DIVISÃO CELULAR

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DIVISÃO CELULAR

Todas as células de qualquer planta ou animal surgiram a partir de uma única célula inicial — o óvulo fecundado — por um processo de divisão. O óvulo fecundado divide-se e forma duas células-filhas idênticas, cada uma das quais contém um jogo de cromossomos igual ao da célula parental. Depois, cada uma das células-filhas volta a se dividir, e assim continua o processo. Nesta divisão, chamada de mitose, duplica-se o número de cromossomos (ou seja, o ADN) e cada um dos jogos duplicados constituirá a dotação cromossômica de cada uma das duas células-filhas em formação. Na formação dos gametas, acontece uma divisão celular especial das células germinais, chamada de meiose, na qual se reduz à metade sua dotação cromossômica; só se transmite a cada célula nova um cromossomo de cada um dos pares da célula original.

CICLO CELULAR – MEIOSE E MITOSE

Sabemos que a reprodução é uma propriedade fundamental das células. As células se reproduzem através da duplicação de seus conteúdos e posterior divisão em duas células filhas, este processo é a garantia de uma sucessão contínua de células identicamente dotadas.
Em organismos unicelulares, existe uma pressão seletiva para que cada célula cresça e se divida o mais rápido possível, porque a reprodução celular é responsável pelo aumento do número de indivíduos. Nos organismos multicelulares, a produção de novas células através da duplicação permite a divisão do trabalho, no qual grupos de células tornam-se especializados em determinada função. Essa multiplicação celular porém, tem que ser regulada porque a formação de novas células tem que compensar a perda de células pelos tecidos adultos.
Um indivíduo adulto possui 10 x1013 , todas derivadas de uma única célula, o óvulo fecundado. Mesmo em um organismo adulto, a multiplicação celular é um processo contínuo. O homem possui 2,5×1013 eritrócitos, cujo tempo de vida médio e de 107 segundos ( 120 dias ) para manter esses níveis constantes são necessárias 2, 5 milhões de novas células pôr segundo. Apesar de inúmeras variações existentes, os diferentes tipos celulares apresentam um nível de divisão tal que é ótimo para o organismo como um todo, porque o que interessa é a sobrevivência do organismo como um todo e não de uma célula individual. Como resultado as células de um organismo dividem -se em níveis diferentes. Algumas, como os neurônios nunca se dividem. Outras, como as epiteliais, dividem-se rápida e continuamente.

CICLO CELULAR OU CICLO DE DIVISÃO CELULAR

O ciclo celular compreende os processos que ocorrem desde a formação de uma célula até sua própria divisão em duas células filhas. A principal característica é sua natureza cíclica. O estudo clássico da divisão celular estabelece duas etapas no ciclo celular; de um lado aquela em que a célula se divide originando duas células descendentes e que é caracterizada pela divisão do núcleo (mitose ) e a divisão do citoplasma (citocinese). A etapa seguinte, em que a célula não apresenta mudanças morfológicas, é compreendida no espaço entre duas divisões celulares sucessivas e foi denominada de intérfase.
Pôr muito tempo os citologistas preocuparam-se com o período de divisão, e a interfase era considerada como uma fase de repouso. Mais tarde observou-se, no entanto, que a interfase era uma fase de atividade biossintetica intensa, durante a qual a célula duplica seu DNA e dobra de tamanho. O estudo do ciclo celular sofreu uma revolução nos últimos anos. No passado o ciclo era monitorado através de M.O e o foco de atenção era a segregação dos cromossomos que é a parte microscopicamente visível.
Técnicas especiais de estudo como a raudiautografia permitiram demostrar que a duplicação do DNA ocorre em determinado período da interfase o que permitiu a divisão da interfase em 3 estágios sucessivos, G1, S e G2, o que compreende em geral cerca de 90% do tempo do ciclo celular.
Onde G1 compreende o tempo decorrido entre o final da mitose e inicio da síntese. O período S corresponde ao período de duplicação do DNA e o período G2, o período entre o final da síntese e o inicio da mitose.

PERÍODO G1: Este período se caracteriza por uma intensa síntese de RNA e proteínas, ocorrendo um marcante aumento do citoplasma da célula – filha recém formada. É nesta fase que se refaz o citoplasma, dividido durante a mitose.
No período G1 a cromatina esta esticada e não distinguível como cromossomos individualizados ao MO. Este é o estágio mais variável em termos de tempo. Pode durar horas, meses ou anos. Nos tecidos de rápida renovação, cujas células estão constantemente em divisão, o período G1 é curto; como exemplo temos o epitélio que reveste o intestino delgado, que se renova a cada 3 dias. Outro tecido com proliferação intensa é a medula óssea, onde se formam hemácias e certos glóbulos brancos do sangue. Todos estes tecidos são extremamente sensíveis aos tratamentos que afetam a replicação do DNA (drogas e radiações ), razão pela qual são os primeiros a lesados nos tratamentos pela quimioterapia do câncer ou na radioterapia em geral. Outros tecidos não manifestam tão rapidamente lesões por apresentarem proliferação mais lenta, tal como ocorre na epiderme ( 20 dias ) e no testículo (64 dias ).
Tecidos cujas células se reproduzem muito raramente, como a fibra muscular, ou que nunca se dividem, como os neurônios do tecido nervoso, o ciclo celular esta interrompido em G1 em um ponto específico denominado G0.

PERÍODO S: Este é o período de síntese. Inicialmente a célula aumenta a quantidade de DNA polimerase e RNA e duplica seu DNA. As duas cadeias que constituem a dupla hélice separam-se e cada nucleotídeo serve de molde para a síntese de uma nova molécula de DNA devido a polimerização de desoxinucleotídeos sobre o molde da cadeia inicial, graças a atividade da DNA polimerase. Esta duplicação obedece o pareamento de bases onde A pareia com T e C com G e como resultado teremos uma molécula filha que é a replica da molécula original. A célula agora possui o dobro de quantidade de DNA.
O estudo das alterações provocadas no DNA por radiações ultravioletas ou raio X, demonstrou que nem sempre o efeito dessas radiações era letal. A analise deste fenômeno levou ao conhecimento de vários tipos de mecanismos de reparação do DNA das células. Nas células normais as alterações produzidas por radiações são reparadas antes de terem tempo de se transmitirem as células – filhas. Este sistema possui grande importância na seleção evolutiva das espécies, pois teriam uma condição essencial para o desenvolvimento de organismos com quantidades cada vez maiores de DNA e com maior número de células.

PERÍODO G2: O período G2 representa um tempo adicional para o crescimento celular, de maneira que a célula possa assegurar uma completa replicação do DNA antes da mitose. Neste período ocorre uma discreta síntese de RNA e proteínas essenciais para o inicio da mitose. É considerado o segundo período de crescimento. Apesar desta divisão nos períodos de crescimento, atualmente sabe-se que ele é um processo continuo, sendo interrompido apenas brevemente no período de mitose.
A célula agora esta preparada para a mitose, que é a fase final e microscopicamente visível do ciclo celular.

CONTROLE DO CICLO CELULAR

O ciclo celular é regulado pela interação de proteínas. Essas proteínas compõem o Sistema de Controle que conduz e coordena o desenvolvimento do ciclo celular. Essas proteínas surgiram a bilhões de anos e tem sido conservadas e transferidas de célula para célula ao longo da evolução
O ciclo celular em organismos multicelulares, é controlado por proteínas altamente específicas, denominadas de fatores de crescimento. Os fatores de crescimento regulam a proliferação celular através de uma rede complexa de cascatas bioquímicas que por sua vez regulam a transcrição gênica e a montagem e desmontagem de um sistema de controle. São conhecidas cerca de 50 proteínas que atuam como fatores de crescimento, liberados por várias tipos celulares. Para cada tipo de fator de crescimento, há um receptor específico, os quais algumas células expressam na sua superfície e outras não.
Os fatores de crescimento podem ser divididos em duas grandes classes: 1) Os fatores de crescimento de ampla especificidade, que afetam muitas classes de células, como por exemplo o PDGF ( fator de crescimento derivado das plaquetas) e o EGF ( fator de crescimento epidérmico ). A segunda classe de fatores de crescimento são os Estreita especificidade, que afetam células específicas.
A proliferação celular depende, de uma combinação específica de fatores de crescimento. Alguns FC estão presentes na circulação, porém a maioria dos FC é originada das células da vizinhança da célula afetada e agem como mediadores locais. Os FC além de serem responsáveis pela regulação do crescimento e da divisão celular estão também envolvidos em outras funções como: sobrevivência, diferenciação e migração celular.

FATORES DE CRESCIMENTO E CONTROLE DO CICLO CELULAR

Os fatores de crescimento liberados ligam-se a receptores de membrana das células alvo. A formação do complexo receptor – ligante, dispara a produção de moléculas de sinalização intracelular. Essas moléculas são responsáveis pela ativação de uma cascata de fosforilação intracelular, que induz a expressão de genes.
O produto da expressão destes genes são os componentes essenciais do Sistema de Controle do Ciclo celular, que é composto principalmente por duas famílias de proteínas:
1. CdK ( cyclin – dependent protein Kinase ) que induz a continuidade do processo através da fosforilação de proteínas selecionadas
2. Cyclins que são proteínas especializadas na ativação de proteínas. Essas proteínas se ligam a CdK e controlam a fosforilação de proteínas alvo. São reconhecidas duas famílias de Cyclins: Cyclins G1 e Cyclins G2
O ciclo de montagem, ativação e desmontagem do complexo cyclin-CdK são os eventos bases que dirigem o ciclo celular.
O ciclo é regulado para parar em pontos específicos. Esses pontos permitem que o sistema de controle sofra influência do meio.
Nesses pontos de parada são realizados check up. São reconhecidos dois pontos de Check point:

– Em G1 – antes da célula entrar na fase S do ciclo

– Em G2 antes da célula entrar em mitose. Nestes pontos são checados as condições do meio extracelular e da própria célula.

O controle do ciclo nesses pontos é realizado por duas famílias de proteínas:
No período G1 ocorre a montagem do complexo Cyclin-CdK que fosforiliza proteínas especificas induzindo a célula a entrar no período S. O complexo se desfaz com a desintegração da cyclin. No período G2 as cyclins mitóticas ligam-se a proteínas CdK formando um complexo denominado de MPF (M.phase Promiting Factor ) que é ativado por enzimas e desencadeiam eventos que levam a célula a entrar em mitose. O complexo é desfeito pela degradação da cyclin mitótica quando a célula esta entre a metáfase e anáfase induzindo a célula a sair da mitose. Assim cada passo da ativação ou desativação marca uma transição no ciclo celular. Essa transição por sua vez iniciam reações que servem de gatilhos para a continuidade do processo.
Existem duas preposições para explicar a atuação do sistema de controle:
Cada bloco indica um processo essencial no ciclo ( Replicação do DNA, síntese de proteínas, formação do fuso..)
Na hipótese A. cada processo ativa o processo seguinte, num efeito dominó. A hipótese B ajusta-se melhor ao ciclo celular onde os sistemas de controle do ciclo ativam a continuidade do processo.

MITOSE

A mitose ( do grego: mitos = filamento ) é um processo de divisão celular, característico de todas as células somática vegetais e animais. É um processo continuo que é dividido didaticamente em 5 fases: Prófase, metáfase, anáfase, telófase, nas quais ocorrem grande modificações no núcleo e no citoplasma. O desenvolvimento das sucessivas fases da mitose são dependentes dos componentes do aparelho mitótico.

Aparelho Mitótico

O aparelho mitótico é constituído pelos fusos, centríolos, ásteres e cromossomos. O áster é um grupo de microtúbulos irradiados que convergem em direção do centríolo.
As fibras do fuso são constituídas por:
1. microtúbulos polares que se originam no polo.
2. Microtúbulos cinetecóricos, que se originam nos cinetecóro
3. Microtúbulos livres.
Cada cromossoma é composto por duas estruturas simétricas: as cromátides, cada uma delas contém uma única molécula de DNA. As cromátides estão ligadas entre si através do centrômero, que é uma região do cromossoma que se liga ao fuso mitótico, e se localiza num segmento mais fino denominado de constricção primária.

FASES DA MITOSE

PRÓFASE: Nesta fase cada cromossoma é composto pôr 2 cromátides resultantes da duplicação do DNA no período S. Estas cromátides estão unidas pelos filamentos do centrômero. A Prófase caracteriza-se pela contração dos cromossomas, que tornam-se mais curtos e grossos devido ao processo de enrolamento ou helicoidização.
Os nucléolos se desorganizam e os centríolos, que foram duplicados durante a interfase, migram um par para cada pólo celular.
O citoesqueleto se desorganiza e seus elementos vão constituir -se no principal componente do fuso mitótico que inicia sua formação do lado de fora do núcleo. O fuso mitótico é uma estrutura bipolar composta por microtúbulos e proteínas associadas. O final da Prófase, também é denominada de pré-metáfase, sendo a principal característica desta fase, o desmembramento do envoltório nuclear em pequenas vesículas que se espalham pelo citoplasma.
O fuso é formado por microtúbulos ancorados nos centrossomas e que crescem em todas as direções. Quando os MT dos centrossomos opostos interagem na Zona de sobreposição, proteínas especializadas estabilizam o crescimento dos MT.Os cinetecoros ligam-se na extremidade de crescimento dos MT.
O fuso agora entra na região do nuclear e inicia-se o alinhamento dos cromossomos para o plano equatorial.

PROMETÁFASE OU FINAL DA PRÓFASE: Alguns defendem a existência , após a prófase, de uma fase denominada prometáfase. Ela seria um curto período de transição da prófase para metáfase. As transformações deste período, na maioria das vezes, englobada, são a desintegração da membrana nuclear (ela incorpora-se ao retículo) e a conseqüente “queda” dos cromossomos no citoplasma. Estes então se dirigem à região equatorial da célula, aonde vão se prender as fibras do fuso por meio de seus centrômeros.

METÁFASE: (meta = depois): Cada cromossomo sofre uma contração nuclear; diminui o número de espirais, o diâmetro aumenta e torna-se regular, uma conseqüência do acúmulo de DNA. Algumas fibrilas do fuso acromático, denominam-se fibras cromossômicas, prendem-se ao centrômero dos cromossomos por uma estrutura denominada cinetócoro; outras fibrilas estendem-se de um centro celular a outro (são as fibras contínuas), sem contactarem com os cromossomos.Os centríolos já estão ocupando pólos opostos na célula. Os cromossomos duplicados estão presos pelo centrômero às fibras do fuso acromático, ocupando a região mediana da célula. Os cromossomos alinhados nessa região formam a chamada placa equatorial, com as cromátides-irmãs (as que se prendem no mesmo centrômero) voltadas uma para cada pólo da célula. Essa é a fase de maior visualização dos cromossomos, por isso é chamada fase do cariótipo, para facilitar o estudo cromossômico, a divisão celular pode ser interrompida na metáfase, por substâncias como a colchinina e vimblastina, que impedem a polimerização das proteínas do fuso mitótico.

ANÁFASE: Inicia-se quando os crentrômeros tornam-se funcionalmente duplos. Com a separação dos centrômeros, as cromátides separam-se e iniciam sua migração em direção aos pólos. As cromátides, agora cromossomos-filhos, afastam-se em direção aos centros celulares opostos, com as extremidades dos braços voltadas para o plano mediano da célula. No deslocamento dos cromossomos-filhos agem simultaneamente duas forças: tração, por parte das fibras cromossômicas, devido ao encurtamento das fibrilas por perda das moléculas protéicas; impulsão por parte das fibras contínuas. Enquanto estes fatos ocorrem, inicia-se o estrangulamento citoplasmático de fora para dentro. A igualdade das cromátides-irmãs e a posição que ocupavam na metáfase garantem uma distribuição idêntica de material genético para os dois pólos e, conseqüentemente, para as duas células que vão se formar, assim no final dessa fase, em cada pólo há número de cromossomos igual ao que havia na célula que iniciou a divisão, embora agora com apenas um filamento cada um. Tem início a desespiralização dos cromossomos.

TELÔFASE: A telófase inicia-se quando os cromosomas-filhos alcançam os pólos. Estas são circundadas por cisternas do retículo endoplasmático, que depois se soldam umas às outras dando origem a novas membranas nucleares.Os cromossomos desespiralizados estão dispostos em 2 conjuntos, um em cada pólo. O núcleo também ressurge. Os nucléolos reaparecem sendo formados a partir da zona SAT de certos cromossomos. As fibras de áster e do fuso desaparecem. Finalmente, verifica-se, em células animais, que na região equatorial da célula a membrana nuclear se invagina formando um sulco de divisão, e, à medida que se aprofunda, aumenta o estrangulamento nessa região, ocorre a separação das 2 células-filhas. É a citodierése (plasmodierése ou citocinese) . Esse estrangulamento ocorre de fora para dentro, razão pelo qual, a citocinese animal é dita centrípeta. Durante a citocinese há distribuição dos componentes citoplasmáticos às células filhas em quantidades aproximadamente iguais. Assim, ao final da mitose surgem 2 células-filhas com o mesmo número de cromossomos que a célula-mãe, embora não visível no final da divisão, pois o núcleo de cada uma já se encontra no estado interfásico.

CITOCINESE: Ë o processo de clivagem e separação do citoplasma. A citocinese tem inicio na anáfase e termina após a telófase com a formação das células filhas.
Em células animais forma-se uma constricção, ao nível da zona equatorial da célula mãe, que progride e estrangula o citoplasma. Esta constrição é devida a interação molecular de actina e miosina e microtúbulos. Como resultado de uma divisão mitótica teremos 2 células filhas com numero de cromossomas iguais a da célula mãe.

BLOQUEIO DA MITOSE

Certos agentes físicos e químicos são capazes de inibir a mitose. Alguns desses inibidores são usados no tratamento do câncer, pois inibem a proliferação de células cancerosas.

Há dois tipos de inibidores da mitose: inibidores da síntese de DNA e inibidores do fuso.

Entre as substâncias químicas capazes de inibir a síntese de DNA, podem ser citados o iperita ou gás de mostarda e o 5-fluoracilo. Os raios X são agentes físicos que inibem a síntese de DNA.

A inibição da formação do fuso é feita por uma substância química denominada colchinina. Ela, ao ser adicionada a uma célula em início da divisão, permita que esta progrida somente até a metáfase. As radiações são capazes de destruir as ligações entre os cromossomos e o centrômero. Com isso, os cromossomos não migram aos pólos, sendo bloqueada a divisão.

OBSERVAÇÕES:

* A mitose tem duração variável de uma há algumas horas dependendo da espécie da célula e das condições do ambiente, podendo chegar mesmo a 24 horas de duração. Sendo que a temperatura ambiental pode acelerar, retardar ou mesmo bloquear o processo mitótico.

* No caso do homem, em particular, temperaturas muito reduzidas ou superiores a 45º C bloqueiam a mitose.

* A descrição do processo mitótico é indireta, baseando-se na observação de células mortas., convenientemente preparadas.

* Caracteriza-se por modificações nucleares (cariodierése) e por alternações citoplasmáticas (citodierése) (que ocorrem simultaneamente).

* A mitose pode ser bloqueada com o emprego de certas substâncias como, por exemplo, a colchinina. Tal substância impede a formação do fuso e migração dos cromossomos-filhos para os pólos da célula. Isto quer dizer que a divisão paralisa na metáfase. Isto é feito por pesquisadores a fim de estudar o cariótipo da célula.

* A mitose em células animais é astral (há centríolos) e nos vegetais superiores é anastral (não se observa centríolos).

* Durante a metáfase, nas células vegetais os cromossomos se dispõem em toda a região equatorial formando uma coroa.

* Em tecidos que estão em crescimento verificam-se mitoses sucessivas.

* Alguns autores dividem a fase a mitose em mais uma fase, a prometáfase, que seria uma fase complementar da prófase que se caracteriza especificamente pelo desaparecimento da carioteca.

ATIVIDADE DE SÍNTESE NO CICLO CELULAR

O conteúdo de proteínas total de uma célula típica aumenta mais ou menos continuamente durante o ciclo. Da mesma maneira a síntese de RNA continua constante, com exceção da Fase M, a maioria das proteínas são sintetizadas durante as diferentes fases do ciclo, portanto o crescimento é um processo contínuo e constante, interrompido brevemente na fase M, quando o núcleo e a célula se dividem.
O período mitótico caracteriza-se pela baixa atividade bioquímica; durante este período a maior parte da atividades metabólicas, e em especial a síntese de macromoléculas, esta deprimida. Neste sentido não se observou nenhuma síntese de DNA durante o período mitótico, enquanto que a intensidade da síntese de RNA e proteínas se reduz de maneira marcante na prófase, mantendo-se em níveis mínimos durante a metáfase e anáfase; com a telófase reinicia-se a síntese de RNA e no final desta etapa, com o começo de G1, se restaura a intensidade de síntese de proteínas. É fácil compreender a queda de síntese de RNA que caracteriza a mitose, pois a condensação da cromatina para formar cromossomas deve bloquear a possibilidade de transcrição.

MEIOSE

Organismos simples podem reproduzir-se através de divisões simples. Este tipo de reprodução assexuada é simples e direta e produz organismos geneticamente iguais. A reprodução sexual por sua vez, envolve uma mistura de genomas de 2 indivíduos, para produzir um indivíduo que diferem geneticamente de seus parentais.
O ciclo reprodutivo sexual envolve a alternância de gerações de células haplóides, com gerações de células diplóides. A mistura de genomas é realizada pela fusão de células haplóides que formam células diplóides. Posteriormente novas células diplóides são geradas quando os descendentes de células diplóides se dividem pelo processo de meiose.
Com exceção dos cromossomos que determinam o sexo, um núcleo de célula diplóide contém 2 versões similares de cada cromossomo autossomo, um cromossomo paterno e 1 cromossoma materno. Essas duas versões são chamadas de homologas, e na maioria das células possuem existência como cromossomos independentes. Essas duas versões são denominadas de homólogos. Quando o DNA é duplicado pelo processo de replicação, cada um desses cromossomos é replicado dando origem as cromátides que são então separadas durante a anáfase e migram para os polos celulares. Desta maneira cada célula filha recebe uma cópia do cromossomo paterno e uma cópia do cromossoma materno.
Vimos que a mitose resulta em células com o mesmo número de cromossomas, se ocorre – se a fusão dessas células, teríamos como resultado células com o dobro de cromossomas e isso ocorreria em progressão. Exemplificando: O homem possui 46 cromossomas, a fusão resultaria em uma célula com 92 cromossomas. A meiose desenvolveu-se para evitar essa progressão.
A meiose ( meioum = diminuir ) ocorre nas células produtoras de gametas. Os gametas masculinos e femininos ( espermatozóides e óvulos ) que são produzidos nos testículos e ovários respectivamente as gônadas femininas e masculinas. Os gametas se originam de células denominadas espermatogonias e ovogonias.
A meiose é precedida por um período de interfase ( G1, S, G2 ) com eventos semelhantes aos observados na mitose.
As espermatogônias e ovogônias, que são células diplóides, sofrem sucessivas divisões mitóticas. As células filhas dessas células desenvolvem ciclo celular, e num determinado momento da fase G2 do ciclo celular ocorrem alterações que levam as células a entrar em meiose e darem origem a células háploides ou seja células que possuem a metade do número ( n) de cromossomas da espécie. A regulação do processo meiótico inicia-se durante a fase mitótica, onde observam-se: 1) Período S longo; 2) aumento do volume nuclear. Experimentalmente demonstra-se que eventos decisivos ocorrem em G2, devido a ativação de sítios únicos para a meiose. Podemos definir meiose como sendo o processo pelo qual número de cromossomos é reduzido a metade.
Na meiose o cromossomo produzido possui apenas a metade do número de cromossomos, ou seja somente um cromossomo no lugar de um par de homólogos. O gameta é dotado de uma cópia do cromossoma materno ou paterno.
A meiose é um processo que envolve 2 divisões celulares com somente uma duplicação de cromossomas.

FASES DA MEIOSE

A meiose ocorre apenas nas células das linhagens germinativas masculina e feminina e é constituída por duas divisões celulares: Meiose I e Meiose II.

INTÉRFASE- Antes do início da meiose I as células passam por um processo semelhante ao que ocorre durante a intérfase das células somáticas. Os núcleos passam pelo intervalo G1, que precede o período de síntese de DNA, período S, quando o teor de DNA é duplicado, e pelo intervalo G2.

MEIOSE I

A meiose I é subdividida em quatro fases, denominadas: Prófase I, Metáfase I, Anáfase I, Telófase I

PRÓFASE I – A prófase I é de longa duração e muito complexa. Os cromossomos homólogos se associam formando pares, ocorrendo permuta (crossing-over) de material genético entre eles.

Vários estágios são definidos durante esta fase: Leptóteno, Zigóteno, Paquíteno, Diplóteno e Diacinese.

Leptóteno

    • Os cromossomos tornam-se visíveis como delgados fios que começam a se condensar, mas ainda formam um denso emaranhado. Nesta fase inicial , as duas cromátides- irmãs de cada cromossomo estão alinhadas tão intimamente que não são ditinguíveis.

Zigóteno
Os cromossomos homólogos começam a combinar-se estreitamente ao longo de toda a sua extensão. O processo de pareamento ou sinapse é muito preciso.

Paquíteno
Os cromossomos tornam-se bem mais espiralados. O pareamento é completo e cada par de homólogos aparece como um bivalente ( às vezes denominados tétrade porque contém quatro cromátides)
Neste estágio ocorre o crossing-over, ou seja, a troca de segmentos homólogos entre cromátides não irmãs de um par de cromossomos homólogos.

Diplóteno
Ocorre o afastamento dos cromossomos homólogos que constituem os bivalentes. Embora os cromossomos homólogos se separem, seus centrômeros permanecem intactos, de modo que cada conjunto de cromátides-irmãs continua ligado inicialmente. Depois, os dois homólogos de cada bivalente mantêm-se unidos apenas nos pontos denominados quiasmas (cruzes).

Diacinese
Neste estágio os cromossomos atingem a condensação máxima.

METÁFASE I – Há o desaparecimento da membrana nuclear. Forma-se um fuso e os cromosomos pareados se alinham no plano equatorial da célula com seus centrômeros orientados para pólos diferentes.

ANÁFASE I – Os dois membros de cada bivalente se separam e seus respectivos centrômeros com as cromátides-irmãs fixadas são puxados para pólos opostos da célula.
Os bivalentes distribuem-se independentemente uns dos outros e, em conseqüência, os conjuntos paterno e materno originais são separados em combinações aleatórias.

TELÓFASE I – Nesta fase os dois conjuntos haplóides de cromossomos se agrupam nos pólos opostos da célula.

Meiose II

A meiose II tem início nas células resultantes da telófase I, sem que ocorra a Intérfase. A meiose II também é constituída por quatro fases:

PRÓFASE II – É bem simplificada, visto que os cromossomos não perdem a sua condensação durante a telófase I. Assim, depois da formação do fuso e do desaparecimento da membrana nuclear, as células resultantes entram logo na metáfase II.

METÁFASE II – Os 23 cromossomos subdivididos em duas cromátides unidas por um centrômero prendem-se ao fuso.

ANÁFASE II – Após a divisão dos centrômeros as cromátides de cada cromossomo migram para pólos opostos.

TELÓFASE II – Forma-se uma membrana nuclear ao redor de cada conjunto de cromátides.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE MITOSE E MEIOSE:

MITOSE

    • • Uma divisão nuclear e uma divisão citoplasmática por ciclo.

• Uma célula-mãe produz duas células-filhas.

• Os conteúdos genéticos das células-filhas são idênticos entre si e também iguais aos da célula- mãe.

• O número de cromossomos das células-filhas é o mesmo que o da célula-mãe.

• Os cromossomos não entram em sinapse.

• Não existe permutação entre os cromossomos homólogos.

• Não há formação de quiasmas entre os homólogos.

• Produtos mitóticos geralmente são capazes de sofrer outras divisões mitóticas subseqüentes.

• Ocorre normalmente na maioria das células somáticas.

MEIOSE

    • • Duas divisões nucleares e duas divisões citoplasmáticas por ciclo.

• Uma célula-mãe produz quatro células-filhas. Os conteúdos genéticos das células-filhas diferem da célula-mãe e também diferem entre si.

• O número de cromossomos das células-filhas é a metade do da célula-mãe.

• Os cromossomos entram em sinapse.

• Existe permutação entre os cromossomos homólogos.

• Ocorre formação de quiasmas entre os homólogos.

• Produtos meióticos não podem sofrer outra divisão meiótica, embora possam ser submetidos à divisão mitótica.

• Ocorre em células germinativas, em células- mães de esporos e no zigoto de muitas algas e fungos.

BIOLOGIA CELULAR

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Biologia celular ou citologia é o ramo da biologia que estuda as células no que diz respeito à sua estrutura, suas funções e sua importância na complexidade dos seres vivos.

Com a invenção do Microscópio óptico foi possível observar estruturas nunca antes vistas pelo homem, as células. Essas estruturas foram mais bem estudadas com a utilização de técnicas de citoquímica e o auxílio fundamental do microscópio eletrônico.

A biologia celular concentra-se no entendimento do funcionamento dos vários sistemas celulares, o aprendizado de como estas células são reguladas e a compreensão do funcionamento de suas estruturas.

A biologia celular é um estudo detalhado dos componentes da célula. Estes componentes são de importância vital para a vida da célula e em geral para a vida dos seres vivos (os quais são formados por células). Os componentes que dão vida à célula compreendem: a membrana citoplasmática, o núcleo, as mitocôndrias, os retículos endoplasmáticos liso e rugoso, os lisossomos, o complexo de Golgi, nucléolo, peroxissomos, centríolos, citoesqueleto e parede celular e cloroplastos, sendo estes dois últimos encontrados somente em vegetais.

A célula representa a menor porção de matéria viva dotada da capacidade de auto-duplicação independente. As células seriam como os tijolos de uma casa. Cada tijolo seria como uma célula. Alguns organismos, tais como as bactérias, são unicelulares (consistem em uma única célula).

As células são as unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos.

Outros organismos, tais como seres humanos, são multicelulares, (os seres humanos possuem aproximadamente 100 trilhões células; um tamanho de célula típico é o 10 µm; uma massa típica da célula é 1 nanograma.). A maior célula conhecida é o ovo do avestruz.

Em 1837 antes que a teoria final da célula estar desenvolvida, um cientista tcheco Jan Evangelista Purkyňe observou o “pequenos grãos”; ao olhar um tecido vegetal através de um microscópio.

A teoria da célula, desenvolvida primeiramente em 1839 por Matthias Jakob Schleiden e por Theodor Schwann, indica que todos os organismos são compostos de um ou mais células. Todas as células vêm de células preexistentes. As funções vitais de um organismo ocorrem dentro das células, e todas elas contêm informação genética necessária, para funções de regulamento da célula, e para a para transmitir a informação para a geração seguinte de células.

A palavra célula vem do latim: cellula(quarto pequeno). O nome descrito para a menor estrutura viva foi escolhido por Robert Hooke. Em um livro que publicou em 1665, em que comparou as células da cortiça, com os pequenos quartos onde os monges viviam.

As células foram descobertas em 1663 pelo inglês Robert Hooke. Ao examinar em um microscópio rudimentar, uma lâmina de cortiça, Hooke verificou que ela era constituída por cavidades poliédricas, às quais chamou de células (do latim cella, pequena cavidade). Na realidade Hooke observou blocos heradecimais que eram as paredes de células vegetais mortas. A teoria celular foi formulada em 1839 por Schleiden e Schwann que concluiram que todo ser vivo é formado por células.

As células são envolvidas pela membrana celular e preenchidas com uma solução aquosa concentrada de substâncias químicas, o citoplasma em que se encontram dispersos organelos (por vezes escrito organelas, organóides, orgânulos ou organitos).

As formas mais simples de vida são organismos unicelulares que se propagam por cissiparidade. As células podem também constituir arranjos ordenados, os tecidos.

Normalmente as células vegetais são representadas com cor verde, ao contrário das células animais.

De acordo com a organização estrutural, as células são divididas em:

Células Procariontes
Células Eucariontes

[editar] Células Procariontes
As células procariontes ou procarióticas, também chamadas de protocélulas, são muito diferentes das eucariontes. A sua principal característica é a ausência de carioteca individualizando o núcleo celular, pela ausência de alguns organelos e pelo pequeno tamanho que se acredita que se deve ao fato de não possuírem compartimentos membranosos originados por evaginação ou invaginação. Também possuem ADN na forma de um anel não-associado a proteínas (como acontece nas células eucarióticas, nas quais o ADN se dispõe em filamentos espiralados e associados à histonas).

Estas células são desprovidas de mitocôndrias, plastídeos, complexo de Golgi, retículo endoplasmático e sobretudo cariomembrana o que faz com que o ADN fique disperso no citoplasma.

A este grupo pertencem seres unicelulares ou coloniais:

Bactérias
Cianófitas (algas cianofíceas, algas azuis ou ainda Cyanobacteria)
PPLO (“pleuro-pneumonia like organisms”)

[editar] Células incompletas
As bactérias dos grupos das rickettsias e das clamídias são muito pequenas, sendo denominadas células incompletas por não apresentarem capacidade de auto-duplicação independente da colaboração de outras células, isto é, só proliferarem no interior de outras células completas, sendo, portanto, parasitas intracelulares obrigatórios.

Diferente dos vírus por apresentarem:

conjuntamente DNA e RNA;
parte da máquina de síntese celular necessária para reproduzirem-se;
uma membrana semipermeável, através da qual realizam as trocas com o meio envolvente.
Obs.: já foram encontrados vírus com DNA, adenovirus, e RNA, retrovírus, no entanto são raros. os vírus que possuem DNA e RNA simultâneamente.

[editar] Células Eucariontes
As células eucariontes ou eucarióticas, também chamadas de eucélulas, são mais complexas que as procariontes. Possuem membrana nuclear individualizada e vários tipos de organelas. A maioria dos animais e plantas a que estamos habituados são dotados deste tipo de células.

É altamente provável que estas células tenham surgido por um processo de aperfeiçoamento contínuo das células procariontes.

Não é possível avaliar com precisão quanto tempo a célula “primitiva” levou para sofrer aperfeiçoamentos na sua estrutura até originar o modelo que hoje se repete na imensa maioria das células, mas é provável que tenha demorado muitos milhões de anos. Acredita-se que a célula “primitiva” tivesse sido bem pequena e para que sua fisiologia estivesse melhor adequada à relação tamanho × funcionamento era necessário que crescesse.

Acredita-se que a membrana da célula “primitiva” tenha emitido internamente prolongamentos ou invaginações da sua superfície, os quais se multiplicaram, adquiriram complexidade crescente, conglomeraram-se ao redor do bloco inicial até o ponto de formarem a intrincada malha do retículo endoplasmático. Dali ela teria sofrido outros processos de dobramentos e originou outras estruturas intracelulares como o complexo de Golgi, vacúolos, lisossomos e outras.

Quanto aos cloroplastos (e outros plastídeos) e mitocôndrias, atualmente há uma corrente de cientistas que acreditam que a melhor teoria que explica a existência destes orgânulos é a Teoria da Endossimbiose, segundo a qual um ser com uma célula maior possuía dentro de sí uma célula menor mas com melhores características, fornecendo um refúgio à menor e esta a capacidade de fotossintetizar ou de sintetizar proteínas com interesse para a outra.

Nesse grupo encontram-se:

Células Vegetais (com cloroplastos e com parede celular; normalmente, apenas, um grande vacúolo central)

Gravitação Universal

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Newton e a Lei da Gravitação

Consta-se, que em 1666, quando tinha 23 anos de idade, Newton viu uma maça cair de uma macieira. Evidentemente, como inúmeras pessoas, ela já tinha visto isto acontecer. Mas desta vez o fato deixou o cientista inglês tão intrigado que ali mesmo, ele formulou a seguinte questão: por que os corpos caem?

Racionando sobre esse problema, Newton chegou a conclusão que os corpo caem por que são atraídos por uma força, que ele denominou de Força da Gravidade. Ou seja, a Terra atrai os corpos que se encontram próximos a ela.

A partir de observações e cálculos, Newton chegou a seguinte lei:

Dois corpos quaisquer no Universo se atraem com uma força diretamente proporcional a suas massas e inversamente proporcional ao quadrado ao quadrado da distância que os separa.

O Campo Gravitacional

Ao soltar-se do avião, ainda com o pára quedas fechado, o corpo do Pára-quedista sofre uma aceleração constante. Quando o pára quedas abre, a resistência do ar, dirigida para cima, torna-se menor que a forçada gravidade e o pára-quedista desce em queda suave.

O mesmo fenômeno ocorre com a asa-delta. A asa-delta aumenta a resistência do ar, possibilitando ao praticante desse esporte fazer circunvoluções no ar e descer lentamente no solo.

A região que a Terra exerce força gravitacional é chamada de campo gravitacional da Terra.

Como vimos, a intensidade da força da gravidade está relacionada inversamente com o quadrado da distância dos corpos ao centro da Terra. Assim, quanto maior a distância entre a terra e um corpo menor é força da gravidade que atua sobre ele. Por isso, um corpo vai perdendo peso a medida que se afasta de nosso planeta. Quando se encontra muito distante, seu peso chega, praticamente a zero.

Aceleração da Gravidade

Os corpos atraídos pela terra caem segundo uma direção vertical. Esse fato pode ser comprovado com um fio de prumo, instrumento usado pelos pedreiros para levantar as paredes das casas. Sem esse simples instrumento, dificilmente as paredes subiriam verticalmente.

A velocidade com que os corpos caem não é constante. Oberve, na ilustração a seguir, que o objeto está em repouso quando inicia sua queda. Suponhamos que não haja resistência do ar, ou seja, o corpo está em queda livre. À medida que ele cai, sua velocidade vai aumentando. Veja que, após um segundo, a velocidade do objeto é de 9,8 m/s. Em 2 segundos, sua velocidade é de 19,6 m/s; em 3 s, de 29,4 m/s, e, em 4 s, de 39,2 m/s.

A velocidade do objeto aumentou de 9,8 m/s em cada segundo. Essa aceleração de 9,8 m/s em cada segundo é chamada de Aceleração da Gravidade.

A aceleração da gravidade é representada por: g = 9,8 m/s/s. Ou g = 9,8 metros por segundo ao quadrado.

Este valor varia ligeiramente com a altitude e com a latitude. Em geral, para cálculos, ele é arredondado para 10 metros por segundo ao quadrado.

Resistência do ar versus queda

“E se o pára-quedas não se abrir?”.

Você sabe que seria um desastre. Mas por que um pára-quedas aberto atenua a velocidade de queda?

Vamos dar um exemplo clássico para que você possa entender bem esse assunto.

Se simultaneamente, deixarmos cair, da mesma altura uma folha de papel e uma pedra, veremos que a pedra chega primeiro ao chão.

Mas se, em condições idênticas, deixarmos cair uma bola de papel e uma pedra, veremos que os dois corpos chegam quase no mesmo instante ao solo. Por quê?

A bola de papel chega antes da folha por que tem menor superfície de contato com o ar. Desse modo, ela sofre menos a ação da resistência do ar.

Podemos concluir, então, que a resistência do ar é uma força que retarda o movimento dos corpos.

Se não houvesse ar, a folha de papel (ou outro objeto qualquer) cairia ao mesmo tempo em que a pedra (ou outro objeto), independentemente da massa desses objetos.

Corpos em Órbita

Seja “R” o raio da Terra e “M” a sua massa localizada no centro. Considere m, a massa de um corpo, (p. ex: um satélite) em órbita circular em torno da terra, a uma altura h.

A força de interação gravitacional entre os corpos é responsável pela aceleração centrípeta que mantém o satélite em órbita.

Sendo a força de interação gravitacional dirigida para o centro da Terra, ela representa a própria força centrípeta que atua no corpo, portanto:

Velocidade de Escape

Chamamos de velocidade de escape à velocidade necessária para lançar um corpo para o alto, sem que haja retorno.

Desprezando-se a influência do ar e dos demais astros, podemos aplicar o teorema da conservação da energia mecânica.

Júpiter: O Maior dos Planetas

Júpiter é o quinto planeta do sistema solar, o maior também. É composto por gás em 90 % xenônio e 10 % de hidrogênio, não possui atmosfera para nenhuma forma de vida. Júpiter tem 5 vezes mais gravidade e por isso possui maior massa.

Sobre constantes tempestades provocadas por inúmeros furacões, júpiter, quando observado por um potente telescópio são vistas enormes manchas vermelhas em forma de redemoinhos.

Júpiter, por ser o maior dos planetas, e possuir mais massa, tem também a maior força de atração. Júpiter ajuda a Terra devido a sua grande gravidade, ele atrai a maioria dos cometas que vão por essa órbita em direção ao sol, evitando um possível choque de um desses cometas com a Terra.

Bioconstrução e Permacultura: Da Ruptura ao Resgate

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Autor: Frederico Maciel Vasconcellos Barros

INTRODUÇÃO

A Era da modernidade teve como marco a Revolução Industrial no séc. XVIII, traçando profundas mudanças para o mundo, que ficou exposto ao impacto das novas forças de uma parte do Mundo burguês conquistador. Sua conseqüência para a história Mundial foi estabelecer um domínio do globo através do regime ocidental. Sendo assim o avanço da conquista ocidental se dava sobre qualquer território que estes achassem vantajoso ocupar, impondo o progresso da iniciativa capitalista.

A Revolução Industrial ficou marcada por um mundo no qual os laços sociais se desintegravam, ocorrendo uma ruptura que originou o fortalecimento dos laços entre o ouro e o papel-moeda, onde a política estava engatada ao lucro, fazendo com que o dinheiro governasse criando uma indústria produzida por fabricantes de mercadorias de consumo em massa. Criou-se então um modelo econômico que rompeu com as estruturas sócio-econômicas tradicionais do Mundo não europeu.

Esse trabalho visa pesquisar como a sociedade passou a desperceber a natureza, enfocando a maneira como o homem moderno passou a se organizar na busca do capital, deixando de lado uma vida mais harmônica e sensível, por uma vida mais competitiva, através de uma ciência cartesiana e imediatista, ciência que se construía, desvalorizando o saber tradicional e conseqüentemente técnicas sustentáveis que possuíam um equilíbrio bem maior com meio ambiente.

Dentre essas técnicas, temos hoje a bioconstrucão e a permacultura que podem ser consideradas bastante antigas, mas que não eram diretamente caracterizadas com estes nomes. Porém em decorrência primeiro do pensamento mecanicista, o processo de colonização ocidental e depois da Revolução Industrial, passou-se a utilizar cada vez menos essas técnicas ditas de conhecimento tradicional, dando lugar à ciência moderna, trocando práticas economicamente viáveis e ecologicamente corretas, por técnicas mal dimensionadas que agravam ainda mais a crise ambiental vista a partir do século XX. Essas técnicas que hoje podem ser detectadas como mal dimensionadas, antigamente e até nos dias hoje possuem uma grande aceitação, pois sustentam o discurso do bem dimensionado, do conforto e do moderno.

A evolução da ciência ocidental tem suas origens, tomando como ponto de partida as filosofias místicas dos antigos gregos, percorrendo um caminho que conduz ao desenvolvimento do pensamento intelectual crescente e conseqüentemente se afastando das suas origens místicas, ocorrendo a separação entre o espírito e matéria, surgindo o que podemos chamar de dualismo. Esse afastamento caracterizou uma ruptura do todo em partes, firmando o pensamento ocidental que passou a reorganizar o conhecimento da Antiguidade em formação de esquemas. Segundo CAPRA “a divisão cartesiana permitiu aos cientistas tratar a matéria como algo morto e inteiramente apartado de si mesmos, vendo o mundo material como uma vasta quantidade de objetos reunidos numa máquina de grandes proporções” (1983, p.25 ).

Essa mudança ocasionou em uma apropriação inadequada do espaço vivido, apesar de ter causando um conforto imediato para as comunidades residentes. A paisagem entrou em desequilíbrio físico e moral, se tratando de elementos e materiais exóticos que não se adequavam ao clima es as condições culturais das populações devido ao desprezo às técnicas que se aproximavam do meio natural.

Agora, porém, no inicio do século XXl, o modelo de consumo apropriado e difundido cada vez mais pelo ocidente exerce uma grande pressão, ocasionando em um alto consumo de energia e o uso de tecnologias sofisticadas que se mostram cada vez menos sustentáveis.

Diante de tais afirmações e a necessidades de preservar os recursos naturais, as relações humanas para melhoria da qualidade de vida das pessoas e a re-conexão do homem moderno aos ciclos naturais, a bioconstrucão e permacultura estão conquistando, ainda que pequeno o seu lugar, que resgata a diversidade e o cuidado, através de um pensamento sistêmico, contribuindo para a reconstrução do espaço, do lugar e da paisagem, fazendo uma releitura dos sentidos e identidades que se unem aos movimentos de contra cultura da homogeneização da modernidade, criando uma corrente de pensamento que tem como princípios a utilização da ciência com a união do saber tradicional como fonte de transformação.

Este trabalho preocupa-se com a qualidade habitacional e a conservação da vida e conseqüentemente o espaço experienciado, a proteção da paisagem e o conhecimento tradicional, buscando um cenário mais harmônico para a vida no planeta de uma maneira que o ser humano se inclua como parte da natureza.

Capítulo 1

1.1 Os primórdios

Segundo PROENÇA ,”as primeiras ações reconhecidas do homem foram às atitudes de criar instrumentos, dando início ao processo civilizatório pelo qual vem passando desde que surgiu sobre a Terra. Esta fase da história da humanidade é dividida em três períodos: Paleolítico Inferior, cerca de 500.000 a.C., Paleolítico Superior aproximadamente 30.000 a.C. e o Neolítico por volta do ano 10.000 a.C.”(1978, p.10). Neste período o homem buscava seu abrigo nas cavernas. As cavernas então, foram às primeiras casas do ser humano.

Seguindo a história o homem passou a ter seus primeiros contatos com a agricultura e a domesticação de animais. Esse fato possibilitou ao homem substituir a vida nômade por uma vida mais estabilizada. Essa etapa ficou conhecida como a primeira revolução, denominada de Revolução Neolítica, devido a grande transformação ocorrida na história humana. O homem começou a desenvolver e aprimorar técnicas como a de tecer panos, fabricação de cerâmicas e a construção de suas primeiras casas. Comprovando sua interação e a busca de aprendizado com o meio natural. Antigamente a energia utilizada pelo homem era o produto de seu próprio trabalho, ou seja, sua força muscular e da tração animal.

O homem primitivo, posta a situação de fragilidade do indivíduos e do grupo no mundo natural, perante um universo ameaçador e desconhecido, elabora o mito associado ao desejo de estabilidade sociocultural. Essa ansiedade pela estabilidade, em última instância, pode ser exemplificada através de expectativas: de manutenção da fertilidade dos solos, de disponibilidade de caça, pesca e frutos, de segurança estratégico-militar, de saúde dos vivos e paz espiritual dos mortos.Em conseqüência da explicação desse desejos, os rituais são estabelecidos através da ação coletiva. ( HISSA, 2002, p. 50 ).

Com início das primeiras construções, o homem começou a abandonar as cavernas, construindo suas próprias casas. Uma das primeiras construções foram as edificações em pedras, que eram erguidas sem nenhum tipo de argamassa. Neste período também apareceram as construções denominadas dolmes, que consistem em colunas de duas ou mais, grandes pedras fincadas no chão, representando paredes e uma outra grande pedra colocada horizontalmente sobre essas colunas, constituindo um teto.

Tendo a casa como o segundo espaço do homem sendo que o primeiro é o próprio corpo, as construções vieram para suprir a necessidade de segurança. A proteção das ações dos fenômenos climáticos e do perigo da vida selvagem. Devido a essa necessidade existem registros de moradias do homem por onde ele passou, seja nas cavernas, casas, cabanas ou tendas.

De acordo com GYMPEL, “a evolução possibilitou ao homem a formação das primeiras instituições como a família, divisão de trabalhos e conseqüentemente a criação de sociedades. Algumas sociedades passaram a dominar as técnicas de construção, construindo grandes edificações, enormes paredes de blocos de pedra, surgindo os grandes templos e pirâmides” (2001. p. 53). Muitas das construções realizadas eram inspirações vindas da natureza. Nestas construções eram levados em conta fatores como o clima local, temperatura e iluminação, já demonstrando um certo avanço para a época. Algumas casas possuíam uma abertura retangular no telhado, que permitia a entrada da luz, do ar e também da água da chuva, que era coletado em um tanque.

Assim era o meio de habitação humana, usufruindo a sua inteligência somando aos recursos fornecidos pela natureza. Cada comunidade se adaptava às condições oferecidas pelo meio e assim moldando o seu modo de vida de acordo com o clima e o habitat onde se instalava.

A arquitetura africana, a pré-colombiana, a indígena e a oriental são exemplos destas interações do homem com o habitat e os respectivos elementos naturais disponíveis no local. Outro bom exemplo são as comunidades que desenvolveram suas habitações com o barro, o bambu a palha e outros elementos provenientes do próprio local.

Dentre nossas fontes de pesquisa podemos destacar, Darcy Ribeiro, que em ” O Processo Civilizatório”, caracteriza a evolução da civilização Americana da seguinte forma:

a Selvageria, a Barbárie e a Civilização, cada uma das quais subdividida em três idades: a Inferior, a Média, e a Superior. A partir da selvageria Selvageria Inferior, correspondente à economia de simples coleta de frutos, raízes e nozes, o homem alcançaria a etapa Média com o uso do fogo e a economia da pesca; e a Superior, com a descoberta do arco-e-flecha. A Barbárie teria início com a cerâmica, desdobranndo-se na etapa Média, com a domesticação de plantas e animais, a irrigação, a edificação com tijolos e pedra, e passando à Superior com a fabricação de instrumentos de ferro (RIBEIRO, 1975, P.15)

1.2 A ruptura

O aperfeiçoamento na fabricação de instrumentos e utensílios, no último período da Pré-História ( por volta do ano 10 000 a.C.), possibilitou uma vida mais prática. Com isso a transformação tomou um ritmo mais acelerado, pois o homem percebeu sua capacidade de apropriação da natureza para seu benefício, passando a se desvincular aos poucos do naturalismo.

Com o passar dos tempos esse distanciamento entre o homem ocidental e o meio foi se agravando e o elo que os unia começou a se romper e desrespeitar a dinâmica dos elementos componentes da natureza, ocorrendo então o princípio da degradação do meio ambiente, pois os ciclos naturais passaram ser modificados. O homem se tornou um ser extra da natureza se dissociando dela assumindo uma postura antropocêntrica.

Gympel, em sua obra “História da Arquitetura destacou em uma das suas passagens, que a casa passou a se fechar ao ambiente externo e natural. Quatro paredes, teto sobre a cabeça, separando o homem do meio ambiente possibilitando a criação de dimensões humanas” (2001. p. 67). O espaço também foi alterado originando a formação de ambientes artificiais contrapostos à natureza. Assim como os espaços, os homens começaram um processo artificial, pois as próprias construções refletiam o seu modo de pensar e sentir.

As relações também começaram a deixar de ser comunitárias dando lugar ao individualismo. Com tempo à própria agricultura, antes de subsistência, se transformou em uma agricultura de excedentes para comercialização. Começa então a busca pelo capital a favor do lucro. Essa agricultura já se preparava para o aumento da produção e da produtividade, com o objetivo de alimentar a população que se tornara cada vez menos agrícola.

Surge a era da ciência moderna. Ciência que dividiu o pensamento em fragmentos e passou a desvalorizar o saber tradicional das comunidades primitivas que até então muito haviam contribuído para o desenvolvimento das sociedades. Essa ciência denominada cartesiana veio à tona seguido de um grande momento da história da humanidade, a chamada Revolução Industrial.

A Revolução Industrial é considerado um dos mais importantes acontecimentos da história do mundo, seguidas da invenção da agricultura e das cidades.

A Revolução Industrial baseou-se em uma expansão contínua de acordo com as metas de cada sociedade, que passaram por um processo de transição de uma base agrícola-artesanal, para o urbano-industrial, que passou a utilizar a energia fóssil que possibilitou a aceleração do processo de transformação, pensando em melhorar a vida na Terra através de um progresso imediato.

Segundo HOBSBAWM, essa expansão partiu dos povos europeus mais especificamente na Grã-Bretanha, que possuíam a estratégia de crescimento econômico buscando um aumento máximo dos benefícios, baseando em um planejamento fragmentado e o acúmulo de capital(1977. p. 131.)

Nesta época a ciência passou a subestimar a filosofia natural que era especulativa e intuitiva e tentava explicar a união orgânica de todas as coisas, indo contra o materialismo mecânico e sua precisão quantitativa cartesiana. Sendo assim o homem da civilização industrial visava à totalidade do globo e apesar de não se sentir parte da natureza, passou a depender cada vez mais dos recursos naturais para alimentar as indústrias e conseqüentemente a demanda do consumo.

Conduzida pelos paradigmas da modernidade, a ciência supõe produzir a ruptura entre paixão e objetividade racional, entre desejo e método, entre medo e segurança. Em última instância, ao contrário do mito, vivido como uma prática dos homens e da coletividade, a ciência moderna distancia o conhecimento da prática. Essa contradição solicita a reflexão, posto que o desejo de transformação do mundo é um dos principais propulsores da crítica e da produção do conhecimento acerca do universo natural e cultural. Em outros termos, a mitificação da ciência como prática excludente, além de apartar o conhecimento de sua aplicação, reduz a perspectiva de crítica social tão inevitavelmente necessária à construção de projetos criativos de amplitude coletiva ( HISSA, 2002, p. 55)

A melhoria na condição de vida da sociedade moderna se deu a curto prazo com os produtos gerados pela industrialização. Devido aos benefícios e ao desprezo a natureza, o homem moderno passou a utilizar os recursos naturais sem descriminação. Como estes produtos passaram a facilitar a vida, a sociedade moderna tendenciou ao abandono as técnicas tradicionais, dando preferências aos produtos industrializados.

Na arquitetura não foi diferente. Técnicas tradicionais citadas anteriormente foram substituídas pela construção moderna que já estava em ascensão. A arquitetura e a construção em geral adotaram e se articularam com as idéias da nova economia e modelo de consumo, realçando o choque entre a obra humana e a natureza.

Nessa época a produção do ferro se intensificou, devido às invenções da máquina a vapor, eram produzidas grandes quantidades possibilitando ao consumidor um preço baixo. Surgiram então construções audaciosas com a estrutura de ferro, como pontes antes feitas de madeira, e até mesmo grandes edifícios, criando aos espaços vividos um aspecto revolucionário, por se tratar de construções executadas com elementos totalmente pré-fabricados dando um rumo para as construções racionalizadas.

Além do ferro outros materiais passaram a ser utilizados. Esses materiais eram desenvolvidos a partir de matérias primas baratas e existentes com facilidade de exploração como a rocha calcária, argila, gesso e a própria água. O ferro unido ao betão, (nome do material criado com os elementos citados acima), fizeram uma boa união, sendo o ferro representando as colunas e o betão uma espécie de cimento. Com mais algumas evoluções como o tijolo queimado e a utilização de pedras no revestimento para a proteção do fogo, começaram a surgir os arranhas céus.

Gympel ressalta, que durante esse período outras invenções revolucionárias foram criadas, como o elevador e o telefone que juntos com os grandes edifícios deixaram bem explicito a nova ordem mundial. A evolução tecnológica se configurava com as novas tendências moldando a urbanização e conseqüentemente a arquitetura moderna que tinha como lema: “a forma segue a função”. (2001 p 123.).

A paisagem é humana, tem dimensão da história e do trabalho socialmente reproduzido pela vida do homem. É expressão de um trabalho social materializado, mas também é expressão de um modo de vida. A desigualdade que pode ser percebida no olhar da paisagem é conseqüência dos contrastes decorrentes do processo de produção do espaço urbano. As relações criam as formas e as funções que devem ser cumpridas. (FANI,1994, p.24 ).

O homem ocidental aceitou a modernidade criando uma grande confiança nas técnicas sofisticadas. Com isso a ciência ganhou status e se afastou da subjetividade fundamentando-se na razão cartesiana. O pensamento se torna imparcial e o “eu” toma o lugar do conjunto originando a especialização e o individualismo que colocaram em risco a diversidade e a conservação dos ecossistemas.

1.3 Conseqüências

A urbanização se tornou uma forte tendência do modelo expansionista europeu, criando uma nova forma de ocupação dos espaços. Esse modelo veio com uma característica de moderno e racional, fragmentando o espaço ocupado pela sociedade.

O modelo europeu com seu expansionismo também deu origem a outras mudanças, como nas paisagens em que eles impunham seus traços culturais atropelando a cultura nativa que em muitos lugares desapareceram. O mundo foi obrigado a se adaptar ao moderno, tanto no físico, tanto no social de acordo com as influências do meio ou do contexto cultural que o ocidente impunha interferido na paisagem e no espaço ocupado levando em conta os aspectos visual, cultural e ecológico.

Juntamente com tais interferências, a urbanização e a industrialização, surgiram grandes alterações no espaço vivido pelo homem, seja pelo ponto de vista social , ambiental ou econômico. Essas transformações refletiram diretamente na vida do campo, que perdia cada vez mais os trabalhadores do setor agrícola para o setor industrial. Com essa migração da população para o urbano, criou-se também a necessidade no aumento do fornecimento de alimentos, desfigurando a agricultura doméstica e caracterizando uma revolução na agricultura.

O alimento passou a ser mercadoria e essa mercadoria era distribuída desigualmente entre a população, fortalecendo diferenças e conflitos sociais. De acordo com HOBSBAWM … “O ponto crucial do problema agrário era a relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que a acumulavam.” ( 1977. 29 p.). A ganância dos homens modernos tomava lugar da sensibilidade e com a crescente do comércio, intensificou a exploração dos recursos naturais. O capitalismo ganhava espaço, onde este homem moderno, visava uma maior produção buscando o acúmulo de riquezas.

Como o crescimento das cidades nas áreas urbanas cresceu subitamente, os espaços e serem ocupados tiveram que ser improvisados por blocos habitacionais densamente construídos e super ocupados. Com o tempo ficaram mal conservados devido ao descuido e o apreço de seus proprietários. Com isso as condições de higiene se tornaram insuficientes por falta de saneamento e arejamento que originaram no surgimento de inúmeras doenças.

As paisagens se tornaram cada vez mais cinzas, onde o verde cede lugar aos prédios, casas, ruas, que parecem estar cobertos por uma nuvem de poluição. A forma passa a dominar onde as grandes construções parecem esmagar os seres humanos e conseqüentemente os sentimentos, as emoções deteriorando as relações humanas.

Como se já não bastasse os problemas de saúde, conflitos sociais, diminuição da qualidade de vida, os interesses da sociedade contrapunha a preservação da natureza, e quanto mais o sistema vigente era alimentado mais a natureza era destruída.

A industrialização crescia cada vez mais e conseqüentemente, a mecanização da agricultura, transformando paisagens naturais em sistemas de monocultura. Os recursos naturais não renováveis passaram a ser extraídos sem descriminação, alterando a terra , a água e o ar do planeta, originando em grandes degradações ambientais, sendo que muitas delas irreversíveis.

Em muitos lugares do globo ocorreram alterações drásticas como o desaparecimento de florestas e espécies da fauna, comprovando que a sociedade moderna interferiu profundamente na natureza. Essa sociedade moderna criou a demanda incontrolável do consumo, que exigia cada vez mais a extração da matéria prima, das fontes de energia existentes no planeta e ainda a mão de obra.

A exploração então não se dava somente aos recursos naturais, mas também do ser humano, que com crescimento do capitalismo, uma minoria da sociedade passou a ter o acúmulo do capital adquirindo um domínio, que explorava a mão de obra. Essa exploração originava insatisfação e desigualdades sociais nas populações.

Pode-se dizer que a crise da modernidade, em síntese resulta da inserção dos indivíduos na sociedade de forma desigual; resulta de promessas não cumpridas, advindas do próprio ambiente histórico da modernidade; resulta da crise do capital; é função da crise do Estado e da crise da política ( HiSSA, 2002,p.63 ).

O planeta entrou em uma crise, pois além da degradação ambiental ter tomado um ritmo acelerado, danificando e deteriorando a qualidade de vida, com a poluição atmosférica devida a emissão de gases descontrolada, a poluição das águas, a perda e contaminação dos solos dos solos devido a modernização da agricultura e ao uso indiscriminado de agrotóxicos, a desertificação, o desmatamento e conseqüentemente a diminuição da biodiversidade quebrando as cadeias ecológicas e inúmeros outros problemas ambientais, as relações sociais se tornaram altamente conflitantes. A competição entre os humanos da sociedade moderna fez com que a ética ficasse deixada de lado, valorizando o poder e a ganância pela posse e pelo domínio.

Vieram também as grandes guerras entre os países, como mais uma conseqüência do distanciamento da ética e a crise das relações humanas. Com o desenvolvimento tecnológico, certos países possuíam em seu arsenal bélico, armas de destruição de massa, a chamada bomba atômica. O mundo não tinha mais segurança, pois o homem moderno, com toda sua tecnologia e cada vez menos sensível poderia decidir o futuro de populações e até mesmo da humanidade de acordo com seus interesses, bastando apenas apertar um botão.

Com tudo o moderno é sempre um tempo de crise. Tempo de encruzilhadas e de dúvidas, de superposições e de movimentos. Tempos de espaços vagos criados, de expectativas e de ansiedades diante da novidade. Tempo do novo, sempre ostensivo, aparentemente pronto para ocupar espaços vagos. É o tempo que sempre deixa algo prometido e não solucionado para o futuro (HISSA, 2002, p.63 ).

A sociedade urbana industrial de consumo esta se auto-destruindo enganosamente na busca de um progresso, de um futuro incerto através de um consumo desenfreado que mais parece um vírus nocivo ao planeta, onde cada indivíduo vive sem se preocupar com as futuras gerações. A capacidade de construir e reconstruir quase tudo o que quiser, deu ao homem o poder também de destruir. Porém o homem moderno poderá reconstruir cidades monumentos, pontes, mas nunca conseguirá reconstruir as paisagens naturais invadidas pela urbanização e industrialização, e muito menos recuperar espécies da fauna e flora já extintos devido as suas ações.

2.1 O Resgate:

No início do século XX começaram a surgir reações contra o modelo de desenvolvimento e as conseqüências que este modelo capitalista vinha trazendo para as cidades modernas, que estavam se tornando cada vez mais artificiais.

Em nossa cultura ocidental ainda dominada pela visão mecanicista e fragmentada do Mundo, um crescente número de indivíduos começa a se aperceber do fato de que essa visão constitui a razão subjacente da ampla insatisfação reinante em nossa sociedade ( CAPRA, 1983, p.27)

O desenvolvimento tecnológico ganhou um ritmo acelerado onde as habitações criadas na sociedade moderna se tornaram espaços doentes. Pois o ar ficou poluído, a poluição sonora está cada vez mais irritante, a radiação e o desconforto térmico são mais uma fonte de preocupação e ainda pode-se ressaltar os inúmeros poluentes químicos que passam a fazer parte do dia-dia desta sociedade.

Esses problemas são gerados pelo avanço tecnológico e pelo modelo de consumo utilizado pelo homem moderno que a tempos se distanciou da natureza a encarando como matéria, associando a alta tecnologia como aumento da produção.

Por isso em meio a crise socioambiental vivida nos dias de hoje, estão emergindo processos produtivos mais eficientes que possam ajudar no crescimento da produção sem que seja preciso o desperdício, e o esgotamento dos recursos naturais e ainda contribuindo para o crescimento econômico.

O resgate se deve não só as tecnologias alternativas, mas sim a uma revolução interna que pode ser caracterizada como ecologia profunda. Pois não adiantaria nada substituir as técnicas se a percepção das suas reais necessidades não estiverem internalizadas no ser humano.

Dentre esses processos alternativos esse trabalho enfoca a Bioconstrução e a Permacultura que surgem como alternativas de transformação que juntas possam contribuir para a mudança na qualidade habitacional e socioambiental. Essas técnicas alternativas tem utilizado o exemplo de paisagens e comunidades nativas misturando-se com o uso de tecnologias modernas, buscando uma combinação entre ambas.

A Bioconstrução junto com a Permacultura vieram para resgatar a melhoria da qualidade de vida, que busca a proposta de equilíbrio e inter-relações das habitações e os fatores naturais de cada região, adaptando à ecologia local levando em conta a cultura já existente.

2.2 Bioconstrução e Permacultura

Como foi escrito no capítulo anterior, antigamente não existiam casas feitas por materiais de construção derivados de um processo industrial e as habitações eram erguidas com os materiais disponíveis no terreno e na região.

É sabido que era utilizado terra, pedras, madeiras extraídos do próprio local. Hoje com as facilidades da vida moderna, pode-se comprar tudo o que se necessita para a realização de uma construção. Esses materiais na maioria das vezes necessitam de bastante matéria prima para o seu desenvolvimento. Essas matérias-primas são extraídas em grande escala e podem estar a uma longa distância da obra a ser realizada, causando muitas vezes grandes impactos.

A bioconstrução vem a partir das antigas técnicas utilizadas a séculos pelos nossos antepassados, com algumas inovações podendo melhorar o desempenho dos materiais a serem utilizados.

De acordo com Instituto de Permacultura do Cerrado ( IPEC), a Bioconstrução visa a utilização de materiais ecológicos reduzindo, ou até mesmo evitando a agressão ao meio ambiente, através de técnicas da arquitetura vernacular mundial, algumas delas com centenas de anos de histórias e experiência. Tendo como características a preferência por materiais do local, como a terra, reduzindo gastos com transporte e fabricação, realizando construções com o custo reduzido e que, ao contrário das construções atuais oferecem um grande conforto térmico, sendo essa uma das vantagens principais.

A sua viabilidade de ser empregada, é a própria disponibilidade, seja pela quantidade, seja pelo custo, pois materiais como a terra e o bambu por exemplos, são de fácil acesso, diminuindo assim o custo do transporte e ainda não envolve consumo de combustíveis fosseis.

Segundo GOUVEIA, “na Bioconstrução se utiliza o micro clima a seu favor, através de uma pesquisa em relação a vegetação e a umidade relativa do local a ser construído. Dessa forma busca-se descrever de modo geral os dados climáticos pesquisados referentes ao período úmido e seco e também caracterizar as sensações observadas, podendo assim assinalar os principais relações clima/local a ser construído para efeito da definição de critérios do desenho ambiental a ser realizado”(2002. p.10).

Rosana Bianchini, é fundadora do Instituto Kairos (Centro de pesquisas de tecnologias alternativas), criado em 2001 situado no Arraial de Macacos no município de Nova Lima-MG, diz que “é possível construir casa, desenvolver agricultura e artesanato utilizando recursos locais, gerar renda para sociedade e ainda preservar o meio ambiente. A Bioconstrução seria um fruto de uma mistura de técnicas alternativas, que estuda as influências das construções do homem sobre o meio ambiente, onde a base da tecnologia é a vontade de quem a utiliza”.

A Bioconstrução se enquadra nos objetivos propostos pela Agenda 21, promovendo medidas que aumentam a capacidade de compreensão mundial em todas as questões do Desenvolvimento Sustentável. Agenda 21 se enquadra no processo de mudança apesar de ainda não estar incorporado ao sistema vigente de uma maneira satisfatória. Se trata de um instrumento que ajudará a direcionar o Planeta a uma nova visão de progresso. Ela possui 40 capítulos relacionados aos programas sociais, econômicos e ecológicos a serem desenvolvidos visando o desenvolvimento Sustentável.

Esta Agenda tem em seu 7° capítulo o seguinte título e atribuições:

Promoção do Desenvolvimento Sustentável dos assentamentos humanos

Oferecer a todos habitação adequada.
Aperfeiçoar o manejo dos assentamentos humanos.
Promover a existência integrada de infra-estrutura ambiental: água, saneamento, drenagem e manejo de resíduos sólidos.
Promover sistemas sustentáveis de energia e transporte nos assentamentos humanos.
Promover o planejamento e o manejo dos assentamentos localizados em áreas sujeitas a desastres.
Promover atividades sustentáveis na indústria da construção.
Promover o desenvolvimento dos recursos humanos e da capacitação institucional e técnica para o avanço dos assentamentos humanos.
Dentro das técnicas e elementos utilizados na Bioconstrução pode-se citar algumas:

Super Adobe: Técnica da construção desenvolvida na Califórnia e que utiliza-se de sacos de polipropileno preenchidos com subsolo do respectivo local. Simples e de fácil aprendizado, com custos baixíssimos por não depender de recursos externos nos principais estágios da construção.
Solo-Cimento: Uma das técnicas alternativas mais difundidas ao redor do Globo, utiliza-se de uma mistura de solo e cimento dentro de formas de ferro ou madeira . As formas são moldadas no local e devem resistir a pressão exercida pela terra quando esta for socada. A matéria prima é o subsolo do local adicionado de 10% de cimento formando uma mistura chamada Solo-Cimento. 90% do material da construção das paredes pode ser proveniente do próprio local da obra, reduzindo bastante o custo.
Reboco: Os revestimentos naturais, seguem os mesmos princípios das técnicas já citadas, como a utilização de recursos do local, economia de materiais e combustíveis, saúde para os habitantes, tecnologia simples e tradicional. É necessário estudar e testar a composição do solo, sendo que cada caso é único e a proporção destes materiais varia de local para local, mas existe um ingrediente que é de extrema importância, que é o esterco de vaca. O esterco contém ácido lático que irá dar a liga necessária a massa do reboco e reduzir a necessidade de se adicionar o cimento.
Madeira: A construção com madeira é uma das formas mais antigas de construção conhecida pelo homem e se aproveita de recurso renovável. A utilização do material pode colaborar com a redução dos níveis de carbono na atmosfera, pois o carbono captado do ar pelas árvores é estocado no tronco da planta em forma de madeira. Mas a situação atual torna a questão delicada, devido a dificuldade de se encontrar madeira de reflorestamento. A técnica de trabalhar a madeira é considerada uma arte desde embarcações do passado, casas e telhados.
Bambu: O Bambu é uma planta versátil e tem inúmeras utilidades. As fibras do colmo do Bambu são extremamente fortes, ao mesmo tempo em que são flexíveis, características que são transferidas quando a planta é aplicada a construção. No Peru as construções de Bambu já provaram sua segurança, resistindo a inúmeros terremotos, na Ásia há milhares de anos são utilizadas as vantagens da planta. No Japão por exemplo, empresas estão acrescentando fibra da Bambu ao concreto que são utilizados na construção de pontes, viadutos e rodovias. O Bambu requer tratamento que possa garantir sua durabilidade e evitar o ataque de insetos e microorganismos. O tratamento convencional é realizado com a utilização de produtos químicos que são extremamente tóxicos, mas é totalmente possível um tratamento ecológico do Bambu, que garante da mesma forma a resistência das construções milenares do oriente. O tratamento varia conforme a espécie,seja com fogo, cera, água, assim como a forma de construção varia de acordo com a região de origem, encaixe e amarração.
Dentre essas técnicas citadas existem várias outras que não estão diretamente ligadas a parte estrutural, como a captação das águas da chuva, a utilização de energias limpas( solar, eólica, biodigestor e etc.), o tratamento das águas cinzas(águas de cozinha ,banheiro e tanques) através de um filtro biológico construído com plantas aquáticas brita e areia, e o reaproveitamento das águas tratadas entre outras.

Existe também a Permacultura, que foi desenvolvida na Austrália a partir da década 70 e tem como seus princípios que cada elemento tenha seu devido lugar, para que haja um apoio mútuo entre os vários elementos do sistema, onde a projeção das estruturas responda ao requisito de integração com o meio ambiente utilizando-se os materiais e as técnicas locais, trabalhando a fertilidade do solo por uma agricultura permanente, aproveitando a interdependência e a complementaridade dos vários setores.

Segundo Bill Mollison, o homem que difundiu a Permacultura para o Mundo, a Permacultura serve para alcançar uma compreensão mais clara do nosso papel no Mundo, onde devemos viver em sintonia com a Mãe Terra aprendendo a conserva-la e reproduzindo a vida.

A Permacultura surgiu através de Bill Mollison, um ex-professor universitário australiano, que se refugiou da sociedade de consumo, resolveu observar e tentar imitar as formas de florestas naturais, revelando assim ser possível a criação de sistemas altamente produtivos e estáveis.

A permacultura esta baseada na prática de cuidar da Terra, ou seja, cuidar dos homens e da terra , compartilhando os excedentes, seja, o dinheiro, o tempo e informações.

Princípios Éticos:

Cuidados com o planeta.
Cuidado com as pessoas.
Compartilhar os excedentes (inclusive conhecimentos).
Limites ao consumo.
A permacultura busca utilizar os benefícios da natureza introduzindo-a ao processo de vida do homem, sem que o mesmo possa originar sua degradação, onde tudo se relaciona em um processo permanente visando a qualidade ambiental e paisagística.

Vantagens da Bioconstrução e da Permacultura:

Conforto e eficiência térmica
Redução dos custos
Saúde e qualidade de vida
Sustentabilidade
Simples e fácil aprendizado
Conhecimento tradicional
Contextualizado um pouco da Bioconstrução e da permacultura, pode-se falar em relação a este trabalho que o foco não são as técnicas de como desenvolver e aplicar, mas sim a essência que elas se inserem para a mudança de paradigmas na construção de um mundo melhor.

Entra então a espiritualidade que representa o ser que somos, que nos leva a viver a vida com mais harmonia e integração com todas as outras coisas. Não entrando no mérito das religiões, mas buscando a verdadeira essência do ser humano, que na sociedade moderna se afastou da natureza, podendo a espiritualidade levar uma conexão profunda com a natureza e ao sagrado.

Essa conexão ou re-conexão com a natureza busca uma sustentabilidade ecológica, através de uma integração das paisagens ao sistema natural, aproveitando as fontes alternativas de energia, reciclando o lixo e a água, buscando o reflorestamento e aplicando a agricultura urbana e orgânica.

Sendo assim através do relacionamento interpessoal na realidade que fazemos parte, a espiritualidade poderá ajudar a re-conetar o homem moderno com a natureza ,onde todos fazem parte de um ciclo, podendo assim buscar uma vida mais verdadeira, visando a transformação.

O caminho da cura passa pela tomada de consciência de que estamos doentes e temos que nos transformar para desencadear o processo de cura no planeta. A mudança deverá ocorrer dentro de cada um de nós. Reconhecer emocionalmente a necessidade de uma mudança interior é o primeiro passo para fazer vicejar novamente a extraordinária beleza da complexibilidade da vida.( FREITAS, 2002. p.51. )

Essa nova tendência é chamada de pensamento sistêmico ou visão holística que segundo CAPRA, tem suas raízes com a física quântica, quando os físicos puderam observar que o átomo possuía uma interconexão entre as entidades subatômicas, diferente do mecanismo imaginado.( 1996. p. 25 ). A partir da pesquisa científica feita ao longo de século XX, buscando um maior entendimento desta teoria, o mundo então poderia ser entendido não mais como uma máquina, mas sim como um grande organismo, proporcionando mudanças radicais em relação a perspectiva mecanicista para a holística.

A ciência holística, construída ao longo do século XX, apresenta o universo com a fisionomia profundamente diferente daquele modelo clássico inerte e sem emoção que, desafortunadamente, perdura até hoje na bases de nossa cultura, se realimentando pelas mídias, pelas instituições sociais e pelos sistemas de educação. ( FREITAS. 2005. p.62 ).

A bioconstrução e a permacultura entram nesta nova tendência onde juntas enfocarão as relações entre as partes. Tendo em vista a predominância da sociedade moderna por um modelo insustentável que o homem moderno erroneamente se considerou como o topo da evolução, acreditando que o planeta existe para suprir suas necessidades. A bioconstrução e permacultura, seguindo uma visão holística, poderão demonstrar através do espaço vivido que são as pessoas quem devem adaptar-se a natureza, respeitando e observando seus ciclos.

Tendo uma visão da parte para o todo, no caso da ecologia profunda de dentro para fora, podemos situar a casa não como um objeto de peças montadas, mas também um sistema que não pode ser partido, junto com a permacultura que complementaria este processo enfocando as relações e não os objetos. Sendo assim a casa estaria em um terreno, que estaria em um lugar, que estaria em um espaço, que com as interdependências estariam dentro de um sistema que alimentaria um organismo vivo, onde todos elementos formariam a Teia da Vida.

Dentro deste contexto do Pensamento Sistêmico a Bioconstrução e a Permacultura juntas, poderão aguçar uma mudança de percepção através do local de moradia, fazendo da habitação um ambiente permanente de aprendizagem, levando em conta os princípios da natureza como:

Interdependência.
Ciclos.
Alianças.
Diversidade.
Equilíbrio Dinâmico e Flexibilidade.
Energia solar.
Atualmente a casa não possui esse papel, sendo ela mais um lugar para pouso, isso vem ocorrendo como conseqüência do modelo atual de desenvolvimento.

A cidade presente Noturna Partida nessa Travessia

Da visão privilegiada das janelas do meu ateliê

Foi nascendo cidade que o tempo leva,

que o tempo traz

Cidade em zoom

Dentro da minúscula viagem

A exatidão do modelo real impondo o que em sua natureza é mudança no fluxo natural do tempo

O universo impenetrável de milhares de janelas sem tempo para abrir ou fechar

Senão o do próprio tempo de cada um,

tempo incontrolável dividido em reduções

e ampliações em descaminhos, buscando no centro

de roteiros vivências, ângulos, imperfeições, Vazios,

silêncio em busca da voz do sentido

o tempo foi guia pelas muitas janelas entre abertas, fechadas

pelas frestas da cidade a infância da memória do quintal da antiga casa na floresta

Márcia Guimarães

Podendo então a Bioconstrução e a Permarcultura ser um portal para uma compreensão ecológica que poderá ser uma esperança de um futuro melhor.

Desta forma as habitações além de se tornarem mais harmônicas ao meio, proporcionarão uma melhor qualidade de vida e possivelmente com menor custo, se tornará também um espaço formador ecopedagógico a partir da observação e interação com a natureza. Podendo então possibilitar o desenvolvimento de comunidades mais sustentáveis mantendo as paisagem mais naturais.

O Pensamento arquitetônico através da integração do meio ambiente construído com o ambiente natural, trabalhando essencialmente os detalhes das formas e texturas da própria paisagem circundante. (BRAUN, 2001. p. 133.)

Considerações Finais

Através desta pesquisa bibliográfica constatou-se uma perda da sociedade dos vínculos naturais que trouxeram graves conseqüências para a saúde ambiental do planeta. Se tratando diretamente da habitação o resgate das moradias ambientalmente mais saudáveis será necessário, onde a Bioconstrução e a Permacultura terão a função de proporcionar e incrementar a alma da sociedade moderna que se encontra no auge da fase materialista, um novo despertar para um mundo mais equilibrado e espiritual.

Com esse novo paradigma acredita-se em encontrar algumas soluções para crise socioambiental que só será superada através de uma mudança de atitude que consiste basicamente em fazer com que os indivíduos vivam de forma integrada ao meio ambiente, alimentando os ciclos naturais, onde o cuidado com a Terra, com as pessoas poderão ser alimentados através de uma cultura permanente sustentando a teoria que o nosso planeta é um organismo vivo e que os humanos são apenas um fio da teia que ajuda a formar toda a complexibilidade da vida.

Referências Bibliográficas

AGENDA 21. Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento 1992. Brasília: Senado Federal, 1996.

BRAUN, Ricardo. Desenvolvimento ao ponto sustentável. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. 183 p.

CAPRA, Fritjof. O Tao da Física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. 21. Ed. São Paulo: Cultrix Ltda, 1999. 274 p.

CAPRA, Fritjof. A Teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix Ltda, 1996. 256 p.

CARLOS, Ana Fani Alessandri. A Cidade (coleção repensando a geografia). 2. Ed. São Paulo: Contexto, 1994.98 p.

DORST, Jean. Antes que a natureza morra: por uma ecologia política; tradução Rita Buongermino. São Paulo: Edgard Blucher, 1973. 394 p.

GOMBRICH, E. H. A história da arte. 15. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1993. 543 p.

FAURE, Élie. A arte antiga. São Paulo: Martins Fontes, 1990. 284 p.

FREITAS, Felipe. SILVEIRA,José Henrique. Alfabetização Ecológica, manual do educador. 2005. Belo Horizonte, 92 p.

GONÇALVES, Carlos Walter Porto. Os (des)caminhos do meio ambiente. 6. Ed. São Paulo: Contexto, 1998. 148 p.

GOUVÊA, Luiz Alberto. Biocidade: conceitos e critérios para um desenho ambiental urbano, em localidades de clima tropical de planalto. São Paulo: Nobel, 2002. 174 p.

GYMPEL, Jan. História da arquitetura: da antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Adriana Nunes, 2001. 119 p.

HISSA, Cássio Eduardo Viana. A mobilidade das fronteiras: inserções da geografia na crise da modernidade. Belo Horizonte: UFMG, 2002. 316 p.

HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções 1789 – 1848; tradução de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. 343 p.

LEFF, Henrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder; tradução de Lúcia Mathilde Endlich Orth. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. 343 p.

MENDONÇA, Francisco de Assis. Geografia e meio ambiente. 3. Ed. São Paulo: Bibliografia Argentina, 1998 80 p.

SILVA, Carlos Eduardo Mazzetto. Democracia e sustentabilidade na Agricultura: subsídios para a construção de um novo modelo de desenvolvimento rural. Rio de Janeiro: Projeto Brasil Sustentável e Democrático, 2001. 116 p.

Resumo

Este trabalho se trata de uma pesquisa através de uma revisão bibliográfica sobre a história da habitação que se desvinculou do meio natural a partir de um pensamento mecanicista onde o homem moderno rompeu com os ciclos naturais fragmentando o todo em partes, colocando em risco a sobrevivência dos ecossistemas terrestres. A partir de um nova visão conhecida como visão holística, que no século XXI está cada vez ganhando mais adeptos, a Bioconstrução e a Permacultura podem ser considerados como instrumentos de uma internalização do pensamento sistêmico, possibilitando uma nova esperança de um Mundo melhor.

Para que este trabalho tivesse um desenvolvimento e chegasse a uma conclusão foram pesquisados autores como, o Geógrafo Cássio HIssa, o Físico Fritjof Capra, o Arquiteto Jan Gympel e outros renomados pensadores e cientistas que contribuíram para fundamentar este trabalho de conclusão de curso que defende a Bioconstrução e a Permacultura como instrumentos de formação de ambientes que possam fortalecer e internalizar no ser humano a uma visão holística e sistêmica .

A União Européia

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O século XX foi tragicamente marcado pela ascensão e posteriormente pela queda das ideologias totalitárias. Nas vésperas do terceiro milénio, a união voluntária dos povos europeus continua a ser o único grande esforço colectivo inspirado por um ideal que consiste em superar os conflitos do passado e em preparar o futuro conjuntamente. Afirma-se atualmente como a única resposta credível face aos riscos e às oportunidades criados pela globalização crescente da economia mundial.

Como qualquer história, a da União Europeia teve os seus momentos fortes e as suas datas simbólicas. Sete delas merecem ser recordadas, já que contribuíram para a construção da Europa em que vivemos e são igualmente essenciais para o futuro do nosso continente.

A União Europeia é uma organização internacional constituída acualmente por 25 Estados-Membros, estabelecida com este nome pelo Tratado da União Europeia (normalmente conhecido como Tratado de Maastricht) em 1992. A União tem sedes em Bruxelas, Luxemburgo e Estrasburgo

Por ter sido assinado nessa localidade holandesa, constitui uma pedra angular no processo de integração europeia, pois, ao modificar e completar o Tratado de Paris de 1951 que criou a CECA, os Tratados de Roma de 1957 que constituem a CEE e o EURATOM, e ainda a Ata Única Européia de 1986, ultrapassa pela primeira vez, o objectivo econômico inicial da Comunidade (constituir um mercado comum) dando-lhe uma vocação de unidade política.

O Tratado de Maastricht consagra oficialmente o nome de “União Europeia” que a partir daí substituirá o de Comunidade Européia.

A União Européia tem muitas facetas, as mais importantes sendo o mercado único europeu (ou seja uma união aduaneira), uma moeda única (adoptada por 12 dos 25 Estados membros) e políticas agrícola, de pescas, comercial e de transportes comuns. A União Europeia desenvolve também várias iniciativas para a coordenação das atividades judiciais e de defesa dos Estados Membros

O Tratado de Paris (1951), estabelecendo a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, e o Tratado de Roma (1957), instituindo a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica ou Euratom, foram assinados por seis membros fundadores: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Depois disto, a UE levou a cabo cinco alargamentos sucessivos: em 1973 Dinamarca, Irlanda e Reino Unido; em 1981 Grécia; em 1986 Espanha e Portugal; em 1995 Áustria, Finlândia e Suécia; a 1 de Maio de 2004, República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta e Polónia.

“O presente Tratado constitui uma nova etapa no processo criador de uma União cada vez mais estreita entre os povos da Europa…”

O Tratado vai ter uma estrutura baseada em “três pilares”, segundo o ponto de vista jurídico dos que o idealizaram e redigiram. A metáfora utilizada é de que o TUE tem a forma de um “templo grego” que se sustenta em três pilares:

· o central é o que se denominou o “pilar comunitário”, o que quer dizer, o recolhido nos Tratados comunitários nas suas diversas formas, com suas instituicões, com competências supranacionais. Neste pilar estão representados o mercado único, a união europeia, a união Econômica e Monetária, a PAC, os fundos estruturais e de coesão…

· os novos pilares, os laterais, estariam baseados não nos poderes supranacionais mas na cooperação entre os governos:

o Política Exterior e Segurança Comum (PESC)

o Justiça e Assuntos de Interior (JAI)

Qual a grande diferença entre o “pilar comunitário” e os dois pilares baseados na cooperação intergovernamental? Basicamente tem a ver com o modo com se tomam as decisões e com as competências das instituições comunitárias. Nos pilares de cooperação entre os governos, as decisões deverão tomar-se por consenso e as competências da Comissão, o Parlamento Europeu e o Tribunal de Justiça são escassas. No pilar comunitário, as decisões tomam-se cada vez mais por maioria e o papel das instituições comunitárias é essencial.

No que respeita ao primeiro pilar, o comunitário, o TUE introduz importantes novidades:

· O reconhecimento de uma cidadania europeia, que veremos detalhadamente mais adiante.

· O grande passo em frente: a União Econômica e Monetária (UEM). Adaptou-se a decisão de criar uma moeda única, que receberá o nome de EURO em 1 de Novembro de 1999. Acordou-se um plano estrutural em três fases:

o A primeira, iniciada em 1990, seria concluída em 31 de Dezembro de 1993 e teria como objectivo a plena liberalização da circulação de capitais.

o De 1 de Janeiro de 1994 a 1 de Janeiro de 1999, os países membros deviam coordenar as suas políticas económicas para conseguir os objetivos fixados quantitativamente e conhecidos como “critérios de convergência”, de redução da inflação, dos tipos de interesse e das flutuações do câmbio entre as moedas européias, de controle do deficit e da dívida pública. Os países que alcançaram esses objectivos poderiam passar à terceira fase. No Conselho Europeu reunido em Dezembro de 1995 em Madrid, deu-
-se o nome definitivo à moeda única europeia: EURO.

A partir de 1 de Janeiro de 1999: Criação da moeda única, o Euro, fixação irreversível da sua equivalência com as moedas que participariam e estabelecimento de um Banco Central Europeu (BCE). Os países que acederam em 1999 ao que se chamou “zona euro” foram onze: Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, França, Alemanha, Áustria, Irlanda e Finlândia. Quatro países não integraram o grupo: Grécia, Reino Unido, O termo União usa-se desde o início do Tratado para representar o avanço num projeto histórico. Assim, o articulado no artº 2 do Tratado da União Europeia diz o seguinte:

“O presente Tratado constitui uma nova etapa no processo criador de uma União cada vez mais estreita entre os povos da Europa…”

O Tratado vai ter uma estrutura baseada em “três pilares”, segundo o ponto de vista jurídico dos que o idealizaram e redigiram. A metáfora utilizada é de que o TUE tem a forma de um “templo grego” que se sustenta em três pilares:

– o central é o que se denominou o “pilar comunitário”, o que quer dizer, o recolhido nos Tratados comunitários nas suas diversas formas, com suas instituicões, com competências supranacionais. Neste pilar estão representados o mercado único, a união europeia, a união Económica e Monetária, a PAC, os fundos estruturais e de coesão…

– os novos pilares, os laterais, estariam baseados não nos poderes supranacionais mas na cooperação entre os governos:

Política Exterior e Segurança Comum (PESC)
Justiça e Assuntos de Interior (JAI)
Qual a grande diferença entre o “pilar comunitário” e os dois pilares baseados na cooperação intergovernamental? Basicamente tem a ver com o modo com se tomam as decisões e com as competências das instituições comunitárias. Nos pilares de cooperação entre os governos, as decisões deverão tomar-se por consenso e as competências da Comissão, o Parlamento Europeu e o Tribunal de Justiça são escassas. No pilar comunitário, as decisões tomam-se cada vez mais por maioria e o papel das instituições comunitárias é essencial.

No que respeita ao primeiro pilar, o comunitário, o TUE introduz importantes novidades:

– O reconhecimento de uma cidadania européia, que veremos detalhadamente mais adiante.

– O grande passo em frente: a União Económica e Monetária (UEM). Adoptou-se a decisão de criar uma moeda única, que receberá o nome de EURO em 1 de Novembro de 1999. Acordou-se um plano estrutural em três fases:

A primeira, iniciada em 1990, seria concluída em 31 de Dezembro de 1993 e teria como objectivo a plena liberalização da circulação de capitais.
De 1 de Janeiro de 1994 a 1 de Janeiro de 1999, os países membros deviam coordenar as suas políticas económicas para conseguir os objectivos fixados quantitativamente e conhecidos como “critérios de convergência”, de redução da inflação, dos tipos de interesse e das flutuações do câmbio entre as moedas europeias, de controle do deficit e da dívida pública. Os países que alcançaram esses objectivos poderiam passar à terceira fase. No Conselho Europeu reunido em Dezembro de 1995 em Madrid, deu-
-se o nome definitivo à moeda única europeia: EURO.
A partir de 1 de Janeiro de 1999: Criação da moeda única, o Euro, fixação irreversível da sua equivalência com as moedas que participariam e estabelecimento de um Banco Central Europeu (BCE). Os países que acederam em 1999 ao que se chamou “zona euro” foram onze: Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, França, Alemanha, Áustria, Irlanda e Finlândia. Quatro países não integraram o grupo: Grécia, Reino Unido, Dinamarca e Suécia.
Como segundo pilar, baseado na cooperação entre os governos, estabeleceu-se uma Política Externa e de Segurança Comum (ESC) que permite empreender ações comuns em matéria de política externa. O Conselho Europeu, onde se devem adoptar as decisões por unanimidade, é o que define os princípios e orientações gerais da PESC. Numa declaração anexa ao Tratado, os Estados membros da União Europeia Ocidental (UEO) reafirmaram o objectivo, construindo esta organização por etapas, atribuir-lhe, a longo prazo, o papel de se converter no componente defensivo da União.

A realidade crua, na forma do conflito da ex-Iugusláva (Croácia, Bósnia, Kosovo) mostrou que a construção de uma política externa e de defesa comum na UE é um objetivo a longo prazo. Os EE.UU. e a NATO continuam a ser os grandes atores neste campo e os estados europeus têm uma vontade política e uma capacidade de manobra ainda muito débil para levar a cabo a sua própria política.

O terceiro pilar baseado na cooperação intergovernemental do TUE baseia-se na Justiça e nos Assuntos Internos (JAI). Assuntos de interesse comum para todos os estados membros: terrorismo, imigração clandestina, política de asilo, tráfico de drogas, a delinquência internacional, as alfândegas e a cooperação judicial.

A criação da Europol, gérmen de uma futura polícia europeia, é uma das novidades mais destacadas neste âmbito. Há que assinalar também neste campo o Convénio de Shengen, em 1990 que dá origem ao acordo de Schengen, para construir uma Europa comunitária sem fronteiras.

Tratado de Roma

O Tratado de Roma de 25 de Março de 1957, que institui a CEE, cria instruções e mecanismos de tomada de decisão que permitem dar expressão tanto aos interesses nacionais como a uma visão comunitária. A Comunidade Europeia constitui doravante o eixo principal em torno do qual se vai organizar a construção europeia.

A proteção do ambiente não foi expressamente contemplada no Tratado de Roma de 1957 que instituiu a Comunidade Econômica Européia. Com efeito, o seu principal objetivo foi o “constante desenvolvimento do nível de vida e das condições de trabalho” dos povos europeus.

De 1958 a 1970, a abolição dos direitos aduaneiros tem repercussões espectaculares: o comércio intracomunitário é multiplicado por seis, ao passo que as trocas comerciais da CEE com o resto do mundo são multiplicadas por três.

No mesmo período, o produto nacional bruto médio da CEE aumenta 70%. Seguindo o padrão dos grandes mercados continentais, como o dos Estados Unidos da América, os agentes económicos europeus sabem tirar proveito da dinamização resultante da abertura das fronteiras. Os consumidores habituam-se a que lhes seja proposta uma gama cada vez mais variada de produtos importados. A dimensão europeia torna-se uma realidade. Em 1986, a assinatura do Acto Único permitirá abolir as outras restrições, de ordem regulamentar e fiscal, que atrasavam ainda a criação de um mercado interno genuíno, totalmente unificado.

Foi com o Ato Único Europeu de 1987 que pela primeira vez surgiram disposições a regular de forma expressa o ambiente, tendo sido aditados três artigos à versão originária do Tratado, nomeadamente o art. 130º R; 130º S e o 130º T. Estes estabelecem os objetivos e os elementos das ações de proteção do ambiente da Comunidade.

Assegurar uma utilização prudente e racional dos recursos naturais; contribuir para a proteção da saúde das pessoas; preservar, proteger e melhorar a qualidade do ambiente são os objetivos em matéria ambiental.

O Tratado de Amesterdam de 1997 vem reforçar as políticas já existentes no domínio do ambiente, saúde pública e a defesa dos consumidores, introduzindo alterações nos correspondentes artigos que passam inclusivamente a ter uma numeração diversa.
Este Tratado, que constitui a última alteração ao Tratado de Roma, retrata o atual estado da política ambiental, agrícola e do consumo no domínio comunitário.

O TRATADO DE MAASTRICHT

O Tratado da União Européia foi assinado pelos doze Estados membros da Comunidade, em 7 de Fevereiro, na cidade holandesa de Maastricht, em cerimônia sob Presidência portuguesa. Esta publicação tem por objetivo contribuir para a divulgação das novas perspectivas do processo de integração européia, com base no Tratado de Maastricht.

O início da década de 90 marca uma viragem fundamental na História européia, dentro e fora da Comunidade. Essa viragem resulta da conjugação de uma série de fatores:

o desaparecimento do bloco de Leste que trouxe consigo profundas alterações no equilíbrio geopolítico da Europa e a crescente afirmação astronômica no interior daquele bloco, a qual deu lugar ao aparecimento de novos Estados no mapa europeu ;
a concretização, em 1 de Janeiro de 1993, do projeto do Mercado Interno que, eliminando os obstáculos à livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais, encerra um ciclo no processo de integração européia;
o combate contra o terrorismo, a criminalidade e a droga, que exigirá – no momento em que desaparecem as fronteiras internas da Comunidade – um esforço conjunto dos Doze para garantir a segurança e o bem-estar dos cidadãos;
a crescente agressividade dos principais parceiros comerciais da Comunidade, que aponta para a necessidade de reforçar a coerência econômica global do espaço comunitário;
a exigência do reforço da coesão econômica e social no espaço europeu, no contexto de um desenvolvimento equilibrado de todas as regiões e Estados da Comunidade;
as grandes questões da defesa do ambiente que, extravasando em muito as fronteiras internas da Comunidade, exigem um esforço conjunto à escala européia e mundial ;
os grandes desafios na esfera das relações internacionais que impõem que a Comunidade se assuma, na cena internacional, com uma única voz ativa e solidária na defesa do interesse comum, seja na perspectiva dos valores da paz, democracia e Direitos do Homem, seja na perspectiva das relações econômicas internacionais;
a exigência de uma reforçada dimensão política que permita sustentar o processo de integração econômica, consolidado com a realização do Mercado Interno e da União Econômica e Monetária;

CONCLUSÃO DO GRUPO

A União Européia pode ser indicada como um acontecimento que mudou a face da história em todos os sentidos. É uma união econômica estabelecida por 12 Estados, para constituir um mercado comum para a colocação de seus produtos, aquisição de matérias-primas, transporte livre e a baixo custo, barateamento de produtos e suas conseqüências.

Para atingir esse objetivo, muitas medidas foram tomadas e preconizadas, como a criação de impostos restritos e uniformes, a eliminação das discriminações decorrentes da nacionalidade e outros fatores isolacionistas.

O objetivo inicial era apenas econômico, ampliando-se, pouco a pouco, até atingir amplitude e complexidade cada vez mais crescentes. Visíveis são hoje as implicações jurídicas desse organismo, com a criação de um novo Direito: o Direito Comunitário, representado por leis votadas pelos órgãos diretivos da Comunidade, mormente o Parlamento Europeu, jurisprudência elaborada pela Corte de Justiça da União Européia, doutrina representada por várias obras editadas e teorias originais.

UNIÃO EUROPÉIA

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Integração econômica na Europa (CEE e EFTA)

PROCESSO HISTORICO DE FORMAÇÃO :

Antecedentes da cooperação econômica na Europa:
Em 1945 vivia-se uma época de rígido bilateralismo, sendo considerada esta época como os “anos do bilateralismo triunfante na Europa ” (1945-1947).

O Bilateralismo imperava essencialmente por duas razões. A primeira delas tinha haver com a forte escassez de recursos dos Países Europeus. A segunda razão estava relacionada com as imensas necessidades de reconstrução. Ambas as razões estavam diretamente ligadas com a situação pela qual a Europa tinha passado. O velho continente tinha passado por uma década de depressões econômicas e por mais de seis anos de guerra. Toda esta situação originou uma completa deslocação do sistema de intercâmbios intra-europeus.

Cada País tentava superar a situação, mas a cooperação econômica entre os Países afetados por esta crise não existia. O Reino Unido esboçou uma tentativa de voltar à convertibilidade da Libra-Esterlina (tentativa essa que se revelou ineficaz). Outra medida adotada pelo Reino Unido tinha como vista a socialização que afetava as indústrias e os serviços mais importantes . Outro país que tentou superar esta crise foi a França, tomando medidas tais como a nacionalização de setores da indústria e da banca.

Na Alemanha, por sua vez, ocorreu uma subdivisão do País em quatro zonas de ocupação e o desmantelamento das fábricas, o que fazia prever grandes dificuldades para o futuro .

Em 1948 , 61% dos pagamentos resultantes do comercio da Europa Ocidental eram realizados com base em convenções bilaterais. Não é de admirar que a questão dos pagamentos internacionais e de restrições quantitativas fosse o primeiro problema econômico a ter que ser resolvido na Europa do pós-guerra .

Além do bilateralismo a verdade é que havia uma grande falta de recursos reais. Esta situação provocava a impossibilidade do multilateralismo .

Economicamente os Países Europeus saíram da Guerra com as industrias destruídas , com dividas perante os EUA ou com reparações a pagar (caso da Alemanha e da Itália).

Politicamente houve uma grande pressão por parte dos partidos socialistas e comunistas no sentido da socialização, devido ao sistema de capitalismo se encontrar descapitalizado.

Existiam duas hipóteses para sair desta situação. A primeira era aceitar o apoio dos EUA , a outra era optar por uma planificação socialista (o que implicaria uma diminuição do consumo na tentativa de aumentar o investimento). A primeira alternativa foi seguida pela Europa Ocidental , a segunda foi seguida pela Europa de Leste .

Os EUA tinham fundamentalmente dois motivos para ajudar a Europa . O primeiro estava relacionado com uma hipótese de recessão da sua própria economia (tornando-se para isso necessário manter o nível de atividade o mais alto possível , o que implicava uma política de apoio à recuperação européia até a sua atividade se normalizar). O outro motivo era o fracasso que se iria revelar o sistema capitalista (ajudando para isto também a ação dos Países Socialistas , que queriam acabar com o sistema capitalista).

O início da cooperação econômica

Em 1947 (quando a guerra fria estava no início) surge o “Plano Marshall”, que marcou o começo de uma verdadeira cooperação econômica intra-europeia. Este plano surgiu, porque os EUA aperceberam-se que, sem a existência de cooperação, qualquer ajuda seria inútil . Mais tarde em 1948 ocorreu a criação da OECE (organização européia de cooperação econômica), que ficaria responsável pela coordenação e distribuição da ajuda dos EUA para a Europa.

Embora se tivessem realizado várias tentativas para efetuar a passagem da fase de cooperação para a fase de integração , essa passagem não se efetuou (dentro do quadro da CEE essa passagem não foi permitida).

Em 1952 surgiu o “Plano Schuman” que iria dar origem à CECA (que surgiu no mesmo ano), também conhecida por Comunidade Européia do Carvão e do Aço (instituída pelo Tratado de Paris), que tinha como objetivo final a integração no setor do carvão e do aço. Schuman e os outros estadistas ao criarem a CECA tinham o intuito de traçar determinado objetivo (numa época nada fácil, a mentalidade européia ainda não estava preparada para aceitar propostas mais ambiciosas). Mas as integrações sectoriais tinham vários obstáculos. O problema fundamental é que os poderes da comunidade se limitavam ao setor integrado, os Estados continuavam a manter o poder sobre os restantes setores econômicos e também em terrenos tão importantes como o monetário e o fiscal (na prática o que acontecia era que uma manipulação da massa monetária ou do tipo de câmbios podia influenciar os preços, pelo menos com uma igual intensidade à das medidas diretas de intervenção estatal de caráter unilateral num setor). Isto fez com que se os Países europeus tivessem optados por procedimentos sectoriais (do tipo da CECA) para obter a desejada integração econômica teriam demorado muito mais tempo.

A constituição da CEE

Foi mesmo a necessidade de uma solução rápida que levou ao abandono da integração sectorial . Esta necessidade de uma evolução rápida surgiu devido aos sucessivos alertas aos Países capitalistas do ocidente da Europa (a guerra na coréia, o fracasso do tratado da comunidade européia da defesa e a crise do Suez e da Hungria) .

Chegou-se à conclusão que a formação de uma união econômica era a única maneira de a Europa assumir um papel relevante. Em 1955 já existiam três países (os constituintes do Benelux) que propuseram a criação de um mercado comum aos membros da CECA.

Embora ainda houvesse fortes vestígios de uma integração sectorial (transportes, energia clássica e energia atômica), já haviam sinais de um caminhar para a integração global . Os ministros dos “seis” (os membros da CECA ) aceitaram a proposta e em 1957 , em Roma , foram assinados os Tratados da CEE e do Eurátomo . Deste modo ficou oficialmente constituída a CEE .

Tratado de Roma (25 de Março de 1957)

O objetivo fundamental deste tratado era a criação da CEE, ou seja uma entidade supranacional com personalidade própria. A missão fundamental da CEE era formar um

Mercado Comum (que representa uma forma de integração econômica, com abolição não só das restrições comerciais, mas também das restrições aos movimentos de fatores produtivos, tais como: trabalho e capital). Para criar o Mercado Comum era necessário que a CEE atua-se da seguinte maneira: teria que suprimir toda a espécie de barreiras comunitárias e estabelecer uma pauta externa para a formação de um Mercado Comum ao longo de um período transitório de doze anos (1958-1970 ). Durante este período haviam vários objetivos que tinham que ser alcançados tais como: defesa da competição intracomunitária; adoção de uma política comercial comum frente a terceiros ; adoção de políticas comuns nos setores da agricultura e dos transportes ; coordenação das políticas econômicas e prevenção dos desequilíbrios das BP; aproximação das legislações nacionais; criação de um fundo social (para melhorar o nível de vida dos trabalhadores ); e , constituição de um Banco Europeu de Investimento ( para facilitar a expansão da Comunidade).

A realização da maior parte do programa contida no tratado só foi possível graças ao bom funcionamento das instituições comunitárias, das quais podemos distinguir:
Parlamento Europeu, a partir da sua função inicial de órgão deliberativo, irá assumindo tarefas legislativas;
Conselho Europeu, que não aparecia no Tratado de Roma, supõem a institucionalização das reuniões cimeiras dos chefes de estado e dos governos da comunidade, adotando-se decisões de máxima transcendência nas suas sessões (que se realizam três vezes por ano). Este órgão assegura a coordenação das políticas econômicas dos estados-membros e dispõem de poder de decisão;
Conselho de Ministros, que de acordo com o Tratado de Roma, é o órgão legislativo e executivo da CEE , pelo menos enquanto o parlamento não tiver mais poderes;
Comissão, que é o órgão supranacional das Comunidades. Deste órgão depende toda a burocracia européia. É considerada a guardiã dos Tratados, embora disponha de poderes de iniciativa, controle e execução. Tem também como tarefa propor ao Conselho de Ministros um conjunto de medidas;
Tribunal de Justiça, com sede em Luxemburgo, tem o caráter de supremo órgão jurisdicional para os Tratados de Roma (CEE e EURATOM) e Paris (CECA);
Tribunal de Contas, que só foi criado em 1977, porque até lá a fiscalização comunitária estava entregue a uma comissão.
Independentemente dos objetivos temporais fixados, os redatores do tratado de Roma permitiram a inclusão de medidas excepcionais (em caso de existirem dificuldades graves num dado setor econômico), a fim de restabelecer o equilíbrio da situação e adaptar a região, ou o setor, à economia do Mercado Comum. Estas medidas excepcionais foram permitidas para tentar minimizar o sacrifício, sem a permissão deste tipo de comportamentos a assinatura deste tratado não teria sido possível .
O Tratado de Roma era visto como um tratado base , onde estavam estabelecidos os fundamentos da unificação econômica . Os seis estados membros ao assinarem o tratado adquiriram desde o princípio certos compromissos, abdicaram da sua soberania(questões pautais, restrições quantitativas). Aparece o caráter supranacional, que está presente no processo pelo qual se geram as decisões comunitárias (quando se admite que a decisão adotada por uma maioria vai ter que ser aceite e cumprida por todos os países membros).

Mecanismos que permitiram a construção do Mercado Comum

1 União Aduaneira

Para se falar de Mercado Comum é necessário que as mercadorias fabricadas ou nacionalizadas, circulem entre um conjunto de Países com plena liberdade (através das suas fronteiras). A livre circulação pressupõem a inexistência de barreiras de caracter internacional (quase perfeita mobilidade de capitais). Para que isto seja possível tornou- se necessário a criação de uma união aduaneira (caracterizada pela abolição de direitos aduaneiros e de restrições quantitativas entre os membros e também por pauta exterior comum em relação ao comércio com países terceiros).

Na realização de uma União aduaneira existem dois passos fundamentais :
– Supressão das barreiras pautais intracomunitárias (desarmamento Pautal)
– Estabelecimento de uma pauta aduaneira comum .

Relativamente ao primeiro passo, os negociadores do Tratado de Roma, fixaram um período de doze anos, dividindo em três etapas de quatro anos. Na primeira, e na segunda etapa, tinha que haver uma redução de 30% dos direitos aduaneiros ,ficando os restantes 40% reservados para a terceira etapa. No tratado previa-se que as percentagens deveriam ser avaliadas relativamente à “cobrança aduaneira teórica de ano-base 1956 “. A cobrança seria calculada para cada Estado membro pelo valor obtido da soma dos “n” produtos aritméticos resultantes da multiplicação (parcela por parcela) da cifra de importação precedentes dos restantes Estados membros (do ano de 1956 ) pelos seus correspondentes direitos-bases nacionais. Este sistema deveria dar a hipótese dos países membros selecionarem as suas reduções pautais ( fazendo-as incidir fundamentalmente sobre os produtos com menos sensibilidade à competição estrangeira). Todavia a pressão exercida por parte dos empresários sobre as administrações nacionais, fizeram com que o sistema implementado fosse um muito mais simples, o chamado sistema de reduções lineares (este sistema consistia em aplicar a mesma percentagem de redução sobre o direito-base de todas e de cada uma das parcelas de cada uma das pautas nacionais). O sistema de reduções pautais lineares tornou-se bastante flexível com a inclusão da “clausula de aceleração”(que estava incluída no tratado) .Esta clausula previa uma redução mais rápida dos direitos aduaneiros, de um Estado relativamente aos outros membros, sempre que as condições econômicas o permitissem. Desta forma, em 1968 chegava-se ao objetivo que se tinha estabelecido (total desarmamento pautal intracomunitário ), com 18 meses de antecedência relativamente ao prazo que estava estipulado no tratado de Roma .

Estes progressos tiveram um desenvolvimento paralelo na constituição da TEC (Tarifa Externa Comum). Mesmo que a TEC estivesse por elaborar , as bases do método e o processo para a construir já estavam estabelecidos no Tratado de Roma. Como regra geral (da TEC), estava definido que os direitos deveriam situar-se na média dos direitos dos quatro territórios da Comunidade em 1 de janeiro de 1957 ( Benelux , França , Itália e República Federal Alemã ). As excepções mais importantes desta tarifa visavam o setor agrário. O Tratado de Roma previa a aproximação gradual das pautas, dos territórios constituintes da Comunidade, à TEC. As diferenças deveriam reduzir-se 30% no primeiro e 30% no segundo ano , para que no final do terceiro ano se encontrassem todas alinhadas pela TEC. Esta tarifa da CEE foi pela primeira vez posta à prova , em negociações internacionais , em 1962 na “Dillon Round “(V conferência do GATT). Após a “Kennedy Round “(VI conferência do GATT) a TEC ficou com uma protecção fixada nos 11.7% , muito abaixo dos EUA (17.8%) e do Reino Unido (18.4%). Como conseqüência da “Kennedy Round ” os produtos não agrícolas sofreram uma redução de 35% a 40%. Esta redução pode ficar evidenciada nos direitos aduaneiros que existiam sobre uma série de bens duráveis: automóveis (11%); televisores (14%); rádios (14%). Com a análise destes números não se poderia dizer que a CEE fosse uma área muito protecionista , no que respeita a produtos não agrícolas ( tendo como comparação os EUA e o Reino Unido ) .

Quanto às supressões das restrições quantitativas intracomunitárias é um processo bastante semelhante a do desarmamento pautal, mas as bases de partida eram muito diferentes. Em 1957 no terreno das reduções pautais tudo estava por fazer à escala da CEE, no que toca a contigentes intracomunitários e medidas de efeito equivalente estava tudo muito avançado, e iria desaparecer tudo antes de terminar o período de transição (1970). Para que o desaparecimento dos contingentes e medidas equivalentes se torna-se uma realidade, era necessário que: um ano após da entrada em vigor do Tratado deveriam globalizar-se as quotas bilaterais existentes entre os estados membros; ao fim de dez anos de funcionamento do Tratado todos os contingentes globais deveriam supor como mínimo 20% da produção nacional; no final do período transitório as restrições deveriam ser totalmente suprimidas. A excelente situação econômica que se vivia na Europa (após a política francesa de saneamento financeiro, declaração de convertibilidade e a entrada em vigor do Tratado de Roma) possibilitou uma aceleração deste calendário. A 31 de Dezembro de 1961 foram suprimidas todas as restrições quantitativas intracomunitárias para os produtos industriais. Outra decisão tomada foi a de ligar a questão dos contingentes de produtos agrícolas à redução dos oportunos regulamentos agrícolas . A partir de 12 de Maio de 1960 estavam quase resolvidos todos os problemas de contigentação industrial dentro da área da CEE .

2 – Formação do Mercado Comum Agrícola

Os produtos agrícolas ficaram submetidos ao regime dos produtos industriais , mas no entanto havia um grande número de excepções. No momento de negociar o Tratado de Roma os produtos agrícolas nos países da CEE (ao contrário dos produtos industriais) contavam com muitas restrições (além da protecção derivada dos direitos aduaneiros e dos contingentes), tais como: calendários fronteiriços, sistema de preços mínimos, requisito de prévia licença de importação. Poderia dizer-se que havia uma regulamentação altamente protecionista, no que se refere aos produtos agrícolas. A grande complexidade das políticas dos Países membros e a celeridade com que foi constituída a CEE, não permitiu que houvesse regulamentação suficiente (no Tratado de Roma) relativamente ao Mercado Comum Agrícola. No Tratado de Roma apenas se definiram alguns fins de caracter pragmático: aumentar a produtividade, tornar possível um nível de vida eqüitativo à população rural, estabilizar os mercados, garantir os abastecimentos e assegurar preços razoáveis para os consumidores. Também foi fixado no Tratado de Roma o processo de desenvolver a Política Comum. Foi convocada e realizada a Conferência de Stressa (1958), da qual surgiu o Plano Marshall. Plano este que se viria a mostrar como toda a base da política agrícola, apareceu em 1962 apresentando as seguintes disposições: decisões sobre regras de competição; regulamentos financeiros; decisões sobre preços mínimos; primeiros regulamentos sobre produtos concretos. Graças à adoção da primeira e segunda série de acordos sobre outros setores básicos da economia agrícola da comunidade, existiu em Abril de 1963 uma efetiva consolidação da política comum. Em 1975 a política comum aplicava-se já a 90% da produção agrícola da comunidade. A política visava os seguintes objetivos: possibilitar que a circulação de produtos na CEE fosse idêntica a de um Mercado Comum; instituição de uma preferencia comunitária (que garanta aos produtores europeus receberem um preço acima do preço mundial, através do pagamento de gravames por parte dos produtores extracomunitários); garantir a exportação dos excedentes produzidos pela CEE, com base em prêmios ou subvenções que cobrem as diferenças entre os preços comunitários e mundiais (o dinheiro que possibilitava este tipo de operações era proveniente de contribuições dos Países membros). Este tipo de medidas conduziu a uma política agrícola do mercado comum altamente protecionista (com o objetivo do auto-abastecimento). Esta política foi proveniente de uma grande pressão efetuada pela França, tendo sido duramente criticada no exterior da CEE (no GATT, na UNCTAD, etc).

Como síntese podemos referir alguns aspectos relevantes:
– Ao longo de 12 anos , levou-se a cabo quase todo o programa de abertura de mercados nacionais ;
– Em 1968 foram suprimidas os direitos aduaneiros comuns ;
– Em 1970 ocorreu o estabelecimento das principais agregações européias de mercado para os produtos agrícolas com um nível comum de preços.

Não é de estranhar por isso que o intercâmbio dentro da comunidade tenha passado de 6800 milhões de USD (1958) para 30000 milhões de USD (1959) .
Ainda não se podia falar de um verdadeiro mercado comum, porque ainda existia um controlo fronteiriço, o que diferenciava as trocas dentro da CEE das trocas internas. Das fronteiras que se opunham à livre circulação de mercadorias, poderíamos destacar: fronteiras fiscais; obrigações derivadas do direito de patentes; monopólios nacionais; diferenças existentes nas legislações aduaneiras.

3 – Livre Circulação de fatores

A livre circulação de fatores assume também um papel relevante no funcionamento de um mercado comum. Não é apenas necessário uma livre circulação de mercadorias, mas também é necessário uma livre circulação de fatores, para o funcionamento do mercado comum.
No Tratado de Roma os fatores de produção dividiam-se em quatro grupos :
– Trabalhadores ;
– Direito de Estabelecimento ;
– Serviços ;
– Capitais .

Quanto à primeira categoria correspondia ao trabalho na sua forma mais pura, isto é, sem acompanhamento de capital A quarta categoria referida correspondia a capital puro. As outras duas categorias resultavam de uma combinação de capital e de trabalho.

A livre circulação de pessoas, serviços e capitais dentro da CEE, e a coordenação de políticas de transporte dos ” seis “(países membros), não representou um problema muito grande para a comunidade visto que já estavam homogeneizados no momento em que entrou em vigor o Tratado de Roma, graças aos esforços previamente realizados no quadro da OECE. A livre circulação de trabalhadores, também não representou um grande problema, porque já de há muito tempo existia um grande fluxo de mão de obra de Itália para os outros membros da CEE (deficitários em mão de obra). A equiparação dos trabalhadores cidadãos dos “seis” (estados membros) era já um fato desde Julho de 1968, em que foram suprimidas as últimas restrições subsistentes. A evidência do grande mercado comum de trabalho, foi também evidenciada graças ao funcionamento da ” Organização Européia da Coordenação das Compensações de Ofertas e Procura de Trabalho”.

Com o Tratado de Roma veio-se permitir a liberalização do direito de estabelecimento e dos serviços, proibindo-se toda a discriminação cuja causa esteja na nacionalidade. Em 1961 elaborou-se o programa geral de estabelecimento (que obrigava todos os estados membros e as instituições da CEE). Este programa constituiu um quadro a partir do qual emanaram sucessivamente as diretrizes para o seu efetivo cumprimento (não se verificando dificuldades apreciáveis).

Quanto à circulação de capitais os países membros já haviam liberalizado, no seio da OECE, uma parte importante desta classe de movimentos. Ao começar a sistematização da política comunitária, neste campo só estava por liberalizar os movimentos de capitais de curto prazo (o que não colocaria grande problema) .

A nível da integração dos transportes, já existia o útil precedente da CECA (que se tinha ocupado deste problema no setor concreto do carvão-siderurgia). Tal como aconteceu para os serviços houve um programa (regras, condições e outras disposições úteis), se bem que tenham havido grandes dificuldades.

4 – Política Econômica Comum

“Mercado Comum é um centro de decisões econômicas comuns, ou, melhor dizendo comunitárias, é o lugar onde os governos, por proposta e sob a pressão das instituições comunitárias, harmonizam, coordenam e unificam as suas políticas. Este elemento é, na minha opinião, mais significativo do que a união aduaneira propriamente dita, já que em todas as economias, até nas mais liberais, o Estado, além de desempenhar um papel decisivo nos setores onde a concorrência é fraca, tais como o transporte, a energia, a construção ou a agricultura, exerce a sua influência em setores cada vez mais amplos da economia. De fato, as políticas comuns constituem atualmente o próprio âmago do Mercado Comum.”(Robert Marjolin – vice-presidente da Comissão da CEE em 1964) “.

No período transitório (1958-1970) a união aduaneira começou a tornar-se num elemento semi-estatístico, embora a política comum continua-se dinâmica, para coordenar, harmonizar e unificar as políticas econômicas nacionais dos Estados membros. Isto justificava-se do seguinte modo, enquanto que a união aduaneira era a base do mercado comum, a política econômica levantava gradualmente os pilares onde assentaria a economia verdadeiramente mais integrada da CEE.
Basicamente existiam três canais de política da Comunidade:
– Regras comuns ;
– Política econômica ;
– Política fiscal .

As regras comuns compõem um conjunto de mecanismos complementares da formação da união econômica. Quanto aos outros dois canais de política tendiam a assegurar o seu progresso, passado o período transitório.

No Tratado de Roma não se prestou muita atenção às políticas econômicas comuns, para se evitar aqueles que não queriam transferir um número excessivo de faculdades para a CEE. À excepção do Comitê Monetário, o resto foi criado conforme as necessidades apareciam (Comitê de política conjuntural, Comitê de política de médio prazo, Comitê de política orçamental). Este quatro órgãos, conjuntamente com a Comissão formavam um corpo de verdadeiras autoridades comunitárias. A função fundamental deste corpo era a verdadeira criação da política comum e a influência decisiva para a coordenação das políticas nacionais.

Desde que a política comercial e a política de desenvolvimento regional experimenta-se um desenvolvimento institucional análogo, poder-se-ia dizer que a CEE contava já com uma política comum em todas as frentes básicas da sua atuação.

A 5 de Abril de 1970 a CEE deu a conhecer o “Plano Barre”, que visava responder aos desejos expressos pelos países membros na conferência de Haia (1969), tendo em vista a criação de uma união econômica e monetária. O “Plano Barre” encontrava-se dividido em três etapas:
– Fase preliminar (1970-1971);
– Fase preparatória (1972-1975);
– Por em prática a união econômica monetária .

Na fase preliminar tem que se realçar as seguintes medidas: adoção em fins de 1970 , do terceiro programa de política econômica a médio prazo; a partir de 1971 começar-se-ia a realizar uma confrontação anual dos projetos de orçamentos nacionais pelos ministros das finanças (para deste modo se conseguir uma maior coerência entre as políticas); adoção de uma nova diretriz, que tenda a incrementar a interpretação dos mercados financeiros dos estados membros (tentativa de liberalizar os movimentos de capitais a curto prazo); Medidas de harmonização fiscal, relativa aos juros, dividendos e lucros (para que não houvesse discriminação relativamente país onde se iria investir); Aplicação do mecanismo de ajudas financeiras a médio prazo entre os países membros (para evitar situações muito graves nas BP);Estabelecimento de disposições uniformes para a comunidade e manutenção das margens de flutuação das moedas dos membros (caso houvesse uma eventual modificação do sistema de tipo de câmbios no plano internacional) .

Na segunda etapa os objetivos fundamentais eram: fixação em comum das orientações da política conjuntural (para assegurar a sua conformidade com as orientações do programa a médio prazo da CEE); definição em comum das políticas orçamentais; adoção de disposições que permitissem um melhor acesso de cada um dos membros ao mercado de capitais dos restantes; harmonização do imposto sobre as sociedades, no que toca à sua estrutura e à sua base; elaboração pelo Comitê dos governadores dos bancos centrais das linhas gerais da política do crédito; limitação em 1% das variações das quotizações entre as moedas dos países membros (inicio de 1971); aplicação de uma gestão comum dos direitos especiais de transferência , concedidos aos membros(a partir de 1973) .
Relativamente à terceira etapa (a partir de 1976) , a comissão concluiu que não era possível prever o plano de trabalho desta fase , que conduzia à união econômica .

As tentativas de criação da grande zona de comércio livre

No Tratado de Paris (pelo qual se criou a OECE), previu-se a possibilidade de criar uma união aduaneira à escala de toda a organização (17 países da Europa Ocidental com instituições democráticas). Rapidamente se verificou a grande complexidade em obter tal objetivo, devido fundamentalmente: à sua grande extensão; ao caso particular da Grã-Bretanha deixar os seus compromissos da Commonwealth (a Grã-Bretanha chegou mesmo a propor a criação de uma zona de comércio livre, o que lhe possibilitava manter os compromissos com a Commonwealth, ao contrário do que se passava com uma união aduaneira); devido à criação do GATT (1947) e às primeiras conferências alfandegárias (deram a impressão da constituição de muitos benefícios no que concerne a direitos alfandegários e restrições quantitativas); a liberação comercial e os pagamentos previstos pela OECE (veio fazer esquecer a idéia de uma integração geral e global). Por isso não é de estranhar que em 1948 se abandona-se esta idéia (projeto geral de integração européia) .

Devido ao fracasso das negociações à escala semi-continental, a Europa ficava separada em dois grupos :
– grupo dos “seis” ;
– dos restantes países da OECE .

O primeiro grupo representava os apoiantes de uma integração com base numa união aduaneira. Este grupo era formado por: Benelux, França, Itália e a Alemanha Federal.

Chegaram mesmo a surgir projetos (ambos falharam), tais como: FRANCITAL (que pretendia agrupar a França e a Itália) e FINIBEL (que pretendia agrupar ao primeiro o BENELUX). Só em 1950 se formaria a CECA (comunidade européia do carvão e do aço) .
As razões para o segundo grupo , “the other eleven ” , não apoiar uma integração com base numa união aduaneira , eram :
– A razão já referida da Grã-Bretanha;
– O caso dos Países Nórdicos, muito relacionados com a Grã-Bretanha e com receio do excesso de protecionismo (já que eram países muito pouco protecionistas);
– A Suíça e a Áustria devido à sua mentalidade política (não viam com bons olhos uma união econômica , que se poderia transformar numa união política).
– Os cinco Países esquecidos (Portugal , Grécia , Turquia , Irlanda e Islândia) que não se manifestaram muito simpatizantes da integração (devido ao seu fraco nível de desenvolvimento, relação com as colônias ou pela não continuidade geográfica) .

Esta situação de não entendimento, mostrou-se outra vez em 1950, em virtude da declaração de Schuman (que marcou a abertura da via para a integração econômica sectorial, começando pelo carvão e aço). Ao iniciarem-se as negociações que iriam culminar no segundo “Tratado de Paris ” (1952), onde a Grã-Bretanha evidenciou outra vez os seus receios. Apenas estabeleceu com a comunidade a CECA (o que constituía uma débil ligação). Em 1955, na “conferência de Messina” ao projetar-se a passagem da integração sectorial para uma integração global, a Grã-Bretanha esteve presente, apoiando essa idéia. O problema surgiu quando se colocou a questão fundamental, se a CEE deveria ser uma zona de comércio livre ou uma união aduaneira, a Grã-Bretanha abandonou mais uma vez as negociações (quando de certa forma era representante dos “onze”).

A resposta da Grã-Bretanha não demorou, e em 1956, apresentou uma proposta à OECE, a criação de uma zona de comércio livre na qual participaria a futura CEE (os “seis”), como um bloco, e os restantes membros da organização (os “onze”) .Todos estavam de acordo que era uma maneira de enfraquecer os propósitos dos “seis”, mas criou-se o Comitê Maudling, que se acabou por dissolver pouco depois do Tratado de Roma entrar em vigor. Nessa altura General De Gaulle (de novo no poder desde Maio de 1958), que influenciava fortemente o jogo internacional, via o Reino Unido como o “Cavalo de Tróia ” dos EUA .

A constituição da EFTA

Como conseqüência da ruptura das negociações entre os “seis” e os “onze”, viria a surgir a Associação Européia de Comércio Livre, mais conhecida por EFTA (European Free Trade Association ) .

Durante as negociações no ” Comitê Maulding” a Grã-Bretanha, os três Países Escandinavos, a Suíça, a Áustria e Portugal, mantiveram uma estreita relação no seio dos “onze”. Poucos dias depois após a ruptura se negociações da OECE, fez-se a petição oficiosa para a formação de uma zona de comércio livre entre estes países (é caracterizada pela abolição dos direitos aduaneiros e de restrições quantitativas entre os países membros, mantendo cada país a sua política relativamente a terceiros). Em 1959 criou-se uma grupo de peritos governamentais dos sete Países. As negociações, como era uma zona de comércio livre muito flexível, foram muito rápidas. Nos dias 19 e 20 de Novembro de 1959, realizou-se o “Convênio de Estocolmo”, no qual se dava a conhecer o texto constitutivo da EFTA. O Tratado foi assinado, de modo itinerante nas sete capitais, entre os dias 29 de Dezembro de 1959 e 4 de Janeiro de 1960, entrando em vigor em 15 de Março de 1960.Apenas para ter uma medida de comparação entre a CEE e a EFTA pode-se referir que em 1970 existiam 6500 eurocratas da CEE , enquanto que o número de funcionários da EFTA não era mais de uma centena. Quanto ao grau de integração que se aspirava na EFTA era muito menor do que o da CEE, isso ficou bem presente na diferença do número de artigos do Tratado de Roma (250) em relação ao Convênio de Estocolmo (44), a diferença ainda é maior se analisarmos a quantidade de artigos sobre política econômica e financeira (45 artigos no Tratado de Roma contra 1 artigo no Convênio de Estocolmo). Estas diferenças existiam porque, enquanto que a EFTA era uma aliança comercial com pretensões fundamentalmente transitórias, a CEE constituía o embrião de uma verdadeira união econômica que tinha por fim a formação de um autêntico Estado multinacional.

Para se compreender o funcionamento da EFTA torna-se necessário a análise de três aspectos fundamentais:
1. Desarmamento alfandegário intrazonal;
2. Previsões especiais sobre a Agricultura;
3. Outros aspectos do comércio e das relações exteriores da associação.

Acerca do primeiro aspecto, ficou definido no convênio de Estocolmo o desarmamento alfandegário entre os membros da associação num prazo de 10 anos (20% em 1960 e 10% nos restantes anos). Isto seria feito de uma forma linear, excepção apenas para uma longa lista de produtos agrícolas marginalizados da zona de comércio livre. Com as acelerações introduzidas pelo Conselho de Associação (órgão supremo da EFTA), o objetivo foi cumprido mais cedo. A EFTA atingiu assim mais depressa a zona de comércio livre, do que a CEE a união aduaneira.

Relativamente ao segundo aspecto, ficou definido que as reduções alfandegárias não se aplicavam à maioria dos produtos agrícolas, embora existisse a possibilidade de negociação entre os países da EFTA de acordos agrícolas (nos quais se davam facilidades especiais quanto ao regime de comércio e direitos alfandegários, que deveriam estender-se a todos os membros ,favorecendo todos sem discriminação).
Quanto ao terceiro ponto, a EFTA também realizou alguns avanços, em matérias não estritamente alfandegárias ou comerciais, mas relacionadas com o comércio dentro desta zona: não discriminação fiscal entre produtos nacionais e de fora da área; proibição de subvenções à exportação; proibição de impostos à exportação; proibição de práticas comerciais restritivas (cartéis de exportação, de preços, de repartição de mercados); proibição de práticas de dumping; consultas entre os países membros sobre dificuldades da BP, proibindo-se as restrições quantitativas; facilidades ao direito de estabelecimento; eliminação dos casos de dupla imposição; reconhecimento mútuo de patentes, etc.

A EFTA, em termos constitucionais, era composta por:
– Conselho da Associação;
– Conselho de ministros;
– Uma série de grupos de trabalho muito flexíveis.

Com o aparecimento da EFTA ocorreu o desarmamento alfandegário que fez aumentar o volume de exportações entre os países membros de 3522 para 8172 (milhões de USD) em oito anos. Mas não se podia dizer que os países membros estivessem satisfeitos, porque as importações da CEE eram maiores do que as importações intrazonais e verificava-se quase o mesmo com as exportações. Por outro lado, os países membros não se apresentavam muito unidos, quase sempre dissociados e em certas ocasiões mesmo com posições desencontradas (no GATT; na OCDE; na UNCTAD). Em 1973 existia um claro predomínio britânico, devido: ao PIB do Reino Unido ser superior à soma de todos os outros ; ao seu comércio externo ser superior a 50% de todo o comércio da EFTA (embora em 1971 a Grã-Bretanha realiza-se mais de 30% do seu comércio com a CEE ) .

As negociações da CEE com os Países da EFTA

Após a formação da EFTA o acordo entre os países membros da CEE ( “os seis “) e os membros da EFTA (“os sete “) podia-se dar das seguintes formas:
– Ampliação da zona de comércio livre européia, através da constituição de um mercado europeu único, com base numa zona de comércio livre (associação da CEE com os “sete”) ou mediante a entrada da comunidade com um só membro na EFTA.
– Ampliando a CEE, com a entrada da Grã-Bretanha, no mercado comum, acompanhada da entrada dos restantes membros da EFTA.
– Utilizar a OCDE para criar uma zona de comércio livre atlântica (praticamente sem barreiras comerciais).
– Adotar um conjunto de reduções aduaneiras, que permitiria um aumento das trocas comerciais dentro do espaço europeu.

Com o fracasso das negociações entre as duas partes, até à altura, o primeiro processo foi quase posto de parte, pelo menos durante aquela altura. Para se avançar com a terceira hipótese eram necessárias bases, que na altura não existiam. Quanto à última maneira era sem sombra de dúvidas minimalista, podendo ser adotada caso qualquer outro processo falha-se. Por isso sobrava a segunda alternativa, que foi a escolhida pelo Reino Unido, que em 31 de Julho de 1961 (após consultarem com os membros da EFTA e da Commonwealth) anunciaram a vontade de se tornarem membros da CEE.

A 10 de Outubro começaram as negociações, com o Reino Unido explicando quais os motivos da sua adesão e o que teria que mudar. As negociações foram muito complicadas e lentas principalmente nos aspectos referentes à Commonwealth e à agricultura britânica. No entanto entre 1961 e 1963 ocorreram avanços significativos, a fazer pensar que o pior já tinha passado. O problema surgiu por parte da França, mais concretamente pelo General De Gaulle, que via a Grã-Bretanha como um “Cavalo de Tróia” dos EUA, que tornaria o mercado comum numa zona de comércio livre atlântica dominada pelos EUA. Em conseqüência disto ocorreu um veto da França, que originou a ruptura do Reino Unido com a CEE, em 28 de Janeiro de 1963. As negociações só retomaram quando De Gaulle saiu do poder, em 1969, sendo esta aproximação possibilitada pelo presidente Pompidou (em particular o apoio que foi demonstrado por este na Cimeira de Haia de Dezembro de 1969). As negociações recomeçaram em 1970 (com a particularidade do primeiro-ministro da Grã-Bretanha ter sido o responsável pelas negociações em 1961), com problemas semelhantes aos existentes em 1961. Uma das principais diferenças verificadas consistia na relação entre o Reino Unido e a Commonwealth (já que não tinham tanto interesse em manter essa relação como anteriormente), tornando isto muito mais fácil o acordo. À Grã-Bretanha também se juntaram mais três países, candidatos à entrada na CEE (Noruega ,Dinamarca e Irlanda). Simultaneamente foram-se esboçando os acordos com os restantes membros da EFTA, não candidatos a admissão ( Portugal, Suécia, Finlândia, Islândia ,Áustria e Suíça). Em 22 de Janeiro de 1972 verificou-se a assinatura de acordos com os países candidatos. Nessa mesma altura a CEE apresentou uma série de condições que eram necessárias para o ingresso dos três novos membros.

Reajustamentos institucionais e alfandegários

O que importa salientar é que relativamente à política comum pouco ou nada ia mudar, porque os seis países fundadores da CEE a partir de 1973 continuavam com uma capacidade de decisão suficiente, já que os países originários da CEE detinham uma maioria qualificada para contrariar as posições dos novos membros.

A integração consistiu basicamente em duas operações: desarmamento alfandegário entre os “seis” e os novos membros; aproximação progressiva dos direitos aduaneiros dos novos membros à TEC. O desarmamento alfandegário começou em 1 de Janeiro de 1973, durando cinco anos, fim dos quais apareceu plenamente aperfeiçoada a união aduaneira dos “nove”. Quanto à segunda operação, a aproximação dos direitos aduaneiros dos novos membros à TEC procedeu-se da seguinte maneira:
Se a diferença entre os direitos aduaneiros, dos novos membros, fosse menor que 15%,suprimia-se a diferença em 1 de Janeiro de 1974; se fosse maior iria-se proceder à aproximação num máximo de quatro anos.

Aspectos Agrários

Era natural que tivesse havido várias disposições de adaptação, mas é de realçar que os novos membros tinham que aceitar a política agrária comum e adaptar-se a essa. Com a união aduaneira alcançada em 1977, o grande objetivo era aperfeiçoar o mercado único para a agricultura para 1 de Janeiro de 1978, o que, embora com muitas dificuldades, foi alcançado.

Conseqüências políticas

A partir de 1 de Janeiro de 1973, quando a comunidade ampliada entrou formalmente em vigor. Nessa altura a comunidade tinha mais habitantes do que os EUA (260 milhões contra 207 milhões dos EUA) e o seu PNB representava cerca de 89% do PNB dos EUA. As reservas de ouro da comunidade representavam cerca de 28% das reservas mundiais (cerca 4.7 vezes as do EUA). O comércio externo representava cerca de 35% do intercâmbio internacional contra apenas 14% dos EUA. Convém realçar que ainda existiam mais três países candidatos à adesão (Grécia , Espanha e Portugal). Além disso os países membros estavam agora melhor preparados para enfrentar crises econômicas, devido à coordenação de esforços, à melhoria das suas políticas e ao elevado nível de tecnologia destes países. A relação com os países europeus não membros, também saiu reforçada, ficando isso bem realçado aquando da assinatura do acordo de Helsínquia (1975) que tratava da segurança européia .

Este conjunto de circunstancias vieram permitir que a Europa se viesse a tornar numa peça básica do mundo. Isto sucedia porque a Europa Ocidental era o segundo centro tecnológico do mundo, podendo converter-se no primeiro em alguns setores.

Relações da CEE com a EFTA residual

O acordo entre a CEE e os países membros da EFTA tornava-se necessário devido à possibilidade de admissão desse elementos (Reino Unido, Dinamarca, Irlanda e Noruega). Se estes acordos não tivessem sucedido teria havido um reaparecimento das barreiras comerciais (que ia contra o objetivo de ampliação de CEE). A solução que foi adotada com os acordos de 22 de Junho de 1972, foi a de estabelecer, por um período provisório, uma zona de comércio livre da CEE com cada um dos países da EFTA. No que diz respeito às relações entre os novos membros e a EFTA residual (antiga EFTA) nada se alterou. Com estes acordos estabeleceu-se uma forte ligação entre as duas grandes organizações européias, possibilitando a criação de uma grande zona de comércio de produtos industriais sem restrições quantitativas e livre de peias alfandegárias. Embora existissem diferenças entre os contratos que foram assinados, existiam algumas características comuns: a CEE ficou com todo o poder autônomo de decisão; para evitar problemas com terceiros, procurou-se adaptar o conteúdo dos acordos ao artigo XXIV do GATT; embora com algumas excepções para os produtos agrícolas, criou-se uma zona de comércio livre para produtos industriais; os acordos poderiam evoluir para outras formas de integração e tinham poucas repercussões institucionais.

Relativamente aos produtos industriais, o que aconteceu foi um processo idêntico ao realizado com os novos países membros (a fim de não haver nenhum tipo de discriminação), ou seja, um desaparecimento dos direitos alfandegários no prazo de cinco anos, com início em 1 de Abril de 1973. No entanto o período foi alargado para alguns produtos mais “sensíveis” (devido à diferença de competitividade dos países da EFTA relativamente à CEE), Portugal também foi alvo deste desarmamento mais prolongado, devido ao nosso grau de desenvolvimento ser muito baixo, relativamente aos outros países.

Quanto aos produtos agrários, no início a comunidade estava decidida a não intervir neste tipo de produtos, excluindo-os das negociações. O problema surgiu quando a Itália e a Holanda queriam melhorar as suas condições de acesso aos mercados da EFTA, o que implicava uma série de concessões (a nível de produtos lácteos e pecuários) por parte da Áustria, Suíça e Finlândia, ao qual se opunham a França e Portugal. A isto tudo ainda havia Portugal e a Islândia com uma necessidade de obter concessões neste setor. Após a tentativa de harmonizar estas vontades, embora para um reduzido número de produtos , conseguiram-se concessões recíprocas ficando os países envolvidos, dispostos a “favorecer o desenvolvimento harmônico dos intercâmbios de produtos agrícolas excluídos dos acordos “. Entre outras medidas destacam-se: discriminação fiscal interna, devoluções excessivas de impostos por altura das exportações, eliminações de restrições de pagamentos originados por intercâmbio de mercadorias, regras de competência , cláusulas de salvaguarda em caso de dificuldade , etc.

Entradas de novos Países

Em 1975 colocou-se novamente a hipótese de uma segunda ampliação da comunidade. A 12 de Julho de 1975, a Grécia formulou a sua solicitação de adesão, passando-se o mesmo com Portugal, em 28 de Março de 1977, e com a Espanha em 28 de Julho de 1977. A Grécia entrava como estado membro em 1981, enquanto que Portugal entrava em 1986, tal como a Espanha. Mais tarde (em 1985), já sob a designação de União Européia, ocorre um novo alargamento, desta vez com a entrada da Áustria, Suécia e Finlândia. Após este alargamento a União Européia ficou a contar com 15 membros.

A União Econômica e Monetária

União econômica é o grau de integração que se distingue do mercado comum por também existir uma certa harmonização das políticas econômicas com vista a um espaço de maior coesão.

Antecedentes

O Tratado de Roma não deu muita importância à questão da coordenação monetária, deixando essa questão para os estados membros. Só em 1969 na Conferência de Haia é que essa questão é posta, porque se estava a antever uma crise no sistema monetário internacional. Em 1971 surgiu o Plano Werner (um plano para a união econômica e monetária), baseado na “serpente monetária”(onde era permitida uma variação de 4.5% para cada moeda européia). Este sistema foi abandonado na Cimeira de Paris de 1974, devido: ao primeiro choque petrolífero (Outubro de 1973); ausência de comportamentos credíveis por parte dos países membros; instabilidade cambial (causada pelo fim do sistema de Bretton-Woods).

Criação do Sistema Monetário Europeu

Foi apresentado em Abril de 1978 uma proposta para aprofundar o processo de integração na área monetária, sendo esta proposta apresentada pela França e pela Alemanha. A França estava interessada, porque assim iria beneficiar a política agrícola comum e a Alemanha para abrandar as pressões de apreciação do marco.
O SME é constituído por três partes:
– Mecanismo de taxas de câmbio. Em que cada moeda terá uma cotação face ao ECU, não poderá variar mais do que 6%, os ajustamentos da cotação central só são efetuados com mútuo acordo entre os membros, quando uma moeda passa o limite de divergência as autoridades tem que corrigir a situação;
– A unidade monetária, o ECU (que veio substituir a serpente). Só em 21 de Setembro a peseta e o escudo fizeram a sua entrada no cabaz do ECU, ficando assim o cabaz completo. Serve de base para o funcionamento do indicador divergência de cada moeda, constitui um meio de pagamento entre os membros, serve de instrumento de reserva de valor no tocante a créditos e débitos.
– Mecanismos de Apoio Financeiro. Foi criado (24 de Julho de 1988) um mecanismo único de assistência financeira às BP dos países membros.

Constituição do grande mercado único europeu

Em 1985, aquando da chegada de Jacques Delors à presidência da comissão, foi criado o” Livro Branco ” da comissão para o Conselho Europeu. Havia necessidade de criar este livro, porque o presidente da comissão já se tinha apercebido que o avanço das Comunidades Européias só era possível se existisse a criação de um grande mercado interno. O objetivo deste, era apresentar um programa que tinha que ser seguido(as dificuldades que tinham que ser ultrapassadas) entre 1985 e 1992, de forma a possibilitar a unificação completa do mercado interno. Haviam três aspectos que sobressaiam: criar um mercado único, juntando todos os mercados nacionais dos países membros da comunidade; considerar esse mercado como um mercado dinâmico e em expansão; possibilitar a canalização de recursos, financeiros, humanos e materiais para se obter a utilização óptima. No programa que foi estipulado, clarificava-se que para atingir o objetivo (mercado interno europeu), era necessário abolir as fronteiras físicas, técnicas e fiscais.

A criação do “Livro Branco” originou, em 1 de Julho de 1987, a entrada em vigor do Ato Único Europeu, que além do seu grande objetivo, constituição do grande mercado interno, trouxe também alguns avanços em áreas como: política social, ambiente, investigação e desenvolvimento, capacidade monetária e coesão econômica e social, alteração das regras de votação (no conselho deixou-se de usar a regra da unanimidade para passar a uma regra de maioria qualificada ). O Ato Único foi bem aceite, porque se sentia a necessidade de criar um mercado que rivaliza-se com os EUA e Japão, porque a Europa não estava a conseguir explorar na totalidade o seu mercado interno (cerca de 320 milhões de pessoas) .

União Econômica Européia e Monetária

O Conselho Europeu , deliberou (em 27 e 28 de Junho de 1988) a criação de um comitê, que tinha Jacques Delors como presidente.
Este comitê foi criado com o intuito de analisar e estabelecer as etapas para a criação da União Econômica e Monetária .Deste comitê saiu um relatório que estava divido em três partes:
– A primeira que estava relacionada com o desenvolvimento ao longo do tempo, da integração econômica e monetária da Comunidade;
– A segunda tinha por objetivo definir os traços principais da união econômica e monetária, e prever as implicações antes de se iniciar o respectivo percurso;
– A última parte tinha como função expor as diferentes etapas que conduziriam à união econômica e monetária.

O plano Delors podia-se dividir em três etapas concretas:
– A primeira etapa tinha por objetivo promover a convergência das políticas econômicas e monetárias, reforçando a coordenação destas.
– A segunda fase, que se poderia denominar por fase de transição, ficou marcada (no domínio monetário) pela criação do Sistema Europeu de Bancos Centrais. A principal função deste sistema era atenuar os efeitos da passagem para uma política monetária comum, tornando-se necessário para isso a harmonização de certas disposições (caso das reservas obrigatórias ou acordos de pagamento).
– A última etapa começou com a passagem às paridades fixas. Durante esta etapa as moedas seriam substituídas por uma moeda comunitária única. No decurso desta etapa o sistema ficou com o poder de: formular e aplicar a política monetária; tomar decisões relativa às intervenções sobre o mercado cambial relativo a países terceiros; gerir as reservas oficiais que serão postas em comum.

Tratado de Maastricht

Foi assinado em 7 de Fevereiro de 1992, sendo uma importante etapa da União. O tratado estava dividido em três partes:
– A primeira parte que tinha por base as três comunidades existentes (que saem reforçadas por esta revisão do Tratado de Roma), assumindo a União Econômica e Monetária um papel essencial;
– A segunda baseada numa política externa e de segurança comum, (que tinha por base a cooperação entre os diferentes membros);
– A outra parte era constituída por uma série de disposições sobre assuntos internos e justiça.

Analisando a União Econômica e Monetária, podemos distinguir três fases :
Uma primeira fase transitória, que se prolongou até 31 de Dezembro de 1993. Durante esta fase verificou-se a coordenação da política econômica. Assistiu-se a uma liberalização dos movimentos de capitais dentro do SME e um reforço da convergência das políticas dos estados membros. No decorrer desta fase também foi implementada a vigilância multilateral, isto foi conseguido devido aos programas de convergência de médio prazo e à supervisão dos principais agregados econômicos.

Numa segunda fase, que se desenrolou a partir de 1 de Janeiro de 1994, acentuaram-se vários campos de intervenção, tais como: política orçamental, segundo a qual os estados membros deveriam evitar uma situação de défices orçamentais excessivos; constitui-se o Instituto Monetário Europeu, que tinha como papel reforçar a coordenação das políticas monetárias entre os estados membros e aumentar a cooperação entre os bancos centrais. Nesta fase também foram definidos vários critérios de convergência (estabilidade de preços, ausência de défices orçamentais excessivos, estabilidade cambial, convergência das taxas de juro nominais de longo prazo).

Na última fase, a partir de 1 de Janeiro de 1999,caracterizou-se pela: introdução do ECU como moeda única, deixando de ser unicamente um cabaz de moedas; início de funções do BCE (banco central europeu) que tinha como objetivo a estabilidade de preços (que por sua vez iria possibilitar o equilíbrio interno e externo, e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e dos mercados financeiros, tal como a redução das taxas de juro de longo prazo).

POLUIÇÃO HIDRICA

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Atividades econômicas como agricultura, industria e também de forma muito significativa a urbanização descontrolada e mal planejada, geram uma enorme quantidade de efluentes originados de processos de produção de bens, irrigação de lavouras, aplicação de agrotóxicos, uso para atividades domésticas, lançamento de esgotos etc.

A quantidade de água disponível no mundo, que possa ser prontamente aproveitada nestes processos, é relativamente muito pequena, e mal distribuída geográfiamente, existindo regiões áridas onde as populaçõres se enfretam violentamente em disputa por territórios que comportam pequenos cursos dágua indispensáveis a sua sobrevivência e desenvolvimento. Por outro lado, regiões como a Amazônia e o Pantanal Matogrossense por exemplo, possuem gigantescas bacias hidrográficas, com uma inestimável biodiversidade ligada ao ecossistema formado por estas condições de umidade.

Entretanto, a espécie humana não tém se dado conta dos porcessos destrutivos e suicidas que pressionam estes importantes ecossitemas aquáticos, de água doce ou mesmo de água salgada.

O controle de lançamentos de poluição nestes compartimentos tem sido um desafio aos governos mundiais que buscam através de instrumentos legais e tecnológicos conter a degradação das bacias hidrográficas mais importantes para a sobrevivência dos seus povos .

PRINCIPAIS POLUENTES LANÇADOS NOS CORPOS DÁGUA

Elementos diversos são lançados nos corpos dágua por estas atividades humanas.

Estes elementos, em alguns casos são necessários a sobrevivência dos seres vivos, entretanto, isto só é verdade, quando seu gradiente de concentração se encontra dentro dos limites necessários a ocorrência do metabolismo biológico, pois quando este gradiente passa a ser muito elevado ou durante um longo período, ao contrário seu efeito é destrutivo às cadeias biológicas, e se extendendo sempre ao ambiente humano.

DOENÇAS TRANSMITIDAS DIRETAMENTE ATRAVÉS DA ÁGUA:

– cólera.

– febre tifóide.

– febre paratifóide.

– desinteria bacilar.

– amebíase ou desinteria amebiana.

– hepatite infecciosa.

– poliomelite.

DOENÇAS TRANSMITIDAS INDIRETAMENTE ATRAVÉS DA ÁGUA:

– esquistossomose.

– fluorose.

– malária.

– febre amarela.

– bócio.

– dengue.

– tracoma.

– leptospirose

– perturbações gastro-intestinais de etiologia escura.

– infecções dos olhos, ouvidos, gargantas e nariz.

AQUECIMENTO GLOBAL

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A locução aquecimento global refere-se ao aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra que se tem verificado nas décadas mais recentes e à possibilidade da sua continuação durante o corrente século. Se este aumento se deve a causas naturais ou antropogênicas (provocadas pelo homem) ainda é objeto de muitos debates entre os cientistas, embora muitos meteorologistas e climatólogos tenham recentemente afirmado publicamente que consideram provado que a ação humana realmente está influenciando na ocorrência do fenômeno. O Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC – (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, estabelecido pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988) no seu relatório mais recente[1] diz que grande parte do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve muito provavelmente a um aumento do efeito estufa, causado pelo aumento nas concentrações de gases estufa de origem antropogênica (incluindo, para além do aumento de gases estufa, outras alterações como, por exemplo, as devidas a um maior uso de águas subterrâneas e de solo para a agricultura industrial e a um maior consumo energético e poluição).

Fenômenos naturais tais como variação solar combinados com vulcões provavelmente levaram a um leve efeito de aquecimento de épocas pré-industriais até 1950, mas um efeito de resfriamento a partir dessa data.[2][3] Essas conclusões básicas foram endorsadas por pelo menos 30 sociedades e comunidades científicas, incluindo todas as academias científicas nacionais dos principais países industrializados. A Associação Americana de Geologistas de Petróleo,[4][5] e alguns poucos cientistas individuais não concordam em partes.[6]

Modelos climáticos referenciados pelo IPCC projetam que as temperaturas globais de superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4 °C entre 1990 e 2100.[7] A variação dos valores reflete no uso de diferentes cenários de futura emissão de gases estufa e resultados de modelos com diferenças na sensibilidade climática. Apesar de que a maioria dos estudos tem seu foco no período de até o ano 2100, espera-se que o aquecimento e o aumento no nível do mar continuem por mais de um milênio, mesmo que os níveis de gases estufa se estabilizem.[8] Isso reflete na grande capacidade calorífica dos oceanos.

Um aumento nas temperaturas globais pode, em contrapartida, causar outras alterações, incluindo aumento no nível do mar e em padrões de precipitação resultando em enchentes e secas[9]. Podem também haver alterações nas freqüências e intensidades de eventos de temperaturas extremas, apesar de ser difícil de relacionar eventos específicos ao aquecimento global. Outros eventos podem incluir alterações na disponibilidade agrícola, recuo glacial, vazão reduzida em rios durante o verão, extinção de espécies e aumento em vetores de doenças.

Incertezas científicas restantes incluem o exato grau da alteração climática prevista para o futuro, e como essas alterações irão variar de região em região ao redor do globo. Existe um debate político e público para se decidir que ação se deve tomar para reduzir ou reverter aquecimento futuro ou para adaptar às suas conseqüências esperadas. A maioria dos governos nacionais assinou e ratificou o Protocolo de Quioto, que visa o combate à emissão de gases estufa.

Terminologia
O termo “aquecimento global” é um exemplo específico do termo mais abrangente “mudança climática”, que também pode se referir a esfriamento global. No uso comum, o termo se refere ao aquecimento recente e subentende-se uma influência humana.[10] A Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima (UNFCCC) usa o termo “alteração climática” para mudanças causadas por humanos, e “variabilidade climática” para outras mudanças.[11] O termo “alteração climática antropogênica” algumas vezes é também usado quando se fala em mudanças causadas pelo homem

Evidências do aquecimento global
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de “ilhas urbanas” mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6 ± 0.2 ºC durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000[12]. De 1945 a 1976, houve um arrefecimento que fez com que temporariamente a comunidade científica suspeitasse que estava a ocorrer um arrefecimento global[13].

O aquecimento verificado não foi globalmente uniforme. Durante as últimas décadas, foi em geral superior entre as latitudes de 40°N e 70°N, embora em algumas áreas, como a do Oceano Atlântico Norte, tenha havido um arrefecimento[14]. É muito provável que os continentes tenham aquecido mais do que os oceanos[15]. Há, no entanto que referir que alguns estudos parecem indicar que a variação em irradiação solar pode ter contribuído em cerca de 45–50% para o aquecimento global ocorrido entre 1900 e 2000.

Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global das mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.

Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração os glaciais e da cobertura de neve das montanhas em regiões não polares durante todo o século XX[16]. No entanto, a retração dos glaciais na Europa já ocorre desde a era Napoleônica e, no Hemisfério Sul, durante os últimos 35 anos, o derretimento apenas aconteceu em cerca de 2% da Antártida; nos restantes 98%, houve um esfriamento e a IPPC estima que a massa da neve deverá aumentar durante este século. Durante as décadas de 1930 e 1940, em que a temperatura de toda a região ártica era superior à de hoje, a retração dos glaciais na Groelândia era maior do que a atual. A diminuição da área dos glaciais ocorrida nos últimos 40 anos, deu-se essencialmente no Ártico, na Rússia e na América do Norte; na Eurásia (no conjunto Europa e Ásia), houve de fato um aumento da área dos glaciais, que se pensa ser devido a um aumento de precipitação[17].

Estudos divulgados em Abril de 2004 procuraram demonstrar que a maior intensidade das tempestades estava relacionada com o aumento da temperatura da superfície da faixa tropical do Atlântico. Esses fatores teriam sido responsáveis, em grande parte, pela violenta temporada de furacões registrada nos Estados Unidos, México e países do Caribe. No entanto, enquanto, por exemplo, no período de quarto-século de 1945-1969, em que ocorreu um ligeiro aquecimento global, houve 80 furacões principais no Atlântico, no período de 1970-1994, quando o globo se submetia a uma tendência de aquecimento, houve apenas 38 furacões principais. O que indica que a atividade dos furacões não segue necessariamente as tendências médias globais da temperatura[18].

Determinação da temperatura global à superfície
A determinação da temperatura global à superfície é feita a partir de dados recolhidos em terra, sobretudo em estações de medição de temperatura em cidades, e nos oceanos, recolhidos por navios. É feita uma seleção das estações a considerar, que são as que se consideram mais confiáveis, e é feita uma correção no caso de estas se encontrarem perto de urbanizações. As tendências de todas as seções são então combinadas para se chegar a uma temperatura global.

Variação de temperatura na Terra de 1860 até 2004O globo é dividido em seções de 5º latitude/5º longitude e é calculada uma média pesada da temperatura mensal média das estações escolhidas em cada seção. As seções para as quais não existem dados são deixadas em branco, sem as estimar a partir das seções vizinhas, e não entram nos cálculos. A média obtida é então comparada com a referência para o período de 1961-1990, obtendo-se o valor da anomalia para cada mês. A partir desses valores é então calculada uma média pesada correspondente à anomalia anual média global para cada Hemisfério e, a partir destas, a anomalia global[19].

Desde Janeiro de 1979, os satélites da NOAA passaram a medir a temperatura da troposfera inferior (de 1000m a 8000m de altitude) através da monitorização das emissões de microondas por parte das moléculas de oxigénio na atmosfera. O seu comprimento de onda está diretamente relacionado com a temperatura (estima-se uma precisão de medida da ordem dos 0.01°C). Estas medições indicam um aquecimento de menos de 0.1°C, desde 1979, em vez dos 0.4°C obtidos a partir dos dados à superfície.

É de notar que os dois conjuntos de dados não divergem na América do Norte, Europa Ocidental e Austrália, onde se pensa que os dados das estações são registrados e mantidos de um modo mais fiável. É apenas fora destas grandes áreas que os dados divergem: onde os dados de satélite mostram uma tendência de evolução quase neutra, os dados das estações à superfície mostram um aquecimento significativo (Dentro da mesma região tropical, enquanto os dados das estações na Malásia e Indonésia mostram um aquecimento, as de Darwin e da ilha de Willis, não.)

Existe controvérsia relativamente à explicação desta divergência. Enquanto alguns pensam que existem erros graves nos dados recolhidos à superfície, e no critério de selecção das estações a considerar, outros põem a hipótese de existir um processo atmosférico desconhecido que explique uma divergência em certas partes do globo entre as duas temperaturas.

Por sua vez, Bjarne Andresen[20] , professor do Niels Bohr Institute da Universidade de Copenhaga, defende que é irrelevante considerar uma única temperatura global para um sistema tão complicado como o clima da Terra. O que é relevante é o caracter heterogénio do clima e só faz sentido falar de uma temperatura no caso de um sistema homogénio. Para ele, falar de uma temperatura global do planeta é tão inútil como falar no «número de telefone médio» de uma lista telefónica.

Causas possíveis
O sistema climático varia através de processos naturais, internos e em resposta a variações em fatores externos incluindo atividade solar, emissões vulcânicas, variações na órbita terrestre e gases estufa. As causas detalhadas do aquecimento recente continuam sendo uma área ativa de pesquisa, mas o consenso científico identifica os níveis aumentados de gases estufa devido a atividade humana como a principal influência. Essa atribuição se torna clara ao se observar os últimos 50 anos, pelos quais a maior parte dos dados está disponível. Contrastando com o consenso científico, outras hipóteses foram feitas para explicar a maior parte do aumento observado na temperatura global. Uma dessas hipóteses é que o aquecimento é causado por flutuações no clima ou que o aquecimento é resultado principalmente da variação na radiação solar.

Nenhum dos fatores condicionantes é instantâneo. Devido à inércia térmica dos oceanos terrestres e lenta resposta de outros efeitos indiretos, o clima atual da Terra não está em equilíbrio com o condicionamento imposto. Estudos de compromisso climático indicam que mesmo que gases estufa se estabilizassem nos níveis do dia presente, um aquecimento adicional de aproximadamente 0,5 °C ainda ocorreria.[21]

Gases Estufa na Atmosfera
O efeito estufa foi descoberto por Joseph Fourier em 1824 e investigado quantitativamente pela primeira vez por Svante Arrhenius em 1896. Consiste no processo de absorção e emissão de radiação infravermelha pelos gases atmosféricos de um planeta, resultando no aquecimento de sua superfície e atmosfera. Os gases estufa criam um efeito estufa natural, sem o qual a temperatura média da Terra seria cerca de 30ºC mais baixa, tornando-a inabitável para a vida como a conhecemos[22]. Portanto, os cientistas não “acreditam” ou “se opõem” ao efeito estufa; o debate consiste na discussão de quais gases contribuem para este efeito, através de mecanismos de realimentação positiva ou negativa. Na Terra, os gases que mais contribuem para o efeito estufa são o vapor d’água, que causa de 36 a 70% do efeito natural (não incluindo nuvens); O dióxido de carbono (CO2), que causa de 9 a 26%; O metano (CH4), causando entre 4 e 9%; E o ozônio, que causa entre 3 e 7%. As concentrações atmosféricas de CO2 e CH4 aumentaram em 31% e 149%, respectivamente, acima de níveis pré-industriais, desde 1750. Estes níveis são consideravelmente mais altos do que em qualquer período nos últimos 650.000 anos, o período em que é possível extrair informações confiáveis das calotas polares. Utilizando-se de evidências geológicas menos diretas, acredita-se que níveis tão altos de CO2 só estiveram presentes na atmosfera há 20 milhões de anos atrás.[23] O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) defende que o aquecimento global tem como uma de suas principais causas a emissão de gases poluentes como o CO2 pelo homem, contribuindo para o efeito estufa. “Aproximadamente três quartos das emissões antropogênicas de CO2 para a atmosfera durante os últimos 20 anos são devidas à queima de combustíveis fósseis. O resto das emissões são devidas predominantemente às mudanças no uso da terra, especialmente o desmatamento.”[24] A atual concentração de gás carbônico na atmosfera é de aproximadamente 383 partes por milhão (ppm) em volume.[25] Os níveis futuros de CO2 devem ser ainda maiores devido à ocorrência contínua dos motivos mencionados anteriormente. A taxa de aumento irá depender de fatores econômicos, sociológicos, tecnológicos e naturais incertos, mas está limitada, em última análise, pela disponibilidade total de combustíveis fósseis. O “Relatório Especial de Cenários de Emissão” (Special Report on Emissions Scenarios, originalmente), do IPCC, prevê vários cenários futuros possíveis para a concentração de CO2, variando entre 541 e 970ppm no ano de 2100[26]. As reservas de combustível fóssil são suficientes para alcançar este patamar e continuar as emissões além de 2100, se carvão, piche ou hidratos de metano forem extensivamente utilizados[27]. Efeitos como a liberação de metano, devido ao derretimento do permafrost (possíveis 70.000 toneladas), podem levar a uma intensificação adicional do efeito estufa[28], não incluída no modelo climático do IPCC.

Feedbacks
Os efeitos de agentes externos no clima são complicados por vários processos cíclicos e auto-alimentados, chamados de Feedbacks. Um dos mais pronunciados desses processos está relacionado com a evaporação da água. O CO2 injetado na atmosfera ocasiona o aquecimento da mesma e da superfície da Terra. O aquecimento leva a mais evaporação de água, e, como o vapor d’água é um gás estufa, isso leva a mais aquecimento, o que por sua vez causa mais evaporação de água, e assim por diante, até ser alcançado um novo equilíbrio dinâmico, com aumento da umidade e da concentração de vapor d’água, levando a um aumento no efeito estufa muito maior do que aquele devido apenas ao aumento da concentração de CO2. Esse efeito só pode ser revertido muito lentamente, visto que o CO2 tem um tempo médio de vida na atmosfera muito longo.Um feedback ainda sujeito a pesquisa e debate é o ocasionado pelas nuvens. Vistas de baixo, as nuvens emitem radiação infravermelha de volta à superfície, aquecendo a mesma[29]. Vistas de cima, elas refletem a luz do sol e emitem radiação infravermelha para o espaço, resfriando o planeta. O aumento da concentração global de vapor d’água pode ou não causar um aumento na cobertura de nuvens mundial média. Portanto, o papel efetivo das nuvens ainda não está bem definido; no entanto, seus efeitos são menos relevantes apenas que os do vapor d’água, e, nos modelos do IPCC, elas contribuem para o aquecimento<. Outro feedback relevante é a relação gelo-albedo[30]. A taxa aumentada de CO2 na atmosfera eleva a temperatura da Terra e leva ao derretimento do gelo próximo aos pólos. Com o derretimento do gelo, terra ou mar aberto ocupam seu lugar. Ambos são, em média, substratos com menor capacidade de reflexão que o gelo, e, portanto, absorvem mais radiação solar. Isso causa ainda mais aquecimento, gerando mais derretimento de gelo, e o ciclo continua. O feedback positivo (pró-aquecimento) devido à liberação de CO2 e CH4 com o derretimento do permafrost é mais um mecanismo que contribui para o aquecimento. Além disso, a liberação de metano devido ao descongelamento de fundos oceânicos é mais um mecanismo a ser considerado. A capacidade oceânica de absorção de carbono diminui com o aquecimento, porque os baixos níveis de nutrientes na zona mesopelágica limitam o crescimento de algas, favorecendo o desenvolvimento de espécies fitoplânctonicas menores, que não são tão boas absorventes de carbono[31].
Variação Solar
Estudos recentes parecem indicar que a variação da radiação solar, potencialmente ampliada pela ação do feedback das nuvens, poderá ter contribuído em cerca de 45–50% para o aquecimento global ocorrido entre 1900 e 2000, e em 25-35% entre 1980 e 2000. Foram publicados artigos de autoria de dois pesquisadores da universidade Duke, nos EUA, segundo os quais os modelos climáticos vigentes superestimam o efeito relativo dos gases estufa, comparados com o efeito da luz solar; eles dizem ainda que os efeitos de cinzas vulcânicas e aerossóis foram subestimados[32]. Ainda assim, eles concluem que, mesmo considerando o fator solar, a maior parte do aquecimento global nas últimas décadas é atribuível aos gases estufa. Outros pesquisadores são mais radicais, diminuindo fortemente a importância de fatores antropogênicos no aquecimento global. Os defensores da teoria da responsabilidade das emissões antropogênicas, durante a era industrial, afirmam que a variação da radiação foi de 2,4W/m², dos quais, como foi indicado pelo IPCC 2001, 0,6W/m² durante os últimos 20 anos. Ora, (1) entre 2000 e 2004, a variação da radiação solar, estimada por satélites de órbita baixa, foi de 2,06W/m² – Wielicki et al.: (2)Pincker et al. registraram, entre 1983 e 2001, que a variação da radiação solar absorvida pela Terra foi de 2,7W/m²; (3)Wild et al. registraram, por medições terrestres, que a variação da radiação absorvida foi de 4,4W/m²! Embora haja desencontros nos números apresentados, pode-se admitir o valor mais baixo para as variações entre 1983 e 2001 de 2,7W/m². Admitindo-se uma variação média obtida entre 2000 e 2004 no valor de 1,5W/m², atinge-se o valor de 4,2W/m². Tal valor é muito alto quando comparado com os números do IPCC, de 0,6W/m² nos últimos 20 anos. Dessa forma, a influência do efeito estufa no aquecimento global deixa de ser significativa e, da mesma forma, as contramedidas para combatê-lo (Protocolo de Quioto) tornam-se desnecessárias e danosas ao desenvolvimento humano.

Para além da variação da irradiação solar, a variação do campo magnético solar poderá estar na origem de aquecimento à superfície da Terra pela sua influência na quantidade de radição cósmica que atinge o planeta. Uma equipa do Centro Espacial Nacional Dinamarquês encontrou evidência experimental de que a radiação cósmica proveniente da explosão de estrelas pode promover a formação de nuvens na baixa atmosfera[33]. Como, durante o século XX, o campo magnético do Sol, que protege a Terra da radiação cósmica, mais do que duplicou em intensidade, o fluxo de radiação cósmica foi menor. Isso poderá ter reduzido o número de nuvens de baixa altitude na Terra, que promovem um arrefecimento da atmosfera. Os electrões libertados no ar pela passagem da radiação cósmica, composta por partículas atómicas que vêm da explosão das estrelas, ajudam à formação dos núcleos de condensação sobre os quais o vapor de água condensa para fazer nuvens. Este pode ser um factor muito importante, e até agora descurado, na explicação do aquecimento global durante o último século. Foi durante o período quente da Idade Média, quando o Sol estava tão activo como hoje, que os Viking começaram a colonizar a Groenlândia. Nessa altura, a Grã-Bretanha era um país produtor de vinho. No século XVII, quando se deu a Pequena Idade do Gelo, a actividade magnética solar diminuiu muito e as manchas solares quase desapareceram completamente, durante cerca de 150 anos. E, nessa altura, os Vikings abandonaram a Groenlândia, cuja vegetação passou de verdejante a tundra. A Finlândia perdeu um terço da sua população e a Islândia metade. O porto de Nova Iorque gelou e podia-se ir a pé da ilha de Manhattan à de Staten Island. No início do século XIX, houve uma diminuição menor da actividade magnética solar que foi acompanhada também de um arrefecimento que durou só 30 anos. O carbono-14 radioactivo e outros átomos raros produzidos na atmosfera pelas partículas cósmicas fornecem um registo de como as suas intensidades variaram no passado e explicam a alternância entre períodos frios e quentes durante os últimos 12000 anos. Sempre que o Sol era fraco e a radiação cósmica forte, seguiram-se condições frias, como a mais recente, na Pequena Idade do Gelo de há 300 anos. Considerando escalas de tempo mais longas, encontra-se uma explicação credível para as variações de maior amplitude do clima da Terra.

Recuperação do planeta depois da Pequena Era Glacial
A recessão dos glaciares e da calote polar do Ártico não são fenómenos recentes. Já ocorrem desde 1800, ou mesmo antes disso. E data da mesma altura o aumento de temperatura global a uma taxa quase constante (de cerca de +0.5°C/100 anos), que começou por isso antes do rápido aumento de CO², iniciado por volta de 1940. Isso pode significar que este aquecimento quase linear é natural, podendo ser apenas a recuperação do planeta depois da Pequena Era Glacial, que ocorreu entre o século XIII e XVII.[34].

História

Desde o período atual até o início da humanidade
As temperaturas globais tanto na terra como no mar aumentaram em 0,75 °C relativamente ao período entre 1860 e 1900, de acordo com o registro instrumental de temperaturas. Esse aumento na temperatura medido não é significativamente afetado pela ilha de calor urbana. Desde 1979, as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década contra 0,13 °C por década). Temperaturas na troposfera mais baixa aumentaram entre 0,12 e 0,22 °C por década desde 1979, de acordo com medições de temperatura via satélite. Acredita-se que a temperatura tem sido relativamente estável durante os 1000 anos que antecederam 1850, com possíveis flutuações regionais como o período de calor medieval ou a pequena idade do gelo.

Baseado em estimativas do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (Goddard Institute for Space Studies, no original), 2005 foi o ano mais quente desde que medições instrumentais confiáveis tornaram-se disponíveis no fim do século XIX, ultrapassando o recorde anterior marcado em 1998 por alguns centésimos de grau. Estimativas preparadas pela Organização Meteorológica Mundial e a Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia concluíram que 2005 foi o segundo ano mais quente, depois de 1998.

Emissões antropogênicas de outros poluentes – em especial aerossóis de sulfato – podem gerar um efeito refrigerativo através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o resfriamento observado no meio do século XX, apesar de que o resfriamento pode ser também em parte devido à variabilidade natural.

O paleoclimatologista William Ruddiman argumentou que a influência humana no clima global iniciou-se por volta de 8.000 anos atrás, com o início do desmatamento florestal para o plantio e 5.000 anos atrás com o início da irrigação de arroz asiática. A interpretação que Ruddiman deu ao registro histórico com respeito aos dados de metano tem sido disputado.[35]

A variabilidade do clima da Terra
O planeta já sofreu, ao longo de sua existência de 4,5 bilhões de anos, processos de resfriamentos e aquecimentos extremos. Está comprovado que houve alternância de climas quentes e frios (Terra estufa – “hothouse” – e Terra geladeira – “icehouse”, na linguagem dos paleoclimatologistas), sendo este um fenômeno corrente na história do planeta. Atualmente o planeta está na situação de geladeira.

O último episódio de resfriamento ou glaciação, iniciado no Pleistoceno – 1,8 milhões de anos antes do presente- teve seu ápice há cerca de 18.000 anos, quando, então, começou o processo de aquecimento, que continua nos dias de hoje. No entanto, o aquecimento não se dá sobre uma curva contínua. Neste espaço de tempo de 18.000 anos houve épocas de aquecimento e resfriamento, causando variações às vezes bruscas de temperaturas em períodos variáveis, mas que podiam ser de décadas ou menos, de vários graus Celsius. A comprovação destes fatos é fornecida pela análise de testemunhos de sondagens, de centenas de metros, obtidos no Ártico e na Antártida, através da análise da composição isotópica do oxigênio encontrado nas bolhas de ar presas no gelo.

Durante os últimos 500 milhões de anos, a Terra passou por quatro episódios extremamente quentes (“hothouse episodes”), sem gelo e com níveis elevados dos oceanos, e quatro episódios extremamente frios(“icehouse episodes”), como o que vivemos actualmente, com camadas de gelo, glaciares e níveis de água relativamente baixos nos oceanos. Pensa-se que esta variação de mais longo termo se deve a variações no influxo de radiação recebida devidas à viagem do nosso sistema solar através da galáxia, correspondendo os episódios mais frios a encontros com os braços espirais mais brilhantes, onde a radiação é mais intensa. Os episódios frios mais frequentes, cada 34 milhões de anos, mais ou menos, ocorrem provavelmente quando o sistema solar passa através do plano médio da galáxia. Os episódios extremamente frios de há 700 e 2300 milhões de anos, em que até no equador havia gelo, correspondem a períodos em que havia uma taxa de nascimentos de estrelas na nossa galáxia anormalmente alta, implicando um grande número de explosões de estrelas e uma radiação cósmica muito intensa.

O carbono-14 radioactivo e outros átomos raros produzidos na atmosfera pelas partículas cósmicas fornecem um registo de como as suas intensidades variaram no passado e explicam a alternância entre períodos frios e quentes durante os últimos 12000 anos. Sempre que o Sol era fraco e a radiação cósmica forte, seguiram-se condições frias, como a mais recente, na Pequena Idade do Gelo de há 300 anos. Considerando escalas de tempo mais longas, encontra-se uma explicação credível para as variações de maior amplitude do clima da Terra [36].

Modelos climáticos
O alarme com o aquecimento global deriva, sobretudo, dos resultados das simulações estatísticas feitas com base em modelos numéricos climáticos e não da observação direta da evolução de variáveis físicas reais. Quando a concentração de gases de efeito de estufa é aumentada nessas simulações, quase todas elas mostram um aumento na temperatura global, sobretudo nas mais altas latitudes do Hemisfério Norte. No entanto, os modelos atualmente usados não simulam todos os aspectos do clima e fazem várias previsões erradas para a época actual: nomeadamente, prevêem o dobro do aquecimento que tem sido efetivamente observado e, por exemplo, uma diminuição de pressão no Oceano Índico, uma área muito sensível para o sistema global, quando se observa o contrário. Estudos recentes indicam igualmente que a influência solar poderá ser significativamente maior da que é suposta nos modelos.

Embora se fale de um consenso de uma maioria dos cientistas de que modelos melhores não mudariam a conclusão de que o aquecimento global é sobretudo causado pela ação humana, existe também um certo consenso de que é provável que importantes características climáticas estejam sendo incorretamente incorporadas nos modelos climáticos[37]. De facto, nesses modelos, os parâmetros associados ao efeito de estufa são «afinados» inicialmente de modo a que os modelos forneçam uma estimativa correcta do aumento de temperatura observado nos últimos 100 anos (0.6°-0.7°C). Ou seja, as simulações partem do princípio que é realmente o efeito de estufa que está na origem desse aquecimento. Se houver outras causas naturais desconhecidas para o aquecimento, como as associadas à influência solar e à recuperação desde a Pequena Idade do Gelo, elas não podem ser incluídas na modelação. De facto, os modelos não permitem fazer previsões mas apenas fazer projecções, ou conjecturas, sobre o clima futuro com base em simulações correspondendo a vários cenários possíveis.

A maioria dos modelos climáticos globais, quando usados para projetar o clima no futuro, é forçada por cenários de gases do efeito estufa, geralmente o do Relatório Especial sobre Cenários de Emissçao do IPCC. Menos freqüentemente, os modelos podem ser usados adicionando-se uma simulação do ciclo do carbono; isso geralmente mostra uma resposta positiva, apesar dela ser incerta. Alguns estudos de observação também mostram uma resposta positiva.[38] [39] [40]

São essas limitações dos modelos usados para as previsões, que não têm em conta o desconhecimento actual sobre as causas naturais para as variações da temperatura ocorridas durante os últimos milénios, que fazem com que muitos climatólogos acreditem que a parte do aquecimento global causado pela ação humana é bem menor do que se pensa atualmente.[41]

Modelo de Hansen
Em setembro de 2006, James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, juntamente com seus colaboradores, publicou na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, uma matéria em que são apresentadas informações detalhadas de um modelo climático aperfeiçoado desde os anos 80, alimentado por medições originadas de satélites, navios e estações meteorológicas no mundo inteiro.

O estudo afirma que nos últimos 30 anos o planeta esquentou 0,6°C, perfazendo um aumento total de 0,8°C no século XX. A temperatura média atual é a maior dos últimos 12 mil anos, faltando apenas mais 1°C para que seja a mais alta do último milhão de anos.

Segundo Hansen, caso o aquecimento aumente a temperatura média em mais 2°C ou 3°C, o cenário geográfico do planeta será radicalmente diferente do atual. A última vez em que a Terra esteve tão quente foi 3 milhões de anos atrás, na época do Plioceno, quando o nível do mar estava vinte e cinco metros acima do atual.

Verificou-se que o aquecimento foi maior na região do pólo norte, porque o gelo derretido nessa área expôs água, terra e rochas com cores mais escuras, diminuindo o albedo local e, conseqüentemente, a absorção de calor solar foi maior.

A temperatura da água está sofrendo alterações mais lentas, mas foi registrado aquecimento dos oceanos Índico e Pacífico, o que fará com que fenômenos como o El Niño sejam mais significativos nos próximos anos.

Conseqüências
Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação. Importantes mudanças ambientais têm sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das conseqüências do aquecimento global que podem influenciar não somente as atividades humanas mas também os ecossistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecossistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus hábitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.

Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecossistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessariamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécies que esteja florescendo.

O aquecimento da superfície favorecerá um aumento da evaporação nos oceanos o que fará com que haja na atmosfera mais vapor de água (o gás de estufa mais importante, sobretudo porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera). Isso poderá fazer com que aumente cada vez mais o efeito de estufa e com que o aquecimento da superfície seja reforçado. Podemos, nesse caso, esperar um aquecimento médio de 4 a 6ºC na superfície. Mas mais umidade (vapor de água) no ar pode também significar uma presença de mais nuvens na atmosfera o que se pensa que, em média, poderá causar um efeito de arrefecimento.

As nuvens têm de fato um papel importante no equilíbrio energético porque controlam a energia que entra e que sai do sistema. Podem arrefecer a Terra, ao refletirem a luz solar para o espaço, e podem aquecê-la por absorção da radiação infravermelha radiada pela superfície, de um modo análogo ao dos gases associados ao «efeito de estufa». O efeito dominante depende de muitos fatores, nomeadamente da altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas.

Por outro lado, o aumento da evaporação poderá provocar pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima, com um progressivo aquecimento global.

O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, é provocada por diferenças de temperatura entre os mares. E aparentemente ela está diminuindo à medida que a temperatura média global aumenta. Isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente poderão apresentar climas mais frios a respeito do aumento do aquecimento global.

O aumento no número de mortos, desabrigados e perdas econômicas previstas devido ao clima severo atribuído ao aquecimento global pode ser piorado pelas densidades crescentes de população em áreas afetadas, apesar de ser previsto que as regiões temperadas tenham alguns benefícios menores, tais como poucas mortes devido à exposição ao frio. Um sumário dos prováveis efeitos e conhecimentos atuais pode ser encontrado no relatório feito para o “Terceiro Relatório de Balanço do IPCC” pelo Grupo de Trabalho 2. Já o resumo do mais recente, “Quarto Relatório de Balanço do IPCC”, informa que há evidências observáveis de um aumento no número de ciclones tropicais no Atlântico Norte desde por volta de 1970, em relação com o aumento da temperatura da superfície do mar, mas que a detecção de tendências a longo prazo é difícil pela qualidade dos registros antes das observaçõe rotineiras dos satélites. O resumo também diz que não há uma tendência clara do número de ciclones tropicais no mundo.[42]

Efeitos adicionais antecipados incluem aumento do nível do mar de 110 a 770 milímetros entre 1990 e 2100, repercussões na agricultura, possível desaceleração da circulação termohalina, reduções na camada de ozônio, aumento na intensidade e freqüência de furacões, baixa do pH do oceano e propagação de doenças como malária e dengue. Um estudo prevê que 18% a 35% de 1103 espécies de plantas e animais serão extintas até 2050, baseado nas projeções do clima no futuro.[43]

aumento do nível médio das águas do mar

Nível dos OceanosUma outra causa de grande preocupação é o aumento do nível médio das águas do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.025 metros por década o que pode fazer com que no futuro algumas ilhas de países insulares no Oceano Pacífico fiquem debaixo de água. O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos. O segundo fator mais importante é o derretimento de calotas polares e camadas de gelo sobre as montanhas, que são muito mais afetados pelas mudanças climáticas do que as camadas de gelo da Gronelândia e Antártica, que não se espera que contribuam significativamente para o aumento do nível do mar nas próximas décadas, por estarem em climas frios, com baixas taxas de precipitação e derretimento. Alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam significativamente. Se isso acontecesse, poderia haver um aumento do nível das águas, em muitos metros. No entanto, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos e prevê-se um aumento do nível das águas entre 14 e 43 cm até o fim deste século.(Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).

Foi preciso ter em conta muitos fatores para se chegar a uma estimativa do aumento do nível do mar no passado. Mas diferentes investigadores, usando métodos diferentes, acabaram por confirmar o mesmo resultado. O cálculo que levou à conclusão não foi simples de fazer. Na Escandinávia, por exemplo, as medidas realizadas parecem indicar que o nível das águas do mar está a descer cerca de 4 milímetros por ano. No norte das Ilhas Britânicas, o nível das águas do mar está também a descer, enquanto no sul se está a elevar. Isso deve-se ao fato da Fennoscandia (o conjunto da Escandinávia, da Finlândia e da Dinamarca) estar ainda a subir, depois de ter sido pressionada por glaciares de grande massa durante a última era glacial [15]. Demora muito tempo a subir porque é só muito lentamente que o magma consegue fluir para debaixo dela; e esse magma tem que vir de algum lado próximo, como os Países Baixos e o sul das Ilhas Britânicas, que se estão lentamente a afundar. Em Bangkok, por causa do grande incremento na extração de água para uso doméstico, o solo está a afundar-se e os dados parecem indicar que o nível das águas do mar subiu cerca de 1 metro nos últimos 30 anos.

Adaptação Político-Econômica
A grande afirmação dos cientistas climáticos de que as temperaturas globais continuarão a aumentar tem levado nações, estados, empresas e cidadãos a implementar ações para tentar reduzir o aquecimento global ou ajustar-se a ele. Muitos grupos ambientais encorajam ações contra o aquecimento global, freqüentemente por parte dos consumidores, mas também pela comunidade e organizações. Também tem havido negócios econômicos na mudança climática, incluindo esforços no aumento da eficiência de energia e uso de fontes alternativas, apesar de ser de forma limitada. Uma importante inovação é o desenvolvimento de um comércio de emissões dos gases do efeito estufa. Empresas, em conjunto comos governos, concordam em limitar suas emissões ou comprar créditos daqueles que emitiram menos do que é permitido. O principal acordo mundial para combater o aquecimento global é o Protocolo de Quioto, uma emenda à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) , negociado em 1997. O protocolo conta com mais de 160 países e mais de 55% da emissão de gases do efeito estufa. Os Estados Unidos, o maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, Austrália e Cazaquistão recusaram-se a ratificar o tratado. China e Índia, dois outros grande emissores, ratificaram o tratado, mas como países em desenvolvimento, estão isentos de algumas cláusulas. Este tratado expira em 2012, e debates internacionais iniciaram-se em maio de 2007 sobre um novo tratado para suceder o vigente. O aumento das descobertas científicas sobre o aquecimento global tem resultado em debates políticos e econômicos. Regiões pobres, em particular a África, têm grandes chances de sofrerem a maior parte dos efeitos do aquecimento global, enquanto suas emissões são desprezíveis em relação às emissões dos países desenvolvidos[44]. Ao mesmo tempo, isenções de países em desenvolvimento de algumas cláusulas do Protocolo de Kyoto têm sido criticadas pelos Estados Unidos e estão sendo usadas como sua justificativa para não ratificar o protocolo[45]. No ocidente, a idéia da influência humana no clima e os esforços para combatê-lo ganharam maior aceitação na Europa que nos Estados Unidos.[46] [47] Empresas de combustíveis fosséis como a ExxonMobil lançaram campanhas para tentar diminuir a importância dos riscos das mudanças climáticas, enquanto grupos ambientais fazem o contrário, evidenciando a divisão entre os que defendem a teoria antropocêntrica e os que defendem a teoria natural.[48] [49] Este problema acendeu debates nos Estados Unidos sobre os benefícios em limitar as emissões industriais de gases do efeito estufa para reduzir os impactos no clima versus os efeitos que isso causaria na atividade econômica. Há também discussões em diversos países sobre o custo de adotar fontes de energia alternativas e mais limpas para reduzir as emissões. Outro ponto do debate é o grau com que países recém-industrializados, como China e Índia, deveriam ter o privilégio de aumentar suas emissões industriais, especialmente a China, uma vez que se espera que ela ultrapasse os Estados Unidos na emissão de gases do efeito estufa até 2010.[50]

Curiosidades
1,1 a 6,5 °C. De acordo com estimativas feitas pelo painel intergovernamental de mudança climática, em 2007, essa é a faixa de elevação que pode sofrer a temperatura média global até o final deste século. (A previsão anterior era de 1,6 a 5,8 °C, o que implica um aumento de incerteza quanto a esta previsão.)
2.000 quilômetros quadrados. Todo ano, áreas desse tamanho se transformam em deserto devido à falta de chuvas.
40% das árvores da Amazônia podem desaparecer antes do final do século, caso a temperatura suba de 2 a 3 graus.
2.000 metros. Foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando.
750 bilhões de toneladas. É o total de CO2 na atmosfera hoje.
2050. Cientistas calculam que, quando chegarmos a esse ano, milhões de pessoas que vivem em deltas de rios serão removidas, caso seja mantido o ritmo atual de aquecimento.
a calota polar irá desaparecer por completo dentro de 100 anos, de acordo com estudos publicados pela National Sachetimes de Nova Iorque em julho de 2005, isso irá provocar o fim das correntes marítimas no oceano atlântico, o que fará que o clima fique mais frio, é a grande contradição de aquecendo esfria.
o clima ficará mais frio apenas no hemisfério norte, quanto ao resto do mundo a temperatura média subirá e os padrões de secas e chuvas serão alterados em todo o planeta.
o aquecimento da terra e também outros danos ao ambiente estão fazendo com que a seleção natural vá num ritmo 50 vezes mais rápido do que o registrado há 100 anos.
de 9 a 58% das espécies em terra e no mar vão ser extintas nas próximas décadas, segundo diferentes hipóteses.

A disputa pelas causas do aquecimento global
A teoria do efeito estufa é um assunto estritamente científico que trata do aquecimento adicional dos ambientes planetários que possuem alguma atmosfera ou simplesmente das estufas de vidro para a criação de plantas. Sobre este assunto não há qualquer controvérsia. A controvérsia, que se tornou mais política do que científica, advém das causas do aquecimento global acelerado (do último século e meio) que a maioria dos pesquisadores imputa às emissões de gases estufa na atmosfera devido a ações humanas. Um grupo menor de cientistas, embora concorde que está ocorrendo de fato o aquecimento global, afirma que as causas principais são de ordem natural, principalmente astronômica, isto é, o aumento da radiação solar por causas não completamente conhecidas.

A disputa a nível político e público tem sobretudo que ver com saber se algo pode e deve ser feito, e sobre que acções seriam efectivas em termos de custo/benefício, para tentar reduzir ou reverter o aquecimento futuro, ou para lidar com as suas esperadas consequências.

A opinião dos que acreditam nas causas antropogênicas
O IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, estabelecido pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988) no seu relatório mais recente[51] diz que a maioria do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve muito provavelmente a um aumento do efeito de estufa, havendo evidência forte de que a maioria do aquecimento seja devido a atividades humanas (incluindo, para além do aumento de gases de estufa, outras alterações como, por exemplo, as devidas a um maior uso de águas subterrâneas e de solo para a agricultura industrial e a um maior consumo energético e poluição).

O aquecimento global somente entrou na pauta política nos anos 1980, que culminou com a conferência internacional conhecida por Rio 92, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Nesta conferência foi adotada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. “Ao estabelecer um processo permanente de revisão, discussão e troca de informações, a Convenção possibilita a adoção de compromissos adicionais em resposta a mudanças no conhecimento científico e disposições políticas. A primeira revisão da Convenção ocorreu em 1995, em Berlim. Nesta ocasião as partes concordaram que a decisão de que os países desenvolvidos voltariam aos níveis de emissão de CO2 de 1990 até o ano de 2000 era inadequada. Após várias rodadas de discussões foi realizada a reunião de Quioto, no Japão, com a presença de cerca de 10.000 delegados. A decisão de consenso foi adotar um Protocolo segundo o qual os países industrializados reduziriam suas emissões combinadas de gases de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990 até o período entre 2008 e 2012. O Protocolo de Quioto, como ficou conhecido, foi ratificado por mais de 60% dos países emissores (ratificação da Rússia, responsável por 17% das emissões, em 2004), passando então a ter validade.

Os sinais evidentes do aquecimento global já podem ser sentidos em todas as regiões do mundo, com verões cada vez mais quentes e invernos cada vez mais curtos e menos frios. O efeito estufa ocasiona ainda o derretimento do gelo principalmente das geleiras continentais, o afinamento da espessura das placas e gelo no mar Ártico e mesmo o desaparecimento da camada do gelo que cobria este oceano mesmo no verão do hemisfério norte. As mudanças climáticas se expressam, também, pelo aumento dos desastres naturais tais como as grandes inundações, secas de longa duração, tufões em maior quantidade e intensidade, aparecendo, com mais freqüência, em regiões extra-tropicais, recrudescimento do fenômeno “El Niño” com suas más conseqüências para o clima e para a economia das regiões pesqueiras de todo o oceano pacifico.

A opinião dos céticos
Nos dias atuais não se discute mais se o clima da Terra está em processo de aquecimento ou não. Todos os cientistas, de um lado e do outro do muro, concordam que sim. O que se disputa acirradamente são as causas do aquecimento e as medidas preventivas para melhorar o futuro da humanidade diante das conseqüências desastrosas que se avizinham.

A “opinião da moda”, como dizem os céticos, é que o aumento das emissões dos gases estufas são os vilões da história. Os céticos, por sua vez, não discordam da influência do efeito estufa no aquecimento global. Afirmam, entretanto que outras causas naturais, muito mais poderosas, explicam de forma satisfatória o fenômeno do aquecimento acelerado dos últimos 100 anos.

Aquecimento global e possíveis impactos na Amazônia
Analisando quantitativamente as prováveis alterações e redistribuições dos grandes biomas brasileiros em resposta a cenários de mudanças climáticas projetadas por seis diferentes modelos climáticos globais avaliados pelo IPCC para o final do Século XXI, temos resultados diferentes para cada projeção de modelo climático, resultado das projeções convergirem para o estudo do aumento da temperatura. Com uma media das projeções, obtemos um aumento da áreas de savana na América do sul tropical, dentre esses modelos alguns indicam diminuição das chuvas na Amazônia, outros não indicam alteração, enquanto um deles chega projetar aumento das chuvas. Alguns estudos sobre resposta das espécies da flora e da fauna Amazônica e do Cerrado indicam que para um aumento de 2 a 3 C na temperatura média até 25% das árvores do cerrado e até cerca de 40% de árvores da Amazônia poderiam desaparecer até o final deste Século.[52]

Impactos na agricultura brasileira
Analisando os impactos na agricultura temos como primeira conseqüência é o aumento nas taxas evapotranspirativas, promovendo maior consumo de água das plantas, como segunda a redução do ciclo das culturas, tornando-as mais eficientes em termos de assimilação e transformação energética, porém mais sensíveis à deficiência hídrica.

Analisando o caso da soja, segundo o estudo feito, há uma redução média de 60% na área favorável para o cultivo de soja, onde a região sul seria a mais afetada, com forte redução de produção.

Analisando várias culturas, percebemos um maior impacto relativo ao aumento de temperatura para a soja. O aumento na temperatura reduziria o risco de geada, porém aumentaria os riscos de abortamento de flores. Para o caso do café Considerando um aumento de 1,0 C, e a redução das áreas cultivadas com café nos estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo o impacto econômico previsto é estimado em US$ 375 milhões por ano, equivalente à redução de 4 milhões de saca de café/ano.[53]

As seis pragas do Aquecimento Global
1. O Ártico e a Groelândia estão derretendo

A cobertura de gelo da região no verão diminuiu ao ritmo constante de 8% ao ano há três décadas. No entanto, a temperatura na região era superior à actual nas décadas de 1930 e 1940, sendo os glaciares mais pequenos do que hoje. Em 2005, a camada de gelo foi 20% menor em relação à de 1979, uma redução de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, o equivalente à soma dos territórios da França, da Alemanha e do Reino Unido. No entanto, no Hemisfério Sul, durante os últimos 35 anos, o derretimento apenas aconteceu em cerca de 2% da Antártida, onde 90% do gelo do planeta está acumulado; nos restantes 98%, houve um esfriamento e a IPPC estima que a massa da neve deverá aumentar durante este século. Mesmo um aquecimento de 3 a 6 graus tem um efeito relativamente insignificante já que a temperatura média da Antártida é de 40 graus negativos. É de notar igualmente que no período quente da Idade Média havia quintas dos Viking na Groenlândia e também não havia gelo no Ártico. E, mesmo que derretesse todo o gelo do Ártico, isso não afetaria o nível da água nos oceanos porque se trata de gelo flutuante: o volume de água criado seria igual ao volume de água deslocado pelo gelo quando flutua.
2. Os furacões estão cada vez mais fortes

Devido ao aquecimento das águas, a ocorrência de furacões das categorias 4 e 5 (os mais intensos da escala), dobrou nos últimos 35 anos.
3. O Brasil na rota dos ciclones

O litoral sul do Brasil foi varrido por um forte ciclone em 2004.
4. O nível do mar subiu

A elevação desde o início do século passado está entre 10 e 25 centímetros. Em certas áreas litorâneas, como algumas ilhas do Pacífico, isso significou um avanço de 100 metros na maré alta. Actualmente (Setembro de 2006), o painel intergovernamental de mudança climática estima que o nível das águas poderá subir entre 14 e 43 cm até o fim deste século. Estudos recentes parecem indicar que, contrariamente ao que antes se pensava, o aumento das taxas de CO2 na atmosfera não está provocando nenhuma aceleração na taxa de subida do nível do mar[54].
5. Os desertos avançam

O total de áreas atingidas por secas dobrou em trinta anos. Um quarto da superfície do planeta é agora de deserto. Só na China, as áreas desérticas avançam 10.000 quilômetros quadrados por ano, o equivalente ao território do Líbano.
6. Já se contam os mortos

A Organização das Nações Unidas estima que 150.000 pessoas morrem anualmente por causa de secas, inundações e outros fatores relacionados diretamente ao aquecimento global. Estima-se que em 2030, o número dobrará.

FURAÇÃO

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FURAÇÃO

Autor: Matheus Mellin

Objetivo

Temos o intuito de adquirirmos conhecimentos práticos de como são produzidos corte e furos, bem como analisar as suas características, cuidados na preparação e cuidado com os sistemas de segurança, tanto dos equipamentos e operadores.

INTRODUÇÃO

Para se efetuar uma furação com precisão e acabamento é necessário que possuímos alguns conceitos, de tolerância, especificação de ferramentas, tipos de equipamentos de furação.

Furação é a operação de furar tão importante na fabrica, que devemos considera – lá juntamente com as furadeiras. O termo de furação significa, obter um furo por um processo qualquer, empregando-se ou não as brocas.

A natureza da peça tem um grande efeito na escolha de máquina. Na furação, a medida do furo, a dimensão da peça, a posição de um furo na peça (tal como um furo profundo interior), ou a natureza do produto (tal como um bloco de motor) pode influir na seleção da máquina especializada para fazer a furação.Em caso de contingência ou de trabalho pesado ajustado em algumas maquinas, muitas outras escolhas são vantajosas para fazer furos.

Os furos devem ser dimensionados pela medida, localização e muitas vezes pela concentricidade de um em relação ao outro.O sistema de coordenadas serve para melhorar para a maioria das máquinas, especialmente a bloqueiadeira horizontal.

O dimensionamento em cadeia, de furos, não é bom porque a localização do último furo depende do anterior havendo assim, uma soma de erros na localização de todos os outros furos.

O sistema cartesiano é muito simples e bastante empregado.

Muitas vezes, as dimensões são dadas em relação a um furo principal, em vez de utilizar as duas linhas ou arestas da peça.

Os métodos para obtenção de furos são:

    • por meios de brocas;
    • puncionamento;
    • por fundição;
    • forjamento;
    • por meio de chama;
    • por meio de um bit;
    • serra de copo eletro-erosão;
    • supersônica.
    Operações aliadas

Além das operações de furação, usando como ferramenta uma broca para fazer furos, as furadeiras podem executar mais as seguintes:

    • de alargar, usando como ferramenta um alargador, tornado o furo previamente aberto, de diâmetro maior ou cônico;
    • de escariar, usando como ferramenta um escariador;
    • de rebaixar, usando como ferramenta um rebaixador;
    • de roscar, usando como ferramenta um macho para fazer rosqueamento de furos;
    • de bloquear, usando como ferramenta um bit;
    de lixar, escovar, polir, retificar, etc, usando lixas, escovas, rebolos, etc.

3.Embasamento Teórico.

3.1 Ferramentas

As peças das primeiras máquinas eram de madeira, pois as ferramentas manuais eram pouco adequadas ao trabalho do metal. A partir da descoberta da máquina a vapor, foram inventadas máquinas para trabalhar o metal, que foram aperfeiçoadas para o desempenho de diferentes atividades e se tornaram o elemento básico do progresso industrial.

Tipos de ferramentas. É na oficina mecânica que as ferramentas têm mais utilidade. De modo geral, são denominadas de acordo com suas funções. É comum, por isso, agrupar as diversas ferramentas segundo o tipo de trabalho a que se destinam.

3.1.1 Ferramentas de ajuste.

Em mecânica, a palavra “ajuste” possui diversas acepções. Serve para designar a elaboração e o acabamento manual de peças metálicas, o retoque das peças previamente trabalhadas em máquinas e a adaptação de folgas e articulações de peças diferentes. Para uma operação de ajuste é preciso usar uma bancada, sobre a qual se faz o trabalho, com a peça segura por um torno ou morsa (que é o torno mais simples, de bancada). O torno pode ser articulado ou paralelo, conforme movimente ou não suas mandíbulas ou mordentes em diversas posições.

Chaves são instrumentos de aço que servem para apertar e afrouxar porcas e parafusos. Entre os diversos tipos Ferramentas de polimento.

Em muitas ocasiões, é preciso polir, eliminar rebarbas ou reduzir as dimensões das peças trabalhadas. Nesse caso, usam-se formões, plainas, fresas, limas e grosas capazes de desgastar suficientemente a peça com que se está trabalhando. A plaina, que serve para aplainar e alisar a madeira, compõe-se de uma lâmina afiada que se instala, em ângulo de 45o, sobre um estojo provido de dois punhos. A plaina elétrica, importante máquina-ferramenta, também se usa em pedra e metal.

As limas e grosas são ferramentas manuais em cujas faces são feitos pequenas incisões que formam estrias, ou dentes, a fim de facilitar a operação de polimento. Já as fresas são discos ou cilindros de material duro, geralmente aço, em cuja face externa existem depressões, formadas mediante incisões ou entalhes. As limas são confeccionadas em aço temperado de dureza superior à da maior parte dos materiais, embora se mostrem menos flexíveis e mais frágeis que as demais peças de aço. Podem apresentar várias formas, de modo a adaptar-se melhor à superfície a ser polida. São mais comuns as planas ou chatas e as de seção triangular, redonda, arredondada ou quadrada.

A maior ou menor rugosidade da lima denomina-se picado, que pode ser simples ou cruzado. No primeiro tipo, as estrias costumam apresentar uma inclinação de 70o em relação ao eixo da ferramenta. No picado cruzado, esse grupo de estrias é atravessado por um segundo grupo, menos profundo que o primeiro e, em geral, em ângulo de 45o em relação ao eixo. As grosas, em geral usadas em madeira ou couro, apresentam dentes isolados e não estrias.

3.1.2 Ferramentas de lavra.

Com o intuito de desbastar parte do material com que se está trabalhando, empregam-se os cinzéis, barras metálicas com uma das extremidades em cunha e a outra ligeiramente abaulada, para que seja possível golpeá-la com um martelo.

3.1.3 Ferramentas de golpe.

As maças e os martelos (como os malhos, marretas e marteletes) são ferramentas de uso freqüente numa oficina. Além do tamanho e da finalidade, pode haver importantes diferenças quanto ao complemento da parte posterior da ferramenta e ao material com que se confecciona a cabeça, geralmente de ferro, mas também de madeira, borracha, plástico etc. Em qualquer dos casos, a energia acumulada no movimento da ferramenta acaba em forte golpe na peça a ser trabalhada, que será tanto mais eficaz quanto mais breve for o contato entre a ferramenta e a peça.

3.1.4 Ferramentas de corte.

Além das tesouras e dos cinzéis, existem outras ferramentas capazes de realizar cortes mecânicos sobre a maioria dos metais. É possível também, para esse efeito, usar procedimentos não-mecânicos, como o raio laser, mas na maior parte dos casos emprega-se corte mecânico, com ou sem desprendimento de cisalhas ou aparas.

A formação de cisalhas deve-se ao desgaste do material produzido pela ação de duas lâminas de dentes, uma das quais é fixa (sobre a qual a peça é colocada) e a outra móvel, situada no mesmo plano da primeira. A força que se deve exercer para produzir o corte desejado é proporcional à área da seção a cortar. Pode ser necessário, eventualmente, repetir a operação várias vezes antes de alcançar o resultado final. Incluem-se ainda, entre as ferramentas de corte, diferentes tipos de machado, ferramenta constituída por uma peça de aço com corte afiado em uma das extremidades e, na outra, a abertura onde se encaixa um cabo de madeira.

3.1.5 Ferramentas de serra.

Semelhante ao que ocorre com os outros grupos de ferramentas, a serra e o serrote apresentam grande variedade de formas e estruturas. Apresentam sobre as ferramentas de corte a vantagem de serem aplicáveis em materiais mais duros e de maior espessura do que aqueles que podem ser trabalhados com tesouras e cinzéis.

A parte fundamental dessas ferramentas é a lâmina, normalmente de aço e dotada de dentes triangulares. Quando a lâmina é presa a um cabo por um dos lados, a ferramenta denomina-se serrote; quando se sustenta pelos dois lados, unidos ou não por um arco, chama-se serra. A distância entre dois dentes consecutivos, que pode variar entre 0,5 a 2mm, chama-se passo. Os dentes da serra ou do serrote são inclinados alternadamente à direita e à esquerda, para evitar que as faces laterais da ferramenta sofram atrito com a peça. Se, ao invés da lâmina, a ferramenta possuir uma espécie de arame redondo ou plano com pequenos dentes, tem o nome de serrilha, muito útil para trabalhos delicados.

3.1.6 Ferramentas de perfuração.

Para a perfuração de qualquer material, são necessárias ferramentas como a verruma e a broca, barra de aço temperado de ponta afiada que, ao girar, penetra na superfície da peça, perfurando-a. Os tipos de brocas mais comuns são as helicoidais ou espirais e as de ponta de lança ou planas, embora existam variações para trabalhos específicos. Nas últimas décadas do século XX, generalizou-se o emprego das brocas em furadeiras elétricas altamente eficientes.

3.1.7 Ferramentas pneumáticas.

Instrumentos manuais que operam com ar comprimido, as ferramentas pneumáticas são utilizadas principalmente quando não é possível ou aconselhável fazer o trabalho com recursos mais simples. São de peso e tamanho variável medida que influem na facilidade ou dificuldade de manejo. Utilizam-se em construções e instalações domésticas, pintura, pavimentação, fábricas e estabelecimentos agrícolas, oficinas de automóvel, caldeirarias, minas de carvão, fundições, pedreiras, indústrias ferroviárias, estaleiros e muitas outras atividades.

Os motores a ar comprimido, livre do perigo de centelhas em locais sujeitos a explosões, podem ser empregados em lugares úmidos por não oferecerem nenhum risco de choques elétricos. Nos trabalhos efetuados dentro da água, o ar comprimido evita sua penetração no motor.

3.1.8 Máquinas-ferramentas.

Cabe ainda mencionar as modernas máquinas-ferramentas, destinadas à fabricação de máquinas, que assim se distingue das máquinas operatrizes e motores. Pode trabalhar por meio de deformação do material (máquina de preparar chapas, de cisalhar, embutir, puncionar e dobrar) ou por perda de material. Nesse caso, pode ser de movimento circular contínuo da peça (torno) ou da ferramenta (fresadora, perfuradora, alisadora); de movimento alternativo da peça (plaina) ou da ferramenta (entalhadora); de ferramenta abrasiva (esmeril) ou ferramenta de entalhar, acepilhar, afiar, samblar, montar e de acabamento.

3.2 Furadeiras

Furadeiras ou máquina de furar é a máquina furadeiras empregada, em geral, para abrir furos ou acabar furos, utilizando em cada caso a ferramenta correspondente.É considerada uma máquina de ferramenta especializada porque a sua principal função é fazer furos. A furadeira produz furo, por processo mecânico, tornado-se mais precisos, permitindo a utilização mais correta da broca e de outras ferramentas de acabar furos.

Depois do torno mecânico, é a máquina mais importante, embora não possua a mesma versatilidade. A furadeira é possivelmente a mais antiga máquina ferramenta. Atualmente, é muito raro encontrar peças que não contenham furos para qualquer fim. Alguns são executados para fins de fixação por meios de rebites, parafusos, etc, não exigindo precisão. Outros são produzidos com relativa precisão e simplicidade, sendo a furadeira a máquina indicada na produção seriada.

Em princípio a máquina de furar consta de uma árvore que gira com velocidades determinadas, podendo deslizar segundo o seu eixo e de uma mesa que suporta a obra.

Na extremidade inferior da árvore de trabalho há furo cônico, geralmente um cone Morse, que constitui uma das características da máquina. Neste furo cônico se encaixa diretamente a broca de haste cônica ou uma bucha conhecida como mandril Jacobs, para ferramenta de haste reta. No trecho em que se encaixa a espiga da haste da broca ou do mandril, há um furo retangular que permite a introdução de uma cunha apropriada, para facilitar à retirada dos mesmos.

A capacidade do mandril limita o diâmetro da broca e a distância do centro do furo da mesa ao eixo vertical, limita as dimensões da peça, ou melhor, a distância dos bordos desta ao centro do furo a ser feito.

Com a broca a máquina poderá avançar manualmente ou automaticamente. Avanços rápidos podem ser obtidos por meio de uma alavanca que conduz um pinhão engrenado com cremalheira da manga da árvore. Avanços lentos são conseguidos por meio de um volante manual ligado a um parafuso sem fim engrenado com uma coroa helicoidal, cujo eixo é o mesmo do pinhão que se liga à gremalheira. Avanço automático é obtido por transmissão de correia ou trem de engrenagem. Em algumas máquinas há limitadores que desligam o avanço quando se atinge a profundidade determinada.

A indústria atualizada utiliza os mais variados tipos de máquinas de furar, desde os comuns, encontrados nas oficinas mecânicas, aos tipos especiais, projetados para determinados serviços nas oficinas de produção.

As máquinas de acionamento mecânico, são aquelas de maior importância industrial, empregadas nas construções mecânicas.

A operação de furar é feita de forma mais cômoda, pois, permite escolher a velocidade mais adequada ao avanço, assim como apoiar e fixar a peça na forma mais conveniente e assegurar o perfeito paralelismo dos furos com eixo normal à superfície da peça tomada como base, condições estas, que podem ser impostas por razões construtivas.

Estas máquinas recebem nomes distintos, de acordo com a classificação seguinte:

    • máquinas de furar de coluna;
    máquinas de furar radicais;

As máquinas de furar são divididas do seguinte modo:

    • máquinas de acionamento manual (ou portáteis);
    • máquinas de acionamento mecânico;
    • máquinas de furar universais;
    • máquinas de furar múltiplas.
    Máquina de furar sensitivas

São aquelas em que o operador sente a ação da broca ao penetrar no material, isto é, são as máquinas que possuem avanço manual. Podem ser portáteis ou de bancada. As máquinas sensitivas trabalham com brocas até meia polegada.(12,7 mm). Geralmente são empregadas para furos pequenos, utilizando grandes velocidades (até 15.000 r.p.m.).

As máquinas dessa classe se compõem de uma base metálica, de uma haste vertical nela apoiada e de um cabeçote com os órgãos de movimento no extremo superior da haste. Uma mesa ajustada a esta haste pode subir, baixar, girar em torno dela e fixar-se por meio de parafusos de aperto com alavancas. O deslizamento da mesa pode ser obtido por ação manual direta ou por meio de um dos sistemas porca-parafuso, pinhão-cremalheira, acionados por uma manivela.

Em alguns tipos de mesa pode inclinar-se segundo o seu eixo perpendicular ao da máquina, permitindo fazer furos inclinados em relação à face apoiada na obra.

O cabeçote é acionado por um motor por meio de um par de polias escalonadas, modernamente com rasgos em V, que transmitem à árvore de trabalho as velocidades de rotação.

A árvore de trabalho pode subir e baixar pela ação de uma cremalheira existente em bucha na árvore. Em alguns tipos existem uma mola na parte superior da árvore que facilita o movimento de subida quando cessa a ação da alavanca.

Máquinas sensitivas de acionamento hidráulico

Algumas máquinas apresentam um sistema hidráulico formado por um tanque de óleo e uma bomba, alojada no interior da coluna que permite elevar a mesa, hidraulicamente, utilizando para tal fim uma alavanca.

Este acionamento tem por fim colocar a peça na posição de trabalho.

Máquina sensitiva gêmea

É um conjunto de duas máquinas montadas numa só coluna prismática, com uma só mesa. Cada máquina possui um motor independente e, portanto dois mandris, com acionamento individual.

O acionamento da mesa é hidráulico.

Máquinas de furar de coluna

As máquinas de furar de coluna são aquelas que se caracterizam por possuírem avanços manuais e automáticos permitindo o trabalho em obras pesadas.

São máquinas pesadas, robustas, empregadas para furos de diâmetros maiores (superior a 1/2 polegada). Trabalham com brocas até duas polegadas ( ˜ 50 mm) ou mesmo diâmetros maiores.

O tamanho de uma máquina de furar é dado pelas dimensões da peça mais longa, que pode ser furada no centro. A distância da face da coluna ao centro da árvore de trabalho é metade deste tamanho. Na máquina de coluna, a broca poderá avançar, também, manualmente.

Seus diversos órgãos são grupados numa coluna que se fixa a uma base metálica. A mesa pode girar em torno da coluna ou não e acionada como a da sensitiva.

Os movimentos são fornecidos por meio de um motor elétrico que aciona um cone de polias ou uma polia única.

Os tipos com cone de polia possuem geralmente um redutor que permite dobrar o número de velocidades de rotação da árvore.

As máquinas que só possuem uma polia na transmissão dispõem de uma caixa de mudança de velocidades.

As máquinas de furar, de coluna, podem trabalhar com avanço automático ou sensitivo (manual).

Os avanços manuais são de dois tipos: um rápido dado pela alavanca, como na sensitiva e outro lento, transmitido por um volante que aciona a parte final do dispositivo automático.

As variantes de cada tipos de máquina são numerosas, as máquinas de tipo antigas têm movimento de avanço obtido por meio de transmissão: polias correm e rodas dentadas; as máquinas mais modernas utilizam a transmissão hidráulica.

O movimento de avanço, hidraulicamente, pode ser feito de dois modos distintos:

1º) graduando a descida do mandril;

2º) elevando a mesa porta-peça.

Algumas máquinas de coluna apresentam motores elétricos independentes, tanto para o movimento de rotação principal como para os avanços automáticos.

Disposição dos mecanismos que produzem a rotação e o avanço

Variam com cada tipo de máquina.

Assim: temos a máquina de furar de coluna com 8 velocidades de rotação, 4 diretas e 4 com redução; a mesma máquina permite 3 velocidades de avanço.

Máquinas de furar de árvores múltiplas

A máquina de furar de árvores múltiplas tem diversas árvores que permitem furar diversos furos ao mesmo tempo ou sucessivamente com diferentes diâmetros.

É mais um equipamento de oficina de produção de que de oficina mecânica sendo mais comum nesta última o tipo constituído de uma série de árvores paralelas, com seus eixos num mesmo plano vertical, possuindo cada uma seu cabeçote. As máquinas deste gênero são geralmente sensitivas e possuem uma mesa comum.

As máquinas de furar múltiplas podem servir para gabaritos para várias peças aonde a peça vai se deslocando para cada sub-operação seguinte:

Broca;
Alargador I;
Alargador II.
Máquinas de furar radiais

Entre as máquinas de furar de coluna, devemos incluir as máquinas de furar radiais, são empregadas para furar peças pesadas que não podem ser movidas até a árvore de trabalho fixa.

São máquinas de grandes recursos, não só para as obras pesadas e de grandes dimensões como também para obras pequenas.

Distingue-se das outras por possuir um braço em balanço apoiado a uma coluna que por sua vez, se fixa a uma base metálica.

Velocidade de cortes e avanços

A velocidade do corte depende do material, da broca, do diâmetro do furo, do lubrificante utilizado e da habilidade do operador.

Podendo basear-se em tabelas, tabelas que fornecem uma orientação de velocidade devendo ser completas de acordo com o operador.

A velocidade de corte exagerada provocará quebras das pontas das brocas e uma rotação baixa provoca um desgaste na ponta da broca.

Brocas quebradas, fendidas, cortes profundos com cavacos, furos mais largos e grosseiros são decorrentes de mau afiamento da broca.


Tabela1-Orientação de Diâmetro x material x rotação

3.2.1 Brocas (ferramentas de furar)

A broca é uma ferramenta de corte, usualmente cilíndrica, para furar metal ou outro qualquer material, podendo ser trabalhada manualmente ou acionada por meio de máquina.

A broca helicoidal de duas ranhuras ou dois sulcos helicoidais é uma ferramenta normal para executar furos em metal. As brocas com 3 ou 4 ranhuras são empregadas para acabar furos iniciados com brocas de diâmetro menor, ou furos brutos de fundição.

Ângulos das brocas

-Ângulo de incidência

O ângulo formado pelo flanco com uma linha perpendicular ao eixo da broca. É normalmente medido na periferia.

-Ângulo da hélice

O ângulo formado pela aresta de ataque da guia e o eixo da broca.

-Ângulo da ponta

O menor ângulo formado pelos bordos cortantes.

-Ângulo do corte transversa

O ângulo obtuso formado pelo corte transversal e a linha que une um vértice externo ao extremo correspondente do corte transversal. É medido num plano perpendicular ao eixo da broca.

Sujeição da peça-obra

Para segurar a obra deve-se usar o torno que, por sua vez, é fixado por parafusos podendo também ser seguro à mão.

Segurar com a mão é perigoso, pois, pode causar acidentes.

A peça devera ser montada sobre blocos, chamados paralelos, apoiados na mesa da máquina com o fim de elevar a obra a ser furada e assim facilitar a penetração da broca. Os paralelos devem ser colocados de maneira de que não sejam atingidos pela broca no caso de parafusos vazados.

Outro dispositivo muito empregado para a furação de furos paralelos é a cantoneira de 90º.

Gabaritos

Quando se tem de furar muitas peças iguais e com diversos furos faz-se um gabarito.

O gabarito é uma peça, como vimos, com uma furação igual à desejada, que é colocada sobre e fixada a esta, seus furos servindo de guia, para a broca. Os furos são feitos de aço endurecido e podem ser substituídos.

Tipos de gabaritos para furação:

Tipo placa;
Tipo caixa aberta;
Tipo caixa fechada.
O gabarito tipo caixa aberta tem aspecto da figura 11.19.

O tipo caixa fechada.

Localização da peça no gabarito de furar

A posição correta da peça no gabarito pode ser conseguida:

Por meio de pinos.
Por meio de blocos.
Por meio de pontos ajustáveis.
Acabamentos de furos

Para acabamento de furos são usados alargadores, escariadores, rebaixadores, etc.

Os alargadores são usados nas máquinas de furar do mesmo modo que a mão. O alargador substitui a broca no mandril sem mudar a posição da obra.

Os escariadores e rebaixadores são usados com a máquina e também a mão.

Alargadores

Vimos anteriormente que os alargadores são ferramentas destinadas a alargar furos. São aplicadas nas máquinas de furar, tornos, tornos revólver e automáticos.

Plainas

Noções gerais

O aplainamento é uma operação muito parecida com a limadura, pois consiste em arrancar linearmente o cavaco sobre a superfície plana de um corpo, atuando com um utensílio mono – cortante. Neste caso, porém, é a peça (no lugar do utensílio) que assume o movimento de trabalho, alternado de vaivém, enquanto o utensílio (em vez da peça) assume o movimento de alimentação.

A operação de aplainamento realiza-se com apropriadas máquinas chamadas “plainas”. Com estas máquinas superou-se o problema das usinagens de superfícies planas em peças de notáveis dimensões (de comprimento superior ao metro). De fato, o trenó de uma limadora, embora se admite que seja de tipo muito robusto, tem a tendência de inclinar-se à medida que chega ao término do curso útil (isto é, quando fica em balanço). Este fenômeno, devido ao próprio trenó que ganha folga entre as guias pelo próprio peso, faz com que o utensílio siga uma trajetória não retilínea durante o seu curso de trabalho. Isto não se verifica nas plainas, pois o utensílio, como veremos, é fixado ao castelo de um travessão e não cumpre o movimento alternado; mas é a peça presa ao barramento, que passa alternadamente de baixo do utensílio. As plainas têm sido construídas com este princípio, admitem então o aplainamento de superfícies pertencentes a peças de notáveis dimensões. Por outro lado, o barramento porta-peça pode percorrer um curso notável sem dar origem à flexão alguma. As plainas, em linha geral, não são empregadas na produção nem de média nem de grande série; isto é devido ao tempo notável que se emprega numa operação de aplainamento. As plainas atualmente foram substituídas pelas fresas que executam os mesmos serviços com maiores recursos.

Plainas mecânicas

Pode-se classificar, em relação à sua forma construtiva, em:

Plainas de dois montantes.

Plainas de um só montante.

Antes de passar a discrição de cada tipo, chamamos a atenção sobre o fato de que uma plaina moderna deve dispor de uma discreta variedade de velocidade de corte e de retorno; isto se obtém com transmissões de dupla embreagem a comando mecânico ou eletro-magnético; ou, então, com motores de corrente contínua alimentada por grupos Wald-Leonard.

Plainas de dois montantes.

São os tipos mais usados porque apresentam grande robustez. Compõe-se principalmente de um embasamento A (de gusa), aos lados do qual enlevam-se dois montantes C: um a esquerda e outro à direta. Sobre o embasamento são cavadas as guias para o deslize da mesa B. Esta mesa, que deve levar a peça a ser aplainada, tem a possibilidade de translar com movimento alternado de vaivém. Os dois montantes C levam também guias laterais para o deslocamento do travessão D, que pode ajustar-se á altura mediante a rotação contemporânea dos dois fusos (visíveis cada um entre as guias dos montantes) vinculados às respectivas luvas roscadas. Ao longo do citado travessão pode correr, por sua vez, um carro que leva um trenó porta-utensílo E o qual realiza o movimento transversal de alimentação intermitente, segundo deslocamentos proporcionais obtidos ao fim de cada curso de retorno da mesa.

O campo magnético gerado atrai a junção D, para a direita ou para a esquerda, chegando em contato com os discos L ou L’; a junção põe-se assim a rodar com o eixo C, num ou noutro sentido; se a fricção atuar à direita, a mesa retrocede, se a fricção atuar à esquerda, a mesa avança com velocidade.

Plainas de um montante.

Empregam-se para o aplainamento de superfícies pertencentes a objetos de dimensões notáveis não contem níveis entre os montantes de uma das plainas já antes examinadas. As características destas máquinas são iguais aquelas já expostas, com a diferença que o travessão, achando-se em balanço, deve ser mais robusto para suportar e evitar as vibrações durante a remoção do cavaco. Também estas plainas podem ser do tipo de um só carro porta-utensílio, ou do tipo com mais carros.

Utensílios para aplainar

Noções gerais

Servem para realizar usinagem de aplainamento e de limadura respectivamente nas plainas e nas limadoras. Com relação ao movimento relativo os utensílios têm a mesma função de alisar planos. De qualquer maneira, o movimento é retilíneo, alternado e os utensílios são monos – cortantes.

Utensílios comuns e especiais para aplainar

Os utensílios, à segunda das funções a que se destinam, podem assumir formas que, na realidade, são as mesmas daquelas usadas pelos utensílios de torno. Claro que os tipos análogos são aqueles respondentes à exigência das plainas e das limadoras, isto é, de poder usinar em plano.

Muitas vezes, porém, usa-se a forma “de pescoço” da haste, isto é, para evitar o emperro e a conseqüente quebra do utensílio, por causa do momento fletente gerado pela reação dos esforços de corte. No utensílio para aplainar de acabamento. Os ângulos de saída tiram-se da tabela XIII. Para a usinagem das ligas leves , como é sabido, atribuem-se ângulos de corte muito agudos.

4. Procedimentos EXPERIMENTAIS.

Equipamentos e Materiais utilizados:

Furadeira de Coluna;

Plaina;

Paquímetro;

Brocas:

Centro, Aço, Strip Drill, Nitreto de Titânio.

Machos;

Acabamento, intermediário e desbaste;

Alargadores:

Helicoidal, expansivo e paralelo.

Alargador;

Furo-gira ou gira-macho;

Procedimentos efetuados:

Furadeira

Demarcamos a peça a ser trabalhada;
Efetuamos furo com uma broca guia (diâmetro menor);
Refuramos com a broca no diâmetro correto;
Utilizado escariador em um dos furos para confeccionar rebaixo;
Passado alargador helicoidal para melhorar o acabamento do furo;
Passados machos para confeccionar rosca;
Conferido medidas com o paquímetro.
Plaina

Demarcado na plaina o ângulo solicitado no desenho;
Iniciado o funcionamento do equipamento.

5.Análise dos resultados

Verificou-se que a maioria dos metais para se tornarem produtos acabados passam por alguma transformação plástica, e que os equipamentos como a furadeira e plaina necessitam de ferramentas adequadas para cada material e a regulagem de rotação e desbaste é essencial.

6.Conclusão

Conclui-se que a furadeira é uma ferramenta de grande ajuda na confecção de peças de formas definidas, pois em uma só chapa é possível fazer vários detalhes. A plaina por sua vez não possui tal característica, mas é de grande ajuda no corte de chapas, pois se consegue obter cortes rápidos e precisos nestas chapas, porém podendo ser substituída por uma fresadora que possibilita a confecção dos mesmos serviços e outros.

É possível construir a peça no desenho conforme 6.3-6, com os equipamentos apresentados em aula.

7.Referências Bibliográficas

FREIRE, J.M. Instrumentos e ferramentas manuais. Rio de Janeiro: Livros técnicos e científicos, 1978. 5v.

ROSSI, M. Máquinas ferramentas modernas. Madrid: Dossat, 1979.

Apostila Senac, Processos de Pordução-Maquinas Opertrizes.

TIPOS DE POLUIÇÃO

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Dependendo do elemento atingido, a poluição pode ser denominada de:
1. Poluição hídrica
Conforme consta no Decreto n.º 73.030/73, art. 13, § 1º, poluição da água é qualquer alteração de suas propriedades físicas, químicas ou biológicas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem estar das populações, causar dano à flora e à fauna, ou comprometer o seu uso para fins sociais e econômicos.
Quando se fala em poluição das águas, devem ser abrangidas não só as águas superficiais como também as subterrâneas.
Uma das principais fontes de poluição das águas são os resíduos urbanos, tanto os industriais quanto os rurais, que são despejados voluntária ou involuntariamente.
Como exemplos de materiais tóxicos que normalmente são despejados nas águas destacam-se metais pesados como o cádmio e o mercúrio, o chumbo, nitratos e pesticidas. Estes poluentes representando grande ameaça à qualidade da água, à saúde e ao meio ambiente, pois são capazes de provocar enormes danos aos organismos vivos, e, consequentemente à cadeia alimentar e à nossa saúde.
Portanto, medidas devem ser tomadas no sentido de recuperação dos rios e mananciais atingidos pela poluição para que se garanta à população o abastecimento de água não infectada. Dentre essas medidas, ressalta-se o tratamento dos esgotos urbanos.

2. Poluição atmosférica
Para que se entenda melhor o que é poluição atmosférica, é de suma importância que se conheça a composição normal do ar, que pode ter alguma variação de região para região, exposta a seguir:

* concentração variável ** partes por milhão

Feita essa breve exposição, podemos definir a poluição do ar como “a modificação da sua composição química, seja pelo desequilíbrio dos seus elementos constitutivos, seja pela presença de elemento químico estranho, que venha causar prejuízo ao equilíbrio do meio ambiente e consequentemente à saúde dos seres vivos”.

A poluição do ar é classificada em:
– poluição pelos detritos industriais;
– poluição pelos pesticidas; e,
– poluição radioativa.

Fontes de poluição atmosférica são:
– fixas (indústrias, hotéis, lavanderias etc.)
– móveis (veículos automotores, aviões, navios trens etc.)

Fatores que causam a poluição do ar:
– fatores naturais: são aqueles que têm causas nas forças da natureza, como tempestades de areia, queimadas provocadas por raios e as atividades vulcânicas.
– fatores artificiais: são aqueles causados pela atividade do homem, como a emissão de combustíveis de automóveis, queima de combustíveis fósseis em geral, materiais radioativos, queimadas etc.

Poluentes mais comuns do ar e suas principais fontes:

Fonte: O que é poluição química. Joel Arnaldo Pontin e Sergio Massaro. Ed. Brasiliense, 1993.

Já, entre as mais graves conseqüências da poluição atmosférica podemos citar a chuva ácida, o efeito estufa e a diminuição da camada de ozônio.

– Chuva ácida :
A chuva será considerada ácida quando tiver um pH inferior a 5,0, ocorrendo não apenas sob a forma de chuva, mas também como neve, geada ou neblina.
Decorre da queimada de combustíveis fósseis, produzindo gás carbônico, formas oxidadas de carbono, nitrogênio e enxofre. Esses gases, quando liberados para a atmosfera, podem ser tóxicos para os organismos.
O dióxido de enxofre provoca a chuva ácida quando se combina com a água presente na atmosfera, sob a forma de vapor. As gotículas de ácido sulfúrico resultantes dessa combinação geram sérios danos às áreas atingidas.
Além dos sérios danos ao meio ambiente natural, as chuvas ácidas também constituem séria ameaça ao patrimônio cultural da humanidade, corroendo as obras talhadas em mármore, que por ser uma rocha calcária, dissolve-se sob a ação de substâncias ácidas.

– Efeito estufa:
Fenômeno de elevação da temperatura média da Terra, que ocorre pelo aumento considerável na concentração de gás carbônico na atmosfera, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e desmatamentos, formando assim uma espécie de “coberta” sobre a Terra impedindo a expansão do calor.
O crescente aumento do teor do gás carbônico na atmosfera faz com que a temperatura da Terra esteja em constante crescimento, o que pode ocasionar grandes distúrbios climáticos.

– Diminuição da camada de ozônio:
O ozônio está presente na troposfera, que é a camada da atmosfera em que vivemos, e também em zonas mais altas da estratosfera, entre 12 e 50 km de altitude, tendo como função proteger o planeta da incidência direta de grande parte dos raios ultravioleta, que é um dos componentes da radiação solar.
Com a diminuição dessa camada de ozônio, os raios ultravioleta atingem a Terra de forma mais brusca, provocando graves doenças no ser humano, como câncer de pele, distúrbios cardíacos e pulmonares, queimaduras, problemas de visão etc. O ambiente também é diretamente atingido pelas modificações na cadeia alimentar, visto que certas espécies de animais e plantas são extremamente sensíveis a essa radiação, como os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas). Além disso, a destruição desta camada de ozônio pode contribuir com o derretimento de parte do gelo da calota polar, causando o superaquecimento do planeta.
Uma das grandes causas da diminuição da camada de ozônio tem sido a liberação de compostos químicos industriais na atmosfera, denominados de CFC (clorofluorcarbono), que é um gás não tóxico, inodoro, e quimicamente inerte. É usado em grande escala como agente refrigerador de geladeiras e aparelhos de ar condicionado, na manufatura de espumas de plástico e principalmente como propelente de sprays enlatados, e sua inércia química torna-o capaz de atingir grandes altitudes sem se modificar, até alcançar a estratosfera, onde a radiação ultravioleta provinda do Sol provoca a sua quebra. O cloro é liberado, reagindo com o ozônio, e desmembrando-o em uma molécula e um átomo de oxigênio.

3. Poluição do solo:
Conforme estabelece o Decreto n.º 28.687/82, art.72, poluição do solo e do subsolo consiste na deposição, disposição, descarga, infiltração, acumulação, injeção ou enterramento no solo ou no subsolo de substâncias ou produtos poluentes, em estado sólido, líquido ou gasoso.
O solo é um recurso natural básico, constituindo um componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais, um reservatório de água, um suporte essencial do sistema agrícola e um espaço para as atividades humanas e para os resíduos produzidos.

Degradação do solo por meio da:
– desertificação;
– utilização de tecnologias inadequadas;
– falta de práticas de conservação de água no solo;
– destruição da cobertura vegetal.

A contaminação dos solos dá-se principalmente por resíduos sólidos e líquidos, águas contaminadas, efluentes sólidos e líquidos, efluentes provenientes de atividades agrícolas etc. Assim, pode-se concluir que a contaminação do solo ocorrerá sempre que houver adição de compostos ao solo, modificando suas características naturais e as suas utilizações, produzindo efeitos negativos, chamados de poluição.
No controle da poluição do solo é válido citar o exposto pela CETESB, ressaltando que o controle da qualidade do solo envolve vários aspectos: produção agrícola ou pastoril, qualidade dessa produção, planejamento urbano, conservação ou preservação de matas e florestas etc. Vide o seu site www.cetesb.com.br

4. Poluição sonora:
Segundo a CETESB, em definição citada por Luís Paulo Sirvinskas ( Tutela Penal do Meio Ambiente. Ed. Saraiva, 1998), poluição sonora é a produção de sons, ruídos ou vibrações em desacordo com as precauções legais, podendo acarretar problemas auditivos irreversíveis, perturbar o sossego e a tranqüilidade alheias.
A poluição sonora pode causar ainda mau humor, doenças cardíacas e, consequentemente, queda na produtividade física e mental.
Esse tipo de poluição tem como causas principalmente o barulho de automóveis, aviões, obras, gritarias etc., podendo ser mais ou menos nociva, conforme sua duração, repetição e intensidade (em decibéis).
Ultimamente temos observado que a imprensa em geral tem dado atenção a reclamações das pessoas com referência aos ruídos ou barulhos principalmente em bares, casas noturna. Não é para menos, já que a aglomeração de pessoas, casas residenciais e comerciais está crescendo assustadoramente nas grandes cidades, o que torna as pessoas expostas a todas as formas de barulho.
A poluição sonora dá-se através do ruído que é o som indesejado, sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio ambiente.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 dB (A), acima disso o nosso organismo sofre de estresse, o qual aumenta o risco de doenças. Com ruídos acima de 85 dB (A) aumenta o risco de comprometimento auditivo. Sabe-se também que quanto mais tempo exposto, maior o risco da pessoa sofrer danos. Quanto a estes, dois fatores são determinantes para a sua amplitude: o tempo de exposição e o nível do barulho a que se expõe a pessoas ou pessoas, sendo de se observar que cada caso tem suas características e seu grau de conseqüência, o que exige estudos específicos para cada um.
Em se tratando de poluição sonora restrita a um determinada região ou área o problema torna-se muitas vezes de pequena proporção, mas quando ela atinge grande parte da cidade, como no caso de trânsito intenso e corredores de tráfego a questão passa a ser mais ampla e generalizada, pois além de ofender os moradores próximos às vias públicas barulhentas, atinge também os que passam por elas, tornando-se assim um problema de saúde pública. Já, na área trabalhista uma das principais causas da incapacidade funcional tem sido a perda da audição pela ocorrência do excesso de barulho no ambiente de trabalho, ou seja pela poluição sonora a que se expõe o trabalhador. No âmbito doméstico a poluição sonora ocorre pela emissão de ruídos acima das especificações produzidos por eletrodomésticos.

5. Poluição visual:
Trata-se da degradação do ambiente natural ou artificial que provoca incômodo visual.
O excesso de outdoors, propagandas, cartazes etc., faz com que a cidade fique visualmente poluída, pois estes além de deixarem a cidade feia, ainda a torna cada vez mais suja, devido aos papéis que são jogados na rua.
A gravidade deste tipo de poluição será ainda maior se o bem lesado for um bem tombado.

6. Poluição Luminosa
Uma das mais modernas formas de poluição é a poluição luminosa, caracterizada pelo excesso de brilho artificial produzido pelo homem nos centros urbanos e que tem prejudicado as condições de visibilidade noturna dos corpos celestes. Esse tipo de poluição vem sendo detectada por estudiosos e consta no site da Royal Astronomical Society (www.ras.org.uk). A poluição luminosa vem prejudicando a paisagem celeste noturna, impedindo o estudo dos astrônomos, tanto amadores, quanto profissionais, bem como todos aqueles que querem usufruir da visão das estrelas. A paisagem celeste deve, como todo bem ambiental, ser preservada.
Daí a importância dos estudos nesta área para tentar diminuir este prejuízo visual que já atinge grande percentual de pessoal em todo o mundo.

7. Poluição radioativa
Para que se fale em poluição radioativa, devemos primeiramente definir radiação.
Radiação é o efeito químico proveniente de ondas e energia calorífera, luminosa etc. Existem três tipos de radiação: raios alfa e raios beta, que têm a absorção mais fácil, e raios gama, que são muito mais penetrantes que os primeiros, já que se tratam de ondas eletromagnéticas.
O contato contínuo à radiação causa danos aos tecidos vivos, tendo como principais efeitos a leucemia, tumores, queda de cabelo, diminuição da expectativa de vida, mutações genéticas, lesões a vários órgãos etc.
Assim, poluição radioativa é o aumento dos níveis naturais de radiação por meio da utilização de substâncias radioativas naturais ou artificiais.
A poluição radioativa tem como fontes :
– substâncias radioativas naturais: são as substâncias que se encontram no subsolo, e que acompanham alguns materiais de interesse econômico, como petróleo e carvão, que são trazidas para a superfície e espalhadas no meio ambiente por meio de atividades mineratórias;
– substâncias radioativas artificiais: substâncias que não são radioativas, mas que nos reatores ou aceleradores de partículas são “provocadas”.
A fonte de poluição radioativa predominante é a natural, pois a poluição natural da Terra é muito grande, decorrente do decaimento radioativo do urânio, do tório e outros radionuclídeos naturais.
Finalmente, devemos lembrar que a poluição radioativa provém principalmente de: indústrias, medicina, testes nucleares, carvão, radônio, fosfato, petróleo, minerações, energia nuclear, acidentes radiológicos e acidentes nucleares.

Por último podemos observar que em qualquer dos tipos acima expostos, a poluição pode ocorrer principalmente por meio de:
– Agentes bacteriológicos: tendo como causas esgotos e adubos, e consistindo na contaminação por bactérias, vírus e outros micróbios portadores de doenças;
– Agentes químicos: tendo como causas óleos, inseticidas, detergentes sintéticos, adubos químicos e esgotos, e consistindo na contaminação por meio de elementos químicos que podem destruir a fauna e a flora;
– Agentes físicos: tendo como causas erosão, húmus, vegetação e a própria atividade humana, resultando alteração da cor, gosto, cheiro e temperatura da água;
– Partículas radioativas: caracterizada pela presença de materiais radioativos das centrais ou explosões nucleares.