”), que defendiam a revolução imediata, com a implantação de uma ditadura do proletariado, conduzida por um partido operário-camponês, adaptando o pensamento marxista à realidade local.

Antes de prosseguir é importante lembrar que essa nomenclatura não corresponde aos fatos: os mencheviques eram a verdadeira fração majoritária do Partido Social-Democrata. Em sua própria maneira de autodenominar-se, os bolcheviques estavam contando sua primeira mentira. Contariam muitas outras.

A Revolução de março
Convém esclarecer que, quando se fala em indústria e operariado na Rússia de então, fala-se nas grandes cidades: Petrogrado (antiga São Petersburgo, a capital do país), Moscou e Odessa. Era nelas que os problemas econômicos iriam se fazer sentir mais acirradamente e que a miséria crescente iria levar o povo em fúria às ruas, em março de 1917. A revolução russa iniciou-se em Petrogrado, de maneira caótica, sem lideranças definidas. A massa via no fim do czarismo a solução para seus problemas.

As mulheres deram início aos protestos populares, devido ao racionamento de alimentos. Foram seguidas pelos operários, que fizeram greves. A polícia não tinha contingente suficiente para reprimir tantos manifestantes e o governo resolveu apelar ao exército. Os soldados, porém, também insatsifeitos com os rumos da guerra, confraternizaram com o povo. Formou-se o soviete (conselho) de operários e soldados de Petrogrado e criou-se um Comitê Executivo Provisório na Duma (12 de março).

Três dias depois, o czar Nicolau 2º abdicou o trono. Os acontecimentos políticos passaram a se suceder tão rapidamente que se torna impossível não fazer algumas simplificações didáticas. Após a abdicação, formou-se um Governo Provisório presidido, a princípio, pelo príncipe Lvov, e depois por um de seus ministros, Alexander Kerensky, já num um regime republicano. O poder, contudo, era parcialmente dividido com o soviete de operários e soldados de Petrogrado. O caos reinava na nova República russa.

Por trás do caos
Contudo, por trás do caos aparente, aproveitando-se dele, as elites industriais e financeiras procuravam se impor. Dominando o mercado e estabelecendo preços, estavam se lixando para a miséria das massas. Financiavam o Governo provisório, mas não deixavam de ajudar também a seus próprios opositores mais radicais – os bolcheviques – de modo a salvaguardar-se caso estes últimos conseguissem triunfar (muitos capitalistas, por sinal, conseguiram salvo conduto para deixar o país quando isso aconteceu).

O finaciamento dos bolcheviques pelos capitalistas denota a hipocrisia da política e das relações humanas. Cinismo contra cinismo: “Tenho dinheiro suficiente para me dar ao luxo de sustentar até mesmo meus inimigos”, declarava um dos maiores capitalistas do país, em pleno governo Kerensky. “Eu pegaria o dinheiro do Diabo, se preciso, para servir à revolução”, declarava, com a mesma desfaçatez, o líder bolchevique Vladimir Ilitch Ulianov, que passou à história com seu nome de guerra: Lênin.

Lênin
Em março de 1917, Lênin amargava o exílio na Suíça, tendo fugido da polícia do czar. Era um homem envelhecido para os seus 47 anos, sofria possivelmente de sífilis, e não acreditava que veria a revolução, à qual dedicara os últimos 27 anos de sua vida.

Os acontecimentos de março na Rússia, porém, deram-lhe novo ânimo. Através da Alemanha, ele retornou a seu país onde chegou em abril, anistiado pelo Governo Provisório. Foi recebido calorosamente por seus correligionários.

Sem dúvida um grande estrategista político, Lênin compreendeu a situação que seu país vivia e percebeu como tornar a revolução dos mencheviques, dos anarquistas, de outros socialistas e dos liberais burgueses na “sua” revolução. Em primeiro lugar, os camponeses russos queriam terra, coisa que o Governo provisório (também sustentado pelos grandes proprietários rurais) não poderia dar. Em segundo lugar, os operários queriam melhorar seu modo de vida, algo para que o capitalismo selvagem vigente no país não iria absolutamente contribuir.

Finalmente, os soldados queriam paz e o Governo provisório, que contava com o apoio da França e da Inglaterra, não podia de maneira nenhuma retirar-se do campo de batalha. Mas Lênin sabia que aquele não era o momento de se opor radicalmente ao Governo provisório, o que poderia favorecer uma reação czarista.

Todo poder aos sovietes
Era preciso atacar os mencheviques sutilmente, utilizando-se do poder paralelo dos sovietes, que, aos poucos, Lênin vai bolchevizar, isto é, converter à sua visão do marxismo, que mais tarde se chamaria leninismo. A prova de que sua estratégia era correta está na breve duração da República burguesa na Rússia: de março a novembro de 1917. Em novembro (pelo calendário russo, outubro), os bolcheviques dariam um golpe de Estado, tomariam o poder e mudariam os rumos do país e da história universal.

Antes disso, porém, Kerensky conseguia se equilibrar no poder. Conseguiu, inclusive, em setembro, frustrar um golpe de direita do general Lavr Kornilóv. Mas, para isso, precisou pedir auxílio aos bolcheviques (o que não deixa de ser uma demonstração de sua fraqueza). Kerensky foi perdendo terreno ao insistir na guerra, ao negar-se a promover uma reforma agrária e a adiar as eleições para uma Assembléia Constituinte que estabelecesse o arcabouço legal do novo país.

Outubro vermelho
Gradualmente, os bolcheviques se infiltravam nos sovietes e aumentavam sua influência junto aos operários e soldados em especial. Lênin foi forçado a deixar o país mais uma vez, mas Trotsky prosseguiu sua obra, dedicando-se especialmente à criação de uma milícia bolchevique: a Guarda Vermelha.

Desse modo, na noite de 6 de novembro (24 de outubro no calendário russo), os bolcheviques tomaram todos os pontos estratégicos de Petrogrado. O Palácio de Inverno do czar, que era a sede do governo, foi bombardeado e Kerensky fugiu, sem contar com tropas para se defender.

O partido dos bolcheviques estava no poder e começou a expedir decretos que, a princípio, pareciam atender aos interesses das massas: suprimiram as grandes propriedades, atribuíram a gestão das terras aos comitês de camponeses, estatizaram fábricas que passaram ao controle dos operários. Isso não significava, porém, que a utopia igualitária do socialismo estava se tornando realidade.

Em primeiro lugar, a oposição ainda era enorme. Em segundo lugar, ao lado dos bolcheviques estavam outros grupos de esquerda, como os socialistas revolucionários e os anarquistas, que não estavam dispostos a concordar com eles em tudo. Em terceiro lugar, a desordem era generalizada no país.

Vodka e sangue
Para se ter uma idéia dessa última afirmação basta apontar dois fatos: o governo bolchevique resolveu abrir o Palácio de Inverno do czar à visitação pública e o resultado foi o saque de tudo o que havia no local, especialmente das adegas do palácio onde homens e mulheres se embriagaram numa orgia que se estendeu por uma semana.

Conforme relata um historiador trotsquista, Isaac Deutscher, foram necessários sete tentativas de conter a festa, uma vez que só a sétima guarnição destacada para a tarefa conseguiu executá-la – as seis anteriores confraternizaram com o inimigo.

A questão do alcoolismo pode parecer cômica, mas teve um fim trágico: como a população invadia todas as adegas disponíveis e se embriagava, os bolcheviques começaram a dinamitá-las, sem se preocupar em retirar os bêbados lá de dentro.

A repressão aos opositores do novo regime se organizou rapidamente: além da Guarda Vermelha, formou-se a Tcheka – uma polícia política secreta com plenos poderes, comparável à Gestapo nazista. Desde sua criação, a Tcheka era um sinal evidente de que a revolução bolchevista não criaria a utopia socialista, mas o regime totalitário que Stálin comandaria, pouco depois da morte de Lênin, em 1924.

SURGE A UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS

O autoritarismo leninista logo se explicitou nos acontecimentos relacionados à Assembléia Constituinte. Nas eleições de seus deputados, os bolcheviques só conseguiram 25%, dos 36 milhões de votos. Uma vez que eram absoluta minoria, dissolveram a Assembléia que só se reuniu em uma única sessão, em janeiro de 1918.

No mesmo ano, os bolcheviques criaram a agremiação política que se tornaria a única legal do país: o Partido Comunista e instituíram a República Federativa Soviética da Rússia, com capital em Moscou. A suposta ditadura do proletariado pregada por Lênin virou, na prática, a ditadura do Partido Comunista, formado basicamente por intelectuais de classe média. Nas palavras do historiador marxista francês Henri Avron:

“Os sovietes são a partir de então simples órgãos de execução do Partido, o poder central reina de maneira absoluta; ele se resume em três organizações: o Bureau político, isto é, o Partido; o Conselho Revolucionário de Guerra, isto é, o exército, e a Comissão Extraordinária ou Tcheka, isto é, a polícia; dirigidas respectivamente por Lênin, Trostky e Dzerjinsky.”

O brevíssimo período de democracia direta e popular exercido pelos sovietes estava definitivamente encerrado. O Partido comunista imediatamente começou a privilegiar seus membros, em especial os militares e policiais, para garantir sua fidelidade.

A paz de Bret-Litovsky
Para compensar as medidas impopulares (como um racionamento de alimentos quer privilegiava operários e membros do Partido, já em dezembro de 1917), o novo governo russo havia aberto negociações de paz com a Alemanha. As conversações se arrastaram e foram rompidas em 10 de fevereiro de 1918, pois o comitê diplomático comunista, comandado por Trotsky, acreditava (assim como Lênin) que também na Alemanha uma revolução socialista aconteceria.

A revolução alemã, no entanto, não aconteceu e, para firmar a paz, no Tratado de Brest-Litovsky, os russos foram forçados a ceder ao governo imperial alemão 27% de suas terras aráveis, 23% de sua indústria, 73% de seu minério de ferro e 5% do carvão.

Esse foi o primeiro dos grandes problemas que os comunistas tiveram de pagar para continuar no poder. Não parariam de pagar outros antes de 1922. Até lá, foram várias as insurreições populares que tiveram de enfrentar. Também não era para menos, como declarou sarcasticamente um camponês anônimo no 8º Congresso dos Sovietes, em março de 1920:

“Tudo vai muito bem. Mas se a terra é para nós, o trigo é para os comissários; a água é para nós, mas o peixe para os comissários; a floresta é para nós, mas a madeira para os comissários”. Por comissários, entenda-se os comissários do povo – nome com que os comunistas se batizaram, recorrendo a títulos criados durante a Revolução Francesa, que lhes servia de inspiração.

Vermelhos versus brancos
Além disso, a Rússia mergulhou numa guerra civil. Apoiadores do antigo regime, os russos brancos (por oposição aos comunistas, vermelhos) tentaram promover uma contra-revolução. Contaram com a aliança de outros países europeus, que não aceitaram a retirada unilateral da Rússia da guerra e temiam a expansão do comunismo.

Tropas francesas desembaraçaram em Odessa, tomaram a Criméia e o leste da Ucrânia. Ingleses avançaram rumo a Petrogrado. Tropas alemãs, francesas e polonesas ocuparam o oeste da Ucrânia. Japoneses, americanos e tchecoslovacos ocuparam a Sibéria.

Entretanto, o Exército Vermelho (formado a partir da Guarda Vermelha), apesar de sofrer essas derrotas, conseguiu organizar uma contra-ofensiva, principalmente porque os países aliados desconfiavam uns dos outros quanto aos seus interesses na Rússia, em caso de derrota dos comunistas. Assim, gradativamente as tropas estrangeiras foram se retirando do país. Os últimos a saírem foram os japoneses, em 1922.

Nesse período, os comunistas anexaram diversos territórios, estabeleceram relações diplomáticas com os países do ocidente europeu e instituíram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou União Soviética, cuja existência se estendeu até 1991.

Comunismo de guerra
A guerra civil, porém, exigiu um esforço econômico batizado de comunismo de guerra, que constituiu no controle estatal da economia do país. Os camponeses boicotaram o processo, sonegando suas colheitas e a fome sobreveio. A indústria comandada por operários sem noções de administração não deram certo: a produção industrial russa de 1920 equivalia a 18% da produção do país em 1913.

Em 1921, até os marinheiros do porto de Kronstadt – revolucionários de primeira hora, chamados por Trotsky de “honra e glória” da Revolução – se amotinaram contra o governo. Uma de suas manifestações, o documento “Por que nós combatemos”, dá uma idéia de como os princípios da revolução operária tinham sido traídos:

“Ao fazer a Revolução de Outubro, a classe operária esperava obter sua emancipação. Mas o resultado foi uma escravidão ainda maior da individualidade humana. O poder da monarquia policialesca passou à mão dos usurpadores – os comunistas – que, em lugar de dar liberdade ao povo, reservou-lhe o medo dos cárceres da Tcheka, cujos horrores ultrapassam em muito os métodos da gendarmeria czarista. […] Tornou-se cada vez mais claro, e hoje torna-se evidente, que o Partido Comunista não é, como fingiu ser, o defensor dos trabalhadores. Os interesses da classe operária lhes são estranhos. Depois de haver conquistado o poder, há apenas uma preocupação: não perdê-lo.”

Sublevados, em 1920, os marinheiros de Kronstadt estavam prontos para pegar em armas contra os comunistas, declarando: “Aqui [em Kronstadt] foi içada a bandeira da revolta contra a tirania dos três últimos anos, contra a opressão da autocracia comunista que fez empalidecer os três séculos de jugo monarquista. […] É aqui em Kronstadt que foi lançada a pedra fundamental da Terceira Revolução, que romperá as últimas amarras do trabalhador e lhe abrirá o novo e grande caminho da edificação socialista”.

Trotsky e a militarização da URSS
Ironicamente, essa terceira Revolução foi massacrada por Trotsky – teórico da revolução permanente. Não foi a única das ironias da história a envolver este líder bolchevique. Anos mais tarde, em 1927, ele também iria se rebelar contra a ditadura do Partido Comunista. Como os marinheiros de Kronstadt, ele também seria massacrado 13 anos depois, em 1940.

Em 1928, porém, Trtosky procurou eximir-se da responsabilidade pelo massacre de Kronstadt, escrevendo artigos em que dizia não ter participado pessoalmente da repressão. De fato, não participou pessoalmente, mas era o comandante supremo das tropas repressoras e assinou a ordem que as pôs em ação. Além disso, não há como negar o militarismo de Trotsky nos primeiros anos do regime comunista: ele impôs, por exemplo, uma militarização do sistema de produção na União Soviética. Sob suas ordens, a disciplina e a hierarquia militar passaram a vigorar nas fábricas russas.

Nova Política Econômica ou NEP
Diante da insatisfação geral com tudo isso e do fato de seu poder estar em risco, Lênin deu início a um plano econômico que chamou de Nova Política Econômica (NEP), com marcados traços capitalistas. Isso representava, em economia, o que o tratado de Brest-Litovsky representou em termos militares: ceder os anéis para não perder os dedos.

A NEP dirigiu os investimentos para os setores fundamentais da economia, organizou comerciantes e agricultores em cooperativas, suprimiu as requisições estatais sobre a produção agrícola. Além disso, privatizou pequenas empresas, acabou como igualitarismo, hierarquizando os salários de acordo com as funções, atraiu técnicos e capitais estrangeiros. A NEP foi um sucesso e muitos grupos sociais se beneficiaram, pacificando os espíritos.

A morte de Lênin
Em 1924, porém, Lênin morreu e seus dois herdeiros políticos passaram a disputar o poder: Trotsky, marxista radical, partidário do internacionalismo socialista, ou seja, da exportação da revolução para outros países, e Stalin, secretário-geral do Partido Comunista, que defendia a teoria do socialismo num só país. Quando o socialismo estivesse consolidado na União Soviética e a nação conquistasse a independência econômica, o Exército Vermelho se tornaria insuperável e socializaria o mundo.

Stalin, o “Grande Irmão”
Politicamente, Stálin era muito mais hábil do que Trotsky. Não demorou a perceber que a máquina estatal russa, desde o século 18, se apoiava na burocracia e cooptou os burocratas, além de outros líderes revolucionários, isolando seu adversário. Trotsky foi obrigado a demitir-se do cargo de Comissário da Guerra e a exilar-se na Turquia (1929). Entre 1924 e o exílio de seu rival, Stálin consolidou seu poder na União Soviética.

A partir daí, passaria a personificar o poder supremo, instituindo o que se chama de “culto à personalidade”. Venerado ou temido como o grande irmão de todos os russos, iria concentrar o poder nas próprias mãos até a morte, em 1953 (inspirou, assim, o personagem Grande Irmão, aquele que tudo vê, do romance “1984”, de George Orwell).

Quanto a Trostky, foi obrigado a procurar refúgio do outro lado do oceano Atlântico, no México. A distância não o protegeu da ira de Stalin. Foi assassinado por Ramón Mercader, um agente stalinista, que nunca assumiu essa condição, afirmando ter agido por conta própria.

Conseqüência direta e inevitável do movimento de outubro de 1917, a história da União Soviética sob o governo de Stalin, porém, é uma outra história, da qual muito não se sabe. Em primeiro lugar, porque a falsificação sistemática da historiografia foi uma prática comum do regime stalinista. Além disso, os arquivos do período stalinista, bem como os de seus sucessores até 1991 ainda não vieram totalmente a público.

REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO E REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

Em 22 de fevereiro de 1917 (ou, no nosso calendário, 8 de março), greves e motins estouraram em Petrogrado (a antiga São Petersburgo, que tinha sido rebatizada logo no início da guerra, porque o nome “Petersburgo” soava alemão demais).

Dois dias depois, os soldados da Guarda Imperial juntaram-se aos revoltosos. A Duma (o Parlamento russo) formou então o primeiro governo provisório, presidido pelo príncipe Lvov, que garantiu a abdicação do czar Nicolau 2º> em 27 de fevereiro (15 de março no nosso calendário). Nicolau abdicou em favor do irmão, o grão-duque Miguel, e este, de sua parte, abdicaria no dia seguinte.

Sovietes
Enquanto isso, os bolcheviques reviviam os sovietes (conselhos populares que haviam surgido em 1905 e eram formados de camponeses e operários). Os soldados foram incitados a participar, o que colocou o Exército sob o controle dos sovietes, e não do governo provisório. Os sovietes passaram a opor-se a cada medida do governo provisório, especialmente depois que Lênin, o líder bolchevique, voltou do exílio e prometeu ao povo “Pão, Paz e Terra”.

A primeira tentativa bolchevique de tomar o poder veio a fracassar (o que obrigou Lênin a esconder-se), mas o governo provisório se enfraqueceu ainda mais, pela insistência em manter a Rússia na guerra e pelos desentendimentos entre o novo primeiro-ministro, Kerenski, e o comandante-chefe do Exército, Larv G. Kornilov.

Outubro vermelho
Lênin liderou outra revolta contra o governo provisório, e os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno, assumindo o poder em 25 de outubro (7 de novembro no nosso calendário). Por isso, pode-se muito bem afirmar que a Revolução de Outubro foi, na verdade, um golpe de Estado. Os bolcheviques transferiram o controle das fábricas para os operários, proibiram o comércio particular e confiscaram as terras da Igreja e de todos que consideravam “contra-revolucionários”.

No dia 5 de dezembro (a partir de agora, usaremos apenas o nosso calendário), estabeleceu-se o cessar-fogo entre o Exércitos russo e o alemão. Em 3 de março de 1918, os bolcheviques assinaram Tratado de Brest-Litovsk, um acordo de paz em separado com a Alemanha (ou seja, a Rússia abandonava seus antigos aliados e saía da guerra antes do final do conflito). Em 10 de março, a capital se transferiu de Petrogrado para Moscou. Em julho, aprovou-se a nova Constituição.

Também em julho, Nicolau 2º, a esposa, os cinco filhos (quatro meninas e um menino), três empregados e o médico da família foram executados pela Tcheka, a polícia secreta bolchevique. O objetivo era afastar qualquer possibilidade de volta da monarquia, o que implicava eliminar também os herdeiros da família real. (Os comunicados oficiais informaram a execução do czar, mas ocultaram a da família, afirmando que a czarina e os filhos “estavam em local seguro”.)

Guerra Civil
No começo, a Revolução de Outubro foi recebida com apatia, mas as forças militares contra-revolucionárias começaram a articular-se em dezembro de 1917. Assim, iniciou-se uma guerra entre o “Exército Branco” (contra-revolucionário) e o “Exército Vermelho” (organizado por Trotsky, um dos principais líderes bolcheviques), assim chamado por causa das bandeiras vermelhas que, desde o século 19, simbolizavam o comunismo (algumas dessas bandeiras também traziam estampada a imagem de uma foice e um martelo, representando a união entre os trabalhadores do campo e das fábricas).

A guerra civil se entendeu por quase três anos. O Exército Branco recebeu apoio de potências estrangeiras (Inglaterra, EUA, Japão…) que temiam que a revolução se espalhasse pelo resto do mundo, mas acabou sendo derrotado pelo Exército Vermelho.

No final de 1921, Lênin foi afastado do poder, após um derrame que o deixou semiparalisado. (Ele morreria em 1924, e Petrogrado passaria a chamar-se Leningrado.) Em 1922, Stalin assumiu o cargo de secretário-geral do Partido Comunista; eram os primórdios do stalinismo, uma ditaduras mais cruéis do século 20.

URSS, ou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
O final do mesmo ano marcou o surgimento da União Soviética, ou, mais propriamente, da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). De início, ela era formada da Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia e Federação Transcaucasiana. Depois, foi acrescida de muitas outras “repúblicas” (na prática, estavam todas sob severo controle de Moscou e não tinham autonomia nenhuma).

O significado da Revolução Russa
De um lado, estão aqueles que consideram a Revolução Russa o acontecimento político mais importante do século 20, tendo levado ao nascimento da URSS, que veio a tornar-se uma superpotência militar, científica e tecnológica. Do outro lado, estão os críticos do regime instalado pela Revolução Russa, que se dividem em dois grupos: os que defendem o capitalismo e os que, mesmo sendo socialistas, condenam o tipo de socialismo implantado na URSS. Para os primeiros, o socialismo, tanto na teoria quanto na prática, é uma ameaça à democracia e à liberdade. Para os segundos, os soviéticos traíram e distorceram os ideais de um mundo justo e igualitário.

CRONOLOGIA

8 de março de 1917 – Dia internacional da mulher. As mulheres da periferia de Petrogrado realizam uma manifestação contra a fome no país.
9 de março – 200 mil operários entram em greve. O povo quer comida.
10 de março – Soldados vacilam na repressão. A agitação aumenta. a greve é geral em Petrogrado.
11 de março – Os soldados começam a aderir à revolução e formam-se os primeiros sovietes.
12 de março – Formação do soviete de deputados operários e soldados de Petrogrado. Criação do Comitê Executivo Provisório da Duma (Parlamento)
13 de março – Detenção de ex-ministros do czar. Negociações entre o Soviete e o Comitê Executivo da Duma para a criação de um governo provisório.
15 de março – Formação de um governo provisório sob a presidência do príncipe Lvov. o czar abdica em favor de Mikhail Romanov.
16 de março – Mikhail abdica. É o fim da dinastia Romanov.
30 de março – Primeira parada militar republicana. Funeral solene das vítimas da revolução.
8 de abril – Lênin volta à Rússia.
16 a 19 de julho – Manifestações de massa contra os problemas não resolvidos pelo novo governo. Kerensky controla a situação com o auxílio do exército.
20 de julho – Lênin foge para a Finlândia.
7 de setembro – O general Kornilov tenta um golpe de direita e fracassa, mas Kerensky está isolado à direita e à esquerda.
25 de outubro – Reunião clandestina do comitê central bolchevique. Lênin decide por uma insurreição armada. Cria-se a Guarda Vermelha que ocupa o Instuto Smólni.
4 de novembro – Reunião do Soviete de Petrogrado. Kerensky tenta sem sucesso afastar a guarnição e a frota que são a favor da insurreição.
6 de novembro – Lênin chega ao Instituto Smólni. Durante a noite, as gráficas, es edifícios públicos e as pontes são ocupadas pela Guarda Vermelha e pelos soldados partidários dos bolcheviques.
7 de novemvro – O Palácio de Inverno, sede do Governo, de onde Kerensky fugiu é bombardeado e tomado pelos bolcheviques.
8 de novembro – Lênin lê o decreto que dá terra aos camponeses. Entra em ação o 2o Congresso dos Sovietes.
9 de novembro – O Congresso dos Sovietes confirma o Conselho dos Comissários do Povo como novo Governo. Por enquanto, a Revolução só triunfou em Petrogrado.
11 de novembro – Na ausência de Lênin e Trotsky, que organizam as defesas da capital contra as tropas de Kerensky, o comitê central do partido bolchevique abre negociações para um governo de conciliação com os mencheviques e outros partidos, que exigem a demissão de Lênin e Trotsky.
14 de novembro – Lênin retoma o controle da situação.
15 de novembro – A revolução triunfa em Moscou depois de seis dias de batalhas. Promulga-se a “Declaração do Direito Nacional dos Povos” em que o novo governo se compromete a acabar com o domínio Russo sobre a Finlândia, a Geórgia e a Armênia.
2 de dezembro – Abertura das negociações de paz com os alemães em Brest-Litovsk.
11 de dezembro – Manifestações em Petrogrado a favor da Assembléia Constituinte, organizada pelos partidos não bolcheviques.
20 de dezembro – Criação da Tcheka: polícia política secreta com plenos poderes.
18 de janeiro de 1918 – Única sessão da Assembléia Constituinte, fechada pelos bolcheviques.
10 de fevereiro – Negociações suspensas em Brest-Litovsk. Os sovietes esperam em vão a revolução alemã.
15 de março – Rússia assina a paz com a Alemanha, fazendo grandes concessões .
Março de 18 a dezembro de 1920 – Guerra civil e intervenções armadas estrangeiras.

CÂNDIDO RONDON: UMA VIDA DE DEDICAÇÃO E AMOR

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No dia 05 de maio de 1865 nascia em Mato Grosso, na sesmaria do Morro Redondo um menino que mudaria a história de um Pais e como não dizer do mundo, esse menino era Cândido Mariano da Silva Rondon, esse garoto num futuro ainda distante se tornaria um grande herói, um humanitarista que lutaria pelos direitos de um povo até então rejeitado pela sociedade, devido pertencerem a uma raça diferente e que a sociedade desde tempos remotos já tinham ( e ainda nos dias de hoje ainda tem ) um conceito formado de que o índio era um preguiçoso, que não servia pra nada, eram povos bárbaros sem leis, sem deus, e sem rei, este era o conceito que as pessoas tinham dos indígenas, conceito este dado por Américo Vespúcio em uma de suas cartas endereçadas ao rei de Espanha, e esse conceito de que o índio é isso e aquilo foi passando de geração em geração e chegou até os dias atuais, como ainda existem muitos casos de preconceitos contra esse povo, e Rondon se levantaria para a defesa e proteção deste povo, ele mostraria que estes eram como qualquer um, o que mudava era apenas os seus modos de agir, Os costumes, além de muitas outras coisas.

De origem indígena por parte de seus bisavós maternos (Bororó e Terena) e bisavó paterna (Guaná), Rondon tornou-se órfão precocemente, tendo sido criado pelo avô e, depois de sua morte, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar: além dos estudos serem gratuitos, os alunos da escola recebiam desde que assentassem praça – soldo de sargento. Alistou-se no 2º Regimento de Artilharia a Cavalo em 1881. No ano de 1883 Rondon presta exames e com isso obtêm a matricula na escola militar da praia vermelha, no Rio de Janeiro, ele desde cedo era determinado, além de ser muito inteligente e interessado por seus estudos, pois o objetivo de tudo isso era seguir o pensamento de seu pai, de proteger a sua amada pátria, este pensamento o incitava a querer aprender mais e mais para assim conseguir obter seu objetivo.

No ano de 1886 alcança várias distinções nos exames, é nomeado então alferes-aluno e é encaminhado para à Escola Superior de Guerra. Em 1888, Rondon assume papel ativo no movimento para a proclamação da República como um dos “repúblicos” da rua Duque de Saxe. Desde então Rondon começa a demonstrar o seu lado humanista de lutar por aqueles que são rejeitados, humilhados,l utar pela defesa de sua pátria, é ai que começa a despontar o lado humanitário deste nosso herói.

Em 1889 é nomeado para ser ajudante da Comissão de construção das linhas Telegráficas de Cuiabá a Registro do Araguaia, parte então para trabalhar com Gomes Carneiro, a escolha foi porque Rondon era da região e também por que apresentava um currículo impecável e claro, por todo o preparo e determinação, com isso Rondon prossegue em sua viagem para levar as linhas telegráficas por toda aquela região, com essa viagem despontava ali o grande desbravador Rondon e com essa viagem começaria sua luta em prol da defesa de um grande povo. Essa viagem serviu para que aprendesse mais sobre o Brasil e também seus índios, palavras que seriam ditas pelo próprio Rondon anos mais tarde, mas foi com o mestre Gomes Carneiro que o jovem Rondon aprendeu a amar o índio e a entrar em contato com ele e poder adentrar pacificamente em suas terras.

No ano de 1892 Rondon se desliga totalmente da Escola superior com o titulo de engenheiro militar e diploma de bacharel em ciências físicas e naturais e sua patente militar agora era de segundo – tenente do estado Maior de 1ª classe, ainda neste mesmo ano o jovem Rondon se casa. Quando recomeçam nova fase de instalação de mais linhas telegráficas, Rondon novamente foi convocado, só que desta vez a pedido do próprio Gomes Carneiro, ele é convidado para adentrar em terras indígenas e realizar o trabalho sem conflitos com os diversos povos que habitavam a região.

Para o povo que habitavam aquelas terras estava certo quem era o dono e quem era os intrusos ou seja eles eram donos dali e os intrusos seriam essas pessoas que entrariam em suas terras sem sua permissão, e isso seria motivo de muita guerra, confrontos etc, mas Rondon e Gomes Carneiro a qualquer sinal de hostilidade sairiam prontamente sem fazer nada aqueles povos indígenas, pois para Rondon eles estavam sim em seus direitos, e foi graças à habilidade destes dois homens que as obras continuaram em frente, pois a capacidade que estes dois homens tinham de abrandar conflitos, contagiava a todos que os seguiam, e os índios desta maneira percebiam que ali haviam pessoas dispostas a cumprir uma meta sem que estas interferissem em suas vidas e foi desta maneira que foi aberto o caminho para as novas comunicações terrestres com a ligação das linhas telegráficas, a partir deste momento o Brasil estava se interligando, nesta época o lado humanista de Rondon já estava bem lapidada e o grande indígenista crescia com força e determinação.

Foram muitos os caminhos trilhados por Rondon após sua primeira experiência de instalação das linhas telegráficas. Em 1891 assumiu o cargo de professor da Escola Militar. Apesar de gostar da pacata vida de casado que estava levando, o espírito desbravador, aventureiro e humanista começava a se inquietar fazendo-o lembrar do lema “ bem servir à humanidade, servindo à pátria”. E novamente a convite de Gomes Carneiro, partiu em direção a terras inexploradas para instalar, trocar ou recuperar as linhas telegráficas. Nestas investidas pelo sertão, Rondon aproximava-se cada vez mais da realidade indígena. Tinha plena consciência de que estava adentrando não só na mata, mas na vida do índio. Percebeu que não tinha o direito de violar sua cultura, suas terras, suas crenças. Faria o trabalho a ele destinado, desde que fosse possível respeitar os verdadeiros donos das terras em que se embrenhava. Daí surgiu aquele que seria o seu princípio básico para com os índios: “ Morrer, se preciso for, matar nunca”.

Esse foi um lema criado por ele mesmo, e colocava em prática o que falava, durante todo o percurso de seu trabalho e de sua vida, jamais maltratou ou rejeitou algum desses povos, ao contrário à medida que se expandia as obras telegráficas, também crescia seu amor por esse povo, e esse amor foi crescendo a cada dia a tal ponto de querer lutar com todas as forças em favor destes indígenas, e ele lutou para que isso acontecesse no decorrer de toda sua vida, com isso conseguiu que os índios tivessem suas terras demarcadas e que recebessem proteção do estado, e ao mesmo tempo que lutava para a defesa da nação indígena levava também a ligação entre dois lugares distantes que agora seriam ligados pelo aparelho telegráfico. Quando o marechal Rondon pensou em interligar os estados brasileiros com o telégrafo, há oitenta anos, nem mesmo sua mente visionária poderia imaginar os avanços que seriam vividos pelas telecomunicações e, conseqüentemente, pela telefonia no País.

Poucos segmentos realizaram tanto em tão pouco tempo.

O setor foi privatizado há apenas seis anos, quando se estabeleceu o marco das mudanças. O desenvolvimento passou pelo campo tecnológico, com a telefonia automática e celular, da Internet e da mais atual novidade, a integração da comunicação voz e dados; mas também pelo acesso do serviço telefônico às populações mais pobres – um dos maiores fenômenos de inclusão social ocorridos nas últimas décadas no País. Rondon além de integrar o povo indígena à sociedade, também interligou uma parte do pais, e de lá pra cá todos os lugares receberam o meio na qual podiam se comunicar a distância, ou seja, Rondon foi também o grande patrono da telefonia do Brasil, teve ele uma vida voltada para o interesse da população brasileira e ainda mais do povo indígena. Rondon cumpriu essa missão abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, fazendo mapeamentos do terreno e principalmente estabelecendo relações cordiais com os índios.

Manteve contato com diversos povos indígenas, porém, sem nunca levar a morte ou o horror dos brancos a eles. O reconhecimento mundial da grandeza da vida e da obra de Rondon o levou a ser indicado por duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Foram muitas as contribuições de Rondon para o conhecimento etnográfico, lingüístico, geológico, zoológico e botânico do interior do Brasil. Em dez anos de expedições percorreu mais de 50.000 quilômetros lineares de terra e água. Mas, de todos os seus imensuráveis feitos, o amor e dedicação pelos povos indígenas foi o que o destacou como um grande humanista.

Incansável, ainda foi responsável pela criação do Parque Indígena do Xingu. Nem mesmo a cegueira provocada pelo glaucoma, nem mesmo o tempo implacável foi capaz de parar aquele que trilhou os caminhos do Brasil para fazer do país um lugar melhor e mais justo para todos. Em sua homenagem, o antigo território de Guaporé passa a se chamar Rondônia. Mas o que é inevitável um dia acontece e, aos 19 de janeiro de 1958, na cidade do Rio de Janeiro, o então Marechal Cândido da Silva Rondon deixa esta vida. Mas os seus feitos, seu amor e respeito às pessoas ficaram e permanecerão para sempre. Afinal, os heróis são mesmo imortais. Para finalizar deixo registrado neste trabalho de pesquisa um de seus grandes discursos baseados no positivismo, pois ele além de ser um grande Marechal, um grande homem, também era um grande positivista, e foi sob influência do positivismo que ele criou seu credo, eis aqui suas belíssimas palavras:

“Eu Creio:

Que o homem e o mundo são governados por leis naturais. Que a Ciência integrou o homem ao Universo, alargando a unidade constituída pela mulher, criando, assim, modesta e sublime: simpatia para com todos os seres de quem, como poverello, se sente irmão. Que a Ciência, estabelecendo a inateidade (sentimento nato) do amor, como a do egoísmo, deu ao homem a posse de si mesmo. E os meios de se transformar e de se aperfeiçoar. Que a Ciência, a Arte e a Indústria hão de transformar a Terra em Paraíso, para todos os homens, sem distinção de raças, crenças, nações – banido os espectros da guerra, da miséria, da moléstia. Que ao lado das forças egoístas – a serem reduzidas a meios de conservar o indivíduo e a espécie – existem no coração do homem tesouros de amor que a vida em sociedade sublimará cada vez mais. Nas leis da Sociologia, fundada por Augusto Comte, e por que a missão dos intelectuais é, sobretudo, o preparo das massas humanas: desfavorecidas, para que se elevem, para que se possam incorporar à Sociedade.
Que, sendo, incompatíveis às vezes os interesses da Ordem com os do Progresso, cumpre tudo ser resolvido à luz do Amor. Que a ordem material deve ser mantida, sobretudo por causa das mulheres, a melhor parte de todas as pátrias e das crianças, as pátrias do futuro. Que no estado de ansiedade atual, a solução é deixando o pensamento livre como a respiração, promover a Liga Religiosa:convergindo todos para o Amor, o Bem Comum, postas de lado as divergências que ficarão em cada um como questões de foro íntimo: sem perturbar a esplêndida unidade – que é a verdadeira felicidade.”

Cronologia

1865: Nascimento de Cândido Mariano da Silva Rondon, em Mimoso, Mato Grosso, Brasil.
1873: Após a morte de sua mãe, Rondon vai morar em Cuiabá com seu tio Manoel Rodrigues da Silva¹.
1881: Ingressa na Escola Militar do Rio de Janeiro.
1884: Matricula-se na Escola Militar da Praia Vermelha¹.
1885: Matricula-se em seu primeiro curso de matemática na Escola Militar e é introduzido no positivismo por Benjamin Constant¹.
1888: É promovido a alferes aluno. Matricula-se na recém-criada Escola Superior de Guerra¹.
1889, 15 de Novembro: participa na implantação da República.
1890: Forma-se bacharel em Ciências Físicas e Naturais na Escola Superior de Guerra; promovido a segundo-tenente de artilharia; professor de Astronomia, Mecânica Racional e Matemática Superior. É designado para a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia, chefiada pelo major Antônio Ernesto Gomes Carneiro. Uma semana depois, é promovido a primeiro-tenente do Estado-Maior por serviços prestados durante a proclamação da República¹.
1898: Torna-se membro da Igreja Positivista no Rio de Janeiro¹.
1900: É nomeado chefe da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas no Estado de Mato Grosso¹.
1901: Pacifica os índios Bororo.
1906: Estabelece as ligações telegráficas de Corumbá e Cuiabá com o Paraguai e a Bolívia
1907: O presidente Afonso Pena nomeia Rondon chefe da Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso aoa Amazonas (CLTEMTA) e o incumbe de construir uma linha telegráfica entre Cuiabá e Santo Antonio do Madeira (Porto Velho). Nasce sua filha Maria de Molina, no Rio de Janeiro, quando ele prepara sua primeira expedição ao rio Juruena. Ele só vê a filha pela primeira vez dezoito meses depois¹.Pacifica os índios Nhambiquara.
1910: Criação do Serviço de Proteção aos Índios, tendo Rondon como diretor¹. Criação do escritório central da CLTEMTA.
1911: Pacificação dos Botocudo, do Vale do Rio Doce (entre Minas Gerais e Espírito Santo).
1912: Promoção de Rondon a coronel de engenharia. Pacificação dos Kaingáng, de São Paulo.
1913: Em outubro, enquanto coordenava a construção do telégrafo no noroeste do Brasil, Rondon recebe telegrama ordenando sua ida ao Rio de Janeiro para deliberar, com os ministros da Guerra, da Viação e do Exterior, sobre uma expedição conjunta à Amazônia com Theodore Roosevelt. Rondon propõe descerem o rio da Dúvida para mapear seu curso.
1914: Início, em 21 de janeiro, em Tapirapuã, MT, da Expedição Científica Rondon-Roosevelt. Membros da expedição encontram os primeiros seringueiros às margens do rio em 15 de abril. A expedição termina em 26 de abril na confluência dos rios Aripuanã e Dúvida¹. Pacificação dos Xokleng, de Sta. Catarina; recebe o Prémio Livingstone, concedido pela Sociedade de Geografia de Nova Iorque.
1918: Pacificação dos Umotina, dos rios Sepotuba e Paraguai; começa a levantar a Carta de Mato Grosso.
1919: É nomeado Diretor de Engenharia do Exército.
1922: Pacificação dos Parintintim, do rio Madeira.
1927: Inspecciona toda a fronteira brasileira desde as Guianas à Argentina
1928: Pacificação dos Urubu, do vale do rio Gurupi, entre o Pará e o Maranhão.
1930: Revolução no Brasil; Getúlio Vargas, o novo presidente, hostiliza Rondon que, para evitar perseguições ao Serviço de Protecção aos Índios, logo se demite da sua direção.
1930: Termina a terceira e última inspeção da fronteiras internacionais. Retornando dessa inspeção, Rondon recusa-se a apoiar a Revolução de 30 e é preso em Porto Alegre pelo capitão Góis Monteiro. Rondon requer a reforma e é libertado da prisão. É autorizado a retomar os trabalhos com os mapas e relatório da Comissão de Inspeção de Fronteiras.
1938: Promove a paz entre a Colômbia e o Peru que disputavam o território de Letícia.
1939: Reassume a direção do Serviço de Protecção aos Índios.
1946: Pacificação dos Xavante, do vale do rio das Mortes.
1952: Rondon apresenta ao presidente da República o projeto de criação do Parque Indígena do Xingu¹.
1953: Sob a inspiração direta de Rondon, Darcy Ribeiro funda o Museu Nacional do Índio. Cândido Rondon participa da inauguração¹.
1955: O Congresso Nacional brasileiro promove-o a Marechal do Exército Brasileiro.
Em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de Rondônia, em 1981 elevado a estado.
Em 1957 foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer’s Club, de Nova York.
1958: Morte de Cândido Rondon, no Rio de Janeiro, aos 92 anos.

BIBLIOGRAFIA

DIÁRIOS ASSOCIADOS. Informativo – Rondon : a luta pela integração nacional e a causa indígena. Fundação Assis Chateaubriand . 2009
PAIVA LOPES, Carlos de. Artigo – Na trilha do Marechal Rondon. Associação Brasileira das Prestadoras do Serviço Telefônico Fixo Comutado.
CONTACTA. Artigo – Marechal Rondon: Patrono das Telecomunicações no Brasil.São Paulo.

QUALIDADE DE VIDA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER

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O LÚDICO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CANCER.

RESUMO

Essa pesquisa foi realizada na Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI) e teve como objetivo analisar como a ludicidade pode minimizar os efeitos das enfermidades causadas pelo câncer em crianças e adolescentes, e a relevância do professor de Educação Física, como mediador, junto a uma equipe multidisciplinar. Para realização da coleta de dados e análises, desenvolvemos um plano interventivo de atividades, utilizando jogos, brincadeiras, músicas, danças, festas, dinâmicas de grupos, teatro e contação de histórias, para provocar momentos de ludicidade, envolvendo os pesquisados. Quanto à metodologia é uma pesquisa de caráter descritivo e explicativo, como procedimentos técnicos trabalhamos com relato de experiência em aproximação a uma pesquisa-ação, onde as ações são planejadas envolvendo os pesquisadores e os pesquisados no processo. Os instrumentos utilizados para os registros da pesquisa contam com: observações sistemáticas, entrevistas, fotografias e depoimentos.

Mesmo sendo um público com risco de morte eminente, e ainda reconhecendo o câncer como uma doença crônica, oportunizamos a essas crianças e adolescentes experimentarem sua humanidade, explorando suas emoções e influindo assim na sua qualidade de vida. As análises ocorreram mediante os depoimentos dos pesquisados e seus acompanhantes, as observações, e o envolvimento dos pesquisado. Concluímos que o trabalho sistematizado e estruturado realizado pelos educadores físicos pode promover uma melhora significativa na qualidade de vida dos pesquisados, no que se refere à humanização. Por outro lado, nos damos conta de que o trabalho do professor de Educação Física vai além dos muros escolares, academias ou treinar uma equipe desportiva.

Palavras chave: LÚDICO, QUALIDADE DE VIDA, CÂNCER

ABSTRACT

This research was made at “Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI)” and had as its goal to analyze how games and leisure activities can minimize the effects of diseases caused by cancer in children and teenagers, and the relevance of the Physical Education teacher , as a mediator, together with a multidisciplinary team. In order to collect and analyze the data, we developed a interventive plan of activities using games, music, dances, parties, group activities, theater and story telling to provoke moments of happiness involving the children. As far as methodology is concerned, this research is self-explanatory and descriptive. As technical procedures we made use of experience accountability linked to an “action-research”, in which our actions were planned involving the researchers and their subjects in the process. We registered our research with: systematic observations, interviews, photographs and testimonials.

Even though the object of this research was in the risk of dying, and aware of the cancer as a chronic disease, we gave them the chance to experiment human feelings, exploring their emotions and improving their quality of life. These analyses took place on the children and their companions’ statements, observations and how they got involved in these activities. We concluded that a well structured and systematized work done by Physical Education teachers can promote meaningful improvements in the quality of life of these children and adolescents, as far as humanization is concerned. On the other hand, we also concluded that the Physical Education teacher’s duties go far beyond schools, gyms or training a sports team.

Key Words: Ludic, Quality of life, Cancer.

SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO
2 – REVISÃO DE LITERATURA
2.1 – QUALIDADE DE VIDA
2.2 – ATIVIDADE LÚDICA E O SER HUMANO
2.3 – O CÂNCER
2.3.1 – O CÂNCER INFANTIL
2.4 – VIVÊNCIA LÚDICA COMO PROPOSTA PARA MINIMIZAÇÃO DOS EFEITOS DO CANCER EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
2.4.1 – O PAPEL MEDIADOR DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FISICA COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CANCER: UM NOVO DESAFIO
2.5 – EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENÁRIO DA SAÚDE
3 – OBJETIVO
3.1 – OBJETIVO GERAL
3.2 – OBJETIVO ESPECÍFICO
4 – METODOLOGIA
5 – RESULTADO, ANÁLISE E DISCURSÃO DE DADOS
6 – CONCLUSÃO
7 – REFERÊNCIAS
8 – ANEXOS

1 – INTRODUÇÃO

O câncer de acordo com dados do Ministério da Saúde, o câncer é a terceira causa de morte entre criança/adolescente com menos de 15 anos. Considerada uma doença crônica, leva a esse grupo e seus familiares (mudanças na dinâmica familiar, perda do trabalho, sentimento de perda e sentimento de culpa), a uma exposição constante ao estresse, a necessidade de visitas regulares ao hospital, gerando assim nessa esfera, por conseqüência muitos prejuízos a criança e do adolescente na sua totalidade humana. Pedrosa afirma.

Observa-se que, além das dificuldades que a própria doença traz, as condições de hospitalização podem afetar a totalidade da criança, de forma que os seus desenvolvimento físico, emocional e intelectual fiquem comprometidos (PEDROSA et al.,2007, p.?)

Nesse sentindo, podemos enumerar como prejuízos: a dor psicológica – da separação dos amigos, dos familiares, dos brinquedos, da professora de escola, dos animais de estimação; a dor fisiologia – vômitos, alopecia, feridas na boca, perda de peso, náuseas, deficiência do sistema imunológico, dores musculares, hematomas; a dor anatômica – ocorrendo uma desconfiguração na sua aparência, mutilações e como um caso que vivenciamos na ACACCI a cegueira) e outros efeitos resultantes do tratamento dessa patologia. Sendo assim, o período de sua infância passa a ser diferente de uma infância de uma criança saudável. E conforme veremos ainda nessa pesquisa, crianças e adolescentes por conseqüência de toda essa mudança, acabam acarretando sentimentos como raiva, depressão, medo, insegurança e revolta.

Dentre vários fatores adversos existentes nessa patologia, surge à necessidade de um tratamento mais humano, capaz de olhar para o paciente como um todo em sua essência, aquele que precisa experimentar mesmo em risco de morte eminente a sua humanidade, onde entram, neste sentindo, o carinho, o prazer, o respeito, atenção, amor, compreensão, alegria, condições para enfrentamento do medo e das ansiedades, reduzindo dessa forma o sofrimento.

Para usufruir e vivenciar esses sentimentos, sugerimos nas atividades lúdicas uma fonte significativa para essa exploração. Dessa forma, a proposta da nossa pesquisa foi verificar quais reações teríamos no processo de melhora para os pacientes de neoplasia quando manifestada essas atividades.

O Lúdico, quanto à definição, é uma palavra pouco esclarecedora, mas de caráter abrangente enquanto manifestação, não se resumindo a um só elemento, como citado por Santin.

Não há como insistir em querer formar uma compreensão inteligível de ludicidade, porque ela a empobrece e talvez, a negue. A ludicidade pode ser vista em seus horizontes, quando ela se levanta e se poe antes e depois de criado e desfeito o planeta do brinquedo na fantasia de seu criador que brinca (SANTIN, 1993, p. 28).

A pesquisa apresentada, também aponta a importância do professor de Educação Física como um mediador junto a uma equipe multidisciplinar de saúde, promovendo atividades sistematizadas que irão contribuir para a promoção da saúde a crianças e adolescentes com câncer da Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI).

Mediante essa reflexão, chegamos à seguinte pergunta: Como a atividade lúdica, assistida e orientada por um professor de Educação Física, pode auxiliar para a promoção de uma qualidade de vida melhor a crianças e adolescentes com neoplasia.

Nossa hipótese vai ao encontro com a idéia de que através da intervenção do professor de Educação Física crianças e adolescentes experimentem e explorem emoções como a alegria, energia, vitalidade, o prazer e o bem-estar. E também compartilhem experiências, festas, jogos e brinquedos, enfim, mergulhar nos elementos lúdicos e seus benefícios como um processo potencializador na recuperação e adaptação de crianças e adolescentes com neoplasia. Influenciando de forma positiva na vida desses sujeitos como um minimizador dos efeitos negativos dessa patologia, oferecendo consequentemente qualidade de vida para o paciente.

A formação acadêmica que um aluno de Educação Física recebe tem atribuições maiores que somente treinar uma equipe desportiva ou dar aulas de Educação Física no âmbito escolar e, a partir dessa afirmação, a justificativa dessa pesquisa é inserir o educador físico como mediador de uma equipe multidisciplinar de saúde que busque resultados para o tratamento de uma determinada patologia.

Toda a pesquisa foi aplicada na Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI), essa instituição surgiu com um projeto no dia 15 de março de 1988, com o objetivo de fazer um trabalho assistencial à criança e adolescente com câncer e suas respectivas famílias (famílias essas, que em sua maioria são oriundas do interior do Espírito Santo ou até dos estados vizinhos. Como geralmente as famílias não têm nenhum parente que resida próximo ao hospital e não tendo condições para manter os custos da doença, como passagem, alimentação, moradia e outras despesas, elas são indicadas pelos próprios médicos para os serviços gratuitos oferecidos pela ACACCI) em tratamento oncológico no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG) dando suporte necessário para a efetivação do tratamento. Na ACACCI são prestados serviços como alimentação, deslocamento, hospedagem, assistência material e financeira às famílias de baixa renda para aquisição de medicamentos, fraldas descartáveis.

Na ACACCI, as crianças/adolescentes são juntamente acolhidas com seus acompanhantes que hospedam o tempo que for necessário para o tratamento. A Casa da Família conta com uma ótima estrutura física e adaptada para os pacientes. Possui 03 pavimentos, no qual o terceiro encontra-se os quartos (que acolhem 03 famílias no máximo para cada quarto) e uma sala de TV.

No segundo pavimento há a disposição de mais quartos, a brinquedoteca, que foi muito bem planejada, organizada e estruturada, sendo a mesma dividida em área para adolescentes contendo mesa de totó, sinuca, videoke e computador. Na outra área, a infantil, podemos contar com brinquedos e jogos diversos para todas as faixas etárias, televisão, vídeo, mini-palco, área de pintura e outros. Ainda nesse mesmo pavimento encontra-se a sala de música, biblioteca e a capela.

E por fim, no primeiro pavimento encontramos o refeitório (com um amplo salão onde acontecem os eventos maiores), sala de visita, sala de administração da casa, almoxarifado, lavanderia, mini-parque. Tendo como objetivo acolher essas famílias, a ACACCI conta com a colaboração de voluntários para desenvolver suas atividades como recreação, artes, educação e outros.

Para a obtenção de recursos, a Associação conta com os colaboradores fixos e serviço de tele marketing; desenvolve campanhas como selo Compromisso com a Criança (selo adquirido pelas empresas), eventos como Campanha McDia Feliz, bazar e doações esporádicas de brinquedos, roupas, dinheiro, material escolar e outros.

A Instituição também recebe apoio de Prefeituras Municipais, Conselhos Tutelares, Ministério Público Estadual, Juizados da Infância e Juventude e do Programa Saúde da Família do Ministério da Saúde.

2 – REVISÃO DE LITERATURA

2.1 – QUALIDADE PARA A VIDA

Kluthcovsky e Takayangui (2007) através do seu artigo Qualidade de Vida, diz que a OMS (Organização Mundial da Saúde) abrange 03 aspectos necessários e fundamentais referente à sua conceituação sobre qualidade de vida, que são “a subjetividade (numa perspectiva individualizada), a multidimensional (idade, físicas, psicológica e social) e a bipolaridade (positiva como mobilidade e negativa como a dor).

Mas nem sempre aconteceu de forma tão abrangente o conceito de qualidade de vida como temos na atualidade. A única coisa que temos como certa e de consenso é que conceituar qualidade de vida não é tarefa fácil, e várias ciências estudam o conceito. As primeiras controvérsias desse assunto aparecem até mesmo em que data essa nomenclatura surgiu, se foi com Pigou em 1920 (onde sua preocupação estava nas classes menos favorecidas, mas não obteve muita aceitação), Johnson em 1964, presidente dos EUA na época, e dentre várias literaturas citam o aparecimento em outros momentos.

Kluthcovsky e Takayangui (2007) relatam-nos que, após a segunda guerra mundial, “qualidade de vida” passou a ser utilizada apenas associada ao simples fator de padrão de vida, relacionado a status, referindo-se a questões econômicas; porém, observou-se a necessidade de uma amplitude do seu conceito, agregando ai outros valores como o lazer, educação, saúde, bem estar.

Hoje outras abordagens já fazem parte também desse conceito, entraram então sentimentos e emoções como felicidade e liberdade, perceberam assim, a necessidade de abraçar o homem na sua totalidade humana, dando-lhe qualidade para a sua vida, seja no aspecto emocional, saúde, relação humana e outros e ainda como ressaltado nesse mesmo artigo, qualidade de vida esta interligada na esfera social, seja no aspecto cultural, econômico ou político e por fim, concluem que a qualidade de vida esta ligada a dimensão interdisciplinar.

Seidl e Zannon (2004) também citam que qualidade de vida é assunto para diversas áreas e, sob aspecto de saúde, devido à complexibilidade e necessidade desse tema, perceberam que a saúde pública precisa de emergir e tem emergido gradativamente, e de forma ainda mais abrangente, incluindo os aspectos políticos, econômicos e sociais (confirmando até mesmo no artigo citado anteriormente), vendo o homem não apenas como um doente, mas um homem inserido na sociedade, e que necessita de recursos para a obtenção e manutenção da saúde.

Abrindo mais o legue para o termo qualidade de vida, Nucci (2003) faz um passeio sobre a conceituação passando por sob uma visão história, filosófica e de saúde. Logo em seus primeiros escritos, lança para o leitor algumas perguntas e questionamentos fazendo uma critica a mídia sobre a falta de objetividade e reducionismo do abrangente significado desse termo. Sob um enfoque histórico, Nucci (2003) continua a nos dizer que Aristóteles, por exemplo, preconizava a “boa vida” (qualidade de vida) integrando virtudes, o bem maior e o bem supremo, indo ao encontro com o que já refletimos sobre a vida propriamente humana ou a vida espiritual. Continua a autora mencionando ainda que no Oriente, como a China, citado como exemplo, entende-se que qualidade de vida é um equilíbrio entre aquilo que está em constante mudança e aquilo que é estável, dessa forma tem a possibilidade de atingir a riqueza e plenitude da vida.

É sabido que o conceito de qualidade é muito abrangente, podendo ser entendido sobre algumas visões de diferentes modos, para o senso comum, por exemplo, qualidade de vida é ter bens materiais, ou uma realização profissional, é conseguir o seu sustento, e ainda tem aqueles que acreditam que é o relacionamento humano, e para outros é a ausência da doença.

Em se tratando de saúde e qualidade de vida, com os avanços das ciências médicas, a expectativa de vida para os pacientes com doenças até mesmo crônicas – como é o caso do câncer – tem aumentado, mas perceberam a necessidade de não somente prolongar a vida, mas sim a de, como objetivo principal, “acrescentar vida aos anos”, ou seja, mesmo em situação de morte eminente, devem oferecer para essa população qualidade para sua vida, isso inclui medidas de saúde pública para readaptar o individuo na sua realidade.

Segundo Hoerni (apud NUCCI, 2003, p.45), para um paciente com câncer, reflete as condições de uma qualidade de vida “[…] antes, durante e pós-doença, envolvendo a integridade anatômica e funcionalidade entre os planos físicos e mentais”. Já Kivács (apud NUCCI, 2003, p.45), nos diz sobre os efeitos de planejamento através de uma intervenção psicossocial.

Kligerman (1999) diz que os parâmetros biomédicos estão preocupados em diminuir o tumor, intervalo livre de doença e toxicidade, mas que é importante indicar terapias alternativas para melhorar a qualidade de vida do paciente, até mesmo apoiando assim as decisões médicas.

Vale abrir um parêntese sobre a necessidade dos governos de desenvolverem políticas públicas para os cuidados necessários com o paciente portador de uma doença crônica, inclusive em seu contexto social. Por exemplo, no caso aqui estudado, nos intervalos dos tratamentos, muitos pacientes voltam para suas casas, mas a realidade financeira muitas vezes pode dificultar a continuidade do tratamento, como a possibilidade de manter uma alimentação pertinente, o local que esse paciente repousa, condições de moradia, a falta de conhecimento dos acompanhantes em relação à doença, os meios de transportes que o paciente utiliza e outras. Não é utopia abraçar o homem nesse aspecto, mas sim uma necessidade do sujeito para o bom resultado, influenciando assim de forma significativa para o tratamento do câncer e, consequentemente, na qualidade de vida do paciente.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) os pacientes com o tumor têm alguns benefícios decorrentes das doenças, mas por vezes esses são desconhecidos, seja por falta de conhecimento ou divulgação, abaixo citamos alguns deles.

1 Amparo assistencial ao idoso e ao deficiente (Lei orgânica de assistência social)
2 Aposentadoria por invalidez
3 Isenção de imposto de renda na aposentadoria
4 Auxilio doença
5 Isenção de ICMS na compra de veículos adaptados
6 Isenção de IPI na compra de veículos adaptados
7 Isenção de IPVA para veículos adaptados
8 Quitação do financiamento da casa própria
9 Saque do FGTS
10 Saque do PIS
11 Passe livre

É necessário saber desses direitos para poder usufruí-los e, até mesmo para dar uma melhor qualidade de vida para o paciente, mas conforme já mencionado, acrescentar qualidade na vida é muito mais abrangente do que os direitos citados, são necessárias medidas de intervenção psicológica, social, educativa, lazer, econômica, política e outras.

2.2 – ATIVIDADE LÚDICA E O SER HUMANO

O lúdico

O principal objetivo dessa pesquisa não é analisar o lúdico enquanto conceituação, até mesmo porque, quanto à definição, é uma palavra pouco esclarecedora. Mas, o principal objetivo, é estudar enquanto manifestação, pois isso ocorre de forma abrangente, não se resumindo a um só elemento, e como citado por Santin (1996).

A tarefa de definir ou conceituar a ludicidade torna-se inviável porque não existem atividades especificas de brincar, não há o mundo do brinquedo como algo definitivamente dado. Além disso, o brinquedo não é um objeto, uma realidade manipulável, separável da ação de brincar. Brincar significa gerar a ludicidade pra criar o universo do brinquedo. Portanto, o mundo lúdico não está em algum lugar, não é uma instituição, não é uma atividade e não é real. Entretanto, ele pode acontecer a qualquer momento, a qualquer hora, em qualquer circunstância e em qualquer lugar desde que, simplesmente alguém decida querer brincar […] (SANTIN, 1996, p.28).

Santin descreve-nos que é inviável conceituar a ludicidade, porque transcende a materialidade, espacialidade e temporalidade; é uma ação que a qualquer momento pode acontecer, não tem hora e nem data marcada, simplesmente ela existe a partir do momento que ocorre uma vontade, e quando manifestada em nosso meio pode ser vista como uma coisa ridicularizada, como diz a lei da física “toda ação tem uma reação” e a reação de uma pessoa quando brinca é totalmente imprevisível, é espontâneo, é livre, é emotiva, pode parecer para quem não esta participando dessa atividade uma loucura, uma infantilidade, uma pessoa desocupada.

Santin (1996) nos diz ainda de forma filosófica e poética sobre a ludicidade.

Sim, a ludicidade é fantasia, imaginação e sonhos, que se constroem como um labirinto de teias urdidas com materiais simbólicos. A ludicidade é uma tecitura simbólica fecundada, gestada e gerada pela criatividade simbolizadora da imaginação de cada um. Brincar acima de tudo é exercer o poder criativo do imaginário humano construindo um universo, do qual o criador ocupa o lugar central, através de simbolismo original e inspirado no universo real de quem brinca. Os mundos fantasiosos do brinquedo revelam a fertilidade inesgotável de simbolizar do impulso lúdico que habita o imaginário humano (SANTIN, 1996, p.29)

A ludicidade trás consigo uma junção de valores individuais e particulares para cada indivíduo que a pratica, são experimentadas muitas sensações, até mesmo as frustradas, mas que além de tudo nos ensina a viver, perceber que nem sempre ganhamos, nem sempre trazemos a verdade, mas que podemos nos superar, repensar e recomeçar. O brincar nos leva a experimentar o corpo em “todas as nuances que compõem a melodia da vida” (SANTIN, 1996, p.33). E o que vivenciamos na nossa humanidade, é que nem sempre na formação dos acordes da vida as notas estão todas afinadas, mas mesmo assim é necessário gozar da existência, usufruir toda corporeidade.

Várias são as tentativas de conceituar a palavra lúdico, mas, antes de mais nada, antes desse limitar-se o lúdico ao simples fato de uma conceituação, é necessário ir além e experimentar e mergulhar nos efeitos da ludicidade para uma promoção de qualidade de vida para o ser humano.

É no brincar, e somente no brincar que o individuo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral. E é, somente sendo criativo que o individuo descobre o seu “eu” (WINNICOTT, 1975, p. 80).

Winnicott (1975) nos chama a atenção sobre a necessidade do brincar para uma descoberta do próprio ser, e isso de forma integral, ou seja, o individuo na sua totalidade humana, sem fragmentos, seja com ele mesmo ou com outrem, assim convidando a todo o individuo a experimentar dessa alegria, sem fazer qualquer tipo de exclusão, chama homens e mulheres, crianças e idosos para partilharem da mesma busca.

O que vivenciamos é um mundo imediatista, individualista e produtivista (materialista), com muita hora marcada, com muitas regras, dominações e repressão, exigindo que tudo aconteça de forma muito rápida (SANTIN, 1996). Estamos tão ligados nessa questão da produtividade, que o ser humano criou a necessidade de que as coisas têm que acontecer de forma quase instantâneas, e isso acaba afetando em outras áreas da vida. Exemplo dessa “pressa” humana, são algumas situações que temos como: comidas pré-preparadas, informações transmitidas via e-mail, a exigência da rapidez da própria imagem corporal – bastam algumas cirurgias que já estamos prontos, estamos em plena forma – e claro não podendo esquecer das substancias que o mercado oferece para a modelagem do corpo, o que uma pessoa iria passar por uma periodização na academia ela simplesmente pode fazer isso de forma mais rápida, mesmo sabendo do risco de prejudicar sua própria saúde.

Ressaltamos aqui, que todo avanço tecnológico tem seu espaço e sua importância, o grande problema é saber como utilizar de seus benefícios para o ser humano.

A herança que esse imediatismo deixa para o homem é a falta de tempo, com isso o ser humano esquece de fazer uma coisa simples e essencial que é o de viver e não apenas sobreviver, isso pode o torna uma pessoa mais séria, e o prejudica de aproveitar à vida de forma prazerosa e não apenas como cita Santin (1996) “parece que o homem da ciência e da técnica perdeu a felicidade e a alegria de viver, perdeu a capacidade de brincar, perdeu a fertilidade da fantasia, da imaginação guiada pelo impulso lúdico” (SANTIN, 1996, p.23). Esquecemos muitas vezes que brincar é fundamental para a saúde física, psíquica, mental e social, e com isso um indivíduo que perde essas capacidades e ignora tais importâncias desses aspectos, consequentemente acaba gerando alguns agravantes como cansaço, estresse e até mesmo doenças.

Sob os aspectos fisiológicos, o riso segundo Cardoso (S/D), ativa o sistema cardiovascular, elevando a freqüência cardíaca e a pressão arterial, dilatando as artérias tendo como resultado uma queda na pressão, aumentam o fluxo sanguíneo nos órgãos devido às contrações fortes e repetidas dos músculos das paredes do tórax, do abdômen e diafragma. Ainda segundo Cardoso, pessoas que sofrem de raiva, depressão e frustrações, alteram a sua função fisiológica para a negatividade, o contrário acontece no riso e o humor, onde “diminuem o estresse e ansiedade, reforça a imunidade, relaxa a tensão muscular e diminuem a dor”, no sistema imunológico, o riso auxilia a aumentar a quantidade de células que ajudam contra infecção (células T no sangue).

O brincar segundo Schwartz (2004), vem de encontro a esse mundo imediatista, quando o homem brinca se torna uma extensão desse mundo, torna-se um representante máximo, sem regras de dominação, sem produtividade econômica, sem limites e sem controle.

A autora acima salienta ainda a importância do brincar, fazendo uma comparação do lúdico com uma obra de arte “[…] Assim é a construção de uma obra de arte, ora não temos tempo para isso, diria o intelectual mal avisado!” (SCHWARTZ, 2004, p. 75).

Marinho (in: SHWARTZ, 2004) menciona que o brincar é direito do homem para a vida inteira, mas o que nos deparamos na sociedade é que esse direito está restrito apenas para as crianças, ao homem adulto cabe somente o direto de produzir e reproduzir, novamente entra a questão das regras e dominações, isso levando a acreditar que o trabalho ou outras coisas são as mais importantes.

O homem, por vez, esquece que ele pode agregar a ludicidade na sua rotina de vida até mesmo para uma valorização do próprio corpo, aquele que tem que experimentar sensações de prazer, alegria, liberdade, bem estar, uma vez que isso influencia de forma significativa na sua qualidade de vida, contribuindo para suas próprias necessidades existenciais. A essência lúdica não esta restrita somente a diversão, assim como diz Marinho (apud SHWARTZ, 2004) atividade lúdica é muito mais que tudo isso, é, por si só, um ato de “rompimento”.

O lúdico além de sua relação de conhecimento humano do próprio ser, traz consigo uma esfera de relacionamento inter-pessoal, aquele que é capaz de interagir com o meio, ativando a criatividade, a liberdade, estimulando o contato humano, aguçando nossos sentidos de tocar, ouvir, falar, ver, lembrando-nos da importância de respeitar o limite do próximo e de todo o ambiente.

Huizinga (apud SANTIN, 1996, p.13) diz ainda que é através e pelo jogo (uma das possibilidades do conteúdo lúdico) que a sociedade emerge e se desenvolve. Destacando ainda, a importância do lúdico para o homem ao utilizar a expressão Homo Ludens talvez no mesmo nível de Homo Sapiens, teria então um lugar especial na nossa nomenclatura.

É interessante ressaltar que, através de estudos desse mundo tão fascinante que envolve o lúdico, podemos aceita-lo até mesmo como uma questão filosófica. Porém, Santin analisa as posições de estudo e questiona se a filosofia e as ciências em geral conseguiriam tratar o lúdico sem descaracterizá-lo “enquadrando nos moldes da racionalidade” (SANTIN,1996, p.14)

2.3 – O CÂNCER

O câncer, tumor ou neoplasia são palavras utilizadas para descrever um grupo muito grande de doenças, caracterizadas por células aberrantes e descontroladas do nosso organismo. A palavra neoplasia (neo = novo, plasia=crescimento) indica que houve um crescimento inesperado ou não programado de célula (RIBEIRO e BARALDI, 1991)

Goldman e Ausiello dizem que:

Sob o aspecto celular, as células tumorais podem ser caracterizadas por um crescimento descontrolado, tanto pelo aumento dos sinais de crescimento, como pela perda dos pontos de freios normais, pela ultrapassagem da senilidade ou da morte celular programada, e pela incapacidade de reparar lesões do DNA e erros de replicação que levam a instabilidade genética (GOLDMAN E AUSIELLO, 2005, p.1282)

As células são partes microscópicas vitais que formam nosso corpo. Estas compõem o cabelo, a pele, o sangue, e outros tecidos do organismo. Toda a produção e até mesmo a eliminação das células ocorrem de forma bem controladas, porém o câncer é exatamente o descontrole, comprometendo o funcionamento das células normais e interferindo no funcionamento do organismo, e se não houver o combate dessas células anormais, consequentemente elas destruirão nosso corpo. (RIBEIRO e BARALDI, 1991)

Ribeiro e Baraldi (1991) dizem que a neoplasia pode ser classificada em dois tipos:

* Benigno = o tumor só se desenvolve em um determinado local, não invadindo outros lugares do nosso corpo.
* Maligno = o tumor dissemina-se para outras partes do corpo e formam novos tumores (esse processo denomina-se metástase)

Fatores como causas do câncer.

Os fatores de risco de neoplasias segundo Goldman e Ausiello (2005), são tabaco, álcool (que causam tumores epidermóides da cavidade oral, faringe, esôfago e laringe), riscos ocupacionais, poluição ambiental (na água e no ar, foram identificados cancinórgenos), agentes medicinais, radiação, dieta e nutrição, agentes infecciosos e suscetibilidade genética.

Goldman e Ausiello (2005) relatam que as ciências relacionadas às oncogêneses estavam voltadas para a compreensão dos mecanismos moleculares e suas aplicações no tratamento clínico (p. 1290), porém com os avanços tecnológicos e preocupação com incidência do câncer, perceberam que eram necessárias medidas no nível de saúde pública, ou seja, para o combate e prevenção do câncer são importantes medidas e esforços em conjuntos.

2.3.1 – Câncer infantil

O câncer infantil é diferente em relação à incidência dos adultos, acredita-se que para esse, o surgimento seja combinações de alterações no meio ambiente junto com uma predisposição genética. Segundo o INCA existem particularidades do câncer infantil, como, por exemplo, a probabilidade de cura é de 70% se diagnosticadas precocemente e com tratamento especializado.

Ainda segundo o INCA, os tipos mais comuns de neoplasia infantil são: leucemia (glóbulos brancos), tumores do sistema nervoso central e linfoma (sistema linfático). Também acomete crianças o neuroblastoma (tumor de gânglios simpáticos), tumor de Wilms (tumor renal), retinoblastoma (tumor da retina do olho), tumor germinativo (tumor das células que darão origem às gônadas), osteossarcoma (tumor ósseo), sarcomas (tumores de partes moles).

É muito importante estar atento a algumas formas de apresentação dos tumores da infância.

• Nas leucemias (70% dos casos de câncer infantil): pela invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna suscetível a infecções, apresenta palidez, tem sangramento e sente dor óssea.
• No retinoblastoma: um sinal importante de manifestação é o chamado “reflexo do olho do gato”, embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, através de fotofobia ou estrabismo. Geralmente acomete crianças antes dos três anos de idade.
• O Tumor de Wilms e o neuroblastoma podem apresentar-se como uma massa palpável no abdome, muitas vezes, notadas pelos próprios pais.

Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, podendo ser visível e causar dor nos membros, sintoma, por exemplo, freqüente no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes.

• Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dor de cabeça, vômitos, alterações motoras, alterações cognitivas e paralisia de nervos.

Assim como nos adultos, o tratamento do câncer infantil está baseado em três modalidades: A cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e em algumas situações nas combinações das três.

Conforme Ribeiro e Baraldi (1991) as formas de tratamento são.

? Cirurgia

O médico cirurgião, nesse caso, tenta extirpar todo ou pelo menos parte do câncer. A dificuldade se encontra, por vezes, na localização, pois o tumor está tão aderido às partes normais, que acaba, por não ter alternativa, retirando também tecido normal. A conseqüência dessa ação poderá ocasionar uma limitação definitiva, como impossibilidade de correr jogar futebol, pular corda, sendo necessário um longo período de recuperação, para cicatrizar o local onde o tumor foi removido.

? Quimioterapia

Esse tratamento é feito com drogas especiais que destroem as células cancerosas. Podem ser administrado por via endovenosa, intramuscular, ou via oral, chegando à corrente sanguínea para combater essas células onde quer que estejam, é administrada em intervalos e por um período prolongado. Existem vários tipos de drogas e uma das funções do pediatra oncologista é exatamente decidir quais as drogas que devem ser dadas para as crianças com câncer.

? Radioterapia

Sua ação é simples, fontes de irradiação ionizastes do tipo do raio-x emitem partículas de alta energia que possuem a propriedade de destruir as células tumorais. A irradiação pode ser usada isoladamente ou em combinação com cirurgia ou quimioterapia.

O avanço da ciência e da tecnologia tem proporcionado uma condição mais favorável tanto no diagnostico como no tratamento do Câncer, intensas pesquisas estão sendo feitas, e muito progresso com certeza ocorrerá nesses próximos anos, portanto, sem discriminação para com as crianças com câncer não devem ser vistas como portadoras de uma doença fatal, mas sim como uma doença que necessita de um tratamento prolongado para ser completamente curado (RIBEIRO e BARALDI, 1991).

A procura da cura dessa doença, não está restrita simplesmente pelo fator biológico, mas também através da totalidade humana das crianças e dos adolescentes, isso inclui de forma social, psicológica, afetiva, proporcionando qualidade de vida para o paciente mesmo em estado de risco.

A união de saberes e esforços se faz necessário, e a Educação Física entra nesse contexto de pesquisa, como uma proposta para dar qualidade de vida a essas crianças através do lúdico, proporcionando a criança, além dos benefícios que citaremos adiante, o direto em si de brincar, sempre respeitando os seus limites físicos e psíquicos.

2.3.1.1 – O Câncer infantil e suas conseqüências.

Ceccim (1997), diz que, mediante ao diagnóstico confirmando a doença, saber que uma criança/adolescente está com câncer não é nada fácil, mudam–se os hábitos de vida de todos os envolvidos. Para família, além do sentimento eminente da perda, ocorre às dificuldades que são desde as questões relativas às mudanças na dinâmica familiar á perda do trabalho. A criança e o adolescente passarão por momentos nada confortáveis, um processo muito delicado e doloroso, consequentemente o período de sua infância passa a ser diferente de uma infância de uma criança saudável, algumas modificações e alterações serão necessárias a essa etapa do tratamento, chegando a expor a criança e sua família a diversas situações estressantes, que se somam à possibilidade de internação.

Essas implicações trazem prejuízos por uma hospitalização prolongada, ocasionando além da dor física, a dor psicológica da separação dos amigos, dos brinquedos, da professora de escola, dos animais de estimação e passa a conviver com profissionais que até o momento não conhecia, colocando em suas mãos a responsabilidade de sua saúde (Viegas 1999). Além dessas conseqüências psicológicas, os tratamentos para o combate ao câncer trazem muitas conseqüências físicas para os pacientes, como feridas na boca, perda de peso, náuseas, deficiência do sistema imunológico, vômitos, dores musculares, alopecia hematomas e outros efeitos colaterais resultantes do tratamento.

“Observa-se que, além das dificuldades que a própria doença traz, as condições de hospitalização podem afetar a totalidade da criança, de forma que os seus desenvolvimento físico, emocional e intelectual fiquem comprometidos” (PEDROSA et al.,2007, p.?) e, ainda no mesmo artigo, os autores citam que é muito importante elaborações de projetos que tenham o lúdico como forte ações como efeitos para minimizar sofrimentos psicológicos.

Podemos verificar através dos autores, Pimentel et al. (2004) em seu artigo, fala sobre a importância do brincar, e trazem três problemas que a criança e o adolescente enfrentam decorrente do câncer. A primeira se refere o lado dos sentimentos (depressão, raiva, revolta, insegurança, perda, desespero, e outros). Posteriormente nos fala das relações sociais que os pacientes enfrentam, da ignorância das pessoas que muitas vezes leva ao isolamento. Esses insipientes, não conhecem os detalhes dessa doença, criam um preconceito, acarretando a rejeição e consequentemente o próprio afastamento. O ultimo fator citado, diz respeito da doença e suas conseqüências como efeitos fisiológicos, colaterais, mutilações.

Mediante a toda essa dimensão de transformação, como oferecer para essas crianças e adolescentes uma qualidade na vida através da ludicidade?

2.4 – VIVÊNCIA LÚDICA COMO PROPOSTA PARA MINIMIZAÇÃO DOS EFEITOS DO CANCER EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

Como citado anteriormente, ludicidade é divertimento, é alegria, é brincadeira, é experiência corporal, é liberdade, é criatividade, é respeito mutuo, é um ato de rompimento. Emoções e sensações essas que, mesmo que a criança e o adolescente estejam em situação de enfermidade, eles tem o direito de vivenciar todas as coisas que o lúdico oferece. Schwartz (2004) diz ainda que a contemplação e alegria são categorias existenciais necessárias, que fundamentam partes dos sentimentos e emoções que pacificam qualquer organismo desconfortável ou mesmo doente. Refletindo essa afirmação de desse mesmo autor, o ser humano necessita de explorar seu contexto humano, e o lúdico traz consigo essa possibilidade, seja para a criança, seja o adolescente, e felicidade e alegria, é uma busca eterna que o homem faz durante sua existência.

Através das conseqüências da doença, crianças e adolescentes com câncer conhecem a morte muito de perto, até mesmo com exemplos de algumas pessoas que faziam o tratamento com ele e que já faleceram, isso causa um impacto emocional muito grande, e uma das propostas do lúdico é minimizar esse impacto, incentivando troca de sentimentos existentes devido sua realidade de saúde. Segundo Emerique (apud SCHWARTZ, 2004, p.4) “[…] o lúdico poderia, então, ser ocasião de se lidar com a segurança e o incerto, o medo e a coragem, a perda e o ganho, o prazer e o desprazer, o sério e o cômico, a objetividade e a subjetividade, enfim, uma oportunidade de ensinar e aprender sobre a vida […]”.

Pimentel (et al., 2004) citam a recreação como proposta terapêutica, minimizando em algumas partes, as perdas que a crianças têm, através da alegria, da festa, da vitalidade, isso trazendo satisfação pra criança e afasta os sentimentos negativos que a doença traz consigo, tornado o tratamento mais humanizador. Ao brincar a criança adquire outras habilidades, seja na parte motora, seja na parte de aprendizagem, e ainda prepara o paciente para as diversas situações que podem acontecer, e menciona também a importância de pessoas capacitadas para elaborar as estratégias como um mediador de atividades como artes, dramatização, fantoches, datas festivas, boneco paciente, contos.

A aplicação de recursos lúdicos transforma-se em um potencializador no processo de recuperação da capacidade de adaptação da criança hospitalizada, diante de transformações que se darão a partir de sua entrada no hospital (Pimentel et al., 2004, p.?)

Por fim, esse artigo conclui que o lúdico promove o bem-estar, traz o paciente para sua realidade, catalisa o processo de recuperação e, consequentemente, melhorando assim a qualidade de vida por aceitar a doença e seu tratamento.

Trucon (S/D) menciona que a falta de uma possibilidade de brincar, tem efeitos negativos na vida das crianças e dos adolescentes. Complementa dizendo que os cientistas de várias áreas investigam a filosofia e psicologias da ação do brincar com os efeitos resultantes no corpo e comportamento quando uma pessoa utiliza-se do lúdico. E os resultados já começam a dar frutos, sabe-se que quando se brinca as células cerebrais formam mais e mais conexões sinópticas, estimulado as funções cerebrais. Afirma Cardoso que investiga-se que quando ocorre o riso, são liberadas endorfinas (transmissores neuroquímicos) na qual minimizam a sensação de dor e promovem o bem estar e sensações prazerosas.

De acordo com o artigo Diversão em Movimento, pesquisa que foi realizada durante o período de 2004 a 2005 no Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, refere-se a um projeto lúdico para crianças hospitalizadas na enfermaria oncologia pediátrica, onde foram analisados sessenta pacientes portadores de neoplasia maligna. Utilizou-se de vários recursos lúdicos como livros, brinquedos, papeis, lápis e constataram no final dessa pesquisa, que as crianças ao brincarem iam se conhecendo melhor, elas reconheciam suas limitações, construíam o seu mundo, gostavam mais do ambiente que estavam, respeitavam as regras. E, um dado muito importante, elas ganhavam a autoconfiança, tornando o ambiente hospitalar menos angustiante, fazendo do lúdico um efeito positivo como um método de aceitação para o tratamento.

Vários são os autores que se propuseram a estudar o lúdico e seus efeitos, Cely (apud SANTOS, 1997) diz que o brincar é uma necessidade essencial para o desenvolvimento da criança e do adolescente na sua totalidade, enfim em qualquer ambiente, em qualquer circunstância da vida. Outro autor que cita de forma clara a importância do lúdico é Oliveira (2004), onde diz que o lúdico traz a possibilidade de trabalhar o cognitivo, o psicomotor e o afetivo-social, afirma que “Seguramente o jogo traduz a mais autentica manifestação do ser humano em toda a sua plenitude” mais adiante, complementa dizendo que.

[…] as atividades em forma de jogo são as que mais podem facilitar o desenvolvimento da criança, em virtude da riqueza de oportunidades que o lúdico oferece. O jogo é um recurso metodológico capaz de propiciar uma aprendizagem espontânea e natural. Concorre para a descoberta e minimiza a atmosfera predominantemente artificial […] sendo, portanto, reconhecido como uma das atividades mais significativas – senão a mais significativa (OLIVEIRA, 2004, p. 74).

Levinzon (apud KISHIMOTO, 1996) diz que quando a criança brinca, ela adquire “poderes” para enfrentar qualquer situação e obstáculos da vida real, adquirindo a autoconfiança e preparando-as para a vida adulta. Peller (apud KISHIMOTO, 1996) exemplifica que quando a criança passa por uma situação hospitalar, por exemplo, e ao brincar de médico com uma boneca, ela acaba invertendo os papeis da sua realidade, isso tem efeito benéfico reduzindo traumas e ainda, deixa-o mais preparado para quando for necessário voltar.

Paulo Junior e Barbosa (2001), no artigo em que trata da Importância do brincar na formação infantil, citam o olhar Piagetiano relacionado ao desenvolvimento, que a criança ao executar a ação de brincar, ela passa a interagir com o ambiente, trabalha sua imaginação, se capacita para deparar com os desafios do meio físico e social de sua vida. Podemos transferir essa reflexão para as adaptações que as crianças e adolescentes deverão realizar decorrente da doença, tanto na integração social que se fará necessário com outras pessoas, até o momento desconhecidas, tais como os médicos, enfermeiros, funcionários, voluntários e até mesmo com outras crianças em situação similar a sua, e quanto na parte cognitiva. Ressaltando aqui, a necessidade de uma metodologia de trabalho sistematizada, planejada, organizada, que influenciará de forma significativa na qualidade de vida para esses pacientes.

Segundo Friedmann (1992), a brincadeira possibilita interação social, da criança com seus pares e com adultos. Na interação a criança descobre e interioriza na sua personalidade os valores, costumes, formas de pensamento e comportamento do grupo que está inserida. A interação social que se dá na brincadeira é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança.

Há a possibilidade de trocar papéis uns com os outros, experimentar outras perspectivas, pontos de dista diferentes dos seus, aprender a colocar-se no lugar dos outros (FRIEDMANN, 1992), o que atualmente é chamado pela psicologia como empatia. Para Baron-Cohen (2004) empatia é a habilidade natural de se colocar na perspectiva do outro, compreendendo sentimentos e emoções alheios e a resposta afetiva adequada a esses.

Pela brincadeira, a criança expressa seu modo de pensar, suas hipóteses, estratégias de resolução de problemas; expressa também como se relaciona com seus pares, como lida com os objetos. Agindo sobre os objetos a criança vai conhecendo, descobrindo o mundo (FRIEDMANN, 1992; PETTY & PASSOS, 1996).

Na brincadeira tem-se acesso a maneira como a criança raciocina. No jogo pode-se fazer com que a criança perceba seus erros de raciocínio, a partir de situações-problema a serem resolvidos, que seus esquemas cognitivos são inapropriados e que outros mais apropriados precisam ser construídos (PETTY % PASSOS, 1996).

Para Petty & Passos (1996) o adulto tem um papel importante na brincadeira, é ele que deve fazer com que o jogo torne-se interessante, motivador, desafiador, ao invés de uma tarefa a ser feita obrigatoriamente. Outra função do adulto nesse contexto é fazer que o conteúdo escolar seja compreendido pela criança e as dificuldades decorrentes dele possam ser superadas.

Segundo Cunha (1992), a brincadeira nos possibilita o desenvolvimento de habilidades, como a atenção, a concentração dentre outras e o reequilíbrio emocional, assim traz benefícios à saúde física, emocional e intelectual.

Kishimoto (1997) comenta que a brincadeira permite a criança expressar-se, ser criativa, ter liberdade de ação. Pela brincadeira a criança desenvolve a saúde mental e corporal, socializa-se, explora o ambiente, expõe seus pensamentos, cria modos de expressar-se, desenvolve a autonomia. A criança pequena, que ainda não domina a linguagem faz uso, interage com o ambiente onde está inserida. Há também um desenvolvimento da linguagem, pois a criança relata sua experiência, ouve o que o colega tem pra dizer. (KISHIMOTO, 1997).

Para Vygostky, os objetos materiais e a cultural influenciam nossa forma de pensar e o nosso desenvolvimento intelectual (apud KISHIMOTO, 1997). Para Piaget o conhecimento é construído no indivíduo a partir da ação que ele exerce sobre o ambiente. (apud KASTRUP,1999. p.85-86). Pela lógica subjacente à ação o indivíduo vai construindo a cognição (KASTRUP,1999). Segundo Piaget, sujeito e objeto não são dados a priori, mas constituem-se assim, na ação, no nosso caso, no brincar, na exploração do ambiente (KATRUP, 1999. p. 86)

A Brinquedoteca

Segundo Almeida (1999), o surgimento da brinquedoteca aconteceu nos Estados Unidos, em Los Angeles no ano de 1934, na cidade da Califórnia. Já no Brasil apareceu um modelo no Nordeste, utilizando os brinquedos como suporte pedagógico. Vários são autores que se propuseram a conceituar a brinquedoteca, para Negrine (1999) brinquedoteca é mais que um espaço físico no qual todo o material lúdico como televisão, vídeos, laboratório de informática, brinquedos, criação de brinquedos, ficam a disposição da criança, do adolescente e, até mesmo, de pessoas de outras faixas etárias. Nela se desenvolve as brincadeiras, sendo manifestadas e experimentadas o lúdico de forma expressiva e intensa, pois é um espaço onde a alegria, festa, divertimento, confraternização, partilha e amizade sua função pode ter caráter pedagógico, social, comunitária além de outros; sendo também um espaço de pesquisa (laboratório) para uma equipe interdisciplinar.

Ela é planejada conforme o seu público alvo, podendo ser desenvolvida em bairro, escola, clinica e outros, como cita Santos (1999), e essa parte estratégica de desenvolvimento conta com profissionais de diversas áreas como psicólogos, médicos, enfermeiros, sociólogas.

Viegas (1992) nos diz que a brinquedoteca tem um papel importante no desenvolver da ação das crianças no lúdico citando: “A brinquedoteca as faz renascer, lhes dá alegria, o brincar e os brinquedos estimulam suas fantasias, descobrem amigos, é lugar cheio de história, música, desenhos, teatro.” (VIEGAS, 1992,p. 102).

2.4.1 – O papel mediador do professor de Educação Física com crianças e adolescentes com câncer: um novo desafio.

Já sabemos dos inúmeros benefícios que a atividade lúdica traz para essa específica população em estudo. A idéia central agora é analisar o papel da Educação Física frente a esse desafio, frente a essa proposta.

Nos hospitais ou em casas de apoios, encontramos vários funcionários relacionados à área da saúde, em muitas literaturas sempre citam a importância da equipe multidisciplinar como médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, e outros profissionais, mas percebemos que raramente foi citado o profissional de Educação Física.

Quanto à competência e atuação, segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), no ano de 2002 afirma textualmente sobre a intervenção do profissional e suas competências, dentre elas, citando a recreação em atividade física. Art. 5- RECREAÇÃO EM ATIVIDADE FÍSICA

Intervenção: Diagnosticar, identificar, planejar, organizar, supervisionar, coordenar, executar, dirigir, assessorar, dinamizar, programar, ministrar, desenvolver, prescrever, orientar, avaliar e aplicar atividades físicas de caráter lúdico e recreativo, objetivando promover, otimizar e restabelecer as perspectivas de lazer ativo e bem estar psicossocial e as relações sócio-culturais da população. RESOLUÇÃO CONFEF nº 046/2002

Ludicidade como percebemos é expressão e práticas corporais. Carmo Junior (2004) diz que “[…] a Educação Física foi dada, como dádiva, a responsabilidade de referenciar os conteúdos das práticas corporais e nelas firmar um compromisso”. Entendemos compromisso esse, não apenas como uma disciplina ou profissão, como citado pelo próprio Junior, mas uma Educação Física estimuladora de um corpo que fala, um corpo que tem desejos, um corpo que chora e que ri.

Sabemos que a Educação Física trabalha com a motricidade humana, onde constantemente o homem está em movimento, seja através de gestos, seja através de habilidades refinadas ou grosseiras, e muitas vezes o próprio corpo traduz esse “alfabeto”, são chamadas práticas corporais. Através dessas práticas, o homem é capaz de comunicar-se com o meio, e tratando-se de crianças e adolescentes com câncer, o educador físico pode contribuir muito com essa linguagem corporal, através de atividades como jogos, dinâmicas, dança, teatros e outras inúmeras expressões.

O professor de Educação Física deve oferecer para esses sujeitos atividades /práticas corporais diversificadas tendo como objetivo a expressão lúdica, e não simplesmente um auxílio para passar o tempo. As atividades que devem preencher as carências de afeto, auto-estima, auto-realização, dando prazer, compartilhando emoções, reduzindo o sofrimento que elas passam devido sua realidade e minizando assim o estresse, e isso consequentemente melhorando assim sua qualidade de vida.

Vale ressaltar que as atividades propostas pelos educadores físicos para essa população carecem ser bem planejada e direcionada. As atividades devem respeitar a individualidade e limitação de cada paciente, usar sempre de atividades criativas, não apenas reprodutivas, aguçando nessas crianças e adolescentes o desejo de viver mesmo sobre risco de vida, além de aperfeiçoar e utilizar de atividades cognitivas, afetivas, motoras. Estimulando sempre o contato mútuo, a cooperação, a solidariedade, a partilha.

Por meio do artigo Vivências Lúdicas no Hospital , tomamos conhecimento que, no primeiro semestre do ano de 2000, profissionais da área de Educação Física, entre eles alunos e professores, desenvolveram uma intervenção sócio-educativa através de vivencias lúdicas no Hospital das Clínicas em Minas Gerais com crianças hospitalizadas, conta-nos que através desse projeto, muitos outros nasceram. Para citar um exemplo temos o projeto Compromisso Social da Educação Física com crianças que passam por tratamentos hospitalares. Da primeira experiência aqui citada, os autores compartilharam que ocorreu uma troca de conhecimento entre ambas as partes, despertaram a criatividade e uma integração entre pais e profissionais do hospital, ocorrendo uma interrupção. Posteriormente, em 2004, foram convidados a retornar os trabalhos para um público mais direcionado, que foram as crianças atendidas pela clinica de Hematologia.

Mediante a vivencia lúdica que desenvolveram, perceberam que para a criança esse momento era especial e fundamental, pois as mesmas tornavam-se sujeitos de decisões, desenvolveram a autonomia., comportaram-se como sujeitos que repensam as suas ações e aprende a respeitar regras construídas coletivamente pelo grupo. Destacaram a Educação Física como representante de um momento de experiências e conhecimento, de integração concreta com o contexto hospitalar, onde as atividades precisavam ser planejadas e organizadas dentro da realidade, e perceberam que muito mais de uma ocupação de tempo, naquele momento crianças e adolescentes eram convidados a experimentar e vivenciar a alegria, o prazer, o relacionamento humano, a descobertas, auxiliando assim no tratamento.

O trabalho acima menciona ainda que “A Educação Física é entendida a partir de uma concepção abrangente, comprometida com as vivencias lúdicas diversificadas e construídas coletivamente que podem ser desenvolvidas enquanto meio e fim educacionais”.

Carmo Junior (Apud SCHWARTZ, 2004, p.80) diz quanto ao papel do educador.

O olho do educador é seu espírito e o seu olhar é terno, eterno é a capacidade de sentir. Ver além da retira é sorver a alma do ensinando, é unir saber e sabor, é quando o instrumento do ensino torna-se mais humano e menos instrumental. Parece magia ver o aluno escrever, soletrar, postular, desenhar, cantar, dançar, acertar o alvo[…],em cada frase, uma prontidão, um corpo, um referencial estético, sem prejuízo da razão, sem a pulverização das idéias

A priori poderíamos pensar e ler essa frase do Junior apenas para o âmbito escolar, mas educar vai além dos muros escolares, podemos fazê-lo em casa, na comunidade, na sociedade e porque não em hospitais ou casas de apoios. É importante e essencial olhar para essas crianças e adolescente e dar-lhes esperança, motivação para a luta, dizer-lhes através da educação que por mais complicado que seja a sua situação, elas são pessoas, são humanas, devem e merecem experimentar os seus anseios. A Educação Física, proporciona isso, todo esse movimento dinâmico humano, tratando o homem como ser total, um ser corporal e psíquico, respeitando o seu limite orgânico ou sua frágil anatomia, não apenas trabalhar com corpos saudáveis dotados de várias habilidades motoras, mas um corpo que é capaz de expressar principalmente naquilo que sente.

A importância do professor capacitado e direcionado para essa área lúdica é muito grande. Negrine (1999) cita que no ambiente do brincar, como em uma brinquedoteca, o profissional que está ali envolvido deve ser mais do que um animador, deve ser observador e um investigador. O autor ainda se refere a três pilares necessários para esse profissional que são a formação teórica, formação pedagógica e a formação pessoal. Menciona ainda que nesse espaço é imprescindível profissionais qualificados, e não apenas viver exclusivamente de voluntários, pois nesse ambiente são praticadas atividades de desenvolvimento, aprendizagem, conhecimentos e habilidades.

O papel da Educação Física, independente do seu campo de atuação, deve levar ao homem a experimentar sua humanidade, não apenas formar homens fortes em musculaturas desenvolvidas, em torná-los mais ágeis em habilidade, formar homens mais flexível através de articulações biomecânicas ou preocupar-se apenas com o desempenho técnico. Tendo isso como parâmetros centrais, chega a ser preocupante no sentindo da alienação, não é querer descaracterizar a profissão, até mesmo porque a aptidão física, desenvolvimento de habilidades através de esportes são pertinentes a sua prática, mas dever ser meios e não os fins.

Oliveira (1994) diz que a Educação Física precisa ocupar seu espaço de Educação, deve incluir-se nas Ciências Humanas e Sociais, ela precisa perceber que sua função não é adestrar pessoas, mas torná-los mais humanos, percebendo que elas não são objetos, e que precisa despertar nas pessoas não apenas para o rendimento máximo, mas sim para o seu melhor enquanto pessoa humana. Além de desenvolver o seu afetivo e intelectual, libertando o homem da busca da individualidade e perceber mais do que os desejos da imortalidade ou a busca da perfeição (imagem corporal). Também é preciso experimentar sua essência, e respeitar e saborear assim seu corpo e o corpo do outro, mesmo que esse esteja numa situação de risco.

Lembramos que a Educação Física faz parte de uma cultura, mas também da política. Ela é um jogo, é esporte, é ginástica, é ludicidade, enfim é movimento humano. Tem conhecimentos médicos (mas não cura ninguém) e é capaz de produzir campeões, mas se o seu principal objetivo não for o homem como um ser humano, pouco disso ou nada terá validade. Precisamos de corpos sadios em mentes sadias.

2.5 – EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENÁRIO DA SAÚDE

Algumas perguntas e reflexões rondam a Educação Física, levando-nos a questionar e refletir de forma filosófica, antropológica e em nível de saúde, acerca de seus objetivos e seus valores.

Perguntas como: Seria por fim a finalidade da Educação Física formar homens com músculos fortes e desenvolvidos? Seria a Educação Física, apenas mais uma disciplina escolar limitada para quatro (04) modalidades de esporte (vôlei, futebol, handebol e basquete)? Seria Educação Física técnicas de treinamentos para atletas de alto rendimento?

A formação acadêmica de um aluno de Educação Física tem atribuições maiores do que treinar uma equipe desportiva ou atuar no âmbito escolar. Quando se pensa em Educação Física relacionada à área esportiva, restringimos muito o seu campo de atuação para academias, hotéis, clubes, escolas, são reducionismos que encontramos, pois sua área de atuação é bem mais abrangente. Esse quadro tende a se transformar e ampliar, tendo em vista que com a nova legislação que prevê a formação de graduados (bachareis) em Educação Física. Concretizamos essa afirmação tendo por base o currículo mínimo exigido nos cursos superiores de graduação, onde temos mais de 40% das materiais relacionadas à área de biomédica, como cita Oliveira (2004), e a outra porcentagem se destina a formação geral, profissional e pedagógica.

Falando no âmbito de saúde, Bagrichevsky e Estevão (2004) fazem uma reflexão bem interessante sobre os sentidos da saúde e a Educação Física. Os autores afirmam a importância positiva da atividade como uma minimizadora de patologias como apresentam algumas literaturas, mas principalmente fala-nos exaltando a importância de medidas em conjunto, e não apenas em ações individuais e isoladas de ciências para a obtenção da saúde.

Mencionam ainda, esses autores, a relevância de políticas públicas que visem às necessidades da população para obtenção e manutenção dessa saúde. Fazendo uma crítica do sonho da imagem corporal fruto de produtos mercadológicos sobre influencia da mídia. A mídia, por fim, materializa a obtenção de saúde através do consumo de seus produtos, reduzindo o significado do termo saúde. Dizem ainda, que toda essa massificação de ideais desse processo de busca da perfeição corporal, não é exatamente assunto saindo “do forno”, mas sim uma tradição de culturas, citando como exemplo as questões hedonistas.

Trabalhar para a obtenção da saúde é necessário uma junção de fatores políticos, econômicos e culturais, e não apenas de fazer uma transferência de responsabilidade para um indivíduo, salientando para o mesmo a importância do exercício físico. Os governantes não oferecem condições para que tal procedimento aconteça, e um indivíduo que mal consiga pagar suas contas básicas em cada mês (realidade da maioria da população) do que ele dirá na hipótese de freqüentar academias ou consumir produtos ofertados pelas industrias.

Percebamos também que a saúde não pode ser restringida simplesmente ao fator biológico de um sujeito, aquele que está bio-fisologicamente doente ou não, e muito menos deixar exclusivamente para a ciência médica atuar de forma isolada de outras ciências humanas e sociais, sobre essa questão. Carvalho (2001) nos diz que

A saúde não é um objeto, um presente. Portanto, ninguém pode dar saúde: o médico não dá saúde, o profissional de educação física não da saúde, a atividade física não dá saúde. A saúde resulta de possibilidades, que abragem as condições de vida, de modo geral e, em particular, ter acesso a trabalho, serviço de saúde, moradia, alimentação, lazer conquistados […] tem saúde quem tem condições de optar na vida (CARVALHO, 2001, p. 14).

Palma (2001), diz que o sentindo da saúde esta relacionada a uma esfera social que influencia significativamente na saúde do individuo, pois o homem é um ser de relacionamento, inserido e atingindo diretamente em qualquer decisão, seja a mesma governamental ou não.

Sobre o aspecto conceitual da palavra, a OMS (Organização Mundial de Saúde) diz que saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou de enfermidade, apesar de que muitas literaturas criticam esse conceito, principalmente no que está relacionado ao “bem-estar físico”.

Cita Oliveira (2004), que o aluno de Educação Física ao interessar, valorizar e aprofundar na área biomédica, ele tem a capacidade de fazer uma pesquisa formidável, citando ainda parte desses discursos sobre conhecimento em aparelho circulatório, osteologia, neurologia e outros. O que esta faltando é incentivo e interessante dos alunos para explorar essa área, frisando ainda a importância do diálogo entre as áreas (médicas com as de educação física), respeitando o espaço de cada uma.

Já mencionamos que a Educação Física trata o homem em movimento, enquanto ser individual e social. A Educação Física vive em função e para o homem abrangendo partes afetivas, psicomotor e intelectual (Oliveira, 2004). Mas, é necessário sempre avaliarmos o tipo de atividade que estamos desenvolvendo com as pessoas que procuram o profissional de Educação Física, e colocá-los sempre em primeiro plano, percebendo suas necessidades e anseios e que não temos apenas seres biologicamente procurando nossos serviços, mas, ao contrário, seres humanos, dotados de sentimentos como raiva, alegria, tristeza, ansiedade. Carvalho (2001) diz que

Ao se propor um programa de atividade física, não poderia ele ser um programa cujo conteúdo priorizasse a relação atividade física e saúde, a atividade visando à saúde, mas proposta seria fundamentada na idéia de que é o conhecimento e a experiência do homem com a cultura corporal que possibilitam a ele manifestar-se, expressar-se visando à melhoria da sua saúde (CARVALHO, 2001, p.11).

Nessa contextualização, o homem em busca desse sentido de saúde, transcende o seu físico e o biológico, e o coloca em um lugar de um ser mais humano e mais social, aquele que é capaz de experimentar sua corporeidade sem tirar a sua originalidade e sua essência.

Historicamente percebemos a busca do homem de sua imagem corporal, como citado por Palma (2001, p. 27), “[…] o corpo é hoje, ao mesmo tempo, “consumidor” e objeto de consumo”, atingindo-nos muitas vezes esse pensamento. No entanto, cabe ao homem perceber qual é verdadeiramente o sentido do seu próprio corpo.

O homem tem o poder, através dos avanços tecnológicos, de escolher as alterações da própria imagem. Vale ressaltar aqui, que não estamos fazendo uma apologética nem fazendo uma contestação, mas sim analisando e refletindo até que ponto essas transformações influenciam no homem, e quais são os reais objetivos para tais transformações. No dia-a-dia massifica-nos a mídia sobre a necessidade de um corpo estrutural, um corpo perfeito. Alguns profissionais da área de Educação Física muitas vezes incorporam essas idéias em seu cotidiano. Palma nos fala das diversidades de ginástica que surgem a cada dia, faz uma lista enorme de serviços e produtos e questiona se é para melhorar a qualidade ou é apenas mais uma submissão das estratégias mercadológicas.

Incontáveis são as literaturas que trazem os benefícios das atividades físicas como uma contribuição importante para a saúde, mas, não muito distante da mídia, se analisarmos, dessa forma, reduziríamos também o conceito de saúde. Minayo (apud PALMA, 2001, p.29) conceitua saúde dizendo que “Saúde é o resultado das condições de alimentação, habitação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de terra e acesso aos serviços de saúde”

Enfim, lembramos do que já foi dito anteriormente, Educação Física isoladamente não dá saúde, e nem outra ciência. A atitude mais sábia seria a comunhão das ciências, onde cada uma respeitaria o saber da outra, e empregando uma dialética entre essas a fim de proporcionar a saúde para o homem, além de transferir esses conhecimentos para o principal alvo, o próprio homem enquanto ser biológico, psíquico, social, afetivo, assim acrescentando qualidade na vida humana.

3 – OBJETIVOS

3.1 – OBJETIVO GERAL

Investigar os efeitos da atividade lúdica orientada no tratamento do câncer, como forma de promoção da qualidade de vida dos portadores dessa patologia.

3.2 – OBJETIVO ESPECÍFICO

1 Analisar como a ludicidade pode minimizar os efeitos das enfermidades causadas pelo câncer

2 Identificar os processos de relações e interações sociais das crianças a partir das atividades lúdicas

3 Analisar a importância do professor de Educação Física na mediação das atividades lúdicas;

4 Compreender os efeitos da atividade lúdica sobre o ser humano

4 – METODOLOGIA

O presente estudo é de natureza qualitativa, pois busca entender dentro de um processo social, os efeitos da atividade lúdica para minimizar os efeitos das enfermidades causadas pelo câncer em crianças e adolescentes da ACACCI.

Quanto aos objetivos, a metodologia é descritiva, expõe as características de determinada população. Tem por objetivo descrever um fato ou fenômeno. Residem no desejo de conhecer uma comunidade, seus traços, seus problemas. Afirma Gil (2002, p.45) que “[…] pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por finalidade estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde, física e mental etc”.

É exploratória, pois tentamos alargar conceitos como qualidade de vida, saúde, homem, lúdico e atuação dos profissionais de educação física. Para tanto fizemos levantamentos em fontes secundárias, aplicação de questionários e observação informal, visando promover maior conhecimento do tema para um estudo mais amplo e despertando o interesse de pesquisadores para que continuem esses nossos primeiros passos. Segundo Gil (2002, p.44), “As pesquisas Exploratórias tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”.

Sobre os procedimentos técnicos, trata-se de um trabalho de pesquisa-ação, já que a nossa pesquisa tem um foco no processo social com a tentativa de uma participação das pesquisadoras e pesquisados na preparação das atividades ministradas e além de tentar atingir de soluções imediatas ao problema diagnosticado.

Thiollent citado por Gil (2002, p.55) define a pesquisa-ação como:

Um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.

A fase Exploratória do início do desenvolvimento dessa pesquisa ocorreu ao visitarmos a ACACCI, foi aonde naquele contexto de brincar das crianças e adolescentes incluímos de forma intervencionista o papel do professor de Educação Física. Primeiro identificamos o campo de investigação e as expectativas dos interessados. Esta etapa foi realizada por meio de relatórios observacionais analisados de forma reflexiva nos momentos presenciais promovidos durante esse processo.

Os momentos reflexivos foram dialogados entre professor/alunos da disciplina, onde provocou a formulação do Problema em concomitância com a realidade encontrada na ACACCI como campo de intervenção.

Entretanto para a construção da hipótese, necessário se fez, o resgate fundamentado teoricamente historizado já por vários autores(as) em relação à problemática e a proposta.

A coleta de dados começou a se estruturar a partir do primeiro contato que tivemos com os sujeitos eleitos como co-participantes do desenvolvimento dessa pesquisa. Sendo assim, ao diagnosticarmos, desenvolvermos, problematizarmos de forma rotineira – crianças e adolescentes com câncer e lúdico – conseqüentemente uma reflexão se fez presente em todos os momentos de intervenções que promovemos na ACACCI.

A Análise e Interpretação dos Dados ocorreriam mediante os relatórios escritos por nós relacionados às nossas práticas e experiências que vivenciávamos e assim, encaminhados semanalmente a nossa orientadora. Momentos esses muito pertinentes, pois provocavam uma reflexão em relação as nossas ações, as quais podiam relacionar, refletir, analisar a real possibilidade de transformarmos os conhecimentos teórico-práticos que nós vivenciamos durante o processo de formação.

Elaboração do Plano de Ação

A pesquisa-ação concretiza-se com o planejamento de uma ação destinada a enfrentar o problema que foi objeto de investigação. Isso implica a elaboração de um plano ou projeto que indique: quais os objetivos que se pretende atingir; a população a ser beneficiada; a natureza da relação da população com as instituições que serão afetadas; a identificação das medidas que podem contribuir para melhorar a situação; os procedimentos a serem adotados para assegurar a participação da população e incorporar suas sugestões; e a determinação das formas de controle do processo e de avaliação de seus resultados. (GIL, 2002, p.146-147).

Nesse sentido o nosso plano de ação desde o início ocorreu o diálogo construtivo junto com os pacientes, através das observações deixou rastros da importância de oferecer o lúdico para esses sujeitos. Portanto, o diagnóstico do perfil das crianças e dos adolescentes foi de grande peso para nossas ações futuras. Com o objetivo de Investigar os efeitos da atividade lúdica em crianças e adolescente do câncer urgiu a aplicação de um questionário, esse composto por 03 perguntas, e respondido por 15 pessoas, e outro questionário composto por uma pergunta e respondido por 04 funcionárias da ACACCI, isso para maior fidedignidade da nossa análise dos dados.

Para o questionário 01, o objetivo principal era perceber as reações que as crianças/adolescentes sentiam ao brincar mesmo com sua realidade de saúde, e analisar a importância do professor de Educação Física como mediador dessas atividades juntamente com o questionário 02.

O Segundo foi para análise do trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras/ estagiárias direcionado para funcionários que foram envolvidos nesse processo durante a intervenção.

Durante a execução do projeto/plano interventivo, utilizamos diversos materiais como brinquedos, televisão, vídeo, bambole, material reciclável (para construção de brinquedos e incentivo à criatividade), corda, cones, bola, cola, barbante, tesoura, giz, tinta guache, pinceis. Ao longo do projeto realizamos avaliações sistemáticas do desenvolvimento do mesmo: as atividades programadas, e demais aspectos que envolveram o atendimento as crianças e adolescentes.

Os métodos avaliativos usados foram momentos sobre as atividades lúdicas e o desempenho quanto aos comportamentos desse população, momentos esses acontecidos sempre ao final de cada intervenção.

Ao longo de nossa pesquisa tivemos contato com aproximadamente 50 paciente/pesquisados, porém o questionário foi aplicado apenas a 15 pessoas/sujeitos. Sendo que a cada ida (nossa) a instituição (aos sábados e domingos) estavam presente apenas de 7 a 10 pacientes, que estavam hospedados na instituição. Esse número de 50 sofreu uma rotatividade muito grande devido à realidade do tratamento de cada criança e adolescente: hora elas estavam hospitalizadas; hora eram liberadas pelos médicos para irem para casa; e outras vezes, ainda, ficavam em tratamentos que necessitavam ir ao hospital diariamente (e como são do interior e ou não tem condições financeiras, nem familiares que possam ajudar) hospedavam-se na ACACCI, isso acabou afetando significantemente a quantidade de pacientes/sujeitos a cada intervenção. A variação da idade também foi muito grande, em média, ficávamos na faixa etária de 12 anos, com poucas crianças de colo. O número de adolescentes foi bastante expressivo, chegando a um número aproximadamente
de 15 pacientes.

Quanto ao local da pesquisa, foi realizada na ACACCI (Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil), instituição apresentada na introdução desse trabalho.

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados para a presente pesquisa foram questionários, observações das atividades aplicadas e fotografias.

5 – RESULTADOS, ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS.

Com base na intervenção aplicada no período de março a novembro de 2007 na ACACCI, observamos fatores importantes para a nossa pesquisa nos quais mencionaremos nos resultados, nas análises e discussão dos dados obtidos.

Na maioria dos casos, as crianças/adolescentes eram oriundas do interior do Estado do Espírito Santo ou até mesmo de estados vizinhos. Como o câncer é uma doença crônica, a necessidade da freqüência no hospital é muito grande (quando não internadas) então dessa forma, a ACACCI oferece todo o serviço de hospedagem e outros também já mencionados na parte introdutória.

De modo geral, o perfil das crianças e adolescente foi sempre dócil, sensível, frágil (biologicamente falando, até mesmo decorrente da própria patologia) inteligente, e demonstrava sempre muita carência e fácil convívio, em alguns momentos esses temperamentos eram alterados. Uma coisa sempre chamava muito a atenção, que era a luta diária pela vida, mesmo sem entender os motivos de serem “diferentes”, observamos que na sua essência não tinham nada de diferente de uma criança ou adolescente comum, construíam sonhos, faziam planos, falavam de seus desejos, anseios, de sua sexualidade, alguns diziam que quando crescessem iriam ser voluntários da ACACCI, enfim, a esperança era sempre manifestada, apesar de que alguns desses pacientes já até faleceram. Mas observamos que nosso trabalho proporcionou momentos de humanização e prazer conseqüentemente ajudando na promoção da qualidade de vida.

Iniciamos as nossas pesquisas na Associação produzindo uma proposta de trabalho através de um plano interventivo e o apresentamos à Instituição. Nesse plano, nosso objetivo geral foi de minimizar o impacto psicossocial provocado pela doença e pelo tratamento, por meio de desenvolvimento de atividades lúdicas regulares junto às crianças e adolescente com neoplasia através de jogos, oficinas de brinquedos, música, teatro, recreação, ginástica, passeios. Promovendo dessa forma momentos recreativos e interativos das crianças e adolescentes com os familiares e comunidades da ACACCI.

Durante a pesquisa, ocorreu uma aproximação de todos os envolvidos no processo, contribuindo dessa forma para uma melhor integração das pessoas e conseqüentemente uma melhor socialização e humanização. Falando em socialização, muitas atividades nos levavam para esse fator importante, aconteceu de forma clara a partilha, tanto das dificuldades de cada um, tanto de coisas materiais e até mesmo de alimentos (como foi no caso de um piquenique que fizemos). E, para as crianças e adolescente novatos, as brincadeiras proporcionavam uma integração bem espontânea, rápida e fácil com outros pacientes mais antigos.

As atividades aplicadas foram bem diversificadas e envolventes, a alegria, o diálogo, a amizade foram bem manifestadas em todas as atividades lúdicas, observando-se através das oportunidades de contato com as brincadeiras, tendo um resultado bastante positivo. Resultado esses, que ao trabalharmos com os recursos lúdicos, significou oferecer para o paciente uma alternativa para lidar com as emoções suscitadas pela sua situação, um conhecimento de si, construindo pontes entre pacientes, funcionários, acompanhantes e pesquisadoras. Ocorreu Sempre um diálogo se realmente eles queriam participar das atividades, podendo o paciente optar por atividades que gostavam, e assim ocorreu todo o processo.

É interessante e importante ressaltar aqui a presença do acompanhante. Todas as vezes que os pacientes estavam desenvolvendo uma atividade, pediam a presença do seu familiar para participar daquele momento, ou seja, estavam gostando tanto da atividade que gostariam que seus acompanhantes também usufruíssem daquela alegria, como demonstram os depoimentos abaixo.

Paciente “G”.

– Vou chamar mainha pra participar também. Participa aqui mainha.

Acompanhante “B” (ao telefone).

– Foi muito legal a comemoração do dias das Mães aqui na ACACCI, teve a brincadeira da “Caxandra”, até dancei funk e rimos muito.

Como já mencionado, a ludicidade é manifestação de alegria, um momento de brincadeira, de divertimento, mas, também é relacionamento interpessoal, é expressão corporal, é criatividade entre muitas outras coisas boas.

Podemos confirmar essas afirmativas através das análises dos dados e fazendo uma discussão sobre os mesmos tendo como respaldo todo embasamento teórico demonstrado textualmente nessa pesquisa.

Abaixo alguns exemplos das atividades executadas durante o estágio que está registrado em nossos diários de campo (relatórios).

ATIVIDADE 1 – Esse final de semana foi mais uma experiência nova, novas crianças, novos adolescentes, e a sensação de estar nesse local, é como se fosse sempre a primeira vez. Temos que conquistar, temos que respeitar, temos que amar, e estar nesse local é uma coisa diferente do que já vivenciei , está sendo muito bom, tenho aprendido particularmente muito com as crianças e os adolescente. Cada uma com sua limitação, dificuldade, com seu carinho, umas mais quietas, outras mais agitadas. Mas sempre muito carinhosas tenho percebido essa reciprocidade de carinho.

No sábado a atividade foi à confecção dos ovos de páscoa. Utilizamos ovos de galinha (fizemos um pequeno furo em cada ovo para retirarmos a gema e a clara), tinta guache, pincel, papel selofone, fita, e muita criatividade, eu levei pronto de casa cartões com cara de coelhos, porque achei que o tempo não seria suficiente para confeccionar na ACACCI, por isso levei pronto, e realmente no sábado foi corrido.

No domingo da páscoa, apenas acabamos de enfeitar os ovos e fazer o sorteio do amigo “choco”. Por um momento achei que não aconteceria envolvimento por parte dos acompanhantes, mas professora, para minha surpresa, elas ficaram muito animadas, quando entreguei o papel para elas tirarem o nome das pessoas, foi muito legal. Ocorreu um envolvimento de todas as pessoas que estavam na ACACCI, até as “tias” da cozinha e o guarda participaram, foi muito legal. Para a execução da brincadeira reunimos todos no refeitório e fizemos à entrega dos ovos, bombons e os recados. Por fim perguntei se todos haviam gostado do domingo de páscoa, e a resposta do sim foi unânime.

ATIVIDADE 2 – SÁBADO: Nesse dia nossa atividade foi externa, fomos ao shopping e assistimos um filme. É bem interessante esse contato das crianças e adolescente com o ambiente diferente, pois se estão na ACACCI estão no hospital (esse por ultimo é sempre).

Quando retornamos para a brinquedoteca, desenvolvemos atividades com jogos cognitivos como dama, quebra cabeça e baralho, atividades essas que estimulam a imaginação, raciocínio, memória, trazendo benefícios e melhorando a qualidade de vida das crianças e adolescentes.

DOMINGO: No primeiro horário trabalhamos com as crianças (14 as 15:30), fizemos atividades com bola, era bola ao gol, cada criança arremessava a bola com o objetivo de acertar o gol, isso ia acontecendo uma de cada vez, foi uma brincadeira bem divertida, houve muita gargalhada e descontração, precisou de utilizar a imaginação das crianças para acertar, e também na sua honestidade (lúdico como uma ferramenta na formação do caráter) pois o jogador tinha q esperar sua vez sem ultrapassar e ter paciência. Desenvolvemos nessa atividade a coordenação motora e a orientação espacial.

Outra atividade foi à brincadeira cantada, a escolhida “Escravos de Jo”, as crianças precisavam usar a agilidade e atenção, quem errava imitava alguma coisa definida pelo grupo.

No segundo momento trabalhamos com os adolescentes (02), decidimos em conjunto jogar sinuca e toto, jogo esses que precisam de atenção, noção de espaço, mas não deixando de acontecer muito envolvimento.

ATIVIDADE 3 – COMEMORAÇÃO DO DIA DAS MÃES NA ACACCI.

Sábado: horário – 13:30 as 18:00

Infelizmente no sábado não tivemos uma boa noticia, duas crianças que eram da ACACCI vieram a falecer, isso abalou muito a todos, Ednéia e eu não chegamos conhecer uma, mas a outra criança, chegamos a ficar com ela uma vez. O clima estava péssimo no sábado, mães chorando,e as crianças sempre perguntando o que estava acontecendo, conseguimos esquiva-las de tal noticia até o momento que estávamos lá, depois não sei o q aconteceu. Mas todos tentavam esconder isso das crianças/adolescentes.

No sábado fizemos os preparativos para a comemoração do dia das Mães, ensaiamos o teatro, as poesias (foram 02), as músicas que iriam ser cantadas, tiramos fotos e preparamos alguns detalhes e o local.

Domingo: 13:30 as 17:00

No domingo foi muito especial, chegamos e preparamos o local, com bolas, cartaz e colocamos as cadeiras em frente ao palco, comecei agradecendo a presença das mães,crianças, adolescentes, governanta e da secretária.

A programação foi:

1º Teatro (com as próprias crianças)
2º Poema lido por uma adolescente (ela nunca tinha nem entrado na brinquedoteca, muito tímida)
3º Fizemos a brincadeira da “caxandra” (esse foi um dos momentos que elas gostaram , foi bem dinâmico, envolvente e engraçado)
4º Musica – Foi uma adolescente cega e outro adolescente que cantaram as músicas no videoke. (foi bem emocionante esse momento)
5º Volta da Caxandra
6º Poema – Adolescente Cega que fez também, foi muito legal.
7º Diálogo: Deus, criança e o anjo (mãe)
8º Slide: Nesse momento passamos várias fotos com as crianças, mães, pessoas que trabalham ali e colocamos de fundo uma mensagem do dia das mães.
9º Agradecimentos.

O interessante foi ouvir os comentários pelos “bastidores”. Todos comentavam sobre à tarde e riam, dizendo que gostaram muito, teve uma mãe que recebeu um telefonema e ela comentou com a pessoa de tudo que aconteceu lá.

Conforme informamos na metodologia, utilizamos também questionários como coleta de dados. O primeiro questionário foi composto por 03 perguntas, e respondido por 15 pessoas.

QUESTIONÁRIO – 01

1 – QUAL O SEU SENTIMENTO QUANDO VOCE BRINCA?

2 – E QUANDO A GENTE (TIA NÉIA E TIA NARINHA) ESTÁ AQUI PARA BRINCAR COM VOCES, O QUE VOCE SENTE?

3 – QUANDO VOCES SAEM DAQUI VOCES CONTINUAM A BRINCAR? ENSINAM O QUE VOCES APRENDERAM PARA OUTRAS PESSOAS?

QUESTIONÁRIO – 02

Quantidade de funcionários: 04 (sendo 02 brinquedistas e 02 governantas)

1 – O TRABALHO DESENVOLVIDO PELAS ESTÁGIÁRIAS FOI SATISFATÓRIO, CONSEGUINDO ATINGIR AS EXPECTATIVAS? SIM ( ) NÃO ( )

Conforme as respostas abaixo, como resultado dos questionários, podemos concluir nas respostas que as crianças gostavam de brincar porque naquele momento elas se sentiam felizes, e alegres. E sabemos que a alegria é um sentimento que desencadeia produção de substâncias que aumentam a imunidade, e é uma procura constante do ser humano.

Conforme mostras das respostas dos pacientes abaixo:

PACIENTE K

1) GOSTO DE BRINCAR PORQUE TO ALEGRE
2) COM AS TIAS É MELHOR, SOZINHO DESANIMA.
3) PINTAR COM OS AMIGOS, ASSISTE DVD.

PACIENTE A

1) POR QUE FICO ALEGRE, NÃO TO TRISTE, QUANDO TO TRISTE EU NAO BRINCO
2) FAZ COMPANHIA, NÃO FICA BOM QUANDO ELAS NAO TAO, GOSTO MUITO
3) BRINCO DE ADEDONHA, DESENHO, CANTO.

PACIENTE D

1) GOSTO, O TEMPO PASSA RAPIDO, FICO FELIZ.
2) GOSTO, PORQUE TÊM COMPANHIA, BRINCADEIRAS LEGAIS.
3) ÀS VEZES, PORQUE TEM POUCA CRIANÇA.

PACIENTE T

1) GOSTO PORQUE APRENDO MUITAS COISAS.
2) AS TIAS TRAZEM BRINCADEIRAS QUE AGENTE RI MUITO.
3) SIM, CARRINHO.

PACIENTE C

1) GOSTEI DA FESTA DE ANIVERSARIO QUE FIZEMOS
2) ELAS ANIMAM
3) NÃO, PORQUE MORO NA ROÇA.

Nesse contexto de alegria, de festa, de aprendizagem, de amizade, são manifestados sentimentos vitais, e percebemos que esses pacientes estavam vivos e não era em momento algum poderíamos trata-los como “coitadinhos”, delimitamos regras, limites, e respeito com o próximo. E analisamos assim, que a promoção da qualidade de vida também passa por esses momentos. Percebemos que conseguimos levar as crianças ao um fator muito importante, vivenciar o momento com coisas que realmente faziam bem para aqueles pacientes.

O câncer, conforme já mencionado anteriormente, é uma patologia que desencadeia um desgaste emocional muito grande, por isso a proposta lúdica foi justamente minimizar esse efeito, ocasionando ai uma “troca” de papeis, se a criança ou adolescente estiver triste, oferecer o lúdico para ficar alegre, do sério o cômico, fazendo com que de alguma forma as perdas que esses sujeitos têm sejam reduzidas ao máximo. Como as conseqüências que o câncer trás é raiva, revolta, depressão, medo, angústia, isolamento, conseguimos reverter os papeis tendo como base as respostas . Influenciando assim em aspectos biopsico-soiais (afirmação essa enraizada na revisão de literatura e nossas observações sistematizadas), conseqüentemente melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Através das fotos, também percebemos a satisfação das crianças de estarem brincando. Nesse momento, ocorreu muita felicidade, descontração e interação. As atividades propostas causavam um bem-estar, podendo assim experimentar, a partilha, o riso, a confraternização, diminuindo os sentimentos ruins que essa doença trás consigo.

As fotos, conforme mencionado na metodologia serviram como análise dos dados. Porém, por parâmetros da Instituição, essas fotos não puderam ser ilustradas nessa pesquisa, em virtude de normas existentes da ACACCI, na qual respeitamos, mesmo com liberação dos pais e acompanhantes responsáveis não tornaremos público.

As fotos correspondem a algumas atividades que fizemos como teatros (nessa encenação ocorreu um envolvimento muito grande, uma capacidade de assimilação e estimulou a criatividade e para quem assistiu foi um “grande espetáculo”), brincadeiras com dinâmicas de relacionamento interpessoal. Uma dessas foi “reconheço o animal”, onde as crianças de olhos vendados escolhiam um companheiro que estava no circulo, sentava na frente dele e ele tinha que imitar um animal, a pessoa de olhos vendados tinha que reconhecer a voz e dizer de quem era. Outras fotos que temos também foram das comemorações de aniversários, esses momentos eram muito festejados por eles, pela sua luta diária pela vida. Todos comemoravam juntos, com muita alegria, festa, música e comidas.

Com relação à mediação do professor de Educação Física, os pesquisados disseram, através da resposta número dois, que quando as professoras estavam presentes o ambiente era melhor, levavam atividades prazerosas, não deixavam ficar desanimados como podemos perceber nas respostas e através das fotos.

ACOMPANHANTE “L”.

– AINDA BEM QUE VOCES CHEGARAM, PACIENTE ”V” TÁ TÃO TRISTE.

A intervenção das pesquisadoras foi um diferencial bastante significativo, a priori muitas pessoas envolvidas no processo achavam estranho um professor de Educação Física naquele local trabalhando com corpos tão anatomicamente frágeis, mas no decorrer das atividades foram percebendo a seriedade do trabalho e dando confiança e crédito para as professoras/acadêmicas que através de propostas sistematizadas conseguiram alcançar os objetivos dessa pesquisa.

Salientamos assim, a importância de atividades e professores comprometidos com o lúdico, não fazendo apenas um simples passatempo ou uma ocupação, mas um local que manifestasse a totalidade humana dentro de suas nuances, e que percebam que uma brinquedoteca (ou um espaço lúdico) não pode apenas sobreviver de voluntários, embora esses exerçam um trabalho aplausível e digno de todo respeito.

Através do questionário 02, junto com o complemento da pergunta do questionário 01, podemos analisar o papel das pesquisadoras junta a esses sujeitos, tendo também uma aprovação de 100% pelos funcionários da ACACCI. Onde os funcionários disseram estar satisfeito com o trabalho desenvolvido pelas professoras de Educação Física.

A confiança adquirida pelas estagiárias foi acontecendo em “doses homeopáticas”, na medida em que as atividades eram propostas, as funcionárias da ACACCI percebiam a seriedade do trabalho. No começo ocorreram alguns questionamentos, acreditávamos ser normal ate mesmo pelo público particular e delicado, mas foram dando-nos oportunidade também de mostrar que não estávamos ali para simplesmente adquirir um diploma ou que estávamos por obrigação, mas verdadeiramente estávamos atrás de uma pesquisa séria e inédita na área de Educação Física em nível de Espírito Santo.

6 – CONCLUSÃO

Ao termino dessa pesquisa, trazemos a certeza que a atividade lúdica tem papel fundamental na essência humana, iniciando sua atuação desde o nascimento até mesmo em morte iminente. O lúdico potencializa o homem não sob no âmbito individual de suas necessidades, mas até mesmo enquanto homem inserido na sociedade.

Essa pesquisa trabalhou com um público envolvente de carinho, de esperança, de solidariedade, de amizade, de percepção de valores e de ética. Partilhamos as tristezas das perdas, partilhamos o choro, mas fundamentalmente partilhamos à alegria, a felicidade, as festas, os desenvolvimentos e conhecimentos adquiridos.

Analisamos que, mesmo com uma doença crônica, a criança e o adolescente não deixam de sonhar, e até mesmo utilizam-se desses sonhos para enfrentar sua realidade. Todo esforço se faz necessários para que a ação do brincar torne-se uma realidade. O lúdico promove a continuidade da experiência de vida do sujeito.

Conclui-se, portanto, que através das práticas lúdicas temos efeitos minimizadores para auxiliar no tratamento ao câncer. Pelas brincadeiras as crianças e os adolescentes desenvolvem a saúde integral, socializa-se, explora o ambiente, expõe seus pensamentos, criam modos de expressar-se, desenvolve a autonomia. Concluímos que através do lúdico, temos uma melhora da qualidade de vida, mesmo no ambiente hospitalar ou em casas de apoio, quando eles brincam tornam esse ambiente menos angustiante.

Observa-se o importante papel sistematizado do professor de Educação Física frente a essa população através de planos interventivos e de vivências relacionadas, ao olhar, tocar, proporcionar situações, movimentar a criança/adolescente, estar igualmente mobilizado com suas emoções, seus pensamentos e, de forma lúdica, influenciando seu comportamento e seu desenvolvimento.

Percebemos a necessidade da Educação Física de buscar e conquistar seus espaços pertinentes enquanto área da saúde. Percebendo que as possibilidades da área são bem abrangentes, mas que essas possibilidades surgirão através de pesquisas e identificando os valores e objetivos desta área de conhecimentos. Não apenas aquela vista em academias ou escolas, mas uma Educação Física que abrace o homem em todas as suas nuances, agregando-se até mesmo nas ciências humanas e sociais. Comprometendo-se os profissionais com seus deveres para uma Educação Física de movimento humano e dizer não a uma alienação de corpos perfeitos.

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8 – ANEXOS

8.1 – ANEXO 01

QUESTIONÁRIO 01

1 – QUAL O SEU SENTIMENTO QUANDO VOCE BRINCA?

2 – E QUANDO A GENTE (TIA NÉIA E TIA NARINHA) ESTÁ AQUI PARA BRINCAR COM VOCES, O QUE VOCE SENTE?

3 – QUANDO VOCES SAEM DAQUI VOCES CONTINUAM A BRINCAR? ENSINAM O QUE VOCES APRENDERAM PARA OUTRAS PESSOAS?

PACIENTE A:

1) GOSTO DE BRINCAR PORQUE TO ALEGRE
2) COM AS TIAS É MELHOR, SOZINHO DESANIMA
3) PINTAR COM OS AMIGOS, ASSISTE DVD

PACIENTE B:

1) POR QUE FICO ALEGRE, NÃO TO TRISTE, QUANDO TO TRISTE EU NAO BRINCO
2) FAZ COMPANHIA, NÃO FICA BOM QUANDO ELAS NAO TAO, GOSTO MUITO
3) BRINCO DE ADEDONHA, DESENHO, CANTO.

PACIENTE C

1) GOSTO, FICO MAIS FELIZ.
2) GOSTO, PORQUE É MELHOR.
3) NÃO, PORQUE SÓ CONVERSO.

PACIENTE D

1) GOSTO, O TEMPO PASSA RAPIDO, FICO FELIZ
2) GOSTO, PORQUE TEM COMPANHIA, BRINCADEIRAS LEGAIS.
3) AS VEZES, PORQUE TEM POUCA CRIANÇA

PACIENTE E

1) GOSTO, PORQUE FICO FELIZ
2) GOSTO, FICA MELHOR, EU ATENTO VOCES.
3) SIM, CARRINHO.

QUESTIONÁRIO – 02

1 – O TRABALHO DESENVOLVIDO PELAS ESTÁGIÁRIAS FOI SATISFATÓRIO, CONSEGUINDO ATINGIR AS EXPECTATIVAS? SIM ( ) NÃO ( )

Funcionário “C”

( X ) SIM ( )

Funcionário “E”

( X ) SIM ( )

Funcionário “S”

( X ) SIM ( )

Funcionário “L”

( X ) SIM ( )

8.2 – ANEXO 02

MODELO – CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIMENTO I

Em cumprimento ao protocolo de pesquisa, apresento a ASSOCIAÇÃO CAPIXABA CONTRA O CANCER INFANTIL, o projeto de pesquisa “O LÚDICO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER NA ACACCI: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA” de autoria das alunas Ednara Nepomuceno e Ednéia Oliveira Santos, como recomendação para a realização do trabalho de conclusão de curso de graduação (bacharelado) em Educação Física, pela FACULDADES INTEGRADAS SÃO PEDRO – FAESA.

O objetivo da pesquisa é investigar os efeitos da atividade lúdica orientada no tratamento do câncer, como forma de promoção da qualidade de vida dos portadores dessa patologia. Desse modo, a pesquisa será desenvolvida nas dependências da ACACCI (podendo a mesma ocorrer em outro ambiente externo) por meio da observação participante com gravações, entrevistas e registros em diário de campo.

Os dados terão tratamento ético, com garantia de proteção dos nomes dos sujeitos e autorização da participação das crianças e adolescentes pelas famílias. O trabalho será realizado a partir de negociações com os sujeitos, no decorrer do estudo. Os dados/resultados da pesquisa serão apresentados no texto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e poderão ser utilizados para publicação, congressos e outros eventos. Por isso, solicito sua autorização por meio da assinatura deste Termo de Consentimento:

8.3 – ANEXO 03

MODELO – CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIMENTO II

Em cumprimento ao protocolo de pesquisa, apresento aos pais/responsáveis pelas crianças e adolescentes da ASSOCIAÇÃO CAPIXABA CONTRA O CANCER INFANTIL, o projeto de pesquisa “O LÚDICO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER NA ACACCI: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA” de autoria das alunas Ednara Nepomuceno e Ednéia Oliveira Santos, como recomendação para a realização do trabalho de conclusão de curso de graduação (bacharelado) em Educação Física, pela FACULDADES INTEGRADAS SÃO PEDRO – FAESA.

O objetivo da pesquisa é investigar os efeitos da atividade lúdica orientada no tratamento do câncer, como forma de promoção da qualidade de vida dos portadores dessa patologia.Desse modo, a pesquisa será desenvolvida por meio da observação participante com gravações, entrevistas e registros em diário de campo.

Para garantir o tratamento ético dos dados, o nome das pessoas que participaram da pesquisa, será mantido em sigilo, e serão utilizadas apenas as iniciais dos nomes, preservando, sobretudo, a integridade do grupo. Os dados/ resultados da pesquisa serão apresentados no texto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e poderão ser utilizados para publicação, utilizados em congressos ou outros. Por isso, solicito sua autorização por meio da assinatura deste Termo de Consentimento:

Eu, _______________________________________________, responsável pelo ___________________________________________(nome do menor), da ASSOCIAÇÃO CAPIXABA CONTRA O CANCER INFANTIL, autorizo sua participação no projeto de pesquisa “O LÚDICO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER NA ACACCI: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA” de autoria de Ednara Nepomuceno e Ednéia Oliveira Santos – FAESA, concordando com os procedimentos acima apresentados.

Assinatura:____________________________________RG:___________________

Telefone:________________________________________ Data: ____________________

8.4 – ANEXO 04

PLANO DE INTERVENÇÃO

Tema: O lúdico como promoção da qualidade de vida a crianças e adolescentes com neoplasia: O papel do professor de Educação Física.

FAESA – FACULDADES INTEGRADAS SÃO PEDRO

INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

CURSO EDUCAÇÃO FÍSICA

Curso: Educação Física

Alunos:

Ednara Nepomuceno
Ednéia Oliveira Santos

Período: MARÇO a JUNHO / AGOSTO A NOVEMBRO
Local: Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI)
Público Alvo: Crianças e adolescentes com câncer

OBJETIVO GERAL

Minimizar o impacto psicossocial provocado pela doença e pelo tratamento, por meio de desenvolvimento de atividades lúdicas regulares junto às crianças e adolescente com neoplasia

OBJETIVO ESPECÍFICO

* Desenvolver atividades lúdicas através de jogos, música, teatro e recreação.
* Estimular a criatividade através das oficinas de brinquedos
* Desenvolver coordenação motora por meio de circuitos.
* Promover momentos recreativos e interativos das crianças e adolescentes com os familiares e comunidades da ACACCI.

CONTEÚDO

Jogos, oficinas de brinquedos, música, teatro, recreação, festival de cinema, dança, ginástica, passeios

METODOLOGIA

A dinâmica do estágio dar-se-á por encontros semanais, que acontecerão nos finais de semana: sábados e domingos nos horários de 08h às 11h; podendo se estender caso a programação para o encontro seja mais extensa.

As crianças e adolescentes receberão atendimentos distintos, ou seja, terão horários diferenciados com duração de uma hora e meia para cada grupo. O horário de ambos deverá ser definido com a instituição atendendo a sua demanda.

As atividades desenvolvidas serão: vivencia de jogos; construção de brinquedos durante as oficinas de brinquedos; ouvir e cantar música; encenar e assistir teatro; festival de cinema; vivenciar dança e ginástica; e passeios.

Para o desenvolvimento das atividades serão utilizadas as dependências da ACACCI: brinquedoteca, salão externo, auditório, e também realizaremos trabalhos no hospital infantil.

Os passeios acontecerão de forma integrada ao cronograma da ASSOCIAÇÃO.

RECURSOS MATERIAIS

Brinquedos diversos, televisão, vídeo, bambole, colchenete, material reciclável, corda, cones, bola, cola, barbante, tesoura, giz, tinta guache, pinceis.

11 – AVALIAÇÃO

Ao longo do projeto realizaremos avaliações sistemáticas do desenvolvimento do mesmo: as atividades programadas, e demais aspectos que envolvem o atendimento as crianças e adolescentes. Avaliaremos também os participantes ao longo das atividades.

GESTÃO E CONTROLE DE ESTOQUE PARA BIOFARMA

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SUMÁRIO

RESUMO
1 INTRODUÇÃO
2 GESTÃO DE ESTOQUE
2.1 CONCEITOS
2.2 POR QUE GERENCIAR ESTOQUES?
2.3 GERENCIAR INFORMAÇÕES NA GESTÃO E CONTROLE DE ESTOQUES
2.4 CLASSIFICAÇÃO DE ESTOQUE
2.5 CLASSIFICAÇÃO ABC, CURVA OU MÉTODO ABC
2.6 CLASSIFICAR PARA TER O CONTROLE DE ESTOQUE
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS: A BIOFARMA
4 O APERFEIÇOAMENTO DO CONTROLE DE ESTOQUES DA BIOFARMA
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
BIBLIOGRAFIA
ANEXOS

RESUMO

Gerenciar estoques por meio de critérios rigorosos deve ser uma preocupação constante, porque eles representam parcela substancial dos ativos da empresa. Neste sentido, as gerências devem encarar os estoques como fator potencial de geração de negócios e de lucros, cabendo ao gestor verificar se eles estão tendo utilidade adequada ou sendo um “peso morto”, sem retorno sobre o capital investido. Frente a isso, esse TCC estrutura-se para apresentar a elaboração, desenvolvimento e os resultados obtidos com a implantação de um sistema de gestão e controle de estoque na empresa L.J. de Alencar Drogaria, “Drogaria Biofarma”, Nova Santa Helena – MT. A empresa apresentava problemas de controle de estoque, pois mesmo possuindo um sistema informatizado de controle (gerenciador de informações), o mesmo era feito manualmente, porque não havia um sistema de classificação suficiente para suprir de informações o gerenciador.

Assim, não era lançado o volume exato de vendas e as informações disponíveis sobre estoque mínimo e máximo. Mediante isso, sugeriu-se à empresa que reativasse o gerenciador, aperfeiçoando-o, efetuando a classificação dos medicamentos. A metodologia de trabalho estabeleceu-se com base na pesquisa exploratória, avaliação de resultados, de caráter quantitativo, porque este tipo de pesquisa ofereceu instrumentos adequados para fazer o processo de coleta de dados necessários para estabelecer a classificação dos medicamentos da farmácia dentro do sistema ABC de classificação. A implantação trouxe mudanças para a empresa, uma vez que promoveu modificações consistentes nos setores mobilizados, principalmente na organização e controle do estoque. O processo, em sua totalidade, teve resultado satisfatório com relação ao objetivo proposto.

Palavras-chave: Estoques. Gestão. Classificação ABC. Controle.

1 INTRODUÇÃO

Quando o assunto é Administrar uma empresa, uma das maiores preocupações dos gestores, em geral, é administrar os recursos organizacionais disponíveis capazes de propiciar condições de negócios. Dentre os recursos situam-se os materiais, os financeiros, os humanos e os tecnológicos. Cada um desses recursos é objeto de estudo por uma das áreas da administração de empresa.

Contemplados dentro dos estudos da administração de materiais, os estoques têm função fundamental na empresa e o seu estudo pelos gestores é de grande importância dado seu papel de elemento regulador, quer no fluxo de produção, quando se trata de processo de manufatura, quer no fluxo de vendas, no processo comercial.

O estoque é visto como um recurso produtivo que, finalizada a cadeia de suprimentos, ele cria valor para o consumidor final. As empresas procuram, de uma forma ou de outra, obter vantagem competitiva em relação a seus concorrentes, e a oportunidade de atendê-los prontamente, no momento e na quantidade desejada, é otimizada com a gestão eficaz dos estoques. Neste sentido, os gerentes devem ser conscientes com relação ao estoque e sua movimentação adequada podendo, então, tirar vantagens dele, obtendo o máximo de retorno e benefícios em relação ao capital e aos recursos investidos.

Tendo em vista a importância do tema, o presente Trabalho de Conclusão de Curso – TCC – compõe-se para demonstrar as fases de elaboração, desenvolvimento e os resultados obtidos com a implantação de um sistema de gestão e controle de estoque na empresa-alvo de estudo, a L.J. de Alencar Drogaria, “Drogaria Biofarma”, localizada na cidade de Nova Santa Helena – MT.

Durante o período do Estágio Supervisionado em Administração, foi possível identificar o problema pelo qual passava a empresa e também fazer sugestões para que se pudesse resolvê-lo. Foi identificado que a Biofarma não possuía um controle de estoque que assegurasse a disponibilidade de medicamentos para o atendimento aos clientes. Foi detectado também que, mesmo a Biofarma possuindo um sistema informatizado de controle de estoque (gerenciador de informações), este estava inativo e o controle era feito manualmente por um funcionário, tornando-se falho porque nem sempre o funcionário lançava o volume exato de vendas e as informações disponíveis sobre estoque mínimo e máximo eram incorretas. Além disso, verificou-se que a empresa classificava seu estoque por um sistema simplificado e não suficiente para suprir de informações o gerenciador.

Mediante as necessidades identificadas, sugeriu-se à empresa que reativasse o gerenciador e, para isso foi efetuada a classificação dos medicamentos visando otimizá-la com o intuito de sanar o problema de falta de informações.

A classificação foi efetuada e para isso adotou-se o sistema de classificação, por itens, pelo método da curva ABC, verificando os medicamentos com maior saída nas vendas para o estabelecimento do nível médio de estoque, garantindo assim, segurança para a qualidade de atendimento ao cliente. Além de classificar foi estabelecido o controle de estoque pelo método de sistemas dos máximos – mínimos ou quantidades fixas. Este sistema é utilizado quando se há dificuldades para determinar o consumo ou quando ocorre variação no tempo de reposição.

Desta forma, o TCC se justifica por constatar que o momento foi oportuno para a implementação do sistema de gestão e controle de estoques na empresa, tendo em vista que ela estava sofrendo perdas significativas em vendas em função de não ter um controle criterioso do seu estoque. Assim dificultando o atendimento dos clientes principalmente, em alguns medicamentos de maior circulação. A implantação trouxe mudanças para a empresa, uma vez que promoveu modificações consistentes nos setores mobilizados, principalmente na organização e controle do estoque.

Além disso, a implantação foi viável e importante. Foi viável porque os custos foram baixos, já que a Biofarma possuía o gerenciador, sendo necessário somente reativá-lo. Com relação às informações, elas foram disponibilizadas a tempo, tanto para a empresa quanto para a realização do trabalho; foi importante porque possibilitou à empresa a operacionalização de suas vendas de forma mais segura, deixando de promover prejuízos próprios, obtendo com isso resultados gerenciais mais precisos.

A metodologia de trabalho estabeleceu-se com base na pesquisa exploratória, avaliação de resultados, de caráter quantitativo e qualitativo, porque este tipo de pesquisa ofereceu instrumentos adequados para fazer o processo de coleta de dados necessários para estabelecer a classificação dos medicamentos da farmácia dentro do sistema ABC de classificação.

Os dados foram coletados por meio da técnica de observação participativa, partindo da observação de forma aberta, que segundo Roesch (1999, p.162), “ocorre quando o pesquisador tem permissão para realizar a pesquisa na organização e todos sabem a respeito de seu trabalho.”

Quando em fase de observação participativa, foram descritas as características dos itens que influem na administração de estoques, com base no valor monetário; e classificados itens por grupo, com base nos critérios estabelecidos, aplicou-se o grau de controle proporcional à importância do grupo; foi estabelecido o controle de estoques, pelo método de sistemas dos máximo – mínimos ou quantidades fixas, estimando-se os estoques máximo e mínimo para cada item, em função de uma expectativa de consumo previsto para determinado período. A partir disso, calculou-se o ponto de pedido ou de ressuprimento, isto é, a quantidade de itens de estoque que ao serem atingidas requer a análise para ressuprimento dos mesmos, de acordo com o seu tempo de reposição.

Os resultados foram submetidos à análise estatística uma vez que houve necessidade de inserir dados no gerenciador com vistas a proceder a gestão do estoque e seu controle de forma efetiva. Após a análise do conteúdo, apresentou-se os resultados obtidos em forma de textos analítico-discursivos que compuseram o presente trabalho.

Para expor os resultados obtidos, o TCC estrutura-se da seguinte forma: na primeira parte está a introdução; em seguida a revisão da literatura, a qual foi explanando a base teórica do TCC; logo após, serão apresentados os resultados obtidos com a implantação do sistema na empresa; e, finalmente as considerações sobre o trabalho desenvolvido, as propostas e sugestões para a manutenção e controle das ações planejadas e executadas no período mencionado bem como a bibliografia que deu suporte teórico ao trabalho.

2 GESTÃO DE ESTOQUE

2.1 CONCEITOS

Para falar em gestão de estoque, antes de tudo é necessário conceituar – lá, tendo em vista que o termo é amplo que engloba aspectos diferenciados de categorias de produtos a serem estocados.

Na concepção de Gitman, o estoque é um investimento apreciável pelas empresas, sendo assim considerado porque exige o comprometimento de recursos os quais poderiam ser direcionados a outras alternativas rentáveis dentro da empresa. Na realidade, constata-se que, quanto maiores forem os saldos médios de estoques, serão a quantia investida e os custos envolvidos. Assim a avaliação de alterações planejadas nos níveis de estoques, deve ser considerada pelo gestor financeiro do ponto de vista de custo versus benefícios.

O autor acima citado, complementa, enfatizando que estoques ou bens são ativos circulantes necessários, que possibilitam o funcionamento da produção e/ou vendas com um mínimo de distúrbio e, como as duplicadas à receber, representam um investimento significativo por parte da maioria das empresas (GITMAN, 1997, p. 713).

Os tipos de estoques são classificados de acordo com o tipo de organização e setor de serviços. A saber, existem três tipos básicos de estoque que são matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados.

O estoque de matérias-primas consiste de itens adquiridos pela empresa – geralmente, materiais básicos farmacêutico.

Relativo a estoque de produto em elaboração, nele é englobado todos os itens que estão passando pelo processo de produção. Eles são, em geral, produtos parcialmente acabados que estão em algum estágio intermediário de acabamento.

O estoque de produto acabado, por sua vez, consiste de itens que foram produzidos, mas ainda não acabados.

O conceito de estoque dado por Francischini e Gurgel (2004, p. 81) é essencialmente o mesmo feito por Gitman (1997), ou seja, “quaisquer quantidade de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo”. Podendo ser de quatro tipos, entre os quais matéria-prima; estoque de materiais em processo; estoque de produtos auxiliares e estoque de produtos acabados, a saber, estes últimos os produtos prontos para a comercialização.

Sobre estoque, Arnold (1999, p. 265) apresenta o seguinte:

São materiais e suprimentos que uma empresa ou instituição mantém, seja para vender ou para fornecer insumos ou suprimentos para o processo de produção. Todas as empresas e instituições precisam manter estoques. Freqüentemente, os estoques constituem uma parte substancial dos ativos totais. Em termos financeiros, os estoques são muito importante para as empresas eles representam 20% a 60% dos ativos totais. À medida que os estoques vão sendo utilizados, seu valor se converte em dinheiro, o que melhora o fluxo de caixa e o retorno sobre o investimento.

Conforme Viana (2000, p. 109), o termo estoque é um termo abrangente que pode ser considerado “como representativo de matérias-primas, produtos semi-acabados, componentes para montagem, sobressalentes, produtos acabados, materiais administrativos e suprimentos variados.”, e assume significados dos mais diversos nas organizações, dependendo do tipo de atividade que ela exerça.

No sentido das diversas caracterizações dos estoques, Viana (2000, p. 109) define estoque de acordo com o que segue:

Materiais, mercadorias ou produtos acumulados para a utilização posterior, de modo a permitir o atendimento regular das necessidades dos usuários para a continuidade das atividades da empresa, sendo o estoque gerado, conseqüentemente, pela impossibilidade de prever-se a demanda com exatidão; ou reserva para ser utilizada em tempo oportuno.

O Autor ainda destaca “os estoques são recursos ociosos que possuem valor econômico, os quais apresentam um investimento destinado a incrementar as atividades de produção e servir aos clientes”.

Cunha (2001) afirma que estoques são certas quantidades de itens mantidos em disponibilidade constante e renovados permanentemente para produzir lucros e/ou serviços. Entende-se, portanto, que o estoque é o ativo da empresa que se encontra na eminência de ser transformado em lucro. Qualquer quantidade, em qualquer lugar das mais diversas empresas, que estiver disponível para trazer rentabilidade para a organização, é estoque.

Frente à exposição realizada, considera-se que os estoques podem ser entendidos ainda, de forma generalizada, como certa quantidade de itens mantidos em disponibilidade constante e renovados, permanentemente, para produzir lucros e serviços. São lucros provenientes das vendas e serviços, por permitirem a continuidade do processo produtivo das organizações. Representam uma necessidade real em qualquer tipo de organização e, ao mesmo tempo, fonte permanente de problemas, cuja magnitude é função do porte, da complexidade e da natureza das operações da produção, das vendas ou dos serviços.

Levando em consideração os conceitos expostos, um fator importante é que o essencial em Gestão de Estoque é otimizar o investimento, aumentando o uso eficiente dos meios de planejar e controlar, minimizando as necessidades de capital de estoque. Os estoques, matéria-prima, produto em processo e de produtos acabados não podem se vistos independentemente. Seja qual for a decisão tomada e o bom atendimento da vendas.

Cumpri também destacar que a conceituação apresentada não difere uma da outra, deixando claro que o importante para esse trabalho é o que os autores indicam como estoque para venda, tendo em vista que a empresa-alvo de estudo é a Biofarma, uma empresa do ramo de comercialização de medicamentos.

2.2 POR QUE GERENCIAR ESTOQUES?

A gestão de estoque é, basicamente, o ato de gerir recursos ociosos possuidores de valor econômico e destinado ao suprimento das necessidades futuras de material, numa organização. Ela visa, portanto, numa primeira abordagem, manter os recursos ociosos expressos pelo inventário, em constante equilíbrio em relação ao nível econômico ótimo dos investimentos. E isto é obtido mantendo estoques mínimos, sem correr o risco de não tê-los em quantidades suficientes e necessárias para manter o fluxo da produção ou venda em equilíbrio com o fluxo de consumo.

Tendo consciência de que os estoques representam parcela substancial dos ativos da empresa, as gerências devem encarar os estoques como fator potencial de geração de negócios e de lucros, cabendo ao administrador verificar se eles estão tendo utilidade adequada ou sendo um “peso morto”, não apresentando um retorno sobre o capital investido. Disso resulta a fundamental importância de se estabelecer critérios rigorosos de gestão de estoques. O que segue são alguns conceitos e definições sobre gerir estoque nas empresas.

A gestão de estoques, segundo Garcia Martins e Campos Alt (2001), compõe-se por uma série de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo utilizados de maneira racional, isto é, manuseados, classificados e controlados de acordo com as necessidades da empresa.

Disso resulta a essencialidade do papel dos estoques na empresa, haja visto que atuam como elemento regulador, tanto para a produção quanto para as vendas. O estoque é considerado como um recurso produtivo que oferece valor para o consumidor final e que as empresas procuram, na medida do possível, obter vantagem competitiva no atendimento ao cliente, disponibilizando prontamente o produto para atendê-lo, no momento e na quantidade desejada. Isto só é possível frente a uma gestão eficaz de estoques.

É importante destacar também que a gestão de estoque é responsável pelo planejamento e controle de estoque, isto porque a administração deve estabelecer regras de decisões referentes aos estoques, sendo que estas regras incluem verificar quais os itens individuais de estoques é mais importantes, como os itens individuais devem ser controlados, quanto pedir de cada vez e quando emitir um pedido.

Ninguém administra estoques sem um objetivo final. Arnold (1999, p.271) especifica que os objetivos da administração de estoques envolvem desde excelência no atendimento aos clientes até investimentos mínimos em estoques. No que se refere à excelência no atendimento, o autor diz que:

Em termos genéricos, o atendimento ao cliente é a habilidade que uma empresa tem em satisfazer às necessidades dos clientes. Na administração de estoques, o termo é utilizado para descrever a disponibilidade de itens quando necessário, sendo uma mensuração de eficácia da administração de estoques. Os estoques ajudam a maximizar o atendimento aos clientes, protegendo a empresa da incerteza.

Além disso, sobre a importância de se administrar estoque, enfatiza-se na literatura que a correta administração de materiais pode ser mais facilmente percebida quando os bens necessários não estão disponíveis no momento exato para o atendimento dos clientes.

Por isso a ênfase em Administração de Estoques, segundo Pozo (2002), para que seja estipulado os diversos níveis de materiais e produtos que a organização deve manter, dentro de padrões econômicos, garantindo, assim, o nível de estoque de produto capaz de suprir as necessidades de vendas. Desta forma, a função planejar e controlar é fator primordial numa boa administração de estoques, pois haverá preocupação com os problemas quantitativos e financeiros dos materiais, tendo plena consciência, por meio do controle, das disponibilidades e das necessidades totais, não permitindo condições de falta ou excesso em relação à demanda de venda.

Conforme observado acima e respondendo à questão proposta no início do tópico, administrar o estoque é uma função que exige do administrador orientações e metas específicas para alcançar objetivos finais. No caso específico da empresa estudada neste TCC, importa lembrar que o objetivo é o controle dos produtos, para que não haja falta dos mesmos para o atendimento ao cliente, fato que vinha acarretando prejuízos para empresa. Com a administração eficiente e eficaz do estoque, a empresa poderá assegurar, entre outros benefícios, a otimização no atendimento. A administração do estoque pode mostrar ao gerente qual o nível ideal de manutenção do estoque, no sentido de providenciar os itens quando estes atingirem o estoque mínimo.

2.3 GERENCIAR INFORMAÇÕES NA GESTÃO E CONTROLE DE ESTOQUES

Atualmente existe um verdadeiro movimento no que diz respeito a implementação de sistemas informatizados de gestão empresarial, conhecidos como ERP, que é o Planejamento dos Recursos do Negócio. Não são apenas as grandes empresas que têm oportunidade para implementação desta solução, as pequenas e médias também. Há várias ofertas e orçamentos destes sistemas que visam basicamente permitir a empresa “falar a mesma língua”, possibilitando uma gestão integrada. Com isso, relatórios gerenciais com informações diferentes estão com seus dias contados. Com os estoques não é diferente. Há uma gama de sistemas gerenciais que propiciam à empresa uma gestão eficiente e eficaz de seus estoques. Assim, mostra-se agora a importância do gerenciamento dos recursos materiais da empresa por meio da informática (BATISTA, 2004).

Com a ênfase na tecnologia de informação e o apoio computadorizado às ações gerenciais, administrar estoques por meio de sistemas computadorizados é feito pela maioria das empresas, uma vez que o sistema facilita o grande número de cálculos relativamente rotineiros envolvidos no controle de estoque. Isso é verdade desde que a coleta de dados seja feita de forma mais conveniente, através do uso de leitores de códigos de barras e pontos de vendas com o registro das transações.

É importante destacar a existência de vários sistemas comerciais de controle de estoque disponíveis no mercado, e quase todos possuem certas funções comuns, que incluem ações de atualização de registros de estoque através do processamento das transações ocorridas, modificando o status, posição de estoque e valor, geração de pedidos por meio de cálculos e fórmulas matemáticas usadas pelos usuários; geração de relatórios de estoques que apóiam o monitoramento e tomada de decisões dos gerentes, finalizando, previsões da demanda futura através da análise dos dados, elaboradas pelos usuários (SLACK, 1996).

Sabe-se que o fluxo de informações é um elemento de grande importância nas operações gerenciais de todos os níveis na empresa. Com ele, podem ser gerenciadas informações como os pedidos de clientes e de ressuprimento, informação sobre pessoal, informações financeiras, de produção, necessidades de estoque, documentação de transporte e faturas. Neste sentido, Batista (2004) argumenta que, se antigamente, o fluxo de informações baseava-se principalmente em papel, resultando em uma transferência de informações lenta, pouco confiável e propensa a erros; hoje, o custo decrescente da tecnologia, associado a maior facilidade de uso, permite aos empresários contarem com meios para coletar, armazenar, transferir e processar dados com maior eficiência, eficácia e rapidez.

O importante na utilização da tecnologia, e isso é domínio comum, é que a transferência e o gerenciamento eletrônico de informações proporcionam uma oportunidade de reduzir os custos de estoques por meio da sua melhor coordenação e controle. Além disso, permite o aperfeiçoamento do serviço baseando-se principalmente na melhoria de informações ao gestor. Gerenciar, assim, com recursos tecnológicos, torna-se uma tarefa menos penosa e mais efetiva. Quando se opta por introduzir um sistema informatizado em qualquer setor da empresa, o objetivo é obter as informações necessárias em tempo real, modernizar processos, programar qualidade e melhorias contínuas nos serviços.

Uma idéia corrente na literatura pesquisada é que a empresa tem benefícios abrangentes quando opta por administrar com instrumentos da informática. Entre os benefícios pode-se destacar a garantia do domínio tecnológico e melhoria dos serviços; ganho de produtividade, pois todas as decisões deixam de ser intuitivas e passam a adotar critérios padronizados, obtendo-se economia de custos; disponibilidade de informações para gestores, funcionários, clientes e fornecedores; processo decisório mais ágil; confiabilidade no banco de dados que pode ser criado e reestruturado com maior facilidade criação de banco de dados; aumento da velocidade de localização das informações e diminuição de manipulação de grande quantidade de documentos; controle efetivo de procedimentos e sistemas (VIANA, 2000).

Além desses, há outros destaques relativos aos benefícios com a implantação sistemas de informações. São eles, de acordo com Oliveira (2002, p. 46):

– Operações com menor custo ;
– Acesso fácil e rápido às informações;
– Maior produtividade;
– Melhoria na prestação de serviços;
– Mais segurança nas tomadas de decisão;
– Maior interação entre as tomadas de decisões;
– Facilidade no fluxo de informação;
– Maior poder aos que controlam o sistema;
– Descentralização de decisão na empresa;
– Maior flexibilidade a empresa diante de situações de imprevisível.

Explicando os itens citados acima, as operações com menor custo, isto é, se a empresa tem um controle eficiente por meio da tecnologia fornecida pelo gerenciador, ela pode reduzir custos de transporte, pois terá tempo suficiente para proceder aos pedidos sem pressa, com programação de compra quando detectar o estoque mínimo. Além disso, mais dois itens podem ser citados, ou seja, melhorias na prestação de serviços e facilidade no fluxo de informações, isto porque as vendas estarão agilizadas, com a pronta verificação do estoque, uma vez que as informações estão disponibilizadas e podem ser acessadas de forma mais rápida no gerenciador, caracterizando, desta forma, tanto as melhorias na prestação dos serviços de atendimento quanto à facilidade no fluxo de informação para o gerenciamento eficaz.

Referente à empresa-alvo de estudo faz-se necessário enfatizar que foi adotado tal procedimento, ou seja, foi reativado um sistema de gerenciamento informatizado para administrar os estoques de medicamentos, porém ele estava desativado e, dado que a empresa estava tendo dificuldades para o ressuprimento devido à falta de informações exatas sobre o estoque, pois a baixa no estoque era feita manualmente, propôs-se a reativação do gerenciador como forma de minimizar o problema identificado.

2.4 CLASSIFICAÇÃO DE ESTOQUE

A classificação de estoque é um processo de agrupamento de materiais por características idênticas. Grande parte do sucesso no gerenciamento de estoque depende fundamentalmente da boa distribuição dos materiais da empresa. Assim, o sistema classificatório pode servir também, dependendo da situação, de processo de seleção para identificar e decidir prioridades.

Viana (2000, pp.110-111), faz uma classificação do consumo dos materiais, de acordo com a quantidade de material demandado para o atendimento das necessidades de produção ou comercialização, em relação há um tempo determinada. O autor diz que a utilização é que determina a classificação do consumo, conforme o consumo seja regular, se caracterizando por utilização significativa dos materiais, em quantidades de pequena variação entre os sucessivos intervalos de tempo constantes. Nessas condições, materiais com comportamento regular, dependendo da situação, podem passar a ter consumo crescente ou decrescente ou ainda de acordo com a tendência de consumo, isto é, se o consumo apresenta tendência crescente ou o consumo apresenta tendência decrescente, decréscimo de utilização.

A respeito do objetivo da classificação de materiais, Dias (1995, p.176), destaca que “O objetivo da classificação de materiais é definir uma catalogação, simplificação, especificação, normalização, padronização e codificação de todos os materiais componentes do estoque da empresa”.

Na classificação, é importante dispor os materiais de maneira que fiquem agrupados conforme a finalidade de sua aplicação. Desta forma, explica-se tornar o processo de classificação como um estudo dos vários tipos de estoques, a fim de se determinar, também, a finalidade de cada um. Essas ações de classificação ainda facilitam e auxiliam o processo de codificação, isto é, ao classificar os bens dentro de suas peculiaridades e função, para posteriormente codificá-los, dando a eles uma numeração que o identifique quanto a seu tipo, uso, finalidade, data de aquisição, propriedade e seqüência da aquisição.

Sobre classificação, segundo Viana (2000, pp. 111-112), pode-se ressaltar que é possível identificar o consumo irregular que é a caracterização de materiais utilizados em quantidades aleatórias, por meio de grande variação entre sucessivos intervalos de tempo e o consumo sazonal, isto é: padrão repetitivo de demanda, que apresenta alguns produtos de considerável elevação em determinado período. E é a própria demanda que caracteriza a intenção de consumo e tem o objetivo básico de fazer previsões, levando-se em consideração dois aspectos relevantes, quais sejam, sua evolução histórica e seus afastamentos, que podem ser identificados analisando-se os tipos de funções (distribuições).

Deve – se observar alguns cuidados relativos ao que se deve ter para incluir itens no processamento e conseqüente cadastramento de novos materiais no estoque, no que se refere à gestão de estoques. Primeiro, verificar as atribuições do gerenciamento, isto é, a necessidade de material; padronização da especificação; codificação; fixação de níveis de estoque; e cadastramento do item no sistema. Além desses cuidados, o autor expõe ainda que haja dois modelos fundamentais de gerenciamento de estoques. São eles: O gerenciamento manual e o gerenciamento mecanizado.

Como gerenciamento manual, caracteriza-se o processo de notificações utilizado pelas empresas nos quais os estoques são controlados manualmente, por meio de fichas de prateleira. O gerenciamento mecanizado, por sua vez é adotado em empresas que utilizam controle por meio da informática, apoio computadorizado.

Na empresa em questão, o gerenciamento de estoque era feito de forma manual, com um critério de armazenamento, que não era suficiente para prover de informações o gerenciador da empresa, daí a necessidade de passar de manual a mecanizado. Daí a necessidade de se adotar um critério de classificação ideal para suprir o gerenciador a ser reativado para o processo de gestão e controle do estoque da empresa em estudo.

2.5 CLASSIFICAÇÃO ABC, CURVA OU MÉTODO ABC.

O princípio da classificação ABC, também chamado de curva 80 – 20 é atribuído a Vilfredo Paretto, renascentista italiano do século XIX. Em 1897, ele executou um estudo sobre a distribuição de renda e percebeu que a distribuição de riqueza não se dava de maneira uniforme, havendo grande concentração de riqueza (80%) nas mãos de uma pequena parcela da população (20%).

Desde então, tal princípio de análise tem sido estendido a outras áreas e atividades, como a industrial e a comercial, e mais intensamente aplicado a partir da segunda metade do século XX. A curva ABC tem sido bastante utilizada para a administração de estoques, para a definição de políticas de vendas, para o planejamento da distribuição, para a programação da produção e uma série de problemas usuais de empresas quer sejam estas de características industriais, comerciais ou de prestação de serviços. Esse princípio tem tido larga aplicação na área comercial pela constatação de que a maior parte das vendas é gerada por relativamente poucos itens da linha da empresa, ou seja, 80% das vendas provêm de 20% dos itens da linha de produtos.

Trata-se de uma ferramenta gerencial que permite identificar quais itens justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua importância relativa. Destaca-se que o desenvolvimento e a utilização de computadores cada vez mais baratos e potentes têm possibilitado o surgimento de “softwares mais amigáveis” que conduzem ao rápido e fácil processamento do grande volume de dados, muitas vezes requerido por este tipo de análise.

Tubino (2000, p. 108) define a classificação ABC, ou curva de Pareto, como o método de diferenciação dos estoques, segundo sua maior ou menor abrangência em relação a determinado fator. A técnica consiste em separar os itens por classes de itens de acordo com sua importância relativamente ao fator selecionado.

O que se observa é que a curva sobe rapidamente, devido ao fato de que os primeiros itens são os mais importantes em termos de investimento. Posteriormente, o crescimento é lento, até atingir o nível dos cem por cento, que corresponde ao último item ou o menos importante.

Conforme MOREIRA (2001, p. 468), a metodologia ABC é aplicável a qualquer caso de classificação de itens, de qualquer natureza ou critério. Como regra geral, cerca de 20% dos itens estocados responde por quase 70% do investimento, enquanto a grande maioria dos itens, cerca de 70%, não ultrapassa a 20% do investimento total.

De acordo com Dias (1995, p. 85), a Curva ABC é um importante instrumento para o gestor, isto por que: “Ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração. Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa”.

Os materiais são classificados, basicamente, em três classes:

A – aqueles materiais com valores mais representativos;
B – aqueles materiais com valores intermediários;
C – aqueles materiais com valores baixos valores.

Os itens da classe A são os mais importantes e devem receber toda a atenção do gestor porque ele detém o maior percentual de investimento em estoques feito pela empresa, cerca de 80%. Já os itens B, são considerados itens intermediários e devem ser tratados, em grau de importância, logo após os itens A, pois representam 15% do valor de investimento. Os itens se, por sua vez são considerados de menor importância e, mesmo em maior quantidade, tem valor monetário reduzido, requerendo menor preocupação do gestor porque representa, em termos de investimento em estoques, cerca de 5% (POZO, 2002).

QUADRO 1: CLASSIFICAÇÃO ABC

FONTE: Adaptado de POZO (2002, p.87)

Neste sentido, a classificação ABC é um instrumento de planejamento que permite orientar os nossos esforços onde os resultados poderão ser mais importantes, como nos materiais da classe A que, geralmente representam cerca de 75% em valor e são cerca de 10% dos itens em estoque. Esses percentuais são flexíveis, podendo ser 80-15-5 e outros.

É importante salientar que os autores citados propõem a classificação de acordo com o grau de importância que é uma das características do método ABC.

A classificação ABC, além de previsão e controle de estoque, pode ser usada para definir a freqüência e critério de seleção, nos casos de adoção de levantamento físico por amostragem, para estabelecer diferentes períodos para a revisão dos níveis de estoque, e para determinar o estoque de segurança para os diferentes níveis de estoque para as classes ABC (POZO, 2002).

Classificar estoque é, assim, processar uma aglomeração de materiais por características similares. Da classificação organizada dos materiais da empresa, dependem os resultados positivos do gerenciamento de estoque. No sentido de obter otimização na classificação e seqüente sucesso no gerenciamento de estoque, Viana (2000, p. 51), expõe o que segue:

É o sistema classificatório pode servir também, dependendo da situação, de processo de seleção para identificar e decidir prioridades existe infinitas formas de classificação uma boa classificação deve considerar alguns atributos:

– Abrangência: Deve tratar de uma gama de característica em vez de reunir apenas materiais para serem classificados.
– Flexibilidade: Deve permitir interface entre os tipos de classificação, de modo que se obtenha ampla visão do gerenciamento de estoque.
– Praticidade: A classificação deve ser direta e simples.

A necessidade de um sistema de classificação é primordial para qualquer empresa que tenha necessidade de estocagem de produtos, pois sem esta não se pode controlar eficientemente seus estoques e o procedimento de armazenagem adequada, além de uma operacionalização do almoxarifado de maneira correta.

Com relação à técnica ABC, ela consiste da separação dos itens de estoque em três grupos de acordo com o valor de demanda anual, em se tratando de produtos acabados, ou valor de consumo anual quando se tratarem de produtos em processo ou matérias-primas e insumos. O valor de consumo anual ou valor de demanda anual é determinado multiplicando-se o preço ou custo unitário de cada item pelo seu consumo ou sua demanda anual.

No que se refere ao caminho para a montagem e aplicabilidade da Curva ABC, deve-se seguir quatro passos fundamentais. Primeiro, levanta-se todos os itens a serem classificados, objeto de analise, com suas respectivas quantidade, preços unitários e preços totais. Em seguida, coloca os itens em uma tabela em decrescente de preços totais, e sua somatória total. Essa tabela deve estar composta das seguintes colunas: itens, preço total, preço acumulado e porcentagem. O próximo passo é dividir cada valor total de cada item pela somatória total de todos os itens e colocar a porcentagem obtida em sua respectiva coluna. Finalmente, devem-se dividir todos os itens em classe A, B, C, de acordo com nossa prioridade e tempo disponível para tomar decisão de reposição.

2.6 CLASSIFICAR PARA TER O CONTROLE DE ESTOQUE

A função do Controle de Estoque é maximizar os efeitos negativos da acumulação de matérias provenientes de vendas não realizadas, ajudando no ajuste do planejamento de produção. O objetivo básico do controle de estoques é evitar a falta de material sem que esta diligência resulte em estoques excessivos às reais necessidades da empresa.

A administração do controle de estoque deve minimizar o capital total investido em estoques, pois ele é caro e aumenta continuamente, uma vez que, o custo financeiro também se eleva. Uma empresa não poderá trabalhar sem estoque, pois, disso depende para a função amortecedora (venda ou produção) entre vários estágios de produção vai até a venda final do produto.

Os autores estudos têm o seguinte consenso sobre classificação de estoque para o controle efetivo, conforme segue:

“O controle de estoque é a função administrativa que consiste em medir e corrigir o desempenho de qualquer atividade, visando os interesses da empresa”. A empresa mantém seus produtos expostos nas prateleiras em ordem alfabética de sua formulação química (VIANA, 2000 p.137)

“A administração de estoque exige que todas as atividades envolvidas com controle de estoque, qualquer que seja a forma sejam integradas e controlada em um sistema em quantidade e valores”. (DIAS, 1995, p.21),

A função controle de estoque cabe o tratamento de todos os dados relacionados às quantidades e valores de consumo e tempo de reposição ou ressuprimento. Com base nesses dados pode-se planejar e garantir suprimentos para a empresa efetuar vendas. Assim, definir QUANTO e QUANDO comprar itens de consumo ou venda constante é, na essência, a função de controle de estoques, ao lado de outras funções de controle necessárias numa unidade Armazenadora de Materiais.

Basicamente os Sistemas de Controle de Estoques consistem em:

a. Ficha Kardex: ficha de papel para ser manipulada em fichários metálicos;
b. Planilha Eletrônica usada em microcomputador eletrônico;
c. Sistema Informatizado Local;
d. Sistema informatizado Corporativo (em Rede em toda a Organização).

Explicando que o fichário de estoque (ou ficha kardex de estoque) é um conjunto de documentos e informações que servem para informar, analisar e controlar os estoques de materiais. Atualmente o FE conta com a ajuda do computador devido ao número de itens a ser controlado serem muito volumosos. Daí a importância, hoje, dos sistemas informatizados e planilhas eletrônicas.

O controle de estoque é de suma importância para a empresa, sendo que se controlam os desperdícios, desvios, apuram-se valores para fins de análise, bem como, apura o demasiado investimento, o qual prejudica o capital de giro. Quanto maior é o investimento, também maior é a capacidade e a responsabilidade da empresa.

O objetivo do controle de estoque é otimizar o investimento em estoque, aumentando o uso dos meios internos da empresa, diminuindo as necessidades de capital investido.

O controle de estoque tem também o objetivo de planejar, controlar e replanejar o material armazenado na empresa.

Para se organizar um setor de controle de estoque, inicialmente devem-se descrever suas principais funções:

Determinar o que deve permanecer em estoque o que se deve reabastecer no estoque, o que será necessário para um período pré-determinado, ao departamento de compras para executar a aquisição de estoque, receber, armazenar os materiais estocados de acordo com as necessidades do estoque, em termos de quantidade e valor e fornecer informações sobre sua posição, manter inventários periódicos para avaliação das quantidades e estados dos materiais estocados;

Identificar e retirar do estoque os itens danificados.

Existem determinados aspectos que devem ser especificados, antes de se montar um sistema de controle de estoque. Um deles refere-se aos diferentes tipos de estoques existentes na empresa.

Segundo Chiavenato (2005, p. 77), constitui-se um grande desafio às empresas planejar e controlar os estoques para mantê-los em nível de dimensionamento desejado ou reduzi-lo sem afetar o processo que dele depende, nem aumentar os custos financeiros. Assim:

Os estoques tendem a flutuar, e é muito difícil controlá-los em toda a sua extensão, os estoques não podem ser muito grandes, pois implicam desperdício e o capital empatado desnecessariamente, nem podem ser muito pequenos, pois envolvem o risco de falta para tanto, a empresa precisa conhecer seus estoques e obter dados e informações relevantes sobre os mesmos. Para conhecer e controlar os estoques são necessárias ferramentas administrativas básicas: o fichário e a classificação ABC.

Aqui, optou-se pela classificação ABC como método para implementar o controle de estoques na Biofarma, teoria esta já explanada em seus conceitos. Convém agora esclarecer que, independente das ferramentas administrativas citadas, o fichário de estoque e a classificação ABC, há ainda outros quatro métodos de controle de estoques passiveis de uso. São eles:

– Sistema de duas gavetas.
– Sistema dos máximo – mínimo.
– Sistema de reposição periódica.
– Planejamento das necessidades de materiais (MRP).

Observa-se que para a utilização da empresa em estudo neste trabalho, fez-se a opção pelo Sistema dos máximo-mínimo, sendo que Estoque Mínimo é a menor quantidade de um artigo ou item que deverá existir em estoque para prevenir qualquer eventualidade ou emergência (falta) provocada por consumo anormal ou atraso de entrega; e Estoque Máximo: é a quantidade necessária de um item para suprir a organização em um período estabelecido mais o Estoque de Segurança. E ambos serão conceituados e definidos em suas características e peculiaridades no tópico que segue.

O Sistema dos máximo-mínimo denominado também de sistema de quantidades fixas consiste em estimar os estoques máximos e mínimos para cada item, em função de uma expectativa de consumo previsto para determinado período de tempo. Este Sistema é utilizado quando há muita dificuldade para determinar o consumo ou quando ocorre variação no tempo de reposição. A partir daí, calcula-se o ponto de pedido, sendo que o estoque deverá oscilar entre os limites máximos e mínimos para que se tenha tempo hábil de encomendar um novo lote de material. O estoque mínimo é igual ao estoque de reserva mais o consumo médio do material multiplicado pelo tempo de espera médio, em dias, para a sua reposição. (CHIAVENATO, 2005)

Destaca-se a importância do estoque de reserva ou de segurança para não haver falta de estoque caso haja algum imprevisto com relação ao fornecedor ou entrega (problemas relacionados aos processos de distribuição).

O estoque máximo é a quantidade equivalente à soma do estoque mínimo mais a reposição com lotes de compra, e é atingido quando chega o material que, à medida que vai sendo consumido, tende a reduzir o nível do estoque. Quando o nível chega ao ponto de pedido, é o momento de se fazer um novo pedido ao órgão de compra. O que segue é uma representação do sistema máximo-mínimo, utilizando o chamado curvo dente de serra:

FIGURA 2 SISTEMA DOS MÁXIMOS-MÍNIMOS

FONTE: DIAS (1995)

Conforme expressa Dias (1995), com o uso desta curva, é possível identificar quando deve ser feito o pedido, considerando o tempo de reposição e a quantidade média de venda do produto dentro de um determinado período de tempo. Considera-se que o estoque mínimo é importante para que a empresa possa atender a todas as solicitações de produtos feitos pelos clientes; pois se for solicitado um produto à em situação de comercialização, em qualquer setor, e não conter no estoque o item solicitado, o cliente imediatamente se dirigirá a outro lugar para solicitar o produto. O autor enfoca que a quantidade a ser comprada também sofre influência da demanda, que pode ser permanente, sazonal, irregular, em declínio e derivada.

Finalizando esta explanação teórica, observa-se que o controle de estoque tem o objetivo de minimizar o capital total investido em estoque. Para tanto, faz-se necessário que haja política de estoque e que ela seja adequadamente definida pela empresa determinando qual o tempo de entrega dos, no caso da empresa em estudo, dos fornecedores, considerando todos os aspectos que influem na distribuição e outros. Assim, poderá ter um nível ideal que deverá flutuar para atender uma alta ou baixa das vendas ou uma alteração de consumo, isto é a rotatividade de estoques. Portanto, os problemas de dimensionamento de estoque residem na relação entre capital investido, disponibilidade de estoques, custos incorridos, e demanda. Por isso a importância de gestão e controle.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS: A BIOFARMA

A empresa-alvo de estudo deste TCC é a L.J. de Alencar Drogaria, “Drogaria Biofarma”, localizada na cidade de Nova Santa Helena – MT. É uma empresa atuante no mercado de comercialização de medicamentos, sendo gerenciado pelo proprietário, o senhor Linaudo José de Alencar, que também é o farmacêutico responsável pela farmácia.

No período do Estagio Supervisionado em Administração, verificou-se o problema por qual passava a empresa Biofarma, isto é, a ausência de um sistema de gestão e controle de estoque que assegurasse a disponibilidade de medicamentos para o atendimento aos clientes, sendo então proposto uma sugestão viável para resolver o citado problema.

No estágio, conferiu-se também que a Biofarma possuía um sistema informatizado de controle de estoque (um gerenciador de informações), porém ele estava inativo e o controle era efetuado manualmente por um funcionário. O volume de vendas era lançado com informações incorretas não configurando o estoque mínimo e máximo. A empresa também não tinha política de estoque de segurança. Além disso, verificou-se que a empresa classificava seu estoque por um sistema simplificado (por formulação de medicamento) e não suficiente para suprir de informações o gerenciador.

Frente às necessidades identificadas, sugeriu-se à empresa a reativação do gerenciador para ser feito um aperfeiçoamento do sistema com a classificação dos itens da farmácia, os medicamentos, pelo método da Curva ABC, verificando os medicamentos com maior saída nas vendas, estabelecendo o nível médio de estoque, visando aperfeiçoar o sistema e sanar o problema de falta de informações.

No momento de exploração dos dados coletados, é importante retomar a teoria, fazendo uma ponte com os autores estudos. Aqui, retoma-se Dias (1995, p. 85), para enfatizar que a Curva ABC é importante instrumento para o gestor, por que: “Ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração. Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa”. Além disso, o Autor diz que os itens são classificados, basicamente, em três classes: A – itens com valores mais representativos; B – itens com valores intermediários; C – itens com valores baixos. Isso garantiria segurança para a qualidade de atendimento ao cliente.

E assim foi realizado. Inicialmente, foram levantados todos os itens a serem classificados, com suas respectivas quantidade, preços unitários e preços totais. Após esse primeiro momento, os itens foram colocados em uma tabela em escala decrescente de preços totais, e sua somatória total. Essa tabela foi composta das seguintes colunas: itens, produto, preço unidade, consumo/unid, preço acumulado e porcentagem, divididos o valor total de cada item pela somatória total de todos os itens, sendo colocado depois a porcentagem obtida, para finalmente serem divididos todos os itens em classe A, B, C, de acordo com a prioridade e tempo disponível para tomar decisão de reposição. O demonstrativo da tabela da Classificação ABC realizada está no anexo 1 deste TCC.

A classificação foi realizada pela estagiária e pelo farmacêutico proprietário da Biofarma. Conforme fora destacado anteriormente pelo farmacêutico, na classificação foi possível constatar o menor volume dos itens de maior giro e maior valor, estabelecendo, assim, a prioridade de controle, isto é, um maior controle para os itens da classe A, entre eles os antiinflamatórios, antibióticos, antitérmicos, entre outros que têm uma maior procura, e, portanto, itens de maior circulação.

A respeito dos indicadores de desempenho do estoque, verificou-se que os índices mostram que 75,11% do valor total são representados pelos produtos que estão classificados como produtos de maior giro, ou seja, categoria A. Percebe-se que 14,70% do valor total são representados pelos produtos que apresentam giro intermediário, ou seja, categoria B. Os demais representam 10,19% do valor total são denominados C. (ANEXO 2).

Além de classificar, foi estabelecido o controle de estoque pelo método de sistemas dos máximos-minimos ou quantidades fixas, estimando-se os estoques máximo e mínimo para cada item, em função de uma expectativa de consumo previsto para determinado período. A partir disso, calculou-se o ponto de pedido, de acordo com o tempo de reposição do item, e, conforme já mencionado tempo de reposição é uma das informações básicas necessárias para se calcular o estoque mínimo. O tempo de reposição consiste no tempo gasto desde a averiguação de que o estoque necessita ser reposto até a entrega efetiva do material no almoxarifado da empresa. Assim este tempo pode ser dividido em três partes:

– Emissão do pedido: – tempo que leva desde a emissão do pedido de compra até ele chegar ao fornecedor;
– Preparação do pedido: – tempo que leva o fornecedor para viabilizar os produtos até pô-los em condições de serem transportados;
– Transporte: – tempo que leva da saída do fornecedor até o recebimento dos materiais pela empresa.

Em relação à sua importância, o tempo de reposição deve ser determinado do modo mais realista possível, pois as variações podem alterar toda a estrutura dos sistemas de estoques.

Na empresa objeto de estudo, ficou estabelecido que agora fosse feita a reposição de alguns produtos da categoria A e B, imediatamente após a comercialização, ao vender cinco unidades do produto A, repõe-se imediatamente a mesma quantidade, principalmente para medicamentos.

A função do controle de estoque, isto é, o sistema de controle de estoque pretende obter respostas para as questões: quando e quanto comprar? E para isso pode utilizar como entradas do processo as normas contábeis da organização para determinar o valor dos estoques, os objetivos definidos em relação aos níveis de estoques a serem mantidos, os catálogos existentes, as relações de entrada e saída de materiais.

A maioria das empresas não está mais enfatizando o “quanto” e sim o “quando”, uma vez que possuir estoque na quantidade correta no tempo incorreto não adianta nem resolve nada, sendo realmente importante a determinação de prazos. Para Dias (1996), o objetivo básico do controle de estoques é evitar a falta de material, sem que esta diligência resulte em estoques excessivos às reais necessidades da empresa.

Contudo, destaca-se que, na Biofarma, para medicamentos que dependem da negociação e da oportunidade, como por exemplo, compra maior com prazo maior de pagamento, são realizadas compras maiores. Um grande exemplo disso são os medicamentos da linha “OTC” (medicamento de venda livre sem tarja).

Com relação à reativação e aperfeiçoamento do sistema de gerenciamento informatizado, ocorreu de forma programada, pois o sistema de informação agora serve de subsídio às diversas ações que envolvem as interações de serviços na farmácia Biofarma. O exemplo, informações mais rápidas aos clientes; Informações para a gestão; Informações para compras; Informações de estoque, enfim.

4 O APERFEIÇOAMENTO DO CONTROLE DE ESTOQUES DA BIOFARMA

As organizações estão convencidas de que é fundamental melhorar os processos, caso queiram manter a competitividade. O processo que se buscou melhorar na Biofarma – Nova Santa Helena foi de gestão e controle de estoques, especificamente a manutenção do fluxo de informação, direcionada ao suprimento do gerenciador agora em funcionamento.

Com relação ao gerenciador, houve uma modificação considerada ótima pela empresa, uma vez que a mesma teve mais segurança em função do sistema de controle de estoque e foi agilizado suas operações de venda, obtendo maior confiabilidade, precisão e segurança.

No que se refere ao sistema de controle, fator problemático na empresa, há uma eficiência clara nas operações agora desenvolvidas, chegando então a resultados eficazes. A empresa está considerando otimizado, cada dia mais, os processos que envolvem reposição de estoque, não ocorrendo mais os problemas anteriormente mencionados.

A freqüência do controle do estoque por meio das informações agora disponibilizadas para o gerenciador com os medicamentos classificados pelo método ABC garantem a otimização nas interações de serviços entre Biofarma e seus clientes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Finalizando o presente estudo, comprova-se por meio tanto das teorias revisadas como da prática efetuada que o gerenciamento de estoques por meio de critérios rigorosos realmente deve ser uma preocupação constante, uma vez que os estoques representam parcela substancial dos ativos da empresa.

Encarando os estoques como fator potencial de geração de negócios e de lucros, e gerenciando-os através de instrumentos e recursos adequados, o gestor pode verificar se eles estão tendo utilidade adequada ou sendo um “peso morto”, sem retorno sobre o capital investido.

A elaboração, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento do sistema de controle de estoques na Biofarma, mostraram que resultados positivos são possíveis quando se direciona ações visando sanar problemas advindos da ausência de controle. Controlar, assim como planejar, organizar, dirigir e avaliar, é uma das funções da Administração e, hoje, mais que nunca, mediante a competitividade que existe no mundo dos negócios; seja em qualquer setor, é importante se estabelecer mecanismos que visem o controle, pois, assim, a empresa pode estabelecer, também, ações no sentido de replanejamento caso identifique alguma falha com relação aos sistemas que direcionam os seus processos, sejam eles de produtos ou de serviços.

O aperfeiçoamento do gerenciador, agora suprido com informações seguras, trouxe mudanças para a empresa, uma vez que promoveu modificações consistentes nos setores mobilizados, no estoque e no atendimento, principalmente na organização, controle e ressuprimento do estoque, sem prejuízos para o atendimento ao cliente e seqüente perda financeira para a empresa, devido à falta de medicamentos para o pronto atendimento. O processo, em sua totalidade, teve resultado satisfatório com relação ao objetivo proposto.

O gerenciamento dos estoques pôde-se confirmar, é de fundamental importância para a empresa moderna. Ele proporciona confiabilidade, contribui para a redução do trabalho e das perdas, favorece a redução de custos e permite o atendimento das necessidades dos clientes, através da garantia do produto no tempo certo. Toda a empresa deverá estar empenhada em girar seu estoque e, conseqüentemente, atender da melhor forma a demanda da sociedade e seus clientes, para que possa obter rentabilidade em troca.

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VIANA, João José. Administração de Materiais: um enfoque prático. São Paulo: Editora Atlas, 2000.

ANEXOS

ANEXO 1: TABELA DA CURVA ABC – BIOFARMA



ANEXO 2:

PSICOLOGIA DO ESPORTE: A BUSCA PELA EXCELÊNCIA DO RESULTADO

0

Instituto Presbiteriano Mackenzie
2011

SUMÁRIO

Resumo
Abstract
Introdução
I. Referencial Teórico
I.1 Psicologia do Esporte x Psicologia no Esporte
1.1 Psicologia do Esporte
1.2 Psicologia no Esporte
1.3 Momento Psicológico
1.4 Modelo Multidimensional e Modelo Antecedente – Conseqüência
1.5 Competências Psicológicas
II. Método
III. Análise dos Dados
IV. Considerações Finais
V. Referências Bibliográficas
VI. Anexos
Anexo 01 Questionários direcionados aos técnicos
Anexo 02 Questionários direcionados aos jogadores
Anexo 03 Carta de informação à instituição
Anexo 04 Carta de informação e Termo de consentimento do sujeito

Resumo

O trabalho a ser apresentado procurou caracterizar quais eram as competências psicológicas de um atleta de alta performance, no caso o jogador de futebol. O processo de coleta de dados foi marcado por dificuldades de acesso, com respostas evasivas e de indiferença de jogadores e técnicos, que se diziam ocupados com os jogos (campeonatos). Apesar desse problema realizamos entrevistas com 3 jogadores de futebol, do gênero masculino e faixa etária mínima de 18 anos, e 3 técnicos de futebol do mesmo time do jogador. Como resultados, em decorrência dos problemas enfrentados acima e da dificuldade dos profissionais de trabalharem essas competências positivamente em seu dia a dia, encontramos nas respostas dadas pelos sujeitos uma insuficiência de caracteristicas para se entender as competências psicológicas e traçar um perfil psicológico dos atletas de alta performance estudados.

Palavras-chave: Psicologia do esporte, futebol, competências psicológicas, performance, atletas de alta performance.

Abstract

The paper to be presented seeks to characterize the psychological skills of a high-performance athlete, a soccer player in this case. The data gathering process was marked by access difficulties, with evasive answers and indifference on the part of players and coaches, who claimed to be busy with the games (championships). Notwithstanding that problem, we conducted interviews with three male soccer players at an age of at least 18, and three soccer coaches from the same team as the players. Because of the aforementioned problems and the professionals’ difficulty in dealing positively with said skills in their day-to-day lives, the result that we found in the answers given by the subjects was an insufficiency of characteristics for understanding the psychological skills and outlining a psychological profile of the high-performance athletes which were studied.

Keywords: Sport psychology, soccer, psychological skills, performance, high-performance athletes.

INTRODUÇÃO

O trabalho a ser apresentado procurará caracterizar quais são as competências psicológicas de um atleta de alta performance. A escolha do futebol como o esporte para a referência do estudo, se deu pelo fato de ser esse o mais importante esporte brasileiro, assim como mostrar a mesma importância ao nível global.

O futebol é, longe, o esporte mais popular do mundo. São tantas as pessoas, sejam homens, mulheres, adolescentes e crianças das mais variadas idades, todos amantes do futebol, que seu número ultrapassa em muito a soma total dos envolvidos com as demais competições esportivas existentes no mundo.

Como outro referencial na valorização do futebol como esporte, vale lembrar que existem mais países filiados à FIFA, do que associados à Organização das Nações Unidas, ONU.

Na mesma linha de valorização, não se pode esquecer que o evento esportivo mais lucrativo no mundo é a Copa Mundial de Futebol, que ocorre de quatro em quatro anos e é acompanhada por mais da metade da população global. Esse esporte movimenta anualmente quantias imensuráveis de dólares, com contratos milionários, patrocínios, mídia, transações de jogadores e técnicos, além de ser também fonte de referência para políticos.

Por tudo isso que o futebol impacta nas diversas sociedades, pela valorização dada aos atletas nos diversos meios e pela importância dos impactos que acabam incidindo na economia de um país como o Brasil, entende-se fundamental a necessidade de maior atenção aos principais atores desse negócio – jogadores de futebol – trabalhando as suas competências psicológicas, nas mais variadas funções, com diversos tipos de jogadores e suas personalidades e formação cultural. … “Quem quer que esteja fisicamente bem preparado pode fazer coisas incríveis com seu corpo; mas quem junta a um corpo em forma e uma cabeça bem cuidada é capaz de efeitos excepcionais…” (POPOV, apud FLEURY, 1998).

O futebol exerce fascínio sobre os torcedores, que se posicionam de diferentes formas quando vão aos estádios: alguns vão como se fossem aos campos de batalha, enquanto outros vão para um espetáculo, onde os atletas “desfilam” suas competências. Assim, o modo como os atletas se posicionam em campo, tem importante reflexo sobre os torcedores. Como exemplo, quando se consegue formar um time com jogadores possuidores de “alma de guerreiro” e com qualidades físicas e psicológicas ideais, tem-se o conjunto que atrai imensa torcida que se identifica com o seu time. Dificilmente se consegue um conjunto que vista essa “camisa” de luta, dedicação e empenho; a história mostra que os times que conseguiram unir e desenvolver essas competências fizeram grande diferença na história do futebol.

Os atletas vão aos jogos conhecendo as exigências da sua torcida e mostram as mais variadas reações: uns se escondem no jogo mesmo possuindo alta competência técnica, porém com baixa competência psicológica; outros se agigantam diante de suas deficiências técnicas, trabalhando melhor suas emoções.

É justamente a somatória desses aspectos psicológicos que explica o comportamento dos craques do futebol, seja pela omissão, pela coragem e pela superação, independentemente de seu talento.

O foco desse trabalho está em mostrar quais são essas competências psicológicas no jogador de futebol de alta performance.

Entende-se por alta performance, o atleta que atende a maioria das expectativas definidas para a sua função, sendo esta estabelecida pela Instituição que o tem como funcionário, que, no caso desta pesquisa, cabe ao Clube que o jogador de futebol pertence.

Entende-se por competências psicológicas, focando o conceito de ação e comportamento, o modo como são executadas essas ações para resultarem em elevados níveis de performance do atleta. Dito de uma forma mais simples: de pouco interessa que uma pessoa possua um conjunto de traços ou características pessoais, eventualmente preditoras de um bom desempenho, se esse bom desempenho não ocorrer. Ou seja, a competência só existe e só pode ser considerada como tal na ação, mostrando-se visíveis, observáveis e naturalmente mais mensuráveis.

I. REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo Wahl (apud CORRÊA et. al., 2002) o futebol é o esporte mais popular do mundo. Possui papel fundamental na sociedade capitalista, movimentando trilhões de dólares por ano. Cada vez mais, esse esporte internacional ganha novos adeptos, aumentando a atenção da mídia e o interesse de uma infinidades de pessoas do mundo inteiro.

Atualmente os clubes começam a valorizarem os aspectos psicológicos dos jogadores, e a necessidade de trabalhá-los, com o objetivo de efetivamente melhorar o desempenho dos atletas. Muitos deles apresentam déficit em sua performance que poderiam ser evitados se tivessem um acompanhamento psicológico.

Cada jogador, independente da sua profissão, é um ser humano único sujeito a oscilações, dúvidas e conflitos, que determinam os seus comportamentos na competição.

I.1 Psicologia do Esporte x Psicologia no Esporte

1.1 Psicologia do Esporte

A psicologia do esporte foi reconhecida como ciência independente da psicologia geral somente em 1965. De acordo com a Sociedade Internacional da Psicologia do Esporte, a Psicologia do Esporte é um termo usado para se referir aos aspectos psicológicos do esporte, recreação física, educação física, exercício, saúde e atividades físicas correlatas.

Por se tratar de uma área nova e em crescimento, é importante abordar algumas definições diferentes de psicologia do esporte:

1. “É a ciência da psicologia aplicada ao esporte e as situações esportivas” (SINGER apud RUBIO, 2000).
2. “É o efeito do esporte sobre o comportamento humano” (ALDERMAN apud RUBIO, 2000)
3. “É o campo de estudo no qual os princípios da psicologia são aplicados ao ambiente esportivo” (COX apud RUBIO, 2000).
4. “É o ramo das ciências do esporte e do exercício que busca respostas para questões sobre o comportamento humano no esporte” (GILL apud RUBIO, 2000).
5. “É uma subárea da psicologia que focaliza o atleta e o esporte” (CRATTY apud RUBIO, 2000).

Cada profissão tem um potencial para gerar dificuldades ou transtornos e o futebol não foge à regra. Na formação do profissional do esporte, aspectos como insegurança, medos, ansiedades, stress e somatizações, são fatores de potenciais impactos sobre o desempenho do atleta.

Quando se encara o esportista como portador de dificuldades, pode-se compreender suas disfunções próprias e suas disfunções no mundo esportivo, sendo que essa visão estende-se ao treinador da equipe onde o atleta participa.

A psicologia do esporte no Brasil, assim como em todos os países, surge associada ao esporte de alta performance. A contínua preocupação com o resultado tem despertado interesse nos conhecimentos psicológicos, para que os mesmos sirvam de instrumento para alcançar a excelência nesses resultados.

De acordo com Thomas (1983) “no esporte o homem tem a vivência de si próprio e de seu meio ambiente e age de uma forma e com uma intensidade que não pode ser observada em nenhuma outra área”. É fácil compreender que o esporte competitivo representa um campo de ação e vivência no qual se podem estudar intensamente os processos psíquicos antes, durante e depois das performances extremas. Processos emocionais com sua influência sobre vivência e ação de uma pessoa, raramente podem ser observadas com tanta expressão como no esporte como, por exemplo, alegria, entusiasmo, raiva ou decepção…

1.2 Psicologia no Esporte

A psicologia no esporte tem como foco os tipos de intervenção psicológica que o esporte pode requerer podendo ser de diferentes tipos e origens. Segundo Feijó (apud RUBIO, 2000), existem três requisitos na prática intensa do esporte que mereceriam uma atenção especial do psicólogo no esporte:

O primeiro requisito é a concentração: sem esse enfoque continuo da atenção, o jogo perde qualidade, na prática dos fundamentos.

O segundo é o relaxamento: gerenciamento do estresse, sem a perda da motivação. E por fim, o automatismo, sem a concorrência da robotização.

1.3 Momento Psicológico

De acordo com Venzon (1998), em toda ação presente em um jogo de futebol, existe um momento psicológico, sendo esse consciente ou não, mas a qualidade desse envolvimento terá fundamental importância no resultado da ação. Dividir uma bola com um adversário, desperta no atleta sentimento de posse, de levar vantagem, de triunfo da competição. A partir da conscientização desses aspectos, a preparação atlética passou a envolver também objetivos afetivos.

O momento psicológico é definido como uma alteração positiva ou negativa nos aspectos cognitivos, emocionais, fisiológicos e comportamentais, causadas por um evento ou uma série de eventos. Essa alteração pode resultar em uma mudança na performance e no resultado da competição.

Becker (1998) afirma que, no esporte, há um momento em que toda a responsabilidade está nas mãos de um só atleta, e este tem a noção da responsabilidade que incide sobre ele e o ato motor que irá executar dentro de alguns segundos. Um desses momentos, por exemplo, é o da execução de um lance livre no basquetebol, em períodos cruciais da partida. Durante o lance livre, o atleta tem alguns segundos para tomar a postura prescrita no regulamento, fazer alguns ajustes táteis com a bola, regular sua ativação interna, bloquear os estímulos ambientais que o perturbam, colocar toda sua atenção no objetivo (fazer a cesta) e, finalmente, realizar o arremesso. Numa situação estressante como esta, os atletas podem apresentar diferentes reações de sucesso ou fracasso. Para o futebol, o momento da execução da falta dentro da área, ou o pênalti, tem a mesma característica.

A preparação de um atleta é composta por fatores físicos, técnicos, táticos e psicológicos. Embora estas quatro áreas sejam reconhecidas como importantes para aumentar o rendimento esportivo, devem ser apontadas algumas particularidades. Em primeiro lugar, tem-se a capacitação e atualização do treinador e, em segundo, o equilíbrio psicológico dos atletas. Becker (1998) lembra que se deve levar em conta um fator muito importante que é a individualidade, pois cada um tem uma percepção do ambiente que o rodeia. Essa percepção varia de acordo com a personalidade de cada um, podendo haver, portanto, reações diferentes a situações semelhantes.

O ser humano é um ser de desejo e pulsão Freud (apud THILL, 1989). É atraído para finalidades invisíveis e tende constantemente a ultrapassá-la. Sendo assim, pode-se considerar a afetividade como elemento dinâmico ou energético da personalidade, ou seja, como um conjunto de móbiles que desencadeiam e suportam a ação do indivíduo.

De acordo com Vallerand e Calavecchio (apud CORRÊA et. al., 2002), a influência do momento psicológico sobre a performance das pessoas depende de variáveis situacionais e pessoais como o nível de ansiedade e de motivação, assim como a própria natureza da tarefa que estava sendo executada. Dessa forma, o grau de facilidade e de dificuldade de uma ação esportiva também influencia a performance.

Existem diversos fatores que podem ajudar na percepção do momento psicológico positivo. A união do time e o placar favorável são alguns desses fatores.

Quando Becker destaca que essas particularidades devem ser levadas em conta devido à individuação de cada atleta, as características psicológicas desses atletas exercem grandes mudanças e limitações nas performances dos mesmos.

Eisler e Spink (apud CORRÊA et. al., 2002), membros de um time mais coeso e unidos em prol de um objetivo comum de ganhar o jogo avaliam sua equipe como tendo um momento psicológico mais positivo que aquele outro que não se apresenta tão coeso. A configuração de um escore positivo na partida, ou seja, o fato do time estar ganhando cria um clima favorável à percepção e a vivencia de um momento psicológico superior ao time adversário.

Há formas de se explicar ou auxiliar o momento psicológico para um atleta durante uma competição. Para isso, pode se utilizar dois modelos: Modelo Multidimensional e Modelo Antecedente – Conseqüência.

1.4 Modelo Multidimensional e Modelo Antecedente – Conseqüência

No primeiro modelo (Modelo Multidimensional), proposto por Taylor e Demock (apud CORRÊA et. al., 2002), a relação entre momento psicológico e a performance pode ser analisada como uma seqüência de fatos; essa seqüência é desencadeada por uma reação a um ou a uma série de eventos. O modelo também ressalta a importância dos fatores do oponente, isto é, o momento psicológico do adversário. Por exemplo: se um centroavante dribla um oponente, esse atacante vivencia um momento psicológico positivo; ou seja, em função de ter acertado o lance, cumprindo seu objetivo, levando vantagem sobre seu adversário, há uma mudança positiva na sua cognição, no afeto e no sistema imunológico. Dessa forma, ele se sente mais confiante, aumenta sua auto–estima, seus músculos se enrijecem com maior intensidade. Essa mudança positiva influencia seu comportamento, ou seja, o jogador cresce em desempenho realizando a jogada com mais vigor e conseqüentemente melhora a sua performance.

O segundo modelo, o Modelo Antecedente – Conseqüência, proposto por Vallerand e Collavecchio (apud CORRÊA et.al., 2002), afirma que o momento psicológico refere-se à percepção do jogador no que concerne sua performance, quando progride em seu objetivo numa jogada, tendo como resultado desse sucesso em um lance um aumento de motivação, da percepção de controle do otimismo e do sincronismo de suas ações. Caso o atleta não seja bem sucedido numa jogada inicial, há uma redução desses mesmos aspectos.

Ainda nesse modelo, o mesmo postula que variáveis situacionais que antecedem uma jogada podem afetar o momento psicológico. No caso um momento positivo, no qual o atleta se sentindo motivado, otimista e com bastante energia, tem controle e sincronismo em suas ações que resulta em uma melhora na sua performance. Da mesma forma que uma diminuição na motivação, no otimismo pode resultar em um momento negativo extremamente prejudicial ao desempenho do jogador na partida disputada.

No decorrer da partida, conseguir controlar as emoções, lidar com a alternância de placar e conseguindo também dar uma resposta satisfatória às diferentes situações a que o atleta enfrenta durante o jogo, são importantes e, no caso, muitas vezes decisivas para a performance máxima dos jogadores. As vivências das vitórias e derrotas contribuem também para a maturidade do jogador, possibilitando aprender com os erros e se entusiasmar com os acertos, aumentando a confiança para as novas conquistas.

A identificação desses aspectos psicológicos pode trazer subsídios de grande valia para o trabalho sobre essas competências psicológicas dos jogadores e para a busca da performance esperada.

De acordo com Cratty, Frischnecht e Machado (apud CORRÊA et.al., 2002), não é incomum para os atletas se sentirem nervosos antes das competições esportivas, já que sua auto-imagem, sua auto-estima, depende do seu desempenho nestas competições e dessa forma, tais situações podem tornar – se muito assustadoras. Ao invés de lutarem por medalhas, campeonatos, dinheiro e honras de campeão, o atleta luta com o próprio valor, ao invés de aguardar entusiasticamente a oportunidade de atuar. O atleta passa a recear, nervosamente, a aproximação das competições pelo simples medo de falhar.

Cada atleta reage de modo diferente aos estímulos externos durante as competições, pois essa pressão transfere-se para a área emocional. Dessa forma, os atletas bem preparados psicologicamente se destacarão nas partidas.

1.5 Competências Psicológicas

As competências psicológicas são numerosas para cada jogador, sendo cada uma delas sentida de um modo particular para cada atleta. Por isso, nesse trabalho buscar-se-á descobrir quais são essas competências psicológicas desejadas para um jogador de futebol alcançar seu desempenho máximo. Assim, de acordo com Mario Cetil (2006), se passa a designar as competências como modalidades estruturadas de ação, requeridas, exercidas e validadas num determinado contexto.

Ainda de acordo com o autor supra citado, as modalidades estruturadas de ação, as competências, serão consideradas como tal e não meras expressões de comportamentos, ou seja comportamentos específicos que as pessoas evidenciam, com uma certa constância e regularidade, no exercício das suas diferentes atividades profissionais. Essa constância e regularidade constituem fatores determinantes para que as referidas ações ocorram casuística e esporadicamente no exercício das atividades profissionais. Neste sentido, as competências são consideradas como outputs de desempenho, quer dizer, são resultados específicos que as pessoas trazem para o exercício das suas atividades profissionais e são realidades susceptíveis de serem observadas, permitindo, pela sua constância e regularidade, sustentar avaliações relativamente objetivas e consistentes sobre a performance profissional dos seus detentores.

Serem requeridas, significa que as competências não são quaisquer ações que as pessoas tenham, mas sim as modalidades de ação que se pretende que sejam realmente exercidas face a um determinado contexto, que pode ser o exercício de uma função, de uma missão, de um papel profissional, numa organização específica e em condições ambientais externas e internas igualmente específicas.

Na verdade, competências que são requeridas num determinado contexto podem não ser exatamente as mesmas que são requeridas em contextos diferentes e para populações e missões ou papéis profissionais diferentes.

Considerando este aspecto, as competências podem ser divididas em transversais e específicas. Competências comportamentais como inteligência emocional, trabalho em equipe, comunicação ou resiliência, podem ser exemplos de competências transversais, porque são requeridas em contextos muito amplos e gerais.

As competências específicas, como o próprio nome indica, são aquelas que são requeridas para atividades ou contextos mais restritos, geralmente associadas a domínios técnicos e instrumentais.

II. MÉTODO

Este estudo aborda uma investigação que tem como objetivo analisar quais são as competências psicológicas necessárias de um atleta de futebol para que este alcance o aproveitamento máximo das suas capacidades, sendo assim, considerado um jogador de alta performance. Através da visão de técnicos e jogadores, buscou-se investigar os aspectos considerados relevantes para a performance dos atletas nos jogos, bem como os fatores que facilitam este desempenho dos atletas. Para tal, utilizar-se-á uma metodologia qualitativa.

A pesquisa foi realizada com 3 jogadores de futebol, do gênero masculino e faixa etária mínima de 18 anos. Deveriam atuar na categoria profissional e apresentar ao menos 3 anos de experiência nesta. Outra colaboração veio por meio de 3 técnicos de futebol, com curso superior, atuantes na categoria profissional, também do gênero masculino e com pelo menos 3 anos de atuação na área. Foram selecionados através de 3 clubes distintos, sendo eleitos um técnico e um jogador de cada clube.

Os sujeitos atuavam profissionalmente no estado de São Paulo e foram escolhidos a partir dos critérios já estabelecidos, assim como disponibilidade dos mesmos.

Riscos: o risco estimado é praticamente ausente, no máximo um eventual desconforto pela situação da entrevista, visto que esta não se refere à vida pessoal do sujeito.

Para esta investigação foram feitas entrevistas individuais e semi-estruturadas com os profissionais selecionados para a realização deste estudo. (ANEXO 1 e 2).

Os resultados e análises serão apresentados em relatório final de pesquisa e sumarizadas na Mostra de TGI do curso de Psicologia da UPM, preservadas as identificações dos entrevistados e dos clubes.

Foi feito um pré-contato com a direção de clubes, por telefone ou e-mail, solicitando autorização para a execução da pesquisa. Confirmada a disponibilidade do clube, encaminhamos a Carta à Instituição. (ANEXO 3)

Agendadas as entrevistas com os indicados pelo clube, fornecemos uma Carta de Informação, bem como o Termo de Consentimento do sujeito. (ANEXO 4)

Foram investigados os seguintes aspectos: idade, tempo de profissão, se há o reconhecimento da existência destas competências, bem como sua influência na performance dos atletas.

III. ANÁLISE DOS DADOS

A proposta inicial deste trabalho foi traçar um perfil quanto às competências psicológicas necessárias para se tornar um jogador de futebol de alta performance. Quando iniciada a pesquisa, houve um primeiro obstáculo: a dificuldade de acesso aos jogadores e aos clubes.

Para concluir as entrevistas propostas se fez necessário a prorrogação deste trabalho, pois diversas foram as ocorrências durante a execução do mesmo. Inúmeras vezes, entramos em contato com clubes e atletas, sem retorno. As tentativas de contato foram realizadas através de e-mails, telefonemas e até visitas a alguns clubes, mas esses esforços não surtiram efeito.

Dos poucos retornos que se obteve, esses apresentavam-se negativamente, sendo alguns deles devido às respostas evasivas e de indiferença de jogadores e técnicos, que se diziam ocupados com os jogos (campeonatos) e não dispunham de tempo para receber a equipe do trabalho. Com o término dos campeonatos, jogadores e técnicos sairam de férias, impossibilitando qualquer tipo de contato. Tentou-se um acesso aos empresários de jogadores, mas não houve respostas.

Através da ajuda e indicação de amigos, foram realizadas as entrevistas necessárias.

Ao se iniciar a análise dos dados obtidos, percebeu-se a insuficiência de características para se traçar um perfil psicológico, como o assinalado no início deste trabalho. A maioria dos colaboradores identifica a existência destas competências, mas demonstram dificuldade em trabalhá-las.

O discurso de um dos técnicos descreve a importância do momento psicológico (VENZON, 1998) e o reconhecimento da necessidade de trabalhar essas competências. Segundo o técnico de um dos times ao qual tivemos acesso, o primeiro contato do jogador com a bola em campo, quando positivo, exerce grande influência sobre esse jogador e sobre o time pelo resto da partida, assim como quando esse contato se dá de forma negativa. No caso de uma falha, o jogador pode se desestruturar sem conseguir se recompor com o passar da partida. Assim como, se o passe inicial for bem sucedido, o jogador se torna confiante e seguro no decorrer do jogo.

A partir deste trabalho pudemos perceber que a imagem do psicólogo ainda está muito associada aos trabalhos emergenciais. As dificuldades de aceitação e reconhecimento dos ganhos que um trabalho psicológico exerce nos atletas e nos times está no ceticismo da importância deste trabalho realizado de forma contínua, por exemplo, como ocorre com os treinos físicos que antecedem uma partida.

Por ser uma área recente, percebe-se a solicitação e aceitação do psicólogo do esporte somente em “momentos de crises”, onde existe pouco espaço para o estudo dos fenômenos relacionados ao esporte, que se refletem diretamente no comportamento dos atletas. Este é um trabalho que deve ser feito em longo prazo, visando não apenas sanar uma problemática emergencial, mas também construir uma base sólida de trabalho, visando à superação contínua do atleta.

Por fim, outro fato que pode ter contribuído para a dificuldade na obtenção dos dados pode ter sido a própria organização do projeto, visto que as questões apresentadas aos profissionais foram escritas de forma objetiva, quando pretendíamos explorar o subjetivo dos colaboradores.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAS

Os resultados deste trabalho mostram a importância de se refletir quanto à necessidade do reconhecimento do trabalho do psicólogo a longo prazo no campo do esporte. Pouco adianta ter um atleta bem treinado se ele não tem controle emocional. Jogadores saudáveis, motivados, satisfeitos consigo mesmos, conscientes do próprio potencial e de suas possibilidades terão melhor excelência de desempenho em qualquer atividade.

A psicologia do esporte desenvolve e oferece ferramentas para a melhora desses acontecimentos, buscando orientar esses indivíduos para que controlem seus comportamentos, evitando que estes sejam prejudiciais em sua atuação.

O psicólogo pode ser extremamente importante para obter um bom resultado no esporte. Seu objetivo é maximizar o rendimento do atleta. Para tanto, faz-se necessária maior concientização da importância deste trabalho por parte da equipe responsável, para que em um trabalho interdisciplinar os resultados sejam positivos.

Quando o psicólogo é visto com um integrante da Comissão Técnica, com importância ao mesmo nível de um preparador fisico, médico ou nutricionista, todos ganham: jogadores e a própria equipe técnica. A valorização parcial do trabalho do psicólogo resulta em falhas no desenvolvimento individual e também no da equipe. Cabe a ele ser o facilitador das interrelações do grupo procurando manter um bom estado emocional dos jogadores.

Outro ponto a análisar é como o psicólogo é percebido pelos técnicos e Comissão Técnica. Os técnicos temem perder o poder com o ingresso do psicólogo na equipe. O poder atríbuído aos técnicos é muito grande, consequentemente, torna-se mais difícil a inserção do psicólogos nos clubes, uma vez que seu trabalho muitas vezes não é valorizado, ou é somente requerido em situação de crise ou fracasso.

Durante as tentativas de contato com os profissionais, pode-se verificar o modo especial e curioso como o psicólogo é percebido. Muitas vezes, o psicólogo acaba sendo uma ameaça ao técnico, pois seus questionamentos não são vistos como importantes. A partir daí, o psicólogo passa a ser visto como uma ameaça às suas crenças individuais, acabando por ficar impossibilitado de realizar intervenções.

O trabalho do psicólogo deve ser feito com tempo, conhecimento, ética e aprovação e participação da Comissão Técnica. Caso contrário, não surtirão efeito as intervenções feitas, quando possíveis. Quando o psicólogo passa a ser visto com um integrante da equipe técnica, e seu trabalho passa a ter tanta importância e respeito quanto o trabalho dos outros profissionais inseridos (médicos, nutricionistas, fisiologistas, etc), as intervenções se concretizam trazendo resultados positivos na performance dos jogadores.

Os resultados tendem a ser muito positivos quando englobam todos os aspectos que circundam o atleta, sendo essencial a parte psicológica. O respaldo e apoio quando necessário, desenvolvem um sentimento de confiança muito produtivo tanto no atleta como no time; a coesão tornando-se mais fortalecida, levanta o espirito de equipe dos jogadores.

O futebol em especial carrega uma enorme carga devido à magnitude desse esporte, por se tratar de uma paixão mundial. É sobre ele que essas características psicológicas atualmente despertam interesse nos estudos e nas formações dos psicólogos do esporte.

Como parte do processo de profissionalização, os clubes de futebol precisam se estruturar para permitir a efetiva presença dos psicólogos com funções estabelecidas e atuação permanente: isso irá requerer da direção do clube clara percepção da atuação do psicólogo.

A inserção do psicólogo no dia a dia dos clubes passa necessáriamente pela compreenssão e aceitação do técnico e de sua comissão de forma que se estabeleça um sistema de trabalho integrado e voltado a valorizar e a trabalhar os aspectos positivos emocionais dos jogadores a fim de reduzir inseguranças e desvios na formação de cada jogador.

Definições importantes como a escolha de jogadores e suas posições no time devem levar em consideração as características psicológicas deles, assim como as condições diferenciadas de cada jogo de que participa.

A Psicologia do Esporte é vista ainda como uma área emergente, mas em expansão. A falta de contato com a área ainda na graduação em Psicologia, a ausência de disciplinas específicas, poucos cursos de especialização, dificultam e atrasam o exercício profissional. O trabalho do psicólogo do esporte é abrangente e exige uma constante busca pela formação e informação. Por outro lado, os profissionais que já estão atuando na área têm exercido um importante papel desbravador, como por exemplo Kátia Rubio e Regina Brandão, entre outros, que realizam constantantes pesquisas e trabalhos buscando a ampliação dos conhecimentos e reconhecimento na área.

V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, P. L. Intervenção psicológica no Futebol: reflexões de uma experiência com uma equipa da liga portuguesa de futebol profissional. Cuadernos de Psicologia del Deporte, Lisboa, Vol. 4, núms 1 y 2, 2004, p 182.

AQUINO. R. Futebol uma paixão nacional. 1 ed. Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 2002.

BECKER. B. Psicologia do Esporte: rumos e necessidades. In: RUBIO, K. (org.) Encontros e desencontros: descobrindo a Psicologia do Esporte. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2000.

BECKER, B.; SAMULSKI, D. Manual de Treinamento Psicológico para o Esporte. Porto Alegre: Edelbra, 2002.

BRANDÃO, M.R.F.; MACHADO, A.A. Coleção Psicologia do Esporte e do Exercício – Teoria e Aplicação, V. 1. São Paulo: Atheneu Editora, 2007.

FLEURY, S. Competência Emocional: O Caminho da Vitória para Equipes de Futebol, 2 ed. São Paulo.: Editora Gente, 1998.

CETIL, M. (org). Gestão e desenvolvimento de competências. Lisboa: Sílabo, 2006.

CORRÊA, D.K.A. Excelência da produtividade: a performance dos jogadores de futebol profissional. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 2, p. 447-460, 2002.

LEHNEN A.M.; RODRIGUES FR; MARQUES MG. ACSI-28: experiências esportivas de um time juvenil de futebol. Revista Digital Efdeportes, Buenos Aires – Año 11 – n° 100 – Septiembre de 2006. Disponível em: < http://www.efdeportes.com> Acesso em 10 Mar 2008.

RUBIO, K. Encontros e desencontros: descobrindo a psicologia do esporte. 1 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

SAMULSKI, D. Psicologia do esporte: Manual para educação física, psicologia e fisioterapia. São Paulo: Manole, 2002.

THILL, E.; THOMAS, R.; CAJA,J. Manual do Educador Esportivo.Lisboa: Dinalivro, 1989.

THOMAS, A. Introdução à psicologia .Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1983.

VENZON, H. Futebol interativo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.

VI. ANEXOS

Anexo 01

Questionário direcionado ao Técnico

1) Gostaríamos de saber se o senhor conhece o conceito de competências psicológicas?
2) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, qual a relevância no desempenho dos atletas?
3) Quais dessas competências julga mais importante na formação do atleta?
4) Durante a sua atuação profissional, alguma vez já trabalhou o desenvolvimento dessas competências?
5) Na instituição que faz parte atualmente existe alguma avaliação psicológica dos jogadores? 6) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, como é feita essa avaliação?
7) Você lembra de algum episódio que mostrou a necessidade de desenvolver essas competências? Caso haja, cite qual (is)?
8) Na sua opinião o equilíbrio emocional dos atletas influencia no desempenho do jogador de futebol? Como?
9) Na sua opinião essas competências devem receber uma atenção especial? Por quê?
10) Existe no seu treinamento algum foco para essa questão?

Questionários respondidos pelos Técnicos

Técnico 1

1) Gostaríamos de saber se o senhor conhece o conceito de competências psicológicas?

Conheço e acredito que essas características se adquirem com o tempo, com o acompanhamento do técnico ou se o time tiver um psicólogo.

2) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, qual a relevância no desempenho dos atletas?

Toda a relevância, porque tudo o que o jogador apresenta em campo, ele o que ele é, sendo assim essas características devem ser conversadas com o jogador para usá-las de uma forma positiva no jogo, para que esse jogador não prejudique o ele e o grupo (time).

3) Quais dessas competências julga mais importante na formação do atleta?

Persistência, força de vontade, equilíbrio emocional, porque muitas vezes o jogador tem que estar preparado para as provocações que ocorrem durante o jogo, os jogadores adversários sempre ofendem a família do jogador, a mãe, a esposa, e o jogador deve estar pronto para isso, ele tem que escutar e não se abalar e nem perder o equilíbrio. E com certeza todo jogador deve ser humilde.

4) Durante a sua atuação profissional, alguma vez já trabalhou o desenvolvimento dessas competências?

Eu sempre converso com os meninos, quando eu percebo que um jogador esta nervoso demais não consegue se manter calmo durante a partida eu sempre chamo o garoto no canto e converso porque muitas vezes esses jogadores prejudicam não somente eles, e sim a equipe inteira.

5) Na instituição que faz parte atualmente existe alguma avaliação psicológica dos jogadores?

Não.

6) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, como é feita essa avaliação?

7) Você lembra de algum episódio que enfatizou a necessidade de desenvolver essas competências? Caso haja, cite qual (is)?

Sim, eu me lembro de vários episódios. Teve um jogador que me causou muitos problemas em jogo, ele ficava muito bravo, explodia e prejudicava toda a equipe. Durante um jogo nos jogos regionais passado eu tive que chamá-lo para conversar durante a partida e depois também.

8) Na sua opinião o equilíbrio emocional dos atletas influencia no se desempenho do jogador de futebol? Como?

Sim, e muito, o equilíbrio do jogador está presente em todo o jogo, manter a calma é necessário, mesmo porque o futebol é um esporte muito violento, não só fisicamente mas emocionalmente também, pois enquanto o jogador tá numa fase boa, todo mundo dá “tapinhas nas costas”, mas quando o jogador não se encontra numa fase boa, geralmente decorrente de problemas emocionais, os mesmos sofrem muita pressão e se não lidar bem com isso pode vir a encerrar uma carreira.

9) Na sua opinião essas competências devem receber uma atenção especial? Por quê?

Sim, um jogador tem a consciência do que é certo e errado na hora da partida. A maioria das coisas que ele faz é consciente, ele deve estar preparado para não revidar e não prejudicar o seu time. Essas competências devem receber uma atenção especial, pois só o treinamento físico robotiza o jogador, o treino físico não supre as necessidades de trabalhar o psicológico dos mesmos.

10) Existe no seu treinamento algum foco para essa questão?

Sempre temos um relaxamento e alongamento que é feito pelo preparador físico do time, mas não voltado para desenvolver ou trabalhar as características psicológicas dos jogadores.

Técnico 2

1) Gostaríamos de saber se o senhor conhece o conceito de competências psicológicas?

Sim, todo técnico que já foi jogador sabe lidar com o psicológico dos jogadores porque já passou por aquilo quando jogava.

2) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, qual a relevância no desempenho dos atletas?

Toda, o trabalho com a parte psicológica dos jogadores é importante, aqui no time temos um psicólogo que faz um trabalho com os jogadores 1 vez por semana, trabalhando com filmes e conversas.

3) Quais dessas competências julga mais importante na formação do atleta?

Na formação de um atleta hoje em dia, temos que saber até sobre os avós do jogador, toda a história familiar do atleta, porque influencia no desempenho do jogador o tempo todo. A personalidade do atleta é importante, a parte técnica do jogador, ele já nasce com ela, mas a postura a personalidade, a ansiedade vem da parte da família e com certeza influencia no desempenho de qualquer jogador.

4) Durante a sua atuação profissional, alguma vez já trabalhou o desenvolvimento dessas competências?

Todo técnico conhece os seus jogadores, porém acontece muito do técnico ter ciúmes da opinião de um psicólogo, muitas vezes por não querer escutar a verdade, não acreditar nem levar a sério.

5) Na instituição que faz parte atualmente existe alguma avaliação psicológica dos jogadores?

Não tinha, mas agora temos um psicólogo no time, ele esta fazendo um trabalho muito bom com os nossos jogadores.

6) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, como é feita essa avaliação?

Eu não sei exatamente, mas cada jogador é observado individualmente; ele coleta informações sobre cada um e com planilhas e testes, traça um perfil sobre cada jogador e passa para o técnico os dados coletados para auxiliar no manejo dos meninos.

7) Você lembra de algum episódio que enfatizou a necessidade de desenvolver essas competências? Caso haja, cite qual (is)?

Sim eu me recordo de vários episódios. Teve um campeonato que tinha um jogador que toda vez que ele perdia um gol ou um passe, ele se irritava com o adversário, e jogava toda aquela raiva, tentava tirar a culpa de não ter feito gol em outra pessoa, geralmente era o adversário, mas em algumas vezes ele entrava no vestiário brigando com os companheiros do time.

8) Na sua opinião o equilíbrio emocional dos atletas influencia no se desempenho do jogador de futebol? Como?

Influencia muito, se o jogador não tiver equilíbrio emocional ele não consegue permanecer os 90 minutos jogando.

9) Na sua opinião essas competências devem receber uma atenção especial? Por quê?

Sim com certeza deve receber uma atenção especial todos os dias, observando, conversando com os jogadores. Cada jogador tem um temperamento, muitas vezes o jogador necessita que você o chame para o jogo e outros que abaixam a cabeça sendo necessário incentivar o jogador a continuar.

10) Existe no seu treinamento algum foco para essa questão?

Como eu disse anteriormente estamos começando a desenvolver um trabalho agora com um psicólogo.

Técnico 3

1) Gostaríamos de saber se o senhor conhece o conceito de competências psicológicas?

Sim

2) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, qual a relevância no desempenho dos atletas?

É muito importante, pois um atleta precisa estar sempre concentrado e focado na partida ou no campeonato. E para isso ele precisa estar em plenas condições físicas e psicológicas.

3) Quais dessas competências julga mais importante na formação do atleta?

Um atleta precisa ter uma boa motivação para jogar, concentração, controle emocional (ansiedade)

4) Durante a sua atuação profissional, alguma vez já trabalhou o desenvolvimento dessas competências?

Durante um campeonato, sempre ocorre algum problema com o atleta, seja por lesão ou por problemas pessoais. E para não perder o foco do trabalho, você precisa estar sempre trabalhando isso com os atletas.

5) Na instituição que faz parte atualmente existe alguma avaliação psicológica dos jogadores?

Não.

6) Em caso de resposta afirmativa da pergunta acima, como é feita essa avaliação?

7) Você lembra de algum episódio que mostrou a necessidade de desenvolver essas competências? Caso haja, cite qual (is)?

Ocorreu com um goleiro. No começo do campeonato ele estava de titular, jogando sempre. Depois de umas 10 partidas, ele foi expulso de um jogo e no seu lugar entrou o goleiro reserva. Esse goleiro que entrou no lugar dele, começou a jogar bem e ele foi ficando para trás, para trás até se tornar o terceiro goleiro do time (nem na reserva ele ficava mais). Aí ele estava começando a treinar mal, desmotivado, começava a dar “migué” nos treinos. Aí conversando com ele, ele conseguiu concentrar novamente no trabalho e voltou a treinar como antes, mesmo não jogando.

8) Na sua opinião o equilíbrio emocional dos atletas influencia no desempenho do jogador de futebol? Como?

Sim, influencia muito. O atleta sem um equilíbrio emocional perde a cabeça muito fácil no jogo e com isso ele prejudica o time e a ele mesmo podendo ser expulso de uma partida ou sofrendo uma lesão.

9) Na sua opinião essas competências devem receber uma atenção especial? Por quê?

Sim, pois os atletas tem que estar focados naquele objetivo do grupo e no seu próprio objetivo. E para isso ele tem que estar longe de todos os problemas e se manter concentrado no trabalho sempre.

10) Existe no seu treinamento algum foco para essa questão?

Você, no dia a dia, sempre conversa com o atleta o por que ele não está treinando bem ou por que ele foi mal em tal partida ou se há algum problema incomodando e com isso você, indiretamente, vai trabalhando as competências.

Anexo 02

Questionários direcionados aos Jogadores

1) É jogador profissional há quanto tempo?
2) Gostaríamos de saber o que você entende por competências psicológicas?
3) Na sua opinião, quais são essas competências necessárias ao jogador de futebol?
4) Durante o treino você realiza algum tipo de preparação psicológica? Se sim, qual (is) é (são) ela(s)?
5) Reconhecidas as suas competências psicológicas, existe alguma(s) que na sua opinião acha que não possui? Existe algum treino para melhorar as competências psicológicas que você já tem e, buscar as que você não tem?
6) Nesse caso da questão acima, você poderia dar exemplos?
7) Dentro dessas competências que você citou anteriormente, existe alguma que você considera essencial para um melhor desempenho em campo?
8) Você lembra de algum episódio em que essas competências atrapalharam o desempenho de algum jogador? Se sim, qual?
9) Na sua opinião quais são as competências psicológicas necessárias para um jogador de futebol de alta performance?
10) Você sente que se houvesse um profissional no seu clube, que cuidasse desse lado psicológico, você poderia ter um desempenho melhor?

Questionários respondidos pelos Jogadores

Jogador 1

1) É jogador profissional ha quanto tempo?

4 anos

2) Gostaríamos de saber o que você entende por competências psicológicas?

Ah, sei lá, são as características psicológicas, eu sou muito ansioso

3) Na sua opinião, quais são essas competências?

Ansiedade, vontade de jogar, determinação.

4) Durante o treino você realiza algum tipo de preparação psicológica? Se sim, qual(is) é (são) ela(s)?

Eu mentalizo a jogada, penso na família que está longe. Mas eu faço sozinho sabe, por conta própria, porque nos outros clubes que eu joguei eles faziam daí eu aprendi e faço antes dos jogos.

5) Reconhecidas as suas competências psicológicas, existe alguma(s) que na sua opinião acha que não possui? Existe algum treino para melhorar as competências psicológicas que você já tem e, buscar as que você não tem?

Eu acho que eu tinha que ser mais calmo, porque as vezes por questão de segundos você coloca tudo a perder, com uma provocação ou um lance que a torcida te xinga mais você sabe que está certo, eu já perdi a cabeça em um jogo.

6) Nesse caso da questão acima, você poderia dar exemplos?

Como eu falei eu já perdi a cabeça e briguei em campo, por causa de provocação de jogador de time adversário e já vi muitos amigos meus perdendo a cabeça e partindo para agressão física mesmo.

7) Dentro dessas competências que você citou anteriormente, existe alguma que você considera essencial para um melhor desempenho em campo?

Calma e tranqüilidade.

8) Você lembra de algum episódio em que essas competências atrapalharam o desempenho de algum jogador? Se sim, qual?

Já, às vezes o jogador esta com problemas na família e não consegue se concentrar no jogo, daí com certeza ele joga pior, já vi muito isso.

9) Na sua opinião quais são as competências psicológicas necessárias para um jogador de futebol de alta performance?

Calma é muito importante .

10) Você sente que se houvesse um profissional no seu clube, que cuidasse desse lado psicológico, você poderia ter um desempenho melhor?

Com certeza ajudaria, eu passei por clubes que tinham psicólogo e eles faziam dinâmicas com a gente e eu acho muito válido porque ajuda a conhecer os parceiros do time, a conhecer os colegas de campo.

Jogador 2

1) É jogador profissional ha quanto tempo?

É jogador profissional ha 14 anos.

2) Gostaríamos de saber o que você entende por competências psicológicas?

São as características psicológicas do jogador. Influencia muito durante o jogo, o psicológico fica abalado, para ter um bom rendimento precisa ter calma (ser o mais calmo possível), porque é muita pressão, adrenalina, precisa estar feliz consigo mesmo e fazer o que gosta.

3) Na sua opinião, quais são essas competências?

Precisa ter calma, e ter vontade de jogar.

4) Durante o treino você realiza algum tipo de preparação psicológica? Se sim, qual(is) é (são) ela(s)?

Geralmente é no dia anterior ou no mesmo dia do jogo, umas 4 horas antes da partida, com conversas palestras e perguntas para os jogadores.

5) Reconhecidas as suas competências psicológicas, existe alguma(s) que na sua opinião acha que não possui? Existe algum treino para melhorar as competências psicológicas que você já tem e, buscar as que você não tem?

Acho que não só para mim, mas para grande parte dos jogadores é a calma na finalização.

6) Nesse caso da questão acima, você poderia dar exemplos?

A falta de competência na hora que você recebe o primeiro passe, se o passe for certo o jogo transcorre bem, caso contrário,se você dominou a bola errado, fica preocupado, e o jogo acaba ficando comprometido, não dá mais para jogar, o fato de você acertar o primeiro passo traz confiança para o resto da partida.

7) Dentro dessas competências que você citou anteriormente, existe alguma que você considera essencial para um melhor desempenho em campo?

Todo jogador tem que ter dentro de campo além da calma, personalidade forte e fazer acontecer.

8) Você lembra de algum episódio em que essas competências atrapalharam o desempenho de algum jogador? Se sim, qual?

Quando eu comecei a jogar, eu fui expulso porque um cara me deu um tapa na cara e eu revidei em seguida, que é o que acontece com a maioria. E além disso quando você não está bem psicologicamente, o cansaço bate mais rápido.

9) Na sua opinião quais são as competências psicológicas necessárias para um jogador de futebol de alta performance?

Ah, é o que eu te falei anteriormente, calma para finalizar e coragem para fazer acontecer.

10) Você sente que se houvesse um profissional no seu clube, que cuidasse desse lado psicológico, você poderia ter um desempenho melhor?

Com certeza ajudaria, tem alguns jogadores que necessitam de uma ajuda maior que os outros, alguns sentem necessidade de conversar, aí o psicólogo mostra o caminho.

Jogador 3

1) É jogador profissional ha quanto tempo?

9 anos.

2) Gostaríamos de saber o que você entende por competências psicológicas?

Acho que é como é o jeito do jogador.Se ele é nervoso ou calmo

3) Na sua opinião, quais são essas competências?

Inteligência, e tem que ter calma.

4) Durante o treino você realiza algum tipo de preparação psicológica? Se sim, qual(is) é (são) ela(s)?

Geralmente é no dia anterior ou no mesmo dia do jogo, umas 4 horas antes da partida, com conversas palestras e perguntas para os jogadores.

5) Reconhecidas as suas competências psicológicas, existe alguma(s) que na sua opinião acha que não possui? Existe algum treino para melhorar as competências psicológicas que você já tem e, buscar as que você não tem?

Acho que não só para mim, mas para grande parte dos jogadores é a calma na finalização.

6) Nesse caso da questão acima, você poderia dar exemplos?

A falta de competência na hora que você recebe o primeiro passe, se o passe for certo o jogo transcorre bem, caso contrário,se você dominou a bola errado, fica preocupado, e o jogo acaba ficando comprometido, não dá mais para jogar, o fato de você acertar o primeiro passo traz confiança para o resto da partida.

7) Dentro dessas competências que você citou anteriormente, existe alguma que você considera essencial para um melhor desempenho em campo?

Todo jogador tem que ter dentro de campo além da calma, personalidade forte e fazer acontecer.

8) Você lembra de algum episódio em que essas competências atrapalharam o desempenho de algum jogador? Se sim, qual?

Quando eu comecei a jogar, eu fui expulso porque um cara me deu um tapa na cara e eu revidei em seguida, que é o que acontece com a maioria. E além disso quando você não está bem psicologicamente, o cansaço bate mais rápido.

9) Na sua opinião quais são as competências psicológicas necessárias para um jogador de futebol de alta performance?

Ah, é o que eu te falei anteriormente, calma para finalizar e coragem para fazer acontecer.

10) Você sente que se houvesse um profissional no seu clube, que cuidasse desse lado psicológico, você poderia ter um desempenho melhor?

Com certeza ajudaria, tem alguns jogadores que necessitam de uma ajuda maior que os outros, alguns sentem necessidade de conversar, aí o psicólogo mostra o caminho.

Anexo 03

CARTA DE INFORMAÇÃO À INSTITUIÇÃO

Esta pesquisa tem como intuito analisar quais são as competências psicológicas necessárias a um atleta de futebol, do sexo masculino, para que este alcance o aproveitamento máximo das suas capacidades, sendo assim, considerado um jogador de alta performance. Realizaremos uma investigação dos aspectos considerados relevantes para a performance nos jogos, bem como os fatores que facilitam esta performance dos atletas. Para tal solicitamos a autorização desta instituição para a triagem de colaboradores, e para a aplicação de nossos instrumentos de coleta de dados; o material e o contato interpessoal não oferecerão riscos importantes, físicos e/ou psicológicos, aos colaboradores e à instituição. As pessoas não serão obrigadas a participar da pesquisa, podendo desistir a qualquer momento.

Todos os assuntos abordados serão utilizados sem a identificação dos colaboradores e instituições envolvidas. Quaisquer dúvidas que existirem agora ou a qualquer momento poderão ser esclarecidas, bastando entrar em contato pelo telefone abaixo mencionado. De acordo com estes termos, favor assinar abaixo. Uma cópia deste documento ficará com a instituição e outra com os pesquisadores. Obrigado.

Anexo 04

CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA

O presente trabalho se propõe a analisar quais são as competências psicológicas necessárias a um atleta de futebol, do sexo masculino, para que este alcance o aproveitamento máximo das suas capacidades, sendo assim, considerado um jogador de alta performance.

Os dados para o estudo serão coletados através de uma entrevista semi-estruturada, que será realizada pelos (as) pesquisadores (as) responsáveis, no local estipulado pelo clube que este representa e sua execução acarreta riscos mínimos aos sujeitos. Este material será posteriormente analisado, garantindo-se sigilo absoluto sobre as questões respondidas, sendo resguardado o nome dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para um maior conhecimento do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo em qualquer momento, sem prejuízo algum.

Os dados coletados serão utilizados para a conclusão do Trabalho de Graduação Interdisciplinar, dos alunos da Faculdade de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o (a) senhor (a) ________________________________, sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DA PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta.

Fica claro que o sujeito de pesquisa pode, a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo pesquisa e fica ciente que todo trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional.

AUDITORIA CONTÁBIL INTERNA

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A prática da auditoria surgiu provavelmente no século XV ou XVI na Itália. Os precursores da contabilidade foram os italianos, não sem razão, visto ser o clero a esta época o responsável pelos principais empreendimentos estruturados da Europa moderna ou medieval. O reconhecimento oficial da prática de auditoria também ocorreu na Itália (Veneza), onde em 1581 foi constituído o primeiro Colégio de Contadores, para cuja admissão o candidato tinha de completar aprendizado de seis anos como contador praticante e submeter-se a exame. Inicialmente, os trabalhos realizados como auditoria eram bastante limitados, restringindo-se, à verificação dos registros contábeis, com vistas à comprovação de sua exatidão.

Com a evolução da Ciência Contábil, que se tornou imprescindível à administração das empresas, desenvolveu-se também, de forma notável, a técnica de auditoria, a ponto de hoje não ser ela um instrumento de mera observação apenas, estático, mas também de orientação, de interpretação e de previsão de fatos, tornando-se dinâmica e ainda em constante evolução.

Entre as diversas áreas de atuação do contador, a auditoria vem experimentando excepcional desenvolvimento, quer no plano prático quer no plano teórico.

O auditor, onde alguns profissionais se autodenominavam contadores públicos, executavam um trabalho pouco mais aprofundado do que aquele efetuado pelos contadores comuns. No século XIX, aparece o denominado perito contador, cuja função básica era a descobrir erros e fraudes.

A partir de 1900. A profissão do auditor tomou maior impulso através do desenvolvimento do capitalismo, tornando-se uma profissão propriamente dita. Já em 1934, com a criação do Security and Comission nos Estados Unidos, a profissão do auditor criou um novo estímulo, pois as companhias que transacionavam ações na Bolsa de Valores foram obrigadas a utilizar-se dos serviços de auditoria, para dar maior fidedignidade às demonstrações financeiras.

No Brasil, o desenvolvimento da auditoria teve influência de:

•filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras;
•financiamento de empresas brasileiras através de entidades internacionais;
•crescimento das empresas brasileiras e necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas;
•evolução do mercado de capitais;
•criação das normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972; e
•criação da Comissão de Valores Mobiliários e da Lei das Sociedades Anônimas em 1976.
A Lei das Sociedades Anônimas determinou que as companhias abertas, além de observarem as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na mesma comissão.

Para efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação em bolsa ou no mercado de balcão. Somente os valores mobiliários de companhia registrada na Comissão de Valores Mobiliários podem ser distribuídos no mercado e negociados em bolsa ou no mercado de balcão.

A definição de companhia aberta acima adotada é mais ampla que o conceito fiscal de sociedade de capital aberto, pois toda companhia que faz apelo, por mínimo que seja, à poupança pública, cria, ao ingressar no mercado de capitais, relações que inexistem na companhia fechada e que exigem disciplina própria para proteção da economia popular e no interesse do funcionamento regular e do desenvolvimento do mercado de valores mobiliários.

A Lei nº 6.385 de 7 de dezembro de 1976 criou a Comissão de Valores Mobiliários e estabeleceu a disciplina e fiscalização para as atividades de auditoria das companhias abertas, dando à referida Comissão atribuição de examinar a seu critério os registros contábeis, livros ou documentos dos auditores independentes. Segundo a referida lei, somente as empresas de auditoria contábil ou os auditores contábeis independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários poderão auditar as demonstrações financeiras de companhias abertas e das instituições, sociedades ou empresas que integram o sistema de distribuição e intermediação de valores mobiliários. Além disso, estabeleceu que as empresas de auditoria contábil ou auditores contábeis independentes responderão, civilmente, pelos prejuízos que causarem a terceiros em virtude de culpa ou dolo no exercício de suas funções.

Com o natural desenvolvimento ocorrido no campo da auditoria, a profissão de auditor experimenta uma gradativa e ascendente evolução no campo da contabilidade, custos, finanças, economia, legislação fiscal e comercial, de organização e métodos e de processamento eletrônico de dados.

Por isso, atualmente, Auditoria pode ser definida como levantamento, o estudo e a avaliação sistemática de transações, procedimentos, rotinas e demonstrações contábeis de uma entidade, com o objetivo de fornecer a seus usuários uma opinião imparcial e fundamentada em normas e princípios sobre sua adequação.

OBJETIVO

O objetivo da Auditoria é o de expressar as demonstrações financeiras e assegurar que elas representem adequadamente a posição patrimonial e financeira, o resultado de suas operações e as origens e aplicações de recursos correspondentes aos períodos em exame, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, aplicados com uniformidade durante os períodos.

O exame de auditoria deve ser efetuado de acordo com as normas usuais de auditoria, inclusive quanto às provas nos registros contábeis e aos procedimentos de auditoria julgados necessários nas circunstâncias.

Dessa forma, o objetivo principal da auditoria pode ser descrito, em linhas gerais, como sendo o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações financeiras preparadas pela companhia auditada. Em seu exame, o auditor, por um lado, utiliza os critérios e procedimentos que lhe traduzem provas que assegurem a efetividade dos valores apostos nas demonstrações financeiras e, por outro lado, cerca-se dos procedimentos que lhe permitem assegurar a inexistência de valores ou fatos não constantes das demonstrações financeiras que sejam necessários para seu bom entendimento.

Há também a chamada “Atitude Auditorial”, que é a combinação de educação, experiência e critério a qual possibilita uma condição mental, uma atitude em relação a seu trabalho, que capacita o auditor a avaliar seus problemas com exatidão e a enfrentá-los eficientemente. Compreende o seguinte:

a) Compreensão da natureza e utilidade da Contabilidade e avaliação de suas limitações e deficiências;

b) Conhecimento de técnicas básicas de verificação, especialmente suas possibilidades de aplicação e utilidade em fornecer provas;

c) Certos hábitos e capacidades pessoais de julgamento, sem os quais os itens 1 e 2 seriam ineficientes;
Reconhecimento das responsabilidades que ele assume ao dar seu parecer. Confronto entre Contabilidade e Auditoria:

A Contabilidade trabalha com dados originais, e tem a responsabilidade de extrair, de um grande número de dados, relatórios úteis sobre a situação patrimonial. Ela é, portanto, basicamente construtiva, utilizando-se de dados originais para elaboração de suas demonstrações.

A Auditoria, ao contrário, é fundamentalmente crítica. Quando o auditor começa seu trabalho de verificação, a maior parte da tarefa do contador terá sido completada. Ao auditor cabe a tarefa de opinar se as demonstrações contábeis, já preparadas pelo departamento de contabilidade, ou a serem preparadas com os saldos do razão, representam ou não, os resultados das operações da empresa. A fim de fazê-lo, ele começa com o produto do trabalho do contador – as demonstrações contábeis -, que ele então revisa, para opinar sobre sua exatidão e fidelidade. Isto pode exigir um trabalho retroativo, através das contas e dos registros nos livros, até documentos originais das transações; pode também, exigir que se vá além dos registros contábeis, até outras provas sobre a fidelidade das demonstrações contábeis.

Em geral a auditoria procura determinar se as demonstrações e respectivos registros contábeis de uma empresa ou entidade merecem ou não confiança. A auditoria é um esforço para verificar se as demonstrações contábeis realmente refletem, ou não, a situação patrimonial, assim como os resultados das operações da empresa ou entidade que está sendo examinada.

NORMAS REGULAMENTARES

A Auditoria é um processo de revisão das demonstrações financeiras de uma companhia, com o objetivo de possibilitar que o Auditor forme uma opinião se essas demonstrações refletem adequadamente a situação patrimonial e financeira da sociedade, o resultado de suas operações, as suas mutações patrimoniais e as suas origens e aplicações de recursos, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, aplicados com uniformidade.

Os Auditores avaliam a adequação dos registros, dando à administração, ao fisco e aos proprietários e financiadores do patrimônio a convicção de que as demonstrações contábeis registradas refletem, ou não, a situação do patrimônio em determinada data e suas variações em certo período, portanto são os Auditores que dão credibilidade às demonstrações contábeis e as informações nelas contidas.

Os objetivos de longo alcance de uma Auditoria servirão para seus Auditores nas futuras decisões , tais como previsão, controle, análise e informação. Eles podem também conduzirem Auditorias com diversas finalidades especiais, como a avaliação da extensão de uma fraude suspeitada, a informação a terceiros, de acordo com compromissos contratuais, ou a determinação do preço que um comprador em perspectiva deveria pagar pela empresa.

O objeto do Auditor é o objeto da Auditoria, ou seja, um conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio, os quais compreendem: registros contábeis, papéis, documentos, fichas, arquivos e anotações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração.
Pode ter por objeto, inclusive, fatos não registrados documentalmente, mas relatados por aqueles que exercem atividades relacionadas com o patrimônio, desde que tais informações possam ser admitidas como seguras.

Diretrizes para os Auditores no alcance dos objetivos em uma Auditoria:

•Estabelecimento de um plano coordenado de ação;
•Provimento de um registro que contenha informações relacionadas com os procedimentos contábeis, de maneira a determinar a extensão de ação da Auditoria;
•Acompanhamento das fases da Auditoria e evitar que um procedimento não seja atendido, ou que seja feito de forma negligente ou indevida;
•Controle do progresso do serviço efetuado, proporcionando um registro das atividades desenvolvidas e das modificações que terão que ser feitas no decorrer do trabalho.
Em todos os casos, o Auditor declara se os seus exames foram conduzidos de acordo com as normas de Auditoria geralmente aceitas. Essas normas requerem que o Auditor afirme se, em sua opinião, as demonstrações financeiras estão apresentadas de acordo com os princípios de Contabilidade geralmente aceitos e se esses princípios foram aplicados de forma consistente em relação ao período anterior.

ÉTICA PROFISSIONAL

A função da auditoria deve ser exercida em caráter de entendimento e que o trabalho executado tenha e mereça toda a credibilidade possível, não sendo permissível existir qualquer sombra de dúvida quanto à honestidade e aos padrões morais do auditor.

A pessoa do auditor deve ser a de alguém com profundo equilíbrio e probidade, uma vez que sua opinião influenciará outras pessoas, principalmente em relação a interesses financeiros e comerciais que eventuais acionistas, proprietários, clientes e fornecedores, dentre outros, possam ter.

A profissão de auditoria exige assim a obediência aos princípios éticos profissionais que fundamentalmente se apóiam em:

•Independência;
•Integridade;
•Eficiência e
•Confidencialidade.
Independência:

A independência é condição primordial do trabalho de auditoria, para a obtenção dos elementos de prova e exercício de seu julgamento. O condicionamento de seus atos, para o exercício de sua função, constitui-se elemento restritivo e, portanto, impeditivo de executar o que de fato é necessário. Dado a isto, pode não reunir as melhores e mais eficientes provas cabais que, a seu juízo, seriam vitais para a emissão de sua opinião.

O auditor deve ser absolutamente independente e imparcial na interpretação de tudo que lhe for apresentado, atestando a cada dado um pronunciamento conclusivo. A independência necessita orientar o trabalho do auditor no sentido da verdade, evitando interesse, conflitos, vantagens, sendo factual em suas afirmações. Seu trabalho precisa ser encaminhado com observância às normas de auditoria e aos padrões e técnicas aplicáveis ao exercício de sua função, valendo-se, se for o caso, de opiniões de outras profissões técnicas quando o momento assim o exigir.

É motivo de impedimento do exercício da auditoria independente, segundo as Normas Profissionais de Auditoria Independente (NBC P1), o auditor que tenha tido no período a que se refere à auditoria ou durante a execução dos serviços, em relação à entidade auditada, suas coligadas, controladas, ou integrantes do mesmo grupo econômico:

1. Vínculos conjugais, de parentesco consangüíneo em linha reta, sem limites de grau, em linha colateral até o terceiro grau, e por afinidade, até o segundo grau, com administradores, acionistas, sócios, ou com empregados que tenham ingerência em sua administração ou em seus negócios ou sejam responsáveis por sua contabilidade;

2. Relação de trabalho como empregado, administrador ou colaborador assalariado, ainda que esta relação seja indireta, nos últimos dois anos;

3. Participação direta ou indireta como acionista ou sócios;

4. Interesse financeiro direto, imediato ou mediato, ou substancial interesse financeiro indireto, compreendida a intermediação de negócios de qualquer tipo e a realização de empreendimentos conjuntos;

5. Função ou cargo incompatível com a atividade da auditoria independente;

6. Fixado honorários condicionais ou incompatíveis com a natureza do trabalho contratado;

7. Qualquer outra situação de conflito de interesses no exercício da auditoria independente;

Integridade:

O auditor independente deve ser íntegro em todos os seus compromissos que envolvam:

1. a empresa auditada quanto as suas exposições e opiniões, exercício de seu trabalho e os serviços e honorários profissionais;

2. O público em geral e pessoas interessadas na opinião emitida pelo auditor independente, transmitido validade e certificando a veracidade das informações contidas nas demonstrações financeiras ou de exposições quando não refletidas a realidade em tais demonstrações;

3. A entidade de classe a qual pertença, sendo leal quanto à concorrência dos serviços junto a terceiros, não concessão de benefícios financeiros ou aviltando honorários, colocando em risco os objetivos do trabalho.

O auditor será culpado em ato de descrédito quando, no desempenho de suas funções:

1. Deixar de expressar um fato importante que conheça, não exposto nas demonstrações financeiras, mas cuja exposição seja indispensável;

2. Deixar de informar acerca de uma exposição errônea importante que conheça;

3. For culpado de negligência importante em seu exame ou relatório;

4. Não reunir evidências suficientes para justificar a expressão de sua opinião;

5. Não relatar qualquer desvio importante, ou não expor qualquer omissão importante dos princípios contábeis.

Eficiência:

O exercício da auditoria independente é individual e intransferível, agindo o auditor em seu nome pessoal, assumindo inteira responsabilidade técnica pelos serviços executados.

O serviço da auditoria independente precisa ser estabelecido mediante uma abrangência técnica adequada, estimando-se dentro do possível, perspectivas de sua concretização quanto a prazos, extensão e momento de obtenção das provas.

O auditor só deve emitir sua opinião ou dar informações quando o exame assim o permitir e houver condições para fazê-lo. Seu parecer precisa ser redigido com objetividade e clareza, em qualquer circunstância, seja em condições favoráveis ou não, e apresentar as razões que motivaram o auditor a tal conclusão.

Confidencialidade:

O trabalho de auditoria permite que a pessoa do auditor e os assistentes designados para o trabalho tenham livre e irrestrito acesso a informação estratégicas importantes, assim como a característica de produção, distribuição etc. Estes são elementos de significativa importância, uma vez que também permitem conhecer os elementos patrimoniais e o resultado, não só das operações em curso, mas também da estratégia montada pela organização, que pode redundar em variações patrimoniais significativas presentes ou futuras.

Em virtude disso, a confidencialidade torna-se elementar na atividade da auditoria e as informações obtidas somente podem ser usadas na execução do serviço para o qual o auditor foi contratado, não devendo ele, em nenhuma hipótese, divulgar fatos que conheça e/ou utilizar-se dessas informações em seu próprio benefício ou de terceiros.

Informações sobre o trabalho realizado pelo auditor somente poderão ser dadas a terceiros se houver determinação legal, como por autorização judicial ou formalmente expressa pela empresa auditada.

RESPONSABILIDADE DO AUDITOR

Um auditor independente, ao prestar serviços profissionais de auditoria e de outros tipos, assume responsabilidades éticas e legais. As responsabilidades éticas são descritas pelo Código de Ética Profissional, por regras de outros grupos profissionais e por regulamentos das juntas contábeis de cada estado. As responsabilidades legais do auditor independente são definidas pela lei comum ou ordinária.

DISTINÇÃO ENTRE AS RESPONSABILIDADES DO AUDITOR E AS DOS DIRIGENTES DA EMPRESA

A empresa é responsável pela adoção de diretrizes contábeis adequadas, pela salvaguarda do ativo e pelo planejamento de um sistema de controle interno que, entre outras coisas contribua para assegurar a apresentação apropriada das demonstrações contábeis. As transações que devem ser refletidas nas contas e nas demonstrações contábeis são de conhecimento e controle direto da empresa. O conhecimento que o auditor tem dessas transações é limitado àquele adquirido por meio de seu exame.

O auditor independente poderá fazer sugestões quanto à forma de apresentação ou ao conteúdo das demonstrações, ou poderá esboça-las, em seu todo ou em parte, com base nas contas e nos registros da empresa. Entretanto, sua responsabilidade limita-se à emissão de parecer sobre as demonstrações examinadas. As demonstrações contábeis representam, sempre, a manifestação da empresa.

DESCOBERTA DE FRAUDE

Quando o exame feito pelo auditor independente, com a finalidade de emitir parecer sobre demonstrações financeiras, revela circunstâncias peculiares que o fazem suspeitar da possibilidade de existências de fraude, ele deverá decidir se a fraude, caso realmente exista, é de magnitude tal que afeta seu parecer sobre as demonstrações financeiras. Se o auditor independente supõe que haja ocorrido fraude suficientemente significativa, a ponto de afetar seu parecer, deverá chegar a entendimento com os próprios representantes da empresa, para determinar quem deverá proceder às investigações necessárias, para ser apurado se houve fraude e, em caso positivo, o montante envolvido. Se, por outro lado, o auditor independente concluir que a fraude não é suficientemente significativa para afetar seu parecer, deverá comunicar o fato aos próprios representantes da empresa, com a recomendação de que ela seja investigada até que se chegue a uma conclusão.

RESPONSABILIDADE PARA COM A PROFISSÃO

O Código de Ética Profissional do Contabilista (Resolução CFC nº 290/70) e os Princípios de Ética Profissional baixados pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (hoje IBRACON), estabelecem as normas éticas que devem ser observadas pelos profissionais que se dedicam à auditoria externa.

RESPONSABILIDADE CIVIL

O auditor independente que contratar trabalhos e auditoria externa de empresas sujeitas à fiscalização da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), isto é, companhias abertas e instituições, sociedades ou empresas que integram o sistema de distribuição ou intermediação de valores mobiliários, assume a responsabilidade civil pelos danos que na sua atuação profissional possa causar terceiros.

Entendemos que essa responsabilidade só lhe pode ser imputada quando o auditor independente agir em desacordo com os ditames da sua profissão, isto é, não observar fielmente as normas e procedimentos de auditoria geralmente adotados, e ignorar os princípios de contabilidade geralmente aceitos.

PARECER E RELATÓRIOS DA AUDITORIA

PARECER SEM RESALVA

Parecer que quando emitido não tem reservas com relação às demonstrações financeiras, é o parecer sem ressalvas ou “limpo”.

Exemplo

Aos acionistas da Empresa Fünf

Examinamos o balanço da Companhia Fünf em 31 de dezembro de 1999 e a correspondente demonstração de lucros e perdas e de exercícios findo naquela data. Nosso exame foi feito em conformidade com normas de auditoria geralmente aceitas, incluindo revisões parciais dos livros e documentos contábeis, bem como aplicando outros processos técnicos de auditoria na extensão que julgamos necessária segundo as circunstâncias.

Somos de parecer que as referidas demonstrações financeiras são fidedignas demonstrações da posição financeira da Companhia Fünf em 31 de dezembro de 1999 e dos resultados de suas operações e das alterações na posição financeira para o exercício findo nessa data, de conformidade com princípios contábeis geralmente adotados e aplicados de maneira consistente na relação ao exercício anterior.


Auditor Independente Registrado
Londrina, Paraná
18 de junho de 2000

O texto padronizado sem ressalvas é recomendado pela AICPA e amplamente usado pelos auditores. O primeiro parágrafo denomina-se parágrafo do escopo e informa sobre o escopo e o caráter do exame do auditor. No segundo parágrafo, o da opinião, o auditor expressa seu parecer sobre as demonstrações financeiras especificamente. Analisando o relatório como um todo, verifica-se que os dois primeiros parágrafos possuem, uma grande quantidade de informações. (identificação; origem; responsabilidade; conformidade; capacidade; independência; cautela; julgamento).

PARECER COM RESSALVAS

Chama-se parecer com ressalva aquele que declara que as demonstrações tomadas em conjunto, salvo certas restrições são apresentações fidedignas. Esse tipo de parecer deve conter expressões tais como: exceto por, com exceção de ou sujeito a **, no parágrafo da opinião. Num típico parecer com ressalva, o parágrafo do parecer começa assim:

“Somos de opinião que exceto pela provisão inadequada para despesas com garantias de produtos (conforme descrição no parágrafo intermediário) as demonstrações financeiras são apresentação fidedigna…”.

“Somos de opinião que, sujeitas ao desfecho de litígio pendente (conforme descrição no parágrafo intermediário) as demonstrações financeiras são apresentação fidedigna…”.

Condições que exigem parecer com ressalvas, contam-se as seguintes:

1. Quebra de consistência – Quando o cliente não emprega consistentemente os princípios contábeis e isso tem conseqüências materiais para as demonstrações.

2. Inobservância de princípios contábeis – Aplicação de princípios contábeis que diferem daqueles promulgados por entidades normativas designadas.

3. Divulgação inadequada – Deve-se incluir nas demonstrações financeiras, ou em notas às mesmas, todas as informações necessárias a uma apresentação fidedigna.

4. Limitação do escopo – Se, por qualquer motivo, o auditor for impedido de aplicar todos os procedimentos ou de reunir todas as evidências consideradas necessárias, talvez, seja o caso de emitir parecer com ressalva.

5. Contingência ou incerteza material – Nas atividades de negócios, surgem muitas situações cujo desfecho é imprevisível; exemplo; processos legais, resultado de renegociação de contrato e apelação contra glosa no imposto. Nesse caso o tipo de parecer mais adequado é aquele com ressalva e que faz constar à expressão sujeito a.

6. Controle interno deficiente – Para que o auditor possa emitir parecer sem ressalva, precisa dispor de dados contábeis dignos de confiança e outras evidências. Se em certas áreas, o controle interno da empresa do cliente for ruim, o auditor pode emitir parecer com ressalva.

7. Registros contábeis incompletos ou inadequados – Uma circunstância intimamente relacionada com a deficiência de controles internos é a de registros contábeis incompletos ou inadequados. Se o motivo for por insuficiência ou má qualidade dos registros, o auditor pode emitir parecer com ressalva.

PARECER ADVERSO

O parecer adverso declara que as demonstrações não são apresentadas fidedignas, feitas em conformidade com princípios contábeis geralmente aceitos. Ao emitir tal parecer, o auditor deverá divulgar amplamente todos os motivos dessa decisão e as conseqüências desta para as demonstrações financeiras.

“Devido aos efeitos materiais, sobre as demonstrações financeiras, do uso de princípios contábeis não aceitos geralmente, conforme descrição no parágrafo anterior, somos de opinião que as demonstrações financeiras não apresentam fidedignamente …”

PARECER COM NEGATIVA DE OPINIÃO

Nesse caso o auditor declara em seu relatório que, por vários motivos, ou um único, sente-se impossibilitado de emitir parecer sobre as demonstrações tomadas em conjunto.

“Como a empresa não fez inventário físico e não pudemos empregar procedimentos alternativos adequados com relação aos estoques e ao custo de propriedade e equipamento, conforme observação feita no parágrafo anterior, a extensão de nosso trabalho não foi suficiente para que possamos emitir, e não o fazemos, sobre as demonstrações financeiras acima referidas”.

•Falta de independência
•Limitação do escopo
•Contingência ou incerteza material
•Controle interno deficiente
•Registros contábeis incompletos ou inadequados

RELACIONAMENTO ENTRE PARECERES

Como já observado anteriormente, as circunstâncias definem o parecer a ser considerado como determinante, de um ou mais tipos de parecer.

A decisão do auditor sobre o tipo de parecer deve-se basear na materialidade da circunstância, assim como em sua natureza.

Se um item ou uma série deles tem efeitos imateriais sobre as demonstrações financeiras, independentemente do tipo de erro ou inobservância que ele represente, o tipo de parecer mais adequado é aquele sem ressalvas. A esse respeito, não se pode determinar exatamente a magnitude de um item para que ele se torne material, fazendo com que seja necessário outro parecer que não o sem ressalvas. A determinação fica inteiramente a critério do auditor.

AUDITORIA EM ENTIDADES ESPECIAIS

Muitas vezes o auditor é contratado para examinar a situação e as atividades de outras entidades que não as empresas comerciais, dando seu parecer a respeito. São comuns, por exemplo, os pedidos para que examine os fundos de pensão e grupos de obrigações. Também, são chamados às vezes para fazer relatórios sobre votações, verificar petições, testificar o cumprimento de disposições contratuais de empréstimos e assim por diante. O parecer emitido por auditores, nesses casos normalmente foge à redação usual do relatório em forma curta; deve ser descritivo, explicando trabalho e possivelmente delineando os procedimentos de auditoria empregados.A essência desse parecer é afirmar que as demonstrações apresentam fidedignamente o que se propõe a apresentar.

BIBLIOGRAFIA:

•PEREZ, João Hernandez Jr.Auditoria de Demonstrações Contábeis – Normas e Procedimentos;Atlas, 2ª ed., SP, 1998
•ATTIE,William Auditoria – Conceito e Aplicações Atlas, SP, 2ª ed., 1992
•MAUTZ, Robert Kuhn Princípios de Auditoria Atlas, 4ª ed., SP, 1987.
•COLLELA,Victor; Prática de Auditoria ed. Saraiva 1978
•C.R.C-S.P; Curso básico de Auditoria normas e procedimentos;ed. Atlas s.a 1992
•FRANCO, Hilário;Auditoria contábil ,;ed. Atlas S.A. ;1982
•SKINNER R.M; Auditoria analítica.livros técnicos e científicos editora s.a 1975 Anderson R. J.