O QUE É POLUIÇÃO

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A definição de poluição pode ser dada conforme discorre a Lei n.º 6.938/81 como a “degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”.

Estão elencados os seguintes crimes na seção referente à poluição e outros crimes ambientais (arts. 54-61 da Lei 9.0605/98):

1. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortalidade de animais ou a destruição significativa da flora. Se este crime tiver os resultados de: tornar um área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana; causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população; causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade; dificultar ou impedir o uso público das praias; ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos, haverá aumento de pena, pois será o tipo qualificado, incorrendo ainda nas mesmas penas quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível;

2. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida, incorrendo nas mesmas penas quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente;

3. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos. Incorrerá nas mesmas penas quem abandona os produtos ou substâncias referidos , ou os utiliza em desacordo com as normas de segurança;

4. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes;

5. Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas;

POLUIÇÃO GASOSA SOB O ASPECTO QUÍMICO

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Os componentes do ar atmosférico

O ar atmosférico é o envoltório gasoso da Terra, constituído principalmente de oxigênio e nitrogênio. Retirando-se do ar o anidrido carbônico e a água nele contida, 78,110% do volume restante cabem ao nitrogênio, 20,953% ao oxigênio, 0,934% ao argônio. As quantidades de neônio, hélio, criptônio, xenônio, hidrogênio, metano e óxido nitroso somam menos de 0,01% – em proporções individuais que variam de 0,001818 a 0,000050%. O anidrido carbônico ocupa normalmente 0,01 a 0,1% do volume do ar; a proporção de água pode variar de zero a 7%, e a de ozônio de zero a 0,000007%. Outros elementos como dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, amoníaco e óxido de carbono, cuja presença em geral não ultrapassa de limites dificilmente mensuráveis, devem ser considerados como impureza do ar devidas à poluição por industrias e veículos. O teor de óxido de carbono é mais elevado nas cidades e nas florestas onde apodrecem folhas, do que nos campos abertos. O anidrido carbônico desempenha papel importante na retenção dos raios infravermelhos da Terra. O peso de um litro de ar, a 0ºC e ao nível do mar, é de 1,2928 grama.

A composição do ar foi determinada pela primeira vez com exatidão por Lavoisier, que aqueceu em recipiente fechado uma quantidade conhecida de ar, em contato com mercúrio; ao cabo de doze dias, o mercúrio absorvera um quino do ar existente e apresentava-se coberto de placas vermelhas; mediante novo aquecimento, Lavoisier fez o mercúrio liberar uma quantidade equivalente de oxigênio.

Entre 1783 e 1785, Cavendish verificou que outras substâncias, além do oxigênio e do nitrogênio, entravam na composição do ar com cerca de 5%. E Ramsay descobriu, um século mais tarde, a existência de gases raros na composição do ar.

Uma das fontes mais importantes do oxigênio do ar são as plantas, que o repõem durante a noite: esse oxigênio é absorvido pela respiração dos homens e animais, pela oxidação de metais e por diversos tipos de combustão, que têm sido objeto de estudos relativos ao equilíbrio dos elementos químicos da atmosfera.

O ar pode liqüefazer-se por resfriamento a – 193º sob forte pressão, constituindo então um líquido incolor que poder ser conservado por alguns dias em vasos de Dewar (recipientes munidos de duas paredes interiores de prata separadas por vácuo perfeito). O ar líquido e seus componentes, o nitrogênio e o oxigênio líquidos, obtidos por destilação fracionada, são produtos de grande importância para a indústria e para numerosos ramos de pesquisa. O nitrogênio líquido, por exemplo, é utilizado na conservação, supercongelamento e transporte de produtos alimentares.

O que é a poluição do ar?

Poluição: 1. Ato ou efeito de poluir, de degradar um determinado meio natural; poluição. – 2. O fato mesmo de esta poluído, ex.: a poluição atmosférica.

Poluição atmosférica é a emissão de gases tóxicos e de material particulado na atmosfera tem crescido em quase todas as grandes aglomerações urbanas e industriais do mundo, afetando não só a qualidade local do ar, mas produzindo efeitos que se manifestam a grandes distâncias e a longo prazo. Os ventos podem transportar os poluentes para longe, submetendo novas áreas a chuvas ácidas que destroem a vegetação e contaminam o solo. Nas cidades, os automóveis são responsáveis por uma parcela considerável da poluição do ar, já que os gases produzidos pelos motores a explosão contém poluentes diversos: óxidos de nitrogênio (NO e NO2) e monóxido de carbono, derivados oxigenados dos hidrocarbonetos, como aldeídos e peróxidos, partículas residuais da combustão, além de chumbo, até há pouco adicionado como antidetonante à gasolina. Nas baixas camadas da atmosfera e em presença da radiação ultravioleta e de hidrocarbonetos não queimados pelos motores, os óxidos de nitrogênio transformam-se em compostos fotoquímicos como o peroxi-acetil nitrato, extremamente tóxico para os vegetais.

As indústrias químicas, siderúrgicas, de eletrólise do alumínio, as fábricas de cimento, de papel, as refinarias de petróleo, os incineradores de lixo doméstico e industrial estão entre as principais fontes de emissão de poluentes. A nível global, os efeitos da poluição atmosférica podem ser detectados na modificação do teor gasoso do ar (proporções de vapor d’água, de CO2), na quantidade crescente de material particulado em suspensão na atmosfera, que a torna mais opaca e altera, em conseqüência, o balanço energético do planeta, podendo influir na evolução dos climas. A temperatura do ar também é modificada pela atividade humana, sendo possível detectar ilhas de calor sobre as grandes cidades. O lançamento de certas substâncias na atmosfera, como o clorofluorcarbono dos aerossóis, pode mesmo provocar alterações até a grandes altitudes, como a destruição, já verificada, da camada de ozônio sobre certos pontos da superfície do globo terrestre.

A poluição e seus agentes:

Se por um lado a civilização trouxe progresso e conforto ao homem, por outro lado provocou sérias alterações no equilíbrio natural. A sociedade industrial, que se desenvolveu a partir da segunda metade do século passado, não só consome recursos naturais, como despeja na biosfera toda sorte de detritos nocivos à saúde humana, animal e vegetal.

Toda vida, seja ela animal ou vegetal, ocorre numa faixa denominada biosfera, que inclui a superfície da Terra, os rios, lagos, mares e oceanos e parte da atmosfera. E a vida só é possível nessa faixa porque aí se encontram os gases necessários às espécies terrestres e aquáticas: oxigênio e nitrogênio. As proporções ideais desses gases no ar que respiramos devem ser aproximadamente 79% de nitrogênio e 21% de oxigênio. Quando tais proporções não são atingidas, diz-se que o ar está poluído.

Poluição, no sentido extenso, pode ser entendida como toda modificação química, física ou biológica do meio ambiente, que pode causar danos ao homem ou ao próprio ambiente, como a fauna e a flora.

Os agentes da poluição do ar são os resíduos de coisas fabricadas, usadas e jogadas fora; são gases nocivos à saúde ou mesmo de odor desagradável; são materiais radiativos no ar, em quantidades que possam afetar o homem – mesmo indiretamente, através dos vegetais e animais que o alimentam; são partículas resultantes da queima incompleta do carvão, da lenha, do óleo combustível.

Esses poluentes da atmosfera são encontrados em três estados: sólido, líquido e gasoso. Os poluentes sólidos consistem em partículas que resultam de vapores de metais fundidos que se oxidam e formam o que se chama fumo. As partículas de mais de 100 micra (milésimos de milímetro), que são lançadas no ar pelo vento ou por meios mecânicos, formam as poeiras. O resultado da queima incompleta de elementos combustíveis – lenha, carvão, óleo – são partículas extremamente pequenas de carbono, que produzem fumaça.

Um exemplo de poluente líquido é o ácido sulfúrico, resultante da combinação do anidrido sulfuroso – proveniente dos motores a combustão – com as moléculas de água suspensas no ar.

Quanto aos agentes gasosos da poluição, são gases liberados por águas contaminadas, corpos decompostos, motores, etc. Assim, organismos putrefatos desprendem metano, gás venenoso de cheiro nauseabundo. Os automóveis soltam o monóxido de carbono, altamente tóxico.

Os poluentes sólidos geralmente são visíveis. Por essa razão, os protestos públicos quase sempre se dirigem contra eles. Os poluentes gasosos só chegam a ser percebidos quando o cheiro que exalam é suficientemente forte. Mas então sua concentração na atmosfera já é tão alta que o perigo que representam para a saúde pode ser extremamente grave.

O lixo da civilização:

Um homem adulto consome diariamente 1,5kg de alimento sólido, 2kg de água e 15kg de ar, do qual os retiram o oxigênio que o sangue distribui pelo corpo. Esse mesmo homem pode viver cinco semanas sem comida, cinco dias sem água, mas não mais que cinco minutos sem ar. Isso significa que somos obrigados a respirar o ar disponível – poluído ou não.

Veículos e indústrias são dois dos maiores fornecedores de agentes da poluição. Chaminés despejam, sem parar, toneladas de enxofre, óxido de nitrogênio, ácido sulfúrico, dióxido de enxofre, ácido fluorídrico, hexacloreto de benzeno, sulfeto de carbono, cloro, fenóis, e outras substâncias nocivas.

Um automóvel em movimento solta monóxido de carbono (CO) pelo cano de escapamento. Esse gás é mortal em ambiente fechado. Mas sua presença no ar que nos cerca nas ruas é suficiente para causar problemas ao coração, á pele e ao delicado sistema nervoso central.

Outro gás encontrado na descarga de automóveis é o dióxido de nitrogênio (NO2), que ataca as mucosas pulmonares, provocando ardências, dores de garganta, violentos acessos de tosse e falta de ar.

Os adtivos dissolvidos na gasolina contêm chumbo tetraetila. Em suspensão no ar, ele é facilmente absorvido pelo organismo. Depositando-se nos ossos, em algum tempo causa gravíssimas intoxicações. Em casos agudos, pode provocar estado de coma, convulsões epilépticas, morte prematura ou defeitos físicos permanentes. Mulheres grávidas expostas a esse poluente estão sujeitas a abortos e partos prematuros. Uma simples freada liberta partículas de amianto, consideradas cancerígenas.

Não é sem razão que um relatório da Organização Mundial de Saúde, publicado em 1972, mostrou que as cidades se tornaram perigosos “focos cancerígenos”, ou seja, as populações urbanas contraem câncer com mais freqüência que as rurais. A poluição é, certamente, um do motivos. Determinadas zonas de São Paulo, Tóquio e Detroit concentram os maiores índices de poluição do planeta.

As armas de defesa:

As sérias conseqüências da poluição fizeram com que governos e empresas se preocupassem com os meios de combatê-la. Assim, vários equipamentos foram desenvolvido para diminuir os efeitos nocivos da emissão de agentes poluentes na atmosfera, mas nenhum deles é totalmente eficaz.

Eis alguns dos equipamentos mais utilizados na tentativa de neutralizar a ação dos poluentes sólidos.

Câmara de precipitação: recipientes onde a velocidade dos gases de descarga de veículos, de máquinas, etc., é diminuída de tal modo que as partículas sólidas podem se depositar, purificando o ar. Além de serem muito grandes, essas câmaras constituem uma espécie de “peneira grossa”, ou seja, partículas microscópicas, com diâmetro de 40 a 50 micra, podem escapar, permanecendo no ar. Os silenciadores de escapamento, por exemplo, desempenham também essa função de câmaras de precipitação.

Recolhedores em ciclone: imprimem ao ar um movimento circular ascendente. Durante o movimento, pela força da inércia, as partículas sólidas dirigem-se para baixo, sendo recolhidas. O ar que ficou purificado escoa pela extremidade superior da instalação. Empregam-se ciclones em vários tipos de indústria.

Depuradores a água: o ar é “lavado” por uma chuva de pequenas gotas de água, que recolhe as partículas sólidas e as carrega para uma câmara de coleta. Para um funcionamento eficiente desse sistema, as partículas não devem ter diâmetros inferiores a 30 micra. Usam-se tais depuradores, por exemplo, na indústria têxtil, nas quais há fibras em suspensão no ar.

Filtros eletrostáticos: este sistema consiste em carregar de eletricidade as partículas suspensas, que, a seguir, são atraídas para uma placa, na qual existe uma carga elétrica contrária. Tais filtros são empregados em modernas fábricas de talco e de cimento, por exemplo, saindo o ar pela chaminé com 99,5% de pureza.

No caso da poluição gasosa causada pela combustão incompleta, que dá origem aos gases venenosos como o monóxido de carbono, o dióxido de nitrogênio e o dióxido de enxofre, a solução é aperfeiçoar os processos de combustão. Eleva-se a temperatura ou empregam-se catalisadores como a platina, que reduzem os efeitos nocivos. Quando a poluição é de gás sulfídrico (H2S), pode-se proibir o uso de carvões e óleos combustíveis com elevado teor de enxofre. Ou adotar o gás natural – uma mistura mais simples – como combustível.

Outros poluentes gasosos podem ser eliminados ou diminuídos pelo processo de absorção, que é a incorporação de uma substância à superfície da outra – geralmente gel de sílica ou carvão ativo (isto é, finamente dividido).

A redução dos gases nocivos na descarga dos veículos motorizados pode ser obtida através da utilização de equipamentos que recirculam esses gases, fazendo-os dissolver-se em alta temperatura. É o caso das câmaras de pós-combustão dos modernos jatos, que produzem um empuxo adicional.

Outra forma de reduzir a poluição causada por automóveis é passar a produzir gasolina sem chumbo tetraetila, um aditivo utilizado há mais de 50 anos, para impedir a explosão espontânea da gasolina.

Uma luta de todos:

Multidões andando pelas ruas com máscaras contra gases; as luzes permanentemente acesas para combater a escuridão provocada pela fumaça constante; árvores e parques protegidos por redomas de vidro. Este quadro não está longe de se tornar realidade nas grandes metrópoles do mundo. Apesar dos esforços desenvolvidos por algumas empresas e governos, o processo da poluição do ar parece irreversível. Somente uma modificação radical no conceito de cidade poderá evitar que esse processo leve a humanidade a um final desastroso. Já foi dito que a única solução viável para os problemas de Nova Iorque seria evacuar a cidade e destruí-la com uma bomba atômica, para depois começar tudo de novo, evitando os erros do passado. Resta esperar que a tecnologia encontre soluções menos drásticas, e que as cidades voltem a ser os lugares belos e agradáveis que um dia foram.

Rodízio de carros: Controle de emissão de gases

Os veículos automotores em circulação são as principais fontes de poluição nas grandes cidades.

Todos os poluentes emitidos pelos veículos são prejudiciais à saúde. Contudo, a fumaça preta, gerada pelos veículos movidos a óleo diesel, apresentam um grau de agressão maior.

No inverno, o problema da poluição se agrava por causa da inversão térmica (fenômeno causado pela prisão de uma massa de ar quente, por duas de ar frio), falta de chuvas e ventos para dispersão dos poluentes na atmosfera.

Nos períodos em que ocorre um aumento considerável da concentração de partículas inaláveis no ar, pesquisas médicas comprovam um elevado aumento das doenças respiratórias, cardíacas e oculares, e no número de mortes, em crianças e idosos.

Como prevenção e colaboração, sugerimos algumas medidas abaixo:

– Evite circular com o veículo nos horários do rush;

– Mantenha sempre o motor do veículo com as regulagens originais de fábrica;

– Não acelere o veículo desnecessariamente;

– Evite excesso de carga (caminhões), e peso morto nos automóveis (carregar tranqueiras);

– Pneus descalibrados;

– Não retire o catalisador dos veículos de passeio, obrigatório por lei nos veículos de 1991 em diante;

– Não abra a bomba injetora (veículos a diesel);

– Abasteça o veículo com combustível de boa qualidade;

– Desligue o veículo quando ficar retido dentro de túneis, ou em congestionamentos;

Observando as sugestões acima, você estará evitando multas e economizando dinheiro e combustível, além de colaborar com a qualidade do ar o ano todo.

Pela Lei n.º 9.358 de 13/06/1996, estão liberados do rodízio, mas não das multas por dispersão de poluente, os seguintes veículos:

– Emergência (Bombeiros, Viaturas Policiais, Ambulâncias);

– Prestações de serviços essenciais (Serviços da Água, Luz, Gás, Telefone);

– Transportes de valores, coletivos, escolares;

– Motos;

– Táxis;

– Tratores e máquinas;

Os valores da multa para o mês de Agosto/96, são:

– Por dispersão de poluentes (excesso de fumaça)- 60 UFESP’s

– Por não obedecer ao rodízio de veículos- R$ 100,00, por dia de infração, dobrando de valor no caso de reincidência.

No caso de se observar quaisquer anomalia no veículo, comunicar ao Despachante de veículos, informando o problema.

Fonte de informações: Operação Caça Fumaça – Operação Rodízio – S.M.A. – CETESB – 1996.

Resumo do aluno:

Os gases são formados de partículas tão minúsculas que não dá para vê-las. Por isso, sempre que dois ou mais gases se misturam, formam uma mistura homogênea, isto é, uma solução.

Daí podemos dizer que o ar é uma mistura homogênea gasosa formada principalmente de nitrogênio e oxigênio. No ar também temos argônio e gás carbônico em quantidades muito pequenas. Também temos um pouco de vapor d’água. Em 5 litros de ar temos 4 litros de nitrogênio e 1 litro de oxigênio. Portanto, em 50 litros de ar temos 40 de nitrogênio e 10 de oxigênio. Ou ainda, 100 litros de ar são 80 de nitrogênio e 20 de oxigênio. Em números mais precisos, são 78 litros de nitrogênio e 21 litros de oxigênio. Portanto o ar tem 78% de nitrogênio e 21% de oxigênio. Isso significa que, se tivermos 100 partículas de ar no total, teremos 78 de nitrogênio e 21 de oxigênio.

Somando: 78 + 21 = 99

A partícula que falta para completar 100 é de argônio. No ar também há gás carbônico, só que muito pouco, sua porcentagem no ar é de 0,03%. A quantidade de vapor d’água no ar varia, quando o dia está úmido, há mais vapor d’água no ar.

Nas grandes cidades, o ar contém nitrogênio, oxigênio, argônio, gás carbônico, vapor d’água e mais os poluentes. Os poluentes são substâncias jogadas no ar pelo homem. São substâncias produzidas principalmente por carros, caminhões, ônibus e fábricas. Os poluentes do ar são muitos. Um deles é o monóxido de carbono. Outro é o pó, que os técnicos chamam de material particulado, isto é, uma substância em forma de partículas. O monóxido de carbono é formado na queima de madeira, gasolina, gás de cozinha, etc., feita com pouco ar. Isso acontece quando se queima carvão ou madeira numa casa fechada ou se liga o motor de um carro numa garagem fechada. Poeira, que é pó muito fino, é um poluente difícil de evitar, pois muitas coisas que fazemos produzem pó.

Existem mais outros poluentes. Um deles é uma outra “forma” de nitrogênio. O nitrogênio é uma substância muito estável mas pode ser transformado dentro do motor de um carro, porque a temperatura é muito alta. Essa substância é prejudicial.

A qualidade do ar depende da quantidade de poluentes. Todos nós podemos contribuir para melhorar a qualidade do ar, não o poluindo.

Quando se diz ar atmosférico puro, não se quer dizer substância pura. Ar puro quer dizer ar que não tem substâncias poluentes. O ar do campo é mais puro que o da cidade, mas isso não quer dizer que é oxigênio puro. Isso quer dizer que no ar do campo tem menos substâncias poluentes que o ar da cidade.

Nossa saúde depende diretamente da qualidade do ar. Ar poluído causa doenças. Quando respiramos, todos os gases do ar entram no pulmão. Mas só o oxigênio é aproveitado. Os outros gases que estão naturalmente no ar ( nitrogênio, argônio, gás carbônico e vapor d’água) não atrapalham. Porém, os gases poluentes são prejudiciais. Quando respiramos, o oxigênio se liga a uma substância do sangue e é levado para todo o corpo. Com o nitrogênio não acontece nada, ele sai quando soltamos o ar.

O nitrogênio e o oxigênio têm propriedades diferentes, vejamos algumas:

– Nitrogênio é um gás incolor.

Oxigênio é um gás incolor.

– Nitrogênio forma mistura homogênea com oxigênio.

Oxigênio forma mistura homogênea com nitrogênio.

– Oxigênio se liga ao ferro e forma ferrugem.

Nitrogênio não se liga ao ferro.

– Oxigênio faz uma vela queimar.

Nitrogênio não deixa uma vela queimar.

– Oxigênio se liga a uma substância do sangue e é carregado por ele.

Nitrogênio não se liga a nenhuma substância do sangue.

Descreva a Reprodução de um Virus

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Estrutura de um vírus
Ele é formado por um capsídeo de proteínas que envolve o ácido nucléico, que pode ser RNA (ácido ribonucléico) ou DNA (ácido desoxirribonucléico). Em alguns tipos de vírus, esta estrutura é envolvida por uma capa lipídica com diversos tipos de proteínas.

Vida
Um vírus sempre precisa de uma célula para poder replicar seu material genético, produzindo cópias da matriz. Portanto, ele possui uma grande capacidade de destruir uma célula, pois utiliza toda a estrutura da mesma para seu processo de reprodução. Podem infectar células eucarióticas (de animais, fungos, vegetais) e procarióticas (de bactérias).

Classificação
A classificação dos vírus ocorre de acordo com o tipo de ácido nucléico que possuem, as características do sistema que os envolvem e os tipos de células que infectam. De acordo com este sistema de classificação, existem aproximadamente, trinta grupos de vírus.

Ciclo Reprodutivo
São quatro as fases do ciclo de vida de um vírus:
1. Entrada do vírus na célula: ocorre a absorção e fixação do vírus na superfície celular e logo em seguida a penetração através da membrana celular.
2. Eclipse: um tempo depois da penetração, o vírus fica adormecido e não mostra sinais de sua presença ou atividade.
3. Multiplicação: ocorre a replicação do ácido nucléico e as sínteses das proteínas do capsídeo. Os ácidos nucléicos e as proteínas sintetizadas se desenvolvem com rapidez, produzindo novas partículas de vírus.
4. Liberação: as novas partículas de vírus saem para infectar novas células sadias.

Curiosidades:
– Exemplos de doenças humanas provocadas por vírus: hepatite, sarampo, caxumba, gripe, dengue, poliomielite, febre amarela, varíola, AIDS e catapora.
– Os antibióticos não servem para combater os vírus. Alguns tipos de remédios servem apenas para tratar os sintomas das infecções virais. As vacinas são utilizadas como método de prevenção, pois estimulam o sistema imunológico das pessoas a produzirem anticorpos contra determinados tipos de vírus.

Graus Celsius x Fahrenheit

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O grau Celsius (símbolo: °C) designa a unidade de temperatura, assim denominada em homenagem ao astrônomo sueco Anders Celsius (1701–1744), que foi o primeiro a propô-la em 1742. A escala de temperatura Celsius foi concebida de forma a que o ponto de congelação (congelamento) da água correspondesse ao valor zero, e o ponto de evaporação correspondesse ao valor 100, observados a uma pressão atmosférica padrão.

Como existem cem graduações entre esses dois pontos de referência, o termo original para este sistema foi centígrado (100 partes) ou centésimos. Em 1948, o nome do sistema foi oficialmente modificado para Celsius durante a 9ª Conferência Geral de Pesos e Medidas (CR 64), tanto em reconhecimento a Celsius como para eliminar a confusão causada pelo conflito de uso do prefixos centi do SI. Portanto, não é conveniente dizer “grau centígrado”, mas sim, “grau Celsius”.

Enquanto que os valores de congelação e evaporação da água estão aproximadamente corretos, a definição original não é apropriada como um padrão formal: ela depende da definição de pressão atmosférica padrão, que por sua vez depende da própria definição de temperatura. A definição oficial atual de grau Celsius define 0,01 °C como o ponto triplo da água, e 1 grau Celsius como sendo 1/273,16 da diferença de temperatura entre o ponto triplo da água e o zero absoluto. Esta definição garante que 1 grau Celsius apresenta a mesma variação de temperatura que 1 kelvin.

Termohigrômetro digital com um termopar em seu interiorAnders Celsius propôs inicialmente que o ponto de congelação fosse 100 grau Celsius, e o ponto de evaporação 0 grau Celsius. Isso foi invertido em 1747, sob instigação de Linnaeus, ou talvez de Daniel Ekström, o construtor da maior parte dos termômetros usados por Celsius.

A escala Fahrenheit

Devido às baixas temperaturas verificadas nos países do norte da Europa, Gabriel Fahrenheit havia desenvolvido uma escala prévia para conseguir medir as baixíssimas temperaturas destas regiões.

Conversão
O método de conversão para Fahrenheit consiste em multiplicar o valor em grau Celsius por 1,8 e somar 32 ao resultado.

De maneira similar, para converter grau Fahrenheit para grau Celsius, subtrai-se 32 e divide-se o resultado por 1,8.

Atualidade

A escala Celsius é usada em quase todo o mundo quotidianamente, apesar de ter sido chamada de centígrada até o final de 1980 e início de 1990, principalmente em previsões do tempo em redes de rádio e televisão européias como a BBC, a ITV, e RTÉ.

Nos EUA, Fahrenheit é a escala preferida para medidas de temperatura no dia a dia. Deve ser notado, no entanto, que mesmo estes países usam Celsius ou Kelvin em aplicações científicas.

Termômetro de rua.Em telejornais e termômetros de grandes avenidas do Brasil sempre se referem à temperatura na escala Celsius, expressando-a apenas com o símbolo do grau (°). Tal notação provoca algumas confusões para visitantes norte-americanos e é considerada errada pelo SI (Sistema Internacional de Unidades), uma vez que o símbolo do grau após a grandeza numérica desacompanhado da letra C representa o símbolo de ângulo.

Os termômetros científicos têm em seu interior mercúrio, sendo que os caseiros geralmente contêm álcool (de cor azulada). Os mais modernos e também precisos são feitos pela união de dois metais diferentes, originando um termopar. A maioria dos termômetros e termostatos modernos utilizam um termopar.

Representação da unidade “grau Celsius”

A Resolução Conmetro nº 12, de 12/10/1988, adota o Quadro Geral de Unidades de Medida e encarrega o INMETRO de propor as modificações que se tornarem necessárias a esse Quadro, de modo a resolver casos omissos, mantê-lo atualizado e dirimir dúvidas que possam surgir na interpretação e na aplicação das unidades legais.

– O subitem 3.5 do Anexo A dessa Resolução Conmetro trata de espaçamento entre número e símbolo, e estabelece que o espaçamento entre número e o símbolo da unidade correspondente deve atender à conveniência de cada caso, por exemplo:

a) Em frases de textos correntes, é dado normalmente o espaço correspondente a uma ou meia letra, mas não se deve dar espaçamento quando há possibilidade de fraude;

b) Em colunas de tabelas, é facultado utilizar espaçamentos diversos entre números e os símbolos das unidades correspondentes.

– A Resolução Conmetro nº 12/1988 tem como base os parâmetros preconizados pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), que edita regularmente publicação sobre as unidades do Sistema Internacional de Unidades – SI.

– O subitem 5.3.3 da 8ª edição (2006) da publicação do BIPM estabelece condições para a escrita do valor de uma grandeza nos seguintes termos:

a) O símbolo da unidade deve ser colocado sempre após o valor numérico da expressão para uma grandeza, deixando um espaço entre o valor numérico e o símbolo da unidade.

b) As únicas exceções à regra são os símbolos da unidade para o grau, minuto e segundo do ângulo plano, ° ; ´ ; e ” , respectivamente, para os quais não há espaço entre o valor numérico e o símbolo da unidade.

c) Deve ser notado que, de acordo com esta regra, o símbolo “°C” para o grau Celsius deve ser precedido por um espaço quando expressar uma temperatura na escala Celsius, conforme representado abaixo:

Representação da unidade “grau Celsius” em computadores

Em Unicode, o símbolo do grau é U+00B0 (°), enquanto que o respectivo código HTML é ° e o código Alt+ é Alt+0167.

Devido à semelhante aparência deste símbolo com outros símbolos no écran do computador ou em certas impressões, como o indicador masculino de ordinal (º), pode haver problemas na procura de textos com estes símbolos. Sendo assim, para teclados que não diferem entre o símbolo do grau e ordinal, utilize:

grau Celsius: ALT + 0167 seguido da letra C.
indicador masculino de ordinal: ALT + 167.

Calculadora Online para Conversão de temperatura

A Confederação de Delos e a Guerra do Peloponeso

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Enquanto Atenas consolidava o regime democrático, os persas, que já eram senhores de grandes domínios no Oriente, avançavam em direção ao Oeste. Sob o comando do Imperador Dario I, chegaram à Ásia Menor, onde atacaram Mileto, Éfeso e as ilhas de Samos e Lesbos.

Após algum tempo de submissão, essas regiões rebelaram-se e solicitam auxílio à Atenas que enviou apoio militar; porém esses reforços foram insuficientes permitindo que os persas destruíssem Mileto e avançassem sobre a Grécia. Estavam começando as Guerras Médicas…

A primeira expedição enviada por Dario I foi desbaratada em Maratona em 490 a.C., numa batalha em que os gregos, apesar da inferioridade numérica, venceram o conflito.

Nos anos seguintes, Atenas reforçou o seu poder marítimo, ao mesmo tempo em que modernizou o exército, preparando as cidades gregas para enfrentar os novos ataques dos persas. Quando Xerxes, sucessor de Dario I, deu início à segunda investida contra o território grego, os persas quase conseguiram dominar a Grécia, quando o exército espartano chegou a invadir e incendiar Atenas, porém, os persas foram derrotados na batalha naval de Salamina.

Sem suprimentos e reforços, as forças persas recuaram para a Ásia Menor, sendo derrotados na batalha de Platéia em 479 a.C., por forças atenienses e espartanas.

O período compreendido entre os anos 461 a.C. e 429 a.C. é considerado a “Idade de Ouro” de Atenas, quando a cidade viveu o seu auge econômico, militar, político e cultural. Durante esses trinta anos, sob o governo de Péricles, Atenas tornou-se a cidade mais importante da Grécia. Historicamente, esse período é chamado de “O Século de Péricles”.

Péricles também se empenhou na reconstrução e no embelezamento de Atenas, tendo construído o Parthenon – templo dedicado à deusa Atena e as novas muralhas em torno da cidade.

Nessa época, Atenas tinha quarenta mil cidadãos que, somados às suas famílias, totalizavam um total de 150 mil pessoas; os estrangeiros chegavam a 50 mil, e os escravos chegavam perto de 120 mil pessoas; assim, de uma população estimada em 320 mil pessoas, apenas 40 mil participavam do sistema democrático.

Com o decorrer do tempo, a presença ateniense na Confederação de Delos, assumiu um caráter imperialista. Atenas interferia na política e na sociedade dos demais aliados. Após pressões atenienses, o tesouro da Confederação de Delos, foi transferido para Atenas.

Por causa desse fato, alguns Estados-membros da Confederação quiseram se retirar, porém Atenas obrigou-os a permanecer por meio da força, transformando-os de aliados que eram, em Estados pagadores de tributos ao tesouro central da Confederação, localizado em Atenas.

Em Atenas, Péricles era democrata, mas em relação a outros Estados tinha uma postura imperialista.

Foi com os recursos advindos da dominação interna, da escravidão e do imperialismo externo que os atenienses ostentavam o status de cidadãos e garantiam o esplendor econômico e cultural do Século de Péricles, porém, as demais cidades-Estado que haviam adotado a aristocracia, representadas, especialmente por Esparta, se opunham ao expansionismo ateniense, considerando-o um perigo econômico e político.

Perante esse quadro e sob liderança Espartana, essas cidades-Estado, organizaram a sua própria liga, a Confederação de Peloponeso.

Em 431 a.C., as duas cidades rivais (Atenas e Esparta) entraram em conflito, devido a uma disputa comercial entre Atenas e Corinto, antiga aliada de Esparta. Esparta tinha um exército forte, ao passo que o poderio ateniense estava no poderio marítimo; inicialmente, Esparta conseguiu predominar, arrasando os campos de Ática, obrigando os seus habitantes a se refugiarem dentro das muralhas atenienses; a superpopulação ajudou na propagação de uma epidemia que atingiu inclusive Péricles.

A partir daí, foi declarada uma guerra, que desgastou ambos os lados, pois os conflitos duraram dez anos, sem nenhum vencedor ou derrotas decisivas.

Em 421 a.C., foi assinada a Paz de Nícias, rompida por Atenas sete anos depois, reiniciando os conflitos, que só se encerraram com a vitória espartana na batalha de Egon Potamos, em 404 a.C., obrigando Atenas a entregar a sua marinha, a demolir as suas fortificações e a renunciar ao seu imperialismo.

Com o encerramento das hostilidades, iniciou-se o período da hegemonia espartana, com a ascensão dos governos oligárquicos, acarretando o fim do regime democrático em Atenas que foi substituído por um Conselho formado por trinta cidadãos atenienses, formando o Governo dos Trinta Tiranos, ocorrendo o mesmo em outras cidades gregas, onde existia a democracia, porém o domínio espartano durou pouco tempo; assim, encerrou-se o ciclo imperialista ateniense, gerando as condições para a deflagração de futuro conflito, que seria iniciado mais tarde, a Guerra do Peloponeso, que traria o desfecho final da situação.

Nessa época, quando se iniciou o período da hegemonia espartana, a cidade de Tebas projetava-se como uma grande potência militar da Grécia; Tebas se opôs à Esparta e, graças à tática militar de dois excelentes generais, Epaminondas e Pelópidas, os tebanos venceram a batalha de Leutras, ocorrida em 371 a.C. . Encerrado o conflito, Tebas iniciou um curto período de supremacia.

Essas guerras constantes enfraqueceram os gregos e, a partir de meados do século IV a.C., nenhuma cidade grega tinha condições de se sobrepor às demais. Durante esse período de desagregação grega, a região da Macedônia, localizada do norte da Grécia, se fortalecia e se expandia, tornando inevitável o domínio sobre a Grécia enfraquecida.

Contudo, apesar da ocorrência de constantes conflitos regionais, os gregos legaram uma herança cultural muito rica que incentivou a cultura renascentista e influenciou toda a civilização ocidental, até os nossos dias.

As concepções dos gregos sobre beleza, retratadas nas esculturas, na pintura e na arquitetura foram tidas como clássicas, por seu equilíbrio e harmonia; a produção teatral, filosófica e científica grega, foi muito fecunda, delineando as linhas do pensamento, até a Idade Moderna.

A GUERRA DO PELOPONESO

A rivalidade político-econômica entre Atenas e Esparta, provocou a deflagração do conflito conhecido como Guerra do Peloponeso, entre 431 a.C. e 404 a.C.

Atenas, democrática, mercantil e imperialista baseava a sua força no poderio marítimo e no apoio dos aliados, membros da Confederação de Delos.

Esparta, mais conservadora, apoiava-se em um exército forte e bem treinado; graças a esse poderio, Esparta liderou a Confederação do Peloponeso, marcando o fim da hegemonia ateniense.

Uma das principais causas da Guerra do Peloponeso, foi o imperialismo ateniense, que controlava dezena de cidades, membros da Confederação de Delos, explorando-as pelo pagamento de pesados tributos; além disso, Atenas procurava implantar regimes democráticos nas cidades, provocando o temor da unificação grega em torno de si.

Os conflitos comerciais e marítimos entre Atenas e Corinto serviram como estopim ao conflito. Corinto era aliada de Esparta.

Durante a guerra, os camponeses atenienses refugiaram-se na cidade; a falta de higiene, somada às péssimas condições alimentares, causou uma epidemia, que matou um terço da população, inclusive Péricles, o maior dirigente democrata ateniense.

Em 421 a.C., atenienses e espartanos assinaram a Paz de Nícias, porém, em 431 a.C., dez anos mais tarde, Atenas e Esparta voltaram a se enfrentar, até o desfecho final do conflito, com a vitória de Esparta na batalha naval de Egospótamos, em 404 a.C.

Atenas foi invadida e passou a ser apenas um satélite de Esparta. E a Confederação de Delos foi dissolvida.

A Grécia saiu dessa guerra completamente devastada e mergulhou em um período de profunda decadência, da qual custaria a se recuperar.

EVOLUÇÃO DA DEMOCRACIA NA GRÉCIA

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Autor: Ramon Fernandes Ensá Neto

1 – ETIMOLOGIA

Em sua etimologia, “democracia” deriva-se do grego demokrateia (governo do povo, poder popular, pelo francês démocratie). De acordo com a etimologia e o consenso tradicional, a democracia é o governo no qual o povo, titular da soberania, ou a exerce diretamente ou por meio de seus representantes. Geralmente define-se a democracia como o governo do povo, pelo povo e para o povo, querendo com isso dizer-se que, na democracia, o povo, além de titular da soberania, a exerce por si mesmo, ou por delegação expressa, em benefício do próprio povo.

2.1 – A DEMOCRACIA NA GRÉCIA

Na introdução de sua Filosofia da história, Hegel escreve, a propósito dos diferentes graus da consciência de liberdade que, para os orientais, somente um homem é livre, para os gregos e romanos apenas alguns são livres, ao passo que, para as nações germânico e cristãs, todos os homens são livres, o homem enquanto homem é livre.

2.2 – A IDÉIA DE DEMOCRACIA

A idéia de democracia surge na Grécia, no séc. VI a.C. Na Grécia arcaica, tal como se reflete nas obras de Homero e de Hesíodo, a classe trabalhadora, servil, desempenha o papel de figurante mudo da cena histórica. O mundo que a Ilíada e a Odisséia descrevem é o mundo aristocrático e guerreiro, cujo pressuposto econômico é o trabalho camponês. Na Ilíada, por exemplo, nas assembléias que se realizam na ágora, apenas os reis e os gerontles, chefes de tribos, têm o direito de participar das discussões e das deliberações. No poema de Hesíodo, Os trabalhos e os dias, é o mesmo mundo que ainda se descreve. A minoria dos proprietários de terras, que se chamam a si mesmos de “homens de bem”, se contrapõe á massa numerosa de escravos, assalariados e pequenos lavradores que entregavam aos donos das terras cinco sextos do que colhiam, conservando apenas uma sexta parte do fruto do seu trabalho. Nesse mundo homérico e hesiódico, o poder e a liberdade são privilégio dos proprietários e senhores da terra, cuja vontade se confunde com a lei.

3.1 – OS PROCESSOS DA DEMOCRACIA

Incorreríamos em grave erro se imaginássemos que, devido à preeminência intelectual e artística de Atenas, na época de Péricles, a democracia domina o mundo grego, a partir do século V a.C. Os regimes oligárquicos continuam numerosos e fortes: têm preponderância pelo menos na Grécia continental. Mas, se a derrota de Atenas na Guerra do Peloponeso e a simpatia ativa de Esparta após sua vitória lhe valem alguns anos de triunfo generalizado, este é de muito curta duração. A restauração da democracia em Atenas não tarda, e os primeiros embaraços de Esparta, que se choca com o desejo de independência dos governos, mesmo dos oligárquicos, bastam para que as democracias ergam a cabeça por toda parte.

Seus progressos são constantes no século IV a.C., que é o século da derrocada de Esparta vencida em Leuctras em 371 a.C., e, ao mesmo tempo, aquele em que a democracia penetra e se alastra pela Grécia continental. Mais do que Atenas, o impulso, agora, parte de Tebas que, libertando-se da ocupação lacedônica em 378 a.C., adota e difunde por toda a Beócia as instituições democráticas. Depois de Leuctras, seus exércitos as introduzem no coração do Peloponeso, nos cantões montanhosos até então, menos evoluídos.

A intervenção macedônica, que poderíamos, sem razão, considerar favorável sistematicamente aos oligarcas, torna, entretanto, mais lenta sem dúvida nenhuma esta evolução. Na luta conta às cidades gregas, na maioria das vezes dirigidas por democratas, é inevitável que Filipe procure a simpatia de seus adversários, e que estes, como tantos gregos, respondam em geral às suas ofertas, de tal modo que o triunfo de Filipe se transforme também em seu próprio triunfo. Mas, mesmo então, o resultado do conflito que, há séculos opõe as duas ideologias, já não oferece dúvidas no fim do período clássico. São democráticos os regimes estabelecidos por Alexandre nas cidades gregas da Ásia por ele libertadas, e alguns dos competidores que disputam sua herança rivalizam em gentilezas para com os democratas da própria Grécia. Não restara aos oligarcas outra alternativa senão conformar-se com o inevitável e imaginar sistemas mais ou menos engenhosos que lhes permitissem manter, por trás de uma fachada democrática, uma realidade diferente.

Para explicar esta marcha da democracia, as circunstâncias desempenham certo papel, devendo-se mencionar em primeiro plano o declínio de Esparta. Mas um simples relance sobre a evolução revela a importância da Guerra do Peloponeso. Em si mesma, tal guerra já marca época em virtude de sua amplitude e duração. Acima de tudo, prepara o longo rosário de guerras do séc. IV a.C., as quais acabam por devastar todas as regiões do mundo grego, sem exceção. Por toda parte, tais guerras perturbam o equilíbrio anterior. Libertam forças latentes que, num tempo de menor tensão, ignoravam a sua própria existência e que passavam a tomar consciência dos serviços prestados à cidade. Arruínam a classe média rural, cujo número e solidez serviam de apoio às velhas tradições. Provocam ou agravam o antagonismo entre ricos e pobres, que outrora fora apenas um dos aspectos do antagonismo de dois regimes opostos e que se torna, agora, o seu principal aspecto. Uma vez formulado assim o problema, a solução democrática deve triunfar, pois se adapta melhor do que seu rival, pelo menos a certas tendências profundas da civilização grega clássica. A liberdade e o florescimento da personalidade humana postulam a idéia da igualdade; a concepção corrente da cidade, bem como a do cidadão, recomenda logicamente a adoção de instituições políticas que concedam direitos iguais a todos os membros do corpo cívico. Para eficazmente deter a marcha democrática, seria preciso modificar o próprio ideal da polis.

3.2 – LIMITES DA IDÉIA DEMOCRÁTICA GREGA

As democracias gregas não levaram a lógica mais longe. Sua doutrina parece apresentar traços de universalismo. Sua aplicação, porém, permaneceu restrita, não se estendendo sequer aos homens que, instalados permanentemente, por vezes há gerações, no seu território, levavam praticamente a vida cotidiana dos seus cidadãos. Neste ponto, há no humanismo do helenismo clássico, lacuna tão grave, que não basta apenas assinalar sua existência.

É exato que Atenas não pensou um só instante em suprimir a escravatura. Ateve-se a uma das tantas inovações jurídicas que, acrescentadas a certa brandura de costumes, tornaram a sorte dos escravos um pouco menos penosa.

É igualmente exato que Atenas manifestou, com relação aos estrangeiros, um exclusivo sistema jurídico. No início do séc. VI a.C., Sólon previra a concessão de cidadania aos banidos das outras cidades, bem como aos estrangeiros que viessem trabalhar na Ática e aí vivessem com suas famílias. Mais tarde Clístenes, procedendo à reclassificação dos cidadãos aproveitou-se deste fato para inscrever como tais a numerosos “metecos”, ou seja, estrangeiros domiciliados. No decorrer do séc. V a.C., desaparece esse liberalismo. Mesmo recebendo os mesmos direitos sociais dos demais cidadãos, exceto pelo fato de ainda lhes ser recusado o direito de propriedade da terra, não lhes cabe lugar algum na vida política. Não podem ser chamados a participar dela, salvo obtendo a cidadania, favor de que Atenas se mostra bastante relutante. Normalmente, só se concede aos indivíduos como recompensa por serviços excepcionais de toda ordem.

Mais paradoxal ainda é ver Atenas adotar, tardiamente, uma legislação de caráter nitidamente racista. Durante muito tempo – e isso não foi privilégio de Atenas – o filho de um pai cidadão e mãe estrangeira fora cidadão. Ora, uma lei de 451/450 a.C., proposta por Péricles, restringe a cidadania aos filhos nascidos do casamento legítimo de cônjuges atenienses. Os outros só têm acesso á cidadania por meio de uma decisão individual, pois a lei os transformou em bastardos e estrangeiros.

3.3 – DEMOCRACIA E IMPERIALISMO

Péricles foi o principal criador do império ateniense do séc. V a.C., que foi destruído pela Guerra do Peloponeso e que os atenienses do séc. IV a.C., nostálgicos, quiseram reconstruir. Seria muito longo querer traçar um esboço do imperialismo ateniense. Sua dureza implacável, seus avanços constantes em detrimento das liberdades elementares daqueles que, mesmo adornados com o nome de “aliados”, sempre foram tratados como “súditos”. Alguns se apegam quase desesperadamente a Demóstenes que, de fato, em alguns discursos, encontra modulações admiráveis para esboçar um programa de livre federação de Estados gregos, tendo em vista a defesa comum de sua independência. Mas outros discursos do mesmo orador exprimem a saudade do antigo predomínio, o que nos leva a julgar como simples expedientes de última hora, ditados pela crescente ameaça de Filipe, os projetos que procuravam preservar a igualdade dos participantes no esforço comum. Mais numerosos são os historiadores que são levados a invocar, em favor de Atenas, os magníficos modelos, intelectuais e artísticos, por ela fornecidos à civilização helênica: Atenas “escola da Grécia”, já dizia Péricles, a acreditarmos em Tucídides. Certamente, mas acontece que o mestre cobrava muito de seus alunos, e de todas as maneiras. Impõe-se a evidência: se uma cidade grega, devido à sua força, ao seu prestígio, aos próprios princípios que aplicava em sua organização interna, esteve em condições de romper as barreiras que retalhavam em múltiplas cidades o mundo grego, de elevar este último a uma unidade política superior, tal cidade foi Atenas. Um homem de hoje será sempre irresistivelmente levado a pensar que se tratava para Atenas de um dever, visto que possuía, pelo menos, o poder de fazer esta tentativa. Somos forçados a reconhecer que Atenas faltou a este dever. Desejaríamos poder apontar um gesto, um incentivo, por mais modesto que fosse, de alargamento e abertura da cidade ateniense; nada encontramos digno de ser levado em conta, nada que contrabalance a manutenção dos metecos em seu estatuto inferior, nem na lei de 451/450 a.C.

4 – ELEMENTOS DEMOCRÁTICOS

A partir do séc. VII, em conseqüência do processo de urbanização, do crescimento do artesanato e do comércio, surgem camadas sociais ligadas às atividades especificamente urbanas, mais conscientes do que a classe dos trabalhadores rurais e capazes de lutar na defesa de seus interesses e direitos. A rhëtrë de Quio, que é o texto constitucional mais antigo de que se tem notícia no Ocidente, assinala essa passagem do mundo homérico, rural, aristocrático e guerreiro, para o mundo urbano, potencialmente democrático. O texto constitucional de Quio consagra, de modo inequívoco os princípios fundamentais da democracia, a soberania do povo e a liberdade do indivíduo.

A vida do cidadão grego é essencialmente política – Aristóteles define o homem como zoon politikon, “animal político” – desconhecendo a cisão que só ocorrerá mais tarde entre a vida privada e pública. Para o grego há só uma vida, que se realiza nas polis, nas assembléias, nas reuniões da ágora, no exercício da função pública. A assembléia detém a soberania, elege os magistrados ou os designa por sorteio. Decide a paz e a guerra, a vida e a morte dos cidadãos e dos inimigos. Além da assembléia, a democracia grega incluía um conselho, composto de quinhentos membros sorteados, com a idade mínima de quarenta anos. O conselho de dividia em dez secções, que se revezavam no exercício da presidência da assembléia, para qual preparavam os projetos de lei. Os magistrados estavam obrigados a severa prestação de contas e as funções militares se achavam sujeitas a condições rigorosas, exigindo dos estrategos que fossem proprietários e pais de filhos legítimos. As tarefas administrativas e as funções consideradas subalternas, como as de polícia, eram exercidas pelos escravos.

A Paidéia (ideal ou modelo de educação) tradicional, da qual Esparta era o paradigma, formava soldados, guerreiros, temerosos dos deuses e respeitosos dos costumes tradicionais. Assentada na disciplina e no respeito à autoridade, a educação tradicional excluía a crítica, o livre debate das idéias. A democracia, porém, reclamava uma pedagogia diferente, destinada não a formar o soldado, mas o cidadão, capaz de falar e defender, pela palavra, seus interesses e direitos, tanto na ágora e nas assembléias, como nos tribunais. Não é por simples coincidência que um dos principais sofistas (mestres na arte de discutir, de argumentar), Protágoras, é também um dos principais teóricos da democracia. Opondo a lei, feita pelos homens, e fruto de acordo e de convenção, à natureza, os sofistas preparam a distinção entre natureza e história, de conseqüências tão importantes no pensamento posterior.

Na famosa oração fúnebre, pronunciada em homenagem aos heróis atenienses mortos no primeiro ano da Guerra do Peloponeso, Péricles salienta, também, esses dois aspectos da democracia: “Nossa constituição chama-se democracia porque interessa à maioria e não a um pequeno grupo de indivíduos. Quanto às leis, todos têm os mesmos direitos; quanto às dignidades, cada um, de acordo com seus méritos, é geralmente preferido para os cargos públicos, não pelo partido a que pertence, mas por suas virtudes, e ninguém é excluído por falta de ilustração em virtude de sua pobreza, na medida em que tem condições de prestar algum serviço ao Estado”.

5 – DEMOCRACIA GREGA EM SUA ÉPOCA

A democracia ateniense, quando confrontada com nossas modernas concepções, surge como uma oligarquia, somente menos estrita que as de direito. Mas as concepções modernas não nos fornecem uma visão adequada. Algumas situações defendidas em sua época como necessidades naturais, como a escravidão, saltam aos olhos dos que convivem com a democracia atual. Além disso, o próprio ideal das cidades-estado interfere nestas considerações. A polis grega não é o território, mas a coletividade dos cidadãos: a integridade de suas fronteiras humanas é muito mais importante que suas fronteiras territoriais. Trata-se, portanto, não de negligência, mas de um certo protecionismo interno, que possa assegurar a integridade dos interesses internos. Longe, portanto, de cair em contradição consigo mesma, a democracia grega, que realizava o ideal clássico, na medida em que estendia a igualdade a todos os cidadãos, conformava-se ainda mais, ao limitar esta igualdade apenas a estes, e ao resistir a todas as infiltrações humanas estrangeiras.

6 – A DEMOCRACIA HOJE E SUAS TEORIAS

Os gregos criaram a democracia política direta, na qual os cidadãos tomavam eles mesmos as decisões a respeito da cidade (polis); mas escravos e metecos não eram considerados cidadãos. Esta mesma democracia direta é praticada ainda em três cantões suíços, através dos Landsgemeinden (assembléias do povo). J. J. Rousseau concedeu à democracia uma tória, conhecida sob o nome de teoria da soberania popular. Em oposição a essa teoria, os revolucionários moderados desenvolveram a teoria dita “da soberania nacional”, conduzindo à democracia representativa: a nação detém o poder, enquanto entidade coletiva, abstrata e indivisível. Em conseqüência, um corpo de representantes eleitos pela nação em seu conjunto encarna verdadeiramente a vontade nacional. A democracia liberal clássica é do mesmo modo essencialmente representativa, não obstante possa apoiar-se em uma parcela e não na totalidade dos cidadãos.

Para os marxistas, a abolição das classes e o desaparecimento do Estado conduzirá à democracia total, à democracia social; a noção mesma de competição pelo poder estará, então, eliminada. Até o momento, as democracias populares têm adotado o sistema unipartidário, apesar de que já se pode notar um movimento favorável ao pluripartidarismo, em alguns desses países.

Por outro lado, a democracia liberal clássica conhece hoje um processo de incorporação de determinados preceitos da democracia social, com o poder estatal intervindo mais e mais na vida dos indivíduos com o objetivo de assegurar, por exemplo, o acesso a instituições de saúde pública.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

AYMARD, A. e AUBOYER, J. História geral das civilizações – O Oriente e a Grécia (II). Difusão editorial S.A.

ENCICLOPÉDIA MIRADOR NTERNACIONAL. Encyclopedia Britannica do Brasil Publicações LTDA. v. VII, p. 3200 – 3201.

ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL. Nova Cultural LTDA. v. VIII, p. 1812.

ESTILO E IDEOLOGIA – EÇA DE QUEIROZ

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Autor: Elisio Gomes Pacheco

ESTILO E IDEOLOGIA

Realismo, qualidade, atitude de quem se prende ao que é real verdadeiro, objetivo. De acordo com esta definição, podemos destacar dois aspectos no conjunto da obra de Eça de Queiroz, de um lado o estilo, do outro a critica social. Sendo que a força critica privilegia o estilo, e descuida da critica social, dando a entender sua genialidade em toda sua obra, qualquer que fosse o ideal ou a critica a ser feita.

Eça de Queiroz tem o objetivo de ensinar discretamente por meio de ficção como resolver seus problemas. Sempre utilizando teses, misturando estilo, e ideologia, em que foi muito criticado por dar ênfase ao estilo, correndo o risco de se transformar em um fim-em-si.

O romancista utiliza um descritivismo abundante como recurso predominante e invariável de acordo com o psicofisiologismo, pseudocientífico vigente na época, de fora para dentro, quando cria imagens detalhadas de seus personagens, chegamos a sentir seu cheiro, a cor. Porem personagens vazios, que não crescem não desenvolve, é sempre igual, do inicio ao fim.Como exemplo “Luisa” sempre com atitudes mecânicas, sem personalidade. Eça evidencia o meio social, o ser coletivo, não mais na individualidade, como observamos na utilização de personagens do tipo comum, com a meta de generalizar padrões coletivos, para que assim os leitores vejam suas imagens refletidas e possam aprender no desperta da formação de caráter do leitor colaborando na criação do mundo.

A constituição dos seus personagens são figuras caricatas, cheias de exagero, quando e visto o clero, a burguesia ascendente, a aristocracia falida e os demais estamentos.

Os enredos são pobres de esquemas levando o leitor desde o inicio a descobrir o meio e o fim. O leitor fica tão extasiado que nem se da conta do pano de fundo acessório.

Eça pratica um Realismo na versão ortodoxia, mostrando um conjunto da sociedade bem recortada e sem nenhum acréscimo de significado, no que se refere a caráter, temperamento ou sensibilidade Segundo Machado de Assis,

“JULIANA”, seria a personagem mais completa e de caráter do livro “O PRIMO BASILIO”.

O romancista apesar de trazer uma critica social, ele não se declara, não julga nem a favor, nem contra.O narrador apresenta-se em cima do muro, com sua critica ostensiva, obvia e inflexível. Cabem ao leitor julgar, e aprender com o autor pedagógico.

Só no final de sua Carreira Eça acerta o passo entre estilo e ideologia, o romancista cede lugar ao escritor. Finalmente comprometesse com seu gosto pessoal. Será que agora realista? O que podemos chamar de realismo?Depende da forma ou do tipo de realismo estamos discutindo.

CONSEQÜÊNCIAS PSÍQUICAS DA DISTINÇÃO ANATÔMICA ENTRE SEXOS

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Em meus próprios escritos e naqueles de meus seguidores, sempre mais ênfase é dada à necessidade de que as análises de neuróticos lidem de modo completo com o período mais remoto de sua infância, a época da primeira e florescência da vida sexual. Apenas examinando-se as primeiras manifestações da constituição instintual inata do paciente e os efeitos de suas primeiras experiências, que de fato podemos avaliar com exatidão as forças motivadoras que levaram à sua neurose, e estar seguros contra os erros a que poderíamos ser induzidos pelo grau em que as coisas se tornaram remodeladas e sobrepostas na vida adulta. Essa exigência não é apenas de importância teórica, mas também prática, de vez que ela distingue nossos esforços do trabalho daqueles médicos cujos interesses se focalizam exclusivamente nos resultados terapêuticos, e que empregam métodos analíticos, embora apenas até certo ponto. Uma análise da primeira infância como a que estamos considerando é tediosa e laboriosa, e faz, tanto ao médico quanto ao paciente, exigências nem sempre possíveis de ser cumpridas. Ademais, ela nos conduz a regiões obscuras onde ainda não existem postes sinalizadores. De fato, os analistas podem se sentir seguros, penso eu, de que não há risco de seu trabalho tornar-se mecânico e perder assim seu interesse, durante as próximas décadas.

Nas páginas seguintes apresento alguns achados de pesquisa analítica que seriam de grande importância, caso se pudesse provar que são universalmente aplicáveis. Por que não adiei sua publicação até que a experiência ulterior me tivesse dado as provas necessárias, se é que se possa obter tais provas? Porque as condições sob as quais trabalho experimentaram uma mudança, com implicações que não posso disfarçar. Antigamente eu não contava entre aqueles incapazes de reter o que parece ser uma nova descoberta, até que tenha sido confirmada ou corrigida. A Interpretação de Sonhos (1900a) e ‘Fragmento da Análise de um Caso de Histeria’ (1905e) (o caso de Dora) foram por mim retidos — se não pelos nove anos prescritos por Horácio — pelo menos durante quatro ou cinco anos, antes que eu lhes permitisse serem publicados. Naqueles dias, porém, eu tinha tempo ilimitado à minha frente — ‘oceans of time’ como um autor afável o diz — e o material despejava-se sobre mim em tais quantidades que mal se podia escapar a novas experiências. Ademais, eu era o único a trabalhar em um campo novo, de modo que minha reticência não envolvia perigo para mim nem perda para os outros.

Hoje, porém, tudo mudou. O tempo à minha frente é limitado. Sua totalidade não é mais gasta no trabalho, de modo que minhas oportunidades de efetuar novas observações não são tão numerosas. Se penso perceber algo de novo, fico incerto quanto a se posso esperar que se confirme. E, além disso, tudo quanto há de ser visto à superfície já foi exaurido; o que resta tem de ser lenta e penosamente arrastado para cima, desde as profundezas. Finalmente, não estou mais sozinho. Um grupo ávido de companheiros de trabalho está apto a fazer uso daquilo que é inacabado ou duvidoso, e posso deixar-lhes aquela parte do trabalho que, doutra maneira, eu próprio teria realizado. Desta vez, portanto, sinto-me justificado em publicar algo que está em urgente necessidade de confirmação, antes que seu valor, ou falta de valor, possa ser decidido.

Examinando as primeiras formas mentais assumidas pela vida sexual das crianças, habituamo-nos a tomar como tema de nossas investigações a criança do sexo masculino, o menino. Com as meninas, assim supúnhamos, as coisas deviam ser semelhantes, embora de um modo ou de outro elas tenham, não obstante, de ser diferentes. O ponto do desenvolvimento em que reside essa diferença não podia ser claramente determinado.

Nos meninos, a situação do complexo de Édipo é o primeiro estádio possível de ser identificado com certeza. É fácil de compreender, de vez que nesse estádio a criança retém o mesmo objeto que previamente catexizou com sua libido — não ainda um objeto genital — durante o período precedente, enquanto estava sendo amamentada e cuidada. Também o fato de que, nessa situação, encare o pai como um rival perturbador e goste de se ver livre dele e tomar-lhe o lugar, é conseqüência direta do estado real de coisas. Demonstrei alhures como a atitude edipiana nos meninos pertence à fase fálica e como sua destruição é ocasionada pelo temor da castração — isto é, pelo interesse narcísico nos órgãos genitais. O assunto fica mais difícil de apreender pela circunstância complicante de que mesmo em meninos o complexo de Édipo possui uma orientação dupla, ativa e passiva, de acordo com sua constituição bissexual; o menino também deseja tomar o lugar de sua mãe como objeto de amor de seu pai — fato que descrevemos como sendo a atitude feminina.

Com referência à pré-história do complexo de Édipo nos meninos, estamos longe da clareza completa. Sabemos que esse período inclui uma identificação de tipo afetuoso com o pai do menino, identificação que ainda está livre de qualquer sentimento de rivalidade com relação à sua mãe. Outro elemento desse estádio é, acredito, invariavelmente uma atividade masturbatória vinculada aos órgãos genitais, a masturbação da primeira infância, cuja supressão mais ou menos violenta da parte daqueles que estão encarregados da criança põe em ação o complexo de castração. Deve-se presumir que essa masturbação está ligada ao complexo de Édipo e sirva como descarga para a excitação sexual que lhe é própria. Contudo, é incerto se a masturbação possui esse caráter desde o início, ou se, pelo contrário, efetua seu primeiro aparecimento espontaneamente, como uma atividade de um órgão corporal, e só é colocada em relação ao complexo de Édipo em alguma data posterior; essa segunda possibilidade é, de longe, a mais provável. Outra questão duvidosa é o papel desempenhado pela enurese noturna e pelo rompimento desse hábito mediante a intervenção de medidas de educação. Estamos inclinados a estabelecer a conexão simples de que a enurese continuada é um resultado da masturbação e que sua supressão é encarada pelos meninos como uma inibição de sua atividade genital — isto é, como mantendo o significado de uma ameaça de castração; contudo, ainda resta ver se estamos sempre corretos em fazer essa suposição. Finalmente, a análise nos demonstrou de maneira obscura como o fato de uma criança em idade muito precoce escutar os pais copularem, pode desencadear sua primeira excitação sexual e como esse acontecimento pode, devido a seus efeitos posteriores, agir como ponto de partida para todo o desenvolvimento sexual da criança. A masturbação, bem como as duas atitudes do complexo de Édipo, posteriormente se liga a essa experiência primitiva, tendo a criança subseqüentemente interpretado seu significado. É impossível, contudo, supor que essas observações de coito sejam de ocorrência universal, de modo que a essa altura nos defrontamos com o problema das ‘fantasias primitivas’. Assim, a pré-história do complexo de Édipo, mesmo nos meninos, levanta todas essas questões para seleção e explanação, e existe ainda o problema de saber se devemos supor que o processo invariavelmente segue o mesmo curso, ou se grande variedade de estádios preliminares diferentes não pode convergir para a mesma situação final.

Nas meninas, o complexo de Édipo levanta um problema a mais que nos meninos. Em ambos os casos, a mãe é o objeto original, e não constitui causa de surpresa que os meninos retenham esse objeto no complexo de Édipo. Como ocorre, então, que as meninas o abandonem e, ao invés, tomem o pai como objeto? Perseguindo essa questão pude chegar a algumas conclusões capazes de lançar luz exatamente sobre a pré-história da relação edipiana nas meninas.

Todo analista já deparou com certas mulheres que se aferram com intensidade e tenacidade especiais à ligação com o pai e ao desejo, em que esse vínculo culmina, de terem um filho seu. Temos boas razões para supor que a fantasia de desejo foi também a força motivadora de sua masturbação infantil, e é fácil formar a impressão de que, nesse ponto, viemos dar contra um fato elementar e não analisável da vida sexual infantil. Entretanto, uma análise rigorosa desses próprios casos traz à luz algo diferente, ou seja, que aqui o complexo de Édipo tem uma longa pré-história e constitui, sob certos aspectos, uma formação secundária.

O antigo pediatra Lindner [1879] certa vez observou que a criança descobre as zonas genitais (o pênis ou o clitóris) como fonte de prazer enquanto se entrega ao sugar sensual (sugar do polegar). Deixarei como questão aberta saber se realmente procede que a criança assume a fonte de prazer, que acaba de descobrir, em troca da perda recente do mamilo da mãe — possibilidade a que fantasias posteriores (felação) parecem apontar. Seja como for, a zona genital é descoberta em alguma ocasião ou outra e não parece haver justificativa para atribuir qualquer conteúdo psíquico às primeiras atividades a ela vinculadas. O primeiro passo na fase fálica iniciada dessa maneira não é a vinculação da masturbação às catexias objetais do complexo de Édipo, mas uma momentosa descoberta que as meninas estão destinadas a fazer. Elas notam o pênis de um irmão ou companheiro de brinquedo, notavelmente visível e de grandes proporções, e imediatamente o identificam com o correspondente superior de seu próprio órgão pequeno e imperceptível; dessa ocasião em diante caem vítimas da inveja do pênis Existe um contraste interessante entre o comportamento dos dois sexos. Na situação análoga, quando um menino pela primeira vez chega a ver a região genital de uma menina, começa por demonstrar irresolução ou falta de interesse; não vê nada ou rejeita o que viu, abranda a expressão dele ou procura expedientes para colocá-lo de acordo com suas expectativas. Somente mais tarde, quando possuído de alguma ameaça de castração, é que a observação se torna importante para ele; se então a relembra ou repete, ela desperta nele uma terrível tormenta de emoção e o força a acreditar na realidade da ameaça de que havia rido até então. Essa combinação de circunstâncias conduz a duas reações, capazes de se tornarem fixas e, se assim for, quer separada, quer juntamente, quer em conjunto com outros fatores, determinarão permanentemente as relações do menino com as mulheres: horror da criatura mutilada ou desprezo triunfante por ela. Esses desfechos, contudo, pertencem ao futuro, embora não muito remoto.

A menina se comporta diferentemente. Faz seu juízo e toma sua decisão num instante. Ela o viu, sabe que não o tem e quer tê-lo.

Aqui, aquilo que foi denominado de complexo de masculinidade das mulheres se ramifica. Pode colocar grandes dificuldades no caminho de seu desenvolvimento regular no sentido da feminilidade, se não puder ser superado suficientemente cedo. A esperança de algum dia obter um pênis, apesar de tudo, e assim tornar-se semelhante a um homem, pode persistir até uma idade incrivelmente tardia e transformar-se em motivo para ações estranhas e doutra maneira inexplicáveis. Ou, ainda, pode estabelecer-se um processo que eu gostaria de chamar de ‘rejeição’, processo que, na vida mental das crianças, não aparece incomum nem muito perigoso, mas em um adulto significaria o começo de uma psicose. Assim, uma menina pode recusar o fato de ser castrada, enrijecer-se na convicção de que realmente possui um pênis e subseqüentemente ser compelida a comportar-se como se fosse homem.

As conseqüências da inveja do pênis, na medida em que não é absorvida na formação reativa do complexo de masculinidade, são várias e de grande alcance. Uma mulher, após ter-se dado conta da ferida ao seu narcisismo, desenvolve como cicatriz um sentimento de inferioridade. Quando ultrapassou sua primeira tentativa de explicar sua falta de pênis como uma punição pessoal para si mesma, e compreendeu que esse caráter sexual é universal, ela começa a partilhar do desprezo sentido pelos homens por um sexo que é inferior em tão importante aspecto, e, pelo menos no sustentar dessa opinião, insiste em ser como um homem.

Mesmo após a inveja do pênis ter abandonado seu verdadeiro objeto, ela continua existindo: através de um fácil deslocamento, persiste no traço característico do ciúme. Naturalmente, o ciúme não se limita a um único sexo e tem um fundamento mais amplo, porém sou de opinião que ele desempenha um papel muito maior na vida mental das mulheres que na dos homens e isso se deve ao fato de ser enormemente reforçado por parte da inveja do pênis deslocada. Antes, quando ainda não estava ciente dessa fonte do ciúme e considerava a fantasia ‘uma criança é espancada’, que ocorre tão comumente em meninas, construí para ele uma primeira fase na qual seu significado consistia em que outra criança, uma rival de quem o indivíduo tinha ciúmes, deveria ser espancada. Essa fantasia parece constituir uma relíquia do período fálico nas meninas. A rigidez peculiar que tanto me impressionou na fórmula monótona ‘uma criança é espancada’ provavelmente pode ser interpretada de modo especial. A criança que está sendo espancada (ou acariciada) pode, em última análise, ser nada mais nada menos que o próprio clitóris, de maneira que, em seu nível mais inferior, a afirmação conterá uma confissão de masturbação, a qual permaneceu ligada ao conteúdo da fórmula desde seu início, na fase fálica, até a vida posterior.

Uma terceira conseqüência da inveja do pênis parece ser um afrouxamento da relação afetuosa da menina com seu objeto materno. A situação como um todo não é muito clara, contudo pode-se perceber que, no final, a mãe da menina, que a enviou ao mundo assim tão insuficientemente aparelhada, é quase sempre considerada responsável por sua falta de pênis. A forma pela qual isso historicamente ocorre consiste, com freqüência, no fato de que a menina, logo após ter descoberto que seus órgãos genitais são insatisfatórios, começa a demonstrar ciúmes de outra criança, baseando-se em que sua mãe gosta mais dessa criança do que dela, o que serve de razão para ela abandonar sua ligação com sua mãe. Isso então terá efeito, se a criança que foi preferida pela mãe se tornar o primeiro objeto da fantasia de espancamento que termina em masturbação.

Um outro surpreendente efeito da inveja do pênis, ou da descoberta da inferioridade do clitóris, existe e é, indubitavelmente, o mais importante de todos. No passado, amiúde formei a impressão de que, em geral, as mulheres toleram a masturbação de modo pior que os homens, de que mais freqüentemente lutam contra ela e são incapazes de usá-la em circunstâncias nas quais um homem se valeria dela como via de escape, sem qualquer hesitação. A experiência sem dúvida trará à tona inumeráveis exceções a essa afirmativa se tentarmos transformá-la em uma regra. As reações de indivíduos humanos de ambos os sexos naturalmente se constituem em traços masculinos e femininos. Não obstante, pareceu-me que a masturbação está mais afastada da natureza das mulheres que da dos homens e a solução do problema poderia ser auxiliada pela reflexão de que a masturbação, pelo menos do clitóris, é uma atividade masculina, e que a eliminação da sexualidade clitoridiana constitui precondição necessária para o desenvolvimento da feminilidade.Análises do período fálico remoto ensinaram-me hoje que nas meninas, logo após os primeiros sinais de inveja do pênis, manifesta-se uma intensa corrente de sentimento contra a masturbação, a qual não pode ser atribuída exclusivamente à influência educacional daqueles encarregados da criança. Esse impulso é claramente um precursor da onda de repressão que, na puberdade, extinguirá grande quantidade da sexualidade masculina da menina, a fim de dar espaço ao desenvolvimento de sua feminilidade. Pode acontecer que essa primeira oposição à atividade auto-erótica não logre atingir seu fim. E com efeito, esse foi o caso nos exemplos que analisei. O conflito continuou e na ocasião, como também mais tarde, a menina fez tudo quanto podia para se libertar da compulsão a masturbar-se. Muitas das manifestações posteriores da vida sexual das mulheres permanecem ininteligíveis, a menos que esse poderoso motivo seja reconhecido.

Não posso explicar a oposição que por esse modo é levantada pelas meninas à masturbação fálica, exceto supondo existir algum fator concorrente que faça a menina voltar-se violentamente contra essa atividade prazerosa. Esse fator está bem à mão. Não pode ser outra coisa senão seu sentimento narcísico de humilhação ligado à inveja do pênis, o lembrete de que, afinal de contas, esse é um ponto no qual ela não pode competir com os meninos, e que assim seria melhor para ela abandonar a idéia de fazê-lo. Seu reconhecimento da distinção anatômica entre os sexos força-a a afastar-se da masculinidade e da masturbação masculina, para novas linhas que conduzem ao desenvolvimento da feminilidade.

Até aqui não se cogitou do complexo de Édipo, nem até esse ponto desempenhou ele qualquer papel. Agora, porém, a libido da menina desliza para uma nova posição ao longo da linha — não há outra maneira de exprimi-lo — da equação ‘pênis-criança’. Ela abandona seu desejo de um pênis e coloca em seu lugar o desejo de um filho; com esse fim em vista, toma o pai como objeto de amor. A mãe se torna o objeto de seu ciúme. A menina transformou-se em uma pequena mulher. Se dou crédito a um único exemplo analítico, essa nova situação pode gerar sensações físicas que se teria de considerar como um despertar prematuro do aparelho genital feminino. Malogrando-se mais tarde e tendo de ser abandonada, a ligação da menina a seu pai pode ceder lugar a uma identificação com ele, e pode ser que assim a menina retorne a seu complexo de masculinidade e, talvez, permaneça fixada nele.

Agora já expus a essência do que tinha a dizer: portanto me detenho, e porei o olhar sobre nossos achados. Alcançamos determinada compreensão interna (insight) da pré-história do complexo de Édipo nas meninas. Nas meninas, o complexo de Édipo é uma formação secundária. As operações do complexo de castração o precedem e preparam. A respeito da relação existente entre os complexos de Édipo e de castração, existe um contraste fundamental entre os dois sexos. Enquanto, nos meninos, o complexo de Édipo é destruído pelo complexo de castração, nas meninas ele se faz possível e é introduzido através do complexo de castração. Essa contradição se esclarece se refletirmos que o complexo de castração sempre opera no sentido implícito em seu conteúdo: ele inibe e limita a masculinidade e incentiva a feminilidade. A diferença entre o desenvolvimento sexual dos indivíduos dos sexos masculino e feminino no estádio que estivemos considerando é uma conseqüência inteligível da distinção anatômica entre seus órgãos genitais e da situação psíquica aí envolvida; corresponde à diferença entre uma castração que foi executada e outra que simplesmente foi ameaçada. Em suas essências, portanto, nossos achados são evidentes em si mesmos e teria sido possível prevê-los.

O complexo de Édipo, contudo, é uma coisa tão importante que o modo por que o indivíduo nele se introduz e o abandona não pode deixar de ter seus efeitos. Nos meninos (como demonstrei amplamente no artigo a que acabo de me referir [1924d] e ao qual todas as minhas atuais observações estão estreitamente relacionadas), o complexo não é simplesmente reprimido; é literalmente feito em pedaços pelo choque da castração ameaçada. Suas catexias libidinais são abandonadas, dessexualizadas, e, em parte, sublimadas; seus objetos são incorporados ao ego, onde formam o núcleo do superego e fornecem a essa nova estrutura suas qualidades características. Em casos normais, ou melhor em casos ideais, o complexo de Édipo não existe mais, nem mesmo no inconsciente; o superego se tornou seu herdeiro. De vez que o pênis (para acompanhar Ferenczi [1924]) deve sua catexia narcísica extraordinariamente elevada à sua significação orgânica para a propagação da espécie, a catástrofe que ocorre no complexo de Édipo (o abandono do incesto e a instituição da consciência e da moralidade) pode ser considerada uma vitória da raça sobre o indivíduo. Isso constitui um ponto de vista interessante quando se considera que a neurose se baseia em uma luta do ego contra as exigências da função sexual. Entretanto, abandonar o ponto de vista da psicologia individual não é qualquer auxílio imediato no esclarecimento dessa complicada situação.

Nas meninas está faltando o motivo para a demolição do complexo de Édipo. A castração já teve seu efeito, que consistiu em forçar a criança à situação do complexo de Édipo. Assim, esse complexo foge ao destino que encontra nos meninos: ele pode ser lentamente abandonado ou lidado mediante a repressão, ou seus efeitos podem persistir com bastante ênfase na vida mental normal das mulheres. Não posso fugir à noção (embora hesite em lhe dar expressão) de que, para as mulheres, o nível daquilo que é eticamente normal, é diferente do que ele é nos homens. Seu superego nunca é tão inexorável, tão impessoal, tão independente de suas origens emocionais como exigimos que o seja nos homens. Os traços de caráter que críticos de todas as épocas erigiram contra as mulheres — que demonstram menor senso de justiça que os homens, que estão menos aptas a submeter-se às grandes exigências da vida, que são mais amiúde influenciadas em seus julgamentos por sentimentos de afeição ou hostilidade — todos eles seriam amplamente explicados pela modificação na formação de seu superego que acima inferimos. Não devemos nos permitir ser desviados de tais conclusões pelas negações dos feministas, que estão ansiosos por nos forçar a encarar os dois sexos como completamente iguais em posição e valor; mas, naturalmente, concordaremos de boa vontade que a maioria dos homens também está muito aquém do ideal masculino e que todos os indivíduos humanos, em resultado de sua disposição bissexual e da herança cruzada, combinam em si características tanto masculinas quanto femininas, de maneira que a masculinidade e a feminilidade puras permanecem sendo construções teóricas de conteúdo incerto.

Estou inclinado a atribuir algum valor às considerações que apresentei sobre as conseqüências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos. Estou ciente, contudo, de que essa opinião só pode ser sustentada se meus achados, que se baseiam em um bocado de casos, demonstrarem possuir validade geral e serem típicos. Se não, eles permanecerão não mais que uma contribuição ao nosso conhecimento dos diferentes caminhos pelos quais a vida sexual se desenvolve.

Nos valiosos e abrangentes estudos sobre os complexos de masculinidade e castração nas mulheres, da autoria de Abraham (1921), Horney (1923) e Helene Deutsch (1925), existe muita coisa que toca de perto naquilo que escrevi, nada, contudo, que coincida com ele completamente; de modo que, mais uma vez, me sinto justificado em publicar este trabalho.

Resumo do Livro Em Busca de mim

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Resumo do Livro Em busca de Mim

Isabel Vieira

Bruno era um menino feliz, até que é surpreendido com uma terrível revelação: Você é adotado!
Ele entrou assustado em casa, sua mãe assistia à TV quando ele perguntou se era realmente adotado. Sua mãe tenta se explicar, porém esta notícia virou a cabeça de bruno do avesso, seus pais tentaram conversar, mas Bruno se fechou.
Ele foge de casa, em direção ao Porto de Santos, mas após um dia na boleia de um caminhão e conhecendo uma realidade bem diferente da sua, no Cabaré do Porto, decide volta para casa.
Desenvolveu uma ideia fixa: conhecer sua verdadeira família, para isso teve a ajuda de Tia Marta, a dona da escola em que estudava. Ela tinha pistas valiosas sobre a sua origem, pois Socorro, cozinheira da sua escola era Irmã de Lucimara, a verdadeira mãe de Bruno que havia fugido da maternidade no dia seguinte ao nascimento dele. Nesta época, Lucimara trabalhava como doméstica na casa de uma mulher chamada Ângela, mãe de umas crianças, que eram colegas de escola da irmã adotiva de Bruno, a Silvinha.
Tia Marta consegue pistas sobre Claudete, Amiga e Ex-vizinha de Socorro. Bruno e Tia Marta foram à casa dela. Ela trouxe muitas explicações sobre tudo o que havia acontecido com a família de Lucimara, inclusive a morte trágica de Soninha, uma Irmã paterna de Bruno, causada pela queda do barraco onde viviam.
O João, esposo de Claudete disse que levaria Bruno até a Vila Carioca, onde Maria, amiga de Socorro morava. Esta Maria era comadre de Rosa, tia de Bruno. Chegado o esperado dia, Bruno e João encontram Maria, que não acrescentou muito às buscas de Bruno, mas ficou de avisar sobre a vinda de Rosa.
Bruno começa uma busca implacável por suas origens e sua família biológica. Qualquer pista seria muito importante.

Resumo do Livro em Busca de Mim
Dois anos se passaram e ele descobriu o endereço da verdadeira mãe, na Bahia. Pediu para vê-la e viajou com seu pai. Chegaram ao bar onde Lucimara trabalhava, e Bruno viu uma mulher magra, velha e curvada segurando pratos. Não quis falar com ela. Agora já sabia de toda a verdade, então eles voltam para casa, onde todos ficam orgulhosos de Bruno, enchem ele de beijos e abraços. Sua mãe disse a ele que ele sempre será seu filho e ela sempre será sua mãe.

Relações Sociais e Econômicas Inglaterra – Brasil – Parte 2

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<Continuação da Primeira Parte>

Era Mauá

Em meio a esse turbilhão de acontecimentos surge a figura do empresário Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá.

Homem de espírito empreendedor e visão de futuro, Mauá estivera na Inglaterra observando e absorvendo as inovações tecnológicas lá existentes. Retornando para o Brasil ele encontrou as condições favoráveis para colocar em prática as idéias que havia tido além mar. Mas para dar vida às suas idéias ele precisa de apoio. Uma de suas primeiras iniciativas foi a construção de estrada de ferro Santos-Jundiaí, quando contou com a parceria inglesa. Como a demanda por café só aumentava, e sua produção assim acompanhava, havia a necessidade de se criar ferrovias por onde pudessem ser escoadas as produções até os portos. Responsáveis pela construção, os ingleses, por meio dessa parceria, tornaram-se sócios dos barões do café. Isto por si só já significaria lucro certo, mas eles queriam mais. E mais eles tiveram.

Mauá precisava de dinheiro para investir nos negócios que tinha em mente, e conseguiu esse dinheiro por meio de empréstimos pessoais feitos junto a bancos ingleses. Com dinheiro nas mãos, Mauá realizou investimentos em estradas de ferro, criou a Cia de Bondes do Jardim Botânico, a Cia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, o Banco Mauá McGregor & Cia (com filiais na Inglaterra, França, Estados Unidos da América, Argentina e Uruguai), a Cia de Navegação na Amazônia, a Cia de Rebocadores no Rio Grande, o Estaleiro Mauá e instalou de cabos de telégrafos submarinos (ligando a América à Europa). Mauá estava realmente prosperando e esse progresso logo passou a incomodar diretamente dois grupos: os barões do café e os comerciantes ingleses.

Vivendo numa sociedade dominada pelos interesses políticos das elites, quais sejam os barões do café, Mauá enfrentou boicotes às suas intenções de industrializar o Brasil. A Tarifa Silva Ferraz, por exemplo, diminuiu as tarifas de importações cobradas sobre máquinas, ferramentas e ferragens. Isso foi um duro golpe às Fundições Mauá, que não mais seria capaz de produzir esses artigos com qualidade e preço competitivo. Além disso, os barões do café passaram a sentir-se ameaçados pelo sucesso dos empreendimentos de Mauá, pois temiam que o nascente setor industrial arrebanha-se parte dos incentivos dados pelo governo central à produção cafeeira.

Outro forte baque sofrido pelos investimentos de Mauá foi a dificuldade que os bancos ingleses passaram a impor na concessão de novos empréstimos. À época dizia-se que enquanto os investimentos de Mauá limitavam-se ao setor de serviços urbanos, comunicações e de transporte, ele pode contar com o apoio inglês. Mas quando ele volta-se para o setor fabril, competindo com os produtos importados da Inglaterra, o confronto de interesses interrompeu a parceria harmoniosa. Mauá acabou falindo em 1875 e muitas de suas empresas foram passadas às mãos de ingleses e norte-americanos, seus credores.

Questão Christie

Transportando-nos para o Brasil da segunda metade do século XIX, vivemos num mundo em que existe uma nação, hegemônico, que lança seus braços por todo o mundo: a Inglaterra. Como já vimos, ela sempre esteve presente nas nossas relações internacionais, impondo a sua vontade e defendendo os seus interesses acima de tudo. Não é de se espantar que o comportamento dos ingleses, quando fora da terra pátria, fosse bastante arrogante. É disso que trata a questão Christie.

Em 1861, o navio mercante inglês Príncipe de Gales naufragou na costa do Rio Grande do Sul e teve a sua carga roubada. Pouco depois desse incidente, três oficiais britânicos foram presos no Rio de Janeiro por estarem bêbados e fazendo algazarra no Centro da cidade. Depois de identificados eles foram liberados. Mesmo assim, o Embaixador da Inglaterra no Brasil, o Sr. William Christie, ficou indignado com o acontecimento e exigiu do governo brasileiro desculpas oficiais e a demissão dos policiais envolvidos. Exigiu, também, o pagamento de vultosa indenização pela carga roubada no naufrágio do Príncipe de Gales. D. Pedro II concordou em pagar a indenização, mas recusou-se a pedir desculpas e a demitir os policiais. Revoltado, o Sr. Christie ordena a um Almirante inglês o apresamento de navios brasileiros ancorados no Rio de Janeiro. É claro que o Brasil não tinha força militar para enfrentar a nação mais poderosa do mundo e por isso vai recorrer ao rei da Bélgica, Leopoldo I, para arbitrar uma decisão neutra. Ele decide pelo Brasil, os navios são liberados e determina-se que o governo inglês peça desculpas ao Brasil. Como a Inglaterra se recusa a pedir desculpas, D. Pedro II corta relações diplomáticas com aquele país, em 1863. Somente em 1865 a Inglaterra pedirá desculpas ao Brasil pelos transtornos. Está encerrada a questão.

Ações Militares

Guerra contra Oribe e Rosas

Outra vez o Brasil se vê envolvido em conflitos no sul, e mais uma vez existe a presença da Inglaterra. Em 1851 Oribe toma o poder no Uruguai e uni-se a Juan Manuel Rosas, Governador da Província de Buenos Aires, na intenção de unificar a atual Argentina ao Uruguai e ao Paraguai. Se eles conseguissem atingir esse objetivo, o tráfego pelo rio da Prata seria interrompido e os interesses de Brasil e Inglaterra ficariam comprometidos. Não conseguindo resolver o problema no plano diplomático, Brasil, apoiado (ou seria usado?) pela Inglaterra, lança-se no combate. É vitorioso. Mas a estabilidade política na região não é duradoura e outro conflito, esse bem maior e violento, voltará a ocorrer.

Guerra do Paraguai

Nesse momento da história, o Paraguai apresentava-se como um país com grande potencial para crescer e se desenvolver dentro do contexto da América do Sul. Por ter passado grande período de sua história voltado para dentro, fechado ao mundo que o cercava, nele havia um próspero comércio interno e uma sociedade bem desenvolvida, com pequenos índices de analfabetismo. Mas os paraguaios tinham um grande problema a resolver: encontrar uma saída para o mar. Dispostos a conquistar essa saída, eles promovem uma campanha militar contra três países ao mesmo tempo: Brasil, Argentina e Uruguai. Esse Paraguai, um país em franco desenvolvimento, começando a industrializar-se, com pretensões expansionistas, tinha tudo para ser a nova potência do mundo latino americano. A Inglaterra percebeu essa possibilidade e tomou as suas providências.

Concedendo empréstimos ao Brasil, influenciou-o a entrar logo na guerra contra o Paraguai, unindo-se à Argentina e ao Uruguai e formando a Tríplice Aliança, em 1864. O Brasil também comprou novos navios, mais adequados ao teatro de operações em que combatia. Corvetas encouraçadas compradas da Inglaterra foram de fundamental importância na conquista do Forte Humaitá e chegada a Assunção. Finda a guerra, em 1870, Paraguai estava arrasado, destruído. Brasil, apesar de vitorioso, estava com uma dívida externa, principalmente com a Inglaterra, ainda maior do que a que possuía antes de entrar no conflito. Percebamos como a Inglaterra foi duplamente beneficiada: Paraguai não representa mais uma ameaça aos seus interesses e a dependência do Brasil em relação ao seu capital é acentuada ainda mais.

As dificuldades enfrentadas no Brasil pós-guerra do Paraguai o impulsionam em direção ao regime republicano de governo.

Abolição da escravidão

Desde os tratados de 1827 o Brasil havia se comprometido em terminar com o tráfico de negros escravos vindos da África. A primeira data estabelecida foi 1830, mas não foi cumprida. Depois foi assinada a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibia o tráfico negreiro, mas que só fez aumentar o preço do escravo no mercado. Em 1854 foi promulgada outra lei, a Lei Nabuco de Araújo, que previa a punição de qualquer autoridade que encobrisse o contrabando de escravos. Todas essas leis tinha um objetivo maior comum, o fim da escravidão, e atendiam também a um interesse maior, o da Inglaterra.

Os ingleses eram ferrenhos defensores da abolição da escravidão, mas por trás do argumento de defesa humanitária dos povos africanos estavam interesses muito mais escusos. Podemos destacar três principais:

O açúcar brasileiro, produzido por mão-de-obra escrava, chegava no mercado internacional com um preço inferior ao açúcar anglo-antilhano, que era produzido por mão-de-obra assalariada. Concorrência indesejável e desfavorável à Inglaterra;
Os ingleses estavam aumentando o seu domínio sobre a África e o deslocamento de africanos para o Brasil impedia que os mesmos fossem utilizados na produção e consumo na própria África; e,
Talvez o principal motivo de tanta pressão inglesa seja em razão de uma das características mais básicas do capitalismo, o consumo. Por tratarem-se de mão-de-obra escrava, os negros não podiam comprar nada do que era importado da Inglaterra. Se fossem libertos, passariam a receber um salário e poderiam consumir. Para a Inglaterra era fundamental que os negros fossem libertos.
As pressões inglesas contrapunham-se aos interesses das elites nacionais, os Barões do Café, que tinham o seu sistema produtivo baseado na utilização de mão-de-obra escrava. O Governo, pressionado por ambos os lados, termina por aprovar, em 1871, a Lei do Ventre Livre. Por essa lei, todas as crianças nascidas a partir daquela data seriam livres. Aliada ao fim do tráfico negreiro, a população de escravos diminuiria pouco a pouco até acabar totalmente. Mas as nuances dessa lei fizeram com que ela não surtisse o efeito desejado, já que o rebento “livre” poderia ser explorado até completar 21 anos.

Em 1885 outra lei abolicionista foi aprovada, a Lei do Sexagenário, que libertava os escravos com idade superior a 65 anos. Outra medida paliativa que não obteve resultados palpáveis, uma vez que uma pequena quantidade de escravos conseguia atingir essa idade. Pior ainda, os que conseguiam não tinham mais serventia ao seu dono e conceder-lhes liberdade era, na verdade, jogá-los na rua sem nenhuma obrigação de ampará-los.

A campanha abolicionista atinge o seu clímax em 1888 com a assinatura, pela Princesa Isabel, da Lei Áurea. Contudo, essa lei não deve ser entendida como a causa do fim da escravidão no Brasil, mas sim como uma conseqüência do lento processo abolicionista que vinha se arrastando desde 1850 com o fim do tráfico negreiro. A abolição dos escravos tanto almejada pelos ingleses tinha sido enfim atingida. Conseqüência dessa abolição foi a substituição definitiva da mão-de-obra escrava pela assalariada, que já vinha sendo efetuada nos campos de café, mesmo a contragosto das elites agrárias. Aliás, elas reivindicaram uma indenização reparatória pelas perdas em investimentos feitos em escravos, que agora eram obrigados a libertar. O Governo recusou-se a pagar essas indenizações, aumentando o grau de insatisfação dos barões do café.

Insatisfeitos com a abolição da escravidão, os grandes produtores de café passaram a apoiar a campanha republicana que crescia no país. Essa campanha logo tomou força com a ajuda das questões militar e religiosa, não relevantes para o escopo desse trabalho. Estava preparada a bomba que explodiria na Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.

7. PERÍODO REPUBLICANO

Os primeiros passos da República do Brasil foram dados sob o comando de Oficiais do Exército, primeiro sob o comando do Marechal Manuel Deodoro da Fonseca e depois do Marechal Floriano Vieira Peixoto. Esse período ficou conhecido como a República da Espada. Estendendo-se de 1889 a 1894, o ato administrativo mais relevante do período foi o encilhamento. Medida econômica parecida à tomada por D. Pedro I, o encilhamento visava a emissão de moeda para incentivar a produção nacional, com ênfase para o setor industrial. Inicialmente obteve sucesso, mas logo a especulação em cima das ações das empresas levou a uma grande seqüência de falências, sem contar no aumento da inflação.

No plano econômico, o café, que por muito tempo foi o salvador das contas públicas, vinha sofrendo desvalorização de seu preço no mercado internacional. A situação econômica brasileira estava em crise: dependente de capital estrangeiro e com seu produto de maior volume de exportações desvalorizado, a dívida externa brasileira aumentava e o Brasil não via maneiras de honrar os seus compromissos. Foi então que o Presidente eleito, mas ainda não empossado, Manuel Ferraz de Campos Sales, partiu para a Europa a fim de encontrar, junto aos bancos credores, uma alternativa para a crise instalada.

Assim, em junho de 1898, ele acertou um acordo entre o governo brasileiro e os bancos credores (ingleses), em especial a casa N. M. Rothschild & Sons. Esse acordo, o “funding-loan”, versava o seguinte:

O Brasil adquiriria um empréstimo no valor de 10 milhões de libras esterlinas para pagamento de dívida externa;
O prazo para pagamento desse empréstimo seria até 1911;
O penhor das receitas da alfândega do Rio de Janeiro para garantir o seu pagamento; e,
O Brasil comprometia-se a sanear suas contas públicas.
A partir daqui entramos no século XX, e o que vemos é uma política de saneamento das contas públicas que contava com cortes nos gastos públicos, enxugamento monetário e aumentos de impostos. O que se vê também é uma política de valorização do café arrojada, com o estoque de grandes quantidades do produto em armazéns para forçar a subida no preço. Apesar de sucesso inicial, a garantia de que o Governo compraria toda a produção nacional incentivava os produtores a produzirem cada vez mais. O Brasil passa a perder dinheiro com a política de valorização artificial do café. Seu declínio é irrefreável. As receitas com sua exportação diminuem e não podem mais garantir o pagamento do “funding-loan”.

8. CONCLUSÃO

Após termos analisado as informações e das diversas fontes de consulta, pudemos elaborar um trabalho bastante sucinto frente ao vasto período de tempo a que se destinava estudar. Pudemos perceber que na história do Brasil, em especial nesses três séculos, dificilmente iremos encontrar uma atitude, um gesto, uma decisão de um governante que não esteja ligada a uma outra que a antecedeu ou a outra que a sucederá. Assim é o relacionamento entre países: interligado, complexo e repleto de conflitos de interesses.

Tendo sido uma colônia portuguesa por mais de três séculos, a influência dos interesses de Portugal no curso de nossa história é notória. Por anos a fio representamos apenas uma alternativa, uma possibilidade de onde se poderia extrair alguma vantagem. Como não poderia ser diferente, fomos uma colônia de exploração típica, d’onde se esperava apenas lucro e a nenhum crescimento ou desenvolvimento. Apenas os interesses da metrópole importavam.

Ao passo que Portugal vai perdendo a capacidade de sustentar-se por si só e gradativamente submete-se ao capital internacional, outra importante personagem entra em cena na história do Brasil: a Inglaterra. Essa sim, poderosa e vigorosa, dispunha dos mecanismos necessários para controlar o mundo: o capital. Berço do capitalismo e pioneira da revolução industrial, ao longo de toda a pesquisa realizada percebemos como ela luta para defender os seus interesses, o seu crescimento. Dominando economicamente Portugal, o Brasil caiu em seqüência.

A disputa entre interesses locais e externos, pressões políticas internas e externas, marcaram profundamente a evolução política de nossa história e nos trouxe ao ponto em que hoje nos encontramos. De uma colônia de exploração característica a uma república federativa. Essa evolução política, acompanhada de perto pelo desenrolar de nossa economia, foi o que nosso grupo pretendeu expor ao longo das páginas deste trabalho.

Acreditamos que as informações aqui apresentadas, conjugadas com um raciocínio lógico e uma visão crítica dos fatos, nos levaram a entender melhor a nossa história. As influências de Portugal e Inglaterra na formação da sociedade brasileira foram preponderantes para que ela tomasse a forma que tem hoje. E, transportando essa maneira crítica de pensar para os tempos atuais, podemos perceber o jogo de interesses que ocorre nos bastidores da política nacional e internacional. Trocas de favores, visitas de Chefes de Estado a países amigos, reuniões dos países mais poderosos do mundo. Se ainda não somos capazes de entender o porquê desses acontecimentos que, pelo menos, os guardemos na memória, pois certamente o futuro se encarregará de nos mostrar as reais intenções envolvidas.

A Inglaterra não é mais hoje a hegemônica potência que foi no passado. Portugal tampouco é dependente do capital inglês como mostrou ser por longos anos. O Brasil, com muita dificuldade, ergue a cabeça e parece ter encontrado o caminho do desenvolvimento e começa a trilha-lo com as próprias pernas. Eis a importância do estudo da história: o entendimento dos erros do passado, suas nuances e os interesses envolvidos permitem que hoje possamos evitar que voltem a acontecer. E para encerrar este trabalho, deixamos o seguinte pensamento para reflexão:

“Os tolos dizem que aprendem com os seus próprios erros; eu prefiro aprender com os erros dos outros”.

(Otto Von Bismarck)

9. REFERÊNCIAS

RIO DE JANEIRO. Prefeitura da Cidade. Secretaria de Educação. Brasil Monárquico. Disponível em: <http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02>. Acesso em: 20 setembro 2006.

KOSHIBA, Luiz,1945-. História do brasil. 5.ed., rev. e ampl São Paulo: Atual, 1987. 386p.

FAUSTO, Boris. História do brasil. 4.ed São Paulo: EDUSP, 1996. 650p.

VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1997. 496p.