GRIPE

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A Gripe é uma doença infecciosa aguda, contagiosa, muito difusa, provocada por um vírus específico (o vírus Influenza) que apresenta uma grande variabilidade, mesmo no decurso de uma epidemia. Isto explica porque a gripe é uma doença tão frequente e que praticamente não deixa imunidade, dada as características do agente que a provoca. Existem três tipos fundamentais do vírus da gripe: A, B e C.

A difusibilidade de que falámos é confirmada pela recordação das gravíssimas epidemias, entre as quais a de 1918, devida à grande mortalidade que provocou (15 milhões de pessoas, grande parte jovens), e que foi sem dúvida a mais grave.

Nos casos mais leves, a doença começa de maneira aguda com um quadro febril de curta duração (2-3 dias), acompanhado de angina, às vezes rinite ou traqueíte e quase sempre de uma astneia profunda com cefaleias e dores musculares e articulares; muitas vezes a tosse indica o estado inflamatório do epitélio traqueal: às vezes podem aparecer vómitos, diarreia ou dores abdominais relacionadas com uma reactividade particular do indivíduo.

Quando a tosse é insistente, seca ou com expectoração mucopurulenta abundante, deve-se suspeitar de que se tenha complicado com uma bronquite que, às vezes, pode denunciar uma marca asmatiforme com alterações respiratórias.

Também a broncopneumonia é uma complicação possível: aparece habitualmente na convalescença ou durante a efervescência, com uma brusca elevação da temperatura, com dores torácicas tipo pontada, dispneia e tosse.

A gripe pode ser perigosa, devido a estas complicações, para as pessoas mais idosas, nas quais pode apresentar uma evolução grave. A terapêutica é sintomática, isto é, com o objectivo de combater as dores e a febre: nos casos de profunda adinamia e hipotensão, está aconselhada a utilização de fármacos simpaticomiméticos.

BRONQUITE

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Processo inflamatório agudo ou crónico da mucosa brônquica que atinge sobretudo os brônquios médios e grandes. A forma aguda, mais frequente, que aparece sobretudo nos indivíduos jovens, especialmente nos meses de Inverno, é geralmente precedida de rinite não tratada ou de infecções rinofaríngeas (sinusites, amigdalites, etc…); pode também representar a complicação de uma doença infecciosa aguda (sarampo, escarlatina, febre-tifóide) ou ser provocada por inalação de substâncias irritantes (amoníaco, cloro, ácidos e diluentes industriais).

A mucosa brônquica fica vermelha e congestionada, coberta por exsudado mucoso e mucopurulento e as suas glândulas mucíparas estão cheias de secreções. A sintomatologia geral é caracterizada por uma leve sensação de mal estar e febre, em geral pouco elevada, que dura alguns dias. Há sempre tosse, que no início é forte e com pouca expectoração mucosa. Em seguida, esta torna-se mais abundante e mucopurulenta e a tosse menos incomodativa, a velocidade de sedimentação aumenta, bem como o número de leucócitos circulantes. O prognóstico é, em geral, bom e a cura completa dá-se dentro de uma ou duas semanas.

São frequentes as recaídas, que nos indivíduos idosos ou em pessoas enfraquecidas podem conduzir a broncopneumonia. Uma bronquite que persiste na criança durante várias semanas deve fazer pensar num corpo estranho no brônquio ou numa adenopatia mediastínica. Num adulto, pode orientar o diagnóstico no sentido de tuberculose, asma ou, em última instância, bronquitectasias.

A terapêutica de uma bronquite aguda é feita com a ministração de antibióticos por via geral ou em aerosol, balsâmicos e fluidificantes das secreções brônquicas e repouso na cama até ter cessado completamente a febre.

A bronquite crónica, mais frequente nos adultos e nos idosos, pode ser secundária a recaídas de bronquites agudas, asma brônquica, fibrose pulmonar ou ao uso excessivo de tabaco. Não é provocada por agentes bacterianos bem definidos, mas por um estado de irritação da mucosa brônquica sobre a qual se podem implantar secundariamente infecções bacterianas.

A bronquite crónica não se manifesta, em regra, através de sintomas gerais graves, embora exista sempre tosse forte (às vezes com crises), acompanhada de expectoração mucopurulenta, mais abundante de manhã, e, em certos casos, com crise intensa de dispneia. Com o tempo, este estado patológico pode atingir gravemente o aparelho respiratório e cardiocirculatório.

A terapêutica desta doença é igual à da bronquite aguda – antibióticos, expectorantes, balsâmicos. Também beneficia da ministração de autovacinas e de climoterapia marítima e de montanha.

Outro tipo de bronquite, que pode aparecer nas crianças e nos idosos, é a bronquite capilar. Deve-se à inflamação das mais pequenas ramificações dos brônquios, devido à propagação de processos inflamatórios aos médios e pequenos brônquios. Às vezes pode também ocorrer devido à inalação de gases e vapores irritantes.

A doença manifesta-se com intensa cianose, dado que os brônquios estão quase completamente obstruídos pelas secreções densas que dificultam a passagem do ar. Surge sempre uma tosse forte e violenta que atormenta o doente.

O tratamento desta forma é o mesma da forma aguda. No entanto, é necessário ter sob controlo mais cuidadoso as condições respiratórias e cardiocirculatórias.

ISAAC NEWTON

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Isaac Newton nasceu prematuramente no dia de Natal de 1642, no mesmo ano em que faleceu Galileu. O pai tinha morrido pouco antes do seu nascimento e a mãe voltou a casar-se quando ele tinha três anos. Foi educado pela avó e frequentou a escola em Woolsthorpe. A Inglaterra vivia um período política e intelectualmente tempestuoso. A guerra civil começara alguns meses antes. A revolução científica, que começara com a publicação da ilustre obra de Copérnico De revolutionibus orbium celestium, em 1543, havia sido bastante desenvolvida pelas obras de outros astrónomos como Kepler e Galileu.

Quando completou catorze anos a mãe, viúva pela segunda vez, regressa a Woolsthorpe com os três filhos do segundo casamento. Enquanto frequenta a Grantham Grammar School Newton é encarregue de a ajudar na gestão dos negócios da família, o que não lhe agrada. Por isso divide o seu tempo entre os livros e a construção de engenhosos entretenimentos como, por exemplo, um moinho de vento em miniatura ou, um relógio de água. Um tio materno ao aperceber-se do seu talento extraordinário convenceu a mãe de Newton a matriculá-lo em Cambridge. Enquanto se preparava para ingressar em Cambridge, Newton instalou-se na casa do farmacêutico da vila. Aí conheceu a menina Storey por quem se apaixonou e de quem ficou noivo antes de deixar Woolsthorpe para ingressar no Trinity College em Junho de 1661. Tinha então dezanove anos. Apesar de ter muito afecto por este primeiro e único amor da sua vida, a absorção crescente com o trabalho levou-o a relegar a sua vida afectiva para segundo plano. Na verdade, Newton nunca se casou.

Vários factores influenciaram o desenvolvimento intelectual e a direcção das pesquisas de Newton, em especial as ideias que encontrou nos seus primeiros anos de estudo, os problemas que descobriu através da leitura e o contacto com outros que trabalhavam no mesmo campo. No início do seu primeiro ano estudou um exemplar dos Elementos de Euclides (séc. IV-III A.C.), a Clavis de Oughtred (1574-1660), a Geometria de Descartes (1596-1650), a Óptica de Kepler (1571-1630), as obras de Viète (1540-1603) e também Arithmetica infinitorum de Wallis. Depois de 1663, assistiu a aulas dadas por Barrow e conheceu obras de Galileu (1564-1642), Fermat (1601-1665), Huygens (1629-1695) e outros.

Quer isto dizer que, em grande parte, Newton foi um autodidacta. Nos finais de 1664, tendo atingido as fronteiras do conhecimento matemático estava pronto para realizar as suas próprias contribuições. Nos primeiros meses de 1665 exprimiu funções em termos de séries infinitas. De igual modo começou a pensar na taxa de variação e, ligando estes dois problemas, considerou-os como “o meu método”.

Durante 1665/1666, após ter obtido o seu grau de Bacharel, o Trinity College foi encerrado devido à peste. Este foi para Newton o período mais produtivo pois, nesses meses, na sua casa de Lincolnshire, realizou quatro das suas principais descobertas:

1. O teorema binomial
2. O cálculo
3. A lei da gravitação
4. A natureza das cores

Esse ano foi considerado extremamente frutuoso para a história das Ciências e, em consequência, foi denominado por “Annus mirabilis” por muitos historiadores.

Newton não se concentrou apenas numa só área de estudos. Os seus esforços e seu génio estavam voltados para muitos interesses. Para além da a Matemática e da Filosofia Natural, as suas duas grandes paixões foram a Teologia e a Alquimia. Homem de espírito científico nato, Newton propôs-se encontrar por meios experimentais a que é que correspondiam exactamente as afirmações dos alquimistas. Enquanto teólogo, Newton acreditava, sem questionar, no criador todo poderoso do Universo fazendo contudo questão de entender por ele próprio o que a generalidade dos seus contemporâneos acreditava sem discussão: o relato da criação. Nesse sentido, desenvolveu esforços para provar que as profecias de Daniel e que o “Apocalipse” faziam sentido, e realizou pesquisas cronológicas com o objectivo de harmonizar historicamente as datas do Antigo Testamento.

Quando regressou a Cambridge em 1667 Newton foi eleito Fellow do Trinity College e, em 1669, com vinte seis anos, sucedeu a Barrow como Professor of Mathematics por recomendação do próprio Barrow. As suas primeiras lições foram sob óptica e nelas expôs as suas próprias descobertas. Já em 1668 tinha construído com as suas próprias mãos um telescópio de espelho muito eficaz e de pequeno tamanho. Utilizou-o para observar os satélites de Júpiter e, possivelmente, para comprovar a universalidade da sua lei da gravitação universal.

Na sua eleição para a Royal Society em 1672 Newton comunica o seu trabalho sobre telescópios e a sua teoria corpuscular da luz, o que vai dar origem à primeira de muitas controvérsias que acompanharam os seus trabalhos.

Os esforços de Newton no campo da matemática e das ciências foram grandiosos, mas a sua maior obra foi sobre a exposição do sistema do mundo, dada na sua obra denominada Principia. Durante a escrita do Principia Newton não teve qualquer cuidado com a saúde, esquecendo-se das refeições diárias e até de dormir.

Os dois primeiros volumes dos Principia contêm toda a sua teoria, incluindo a da gravitação e as leis gerais que estabeleceu para descrever os movimentos e os pôr em relação com as forças que os determinam, leis denominadas por “leis de Newton”. No terceiro volume, Newton trata as aplicações da sua teoria dos movimentos de todos os corpos celestes, incluindo também os cometas.

Os vários ensaios de Newton sobre o cálculo ficaram desconhecidos durante muito tempo devido às suas próprias reservas em publicar esses trabalhos. Durante muito tempo os únicos ensaios que tornaram conhecido o cálculo de Newton foram os seguintes:

1. De analysi per aequationes numero terminorum infinitas tratado enviado em 1669 por Barrow à Royal Society em nome de “um amigo meu daqui que tem uma certa qualidade para tratar este assunto.” O tratado circulou em forma de manuscrito por diversos membros da Royal Society. Planos de uma breve publicação foram apenas realizados em 1711.
2. Methodus fluxionum et serium infinitarum tratado sobre fluxões, escrito em 1671 que não foi publicado durante a vida de Newton. Só em 1736/7 surgiu uma tradução em inglês.
3. Tractatus de quadratura curvarum tratado sobre quadratura de curvas escrito em 1693 mas publicado em 1704 como apêndice à Óptica de Newton.
4. Principia continha muitas passagens relevantes expostas na forma geométrica em 1687.

Newton, que guardava para si as suas extraordinárias descobertas, foi convencido por Halley (1656-1742) a dá-las a conhecer. Halley responsabilizou-se por tudo o que estava relacionado com a publicação dos trabalhos do seu amigo, nomeadamente, pelas despesas de tal processo. A publicação do livro III do Principia deu-se apenas pelo facto de Newton ter sido alertado por Halley que, se tal não acontecesse, os anteriores volumes não eram vendidos e, como tal, ele ficaria arruinado financeiramente.

Os contemporâneos de Newton reconheceram a magnitude dos Principia, ainda que, apenas alguns conseguissem acompanhar os raciocínios nele expostos. Rapidamente, o sistema newtoniano foi ensinado em Cambridge (1699) e Oxford (1704).

Em França, a penetração das ideias de Newton não foi tão rápida. Mas é em França, passado meio século, que Newton encontra o seu maior sucessor, Laplace (1749-1827) que vai atribuir a si próprio a tarefa de continuar e aperfeiçoar os Principia.

Após ter escrito os Principia, Newton parece sentir-se saturado com a “Philophia naturalis” e vai ocupar-se de outros assuntos. Em Janeiro de 1689, é eleito para representar a universidade na convenção parlamentar onde se mantém até à sua dissolução em Fevereiro de 1690. Durante esses dois anos viveu em Londres onde fez novas amizades com pessoas influentes incluindo John Locke (1632-1704).

No Outono de 1692 Newton adoece seriamente. A aversão à comida e as insónias persistentes que lhe tinham permitido escrever os Principia conduzem-no para perto do colapso total.

Newton recupera a saúde em finais de 1693 para regozijo dos seus amigos, incluindo aquele que mais tarde se tornaria o seu maior inimigo, Leibinz (1646-1716).

Com efeito, no ano da sua recuperação, Newton toma conhecimento que o cálculo se estava a tornar conhecido no Continente e que era atribuído a Leibniz. A principio, as relações entre Newton e Leibniz eram cordiais como mostra a correspondência entre estes dois grandes homens. Newton reconhecia os méritos de Leibniz e Leibniz os de Newton e em nenhum momento algum deles teria tido a mínima suspeita que algum tivesse roubado ao outro qualquer ideia do cálculo. Mais tarde, por volta de 1712, quando até o comum cidadão inglês tinha já a vaga ideia que Newton tinha construído algo de monumental, a questão de quem tinha inventado o cálculo torna-se uma questão de orgulho nacional. A Inglaterra vai cerrar hostes em torno de Newton e acusar Leibniz de ser um ladrão e um mentiroso. Leibniz e os seus apoiantes vão responder do mesmo modo. Assim se inicia a célebre controvérsia Newton-Leibniz sobre a invenção do cálculo, controvérsia que vai desgostar Newton e que vai ter como grave consequência a estagnação das matemáticas na Inglaterra durante cerca de um século. Em França e na Suíça os seguidores de Leibniz, munidos de uma melhor notação para o cálculo, vão desenvolvê-lo e simplicá-lo.

Em 1699, Newton é nomeado Master of the Mint com a tarefa de reformar e supervisionar a cunhagem da moeda.

Em 1701/2 é novamente representante da universidade de Cambridge no parlamento e em 1703 vai ser eleito presidente da Royal Society, cargo honorário para o qual é sucessivamente reeleito até à sua morte. Em 1705 é investido cavaleiro pela rainha Anna.

É de lamentar que após 1693, Newton não se tenha dedicado mais à matemática. Ele teria facilmente criado uma das mais importantes aplicações do cálculo: o cálculo das variações que seá desenvolvido pelos Bernoulli (1623-1759) por Euler (1707-1783) e por Lagrange (1765-1843). Já nos Principia Newton tinha sugerido este assunto quando calcula a forma de uma superfície de revolução que atravessa uma massa de liquido oferecendo resistência mínima. Também em 1696, resolve – em poucas horas diz-se – o clássico problema da brachistochrona: determinar a forma da trajectória que uma massa em queda, sob a acção da gravidade, descreve entre dois pontos dados num tempo mínimo. Este problema tinha sido colocado por Johann Bernoulli e Leibniz tinha proposto uma solução que desafiava os matemáticos europeus da altura. Cautelosamente, Newton vai comunicar a sua solução à Royal Society de maneira anónima. Bernoulli ao ver a solução terá exclamado: “Ah! Reconheço o leão pela sua pata.”(cit in Bell, Men of Mathematics,1986: p.115)

Poucas semanas antes da sua morte, Newton presidiu a uma secção da Real Society. Foi eleito sócio estrangeiro da Academia das Ciências Francesa em 1699. Faleceu a vinte de Março de 1727, entre a uma ou duas da manhã, durante o sono, com oitenta e cinco anos. Teve direito ao elogio fúnebre oficial pronunciado pelo secretário da Academia, Bernard le Bovier de Fontenelle. Foi sepultado no Panteão de Londres, junto aos reis de Inglaterra, na Abadia de Westminster.

A CONSTITUIÇÃO DA PELE

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INTRODUÇÃO

A pele é a estrutura de revestimento de todo o corpo humano, que continua ao nível dos orifícios naturais, com as mucosas. É o órgão de maior superfície e peso no nosso corpo, se pensarmos que num adulto normal a sua extensão é, em média, de 1 a 2 metros quadrados, e o peso total de cerca de 15 quilos.
De acordo com a regra dos 9 de Wallace, a cabeça representa à volta de 9% da área total, as duas mãos 18%, a superfície anterior e a posterior do tronco 36%, os genitais 1% e os dois membros inferiores 36%.
A espessura da pele é variável em relação com a constituição individual e com as diversas regiões. Passa-se dos 0,5 mm no canal auditivo externo e nas pálpebras, aos 4 mm, aproximadamente, nas regiões palmares e na nuca.
Exteriormente, a pela não apresenta uma superfície uniforme e plana, já que se notam, distribuídos diversamente nas várias regiões, sulcos, pregas, relevos, depressões, etc…
As depressões punctiformes e muitíssimo pequenas correspondem às aberturas dos orifícios pilossebáceos, dos quais emana o sebo e emergem os pêlos, e aos poros das glândulas sudoríparas.
As glândulas sebáceas estão espalhadas por toda a pele, com excepção das palmas das mãos e das plantas dos pés, e são particularmente numerosas nas chamadas regiões seborreicas (couro cabeludo, centro do rosto, queixo, dorso ou a superfície anterior do tórax). As glândulas sudoríparas,
muito mais numerosas, estão distribuídas em toda a superfície cutânea, excepto nos lábio, no clitóris e na glande, e apresentam máxima densidade nas regiões palmares e plantares.
Os sulcos superficiais dividem a pele em múltiplos pequenos espaços, conferindo-lhe um aspecto finamente reticulado, enquanto os sulcos profundos delimitam as chamadas cristas cutâneas, que nas polpas dos dedos se apresentam diversa e caracteristicamente orientadas conforme os indivíduos e se conservam idênticas durante toda a vida, de tal forma que se constituem a base do método de identificação mediante as impressões digitais.
As pregas observam-se ao nível das articulações (pregas articulares) e em correspondência com certos músculos (pregas musculares), especialmente os da mímica (face): vão se acentuando com a idade, devido à redução de tecido adiposo e à diminuição da elasticidade própria da idade senil.

constituicao_da_pele_vista_lateral

Os Pelos e a Cor da Pele

A pele, com excepção das regiões palmares e plantares, é coberta por pelos divididos em lanugem e em pelos terminais, de maiores dimensões. Estes últimos são representados especialmente na cabeça (cabelos), nas axilas e na região do púbis, depois da puberdade. Nos membros, no rosto e no tronco são Nitidamente predominantes nos homens. Como sabemos, os pelos podem ter diferentes cores, desde o loiro ao castanho, passando pelo negro e pelo ruivo, segundo a maior ou menor quantidade de pigmento neles presente (característica racial).
Também a cor da pele varia em relação com a raça, idade, sexo e regiões corporais, dependendo predominantemente da quantidade de pigmentos (melanina, oxi-hemoglobina, hemoglobina reduzida, melanoide, carotenos) existentes.
A melanina é a denominação genérica de uma classe de compostos proteicos existente nos reinos Animal, Planta e Protista cuja principal função é a pigmentação e proteção contra as
radiações ultravioleta. A falta de melanina dá origem a uma condição denominada de albinismo.
A melanina produzida pelos melanócitos é, porém, o mais importante e confere à pele a tonalidade castanha (vulgo, bronzeamento). As diferenças regionais da coloração relacionam-se também com a espessura da epiderme, que apresenta uma maior ou menor transparência. Este é, por exemplo, o motivo pelo qual a pele das mãos e das zonas plantares apresenta um colorido amarelado.

A Constituição da Pele

Seção transversal da pele que mostra as camadas que a compõem:

Corte Transversal Pele

A pele apresenta-se constituída por uma camada epitelial chamada epiderme, cuja população celular se diferencia e renova constantemente, e por uma
camada conjuntiva de suporte chamada derme, que representa o equivalente do estroma dos outros órgãos.
Das duas camadas, estritamente interdependentes, a epiderme está em contacto com o mundo exterior, enquanto a derme, situada mais profundamente,
se encontra em condições ambientais análogas às dos órgãos internos. Esta situação particular esclarece-nos em parte sobre as várias funções que
exerce como órgão de fronteira que nos defende das agressões externas e, ao mesmo tempo, sobre o contacto que estabelece com o mundo à nossa volta
através da recepção dos vários estímulos sensoriais (térmicos, tácteis, dolorosos) e da sua transmissão ao centro.
Numa análise histológica aos dois sectores, nota-se, em primeiro lugar, que a epiderme é um epitélio pavimentoso estratificado, no qual, debaixo para cima, se reconhecem o estrato basal (ou germinativo), o estrato espinhoso, o estrato granuloso, o estrato lúcido e o estrato córneo.
A epiderme adere fortemente à derme graças uma membrana basal a que é atribuída a função de regular as trocas metabólicas e nutritivas entre as duas secções.
A derme, também denominada córion, em que estão localizados os anexos cutâneos, é o componente mesenquimatoso da pele: é constituída por uma arquitectura
vascular e fibrosa, por uma grande quantidade de células conjuntivas e por numerosas estruturas nervosas.

Podemos distinguir-lhe três porções:

      – derme papilar (a mais superficial);

– derme média;

– derme profunda.

A derme papilar é assim denominada porque apresenta, em toda a sua extensão, inumeráveis pequenas saliências correspondentes às já mencionadas cristas cutâneas. Nas papilas dérmicas, subdivididas em vasculares e nervosas, estão contidos os corpúsculos do tacto. A derme média e a derme profunda vão assumindo uma
estrutura fasciculada, apresentando-se ricas de vasos sanguíneos cujo calibre é um pouco maior, de fibras nervosas e fibras musculares lisas.
A derme profunda liga-se, por sua vez, aos órgãos subjacentes, através de uma camada conjuntiva (hipoderme) composta mais ou menos abundantemente por tecido adiposo, em cuja contextura são contidos os músculos cutâneos e as bolsas serosas.
A arquitectura vascular cutânea é constituída por uma rede arterial, capilar e venosa, organizada em diversos retículos estratificados, dispostos em planos mais ou
menos horizontais e paralelos a partir do tecido subcutâneo, ou então com orientação diferente, se vão irrigar um anexo cutâneo. Dos ramos que irrigam o tecido subcutâneo vai formar-se um plexo cutâneo no limite dermo-hipodérmico, donde depois partem ramos sucessivos que atingem a papila dérmica, criando por
sua vez um plexo que finalmente dá origem os vasos terminais que vão formar a rede subepidérmica.

As Funções da Pele

A pele é um órgão provido de riquíssima inervação, proveniente do sistema cerebrospinal e do sistema vegetativo. As fibras cerebrospinais são predominantemente
sensitivas, as fibras vegetativas, por seu turno, inervam as arteríolas, os músculos erectores de pelos, as células contráteis das glândulas.
As múltiplas estruturas nervosas estão irregularmente entrelaçadas entre si, de modo a formar uma rede, difundida em todos os estratos cutâneos, de extraordinária vastidão.
Prosseguindo para a superfície, as fibras sensitivas tornam-se cada vez mais delgadas e, sob a forma de terminações livres ou corpúsculos sensoriais, terminam
nas várias camadas da derme, em torno das células epidérmicas e dos folículos pilíferos.
É graças a esta teia de fibras sensitivas que a pele responde aos estímulos do ambiente exterior, mediante quatro modalidades sensoriais principais: tacto, calor, frio e dor. As quatro modalidades nem sempre são verdadeiramente dissociáveis entre si, já que a natureza, a intensidade e a duração de um estímulo podem provocar simultaneamente sensações térmicas, tácteis e dolorosas.
De qualquer forma, para cada modalidade a superfície cutânea é dotada de um mosaico de pontos altamente sensíveis. Além da delicadíssima função sensorial,
que a torna num verdadeiro órgão dos sentidos, a pele exerce diversas outras funções:

– órgão de proteção, em virtude da sua extensibilidade e elasticidade, seja dos órgãos profundos em caso de traumatismos, seja, mediante os pelos e as unhas, de
zonas particulares do corpo;
– órgão de respiração, dadas as suas propriedades de absorver oxigênio e de libertar dióxido de carbono;
– órgão de secreção e de excreção, mediante as glândulas sudoríparas e sebáceas;
– órgão termorregulador, podendo aumentar a dispersão do calor, mediante a vasodilatação e a secreção do suor ou, pelo contrário, podendo diminuir a dispersão através
da vasoconstrição;
– órgão de absorção, especialmente de substâncias oleosas e voláteis. Esta característica, enquanto por um lado pode ser explorada com fins terapêuticos, por outro pode
determinar fenômenos de intoxicação geral.

pele_como_funciona

Lesões Primárias e Secundárias

Posto tudo o que anteriormente foi aqui exposto, é óbvia a necessidade de que a pele se mantenha limpa e sã. Para que possa cumprir a função de proteger organismo, precisa de ser, por sua vez, protegida com o maior cuidado.
As lesões elementares características da pele, que irão caracterizar depois os diversos quadros patológicos cutâneos, são:

      • eritema – avermelhado transitório que desaparece à pressão;

• rash – elevação fugaz e pruriginosa provocada pela formação de um edema circunscrito na derme, típica da urticária;

• vesícula – pequeno relevo superficial constituído por uma cavidade contendo líquido claro que constitui a lesão elementar própria de várias dermatoses como o eczema ou o herpes (simplex e zooster);

• bolha – só difere da vesícula pelas suas maiores dimensões;

• pápula – saliência sólida de pequenas dimensões, que regride sem deixar cicatrizes;

• pústula – pequena colecção de exsudado purulento contida na epiderme;

• nódulo – lesão elementar sólida situada na derme, de consistência compacta, que se diferencia da pápula pelas maiores dimensões, pela maior profundidade e pelo resultado em geral cicatricial. Manifestações nodulares manifestam-se na tuberculose, na lepra, na sífilis terciária, no lúpus vulgar.

Ao lado das lesões elementares, que conferem a uma dada doença cutânea uma morfologia precisa, deve-se depois ter presente o cortejo de lesões secundárias que são entendidas como uma fase evolutivas das precedentes:

• crosta – forma-se por concreção de soro, pus ou sangue que seca à superfície cutânea. Pode seguir-se a uma vesícula, a uma bolha ou a uma pústula. Pode ter tamanho, forma, coloração e consistência variáveis. Também as erosões e as ulcerações são muitas vezes recobertas por formações crostais;

• rágada – solução de continuidade linear da superfície cutânea determinada na espessura do tecido pela perda da sua normal distensibilidade. Pode ser mais ou menos profunda: se limitada à epiderme, é seca e não dolorosa; se atinge também a derme tem fundo vermelho e sangrento e é intensamente dolorosa: as regiões palmares e plantares, as comissuras labiais, o mamilo, a borda do prepúcio e as pregas anais são as zonas mais frequentemente atingíveis;

• erosão – perda de substância superficial secundária a bolhas ou a pústulas, que regride sem cicatrizar mas com a formação de uma crosta. Pode igualmente surgir após

traumatismos ou após arranhões (neste caso devem ser chamadas escoriações e têm uma disposição linear característica devida à descarnação produzida pela unha);

• ulceração – aqui a perda de substância é profunda, com pouca tendência para a regressão espontânea. Atinge a derme e eventualmente a hipoderme e pode segregar um

líquido seroso, seropurulento ou francamente purulento e hemorrágico, e cobrir-se de uma crosta. Pode ser dolorosa e espontânea, como a úlcera tuberculosa, ou só à pressão, como a úlcera venérea;

• cicatriz – lesão secundária devido à reparação de uma lesão de continuidade.

Existem igualmente lesões que podem surgir seja como lesões primárias, seja como lesões secundárias a outros elementos:

• mancha – modificação da coloração normal que não desaparece à pressão;

• liquenificação – espessamento da crosta com acentuação dos sulcos e relevos cutâneos normais;

• vegetação – excrescência da pele ou das mucosas;

• atrofia – redução da espessura pele;

• esclerose – aumento de consistência da pele, pelo que esta se torna dura e aderente aos espaços pequenos.

À parte são classificados o cunículo da sarna e a crosta da tinha, lesões típicas destas afecções e de absoluta certeza diagnóstica.

Outras Lesões

Mas o número de doenças na pele é verdadeiramente notável, não se limitando às analisadas no capítulo anterior. Deixamos de seguida alguns exemplos:

      • genodermatoses – compreendem as malformações e as doenças cutâneas devidas à transmissão hereditária de caracteres patológicos a nível genético, cromossómico ou

citoplasmático (ictiose vulgar, epidermólise bolhosa, síndroma de Ehlers-Danlos);

• dermatoses por causas físicas – compreendem diversos quadros patológicos, provocados pela acção de agentes físicos ou artificiais (frio, calor, traumatismos

mecânicos, energia radiante), cuja intensidade supera as barreiras normais de defesa da pele;

• fotodermatoses – neste tipo de doenças, a luz constitui, com modalidades diversas, um factor determinante ou desencadeante;

• dermatoses por vírus – herpes simplex ou zooster, varicela, varíola, verrugas, papilomas, condilomas, afta epizoótica;

• dermatoses piogénicas – causadas na maioria dos casos por estreptococos (impetigo, carbúnculo, sicose, furúnculo, folicolite, erisipela);

• zoonoses – grupo de afecções cutâneas que podem surgir no Homem por infecções contraídas de animais;

• micoses cutâneas – doenças dos fungos parasitas da classe dos actinomicetos e ficomicetos, que representam uma fonte copiosa de afecções cutâneas.

O IRMÃO QUE VEIO DE LONGE – SCLIAR, MOACYR (8574061476)

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Um ano após a morte de seu marido, Carmen e os seus filhos Peri Cauê e Jaci descobrem o segredo que Carlos tentou revelar antes de morrer, mas não conseguiu: quando ele era solteiro ele teve um filho, Charlie, com uma índia da Amazônia, que morreu pouco depois do nascimento do Charlie. Agora, sem pai ou mãe, o pequeno Charlie vai morar com a nova família.
Carmen aceita, Peri resiste, Cauê tenta resolver o impasse, enquanto a pequena Jaci só se apega ao novo irmão (ela adora as histórias contadas por Indiano Charlie). Aos poucos, o menino ganha a simpatia dos vizinhos. Na escola, no entanto, sofreu a hostilidade de um grupo de estudantes liderados por intolerante Renato. Durante uma excursão escolar, Jaci e o irmão de Renato perdido na mata e ninguém consegue encontrá-los. É o menino indiano que vai salvá-los, ganhando a admiração de todos.
As diferenças culturais e o preconceito – mas, acima de tudo, afeto e tolerância, estão no centro desta história sensível e bem-humorado, escrito por um dos grandes autores da literatura brasileira contemporânea.

MAURÍCIO DE NASSAU

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Maurício de Nassau
(Nobre alemão; militar e diplomata)
17-06-1604, Dillenburg
20-12-1679, Kleve

17 de junho. Nasce Johann Moritz von Nassau-Siegen na cidade de Dillenburg, perto de Frankfurt e Siegen, centro-oeste da Alemanha, como 13º filho de Johann von Nassau-Siegen e o primogênito de sua segunda esposa, Margarida von Schleswig Holstein, princesa de Holstein-Sonderburg da família real da Dinamarca. É importante diferencia-lo de seu primo Maurício de Nassau, conhecido como “O Taciturno”, filho de Guilherme, príncipe de Orange.

1606
A família Nassau muda-se para Siegen.

1614
Maurício de Nassau vai estudar na Universidade da Basiléia, na Suíça.

1615
Nassau prossegue seus estudos em Genebra.

1616
Nassau vai para Kassel, oeste da Alemanha, onde estuda no Collegium Mauritianum, que lecionava francês, italiano, espanhol, retórica, história, filosofia, teologia, astronomia e matemática, além de montaria, música, dança e esgrima. Aquele centro educacional havia sido criado por um seu cunhado, Maurício de Hesse-Kassel.

1621
03 de junho. É criada a Companhia das Índias Ocidentais ( West-Indische Compagnie ) com o monopólio do comércio da América, costa ocidental da África e Oceano Pacífico a leste das Molucas. O seu conselho de administração, composto por dezenove membros, era conhecido como Conselho dos Dezenove – Heeren XIX. Seu capital inicial era de 7 milhões de florins.

20 de agosto. Maurício de Nassau ingressa no exército da União das Sete Províncias dos Países Baixos ( Holanda, Frísia, Zelândia, Guerlândia, Utrecht, Brabante e Groninga ), com o posto de alferes de cavalaria..

1624
08 de maio. Os holandeses invadem a Bahia através da esquadra de 23 navios e 1.600 marujos do almirante Jacob Willekens, do vice-almirante Pieter Pieterzoon Heyn, e do comandante das tropas coronel Johan Van Dorth, com 1.700 homens.

1625
30 de março. Chega a Salvador, enviada por Felipe II, uma força de libertação conjunta luso-hispana com 52 navios, 11 barcos menores e aproximadamente 15.000 homens comandados pelo nobre espanhol Dom Fradique de Toledo y Osório. Reforços vindos de outras partes do Brasil também se juntaram às forças vindas da Europa. O episódio fica conhecido como a Jornada dos Vassalos.

01 de maio. Os invasores flamengos rendem-se às tropas aliadas.

Nassau participa da campanha militar de Breda, sudoeste holandês,.

1626
Nassau recebe promoção a capitão.

1629
23 de dezembro. Começa a partir do porto de Texel, na Holanda, em pequenos destacamentos, a esquadra de invasão ao Brasil.

Nassau atinge o posto de tenente-coronel. Após quatro anos é promovido a coronel.

1630
14 de fevereiro. Chega a Pau Amarelo, sob o comando do almirante Hendrick Corneliszoon Lonck, a força de invasão com 65 embarcações e 7.280 homens do general Theodoro Waerdenburch.

17 de fevereiro. Sem meios para defesa, Matias de Albuquerque manda queimar todo estoque de açúcar, bem como 24 navios do porto carregados além do açúcar, com algodão, tabaco e pau-brasil, para dificultar a entrada dos barcos flamengos no Recife.

04 de março. Por iniciativa de Matias de Albuquerque, começa a construção de uma fortificação na casa de Antônio de Abreu, que passaria a ser chamada de Arraial do Bom Jesus hoje, Sítio da Trindade.

1632
20 de abril. Domingos Fernades Calabar passa para o lado dos holandeses. Profundo conhecedor da região e das táticas de guerrilhas dos portugueses e aliados, leva os invasores a várias vitórias em toda a capitania e nas terras vizinhas.

Nassau participa ativamente da campanha de Maastricht e da tomada da fortaleza Schenckenshans numa ilha do Reno.

Nassau inicia a construção do seu palácio em Haia, projeto dos arquitetos Jacob van Campen e Pieter Post, depois conhecido como Mauritshuis ( casa de Maurício ) e Suikerhuis ( casa do açúcar ). Hoje é o museu denominado Koninklijk Kabinet van Schilderijen Mauritshuis ( Gabinete Real de Pinturas Mauritshuis ). As despesas com a construção atingiram 500.000 florins em avaliação da época.

1634
30 de dezembro. Tomada de Filipéia de Nossa Senhora das Neves ( João Pessoa ) pelos invasores. Os refugiados seguem para o Arraial do Bom Jesus.

1635
06 de junho. Cai a Arraial do Bom Jesus após um cerco de três meses e três dias, sem mais nenhum mantimento ou munição.

19 de julho. As tropas de Matias de Albuquerque, em conjunto com os fugidos do Arraial do Bom Jesus tomam o povoado de Porto Calvo, até então sob comando do major holandes Alexandre Picard. Os vencedores exigem a entrega dos desertores Domingos Calabar e do judeu Manuel de Castro. Este último é condenado ao enforcamento de imediato.

22 de julho. Calabar é julgado sumariamente e condenado à morte por garroteamento. Seus restos mortais são expostos na estacada da povoação.

1636
Nassau conquista a fortaleza de Schenken, próximo a Koblenz no vale do rio Reno.

04 de agosto. Maurício de Nassau presta juramento e é nomeado Governador Geral do Brasil Holandês por um período de cinco anos. Ele irá receber o soldo de 1.500 florins, 6.000 florins para despesas pessoais e 2% sobre as presas de guerra obtidas no Brasil, sem contar seu soldo de coronel do exército holandês. O título oficial era: Governador e Capitão General de Terra e Mar.

25 de outubro. Nassau inicia sua viagem para o Brasil numa frota de quatro embarcações ( Zuphel, Adão e Eva, Senhor de Nassau e Pernambuco ) saídas do porto de Texel. Além dos 350 soldados, traz cientistas, artistas, arquitetos e engenheiros, entre os quais o latinista e poeta Franciscus Plante, o médico e naturalista Willem Piso, o astrônomo e naturalista Georg Marcgrave, o médico Willem van Milaenen, e os pintores Frans Post e Albert Eckhout.

1637
23 de janeiro. A frota de Nassau chega ao Recife.

05 de fevereiro. As tropas de Nassau marcham para Porto Calvo/AL a fim de combater as forças do Conde de Bagnuoli, que contavam com 4.000 homens entre portugueses, espanhois e nativos.

18 de fevereiro. Começa a batalha pela posse de Porto Calvo.

05 de março. Após duas semanas de lutas, os portugueses se rendem aos invasores, que se apoderam de grande quantidade de armas e equipamentos. Apesar das poucas baixas holandesas, morre o irmão mais moço de Nassau, Carlos von Nassau. A força holandesa persegue os remanescentes até o Rio São Francisco, em Penedo, onde é construido o Forte Mauritz.

Nassau inicia a organização da administração da província, principalmente da economia açucareira, pois os engenhos estavam quase que totalmente improdutivos por conta da guerra entre lusos e flamengos.

25 de junho. Devido a falta de escravos para os engenhos de cana de açúcar, fugidos por causa da guerra entre holandeses e portugueses, Nassau envia uma expedição de nove navios para a Guiné, na África, sob comando do coronel Hans van Koin, para trazer mais negros para Pernambuco. Depois de cinco dias de duros combates com as forças portuguesas, os holandeses tomam o forte de Elmina o mais importante da chamada “Costa do Ouro”.

1638
08 de abril. Sob ordens da Cia. das Índias, os holandeses partem do Recife com uma esquadra de 36 navios, 3.600 soldados e 1.000 índios tentando ocupar o território da Bahia. Após tomar os fortes de Santo Alberto, São Filipe e São Bartolomeu na região da baia de Todos os Santos, os invasores encontram-se novamente com o conde Bagnuoli que comanda a defesa de Salvador por designação do governador Pedro da Silva.

17 de maio. Após intenso bombardeio da artilharia holandesa e apesar do comando pessoal de Nassau na linha de frente do assalto, os defensores conseguem manter a cidade livre, lutando com bravura e aproveitando o início da estação das chuvas, infringindo grandes baixas às tropas flamengas.

25 de maio. A força holandesa embarca de retorno ao Recife.

20 de dezembro. Observado por Georg Marcgrave no Recife o eclipse total da Lua, provavelmente, o primeiro registro astronômico das Américas.

1640
09 de maio. Maurício de Nassau apresenta um pedido oficial de exoneração, alegando ser mais útil como coronel do que como governador. Seu pedido é negado.

01 de dezembro. Deflagrada a revolução restauradora que separa Portugal da Espanha, juntos como União Ibérica desde 1581, elevando ao trono o duque de Bragança, D. João IV, descendente por linhagem materna da antiga Casa Real de Borgonha. Os portugueses passam a ser aliados da Holanda, antigos inimigos da Espanha.

1641
14 de março. Aporta no Recife caravela portuguesa conduzindo o novo Vice Rei Dom Jorge de Mascarenhas, marquês de Montalvão, sucessor de D. Fernando de Mascarenhas, para fazer a comunicação oficial a Maurício de Nassau dos acontecimentos ocorridos entre Portugal e Espanha e com uma proposta de armistício.

maio. Os Estados Gerais, órgão administrativo da República das Províncias Unidas dos Países Baixos, enviam em auxílio a Portugal uma esquadra de guerra a Lisboa, ao mesmo tempo que ordenam a Nassau que amplie ao máximo o território holandês no Brasil enquanto aguarda as negociações de paz.

30 de maio. Tendo convencido os dirigentes da Cia. Das Índias de que era mais vantajoso atacar Angola, por conta dos escravos, do que a Bahia, Nassau envia uma força de invasão à África com 20 navios e mais de 4.000 homens.

12 de julho. Portugal e Holanda acertam o Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva, mas ambas as partes não cumprem o acordo com relação às colônias lusas no Brasil e África.

Concluída a construção da primeira sinagoga das Américas no Recife.

1642
janeiro. Chega o novo governador-geral do Brasil, Dom Antônio Telles da Silva, que substitui D. Jorge de Mascarenhas.

01 de maio. Viaja para a Holanda o secretário particular de Nassau, Johan Cart Tolner, levando um longo relatório à Assembléia dos Estados Gerais.

27 de julho. É permitido a Tolner ler o relatório na Assembléia, destacando-se: a quantidade de soldados disponíveis no Brasil, sendo 3.064 entre Sergipe e Ceará e 1.779 para Maranhão, São Tomé e Angola; a restrição da liberdade religiosa aos portugueses; a oferta de uma comissão à Nassau pelos portugueses e judeus sobre a produção de açúcar em caso de sua permanência no comando da colônia e finalmente sobre a situação da dívida dos senhores de engenho com a C.I.O.

setembro. Concluída a construção do Palácio de Friburgo ( Vrijburg ), também conhecido como Palácio das Torres, residência oficial de Nassau. Ao seu redor foram construídos viveiros de peixes, um jardim botânico, e um zoológico. Estava localizado na região hoje ocupada pelo Palácio do Campo das Princesas, Teatro Santa Isabel e Praça da República.

Aberta a primeira sinagoga do Recife.

1643
22 de maio. Descontentes com a administração de Nassau pelos baixos lucros e a perda da província do Maranhão, os Estados Gerais decidem pela volta dele para a Holanda.

Nassau constroi o Palácio da Boa Vista ( Schoonzit ) como sua residência privada. O nome é escolhido pelas belas paisagens que se podia observar ao seu redor. Hoje, no local, existe o Convento do Carmo.

1644
28 de fevereiro. Inaugurada a ponte ligando o Recife à Cidade Maurícia ( Mauritsstadt ), na Ilha de Antônio Vaz, hoje bairro de Santo Antônio. Foi a primeira ponte de grandes dimensões do Brasil com 318 metros de extenção.

06 de maio. Maurício de Nassau entrega seu cargo de Governador-Geral do Brasil Holandês ao Alto Conselho. Deixa um manuscrito que seria uma espécie de testamento político onde, entre outras sugestões, destacam-se: ser tolerante com a prática dos cultos religiosos; cobrar mas, sem rigor excessivo, as dívidas dos senhores de engenho; severa disciplina militar porém, pagamento regular dos soldos e fornecimento adequado dos equipamentos e armas à tropa; apuração rigorosa das queixas apresentadas pelos portugueses à administração holandesa e controlar cuidadosamente a correspondência entre o clero católico das províncias conquistadas e o da cidade de Salvador.

11 de maio. Nassau deixa o Recife com sua comitiva, seguindo para Olinda, Itamaracá e depois para a Paraíba. Pelo caminho vai recebendo o reconhecimento da população.

13 de maio. Nassau parte para o porto de Texel na Holanda em uma frota de 13 navios, saindo do porto de Cabedelo no mesmo barco que o trouxe ao Brasil, o Zutphen. À sua partida acorreu verdadeira multidão e além da salva de artilharia foi tocado o hino nacional Wilhelmus Van Nassauwen.

12 de agosto. Maurício de Nassau apresenta suas contas à Assembléia dos Estados Gerais em Haia. Desliga-se da C.I.O. e retorna ao seu cargo de coronel do exército da União.

20 de setembro. Nassau volta à Assembleia em Haia onde faz várias sugestões, dentre as quais: conquistar todas as colônias espanholas na América do Sul a fim de manter e fortalecer as possesões no Brasil e ser mais sensato na cobrança das dívidas da Cia. das Índias Ocidentais contra os comerciantes do Brasil para não leva-los a falência.

outubro. Com a morte do general Stakenbroek, Nassau é promovido a tenente-general da cavalaria dos Estados Gerais.

dezembro. Nassau é designado como governador de Wezel, participando das ações militares na guerra de 1645 e 1646, sob as ordens do príncipe Frederico Henrique.

1645
03 de agosto. Vitória das tropas luso-brasileiras sobre os holandeses, comandados por Hendrick van Haus, na batalha do Monte das Tabocas em Vitória de Santo Antão.

17 de agosto. Nova vitória das tropas aliadas, agora no engenho Casa Forte, de propriedade de D. Ana Paes, cuja casa havia sido transformada em fortaleza pelos holandeses.

1647
20 de abril. O historiador e poeta belga Gaspar Barlaeus publica em Amsterdan o livro História dos Feitos Praticados Durante Oito Anos no Brasil e Outras Partes ( Rerum per octenium in Brasilia et alibi nuper gestarum, Sub Praefectura Illustrissimi Comitis I. Mavritii Nassoviae ), onde descreve a administração de Nassau no Brasil. É considerado o melhor livro publicado sobre o período colonial brasileiro. Originalmente escrito em latim, foi traduzido para o alemão em 1659.

A Cia. das Índias Ocidentais convida outra vez Nassau para o cargo de Governador-Geral do Brasil mas, ele recusa a oferta.

novembro. Nassau passa a servir também no exército do príncipe-eleitor de Brademburg na Alemanha, devido ao casamento entre Frederico Guilherme e Luísa Henriqueta, da Casa de Orange.

1648
Voltando para a Holanda e com o patrocínio de Nassau, o médico Wilhelm Piso publica o livro Historia Naturalis Brasiliae, que viria a servir de inspiração aos trabalhos dos naturalistas Alexander von Humbold e Geoffrey Saint-Hilaire.

19 de abril. Primeira batalha dos Guararapes. As tropas de Sigemundt Von Schkopp partem do Recife com o objetivo de atacar Muribeca centro abastecedor de mantimentos do Arraial Novo do Bom Jesus. O mestre-de-campo, general Francisco Barreto de Menezes, toma conhecimento dos planos de Schkopp, e posiciona suas tropas nos Montes Guararapes para dar combate aos holandeses no caminho para Muribeca, contando em seu efetivo com João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão. Apesar da artilharia holandesa, as tropas aliadas conseguem se impor, causando graves ferimentos em Schkopp, que retorna ao Recife com os sobreviventes, onde permanecem sob sítio dos revoltosos.

1649
janeiro. O rei da Inglaterra, Carlos I é executado, sendo abolido o regime monárquico. Parte de sua família vai viver na Holanda, inclusive seus filhos Carlos II e os duques de York e Gloucester, que por algum tempo são hospedes de Nassau.

18 de fevereiro. Segunda batalha dos Guararapes. Com o fracasso das negociações entre o rei D. João IV e o Conselho dos XIX, os diretores da Cia. das Índias Ocidentais ordenam ao novo comandante no Recife, o coronel Van den Brink, que rompa o cerco e ataque as tropas de Barreto de Menezes nos Guararapes. As tropas aliadas contornam o monte e atacam a retaguarda holandesa que procura resistir mas, são batidos e fogem, deixando para trás grande quantidade de armas e equipamentos, inclusive artilharia. Entre os mortos do lado flamengo estão, o coronel Van den Brink, o vice-almirante Giesseling e o chefe dos índios tapuias Pero Poty.

1652
Em Praga, elevado pelo Imperador Fernando III, Maurício de Nassau torna-se principe do império ( Reichsfürst ).

Nassau é sagrado mestre-cavaleiro da Ordem de São João em Brademburg, ordem medieval com sede na ilha de Malta, chamada de Joanitas, em cerimônia realizada no castelo de Sonnemburg.

1654
24 de janeiro. O Governo do Brasil-Holandes sitiado no Recife e Mauritsstad manda uma comissão para negociar a paz com os comandantes das tropas aliadas.

26 de janeiro. Os holandeses capitulam assinando o termo de rendição na Campina do Taborda. No dia seguinte, as tropas de Barreto de Menezes entram no Recife. Foram entregues também pelos holandeses as localidades da Ilha de Itamaracá, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Nassau presenteia o rei Frederico III da Dinamarca com 26 pinturas a óleo, além de outros objetos.

1657
Estimulados pela paz com a Inglaterra e a fraqueza do trono luso, os holandeses voltam a exigir da coroa portuguesa a devolução das possessões no Brasil, Angola e São Tomé.

Nassau participa como representante do principe Leopoldo, da Boêmia e Hungria, e do arquiduque da Áustria, das negociações para a sucessão do imperador Fernando III no trono do Sacro Império Romano.

23 de outubro. As Províncias Unidas declaram guerra a Portugal.

1661
20 de julho. Como representante do Grande-Eleitor de Brademburg, Nassau consegue a assinatura de um tratado com o novo rei da Inglaterra, Carlos II. Maurício de Nassau também tinha a missão de contratar o casamento de Carlos II com a princesa Maria de Orange mas, esse objetivo não teve exito.

06 de agosto. É assinada a Paz de Haia, onde a Holanda reconhece o domínio português sobre as terras nordestinas no Brasil e Angola na África. Portugal paga 4 milhões de cruzados, equivalentes na época a 63 toneladas de ouro, como indenização à Holanda, num período de quarenta anos, em prestações anuais. Este valor foi pago, quase que em sua totalidade, com o recém descoberto ouro da região de Minas Gerais.

1663
abril. Publicado formalmente o tratado de paz de Haia.

1667
Maurício de Nassau é nomeado marechal-de-campo da Holanda.

1674
Nassau ocupa o cargo de governador de Utrecht.

O príncipe Nassau retira-se da vida pública.

1676
Nassau, já enfermo, vai viver no ducado de Kleve, Alemanha, onde era governador ( stadhouder ).

1678
10 de dezembro. Nassau envia carta ao rei Luis XIV da França oferecendo-lhe uma coleção de 18 quadros do Brasil.

1679
20 de dezembro. Morre João Maurício de Nassau nos arredores da cidade de Kleve, na propriedade rural denominada Berg-und-Tal ( Monte e Vale ). Seus restos mortais foram posteriormente transladados para Siegen.

O QUE FOI O APARTHEID

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O apartheid trouxe violência e um significativo movimento de resistência interna, bem como um longo embargo comercial contra a África do Sul.Uma série de revoltas populares e protestos causaram o banimento da oposição e a detenção de líderes anti-apartheid. Conforme a desordem se espalhava e se tornava mais violenta, as organizações estatais respondiam com o aumento da repressão e da violência

O apartheid foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.

A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. A nova legislação dividia os habitantes em grupos raciais (“negros”, “brancos”, “de cor”, e “indianos”), segregando as áreas residenciais, muitas vezes através de remoções forçadas. A partir de 1958, os negros foram privados de sua cidadania, tornando-se legalmente cidadãos de uma das dez pátrias tribais autônomas chamadas de bantusões, quatro das quais se tornariam estados independentes de fato. À essa altura, o governo já havia segregado a saúde, a educação e outros serviços públicos, fornecendo aos negros serviços inferiores aos dos brancos

Reformas no regime durante a década de 1980 não conseguiram conter a crescente oposição, e em 1990 o presidente Frederik Willem de Klerk iniciou negociações para acabar com o apartheid, o que culminou com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994, que foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob a liderança de Nelson Mandela. Entretanto, os vestígios do apartheid ainda fazem parte da política e da sociedade sul-africana

Antecedentes do apartheid

A colônia do Cabo foi estabelecida em 1652 pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, com o intuito de fornecer uma escala aos navios da empresa a caminho da Indonésia. Os holandeses foram os primeiros europeus a se estabelecerem no sul do continente africano.Os bôeres (do holandês boer, ou “agricultor”), como ficaram conhecidos os primeiros colonizadores, utilizavam o trabalho escravo dos nativos em suas plantations litorâneas.

Em 1795, a colônia do Cabo foi tomada pelo Reino Unido, se transformando em possessão britânica em 1814, por ocasião do Congresso de Viena. Após 1834, quando a escravidão foi abolida em todo o Império Britânico, graves atritos começaram a surgir entre os bôeres e os britânicos, o que culminaria na Grande Migração em direção aos planaltos interiores, iniciada em 1835. Os bôeres se dirigiram ao norte do atual território sul-africano, atravessando as montanhas Drakensberg e levando consigo seus escravos negros. Na segunda metade do século XIX, fundaram as repúblicas do Orange e do Transvaal, que nasceram do massacre dos povos nativos e se constituiriam como sociedades fundadas na opressão racial.

O sistema colonial britânico em Cabo e Natal também adotava práticas racistas que começaram a forjar as bases legais para o regime do apartheid. Os britânicos introduziram a lei do passe no século XIX. Isto surgiu a partir da regulamentação da circulação de pessoas negras das regiões tribais para as áreas ocupadas por pessoas brancas e mestiças, governado pelos britânicos. As leis não foram só criadas para restringir a circulação de pessoas negras para essas áreas, mas também para proibir a sua circulação de um bairro a outro sem o porte de um passe. Os negros não tinham permissão para andar nas ruas das cidades das colônias do Cabo e de Natal de noite e eram obrigados a portar seus passes sempre que estivessem em local público. Em 1892, o voto dos negros foi limitado com base na educação e em recursos financeiros. Dois anos depois, os indianos foram privados de seu direito de voto em Natal. Em 1905, os negros como um todo foram privados do direito de voto, além de terem sua circulação limitada em áreas fixas. No ano seguinte, os indianos foram obrigados a carregarem passes.

No final do século XIX, a descoberta de jazidas de diamantes e ouro nas repúblicas do Orange e do Transvaal provocou a guerra entre ingleses e bôeres. A Guerra dos Bôeres terminou com a rendição das duas repúblicas. Em 1910, uma Constituição negociada entre bôeres e ingleses criou a União Sul-Africana, incorporando os territórios britânicos do Cabo e de Natal com as antigas áreas bôeres. Neste novo domínio britânico, todo o controle político foi dado aos brancos, uma vez que o direito dos negros de se sentarem no parlamento foi banido. Os bôeres logo fundaram o Partido Reunido Nacional para disputar com os ingleses a hegemonia política da região. Sob a bandeira deste partido, os africânderes (descendentes dos bôeres) começaram a lutar pela oficialização das práticas de segregação racial de seus ancestrais.

A base ideológica do apartheid, encontrada principalmente entre os membros do Partido Reunido Nacional, nasceu a partir do conceito romântico de nação, reelaborado a partir do pensamento fascista. Nas obras dos principais teóricos do apartheid, a nação tem seu fundamento na raça, na cultura e na etnia. A “língua étnica” (o africâner) aparece como traço básico da identidade nacional. Outra base foi o passado bôer e, sobretudo, a interpretação mitológica desse passado. A idéia de uma cultura singular legitimouum conceito restritivo de nação, que excluía os outros povos da África do Sul.A memória dos feitos da Grande Marcha e da Guerra dos Bôeres forneceu uma vasta simbologia destinada a estimular o patriotismo africânder.
Bandeira sul-africana entre 1928 e 1994.

Os africânderes chegaram ao poder em 1910 com a eleição do primeiro-ministro Louis Botha, cujo governo adotou as primeiras leis de segregação racial, tal como a proibição dos não-brancos de quebrarem um contrato de trabalho e de se tornarem membros da Igreja Reformada Holandesa. Em 1913, todos os negros, com exceção dos moradores da província do Cabo, foram impedidos de comprarem terras fora das “reservas indígenas”. Ainda naquele ano, a Lei de Terras Nativas dividiu a posse da terra na África do Sul por grupos raciais. Os negros, que constituíam dois terços da população, passaram a ter direito a apenas 7,5% das terras, enquanto os brancos, um quinto da população, tinham direito a 92,5% das terras. As pessoas “de cor” (mestiços) não tinham direito à posse da terra. A lei determinava ainda que os negros só poderiam viver fora de suas terras quando fossem empregados dos brancos. Passou também a ser ilegal a prática usual de ter rendeiros negros nas plantações.

Em 1918, o Projeto de Lei sobre Nativos em Áreas Urbanas foi concebido para obrigar os negros a viverem em locais específicos. Entretanto, a segregação urbana só foi introduzida no governo seguinte, de Jan Smuts, membro do Partido Unido. Foi Smuts quem havia cunhado a palavra apartheid, em discurso de 1917. Durante seu segundo governo, os indianos foram proibidos de comprar terras.

O governo de Smuts começou a se afastar da aplicação de leis segregacionistas rígidas durante a Segunda Guerra Mundial. Em meio a temores de que a integração acabaria por levar a nação à assimilação racial, os legisladores estabeleceram a Comissão Sauer para investigar os efeitos das políticas do Partido Unido. A comissão concluiu que a integração traria uma “perda de personalidade” para todos os grupos raciais.

Discriminação pós-apartheid

Após o fim do apartheid, o novo regime aplicou diversas ações afirmativas visando beneficiar as vítimas do regime discriminatório. Porém o novo regime acabou por segregar os sul-africanos de origem chinesa que viviam no país desde o inicio do século e que também sofreram os efeitos discriminatórios do apartheid, mesmo que em menor escala. Somente em 2008, após a Associação Chinesa da Africa do Sul entrar com uma ação na Suprema Corte Sul-Africana que os sul-africanos de origem chinesa passaram a ser definidos como “novos negros”, se tornando então também elegíveis para os benefícios de compensação concedidos às vítimas do apartheid. [28] A definição dos sul-africanos de origem chinesa como “novos negros” só irá beneficiar aqueles que já possuíam a cidadania sul-africana antes de 1994, excluindo os imigrantes pós-apartheid, o que deve beneficiar cerca de 15.000 dos atuais 300.000 chineses sul-africanos.

A não inclusão dos sul-africanos de origem chinesa nos benefícios às vítimas do apartheid se deve à confusão entre os imigrantes taiwaneses que, beneficiados pela relação amistosa de Taiwan com o regime do apartheid, foram considerados brancos honorários, ao contrário dos chineses oriundos da China continental, descendentes dos trabalhadores das minas de ouro, cuja imigração foi proibida pelo Ato de Exclusão dos Chineses de 1904, que foram vítimas da segregação ao serem classificados como “pessoas de cor” pelo antigo sistema. Acredita-se que os inúmeros investimentos chineses e o interesse no crescente poderio econômico chinês por parte do governo sul-africano tenham contribuído para sanar esta última injustiça do apartheid.

Conclusão

Em 10 de Maio de 1994, Nelson Mandela fez o juramento como presidente da África do Sul diante de uma eufórica multidão. Dentre suas primeiras ações foi criada a Comissão Verdade e Reconciliação e reescrita a Constituição. Na eleição multi-racial seguinte, o ANC de Mandela ganhou com larga margem, efetivamente terminando com a era do apartheid.
A herança do apartheid e as desigualdades sócio-econômicas que ela promoveu e sustentou podem vir a prejudicar a África do Sul por muitos anos no futuro.

COMO SURGIU O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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Como surgiu o Dia da Consciência Negra

No dia 20 de novembro de 1695, o negro Zumbi, chefe do Quilombo dos Palmares, foi morto em uma emboscada na serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou, também, com o início da destruição do Quilombo.

O Quilombo dos Palmares foi uma comunidade criada pelos escravos que fugiam de seus senhores para viver em liberdade. Houve uma época em que o Quilombo abrigou mais de 20 mil pessoas.

Zumbi nasceu no Quilombo mas, ainda recém-nascido, foi capturado e entregue a um padre, que lhe deu o nome Francisco, o ensinou a ler e a escrever. Aos 15 anos de idade, o menino resolveu voltar ao Quilombo, onde, pouco tempo depois, tornou-se líder. Em 1995, após 300 anos de sua morte, Zumbi foi reconhecido como herói nacional.

As rebeliões de escravos foram bastante freqüentes no período colonial. Os negros fugidos escondiam-se na mata e organizavam-se em grupos, para sobreviver à hostilidade do ambiente e às investidas dos brancos.

Os grupos, internamente coesos, recebiam o nome de quilombos e as aldeias que os compunham, de mocambos. O mais conhecido dos quilombos foi de Palmares, pois foi o que mais tempo durou (1630 -1695), o que ocupou maior área territorial (cerca de 400 km2 dos atuais estados de Pernambuco e Alagoas) e o que resistiu mais bravamente aos ataques dos brancos.

Palmares se organizou como um verdadeiro Estado – com as estruturas dos estados africanos, onde cada aldeia tinha um chefe, os quais elegiam seu rei – e possuía um verdadeiro exército, além de fortificações em torno das aldeias, que deixaram os comandantes brancos admirados.

Tinha uma produção agrícola bem avançada, que dava para a subsistência das aldeias e ainda produzia um excedente que podia ser negociado com mascates e lavradores brancos. No entanto, a própria existência de um Estado independente dentro da colônia era inaceitável para os portugueses, que consideravam Palmares como seu maior inimigo, depois dos holandeses.

O primeiro rei de Palmares foi Gangazumba, que comandou uma bem-sucedida resistência, repelindo dezenas de expedições dos brancos. Em 1678, assinou uma trégua com o governador Aires de Souza e Castro – atitude que dividiu o quilombo.

Em conseqüência, Gangazumba terminou por ser envenenado. Foi substituído por Zumbi que já era um líder respeitado e que se tornou o grande herói dos Palmares. Várias investidas foram feitas contra o quilombo: duas ainda sob o domínio Falar sobre o Dia da Consciência Negra nos faz parafrasear Patativa quando ele propõe o respeito às diferenças. Acreditamos que isto não deve ser encarado como concessão ou exceção a uma regra socialmente estabelecida, mas como o direito de igualdade em oportunidades entre os indivíduos.

O dia 20 de novembro marca o assassinato do líder Zumbi dos Palmares, oficializado herói nacional, por ocasião do tricentenário de sua morte em 1996. Símbolo da resistência contra o racismo, a opressão e as desigualdades sociais. Marca da resistência dos povos contra o colonialismo, o imperialismo e o terrorismo em todo o mundo, sob todas as formas.

Construindo o “Dia da Consciência Negra”

O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil.

Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.

Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o “Dia da Consciência Negra”, pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. “Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão”, assim definia Silveira o “Dia da Abolição da Escravatura” em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.

A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. “Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente”.

Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural.

Grande parte da população envolvida celebra com samba, churrasco e muita cerveja”, conta o historiador Andrelino Campos, da Faculdade de Formação de Professores, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

“É importante que se conquiste o “Dia da Consciência Negra” como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico”.

Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: “os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse”.

O projeto neoliberal implantado em nosso país acirra as desigualdades, afetando, ainda mais, as parcelas menos favorecidas da população brasileira. Em pesquisa realizada pelo DIEESE (1998) são apresentadas informações que comprovam a discriminação à população negra, tomando por base as regiões metropolitanas.

A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.

Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi – líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares.

Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.

Porém, hoje as estatísticas sobre os brasileiros ainda espelham desigualdades entre a população de brancos e a de pretos e pardos. Por isso, é importante conhecermos algumas informações sobre o assunto.

Referências bibliográficas:

ACDS – Associação Cultural e Desportiva Samburá

DIEESE – Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC

Autoria: Marcos Júlio Lyra

CONSCIÊNCIA NEGRA

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INTRODUÇÃO

De 1550 a 1888, pelo menos 3 milhões de africanos foram brutalmente enviados ao Brasil pelos mercadores de escravos, o que significa quase metade de todos os escravos levados à América do Sul. A maioria deles veio de Angola e Moçambique, que eram então colônias portuguesas na África, e foi submetida ao trabalho escravo nas plantações de cana-de-açúcar no nordeste.
Durante os anos da escravatura, milhares conseguiram escapar montando colônias livre conhecidas como quilombos. O mais famoso de todos foi o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, liderado por um escravo fugitivo conhecido como Zumbi, que veio a se tornar símbolo de resistência por defender o povoado contra as forças coloniais. Zumbi foi assassinado em 1695 e no aniversário de sua morte, 20 de novembro, o país renova sua permanente luta contra a discriminação.

O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a “generosidade” da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de novembro também recebe o nome de Semana da Consciência Negra
Ela existe ate hoje por causa do preconceito racial

A pobreza não leva em consideração a cor da pele do cidadão.

Segundo os noticiários da TV, a demanda por mão-de-obra qualificada é crescente!

O modelo educacional do ensino público atual está equivocado. Alguns querem acreditar que o sistema de cotas raciais é a solução para o problema histórico dos excluídos da sociedade, isto não é verdade! A pobreza não leva em consideração a cor da pele do cidadão.

A faixa etária integral que deveria receber “atenção especial” do governo situa-se entre 14 e 25 anos. As empresas atualmente estão à procura de técnicos já empregados. Haveremos de “importar” técnicos e operários da Europa? O trabalho especializado não constitui um ideal ou motivação para juventude. O vestibular sim! O Brasil corre o risco de ter grande número de cidadãos com nível superior, sem trabalho ou trabalhando em subempregos.

As escolas públicas há muito deveriam oferecer uma profissão junto ao diploma de conclusão do 2° grau / ou ensino médio – por exemplo o modelo Chileno de Educação Pública). Li no jornal que o ensino público em São Paulo, já neste ano de 2010, está oferecendo cursos técnicos! Se fosse possível acreditar em boa-vontade, eu diria que os alunos já formados nas escolas técnicas federais, de acordo a experiência devidamente comprovada, poderiam ser contratados sem concurso para trabalharem como professores, monitores ou mestres de ofícios na rede municipal e estadual (do ensino médio) trazendo verdadeiro benefício ao Estado Brasileiro. Lógico que as oficinas ou laboratórios teriam de ser gradualmente montados com os equipamentos necessários aos trabalhos práticos e/ou experimentais. Outra solução bastante inteligente seria o Estado oferecer e divulgar anualmente e com urgência, número determinado de matrículas gratuitas no SENAI, SEBRAE, SESC, acompanhando o bolsista durante o período de seu treinamento.
A demanda por mão-de-obra qualificada é crescente. A formação e diploma atual oferecido é demagógico.

Quando tudo aconteceu:

      – 1600: Negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de açúcar de Pernambuco, fundam na serra da Barriga o quilombo de Palmares; a população não pára de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para os escravos, Palmares é a Terra da Promissão.

– 1630: Os holandeses invadem o Nordeste brasileiro.

– 1644: Tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares.

– 1654: Os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro.

– 1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares

– 1662 (?): Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados e dado ao padre António Melo; será baptizado com o nome de Francisco, irá ajudar à missa e estudar português e latim.

– 1670: Zumbi foge, regressa a Palmares.

– 1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar.

– 1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares; ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos.

– 1680: Zumbi impera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas.

– 1694: Apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir.

– 1695, 20 de Novembro: Denunciado por um antigo companheiro, Zumbi é localizado, preso e degolado.

Dia da Consciência Negra – Morgan Freeman

Uma mensagem muito bonita deixada pelo Sr. Freeman acerca da discriminação racial.

Em inglês, a tradução literal de Dia da Consciência Negra seria “Black Awareness Day”. No entanto, nos Estados Unidos e Canadá existe o “Black History Month” (Mês da História Negra), que é celebrado todos os anos em Fevereiro.

Apesar de ter sido uma data instituída e ser celebrada por muitas pessoas, outras discordam totalmente com a sua existência. Esse é o caso do mundialmente conhecido ator Morgan Freeman, vencedor de um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme “Menina de Ouro”, que em uma entrevista descreveu o Mês da História Negra como “ridículo”.

Bibliografia:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12519.htm

A IDENTIDADE E CULTURA DA BAHIA

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A cultura da Bahia é uma das mais ricas e diversificadas do Brasil, sendo o estado considerado um dos mais ricos centros culturais do país, conservando não apenas um rico acervo de obras religiosas, arquitetônicas, mas é berço das mais típicas manifestações culturais populares, quer na culinária, na música, e em praticamente todas as artes.

A Bahia tem seus expoentes, suas características próprias, resultado da rica miscigenação entre o índio nativo, o português colonizador e o negro escravizado. Nessa imensa vastidão cultural a identidade e cultura da Bahia se destaca, entre as principais manifestações culturais do estado, onde estão o carnaval de Salvador, a festa da Independência da Bahia, as festas juninas no interior, em especial a guerra de espadas em Cruz das Almas e em Senhor do Bonfim, a lavagem do Bonfim, a Festa de Santa Bárbara, a Festa de São Sebastião, a festa de Iemanjá, e muitas outras. Na Bahia, ainda há espaço para um provérbio, a um tempo jocoso e sério, que retrata a índole do seu povo: “O baiano não nasce, estréia”.

Cultura Baiana
Fitinha do Senhor do Bonfim – Ícone tradicional da religiosidade baiana

Cultura erudita

Na Bahia nasceu o primeiro historiador do Brasil, Frei Vicente do Salvador. Ainda como Colônia, os versos de Gregório de Matos repercutiam qual dardos, dono de rimas tão ferinas que lhe renderam a imortalidade com o epíteto de “Boca do Inferno”.

Lugar da primeira Faculdade de Medicina do país, foi berço de nomes que se destacaram no cenário nacional, tais como Afrânio Peixoto, Antônio Rodrigues Lima, Juliano Moreira, etc.

Do Direito brotaram nomes como Ruy Barbosa, Teixeira de Freitas, Antônio Luiz Machado Neto Aliomar Baleeiro, Orlando Gomes, Nestor Duarte e, caindo para a literatura, Castro Alves.

Música

Já era a Bahia, em particular Salvador, sua capital, a maior cidade das Américas durante vários séculos, um dos principais centros comerciais do Novo Mundo. Das raízes negras brotou o samba de roda, seu filho samba, o lundu e outros tantos ritmos, movidos por atabaques, berimbaus, marimbas – espalhando-se pelo resto do Brasil, e ganhando o mundo.

Xisto Bahia, levando os ritmos e mesmo poetas (como Plínio de Lima), descobre o novo meio e grava o primeiro disco brasileiro. E experimenta o sucesso internacional com Dorival Caymmi.

Do rock ao tropicalismo, de Raul Seixas a Caetano Veloso, infinitos nomes desfilam mundo afora, como João Gilberto, Gilberto Gil, Tom Zé…

Carnaval

Foi no Carnaval que o baiano encontrou-se com o mundo: Em 1950 Dodô e Osmar inventam o Trio Elétrico, e atrás dele “só não vai quem já morreu”.

Um novo cenário foi descortinado, revelando artistas e grupos musicais: Moraes Moreira, Luiz Caldas, Chiclete com Banana, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, etc.

O negro reconquista sua identidade, e ganha força nos Filhos de Gandhi, o Olodum une música ao trabalho social.

Carnaval de Salvador

Bloco da capoeira circuito Campo Grande Salvador
Praia do Farol da Barra cheia de banhistas, um dia antes da abertura do Carnaval 2008.
Armação dos camarotes no circuito Barra-Ondina para o carnaval que começou no dia 31 de janeiro de 2008.
Foto em show do Bloco-Afro Ilê Aiyê.

Pau Eletrico

Instrumento criado por Dodô para evitar a microfonia existente no violão elétrico utilizando o cêpo maciço que possibilitava a reprodução do som de forma perfeita. Inspirado no violão elétrico do carioca Benedito Chaves, o pau elétrico ou guitarra baiana possibilitou o desenvolvimento de uma nova forma de “fazer carnaval”.

Trio Eletrico

Criado por Dodô e Osmar a famosa fobica, remodelação de um velho Ford Bigode 1929, tornou-se o primeiro trio elétrico. Totalmente mudado e pintado para a festa, a fobica virou o palco perfeito para à guitarra baiana. Esta invenção transformou o carnaval de rua de Salvador. Que hoje em dia é agitado por vários cantores famosos na Bahia. Os shows dados em cima do trio elétrico são gratuitos e passam pelas ruas dos bairros como Barra, Ondina e Campo Grande. Atraindo uma grande multidão de pessoas, tanto anônimas quanto outros artistas e personalidades.

Afoxé

No Estado da Bahia, o afoxé é formado principalmente por pessoas ligadas aos preceitos do candomblé. Tendo como a sua manifestação carnavalesca o resgate da herança cultural africana em seu ritmo, língua e vestimenta.

Bloco afro
Ilê Aiyê no carnaval em Salvador na Bahia

São blocos que utilizam em sua endumentária, ritmo e letra aspectos das culturas africanas. Sendo geralmente um grupo de pessoas com traços etnicos africanos que saem no carnaval revivendo as tradições africanas. Utilizando um conjunto percussivo na frente do trio elétrico somando com vestimentas cuja temática das estampas estabelecem ligação com a África.

O primeiro Bloco-afro, criado no Brasil foi o Ilê Aiyê no ano de 1974 por Vovô. Inaugurando assim uma mudança do carnaval de Salvador com a inserção da musicalidade africana.

Blocos de enredo

São blocos análogos a escolas de samba. Na cidade do Rio de Janeiro, desfilam na Avenida Rio Branco (Grupo 1), na Estrada Intendente Magalhães (Grupo 2) e em Bonsucesso (Grupo 3). Possuem samba-enredo, embora normalmente estes sejam mais curtos que os das escolas. Muitas escolas de samba, especialmente dos grupos inferiores, foram blocos de enredo e podem voltar a ser-los se forem os últimos colocados no último grupo das escolas de samba cariocas. sendo filiados à Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro.

Em vários lugares do Brasil e comum ter essa denominação. com exceção de São Paulo, onde são chamados de “blocos”, sendo administrados pela União das Escolas de Samba de São Paulo, funcionando como pequenas escolas de samba, inclusive com sambas-enredo iguais aos destas.

Blocos de embalo

No Rio de Janeiro, são todos os blocos que não são de enredo nem se identifiquem com outra manifestação carnavalesca pré-existente, como os clubes de frevo (típicos de Pernambuco).

Bloco de sujo

São manifestações populares típicas do carnaval de rua no Brasil, onde o improviso e a desorganização são a tônica: Um grupo de foliões com fantasias improvisadas, ou mesmo de roupa comum, se reúnem no carnaval e ao som de instrumentos também improvisados e desfilam pelas ruas da cidade, cantando e sambando marchinhas carnavalescas e sambas-enredo das escolas de samba.

Alguns blocos de sujo satirizam a política nacional com faixas e cartazes, sempre em tom de ironia e deboche, com a marca do humor brasileiro.

Bloco das piranhas

São manifestações populares dada a todos os blocos carnavalescos formados por homens que se vestem com roupas de mulher para brincar o Carnaval. no Rio de Janeiro eram populares o da cidade de São João de Meriti que acabou-se transformando em uma escola de samba e o do Clube Mauá, em São Gonçalo.

Axé

O Axé é um gênero musical surgido no estado da Bahia na década de 1980, durante as manifestações populares do carnaval de Salvador,que mistura Frevo pernambucano, forró, Maracatu, Reggae e Calipso, que é derivado do Reggae.

No entanto, o termo Axé Music é utilizado erroneamente para designar todos os ritmos de raízes africanas ou o estilo de música de qualquer banda ou artista que provém da Bahia. Sabe-se hoje, que nem toda música baiana é Axé, pois lá há o Olodum, um ritmo da África do Sul, Samba de Roda e Pagode produzidos por algumas bandas, Calipso (gênero muscial), proveniente do Pará e Samba-reggae[1], uma novidade.

A palavra “axé” é uma saudação religiosa usada no candomblé e na umbanda, que significa energia positiva. Expressão corrente no circuito musical soteropolitano, ela foi anexada à palavra da língua inglesa music pelo jornalista Hagamenon Brito para formar um termo que designaria pejorativamente aquela música dançante com aspirações internacionais[2].

Com o impulso da mídia, o axé music rapidamente se espalhou pelo país todo (com a realização de carnavais fora de época, as micaretas), e fortaleceu-se como indústria, produzindo sucessos durante todo o ano.

Resumo

O Carnaval de Salvador é a maior manifestação popular do Mundo[1], batendo recordes com cerca de 2.700.000 foliões em seis dias de festa, que festejam em três principais circuitos: Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Campo Grande-Avenida Sete) e Batatinha (Centro Histórico).

Culinária

cultada_baiana_acaraje

Do Candomblé ou do tabuleiro da Baiana brotam o acarajé, o abará, o vatapá e tantos pratos temperados pelo azeite de dendê, festejando aos santos, como o caruru ou festejando a vida, como a moqueca, a Bahia tem sempre um quindim a despertar o paladar.
A culinária da Bahia mais conhecida (embora não a mais consumida) é aquela produzida no Recôncavo e em todo o litoral da Bahia — praticamente composta de pratos de africana, diferenciados pelo tempero mais forte à base de azeite de dendê, leite de coco, gengibre, pimenta de várias qualidades e muitos outros que não são utilizados nos demais estados do Brasil. Essa culinária, porém, não chega a representar 30% do que seus habitantes consomem diariamente. As iguarias dessa vertente africana da culinária estão reservadas, pela tradição e hábitos locais, às sextas-feiras e às comemorações de datas institucionais, religiosas ou familiares. No dia a dia, o baiano alimenta-se dos pratos herdados da vertente portuguesa, englobados no que se costuma chamar de “culinária sertaneja”. São receitas que não levam o dendê e demais ingredientes típicos de origem africana, como ensopados, guisados e várias iguarias encontradas também nos outros estados, embora com toques evidentemente regionais (a utilização mais ou menos acentuada de determinados temperos numa dada receita, por exemplo). A predominância, no imaginário do brasileiro e nos meios de comunicação, da culinária “afro-baiana”, deve-se muito ao fato de Salvador, a capital da Bahia, situar-se no litoral do Recôncavo, o que confere maior poder de divulgação para o saboroso legado africano da culinária regional.

Ambas vertentes da culinária baiana, no entanto, ainda são praticadas de forma bastante espontâneas, carecendo de procedimentos mais sistemáticos de pesquisa e desenvolvimento. Há muita resistência a tentativas de estudos e aprimoramentos da comida legada por portugueses e africanos. Existem poucos chefs de cozinha dedicados à culinária da Bahia. Procedimentos mais coerentes com a moderna cozinha, contudo, já começam a aparecer, de forma esparsa, através de cozinheiros e cozinheiras mais informados das modernas técnicas gastronômicas, apontando perspectivas mais dinâmicas para a cozinha baiana. A primeira consequência dessas poucas iniciativas é o aparecimento de novas receitas, mais elaboradas, ainda mantendo fortes ligações com as matrizes portuguesa e africana mas incorporando também bases da culinária de outros países, principalmente aqueles banhados pelo Mediterrâneo.

Na Bahia existem duas maneiras de se preparar os pratos “afros”. Uma mais simples, sem muito tempero, que é feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidos aos Orixás, e a outra, fora dos terreiros, onde as comidas são preparadas e vendidas pela baiana do acarajé e nos restaurantes, e nas residências, que são mais carregadas no tempero e mais saborosas.

Diz Afrânio Peixoto, historiógrafo, em seu livro “Breviário da Bahia”, que ” a Bahia é um feliz consórcio do melhor de Portugal – a sobremesa e a preferência pelos pescados, e da Costa da África – o óleo de dendê, com outros temperos e condimentos, e pimenta, muita pimenta benzendo tudo. (…) Pouca coisa do índio, que não tinha quase cozinha.”

Pratos típicos

* Abará
* Aberém
* Arroz de com e mela hauçá
* Mocotó
* Acaçá
* Acarajé
* Almoço Fresco
* Bobó
* Carne de sol assada
* Caruru
* Efó
* Feijão de leite
* Galinha de cabidela
* Maniçoba
* Mininico de carneiro
* Moqueca de aratú
* Moqueca de peixe
* Moqueca de camarão
* Moqueca de maturi
* Moqueca de mapé
* Moqueca de petitinga
* Muganga
* Sarapatel
* Sarrabulho de vaca
* Siri mole
* Vatapá
* Xinxim de galinha
* Zembê