O PROFISSIONAL ARQUIVISTA E O MARKETING

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O profissional Arquivista e o marketing: visando conhecimentos e satisfação informacionais aos usuários do arquivo publico de Londrina

PROBLEMA

Hoje com a globalização em alta e os avanços tecnológicos as empresas estão enfrentando obstáculos em diversos âmbitos e serviços. E se tratando de documentação a situação é muito pior; em algumas instituições a massa documental cresce assustadoramente e estão se perdendo sem a mínima chance de serem encontradas na hora da busca causando muito prejuízo para a instituição. Além disso, seus serviços não são divulgados para atrair novos usuários potenciais.
O arquivo publico é uma instituição que guarda boa parte da documentação da administração publica e é visto como celeiro da história. Mesmo a frente do funcionamento dos serviços desta instituição é preciso compreender como seus serviços são disponibilizados.
Desta forma o problema se expressa por meio das questões: qual as dificuldades dos usuários em relação aos serviços oferecidos pelo arquivo publico de Londrina? E quais os benefícios que o profissional arquivista pode oferecer para satisfazer as suas necessidades informacionais?
Trata se enfim, que a instituição precisa prestar bons serviços para atrair e conquistar novos usuários. Esses serviços podem ser disponibilizados por um arquivista que é a pessoa ideal para atuar no arquivo junto com os outros profissionais no trabalho de gestão de documentos. Portanto se faz necessário saber como usar o marketing para divulgar os serviços e produtos e também a imagem da instituição, sendo que muitas vezes é mal vista pela sociedade por falta de conhecimento ou a carência da publicação dos serviços prestados.

JUSTIFICATIVA

Toda instituição tem a mesma finalidade, que é oferecer seus serviços e produtos ao consumidor, do mesmo jeito oferecer informações. Ultimamente o arquivo é uma instituição que se tornou popular ao prestar serviços informacionais para os usuários, mas nem sempre as informações são disponibilizadas com exatidão na hora que eles precisam.
Sendo assim, o Arquivista precisa estar atento as mudanças, seus serviços devem ser desenvolvidos conforme o seu publico, voltadas ás necessidades informacionais deles. Pois a sociedade em geral precisa se envolver com as atividades informacionais oferecidas de forma a inteirar-se nas constantes transformações.
Este estudo ajuda na organização do entendimento cientifico no campo da Arquivologia, mostra a importância do Arquivista dentro de uma instituição atuando e interagindo com os usuários, pois é fundamental o trabalho desse profissional no gerenciamento das informações no arquivo, propondo estratégias que levam em consideração os serviços informacionais arquivísticos que envolvam a melhoria na qualidade dos serviços prestados. Com isso, há a possibilidade de conhecer diversos aspectos administrativos que permite a empresa se destacar no mercado e a ter uma organização que lhe ajuda tomar decisões e que a torne mais competitiva.

REVISÃO DA LITERATURA

Nesta seção serão vistos alguns pensamentos de autores que por meio de estudos em literatura com livros, Internet, periódicos servirão para dar apoio ao tema desse trabalho. Segundo Araújo (2004, p. 21) A fundação teórica visa estabelecer uma abordagem dos aspectos que norteiam o assunto estudado, considerando suas características e dados sobre assunto referido.

Princípios arquivísticos
Os arquivos são uma ferramenta de apoio da administração. Com a utilização de suas informações, viraram produtos dos procedimentos do funcionamento da administração. Por conseqüência, eles testemunham políticas, decisões, funções, atividades e transações das instituições. Deste modo, as documentações institucionais ganham um caráter oficial e um estatuto jurídico, propriedades que diferem de outros documentos. (CABRAL; MATOS E NUNES apud EVANS, 1998, P. 16).
A vida dos documentos arquivísticos divide em três períodos:

Atividade: que são os documentos de primeira idade, que ficam junto a administração sendo usados diariamente.
Semi atividade: são documentos pouco usados, e já esperam um destino final.
Inatividade: são documentos com grande valor histórico e administrativo, porém são guardados para provar algo e para tomada de decisão.
Rousseau (1998, p. 14) argumenta:
Como apoio teórico deste ciclo que reparte a vida dos documentos produzidos por uma pessoa física ou moral em três fases precisas, é importante classificar os conceitos das três idades e as noções dos sem valor.
A imparcialidade é a primeira característica dos registros documentais. As informações são verdadeiras e os documentos são provas originais, revelam fatos e atos. Porém a arquivística está classificada e alguns princípios:
– Autenticidade que é a criação dos documentos e há uma ligação entre a manutenção e a custódia. São autênticos porque são criados, mantidos e conservados sob custódia. Também é natural porque são acumulados no curso das transações conforme com as necessidades.
– Inter relacionamento; Cada documento está relacionado com os demais documentos dentro ou fora do grupo, mas estão preservados.
– Unicidade: cada documento é único, cada qual tem o seu lugar único na estrutura documental no grupo que pertence. (DURANTI, 1993, P.61 e 62).

Arquivo
Os desenvolvimentos intelectuais da sociedade fizeram mudanças nas empresas atuais. Antigamente, Como destaca Schellenberg (2004, p. 25) os documentos eram guardados no templo da mãe dos deuses, onde eram conservados na forma de rolos de papiros.
Desde os tempos primitivos as pessoas já tinham uma preocupação com as informações, sabiam que era preciso guardar para quando precisassem da informação a mesma poderia ser resgatada para tomada de decisão. Assim, historicamente foram surgindo os arquivos onde deram origem aos arquivos de hoje.
Silva destaca (1999)
Hoje, a importância de se discutir as linhas de acervo que devem ser definidas pelos centros de memória e documentação, é porque se trata de questão estratégica, fundamental já que assim se organiza o conhecimento. O conhecimento é especializado, as pessoas acessam as informações dessa maneira. Por isso esses centros só realizam sua função essencial se estiverem em sintonia com o modo como o conhecimento está sendo construído hoje. Num primeiro momento, a própria sociedade contemporânea exigiu o surgimento desses centros, que se aproveitavam de informações já produzidas sobre conjuntos bibliográficos, arquivísticos etc. para dar um apoio informacional ao pesquisador, ao empresário, ao governo e ao político.
Os arquivos não têm só a função de guardar documentos, mas de disponibilizar informações para o publico em geral da empresa que necessitam delas para pesquisa e tomada de decisão. (Os arquivos são as documentações informações registradas em suportes) que uma empresa comporta.
Conforme ressalta Fonseca (1999)
O dicionário internacional de terminologia arquivística publicado pelo conselho internacional de arquivos cita que arquivo é o conjunto de documentos, quaisquer que sejam suas datas, suas formas ou seus suportes materiais, produzidos ou recebidos por pessoas físicas e jurídicas de direito publico ou privado, no desempenho de suas atividade.
Hoje com a modernidade e o crescimento das empresas, o arquivo não é só uma sala onde ficam esquecidos os documentos. O arquivo está em todos os setores da empresa e os documentos são tramitados e usados diariamente pelas pessoas que precisam da informação para tomada de decisão. Quando acaba o valor primário do documento, o mesmo espera seu destino final, sendo eliminado ou guardado para sempre no arquivo central que precisa ser um bom ambiente que o preserve como fonte do passado e é preciso que esse documento seja tratado e disseminado para na hora da busca ser resgatado com facilidade.
Os valores inerentes aos documentos públicos modernos são de duas categorias: valores primários param a própria entidade onde se originam os documentos, e valores secundários, para outras entidades e utilizadores privados. Os documentos nascem do cumprimento dos objetivos para os quais um órgão foi criado administrativos, fiscais, legais e executivos. Esses usos são de primeira importância. Mas os documentos oficiais são preservados em arquivos para apresentarem valores que persistirão por muito tempo ainda depois de cessado seu uso corrente e porque os seus valores serão de interesse para outros que não os utilizadores iniciais. (SHELLENBRG, 2004, p.18)
Deste modo, são no arquivo da empresa que ficam guardados os documentos no qual visa atender as necessidades dos usuários que precisam de uma informação para simples pesquisa e até mesmo para tomada de decisão.
È preciso saber quem são os usuários para saber quais suas necessidades informacionais por meio de estratégias para assim desenvolver mudanças na área do arquivo.
O arquivo pode ser publico ou privado e também pessoal, porém todos tem a mesma finalidade de disponibilizar informações a seu publico, exceto que sejam informações não sigilosas. O arquivo privado é criado por pessoas físicas de direito privado, normalmente não é aberto para pesquisa ao publico externo, somente aos usuários internos que atuam dentro da empresa. Em muitos casos nem mesmos eles podem ter acesso a esses arquivos por ter informações restritas. Bellotto (2007, p. 253) afirma que Os arquivos privados são documentos recebidos e criados dentro da empresa por pessoas físicas e jurídicas no decorrer de suas atividades.
Segundo Schellemberg (1974 p. 11).
O arquivo publico é o local onde estão os documentos da administradores do Estado. São documentos de vários órgãos do governo que devem ser preservados para tomada de decisão. São procurados pela sociedade em geral denominados usuários da informação. O documento das instituições publica, mesmo os mais antigos são necessários na medida em que refletem a origem e crescimento de um governo ou instituição. Contém provas de obrigações financeiras legais que devem ser preservadas com o objetivo de protege-los. Os arquivos se constituem em alicerces sobre os quais se ergue a estrutura de uma nação.
O arquivo é considerado um instrumento de auxilio ao usuário, sendo um meio indispensável para o desenvolvimento da pesquisa, possibilitando condições de acessar e utilizar as informações nele disponível. Assim atende as necessidades básicas do assunto a ser pesquisado, deve dar ao publico materiais diversificados, que atendam suas necessidades e para de cidadão critico e consciente na sociedade. Dessa forma ressalta Araújo (2004 p.24).
Muitas pessoas vêem uma unidade de informação, como um depósito de materiais e não a reconhecem como local de investigação e de conhecimento. Porém, é necessário lembrar sua importância e sua contribuição na formação de leitores e no desenvolvimento da capacidade e interesse do usuário em aprender e conhecer os recursos que as unidades de informação possui utilizando a como apoio á pesquisa. (ARAÚJO, 2004 p. 24).
O arquivo como um centro de informação precisa comprometer se na missão institucional apresentando de forma responsável os seus serviços com o objetivo de disponibilizar informações para suas pesquisas, cultura e também um ambiente adequado a essas atividades. (Pinheiro e Godoy, 2002).
Para Schellenberg (2004, p. 36 e 37)
Sir hilary Jen kinson, no seu manual inglês intitulado, edição de 1937 definiu arquivos como documentos… Produzidos ou usados no curso de um ato administrativo ou executivo (publico ou privado de que são parte constituinte e preservados sob custódia da pessoa responsável por aqueles atos e por seus legítimos sucessores para sua própria informação. Em uma publicação intitulada Archivkunde, publicada em Leipzig, 1953, define arquivos como o conjunto de papéis e de documentos que promanam de atividades legais ou de negócios de uma pessoa física ou jurídica e se destinam á conservação permanente em determinado lugar como fonte e testemunho do passado.
Para a história de um país os arquivos são importantíssimos, pois tem campo para pesquisa e ajuda na história contemporânea. (SANTOS 1996, p. 175).
Conforme FEIJÒ (1988, p.16)
O arquivo é algo de sumo importância, pois, na sua organização está implícito o fato de documentar e comprovar todas as informações emitidas. Isto significa a guarda dos documentos de forma tal que os registros possam ser conferidos conseqüentemente comprovados quando as situações assim o exijam.Na realidade só existe na medida em que uma série de documentos exija permanente conservação. Alguém, não no sentido vago que o termo possa sugerir, deve ter conhecimento perfeito do arquivo e da forma de arquivamento. Dizemos alguém por coerência com a objetividade das proposições aqui consignadas e que nos lembram das muitas realidades que impedem a existência de um arquivista, que seria o ideal.
Para que os objetivos propostos sejam realizados no arquivo, a instituição precisa de um arquivista com conhecimentos formais na área de gestão de documentos devendo conhecer quem realmente é o seu publico para então desenvolver estratégias, mostrar seus serviços para que todos o utilizem e fiquem satisfeitos, podendo retornar e trazer com eles novos usuários para a instituição.

Usuários de informação arquivística
É impossível oferecer um produto se não houver o cliente, assim acontece no arquivo se não tiver o usuário para disponibilizar serviços de informações. Pois este deve existir para que a empresa se desenvolva e se torne conhecida. A instituição precisa se planejar para dar bom atendimento aos seus usuários, por outro lado, o usuário pode migrar para outro mercado, a fim de obter satisfação de suas necessidades. Porquanto o usuário tem grande valor para a instituição, por ser o consumidor de seus produtos e é ele quem leva conhecimentos sobre os serviços e produtos a outras pessoas.
Junior apud Vergara (2009, p. 22) define usuários como sendo qualquer pessoa que seja transformada pelo produto ou serviço, eles podem ser internos e externos e variam amplamente em importância econômica.
Os usuários de arquivo são segundo Bellotto (2007 p. 28);
O administrador, aquele que produz o documento e dele necessita para sua própria informação na complementação do processo decisório, o cidadão interessado em testemunhos que possam comprovar seus direitos e o cumprimento de seus deveres para com o Estado; o pesquisador, historiador, sociólogos ou acadêmicos em busca de informações para trabalho de analise de comportamentos e eventos passados, podendo ser incluído nessa categoria o estudioso em geral; o cidadão comum, aqui não mais o interessado em dados juridicamente válidos, mas o cidadão não graduado, p aposentado, a dona de casa etc. a procura de cultura geral, de entretenimento, campos em que pode haver lugar para o conhecimento da história.
Em muitos casos, os usuários se deparam com uma barreira dentro da empresa quando vão as buscas de informação, mas não encontram, outra barreira que encontram é quando não sabem expressar para o arquivista qual a informação desejada, por isso o arquivista deve conhecer os usuários e interpretar suas necessidades de informação.
Para Joos (2008) O usuário em primeiro lugar tem que ter uma atitude necessária para que as empresas obtenham o sucesso esperado, tendo com objetivo atender as demandas dos seus clientes. O usuário desenvolve expectativa conforme os serviços oferecidos na instituição e pelos anúncios, publicações que são feitas, principalmente, quando há forte impressão de outras pessoas sobre eles. Portanto a disponibilização dos serviços devem ser conforme as expectativas adquiridas. A grande satisfação dos usuários do arquivo é quando chega a conclusão que suas necessidades foram atendidas conforme o esperado.
O papel do Arquivista nas empresas
É papel do profissional que atua nos arquivo, prestar serviços de referências aos usuários, dando a eles orientação e incentivarão a pesquisa, oferecendo a eles meios de descobrir o que querem. Além disso, o arquivista é o responsável pelas documentações administrativas quanto às histórias da instituição, esse profissional é o gestor da informação, pois é necessário conhecimentos arquivísticos, técnica de marketing para divulgar os serviços, mostrando a imagem da instituição.
o trabalho do profissional arquivista é um pouco complexo, além da responsabilidade com suas atividades com as demais tarefas que envolvem os usuários, existe também a ética nos seus serviços, quanto a assuntos sigilosos que não podem ser abertos ao publico em geral. È necessário que se crie um modelo profissional que atenda as necessidades dos usuários e que esteja de acordo com as possibilidades deles. Lopes (1996 p. 52). O gestor da informação segue uma ética profissional que lhe orienta a atuar no sentido de responder aos interesses do seu cliente imediato, no caso da empresa e empresário. (INFORMAÇÃO & INFORMAÇÃO).
JAMENSON (1964, p. 284) ressalta;
O arquivista para ser perfeito, deve ter um pouco de outros profissionais, sem contar as condições especialíssimas de boa vista, paciência, perspicácia, habilidade para lidar com outrem.
Hoje o arquivista é o gestor da informação, ele tem que estar preparado para enfrentar vários desafios, esse profissional precisa conhecer toda empresa, saber quais os serviços oferecidos, quem são os fornecedores e quais as necessidades que os usuários têm de informação. Além disso vai gerenciar informações, para disponibilizar aos usuários quando eles vão à busca da mesma para tomada de decisão.
Com o aumento da tecnologia e da globalização as informações vão surgindo e a massa documental cresce assustadoramente e vão se acumulando sem nenhuma organização e chances de serem encontrados na hora da busca. Aos arquivistas cabe parte desta falha, muita desses profissionais não sabem como desenvolver pesquisa do seu mercado, promover os seus produtos e serviços profissionais por meio de divulgações, e não treinam usuários de modo que eles possam utilizar os recursos todos montados para seu uso. (Figueiredo, 1979).
Conforme Bellotto (2007, p.31)
O arquivista é o profissional do futuro, tem sido chamado justamente a melhor assegurar a conservação dos documentos para os usuários da empresa e também precisa se preparar para muitos desafios que aparecerão a sua frente, é necessário que gerencie as informações e as mostre para as pessoas quais são os seus objetivos que é cuidar da preservação das informações, criar serviços que ajude os usuários a encontrarem as informações com facilidade.
O Arquivista é pessoa que cuida dos serviços de conservação de documentos e esta hoje esta comparado ás demais funções públicas. Como outros profissionais, ele tem suas atribuições definidas, precisa ter sua credencial própria para atuar no arquivo moderno, pois não é mais um depósito de papéis esquecidos ao abandono. (Jameson. 1964 p.284).
De acordo com Ferreira apud Teixeira filho (1998, p.2)
O arquivista é o responsável pelo acervo de documentação da empresa, abrangendo textos, periódicos, artigos, livros, manuais, plantas, especificações técnicas, estruturando e mantendo a memória organizacional. Ou até mesmo o profissional de marketing, preocupado com a pesquisa, capacitação, seleção, qualificação, análise e comunicação das informações sobre o mercado, o empenho da empresa e da concorrência.
È fundamental que a sociedade fique em contato com as informações disponíveis, para terem vontade e prazer na pesquisa, pois é primordial que ganhem experiência positiva, para assim despertar nele a vontade de conhecer e buscar novos conhecimentos. Ao contrário, o usuário perde o interesse pela pesquisa podendo não freqüentar mais o arquivo.
Dentro da instituição no trabalho do arquivo, o arquivista junto com os outros profissionais precisa desenvolver estratégias, buscar recursos para amenizar o problema enfrentado pelos usuários que não sabem utilizar os serviços oferecidos, enfrentam obstáculos quando estão a frente do arquivista, não sabendo com expressar o que realmente desejam. Em muitos casos o arquivista também não consegue interpretar suas necessidades.
Santos e Souza apud faria (2005) argumenta; O profissional da informação pode inserir-se como ativo e agente criativo, capitalizando sua competência informacional para as estratégias da organização em que atua. Torna-se necessário então compreender o perfil, as competências, habilidades e atitudes requeridas para que este profissional possa ocupar um espaço amplo e diversificado na era do conhecimento onde as tecnologias são ferramentas de suma importância.
O serviço de referência e informação, em especial nas unidades de informação públicas, apresenta se como o espaço em que se realiza a relação usuário informação. Talvez fosse melhor dizer o espaço onde se pretende a relação usuário informação, a relação necessidade informacional e informação. O talvez é motivado pelo fato de que em grande parte das vezes essa relação não existe. (OSVALDO, 2003, p. 39).
Uma das razões mais simples que as pessoas não usam as unidades de informação é que eles não sabem da existência dos centros voltados aos seus interesses, outros são vagamente sabedores dos serviços, mas não sabem os pontos de acesso ou os benefícios em potencial. (FIGUEIREDO. 1977 P. 88).
De acordo com Shellenberg (2004, p174),
Para o êxito de qualquer programa de arquivo é essenciais um corpo de funcionários com formação profissional. O arquivista deve possuir em primeiro lugar uma boa base em algum campo de conhecimento, e em seguida, conhecimentos especializados quanto aos princípios e técnicas de arquivo.
Para realizar seu papel que é cuidar da gestão da informação e ajudar na busca de conhecimentos e desenvolvimento intelectual do usuário, é preciso que o arquivo seja conhecido e visitado por sua comunidade. (ARAÙJO, 2004, p. 31).
Sendo assim o arquivista precisa estar preparado para acompanhar as transformações que ocorrem na sociedade, com o objetivo de atender as necessidades do seu publico, dando a eles satisfação, conhecimento e ajudar no desenvolvimento da instituição, divulgando seus serviços e imagem possibilitando que a mesma se torne mais competitiva.

Marketing
Toda empresa para atrair clientes, faz propaganda para vender seus produtos e serviços. E é por meio do marketing que essa divulgação é feita para chamar atenções da sociedade.
O Marketing é um processo central das instituições, que desenvolve com objetivo de atender a necessidade humana. È por meio do marketing, que o usuário adquire conhecimentos e orientação, pois assim sabem quais medidas tomar a fim de conseguir por em dia suas pesquisas, proporcionando contentamento da realização intelectual atingida. (CORTEZ, 1985, P.15).
Segunda kotler e Fox (1994, p. 47)
Marketing destaca a satisfação dos consumidores ao responder as suas necessidades e desejos. Uma instituição educacional que responde ao mercado fazendo todos esforços para sentir, atender e satisfazer as necessidades e aos desejos de seus consumidores e publico dentro das restrições de missão e orçamento. Cada instituição deve determinar qual nível de resposta deseja e, depois, implementar programas para alcançar este nível de satisfação.
Sabe-se que dentro do processo do marketing, as necessidades das pessoas ficam em primeiro lugar, essa é a idéia essencial do marketing, já que o homem e suas necessidades são múltiplas e diferentes de acordo com a própria constituição. (JÚNIOR, 2009 apud COBRA, 2000). A idéia de marketing, é satisfazer as necessidades dos usuários e outras obrigações sociais. No decorrer desse segmento, o planejamento de marketing requer a consideração das necessidades dos usuários como consumidores. (KASSARJAN e BENNETT, 1975, P. 14).
Assim, Kassarjan e Bennett (1975, p. 35) ainda ressaltam:
A demanda do consumidor é a quantidade de um bem serviço que ele está disposto a comprar a diversos preços. Veremos que a demanda do consumidor pode ser derivada da teoria do comportamento do consumidor.
A necessidade é uma carência que a pessoa sente e se transforma em um desejo que quando se relaciona ao poder aquisitivo torna-se uma demanda. A criação de produtos e serviços oferece para os usuários grande valor que é o entretenimento que diferencia entre os benefícios e os custos. (JÚNIOR, 2009, p.3).
Para uma instituição a proporção de um serviço faz parte da sua capacidade face a sua competição, para achar a procura dos seus usuários. Portanto, a concorrência acontece quando a instituição tiver uma vantagem estratégica, seja pela presença distintivas que a distingue de suas concorrências, seja pela produtividade que lhe da vantagem de custo. (ZENONE, 2007, P.24). Se o produto tem um bom valor, a satisfação logo virá e a qualidade significa esta satisfação que o usuário deseja. (JÚNIOR, 2009, P.14).
O cliente tem satisfação, quando adquire um bom produto, e assim sucede o processo da troca que é a realização de suas necessidades com o desejo. Desse modo, com o marketing acontece uma transação entre duas partes, e com essa ligação das partes é desenvolvido um grupo de usuários reais e potenciais de um produto e serviço.
De acordo com Cortez (1985, p. 64)
Marketing é o conjunto de estudos, medidas e orientações para os usuários que tem como retaguarda e objetivo de produzir a satisfação de suas necessidades e desejos, garantindo o bom êxito das metas organizacionais.
Um dos desafios que um gestor enfrenta é o seu ver, que precisa ser desenvolvido de modo que, com suas ferramentas e dados disponíveis os usuários detectam tendências e toma decisões eficientes no tempo certo. (ZENONE, 2007, P.66). Um dos desafios do marketing é o de fazer parte na mesma estratégia, a filosofia voltada ao usuário, proporcionado o aos interesses da instituição. Porém uma empresa existe para atender os seus interesses internos. (ZENONE, P. 124).
Las Casas (2006, p. 48) diz que:
Para alcançar os objetivos e metas, a administração desenvolve estratégias e táticas, que são planos de ação que partem de uma analise do meio ambiente, onde se determinam oportunidades e ameaças do mercado, observando se os pontos fortes e fracos para aproveitamento das oportunidades ou proteção quanto às ameaças detectadas. A diferença que alguns autores estabelecem é que a estratégia é sempre mais geral, envolvendo todas as partes da empresa, enquanto a tática é mais relacionada com um setor específico que é o do marketing.
O campo do conhecimento é que envolve todas as ações ligadas a troca, orientadas para a satisfação das necessidades dos usuários, procurando alcançar determinados objetivos da instituição e estimando sempre o meio ambiente de atividades e impacto que essa faz no bem estar das pessoas. (JÚNIOR, 2009, P. 14).
No interior de uma instituição, o marketing é conceituado como a função que estabelece as necessidades e vontades dos usuários alvo que a instituição pode servir melhor. Além de projetar serviços, produtos e atividades a esses mercados. (JÚNIOR, 2009, P. 14).
De acordo com Zenone apud Sâmara (2007, p. 101)
Quando o marketing visa conhecer mais fundo estas necessidades do consumidor, através do processo conhecido como pesquisa do consumidor. São encontradas diferentes áreas que sofrem maior ou menor influência pelo marketing e principalmente programas de publicidade como: influencia social status, influência pessoal, familiar, do domicilio e situacional. Este estudo concede que a criação de valor para o usuário é uma estratégia na demandas deles. Dessa forma o cumprimento de ação que abrange o marketing é um instrumento para criação de serviços na instituição.
È primordial que as instituições divulguem seus serviços e produtos usando as técnicas de marketing, pois essa é a melhor estratégia voltada aos seus usuários. Dessa forma, a empresa ganha status e novos usuários para usufruir seus produtos e serviços.

RESUMO DE SOCIOLINGUISTICA

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Resumo de Sociolingüística, baseado no texto de Tânia Maria Alkmim
Por Amanda Lima – 2010

Sociolingüística

A sociolingüística é a área que estuda as relações entre linguagem e sociedade, pois os seres humanos vivem organizados em sociedades e faz parte de um plano de comunicação oral, uma língua.

Língua e sociedade

Essa relação é mais marcante do que se imagina. A própria língua como sistema acompanha de perto a evolução da sociedade e reflete de certo modo os padrões de comportamento, que variam em função do tempo e do espaço. Inversamente. Pode-se supor que certas atitudes sociais ou manifestações do pensamento sejam influenciadas pelas características que a língua da comunidade apresenta.

Estudiosos da Lingüística

Para Saussure, a língua e um fato social, no sentido de que é um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social. Ele aponta a linguagem como faculdade natural que permite ao homem constituir uma língua, com isso, a língua se caracteriza por ser um produto social da faculdade da linguagem. Segundo ele: o estudo dos fenômenos lingüísticos externos e muito frutíferos, mas e falso dizer que sem estes não seria possível conhecer o organismo lingüístico interno. A linguagem é adquirida e construída pelo homem.
Segundo Meillet, A língua é, ao mesmo tempo, lingüística e social, ele utiliza em seus estudos lingüísticos uma orientação diacrônica, mas acredita que a historia das línguas é inseparável da historia da cultura e da sociedade.
A verdadeira historia da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo fato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal realizada da enunciação ou das enunciações. A intenção verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. Afirma Bakhtin.
Dizia Jakobson que no principio a igualdade do código lingüístico, postulado por Saussure, e adotado pela lingüística, não passa de uma ficção desconcertante, já que todo individuo participa de diferentes comunidades lingüísticas e todo código lingüístico é multiforme e compreende uma hierarquia de subcódigos diversos, livremente escolhidos pelo sujeito falante.
Jakobson privilegia os aspectos funcionais da linguagem e identifica como fatores constitutivos de todo ato de comunicação verbal: o remetente, a mensagem, o destinatário, o contexto, o canal e o código.
Defensor da necessidade de um diálogo entre as ciências humanas, Cohen afirma que: os fenômenos lingüísticos se realizam no contexto variável dos acontecimentos saciais. Para ele os estudos dos aspectos externos e internos de uma língua devam ser separados e assume a questão das relações entre língua e sociedade a partir de fatores externos.
Cohen estabelece temas de interesse para estudos sociológicos da linguagem, a partir do estudo das relações entre as divisões sociais e as variedades de linguagem, que permite abordar tópicos como: a distinção entre variedades rurais, urbanas e classes sociais, os estilos de linguagem (variedades informais e formais), as formas de tratamento, a linguagem de grupos segregados (jargão de estudantes, de marginais, de profissionais, etc.).
Na concepção de Benveniste língua e sociedade não podem ser concebidas uma sem a outra. e dentro da, e pela língua que o individuo e a sociedade se determinam mutuamente, dado que ambos só ganham existência pela língua.
A língua é a manifestação concreta da faculdade humana de simbolizar. É pelo exercício da linguagem, pela utilização da língua, que o homem constrói sua relação pela natureza e com os outros homens.
A linguagem sempre se realiza dentro da língua, de uma estrutura lingüística definida e particular.
Para Benveniste sociedade e língua são grandezas de ordem distintas, que tem organizações estruturais diversas: a língua se organiza em unidades distintas, que são em números finitos, combináveis e hierarquizadas; o que não se observa na organização social.
A língua permite que o homem se sitie na natureza e na sociedade, o homem se situa necessariamente em uma classe, seja uma classe de autoridade ou uma classe de produção […] revela o uso particular que grupos ou classes de homem fazem dela […] e as diferenciações que daí resultam no interior de uma língua comum.
A língua é o instrumento de comunicação que deve ser comum a todos os membros da sociedade e é também o instrumento próprio para descrever, para interpretar tanto a natureza quanto a experiência.

William BRIGHT e a Sociolingüística

A proposta de Bright para a sociolingüística é a que ela deve demonstrar a covariação sistemática das variações lingüísticas observáveis em uma comunidade as diferenciações existentes na estrutura social desta mesma sociedade.
Segundo ele: o objeto de estudo da sociolingüística é adversidade lingüística.

Willian LABOV Sociolingüística Variacionista

O termo sociolingüística fixou-se em 1964, com Willian Labov, que fixou um modelo de descrição e interpretação do fenômeno lingüístico no contexto social de comunidades urbanas conhecido como Sociolingüística Variacionista ou Teoria da Variação.
Labov sublinha o papel decisivo dos fatores sociais na explicação da variação lingüística (diversidade lingüística) e relaciona fatores como idade sexo, ocupação, origem étnica e atitude ao comportamento lingüístico.

Objeto da sociolingüística

As pesquisas na área de sociolingüística são feitas por entrevistas e/ou amostragem.
O objeto da sociolingüística é a língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso. Seu ponto de partida é a comunidade lingüística, um conjunto de pessoas que interagem verbalmente e que compartilham um conjunto de normas a respeito aos usos lingüísticos.
Uma comunidade de fala se caracteriza não pelo fato de se constituir por pessoas que falam do mesmo modo, e sim por indivíduos que se relacionam por meio de redes comunicativas diversas e que orientam seu comportamento verbal por um mesmo conjunto de regras.

A variação lingüística: um recorte

Todas as línguas do mundo são sempre continuações históricas gerações sucessivas de indivíduos legam a seus descendentes o domínio de uma língua particular. As mudanças temporais são parte da história das línguas.
No plano sincrônico, as variações observadas na língua são relacionáveis a fatores diversos: dentro de uma mesma comunidade de fala, pessoas de origem geográfica, de idade, de sexo diferente falam distintamente.
Não há casualidade entre o fato de nascer em uma determinada região, ser de uma classe social e falar de certa maneira.

ALKMIM, Tânia Maria. Sociolingüística In: MUSSALIN, Fernanda (org.). Introdução á Lingüística. São Paulo: Cortez. 2006
MUSSALIM, Fernanda e BENTES, Ana C. (org.). Introdução à lingüística: Domínios e
Fronteiras. Vol.1. São Paulo: Cortez, 2001.

ALFABETIZAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS

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FACULDADE ISEIB
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO IBITURUNA ISEIB
Portaria MEC N° 2.861 de 13/09/2004 DOU 16/09/04
Alfabetização nas Séries Iniciais
Montes claros
Novembro/2009

SUMÁRIO

Definição do tema e do problema
Justificativa
Objetivos
Objetivos Geral
Objetivos Específicos
Hipóteses
Fundamentação teórica
Metodologia
Referências bibliográficas

1. DEFINIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA

Tema: Alfabetização nas series iniciais.
Problema: Qual o processo de ensino-aprendizagem utilizado na alfabetização na 1ª série da escola Carrossel?

2.JUSTIFICATIVA

A relevância deste trabalho é contribuir com o processo de alfabetização dos alunos nas séries iniciais. Um outro eixo tem como objeto o que poderíamos denominar de materiais e métodos de ensino de ciências, destinados às Séries Iniciais. Em muitos casos os trabalhos localizados neste eixo se articulam com aqueles do eixo de formação de professores através de distintos níveis de aproximação. Tanto produzindo, testando e avaliando material instrucional destinado ao aluno e ao professor das Séries Iniciais, como relativos a processos de avaliação dos livros didáticos utilizados nas Séries Iniciais, estes trabalhos também têm uma trajetória, da qual se constituem.
Por considerar-se que uma educação de qualidade depende principalmente da ação pedagógica desenvolvida em sala de aula e que essa ação, por sua vez, está diretamente ligada à formação do professor, propõe-se, neste texto, uma reflexão sobre o contexto de formação do professor alfabetizador, com base na Lei 9394/96 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O estudo possibilitou a constatação de que, apesar de polêmica e de suscitar críticas, a LDB trouxe avanços à formação docente, abrindo espaço principalmente para a formação em serviço, na qual o professor amplia o seu “saber fazer” e passa a melhor compreender o “para que fazer”.Toda criança tem direito a uma educação de qualidade, a qual mostra não só o sucesso do aluno, como também o da própria escola.
Entretanto, apesar do reconhecimento desse direito e das muitas medidas que vêm sendo tomadas para garanti-lo, ainda existem elevados índices de evasão e repetência escolar. E, de modo geral, constata-se que o fracasso escolar se constitui, em última instância, no fracasso da alfabetização, hoje entendida como expressão e compreensão de significados através da linguagem escrita.
Pode-se dizer que a alfabetização é o uso que as pessoas fazem da leitura e da escrita em seu contexto social. Convivendo com uma variedade muito grande de informações, almeja-se que as pessoas saibam compreender os significados que os textos propiciam, incorporando-os na sua prática social. O indivíduo poderá fazer uso competente e freqüente da leitura e da escrita em seu trabalho, em casa, no seu lazer, etc.
É nossa compreensão que esta conceituação de alfabetização, será de fundamental importância para o entendimento da alfabetização científica para as Séries Iniciais. A categoria letramento em Ciências refere-se à forma como as pessoas utilizarão os conhecimentos científicos, seja no seu trabalho ou na sua vida pessoal e social, melhorando a sua vida ou auxiliando na tomada de decisões frente a um mundo em constante mudança.
Assim sendo, a alfabetização está sendo proposta preocupa-se com os conhecimentos científicos, e sua respectiva abordagem, que sendo veiculados nas primeiras séries do Ensino Fundamental, se constituam num aliado para que o aluno possa ler e compreender o seu universo. Pensar e transformar o mundo que nos rodeia tem como pressuposto conhecer os aportes científicos, tecnológicos, assim como a realidade social e política. Portanto, a alfabetização nas Séries Iniciais é aqui compreendida como o processo pelo qual a linguagem adquire significados, constituindo-se um meio para o indivíduo ampliar o seu universo de conhecimento, a sua cultura, como cidadão inserido na sociedade.
A partir desta compreensão propomos a abordagem sistemática de um amplo leque de atividades, articulado com o planejamento escolar. O pressuposto é que a escola, dissociada do seu contexto, não dá conta de alfabetizar cientificamente. Permeando-a existe uma série de espaços e meios que podem auxiliar na complexa tarefa de possibilitar a compreensão do mundo. Garante-se, no entanto, a especificidade do trabalho educativo escolar na medida em que a atuação docente, mais que solicitada, é necessária para o planejamento e condução do que se propõe.

3. OBJETIVOS

3.1. Objetivo Geral

Compreender qual a melhor metodologia trabalhada com esses alunos da 1ª série da escola Carrossel.

3.2.Objetivos Específicos

Verificar a metodologia utilizada pelo professor na escola.
Identificar a participação dos alunos quanto à metodologia utilizada.
Analisar o rendimento dos alunos de acordo com a metodologia utilizada.

4- HIPÓTESES

Os fundamentos da formação dos profissionais da educação;
Os níveis de formação docente exigidos para a atuação dos professores na educação básica;
As competências dos Institutos Superiores de Educação;
O tempo mínimo para a prática de ensino, na formação dos docentes da educação básica;

5- Fundamentação Teórica

Segundo Lorenzettii o tema ensino de ciências nas Séries Iniciais da educação fundamental, ainda que relativamente pouco explorado, está presente em trabalhos desenvolvidos no Brasil pela área de ensino e pesquisa em ensino de ciências. Um levantamento preliminar evidenciou uma produção acumulada desde o início da década de 80. Este levantamento que é representativo dos principais aspectos e questões investigadas aos quais os pesquisadores e grupos de ensino vêm se dedicando. Destacam-se trabalhos que podem ser classificados em dois grandes eixos, segundo os aspectos que privilegiam no seu enfoque do tema.
A formação de professores tem uma trajetória percorrida ao longo das duas últimas décadas, tanto no que se refere à pesquisa como através de propostas de intervenção. Tais iniciativas são decorrentes do enfrentamento de problemas relativos às especificidades do ensino de ciências nas Séries Inicias por professores no perfil de formação e atuação é bem caracterizado e conhecido.
Segundo Ferreiro (1985), a maneira como a criança concebe a leitura e a escrita é ponto de partida para que o professor possa propor uma linha de ação que contemple tais concepções. Assim sendo, desenvolvemos trabalhos voltados para pesquisas sobre aquisição da lecto-escrita ao longo dos primeiros anos do ensino básico, buscando compreender as concepções apresentadas pelas crianças, bem como, acompanhar seus desempenhos ao longo deste processo.
Neste sentido, buscamos apontar, a partir de estudos, estratégias de trabalho que possam propiciar experiências com múltiplos portadores de texto, além de diversificados materiais e/ou jogos voltados para a alfabetização, letramento e linguagem, envolvendo acadêmicos do Centro de Educação (Pedagogia e Educação Especial) da UFSM, os professores das escolas participantes e os alunos dos anos iniciais.
No Brasil o analfabetismo é um assunto que atravessa séculos preocupando educadores, escritores, políticos, intelectuais etc. Todos conhecem os problemas da escola e os fracassos desta em tentar alfabetizar. Mas, ao mesmo tempo em que os problemas são reais, em meio disso encontramos soluções em algumas pesquisas sobre Alfabetização.
Franchi diz que a maioria das crianças cuja linguagem estuda no período final do pré, dentre as atividades de linguagem que desenvolvemos juntos durante o ano letivo, uma grande parcela se incluía entre as estratégias para a alfabetização, estendidas aqui no sentido mais estrito de aquisição e domínio dos processos de representação gráfica. O ponto fundamental dessa descoberta está em que, um processo pedagógico no qual, apesar da variedade dos métodos, sempre se considerou como passiva a perspectiva do sujeito da aprendizagem e como nula a sua contribuição, foi possível descobrir uma linha evolutiva que procede por conflitos cognitivos constitutivos de outras noções fundamentais.
A alfabetização, para Soares (1985), é um processo permanente, que se estenderia por toda a vida, que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. Faz parte da natureza humana a busca incessante por novos conhecimentos, e esta busca permanente faz com que o homem produza novos conhecimentos constantemente, sempre mediados pela linguagem, oral ou escrita. É preciso diferenciar os processos de aquisição da língua (oral e escrita) e o desenvolvimento da língua (oral e escrita). O desenvolvimento da língua é um processo que não tem fim, e que dura a vida toda.
Cagliari (1988), ao discutir a leitura nas Séries Iniciais, afirma que os professores deveriam ler algo diariamente para seus alunos. Não ler só histórias, mas também coisas sérias, como uma notícia, um texto científico ou tecnológico, por exemplo, a história de quem inventou a lâmpada, a máquina de escrever, etc. Ler não apenas uma história onde os personagens são animais…. mas também texto de zoologia a respeito dos animais.
Ferreiro (1994), ao ingressar na série onde começa a ocorrer o ensino sistemático das letras a criança já detém uma grande competência lingüística que não é considerada, cabe ao professor alfabetizador introspectivamente refletir sobre tão complexa e importante à tarefa de promover o uso comunicativo dos textos, e de todo o resto; reflexão, compreensão, automatização, enfim, da promoção de experiências educadoras de natureza distintas, invariavelmente segmentadas para os conteúdos observáveis e em conformidade com o planejamento.
O que acontece, no âmbito do ensino de alfabetização e séries iniciais,na escola Carrossel comunidade aonde observamos durante alguns meses esta relação de trabalho em educação, é que temos definido proposições sem uma análise profunda relativa ao processo sistemático de alfabetização. Precisamos tornar ou eleger a alfabetização como uma base de sustentação para o prosseguimento de uma vida escolar.
Cagliari (1988), ao discutir a leitura nas Séries Iniciais, afirma que os professores
deveriam ler algo diariamente para seus alunos. Não ler só histórias, mas também coisas
sérias, como uma notícia, um texto científico ou tecnológico, por exemplo, a história de quem inventou a lâmpada, a máquina de escrever, etc. Ler não apenas uma história onde os personagens são animais…. mas também texto de zoologia a respeito dos animais. (Cagliari,1988: 09).
Os autores aqui citados falaram como é a alfabetização nas séries iniciais, e como são trabalhados eles incrementaram discussões e ações no âmbito de ensino das séries iniciais, neste projeto foi apresentado varias formas de trabalhar com alfabetização na formação dos alunos.

6- Metodologia

Esta pesquisa trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo que tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Essa pesquisa envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) análise de dados.
A análise desses dados foi feita de forma qualitativa, avaliando os pontos positivos da escola e dos professores na presença da família no processo de desenvolvimento cognitivo de crianças na alfabetização, de forma a ampliar-lhes os conhecimentos e o amadurecimento.

7- Referências bibliográficas

CAGLIARI, L. C. (1988). A leitura nas séries inicias. In: Leitura: teoria & prática¸ Revista
semestral da associação de Leitura do Brasil, n. 12, ano 7, Campinas-SP.
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
FERREIRO, Emília. Construtivismo de Piaget a Emília Ferreiro. 3ª ed.1994.
FRANCHI, Eglê Pontes, Pedagogia da Alfabetização: da oralidade à escrita/Eglê Pontes Franchi-7.ed.- São Paulo: Cortez, 2001.
LORENZETTI, Leonir; DELIZOICOV, Demétrio, Alfabetização Científica no contexto das Séries Iniciais, jun.2001. Disponível em http://www.fae.ufmg.br/ensaio/v3_n1/leonir.PDF/ Acesso em 08 nov. 2009.
SOARES, M. B. (1985). As muitas facetas da alfabetização. In: Cadernos de Pesquisa, São
Paulo, n. 52, p. 19 – 24

CONTRA A DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA

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CONTRA A DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA

RESUMO

O artigo apresenta todo sistema terapêutico que pode ser compreendido como uma forma de articulação entre uma intervenção biológica e uma intervenção sociologia. Partindo do pressuposto de que cada tipo de intervenção deve restabelecer uma boa aliança, equilibrada, entre os elementos próprios ao plano biológico, de uma parte, e os elementos psíquicos e simbólicos, de outra.
No paradigma da dádiva, o dom aparece como um operador por excelência da aliança. É ele que transforma os rivais e inimigos em parentes e aliados. O médico é aquele que se situa entre os dois campos opostos para favorecer suas alianças e pacificações.

PALAVRAS-CHAVE: Medicina Desumanização. Humanização. Sociologia.

INTRODUÇÃO

A figura do médico moderno é uma das melhores análises tipológicas, sociológicas do assunto, era estruturada por uma imagem de sábio, daquele tipo que possui uma competência propriamente técnica, sancionada pelos diplomas, mas também uma competência humanista: a capacidade de fazer do seu tempo e de sua pessoa um dom aos pacientes.
O estudo das relações entre medicina e sociedade, não é ainda muito freqüente pelo Brasil, mas a sociologia médica apresenta no seu histórico alguns ilustres colaboradores, como os sociólogos norte-americanos Talcott Parson, Erving Goffman e Howard Becker, dentre vários outros sendo os anos 50 e 60 decisivos para a afirmação desse subcampo da sociologia.
Entre os franceses não podemos deixar de registrar a contribuição de Marcel Mauss que, nos anos vinte, produziu originais reflexões sobre as relações entre técnica e magia, que são bastante sugestivas para a compreensão do simbólico na doença e na cura.
A partir dos anos oitenta do século XX, com a generalização do utilitarismo econômico dentro da medicina oficial, o equilíbrio precário entre utilitarismo e humanismo se rompeu. Buscou a lógica econômica pôr a seu serviço tanto a razão científico-instrumental como a razão burocrático-legal, o que trouxe problemas importantes dos pontos de vista ético e político.
Criou-se uma medicina de órgãos, pela qual as patologias são classificadas a partir de um sistema de cálculos que leva em conta o custo por unidade de cada doente, sistema que é próprio à lógica do mercado.
Por outro lado, a generalização do utilitarismo material dentro do campo médico provocou um redirecionamento da pesquisa tecnológica: as pesquisas sobre endemias passam para segundo plano, sendo os financiamentos direcionados, para aquelas atividades de pesquisa de maior rentabilidade econômica, como as cirurgias de correção estéticas.
No momento em que a tecnização e a parcelização do método anatomoclinico radicalizaram o distanciamento entre curador e doente em favor de procedimentos fundados no cálculo, observou-se um esvaziamento paralelo das bases sociais da medicina dominante.

1 DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA MODERNA

A Medicina teve em sua história processos diversos de desumanização. As origens médicas estão nos magos e shamans das sociedades pré-literatas e, posteriormente com os sacerdotes egípcios, persas e da Mesopotâmia. Suas curas visavam a vida interior, psicológica e a vida exterior, social, visavam curas do corpo e da alma através de magias ou orações e invocações milagrosas.
O grande processo de desumanização deu-se paradoxalmente com o seu progresso científico. Cresceu aos poucos um pensamento reducionista em relação a fatos meramente objetivos.
A ciência desvendou, pouco a pouco, o organismo humano enquanto a religião continuava “dona” das atividades psicológicas e psiquiátricas. O ser humano, aos poucos era reduzido à sua dimensão biológica aos olhos da Medicina. Mesmo Freud, o “libertador” da psique, procurava explicações neurológicas para os fenômenos mentais. (NUNES, 1999, p. 293)

Os grandes responsáveis pela nova tendência menos reducionista e mais holística (mesmo que essa palavra esteja desvalorizada por usos incompletos e incorretos) da Medicina são os físicos e correlatos.
As novas teorias desenvolvidas trouxeram novas visões ao mundo material e cartesiano e começam a influir positivamente na Medicina: o estudo do eletromagnetismo com Michael Faraday, a teoria dos quanta de Max Planck, a teoria da relatividade de Albert Einstein, a teoria da incompletude de Kurt Gödel, a teoria da complementaridade de Niels Bohr, a teoria da incerteza de Werner Heisenberg e principalmente a teoria geral dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy.
A biomedicina cartesiana afirmou-se, inicialmente, por essa mesma operação realizada no plano institucional, visando substituir a Igreja pela Ciência na produção do discurso secular sobre a verdade. A preocupação metafísica de Descartes era com a presença de um espírito capaz de penetrar, pela observação, o corpo sensível, fazendo enfim a experiência do conhecimento. (MARTINS, 2003, p. 110)
Todas essas teorias trazem novas luzes ao pensamento linear de causa-efeito, ao reducionismo materialista e à consideração puramente orgânica das doenças em suas causas, evoluções e tratamentos.
O modelo do capitalismo biotécnico funciona bem para os produtores de bens e serviços médicos, mas é desfavorável para os consumidores e pacientes. A imposição da lógica individualista e utilitarista no campo médico repercute negativamente sobre os cidadãos por meio de problemas como:
a) existências e psicológicos (uma experiência partilhada coletivamente de medo, abandono e solidão);
b) técnicos (perda de eficácia dos tratamentos e medicamentos e inutilidade prática de muitas inovações tecnocientíficas);
c) econômicos (aumento dos custos médicos para se pagarem os altos investimentos tecnológicos e de maquinas e os lucros das empresas que, em grande parte, dependem da lógica das bolsas de valores;
d) políticos (ameaça direta à experiência da democracia e cidadania plural nas áreas da saúde);
e) culturais (desaparecimento dos referenciais morais e normativos estruturantes das representações simbólicas da vida e da morte);
f) sociais (esgarçamento da significação da medicina como expressão de uma ecologia social complexa e igualitária).
Os efeitos negativos dessa subordinação da práticas médicas à lógica econômica e utilitária atingem tanto os doentes como os quadros profissionais que atuam nas instituições de saúde. (NUNES, 1999, p. 310)

O seguinte depoimento de uma enfermeira no setor de saúde Francês sobre a precarização da situação do doente é marcante:
A doença é intimada a si etiquetar, a si controlar, a si perfilar uma rubrica, as melhores sendo aquelas que geram mais orçamentos em um mínimo de tempo. Tal intimação não tardou a produzir seu efeito: alguns doentes ficam sem cuidados por serem portadores de doenças prolongadas, de patologias muito caras para o orçamento ou muito pesadas para as equipes de profissionais que conhecem perpétuo déficit de efeitos. (MARTINS, 2003, p. 165)

As solidariedades no interior dos hospitais e clínicas médicas são desfeitas em nome de uma responsabilização individual de grande risco, aumentando o estresse dos profissionais.
A atividade médica na esfera privada traz embutida uma maior possibilidade de conflitos éticos. Capitalismo está perdendo sua possibilidade de sobrevivência assim como comunismo perdeu a sua. São, duas doutrinas que feneceram por não terem saído de seu “dogmatismo” inicial. Ambas, belas teorias que não resistiram ou não resistem à prova prática.
Assim, ao falarmos de medicina podemos nos referir unicamente a certas significações instituídas, como, por exemplo, o conjunto de elementos implicados na formulação dos modelos de saúde vigentes (organizações públicas e privadas envolvidas, regulamentações jurídicas e profissionais, crenças teóricas etc.). Essas significações instituídas são bem conhecidas: o Ministério da Saúde, os hospitais públicos e privados, os médicos famosos de cada cidade, os medicamentos de laboratórios mais difundidos pelos meios de comunicações, etc. (MARTINS, 2003, p. 87)

A moral do cálculo econômico favorece a expansão de uma medicina fundada na comercialização de tudo que pode ser objeto de mercantilização, inclusive os órgãos, desconhecendo o fato de que por meio desses órgãos existe um sujeito que olha, sente e atribui significações positivas e negativas a tudo que resulta de criação humana, inclusive a fundação da medicina mercantil como obra histórica e social. Por conseguinte, a presença do capital médico dentro do campo da saúde redefina prioridades que vão no sentido oposto à aqueles da sociedade medicalizada instituído pelo Estado do bem-estar social, na Europa. (MARTINS, 2003, p. 87)

Ao invés de corrigir seus conceitos à medida que a experiência se desenrolava preferem reforça-los às custas das evidências alargando assim o fosso entre o ideal e o real, entre teoria e realidade. Mas, a médio ou longo prazo, ganha sempre a realidade.
Os azares do Capitalismo estão mostrando suas entranhas, sua crueza, sua perversidade e começam a unir as mentes, não apenas de teóricos e ideólogos, mas a mente de grande parcela da população mundial. Caiu, não a União Soviética, mas o pensamento teórico que ela supunha abrigar. Acredito que logo veremos mudanças semelhantes no Capitalismo Total e nos seus defensores se esses não se conscientizarem logo da realidade mundial. (MARTINS, 2003, p. 149)

Do ponto de vista sociológico, a mera mudança de paradigmas observada dentro do campo científico constitui uma condição necessária, mas insuficiente, para que mudanças políticas mais profundas ocorram nos planos dos ensinamentos científicos, das prioridades acadêmicas e dos usos sociais dessas inovações.
As mudanças de paradigmas na modernidade médica, no século XX, têm expressões diferentes, que extrapolam o universo restrito da Ciência com implicações sociais e políticas importantes.
As medicinas paralelas, já foi dito, fundam-se num novo paradigma, o da dádiva de cura. Por esse novo paradigma, o nascimento de novas disciplinas não responde a uma necessidade de especializar o conhecimento para melhor repartir os organismos do corpo humano, visto como uma máquina manipulável. Essas novas disciplinas nascem pela busca de singularização da cura, a partir de um processo que tem implicações diretas nas experiências pessoais do terapeuta e do paciente no resgate de uma troca circular de dons de cura que se realiza nos planos simbólico (das fantasias, das emoções, dos sentimentos, das representações) e do material (das trocas de cuidados, de medicamentos, de favores, de experiências). (MARTINS, 2003, p.283)O caráter especulativo das pesquisas e inovações tecnológicas sob controle do capital médico associado à valorização de uma moral utilitarista e pragmática, teria necessariamente que gerar reações sociais contrarias, levando a medicina oficial a conhecer importante ruptura epistemológica e institucional.
Do ponto de vista epistemológico, a medicina sofisticada aparece como um ganho histórico inegável da medicina moderna, ela constitui, um pensamento simplificado quando se trata de uso social.

2 A HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

O processo de humanização da Saúde tem suas origens nos movimentos de reformas sanitárias, nas Conferências de Saúde e nos grupos militantes voltados à ações em prol do desenvolvimento de uma consciência cidadã e cujas atuações se tornaram, a partir da década de 1980, gradativamente influentes, estruturadas e articuladas. Na realidade, a reordenação do conceito de saúde, pedra de toque do movimento de reforma sanitária, incorpora, entre seus determinantes, as condições de vida e desloca no sentido da comunidade
a assistência médico-hospitalar como diretriz da atenção à saúde.
A institucionalização desse processo, com a Constituição de 1988 e a estruturação do SUS, inaugurou o reordenamento teórico, paradigmático e operacional da Saúde que a levou a ser compreendida no âmbito da Segurança Social. Nesse contexto, a idéia de Humanização passou a ser entendida como “a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de Saúde”. (NUNES, 1999, p. 321)Destaca-se, na definição, que o esforço de humanização é concebido como um aporte de valor positivo alocado ao sujeito implicado na produção da Saúde, embora, no entendimento comum, não seja raro que designe o usuário ou cliente externo como principal, quando não único, alvo da humanização.
Quaisquer que sejam as antropologias que sejam consideradas na sustentação da noção de sujeito, tem se que no âmbito da humanização em saúde, ela se plasma em uma dimensão que transcende a idéia de pessoa, funcionário, servidor ou usuário, aproximando-se da noção de instância ou de lugares institucionais.
Isso, por outro lado, não significa que ela venha ignorar a dimensão particular dos sujeitos. Ao contrário, pelo fato da humanização em saúde definir-se pelo valor atribuído ao esforço dos sujeitos na produção da saúde, quando se contemplam a autonomia, o protagonismo, a co-responsabilidade e a vinculação das instâncias, põe em evidência (dada a noção de valor) a dimensão da subjetividade e da singularidade. Categorias como vínculo, responsabilidade, autonomia destacam a ênfase na subjetividade, posto que não são categorias do mundo inerte, mas próprias do sujeito.
No plano de sua realização político-institucional, a humanização recebeu acolhimento, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a implantação do Programa Nacional de Humanização, e continuidade e incremento, no Governo do Presidente Lula, quando o Programa foi alçado a uma dimensão de Política Nacional de Humanização. Esse passo não foi sem importância, como se refere explicitamente o Ministro Humbert Costa: “para isto estamos construindo uma política que nomeamos Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde Humaniza – SUS”. (NUNES, 1999, p. 347)Contudo, a despeito de sua maior visibilidade de esforço voltado a sua implementação bem como do grau de realidade envolvido em suas propostas e do compromisso oficial traduzido em empenho de organização e formalização, a política de humanização encontra-se longe de constituir-se em realidade. Em seus esforços de implementação não raro observamse desequilíbrios, que ocorrem até como conseqüência da falta de assistência endêmica instalada no setor Saúde.
O fato é que a ênfase dada ao empenho de humanização na saúde pende, amiúde, para o lado das necessidades imediatas do usuário ou cliente externo, de acordo com uma lógica dicotômica de confrontação alimentada por uma tradição paternalista, cujo efeito mais direto se traduz na opacidade dos serviços. (NUNES, 1999, p. 403)Nesse caso, é a própria essência da política de humanização que se vê comprometida nessa má ponderação, uma vez que se alteram os preceitos de co-responsabilidade, vinculação solidária e participação coletiva no processo de gestão. A integralidade, numa acepção mais ampla e livre, implica mais do que uma lógica definidora do objeto saúde entendido como entidade bio-psicosocial, mas uma compreensão do próprio processo de produção de saúde e de seus sujeitos.
O próprio Ministério da Saúde enfatiza essa concepção integral das instâncias presente na política de humanização quando salienta que parte importante do encaminhamento do processo de humanização apóia-se “no estilo de gestão e na estrutura de poder das instituições de saúde”, uma vez que estilo e estrutura “determinam e condicionam posturas e comportamentos relativos aos vínculos profissionais de saúde e usuário, bem como entre os profissionais de saúde entre si”. (NUNES, 1999, p. 452)

CONCLUSÃO

Percebemos que a desumanização da Medicina é a falta de noção de que o paciente seja um ser humano em toda a sua complexidade biopsicossocial. Existe uma tendência a se encarar o diálogo médico-paciente como algo lógico e completo quando na verdade a lógica apresentada está colorida por simbolismos e outros sentimentos.
De se encarar a realidade biológica como a única a ser abordada, diagnosticada e tratada pela Medicina. O preparo do médico e, principalmente, do estudante ainda é tímido nessas áreas. Existe uma tendência para se estender a necessária objetivação do paciente para além dos tempos necessários para exames diagnósticos e procedimentos terapêuticos.
A chave para a humanização passa principalmente pela anamnese bem feita por médicos preparados para apreender e desenvolver a psicodinâmica do encontro clínico e o real significado da ligação entre médico e paciente. E, sem dúvidas, conscientes do que seja uma missão médica.
A tecnologia é simplesmente o braço armado das ciências médicas: geralmente olhos e ouvidos nos diagnósticos, braços e mãos nos tratamentos. O paciente ganha com o uso da tecnologia e perde, e muito, com seu abuso. O abuso da tecnologia ou o seu uso em substituição à clínica encarecem e são causas de iatropatogenias, ou seja, males causados pelos usos impróprios ou errados da atividade médica. A Medicina é uma atividade de relação interpessoal; e o cérebro humano é a “tecnologia” soberana e insubstituível nessa atividade. Portanto, ganha o paciente cujo médico com ele souber se relacionar e que usa prioritariamente sua capacidade de raciocínio e sua sabedoria para compreender e encaminhar os seus males nas esferas física, psíquica e social.
Assim, compreender os rumos atuais da medicina moderna constitui um importante desafio para a imaginação sociológica. Afinal de contas, os preços dos medicamentos e serviços médicos, os usos e manipulações das novas tecnologias ou, então, a transformação do sofrimento e da doença em mercadorias e objetos de lucro incessante, aparecem como temas que tiram o sono diário do brasileiro. Os noticiários dos jornais o testemunham.

SUMMARY

The article provides all therapeutic system that can be understood as a relationship between an intervention and an organic intervention sociology. Assuming that each type of intervention must restore a good alliance, balanced, and the elements themselves to the biological plan, in part, and the psychic and symbolic elements of another.
In the paradigm of the donation, the gift appears as an operator of the alliance par excellence. It is he who transforms the rivals and enemies in relatives and allies. The doctor is one that lies between the two opposing camps to encourage their alliances and pacificações.

KEY-WORDS: Medicine Desumanização. Humanização. Sociology.

REFERÊNCIAS

MARTINS, Paulo Henrique. Contra a desumanização da medicina: crítica sociológica das práticas médicas modernas. Petrópolis:Vozes, 2003. P. 85-206.

NUNES, E. D. Sobre a Sociologia da Saúde. São Paulo: Hucitec, 1999. p. 293-467.

METÁFORA, EUFEMISMO, IRONIA, PLEONASMO

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Metáfora, Eufemismo, Ironia, Pleonasmo

Introdução

O estudo levado a efeito esclareceu-nos acerca dos dois tipos de linguagem: normal e a figurada. Entendemos que a linguagem normal é aquela desprovida de emoções ou sentimentos, não transmite vigor e beleza à comunicação. È a que se encontra nos livros técnicos e científicos. Já a linguagem figurada, além de vigor e beleza, transmite emoção, enriquecimento a comunicação. Encontra-se nos livros poéticos, nas crônicas, nos romances etc.

Mediante contraposição, vejamos a diferença entre os tipos de linguagem:

Linguagem normal é também conhecida por linguagem denotativa, objetiva. Já a linguagem figurada é conhecida por linguagem conotativa, subjetiva. O estudo sistematizado dela denomina-se Estilística. Os meios da Estilística são as figuras de linguagem ou figuras de estilo.

Figura de linguagem é qualquer desvio das normas gerais da linguagem.

Os autores consultados e seus livros encontram-se abaixo discriminados:

NOSSA GRAMÁTICA, de Luiz Antônio Sacconi.

NOVÍSSIMA GRAMÁTICA, de Domingos Paschoal Cegalla.

GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, de Ceelso Ferreira da Cunha.

PORTUGUÊS PARA O ENSINO MÉDIO, de José de Nicola e Ernani Terra.

Estabelecemos, de início, a comparação esntre os autores citados, já que dela emana a compreensão última do que foi pedido, além, sem dúvida alguma, de exercermos uma visão abrangente, particularizada e analítica dos conceitos: Metáfora, Pleonasmo, Eufenismo e Ironia. Os comentários poderão ser apreciados na estrutura do trabalho denominada Desenvolvimento.

Desenvolvimento

Tanto ou quanto pudemos observar, em linhas estruturais básicas o estudo de Figuras de Linguagem levado a efeito pelos autores mencionados na Introdução encontram-se em nível correspondente. O desnível analítico ocorreu quando Luiz Antônio Sacconi enquadra Sisnestesia n o âmbito da Metáfora, o que, para os demais autores, encontram-se sob outra esfera analítica. No geral, encaminham-se na direção da concordância gramatical, discordando apenas na esfera interpretativa. Sacconi engloba na esfera da Metáfora, como foi dito, a Sinestesia, por considerar a Metáfora um desvio da significação própria de uma palavra, enquadrando a Sinestesia segundo este modo de ver, já que ela é o cruzamento de duas ou mais sensações distintas ou a atribuição a uma coissa da qualidade que lhe é incompatível. Exemplifiquemos:

A eternidade é um oceano é um oceano sem praias. ( Metáfora pura e simples, já que empresta ao vocábulo eternidade a dimensão de “oceano sem praias” )

Ao cruzar-se com Denise, nossos olhos Trocaram pensamentos.

Grito áspero. ( Grito: sensação auditiva; áspero: sensação tátil ).

No segundo exemplo, observa-se que fica atribuído aos olhos a qualidade de pensar, o que, evidentemente, é atribuído ao cérebro, mas que a forma de olhar transmite fielmente o que o indivíduo está pensando.

Modernamente ainda se consideram como catacreses as metáforas viciadas, isto é, as metáforas que pelo uso constante perderam valor estilístico e se formaram graças à semelhança de forma existente entre os seres. Sacconi diz que, em rigor, não se pode afirmar que catacrese seja uma figura de estilo, pois ela só existe em função de um esquecimento etimológico ou de uma deficiência da linguagem normal, ou fatos normais da língua. Exemplos de catacreses: pé de meia, boca de forno, etc, além de embarcar num avião, enterrar uma pua no dedo, espalhar dinheiro, ferradura de prata, marmelada de chuchu, péssima caligrafia etc. Pelos exemplos, ficou evidente o relacionamento contraditório das palavras, por esquecimento ou ignorância do seu étimo.

Já Domingos Paschoal Cegalla põe na esfera da Metáfora a Hipérbole e a Personificação. Exemplifiquemos:

“A geada é um eterno pesadelo”.

“As aves são imbecis”.

No primeiro exemplo, observa-se que o adjetivo “eterno” faz com que a geada seja um pesadelo sem fim, enquanto que o segundo exemplo atribui a má qualidade humana da imbecilidade às aves, ao mesmo tempo que proporciona um desvio de significação para o substantivo ave.

Encontramos, também, através de Sacconi, o fato de que Oximoro seja uma figura muito adequada para manifestar Ironia ou Sarcasmo. Exemplifiquemos:

Nunca vi uma inteligência tão burra quanto a sua! (Além de unir idéias contrastantes e contraditórias, como “inteligência” e “burra”, fundindo-as numa só pessoa, o autor da frase exprime isto com ironia.)

Estudo Analítico de Poemas e Letras de Músicas Sobre Metáfora, Pleonasmo e Ironia

POEMA – Mar Português, de Fernando Pessoa.

No primeiro verso “Ó mar salgado, quanto do teu sal” encontramos o Pleonasmo e epíteto de natureza “Ó mar salgado”, contendo redundância evidente a fim de reforçar ou enfatizar a expressão.

POEMA – A Carolina, de Machado de Assis.

Encontramos “leito derradeiro” no primeiro verso como recurso para eufemizar a palavra túmulo. Depois, fomos encontrando: “descansas” – Eufemismo, no lugar de jazes morta; “pobre querida” – Eufemismo, no lugar de infeliz querida; “o coração” – Metonímia, no lugar de o afeto, o carinho; “terra que nos viu” – Personificação: “terra que nos viu”, pois terra não vê; “olhos mal feridos/pensamentos de vida formulados”: fica evidente que os olhos não pensam.

Texto de revista Veja São Paulo, 8 nov. 1995. Detalhe de matéria de Walcyr Carrasco.

Título: Ricos, Pobres Ricos

Comentário: O título dessa matéria apresenta ao mesmo tempo duas figuras de pensamento: temos uma ANTITESE na aproximação dos antônimos POBRES/RICOS e uma evidente IRONIA ao qualificar RICOS com o adjetivo POBRES, preparando o leitor para uma possível sátira ou crítica às pessoas ricas – o que se confirma nas primeiras linhas do texto.

LETRA DE MÚSICA – RETRATO EM BRANCO E PRETO, de Tom Jobim e Chico Buarque.

Encontramos “sei de cor” – Metáfora: os obstáculos; “dias tristes, noites claras” – Personificação/Oximoro: dias nublados, noites iluminadas; “o peito tão marcado” – Metáfora: o coração do peito dolorido.

LETRA DE MÚSICA – O QUE É, O QUE É?, de Luiz Gonzaga Jr.

Encontramos as seguintes METÁFORAS:

“é a batida de um coração?” – é como a batida de um coração?

“ela é uma doce ilusão?” – é como uma doce ilusão?

“maravilha ou é sofrimento?” – é como maravilha ou é como um sofrimento?

“alegria ou lamento?” – é como alegria ou como lamento?

“um nada no mundo” – é como um nada no mundo.

“uma gota no tempo” – é como uma gota no tempo.

“que não dá um segundo” – é como gota que não dá um segundo.

“um divino mistério profundo” – é como um divino mistério profundo.

“o sopro do criador” – é como o sopro do criador.

“atitude repleta de amor” – é como uma atitude repleta de amor.

“luta e prazer” – é como luta e prazer.

“viver” – é como viver.

LETRA DE MÚSICA – GRITO DE ALERTA, de Luiz Gonzaga Jr.

Encontramos as seguintes METÁFORAS e uma HIPÉRBOLE:

“me entorta a cabeça” – me confunde.

“me bota na boca um gosto amargo de fel” – sensações desagradáveis ao paladar.

“chorando” – Hipérbole: pedindo insistentemente.

“bocado de mel” – um pouco de carinho.

“rasgo, engasgo, engulo” – me sacrifico, sofro, suporto.

“estendo a mão” – dou-lhe uma oportunidade a mais.

“um rio secando” – um relacionamento que vai finalizando.

“as pedras cortando” – fatos maltratando.

“tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo” – fatos sem importância, destruindo aos poucos, aniquilando.

“arrasando” – destruindo.

“de gritos e gestos” – de discussões com estardalhaço.

“jogo de culpa” – relacionamento amoroso marcado pela culpa.

“sinto no ar o momento em que o copo está cheio” – percebo que o relacionamento amoroso está chegando ao fim.

“engolir” – suportar.

“uma porta entreaberta” – um relacionamento ruim e que tem chance de terminar.

“grito de alerta” – minhas explicações, o meu ponto de vista sobre a situação insuportável do nosso relacionamento amoroso conturbado.

“um lado carente dizendo que sim” – o desejo sexual exigindo que fiquemos juntos.

“gritando que não” – dizendo que é insuportável levarmos adiante um relacionamento amoroso cheio de brigas e de desentendimentos.

“Título: “Grito de Alerta” – Minhas explicações, o meu ponto de vista sobre a situação insuportável de viver brigando e se amando ao mesmo tempo.

Conclusão

Concluímos que o estudo levado a efeito sobre Metáfora, Pleonasmo, Eufemismo e Ironia esclareceu o fato de que, com criatividade, pode-se fazer uso da linguagem figurada fundindo duas ou mais figuras, como foi citado no Desenvolvimento: Metáfora-Sinestesia, Metáfora-Hipérbole, Metáfora-Personificação, Ironia-Oximoro, Antítese-Ironia e Metáfora-Catacrese.

Ficou estabelecida a diferença dos tipos de linguagem: a normal e a figurada e o uso delas de modo adequado.

CAPACIDADE EMPRESARIAL: A ENERGIA MOBILIZADORA

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CAPACIDADE EMPRESARIAL

Capacidade Empresarial: A Energia Mobilizadora

Com a capacidade empresarial complete-se o quadro dos fatores de produção de que as economias dispõem. Demais fatores de produção pressupõem a existência de determinada capacidade de empreendimento. É através dela que os recursos disponíveis são reunidos, organizados e acionados para o exercício de atividades produtivas.
Na realidade, a existência de recursos humanos aptos para o exercício de atividades produtivas e a capacidade tecnológica acumulada só gera fluxos de produção,quando mobilizados. Isoladamente não é o suficiente para que se desencadeie o processo de produção.
Adquirem importância efetiva. É de seu emprego em torno do empreendimento que resultam os fluxos de produção. Por todo esse esforço é que é atribuída ao quinto fator de produção, a capacidade empresarial.

O Conceito de Empreendedor : Uma Resenha da Literatura

O termo empreendedor é de origem francesa, entrepreuner. Abrangia as funções do inventor, mas não as de provedor de capital. Somente com o surgimento do capitalismo liberal é que se estabelece uma distinção clara entre aqueles que executam funções técnicas e aqueles que se ocupavam de funções empresariais.
Foi Richard Cantillon que empregou pela primeira vez o conceito e forma especifica, atribuindo-lhe um conteúdo econômico preciso. Trata-se de uma atividade ousada e fundamentada no interesse próprio, mas de importantes conseqüências sociais.
Outros autores franceses da época, como Quesnay, Turgot e o abade Baudeau também descreveram essa peça do mercado fazendo avaliações sobre a natureza e seus atributos.
No inicio do séc. XIX, Jean Baptiste Say deu um passo à frente, ao dividir o processo em três estágios:

    • Pesquisa
    • Inovação
    Produção

No final do séc. XIX historiadores e sociólogos alemães com Schmoller, Sombart e Weber destacaram que o espírito empresarial é que dava animo a toda economia através de inovação criativa. E Weber foi além evidenciou o empreendedor como um agente que se desviava dos padrões normais e se destacava nas criações de novos métodos de produção.
No início do séc. XX, novas contribuições teóricas ajudaram a definir melhores os papeis do empreendedor . Os papéis centrais dos empreendedores passaram então a fazer-se em três bases:

    • Inovação

Assunção de riscos

Permanente exposição desequilibrando, rompendo paradigmas estabelecidos.

Transparece nitidamente nessa resenha que a caracterização desse fator é condicionado por concepções ideológicas, porém, das concepções envolvidas nenhuma economia pode prescindir da capacidade empresarial como fator de produção.
As motivações do Estado, de grupos empresariais e do empreendedor não são iguais. Mas sejam quais for os propósitos ou resultados, a capacidade empresarial,estará presente quando se mobilizam fatores de produção.
O fator mobilizador é a capacidade empresarial.Os agentes dotados de capacidade empresarial reúnem contingentes economicamente mobilizáveis. As principais:

    • Ter visão estratégica, orientada para o futuro, capaz de antever novas realidades e seus desdobramentos.

Ter baixa aversão aos riscos inerentes ao ambiente de negócios.

Ter espírito inovador, quebrando paradigmas, abrindo às ilimitáveis necessidades humanas.

Ter sensibilidade para farejar oportunidades de investimento ou de reunir e processar informações que os levam a descobri-las.

Ter energia suficiente para implantar projetos de empreendimento, animando tantos investidores quantos sejam necessários para sua execução.

Ter acesso aos outros quatro fatores de produção, bem como capacidade para combiná-los e motivá-los, levando adiante os projetos implantados.

Ter a capacidade de organizar o empreendimento, adquirindo ou contratando os fatores necessários, transferindo subseqüentemente a gestores competentes a coordenação permanente das operações.

Hailtones destaca a capacidade empresarial como o “mais importante dos fatores de produção”. A empresariedade seria, assim, a energia mobilizadora da economia. Em contrapartida, nações dotadas de energia empreendedora mobilizam as potencialidades existentes, desenvolvem esforços de complementação de suas eficiências naturais e emergem em pouco tempo como potencias competitivas.
Em economias de desenvolvimento tardio, apesar das oportunidades de investimento existentes, a falta de espírito empresarial é uma das oportunidades barreiras para a promoção do crescimento. As atitudes que conduzem a empresariedade ocorrem e sistemas avançados; são mais escassas em sistemas tardios.
Fatores culturais adversos, associados á baixa mobilidade social, podem dificultar a emergência e o desenvolvimento do espírito empreendedor. Contrariamente, quando se criam motivações sociais suficientemente fortes para impulsionar agentes dotados de capacidade empreendedora, remove-se uma das barreiras institucionais a ocorrência e a atuação desse fator. A ambição que move empreendedores justifica-se socialmente à medida que contribui para gerar empregos e dotar economia de uma das precondições relevantes para o bem-estar social – a expansão da produção.

HAVAIANAS – COM O PÉ DE FORA

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HAVAIANAS – COM O PÉ DE FORA

Centro Universitário Assunção
UNIFAI
Laurien Barbara Liendo (P e M E)
São Paulo
2009

Introdução

O produto pesquisado é a nossa Brasileiríssima sandália (vulgo, chinelo) Havaianas. Um dos produtos fabricados pela São Paulo Alpargatas. Este produto que foi lançado em 1962, e foi recebido no mercado como um produto para pobres, hoje divide espaço em vitrines do mundo inteiro, com marcas como Dior e Prada. Enfeitas os pés de inúmeras celebridades, nacionais e internacionais.

Estratégias de Markenting

O primeiro passo, para reconstruir a imagem das Havaianas foi o lançamento de uma linha com um nome sugestivo: Top – monocromática, com um solado mais alto, o nome gravado em relevo. Com ações que conjugaram publicidade e relações públicas, O mix de Comunicação, a sandália evoluiu de confortável pé de chinelo para artefato de moda.
Nessa estratégia de reconstrução (na verdade, de ressurreição) da marca, nenhum “P”( Produto; Preço; Praça; Promoção) do marketing foi esquecido. Uma das primeiras medidas para chegar a esses destinos foi reorganizar a rede de distribuidores. Quando a Alpargatas foi reforçar o estoque nas lojas de calçados freqüentadas pela classe média, deparou com um obstáculo. Como parte do salário dos vendedores provém de comissões, eles preferiam vender um tênis da Nike de 150 reais a oferecer uma Havaiana da moda, que custa menos de 10.
Eis o que a Alpargatas usou a promoção empresarial, espalhando displays nos caixas e caprichando na embalagem, a fim de estimular as compras por impulso. A Promoção para o consumidor também foi aplicada, a idéia dói enviar sandálias, como brindes para jornalistas a cada três ou quatro semanas. Foi desenvolvida especialmente, usando a ferramenta de itens especiais a fabricação de sandálias especiais, decoradas e em caixa especial para as celebridades que estavam concorrendo ao Oscar em 2003. Todos os indicados receberam suas sandálias no dia seguinte a premiação.
A estratégia de Push (Pressão) Versus Estratégia Pull (Atração). Atacadistas foram convocados para massificar a distribuição em 150 000 pontos-de-venda pelo Brasil afora. Uma equipe de designers foi despachada para a Europa.
As coleções passaram a ser renovadas a cada ano foram lançados sete novos modelos no ano passado). O renascimento da marca abriu novas possibilidades de crescimento. Uma delas é o merchandising e as estratégias de extensão de linha. A coleção temática mais bem-sucedida foi alusiva à Copa do Mundo em 1998, com 400 000 pares comercializados até hoje. Atualmente, a Alpargatas está negociando a produção de uma série especial para a Coca-Cola, numa promoção para atingir a faixa de 15 a 25 anos.

Bibliografia

– Revista Exame Abril / 2003

TEORIAS DE TAYLOR, FORD, FAYOL E WEBER

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TEORIAS DE TAYLOR, FORD, FAYOL E WEBER

São Paulo
2013

Sumário

1Introdução
2 Frederick Winslow Taylor
2.1 Princípios de Taylor
3 Henry Ford
4 Jules Henri Fayol
4.1 Princípios Básicos
4.2 Funções Administrativas
5 Maximillian Carl Emil Weber
5.1 Analise da Obra
5.2 Princípios Básico.
5.3 Características da Burocracia
5.4 Teoria da Autoridade
6 Análise Fundação Bradesco
7 Organização Bradesco E Taylor
7.1 Pontos Positivos
7.2 Pontos Negativos
8 Organização Bradesco e Weber
8.1 Pontos Positivos
8.2 Pontos Negativos
9 Organização Bradesco e Fayol
9.1 Pontos Positivos
10 Conclusão
11 Bibliografia

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Introdução

1.O Grupo Futura S.A. apresenta uma pesquisa sobre grandes administradores. Veremos a seguir grandes nomes da administração e demonstraremos através da Fundação Bradesco S/A como as teorias de alguns destes gênios da Administração não somente influenciam como são usados diretamente nas organizações de hoje e como aplicadas corretamente podem ser responsáveis pelo sucesso das organizações. Veremos Frederick Winslow Taylor, Henry Ford, Jules Henri Fayol, Maximillian Carl Emil Weber. Em cada teoria encontraremos pontos, relacionados ou não que traçam o sucesso de grandes organizações nos dias de hoje.

2.- Frederick Winslow Taylor.

Considerado o pai da administração científica, Frederick Winslow Taylor (1856-1915). O modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro estadunidense caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando-se aumentar a eficiência da empresa aumentando-se a eficiência ao nível operacional.

2.1 – Princípios de Taylor

Princípio do planejamento
Consiste em substituir o critério individual do operário, a improvisação e o empirismo por métodos planejados e testados.
Princípio da preparação dos trabalhadores
Consiste em selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões, prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado, e em preparar máquinas e equipamentos em um arranjo físico e disposição racional. Pressupõe o estudo das tarefas ou dos tempos e movimentos e a Lei da fadiga.
Princípio do controle
Consiste em controlar o trabalho para se certificar de que o mesmo está sendo executado de acordo com o método estabelecido e segundo o plano de produção.
Princípio da execução
Consiste em distribuir distintamente as atribuições e as responsabilidades para que a execução do trabalho seja o mais disciplinado possível.

3 – Henry Ford

Henry Ford (1863 – 1947) foi um empreendedor estadunidense. Pensar em Henry Ford é pensar em produção em massa. Este termo que designa a produção em larga escala de produtos padronizados através de linhas de montagem. Este modo de produção foi popularizado por Henry Ford no início do século 20, particularmente na produção do modelo Ford T. A produção em massa se tornou um modo de produção muito difundido, pois permite altas taxas de produção por trabalhador e ao mesmo tempo disponibiliza produtos a preços baixos.
Nota: A partir década de 80 constatou-se que o Japão produzia automóveis melhores, mais baratos e com uma produtividade superior à dos países desenvolvidos ocidentais. Assim começa a sair de cena a Produção em massa e entra a Produção enxuta.

4 – Jules Henri Fayol

Jules Henri Fayol (1841 1925) foi um engenheiro de minas francês e um dos teóricos clássicos da Ciência da Administração, sendo o fundador da Teoria Clássica da Administração e autor de Administração Industrial e Geral 1.

4.1 – Fayol relacionou 14 princípios básicos que podem ser estudados de forma complementar aos de Taylor:

Divisão do trabalho – Especialização dos funcionários desde o topo da hierarquia até os operários da fábrica, assim, favorecendo a eficiência da produção aumentando a produtividade.
Autoridade – Autoridade é o direito dos superiores darem ordens que teoricamente serão obedecidas. Responsabilidade é a contrapartida da autoridade.
Disciplina – Necessidade de estabelecer regras de conduta e de trabalho válidas pra todos os funcionários. A ausência de disciplina gera o caos na organização.
Unidade de comando – Um funcionário deve receber ordens de apenas um chefe, evitando contra-ordens.
Unidade de direção – O controle único é possibilitado com a aplicação de um plano para grupo de atividades com os mesmos objetivos.
Subordinação dos interesses individuais (ao interesse geral) – Os interesses gerais da organização devem prevalecer sobre os interesses individuais.
Remuneração – Deve ser suficiente para garantir a satisfação dos funcionários e da própria organização.
Centralização (ou Descentralização) – As atividades vitais da organização e sua autoridade devem ser centralizadas.
Linha de Comando (Hierarquia) – Defesa incondicional da estrutura hierárquica, respeitando à risca uma linha de autoridade fixa.
Ordem – Deve ser mantida em toda organização, preservando um lugar pra cada coisa e cada coisa em seu lugar.
Eqüidade – A justiça deve prevalecer em toda organização, justificando a lealdade e a devoção de cada funcionário à empresa. Direitos iguais.
Estabilidade dos funcionários – Uma rotatividade alta tem conseqüências negativas sobre desempenho da empresa e o moral dos funcionários.
Iniciativa – Deve ser entendida como a capacidade de estabelecer um plano e cumpri-lo.
Espírito de equipe – O trabalho deve ser conjunto, facilitado pela comunicação dentro da equipe. Os integrantes de um mesmo grupo precisam ter consciência de classe, para que defendam seus propósitos.
1(título original: Administration industrielle et générale – prévoyance organisation – commandement, coordination contrôle).

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Taylor x Fayol

4. 2 – Funções Administrativas

Planejar – Estabelece os objetivos da empresa, especificando a forma como serão alcançados. Parte de uma sondagem do futuro, desenvolvendo um plano de ações para atingir as metas traçadas. É a primeira das funções, já que servirá de base diretora à operacionalização das outras funções.
Organizar – É a forma de coordenar todos os recursos da empresa, sejam humanos, financeiros ou materiais, alocando-os da melhor forma segundo o planejamento estabelecido.
Comandar – Faz com que os subordinados executem o que deve ser feito. Pressupõe que as relações hierárquicas estejam claramente definidas, ou seja, que a forma como administradores e subordinados se influenciam esteja explícita, assim como o grau de participação e colaboração de cada um para a realização dos objetivos definidos.
Coordenar – A implantação de qualquer planejamento seria inviável sem a coordenação das atitudes e esforços de toda a empresa, almejando as metas traçadas.
Controlar – Controlar é estabelecer padrões e medidas de desempenho que permitam assegurar que as atitudes empregadas são as mais compatíveis com o que a empresa espera. O controle das atividades desenvolvidas permite maximizar a probabilidade de que tudo ocorra conforme as regras estabelecidas e ditadas.
Considerações sobre a Teoria Clássica
Obsessão pelo comando – Tendo como ótica a visão da empresa a partir da gerência administrativa, Fayol focou seus estudos na unidade do comando, autoridade e na responsabilidade. Em função disso, é visto como obcecado pelo comando.
A empresa como sistema fechado – A partir do momento em que o planejamento é definido como sendo a pedra angular da gestão empresarial, é difícil imaginar que a organização seja vista como uma parte isolada do ambiente.
Manipulação dos trabalhadores – Bem como a Administração Científica, fora tachada de tendenciosa, desenvolvendo princípios que buscavam explorar os trabalhadores.
A inexistência de fundamentação científica das concepções
Não existe fundamentação experimental dos métodos e técnicas estudados por Fayol. Os princípios que esta apresenta carecem de uma efetiva investigação, não resistindo ao teste de aplicação prática.

5 – Maximillian Carl Emil Weber

Maximillian Carl Emil Weber (1864 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia.

5. 1 Análise da obra

Conhecido pelo estudo da burocratização na sociedade, ele descreve burocracia como uma mudança de organização baseada em valores e ações. A burocracia, teoria administrativa e a administração científica são três correntes da perspectiva clássica, nestas correntes as organizações têm sido em larga escala como estruturas mecanistas. E teoria administrativa se desenvolve de maneira independente.
A administração burocrática originou se na Europa no século XX, sendo que buscava construir e projetar um sistema administrativo baseando em estudos humanos necessários para a expansão em produtividade.
A escola da burocracia abriu nova visão a partir de estudos no aspecto institucional; partindo da ciência política, do direito e da sociologia.
As concepções da burocracia não se teve influencia no estudo da administração pública , como também em repartições governamentais que a burocracia se manifesta.
Todas as atividades administrativas e organizacionais utilizam burocracia. A teoria da burocracia abrange-se também em toda organização de uma empresa a medida que vai crescendo e nas operações, pois é necessário um modelo de organização racional que envolvia muitas variáveis, e também no comportamento dos envolvidos, aplicável em todas as áreas e formas de uma organização.

5. 2 Burocracias de Weber

O estudo sistemático da burocracia foi feito por Weber, que concebeu o que seria burocracia ideal, em seus estudos Weber procurava estabelecer estrutura, estabilidade e ordem as organizações por meio de uma hierarquia integrada especializada e com regras sistemáticas.
Para Weber os gerentes é que eram habilidosos, sendo que cada funcionário deveria saber sua função, e desenvolver suas atividades pois os gerentes eram que faziam as organizações funcionar.

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5. 3 Características da Burocracia

Divisão de trabalho- São desmembrados para cada e qualquer pessoa, de qualquer organização uma posição claramente definida, e são delegadas responsabilidades por autoridades.
Hierarquia de autoridade- São posições empregadas onde cada funcionário sabe sua função na organização contendo deveres e responsabilidades específicos , bem como privilégios.
Racionalidade- São membros selecionados com base em qualificações para fazer parte da organização, as promoções por desempenho e capacitação e ou mérito.
Regras e padrões- São regras, disciplinas e controles, relacionado a conduta de cada individuo dentro da organização.
Compromisso profissional- Os administradores trabalham por salários fixos e não são os donos dos negócios , os gerentes são treinados para desenvolverem atividades administrativas visando uma melhoria organizacional.
Registros e escritos- Objetivo de estabelecer continuidade organizacional, com o propósito de alcançar uniformidade de ação, as burocracias mantêm registros.
Impossibilidade- Regras ou procedimentos que aplicados de modo uniforme e imparcial todos os funcionários tem o mesmo grau de avaliação permitindo considerações pessoais e emocionais.
Para Weber esta são características apresentadas pelas organizações, mais que analise destas organizações Weber propôs um modelo analítico de organização.

5. 4 Teoria da Autoridade.

Nas concepções de Weber a teoria de autoridade, não mais que um controle social que fazem parte dos estudos das organizações.
Para Weber conceito de autoridade são confronto com outras formas de influência com poder e com persuasão.
A experiência tende universalmente a mostrar que o tipo de administração de organização puramente burocrático é, do ponto de vista puramente técnico, capaz de alcançar o mais alto grau de eficiência e é, neste sentido, formalmente o meio mais racional de levar a efeito um controle imperativo sobre os seres humanos.

6 – Análise

Fundação Bradesco

Histórico
Fundado em 10 de Março de 1943 na cidade de Marília / SP, pelo Sr Amador Aguiar.
Hoje com seu atual presidente de Conselho- Luiz Carlos Trabucco Cappi, onde assumiu o conselho em 10 de Março de 2009.
Sediada em Osasco.
Preocupado com responsabilidade social, esta envolvido em vários projetos sociais tais como; Fundação Bradesco onde a maior preocupação é na inclusão digital para cidades de baixa renda.
Hoje esta envolvido em vários projetos tais como; Instituto Ayrton Senna, Câncer de Mama no Alvo da Moda, SOS Mata Atlântica, onde é designada uma verba para atender as necessidades destas instituições.

Organização Bradesco

Hoje com mais de 3235 agencias, em média de 94 mil funcionários, e com mais de 1,4 milhões de acionistas.
Uniu-se com o maior banco do mundo UFCM (Banco Tókio Mitsubishi) com 300 agencias no Japão para atender o publico brasileiro que vive no Japão conhecidos como Decacegues.
Com base em informações do Bradesco identificamos pontos de três administradores e suas teorias aplicadas na Organização Bradesco: Taylor, Weber e Fayol.

7 – Organização Bradesco e Taylor.

7.1 Pontos(s) positivos(s)

– treinamentos,
-procedimentos que sejam seguidos corretamente atribuindo responsabilidade a cada funcionário executando,
– fornece apoio mediante as tarefas e planejamentos,
– designar função a funcionários mais preparados para determinada função.

7.2 Pontos(s) Negativos(s)

– monitorizarão de funcionários,

8 – Organização Bradesco e Weber

8.1 Pontos(s) Positivos(s)

-Hierarquia e autoridade sobre tudo que é feito em ações inalteráveis,
-Trabalho dividido em tarefas que pedem ser executadas de maneira eficiente e produtiva para todos,
-Burocracia com relação a tramites internos tais como; transferências, alteração de cargo.

8.2 Pontos(s) negativos(s).

– Centralização de poder.

9 – Organização Bradesco e Fayol

9.1 Pontos(s) Positivos(s)

Por ser complementar a Taylor, nos princípios de Fayol pudemos identificar como está ativo na organização da empresa, com pontos positivos, não conseguindo identificar negativos, uma vez que são essenciais para o bom desenvolvimento e crescimento da fundação.
– Divisão do trabalho
– Unidade de direção Subordinação dos interesses individuais (ao interesse geral)
– Remuneração

TEORIA BUROCRATICA

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10 – Conclusão

Da teoria a prática existe uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso. As aplicações de normas, procedimentos, hierarquias e toda forma de controle, direção, organização são imprescindíveis e indispensáveis para o caminhar bem sucedidos das organizações. As empresas operam em ambientes, rodeadas de um universo de fatores econômicos, políticos, tecnológicos, legais, sociais, culturais e geográficos, que interage ente si e se alteram, proporcionando enorme mudança e instabilidade ao redor. As empresas não são autônomas e muito menos auto-suficientes. Elas precisam ser administradas, requerem diretores, gerentes, chefes, supervisores, encarregados qualificados para sua adequada administração.

Bibliografia

– Idalberto Chiavenato – Introdução à Teoria Geral da Administração – 4º Edição – Editora Makron Books do Brasil Ltda.
– Silva, Reinaldo O. Da / Thomson Pioneira – Teorias da Administração – Editora Thomson Pioneira

Informações extraídas via internet

http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jules_Henri_Fayol
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taylorismo
http://www.arvore.org.br/seer/index.php/rbadm

Tudo sobre a Administração Científica de Taylor

BULLYING UM OLHAR REFLEXIVO DAS ORGANIZAÇÕES ESCOLARES

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FENÔMENO BULLYING UM OLHAR REFLEXIVO DAS ORGANIZAÇÕES ESCOLARES

NATÁLIA CRISTINA DO ROSÁRIO SANTOS
ARARAS/SP
NOVEMBRO/2008

RESUMO

Este trabalho tem como foco analisar a violência dentro das organizações escolares, despertando um olhar reflexivo da comunidade escolar para um novo fenômeno denominado por alguns pesquisadores como fenômeno Bullying. Trata-se de um problema social e mundial, mas que recentemente começou a ser estudado no Brasil. A terminologia Bullying não possui tradução equivalente para a nossa língua, mas se caracteriza por um ato agressivo, intencional e repetitivo provocado por uma ou mais pessoas contra uma mesma vitima, podendo causar sérios danos psicológicos à pessoa alvo deste tipo de violência. É importante lembrar que o fenômeno Bullying não ocorre somente nas organizações escolares, este fenômeno é de caráter interpessoal, podendo ser manifestado em qualquer lugar onde haja pessoas em contato, sendo a escola um local privilegiado na pratica desta violência, uma vez que os alunos tem por costume fazer brincadeiras de mal gosto uns com os outros. Para a realização deste estudo buscaremos subsídios em alguns pesquisadores como FANTE (2005) e NETO (2005), para que através da revisão bibliográfica possamos refletir sobre a origem do problema, para então estudarmos estratégias para a prevenção e o combate deste fenômeno, bem como a identificação e a intervenção de forma eficaz, procuraremos também pesquisar se há programas de prevenção e combate já existentes. Procuraremos elaborar um estudo que envolva toda comunidade escolar, mostrando que tais atos preventivos não cabem somente ao professor dentro da sala de aula, pois o Bullying pode acontecer também na hora do recreio e em outros momentos em que o docente não esteja presente, mostraremos que é necessária uma mobilização social, para a eliminação desta violência e na disseminação de uma cultura pacífica dentro do ambiente escolar.
Palavras – chave: Violência; Escola; Professor.

LISTA DE ABREVIATURAS

ABRAPIA: Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência.

SUMÁRIO

RESUMO
LISTA DE ABREVIATURAS
INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
Capítulo 1- BULLYING, ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O FENOMENO
1. Violência, Sociedade x Escola
1.1 Fenômeno Bullying e seu conceito
1.2 Histórico do Fenômeno
Capítulo 2-A MANIFESTAÇÃO DO FENOMENO BULLYING
2. Maneiras de se praticar o Bullying e seus protagonistas
2.1 Como identificar os envolvidos
2.2 Agressão, agressividade, violência e indisciplina, quando isso passa
a ser Bullying
Capítulo 3- O FENÔMENO BULLYING NA ESCOLA
3. Manifestações do fenômeno Bullying no ambiente escolar
3.1Agindo contra o fenômeno Bullying
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXO- Exemplos de casos

INTRODUÇÃO

Vivemos hoje em uma sociedade marcada fortemente pelo capitalismo e pelas diferenças de poder. Esta desvalorização do ser humano é causada pela busca individual e agressiva por uma estabilidade socioeconômica, que acarreta graves problemas interpessoais, sendo um deles a violência, fato este que vem surgindo em várias áreas de interação social, não ficando ileso o âmbito escolar.
O fato de termos escolhido a escola como ponto de pesquisa, se da aos grandes índices de violências entre crianças e adolescentes; e este ambiente se torna o local privilegiado para estas práticas, pois passamos grande parte do dia com pessoas de diversas idades e perfil.
Uma das violências praticada entre escolares é o fenômeno Bullying, denominado por alguns pesquisadores como FANTE (2005) e NETO (2005) como um ato agressivo, intencional e repetitivo, provocado por uma ou mais pessoas contra uma mesma vítima.
A interação entre vitima e agressor quase sempre é sutil, parecendo até mesmo uma simples brincadeira de criança, passando desapercebido para as pessoas em volta.
Por tanto estamos diante de mais uma problemática educacional, que advém de um sistema tradicional e autoritário que se preocupa com o combate da violência explícita, ficando em segundo plano a violência psicológica.

OBJETIVOS

Refletir acerca deste novo tema dentro das escolas e buscar informações relevantes para o combate deste fenômeno.
Pesquisar o Bullying como fenômeno que tem marcado significativamente as relações interpessoais.
Refletir sobre as conseqüências que esse fenômeno causa na sociedade, em vitimas e agressores.
Analisar a importância deste tema junto aos professores.

Capítulo 1

BULLYING, ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O FENÔMENTO

1. Violência, Sociedade x Escola

Vivemos em uma era em que estão se tornando cada vez mais crescentes os dados estatísticos sobre a violência, mas afinal o que é a violência?
De acordo com o dicionário Aurélio (2001), a palavra violência significa: qualidade de violento, ato violento, ato de violentar, ou ainda:
Como uma das formas que move as relações humanas, não deixa de levar em conta a instabilidade social como parte de tudo aquilo que, ao invés de suprimir os antagonismos, tenta ordená-los. Mafessoli (apud GUIMARÃES, 2005, p. 7)
Segundo Neto (2005), a violência é um problema crescente no mundo, com sérias conseqüências individuais e sociais, particularmente para os jovens, que aparecem nas estatísticas como os que mais morrem e os que mais matam, mas afinal o que leva as pessoas a se tornarem violentas ?
Em nossa história observamos vários momentos de violência, iniciando pelos homens primitivos que sempre utilizavam o ato violento para manter a sua sobrevivência e garantir a continuidade do processo de humanização. Foi por meio dos conflitos, das trocas de agressões em que o movimento de desenvolvimento social foi se constituindo, portanto acabou se tornando imperceptível a relação de dominação que o homem exerce sobre seu próximo.
Nesse sentido Mafessoli (apud Guimarães,2005, p.7), ressalta que a força, como elemento da potência , uma vez sendo reconhecida e simbolicamente integrada, encontra o seu lugar no jogo do dinamismo social.
Portanto, a violência pode ser entendida como uma forma de coação, onde o individuo dominante nega os direitos de escolha de outros indivíduos, e essa dinâmica se estende por toda sociedade, inclusive o ambiente escolar.
O reflexo da violência social dentro das organizações escolares acaba por criar um clima de tensão e de autoproteção, fazendo com que medidas drásticas sejam tomadas.
Diante desse quadro, inúmeras medidas de segurança estão sendo colocadas em pratica em todo mundo, visando prevenir a violência escolar e intervir em determinadas situações. Dessa forma, muros e grades altas, detectores de metais e câmeras de vídeo para o monitoramento dos alunos são instalados e seguranças particulares dentro e fora da escola são disponibilizado. (FANTE, 2005, p 20)
Entretanto a violência em que os profissionais da educação mais se empenham em eliminar é a explicita (agressões entre iguais, assaltos, vandalismo, depredação do prédio, entre outras formas), por apresentar conseqüências mais visíveis e por ser cobrado mais da sociedade, pois a escola tem como função essencial o educar. Não que eliminar a violência explicita não seja pertinente, mas agindo nas entrelinhas há uma outra forma de violência pouco conhecida socialmente, uma violência que ocorre de maneira velada.
Segundo Fante (2005) esta nova faceta da violência se apresenta sob a forma de comportamentos cruéis, intimidadores, repetitivos, e de maneira constante contra uma mesma vítima, cujo poder destrutivo é perigoso tanto à comunidade escolar quanto à sociedade como um todo, pois desenvolve sérios danos ao psiquismo dos envolvidos. Este conjunto de comportamentos se denomina como Fenômeno Bullying.

1.1 Fenômeno Bullying e seu Conceito.

Uma das cenas mais comuns, principalmente no ambiente escolar é uma criança ou adolescente apelidar outros, causarem pequenas discussões, intimidações e até brigas, mas até então tais atos eram vistos com normalidade por pais e educadores, por fazer parte do comportamento de tais indivíduos.
Mas ao contrário do que se pensam, recentes pesquisas apontam que tais atitudes, não são simplesmente brincadeiras de crianças e que o aluno vitimizado pode sofrer por um longo período sem se manifestar e isso pode causar-lhe sérios danos. De acordo com Fante (2005), as implicações para as vítimas desse ato são graves e abrangentes, produzindo no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o déficit de concentração e aprendizagem, o baixo rendimento escolar, as faltas às aulas e a evasão escolar. No que se refere à saúde física e emocional, a baixa resistência imunológica e na auto-estima, o estresse, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, a depressão e o suicídio. Tais situações constrangedoras, repetidas diariamente, acabam por criar zonas doentias, que funcionam como vírus psíquico da mente, ou janelas killers, verdadeiro ancoradouro que aprisiona as emoções humanas, impede suas vítimas de adquirirem habilidades de auto defesa e de socialização, além de prejudicar o seu desenvolvimento socioeducacional na medida em que promove seu isolamento.
O termo Bullying é oriundo da língua inglesa, enquanto palavra Bully se traduz como valentão, tirano, bruto e Bullying enquanto verbo se traduz por brutalizar, tiranizar, amedrontar de acordo com Fante (2005). Apesar das traduções encontramos como definição em grande parte da literatura que:
[…] Bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angustia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e matérias, são algumas das manifestações do comportamento Bullying. (FANTE, 2005,p. 28 e 29)
Em alguns paises, são utilizados termos diferentes para nomear este fenômeno, que apesar de sua origem inglesa, ele ocorre em toda parte do mundo. De acordo com Fante (2005), na Dinamarca e na Noruega o Bullying é denominado por Mobbing, na Suécia e a Finlândia, caracteriza-se como Mobbning, na Itália de Prepotenza, e no Japão de Yjime.
Segundo Fante 2005, não há tradução equivalente para a palavra Bullying em nossa língua, pois nenhum termo é capaz de exemplificar com fidelidade a problemática.
Um estudo realizado em 14 paises diferentes teve como objetivo identificar palavras nativas que se assemelhassem ao conceito de bullying. Desse estudo, baseado em dados coletados em um grupo de alunos com 14 anos, identificaram-se 67 palavras relacionadas aos comportamentos bullying, sem que nenhuma delas abrangesse o significado do termo em inglês.(FANTE, 2005, p. 28)
Desta forma acabamos por adotar este termo para nomear este fenômeno em nosso país.
[…] é um conceito especifico e muito bem definido, uma vez que não se deixa confundir com outras formas de violência. Isto justifica pelo fato de apresentar características próprias, dentre elas, talvez, a mais grave, a propriedade de causar traumas ao psiquismo de suas vitimas. Por fim, o Bullying possui, ainda a propriedade de ser reconhecido em vários contextos: nas escolas, nas famílias, nos condomínios residências, nos clubes, nos locais de trabalho, nos asilos de idosos, nas Forças Armadas, nas prisões, enfim, onde existem relações interpessoais. (FANTE, 2005, p. 30).
A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA1), nos apresenta algumas situações que podem estar presentes nesse fenômeno, como, colocar apelidos, ofender, gozar, sacanear, humilhar, aterrorizar, humilhar, tiranizar, fazer sofrer, discriminar, isolar, intimidar, perseguir, amedrontar, agredir, bater, chutar, ferir, roubar, quebrar pertences entre outras ações.

1.2 Histórico do fenômeno .

O fenômeno Bullying é tão antigo quanto a história do surgimento da própria escola, pois se trata de um fenômeno presente nas relações interpessoais e que pode ocorrer fora deste contexto.
De acordo com Fante (2005), o interesse pela pesquisa da relação agressor e vítima, surgiu na Suécia em 1970 e logo se estendeu para outros países. A Noruega também iniciou estudos nessa área, com as pesquisas de Dan Olweus da Universidade de Bergen, mas a comunidade local não apresentou grandes preocupações com os graves efeitos causados pelo fenômeno Bullying, até que em 1982 os jornais locais divulgaram a notícia do suicídio de três crianças com idades entre 10 e 14 anos na qual a principal causa aceita durante a investigação foi a de maus tratos sofridos pelas vitimas na escola. Esse incidente originou grandes preocupações e divulgação na mídia, atingindo a população de maneira geral, fazendo com que o Ministério da Educação da Noruega, em 1983 iniciasse uma campanha contra os problemas entre agressores e vítimas.
Através de seus estudos, Olweus procurou evidenciar maneiras para detectar e combater o fenômeno Bullying dentro das escolas para isso desenvolveu alguns critérios em suas pesquisas, para detectar especificamente o problema, tentando diferenciá-lo de outras interpretações como, por exemplo, gozações e brincadeiras próprias do amadurecimento dos envolvidos.
Desenvolveu os primeiros critérios para detectar o problema de forma específica, permitindo diferenciá-lo de outras possíveis interpretações, como incidentes e gozações ou relações de brincadeiras entre iguais, próprias do processo de amadurecimento dos indivíduos. Olweus pesquisou inicialmente 84 mil estudantes, trezentos a quatrocentos professores e em torno de mil pais, incluindo vários períodos de ensino. Um fator fundamental para a pesquisa foi avaliar a sua natureza e ocorrência. (FANTE, 2005, p.45).
Ao finalizar a pesquisa Olweus observou que na Noruega a cada sete alunos, um estava envolvido em casos de Bullying, e ao consagrar nas escolas o programa antibullying desenvolvido por ele, este índice reduziu para 50%.
O programa de intervenção proposto por Olweus tinha como características: desenvolver regras claras contra o Bullying nas escolas, alcançar um envolvimento ativo por parte dos professores e dos pais, aumentar a conscientização do problema para eliminar mitos sobre o Bullying e prover apoio e proteção as vítimas. (FANTE 2005, p.45).
Segundo Olweus (apud Fante, 2005), os dados de outros paises indicam que as condutas Bullying existem com relevância similar ou superior as da Noruega, como é o caso da Suécia, Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Paises Baixos, Japão, Irlanda, Espanha e Austrália.
Fante (2005), acrescenta que nos Estados Unidos, o Bullying é tema de grande interesse, pois este comportamento cresceu muito entre os seus alunos e que os pesquisadores já classificam o Bullying como um conflito global, e destacam que diante da permanência deste fenômeno muitos jovens se tornarão adultos abusadores e delinqüentes (p. 46).
Percebemos então que o fenômeno Bullying se faz presente em todas as escolas do mundo, inclusive no Brasil que apesar de apresentar pelo menos 15 anos de atraso em suas pesquisas pode através dos estudos desenvolvidos pela professora Marta Canfield (1997) e seus colaboradores em quatro escolas de ensino público em Santa Maria (RS), e as dos professores Israel Figueira e Carlos Neto (2000 -2001) em duas escolas municipais do Rio de Janeiro, e da Associação Brasileira de Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA s/d) com 11 escolas também do Rio de Janeiro, contando com, a participação de 5875 alunos de 5º a 8 º série, obter como resultado um índice de 40,5% desses alunos que admitiram estar envolvidos em Bullying, além de ser constatado que nossos índices superam os índices da Europa .

Capítulo 2

A MANIFESTAÇÃO DO FENÔMENO BULLYING

2. Maneiras de se praticar o Bullying e seus protagonistas.

Existem diversas maneiras de se praticar o Bullying, segundo Neto (2005) as agressões se classificam de duas maneiras: Bullying direto e Bullying indireto.
[…] direto, quando as vitimas são atacadas diretamente, ou indireto, quando estão ausentes. São considerados Bullying direto os apelidos, agressões físicas, ameaças, roubos, ofensas verbais, ou expressões e gestos que geram mal estar aos alvos. São atos utilizados com uma freqüência quatro vezes maior entre os meninos. O bullying indireto compreende atitudes de indiferença, isolamento, difamação e negação aos desejos, sendo mais adotados pelas meninas. (NETO, 2005, p. 166)
Podemos observar que este fenômeno ocorre de maneira diferenciada entre os meninos e as meninas. As meninas por serem mais discretas disfarçam tais comportamentos com sua sensibilidade ao demonstrar os seus sentimentos, mas de acordo com Simmons (2004), elas utilizam esta estratégia para se esquivarem da desaprovação social, elas também utilizam olhares dissimulados e bilhetes, manipulam silenciosamente o tempo todo, encurralam-se nos corredores, dão as costas cochicham e sorriem. As meninas apresentam este tipo de comportamento para evitar que sejam desmascaradas e punidas.
As crianças e adolescentes podem se envolver de três maneiras diferentes com o bullying conforme nos aponta Neto (2005), ou seja, como vitimas, agressores ou testemunhas, mas não há evidencias de como identificar antecipadamente em qual papel irão se encaixar, pois os envolvidos poderão trocar de papel conforme as circunstancias.
Entretanto a ABRAPIA propõe uma classificação um pouco diferenciada para nomear as pessoas envolvidas com o fenômeno Bullying. Para evitar que os envolvidos sejam rotulados, a classificação se procede da seguinte maneira:
Alvos de Bullying são os alunos que só sofrem Bullying;
Alvos/Autores de Bullying são os alunos que ora sofrem, ora praticam Bullying;
Autores de Bullying são os alunos que só praticam o Bullying;
Testemunhas de Bullying são os alunos que não sofrem nem praticam Bullying, mas convivem em um ambiente onde isso ocorre.
Podemos observar também as contribuições dos especialistas descritos por Fante (2005, p 71 e 72), para classificar os papeis desempenhados pelos envolvidos com o fenômeno:
Vítima Típica: a vítima típica é um individuo (ou grupo de indivíduos), geralmente pouco sociável, que sofre repetidamente as conseqüências dos comportamentos agressivos de outros e que não dispões de recursos, status, ou habilidades para reagir ou fazer cessar essas condutas prejudiciais.
Vítima Provocadora: aquela que provoca e atrai reações agressivas contra as quais não consegue lidar com eficiência.
Vítima Agressora: a vítima agressora é aquele aluno que, tendo passado por situações de sofrimento na escola, tende a buscar indivíduos mais frágeis que ele para transformá-los em bodes expiatórios, na tentativa de transferir os maus-tratos sofridos.
Agressor: é aquele que pratica o Bullying com as outras pessoas, ele pode ser de ambos sexos, costuma ser um individuo que manifesta pouca empatia, e sente uma necessidade imperiosa de dominar e subjulgar os outros, de se impor mediante o poder e a ameaça e de conseguir aquilo que se propõe.
Espectador: é o aluno que presencia o Bullying, porém não o sofre nem o pratica. Representa a grande maioria dos alunos que convivem com problema e adota a lei do silencio por temer se tornar a próxima vitima.
Conforme a ABRAPIA os estudantes que praticam o Bullying, possuem uma tendência de se tornarem adultos com uma conduta anti-social e/ou violenta, podendo adotar atitudes delinqüentes ou criminosas.
Para Neto (2005, p. 166) alguns aspectos favorecem o desenvolvimento da agressividade nas crianças, sendo eles:
Familiares.
O fato de suas famílias serem desestruturadas;
Relacionamentos afetivos pobres;
Excesso de tolerância ou de permissividade;
Prática de maus-tratos físicos ou explosões emocionais como forma de afirmação de poder dos pais;
Individuais.
Hiperatividade;
Impulsividade;
Distúrbios comportamentais;
Dificuldade de atenção;
Baixa inteligência;
Desempenho escolar deficiente;
O autor de Bullying utiliza tais características como algo positivo, que reforce o seu poder perante as pessoas e faça com que elas se sintam hostilizadas e amedrontadas, ou seja, são características fortemente observáveis.
O autor de Bullying é tipicamente popular; tende a envolver-se em uma variedade de comportamentos anti-sociais; pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos; é impulsivo; vê sua agressividade como qualidade; tem opiniões positivas sobre si mesmo; é geralmente mais forte que seu alvo; sente prazer e satisfação em dominar, controlar e causar danos e sofrimentos a outros. Além disso pode existir um componente benefício em sua conduta, como os ganhos materiais e sociais. (NETO, 2005, p. 167)
Não há dúvidas de que vários são os fatores que contribuem para que o fenômeno Bullying seja praticado, entretanto, não basta punir somente os agressores/autores, é necessário que se tenha uma visão ampla de todo contexto em que esse aluno se inserida, pois um ambiente familiar desestruturado aliado a um ambiente escolar violento irá corroborar para que esse aluno se torne mais agressivo com toda comunidade escolar.

2.1 Como identificar os envolvidos

A maneira mais eficaz de se combater o fenômeno Bullying, é impedindo que ele aconteça, portanto a identificação dos envolvidos, (neste caso iremos dedicar atenção especial às vítimas e agressores), é imprescindível, pois segundo Fante (2005), uma das características desse fenômeno e a maneira oculta como ele se desenvolve, sendo assim tanto a comunidade escolar quanto a própria família deve estar atento a qualquer mudança não habitual no comportamento dos envolvidos, pois:
A maioria das crianças reluta em falar abertamente sobre o assunto. O motivo principal,como já expusemos, é o sentimento de vergonha que a vítima experimenta ao ter que admitir que está apanhando ou sofrendo gozações na escola, ou ainda sofrer represálias do agressor. (FANTE, 2005,p74 )
Para contribuir com o processo de identificação, o pesquisar Dan Olweus apud Fante (2005, p 71 e 72) afirma que é necessário observarmos alguns comportamentos desenvolvidos por vítimas e agressores do fenômeno Bullying.
Vítimas:
Durante o recreio está freqüentemente isolado e separado do grupo, ou procura ficar próximo do professor ou de algum adulto?
Na sala de aula tem dificuldades em falar diante dos demais, mostrando-se inseguro ou ansioso?
Nos jogos em equipe é o ultimo a ser escolhido?
Apresenta-se comumente com aspecto contrariado, triste, deprimido ou aflito ?
Apresenta desleixo gradual nas tarefas escolares?
Apresenta ocasionalmente contusões, feridas, cortes, arranhões ou a roupa rasgada, de forma não-natural?
Falta às aulas com certa freqüência (absentismo)?
Perde constantemente os seus pertences?
Agressores:
Faz brincadeiras ou gozações, além de rir de modo desdenhoso e hostil?
Coloca apelidos ou chama pelo nome ou sobrenome dos colegas de formas malsoantes; insulta, menospreza, ridiculariza, difama?
Faz ameaças, dá ordens, domina e subjuga? Incomoda, intimida, empurra, picha, bate, dá socos, pontapés, beliscões, puxa os cabelos, envolve-se em discussões e desentendimentos?
Pega dos outros colegas materiais escolares, dinheiro, lanches e outros pertences, sem o seu consentimento?
Nesse mesmo sentido a ABRAPIA colabora na identificação dos envolvidos nos evidenciando a necessidade que o agressor tem em buscar uma vítima com capacidades inferiores a ele, ou seja, as vítimas podem apresentar características especificas para justificar as agressões.
Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridos, como por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. (ABRAPIA)
Desta forma as crianças com as características descritas acima acabam se transformando em alvos fáceis, e o aluno agressor usa como desculpa a aparente diferença apresentada por tais crianças para se satisfazer agressivamente e envolver-se em ataques do fenômeno Bullying.
A ABRAPIA ainda nos aponta que outro aspecto muito importante é a atenção que devemos ter com as crianças com necessidades educacionais especiais, pois elas também se enquadram como um grupo de risco em virtude da dificuldade em que elas encontram na aprendizagem e no comportamento em sala de aula, entretanto é possível identificar três fatores que as condicionam a se tornarem futuras vitimas:
As características dessas crianças podem ser vistas como um pretexto para os agressores;
As crianças com necessidades educacionais especiais podem não ter tantos amigos como as outras crianças, tendo, então alguma falta de apoio que é assegurado pelos amigos;
Como suas competências sociais são pobres, muitas vezes são vistas como vitimas provocativas. ABRAPIA
Por tanto, pudemos observar que é necessário prestarmos muita atenção ao qualificarmos os envolvidos, pois o Bullying se configura de maneira sutil e muda de papel a todo o momento, sendo ora vítima, ora agressor e que as diferenças se tornam fator reforçador para a criança se tornar alvo do fenômeno Bullying.

2.2 Agressão, agressividade, violência e indisciplina, quando isso passa a ser Bullying

Para compreendermos a dinâmica do fenômeno Bullying, precisamos diferenciar a agressão, os comportamentos agressivos e a violência, para que não seja feita identificação precipitada do fenômeno no interior das organizações escolares.
Os termos agressão e agressividade e violência podem ser traduzidos como:
[..] agressão se define como um comportamento repetitivo e persistente, que, na confrontação com a vítima, viole seus direitos. O termo agressividade é utilizado cotidianamente nas mais diversas partes do mundo, seja para expressar violência, seja para expressar coragem.
Portanto, considerando as diversas definições dadas pelos mais renomados autores, definimos violência como todo ato, praticado de forma consciente ou inconsciente, que fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie humana. ASSOCIAÇÃO NORTE-AMERICANA DE PSIQUIATRIA (apud, FANTE 2005, p. 156,157)
Como podemos observar os termos citados acima possuem uma certa ligação entre si. Para Fante (2005), é muito importante que os profissionais de educação, ao qualificar qualquer aluno como violento ou agressivo, considere os inúmeros fatores que recaem sobre suas relações interpessoais. Assim, Fante (2005), classifica as mais variadas formas de violência presentes no contexto escolar, apesar das semelhanças existentes, a fim de distinguir atos de violência, atos de indisciplina e as más relações escolares.
As más relações são problemas mais generalizados, porém menos intensos, que surgem com a indisciplina ou com o mau comportamento dos alunos. Não deixam de perturbar o bom andamento das atividades escolares, entretanto não podem ser consideradas como violência. Os atos de indisciplina são comportamentos que vão contra as normas da escola e estão previstos no Regimento Interno Escolar [..].Já os atos de violência ou agressividade dos alunos acontecem com grande freqüência, porém nem sempre são identificados pelos professores e podem tomar a forma explícita ou velada. (FANTE, 2005, p. 158 e 159)
A autora salienta que a violência é um fenômeno social que atinge todas as escolas e diretamente os alunos, e que vários são os fatores que influenciam para a consolidação da violência. Portanto os profissionais da educação devem estar preparados para o combate do fenômeno violência, que é o fator inicial para as demais formas de violência.
Entretanto, para que isso aconteça, seus profissionais devem ser capacitados para atuar na melhoria do ambiente escolar e das relações interpessoais, promovendo a solidariedade, a tolerância e o respeito às características individuais, utilizando estratégias adequadas à realidade educacional que envolva toda a comunidade escolar. (FANTE, 2005, p. 169)
Entretanto o educador também deve saber quando a agressividade se torna Bullying, e para isso a ABRAPIA, esclarece que as crianças passam por algumas situações, em que se sentem fragilizadas, tornando-se temporariamente agressivas, porém, após algum tempo essa agressividade tende a desaparecer. Mas, se essa agressividade não for temporária, poderá ser considerada Bullying.

Capítulo 3

O FENÔMENO BULLYING NA ESCOLA

3. Manifestações do fenômeno Bullying no ambiente escolar.

O conceito de escola comumente conhecido é o de responsável pela transmissão dos conhecimentos acumulados pela humanidade. Entretanto Mesquita (2003) nos aponta que a finalidade da educação não é promover a aquisição de notas e diplomas, a conquista de ótimos empregos e o ganho de dinheiro, mas sim formar indivíduos de caráter, éticos e felizes.
Segundo Polato (2007), estamos vivendo atualmente um período de crise da educação, onde o papel da escola não está mais claro. Sua finalidade já não é somente ensinar conteúdos educacionais tradicionais. O espaço escolar vai, além disso, tornando-se um espaço de interação entre os seus participantes, é um lugar onde as crianças e adolescentes aprendem a se relacionar, adquirem valores e crenças, desenvolver senso crítico, auto-estima e segurança.
No entanto, três documentos legais formam a base de entendimento com relação ao desenvolvimento e educação de crianças e adolescentes: a Constituição da República Federativa do Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Convenção dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas. Em todos esses documentos, estão previstos os direitos ao respeito e à dignidade, sendo a educação entendida como um meio de prover o pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania. (NETO, 2005, p. 165).
As crises e as mudanças apresentadas por diversos autores são reflexos de outros segmentos da sociedade que se configuram no espaço escolar, ou seja, desestruturação familiar, desemprego, problemas sociais, tráfico de drogas, roubos, más condições de moradia etc. Toda dinâmica da escola deve ser reavaliada, para que essas questões possam ser abordadas de uma forma que não gerem mais conflitos nesse espaço.
Para Nogueira (2005), a violência no ambiente escolar no Brasil e no mundo deriva tanto da situação de violência social que atinge os estabelecimentos (violência escolar), como pode apresentar modalidades de ação que se originam no ambiente pedagógico, neste caso a violência da escola.
Segundo Martins (2005, apud ANTUNES, 2008), vários são os conceitos existentes que envolvem a violência na escola, além dos citados, tais como conduta anti-social, distúrbio de conduta e Bullying, conceitos estes decorrentes de estudos realizados em diversas partes do mundo, revelando-se uma das grandes preocupações das sociedades industrializadas.
Portanto a violência escolar desenvolve uma gama extensa de fatores, dentre eles o fenômeno Bullying.
De acordo com a ABRAPIA, o Bullying é um problema que atinge o mundo todo, sendo encontrado em toda e qualquer escola, podendo ser ela primaria, secundaria, pública ou particular, rural ou urbana. Porém uma das grandes dificuldades das instituições escolares é admitir que em seu interior haja manifestações do fenômeno Bullying, e essa resistência são apresentadas com mais intensidade pelas instituições particulares.
Outro aspecto muito importante abordado por pela ABRAPIA em suas pesquisas, são as diferentes formas como o Bullying se configura entre as escolas públicas e particulares, sendo que, nas instituições privadas são valorizados bens materiais, ou seja, carro bom, tênis de marca, roupa da moda, celular novo, etc, e o aluno não possuindo algum desses bens, acaba se tornando vítima de preconceito e gozações de seus colegas. Entretanto nas escolas públicas o principal motivo é a realidade vivenciada todos os dias por aquela comunidade.
Para Neto (2005), a prática do Bullying é mais comum entre os alunos com idades entre 11 e 13 anos, sendo menos freqüente na educação infantil e ensino médio. Porém segundo as constatações de Schafer (2007), os agressores podem ser identificados já na educação primária, mesmo apresentando pouca idade, as crianças são capazes de detectar e intimidar suas vítimas. Conforme Cavalcante (2004), uma pesquisa realizada pela ABRAPIA, em onze escolas da cidade do Rio de Janeiro, apontou que 60,2% dos casos de Bullying acontecem dentro das salas de aula.
É comum entre os alunos de uma classe a existência de diversos tipos de conflitos e tensões. Há ainda inúmeras outras interações agressivas, às vezes como diversão ou como forma de auto-afirmação e para se comprovarem as relações de força que os alunos estabelecem entre si. Caso exista na classe um agressor em potencial ou vários deles, seu comportamento agressivo influenciará nas atividades dos alunos, promovendo interações ásperas, veementes e violentas. (FANTE, 2005, p.47)
Porém o Bullying se manifesta dentro da sala de aula com mais intensidade através de xingamentos, apelidos, brincadeiras; e os adultos acabam por não se preocupar com tais brincadeiras por achar que não fazem mal, ou por ser normal da idade. Mas de acordo com Neto (2005), a aparente aceitação dos adultos e a conseqüente sensação de impunidade favorecem a perpetuação do comportamento agressivo.
Entretanto, para Silva (2006), os educadores não conseguem detectar os tais problemas, tanto na sala de aula como em todo espaço escolar, e muitas vezes demonstram desgaste emocional oriundo do seu dia-a-dia, sobrecarregados de trabalho e conflitos em seu próprio ambiente de trabalho. Em razão dessa série de fatores, alguns educadores contribuem com o agravamento do problema, através da rotulação com apelidos pejorativos, ou reagindo de forma agressiva diante o comportamento indisciplinado de seus alunos.
Para Neto (2005), a negação ou indiferença por parte da direção e professores, pode gerar desestimulo e a sensação de que não há preocupação pela segurança dos alunos.
Desta forma, tanto professores quanto as demais pessoas envolvidas no contexto escolar devem estar preparadas para detectar o fenômeno Bullying e conscientes das conseqüências geradas por esse problema. Portanto a luta contra esse mal deve ser de responsabilidade de todos, pois de acordo com Neto (apud CAVALCANTE, 2005), agir contra o Bullying é uma maneira barata e eficaz de diminuir a violência entre os alunos e na sociedade em geral.

3.1 Agindo contra o fenômeno Bullying.

De acordo com Fante (2005), o fenômeno Bullying está se tornando alvo de grande interesse e preocupação no meio educacional, razão pela qual, inúmeras publicações, pesquisas, páginas da web, salas de bate-papo, etc, encontram-se a disposição para o conhecimento de todos, além de linhas telefônicas para esclarecer dúvidas ou receber denúncias.
Existem várias maneiras de se reduzir os índices de violência e conseqüentemente o fenômeno Bullying no ambiente escolar, entretanto:
Todos os programas antibullying devem ver as escolas como sistemas dinâmicos e complexos, não podendo tratá-las de maneira uniforme. Em cada uma delas, as estratégias a serem desenvolvidas devem considerar sempre as características sociais, econômicas e culturais de sua população (NETO, 2005p. 169)
Para Fante (2005), as peculiaridades de cada organização escolar deve ser respeitada e é a partir dessas diferenças que devem ser constituídos os programas de combate ao fenômeno Bullying.
É muito importante a participação de todas as pessoas envolvidas no contexto escolar, principalmente os alunos, pois segundo Neto (2005) as escolas que possibilitaram a contribuição de seus alunos nas decisões e organização desse processo, obtiveram uma diminuição nos níveis de vandalismo e de problemas disciplinares, além da satisfação entre corpo docente e discente com a instituição escolar.
A conscientização sobre o combate do fenômeno Bullying poderá ser feita através de filmes, documentários, teatro, artigos, cartazes, pesquisas, ou da maneira em que a organização escolar julgar necessário.
Essas ações de acordo com Neto (2005) são de baixo custo e devem ser incluídas no cotidiano da escola e poderá ser trabalhado em sala de aula pelo professor através dos temas transversais.
Segundo Silva (2006), os valores humanos devem estar inseridos no cotidiano da escola como ações atitudinais e não somente conceituais. De nada valerá falar da não violência se os professores tratarem seus alunos com atitudes agressivas.
Algumas atitudes preventivas podem e devem ser adotadas com o propósito inibir os agressores, tais como: aumento da supervisão na hora do recreio, evitar em sala de aula o menosprezo, apelidos ou rejeição de estudante por qualquer tipo de razão. Além disso, o professor pode promover debates em sala acerca de temas como respeito, violência, afetividade, sempre englobando as relações humanas.
O Programa Educar para a Paz elaborado por Fante (2005) e descrito em seu livro Fenômeno Bullying, Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz, nos mostra como é possível realizar ações psicopedagógicas para a prevenção e o combate ao fenômeno Bullying. Os princípios que norteiam o programa são: tolerância, solidariedade e respeito às diversidades. Este programa abrange todos os membros da escolar, pais de alunos e a comunidade onde a instituição está localizada.
Entre as várias estratégias adotadas estão: trabalho individualizado com os indivíduos envolvidos com o bullying, com o objetivo de fortalecer a auto-estima das vítimas e a canalização da agressividade dos autores de Bullying. Nesse programa uma das formas de ação de pais e alunos se dá através da nomeação dos alunos solidários, que atuam como protetores daqueles alunos que demonstram dificuldade de relacionamento, e pais solidários, que intensificam a busca por manifestações do fenômeno bullying na hora do recreio, bem como ajudam nas relações entre os alunos.
A educação emocional é desenvolvida através de grupo-sala, onde semanalmente seus tutores realizam discussões acerca de valores humanistas e de situações problema.
Aqueles alunos cujos comportamentos extrapolam as habilidades psicopedagógicas da equipe responsável pelo desenvolvimento do programa deverão ser encaminhadas a profissionais especializados a fim de que sejam devidamente diagnosticados e tratados. O ideal é que a equipe trabalhe tendo em mente a necessidade de estabelecer parcerias com profissionais das diversas áreas da saúde, encaminhando-lhes alunos todas as vezes que isso se fizer necessário e procurando manter-se informada sobre o andamento de cada caso.(FANTE, 2005, p. 152)
Por fim esta é uma pequena demonstração das várias opções de aplicação que Programa Educar para a Paz traz em seu desenvolvimento. Seja por meio de modelos prontos ou por estratégias próprias, o que importa é o envolvimento e o compromisso de toda organização escolar, em prol de um único objetivo: extinguir todos os tipos de ações violentas do interior das organizações escolares, pois de acordo com Neto (2005, p. 170), enquanto a sociedade não estiver preparada para lidar com o Bullying, serão mínimas as chances de reduzir as outras formas de comportamentos agressivos e destrutivos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo permitiu a partir do referencial teórico utilizado, uma visão histórica sobre a construção da violência em nossa sociedade até o desenvolvimento do fenômeno Bullying nas organizações escolares, como também apresentou formas de combatê-lo.
Historicamente o fenômeno Bullying sempre existiu, uma vez que ele se configura nas relações interpessoais, mas começou a haver interesse pelo desenvolvimento dos estudos a partir dos massacres entre estudantes noticiados pela mídia.
Constatamos também que por ser um assunto ainda pouco conhecido e discutido, há muita dificuldade em assumir este problema com seriedade, uma vez que pode ser interpretado como brincadeiras corriqueiras e sem graves conseqüências, porém os problemas psicológicos se configuram em uma perspectiva oculta até chegar a hora em que a vítima não consegue controlar o seu sofrimento e acaba se manifestando com atitudes vezes violentas e até mortal.
Os exemplos de casos apresentados neste estudo serviram de auxilio para o entendimento efetivo sofre o fenômeno Bullying e suas implicações. Constatamos também que é possível identificar os envolvidos através de características descritas por vários autores e percebemos que as pessoas envolvidas nesse contexto podem mudar de papel, ou seja, ora como vítimas, ora como agressores, assim como o meio em que vive permitirem se comportar.
Pudemos observar também quão importantes são os programas antibullying, e que eles devem se adequar à realidade de cada escola e que a participação de toda comunidade escolar, bem como pais e alunos, contribuem para uma maior efetivação de resultados positivos e a garantia da continuidade desses programas, visto que a escola todo ano recebe alunos novos e que estes também devem ser enquadrados no combate a violência.
Portanto concluímos que luta contra a violência deve ser diária, e a escola deve ser um local em que o aluno se sinta seguro e capaz de se desenvolver de maneira saudável e sem medo. De acordo com Fante (2005), a educação é o caminho que conduz a paz, e que a solidariedade, tolerância e o amor são ingredientes que compõe o antídoto contra a violência e deve ser aplicada diretamente no coração de cada criança, jovem e principalmente no coração daqueles que se dedicam à arte de educar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Adolescência. Disponível em:http://www.bullying.com.br/BConceituacao21.htm#Mas. Acesso em: 28 set. de 2008
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FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2 ed. rev. e ampl. Campinas, SP : Verus Editora, 2005.
MESQUITA, Maria Fernanda Nogueira. Valores Humanos na Educação: uma nova
prática na sala de aula. São Paulo: Gente, 2003.
MIDDELTON-MOZ, Jane- Bullying: estratégias de sobrevivências para crianças e adultos. Tradução Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2007.
NETO, Aramis A. Lopes. Bullying, comportamento agressivo entre estudantes. Artigo de revisão. Disponível em :http:// www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa06.pdf. Acesso em: 25 mar de 2008.
NOGUEIRA, Rosana Mª C. Del Picchia de Araújo. Bullying na Escola e na Vida. Disponível em: http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/bullyingnaescola.htm . Acesso em: 21 de out de 2008
POLATO. Amanda. Violência é produzida na escola sim.Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/online/redatores/amanda/20070620_posts.shtml.
Acesso em: 21 out 2008
SCHAFER, Mechthild. Abaixo aos Valentões. Disponível em:
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/makepdf.php?storyid=1823. Acesso
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SILVA, Geane de Jesus. Bullying: quando a escola não é um paraíso. Disponível em: http://www.mundojovem.pucrs.br/bullying.php. Acesso em: 21 de out de 2008
SIMMONS, Rachel. Garota fora do jogo: a cultura oculta da agressão nas meninas.
Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

ANEXO

Exemplos de casos:

Os casos aqui descritos são oriundos das pesquisas realizadas por Fante (2005) e seus colaboradores.

Caso 1: João Paulo, um garoto da 5° série, 11 anos, vinha sofrendo perseguições de alguns colegas porque não gostava de jogar futebol. Por ser tímido e sensível, chorava com facilidade e não conseguia responder aos ataques de alguns companheiros de escola, passando a ser rejeitado pelos meninos da turma. Ninguém queria a sua participação nos trabalhos em grupo ou nos jogos em equipe. Não tendo outra saída, aproximou-se de outras meninas e, como resultado, ganhou o apelido de Bicha. Por isso, estava sendo perseguido e humilhado no horário do recreio, como passatempo de vários alunos agressores. João Paulo faltava às aulas com certa freqüência, alegando que estava doente, que tinha muita dor de cabeça e que não dormia direito. Seu aspecto era triste e deprimido. Parecia que estava sempre com medo de que algo ruim lhe acontecesse. Uma colega de classe disse para o professor que o menino estava pensando em mudar-se de escola, mas temia que lá também fosse alvo de gozações. Ele não sabia o que fazer nem como lidar com a questão. O fato é que estava sofrendo muito e queria que o deixassem em paz.
Caso 2: Edimar, um jovem humilde e tímido de 18 anos, foi vítima de seus companheiros de escola durante onze anos. Os companheiros importunavam-no por causa de sua obesidade, colocando apelidos que o constrangiam e incomodavam. Sabedor da principal causa que provocava sua hostilização e o rechaço de seus companheiros, propôs-se a emagrecer. Porém, todos os esforços para perder quase 30 quilos foram em vão. Se não bastasse ser chamado de gordo, mongolóide e elefante cor-de-rosa, ainda adquiriu o apelido de Vinagrão (por ingerir vinagre de maçã todos os dia pela manhã, para ajudar no emagrecimento). Edimar não podia mais resistir. Feriu e feriu-se para sempre, encerrando de forma trágica uma vida repleta de humilhações e sofrimento.
No dia 27 de janeiro de 2003, na pacata cidade de 7 mil habitantes, Taiúva, interior do estado de São Paulo, o jovem, que havia concluído o ensino médio, entrou na sua ex-escola durante o recreio dos alunos que estavam em recuperação, ferindo uma professora, seis alunos e o zelador.
Segundo informações que obtivemos de professores, funcionários e alunos, bem como da própria mãe e, posteriormente, de uma das suas vítimas que ficou paraplégica, Edimar era um garoto passivo, retraído, com poucos amigos e apresentava grandes dificuldades de se impor e de se expor diante o grupo. Durante vários anos, vinha sendo mal tratado por seus colegas de escola por meio de apelidos que o constrangiam e humilhavam, sem nunca ter reagido, revidado ou denunciado seus agressores. Na escola, nunca apresentou nenhum tipo de comportamento agressivo ou violento. Era um aluno considerado normal.
Diante do comportamento e das características que envolve todo o episódio, seguramente podemos afirmar que Edimar era vítima do fenômeno Bullying.
Caso 3: Denilton, um adolescente de 17 anos, tímido, introvertido, foi excluído de seu circulo de amigos na escola. Revoltado com os anos de humilhações a que fora submetido no ambiente escolar, resolveu dar um basta aquela seqüência de sofrimentos. Mobilizados por pensamentos de vingança, dirigiu-se a sua ex-escola, a procura de seus agressores. Não os encontrando, uma vez que as aulas estavam suspensas, foi até a escola onde estava matriculado e novamente se deparou com as portas fechadas. Necessitando a todo custo exteriorizar os sentimentos que em sua alma estavam represados, encaminhou-se a casa de seu agressor principal, um garoto de 13 anos. Lá chegando, chamou pelo nome e o assassinou na porta de sua casa, com um tiro na cabeça. Sem conseguir ordenar seus pensamentos, transtornado, dirigiu-se até a escola de informática onde havia estudado, na tentativa de encontrar aqueles que aos poucos dia após dia, foram lhe roubando a alegria de viver e o direito de aprender e de ser feliz. Na tentativa de barrar que ousasse entrar em seu caminho para impedi-lo de se intento, atirou contra funcionários e alunos, atingindo fatalmente a cabeça da secretária, uma jovem de 23 anos, e ferindo mais três pessoas. Quando tentava recarregar a arma para fazer novas vítimas, foi imobilizado e detido.
Em seu depoimento, o adolescente deixou claro o grau de sofrimento e os traumas que foram criados em seu psiquismo por causa dos anos de humilhações na escola. Sua intenção era cometer uma chacina, tendo planejado matar mais de cem pessoas. Com essa tragédia, diz que ficaria famoso na cidade de Remanso -BA, por cem anos e seria lembrado como o terrorista suicida brasileiro, uma vez que a idéia de suicídio o acompanhava desde os 15 anos.

PRINCÍPIOS E VALORES DA DEMOCRACIA

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PRINCÍPIOS E VALORES DA DEMOCRACIA

Pode-se dizer que a democracia é baseada em três princípios fundamentais: Princípio da Maioria, Princípio da Igualdade e Princípio da liberdade.

PRINCÍPIO DA MAIORIA

O Princípio da Maioria é seguido pela idéia da soberania popular, onde o povo é a única fonte de poder e diz que deve haver uma participação direta ou indireta do povo no poder, para que seja efetiva a expressão da vontade popular, porém o princípio da maioria é convencional e puramente teórico, tanto que em Rousseau, em seu Contrato Social, há um trecho que contradiz toda a doutrina da maioria. “Ao tomar o termo no vigor da sua acepção, nunca existiu a verdadeira democracia e jamais terá ela existência”. É contra a ordem natural que o grande número governe e que o pequeno número seja governado.

PRINCÍPIO DA IGUALDADE

O princípio da igualdade é uma criação do homem refletindo assim o valor das sociedades, tornando, assim, mutável o seu conceito e sua aplicação em relação à época,e em relação à determinada sociedade.
O princípio da igualdade é de grande importância social, pois em virtude de inúmeras desigualações provenientes de contingências econômicas, culturais, geográficas, políticas e humanas, que se inserem no contexto da sociedade, cumpre ao direito utilizar-se amplamente dos critérios encampados da isonomia para se atingir a justiça.
A correlação existente entre o princípio da igualdade e o ideal de justiça é bastante clara. “Por isto o princípio jurídico da igualdade é tanto mais legítimo quanto mais próximo estiver o seu conteúdo da idéia de justiça em que a sociedade acredita na pauta da história e do tempo” (ROCHA, 1990, p. 28). Deve se entender que princípio jurídico da isonomia é uma ferramenta para se materializar a justiça, servindo tanto aos legisladores quanto aos operadores do direito este critério para a edição e aplicação justa da norma de acordo com a idéia de justiça que possua a sociedade em seu trajeto histórico.
Pode-se dividir em três fases a caminhada do principio da igualdade: na primeira tinha-se como regra a desigualdade; na segunda a idéia de que todos eram iguais perante a lei,; e na terceira, de que a lei deve ser aplicada respeitando-se as desigualdades dos desiguais ou de forma igual aos iguais.
. A sociedade antiga legitimava a diferenciação entre ricos e pobres e não se preocupava em igualar os desiguais, mas sim em tornar jurídica a desigualdade.
Aos poucos a igualdade começa a ser reconhecida como uma necessidade para juridicizar as transformações sociais que levaram ao nascimento do Estado moderno.
A visão material da igualdade vem complementar a sua visão formal. Não basta, portanto, a lei declarar que todos são iguais, deve propiciar mecanismos eficazes para a consecução da igualdade. José Afonso da Silva (SILVA, 1999, p. 466) leciona o seguinte: “A Constituição procura aproximar os dois tipos de isonomia, na medida em que não se limitara ao simples enunciado da igualdade perante a lei”. Ao contrário do modelo formalista o Estado assume um papel fundamental para garantir aos membros da sociedade uma efetivação da isonomia, redimensionando os seus objetivos e os meios para atingi-los.
A igualdade material ou substancial vem, portanto, complementar a igualdade formal, conferindo aos cidadãos além da igualdade em direitos e obrigações, a garantia que o Estado será um ente preocupado em efetivar a isonomia proibindo aos administrados desigualações injustas e sem motivo.

PRINCÍPIO DA LIBERDADE

Assim como a igualdade, a liberdade é uma das pedras angulares da democracia , afirmou Aristóteles . A liberdade consiste na faculdade individual de autodeterminação, que o Estado deve proteger e garantir.Todo cidadão é livre e responsável por seus atos , entende-se que o cidadão tem o direito de realizar o que quiser , com a consciência que enfrentará conseqüências de suas ações.Deve haver respeito com a liberdade peculiar e coletiva, compreende-se que no regime democrático predominam os interesses e o quanto definido pela coletividade.Liberdade de expressão, de religião , ideologia políticas e outras crenças.
Os direitos de liberdade são civis e políticos quando se trata das relações entre indivíduos entre si e das relações entre indivíduos e Estado conceitos de direitos públicos e privados. A liberdade política surgiu na doutrina do direito público, a partir do século XII, juntamente com a doutrina do cristianismo, do direito natural e do humanismo político. O direito de liberdade é ainda classificado como objetivo e subjetivo. O direito objetivo é de natureza patrimonial (direitos ao livre exercício das atividades físicas, intelectuais e morais) e o subjetivo é aquele que é ligado á personalidade (direitos de livre manifestação do pensamento , de livre locomoção).
A declaração dos direitos do homem pela ONU, diz; Os direitos individuais de liberdade passam a ser limitados pelos deveres do cidadão para com a comunidade. Em outros termos a liberdade consiste em se poder fazer tudo o que não é vedado pela lei, e em não se fazer o que não é imposto pela lei. O que não é juridicamente vedado é juridicamente permitido e implicitamente tutelado.

FORMAS DO EXERCÍCIO DO PODER DEMOCRATICO

República democrática é aquela em que todo poder emana do povo, e é classificada como: direta, indireta e semidireta.
A democracia direta é aquela que o povo tem uma participação total. Todas as questões são discutidas com o povo antes de ser elaborada uma norma.
Chamada democracia representativa ou indireta e aquela que através do voto, o povo escolhe um representante e esse irá representar a vontade do povo, elaborando leis.Com isso o povo não pode dirigir negócios do Estado,e nem elaborar leis, ficando sob responsabilidade do representante. O povo tem a liberdade de escolha e o representante tem o poder de falar em nome do povo e de uma sociedade.
A democracia semidireta é uma solução originária da democracia direta e o regime representativo. É conhecida também como democracia mista e consiste em restringir o poder da assembléia representativa, reservando-se ao pronunciamento direto da assembléia geral do cidadão os assuntos de maior importância, particularmente os de ordem constitucional.

RERERENDO, PLEBISCITO E INICIATIVA POPULAR

A Constituição Federal instituiu no constitucionalismo brasileiro um modelo de democracia representativa somados a princípios de participação direta do cidadão no processo decisório governamental. Portanto, como vimos acima, o Brasil possui um modelo de democracia semidireta, adotando um regime de democracia participativa, haja vista que a participação decorre não somente da representação (através de representantes eleitos), mas ainda por via direta do cidadão (exercício direto do poder). Tal modelo afirma-se logo em seu art. 1º, parágrafo único, “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” (grifo nosso).
Sendo assim, a própria Constituição Federal aponta as formas do exercício da soberania popular realizadas de maneira direta pelos cidadãos, expressas no Capítulo IV (Dos Direitos Políticos), em seu art. 14, I, II e III, quais sejam plebiscito, referendo e iniciativa popular.
Por plebiscito entende-se, segundo Alexandre de Moraes, “uma consulta prévia que se faz aos cidadão no gozo de seus direitos políticos, sobre determinada matéria a ser, posteriormente, discutida pelo Congresso Nacional” . Portanto, plebiscito é a consulta popular anterior ao ato legislativo ou administrativo. Tem por objetivo, através da vontade do povo, aprovar ou não as opções que lhe são apresentadas, antes da elaboração da matéria.
Já o referendo trata sobre as matérias já elaboradas, ou seja, as leis que já tiveram aprovação legislativa e que devem, entretanto, submeter-se à vontade popular para ratificá-las ou rejeitá-las. O referendo é a consulta posterior ao ato.
De outra sorte, a iniciativa popular é o exercício do poder através soberania popular a qual concede ao povo o direito de apresentar projetos de lei ao legislativo, desde que seguindo certos critérios para formalização de tal ato, como por exemplo, a assinatura de pelo menos um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
A Lei 9709/98 regulamenta a execução das três formas de participação direta do povo no exercício do poder.

ESTADO LIBERAL, SOCIAL E DEMOCRÁTICO

A concepção de um modelo de Estado obrigatoriamente passou por uma construção história, observando determinados aspectos culturais e ideais de cada época da sociedade.
Partindo dos ideais liberais, os quais basicamente concediam maior liberdade aos indivíduos da sociedade e buscavam um controle e limitação maior do Estado, surge o chamado Estado de Direito, como expressão jurídica da democracia liberal. Podendo ser chamado de Estado de Direito Liberal, possui três características básicas, quais sejam, submissão ao império da lei, a divisão dos poderes e o enunciado e garantia dos direitos individuais.
O Estado de Direito, de acordo com José Afonso da Silva serviu de “apoio aos direitos do homem, convertendo os súditos em cidadãos livres” . Entretanto, as diversas concepções acerca do Estado de Direito, serviram de idéia para os mais diversos tipos de Estado (como o burguês, nacional, social, feudal, entre outros), levando o Estado de Direito a um ideal baseado em sua legalidade, em seu sentido formal. Por isso, não corretamente, o Estado de Direito é tratado também como mero Estado de Legalidade. Esta analogia, como já dito, tem sua maior relevância quanto à formalidade das disposições legais, ou seja, prioritariamente se está de acordo ou não com o ordenamento jurídico proposto pelo Estado independente da matéria a que se propõe. Pode-se dizer que, nesta visão de Estado de Direito, não importa qual o compromisso do Estado com a realidade social de uma nação, ou ainda com uma realidade política, econômica, entre outros fatores que norteiam o desenvolvimento de um povo, ficando estes em segundo plano, importando somente a sua legitimidade constitucional e legal. Ocorre uma neutralidade por parte do Estado quanto as demandas e fatos sociais, importando basicamente sua formalidade. Diante desta perspectiva foram instituídos diversos Estados autoritários e ditatoriais.
Em contraponto ao Estado de Direito e as diversas injustiças provocadas pelo individualismo, abstencionismo ou neutralismo do estado liberal, e a partir de uma consciência de real justiça social, o Estado de Direito Liberal passou por uma transformação que o levou, em certos países, a um Estado Social de Direito.
O Estado Social de Direito insere no ideal de Estado um comprometimento com a real necessidade de justiça social para promoção de uma sociedade baseada nos direitos sociais. O Estado Social não denega o conteúdo formal do Estado, entretanto soma a esse uma exaltação ao conteúdo material, daí ser chamado de Estado Material de Direito. Importante ressaltar, apesar do mérito de valorização de conteúdo material, o Estado Social não engloba os princípios de soberania popular, o que originou um conceito ainda incompleto. Sendo assim, tal qual o Estado de Direito, o Estado Social também se submete a diversas interpretações e contextos. Alguns doutrinadores afirmam que o próprio termo “Estado Social”, com substantivo “Estado” sendo qualificando tão somente pelo adjetivo “Social” (e não de Direito Social) tende a criar regimes de caráter fascista, onde em nome de um bem-estar social e diante de uma negativa a ideologias socialistas, acaba por mascarar uma forma de ditadura baseada em um novo conceito de capitalismo. A Alemanha nazista, a Itália fascista e o mesmo o Brasil, após o golpe de Getúlio Vargas em 1937 e a implantação da ditadura do Estado Novo, são exemplos de regimes baseados no conceito de Estado Social.
Conforme visto nos dois modelos de Estado de Direito (Liberal e Social), percebe-se que nem sempre o elemento democrático tem relevância na estrutura estatal, seja na organização do Estado ou em seus fundamentos e objetivos. O Estado Democrático, por sua vez, tem por princípio fundamental a soberania popular na participação do poder. Baseado nos ideais do Direito Natural, a soberania se submete à vontade popular, desde a organização político-adminstrativa como também às garantias e liberdades individuais.
Atualmente, a concepção de Estado Democrático abrange o elemento Direito em sua essência, passando então para um Estado Democrático de Direito. Este além de unir os elementos do Estado de Direito com Estado Democrático, visa à busca de uma transformação social. Além da soberania popular como princípio máximo na relação com o poder estatal, amplia esta soberania também a uma ordem jurídica, onde o Direito deverá ajustar-se a um fim de interesse coletivo. É o que a Constituição Federal brasileira propõe logo em seu Capítulo I (Dos Princípios Fundamentais), ou seja, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades sociais e promover o bem de todos sem quaisquer formas de discriminação (art. 3º). Portanto, todas as leis, bem como a relação do Estado com os componentes da sociedade, devem buscar estes fins para que todos possam buscar o pleno desenvolvimento da pessoa humana.

CONCLUSÃO

De acordo com estudo realizado, podemos concluir que a democracia é o governo do povo elaborado pelo próprio povo, é um laço que existe entre o povo e o poder, no qual, o poder emana do povo. A democracia pode ser classificada como: participativa ou representativa.
Na democracia direta ou participativa, é aquela que o povo tem participação total na elaboração da lei, através da iniciativa popular, referendo e plebiscito. Democracia é um regime em que um povo pode se viver, onde se tem participação e representação do povo no governo, onde todos são tratados com igualdade perante a lei.
Na democracia indireta, ou seja, representativa, o povo participa na construção do governo. Através do voto, o povo escolhe seus representantes.
O Conceito de democracia tem sofrido mutações significativas ao longo da história. Os conceitos vão corresponder a uma determinada base real e a uma visão de mundo, onde o definido pensado é um resultado dialético e não um conjunto de categorias naturais. O que podemos concluir, no entanto, é que liberais lutam por democracias e liberdades diferentes e que na área da economia política é bastante claro o processo de reconhecimento dos autores a esse tema.