Exemplo de currículo de profissional de infra-estrutura

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José Carlos de Souza Jr.
Solteiro, brasileiro, 27 anos
Rua James Watt, 111 – Vila Olímpia
CEP 01000-000 – São Paulo – SP
Tel. residencial: (11) 5555-0000
Celular: (11) 9999-0000
E-mail: [email protected]

Objetivo

Atuar na implementação, manutenção e suporte de redes de alta velocidade

Resumo profissional

Sólida experiência na área de redes corporativas, com atuação em empresas de grande porte e destaque no mercado há mais de cinco anos. Capacidade de liderança (coordenação de equipe de engenheiros por dois anos), habilidade de negociação e visão estratégica. Dois anos de experiência internacional nos Estados Unidos e especialização no sistema operacional Windows 2000.

Experiência Profissional

Desde 1999 – TELEFÔNICA
Cargo: Gerente de engenharia Coordenação de equipe técnica de trinta pessoas, na implementação de redes de voz e dados para grandes clientes. Atuação em controle de tráfego, segurança, manutenção, LAN e WAN switching e redes de alta velocidade (Speedy/ADSL).

1997/1999 – ALCATEL
Cargo: Administrador de redes sr.
Participação na equipe que desenvolveu os projetos de cabeamento e integração de redes de diversos clientes, de médio e grande porte, no setor financeiro e de energia elétrica.

1996/1997 – BANCO AMERICAN CCFG
Cargo: Administrador de rede jr.
Colaboração no projeto e implementação da rede corporativa do banco. Atuação em integração de sistemas e dados.

Formação acadêmica

2001 – Cisco Certified Internetwork Expert (CCIE).
2000 – Treinamento e certificação CNA Novell Netware e MCSE Windows 2000 pela Impacta Tecnologia.
1996/1998 – Pós-graduado em Engenharia de Sistemas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
1992/1996 – Graduado em Engenharia da Computação pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Idiomas

Fluência em inglês (nível avançado para leitura, conversação e escrita).
Dois anos de residência no exterior (Nova York/NY – Estados Unidos – 1998/2000), em intercâmbio. Curso de inglês para estrangeiros na Universidade de Columbia, no mesmo período mencionado acima.

Informações adicionais

Experiência em Windows NT/2000, Novell Netware, redes de voz sobre IP/LAN switching/ADSL/ISDN/ ATM/frame relay.

COMO FAZER UM CURRICULO PROFISSIONAL

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COMO FAZER UM CURRICULO PROFISSIONAL

NOME COMPLETO
Liste seu estado civil, nacionalidade, idade, endereço completo (com rua, número e complemento), CEP, cidade, Estado, telefone residencial, fax, celular (todos com DDD) e e-mail. RG, CPF, número da carteira profissional, título de eleitor, atestado de reservista e passaporte são completamente dispensáveis. Esqueça-os. Você está escrevendo um currículo, não assinando um contrato.

OBJETIVO

O que você quer vem logo depois de quem você é. Deixe claro o seu objetivo profissional. Cuidado com exageros: antes de enviar seu perfil a um empregador, decida BEM o que você quer fazer e em que área quer atuar.

RESUMO PROFISSIONAL

Apresente uma síntese (leu direito? SÍNTESE) de suas competências e habilidades profissionais. Para o empregador bater os olhos e avaliar você no ato. É aí que ele decidirá se continua em frente, lendo atentamente o seu perfil, ou se joga o currículo no lixo.

HISTÓRICO PROFISSIONAL

A experiência é o ponto que mais chama a atenção dos recrutadores. Resuma seu histórico profissional, não esquecendo dos seguintes pontos:

1. As empresas nas quais trabalhou (da mais recente para a mais antiga);
2. O período em que passou em cada uma delas;
3. Seu(s) cargo(s) na organização;
4. Uma breve descrição de suas funções e responsabilidades.

Se você é um profissional com alguma experiência de mercado, coloque seu histórico profissional ANTES da sua formação. Caso você sejam recém-formado ou tenha pouca quilometragem nas empresas, troque as bolas: coloque primeiro a formação acadêmica.

FORMAÇÃO ACADÊMICA
Liste os cursos de graduação, pós-graduação e especialização, do mais recente para o mais antigo, com ano de início e de término (se você ainda não concluiu o curso, coloque simplesmente a palavra “cursando”). Não esqueça das certificações e do MBA, se houver. JAMAIS coloque onde fez o colegial, ginásio ou ensino fundamental, a não ser que o empregador peça.

IDIOMAS
Liste os idiomas nos quais você tem algum conhecimento e, principalmente, seu NÍVEL (básico, intermediário ou fluência) em cada um deles. Aqui, não adianta enrolar: se você é fluente, é fluente e pronto. Não existe essa história de “falo, mas não escrevo” ou algo do gênero. Alguns headhunters aconselham que você faça uma subavaliação de seus conhecimentos, pois você pode ser surpreendido em uma entrevista. De qualquer jeito, é bom confiar bem no seu taco e saber direitinho seu nível antes de escrever besteira. Caso você tenha alguma experiência de trabalho ou estudo no exterior, é hora de mencioná-la(s). Viagens de férias ou turismo não valem. Já intercâmbios ou estágios são uma boa pedida.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Por fim, liste suas habilidades específicas, como conhecimentos de linguagens de programação, seminários e workshops (só os relevantes, please) e outros.

Dicas gerais:
SEJA BREVE. Seu currículo deve conter, no máximo, duas páginas. Utilize processadores de textos (esqueça programas gráficos, HTML ou máquinas (?) de escrever) e escolha uma fonte sem firulas. Figuras, nem pensar. Nem foto.
NÃO MANDE O CURRÍCULO ATACHADO. Coloque-o no corpo da mensagem. Com a atual epidemia de vírus, muitos empregadores simplesmente eliminam arquivos anexados.
UTILIZE PALAVRAS-CHAVES. Seu currículo pode ficar armazenado em um banco de dados inteligentes, o que significa que o empregador pode selecioná-lo por determinados campos.
NÃO MINTA. Você pode ter surpresas desagradáveis no futuro (se houver futuro para você na carreira).
NÃO ESCREVA NADA SOBRE SALÁRIO. A não ser que o empregador exija saber qual é sua pretensão salarial.

Classificação Decimal de Dewey

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RESUMO

A finalidade da classificação em bibliotecas é organizar o conhecimento apresentado em livros e outros meios para que sejam consultados. Tendo em vista o volume de informações existentes na área de Religião, o bibliotecário, responsável por informar de maneira eficiente, deve procurar a forma mais prática de controlar essa literatura. O profissional deve conhecer o assunto a ser classificado e classificá-lo de maneira correta. É causa de frustrações para o usuário a demora e a falta de especificidade na recuperação de informações de assuntos específicos, como é o caso da Teologia da Libertação. Partindo do princípio que os sistemas de classificação são ferramentas essenciais para a organização documental, aponta-se como problema dessa pesquisa a falta de desdobramentos para a extensão do assunto Teologia da Libertação na Classificação Decimal de Dewey (CDD), o que pode levar a não recuperação da informação devido à ausência de especificidade dessa classe. Sendo assim, propõe-se o desdobramento da extensão desse assunto na 22ª ed. da CDD, 2003, através da inserção de cabeçalhos adequados e desdobramento hierárquico, garantindo maior especificidade na organização dos documentos da área. Objetiva-se mostrar a necessidade de desdobrar a extensão da CDD para o tema, tendo como procedimentos a caracterização temática da área e a identificação e hierarquização dos termos, além de criar números específicos que melhor representarão o conteúdo dos documentos, possibilitando que os materiais bibliográficos que se referem ao assunto sejam classificados especificamente, facilitando sua recuperação pelo usuário. Para a inserção de novos assuntos no sistema, fez-se necessário um levantamento bibliográfico rigoroso sobre o tema, visando levantar conceitos e termos. Para o levantamento dos termos específicos, foi utilizado como critério de escolha, termos que realmente fossem importantes, apoiando-se na literatura. Identificados os conceitos, passamos a estruturá-los de forma hierárquica e analisamos onde exatamente esses termos se encaixariam na CDD, verificando inclusive qual a notação adequada para cada termo. Finalmente, identificados os termos relevantes ligados ao assunto e designado números específicos para esses termos, desdobra-se o tema da Teologia da Libertação, e chega-se a uma extensão hierárquica, baseada nos moldes da CDD. Conclui-se que, o desdobramento realizado possibilitará que os materiais que tratam da Teologia da Libertação sejam classificados adequadamente, beneficiando o usuário especializado. Com essa experiência, sugerimos que o profissional deve adequar os sistemas de classificação já existentes para a realidade da Unidade de Informação a qual está inserido, conhecer sua estrutura básica e fazer as devidas aplicabilidades de uso como a que propomos aqui, pois os desdobramentos específicos de fazem necessários.

Palavras-chave: classificação bibliográfica, Classificação Decimal de Dewey (CDD), classificação-desdobramento, Teologia da Libertação-extensão decimal.

ABSTRACT

The purpose of the classification in libraries is to organize the knowledge presented in books and other ways so that they are consulted. Considering the volume of existing information in the area of Religion, the librarian, responsible for informing in efficient way, must seek the form most practical to control this literature. The professional must know the subject to be classified and to classify it correctly. This is the cause of frustrations for the user the delay and the lack of specificity in the recovery of information of specific subjects, as it is the case of the Theology of the Release. Understanding the classification systems are essential tools for the documentary organization, we point as problem of this research the lack of unfoldings with respect to the extension of the subject Theology of the Release in the Classification Decimal of Dewey (DDC), what it can cause not the recovery of the information due to absence of specificity of this class. That way, the unfolding of the extension of this subject in 22ª is considered ed. of DDC, 2003, through the insertion of adequate heading and hierarchic unfolding, guaranteeing better specificity in the organization of documents of the area. We have as objective to show the necessity to unfold the extension of the DDC for the subject, having as procedures the thematic characterization of the area and the identification and hierarchic of the terms, besides creating specific numbers that better will represent the content of documents, making possible that the bibliographical materials that if they relate to the subject they are classified specifically, facilitating its recovery for the user. For the insertion of new subjects in the system, a bibliographical survey became necessary rigorous on the subject, aiming at to raise concepts and terms. For the survey of the specific terms, it was used as criterion of choice, terms that really were important, supporting itself in literature. Identified the concepts, we start to structuralize them of hierarchic form and analyze where accurately these terms if would incase in the DDC, also verifying which the notation adjusted for each term. Finally, identified the on excellent terms to the subject and assigned specific numbers for these terms, the subject of the Theology of the Release is unfolded, and is arrived it a hierarchic extension, based in the molds of the DDC. One concludes that, the carried through unfolding will make possible that the materials that deal with the Theology of the Release are classified adequately, benefiting the specialized user. With this experience, we suggest that the professional must adjust the existing systems of classification already for the reality of the Unit of Information which is inserted, to know its structure basic and to make the due applicabilities of use as the one that we consider here, therefore the specific unfoldings of make necessary.

Key-words: bibliographical classification, Classification Decimal of Dewey (CDD), classification-unfolding, Theology of the Release-extension decimal.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AD Análise Documentária

CDD Classificação Decimal de Dewey

CEBs Comunidades Eclesiais de Base

CELAM Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano

DSI Doutrina Social da Igreja

FAJOPA Faculdade João Paulo II

LDs Linguagens Documentárias

PI Profissional da Informação

TdL Teologia da Libertação

UI Unidade de Informação

“Qualquer trabalho científico, qualquer descoberta, qualquer invenção é um trabalho universal. Ele está condicionado, em parte pela cooperação de contemporâneos, em parte pela utilização do trabalho de seus predecessores”

K. MARX

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho está inserido na linha de pesquisa Organização da Informação, tem como tema as Linguagens Documentárias Hierárquicas, cuja delimitação é o “desdobramento da classe 261 da Classificação Decimal de Dewey (CDD) no assunto Teologia da Libertação (TdL)”.

As Linguagens Documentárias (LDs) são conjuntos de termos utilizados para representar conteúdos de documentos técnico-científicos, visando a classificação ou busca retrospectiva de informações. As linguagens de estrutura hierárquica (representadas pelas classificações) fazem parte das linguagens documentárias, e são assim denominadas por apresentarem relações hierárquicas, no qual cada termo é superior ao termo seguinte dentro de um conjunto.

Na classificação, dois aspectos devem ser considerados: a classificação como sistema já organizado, isto é, como esquema dos conhecimentos, e a classificação como técnica, como arte de assegurar aos livros, ou a qualquer outro material, seu lugar exato de acordo com seu conteúdo. A finalidade da classificação em bibliotecas é organizar o conhecimento como apresentado em livros e outros meios para que seja eventualmente consultado.

Ao bibliotecário, cabe enfrentar os desafios que lhe são apresentados. Tendo em vista o volume de informações existentes na área de Religião, torna-se impossível ao usuário manter-se atualizado em todos os aspectos no âmbito de seu interesse. O bibliotecário deve procurar as formas mais práticas e eficientes de controlar essa literatura, de modo a colocá-la ao alcance dos usuários. Podemos citar como causas de frustrações do usuário a demora e a falta de especificidade na recuperação de informações de assuntos específicos, como é o caso da TdL. A área da Religião, especificamente, exige do bibliotecário algum conhecimento do assunto. Com a prática, o bibliotecário poderá familiarizar-se com o tema, de modo a dar conta de sua responsabilidade em informar de maneira eficiente.

Partindo do princípio que os sistemas de classificação são ferramentas essenciais para a organização documental, apontamos como problema desta pesquisa a falta de desdobramentos para a extensão do assunto TdL, que ainda não está na CDD, pois o sistema não previu uma notação para este tema, o que pode levar à não recuperação da informação. As obras que tratam deste assunto geralmente são classificadas na notação 261.8 (Cristianismo e problemas socioeconômicos) ou simplesmente 261 (Teologia Social). O material bibliográfico é classificado, então, de forma genérica.

A notação 261 é um número que diz respeito a trabalhos sobre a Moral, a Civilização: há relação entre a Igreja e o serviço civil. Colocamos aqui, portanto, a Sociologia cristã.

Sendo assim, a proposta desta pesquisa foi desdobrar a extensão do assunto TdL na 22. ed. da CDD, através da inserção de cabeçalhos adequados e desdobramento hierárquico do mesmo, garantindo maior especificidade na organização dos documentos especializados da área, trazendo ao usuário benefícios no que diz respeito à localização documental de termos como opressão, pobreza, repressão, classes sociais, entre outros. Desse modo, geramos um produto específico: uma extensão hierárquica para o assunto TdL.

Para concluir o propósito desta pesquisa, tivemos por objetivo o desenvolvimento de um estudo visando discutir a necessidade de desdobrar a extensão da CDD para este tema, tendo como procedimentos a caracterização temática da área (conceitos e objetivos) e a identificação e hierarquização dos termos. Após o desenvolvimento desse estudo foi possível criar os números específicos que melhor representarão o conteúdo dos documentos que abordam o assunto. O desdobramento realizado na CDD possibilitará que os materiais bibliográficos que tratam da TdL sejam classificados adequadamente (específicos, único entre os demais), facilitando sua recuperação e uso pelo usuário. Através de questionário, realizamos junto a seis alunos do curso de Teologia da Faculdade João Paulo II (FAJOPA) uma avaliação prévia, para entendimento do desdobramento proposto. A mensuração do questionário encontra-se descrito na Metodologia (Capítulo 4).

Buscamos com esta pesquisa contribuir especialmente com aqueles a quem se destina a classe 200 (Religião) da CDD: aos eclesiásticos e religiosos, que devem manter em ordem uma vasta documentação de caráter teológico e científico, referente às suas funções religiosas, morais, educativas e sociais.

O interesse por desenvolver este estudo surgiu de um estágio realizado na biblioteca da FAJOPA, Unidade II. Por se tratar de uma instituição voltada para o curso de Teologia, sua biblioteca é especializada em Religião. De acordo com o plano de atividades elaborado pela bibliotecária, pôde-se desenvolver todos os serviços que um bibliotecário deve desempenhar, inclusive a classificação. Desse modo, foi possível conhecer um pouco mais a respeito dos temas que a área abrange, e a partir dessa relação (classificação – religião), foi percebida algumas falhas no sistema de classificação utilizado pela instituição – a CDD (por exemplo, a falta de especificidade para alguns assuntos), fato que levou este pesquisador a elaborar este estudo, visando ressaltar os problemas do sistema. O projeto tornou-se viável, tendo em vista que um dos procedimentos foi a busca de materiais que se referiam a TdL, o que pode ser feito na biblioteca da FAJOPA, por reunir uma coleção que ofereceu dados à realização desta pesquisa.

Este trabalho foi elaborado em 6 capítulos, como segue:

O capítulo 1 apresenta, de forma geral, o que será tratado neste trabalho. No capítulo 2, elaboramos uma explanação a cerca das linguagens documentárias hierárquicas, tendo em vista a classificação, o ato de classificar e a classificação de Dewey. No capítulo 3, buscamos apresentar os fundamentos da Teologia. Ainda nesse capítulo falamos sobre a TdL, sua origem, estrutura e métodos. O capítulo 4 apresenta os procedimentos metodológicos adotados para a realização desta pesquisa. No capítulo 5 apresentamos o desdobramento da extensão para o assunto TdL. No capítulo 6 realizamos as considerações finais a cerca deste trabalho.

A seguir, vamos falar da importância da Análise Documentária (AD), sobre as LDs, as linguagens documentárias hierárquicas e a classificação.

“Os classificadores de coisas, que são aqueles homens de ciência cuja ciência é só classificar, ignoram, em geral, que o classificável é infinito e portanto se não pode classificar. Mas o em que vai meu pasmo é que ignorem a existência de classificáveis incógnitos, coisas da alma e da consciência que estão nos interstícios do conhecimento”

Fernando Pessoa

2 LINGUAGENS DOCUMENTÁRIAS: AVALIAÇÃO DA LINGUAGEM DOCUMENTÁRIA HIERÁRQUICA CDD

Abordamos neste capítulo o papel da informação dentro da AD, no que diz respeito ao seu tratamento e organização. Falamos também sobre as LDs, as linguagens documentárias hierárquicas, o processo de classificação, o ato de classificar e os sistemas, destacando a CDD, instrumento de estudo da nossa pesquisa.

A informação cumpre papel de extrema importância na direção da humanidade, pois ela está diretamente ligada ao conhecimento e ao desenvolvimento de todas as áreas do saber, uma vez que todo conhecimento se inicia por algum tipo de informação e se constitui em informação.

De acordo com Figueiredo (1990, p. 123), “parece não haver mais dúvidas de que a informação é um dos recursos básicos para o desenvolvimento em qualquer campo do conhecimento e da atividade humana”.

O conceito de informação é falado em distintas áreas do conhecimento, podendo a relação informação/conhecimento ser observada a partir de três aspectos que se complementam:

Enquanto o conhecimento é estruturado, coerente e freqüentemente universal, a informação é atomizada, fragmentada, particular;
Enquanto o conhecimento é de duração significativa, a informação é temporária, transitória, talvez mesmo efêmera;
Enquanto o conhecimento é um estoque, a informação é um fluxo de mensagens (CINTRA, 2002, p. 20).
Cintra (2002, p. 20), afirma que “com efeito, o estoque de conhecimento é alterado com o input de novas informações, através de adições, reestruturações ou mudanças”.

Para que o conhecimento da sociedade não se perca e possa ser partilhado, ele é registrado em algum suporte, passando a se compor num documento.

Cintra (2002, p. 21), nos diz que:

O desenvolvimento científico e tecnológico tem proporcionado à sociedade uma massa enorme de conhecimentos, portanto de documentos, que precisam ser tratados adequadamente, para que haja não só a divulgação, como também a criação de novos conhecimentos, cumprindo assim a rotina natural da própria ciência.

Assim, podemos constatar o papel fundamental da área da Documentação, que é responsável pela seleção, organização e conservação da informação, além de possibilitar o seu acesso.

A descrição do conteúdo, denominada AD, será apresentada a seguir.

2.1 Análise Documentária

Quando falamos em AD, precisamos mencionar o ciclo informacional enquanto base para o fazer documental. Temos como fases fundamentais e interdependentes a produção, o tratamento, a recuperação, a disseminação e o uso da informação que, por sua vez, poderá gerar nova produção, fechando o ciclo.

O tratamento (ou organização) da informação constitui-se, assim, etapa intermediária do ciclo e, portanto, deve garantir uma perfeita sintonia entre o produtor e o consumidor da informação, de modo que atue como ponte informacional. A essa etapa denominamos AD.

Para Cunha (1989, p. 40), “comumente a AD é definida como um conjunto de procedimentos efetuados com o fim de expressar o conteúdo de documentos, sob formas destinadas a facilitar a recuperação da informação”.

Qualquer tipo de documento não pode ser registrado, em um sistema documentário, na sua forma original, devido a sua extensão, sua complexidade e sua apresentação, por isso existe a necessidade de representar o seu conteúdo que, de acordo com o método de análise utilizado (resumo, indexação ou classificação), dará origem a um produto secundário.

De acordo com Chaumier (1971, p. 15), a AD é uma “operação, ou um conjunto de operações, que se destina a representar o conteúdo de um documento numa forma diferente da sua forma original, a fim de facilitar a consulta ou a referenciação num estado posterior”.

A partir dessas definições, podemos entender a AD como sendo um conjunto de procedimentos realizados com o intuito de representar conteúdos de documentos a fim de recuperar a informação.

No Brasil, a denominação AD passou a ser utilizada enquanto tratamento temático da informação, no qual se identificam, por sua vez, operações de duas ordens: a análise e a síntese documentária (GUIMARÃES, 2000).

Tem-se, pois, um conjunto de procedimentos de natureza analítico-sintética de modo a que podemos propor como conteúdo da área, os processos de análise do conteúdo temático dos documentos e sua síntese por meio da condensação ou da representação em LDs, com o objetivo de garantir uma recuperação rápida e precisa pelo usuário.

Visto o exposto, pode-se dizer que a AD, como atividade que trata da análise, síntese e representação da informação, tem por objetivos estabelecer uma ponte entre o usuário e o documento, fornecer subsídios ao processo de disseminação da informação e gerar produtos documentários (resumos e índices).

2.2 Linguagens documentárias

Entre as décadas de 50 e 60 ocorreu o crescimento do conhecimento científico e tecnológico, gerando um aumento no volume de documentos produzidos e publicados. Houve dificuldades para armazenar e recuperar as informações, e a solução encontrada foi a mudança do enfoque e da conceituação da recuperação da informação. Dessa necessidade de recuperação buscou-se a construção de linguagens próprias – utilização das LDs, substituindo a linguagem natural, que é a linguagem falada.

Vem desta época a utilização de LDs para a recuperação da informação. Essas linguagens são, pois, construídas para indexação, armazenamento e recuperação da informação e correspondem a sistemas de símbolos destinados a “traduzir” os conteúdos dos documentos (CINTRA, 2000, p. 33).

Quando se processa o tratamento da informação, as etapas utilizadas estão baseadas na utilização de uma determinada linguagem. Para Viscaya Alonso (1997 apud GUARIDO, 2001, p. 20):

O processamento da informação utiliza-se de linguagens e para tal, deve se certificar do papel da linguagem, como expressão não só do pensamento, como também da informação e, fundamentalmente, do papel das LDs, como uma das etapas do ciclo de vida da informação.

Através das LDs podemos representar, de maneira sintética, as informações materializadas nos textos. Podemos entendê-las como uma ponte entre a linguagem dos documentos e a linguagem das consultas dos usuários, promovendo a comunicação documentária.

As LDs – ou controladas – são conhecidas por diversas denominações, tais como: linguagens de indexação, linguagens descritoras, codificações documentárias (NOCETTI; FIGUEIREDO, 1978).

Para Gardin (1968 apud CINTRA, 2002, p. 35) “LDs são um conjunto de termos, providos ou não de regras sintáticas, utilizadas para representar conteúdos de documentos técnico-científicos com fins de classificação ou busca retrospectiva de informações”.

Para o autor, as LDs devem integrar três elementos básicos:

Um léxico, identificado com uma lista de elementos descritores, devidamente filtrados e depurados;
Uma rede paradigmática para traduzir certas relações essenciais e, geralmente estáveis, entre os descritores. Essa rede, organizada de maneira lógico-semântica, corresponde a uma organização dos descritores numa forma que, lato sensu, se poderia chamar classificação; e
Uma rede sintagmática destinada a expressar as relações contingentes entre os descritores, relações essas que só são válidas no contexto particular onde aparecem. A construção de “sintagmas” é feita através de regras sintáticas destinadas a coordenar os termos que dão conta do tema
Gardin (1968 apud CINTRA, 2002, p. 35).

As LDs mais conhecidas são os tesauros e os sistemas de classificação bibliográficos. Os primeiros sistemas de classificação bibliográficos conhecidos são de natureza enciclopédica, e visam cobrir todo o espectro do conhecimento. Depois vieram as classificações facetadas, que visam domínios particulares. Os tesauros, originados das classificações facetadas, surgiram com uma preocupação a mais: o controle do vocabulário.

Segundo a sua organização interna, divide-se em duas as LDs: as de estrutura hierárquica e as de estrutura alfabética. A seguir, teremos uma apresentação das linguagens documentárias hierárquicas.

2.2.1 Linguagens documentárias hierárquicas

As linguagens hierárquicas são instrumentos de trabalho vinculados as necessidades de funcionamento de uma Unidade de Informação (UI), que permitem representar de maneira substancial o conteúdo de um documento e reunir livros nas estantes por afinidades de assunto.

Segundo Chaumier (1971, p. 52) “baseia-se num esquema arborescente por ajustamento das classes que o compõem, isto é, uma subclasse que designa uma noção é inteiramente englobada na classe que a precede e engloba a noção representada pelo grupo imediatamente abaixo”.

As linguagens hierárquicas são representadas pelas classificações, a mais antiga linguagem documental utilizada (as primeiras manifestações das linguagens documentárias datam do final do século XIX, quando apareceram os sistemas de classificação bibliográficos).

As classificações hierárquicas procuram estabelecer relações entre os documentos, a fim de facilitar sua localização, pois tem por base os assuntos tratados nos documentos hierarquicamente.

Para Corrêa (1998 apud GUARIDO, 2001, p. 33), as características das linguagens documentárias hierárquicas:

Apresentam uma estrutura hierárquica determinada por critérios de divisão estabelecidos pelo sistema;
Fazem evidentes as relações léxico-semânticas ou paradigmáticas que se estabelecem entre os termos que as integram, pois exige um menor controle lexicográfico;
Cada termo que a integra representa uma classe sob o ponto de vista sistêmico de relações de subordinação e superordenação (genéricas e especificas);
Apresentam uma sintaxe completa baseada na coordenação e justaposição;

Expressa-se em códigos numéricos ou alfa-numéricos.

2.3 Classificação

De todas as funções que o bibliotecário tem com a incorporação do livro ao acervo da biblioteca, nenhuma é mais importante nem mais difícil do que a classificação por assunto, a qual indica o lugar da obra nas estantes, assim como as fichas que devem representá-la nos catálogos. A classificação é base para a análise, representação e busca da informação.

Para Campos (1973, p. 17), “a classificação, entendida como processo mental de agrupamento de elementos portadores de características comuns e capazes de serem reconhecidos como uma entidade ou conceito, constitui uma das fases fundamentais do pensar humano”.

Após a definição de Campos, podemos concluir que a classificação é um processo intelectual habitual ao homem, pois a todo o momento, sem que percebamos, estamos classificando coisas e idéias para as compreender e conhecer.

Para Souza (1943, p. 21):

Classificação, num sentido geral, é reunir em classes ou grupos, coisas que apresentam entre si certos traços de semelhança, ou mesmo de diferença […]. No sentido biblioteconômico, é o arranjo dos livros em classes de assuntos, ao mesmo tempo que se lhes destinam lugares nas estantes, de acordo com esses assuntos.

A função que a classificação desempenha na organização do conhecimento é de suma importância, pois contribui para que sistemas de recuperação da informação alcancem seu principal objetivo: satisfazer a necessidade de informação e documentação de seus usuários. “Sem classificação não poderia haver nenhum pensamento humano, ação e organização que conhecemos” (LANGRIDGE, 1977, p. 11).

Para Lentino (1971, p. 5):

O bibliotecário, no seu trabalho diário, usa a classificação em três campos diferentes:
Como método conveniente de reunir livros nas estantes;
Como base para organização sistemática do conhecimento em catálogos bibliográficos;
Como uma verdadeira disciplina no Serviço de Referência, tornando o bibliotecário apto a encontrar o assunto solicitado.
Após as idéias de vários autores, podemos concluir que classificar consiste em traduzir a representação dos assuntos dos documentos da linguagem natural para a linguagem artificial utilizada pelos sistemas de classificação bibliográficos, a fim de facilitar a localização e a recuperação das informações que sejam do interesse dos usuários da biblioteca ou UI.

2.3.1 O ato de classificar

A finalidade da classificação nas bibliotecas é organizar o conhecimento como apresentado em livros para que seja eventualmente consultado. Sua função não está simplesmente condicionada a uma técnica de arranjo de documentos em estantes através de sistemas fixos, para Guarido e Fujita (em fase de elaboração), “a classificação deixou de ser considerada meramente um processo técnico para ter uma necessária adequação entre as metodologias de tratamento e organização temática, com três dimensões fundamentais: a do documento, a do usuário e da organização”.

Os documentos nada mais são do que os registros do conhecimento. Cabe ao bibliotecário organizar esses documentos de uma maneira que possam transmitir de forma efetiva seu conteúdo. Portanto, a tarefa deste profissional, além de reunir e conservar os documentos, estende-se ao prover instrumentos que facilitam a recuperação e o acesso à informação.

Todo o material bibliográfico de uma biblioteca deve estar organizado de modo que atenda, de maneira rápida e eficiente, a necessidade do usuário de obter informação. De acordo com Figueiredo (1990, p. 123), “a informação, para ser realmente importante e de valor para os usuários, tem que ser pertinente às necessidades dos usuários quando delas necessitam”.

Tendo em vista as bibliotecas especializadas, que atendem a pesquisadores que realizam muitas pesquisas bibliográficas, estes não solicitam as obras pelo nome do autor ou pelo título, mas querem saber o que existe na biblioteca a respeito do assunto de seu interesse. “A biblioteca deve dispor de um serviço de informação eficiente, o melhor que for possível organizar numa biblioteca especializada” (BRADFORD, 1961, p. 177).

A quantidade de novas informações que são geradas atualmente constitui-se de tal maneira que nenhum indivíduo pode estar a par de todas elas. E o problema que temos de enfrentar, nós, profissionais da informação (PI), é levar a informação às pessoas que dela necessitam, com o mínimo de gastos, tanto de tempo como de dinheiro. (FOSKETT, 1973).

Para classificar o material bibliográfico de uma biblioteca especializada, o PI poderá encontrar dificuldades ao representar o assunto de forma precisa, de acordo com o sistema de classificação utilizado. Mesmo tendo uma vasta cultura, o que lhe é indispensável, o profissional deve ter perfeito domínio na técnica de classificar e familiaridade com o assunto, de modo a dar conta de sua responsabilidade em informar de maneira eficiente. O bibliotecário tem que ser minucioso a tudo que se refere a sua especialidade.

Este é um grande desafio para o bibliotecário: conhecer o assunto a ser classificado e classificá-lo de maneira correta, pois uma obra por melhor que esteja catalogada ou referenciada, fica perdida se não estiver bem classificada.

Um dos pontos fundamentais para o profissional é dominar a linguagem técnico-científica do campo em que atua. Sem isso, é impossível classificar corretamente e se comunicar com os usuários, base para o bom funcionamento de um sistema de recuperação da informação.

Além de dominar a linguagem técnico-científica, o bibliotecário deve saber também o que é notação e como construí-la, aplicando-na em um sistema de classificação.

Podemos entender por notação, o conjunto de símbolos destinados a representar os termos da classificação, traduzindo em linguagem codificada o assunto dos documentos. Utiliza códigos artificiais, capazes de representar as matérias de um sistema de classificação.

Quando classificamos, analisamos o material e depois construímos sua notação mediante a síntese. O classificador analisa primeiramente o campo temático da obra e depois, frente à síntese, atribui o número correspondente de classificação, ou seja, sua notação.

Para que haja uma boa representação notacional dos assuntos mais complexos, é necessário que as bibliotecas e UI especializadas desenvolvam desdobramentos específicos às suas necessidades, dentro de seu contexto de trabalho. Para Datta (1977, p. 17), “os velhos esquemas não são satisfatórios, sendo necessário um novo tipo de sistema ou classificação que possa mostrar claramente, de uma forma analítica, a complexidade do conhecimento”.

Portanto, como já descrevemos na introdução deste trabalho, a proposta desta pesquisa é o desdobramento da extensão do assunto TdL na CDD, o que facilitará a recuperação das informações específicas desse assunto.

2.3.2 Sistemas de classificação

Para Langridge (1973 apud PIEDADE, 1977, p. 9), “sistema de classificação seria um mapa completo de qualquer área do conhecimento, mostrando todos os seus conceitos e suas relações”.

Pode ser definido também como “um conjunto de classes apresentadas em ordem sistemática. É uma distribuição de um conjunto de idéias por um certo número de conjuntos parciais, coordenados e subordinados” (PIEDADE, 1983, p. 9).

Para Guarido e Fujita, “os sistemas de classificação existentes apresentam as disciplinas ou formas do conhecimento com um fim prático: organizar e facilitar sua localização dentro de um sistema de recuperação da informação”. Dando continuidade ao pensamento de Guarido e Fujita:

Os sistemas devem possibilitar a criação de procedimentos de controle administrativos que possibilitem que o conhecimento sobre as coleções documentárias possam chegar ao público por meio de um serviço adequado e implementado, de tal maneira que seja efetivo cotidianamente.

Os sistemas de classificação podem ser classificados de várias maneiras. Segundo o tipo de característica, temos as classificações naturais e artificiais. De acordo com a finalidade a que se destinam, podem ser sistemas de classificação filosóficos ou sistemas de classificação bibliográficos. Segundo o campo do conhecimento que compreendem, têm-se as classificações gerais, que apresentam a ordenação de todo o conhecimento humano (CDD), e as classificações especializadas, que abrangem um determinado ramo do conhecimento, como a Medicina. (BARBOSA, 1969).

2.3.3 Classificações bibliográficas

Para Piedade (1969, p. 52), classificações bibliográficas “são sistemas destinados a servir de base à organização de documentos nas estantes, em catálogos, em bibliografias, etc”. São instrumentos de trabalho vinculados às necessidades de funcionamento de uma UI, e visam cobrir todo o espectro do conhecimento.

Os documentos podem ser ordenados de várias maneiras, de acordo com o tamanho ou a cor da encadernação, por exemplo, mas a característica mais útil à classificação de documentos é o conceito apresentado, pois a sua finalidade é facilitar sua localização.

Para Piedade (1969, p. 59):

As classificações bibliográficas, em virtude das características próprias aos documentos, além das divisões do conhecimento, exigem:

1. Uma classe que reúna as obras sobre todos os assuntos, subdividida pela forma do documento;

2. Subdivisões de forma, aplicáveis aos vários assuntos;

3. Uma notação, isto é, um conjunto de símbolos para representarem os assuntos e permitir a ordenação lógica dos documentos;

4. Um índice, para facilitar a consulta.

Por volta de 1870 os bibliotecários sentiram a necessidade de ter novos métodos de classificação, tanto na concepção intelectual do sistema como na notação. Surgiu nessa época a Classificação de Harris (1870), que inverteu de maneira significativa a ordem do sistema de Francis Bacon: a seqüência História – Poesia – Filosofia foi invertida por Ciências – Artes – História.

Chegamos enfim a época das grandes classificações. Foi nos Estados Unidos que surgiu a primeira classificação bibliográfica de grande importância universal – a Decimal Classification, de Melvil Dewey (1851-1931). Este sistema influenciou outras classificações e é usado até hoje. Foi publicado pela primeira vez anonimamente, sob o título A classification and subject index for cataloguing and arranging of books and pamphlets of a library. Dewey foi inspirado pela divisão do conhecimento humano preconizado por Harris, baseada na inversão da classificação de Bacon.

2.3.4 História dos sistemas de classificação

Da necessidade de arrumar os livros nas estantes e colocá-los numa ordem de modo que alcançasse o objetivo da biblioteca (de encaminhar os documentos aos usuários da maneira mais prática e rápida possível) é que surgiram as primeiras classificações, que evoluíram até chegarem a relativa perfeição em que se encontram hoje, no caso da CDD, por exemplo.

As técnicas de organização do conhecimento em bibliotecas evoluíram ao longo do tempo, visando satisfazer as diferentes necessidades de informação.

Primeiramente foram os filósofos que se preocuparam com uma ordenação sistemática do conhecimento. A prática de dividir os documentos pelo tipo dos autores (poetas, historiadores, oradores, etc.) foi freqüentemente encontrada em bibliotecas antigas.

Quando poucos documentos eram produzidos e o universo do conhecimento era restrito, uma classificação simples e prática desses documentos atendia as necessidades dos usuários, que até então, se limitavam a alguns privilegiados.

Um evento em especial contribuiu para que houvesse a evolução dos sistemas de classificação de documentos em bibliotecas. No século XV, Gutenberg inventou a Imprensa, democratizando o acesso ao conhecimento (as pessoas foram promovidas tendo o direito à cultura) e propiciando a produção em massa de documentos. A partir desse processo, surgiram necessidades diferentes e mais complexas de informação, acarretando o progresso nos métodos de organização do conhecimento registrado em biblioteca. Podemos perceber esse desenvolvimento durante o movimento renascentista, como vemos em Guarido (2001, p. 21):

No Renascimento, movimento de renovação literária, artística e científica, ocorrido na Europa durante os séculos XV e XVI, veio à luz novamente o grande fluxo do conhecimento dos clássicos da Antiguidade através da difusão da informação facilitada pela Imprensa.

Nessa época foram elaborados esquemas práticos com base filosófica para o arranjo de documentos em bibliotecas, atendendo as necessidades informacionais.

No início do século XVII, Bacon apresentou seu sistema, baseado no repertório do conhecimento como era visto na época. Sua sistemática, dois séculos depois, influenciou de modo considerável o primeiro esquema de classificação bibliográfica propriamente dito, baseado em uma ordenação sistemática do conteúdo intelectual dos documentos, a Classificação Decimal de Melvil Dewey.

De acordo com Guarido (2001, p. 15):

A sobrevivência das classificações, para alguns autores, se deve ao conservadorismo dos bibliotecários. Mas não podemos esquecer que esses sistemas têm resistido ao tempo por suas qualidades intrínsecas. A estabilidade hierárquica dos esquemas de classificação os faz formar parte das bases tradicionais que protegem o homem moderno da resistência permanente as teorias, aos conceitos e as técnicas; prova disso é a sobrevivência do impresso, da ortografia e da escrita.

As linguagens de classificação, longe de se acabarem, continuam suscitando interesse e consideração no âmbito da informação. Na prática, as bibliotecas se multiplicam e o livre acesso aos livros favorece o uso das classificações tradicionais.

2.3.5 Classificação Decimal de Dewey

Melvil Dewey, bibliotecário norte-americano, preocupado com a organização dos livros na biblioteca, publicou em 1876, sob a influência da classificação de Harris (1870), um sistema com o objetivo de ordenar sistematicamente os livros nas estantes. Foi a primeira classificação do tipo decimal. O sistema foi aumentado, sendo constantemente atualizado (a cada sete anos, aproximadamente, é publicada uma nova edição). Atualmente o sistema se encontra na 22ª edição (2003), disposto em quatro volumes.

É possível encontrar na literatura diversas opiniões a respeito da CDD, umas favoráveis, outras apontando as dificuldades do sistema. Um destes problemas seria o não-relacionamento de assuntos. Para Guarido (2001, p. 68), “pode parecer lamentável que a CDD não tenha previsto o caso de obras que enfoquem uma realidade sobre o aspecto geral ou pluridisciplinar. As últimas edições esquecem um pouco deste pormenor”.

Mesmo com algumas opiniões divergentes, a classificação de Dewey foi aceita imediatamente e até hoje o sistema é traduzido em várias línguas. Sem dúvida, é o sistema de classificação mais utilizado no mundo.

2.3.5.1 Estrutura do sistema

Apresenta um esquema hierárquico enumerativo; suas tabelas apresentam uma disposição hierárquica do conhecimento, partindo do geral para o específico.

2.3.5.1.1 Tabelas Auxiliares (V. 1: prefácio, introdução, glossário, relocations e tabelas)

A CDD trata de forma particular algumas noções aplicáveis a todos os elementos de uma classe ou a todas as classes. Esse é o objetivo das tabelas auxiliares, que na 22ª edição, são seis:

– Tabela 1: Subdivisão Padrão.

– Tabela 2: Áreas geográficas, períodos históricos, pessoas.

– Tabela 3: Artes, literaturas individuais, formas literárias específicas.

– Tabela 4: Idiomas individuais e famílias de idiomas.

– Tabela 5: Grupos étnicos e nacionais.

– Tabela 6: Idiomas.

– Tabela 7: Pessoas

2.3.5.1.2 Classes Principais (Vols. 2 e 3: classes 000-599, 600-999)

Abrangem o campo do conhecimento, dividindo-se em grandes grupos. Dewey dividiu o conjunto do conhecimento em nove campos do saber; a classe 000 (zero) ficou reservada para as Obras Gerais.

O primeiro sumário sempre é representado pelo primeiro dígito da notação.

000 – Ciência da Computação, Informação e Obras Gerais

100 – Filosofia e Psicologia

200 – Religião

300 – Sociologia

400 – Línguas

500 – Ciências Puras

600 – Ciências Aplicadas

700 – Artes e Recreação

800 – Literatura, Retórica e Crítica

900 – História e Geografia

2.3.5.1.3 Subdivisão das classes em assuntos

O segundo sumário corresponde às divisões das classes principais; é o segundo dígito da notação. Como exemplo, citamos as divisões da classe 100:

100 Filosofia

110 Metafísica

120 Epistemologia

130 Parapsicologia e ocultismo

140 Escolas filosóficas do pensamento

150 Psicologia

160 Lógica

170 Ética

180 Filosofia antiga, medieval e oriental

190 Filosofia ocidental moderna

O terceiro sumário cria um milhar de seções que poderão subdividir-se em subseções, e que constituem de fato os assuntos básicos da CDD. É indicado pelo terceiro dígito da notação. Exemplo:

180 Filosofia antiga, medieval e oriental

181 Orientais

182 Grupos antigos (pré-socráticos)

183 Sofistas e socráticos

184 Platônicos

185 Aristotélicos

186 Neoplatônicos

187 Epicuristas

188 Estóicos

189 Medievais ocidentais. Filosofia cristã

Como exemplo de subseções (que vem após o ponto decimal), temos:

869.9 Literatura brasileira

869.91 Poesia brasileira

869.915 Poesia brasileira contemporânea

2.3.5.1.4 Índice (V. 4: Manual – uso e índice)

O índice constitui um dos pontos fortes da CDD. É considerado o melhor dentre os sistemas de classificação bibliográficos existentes. É do tipo relativo, isto é, foi feito de tal modo que através dele os usuários de uma biblioteca soubessem os diversos aspectos de um assunto e onde encontrá-los na coleção.

2.3.5.1.5 Notação

O sistema possui uma notação pura, constituída só de números, no mínimo três dígitos, e é altamente memorizável.

2.4 Desdobramento, extensão e expansão

Alguns termos, como desdobramento, extensão e expansão podem nos causar algumas dúvidas com relação aos seus significados. Para que fique clara a proposta de nossa pesquisa, valendo-se do uso do Dicionário Aurélio (1994), vamos discorrer o sentido de cada um desses termos.

O processo de desdobramento implica no ato ou efeito de desdobrar-se, abrir-se ou estender-se. A extensão é concebida como o ato ou efeito de estender-se; um aumento, uma ampliação ou mesmo um alongamento (desenvolvimento). Já a expansão, é entendida como o ato de expandir-se.

Como foi falado na introdução, nossa proposta é realizar o desdobramento da extensão do assunto TdL, e para tanto, será utilizada a 22ª edição da CDD.

“Onde tu dizes lei, eu digo Deus

Onde tu dizes paz, justiça, amor, eu digo Deus

Onde tu dizes Deus, eu digo liberdade, justiça, amor”

D. Pedro Casaldáliga

3 TEOLOGIA E TEOLOGIA SOCIAL CRISTÃ: CONCEITUALIZAÇÃO E HISTÓRIA LIBERTADORA NA AMÉRICA LATINA

Neste capítulo buscamos apresentar os fundamentos da Teologia, além de conceituar o próprio termo, seu contexto atual e as disciplinas teológicas. Ainda nesse capítulo falamos sobre a TdL, sua origem, estrutura, métodos e principais expoentes.

Teologia é um termo suscetível de interpretações diversas. Para situar devidamente e com certa clareza a questão que nos ocupa, é necessário examinar criticamente a noção de teologia que vamos usar ao longo destas páginas.

Todo saber tem seu mistério. Para Libanio e Murad (2003, p. 5), o saber teológico:

Vê-se envolvido, mais que qualquer outro, por véu misterioso, por tratar-se, em última análise, de conhecimento a respeito do mistério dos mistérios: Deus. “Tira as sandálias de teus pés, porque este lugar em que estás é uma Terra Santa” (Ex, 3,5) soa aos ouvidos de quem pensa aproximar-se do estudo da Teologia. Só nessa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar o mundo da Teologia. Nisso ela difere grandemente das outras ciências. O halo sagrado envolve-a, e, se ele se desfaz, termina-se por praticar teologia secularizada. E esta, por sua vez, acaba passando atestado de óbito para si mesma.

3.1 Contexto atual da Teologia

A Teologia situa-se entre duas experiências opostas; se por um lado ela se manifesta repleta de esperança, e é procurada por leigos e ensinada e praticada desde as formas mais simples nas comunidades eclesiais até as mais sofisticadas nos institutos teológicos, por outro lado é coberta de suspeitas, vista com reserva e até desprezo.

A nova onda teológica manifesta-se significativamente de duas maneiras: estatisticamente e qualitativamente. Houve um aumento de leigos que estudam Teologia, tanto em instituições acadêmicas como em cursos de extensão teológica dos mais diversos níveis. Os cursos de Teologia para leigos se multiplicam nas dioceses e até mesmo nas paróquias, e há boa freqüência e assiduidade por parte dos participantes.

Nesse momento, transfere-se o interesse pelo estudo da Teologia; é mais forte e consistente entre leigos do que para aqueles que visam o sacerdócio. A Teologia desloca-se assim das mãos do clero para estudiosos leigos. O cristão leigo, até então dependente das explicações dos teólogos, começa a buscar inteligibilidade mais profunda para sua fé.

A exigência de uma cultura teológica por parte dos leigos é um dos “sinais dos tempos” do período pós-conciliar. As raízes desse fenômeno estão na reviravolta eclesiológica realizada pelo Concílio Vaticano II, no qual ocorreu a tomada de consciência da Igreja como Povo de Deus, comunidade toda responsável e ao serviço do mundo, devendo os leigos nela assumir uma ativa participação, em comunhão com os presbíteros e bispos. Para Libanio (informação verbal), “não há na história Concílio que se compare a este. Representado universalmente, houve a contribuição de raças, continentes e culturas, além de livre e ampla discussão dos temas”. Isso gerou a necessidade de uma adequação à formação cultural, espiritual e pastoral por parte dos leigos.

Diante dos vários desafios que o mundo apresenta, como o fenômeno do ateísmo, a indiferença religiosa e o surto de variadas seitas, é exigido do cristão atitude mais crítica e reflexiva a respeito de sua fé. Passa a existir então o desejo por estudos teológicos mais profundos que o catecismo aprendido na infância e adolescência. Cabe à Teologia alguma palavra de esclarecimento, o papel de atualizar e aprofundar a mensagem cristã para que o cristão possa viver de modo adequado à sua fé e de acordo com o novo contexto cultural.

Nessa linha, convém agora explicar o que seja essa teologia, com seu objeto, seus métodos, sua tarefa, enfim, tudo o que lhe diz respeito, o que será tratado a seguir.

3.2 Conceito de teologia

Etimologicamente, o termo teologia compõe-se de dois termos: Théos + logía = Deus + ciência. No centro está Deus, seu objeto principal. Qualquer reflexão teológica refere-se de alguma maneira a Deus.

Para Libanio e Murad (2003, p. 63), “teologia tem a ver com logia, com palavra, com saber, com ciência. Coloca-se Deus em discurso humano. Etimologicamente, significa um discurso, um saber, uma palavra, uma ciência de ou sobre Deus”.

No seu sentido amplo, a teologia tem por definição a ciência de Deus, expressão que pode ser entendida sob dois aspectos: objetivo e subjetivo. No sentido objetivo, Deus é o objeto da Teologia. Trata-se da ciência acerca de Deus, da soma de todo conhecimento humano sobre Deus. Em sentido subjetivo, trata-se da ciência que Deus tem de si mesmo e da criação. Ele se conhece diretamente nele e os outros objetos nele e por ele, como participações dele. Sua reflexão crítica e metódica se faz a respeito de Deus na mediação da fé acolhida na Tradição viva da Igreja.

Como o sentido das palavras sofre transformações ao longo da história, com a teologia não foi diferente. O termo tem longa vida e diferentes acepções. Não encontrou na Bíblia seu nascimento semântico. A Sagrada Escritura não conhece o termo. No seu lugar, aparece a expressão “Palavra de Deus”. Platão (428-347aC.) retém o termo para exprimir o discurso sobre Deus ou os deuses, além de ser aplicado as narrações mitológicas. Aristóteles (384-322aC.), por sua vez, delimitou para a teologia determinado campo de saber. Durante muitos anos, o termo manteve o significado pagão de estudo dos deuses. Orígenes (185-254), mesmo tendo usado o termo no sentido pagão, assume também a acepção cristã de discurso sobre Deus e Cristo. Eusébio (265-340) contribuiu para que se adotasse cristãmente este termo pagão, ao referir-se à teologia sobre Cristo. A partir do século IV, a Patrística assume o termo para a homilia sobre o Deus verdadeiro. Abelardo (1079-1142) usou-o em sentido teológico cristão para referir-se ao tratado sobre Deus. Para revelar outros aspectos da Teologia, apareceu, no romper da Idade Moderna uma plêiade de teologias e distinções: Teologia Moral, Positiva, Escolástica. Da ramificação da antiga Teologia, restou o que se chama atualmente de Teologia Dogmática. A Teologia Cristã experimentou, ao longo do tempo, diversos caminhos e variadas expressões. Sua história está intimamente ligada à História da Igreja e da sociedade.

3.2.1 Intelecção do termo

De acordo com Libanio e Murad (2003, p. 67), “o conceito teologia situa-se numa seqüência de movimentos que terminam em Deus. Trata-se, antes de tudo, de operação intelectual humana. Configura-se determinado tipo de saber, de conhecimento. Esforço de compreensão que a inteligência humana empreende”. Além disso, Libanio e Murad (2003, p. 67) complementam:

O ser humano quer compreender sua fé. Pela fé, ele lança ponte intermédia que o liga a Deus. Não quer fazer qualquer estudo de Deus. Mas intenta aprofundar, justificar, esclarecer seu ato de fé nele. Portanto, a teologia define-se como reflexão crítica, sistemática sobre a intelecção de fé. E a fé termina em Deus e não nos enunciados a respeito de Deus, como muito bem explicita Santo Tomás: “Actus credentis non terminatur ad enuntiabile, sed ad rem”. O ato do que crê não termina no enunciado, mas na coisa.

Poderíamos dizer que pela Teologia se busca a inteligência da fé. Segundo a frase de Santo Anselmo (1033-1109), “fides quae sens intellectum” (fé que busca inteligência), todos os tons do sentido de “inteligência” interferem na compreensão de teologia.

De acordo com Libanio e Murad (2003, p. 69), “a Teologia eleva o nível de conhecimento que se tem da fé, conforme as exigências e demandas da inteligência, da experiência, da vida”.

Assim sendo, a Teologia trata de Deus, mas mediado pela fé, pela acolhida de sua Palavra, que, por sua vez, nos vem comunicada pela revelação transmitida na Tradição da Igreja.

3.3 Natureza da Teologia

Apresentamos agora a Teologia, vista como sabedoria, saber racional e crítica, e o esforço que esta faz pra ser reconhecida como ciência.

3.3.1 Teologia como sabedoria

A Teologia é um saber que procura ser no mundo a intérprete de Deus a partir da Revelação. É uma sabedoria que reflete sobre a vida, o mundo, a causa das coisas, Deus, a história humana, etc.

Para Libanio e Murad (2003, p. 77):

Teologia, como sabedoria, diz respeito à totalidade da pessoa. Expressa-se preferentemente em símbolos e alegorias. Opõe-se a um saber teológico mais analítico e lógico das realidades individuais em benefício de um conhecimento que insere cada coisa e tudo no todo da realidade criada por Deus, originada de Deus e ordenada para Deus. Valoriza a dimensão de espírito aberta ao Mistério, envolvendo a totalidade da pessoa.

De acordo com Latourelle (1971, p. 54), “a Teologia, contudo, não pode esquecer que o plano de sabedoria que nos foi revelado é o plano da salvação, o qual nos comunica o desígnio salvífico de Deus, e não o segredo da matéria, que pertence ao esforço criador do homem.

3.3.2 Teologia como saber racional

A entrada do pensamento aristotélico contribuiu significativamente para o avanço do pensar teológico. A gramática, a dialética, e a metafísica dão à Teologia maior rigor intelectual. A partir desse momento, ela se estrutura como verdadeiro saber racional e brilha no Olimpo das ciências.

3.3.3 Teologia como crítica

O saber racional adquire nova especificidade com a entrada da Filosofia Moderna no meio teológico. Assume bravamente o papel da crítica. Esta, por sua vez, instala-se no coração da Teologia a partir de suas fontes distintas.

3.3.4 Teologia como ciência

As ciências, independentemente da Teologia, vão fixando sua episteme própria, e a Teologia esforça-se por ser ainda reconhecida com certa dignidade na união das ciências.

A visão positivista da ciência, para Libanio e Murad (2003, p. 83), “marcou muito a compreensão vulgar de ciência, como se ela fosse baseada na evidência mais sólida e irrefutável, e como se suas descobertas fossem inquestionáveis com a pretensão de desvendar todas as áreas da experiência humana”.

Claro que, diante dessa situação, a Teologia fazia pobre papel. Tendo como objeto Deus, realidade transcendente e inexperimentável no sentido positivista, ela era alijada do mundo científico. O filósofo positivista A. Comte (1798-1857) desprezava a Religião – o mesmo vale para a Teologia – ao mundo das pessoas. Tal postura pode ser vista nas seguintes afirmações:

“A vida é uma enfermidade da matéria” (G. Feinberg).

“O cosmos – tal como o conhece a ciência – é tudo o que existe, o que existiu e o que existirá” (Carl Sagan: Serie TV Cosmos).

Mas, enquanto a Teologia tem condições de mostrar um conjunto de conhecimentos ordenados, com objeto, método, unidade e sistematização próprios, merece sim o título de ciência.

3.3.5 Natureza da linguagem teológica

A linguagem da Teologia não se identifica nem com a linguagem comum, nem com a linguagem científica. Prefere a linguagem simbólica, que toca mais profundamente a natureza figurativa de nossa inteligência. Através dos paradoxos, tenta exprimir o inexprimível.

Segundo Libanio e Murad (2003, p. 91), “interessa-nos aprofundar a natureza da linguagem teológica a partir de seu objeto: o Mistério. No fundo, está em jogo uma linguagem que se faz necessária, mas impossível”.

3.4 Ensino acadêmico da Teologia

Pessoas distantes do mundo acadêmico da Teologia devem se perguntar se existem assuntos suficientes que preencham quatro anos de estudo. Nem de longe podem imaginar a quantidade e diversidade de disciplinas e áreas de estudo desenvolvidas pela e na Teologia. Cada instituto de Teologia configura, a seu modo, o quadro das disciplinas teológicas.

Levando em consideração essa diversidade de disciplinas, a seguir serão apresentadas as grandes áreas de estudo da Teologia acadêmica, com as correspondentes disciplinas.

3.4.1 Teologia Fundamental

Deus entrou na história do homem e manifestou-se para dar-lhe a conhecer seu desígnio de salvação. A realidade primeira do Cristianismo é a Palavra de Deus em Jesus Cristo e por Jesus Cristo. Teologia Fundamental é uma disciplina básica que tem por objeto o fato e o mistério dessa palavra ao mundo. Seu papel é investigar os fundamentos da fé (e da Teologia) e mostrar a fundamentação da fé (e da Teologia). Explicita o ato de crer em suas diversas dimensões: de liberdade e necessidade, de conhecimento e compromisso, etc. Empenha-se em compreender os elementos que forjam a mentalidade contemporânea, as grandes questões que se põe à fé, para estabelecer uma ponte de diálogo com as ciências.

A Teologia Fundamental compreende dois grandes grupos, agrupados em uma ou várias disciplinas: Introdução à Teologia e Revelação, Fé e Tradição.

3.4.2 Teologia Dogmática

A Teologia Dogmática dedica-se a compreender o desígnio de Deus em sua totalidade. O seu objeto é o Mistério e os mistérios. Em Teologia, ela é o ponto de partida e o ponto de chegada. Envolve-se com a compreensão e interpretação dos conteúdos da fé.

A matéria-prima da dogmática é o dado revelado, aprofundado, reinterpretado e enriquecido pela Tradição viva e regulada pelo Magistério, no correr da história.

As disciplinas incluídas na Teologia Dogmática são: Cristologia, Eclesiologia, Sacramentos, Antropologia Teológica, Escatologia e Mariologia.

3.4.3 Teologia Bíblica

A Teologia Bíblica tem como tarefa se ocupar de textos bíblicos, procurando nas suas diversas páginas uma compreensão unitária, crítica e orgânica da Revelação, presente no Antigo e Novo Testamento.

No curso acadêmico, a Teologia Bíblica apresenta três grandes grupos: Introdução Geral, Estudo dos Livros do Antigo e do Novo Testamento. Fazem parte também dos estudos bíblicos o conhecimento das línguas bíblicas, especialmente o grego e o hebraico.

3.4.4 Teologia Patrística

Trata-se do estudo dos antigos escritores cristãos. Visa apresentar com fidelidade, o pensamento dos Padres da Igreja, para condividir a inteligência que eles tiveram da fé cristã. Procura compreender o Mistério revelado e o desígnio de Deus, tendo como fonte e guia os padres da Igreja.

3.4.5 Teologia Litúrgica

A Teologia Litúrgica é uma disciplina teológica que tem por objeto o Mistério de Cristo vivendo na Igreja e o Mistério da Igreja vivendo no Cristo, considerando esse Mistério, enquanto presente na ação cultural da Igreja no tempo e esforçando-se por ter uma inteligência mais viva do mesmo. De modo geral, é o estudo da história dos textos e dos ritos, em que, ao longo dos séculos e nos diversos ambientes, se expressou o culto da Igreja, não só para encontrar nos mesmos, testemunhas autorizadas da Tradição, mas para pesquisar em profundidade e com método a inteligência do Mistério da salvação em “ato” no hoje da Igreja.

3.4.6 Teologia Moral

Como definição, deve-se dizer que a Teologia Moral é o estudo da “resposta” cristã, indicando ao cristão as exigências que derivam de ser nova criatura em Cristo e sugerindo-lhe o caminho e os meios para realizar a sublimidade de sua vocação. Tem, portanto, como objeto, a vocação do homem em Cristo e as obrigações daí decorrentes, tendo como luz a Palavra de Deus e a fé pela qual aderimos ao Mistério de Cristo e de nossa salvação. Necessita de consistente sustentação teórica por ser área complexa do pensar teológico.

A Teologia Moral divide-se em dois grandes blocos, compreendendo várias disciplinas: Teologia Moral Fundamental (reflexão sobre os critérios do agir do cristão) e Teologia Moral Específica (moral da pessoa, moral social, bioética).

3.4.7 Teologia Espiritual

A Teologia Espiritual estuda o agir cristão sob o aspecto pessoal e experiencial. Trata a vida cristã na sua plenitude, como existência vivida na fé, na esperança e na caridade. É a disciplina teológica baseada nos princípios da Revelação e na experiência dos santos, que estuda o organismo da vida espiritual e a consciência que temos da mesma, explica as leis de seu processo e desenvolvimento, descrevendo enfim o processo de crescimento da pessoa, do início da vida cristã até o ponto mais alto da perfeição.

3.4.8 Direito Canônico

A Igreja, enquanto estrutura organizada, elabora uma série de leis e regulamentações. O conjunto dessas normas e prescrições jurídicas mais importantes se aplica ao Código de Direito Canônico. O Direito Canônico rege a vida institucional da Igreja, sociedade humano-divina, fundada por Cristo e penetra numa grande parte da atividade litúrgica, pastoral e missionária da Igreja.

O estudo do Direito Canônico compreende dois grupos de disciplinas: Direito Canônico Fundamental (informações sobre a história do documento) e Direito Canônico Específico (diretrizes sacramentais).

3.4.9 História da Igreja

Além de descrição, é inteligência da vida e do crescimento da Igreja no decurso dos séculos, é uma disciplina e, ao mesmo tempo, uma dimensão que afeta todos os setores da Teologia. Trabalha sobre as idéias do passado que repercutem na Igreja de hoje.

A História da Igreja engloba vasto período de tempo e apresenta muitas informações, e com a ajuda da historiografia, esta área divide-se nas seguintes disciplinas: História da Igreja Antiga, História da Igreja Medieval, Igreja e o advento da modernidade européia, História da Igreja Contemporânea. Acrescenta-se ainda em nosso contexto, a História da Igreja na América Latina e no Brasil.

3.4.10 Outras disciplinas

Nem sempre os cursos de Teologia contemplam certas disciplinas seguramente importantes para a intelecção da fé e para a vida atual da Igreja. Dentre elas, destacam-se: Patrologia, Teologia Pastoral, Teologia das Religiões, Ecumenismo, Homilética, Religiosidade Popular, Prática Paroquial, Aconselhamento Pessoal, TdL e Missiologia. Embora importantes, essas disciplinas muitas vezes são consideradas dispensáveis.

Para Libanio e Murad (2003, p. 44), “os anos do Concílio e os imediatamente seguintes reforçaram a primavera eclesial. O ensino da Teologia participou desse momento de enorme criatividade. Praticamente todos os ramos da Teologia renovaram-se profundamente em produtividade esfuziante”. Segundo Beozzo (informação verbal), “o Concílio reconcilia com a modernidade, abre a cabeça do Episcopado, vê Deus atuando nesse mundo moderno. Apresenta perspectiva positiva sobre a realidade por parte do lado tradicional. É repensada a linguagem e a forma de apresentação nos dias de hoje”. Em meio a esse momento de renovação, surgiu a TdL, foco desse trabalho, que será abordada a seguir.

3.5 Teologia da Libertação

“Toda Teologia nasce em determinado contexto social e histórico, marcado, sobretudo pelas condições econômicas e políticas. Surge também de dentro de um movimento de idéias, de elementos culturais” (LIBANIO; MURAD, 2003, p. 161).

Refletir a partir da prática, no interior do imenso esforço dos pobres com seus aliados, buscando inspirações na fé e no Evangelho para o compromisso contra a sua pobreza em favor da libertação integral de todo o homem e do homem todo – isso que significa a TdL, objeto de estudo da nossa pesquisa.

3.5.1 Contexto sócio-político-econômico e social do nascimento da Teologia da Libertação: emergência da consciência libertadora

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o capitalismo progrediu rapidamente. A Europa e a América do Norte desenvolveram-se de tal forma que provocaram um distanciamento entre países desenvolvidos e países subdesenvolvidos. Esse distanciamento pode ser explicado por uma contradição que o capitalismo carrega consigo; todos os trabalhadores produzem bens, porém, somente alguns se apropriam deles e outros ficam excluídos, gerando pobreza e miséria. Embora inseridos no sistema global, os países periféricos “viviam verdadeira forma selvagem de capitalismo, tardio e dependente” (LIBANIO; MURAD, 2003, p. 162).

O capitalismo da América Latina apresenta situação de crescente dependência. Segundo Libanio e Murad (2003, p. 163):

Observando a crescente massa de marginalizados que havia em torno da pequena camada de ricos […], dois sociólogos latino-americanos, Fernando H. Cardoso e E. Faletto elaboraram a Teoria da Dependência e da Libertação, em oposição a então vigente Teoria do Desenvolvimento (aos países ricos caberia a tarefa de ajudar os países pobres a saírem do subdesenvolvimento). Surgiu, portanto, no cenário o termo “libertação” no sentido restrito político-econômico.

Para Gutiérrez (1986, p. 44), “libertação exprime, em primeiro lugar, as aspirações das classes sociais e dos povos oprimidos, e sublinha o aspecto conflituoso do processo econômico, social e político que os opõe as classes opressoras e aos povos opulentos”.

Profunda aspiração à libertação assina a história humana. Libertação de tudo que limita ou impede o homem da realização de si mesmo, o acesso a sua liberdade ou exercício dela. A possibilidade de levar uma existência humana autêntica, liberdade esta que é processo e conquista histórica.

3.5.1.1 Movimentos de libertação

Se houvesse somente opressão, miséria e dependência, estes fenômenos não seriam suficientes para fazer com que nascesse a TdL. “Poderia nascer, sim, uma Teologia da Resignação, da Cruz, do Sofrimento. O termo sociológico libertação nasceu, vingou, porque perpassava o continente latino-americano uma onda de libertação” (LIBANIO; MURAD, 2003, p. 164).

O movimento de libertação era alimentado por duas correntes: uma de caráter popular (as classes populares pressionavam tanto no campo como nas cidades, através da formação de sindicatos), outra vanguardista (surgiram movimentos de caráter vanguardista em muitos países da América Latina. Apesar de numericamente não serem significativos faziam falar muito de si).

“A práxis de libertação só teve início durante os últimos decênios, à medida que se realizou a conscientização da iniqüidade do estado de dependência e de opressão” (MONDIN, 1980, p. 27).

3.5.1.2 Contexto eclesial do nascimento da Teologia da Libertação

“A opressão econômica e social, e a dependência cultural e religiosa nos países da América Latina existem há séculos, mas sem serem discutidas” (MONDIN, 1980, p. 26). Mesmo nos momentos de opressão e revolução, não surgiu nenhuma TdL. Faltava para tais movimentos a presença de elementos que levantassem a problemática da fé. E isso aconteceu na América Latina, pois a Igreja estava presente no coração dos movimentos de libertação. Desses movimentos nasceram as questões a que a TdL quis responder.

Uma das razões que possibilitaram a presença da Igreja no movimento foi a abertura social criada pelas encíclicas de João XXIII – Mater et Magistra e Pacem in terris. A própria dinâmica do Concílio Vaticano II instaurava no interior da Igreja um clima de abertura, possibilitando novas experiências que tinham como preocupações as realidades terrenas, humanas e históricas, sobretudo através da Constituição Pastoral Gaudium et Spes. “Fração do Episcopado brasileiro, pe

CUSTOS NA BIBLIOTECA CENTRAL EM INST. DE ENSINO SUPERIOR

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RESUMO

No momento em que se buscam modelos de gestão nas universidades públicas e a necessidade de mensurar o custo do ensino nas instituições públicas de ensino superior, fazem-se necessários estudos que busquem contribuir para o uso eficiente dos recursos de que dispõem as universidades em suas diversas unidades. Nesse sentido, buscou-se levantar os custos de uma das diversas unidades que integram uma universidade para aplicação de métodos de apropriação para distribuição dos custos aos serviços que a unidade oferece. Dessa forma, o presente trabalho objetivou apurar o custo dos serviços oferecidos por uma biblioteca universitária, no intuito de distribuir seus custos às áreas dos cursos oferecidos pela universidade. O levantamento do perfil dos usuários de uma biblioteca foi necessário para identificar por quem estão sendo utilizados os serviços disponibilizados pela biblioteca. Assim, a utilização efetiva dos usuários foi o parâmetro de distribuição dos custos por serviço utilizado. O objeto de estudo considerado foi a Biblioteca Central da Universidade de Brasília, onde foram identificadas as diversas divisões de funcionamento da biblioteca, para distribuição de seus custos aos serviços por ela oferecidos. O custo com pessoal representou a maior parte dos custos considerados e, em muitos casos, as horas do pessoal diretamente envolvido na disponibilidade dos serviços foram a base de critério para distribuição de custos aos serviços e, depois, aos usuários. Por fim, após levantamento dos usuários e a distribuição dos custos, tivemos a área das ciências humanas como o maior cliente da biblioteca e, conseqüentemente, para onde foi direcionada a maior parte dos custos.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACS Assessoria de Comunicação Social

AEF Assessoria de Estudos do Futuro

AGE Divisão de Acervo Geral

ASS Assessoria

AUD Auditoria

AUS Serviço de Auxílio ao Usuário

CERI Coordenação de Cerimonial

CMP Divisão de Compras

CPD Centro de Informática

DCE Divisão de Coleções Especiais

DIR Diretoria

DSG Divisão de Serviços Gerais

EMP Secretaria de Empreendimentos

EDU Editora Universidade de Brasília

FAL Fazenda Água Limpa

HUB Hospital Universitário de Brasília

GRE Gabinete do Reitor

INT Assessoria de Assuntos Internacionais

I NT Divisão de Intercâmbio

LAD Laboratório de Acesso Digital

MTM Coleção de Multimeios

NIT Núcleo de Informática e Tecnologia

NTI Núcleo de Tecnologia da Informação

NOT Divisão de Atendimento Noturno

OAE Coleção de Organismos Internacionais e Assuntos Especiais

OBR Coleção de Obras Raras

PER Divisão de Periódicos

PJU Procuradoria Jurídica

PRC Prefeitura de campus

PRO Divisão de Catalogação e Classificação

RAD Rádio e Televisão Universitárias

REF Divisão de Referência

REG Setor de Registro

RES Setor de Restauração

SDC Serviço de Desenv. de Coleções

SEC Serviço de Administração

SEL Divisão de Seleção

SPL Secretaria de Planejamento

SRH Secretaria de Recursos Humanos

1. INTRODUÇÃO

Existe uma necessidade da aplicação de metodologias para contribuir para o uso eficiente da administração pública (AFONSO, 1999). Em especial é importante destacar as universidades, que nesse momento buscam modelos de gestão que conciliem o financiamento público às IFES, a autonomia, a busca pela mensuração do custo do ensino, pesquisa e atividades inerentes ao próprio funcionamento das instituições públicas de ensino. Nesse caso, os estudos devem buscar formas de controlar e gerir os recursos direcionados às diversas unidades que integram uma IFES.

A preocupação sobre a maneira de adequar as formas de mensuração dos custos nas unidades gestoras dos recursos públicos tem direcionado estudos para mensuração dos custos na Administração Pública. Segundo Afonso (1999, p. 513),

a preocupação com a correta aplicação dos recursos públicos tem levado administradores à busca de formas de se tentar medir custos mais adequadamente, visando o conhecimento de como foi feito determinado projeto e qual o seu custo-benefício à população.

Conforme Libonati e Ribeiro Filho (1999), os desafios colocados aos gestores de entidades públicas em geral e, em especial, os que trabalham em Universidades Públicas são consideráveis. Além disso, esses autores dizem que posturas relacionadas com a transparência nos gastos públicos, não só no que se refere à questão ética, como também, no que se refere aos padrões de eficiência tornam-se uma reivindicação cada vez mais intensa por parte da sociedade.

Dentro do universo de uma instituição de ensino deve-se ressaltar a importância da biblioteca universitária para as atividades dessa instituição de ensino. Nesse sentido Ferreira (1976 p. 7 apud Paz, 2000) afirma:

“Se a biblioteca é importante para o ensino em geral, no ensino superior seu papel é proeminente em virtude do valor da própria universidade, pois nenhuma outra instituição ultrapassa em magnitude a contribuição universitária, a qual torna possível o formidável avanço tecnológico e científico que se registra atualmente em todos os campos do conhecimento. Na verdade, em todo o processo educacional é decisiva a influência da biblioteca, que se pode constituir num dos principais instrumentos de que a universidade dispõe para atingir suas finalidades”.

O tema desta monografia é um levantamento do perfil de usuários em uma biblioteca de uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES) e a apuração do custo dos serviços oferecidos por uma biblioteca universitária, para alocação de seus custos às áreas de cursos oferecidos pela IFES.

Morgan (2004), através de um estudo de caso na Universidade de Brasília (UnB), determinou o custo por aluno do ensino superior em uma IFES. Nesse estudo, foram apurados os custos das unidades acadêmicas e, depois, o custo do ensino por aluno na UnB. Nesse trabalho, será feito um estudo em uma das “Unidades de apoio às Unidades Acadêmicas” ora definidas por Morgan (2004) como sendo “aquelas necessárias ao funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação”.

Especificamente, procurou-se estudar a Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE-UnB), unidade complementar da Universidade de Brasília.

Assim, através deste estudo, procurou-se apurar os custos da BCE por serviços que a BCE disponibiliza a seus usuários e distribuí-los às áreas dos cursos oferecidos pela UnB, segundo um critério de uso efetivo do serviço da biblioteca pelos alunos da universidade.

Para alocar os custos da BCE, segundo critério proposto, necessitou-se da aplicação de um questionário para levantar o perfil do usuário e, em um segundo momento, relacionar à área dos cursos.

Diante desses aspectos é importante salientar o objetivo desse estudo: desenvolver uma rotina para apuração do custo por área de curso na biblioteca central de uma instituição de ensino superior. Para cumprir esse objetivo geral é relevante destacar os seguintes objetivos específicos:

levantar, através de amostragem, o perfil de usuários na biblioteca central;
fazer levantamento dos custos por unidades internas da biblioteca;
distribuir os custos aos serviços que a biblioteca oferece; e
verificar a aplicação da contabilidade de custos para alocação dos custos de uma biblioteca universitária às áreas dos cursos oferecidos pela IFES.
Esse estudo é composto por quatro partes, além dessa introdução. A segunda parte procura identificar a metodologia de execução desse estudo, a terceira parte inclui a fundamentação teórica, onde num primeiro momento, foi dado um breve histórico da Contabilidade como ferramenta gerencial; o conceito de direcionadores de custos, apropriação de custos e, também, de biblioteca e tipos de usuários. Na quarta parte, foi levantada a estrutura das unidades da BCE e demonstrados os critérios de rastreamento e apropriação dos custos dessas unidades; levantou-se também o perfil dos usuários entrevistados e o total dos custos alocados às áreas relacionadas, bem como a identificação das áreas que tiveram a maior e a menor distribuição alocada. Finalmente, a quinta parte conclui fazendo uma apuração sintética dos dados trabalhados nessa pesquisa, aponta as dificuldades encontradas e faz recomendações para a continuidade da pesquisa na biblioteca.

2. METODOLOGIA

Tendo em vista não serem muitos os estudos sobre alocação dos custos de bibliotecas universitárias aos usuários da universidade, pretende-se através deste estudo, explorar esse assunto, de modo a levantar o perfil de usuário da biblioteca e, através de um estudo de caso, alocar os custos da biblioteca às áreas de curso dos usuários, que responderam ao questionário.

Para Beuren e Raupp et al (2004, p.92), o emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto no tratamento dos dados caracteriza a pesquisa quantitativa de dados. Conforme Richardson (1999, p. 70 apud BEUREN e RAUPP et al, 2004), a abordagem quantitativa

“caracteriza-se pelo emprego de quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão etc.”.

Considerando que a Biblioteca Central (BCE), unidade de custo e de apoio às atividades acadêmicas necessárias aos cursos de graduação e pós-graduação da UnB, que disponibiliza seus serviços aos usuários dos diversos institutos e faculdades da universidade, bem como a finalidade de proporcionar aos gestores públicos informações relevantes sobre os custos envolvidos na prestação dos principais serviços ofertados pela biblioteca aos alunos dos diversos cursos, levantou-se o perfil dos usuários da BCE e desenvolveu-se uma metodologia para distribuição dos custos dessa unidade de custos da UnB às áreas de seus cursos, conforme o uso efetivo do serviço.

A necessidade de alocar os custos da biblioteca às áreas dos cursos oferecidos pela UnB, conforme utilização efetiva dos serviços oferecidos, pressupõe um levantamento de usuários na biblioteca. Para tanto foi elaborado e aplicado um questionário (Anexo I) à comunidade de usuários da BCE.

A fim de evitar problemas relativos à interpretação das questões, o instrumento foi aplicado em forma de entrevista. Para facilitar sua aplicação, o estudo foi efetuado segundo uma classificação por categorias de usuários, a fim de determinar o segmento da população de usuários da BCE. Dessa forma, foram estudadas categorias específicas, tais como: aluno, professor, servidor e externo à instituição. Para alunos e professores, foi perguntado sobre nível de escolaridade, curso e, ainda, juntamente com usuário externo e servidores, perguntou-se sobre serviços utilizados, tempo médio de permanência na biblioteca e dias que geralmente usa a biblioteca.

O questionário compõe-se de seis questões objetivas, cuja finalidade foi prover informações que possibilitassem identificar os usuários e caracterizar o uso da biblioteca. O quadro a seguir procura fornecer uma visão das questões, analisando-as objetivamente.

Quadro 1: Análise do questionário

Conforme Garrison e Norreen (2001), três métodos são utilizados na alocação dos custos dos departamentos de serviços aos demais departamentos. São eles:

Método direto – alocação de todos os custos de um departamento de serviço diretamente aos departamentos operacionais, sem reconhecimento dos serviços prestados aos demais departamentos de serviço;
Método passo a passo – alocação seqüencial dos custos de um departamento de serviço a outros departamentos congêneres, bem como aos departamentos operacionais; e
Método recíproco – método de alocação dos custos do departamento de serviço que reconhece inteiramente os serviços interdepartamentais.
Horngren, Foster e Datar (2000, p. 332 apud Morgan, 2004) dizem ainda que, após definido o objetivo da alocação de custos, deve-se selecionar um critério de alocação adequado a ser aplicado. Assim, para esses autores, são critérios a serem considerados numa decisão de alocação de custos:

causa e efeito – por este critério identifica-se a variável e as variáveis que causam o consumo dos recursos;
vantagens obtidas – “Os custos do objeto de custo são distribuídos entre os beneficiários na proporção das vantagens recebidas por cada um deles”;
imparcialidade ou equidade – é utilizado quando existem dois lados a serem beneficiados com a alocação, busca-se ser justo para ambos;
capacidade de absorção – por este critério o objeto de custo que tem maior possibilidade de suportar os custos, receberá uma parcela maior dos custos alocáveis.
Tendo em vista a alocação dos custos da BCE às áreas dos cursos oferecidos pela UnB, segundo critério de serviço efetivo utilizados pelos usuários da BCE, será considerada a causa e efeito relacionados aos recursos depreendidos para realização das atividades necessárias para execução dos serviços e a alocação pelo método direto aos departamentos executores das atividades inerentes aos serviços da BCE.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 A Contabilidade de Custos

O nascimento da Contabilidade de custos está associado com o advento do capitalismo industrial e apresentou um desafio para o desenvolvimento da contabilidade como uma ferramenta de gerenciamento industrial (PADOVEZE, 2003).

Segundo Martins (2001), a Contabilidade de Custos, como ferramenta gerencial, tem funções relevantes no auxílio ao controle e na ajuda às tomadas de decisões.

Referindo-se ao controle, Martins (2001) diz que a maior missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num segundo momento, confrontar o realizado ao que fora anteriormente definido; no que se refere à decisão, busca-se demonstrar informações relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo nas atividades de uma instituição.

Segundo Martins (2001), o uso gerencial da Contabilidade de Custos se deu pelo crescimento das empresas e o conseqüente aumento da distância entre administrador e ativos e pessoas administradas. Antes disso, para esse autor, a preocupação inicial pelo seu uso era apenas como uma forma de resolver problemas de mensuração monetária dos estoques e do resultado, de forma que seus princípios geralmente aceitos foram criados e mantidos com a finalidade básica de avaliação de estoques e não para fornecimento de dados à administração.

Garrison e Noreen (2001) afirmam que a contabilidade gerencial destina-se ao fornecimento de informações aos gerentes, ou melhor, às pessoas que estão dentro da organização, que dirigem e controlam as operações desta e provê as informações essenciais com que as empresas são efetivamente geridas. Johnson e Kaplan (1987 apud Garrison e Noreen, 2001, p. 5) dizem que:

“muitas empresas precisavam levantar recursos junto aos credores, cujo número se expandia a passos largos. Para ingressar nesses vastos reservatórios de capital externo, os gerentes das empresas tinham que fornecer demonstrativos financeiros auditados. Como os credores de capital dependiam das demonstrações financeiras auditadas, os auditores independentes tiveram vivo interesse em fixar procedimentos bem-definidos para os demonstrativos financeiros das empresas. Os procedimentos de apuração do custo do estoque adotados pelos contadores após a virada do século tiveram um profundo efeito sobre a contabilidade gerencial.”

Por conseqüência, Garrison e Noreen (2001) dizem, ainda, que durante muitas décadas os contadores concentravam cada vez mais esforços para garantir que as exigências da contabilidade financeira fossem atendidas e os seus relatórios fossem apresentados em tempo. Com isso a prática da contabilidade gerencial teria sido estagnada e só na primeira parte do século passado, à medida que a produção em linha se expandia e a complexidade das operações aumentava, é que as empresas aperceberam-se da necessidade de relatórios voltados para a administração, distintos dos relatórios financeiros. Entretanto, esses autores ainda falam que até meados da década de 1980 as práticas da contabilidade gerencial na maioria das empresas não se distinguiam daquelas praticadas ainda do início do século XX e que só nos últimos anos, dada pelas novas forças econômicas, um enorme estímulo e mudança no cenário dos negócios, é que foram produzindo importantes inovações na contabilidade gerencial.

No setor público, comparando-se ao setor privado, os estudos sobre modelos de sistemas que objetivem a aferição dos custos ainda são incipientes. Segundo Costa e Miranda Filho (2002), o administrador público está habituado a trabalhar com os conceitos de dotação e de verba orçamentária, mas não haveria ainda uma cultura instalada para aferição de custos no serviço público e ainda acrescentam que mesmo mundialmente, as experiências seriam citadas vagamente e a literatura também seria escassa.

Para Afonso (1999), na administração pública, há muitos diferentes tipos de custos e, conforme as necessidades da administração, eles poderiam ser classificados de várias maneiras. Para ele, a complexidade na área de custos surgiria ou por causa da própria natureza dos custos, ou por causa das maneiras pelas quais os custos são utilizados no setor público.

3.2 Alocação de Custos

Nas últimas décadas, com o surgimento da globalização, as empresas têm-se empenhado na busca da excelência na administração dos recursos. Com essa globalização, um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas multinacionais na área de custos e análise é o da apropriação dos custos indiretos de fabricação por produto, devido ao crescente aumento desses custos. Os custos indiretos cresceram significativamente com as novas tecnologias de produção e com a substituição da mão-de-obra pela automação industrial.

O ambiente internacional em seus diversos aspectos vem se tornando mais competitivo e exigente. Com isso, as empresas têm demandado meios de tornar seus produtos cada vez mais competitivos, de forma a adotar um sistema de fabricação que possa otimizar o processo de produção, através da utilização de ferramentas da qualidade como o just-in-time, TQM e a reengenharia, buscando-se ainda meios que reflitam os custos de seus produtos, para o planejamento e o controle da produção. A exigência de sistemas de produção que atendessem a essa demanda pressupõe a busca de informações que auxiliem na mensuração dos custos de produção.

A alocação dos custos torna-se, então, uma ferramenta necessária dentro das empresas. Assim, conforme Kam (1990 apud Morgan, 2004), informações disponibilizadas por meio da alocação de custos sobre custo de mão-de-obra por produto e outros custos de produção vieram ao encontro da necessidade apresentada pelas organizações que estavam diante de um novo sistema de produção.

Para Zimmerman (1997), uma das razões principais para alocação de custos às divisões é o desejo de conhecer o custo de um objeto de custo para o propósito de tomada de decisão e controle. Pare esse autor, o objeto de custo é um produto, processo, departamento, ou programa que administradores desejam custear. Em outra definição de objeto de custo temos como o elemento do qual se deseja ter o custo específico apurado (PADOVEZE, 2003). Um objeto de custos pode ser um produto, um serviço ou mesmo um centro interno a uma companhia.

Em Horngren, Datar e Foster (2000, p.331 apud Morgan, 2004) encontram-se quatro objetivos para a alocação de custos indiretos: “1. Fornecer informação para decisões econômicas; 2. Motivar administradores e empregados; 3. Justificar custos ou calcular reembolsos; 4. Mensurar o lucro e os ativos para os relatórios destinados ao público externo”.

3.2.1 Rastreamento e Apropriação de Custos

Conforme Horngren, Datar e Foster (2004), um sistema de custeio típico justifica custos em dois estágios básicos: acúmulo de custos e, em seguida, apropriação dos custos. Para eles, o acúmulo de custos é a coleta de dados de custos e a apropriação de custos engloba o rastreamento de custos que se relacionam diretamente com um objeto de custo e a apropriação de custos que se relacionam indiretamente com o objeto de custo.

No rastreamento de custo e apropriação de custos, Horngren, Datar e Foster (2004) fazem, ainda, as seguintes considerações:

custos diretos de um objeto de custo são aqueles que podemos identificar como pertencendo ao objeto de custo em particular, podendo ser rastreado a ele de maneira economicamente viável. Nesse sentido, esses autores acrescentam que o termo rastreamento de custo é usado para descrever a apropriação de custos diretos para um objeto de custo específico;
custos indiretos de um objeto de custo são aqueles que podemos identificar como pertencendo ao objeto de custo em particular, mas não podemos rastreá-los a ele de maneira economicamente viável. Nesse caso se faria uma apropriação desses custos indiretos ao objeto de custo. Esses autores acrescentam ainda que o termo apropriação de custos é usado para descrever a distribuição de custos indiretos para um objeto de custo específico.
3.2.2 Direcionadores de Custos

Um direcionador de custo é uma variável, como o nível de atividade ou volume, que causalmente afeta os custos sobre dado período de tempo. Ou seja, existe um relacionamento de causa e efeito entre uma mudança no nível de atividade ou volume e no nível de custos totais (Horngren, Datar e Foster, 2004).

Padoveze (2003) definiu direcionador de custo de uma atividade como o principal trabalho ou tarefa que é executado pela atividade como forma de desempenhar sua principal função, que possa claramente ser identificada e quantitativamente mensurada e monitorada.

Segundo Ching (1995) o ABC descreve a forma como uma empresa emprega tempo e recursos para atingir determinados objetivos. Esse autor descreve esse método como sendo uma forma de rastrear os custos de um negócio ou departamento para as atividades realizadas e de verificar como estas atividades estão relacionadas para a geração de receitas e consumo dos recursos.

Conforme Horngren, Datar e Foster (2004), o sistema ABC calcula os custos das atividades e atribui custos para os objetos de custo, como os produtos ou serviços com base nas atividades necessárias para produzir cada produto ou serviço. Para eles, o ABC considera as atividades individuais como objetos de custo fundamentais em um sistema de custeio e conceituam uma atividade como um evento, tarefa ou unidade de trabalho com um propósito específico. Ainda de acordo com esses autores para implementar os sistemas ABC, os administradores precisam identificar um direcionador de custo para cada atividade específica.

3.3 A Biblioteca

O termo Biblioteca é originário do latim biblium, que significa livro e teca, que significa caixa, e em seu sentido próprio bibliotheca ou bibloteca, que significa lugar onde se guardam livros ou estante onde se arrumam livros (FARIA, 1967).

A Biblioteca é patrimônio de um povo. Através dela pode-se pesquisar sobre os costumes, a cultura, a origem e a história de um povo. Pode-se dizer que uma biblioteca tem a função de difundir informações, preservação e acúmulo de livros.

Ferreira (1999) define biblioteca como: coleção pública ou privada de livros e documentos de mesmo gênero, organizados para estudos, leitura e consulta; edifício ou recinto onde se instala essa coleção; estante ou outro móvel onde se guarda e/ou ordena livros.

Para Estefano (1996), a biblioteca funciona como um elo de ligação entre o universo da produção intelectual registrada e as necessidades de informação de seus usuários.

Archibald MacLeish (s.d. apud Prado, 2000, p. 14), resume o seguinte: “A biblioteca é um conjunto de seres humanos que aceita a responsabilidade de tornar o material útil à sociedade”.

3.3.1 Aspectos históricos da Biblioteconomia no Brasil

Souza (1990 apud Estefano, 1996) diz que, nos primeiros anos da década de 30, os cursos de Biblioteconomia criados até aquele momento tinham “características meramente técnicas” e que só na década de 70 começaram a surgir as primeiras tentativas de mudar a visão essencialmente técnica focada nas escolas de Biblioteconomia, para uma visualização da Biblioteca como um subsistema da sociedade. Assim, em 1976, numa primeira proposta de mudança do currículo dos cursos de Biblioteconomia, começaram a incluir disciplinas como “Função Social da Biblioteca” e “Estudo de Usuário”.

Assim, passou-se a considerar, conforme Cardoso (1988 apud Estefano, 1996), como objetivos das Bibliotecas:

“a) maximizar o acesso às fontes de informação de interesse de seus usuários (entende-se por usuário aquele que realmente utiliza a Biblioteca, e não o seu público potencial, ou seja, aquele que pode vir a utilizá-la); e b) maximizar a exposição dos usuários às fontes de informação de seu interesse. Suas funções, por sua vez, incluem a) aquisição do material, de acordo com os interesses dos usuários; b) organização do material a ser adquirido, de forma a possibilitar o seu acesso; c) expor o usuário às fontes de informação das mais variadas formas; e d) tornar as fontes de informação disponíveis aos usuários. Suas atividades vão desde a formação e desenvolvimento da coleção (seleção e aquisição), tratamento e organização da coleção (classificação, indexação, catalogação, registro, armazenagem, inventário) até o acesso e disponibilidade de documentos e disseminação de informações”.

3.3.2 A Biblioteca Universitária

Segundo Prado (2000, p. 9), as bibliotecas podem ser organizadas de diferentes tipos, podendo ser nacionais, estaduais, municipais, universitárias, públicas, escolares, infantis, especializadas, ambulantes e sucursais. Tendo em vista o objetivo deste trabalho, serão observados somente os aspectos relacionados à biblioteca universitária.

De uma maneira geral, pode-se dizer que a finalidade de uma biblioteca universitária é dar apoio bibliográfico ao desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa na universidade.

Prado (2000, p. 13) diz que a biblioteca universitária nada mais é que uma universidade em si mesma e que, desde os mais remotos tempos, a universidade e a biblioteca vêm trabalhando de maneira recíproca, no sentido de desempenhar a função de preservar e disseminar o conhecimento.

Tendo em vista a universidade reunir diferentes faculdades e/ou departamentos das mais diversas especializações, segundo Prado (2000), surge a questão de ser a biblioteca universitária centralizada ou descentralizada. Em uma biblioteca centralizada, poderá ainda haver diversas bibliotecas setoriais, funcionando junto às diferentes faculdades, mas ligadas à biblioteca central.

A descentralização, segundo Prado (2000), consiste em diferentes bibliotecas autônomas, completamente independentes da biblioteca central. Para ela, independente disso, a biblioteca universitária deve ser um centro natural para estimular a comunidade universitária, oferecendo oportunidade à satisfação de sua curiosidade intelectual e ao desenvolvimento de sua imaginação criadora.

3.3.3 Usuários de uma Biblioteca

Conforme Figueiredo (1979), estudo de usuários são investigações que se fazem para se saber o quê os indivíduos precisam em matéria de informação, ou então, para se saber se as necessidades de informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada. Através destes estudos verifica-se o porquê, como, e para quais fins os indivíduos usam informação, e quais os fatores que afetam tal uso. Essa autora diz que, dentre as várias maneiras de se caracterizar estudos de usuários, uma das mais convenientes é dividi-los em dois tipos:

– Estudos orientados ao uso de uma biblioteca ou centro de informação individual; e

– Estudos orientados ao usuário, isto é, investigação sobre um grupo particular de usuários.

Segundo Figueiredo (1979), estudos orientados à biblioteca geralmente cobrem todos os serviços prestados pela biblioteca, ou pode restringir-se a um único serviço (serviço de referência, por exemplo) ou, ainda, aos instrumentos disponíveis para uso dos usuários (o uso dos catálogos, da coleção de índices e resumos, por exemplo). Já os estudos orientados aos usuários propriamente ditos, não seriam limitados a uma instituição, mas investigam o comportamento de uma comunidade inteira para obtenção de informação.

Segundo Figueiredo (1999), a maioria dos estudos de usuários tem sido dirigido a pequenos subconjuntos da população e por áreas de assunto bem definidas. Sendo que muitos têm sido apenas de interesse puramente local ou institucional. Essa autora acrescenta ainda que um estudo de usuário pressupõe informação detalhada sobre demografia, características da população de um país etc.

Desse modo, para esse tipo de estudo, Figueiredo (1999) definiu os seguintes itens:

USUÁRIO – é a pessoa que no último ano fez uso do serviço;

USO – os serviços típicos de uma biblioteca, como, empréstimos, consultas, referência, COMUT etc.;

NÃO-USUÁRIO – pessoa que não utilizou o serviço durante o período de um ano.

Essa autora acrescenta também que há muitos tipos de usuários, com diferentes abordagens em relação à informação. Ela sugere três grupos básicos para que seja entendido o quê eles precisam:

Pesquisadores das áreas básicas tradicionais – aqueles que pedem por nada mais que uma grande quantidade de materiais, ainda não trabalhados. Eles procuram analisar cuidadosamente esses materiais, quer porque gostem disso, quer porque não confiam em ninguém;
Pesquisadores das ciências aplicadas – pessoal de desenvolvimento de produtos, profissionais de marketing, engenheiros. São indivíduos que buscam respostas a questões específicas e não as fontes que possam conter a resposta; e
Executivos e gerentes que não procuram por dados não trabalhados ou por respostas específicas, mas opções, pelas escolhas e pelos prós e os contras de cada tomada de decisão.
Figueiredo (1999) toma como exemplo a área de agricultura e expõe um modelo da variabilidade das necessidades de informação, segundo a atividade exercida pelo indivíduo, conforme a seguir:

– Planejador: envolvido na alocação de recursos. Requer “digestos” de estatísticas da produção, consumo.

– Administrador: responsável em converter as decisões em ações. Possivelmente também responsável pela coleta de dados e preparação dos “digestos” de uso para o planejador. Possui necessidade de informação explícitas e relacionadas com o dia-a-dia da administração.

– Pesquisador: requer informação ou pesquisa realizada em outro local, noção detalhada da sua própria situação local e/ou nacional, para permitir aplicação de conhecimento. Realiza experimentos e produz relatórios de pesquisa para uso de administradores, professores e práticos.

– Professor: extrai conhecimento dos resultados dos relatórios de pesquisa e da prática; livros e periódicos o mantém atualizado.

– Estudante: obtém informação do seu professor e de livros-texto, usualmente recomendados pelo professor.

– Prático (extensionista): atua baseado no conhecimento que adquiriu como estudante e na experiência acumulada. Precisa de manuais, guias, especialmente para introduzir novos métodos.

Figueiredo (1999) expõe outra definição de usuários como indivíduos com necessidades informacionais únicas e com características educacionais, psicológicas, sociais também únicas. Dessa forma, um indivíduo poderia precisar de conhecimento:

Prático – para a resolução de problemas imediatos na vida e nas atividades diárias;
Profissional – para avançar na educação continuada;
Intelectual – para avançar a compreensão das artes, humanidades, ciência, para enriquecimento.

4 ESTUDO DE CASO

A unidade objeto do presente estudo é a Biblioteca Central da Universidade de Brasília – BCE/UnB. Nessa unidade, foram levantados os serviços oferecidos aos usuários, bem como, através da aplicação de um questionário, os serviços efetivamente utilizados e o tempo de permanência dos usuários da BCE.

Sobre a UnB, “A criação da Universidade de Brasília – pela Lei n. 3.998, de 15 de dezembro de 1961 – deveu-se à demanda de um núcleo cultural na nova Capital do País, além da necessidade de prover os órgãos do poder público da assistência de centros culturais e científicos” (RIBEIRO, 1962 apud Morgan, 2004). O organograma abaixo mostra a posição da BCE na estrutura organizacional da UnB.

A formação do Acervo da BCE deu-se em 1962, através de autorização da Reitoria aos professores da UnB, para atender aos cursos iniciados no primeiro semestre de funcionamento da UnB. O atual prédio da BCE foi inaugurado em 1973, tendo todo o seu acervo transferido para esse prédio nesse ano. Inicialmente, a BCE estava instalada no bloco 1 da Esplanada dos Ministérios. Em seguida, fora transferida para o primeiro bloco construído no Campus Universitário (FE1), e, depois, para o prédio SG – Bibliotecas públicas do DF.

Conforme dados do Serviço de Auxílio ao Usuário e Serviço de Desenvolvimento de Coleções, o total de usuários que freqüentaram a Biblioteca, em 2004, foi de 787.949 usuários, tendo ainda um total de empréstimos, nesse mesmo ano, de 230.215 livros e de 4.405 periódicos.

A BCE tem como missão “atender aos diversos segmentos da Universidade de Brasília em suas necessidades de documentação e informação nas áreas do conhecimento específico de sua atuação, contribuindo para a qualidade da educação, da pesquisa e da extensão”. Seu objetivo é dar a infra-estrutura bibliográfica necessária ao desenvolvimento das atividades da UnB e orientar o usuário na utilização desses recursos bibliográficos.
Organograma 2: Estrutura Organizacional da Biblioteca Central na da UnB

Fonte: elaboração própria com base em organograma da BCE/2000

Para a realização do estudo de usuários, foi feito um levantamento dos cursos e do grau de escolaridade que a universidade oferece, bem como os tipos de usuários que fazem uso da BCE.

Para fins de estudo, o questionário foi aplicado aos usuários reais que fizeram uso da biblioteca nos horários e dias, dentre os dias da semana e no horário de funcionamento da biblioteca. A escolha do horário e dias de aplicação ocorreu de forma aleatória no universo de sete dias. Os dados foram tabulados e apresentados em tabela própria (Anexo II), segundo a área do curso, o serviço utilizado e o tempo de permanência dos usuários na BCE.

Num segundo momento, dado o número de observações obtidas na amostragem, os cursos foram agrupados por áreas de conhecimento (anexo III). A tabulação e a apresentação dos dados foram efetuadas por área do conhecimento do curso e, num segundo momento, para traçar o perfil de usuário na BCE, por categoria de usuário. Foi utilizado como ferramenta o programa estatístico SSPS 12.0.

4.2 Descrição do Caso

A primeira fase de apuração dos custos na BCE foi identificar as áreas internas à biblioteca e conhecer as atividades de cada uma delas, para depois verificar a relação dessas áreas com os serviços oferecidos. Dessa forma, procurou-se dividir as áreas organizacionais da BCE nas seguintes unidades e divisões:

Unidade Administrativa e de Suporte Administrativo
Unidades de suporte às Divisões de Atividades
Divisões de Atividades
4.1.1 Unidade Administrativa e de Suporte Administrativo

Agrupou-se nesse item as unidades necessárias ao funcionamento da biblioteca, mas que não estão voltadas diretamente à execução das atividades que geram os serviços disponibilizados pela BCE:

Diretoria (DIR)
Assessoria (ASS)
As atividades da Diretoria e Assessoria foram identificadas como Atividades da Administração e tiveram seus custos distribuídos seguindo o critério quantidade de horas do pessoal direto às divisões que possuem os serviços (Apêndice A). Como custos das Atividades da Administração consideraram-se os elementos de custos considerados na BCE.

4.1.2 Unidades de suporte às Divisões de Atividades

Nesse caso, foram agrupadas as áreas que dão suporte às unidades que estão diretamente vinculadas aos serviços oferecidos pela BCE (Quadro 2).

Núcleo de Informática e Tecnologia (NIT)

Serviço de Administração (SEC)

Divisão de Serviços Gerais (DSG)

Setor de Restauração (RES)

Serviço de Desenvolvimento de Coleções

(SDC) Divisão de Compras (CMP)

Divisão de Seleção (SEL)

Setor de Registro (REG)

Divisão de Catalogação e Classificação

(PRO) Divisão de Intercâmbio (INT)

Fonte: Elaboração própria

O NIT – Subordinado à Diretoria, tem como função dar apoio técnico de informática às diversas atividades da Biblioteca. Além de possuir o Laboratório de Acesso Digital (LAD), o NIT executa atividades relacionadas ao apoio técnico às unidades da BCE. Tendo em vista essa unidade não ter um controle por requisição de atendimento às unidades que dão apoio, considerou-se a quantidade de microcomputadores distribuídos às diversas Divisões de Atividades que o NIT presta apoio, para a distribuição dos custos dessa unidade.

A SEC – “O Serviço de Administração tem como função prestar apoio administrativo necessário ao desenvolvimento das atividades da direção e das áreas de aquisição, organização e difusão de informações bibliográficas, no que se refere a comunicações, recursos humanos, materiais e financeiros e serviços gerais.” A essa unidade estão subordinado o DSG, RES e Almoxarifado.

O setor de Almoxarifado atende todas as unidades da BCE. Nesse ano, houve uma perda de dados do sistema de computação, o que resultou na perda do controle das requisições efetuadas pelas unidades ao almoxarifado referentes ao ano de 2004. Dessa forma, os custos dos materiais de almoxarifado e de consumo foram alocados conforme os seguintes procedimentos:

podendo-se identificar o material de almoxarifado aos objetos de custos, foram rastreados diretamente a essas unidades;
o material que não teve como rastrear diretamente às Divisões de Atividades foi alocado ao SEC.
A DSG cuida da manutenção do prédio e presta apoio necessário ao desenvolvimento das atividades dos diversos setores da BCE. As atividades dessa unidade foram identificadas como Executar Serviços Gerais e tiveram seus custos distribuídos seguindo o critério de horas do pessoal direto às divisões que possuem os serviços (Apêndice A).

No RES, foram identificadas atividades relacionadas à restauração dos livros do acervo e a encadernação de livros e periódicos. A encadernação é feita por empresas terceirizadas e teve seus custos diretamente distribuídos segundo o que cada área demandou. Os custos dessa unidade foram alocados para acervo de livros e de periódicos conforme a quantidade de livros ou periódicos preparados e enviados para a encadernação no ano de 2004 (Apêndice A).

O SDC coordena as Divisões de Seleção, de Catalogação e Classificação, de Compras e de Intercâmbio. Sua função é “estabelecer diretrizes a partir de políticas fixadas para a área, bem como prover e administrar os meios necessários à expansão planificada do acervo (compra, doação e permuta) e desenvolver o tratamento da informação dos diversos tipos de material bibliográfico, de forma a possibilitar a sua melhor utilização pelo usuário”. Os custos dessa unidade serão distribuídos conforme as quantidades selecionadas, classificadas e despachadas para o acervo.

4.1.3 Divisões de Atividades

Foram agrupadas nesse item as unidades que estão diretamente ligadas aos serviços que a BCE disponibiliza aos usuários (Quadro 3).

Laboratório de Acesso Digital (LAD)

Serviço de Auxílio ao Usuário (AUS)

– Divisão de Coleções Especiais (DCE)

Coleção de Obras Raras (OBR)
Coleção de Multimeios (MTM)
Org. Inter.Assuntos Especiais (OAE)
– Divisão de Periódicos (PER)

– Divisão de Acervo Geral (AGE)

– Divisão de Atendimento Noturno (NOT)

– Biblioteca Setor. do HUB

Fonte: Elaboração própria

Quadro 3: Divisões de Atividades

O LAD – Subordinado ao NIT, tem por objetivo “atender à comunidade universitária (docentes, discentes e servidores), propiciando acesso à Internet para realização de pesquisas e digitação de trabalhos acadêmicos.”. Levando em consideração o tempo que essa unidade disponibiliza o laboratório, o custo dessa unidade foi considerado por tempo de disponibilidade desse serviço e distribuído conforme o tempo de utilização do LAD por seus usuários.

O AUS – Coordena as Divisões de Referência, de Acervo Geral, de Coleções Especiais, de Periódicos, de Atendimento Noturno e a Coleção Médica (acervo localizado no Hospital Universitário de Brasília/HUB). Sua função é “administrar os meios necessários a colocar a informação ao alcance do usuário, empregando métodos racionais e observando as normas de ética das relações humanas.” Os custos dessa unidade, o AUS, foram apurados e considerados indiretos aos serviços pertencentes às Divisões de Atividades a ele ligadas. Foi considerado como critério de apropriação a quantidade de horas do pessoal diretamente ligado aos serviços.

A REF disponibiliza um acervo composto de dicionários gerais e especializados, vocabulários, enciclopédias, guias, repertórios biográficos, coleção de leis, índices, abstracts, bases de dados em CD-ROM e em linha, que funcionam como um catálogo para os artigos de periódicos. A REF disponibiliza também uma Sala de Pesquisa bibliográfica aos seus usuários. Essa unidade teve seus custos apurados por serviço que disponibiliza, segundo os elementos de custos considerados, e distribuídos da seguinte forma:

o serviço de Referência teve seus custos apurados por atendimento ao público ano de 2004 (Apêndice B) e distribuídos conforme a quantidade de ocorrências efetivas desse serviço por usuário;
a Sala de Pesquisa teve seus custos levantados por hora de funcionamento, ou melhor, de disponibilidade desse serviço na BCE (Apêndice B) e distribuídos conforme o tempo de utilização dos usuários.
A AGE disponibiliza aos usuários o Acervo de livros da biblioteca, executa os serviços de empréstimos de livros, sala de reserva e salas para uso do espaço. O AGE teve seus custos indiretos distribuídos aos seus serviços conforme o total de horas do pessoal diretamente ligado aos serviços dessa Divisão. Os custos dos serviços ligados ao AGE foram distribuídos da seguinte forma (Apêndice B):

os Empréstimos tiveram seus custos apurados por ocorrência durante o ano de 2004 e distribuídos pelas quantidades de ocorrências efetivas de empréstimo por usuário.
a Reserva teve seus custos apurados por consulta ao Acervo da Sala de Reserva e distribuídos conforme a quantidade de ocorrências efetiva de utilização por usuário;
aos livros do Acervo apurou-se o custo por hora que este é disponível ao usuário e considerou-se o tempo de utilização dos livros por usuário, como direcionador de custo.
A DCE tem a função de “promover a consulta, empréstimo e divulgação das obras dos acervos especiais”. Coordena as Coleções de Obras Raras, de Multimeios, de Organismos Internacionais e Assuntos Especiais, de Estudos Clássicos e do Arquivo Carlos Lacerda. Essa unidade teve seus custos indiretos distribuídos a seus serviços conforme o total de horas do pessoal direto aos serviços dessa Divisão da BCE. Os custos dos serviços ligados ao AGE foram distribuídos da seguinte forma (Apêndice B):

Obras raras – levantou-se o custo por ocorrências de consultas ao acervo de coleções especiais durante o ano de 2004 e, depois, considerou-se número de ocorrências de consultas efetiva dos usuários ao acervo de coleções especiais para alocação à área do curso;
Multimeios – levantou-se o custo por hora durante o ano de 2004 e considerou-se o tempo de permanência efetivo dos usuários na utilização desse serviço para alocação à área do curso;
Coleção de Organismos Internacionais e Assuntos Especiais – levantou-se o custo por hora durante o ano de 2004 e considerou-se o tempo de permanência efetivo dos usuários na utilização desse serviço para alocação à área do curso;
4.1.4 Elementos de Custos

4.1.4.1 Pessoal

Lotação de pessoal do quadro, estagiários, bolsistas e prestadores de serviços que atende diretamente e indiretamente no serviço oferecido pela BCE. Inclui-se ainda parcela da mão-de-obra das áreas-apoio como serviços de administração, apoio de informática, restauração etc. sem desenvolvimento direto com os serviços, porém dando suporte administrativo e operacional. Para apuração do custo com pessoal foi considerado o custo médio unitário dado pela divisão dos custos totais de cada tipo de pessoal (pessoal do quadro, bolsista, prestador etc.) na biblioteca pela quantidade total de cada um deles. O custo médio apurado por tipo de pessoal foi multiplicado pelas quantidades efetivas de cada um deles nas unidades ou divisões de lotação e apropriados nessas unidades ou divisões.

4.1.4.2 Custos com Tecnologia

Seu total inclui custos próprios do funcionamento das diversas unidades no que se refere ao uso de equipamentos computadorizados. Esses custos foram considerados na unidade que presta apoio de informática e foi utilizada, como critério de distribuição dos custos dessa unidade, a quantidade de pontos de microcomputadores instalados nas divisões dos serviços.

4.1.4.3 Combustível

Incluíram-se nesse item, os custos relacionados às despesas com combustíveis utilizados de diversas formas, tais como transporte de funcionários, busca de materiais no almoxarifado central, busca de livros doados etc. Para apropriação desses custos, foi considerada a quantidade de pessoal lotado em cada unidade ou divisão, tendo em vista um dos itens consumidores desse tipo de custo ser o pessoal e ainda não ter sido levantado, por exemplo, gastos com combustível para busca de livros doados ou de materiais para o almoxarifado.

4.1.4.4 Depreciação de Móveis

Consideraram-se os custos de depreciação de móveis utilizados nas execuções das tarefas que direta ou indiretamente tiveram relação com os serviços. Para apropriação desses custos, foi considerado o custo de aquisição dos móveis, ou melhor, relacionou-se o custo de aquisição dos móveis pertencentes a uma determinada unidade ao custo total de aquisição dos móveis. O percentual da participação de cada móvel em relação ao total do custo foi considerado como a taxa de distribuição dos custos de depreciação dos móveis para às unidades que eles estão ligados.

4.1.4.5 Material de Consumo e de Almoxarifado

Agruparam-se nesse elemento, todos os materiais oriundos do setor de almoxarifado, que serviram de apoio para as unidades da BCE. A diferença entre material de consumo e de almoxarifado, deu-se apenas, segundo classificação da própria área de almoxarifado, pela forma de aquisição. O primeiro, refere-se a materiais que foram adquiridos externos à universidade, o segundo, material almoxarifado, considera-se os materiais adquiridos no almoxarifado central da universidade.

4.1.5 Apuração dos custos por serviço

Foram considerados os custos dos elementos de custos às unidades e divisões e os critérios de alocações adotados para distribuição dos custos das unidades administrativas de suporte às divisões que trabalham diretamente com os serviços da BCE. Vale ressaltar que os custos das unidades foram levantados por atividades que elas desempenham e apropriadas às divisões de atividades, que por sua vez tiveram seus custos rastreados aos serviços a elas vinculados.

Tomando-se como exemplo a apuração dos custos da disponibilidade do serviço multimeios, temos primeiramente os custos das atividades de administração, apoio de informática e da atividade administrar AUS/DCE apropriados à divisão de coleção de multimeios e, depois, os custos diretos inerentes à disponibilidade desse serviço rastreados a ele, tais como pessoal diretamente envolvido e demais elementos de custos apropriados nessa divisão de atividade do serviço disponibilizar multimeios.

4.2 Análise do resultado dos dados apurados no questionário aplicado

A análise dos dados foi dividida em duas partes: a primeira traçou o perfil do usuário da BCE, levando-se em consideração o nível de graduação das categorias de usuários e o percentual de cada área de curso nos principais serviços utilizados; a segunda teve como objetivo levantar as ocorrências efetivas das utilizações dos serviços de cada usuário entrevistado e relacioná-los à área dos cursos.

4.2.1 O perfil de usuário da BCE

A amostragem deste estudo foi classificada por categorias de usuários, dividida por alunos (graduação, especialização, mestrado, doutorado), professor, servidor e externo. Houve uma predominância de alunos de graduação (72,11%), seguido dos usuários externos (16,34%). Professores e servidores da universidade totalizaram 2,19% dos entrevistados. Do total de alunos entrevistados, a maior ocorrência deu-se por alunos da graduação, seguido dos alunos de mestrado (5,88), doutorado (1,961%) e especialização (1,53%).

Questões sobre os serviços utilizados na biblioteca, o tempo médio de permanência e os dias que geralmente utiliza a BCE foram perguntados para todos os entrevistados. Área e grau de estudo foram perguntados aos usuários aluno e professor da UnB.

Serviços Utilizados pelos usuários da BCE

Dado o critério de uma mínima permanência na BCE para ser caracterizado o serviço Uso do Espaço, esse foi o que teve maior freqüência de utilização dentre os entrevistados, seguido da utilização do Acervo Geral e Empréstimos. Situações que não eram identificadas como serviços oferecidos pela BCE, tais como o uso da lanchonete interna a BCE, banheiros, pessoal que trabalha na biblioteca etc., eram classificadas como outros serviços e foram bastante freqüentes entre os entrevistados. Os serviços Obras Raras, COMUT e Coleção Médica não tiveram ocorrência entre os entrevistados.

O levantamento dos serviços utilizados por área do conhecimento mostrou uma predominância dos cursos da área de Humanas nos serviços mais utilizados.

4..2.2 A distribuição dos custos por área do conhecimento

Após o levantamento dos serviços utilizados pelos usuários e a alocação dos custos desses serviços às respectivas áreas dos cursos dos usuários, foi constatado que a maior parte dos custos deveu-se à área de Humanas (38,67%), seguida da área de Ciências Exatas e da Terra (15,25%). Levando-se em consideração os direcionadores para cada tipo específico de serviço, o custo distribuído às áreas foi apurado conforme o valor apurado de cada serviço pelas ocorrências identificadas por usuário de cada área considerada. Observou-se que serviço que direcionou maior custo à área de Humanas, área de maior direcionamento dos custos, foi o Uso do Acervo Geral. Observou-se também que a área de menor custo distribuído foi a que abrangia cursos que não foram identificados como pertencentes a nenhuma das áreas de cursos identificadas, essa área teve como maior custo direcionado o uso do serviço Periódicos no valor de R$ 508,35 e como menor custo direcionado o uso do serviço Laboratório de Acesso Digital (LAD) no valor de R$ 209,33. A tabela a seguir demonstra o total dos custos direcionados às áreas dos cursos conforme os critérios de direcionamento de custos adotados para cada serviço e a utilização efetiva por usuário ligado á área de curso entrevistado.

O serviço Uso do Espaço não foi considerado para distribuição dos custos, pois entendeu-se que todas as áreas da BCE estariam envolvidas na disponibilidade desse serviço e, por isso, não se considerou direcionadores de custos a esse serviço.

5. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO

Tendo em vista que o ensino, a pesquisa e a extensão são finalidades essenciais da Universidade de Brasília e que a Biblioteca Central, órgão essencial e complementar da UnB, necessário ao apoio das atividades acadêmicas, através do oferecimento de sua infra-estrutura bibliográfica e, ainda, tendo em vista a necessidade de mensurar o custo do ensino superior; a apuração e distribuição dos custos dos serviço de uma unidade de custos essencial às atividades da universidade se faz necessária. Nesse sentido, a pesquisa determinou os custos dos serviços oferecidos pela biblioteca e distribuiu às áreas dos diversos cursos que a universidade oferece.

O objeto de estudo considerado foi a Biblioteca Central da UnB e, nesse sentido, observa-se a seguir o que foi obtido.

A Biblioteca Central é órgão complementar da Universidade de Brasília e tem a missão de supri-la em suas necessidades de documentação e informação nas áreas do conhecimento de sua atuação. A infra-estrutura bibliográfica e a orientação de seus usuários na utilização de seus recursos bibliográficos são os objetivos da BCE, que procura aplicá-los através da disponibilidade de seus recursos e serviços a seus usuários.

O custo médio por hora apurado de cada serviço saiu na ordem de R$ 54,36. Na apuração dos custos para os serviços segundo os critérios estabelecidos de seus direcionadores, encontraram-se resultados que variaram de R$ 2,14 a R$ 127,09, sendo que o menor custo foi o serviço Empréstimo (por quantidade de empréstimo) e o maior custo foi o relacionado ao custo por hora disponível dos Periódicos.

Verificou-se que a área de Humanas respondeu pela maior alocação dos custos da BCE, o que representou 38,67% dos custos distribuídos, seguida das áreas de Ciências Exatas e da Terra (15,25%) e das Ciências Biológicas e Agrárias (14,95%). O menor custo alocado deveu-se aos cursos que não foram encaixados dentro das oito áreas identificadas, e correspondeu a 3,36% dos custos alocados.

Um fator importante, é que 16,34% dos usuários entrevistados era composto por pessoas externas à Universidade de Brasília.

As dificuldades encontradas nesse trabalho, referem-se, basicamente, quando da alocação aos objetos de custo, tais como: a falta, por perda magnética, de alguns dados necessários para serem utilizados como base de apropriação de custos e a falta de controles precisos de dados inerentes às atividades que uma unidade interna da biblioteca executa para outra, prejudicando assim na hora da distribuição dos custos, por um critério mais preciso ao direcionador de certas atividades indiretas; a falta de dados que não foram obtidos a tempo para relacionar à área ocupada pelas unidades e a falta de dados da classificação/catalogação para relacionar aos acervos de livros, periódicos e multimeios, fato que prejudicou no rateio de alguns custos indiretos que deveriam seguir critérios de distribuição de custos referentes a esses dados.

Sobre a aplicação do questionário, levando-se em consideração as pessoas que não quiseram responder e às que não foi possível aplicá-lo, o total de entrevistados refletiu em média de 30 a 40% das pessoas que saíram da BCE no momento de sua aplicação. Sugere-se uma ampliação do número de aplicações do questionário e, se for o caso, intercaladas em intervalos de semanas, em diferentes meses do ano e, também, dada a grande quantidade de pessoas saindo da BCE em certos intervalos de tempo, um maior número de pessoas aplicando o questionário concomitantemente.

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A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento

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FICHAMENTO

1 – No entanto, Rebelais ocupa um dos primeiros lugares entre os autores europeus. Belinski qualificou-o de gênio, de “Voltaire”do século XVI, e a sua obra como uma das melhores de todos os tempos. Os especialistas europeus costumam colocar Rebelais ___ pela força de suas idéias e de sua arte, e por sua importância histórica ___ imediatamente depois de Shakespeare, por vezes mesmo ao seu lado. Os românticos franceses, principalmente Chateaubriand e Hugo, classificaram-no entre os mais eminentes gênios da humanidade de todos os tempos e de todos os povos. Ele foi considerado, e ainda o é, não apenas como um escritor de primeiro plano, no sentido próprio do termo, mas também como um sábio e um profeta.

2 – Evidentemente, todos os julgamentos e apreciações desse tipo são muito relativos. Não pretendemos decidir se é justo colocar Rabelais ao lado de Shakespeare, acima ou abaixo de Cervantes, etc. Não resta dúvida de que o lugar histórico que ele ocupa entre os criadores da nova literatura européia está indiscutivelmente ao lado de Dante, Boccaccio, Shakespeare e Cervante. Rabelais influiu poderosamente não só nos destinos da literatura e da língua literária francesas, mas também na literatura mundial (provavelmente no mesmo grau que Cervantes). É também indubitável que foi o mais democrático dos modernos mestres da literatura. Para nós, entretanto, sua principal qualidade é de estar ligado mais profunda e estreitamente que os outros às fontes populares, fontes específicas (as que Michelet cita são com certeza bastante exatas, mas estão longe de serem exaustivas): essas fontes determinaram o conjunto de seu sistema de imagens, assim como sua concepção artística.

3 – E é justamente esse caráter popular peculiar e, poderíamos dizer, radical, de todas as imagens de Rabelais que explica que o seu futuro tenha sido tão excepcionalmente rico, como o sublinhou exatamente Michelet. É também esse caráter popular que explica “o aspecto não-literário”de Rabelais, isto é, sua resistência a ajustar-se aos cânones e regras da arte literária vigentes dede o século XVI até os nossos dias, independetemente das variações que o seu conteúdo tenha sofrido. Rabelais recusou esses moldes muito mais categoricamente do que Shakespeare ou Cervantes, os quais se limitaram a evitar os cânones clássicos mais ou menos estreitos de sua época. As imagens de Rabelais se distinguem por uma espécie de “caráter não-oficial”, indestrutível e categórico, de tal modo que não há dogmatismo, autoridade nem formalidade unilateral que possa harmonizar-se com as imagens rabelaisianas, decididamente hostis a toda perfeição definitiva, a toda estabilidade, a toda formalidade limitada, a toda operação e decisão circunscritas ao domínio do pensamento e à concepção do mundo.

4 – Daí a solidão particular de Rabelais nos séculos seguintes: impossível chegar a ele seguindo qualquer dos caminhos batidos que a criação artística e o pensamento ideológico da Europa burguesa adotaram nos quatro séculos que o separam de nós. E mesmo se nesse intervalo encontramos numerosos admiradores entusiastas de Rabelais, em nenhuma parte achamos claramente formulada uma compreensão total de sua obra.

5 – A única maneira de decifrar esses enigmas é empreender um estudo em profundidade das suas fontes populares. Se Rabelais nos aparece como um solitário, sem afinidades com outros grandes escritores dos últimos quatro séculos, podemos pelo contrário afirmar que, diante do rico acervo atualizado da literatura popular, são precisamente esses quatro séculos de evolução literária que se nos apresentam isolados e isentos de afinidades, enquanto que as imagens de Rabelais estão perfeitamente posicionadas dentro da evolução milenar da cultura popular.

6 – Claro, Rabelais é difícil. Em compensação, a sua obra, se convenientemente decifrada, permite iluminar a cultura cômica popular de vários milênios, da qual Rabelais foi o eminente porta-voz na literatura. Assim, o romance de Rabelais deve ser a chave dos esplêndidos santuários da obra cômica popular, que permaneceram quase incompreendidos e pouco explorados. Antes de abordá-los, é fundamental possuir essa chave.

7 – Como já observamos, o riso popular e suas formas constituem o campo menos estudado da criação popular. A concepção estreita do caráter popular e do folclore, nascida na época pré-romântica e concluída essencialmente por Herder e os românticos, exclui quase totalmente a cultura específica da praça pública e também o humor popular em toda a riqueza das suas manifestações. Nem mesmo posteriormente os especialistas do folclore e da história literária consideraram o humor do povo na praça pública como um objeto digno de estudo do ponto de vista cultural, histórico, folclórico ou literário. Entre as numerosas investigações científicas consagradas aos ritos, mitos e às obras populares líricas e épicas, o riso ocupa openas um lugar modesto. Mesmo nessas condições, a natureza específica do riso popular aparece totalmente deformada, porque são-lhe aplicadas idéias e noções que lhe são alheias, uma vez que formaram sob o domínio da cultura e da estética burguesa dos tempos modernos. Isso nos permite afirmar, sem exagero, que a profunda originalidade da antiga cultura cômica popular não foi ainda revelada.

8 – As múltiplas manifestações dessa cultura podem subdividir-se em três grandes categorias:

formas dos ritos e espetáculos (festejos carnavalescos, obras cômicas representadas nas praças públicas, etc.);
Obras cômicas verbais (inclusive as paródicas) de diversa natureza: orais e escritas, em latim ou em língua vulgar:
Diversas formas e gêneros do vocabulário familiar e grosseiro (insultos, juramentos, blasões populares, etc.).
9 – Todos esses ritos e espetáculos organizados à maneira cômica apresentavam uma diferença notável, uma diferença de princípio, poderíamos dizer, em relação às formas do culto e às cerimônias oficiais sérias da Igreja ou do Estado feudal. Ofereciam uma visão do mundo, do homem e das relações humanas totalmente diferente, deliberadamente não-oficial, exterior à Igreja e ao Estado; pareciam ter construído, ao lado do mundo oficial, um segundo mundo e uma Segunda vida aos quais os homens da Idade Média pertenciam em maior ou menor

proporção, e nos quais eles viviam em ocasiões determinadas. Isso criava uma espécie de dualidade do mundo e cremos que, sem levá-la em consideração, não se poderia compreender nem a consciência cultural da Idade Média nem a civilização renascentista. Ignorar ou subestimar o riso popular na Idade Média deforma também o quadro evolutivo histórico da cultura européia nos séculos seguintes.

10 – A dualidade na percepção do mundo e da vida humana já existia no estágio anterior da civilização primitiva. No folclores dos povos primitivos encontra-se, paralelamente aos cultos sérios (por sua organização e seu tom), a existência de cultos cômicos, que convertiam as divindades em objetos de burla e blasfêmia (“riso ritual”); paralelamente aos mitos sérios, mitos cômicos e injuriosos; paralelamente aos heróis, seus sósias paródicos. Há pouco tempo que os especialistas do folclore começaram a interessar-se pelos ritos e mitos cômicos.

11 – Não se trata naturalmente de ritos religiosos, no gênero, por exemplo, da liturgia cristã, à qual eles se relacionam por laços genéticos distantes. O princípio cômico que preside aos ritos do carnaval, liberta-os totalmente de qualquer dogmatismo religioso ou eclesiástico, do misticismo, da piedade, e eles são além disso completamente desprovidos de caráter mágico ou encantatório (não podem nem exigem nada). Ainda mais, certas formas carnavalescas são uma verdadeira paródia do culto religioso. Todas essas formas são decididamente exteriores à Igreja e à religião. Elas pertencem à esfera particular da vida cotidiana.

12 – Por seu caráter concreto e sensível e graças a um poderoso elemento de jogo, elas estão mais relacionadas às formas artísticas e animadas por imagens, ou seja, às formas do espetáculo teatral. E é verdade que as formas do espetáculo teatral na Idade Média se aproximavam na essência dos carnavais populares, dos quais constituíam até certo ponto uma parte. No entanto, o núcleo dessa cultura, isto é, o carnaval, não é de maneira alguma a forma puramente artística do espetáculo teatral e, de forma geral, não entra do domínio da arte. Ele se situa nas fronteiras entre a arte e a vida. Na realidade, é a própria vida apresentada com os elementos característicos da representação.

13 – A idéia do carnaval foi percebida e manifestou-se de maneira muito sensível nas saturnais romanas, experimentadas como um retorno efetivo e completo (embora provisório) ao país da idade de ouro. As tradições das saturnais permaneceram vivas no carnaval da Idade Média, que representou, com maior plenitude e pureza do que outras festas da mesma época, a idéia da renovação universal. Os outros festejos de tipo carnavalesco eram limitados e encarnavam a idéia do carnaval de uma forma menos plena e pura; no entanto, a idéia subsistia e era concebida como uma fuga provisória dos moldes da vida ordinária (isto é, oficial).

14 – Os bufões e bobos são as personagens características da cultura cômica da Idade Média. De certo modo, os veículos permanentes e consagrados do princípio carnavalesco na vida cotidiana (aquela que se desenrolava fora do carnaval). Os bufões e bobos, como por exemplo o bobo Triboulet, “que atuava na corte de Francisco I (e que figura também no romance de Rabelais), não eram atores que desempenhavam seu papel no palco (à semelhança dos comediantes que mais tarde interpretariam Arlequim, Hans Wurst, etc). Pelo contrário, eles continuavam sendo bufões e bobos em todas as circunstâncias da vida. Como tais, encarnavam uma forma especial da vida, ao mesmo tempo real e ideal. Situavam-se na fronteira entre a vida e a arte (numa esfera intermediária), nem personagens excêntricos ou estúpidos nem atores cômicos.

15 – Em resumo, durante o carnaval é a própria vida que representa, e por um certo tempo o jogo se transforma em vida real. Essa é a natureza específica do carnaval, seu modo particular de existência.

16 – O carnaval é a Segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva. A festa é a propriedade fundamental de todas as formas de ritos e espetáculos cômicos da Idade Média.

17 – Por outro lado, as festas oficiais da Idade Média ___ tanto as da Igreja como as do Estado feudal ___ não arrancavam o povo à ordem existente, não criavam essa Segunda vida. Pelo contrário, apenas contribuíam para consagrar, sancionar o regime em vigor, para fortificá-lo. O elo com o tempo tornava-se puramente formal, as sucessões e crises ficavam totalmente relegadas ao passado. Na prática, a festa oficial olhava apenas para trás, para o passado de que se servia para consagrar a ordem social presente. A festa oficial, às vezes mesmo contra as suas intenções, tendia a consagrar a estabilidade, a imutabilidade e a perenidade das regras que regiam o mundo: hierarquias, valores, normas e tabus religiosos, políticos e morais correntes. A festa era o triunfo da verdade pré-fabricada, vitoriosa, dominante, que assumia a aparência de uma verdade eterna, imutável e peremptória. Por isso o tom da festa oficial só podia ser o da seriedade sem falha, e o princípio cômico lhe era estranho. Assim, a festa oficial traía a verdadeira natureza da festa humana e desfigurava-a.No entanto, como o caráter autêntico desta era indestrutível, tinham que tolerá-la e às vezes até mesmo legalizá-la parcialmente nas formas exteriores e oficiais da festa e conceder-lhe um lugar na praça pública.

18 – Constrastando com a excepcional hierarquização do regime feudal, com sua extrema compartimentação em estados e corporações na vida diária, esse contato livre e familiar era vivido intensamente e constituía uma parte essencial da visão carnavalesca do mundo. O indivíduo parecia dotado de uma Segunda vida que lhe permitia estabelecer relações novas, verdadeiramente humanas, com os seus semelhantes. A alienação desaparecia provisoriamente. O homem tornava a si mesmo e sentia-se um ser humano entre seus semelhantes. O autêntico humanismo que caracterizava essas relações não era em absoluto fruto da imaginação ou do pensamento abstrato, mas experimentava-se concretamente nesse contato vivo, material e sensível. O ideal utópico e o real baseavam-se provisoriamente na percepção carnavalesca do mundo, única no gênero.

19 – Em consequência, essa eliminação provisória, ao mesmo tempo ideal e efetiva, das relações hierárquicas entre os indivíduos, criava na praça pública um tipo particular de comunicação, inconcebível em situações normais. Elaboravam-se formas especiais do vocabulário e do gesto da praça pública, francas e sem restrições, que aboliam toda a distância entre os indivíduos em comunicação, liberados das normas correntes da etiqueta e da decência. Isso produziu o aparecimento de uma linguagem carnavalesca típica, da qual encontraremos numerosas amostras em Rabelais.

20 – Explicaremos previamente a natureza complexa do riso carnavalesco. É, antes de mais nada, um riso festivo. Não é, portanto, uma reação individual diante de um ou outro fato “cômico” isolado. O riso carnavalesco é em primeiro lugar patrimônio do povo (esse caráter popular, como dissemos, é inerente à própria natureza do carnaval); todos riem, o riso é “geral” ; em segundo lugar, é universal, atinge a todas as coisas e pessoas (inclusive as que participam no carnaval), o mundo inteiro parece cômico e é percebido e considerado no seu aspecto jocoso, no seu alegre relativismo; por último, esse riso é ambivalente: alegre e cheio de alvoroço, mas ao mesmo tempo burlador e sarcástico, nega e afirma, amortalha e ressuscita simultaneamente.

21- Uma qualidade importante do riso na festa popular é que escarnece dos próprios burladores. O povo não se exclui do mundo em evolução. Também ele se sente incompleto; também ele renasce e se renova com a morte. Essa é uma das diferenças essenciais que separam o riso festivo popular do riso puramente satírico que apenas emprega o humor negativo, coloca-se fora do objeto aludido e opõe-se a ele; isso destrói a ntegridade do aspecto cômico do mundo, e então o risível (negativo) torna-se um fenômeno particular. Ao contrário, o riso popular ambivalente expressa uma opinião sobre um mundo em plena evolução no qual estão incluídos os que riem.

22 – Rabelais foi o grande porta-voz do riso carnavalesco popular na literatura mundial. Sua obra permite-nos penetrar na natureza complexa e profunda desse riso.

23 – A literatura latina paródica ou semiparódica estava extremamente difundida. Possuímos uma quantidade considerável de manuscritos nos quais toda a ideologia oficial da igreja, todos os seus ritos são descritos do ponto de vista cômico. O riso atinge as camadas mais altas do pensamento e do culto religioso.

24 – Posteriormente, surgem dúplices paródicos de todos os elementos do culto e do dogma religioso. É o que se chama a parodia sacra, um dos fenômenos mais originais e ainda menos compreendidos da literatura medieval. Sabemos que existem numerosas liturgias paródicas (Liturgia dos beberrões, Liturgia dos jogadores, etc), paródias das leituras evangélicas, das orações, inclusive as mais sagradas (como o pai-nosso, a ave-maria, etc.), das litanias, dos hinos religiosos, dos salmos, assim como de diferentes sentenças do Evangelho, etc. Escreveram-se testamentos paródicos (“Testamento do porco” , “Testamento do burro”) , epitáfios paródicos, decisões paródicas dos concílios, etc. Esse gênero literário quase infinito estava consagrado pela tradição e tolerado em certa medida pela Igreja. Uma parte era composta e existia sob a égide do “riso pascal” ou do “riso de Natal”, a outra (liturgias e orações paródicas) estava em relação direta com a “festa dos tolos” e era interpretada nessa ocasião.

25 – Além disso, existiam outras variedades da literatura cômica latina, como, por exemplo, as disputas e diálogos paródicos, as crônicas paródicas, etc. Seus autores deviam possuir seguramente um certo grau de instrução ___ em alguns casos muito elevado. Eram os ecos do riso dos carnavais públicos que repercutiam dentro dos muros dos mosteiros, universidades e colégios.

26 – A Literatura cômica latina da Idade Média chegou à sua apoteose durante o apogeu do Renascimento, com o Elogio da loucura de Erasmo (uma das criações mais eminentes do riso carnavalesco na literatura mundial) e com as Cartas de homens obscuros (Epistole obscurorum virorum).

27 – Como resultado, a nova forma de comunicação produziu novas formas lingüísticas: gêneros inéditos, mudanças de sentido ou eliminação de certas formas desusadas, etc. É muito conhecida a existência de fenômenos similares na época atual. Por exemplo, quando duas pessoas criam vínculos de amizade, a distância que as separa diminui (estão em “pé de igualdade”) e as formas de comunicação verbal mudam completamente: tratam-se por tu, empregam diminutivos, às vezes mesmo apelidos, usam epitetos injuriosos que adquirem um tom afetuoso: podem chegar a fazer pouco uma da outra (se não existissem essas relações amistosas, apenas um “terceiro” poderia ser objeto dessas brincadeiras), dar palmadas nos ombros e mesmo no ventre (gesto carnavalesco), não necessitam polir a linguagem nem observar os tabus, podem usar, portanto, palavras e expressões inconvenientes, etc.

28 – O que nos interessa especialmente, são as grosserias blasfematórias dirigidas as divindades e que constituíam um elemento necessário dos cultos cômicos mais antigos. Essas blasfêmias eram ambivalentes: embora degradassem e mortificassem, simultaneamente regeneravam e renovavam. E são precisamente essas blasfêmias ambivalentes que determinaram o caráter verbal típico das grosserias na comunicação familiar carnavalesca. De fato, durante o carnaval essas grosserias mudavam consideravelmente de sentido: perdiam completamente seu sentido mágico e sua orientação prática específica, e adquiriam um caráter e profundidade intrínsecos e universais. Graças a essa transformação, os palavrões contribuíam para a criação de uma atmosfera de liberdade, e do aspecto cômico secundário do mundo.

29 – Os demais fenômenos verbais, como por exemplo as diversas formas de obscenidade, tiveram sorte semelhante. A linguagem familiar converteu-se, de uma certa forma, em um reservatório onde se acumularam as expressões verbais proibidas e eliminadas da comunicação oficial. Apesar de sua heterogeneidade original, essas palavras assimilaram a concepção carnavalesca do mundo, modificaram suas antigas funcões, adquiriram um tom cômico geral e converteram-se, por assim dizer, nas centelhas da chama única do carnaval, convocada para renovar o mundo.

30 – Costuma-se assinalar a predominância excepcional que tem na obra de Rabelais o princípio da vida material e corporal: imagens do corpo, da bebida, da comida, da satisfação de necessidades naturais, e da vida sexual. São imagens exageradas e hipertrofiadas. Alguns batizaram a Rabelais como o grande poeta “da carne” e “do ventre”(Victor Hugo, por exemplo). Outros o censuraram por seu “fisiologismo grosseiro”, seu “biologismo” e seu “naturalismo”, etc. Os demais autores do Renascimento (Boccaccio, Shakespeare, Cervantes) revelaram uma propensão análoga, embora menos acentuada. Alguns a interpretaram como uma “reabilitação da carne” típica da época, surgida como reação ao ascetismo medieval. Às vezes, outros quiseram ver nele uma manifestação típica do princípio burguês, isto é, do interesse material do “indivíduo econômico”, no seu aspecto privado e egoísta.

31 – As explicações desse tipo são apenas formas de modernização das imagens materiais e corporais da literatura do Renascimento; são-lhes atribuídas significações restritas e modificadas de acordo com o sentido que a “matéria”, o “corpo” e a “vida material” (comer, beber, necessidades naturais, etc.) adquiriram nas concepções dos séculos seguintes (sobretudo o século XIX).

32 – No realismo grotesco (isto é, no sistema de imagens da cultura cômica popular), o princípio material e corporal aparece sob a forma universal, festiva e utópica. O cósmico, o social e o corporal estão ligados indissoluvelmente numa totalidade viva e indivisível. É um conjunto alegre e benfazejo.

33 – O porta-voz do princípio material e corporal não é aqui nem o ser biológico isolado nem o egoísta indivíduo burguês, mas o povo, um povo que na sua evolução cresce e se renova constantemente. Por isso o elemento corporal é tão magnífico, exagerado e infinito. Esse exagero tem um caráter positivo e afirmativo. O centro capital de todas essas imagens da vida corporal e material são a fertilidade, o crescimento e a superabundância. As manifestações da vida material e corporal não são atribuídas a um ser biológico isolado ou a um indivíduo “econômico” particular e egoísta, mas a uma espécie de corpo popular, coletivo e genérico (esclareceremos mais tarde o sentido dessas afirmações). A abundância e a universalidade determinam por sua vez o caráter alegre e festivo (não cotidiano) das imagens referentes à vida material e corporal. O princípio material e corporal e o princípio da festa, do banquete, da alegria, da “festança”. Esse aspecto subsiste consideravelmente na literatura e na arte do Renascimento, e sobretudo em Rabelais.

34 – O traço marcante do realismo grotesco é o rebaixamento, isto é, a transferência ao plano material e corporal, o da terra e do corpo na sua indissolúvel unidade, de tudo que é elevado, espiritual, ideal e abstrato. É o caso, por exemplo, da Coena Cypriani ( A Ceia de Ciprião) que já mencionamos, e de várias outras paródias latinas da Idade Média cujos autores em grande parte extraíram da Bíblia, dos Evangelhos e de outros textos sagrados, todos os detalhes materiais e corporais degradantes e terra-a-terra. Em certos diálogos cômicos muito populares na Idade Média como, por exemplo, os que mantêm Salomão e Marcul, há um contraponto entre as máximas salomônicas, expressas em um tom grave e elevado, e as máximas jocosas e pedestres do bufão Marcul que se referem todas premeditadamente ao mundo material (bebida, comida, digestão, vida sexual). É preciso esclarecer, também, que um dos procedimentos típicos da comicidade medieval consistia em transferir as cerimônias e ritos elevados ao plano material e corporal, assim faziam os bufões durante os torneios, as cerimônias de iniciação dos cavaleiros e em outras ocasiões solenes. Numerosas degradações da ideologia e do cerimonial cavaleiresco que aparecem no Dom Quixote, são inspiradas pela tradição do realismo grotesco.

35 – A gramática jocosa estava muito em voga no ambiente escolar e culto da Idade Média. Essa tradição, que remonta ao Vergilius Gramaticus, já mencionado, estende-se ao longo da Idade Média e do Renascimento e subsiste ainda hoje oralmente nas escolas, colégios e seminários religiosos da Europa Ocidental. Nessa gramática alegre, todas as categorias gramaticais, casos, formas verbais, etc, são transferidas ao plano material e corporal, sobretudo erótico.

36 – Não são apenas as paródias no sentido estrito do termo, mas também todas as outras formas do realismo grotesco que rebaixam, aproximam da terra e corporificam. Essa é a qualidade essencial desse realismo, que o separa das demais formas “”obres” da literatura e da arte medieval. O riso popular que organiza todas as formas do realismo grotesco, foi sempre ligado ao baixo material e corporal. O riso degrada e materializa.

37 – As degradações (paródicas e de outros tipos) são também características da literatura do Renascimento, que perpetua desta forma as melhores tradições da cultura cômica popular (de modo particularmente completo e profundo em Rabelais). Mas já nessa época o princípio material e corporal muda de sentido, torna-se cada vez mais restrito e seu naturalismo e seu caráter festivo atenuam-se. No entanto, esse processo está apenas começando nessa altura, como o demonstra claramente o exemplo do D.Quixote.

38 – A linha principal das degradações paródicas conduz em Cervantes a uma reaproximação da terra, a uma comunhão com a força produtora e regeneradora da terra e do corpo. É a prolongação da linha grotesca. Mas, ao mesmo tempo, o princípio material e corporal já se empobreceu e se debilitou um pouco. Está num estado de crise e desdobramento originais, e as imagens da vida material e corporal começam a adquirir uma vida dupla.

39 – O grande ventre de Sancho Pança, seu apetite e sua sede são ainda fundamental e profundamente carnavalescos; sua inclinação para a abundância e a plenitude não tem ainda caráter egoísta e pessoal, é uma propensão para a abundância geral. Sancho é um descendente direto dos antigos demônios pançudos da fecundidade que podemos ver, por exemplo, nos célebres vasos coríntios. Nas imagens da bebida e da comida estão ainda vivas as idéias do banquete e da festa.

40 – Esse é o sentido primordial e carnavalesco da vida que aparece nas imagens materiais e corporais no romance de Cervantes. É precisamente esse sentido que eleva o estilo do seu realismo, seu universalismo e seu profundo utopismo popular.

41 – Na consciência artística e ideológica do Renascimento, essa ruptura não se consumara ainda por completo; o “baixo” material e corporal do realismo grotesco cumpre ainda suas funções unificadoras, degradantes, destronadoras, mas ao mesmo tempo regeneradoras. Não importa quão dispersos, desunidos e individualizados estivessem os corpos e as coisas “particulares”, o realismo do Renascimento não cortara ainda o cordão umbilical que os ligava ao ventre fecundo da terra e do povo. O corpo e as coisas individuais não coincidem ainda consigo mesmo, não são idênticos a si mesmos, como no realismo naturalista dos séculos posteriores; formam parte ainda do conjunto material e corporal do mundo em crescimento e ultrapassam, portanto, os limites do seu individualismo; o particular e o universal estão ainda fundidos numa unidade contraditória. A visão carnavalesca do mundo é a base profunda da literatura do Renascimento.

42 – É imprescindível conhecer o realismo grotesco para compreender o realismo do Renascimento, e outras numerosas manifestações dos períodos posteriores do realismo. O campo da literatura realista dos três últimos séculos está praticamente juncado de destroços do realismo grotesco, destroços que às vezes, apesar disso, são capazes de recuperar sua vitalidade. Na maioria dos casos, trata-se de imagens grotescas que perderam ou debilitaram seu pólo positivo, sua relação com um universo em evolução. É apenas través da compreensão do realismo grotesco que se pode entender o verdadeiro valor desses destroços ou dessas formas mais ou menos vivas.

43 – A atitude em relação ao tempo que está na base dessas formas, sua percepção e tomada de consciência, durante seu desenvolvimento no curso dos milênios, sofrem, como é natural, uma evolução e transformações substanciais. Nos períodos iniciais ou arcaicos do grotesco, o tempo aparece como uma simples justaposição (praticamente simultânea) das duas fases do desenvolvimento: começo e fim: inverno-primavera, morte-nascimento. Essas imagens ainda primitivas movem-se no círculo biocósmico do ciclo vital produtor da natureza e do homem. A sucessão das estações, a semeadura, a concepção, a morte e o crescimento são os componentes dessa vida produtora. A noção implícita do tempo contida nessas antiquíssimas imagens é a noção do tempo cíclico da vida natural e biológica.

44 – Mas, evidentemente, as imagens grotescas não permanecem nesse estágio primitivo. O sentimento do tempo e da sucessão das estações que lhes é próprio, amplia-se, aprofunda-se e abarca os fenômenos sociais e históricos; seu caráter cíclico é superado e eleva-se à concepção histórica do tempo. E então as imagens grotescas, com sua atitude fundamental diante da sucessão, com sua ambivalência, convertem-se no principal meio de expressão artística e ideológica do poderoso sentimento da história e da alternância histórica, que surge com excepcional vigor no Renascimento.

45 – Uma das tendências fundamentais da imagem grotesca do corpo consiste em exibir dois corpos em um: um que dá a vida e desaparece e outro que é concebido, produzido e lançado ao mundo. É sempre um corpo em estado de prenhez e parto, ou pelo menos pronto para conceber e ser fecundado, com um falo ou órgãos genitais exagerados. Do primeiro se desprende sempre, de uma forma ou outra, um corpo novo.

46 – Além disso, esse corpo aberto e incompleto (agonizante-nascente ou prestes a nascer) não está nitidamente delimitado do mundo: está misturado ao mundo, confundido com os animais e as coisas. É um corpo cósmico e representa o conjunto do mundo material e corporal, em todos os seus elementos. Nessa tendência, o corpo representa e encarna todo o universo material e corporal, concebido como o inferior absoluto, como um princípio que absorve e dá à luz, como um sepulcro e um seio corporais, como um campo semeado que começa a brotar.

47 – No domínio literário, a paródia medieval baseia-se completamente na concepção grotesca do corpo. Essa concepção organiza as imagens do corpo na massa considerável de lendas e obras referentes às “maravilhas da Índia” e do mar céltico. Serve também de base para as imagens corporais na imensa literatura de visões de além-túmulo, nas lendas de gigantes, na epopéia animal, fabliaux e Schwanke (bufonarias alemãs)

48 – Nas grosserias contemporâneas não resta quase mais nada desse sentido ambivalente e regenerador, a não ser a negação pura e simples, o cinismo e o mero insulto: dentro dos sistemas significantes e valorativos das novas línguas, essas expressões, estão totalmente isoladas (também o estão na organização do mundo): são fragmentos de uma língua estrangeira, na qual se podia outrora dizer alguma coisa, mas que agora só expressa insultos carentes de sentido. No entanto, seria absurdo e hipócrita negar que conservam um certo encanto, apesar de tudo (aliás, sem nenhuma conotação erótica). Parece dormir nelas a recordação confusa da verdade carnavalesca e de suas antigas ousadias. Não se colocou ainda adequadamente o grave problema de sua indestrutível vitalidade na língua.

49 – Na época de Rabelais, as grosserias e imprecações conservavam ainda, no domínio da língua popular de que saiu seu romance, a significação integral e sobretudo o seu pólo positivo e regenerador. Eram produndamente ligadas a todas as formas de degradação, herdadas do realismo grotesco, aos disfarces populares das festas e carnavais, às imagens das diabruras e dos infernos na literatura das peregrinações, das soties, etc. Por isso, essas expressões podiam desempenhar um papel primordial na sua obra.

50 – A idade preferida é a que está o mais longe possível do seio materno e do sepulcro, isto é, afastada ao máximo dos “umbrais” da vida individual. Coloca-se ênfase sobre a individualidade acabada e autônoma do corpo em questão. Mostram-se apenas os atos efetuados pelo corpo num mundo exterior, nos quais há fronteiras nítidas e destacadas que separam o corpo do mundo; os atos e processos intracorporais (absorção e necessidades naturais) não são mencionados. O corpo individual é representado sem nenhuma relação com o corpo popular que o produziu.

51 – Demos aqui a definição desses dois cânones na sua expressão pura e, por assim dizer, no seu limite. Na realidade histórica viva, esses cânones (mesmo o clássico) nunca foram estáticos nem imutáveis, mas encontravam-se em constante evolução, produzindo diferentes variedades históricas do clássico e do grotesco. Além disso, sempre houve entre os dois cânones muitas formas de interação: luta, influências recíprocas, entrecruzamentos e combinações. Isto é válido sobretudo para a época renascentista, como já observamos. Inclusive em Rabelais, que foi o porta-voz da concepção grotesca do corpo mais pura e conseqüente, existem elementos do cânon clássico, principalmente no episódio da educação de Gargantua por Ponocrates e no Télema. No quadro do nosso estudo, o mais importante é a diferença capital entre os dois cânones na sua expressão pura e sobre ela focalizaremos nossa atenção.

52 – O médico de construção das imagens grotescas procede de uma época muito antiga: encontramo-lo na mitologia e na arte arcaica de todos os povos, inclusive na arte pré-clássica dos gregos e romanos. Não desaparece tampouco na época clássica; excluído da arte oficial, continua vivendo e desenvolvendo-se em certos domínios “inferiores” não-canônicos: o das artes plásticas cômicas, sobretudo as miniaturas, como, por exemplo, as estatuetas de terracota que já mencionamos, as máscaras cômicas, silênios, demônios da fecundidade, estatuetas extremamente populares do disforme Tersites, etc.; nas pinturas cômicas de vasos, por exemplo, figuras de sósias cômicos (Hércules, Ulisses), cenas de comédias, etc.; e também nos vastos domínios da literatura cômica, relacionada de uma forma ou outra com as festas carnavalescas: no drama satírico, antiga comédia ática, mimos, etc.. Nos fins da antigüidade, o tipo de imagem grotesca atravessa uma fase de eclosão e renovação, e abarca quase todas as esferas da arte e da literatura.

53 – Os elementos essenciais do realismo formaram-se durante as três fases do grotesco antigo: arcaico, clássico e pós-antigo. É um erro considerar o grotesco antigo apenas como um “naturalismo grosseiro”, como às vezes se fez. Contudo, a fase antiga do realismo grotesco ultrapassa o quadro do nosso estudo.” Nos capítulos seguintes, trataremos apenas dos fenômenos que influíram na obra de Rabelais.

54 – Essa descoberta surpreendeu os contemporâneos pelo jogo insólito, fantástico e livre das formas vegetais, animais e humanas que se confundiam e transformavam entre si. Não se distinguiam as fronteiras claras e inertes que dividem esses “reinos naturais” no quadro habitual do mundo: no grotesco, essas fronteiras são audaciosamente superadas. Tampouco se percebe a imobilidade habitual típica da pintura da realidade: o movimento deixa de ser o de formas completamente acabadas ___ vegetais e animais ___ num universo também totalmente acabado e estável; metamorfoseia-se em movimento interno da própria existência e exprime-se na transmutação de certas formas em outras, no eterno inacabamento da existência.

55 – Sente-se, nesse jogo ornamental, uma liberdade e uma leveza excepcional na fantasia, essa liberdade, aliás, é concebida como uma alegre ousadia, quase risonha. E não resta dúvida que Rafael e seus discípulos compreenderam e transmitiram com exatidão o tom alegre dessa decoração nova quando, pintando as galerias do Vaticano, imitaram o estilo grotesco.

56 – Mas a ampliação do vocábulo realizou-se muito lentamente, sem uma consciência teórica clara acerca da originalidade e da unidade do mundo grotesco. A primeira tentativa de análise teórica ou, para ser mais preciso, de simples descrição e apreciação do grotesco, foi a de Vasari que, baseando-se sobre um julgamento de Vitrúvio (arquiteto romano que estudou a arte da época de Augusto), emitiu uma opinião desfavorável sobre o grotesco.

57 – Na Segunda metade do século XVIII, ocorrem mudanças fundamentais no campo literário e estético. Na Alemanha, discute-se ardorosamente a personagem Arlequim, que então figurava obrigatoriamente em todas as representações teatrais, mesmo as mais sérias. Gottsched e os demais representantes do classicismo pretendiam expulsar Arlequim da cena “séria e decente”, e o conseguiram por algum tempo Lessing, pelo contrário, saiu em defesa de Arlequim.

58 – Ora, na mesma época em que apareceram essas obras, que pareciam orientadas para o passado, para as etapas anteriores do grotesco, este entrava numa nova fase de desenvolvimento. Na época pré-romântica e em princípios do Romantismo, assiste-se a uma ressurreição do grotesco, dotado então de um novo sentido. Ele serve agora para expressar uma visão do mundo subjetiva e individual, muito distante da visão popular e carnavalesca dos séculos precedentes (embora conserve alguns de seus elementos). A primeira e importante expressão do novo grotesco subjetivo é o romance de Sterne, Vida e opiniões de Tristram Shandy (tradução original da visão do mundo de Rabelais e Cervantes na linguagem subjetiva da época). Outra variedade do novo grotesco é o romance grotesco ou negro.

59 – O grotesco romântico foi um acontecimento notável na literatura mundial. Representou, em certo sentido, uma reação contra os cânones da época clássica e do século XVIII, responsável por tendências de uma seriedade unilateral e limitada: racionalismo sentecioso e estreito, autoritarismo do Estado e da lógica formal, aspiração ao perfeito, completo e unívoco, didatismo e utilitarismo dos filósofos iluministas, otimismo ingênuo ou banal, etc. O romantismo grotesco recusava tudo isso e apoiava-se principalmente em Shakespeare e Cervantes, que foram redescobertos e à luz dos quais se interpretava o grotesco da Idade Média Sterne exerceu uma influência considerável sobre o romantismo, a tal ponto que pode ser considerado o seu iniciador.

60 – A influência direta das formas carnavalescas de espetáculos populares (já muito empobrecidos) era aparentemente fraca, pois predominavam as tradições literárias. É preciso, contudo, notar a influência muito importante do teatro popular (principalmente do teatro de marionetes) e de certas formas cômicas dos artistas de feira.

61 – O autor (através do narrador, o guarda-noturno) dá uma outra explicação original: investiga o mito da origem do riso; o riso foi enviado à terra pelo diabo, apareceu aos homens com a máscara da alegria e eles o acolheram com agrado. No entanto, mais tarde, o riso tira a máscara alegre e começa a refletir sobre o mundo e os homens com a crueldade da sátira.

62 – O grotesco, integrado à cultura popular, faz o mundo aproximar-se do homem, corporifica-o, reintegra-o por meio do corpo à vida corporal (diferentemente da aproximação romântica, totalmente abstrata e espiritual). No grotesco romântico, as imagens da vida material e corporal: beber, comer, satisfazer necessidades naturais, copular, parir, perdem quase completamente sua significação regeneradora e transformam-se em “vida inferior”. As imagens do grotesco romântico são geralmente a expressão do temor que inspira o mundo e procuram comunicar esse temor aos leitores (“aterrorizá-los”) . As imagens grotescas da cultura popular não procuram assustar o leitor, característica que compartilham com as obras-primas literárias do Renascimento. Nesse sentido, o romance de Rabelais é a expressão mais típica, não há vestígio de medo, a alegria percorre-o integralmente. Mais do que qualquer outro no mundo, o romance de Rabelais exclui o temor.

Outras particularidades do grotesco romântico denotam o enfraque cimento da força regeneradora do riso. O motivo da loucura, por exemplo, é característico de qualquer grotesco, uma vez que permite observar o mundo com um olhar diferente, não perturbado pelo ponto de vista “normal”, ou seja, pelas idéias e juízos comuns. Mas, no grotesco popular, a loucura é uma alegre paródia do espírito oficial, da gravidade unilateral, da “verdade” oficial. É uma loucura festiva. No grotesco romântico, porém, a loucura adquire os tons sombrios e trágicos do isolamento do indivíduo.

63 – O motivo da máscara é mais importante ainda. É o motivo mais complexo, mais carregado de sentido da cultura popular. A máscara traduz a alegria das alternâncias e das reencarnações, a alegre relatividade, a alegre negação da identidade e do sentido único, a negação da coincidência estúpida consigo mesmo; a máscara é a expressão das transferências, das metamorfoses, das violações das fronteiras naturais, da ridicularização, dos apelidos, a máscara encarna o princípio de jogo da vida, está baseada numa peculiar inter-relação da realidade e da imagem, característica das formas mais antigas dos ritos e espetáculos. O complexo simbolismo das máscaras é inesgotável.

64 – No grotesco romântico, a máscara, arrancada da unidade da visão popular e carnavalesca do mundo, empobrece-se e adquire várias outras significações alheias à sua natureza original: a máscara dissimula, encobre, engana, etc. Numa cultura popular organicamente integrada, a máscara não podia desempenhar essas funções.

65 – É preciso observar que, no grotesco romântico, a ambivalência se transforma habitualmente em um contraste estático brutal ou em uma antítese petrificada. Assim, por exemplo, o guarda-noturno que narra as Rondas noturnas tem como pai o diabo e como mãe uma santa canonizada; ele costuma rir nos templos e chorar nos bordéis. Dessa forma, a antiga ridicularização ritual da divindade e o riso no templo, típicos na Idade Média durante a festa dos loucos, convertem-se em princípios do século XIX no riso excêntrico de um original no interior de um templo.

66 – Esses são os elementos que caracterizam o grotesco romântico alemão. Estudaremos mais adiante sua variante romântica. Por agora, vamos nos deter um pouco sobre a teoria romântica do grotesco. No seu Discurso sobre a poesia (Gesprach uber die Poesie, 1800), Friedrich Schlegel examina o conceito de grotesco, que qualifica habitualmente de “arabesco”. Considera-o a “forma mais antiga da fantasia humana” e a “forma natural da poesia”. Encontra elementos grotescos em Shakespeare, Cervantes, Sterne e Jean-Paul. Para ele, trata-se de mescla fantástica dos elementos heterogêneos da realidade, a destruição da ordem e do regime habituais do mundo, a livre excentricidade das imagens e a “alternância do entusiasmo e da ironia”.

67 – Não separa o grotesco do riso: ele compreende que, sem o princípio cômico, o grotesco é impossível. Mas a sua concepção teórica só conhece o riso reduzido (humor), destituído de força regeneradora e renovadora positiva e, portanto, sombrio e sem alegria. Destaca o caráter melancólico do “humor destrutivo” e afirma que o diabo (na sua acepção romântica, claro) teria sido o maior dentre os humoristas.

68 – O aspecto essencial do grotesco é a deformidade. A estética do grotesco é em grande parte a estética do disforme. Mas, ao mesmo tempo. Hugo enfraquece o valor autônomo do grotesco, considerando-o como meio de contraste para a exaltação do sublime. O grotesco e o sublime completam-se mutuamente, sua unidade (que Shakespeare alcançou melhor que qualquer outro) produz a beleza autêntica que o clássico puro é incapaz de atingir.

69 – À guisa de conclusão, devemos destacar dois aspectos positivos: em primeiro lugar, os românticos procuraram as raízes populares do grotesco; em segundo lugar, não se limitaram a atribuir ao grotesco funções exclusivamente satíricas.

70 – Nesse aspecto, Fischer diverge de Hegel. Para ele, a própria essência e a força motriz do grotesco são risível e o cômico. ” O grotesco é o cômico ou seu aspecto maravilhoso, é o cômico mitológico.” Essa definição tem uma certa profundidade.

71 – No século XX, assistimos a um novo e poderoso renascimento do grotesco, se bem que o termo de “renascimento” seja dificilmente aplicável a certas formas do grotesco ultramoderno.

72 – Kayser propôs-se a escrever uma teoria geral do grotesco, a revelar a própria essência do fenômeno. Na realidade, seu livro contêm apenas a teoria (e um breve histórico) dos grotescos românticos e modernista, ou, para ser preciso, do segundo apenas, uma vez que o autor só vê o grotesco romântico através do prisma do grotesco modernista, razão pela qual ele o compreende e aprecia de uma forma um pouco desvirtuada. A teoria de Kayser é absolutamente inaplicável aos milênios de evolução anteriores ao Romantismo: fase arcaica, antiga (por exemplo, o drama satírico ou a comédia ática), Idade Média e Renascimento, integrados na cultura cômica popular. O autor nem sequer investiga essas manifestações (contenta-se com mencioná-las). Baseia suas conclusões e generalizações na análise do grotesco romântico e modernista, mas é a concepção modernista que determina sua interpretação. Tampouco compreende a verdadeira natureza do grotesco, inseparável do mundo da cultura cômica popular e da visão carnavalesca do mundo. No grotesco romântico, essa natureza está enfraquecida, empobrecida e em grande parte reinterpretada. Contudo, mesmo no grotesco romântico, os grandes temas originários do carnaval conservam reminiscências do poderoso conjunto a que pertenceram. Essa reminiscência desponta nas melhores obras do grotesco romântico (com uma força particular, embora de tipo diferente, em Sterne e Hoffmann). Essas obras são mais poderosas, profundas e alegres que a sua própria concepção subjetiva e filosófica do mundo. Mas Kayser ignora essas reminiscências e não as investiga. O grotesco modernista que dá o tom à sua concepção, olvida quase completamente essas reminiscências e interpreta de maneira extremamente formalista a herança carnavalesca dos temas e símbolos grotescos.

73 – Na realidade, o grotesco, inclusive o romântico, oferece a possibilidade de um mundo totalmente diferente, de uma ordem mundial distinta, de uma outra estrutura da vida. Franqueia os limites da unidade, da indiscutibilidade, da imobilidade fictícias (enganosas) do mundo existente. O grotesco, nascido da cultura cômica popular, tende sempre, de uma forma ou outra, a retornar ao país da idade de ouro de Saturno, e contém a possibilidade viva desse retorno.

74 – É preciso sublinhar ainda uma vez que o aspecto utópico (“a idade de ouro”) revela-se no grotesco pré-romântico, não sob a forma do pensamento abstrato ou das emoções internas, mas na realidade total do homem: pensamento, sentimentos e corpo. A participação do corpo num outro mundo possível, a faculdade de compreensão do corpo adquire uma importância capital para o grotesco.

75 – Para Kayser, ‘id” representa algo mais existencialista do que freudiano; “id” é a força estranha que governa o mundo, os homens, suas vidas e seus atos. Kayser reduz vários motivos fundamentais do grotesco e uma única categoria, a força desconhecida que rege o mundo, representada, por exemplo, através do teatro de marionetes. Essa é também a sua concepção de loucura. Pressentimos sempre no louco algo que não lhe pertence, como se um espírito não-humano se tivesse introduzido na sua alma. Já mencionamos que o grotesco empregou de maneira radicalmente diferente o motivo da loucura: a fim de liberar-se da falsa “verdade deste mundo” e contemplá-lo com um olhar liberto dessa “verdade”.

76 – Kayser refere-se freqüentemente à liberdade da fantasia característica do grotesco. Mas como poderia existir liberdade num mundo dominado pela força estranha do “id” ? A concepção de Kayser contém uma contradição insuperável.

77 – Leonardo da Vinci disse: “Quando o homem espera com alegre impaciência o novo dia, a nova primavera, o ano novo, não pensa que deste modo aspira à sua própria morte”. Embora expressão numa forma não-grotesca, o aforismo está inspirado na concepção carnavalesca do mundo.

78 – O tema da morte concebida como renovação, a superposição da morte e do nascimento e as imagens de mortos alegres têm um papel fundamental no sistema de imagens de Rabelais, e por isso vamos analisá-las concretamente nos capítulos seguintes do nosso estudo.

79 – O problema do grotesco e de sua essência estética só pode ser corretamente colocado e resolvido dentro do âmbito da cultura popular da Idade Média e da literatura do Renascimento, e nesse sentido Rabelais é particularmente esclarecedor. Para compreender a profundidade, as múltiplas significações e a força dos diversos temas grotescos, é preciso fazê-lo do ponto de vista da unidade da cultura popular e da visão carnavalesca do mundo: fora desses elementos, os temas grotescos tornam-se unilaterais, débeis e anódinos.

80 – Não resta mais que um grotesco mutilado, efígie do demônio da fecundidade com o falo cortado e o ventre encolhido. É o que dá origem a todos os tipos estéreis do “característico”, a todos os tipos “profissionais” de advogados, mercadores, alcoviteiras, velhos e velhas, etc., simples máscaras de um realismo falsificado e degenerado. Esses tipos existiam também no realismo grotesco, mas não constituíam o quadro de toda a vida, eram apenas a parte agonizante da vida renascente. Na realidade, a nova concepção de realismo traça outras fronteiras entre os corpos e as coisas. Separa os corpos duplos e poda do realismo grotesco e folclórico as coisas que brotaram junto com o corpo, procura aperfeiçoar cada individualidade, isolando-a da totalidade final que já perdeu a antiga imagem, sem ter ainda encontrado uma nova. A compreensão do tempo, também, modificou-se consideravelmente.

81 – Infelizmente, toda essa imensa literatura, com raras exceções, é destituída de espírito teórico. Ela não visa estabelecer generalizações teóricas com alguma amplitude e valor de princípio. Daí que essa documentação quase infinita, minuciosamente recolhida e às vezes escrupulosamente estudada, não seja nem unificada nem interpretada. O que para nós é o mundo unitário da cultura cômica popular, aparece nessas obras como um aglomerado de curiosidades heterogêneos, impossível de incluir numa história “séria” da cultura e da literatura européia, apesar das suas grandes proporções.

82 – Em primeiro lugar, Reich tenta reduzir toda a história da cultura cômica à do mimo, ou seja, de um único gênero cômico, ainda que muito característico dos fins da Antigüidade. Para o autor, o mimo é o centro e quase que o único veículo da cultura cômica. E é por isso que ele reduz à influência do mimo antigo todas as formas de festas populares assim como a literatura cômica da Idade Média. Partindo em busca da influência do mimo antigo, Reich ultrapassa os limites da cultura européia. Tudo isso leva fatalmente a exageros à ignorância de tudo o que não quiser entrar no leito de Procusto do mimo. É preciso esclarecer que às suas próprias concepções, pois a sua documentação é de tal forma abundante que o obriga a evadir-se do quadro estreito do mimo.

83 – Em segundo lugar, Reich moderniza e empobrece um pouco não só o riso mas também o princípio material e corporal que lhe está indissoluvelmente ligado. Na sua concepção, os aspectos positivos do princípio do riso ___ sua força liberadora e regeneradora ___ são abafados (embora o autor conheça perfeitamente a filosofia do riso antigo) . O universalismo do riso popular, seu caráter utópico, seu valor de concepção do mundo tampouco foram compreendidos e apreciados na sua justa medida. Mas é sobretudo o princípio material e corporal que parece especialmente empobrecido: Reich o considera através do prisma do pensamento dos tempos modernos, abstrato e diferenciador, logo compreende-o de uma maneira estreita e quase naturalista.

84 – O segundo estudo que citaremos aqui é o livro de Konrad Burdâch, Reforma, Renascimento, Humanismo (reformation, Renaissance, Humanismus, Berlim, 1918). Esse breve estudo aproxima-se também de uma colocação do problema da cultura popular, mas de maneira completamente diferente da de Reich. Ele não fala jamais do princípio material e corporal. Seu único herói é a idéia-imagem do “renascimento”, da “renovação”, da “reforma”.

85 – Burdach segue o processo lento e progressivo da secularização da idéia-imagem do renascimento em Dante, nas idéias e atividades de Rienzi, em Petrarca, Boccaccio, etc.

86 – Ele explica o fato da seguinte maneira: “O Humanismo e o Renascimento não são os produtos do conhecimento (Produkte des Wissens). Não aparecem porque os sábios descobrem os monumentos perdidos da arte e da cultura antiga e aspiram a ressuscitá-las. O Humanismo e o Renascimento nasceram de uma expectativa e de uma aspiração apaixonadas e limitadas da época envelhecida, cuja alma, profundamente abalada, ansiava por uma nova juventude.”

87 – A melhor maneira de resolver o problema é transportar-se ao próprio terreno onde foi recolhida essa cultura, onde ela foi concentrada e interpretada literariamente, na etapa superior do Renascimento; em outras palavras, transportar-nos à obra de Rabelais. Ela é sem dúvida insubstituível, quando se trata de penetrar na essência mais profunda da cultura cômica popular. No mundo criado por ele, a unidade interna de todos os elementos heterogêneos revela-se com excepcional clareza, de tal forma que sua obra constitui uma enciclopédia da cultura popular.

Livro – A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento

E.P.Thompsom

Criação de Avestruz

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INTRODUÇÃO

Um negócio que nos últimos 05 anos vem crescendo de forma intensa em nosso país. Muitos criadores de gados estão migrando para essa nova atividade em busca de maiores vantagens. O Avestruz é considerado o gado do futuro.

Mas afinal, esse bicho vai “pegar”? Qual o investimento necessário para iniciar urna criação? Em quanto tempo ocorrerá o retomo do capital investido? O que esperar desse mercado? São indagações que muitas pessoas possuem e que serão esclarecidas no decorrer dos capítulos desde projeto.

CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

Atividade Principal

Criação e Comercialização de Avestruzes.

OBJETIVOS

Geral:

– Ser reconhecido como um dos melhores criadores de avestruzes (cria e recria) na região centro oeste.

Específico

– Incentivar o investimentos aos novos criadores, buscando alcançar um número suficiente de animais para o início dos abates;

– Criar animais de alta qualidade, com ótima aceitação no mercado;

– Aprimorar as técnicas de criação do avestruz;

– Otimização dos custos, visando um retomo ainda maior do investimento realizado;

– Manter a ética e o respeito para com os clientes.

JUSTIFICATIVA

Oportunidade do Negócio

Este existe uma expectativa positiva de mercado para a criação e comercialização dos produtos de avestruz no Brasil. Entretanto o Brasil não dispõe de número suficiente de aves para iniciar o abate e processamento dos seus produtos. E preciso formar um plantel de aves de qualidade e organizar essa produção para garantir a estabilidade no fornecimento ao mercado consumidor.

1 – MATERIAIS E MÉTODOS

1.1 Aproveitamento

O avestruz é mais que uma ave, tudo nele praticamente se aproveita:

– Carne: Sua carne vermelha é valorizada por ser rica em proteínas e nutrientes, e ter as menores taxas de colesterol e gordura, mesmo quando comparadas às carnes brancas. (anexo 1).

– Couro: Está entre os mais caros do mundo ficando atrás apenas do couro de Jacaré, possui um nível de aceitação altíssimo, sendo utilizado para produtos que atendem os consumidores de alto poder aquisitivo, porém devido à nossa desenvolvida industria de produtos de couro, com respeitabilidade mundial, associada à mão de obra barata, há uma expectativa de barateamento do produto final, abrindo novos segmentos de consumo.

– Plumas: São apreciadas pela beleza e por sua qualidade antiestática. Atualmente o Brasil é o maior importador de plumas do mundo, aproximadamente 40 toneladas por ano.

Dentro de (5 a 8 anos) os produtos oriundos do avestruz encontrarão seu melhor estágio de comercialização, e mesmo assim suas vantagens competitivas nos mercados mencionados anteriormente serão enormes.

1.2 Conceito do Negócio

Consumir carne de avestruz ainda é privilégio para uma camada muito pequena da população. O preço do quilo pode variar de R$ 50,00 a R$ 70,00 dependendo da região. Com o crescimento do mercado estima-se uma considerável redução no preço, o que facilitará o acesso à classe média.

Atualmente há urna preocupação cada vez maior com a manutenção da saúde e qualidade de vida do ser humano. As pessoas estão cada vez mais conscientes da necessidade de consumir produtos nutritivos, saudáveis e com baixo teor calórico. Sendo assim a carne de avestruz aparece como uma ótima opção, pois reine todas as características para atender uma alimentação mais saudável.

– Público alvo: Abatedouros. Há uma expectativa que nos próximos três anos sejam criados três abatedouros no país.

Atualmente o público alvo que reúne condições financeiras de consumir carne de avestruz são pessoas com faixa de renda superior a R$ 5.000,00.

– Forma de atender os abatedouros: Fornecer o animal em pé.

1.3 Mercado Potencial

O mercado de avestruz tem crescido em velocidade invejável em todo o país. Nos últimos quatro anos houve um crescimento de 400%, e para esta década é previsto manter uma taxa de crescimento em torno de 1 00% a 1 50% por ano. Na estimativa da (ACAB) Associação de Criadores de Avestruz do Brasil, os resultados apontam para um potencial de demanda interna com aproximadamente 11,5 toneladas/ano e movimentando cerca de US$ 100 milhões, apenas no mercado de carne, assim que iniciarem os abates.

Atualmente a África do Sul é o berço mundial da criação comercial de avestruzes. O Brasil porém, é considerado um dos países de maior potencial para o Agribusiness do Avestruz, por motivos elencados as seguir:

– O clima brasileiro, principalmente na região Centro-Oeste, assemelha-se muito com o do habitat natural do avestruz, desta forma os animais não enfrentam dificuldades de adaptação.

– Por suas dimensões continentais, tem grande potencial de espaço para a implantação de projetos voltado à estrutiocultura.

– O Brasil com uma população de mais de 150 milhões de habitantes e tinia economia cm fase de estabilização, é um mercado potencial muito grande para a estrutiocultura e seus produtos.

A estimativa da (ACAB) Associação de Criadores de Avestruz do Brasil-é que existam em média 18 mil aves no País, para iniciar os abates seriam necessários 300 mil avestruzes. A maior concentração de animais está no Sudeste, onde iniciou a criação, mas o Centro-Oeste começa a ser considerado o Eldorado do produto. A mudança é constatada nos números de vendas da Aravestruz (um dos maiores criadores do país). O Centro-Oeste representa atualmente 1 5% dos compradores, essa perspectiva se deve ao fato da região não ter problemas de pastagem destruídas por geadas, nem umidade, que propicia contaminação de ovos. Conforme anexo 2, é possível verificar a distribuição do rebanho no Brasil.

Em recente pesquisa realizada pela Empresa Aravestruz, nos diz que se o avestruz atender à 0,3% do consumo per capta no Brasil, teremos que produzir 36.000.000 kg de carne, sendo que um avestruz limpo oferece cerca de 35 kg de carne, precisaremos de um abate diário de 1.028.571 aves, esses números demonstram que a criação de avestruz será uma excelente opção de negócio a médio e longo prazo.

De acordo com o anexo 3 é possível uma melhor visualização sobre a estimativa de consumo de carne de avestruz para os próximos anos.

1.4 Produtos e suas Características

O melhor animal para criação comercial é o da raça African Blacks (pescoço preto), somente essa raça possui essa característica. Quanto aos demais, chamados Red Necks (pescoço vermelho), Blue Necks (pescoço azul) e Crosses (mestiços), nenhuma tem aptidão comercial. Já os African Blacks, que há mais de cem anos vêm sendo trabalhados e selecionados por criadores sul- africanos, são animais muito mais dóceis e adaptados ao manejo humano, entre mais outras vantagens, como estas:

– Maior produção de ovos, e conseqüentemente, de filhotes;

– Maior precocidade;

– Menor possibilidade de acidentes com animais e funcionários;

– Maior produção de penas de alta qualidade (a pena das outras não tem valor comercial);

– Menor ocorrência de brigas por território entre os machos, que utilizam seu tempo em acasalamento, gerando maior produtividade,

– Maior facilidade de manejo, já que não se assustam facilmente;

– Menor consumo de alimentos, pois gastam menos energia, por serem animais calmos;

– Couro de qualidade superior (hoje as industrias só estão aceitando couro desta raça).

O preço de um filhote de avestruz custa em torno de U$$ 800 enquanto um adulto pode ser adquirido por até U$$ 5.000.

Um bom filhote de avestruz pode ser identificado pelo seu olhar altivo e inquisitivo pescoço ereto e cabeça erguida, pernas e (ledos alinhado, boa cobertura de penas, altura entre 1,10 metros a 1,30 metros. Filhotes nascido até 3 meses merecem cuidado especial devido a sua fragilidade. Aos 12 meses de vida os filhotes já tem porte de adulto.

No anexo 4 podemos notar os diferenciais competitivos do avestruz em relação ao boi.

1.5 CURIOSIDADES SOBRE O AVESTRUZ

– Tempo médio de vida: 70 anos, contando 40 anos de vida reprodutiva;

– Uma pastagem capaz de abrigar três a quatro cabeças de gado, é suficiente para criar até 400 avestruzes;

– A Carne de avestruz no mercado mundial é comercializada a US$ 20 o quilo;

– Custo médio de manutenção por animal / dia : R$ 0,60

– Gestação / Incubação: 42 dias;

– Espaço para criação: 2.000 m2 para 25 cabeças;

– Idade ideal para o abate: 12 a 13 meses;

– Altura do animal adulto: de 2,0 m á 2,5 m;

– Peso: de 100 a 150 kg;

– Temperatura do corpo: 38 – 39 C;

– Animal corredor: Atinge até 60 km/h.

2 – QUADRO DA EMPRESA

A sociedade será composta por duas pessoas que exercerão as funções de gerência e administração da empresa. Será contrato apenas um funcionário devidamente preparado e treinado para o manejo, alimentação, acompanhamento dos animais, etc.

3. CONCLUSÃO

A criação de avestruzes, é realmente, um grande negócio, muito rentável e que, após algum tempo, é muito fácil de levar à frente. Mas é importante que seja iniciado com cautela, contando com o auxilio de quem já esta há mais tempo no ramo e evitando aqueles que só querem lucro a qualquer custo. A estrutiocultura não pode ser encarada como modismo, pois é urna atividade séria e de grande potencial que exige um trabalho profissional. Para os interessados, o primeira passo é buscar informações sobre a atividade, visitar criadores, pesquisar, ler sobre o assunto (livro e revistas especializadas), participar de cursos sobre o tema e planejar cada passo do processo, da formação do criadouro à comercialização dos subprodutos do avestruz, para que seu investimento seja acertado e possa contribuir para a ascensão da atividade no Brasil.

Criação e Comercialização de Avestruzes

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INTRODUÇÃO

Um negócio que nos últimos 05 anos vem crescendo de forma intensa em nosso país. Muitos criadores de gados estão migrando para essa nova atividade em busca de maiores vantagens. O Avestruz é considerado o gado do futuro.

Mas afinal, esse bicho vai “pegar”? Qual o investimento necessário para iniciar urna criação? Em quanto tempo ocorrerá o retomo do capital investido? O que esperar desse mercado? São indagações que muitas pessoas possuem e que serão esclarecidas no decorrer dos capítulos desde projeto.

CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

Atividade Principal

Criação e Comercialização de Avestruzes.

OBJETIVOS

Geral:

– Ser reconhecido como um dos melhores criadores de avestruzes (cria e recria) na região centro oeste.

Específico

– Incentivar o investimentos aos novos criadores, buscando alcançar um número suficiente de animais para o início dos abates;

– Criar animais de alta qualidade, com ótima aceitação no mercado;

– Aprimorar as técnicas de criação do avestruz;

– Otimização dos custos, visando um retomo ainda maior do investimento realizado;

– Manter a ética e o respeito para com os clientes.

JUSTIFICATIVA

Oportunidade do Negócio

Este existe uma expectativa positiva de mercado para a criação e comercialização dos produtos de avestruz no Brasil. Entretanto o Brasil não dispõe de número suficiente de aves para iniciar o abate e processamento dos seus produtos. E preciso formar um plantel de aves de qualidade e organizar essa produção para garantir a estabilidade no fornecimento ao mercado consumidor.

1 – MATERIAIS E MÉTODOS

1.1 Aproveitamento

O avestruz é mais que uma ave, tudo nele praticamente se aproveita:

– Carne: Sua carne vermelha é valorizada por ser rica em proteínas e nutrientes, e ter as menores taxas de colesterol e gordura, mesmo quando comparadas às carnes brancas. (anexo 1).

– Couro: Está entre os mais caros do mundo ficando atrás apenas do couro de Jacaré, possui um nível de aceitação altíssimo, sendo utilizado para produtos que atendem os consumidores de alto poder aquisitivo, porém devido à nossa desenvolvida industria de produtos de couro, com respeitabilidade mundial, associada à mão de obra barata, há uma expectativa de barateamento do produto final, abrindo novos segmentos de consumo.

– Plumas: São apreciadas pela beleza e por sua qualidade antiestática. Atualmente o Brasil é o maior importador de plumas do mundo, aproximadamente 40 toneladas por ano.

Dentro de (5 a 8 anos) os produtos oriundos do avestruz encontrarão seu melhor estágio de comercialização, e mesmo assim suas vantagens competitivas nos mercados mencionados anteriormente serão enormes.

1.2 Conceito do Negócio

Consumir carne de avestruz ainda é privilégio para uma camada muito pequena da população. O preço do quilo pode variar de R$ 50,00 a R$ 70,00 dependendo da região. Com o crescimento do mercado estima-se uma considerável redução no preço, o que facilitará o acesso à classe média.

Atualmente há urna preocupação cada vez maior com a manutenção da saúde e qualidade de vida do ser humano. As pessoas estão cada vez mais conscientes da necessidade de consumir produtos nutritivos, saudáveis e com baixo teor calórico. Sendo assim a carne de avestruz aparece como uma ótima opção, pois reine todas as características para atender uma alimentação mais saudável.

– Público alvo: Abatedouros. Há uma expectativa que nos próximos três anos sejam criados três abatedouros no país.

Atualmente o público alvo que reúne condições financeiras de consumir carne de avestruz são pessoas com faixa de renda superior a R$ 5.000,00.

– Forma de atender os abatedouros: Fornecer o animal em pé.

1.3 Mercado Potencial

O mercado de avestruz tem crescido em velocidade invejável em todo o país. Nos últimos quatro anos houve um crescimento de 400%, e para esta década é previsto manter uma taxa de crescimento em torno de 1 00% a 1 50% por ano. Na estimativa da (ACAB) Associação de Criadores de Avestruz do Brasil, os resultados apontam para um potencial de demanda interna com aproximadamente 11,5 toneladas/ano e movimentando cerca de US$ 100 milhões, apenas no mercado de carne, assim que iniciarem os abates.

Atualmente a África do Sul é o berço mundial da criação comercial de avestruzes. O Brasil porém, é considerado um dos países de maior potencial para o Agribusiness do Avestruz, por motivos elencados as seguir:

– O clima brasileiro, principalmente na região Centro-Oeste, assemelha-se muito com o do habitat natural do avestruz, desta forma os animais não enfrentam dificuldades de adaptação.

– Por suas dimensões continentais, tem grande potencial de espaço para a implantação de projetos voltado à estrutiocultura.

– O Brasil com uma população de mais de 150 milhões de habitantes e tinia economia cm fase de estabilização, é um mercado potencial muito grande para a estrutiocultura e seus produtos.

A estimativa da (ACAB) Associação de Criadores de Avestruz do Brasil-é que existam em média 18 mil aves no País, para iniciar os abates seriam necessários 300 mil avestruzes. A maior concentração de animais está no Sudeste, onde iniciou a criação, mas o Centro-Oeste começa a ser considerado o Eldorado do produto. A mudança é constatada nos números de vendas da Aravestruz (um dos maiores criadores do país). O Centro-Oeste representa atualmente 1 5% dos compradores, essa perspectiva se deve ao fato da região não ter problemas de pastagem destruídas por geadas, nem umidade, que propicia contaminação de ovos. Conforme anexo 2, é possível verificar a distribuição do rebanho no Brasil.

Em recente pesquisa realizada pela Empresa Aravestruz, nos diz que se o avestruz atender à 0,3% do consumo per capta no Brasil, teremos que produzir 36.000.000 kg de carne, sendo que um avestruz limpo oferece cerca de 35 kg de carne, precisaremos de um abate diário de 1.028.571 aves, esses números demonstram que a criação de avestruz será uma excelente opção de negócio a médio e longo prazo.

De acordo com o anexo 3 é possível uma melhor visualização sobre a estimativa de consumo de carne de avestruz para os próximos anos.

1.4 Produtos e suas Características

O melhor animal para criação comercial é o da raça African Blacks (pescoço preto), somente essa raça possui essa característica. Quanto aos demais, chamados Red Necks (pescoço vermelho), Blue Necks (pescoço azul) e Crosses (mestiços), nenhuma tem aptidão comercial. Já os African Blacks, que há mais de cem anos vêm sendo trabalhados e selecionados por criadores sul- africanos, são animais muito mais dóceis e adaptados ao manejo humano, entre mais outras vantagens, como estas:

– Maior produção de ovos, e conseqüentemente, de filhotes;

– Maior precocidade;

– Menor possibilidade de acidentes com animais e funcionários;

– Maior produção de penas de alta qualidade (a pena das outras não tem valor comercial);

– Menor ocorrência de brigas por território entre os machos, que utilizam seu tempo em acasalamento, gerando maior produtividade,

– Maior facilidade de manejo, já que não se assustam facilmente;

– Menor consumo de alimentos, pois gastam menos energia, por serem animais calmos;

– Couro de qualidade superior (hoje as industrias só estão aceitando couro desta raça).

O preço de um filhote de avestruz custa em torno de U$$ 800 enquanto um adulto pode ser adquirido por até U$$ 5.000.

Um bom filhote de avestruz pode ser identificado pelo seu olhar altivo e inquisitivo pescoço ereto e cabeça erguida, pernas e (ledos alinhado, boa cobertura de penas, altura entre 1,10 metros a 1,30 metros. Filhotes nascido até 3 meses merecem cuidado especial devido a sua fragilidade. Aos 12 meses de vida os filhotes já tem porte de adulto.

No anexo 4 podemos notar os diferenciais competitivos do avestruz em relação ao boi.

1.5 CURIOSIDADES SOBRE O AVESTRUZ

– Tempo médio de vida: 70 anos, contando 40 anos de vida reprodutiva;

– Uma pastagem capaz de abrigar três a quatro cabeças de gado, é suficiente para criar até 400 avestruzes;

– A Carne de avestruz no mercado mundial é comercializada a US$ 20 o quilo;

– Custo médio de manutenção por animal / dia : R$ 0,60

– Gestação / Incubação: 42 dias;

– Espaço para criação: 2.000 m2 para 25 cabeças;

– Idade ideal para o abate: 12 a 13 meses;

– Altura do animal adulto: de 2,0 m á 2,5 m;

– Peso: de 100 a 150 kg;

– Temperatura do corpo: 38 – 39 C;

– Animal corredor: Atinge até 60 km/h.

2 – QUADRO DA EMPRESA

A sociedade será composta por duas pessoas que exercerão as funções de gerência e administração da empresa. Será contrato apenas um funcionário devidamente preparado e treinado para o manejo, alimentação, acompanhamento dos animais, etc.

3. CONCLUSÃO

A criação de avestruzes, é realmente, um grande negócio, muito rentável e que, após algum tempo, é muito fácil de levar à frente. Mas é importante que seja iniciado com cautela, contando com o auxilio de quem já esta há mais tempo no ramo e evitando aqueles que só querem lucro a qualquer custo. A estrutiocultura não pode ser encarada como modismo, pois é urna atividade séria e de grande potencial que exige um trabalho profissional. Para os interessados, o primeira passo é buscar informações sobre a atividade, visitar criadores, pesquisar, ler sobre o assunto (livro e revistas especializadas), participar de cursos sobre o tema e planejar cada passo do processo, da formação do criadouro à comercialização dos subprodutos do avestruz, para que seu investimento seja acertado e possa contribuir para a ascensão da atividade no Brasil.

O QUE É PESQUISA DE MERCADO E OPINIÃO

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O QUE É PESQUISA DE MERCADO ?

Quando um industrial deseja comprar matérias primas, ele o faz por si próprio ou encarrega um comprador capacitado, de modo a certificar-se de que tanto a qualidade como o preço seja satisfatoriamente aferido antes de consumada a transação.

Ele procura principalmente reunir várias ofertas, decidindo-se por fim pela que apresentar o preço mais baixo em relação à qualidade exigida.

O certo é que, se deseja continuar em atividade, ele não pode proceder sem a devida cautela, a par de um profundo conhecimento do ramo.

PRECONCEITOS

As pessoas que encomendam pesquisas de Mercado geralmente são: industriais, atacadistas e administradores de grandes e pequenas firmas que ofereçam bens e serviços.

Existem, contudo, dirigentes de empresas que ainda alimentam preconceitos contra a aplicação de métodos de pesquisa de mercado para solução de seus próprios problemas.

Esses preconceitos existem, na maioria dos casos, porque tais pessoas não chegaram a compreender que neste emaranhado de termos técnicos e fileiras de números existem informações valiosas e de real utilidade.

O que contribui para estes “preconceitos”, parte de um princípio clássico das pesquisas: A MÁ PESQUISA É PIOR QUE NÃO FAZER PESQUISA. Pior porque conduz a uma visão errônea do problema, o que por sua vez poderá levar a decisões capazes de arruinar o negócio.

COMO SURGIU? UM BREVE HISTÓRICO

Até a Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa de Mercado era quase exclusivamente pratica nos países anglo-saxãos, conhecendo-se apenas fracas iniciações nos demais países. A pátria da Pesquisa de Mercado é a Inglaterra. Dali ela se estendeu aos Estados Unidos, que se tornaram um terreno particularmente fértil para sua aceitação. Assim reforçada, ela voltou à Inglaterra, onde se tornou imprescindível.

Após a Segunda Guerra Mundial, a pesquisa de mercado estendeu-se a quase todos os países adeptos do sistema de livre iniciativa.

Antes da revolução Industrial, o artesão conhecia pessoalmente seus fregueses, sendo assim capaz de efetuar a melhor de todas as Pesquisas de Mercado. Hoje em dia, porém, é absolutamente impossível ao produtor chegar a conhecer mesmo uma pequena parcela que seja dos consumidores finais do seu produto.

Hoje, não existe praticamente nenhuma atividade econômica onde não possa ser empregada com êxito a Pesquisa de Mercado.

NATUREZA DA PESQUISA DE MERCADO

Quando o homem de negócios compara estatisticamente os altos e baixos do consumo de seus produtos durante um determinado período de tempo, já nos encontramos diante do estado embrionário de pesquisa de mercado. Quando ele começa a calcular porcentagens de suas próprias atividades em relação ao consumo total do país, terá dado o passo decisivo que conduz da mera conjectura à avaliação científica da situação do mercado.

A Pesquisa de Mercado, portanto, é um ramo da ciência social. Serve-se de um método científico com a finalidade de descobrir o comportamento e as opiniões humanas.

Seu mais poderoso instrumento é a ciência da estatística.

PESQUISA DE MERCADO E DE OPINIÃO – DIFERENÇAS

Embora seja certo que as duas espécies de pesquisas coincidem por vezes, é importante distinguir entre elas, não somente por razões teóricas, mas também por razões práticas.

É bem sabido que a Pesquisa de Opinião tem-se enganado ao predizer resultados de eleições. Muitas vezes, e injustamente, a Pesquisa de Mercado tem sido condenada por isso.

A grande diferença vai, entretanto, entre perguntar a uma pessoa em que candidato irá votar , e se comprou sapatos novos nos últimos dois meses, por exemplo.

A primeira é uma “questão de opinião”, que deveria ser respondida com a verdade, mas a pessoa interrogada pode mudar de opinião antes da eleição e com isso mudar o resultado da pesquisa completamente.

A segunda é uma “questão de comportamento”, em que a resposta correta depende apenas da boa memória da pessoa interrogada.

QUE PODE FAZER A PESQUISA DE MERCADO ?

A pesquisa de mercado é um instrumento de direção. É um meio para um fim: o de fornecer aos dirigentes das empresas uma base para suas decisões. Deve ser utilizada por pessoas responsáveis, que saibam emprega-la, pois é um instrumento que pode tornar-se perigoso. Nas mãos de um cirurgião, um bisturi pode salvar uma vida, em mãos inábeis pode se tornar uma arma.

Todos os vários ramos de uma empresa podem ser beneficiados com os fatos e evidências que lhes são fornecidos pela pesquisa de mercado.

Pode ser até que, um dirigente, apoiado apenas em sua experiência, tome decisões de grande importância e tenha êxito. Mas o que acontecerá se esta decisão for errada? Quanto tempo e dinheiro lhe custarão até dar-se conta do engano? Uma vez percebido, poderá voltar atrás? E o conceito da empresa junto aos clientes? E os concorrentes nesse meio tempo?

A pesquisa de mercado pode, seguramente, prevenir tão dispendiosos desenganos.

Basta se aplicar o método apropriado à situação.

A FUNÇÃO DO ESTATÍSTICO

Quando o empresário toma como base os resultados de uma pesquisa, nada é mais importante de que esses resultados sejam corretos e dignos de confiança.

O administrador inteligente não se furtará a contratar um especialista e a facilitar-lhe o acesso a todas as informações disponíveis.

Algumas empresas encarregam seu departamento de contabilidade da tarefa de reunir e analisar os nados estatísticos.

Fazem assim na suposição de que, tendo prática com números, o contador é também um estatístico.

Tal concepção é totalmente errada. O estatístico determinará o significado dos números e baseado neles, criará uma série de tabelas e gráficos. O estatístico que trabalha com pesquisa de mercado vê o problema de uma maneira diferente do contador. Seu trabalho não necessita de uma precisão absoluta, embora seus números devam manter-se dentro de uma margem de erro previamente estabelecida, chamado de intervalo de confiança. Visto que se encontra familiarizado com a teoria estatística, poderá tomar amostras, e saberá exatamente a maneira de proceder para obter resultados.

O método estatístico economizará tempo e dinheiro.

PESQUISA DE CAMPO

Quando uma companhia pretende lançar no mercado um novo produto, é possível investigar sua aceitação pelo público, antes do início da produção. O motivo de tal precaução é óbvio: se for verificado que o consumidor não está interessado no produto, ou pela sua forma atual, muito dinheiro poderá ser economizado, dinheiro esse que seria investido na sua produção. Se o produto encontra aceitação, torna-se possível calcular as dimensões do mercado antecipadamente. Tal informação é tão importante para os setores da produção da empresa como para os da venda.

O método empregado nesse caso chama-se “teste de produto”. Os meios e modos variam de acordo com a natureza do produto e a informação que se requer sobre ele.

No caso de, por exemplo, produtos baratos de uso diário como sabão ou pasta de dente, pode-se fornecer uma amostra grátis em domicílios e após um período de tempo retorna-se para se conhecer a opinião.

O produto em si, muitas vezes não constitui incentivo suficiente para vende-lo ao consumidor final. O sistema de embalagem desempenha nesses casos um papel fundamental.

O efeito das embalagens sobre as vendas é também alvo da pesquisa de mercado. Muitas vezes um produto pode aumentar sua venda somente pelo fato de embalagens coloridas ou sóbrias, pois possuem efeitos psicológicos, nesse caso, os produtos apresentam-se em embalagens de diversas cores para teste de aceitação. Outra forma é testada pela quantidade do produto em questão. Como por exemplo: embalagens de 100g, 250g, 500g e 1 Kg, dando assim desse modo opções ao consumidor.

O nome do produto também é de suma importância. Nesse caso, o fabricante pode promover um concurso convidando o público a escolher um nome. É também uma valiosa estratégia de marketing.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AMOSTRAGEM

PRIMEIRO PRINCÍPIO: PROBABILIDADE

A pergunta é sempre a mesma aos olhos do leigo: como é possível descobrir o que pensa a totalidade das pessoas quando se interroga apenas um pequeno número delas?

Quando a dona de casa quer saber se pôs bastante sal na sopa, toma uma colherada, prova-a, e tira suas conclusões que não se referem apenas à pequena amostra, mas a totalidade. Ela não necessita tomar um prato nem a sopa toda para se assegurar do paladar.

Quando se necessita fazer um exame de sangue, obviamente não será necessário retirar o sangue todo. Uma pequena amostra será suficiente.

Quando um cerealista recebe uma grande quantidade de sacos de aveia, ele escolhe um saco ao acaso, abre-o, toma um punhado de grãos e verifica baseado na amostra se é o tipo encomendado.

O que fizeram essas pessoas?

Confiaram no primeiro princípio da teoria da amostragem: a probabilidade.

Nos exemplos, não é impossível, embora seja improvável que as amostras retiradas deixem de representar o todo. Se houver necessidade, repete-se o processo diminuindo-se assim a margem ou a probabilidade de erro.

SEGUNDO PRINCÍPIO: CASUALIDADE

O cerealista não escolherá um saco que seja maior ou menor que os outros, ou que tiver cor diferente. Escolhe ao acaso ou pede a alguém para escolher o primeiro número que lhe vier à cabeça (estatísticos trabalham com quadros de números aleatórios). Poderia também numerar os sacos e sorteá-los, não importa o método, se é desejado que a amostra represente o conjunto, é necessário garantir a casualidade da escolha. Significa dizer que cada saco tem a mesma probabilidade de ser escolhido sem tendenciosidade.

Muitas pessoas perguntam: Por que nunca fui escolhido para uma entrevista com tantas pesquisas de mercado e de opinião existente?

Há dois modos de se responder a essa pergunta. Primeiro, apenas o acaso fez com que não tenha sido escolhido. Depois, todos têm a mesma probabilidade de serem escolhidos, mas com uma população de 180 milhões e as amostras nunca excedendo uns poucos milhares, tal possibilidade é realmente muito pequena.

TERCEIRO PRINCÍPIO: LEI DOS GRANDES NÚMEROS

Partimos sempre do princípio de que os entrevistados são honestos, corretos e dispostos a colaborarem quando respondem as perguntas. Mas sabemos que há sempre ovelhas negras no meio das brancas.

Suponha que você seja uma delas. Numa entrevista você é perguntado qual a cor da ultima camisa comprada. Suponhamos que tenha sido azul, mas você está chateado e diz para o entrevistador que foi vermelho.

Segundo a Lei do Grandes Números, tais falsidades serão compensadas. Digamos desde já que ela só funciona na medida em que todos os interrogados mintam na mesma direção. Há um limite para o que se pode perguntar as pessoas. Quando se torna evidente que todos se desviam da verdade ao responder certa questão, e que todos o fazem na mesma direção, então a pergunta tem que ser reformulada ou deixada de lado de vez.

O fato é que a Lei dos Grandes Números pressupõe que os desvios da verdade devem ocorrer ao acaso, algumas vezes em uma direção e outras na direção oposta, dessa forma se anulando. Os fatos se mostrarão distorcidos se tal premissa não for satisfeita.

VANTAGENS DO MÉTODO DE AMOSTRA

A amostragem produzirá os devidos resultados na medida em que o pesquisador observar esses princípios básicos.

Tomemos como base o caso da cor das camisas. O empresário deseja saber em que proporções são procuradas camisas de diferentes cores. Evidentemente ele deseja essa informação pelo menor custo possível, mas também do modo mais rápido possível.

Se os resultados do levantamento demorarem, as alterações da moda podem torna-los ultrapassado, fazendo assim que o trabalho perca sua utilidade. Um levantamento por amostragem pode fornecer resultados rapidamente.

Seria desperdício se fazer uma pesquisa somente para se perguntar à cor. Seria útil, e não oneraria tanto o custo da pesquisa, acrescentar no questionário outros tipos de pergunta, tais como: de quanto em quanto tempo compra camisas, o modelo, o tamanho, a faixa de preço, etc.

Uma das vantagens da pesquisa por amostra de itens variados é que podemos dedicar maior atenção a cada resposta e nos vários cruzamentos possíveis de respostas.

Podemos também utilizar perguntas controladoras ou perguntas filtro. Um dos métodos é perguntar um item já respondido de forma diferente. Caso haja conflito entre as respostas, devemos desprezar esse questionário, pois ele poderá conter outras inverdades.

A AMOSTRA

Antes de entrarmos na discussão dos vários métodos de amostra, é importante ressaltar que o resultado está diretamente relacionado à disponibilidade financeira destinada a pesquisa. Normalmente, o pagamento dos pesquisadores de campo constituem a maior parte da despesa de uma pesquisa. Eles podem ser contratados por diária (com quotas definidas de questionários) ou por produtividade (quantidade de questionários). O orçamento é a chave para se dimensionar o tamanho da amostra, assim como a metodologia utilizada.

POPULAÇÃO

Em pesquisa de mercado, a amostra é uma miniatura da população. A pesquisa de mercado emprega o termo “universo” ou “população” para aquela parcela da população com a qual se relaciona um levantamento. Universo significa o conjunto de todas espécies que entram na mira da investigação, e da qual é extraída uma amostra ao acaso.

O universo não é necessariamente constituído de pessoas. Pode ser também de lares, casas novas, determinado tipo de firmas comerciais, etc.

MARGEM DE ERRO

Outro termo empregado em pesquisa de mercado é “margem de erro”. Se fosse encomendada uma pesquisa com o fato de descobrir quantas donas de casa tem forno de microondas, e interrogarmos todas as donas de casa, não haveria margem de erro. Isso obviamente traria uma despesa com pesquisadores extraordinariamente pesada. Percebe-se então, a primeira vista, que o tamanho da amostra é inversamente proporcional à margem de erro (quanto maior a amostra, menor a margem de erro), mas veremos a seguir que não é bem assim que funciona.

TAMANHO DA AMOSTRA

O empresário normalmente oscila entre dois extremos ao encomendar uma pesquisa: de um lado, não deseja uma amostra grande por causa do custo que acarreta, do outro não acredita na amostra que, na sua opinião, é demasiado pequena.

O problema do tamanho da amostra não pode ser subestimado, mas é menos importante do que a composição da amostra. Quanto mais uniforme for o universo do qual é extraída a amostra, menor pode ser a amostra. Se o universo não for uniforme, deve ser feita uma tentativa de dividi-lo em camadas uniformes. É o que chamamos de amostragem estratificada, subgrupos ou sub-amostras.

A AMOSTRA DE PROBABILIDADE

Ao tratarmos dos três princípios básicos da pesquisa de mercado, já apontamos que a escolha dos entrevistados precisa ser feita por acaso, para garantir que o universo seja representado apropriadamente. Em teoria, a amostra de probabilidade concede a cada um dos membros do universo exatamente a mesma oportunidade de ser escolhido.

Utilizam-se listas de endereços, catálogos telefônicos, listagens de bancos, etc.

Nesta amostra, não é necessário saber quais são as camadas no universo antes de extrair a amostra, pois todas entram nela automaticamente. Pode-se também calcular a margem de erro antecipadamente. Se a margem de erro for demasiadamente ampla, podemos restringi-la aumentando o tamanho amostra.

A maior vantagem da amostra de probabilidade reside no fato de o entrevistador não gozar de qualquer liberdade de escolher as pessoas a entrevistar. Os entrevistadores tendem a escolher quem eles julgam capazes de melhor responder evitando outras (procedimento condenável).

Existem também as desvantagens. As despesas desse tipo de amostra são muito maiores do que em outros métodos, se a pessoa escolhida não se encontrar não poderá ser substituída por outra, listas desatualizadas, etc.

AMOSTRA POR COTA OU ESTRATIFICADA

O método de amostras de quota é relativamente simples. Determinado o tamanho da amostra, estratifica-se o universo. A estratificação pode ser de acordo com a idade, sexo, estado civil, renda, área, e o tamanho da cidade. Se a amostra for de 2000 questionários, eles serão divididos entre a proporção da população (bairros), ou seja tem um custo mais baixo e previamente conhecido. Como desvantagem podemos citar a liberdade que o entrevistador tem em escolher o entrevistado, isto pode gerar tendenciosidade.

TIPOS DE LEVANTAMENTOS

A ENTREVISTA PESSOAL

O sucesso da técnica da entrevista pessoal se baseia em dois pontos essenciais: o entrevistador e o questionário. Por hora, vamos apenas dizer que o entrevistador tem que ter experiência e contar com um questionário bem preparado.

Nesta modalidade o entrevistador deve ir até o entrevistado. De acordo com o tipo do levantamento, pode ser em casa, no trabalho, na rua, ou em qualquer outro lugar.

O objetivo é fazer o entrevistado responder às perguntas. Os questionários devem ser construídos de forma que possam ajudar ao entrevistado a responder. Por exemplo, se for perguntado a marca do arroz comprado pela última vez, pode-se exibir uma lista de todas as marcas no mercado. Tem o custo muito alto.

AS ENTREVISTAS DE GRUPOS

Tendo em vista a elevada despesa resultante da entrevista pessoal, os pesquisadores de mercado têm estado tentando encontrar outros modos de recolher informações. A saída foi juntar as pessoas e entrevista-las em grupos. Este método consiste em os entrevistados discutirem entre si as questões, chegarem um consenso e transmitirem através de um líder a resposta ao entrevistador, que mesmo não sendo unânime, reflete o parecer da maioria.

O LEVANTAMENTO POSTAL

Este método consiste em envio de questionários pelo correio. Os questionários devem conter figuras e serem atrativos sem serem extenuantes. Para um retorno eficaz, costuma-se fazer sorteio de brindes a quem os devolver respondido. O selo deve ser obrigatoriamente pago. É um método de retorno muito lento e custo razoável.

O LEVANTAMENTO TELEFÔNICO

Neste método, o pesquisador, além de possuir uma boa voz, necessita de treinamento e ser gentil. Deve ser uma pesquisa com poucas perguntas, pois se parte do princípio de que o entrevistado interrompeu suas atividades para responder. É um processo de baixo custo e de bom retorno. Escolhem-se os números pela lista telefônica de forma aleatória e intercalada.

QUESTIONÁRIO

Podemos dizer, pela importância que tem, que o questionário é a espinha dorsal de uma pesquisa. Construir um bom questionário que reúna todas as informações necessárias, nem mais nem menos, é uma tarefa difícil e, ao mesmo tempo, interessante.

Existem regras gerais que devem ser seguidas para chegar-se a um bom questionário, mas não devemos esquecer que cada pesquisa é diferente da outra e quer obter suas próprias respostas. Dessa forma, a construção de um questionário, mais do que uma ciência é uma arte.

Para a confecção de um questionário que supra as necessidades sem se tornar enfadonho, o profissional deve ser um duble de estatístico e psicólogo. Estatístico para colocar na sua própria formulação o problema a ser pesquisado e psicólogo para tentar captar o pensamento e as reações do entrevistado.

AS PARTES ESSENCIAIS DO QUESTIONÁRIO

Para a preparação do questionário, o profissional deve estar sempre dentro do problema proposto e se afastar da tentação de inserir questões que não lhe serão úteis.

Todo questionário contém basicamente quatro partes essenciais:

IDENTIFICAÇÃO DO LEVANTAMENTO E DA ENTREVISTA

Não convém o questionário levar um título ou o nome da empresa pois isso pode influenciar o entrevistado. Se isso for impossível, evite mostrar o questionário ao mesmo. Pode-se ainda colocar no formulário empresas fictícias, para caso o entrevistado questione sobre a mesma.

FATOS REAIS SOBRE O RESPONDENTE

É muito importante, com base nestas informações pode-se classificar e comparar as respostas de certos subgrupos. Existem itens uniformizados no relatório que são materiais básicos e viabilizam as classificações estatísticas quando do cruzamento dos dados.

Ex.: sexo, idade, posição no lar, estado civil, profissão, renda familiar, etc

A prática tem mostrado que uma minoria se recusa a responder a esses itens. A maioria gosta de participar de entrevistas. Uma forma interessante é de se colocar essas informações ao final da entrevista para não melindrar o respondente. Existe ainda a polemica de se colocar o nome do respondente, nesse caso, a maioria se recusa fornecer. Em países onde a liberdade do indivíduo não é questionada ou ameaçada, e o assunto é relevante ou pode gerar melhorias ao bem estar comum, apenas uma minoria se recusa.

QUESTÕES CONTROLADORAS

Também chamadas de perguntas filtro. Consiste em se perguntar um assunto já questionado de forma diferente. Se houver contradição, este questionário deve ser abortado na hora da tabulação dos dados.

Ex.: Possui Forno microondas ?

E mais adiante: Quantos anos de uso têm seu Forno Microondas ?

Se a primeira for respondida não, a outra também o será.

QUESTÕES SOBRE O ASSUNTO DA INVESTIGAÇÃO

É desejável que o entrevistado saiba sobre o que versa a pesquisa. Deve-se também deixar claro que o mesmo foi escolhido por puro acaso sendo um representante da opinião pública e irá se pronunciar em nome de várias pessoas. Isto o envaidecerá e o fará ser mais conciso e responsável nas respostas, é como lhe aguçar o senso moral.

Uma regra básica que se valorize mais perguntas sobre comportamento a perguntas sobre opinião, pois assim as previsões serão mais acertadas.

TIPOS E SEQÜÊNCIAS DE QUESTÕES

Existem vários tipos de questões. Os mais simples são do tipo “questões dicotômicas”, que admitem apenas as respostas SIM e NÃO. Estas perguntas são as mais apreciadas pelos pesquisadores e pelo público em geral. Deve-se porém anotar no verso respostas do tipo: não sei, ambas, não estou certo, não tenho resposta, etc.

Um questionário dicotômico admite também a introdução de outras formulações. Mas em via de regra deve-se começar por elas pois farão com que o entrevistado sinta-se confiante.

Deve-se também seguir no mesmo assunto até esgotá-lo. Nada irrita mais o entrevistado do que mudar de assunto e depois voltar.

A REDAÇÃO DAS QUESTÕES

Tornar o complexo em simples, este é o segredo de um bom questionário. Quando se elabora um questionário, e o mesmo não é direcionado a uma classe ou categoria específica, mas sim ao público em geral, é desejável que ele seja o mais simples e objetivo possível e que as palavras utilizadas sejam de uso rotineiro e diário das pessoas. Quando os questionários são direcionados a determinadas categorias específicas, o uso de termos técnicos é permitido e quanto ao entrevistador, que ele tenha o mínimo de conhecimento de causa ou do assunto em questão.

INVESTIGAÇÕES PRÉVIAS OU INVESTIGAÇÕES PILOTO

Ficou demonstrada que a preparação de um questionário não é tarefa das mais fáceis, e, apesar de se seguir todos os passos e dicas, certamente eles não irão agradar a todos.

Por este motivo, aplica-se o questionário piloto em uma quantidade diminuta de pessoas para apreciação e crítica. Mesmo o bom profissional, por mais experimentado que seja, pode omitir perguntas importantes ou deixar de ser claro e objetivo em outras.

Este questionário piloto deve ser apresentado ao patrocinador, juntamente com o anteprojeto da pesquisa, bem como os custos operacionais da mesma.

OBSERVAÇÃO

O questionário perfeito está ainda para ser escrito. mas o pesquisador de mercado competente é hoje bastante capaz de formular um questionário que pode ser utilizado como instrumento útil para a obtenção de respostas apropriadas e significativas, embora deficiências possam ser neles descobertas mais tarde.

O ENTREVISTADOR

O elemento humano constitui, em todas as atividades profissionais o elo mais fraco. Em Pesquisa de Mercado não é diferente. O problema surgiu desde que se foi necessário a interrogação sistemática de pessoas.

Por melhor que possa ser elaborado o questionário, e mais dinheiro seja investido no projeto, a figura do entrevistador é de vital importância numa pesquisa, sendo determinante para o sucesso ou fracasso da mesma.

O ENTREVISTADOR IDEAL

Para descrever as características que fazem de uma pessoa um bom entrevistador, dever-se ia tomar uma pessoa ideal, uma que até agora não chegou a existir, e provavelmente nunca o chegará.

Logicamente não é desejável um entrevistador envergonhado e tímido nem um arrogante ou orgulhoso. Ele estará lidando com seres humanos, e seres humanos gostam de ser respeitados e valorizados.

O bom entrevistador deverá possuir a faculdade de aproximar-se facilmente das pessoas de todas as idades e classes.

Perceber se o entrevistado está realmente disponível e disposto a colaborar.

Procurar se trajar com sobriedade e linguajar compatíveis à comunidade alvo de sua pesquisa.

Evitar o uso de palavras “difíceis” que possam causar qualquer tipo de sentimento de inferioridade ao entrevistado.

Evitar apressar o entrevistado. Este deverá ter toda tranqüilidade para responder a contento às questões.

Procurar fazer o entrevistado entender que ele é importante, e que a opinião deve será representativa de uma quantidade muito grande de pessoas.

O entrevistador deve ter o mínimo de persistência, assim como possuir tato para perceber quando deve parar de insistir.

Mas uma vez repetimos que é necessário que o entrevistador tenha um conhecimento prévio do assunto pesquisado.

SELEÇÃO, TREINAMENTO E REMUNERAÇÃO

De princípio, foi observado, ao longo dos trabalhos de pesquisa, que as mulheres são melhores entrevistadoras que os homens, pela tenacidade, e por não se cansarem mentalmente com tanta facilidade quando precisam repetir as mesmas perguntas durante semanas consecutivas. Este quadro hoje mudou. Com um bom treinamento, podemos fazer de qualquer pessoa um bom entrevistador, apesar de uma mulher ser mais bem aceita.

Em reuniões, explica-se a importância do trabalho, observa-se o interesse da pessoa, o nível cultural, a educação, o uso de “gírias”, a disponibilidade de tempo, o grau de necessidade do emprego, a área que poderá cobrir, etc.

É importante um histórico da pesquisa do tipo: quem encomendou, o que se quer saber, o tempo de duração, etc. quanto ao resultado esperado, jamais deve ser comentado com o entrevistador, pois isto pode influir decisivamente no resultado, fazendo com que o mesmo não possa influenciar respostas.

A parcialidade e a tendenciosidade são características totalmente indesejáveis em entrevistadores. Percebidas estes “desvios”, melhor seria que não se utilize este elemento.

Pode-se também, no início dos trabalhos, que o novato seja acompanhado de outro pesquisador mais experiente, para que através de observações este “aprender” como se faz.

É de extrema utilidade, que sejam feitas periodicamente (de dois em dois dias ou semanalmente) reuniões para se verificar falhas e dificuldades observadas.

Quanto à remuneração, os pesquisadores poderão ser receber por: hora, dia, semana, quinzena, mês, ao final da pesquisa, por produtividade, etc.

Percebe-se que não há um padrão quanto ao pagamento, isso vai de empresa para empresa e de pesquisa para pesquisa. A única prática padrão é a que se refere à alimentação e despesas de passagens, sempre pagas ou reembolsadas pela empresa contratante.

Fato é que um entrevistador insatisfeito é prenuncio de uma péssima tomada de dados e por conseguinte um péssimo trabalho, que está fadado fatalmente ao insucesso.

O ENTREVISTADOR E O QUESTIONÁRIO

O instrumento do entrevistador é o questionário. Um tem que completar o outro. A perfeição seria atingida se o entrevistador incorporasse no questionário, se “vestisse” no questionário, ou seja, dedicação total.

Em caso de dúvidas do respondeste, o entrevistador deve tentar sempre esclarecer todas. Porém, em questionários que possuem perguntas filtro (como já vimos anteriormente), o entrevistador não deve de forma alguma explicar quanto a sua existência, é obvio.

Existem questionários com instruções para entrevistadores do tipo: se não for respondida a pergunta n.º 4, passe para a de n.º 7.

A sincronia do entrevistador com o questionário são, como não cansamos de repetir, de suma importância numa pesquisa.

A CONDUÇÃO DA ENTREVISTA

Palavras chave: “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite”, “Com licença”, “Por favor”, “Obrigado”. Estas são as palavras “mágicas” para uma boa entrevista, e isto não precisava nem ter sido citado.

Um sorriso no rosto, sem ser irônico, pode fazer com que “quebre o gelo” e que a entrevista comece de forma agradável, porém, após o primeiro contato, o entrevistador deve dominar a entrevista com seriedade.

Respostas do tipo “não sei”, devem ser destacadas e anotadas. Elas demonstram falta de opções de respostas, erro na elaboração das perguntas ou falta de lembrança do respondeste, neste caso cabe o auxilio do entrevistador.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O processo descrito a seguir é totalmente manual. O que se usa hoje em dia, consiste num scanner de leitura ótica que “lê” os questionários, seleciona através de prévia codificação, tabula os dados e emite os números, através de softwares específicos. A função do profissional de estatística nesse processo, se enquadra na confecção dos parâmetros, construção de cruzamentos de dados, desvio padrão, inferência dos resultados, crítica e elaboração do relatório.

PROCESSAMENTO DOS DADOS

Em todo levantamento estatístico bem sucedido é essencial que os questionários, depois de devolvidos devidamente identificados pelo entrevistador, passem por uma revisão e triagem. Nesta fase, observa-se a já citada Lei dos Grandes Números, onde respostas absurdas não devem influir na totalidade.

A seguir, é feita a codificação, onde se utiliza um símbolo, letra ou número para cada resposta dada, a fim de que ela se enquadre a um grupo previamente estabelecido e delimitado. A codificação pode ser chamada de classificação dos dados e é o processo que precede a tabulação dados.

TABULAÇÃO DOS DADOS

Tabulação dos dados consiste na contagem das respostas claras de cada questão de acordo com a estratificação da amostra. O método manual mais utilizado consiste em tabela de entrada ou de dupla entrada de valores.

Obtidos os resultados, os mesmos são confeccionadas as tabelas estatísticas.

As folhas de tabulação são a matéria prima para as análises estatísticas. A construção de quadros é uma das partes essenciais do serviço do pesquisador de mercado, é uma tarefa que ele terá de enfrentar já no estágio de planejamento da pesquisa, pois saberá com freqüência, provavelmente desde o princípio, os resultados que pode esperar. Claros e simples devem ser os quadros. As referências cruzadas, cruzamentos de dados ou respostas interligadas devem ser apresentadas de modo que o leigo as entenda. Não se deve esquecer que os empresários ou patrocinadores não são propriamente especialistas em pesquisas.

Nas tabelas os números devem sempre que possíveis ser arredondados, assim como os percentuais.

Fica mais fácil, para o público em geral, tabelas em percentuais, a visualização é mais clara em termos de quantidade.

O RELATÓRIO DO LEVANTAMENTO

O objetivo final de todas essas atividades relacionadas com a pesquisa de mercado é a geração de um relatório.

O primeiro passo é saber quem irá ler o relatório. Se forem os diretores de uma firma, deve ser escrito de modo diferente do que se o fosse para o público em geral. Mas, seja para quem for, o mesmo deverá ser feito de forma clara, simples e objetiva. Termos técnicos, tais como: intervalo de confiança, desvio padrão, variância, expectância ou verossimilhança, dentre outros, não devem jamais aparecer em relatórios.

Existem normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que padronizam esses relatórios, embora hoje em dia seja bem liberal sua forma de apresentação.

Muitas vezes o patrocinador da pesquisa se espanta ao pagar uma soma considerável por poucas folhas impressas e um punhado de gráficos.

Porém, na maioria das vezes, o essencial está contido em poucas linhas.

INTRODUÇÃO

A primeira folha de um relatório é, evidentemente, a folha-título. Além do título da investigação, deve conter apenas o nome da organização responsável pelo levantamento e a data que foi entregue o relatório.

O índice vem após, mostrando a disposição do relatório, de forma que qualquer pessoa interessada possa facilmente encontrar aquilo que procura, por fim vem uma relação de tabelas estatísticas e gráficos pertinentes.

O prefácio tem importância maior do que se supõe. Nele deve constar o nome do promotor, o objetivo da pesquisa, o tamanho da amostra, o questionário utilizado, a metodologia empregada e além disso as pessoas da própria empresa que facilitaram e auxiliaram os levantamentos internos.

Constará também, um sumário das conclusões mais importantes da pesquisa, seguida às vezes por recomendações, quando expressamente solicitadas. O motivo de colocar no começo do relatório essas partes é que os empresários muito ocupados podem dispensar todo o resto, concentrando-se apenas nisso.

As conclusões são o cume do relatório. Decisões vitais de orientação podem muitas vezes ser tomadas com base nessas conclusões.

O pesquisador, salva quando existe intimidade, jamais deve forçar o empresário a ouvir suas conclusões do que deva ser feito. É uma decisão pessoal do empresário.

O CORPO DO RELATÓRIO

O corpo do relatório consiste habitualmente de uma introdução e da análise dos resultados do levantamento. O capítulo introdutório discorre, de modo mais detalhado que no prefácio, sobre o objetivo do levantamento.

Nele se informa o período em que se efetuou a pesquisa de campo e a definição da área geográfica onde foi executada a mesma.

A seguir, acrescenta-se uma breve explicação quanto ao tamanho da amostra e a metodologia empregada. As tabelas estatísticas devem ser apresentadas em ordem lógicas quando da sua citação.

É comum se dizer, que um gráfico bem elaborado, vale mais do que dez paginas escritas, portanto sua confecção deve obedecer a critérios técnicos.

Os gráficos e tabelas são o que podemos chamar de apêndices do relatório. Os gráficos são muito procurados por sua clareza elucidativa.

Quando da apresentação do relatório, o pesquisador deve estar intimamente ligado em todas as suas etapas e conclusões, pois é comum a argüição oral ou apresentação do mesmo em reuniões de diretoria do mesmo.

Portanto, o pesquisador deve saber se expressar com desenvoltura em público, policiando-se a fim de evitar a utilização de termos técnicos, para defender seu trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os levantamentos estatísticos aqui apresentados, são de caráter quantitativo. Os procedimentos adotados são os mais comuns e rotineiros utilizados por empresas de pesquisas mercadológicas.

Existem inúmeras variações quanto à metodologia, aos questionários, comportamento do entrevistador e amostra ideal.

As teorias contidas neste texto, são passíveis de mudanças e ajustamentos de acordo com as necessidades e da apresentação do problema.

PESQUISA DE MERCADO E DE OPINIÃO

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O QUE É PESQUISA DE MERCADO ?

Quando um industrial deseja comprar matérias primas, ele o faz por si próprio ou encarrega um comprador capacitado, de modo a certificar-se de que tanto a qualidade como o preço seja satisfatoriamente aferido antes de consumada a transação.

Ele procura principalmente reunir várias ofertas, decidindo-se por fim pela que apresentar o preço mais baixo em relação à qualidade exigida.

O certo é que, se deseja continuar em atividade, ele não pode proceder sem a devida cautela, a par de um profundo conhecimento do ramo.

PRECONCEITOS

As pessoas que encomendam pesquisas de Mercado geralmente são: industriais, atacadistas e administradores de grandes e pequenas firmas que ofereçam bens e serviços.

Existem, contudo, dirigentes de empresas que ainda alimentam preconceitos contra a aplicação de métodos de pesquisa de mercado para solução de seus próprios problemas.

Esses preconceitos existem, na maioria dos casos, porque tais pessoas não chegaram a compreender que neste emaranhado de termos técnicos e fileiras de números existem informações valiosas e de real utilidade.

O que contribui para estes “preconceitos”, parte de um princípio clássico das pesquisas: A MÁ PESQUISA É PIOR QUE NÃO FAZER PESQUISA. Pior porque conduz a uma visão errônea do problema, o que por sua vez poderá levar a decisões capazes de arruinar o negócio.

COMO SURGIU? UM BREVE HISTÓRICO

Até a Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa de Mercado era quase exclusivamente pratica nos países anglo-saxãos, conhecendo-se apenas fracas iniciações nos demais países. A pátria da Pesquisa de Mercado é a Inglaterra. Dali ela se estendeu aos Estados Unidos, que se tornaram um terreno particularmente fértil para sua aceitação. Assim reforçada, ela voltou à Inglaterra, onde se tornou imprescindível.

Após a Segunda Guerra Mundial, a pesquisa de mercado estendeu-se a quase todos os países adeptos do sistema de livre iniciativa.

Antes da revolução Industrial, o artesão conhecia pessoalmente seus fregueses, sendo assim capaz de efetuar a melhor de todas as Pesquisas de Mercado. Hoje em dia, porém, é absolutamente impossível ao produtor chegar a conhecer mesmo uma pequena parcela que seja dos consumidores finais do seu produto.

Hoje, não existe praticamente nenhuma atividade econômica onde não possa ser empregada com êxito a Pesquisa de Mercado.

NATUREZA DA PESQUISA DE MERCADO

Quando o homem de negócios compara estatisticamente os altos e baixos do consumo de seus produtos durante um determinado período de tempo, já nos encontramos diante do estado embrionário de pesquisa de mercado. Quando ele começa a calcular porcentagens de suas próprias atividades em relação ao consumo total do país, terá dado o passo decisivo que conduz da mera conjectura à avaliação científica da situação do mercado.

A Pesquisa de Mercado, portanto, é um ramo da ciência social. Serve-se de um método científico com a finalidade de descobrir o comportamento e as opiniões humanas.

Seu mais poderoso instrumento é a ciência da estatística.

PESQUISA DE MERCADO E DE OPINIÃO – DIFERENÇAS

Embora seja certo que as duas espécies de pesquisas coincidem por vezes, é importante distinguir entre elas, não somente por razões teóricas, mas também por razões práticas.

É bem sabido que a Pesquisa de Opinião tem-se enganado ao predizer resultados de eleições. Muitas vezes, e injustamente, a Pesquisa de Mercado tem sido condenada por isso.

A grande diferença vai, entretanto, entre perguntar a uma pessoa em que candidato irá votar , e se comprou sapatos novos nos últimos dois meses, por exemplo.

A primeira é uma “questão de opinião”, que deveria ser respondida com a verdade, mas a pessoa interrogada pode mudar de opinião antes da eleição e com isso mudar o resultado da pesquisa completamente.

A segunda é uma “questão de comportamento”, em que a resposta correta depende apenas da boa memória da pessoa interrogada.

QUE PODE FAZER A PESQUISA DE MERCADO ?

A pesquisa de mercado é um instrumento de direção. É um meio para um fim: o de fornecer aos dirigentes das empresas uma base para suas decisões. Deve ser utilizada por pessoas responsáveis, que saibam emprega-la, pois é um instrumento que pode tornar-se perigoso. Nas mãos de um cirurgião, um bisturi pode salvar uma vida, em mãos inábeis pode se tornar uma arma.

Todos os vários ramos de uma empresa podem ser beneficiados com os fatos e evidências que lhes são fornecidos pela pesquisa de mercado.

Pode ser até que, um dirigente, apoiado apenas em sua experiência, tome decisões de grande importância e tenha êxito. Mas o que acontecerá se esta decisão for errada? Quanto tempo e dinheiro lhe custarão até dar-se conta do engano? Uma vez percebido, poderá voltar atrás? E o conceito da empresa junto aos clientes? E os concorrentes nesse meio tempo?

A pesquisa de mercado pode, seguramente, prevenir tão dispendiosos desenganos.

Basta se aplicar o método apropriado à situação.

A FUNÇÃO DO ESTATÍSTICO

Quando o empresário toma como base os resultados de uma pesquisa, nada é mais importante de que esses resultados sejam corretos e dignos de confiança.

O administrador inteligente não se furtará a contratar um especialista e a facilitar-lhe o acesso a todas as informações disponíveis.

Algumas empresas encarregam seu departamento de contabilidade da tarefa de reunir e analisar os nados estatísticos.

Fazem assim na suposição de que, tendo prática com números, o contador é também um estatístico.

Tal concepção é totalmente errada. O estatístico determinará o significado dos números e baseado neles, criará uma série de tabelas e gráficos. O estatístico que trabalha com pesquisa de mercado vê o problema de uma maneira diferente do contador. Seu trabalho não necessita de uma precisão absoluta, embora seus números devam manter-se dentro de uma margem de erro previamente estabelecida, chamado de intervalo de confiança. Visto que se encontra familiarizado com a teoria estatística, poderá tomar amostras, e saberá exatamente a maneira de proceder para obter resultados.

O método estatístico economizará tempo e dinheiro.

PESQUISA DE CAMPO

Quando uma companhia pretende lançar no mercado um novo produto, é possível investigar sua aceitação pelo público, antes do início da produção. O motivo de tal precaução é óbvio: se for verificado que o consumidor não está interessado no produto, ou pela sua forma atual, muito dinheiro poderá ser economizado, dinheiro esse que seria investido na sua produção. Se o produto encontra aceitação, torna-se possível calcular as dimensões do mercado antecipadamente. Tal informação é tão importante para os setores da produção da empresa como para os da venda.

O método empregado nesse caso chama-se “teste de produto”. Os meios e modos variam de acordo com a natureza do produto e a informação que se requer sobre ele.

No caso de, por exemplo, produtos baratos de uso diário como sabão ou pasta de dente, pode-se fornecer uma amostra grátis em domicílios e após um período de tempo retorna-se para se conhecer a opinião.

O produto em si, muitas vezes não constitui incentivo suficiente para vende-lo ao consumidor final. O sistema de embalagem desempenha nesses casos um papel fundamental.

O efeito das embalagens sobre as vendas é também alvo da pesquisa de mercado. Muitas vezes um produto pode aumentar sua venda somente pelo fato de embalagens coloridas ou sóbrias, pois possuem efeitos psicológicos, nesse caso, os produtos apresentam-se em embalagens de diversas cores para teste de aceitação. Outra forma é testada pela quantidade do produto em questão. Como por exemplo: embalagens de 100g, 250g, 500g e 1 Kg, dando assim desse modo opções ao consumidor.

O nome do produto também é de suma importância. Nesse caso, o fabricante pode promover um concurso convidando o público a escolher um nome. É também uma valiosa estratégia de marketing.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AMOSTRAGEM

PRIMEIRO PRINCÍPIO: PROBABILIDADE

A pergunta é sempre a mesma aos olhos do leigo: como é possível descobrir o que pensa a totalidade das pessoas quando se interroga apenas um pequeno número delas?

Quando a dona de casa quer saber se pôs bastante sal na sopa, toma uma colherada, prova-a, e tira suas conclusões que não se referem apenas à pequena amostra, mas a totalidade. Ela não necessita tomar um prato nem a sopa toda para se assegurar do paladar.

Quando se necessita fazer um exame de sangue, obviamente não será necessário retirar o sangue todo. Uma pequena amostra será suficiente.

Quando um cerealista recebe uma grande quantidade de sacos de aveia, ele escolhe um saco ao acaso, abre-o, toma um punhado de grãos e verifica baseado na amostra se é o tipo encomendado.

O que fizeram essas pessoas?

Confiaram no primeiro princípio da teoria da amostragem: a probabilidade.

Nos exemplos, não é impossível, embora seja improvável que as amostras retiradas deixem de representar o todo. Se houver necessidade, repete-se o processo diminuindo-se assim a margem ou a probabilidade de erro.

SEGUNDO PRINCÍPIO: CASUALIDADE

O cerealista não escolherá um saco que seja maior ou menor que os outros, ou que tiver cor diferente. Escolhe ao acaso ou pede a alguém para escolher o primeiro número que lhe vier à cabeça (estatísticos trabalham com quadros de números aleatórios). Poderia também numerar os sacos e sorteá-los, não importa o método, se é desejado que a amostra represente o conjunto, é necessário garantir a casualidade da escolha. Significa dizer que cada saco tem a mesma probabilidade de ser escolhido sem tendenciosidade.

Muitas pessoas perguntam: Por que nunca fui escolhido para uma entrevista com tantas pesquisas de mercado e de opinião existente?

Há dois modos de se responder a essa pergunta. Primeiro, apenas o acaso fez com que não tenha sido escolhido. Depois, todos têm a mesma probabilidade de serem escolhidos, mas com uma população de 180 milhões e as amostras nunca excedendo uns poucos milhares, tal possibilidade é realmente muito pequena.

TERCEIRO PRINCÍPIO: LEI DOS GRANDES NÚMEROS

Partimos sempre do princípio de que os entrevistados são honestos, corretos e dispostos a colaborarem quando respondem as perguntas. Mas sabemos que há sempre ovelhas negras no meio das brancas.

Suponha que você seja uma delas. Numa entrevista você é perguntado qual a cor da ultima camisa comprada. Suponhamos que tenha sido azul, mas você está chateado e diz para o entrevistador que foi vermelho.

Segundo a Lei do Grandes Números, tais falsidades serão compensadas. Digamos desde já que ela só funciona na medida em que todos os interrogados mintam na mesma direção. Há um limite para o que se pode perguntar as pessoas. Quando se torna evidente que todos se desviam da verdade ao responder certa questão, e que todos o fazem na mesma direção, então a pergunta tem que ser reformulada ou deixada de lado de vez.

O fato é que a Lei dos Grandes Números pressupõe que os desvios da verdade devem ocorrer ao acaso, algumas vezes em uma direção e outras na direção oposta, dessa forma se anulando. Os fatos se mostrarão distorcidos se tal premissa não for satisfeita.

VANTAGENS DO MÉTODO DE AMOSTRA

A amostragem produzirá os devidos resultados na medida em que o pesquisador observar esses princípios básicos.

Tomemos como base o caso da cor das camisas. O empresário deseja saber em que proporções são procuradas camisas de diferentes cores. Evidentemente ele deseja essa informação pelo menor custo possível, mas também do modo mais rápido possível.

Se os resultados do levantamento demorarem, as alterações da moda podem torna-los ultrapassado, fazendo assim que o trabalho perca sua utilidade. Um levantamento por amostragem pode fornecer resultados rapidamente.

Seria desperdício se fazer uma pesquisa somente para se perguntar à cor. Seria útil, e não oneraria tanto o custo da pesquisa, acrescentar no questionário outros tipos de pergunta, tais como: de quanto em quanto tempo compra camisas, o modelo, o tamanho, a faixa de preço, etc.

Uma das vantagens da pesquisa por amostra de itens variados é que podemos dedicar maior atenção a cada resposta e nos vários cruzamentos possíveis de respostas.

Podemos também utilizar perguntas controladoras ou perguntas filtro. Um dos métodos é perguntar um item já respondido de forma diferente. Caso haja conflito entre as respostas, devemos desprezar esse questionário, pois ele poderá conter outras inverdades.

A AMOSTRA

Antes de entrarmos na discussão dos vários métodos de amostra, é importante ressaltar que o resultado está diretamente relacionado à disponibilidade financeira destinada a pesquisa. Normalmente, o pagamento dos pesquisadores de campo constituem a maior parte da despesa de uma pesquisa. Eles podem ser contratados por diária (com quotas definidas de questionários) ou por produtividade (quantidade de questionários). O orçamento é a chave para se dimensionar o tamanho da amostra, assim como a metodologia utilizada.

POPULAÇÃO

Em pesquisa de mercado, a amostra é uma miniatura da população. A pesquisa de mercado emprega o termo “universo” ou “população” para aquela parcela da população com a qual se relaciona um levantamento. Universo significa o conjunto de todas espécies que entram na mira da investigação, e da qual é extraída uma amostra ao acaso.

O universo não é necessariamente constituído de pessoas. Pode ser também de lares, casas novas, determinado tipo de firmas comerciais, etc.

MARGEM DE ERRO

Outro termo empregado em pesquisa de mercado é “margem de erro”. Se fosse encomendada uma pesquisa com o fato de descobrir quantas donas de casa tem forno de microondas, e interrogarmos todas as donas de casa, não haveria margem de erro. Isso obviamente traria uma despesa com pesquisadores extraordinariamente pesada. Percebe-se então, a primeira vista, que o tamanho da amostra é inversamente proporcional à margem de erro (quanto maior a amostra, menor a margem de erro), mas veremos a seguir que não é bem assim que funciona.

TAMANHO DA AMOSTRA

O empresário normalmente oscila entre dois extremos ao encomendar uma pesquisa: de um lado, não deseja uma amostra grande por causa do custo que acarreta, do outro não acredita na amostra que, na sua opinião, é demasiado pequena.

O problema do tamanho da amostra não pode ser subestimado, mas é menos importante do que a composição da amostra. Quanto mais uniforme for o universo do qual é extraída a amostra, menor pode ser a amostra. Se o universo não for uniforme, deve ser feita uma tentativa de dividi-lo em camadas uniformes. É o que chamamos de amostragem estratificada, subgrupos ou sub-amostras.

A AMOSTRA DE PROBABILIDADE

Ao tratarmos dos três princípios básicos da pesquisa de mercado, já apontamos que a escolha dos entrevistados precisa ser feita por acaso, para garantir que o universo seja representado apropriadamente. Em teoria, a amostra de probabilidade concede a cada um dos membros do universo exatamente a mesma oportunidade de ser escolhido.

Utilizam-se listas de endereços, catálogos telefônicos, listagens de bancos, etc.

Nesta amostra, não é necessário saber quais são as camadas no universo antes de extrair a amostra, pois todas entram nela automaticamente. Pode-se também calcular a margem de erro antecipadamente. Se a margem de erro for demasiadamente ampla, podemos restringi-la aumentando o tamanho amostra.

A maior vantagem da amostra de probabilidade reside no fato de o entrevistador não gozar de qualquer liberdade de escolher as pessoas a entrevistar. Os entrevistadores tendem a escolher quem eles julgam capazes de melhor responder evitando outras (procedimento condenável).

Existem também as desvantagens. As despesas desse tipo de amostra são muito maiores do que em outros métodos, se a pessoa escolhida não se encontrar não poderá ser substituída por outra, listas desatualizadas, etc.

AMOSTRA POR COTA OU ESTRATIFICADA

O método de amostras de quota é relativamente simples. Determinado o tamanho da amostra, estratifica-se o universo. A estratificação pode ser de acordo com a idade, sexo, estado civil, renda, área, e o tamanho da cidade. Se a amostra for de 2000 questionários, eles serão divididos entre a proporção da população (bairros), ou seja tem um custo mais baixo e previamente conhecido. Como desvantagem podemos citar a liberdade que o entrevistador tem em escolher o entrevistado, isto pode gerar tendenciosidade.

TIPOS DE LEVANTAMENTOS

A ENTREVISTA PESSOAL

O sucesso da técnica da entrevista pessoal se baseia em dois pontos essenciais: o entrevistador e o questionário. Por hora, vamos apenas dizer que o entrevistador tem que ter experiência e contar com um questionário bem preparado.

Nesta modalidade o entrevistador deve ir até o entrevistado. De acordo com o tipo do levantamento, pode ser em casa, no trabalho, na rua, ou em qualquer outro lugar.

O objetivo é fazer o entrevistado responder às perguntas. Os questionários devem ser construídos de forma que possam ajudar ao entrevistado a responder. Por exemplo, se for perguntado a marca do arroz comprado pela última vez, pode-se exibir uma lista de todas as marcas no mercado. Tem o custo muito alto.

AS ENTREVISTAS DE GRUPOS

Tendo em vista a elevada despesa resultante da entrevista pessoal, os pesquisadores de mercado têm estado tentando encontrar outros modos de recolher informações. A saída foi juntar as pessoas e entrevista-las em grupos. Este método consiste em os entrevistados discutirem entre si as questões, chegarem um consenso e transmitirem através de um líder a resposta ao entrevistador, que mesmo não sendo unânime, reflete o parecer da maioria.

O LEVANTAMENTO POSTAL

Este método consiste em envio de questionários pelo correio. Os questionários devem conter figuras e serem atrativos sem serem extenuantes. Para um retorno eficaz, costuma-se fazer sorteio de brindes a quem os devolver respondido. O selo deve ser obrigatoriamente pago. É um método de retorno muito lento e custo razoável.

O LEVANTAMENTO TELEFÔNICO

Neste método, o pesquisador, além de possuir uma boa voz, necessita de treinamento e ser gentil. Deve ser uma pesquisa com poucas perguntas, pois se parte do princípio de que o entrevistado interrompeu suas atividades para responder. É um processo de baixo custo e de bom retorno. Escolhem-se os números pela lista telefônica de forma aleatória e intercalada.

QUESTIONÁRIO

Podemos dizer, pela importância que tem, que o questionário é a espinha dorsal de uma pesquisa. Construir um bom questionário que reúna todas as informações necessárias, nem mais nem menos, é uma tarefa difícil e, ao mesmo tempo, interessante.

Existem regras gerais que devem ser seguidas para chegar-se a um bom questionário, mas não devemos esquecer que cada pesquisa é diferente da outra e quer obter suas próprias respostas. Dessa forma, a construção de um questionário, mais do que uma ciência é uma arte.

Para a confecção de um questionário que supra as necessidades sem se tornar enfadonho, o profissional deve ser um duble de estatístico e psicólogo. Estatístico para colocar na sua própria formulação o problema a ser pesquisado e psicólogo para tentar captar o pensamento e as reações do entrevistado.

AS PARTES ESSENCIAIS DO QUESTIONÁRIO

Para a preparação do questionário, o profissional deve estar sempre dentro do problema proposto e se afastar da tentação de inserir questões que não lhe serão úteis.

Todo questionário contém basicamente quatro partes essenciais:

IDENTIFICAÇÃO DO LEVANTAMENTO E DA ENTREVISTA

Não convém o questionário levar um título ou o nome da empresa pois isso pode influenciar o entrevistado. Se isso for impossível, evite mostrar o questionário ao mesmo. Pode-se ainda colocar no formulário empresas fictícias, para caso o entrevistado questione sobre a mesma.

FATOS REAIS SOBRE O RESPONDENTE

É muito importante, com base nestas informações pode-se classificar e comparar as respostas de certos subgrupos. Existem itens uniformizados no relatório que são materiais básicos e viabilizam as classificações estatísticas quando do cruzamento dos dados.

Ex.: sexo, idade, posição no lar, estado civil, profissão, renda familiar, etc

A prática tem mostrado que uma minoria se recusa a responder a esses itens. A maioria gosta de participar de entrevistas. Uma forma interessante é de se colocar essas informações ao final da entrevista para não melindrar o respondente. Existe ainda a polemica de se colocar o nome do respondente, nesse caso, a maioria se recusa fornecer. Em países onde a liberdade do indivíduo não é questionada ou ameaçada, e o assunto é relevante ou pode gerar melhorias ao bem estar comum, apenas uma minoria se recusa.

QUESTÕES CONTROLADORAS

Também chamadas de perguntas filtro. Consiste em se perguntar um assunto já questionado de forma diferente. Se houver contradição, este questionário deve ser abortado na hora da tabulação dos dados.

Ex.: Possui Forno microondas ?

E mais adiante: Quantos anos de uso têm seu Forno Microondas ?

Se a primeira for respondida não, a outra também o será.

QUESTÕES SOBRE O ASSUNTO DA INVESTIGAÇÃO

É desejável que o entrevistado saiba sobre o que versa a pesquisa. Deve-se também deixar claro que o mesmo foi escolhido por puro acaso sendo um representante da opinião pública e irá se pronunciar em nome de várias pessoas. Isto o envaidecerá e o fará ser mais conciso e responsável nas respostas, é como lhe aguçar o senso moral.

Uma regra básica que se valorize mais perguntas sobre comportamento a perguntas sobre opinião, pois assim as previsões serão mais acertadas.

TIPOS E SEQÜÊNCIAS DE QUESTÕES

Existem vários tipos de questões. Os mais simples são do tipo “questões dicotômicas”, que admitem apenas as respostas SIM e NÃO. Estas perguntas são as mais apreciadas pelos pesquisadores e pelo público em geral. Deve-se porém anotar no verso respostas do tipo: não sei, ambas, não estou certo, não tenho resposta, etc.

Um questionário dicotômico admite também a introdução de outras formulações. Mas em via de regra deve-se começar por elas pois farão com que o entrevistado sinta-se confiante.

Deve-se também seguir no mesmo assunto até esgotá-lo. Nada irrita mais o entrevistado do que mudar de assunto e depois voltar.

A REDAÇÃO DAS QUESTÕES

Tornar o complexo em simples, este é o segredo de um bom questionário. Quando se elabora um questionário, e o mesmo não é direcionado a uma classe ou categoria específica, mas sim ao público em geral, é desejável que ele seja o mais simples e objetivo possível e que as palavras utilizadas sejam de uso rotineiro e diário das pessoas. Quando os questionários são direcionados a determinadas categorias específicas, o uso de termos técnicos é permitido e quanto ao entrevistador, que ele tenha o mínimo de conhecimento de causa ou do assunto em questão.

INVESTIGAÇÕES PRÉVIAS OU INVESTIGAÇÕES PILOTO

Ficou demonstrada que a preparação de um questionário não é tarefa das mais fáceis, e, apesar de se seguir todos os passos e dicas, certamente eles não irão agradar a todos.

Por este motivo, aplica-se o questionário piloto em uma quantidade diminuta de pessoas para apreciação e crítica. Mesmo o bom profissional, por mais experimentado que seja, pode omitir perguntas importantes ou deixar de ser claro e objetivo em outras.

Este questionário piloto deve ser apresentado ao patrocinador, juntamente com o anteprojeto da pesquisa, bem como os custos operacionais da mesma.

OBSERVAÇÃO

O questionário perfeito está ainda para ser escrito. mas o pesquisador de mercado competente é hoje bastante capaz de formular um questionário que pode ser utilizado como instrumento útil para a obtenção de respostas apropriadas e significativas, embora deficiências possam ser neles descobertas mais tarde.

O ENTREVISTADOR

O elemento humano constitui, em todas as atividades profissionais o elo mais fraco. Em Pesquisa de Mercado não é diferente. O problema surgiu desde que se foi necessário a interrogação sistemática de pessoas.

Por melhor que possa ser elaborado o questionário, e mais dinheiro seja investido no projeto, a figura do entrevistador é de vital importância numa pesquisa, sendo determinante para o sucesso ou fracasso da mesma.

O ENTREVISTADOR IDEAL

Para descrever as características que fazem de uma pessoa um bom entrevistador, dever-se ia tomar uma pessoa ideal, uma que até agora não chegou a existir, e provavelmente nunca o chegará.

Logicamente não é desejável um entrevistador envergonhado e tímido nem um arrogante ou orgulhoso. Ele estará lidando com seres humanos, e seres humanos gostam de ser respeitados e valorizados.

O bom entrevistador deverá possuir a faculdade de aproximar-se facilmente das pessoas de todas as idades e classes.

Perceber se o entrevistado está realmente disponível e disposto a colaborar.

Procurar se trajar com sobriedade e linguajar compatíveis à comunidade alvo de sua pesquisa.

Evitar o uso de palavras “difíceis” que possam causar qualquer tipo de sentimento de inferioridade ao entrevistado.

Evitar apressar o entrevistado. Este deverá ter toda tranqüilidade para responder a contento às questões.

Procurar fazer o entrevistado entender que ele é importante, e que a opinião deve será representativa de uma quantidade muito grande de pessoas.

O entrevistador deve ter o mínimo de persistência, assim como possuir tato para perceber quando deve parar de insistir.

Mas uma vez repetimos que é necessário que o entrevistador tenha um conhecimento prévio do assunto pesquisado.

SELEÇÃO, TREINAMENTO E REMUNERAÇÃO

De princípio, foi observado, ao longo dos trabalhos de pesquisa, que as mulheres são melhores entrevistadoras que os homens, pela tenacidade, e por não se cansarem mentalmente com tanta facilidade quando precisam repetir as mesmas perguntas durante semanas consecutivas. Este quadro hoje mudou. Com um bom treinamento, podemos fazer de qualquer pessoa um bom entrevistador, apesar de uma mulher ser mais bem aceita.

Em reuniões, explica-se a importância do trabalho, observa-se o interesse da pessoa, o nível cultural, a educação, o uso de “gírias”, a disponibilidade de tempo, o grau de necessidade do emprego, a área que poderá cobrir, etc.

É importante um histórico da pesquisa do tipo: quem encomendou, o que se quer saber, o tempo de duração, etc. quanto ao resultado esperado, jamais deve ser comentado com o entrevistador, pois isto pode influir decisivamente no resultado, fazendo com que o mesmo não possa influenciar respostas.

A parcialidade e a tendenciosidade são características totalmente indesejáveis em entrevistadores. Percebidas estes “desvios”, melhor seria que não se utilize este elemento.

Pode-se também, no início dos trabalhos, que o novato seja acompanhado de outro pesquisador mais experiente, para que através de observações este “aprender” como se faz.

É de extrema utilidade, que sejam feitas periodicamente (de dois em dois dias ou semanalmente) reuniões para se verificar falhas e dificuldades observadas.

Quanto à remuneração, os pesquisadores poderão ser receber por: hora, dia, semana, quinzena, mês, ao final da pesquisa, por produtividade, etc.

Percebe-se que não há um padrão quanto ao pagamento, isso vai de empresa para empresa e de pesquisa para pesquisa. A única prática padrão é a que se refere à alimentação e despesas de passagens, sempre pagas ou reembolsadas pela empresa contratante.

Fato é que um entrevistador insatisfeito é prenuncio de uma péssima tomada de dados e por conseguinte um péssimo trabalho, que está fadado fatalmente ao insucesso.

O ENTREVISTADOR E O QUESTIONÁRIO

O instrumento do entrevistador é o questionário. Um tem que completar o outro. A perfeição seria atingida se o entrevistador incorporasse no questionário, se “vestisse” no questionário, ou seja, dedicação total.

Em caso de dúvidas do respondeste, o entrevistador deve tentar sempre esclarecer todas. Porém, em questionários que possuem perguntas filtro (como já vimos anteriormente), o entrevistador não deve de forma alguma explicar quanto a sua existência, é obvio.

Existem questionários com instruções para entrevistadores do tipo: se não for respondida a pergunta n.º 4, passe para a de n.º 7.

A sincronia do entrevistador com o questionário são, como não cansamos de repetir, de suma importância numa pesquisa.

A CONDUÇÃO DA ENTREVISTA

Palavras chave: “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite”, “Com licença”, “Por favor”, “Obrigado”. Estas são as palavras “mágicas” para uma boa entrevista, e isto não precisava nem ter sido citado.

Um sorriso no rosto, sem ser irônico, pode fazer com que “quebre o gelo” e que a entrevista comece de forma agradável, porém, após o primeiro contato, o entrevistador deve dominar a entrevista com seriedade.

Respostas do tipo “não sei”, devem ser destacadas e anotadas. Elas demonstram falta de opções de respostas, erro na elaboração das perguntas ou falta de lembrança do respondeste, neste caso cabe o auxilio do entrevistador.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O processo descrito a seguir é totalmente manual. O que se usa hoje em dia, consiste num scanner de leitura ótica que “lê” os questionários, seleciona através de prévia codificação, tabula os dados e emite os números, através de softwares específicos. A função do profissional de estatística nesse processo, se enquadra na confecção dos parâmetros, construção de cruzamentos de dados, desvio padrão, inferência dos resultados, crítica e elaboração do relatório.

PROCESSAMENTO DOS DADOS

Em todo levantamento estatístico bem sucedido é essencial que os questionários, depois de devolvidos devidamente identificados pelo entrevistador, passem por uma revisão e triagem. Nesta fase, observa-se a já citada Lei dos Grandes Números, onde respostas absurdas não devem influir na totalidade.

A seguir, é feita a codificação, onde se utiliza um símbolo, letra ou número para cada resposta dada, a fim de que ela se enquadre a um grupo previamente estabelecido e delimitado. A codificação pode ser chamada de classificação dos dados e é o processo que precede a tabulação dados.

TABULAÇÃO DOS DADOS

Tabulação dos dados consiste na contagem das respostas claras de cada questão de acordo com a estratificação da amostra. O método manual mais utilizado consiste em tabela de entrada ou de dupla entrada de valores.

Obtidos os resultados, os mesmos são confeccionadas as tabelas estatísticas.

As folhas de tabulação são a matéria prima para as análises estatísticas. A construção de quadros é uma das partes essenciais do serviço do pesquisador de mercado, é uma tarefa que ele terá de enfrentar já no estágio de planejamento da pesquisa, pois saberá com freqüência, provavelmente desde o princípio, os resultados que pode esperar. Claros e simples devem ser os quadros. As referências cruzadas, cruzamentos de dados ou respostas interligadas devem ser apresentadas de modo que o leigo as entenda. Não se deve esquecer que os empresários ou patrocinadores não são propriamente especialistas em pesquisas.

Nas tabelas os números devem sempre que possíveis ser arredondados, assim como os percentuais.

Fica mais fácil, para o público em geral, tabelas em percentuais, a visualização é mais clara em termos de quantidade.

O RELATÓRIO DO LEVANTAMENTO

O objetivo final de todas essas atividades relacionadas com a pesquisa de mercado é a geração de um relatório.

O primeiro passo é saber quem irá ler o relatório. Se forem os diretores de uma firma, deve ser escrito de modo diferente do que se o fosse para o público em geral. Mas, seja para quem for, o mesmo deverá ser feito de forma clara, simples e objetiva. Termos técnicos, tais como: intervalo de confiança, desvio padrão, variância, expectância ou verossimilhança, dentre outros, não devem jamais aparecer em relatórios.

Existem normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que padronizam esses relatórios, embora hoje em dia seja bem liberal sua forma de apresentação.

Muitas vezes o patrocinador da pesquisa se espanta ao pagar uma soma considerável por poucas folhas impressas e um punhado de gráficos.

Porém, na maioria das vezes, o essencial está contido em poucas linhas.

INTRODUÇÃO

A primeira folha de um relatório é, evidentemente, a folha-título. Além do título da investigação, deve conter apenas o nome da organização responsável pelo levantamento e a data que foi entregue o relatório.

O índice vem após, mostrando a disposição do relatório, de forma que qualquer pessoa interessada possa facilmente encontrar aquilo que procura, por fim vem uma relação de tabelas estatísticas e gráficos pertinentes.

O prefácio tem importância maior do que se supõe. Nele deve constar o nome do promotor, o objetivo da pesquisa, o tamanho da amostra, o questionário utilizado, a metodologia empregada e além disso as pessoas da própria empresa que facilitaram e auxiliaram os levantamentos internos.

Constará também, um sumário das conclusões mais importantes da pesquisa, seguida às vezes por recomendações, quando expressamente solicitadas. O motivo de colocar no começo do relatório essas partes é que os empresários muito ocupados podem dispensar todo o resto, concentrando-se apenas nisso.

As conclusões são o cume do relatório. Decisões vitais de orientação podem muitas vezes ser tomadas com base nessas conclusões.

O pesquisador, salva quando existe intimidade, jamais deve forçar o empresário a ouvir suas conclusões do que deva ser feito. É uma decisão pessoal do empresário.

O CORPO DO RELATÓRIO

O corpo do relatório consiste habitualmente de uma introdução e da análise dos resultados do levantamento. O capítulo introdutório discorre, de modo mais detalhado que no prefácio, sobre o objetivo do levantamento.

Nele se informa o período em que se efetuou a pesquisa de campo e a definição da área geográfica onde foi executada a mesma.

A seguir, acrescenta-se uma breve explicação quanto ao tamanho da amostra e a metodologia empregada. As tabelas estatísticas devem ser apresentadas em ordem lógicas quando da sua citação.

É comum se dizer, que um gráfico bem elaborado, vale mais do que dez paginas escritas, portanto sua confecção deve obedecer a critérios técnicos.

Os gráficos e tabelas são o que podemos chamar de apêndices do relatório. Os gráficos são muito procurados por sua clareza elucidativa.

Quando da apresentação do relatório, o pesquisador deve estar intimamente ligado em todas as suas etapas e conclusões, pois é comum a argüição oral ou apresentação do mesmo em reuniões de diretoria do mesmo.

Portanto, o pesquisador deve saber se expressar com desenvoltura em público, policiando-se a fim de evitar a utilização de termos técnicos, para defender seu trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os levantamentos estatísticos aqui apresentados, são de caráter quantitativo. Os procedimentos adotados são os mais comuns e rotineiros utilizados por empresas de pesquisas mercadológicas.

Existem inúmeras variações quanto à metodologia, aos questionários, comportamento do entrevistador e amostra ideal.

As teorias contidas neste texto, são passíveis de mudanças e ajustamentos de acordo com as necessidades e da apresentação do problema.

A TEORIA DOS CAMPOS CONCEITUAIS

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A aquisição do conhecimento se dá, em geral, por meio de situações e problemas já conhecidos, tendo características locais. Conseqüentemente, todo o conceito tem um domínio de validade restrito, que varia de acordo com a experiência e com o desenvolvimento cognitivo do aluno. A teoria dos campos conceituais considera que existe uma série de fatores que influenciam e interferem na formação e no desenvolvimento de conceitos e que o conhecimento deve emergir dentro de situação problema. O estudo desenvolvido de um campo conceitual, segundo esta teoria, requer que o pesquisador veja um conceito como formado por uma terna de conjuntos (S, I, R), em que:

S é o conjunto de situações que tornam o conceito significativo;
I é conjunto de invariáveis (objetos, propriedades e relações) que podem ser reconhecidos e usados pelo sujeito para analisar e dominar essas situações;
R é conjunto de representações simbólicas que podem ser usadas para pontuar e representar esses invariantes e, portanto, representar as situações e os procedimentos para lidar com eles.
Os conceitos matemáticos traçam seus sentidos a partir de uma variedade de situações, e cada situação normalmente não pode ser analisada com a ajuda de apenas um conceito.

Não se pode, portanto, descrever e analisar os avanços e conquistas dos alunos no seu processo de aprendizagem e desenvolvimento sem considerar duas ferramentas essenciais que, juntas, formam as duas faces da moeda: competência e concepção. Problemas teóricos e práticos levam à formação de conceitos, enquanto conceitos explícitos e conhecimento implícito levam a formação de competência. A competência é traçada pela ação do aluno diante das situações (no caso resolução de problemas) e as concepções dos alunos podem ser traçadas por suas expressões verbais ou outras representações simbólicas (tais como escrita ou gesto). Dentro desse processo de formação e desenvolvimento de competências e concepções, o ensino é essencial e o professor tem um papel fundamental, pois é dele a responsabilidade de fazer escolhas adequadas para criar um ambiente favorável para o aluno avançar nesse processo.

Os teoremas-em-ação são um caminho para analisarmos as estratégias intuitivas dos alunos e ajuda-los na transformação do conhecimento intuitivo para o conhecimento explicito. Eles também nos dão um caminho para fazermos um diagnóstico do que os alunos sabem, ou não, de modo que possamos oferecer situações que lhes permitam consolidar seus conhecimentos, estende-los, perceber seus limites e superar eventuais dificuldades. Esse crescimento leva muitos anos, mas os professores devem estar consciente dos resultados, em longo prazo nos processos de ensino e aprendizagem.