GEOLOGIA GERAL

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Sumário

O que é a Geologia?
Geólogos – eles enxergam o meio ambiente por inteiro
A profissão geólogo
A Geologia e o ser humano
Curtindo a Geologia
A Geofísica aplicada
Águas subterrâneas: um importante recurso que requer proteção
A Terra: um planeta heterogêneo e dinâmico
Aquífero Guarani – água pura para o MERCOSUL
Arsênio: alerta de perigo
As rochas mais velhas da Terra: pistas da história geológica primitiva
Bacias Sedimentares: A memória do planeta
Cavernas e Geoespeleologia
Crateras por impacto de corpos extraterrestres – Astroblemas
De volta ao passado: Paleontologia e paleontólogos
Gemas – Flores do Reino Mineral
Geociências e Ecologia
Geociências e Educação Ambiental/Cidadania
Geocronologia: O tempo registrado nas rochas
Meteoritos
O ciclo das rochas
O sistema químico dinâmico da Terra
Os minerais e suas aplicações
Petróleo
Rochas ornamentais: tradição e modernidade

Introdução / Conceito

Este trabalho tem por finalidade tratar sobre a Geologia Geral que é a ciência que estuda a história física da Terra, sua origem, os materiais que a compõem e os fenômenos naturais ocorridos durante as várias eras e períodos da escala geológica terrestre. Iremos ver e descobrir que a geologia enquanto ciência se propõem a:

1.Descrever as características do Interior e da superfície da terra, em várias escalas.

2.Compreender as razões de ordem física e química que levaram o planeta a ser tal como o observamos.

3.Definir de maneira adequada a utilização dos materiais e fenômenos geológicos como fonte de matéria-prima e energia para melhoria da qualidade de vida da sociedade.

4.Resolver os problemas ambientais causados anteriormente e estabelecer critérios para evitar futuros danos ao meio ambiente, nas várias atividades humanas.

5.Valorizar a relação entre o ser humano e a natureza .Já a geomorfologia estuda as formas de relevo, tendo em vista a origem, a estrutura, a natureza das rochas, o clima da região e as diferentes formas internas e externas que formam o relevo terrestre.

Para este trabalho vamos utilizar o meio mais corriqueiro do conhecimento atual, o uso da internet como fonte de pesquisa. Porem cada um dos assuntos especificados vem acompanhados de algumas alterações para melhorar o entendimento e colocação dentro do contesto do trabalho.

O que é a Geologia?

Geologia é a ciência natural que, através das ciências exatas e básicas (Matemática, Física e Química) e de todas as suas ferramentas, investiga o meio natural do planeta, interagindo inclusive com a Biologia em vários aspectos. Geologia e Biologia são as ciências naturais que permitem conhecer o nosso habitat e, por conseqüência, agir de modo responsável nas atividades humanas de ocupar, utilizar e controlar os materiais e os fenômenos naturais.
Embora tenha permanecido distante dos conhecimentos gerais da população no Brasil, a Geologia tem um papel marcante e decisivo na qualidade da ocupação e aproveitamento dos recursos naturais, que compreendem desde os solos onde se planta e se constrói, até os recursos energéticos e matérias primas industriais. O desconhecimento quantitativo e qualitativo da dinâmica terrestre tem resultado em prejuízos muitas vezes irreparáveis para a Natureza em geral e para a espécie humana em particular.

Hoje, já se sabe muito mais sobre o funcionamento do Planeta do que 30 anos atrás. Este progresso no conhecimento deve ser divulgado e assimilado, sendo a compreensão do ciclo natural terrestre fundamental para a valorização das relações entre o ser humano e a Natureza e para a adoção de uma postura mais crítica e mais consciente frente aos mecanismos de desenvolvimento da sociedade.
Podemos definir Geologia como a ciência cujo objeto de estudo é a Terra: sua origem, seus materiais, suas transformações e sua história. Estas transformações produzem materiais ou fenômenos naturais com influência direta ou indireta em nossas vidas. É preciso saber aproveitar adequadamente as características da Natureza, bem como prever e conviver com os fenômenos catastróficos que são sinais da dinâmica do planeta.

Os objetivos da geologia podem ser sintetizados desta forma:

– Estudo das características do interior e da superfície da Terra, em várias escalas;
– compreensão dos processos físicos, químicos e físico-químicos que levaram o planeta a ser tal como o observamos;
– definição da maneira adequada (não destrutiva) de utilizar os materiais e fenômenos geológicos como fonte de matéria prima e energia para melhoria da qualidade de vida da sociedade;
– resolução de problemas ambientas causados anteriormente e estabelecimento de critérios para evitar danos futuros ao meio ambiente, nas várias atividades humanas;
– valorização da relação entre o ser humano e a Natureza.

Geólogos – eles enxergam o meio ambiente por inteiro

Se você pretende trabalhar com questões ambientais passe a pensar seriamente em se formar em geologia.

Outras profissões encontram-se aptas para trabalhar com meio ambiente, como a biologia, geografia e algumas engenharias, mas o curso de geologia proporciona uma formação que possibilita um entendimento mais abrangente e detalhado da dinâmica ambiental do Planeta Terra, o que torna o geólogo imprescindível na constituição de equipes de projetos ambientais.

Durante o curso de geologia, o aluno passa a entender como a Terra funciona, desde os movimentos e processos oriundos do interior do planeta, que dão mobilidade às placas tectônicas, formando rochas, vulcões, montanhas e oceanos, até os processos que ocorrem na superfície como a ação dos rios, dos ventos, dos mares e das geleiras.

O curso proporciona ainda a evolução do raciocínio dentro de uma visão tridimensional do ambiente e, principalmente, do sub-solo. Em função deste conhecimento, o geólogo é o único profissional capacitado para trabalhar com água subterrânea, cuja exploração racional e proteção vem se tornando um dos aspectos mais importantes para a sobrevivência e bem estar da humanidade nestes últimos anos, afinal, não vivemos sem água mais do que algumas horas.

Além de conhecer a fundo os processos que ocorrem no interior e na superfície da Terra, saber como as rochas se formam e enxergar o meio ambiente em três dimensões, o geólogo tem ainda noção da evolução do tempo nos processos ambientais, expresso pelo Tempo Geológico. Desta forma, o geólogo encontra-se capacitado para entender melhor a dinâmica do meio ambiente.

A profissão Geólogo

O geólogo tem atuação profissional marcante na sociedade moderna, devido a crescente demanda por recursos naturais (água, recursos minerais, petróleo e gás entre outros) e a necessidade de conservar o equilíbrio da Terra. É o profissional com melhor visão das interações do ser humano no meio ambiente, pois detém o conhecimento especializado para lidar com a magnitude dos processos geológicos e caracterizar as suas causas e conseqüências. O geólogo tem papel estratégico na prevenção de acidentes naturais, atua nos estudos de potencialidade de uso e ocupação do meio físico (áreas agrícolas e urbanas) e na remediação de contaminações tanto do solo como da água subterrânea.

A profissão do geólogo inclui ainda as atividades ligadas à investigação científica, que permitem obter informações sobre a evolução da Terra, sua composição, estrutura e origem.

Demandas recentes da sociedade trouxeram novos desafios para a profissão, exigindo uma formação multidisciplinar; de um lado conhecimento técnico em física, matemática, química, biologia e computação, e, de outro, uma visão crítica e integrada em campos como da economia, planejamento e até estruturas sociais.

Diferentemente de outras profissões, em que a atividade é realizada em escritórios ou outros recintos fechados, o geólogo divide seu tempo entre as pesquisas da natureza e o trabalho de laboratório e escritório.

No Brasil, apesar de sua grande extensão territorial e riqueza em recursos minerais, o conhecimento geológico é restrito. Além disso, o número de profissionais na área é insuficiente comparativamente com o de outras nações.

Portanto, o mercado de trabalho é promissor em função da demanda por um profissional que compreenda os processos geológicos de tal forma a propor soluções coerentes para a sociedade, em harmonia com o meio ambiente. O mercado é constituído por empresas petrolíferas, de perfuração de poços artesianos, de engenharia civil e ambiental, de mineração e empresas estatais, além de instituições de ensino, como professor e pesquisador.

A Geologia e o ser humano

A Geologia estuda a Terra desde a sua origem há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. A imensa quantidade de informações adquiridas até o presente mostra o ecossistema Terra susceptível a transformações que, muitas vezes, tiveram como resultado extinções em massa de animais e vegetais, causadas por mudanças climáticas drásticas ocasionadas por processos internos e externos.

A Geologia e ciências afins, têm hoje um papel de fundamental importância na monitoração e exploração racional dos recursos naturais da Terra. Os recursos minerais da Terra não são renováveis. Este fato transfere ao homem, usuário maior dos recursos naturais, uma grande responsabilidade no que concerne ao gerenciamento destes recursos e ao desenvolvimento de novas tecnologias que permitam exploração sem destruição do nosso planeta.

A aglomeração humana em grandes áreas urbanas e o crescimento acelerado das demandas por recursos minerais, exige das geociências ações voltadas para o social e para o encontro da fórmula ideal que equilibre qualidade de vida e uso racional dos recursos naturais.

Os desafios do terceiro milênio incluem, entre tantos outros, otimização da produção e utilização dos combustíveis fósseis e uma administração racional dos recursos hídricos. Hoje algumas cidades grandes já passam por racionamento de água e luz. O aumento da geração de energia elétrica através da construção de bacias hidrográficas já se encontra comprometido, são raras as bacias hidrográficas que suportam adição de novas usinas Nos grandes centros os aqüíferos estão sendo contaminados, lixões estão em franco crescimento favorecendo a poluição dos recursos hídricos de superfície e subsuperfície. O uso inadequado do solo permitiu ao homem poluir e pilhar recursos naturais não renováveis.

A Geologia + Ser Humano = Geocientista, é a equação mágica capaz de solucionar a relação entre oferta e demanda de recursos naturais reduzindo a agressão ao nosso planeta. As geociências básicas e aplicadas são o suporte para ações voltadas para a longevidade da utilização racional da Terra como morada do HOMO dito SAPIENS.

A Geofísica aplicada

A Geofísica utiliza os princípios físicos para o estudo da Terra, subdividindo-se em:

Geofísica Pura: investiga as propriedades físicas da Terra e sua constituição interna a partir de fenômenos físicos ligados a ela.

Geofísica Aplicada: estuda as ocorrências ou estruturas geológicas, relativamente pequenas, localizadas na crosta terrestre.

Nos estudos e levantamentos geofísicos são prospectados os contrastes nas propriedades físicas do mineral, estrutura geológica, rochas, agentes poluentes, etc.

A investigação dessas situações mantém uma relação estreita com os problemas práticos de prospecção de petróleo, identificação ou delimitação de aqüíferos, prospecção mineral, obras de engenharia, estudos arqueológicos e questões de degradação ambiental.

Os métodos e técnicas geofísicas podem ser empregados de forma terrestre, em aerolevantamentos e também aquáticos. O principal determinante nessas técnicas é a propriedade física característica do mineral, rocha ou estrutura a ser investigada. Para que se tenha sucesso na escolha e aplicação de um determinado método, é necessário que o objeto do estudo responda de forma diferenciada – anômala – isto é, apresente uma característica física que permita diferenciá-lo do meio circundante.

Os principais métodos utilizados são:

Gravimetria: envolve medidas do campo gravitacional terrestre, buscando identificar distribuições de massas e seus contrastes de densidade nos materiais em subsuperfície.

Magnetometria: baseia-se no poder de magnetização do campo magnético terrestre e na susceptibilidade magnética diferenciada dos materiais da Terra.

Sísmica: fundamenta-se no fato de que as ondas elásticas propagam-se em diferentes velocidades em materiais/rochas distintos. Por meio de uma fonte energética, inicia-se a propagação das ondas em um ponto e determinam-se em outros pontos os tempos de chegada da energia refratada ou refletida pelas descontinuidades entre os diferentes materiais do subsolo, estimando suas espessuras.

Eletromagnetometria: emprega campos eletromagnéticos, gerados por correntes alternadas de origem artificial ou natural. Estas correntes geram um campo magnético secundário que é analisado relativamente ao campo primário. Os parâmetros medidos pelos equipamentos eletromagnéticos são função destes campos, como por exemplo, seu vetor resultante.

Eletrorresistividade: utiliza uma fonte artificial de corrente, introduzida no subsolo por dois eletrodos em contato galvânico com o terreno. Mede-se o potencial estabelecido pelo fluxo de corrente por meio de outro par de eletrodos posicionados nas proximidades. Conhecendo-se também a corrente gerada, calculam-se as resistividades.

Polarização Induzida (IP): é um fenômeno elétrico provocado pela transmissão de corrente no solo, observado como uma resposta defasada de voltagem nos materiais terrestres. Ao estabelecer-se uma diferença de potencial devida à passagem de corrente pelo solo, esta d.d.p. não se estabelece nem se anula instantaneamente, quando a corrente é emitida e interrompida em pulsos sucessivos, mas descreve uma curva de descarga semelhante ao efeito observado quando um capacitor elétrico descarrega-se. Este fenômeno é mais intenso quando ocorrem sulfetos metálicos, que comportam-se como capacitores e se polarizam. Assim, a aplicação do método consiste em medir-se este “efeito capacitivo”. Trata-se, provavelmente, do método mais importante na prospecção de metais como Cu, Pb, Zn, Ni, Mo, etc.

Radiometria: estuda a distribuição de material radioativo na subsuperfície terrestre. A radiometria pode utilizar a cintilometria (ou contagem gama total) para identificar indiscriminadamente a presença de elementos radioativos como o K40, U e Th ou estimar, por meio de espectrômetros de vários canais, as quantidades individuais destes elementos, na chamada espectrometria gama.

Águas subterrâneas: um importante recurso que requer proteção

Água é sinônimo de vida. A ingestão de água nos garante a boa qualidade vida. Contudo, quase 4,6 milhões de crianças com menos de cinco anos, em paises pobres, morrem de doenças decorrentes de veiculação hídrica, anualmente. O abastecimento com água potável e o saneamento ambiental poderiam reduzir em 75% as taxas de mortalidade e enfermidades no mundo. Mesmo no Brasil, 50.000 bebês/ano morrem de diarréia e as doenças associadas à água de baixa qualidade correspondem a 65% dos casos de internações hospitalares.

Os esforços empreendidos na melhoria das condições sanitárias dos países pobres têm se mostrado insuficientes para amenizar esse cenário social, agravado por séculos de descaso dos governantes, e que piora em função do crescimento populacional. Segundo o Fundo Mundial da Natureza (WWF), por volta de 2008, 60% da humanidade não disporá mais de água potável, uma vez que o ritmo de consumo dobra a cada 25 anos.

Parece uma incoerência especular-se sobre a falta de água num planeta cuja superfície é constituída por 75% dela. Entretanto, apenas 3% da água disponível é adequada ao consumo humano (não salgada), sendo que 2% estão sob a forma das calotas polares. Deste 1% apenas 3% concentram-se nos rios e lagos, sendo o Brasil um dos países com maior riqueza hídrica no mundo. O restante 97% encontra-se em subsuperfície.

Com a crescente industrialização, urbanização e a tecnificação da agricultura, os recursos hídricos de superfície estão rareando em vista do elevado consumo e pela contaminação de mananciais, suscitada pela expansão não planejada da população. Desta forma, as atenções vêm-se convergindo para essa outra fonte de abastecimento, não tão visível, mas igualmente importante: as águas subterrâneas.

No mundo, 1,5 bilhão de pessoas dependem das águas subterrâneas. Estima-se que, na América Latina, 150 milhões utilizam o recurso. Focalizando o caso do Brasil (detentor de 8% das águas doces do mundo), calcula-se que existam 112 bilhões de m3 de água subterrânea. Por volta de 35 a 40% da população brasileira deve fazer uso do recurso subterrâneo.

No Estado de São Paulo, estima-se que 74% dos núcleos urbanos sejam total ou parcialmente abastecidos por fontes subterrâneas. Mesmo na Bacia do Alto Tietê (Região Metropolitana de São Paulo), onde os recursos são bastante modestos, avalia-se que aproximadamente 7,9 m3/s (249Mm3/a) sejam explorados de 6-7 mil poços tubulares em operação, de um total de mais de 10 mil poços perfurados (dados de 2000). Essa vazão representa 15% do abastecimento público da Bacia.

O ciclo hidrológico (Figura 1) consiste no intercâmbio entre os reservatórios oceanos, geleiras, rios, lagos, vapor d’água da atmosfera, águas subterrâneas e água retida nos seres vivos, e que é movimentado pela energia solar, representando o processo mais importante da dinâmica externa terrestre.

Deve-se ter em mente que a água não se perde do sistema, mas sempre se conserva. No entanto, a dinâmica do ambiente é complexa porque é regida desde fatores meteorológicos, como o vento, chuva, insolação, até pela ação antrópica que, além de modificar a paisagem, provoca distúrbios no clima. Assim, a água pode evaporar-se de um lugar já árido, e se precipitar nos oceanos, ou ainda, enquanto inunda cidades, causa déficit em represas ou em áreas famintas de irrigação.

O balanço hídrico determina o equilíbrio da entrada e da saída da água dentro de uma bacia hidrográfica. A entrada corresponde principalmente à precipitação. A compensação ocorre na saída por meio da infiltração no solo, escoamento superficial, evaporação, evapotranspiração, variação no conteúdo de umidade no solo ou armazenamento do reservatório subterrâneo e a exploração da água para o consumo.

A precipitação pode ocorrer na forma de chuva, granizo, neve ou orvalho. A taxa de transferência de água da fase líquida para a de vapor é definida como evaporação, a qual atua sobre as águas superficiais, a umidade do solo e os tecidos das plantas, tomando nos dois últimos casos a denominação de evapotranspiração.

As águas que porventura infiltram-se podem ficar retidas nos poros pela tensão capilar (superficial) exercida entre grãos e o ar presentes no solo, o que implicará na variação de armazenamento ou umidade nessa zona conhecida como não saturada, ou serem drenadas pela gravidade em direção a uma zona cujos poros encontram-se totalmente cheios de água (zona saturada). A rocha ou sedimento que permite o armazenamento e a exploração da água é conhecida como aqüífero. Este fenômeno que faz com que a água atinja a zona saturada é conhecida como recarga do aqüífero.

Quando a precipitação supera a infiltração no solo ou quando a água atinge uma formação impermeável, como argilas, a água passa a escoar na superfície. Em seu percurso, estará sujeita, então, à evaporação, à infiltração em outro material mais permeável ou à descarga em corpos d’água, alimentando os rios e lagos.
Segundo as suas características hidráulicas, há basicamente dois tipos de aqüífero: o livre e o confinado (Figura 2). No primeiro caso, o aqüífero estará em contato direto com a pressão atmosférica. Já o aqüífero confinado, como o próprio nome diz, encontra-se delimitado por camadas litológicas menos permeáveis, em cujo interior a água está submetida a uma pressão maior que a atmosférica.

Embora a água subterrânea seja um recurso menos susceptível aos impactos da atividade antrópica comparativamente ao manancial superficial, há dois problemas que podem afetá-la: a contaminação e a super-exploração.

A contaminação ocorre pela ocupação inadequada de uma área que não considera a sua vulnerabilidade, ou seja, a capacidade do solo em degradar as substâncias tóxicas introduzidas no ambiente. A contaminação pode se dar por fossas sépticas e negras; infiltração de efluentes industriais; fugas da rede de esgoto e galerias de águas pluviais; vazamentos de postos de serviços; contaminação por água salina advinda do mar em aqüíferos costeiros, por aterros sanitários e lixões; uso indevido de fertilizantes nitrogenados; entre outros.

Já a super-exploração ocorre quando a extração de água subterrânea ultrapassa os limites de produção do aqüífero, provocando danos ao meio ambiente ou para o próprio recurso, como aumento nos custos de bombeamento, escassez de água, indução de água contaminada e problemas geotécnicos de subsidência (compactação diferenciada do terreno, causando o colapso de construções civis).

Tanto a super-exploração como a contaminação de solos e aqüíferos podem ser evitadas. A partir de estudos prévios, é possível estimar as vazões máximas que poderão ser extraídas de uma nova captação, sem que cause danos aos poços vizinhos. Da mesma forma, avaliações específicas podem mostrar se novas atividades antrópicas causarão algum problema ao aqüífero. Cabe aos órgãos de governo, com participação da população, definir as políticas para o bom manejo do recurso, para que este seja utilizado de forma sustentável e que possa promover o bem estar e o desenvolvimento econômico da sociedade.

A Terra: um planeta heterogêneo e dinâmico

Nosso planeta

O planeta Terra é constituído por diversos setores ou ambientes, alguns dos quais permitem acesso direto, como a atmosfera, a hidrosfera (incluindo rios, lagos, águas subterrâneas e geleiras), a biosfera (conjunto dos seres vivos) e a superfície da parte rochosa. Desta superfície para baixo, o acesso é muito limitado. As escavações e sondagens mais profundas já chegaram a cerca de 13km de profundidade, enquanto o raio da terra é de quase 6.400km. Por isso, para se obter informações deste interior inacessível, existem métodos indiretos de investigação: a sismologia e a comparação com meteoritos.

A sismologia é o estudo do comportamento das ondas sísmicas ao atravessar as diversas partes internas do planeta. Estas ondas elásticas propagam-se gerando deformações, sendo geradas por explosões artificiais e sobretudo pelos terremotos; as ondas sísmicas mudam de velocidade e de direção de propagação com a variação das características do meio atravessado. A integração das observações das numerosas estações sismográficas espalhadas pelo mundo todo fornece informações sobre como é o interior do planeta, atravessado em todas as direções por ondas sísmicas geradas a cada terremoto e a cada explosão. As Informações sobre a velocidade das ondas sísmicas no interior da Terra permitiram reconhecer três camadas principais (crosta, manto e núcleo), que têm suas próprias características de densidade, estado físico, temperatura, pressão e espessura.

Na diferenciação dos materiais terrestres, ao longo da história do planeta, a água, formando a hidrosfera, bem como a atmosfera, constituída por gases como nitrogênio, oxigênio e outros, por serem menos densos, ficaram principalmente sobre a parte sólida, formada pelos materiais sólidos e mais densos.

Dentre os materiais sólidos, os mais pesados se concentraram no núcleo, os menos pesados na periferia, formando a crosta, e os intermediários no manto. Pode-se comparar os diferentes tipos de meteoritos com as camadas internas da Terra, pressupondo-se que eles (os meteoritos) tiveram a mesma origem e evolução dos outros corpos do Sistema Solar, formados como corpos homogêneos, a frio, por acresção planitesimal. Aqueles que tinham massa suficientemente grande, desenvolveram um forte calor interno, por causa da energia gravitacional, da energia cinética dos planetesimais quando da acresção e da radioatividade natural. Isto ocasionou uma fusão parcial, seguida de segregação interna, a partir da mobilidade que as altas temperaturas permitiam ao material.

Os meteoritos provenientes da fragmentação de corpos pequenos, que não sofreram esta diferenciação, são os condritos, que representam a composição química média do corpo fragmentado e por inferência, do Sistema Solar como um todo, menos os elementos voláteis. Não existem materiais geológicos, ou seja, terrestres, semelhantes aos condritos. Os meteoritos provenientes da fragmentação de corpos maiores, como a Terra, que sofreram a diferenciação interna, representam a composição química e densidade de cada uma das partes internas diferenciadas do corpo que os originou. São os sideritos, os acondritos e ainda outros tipos. Pela sua densidade, faz-se a correlação com as camadas da Terra determinadas pela sismologia, e supõe-se que sua composição química represente a composição química da camada terrestre de mesma densidade. Assim, com estas duas ferramentas indiretas, a sismologia e a comparação com os meteoritos, foi estabelecido um modelo para a constituição interna do globo terrestre.

É importante ressaltar que todo o material no interior da Terra é sólido, com exceção apenas do núcleo externo, onde o material líquido metálico se movimenta, gerando correntes elétricas e o campo magnético da Terra. A uma dada temperatura, o estado físico dos materiais depende da pressão. ‘As temperaturas que ocorrem no manto, os silicatos seriam líquidos, não fossem as pressões tão altas que lá ocorrem (milhares de atmosferas).

Assim, o material do manto, ao contrário do que muitos crêem, é sólido, e só se torna líquido se uma ruptura na crosta alivia a pressão a que está submetido. Somente nesta situação é que o material silicático do manto se liqüefaz, e pode, então, ser chamado de magma. Se o magma fica retido em bolsões dentro da crosta, forma uma câmara magmática, e vai pouco a pouco solidificando-se, formando um corpo de rocha ígnea plutônica ou intrusiva, Se o magma consegue extravasar até a superfície, no contato com a atmosfera e hidrosfera, pode ser chamado lava, enquanto estiver líquido, e seu resfriamento e solidificação vai formar um corpo de rocha ígnea vulcânica ou extrusiva.

As rochas ígneas assim assim formadas, juntamente com as rochas metamórficas e sedimentares, formadas por outros processos geológicos, constituem a crosta, que é a mais fina e a mais importante camada para nós, pois é sobre ela que se desenvolve a vida. A crosta oceânica e a crosta continental apresentam diferenças entre si.

A primeira ocorre sob os oceanos, é menos espessa e é formada por extravasamentos vulcânicos ao longo de imensas faixas no meio dos oceanos (as cadeias meso-oceânicas), que geram rochas basálticas. A segunda é mais espessa, pode emergir até alguns milhares de metros acima do nível do mar, e é formada por vários processos geológicos, tendo uma composição química média mais rica em Si e em AI que as rochas basálticas, que pode ser chamada de composição granítica.

A crosta oceânica e continental, junto com uma parte superior do manto, forma uma camada rígida com 100 a 350km de espessura. Esta camada chama-se LITOSFERA e constitui as placas tectônicas, que formam, na superfície do globo, um mosaico de placas encaixadas entre si como um gigantesco quebra-cabeças; são as placas tectônicas ou placas litosféricas. Abaixo da litosfera, ocorre a ASTENOSFERA, que é parte do manto superior; suas condições de temperatura e pressão permitem uma certa mobilidade, muito lenta, mas sensível numa escala de tempo muito grande, como é a escala do tempo geológico.

A Dinâmica Interna

Os vulcões e terremotos representam as formas mais enérgicas e rápidas de manifestação dinâmica do planeta. Ocorrem tanto em áreas oceânicas como continentais, e são válvulas de escape que permitem o extravasamento repentino de energias acumuladas ao longo de anos, milhares ou milhões de anos. Esses eventos são sinais de que, no interior da Terra, longe dos nossos olhos e instrumentos de pesquisa, ocorrem fenômenos dinâmicos que liberam energia e se refletem na superfície, modificando-a. Por outro lado, também existem formas lentas de manifestação da dinâmica interna terrestre. As placas tectônicas, conforme a teoria da Tectônica de Placas, resumida a seguir, incluem continentes e partes de oceanos, que movem-se em mútua aproximação ou distanciamento, a velocidades medidas de alguns centímetros por ano, assim contribuindo para a incessante evolução do relevo e da distribuição dos continentes e oceanos na superfície terrestre.

A Tectônica de Placas e a formação das grandes cadeias de montanhas e dos oceanos

Existem várias evidências mostrando que as placas tectônicas flutuam sobre o material da astenosfera e movem-se umas em relação às outras; assim, continentes que hoje encontram-se separados já estiveram unidos. Tal é o caso da América do Sul e da África, que se apresentam como duas peças contíguas de um quebra-cabeças, o que é interpretado não apenas pela forma de seus litorais, mas também pelas características geológicas e paleontológicas que mostram continuidade nos dois continentes. América do Sul e África já estiveram unidos e submetidos a uma mesma evolução durante um longo período de sua história, no passado. Os movimentos das placas litosféricas são devidos às correntes de convecção que ocorrem na astenosfera. As correntes de convecção levam os materiais mais quentes para cima, perto da base da litosfera, onde movimentam-se lateralmente pela resistência da litosfera ao seu movimento e perdem calor; tendem então a descer, dando lugar ao material mais quente que está subindo.

À medida que o material se desloca lateralmente para depois descer, ele entra em atrito com as placas da litosfera rígida, em sua parte inferior, levando-as ao movimento.

No meio dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico existem cordilheiras submarinas, que se elevam a até cerca de 4.000m acima do assoalho oceânico. Estas cordilheiras, denominadas meso-oceânicas, são interrompidas transversalmente pelas falhas transformantes e sublinham imensas rupturas na crosta, ao longo das quais há extravasamentos periódicos de lava basáltica vinda das partes mais internas (astenosfera). O mesmo mecanismo que força a cordilheira a se abrir periodicamente (correntes de convecção divergentes) para que materiais mais novos possam se colocar ao longo das aberturas, formando e expandindo o domínio oceânico, em outros locais promove colisões de placas (correntes de convecção convergentes). Nestas colisões, a placa que contém crosta oceânica, mais pesada, entra sob a placa continental, que se enruga e deforma (processos incluídos no metamorfismo), gerando as grandes cadeias continentais (Andes, Montanhas Rochosas).

A placa que afundou acaba por se fundir parcialmente ao atingir as grandes temperaturas internas (zona de subducção), gerando magma passível de subir na crosta formando rochas ígneas intrusivas ou extrusivas; se a colisão for entre duas placas continentais, ambas se enrugam (Alpes, Pirineus, Himalaias). Desta forma, a crosta oceânica é renovada, sendo gerada nas cadeias meso-oceânicas e reabsorvida nas zonas de colisões entre as placas, onde ocorre subducção. Assim, oceanos são formados pela divisão de continentes. Por exemplo, há 180 milhões de anos, um grande continente chamado GONDWANA dividiu-se, formando a África, a América do Sul e o oceano Atlântico.

Outros oceanos podem ser fechados por movimentos convergentes das placas (por exemplo, o Mar Mediterrâneo está sendo fechado pela aproximação entre a África e a Europa).

Os limites entre as placas podem ser divergentes, onde elas separam-se, criando fundo oceânico, ou convergentes, onde elas colidem, formando cadeias montanhosas continentais ou fechando oceanos. Podem ainda ser limites transfomantes, onde uma placa passa ao lado da outra, com atrito, mas sem criar nem consumir material. Todos estes tipos de limites são zonas de instabilidade tectônica, ou seja, sujeitas a terremotos e vulcões.

Assim, as posições dos continentes no globo terrestre são modificadas em relação ao Equador e aos pólos, explicando em parte as mudanças das condições climáticas de cada continente ao longo do tempo geológico.

Vulcões

O material rochoso em profundidade está submetido a pressões e temperaturas altíssimas (astenosfera) e, quando a placa litosférica rígida sofre uma ruptura, aquele material tende a escapar por ela, extravasando na superfície (vulcanismo) ou ficando retido em câmaras magmáticas dentro da crosta, quando não consegue chegar à superfície (plutonismo). O material que extravasa é constituído por gases, lavas e cinzas. A atividade vulcânica pode formar ilhas em meio aos oceanos (Havaí, Açores e etc.) que podem ser destruídas em instantes.

Pode ocorrer nos continentes, formando montanhas (Estromboli e Vesúvio na Itália, Osorno e Vila Rica no Chile, Santa Helena nos EUA). O mais espetacular aspecto construtivo do vulcanismo é o que corre nas cadeias meso-oceânicas, que representam limites divergentes de placas, gerando verdadeiras cordilheiras submarinas, formando assoalho oceânico novo a cada extravasamento e causando, assim, a expansão oceânica. A lslândia representa parte da cadeia meso-oceânica emersa acima do nível das águas, permitindo a observação direta deste tipo de vulcanismo fissural.

Terremotos

Os terremotos são tremores ou abalos causados pela liberação repentina da energia acumulada durante longos intervalos de tempo em que as placas tectônicas sofreram esforços para se movimentar. Quando o atrito entre elas é vencido (subducção ou falha transformante) ou quando partes se rompem (separação de placas), ocorrem os abalos. Estes abalos têm intensidade, duração e freqüência variáveis, podendo resultar em grandes modificações na superfície, não só pela destruição que causam, mas por estarem associados aos movimentos das placas tectônicas. Os hipocentros (pontos de origem dos terremotos) e epicentros (projeções verticais dos hipocentros na superfície) estão localizados preferencialmente em zonas limitrofes de placas tectônicas, onde elas se chocam e sofrem subducção e enrugamento, formando, respectivamente, fossas oceânicas e cordilheiras continentais, ou onde elas se separam, nas cadeias dorsais meso-oceânicas. Ocorrem terremotos também no limites neutros, onde as placas se movem lateralmente em sentid
os opostos (falhas transformantes). No mapa mundi, pode-se observar que a distribuição dos terremotos forma faixas contínuas ao longo das fossas oceânicas e cadeias continentais e meso-oceânicas. É famoso o “cinturão de fogo circumpacífico”, sujeito a freqüentes e intensos terremotos (exemplo da Falha de San Andreas, EUA), formando uma faixa muito ativa em volta do Oceano Pacífico. Também existem terremotos que não são devidos aos movimentos das placas, mas a esforços chamados intra-placas. São menos freqüentes, menos intensos, e relacionados à reativação de falhas (rupturas) muito antigas na crosta (exemplos recentes: João Câmara – RN, e Rio de Janeiro).

Aquífero Guarani – água pura para o Mercosul

As águas superficiais presentes nos rios e lagos estão cada vez mais poluídas e escassas, situação esta agravada pelo descontrole dos desmatamentos e uso abusivo de agrotóxicos na agricultura, o que torna a importância das águas subterrâneas maior ainda.

As águas subterrâneas acumulam-se no subsolo nos poros (vazios) e fraturas das rochas. Algumas rochas são mais porosas do que as outras e funcionam como gigantesca esponja, onde as águas ficam armazenadas, com a grande vantagem de poderem ser consumidas diretamente, sem a necessidade de tratamento prévio.

Ultimamente vem sendo muito discutida a importância do Aqüífero Guarani, o qual tem uma área de influência muito extensa, estando disponível para captação nos estados do centro oeste, sudeste e sul do Brasil e parte do Paraguai, Uruguai e Argentina, motivo pelo qual foi inicialmente denominado Aqüífero MERCOSUL.

Para compreender a origem deste aqüífero, deve-se voltar ao passado, ao início da Era Mesozóica, conhecida por ser a Era dos Dinossauros. No início deste intervalo de tempo, existia um imenso deserto cobrindo grande parte da América do Sul, muito semelhante ao que é hoje o Deserto do Saara. Nos ambientes desérticos, predomina o transporte e sedimentação de grande quantidade de areia através dos ventos, formando gigantescas dunas. Uma característica marcante das areias eólicas (depositadas pelo vento), é a de apresentarem grãos bem arredondados e esféricos, o que faz com que o pacote sedimentar fique muito poroso, cheio de vazios intercomunicados entre si, o que confere à rocha sedimentar, assim formada, excelentes condições de armazenamento de água subterrânea.

Após a sedimentação destas areias, as quais deram origem aos arenitos da Formação Botucatu, ocorreu intenso vulcânismo fissural, com a saída de grande quantidade de lavas através de fendas quilométricas, resultantes do início do processo de separação entre a América do Sul e a África, o qual deu origem ao Oceano Atlântico. Estas lavas cobriram os arenitos tornando-os parcialmente confinados e protegidos, posicionando-os a profundidades de até 2000 m.

Com o passar dos anos, os vazios entre os grãos do arenito foram sendo preenchidos por água, tornando-o um dos maiores reservatórios de água subterrânea que se conhece no mundo, com um volume estimado de 48 000 km3, quantidade suficiente para fornecer água para toda a população atual do Brasil por 3 500 anos.

Este aqüífero recebe uma recarga natural, a partir das águas das chuvas, de tal forma que uma exploração racional possibilita abastecer continuamente uma população de 20 milhões de pessoa sem comprometer suas reservas.

Outra característica deste aqüífero é o fato de fornecer, em determinadas regiões, água quente, com temperaturas de 33 a 45 oC, o que possibilita o seu uso para o turismo, em balneários termais, como fonte alternativa de energia e até para a minimizar os efeitos de geadas.

No entanto este reservatório não se encontra totalmente protegido, necessitando medidas urgentes no sentido de evitar sua contaminação e seu uso descontrolado. Para isso é necessário identificar regiões mais vulneráveis, onde deve ser proibida qualquer atividade potencialmente poluente, como instalação de postos de gasolina, cemitérios e uso de agrotóxicos, entre outros.

As rochas mais velhas da Terra: pistas da história geológica primitiva

A Terra, juntamente com os constituintes do Sistema Solar, formou-se pela aglutinação de poeira cósmica e partículas até do tamanho de asteróides, a partir de uma nebulosa de gás e poeira em lenta rotação. O estudo de meteoritos – fragmentos de matéria sólida provenientes do espaço – permite estabelecer, com certa precisão, a cronologia dos eventos da evolução primitiva do Sistema Solar. Os meteoritos, cuja composição química e mineralógica é assemelhada a dos corpos do Sistema Solar, possuem idade de 4,6 bilhões de anos (Ga); por extrapolação esta é a idade da própria Terra.

A investigação das rochas mais velhas, da diversidade dos eventos e variação composicional da crosta mostram que a Terra se transforma gradualmente, embora os processos geológicos guardem semelhança com os operantes hoje em dia. Mas, onde estão as rochas sobreviventes da história inicial da Terra? Além da dinâmica que transforma lentamente o nosso planeta sabemos que sua superfície primitiva, durante os primeiros 600 milhões de anos (Ma), sofreu intenso bombardeio de meteoritos, asteróides e cometas, detritos gerados durante a formação do Sistema Solar. O registro desse bombardeio pode ser visto, por exemplo, na superfície da Lua coberta por enormes crateras, cicatrizes de um passado extremamente violento. A Terra, contudo, sofreu erosão e eventos geológicos sucessivos, o que explica ser extremamente difícil encontrar suas rochas mais primitivas preservadas. Mas o que aconteceu com a Lua naquela fase primitiva, certamente aconteceu com a Terra.

A cronologia precisa dos eventos das etapas precoces da evolução terrestre tem sido fruto do progresso nas técnicas laboratoriais, avanços tecnológicos, combinado com o emprego de métodos de datação baseados no decaimento radioativo, a exemplo do método Urânio/Chumbo (U/Pb) SHRIMP – sensitive high resolution mass spectrometer. Atualmente podemos obter idades U/Pb muito precisas de cristais diminutos de zircão (ZrSiO2), um mineral freqüentemente encontrado em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. O zircão é utilizado por ser extremamente resistente a altas pressões e temperaturas e, pelo fato de seu sistema cristalino possuir uma alta temperatura de bloqueio (800°C), retém com maior eficiência que outros minerais tanto os elementos-pai (Urânio) como os elementos-filho (Chumbo). Por isso os zircões comumente guardam evidências da idade de cristalização da rocha ígnea original, mesmo que tenham ocorrido transformações posteriores no mineral.

A datação dos zircões com idade superior a 2,5 Ga (Eon Arqueano) documenta não só os processos e produtos da diferenciação química precoce da Terra, mas também permite inferências sobre a natureza e composição da crosta primitiva. Portanto, ao investigarmos as rochas arqueanas estaremos melhor compreendendo a história mais remota do planeta, incluindo processos sedimentares e vulcânicos iniciais, a hidrosfera precoce e a própria emergência da vida.

As rochas arqueanas constituem, em geral, complexos gnáissicos de médio a alto grau metamórfico em que predominam ortognaisses graníticos a dioríticos. Subordinadamente ocorrem rochas básicas, ultramáficas e metassedimentares, as primeiras proporcionando uma visão direta do manto terrestre mais primitivo, a partir de suas características geoquímicas e isotópicas, bem como da magnitude dos eventos de vulcanismo máfico.

Já os metassedimentos, particularmente os bifs (formações ferríferas bandadas) e cherts, trazem informações importantes quanto à história precoce da hidrosfera, ambientes superficiais iniciais, incluindo processos sedimentares e a emergência da vida. Rochas com idades superiores a 3,7-3,8 Ga são conhecidas em pouquíssimas localidades, como, por exemplo na África do Sul, Índia, Rússia, China, Antártica, Groenlândia, Canadá e norte dos EUA. No Brasil, as ocorrências das rochas mais antigas, com idades da ordem de 3,40-3,45 Ga, situam-se na Bahia e Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Uma coleção das rochas mais antigas encontra-se no Museu de Geociências.

BACIAS SEDIMENTARES: A MEMÓRIA DO PLANETA

A superfície da Terra está em constante transformação. O nível dos oceanos varia, as placas tectônicas movem-se, afastando ou aproximando continentes, cadeias de montanhas elevam-se e são erodidas, áreas ocupadas por mares passam a abrigar rios e posteriormente calotas de gelo e novamente mares e depois desertos. No curto período de uma vida humana, ou mesmo da história registrada, poucas são as transformações que podem ser notadas, pois os processos responsáveis pelas grandes mudanças do planeta são muito lentos e ocorrem em uma escala de tempo diferente da vida cotidiana. Mesmo processos que ocorrem a taxas de menos de um milímetro por ano podem ter efeitos de grande escala se persistirem por alguns milhões de anos, o que é pouco tempo para um planeta de 4,6 bilhões de anos. Assim dizemos que a história do planeta é medida pelo Tempo Geológico.

As transformações lentas ficam registradas nas características das rochas que encontramos na crosta terrestre. Por exemplo, antigas cadeias de montanhas, já desaparecidas pela erosão causada pelas chuvas, rios, ventos e geleiras, deixam seu registro em rochas metamórficas que se formaram abaixo das grandes massas elevadas, e antigos vulcões, extintos a centenas de milhões de anos e já sem expressão topográfica, podem ser revelados pelos produtos que expeliram: as rochas vulcânicas formadas pelo resfriamento das lavas. Mas há certas áreas da superfície da Terra que tornam-se nossa maior fonte de informação sobre as diversas paisagens que existiram na superfície do planeta: as bacias sedimentares.

Bacias sedimentares são regiões que, durante um determinado período, sofrem lento abatimento (ou subsidência), gerando uma depressão que é preenchida por sedimentos. Esses sedimentos podem ser formados por materiais de três tipos principais: fragmentos originados pela erosão das áreas elevadas e transportados para a bacia por rios, geleiras ou ventos; materiais precipitados em corpos d’água dentro da bacia, anteriormente transportados como íons em solução; e estruturas que fizeram parte de corpos de animais ou plantas, como fragmentos de cochas, ossos, ou recifes de corais inteiros.

Como as bacias afundam lentamente, sedimentos mais novos são depositados sobre os mais antigos, que ficam preservados da erosão que predomina na superfície do planeta. O resultado é uma pilha de rochas (formadas pelas transformações que ocorrem aos sedimentos depois de soterrados) de diferentes idades, que revelam a história da região em cada etapa do tempo em que houve subsidência e acumulação de sedimentos. Como as camadas mais profundas depositam-se primeiro, pode-se estabelecer a cronologia dos eventos. É desta forma que podemos traçar a evolução das espécies de animais e plantas ao longo do tempo e saber, por exemplo, quais dinossauros existiram simultaneamente em uma região: através do conhecimento das relações entre as camadas que contém os fósseis que essas formas de vida deixaram.

O estudo das sucessões de camadas formadas em bacias sedimentares é denominado Estratigrafia (estudo dos estratos), e a Paleontologia (estudo dos fósseis) não poderia avançar sem ela. Mas não só apenas os fósseis fornecem informações sobre o passado do planeta, as próprias rochas sedimentares guardam vestígios que podem ser interpretados pelos geólogos para a reconstituição das características de uma dada região em épocas passadas. Os elementos que transportam ou acumulam sedimentos dentro de uma bacia, como rios, campos de dunas formadas pelo vento, lagos, praias, áreas de mar profundo etc., dão origem a tipos de depósitos sedimentares diferentes, que podem ser reconhecidos por geólogos especializados.

É dessa forma que sabemos que, no tempo dos dinossauros, a maior parte das regiões Sudeste e Sul do Brasil foram um grande deserto, com dunas semelhantes às que hoje ocorrem no Sahara. Dezenas de milhões de anos antes disso, a mesma região era coberta por mares rasos que vieram depois de grandes geleiras de uma época em que a América do Sul e a África eram unidas e próximas ao Pólo Sul. As evidências desse passado fascinante estão nos afloramentos de rochas, nas beiras das estradas, pedreiras e escarpas de serras, para quem quiser ver e puder entender.

Cavernas e Geoespeleologia

As fantásticas pinturas rupestres nas entradas e no interior de algumas cavernas, os enterramentos e restos de ocupações associadas a estas entradas comprovam o interesse milenar do ser humano por este ambiente. A visão comum de que cavernas são simples atrações turísticas ou locais para prática de esportes de aventura, está totalmente ultrapassada. Os estudos de cavernas revelaram um enorme potencial científico envolvido na evolução destas feições geológicas, desde a ação de bactérias em grande profundidade corroendo rochas calcárias, até o abrigo de registros sedimentares únicos das variações ambientais ocorridas durante as últimas dezenas de milhares de anos, incluindo restos de animais extintos ou vestígios de ocupações pré-históricas.
Cavernas são espaços vazios em rochas, formados naturalmente e que apresentam dimensões suficientes para dar acesso ao homem, segundo a definição adotada pela União Internacional de Espeleologia.

As cavernas são um componente subterrâneo do relevo cárstico, formado pela dissolução de certos tipos de rochas pela água subterrânea, a exemplo dos terrenos constituídos por rochas calcárias. Estão intrinsecamente relacionadas às outras feições cársticas, servindo freqüentemente como condutos para transporte de água subterrânea captada em superfície, que posteriormente escoa rumo às nascentes, servindo de ambiente para deposição.

Centenas de milhares de cavernas já foram exploradas na Terra, e provavelmente mais de 10.000 km de galerias já foram mapeadas. Estes números mostram que as cavernas, embora pouco conhecidas, quando comparadas com montanhas, rios e lagos, constituem uma feição geográfica significativa. No Brasil, cerca de 2500 cavernas foram registradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (www.sbe.com.br), uma parcela ínfima, em se tratando do nosso potencial, seguramente da ordem de dezenas ou mesmo centenas de milhares de cavernas.

Do ponto de vista geológico, a maioria das cavernas ocorre em rochas calcárias, tendo inicio como estreitas fendas (canalículos) de dimensões sub-milimétricas a milimétricas (capilares), normalmente preenchidas por água. Neste estágio inicial, os canalículos são denominados de protocavernas, que servem de caminhos da água subterrânea. Através da ação de agentes corrosivos em profundidade, estas linhas de fluxo da água subterrânea desenvolvem através da dissolução de minerais carbonáticos (como calcita) uma rede de condutos interconectados que caracterizam aqüíferos de condutos, os quais podem abrigar grandes volumes de água subterrânea. Com a evolução da paisagem e processos de entalhamento do relevo (aprofundamento de vales fluviais), estes condutos atingem posições acima da zona saturada em água e assim esses sistemas de cavernas são acessíveis aos exploradores.

A descrição física e o estudo geológico dos espaços subterrâneos das cavernas e do seu conteúdo, são os objetivos da espeleologia física, que constitui um ramo da espeleologia geológica, ou simplesmente, da geoespeleologia. Na área da geoespeleologia, a espeleogênese é o conjunto de processos responsáveis pela origem e desenvolvimento de cavernas. O estudo de cavernas tem grande importância na geologia aplicada ou também chamada geologia ambiental, através do entendimento dos processos envolvidos nos afundamentos de terreno, colapsos estes às vezes catastróficos, como aquele ocorrido em Cajamar (SP) em 1986.

Acompanhando a evolução da ciência geoespeleológica mundial, o Instituto de Geociências da USP conta atualmente com uma linha de pesquisa em geologia de sistemas cársticos. Alguns dos temas objeto das investigações são: a origem de cavernas, características de aqüíferos em rochas calcárias, registros paleoclimáticos em sedimentos de cavernas, e dinâmica de sistemas cársticos, entre outros.

Crateras por impacto de corpos extraterrestres – Astroblemas

Mesmo que a colisão de corpos celestes com a Terra possa parecer ficção científica, a sua ocorrência ao longo dos 4,5 bilhões de anos do planeta foi algo relativamente corriqueiro, principalmente nos seus primeiros 2 bilhões de anos (quando o escudo protetor da atmosfera terrestre ainda era rarefeito) ao tempo em que “chuvas” de asteróides errantes cobriram luas e planetas de crateras descomunais. Pesquisadores de corpos celestes, cujas trajetórias cruzam ou se aproximam da órbita terrestre, avaliam que atualmente o choque com um desses bólidos espaciais é uma simples distribuição de eventos ao longo de parte do tempo geológico (aproximadamente, milhares a milhões de anos).

Desde o início da formação da Terra, o choque de asteróides, meteoróides e cometas vem tendo importância crucial para o destino e as condições reinantes no planeta. Basta dizer que pesquisas recentes permitem supor que a rotação da Terra em torno de si mesma e a inclinação desse eixo de rotação (~230) foram proporcionadas por impactos de gigantescos corpos celestes contra sua superfície, durante os primórdios do planeta.

Na Lua são reconhecidas mais de 30.000 crateras de impacto, de diâmetro e geometria dos mais variados. A Cratera Aitke localizada no pólo sul da Lua é considerada a maior (2.500km de diâmetro) e mais profunda (13km) cratera de impacto do sistema solar. Sobre a crosta continental terrestre até o momento foram detectados apenas cerca de 200 desses astroblemas (do grego astro = corpo celeste + blema = cicatriz; ou seja, cicatrizes produzidas na crosta terrestre pelo impacto de corpos celestes de grandes proporções). Sim, o que ocorreu na Lua repetiu-se na Terra, tanto pela proximidade ao satélite como pela atração da gravidade várias vezes superior e, ainda mais, tratando-se de alvo com superfície de impacto muito maior.

Essa disparidade numérica é explicada pela ação de agentes denudadores do relevo, atuantes na Terra (de eficácia praticamente desprezível na Lua) como a erosão e o intemperismo que aplainam as áreas aguçadas do planeta, e de mecanismos renovadores da fisiografia global como a sedimentação e a deriva dos continentes (inexistente na Lua) que reciclam constantemente as rochas terrestres (e.g., a crosta oceânica, por exemplo, tem ciclos de rejuvenescimento ao redor de 200 milhões de anos). Esses fenômenos terminam velando ou eliminando as feições características dos astroblemas. Somado a isto, temos o atual efeito abrasivo da atmosfera terrestre que tende a atenuar o potencial de impacto de bólidos menores que 10 metros através de sua incineração meteórica.

Apesar das crateras lunares serem conhecidas há muitos séculos, somente após a Segunda Guerra iniciaram-se as discussões sugerindo a geração dessas estruturas por impactos. O astroblema mais bem preservado na Terra é conhecido como Meteor Crater (1,1km de diâmetro; 200m de profundidade), foi formada há cerca de 50 mil anos no Arizona (EUA). Embora a morfologia e as características geológicas indicassem a obviedade de sua origem, até 1960, acreditava-se que se tratasse de uma feição vulcânica.

No Brasil devem existir dezenas dessas estruturas, embora até o momento tenham sido reconhecidas somente cerca de 10 estruturas de impacto. A maior é a de Araguainha (40km), no limite sul de Goiás-Mato Grosso, cujas rochas têm cerca de 247 milhões de anos. Na região sudoeste da Grande São Paulo, além do bairro de Santo Amaro, está o Astroblema de Colônia (3,6km) com provavelmente alguns milhões de anos.

A cratera de impacto, de dimensões quilométricas, mais jovem do Brasil, foi formada no dia 13 de agosto de 1930 no Estado do Amazonas, próximo ao Rio Curuçá e abriu na floresta uma clareira de 1,2km de diâmetro. Sua localização foi possível graças a imagens de satélites (uma das formas de detectar as cicatrizes formadas pela queda de bólidos) e relato de um frade ao Vaticano. Acredita-se que esses corpos celestes, de dimensões (<100m) em condições de formar crateras como a de Rio Curuçá, podem cair em algum ponto do globo a cada 100 anos.
O Astroblema de Vredefort (300km; 2 bilhões de anos), na África do Sul, é considerado uma das maiores e mais antigas estruturas de impacto até o momento conhecidas na Terra. Este formou um domo e a bacia de Witwatersrand, a fonte de 50% do ouro já extraído na Terra. Outro astroblema, no Canadá, a estrutura de Sudbury (250km; 1,85 bilhões de anos), comparável ao anterior em tamanho e idade , é a maior fonte de níquel do mundo.

Já outras estruturas de impacto, ao redor do mundo, foram encontradas durante atividades de prospecção de petróleo como no caso do Astroblema de Chicxulub (170km; 65 milhões de anos), no Golfo do México. Atualmente, este vem sendo intensamente pesquisado como prova da queda de um asteróide que causou uma das maiores extinções em massa, na passagem Cretáceo-Terciário. Este evento extinguiu cerca de 70% das então espécies vivas do planeta, entre as quais os dinossauros, os maiores e mais formidáveis répteis que habitaram o planeta.

Como foi descrito, os astroblemas enquanto estruturas geológicas presentes na Terra, e em outros astros rochosos, têm grande importância econômica como áreas potencialmente ricas em depósitos de minérios importantes no desenvolvimento e progresso dos países.

Hoje em dia, a associação de sua gênese com eventos de extinção biológica de larga escala torna o estudo dos astroblemas uma das mais interessantes áreas de investigação científica dos institutos de pesquisas geológicas do mundo. O conjunto de conseqüências dos impactos de bólidos sobre a Terra tornou-se um dos mais recentes paradigmas para explicar a evolução do planeta e dos organismos aqui viventes. A formação das grandes crateras de impacto que provocam mudanças geológicas e ameaçam a delicada cadeia da vida, cada vez mais tem estimulada sua pesquisa.

É da natureza humana querer conhecer suas origens, saber de onde viemos e para onde vamos. Assim, geólogos, paleontólogos e geofísicos esforçam-se no estudo dos astroblemas com o objetivo de compreender o passado e o presente da Terra e, se possível, encontrar respostas sobre o futuro, face a eventual recorrência desses eventos.

De volta ao passado: Paleontologia e paleontólogos

Âmbar, uma resina vegetal fossilizada, tem sido utilizado por milhares de anos como adorno de rara beleza e fascínio. Mas quando no seu interior aparecem restos de pequenos animais e plantas em perfeito estado de conservação, a jóia passa a constituir uma cápsula do tempo e objeto de estudo paleontológico.

A Paleontologia é a ciência que estuda evidências da vida pré-histórica preservadas nas rochas, os fósseis, e elucida não apenas seu significado evolutivo e temporal mas também sua aplicação na busca de bens minerais e energéticos. Para ter sucesso nesse campo o pretendente a paleontólogo precisa adquirir excelentes conhecimentos geológicos e sólidos fundamentos biológicos.

Nas últimas décadas, esta ciência tem passado por uma renascença, uma verdadeira revolução científica, devido, em parte, à grande popularidade de filmes e documentários sobre os mais intrigantes dos seres pré-históricos, os dinossauros, pterossauros e outros répteis associados, todos extintos, mas também em função de novas maneiras de investigar os fósseis no campo e de estudar o passado da vida no laboratório. Também pode se dizer que já passaram os dias em que o paleontólogo descrevia um ossinho ou uma conchinha pelo prazer de lançar um novo nome científico na literatura especializada, pois os fósseis armazenam muito mais informação do que se imaginava antigamente.

É claro que a descrição e identificação dos fósseis continuam importantes; afinal, essas informações fundamentam estudos de evolução e biodiversidade do passado e servem de base para a datação e correlação temporal das rochas sedimentares. Mas cada fóssil também possui uma história própria, desde a morte do organismo (animal, planta ou micróbio) até sua transformação final em fóssil, e essa história pode revelar detalhes do paleoclima, dos ambientes antigos de sedimentação e dos processos físico-químicos que afetaram os sedimentos desde sua deposição.

Novas tecnologias, principalmente na área da “paleontologia molecular”, têm propiciado avanços impressionantes em nossa compreensão dos princípios de vida na Terra e da cronologia das inovações evolutivas subseqüentes. Por exemplo, a variação em átomos de carbono em grafite mineral com idade de 3,8 bilhões de anos sugere que a vida é tão antiga quanto ao registro de material geológico terrestre (um pouco mais que 4 bilhões de anos).

Outro exemplo: a análise das diferenças sutis no sequenciamento de moléculas básicas a toda a vida (certos tipos de RNA e proteínas, por exemplo) aponta para a origem dos primeiros animais (microscópicos) em torno de 1 bilhão de anos atrás, mais 400 milhões de anos antes do aparecimento das primeiras evidências de animais visíveis ao olho nu!

O paleontólogo moderno é, portanto, um cientista polivalente pouco parecido com as exóticas figuras comumente veiculadas como paleontólogos nos filmes de antigamente.

Gemas – Flores do Reino Mineral

Gemas são cristais naturais ou sintéticos, às vezes com aspecto áspero ou irregular, transformados pelo ser humano em objetos lapidados e atrativos. Como tal, as gemas são empregadas em jóias desde tempos antigos e até como investimento em tempos modernos.

O conhecimento sobre gemas em Geociências está ligado à Mineralogia e Petrologia Geociências. Estas áreas estudam as características, o crescimento e as propriedades de minerais e a formação das rochas e do ambiente geológico onde se origina a maioria das gemas.

Gemas naturais

Gemas naturais são formadas em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. Elas ocorrem tanto em depósitos primários (nas próprias rochas) como em depósitos secundários, no fundo de rios em sedimentos ali depositados.

Entre as gemas encontram-se muitos minerais formados em rochas, tais como o diamante, o rubi, a safira, a esmeralda, a alexandrita, a opala, o olho de gato, o topázio, a turmalina, a granada, todas encontradas aqui no Brasil. Já as chamadas gemas orgânicas como ambar, pérola e coral, são formadas na biosfera. Tanto as gemas naturais como as orgânicas são raras e, por isso, muito valiosas.

Gemas sintéticas

Materiais gemológicos podem ser produzidos também em laboratório a um custo baixo, mas com a mesma qualidade de beleza e encanto que a gema natural.

Gemas como a rubi, safira, esmeralda, opala, alexandrita já tem o seu “clone” sintético. Até o diamante que se forma sob condições de pressões e temperaturas altíssimas em grandes profundezas do planeta, já foi sintetizado em laboratório, com custo sensivelmente baixo.

O Gemólogo

O profissional que estuda, testa e identifica gemas é o gemólogo. Este profissional deve ter bons conhecimentos de Mineralogia, Petrologia e Geologia, além de Física e Química para poder desempenhar este papel.

O gemólogo estuda as propriedades, identifica a natureza da gema, classifica-as em função do peso, lapidação, cor, dureza e pureza e opina ainda sobre o valor econômico destes materiais naturais.

Portanto, este profissional controla a qualidade das gemas, o que é fundamental para vendedores, compradores e colecionadores, atuando no controle das necessidades de avaliar muitas variedades de material existente no comércio, no descobrimento de novas gemas e assessorando tecnicamente no tratamento de gemas naturais.

Outro campo relevante de atuação se dá nos métodos de gemas sintéticas e no reconhecimento de gemas de imitação, as quais só têm a aparência de gema mas nunca seu valor econômico.

Leitura recomendada

Schumann, W.. 2002. Gemas do Mundo,9a.Edição, Editora Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 280 ps.
Schumann, W.. 1986. Gemas do Mundo 3a.Edição, Editora Ao livro Técnico, Rio de Janeiro, 254 ps.
Schumann, W.. 1994. Rochas e Minerais, Editora Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 223 p.

Geociências e Ecologia

Devemos ampliar o conceito corrente de ECOLOGIA, para ampliar o conhecimento sobre o ambiente que nos cerca e complementar a compreensão do ciclo natural global. Este, é mais amplo que o ciclo dos seres vivos, que ocorre numa escala de tempo muito restrita, e que tem sido abordado na maioria dos trabalhos ambientais atuais.

O chamado “Reino Mineral” ou “Mundo Inanimado”, que compreende os materiais das rochas e solos, constituídos principalmente por minerais, além da água, participa muito mais intensamente do ciclo dos seres vivos do que as informações divulgadas normalmente permitem imaginar. Pois as hortências não mudam de cor de acordo com o solo em que se enraízam? E as uvas não variam seu sabor da mesma forma? Estes são dois pequenos exemplos de todo um universo de interações entre os seres vivos e o ambiente terrestre no qual se instalaram.

Podemos ir mais longe, olhar numa escala maior e investigar as interações no Planeta, no Sistema Solar e no Universo como um todo. Pois nossos cabelos não crescem mais se aparados na lua cheia? E nossa agricultura não depende das estações do ano? Toda a matéria e toda a energia que vêm sendo transformadas e recicladas desde que se formou o Universo tal como nos é permitido conhecer hoje, tiveram uma origem comum, há pelo menos quinze bilhões de anos atrás.

Depois disso, muita coisa já sabemos da história do Universo e, principalmente da história da Terra e do Sistema Solar. Contudo, quanto mais sabemos, mais distante vemos a compreensão completa.

Enquanto isto, cumpre, ao menos, utilizar o que já sabemos para manter o equilíbrio dinâmico da superfície da Terra, que deu a oportunidade para a vida instalar-se, evoluir e chegar até esta etapa que nos inclui. E é neste ponto que se justifica a inserção da Geologia na cultura básica dos cidadãos e nas leituras e atividades das crianças.

Geociências e Educação Ambiental/Cidadania

O comportamento da espécie humana moderna (Homo sapiens sapiens) tem evoluído rapidamente desde sua origem, há cerca de 40 mil anos. De espécie nômade caçadora e coletora, passou a produtora (entre 20 e 10 mil anos atrás), com progressivo aumento das taxas de crescimento populacional e dos níveis de conforto e de esperança média de vida. Isto ocorreu à custa do desenvolvimento de diversas técnicas de aproveitamento dos recursos naturais, primeiramente para a produção rudimentar de armas e ferramentas e para o uso agrícola dos solos. Uma consequência foi a ocupação crescente de territórios e o uso dos recursos minerais, hídricos e energéticos. Hoje a população ultrapassa a marca de seis bilhões e, com a taxa anual de crescimento de cerca de 2%, pode chegar a 11 bilhões em meados deste século.

Com a Revolução Industrial, acentuou-se o grau de interferência nos processos naturais e efeitos indesejáveis no ambiente começaram a ser sentidos. Atualmente, temos bem caracterizados problemas de degradação ambiental mais ou menos graves, e que ocorrem em escala local ou global, todos eles com conseqüências negativas para a sobrevivência das formas de vida adaptadas ao ambiente da superfície da Terra até relativamente pouco tempo. Um exemplo típico é a atmosfera: sua camada de ozônio levou mais de 2 bilhões de anos para formar-se e, uma vez definida, possibilitou a ocupação dos meios aéreos pela Vida, até então restrita ao meio aquático. Atualmente, a destruição de parte da camada de ozônio representa uma ameaça à exposição natural ao Sol das espécies terrestres.

Muitos outros exemplos podem ser mencionados: erosão e perda dos solos agrícolas (perde-se num ano, por manejo inadequado, quantidades de solos que levam milhões de anos para formarem-se), rebaixamento de nível freático por exploração superdimensionada de aqüíferos, salinização de aqüíferos, contaminação do ar, água e solos, com entrada na cadeia alimentar de substância nocivas à saúde, aquecimento global, com redução das geleiras e subida do nível do mar. Nesta relação predominantemente predatória do ser humano com a natureza, uma das componentes é sem dúvida a falta de conhecimento, se não dos tomadores de decisão, da população em geral, privada de informações geológicas.

A conclusão disto tudo é que as próximas gerações já não terão direito a um ambiente tão saudável como as gerações passadas tiveram. A recuperação deste direito para as gerações futuras é uma meta mundial a ser atingida, o chamado Desenvolvimento Sustentável.

Com o entendimento deste quadro, têm surgido iniciativas no país no âmbito da Educação Ambiental. No entanto, a ênfase dada tem se referido à Biosfera, esquecendo-se que história da Vida e história da Terra estão intrinsecamente ligadas e a falta de temas relacionados à compreensão do funcionamento do meio físico terrestre promove o desenvolvimento de uma visão fragmentada e incompleta da Natureza. Mesmo o chamado “turismo ecológico” costuma se restringir à parte biológica da Natureza, preterindo os ambientes geológicos que acolhem as formas de vida mais visitadas e admiradas. Neste ponto, convém lembrar que os diversos países da Europa apresentam, no estudo de Ciências, os conteúdos de Geociências e Biociências de forma integrada, objetivando promover a compreensão global do Sistema Terra (chamado planeta vivo, muitas vezes). Como conseqüência, lá, o turismo natural interessa-se tanto pelos aspectos biológicos como pelos geológicos.

Para atingir o Desenvolvimento Sustentável, deve-se ampliar a percepção de que as conseqüências indesejáveis da interferência humana no meio ambiente poderiam ser evitadas ou minimizadas se fosse levada em conta a dinâmica natural dos processos geológicos. Entretanto, no Brasil, a Educação fundamental e média praticamente não contempla o estudo do Sistema Terra, levando à idéia equivocada de que as interferências humanas na Natureza com reflexos negativos podem ser recuperadas com obras de mesma ordem de grandeza daquelas que geraram os problemas. Sem o conhecimento da real dimensão dos processos geológicos, do caráter natural das mudanças globais e de seus aspectos históricos, de suas correlações com a Vida e sua evolução, e, por outro lado, do reconhecimento da escala de intensificação dos processos naturais que a atividade antrópica provoca, não se poderá formar cidadãos responsáveis no uso e ocupação do meio natural.

Assim, é necessário equilibrar a formação dos alunos dos níveis fundamental e médio, com a inclusão de maior conteúdo em Geociências, de preferência em disciplinas específicas ou em conjunto com as Biociências formando um todo coerente de História Natural, possibilitando aos alunos o desenvolvimento de uma visão do planeta como um sistema (em que participa a Biosfera) de processos interdependentes. Somente com esta visão poderão ser formados cidadãos conscientes e sensíveis aos problemas ambientais, que são inegavelmente urgentes.

Neste contexto, convém ressaltar o papel das Geociências nesta fase da História, que pode dar uma contribuição efetiva à busca de soluções para as dificuldades que a sociedade enfrenta, monitorando os processos evolutivos do planeta e reconhecendo as modificações antrópicas, buscando e gerenciando de forma otimizada o fornecimento de recursos minerais e energéticos para a continuidade das atividades econômicas, gerenciando de forma a conservar os recursos hídricos e de solos agrícolas, monitorando os desastres naturais de forma a contribuir para a minimização de suas conseqüências sobre a sociedade e buscando as formas mais adequadas de disposição dos resíduos gerados nas diversas esferas da atividade humana moderna. Com todas estas tarefas, justifica-se que a população em geral tenha acesso a uma formação básica mínima nesta área do conhecimento humano, o que contribuiria para um desenvolvimento responsável da sociedade e para o exercício da cidadania.

Alguns outros pontos podem ser citados na valorização do conteúdo em Geociências na Educação de crianças e adolescentes. Os processos geológicos ocorrem segundo as leis físicas e químicas naturais, sendo a Natureza um laboratório privilegiado para o estudo daquelas ciências. Além disso, o caráter histórico da evolução geológica da Terra e a interdependência entre os fenômenos locais e globais obrigam o estudante a uma constante mudança na escala de raciocínio, tanto temporal como espacial, contribuindo para o seu desenvolvimento intelectual.

A recente criação do curso “Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental”, no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, é um dos exemplos das iniciativas que têm sido tomadas para promover uma maior cultura em Ciências Naturais no país.

Geocronologia: O tempo registrado nas rochas

Qual a idade do planeta Terra? Como determinar a idade de uma rocha ou dos seus minerais? A geocronologia é a ciência que estuda métodos de determinar o tempo geológico, registrado nas rochas.

Durante a existência do ser humano, várias maneiras de se “contar” o tempo geológico foram idealizadas. As primeiras propostas, anteriores ao Iluminismo e à revolução industrial, eram baseadas nas escrituras bíblicas e promulgavam que a Terra teria aproximadamente 6.000 anos. O Arcebispo Usher (1581-1656), declarou que a Terra teria sido criada na noite anterior ao dia 23 de Outubro, um Domingo, do ano 4004 antes de cristo.

Com o avanço da ciência outros meios foram aventados para se calcular a idade da Terra. Uma delas foi calcular o tempo necessário para que o mar se tornasse salgado, pressupondo que este teria sido doce no início e que o sal teria sido levado pelos rios, a partir da dissolução das rochas aflorantes nos continentes. O cálculo obtido em 1899 indicou que a água do mar teria cerca de 90 milhões de anos. Mas, com o tempo, os pesquisadores descobriram que o sal das rochas não vai diretamente para o mar, ou seja, o mar não é a fase final, ele pode ser reciclado. Além disso, descobriram também que o sal do mar também é proveniente do manto e que a salinidade da água do mar é constante no tempo.

Houve ainda outras tentativas, como:

1) calcular o tempo através da espessura das camadas de areia, desde que se soubesse quanto tempo leva para formar uma camada de determinado tamanho (taxa de sedimentação). Contudo este método está prejudicado, pois não há registro preservado que contenha todas as camadas de areias empilhadas desde o princípio da Terra, face à dinâmica transformadora do planeta e a taxa de sedimentação não é constante no tempo.
2) calcular o tempo pela perda de calor da Terra (Estimativas de Lord Kelvin). Os pesquisadores observaram que em minas profundas o calor era maior do que na superfície e que, portanto, havia uma perda de calor. Essa perda deve ter acompanhado toda a história da Terra, começando com as rochas fundidas. O problema é que ainda não se tinha conhecimento suficiente de ponto de fusão da crosta, nem das altas pressões que atuam no interior da Terra e nem do calor interno gerado pelo decaimento radioativo (ver adiante). Assim esta estimativa de tempo não era real.

Todos esses meios de estimar a idade da Terra (séculos XVI e XVII) não passavam de 100 milhões de anos e não contribuíam para a aceitação da então nova teoria da origem das espécies de Charles Darwin (1809-1882), pois uma Terra jovem (100 milhões de anos) não poderia ter mantido a longa estabilidade que Darwin julgava necessária para a evolução gradual das espécies e sua diversificação.

Atualmente, existem dois modos de saber o quão velha é uma rocha:

O método relativo observa a relação temporal entre camadas geológicas, baseando-se nos princípios estratigráficos de Steno (1669) e Hutton (1795). Por exemplo, a presença de fósseis, onde se conhece o período de tempo de existência dos mesmos, pode-se indicar a idade da camada geológica em que o fóssil foi encontrado e por relação, indicará que a camada que está abaixo dessa é mais velha e a camada que está por cima é mais nova.

O método absoluto utiliza os princípios físicos da radioatividade e fornece a idade da rocha com precisão. Esse método está baseado nos princípios da desintegração (ou decaimento) radioativa. Desta maneira, o uso desse método, só foi possível depois da descoberta da radioatividade (1896), no final do século XIX. Em 1911, Arthur Holmes, publicou um trabalho sobre datação radioativa. Dentre os elementos químicos existentes, há alguns que possuem o núcleo do átomo instável e são conhecidos como nuclídeos radioativos. Estes elementos, através da emissão espontânea de radiação, se transformam em elementos estáveis (nuclídeos radiogênicos). Dessa maneira o elemento-pai (radioativo) se desintegra emitindo radiação e se transforma no elemento-filho (radiogênico), como o 87Rb quando se transforma em 87Sr.

Há dois pontos importantes que permitem o cálculo da idade absoluta de uma rocha ou mineral:

1) as rochas são formadas por minerais, os quais são constituídos por elementos químicos e alguns desses, por sua vez, são nuclídeos radioativos;
2) o conceito de decaimento radioativo envolve uma constante chamada meia-vida, que é o tempo decorrido para que metade da massa do elemento-pai se transforme no elemento-filho. Essa constante é conhecida e diferente para cada nuclídeo radioativo existente (Tabela 1, Figura 1).

Cada grão mineral é um crônometro do tempo geológico, assim que ele se forma, tem início o decaimento radioativo. Sendo assim, determinando-se a quantidade de elemento-pai e de elemento-filho em um mineral hoje, é possível saber há quanto tempo está acontecendo o decaimento radioativo e, portanto quando o mineral se formou.

Mas como os pesquisadores fazem para separar e extrair os elementos-pai e -filho da rocha, para quantificá-los? A rocha tem que ser dissolvida, transformada em líquido. A maneira mais rápida e eficiente é aumentando a superfície de contato da rocha, pulverizando a amostra (Figura 2) e dissolvendo-a com ácido, além de utilizar chapas aquecedoras que aumentem a velocidade da reação.

Depois da rocha ter sido dissolvida, as ligações químicas que existem dentro dos minerais que a formam terão sido quebradas e os elementos, inclusive os radioativos, ficarão na forma de íons em solução, ou seja, separados e “imersos” em uma solução ácida (Figura 3). Dessa maneira fica mais fácil extrair os elementos-pai e -filho que serão analisados e medidos. Cada elemento químico tem uma característica físico-química diferente, se comportando de maneira variada em função da condição do ambiente (ácido, muito ou pouco ácido e básico). Utilizando essas propriedades, os elementos de interesse são separados e extraídos da solução inicial.

O próximo passo é levar os elementos, que agora estão individualizados em uma outra solução, para um aparelho, que se chama Espectrômetro de Massa (Figura 4), no qual cada elemento separado será medido. Depois, então, os cálculos baseados na meia-vida do elemento radioativo são feitos e a idade da rocha é obtida. O Centro de Pesquisas Geocronológicas da USP (CPGeo) faz datações de rocha pelo método absoluto desde 1964.

A idade da Terra foi calculada pelo método absoluto e indica que o nosso planeta tem 4,56 bilhões de anos, portanto bem mais velho do que os estudiosos antigos imaginavam. Porém o registro mais antigo do planeta, determinado em cristais contidos em rocha, tem 4,4 bilhões (Austrália). A Terra está em constante mudança. Sua crosta está continuamente sendo criada, modificada e destruída (saiba mais sobre o ciclo das rochas). Como resultado, rochas que registram a história embrionária do planeta não foram encontradas e provavelmente não existem mais. Portanto, a idade da Terra não pode ser obtida diretamente de material terrestre.

Então como saber que a Terra tem essa idade? Os cientistas presumem que todos os corpos do Sistema Solar (Figura 5) se formaram na mesma época, inclusive os meteoritos (provenientes do cinturão de asteróides). Sendo assim, como os meteoritos são corpos extraterrestres que caem na superfície da Terra, eles podem ser datados e sua idade é a mesma da formação do planeta, ou seja, 4,56 bilhões de anos. Esta idade foi determinada, pela primeira vez, por Claire Patterson em 1956, usando os isótopos de chumbo (Pb).

Nos Estados Unidos existem correntes religiosas que ainda defendem a idade de 6000 anos para a Terra e lutam para que isso seja ensinado nas escolas, juntamente com a teoria criacionista (Deus é criador do Homem e do Planeta, como está escrito na Bíblia), em detrimento à teoria da evolução de Darwin, que com o método absoluto de datação e uma Terra com bilhões de anos, se torna incontestável.

O ciclo das rochas

1. Introdução

A Terra é um planeta vivo e seus continentes estão em constante movimento, devido à dissipação de calor do interior do planeta. A tectônica global analisa o comportamento dinâmico do planeta, enfocando em conjunto os processos a ela ligados, tais como o magmatismo, a sedimentação, o metamorfismo e as atividades sísmicas (terremotos).

A geologia é a ciência que estuda a origem e a evolução do nosso planeta, através da análise das rochas e seus minerais. As rochas que formam os continentes e fundos dos oceanos registram os fenômenos de transformação da superfície e do interior da crosta terrestre.

2. Os tipos de rochas

2.1. Rochas ígneas

As rochas ígneas (do latim ignis, fogo) são também conhecidas como rochas magmáticas. Elas são formadas pela solidificação (cristalização) do magma, que é um líquido com alta temperatura, em torno de 700 a 1200oC, proveniente do interior da Terra.

As rochas ígneas podem conter jazidas de vários metais (ouro, platina, cobre, estanho, etc.) e trazem à superfície do planeta importantes informações sobre as regiões profundas da crosta e do manto terrestre.

O tamanho dos cristais das rochas ígneas é, em geral, proporcional ao tempo de resfriamento do magma, isto é, quanto mais lenta for a cristalização de um magma, maiores são os cristais formados e vice-versa.

Magmas cristalizados a grandes profundidades no interior da crosta esfriam lentamente, possibilitando que seus cristais se desenvolvam até atingir tamanhos visíveis a olho nu (>> 1 mm). Rochas ígneas deste tipo são denominadas rochas plutônicas, como por exemplo o granito.

Nos vulcões, o magma (lava) atinge a superfície da crosta e entra em contato com a temperatura ambiente, resfriando-se muito rapidamente. Como a solificação é praticamente instantânea, os cristais não têm tempo para se desenvolver, sendo portanto muito pequenos, invisíveis a olho nu (<<1mm). Rochas deste tipo são denominadas rochas vulcânicas, como o basalto. Quando o magma se cristaliza muito próximo à superfície, mas ainda no interior da crosta, o resfriamento é um pouco mais lento que o das rochas vulcânicas, permitindo que os cristais sejam visíveis a olho nu, embora ainda de tamanho pequeno (~1mm). Rochas deste tipo são denominadas rochas sub-vulcânicas, a exemplo do diabásio. 2.2. Rochas sedimentares

As rochas sedimentares são o produto de uma cadeia de processos que ocorrem na superfície do planeta e se iniciam pelo intemperismo das rochas expostas à atmosfera.

As rochas intemperisadas perdem sua coesão e passam a ser erodidas e transportadas por diferentes agentes (água, gelo, vento, gravidade), até sua sedimentação em depressões da crosta terrestre, denominadas bacias sedimentares. A transformação dos sedimentos inconsolidados (p. ex. areia) em rochas sedimentares (p. ex. arenito) é denominada diagênese, sendo causada por compactação e cristalização de materiais que cimentam os grãos dos sedimentos.

As rochas sedimentares fornecem importantes informações sobre as variações ambientais ao longo do tempo geológico. Os fósseis, que são vestígios de seres vivos antigos preservados nestas rochas, são a chave para a compreensão da origem e evolução da vida.

A importância econômica das rochas sedimentares está em conterem, em determinadas situações, petróleo, gás natural e carvão mineral, que são as principais fontes de energia do mundo moderno.

As rochas sedimentares formadas pela acumulação de fragmentos de minerais ou de rochas intemperizadas são denominadas rochas clásticas ou detríticas, como o arenito. Existem também rochas sedimentares formadas pela precipitação de sais a partir de soluções aquosas saturadas (p. ex. evaporito) ou pela atividade de organismos em ambientes marinhos (p. ex. calcário), sendo denominadas rochas não-clásticas ou químicas.

2.3. Rochas metamórficas

As rochas metamórficas são o produto da transformação de qualquer tipo de rocha, quando esta é levada a um ambiente onde as condições físicas (pressão, temperatura) são muito distintas daquelas onde ela se formou. Nestes ambientes, os minerais podem se tornar instáveis e reagir formando outros minerais, estáveis nas condições vigentes.

Como os minerais são estáveis em campos definidos de pressão e temperatura, a identificação de minerais das rochas metamórficas permite reconhecer as condições físicas em que ocorreu o metamorfismo.

O estudo das rochas metamórficas permite identificar grandes eventos geotectônicos ocorridos no passado, fundamentais para o entendimento da atual configuração dos continentes.

As cadeias de montanhas (por exemplo Andes, Alpes, Himalaias) são grandes deformações da crosta terrestre, causados pelas colisões de placas tectônicas. As elevadas pressões e temperaturas existentes no interior das cadeias de montanhas durante sua edificação são o principal mecanismo formador de rochas metamórficas.

O metamorfismo pode ocorrer também em outras situações, ao longo de planos de deslocamentos de grandes blocos de rocha (alta pressão) ou nas imediações de grandes volumes de magmas, devido à dissipação de calor (alta temperatura).

3. O ciclo das rochas

O ciclo das rochas representa as diversas possibilidades de transformação de um tipo de rocha em outro.
Os continentes se originaram ao longo do tempo geológico pela transferência de materiais menos densos do manto para a superfície terrestre. Este processo ocorreu principalmente através de atividade magmática.

As rochas, uma vez expostas à atmosfera e à biosfera passam a sofrer a ação do intemperismo, através de reações de oxidação, hidratação, solubilização, ataques por substâncias orgânicas, variações diárias e sazonais de temperatura, entre outras. O intemperismo faz com que as rochas percam sua coesão, sendo erodidas, transportadas e depositadas em depressões onde, após a diagênese, passam a constituir as rochas sedimentares.

A cadeia de processos de formação de rochas sedimentares pode atuar sobre qualquer rocha (ígnea, metamórfica, sedimentar) exposta à superfície da Terra.

Devido à migração dos continentes durante o tempo geológico, as rochas podem ser levadas a ambientes muito diferentes daqueles onde elas se formaram. Qualquer tipo de rocha (ígnea, sedimentar, metamórfica) que sofra a ação de, por exemplo, altas pressões e temperaturas, sofre as transformações mineralógicas e texturais, tornando-se uma rocha metamórfica.

Se as condições de metamorfismo forem muito intensas, as rochas podem se fundir, gerando magmas que, ao se solidificar, darão origem a novas rochas ígneas.

O ciclo das rochas existe desde os primórdios da história geológica da Terra e, através dele, a crosta de nosso planeta está em constante transformação e evolução.

O sistema químico dinâmico da Terra

A Terra sólida que fica ao nosso alcance – as rochas superficiais e os solos delas derivadas por desgaste físico e químico – é constituída por minerais, ou seja, compostos químicos inorgânicos. Os elementos destes compostos já se achavam presentes à época da formação da Terra, há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.

A composição do interior terrestre possivelmente é similar na sua parte mais externa (a crosta e o manto; Figura 1) a algumas das rochas presentes na superfície, embora os minerais alí presentes sejam diferentes.

Uma parte da contribuição da Química às Ciências Geologicas está na compreensão da estabilidade dos minerais, e das reações que podem ocorrer entre eles e seu meio.

A Terra-laboratório

Imagine um edifício com vários laboratórios. No piso térreo, são realizadas experiências sob condições de pressão e temperatura compatíveis com aquelas da superfície terrestre. Investigam-se aqui os efeitos da atmosfera oxidante, da água da chuva (geralmente, levemente ácida) e dos organismos sobre os minerais e rochas que se encontram expostos na superfície da terra. São enfocados diferentes aspectos em cada caso, em reposta às seguintes questões: qual o destino dos elementos químicos, usados como nutrientes pelas plantas, durante a decomposição das rochas e dois minerais?; ou ainda, os elementos químicos que poluem o meio-ambiente em conseqüência da atividade industrial descontrolada são fixados em quais produtos formados na superfície?; Em que ponto do espaço e do tempo estes compostos superficiais se formam?

No primeiro subsolo, em equipamentos diferentes, porém igualmente especiais, pesquisa-se o comportamento de óxidos de magnésio, alumínio, cálcio, sílico, ferro e outros elementos químicos sob temperaturas de até pouco menor que 2.000°C, e pressões de até umas centenas de milhares de vezes superior à pressão atmosférica, que é de 1 kg.cm-2, aproximadamente. Pesquisa-se, também, o comportamento de silicatos de magnésio, alumínio, cálcio e ferro. Novamente, busca-se saber quais os minerais estáveis sob cada condição de pressão e temperatura, quando teve início o processo de fusão das misturas de minerais investigadas.

Finalmente, no segundo subsolo, as experiências são realizadas em equipamentos, sob condições de temperatura de milhares de graus centígrados e de pressão da ordem de milhões de vezes superior à da pressão atmosférica. Estuda-se aqui o comportamento de ligas metálicas, de ferro e níquel, na presença de pequenas quantidades de enxofre, oxigênio, e outros elementos químicos. Verifica-se, também, as condições de início de fusão das misturas, e a natureza dos compostos químicos produzidos em cada experiência.

Em suma, neste edifício, os cientistas tentam simular os diferentes sistemas químicos que compõem a Terra, de acordo com sua estruturação em uma fina crosta superficial, um manto espesso e núcleo (Fig. 1). No piso térreo, simulam-se as reações movidas predominantemente pela energia solar. No primeiro subsolo, as experiências objetivam estudar o manto e a crosta terrestre. No segundo subsolo, estudam-se os fenômenos que podem estar acontecendo na camada menos acessível do planeta, o núcleo. Nestas duas últimas camadas, a energia que movimenta os processos é fundamentalmente o calor interno do planeta.

Como surgiu a estrutura interna da Terra

Considera-se que o planeta Terra tenha se formado no interior de uma nebulosa solar quente (composta por gases e sólidos na forma de poeira) a partir de componentes químicos mais refratários, que se condensaram em temperaturas muito altas. Assim, os elementos químicos mais abundantes do planeta são bastante restritos, a saber: ferro (que pode existir como metal, como óxido, ou silicato, ou sulfeto), oxigênio (geralmente, combinado com outros elementos, especialmente com o sílicio), silício, magnésio (geralmente como óxido ou silicato), níquel (como liga junto ao ferro, silicato junto ao magnésio, ou sulfeto junto ao ferro), enxofre (nos sulfetos), cálcio (como óxido ou silicato) e alumínio (como óxido ou silicato). Estes oito elementos, juntos, compõem cerca de 90% da massa do nosso planeta.

Durante o processo de formação da Terra, os condensados e as partículas de poeira colidem e unem-se, umas às outras. As massas dos aglomerados e as velocidades das colisões crescem rapidamente. Em contrapartida, o número de corpos presentes decresce. Surgem primeiro grande número de corpos planetesimais, muito menores que a Lua. Depois de múltiplas colisões, surgem os protoplanetas, com dimensões parecidas com a da Lua. A energia das colisões leva ao aquecimento dos corpos, e isto promoveu a fusão, pelo menos parcial, dos componentes de menor ponto de fusão: o ferro metálico e sulfetos de ferro e níquel líquidos, os quais, por serem mais densos, acumulam-se no centro do planeta, enquanto os outros materiais mais leves concentram-se ao redor deste núcleo, no manto espesso, e na crosta. Esta separação chama-se de diferenciação primária.

Para onde foram os elementos químicos durante a diferenciação primária? E o que aconteceu depois?

Com a estrutura precoce do planeta formou-se o núcleo metálico e o manto e a crosta silicáticos. O ferro participa de todas as “camadas”, enquanto magnésio, silício e oxigênio (por exemplo) participam essencialmente do manto e da crosta. Elementos de grande interesse econômico, como o níquel, ouro e elementos do grupo de platina, apresentam grande afinidade química com ligas de ferro ou os sulfetos. Tais elementos podem ter sido concentrados no núcleo no momento da diferenciação primária, e desse modo são escassos nas outras camadas. De outra parte, elementos alcalinos, tais como o sódio e potássio, concentram-se em minerais silicáticos de maior facilidade de fusão, e tendem a concentrar-se na crosta terrestre.

Após a diferenciação primária, o material do manto e da crosta sofre reciclagem e reprocessamento em decorrência da convecção que, durante o resfriamento, promove a transferência de calor do interior da Terra para a superfície. As transferências de calor são acompanhadas pelo transporte de material em direção à superfície. Em profundidades moderadas no interior da Terra, ocorrem processos de fusão parcial. Alguns elementos (tais como magnésio e níquel) tendem a ficar na parte refratária, não fundida, enquanto outros elementos tendem a se concentrar no fundido (a exemplo dos elementos alcalinos, como sódio e potássio).
Os líquidos produzidos (ou seja, os magmas) migram e consolidam-se como componentes da crosta terrestre. Como compensação do processo de ascensão do material quente e menos denso, ocorre descida de material mais frio e mais denso que retorna ao interior da Terra parte dos componentes materiais da crosta e do manto superior raso.

Os movimentos tridimensionais de ascensão e descida de matéria rochosa podem abranger toda a extensão do manto, como deve ocorrer, por exemplo, embaixo da ilhas Havaí no meio do Oceano Pacífico, ou podem envolver apenas a parte do manto raso, como deve acontecer embaixo do Oceano Atlântico. Os movimentos de fluxo térmico e materiais verticais são acompanhados por movimentos laterais que movimentam as placas litosféricas, que constituem os diversos segmentos da crosta da Terra (Fig. 2). Esta diferenciação secundária começou logo após a diferenciação primária da Terra, e continua até hoje.

Assim, tanto o manto quanto a crosta terrestre representam sistemas químicos dinâmicos. Por enquanto, não se se o núcleo pode representar um sistema fechado, que não interage quimicamente com as outras camadas do planeta, ou se existe troca de componentes químicos com o manto, acompanhando a evolução dinâmica da Terra.

Os minerais e suas aplicações

A Mineralogia, ciência dos minerais, relaciona-se diretamente não só com a Geologia, como também com a Física e a Química.

Os minerais são sólidos inorgânicos que têm composição química em proporções características e cujos átomos são arranjados num padrão interno sistemático.

Agregados, ou combinações, de um ou mais minerais originam as rochas.

As propriedades físicas podem ser muito úteis na determinação dos minerais. Entre essas propriedades, as mais usadas são: forma dos cristais, cor, brilho, cor do traço, dureza, clivagem, fratura, densidade relativa, propriedades organolépticas e efervescência.

Os minerais podem ser agrupados com base na composição química. O grupo mais abundante é o dos silicatos (por exemplo: quartzo – SiO2). Os principais grupos não silicatos são: elementos nativos (ouro – Au), sulfetos (pirita – FeS2), óxidos (magnetita – Fe3O4), halóides (fluorita – CaF2), carbonatos (calcita – CaCO3), sulfatos (barita – BaSO4) e fosfatos (apatita – Ca5(PO4)3(F, Cl, OH)).

Os minerais são indispensáveis ao bem-estar, à saúde e ao padrão de vida do ser humano.

Alguns usos dos minerais:

Minerais metálicos podem ser importantes para a sociedade: galena (minério de chumbo), hematita (minério de ferro), cassiterita (minério de estanho), cromita (minério de cromo).

Minerais usados na indústria química: pirita – fornece enxofre para a fabricação do ácido sulfúrico, halita – fonte de sódio e de cloro.

Minerais de interesse gemológico: diamante, coríndon (rubi e safira), topázio, berilo (água-marinha e esmeralda).

Minerais usados para fabricação de fertilizantes: silvita – fonte de potássio.

Minerais usados na construção civil: calcita – fabricação de cimentos e cal para argamassa, gipso – produção de gesso.

Minerais usados como abrasivos: diamante, granada, coríndon.

Minerais usados para cerâmica: argila, feldspato.

Minerais usados nos aparelhos ópticos e científicos: quartzo, calcita.

Os minerais são recursos naturais não renováveis e o seu aproveitamento deve ser feito de forma racional e sustentável.

Apreciar minerais é também uma forma de apreciar a natureza.

PETRÓLEO

A utilização do petróleo através dos tempos

A palavra petróleo vem do latim, petra e oleum, correspondendo à expressão “pedra de óleo”. O petróleo ocorre na natureza ocupando vazios, existentes entre os grãos de areia na rocha, ou pequenas fendas com intercomunicação, ou mesmo cavidades também interligadas.
Estudos arqueológicos mostram que a utilização do petróleo iniciou-se 4000 anos antes de Cristo, sob diferentes denominações, tais como betume, asfalto, alcatrão, lama, resina, azeite, nafta, óleo de São Quirino, nafta da Pérsia, entre outras.
O petróleo é conhecido desde tempos remotos. A Bíblia já traz referências sobre a existência de lagos de asfalto e diversas ocasiões em que foi utilizado como impermeabilizante. O líquido foi utilizado por hebreus para acender fogueiras, nos altares onde eram realizados sacrifícios, por Nabucodonosor, que pavimentava estradas na Babilônia, pelos egípcios na construção de pirâmides e conservação de múmias, além do uso como combustível para iluminação por vários povos.

Os gregos e romanos embebiam lanças incendiárias com betume, para atacar as muralhas inimigas. Após o declínio do Império Romano, os árabes também empregaram-no com a mesma finalidade. Há relatos de que, quando os espanhóis chegaram na América, Pizarro deu conta da existência de uma destilaria que era operada por incas. Supõe-se que o líquido citado representava resíduo de petróleo encontrado em surgências na superfície.
A moderna era do petróleo teve início em meados do século XIX, quando um norte-americano conhecido como Coronel Drake encontrou petróleo a cerca de 20 metros de profundidade no oeste da Pensilvânia, utilizando uma máquina perfuratriz para a construção do poço. Os principais objetivos eram então a obtenção de querosene e lubrificantes. Nessa época, a gasolina resultante da destilação era lançada aos rios (prática comum na época) ou queimada, ou então misturada no querosene, por ser um explosivo perigoso.

Entretanto, a grande revolução do petróleo ocorreu com a invenção dos motores de combustão interna e a produção de automóveis em grande escala, que deram à gasolina (obtida a partir do refino do petróleo) uma utilidade mais nobre.

Formação, acumulação e prospecção do petróleo e do gás natural

O termo petróleo, a rigor, envolve todas as misturas naturais de compostos de carbono e hidrogênio, os denominados hidrocarbonetos, incluindo o óleo e o gás natural, embora seja também empregado para designar apenas os compostos líquidos.
O petróleo é formado em depressões da crosta terrestre após o acúmulo de sedimentos trazidos pelos rios das partes mais elevadas, ao seu redor, em ambiente aquoso. A imagem mais facilmente compreensível depressões, ou bacias sedimentares, dessas uma bacia sedimentar é a de uma ampla depressão coberta de água, seja um lago ou um mar que sofre rebaixamento contínuo no tempo geológico.
Dentre diversas teorias existentes para explicar a origem do petróleo, a mais aceita, atualmente, é a de sua origem orgânica, ou seja, tanto o petróleo como o gás natural, são combustíveis fósseis, da mesma forma que o carvão.

Sua origem se dá a partir de matéria orgânica, animal e vegetal (principalmente algas), soterrada pouco a pouco por sedimentos caídos no fundo de antigos mares ou lagos, em condições de ausência de oxigênio, que, se ali existisse, poderia destruí-los por oxidação. Entretanto, mesmo assim a matéria orgânica desses tecidos passou por drásticas modificações, graças à temperatura e à pressão causada pelo soterramento prolongado, de modo que praticamente só restaram o carbono e o hidrogênio, que, sob condições adequadas, combinaram-se para formar o petróleo ou gás.
A grande diferença entre a formação do carvão mineral e dos hidrocarbonetos e a matéria-prima, ou seja, principalmente material lenhoso para o carvão e algas para os hidrocarbonetos, o que é definido justamente pelo ambiente de sedimentação. Normalmente, o petróleo e o gás coexistem, porém, dependendo das condições de pressão e temperatura, haverá maior quantidade de um ou de outro.

Para que grandes quantidades de petróleo se formem, é necessária a presença de três fatores: vida exuberante, contínua deposição de sedimentos, principalmente argilas, concomitante com a queda de seres mortos ao fundo da bacia e, finalmente, o rebaixamento progressivo desse fundo, para que possam ser acumulados mais sedimentos e mais matéria orgânica sobre o material já depositado.
Em Geologia, o tempo desempenha um papel importantíssimo. As condições acima descritas têm que perdurar por milhões de anos, e a própria transformação da matéria orgânica original em petróleo demanda outros milhões de anos, para que a temperatura e a pressão atuantes na crosta, além do tempo, possam interagir na formação do petróleo.
O petróleo e o gás, entretanto, não é encontrado nas rochas em que se formou.

Durante o longo processo de sua formação, ocorre sua expulsão da chamada rocha geradora, formada por sedimentos finos que consistem de folhelhos, argilitos, sal, etc, que é praticamente impermeável, para rochas porosas e permeáveis adjacentes (acima, abaixo ou ao lado), formadas normalmente por arenitos. Dessa maneira, o petróleo permanece sob altíssima pressão nas rochas porosas, denominadas rochas reservatório, até que seja eventualmente alcançado pela perfuração de um poço.
De um modo geral, a fase exploratória mais dispendiosa é a da perfuração de poços. A decisão de perfurá-los é antecedida de extensa programação e elaboração de estudos, que permitam um conhecimento tão detalhado quanto possível das condições geológicas presentes na região, tanto na superfície como em subsuperfície. As perfurações se orientarão, assim, para as áreas que tenham, de fato, as maiores possibilidades de conter acumulações de óleo ou gás.

Para localizar o petróleo ou gás numa bacia sedimentar, os especialistas firmam-se em dois princípios fundamentais: 1) o petróleo se aloja numa estrutura localizada na parte mais alta de um compartimento de rocha porosa, isolada por camadas impermeáveis. Essa estrutura é denominada armadilha ou trapa (veja na figura, no final do texto); 2) essas estruturas são resultantes de modificações sofridas pelas rochas ao longo do tempo geológico, especialmente a sua deformação, através do desenvolvimento de dobras e falhas na crosta terrestre. Os diversos estágios da pesquisa petrolífera orientam-se por fundamentos de duas ciências: a Geologia e a Geofísica.

Geologia do Petróleo

A aplicação da Geologia à pesquisa do petróleo e gás natural é de extrema importância, porque essa ciência explica o porque da ocorrência do hidrocarboneto em determina localidade. Explica também sua origem, a que tipo de rocha se associa e quais os eventos geológicos responsáveis pela formação de uma jazida economicamente aproveitável. Após minuciosos estudos geológicos é que se pode saber se há ou não conveniência na aplicação de grandes capitais destinados à procura e exploração do petróleo.
O geólogo especializado nessa área de atuação participa em todas as fases da pesquisa. Faz o reconhecimento da bacia sedimentar, localiza e estuda as estruturas mais potenciais ao acúmulo de petróleo ou gás e presta assessoria ao geofísico, com informações geológicas, necessárias à interpretação dos resultados sísmicos.

O geólogo do petróleo coordena, no campo, o conjunto de profissionais envolvidos nos trabalhos de exploração, supervisiona todas as fases do processo de pesquisa, mantém-se presente durante a perfuração do poço pioneiro, examina as amostras coletadas, verifica e elabora os testes pertinentes a cada indício de óleo em profundidades diferentes, que vão sendo atingidas através da perfuração. Após a consumação do poço pioneiro, o geólogo continua se fazendo presente junto ao agrupamento, até que seja demarcado definitivamente o campo de petróleo encontrado.
Um aspecto relevante na participação do geólogo do petróleo está no cuidado com o meio ambiente. Trata-se de um profissional que recebe, em sua formação, uma base muito bem fundamentada, relativa à questão ambiental.

No campo, as equipes sob sua coordenação recebem as mais completas orientações no sentido de se manter uma convivência adequada e harmoniosa com o meio ambiente, recolhendo os rejeitos dos produtos utilizados, e preservando as espécies animais e vegetais presentes na região em que se desenvolvem os trabalhos.

Rochas ornamentais – tradição e modernidade

A humanidade se utiliza do ambiente geológico desde os primórdios tempos. Inicialmente utilizavam-se cavernas para o abrigo e proteção, o que pode ser comprovado pelas inúmeras ilustrações rupestres existentes e m seu interior, que retratam o modo de vida naquela época. Posteriormente pontas de lanças, martelos e outros artefatos foram fabricados por nossos antepassados e tiveram papel fundamental na supremacia do ser humano sobre outras espécies. Com o avanço da civilização, os seres humanos passaram a modificar as rochas, cortando-as e transportando-as, e utilizando-as como material de construção de suas casas. Mais tarde utilizaram as rochas para construção de monumentos e aquedutos, pavimentar ruas, e inúmeras outras aplicações. Muitas dessas construções estão intactas até hoje.

Nos dias atuais a rocha continua sendo utilizada como material de construção, ora como um agregado para a fabricação do concreto (p.e. pedra britada), ora “in natura” como elemento estrutural e também em placas ou ladrilhos como material de revestimento.
A rocha, uma vez cortada e polida apresenta características próprias, que dependem da história geológica por que passou desde sua formação na Terra.
As rochas ígneas, de maneira geral, caracterizam-se pela altíssima resistência mecânica e, portanto, são apropriadas para suportar grandes esforços mecânicos e tráfego. Um exemplo de aplicação é o piso da estação Sé do Metrô de São Paulo, por onde circulam centenas de milhares de pessoas diariamente. O pátio do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo é, também, revestido com rocha ígnea (granito).
Os mármores, que representam rochas metamórficas, têm uma composição carbonática e, portanto, são relativamente menos resistentes do que as rochas ígneas.

Apresentam uma grande variedade de padrões texturais e de cores o que permite sua adaptação a diferentes projetos arquitetônicos, sendo como tal mais apropriados para revestimento de paredes. Este tipo de rocha pode ser visto revestindo as paredes internas de vários prédios públicos e “shopping centers”.
As rochas sedimentares, apesar de menos resistentes à abrasão, também são muito utilizadas como elemento estrutural e mesmo de revestimento. Como exemplo de sua aplicação têm-se as pirâmides do Egito que vêm resistindo às intempéries durante milhares de anos e também o Teatro Municipal de São Paulo, onde rochas sedimentares (arenitos) foram usadas como elementos estruturais (blocos e colunas).
As ardósias, rochas levemente metamorfizadas, são muito populares para o revestimento de pisos, assim como os quartzitos, que são aplicados em beiras de piscinas devido à sua resistência e característica antiderrapante.

Inúmeras ruas são pavimentadas com blocos de rocha (paralelepípedos) que conjugam a altíssima durabilidade da rocha com ótimas características de drenagem.
Pode-se dizer que, independentemente do tipo de rocha utilizada, sua aplicação irá sempre enobrecer e valorizar a construção. A rocha se impõe como um material de construção tanto tradicional como moderno, graças às suas propriedades de resistência, suas tonalidades e aos inigualáveis arranjos multiformes de sua textura. No Brasil são extraídas anualmente 5,2 milhões de toneladas de rochas para revestimento, das quais 50% são utilizadas na Grande São Paulo. Um percentual crescente tem sido exportado para diversos países, principalmente europeus e asiáticos. Este mercado, representado internamente por mais de 3000 marmorarias espalhadas pelo Brasil, vem crescendo ano a ano e exigindo um conhecimento técnico cada vez melhor da matéria prima.

Os geólogos, graças à sua formação, conhecem as rochas e as aplicações mais apropriadas para cada tipo rocha, de forma a se alcançar um ótimo desempenho, considerando as propriedades da rocha, suas qualidades e deficiências, aliadas à melhor solução arquitetônica.

Conclusão

Durante todo este trabalho pude ter a oportunidade de conhecer mais sobre Geologia. Não foi fácil encontrar todos os temas relacionados e por vez resolvi voltar a trás sobre alguns assuntos para não fugir do tema principal. Resolvi colocar algo a mais dando ênfase a disciplina e a Geologia como ciência que ajuda e muito a humanidade. Desta maneira procurei deixar o trabalho mais humano. Para mim foi uma grande experiência, percebi que a Geologia é muito ampla e interessante e de estudo fundamental para a humanidade.

Referências

Para este trabalho utilizei o meio mais corriqueiro do conhecimento atual, o uso da internet como fonte de pesquisa.

Sites Relacionados:

http://www.igc.usp.br/geologia/
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal
http://www.sbgeo.org.br/(Sociedade Brasileira de Geologia)

GEOLOGIA DO ESTADO DO PARANÁ

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Sumário

Geologia do Estado do Paraná
Mapa Geológico
Geologia da Bacia
Sedimentos Cenozóicos
Idades Geológicas

Introdução / Conceito

Este trabalho tem por finalidade tratar sobre a Geologia do Paraná.
Para este trabalho vamos utilizar o meio mais corriqueiro do conhecimento atual, o uso da internet como fonte de pesquisa. Porem cada um dos assuntos especificados vem acompanhados de algumas alterações para melhorar o entendimento e colocação dentro do contesto do trabalho.

Geologia do Estado do Paraná

O registro geológico no Estado do Paraná, ainda que descontínuo, representa um intervalo de idades mais antigas que 2.800 milhões de anos até o presente. O embasamento ou escudo, formado por rochas magmáticas e metamórficas mais antigas que 570 milhões de anos, é recoberto pelas rochas vulcânicas e sedimentares paleozóicas e mesozóicas que constituem a Bacia do Paraná. Esta cobertura foi posteriormente erodida, devido ao soerguimento da crosta continental à leste, expondo o embasamento.
Sedimentos recentes com idades inferiores a 1,8 milhões de anos recobrem parcialmente as rochas da Bacia e do Escudo.

Principais unidades geológicas

Embasamento Cristalino – Escudo

Formado por rochas ígneas e metamórficas com idades variando do Arqueano ao Proterozóico, é localmente recoberto por seqüências vulcano-sedimentares, sedimentares e sedimentos inconsolidados.

As rochas mais antigas, de alto grau metamórfico, afloram na porção sudeste, e as de baixo grau na proção norte-noroeste. No Proterozóico e Cambriano, início do Paleozóico, manifestações magmáticas originaram as rochas granitóides. No Mesozóico ocorreram intrusões de rochas carbonatíticas, alcalinas e básicas.

História evolutiva do Paraná

O Embasamento Cristalino compreende um megacinturão formado no final do Pré-Cambriano, pela colisão de blocos continentais e microcontinentais.

Nas margens dos blocos formaram-se bacias sedimentares, com preenchimento posteriormente metamorfisado, deformado e deslocado em dois ciclos maiores, que representam as faixas metamórficas com características de terrenos alóctones dentro do cinturão. As porções afastadas das margens deformadas ou as coberturas tardicolisionais, apesar de deformadas, permaneceram como coberturas autóctones. Ao final originaram-se bacias de extensão nos blocos ativados e margens orogênicas (ref. bib).

O modelo geotectônico que explica a evolução regional considera uma ruptura continental mais antiga que 1.400 milhões de anos, com formação de riftes continentais, progredindo para bacias marginais adjacentes à litosfera oceânica, atual Grupo Setuva, seguido pela formação de bacias de retroarco relacionadas ao surgimento de arcos vulcânicos.

Há 1.100 milhões de anos, sofreu intensa deformação e metamorfismo da fácies xisto verde a anfibolito, associado a forte convergência, subducção oceânica e colisão tipo arco-continente.

Há cerca de 1.000 milhões de anos teve início a formação do Grupo Açungui com a retomada do regime extensional, forte subsidência, sedimentação terrígena e carbonática e intrusões básicas, em pequenas bacias oceânicas, seguida por espessa sedimentação em bacias de ante-arco.

Um evento glacial global, há 850 milhões de anos, culminou com um ciclo de regressão generalizada. Seguiu-se nova retomada da subsidência com espessa sedimentação carbonática e intrusões básicas, evoluindo para terrígena e terrígeno-psamítica.

Todo o conjunto foi submetido a intensa deformação por cavalgamento e metamorfismo restrito, raramente ultrapassando a zona da clorita, refletindo o fechamento da bacia tipo mediterrâneo e deslocamento do prisma sedimentar sobre o continente.

Como conseqüência, desenvolveram-se bacias flexurais com depósitos marinhos, e os primeiros icnofósseis conhecidos (Vendiano, 600 milhões de anos).

Um novo evento de convergência, com intensa tectônica vertical (550-600 milhões de anos), consolidou a sutura intercontinental, ocorrendo então o mais intenso fenômeno de granitogênese.

Posteriormente ao colapso do cinturão orogenético em regime extensional, nova granitogênese representada pelos granitos pós-orogênicos alcalinos (550-490 milhões de anos), sucedida pela formação de riftes orogênicos localizados (500-450 milhões de anos) com formação de espessos pacotes sedimentares e vulcânico félsicos.

Principais domínios geológicos do Escudo do Paraná

Domínio Luiz Alves

Formado durante o Arqueano-Proterozóico Inferior e metamorfisado em alto grau durante o Ciclo Transamazônico (2,2 a 1,8 bilhões de anos), é constituído por rochas ígneas félsicas, intermediárias e ácidas, representadas por ortognaisses granulíticos, bandados a maciços, de composição tonalito-granodiorítica. Contém frequentes contribuições plutônicas de ambiente de arco insular representadas por rochas básicas granulitizadas. Subordinadamente ocorrem migmatitos, metaultramáficas, granulitos piroxeníticos, quartzitos, gnaisses kinzigíticos e formações ferríferas. O metamorfismo de alto grau deu-se no início do Proterozóico Inferior, entre 2,0 e 1,8 bilhões de anos. Abrange o Complexo Granulítico Serra Negra e parte do Complexo Máfico Ultramáfico de Piên. Ao norte e noroeste esse domínio foi cavalgado pelo Domínio Curitiba. A nordeste e leste, é limitado pelo Batólito Paranaguá por falhas transcorrentes e de cavalgamento e, ao sul, adentra o estado de Santa Catarina.

Domínio Curitiba

Formado durante o Proterozóico, entre 2,1 bilhões e 580 milhões de anos, aflora na porção centro-sudeste e noroeste do compartimento. Consiste em uma seqüência de rochas que perderam suas características originais, tectono-fácies, formadas em diversos ambientes sedimentares. Corresponde à base das rochas da Faixa Apiaí, Grupos Setuva e Açungui, deslocadas sobre o Domínio Luís Alves. Predominam as rochas gnáissicas – biotita-anfibólio gnaisses e migmatíticas -mesossoma de biotita-anfibólio gnaisses e leucossoma de composição tonalítica-granodiorítica, associadas a anfibolitos, gnaisses graníticos, núcleos de gnaisses granulíticos e rochas máfica-ultramáfica toleíticas – metaperidotitos, serpentinitos, xistos magnesianos, metapiroxenitos e corpos de gabros. A foliação NE-SW constitui o principal padrão estrutural, marcado pelo achatamento e estiramento dos minerais. Compreende os complexos Apiaí-Mirim, Turvo-Cajati e Pré-Setuva. O Complexo Apiaí-Mirim ocorre na porção mais basal do Proterozóico Médio.

O Complexo Pré-Setuva é subdividido em Suíte Granítica Foliada, Formação Rio das Cobras, Suíte Gnaíssica Morro Alto e Complexo Gnaíssico Migmatítico Costeiro.

Grupo Setuva

Formado no Proterozóico Médio – 1.800 a 1.000 milhões de anos – tem como característica o posicionamento em núcleos de anticlinais ou antiformes. Este grupo é subdividido nas formações Perau e Água Clara.
Formação Perau
É uma seqüência vulcano-sedimentar metamorfisada no grau fraco a médio e retrometamorfisada. O ambiente formacional é marinho desde litorâneo, passando por águas rasas até profundas. É constituída por quartzitos, rochas calcossilicatadas, mármores, quartzo-mica xistos, xistos carbonosos, rochas metavulcânicas e formações ferríferas. Nesta formação ocorrem mineralizações de chumbo-zinco com prata e barita. Tem como principal feição estrutural a xistosidade associada com deformação dúctil de baixo ângulo, direção nordeste e vergência sudeste.
Formação Água Clara
É uma sequência vulcano-sedimentar, metamorfisada no grau fraco e retrometamorfisada. Depositada em ambiente marinho de água rasa até profunda, preserva estruturas estromatolíticas de algas fossilizadas.

É constituída por rochas metavulcânicas básicas e intermediárias, xistos manganesíferos, quartzo-mica xistos, metamargas, formações ferro-manganesíferas e calcários calcíticos.

Grupo Açungui

Formado no Proterozóico Superior – 1.000 a 570 milhões de anos, o Grupo Açungui é constituído pelas formações Capiru, Votuverava, e Sequência Antinha da Bacia Açungui e Formação Itaiacoca e Seqüência Abapã da Bacia Itaiacoca. Como os conjuntos situam-se dentro de fatias tectônicas removidas de suas posições iniciais e reempilhadas de forma aleatória, a atual estratigrafia do Grupo Açungui não é original, mas o resultado da justaposição de escamas tectônicas altamente heterogêneas e descontínuas (ref. bib).
A Bacia Açungui, é do tipo retroarco, situada entre um arco magmático posicionado originalmente a oeste ou noroeste, representado atualmente pelo Maciço Granítico Três Córregos, e uma área continental a sudeste, representada pelo embasamento cristalino.

Seu fechamento se deu por uma compressão noroeste-sudeste, durante o Proterozóico Superior, que foi responsável pela tectônica de cavalgamento, com transporte de massa para sul-sudeste, e mais tarde, pelas dobras do Sistema de Dobramento Açungui e pela tectônica transcorrente lateral direita.
O metamorfismo que atingiu o Grupo Açungui ocorreu durante o primeiro evento de deformação, e os granitos intrudidos parecem ser contemporâneos à movimentação das falhas transcorrentes, com idades em torno de 500 milhões de anos.

Bacias vulcano-sedimentares e sedimentares paleozóicas

Grupo Castro

Recoberto a oeste pela Formação Furnas, e a leste por falhamento oblíquo, se justapõe com as unidades proterozóicas – Complexo Granítico Cunhaporanga e cambrianas – granitos Serra do Carambeí e Joaquim Murtinho. Formado no Ordoviciano, durante a transição entre o final do Ciclo Brasiliano e a cratonização da Plataforma Sulamericana, em bacia molássica, pós orogênica, pós colisional ou tardia de origem transtensional. Não apresenta metamorfismo ou deformação compressional expressiva. Constituído por andesitos intercalados com riolitos, ignimbritos, tufos e brechas piroclásticas, forma uma associação ácida e intermediária, com ocorrências subordinadas de conglomerados de leques aluviais. Contemporâneos ou posteriores a esta associação ocorrem arenitos arcosianos, siltitos e lamitos de fácies de planície de inundação e lagos, com contribuição vulcânica na forma de cinzas e bombas.

Posteriormente ocorreu outra fase de vulcanismo, mais ácido, constituída por riolitos, quartzo-latitos, ignimbritos, tufos e brechas piroclásticas, seguida por deposição de conglomerados polimíticos de leques aluviais. Contém mineralizações de ouro associadas a domos riolíticos e falhas.

Formação Camarinha

Sequência sedimentar molássica, ocorre à noroeste de Campo Largo, junto à Falha da Lancinha e à Bacia do Paraná. Suas rochas exibem contatos normais e tectônicos com o Grupo Açungui.
O contato com a Formação Furnas sobrejacente é bem definido, com uma inconformidade angular separando as duas formações. É constituída por siltitos, conglomerados polimíticos, arcósios e argilitos, com passagens rítmicas entre si. Apesar de não exibir metamorfismo e recristalização, mostra-se dobrada em estruturas dos tipos anticlinal e sinclinal com eixos mergulhantes para nordeste.

Formação Guaratubinha

Perturbada por intenso falhamento, consiste em um conjunto de rochas sedimentares e vulcânicas repousando em discordância angular sobre migmatitos e granitos do Complexo Cristalino. Composta por conglomerados, arcósios, siltitos, argilitos, brechas vulcânicas, tufos, lavas riolíticas e andesitícas, cujas relações estratigráficas não estão claramente definidas. É seccionada por diques de microgranitos, riolitos pórfiros e felsitos.

Rochas granitóides

As rochas granitóides estão relacionadas com as fases de evolução da tectônica colisional proterozóica.

Diques de Rochas Básicas

Relacionadas com a evolução estrutural da Bacia do Paraná, na fase de magmatismo basáltico e intrudidos nas fraturas distensivas nordeste, estas manifestações básicas são formadas por diques de diabásio e diorito, sendo notável o enxame destes, na faixa central do compartimento I, com direção geral noroeste-sudeste, associados à estrutura denominada Arco de Ponta Grossa.

Rochas Alcalinas e Carbonatitos

As rochas alcalinas e carbonatitos são representados por dezenas de corpos, a maioria deles constituídos por pequenos diques e plugs. Os corpos mais expressivos são os maciços alcalinos do Banhadão e Tunas e os carbonatitos de Mato Preto e Itapirapuã. Suas encaixantes são rochas granitóides do Complexo Três Córregos e metassedimentares do Grupo Açungui. As manifestações alcalino-carbonatíticas correspondem a duas fases intrusivas distintas com idades de 110-100 milhões de anos. e 73-67 milhões de anos. A fase mais antiga é constituída por corpos essencialmente alcalinos, seguida pela fase carbonatítica. Os fonolitos estão associados com ambas as fases.

Bacia do Paraná

Compreende o Segundo e o Terceiro Planalto Paranaense, recobrindo a maior porção do estado.

É uma bacia sedimentar, intracratônica ou sinéclise, que evoluiu sobre a Plataforma Sul-Americana, e sua formação teve início a cerca de 400 milhões de anos, no Período Devoniano terminando no Cretáceo.

A persistente subsidência na área de formação da bacia, embora de carater oscilatório, possibilitou a acumulação de grande espessura de sedimentos, lavas basálticas e sills de diabásio, ultrapassando 5.000 metros na porção mais profunda.

Sua forma é aproximadamente elíptica, aberta para sudoeste, e cobre uma área da ordem de 1,5 milhão de Km2. Apresenta inclinação homoclinal em direção ao oeste, porção mais deprimida. Sua forma superficial concava deve-se ao soerguimento flexural denominado Arqueamento de Ponta Grossa.

As extensas deformações estruturais tais como arcos, flexuras, sinclinais e depressões, posicionadas ao longo das margens da bacia, são classificadas como arqueamentos marginais, arqueamentos interiores e embaciamentos.

A consolidação e evolução final do embasamento da Bacia do Paraná se deu no Ciclo Tectono-magmático Brasiliano, entre o Pré-Cambriano Superior e o Eo-Paleozóico. Sua evolução se deu por fases de subsidência e soerguimento com erosão associada, no transcorrer das quais a sedimentação se processou em sub-bacias.

Compartimentos

Cobertura sedimentar paleozóica
Grupo Paraná
Grupo Itararé
Grupo Passa Dois
Grupo Guatá

Sedimentação e magmatismo mesozóico
Grupo São Bento

Cobertura sedimentar mesozóica
Grupo Bauru

Sedimentação e magmatismo Mesozóico

Grupo São Bento

Cessada a deposição da Formação Rio do Rastro sobreveio um ciclo erosivo de proporções continentais no Triássico Médio, denominado Gonduana. Após este ciclo foi formado o Grupo São Bento compreendendo:

Formações Pirambóia e Botucatu – seqüência sedimentar continental triássica-jurássica

Formação Serra Geral – extenso derrame de rochas ígneas, predominando basaltos, de idade jurássico-cretácica.

As atividades tectono-magmáticas que ocorreram durante o Mesozóico afetaram os demais compartimentos com a reativação do Arco de Ponta Grossa, representado por denso enxame de diques de diabásio, diorito, diorito pórfiro e quartzo diorito. A relação entre o arqueamento e o aparecimento de fraturas crustais paralelas preenchidas por diques básicos demonstram que as mesmas condições poderiam ter propiciado a colocação dos corpos intrusivos alcalinos no Escudo.

Cobertura sedimentar cenozóica

Formação Guabirotuba

Ocorre nas regiões de Curitiba e Tijucas do Sul. Sua deposição se deu após sucessivas fases erosivas que desenvolveram a superfície do Alto Iguaçu seguida por uma fase erosiva de clima úmido que dissecou esta superfície. Posteriormente iniciou-se a deposição em ambiente semi-árido com chuvas torrenciais formando depósitos tipo playa-lake constituídos por argilitos, arcósios, depósitos rudáceos e margas.

Formação Alexandra

Com pequena expressão não está representada no mapa. Ocorre na região de Alexandra, Município de Paranaguá, sendo constituída por depósitos de caráter continental originados do intemperismo das rochas cristalinas da Serra do Mar. Sua base é arenosa ou rudácea, com arcósios, areia grossa, média e fina, seixos e cascalhos.

Sedimentos recentes

Com idades inferiores a 1,8 milhões de anos recobrem parcialmente as rochas da Bacia e do Escudo. São originados por erosão e deposição dos produtos do intemperismo de litologias mais antigas. O processo formador é hidráulico-deposicional, fluvial no interior do continente, condicionado às calhas de drenagem dos rios e planícies de inundação, e marinho e deltaico na faixa litorânea.

Depósitos de terraço aluvionares mais antigos passam, com o avanço do processo erosivo, a constituírem paleoterraços em posição topográfica superior aos aluviões mais recentes.

Depósitos coluviais ocorrem localmente em encostas e são provenientes de movimentos de massas. Sua formação teve iniciou no período Quaternário e permanece ocorrendo devido ao avanço do intemperismo, erosão e retrabalhamento dos sedimentos e rochas preexistente.

Conclusão

Durante todo este trabalho pude ter a oportunidade de conhecer mais sobre Geologia do Paraná. Minha principal fonte de pesquisa foi o Site da Mineropar que descreve muito bem sobre a Geologia de nosso estado.

Referencias
Geologia do Paraná (Mineropar)
http://www.mineropar.pr.gov.br/mineropar/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=23

RESUMO DO LIVRO GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO

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LOURO,Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista.1.ed. São Paulo:Vozes, 1997.

A autora Guacira Lopes Louro é doutora em Educação, professora titular aposentada da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisadora do CNPq. Coordena o GEERGE (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero) desde 1990. Tem publicado vários artigos nessa perspectiva. É autora do livro “Prendas e antiprendas- Uma Escola de Mulheres (Porto Alegre, Editora da Universidade, 1987)”.

O livro é dividido em sete capítulos : A emergência do ‘gênero’, Gênero, sexualidade e poder, A construção escolar das diferenças, O gênero da docência, Práticas educativas feministas:proposições e limites, Uma epistemologia feminista, Para saber mais: revistas, filmes, sites e livros.

A autora relata que os sujeitos possuem identidades plurais, múltiplas; identidades que se transformam, que não são fixas ou permanentes, que podem, até mesmo, ser contraditórias. Assim o sentido de pertencimento a diferentes grupos – étnicos, sexuais, de classe, de gênero, etc.

As identidades de gênero se constroem quando os sujeitos se identificam social e historicamente como femininos e masculinos.

As identidade sexuais se constroem através das formas como os sujeitos vivem sua sexualidade.

“Paradoxalmente”, como diz Tereza de Laurentis (1994,p.209), “A construção do gênero também se faz por meio de sua “desconstrução”. Ao aceitarmos que a construção do gênero é histórica e se faz incessantemente, estamos entendendo que as relações entre homens e mulheres, os discursos e as representações dessas relações estão em constante mudança. Isso supõe que as identidades de gênero estão continuamente se transformando. Sendo assim, é indispensável admitir que até mesmo as teorias e as práticas feministas – com suas críticas aos discursos sobre gênero e suas propostas de desconstrução – estão construindo gênero.

Observa-se que as relações entre os gêneros continuam sem dúvida, objeto de atenção, uma vez que distintas estratégias procuram intervir nos agrupamentos humanos, buscando regular e controlar taxas de nascimento e mortalidade, condições de saúde, expectativas de vida, deslocamentos geográficos, etc.

Homens e mulheres certamente não são construídos apenas através de mecanismos de repressão ou censura, eles e elas se fazem, também, através de práticas e relações que instituem gestos, modos de ser e de estar no mundo, formas de falar e agir, condutas e posturas apropriadas (são, usualmente, diversas).Os gêneros se produzem, portanto, nas e pelas relações de poder.

O conceito foucaultiano de “biopoder”, ou seja, o poder de controlar as populações, de controlar o corpo-espécie, também parece ser útil para que se pense no conjunto de disposições e práticas, que foram, historicamente criadas e acionadas para controlar homens e mulheres.

A concepção fortemente polarizada dos gêneros esconde a pluralidade existente em cada um dos pólos . Assim homens e mulheres que se afastam da forma de masculinidade e feminilidade homogenia são considerados diferentes, são representados como outro e, usualmente experimentam práticas de discriminação ou subordinação.

A escola que nos foi legada pela sociedade ocidental moderna começou por separar adultos de crianças, católicos de protestantes. Ela Também se fez diferente para os ricos e para os pobres.

Os novos grupos foram trazendo transformações à instituição. Ela precisou de diversas: organização, currículos, prédios, docentes, regulamentos, avaliação, iriam explicita ou implicitamente “garantir” e também produzir as diferenças entre os sujeitos. Gestos, movimentos, sentidos são produzidos no espaço escolar e incorporados por meninos e meninas, torna-se parte de seus corpos.

Os mais antigos manuais já ensinavam aos mestres os cuidados que deveriam tem com corpos e almas de seus alunos. O modo de sentar e andar, as formas de colocar os cadernos e canetas, pés e mãos acabariam por produzir um corpo escolarizado, distinguindo o menino ou a menina que “passará pelos bancos escolares”.

As escolas feministas dedicavam intensas e repetidas horas ao treino das habilidades manuais de suas alunas, produzindo jovens “prendadas”, capazes dos mais delicados e complexos trabalhos de agulha ou de pintura.

A escola continua imprimindo sua marca distinta sobre os sujeitos, através de múltiplos e discretos mecanismos.

Devemos na escola como professores observar o comportamento de meninos e meninas cobrados pela sociedade e quando o comportamento parece diferente, devemos nos “preocupar” pois isso é indicador de que esses alunos(as) estão apresentando comportamentos diferentes.

A ampla diversidade de arranjos familiares e sociais, a pluralidade de atividade exercidas pelos sujeitos, o cruzamento das fronteiras, as trocas, as solidariedades e os conflitos são comumente ignorados e negados.

As aulas de Educação Física são também palco de manifestação de preocupação com relação a sexualidade da criança.

Se acreditarmos que as escola também fabricam sujeitos, produz identidades étnicas, de gênero, de classe; se reconhecermos que essas identidades estão sendo produzidas através de relações de desigualdades; se admitirmos que a escola está intrinsecamente comprometida com a manutenção de uma sociedade dividida e que faz isso cotidianamente, com nossa participação ou omissão devemos encontrar justificativas para interferir na continuidade dessas desigualdades.

Se as diferentes instituições e práticas sociais são constituídas pelos gêneros (e também os constituem), isso significa que essas instituições e práticas não somente “fabricam” os sujeitos como também são, elas próprias, produzidas (engendradas) por representações de gênero, bem como por representações étnicas, sexuais, de classe, etc. De certo modo poderíamos dizer que essas instituições têm gênero, classes e raça.

A atividade escolar é marcada pelo cuidado, pela vigilância e pela educação, tarefas tradicionalmente feministas. No Brasil a instituição escolar é primeiramente masculina e religiosa através dos jesuítas. A escola foi atribuída em diferentes momentos, a produção do cristão, do cidadão responsável, dos homens e das mulheres virtuosas das elites condutoras do corpo sadio e operoso.

Professoras foram vistas, em diferentes momentos como solteironas ou “tias”, como gentis normalistas habilidosas alfabetizadoras. Professores homens foram apresentados como bondosos orientadores espirituais ou como servos educadores, sábios mestres, exemplo de cidadãos. A identidade de professor e professora parece ter escapado, mas é também constitutiva de homem e de mulher.

Para algumas feministas, a crítica às formas convencionais de educação escolar levou ao questionamento das escolas co-educativas, ou seja, com base em suas observações, elas recomendam um retorno às escolas separadas por gênero.

Pensada como um novo modelo pedagógico, construído para subverter a posição desigual e subordinada das mulheres no espaço escolar, a pedagogia feminista vai propor um conjunto de estratégias, procedimentos e disposições que devem romper com as relações hierárquicas presentes nas salas de aula tradicionais. A voz do professor(a), fonte de autoridade e transmissora única do conhecimento legítimo, é substituído por múltiplas vozes, ou melhor, é substituída pelo diálogo, no qual todos(as) são igualmente falantes e ouvintes, todos são capazes de expressar (distintos) saberes. Como diz Spender (1980,p.66).

Com o feminismo surge “uma nova maneira de pensar sobre a cultura, sobre a linguagem, a arte, a experiência e sobre o próprio conhecimento”. (Laurentis, 1986,p.2). Na verdade isso ocorre fundamentalmente porque ele redefine o político, ampliando seus limites, transformando seu sentido, sugerindo mudanças na sua “natureza”. Se o pessoal é político, como expressa um dos mais importantes insights do pensamento feminista, então se empreenderá de um modo novo as relações entre a subjetividade e a sociedade, entre os sujeitos e as instituições sociais.

As mulheres e os homens feministas precisam estar atentos às relações de poder que se inscrevem nas várias dinâmicas sociais, das quais elas e eles fazem parte. A integração dos estudos feministas a outros estudos progressistas longe de representar um enfraquecimento político, representa um ganho para o feminismo.

Na elaboração dos argumentos teóricos a autora valeu-se de muitas fontes registrada ao longo do tempo.

Fontes:

LOURO,Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista.1.ed. São Paulo:Vozes, 1997.
Revista Brasileira: estudos feministas editados pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IF-CS/UFRG).
Educação e Realidade: editada pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Filmes: Vitor ou Vitória (Victor/Victória,1992)
Conta comigo (Stand by me, 1989
Livros: Uma questão de gênero (1992), Editora Rosa dos Ventos
História das mulheres no Brasil, editora Contexto, etc.

DIETAS PARA EMAGRECER: COMO PERDER PESO COM SAÚDE

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DIETAS PARA EMAGRECER: COMO PERDER PESO E CALORIAS COM SAÚDE

Dietas para emagrecer, remédios milagrosos, exercícios o dia inteiro: tudo vale pros que estão desesperados para eliminar a obesidade, um dos grandes males do nosso tempo. A galera que curte um suco de cevada está inclusa nessa.
É importante ressaltar as calorias é o fator mais importante independente da dieta escolhida! Ingerir menos calorias do que é queimado durante um período de tempo = perder peso. Simples, não. Assim, todas as dietas provocam a redução na ingestão de calorias – o que resulta em perda de peso.
Todos os nutrientes, quando absorvidos, são transformados gordura quando o total de calorias excede nossas necessidades. Gorduras e também o álcool são a forma de calorias mais fácil para o corpo armazenar como gordura no corpo. Assim, é necessário focar o consumo de gorduras e álcool para emagrecer. Esse grupo têm maior densidade calórica, o que significa que, mesmo em pouca quantidade, existem muitas calorias.
Seguem aqui 2 dicas, uma lista de dietas e mais uma sugestão de site para que você consulte e tenha outras abordagens e conselhos para quem está querendo perder peso:

1) Cortar metade dos doces!

Resistir às tortinhas e chocolates não é uma tarefa muito fácil. No entanto, de acordo com a opinião de especialistas, eles são grandes culpados por você estar fora de forma, estudos comprovam que, quando é restringido demais o cardápio, cortando radicalmente os ingredientes mais amados, o risco de um ataque à geladeira aumenta com grande potencial.
Assim, sugere-se que seja reduzido 50% o consumo de doces. Vale comer todo dia um bombom, mas não pode passar disso. Talvez dois biscoitos de chocolate recheado, uma mini-barrinha de chocolate. Já existem sorvetes diet que podem também fazer sua compulsão por doces sem lhe fazer mal. Recomenda-se também não misturar dois doces em um só, como bolo com sorvete. Procure doces que levem fruta, como mousse de maracujá, uma tortinha de maçã, bolo de laranja, etc.

2) Carboidratos

Abandone aquela estratégia de cortar de vez o pão, as massas e o arroz acreditando que você ficará magro de uma hora pra outra. Saiba que reduzir rapidamente a cota de carboidrato do menu pode provocar uma grande queda do seu rendimento física e intelectual. Além disso, segundo pesquisas,
pode acabar engordando tudo de novo. Você precisa consumir os carboidratos presentes em produtos integrais – arroz, pão, aveia, fibras, cereal matinal (sem ser Sucrilhos, obviamente). Existe já o macarrão integral.

11 dietas mais eficazes para emagrecer:

1. Tipo sanguíneo
Criada pelo médico naturopata americano Peter James D¿Adamo, é baseada no tipo sangüíneo. Para o autor, cada organismo está preparado para assimilar um determinado alimento. “A dieta do tipo sangüíneo é muito boa, pois faz um bom balanceamento de todos os grupos alimentares”, garante o Dr. Alexander.

Alimentos permitidos:
Tipo O: os que têm sangue tipo O são carnívoras por natureza, por isso têm mais facilidade de digerir carne vermelha.
Tipo A: o sistema digestivo das pessoas desse grupo é mais sensível e, por isso, assimilam melhor os vegetais, peixes, cereais, leguminosas e frutas.
Tipo B: verdadeiros amantes de laticínios, são supertolerantes ao leite e seus derivados.
Tipo AB: os donos desse tipo sangüíneo aceitam comida misturada, mas com porções equilibradas.

Alimentos proibidos:
Tipo O: produtos de trigo, como pães e gérmen de trigo, além dos derivados do leite são bem nocivos às pessoas com esse tipo.
Tipo A: devem-se manter afastados da carne vermelha.
Tipo B: aves e milho são alimentos extremamente nocivos para os integrantes desse tipo.
Tipo AB: carne bovina, de porco e frango, além de leite integral e alguns derivados como queijo brie e parmesão, não são bem-aceitos pelo organismo portador de sangue AB.

Vantagem: os programas incluem todos os grupos alimentares para todos os tipos de sangue.
Desvantagem: o que depõe contra é que o programa alimentar baseado no tipo sangüíneo ainda não tem comprovação científica.

2. Dieta Vegetariana
É muito mais uma filosofia de vida. A origem é milenar e consta que os primeiros povos a aderirem foram os budistas e indianos, por questões religiosas. Mas hoje existem diversos tipos de vegetarianos – desde os que se alimentam somente de vegetais até os que consomem ovos ou laticínios e derivados de animais.

Alimentos permitidos:
Todos os alimentos de origem vegetal são aceitos e, dependendo do grau de vegetarianismo, são permitidos queijos, leite e derivados, ovos e carnes brancas.

Alimentos proibidos:
Carne vermelha é proibidíssima!

Vantagem: um regime sem carnes diminui o consumo das gorduras saturadas e os riscos de doenças cardiovasculares.
Desvantagem: o vegetariano sofre por causa da deficiência de cálcio e ferro. Em alguns casos precisa ingerir suplementos alimentares para não ficar anêmico. “Os vegetarianos também envelhecem mais rápido já que têm deficiência nutricional”, conta o Dr. Alexander.

3. Dieta do Dr. Atkins
Conhecida mundialmente como a dieta da proteína, foi criada na década de 80 pelo médico americano Robert Atkins. Esse regime restringe severamente a ingestão do carboidrato em todas as refeições. A grande perda de peso em curto espaço de tempo é o principal motivo de tanta adesão ao regime. “Ela é um pouco radical ao cortar o carboidrato e também não se preocupa com a qualidade e a quantidade do alimento ingerido”.

Alimentos permitidos:
Carnes, aves, peixes, verduras, frutas – até mesmo o abacate -, são muito bem-vindos. A dieta também libera o consumo de ovos e carnes de porco, como o bacon, à vontade.

Alimentos proibidos:
Todos os derivados de carboidrato são expressamente proibidos. Arroz, pão, massas, farinhas, açúcar, bolo, além das leguminosas como ervilha, milho, lentilha, grão-de-bico e os queijos, leite e derivados também devem ser cortados do cardápio.

Vantagem: rápida perda de peso.
Desvantagem: é muito severo na ingestão de carboidrato, cortando radicalmente esta fonte de energia do organismo.

4. Dieta da sopa
Muita gente já pelo menos tentou fazer esse regime, à base de uma sopa de verduras que pode ser consumida à vontade durante todo o dia. A origem da receita é completamente desconhecida. Mas o resultado é verídico. “A dieta da sopa pode fazer você perder de três a sete quilos em uma semana. Mas é preciso ter cuidado. Manter esse regime por mais de sete dias pode ser uma agressão ao organismo”, esclarece o nutrólogo.

Alimentos permitidos:
Além da sopa, permite a ingestão de frutas, como maçã, melancia, melão, mamão, banana; além de legumes e verduras crus ou cozidos; água e chás à vontade. Nos últimos dias libera filé de frango e bife grelhado. Mas tudo tem que ser consumido rigorosamente como manda o cardápio.

Alimentos proibidos:
Durante esses sete dias da dieta fica proibido ingerir qualquer tipo de fritura.

Vantagem: rápida perda de peso.
Desvantagem: é muito severo na ingestão de carboidrato, cortando radicalmente esta fonte de energia do organismo.

5. Dieta do mediterrâneo
Baseada no consumo de azeite de oliva, essa dieta – criada pelo médico Ancel Keys em 1945 – tem na culinária do Mediterrâneo sua grande fonte de inspiração. A alimentação propostaoferece pequena quantidade de gordura saturada. A explicação para o emagrecimento é que o azeite faz um equilíbrio com a gordura animal.

Alimentos permitidos:
Pode-se consumir gorduras monoinsaturadas, ômega 3 (salmão, atum, anchova, sardinha), ômega 6 (óleos de canola, milho, girassol e soja, azeite de oliva, sementes de gergelim, girassol, castanhas e nozes), além de frutas cítricas, verduras e até o vinho.

Alimentos proibidos:
Gordura saturada, carne vermelha, doces e açúcares em geral não são proibidos. Mas o consumo é bastante moderado.

Vantagem: protege o coração contra enfartes, diminui o risco de câncer, retarda os danos ao cérebro causados pelo envelhecimento e aumenta a longevidade.
Desvantagem: o grande consumo de vinho pode ser um problema. “É preciso tomar cuidado para não virar dependente”.

6. Dieta ortomolecular
O programa nutricional ortomolecular, formulado pelo químico americano Linus Pauling, é um dos preferidos dos artistas ultimamente. Isso porque o objetivo é restaurar o equilíbrio bioquímico do organismo controlando a ingestão dos alimentos. “A dieta é interessante porque nutre o corpo com todas as classes de nutrientes. No entanto, é preciso tomar cuidado com a quantidade de suplementos vitamínicos e minerais que prescritos”, alerta o Dr. Alexander.

Alimentos permitidos:
Quase todos os alimentos são permitidos, principalmente os antioxidantes. O programa alimentar substitui os alimentos industrializados pelos frescos, carboidratos integrais e dá preferência à proteína com baixo teor de gordura, como peixes, ave, avestruz e clara de ovo.

Alimentos proibidos:
A alimentos industrializados, carne vermelha e gema de ovo. O carboidrato simples é expressamente proibido na última refeição do dia.

Vantagem: a alimentação é bastante balanceada e abastece o organismo com todos os nutrientes necessários. Além disso, melhora pele, cabelo, unhas, ajuda a prevenir problemas cardíacos e melhora o funcionamento do intestino.
Desvantagem: ainda é rejeitada pela classe médica, já que prescreve a utilização de suplementos de vitaminas e minerais diariamente.

7. Dieta de South Beach
Desenvolvida pelo médico cardiologista americano Arthur Agatston, ela foi criada inicialmente para reduzir o colesterol ruim e o triglicérides do sangue. Mas como os pacientes perdiam peso, logo o programa alimentar passou a ser utilizado para o emagrecimento. Sua base é parecida com a do Dr. Atkins. A diferença é que restringe a quantidade e se preocupa com a qualidade dos alimentos. “Apesar de também ser um pouco severa, se preocupa com a qualidade dos produtos ingeridos”, destaca o Dr. Alexander.

Alimentos permitidos:
Todos os grupos alimentares são liberados em quantidades moderadas. E, nesse caso, o carboidrato refinado é substituído pelo integral, suprindo o organismo da necessidade dessa classe alimentar.

Alimentos proibidos:
Massas, arroz, pães, cereais, doces, além de alimentos gordurosos e frituras não são bem-vindos no cardápio.

Vantagem: é menos severa, contempla todas as categorias alimentares e indica o consumo de produtos saudáveis.
Desvantagem: por causa da grande quantidade de proteína ingerida, pessoas com problemas renais e ácido úrico não podem aderir à dieta.

8. Dieta programada Lean Body
Indicada somente para quem pratica exercícios físicos diariamente. Este programa, desenvolvido por Cliff Sheats, é o sonho de muita gente. Afinal, o lema é comer mais para emagrecer mais. A dieta se baseia na idéia de que um regime de baixa caloria não é indicado para queimar gordura. Ela apenas retarda o metabolismo e com isso você perde energia e não queima caloria, mas músculo.

Alimentos permitidos:
Faz um balanço entre o carboidrato, a proteína e a gordura. Tudo é permitido. Em quantidades adequadas, claro.

Alimentos proibidos:
Nenhum tipo de alimento é proibido. E as quantidades aumentam a cada semana. Até parece um sonho, não é mesmo!? Mas nem pense em aderir sem praticar atividade física.

Vantagem: como recomenda o aumento de calorias a cada semana, o risco de perda de massa muscular é mínimo e ainda aumenta o metabolismo basal.
Desvantagem: para aderir essa dieta é preciso praticar atividade física com muito afinco. “Caso contrário, ao invés de emagrecer, irá ganhar peso”, explica o nutrólogo.

9. Dieta da combinação de alimentos
Não importa a quantidade, nem a qualidade. O que importa é a combinação dos alimentos. Desenvolvida por Herbert M. Shelton, libera o consumo de todos os alimentos. Para o Dr. Herbert, o que importa não é a quantidade, mas sim a combinação, pois quando isso não acontece, toxinas são geradas pelos processos fermentativos, causando irregularidades metabólicas e consequentemente, obesidade.

Alimentos permitidos:
Todos os alimentos são permitidos. O segredo é combinar.

Alimentos proibidos:
A restrição é a mistura dos alimentos. O programa não permite a ingestão de alimentos ácidos com carboidratos. Sendo assim, você não poderá tomar um suco de laranja e comer pão, por exemplo.

Vantagem: não é só para emagrecimento. O programa faz uma importante desintoxicação, melhorando o funcionamento do aparelho digestivo.
Desvantagem: a filosofia dessa dieta não combina nem um pouco com os nossos hábitos alimentares. “É muito difícil segui-la justamente porque vai contra a nossa cultura”, ressalta o Dr. Alexander.

10. Dieta da pirâmide dos alimentos
A primeira versão dessa dieta, criada em 1992, pelo United States Department of Agriculture deu tão certo que foi atualizada em 2005. Ela tem uma orientação simples e bem equilibrada. “A dieta da pirâmide é uma das mais aconselhadas como reeducação alimentar”, conta o autor do livro.

Alimentos permitidos:
Todos são permitidos. O negócio é respeitar o estreitamento da pirâmide. Cada faixa representa um grupo alimentar, sendo que a atividade física é a sua base e os doces estão lá no topo.

Alimentos proibidos:
Nessa dieta não há restrição de nenhum grupo alimentar.

Vantagem: todos os grupos alimentares são consumidos diariamente, o que garante o bom funcionamento do organismo.
Desvantagem: quando bem-feita, não tem desvantagens.

11. Vigilantes do peso
A Organização Vigilantes do Peso (Weight Watcher) foi fundada na década de 60 por Jean Nidetch. O objetivo principal é o incentivo. Em 2005, foi instituído ao programa o sistema de pontos. Cada alimento tem um número determinado de pontos e os participantes têm uma cota diária a seguir.

Alimentos permitidos:
Todos os alimentos são permitidos. A dieta também permite a combinação de carnes, massas, doces e pães.

Alimentos proibidos:
Não proíbe nenhum tipo de alimento, desde que sejam respeitadas as quantidades estabelecidas pelo método.

Vantagem: a liberação do consumo de qualquer grupo alimentar.
Desvantagem: a organização não se preocupa com exames clínicos nem prescreve acompanhamento médico.

PONTOS CARDEAIS E PONTOS COLATERAIS

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Os pontos cardeais são pontos de referência, igual quando vamos a um lugar que nunca havíamos ido e nos orientamos sobre o local, onde está, perto de onde fica.
Normalmente o Sol é a maior referência para acharmos uma direção, pois devemos saber qual o lado de sua nascente bem como o lado em que se põe.

Ao abrirmos os braços como mostra a figura abaixo, teremos a posição dos pontos cardeais. A nascente do sol é chamada de Leste (L). O poente do sol é o Oeste (O). O Norte (N) está localizado à nossa frente e o Sul (S) às nossas costas.

Os pontos cardeais são quatro:

* Norte, inicial N,
* Sul, inicial S,
* Este ou Leste, inicial E ou L,
* Oeste, inicial O.

A Marinha de Portugal e do Brasil usa a forma leste para evitar confusão com este, mas em geral é mais usual a inicial E, até por coerência com as iniciais dos pontos colaterais.

A rosa dos ventos é um instrumento que aparece nas bússolas, indicando tanto os pontos cardeais como os pontos colaterais.
Os pontos colaterais são: Nordeste (NE), Sudeste (SU), Noroeste (NO ou NW) e Sudoeste (SO ou SW).
A bússola é um indicador do Norte e isso acontece em razão da agulha magnética. É um instrumento utilizado por pessoas que trabalham em locais que não tem meios de se localizar no espaço, como os marinheiros. Hoje em dia já existem aparelhos mais eficientes como os usados nos aeroportos.

PONTOS COLATERAIS:

    • * Nordeste – NE,
    • * Sudeste – SE,
    • * Noroeste – NO e
    * Sudoeste – SO.

PONTOS SUB-COLATERAIS:

    • * Nor-Nordeste – NNE,
    • * Lés-Nordeste – ENE,
    • * Lés-Sudeste – ESE,
    • * Su-Sudeste – SSE,
    • * Su-Sudoeste – SSO,
    • * Oés-Sudoeste – OSO,
    • * Oés-Noroeste – ONO e finalmente o
    * Nor-Noroeste – NNO.

HOTELARIA BRASILEIRA HOSPITALIDADE COMO VANTAGEM COMPETITIVA

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HOTELARIA BRASILEIRA: HOSPITALIDADE COMO VANTAGEM COMPETITIVA

Luiz Cesar de Miranda (UNIESP)
[email protected]

Resumo

A hotelaria brasileira é eminentemente de familiar e enfrenta atualmente a concorrência das grandes redes hoteleiras internacionais que chegam ao mercado brasileiro com arquitetura arrojada e preços competitivos. Devido às próprias caracterrísticas da administração familiar, o profissionalismo e a pouca preocupação com os concorrentes quase inexistentes, até então, nunca foi dado o devido valor. Diante dessa realidade, os hotéis independentes se vêem forçados a se profissionalizar e investir em melhoramentos na estrutura física e tecnológica. No entanto, o lado humano da hotelaria é pouco visto se compararmos a sua importância junto ao processo de fidelização do hóspede aos hotéis. Este artigo tem por finalidade analisar a situação da hotelaria independente frente a concorrentes poderosos da hotelaria de rede e mostrar que juntamente às inovações tecnológicas, a hospitalidade deve ser o requisito
básico para a permanência no mercado de trabalho. O papel do setor de recursos humanos também é revisto e dado a sua importância como o setor que deve estar ligado ao plano estratégico do hotel no intuito de melhorar a produtividade dos colaboradores por meio do conhecimento mais profundo das necessidades dos mesmos.

Abstract

Brazilian hotels are most from family enterpreneurs and are facing the greatests international hotels brands that arrived in Brazil market with modern architecture and competitive prices. Until nowadays, due to the family’s administration ccharacteristics, professionalism and no worry about their few opposers have never been a priority. In this new reality, the independent hotels are pushed to be prepared and invest in physical structure and technology. Hotel human side is few paid attention, though, if its importance is compared to the guests fidelity process in the hotels. This paper has the goal to analyze the independent hotels situation when facing their powerful competitors from the international hotel nets and show up that joining technological innovations, the hospitality must be a basic requirement to market maintenance. Human Resource’s role is also renewed and given its importance as a department that must be linked to the hotel strategic plan with the objective to improve the worker’s productivity through a deeper knowledge of their needs.

Palavras-chaves: Hotelaria independente; Hospitalidade; Recursos Humanos; Treinamento.

1. Introdução

Nas últimas décadas o turismo no Brasil tornou-se um papel importante na economia do país. Muitas ações foram tomadas tanto por parte do governo como pelas empresas privadas no intuito de incrementar o número de turistas no país. Algumas dessas ações não tiveram muito sucesso, mas, de qualquer maneira, houve um sensível aumento de entrada de turistas estrangeiro, assim como, o brasileiro passou a viajar mais pelo seu país.
Diretamente ligado a esse processo, está a hotelaria no país. Despreparados e sem profissionalismo algum, a malha hoteleira se viu obrigada a reavaliar o seu papel no mercado e a mudar de estratégia. Novas bandeiras apareceram, novos turistas também e a hotelaria “sucateada” brasileira se viu obrigada a tomar novos rumos. Aqueles que conseguiram sobreviver estão enfrentando dificuldades para enfrentar concorrentes preparados, com conforto e preço.
Aqueles que não agüentaram, resolveram fechar as suas portas e mudar de ramo de atividade. Neste artigo, foi feito um levantamento bibliográfico sobre a situação da hotelaria independente no Brasil, assim como sobre novas possibilidades de vantagens que poderiam ajudar na concorrência do mercado. A hospitalidade é uma dessas vantagens e foi apresentada como um diferencial na hotelaria.
Vale enfatizar que a preocupação deste artigo está nas regiões mais distantes do país. Regiões que começam a vislumbrar o turismo como possibilidades de emprego e crescimento econômico para o local, que antes, não era nem cogitado. Regiões como Centro-oeste, norte e nordeste do Brasil cuja hotelaria independente ainda é forte, mas que começa a receber as ameaças das redes internacionais. Porém, é uma realidade brasileira que pode ser analisada em
qualquer parte do país.
Na primeira parte, o leitor terá uma idéia sobre a atuação da hotelaria independente no Brasil. Algumas análises sobre o perfil do turista no Território Nacional e a mudança de comportamento dos mesmos. Para isso, foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre os aspectos históricos e conceituais que pudessem subsidiar as considerações apresentadas.
Em seguida, são analisadas as ameaças que o hoteleiro brasileiro enfrenta e apresenta a hospitalidade como uma vantagem competitiva para a permanência do turista na localidade. Estudos de autores já reconhecidos nacional e internacionalmente sobre o assunto foram analisados para que o autor chegasse às afirmações aqui apresentadas. Também é repensado o papel do setor de Recursos Humanos no hotel e como poderia ajudar no processo de mudança de
cultura e comportamento organizacional e o autor termina o artigo com suas reflexões sobre o assunto levantado.

2. Breves comentários sobre a hotelaria no Brasil

Se analisar a história da hotelaria brasileira, é possível verificar que sempre está atrelada ao empreendimento familiar e como uma opção secundária de incremento financeiro para seu proprietário, que já tinha uma outra fonte de renda. No entanto, a partir da segunda metade do século XX que realmente se percebe maior interesse no setor hoteleiro e na sua profissionalização. Nos anos 90, com a guerra do Golfo, começa uma crise econômica nos Estados Unidos,
fazendo com que as redes hoteleiras busquem novas opções de investimentos. Os mercados emergentes são o alvo para o investidor. O Brasil, com uma política econômica recuperada e moeda mais forte, é um desses mercados e se beneficia com a entrada de novas redes no país. Fundos institucionais, construtoras e incorporadoras imobiliárias tornam-se novos agentes econômicos para o desenvolvimento hoteleiro, surgindo o formato de apart-hotéis, flats e
condomínios hoteleiros (AMARAL e CARVALHO, 2004). Outro fato que também influenciou a hotelaria brasileira foi a mudança do perfil do nosso
turista. Até então, as viagens internacionais eram dispendiosas se comparasse com os gastos no turismo interno. Dias e Pimenta (2005, p. 53) dizem que “o aumento do nível de exigência do consumidor faz parte de um irreversível processo evolucionário do mercado, com clientes que, além de maior acesso à informação, têm facilidades de transportes e viajam mais, dispondo de elementos para comparação”. Com a estabilização da moeda e equilíbrio econômico, os brasileiros viajam mais e criam novas necessidades e desejos. O que antes uma boa cama e um banheiro higienizados eram necessários para o turista, atualmente isso não basta para a satisfação do hóspede. As marcas internacionais passaram a ser sinônimo de qualidade de serviço causando um desconforto à hotelaria independente e obrigando a renovação e mudanças de atitudes.
Graças a esse novo perfil de demanda e a concorrência com as redes internacionais que entram no país com qualidade e preços baixos e competitivos, há o aumento do parque hoteleiro e os hotéis independentes investem na melhoria do produto (AMARAL e CARVALHO, 2004). Como conseqüência, regiões como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte sofrem com a concorrência e o mercado com super oferta. A entrada da hotelaria econômica de rede trouxe uma realidade não esperada pelo empresário da hotelaria independente, acostumados a não ter concorrentes tão fortes quanto ao Ibis e Formule 1, por exemplo, que chegam com arquitetura arrojada, pouquíssimos serviços, mas com preços baixos, tirando a clientela de muitos hotéis independentes. Sobre o hotel Formule 1 e o Íbis , da rede Accor, a revista Hotelnews (2005, p.33) publica na sua edição de março/abril o seguinte:
“Neste ano (2005), novos hotéis serão abertos em São Paulo (centro e Barueri) e no Paraná (Curitiba). Nos próximos dois anos, serão inaugurados em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro, Salvador (BA), Belém (PA) e na capital paulista. […] Também estão previstos novos Íbis, em cidades com mais de 300 mil habitantes. Atualmente, são 33. Em dois anos, deverão ser 60.”
Mesmo com o mercado competitivo e sem o crescimento da demanda na mesma proporção que da oferta, de acordo com a Hotel On Line em 2003, 91,8% dos meios de hospedagem do Brasil é hotelaria independente, 5,5% de redes nacionais e somente 2,7% de redes internacionais. Se observar em números de unidades habitacionais, a maioria delas é pertencente às redes hoteleiras (AMARAL e CARVALHO, 2004).

Essa proporção se reproduz em todo território brasileiro. Uma pesquisa realizada pela HVS International (apud AMARAL e CARVALHO, 2004) no ano de 2004, mostra coma anda a participação das redes nos principais mercados do país (quadro abaixo). É importante notar que somente nas cidades de maior concorrência, que a hotelaria de rede tem uma participação maior que 20% (casos de São Paulo e Brasília, e Rio de Janeiro com 19%). O restante do território
nacional, até mesmo dos mercados fortes no turismo de lazer (Fortaleza, Salvador e Recife) e que são atrativos interessantes ao turista internacional, a hotelaria independente ainda é a maioria. Isso só vem a corroborar com a necessidade de uma reestruturação dessa hotelaria, que em muitos locais, ainda não se profissionalizou suficientemente para enfrentar uma concorrência acirrada quando as redes reconhecidas internacionalmente resolverem expandir seus negócios para essas regiões. Pode estar hoje em maioria, mas a tendência é de expansão do turismo por todo o país e, com isso, abrirá espaço aos grandes hoteleiros se estabelecerem nos mercados em desenvolvimento. O cenário pode se reverter se nada for feito com o intuito de se preparar para uma nova realidade.

Tabela 1
Participação das redes internacionais em importantes mercados urbanos (por número de UHs)
Fonte: HVS International, (apud AMARAL e CARVALHO,2004)

3. Ameaças e possíveis saídas

As ameaças que a hotelaria independente está enfrentando e enfrentará, dependendo da região brasileira em que se for discutir, estão basicamente em dois aspectos: as redes hoteleiras e a si próprio.

O primeiro é na entrada de concorrentes já estabelecidos no mercado hoteleiro com bandeiras reconhecidas perante a demanda do local, como são os casos das redes com os hotéis econômicos, e que possui uma estrutura organizacional e de administração prontas para entrar em novos mercados. Trabalham com poder de compra e venda bastante fortes, pois existe um suporte eficiente nos canais de distribuição e negociações com fornecedores. Normalmente o custo em
que trabalham são menores devido às compras serem centralizadas para todos os hotéis da bandeira, conseguindo melhores preços. Assim como seus canais de distribuição estar a alcance de qualquer turista que desejar se hospedar no seu estabelecimento. Segundo, a própria maneira de gestão da hotelaria independente e familiar que pode ser como um escorpião que se mata com o próprio veneno. Certamente, esta é a pior que se pode enfrentar porque envolve cultura organizacional bastante enraizada e de difícil mudança. Pressupõe mudanças de comportamento gerencial e possíveis acomodações já estabelecidas.
Sobre o assunto, Oliveira diz que “Ameaças são forças ambientais incontroláveis pela empresa familiar, que criam obstáculos a sua ação estratégica, mas que poderão ou não ser evitadas, desde que reconhecidas em tempo hábil” (OLIVEIRA, p.55, 1999). O problema está na questão do tempo hábil. Muitas vezes o momento em que se reconhece a ameaça já não há tempo suficiente para reverter uma situação. O que fazer, então, com essas ameaças? É possível que se encontre uma solução para tais problemas ou a hotelaria independente está fadada a ser extinta? Na verdade, a solução está no óbvio que é buscar analisar friamente, sem colocar sentimentalismos ou concessões devido a laços familiares envolvidos, e tomar decisões que realmente são necessárias para o crescimento do seu empreendimento.
Buscar descobrir as vantagens competitivas que o seu hotel tem e que possa estar ajudando perante a concorrência. Sobre esse assunto Roberts ( 2001, p. 111-121) coloca como sendo vantagens competitivas toda ação que possa estar marcando o empreendimento. Um toque especial no atendimento, habilidades e competência do staff, qualidade no serviço ou um aspecto mais real como o desenho arquitetônico, gerenciamento estratégico, localização, formas de
distribuição entre outros. Deve-se então, descobrir quais as vantagens que possui para o alcance dos resultados.

4. A hospitalidade como vantagem competitiva

Uma opção que pouco é entendido pela maioria das pessoas é a hospitalidade. Provavelmente o seu significado está no imaginário das pessoas como sendo o receber bem o visitante dentro da sua casa ou do sua cidade, porém, a sua abrangência é muito maior que se possa imaginar.
Camargo (in BUENO e DENCKER, 2003, p.19) divide as categorias da hospitalidade em doméstica, pública, comercial e virtual. A hospitalidade em que a hotelaria se encontra certamente é a comercial, pois envolve a troca pecuniária pelo serviço de hospedagem prestado.
No entanto, isso não pode significar a “frieza” no comportamento daquele que recebe devido ao pagamento financeiro pelo bem receber.
Grinover (2002, p.26) define hospitalidade como sendo o “ato de acolher e prestar serviços a alguém que por algum motivo esteja fora do seu local de domicílio.”. Completando a definição anterior, Lashley (2004,p.21) diz que “ o entendimento mais amplo a respeito da hospitalidade sugere, em primeiro lugar, que esta é fundamental, o relacionamento construído entre anfitrião e o hóspede” e Camargo (2003,p.15) completa dizendo que “[…] nada representa a
hospitalidade que o ato de acolher pessoas que batem à porta”. Buscar o aperfeiçoamento do saber receber seus hóspedes significa a atenção que se dá para os mesmos. A maneira de como falar e se dirigir ao cliente passa a ter mais importância que o processo de trabalho em si. Saber operar máquinas e equipamentos também tem seu valor, mas não se deve valorizar esse aspecto em detrimento a hospitalidade oferecida às pessoas.
Castelli (2000, p.50) lembra que “um dos entraves para a modernização das empresas hoteleiras, chama-se falta de investimento na educação e no treinamento dos recursos humanos”. Isso vem colaborar com a idéia que pouco se faz para o aperfeiçoamento dos colaboradores da hotelaria. Encontrar pessoas com a cordialidade apurada e a atenção aguçada com o intuito de receber e prestar bem o seu serviço é difícil. Encontrar pessoas que sabem fazer uma boa comida ou operar eficientemente um computador ou mesmo limpar adequadamente um quarto de hotel já não é tanto assim, basta ter um bom treinamento sobre as habilidades desenvolvidas e ter um bom líder que possa estar supervisionando o trabalho e os orientando. Assim, o comportamento
hospitaleiro junto ao hóspede é o diferencial que o estabelecimento pode oferecer.
Diante desse cenário, a hospitalidade talvez seja um foco a ser trabalhado. Na verdade, deveria ser condição básica para a sobrevivência de qualquer empreendimento, principalmente de um empreendimento cujo produto não é tangível e que lida com pessoas. Wada, (Apud Dencker, 2004 p. 141) ao se referir sobre a hospitalidade pergunta se “não será apenas um fator essencial, quase óbvio na oferta ao consumidor de meios de hospedagem?”. Muitas vezes o óbvio, por ser óbvio, é deixado de lado. As pessoas se esquecem que os menores detalhes na hotelaria são os mais importantes. Aquilo que pareça ser evidente, não é menos importante aos olhos do hóspede e pode ser a condição para a sua permanência e fidelização ao hotel.
É nesse ponto que a pequena hotelaria deve se ater para se manter competitivo no mercado. Buscar novos nichos, novas hóspedes e fazer com que eles permaneçam no seu estabelecimento de hospedagem porque é bem atendido, se sente bem acolhido e tem bons quartos e higienização. Aliás, a hospitalidade está envolvida com o conjunto de todos os fatores que possam deixar o hóspede bem acomodado. Equipamentos e tecnologia modernos são importantes, mas juntos com a cordialidade no acolhimento completam os requisitos para a boa hospitalidade.

5. Setor de Recursos Humanos

Muitos são os nomes que se encontra para definir o setor que é o elo do colaborador com o seu empregador. Uns chamam de Recursos Humanos, outros de Talentos Humanos e pode se encontrar ainda como Gestão de Talentos. Não importa a nomenclatura que se dá, mas a compreensão da sua utilidade em uma companhia. Infelizmente, a posição do setor nunca foi valorizada da maneira que se devia, pois não o considerava diretamente influenciador no processo produtivo. As pessoas eram tratadas como máquinas e a sua performance estava relacionada ao salário e àquilo que a empresa poderia dar para resolver os problemas de sobrevivência de seus colaboradores. A função do setor de recursos humanos também é mudada com o modelo flexibilizado de
administração. Sempre confundido com o setor de pessoal, o R.H. se resumia nas questões burocráticas de relacionamento de uma empresa (folha de pagamento, contratação, encargos, etc…). Agora, passa a ser mais valorizado no tocante à gestão estratégica da empresa. Seu desafio está na promoção do encontro de interesses dos colaboradores, patrões e clientes e faz parte do processo de transformação e mudança da empresa. No quadro abaixo, Coutinho (2005) consegue colocar as principais exigências dos papéis do R.H..


Tabela 2
Principais Exigências Dos Papéis Do R.H.
Fonte: ( Coutinho at al, 2005)

Desafios novos que esperam o setor de Recursos Humanos de uma empresa. Desafios que se enquadram tanto para o setor da indústria como para o de serviços. A hotelaria passa pelo mesmo tipo de questões que devem ser observadas. É um setor que está constantemente lidando com pessoas tanto como seus clientes como com seus colaboradores. Tem peculiaridades que muitas empresas de serviços não possuem e precisa estar ainda mais atento ao fator qualidade porque lida com clientela exigente.
Levando para a realidade da hotelaria, o setor que cuida do aperfeiçoamento do colaborador deveria estar também preocupado com o treinamento dos mesmos, porém com o treinamento mais direcionado às questões da hospitalidade ao hospede. Direcionar a sua política de talentos humanos não somente àqueles relacionados ao processo produtivo, como técnicas de cozinha, recepção ou governança, mas ao relacionamento junto a sua clientela, tanto ao cliente
interno (colegas de trabalho, chefia, etc…) como aos hospedes. Também se preocupar mais com contratação de pessoas com perfil adequado para o trabalho em um hotel.
No sistema de trabalho, no que diz respeito ao perfil das pessoas que trabalham no sistema produtivo, alguns requisitos são importantes na contratação: o domínio das tecnologias, que é uma realidade em que as pessoas não têm como fugir e tem como condição para o sucesso do empreendimento; a pluri-competência, onde se exige competências diversas que possam qualificar o colaborador; relacionamento interpessoal, sendo o poder de comunicação com o
outro uma ferramenta de aproximação do cliente; trabalho em equipe; responsabilidade e espírito de iniciativa, e sentido de acolhimento. Acolhimento que seja integrador e dar credibilidade. Ai está a hospitalidade como um diferencial no trato com o turista.
Com o crescimento do turismo, houve sensível aumento de escolas preparatórias de profissionais do setor, principalmente ao trabalho ligado à hotelaria. Muitas faculdades e escolas profissionalizantes surgiram com conteúdos técnicos e não se preocuparam em pesquisar a real necessidade do mercado de trabalho e formando pessoas desabilitadas para cargos onde o pensamento criativo é requisitado, principalmente referindo-se aos cursos superiores. Assim
sendo, os profissionais que chegam ao mercado hoteleiro precisam passar por um processo de treinamento mais direcionado aos problemas do hotel em que irá atuar. A educação precisa ensinar sobre a ótica da realidade do aluno. O trabalho de saber em que ambiente ele está inserido e do que ele tem em volta de si, irá ajudá-lo no processo ensino-aprendizagem.
Levando esse pensamento para o mundo do turismo, é possível que a realidade seja mais complexa, pois temos duas situações diferentes acontecendo. Dois “mundos” que se diferem e que devem conviver harmoniosamente. O primeiro é o mundo dos profissionais que trabalham para o turismo, sua real situação de trabalho e como pertencente a um universo diferente daqueles que para quem ele trabalha: o turista. Pensando no Brasil, onde os problemas dos colaboradores da hotelaria ainda se encontram na satisfação das necessidades básicas, o treinamento de um ajudante de cozinha, garçom ou camareira deverá exigir as habilidades do instrutor para que possa confrontar com as necessidades dos turistas. O segundo é o mundo dos turistas que freqüentam o ambiente de trabalho desse público em questão. Um mundo onde existe diferença social e de interesses diversos aos dos colaboradores da hotelaria. O turista vem em busca de uma realização de um sonho e para isso ele paga e exige regalias agregadas. O colaborador de uma hotel, na sua maioria, vem em busca de uma necessidade de sobrevivência.
O setor dos talentos humanos, enquanto aquele que se responsabiliza pelo aperfeiçoamento dos seus colaboradores e sua relação com o hotel, deverá ter a sensibilidade suficiente para identificar as necessidades do seu cliente e ajustar com a necessidade do empreendimento hoteleiro. Averiguar quais as falhas que realmente precisam ser trabalhadas para serem amenizadas e refletir na produtividade do colaborador. Portanto, é uma responsabilidade mais estratégica que burocrática e que deveria ter maior atenção por parte da hotelaria familiar que domina o mercado brasileiro.

6. Considerações finais

Por mais que a entrada das redes hoteleiras no Brasil esteja acontecendo de forma acentuada nos últimos anos, é impossível negar que a hotelaria independente é a que mais está presente na maioria do território nacional. Centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba são os que mais se apresentam a hotelaria de rede, porém o restante do país não.
Essa “tranqüilidade” em que as outras localidades se encontram é passageira, pois aos poucos as potencialidades turísticas do interior do Brasil estão sendo descobertas e começam a serem vistos pelos investidores do setor. Contudo, a parcimônia gerencial como a hotelaria familiar nas capitais mais distantes estão agindo frente às mudanças de comportamentos do mercado, tem fechado muitos hotéis tradicionais no país.
Faz-se necessário uma mudança na forma de administração dos hoteleiros. Sair da falta de profissionalismo e buscar conhecer mais o hóspede que vem ao hotel. Buscar novas maneiras de fidelização do cliente para que se tornem verdadeiros propagadores do empreendimento.
A hospitalidade é uma das possibilidades para o começo de uma mudança de pensamento. No entanto, não a única solução. Ações conjuntas também são importantes para enfrentar o concorrente. Renovação física e estrutural, parcerias e novas formas de vendas também são atitudes que podem ajudar na permanência no mercado.
A reavaliação do setor de Recursos Humanos no hotel é fundamental nesse processo de mudança, afinal, é por meio dele que o hotel estará lidando com seus colaboradores. No texto foram apresentados os novos desafios desse setor. Percebeu-se que tem papel estratégico no processo produtivo e que pode estar profundamente ligado ao sucesso das mudanças.
Não se pode dizer que é o fim da hotelaria independente no Brasil. Certamente, é o momento de transformação de conceitos antigos e ultrapassados na forma de administração. Aquele que desejar se manter atuante na sua cidade, deverá repensar as suas ações e se preparar com profissionalismo e ética.

7.Referências bibliográficas

AMARAL, Ivan Bose do; CARVALHO, Caio Luiz de. Hotelaria independente no Brasil. Disponível em: http://www.brasilturisjornal.com.br/site.cfm?tp=WL&cg=ARTIG¬icia=4696 Acesso em: 19 set. 2005.

CAMARGO,Luiz Octavio de Lima. Os domínios da hospitalidade. In: BUENO, Marielys Siqueira; DENCKER, Ada de Freitas Maneti (orgs.). Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Thomson, 2003. p.7-27.

CASTELLI, Geraldo. Administração hoteleira. Caxias do Sul: EDUCS, 2000.

COUTINHO, Maria Teresa Correia,JOHANN, Sílvio Luiz, PEREIA,Cláudio de Souza, ROCHA-Pinto, Sandra Regina da. Dimensões Funcionais da Gestão de Pessoas – 4.ed.- Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.

DIAS, Reinaldo; PIMENTA, Maria Alzira. A gestão em hotelaria e o cliente. Hotelnews, São Paulo, n. 325, mar./abr. 2005, p. 53.

GRINOVER,Lúcio. Hospitalidade e qualidade de vida: instrumentos para a ação. In: DENCKER, Ada de Freitas Maneti; BUENO, Marielys Siqueira (orgs.). Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Thomson, 2003. p.49-59.

HOTELARIA econômica se expande no Brasil. Hotelnews, São Paulo, n. 325, mar./abr. 2005, p. 33.

LASHLEY,Conrad.Para um entendimento teórico. In: LASHLEY, Conrad; MORRISON, Alison. Em busca da hospitalidade. São Paulo: Manole, 2004. p. 1-23.

ROBERTS, Chris – Competitive Advantages of service quality, in: KANDAMPULLY, Jay; MOK, Connie; SPARKS, Beverley (orgs) – Service quality managemnet in hospitality, tourism and leisure. Binghamton: The Haworth Hospitality Press, 2001.

WADA, Elizabeth Kyoko. Hospitalidade na gestão em meios de hospedagem: Uma realidade ou falácia?. In :DENCKER, Ada de Freitas Maneti (org.). Planejamento e gestão de hospitalidade e turismo: Formulação de uma proposta. São Paulo: Pioneira Thomson, 2004

NBR 14724 NORMAS ABNT NOVAS REGRAS

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NOVAS REGRAS NORMAS ABNT 2011 – TRABALHOS ACADEMICOS

Desde 17 de abril de 2011 está em vigor a revisão da norma ABNT NBR 14724, sobre apresentação de trabalhos acadêmicos. E, embora seja supercontrolada, a norma já caiu na boca do povo: pode ser encontrada no site Scribd. Mas não há problema algum em copiá-la, já que a lei de direito autoral brasileira não abrange normas e regulamentos.

E a norma agora é “verde”: entre as novidades, está a possibilidade de poder ser impressa na frente e no verso das folhas (anverso e verso). E o papel pode ser branco ou reciclado.

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TRABALHOS ACADÊMICOS: NORMAS DA ABNT – 2011

MODELO NORMAS DA ABNT 2011

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 1: O TEMA

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 2 – ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 3: DOUTRINA E METODOLOGIA

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 4: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 5: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 6: CITAÇÕES E RODAPÉ

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 7: EXPRESSÃO, ABREVIATURA

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 8: ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

CURSO COMO FAZER MONOGRAFIA PARTE 9: ENCADERNAÇÃO E CDROOM

MODELO NORMAS DA ABNT 2013

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NORMAS PARA ELABORAÇÃO E APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

SERVIÇO DE REFERÊNCIA

Baseado em normas vigentes da ABNT NBR 6023, 6027, 6028, 10520, 14724.

Objetivo

Tem-se como objetivo estabelecer uniformidade na apresentação dos trabalhos acadêmicos e também ser ferramenta de auxilio no processo de elaboração dos trabalhos para toda comunidade acadêmica.
Todas as normas estão sujeitas a atualização sem periodicidade estipulada.

[youtube:1f6mh5cr]http://www.youtube.com/watch?v=Zza_bcprJMo[/youtube:1f6mh5cr]

1- ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS

(teses, dissertações, monografias, Trabalho de conclusão de curso e outros)

Os elementos de um trabalho acadêmico possuem estrutura composta por partes pré-textuais, textuais e pós-textuais, sendo algumas dessas partes consideradas obrigatórias e outras opcionais. Devem obedecer a seguinte ordem:

      1.1 PRÉ-TEXTUAIS

1.1.1 Capa (obrigatório)

1.1.2 Folha de rosto (obrigatório)

1.1.2.2 Verso da folha de rosto ou após para versão digital – Ficha Catalográfica (obrigatório)

1.1.3 Errata (opcional)

1.1.4 Folha de aprovação (obrigatório)

1.1.5 Dedicatória (opcional)

1.1.6 Agradecimentos (opcional)

1.1.7 Epígrafe (opcional)

1.1.8 Resumo em português / Resumo em inglês (obrigatório)

1.1.9 Lista de ilustrações, Tabelas, Abreviaturas e siglas, Símbolos(opcional)

1.1.9.1 Apresentação de ilustrações no texto

1.1.9.2 Apresentação de tabelas e quadros no texto

1.1.10 Sumário (obrigatório)

1.2 TEXTUAIS

1.2.1 Introdução

1.2.2 Desenvolvimento

1.2.2.1 Revisão da Literatura

1.2.2.2 Proposição

1.2.2.3 Método

1.2.2.4 Resultados

1.2.2.5 Discussão

1.2.3 Conclusão

1.3 PÓS-TEXTUAIS

1.3.1 Referências (obrigatório)

1.3.2 Obras consultadas (opcional)

1.3.3 Glossário (opcional)

1.3.4 Apêndice (s) (opcional)

1.3.5 Anexos (opcional)

2 CITAÇÃO NO TEXTO

2.1 SISTEMAS DE CHAMADA DA CITAÇÃO NO TEXTO

2.2 SISTEMA AUTOR-DATA

2.3 SISTEMA NUMÉRICO

2.4 CITAÇÃO DIRETA OU TEXTUAL

2.5 CITAÇÃO INDIRETA

2.6 CITAÇÃO DE CITAÇÃO

2.7 CITAÇÃO DE CANAIS INFORMAIS (AULA, CONFERÊNCIA, E-MAIL, DEPOIMENTOS, ENTREVISTA.)

2.8 CITAÇÃO COM UM AUTOR

2.9 CITAÇÃO COM DOIS AUTORES

2.10 CITAÇÃO COM TRÊS AUTORES – CITA-SE OS TRÊS CITAÇÃO COM MAIS DE TRÊS AUTORES CITA-SE O PRIMEIRO SEGUIDO DE “at al”

2.11 CITAÇÃO DE VÁRIOS AUTORES À UMA MESMA IDÉIA

2.12 CITAÇÃO DE AUTORES COM MESMO SOBRENOME

2.13 CITAÇÃO DE UM MESMO AUTOR COM DATAS DE PUBLICAÇÕES DIFERENTES

2.14 CITAÇÃO DE UM MESMO AUTOR COM MESMAS DATAS DE PUBLICAÇÃO

2.15 CITAÇÃO CUJO AUTOR É UMA ENTIDADE COLETIVA

2.16 CITAÇÃO DE TRABALHOS EM VIAS DE PUBLICAÇÃO (NO PRELO)

2.17 CITAÇÃO DE HOMEPAGE OU WEB SITE

2.18 CITAÇÃO DE OBRAS CLÁSSICAS

2.19 CITAÇÃO COM OMISSÃO DE PARTE DO TEXTO

2.20 NUMERAÇÃO

3 REFERÊNCIAS

1.1 PRÉ-TEXTUAIS

MAIORES DETALHES NO NOSSO CURSO COMO FAZER MONOGRAFIAS – PARTE 2 – ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

1.1.1 Capa (obrigatório)
Segue abaixo modelo de capa, que deve ser apresentado no formato A4 (21 cm x 29,7 cm), o projeto gráfico e de responsabilidade do autor, recomenda-se obedecer ao padrão de fonte Times New Roman ou Arial. Deve obedecer a seguinte ordem:nome da instituição, faculdade e curso;nome do autor;título; subtítulo, se houver;local (cidade da instituição)ano da entrega

Figura 1 – Modelo de Capa Normas da ABNT

1.1.2 Folha de rosto (obrigatório)
Segue abaixo modelo de folha de rosto, que é a folha que contém os elementos essenciais à identificação do trabalho, deve ser apresentado no formato A4 (21 cm x 29,7 cm), o projeto gráfico e de responsabilidade do autor, recomenda-se obedecer ao padrão de fonte Times New Roman ou Arial. Deve obedecer a seguinte ordem: a-nome do autor; b- título; c- subtítulo, se houver; d- natureza (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso, monografia e outros) e objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e outros); nome da instituição, faculdade, curso; área de concentração e- nome do orientado e, se houver, do co-orientador; f- local (cidade da instituição) g- ano da entrega

Figura 2 – Modelo de Folha de Rosto Normas da ABNT

1.1.2.2 Verso da folha de rosto ou após para versão digital – Ficha Catalográfica (obrigatório)
No verso da folha de rosto deverá constar a ficha catalográfica que é a identificação padrão do trabalho a para ser catalogado na biblioteca da Metodista ou em outras, e deverá seguir padrões internacionais conforme o Código de Catalogação Anglo-Americano – AACR2. A biblioteca é responsável de fazer a ficha catalográfica para todos os alunos da instituição procure a bibliotecária de seu campus.

Figura 3 – Modelo de Verso de Folha de Rosto Normas ABNT

1.1.3 Errata (opcional)
Utiliza-se para indicação de erros porventura cometidos e sua respectiva correção, acompanhados de sua localização no texto. Esta lista deverá constar após a folha de rosto.

Figura 4 – Modelo de Errata Normas ABNT

1.1.4 Folha de aprovação (obrigatório)
Deve conter informações essenciais à aprovação do trabalho que constiui-se pelo nome do autor(es), título e subtítulo (se houver), natureza, objetivo, nome da instituição a que é submetido, área de concentração, data de aprovação, nome, titulação e assinatura dos componentes da banca examinadora e instituição a que pertencem. A data de aprovação e assinatura dos membros da banca é colocada após a aprovação do trabalho. Esta folha não recebe título.

Figura 5 – Modelo de Folha de Aprovação Normas ABNT

1.1.5 Dedicatória (opcional)
Página opcional onde o(a) autor(a) presta homenagem ou dedica seu trabalho. Esta folha não recebe título e o projeto gráfico fica a critério do autor.

1.1.6 Agradecimentos (opcional)
Devem ser dirigidos às pessoas ou instituições que, realmente contribuíram de maneira relevante à elaboração do trabalho, restringindo-se ao mínimo necessário. Deve receber título, o projeto gráfico fica a critério do autor.

1.1.7 Epígrafe (opcional)
Frase, pensamento ou até mesmo versos no qual o autor apresenta citação seguida de autoria relacionada à matéria tratada no corpo do trabalho. Também podem ser apresentadas epígrafes nas folhas iniciais dos capítulos ou seções. Esta folha não recebe título e o projeto gráfico fica a critério do autor.

1.1.8 Resumo em português / Resumo em inglês (obrigatório)
Deve ser um texto bastante sintético que inclui as idéias principais do trabalho, permitindo que tenha uma visão sucinta do todo, principalmente das questões de maior importância e das conclusões a que se tenha alcançado. É feito normalmente na língua de origem e numa outra de larga difusão, dependendo de seus objetivos e alcance. O título deve ser centralizado, sem indicativo numérico e deve ser redigido em parágrafo único. Em teses e dissertações, apresentar o resumo com, no máximo, 500 palavras e em monografias e outros trabalhos acadêmicos, com 250 palavras. As palavras-chave devem estar logo abaixo do resumo. Obs.: os resumos devem estar em folhas separadas, e devem obedecer a seguinte ordem: a- folha do resumo português. b- folha do resumo em inglês.

1.1.9 Lista de ilustrações, Tabelas, Abreviaturas e siglas, Símbolos(opcional)
Enumeração de elementos selecionados do texto, como datas, ilustrações (figuras), exemplos e tabelas, cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da página. O título deve ser centralizado, sem indicativo numérico, obedecem à ordem que aparecem no texto, exceto para Abreviaturas e siglas que devem estar relacionados em ordem alfabética. Recomenda-se fazer lista para informações que contenham mais de 3 itens. Obs.: as listas devem estar em folhas separadas, e deve obedecer a seguinte ordem: 1ª – Lista de ilustrações ou figuras, 2ª – Tabelas, 3ª – Abreviaturas e siglas, 4ª – Símbolos.

Figura 6 – Modelo de Lista Normas da ABNT

1.1.9.1 APRESENTAÇÃO DE ILUSTRAÇÕES NO TEXTO
Entende-se como ilustração os gráficos, diagramas, desenhos, fotografias, mapas, etc. que complementam visualmente o texto.

Figura 7 – Modelo de Figura no Texto Normas ABNT

1.1.9.2 APRESENTAÇÃO DE TABELAS E QUADROS NO TEXTO
As tabelas apresentam informações tratadas estatisticamente; os quadros contêm informações textuais agrupadas em colunas.

Figura 8 – Modelo de Tabelas e Quadros no Texto Normas ABNT

1.1.10 Sumário (obrigatório)
Enumeração das principais divisões, seções e capítulos, na mesma ordem e grafia em que a matéria é apresentada no corpo do trabalho. Se o trabalho for apresentado em mais de um volume, em cada um deles deve constar o sumário completo do trabalho.

Figura 9 – Modelo de Sumário Normas ABNT

1.2 TEXTUAIS
Essa é a parte do trabalho onde é exposta a matéria. Deve ser apresentado no formato A4 (21 cm x 29,7 cm), recomenda-se obedecer ao padrão de fonte Times New Roman ou Arial, margens iguais as partes pré-textuais, espacejamento 1,5 entre linhas. Em caso de citações diretas com mais de três linhas e legendas de tabelas e ilustrações, usa-se espaço simples.

Os títulos e subtítulos das seções e subseções que compõem o texto devem ser alinhados à esquerda, precedidos de seus indicativos numéricos grafados em algarismos arábicos e separados entre si por um espaço de caractere e os títulos devem ser separados do texto que os precede ou que os sucede por dois espaços duplos. Cada seção primária deve ser iniciada em folha nova.

Deve ter três partes principais: introdução, desenvolvimento e conclusão.

1.2.1 Introdução
A partir da página inicial da introdução, todas as páginas devem ser numeradas inclusive referências, anexos etc, e o número deve vir no canto superior direito, a 2 cm da borda superior. A introdução é a parte inicial do texto, na qual devem constar a formulação e delimitação do assunto tratado, bem como os objetivos da pesquisa. Tem por finalidade fornecer ao leitor os antecedentes que justificam o trabalho, assim como enfocar o assunto a ser abordado. A introdução pode incluir informações sobre a natureza e importância do problema, sua relação com outros estudos sobre o mesmo assunto, suas limitações e objetivos. Essa seção deve preferentemente representar a essência do pensamento do autor em relação ao assunto que pretende estudar. Deve ser abrangente sem ser prolongada. É um discurso de abertura em que o pesquisador oferece ao leitor uma síntese dos conceitos da literatura; expressa sua própria opinião – contrastando-a ou não – com a literatura; estabelece as razões de ser de seu trabalho sumariando apropriadamente começo, meio e fim de sua proposta de estudo.

Figura 10 – Modelo de Introdução Normas da ABNT

1.2.2 Desenvolvimento
Parte principal do texto, que contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto. Pode ser dividida em seções e subseções, que variam em função do tema e da abordagem do método. Portanto, a organização do texto será determinada pela natureza do trabalho monográfico e respeitará a tradição da área em que o mesmo se insere. Em trabalhos que se propõem a rever e comentar a literatura, e que não relatam pesquisa de campo ou de laboratório conduzida pelo autor, a Proposição precederá a revisão de literatura. Também não se justifica uma seção Resultados, porque em trabalhos dessa natureza não existe coleta de dados e respectivo tratamento estatístico. Em trabalhos nos quais se relata pesquisa de laboratório ou de campo conduzida pelo autor, o Desenvolvimento das monografias, dissertações ou teses apresentarão nessa ordem as seguintes partes do texto: Revisão da Literatura; Proposição; Método; Resultados; Discussão.

1.2.2.1 Revisão da Literatura
Da Revisão da Literatura devem constar trabalhos preexistentes, que serviram de subsídio às intenções de pesquisa do autor. Pode constituir um corpo único ou ser subdividida, caso o assunto a ser tratado assim o exija. A ordem cronológica dos fatos deve ser obedecida, permitindo uma visão histórica do desenvolvimento do conhecimento do tema.

1.2.2.2 Proposição
A seção da Proposição destina-se a assentar as intenções do autor em relação ao assunto. Deve expressar coerência recíproca entre o título e as seções de Revisão da Literatura e o Material e Método.

1.2.2.3 Método
A seção de Método destina-se a expor os meios dos quais o autor se valeu para a execução do trabalho. Pode ser redigida em corpo único ou dividida em subseções. As subseções mais comuns são: Sujeitos, Material, Procedimentos. Se houver preferência por redigir em corpo único, a cada produto, material ou equipamento citado no texto, corresponderá uma nota de rodapé na qual constará no mínimo o tipo e a origem do meio empregado.

1.2.2.4 Resultados
Nesta seção o autor irá expor o obtido em suas observações. Os resultados poderão estar expressos em quadros, gráficos, tabelas, fotografias ou outros meios que demonstre o que o trabalho permitiu verificar. Os dados expressos não devem ser repetidos em mais de um tipo de ilustração.

1.2.2.5 Discussão
A discussão constitui uma seção com maior liberdade. Nessa fase o autor, ao tempo que justifica os meios que usou para a obtenção dos resultados, pode contrastar esses com os constantes da literatura pertinente. A liberdade dessa seção se expressa na possibilidade de constarem deduções capazes de conduzir o leitor naturalmente às conclusões. Na discussão dos resultados o autor deve cumprir as seguintes etapas:

a- estabelecer relações entre causas e efeitos; b- apontar as generalizações e os princípios básicos, que tenham comprovações nas observações experimentais; c- esclarecer as exceções, modificações e contradições das hipóteses, teorias e princípios diretamente relacionados com o trabalho realizado; d- indicar as aplicações teóricas ou práticas dos resultados obtidos, bem como, suas limitações; e- elaborar, quando possível, uma teoria para explicar certas observações ou resultados obtidos; f- sugerir, quando for o caso, novas pesquisas, tendo em vista a experiência adquirida no desenvolvimento do trabalho e visando a sua complementação.

1.2.3 Conclusão
Mesmo que se tenham várias conclusões deve-se usar sempre o termo no singular, pois, se trata da conclusão do trabalho em si e não um mero enunciado das conclusões a que o(a) autor(a) chegou. È a recapitulação sintética dos resultados e da discussão do estudo ou pesquisa. Pode apresentar deduções lógicas e correspondentes aos objetivos propostos.

1.3 PÓS-TEXTUAIS
Nesta secção compreendem as informações que complementam o trabalho acadêmico.

1.3.1 Referências (obrigatório)
Conjuntos de elementos que permitem a identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de materiais que foram mencionados explicitamente no decorrer do trabalho. Não deve constar nas referencias elementos que não foram citados no texto.

As referências deverão ser apresentadas em lista ordenada alfabeticamente por autor (sistema autor-data), usar espaçamento entre linhas simples e entre as referências, duplo espaço e alinhados à esquerda.

O título deve ser centralizado e sem indicativo numérico.

1.3.2 Obras consultadas (opcional)
São materiais que foram utilizados para compor um idéia e não foi citado no texto.

1.3.3 Glossário (opcional)
É um vocabulário explicativo dos termos, conceitos, palavras, expressões, frases utilizadas no decorrer do trabalho e que podem dar margens a interpretações errôneas ou que sejam desconhecidas do público alvo e não tenham sido explicados no texto.

1.3.4 Apêndice (s) (opcional)
Documentos que são anexados no final do trabalho com a finalidade de abonar ou documentar dados ou fatos citados no decorrer de seu desenvolvimento. São documentos elaborados pelo próprio autor e que completam seu raciocínio sem, prejudicar a explanação feita no corpo do trabalho.

Os apêndices são identificados por letra maiúscula do alfabeto consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos. Exemplo:

APÊNDICE A – Avaliação numérica… APENDICE B – Avaliação de células…

1.3.5 Anexos (opcional)
Suportes elucidativos e indispensáveis para compreensão do texto, são constituídos de documentos, nem sempre elaborados pelo próprio autor, que complementam a intenção comunicativa do trabalho.

O título deve ser centralizado e sem indicativo numérico.

Se houver mais de um anexo, sua identificação deve ser feita por meio de letra maiúscula do alfabeto. Exemplo:

ANEXO A – Questionário… ANEXO B – Representação gráfica…

2 CITAÇÃO NO TEXTO
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) – NBR10520 – Citação é a “menção, no corpo do texto, de uma informação extraída de outra fonte”.

2.1 SISTEMAS DE CHAMADA DA CITAÇÃO NO TEXTO
Segundo a ABNT, as citações devem ser indicadas no texto por um sistema de chamada: autor-data ou numérico. Qualquer método adotado deverá ser seguido consistentemente em todo o texto.

2.2 SISTEMA AUTOR-DATA
Esse estilo de citação permite ao leitor identificar, rapidamente a fonte de informação na lista de referências, em ordem alfabética no final do trabalho.As citações são feitas pelo sobrenome do autor ou pela instituição responsável, ou ainda, pelo título de entrada (caso a autoria não esteja declarada), seguido da data de publicação do documento, separados por vírgula ou entre parênteses.

EX.: O discurso competente, além de expressar significados, “representações, ordens, injunções para fazer ou não fazer consequencias, significações no sentido amplo do termo” (CASTORIADAS, 1991, p. 195), expressa também significantes cujas variáveis são mais sinuosas. “Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia ” segundo, Derrida, (1963, p.123)

2.3 SISTEMA NUMÉRICO
Neste sistema, a indicação da fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algarismo arábicos, remetendo a lista de referencias no final do trabalho, na mesma ordem em que aparecem no texto. A indicação da numeração pode ser feita entre parênteses, alinhada ao texto, ou situada um pouco acima da linha do texto em expoente à linha do mesmo, após a pontuação que fecha a citação

EX.: Diz Rui Barbosa: ” Tudo é viver, previvendo.”(15) Diz Rui Barbosa: “Tudo é viver, previvendo15.”

2.4 CITAÇÃO DIRETA OU TEXTUAL
As citações diretas, no texto, de até três linhas, devem estar contidas entre aspas duplas.

EX.: Barbour (1971, p.35) descreve: “O estudo da morfologia dos terrenos…”

As citações diretas, no texto, de mais de três linhas devem ser destacadas com recuo de 4cm da margem esquerda com letra menor que a do texto, sem as aspas.

EX.: A teleconferência permite ao individuo participar de um encontronacional ou regional sem a necessidade de deixar seu local de origem. Tipos comum de teleconferência incluem o uso da televisão, telefone,e computador. Através da áudio-conferência, utilizando a companhialocal de telefone, um sinal de áudio… (NICHOLS, 1993, p.181)

2.5 CITAÇÃO INDIRETA
Transcrição de conceitos do autor consultado, porém descritos com as próprias palavras do redator. Na citação indireta o autor tem liberdade para escrever com suas palavras as idéias do autor consultado.

EX.: Apenas poucos estudos examinaram a conformação de uma molécula inteira de mucina, utilizando a NMR de carbono 13 e técnicas de disseminação luminosa, (GERKEN, 1989). (Dentro do parênteses o nome do autor deve estar em letras maiúsculas, só se usa minúscula no texto).

2.6 CITAÇÃO DE CITAÇÃO
É a transcrição direta ou indireta de uma obra ao qual não se teve acesso. Nesse caso, emprega-se a expressão latina “apud” (junto à), ou o equivalente em português “citado por”, para identificar a fonte secundária que foi efetivamente consultada.

EX.: Além desses aspectos sobre a formação do povo brasileiro, que ainda hoje influenciam, de forma negativa, a disponibilidade para o ato de ler, outros ainda devem ser observados. Sobre este assunto, são esclarecedoras as palavras de Silva (1986 apud CARNEIRO, 1991, p. 31)

2.7 CITAÇÃO DE CANAIS INFORMAIS (AULA, CONFERÊNCIA, E-MAIL, DEPOIMENTOS, ENTREVISTA.)
Quando se tratar de dados obtidos por informação verbal (palestras, debates, comunicações) indicar entre parênteses, a expressão informação verbal, mencionando os dados disponíveis em rodapé.

EX.: O novo medicamento está disponível até o final deste semestre (informação verbal)1. No rodapé da página: 1 Notícia fornecida pelo presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso em Novembro de 2002.

2.8 CITAÇÃO COM UM AUTOR
EX. 1: (autor como parte do texto) Como afirma Almeida (1988, p. 14) “As novas tecnologias são o resultado prático de cruzamentos entre as diversas faces do triangulo da comunicação contemporânea: a tv, o satélite e o computador.”

EX. 2: (autor não faz parte do texto) “As novas tecnologias são o resultado prático de cruzamentos entre as diversas faces do triangulo da comunicação contemporânea: a tv, o satélite e o computador.” (ALMEIDA, 1988, p. 14)

OBS.: trata-se de citação direta, por isso o trecho retirado da obra consultada é digitado entre aspas duplas e a pontuação do autor citado é fielmente reproduzida.

2.9 CITAÇÃO COM DOIS AUTORES
Devem ser apresentados pelos sobrenomes dos autores ligados por ; quando apresentados entre parênteses. Quando citados no texto, devem ser ligados por “e”, seguidos do ano da publicação. Os nomes devem estar separados por ” ; “. O símbolo & indica sociedade comercial, portanto não é apropriado para um trabalho científico.

EX. 1: (autor como parte do texto) Zaccarelli e Fischmann (1994) identificam a estratégia de oportunidades como sendo a adotada por empresas que enfrentam grandes variações no nível de atividade em seus mercados. Ela consiste basicamente na manutenção de mínimo esforço durante os períodos de baixa intensidade e na minimização do esforço em período de pico.

EX. 2: (autor não faz parte do texto) As estratégia de oportunidades como sendo a adotada por empresas que enfrentam grandes variações no nível de atividade em seus mercados. Ela consiste basicamente na manutenção de mínimo esforço durante os períodos de baixa intensidade e na minimização do esforço em período de pico. (ZACCARELLI; FISCHMANN, 1994)

2.10 CITAÇÃO COM TRÊS AUTORES – CITA-SE OS TRÊS CITAÇÃO COM MAIS DE TRÊS AUTORES CITA-SE O PRIMEIRO SEGUIDO DE “at al”
Com mais de três autores:

EX. 1: (autor como parte do texto) Lotufo Neto et. al (2001) afirmam que as pessoas com depressão sofrem muito e procuram a ajuda de profissionais da saúde, porém estes raramente identificam o problema.

EX. 2: (autor não faz parte do texto) As pessoas com depressão sofrem muito e procuram a ajuda de profissionais da saúde, porém estes raramente identificam o problema. (LOTUFO NETO et al., 2001)

2.11 CITAÇÃO DE VÁRIOS AUTORES À UMA MESMA IDÉIA
Citar os autores obedecendo a ordem alfabética de seus sobrenomes.

EX.: Essas proposições foram testadas dentro dos limites estreitos da pesquisa sobre projeto do tabalho e em powerment. Dessa forma Parker, Wall e Jackson ( 1997) e Parker (2000) demonstraram como autonomia e decisão são positivamente relacionadas com comportamentos proativos, iniciativas, flexibilidades e internalizações de estratégias organizacionais por parte dos empregados. Do mesmo modo, Cordery e Clegg, Leach, Jackson (2000), Parker (1998),Wall (2000) .

2.12 CITAÇÃO DE AUTORES COM MESMO SOBRENOME
Havendo dois autores com o mesmo sobrenome e mesma data de publicação, acrescentam-se as iniciais de seus prenomes.

EX.: 1Os dados para a amostra dessa pesquisa foram coletados no banco de dados International Finance Corporation. Conforme salientam Costa J.R. e Costa M.R (1984).

2.13 CITAÇÃO DE UM MESMO AUTOR COM DATAS DE PUBLICAÇÕES DIFERENTES
EX.: Recentemente, foi comprovado que a educação continuada e o treinamento representam a base de sustentação do controle de qualidade total Tavares (1994, 1995, 1998).

Importante: a seqüência das citações obedece a ordem cronológica das publicações.

2.14 CITAÇÃO DE UM MESMO AUTOR COM MESMAS DATAS DE PUBLICAÇÃO
EX.: De acordo com Robinson (1973a, 1973b, 1973c) o número de manifestação corresponde a ….

Importante: na elaboração das referências as mesmas letras identificadoras dos documentos deverão ser apresentadas.

2.15 CITAÇÃO CUJO AUTOR É UMA ENTIDADE COLETIVA
EX.: Segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, (2002) todo autor citado no texto deve ser relacionado nas referências.

OBS: As próximas vezes que a entidade for citada poderá ser utilizada apenas a sigla. Exemplo: Segundo a ABNT…

2.16 CITAÇÃO DE TRABALHOS EM VIAS DE PUBLICAÇÃO (NO PRELO)
EX.: Segundo Carneiro (não publicado), todo comportamento humano decorre da concepção que nós temos da realidade e nessa realidade existem três pólos distintos: nós e aquilo que nós somos, nós e aquilo que nos cerca, nós e as outras pessoas. Nossa postura na vida depende do modo como estabelecemos esta relação.

OBS: No caso do texto estar redigido em inglês, utiliza-se a expressão” in the press”

2.17 CITAÇÃO DE HOMEPAGE OU WEB SITE
Cita-se o autor pelo sobrenome, como se faz na citação tradicional. Quando não houver autor cita-se a primeira palavra do título em CAPS LOCK (A ABNT orienta fazer a citação da mesma forma que a do autor-livro e autor revista. Não se faz menção do site na nota de rodapé, pois existe uma referência própria para documentos retirados da Internet.

EX.: Ao tratar de biblioteca digital, Cunha (1999) esclarece que ela ” é também conhecida como biblioteca eletrônica (principalmente no Reino Unido), biblioteca virtual (quando utiliza recursos da realidade virtual), bibliotecas sem paredes e biblioteca virtual.

Somente na lista de referências cita-se o nome completo do autor o nome do site e a data do acesso.

2.18 CITAÇÃO DE OBRAS CLÁSSICAS
EX.: Homero exulta o povo “Bravos, meus filhos! Vigiai, sempre assim; que ninguém ceda ao sono…” (Ilíada, 10, p.173). O volume deve ser indicado em arábico e deve-se colocar a designação da página ” p. ”

2.19 CITAÇÃO COM OMISSÃO DE PARTE DO TEXTO
Omissões em citações são permitidas quando não alteram o sentido do texto. São indicadas pelo uso de reticências no inicio ou no final da citação.Quando houver omissões, no meio da citação, usam-se reticências entre colchetes. As reticências indicam interrupção de um pensamento ou omissão intencional de algo que se devia ou que podia dizer e que apenas se sugere, por estar facilmente subtendido.

EX.: No inicio da citação: “…alguns dos piores erros na construção organizacional tem sido cometidos pela imposição de um modelo mecanicista de organização ideal” ou “universal” a uma empresa viva” (CASTRO, 1976, p.41)

No meio da citação: “O poder tributário […] é à base de aplicação de qualquer categoria de tributos” (FOUROUGE, 1973, p. 41)

No final da citação: “Em relação a este tema Muraro (1983) no seu estudo com mulheres brasileiras da classe burguesa, afirma que uma das preocupações mais importantes destas mulheres centrava-se na própria aceitação…”.

2.20 NUMERAÇÃO
A numeração das notas explicativas é feita em algarismo arábico, devendo ter numeração única e consecutiva para cada capítulo ou parte. Não se inicia a numeração a cada página.

Ibdem – ibd [ na mesma obra] – Usado quando se faz várias citações seguidas de um mesmo Documento.

5 Silva, 1980, p.120 6 Ibid, p. 132
Idem – Id [ do mesmo autor] – Obras diferentes do mesmo autor.

5 Silva, 1980, p. 132 6 Id, 1992, p. 132

Opus citatum – op. cit. [obra citada] – Refere-se à obra citada anteriormente “na mesma página”, quando houver intercalação de outras notas.

5 Silva, 1980, p. 23 6 Pereira, 1991, p. 213 7 Silva, op. cit., 93
Locus citatum – loc cit [lugar citado] – Refere-se a mesma página de uma obra citada anteriormente, quando houver intercalação de outras notas.

5 Silva, 1995, p120 6 Pereira, 1994, p.132 7 Silva, loc. Cit

Nota:

      As expressões latinas somente podem ser usadas em notas de rodapé.

 

    Das expressões latinas, a expressão apud é a única que pode ser usada no texto também.

3 REFERÊNCIAS
Segue nesta secção exemplos dos tipos de referências e sua ordem exata conforme norma vigente da ABNT – NBR 6023.

ABORÍGENES. In: Novo Aurélio : dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2000.

3.14 LEIS E DECRETOS
BRASIL. Decreto lei n. 2.425, de 7 de abril de 1988. Estabelece critérios para pagamento de gratificações e vantagens pecuniárias aos titulares de cargos e empregos na Administração Federal. Diário oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, v.126, n. 66, p.6009, 08 de abril. Seção 1, pt 1

3.15 ACÓRDÃOS DECISÕES E SENTENÇAS DE CORTES OU TRIBUNAISNOME DO PAÍS, ESTADO OU MUNICÍPIO.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Deferimento de pedido de extradição. Extradição n. 410. Estados Unidos da América e José Antônio Hernandez. Relator: Ministro Rafael Mayer. 21 mar. 1984. Revista Trimestral de Jurisprudencia, Brasilia, v. 109, p. 870-879, set. 1984.

3.16 PARECERES, RESOLUÇÕES E INDICAÇÕES AUTORIA
CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Resolução n. 16 de 13 de dezembro de 1984. Dispões sobre reajustamento de taxas, contribuições e semestralidades escolares e altera e altera a relação do artigo 5 da da resolução n. 1 de 14/1/83. Relator: Lafayete de Azevedo. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 13 dez. 1984. Séc. 1, p. 190-191.

3.17 BÍBLIA
Bíblia considerada no todo

BIBLIA. Idioma. Título. Tradução ou versão. Edição. Local: Editora, ano

BIBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução: Centro Bíblico Católico. 34. ed rev. São Paulo: Ave Maria, 1982.

Partes da Bíblia

Quando se tratar de partes da bíblia, inclui-se o titulo da parte antes da indicação do idioma e menciona-se a localização da parte (capítulo ou versículo) no final.

BIBLIA, N. T. João. Português. Bíblia sagrada. Reed. Versão de Anttonio Pereira de Figueiredo. São Paulo: Ed. Da Américas, 1950. Cap. 12, vers. 11.

3.18 ATAS DE REUNIÕES
Universidade Metodista de São Paulo. Conselho de Ensino e Pesquisa, São Bernardo do Campo. Ata da sessão realizada no dia 10 out. 2002. Livro 30, p. 10 verso.

3.19 ARQUIVOS ELETRÔNICOS
UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. Sistema de Bibliotecas. Normas.doc. Manual para apresentação de trabalhos científicos. Biblioteca Central. São Bernardo do Campo, 16 out. 2002. 2 disquetes. Word 5.0. SILVA, L.L. B. Apostila.doc. São Bernardo do Campo, 16 out. 2001. Arquivo (605 bytes); disquetes 3 ½ Word for Windows 6.0.

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. Biblioteca Central. Manual de referencia. São Bernardo do Campo, 2002. 1 disquete.

Figura 11 – Modelo Arquivos Eletrônicos Normas da ABNT

SANTOS, J. J. Discussões sobre normalização de trabalhos [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por [email protected] em 12 out. 2002.

NOTA: Segundo a ABNT, as mensagens que circulam por intermédio do correio eletrônico devem ser referenciadas somente quando não se dispuser de nenhuma outra fonte para abordar o assunto em discussão. Mensagens trocadas por e-mail tem caráter informal, interpessoal e efêmero, e desaparece rapidamente, não sendo recomendável seu uso como fonte cientifica ou técnica de pesquisa.

3.20 DOCUMENTOS ELETRÔNICOS (disponíveis em meio tradicional e que também se apresentam em meio eletrônico)
a- Livro no todo:

QUEIRÓS, Eça de. A relíquia. In: BIBLIOTECA virtual do estudante brasileiro. São Paulo: USP, 1998. Disponível em: <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 11 nov. 2002.

b- Evento no todo:

CONGRESSO BRASILEIRO DE CIENCIAS DO MOVIMENTO, 35., 2002, São Paulo. Anais… São Paulo, SP: UMESP. 1 cd-rom.

ABORÍGENES. In: Novo Aurélio : dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2000. Disponível em < http://www.dicionariodalinguaportuguesa.com.br >. Acesso em: 12 nov. 2002.

f- Jornal

Estado de São Paulo. São Paulo, ano 126, n. 39401, nov. 2002. Disponível em: < http://www.estadao.com.br >. Acesso em: 12 nov. 2002.

g- Artigo de jornal

COMÉRCIO, eletrônico. O Povo On-line, Fortaleza, 18 nov. 1989. Disponível em: < http://www.opovo.com.br >. Acesso em: 18 nov. 2002.

h- Artigo de revista

SANTOS, Lineu. O bibliotecário de referencia. Ciência da Informação. Brasília : IBICT, v. 26, n. 3, 1997. Disponível em < http://www.ibict.br/cionline/ >. Acesso em: 18 nov. 2002.

3.21 DOCUMENTOS TRADUZIDOS
Pode-se indicar a fonte da tradução quando mencionada.

CARRUTH, J. A nova casa do Bebeto. Desenho de Tony Hutchings. Tradução Ruth Rocha. São Paulo: Circulo do Livro, 1993. 21p. Tradução de: Moving House.

ANEXO A – Roteiro para Formatar o Trabalho Acadêmico Inserindo Numeração a partir da Introdução:
1.Fazer a quebra de página na folha anterior a introdução ou a anterior a que se inicia a numeração.

Na barra de menu do word clicar em:

1.Inserir
2.Quebra de página
3.Tipos de quebra de seção – Contínua
4.OK

2. Na página da introdução ou a que inicia a numeração.

Na barra de menu do word clicar em:

1.Exibir
2.Cabeçalho e rodapé
3.Desabilitar o ícone : “mesmo que a seção anterior”
4.Formatar números de página – completar o campo “iniciar em”: com a numeração que inicia o seu trabalho.
5.Clicar no ícone : “inserir números da página”

O QUE É O BAIXO CIDADE?

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O QUE É O BAIXO CIDADE?

O Baixo Cidade é um game exclusivamente para adultos, funciona como um chat em 3-D, lá podemos fazer amizades, namorar, usar drogas, ficar bêbado, fazer sexo e se casar até com outra pessoa do mesmo sexo, ainda que só virtualmente…
Dentro da cidade virtual do Baixo Cidade existe vários ambientes como boates, saunas, motéis, praias, lagos e quase tudo que você possa imaginar.

Ao se cadastrar no game, entramos como jogador Básico que tem recursos limitados, não podendo praticar atos sexuais, são os de cor verde. Para usufruir de todos os recursos inclusive sexuais, é necessário fazer o upgrade para VIP que são os de cor amarelo e só custa R$ 20,00 podendo ser pago com cartão credito, transferencia bancaria via internet e ou boleto bancario.

Se você ja tem maioridade, Voce pode visitar esta página

e clicar em “Cadastro” A partir daí, você vai escolher seu nome de usuário, senha e e-mail que você gostaria de ter em seu login, e no qual gostaria de receber nossas atualizações e notificações.

Você também será solicitado a escolher seu sexo. E este pode ser qualquer um, e não tem que ser o seu verdadeiro sexo. Este é um mundo de fantasia, então fique à vontade para ser quem você quiser. Essa informação será exibida no seu perfil, por isso, tenha certeza que ela reflita a personagem que você deseja ter no Baixo Cidade.

Você pode designar outro usuário como “Amigo”, o que significa que ele receberá bônus de Rays por indicá-lo para o site, no caso, coloque meu nome como seu amigo e ficarei grato. Quando entrar no 3D, me procure para bateer papo e ajuda-lo no que for possivel.

Uma vez que você tenha confirmado que leu os Termos de Serviço, simplesmente clique no botão “Cadastrar” para iniciar sua conta gratuita no Baixo Cidade!

Nota: Você deverá acessar o email utilizado no cadastro e encontrar seu Email de Validação de Conta.

Clique no link incluído no e-mail para ativar sua conta. Alguns provedores de email têm filtros de spam bastante poderosos, e com a natureza da comunidade Baixo Cidade, o nosso e-mail pode ficar registrado como spam. Por favor, certifique-se de verificar sua pasta spam ou lixo, se não receber o e-mail de validação dentro de alguns minutos após registrar-se no Baixo Cidade.

A INFORMALIDADE EMPRESARIAL

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A INFORMALIDADE EMPRESARIAL

INTRODUÇÃO

A informalidade é geralmente, mais instável, pois está sujeita aos sentimentos pessoais, pois se trata de uma natureza mais subjetiva, ela não possui uma direção certa e obrigatória, Hoje, em qualquer tipo de empresa, existem as estruturas informais. É errado pensar na hipótese de que grupos informais apenas se formam dentro de um grupo religioso, ou até mesmo dentro de uma sala de aula, muitas estruturas informais existem dentro de grandes empresas, e apresentam diferentes níveis de atuação. Vale lembrar que a estrutura informal é um bom lugar para lideres formais se desenvolverem, porem nem sempre um grande líder informal será um grande líder formal, pois eles podem falhar com o medo da responsabilidade formal. Algumas vezes, a estrutura informal se torna uma força negativa dentro da empresa, porém se a administração conseguir conciliar e/ou integrar os grupos formais com os informais, haverá uma harmonização nas tarefas, o que ai sim, se torna uma condição favorável de rendimento e produção.

DESENVOLVIMENTO

Adriana e Lucélia, estudantes de Direito, tentando melhorar sua renda, decidem vender bombons em uma lojinha aberta na residência de Lucélia com o nome de “chocoamor”. Lucélia por fornecer os ingredientes, o local de produção e venda, além de participar da produção dos bombons, recebe do lucro obtido o montante de 70% enquanto Adriana, por somente vender os mesmos recebe do lucro o montante de 30%, acordo este efetuado apenas verbalmente entre ambas. Após 3 meses em tal atividade, recebe Adriana uma citação de ação de indenização em decorrência de prejuízos havidos por Jenifer em face de tratamento médico e internação em hospital por intoxicação alimentar em decorrência do consumo de um de seus bombons, comprovada tanto pelo laudo médico, quanto por um recibo de compra assinado por Adriana.

Pergunta-se:

a) No caso em questão existiu sociedade? Em caso positivo, de que tipo? Explique fundamentadamente indicando os elementos caracterizadores e as conseqüências deste tipo empresarial.

R= Sim, irregular, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluindo do beneficio de ordem prevista. No art 1024, diz que Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, aquele que contratou pela sociedade.

Os socios, nas relações enter si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas o terceiro podem provar de qualquer modo art.987. Jenifer pode indezar por danos morais, por desequilibrio emocional, pela saúde, codigo do consumidor o produto não terá mais credibilidade e a empresa pode entrar em falência.

b) Quem é responsável pelo pagamento de tal indenização? Por que? Entre as sócias Adriana e Lucélia, como ficará a questão dos prejuízos? Explique e fundamente sua resposta.

R= A responsável pela indenização é Adriana e Lucélia, porque em uma sociedade irregular, ambas se tornaram responsávies por tudo, tanto os lucros comos o prejuizos são divididos na proporção de participação de cada sócia na empresa, e se por acaso apenas uma responder por ter sido ela quem vendeu e assinou o recibo ela poderá e deverá depois requerer da outra sócia todos os prejuizos na sua exata proporção das contribuições de cada uma ou seja: 30% para uma e 70% para outra, mesmo sendo informal elas devem cumprir com suas obrigações e com sua palavra sendo no caso de perdas ou lucros, a divisão é feita na mesma porcentagem

CONCLUSÃO

Tenho como objetivo finalizar mostrando que a informalidade no mercado de trabalho é influenciada pela atuação das instituições trabalhistas. Quanto mais severas elas forem, maior a chance da economia tender para situações com menores índice de informalidade no mercado de trabalho.

REFERÊNCIAS

1- Rita de Càssia Resquetti Tarifa Espolador – Direito Empresaria e Trabalhista
2- Têmis Chenso da Silva Rabelo Pedroso – web Aula