COMO INSTALAR WINDOWS XP SP2 NO CCE E NEXTERA

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Pessoal para pcs CCE e Nextera que vem com Windows Vista Starter e voce quer trocar para windows XP, saiba que nao e permitido pela Microsoft o Downgrade, pois a versao Starter e basica.

Se voce comprou o Windows XP SP2 Original e nao esta conseguindo instalar, Recebendo a mensagem ” ERRO AO CARREGAR O SISTEMA OPERACIONAL”, apos formatar e reiniciar o computador, faça o seguinte:

1- Para ele nao dar este erro e voce conseguir instalar o Windows XP, voce tem que excluir a partiçao na instalaçao, mas nao crie nada em seguida, voce reinicia o computador e manda dar o boot novamente pelo cd de instalaçao. Ele vai pedir para voce criar a particao novamente, voce cria a partiçao e manda instalar o sistema operacional, que ele nao da mais o erro: ” ERRO AO CARREGAR O SISTEMA OPERACIONAL”

2- Ele so da o erro se voce dar o boot pelo cd, formatar a maquina e tentar instalar o sistema operacional em seguida, Mesmo que voce exclua a particao e mande instalar o sistema operacional em seguida, ele da o erro, voce tem que excluir a partiçao e nao cria-la em seguida, voce tem que reiniciar o pc apos excluir a partiçao e assim seguir os passos descritos acima.

DÊ FIM AO CHULÉ

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Acabe com o mau cheiro dos pés lavando-os diariamente com chá. Basta deixá-los de molho em chá forte por 20 minutos diários e dizer adeus ao fedor!

DEVOLVA O BRILHO A UMA PIA FOSCA

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Não é preciso sair para comprar um limpador de metais. Você pode fazer o seu com mais rapidez e menos dinheiro. Basta combinar partes iguais de farinha de trigo, sal e vinagre, e misturar para formar uma pasta. Espalhe a pasta sobre o metal, deixe secar e remova-a com uma pano limpo e seco.

COMO AFASTAR FORMIGAS

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Espalhe uma fileira de farinha de trigo por trás das prateleiras da despensa e onde quer que você veja formigas entrando em casa. Repelidas pela farinha, as formigas não cruzarão a linha.

CÂNCER DE TIREÓIDE

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MITOS E VERDADES SOBRE O CÂNCER DE TIREÓIDE

Examinei meu pescoço e encontrei um nódulo. Estou com câncer

Mito: O auto-exame da tireóide é muito importante para detectar nódulos precocemente.Porém, localizar um nódulo na tireóide não significa que você esteja com câncer. Procure seu médico que irá solicitar exames para verificar a importância do nódulo encontrado. A maioria dos caroços encontrados na tireóide são benignos.

Problemas na tireóide como o hipotireoidismo ou hipertireoidismo
podem ser sintomas do câncer de tireóide

Mito: Todas as pessoas que têm alguma alteração na atividade da tireóide devem consultar um médico e realizar os exames para verificar a causa desta alteração. Nesta avaliação a ultra-sonografia pode detectar um nódulo. Felizmente a maioria dos nódulos da tireóide são benignos.

Melhor ter vários nódulos que um só

Mito: Estudos indicam que o fato de ter um único ou vários nódulos na tireóide não influencia na gravidade da doença. Reforçando: nódulo nem sempre é câncer.

Câncer de tireóide só dá em mulher

Mito: Embora este tipo de tumor seja mais prevalente nas mulheres com mais de 35 anos, os homens também são atingidos pela doença.

Pessoas na minha família tiveram câncer de tireóide, tenho 100% de chance de ter

Mito: Somente um dos tipos de câncer de tireóide é hereditário, o câncer medular de tireóide, que só representa 5% dos casos. Desta maneira, a maioria dos tumores de tireóide não são hereditários, embora alguns estudos indiquem que há uma predisposição genética para desenvolver a doença.

Carência de iodo pode causar nódulos na tireóide

Verdade: Em regiões de carência crônica de iodo é muito freqüente o aparecimento de nódulos na tireóide, porém raramente são tumores malignos. A carência, mesmo que moderada de iodo, favorece o aparecimento de nódulos na tireóide. Vale lembrar que o excesso de iodo também pode causar
outras doenças na glândula tireóide.

O câncer de tireóide tem cura

Verdade: Embora a medicina indica, sempre, o tratamento individualizado e cada paciente responda de uma maneira particular às terapias, o câncer de tireóide é curável em 95% dos casos, desde que diagnosticado precocemente e acompanhado corretamente pelo menos 5 anos depois da cirurgia para retirada da glândula.

Toda pessoa que tem câncer de tireóide tem a glândula retirada

Verdade: Para dar um melhor prognóstico ao paciente, desde que diagnosticado que o tumor é maligno, a maioria dos médicos opta por retirar totalmente a tireóide. O paciente irá tomar medicamentos que farão a reposição dos hormônios tireoidianos e terá vida normal.

Andar muito de avião ou ficar sempre perto de antenas de celulares aumenta o risco de desenvolver câncer de tireóide

Mito: Não há qualquer comprovação científica que radiação de celulares, microondas, aviões, possa afetar ou causar alterações na tireóide. Somente radioatividade em altas concentrações, como o acidente nuclear de Chernobyl ou com o Césio 137 em Goiânia representam riscos para desenvolver um câncer. Após 20 anos do acidente nuclear em Chernobyl, o número de crianças com câncer de tireóide naquela região é assustador, uma em cada 100 apresenta a doença.

O câncer de tireóide é um câncer bom

Mito: Não há câncer bom! Todo tipo de tecido maligno deve ser tratado com todos os recursos terapêuticos disponíveis com o máximo rigor no seguimento e com dupla seriedade tanto por parte do paciente como do médico. Dizer que o risco é baixo não significa que é zero.

Como fazer o auto-exame?

Para fazer o auto-exame você vai precisar de um espelho e um copo de água. Segure o espelho e procure no seu pescoço a região logo abaixo do pomo-de-adão, mais conhecido como gogó. Incline a cabeça para trás e focalize a região com o espelho. Beba um gole de água. Com o ato de engolir a tireóide sobe e desce, observe se existe algum aumento ou saliência na tireóide. Qualquer alteração, consulte seu
endocrinologista.

Fonte: www.indatir.org.br

PRIMEIROS SOCORROS AO POLITRAUMATIZADO DE TRÂNSITO

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Autor: Roberto Sérgio de Tavares Canto

Introdução

A morte decorrente de acidente em estradas está-se constituindo no 3º flagelo da humanidade, logo após as moléstias cardiovasculares e o câncer. Na Itália, ocorre um acidente a cada minuto e meio com uma morte por hora. Na Alemanha Federal, a cada 31 minutos morre uma pessoa vítima de acidente automobilístico. Nos Estados Unidos e Alemanha, 70% das mortes por acidente nas estradas ocorrem por trauma cranioencefálico. Destas, uma em cada cinco se dá por obstrução das vias aéreas. Nos pacientes mortos, de 20 a 50% teriam se salvado se houvesse uma ajuda médica competente no local do acidente. Outros dados mostram que o número de mortes seria diretamente proporcional ao tempo entre o acidente e o início do tratamento.

A alta incidência de acidentes em nossas estradas faz com que a chance de nos depararmos com um deles, na qualidade de protagonista ou na de espectador, seja realmente significativa. Toda a população deveria receber o treinamento adequado sobre prestação dos primeiros socorros, o que deveria, aliás, ser um requisito para a obtenção da carteira de motorista. Os profissionais da área de saúde, ai destacando-se o médico, deveriam se interessar pelo assunto e procurar adquirir tanto o conhecimento como o equipamento necessários.

O médico tem um papel duplo: primeiro educar-se e depois ajudar os outros a fazer o mesmo. Ainda que não se queira levar em consideração o que se convencionou chamar de solidariedade humana, o médico tem o dever moral de parar num local de acidente e prestar socorro às vítimas. A ansiedade e a sensação de impotência, tão comum nessa situação, só desaparecerão com o conhecimento, com a posse de um mínimo de equipamento e com a experiência nesse tipo de ação. Uma seqüência metódica de ações, que começa com o vislumbre de uma cena de acidente, poderá evitar atrasos desnecessários, salvar vidas e diminuir a morbidez decorrente da “ajuda” ao acidentado por pessoas despreparadas. Esta seqüência poderá ser alterada de acordo com as características do acidente.

Tempo e Local

Devem ser anotados a hora e o local do acidente. O destino das vitimas está nas mãos de quem resolver prestar os primeiros socorros. Esta pessoa dispõe do principal fator que é o tempo. Nos eventos subseqüentes, a excitação faz com que o tempo se escoe rapidamente. Pela mesma razão, a opinião sobre o local pode variar muito entre os espectadores do acidente. Sendo assim, a anotação imediata do local e do tempo decorrido será de fundamental importância para o futuro e definitivo socorro do paciente.

Estacionamento Correto

O pisca-pisca do lado direito deverá ser acionado, para avisar o motorista de trás sobre a parada iminente. Se o veículo for o primeiro a chegar, pode ser mantido na estrada para proteção da área do acidente. Com os faróis traseiros de emergência acesos e com a chave na ignição, o carro poderá ser removido pela polícia, que chegará depois. A melhor posição para o automóvel é aquela em que ele fica obliquamente no acostamento, com o pisca-pisca dianteiro esquerdo e as luzes de emergência traseiras ligadas. Assim estacionado, os faróis dianteiros poderão iluminar a cena do acidente.

Controle da Situação

A identificação de um médico aos que já estão no local, seja motoristas, bombeiros ou a policia, geralmente é bem-vinda. Deve-se, então, assumir o controle do local, procurando pôr ordem numa situação que, freqüentemente, é caótica. Quando possível, deve-se encaminhar pessoas para ambos os sentidos da rodovia, orientando-as para que interrompam o tráfego, com acenos de lanternas, casacos coloridos, jornais, galhos de arbustos e triângulos de emergência. Cuidados devem ser tomados para que essas pessoas não sejam confundidas com pedidores de carona. Não é infrequente haver outros acidentes subseqüentes provocados por motoristas que adentram a cena do desastre em alta velocidade, principalmente quando existe neblina.

Remoção do Perigo

Devem ser desligados os motores dos veículos que, porventura, ainda estejam funcionando. Ninguém pode fumar ria área do acidente. Deve-se evitar também que as pessoas obstruam a luz dos autos que estão iluminando os trabalhos de resgate das vítimas.

Levantamento dos Acidentados

No levantamento do número de acidentados, deve-se levar em consideração o tipo de acidente e o estado dos veículos. Poderá haver pessoas lançadas a distância, escondidas embaixo de carros, caídas embaixo do painel, ou entre o banco da frente e o de trás. Procura-se, então, quantos se acham inconscientes e sem respirar; quantos estão inconscientes, mas respirando; quantos estão sangrando; quantos apresentam traumas leves e quantos estão com traumas graves.

Salvamento da Vida

É importante selecionar a vítima a ser ajudada primeiro. Algumas, com lesões graves e provavelmente irreversíveis, devem ser preteridas em relação a outras que, embora feridas, tenham mais chance de sobrevivência.6 Crianças e velhos devem receber atenção especial pela própria labilidade. Assim, vítimas com trauma cranioencefálico grave, trauma maciço por combinação de afundamento de tórax, trauma abdominal, fratura da pelve, fraturas múltiplas dos membros e queimaduras em mais de 50% de área corporal devem ser deixadas para depois. Primeiro devem ser atendidos pacientes com distúrbios respiratórios, traumas isolados ou combinados com outros menores, como, por exemplo, o afundamento de tórax, abdômen agudo ou fratura de pelve combinados com pequenas fraturas ou queimaduras de menos de 15% de área corporal. Pacientes com pequenos traumas isolados podem ser deixados por último, desde que mantidos em observação, assim como também aqueles que gritam pois, pelo menos, estão com as vias aéreas desobstruídas e perfusão cerebral. Pequenos traumas seriam as fraturas de antebraço, pequenas queimaduras, contusões generalizadas e pequenos ferimentos que, embora impressionem pelo sangramento, não representam maiores problemas.

Vias Aéreas

Pacientes inconscientes, em dificuldade ou parada respiratória, devem ser auxiliados primeiramente, limpando-se a boca do sangue, do muco e de possíveis próteses dentárias. Usa-se um lenço ou pano dobrado, para proteção dos dedos. Desapertam-se também, nesta ocasião, gravatas e colarinhos. Caso não haja retorno espontâneo da respiração, deve-se iniciar a respiração boca a boca ou boca a nariz, em conjunto ou não com a massagem cardíaca externa, caso haja parada cardíaca concomitante. Entretanto, a ausência de resultados, após 15 minutos, seguramente indica mau prognóstico. Todo paciente que, em estado de inconsciência, ainda respira, deve ser removido com cuidado para uma posição de decúbito lateral ou de semipronação, esteja ele ainda sentado dentro do carro, ou já no solo. Dentro do veiculo, ele deve ser gentilmente inclinado para o lado, mantendo-se a mão no queixo, para se fletir dorsal e suavemente a coluna cervical. No solo, consegue-se esta posição, puxando-se o doente pelo cavo poplíteo do membro inferior e pelo pulso do membro superior do mesmo lado, de tal maneira que ele fique em semipronação e com a maio que foi usada para puxá-lo, sob o lado oposto da face. Nesta posição qualquer sangramento, vômito ou muco escoará pela gravidade. A inclinação posterior suave do pescoço abre automaticamente as vias aéreas pela anteriorização da base da língua. Esta mesma manobra só não deve ser usada em crianças pequenas, pois pode-se dificultar a respiração. Neste caso, deve-se suportar a cabeça, pela mandíbula, sem inclinação posterior.

Traqueostomia

A traqueostomia ou a cricotireoidotomia é raramente necessária nos acidentes de estrada e nos traumas comuns da vida civil. Os médicos e mesmo o pessoal que trabalha em primeiros socorros deveriam se familiarizar com a técnica de abertura da membrana cricotireoidiana, usando-se uma lâmina afiada. Como alternativa para salvar a vida, pode-se inserir na traquéia uma agulha de uso endovenoso, e orifício largo.

Hemorragia

Em grande maioria, as hemorragias externas podem ser estancadas pela pressão firme de um tecido dobrado, ou lenço, sobre o ferimento. Pode-se manter a pressão sobre o tecido, enfaixando-se externamente com tiras de camisa, calças ou pedaços de cinto de segurança cortado dos veículos. Raramente, devemos lançar mão de pinças para o pinçamento de vasos ou de garrotes improvisados. Estes, quando usados por mãos inexperientes, podem trazer sérios danos adicionais. Freqüentemente, o torniquete piora o sangramento pela obstrução somente do componente venoso.

Solicitação de Socorro

A solicitação de socorro pode ser feita concomitantemente com os procedimentos tratados nos itens anteriores. Os veículos podem ser parados e os ocupantes argüidos sobre a possibilidade de remessa de informações ao hospital, da existência de radiotransmissores, enfermeiras, médicos, ou pessoas com conhecimento de primeiros socorros. A comunicação com os bombeiros e com a ambulância deve ser por escrito, relatando o que já foi feito, bem como quais as prioridades para o próximo atendimento. Deve-se também informar o tempo e local do desastre.

Remoção das Vitímas

Na Vigência do Perigo. Estaria indicada a remoção rápida das vítimas de dentro do carro, para o acostamento, sem os cuidados necessários, somente na vigência de perigo, como, por exemplo, tanque vazando gasolina, cigarro aceso no interior das ferragens, carro com risco de submergir ou submergindo, veículo prestes a cair em abismo e posição perigosa da vítima no meio de uma auto-estrada. Nestes casos, usa-se a técnica do “agarre e puxe”.

Sem Perigo Iminente. A remoção intempestiva não se justifica nesse tipo de trabalho. Ao ser encontrada uma pessoa inconsciente dentro de um veículo sinistrado, deve-se primeiramente desobstruir as vias aéreas (como já foi exposto). Após o levantamento de todos os ferimentos e das condições gerais da vítima consciente ou inconsciente, podemos fazer as seguintes perguntas: “Onde dói?”, “Como poderei ser mais gentil?”, para não piorar o estado do paciente. O tempo e a experiência têm demonstrado: imobilize o paciente onde ele está. Embora a imobilização seja uma conduta quase que só aplicada em fraturas, ela também prevê um suporte protetor aos tecidos traumatizados.

A tensão ou torção causadas pela remoção manual certamente causarão um trauma adicional a um fígado lesado; um baço rompido; um músculo lacerado ou a um intestino perfurado, mas com o orifício fechado. E imperioso que se cultive entre policiais, enfermeiros, médicos e pessoas ligadas às atividades de primeiros socorros um carinho, para com os politraumatizados, semelhante ao que o cirurgião tem pelos tecidos. Deve-se tentar remover o carro da vítima, e não a vítima do carro, procurando ampliar espaços através da retirada de bancos, bagagem, portas, Adros etc. Também o equipamento deve ser levado ao acidentado e não o contrário. Todas as fraturas devem ser imobilizadas ainda no interior do veiculo, usando-se métodos de fortuna que serão discutidos mais à frente. Mesmo um fêmur fraturado pode ser imobilizado temporariamente, usando-se uma revista ou jornal dobrados e amarrados ao redor da coxa, como primeiro passo para remoção. Quando a situação desaconselhar a espera de uma maca, ou na impossibilidade de se conseguir uma porta, prancha ou banco removível de automóvel nas circunvizinhanças do acidente, recorre-se às manobras de remoção manual. Efetuadas, com calma e técnica, podem, como último recurso, substituir o uso das macas e de pranchas especiais. Para remover a vítima do assento do veículo, é melhor lançar mão de três pessoas. Uma, apenas segura a cabeça de maneira que a posição não se modifique em relação ao tronco, obstruindo a respiração ou agravando urna lesão da coluna cervical. O 2º auxiliar abaixa ao máximo o encosto do assento, abraça, agora, a vitima por trás, segurando em um ou nos dois antebraços da mesma, colocados à frente do abdômen. Desta forma, levanta-se o acidentado, dirigindo-o para fora, de modo que suas nádegas fiquem sobre as coxas do ajudante que, a seguir, se ajoelha e o deposita sobre o cobertor ou jornais estendidos no solo. A 3ª pessoa apenas controla os membros inferiores do paciente, ajudando a retirá-lo do veiculo e depositando-o, no solo, acompanhando as manobras da 2ª pessoa. Quando houver necessidade de transportar a vítima para mais longe, deve-se procurar usar as mesmas três pessoas que, tendo o acidentado entre as pernas, erguem-no pelas vestes ou pelo cobertor, levando-o como urna unidade e cuidando para que não se interrompa a respiração. Na ausência de ajudantes, pode-se, quando a ocasião o indicar, resgatar e transportar o paciente pelo método de Rautek, 11 que consiste basicamente na mesma manobra efetuada pelo 2º auxiliar, descrita anteriormente.

Tratamento do Choque

Tenta-se controlar inicialmente o choque, na cena do acidente, estancando-se a hemorragia externa; promovendo-se a autotransfusão através da elevação dos membros inferiores, imobilizando-se os ferimentos para alívio da dor e quando factível, infundindo-se líquidos expansores do plasma. A forma mais grave do choque é a parada cardíaca. Nestes casos, deve ser feita a massagem cardíaca extratorácica acompanhada, caso necessário, pela respiração artificial. A pressão sobre o esterno de uma criança pode ser feita com uma mão apenas. No lactente, bastam dois ou três dedos. Nem sempre é fácil decidir pela infusão endovenosa. Sabe-se, por experiências no Vietnã e Israel, que, mesmo após perda sangüínea intensa, os jovens não apresentavam lesões renais graves, quando não havia uma demora de mais de 20 minutos entre o acidente e a sala de emergência. Pelas características do nosso pais, dificilmente alguém poderá chegar ao hospital nesse prazo, o que nos autoriza, sempre que possível, a proceder à infusão no local do acidente. E interessante tentar fazer-se uni inventário das lesões e do tipo de acidente, e dai uma estimativa da perda sangüínea real. Uma hemorragia de 25 a 30% do volume sangüíneo total (equivalente no adulto a um volume de duas a três transfusões) não deve assustar a pessoa que ministra os primeiros cuidados. O paciente necessita principalmente de conforto e proteção contra o frio. Entretanto, quando possível, deve ser usada infusão endovenosa nesses pacientes.

Pneumotórax

A permanência de dificuldade respiratória, após a desobstrução das vias aéreas pelos métodos simples de primeiros socorros, pode indicar duas coisas: embriaguez ou trauma de tórax. Quando o trauma é bilateral, o diagnóstico é fácil. Em escala menor, o diagnóstico pode ser extremamente difícil. A respiração paradoxal, assim como a cianose, é difícil de ser vista com luz insuficiente. O tipo de acidente pode ajudar na busca do diagnóstico. Deve-se sempre apalpar as costelas, principalmente em lesões que se suspeite serem causadas pela direção do veículo. Se um paciente com fraturas múltiplas de costelas apresenta movimento paradoxal, deve-se imobilizar o seu tórax através de um suporte firme sobre a região, suficiente para dar alivio e reduzir a amplitude do movimento. Algumas vezes, podemos apertar a mão sobre as fraturas, ou deitar o paciente sobre o lado fraturado, para que o movimento paradoxal seja controlado pelo seu próprio peso. Algumas pessoas com trauma torácico sentem-se melhor quando sentadas. O pneumotórax é, seguramente, a pior complicação advinda do trauma torácico. Sempre que existirem sinais e sintomas oriundos de lesões causadas pela direção do automóvel – desvio de traquéia, percussão alterada, enfisema dissecante, fraturas de costelas, cianose e dispnéia em pacientes com as vias aéreas pérvias, devemos suspeitar desse diagnóstico. Na ventilação normal, nota-se, no pneumotórax, um aumento da resistência ao esforço respiratório. Um pneumotórax pequeno, fechado, poderá ser drenado posteriormente, não sendo uma condição de extrema urgência. O pneumotórax hipertensivo já é mais grave. A tensão pode ser aliviada temporariamente pela inserção de uma agulha endovenosa grossa na cavidade pleural. Na ausência de um cateter próprio, pode-se inserir uma agulha na face anterior do tórax, no 2 º espaço intercostal. O ideal seria a inserção de uma cânula através de um trocater usado em conjunto com uma válvula de Heimlich. 21 Veias ingurgitadas no pescoço e cianose indicam sinais terminais. Pacientes em estado muito grave podem ter o tórax drenado bilateralmente com agulhas. A drenagem definitiva, corri o dreno torácico no selo de água ou com a válvula de Heimlich, deve ser instalada logo que possível. Feridas abertas aspirativas devem ser imediatamente cobertas com um curativo estéril. Um pedaço de plástico, colado sobre a ferida em apenas três de seus quatro lados, não permitirá a entrada do ar, propiciando o escoamento de sangue e do ar da cavidade pleural. Afortunadamente, o pneumotórax traumático raramente requer um tratamento de urgência na cena de um acidente.

Fraturas e Ferimentos

Deve-se, inicialmente, cobrir os ferimentos e fraturas expostas com um pedaço de pano limpo, seguido de enfaixamento com fragmentos de tecido: pedaços de toalhas, camisas, gravatas etc. A imobilização das fraturas e dos membros com graves ferimentos e da coluna vertebral reveste-se de extrema importância, devido a dois fatores: diminui a dor, contribuindo para a não-piora do choque e minimiza o dano às estruturas circunvizinhas à área traumatizada. Para isso, podemos lançar mão dos métodos eventuais, que são métodos de improvisação no local do acidente com base no bom senso, inteligência e treino das pessoas presentes.

Cabeça e Pescoço

Após a desobstrução das vias aéreas de uma pessoa encontrada inconsciente, sentada dentro de um veículo, deve-se estabilizar a cabeça na posição de discreta flexão dorsal, usando-se folhas de jornais, revistas, capas e folhetos enrolados ao redor do pescoço e fixados com um cinto, de tal forma a permitir-lhe a respiração. Uma pessoa deve permanecer ao lado do paciente até a chegada da equipe definitiva do socorro, pois se o paciente tentar vomitar, não poderá mais permanecer sentado. Deve-se, então, retirar a imobilização e colocá-lo no banco em decúbito lateral.

Ao se posicionar em discreta flexão posterior o pescoço de um traumatizado de crânio, deve-se aproveitar a ocasião para evidenciar possíveis lesões na coluna cervical. Haveria, em 10% das vezes, uma concomitância entre trauma craniano, e lesão da coluna cervical.

Caso o paciente esteja inconsciente, pode-se transportá-lo em decúbito ventral, sobre uma prancha ou maca. Paciente consciente deve ser transportado em decúbito dorsal com suporte para lordose cervical e dois suportes laterais que podem ser conseguidos com rolos de tecido (cobertor, colcha ou capa dos assentos do automóvel)

Coluna Toracolombar

Gentilmente, rola-se o paciente para uma maca, prancha ou porta, procurando nunca fletir a coluna, e transporta-se, caso o paciente esteja consciente, em decúbito dorsal; em decúbito ventral, caso esteja inconsciente. O ideal seria que o resgate fosse feito por pessoal treinado e em pranchas especiais que imobilizam totalmente o paciente, quando ainda dentro do veículo. Pode-se transportar o paciente usando-se o próprio banco do veículo.

Tórax

Os traumas leves de tórax, assim como as fraturas não complicadas, devem ser tratados com enfaixamento, usando-se para isso pedaços de pano, ou mesmo esparadrapo quando disponível. Deve-se conservar também o antebraço, do lado fraturado, na tipóia.

Fratura do Úmero e do Cotovelo

. Aplica-se tração forte e mantida, para correção de grandes deformidades angulares do membro. Coloca-se, então, uma faixa e uma tipóia com uma pequena almofada na axila. Outra maneira seria enfaixar o braço e o antebraço colados ao tórax, mantendo-se também uma almofada na axila.

Fratura do Antebraço e Punho

Podem ser utilizadas pequenas tábuas almofadadas, com pano, enfaixadas ao redor do antebraço com tiras de tecido. Podem-se também usar revistas ou jornais dobrados, formando uma calha, fixando com correias. Deve-se manter uma tipóia.

Fratura do Fêmur

Aplica-se uma tração forte e mantida, para correção de grandes deformidades angulares do membro. Para se remover o paciente do interior do veiculo, pode-se imobilizá-lo in loco com jornais e revistas dobradas e, depois, já fora, aplicar-lhe a férula de Thomas. Pode-se também amarrar um membro ao outro com várias tiras de pano ou usar tábuas fixadas com tiras ou correias improvisadas.

Fratura do Joelho e da Tíbia

Pode-se enrolar o membro com um tecido grosso. Colocam-se tábuas por fora, fixadas com tiras de pano.

Fratura do Tornozelo e do Pé

Pode ser aplicado um lençol ou um cobertor dobrado, fixado com alfinetes ou tiras de pano. Um bom material para ser utilizado, como faixas e tipóias, nessas urgências, é o cinto de segurança dos veículos. O bom senso indicará, no local do acidente, vários materiais a serem utilizados: capas de assentos, casca e galhos de árvores, bambu, cobertores, jornais, tapetes dos autos etc.; revistas e tecidos oriundos de diferentes tipos de vestimentas.

Situações Especiais

Objeto Penetrante no corpo. Em situações felizmente raras, quando nos deparamos com estacas, pedaços de metal, fragmentos de madeira, penetrando no tórax ou abdômen, devemos proceder com a máxima cautela, só fazendo extração na sala de emergência do hospital. A hemorragia que advir da retirada pode ser fatal, se não houver recurso necessário à mão. Às vezes a parte externa do objeto pode ser cortada para permitir a movimentação do paciente.

Amputações. Membros oriundos de amputações traumáticas devem ser embrulhados num saco de plástico e imersos em água fria. A reimplantação pode ser possível. Um membro esmagado, preso nas ferragens, deve ser garroteado na parte proximal da parte não-viável, e mantido até a amputação. Felizmente, na maioria das vezes, o trauma não é tão grave, bastando enfaixar o membro e imobilizar por fora para o transporte ao hospital.

Queimadura. Presença de taquipnéia, dispnéia, rouquidão e tosse pode indicar queimadura de vias aéreas. Se confirmado, deve-se administrar oxigênio e ventilar o paciente, para que ele possa esperar pela intubação com maior chance de sobreviver.34 A estimativa de área corporal queimada pode ser feita pela regra dos nove. Se a área queimada ultrapassar 15% do corpo, deve-se começar a infusão com soro fisiológico. Cobrem-se, então, as áreas queimadas com tecido limpo e de preferência estéril. Não se deve usar nenhuma substância no curativo.

Medicação

É um ponto importante a ser considerado durante os primeiros socorros. Embora ainda existam algumas discordâncias, pelo menos em alguns pontos existe um consenso. A via a ser usada é sempre a endovenosa pois, por via intramuscular, pode haver superdosagem após a recuperação do estado de choque. Devem-se sempre usar analgésicos que não deprimam a respiração. Sinais de alcoolismo contra-indicam a administração de analgésicos. A medicação comum de escolha recai sobre a dolantina (meperidina) potencializada pelo diazepam. São medicações mais fáceis de serem adquiridas e manipuladas, além de terem uma excelente ação analgésica. Envie sempre ao hospital uma anotação sobre a medicação administrada.

Transporte do Acidentado

Excepcionalmente, haverá justificativa para não se proceder com calma, desde o momento em que o paciente é colocado na ambulância, até a chegada ao hospital. A pressa em conduzir o veículo agrava a dor do paciente, contribuindo para a piora do choque; pode reativar hemorragias, principalmente internas que estariam sendo controladas pelo próprio organismo e aumenta o risco de trauma adicional nos ossos fraturados, além de submeter o paciente e a equipe que o assiste ao perigo de um novo acidente. Quando o número de vítimas, o tipo de trauma e o tempo de viagem da ambulância indicarem, pode-se, com bom senso, pro-videnciar outros meios de transporte: veículos maiores, de preferência com o banco traseiro removível. De maneira geral, tudo que foi analisado sobre primeiros socorros, na área do acidente, deve ser repetido dentro da ambulância num nível superior de atendimento.

Equipamento de Primeiros Socorros

Todo médico deve organizar sua própria maleta de primeiros socorros com o equipamento que julgar importante manter em seu automóvel. O treinamento das diferentes técnicas de auxilio a politraumatizados é fundamental e geralmente feito com facilidade. Num país que detém recordes mundiais de acidentes de trânsito, este treinamento pode significar a própria sobrevivência ou a de outro ser humano. A maleta de socorros pode ser montada seguindo-se um roteiro baseado nas prioridades do atendimento e nos produtos que podem ser encontrados no comércio:

Vias Aéreas. Cânula orofaríngea (Guedel, Safar)*; tubos endotraqueais* ; seringa para insuflar o manguito* , pinça de Magill* ; fita adesiva ou esparadrapo* ; pêra para sucção; cânula endovenosa* (para punção cricotireoidiana), e bisturi para traqueostomia (ou abertura da membrana cricotircoidiana).

Respiração. Conjunto de bolsa e máscara para ventilação (ambu); material de drenagem de pneumotórax com válvulas do tipo Heimlich; bala pequena de oxigênio (KT), e cânula endovenosa* (drenagem de pneumotórax).

Circulação: Seringas descartáveis* ; equipos de soro* ; soros fisiológico* , glicosado* e Ringer-lactado* : Haemaccel* ; Butterfly ou escalpes 19 e 21*; abottcath nº 18*.

Complemento. Rolos de faixa de morim, faixa de crepe, pacotes de gaze esterilizada; ataduras gessadas, férulas insufláveis; pedaços de plástico para isolamento de feridas abertas; cobertores obtidos de plástico de uso agrícola; lanterna; lápis, papel e porta-etiqueta; bicarbonato de sódio 3%, inoval, dolantina ou demerol, gluconato de cálcio, hidrocortisona, propoxifeno.

* Equipamentos capazes de manter uma via aérea, ventilar os pulmões, drenar um pneumotórax e possibilitar uma infusão endovenosa. Estes materiais não são caros e podem ser acondicionados numa pequena caixa impermeável.

Referências Bibliográficas

1. AREZIO, G. & CINCERA, G.M. Minerva Chir., 23:20, 1968.

2. BASKETT, P. & ZORAB, J.S.M. Anaesthesia, 30:80, 1975.

3. BASKETT, P.F. & ZORAB, J.S.M. Immediate care, W.B. Saunders, London, 1977.

4. BERNARDINI, A.; TARSIA, A. & PANETTA, G. Minerva Med., 66:3.174, 1975.

5. BRADLEY, D. Nurs. Times, 71:1.622, 1975.

6. BRUCKNER, W. & LICK, R. Med. Klin., 64:1.019,1969.

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PROLAPSO RETAL

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Autor: John H. Pemberton

O prolapso retal é uma condição desabilitante incomum, que há muito tempo fascina os cirurgiões. Poucas doenças clínicas têm gerado número tão grande de procedimentos cirúrgicos, com graus tão variados de sucessos de resultados, como o prolapso retal. Somente nas últimas décadas começamos a compreender melhor a fisiopatologia do prolapso retal, e, com essa compreensão melhor, têm surgido técnicas cirúrgicas mais racionais, que têm melhorado as taxas de sucessos a longo prazo.

Para iniciar, a terminologia é um dos maiores problemas na abordagem do prolapso retal, gerando confusões em suas referências. O termo deve ser distinguido do prolapso mucoso, da intussuscepção interna (prolapso retal oculto) e prolapso retal completo (procidência). O prolapso mucoso é causado por uma frouxidão ou desabamento do tecido conjuntivo entre a mucosa do reto e do canal anal e os músculos adjacentes. Esse processo começa, geralmente, ao nível do canal anal, sendo, nas formas precoces, representado pelo complexo hemorroidário. Com a evolução clínica, mais mucosa do canal anal (hemorróidas) e mais mucosa retal distal protrundem, levando ao quadro característico dos sulcos lineares de mucosa e ausência do sulco perianal (junção cutaneomucosa). Nunca o prolapso mucoso progride para atingir a forma de um prolapso retal completo, devendo, antes de tudo, ser considerado uma faceta da doença hemorroidária.

Intussuscepção interna do reto (prolapso oculto do reto) é uma entidade clínica distinta, que pode ser considerada um precursor do prolapso retal completo. Somente pode ser diagnosticado com confiança através da defecografia. Pacientes com intussuscepção interna do reto não devem ser submetidos a cirurgia; as anormalidades básicas que a compõe ao nível das disfunções do assoalho pélvico não podem ser abordadas por cirurgias.

O prolapso retal completo é definido com uma protrusão de toda espessura da parede retal, incluindo todas as suas camadas parietais, através do orifício anal. É sobre essa entidade clínica que os variados processos cirúrgicos serão descritos doravante.

A finalidade da cirurgia para o prolapso retal é corrigir o prolapso para evitar a incontinência fecal e a constipação intestinal, não podendo, para isto, acarretar índices consideráveis de mortalidade e morbidade. As operações para prolapso retal são divididas em duas grandes categorias: cirurgias abdominais e cirurgias pélvicas; disputando, cada uma delas, adeptos ardorosos e inimigos figadais.

Embora todos pareçam pensar que tenho o “pulo do gato” para curar o prolapso, o melhor que temos a fazer é escolher uma das várias operações que parecem dar um maior alívio ao paciente, a longo prazo, e que tenham uma morbidade e uma mortalidade aceitáveis, e que não criem mais problemas para o paciente que aqueles que o cirurgião tenta resolver.

Este capítulo descreve vários procedimentos abdominais e perineais para o reparo do prolapso retal. As operações que mais pratico são as ressecções anteriores e as retossigmoidectomias perineais, preferindo as ressecções anteriores para pacientes jovens e saudáveis, relegando as retossigmoidectomias perineais aos pacientes com condições clínicas opostas.

Reparo Abdominal

Ressecção Anterior

Há muitos procedimentos cirúrgicos abdominais para abordar o prolapso retal. Acredito que o ponto central visado por tais operações, em última instância, repousa na fibrose do espaço pré-sacro para curar o prolapso.

Dando seguimento ao preparo intestinal mecânico e à cobertura antibiótica adequada, e colocando o paciente em posição combinada, o cirurgião faz uma laparotomia mediana. Segue-se uma mobilização rápida e segura do reto, com muito cuidado para preservar a inervação e a vascularização, e afastando a possibilidade de perfurar a parede retal, o que se consegue (1) progredindo a dissecção no espaço retrorretal para trás da artéria hemorroidária superior; (2) seccionando o ligamento retossacral; (3) avançando com a dissecção anterior, profundamente, até a fáscia de Denonvilliers;1e (4) completando as dissecções posterior e anterior antes de fazer as ligaduras dos ligamentos laterais.

Após liberar o cólon sigmóide de qualquer aderência à parede abdominal lateral, a “linha branca” é seccionada e os vasos gonádicos e o ureter esquerdo são afastados lateralmente (Fig. 7-1). O cirurgião puxa a alça sigmoideana para cima, de modo a estirar a artéria mesentérica inferior, identificando a artéria hemorroidária superior com maior facilidade (Fig. 7-2). Com uma pinça os tecidos em volta da artéria mesentérica superior são afastados diretamente para trás, abrindo-se uma janela no mesossigmóide imediatamente abaixo da artéria hemorroidária superior, ao nível da bifurcação aórtica. Os tecidos separados da artéria hemorroidária superior com essa manobra contêm o plexo aórtico e a origem dos nervos pré-sacrais, além de ramos nervosos hipogástricos esquerdos (Fig. 7-2).

O arco da artéria hemorrodária superior é seguido para frente, em direção ao reto, que é tracionado vigorosamente para cima, sendo orientado nos sentidos anterior e posterior. Novamente, com auxílio de pinça e tesoura, os tecidos atrás da artéria hemorroidária superior são empurrados para baixo, e, uma vez ultrapassado o promontório, o cirurgião ganha acesso, facilmente, ao espaço pré-sacral.

Com auxílio de tesoura, esse espaço é dissecado para baixo, até a altura de S3, e, então, para baixo e para frente à fáscia retossacral de Waldeyer,2 ao nível de S4. Sendo a fáscia de Waldeyer bem visível, ela é incisada; não sendo, a dissecção prossegue posterior e lateralmente, afastando o tecido gorduroso perirretal, com facilidade, com suaves movimentos manuais. O cirurgião, então, secciona a fáscia reto-sacra, possibilitando dissecção digital cega e segura até o nível dos elevadores (Fig. 7-3). Usando-se esta técnica de adentrar a pelve por trás do reto, os nervos e o plexo hipogástricos ficam protegidos em todo o seu percurso, não sendo lesados.

O peritônio é seccionado em ambos os lados do reto, encontrando-se as duas incisões na linha média da face anterior do reto, no fundo-de-saco retovesical (fundo-de-saco de Retzius)3 ou retovaginal (Fig. 7-4). Com suaves movimentos da mão, de trás para os lados, de ambos os lados do reto, os tecidos perirretais são divulsionados com facilidade, com vantagem de se evitar hemorragia, uma vez que nesse plano não há vasos, que predominam nos lados da pelve, próximos aos ureteres. Tracionado-se o reto para cima e para fora da pelve, os ligamentos laterais podem ser mais bem identificados.

Após a incisão do peritônio sobre fundo retovaginal ou retovesical (Fig. 7-5), o cirurgião prossegue com a dissecção posteriormente, em direção ao reto, incisando a fáscia de Denonvilliers. A dissecção progride entre o reto e a fáscia de Denonvilliers, até o nível da parte inferior da próstata (no homem) ou da parte média da vagina (na mulher). O plexo periprostático fica adjacente a essa dissecção, mas as fibras que suprem a genitália e a próstata ficam mais profundamente situadas em relação à fáscia de Denonvilliers, e devem, portanto, ser protegidas, mantendo-se o plano de dissecção próximo ao reto (Figs. 7-6 e 7-7).

Somente depois de as dissecções anterior e posterior estarem completas, é que os ligamentos laterais são adequadamente visualizados e mobilizados (Fig. 7-8). Isso, porque a tração do reto não traz os ligamentos para cima, enquanto as aderências retais posteriores e anteriores estiverem ainda presentes. Os ligamentos são identificados pela dissecção digital, são afrouxados, mas não seccionados. A mobilização retal completa para o reparo do prolapso retal, então, exige mobilização anterior até a altura média da próstata e da vagina, e posterior até o cóccix, apenas afrouxando os ligamentos laterais, especialmente nos homens. É muito importante lembrar-se que plexo nervoso prostático é bem lateral, ficando adjacente aos lados da pelve, e que, mesmo uma mobilização relativamente agressiva dos ligamentos laterais, particularmente próximo ao reto, não resulta em danos ou lesões nervosas. Nesse ponto a artéria hemorroidária superior e, da mesma forma, a veia hemorroidária inferior são pinçadas e ligadas, tomando-se cuidado para se confirmar que o ureter esquerdo não está englobado entre as pinças (Fig. 7-9).

A anastomose deve ser feita ao nível da parede abdominal, o que se consegue tracionando o reto, firmemente, para cima e para fora da pelve e seccionando-o ao nível da parede abdominal (Fig. 7-10). O ponto de secção da transição cólon descendente/sigmóide é determinado puxando-se o cólon para fora do abdome, firmemente, e seccionando-o ao nível da parede abdominal. Dessa forma o cólon sigmóide redundante é ressecado, seguindo-se a anastomose, que é feita com sutura manual (ver capítulo 2) (Fig. 7-11). Em decorrência do fato de os níveis de dissecção do reto superior e da parte superior do cólon descendente serem determinados dessa forma, quando a anastomose é recolocada dentro da pelve, o reto repousará, naturalmente, na curvatura sacral, dentro da pelve (Fig. 7-12). Esse tipo de anastomose é, portanto, uma típica anastomose de ressecção anterior alta. A fixação do reto ao sacro corrigindo o prolapso decorre da fibrose pós-operatória na pelve, em volta da região anastomosada. Finalmente o fundo pélvico é drenado por dois cateteres de sucção (Fig. 7-12). Eu prefiro manter a pelve drenada até que o funcionamento intestinal seja restabelecido.

Nota: pacientes portadores antigos de constipação intestinal idiopática de trânsito lento, diagnosticada por estudos funcionais colorretais pré-operatórios, devem ser submetidos à colectomia abdominal com anastomose ileorretal para tratamento do prolapso retal completo. A correção do prolapso retal pela ressecção anterior descrita não alivia o paciente dos sintomas decorrentes do trânsito colônico lento, podendo, tal cirurgia, agravar a constipação intestinal pós-operatoriamente. Ao contrário, removendo-se todo o cólon e fazendo-se uma anastomose ileorretal, tanto o prolapso retal quanto a constipação intestinal são tratados com eficiência, simultaneamente.

Fixação Sacra

A manobra de fixação sacra é uma técnica complementar, acrescentada à ressecção anterior, por alguns cirurgiões, para se assegurarem de que o reto fique fixo ao sacro. A operação de ressecção anterior e a retopexia concomitante têm o sentido de melhorar a fixação do reto ao sacro. A fixação retosacral com pontos pode ser importante, e parece ser uma técnica excepcional; todavia, os pontos não devem ser colocados simplesmente porque o cirurgião sente que eles é que curam o prolapso; na verdade, é a fibrose que vai se desenvolver na região descolada que fixa o reto ao sacro. Nunca se deve pensar que um par de pontos pode substituir uma fibrose.

Reparo Perineal

Retossigmoidectomia Perineal

Quase invariavelmente, a retossigmoidectomia perineal é realizada em paciente submetido a anestesia geral e colocado em posição de litotomia, posição que facilita o prolapso retal. A melhor maneira de se exteriorizar o prolapso retal é tracioná-lo, pelo ânus, com uma pinça de Babcock4

A cirurgia inicia com uma incisão mucosa, ao longo da circunferência do prolapso, com eletrocautério, 1 cm acima da linha pectínea (Fig. 7-13). Essa linha de incisão circular é marcada pelo eletrocautério para se ter certeza de que ela ficará eqüidistante da linha circunferencial pectínea (1 cm). Essa porção da parede retal é mais espessado que se pode imaginar, devendo a incisão se aprofundar até que a gordura extra-retal seja visível. A mobilização do reto é realizada seccionando-se os tecidos em volta de toda circunferência do intestino prolapsado (Fig. 7-14). Pinças em ângulo reto ajudam muito nessa manobra. O reto é mais mobilizado usando-se tração suave, e à medida que mais prolapso vai sendo puxado para fora, mais fica conspícua a hérnia de deslizamento anterior do fundo-de-saco. Esse saco peritoneal é aberto e ressuturado a si mesmo. Pode-se usar, para essa manobra, o auto-afastador de Lone-Star5 (Fig. 7-15). Uma vez aberto o saco peritoneal, mais sigmóide e mais reto podem ser ressecados, seccionando-se o mesossigmóide entre duas pinças.

A plástica do elevador é geralmente realizada durante a retossigmoidectomia perineal, preferindo eu fazer o reparo anterior, mas podendo ser feitos, ao mesmo tempo, reparos anterior e posterior, de preferência, com pontos de Vicryl 2-0. O cirurgião deve estar atento para o risco de formação de uma barra posterior (que pode causar dispareunia), caso a plástica anterior dos elevadores fique muito firme. A figura 7-16 mostra o segmento retossigmoideano totalmente exteriorizado.

As fases seguintes e finais dessa operação são mostradas nas figuras 7-17, 7-18 e 7-19. O nível da secção proximal do sigmóide alto é determinado pelo limite de imobilização de cólon sigmóide, aplicando-se aqui, pontos de reparo (Fig. 7-17). A incisão no sigmóide é estendida para ambos os lados, em volta de toda a alça intestinal, que é completamente >seccionada. A anastomose é feita dividida em quadrantes, para maior segurança (Fig. 7-18), aplicam-se quatro pontos de reparo eqüidistantes, e aplicam-se os demais pontos entre os quatro reparos, usando-se pontos separados com Vicryl 2-0, envolvendo toda a espessura da parede intestinal, completando-se a anastomose em quatro seções. No final da sutura os quadrantes estarão suturados, remanescendo os quatros pontos de reparo, que são seccionados após conferência da anastomose. A necessidade de se fazer essa anastomose em quatro quadrantes decorre de o sigmóide ter tendência em ser puxado para dentro da pelve. Alternativamente, a anastomose pode ser feita com um grampeador circular. A anastomose completa é ilustrada na figura 7-19.

Técnica de Delormeé

Usando se um afastador bivalve ou um afastador ranhurado de Buie,6 a mucosa do reto é infiltrada circunferencialmente com lidocaína em solução com epinefrina. A mucosa, em toda sua circunferência, a partir de 1 cm acima da linha pectínea, é descolada da musculatura, de maneira muito parecida com a mucosectomia para anastomose ileoanal (Fig. 7-20A).

A interface mucosa/submucosa é, de alguma forma, confundida no reto distal, em paciente portador de prolapso retal, mas pode ser facilmente identificada, seguindo-se o plano anatômico de dissecção. À medida que a dissecção progride, circunferencialmente, é possível liberar a intussuscepção para fora do reto, o que torna a liberação circunferencial da mucosa ainda mais fácil (Fig. 7-20B).

Quando a dissecção chega ao limite superior, há necessidade que o tubo muscular, que foi prolapsado para permitir mais mucosectomia, seja reposicionado (Fig.7-20C). Usando-se esse técnica, pode-se remover cerca de 10 a 20 cm de comprimento da mucosa. Aplicam-se, superiormente, pontos separados com Vicryl 2-0, ao longo da camada externa do tubo muscular, a partir do limite superior da mucosectomia e da extremidade cortada da bainha muscular (Fig. 7-21A). Uma vez atingido o ápice, a sutura continua para baixo, ao longo da fáscia externa do tubo muscular, aplicando-se um ponto em cada um dos quatros quadrantes (Fig. 7-21B). Desta forma, completa-se a anastomose cólon-anal, como ilustra a Fig. 7-22.

Técnica de Thiersch7

A grande vantagem da técnica de Thiersch é que ela é feita com o paciente sob anestesia local, colocado em posição de litotomia ou em posição prona “em canivete”. São feitas, geralmente, duas incisões cutâneas, uma anterior e outra posterior ao ânus, ao nível do orifício anal. Um fio de algum material resistente (e.g., seda, fáscia, tendão, Nylon, Teflon, Dacron ou Silastic) é passado, através da fossa isquiorretal, bilateralmente, através pelo espaço pós-anal profundo (Fig. 7-23) e amarrado por sobre o dedo do cirurgião, como é mostrado na figura 7-24. O material de sutura permanece abraçando toda a circunferência do aparelho esfincteriano, como é mostrado na figura 7-25, sendo as incisões suturadas com pontos separados.

Há poucas dúvidas sobre os motivos pelos quais a cirurgia de Thiersch foi esquecida: ou o material ou o paciente torna-se obstruído. Este procedimento é descrito apenas com propósitos históricos, uma vez que, atualmente, com a retossigmoidectomia perineal facilmente realizável, há muito poucas razões para se lembrar de Thiersch.

Aplicação de Material Artificial

As aplicações de faixas envolvente de Ivalon e a técnica de Ripstein8 são, basicamente, as mesmas, embora usem materiais diferentes com finalidade de ancorar o reto e de causar um processo de escarificação extensa ao nível de espaço pré-sacral para prevenir um futuro prolapso.

O reto e o cólon sigmóide são mobilizados de maneira eletiva já descrita: até o cóccix posteriormente, até a parte média da vagina ou da próstata anteriormente, e até os pedículos laterais, que são mobilizados completamente. A seguir coloca-se uma faixa envoltória de Ivalon (usada apenas nas Europa) ou de Marlex, com largura aproximada de 5 cm e 12 a 15 cm de comprimento, que é afixada ao sacro, através de pontos separados com Prolene 2-0 (Figs. 7-26 e7-27).

Talvez a parte mais importante da cirurgia é a adaptação da faixa ao reto. Envolver completamente o reto com material artificial é um erro técnico, que não deve ser realizado, porque pode causar estreitamento. As extremidades ou “asas” do material artificial são posicionadas de tal forma que elas não envolvem completamente a circunferência retal, sendo acoladas à parede retal anterior, com falha de mais ou menos 2 cm uma da outra, quase envolvendo o reto totalmente (Fig. 7-28). O peritônio deve ser sempre reconstruído após quaisquer dos procedimentos descritos.

A posição do reto mobilizado dentro da pelve após o procedimento de Ripstein é mostrada na figura 7-28. Há muitas variações de retopexia, mas o procedimento clássico de retopexia de Ripstein não inclui ressecção do cólon sigmóide, motivo pelo qual não fazemos essa operação, pois estamos convencidos de que a ressecção anterior com a retopexia conjunta constitui o procedimento de escolha para esta abordagem.

Anastomose Cólon-Anal por Úlcera Retal Solitária

As abordagens-padrão para reparo do prolapso retal não são sempre apropriadas para pacientes portadores de úlcera retal, uma vez que a úlcera causa inflamação intensa em volta dos tecidos perirretais. O segmento retal onde se localiza a úlcera deve ser ressecado, particularmente se ocorre sangramento ou estenose, e não apenas mobilizado; assim é indicada anastomose cólon-anal, embora seja bastante agressiva.

A mobilização do reto de afastar posteriormente o cóccix, a parte baixa da vagina e a parte da próstata anteriormente deve ser realizada de forma idêntica àquela descrita para colite ulcerativa (ver capítulo 12). A ressecção da mucosa é feita usando-se os afastadores de Lone-Star ou Geldi, começando aproximadamente 1 a 2 cm acima da linha pectínea e prolongando-se por uma distância aproximadamente de 5 a 6 cm (Fig. 7-29). A figura 7-30 mostra o exato local de uma úlcera retal solitária na parte baixa do reto.

Para o uso de bolsa colônica em J depende-se de a região do cólon abaixado à linha pectínea ser o sigmóide ou o descendente. Se for o cólon sigmóide pode ser feita a bolsa em J de uma maneira relativamente fácil exibida na figura 7-31: aplica-se um grampeador reto fechando a extremidade distal do cólon sigmóide a uma distância de 6 a 7 cm do ângulo formado pelos ramos proximal e distal, fazendo-se a anastomose do ápice da bolsa com o reto com grampeador circular. A anastomose cólon-anal geralmente é feita com sutura manual (Fig. 7-32). Após completada a anastomose ela fica como mostra a figura 7-33. Alternativamente pode-se usar o grampeador circular (Fig. 7-34), completada a anastomose cólonanal por qualquer método deve-se fazer uma derivação intestinal com ileostomia em alça e aplicar se um dreno de sucção transabdominal.

Comentários Editoriais

Gosto muito da classificação de prolapso retal feita pelo Dr. Pemberton, em prolapso mucoso, intussuscepção interna (prolapso retal oculto) e prolapso retal completo (procidência). Todavia, acredito que o prolapso retal completo deva ser subdividido em prolapso retal completo curto e longo. O prolapso retal curto não inclui a bolsa perineal retovaginal dentro do prolapso, e, desta forma, a operação de retossigmoidectomia perineal torna-se, na verdade, muito difícil, porque o retossigmóide nunca é encontrado pela via perineal. Ao contrário, o prolapso completo longo apresenta uma saliência anterior, significando que o fundo-de-saco retovaginal ou retovesical protrunde para fora através do anorreto. Uma vez constatado esse sinal evidente, pode-se ficar totalmente certo de que a retossigmoidectomia perineal será feita adequadamente, que o fundo-de-saco peritoneal será facilmente aberto, e que o cólon sigmóide será facilmente liberado.Concordo literalmente com afirmação do Dr. Pemberton de que a intussuscepção interna não tem indicação terapêutica cirúrgica.

Vale a pena relembrar aos leitores que o prolapso retal completo associa-se, sempre, a um ânus volumoso, a função esfincteriana está sempre comprometida. Destarte, a decisão sobre a técnica cirúrgica mais apropriada deve levar em consideração o fato de que, embora alguma recuperação esfincteriana possa ocorrer após uma operação para prolapso retal, a continência pode permanecer comprometida.

Acredito que em alguns pacientes velhos e fragilizados, a operação para abordagem de prolapso retal possa ser levada a termo, satisfatoriamente e com mais segurança, sob anestesia epidural ou subdural.

Acho a designação “ressecção anterior” inapropriada e inadequada para a operação que o Dr. Pemberton descreve. Com efeito, Dr. Pemberton descreve uma retopexia completa sem suturar o reto à fáscia pré-sacral, associada a uma sigmoidectomia completa com anastomose descendente-retal. A principal objeção que faço à retossigmoidectomia perineal visando ao tratamento do prolapso retal repousa no risco de uma deiscência anastomóstica e no fato de que sendo a anastomose muito baixa, torna-se ela uma ameaça real ao paciente velho.

Embora a retopexia por ressecção seja a operação de escolha, ao nosso ver, para todos os pacientes que portam história de constipação intestinal coexistente ao prolapso completo, em nossa experiência a ressecção completa dos cólons é absolutamente desnecessária. Se o reto é mobilizado caudalmente, até a ponta do cóccix, e os ligamentos laterais são seccionados próximo ao reto, sem dúvida alguma todo o reto pode ser puxado sem comprometimento do fundo-de-saco retovaginal e sem dissecar o septo retoprostático. Abandonamos o uso de materiais sintéticos como o Ivalon e o Marlex, e confiamos inteiramente nas suturas feitas entre fáscia pré-sacral ao nível da linha media e no mesorreto depois de ter sido o reto vigorosamente puxado para cima para fora da pelve.

Em nossa instituição a retossigmoidectomia perineal é quase sempre feita com o paciente colocado em posição prona “em canivete”. Ao invés do uso da pinça de Babcock descrita pelo Dr. Pemberton, a nossa preferência é aplicar pontos de reparo através do prolapso retal, como uma forma de tração, pois achamos que aquela pinça causa mais lesão tissular. Usamos, também, uma quantidade liberal de bupivacaína com epinefrina (1:200.000), porque, sem dúvida alguma, essa manobra diminui a quantidade de sangramento, além de ajudar, de alguma forma, na analgesia pós-operatória. A infiltração de bupivacaína com epinefrina não deve ser confinada apenas à mucosa e a submucosa acima da linha pectínea, devendo estender-se ao assoalho pélvico. Seccionamos o mesorreto entre pinças arteriais curvas e seccionamos totalmente o intestino antes de ser realizada a plástica posterior e anterior dos elevadores. Deve-se tomar muito cuidado para se evitar que a plástica dos elevadores fique muito apertada, causando estenose, podendo ela ser testada com o dedo indicador introduzido dentro do intestino antes do sigmóide e do reto serem amputados e, portanto, antes de a anastomose cólon-anal ser realizada. Em nossa experiência o principal problema funcional da retossigmoidectomia perineal é que o paciente fica sem qualquer forma de reservatório retal. O diâmetro luminal do cólon sigmóide alto, usado para anastomose cólon-anal, é diminuto, o que resulta em anastomoses estreitas, podendo causar, nesses pacientes, a urgência evacuatória.

Temos muito pouca experiência com a operação de Delormé,9 e ficamos muito desencorajados de usá-la, em decorrência da elevada freqüência de recidiva assinalada na literatura médica.

A cirurgia de Thiersch, acredito, atualmente é uma operação fora de moda: se o material colocado em volta do ânus fica muito apertado o paciente torna-se constipado; se o material erosa, ocorre infecção; se o material é amarrado frouxo, ocorre recidiva do prolapso retal.

Em nossa experiência, o cirurgião deve tomar muito cuidado com a seleção da operação mais adequada para cada paciente portador de prolapso retal. Acredito que é uma operação onde a abordagem cirúrgica deve ser adaptada às necessidades fisiológicas, sendo necessária a avaliação do tempo de latência do nervo pudendo, da sensação retal, do esvaziamento retal e do trânsito colônico e colorretal. Se o paciente portador de prolapso retal é também incontinente, acho que a retossigmoidectomia perineal é uma ótima abordagem, desde que se faça, também, alguma forma de plástica de elevadores, em concomitância à cirurgia ressecativa do prolapso. Todavia, se o paciente portador de prolapso retal é constipado e se há evidências de que há atraso no tempo de trânsito colônico, sem dúvida alguma torna-se essencial alguma forma de abordagem abdominal. Nessas circunstâncias geralmente, fazemos uma retopexia com ressecção, mas, se o grau de inércia colônica é intenso, optamos por uma hemicolectomia estendida ou mesmo uma colectomia subtotal.

Deve-se levar em consideração as possibilidades de manuseio de prolapso retal pela cirurgia videolaparoscópica, pois não há dúvida de que a dissecção do espaço retroretal pode ser facilmente realizada, tornando esta técnica perfeitamente factível. Somente o tempo dirá até que ponto os índices de recidivas serão inaceitavelmente altos como suspeito que devam ser. O maior problema que relaciono com a abordagem videolaparoscópica da retopexia é que o grau de tração paracraneal do reto mobilizado que se consegue laparoscopicamente, no momento de fixação do reto à fáscia pré sacral, pode ser inadequado ou insuficiente.

Concordo totalmente com a abordagem agressiva da úlcera solitária do reto descrita pelo Dr. Pemberton. Em nossa experiência, os resultados da retopexia são muitos ruins em pacientes portadores de úlceras solitária do reto; concordo totalmente com que a ressecção é o melhor caminho para abordagem das úlceras retais solitárias complicadas por estenose ou por sangramento. Dessa forma, a excisão retal com anastomose cólon-anal, em nossa experiência, deve ser a abordagem de primeira escolha para a úlcera retal solitária complicada; e, sendo possível, deve ser feito um reservatório colônico, uma vez que a anastomose cólon-anal em bolsa confere um resultado funcional muito melhor.

Michael R. B. Keighley

A cirurgia que usamos, de rotina, para prolapso retal completo, é a técnica de Loygue.10

LOYGUE J, Nordlinger B, Cunci O et al: Rectopexy to the Promontory for the Treatment of the Rectal Prolapse: Report of 257 cases. Dis Col Rectum, 1984;27:356-359. A descrição que segue foi retirada, com algumas modificações, do livro Operative Surgery, de Robin Smith 5ª ed., editado por L.P. Fielding & S.M. Goldberg (Butterworth & Heinemann, Oxford, UK, 1994: 718-720). O paciente deve ser colocado em posição supina, ficando o cirurgião do lado esquerdo e o primeiro auxiliar do lado direito do paciente. Faz-se uma incisão abdominal mediana que se estende da sínfise púbica à região epigástrica, após o que o paciente deve ficar com a cabeceira subnivelada (manobra de Trendelenburg).11 Coloca se um afastador estático e empurram-se as alças intestinais para o andar superior do abdome.

A parte intra-abdominal da cirurgia é iniciada pela liberação do cólon sigmóide e do mesocólon do peritônio da goteira parietal posterior, seguindo-se a mobilização anterior e posterior do reto o mais caudalmente possível, por dissecção de sua bainha. Incisa-se o peritônio retal ao longo de sua linha de reflexão no assoalho pélvico em direção ao reto, devendo esta incisão ter a forma de “U” invertido. A incisão peritoneal começa do lado direito da base do mesossigmóide, imediatamente lateral da artéria mesentérica inferior, prosseguindo bem próximo ao lado direito ao reto, em direção do fundo-de-saco de Douglas,12 voltando a incisão para o lado esquerdo. O tecido conjuntivo pré-sacral é aberto bem na frente da fáscia pré-sacral, do lado direito do início da incisão peritoneal, imediatamente atrás dos vasos mesentéricos inferiores, que devem ser cuidadosamente preservados. Os nervos pré-sacrais devem ficar em situação posterior. O cirurgião mobiliza o reto posteriormente e para baixo até o músculo elevador do ânus, tomando cuidado para não rasgar as veias pré-sacrais. Anteriormente, a dissecção expõe a parede vaginal posterior e a fáscia de Denonvilliers. Lateralmente, deve-se preservar os ligamentos laterais. Caso ligaduras vasculares se tornem necessárias para facilitar a mobilização do reto, elas devem ser feitas muito próximas da parede retal, evitando-se lesões dos nervos parassimpáticos. Em pacientes previamente histerectomizadas essa dissecção pode tornar-se mais difícil e ser mais trabalhosa.

Em cada lado do reto, em seu ponto mais baixo possível, o cirurgião sutura uma faixa de Nylon de 1cm de largura, usando, para isso, uma camada dupla de quatro ou cinco pontos de material não absorvível, por uma extensão de 5 cm, devendo estes pontos ser aplicados diretamente na musculatura do reto e não no tecido gorduroso perirretal. Com tração suave no reto, o cirurgião puxa a linha de reflexão do peritônio para cima, até o nível do promontório sacro. As duas faixas de nylon são, então, suturadas sob moderada tensão, o mais longe possível da linha média, à fascia pré-vertebral (e não no disco inter-vertebral, diretamente), com quatro pontos de fios não reabsorvíveis. É necessário tomar extremo cuidado para não lesar a veia ilíaca durante essa etapa do procedimento.

O peritônio posterior ao útero (na mulher) ou posterior à bexiga (no homem) é ressecado, sendo o fundo de saco de Douglas obliterado suturando-se as bordas peritoneais uma com a outra. Coloca-se um dreno de sucção no espaço retro-peritoneal, que deve ai permanecer por dois a três dias, fechando-se o peritônio posterior de forma a cobrir as faixas de nylon, seguindo-se o fechamento da parede abdominal.

Rolland Parc

Notas do Tradutor

1. DENONVILLIERS, Charles P. (1808-1872), cirurgião francês. Fáscia ou Ligamento ou aponeurose de Denonvilliers: é uma fáscia visceral pélvica que se estende da reflexão peritoneal anterior, acima, à fáscia superior do diafragma urogenital (ligamento triangular) abaixo, tornando-se, lateralmente, contínua com os ligamentos laterais; é, em outras palavras, o septo retovesical, que é uma camada fascial que se estende, superiormente, do tendão central do períneo ao peritônio, entre a próstata e o reto; (tem, também o nome de fáscia de Tyrell) (Nota do Tradutor).

2. WALDEYER (Waldeyer-Hartz), Heinrich G. von (1836-1921), anatomista e patologista alemão: fossa, glândula, fáscia, espaço. Fáscia de Waldeyer: a face ventral do sacro e do cóccix são recobertos por uma lâmina fibrosa (fáscia), que é a parte mais forte e mais espessa da fáscia pélvica parietal, e, à medida que desce, torna-se mais delgada e menos distinta, dirigindo-se para baixo e para frente aderindo-se à junção anorretal e à fáscia própria do reto (Nota do Tradutor).

3. RETZIUS, Anders A. (1796-1860), anatomista e antropologista sueco: fibra, ligamento, veia e espaço de Retzius. Espaço de Retzius (espaço anatômico retropúbico situado entre a borda posterior da sínfise pubiana e a bexiga) (Nota do Tradutor).

4. BABCOCK W.W. (1893-), cirurgião inglês: cirurgia, pinça de. Operação de Babcock: extirpação radical de câncer retal em um só tempo com preservação da função anal; pinça de Babcock: pinça grande semelhante a uma pinça de Allis, usada para tracionar tecidos e órgãos (Nota do Tradutor).

5. LONE-STAR – Afastador de LONE-STAR: Instrumento metálico laminado, formado por um aro metálico, quadrado com cantos arredondados, articulado em quatro quadrantes, dispondo de quatro ranhuras em cada quadrante; colocado no períneo em volta do ânus, servem as ranhuras de retratores, para prenderem fios elásticos em cujas pontas distais há um pequeno gancho em anzol, que pinça pontos da borda anal, tracionando-os, de modo a everter a orla anal, sem dilatar o esfíncter anal, evitando lesá-lo (Nota do Tradutor).

6. BUIE Louis A (1890-1975), cirurgião americano, nascido em Kingstree, Carolina do Sul, integrou a Mayo Clinic após servir, na Itália, na Segunda Grande Guerra, e, a pedido de William J. Mayo, criou a Secção de Proctologia. Criou o American Board of Proctology, e, por duas vezes, foi o presidente da American Proctologic Society, tendo sido um marco no desenvolvimento da Coloproctologia como especialidade nos Estados Unidos. Fundou a revista Diseases of Colon and Rectum, tendo sido seu Editor por 10 anos, de 1957 a 1967. Inovou técnicas cirúrgicas, ficando ligado à técnica para tratamento cirúrgico de doença pilonidal sacrococcigeana. Criou inúmeros instrumentos cirúrgicos e coloproctológicos, entre os quais, anuscópios, retossigmoidoscópios, mesas de exame proctológico, pinças de biópsias retais (Nota do Tradutor).

7. THIERSCH, Carl (1822-1895), cirurgião alemão, nascido em Munique, Alemanha. Iniciou sua vida profissional como professor e cirurgião geral, dedicando-se, a partir dos 32 anos, à cirurgia de cabeça e pescoço e à cirurgia infantil. Tornou-se mundialmente famoso com a criação dos enxertos cutâneos (enxertos de Thiersch), baseados em estudos microscópicos de tecidos de granulação. Foi autor de várias técnicas cirúrgicas. Seu nome ficou ligado à Coloproctologia, por ter criado a técnica (de Thiersch) para tratamento da procidência retal (colocação de um anel de arame de prata subcutâneo em volta do ânus) (Nota do Tradutor).

8. RIPSTEIN, C.B.: The Repair of Massive Rectal Prolapse. Surg Proc, 1965;2:2.

9. DELORMÉ, Edmond (1847-1929), cirurgião francês, nascido em Lunéville, França. Militar, esteve em guerras por toda Europa e Norte da África, tendo introduzido conceitos de anti-sepsia nas forças armadas francesas. Condecorado como Grande Oficial de Legião de Honra da França, ocupou vários cargos médicos e militares. Contribuiu grandemente com a cirurgia, sobretudo com trabalhos sobre feridas de guerra, fraturas e decorticações pulmonares e cirurgias colorretais, destacando-se sua técnica para correção de prolapso retal (Nota do Tradutor).

10. LOYGUE J, Huguier Michael R. B. Keighley, Malafosse Michael R. B. Keighley et al.: Complete Prolapse of the Rectum: A report on 140 treated by rectopexy. Br J Surg, 1971;58:847-848.

11. TRENDELENBURG, Friedrich (1844-1924), cirurgião alemão: posição, sinal, teste e sinais. Posição de Trendelemburg é uma posição supina do paciente na mesa cirúrgica, inclinada em ângulos variáveis, de modo que a pelve fica acima do nível da cabeça, com os joelhos fletidos e as pernas dependuradas sobre o pé da mesa, usada durante e após operações pélvicas e para melhorar a irrigação cerebral de paciente em choque hemodinâmico. Manobra de Trendelenburg: angulação da mesa cirúrgica de modo a inclinar sua cabeceira para baixo, independente da posição em que o paciente se encontra (Nota do Tradutor).

12. DOUGLAS, James (1675-1742), anatomista escocês: Fundo-de-saco sacro-retal, constituido pelo peritôneo parietal pélvico.

DOENÇA DE HIRSCHSPRUNG

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Diagnóstico.
A doença de Hirschsprung é uma condição autossômica dominante caracterizada por uma acentuada dilatação do cólon, proximal a um segmento estreitado, no qual há ausência de células ganglionares. Embora sendo uma condição rara, a doença de Hirschsprung oferece uma das mais claras indicações de procedimentos cirúrgicos para constipação intestinal. A grande maioria dos pacientes portadores desta doença apresenta uma história de constipação intestinal e de uso e abuso de enemas. Em alguns casos a formação de fecalomas pode levar ao volvo do sigmóide, além de requerer esvaziamento manual. O diagnóstico de doença de Hirschsprung é muito fácil no paciente adulto. Em sua forma mais comum o segmento aglangliônico começa ao nível da junção do reto com o ânus, podendo estender-se, cranialmente, até o nível médio do sigmóide.
No enema baritado o segmento doente aglangliônico aparece com o calibre normal; todavia, o segmento intestinal próximo ao segmento doente mostra-se muito dilatado e contendo uma quantidade apreciável de resíduo fecal. Quando as incidências laterais do enema opaco são excluídas do exame radiológico, podem ocorrer erros de diagnóstico, uma vez que, na incidência ântero-posterior deste exame, pode o segmento doente e não dilatado ficar escondido por trás do sigmóide proximal muito dilatado, que enche totalmente o fundo-de-saco de Douglas.2

Estudos funcionais anorretais mostram ausência do reflexo inibitório retoanal na doença de Hirschsprung, constituindo um sinal diagnóstico dessa doença, que pode, eventualmente, estar presente em outras condições causadoras de constipação intestinal. Assim, para se fazer o diagnóstico correto da doença de Hirschsprung é absolutamente necessária a realização da biópsia retal profunda, que deve atingir a camada muscular. Esta biópsia é desnecessária em pacientes adultos, especialmente se o enema baritado e a manometria anorretal esclareceram o diagnóstico.

Opções de Tratamentos Cirúrgicos: Operações de Swenson, Soave4 e Duhamel.5 A cirurgia de Swenson, excisão do reto com anastomose cólon-anal anal imediata término-terminal, foi o primeiro procedimento usado para a doença de Hirschsprung. A ressecção total do segmento retal não-inervado não é, teoricamente, necessária, caso esse segmento não-funcionante do intestino puder ser isolado por um curto-circuito (bypass).

A técnica de Soave ou curto-circuito (bypass) interno da zona agangliônica consiste em se ressecar o reto superior, e fazer-se uma mucosectomia distal do reto até a linha pectínea, seguindo-se a tração do cólon com inervação normal para baixo, através do manguito retal muscular.

A técnica de Duhamel ou curto-circuito (bypass) retrorretal consiste da ressecção do reto alto, fechamento do coto retal ao nível do fundo-de-saco de Douglas, fazendo-se um plano de dissecção retrorretal pré-sacro, por onde o segmento intestinal proximal inervado é puxado até o nível do músculo elevador do ânus, logo acima do anel esfincteriano, seguindo-se uma anastomose cólon-anal do cólon descido com a parede posterior do reto fechado.

Em todas essas técnicas o cólon normal é sempre anastomosado ao ânus. A técnica de Swenson não é evitada em pacientes adultos, em decorrência do risco de lesão do plexo nervoso autônomo, que é bem menor nas técnicas de Soave e de Duhamel. A escolha entre as técnicas de Soave e de Duhamel é influenciada pelo fato de que é muito mais fácil evitar-se um estoma protetor após a técnica de Duhamel que após a anastomose cólon-anal de Soave. Um outro fator que favorece a técnica de Duhamel, além de ser o estoma protetor dispensável, é a ausência de urgência defecatória, explicada pela preservação do reservatório retal, que não existe na técnica de Soave.

A técnica de Soave é muito útil no tratamento da fístula retovaginal causada por irradiação, estenose retal e sangramentos retais causados por hemangiomas, e, ainda, em casos de coto retal muito curto em pacientes submetidos à cirurgia de Hartmann.6 A técnica de Soave é a técnica de escolha entre as técnicas de preservação do aparelho esfincteriano anal, em casos de abordagem de estenoses e anastomoses colorretais, com e sem fístula retovaginal.

Miectomia Anorretal. A miectomia anorretal envolve a excisão do esfíncter anal interno e da camada muscular circular do reto, sendo usada tanto como método de diagnóstico histopatológico, quanto como tratamento da doença de Hirschsprung de segmento ultracurto. Todavia, na maioria de nossos pacientes, os resultados têm sido desapontadores, com freqüentes recidivas da constipação intestinal.

Preparo Intestinal Pós-Operatório. Independente da técnica a ser usada, é muito importante um bom preparo intestinal mecânico, esvaziando-se possíveis fecalomas, limpando-se rigorosamente o segmento intestinal acima do segmento agangliônico, removendo-se todo resíduo fecal, de modo ao cólon a ser descido para anastomose cólon-anal estar totalmente limpo. Usamos, geralmente, uma dieta de baixo resíduo e administração diária de solução de polietilenoglicol (PEG), além de lavagens intestinais diárias, executadas através de uma sonda retal longa o suficiente para atingir o cólon sigmóide. Esta sonda é deixada fixa por um tempo não inferior a meia hora, no sentido de promover uma evacuação satisfatória do conteúdo fecal. Algumas vezes é interessante deixar-se a sonda retal passada por algumas semanas, até que o calibre do cólon a montante volte ao seu calibre normal, o que será um fator facilitador na anastomose cólon-anal a ser feita por ocasião da cirurgia. Quando ocorrem fecalomas muito volumosos e muito ressecados, com remoção digital impossível, ou quando há necessidade de uma cirurgia de emergência em um paciente apresentando volvo de sigmóide, torna-se necessária a confecção de uma colostomia temporária. Sendo a colostomia necessária, o melhor plano é posicioná-la na porção mais distal do cólon distendido (inervado). Algumas vezes torna-se necessária, além da colostomia temporária, a ressecção do cólon sigmóide, quando ele está exageradamente distendido por um fecaloma gigante.

Megacólon e Megarreto Idiopáticos

As técnicas de Swenson, Soave e Duhamel são, também, indicadas, para pacientes de constipação intestinal causada por megacólon e megarreto idiopáticos, condição mórbida rara. Estas causas devem ser distinguidas das variedades de constipação intestinal mais comuns, como a constipação intestinal por trânsito lento (sem dilatação intestinal) e obstrução terminal ou anismo, uma vez que no cólon não dilatado a colectomia total com anastomose ileorretal é, frequentemente, seguida de recidiva da constipação intestinal, dor abdominal e mesmo distensão de intestino delgado. Muitos pacientes portadores dessas condições apresentam desordens de motilidade do intestino delgado e do intestino grosso, sendo que alguns deles apresentam, ainda, diarréias incapacitantes após ressecções colônicas avantajadas. Podem ocorrer extensões variáveis de segmento intestinal dilatado e contendo fecalomas no megarreto idiopático (Fig. 8-2); não há segmentos agangliônicos e estreitos como na doença de Hirschsprung. As técnicas de Swenson e de Duhamel, e mesmo a técnica de Soave, parecem ser insatisfatórias na abordagem cirúrgica do megarreto isolado, mas não é fácil evitarem-se danos aos nervos pré-sacrais no megarreto, particularmente com a cirurgia de Swenson. Pessoalmente, preferimos a técnica de Duhamel, uma vez que o reto é preservado, e que os riscos de impotência sexual são significativamente menores. Se o segmento proximal dilatado envolve a totalidade do cólon, torna-se necessária uma ressecção extensa, sendo que, nesses casos, o cólon proximal, ou mesmo o íleo terminal (se o cólon todo for removido), deve ser trazido pelo espaço retrorretal pré-sacro dissecado, até atrás da parede do coto retal, onde é feita a anastomose cólon-anal ou ileoanal.

Constipação por Trânsito Intestinal Lento

A ressecção de parte do cólon e do reto pode encontrar justificativa em pacientes portadores de constipação intestinal de longa duração muito selecionados, uma vez comprovado que não há evidência de esvaziamento gástrico lento ou trânsito lento se intestino delgado, e também comprovado ser o paciente psicologicamente estável e relativamente bem ajustado. Todos esses pacientes devem ser submetidos a cuidadosa investigação clínica, incluindo-se estudos de trânsito e motilidade intestinais, estudos fisiológicos anorretais, além da determinação do esvaziamento retal. É aconselhável proceder-se a uma avaliação psicológica desses pacientes.

Comprovando-se esvaziamento retal normal e trânsito intestinal retardado confinado a um segmento do cólon ou a todo o cólon, o cirurgião deve fazer, alternativamente, ou uma colectomia segmentar com anastomose colorretal, ou uma colectomia subtotal com anastomose ileorretal. Se, todavia, como freqüentemente ocorre após histerectomias e outras operações pélvicas, o retardo é confinado ao cólon sigmóide e ao reto, e a evacuação retal é retardada, o reto, o sigmóide e parte do cólon esquerdo devem ser ressecados. Nesses casos, o cirurgião pode confeccionar a anastomose cólon-anal com ou sem bolsa colônica, motivo básico pelo qual a nossa preferência recai na técnica de Duhamel, uma vez que a bolsa não é necessária, pois o próprio coto retal a substitui. Alguns desses pacientes apresentam volvos intermitentes de sigmóide, sendo que alguns deles desenvolvem, ainda, episódios repetidos de pseudo-obstrução intestinal, que podem ter indicações de abordagens cirúrgicas mais agressivas.

Não achamos que haja qualquer indicação de ressecção ou retopexia em pacientes que apresentem esvaziamento retal insatisfatório e intussuscepção incompleta. Da mesma forma, não aconselhamos reparo de retocele isolada, com a intenção de corrigir inércia retal em pacientes portadores de constipação intestinal.

Técnicas Cirúrgicas

Operação de Duhamel

Preparo Intestinal Pré-Operatório. Tanto para o megacólon/megarreto idiopático quanto para a doença de Hirschsprung, aconselho, fervorosamente, ao cirurgião gastar algum tempo para conseguir um preparo intestinal mecânico satisfatório. Geralmente damos ao paciente dois litros de solução de polietilenoglicol (PEG), diariamente, por três a quatro dias antes da cirurgia. Em alguns pacientes há necessidade de se quebrar um fecaloma, manualmente ou com uso de sondas retais. Não acho uma boa manobra as tentativas repetidas de esvaziamento manual de fecalomas, uma vez que isso pode causar lesões ao esfíncter anal e ao assoalho pélvico. Na noite que antecede a cirurgia, o paciente deve ser submetido à tricotomia da parede abdominal e do períneo, sendo aconselhável um banho usando solução de povidine.

Posição. O paciente é colocado, na mesa cirúrgica, em litotomia, com a cintura pélvica abduzida em 30º de flexão na fase abdominal da cirurgia, sendo de 100º a flexão necessária na fase perineal. Deve-se passar e fixar uma sonda nasogástrica, da mesma forma que um cateter vesical de Foley, fixado à coxa direita do paciente. A pele do abdome e do períneo é preparada com solução de povidine, sendo os genitais protegidos do campo cirúrgico.

Incisão e Laparotomia. O cirurgião deve-se posicionar à direta do paciente, o primeiro assistente à esquerda, e o segundo assistente entre as pernas do paciente. A cirurgia tem início com uma laparotomia por incisão mediana longitudinal na região epigástrica, estendendo-se à sínfise pubiana. As aderências provenientes de cirurgias prévias devem ser cuidadosa e meticulosamente desfeitas. Na doença de Hirschsprung é muito fácil a identificação do segmento intestinal envolvido: sigmóide de diâmetro normal, da mesma forma que o reto extraperitoneal, enquanto, proximalmente, o hemicólon esquerdo se apresenta muito distendido. No megacólon/megarreto idiopático, tanto o reto quanto uma variável extensão do cólon proximal podem se apresentar extremamente dilatados; na verdade, o próprio canal anal também pode se apresentar dilatado em continuidade com o reto. Não se nota calibre normal no reto distal; nesses casos o segmento intestinal normalmente inervado é o cólon proximal não dilatado.

Mobilização do Hemicólon Esquerdo. O ângulo hepático deve ser totalmente liberado e mobilizado, para propiciar comprimento suficiente e adequado de cólon proximal, suficiente para se fazer uma anastomose cólon-anal tensão.

A mobilização e a liberação do cólon esquerdo é feita seccionado-se o peritônio da goteira parietocólica esquerda, bem como as aderências anatômicas (Fig. 8-3A). Como sempre, deve-se tomar muito cuidado com a visualização do ureter esquerdo, não apenas para se ficar seguro quanto à sua posição, evitando-se lesá-lo, mas evitando sua mobilização exagerada com conseqüente desvitalização. É muito fácil a determinação do plano avascular entre o mesocólon e a gordura perirrenal. Freqüentemente, na doença de Hirschsprung, da mesma que o forma megacólon idiopático, o mesossigmóide é muito longo, podendo, inclusive, estar aderido à flexura esplênica. Uma vez concluída a liberação e mobilização do hemicólon esquerdo, como parte do procedimento cirúrgico, deve o cirurgião tomar extremo cuidado para não causar quaisquer danos ao suprimento sangüíneo do cólon proximal. Tracionando o cólon para a direita, o cirurgião prossegue com a dissecção em direção ao baço, preferentemente com tesoura romba. O ângulo esplênico é mais facilmente mobilizado depois da dissecção e mobilização do hemicólon esquerdo e do cólon transverso do grande epiplo, pois esta manobra abre a pequena cavidade peritoneal (Fig. 8-3B). Muita atenção deve ser dada à Riolan7 e à artéria cólica média. O cirurgião pinça o ligamento esplenocólico, seccionando-o e liberando o ângulo esplênico do baço. O mesocólon transverso esquerdo deve ser mobilizado até a borda inferior da cauda do pâncreas, facilitando a ligadura e a secção da veia mesentérica inferior e da veia esplênica sob o pâncreas (Fig. 8-3B). A ligadura e secção alta da veia mesentérica inferior é uma manobra importante para se assegurar que o mesocólon seja de bom comprimento, de modo a permitir à flexura esplênica e o cólon descendente ser tracionado para baixo, até a pelve, sem qualquer tensão ou estiramento. Não há necessidade de se ligar a artéria mesentérica inferior em sua origem, sendo aconselhável as ligaduras de seus ramos, de forma a preservar melhor arcada vascular. O mesocólon é seccionado entre os ramos dos vasos mesentéricos inferiores, em direção à sua arcada, criando-se janelas mesentéricas, que, na verdade, são formas de se alongar ainda mais o mesocólon, para facilitar, ainda mais, a descida do ângulo esplênico e do cólon transverso. Caso o paciente seja portador de uma colostomia de sigmóide prévia, ela deve ser liberada do túnel abdominal e fechada com grampeador. As alças intestinais devem ser alojadas no quadrante superior direito da cavidade abdominal, e cobertas com compressa úmida, ficando mantida afastada do campo cirúrgico, se necessário, usando-se afastadores estáticos, deixando livre o cólon para ser manuseado na cavidade abdominal.

Dissecção Pélvica e Secção do Reto (Criação da Passagem Retrorretal para o Cólon Descido). O cirurgião passa para o lado esquerdo e o primeiro auxiliar para o lado direito do paciente, posicionando-se a mesa cirúrgica em Trendelenburg8 com inclinação aproximada de 30º. Os vasos sigmoideanos são ligados e seccionados, e, quando a dissecção atinge a junção retossigmoideana, ela continua bem próxima da parede retal (Fig. 8-3B), manobra que minimiza os riscos de danos aos nervos hipogástricos. Secções progressivas dos vasos sigmoideanos permitem ao cirurgião permanecer entre os dois ramos da hemorroidária superior. Há um plano avascular logo atrás do reto e abaixo do promontório sacro, por onde, com tesoura, é fácil, para o cirurgião, progredir no plano de dissecção para baixo, até o nível do elevador anal. O mesorreto é grampeado e seccionado ao nível do fundo-de-saco de Douglas. Nesse nível, o cirurgião secciona, circunferencialmente, o peritônio anterior do reto (Fig. 8-4). É muito importante estabelecer-se uma passagem retrorretal para o cólon a ser descido, com dissecção com tesoura e eletrocautério, no plano anatômico entre o reto e o sacro.

O coto retal abaixo do nível de colocação do clampe esmagador é lavado através do ânus, pelo segundo auxiliar, com solução de povidine. O cirurgião, usando um grampeador transverso “TA 55” distal ao clampe, secciona o reto, ao mesmo tempo que sutura suas extremidades. É muito importante o cirurgião, após a dissecção e anastomose retal, proceder a uma cuidadosa revisão e hemostasia do leito pélvico.

A escolha do lugar ideal para seccionar o cólon depende tanto das suas dimensões quanto da qualidade de seu suprimento sangüíneo. Geralmente seccionamos um pequeno vaso mesentérico próximo da parede do cólon, com a finalidade de verificar a existência de fluxo sangüíneo adequado. Se o cólon proximal não está muito dilatado como na doença de Hirschsprung, geralmente preservamos a metade superior do cólon descendente. Se a extremidade proximal seccionada do cólon pode atingir 10 cm abaixo da sínfise pubiana sem tensão, com certeza seu comprimento é suficiente para uma adequada anastomose cólon-anal sem tensão (Fig. 8-5). O cólon é, então, seccionado com mais um grampeador transverso aplicado proximamente ao clampe esmagador previamente aplicado no cólon descendente. Na doença de Hirschsprung a extremidade proximal do cólon seccionado deve ser examinada, histologicamente, para se assegurar da inexistência de aganglionose.

Dissecção Retrorretal, Construção do Túnel Retrorretal e Exteriorização do Cólon. O cirurgião se posta entre as pernas do paciente, agora com flexão da coxa sobre o abdome em 100º. Dois afastadores de Gelpi, com 90º graus de diferença um do outro, são aplicados na margem anal, ficando a linha pectínea facilmente visualizada. O cirurgião injeta uma solução salina contendo epinefrina (1:10.000) na submucosa, de modo a descolar a mucosa da muscularis propria, na metade posterior do ânus. Usando tesoura romba, o cirurgião secciona a mucosa ao nível da linha pectínea, na hemicircunferência posterior do ânus. Ainda com tesoura, a mucosa é liberada do esfíncter anal interno, até o limite superior, que é o anel esfincteriano (Fig. 8-6). O túnel a ser confeccionado no espaço retroretal deve ter 2,5 centímetros de diâmetro.

O primeiro auxiliar, trabalhando no abdome, avança, com uma tesoura, pelo espaço retrorretal dissecado, ultrapassa o músculo elevador do ânus, penetrando no músculo puborretal. Esta manobra torna muito mais fácil, para o cirurgião, reparar o limite superior do anel esfincteriano, e unir os espaços retrorretal e retroanal, através de uma abertura na parede posterior do reto, pelo ânus (Fig. 8-7). Consegue-se isso, com segurança, empurrando-se uma tesoura através do ânus ou cortando-se a camada muscular do reto por sobre a superfície da tesoura introduzida pelo abdome. Uma vez feito o plano, com uma tesoura longa, o cirurgião incisa a parede retal posterior, abrindo uma janela retal muscular ampla.

Uma pinça introduzida pelo ânus passa pela parede posterior do reto pela janela muscular, percorre o espaço retrorretal, chegando à cavidade abdominal, onde pinça a extremidade distal do cólon grampeado, tracionando-a para baixo, de modo a exteriorizá-la, pelo ânus, por cerca de 10 cm. Uma manobra que facilita a exteriorização do cólon é a introdução, pelo cirurgião, do dedo indicador através do ânus, dirigido para cima, em direção ao espaço retrorretal.

No sentido de se evitarem deiscência da anastomose e subseqüente infecção pélvica, e ainda, para se evitar a confecção de um estoma protetor à anastomose, pode o cirurgião optar por fazer a anastomose em um segundo tempo cirúrgico. Nesse caso, ele deixa a extremidade distal do cólon exteriorizado funcionando como uma colostomia endoanal pelo prazo de duas semanas. Abrindo-se a fila de grampos que mantém a extremidade do cólon fechada, está terminada a cirurgia, ficando o paciente com uma colostomia endoanal. É necessária a passagem e fixação de um dreno pélvico de sucção. No segundo tempo cirúrgico, o cirurgião resseca o excesso da extremidade do cólon descido e faz a anastomose cólon-anal.

Cuidados Pós-Operatórios. Profilaxia antimicrobiana é aconselhável no peri-operatório e por mais um dia após a cirurgia, da mesma forma que a hidratação intravenosa e a aspiração de sonda nasogástrica, que deve ser mantidas até que a função intestinal retorne plenamente. Em decorrência do tonos do esfíncter anal e do edema do cólon exteriorizado, torna-se necessária a passagem de uma sonda dentro do cólon descendente para fazer a colostomia perineal funcionar. Habitualmente retiramos o dreno pélvico de sucção dois dias depois da cirurgia e removemos a sonda urinária quando o paciente começa deambular.

Termino da Operação. Quatorze dias após a primeira cirurgia o paciente é levado de volta à sala cirúrgica para ser submetido à confecção de uma anastomose cólon-retal látero-lateral e da anastomose cólon-anal. O esporão (septo) entre o cólon descendente anterior e o reto é seccionado e anastomosado com um grampeador linear cortante (p. ex., PLC, da Ethicon; GIA, da Autosuture). Pelo ânus, um dos ramos do grampeador é introduzido na ampola retal (face posterior do coto retal), e o outro, em uma pequena janela feia no cólon exteriorizado próximo do ânus (face anterior do descendente) (Fig. 8-8). O grampeador é disparado, devendo a anastomose ser conferida por um toque. O cólon redundante residual é excisado e sua extremidade é suturada ao defeito do reto posterior, usando-se a técnica de sutura intra-anal (anastomose cólon-anal parcial), descrita no capítulo 2. É freqüentemente desnecessário suturar se o cólon ao ânus, uma vez que se desenvolvem aderências entre o cólon abaixado e o ânus durante os 14 dias em que o cólon permaneceu exteriorizado. Não há necessidade de drenagem.

O paciente pode receber dieta livre a partir do dia seguinte à cirurgia. Cerca de duas semanas após a cirurgia há retorno completo, tanto da continência anal quanto da função intestinal. Qualquer modificação de freqüência de evacuações exige exame digital da anastomose. Qualquer excesso de cólon descido que possa, eventualmente, ocorrer, pode ser corrigido com aplicação de grampeador linear cortante.

Cirurgia de Soave

Muitas etapas da técnica de Soave são semelhantes às descritas na técnica de Duhamel. A etapa pélvica é especial, especificamente quando esta operação é aplicada após falha de anastomose colorretal.

Pacientes Sem Ressecção Retal Prévia. As principais indicações para técnica de Soave são as lesões retais após irradiação (p. ex., estenose, fístula retovaginal e hemorragia) e doenças retais benignas (p. ex., hemangiomas). A dissecção colônica é feita da mesma forma que foi feita na cirurgia de Duhamel. A ressecção do reto limita-se à sua porção intraperitonial, sendo os vasos seccionados muito próximos da camada muscular do reto.

Freqüentemente a parte infraperitonial do reto é envolvida por fibrose, especialmente nas proctites pós-irradiação, tornando-se muito difícil o estabelecimento de um plano de dissecção entre o reto e os ureteres e entre o reto e as veias pré-sacrais. Nos hemangiomas de reto este órgão é cercado por grandes veias, tornando o espaço perirretal muito sangrante à dissecção. Por essas razões, quando o limite distal do fundo-de-saco de Douglas é atingido durante a ressecção abdominal, o cirurgião deve aplicar, a esse nível do reto, um clampe em ângulo reto. A parte distal do reto deve ser totalmente lavada e limpa, o que pode ser feita com uma solução de povidine. A camada muscular do reto é seccionada, circunferencialmente, abaixo do clampe em ângulo reto (Fig. 8-9). Todo esforço deve ser feito pelo cirurgião para permanecer no plano de dissecção submucoso, enquanto está removendo a mucosa retal do coto retal distal. Todavia, nos hemangiomas retais, esse espaço submucoso é intensamente tomado por grandes vasos, o que torna este plano muito perigoso para dissecção, caso em que é mais seguro prosseguir com a dissecção no plano intramuscular (entre as fibras musculares circulares e longitudinais da parede retal), onde as veias são menos volumosas.

Procede-se à mucosectomia do reto distal, com ou sem a parte interna do manguito muscular, que deve começar pelo abdome e deve progredir para baixo em direção ao ânus o mais caudalmente possível. A mucosa é seccionada nesse ponto terminal da dissecção, sendo a peça cirúrgica removida pelo abdome. O nível do cólon onde o grampeador deve ser aplicado para anastomose cólon-anal é escolhida, da mesma forma como foi descrito para a técnica de Duhamel. As etapas restantes são realizadas através do ânus e serão descritas mais adiante.

Pacientes com Ressecção Retal Prévia. A técnica de Soave pode ser muito útil como método de restauração da continuidade intestinal em casos de estenose de uma anastomose colorretal prévia. Essa técnica pode ser também muito útil no tratamento de fístulas retovaginais, uma vez constatada inexistência de recidivas ou de tumores residuais.

O início da cirurgia é com a mobilização do cólon para baixo, até o nível da anastomose prévia, tendo-se em mente que o pedículo vascular corre ao lado do cólon. Quando a dissecção atinge o nível da anastomose, o cólon é simplesmente seccionado neste ponto, sendo liberado da pelve sem qualquer tentativa de dissecção em volta do coto retal.

Em nossa experiência é muito perigoso a tentativa de dissecção do coto retal baixo, dentro da pelve, uma vez que, invariavelmente, há muito tecido fibrótico, decorrendo, daí, sérios riscos de se lesarem os ureteres. Para abrir a anastomose estenosada e iniciar a mucosectomia, geralmente dilatamos este estreitamento, com manobras feitas com uma tesoura longa introduzida dentro do reto, de cima para baixo. Forçando a tesoura a se abrir é possível a criação de uma abertura maior, suficiente para permitir a passagem de três dedos (Fig. 8-10). Caso isso não seja possível, torna-se impossível a liberação do cólon proximal através do coto retal. Nesses casos o cirurgião pode fazer uma incisão vertical na linha média na parede retal posterior.

Inicia-se, então, a mucosectomia, por cima, pelo abdome, prosseguindo para baixo como já foi descrito anteriormente. Em caso de fístula retovaginal não se deve tentar o fechamento do defeito na parede vaginal.

Em casos de reoperação para restabelecimento da continuidade do trânsito intestinal após uma cirurgia de Hartmann com fechamento de coto retal muito baixo (especialmente nos casos de cirurgias abordando sepse, com manutenção de esfíncter anal) ou após uma anastomose colorretal muito baixa, podem ser muito difíceis e muito perigosas as dissecções para se conseguir a perfeita identificação do coto retal. Na maioria dos paciente do sexo masculino, e ainda mulheres histerectomizadas, a bexiga cobre e esconde o coto retal, dificultando sua visualização. Em tais casos é muito útil a introdução de uma vela de Hegar9 através do ânus, dentro do coto retal; com a vela empurrando para cima o fundo do coto, com um bisturi, o cirurgião pode, com segurança, perfurar a parede retal de encontro à ponta da vela, evitando-se danos à bexiga (Fig. 8-11). A seguir o cirurgião introduz uma tesoura longa pelo orifício aberto na parede do fundo do coto retal, dilatando-o, como já foi descrito anteriormente. Caso haja fibrose intensa e extensa e a bexiga esteja muito aderente ao coto, algumas vezes, deliberadamente, abrimos a bexiga através do espaço de Retzius10 para nos certificarmos da posição do trígono vesical.

Pacientes Com Ressecção Colônica Prévia. Em alguns pacientes os cólons sigmóide e descendente podem ter sido ressecados previamente por alguma doença, ou podem estar danificados, seriamente, por aplicações prévias de irradiação, requerendo ressecções colônicas dos segmentos lesados, em concomitância ao procedimento de Soave. É possível, nessas situações, o cirurgião trazer o cólon transverso para baixo até o ânus, seccionando todos os ligamentos do grande epiplo ao mesocólon transverso, possibilitando aumentar o comprimento do segmento colônico suprido pela artéria cólica direita, desde que a arcada de Riolan mantenha o cólon viável para anastomose. O caminho mais curto para se trazer o cólon até o ânus é através de uma brecha ou janela feita no mesentério (Fig. 8-12). A janela deve ser ampla suficiente para permitir a passagem tanto do cólon quanto de seu meso, devendo ser aberta ao nível do jejuno médio, no pedículo do seu mesentério. Sendo o cólon muito curto, pode ser necessário seccionar a artéria cólica média, para possibilitar a descida do cólon proximal até o ânus. Sendo a artéria cólica direita seccionada, as arcadas mesentéricas devem ser preservadas, de tal forma que a extremidade do cólon a ser abaixado tenha suprimento sangüíneo adequado através das artérias ileocólicas. O cólon ascendente, da mesma forma que o ângulo hepático, apresenta-se, dessa forma, bem vascularizado. Uma vez totalmente mobilizado, o cólon direito é trazido, por sobre a arcada pélvica, passado através do coto retal, atingindo o orifício anal (Fig. 8-13). Embora seja esta uma ressecção bastante extensa, os resultados funcionais desse tipo de anastomose cólon-anal são, na maioria das vezes, muito satisfatórios.

Mucosectomia Retal Distal e Anastomose Cólon-Anal Direta. As articulações coxofemorais do paciente são flexionadas, seguindo-se a aplicação de dois afastadores de Gelpi na margem anal, permitindo um bom campo visual. Uma solução fraca de epinefrina (1:300.000) é injetada na submucosa, ao redor de toda circunferência anal. A mucosa anorretal é removida, circunferencialmente, até acima da linha pectínea, usando-se dissecção com tesoura. A mucosectomia progride para cima, até que a mucosectomia abdominal seja alcançada. O coto retal desnudo da mucosa deve permitir a passagem de três dedos do cirurgião postado no períneo, que devem tocar o teto do coto retal. Não se conseguindo esta passagem, o cirurgião pode aplicar as manobras previamente descritas. Uma vez criado o manguito muscular retal amplo, o cirurgião introduz uma pinça de Duval no coto retal, através do ânus, e usada para agarrar a extremidade distal do cólon a ser descido à linha pectínea. Faz-se, então, com pontos separados, uma anastomose cólon-anal entre toda espessura do cólon e a mucosa anal, pegando a camada muscular, usando, para isto, fios de material absorvível (ver capítulo 2). Quatros pontos são aplicados, inicialmente, nas posições de três, seis, nove e doze horas, subseqüentemente, de modo a englobar, entre elas, quatro quadrantes (Fig. 8-14). Os demais pontos são aplicados intercaladamente entre dois pontos de reparo, nos quatros quadrantes. Um dreno tubular macio é colocado, de cima para baixo, dentro do manguito retal, até o nível da anastomose, e ligado a um aparelho de sucção, sendo mantido por um a dois dias.

Drenagem e Ileostomia Temporária. Sempre que possível dois drenos de sucção devem ser colocados entre o cólon e o manguito retal. Se isto não é possível, os drenos devem ser colocados o mais profundamente na pelve, e trazidos para fora através da fossa ilíaca oposta à ileostomia temporária feita.

Sendo o mesocólon muito frouxo, sua borda livre pode ser suturada à parede peritoneal, especialmente ao redor da flexura duodenojejunal, de modo a evitar obstrução intestinal pós-operatória por encarceramento do jejuno por trás do mesocólon. Da mesma forma, o cólon deve ser fixado à parede abdominal posterior, onde ele desce, através da janela aberta do mesentério do intestino delgado.

Miectomia Anorretal

A miectomia anorretal envolve a remoção de uma faixa de esfíncter interno e da musculatura circular do reto, que devem ser encaminhados a exame histopatológicos para excluir doença de Hirschsprung, não constituindo medida terapêutica isolada.

Esse procedimento não deve ser tentado, a menos que o reto esteja totalmente limpo e vazio, o que se consegue com o preparo intestinal mecânico já descrito. O cirurgião faz uma pequena incisão transversa na linha pectínea, tracionando, para baixo, a margem inferior da incisão feita, de forma a expor as fibras inferiores do esfíncter anal interno (Fig. 8-15). O plano submucoso é dissecado por cerca de 10 cm, com tesoura; se necessário, pode-se colocar um afastador intra anal de três lâminas sob a mucosa, de forma a expor melhor as fibras musculares circulares. Abre-se, em seguida, o plano interesfincteriano, por uma extensão similar, de cerca de 10 cm, de forma a permitir a aplicação de um clampe não-esmagante à musculatura retal. O músculo é, então, tracionado, sendo a extremidade distal da faixa muscular marcada com um ponto de reparo (Fig. 8-16). Finalmente, o cirurgião faz a hemostasia do leito cirúrgico, fechando a incisão transversa com uma sutura contínua com pontos absorvíveis.

Colectomia Subtotal e Anastomose Ileorretal ou Colectomia Segmentar

A colectomia segmentar pode, ocasionalmente, ser indicada para estase colônica localizada. Todavia, em nossa experiência limitada, os resultados são mais preditíveis quando se faz a colectomia subtotal com anastomose ileorretal, conforme descrita no capítulo 10. A ressecção colônica pode ser a operação de escolha para o megacólon com calibre retal normal, podendo ser usado, da mesma forma, para a constipação intestinal por trânsito lento, quando o esvaziamento retal é normal.

Proctossigmoidectomia Estendida e Anastomose Cólon-Anal com e sem Bolsa Intestinal

Esta opção, que foi descrita para os cânceres baixos localizados na ampola retal, no capítulo 10, pode ser indicada, também, para o megarreto e para o cólon de calibre normal. Essa operação pode, ainda, ser indicada para o trânsito intestinal retardado, confinado ao reto e ao cólon sigmóide.

Comentários Editoriais

Concordo com a maior parte que foi dito pelo Dr. Park a respeito dos procedimentos relacionados à doença de Hirschsprung. A ausência de gânglios no segmento inferior de uma peça cirúrgica de anorretomiectomia, como indicador de doença de Hirschsprung, deve ser olhada com muita reserva e cautela, uma vez que os gânglios nervosos nesta região são naturalmente esparsos. Alguns cirurgiões, entre os quais me incluo, são muito sépticos com o rótulo “doença de Hirschsprung de segmento ultracurto” e nos perguntamos se isto é realmente uma entidade patológica. Embora não tenhamos qualquer experiência com a operação de Duhamel, nós usamos a técnica de Soave, mas ressecando o reto em nível mais abaixo do que a descrição feita pelo Dr. Park. A transecção baixa torna a mucosectomia muito mais fácil, além de possibilitar uma melhor acomodação da bolsa colônica acima da anastomose cólon-anal. Aconselhamos, sempre, a criação de um reservatório colônico, e, freqüentemente, fazemos a transecção anal com um grampeador linear, e a anastomose cólon-anal com grampeador circular, o que evita a mucosectomia concomitante. Todavia, a técnica de grampeamento duplo somente é factível na doença de Hirschsprung, porque, no megarreto, os tecidos são muito espessos para possibilitar um grampeamento seguro.Tanto o megarreto quanto o megacólon do adulto são muito diferentes da doença de Hirschsprung. Concordamos que ambas as entidades sejam uma neuropatia autonômica pan-entérica, algumas vezes associadas à dilatação ureteral e a uma bexiga atônica acentuada. Muitos pacientes com megacólon, em nossa experiência, apresentam desordens neurológicas, concomitantemente. As queixas principais são constipação intestinal crônica, distensão abdominal decorrente da impactação colônica, e quando há megarreto, um grande fecaloma. Tanto a condição quanto seu prognóstico são muito diferentes da constipação intestinal por trânsito lento. Achamos a abordagem fisiológica pré-operatória impossível em decorrência da presença do fecaloma. Achamos também que o fecaloma não deve ser extraído antes da cirurgia, pelos danos que podem ser causados ao esfíncter anal. Assim, preferimos não fazer qualquer preparo intestinal mecânico pré-operatório, mas, simplesmente, ordenhar o fecaloma para dentro da alça intestinal dilatada, que é dessa forma ressecada com o fecaloma em seu interior. Feita a ressecção intestinal, segue-se a limpeza intestinal mecânica peroperatória, para remover a matéria fecal dentro da alça proximal não-dilatada. Deve-se tomar muito cuidado na mobilização retal, devido à presença de veias pararretais muito volumosas, que podem sangrar intensamente, a menos que sejam ligadas antes da transecção do reto. No megarreto o canal anal não é normal: o reto apresenta-se grosseiramente dilatado, terminando no ânus amplo e de parede muito espessa. Como o grampeamento é impossível (a aplicação de grampos é impedida pela espessura do canal anal), preferimos a confecção de uma bolsa colônica pequena (10 cm), e uma anastomose cólon-anal suturada manualmente, quase sempre dispensando a mucosectomia.

Pacientes que apresentam constipação intestinal por trânsito lento devem ser informados de que o tratamento cirúrgico raramente surte efeitos satisfatórios, a não ser diminuir o tempo entre as evacuações. Após a colectomia, são comuns sintomas persistentes de náuseas e de dor abdominal e distensão abdominal gasosa. E, ainda mais, a maioria dos pacientes com constipação intestinal de trânsito lento, tem um distúrbio psicológico importante, síndrome de cólon irritável, trânsito intestinal lento com pequeno esvaziamento e esvaziamento retal insatisfatório. Acrescento ainda, que muitos desses pacientes são instruídos sobre a doença e manipuladores, pressionando o cirurgião incauto a fazer alguma coisa baseado numa história inverossímil. Em alguns poucos pacientes, a colectomia pode ser justificada, desde que não sejam detectados fatores psicológicos paralelos, confinando-se o distúrbio de motilidade ao cólon, sendo o paciente preparado para aceitar um estoma, caso seja necessário. Achamos a colectomia segmentar uma técnica que redunda em parcos resultados, mesmo em pacientes com uma área isolada de trânsito lento, e recomendamos a colectomia subtotal com anastomose ileorretal para poucos pacientes, nos quais a ressecção é considerada justificada.

Michael R. B. Keighley

Em geral as descrições feitas pelo Prof. Parc sobre as diferentes abordagens cirúrgicas de pacientes portadores de doença de Hirschsprung e de constipação intestinal são muito claras, mas permitem pequenos pontos de desacordo. Acredito, todavia, que embora a falta de um reflexo retoanal inibitório seja um sinal muito importante, a confirmação da doença de Hirschsprung por exame histopatológico de biópsias deveria ser feita, em todos os pacientes, antes de serem submetidos a uma operação extensa. Concordo, totalmente, que o nível proximal de ressecção intestinal deva ser controlado por confirmação histológica da presença de células ganglionares. Não há dúvidas de que as abordagens e o as técnicas específicas de anastomoses variam de cirurgião para cirurgião, e sinto que a abordagem descrita pelo Prof. Parc é excelente.

Discordo que qualquer outra conduta que não seja uma colectomia e anastomose possa ser proposta para pacientes com constipação intestinal de trânsito lento. Concordo totalmente, ainda, com o Prof. Parc, quando, mais no final deste capítulo, afirma ele que resultados melhores são obtidos com a colectomia total e anastomose ileorretal para constipação intestinal por trânsito lento do que com a colectomia segmentar. Concordo, também, que não exista indicação cirúrgica para intussuscepção oculta, e que o reparo de retocele não tem indicação se somente ela é a responsável pela dificuldade de evacuação. Freqüentemente essas dificuldades defecatórias têm mais bases fisiológicas que anatômicas.

John H. Pemberton

Notas do Tradutor

1. HIRSCHSPRUNG, Harold (1830-1916), cirurgião dinamarquês, nascido em Copenhague, Dinamarca, em 14 de dezembro de 1830. Foi professor de Pediatria na Universidade de Copenhague no Queen Louise Children’s Hospital. Apesar de ter ficado mundialmente famoso pelos estudos sobre a doença que leva o seu nome, o megacólon agangliônico (1888), contribuiu, muito mais, nos estudos da estenose pilórica (1888) e no uso da pressão hidrostática para redução das intussuscepções colônicas (1905). É interessante, todavia, a restauração da verdade científica: não foi, na verdade, Hirschsprung o primeiro a descrever o megacólon agangliônico. Na verdade, o primeiro caso de megacólon agangliônico foi descrito por Fredrick Ruysch, em 1961, portanto, muito antes do nascimento de Hirschsprung (Leenders E & Sieber WK: Congenital Megacolon observation by Fredrick Ruysch in 1691. J Pediatr Surg, 1970; 5:1-3). O segundo caso foi descrito em 1825, por PARRY, e, o terceiro, por Levine, de Chicago, em 1867. Em 1886, em um congresso, Hirschsprung relatou um caso, que foi descrito em 1888 (Stuhlträgheit Neugeborener in Folge Von Dilatation und Hypertrophye des Colons. Jahrbuch für Kinderheilkunde, 1888; 27:1). E, ainda assim, somente em 1900, é que a origem neurogênica foi sugerida pela primeira vez, por Lennander.

2. DOUGLAS, James (1675-1742), anatomista escocês: fundo-de-saco sacrorretal, constituído pelo peritônio parietal pélvico.

3. SWENSON, O & Bill AH: Resection of rectum and rectosigmoid with preservation of the sphincter for benign lesions producing megacolon: An experimental study. Surgery, 1948; 24:208-210. A cirurgia de Swenson consiste de excisão do reto com anastomose cólon-anal imediata término-terminal.

4. SOAVE, Fístula: Hirschsprung’s disease-A new surgical technique. Arch Dis Child, 1964; 39:116-124. A cirurgia de Soave consiste em se ressecar o reto superior, fazendo-se uma mucosectomia distal do reto até a linha pectínea, seguindo-se a tração do cólon com inervação normal, para baixo, através do manguito retal muscular.

5. DUHAMEL B: Retrorectal and tranal pull-through procedure for the treatment of Hirschsprung’s disease. Dis Colon Rectum, 1964; 7:455-458. A cirurgia de Duhamel é uma ressecção retrorretal do reto alto, fechando-se o coto retal ao nível do fundo-de-saco de Douglas, fazendo-se um túnel retrorretal de dissecção, por onde o sigmóide ou o descendente, inervado, é puxado até o nível do músculo elevador do ânus, logo acima do anel esfincteriano, fazendo-se uma anastomose cólon-anal do cólon descido com a parede posterior do reto fechado.

6. HARTMANN, Henri A.C.A. (1860-1952), cirurgião e anatomista francês, nascido em Paris, França, tendo feito, em 20 anos, 1.000 cirurgias anuais. Contribuiu com a Medicina sobretudo com trabalhos sobre cirurgia mamária, gástrica e biliar, deixando vários livros sobre ferimentos de guerra, ginecologia e câncer. Todavia seu nome ficou ligado à Medicina pela cirurgia que leva o seu nome (retossigmoidectomia abdominal com colostomia proximal e fechamento do coto retal para quadros oclusivos retossigmoideanos).

7. RIOLAN, Jean. (1577-1657), anatomista e botânico francês: arcada ou anastomose de Riolan, entrelaçamento dos ramos da artéria cólica direita (ramo da artéria mesentérica superior) com a artéria cólica esquerda (ramo ascendente da artéria mesentérica inferior), participando da irrigação da parte alta do hemicólon esquerdo.

8. TRENDELENBURG, Friedrich (1844-1924), cirurgião alemão: posição, sinal, teste e sinais. Posição de Trendelemburg é uma posição supina do paciente na mesa cirúrgica, inclinada em ângulos variáveis, de modo que a pelve fica acima do nível da cabeça, com os joelhos fletidos e as pernas dependuradas sobre o pé da mesa, usada durante e após operações pélvicas e para melhorar a irrigação cerebral de paciente em choque hemodinâmico. Manobra de Trendelenburg: angulação da mesa cirúrgica de modo a inclinar sua cabeceira para baixo, independente da posição em que o paciente se encontra.

9. HEGAR, Alfred (1830-1914), cirurgião alemão, criador das velas (de Hegar): velas metálicas, cilíndricas, de diferentes calibres, com as pontas ligeiramente afiladas, para para dilatar canais anatômicos estenosados.

10. RETZIUS, Anders A. (1796-1860), anatomista e antropologista sueco: fibra, ligamento, veia e espaço de Retzius. Espaço de Retzius (espaço anatômico retropúbico situado entre a borda posterior da sínfise pubiana e a bexiga).

Fonte: Bibliomed

Guia para a confecção de projetos de pesquisa

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Resumo

O presente texto apresenta aos alunos alguns aspectos formais de um Projeto de Pesquisa. A exposição dos diferentes capítulos que compõem referido projeto (introdução; objetivos; justificativa; metodologia e bibliografia) e de seu conteúdo têm por objetivo formular uma proposta de padronização para os diferentes cursos.

Palavras-chaves: metodologia, pesquisa científica, projeto de pesquisa

Abstract

This article presents to the students some formal aspects of a Research Project. The exposition of the different chapter’s which integrate a project (introduction, objectives, justification, method and bibliography) and its contents is designed to formulate a standardization proposal to various programs.

Keywords: methodology, scientific research, research project

Vale confessar previamente para evitar falsas expectativas: este pequeno texto tem pretensões muito modestas e objetivos meramente didáticos. Seus objetivos são apresentar ao aluno alguns aspectos formais do Projeto de Pesquisa, ao mesmo tempo em que são transmitidas certas informações que podem simplificar sua vida acadêmica.

Um Projeto de Pesquisa é composto de elementos pré-textuais, formado por capa e sumário; elementos textuais, compostos de Introdução, Objetivos, Justificativa e Metodologia; e elementos pós textuais, do qual fazem parte Cronograma e Bibliografia.

A atenção recairá, aqui, sobre os elementos textuais que compõem o projeto. Comecemos, pois, por alguns aspectos gráficos importantes. O texto do corpo do projeto deve ser redigido em fonte tamanho 12 e espaçamento duas linhas. A melhor fonte para os títulos é a Arial e para o texto a fonte Times New Roman ou similares com serifa, que facilitam a leitura de texto longos. O papel tamanho A4 é o recomendável.

As margens são as seguintes: esquerda, 4,0 cm; direita 2,5 cm; superior 3,5 cm; inferior 2,5 cm. As páginas devem ser numeradas no canto superior direito, tendo início naquelas referentes aos elementos textuais – capa e sumário não são numerados, muito embora entrem na contagem de páginas (Garcia, 2000).

Introdução

Nem todos os modelos de projetos de pesquisa incluem uma introdução. Muitas vezes passa-se diretamente aos objetivos. Mas é bom não esquecer de que quem lê um projeto lê muitos. É sempre conveniente, portanto, introduzir o tema da pesquisa, procurando captar a atenção do leitor/avaliador para a proposta. A redação, como nos demais capítulos, deve ser correta e bem cuidada. Uma leitura prévia e atenta de Medeiros (1999) poderá ajudar muito na hora de escrever o texto. Para as dúvidas mais correntes da Língua Portuguesa verificar Garcia (2000) e Martins (1997). Dicionários também são imprescindíveis nessa hora.

Na Introdução, é de se esperar que seja apresentado o tema de pesquisa. Escolher um tema é, provavelmente, uma das coisas mais difíceis para um pesquisador iniciante. Pesquisadores experientes costumam desenvolver técnicas de documentação do trabalho científico que lhes permitem não só extrair de seus arquivos tais temas como trabalhálos concomitantemente.

Mas um estudante de graduação geralmente não acumulou o volume de informações necessário para tal empreendimento. Um bom começo, portanto, é conhecer o que outros já fizeram, visitando bibliotecas onde seja possível encontrar monografias de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Tais trabalhos podem servir como fonte de inspiração, além de familiarizar o aluno com os aspectos formais, teóricos e metodológicos do trabalho científico.

A primeira regra para a escolha do tema é bastante simples: o pesquisador deve escolher um tema do qual goste. O trabalho de pesquisa é árduo e, às vezes, cansativo.

Sem simpatizarmos com o tema, não conseguiremos o empenho e a dedicação necessárias.

A segunda regra é tão importante quanto a primeira: o pesquisador não deve tentar abraçar o mundo. A tendência dos jovens pesquisadores é formular temas incrivelmente amplos, geralmente resumidos em uns poucos vocábulos: A escravidão; a Internet; A televisão; A Música Popular Brasileira; O Direito Constitucional; Os meios de comunicação; são alguns exemplos. É preciso pensar muito bem antes de seguir esse caminho. O pesquisador inexperiente que enveredar por ele terá grandes chances de produzir um estudo superficial, recheado de lugares comuns.

O tema deve ser circunscrito tanto espacial como temporalmente. “A escravidão”, por exemplo, é um tema dos mais amplos. Escravidão na Roma Antiga?

No Brasil contemporâneo? No Estados Unidos à época da Guerra de Secessão? No livro A República, de Platão? A escravidão por dívidas na Grécia Antiga? Temas apoiados em palavras e sentido muito amplo, como “influência” e “atualidade”, também devem ser evitados. O pesquisador deve se perguntar se o tema escolhido não permite perguntas do tipo: O quê? Onde? Quando?

No capítulo 2 do livro de Umberto Eco, Como se faz uma tese, é possível encontrar uma excelente ajuda para a escolha do tema de pesquisa, ilustrada com vários exemplos (Eco, 1999, p. 7-34).

Uma terceira regra vale ser anunciada: o tema teve ser reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente por outros (Eco, 1999, p. 21). Ou seja, deve ser aceito como um tema científico por uma comunidade de pesquisadores.

Uma vez anunciado o tema da futura pesquisa, é conveniente o pesquisador descrever qual foi sua trajetória intelectual até chegar a ele. Como se sentiu atraído por esse tema? Que matérias despertaram seu interesse durante a graduação? Que autores lhe inspiraram?

Apresentado o tema é hora seguir adiante e expor os objetivos propriamente ditos da pesquisa.

Objetivos

Este capítulo deve começar de forma direta, anunciando para o leitor/avaliador quais são os objetivos da pesquisa: “O objetivo desta pesquisa é…”; “Pretende-se ao longo da pesquisa verificar a relação existente entre…”; “Este trabalho enfocará…”; são algumas das formas às quais é possível recorrer.
Vários autores desenvolvem em trabalhos de metodologia do trabalho científico e intelectual o tema da documentação pessoa. Bons guias para tal são Severino (2000, p. 35-46) e Salomon (1999, p. 121-143), mas a descrição realizada por Mills (1975, p. 211-243) continua insuperável.

Se na Introdução era apresentado o tema, no capítulo Objetivos será abordado o problema, bem como as hipóteses que motivarão a pesquisa científica. A pergunta chave para este capítulo é “o que se pretende pesquisar?”

Um problema científico tem a forma de uma questão, de uma pergunta. Mas é uma questão de tipo especial. É uma pergunta formulada de tal maneira que orientará a investigação científica e cuja solução representará uma ampliação de nossos conhecimentos sobre o tema que lhe deu origem. Uma resposta provisória a este problema científico é o que chamamos de hipótese. A pesquisa científica deverá comprovar a adequação de nossa hipótese, comprovando se ela, de fato, é uma solução coerente para o problema científico anteriormente formulado.

Franz Victor Rudio apresenta, em seu livro, uma série de interrogações que podem ajudar o jovem pesquisador a escolher o seu tema de investigação e verificar sua viabilidade:

“a) este problema pode realmente ser resolvido pelo processo de pesquisa científica?

b) o problema é suficientemente relevante a ponto de justificar que a pesquisa seja feita (se não é tão relevante, existe, com certeza, outros problemas mais importantes que estão esperando pesquisa par serem resolvidos)?

c) Trata-se realmente de um problema original?

d) a pesquisa é factível?

e) ainda que seja ‘bom’ o problema é adequado para mim?

f) pode-se chegar a uma conclusão valiosa?

g) tenho a necessária competência para planejar e executar um estudo desse tipo?

h) os dados, que a pesquisa exige, podem ser realmente obtidos?

i) há recursos financeiros disponíveis para a realização da pesquisa?

j) terei tempo de terminar o projeto?

l) serei persistente?” (Rudio, 1999, p. 96).

Alguns autores recomendam a separação dos objetivos gerais dos objetivos específicos ou do objetivo principal dos objetivos secundários.3 Para atingir seus objetivos mais gerais ou o objetivo principal, será necessário percorrer um caminho de pesquisa que o levará até eles. São etapas da pesquisa que fornecerão a base para abordar de maneira mais direta e pertinente o objetivo principal.

Essa separação é procedente do ponto de vista analítico. Mas os diferentes momentos da pesquisa só se justificam na medida em que ajudarão a esclarecer o problema principal. Não é preciso fazer essa separação em subcapítulos desde que fique claro quais são os objetivos gerais e quais são específicos, qual é o principal e quais os secundários.

Exemplifiquemos esses momentos da pesquisa. Se aluno se propuser a estudar a proposta de contrato coletivo de trabalho, por exemplo, é de bom tom, antes de discutir

suas diferentes versões, fazer um breve histórico da legislação trabalhista brasileira. Se, por outro lado, pretende estudar os escritos políticos de Max Weber, inevitavelmente terá que começar por uma reconstituição do contexto político e intelectual da Alemanha do início do século. Sem esclarecer esses objetivos secundários ou específicos, dificilmente poderá levar a cabo sua pesquisa de maneira aprofundada.

Justificativa

Chegou a hora de dizer porque a universidade, o orientador ou uma instituição de financiamento deve apostar na pesquisa proposta. Neste capítulo é justificada a relevância do tema para a área do conhecimento científico à qual o trabalho está vinculado. A pergunta chave deste capítulo é “por que esta pesquisa deve ser realizada?”

Ver, por exemplo, Lakatos e Marconi (1992).

Vários autores, entre eles Lakatos e Marconi (1992), colocam o capítulo da justificativa antes dos objetivos. A inversão não faz muito sentido: como justificar o que ainda não foi apresentado? A ordem Objetivos, primeiro, e Justificativa, depois, parece ser a melhor do ponto de vista lógico.

É nas justificativas que o pesquisador deve apresentar o estado da arte, ou seja o ponto no qual se encontram as pesquisas científicas sobre o tema escolhido. O diálogo com os principais autores ou correntes interpretativas sobre o tema deve ser levado a cabo neste capítulo.

Já que é aqui que serão feitas o maior número de citações ou referências bibliográficas, vamos repassar brevemente as técnicas de citação e referência. Se a citação tiver até duas linhas, ela pode ser reproduzida em itálico, no corpo do parágrafo.

E não esquecer, “a citação deve ser direta e deve vir entre aspas, como todas as citações e com indicação da fonte seja em rodapé, seja pelo sistema autor/data.”

(Henriques e Medeiros, 1999, p. 127). Quando a citação tiver três ou mais linhas ela deverá iniciar um novo parágrafo e estar digitada com um espaçamento entre linhas 1,5, um espaço antes, um depois e recuo à esquerda.4 É o que ensina Medeiros:

“No trabalho científico, as citações com até duas linhas são incluídas no parágrafo em que se faz referência a seu autor. Já as transcrições de três linhas ou mais devem ser destacadas, ocupando parágrafo próprio e observando-se recuo e aspas no início e no final da citação.” (Medeiros, 1999, p. 104)

Na barra de ferramentas do Word há o botão Aumentar Recuo, muito útil nessas situações, outra possibilidade é criar o estilo Citação, através do menu Formatar Estilo, com espaçamento entre linhas 1,5 e recuo esquerdo 2,5cm.

Quando uma citação vier intercalada por outra citação, está última virá entre aspas simples (‘ ’) Vale ainda lembrar que supressões no texto citado devem ser assinaladas por reticências entre parênteses – (…) –; e que destaques no texto transcrito devem ser feitos com itálico, assinalando ao final, entre parênteses a expressão “grifos nossos”

Até aqui utilizamos a técnica autor/data, a recomendada para as monografias e publicações da UniABC. Outra opção é a técnica referência de rodapé. Neste caso, a indicação do autor, do título do livro e da página vão no rodapé.6 Para isso deve ser utilizado o menu Inserir Notas do Word e escolha Nota de rodapé e AutoNumeração.

Metodologia

Neste capítulo o pesquisador deverá anunciar o tipo de pesquisa (formulador, descritivo ou exploratório) que empreenderá e as ferramentas que mobilizará para tal (Cf. Moraes, 1998, p. 8-10 ). A pergunta chave que deve ser respondida aqui é “como será realizada a pesquisa?”

“Trata-se de explicitar aqui se se trata de pesquisa empírica, com trabalho de campo ou de laboratório, de pesquisa teórica ou de pesquisa histórica ou se de um trabalho que combinará, e até que ponto, as varias formas de pesquisa. Diretamente relacionados com o tipo de pesquisa serão os métodos e técnicas a serem adotados.” (Severino, 1996, p. 130)

O pesquisador deverá esboçar a trajetória que seguirá ao longo de sua atividade de pesquisa. Para tanto deverá destacar: 1) os critérios de seleção e a localização das fontes de informação; 2) os métodos e técnicas utilizados para a coleta de dados; 3) os testes previamente realizados da técnica de coleta de dados. Ao contrário do que geralmente se pensa, dados não são necessariamente expressos em números e processados estatisticamente. O tipo de dados coletados durante a pesquisa depende do tipo de estudo realizado. Eles tanto podem ser o resultado de:
1. pesquisa experimental;
2. pesquisa bibliográfica;
3. pesquisa documental;
4. entrevista;
5. questionários e formulários;
6. observação sistemática
7. estudo de caso
8. relatórios de estágio.” (Pádua, 1998, p. 132)
Para estas e outras regras de citação ver Segismundo Spina (1984, p. 55)

Cronograma

No cronograma o pesquisador deverá fazer um planejamento das atividades ao longo do tempo que você dispõe para a pesquisa. Ele é uma excelente ferramenta para controlar o tempo de trabalho e o ritmo de produção. Ao mesmo tempo, servirá para o orientador ou a agência financiadora acompanhar o andamento da pesquisa. Também aqui há uma pergunta chave: “quando as diferentes etapas da pesquisa serão levadas a cabo?”

A forma mais fácil de organizar um cronograma é sob a forma de uma tabela.

Com algumas variações tais normas são apresentadas, entre outros, por Severino (1996, p. 90-93) e Medeiros (1999, p. 1789-183). Embora Medeiros aconselhe a reprodução de todos os dados da obra no rodapé, tal medida é desnecessária, uma vez que eles se encontram na bibliografia do Projeto.

Para esquemas de capítulo metodológico ver Barros e Lehfeld (1999, p. 36-37) e Salomon (1999, p.222).

Para tanto pode ser utilizado o menu Tabela do Word para inseri-la. Depois devem ser selecionadas as células que é necessário marcar e com o comando Bordas e Sombreamento do menu Formatar preenchê-las, conforme o exemplo abaixo:

Bibliografia

BARROS, Aidil de Jesus Paes de e LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 15.ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.

GARCIA, Maurício. Normas para elaboração de dissertações e monografias. (Online,26.05.2000, http://www.uniabc.br/pos_graduacao/normas.html.

HENRIQUES, Antonio e MEDEIROS, João Bosco. Monografia no curso de Direito.São Paulo: Atlas, 1999.

LAKATOS, Eva Maria. MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1992.

LAVILLE, Christian e DIONNE, Jean. A construção do saber. Manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre/Belo Horizonte: Artmed/UFMG, 1999.

MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo de O Estado de S. Paulo. 3.ed. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1997.

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica. A prática de fichamentos, resumos, resenhas. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1999.

MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. 4.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

MORAES, Reginaldo C. Corrêa de. Atividade de pesquisa e produção de texto. Textos Didáticos IFCH/Unicamp, Campinas, n. 33, 1999.

PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini. O trabalho monográfico como iniciação à pesquisa científica. In: CARVALHO, Maria Cecília M. de. Construindo o saber.Metodologia científica: fundamentos e técnicas. 7.ed. Campinas: Papirus, 1998.

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 24.ed. Petrópolis:Vozes, 1999.

SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 8.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 20.ed. São Paulo:Cortez, 1996.

SPINA, Segismundo. Normas para trabalhos de grau. São Paulo: Ática, 1984.

Fonte:

Politikon

Endereço -http://planeta.terra.com.br/educacao/politikon/artigos.htm

Redação da Monografia

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Fonte: Manual de orientação de monografia da Uniceub

Apresentação

Parte-se da premissa de que os trabalhos serão realizados com o emprego do programa processador de textos Word, da Microsoft, pois, de acordo com pesquisa feita na comunidade interessada, este é o mais. Ademais, referido programa está disponível nos computadores do laboratório de informática da instituição.

O manual tem por meta servir como fonte rápida e prática de consulta aos alunos; assim, somente os tópicos mais comuns serão tratados, buscando-se a concisão e a simplicidade na exposição.

Na elaboração do presente manual, foram empregadas como principais fontes de consulta as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, especialmente a NBR 6032/1989 e a NBR 6023/2000, além de outras fontes bibliográficas indicadas no final deste volume.

1. TERMINOLOGIA
Não obstante o uso de muitos termos concernentes ao tema não ser uniforme entre os pesquisadores, neste capítulo pretende-se estabelecer uma padronização do emprego dos vocábulos mais comuns, o que, por certo, será de utilidade geral e para a compreensão deste trabalho.

2. formatação básica

2.1. impressão

O papel de impressão das monografias de conclusão de curso e demais trabalhos acadêmicos deve ter o tamanho 210x297mm (modelo A4), ser branco e apresentar boa qualidade de absorção da tinta.

A impressão deve ser feita somente em um dos lados do papel.

A impressão do texto principal deve ser feita em tinta preta, podendo ser empregados tons de cinza na formatação dos títulos; outras cores, mormente as mais vivas, devem ser de uso restrito às eventuais ilustrações, fotos e tabelas.

2.2. encadernação
A encadernação serve para facilitar o manuseio e a conservação das laudas da monografia e deve ser feita, preferencialmente, com mola espiral e com o emprego de capas plásticas, sendo a primeira branca e transparente, e a última, preta e opaca.

Depois de aprovada a monografia, o aluno deverá depositar um volume da versão definitiva em disquete no formato Word.

2.3. margens
Adotam-se as seguintes margens-padrão, na visualização da configuração da página do Word (alt+A/o)[16]:

2.4. fontes

Deve ser utilizada, para o corpo da monografia, a fonte Times New Roman, estilo normal, tamanho 12.

2.4.1. uso de aspas e dos estilos negrito, itálico e sublinhado
Antigamente indicava-se o uso de aspas e dos estilos de fonte itálico, negrito e sublinhado indistintamente para destacar palavras estrangeiras, títulos das obras, dos capítulos, de palavras não usuais, de transcrições etc.. Isso encontrava justificativa no passado, pois não se podia exigir que os acadêmicos dispusessem de máquinas datilográficas com tantos tipos diferenciados. Todavia, não há mais justificativa para tanto, tendo em vista que o programa processador de textos dispõe de todos estes recursos. Assim, recomenda-se o seguinte:

o emprego de aspas para destacar transcrições de textos;
o uso do itálico para destacar palavras ou frases em língua estrangeira;
o emprego do negrito para destacar o nome de uma monografia ou um de um capítulo, bem como palavras de efeito e expressões principais contidas em um parágrafo;
o uso do estilo sublinhado somente para destacar links (vínculos) empregados em informática.
2.5. parágrafos
A formatação específica dos principais estilos de parágrafos será estabelecida a seguir. Devem ser evitadas as linhas órfãs/viúvas[17]. É recomendável que o acadêmico, para facilitação do seu trabalho, tenha domínio do uso da função estilo do processador de texto (alt+F/s).

2.5.1. normal
O parágrafo normal deve apresentar a seguinte formatação:

2.5.2. citação no corpo do texto
As citações de fontes de consulta com até 5 linhas hão de ser lançadas no mesmo parágrafo em que são referidas e são identificadas por aspas, sem alteração na dimensão e apresentação da fonte.[18]

Sendo as citações mais longas que 5 linhas, não devem ser inseridas no texto normal, mas destacadas em parágrafo especial, em fonte 1 ponto menor que a do parágrafo normal, e devem observar ss seguintes parâmetros:

2.5.3. notas de rodapé
Empregam-se notas de rodapé para a inclusão de textos e explicações de importância não essencial para a compreensão do texto principal, remissões a outras partes do trabalho (referências cruzadas), advertências, bem como para indicações bibliográficas, transcrições e idéias contidas em outros trabalhos.

O objetivo da inclusão das notas de rodapé é o de não desviar a atenção do leitor do texto principal para elementos de importância secundária, mantendo-o enxuto.

A citação em nota de rodapé terá o formato deste, independentemente do número de linhas, sendo iniciada e encerrada pelas aspas.

A apresentação do parágrafo de notas de rodapé deve vir em fonte 2 pontos menor que a do parágrafo normal e seguir as seguintes orientações:

2.5.4. cabeçalho
O cabeçalho é opcional e pode conter o título da monografia, o nome do autor ou ambos, ou ainda o título do capítulo ou da seção.

Não deve ser visível na primeira página de cada seção (capítulo) nem nos elementos pré-textuais[19].

A apresentação do parágrafo de cabeçalho deve vir em fonte 2 pontos menor do que a do parágrafo normal e seguir as seguintes orientações:

2.6. capítulos
A divisão da monografia em capítulos, seções etc tem por objetivo facilitar a identificação de partes do texto integral, quer para despertar a atenção do leitor para a idéia central do trabalho, quer para facilitar a sua localização.

Sendo assim, não existem regras fixas para sua determinação – divide-se um texto em capítulos e subcapítulos quando o autor entender necessário, conforme perceba que o tema mereça destaque. Não se nomeiam como capítulos a introdução e a conclusão.

2.6.1. títulos
Título é a designação que se põe no começo da monografia, de suas partes, capítulos e seções, e que indica o tema-objeto do texto a seguir, servindo para facilitar a identificação do trabalho ou de parte dele.

2.6.1.1. título da monografia
O título da monografia é inserido na folha de rosto,[20] na seguinte formatação:

parágrafo: centralizado verticalmente; espaçamento entre linhas: 1,2; sem recuos;
fonte: tamanho 16, negrito, todas maiúsculas.
O título da monografia, evidentemente, não recebe qualquer numeração, pois é único.

2.6.1.2. títulos dos capítulos e seções
Os títulos dos capítulos e de suas seções (tantas quantas houver) são apresentados em parágrafos com alinhamento justificado, espaçamento entre linhas simples, com recuo especial de deslocamento, fontes e espaços variados conforme seu nível, recebendo numeração em algarismos arábicos, da seguinte forma:

Os números (1.1…) seguem a formatação do título.

Mesmo quando dois ou mais títulos se encontram em seqüência, sem texto principal entre si, não devem ser adicionados espaços extras entre a margem esquerda e o número do título inferior (para destacá-lo), ou seja, o alinhamento vertical dos primeiros números dos diversos níveis de títulos é sempre o mesmo[21], junto à margem esquerda. Desta forma:

1. TÍTULO 1

Texto texto texto

1.1 Título 2

Texto texto texto

1.1.1 Título 3

Texto texto texto

2.7. paginação

As páginas que compõem o trabalho seguem duas numerações:

os elementos pré-textuais recebem numeração em algarismos romanos, colocada no centro da margem inferior das páginas. Tal contagem é iniciada com a folha de rosto, mas esta, por questão de estética, não recebe número;
o texto principal recebe numeração em algarismos arábicos, colocada na margem superior direita (junto ao cabeçalho, se houver), independente dos elementos pré-textuais (inicia, portanto, em 1). Também por questão de estética, a página de início de capítulo não recebe número (nem cabeçalho);
os elementos pós-textuais seguem a numeração do texto principal, mas não recebem cabeçalho.

3. EstrUTURA DA MONOGRAFIA
As monografias são compostas dos seguintes elementos, na ordem de apresentação:[22]

elementos pré-textuais, isto é, tudo o que vem antes do texto principal:

capa;
folha de rosto;
epígrafe;
dedicatória;
agradecimentos;
sumário;
listas;
resumo.
texto principal, composto de introdução, desenvolvimento e conclusão;

elementos pós-textuais, isto é, tudo o que vem após o texto principal:

glossário;
referências bibliográficas;
índices;
anexos;
capa.
A capa serve de proteção às páginas do volume que compõe a monografia; deve ser do mesmo tamanho das páginas (A4), de plástico transparente branco, para melhor proteger o documento e para permitir ao leitor a visualização da folha de rosto.
Uma capa também deve ser posta após a última página do trabalho, com o mesmo escopo de proteção e manuseio; esta, todavia, deve ser de cor escura, de preferência preta, e opaca.

Como já se viu, a capa não é contada na numeração das páginas.

3.1.2. folha de rosto
A folha de rosto serve para permitir ao leitor a imediata identificação do autor da monografia, do seu tema (através do título), da instituição para a qual foi apresentada, quem foi o seu orientador e o ano de conclusão.

Variadas formatações das folhas de rosto são apresentadas nos diversos manuais de orientação. Entrementes, optou-se pela seguinte:

no alto da página (a 3cm da margem superior): nome do autor;
no fim do primeiro terço da página (em 11cm), centralizado, o título da monografia;
logo abaixo (em 15cm), um parágrafo cuja margem esquerda se inicia no alinhamento vertical do centro do parágrafo do título da monografia, indicando a natureza acadêmica do trabalho, a instituição de ensino e o nome do professor ou orientador;
na parte mais baixa (em 26cm), em parágrafos centralizados e sobrepostos, a localidade (a indicação da unidade federativa somente será obrigatória se a localidade tiver homônima) e a data de conclusão do trabalho, incluindo, no mínimo, o ano. Exemplo:

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA

O SISTEMA TRIBUTÁRIO PORTUGUÊS

E A DERRAMA NO BRASIL

Monografia apresentada como requisito para conclusão do curso de bacharelado em Direito do Centro Universitário de Brasília

Orientador: Prof. Lima e Silva

BRASÍLIA

2002

3.1.3. sumário
O sumário é a enumeração dos títulos dos capítulos e suas divisões, com indicação da página de seu início, tendo por objetivo facilitar ao leitor a localização de textos na monografia.[23] Deve ser adequado ao tamanho do trabalho.[24]

É importante destacar que, se o acadêmico tiver domínio do uso da função estilos do processador de textos Word, e os tiver empregado no corpo do trabalho, poderá se poupar do esforço de elaborar o sumário, pois o programa insere-o automaticamente quando requerido (Alt+I/c/l)[25], inclusive indicando a página em que o título é encontrado.

3.1.3. sumário

O sumário é a enumeração dos títulos dos capítulos e suas divisões, com indicação da página de seu início, tendo por objetivo facilitar ao leitor a localização de textos na monografia.[23] Deve ser adequado ao tamanho do trabalho.[24]

É importante destacar que, se o acadêmico tiver domínio do uso da função estilos do processador de textos Word, e os tiver empregado no corpo do trabalho, poderá se poupar do esforço de elaborar o sumário, pois o programa insere-o automaticamente quando requerido (Alt+I/c/l)[25], inclusive indicando a página em que o título é encontrado.

3.1.4. abstract ou resumo
Chama-se abstract ou resumo a síntese da monografia, inserida logo após o sumário, escrita na língua portuguesa e, facultativamente, traduzida para língua estrangeira. Servindo apenas como apresentação panorâmica da monografia, é exibida em um único parágrafo e com a mesma formatação do texto principal. A palavra resumo ou abstract deve estar centralizada e duas linhas acima do respectivo texto.

3.1.5. texto principal
O texto principal é a monografia em si. No mínimo, divide-se em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Na introdução, o autor expõe o problema que motivou a pesquisa, situando-o espacial e temporalmente, indicando o objeto e o método nesta empregado. Recomenda-se uma breve descrição das partes de que se comporá o desenvolvimento.

O desenvolvimento do trabalho, divisível em capítulos, é a parte principal da monografia. É ali que o autor faz uma retrospectiva da situação problemática, como ela vem sendo tratada pela comunidade científica (doutrina, jurisprudência etc.), elabora sua crítica e apresenta suas teses, explicando, detalhadamente, suas conclusões.

A conclusão da monografia destina-se à memorização e fixação das principais partes do trabalho ou à articulação delas com o propósito inicial da pesquisa. É usual que o autor faça uma síntese das conclusões parciais a que chegou, podendo apresentá-las por meio de tópicos concisos.

No corpo do texto principal, podem ser inseridos elementos gráficos, fotos, ilustrações etc., desde que sejam essenciais para a sua compreensão; caso contrário, estes devem ser inseridos como anexos.

3.1.6. referências bibliográficas
Recebe o nome de referências bibliográficas[26] a lista de obras explicitamente utilizadas pelo autor no corpo do texto principal de seu trabalho. Obras consultadas, mas não mencionadas, devem ser omitidas da lista.

Em caso de repetição de nomes de autores ou de monografias com edições diferentes, o texto repetido deve ser substituído por um travessão de 5 espaços seguido de um ponto: _____.

Esta lista deve ser apresentada em ordem alfabética[27] de autores, conforme especificações contidas adiante, no item 9.2 deste Manual.

3.2. elementos eventuais

3.2.1. epígrafe

Epígrafe é um título ou uma frase posta em página especial de uma monografia ou antes do início do texto de um capítulo, servindo de mote ou de inspiração. Na verdade, é uma frase de efeito cujo tema tem correlação com o objeto de estudo da monografia, a qual, por seu apuro, profundidade ou autoridade[28], mereça ser citada em destaque, para motivação inicial.

Normalmente a epígrafe é grafada em parágrafo especial na parte inferior da página[29], com formatação idêntica às citações.[30]

Logo após a transcrição, em parágrafo imediatamente abaixo, com alinhamento à direita, é colocada a fonte. Assim:

“Não há ciência isolada e integral; nenhuma pode ser manejada com mestria pelo que ignora todas as outras. Quando falham os elementos filológicos e os jurídicos, é força recorrer aos filosóficos e aos históricos, às ciências morais e políticas.”

Carlos Maximiliano

3.2.2. dedicatória

A dedicatória é um pequeno texto em que o autor da monografia manifesta suas afeições e agradecimentos a pessoas do seu estreito relacionamento, normalmente familiares. A formatação do parágrafo da dedicatória é idêntica àquela da epígrafe.

3.2.3. agradecimentos
Se o autor da monografia desejar manifestar seus agradecimentos a outras pessoas, tais como o orientador do trabalho, colaboradores, estagiários, bibliotecários, digitadores, revisores, pode fazê-lo em página destacada, em forma idêntica à da epígrafe.

3.2.4. listas de gráficos, ilustrações etc.
As listas são sumários de outros elementos, que não os títulos dos capítulos, tais como gráficos, mapas, tabelas, ilustrações etc.; evidentemente, a necessidade de uma lista vai estar condicionada à existência desses componentes.

3.2.5. anexos
Designam-se como anexos todos os textos, gráficos e documentos que servem de apoio, ilustração ou suplemento do trabalho monográfico, os quais, por serem acessórios, não são inseridos no corpo principal, mas após este.

Os anexos, tantos quantos existirem, ganham numeração em algarismos romanos; assim:

A inserção, como anexos, de leis e de julgados só é recomendável quando forem de difícil acesso (por exemplo, leis revogadas, direito estrangeiro, julgados sem maior repercussão). Não se justifica a inserção de anexos para a transcrição de leis federais vigentes ou enunciados de súmulas de tribunais superiores, por exemplo.

3.2.6. glossário
O glossário é uma relação das palavras de uso técnico ou de emprego não corriqueiro, cuja compreensão é importante ao entendimento das idéias apresentadas. Em outros termos, é um pequeno vocabulário. Deve ser apresentado em ordem alfabética. É inserido após o texto principal. Recomenda-se seu emprego somente em temas de extrema especificidade.

3.2.7. índices
Os índices são relações de palavras principais do texto, com indicação dos números das páginas onde estas são encontradas, os quais têm por objetivo permitir a fácil localização de nomes, locais, institutos, autores etc. Normalmente os índices somente são empregados em trabalhos de maior corpo, com mais de 50 laudas.

O nome do índice pode variar conforme o seu conteúdo; assim, índice onomástico, quando contiver apenas nomes de pessoas; índice geográfico, quando contiver nomes de locais; quando o índice tiver, indistintamente, nomes de pessoas, de locais e outras palavras-chave, recebe o nome genérico de índice remissivo.

Novamente destaca-se que o processador de textos pode criar um índice remissivo automaticamente,[31] apresentando as palavras em ordem alfabética, já com a referência às páginas onde estas se encontram; todavia, para tanto, o acadêmico deve, anteriormente, selecionar as palavras desejadas e marcá-las para compor o índice[32].

4. citações
Citações são referências feitas no texto a idéias, pensamentos e demais expressões, proferidas em lugar diverso (monografia, tese, acórdão, palestra etc.) por outros estudiosos ou pelo próprio autor, servindo para dar sustentação àquilo que se defende ou para estabelecer a crítica a posições antagônicas.

As citações sempre devem vir acompanhadas das referências bibliográficas, indicando a fonte de onde foram extraídas.

4.1. localização das citações
Quanto à localização no trabalho, as citações podem ser feitas no texto principal (no corpo de um parágrafo normal ou em parágrafo especial) ou em notas de rodapé.

Recomenda-se o emprego das citações no próprio corpo do texto quando a citação for essencial ao estudo e compreensão do assunto tratado e a sua localização neste lugar não desviar a atenção do leitor em relação ao tema principal.

A citação no texto principal, de acordo com a sua extensão, pode ser feita no corpo de um parágrafo normal ou em parágrafo especial.[33]

4.2. literalidade das citações
De acordo com o grau de literalidade, as citações podem ser assim classificadas em:

citação direta ou literal, quando se tratar de transcrição literal de um texto, sem modificações no seu texto e pontuação, ou, no máximo, contendo supressões de partes desnecessárias.
citação indireta ou ideal, quando a citação não for literal, mas apenas traduzir a idéia do autor citado. Neste caso, se a citação tiver aproximadamente o mesmo tamanho e conteúdo do texto original, receberá o nome de paráfrase; se tratar de mera síntese das idéias, será chamada condensação.
citação de citação ou de segunda mão [34] é aquela em que o autor não teve acesso à fonte (trabalho) da qual foi extraída, tomando contato com ela por intermédio de trabalho de terceiro. Por questões de confiabilidade, as citações de segunda mão devem ser evitadas ao máximo, justificando seu emprego somente quando a fonte original for inacessível ou a citação não for essencial.
citação traduzida é aquela em que o autor[35] ou terceira pessoa traduz texto originalmente escrito em língua estrangeira[36]. Para facilitar a conferência da tradução, o texto original pode ser transcrito em nota de rodapé.
4.3. elementos não originais em citação
Sempre que desejar alterar a apresentação da citação original, o autor deve mencionar a modificação, esclarecendo-a por expressões entre colchetes.

Vejam-se as hipóteses abaixo:

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Referências bibliográficas são elementos que permitem a identificação de um trabalho mencionado no corpo do texto principal, tais como o nome do autor, o título da monografia, data de publicação etc.

Como se verá, existem elementos das referências que são obrigatórios (a apresentação das referências bibliográficas se encontra padronizada pela NBR 6023, da ABNT). Todavia, diante da diversidade de situações que se terão na prática, jamais se conseguirá uma padronização absoluta.

Não se pode perder de vista que o objetivo principal das referências é permitir ao público leitor a identificação do trabalho. Evitam-se posições extremadas: a inserção de dados em demasia sobrecarrega o texto; a sua ausência não permite o alcance do seu escopo.

Assim, as referências devem ser adequadas ao público-alvo, sendo, por exemplo, absolutamente desnecessária, em monografia jurídica, a anteposição da palavra BRASIL, para identificar o Supremo Tribunal Federal, nas citações jurisprudenciais[37], ou ainda a menção às dimensões e números de páginas da referida obra.

As referências bibliográficas são necessárias para permitir a identificação e a conferência das fontes das citações inseridas no corpo do texto ou em nota de rodapé e na lista bibliográfica a ser apresentada no fim do trabalho.

5.1. referências em citações
As referências bibliográficas de citações podem ser apresentadas, facultativamente, no corpo do texto principal (sistema autor/data) ou em notas numeradas (de rodapé ou em lista anotada no final da monografia, capítulo ou seção). Entretanto, feita a opção por um dos referidos sistemas, deve ser mantido o mesmo em todo o trabalho.

5.1.1. no corpo do texto (sistema autor/data)
É recomendável a apresentação das referências bibliográficas logo após as citações, entre parênteses, quando a fonte citada é o objeto principal do estudo e, por isso, vai ser constantemente mencionada, como quando se elabora crítica sobre o pensamento de renomado autor em determinada monografia.

Neste caso, os elementos referenciais serão mínimos, contendo apenas o nome principal do autor, o ano da publicação e o número da página; assim:

Também o sociologismo de Erlich não escapa à crítica: “Mas é isto, justamente, que o positivismo sociológico de Ehrlich não consegue valorizar, porque lhe falta – tal como ao seu reverso, o positivismo formal da Teoria Pura do Direito de Kelsen – o acesso ao domínio do ser espiritual das idéias e da sua realização nas objetivações do espírito” (Larenz, 1991: 86).
5.1.2. em notas numeradas

Preferencialmente, as referências bibliográficas devem ser apresentadas em notas de rodapé numeradas,[38] contendo, no mínimo, os seguintes elementos:

nome do autor;
título da obra;
edição (se não for a primeira);
local de publicação;
nome da editora;
ano da edição;
número da página.
Podem ser muitas as variantes de apresentação destes elementos (um ou mais autores, local desconhecido etc.), assim, estas especificações serão tratadas a seguir, no item 9.3 deste Manual.

As notas numeradas postas no fim de monografia, capítulo ou seção são empregadas excepcionalmente, quando a sua colocação no rodapé, por questões de editoração do texto, não for conveniente.

A sua formatação deve ser a mesma das notas de rodapé.

5.2. referência em lista
As referências em listas bibliográficas seguem a mesma forma de apresentação das contidas em notas, distinguindo-se destas apenas porque não mencionam o número da página da monografia.

5.3. apresentação dos elementos referenciais

5.3.1. apresentação básica

Quando os elementos referenciais forem simples e todos conhecidos, a sua apresentação será a seguinte:

nome do autor, iniciando pelo último sobrenome[39], este em maiúsculas;
o título da obra, em negrito ou itálico, sendo somente a primeira letra da primeira palavra em maiúscula[40];
a edição, se não for a primeira;
imprenta: local (especifica-se a unidade federativa ou o país somente se houver possibilidade de confusão com outra localidade), editora (só o nome principal) e ano de publicação;
número da página (somente se for referência em citação); assim: p. 35, ou, para indicar trecho: p. 35-50. 1 SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 67.
Exemplo:

Obs.: a forma de pontuação deve ser uniformemente seguida.

5.3.2. especificações variadas

5.3.2.1. quanto ao autor

5.3.2.2. quanto ao local da fonte


5.3.2.3. quanto ao título

6. ABREVIATURAS E EXPRESSÕES LATINAS
Apresentam-se a seguir as principais abreviaturas e expressões latinas com seus respectivos significados:


7. BIBLIOGRAFIA DE APOIO
Além das indicações bibliográficas que cada tema suscita a quem pretenda pesquisar, é possível elaborar uma lista de obras com grande potencial de utilidade genérica, seja nas questões metodológicas, seja nas questões epistemológicas (relativas aos limites de cada ciência), seja nas questões meramente formais. A inserção da lista que segue tem, pois, o propósito de fornecer pistas e dados aos pesquisadores em matéria jurídica ou sociojurídica.

7.1. CIÊNCIA E METODOLOGIA DE PESQUISA
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. São Paulo: Ars Poética, 1996.

CHALMERS, A. O que é a ciência afinal? Tradução de: Raul Fiker. São Paulo: Brasiliense, 1995.

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POPPER, Karl. A Lógica da pesquisa científica. 9. ed. Tradução de: Leônidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. São Paulo:Cultrix, 1999.

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7.2. INTRODUÇÃO À PESQUISA JURÍDICA E SOCIOJURÍDICA

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LYRA FILHO, Roberto. O que é Direito. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1982.

SOUSA JÚNIOR, José Geraldo (Org.). Introdução crítica ao Direito. Brasília: UnB, 1993 (Série O Direito achado na rua).

7.3. PARADIGMAS E METODOS DA CIÊNCIA DO DIREITO

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AGUILLAR, Fernando Herren. Metodologia da ciência do Direito. 2. ed. São Paulo: Max Limonad, 1999.

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_____. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. 4. ed. Tradução de: Alfredo Fait. Brasília: UnB, 1997.

_____. Estado, governo e sociedade. 6. ed. Tradução de: Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

_____. Locke e o Direito natural. Tradução de: Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1997.

_____. O positivismo jurídico. Tradução de: Marco Pugliesi e outros. São Paulo: Ícone, 1995.

_____. Teoria do ordenamento jurídico. 10. ed. Tradução de: Maria Celeste C. L. dos Santos. Brasília: UnB, 1997.

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. 10. ed. Tradução de: Carmen C. Varriale et al. Brasília: UnB, 1997.

CAENEGEM, R. C. V. Uma introdução histórica ao Direito privado. Tradução de: Carlos Eduardo Machado. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

CANARIS, C. W. Pensamento sistemático e conceito de sistema na ciência do Direito. 2ª ed. Introdução e Tradução de: A. Menezes Cordeiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996.

CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. 3. ed. Coimbra: Almedina, 2002.

CAPPELLETTI, Mauro. Juízes Legisladores? Tradução de: Carlos Alberto Álvaro de Oliveira. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris, 1993

CHEVALLIER, J. J. As Grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. 8. ed. Tradução de: Lydia Cristina. Rio de Janeiro: Agir, 1998.

CHILCOTE, R. H. Teorias de política comparativa: a busca de um paradigma reconsiderado. Tradução de: Carlos Alberto Silveira Netto Soares. Petrópolis: Vozes, 1998.

CITTADINO, Gisele. Pluralismo, direito e justiça: elementos da filosofia constitucional contemporânea. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1999.

COELHO, F. U. Para entender Kelsen. 2. ed. Rio de Janeiro: Max Limonad, 1996.

COELHO, Inocêncio Mártires. Interpretação constitucional. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris, 1997.

DAVID, René. Os grandes sistemas do Direito contemporâneo. Tradução de: Hermínio Carvalho. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

DÍEZ-PICAZO, L. Experiencias jurídicas y teoría del Derecho. 3. ed. Barcelona: Ariel, 1993.

DWORKIN, Ronald. O império do Direito. Tradução de: Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

_____. Uma questão de princípio. Tradução de: Luiz Carlos Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

EHRLICH, Eugene. Fundamentos da sociologia do Direito. Tradução de: Renê Ernani Gertz. Brasília: UnB, 1986.

FARIA, José Eduardo (Org.). A crise do Direito numa sociedade em mudança. Brasília: UnB, 1988.

_____. Poder e legitimidade. São Paulo: Perspectiva, 1978.

_____. Poder Judiciário. Crise, paradoxos e desafios. Brasília: CEJ/CJF, 1996

FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Direito, retórica e comunicação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

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FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 5. ed. Tradução de: Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense, 1997.

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FREITAS, Juarez. A interpretação sistemática do Direito. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 1998.

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HABERMAS, Jürgen. A crise de legitimação no capitalismo tardio. 2. ed. Tradução de: Vamireh Chacon. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.

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_____. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Tradução de: Flávio Seno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

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KANT, Immanuel. Critica da razão prática. 4. ed. Tradução de: Afonso Bertagnoli. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.

_____. Crítica da razão pura. 4. ed. Tradução de: Manuela Pinto dos Santos e Alexandre F. Morujão. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1997.

_____. Fundamentos da metafísica dos costumes. 4. ed. Tradução de: Lourival de Queiroz Henkel. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.

KELSEN, Hans. A justiça e o Direito natural. 2. ed. Prefácio e Tradução de: João B. Machado. Coimbra: Arménio Armado, 1979.

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LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do Direito. 3. ed. Tradução de: José Lamego. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1997.

LATORRE, A. Introdução ao Direito. Tradução de: Manuel de Alarcão. Coimbra: Almedina, 1997.

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7.4. EstrUTURAÇÃO DA PESQUISA JURÍDICA E SOCIOJURÍDICA

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FERREIRA SOBRINHO, José Wilson. Pesquisa em direito e redação de monografia jurídica. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris, 1997.

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GOODE, W.; HATT, P. Métodos em pesquisa social. 7. ed. Tradução de: Carolina Martuschelli Bori. São Paulo: Nacional, 1979.

HENRIQUES, A.; MEDEIROS, J. B. Monografia no curso de Direito. São Paulo: Atlas, 1999.

KERLINGER, F. N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais. Tradução de: Helena Mendes Rotundo. São Paulo: EPU, 1979.

LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina de A. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1992.

_____. Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

MAINGUENEAU, D. Novas tendências em análise do discurso. 3. ed. Tradução de: Freda Indursky. Campinas: Unicamp, 1997.

MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.

RICHARDSON, R. J. et.al.. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 1992.

SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

SELLTIZ, C. et.al. Métodos de pesquisas em relações sociais. Tradução de: Dante Moreira Leite. São Paulo: EPU/EDUSP, 1987.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 19. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

THIOLENT, M. J. M. Aspectos qualitativos da metodologia de pesquisa com objetivos de descrição, avaliação e reconstrução. Cadernos de Pesquisa, nº 49 (maio), p. 45-50, 1984.

_____. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1985.

TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

ZITSCHER, H. C. Metodologia do ensino jurídico com casos: teoria e prática. Belo Horizonte: Del Rey, 1999.

7.5. REDAÇÃO E APRESENTAÇÃO DE MONOGRAFIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação: referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2000.

_____. NBR 6032: abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas. Rio de Janeiro, 1989.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. 2. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1978.

FRANÇA, Júnia Lessa. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 5. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2001.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Manual para apresentação de trabalhos acadêmicos. Brasília, 1998.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Normas para apresentação de trabalhos. 5. ed. Curitiba: UFPR. 1995.

_____. Normas para apresentação de documentos científicos. Curitiba: UFPR, 2000.


[1] Sobre a elaboração do projeto de pesquisa ver GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996; e RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica, 17. ed. Petrópolis: Vozes, 1992.

[2] Para os parâmetros de formatação da folha de rosto, vide o item 7.2 deste Manual.

[3] Sobre delimitação e formulação de problemas e hipóteses de pesquisa ver KERLINGER, F. N.. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento conceitual. São Paulo: EPU/EDUSP, 1980. caps. 2, 3 e 4; GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995. caps. 4 e 5.

[4] Como é evidente a inter-relação entre o tema-problema-hipótese-teoria para a solução do problema, esta fase inicial da pesquisa deve ser realizada com base em muitas revisões efetuadas, muitas vezes até amparada em pesquisa provisória.

[5] Um bom problema de pesquisa é avaliado com base em suas características intrínsecas, quais sejam, um grau razoável de complexidade, a sua elaboração em forma de pergunta, a clareza, a precisão, a dimensão viável e o fato de ser empírico e suscetível de verificação. Para esta verificação, ver GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996, p. 29-33.

[6] Isto é, definições que elegem, dentre vários possíveis sentidos, aquele sentido a ser adotado em todo o curso da pesquisa

[7]Ver GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo:Atlas, 1996, p. 35-44.

[8] Trata-se do embasamento teórico ou da teoria de base que serve de fundamento para o estudo

[9] Ver AGUILLAR, Fernando Herren. Metodologia da ciência do Direito. 2. ed. São Paulo: Max Limonad, 1999; BOBBIO, Norberto. O Positivismo jurídico. Trad. Marco Pugliesi et alli. São Paulo: Ícone, 1995; FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Teoria da norma jurídica. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997; LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina A. Metodologia Científica 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999; LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do Direito. 3. ed. Trad. José Lamego. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997; REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1996 e Fundamentos do Direito. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998; e WOLKMER, Antonio Carlos. Introdução ao pensamento jurídico crítico. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

[10] Para a especificação e delineamento da pesquisa sugerimos a utilização do livro GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3º ed. São Paulo: Atlas, 1996; e TRIVIÑOS, Augusto N. S.. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. cap. 5.

[11] Ver VENÂNCIO FILHO, A. Análise histórica do ensino jurídico no Brasil, in Encontros da UnB: ensino jurídico. Brasília: Universidade de Brasília; WARAT, Luiz Alberto. O senso comum teórico dos juristas, in SOUSA JÚNIOR, José Geraldo de (org.). Introdução Crítica ao direito: Série O Direito achado na rua. Brasília: Universidade de Brasília, 1993; LYRA FILHO, Roberto. Por que estudar Direito, hoje? Brasília: Nair, [s.d.]; e ADEODATO, João Maurício. O estado da arte da pesquisa jurídica e sócio-jurídica no Brasil, Brasília: CJF, 1996 (Série Pesquisas do CEJ, nº 4).

[12] Sobre surveys e entrevistas ver GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 118-122 e 124-133; MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996, p. 84-101; e RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985, p. 150-157 e 160-172.

Sobre tipos de entrevistas ver GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 115-118; RICHARDSON, R. J. et alli. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985, p. 220-250; e TRIVIÑOS, Augusto N. S.. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987, p. 145-152.

Sobre mensuração e análise de atitudes ver GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, caps. 12 e 13, e MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996, p 101-111.

Sobre pesquisa histórica/documental ver GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 71-73 e 76-78; MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva A. Técnicas de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996, p. 57-75; RICHARDSON, R. J. et alli. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985, p. 203-207.

Sobre análise de conteúdo ver GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 158-166; MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996, p. 114-120; RICHARDSON, R. J. et alli. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985, p. 173-198, e TRIVIÑOS, Augusto N. S.. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987, p. 158-166.

Sobre pesquisa bibliográfica ver SALVADOR, A. D. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. 11. ed. Porto Alegre: Sulina, 1992; e RUIZ, J. A. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1976.

Sobre pesquisa experimental e ex post facto ver KERLINGER, F. N.. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento conceitual. São Paulo: EPU/EDUSP, 1980, cap. 8.

Sobre pesquisa-ação ver THIOLLENT, M. Metodologia de pesquisa-ação. São Paulo:Cortez, 1985.

Sobre pesquisa participante ver BRANDÃO, C. R. (Org). Pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1983 e Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Sobre pesquisa qualitativa ver BRANDÃO, C. R. (Org).. Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1984; DEMO, P. Avaliação qualitativa. São Paulo:Cortez: Autores Associados, 1987 (Coleção Polêmicas do Nosso Tempo; v. 25) e Pobreza política. Campinas: Associados, 1996 (Coleção Polêmicas do Nosso Tempo; v. 27), e RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985, p. 29-48.

[13] Vide um modelo na página seguinte.

[14] Ver a Parte II deste Manual.

[15] Sobre a elaboração de projetos, vide a Parte I deste Manual.

[16] Medianiz é a margem interna do trabalho, destinada à fixação das páginas. Como a margem esquerda já foi estabelecida com 1cm a mais para tal fim, dispensa-se nova marcação.

[17] Linhas que ficam isoladas em razão da quebra de página.

[18] Vide item 8.1. deste Manual, onde há um exemplo.

[19] Vide elementos pré-textuais no item 7 deste Manual.

[20] Vide adiante a seção 3.1.2.

[21] Exceto nos sumários.

[22] Tais elementos podem ser essenciais, isto é, obrigatórios, ou eventuais. Vide os elementos essenciais e os elementos eventuais na fig. 7.

[23] Parece que o melhor termo para indicar tal enumeração, de acordo com o vernáculo, seria índice. Todavia, a ABNT preferiu o termo sumário.

[24] Em trabalho de até 25 laudas, geralmente o sumário não tem mais que uma página.

[25] Repare-se que o Word chama o sumário de índice analítico.

[26] Vários autores preferem o termo bibliografia, o qual não se recomenda por sua impropriedade.

[27] O Word pode classificar a lista em ordem alfabética automaticamente (alt+t/l/ok).

[28] Geralmente são máximas proferidas por pessoas famosas.

[29] De acordo com o tamanho da transcrição.

[30] Vide item 6.5.2 deste Manual.

[31] Basta posicionar o mouse em Inserir/índices/índice remissivo/ok.

[32] Selecionar a palavra/inserir/índices/índice remissivo/marcar entrada/marcar todas.

[33] Sobre a formatação do parágrafo especial, vide item 6.5.2 deste Manual.

[34] Vide exemplo da forma do seu emprego em 9.3.2.2.1..

[35] Neste caso, logo após a transcrição ou em nota de rodapé, emprega-se a seguinte expressão: tradução livre do autor.

[36] Não é recomendável a citação de texto estrangeiro sem tradução.

[37] Vide exemplo em 5.3.2.2.3. jurisprudência. Excetuam-se aquelas pesquisas que compreendam a comparação jurisprudencial entre tribunais de diferentes países.

[38] A numeração deve ser contínua, isto é, não deve ser interrompida em razão de mudança de capítulo.

[39] Atenção: quando o autor tiver seu nome terminado em FILHO, JÚNIOR, NETO, SOBRINHO, a entrada deve ser realizada, ainda, com o último sobrenome. Assim, por exemplo, Humberto Theodoro Júnior receberá o seguinte tratamento: THEODORO JÚNIOR, Humberto.

[40] Respeitando-se os nomes próprios, porém.

[41] Utiliza-se esta forma de entrada somente stacar parte da obra; caso contrário, vide item 9.3.2.2.6. deste Manual.

[42] Omite-se o nome da editora quando é o mesmo da entrada.

[43] Idem.

[44] Omite-se o nome da editora quando é mesmo da entrada.