CARACTERÍSTICA DA PROPAGANDA

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Propaganda é qualquer forma paga de apresentação e promoção não-pessoal de idéias, produtos ou serviços, realizada por um patrocinador identificado, tendo como objetivo: informar, persuadir o lembrar. A imagem do produto o serviço que o consumidor traz em sua mente é um dos fatores que determinam o seu sucesso e grande parte dessa imagem é criada pela propaganda, que transmite informações sobre um produto ou serviço, sendo necessária a transmissão do anunciante para o consumidor e o reconhecimento pelo consumidor de que a mensagem certa foi recebida.

A propaganda pode ser: de produto, serviço, institucional, pioneira ou informativa , persuasiva, comparativa, de proteção e, corretiva podem ser veiculadas em televisão, rádio,imprensa escrita, mala direta, outdoor, Internet, mas todos esses meio por si só não bastam , sendo possível a associação de diversos meios para conseguir atingir o público esperado.

As mensagens de propagandas podem ter apelos: Moral, racional, emocional, de medo, sexual, humorístico.Para aumentar a credibilidade das propagandas de produtos das empresas é necessário mostrar o produto/serviço realmente como ele é, salientando a praticidade e segurança proporcionada , mostrar a idoneidade e respeito com que a empresa trata seu consumidor, oferecer serviço pós-venda , demonstrar e praticar ação social, e vincular a imagem do produto a temas agradáveis.

Promoção:

A promoção é uma das estratégias básicas à disposição de um empresa, devendo estar integrada às demais estratégias da empresa, sendo composta pela combinação de venda pessoal e propaganda, pois certas partes do trabalho de promoção podem ser executadas com maior eficiência por intermédio de propaganda, a promoção de vendas consiste em incentivos de curto prazo que visam a estimular a compra ou venda de um produto ou serviço.

A empresa possui alto controle sobre a mensagem, e tem foco a curto prazo. Quando uma empresa tem como público alvo a população de um país diferente deve preocupar-se com hábitos e a cultura local, principalmente o idioma, pois qualquer deslize, pode transformar o conteúdo da promoção em algo pejorativo e depreciativo.

Há muitas tentativas para alcançar os consumidores a fim de promover o encorajar as vendas, entre as que se destacam:

Cupons:

    • estimulam as vendas por meio de reduções de preço de curto prazo, fazendo com que produtos novos sejam experimentados.

Ofertas especiais:

    • estimulam as vendas de produtos e visitas às lojas, aumentando as quantidades adquiridas.

Brindes ou prêmios:

    • Atraem novos clientes para produtos existentes, criam prestígio e oferecem maior valor.

Concursos e sorteios:

    • Chamam a atenção, aumentam as vendas e geram publicidade.

Amostras grátis:

    • Possibilitam que os consumidores utilizemos sem custo algum os produtos oferecidos.

Experiências grátis com o produto:

    • estimulam as vendas pela redução do risco de insatisfação depois da compra.

Displays no ponto de venda:

    • destacam os produtos nas lojas, aumentando as chances das compras por impulso.

Abatimentos posteriores:

    • encorajam as compras, particularmente para artigos caros.

Programas de fidelização:

    • recompensam a lealdade dos clientes, aumentam o volume de vendas.

Exposições:

    • geram atenção e conhecimento sobre produtos de uma industria , identificam clientes potenciais e realizam vendas.

Brindes promocionais:

    geram consciência sobre a empresa, bem como seus produtos e locais de venda.

Os gastos com promoção de vendas exigem a definição de seus objetivos, seleção de ferramentas, desenvolvimento, pré-teste e implementação do programa, e avaliação dos resultados.

Publicidade

A publicidade freqüentemente focaliza algum acontecimento especial ou divulgação de noticias. A empresa, quando a utiliza exerce baixo controle sobre a mensagem, é fonte imparcial da mensagem, visto que a publicidade é controlada pelos próprios veículos de divulgação e seu foco é a longo prazo.

Tipos de Publicidade

Entrevistas coletivas, press releases e outras.

A desmassificação do mercado e a falta de tempo pessoal podem causar problemas sobre as atividades promocionais, reduzindo as vendas e refletindo na saúde financeira da empresa, é necessário que a empresa esteja preparada para agir em situações de ameaças com formas alternativas de se trabalhar, atendendo de forma personalizada quando for necessário.

Administração de vendas:

A administração de vendas inclui o planejamento da estratégia e recrutamento e seleção, treinamento, remuneração, supervisão e avaliação dos vendedores da empresa, sendo a parte essencial o gerenciamento de pessoas. È de fora para dentro da empresa que inicia-se os passos da administração de vendas, pois tão importante quanto vender é administrar as vendas, tarefa que é facilitada com o auxílio de documentos que alimentarão um banco de dados, os documentos são: ficha de cadastro do cliente para fins de concessão ou ampliação de crédito, formulário de pedido, ficha-cliente, relatório de visitas do vendedor, mapa estatístico de visitas, relatórios de despesas do vendedor e curva ABC de clientes.Para que a empresa mantenha-se competitiva é necessário possuir um sistema de informações de vendas e marketing compatível com suas necessidades, haja vista que um sistema de administração de vendas burocratizado em excesso pode levar ao atravancamento funcional, porém a falta de informações oportunas ao administrador pode emperrar o sucesso da empresa.

De acordo com a situação, a remuneração das vendas deve ser apropriada para cada caso, como é o caso de:

Salário fixo: é útil quando pretende-se remunerar novos representantes de vendas, quando a empresa entra em novos territórios de vendas que requerem trabalho de desenvolvimento, quando os representantes devem executar muitas atividades extra-vendas, como por exemplo em atividades que não estão diretamente ligadas no fechamento da venda.Sendo vantajosa para a empresa por ser mais fácil de administrar e prever as despesas de remuneração, porém não dá nenhum incentivo ao funcionário e durante os declínios nas vendas as despesas de vendas permanecem no mesmo nível.

Salário fixo mais comissão: é particularmente útil quando os territórios de vendas possuem potenciais de vendas relativamente similares e a empresa deseja fornecer incentivo mas ainda controla as atividades da força da vendas, é mais difícil de se administrar e as despesas de vendas são menos previsíveis quando as vendas são sazonais, apresentando baixas e altas em períodos distintos.

Comissão: quando a empresa tem por objetivo o relacionamento a longo prazo e excelência nos serviços e é necessário grande agressividade nas vendas e as tarefas extra-vendas são minimizadas, propicia o máximo incentivo e as despesas de vendas têm relação direta com os recursos de vendas, porém os representantes de vendas dependem basicamente de seus esforços, tornando inseguro seus rendimentos e permitindo que as contas menores sejam esquecidas pelo baixo retorna que elas trazem.

Padrões de avaliação:

Comparações de vendedor a vendedor:

É útil para avaliar a produtividade individual dos vendedores, porém deve-se evitar injustiças, sendo imparcial e fazendo uma breve análise geográfica da região, pois existem inúmeros fatores que podem interferir nos resultados das vendas, como por exemplo, renda per capita, escolaridade. existência maciça de concorrentes na região. Critérios de Desempenhos utilizados na Avaliação de Vendedores, é baseada em seis critérios:

Vendas, contas, visitas, utilização do tempo, despesas, atividades extra-vendas.

Comparações entre o volume atual e o volume anterior de vendas.

Serve para avaliar os resultados das metas pré-estabelecidas e seu atingimento pela equipe de vendas e também para detectar possíveis falhas ou obstáculos que estão dificultando o resultado almejado.

A linha divisória entre ações éticas e antiéticas está longe de ser clara, no complexo mundo dos negócios de hoje , os vendedores que querem ser éticos podem não saber exatamente que ações terão resultados éticos ou não. É claramente anti-ético o fornecimento de produtos ou serviços que não sejam seguros ao consumidor. E cito o exemplo da PETROBRAS em que o gerente responsável pelo projeto de plataforma P-34, pagou comissão milionária a Marítima para contratação de novas plataformas, e que foi demitido em 2000.E alguns problemas éticos podem surgir com relação à venda pessoal, e também as pressões exercidas sobre os consumidores para que adquiram produtos supérfluos ou inacessíveis é uma questão de ética para a qual ainda não existe uma resposta clara. Concorrência desleal quando um vendedor acorda e concede ao cliente inúmeras vantagens para que tenha exclusividade, fechando as portas e oportunidades de outros vendedores, e pagamento de propinas, favorecimento, utilização de informações sigilosas para obter a preferência.

Relações públicas

As empresas possuem diversos públicos e cada grupo que forma um determinado público em impressões da empresa, algumas impressões corretas outras nem tanto, os tipos de públicos que uma empresa pode ter são: empregados, fornecedores, clientes, mídia, comunidades, repartições públicas, estabelecimentos educacionais e acionistas. Uma campanha de relações públicas planejada e contínua poderá ser o meio mais econômico de projetar a imagem da empresa no mercado. Os profissionais de relações públicas utilizam basicamente a notícia, a publicidade favorável e a criação de uma imagem positiva para a empresa. As principais decisões do profissional de relações publicas são: definição de seus objetivos, escolha de mensagens e veículos, implementação do plano e avaliação dos resultados. E ser o elo de ligação da empresa-comunidade, é suma importância para a organização principalmente quando a credibilidade da organização é ameaçada, como por exemplo a empresa Petróleo Brasileiro S. A . PETROBRAS com o vazamento de óleo no rio Iguaçu, Explosão da plataforma marítima de petróleo P-36 em que houve danos a natureza e 11 funcionários morreram na Bacia de Campos., em que suspeita-se que foi provocado pela troca na compra de equipamentos usuais por outros similares , porém de qualidade duvidosa e sem os requisitos e exigências aprovados, mas de custo menor, e o derramamento de óleo na serra do mar, e para amenizar estas crises é necessário mostrar a comunidade que a empresa está comprometida em programas de proteção ambiental e aberta a sugestões para minimizar o risco dessas catástrofes ocorrerem novamente.

Referências Bibliográficas

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COBRA, Marcos. Administração de Vendas. São Paulo: Atlas, 1994.
BOYD, Harper W. Promoção de Vendas. São Paulo: Atlas, 1971.
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http://www.etymonline.com/index.php?term=propaganda
http://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/0275937057
ROGERS, Len. Administração de Vendas e Marketing. São Paulo: Makron Books, 1993.
KOTLER, Philip. Princípios de Marketing, 7ª edição, Prentice-Hall. 1998.

CANDOMBLÉ

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APRESENTAÇÃO

O trabalho a ser apresentado trata sobre um tema muito polêmico; o candomblé.

Esta religião, muito difundida no Brasil, tem forte e decisivas influências africanas; a sua presença é mais marcante na Bahia, onde muitos escravos desembarcaram na época do colonialismo.

INTRODUÇÃO

O termo ‘ Yorùbá ‘ aplica-se a um grupo linguístico de vários milhões de pessoas , onde além de linguagem comum, os yorùbá são unidos por uma mesma cultura e tradições de uma origem comum, na cidade de Ifé, mas não constituíram jamais uma única entidade política, e antes do século XIX, eles não se chamavam uns aos outros pelo mesmo nome.

No Brasil, e em Cuba, os yorùbá são geralmente conhecidos por ‘lacumi’ e ‘nago’. A expressão “anago” é no entanto conhecida em Cuba. No novo mundo, foram encontrados os primeiros vestígios da palavra ‘nagô’ , em um documento enviado à Bahia em 1756; é provável que o termo ‘nagô’ no Brasil seja utilizado para designar os Iorubás de qualquer origem. Um autor nigeriano expõe a hipótese de que nagô é uma adaptação da palavra negro, introduzida pelos brasileiros na costa da África.

O termo ‘Iorubá’ efetivamente, chegou ao conhecimento do ocidente em 1826, através de um livro; foi encontrado em um manuscrito, em árabe, originário do reino de Takroor, dominado pelo sultão Mohamed Bello. O termo Iorubá era atribuído pelo povo de Haussa exclusivamente ao povo de Oyó, onde a palavra Iorubá denominava um país dividido em cinco regiões: Oyó, Egbwa, Ibarupa, Ijebu e Ijexá, porém, descobriu-se posteriormente que essas divisões eram mais de cinco, mas a denominação britânica da época achava vantajoso que esse termo unisse as nações antes separadas por batalhas, inter-tribais.

Apesar da tentativa de unificação existiam grandes diferenças dialetais, assim como um orgulho das origens e das tradições acompanhando certa desconfiança que o tempo não conseguiu findar completamente, pois cada um desses grupos prefere ser chamado de Egbá, Ifé, Ijebu ou Ijexá a ser Iorubá.

A maior parte das sociedades iorubás era antes da conquista de Ifé por Dodudua, de estrutura política e social frágil, onde a maior parte das funções religiosas, sociais e agrícolas eram limitadas. A civilização era basicamente formada por aldeias, e não por cidades.

UMBANDA

Possessão

A possessão é um tema complexo e fascinante ao mesmo tempo, e por isso a análise de umbanda começará por ele. Apesar do medo aparente das pessoas, todos sentem uma enorme e inexplicável curiosidade ao presenciar uma cena de possessão; esse fenômeno coloca em ‘cheque’ muitas idéias cultivadas por uma cultura, pois o tema possessão diz respeito à mudança que é processada nas pessoas por intermédio do transe; daí surge o mistério, onde a pessoa possuída se torna irreconhecível, muda de fisionomia e até as pessoas mais íntimas são incapazes de dizer que alí está a mesma pessoa conhecida.

A idéia de possessão não diz respeito somente aos cultos afro-brasileiros; aqui no Brasil esse fenômeno se representa em diversos cultos de princípios religiosos. Não é necessário ser umbandista, ou fazer parte do candomblé para viver num mundo onde vagam espíritos que são cultivados. A possessão ao contrário do que parece e do que se pensa, não é coisa do outro mundo; faz parte da cultura brasileira.

É importante ressaltar que a estranheza frente à possessão é significativa. Torna-se aguda a diferença entre uma pessoa em seu estado normal e em possessão. O contraste entre os dois momentos, seja na umbanda, no candomblé ou no espiritismo, explicita um passado assustador.

As dificuldades com os cultos de possessão não ficaram apenas no plano religioso. O Estado, combatia os cultos, as ‘macumbas’ , particularmente, na era Getúlio Vargas, mas antes dessa época o povo já se preocupava com o problema e estudava os cultos afro-brasileiros, muitas vezes adotando posturas pouco simpáticas em relação ao tema.

A umbanda trata a possessão como algo benéfico; ao invés de expulsar as entidades do outro mundo, consideradas maléficas por outro culto, aprendem a conviver com elas. Aqui, ao invés de termos como santos ou demônios, temos muitos seres que têm suas características e não podem ser reduzidos apenas a um nome.

Os umbandistas são, portanto, súditos de vários senhores e dividem o seu tempo, o seu corpo e a sua própria pessoa trabalhando para todos, na tentativa de conciliação. A religião umbandista pode ser considerada um agregado de pequenas unidades que não formam um único conjunto. Não existe como na Igreja Católica um centro bem separado onde a hierarquia é aparente.

Aqui, o que prevalece é a dispersão. Cada pai-de-santo é o senhor de seu terreiro, não existindo uma autoridade superior a ele. Existe uma infinidade de terreiros autônomos, porém unidos em uma mesma crença.

SIMBOLISMO

A doutrina umbandista, sugere que as entidades cultuadas na umbanda, e no candomblé são de origem africana, mas com a convivência no Brasil, sofreram um processo de sincretismo com a tradição católica.

A crença umbandista desvirtuou o sentido original das crenças africanas, tornando possível reconhecer influências indígenas, espíritas. Na umbanda, existe uma hierarquia no ‘astral’ da qual surge o valor das entidades. Nessa hierarquia, existe uma ordem onde primeiro vem o Deus supremo, OXALÁ, que corresponde ao Deus Católico. Em seguida vêm os orixás, divindades africanas. Os orixás seriam santos que nunca encarnaram.

ORIXÁS

Os orixás na África

A religião dos Iorubás, tal como se apresenta atualmente, só se tornou homogênea gradativamente. Sua uniformidade é o resultado de algumas adaptações de crenças vindas de várias direções. Hoje em dia ainda não há no território Iorubá, uma hierarquia definida em relação aos orixás. As variações de um local para outro, mostram que um orixá pode ser cultuado em uma região e ausente em outra.

O culto de Xangô, em Oyó por exemplo é oficialmente inexistente em Ifé, onde um deus local está em seu lugar com o poder do trovão, Oramfé. Oxum, cujo culto é marcante na região de Ijexá, é totalmente ausente em Egbá. Iemanjá que é soberana em Egbá, é desconhecida na região de Ijexá. A adoração desses orixás em determinadas regiões, depende da história de onde estes figuraram como protetores: Xangô era o terceiro rei de Oyó; Oxum em Oxogbô fez um pacto com Larô, fundador da cidade de Ifé cujos filhos tornaram-se reis de cidades Iorubás.

O lugar ocupado na organização social pelo orixá pode ser diferente, se se tratar de uma cidade onde se ergue um palácio real, ocupado por um rei, tendo direito a usar uma coroa, ‘adé ‘, com franjas de pérolas, escondendo sua face; a casa do senhor do mercado de uma cidade cujo chefe é um Balé que só tem direito a uma coroa modesta. Nesses casos o orixá está praticamente à sua disposição para garantir a estabilidade da dinastia e a proteção dos súditos.Nas aldeias, onde o poder civil continuou fraco, o impacto das religiões tradicionais era muito forte na sociedade.

A religião dos orixás está diretamente ligada à noção de família. A família numerosa, vinda de um mesmo antepassado englobando vivos e mortos. O orixá seria um ancestral divinizado, que em vida criou vínculos de controle com a natureza, como o trovão, o vento, as águas doces ou salgadas, ou a possibilidade de exercer certas atividades como a caça, o conhecimento de propriedades e utilização de plantas. Esse poder do orixá, teria após sua morte a possibilidade de encarnar momentaneamente em um de seus descendentes durante um fenômeno de possessão.

O orixá é uma força pura, àse (axé) imaterial que só se torna perceptível aos seres humanos, quando se incorporam em um deles; esse ser escolhido pelo orixá, um de seus descendentes, é chamado de elégùn, aquele que tem o privilégio de ser ‘montado’ por ele. Torna-se o veículo que possibilita o orixá voltar à terra para saudar e receber as provas de respeito.

Os elégùn, algumas vezes são chamados de iaô, mulher do orixá. Esse termo se aplica tanto aos homens quanto às mulheres e não evoca uma idéia de união ou posse carnal, mas de sujeição e de dependência. O elégùn tem o papel fundamental nas cerimônias de adoração ao ancestral divinizado, que, incorporando-se ao elégùn, reencontra por alguns instantes sua antiga personalidade espiritual e material.

Os orixás, durante as cerimônias de evocação, voltam temporariamente à Terra, e entre seus descendentes, dançam, recebem cumprimentos, ouvem suas queixas e aconselham. O relacionamento, portanto, entre os orixás e os crentes é aberto e ao contrário do que se pensa, o mundo celestial encontra-se acessível, e os seguidores poder usufruir da benevolência das entidades.

O orixá é um verdadeiro bem de família, transmitido pela linhagem paterna. Os grandes chefes de família, os balè, direcionam geralmente a responsabilidade do culto ao orixá da família à um aláàse ( guardião do poder de Deus, que dele cuida, com o auxílio dos elégùn, que podem ser possuídos pelo orixá.

As mulheres da família participam das cerimônias e podem se tornar elégùn do orixá da família paterna, mas se forem casadas, é o orixá da família do marido que será de seus filhos, por isso as mulheres se encontram numa posição um pouco marginalizada na família do marido. As mulheres são vistas apenas como geradoras de filhos, não se integrando totalmente ao novo lar; quando essas mulheres morrem, seu cadáver é devolvido ao lar de seus pais, onde é enterrada. O preconceito na nação Iorubá nasce com a criança, quando o próprio pai pergunta na hora do concebimento se a criança é o dono da casa (onílé) ou a estrangeira ( àléjò), estabelecendo a posição que a criança ocupará na família Iorubá.

Acima dos orixás, reina um Deus supremo. OLUDUMARE, cuja etimologia gera dúvida. Este deus se encontra distante, indiferente ás preces e ao destino do homem. Está fora do alcance humano; ele é superior a todos os níveis de moral e justiça.

Não existe um culto direcionado à Olodumare – ele criou os orixás para supervisionar o mundo, por isso é a esses orixás que os homens devem se apegar. Olodumare só intervém para julgar desavenças entre os orixás. Para OLODUMARE, a criação dos orixás foi feita para uma melhor regência do mundo, já que cada orixá tem suas características e se completam numa verdadeira harmonia.

Os orixás no novo mundo

A presença das religiões africanas no Novo Mundo é consequência do tráfico de escravos que foram trazidos para os países da América, provenientes da África. Com esse tráfico, uma multidão de cativos que não falava a mesma língua, se amontoava com diferentes hábitos de vida e religiões também distintas.

Ainda no século XIV, constatou-se na Bahia a presença de negros BANTU, que contribuíram para a inserção de novas palavras ao vocabulário brasileiro. Após algum tempo, chegou uma numerosa quantidade de negros naturais de regiões habitadas por Gêges e Nagôs, cujos rituais religiosos de adoração à deuses serviram de modelo às etnias baianas.

Além do transporte de cativos destinados apenas ao trabalho escravo, os navios negreiros também transportavam personalidade, crenças e jeito de ser de cada negro; mas ao chegar no Novo Mundo, o escravo era obrigado a curvar-se perante as novas doutrinas para conseguir a ‘salvação’ de suas almas.

A grande resistência das regiões africanas frente às forças de alienação da época, surpreendia os que defendiam o tráfico negreiro com o argumento de que suas atividades ( a dos negros ), era o meio mais fácil de levar as almas dos negros à Igreja, ao invés de deixá-los na paganidade da África. Nesta época, os homens que trabalhavam com o tráfico de escravos, se apegavam muito à fé, acreditando nas palavras da Igreja que dizia que os santos os acompanhariam nas jornadas de busca de negros para a ‘salvação’.

Esses mesmos santos que protegiam os interesses dos negreiros e a vida de uma parte dos negros transportados, ajudaram os escravos a despistar seus senhores sobre a natureza das danças que estavam autorizados a realizar, aos domingos, quando se reuniam em ‘batuques’. Em 1758, os senhores aceitavam que os escravos tivessem um meio de lembrar de suas origens e Ter uma verdadeira aversão da época em que guerreavam na África, na tentativa de inibir uma revolta em massa, que aconteceria 50 anos mais tarde.

Os senhores da época achavam que as danças eram apenas uma forma de diversão dos negros, sem desconfiar da preces e orações à seus orixás, a seus Vodun e a seus Inkissi; quando eram obrigados a justificar seus cantos, diziam que louvavam, em suas línguas de origem, os santos do paraíso.

Nessa época surgiu o sincretismo que relacionava a religião Iorubá à Católica; alguns santos começaram a ser comparados aos orixás africanos. Por exemplo, Xangô, deus do trovão foi comparado a São Gerônimo, representado por um ancião acompanhado de um leão docilmente deitado sobre seus pés; e como leão é um símbolo de realeza entre os Iorubás, São Gerônimo foi comparado a Xangô.

Os santos católicos ao se aproximarem dos deuses africanos, tornavam-se familiares aos recém – convertidos, mas fica difícil saber se isso realmente converteu os africanos ou apenas os ajudou a camuflar sua crença verdadeira. Com o passar do tempo, a participação de descendentes de africanos e de mulatos educados num igual respeito às duas religiões, aumentou, fazendo com que estes fossem tão sinceramente católicos – indo à Igreja – ,como ligados às tradições africanas, participando das cerimônias de candomblé.

Descrição e características de alguns orixás

EXU ELEGBARÁ

Exu é um orixá de contraditórios aspectos; ele gosta de suscitar disputas, de provocar acidentes e calamidades públicas e privadas. É astuciosos, grosseiro, vaidoso e indecente, sendo muitas vezes comparado e confundido com o diabo.

Entretanto, Exu possui seu lado bom, e se ele é tratado com consideração, mostra-se prestativo. Se, por outro lado, oferendas e sacrifícios não forem direcionados à ele, o surgimento de catástrofes é inevitável. É o mais humano dos orixás – nem completamente bom, nem completamente mau.

O lugar destinado à esse orixá entre os Iorubás, é constituído de um pedaço de pedra porosa, chamada Yangi, ou por um monte de terra modelado na forma humana.

Ogum

Ogum teria sido o filho mais velho de Odudua, fundador de Ifé. Era temível guerreiro que brigava contra reinos vizinhos.

Como orixá, Ogum é o deus do ferro e de todos que utilizam o metal: caçadores, barbeiros, açougueiros… Ogum é representado por franjas de folhas de dendezeiro desfiadas, chamada de màrìwò. Esses màrìwò pendurados acima de portas e janelas de uma casa, representam proteção.

Xangô

Xangô é viril e atrevido , violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. O símbolo de xangô é o machado de duas lâminas, Osé ( oxé ), que seus elégùn trazem nas mãos quando estão em transe. Lembra o símbolo de Zeus em Creta.

Os adeptos de Xangô seguram nas mãos um instrumento musical utilizado apenas por eles, o séré ( xerê ) , feito de uma cabaça alongada e contendo no seu interior pequenos grãos.

Iemanjá

O nome Iemanjá deriva de Yèyè Omo Ejá ( mãe cujos filhos são peixes); é o orixá dos Egbá.

Iemanjá seria a filha de Olóòkun, Deus do mar. Recebe sacrifício de carneiros e oferendas de pratos preparados à base de milho. Ela é representada nas imagens com o aspecto de sua matrona, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva.

Obaluaê

Obaluaê ou omolu são os nomes atribuídos ao Deus da varíola e das doenças contagiosas, as quais os nomes não devem ser pronunciados por superstição. Pune os malfeitores enviando-lhes a doença.

O lugar de origem de Obaluaê é incerto mas existe a possibilidade de que esse local pode ser no território de Tapá ou Nupê.

Ossain

Ossain é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas; sem a sua presença, nenhuma cerimônia pode ser feita, pois ele é o detentor do àse (poder), imprescindível até aos próprios deuses.

O símbolo de Ossain é uma haste de ferro, onde na extremidade superior, existe um pássaro em ferro forjado. Esta haste é cercada por seis outras dirigidas em leque para o alto.

Primeiros terreiros de candomblé

A instituição de irmandades religiosas, sob a responsabilidade da Igreja Católica, separava as etnias africanas. Os negros de Angola formavam a ordem terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo. Os Gêges reuniam-se sob a devoção de Nosso Senhor Bom Jesus da Necessidades. Os Nagôs, cuja maioria era da nação Kêto, formavam duas irmandades distintas: uma de mulheres e outra reservada aos homens.

Essa separação por etnias, completava o que já acontecia no século precedente, onde era permitido aos negros libertos ou não, se reagrupar e praticar juntos, em locais fora da Igreja, o culto de seus deuses africanos.

Muitas mulheres originárias de Kêto, antigas escravas libertas, tomaram a iniciativa de criar um terreiro de candomblé, chamado Ìyá Omi Àse Àirá Intilè, próximo à Igreja da barroquinha. Além deste terreiro, muitos outros começaram a surgir e se espalhar pela cidade. Nesta época, apenas a religião católica era autorizada legalmente, e, esses cultos ‘clandestinos’ eram repreendidos a todo instante.

Em 1826, a polícia da Bahia começou a realizar buscas com o objetivo de recolher possíveis negros agrupados e direcionados à uma revolução, mas ao contrário disso, apreenderam objetos e instrumentos relacionados ao candomblé. Ainda nesta época surge no alto do Gantois, o terreiro chamado Iyá Omi Àse Ìyámase, fundado por dona Escolástica Maria da Conceição Nazaré, “Menininha” ; a partir daí, muitos terreiros surgiram nascidos do terreiro Axé Opô Afonjá, na Barroquinha.

Ao lado dos terreiros Nagô- Kêto, há na Bahia os da nação Ijexá; o mais conhecido é o de Eduardo Ijexá, meio irmão de Otávio Mangabeira, ex-governador da Bahia. A palavra candomblé, que traduz na Bahia as religiões africanas, é de origem BANTU, e é possível que as influências das religiões vindas da África não se limitem só ao nome das cerimônias, mas tenham unido ao culto gêge e nagô, uma forma diferenciada dessas manifestações na África.

Cerimônias

Na África

As cerimônias para os orixás são acompanhadas de oferendas e sacrifícios. Normalmente, o orixá recebe essa oferenda encarnado em um de seus elégùn.

Para Xangô, estas cerimônias são realizadas em épocas afastadas umas das outras, e ele só se manifesta apenas em um de seus elégùn, mas existe a possibilidade de todos serem possuídos. Esse transe, quando iniciado, dura até dezessete dias e manifesta-se durante o sacrifício de um carneiro.

Os transes de Ogum, acontecem a cada quatro dias, isto é, a cada semana Iorubá. O deus se manifesta em seu elégùn, sempre o mesmo, num curto período de tempo que pode chegar a uma hora. O transe acontece puxado pelos ritmos de tambores e sacrifícios.

Existem muitos orixás, e as cerimônias de evocação são específicas para cada um deles.

No Novo Mundo

Terreiros de candomblé no Brasil

Na Bahia, no início do século, os terreiros eram instalados longe do centro da cidade; com o crescimento dos novos bairros, estes foram sendo incluídos na zona urbana.

São geralmente compostos de uma construção denominada ‘barracão’, com grande sala para as danças e cerimônias; de uma série de casas destinadas à residência das pessoas que fazem parte do candomblé.

O culto é de responsabilidade do pai ou mãe-de-santo, que são os babalorixá e ialorixá, respectivamente. São chamados também de zelaores de santo ( encarregados de cuidar do axé-poder do orixá ). Os pais-de-santo e as mães-de-santo, são ajudados por pais ou mães pequenos e por uma série de ajudantes, com papéis e atividades definidos.

Alguns integrantes são chamados de ‘ogãs’, mas estes não têm funções religiosas especiais, ajudando o terreiro materialmente e contribuem para protegê-lo; é um tipo de ajuda mútua. Existem ainda os ‘iaôs’ , “mulheres” dos orixás, que são os filhos e filhas-de-santo.

Nos dias de cerimônia pública, chamada ‘xirê dos orixás’ – festa dos orixás – o barracão é decorado com guirlandas de papel nas cores do deus festejado. O chão é varrido cuidadosamente e salpicado com folhas de pitanga e grandes palmas decoram as paredes.

O pai-de-santo, com seus ajudantes, fica sentado junto aos atabaques. Os ogãs ficam em cadeiras marcadas com seus nomes, onde só eles podem sentar. Os visitantes importantes sentam-se em bancos e cadeiras e o resto do público fica dividido em dois grupos: homens de um lado e mulheres de outro.

No começo, três atabaques ( Rum, Rumpi e Lé ) acompanhados pelo agogô, tocam apelos ritmados às diversas divindades. Durante os toques de chamada, feitos no início da cerimônia, os atabaques são batidos sem acompanhamento de danças e cantos.

O elemento melódico das músicas africanas, destaca-se no decorrer das cerimônias privadas, no momento de sacrifícios e oferendas dirigidos aos orixás. A melodia é na língua Iorubá.

Uma vez terminada essa parte do ritual religioso, todos ficam de pé, com as mãos estendidas- forma de saudação – enquanto a ‘iamorô’ e as outras dançam para honrar a memória dos orixás.

O transe começa por hesitações, passos em falso, tremedeiras e movimentos desordenados de iaôs. Ficam descalços, todas as jóias do corpo são retiradas e as calças ficam dobradas até a altura do joelho. Os orixás são recebidos com gritos e louvores. Os iaôs vestem-se com roupas características do orixá e recebe suas armas e seus objetos.

Bem, a diferença entre as cerimônias na África e no Novo Mundo é que na primeira, evoca-se um só orixá durante uma festa celebrada em um templo reservado, enquanto no Novo mundo, vários orixás são evocados em um mesmo terreiro durante uma mesma festa. Na África, a cerimônia é feita pela coletividade familiar e um só elégùn é possuído, enquanto no Novo Mundo, vários iaôs recebem o mesmo orixá.

Conclusão

O trabalho sobre Candomblé, realizado pelos alunos Bárbara Ramos, Murilo, Rodrigo Costa e Télio Filho, foi de extrema importância para o maior conhecimento sobre esse sincretismo religioso e cultural, instalado principalmente na Bahia.

O candomblé não é somente uma religião, mas um verdadeiro estilo de vida, formado por diversas influências, de uma nação, que apesar de todas as dificuldades conseguiu manter suas raízes de origem. Aqui também se pôde analisar a relação do candomblé com outras religiões e culturas.

Bibliografia

As sete portas da Bahia – Caribé
Candomblé e umbanda: caminhos da devoção brasileira – Silva, Vagner Gonçalves.
O que é umbanda. – Birman, Patrícia.
Orixás – Fatumbi, Pierre.

INTERCONEXÃO DE REDES

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Resumo

O avanço tecnológico tem permitido o desenvolvimento de novas aplicações utilizando redes de comunicação cada vez mais sofisticadas e com sistemas computacionais ainda mais complexos. O projeto de interconexão dessas novas redes exige um planejamento cuidadoso e coordenado que envolve a utilização de hardware e software de fabricantes diferentes em um único ambiente, o hardware sendo composto por uma combinação de dispositivos e acessórios com diferentes graus de complexidade e o software caracterizado por sistemas de uso geral (aplicativos de usuários) e também de uso específico (sistemas operacionais de rede). Para lidar com essa complexidade crescente e assegurar sua sobrevivência no mercado, as corporações têm investido na interligação de suas redes segundo estruturas que seguem metodologias e padrões. Este artigo tem como objetivo abordar alguns aspectos importantes na caracterização da metodologia e o modelamento da tecnologia utilizados para a elaboração e desenvolvimento de um projeto de interconexão de redes.

Palavras-chave: Redes; Metodologia; Projeto; Interconexão.

1. Iniciando o projeto

Seria possível desenvolver um projeto de interconexão de redes sem utilizar uma metodologia de desenvolvimento e tecnologia adequada? Em princípio, a resposta para esta questão seria que é possível sim. Entretanto, o resultado obtido, em termos de eficiência, qualidade e produtividade certamente estaria abaixo do esperado pelos usuários dessa rede. Um projeto como este pode estar condenado ao fracasso mesmo antes de ser iniciado se não resultar em vantagens e melhorias práticas para os usuários a que se destina. Afinal, os usuários da rede esperam de um projeto soluções definitivas e econômicas para seus problemas e não apenas paliativos.

A qualidade e eficiência de uma rede têm relação direta com o seu projeto, com as operações realizadas entre suas estações, com sua confiabilidade e seu custo operacional. Desta maneira, o projeto de interconexão de redes requer selecionar tecnologias e escolher as configurações que atendam tanto os aspectos técnicos quanto os requisitos de seus usuários. Para tanto, é possível abordar tal projeto de diversas formas, mas a maioria dos projetos bem sucedidos obedece algumas diretrizes fundamentais.

Para ser considerado eficiente, um projeto precisa satisfazer diversos requisitos, desde funcionalidades operacionais até a performance dos sistemas e equipamentos destinados aos usuários. Neste caso, o papel do projetista é elaborar uma estrutura eficiente, baseada em uma metodologia de trabalho e utilizando técnicas e ferramentas adequadas.

2. Definindo metas

Uma interconexão de redes pode ser definida como duas ou mais redes locais (LAN’s) interconectadas por um ou mais dispositivos da camada de rede (camada 3 do modelo OSI). Essa interconexão pode estar restrita a uma edificação, a um campus ou mesmo ter âmbito mundial (Birkner, 2003).

O primeiro passo para o projeto de interconexão é estabelecer e documentar as metas do projeto. Essas metas variam conforme a organização envolvida ou situação particular dos usuários. Entretanto, alguns requisitos básicos têm presença garantida em um bom projeto de redes:

Escalabilidade – A rede deve ser capaz de crescer junto com a organização e o projeto inicial deve garantir este crescimento, ou seja, a rede pode ser redimensionada no futuro ainda que uma expansão não seja necessária na atualidade;

Funcionalidade – A rede deve permitir aos usuários plena satisfação de suas necessidades, proporcionando uma disponibilidade de aplicação fim a fim em algum nível específico de serviço;

Adaptabilidade – A rede deve suportar as tecnologias atuais e futuras e não teve possuir nenhum componente que possa limitar a utilização de novas tecnologias disponíveis;

Gerenciamento – O projeto deve permitir facilidade de monitoramento e gerenciamento da rede para garantir a operação contínua do sistema e disponibilidade de recursos;

Custos – O retorno em benefícios proporcionado pela rede deve ser quantificado, devendo pagar ou superar o investimento feito no projeto. O custo de implementação do projeto de rede deve estar dentro do orçamento estabelecido.

Muitas vezes a razão para um retorno negativo após a conclusão de uma melhoria na rede está em uma falha ocorrida no início do projeto, no momento de se fazer três estimativas importantes: o custo para a implantação, os benefícios a serem alcançados e os recursos disponíveis.

Para que um projeto de interconexão seja viável (e econômico), ele deve prover benefícios que excedam os custos e não deve vincular custos que excedam os recursos disponíveis. Por exemplo, o custo de uma rede pode ser dividido entre o custo das estações de processamento (computadores, servidores, etc), o custo das interfaces com o meio de comunicação e o custo do próprio meio de comunicação. Do custo das conexões e interfaces dependerá muito o desempenho que se espera da rede. Redes de baixo a médio desempenho usualmente empregam poucas estações com um baixo throughput (a quantidade de dados transmitida em uma unidade de tempo). Com isso, as interfaces e conexões normalmente são de baixo custo devido as suas limitações e aplicações. Redes de alto desempenho (alto throughput) requerem interfaces e conexões de custos mais elevados devido em grande parte aos protocolos de comunicação utilizados e ao meio de comunicação que exige uma maior eficiência no controle de erros.

3. Metodologias de projeto

Podemos definir um projeto como um trabalho não repetitivo e temporário caracterizado por uma seqüência clara e lógica de eventos, tendo como finalidade produzir um bem com características próprias que o diferenciam de outros que, eventualmente, já existam, sendo conduzido por pessoas, dentro de parâmetros de tempo, custo, recursos e qualidade. Consequentemente, os procedimentos para a execução de um projeto de interconexão de redes requerem um trabalho sistematizado, a partir de uma visão estratégica e objetiva da realidade dos usuários, assim como a organização e coordenação das ações a serem desencadeadas para sua correta execução.

Utilizar uma metodologia de projeto de interconexão é estabelecer um processo sistemático de criação de redes que tem seu foco nas metas técnicas, nos trade-offs (ajustes de custos) técnicos e comerciais, nos aplicativos e na finalidade do negócio do usuário. A metodologia deve dar ênfase ao planejamento antes da execução, permitindo analisar as metas globais e depois adaptar a estrutura de rede proposta à medida que obtém mais detalhes sobre necessidades específicas dos seus usuários.

Para um projeto de interconexão de redes podemos usar uma metodologia simples que envolve inicialmente o projeto da topologia da rede e estrutura de nomes e endereçamento que serão adotados. Os passos seguintes envolvem a especificação do hardware necessário, a seleção dos protocolos de enlace, comutação e roteamento, as estratégias para monitoração, segurança e gerenciamento da rede, conforme ilustrado na Figura 1.

Figura 1 – Fluxograma de metodologia para uso em projeto de redes

4. Análise de requisitos

A implantação de um tipo particular de topologia de rede para dar suporte a um dado conjunto de aplicações não é uma tarefa muito simples. Cada arquitetura possui características que afetam sua adequação a uma aplicação particular. Nenhuma solução pode ser classificada como definitiva quando analisada em um contexto geral. Muitos requisitos devem ser observados individual e cuidadosamente, o que torna qualquer comparação bastante difícil e complexa. Em muitos casos deve-se dar preferência por soluções modulares.

A modularidade de uma rede pode ser caracterizada como o grau de alteração de desempenho e funcionalidade que a rede pode sofrer com alterações no seu projeto original. Entre os benefícios que as arquiteturas modulares podem oferecer estão as facilidades para modificações das funções lógicas ou de elementos de hardware. Estes podem ser substituídos independentemente da sua relação com demais. Além disso, um sistema modular oferece a facilidade para crescimento no que diz respeito às configurações, permitindo melhorias de desempenho e funcionalidade e um baixo custo para ampliações.

Na metodologia de projeto de interconexão de redes, a análise de requisitos envolve identificar as necessidades do usuário e os requisitos técnicos da rede. Esta análise de necessidades inclui não só o negócio da corporação, como também um detalhamento dos procedimentos e custos exigidos para atualizar a rede de modo que ela atenda as necessidades de seus usuários.

Segundo Pinheiro (2003):

Uma rede bem dimensionada é caracterizada pela sua capacidade de suportar todas as aplicações para as quais foi projetada inicialmente, bem como aquelas que futuramente possam surgir. Não deve ser vulnerável à tecnologia, ou seja, seu projeto deve prever a utilização de novos recursos, sejam novas estações, novos padrões de transmissão, novas tecnologias, etc.

5. Projeto da topologia de interconexão

A próxima etapa do projeto é desenvolver a topologia da rede, o que significa, na maioria das vezes, utilizarmos um modelo hierárquico onde a rede é dividida em três camadas: núcleo (core), distribuição (distribution) e acesso (access). Cada camada tem sua própria função e descreve um conjunto de funcionalidades distintas executadas em cada uma, bem como a topologia de rede associada.

Em outras palavras, uma rede hierárquica é composta por camadas de função, onde em cada uma temos equipamentos dedicados a uma tarefa específica, com funções distintas em camadas distintas e funções comuns dentro de uma mesma camada, conforme ilustrado na Figura 2.

Figura 2 – Modelo hierárquico de três camadas

5.1. Camada de núcleo

Neste modelo, a camada de núcleo (core) fornece os enlaces remotos entre redes geograficamente distantes (WAN’s). Neste caso, os serviços (Frame Relay, ATM, MPLS, etc) são contratados de operadoras de serviços de telecomunicações.

A função da camada de núcleo é bem simples: permitir o tráfego entre as demais camadas (distribuição e acesso), preferencialmente da forma mais rápida possível. Os links nesta camada devem ser dimensionados de forma a passar todo o tráfego das camadas superiores, porém, sem gargalos. Sugere-se que os equipamentos utilizados na camada de núcleo sejam iguais ou superiores aos equipamentos posicionados na camada de distribuição.

5.2. Camada de distribuição

Na camada de distribuição temos os serviços de rede comuns a várias LAN’s dentro do ambiente de um campus. Nesta camada encontramos a rede backbone de campus baseada em protocolos como Fast Ethernet, Gigabit Ethernet, entre outros. É na camada de distribuição das redes corporativas em geral que encontramos os servidores de e-mail, proxy, firewall, DMZ, entre outros.

Nesta camada temos os equipamentos que ligam a camada de acesso ao núcleo da rede. As opções de equipamentos neste nível incluem o uso de switches, switches multilayer (L3 switch) ou roteadores. É recomendável utilizar nesta camada um switch multilayer ou roteador mais robusto do que os equipamentos presentes na camada de acesso. Densidade de portas não é um problema para os equipamentos nesta camada, bastando que cada switch apresente portas em número suficiente para garantir a conexão na camada de acesso, bem como a redundância das rotas principais.

Como a camada de distribuição também é responsável pelo roteamento (routing) entre as camadas de acesso neste modelo de projeto, é possível configurar filtros de pacotes, QoS, e outros recursos para um gerenciamento mais eficiente do tráfego da rede.

5.3. Camada de acesso

Na camada de acesso encontramos uma LAN ou grupo de LAN’s, que fornece aos usuários o acesso aos serviços disponibilizados na rede. É nesta camada onde estão concentradas as estações de trabalho e também onde temos a alta densidade de portas. Com a utilização de switches, temos a chamada micro-segmentação, onde cada porta de um switch consistirá em um domínio de colisão dedicado. Múltiplos domínios de colisão oferecem um desempenho infinitamente superior quando comparados a um único domínio de colisão. Os switches de camada de acesso devem ser projetados de acordo com o volume de tráfego, tipos de aplicação e quantidade de estações conectadas (o chamado port density).

É importante salientar que nem sempre um projeto de interconexão exige equipamentos dedicados para cada camada. Em redes menores é possível disponibilizar ou consolidar duas camadas em um único equipamento. Por exemplo, existem situações em que combinar as camadas de distribuição e núcleo em um único equipamento (ou dois equipamentos, na mesma camada) é uma solução bastante viável técnica e economicamente. De qualquer forma devem-se sempre verificar os requerimentos dos equipamentos, estimativas de tráfego por aplicação, entre outros parâmetros.

6. Modelos para endereçamento e nomenclatura da rede

A etapa seguinte do projeto de interconexão envolve a elaboração de um esquema de endereçamento por meio de atribuição de blocos de endereços para os segmentos da rede, objetivando simplificar a administração dos endereços e possibilitar uma interconexão mais escalável. Um esquema de nomes também deve ser adotado de maneira sistêmica, com prefixos comuns utilizados para nomear os componentes de uma organização. Essa convenção de nomes torna a rede mais escalável e fácil de ser gerenciada. Consequentemente, a alocação cuidadosa de nomes e endereços em um projeto hierárquico também pode resultar em tabelas de roteamento mais simples e eficazes.

7. Seleção do hardware

Esta etapa do projeto de interconexão envolve a documentação fornecida pelos fabricantes para selecionar os componentes de hardware mais adequados para a infra-estrutura da LAN e WAN. Os dispositivos de LAN incluem roteadores, comutadores, switches, sistema de cabeamento e conexão de backbone e outros mais. Já os dispositivos de WAN incluem modems, servidores de acesso remoto, concentradores, entre outros.

Este processo de seleção envolve considerações a respeito das funções e recursos disponibilizados em cada dispositivo em particular, inclusive suas capacidades de expansão e gerenciamento. Obviamente que o custo de aquisição do equipamento também deve fazer parte do processo de decisão.

8. Seleção de Protocolos

A seleção dos protocolos de comutação, roteamento e de enlace que serão utilizados no projeto de interconexão está diretamente relacionada aos aplicativos em uso pelos usuários e dispositivos encontrados na rede. Neste momento, considerações sobre os tipos de protocolos usados são críticas e compreender o funcionamento dos outros recursos que fornecem suporte para a segurança e monitoramento global dos serviços pode garantir um planejamento mais eficaz do uso das plataformas de gerenciamento da rede.

9. Estratégias de monitoração, segurança e gerenciamento

O último passo na metodologia é colocar a rede em produção, ou seja, torná-la operacional. Neste momento, um ponto muito importante que deve ser observado na interconexão de redes é a facilidade de uso e manutenção dos recursos disponibilizados, tanto para os usuários quanto para seus administradores.

A rede deve possuir um conjunto básico de componentes e ferramentas capazes de oferecer os serviços necessários com qualidade para seus usuários, mas também facilidades para viabilizar a adição de novos equipamentos e manutenção do sistema como um todo para os seus administradores. O ideal é criar um modelo de rede em um ambiente de testes para visualizar o impacto das alterações de configuração propostas antes delas serem efetuadas nas comunidades de usuários do sistema.

Outro ponto importante é a necessidade de se obter continuamente informações operacionais da rede para que o planejamento de aplicações que demandam maior largura de banda possa ocorrer sem maiores impactos. Neste caso, há uma variedade de ferramentas de SNMP e RMON disponíveis que permitem um gerenciamento de rede proativo.

10. Documentação do projeto

A etapa final de um projeto de interconexão de redes envolve a elaboração da documentação, que inclui a descrição dos requisitos dos usuários e explica como o projeto atende a esses requisitos. Também se documentam a rede existente, a estrutura lógica e física, o orçamento e despesas associadas com o projeto.

A criação de uma rede bem documentada também oferece um formulário de referência que o cliente poderá usar em treinamento, solução de problemas e atualização da rede depois que você for embora (DiMarzio, 2001). A documentação pode abranger a execução de diagramas lógicos e topologia, plantas de arquitetura refletindo o esquema de infra-estrutura implantado, tabelas de identificação e conexão de segmentos, tabelas de caracterização de estações e/ou qualquer outro tipo de documentação técnica pertinente.

De acordo com Oppenheimer (1999):

Também é importante que um documento de projeto contenha planos para implementar a rede, medir o sucesso da implementação e desenvolver o projeto de rede à medida que surgirem novos requisitos de aplicativos. O trabalho do projetista de rede nunca termina. O processo de analisar requisitos e desenvolver soluções de projeto começa novamente assim que um projeto é implementado.

11. Conclusão

Independente do tamanho e do grau de complexidade, o objetivo básico de um projeto de interconexão de redes é garantir que todos os recursos sejam compartilhados rapidamente, com segurança e de forma confiável. Para tanto, a rede deve possuir regras básicas e mecanismos capazes de garantir o transporte seguro das informações entre os seus elementos constituintes.

Para que o projeto seja bem sucedido, o resultado do trabalho não deve apresentar apenas qualidade técnica. Os ingredientes necessários para um projeto de qualidade incluem persistência, objetivos claros sobre o que se deseja alcançar, planejamento para execução de todas as etapas envolvidas, consenso entre os participantes do projeto e um cronograma realista para a execução de todas as atividades relacionadas.

Também é importante que a metodologia de projeto selecionada não seja rígida a ponto de inibir a criatividade e a busca por novas soluções. Ela deve ser flexível, dinâmica e estar sempre aberta para acompanhar a evolução dos sistemas de informação. Entretanto, qualquer metodologia tende a se tornar ineficiente sem um bom plano de execução e manutenção que a acompanhe. Para isto, existem programas de qualidade que têm como objetivos racionalizar os processos, desenvolver padrões e direcionar a organização em busca da excelência almejada.

12. Referências Bibliográficas

Birkner, Matthew H, Projeto de Interconexão de Redes – Cisco Internetworking Design – CID; tradução de Fábio Fonseca de Melo. Pearson Education do Brasil, São Paulo, 2003.

DiMARZIO, J F, Projeto e Arquitetura de Redes: um guia de campo para profissionais de TI. Editora Campus, Rio de Janeiro, 2001.

OPPENHEIMER, PRISCILA, Projeto de Redes Top-down; tradução de Vandenberg Dantas de Souza. Editora Campus, Rio de Janeiro, 1999.

SEGURANÇA NA INTERNET: É POSSÍVEL?

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O inevitável desenvolvimento da tecnologia da informação, aliada à necessidade cada vez maior de manter as comunicações, não só nas redes internas das empresas, mas também em nossas casas, forçou o estabelecimento dos protocolos abertos que possibilitassem a conectividade e interoperabilidade entre diferentes plataformas formando uma rede de computadores aberta e heterogênea conhecida como Internet. O estabelecimento do modelo de referência OSI foi, na verdade, um marco na era das redes heterogêneas, mas ele não foi o único. A ARPANET, como origem histórica da Internet foi o fator determinante para o desenvolvimento do protocolo mais utilizado no momento por todos os usuários da grande rede mundial – o TCP/IP.

Protocolos e Camadas

As redes de computadores se desenvolveram a partir da necessidade de compartilhamento de informações e dispositivos. Contudo, para que ocorra essa comunicação é necessário que uma seqüência de etapas e requisitos sejam cumpridos. A possibilidade da conexão de dois ou mais computadores, além de dependerem de um conjunto de equipamentos que possibilitem as comunicações, necessita, também, de um software que possibilite essa ligação. Este software, idealizado e construído segundo critérios pré-estabelecidos é chamado de “protocolo” e contém todas as regras e / ou convenções que irão administrar essas comunicações.

Dentre as regras e critérios estabelecidos para um protocolo estão os níveis de segurança que cada tipo de protocolo deverá atender. Um sistema 100% seguro ainda está muito longe de existir, porém, o nível de segurança que devemos procurar para as nossas redes deve se aproximar deste nível. A grande dificuldade encontrada está no fato de que, na mesma proporção, ou até mesmo com maior intensidade com que buscamos assegurar as nossas comunicações e os nossos dados, existem indivíduos que buscam burlar e quebrar esta segurança. Resta-nos somente trabalhar busca das soluções possíveis e nos antecipar na tentativa de salvaguardar nossas informações.

De uma maneira simples podemos considerar que, para acontecer uma comunicação entre computadores na Internet, quatro camadas devem estar presentes:

A camada física, onde encontramos os meios de transmissão, os equipamentos de rede, cabeamento, etc;

A camada de rede, responsável pelo endereçamento e pela escolha do melhor caminho para entrega da informação;

A camada de transporte, onde temos os protocolos de comunicação responsáveis pelo transporte e integridade da informação;

A camada de aplicação, que faz interface com o usuário.

Figura 1 – Modelo de Referência OSI

Com certeza, a falha de algum elemento de uma destas camadas, causará problemas na comunicação e perda de informação.

Arquitetura de Segurança na Internet

O termo “arquitetura de segurança” pode ser empregado com conotações diferentes, para isso, uma arquitetura de segurança consiste na definição de conceitos e de terminologias que formam um esquema básico para o desenvolvimento de um protocolo.

No caso específico da Internet, a arquitetura de segurança deve fornecer um conjunto de orientações voltadas para o projeto de redes e desenvolvimento de produtos e não apenas para os protocolos. Isso sugere que a arquitetura de segurança da Internet englobe não apenas definições de conceitos como faz o padrão ISO / OSI, mas inclua adicionalmente orientações mais específicas sobre como e onde implementar os serviços de segurança na pilha dos protocolos da Internet. Esta visão alinha-se com a filosofia que enfatiza a interoperabilidade entre sistemas, produzindo padrões que tendem a ser menos genéricos que os padrões estabelecidos pelo modelo OSI.

Tudo indica que a segurança da Internet deve adotar uma definição de serviços, mecanismos e ameaças segundo o padrão OSI. Entretanto, a adoção da terminologia usada não implica na adoção dos mapeamentos dos serviços nas camadas OSI e dos mecanismos de segurança nos serviços implementados nessa arquitetura. Além dos princípios de segurança no modelo OSI, devem ser adicionados os seguintes princípios para a escolha dos mecanismos de segurança para a Internet:

Mecanismos escaláveis com capacidade e potencial para acompanhar o crescimento da Internet;

Segurança apoiada na tecnologia que os suporta, por exemplo, em algoritmos e protocolos que sejam seguros, isto é, que não possuam falhas intrínsecas;

Não devem restringir a topologia da rede;

Não estejam sujeitos às restrições de controle de exportação ou patentes.

É sabido que muitos mecanismos de segurança necessitam de uma infra-estrutura de apoio e o gerenciamento dessa infra-estrutura pode ser tão ou mais complexo que a implementação do próprio mecanismo. Assim, deve-se dar preferência às tecnologias de segurança que possam compartilhar uma infra-estrutura de segurança comum. Por exemplo, os algoritmos de criptografia selecionados para padronização na Internet deve ser amplamente conhecidos e devendo ser dada preferência aos que tiverem sido exaustivamente testados.

A escolha adequada de software e hardware específicos de segurança computacional também eleva o nível de segurança e resguarda a rede local de imprevistos cujas conseqüências são lastimáveis. Nada irá suprir as perdas ocasionadas pela não observação das fragilidades, pois elas serão na maioria das vezes irrecuperáveis. Um Firewall ou um Proxy bem escolhidos e direcionados para as atividades da rede certamente favorecerá a segurança e evitará grande parte dos transtornos e aborrecimentos, todavia esses equipamentos por si só não são a garantia da total segurança. Uma política de segurança bem definida, o uso adequado de senhas, a divisão dos usuários em grupos e a administração correta dos recursos computacionais correspondem a medidas que se complementam e devem ser adotadas.

Figura 2 – Aplicação de Firewall na rede local

Dicas de Segurança

Mesmo com a constante divulgação dos problemas e perigos referentes à segurança dos sistemas, principalmente relativos às conexões com a Internet, não são todas as redes que estão preparadas adequadamente para enfrentar os problemas oriundos de tentativas de invasão. É possível proteger uma rede seguindo algumas recomendações básicas contra as ameaças que circulam pela Internet. Eis algumas dicas úteis:

Manter um programa antivírus atualizado. Outra medida importante é efetuar as correções de outros programas, pois 90% dos vírus se aproveitam de bugs para se disseminar;

Bloquear arquivos executáveis. Outros arquivos que podem também entrar na lista de bloqueio são “.src”, “.pif” e “.bat”. Somente usuários específicos têm reais motivos para enviar, via e-mail, arquivos com tais extensões;

Avaliar a possibilidade do bloqueio de mensagens instantâneas. Como esses programas permitem o compartilhamento de arquivos, o usuário pode ser infectado ao baixar um arquivo, mesmo possuindo um antivírus;

Para transações comerciais na Internet verificar se o site pertence a uma instituição conhecida e se utiliza algum esquema de conexão segura (SSL – Secure Socket Layer). Existem duas maneiras para verificar se uma conexão é segura ou não. Primeiro através do endereço do site que deve começar com https://. O “s” antes do sinal de dois-pontos indica que o endereço é de um site seguro e os dados serão criptografados antes de serem enviados. Outra forma é através de algum sinal. O sinal mais adotado nos browsers é o desenho de um cadeado fechado. Se o cadeado estiver aberto, a conexão não é segura;

Desligar o recurso de visualização de e-mail no programa de correio eletrônico. Essa função exibe o conteúdo da mensagem antes de se optar por abri-la. Há vários vírus que são ativados através da pré-visualização da mensagem;

Não abrir arquivos anexados diretamente do programa de e-mail. Deve-se salvar primeiramente no disco rígido e, em seguida, passar o antivírus;

Jamais abrir e-mails com arquivos provenientes de desconhecidos. Além dos possíveis estragos causados pelas pragas virtuais, existe o perigo de mensagens maliciosas redirecionarem automaticamente para uma página da Web, com o risco de roubo de informações pessoais do computador;

Suspeitar de qualquer arquivo inesperado anexado em um e-mail de algum conhecido. Ele pode ter sido enviado sem o conhecimento da pessoa, que logicamente está com a máquina infectada;

Se a informação que se deseja enviar por e-mail for confidencial a solução é a utilização de programas de criptografia através de chaves e que só podem ser abertos por quem possuir a chave certa.

MÉTRICAS DE QUALIDADE DE SERVIÇO EM REDES DE COMPUTADORES

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Estamos presenciando um crescimento exponencial do número de usuários de redes de computadores e, em conseqüência, um crescimento constante de novas aplicações geradoras de tráfego de diferentes naturezas (áudio, vídeo, aplicações em tempo real, etc). Muitas destas novas aplicações são exigentes quanto ao nível do atraso máximo no transporte dos dados, da variação máxima desse atraso (jitter), das perdas permitidas ou da largura de banda disponível.

Assim, para que se obtenha uma garantia de que as redes de computadores funcionem corretamente, é preciso aplicar tecnologias que permitam atingir um nível de tráfego satisfatório e confiável para dados e aplicações e que determinados níveis de desempenho sejam garantidos através de uma política capaz de estabelecer métricas e de caracterizar e descrever o comportamento da rede no que diz respeito a sua utilização e performance.

Definindo QoS

Uma definição para Qualidade de Serviço (QoS) é dada pela recomendação I.350 do ITU-T, a partir da recomendação E.800, onde define-se a Qualidade de Serviço como sendo o efeito coletivo provocado pelas características de desempenho de um serviço, determinando o grau de satisfação do usuário, ou seja, a QoS pode ser definida como o conjunto de características de um sistema necessário para atingir uma determinada funcionalidade. Pode ser descrita ainda como um conjunto de parâmetros que descrevem a qualidade de um fluxo de dados específico, por exemplo, largura de banda, prioridades, etc.

O processo de definição de QoS para uma rede começa com o estabelecimento dos parâmetros exigidos pelos usuários. Esses parâmetros são mapeados e negociados entre os componentes da rede assegurando que todos podem atingir um nível de QoS aceitável. Posteriormente recursos são alocados e monitorados, havendo possibilidade de renegociação caso as condições do sistema se alterem.

QoS definida pelo usuário

O usuário deve especificar requisitos de QoS definindo os níveis desejados de confiabilidade dos componentes da rede que serão observados em tempo de execução. Entretanto, o usuário normalmente não tem condições de especificar parâmetros de baixo nível, como largura de banda ou mesmo propriedades das mídias utilizadas como, por exemplo, freqüência de amostragem para aplicações de videoconferência. Assim, é necessário que o projeto forneça um certo nível de abstração para que o usuário possa definir o que ele considera aceitável para a satisfação de suas necessidades.

Podem ser criadas tabelas (a partir de testes) com faixas comparativas que estabelecem os níveis de qualidade possíveis para cada aplicação. A partir daí, o usuário poderá escolher um valor que atenda a qualidade desejada. Podem-se ainda apresentar exemplos de mídias antes da execução, de modo que ele possa escolher a amostra que apresenta as características desejáveis. O usuário ainda pode indicar uma opção que seja aceitável quando a primeira não estiver disponível.

QoS em sistemas multimídia

A Qualidade de Serviço é um requisito básico das aplicações multimídia, uma vez que se exige que determinados parâmetros relativos a estas aplicações estejam dentro de limites bem definidos (valor máximo, valor mínimo, etc). Os requisitos de QoS devem ser atendidos pela rede, principalmente quando se trata de aplicações multimídia. Representam a quantidade de recursos específicos como memória, cpu, dispositivos de áudio e vídeo, etc, disponíveis no sistema, que devem ser alocados para as aplicações multimídia. Estes parâmetros de QoS especificam a quantidade de recursos a serem alocados para uma determinada aplicação, podendo quantificar o nível do serviço que está sendo oferecido pelo sistema para estas aplicações.

Em qualquer rede de comunicação, cada aplicação compete com outras pela largura de banda que ela precisa para obter uma ótima performance. Além de assegurar-se que há largura de banda suficiente, uma performance aceitável depende que os requisitos de largura de banda para cada aplicação também sejam satisfeitos. As soluções com esse fim incluem segregar o tráfego em links individuais ou usar mecanismos de QoS para designar níveis de largura de banda variáveis para cada aplicação, dentro de um link. Estes fluxos de dados possuem restrições que devem ser respeitadas tanto no trâmite pela rede quanto no sistema final, oferecendo assim, um certo nível de qualidade para o usuário. Neste contexto aplica-se o conceito de QoS onde o nível de serviço oferecido a uma aplicação multimídia pode ser medido e ou garantido através de seus parâmetros de QoS.

Para as aplicações multimídia é desejável que a rede que está transportando o fluxo gerado possa garantir, de alguma forma, o QoS especificado pela mesma. Mesmo quando um link tem a largura de banda adequada e esta banda está corretamente designada para atender as necessidades de cada aplicação, a latência (retardo) interfere na performance da rede, afetando em particular o tempo de resposta das aplicações.

Os parâmetros de QoS relativos as aplicações multimídia, como largura de banda, latência e outros, são incluídos na MIB/SNMP (Management Information Base/Simple Network Management Protocol) e dessa forma, pode-se ter um controle e monitoramento das aplicações localmente e no caso de aplicações multimídia distribuído remotamente, como por exemplo, aplicação de videoconferência, tele-medicina, entre outros.

Figura 1- QoS em aplicações multimídia

Métricas de QoS

As métricas de QoS são usadas para caracterizar e descrever o comportamento da rede no que diz respeito a sua utilização e performance, podendo ser definidas por um número específico de parâmetros que deverão ser cumpridos para a implementação da rede de computadores, principalmente quando envolverem o tráfego de informações através de redes mais amplas, como a Internet.

Um destes parâmetros envolve a possibilidade de medição dos serviços disponíveis na rede. A existência de uma boa infra-estrutura de medição é sempre importante, principalmente durante o período inicial de implementação de novos serviços. Através de ferramentas de medição e métricas de QoS bem definidas pode-se monitorar a performance garantida na alocação de recursos da rede.

Os resultados das principais métricas de QoS, fornecidas pela aplicação sob a forma de tabelas, gráficos e de uma visualização on-line, tornam possível reajustar e corrigir os valores de parametrização dos diversos mecanismos e melhorar o desempenho global da rede. Devido ao significado e definição próprio de cada métrica, a seleção das métricas mais adequadas para um estudo de performance em redes depende de vários fatores, tais como:

Objetivos específicos do estudo de performance;

Características da topologia que é objeto de estudo;

Os protocolos e serviços operados nesta topologia.

Alguns dos indicadores mais significativos para o estudo de performance em redes com aplicações multimídia estão relacionados na tabela seguinte.

Tabela 1- Principais métricas de performance

Conclusão

Nas redes atuais a largura de banda é um assunto importante, principalmente se consideramos que o montante de dados que precisa ser transmitido vem crescendo exponencialmente. Por esse motivo as novas aplicações em rede precisam cada vez de mais largura de banda e a Qualidade de Serviço torna-se um fator importante para o suporte a estas aplicações.

Um projeto baseado em métricas de QoS auxilia os administradores de redes a manterem os níveis de serviço solicitados pelos usuários, além de representar uma economia quanto aos aspectos de operação e manutenção da própria rede. Entretanto, a diversidade das aplicações envolvidas torna difícil estabelecer um padrão de QoS.

Apesar da maioria das métricas de QoS estarem mais voltadas para as redes de dados, não basta assegurar que o tráfego de dados seja distribuído com a QoS desejada, é necessário que existam mecanismos no sistema que possam garantir que os dados sejam entregues e processados corretamente por todo o percurso dentro da rede.

A AUTOMAÇÃO NO MONITORAMENTO AMBIENTAL

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Alternativas para o Aquecimento Global

Um dos temas mais debatidos na atualidade são o aquecimento global e seus efeitos sobre a Terra, o homem e o meio ambiente. Muitas pesquisas estão sendo realizadas para avaliar os resultados dos danos causados pelo homem ao meio ambiente. A primeira parte do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC – Intergovernamental Panel on Climate Change), divulgada em fevereiro de 2007, indica que o aquecimento global é causado, fundamentalmente, pela atividade humana e que seus efeitos no clima continuarão pelos próximos séculos mesmo que ocorra um corte substancial nas emissões dos gases causadores do efeito estufa.

O mau uso da tecnologia pode trazer conseqüências nefastas para o meio ambiente e sérias implicações sobre a qualidade de vida. A tecnologia permite ao ser humano maior conforto e facilita seu acesso aos bens de consumo, o que faz com que cada vez mais recursos sejam utilizados, muitas vezes sem controle algum. É necessário maior volume de energia, mais matéria-prima, novos recursos logísticos para controle, transporte, armazenagem, etc., o que também, em muitos casos, acarreta novas agressões ao meio ambiente. Mas, ao mesmo tempo, é a tecnologia que nos permite detectar e medir esses níveis de agressão e é através dessa mesma tecnologia que podemos desenvolver soluções mais eficientes e limpas para preservar o meio ambiente.

Automação e Aquecimento Global

Quando se pensa em desenvolvimento sustentável é comum encontrar algumas dificuldades como limites de orçamento e prazos, ausência de recursos de toda espécie, que nos deixam com o problema de sermos nem tão eficientes quanto podemos, nem tão eficazes quanto queremos. O que se faz é buscar, a todo o momento, novas estratégias para obter maior eficiência e produtividade, contornando as limitações que surgem no caminho.

Por outro lado, as pressões financeiras, comerciais, governamentais e das entidades ambientalistas levam cada vez mais o setor industrial a investir pesadamente numa política ambiental mais eficiente. Neste aspecto, abre-se para a automação um campo altamente favorável e promissor para novos investimentos e a pesquisa de novas técnicas visando uma produção industrial com consumo cada vez menor de energia e maior reciclagem de matérias primas e insumos.

Em tempos de aquecimento global, a automação entra para o dia-a-dia das indústrias com o propósito de gerenciar eficientemente as condições ambientais, seja pelo controle do uso de produtos químicos agressivos ao ambiente, monitoramento de gases lançados na atmosfera, utilização dos recursos energéticos e maior eficiência nas linhas de produção, reduzindo o descarte e o desperdício de matéria prima.

Automação e Controle Ambiental

A necessidade do aumento de produção para atender a crescente demanda em qualquer que seja o setor da economia, aliada a necessidade de eliminar erros humanos e também a manutenção da continuidade, da qualidade e do baixo custo nos processos, fizeram surgir o que se convencionou chamar de automação.

As empresas buscam aumentar, através das tecnologias de automação, sua competitividade no mercado, seja através da redução de custos, pela melhoria dos processos, agregando mais valor aos produtos ou ainda, se diferenciando da concorrência através da especialização em algum segmento.

O setor industrial é responsável por boa parte das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. É também um dos que mais utiliza recursos naturais nos seus processos, além de empregar substâncias perigosas e não recicláveis no seu ciclo produtivo. A diversidade tecnológica da automação permite seu uso em soluções ambientais para controlar a qualidade da água, no tratamento de efluentes domésticos e industriais, na manutenção da qualidade do ar, viabilizar o destino final aos resíduos sólidos, entre outros. A automação pode proporcionar mudanças nesses processos e melhorar o desempenho das empresas sob o ponto de vista do meio ambiente, seja na aquisição de dados, no controle e supervisão de sistemas de água, telemetria, gás, energia, iluminação, ar condicionado, etc., sempre seguindo especificações e padrões definidos por órgãos internacionais. Tais mudanças permitem racionalizar o consumo de energia, de matérias primas e outros recursos a fim de minimizar os impactos da poluição ambiental e, consequentemente, o efeito estufa e o aquecimento global (Figura 1).

Figura 1 – Esquema do Aquecimento Global
Fonte: Barbara Summey in earthobservatory.nasa.gov

O efeito estufa, que contribui de alguma forma para o aquecimento global, é o resultado da emissão dos gases produzidos por motores, máquinas e equipamentos que consomem combustíveis fósseis, da derrubada de matas e florestas e da emissão de gases gerados pela decomposição de resíduos sólidos (lixo urbano). Os sistemas de automação podem ser usados para um controle mais eficiente na emissão desses gases, possibilitando inclusive sua reutilização em processos industriais diversos como fonte de energia renovável.

O controle e a redução da emissão de gases na atmosfera permitem ainda a troca por créditos de carbono que podem ser convertidos em recursos financeiros para novos investimentos na planta. A quantificação é feita com base em cálculos, os quais demonstram a quantidade de dióxido de carbono a ser removida ou a quantidade de gases do efeito estufa que deixará de ser lançada na atmosfera com a efetivação de um projeto. Cada crédito de carbono equivale a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente. Essa medida internacional foi criada com o objetivo de medir o potencial de aquecimento global (GWP – Global Warmig Potencial) de cada um dos gases causadores do efeito estufa. Por exemplo, o metano possui um GWP de 23, pois seu potencial causador do efeito estufa é 23 vezes mais poderoso que o CO2.

Os créditos de carbono são uma espécie de “moeda ambiental” e representam a certificação de que houve redução no volume de gases lançados na atmosfera, de acordo com o estipulado no Protocolo de Kyoto. Este protocolo é um acordo internacional que visa à redução da emissão dos poluentes que aumentam o efeito estufa no planeta. Entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. Seu principal objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos próximos anos.

Consumo de Energia

A preocupação com o meio ambiente tem influenciado fortemente nas ações para aperfeiçoar o uso das fontes de energia, principalmente as não-renováveis. Os gastos com energia foram os que mais subiram nos últimos anos, seguidos pela folha de pagamento, equipamentos, aluguel e saúde, conforme alguns relatórios divulgados recentemente por entidades de pesquisa reconhecidas mundialmente.

A economia de energia se impõe em toda e qualquer decisão de ações em uma empresa e um sistema de automação deve fornecer os elementos de tomada de decisão, através de informações ágeis e baseada em um banco de dados histórico da operação. Assim, os investimentos em automação é uma prioridade para a maioria das empresas que buscam conter seus gastos com energia. Para estas, a eficiência energética é fator decisivo ao adquirir soluções que visam à manutenção do negócio.

Dos vários controles que podem ser aplicados, pode ser considerada a mais importante referente à economia de energia, como sistemas de ar condicionado e iluminação e no desligamento automático / remoto de quaisquer equipamentos elétricos não essenciais. Em sistemas de ar condicionado, visa o melhor uso do sistema em um todo, regulamentando a refrigeração e o aquecimento, para prover condições confortáveis mesmo em regime de limite de energia.

Já nos sistemas de iluminação pode representar um papel significante na redução dos custos de energia. Os algoritmos de controle de iluminação podem ser baseados em ocupação, horário, nível de iluminação externa, liga/desliga ou até compensação pelo desgaste natural das lâmpadas.

O controle mais eficiente dos recursos energéticos é um foco de aplicação da automação, principalmente em setores como mineração, petroquímico, farmacêutico e siderúrgico.

Automação e Sustentabilidade

A vida do planeta está em risco e o aquecimento global já afeta a todos. O desenvolvimento econômico deve considerar o impacto no meio ambiente e na sociedade. A necessidade de promover melhorias nos processos e manter a atualização tecnológica dos sistemas de controles industriais leva as equipes de automação e de controle de processos a se dividir entre a necessidade de sistemas tecnologicamente avançados e a busca contínua de melhor produtividade e maior eficiência. A globalização da economia e o conseqüente aumento da competitividade é uma das razões para essa “corrida” tecnológica.

A tecnologia de automação pode ajudar a compatibilizar essas necessidades e ajudar a fazer deste um mundo melhor, ecologicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Ela pode reunir e difundir conhecimentos sobre novas técnicas para o melhor aproveitamento dos recursos naturais, divulgando os conceitos sobre sustentabilidade, estimulando as boas práticas no uso da energia e outros recursos e servindo de referência para todos os setores da atividade humana ao despertar a consciência e qualificar atitudes da necessidade de um meio ambiente protegido para todos.

O chão-de-fábrica tem passado por uma evolução significativa, com grandes investimentos em novos sistemas de automação, transformando-se numa área de grande valor estratégico para as empresas. Boa parte do desenvolvimento dos sistemas de automação se dá como resultado direto das observações e recomendações de seus utilizadores, que informam das suas necessidades, dificuldades e desejos. Tais informações orientam os diversos fabricantes nas suas atividades de pesquisa por novas soluções, influenciando desde a área comercial e logística, até cuidados ambientais, em função das necessidades específicas determinadas pelo mercado em que atuam.

Interoperabilidade de Sistemas

Interoperabilidade possui um importante significado: “capacidade de equipamentos de diferentes fabricantes se comunicarem e trabalharem juntos.” Entretanto, essa integração entre os sistemas de automação, os sistemas corporativos e os demais processos é um desafio para os profissionais por normalmente envolver diferentes tipos de redes, diferentes protocolos e diversos sistemas legados (Figura 2). Entretanto, é eminente a necessidade de atualização e integração de tais sistemas no que diz respeito à disponibilidade das informações de forma simples, instantânea e confiável, fundamental à melhoria dos processos produtivos.

Figura 2 – Interoperabilidade de Sistemas

A integração passa a ser um fator importante porque permite que os sistemas e processos operem de forma paralela nos diversos níveis hierárquicos e se comuniquem entre si. As redes industriais passam a combinar novos recursos de comunicação e compartilhar tecnologias com o objetivo de permitir maior interoperabilidade e melhor fluxo de informações a partir de arquiteturas integradas, capazes do mais completo gerenciamento, controle e segurança sobre as informações disponibilizadas.

Para alcançar a interoperabilidade vários pontos devem ser analisados, mas o grande desafio reside na dificuldade de coordenar as etapas que conduzem a integração dos sistemas com uma visão global dos processos envolvidos. O problema está em definir os limites de responsabilidade entre os diversos setores envolvidos e as responsabilidades comuns de todos, principalmente no que diz respeito às questões ambientais. O principal objetivo é produzir um ambiente colaborativo e interativo onde, além das questões relativas à segurança da informação, existe a necessidade de se modelar adequadamente toda a interconexão das redes, visando atender as diferentes áreas da empresa, bem como a atenção com o meio ambiente, vital para a existência da própria empresa.

Qualidade e Variabilidade

Uma das maiores preocupações do setor industrial está relacionada com a qualidade do seu produto final que pode ser um bem durável ou não e até mesmo um serviço. Considerando que a qualidade pode ser definida como a adequação do produto ou serviço ao uso para o qual foi destinado, torna-se necessária uma ação de monitoramento e controle das variabilidades nos processos envolvidos para atingir esse objetivo.

O desempenho desse produto ou serviço está diretamente relacionado com a compatibilização às exigências do usuário, independentemente dos materiais e procedimentos usados, mas pode sofrer algum tipo de variabilidade ao longo do tempo. Essa variabilidade corresponde às mudanças indesejáveis em alguma característica do produto entregue. Assim, variabilidade e qualidade são inversamente proporcionais, implicando que a melhoria da qualidade consiste na redução da variabilidade dos processos e, em conseqüência, dos produtos. Um produto que apresente defeitos normalmente é descartado ou, em certos casos, re-trabalhado, por exemplo.

Quaisquer dessas opções implicam em custos adicionais, maior uso de energia e perdas, tanto materiais quanto financeiras. Por esse motivo as empresas têm patrocinado grandes investimentos na tecnologia da automação, principalmente no que diz respeito à aquisição de novos sistemas que ofereçam métodos de avaliação para permitir a verificação do atendimento aos critérios de desempenho do sistema em operação e, consequentemente, o atendimento às necessidades dos usuários.

Os Novos Modelos Organizacionais

A evolução dos sistemas de automação tem viabilizado aplicações que a princípio causam impactos, mas logo estão presentes no cotidiano das pessoas e passam a ser condicionantes de conforto e da praticidade. Os motivos que impulsionaram a expansão da automação foram principalmente a procura de soluções para a economia de energia, juntamente com a administração eficaz do seu consumo além da grande redução nos custos associados, aí incluídos os custos com a preservação ambiental.

O que está por trás desses novos sistemas é um modelo organizacional que utiliza protocolos abertos, onde a estrutura destinada à comunicação é combinada de forma a tratar diferentes topologias como se fosse única. Dessa forma, esse novo modelo viabiliza soluções de integração entre as diversas tecnologias existentes, oferecendo como diferencial o atendimento a múltiplas plataformas e modularidade para a troca de informações em todos os níveis.

Os novos modelos organizacionais viabilizam a integração entre os diferentes sistemas, permitindo eliminar processos de transferência manual de dados, possibilitando a obtenção de ganhos em termos de eficiência e desempenho, principalmente no que diz respeito à integração entre as soluções corporativas, sistemas de gestão, aplicações WEB e o chão-de-fábrica (figura 3).

Figura 3 – Modelo organizacional integrando redes corporativas, sistemas de gestão, WEB e o chão-de-fábrica

Essa integração permite ainda que as informações sejam criadas e compartilhadas entre bancos de dados, processos, linhas de produção, etc., enfim, entre todos os níveis onde se requer acesso a tais informações. São tecnologias que, em última análise, permitem um aumento na produtividade e a conseqüente redução de custos ao longo do processo produtivo.

Conclusões

As tecnologias de automação repercutem profundamente sobre o desenvolvimento industrial, passando o crescimento econômico a ser cada vez mais determinado pelo progresso tecnológico. Ao se conceber uma solução em automação, desenha-se uma arquitetura que irá determinar o sucesso em termos de alcançar alguns objetivos como desempenho, modularidade, expansibilidade, etc.

Acompanhamos atualmente o desenvolvimento de um novo segmento da automação, preocupado com o meio ambiente, onde os parâmetros de desempenho dos sistemas que dão suporte e/ou asseguram o conforto ambiental, aliados aos aspectos de gestão unificada e o funcionamento das infra-estruturas de serviços demonstram preocupação com a questão ambiental e representam as novas premissas de sucesso destes sistemas.

Um movimento abrangendo a integração de novos processos e tecnologia de ponta faz surgir novas técnicas de automação que podem resultar em sistemas mais eficientes e que irão refletir na melhoria da qualidade do meio ambiente. Essa integração converge para o alinhamento de interesses do negócio e interesses ambientais ressaltando em um ponto importante: os negócios proporcionados pela automação agora são bons negócios.

Integrar modernos sistemas de monitoração e gerenciamento ambiental aos processos existentes torna-se a chave e a ênfase na abordagem que vem permitindo às empresas produtividade e lucratividade crescente através da economia de energia, matérias primas, mão-de-obra e com a própria redução do custo ambiental ligado a sua atividade.

Referências Bibliográficas

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MAITELLI, André. Automação Industrial. Disponível em . Acesso em ago 2006.

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MORAES, Cícero Couto de; CASTRUCCI, Plínio de Lauro. Engenharia de Automação Industrial. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.

PINHEIRO, José Maurício dos Santos. Princípios para Integração entre Sistemas do chão-de-fábrica e Sistemas Corporativos. Revista Controle & Instrumentação, ano 10 nº 131, pág 70-71. São Paulo: Valete, 2007.

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TOVAR, Eduardo. Introdução à Informática Industrial. IPP-ISEP. Lisboa, 1996.

Norma ABNT NBR 14136:2002

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A norma NBR 14136 estabelece o padrão brasileiro para tomadas e plugues elétricos e está baseada na norma internacional IEC 60906-1. A norma brasileira abrange todos os demais produtos relacionados como cabos de ligação dos equipamentos, cordões, conectores, extensões, etc. Os aparelhos eletroeletrônicos deverão ser dotados de tomadas e plugues elétricos (quando o aparelho incorporar tomadas) conforme o padrão.

Em termos de segurança, a norma NBR 14136 aumenta a segurança contra choques elétricos porque, além dos contatos elétricos das tomadas ficarem recuados em relação à face externa do plugue, inclui também um rebaixo (encaixe de plugue) na tomada. Este detalhe construtivo garante que não ocorra o risco de um contato acidental com partes vivas do circuito e conseqüente choque elétrico.

Figura 1 – Inserção de plugue na tomada. O rebaixo evita o choque elétrico

O rebaixo da tomada (poço) também funciona como guia, facilitando a inserção do plugue, principalmente quando a tomada encontra-se em local de difícil acesso ou de pouca visibilidade.

Riscos de sobrecargas

A NBR 14136 unifica as diversas versões de plugues e tomadas existentes no mercado para dois modelos básicos: bipolar (2P) e bipolar com contato de aterramento (2P+T). O novo padrão foi idealizado de maneira a evitar a conexão de equipamentos com potência superior à que a tomada poderá suportar. Em termos de corrente elétrica nominal, a NBR 14136 prevê dois modelos de plugues e tomadas:

Plugues e tomadas para 10A;
Plugues e tomadas para 20A.

A diferença entre os modelos está no diâmetro do orifício de entrada da tomada, que no modelo de 20A é maior, bem como no diâmetro do pino do plugue de 20A, que também é maior. Como resultado, os modelos para 20A aceitam a inserção de ambos os plugues, mas os modelos de 10A apenas plugues de 10A, garantindo que a capacidade de corrente nominal não seja excedida.

Figura 2 – Padronização de plugues e tomadas de 10A e 20A

Aterramento

A norma NBR 14136 prevê para a tomada fixa o terceiro pino ou contato de aterramento, ou ainda contato PE, atendendo às exigências da norma brasileira para instalações elétricas, ABNT NBR 5410:2004. Essa providência também atende outra exigência da norma NBR 5410 quanto à presença de condutor de proteção nos circuitos elétricos de baixa tensão.

Graças às modificações colocadas pela norma NBR 14136 será possível diminuir o número de configurações de plugues e tomadas, o que irá favorecer a otimização de componentes no processo de produção e deixará de existir incompatibilidade de uso dos equipamentos dotados de plugues de três pinos (plugue dois-pólos-mais-terra – 2P+T), sem a anulação do pino de aterramento, como acontece atualmente com boa parte dos equipamentos de redes de computadores, por exemplo.

Compatibilidade

O emprego de tomadas e plugues construídos segundo a norma NBR 14136 não impede o uso de aparelhos equipados com plugue de dois pinos, uma vez que as tomadas construídas segundo o novo padrão aceitam plugues de dois ou três pinos sem problemas. Inclusive, o plugue de dois pinos redondos, tradicionalmente usado no Brasil, é totalmente compatível com o novo modelo de tomada.

Aplicação da norma

Para instalações existentes os novos modelos de tomada e plugue poderão ser usados nos projetos de retrofit da instalação elétrica ou quando houver necessidade de substituição de uma tomada existente por uma nova.

No caso de equipamentos dotados de plugues de três pinos que utilizam o modelo antigo e que necessitarem de conexão usando uma instalação equipada com o novo padrão, o procedimento é a troca do plugue antigo (aparelhos eletrodomésticos em geral) ou do cordão conector (computadores e demais equipamentos de informática, por exemplo).

A disseminação da norma NBR 14136 será gradual, sem nenhuma obrigação ou prazo no que se refere às instalações e equipamentos elétricos em uso. Apenas para os novos projetos de instalações elétricas sua utilização será exigida em função do disposto no item 6.5.3.1 da norma ABNT NBR 5410:2004 “todas as tomadas de corrente das instalações devem ser conforme a ABNT NBR 14136”.

Referências Bibliográficas

Tomadas e plugues: o padrão brasileiro ABNT NBR 14136. Revista Eletricidade Moderna, São Paulo, ano XXXV, n. 391, p. 210-211, outubro 2006.

Plugues e Tomadas: Mercado inicia fase de adaptação. Revista ABINEE, São Paulo, ano IX, n. 40, p. 46-47, abril 2007.

LIVROS QUE MOSTRAM COMO EDUCAR OS FILHOS

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“Crianças e Adolescentes Seguros” trata dos riscos a que crianças e adolescentes são submetidos diariamente no ambiente em que vivem. O livro traz textos assinados por 45 especialistas reunidos pela Sociedade Brasileira da Pediatria sobre como manter a casa segura, afastar jovens das drogas e do álcool e enfrentar o bullying nas escolas e vários outros temas que preocupam os pais.


“Como Educar Meu Filho?” da psicóloga Rosely Sayão, traz textos da colunista da Folha com respostas às pergunlidade. Sayão foge das regras fáceis e fórmulas preconcebidas para, em estilo vigoroso e questionador, mostrar aos pais que não é tão difícil compreender o universo do filho.


“Como Não Ser Uma Mãe Perfeita” de Libby Purves, alia diversão e informação. O livro fala das dificuldades práticas e dos prazeres de ser mãe, traz informação valiosa sobre como lidar com crianças na hora do banho, evitar o ciúme entre irmãos e ficar inteira depois de um dia de dupla jornada. Dividido em dez capítulos, o volume desde a gravidez até a idade escolar das crianças. A autora, mãe de seu primeiro filho aos 32 anos, usa sua experiência como pano de fundo para essa divertida descrição de seu cotidiano. É um manual de dicas práticas e bom-humor para mulheres que cuidam de seus filhos pequenos.


“”Como Não Criar um Filho Perfeito” também da autora Libby Purves, fala dos sonhos de uma mãe de criar um filho obediente e prestativo, transformados, na prática, na tarefa de lidar diariamente com choros, birras e manhas.
A autora analisa as recompensas e dificuldades que os pais precisam enfrentar, reconhecendo suas falhas. O guia traz conselhos realistas para ajudar as mães a relaxar e parar de querer crianças que façam tudo direitinho e com hora marcada. São abordadas situações como as mudanças que ocorrem com os pequenos depois dos 3 anos de idade e doenças típicas infantis.


“Mãe é Mãe” de Judith Brito, é uma leitura deliciosa e divertida, em que a autora descreve sua experiência de ser mãe pela primeira vez aos 23 anos e novamente aos 43 anos. Ela discorre sobre os diferentes contextos políticos, históricos e pessoais de cada época. O livro fala de educação, trabalho e choque de gerações por meio de experiências vividas pela autora, problemas cotidianos da mulher moderna, dividida entre o cuidado dos filhos e a profissão.

CINOMOSE

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Sinonímia: Em Inglês : Dog Distemper. Em Italiano: Cimurro, moccio canino. Em Espanhol: Moquillo del perro. Em Francês: Maladie des chien ou de Carré .

É a Cinomose dos cães, uma enfermidade aguda, contagiosa, produzida por um virus; Caracteríza-se por fenômenos febrís, catarro agudo das mucosas e pneumonia catarral, e em parte dos casos, tambem, por exantemas cutâneos e até sintomas nervosos.

É enfermidade tão difundida no mundo, que é raro o animal que não a tenha adquirido a través do contacto com outros animais receptíveis antes de atingir o primeiro ano de vida.

Etiologia: Conforme trabalhos de Carré, confirmados posteriormente por Lignières, Eigen, Puntoni e especialmente por trabalhos de investigação em larga escala de Laidlow e Dunkin, é a doença produzida por um virus de dimensões diminutas, ainda não havendo sido possivel ser fotografado, mas apenas ser cultivado em meios de cultura de tecidos vivos ( Lowenthal e Mitscherlich ).

Animais receptíveis (natural ou artificialmente): São sensíveis a doença, além dos cães, outros canídeos, como o Lobo, o Guará e a raposa. Não obstante o gato é refratário a doença, além do homem, este último mesmo sendo inoculado por material virulente, o que acontece igualmente com os macacos e os erbívoros em geral. São tambem muito receptíveis os mustelídeos, tais como o furão, o arminho, a marta e o vison da Europa, além dos lutídrios como a nútria. Coelhos e cobaios inoculados artificialmente desenvolvem uma infecção muda, apresentando apenas aumento fugaz da temperatura corpórea.

Contribuem para o agravamento da doença, as infecções secundárias que se estabelecem no organismo infectado pelo virus , aquelas causadas por bactérias que vivem no organismo e que sem a presença deste nada determinam de anormal.

Contágio: Pelo contacto do cão com secreções nasal ou bronquial virulentas, a través da água de bebida ou alimentos, ou mesmo pelo ato de lamber um companheiro contaminado com secreções, ou mesmo inspirando particulas de secreções expulsas por animais enfermos no ato de tossir.

No caso do estado geral do animal ser deficiente, como por exemplo ser portador de infestação por vermes ou mal alimentado e com pouco ou nenhum exercício regular , apenas serve como agravante para as complicações decorrentes da virose.

Patogenia: Num primeiro período da doença, chamado de fase septicêmica, em que o virus multiplicando-se no organismo infectado, provoca elevação térmica que pode chegar aos 41 gráus centígrados, no caso do animal ser muito sensível, pode mesmo vir a perecer nesse primeiro estágio da doença.

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Caso o animal consiga resistir, ocorrerá uma lesão da camada interna dos vasos sanguíneos, denominada endotelial, assim como do endocardio. Esse primeiro período febril cede em poucos dias no caso do animal dispôr de resistência suficiente, sobrevindo a cura. Porém, após breve período apirético ( sem febre ), sobrevem nova elevação térmica, agora mais prolongada, indicando o assentamento do agente infeccioso no organismo, sobrevindo em seguida as complicações decorrentes com outros germes ( bactérias ) oportunistas existentes no organismo, sobrevindo então:
Pneumonia catarral: Muito freqüentemente causada por bactérias que vivem normalmente no interior dos pulmões, que caso não tratada convenientemente poderá se complicar levando a uma pneumonia purulenta e outras sequelas.
Gastro-enterite catarral: Também freqüente como complicação da doença, determinando de início apenas vómitos e desinteria catarral, podendo evoluir para ulcerativa e então, aparecimento de sangue tanto nas fezes como no vomito.
Encefalite: Complicação mais grave da própria virose, quase sempre levando a morte. No caso do animal conseguir sobreviver, ficará posteriormente com um tique nervoso que vem a lhe causar contrações musculares tônico-clônicas, do tipo da doença que são visto no homem.
Exantema cutâneo : Aparecimento de início, na epiderme do animal uma erupção examtemática, que evolui para vesículas e depois para pústulas, e término com descamação da camada superficial da pele .
Lesões em orgãos internos: Nos casos de evolução super-aguda, apenas e unicamente muita serosidade no pericário e as vezes pequenas hemorragias no miocardio, além de inchaço e avermelhamento das mucosas. Nos casos agudos há alterações variáveis nos diversos orgãos, como inflamação serosa ou purulenta das vias aéreas altas e dos bronquios, e as vezes bronquite capilar ou mesmo pmneumonia, além de pleurisia e mesmo abcessos pulmonares, estes últimos nos casos mais graves.
Mucosas gastro-entéricas apresentam-se também inflamadas: congestas e mesmo hemorrágicas. Em casos extremos, podem ocorrer úlceras hemorrágicas por toda a extensão dos intestinos.

Sintomas: O período de incubação, durante o qual não aparecem sintomas, dura de 3 a 4 dias, podendo não obstante chegar até a duas semanas. Na forma superaguda sobrevem febre alta que dura de 2 a 3 dias, levando em geral a morte do animal. Na forma aguda, a mais freqüente, inicia-se com febre de até 41 graus centígrados, caindo para a normalidade ao fim de 2 dias, porém de forma transitória, para em seguida voltar com mais ímpeto sobrevindo então as complicações pelos diversos orgãos do animal. Os animais perdem o apetite, tornando-se caprichosos ou displicentes, procurando locais escuros e silenciosos, apresentando tremores e assustando-se inopinadamente. Apresentam pêlo eriçado e ao fim de 2 a 3 dias os demais sintomas como tosse, corrimento pelo nariz e pelos olhos ( conjuntivite ), vomitos e desinteria. As alterações oculares, que são simultâneas com aquelas em outros orgãos, de início apresentam-se apenas por vermelhidão da conjuntiva ( conjuntivite ), seguida por corrimento seroso de início e purulento em seu evoluir. Pode ocorrer inclusive úlcera da córnea, esta mais grave que além de evoluir para inflamação da câmara anterior do olho, levando ao que é chamado de sinéquia anterior, até vasamento do humor aquoso e cegueira do animal.

Sintomas nervosos tambem podem estar presentes, e neste caso tornam o prognóstico sombrio, devido a encefalite muitas vezes fatal.

Tratamento: Devem e podem ser tratadas as complicações causadas pelos germes de associação, tais como a conjuntivite, a pneumonia ou gastro-enterite, e nesses casos deve ser instituido o que é chamado de tratamento sintomático, este de acordo com as complicações constatadas pelo veterinário-clínico, além da administração de sôro-hiperimune específico ( gama-globulina ) via parenteral.

Profilaxia: A través da aplicação da vacinação em primeiro lugar da fêmea quando prenhe, a-fim de ser conseguida uma razoavel imunidade dos futuros filhotes ainda quando durante a gestação, e mesmo durante o aleitamento a través do que é chamado de anti-córpos maternos. Nascidos os animais, ao cabo de 15 dias que é o prazo em que esses chamados anti-córpos maternos estarão presentes no organismo dos filhotes, devem ser estes vacinados, com vacina específica, denominada de Vacina contra a Cinomose. Revacinações anuais são tambem recomendadas.

Carmello Liberato Thadei ( Médico Veterinário -CRMV-SP-0442 ).

RAIVA OU HIDROFOBIA

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É doença infecciosa de evolução aguda, causada por um vírus, quase sempre mortal, que se manifesta entre os animais por transtornos do conhecimento, aumento da excitabilidade nervosa e sintomas paralíticos. Transmite-se entre os animais, quase sempre através da mordedura ou contaminação de ferimentos por saliva de animais doentes do mal. O vírus está contido em alta concentração na saliva, e demais excreções e secreções dos animais acometidos da doença, além de também no sangue.

É enfermidade das mais antigas que se tem notícia, cuja causa permaneceu desconhecida até que por volta do ano de 1882, portanto há mais de 110 anos, o químico francês Luiz Pasteur, já com 60 anos, começou a estuda-la, pois conforme deixou escrito em seus apontamentos científicos: “não conseguia esquecer-se dos gritos daquelas vítimas do lobo danado que passou pelas ruas de Arbois, sua terra natal, quando ainda menino, mordendo várias pessoas, que vieram a adoecer e morrer da doença”

São suscetíveis de contrai-la os animais mamíferos em geral, porém, mais de 80% dos casos assinalados pela literatura médica são carnívoros, e em especial, o cão doméstico. Interessante assinalar-se que o sintoma da fobia à água somente ocorre no homem quando acometido da moléstia, portanto o termo hidrofobia deve ser reservado exclusivamente ao homo sapiens.

Na Grécia antiga, ARISTÓTELES, já a descrevia como contagiosa, realçando o perigo das mordeduras de cães raivosos; Porém acreditava-se na possibilidade de seu aparecimento expontâneo, admitindo-se mesmo poder ser provocada por alimentos demasiadamente quentes, abstinência de água (sede), falta de satisfação sexual ou excitações nervosas intensas.

Foram os pesquisadores franceses, Luiz Pasteur, Roux e Chamberlain, o primeiro químico, os dois seguintes médicos, auxiliados ainda pelo veterinário também francês Thuilier, que após exaustivas experiências, conseguiram método eficiente para seu combate, através da vacinação pelos mesmos idealizada e evidenciaram seu caráter infecto-contagioso, além de sua etiologia virótica, ou como dizia-se na época: causada por vírus filtrável, pelo fato dos organismos com essa denominação passarem através de velas (filtros) especiais de porcelana utilizadas em trabalhos de Microbiologia , e denominadas Berkefeld, diferentemente das bactérias e fungos que são retidos por tais velas filtrantes.

A doença pode também acometer os animais herbívoros, como o boi, o cavalo, a ovelha, a cabra, sendo que nos ruminantes como os bovinos, os sintomas são predominantemente paralíticos e o transmissor para esses animais quase sempre é o morcego hematófago, da espécie Desmodus rotundus. O morcego (hematófago) sugador de sangue funciona também como reservatório do vírus, ou seja, contamina-se com o vírus porém sobrevive ao mal, passando então a funcionar como transmissor para outros animais que venha a sugar, devido ao fato de contaminar o ferimento que produz para aspirar sangue com sua saliva, que como já relatado tem alta concentração do vírus. Tal fato foi descrito na literatura édica pelo veterinário brasileiro Silvio Torres, que além de narrar o fato observado em sua terra, o Rio Grande do Sul, isolou também o vírus a partir da saliva coletada dos referidos morcegos. Tal fato, posteriormente, foi comprovado por outros pesquisadores, em outras partes do mundo.

Têm os morcegos, o hábito de viverem em cavernas, sempre em bandos, pois são gregários; Para comunicarem-se entre si e para orientarem-se, pois são sabidamente cegos, emitem verdadeiros guinchos, por assim dizer cospem no ar, no momento da emissão desses guinchos e no caso de estarem contaminados pelo vírus rábico, impregnam o ar das cavernas onde vivem, com verdadeiro aerossol do vírus. Através de experimentos, comprovou-se a contaminação da raiva através do ar dessas referidas cavernas.

A raiva quando declarada em um animal, assim como no homem, não tem cura, culminando sempre com a morte, após período breve de evolução e sintomatologia impressionante àqueles que dela tenham ocasião de presenciar. Para evitar-se a doença, ou seja, como medida profilática, a vacinação dos animais susceptíveis, principalmente de cães e gatos, é a medida básica; Porém, deve paralelamente ser efetuada a captura e isolamento de cães vadios, os quais por não terem donos, não têm quem providencie sua vacinação, sendo os cães sem dono comprovadamente os maiores responsáveis pela propagação do mal.

Para rebanhos bovinos, eqüinos, caprinos ou ovinos, criados onde existam morcegos hematófagos, sua vacinação com vacina apropriada para essas espécies animais, é a medida também principal para a profilaxia do mal, além do combate e extermínio das colônias de morcegos em suas cavernas.

No caso do homem, somente é indicada a vacinação como medida terapêutica, em caso do mesmo haver sido exposto à mordedura de animais suspeitos de raiva, ou tenha se contaminado acidentalmente, e nestes casos, a urgência da vacinação é de suma importância, assim como número de doses da vacina, proporcional à gravidade do caso, o que o médico assistente deve julgar e prescrever, segundo o caso em si.

Países como a Austrália, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Dinamarca, Suécia e a Noruega, praticamente conseguiram erradicar de seus territórios o mal, através de campanhas de vacinação em massa dos animais susceptíveis de se contaminarem.

Fato interessante, é a raridade da doença em Constantinopla, na Turquia. Não se deve tal fato, como se acreditava antigamente, serem os cães turcos refratários à doença, mas sim, ao modo de vida e de se distribuírem por bairros desses cães; Não vagam pelas ruas como é comum em todo mundo, mas sim, vivem agrupados em certas ruas ou certas partes da cidade, onde vigiam com severidade sua zona de residência e expulsam imediatamente todo cão estranho invasor.

Existem vacinas anti-rábicas apropriadas para cada espécie animal e das mais variadas técnicas de fabricação, desde a antiga vacina Pasteuriana, preparada pela dissecaçao de medulas de animais inoculados com o vírus, até as mais modernas obtidas por técnicas especiais, quando o vírus é cultivado em meios vivos, como ovos embrionados e até em cultivos de células de rim de porco ou de hamster.

O vírus encontrado e isolado de um animal doente, é denominado de vírus de rua e é altamente virulento; Já aquele cultivado em laboratório, é inativado em sua patogenicidade e virulência, por sucessivas passagens em meios de cultura próprios e por repiques diretos no meio em que é cultivado, é denominado vírus fixo. É este último o utilizado para o preparo de vacinas, pelo fato de perder sua virulência e patogenicidade, conservando, não obstante, sua capacidade antigênica, qualidade esta que é a visada na vacina, por ser a responsável pelo estímulo formador de anticorpos pelo organismo no qual for inoculada. Assim sendo, recomenda-se que sejam os animais mamíferos em geral e principalmente os cães, anualmente vacinados, com o intuito de prevenir-se esse terrível mal.

Essa doença parecia haver sido erradicada de nosso território, porém, de alguns anos para cá houve seu recrudescimento, provavelmente por haverem as autoridades sanitários relaxado nas medidas de profilaxia necessárias, entre elas, a Vacinação.

Carmello Liberato Thadei ( Médico Veterinário -CRMV-SP-0442 )