VITAMINA B5

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(Faz parte do complexo B)

Sinonímia: Pantotenato, ácido pantotênico.

5.1 FUNÇÃO

Auxilia o metabolismo em geral. O Pantenol, forma alcoólica ativa do ácido pantotênico do grupo da coenzima A, e uma substância que apresenta papel dos mais importantes na regulação dos processos de suprimento de energia. Ele acha-se fixado em cada célula viva e, por conseguinte, promovendo o desenvolvimento, função e reprodução dos tecidos endoteliais e epiteliais. Combate as infecções produzindo anticorpos. Evita a fadiga, reduz os efeitos adversos e tóxicos de muitos antibióticos. A glândula supra renal e o sistema nervoso dependem dele. Auxilia na construção da célula e manutenção normal do crescimento. Útil no controle do stress físico e mental.

A coenzima A apresenta também importância no metabolismo pela liberação de energia dos glicídios, lipídios e proteínas e também na síntese de aminoácidos, ácidos graxos, esteróis e hormônios esteróides, assim como elemento essencial para a formação da porfirina, porção pigmentar da molécula da hemoglobina.

5.2 CLASSIFICAÇÃO

Hidrossolúvel

5.3 METABOLISMO

O ácido pantogênico administrado pela via oral é completamente absorvido no intestino delgado, e em pequena extensão aparentemente também no estômago, sendo inicialmente convertido em forma livre por subdivisão enzimática. O próprio processo de absorção á aparentemente baseado na difusão passiva, sendo o mesmo processo para a absorção do pantenol que é oxidado em óxido pantogênico no organismo.

Considerando a entrada e a excreção iguais, pode-se assinalar que o ácido pantotênico não é degradado no organismo, atingindo a excreção urinária cerca de 60 a 70% da quantidade administrada oralmente, sendo o restante excretado pelas fezes.

O ácido pantogênico é sintetizado no intestino grosso pela flora intestinal.desde que o ácido pantotênico acha-se fixado em todas as células, as necessidades são fornecidas pelas quantidades normais de todos os alimentos.

5.4 DEFICIÊNCIA

Manifesta-se por degeneração muscular, deficiência adrenocortical e hemorragia, dermatite, queratite, parada do crescimento e morte nos animais. No homem, a sua deficiência não tem sido reconhecida com uma dieta comum, presumivelmente por causa da grande ocorrência da vitamina nos alimentos comuns. No homem, apenas a denominada síndrome “ardor nos pés”, caracterizada por formigamento nos pés e parestesias, hiperestesias, e distúrbios circulatórios nas pernas, supõe-se estar ligados à deficiência de ácido pantotênico. Causa fadiga, fraqueza muscular, perturbações nervosas, anorexia, diminuição da pressão sangüínea. Distúrbios cutâneos.

5.5 EXCESSO

Quando ingeridas em excesso, são facilmente excretadas pela urina e, assim devem ser continuamente supridas na dieta.

5.6 FONTES

Fígado, rim, coração, leveduras, ovos, leite, língua de boi, trigo, centeio, farinha de soja, brócolos, batata, cogumelos.

VITAMINA B3

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(Faz parte do complexo B)

Sinonímia: PP, Niacina, ácido nicotínico, nicotinamida

4.1 FUNÇÃO

Participa nos mecanismos de oxidação celular, intervém no aproveitamento normal dos prótides pelo organismo, influência o metabolismo do enxofre, tem sido usado como agente farmacológico para diminuir o colesterol do plasma. Possibilita o metabolismo das gorduras e carboidratos. Componente de coenzimas relacionadas às enzimas respiratórias e vasodilatadoras. Reduz triglicerídeos, antipelagra. Ajuda a prevenir e aliviar a dor de cabeça provocada por enxaqueca. Estimula a circulação e reduz a pressão sangüínea alta. Importante nas funções cerebrais e revitalização da pele, também na manutenção do sistema nervoso e do aparelho digestivo.

4.2 CLASSIFICAÇÃO

Hidrosolúvel.

4.3 METABOLISMO

É completamente absorvido em todos os segmentos do trato intestinal e após administração terapêutica de doses maciças de nicotinamida apenas traços de nicotinamida inalterada são encontrados na urina e somente após a administração de doses extremamente altas é que a nicotinamida inalterada é o principal produto de excreção. Quanto ao armazenamento, pouco se conhece sua extensão no organismo, acreditando-se que ela faça principalmente no fígado.

4.4 DEFICIÊNCIA

Causa aparecimento da pelagra, perturbações digestivas, nervosas e mentais. Fraqueza muscular, anorexia, estomatite angular, língua vermelha, lesões dermatológicas.

4.5 EXCESSO

Causa formigamento e enrubecimnto da pele, sensação de latejamento na cabeça.

4.6 FONTES

Abóbora moranga, fígado, rim, coração, carnes, ovo, peixes, amendoim cru ou com a película, pimentão doce, cereais integrais, trigo (germe), trigo integral, levedo de cerveja em pó, feijão preto cru, castanha do Pará.

VITAMINA B2

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(Faz parte do complexo B)

Sinonímia: riboflavina, lactoflavina, ovoflavina

3.1 FUNÇÃO

Tem a função de coenzima de sistemas que intervêm nas oxidações celulares. Exerce ação promotora do crescimento. Atua na regeneração sangüínea, no fígado, no trabalho cardíaco e no aparelho ocular. Conserva os tecidos. Proteção de corticosteróides, gliconeogenese e atividade reguladora das enzimas tiroídeas. Ajuda cicatrizar feridas na boca, lábios e língua. Metaboliza carboidratos, as gorduras e as proteínas. Ajuda o organismo a aproveitar oxigênio e é importante na formação de anticorpos.

3.2 CLASSIFICAÇÃO

Hidrossolúvel.

3.3 METABOLISMO

A Riboflavina e FMN são rapidamente absorvidas no trato gastrintestinal através de mecanismo de transporte específico que envolve a fosforilação da riboflavina em FMN, realizando-se a conversão intestinal em outros locais pela Flavoquinase, sendo que a reação sensível ao hormônio tireoidiano e inibida pela dorpromazina e pelos depressores tricíclicos.

A riboflavina é distribuída por todos os tecidos e armazenada em pequenas quantidades e fixada sob forma de flavoproteínas. No globo ocular são encontrados altos teores na lente e na córnea.

Quando a riboflavina é ingerida em teores iguais às necessidades diárias, a excreção urinária atinge cerca de 9% da quantidade ingerida, processando-se a eliminação sob forma de riboflavina livre e parte como FMN. Alguns metabólicos são também excretados não sendo mais biologicamente ativos.

Ela acha-se presente nas fezes, representando provavelmente vitamina sintetizada para microorganismos intestinais desde que a soma total pelas fezes exceda a quantidade ingerida. Este processo não evidencia que a riboflavina sintetizada pelas bactérias no cólon possa ser absorvida.

3.4 DEFICIÊNCIA

Causa dermatite seborréica, perda de apetite, pelagra, queilose (fissuras nos cantos da boca), glossite (língua com aspecto liso e avermelhado), fotofobia, ardência nos olhos, diminuição da visão, retardo no crescimento, catarata, perturbações digestivas. Estomatite angular, lacrijamento, queimação e coceira nos olhos. Síndrome urogenital, distúrbios cutâneos e mucosos.

3.5 EXCESSO

Não são tóxicas e as quantidades armazenadas no corpo são normalmente pequenas. Quando ingeridas em excesso em relação à necessidade corporal, elas são facilmente excretadas na urina e, assim devem ser continuamente supridas na dieta.

3.6 FONTES

Leite, ovos, fígado, coração, músculo de boi e aves, e vegetais de folhas verdes, rim, levedura de cerveja, espinafre, beringela, mandioca, cará, feijões, ervilhas, soja, lentilha, amendoim, grão-de-bico, cereais (trigo, arroz). Pêssego, pêra, ameixa, damasco, amêndoa.

É facilmente destruída pelo componente ultravioleta da luz solar.

VITAMINA B1

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(Faz parte do complexo B)

Sinonímia: tiamina, aneurismas

2.1 FUNÇÃO

Tem efeito antineurítico e sua ação é antiberibérica. É indispensável a saúde do sistema nervoso, dos músculos e do coração. E como fator de crescimento normal, da regularidade do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. (transforma carboidratos em energia), e da manutenção do apetite. Favorece a absorção de oxigênio pelo cérebro. Faz respiração tecidual. Melhora a atitude e o raciocínio. Útil na digestão.

2.2 CLASSIFICAÇÃO

Termolábil e hidrossolúvel.

2.3 METABOLISMO

A tiamina é absorvida principalmente na parte superior do duodeno e um aumento significativo da concentração tiamínica é observado na secção distal do intestino somente após ingestão de grandes doses. Depois de absorvida, a tiamina, através da mucosa intestinal, é transportada para o fígado, por meio da circulação portal e, dessa forma, parte da vitamina aí encontra retorna ao lúmen intestinal com a bile, em um ponto bem distante do local de absorção máxima. Na sua quase totalidade , a tiamina é introduzida com os alimentos, em partes sob sua forma livre (especialmente os alimentos de origem animal), e mais freqüente, sob forma de pirofosfato.

A tiamina absorvida pelo intestino delgado sofre fosforilação na mucosa intestinal, sendo absorvida sob essa forma. Quando da administração oral de doses elevadas, alguma tiamina pode ser secretada pela mucosa intestinal dentro do lúmen, aparecendo nas fezes sob forma de tiamina não absorvida.

Já nos alcoólatras parece existir uma deficiência de absorção de tiamina que provavelmente em grande parte é responsável pela incidência de déficit tiamínico observado nesses indivíduos.

A tiamina é encontrada nas células como monofosfato ou pirofosfato e distribuída em todos os tecidos e as mais altas concentrações encontram-se no fígado, cérebro, rim e coração.

2.4 DEFICIÊNCIA

Produz béri-béri, (insuficiência cardíaca e manifestações nervosas). Em geral o béri-béri ocorre em indivíduos com dieta rica em glicídeos e baixa em tiamina. Também causa Síndrome de Wernicke – Korsakoff, perda de peso, nervosismo, fraqueza muscular; distúrbios cardiovasculares e gastrointestinais, confusão mental, depressão, letargia, instabilidade emocional, irritabilidade.

2.5 EXCESSO

As vitaminas hidrossolúveis não são tóxicas e as quantidades armazenadas no corpo são normalmente pequenas. Quando ingeridas em excesso em relação a necessidade corporal, elas são facilmente excretadas na urina e, assim devem ser continuamente supridas na dieta.

2.6 FONTES

Carne de porco, cereais integrais e legumes são fontes mais ricas de tiamina. Nozes, lentilha, soja, gema de ovo, fígado, coração, presunto, levedo de cerveja. As camadas externas dos grãos são particularmente ricas em tiamina. Assim, a farinha de trigo integral é uma boa fonte da vitamina, enquanto o pão branco, preparando a partir do grão moído é pobre em tiamina. Leite, verduras, rabanete, batata-doce, espinafre, maçã, damasco, ameixa, banana. Cozimento álcool, cafeína e antiácidos destroem a vitamina B1.

VITAMINA A

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Sinonímia: aneroftol ou retinol

1.1 FUNÇÃO

A vitamina A exerce numerosas funções importantes no organismo, como ação protetora na pele e mucosas e papel essencial na função da retina da capacidade funcional dos órgãos de reprodução. Confere elementos de defesa contra as infecções, preside ao crescimento alimentar dos tecidos dando-lhes resistência às enfermidades, desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial. Contribui para o desenvolvimento normal dos dentes e a conservação do esmalte e bom estado dos cabelos. Protege a área respiratória, é essencial na gravidez e lactação, importante para assimilação das gorduras, para a glândula tireóide, fígado e supra-renais, protege a vitamina C contra oxidações, favorecendo a sua assimilação pelo organismo. Trabalha em conjunto com as vitaminas B, D e E, cálcio, fósforo e zinco. Ajuda no funcionamento adequado do sistema imunológico. Ajuda eliminar as manchas senis. Colabora no tratamento de muitos problemas visuais, é antixeroftálmica, ajuda no desenvolvimento ósseo, anticancerígeno.

1.2 CLASSIFICAÇÃO

Termoestável (resiste ao calor até 100ºC), lipossolúvel (solúvel nas gorduras), hidroinssolúvel (não solúvel na água).

1.3 METABOLISMO

A absorção da vitamina A diz respeito à vitamina preformada, do ácido retinóico e do beta caroteno ou outros carotenóides. Após administração, a absorção é realizada similarmente a das gorduras, e na presença de anormalidades da absorção das gorduras, a absorção do retinol sofre redução. A absorção é quase integral é quase integral em condições de normalidade do aparelho gastrintestinal, sendo a absorção do retinol e de seu ésteres mais completa em jejum, se forem administrados sob forma de soluções aquosas. O retinol é formado pela hidrólise dos ésteres do retinil no intestino, sofre rápida absorção, sendo que no caso de sua ingestão em alto teor, certa quantidade é eliminada pelas fezes.

Os ésteres de retinil sofrem hidrólise no lúmen intestinal por enzimas pancreáticas dentro da borda de escova da célula intestinal antes da absorção, seguindo por reesterificação, principalmente para o palmitato. Quantidades apreciáveis de retinol também são absorvidas diretamente na circulação.

O armazenamento da vitamina A é feito em forma de ésteres de retinil, e após divisão hidrolítica dos ésteres o fígado libera continuamente retinol livre na circulação sangüínea deste modo mantendo uma constante concentração de sua forma ativa na circulação. O transporte do retinol no sangue é realizado em grande parte por um veículo, o RBP 9 (retinol ligado a uma proteína, alfaglobulina).

Metabolicamente o retinol sofre conjugação com ácido glicurônico, entrando assim na circulação êntero-hepática, sofrendo oxidação em retinol e ácido retinóico.

A administração de pequenas quantidades de vitamina, aumenta o armazenamento do retinol nos tecidos. A concentração sangüínea não é um guia recomendável para um estudo individual da vitamina A, mas valores baixos de retinol sangüíneo significam que o armazenamento hepático da vitamina pode ser esgotado. A concentração do RBP no plasma é decisiva para a regulação do retinol no plasma e seu transporte para os tecidos.

A excreção de produtos identificados até o momento inclui o ácido retinóico livre e glucoronatado, ambos como ácido oxorretinóico. O retinol não é fixado na urina e sob forma inalterada é excretado somente em casos de nefrite crônica. Quando altas doses de vitamina A são administradas é que certa proporção sofre excreção sob forma inalterada nas fezes.

1.4 DEFICIÊNCIA

Hemeralopia (cegueira noturna), distúrbios oftálmicos (xeroftalmia, querotomalácia, dificuldade de adaptação visual, fotofobia), distúrbios na visão crepuscular, pele seca e escamosa, distúrbios cutâneos (ictiose, doença de Darier, frinoderma), cabelos duros, sem brilho e ásperos, enfraquecimento dos dentes e inflamação das gengivas, falta de resistência às infecções das vias respiratórias e aos cálculos renais, perturbações no crescimento do individuo. Perda de peso.

1.5 EXCESSO

Quantidades grandes de vitamina A são tóxicas. Os sintomas da intoxicação por vitamina A incluem dor e fragilidade óssea, dermatite escamativa, hepatoesplenomegalia, diarréia e função hepática anormal. Hidrocefalia e vômitos em crianças, unhas frágeis, perda de cabelo, gengivite, anorexia, irritabilidade, fadiga, oscite e hipertensão.

1.6 FONTES

Manteiga, leite, gema de ovo, fígado, espinafre, chicória, tomate, mamão, batata, cará, abóbora, cenoura, salsa, pimentão vermelho, tangerina, manga, goiaba vermelha, brócolos, alface, pêssego, nabo, caqui, couve-manteiga, dente-de-leão, nirá, mostarda, vagem, milho, abobrinha, alcachofra, alho, repolho, pepino, ervilha seca e fresca, fava, cebola, cebolinha, aspargo, amendoim, beterraba, broto de bambu, batata-doce branca, roxa e amarela, lentilha, melão, melancia, maçã, morango, banana, caranguejo, ova de peixe, carne de frango. óleo de fígado de peixe, rim, óleo de dendê, couve.

ANTÔNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

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António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um estadista português, antigo professor da Universidade de Coimbra. Salazar notabilizou-se pela concepção e incremento durante a Segunda República portuguesa de um Estado Novo corporativo e autoritário, pelo exercício solitário e incontestado da sua autoridade em Portugal, em todos os sectores, durante perto de meio século.

Foi ministro das Finanças entre 1928 e 1932, saneando as Finanças públicas. Entre 1932 e 1968, foi o político que dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros.[1]

Foi fundador e chefe da União Nacional – partido único durante o Estado Novo – a partir de 1931. Salazar foi o fundador e principal mentor do Estado Novo (1933-1974).

Alegando defender as doutrinas sociais da Igreja Católica, Salazar desviou-se para um corporativismo de Estado autoritário, de inspiração fascista, como uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e o seu Império, que tiveram maior impacto sobretudo até aos anos sessenta.

O caminho do poder

Assento de baptismo de Salazar, que servia de registo de nascimento.Em 1900, após de completar os seus estudos na escola primária, com 11 anos de idade, Oliveira Salazar ingressou no Seminário de Viseu, onde permaneceu por oito anos. Em 1908, o seu último ano lectivo no seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu e também em todo o país. Surgiam artigos que atacavam o Governo, o Rei e a Igreja Católica. Foi também nesse ano que se deu o assassínio do Rei D. Carlos e do seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe. Não ficando indiferente a esses acontecimentos, Salazar, católico praticante, começou a insurgir-se contra os republicanos jacobinos em defesa da Igreja, escrevendo vários artigos nos jornais. Depois de completar os estudos, permaneceu em Viseu por mais dois anos. Porém, em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito. Em 1914, concluiu o curso de Direito com a alta classificação de 19 valores e torna-se, dois anos depois, assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em 1917 a convite do professor José Alberto dos Reis, antes de se doutorar em 1918.

Durante esse período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico da Democracia Cristã onde faz amigos como Mário de Figueiredo, José Nosolini, Juvenal de Araújo, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves Cerejeira, Bissaya Barreto, entre outros. Alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da Primeira República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII, vai consolidando o seu pensamento, explicitando-o em artigos e conferências, onde se revela que “Salazar nasceu para a política pugnando pelo acertar do passo com a Europa, e com a paixão pela Educação” [3].

As suas opiniões e ligações ao Centro Académico da Democracia Cristã levaram-no, em 1921, a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e não encontrando aí qualquer motivação, regressou à universidade passados três dias. Lá se manteve até 1926.

Da pasta das Finanças à Presidência do Conselho

Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou inclusive após o Golpe militar de 28 de Maio de 1926), a Ditadura Militar chamou o Dr.Salazar em Junho de 1926 para a pasta das finanças; passados treze dias renuncia ao cargo e retorna a Coimbra por não lhe haverem satisfeitas as condições que achava indispensáveis ao seu exercício.

Em 27 de Abril de 1928, após a eleição do Marechal Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas, reassumiu a pasta, mas exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit, um “milagre” nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.

Sei muito bem o que quero e para onde vou. – afirmara, denunciando o seu propósito na tomada de posse.

Na imprensa, que era controlada pela censura, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da direita republicana, de alguns sectores monárquicos e dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação ministerial. Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo e à democracia da Primeira República, cria a União Nacional em 1930, visando o estabelecimento de um regime de partido único.

Em 1932 era publicado o projecto de uma nova Constituição que seria aprovada em 1933 através de um plebiscito. Com esta constituição, Salazar cria o Estado Novo, uma ditadura anti-liberal e anti-comunista, que se orienta segundo os princípios conservadores autoritários: Deus, Pátria e Familia. Toda a vida económica e social do país estava organizada em corporações de nomeação e direcção estatal – era também um Estado Corporativo. Mantendo as doutrinas coloniais que vingaram na Primeira República, Portugal afirmava-se como “um Estado pluricontinental e multirracial”. Durante o Estado Novo, os Presidentes da República, que foram regularmente eleitos por sufrágio universal até 1958, tinham na prática funções meramente cerimoniais. O detentor real do poder era o Presidente do Conselho de Ministros e era ele que dirigia os destinos da Nação.

Salazar e Franco

Na Guerra Civil Espanhola, deflagrada em Julho de 1936, estava fundamentalmente em causa a opção por um regime comunista ou por um regime nacionalista, que poderia influenciar toda a Península Ibérica. Por esta razão, Salazar, alinhou-se com o General Francisco Franco, sendo discutido pelos historiadores se foram ou não enviadas forças militares portuguesas para Espanha (o que nunca foi reconhecido oficialmente). Neste mesmo ano, Salazar criou a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa.

Em 8 de Setembro de 1936, teve lugar em Lisboa a Revolta dos Marinheiros, também conhecida como Motim dos Barcos do Tejo, mais uma aparatosa acção levada a cabo durante a Guerra Civil Espanhola contra a ditadura portuguesa.

A acção foi desencadeada pela Organização Revolucionária da Armada (ORA), estrutura criada em 1932 para agrupar as células do Partido Comunista Português (PCP) da Marinha. A organização editava um mensário intitulado O Marinheiro Vermelho.

Os marinheiros comunistas sublevaram as tripulações dos navios de guerra Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, procurando sair com eles da Barra do Tejo. Após uma intensa troca de tiros travada entre estes e o Forte de São Julião, que causou a morte de 10 marinheiros, a revolta fracassou e os sublevados foram presos.

Salazar e os Monárquicos

Oliveira Salazar conseguiu alimentar durante muito tempo a lenda dos seus sentimentos monárquicos. O conhecimento que hoje temos dos seus escritos de juventude, a observação cuidada dos acontecimentos políticos da época e o conteúdo da correspondência entre Salazar e Caetano, revelam que o seu alegado “monarquismo” se inseriu num habilidoso jogo político através do qual Salazar conseguiu obter o apoio de alguns monárquicos para sustentar o seu “Estado Novo” [3] .

O seu anti-monarquismo começou a revelar-se dentro do Centro Católico, quando, no seu Congresso de 1922, vinga a tese de Salazar de que o Centro deveria aceitar o regime republicano “sem pensamento reservado”. Monárquicos católicos, com destaque, entre outros, para Fernando de Sousa (Nemo), Alberto Pinheiro Torres, Pacheco de Amorim, abandonaram então o Centro Católico.

Ao chegar ao poder, no discurso que proferiu em 9 de Junho de 1928, a solução do “problema político” do regime (Monarquia ou República) surgia ainda em último lugar nas suas prioridades. Uma resolução tomada dois anos depois, porém, revelava a grande distância que ia entre as suas palavras e os seus actos. Após a falhada Monarquia do Norte, em 1919, umas centenas de oficiais do exército foram afastados do serviço ou demitidos, quando dominava a cena política o Partido Democrático de Afonso Costa. Mais tarde, o governo de António Maria da Silva, para amainar os animos já muito exaltados contra a 1ª República, apresentou no Parlamento e no Senado um projecto visando a reintegração no serviço activo daqueles oficiais. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 interrompeu o processo, mas, em 1930, o tenente-coronel Adriano Strecht de Vasconcelos apresentou ao presidente Carmona um documento intitulado “A Situação Jurídica dos militares afastados do serviço do Exército em 1919”, pedindo justiça. Oliveira Salazar reagiu impedindo a reintegração daqueles oficiais monárquicos.

Na sequência da morte de D. Manuel II, em 2 de Julho de 1932, a ilusão do “monarquismo” de Salazar caiu por completo quando o seu Governo se apropriou dos bens da Casa de Bragança instituindo a Fundação da Casa de Bragança. A derradeira prova de que Salazar não queria a Monarquia deu-se em 1951 no Congresso da União Nacional, em Coimbra. Em discurso encomendado por Salazar, Marcello Caetano vem a travar naquele congresso as teses da Restauração da Monarquia [4].

A concordata
A questão da indemnização da Igreja Católica pela nacionalização dos seus bens durante a 1ª República foi reivindicada e considerada. Salazar rejeita porém tal hipótese e adopta um regime de separação de poderes entre o Estado e a Igreja, que virá a ficar definido na Concordata entre a Santa Sé e Portugal, em 1940.

A Segunda Guerra Mundial
Oliveira Salazar assumira a pasta dos negócios estrangeiros desde a Guerra Civil Espanhola. Com a Segunda Guerra Mundial o imperativo do governo de Salazar é manter a neutralidade. Próximo ideologicamente do Eixo, o regime português escuda-se nisso e também na aliança com a Inglaterra para manter uma política de neutralidade. Esta assentava num esforço de não afrontamento a qualquer dos lados em beligerância.

Primeiramente, uma intensa actividade diplomática junto de Franco tenta evitar que a Espanha se alie à Alemanha e à Itália (caso em que previsivelmente os países do Eixo com a Espanha olhariam a ocupação de Portugal como meio de controlar o Atlântico e fechar o Mediterrâneo, o que desviaria o teatro da guerra para a Península Ibérica).

Com a Espanha fora da guerra, a estratégia de neutralidade é um imperativo da diplomacia por forma a não provocar a hostilidade nos beligerantes e Salazar não tolerou desvios dos diplomatas que arriscassem a sua política externa. Quando o cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus concedeu vistos em grande quantidade a judeus em fuga aos nazis, ignorando instruções do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Salazar foi implacável com ele e demitiu-o.

A exoneração de Aristides
Salazar deu instruções explícitas aos seus embaixadores para que limitassem a concessão de vistos a pessoas que pretendiam fugir da França, quando esta foi invadida pela Alemanha. No Verão de 1940, milhares de pessoas em fuga, muitas delas judeus que receavam pela sua vida caso caíssem nas mãos dos nazis, dirigem-se às embaixadas e postos consulares portugueses em França, suplicando pelo direito a um visto de entrada no país.

Contrariando as instruções de Salazar, Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, concedeu esses vistos em grandes números. Salazar viria a demitir Aristides, retirando-lhe os direitos à totalidade da pensão de reforma, acabando o ex-cônsul por passar o final da sua vida na miséria em Portugal.

Da mesma forma viria Salazar a agir com o embaixador de Portugal em Londres, Armindo Monteiro, por haver manifestado publicamente uma posição anglófila.

Papel dos Açores
Em 1943 os Aliados procuram utilizar a Base das Lajes nos Açores, como base de apoio para as missões no Oceano Atlântico e no Teatro de Operações Europeu. O governo de Portugal, não evitando a pressão, cede. Mas Salazar negocia como contrapartida o fornecimento de armamento (poderia a Alemanha vir a atacar Portugal) e a garantia da restituição da soberania portuguesa a Timor no fim da Guerra.

Rescaldo da neutralidade portuguesa
A posição da neutralidade de Portugal e a consequente abertura dos canais diplomáticos e comerciais com ambas as partes beligerantes, a balança comercial portuguesa manteve saldo positivo durante boa parte do conflito, nomeadamente nos anos de 1941, 1942 e 1943. Nestes anos, as exportações ultrapassaram as importações, facto que não se verificava desde dezenas de anos, e que até à actualidade ainda não se verificou. Esta hábil gestão da neutralidade trouxe-lhe, no final da guerra, os benefícios da paz sem ter de pagar o preço da guerra. Portugal foi uma das poucas zonas de paz num mundo a “ferro e fogo”, serviu de refúgio a muitas pessoas de várias proveniências. Um desses refugiados foi o arménio Calouste Gulbenkian, que permaneceu no país tendo legado uma das mais importantes instituições ao serviço da cultura em Portugal. Esta situação económica conseguiu também atenuar os problemas provocados pela Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e pela própria Segunda Guerra Mundial, que trouxeram problemas de escassez de géneros (Portugal era deficitário quanto a alimentos) e a inflação que disparou.

Em Portugal, embora se reconhecesse o mérito da obra de Salazar no que respeita à reorganização financeira, à restauração económica e à defesa da paz, muitos entenderam que tinha chegado a oportunidade de mudança politica.

Guerra colonial
Ver artigo principal: Guerra colonial portuguesa
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, que a comunidade internacional e a ONU vinham a defender a implementar um política de descolonização em todo o mundo. O Estado português recusou-se a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas. Salazar, praticando uma política de isolacionismo internacional sob o lema Orgulhosamente sós, levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.

Em Março de 1961, no norte de Angola acaba por estalar uma sangrenta revolta, com o assassínio de colonos civis. A chacina merece de Salazar a resposta Para Angola rapidamente e em força. Defensor de uma política colonialista, Salazar alimenta as fileiras da guerra colonial, que se espalha à Guiné e a Moçambique, com o propósito de manter as chamadas províncias ultramarinas sob a bandeira portuguesa.

A Guerra Colonial teve como consequências milhares de vítimas entre os povos que acabariam por se tornar independentes e entre portugueses. Teve forte impacto económico em Portugal, e nas colónias, aonde o desenvolvimento económico foi muito acelerado em tempo da guerra; mas abalou as suas estruturas políticas e sociais o País, tendo sido uma das causas da queda do regime e da 25 de Abril.

Final
Foi afastado do Governo em 1968 após ser vitimado por um hematoma craneano, que lhe causou danos cerebrais graves, após uma queda a 7 de Setembro de 1968, quando passava férias no forte de S. António do Estoril. Segundo o seu barbeiro pessoal, Salazar costumava ser distraído e tinha o hábito de «saltar para as cadeiras». Nesse dia, preparando-se para ler o jornal, caiu onde habitualmente estava uma cadeira, mas que nesse dia tinha sido movida.[5] Américo Tomás então Presidente da República chamou, então, a 27 de Setembro de 1968, Marcello Caetano para substituir Salazar.[6] Até morrer, em 1970, continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho, nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era – no que não era contrariado pelos que o rodeavam.[7]

Biografia cronológica
1889: Nasce em Vimieiro, Santa Comba Dão.
1914: Em Coimbra, conclui o curso de Direito.
1918: Professor de Ciência Económica.
1926: Após o golpe de 28 de Maio é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo.
1928: É novamente convidado para Ministro das Finanças; nunca mais abandonará o poder.
1930: Nasce a União Nacional.
1932: Presidente do Conselho de Ministros.
1933: É plebiscitada uma nova constituição que dá inicio ao Estado Novo. Fim da ditadura militar.
1936: Na Guerra Civil de Espanha apoia Franco; cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa; abre as colónias penais do Tarrafal e de Peniche – 1937: Escapa a um atentado dos comunistas.
1939: Iniciada a Segunda Guerra Mundial, Salazar conseguirá manter a neutralidade do país.
1940: Exposição do Mundo Português.
1943: Cede aos Aliados uma base militar nos Açores.
1945: A PIDE substitui a PVDE.
1949: Contra Norton de Matos, Carmona é reeleito Presidente da República; Portugal é admitido como membro da NATO.
1951: Contra Quintão Meireles, Craveiro Lopes é eleito Presidente da República.
1958: Contra Humberto Delgado, Américo Tomás é eleito Presidente da República; o Bispo do Porto critica a política salazarista
1961: 22/01, ataque ao navio Santa Maria por anti-salazaristas, que se asilam no Brasil logo após a posse de Janio Quadros; 04/02, assalto às prisões de Luanda; 11/03, tentativa de golpe de Botelho Moniz; 21/04, resolução da ONU condenando a política africana de Portugal; 19/12, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu; 31/12/61 para 01/01/62, revolta de Beja.
1963: O PAIGC abre nova frente de batalha na Guiné.
1964: A FRELIMO inicia a luta pela independência, em Moçambique.
1965: Crise académica; a PIDE assassina Humberto Delgado.
1966: Salazar inaugura a ponte sobre o Tejo.
1968: Salazar sofre um acidente e fica mentalmente diminuído.
1970: Morte de Salazar.

Programa da RTP Os Grandes Portugueses
No concurso da RTP Os Grandes Portugueses em Março de 2007, Salazar foi a mais votada das personalidades em jogo, com 42% dos votos expressos, (que corresponderam contudo a apenas 0,6%[8]da população actual do país) seguido de Álvaro Cunhal, com 19%, e Aristides de Sousa Mendes, com 13%. No entanto, o concurso é desvalorizado por historiadores como José Mattoso, António Reis, António Manuel Hespanha e Fernando Rosas, entre outros, que acusaram a RTP de desinformação e manipulação num texto publicado no jornal Expresso. Por seu turno, em declarações ao Diário de Notícias, Nuno Santos, director de programas da RTP, considera que a acusação é de mau gosto e revela má-fé.

Notas
↑ Designação tradicional em Portugal durante a Monarquia liberal e a Segunda República para o cargo de primeiro-ministro.
↑ Segundo [1].
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MODULADORES DOS HÁBITOS DE SONO NA INFÂNCIA

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RESUMO

Trata-se de um artigo de revisão bibliográfica realizado com o objetivo de apresentar os principais fatores orgânicos, psicológicos e culturais que influenciam os hábitos de sono do lactente. Com uma abordagem clínico-antropológica, descreve as inter-relações desses hábitos com os estressores biocomportamentais e psicossociais, além das práticas culturais como co-leito, alimentação noturna, objetos transicionais e uso de chupetas. Aponta para algumas condutas que podem modular a fisiologia do sono e as práticas domiciliares de sono na infância.

Descritores: Recém-nascido; Sono; Fatores culturais.


ABSTRACT

This literature review presents the main organic, psychological and cultural factors influencing the sleeping habits of infants. By means of a clinical-anthropological approach, the interrelation between these habits and biobehavioral and psychosocial stressing factors is described, as well as cultural practices such as shared bed, night feeding, transitional objects and use of dummies. It presents some measures that may modulate the physiology of sleep and home practices of sleeping in childhood.

Descriptores: Infant, newborn; Sleep; Cultural factors.


RESUMEN

Tratase de un artículo de revisión relizado con el objetivo de presentar los principales factores orgánicos, psicológicos y culturales que influencian en los hábitos del sueño del lactante. Con un abordaje clínico-antropológico, describe las interrelaciones de esos hábitos con loséstressores biocomportamentales y psicosociales, más allá de las prácticas culturales como el co-lecho, alimentación nocturna, objetos transicionales y el uso de chupetes. Apunta para algunas conductas que pueden modular la fisiología del sueño y las prácticas domiciliares del sueño en la infancia.

Descriptores: Recién-nacido; Sueño; Factores culturales.


1. INTRODUÇÃO

Os hábitos de vida são adquiridos no ambiente familiar e social e repercutem nas condições de saúde dos indivíduos. Na infância, destacam-se os hábitos alimentares e de sono como os mais importantes para o desenvolvimento saudável. Os hábitos de sono diferem dos padrões de sono: estes constituem um conjunto de informações mensuráveis acerca da organização temporal, estrutural e fisiológica do ritmo sono-vigília, ao passo que os hábitos de sono podem ser definidos como os comportamentos culturalmente aprendidos e sistematicamente adotados pelo indivíduo ou seu cuidador com o propósito de favorecer o início ou a manutenção do sono em associação ou não com o atendimento de outras necessidades humanas básicas, tais como alimentação, hidratação, conforto, segurança, vínculo(1).

Consoante a importância que este tema apresenta para a área de enfermagem, esta revisão teve como objetivo descrever os fatores que influenciam na modulação do sono em lactentes.

2. RESULTADOS

Para uma melhor comprensão didática dos fatores envolvidos nos hábitos do sono, os resultados serão apresentados de acordo com ordem pelas quais o mesmo pode ser influenciado: por fatores orgânicos, psicológicos e culturais.

2.1 Moduladores Orgânicos

Organicamente, qualquer interrupção no fluxo de ar pelas vias áreas, seja uma discreta obstrução nasal, seja uma apnéia central, repercute no padrão do sono, podendo ocasionar sérios distúrbios(2). O hábito comum das mães de cobrirem com fraldas as narinas e boca do lactente para indução e manutenção do sono representa um fator potencial de limitação do metabolismo gasoso, com conseqüências sobre a resposta ventilatória e de despertar. Outros problemas orgânicos podem estar associados aos distúrbios de sono, tais como alergia ao leite de vaca(3), refluxo gastroesofágico(3,4), cólica(3,5), dermatite atópica(6), otite média(3;7), cefaléia(8) e transtornos neurológicos(7). O aparecimento do distúrbio do sono em associação com problemas do desenvolvimento (cólica), com as doenças anteriormente listadas ou com atraso desenvolvimental na consolidação do sono, poderá contribuir para o desenvolvimento de hábitos inadequados relacionados aos despertares noturnos ou ao início do sono(4).

2.2 Moduladores Psicológicos

No processo de desenvolvimento infantil, a maturação do sistema sono-vigília exerce influência significativa no funcionamento psicossocial e neurocomportamental da criança, o que torna imprescindível a identificação precoce dos hábitos inadequados de sono para assegurar o bem-estar infantil. Fatores como a personalidade e psicopatologia dos pais – especialmente materna -, o modo de interação estabelecido com a criança, os rituais adotados para dormir e os estressores psicossociais podem modular os padrões e os hábitos de sono e serem por eles modelados. Sadeh et al.(9) consideram como estressores psicossociais desde aqueles mais leves, como dormir num laboratório de sono, até os provocados por trauma ou abuso. Os autores também diferenciam em dois tipos as respostas da criança aos estressores: 1) resposta a situações agudas de estresse externo ou ameaça, que levam a criança a tornar-se hiperalerta ou vigilitante, um estado psicológico incompatível com a consolidação do sono, que se manifesta por dificuldade de adormecer e por muitos despertares; 2) resposta a situações crônicas ou incontroláveis de estresse, com tendência da criança a afastar-se do ambiente estressante, gastando mais tempo em sono profundo, com elevado limiar de despertar. Alguns estressores psicossociais, como dificuldades financeiras, doenças e habitação precária, são mais freqüentes entre as famílias de crianças com distúrbios de sono(10).

O temperamento da criança, o estresse familiar e a depressão materna também influenciam os hábitos de sono. Anders(11), estudando a maturação do ciclo sono-vigília durante o primeiro ano de vida, constatou que alguns lactentes, ao acordar durante a noite, retomavam o sono sem necessidade de intervenção materna, ao passo que outros, ao acordar, choravam até serem removidos do berço por seus pais. Os primeiros foram denominados autotranqüilizadores; os segundos, sinalizadores. Em estudo posterior, o autor constatou que os autotranqüilizadores mostravam-se mais propensos ao uso de chupeta ou sucção de dedos para adormecer(12). A depressão materna é apontada como geradora dos seguintes problemas de sono na infância: cansaço, falta de atenção, diminuição do desempenho cognitivo, dificuldade de aprendizagem, irritabilidade, dificuldade de controlar impulsos e emoções, ansiedade, medo e dificuldade de apego(13). A dificuldade de manejo desses fatores e das suas conseqüências sobre o sono pode consolidar hábitos inadequados. Por outro lado, mães que avaliam seu próprio sono como bom ou muito bom apresentam menos sintomas depressivos, mesmo quando percebem que seu filho tem problemas de sono. Alguns dos comportamentos de sono classificados pelas mães como problemas são passíveis de modificação pela adoção de hábitos apropriados a um desenvolvimento saudável do lactente(14).

2.3 Moduladores Sócio-Culturais

A palavra “cultura” pode significar “tudo o que, não sendo naturalmente inato, deve ser aprendido e adquirido; pode significar os usos, valores, crenças de uma etnia ou de uma nação”(15). Esse conceito caracteriza a cultura como um processo de interação entre indivíduos, por meio do qual a cultura se perpetua e mantém as identidades sociais naquilo que elas têm de específico. Os hábitos de sono inserem-se nesse contexto de interação e interfaces com as questões biológicas, psicológicas, sociais e culturais. A cultura direciona as decisões a respeito das práticas domiciliares de sono, que se originam na interação da díade mãe-filho e modulam a fisiologia do sono.

Um modelo teórico que pode acomodar os diversos fatores que interagem no desenvolvimento do sono foi desenvolvido por Anders(16). Reconhecendo as competências do recém-nascido para o engajamento ativo no mundo físico e social e, também, para o processamento de informações e para a escolha de certos estímulos em detrimento de outros, o autor propôs o modelo transacional. Esse modelo apóia-se no pressuposto de que o desenvolvimento normal do sono do lactente pode variar não apenas dentro de diferentes subgrupos culturais, mas também de criança para criança, dependendo da interação dos fatores intrínsecos e extrínsecos importantes em cada fase do desenvolvimento infantil. Os fatores intrínsecos incluem o temperamento da criança, o padrão de crescimento, as condições neurológicas ao nascer, entre outros. Os fatores extrínsecos podem incluir objetos; a forma de alimentação aleitamento materno ou mamadeira; padrão de alimentação autodemanda ou padrões estabelecidos pelos pais; local de dormir cama própria, cama dos pais, quarto dos pais, quarto próprio; posição para dormir lateral, supina, prona; o contato físico noturno com os pais ou não e o fato de ser filho único ou ter irmãos. A conjunção desses fatores resulta em hábitos de sono culturalmente orientados, que potencialmente modulam a fisiologia do sono e, em alguns casos, podem salvar vidas por afastar os fatores de risco para a síndrome da morte súbita do lactente(17).

Os hábitos de sono situam-se no ponto de intersecção entre o conhecimento científico e os valores culturais, o que os torna um desafio para a escolha da conduta pediátrica e a segurança do cuidado familiar. O embate entre esses dois pontos de vista, que denotam diferentes visões sobre o desenvolvimento infantil, tem gerado controvérsias ainda não superadas na literatura. Os principais pontos de divergências centram-se nas práticas de co-leito e no aleitamento materno noturno.

2.4 Sono Compartilhado

O co-leito representa um tipo de sono compartilhado definido, como se viu anteriormente, como o hábito da criança de dormir na cama com um cuidador principal, geralmente a mãe(17,18). Esse conceito é diferente de quarto compartilhado, em que a criança dorme em local próximo ao cuidador principal, porém não na mesma superfície (colchão, esteira, sofá), ao alcance de seu braço, o que permite que cada um detecte e responda à variedade de estímulos sensoriais do outro, como sons, movimentos, cheiros, olhares e toques(17). Essas modalidades de dormir têm sido utilizadas tradicionalmente em muitas culturas, especialmente nos países orientais, onde a interdependência e a harmonia grupal constituem valores sociais que orientam o desenvolvimento infantil esperado. Assim, na cultura japonesa, por exemplo, o recém-nascido é visto como um organismo biológico que, para se desenvolver, necessita estabelecer relações interdependentes com os outros. A díade mãe-filho é encarada como uma unidade biológica, razão pela qual não pode ser separada para dormir. O espaço entre a mãe e o filho deve ser o menor possível(17). Por outro lado, algumas sociedades ocidentais, especialmente as industrializadas, valorizam a independência e autoconfiança. O recém-nascido é visto como um ser dependente, que, para se desenvolver, necessita se tornar gradativamente independente dos outros. Dormir em cama e quarto separados faz parte desse processo.

Nessa mesma linha de busca de interdependência ou independência no transcurso do desenvolvimento, o aleitamento materno noturno é considerado culturalmente correto para o primeiro grupo e incorreto para o segundo.

McKenna(17) apresenta uma contundente crítica aos cientistas e profissionais de saúde que orientam suas condutas pelo “padrão ouro” do sono infantil nas sociedades ocidentais dormir sozinho, com ausência ou o mínimo de aleitamento materno para assegurar independência de seus pais. Em relação às escolhas dos hábitos de sono pelos pais, McKenna enfoca as questões morais descritas por Shweder et al(19), que influenciam nas decisões sobre o tipo de práticas a serem adotadas. Uma delas aponta que os pais têm uma forte preocupação em relação à aceitação moral de suas condutas. Inicialmente, eles acreditam não só que certos hábitos de sono produzem certos tipos de crianças, mas que essas práticas refletem certos tipos de pais (pais bons ou maus), que são julgados pela família, amigos e comunidade sobre onde e com quem colocam o seu filho para dormir à noite. Três questões morais emergem desse julgamento: a) a santidade-separação da criança do relacionamento marital; b) o aspecto de evitar o incesto e c) a importância de ensinar à criança a autoconfiança e independência, impingindo-lhe a prática de dormir sozinha. Sobre esses aspectos, McKenna aponta as contradições entre os resultados que os pais esperam infundir em seus filhos com os hábitos de sono e as estratégias que eles pensam ser necessário adotar para alcançar esses resultados. Cita como exemplo os pais que querem incutir em seus filhos valores como sensibilidade, bondade, confiança e empatia e, ao mesmo tempo, querem criar independência e auto-confiança, forçando o sono solitário e a eliminação do aleitamento materno e do contato com os pais. Esses conflitos emocionais acabam por levar os pais a alternar o sono solitário com o sono compartilhado, num padrão chamado de “co-leito reativo”(20), que tende a se prolongar depois do primeiro ano de vida e ocasionar distúrbios de sono(21).

Em defesa do sono compartilhado, McKenna(17) apresenta as seguintes evidências: a) crianças inglesas que nunca tinham dormido com seus pais tinham tendência a ser mais difíceis de controlar, menos felizes e mais mal-humoradas e temerosas em relação àquelas que sempre dormiam na cama dos pais durante a noite toda. Estas últimas foram consideradas pelos pais como mais dependentes (22); b) meninos que até os cinco anos de idade haviam dormido com seus pais apresentaram na idade adulta significativamente maior auto-estima, vivenciaram menos sentimento de culpa e ansiedade e revelaram maior freqüência de relações sexuais; as meninas que estiveram em co-leito na infância apresentaram, quando adultas, menos desconforto nos contatos físicos(23) e maior auto-estima(24).

Outros estudos, no entanto, revelam prevalências maiores de distúrbios de sono entre as crianças em co-leito ou quarto compartilhado em relação àquelas que dormem sozinhas(25). O co-leito é uma prática cultural muito difundida em praticamente todas as sociedades, como foi demonstrado em levantamento(26) realizado em 186 sociedades representativas dos principais tipos de culturas conhecidas. Em 64% delas as crianças dormiam com as mães e em 20% desses casos, também com o pai. McKenna destaca que em nenhuma dessas culturas a criança era mantida isolada, mas sempre colocada em proximidade sensorial com outra pessoa, mesmo que não dormisse necessariamente na mesma superfície(18). Há mais co-leito em filhos de pais com baixo nível de escolarização e ocupação, estresse familiar aumentado e mães com atitudes ambivalentes em relação aos mesmos(14). As crianças em co-leito parcial (parte da noite) ou integral (toda a noite) evidenciaram três vezes mais problemas de sono do que aquelas que dormiam em cama própria. Resultados semelhantes foram obtidos com pré-escolares da Universidade de Maine, que, ao acordar à noite, deslocavam-se para a cama dos pais. O co-leito mostrou associação com a menor probabilidade de manter um horário regular para dormir, adormecer sozinho ou usar uma iluminação à noite. Não foi possível, entretanto, evidenciar se os maus hábitos de sono estavam relacionados às práticas parentais, ao temperamento da criança ou à interação dinâmica entre pais e filho(26).

No Brasil estudos sobre os hábitos de sono na infância realizados com grupos indígenas(27,28,29) e com uma comunidade negra isolada(30) revelaram que o co-leito foi o padrão característico de dormir de todas as crianças menores de dois anos de idade. Entre os dois e dez anos, 100% dascrianças terenas e 81,5% das bororós ainda permaneciam em co-leito. Na comunidade de descendentes africanos, o co-leito estava presente em 80% das crianças entre dois e três anos, reduzindo-se a 25% aos oito a dez anos. A grande proximidade física evidenciada entre os membros das famílias indígenas significava cuidado e proteção, comportamento compatível com a perspectiva evolucionária, segundo a qual o lactente humano, como outros primatas, está fisiologicamente adaptado para freqüentes sucções e contato físico próximo com suas mães(31).

Em estudo populacional com 2285 lactentes de um município do sul do Brasil, sem predominância étnica, foi constatada a proporção de 44% de co-leito(1).

Apesar dessas evidências, o co-leito constitui apenas um aspecto de uma intrincada rede de fatores biopsicossocioculturais que afetam o desenvolvimento e as características da criança. Do ponto de vista biológico, McKenna(17) destaca que as conseqüências fisiológicas de a mãe dormir ao lado do filho de um mês de idade são consideravelmente diferentes daquelas relacionadas com o sono compartilhado com a mesma criança 13 meses depois, quando seus sistemas cognitivo e psicológico estão muito mais maduros. No primeiro caso, o corpo da mãe contribui para regular a temperatura corporal, a respiração, o padrão de despertar, os níveis de cortisol e a arquitetura de sono. Com o passar da idade, esses efeitos fisiológicos diminuem.

Enfim, as conseqüências dos hábitos de sono não poderão ser atribuídas apenas ao local de dormir, mas, também, ao significado social e psicológico contido na relação dos participantes expressadas dentro da família, da qual os hábitos de sono em si são apenas um reflexo, devendo, portanto, ser avaliados com a devida prudência. Isso pode ser feito examinando-se a influência mútua dos fatores intrínsecos e extrínsecos como propõe a teoria transacional, uma vez que tais fatores podem alterar a trajetória do desenvolvimento de sono infantil.

2.5 Práticas Alimentares Noturnas

Os padrões alimentares vigentes nas sociedades ocidentais industrializadas foram estabelecidos nas décadas de 1950 e 1960(32), época em que o desmame precoce e o emprego generalizado da mamadeira eram muito freqüentes. Em decorrência disso, revelam-se inadequadas para uma prática de aleitamento materno prolongado e em regime de autodemanda, que mostra uma tendência de crescimento. Tanto quanto os hábitos de sono, as práticas alimentares são condicionadas por fatores socioculturais. A amamentação transcende o ato de alimentar e envolve uma interação complexa, multifatorial, entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional, imunológico, fisiológico e no desenvolvimento cognitivo e emocional(33). As repercussões fisiológicas no sono foram verificadas em alguns estudos. A mudança no padrão de sono foi investigada em 32 crianças em aleitamento materno seguidas por dois anos, as quais desenvolveram no segundo ano de vida um padrão de sono noturno de curtos períodos com despertares freqüentes e com uma duração total de sono menor daquela de crianças desmamadas. Esse padrão se mostrou mais pronunciado quando as crianças estavam em co-leito, sugerindo que o desenvolvimento do ciclo sono-vigília aceito como fisiologicamente normal aplica-se a crianças precocemente desmamadas e em sono solitário, devendo ser revisado para casos de aleitamento prolongado e co-leito (34). Lactentes em aleitamento materno tendem a acordar mais freqüentemente durante a noite do que os lactentes em uso de mamadeiras e a ter menor quantidade total de horas de sono num ciclo de 24 horas nos dois primeiros anos de vida. Recém-nascidos que receberam apenas mamadeira com fórmulas lácteas completas aumentaram o tempo de sono pós-mamada de 46% a 118% se comparados com o consumo de mamadeiras com água e carboidrato(35). No caso de crianças em aleitamento materno e co-leito, observaram-se maior número de mamadas, maior duração das mamadas noturnas e maiores intervalos entre elas. Esses aspectos foram constatados em 70 crianças de dois a quatro meses de idade, descendentes de mães latino-americanas, emaleitamento materno exclusivo. Quando em co-leito, essas crianças mamavam a intervalos de uma hora e meia, com o dobro do tempo de mamada e o triplo no número de mamadas; quando dormiam sozinhas, o intervalo aumentava para cerca de três horas(15). Esses achados confirmam que a mudança no padrão de alimentação contribui para a regulação das práticas de sono. No último caso, a prática do co-leito é regulada pela fragmentação do sono decorrente do fracionamento das mamadas e da proximidade materna, sugerindo que a saciedade influencia a regulação dos estados de sono.

Além do tipo de alimentação que a criança recebe (aleitamento materno x mamadeira), a proximidade da mãe também determina a diferença na freqüência e duração das mamadas(35) e no padrão de sono noturno, especialmente em sua arquitetura e duração. Dessa forma, afeta quase todos os parâmetros da fisiologia do sono materno e infantil.

2.6 Objetos Transicionais

Em muitas culturas os lactentes utilizam para adormecer ou acordar uma peça de roupa, uma fralda, um cobertor, um urso de pelúcia, uma mamadeira ou chupeta ou um brinquedo qualquer como objeto transicionalb, destinado a fornecer-lhes segurança e conforto na ausência da mãe. O uso desses objetos não é universal, mas determinado pelo contexto social dentro do qual a experiência de sono noturno da criança inicia e termina(17). Assim, sua prevalência varia de 4.9% nas comunidades rurais italianas a 64% nos Estados Unidos(15). No Japão e Coréia, onde o sono compartilhado é a norma, os objetos transicionais, de modo geral, não são usados. O mesmo acontece com as crianças maias contemporâneas, que adormecem nos braços das mães ou durante a amamentação(17). Essas diferenças na adoção de objetos transicionais verificadas entre as várias culturas são atribuídas aos hábitos de sono e ao aleitamento materno(14). Um fator fundamental é a interação dos pais com a criança na hora de adormecer, escolha que decorre fortemente do contexto de vida dos pais a partir do resultado de desenvolvimento infantil esperado indivíduo interdependente ou dependente -, como se viu anteriormente.

2.7 Uso de chupetas

Tanto quanto o uso de objetos transicionais, o uso de chupeta parece ser influenciado pelos comportamentos paternos culturalmente determinados. Dois estudos apóiam essa hipótese: o primeiro demonstrou que 96% dos usuários de chupetas com idade entre um e sete anos haviam sido deixados sozinhos para adormecer nos primeiros meses de vida, diferentemente do grupo de não-usuários, que na infância havia adormecido na companhia de um adulto ou em contato humano; o segundo revelou que crianças cujos pais tinham permanecido com elas ao adormecer apresentaram menor probabilidade (11%) para o uso da chupeta do que aquelas que haviam adormecido sozinhas (32%)(14).

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A influência cultural na biologia do sono é tão significativa que guia as decisões parentais a respeito da posição de dormir, do método e da distribuição de alimento e do compartilhamento ou não da cama. Essas decisões, por sua vez, influenciam a fisiologia e os hábitos de sono na infância, incluindo a arquitetura do sono, os despertares maternos e da criança, a sensibilidade para a presença do outro, a respiração, a quantidade de sono, o tempo de choro noturno do lactente, assim como o uso de chupetas e objetos transicionais. Da inter-relação dinâmica desses fatores intrínsecos e extrínsecos emergem os hábitos de sono na infância, que podem funcionar como escudos para as condições adversas. Quando inadequados, poderão ser avaliados prudentemente e ser corrigidos, melhorando as práticas domiciliares do sono infantil.

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ENSINO DE BIOSSEGURANÇA NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

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RESUMO

Trata-se de um estudo que realizou um levantamento da produção científica em enfermagem referente ao ensino de biossegurança com o objetivo de investigar o contexto em que se deram e conhecer o conteúdo das publicações acerca do ensino de biossegurança na graduação em enfermagem. Foram analisados artigos de periódicos encontrados na consulta às bases de dados LILACS, SciELO, MEDLINE, BDENF, DEDALUS e PERIENF, identificando 26 artigos. Os resultados encontrados proporcionaram a formação e discussão das categorias: “Bases ideológicas e teóricas”, “Abordagem histórica de biossegurança”, “Riscos ocupacionais e AIDS” e “Educação em biossegurança na formação”. Conclui-se que o número de artigos é pequeno, principalmente artigos enfocando educação em biossegurança, mas houve uma evolução deste conteúdo nos últimos anos.

Descritores: Biossegurança; Ensino; Graduação em enfermagem.


ABSTRACT

It’s a study that made a scientific production survey in nursing regarding to biosafety teaching aiming to investigate its context and discover the content of publishing on biosafety teaching in the nursing undergraduation. It was analyzed the journal articles found consulting LILACS, SciELO, MEDLINE, BDENF, DEDALUS and PERIENF databases, identifying 26 articles. The results found provided the creation and discussion of these categories: “Ideological and theoretical bases”, “Historic approach of biosafety”, “Occupational risks and AIDS” and “Biosafety education in graduation”. It was concluded that the number of articles is small, mainly the ones focusing on biosafety teaching, but there was an evolution of this content in the last years.

Descriptors: Biosafety; Teaching; Nursing undergraduation.


RESUMEN

Se trata de un estudio que realizá un levantamiento de la produccion científica en enfermería referente o la enseñanza de bioseguridad con el objetivo de investigar el contexto en que se dieron y conocer el contenido de las publicacions acerca de la ensenonze de bioseguridad em la graduación de enfermería. Fueron analizados artículos de periódicos encontrados em la consulta de bases de datos LILACS, SciELO, MEDLINE, BDENF, DEDALUS y PERIENF, identificando 26 artículos. Los resultados encontrados proporcionaron la formacíon y discusión de las categorías: “Bases ideológicas y teóricas”, “Abordaje histórica de bioseguridad”, “Riesgos ocupacionales y SIDA” y “Educación en bioseguridad en la formación”. Se concluye que el número de artículos es pequeno, principalmente artículos que enfocan educación en bioseguridad, pero hubo una evolución de este contenido en los últimos ãnos.

Descriptores: Bioseguridad; Enseñanza; Graduación de enfermería.


1. INTRODUÇÃO

A biossegurança é uma área de conhecimento relativamente nova, que impõe desafios não somente à equipe de saúde, mas também a empresas que investem em pesquisa. A biossegurança designa um campo de conhecimento e um conjunto de práticas e ações técnicas, com preocupações sociais e ambientais, destinados a conhecer e controlar os riscos que o trabalho pode oferecer ao ambiente e à vida(1).

É importante considerar que, com o advento da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) em 1981 e o primeiro relato de contágio acidental ocupacional em profissionais da saúde em 1984, surgiu maior preocupação com a biossegurança. Em 1987, foram instauradas as Precauções Universais como recomendações do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), decorrente do desconhecimento sobre as medidas de biossegurança, que os profissionais deveriam tomar para prevenção da transmissão do HIV e do vírus da hepatite B(2).

Frente a estes fatores, estudos mais profundos sobre os riscos ocupacionais iniciaram-se nesta mesma década, e portarias ministeriais disciplinaram o assunto. A Portaria 3.460/75 reconhece o enfermeiro como integrante da equipe de saúde ocupacional, e as Portarias 3.236/72 e 3.237/72 do Ministério do Trabalho, tornaram obrigatórios os serviços de saúde ocupacional nas empresas com mais de 100 profissionais(3). Isto, no entanto, não é o suficiente para garantir a proteção dos trabalhadores. Segundo Londono et al(4), com relativa freqüência, o pessoal que trabalha em uma instituição hospitalar entra na rotina em suas atividades a tal ponto que, sem se dar conta, vai aumentando sua confiança em relação a áreas, materiais ou pessoas que afluem ao hospital, e facilmente omitem procedimentos elementares como a lavagem das mãos e o uso de luvas, por exemplo. Além disso, com relativa freqüência, sob o pretexto de sua própria atividade, adentram áreas de alto risco, onde são emitidas elevadas doses de radiação, ou manuseiam soluções potencialmente tóxicas, sem uso dos equipamentos de proteção individual.

Na área da saúde pode-se observar um grande número de riscos ocupacionais, principalmente ao considerar-se que o hospital é o principal meio ambiente de trabalho dos profissionais que atuam nesta área(5). Por isso, a adoção de normas de biossegurança no trabalho em saúde é condição fundamental para a segurança dos trabalhadores, qualquer que seja a área de atuação, pois o riscos estão sempre presentes. Entre estes riscos estão, por exemplo, a contaminação pelo HIV e hepatite B, que ainda pode ser mais alarmante quando nenhuma medida profilática é adotada(6).

No Brasil, as estatísticas de contaminação pelas hepatites virais, HIV e pela tuberculose entre trabalhadores da saúde após acidentes, são escassas. Quanto à AIDS, o Sistema de Vigilância Epidemiológica identifica como primeiro caso ocorrido em 1994, no município de São Paulo, um acidente ocupacional sofrido por um auxiliar de enfermagem, envolvendo agulha contaminada com sangue(7). Estudos têm demonstrado que a contaminação de profissionais pelo HIV em acidentes pode ser evitada, se forem adotadas medidas de biossegurança .

O fator de prevenção mais importante é a atitude que cada indivíduo adota, graças a um processo educativo, pois, segundo Nichiata et al(8), a própria equipe de enfermagem tem dificuldade em aderir às medidas de segurança que busquem a proteção ao risco de exposição, subestimando, muitas vezes, o próprio risco. Avaliando este fato, é importante nos perguntarmos como está sendo a formação destes profissionais e qual o treinamento recebido nas instituições de saúde, sobre a temática em estudo.

Segundo Costa et al(9), a educação em biossegurança não foi inserida nas disposições legais de formação dos profissionais de enfermagem e, como conseqüência, apesar dos esforços pontuais para inclusão deste tema no nível superior, ainda existe um grande abismo entre a magnitude do problema e a formação e capacitação de recursos humanos para a prática profissional segura. Consequentemente existe uma deficiência na formação profissional do enfermeiro, no que tange à sua sensibilização para medidas em biossegurança na prática, e um dos responsáveis por esta deficiência pode ser a pouca atenção nos currículos dos cursos de graduação em enfermagem a este conteúdo, pois é comum o assunto ser abordado de forma sucinta, em programas e cargas horárias diferentes, resultando em conhecimento insuficiente(6).

Uma alternativa para verificar como os estudiosos localizaram o conteúdo de biossegurança na formação dos profissionais de enfermagem é a revisão da literatura sobre assunto. Nela se pode verificar o que já foi produzido e publicado sobre o tema; quem o tem estudado e quais proposições têm apresentado.

Com a possibilidade de trabalhar com este objeto de estudo no ensino de biossegurança, nossa perspectiva é investigar as variáveis: identificação do periódico, ano de publicação e temática abordada. Esta ação se justifica a necessidade de dar continuidade a uma pesquisa preliminar(10) acerca deste conteúdo, investigando o quantitativo de publicações em biossegurança relacionado à formação do enfermeiro e acreditando na importância da educação em biossegurança na graduação para proporcionar condições seguras aos profissionais de enfermagem .

Para esta pesquisa é indispensável o conhecimento dos periódicos que falam sobre o assunto e também o ano destas publicações para posterior avaliação quanto à área temática, bem como, o conhecimento das temáticas abordado nestes periódicos levantados a partir de três descritores possibilitando a visualização da dimensão de interesse para esta temática pelos pesquisadores, além de possibilitar a formação de categorias para enriquecimento da discussão sobre o assunto, que neste estudo tem o objetivo de investigar o contexto em que se deram e conhecer o conteúdo das publicações acerca do ensino de biossegurança na graduação em enfermagem.

2. METODOLOGIA

Este trabalho é um estudo de revisão bibliográfica, em que se pretende analisar as publicações sobre biossegurança direcionadas para a formação de enfermeiros no Brasil.

Este levantamento foi realizado no período de abril a agosto de 2006, nas seguintes bases de dados: LILACS, SciELO, MEDLINE, BDENF, DEDALUS, da Universidade de São Paulo e PERIENF da EEUSP. Para tanto se empregou as palavras chaves: “biossegurança and enfermagem” e, em uma segunda busca, utilizou-se “biossegurança and educação”. O critério para escolha das bases de dados refere-se ao fato de que estas concentram maior número de publicações na saúde, arbitradas e muitas vezes originadas de teses e dissertações. Por esse motivo dispensou-se as indicações de teses, livros textos, concentrando-se exclusivamente nos artigos de periódicos.

A partir desta estratégia, identificou-se 26 artigos. Em seguida, todos os resumos foram lidos e as publicações referentes exclusivamente a outras profissões, que não enfermeiros, foram excluídas; e selecionadas 17 obras. Após a leitura das obras capturadas foi feito um fichamento contendo as variáveis do estudo, bem como resumo do texto e comentários do pesquisador.

Com as 17 fichas preenchidas, procedeu-se ao agrupamento por similaridade e pertinência, do que surgiram as seguintes categorias temáticas: “Bases ideológicas e teóricas”, “Abordagem histórica de biossegurança”, “Riscos ocupacionais e AIDS” e “Educação em biossegurança na formação”.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A distribuição das publicações apuradas pode ser apreciada na Tabela 1, notando-se que, apesar do amplo espectro percorrido na varredura bibliográfica que se iniciaram em 1944, as publicações aparecem em periódicos apenas a partir de 1995.

É possível visualizar também um crescente aumento de publicações na década seguinte, supondo-se que, após a normatização do assunto pelo Ministério do Trabalho, houve maior interesse por este tema e aumento de publicações na área de biossegurança em enfermagem(11).

As publicações aparecem em maior número nas revistas de enfermagem vinculadas à academia e em menor nas revistas de outras áreas, evidenciando um maior interesse pela enfermagem por parte de docentes e/ou alunos sobre o tema que pelos enfermeiros assistenciais ou gerenciais.

Apenas uma publicação aborda a história do surgimento do conceito de biossegurança(1).

3.1 Bases Ideológicas e Teóricas

Na categoria “Bases ideológicas e teóricas”, analisou-se os conceitos acerca de biossegurança presentes nos 17 artigos estudados. Este termo foi conceituado em cinco artigos (29,4%), sendo dois publicados em 2000, dois em 2004 e um em 2005. Destes, quatro artigos(2,11,12,13) trouxeram o conceito estabelecido pela Comissão de Biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz de 1998, o qual é definido como “O conjunto de medidas voltadas para a prevenção, a minimização ou a eliminação de riscos inerentes ás atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos” .

Segundo Costa et al(22), a construção do conceito teve início na década de 70 na reunião de Asilomar na Califórnia, onde a comunidade científica iniciou a discussão sobre o termo biossegurança e, a partir daí, este termo vem sofrendo modificações ao longo dos anos. Inicialmente discutia-se o impacto da engenharia genética na sociedade e, posteriormente, na década de 80, incorporou a definição os chamados riscos periféricos: risco químico, físico, radioativo e ergonômico presentes em ambientes de trabalho na saúde.

Na década de 90, o conceito de biossegurança sofreu as mudanças mais significativas, pois foram inseridos na definição temas como ética em pesquisa, meio ambiente, animais e processos envolvendo tecnologia de DNA recombinante, chegando ao conceito presente nos artigos em discussão. Porém, ao analisar este conceito atual, conclui-se que há maior enfoque para o ambiente ocupacional, estendendo-se para a proteção ambiental.

3.2 Abordagem Histórica de Biossegurança

Nesta categoria foram classificados 4 artigos (23,5%), dos quais três foram publicados em 2000 e um em 2004. Destes, um artigo enfoca a história da biossegurança no Brasil nas décadas de 70 e 80 e também é o único artigo que conta a história da biosseguança antes destas décadas, mas num enfoque bem particular. Segundo Almeida(1), desde a instituição das escolas médicas e da ciência experimental, no século XIX, vêm sendo elaboradas noções sobre os benefícios e riscos inerentes à realização do trabalho científico, em especial nos ambientes laboratoriais.

Os outros três (3) artigos desta categoria relacionam o surgimento da biossegurança ao recrudescimento das doenças transmissíveis e, a partir daí, a ocorrência de uma revisão da prática profissional, uma vez que se tratava de doenças de alta mortalidade e morbidade. Nesta época, o CDC padronizou as precauções universais, que posteriormente foram denominadas de precauções padrão (PP), para os profissionais da saúde(2,8,14).

O primeiro conceito se refere às precauções recomendadas contra sangue e fluidos corporais, incluindo principalmente a manipulação cuidadosa de instrumentos perfurantes e cortantes contaminados com materiais biológicos, pois estes materiais biológicos seriam capazes de transmitir o HIV. O segundo foi publicado em 1996, com o objetivo de controlar a infecção hospitalar, e que orienta a prevenção do contato com todos os fluidos corporais, secreções, excreções, pele não-íntegra e mucosas de todos os pacientes, e não somente os fluidos corporais que pudessem transmitir o HIV(23).

Ao contextualizar estas definições, é possível confirmar a história contada através destes artigos, em que a biossegurança nasceu a partir do recrudescimento das doenças transmissíveis e com a preocupação inicial voltada aos profissionais da saúde, em especial aos profissionais de laboratórios e, consequentemente, com maior enfoque para o risco biológico, sendo este olhar perpetuado até os dias atuais.

3.3 Riscos Ocupacionais e AIDS

Esta categoria foi a que apresentou maior número de trabalhos, sendo classificados 12 artigos (70,5%), um foi publicado em 1995, um outro em 1996, mais um em1999, quatro em 2000, três em 2004 e dois em 2005. Destes, todos os artigos citam o risco biológico com o motivador de medidas de biossegurança, devido ao risco da contaminação por HIV e hepatite B, pois a transmissão destes ocorre principalmente através da exposição ao material biológico, considerando que os profissionais de saúde são responsáveis pela assistência e manipulam este tipo de material, direta ou indiretamente (14,15,16,17,18,19,20).

No Estado de São Paulo, segundo o Boletim Epidemiológico(24) foram notificados 5.391 acidentes ocupacionais com material biológico entre janeiro/1999 a outubro/2003, das quais 60,6% referiam-se aos trabalhadores de enfermagem, seguidos dos funcionários da limpeza (8,9%) e os médicos (6,8%), seguidos ainda de outros profissionais. Nos Estados Unidos, a infecção pelo HIV ficou caracterizada como ocupacionalmente adquirida por 57 trabalhadores da Saúde(6,8,12).

Os dados mostram a vulnerabilidade dos profissionais da enfermagem ao risco biológico e faz-se entender a preocupação destes pesquisadores, uma vez que a AIDS é doença em franca expansão, embora, para os profissionais de saúde, o risco de contaminação para o HIV seja estimado em 0,3% após exposição percutânea ao sangue contaminado, enquanto temos outras infecções com risco de maior contaminação para estes profissionais, mas que não aparecem com tanto destaque nesta categoria. Segundo Farias et al(21), a hepatite B é a enfermidade infecciosa de maior incidência entre a equipe de enfermagem, ao lado da tuberculose pulmonar, outra enfermidade profissional dos trabalhadores de saúde.

Entre os artigos encontrados, dois(2,21) expõem, além do risco biológico, os outros riscos presentes nos hospitais, visto que este é o principal meio ambiente de trabalho dos profissionais que atuam nesta área, e ainda salienta que, embora o hospital tenha a finalidade principal de recuperação da saúde, é também um ambiente repleto de riscos para a clientela e os profissionais.

3.4 Educação em Biossegurança na Formação

Nesta categoria foram enquadrados 8 artigos (47%), um foi publicado em 1995, dois em 2000, três em 2004 e dois em 2005. Os artigos citam e atribuem importância à educação permanente para mudança de atitude e, consequentemente, de comportamento. Durante o Seminário Internacional de Biossegurança, realizado em agosto/2005, na cidade de São Paulo, discutiu-se a necessidade de criar uma cultura de biossegurança, salientando-se que é indispensável que os profissionais relacionem o risco de acidentes às práticas cotidianas(22).

A forma de abordar e estudar biossegurança, nos últimos anos, ganhou novos contornos, pois segundo Gryschek et al(19), houve mudanças acerca da definição de biossegurança nos últimos anos e, desta maneira, seria muito provável que profissionais, já com algum tempo de formação não tenham tido acesso a esses conhecimentos sobre biossegurança nem em seus currículos de formação, nem em programas de educação permanente.

É fundamental a conscientização e educação permanente dos profissionais proporcionando-lhes condições para um trabalho seguro, bem como a oportunidade para reflexões, discussões críticas, atualização e adoção de medidas preventivas corretas(6,14,15,21). Para tanto, é importante colocar a biossegurança em um cenário que permita aos demais profissionais que atuam com prevenção e controle de riscos ocupacionais, entenderem seus propósitos, suas contradições, e, principalmente, sua importância como instrumento de proteção da vida, em qualquer que seja o ambiente de trabalho.

A este propósito, dois artigos enfatizaram a importância da ausência deste conteúdo no ensino superior, principalmente nas carreiras ligadas à saúde, que até o momento não incorporaram a biossegurança em seus currículos. No Brasil, o assunto não está inserido nas diretrizes curriculares e nem na sua implementação nas instiutições de educação pública e privada de nível superior. Os artigos ainda reafirmam que biossegurança é uma ação educativa, devendo ser representada por um sistema de ensino-aprendizagem(2,20).

Assim como outros conteúdos discutidos na graduação em enfermagem, este é um tema importante, indispensável e atual para a formação deste profissional que estará atrelado as ações gerenciais de qualidade nos serviços de saúde.

4. CONCLUSÃO

A produção científica de enfermagem referente ao ensino de biossegurança na graduação em enfermagem surgiu a partir de 1995, com crescente aumento na década seguinte, evidenciando a importância que a enfermagem vem dando para o tema biossegurança. Os resultados obtidos apontam para a predominância de enfermeiros docentes como pesquisadores, vinculados à academia.

Chamou à atenção o fato dos artigos, em sua quase totalidade, abordarem com maior ênfase o risco biológico e a AIDS. Considerou-se que isto se dê, talvez, porque os profissionais de saúde são responsáveis pela assistência e estão constantemente em contato com este risco, embora outras doenças transmissíveis e outros riscos façam parte da vida profissional da enfermagem. É também marcante o destaque dado para a educação em biossegurança, que aparece em quase metade dos artigos, enfocando a importância da educação permanente com relação a este tema; além deste aspecto, dois artigos enfocam que biossegurança é um tema indispensável na formação do profissional enfermeiro, mas que até o momento parece não ter sido incorporado em seus currículos.

A partir deste levantamento esperamos contribuir para outras pesquisas, visto que, a partir deste conhecimento, o enfermeiro é responsável pela segurança ocupacional de toda a equipe de saúde de um determinado setor.

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SERTRALINA E PANCREATITE AGUDA

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RESUMO

A pancreatite aguda é uma patologia grave e com considerável morbidade e mortalidade. Vários fatores são apontados como possíveis causas de pancreatite aguda. Neste relato, será apresentado um caso de pancreatite aguda com possível associação causal com um inibidor seletivo de recaptura de serotonina: sertralina. Após um mês de tratamento com sertralina, uma paciente do sexo feminino, 55 anos, desenvolveu forte dor abdominal e elevação da amilase sérica. Após internação e retirada da sertralina, seus sintomas remitiram e os níveis de amilase voltaram ao normal. Pela potencial gravidade do quadro e pelo amplo uso desta medicação, tal associação deve ser lembrada em investigações de casos de pancreatite aguda.

Descritores: Relato de caso. Pancreatite aguda. Sertralina. Inibidor seletivo de recaptura de serotonina.


Introdução

A pancreatite aguda é uma doença grave, caracterizada por alta morbidade e mortalidade. Sua incidência vem crescendo nos países ocidentais.1 Os principais fatores de risco são os cálculos de vesícula biliar e o consumo de bebidas alcoólicas. Outros fatores de risco são hiperlipidemia, hipercalcemia e os traumas. Em 10 a 25% dos casos de pancreatite aguda, não se identificam os fatores de risco.2 Algumas drogas de prescrição médica são associadas ao problema, embora a patogenia deste processo ainda não tenha sido completamente elucidada.

Relato de caso

Uma mulher, com 55 anos de idade, previamente saudável, iniciou tratamento para depressão. Cinco meses após deixar de fumar, desenvolveu sintomas depressivos (anedonia, disfunção sexual, humor depressivo e perda de peso). A paciente vinha utilizando metildopa e diuréticos tiazídicos de modo contínuo há vários anos para tratamento de hipertensão arterial sistêmica. Não existia qualquer evidência de doença biliar, endocrinológica ou consumo de bebidas alcoólicas.

O tratamento para depressão foi iniciado com paroxetina, sem remissão significativa dos sintomas. Posteriormente, foram prescritos mirtazapina e diazepam, também sem resposta significativa. As drogas descritas foram suspensas e a sertralina foi iniciada na dose de 50 mg/dia. Após um mês, houve melhora dos sintomas e a paciente prosseguiu por três meses utilizando metildopa, diurético tiazídico e sertralina.

Evoluiu, subitamente, com episódio de dor abdominal e foi admitida em uma unidade de emergência. Os resultados laboratoriais eram: hemoglobina 13,1 g/dl (normal 10-12 g/dl), leucócitos 9,2X10³ u/mm³ (normal 5-10X10³ u/mm³), sódio 150 mmol/l (normal 140-148 mmol/l), potássio 3,5 mmol/l (normal 3,4-5,3 mmol/l), cálcio 7,8 mmol/l (normal 8,5-10 mmol/l), AST 54 U/l (normal 15-37 U/l), ALT 100 U/l (normal 30-65 U/l), fosfatase alcalina 131 U/l (normal 50-136 U/l) e amilase sérica 708 U/l (normal 29-115 U/l). A ultrassonografia abdominal evidenciava um pâncreas congesto.

A metildopa é um anti-hipertensivo largamente utilizado, mas tem uma alta incidência de reações adversas.3 A associação entre pancreatite aguda e metildopa é conhecida desde 1978.4-6 A maioria dos pacientes acometidos apresenta reaparecimento do quadro clínico se a medicação é retomada.

Episódios de pancreatite aguda secundária ao uso de diuréticos tiazídicos foram descritos por diversos autores.7,8 Entretanto, muitas vezes, este grupo de drogas não é incluído como potencialmente causador da afecção.9

A paciente relatava o uso de metildopa e diuréticos tiazídicos em associação por vários anos, sem a ocorrência de quaisquer efeitos colaterais antes da ingestão da sertralina. Embora as duas drogas anti-hipertensivas pudessem estar relacionadas ao desenvolvimento da pancreatite, dois dias após a suspensão da sertralina o nível da amilase sérica caiu para 62 U/l (normal 29-115 U/l) e a paciente recuperou-se completamente. Ela prosseguiu em observação nos quatro meses seguintes, sem utilizar qualquer antidepressivo e com remissão dos sintomas psíquicos.

Discussão

A maior parte dos estudos sobre a associação entre o uso de fármacos e o desenvolvimento de pancreatite aguda é baseada em relatos de caso.10

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu, entre os anos de 1968 e 1993, um total de 2.749 relatos sobre pancreatites agudas induzidas por fármacos. As drogas mais freqüentemente relacionadas foram: inibidores da enzima conversora de angiotensina (N=209), valproato de sódio (N=219), bloqueadores H2 (N=127), sulindac (N=121), azatioprina (N=73), genfibrozil (N=72), lovastatina (N=72), pentamidina (N=62) e didanosina (61).11

O diagnóstico de pancreatite induzida por droga é considerado definitivo se confirmado por tomografia computadorizada, laparotomia ou necropsia. Também é dado como definitivo na ocorrência de achados positivos na ultrassonografia associados à dor abdominal e nível elevado de amilase sérica ou lípase. O diagnóstico é considerado provável se houver a presença de dois dos três critérios seguintes: 1) achados positivos na ultrassonografia, 2) dor abdominal e 3) elevação de lípase ou amilase sérica. A paciente em questão possuía dor abdominal, achados positivos na ultrassonografia e nível elevado de amilase sérica, resultando em um diagnóstico definitivo de pancreatite aguda.

A causalidade entre a ingestão do fármaco e o desenvolvimento da pancreatite aguda é avaliada pela relação temporal, efeitos da interrupção e do reinício de uso da droga e a presença de outros possíveis fatores de risco (cálculos biliares, consumo de bebidas alcoólicas).10

A paciente prosseguiu utilizando metildopa e diuréticos tiazídicos sem a ocorrência dos sintomas da pancreatite aguda. Não possuía outros fatores de risco como cálculos ou consumo de bebidas.

Poucos relatos estão disponíveis sobre a ocorrência de pancreatites agudas induzidas por drogas psiquiátricas. As mais relacionadas são a clozapina12 e valproato de sódio. O valproato de sódio pode causar uma forma necro-hemorrágica grave associada à alta mortalidade.13 A associação entre ISRS e pancreatite aguda é reconhecida pela OMS, porém, há apenas um relato de caso descrevendo a ocorrência de pancreatite aguda em um paciente norueguês que utilizava a sertralina.14

Neste caso, além das drogas, não havia outro fator de risco qualquer para o desenvolvimento da pancreatite aguda. A remissão imediata dos sintomas após a interrupção da sertralina fornece evidência consistente de que o episódio de pancreatite aguda foi induzido por esta droga.

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CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA

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RESUMO

Trata-se de uma atualização cujo objetivo foi descrever aspectos da fisiopatologia da Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) e suas terapêuticas, relacionando-as com a assistência de enfermagem. A fonte de dados considerou a Base de Dados LILACS, usando-se como expressão de pesquisa os unitermos “miocardiopatia hipertrófica” e “cuidados de enfermagem”. A CMH é uma doença que surge a partir de alteração cromossômica causando hipertrofia do ventrículo esquerdo, tendo progressão rápida e podendo ocasionar insuficiência cardíaca classe funcional III e IV. O tratamento consiste do uso de medicações paliativas ou outros procedimentos como o implante de Marca-Passo, ventriculoplastia e transplante cardíaco. A assistência de enfermagem baseada em Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem são apresentadas.

Descritores: Cardiomiopatia hipertrófica, Assistência de enfermagem; Planejamento da assistência ao paciente.


ABSTRACT

This is an update that aimed to describe some aspects of physiopathology of Hypertrophic Cardiomyopathy (HCM) and its therapeutics correlating them to nursing assistance. Data source was based on LILACS bibliographical database using the search expression “hypertrophic cardiomiopathy” and “nursing care”. The HCM is a disease that appears from cromossomic alterations that causes hypertrophy of the left ventricule and can cause heart failure, functional class III and IV. Treatment consists in using palliative medications or other procedures like Pace-Maker implantation, ventriculoplasty and heart transplantation. Nursing assistance based on Nursing Diagnoses and Intereventions are presented.

Descriptors: Cardiomyopathy, hypertrophic; Nursing care; Patient care planning.


RESUMEN

Tratase de una actualización que objetivó describir algunos aspectos fisiopatológicos sobre la Cardiomioplatía Hipertófica y corelacionar con la atención de enfermería. La basis para la recogida de datos fue la basis de datos bibliograficos LILACS usandose la expresión de busqueda “Cardiomiopatía Hipertrófica” y “atención de enfermería”. La CMH es una enfermedad que empeza con alteraciones cromosómicas teniendo rápida progresión y podiendo causar insuficiencia cardiaca clase funcional III o IV. El tratamiento consiste del uso de medicaciones paliativas o otros procedimientos como el implante de Marca-Paso, ventriculoplastia y transplante cardiaco. La atención de enfermería basada en Diagnósticos y Intervenciones de Enfermería son presentadas.

Descriptores: Cardiomiopatía hipertrófica; Atención de enfermería; Planificación de atención al paciente.


1. INTRODUÇÃO

Atualmente há certa controvérsia em relação ao uso dos termos cardiomiopatia e miocardiopatia. Do ponto de vista etimológico, cardiomiopatia (CM) significa doença muscular do coração, ao passo que miocardiopatia (MCP) significa doença do miocárdio. A diferença, sutil, embasou, durante algum tempo, a tendência a utilizar-se a segunda expressão em um sentido mais genérico e amplo, reservando-se a primeira para os casos de doença isolada do miocárdio e de causa desconhecida. A tendência, após a publicação do ultimo relatório do grupo-tarefa da Organização Mundial de Saúde/Sociedade Internacional de Cardiologia (WHO/ISFC Task Force), é considerá-las sinônimos, passíveis de serem utilizados intercambiavelmente(1).

As cardiomiopatias foram definidas em dois relatórios da Organização Mundial de Saúde em conjunto com a Federação e Sociedade Internacional de Cardiologia, em seus Consensos (Task Force de 1980, modificado em 1995), como sendo a doença do miocárdio associada a disfunção cardíaca, podendo ser classificada nas formas: dilatada, hipertrófica, restritiva e arritmogênica do ventrículo direito(2). No presente trabalho foi abordado a cardiomiopatia hipertrófica.

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) foi inicialmente descrita em 1957 por Brock, em achado cirúrgico e no ano seguinte o anatomopatologista Teare reuniu a primeira série de pacientes necropsiados. Entretanto somente em 1961, após a sistematização implantada por Goodwin, esta doença passou a ser mais bem definida, diagnosticada e tratada(3).

A CMH é uma doença autossômica de caráter dominante na maioria dos casos, sendo que há casos em que sua etiologia ainda não é definida, podendo ser causada também por mutações cromossômicas ainda não identificadas(4,5). Foram identificados até o momento oito tipos de mutações de genes que levam ao desenvolvimento da hipertrofia(5,7).

A CMH é caracterizada pelo aumento e rigidez desproporcional da espessura da parede ventricular, causado pelo desarranjo das fibras miocárdicas com a hipertrofia do miócito intercalado por colágeno e algumas vezes substituído por tecido fibroso denso(5), sem haver dilatação causada por doenças que possam explicar a hipertrofia, como hipertensão arterial e valvulopatias(6).

É classificada de acordo com a localização da hipertrofia, podendo ser dos tipos: simétrica (concêntrica) ou assimétrica (septal, medioventricular, apical, lateral e posterior), podendo se estender a outras partes do coração(1,3).

O dado de maior consistência sobre a avaliação da incidência da CMH foi obtido pelo estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) chamado CARDIA (Coronary Artery Risk Disease Development in Young Adults). Esse estudo foi desenhado para investigar longitudinalmente a influência do estilo de vida e de outros fatores no risco da doença coronária em uma população birracial de adultos entre 18 e 30 anos, em quatro áreas urbanas distintas dos EUA, com o mesmo número de homens e mulheres. Foram avaliados 5.115 pacientes, 4.111 (97%) tinham estudo ecocardiográfico bidimensional tecnicamente adequado para avaliação da espessura e morfologia ventricular. Utilizando o critério ecocardiográfico padrão, a CMH foi diagnosticada em 7 (0,17%) dos 4.111 indivíduos avaliados, ou algo em torno de 2 casos em 1.000 adultos jovens, apenas 1 paciente apresentava a forma sintomática(1,4). Em crianças a prevalência é de cerca de 2,5 para 100.000, sendo considerada mais grave quando diagnosticada na fase inicial da vida, da infância (lactente) até a idade escolar e adolescência(1,7). No Brasil, não há estudos epidemiológicos disponíveis, mas, por extrapolação a partir dos dados populacionais obtidos pelo Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode-se estimar que no país existam, entre a faixa etária de 23 a 35 anos, não menos que 100 mil indivíduos com hipertrofia já detectável pela ecocardiografia, sem se levar em conta os portadores de mutações sem doença aparente. Assim a CMH, não pode ser considerada uma enfermidade rara, merecendo todos os esforços de pesquisa básica e tentativas terapêuticas(8).

A enfermagem cardiovascular, principalmente a de unidade de terapia intensiva, se depara com os pacientes portadores de CMH em fase de descompensação ou no estágio final da doença. Os pacientes nestas condições apresentam grande dependência de cuidados do ponto de vista bio-psico-espiritual, o que exige do profissional conhecimentos sobre os aspectos da fisiopatologia, das terapêuticas, bem como das reações apresentadas pelo pacientes.

Considerando este contexto, este estudo teve como objetivo fazer uma atualização sobre a CMH e suas terapêuticas e correlacioná-las com as intervenções de enfermagem.

2. METODOLOGIA

Trata-se se um estudo de atualização considerando materiais localizados nas bases de dados bibliográficos LILACS, usando como expressão de pesquisa os unitermos “miocardiopatia hipertrófica” e “cuidados de enfermagem”. Os limites estabelecidos ou critérios de inclusão estabelecidos foram: a) recorte temporal de 1998 a 2005, b) idioma “português”, c) tipo de publicação: artigo científico.

Outros materiais foram obtidos por meio de pesquisa não estruturada em bibliotecas locais com consulta a livros-texto consagrados na área de cardiologia e em sites dos principais órgãos ou sociedades na área de cardiologia(9,10).

A análise dos materiais foi procedida inicialmente pela leitura crítica dos resumos obtidos via pesquisa bibliográfica nas referidas bases de dados bibliográficos. De acordo com a pertinência do resumo com o tema da pesquisa, foi feita a recuperação eletrônica dos material completo. Após foi procedida a leitura e sua inclusão dentro de áreas temáticas previamente estabelecidas. Estas áreas temáticas são: “generalidades sobre a CMH”, “classificação”, “apresentação clínica”, “terapêuticas correntes”, “complicações” e “assistência de enfermagem”.

Para constituir o corpo de conhecimentos necessários para a assistência de enfermagem, considerando-se a necessidade de uniformização ou padronização de linguagem, foram utilizadas as classificações NANDA(North-American Nursing Diagnoses Association Associação Norte-Americana de Diagnósticos de Enfermagem) para diagnósticos de enfermagem e NIC (Nursing Interventions Classification Classificação de Intervenções de Enfermagem) para as intervenções de enfermagem.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Generalidades sobre a CMH

Sendo a CMH caracterizada pela hipertrofia do miocárdio determinada pelo aumento da espessura das paredes sem dilatação ventricular, é considerada uma doença genética autossômica dominante em mais de 60% dos casos, sendo os casos restantes também podendo ser causado por alterações genéticas ainda não reconhecidas(5,6).

Até o momento foram identificadas alterações em 8 genes que codificam proteínas do sarcômero cardíaco:

– gene da cadeia pesada da beta-miosina cardíaca (beta-MyHC) no cromossomo 14 (“locus” q1);

– gene da troponina T cardíaca (cTNT) no cromossomo 1 (“locus” q32);

– gene da alfa-tropomiosina no cromossomo 15 (“lócus” q2);

– gene da proteína C ligadora de miosina (MyBP-C) no cromossomo 19 (“locus” p11.2);

– gene da troponina l cardíada (TNNl3) no cromossomo 19 (“lócus” q23-q24.3);

– gene da cadeia leve da miosina reguladora (MYL2) no cromossomo 3 (“lócus” q23-q24.3);

– gene da cadeia leve da miosina essencial (MYL3) no cromossomo 3 (“lócus” p12.2 p21.3);

– gene da actina ainda em estudo(5).

As alterações genéticas podem acarretar modificações no fenótipo, no caso da hipertrofia ventricular esquerda (HVE). Há casos de CMH com alteração no genótipo e no fenótipo, outras só no genótipo, mas ainda sem nenhuma manifestação no fenótipo, e outras em que não se consegue detectar alteração no genótipo, mas já apresentam alterações no fenótipo, fazendo supor a existência de outra etiologia. A expressão fenotípica da HVE é de grande relevância na CMH, pois pode somente ser encontrada no início da vida adulta, após o surgimento de desenvolvimento da adolescência, não sendo observada na infância(1,2).

No ponto de vista fisiopatológico a CMH é caracterizada como uma doença miocárdica, que cursa com uma hipodiastolia, em conseqüência do aumento da massa e da rigidez ventricular, que irá ocasionar alterações na capacidade de relaxamento e na rigidez da câmara cardíaca, resultando um aumento da pressão diastólica final e na pressão atrial.

O aumento da pressão atrial vai provocar elevação da pressão capilar pulmonar, fazendo surgir os sintomas pulmonares da disfunção diastólica, outro elemento fisiopatológico importante é o gradiente de pressão entre o corpo e a via de saída do ventrículo esquerdo (forma septal assimétrica obstrutiva , e entre a ponta e o corpo, a forma medioventricular). Ambas serão abordadas no decorrer do trabalho(1,2).

3.2 Classificações

As CM possuem diversas formas de classificação, porém a Insuficiência Cardíaca (IC) no geral possui critérios básicos de diagnóstico. A IC é a síndrome clínica complexa, classicamente definida como falência do coração em propiciar suprimento adequado de sangue, com relação ao retorno venoso e às necessidades metabólicas tissulares, ou fazê-lo somente com elevadas pressões de enchimento. O mecanismo responsável pelos sintomas e sinais de IC pode ser disfunção sistólica, diastólica ou ambas, de um ou ambos os ventrículos. A IC pode resultar de três anomalias fundamentais: distúrbios de contratilidade ventricular, sobrecargas de pressão e volume e distúrbios do enchimento ventricular.

A limitação da tolerância aos esforços habituais tem sido utilizada para estimar a gravidade da IC. Em 1964, surgiu a primeira classificação da New York Heart Association (NYHA), que foi posteriormente modificada ao longo do tempo e basicamente leva em conta os sintomas e a limitação para a execução de atividades físicas (Quadro 1).

A CMH possui relação direta com a classificação da NYHA, uma vez que diminui a capacidade funcional do coração. Ela pode ser classificada de acordo com a localização, forma e alterações relacionadas.

De acordo com a localização da hipertrofia pode ser do tipo:

– Simétrica: quando a hipertrofia é homogeneamente distribuída na cavidade ventricular;

– Assimétrica: quando a hipertrofia localiza-se exclusiva ou predominantemente em um determinado sítio. As formas assimétricas podem ser: a) septal assimétrica, quando a hipertrofia predomina ou é unicamente no septo interventricular (SIV), é a forma mais freqüente, respondendo de 80% a 90% de todos os casos; b) medioventricular, ou de Falicov, associada à marcada hipertrofia dos músculos papilares, conferindo à ventriculografia esquerda, na sístole, uma forma em “ampulheta”; c) apical ou de Yamaguchi, muito prevalente entre a população japonesa e d) lateral, na qual a hipertrofia predomina nas paredes ântero ou póstero-látero-basal do ventrículo esquerdo com extensão variável ao SIV, medioventricular, apical, lateral e posterior(12).

Do ponto de vista hemodinâmico, isto é, a presença ou não de gradiente pressórico, seja intraventricular, seja na via de saída, a CMH é dividida em:

– Obstrutiva (septal simétrico e médio ventricular): quando há gradiente detectável independentemente de provocação;

– Não-Obstrutiva (septal assimétrica não obstrutiva, concêntrica, apical, lateral e posterior): quando há gradiente demonstrável, mesmo mediante provocação(1,12).

Na CMH há maior predominância no acometimento do Ventrículo Esquerdo (VE), e o Ventrículo Direito (VD) pode ser comprometido uma vez que a hipertrofia esteja instalada no VE. O septo interventricular pode ser mais atingido do que as paredes livres do coração(1,2).

A CMH pode ser assintomática, portanto, sem diagnóstico estabelecido ou gerar alterações como: dor precordial, palpitações, síncope e morte súbita.

A hipodiastolia (conseqüente à hipertrofia miocárdica e à rigidez da cavidade ventricular) ocasiona elevação da pressão diastólica final (pd2) e conseqüentemente aumento das pressões do AE, provocando o aparecimento da hipertensão venocapilar pulmonar e da dispnéia, que poderá ser inicialmente de esforço, mas que pode evoluir até dispnéia de repouso.

A dor precordial geralmente é atípica, podendo ser relacionada aos esforços e, na forma obstrutiva, piora com o uso de nitratos. Está relacionada ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio. Em casos raros pode evoluir ao Infarto do Miocárdio (IM), mesmo na ausência de lesão coronária aterosclerótica. Na infância encontra-se muito freqüentemente a dor precordial.

As palpitações traduzem a existência de arritmias cardíacas, podendo ser originadas tanto dos ventrículos como dos átrios, sendo as mais freqüentes as extra-sístoles ventriculares e supraventriculares, as taquicardias paroxísticas (ventricular e supraventricular) e fibrilação atrial.

A síncope é provocada pela incapacidade de o ventrículo aumentar seu débito durante súbita obstrução da via de saída do VE durante os períodos de arritmia complexa.

A morte súbita (MS) pode constituir a primeira manifestação clínica da doença, em pacientes assintomáticos ou sem diagnóstico prévio estabelecido. Esta relacionada com a hipertrofia miocárdica grave, sendo mais freqüente em adolescentes e adultos jovens, com incidência média de 3-4% ao ano. Constituem fatores predisponentes: história familiar de MS, presença de alterações genéticas do cromossomo 14 (14q1), registro de taquicardia ventricular não sustentada, e síncope recorrente. Os elementos desencadeantes são: taquicardia induzindo isquemia, exercício físico intenso provocando hipotensão, além de aumento acentuado da massa miocárdica e da obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo. Aproximadamente 40% dos pacientes morrem após a realização do exercício físico intenso, sugerindo que ela seja devida a alterações hemodinâmicas (redução do DC, diminuindo a PA) ocasionando instabilidade elétrica (taquicardia ventricular e/ou fibrilação ventricular), exacerbando a obstrução, piorando o enchimento ventricular ou induzindo a isquemia(1,2).

3.3 Apresentação Clínica

O diagnostico pode ser realizado através do exame físico e dos métodos complementares. O exame clínico pode variar de normal, entre aqueles assintomáticos e nos sem obstrução da via de saída do VE.

À medida que a doença evolui surgem modificações como: elevação da onda “a” no pulso venoso indicativa de contração atrial do ventrículo esquerdo, pulso arterial carotídeo digitiforme, à palpação do precórdio pode-se observar a 4ª bulha durante duplo impulso sistólico, a 2º bulha poderá apresentar desdobramento paradoxal, nos casos de acentuada obstrução da via de saída. Na forma obstrutiva auscultamos o sopro sistólico do tipo ejetivo e um sopro holossistólico de insuficiência mitral.

Havendo IC, encontram-se ingurgitamento jugular, hepatomegalia, refluxo hepatojugular e edema de membros inferiores (raros nesta doença).

Os métodos de diagnóstico mais utilizados para a detecção da hipertrofia são:

– Radiografia de toráx: Em 20% dos casos, o exame é normal, podendo no restante revelar o aumento do AE, VE e sinais de hipertensão venocapilar pulmonar. Nos casos avançados pode-se encontrar cardiomegalia;

– Eletrocardiografia: Em 90% dos casos revela anormalidades, sendo freqüentes as sobrecargas das câmaras esquerdas, presença de ondas “Q” patológicas nas paredes lateral e inferior, presença de isquemia miocárdica, padrão de pré-excitação e arritmias cardíacas. O ECG dinâmico de 24 horas é um exame complementar obrigatório;

– Ecocardiografia: É o método atualmente mais empregado no diagnóstico e acompanhamento da doença, permitindo realizar a localização da hipertrofia e o grau, podendo ainda avaliar a presença e o grau de obstrução;

Os exames complementares são indicados nos casos em que se pretende realizar o tratamento cirúrgico, são eles:

– Estudo hemodinâmico e angiocardiografia: O cateterismo cardíaco põe em evidência as pressões do VE, aumento da pressão diastólica final (pd2), a presença de gradiente sistólico entre a ponta e o corpo do VE ou entre o corpo e a via de saída do VE;

– Tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética: Poderão demonstrar a localização da hipertrofia, como também diferenciar os tecidos, principalmente nas localizações apical e lateral;

– Biopsia endomiocárdica: Pode não revelar áreas com desarranjo de fibras miocárdicas ou não corresponder a mais do que 5% do requerido para firmar o diagnóstico. Daí ser realizada somente nos casos nos quais existam dúvidas ou suspeitas de outras doenças, que possam ser responsáveis pela falsa hipertrofia.

– História natural: Resulta da complexa interação entre a HVE, o remodelamento ventricular, as alterações da função diastólica, a isquemia miocárdica, a obstrução da via de saída e as arritmias. Como o grau das alterações morfológicas e funcionais varia em cada paciente, curso e história natural são heterogêneos(1,2,6).

3.4 Terapêuticas Correntes

O objetivo do tratamento da CMH visa aliviar os sintomas, melhorando assim a qualidade de vida e a longo prazo evitar ou retardar a progressão da doença evitando complicações e prevenindo a morte súbita (MS). O tratamento pode ser clínico, elétrico, hemodinâmico intervencionista e cirúrgico(1,2,7,14).

O tratamento clínico é dividido entre os pacientes assintomáticos e sintomáticos. Em pacientes assintomáticos, cujo ECG e prova de tolerância que não evidenciam arritmias, deverão ser reavaliados a cada seis meses e mantidos sem medicação. Os pacientes sintomáticos emprega-se na forma obstrutiva bloqueadores â adrenérgicos, entre os não obstrutivos ou os que apresentam contra-indicação ao uso de bloqueadores â adrenérgicos (broncoespasmo, diabetes mellitus, arteriopatia periférica) emprega-se o uso dos antagonistas dos canais de cálcio. Caso ainda persistam os sintomas associa-se os â adrenérgicos e os antagonistas dos canais de cálcio(1,2,7,14). Maiores detalhes sobre os fármacos utilizados estão apresentados no Quadro 2.

O tratamento elétrico tem seu uso empregado em pacientes com sintomas incapacitantes, se enquadram nesse grupo o uso de:

– Desfibrilador cardíaco implantável: em pacientes com alto risco de morte súbita;

– Marcapasso bicameral tipo DDD: na forma obstrutiva ativa precocemente a porção apical do septo interventricular, reduzindo a obstrução do fluxo de saída no VE, melhorando os sintomas.

O hemodinâmico intervencionista ou alcoolização seletiva da artéria septal visa produzir uma isquemia local para reduzir ou abolir o gradiente de pressão na via de sida do VE. Consiste na oclusão por um cateter balão do 1º ramo septal da artéria descendente anterior, sendo reversível após a deflação do balonete do cateter oclusor. Após é introduzido 5ml de álcool absoluto para necrosar a área, produzindo fibrose e afinamento da região.

O tratamento cirúrgico deverá ser indicado apenas depois que todos os métodos terapêuticos tenham sido esgotados. Requer circulação extra-corpórea (CEC) e apresenta risco de complicação da ordem de 5%. Podem ser:

– Cardiomiectomia trasvalvular aórtica: Foi o primeiro tipo de tratamento proposto para essa doença.Consiste na retirada de uma fatia do músculo com aproximadamente 1,5cm de profundidade e extensão do anel aórtico até a inserção dos músculos papilares.

– Ventriculomiectomia: por ressecção da porção do septo hipertrofiado, que produz alivio da obstrução da via de sida do VE, em casos em que a regurgitação mitral for funcional ou dinâmica, esse tipo de cirurgia faz com que ela desapareça.

– Implante de marcapasso definitivo atrioventricular DDD: reduz a obstrução do fluxo de saída do VE, melhorando os sintomas pré existentes;

O transplante cardíaco é realizado nos casos em que há resistência as terapêuticas clínicas, intervencionista e cirúrgica. Porém é realizado poucas vezes nesta cardiomiopatia(1,2,7,14,15).

3.5 Complicações

Em alguns casos a CMH pode ser assintomática ou desencadear alterações com que se exteriorizarão por meio de sintomas: dispnéia, dor precordial, palpitações, síncope e MS.

Dentre todas as complicações a morte súbita é a mais temida e relativamente a mais freqüente entre os assintomáticos ou aqueles sem diagnostico pré-estabelecido, sendo a mais freqüente em adolescentes e adultos jovens. Está relacionada aos casos de maior extensão da hipertrofia miocárdica, os elementos desencadeantes da MS são: taquicardia induzindo isquemia; exercício físico intenso provocando hipotensão; além do aumento acentuado da massa miocárdica e da obstrução da via de saída(1,2,7).

3.6 Prevenção

Sempre que realizado o diagnóstico da CMH, devem-se estudar os parentes, pois é freqüente haver outros casos na família.

Os pacientes portadores da doença não devem realizar esportes intensos ou competitivos, sob o risco de terem MS. Deve-se realizar a profilaxia nas manipulações orais, genitais e cirúrgicas, evitando a incidência da endocardite infecciosa, principalmente em pacientes com a forma obstrutiva e naqueles com insuficiência mitral(1,2).

3.7 Assistência de Enfermagem

O Enfermeiro é o profissional mais próximo do paciente durante sua internação e está presente em todos os momentos desde sua chegada até sua saída do hospital. Isso permite ao enfermeiro caracterizar os pacientes, analisar suas alterações e evolução, sejam elas físicas ou mentais. Por isso o processo de Enfermagem é um instrumento facilitador da assistência, entretanto necessita ser usado e avaliado com base nas teorias de Enfermagem, para que resulte em uma melhor assistência(16).

Algumas medidas gerais podem melhorar a assistência de enfermagem ao paciente, como: observá-lo continuamente e examiná-lo repetidas vezes, durante a internação, seja em unidades clínicas ou em unidade de terapia intensiva (UTI)(17).

Tendo como base os dados já apresentados no decorrer do trabalho, a assistência pode ser mais específica levando-se em consideração a patologia, tratamento, sinais e sintomas. Ao que diz respeito a esta problemática será abordada a assistência como um todo, uma vez que os profissionais de enfermagem podem se deparar com tal situação durante uma hospitalização.

A CMH é uma doença crônica, ou seja, pode ser definida como uma condição médica ou um problema de saúde com sintomas ou incapacidades que requerem um gerenciamento a longo prazo. Parte da administração inclui aprender a viver com os sintomas e incapacidades, enquanto se aprende a viver com algumas mudanças de identidade que a doença traz. Muitas pessoas que requerem cuidados de enfermagem têm problemas associados com condições crônicas.

Durante a hospitalização o paciente torna-se mais vulnerável, tanto ao autocuidado (pela dificuldade de realização de atividades diárias) como ao nível emocional.

Cabe a enfermagem identificar durante a hospitalização o diagnóstico do paciente e a intervenção relacionada visando melhorar seu estado físico, espiritual e social.

Buscando a padronização quanto à assistência de enfermagem, no Quadro 3 estão apresentados os diagnósticos e intervenções de enfermagem sugeridas(18,19,20,21).

4. CONCLUSÃO

Os resultados da pesquisa bibliográfica para a confecção desta atualização evidenciaram um número relativamente baixo de publicações produzidas por enfermeiros em torno do assunto. Muito embora esta produção seja pequena, percebe-se a necessidade de maior investigação para que seja construído um corpo de conhecimento testado em pesquisa de campo sobre a assistência de enfermagem para pacientes portadores desta patologia.

A maioria das publicações de enfermagem enfoca a Insuficiência Cardíaca (IC) como sendo uma entidade patológica única para representar todas as demais patologias que têm como conseqüência a IC. A construção de um corpo de conhecimento voltado especificamente para cada patologia se torna necessário a fim de que a enfermagem possa atender efetivamente as necessidades peculiares de cada grupo diagnóstico, como o caso da CMH.

Diante dos resultados deste estudo, conclui-se que é importante para o enfermeiro saber a dimensão dos problemas relacionados à CMH. Este saber compreende o conhecimento quanto ao processo patológico da doença, sua etiologia, fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico da doença, complicações, etc. O corpo de conhecimentos da enfermagem se estende à capacidade que o enfermeiro deve ter para coletar os dados a fim de que possa reconhecer os diagnósticos de enfermagem mais comuns, bem como o conhecimento sobre as intervenções de enfermagem pertinentes a cada diagnóstico. Desta forma há maior probabilidade de dispensar uma assistência mais efetiva e com maior nível de qualidade.

A realização deste estudo permitiu agregar um corpo de conhecimento teórico que compreende três etapas do processo de enfermagem: histórico, identificação do diagnóstico e planejamento da assistência de enfermagem. O principal resultado do estudo é uma contribuição teórica para a sistematização da assistência de enfermagem para pacientes com CMH. Contudo, torna-se necessário a realização de maior investigação, sob a forma de pesquisas de campo, para comprovação dos pressupostos teóricos apresentados como resultado da pesquisa bibliográfica.

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