ENDIVIDAMENTO PÚBLICO – TAXAS DE JUROS NO BRASIL

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ENDIVIDAMENTO PÚBLICO – TAXAS DE JUROS NO BRASIL

RESUMO

No cenário econômico que está posto hoje não é difícil perceber que o superávit primário – receita menos despesa, excluindo juros da dívida – e as elevações das metas fiscais não estão conseguindo atingir o seu objetivo principal, que é o de reduzir a relação Dívida Pública X Produto Interno Bruto, para garantir a solvência do setor público. A necessidade de periódicas elevações nas metas de superávit primário pelo governo tem traduzido a real incapacidade de controlar a expansão da dívida pública.

Palavras-chave: Chave: Endividamento Público e os Desafios da Gestão; Endividamento dos Governos Estaduais; Endividamento Público e o Crescimento do País

1 INTRODUÇÃO

O governo, por opção política, eleva a sua meta fiscal para cumprir o acordo estabelecido com o Fundo Monetário Internacional, e ainda vai além da estabelecida. Faz-se um esforço fiscal para cumprir a política de metas, porém, não se repara que o custo social é muitíssimo elevado.

A política de metas está aumentando a dívida pública em proporção ao Produto Interno Bruto, que por sua vez é um dos principais fatores dentro do quadro de instabilidade no país. Não há redução nesta relação, pois a dívida pública está vinculada à emissão de títulos públicos, que por sua vez está indexada a taxa básica de juros, Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.

Como deixam claras as atas do Comitê de Política Monetária – COPOM, mantêm-se no Brasil uma política de taxa de juros excessivamente alta na expectativa de atrair capitais externos e de assegurar o cumprimento da meta inflacionária sempre baixa.

Com isso, a política fiscal passou a compor o painel dos casos de sucesso da política econômica governamental dos últimos anos , e o pagamento de juros da dívida pública brasileira passou a ser o principal componente do gasto público.

Já a taxa de juros baixos aumentaria a demanda agregada, o investimento do setor privado, o número de emprego e diminuiria os gastos do governo com o financiamento da dívida pública.

O déficit público brasileiro é uma bola de neve, pois é causado, em grande parte, pelos próprios juros da dívida. A existência de sucessivos déficits leva ao aumento da dívida interna e externa, e os juros altos são o fator decisivo para que o governo faça um novo déficit, tornando-o assim prisioneiro do círculo virtuoso da rolagem da dívida.

O remédio para o déficit público, no entanto, tem sido um brutal endividamento que tem levado a mais ajuste fiscal, com mais corte de gastos através de investimentos, inviabilizando assim a redução das margens de desigualdades sociais.

A condução de uma política fiscal restritiva, para buscar uma maior credibilidade junto aos agentes econômicos do mercado financeiro, está causando uma enorme instabilidade dentro de alguns setores econômicos. Conquista-se a confiança e adquire-se a credibilidade do mercado – diga-se de passagem, o mercado financeiro – às custas da manutenção de uma política que mantém um constante divórcio com a realidade do povo brasileiro.

O superávit, além de não reduzir a relação Dívida Pública / Produto Interno Bruto está automaticamente fazendo cortes nos investimentos do setor produtivo e das áreas sociais e inibindo o espetáculo do crescimento econômico.

2 TAXAS DE JUROS NO BRASIL

A taxa de juros no Brasil pode ser classificada pelas agências de avaliação de risco como “grau de investimento”, como destina para investimentos.

Essa é uma das conclusões que, fez sobre os motivos que levam a taxa de juros real, já descontada à inflação ser tão elevada no Brasil.

O trabalho mostra ainda que a taxa de juros real no Brasil, mesmo com os cortes esperados pelo mercado, chegaria ao final do ano acima do que seria necessário.

Outro fator que explica juros reais mais baixos, segundo o estudo é o tamanho da economia. Se o PIB (Produto interno bruto) per capita de um país subir, os economistas concluíram que os juros reais podem cair.

Depois de decompor as taxas de juros dos países, eles calcularam o que seria a taxa ideal para o Brasil, após ter adotado o sistema de câmbio flutuante e o Banco Central deixado de fixar os juros, com o objetivo de atrair os dólares que faltavam para o país fechar as contas, os juros reais tem ficado 40% acima do que o estudo aponta como mais adequado.

Os cálculos dos economistas apontam que a taxa real deveria ter ficado nesse período em 6,6% ao ano em média, mas ficou em 9,4%.

Mas nada explica as taxas do Banco Central, refazendo os cálculos eles concluem que entre 2000 e 2006 os juros continuaram 28% acima do que deveria ter sido, ano em que há maior divergência é 2005.

O estudo indica que os juros reais ao ano deveriam ter sido de 6,65% mas ficaram em 10,8%.

3 TAXAS DE JUROS E INFLAÇÃO

Existe a crença de que um aumento das taxas de juros no Brasil serve somente para controlar a inflação.

Assim, sempre que for necessário evitar os danos causados pela inflação bastaria elevar as taxas de juros.

Esta medida restringe o consumo notadamente às compras a prazo, embora também desacelere a produção pelo encarecimento do capital de giro e pelo desestímulo a investimentos na ampliação e modernização do setor produtivo em face da perspectiva do menor poder de compra no mercado interno.

Taxas muito baixa estimula o consumo, daí a procura fica maior que a oferta de mercadoria, se a indústria não está preparada em investimentos para produzir pode gerar excesso de demanda de bens que geram a inflação, por isso que deve haver um equilíbrio.

Se a capacidade de produção de um determinado país for suficientemente forte para não só atender a demanda como ter níveis extras de aumento de produção, ocorrerá uma prosperidade para todos.

Se a capacidade de produção desse mesmo país não for suficiente para atender a demanda, ai o consumo será maior do que a produção e, em conseqüência a procura será maior do que a oferta, gerando inflação, pois nenhum comerciante do mundo venderia um produto se não tivessem a certeza que existiriam compradores que pagariam mais pelo mesmo produto.

É, contudo, notável que o valor das taxas de juros no Brasil nos últimos anos tenha sido bem superior, pelo argumento de conter a inflação, enquanto uma taxa de juros em vários países considerados desenvolvidos seja suficiente para assegurar certa estabilidade dos preços nessas economias.

De fato, a definição das taxas de juros no Brasil não serve apenas para conter a inflação, mas resulta, principalmente, do interesse em manter sob controle a variação cambial nominal, tomando o dólar norte-americano como moeda de referência.

4 TAXAS DE JUROS E CRESCIMENTO ECONOMICO

Quanto menor a taxa de juros, maior o empréstimo, e, portanto, mais dinheiro para investimentos.

Mais investimentos, mais empregos, mais gente com dinheiro, maior crescimento econômico.

Quer dizer ambos têm que estarem sempre em equilíbrio, se baixar muito a taxa de juros não vai haver crescimento econômico, do mesmo modo se tiver muito crescimento econômico às taxas consequentemente vão subir por causa dos bancários.

Acontece que quando se eleva a taxa de juros inevitavelmente ocorre uma retração no crescimento econômico, aumentando a pobreza do país e de sua população.

Analisando a situação atual da economia do país, pode-se concluir que o governo deveria aumentar a liquidez do sistema, reduzindo a taxa de juros.

Todavia, um aumento da liquidez pode estimular um aquecimento inflacionário para muitos economistas a liquidez monetária é o principal condicionamento da inflação.

Assim, para tomar a simbólica decisão em reduzir a taxa de juros do Brasil pode contribuir para a ilusão de que as taxas de juros poderão chegar a valores mais favoráveis para empresários com capital nacional gerarem negócios e empregos, sem que essa decisão, contudo, comprometa a meta de assegurar a captação e a manutenção de divisas para honrar pagamentos internacionais e para remunerar os detentores de divisas que investem ou especulam no país.

O nível mínimo para as taxas de juros no Brasil não depende apenas do Brasil, por mais que os brasileiros e seus governantes torçam e se esforcem para aplanar o nível das taxas de juros igual àquele que existe nos países considerados desenvolvidos. Segundo Aloizio Mercadante: “O crescimento econômico, por tanto, é também essencial para viabilizar o equacionamento do problema do endividamento público sem o sacrifício das políticas sociais e das ações estatais de apoio ao desenvolvimento”.

5 A RAINHA DAS TAXAS DE JUROS

A discussão sobre taxa de juro já virou um tema banal do dia a dia. O fato de o país possuir uma das maiores taxas de juros do mundo e a recente elevação da taxa SELIC a partir de setembro de 2004 deu margem a inúmeras discussões sobre a necessidade de se baixar ou não a taxa de juros para permitir um crescimento sustentado no país.

Foram levantadas as taxas de juros anuais para verificar o nível que as diversas taxas possuem com a taxa básica de juros da economia (taxa SELIC), além da SELIC foram escolhidas as taxas médias utilizadas pelos bancos nos empréstimos para pessoa física e jurídica além da taxa de crédito pessoal e do cheque especial.

Verifica-se que o controle sobre a taxa SELIC representa um controle quase que total sobre as demais taxas de juros da economia.

Assim o Banco Central possui um excelente instrumento de controle das várias taxas de juros a partir da definição do nível da taxa SELIC fica, portanto a dúvida se não haveria uma melhor forma de controlar as taxas de juros no país sem que houvesse a necessidade de se elevar a SELIC ainda mais.

Conforme é conhecido, cada percentual a mais na SELIC representa cerca de 4 bilhões de juros pagos por ano pelo país na dívida pública, propostas alternativas não faltam, entre elas uma política ativa sobre o Imposto sobre Operações Financeiras, a taxa de redesconto e os depósitos dos bancos.

Nos três casos as taxas de juros continuariam sendo controladas indiretamente sem elevação do custo de rolagem da dívida pública como no caso do aumento da SELIC.

6 CONCLUSÃO

Como se vê, o Brasil sempre se empobreceu com os choques externos da economia num aumento crescente da dívida interna.

As relações de juros, inflação, economia, taxa de câmbio, todas afetam a nossa economia do seu jeito, mas afetam e dificilmente é para melhor, já que o país melhora em alguns aspectos e piora em outros.

Espera-se que as reformas que são enviadas ao Congresso pelo executivo possam ser aprovadas para que fortaleçam nossas finanças públicas, produzam um estado com menos impostos, queda da moeda estrangeira (dólar) que não comprometa os lucros das exportações e garanta ao Brasil sucesso no jogo da economia internacional.

7 REFERÊNCIAS

Como conviver com juros baixos? Disponível em: .Acesso em: 13.09.07.
O nível mínimo para as taxas de juros no Brasil. Disponível em: Acesso em: 15.09.07.
O debate econômico hoje. Disponível em: .Acesso em: 23/09/07.
Queda dos juros no Brasil está lenta, diz Soros. Disponível em: .Acesso em: 23/09/07

AGOSTINHO DE HIPONA E A PATRÍSTICA

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1.1 A antropologia

O homem é uma alma racional que se serve de um corpo mortal e terrestre básico, de acordo com Agostinho de Hipona. Difere, na alma, dois aspectos: a razão inferior e a razão superior. A razão inferior tem por objeto o conhecimento da realidade sensível e mutável: é a ciência, conhecimento que permite cobrir as nossas necessidades. A razão superior tem por objeto a sabedoria, isto é, o conhecimento das idéias, do inteligível, para se elevar até Deus. Nesta razão superior dá-se a iluminação de Deus.

1.2 A política

A política, para Santo Agostinho, só poderá verdadeiramente contribuir para a implantação de uma ordem social justa, quando se abrir para o transcendente. O homem, por si mesmo, é incapaz de construir uma sociedade fundada na paz e na concórdia. Sua natureza é comprometida pela concupiscentia. Um amor egoístico e ganancioso faz o ser humano pensar sempre em si mesmo. Daí, o político também é profundamente marcado pela tendência a servir-se do poder em benefício próprio.

Na época do pastor hiponense, reinava uma imensa insatisfação decorrente da ambição e da paixão pelas glórias humanas. As conseqüências não tardaram a se manifestar. Haviam constantes motins e revoltas causados pelas injustiças e desumanidades, às quais os governantes submetiam seus súditos; justamente eles que deveriam promover o bem comum e a autêntica concórdia no seio da sociedade. Foi neste contexto que ele escreveu sua obra Cidade de Deus. Ao descrever a história da humanidade, o sábio pastor coloca o amor concupiscentiae e o amor caritas no centro de sua reflexão. A Cidade Terrestre e a Cidade Celeste, ambas andam misturadas neste século pelos corpos, mas são distinguidas por essas duas espécies de amor. Embora Santo Agostinho saiba que a concórdia por excelência só terá sua concretização na Pátria Celeste, ele assegura que a política só atingirá seu fim, ou seja, a aquisição do bem comum, quando for conduzida e edificada pelo amor caritas. Este é caracterizado pela caridade desinteressada.

1.3 Deus

A verdade em seu significado mais forte, ou seja, como verdade suprema, coincide com Deus e com a segunda pessoa da trindade. Ele escreve: “Aliás, pelo próprio fato de que a verdade suprema não é inferior ao Pai, sendo co-natural a ele, não apenas os homens, mas nem mesmo o Pai julga sobre a verdade: tudo aquilo que ele julga pela verdade(…)compreende, portanto(…) ó alma(…)se puderes, que Deus é verdade”.

Conseqüentemente, a demonstração de verdade coincide com a demonstração da existência de Deus. Como os estudiosos já observavam há tempos, todas as provas que Agostinho fornece da existência de Deus, em ultima análise, reduzem-se ao esquema das argumentações seguintes: Passa-se primeiro da exterioridade das coisas á interioridade do espírito humano, depois da Verdade que está presente no espírito ao princípio de toda verdade, que é precisamente Deus.

Assim Deus é um ser perfeito e causa da perfeição que pode ser demonstrada.

TOMÁS DE AQUINO

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1.1 A antropologia

Tomás de Aquino favorece a teoria de Aristóteles, em que o homem é formado através de matéria e forma (alma, essência), e a relação dele é significativa, quer dizer: ambos são necessários para constituir a substância humana. Porém, os dois componentes essenciais do ser vivo não são absolutamente destacáveis, como disse Descartes.

A alma precisa do corpo para ser deste modo capaz de levar a cabo todas as funções da atividade sensitiva, vegetativa e intelectual. A alma humana criada por Deus é imortal e é dedicada para permanecer junto ao corpo. Agora então, esta união da alma com a matéria não constitui nenhuma cárcere como Platão tinha mostrado. Não é uma relação acidental, mais sim substancial.

A matéria por si só, não pode existir. A forma constitui o elemento indispensável para que está obtenha toda sua potencialidade. É através da forma como a matéria que é individualizado, e apresenta suas diferenças. Constitui a parte fundamental da matéria, quer dizer a essência, mas também o princípio de individualização. A forma é isto, faz de um ser vivo aquele ser vivo, e não outro.

1.2 A epistemologia

Diversamente da agostiniana e em harmonia com a aristotélica – é empírica e racional, sem inatismos e iluminações divinas. O conhecimento humano tem dois momentos, sensível e intelectual, e o segundo pressupõe o primeiro. O conhecimento sensível do objeto, que está fora de nós, realiza-se mediante a assim chamada espécie sensível . Esta é a impressão, a imagem, a forma do objeto material na alma, isto é, o objeto sem a matéria: como a impressão do sinete na cera, sem a materialidade do sinete; a cor do ouro percebido pelo olho, sem a materialidade do ouro.O conhecimento intelectual depende do conhecimento sensível, mas transcende-o. O intelecto vê em a natureza das coisas – intus legit – mais profundamente do que os sentidos, sobre os quais exerce a sua atividade. Na espécie sensível – que representa o objeto material na sua individualidade, temporalidade, espacialidade, etc., mas sem a matéria – o inteligível, o universal, a essência das coisas é contida apenas implicitamente, potencialmente.

Para que tal inteligível se torne explícito, atual, é preciso extraí-lo, abstraí-lo, isto é, desindividualizá-lo das condições materiais. Tem-se, deste modo, a espécie inteligível , representando precisamente o elemento essencial, a forma universal das coisas.

1.3 A ética

Segundo São Tomás de Aquino, a ética consiste em agir de acordo com a natureza racional. Todo o homem é dotado de livre-arbítrio, orientado pela consciência e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal.

Há uma Lei Divina, revelada por Deus aos homens, que consiste nos Dez Mandamentos.

Há uma Lei Eterna, que é o plano racional de Deus que ordena todo o universo e uma Lei Natural, que é conceituada como a participação da Lei Eterna na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer pela sua natureza racional. A Lei Positiva é a lei feita pelo homem, de modo a possibilitar uma vida em sociedade. Esta subordina-se à Lei Natural, não podendo contrariá-la sob pena de se tornar uma lei injusta; não há a obrigação de obedecer à lei injusta – (Este é o fundamento objectivo e racional da verdadeira objecção de consciência).

A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é seu – suum cuique tribuere – e classifica-se como Comutativa, Distributiva e Legal, conforme se faça entre iguais, do soberano para os súbditos e destes para com aquele, respectivamente.

1.4 O ser e a existência de Deus

A existência de Deus pode ser provada por argumentos elaborados por meio da observação do mundo em geral (indução). Tomás de Aquino elaborou cinco argumentos para demonstrar existência de Deus. O primeiro é baseado na observação do movimento. Se há movimento é porque há uma causa que o produz. Retrocedendo, há de se encontrar um motor que é a causa de todos os movimentos (Deus). O segundo nasce da observação do princípio da causalidade. Se todas as coisas são feitos de causas que, por sua vez, são feitos de outras causas, há uma causa que não é efeito de nenhuma outra: Deus. O terceiro é fundamentado na distinção entre o necessário e o possível. Todos os entes mundanos são possíveis, não necessários. Para que estes existam, pressupõe-se a existência de um ser necessário, que é Deus. O quarto parte da observação de todos os entes do mundo que possuem graus diferentes de perfeição. Uns são mais perfeitos que outros. Necessariamente há de existir um ser perfeitíssimo (Deus). E o quinto aponta a necessidade de um
ser que seja responsável pela harmonia e governo do universo (Deus).

ARISTÓTELES

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1.1 A metafísica

O termo “Metafísica” não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que possuem fácil e imediata apreensão sensorial.

Para Aristóteles a metafísica é a ciência mais elevada, suprema, pois ir às causas das causas terá que se chegar numa causa improvável necessariamente, que só pode ser admitida pela existência de um Deus supremo, que pensa e contempla a si mesmo. E a admiração, fonte do filosofar, é uma atitude metafísica.

O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. O filósofo deu quatro definições para metafísica:

– a ciência que indaga causas e princípios;
– a ciência que indaga o ser enquanto ser;
– a ciência que investiga a substância;
– a ciência que investiga a substância supra-sensível.

Os conceitos de ato e potência, matéria e forma, substância e acidente possuem especial importância na metafísica aristotélica.

1.2 A lógica

Em sua lógica, Aristóteles estabeleceu um conjunto de regras, as quais deveriam ser seguidas para que uma conclusão fosse aceita e logicamente válida. A linha de raciocínio lógico é baseada em premissas e conclusões. O ponto de partida do procedimento lógico não está em opiniões contrárias, mas sim em leis universais do pensamento.

A lógica de Aristóteles possui seis características básicas, quais sejam:

– Instrumental – a lógica é utilizada como um instrumento, não é propriamente uma ciência, mas seve como uma técnica a ser utilizada nas ciências;
– Formal – estuda a estrutura das proposições e do raciocínio dedutivo, ignorando o conteúdo da preposição;
– Propedêutica – o conhecimento da lógica deve ser anterior, serve como afinação do raciocínio. Deve ser conhecida antes de se iniciar uma investigação filosófica ou científica;
– Normativa – estabelece meios de conformação ao raciocínio, o raciocínio coreto deve obedecer a regras, princípios e Leis. Essa normatização pode ser contestada;
– Doutrina da Prova – fundamentos necessários de todas as demonstrações, deve existir uma base, algo que sustente a veracidade de uma conclusão ou proposição;
– Geral – constatação de que esses princípios, regras e leis de raciocínio são universais e imutáveis.

Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma introdução para as ciências e para o conhecimento

1.3 A antropologia

Aristóteles (384-322 a.C.) também deu o seu contributo à antropologia, através da sua concepção de Estado. Para ele, o Estado seria uma criação da Natureza e como tal o homem não era mais do que um animal político.

1.4 A psicologia

Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente do mundo inorgânico, pois, o ser vivo diversamente do ser inorgânico possui internamente o princípio da sua atividade, que é precisamente a alma, forma do corpo. A característica essencial e diferencial da vida e da planta, que tem por princípio a alma vegetativa, é a nutrição e a reprodução. A característica da vida animal, que tem por princípio a alma sensitiva, é precisamente a sensibilidade e a locomoção. Enfim, a característica da vida do homem, que tem por princípio a alma racional, é o pensamento.

Todas estas três almas são objeto da psicologia aristotélica. Aqui nos limitamos à psicologia racional, que tem por objeto específico o homem, visto que a alma racional cumpre no homem também as funções da vida sensitiva e vegetativa; e, em geral, o princípio superior cumpre as funções do princípio inferior.

O homem é uma unidade substancial de alma e de corpo, em que a primeira cumpre as funções de forma em relação à matéria, que é constituída pelo segundo. O que caracteriza a alma humana é a racionalidade, a inteligência, o pensamento, pelo que ela é espírito. Mas a alma humana desempenha também as funções da alma sensitiva e vegetativa, sendo superior a estas. Assim, a alma humana, sendo embora uma e única, tem várias faculdades, funções, porquanto se manifesta efetivamente com atos diversos.

1.5 A epistemologia

De acordo com Aristóteles, a filosofia é principalmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em que a atitude inicial ao espírito é o assombro do mistério. O seu dilema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objetivo próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão ultima das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Porém, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos de que pertencem a essência.

1.6 A ética

No sistema aristotélico, a ética é a ciência das condutas. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade. A ética aristotélica continua sendo uma das bases fundamentais do pensamento humano; com ela, Aristóteles opera uma genial e sistemática re-laboração das pesquisas dos filósofos que o precederam, particularmente de Sócrates e Platão, distinguindo-se deles, porém, ao criar uma intuição moral completamente nova.

PLATÃO

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1.1 Metafísica

– As idéias: O divino platônico é representado pelo mundo das idéias e especialmente pela idéia do Bem. A existência desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecer uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao lado e acima do conhecimento sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade. E, em geral, o mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores, o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a que aspira. Visto serem as idéias conceitos personalizados, transferidos da ordem lógica à ontológica, terão conseqüentemente as características dos próprios conceitos: transcenderão a experiência, serão universais, imutáveis.

Além disso, as idéias terão aquela mesma ordem lógica dos conceitos, que se obtém mediante a divisão e a classificação, isto é, são ordenadas em sistema hierárquico, estando no vértice a idéia do Bem, que é papel da dialética (lógica real, ontológica) esclarecer.

– As almas: A alma desempenha papel de mediador entre as idéias e a matéria, à qual comunica o movimento e a vida, a ordem e a harmonia. Platão, todavia, dá à alma humana um lugar e um tratamento à parte, de superioridade, em vista dos seus interesses morais e ascéticos, religiosos e místicos. Assim é que considera ele a alma humana como um ser eterno, de natureza espiritual, inteligível, caído no mundo material como que por uma espécie de queda original, de um mal radical. Deve portanto, a alma humana, libertar-se do corpo.

A faculdade principal, essencial da alma é a de conhecer o mundo ideal, transcendental: contemplação em que se realiza a natureza humana, e da qual depende totalmente a ação moral. Entretanto, sendo que a alma racional é, de fato, unida a um corpo, dotado de atividade sensitiva e vegetativa, deve existir um princípio de uma e outra. Segundo Platão, tais funções seriam desempenhadas por outras duas almas – ou partes da alma: a irascível (ímpeto), que residiria no peito, e a concupiscível (apetite), que residiria no abdome – assim como a alma racional residiria na cabeça. Naturalmente a alma sensitiva e a vegetativa são subordinadas à alma racional.

Logo, segundo Platão, a união da alma espiritual com o corpo é extrínseca, até violenta. A alma está no corpo como num cárcere, o intelecto é impedido pelo sentido da visão das idéias, que devem ser trabalhosamente relembradas. E diga-se o mesmo da vontade a respeito das tendências. E, apenas mediante uma disciplina ascética do corpo, que o mortifica inteiramente, e mediante a morte libertadora, que desvencilha para sempre a alma do corpo, o homem realiza a sua verdadeira natureza: a contemplação intuitiva do mundo ideal.

– O mundo: O mundo material, o cosmos platônico, resulta da síntese de dois princípios opostos, as idéias e a matéria. O mundo, pois, está entre o ser (idéia) e o não-ser (matéria), e é o devir ordenado, como o adequado conhecimento sensível está entre o saber e o não-saber, e é a opinião verdadeira. Conforme a cosmologia platônica, haveria, antes de tudo, uma alma do mundo e, depois, partes da alma, dependentes e inferiores, a saber, as almas dos astros, dos homens, etc.

O dualismo dos elementos constitutivos do mundo material resulta do ser e do não-ser, da ordem e da desordem, do bem e do mal, que aparecem no mundo. Da idéia – ser, verdade, bondade, beleza – depende tudo quanto há de positivo, de racional no vir a ser da experiência. Da matéria – indeterminada, informe, mutável, irracional, passiva, espacial – depende, ao contrário, tudo que há de negativo na experiência.

Consoante a astronomia platônica, o mundo, o universo sensível, são esféricos. A terra está no centro, em forma de esfera e, ao redor, os astros, as estrelas e os planetas, cravados em esferas ou anéis rodantes, transparentes, explicando-se deste modo o movimento circular deles.

No seu conjunto, o mundo físico percorre uma grande evolução, um ciclo de dez mil anos, não no sentido do progresso, mas no da decadência, terminados os quais, chegado o grande ano do mundo, tudo recomeça de novo. É a clássica concepção grega do eterno retorno.

1.2 A antropologia

A antropologia platônica pode ser considerada uma síntese na qual se fundem a tradição cosmológica da relação do homem com o cosmos, a tradição sofística do homem como ser de cultura destinado à vida política e à herança dominante de Sócrates do “homem interior” e da alma .

Esta antropologia apresenta uma unidade que resulta da síntese dinâmica de temas, cuja oposição se concilia do ponto de vista de uma realidade transcendente à qual o homem se ordena pelo movimento profundo e essencial de todo o seu ser: a realidade das Idéias.

É essa ordenação transcendente que explica no homem, a polaridade constitutiva da vida da alma em sua condição terrena. Esta polaridade encontra expressão nos diálogos platônicos através dos temas, muitas vezes expressos pelos mitos.

1.3 A epistemologia

Pode-se dizer que a epistemologia se origina em Platão, onde ele se opõe a crença ou opinião ao conhecimento ,a crença é um determinado ponto de vista subjetivo e o conhecimento é crença verdadeira e justificada.

A teoria de Platão abrange o conhecimento teórico, o saber que. Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia, que consiste em descrever, explicar uma realidade, isto é, analisar o que ocorre, determinar por que ocorre dessa forma e utilizar estes conhecimentos para antecipar uma realidade futura.

Há outro tipo de conhecimento, não abrangido pela teoria de Platão,que é o conhecimento prático, o saber como.

1.4 A psicologia

Segundo a psicologia platônica, a natureza do homem é racional, e, por conseqüência, na razão realiza o homem a sua humanidade: a ação racional realiza o sumo bem, que é, ao mesmo tempo, felicidade virtude. Entretanto, esta natureza racional do homem encontra no corpo não um instrumento, mas um obstáculo, que Platão explica mediante um dualismo filosófico-religioso de alma e de corpo: o intelecto encontra um obstáculo nos sentidos, a vontade no impulso, e assim por diante. Então a realização da natureza humana não consiste em uma disciplina racional da sensibilidade, mas na sua final supressão, na separação da alma do corpo, na morte. Agir moralmente é agir racionalmente, e agir racionalmente é filosofar, e filosofar é suprimir o sensível, morrer aos sentidos, ao corpo, ao mundo, para o espírito, o inteligívl, a idéia.

1.5 A política

Platão não acreditava na democracia. Para ele a política, a boa condução dos homens em sociedade era uma arte que somente bem poucos dominavam. O ideal era uma coletividade governada pelos mais sábios, visto que os pensadores eram uma espécie de sócios humanos dos deuses, os únicos a entenderem os difíceis mecanismos da boa regência de tudo. Os escritos em que Platão trata especificamente do problema da política, são a República, o Político e as Leis. Na República, a obra fundamental de Platão sobre o assunto, traça o seu estado ideal, o reino do espírito, da razão, dos filósofos, em chocante contraste com os estados e a política deste mundo.

SOCRÁTES

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1.1 “Conhece-te a ti mesmo”

Este é o lema socrático que nos remete em primeiro lugar a nossa própria consciência. É por meio da introspecção que se obtém conhecimento sobre o eu – isto é, torna-te consciente de tua ignorância – ponto de partida para o conhecimento do mundo externo, considerando que, conforme Sócrates, o conhecimento verdadeiro está dentro do homem.

1.2 A epistemologia

Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada a sua própria ignorância, de onde surgiu sua celebre frase: “Só sei que nada sei”. Ele acreditava que os atos errados eram conseqüência da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio, ele achava que o filósofo é aquele que admite não entender inúmera coisas, e que se aflige com isso.

1.3 A ética

É a parte culminante da filosofia de Sócrates. Ensina o bem pensar para bem viver. O meio único de alcançar a felicidade ou semelhança com Deus, fim supremo do homem, é a prática da virtude. A virtude adquiri-se com a sabedoria ou, antes, com ela se identifica. Esta doutrina, uma das mais características da moral socrática, é conseqüência natural do erro psicológico de não distinguir a vontade da inteligência.

1.4 Relação de Sócrates com os Sofistas

O estilo de vida de Sócrates assemelhava-se ao dos sofistas, passava a maior parte do tempo ensinando em lugares públicos, sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência prática ou moral.

Porém ele não se considerava um sofista, pois não se achava o dono da verdade. Sócrates diz nada saber, e ao dialogar em busca do saber coloca-se no nível do seu interlocutor. Para ele filosofar não é profissão, é atividade do homem livre. Um dos pontos fundamentais da filosofia a socrática, era o auto conhecimento “Conheça-te a te mesmo” era a recomendação básica feita por Sócrates aos seus discípulos.

O conhecimento, era uma das grandes preocupações de Sócrates como também dos sofistas. Cada um com uma técnica diferente, visando algo diante do saber.

SOFISTAS

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A ética propriamente dita começou com Sócrates, embora os sofistas tenham lhe dado um estímulo importante. Isto a despeito do fato de que, segundo indicações de Platão, Sócrates se opunha a eles. Os sofistas eram mestres que davam cursos ou aulas individuais sobre vários assuntos e cobravam por esse privilégio. Sócrates achava que eles alegavam fornecer mais dôo que realmente davam. Em especial, alegava que eles diziam que podiam ensinar virtude ao homem e achava que não faziam nada disso.

No período em que os sofistas ascenderam a primeiro plano, ocorria também uma mudança social, em que os gregos tornaram-se mais conscientes dos costumes e práticas de outros povos do mundo que seguiam costumes diferentes dos seus. Surgiu em conseqüência ênfase no contraste entre o que é produto humano, e o que é natural e não-humano, a oposição entre nomos (convenção) e phisis (natureza). Não está claro que os sofistas eram unânimes a respeito de tal contraste, mas notava-se uma tendência de parte deles de atribuir mais peso ao nomos do que à phisis, se ou não por “natureza” era entendida a natureza em geral ou a natureza humana. Esta distinção precisa ser estabelecida porque, embora alguns sofistas se preocupassem simplesmente em depreciar a extensão em que o que sabemos sobre o mundo é um fato da natureza, outros se interessavam pelo contraste entre o que os homens são em si, como fatos da natureza, e o que eles naturalmente desejam e se esforçam por conseguir e o que lhes é imposto pela sociedade.

Neste último aspecto, despontam como os primeiros sociólogos e, como os primeiros relativistas sociais. Mas os que foram considerados como os mais importantes entre os sofistas, Pitágoras e Górgias, por exemplo, pareciam mais preocupados com a distinção entre natureza e convenção. Por essa razão, tinham como um de seus principais objetivos depreciar o estudo da natureza, e assim, toda a linha filosófica existente até a época.

Supostamente, Pitágoras alegou que homem é a medida de todas as coisas, tanto das que são o que são, como da que não são o que não são, ou seja, que tudo é como parece ser, não apenas aos homens em geral, mas a cada indivíduo em particular. Na sua opinião, embora não houvesse verdade absoluta, ainda assim era possível tornar mais forte o melhor dos argumentos.

Górgias foi ainda mais radicalmente oposto à natureza e a seu estudo. Escreveu um livro no qual formulou uma tripla alegação:

– Nada há;
– Mesmo que houvesse alguma coisa, não poderíamos conhecê-la;
– Mesmo que pudéssemos conhecê-la, não poderíamos comunicá-la aos demais.

É bem possível que pelo menos alguns sofistas se empolgassem tanto na formulação de seus próprios objetivos que apresentassem aquilo que os interessava como as mais importantes preocupações humanas. Mas bem provável que eles tenham obtido uma propaganda desfavorável. Sócrates pensava que havia coisas muito mais importantes que os objetivos visados pelos sofistas.

O QUE É FILOSOFIA?

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A filosofia é o pensamento no qual torno-me íntimo do Ser mesmo por meio da ação interior, é o pensamento no qual torno-me eu mesmo. Ela é, em outras palavras, o pensamento que prepara o lançar-se na Transcendência, recorda-o, e até, num instante sublime, o produz, á medida que é atividade de todo homem no seu pensar. (K. JASPERS, A minha filosofia (1941), 3)

1.1 O que é a filosofia?

A filosofia surgiu na Grécia Antiga como uma atividade especial do homem sábio, o amigo do saber (filo + sophia = amor à sabedoria). Ela é uma disciplina intelectual que utiliza métodos racionais e críticos. Trabalha com conceitos abstratos, procurando definir princípios gerais, respondendo às questões fundamentais da vida e da morte, do sentido da existência, dos valores individuais e sociais, da natureza da linguagem ou do conhecimento e da relação que temos com as coisas em si.

1.2 Características

O pensamento filosófico é pessoal uma vez que cada filósofo não só vê o mundo à sua maneira, como também se questiona a partir das suas inquietações, envolvendo-se integralmente no seu questionamento a filosofia é um exercício profundo da racionalidade e, enquanto saber racional, os seus conteúdos, são universais. Quando um filósofo se interroga, não está à procura de uma resposta que satisfaça a sua curiosidade emocional e subjetiva, dirige-se à razão enquanto faculdade de pensar, procura estabelecer um quadro racional que dê sentido a realidade. O filósofo não quer persuadir os outros de que tem razão, mas procura, acima de tudo, que os outros homens, sejam eles filósofos ou não, reconheçam a validade dos argumentos empregues em defesa de uma tese racionalmente formulada e orientada para a descoberta da verdade acerca do real.

A filosofia é, desde a sua origem, um saber anti-dogmático, para os filósofos não há verdades inquestionáveis e absolutas, imutáveis e desligadas da realidade que vivemos, uma realidade em constante mudança, marcada pela ação transformadora do homem sobre a Natureza e pelos grandes movimentos que marcam a histórica do mundo.

1.3 Método

O método da filosofia é essencialmente raciocinativo, embora não exclua algum momento intuitivo. Mas os processos raciocinativos são múltiplos, e os mais importantes dentre eles a indução e a dedução. A filosofia utiliza ambos: o primeiro, para ascender dos factos aos princípios primeiros; o segundo para descer de novo dos princípios primeiros e iluminar posteriormente os factos, para compreendê-los melhor. (Batista Mondin, Introdução à Filosofia.)

O método dedutivo é o método que parte do geral e segue ao particular. Parte de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal, isto é, em virtude unicamente de sua lógica. É o método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza, Leibniz, segundo os quais só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro, que decorre de princípios a priori evidentes e irrecusáveis.

O método indutivo procede inversamente ao dedutivo. Parte do particular e segue para o universal. De acordo com o raciocínio indutivo, a generalização deve ser constatada a partir da observação de casos concretos suficientemente confirmadores dessa realidade. Constituí o método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke, Hume, para os quais o conhecimento é fundamentado exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos. Nesse método, parte-se da observação de fatos ou fenômenos cujas causas se deseja conhecer. A seguir, procura-se compará-los com a finalidade de descobrir as relações existentes entre eles. Por fim, procede-se à generalização, com base na relação verificada entre os fatos ou fenômenos.

1.4 Objeto

O objeto da filosofia é o conceito, é a noção, é a idéia. Quer sejam conceitos, noções e idéias do nosso dia-a-dia, quer sejam parte de domínios específicos do conhecimento.

1.5 Objetivo

Quanto ao objetivo, a Filosofia não busca fins práticos e não tem interesses externos. Ela tem como único objetivo o conhecimento procurando a verdade pela verdade, guiada de eventuais utilizações práticas. A filosofia tem a finalidade puramente contemplativa, não procurando a verdade por algum motivo que não seja a própria verdade. Por isso, como diz Aristóteles, ela é “livre” enquanto não se destina a nenhum uso de ordem prática, realizando-se na pura contemplação da verdade.

1.6 Relação da Filosofia com a Mitologia

O mito foi a primeira experiência de encontrar explicações, usada principalmente pelos homens pré-históricos. É importante não confundir filosofia com mito, mas é necessário destacar que o mito tem muitas vezes a intenção de explicar, mesmo que de forma irracional, a vida cotidiana, os fatos que alteram nossa realidade, nosso dia-a-dia. Por outro lado já há mitos com função apenas de divertir, espantar, mitos em que nem seus próprios criadores acreditam. Desses mitos vem a religião pública e a religião dos mistérios. A melhor representante da pública foi a religião grega, com Zeus, Afrodite a Atena. Na pública, ocorre apenas que todas as vontades e características próprias do homem são executadas em nome dos deuses. Uma grande característica dela é o antropomorfologismo, ou seja, todos os deuses têm características humanas, apenas são superiores ao homem em qualidade, não quantidade. Logo, um deus é muito mais perfeito que um humano, e portanto não pode nenhum humano superá-lo.

Já da religião dos mistérios podemos ver traços nas filosofias de Sócrates, Platão e a maioria dos primeiros filósofos.

1.7 Relação da Filosofia com a Ciência

A ciência estabelece não apenas os seus próprios métodos, mas também os seus próprios fundamentos sem necessidade de recorrer, na sua ordem, à heteronomia dos filósofos

As relações entre filosofia e ciência estiveram sempre marcadas e continuam a estarem marcadas, a caso mais do que nunca, pelo sinal da ambigüidade. É essa ambigüidade que se estabelece, com tanta freqüência, ao tornar conceitos sinônimos e exatidão. Tal sinonímia e tal univocidade estão longe de identificarem, por que tanto cientistas como filósofos nem sempre têm o cuidado de procurarem distinguir para finalmente poderem unir. Daí as confusões, as intempestivas reivindicações territoriais ou de soberania, daí as mutuas depreciações, ignorâncias ou anátemas.

A expressão filosofia da ciência, quando verdadeiramente ponderada com todo o rigor semântico e sematológico, não passa de um genitivo objetivo de grande alcance, sem dúvida, por dar ao pensar do real e do possível larguíssima matéria de meditação de exame e de reflexão, mas nada mais.

MÉTODO SKANDIA: UMA VISÃO DO CAPITAL INTELECTUAL

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MÉTODO SKANDIA: UMA VISÃO DO CAPITAL INTELECTUAL

RESUMO

O Capital Intelectual, apesar de ser de extrema importância para as entidades, não está presente nas demonstrações contábeis, pela complexibilidade de ser mensurado, infelizmente não existe um método padrão para que as entidades possam se basear. Primeiramente as entidades devem saber o que é Capital Intelectual, como é feita sua avaliação, e também quais as vantagens da sua mensuração, pois somente assim irão compreender sua importância, e então perceberão que é necessário avaliar este Ativo Intangível. Tem-se como um bom exemplo de avaliação de Capital Intelectual, o método usado pela Skandia, que busca auxiliar na tomada de decisões e permite uma melhor administração, valorizando os conhecimentos dentro da entidade, mas este método não é usado como padrão apesar de ser o único desenvolvido por uma empresa. Este Ativo faz parte do goodwill da empresa, pois também não tem valor preciso, mas deve ser agregado ao seu capital.

Deve-se considerar que o Capital Intelectual está presente e geralmente não tem seu valor reconhecido nos produtos e serviços prestados, se este passar a ser mensurado, será possível visualizá-lo no produto final, o que seria muito bom para a administração, compreendendo melhor os custos dos seus produtos e serviços, e valorizando assim seu capital. Este trabalho é baseado em pesquisas bibliográficas, levando em consideração opiniões de vários autores que falam sobre o tema, para melhor compreender e assunto abordado.

Palavras chaves:Capital Intelectual, Goodwill, Método da Skandia.

1. INTRODUÇÃO

Existe um diferencial identificado nas empresas, o Capital Intelectual. A Contabilidade está diante de uma grande fonte de conhecimentos, agregados às empresas gerando valores aos produtos e aos serviços.

O mundo, as culturas, e o mercado mudam velozmente, então na ânsia de buscar sua atualização e se colocar um passo a frente dos concorrentes às empresas necessitam adequar-se a essa nova realidade onde o conhecimento torna-se um recurso econômico muito mais essencial do que a matéria prima e muitas vezes mais do que o capital econômico.

Com tudo isso pode-se observar a importância das pessoas nas organizações, portanto conclui-se que as pessoas, o capital humano e a sua inteligência é que fazem o diferencial no desenvolvimento e na geração de valor para as instituições.

1.1.Caracterização do Problema

Com a competitividade do mercado nos dias de hoje, faz-se necessário um diferencial como atrativo nas empresas. A divulgação do ativo intangível, faria parte nesse contexto de um diferencial explicativo, porém, a falta de conhecimento contábil dos empresários faz com que o capital intelectual fique muitas vezes fora das demonstrações, e com essa informação evidenciada seria mais fácil justificar o valor de mercado da entidade na hora de colocá-la à venda, ou até mesmo justificar os preços dos produtos por ela vendidos.

Diante deste fato questiona-se: Como evidenciar o Capital Intelectual da entidade por ser um recurso tão imprevisível?

1.2.Objetivo Geral

Pesquisar a importância da identificação e avaliação do Capital Intelectual na organização.

1.3.Objetivos Específicos

Descrever conceitos de capital intelectual.

Estudar o método de avaliação do capital intelectual da Skandia.

Informar as vantagens da mensuração do capital intelectual.

1.4. Justificativa

Devido as novas características de gestão dos recursos das empresas que estão buscando o Capital Intelectual de forma mais racional e o direcionando para a busca da competência, agilidade, competitividade e excelência dos produtos e serviços, elemento chave para proporcionar geração de riqueza em um mundo globalizado, temos que nos preocupar com este assunto.

Cabe, portanto a Contabilidade a tarefa de procurar através de pesquisas como formalizar e mensurar o capital intelectual, permitindo aos gestores administrar este recurso tão valioso atualmente.

Justificamos desta maneira a importância dessas pesquisas direcionadas para o estudo do tema, visto sua complexidade e ao mesmo tempo sua dificuldade na hora de avaliarmos as organizações.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O trabalho será desenvolvido através de pesquisas bibliográficas em livros, revistas especializadas de contabilidade e matérias a fins, em revistas de grande circulação, dissertações e teses.

As empresas modernas vêem crescendo em qualidade e tecnologia graças ao conhecimento e experiências humanas, entretanto esse esforço intelectual correspondia a uma pequena parcela na formação de produtos ou de serviços prestados, a maior incidência correspondia a própria estrutura tangível das empresas.

Devido a esta característica e também de um sistema econômico relativamente equilibrado, com as pessoas mantendo as suas linhas de negócios e mantendo uma concorrência nivelada por novos mercados, o recurso intelectual era sempre considerado em segundo plano no processo operacional. Não era desprezado, mas o foco estava voltado para os demais ativos tangíveis que eram mais fáceis de ser visualizados no produto final.

2.1 Capital Intelectual

Antunes (2000) apud Brooking (1996, p. 12-13) define Capital Intelectual como uma combinação de ativos intangíveis, frutos das mudanças nas áreas da tecnologia da informação, mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam seu funcionamento. Para a autora, o Capital Intelectual pode ser dividido em quatro categorias: ativos de mercado, ativos humanos, ativos de propriedade intelectual e ativos de infra-estrutura.

Edvinsson e Malone (1998, p. 9) empregam uma linguagem metafórica no intuito de melhor conceituar o Capital Intelectual. Comparando uma empresa a uma árvore, consideram a parte visível como tronco, galhos e folhas, a que está descrita em organogramas, nas demonstrações contábeis e em outros documentos, e a parte que se encontra abaixo da superfície, no sistema de raízes, o Capital Intelectual, que são os fatores dinâmicos ocultos que embasam a empresa visível formada por edifícios e produtos. Os autores dividem os fatores ocultos em dois grupos: capital humano e capital estrutural.

2.1.1. Ativo

O ativo de uma empresa é determinado pelos bens e direitos, sendo bens as coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas e que possuem um valor econômico atribuídos a elas. Esses bens podem ser materiais como bens moveis e imóveis e bens imateriais que são aqueles que não possuem corpo físico mas possuem valor econômico. Os direitos sãos os valores econômicos que a empresa tem a receber de terceiros.

O ativo pode ser tangível quando possui existência física, ou seja, podemos vê-lo e atribuir ou avaliar o seu real valor e intangível, este não podemos observar fisicamente e por isso é mais difícil atribuir seu valor.

2.1.2.Ativo Intangível

Geralmente entendemos por intangível algo que não pode ser tocado ou que não possui existência física.

Para Antunes (2000, p. 74), os ativos intangíveis só vêm sendo avaliados precisamente quando a empresa é vendida. Entretanto, os gestores necessitam ter conhecimento (identificação e mensuração) desses ativos que a empresa possui, para administrar sua continuidade e assim, divulgar informações mais próximas da realidade para os interessados.

Hoje em dia vem crescendo nas empresas o interesse e os investimentos em intangíveis que cada vez ganha espaço perante a economia atual, com a proposta de enriquecer o ativo da empresa.

Podemos identificar dois grupos de ativos intangíveis:

Identificáveis: para os quais pode se dar um nome (ex: Marcas, Patentes, etc.), há várias formas de avaliação dos ativos identificáveis.

Não identificáveis: que contempla principalmente os ativos humanos (ex: capital intelectual) e outros fatores como qualidade, confiabilidade, tecnologia, lealdade dos clientes, entre outros. Como não há meios de identificar esses itens individualmente optou-se por chamá-los de Goodwill.

Podemos conceituar o goodwill como a diferença entre o valor da empresa (valor avaliado) e o seu valor de mercado.

2.2 O Que É Capital Intelectual?

O Capital Intelectual passou a ser tratado com maior interesse nos meios empresariais e acadêmicos a partir do inicio da década de 80 em função de diversos estudos desenvolvidos na área. Ele abrange os ativos intangíveis que podem apresentar de alguma forma o lucro futuro e somente serão considerados se de fato isso representar algum valor econômico.

Segundo Marion e Iudicibus, “A definição de Capital Intelectual ainda não esta consolidada”. (2002, p.154).

A sede de saber mais sobre esse assunto leva vários autores a pesquisar seu significado na prática, para Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, Segundo Pacheco (2005) apud Pfeil (2003, p.23), Capital Intelectual é “a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil das ações” (2005, p. 34).

Assim, pode-se concluir que o capital intelectual é formado por três componentes que interagem: capital humano, capital estrutural e capital de clientes. Vejamos as características de cada um deles:

* Capital Humano: é aquele incorporado nas pessoas que possuem talentos para criação de produtos e serviços de qualidade, com o intuito de atrair clientes e satisfazê-los da melhor maneira possível. Talento é a essência da pessoa, o que compreende seus pensamentos e sentimentos. Nenhum talento é igual a outro, as pessoas são diferentes e todos os tipos de talentos são importantes. A questão é encontrar a pessoa certa, com o talento certo, para realizar a tarefa certa.

Conhecimento e habilidades podem ser ensinados, transferidos de uma pessoa para outra; talento é o próprio estilo da pessoa, e não pode ser transferido para outro. A grande chave do sucesso de uma empresa é ajudar seus funcionários a conduzirem seus talentos na busca de um excelente desempenho. Quando o principal executivo diz – as pessoas são nosso ativo mais importante – ele está falando das pessoas que sabem como servir aos clientes de modo a proporcionar à empresa vantagem competitiva. Ou seja, deve-se esclarecer que funcionários que não agregam valor à empresa no sentido de doação, colaboração e interesse, não devem ser considerados ativos valiosos para a empresa, pois não fazem diferença alguma e até atrapalham o progresso dos demais. A empresa deve saber diferenciar os tipos de funcionários, pois alguns são ativos importantíssimos e outros são apenas custos, muitas vezes de grande valor. Por isso necessita-se fazer essa diferenciação para descobrir quem é quem.

Faz-se necessária a existência de gastos com treinamentos e formação para a obtenção de um retorno em forma de atitudes, pois quanto mais motivados e interessados os colaboradores, mais se sentem parte da empresa. Nota-se aí uma disposição desses colaboradores em participar, oferecer novas idéias e aprender novas tarefas.

O capital humano é um recurso empresarial e deve ser considerado um ativo, pois possui capacidade de gerar benefícios futuros para a empresa. As pessoas são os únicos verdadeiros agentes na empresa, pois todos os ativos resultam de ações humanas e pode-se dizer que a medida verdadeira da eficácia é a agilidade com que uma empresa aumenta o seu capital humano. A mensuração do capital humano envolve a verificação do nível de formação, a competência, a participação e a motivação do grupo humano.

* Capital Estrutural: refere-se ao conhecimento contido e retido, o conhecimento de propriedade da empresa, e incluem dados, tecnologias, estrutura e sistemas, rotinas e procedimentos organizacionais. A infra-estrutura que apóia o capital humano, como equipamentos de informática, softwares, bancos de dados, também forma o capital estrutural. Ele pertence à empresa como um todo, e pode ser reproduzido e dividido. Parte do que pertence à categoria de capital estrutural tem direito aos direitos legais de propriedade: tecnologias, invenções, dados e publicações. Desta forma, o objetivo do Capital Estrutural é relacionar pessoas com especialistas e informações e clientes à empresa.
* Capital do Cliente: no momento em que o Capital Intelectual transforma-se em dinheiro, surge o capital do cliente, e é extremamente importante para as empresas que exista uma gerência desse capital. Os investimentos no capital do cliente devem ser realizados em conjunto com os clientes, ocasionando benefício para ambos no que se refere às informações e conhecimentos gerados. O capital do cliente é muito semelhante ao capital humano: não se pode possuir os clientes do mesmo modo como não se pode possuir pessoas. Mas da mesma forma como uma organização pode investir em funcionários não apenas para aumentar seu valor como indivíduos, mas também para criar ativos de conhecimento para a empresa como um todo. A empresa e seus clientes podem aumentar o capital intelectual que é sua propriedade em conjunto e em particular.

Para investir no capital do cliente, deve-se analisar alguns fatores, tais como: inovar com os clientes; concentrar-se nos clientes como indivíduos, atendendo às necessidades dos clientes individuais; dividir os ganhos com os clientes; conhecer o negócio do cliente para melhor servi-lo e tornar-se indispensável. Verifica-se, então, a necessidade de controle desses três fatores que interagem entre si: capital humano, estrutural e de clientes, para obter um capital intelectual bem estruturado, que possa ser mensurado e avaliado, de acordo com as características e particularidades de cada organização para obter resultados satisfatórios e contribuir com a contabilidade através de novas informações, proporcionando uma visão mais moderna e atual.

2.3. Mensuração do Capital Intelectual

A mensuração do capital intelectual das empresas é muito importante porque é através da mensuração que as informações ocultas das empresas chegam até o ambiente e interessados externos, para explicar, por exemplo, o valor de uma entidade que na sua contabilidade vale 1 bilhão, mas o mercado esta disposto a pagar 5 bilhões, essa diferença de 4 bilhões também conhecida como goodwill faz parte de um conjunto chamado capital intelectual, esse capital intelectual pode ser caracterizado por clientes, funcionários, localização, marcas e patentes, etc.

2.3.1 Método de avaliação do capital intelectual da Skandia

A Skandia atua na área de seguros e prestação de serviços financeiros, sendo o quarto maior grupo financeiro do mundo e o maior da Escandinávia. Por ter sido o primeiro grupo a apresentar um relatório contendo informações sobre a avaliação do Capital Intelectual, sua demonstração faz parte de um conjunto de modelos de mensuração pesquisados, pelos acadêmicos e meio empresarial, é também um dos mais divulgados pela mídia.

Foram identificados pelo grupo alguns valores de sucesso que deveriam ser maximizados e incorporados à estratégia organizacional. Para sua melhor identificação foram agrupados assim:

1 Foco Financeiro.
1 Foco Clientes.
2 Foco Processo.
3 Foco Renovação e Desenvolvimento.
4 Foco Humano.

O modelo desenvolvido pelo grupo Skandia busca captar, avaliar e gerenciar os conhecimentos adquiridos na busca de novos conceitos que produzirão benefícios à médio e longos prazos para as organizações e, como tal, constitui-se numa excelente ferramenta à disposição da gerencia útil nas decisões estratégicas.

A Skandia foi a primeira empresa que desenvolveu este instrumento, denominado Navegador Skandia, visto que ela possuía a missão de incentivar o crescimento e desenvolver o capital intelectual como um valor visível que complementasse o Balanço Patrimonial. Este modelo mostra como criar valor financeiro através do capital humano combinado com o capital do cliente, a capacidade de inovação e os processos internos da empresa. Ele é usado como modelo de planejamento de negócios, fornecendo uma perspectiva geral do passado da empresa (foco financeiro), seu presente (foco no cliente, foco no processo e foco no aspecto humano) e seu futuro (renovação ou foco de desenvolvimento).

Esse modelo, aparentemente, representa uma mensuração objetiva, mas devido à natureza de alguns índices, torna-se um tanto subjetiva, já que fornece uma perspectiva geral do passado e do futuro da empresa e possui uma elaboração complexa, já que é baseada em diversas perspectivas: clientes, processos, humanas, financeiras e de renovação.

Para avaliar o capital intelectual deverá ser levado em consideração o Capital Humano e o Capital Estrutural, pois, os valores atribuídos a uma organização são provenientes da interação desses elementos. De nada adiantaria uma empresa com alto potencial em Capital Humano e não possuir um Capital Estrutural adequado, ou o inverso, uma empresa bem estruturada e não possuir um Capital Humano eficiente, onde não justificaria tal investimento.

2.3.2. Vantagens da mensuração do Capital Intelectual

Em um relatório de capital intelectual encontra-se informações que são de interesses para os gestores da empresa e para seus acionistas, contribuindo para que as empresas se conheçam melhor e para que possam atingir um melhor aprimoramento.

Devemos enfatizar que o capital intelectual possui vantagens do ponto de vista interno e externo como apontados por Antunes (2000) apud Brooking (1996, p.83).

Do ponto de vista interno:

O conhecimento do capital intelectual identifica os recursos necessários em ativos intangíveis cujo desconhecimento, por vezes impede a consecução de um planejamento estabelecido.

Por meio do conhecimento do capital estrutural pode se distinguir as diferenças entre criação de patentes, desenvolvimento de novos designers e desenvolvimento de novos produtos, compreendendo as vantagens competitivas que cada um desses elementos possui.

O conhecimento detalhado que o modelo de avaliação dispõe sobre os clientes fornece uma visão bem mais abrangente das condições atuais e futuras da empresa relacionadas a este foco.

Do ponto de vista externo:

Os relatórios contendo os indicadores do capital intelectual são subsídios valiosos para os analistas e financiadores, pela projeção da futura capacidade da empresa gerar caixa.

Para os acionistas por sua vez, esses relatórios são de fundamental importância porque, fazendo uso das palavras de Edvinsson, “eles mostram o valor oculto das organizações”, o qual não esta aparente nas demonstrações contábeis. Os acionistas podem ter, igualmente a posição no momento e a visão do futuro, ou seja, as tendências apresentadas pela empresa.

Sua divulgação pode explicar a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de uma entidade, mesmo não sendo de forma objetiva.

Isso evidencia a importância do capital intelectual proporcionando vantagens tanto para os usuários internos como os externos. O capital intelectual pode identificar para a empresa o seu potencial no presente e as perspectivas de benefícios futuros, contribuindo ainda mais para o crescimento da organização.

3.CONCLUSÃO

Até a presente data, não se criou um modelo padrão para mensurar e atribuir um valor ao mais valioso capital das organizações, o Capital Intelectual. A remuneração intelectual é tão gratificante quanto à financeira, sendo que a primeira enriquece o espírito, trazendo satisfação pessoal, que é naturalmente explicitada à atividade produtiva da entidade.

Pelo que foi exposto, entende-se que Capital Intelectual influencia nos resultados financeiros. Ao proporcionar vantagens competitivas, gera resultados, portanto constitui o patrimônio mais importante das empresas. Esse fenômeno sugere que a Contabilidade deva avaliar e registrar o Capital Intelectual como um ativo.

O goodwill apresenta-se como um conceito mais abrangente do que o do Capital Intelectual, considerando todas as conclusões. E, principalmente, Capital Intelectual não é um conceito novo, e, muito menos, desconhecido pela Contabilidade.

O modelo criado pela Skandia serviu para colocar em evidencia, este tema, hoje estudado e debatido internacionalmente pelos maiores expoentes da ciência contábil e deve ser alvo da reflexão não só dos profissionais da área, mas especialmente dos estudiosos, analistas, professores e estudantes universitários

4. REFERENCIAS

PACHECO.V. Mensuração e Divulgação do Capital Intelectual nas Demonstrações Contábeis: Teoria e Empiria. Cutitiba, PR:Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, 2005.
ANTUNES.M.T.P. Capital Intelectual. São Paulo, SP:Atlas, 2000.
EDVINSSON.L;MALONE.M.S. Capital Intelectual: Descobrindo o Valor Real de Sua Empresa pela Sua Identificação de Seus Valores Internos. São Paulo, SP:Makren Books, 1998.
IUDICIBUS.S. Teoria da Contabilidade. São Paulo, SP:Atlas,2000.
IUDICIBUS.S;MARION.J.C. Introdução à Teoria da Contabilidade. São Paulo, SP:Atlas,2002.
EDVINSSON.L. Longitude Corporativa: Navegando pela Economia do Conhecimento. São Paulo, SP:Makren Books do Brasil, 2003.
PACHECO.V. Mensuração e Divulgação do Capital Intelectual nas Demonstrações Contábeis: Teoria e Empiria. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, nº 160, p.55-73, jul-ago,2006.
LUCENA.S.C. Uma Visão de Profissionais de Contabilidade sobre Capital Intelectual. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, nº 163, p.41-51, jan-fev,2007.

INSCRIÇÃO SISU 2011

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Inscrições para SiSU começam às 6h desta quarta-feira dia 15/06/2011, segundo MEC.
Prazo vai até as 23h59 de domingo (19).
Sistema usa Enem para selecionar candidatos para universidades públicas.

As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) do segundo semestre começam às 6h desta quarta-feira (15) e vão até as 23h59 de domingo (19), segundo o Ministério da Educação. As inscrições ocorrerão exclusivamente pela internet.

O que é o SiSU?

O SiSU oferece vagas em universidades estaduais e federais e institutos de educação profissional. O sistema foi criado pelo MEC para unificar a oferta de vagas em instituições públicas.

Neste semestre, serão oferecidas 26.336 vagas em 19 universidades federais, 23 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica (Cefet) e quatro universidades estaduais. No segundo semestre de 2010, 35 instituições participaram, com de 16 mil vagas. No primeiro semestre deste ano, o sistema teve um milhão de inscrições e ofereceu 83 mil vagas.

De acordo com o MEC, serão oferecidas 10.552 vagas em cursos noturnos, 9.324 em cursos em período integral, 3.526 são para cursos matutinos e 2.934 para cursos vespertinos.

Somente poderão se inscrever no processo seletivo do segundo SiSU de 2011 os candidatos que tenham participado da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) referente ao ano de 2010 e que, cumulativamente, tenham obtido nota acima de zero na prova de redação.

O SiSU ficará disponível para inscrição dos candidatos das 6h às 23h59 de cada dia de inscrição (horário de Brasília). Não haverá cobrança de taxa de inscrição.

O processo seletivo terá duas chamadas sucessivas. A primeira chamada será em 22 de junho e a segunda chamada sai em 2 de julho. De acordo com o texto, a matrícula dos selecionadas na primeira chamada ocorre em 27 e 28 de junho. A matrícula da segunda chamada será em 5 e 6 de julho.

Segundo o edital, as instituições de ensino superior poderão fazer o lançamento da ocupação das vagas no SiSU referentes à primeira chamada em 27, 28 e 29 de junho e referentes à segunda chamada em 5, 6 e 7 de julho.

Quem pode participar do SISU?

Todos os que participaram do Enem 2010 poderão participar. As notas obtidas no Enem 2009 não são validas no Sisu 2010.

Para participar da lista de espera, o candidato deverá manifestar seu interesse por meio do SiSU entre os dias 2 e 7 de julho. O candidato somente poderá manifestar interesse na lista de espera para o curso correspondente à sua primeira opção de vaga. Não poderá participar da lista de espera o candidato que tenha sido selecionado para o curso correspondente à sua primeira opção de vaga em qualquer das chamadas do processo seletivo.

Segundo o edital, a lista de espera não observará as eventuais reservas de vagas e bônus atribuídos à nota do candidato no SiSU pelas instituições de ensino superior.

A lista de espera será usada prioritariamente pelas instituições de ensino superior participantes para preenchimento das vagas eventualmente não ocupadas nas duas chamadas do sistema.

Os procedimentos de chamada para preenchimento das vagas deverão estar definidos em edital próprio de cada instituição de ensino superior participante.

As instituições podem redefinir a lista de espera do sistema em decorrência da consideração dos critérios referentes às suas políticas de ações afirmativas originalmente adotadas em seu termo de participação. Nesse caso, a instituição deverá explicitar em edital próprio a forma de redefinição da lista.

As universidades podem convocar os candidatos da lista de espera para manifestação de interesse presencial, em número superior ao número de vagas disponíveis.

Confira abaixo a lista das instituições

Universidades federais

Fundação Universidade Federal De Ciências Da Saúde De Porto Alegre – 408;

Fundação Universidade Federal De Viçosa – 636;

Fundação Universidade Federal Do ABC – 1.700;

Fundação Universidade Federal Do Pampa – 2.725;

Fundação Universidade Federal Do Tocantins – 402;

Fundação Universidade Federal Do Vale Do São Francisco – 1.330;

Universidade Federal Da Paraíba (UFPB) – 809;

Universidade Federal De Alfenas – 1.037;

Universidade Federal De Goiás (UFG) – 206;

Universidade Federal De Itajubá – 990;

Universidade Federal De Juiz De Fora – 176;

Universidade Federal De Lavras – 591;

Universidade Federal De Mato Grosso (UFMT)– 5.168;

Universidade Federal De Mato Grosso Do Sul (UFMS)– 3.920;

Universidade Federal De Ouro Preto – 1.218;

Universidade Federal De Pelotas – 3.076;

Universidade Federal De Pernambuco (UFPE)– 25;

Universidade Federal De Roraima (UFRO)– 202;

Universidade Federal De São Carlos – 2.553;

Universidade Federal De São João Del Rei – 166;

Universidade Federal De São Paulo (UFESP)– 2.041;

Universidade Federal De Uberlândia – 312;

Universidade Federal Do Acre – 70;

Universidade Federal Do Amazonas – 1.864;

Universidade Federal Do Ceará – 5.724;

Universidade Federal Do Estado Do Rio De Janeiro – 1.195;

Universidade Federal Do Maranhão – 1.918;

Universidade Federal Do Paraná – 524;

Universidade Federal Do Piauí – 2.893;

Universidade Federal Do Recôncavo Da Bahia – 1.320;

Universidade Federal Do Rio De Janeiro – 4.925;

Universidade Federal Do Rio Grande – 2.439;

Universidade Federal Do Rio Grande Do Norte – 245;

Universidade Federal Dos Vales Do Jequitinhonha E Mucuri – 691;

Universidade Federal Fluminense – 863;

Universidade Federal Rural De Pernambuco – 1.639;

Universidade Federal Rural Do Rio De Janeiro – 1.910;

Universidade Federal Rural Do Semi-Árido – 1.015;

Universidade Tecnológica Federal Do Paraná – 3.150.

Institutos Federais

Centro Federal De Educação Tecnológica Celso Suckow Da Fonseca – 602;

Centro Federal De Educação Tecnológica De Minas Gerais – 75;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Baiano – 390;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Catarinense – 870;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Da Bahia – 547;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Da Paraíba – 930;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Alagoas – 311;

Instituto Federal De Educação, Ciencia E Tecnologia De Brasilia – 10;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Goiás – 160;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Pernambuco – 310;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Rondônia – 3;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Roraima – 210;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Santa Catarina – 494;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo – 900;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De Sergipe – 310;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Acre – 150;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Amapá – 160;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Amazonas – 160;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Ceará – 1.750;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Espírito Santo – 766;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Maranhão – 1.110;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Norte De Minas Gerais – 345;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Pará – 695;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Paraná – 220;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Piauí – 1.070;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Rio De Janeiro – 960;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Rio Grande Do Norte – 350;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Rio Grande Do Sul – 560;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Sertão Pernambucano – 549;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Sudeste De Minas Gerais – 374;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Sul De Minas Gerais – 285;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Tocantins – 289;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Do Triângulo Mineiro – 44;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Farroupilha – 183;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Fluminense – 200;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Goiano – 307;

Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia Sul-Rio-Grandense – 150;

Instituto Federal De Mato Grosso Do Sul – 80.

Universidades estaduais e escolas nacionais

Universidade Do Estado Da Bahia – 532;

Universidade Estadual De Mato Grosso Do Sul – 2.350;

Universidade Estadual Do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – 526;

Universidade Estadual Do Rio Grande Do Sul – 422;

Centro Universitário Estadual Da Zona Oeste – 220;

Escola Nacional De Ciências Estatísticas – 120.


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Fonte: Site do MEC