Citar e Referenciar

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O âmago de todo o trabalho monográfico é produzido através da recolha da informação relevante e possível sobre um determinado assunto. Para isso, é necessário relacionar cientificamente tudo o que é exposto, através de uma correcta fundamentação dos dados implicados, designadamente, expondo citações e confrontando autores diversos.

Apenas as referências utilizadas no texto, e só estas, deverão constar na bibliografia final.

Apontamentos de aulas, conferências, etc., não têm admissibilidade científica, senão quando publicadas e devidamente referenciadas. Na eventual ausência de elementos comprovativos, os dados bibliográficos (ou outros) não deverão ser utilizados como parte integrante do trabalho. Deve-se evitar referenciar fontes cuja consulta seja difícil ou impossível, tais como comunicações pessoais, eventos sem actas, e documentos de circulação restrita ou temporária.

As fontes originais deverão ser referidas através da metodologia “autor-data” ou Sistema “Harvard”, junto da citação ou do(s) autor(es) referenciado(s). Caso se trate de uma citação directa, ou da reconstrução pessoal e precisa de uma determinada parte do texto original, as indicações serão acrescidas das páginas consultadas (ver exemplos seguintes).

Exemplo 1:

O primeiro autor a abordar este tema foi Aguilar (1967), num estudo sobre as formas pelas Quais os gestores obtêm informação relevante sobre os eventos que acontecem no ambiente geral (externo) da empresa.

Exemplo 2:

A investigação levada a cabo até hoje nesta área demonstra que a importância, que a análise estratégica externa tem para as empresas, pode ser inferida pela forma como as actividades de análise são integradas no processo de planeamento estratégico (Costa, 1997, p. 3).

As citações retiradas do texto original poderão ser de dois tipos: parafraseadas, ou directas. A citação directa consiste na transcrição fiel do texto do próprio autor, que, caso seja inferior a duas linhas de texto, aparecerá entre aspas no corpo do documento (exemplo 3). Caso a citação exceda as duas linhas de texto, será destacada e em letra de fonte menor (tamanho 10) conforme apresentado no Exemplo 4.

As citações, entre aspas, deverão possuir a sinalética “(…)” sempre que não se produza inteiramente um período ou um parágrafo (Exemplo 3).

Exemplo 3:

De facto, e conforme Costa (1997, p. 3) argumenta, “(…) à medida que as empresas crescem em tamanho e complexidade, as suas necessidades de planeamento estratégico formal aumentam.”

Exemplo 4:

O conhecimento destes eventos permite aos gestores a identificação das principais tendências na sua área de negócios, podendo orientar as acções das suas empresas de forma consonante. Com base nos resultados deste estudo, Aguilar (1967, p.VII) definiu análise estratégica externa como: A recolha e análise de informação sobre eventos no ambiente empresarial externo, cujo conhecimento assistirá os gestores na sua tarefa de programar e conduzir o futuro da empresa.

Quando se pretende citar um autor que foi inicialmente referido por outro – fonte indirecta – deverá utilizar-se os termos “cit. in”.

Exemplo 5:

De acordo com Jain (cit. in Costa 1997), a eficácia do planeamento estratégico está directamente relacionada com a capacidade de análise estratégica externa.

Exemplo 6:

A eficácia do planeamento estratégico está directamente relacionada com a capacidade de análise estratégica externa (Jain cit. in Costa 1997).

As interpretações ou resumos do autor da Monografia no interior das citações deverão estar assinaladas através de parênteses rectos “[ ]”.

Exemplo 7:

A eficácia do planeamento estratégico [como modo de desenvolvimento formal da estratégia] está directamente relacionada com a capacidade de análise estratégica externa (Jain, cit. in Costa 1997).

Nos casos de inclusão ou de referência textual de uma obra com três ou mais autores, no corpo do texto a referência aparecerá da seguinte forma: Smith et al. (1991), ou (Smith et al., 1991).

Exemplo 8:

Segundo Costa et al. (1997), para que se possam tomar decisões estratégicas informadas, é necessário que os gestores estejam bem documentados sobre o seu ambiente de negócios.

Para que se possam tomar decisões estratégicas informadas, é necessário que os gestores estejam bem documentados sobre o seu ambiente de negócios (Costa et al., 1997).

É cada vez mais frequente utilizar fontes de informação em forma digital ou na internet. Deve-se no entanto ter em conta que muitos desses documentos são temporários, e que o seu endereço muda frequentemente, pelo que se devem evitar se existirem alternativas. Deve-se ter em conta também que muita da informação na internet corresponde a publicações pessoais, isto é, não passam por um processo de revisão como as publicações escritas; a credibilidade a atribuir a essa informação deve ser pois devidamente avaliada. Note-se que muitas vezes não é necessário incluir as páginas citadas na bibliografia, podendo o endereço dessas páginas ser dado no próprio texto

Fonte:http://www.ufp.pt

NORMAS DE REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA

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NORMAS DE REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA

TRABALHO APRESENTADO POR RENATA LEITE CAVALCANTE

“Dos diversos instrumentos utilizados

pelo homem, o mais espetacular é sem

dúvida, o livro. Os demais são extensões

de sua visão; o telefone é a extensão de

sua voz; em seguida, temos o arado e a

espada, extensões de seu braço. O livro,

porém, é outra coisa: o livro é uma extensão

da memória e da imaginação” (Jorge Luís

Borges. O livro. Humanidades, Brasília :

Universidade de Brasília, v.1, nº 1, p. 15,

Out./dez. 1982 ).

NORMAS DE REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1.0 Obra completa – Pessoas físicas

1.1 Um autor, dois autores, até três autores.

Seqüência – sobrenome todo em letras maiúsculas, o nome somente com inicial maiúscula. Título do livro em itálico. Se houver subtítulo escrever com letra normal. Local de publicação: nome da editora, seguido pelo ano de publicação.

Exemplo:

– Um autor

RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: guia para eficiência nos estudos. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991.

– Dois autores

LOURENÇO, Eva; MARCONI, Maria. Ensino Superior. 5 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

– Três autores

TAFNER, Malcon Anderson; TAFNER, José; FISHER, Juliane. Metodologia do trabalho acadêmico. Curitiba: Juruá, 1998.

OBSERVAÇÃO:

No caso mais de um autor, usa-se o nome do autor na mesma ordem do livro, não é obrigado ser em ordem alfabética.

1.2 Mais de três autores

Seqüência – sobrenome em letra maiúscula, nome seguido et al. Título da obra em itálico. Local de publicação: editora, ano de publicação.

Exemplo:

BARROS, Helena Dias et al. Educação: escola especial. Porto alegre: Mirassol, 1999.

1.3 Autor e título repetido

Seqüência – Se o autor e o título forem repetidos, mas diferirem as edições, usam-se dois traços.

Exemplo:

GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. 2 ed. Rio de janeiro: FGV, 1978.

_______ . _______ . 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 1980.

1.4 Autor estrangeiro ( obra traduzida )

Seqüência – Sobrenome em letra maiúscula, nome. Seguido o nome do tradutor, título, local de publicação: editora, ano de publicação.

Exemplo:

BODENHEIMER, Edgar. Crad. Enéas Marzono. Ciência do direito: Sociologia e metodologia teórica. Rio de Janeiro: Farence, 1996.

1.5Auditoria desconhecida

Seqüência – Inicia-se pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome desconhecido.

Exemplo:

Metodologia do ensino superior. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1967.

1.6 Séries e coleções

Seqüência – Sobrenome em maiúscula e nome. Título da obra e subtítulo (este não é sublinhado e é separado por dois – pontos). Nome do organizador da obra. Local de publicação: editora, ano da publicação.

Exemplo:

CUNHA, Euclides da. Euclides da Cunha: Trechos escolhidos. Organizado por João Etiene Filho. Rio de Janeiro: Agir, 1961. 114p. (Nossos Clássicos, 54).

1.7 Responsável intelectual. Organizador (org.), coordenador (coord.), Editor (ed.), Compilador (comp).

Seqüência – Obras que englobam contribuições de vários autores entram pelo responsável pela publicação:

Exemplo:

BRANDÃO. Alfredo de Barros L. (comp.). Modelos de contratos. Procurações. Requerimentos e petições. 5. ed. São Paulo: Trio, 1974.

1.8 Sobrenomes compostos e com indicações de parentesco.

Seqüência – Inicia-se com o sobrenome em letra maiúscula, nome. Título da obra. Edição. Local e ano de publicação.

Exemplo:

MODESTO – SIQUEIRA, Clóvis A. Inquérito Policial. 7ed. Cuiabá: Juruá, 1976 (prática, processos e jurisprudência, 18).

1.9 Parte do livro e publicações

1.9.1 O autor do capítulo é o mesmo do livro

Seqüência – Sobrenome e nome do autor. Título da obra e do capítulo. Edição e local de publicação.

Exemplo:

MEDEIROS, João Bosco. Correspondência: Técnicas de comunicação criativa. 6ed. São Paulo: Atlas, 1991.

1.9.2 Autor do livro difere do autor do capitulo.

Seqüência – É essencial apresentar sobrenome (maiúsculo), nome. Título da obra. Nome do autor do capítulo. Título do capítulo. Local e data da publicação.

Exemplo:

ABRAMO, Perseu. Pesquisa em ciência sociais. In: HIBRANO, Sedi (org). Pesquisa social: projeto planejamento. São Paulo: TAQ, 1979.

2.0 PUBLICAÇÕES SERIADAS ( PERÍODICOS, REVISTAS, JORNAIS )

2.1 Publicação considerada no todo

2.1.1 Suplementos, números especiais, fascículos inteiros.

Seqüência – Os elementos essenciais são: Título da publicação, título da parte (se houver), local de publicação, editora, numeração do ano e/ou volume, numeração do fascículo, as informações de períodos e datas de sua publicação e as particularidades que identificam a parte.

Exemplo:

CONJUNTURA ECONÔMICA. As 500 maiores empresas do Brasil. Rio de janeiro: FGV, v. 38, nº 9, set. 1984. 135 p . Edição especial.

2.1.2 Jornal (considerado no todo)

Seqüência – Os elementos essenciais são: autor (se houver), título, subtítulo (se houver), título de jornal, local de publicação, seção, caderno ou parte do jornal e paginação correspondente.

Exemplos:

Com autor:

PALERMO, Alfredo. Vida universitária: a saga de uma faculdade. Comércio da França. França, 30 jun. 1991. Caderno D. p. 40.

Sem autor:

BIBLIOTECA climatiza seu acervo. O Globo. Rio de Janeiro. 4 mar. 1989. p. 11.

2.2 Publicação consideradas em parte

2.2.1 Artigos de revistas e jornais sem autor(es).

Seqüência – Primeira palavra do título da noticia em maiúsculas. Nome do jornal sublinhado, local da publicação, data da publicação, nome do mês abreviado em minúscula, página em que se encontra o artigo (se tratar de nota bibliográfica).

Exemplo:

COLÉRA Cresce 1. 700% na fronteira peruana. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 jun. 1991, p. 1-9.

2.2.2 artigos de revistas e jornais com autor (es).

Matéria de revista-assinado

Seqüência – Sobrenome e nome do autor do artigo. Título do artigo. Nome do periódico sublinhado, local de publicação, número do periódico, páginas compreendidas pelo artigo. Mês abreviado. Ano da publicação.

Exemplo:

ALCÂNTARA, Eurípides. A redoma do atraso. Veja, São Paulo: Abril, ano 24, nº 25, p. 42 – 43, jun. 1991.

Matéria de jornal assinado

Seqüência – Sobrenome e nome do autor do artigo. Nome do artigo, (não sublinha). Nome do jornal. Local da publicação, data, o mês aparece abreviado em minúscula. Ano da publicação, páginas (se tratar de nota, não deve aparecer em bibliografia).

Exemplo:

RIBEIRO, Efrém. Garimpeiros voltam a invadir área ianomâmi. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 jun. 1991, p. 1 – 10.

2.2.3 Suplementos ou seções de jornais

Seqüência – Autor (se houver), título do jornal, local e data publicação, seção, caderno e departamento do jornal, página correspondente.

Exemplo:

NAVES, Gringos dão banho de beleza. Folha de S. Paulo . São Paulo, 16 maio, 1999. Folha turismo, caderno 8, p.13.

3.0 Documentos oficiais

3.1 Leis

Seqüência – Elementos essenciais: jurisdição ou cabeçalho da entidade (no caso de tratar de normas), título, numeração e data. Se necessário ao final acrescenta notas relativas a outros dados.

Exemplo:

BRASIL. Constituição ( 1988 ). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1988.

3.2 Decretos

Seqüência – Elementos essenciais: jurisdição ou cabeçalho da entidade, título, numeração e data.

Exemplo:

BRASIL. Consolidação das leis do trabalho. Decreto – lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. aprova a consolidação das leis do trabalho. Lox – Coletânea de legislação: edição federal, São Paulo, v. 7, 1943.

3.3 Portarias

Seqüência – Elementos essenciais são: jurisdição ou cabeçalho da entidade, título, numeração e data. Ementa e dados da publicação.

Exemplo:

SÃO PAULO (Estado). Portaria nº 42.822, de 20 de Janeiro 1998. sobre a desativação de unidades administrativas de órgão da administração direta e das autarquias do estado e da providencia diretas. São Paulo, n. 3, p. 217 – 220, 1998.

3.4 Acórdãos, decisões e sentenças das cortes ou tribunais.

Seqüência – Ordem dos elementos: Local, nome da corte ou tribunal, acórdão, tipo e número de recurso, partes litigantes, nome do relator, data, indicação da publicação que divulgou o acórdão.

Exemplo:

BRASIL. Supremo Tribunal. Deferimento de pedido de extradição. Extradição nº 410. Estados Unidos da América.

3.5 Pareceres, Resoluções e Processos

Seqüência – Jurisdição, título, numeração e data, ementa e dados da publicação.

Exemplo:

BRASIL, Congresso. Senado. Resolução nº 17, de 1991. autoriza o desbloqueio de letras financeiras do tesouro do estado do Rio Grande do Sul, através de revogação do parágrafo 2º, do artigo 1º da resolução nº 72, de 1970. Coleções de leis da República federativa do Brasil, Brasília-DF, v. 183, p.1156 – 1157, maio/junho. 1991.

4.0 Multimeios ou materiais especiais

4.1 Fitas de vídeo

Seqüência – Título, créditos (diretor, roteirista e outros), elenco relevantes, local, produtora, data, especificação do suporte em unidade física.

Exemplo:

OS PERIGOS do uso de teóricos. Produção de Jorge Ramos. Coordenação de Maria Izabel Azevedo. São Paulo, Le Studio Canal, 1983. ! fita de vídeo ( 30 min. ), VHS, son, color

4.2 Fita Cassete

Seqüência – Compositor(es), título, subtítulo (se houver), produtor, local, gravadora, data.

Exemplo:

FAGNER, R. Revelação, Rio de Janeiro: CBS 1988. 1 fita cassete (60 min), 33 13 rpm, sonoro.

4.3 Filmes

Seqüência – Título, subtítulo (se houver), créditos (diretor croteiristas…) elenco relevante, local, produtora, data, especificação do suporte em unidade física.

Exemplo:

AMAZONIA (filme). Primo Carbonari, 1955. 11min. son. color. 16mm (série didáticos)

4.4 Disco (vinil e cd)

Seqüência – Compositor ou intérprete, titulo, produtor, local, gravadora, data.

Exemplo:

SIMONE, Face a Face. (S.I): emi.Odeon

BRASIL, p 1977. 1 cd (ca.40min)

Remasterizado em digital.

5.0 Documentos Eletrônicos

5.1 Referencias obtidas na internet (rede eletrônica)

Seqüência – Autor, título, produto, indicações de responsabilidade, endereço eletrônico e data de acesso.

Exemplo:

CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPE. 4.ed. 1996. Recife. Anais eletrônico. Recife: UFPE, 1996. em: < http:// www.propesq.ufpe.br/ anais / anais. htm >. Acesso em 21 jan. 1997.

5.2 Informações obtidas de Home Pages.

Seqüência – Autor, título, produto, endereço eletrônico e data de acesso.

Exemplo:

BOOK ANNOUNCEMENT, 18 may, 1997. Produced by 1. Drummond. Disponível em: < http: // www. Btr. Br / bionner / DB search? BIOLINE – L + READC + 5 > Acesso em 25 maio 1998.

5.3 Informações obtidas via base de dados

Seqüência – É essencial aparecer autor, título, subtítulo, indicações de responsabilidade e data.

Exemplo:

JUNGMAN Renato. “A superveniência de acontecimentos e imprevisível como causa da revisão dos contratos, “revista da ordem dos advogados de Pernambuco, Recife, 5-6-7. 1964, p – 145.

5.4 Informações obtidas via CD ROM

Seqüência – É obrigatório identificar autor, título, indicações de responsabilidade e data.

Exemplo:

EDITORA CONSULEX, Biblioteca jurídica virtual. 2002, diapositivos (cd rom).

5.5 Informações obtidas via Disquete

Seqüência – É essencial identificar autor, título, produto e data.

Exemplo:

MENDES, Ferreira Filho. Entrevista concedida á… (disquete). Bambu. 2000

BIBLIOGRAFIA

LAKATOS. Eva Maria, MARCONI. Marina de Andrade. Referencias bibliográficas. In: ______. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001. p. 181 – 199.

MEDEIROS. João Bosco. Redação Científica: A prática de Fechamento, resumo, resenhas. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

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Autor: Rosilma Guerra Reis

PARTE 1

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

“O mundo atual é uma sociedade institucionalizada e composta de organizações. Todas as atividades voltadas para a produção de bens […] ou para a prestação de serviços […]. A vida das pessoas dependem das organizações e essas dependem do trabalho daquelas[…]. Existem organizações lucrativas (chamadas empresas ) e organizações não lucrativas (como o Exército, Igreja, serviços públicos, entidades filantrópicas, organizações não-governamentais etc.) […], as organizações, ao atingirem um certo porte precisam ser administradas e sua administração requer todo um aparato de pessoas estratificadas em diversos níveis hierárquicos[…] (p.1)

Em cada nível e em cada especialização da administração, as situações são muito diversificadas […]. Cada organização tem seus objetivos, seu ramo de atividade, seus dirigentes e seu pessoal, seus problemas internos e externos, seu mercado, sua situação financeira, sua tecnologia, seus recursos básicos, sua ideologia e política de negócios etc.

Um administrador bem sucedido em uma organização pode não sê-lo em outra.[…] Mesmo que o executivo tenha profundos conhecimentos de Administração e apresente um invejável currículo profissional, ele não é julgado pelo que sabe a respeito das funções que exercem em sua especialidade, mas principalmente pela maneira como realiza seu trabalho e pelos resultados […] “. (p.2)

“Existem três tipos de habilidades necessárias para que o administrador possa trabalhar com sucesso: a habilidade técnica, a humana e a conceitual”. (p.3)

“a combinação dessas habilidades é importante para o administrador […]”. (p.4)

CAPÍTULO 1

A ADMINISTRAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS

“Em uma época de complexidades, mudanças e incertezas como a que atravessamos hoje, a Administração tornou-se uma das mais importantes áreas da atividade humana. […] E a tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas por meio das pessoas de maneira eficiente e eficaz.” (p.05)

“Peter Drucker, autor neoclássico, afirma que não existem países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, e sim países que sabem administrar a tecnologia e os recursos disponíveis e potenciais […]. O mesmo ocorre com as organizações.” […] (p.05,06)

“[…]. Qualquer que seja a posição ou o nível que ocupe, o administrador alcança resultados através da efetiva cooperação dos subordinados. A tarefa de administrar se aplica a qualquer tipo ou tamanho de organização, […]. Toda organização, seja ela industrial ou prestadora de serviços, precisa ser administrada para alcançar seus objetivos com a maior eficiência e economia de ação e de recursos alcançar objetivos. […]. Onde quer que a cooperação de pessoas no intuito de alcançar um ou mais objetivos comuns se torne organizada e formal, o componente essencial e fundamental dessa associação é a Administração – a função de conseguir fazer as coisas por meio das pessoas, com os melhores resultados.”(p.06)

Conteúdo e Objeto de Estudo da Administração.

“A palavra administração vem do latim ad (direção, tendência, para) e minister (subordinação ou obediência) e significa […], aquele que presta um serviço a outro […]. A tarefa da Administração é a de interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional, […]. Assim, a Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos”. (p.06,07)

“[…]. O conteúdo do estudo da Administração varia de acordo com a teoria ou escola considerada. Cada autor da Administração tende a abordar as variáveis e assuntos típicos da orientação teórica de sua escola ou teoria.

A Teoria Geral da Administração começou com a ênfase nas tarefas […], através da Administração Cientifica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista. A reação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas, por meio da Teoria das Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento Organizacional. A ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da Contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia. Cada uma dessas cinco variáveis – tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia. Cada uma dessas cinco variáveis – tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia – provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA”. ( p.08)

O Estado Atual da Teoria Geral da Administração.

“[…] Todas as teorias administrativas são válidas, embora cada qual valorize uma ou alguma das cinco variáveis básicas. Na realidade, cada teoria administrativa surgiu como uma resposta aos problemas empresariais mais relevantes de sua época. […]

Na realidade, a adequação e integração entre essas cinco variáveis constituem o desafio da Administração.

À medida que a Administração se defronta com novas situações […], as doutrinas e teorias administrativas precisam adaptar suas abordagens ou modifica-las para continuarem úteis e aplicáveis.[…]. ” (p. 09)

A Administração na Sociedade Moderna

“A administração é um fenômeno universal no mundo moderno. Cada organização e cada empresa requerem a tomada de decisões, a coordenação de múltiplas atividades, condução de pessoas, avaliação do desempenho dirigido a objetos previamente determinados, obtenção e alocação de recursos etc. […] por essa razão, profissionais – como engenheiros, economistas, contabilistas, ou médicos […], quando são promovidos em suas empresas – como construtoras, consultorias ou hospitais – ao nível de superior, gerente ou diretor, […]. A partir daí, precisam aprender a administrar e adquirir novos conhecimentos e posturas que suas especialidades não lhes ensinou em momento algum […]. É isso o que leva muitos profissionais de nível superior a retornarem mais tarde aos bancos universitários para cursarem Administração […]. O administrador é um profissional cuja formação é ampla e variada: precisa conhecer disciplinas heterogêneas (como Matemática, Direito, Psicologia, Sociologia, Estatística etc.). […], mas é ele um agente cultural na medida em que, com seu estilo de Administração, modifica a cultura organizacional existentes nas empresas. […], o administrador deixa marcas profundas nas vidas das pessoas, à medida que lida com elas e com seus destinos dentro das empresas.[…]” (pág. 10 e 11)

“A Administração tornou-se importante na condução da sociedade moderna. Ela não é um fim em si mesma, mas um meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor forma, com o menor custo e com a maior eficiência e eficácia.” (pág. 11)

Perspectivas Futuras da Administração

………………………………………………………

A tarefa administrativa nas próximas décadas será incerta e desafiadora, pois deverá ser atingida por uma infinidade de variáveis, mudanças e transformações carregadas de ambigüidades e de incertezas. […], essas exigências, desafios e expectativas sofrem mudanças que ultrapassam a capacidade de compreensão do administrador. Essas mudanças tendem a aumentar, em face da inclusão de novas variáveis, à medida que o processo se desenvolve […]. Vários fatores deverão provocar profundos impactos sobre as organizações e empresas, como:

1. Crescimento das Organizações: […] Na medida em que a organização cresce, ocorre uma subdivisão interna (divisão do trabalho) e especialização dos órgãos e, em decorrência, maior necessidade de coordenação e integração das partes envolvidas para garantir a eficiência e eficácia. “(p. 12,13)

2.” Concorrência mais aguda: À medida que aumentam os mercados e os negócios, crescem também os riscos da atividade empresarial. O produto ou serviço que demonstre ser superior ou melhor será o mais procurado. […]

3. Sofisticação da tecnologia: […] A tecnologia proporciona uma eficiência maior, uma precisão maior e a liberação da atividade humana para tarefas mais complicadas e que exijam planejamento e criatividade. A tecnologia introduzirá novos processos que causarão impactos sobre a estrutura e comportamento das organizações.

4. Taxas elevadas de inflação: […] A inflação exigirá, cada vez mais, maior eficiência da administração das organizações para que estas possam obter melhores resultados com os recursos disponíveis e programas de redução de custos operacionais. […]

5. Globalização da economia e internacionalização dos negócios: […] A globalização e o intercâmbio planetário fazem com que a competição se torne mundial.

6. Visibilidade maior das organizações: Enquanto crescem, as organizações […] chamam mais a atenção do ambiente e do público e passam a ser mais visíveis e percebidas pela opinião pública. […], a organização jamais será ignorada pelos outros:consumidores, fornecedores, imprensa, sindicatos, governo etc.,e isso influenciará seu comportamento.” (p.13)

PARTE 2

OS PRIMÓRDIOS DA ADMINISTRAÇÃO

“A história mostra que a teoria dos empreendimentos militares, sociais, políticos, militares, sociais, políticos, econômicos e religiosos teve uma estrutura orgânica piramidal que retrata uma estrutura hierárquica[…]. A teoria da estrutura hierárquica não é nova: Platão, Aristóteles e Hamurabi já tratavam dela. A bíblia relata os conselhos de Jetro, sogro de Moisés e sacerdote de Mídia, que, notando as dificuldades do genro em atender o povo e julgar suas lides, disse a Moisés: Eu te aconselharei, e Deus seja consigo. Representa o povo perante Deus […]. Põe-nos sobre elas, por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez, para que julguem esse povo em todo tempo. Toda causa grave trá-la-ão a ti, mais toda causa pequena eles mesmo a julgaram […] (p.21)

” O texto bíblico conta que Moisés seguiu os conselhos do sogro e construiu sua pirâmide humana: escolheu homens capazes de toda Israel e delegou-lhes autoridade como se fossem seus representantes […].

[…]. Os papiros egípcios atribuídos à época de 1300 a.C. Já indicam a importância da burocracia publica no antigo Egito. Na China, as parábolas de Confúcio sugerem praticas para a boa administração publica.[…]” (p.22)

CAPÍTULO 2

ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ADMINISTRAÇÃO

“[…] No final do século XIX , […] , a sociedade era completamente diferente. As organizações eram poucas e pequenas: predominavam as pequenas oficinas, artesãos independentes, pequenas escolas, profissionais autônomos (como médicos, advogados, que trabalhavam por conta própria), o lavrador, o armazém da esquina etc.[…]” (p.25,26)

Influência dos Filósofos

“A administração recebeu influência da Filosofia desde os tempos da Antiguidade. O filósofo grego Sócrates (470 a.C, -399 a.C.), em sua discussão com Nicomaquides, expõe seu ponto de vista sobre a Administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência.

Platão (429 a.C.-347 a.C.), filósofo grego, discípulo de Sócrates, analisou os problemas políticos e sociais decorrentes do desenvolvimento social e cultural do povo grego. […]

Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), discípulo de Platão, deu impulso inicial à Filosofia, Cosmologia, Nostalgia, Metafísica, Lógica, e Ciências Naturais, abrindo as perspectivas do conhecimento humano.[…]

Francis Bacon (1561-1626) filósofo e estadista inglês, fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo, mostra a preocupação prática de se separar experimentalmente o que é essencial do que é acidental ou acessório. Bacon antecipou-se ao princípio conhecido em Administração como princípio da prevalência do principal sobre o acessório.

René Descartes (1596 –1650), filósofo, matemático e físico francês, considerado o fundador da Filosofia Moderna, criou as coordenadas cartesianas e deu impulso à Matemática e à Geometria da época. Na Filosofia celebrizou-se pelo livro O Discurso do Método, no qual descreve seu método filosófico denominado método cartesiano […]. (P.26)

“Thomas Hobbes (1588 – 1679), filósofo político inglês, defende o governo absoluto em função de sua visão pessimista da humanidade. […] No livro Leviatã, assinala que o povo renuncia a seus direitos naturais em favor de um governo que […] impõe a ordem, organiza a vida social e garante a paz. […]

Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) desenvolve a teoria do Contrato Social: o Estado surge de um acordo de vantagens. […]

Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895) propõem uma teoria da origem econômica do Estado. O poder político e do Estado nada mais é do que o fruto da denominação econômica do homem pelo homem. […] No Manifesto Comunista, afirmam que a história da humanidade é uma história da luta de classes. […]” (pág.27)

Influência da Organização da Igreja Católica

“Através dos séculos, as normas administrativas e os princípios de organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados […] para as instituições da Igreja Católica e da organização militar.[…] A estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para as organizações que, ávidas de experiências bem-sucedidas, passaram a incorporar os princípios e normas administrativas utilizados pela Igreja Católica.” (pág.28)

Influencia da Organização Militar

“A organização militar influenciou o aparecimento das teorias da Administração. […]. O princípio da unidade de comando (pelo qual cada subordinado só pode ter um superior) é o núcleo das organizações militares. A escala hierárquica – ou seja, os escalões hierárquicos de comando com graus de autoridade e responsabilidade – é um aspecto típico da organização militar utilizado em outras organizações.[…] (pág. 28)

………………………………………

“Outra contribuição da organização militar é o princípio de direção, que preceitua que todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer. Mesmo Napoleão, o general mais autocrata da história militar, nunca deu uma ordem sem explicar seu objetivo e certificar-se de que o haviam compreendido corretamente, pois estava convencido de que uma obediência cega jamais leva a uma execução inteligente.

O general prussiano Karl von Clausewitz (1780-1830) é considerado o pai do pensamento estratégico.[…] Clausewitz considerava a disciplina um requisito básico para uma boa organização. Para ele, a organização requer um cuidadoso planejamento, no qual as decisões devem ser científicas e não apenas intuitivas.[…]” (p.29)

Influência da Revolução Industrial

“Com a invenção da máquina a vapor por James Watt (1736-1819) e sua aplicação à produção, surgiu uma nova concepção de trabalho que modificou completamente a estrutura social e comercial da época, provocando profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e social […]. É a chamada Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra e que pode ser dividida em duas épocas distintas.

1780 a 1860: 1ª Revolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro.

1860 a 1914: 2ª Revolução Industrial ou do aço e da eletricidade.

1ª fase: Mecanização da industria e da agricultura, em fins do século XVIII, com a máquina de fiar (inventada pelo inglês Hargreaves em 1767), do tear hidráulico (inventado por Arwright em 1769), do tear mecânico (criado por Cartwright em 1785) e do descaroçador de algodão (criado por Whitney em 1792), que substituíram o trabalho do homem e a força motriz muscular do homem, do animal ou da roda de água. […]

2ª fase: A aplicação da força motriz à industria. A elástica do vapor descoberta por Denis Papin no século XVII ficou sem aplicação até 1776. […] Com a aplicação do vapor às máquinas, iniciam-se grandes transformações nas oficinas (que se converteram em fabricas), nos transportes, nas comunicações e na agricultura.

3ª fase: O desenvolvimento do sistema fabril. […]. Surgem novas industrias em detrimento da atividade rural. A migração de massas humanas das áreas agrícolas para as proximidades das fabricas provoca a urbanização.” (p.30)

“4ª fase: Um espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações. A navegação a vapor surgiu com Robert Fulton (1807) e logo depois as rodas propulsoras foram substituídas por hélices. A locomotiva a vapor foi aperfeiçoada por Stephenson, surgindo a primeira estrada de ferro na Inglaterra (1825) e logo depois nos Estados Unidos (1829) e no Japão (1832). Esse novo meio de transporte propagou-se vertiginosamente. Outros meios de comunicação apareceram com rapidez surpreendente: Morse inventa o telégrafo elétrico (1835), surge o selo postal na Inglaterra (1840), Graham Bell inventa o telefone (1876).[…] (p.30,31)

A partir de 1860, a Revolução Industrial entrou em sua segunda fase.[…]

As características da 2ª Revolução Industrial são as seguintes:

– Substituição do ferro pelo aço como material industrial básico.

– Substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo como fontes de energia.

– Desenvolvimento da maquinaria automática e da especialização do trabalhador.

– Crescente domínio da industria pela ciência.

– Transformações radicais nos transportes e nas comunicações. As vias férreas são ampliadas. A partir de 1880, Daimler e Benz constroem automóveis na Alemanha, Dunlop aperfeiçoa o pneumático em 1888 e Henry Ford inicia a produção do seu modelo “T” em 1908. Em 1906, Santos Dumont faz sua primeira experiência com o avião.

– Desenvolvimento de novas formas de organização capitalista. As firmas de sócios solidários […] deram lugar ao chamado capitalismo financeiro, que tem quatro características principais:

a) Dominação da industria pelas inversões bancárias e instituições financeiras e de crédito, como na formação da United States Steel Corporation, em 1901, pela J.P.Morgan & Co.

b) Formação de imensas acumulações de capital, provenientes de trustes e fusões de empresas.

c) Separação entre a propriedade particular e a direção das empresas.

d) Aparecimento das holding companies para coordenar e integrar negócios.

– Expansão da industrialização desde a Europa até o Extremo Oriente.”(p.31)

“[…]. Em função disso, houve uma súbita transformação provocada por dois aspectos a saber:

Transferências de habilidade do artesão para a máquina, para produzir com maior rapidez, em maior quantidade e com melhor qualidade, permitindo a redução nos custos de produção.
Substituição da força animal ou do músculo humano pela potencia da maquina a vapor (e depois pelo motor), permitindo maior produção e economia.[…]
“Com a nova tecnologia dos processos de produção, de construção e funcionamento das maquinas, […] a administração e a gerência das empresas industriais passaram a ser a preocupação maior dos proprietários […]. Os produtos

passaram a ser fabricados em operações parciais que se sucediam, cada uma delas entregue a um grupo de operários especializados em tarefas especificas. […] A preocupação dos empresários se fixava na melhoria dos aspectos mecânicos e tecnológicos da produção, com o objetivo de produzir quantidades maiores de produtos melhores e de menor custo.[…] (pág.32,33)

Influência dos Economistas Liberais

Ao término do século XVIII, os economistas clássicos liberais conseguem aceitação de suas teorias […]. As idéias liberais decorrem do direito natural: a ordem natural é a ordem mais perfeita. Os bens naturais, sociais e econômicos são os bens que possuem caráter eterno. Os direitos econômicos humanos são inalienáveis e existe uma harmonia preestabelecida em toda coletividade de indivíduos. Segundo o liberalismo, a vida econômica deve afastar-se da influência estatal, pois o trabalho segue os princípios econômicos e a mão-de-obra está sujeita às mesmas leis da economia que regem o mercado de matérias-primas ou comércio internacional. […]. A livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico. (p.34)

Influência dos Pioneiros e Empreendedores

“Nos Estados Unidos, ao redor de 1820 o maior negócio empresarial foram as estradas de ferro, empreendimentos privados e que constituíram um poderoso núcleo de investimentos de toda uma classe de investidores […]. (p.36)

…………………………………………….

Em 1871, a Inglaterra era a maior potência econômica mundial. Em 1865. John D. Rockefeller (1839-1937) funda a Standard Oil. Em 1890, Carnegie funda o truste de aço,ultrapassando rapidamente a produção de toda Inglaterra. Swift Armour formam o truste das conservas. Guggenheim forma o truste do cobre e Mello, o truste do alumínio […]. Logo apareceram os gerentes profissionais, os primeiros organizadores que se preocupavam mais com a fábrica do que com vendas ou compras. As empresas manufaturavam, comprando matérias primas e vendendo produtos por meio de agentes comissionados, atacadistas ou intermediários […].

Na década de 1880, a Westinghouse e a General Eletric dominavam o ramo de bens duráveis e criaram organizações próprias de vendas com vendedores treinados, dando início ao que chamamos hoje de “marqueting”. […] (p.36)

…………………………………….

“Entre 1880 e 1890, as indústrias passaram a controlar as matérias primas através de seus departamentos de compras, adquirindo firmas fornecedoras e controlando a distribuição para vender seus produtos diretamente ao varejista ou consumidor final. Procurava-se maior eficiência na produção, compras, distribuição e vendas […]. (p.37)

………………………………………

A etapa seguinte foi o controle de mercado de distribuição, eliminando os intermediários para vender mais barato ao consumidor final e deixando de depender dos atacadistas. Entre 1890 e 1900 , ocorreu uma onda de fusões de empresas – a mais famosa foi a criação de U.S. Steel Corporation, […]” (p. 37)

…………………………………….

“Os grandes capitães de indústrias – como John D. Rockefeller, Gustavus Swifit, James Duke, Wrstinghouse, Daimler e Benz, Henry Ford e outros – não tinham condições de sistematizar seus vastos negócios com eficiência, pois eram empreendedores e não organizadores. […]

Na virada do século XX, grandes corporações sucumbiram financeiramente. […]. Estavam criadas as condições para o aparecimento dos grandes organizadores da empresa moderna.[…] Estava chegando a era da competição e da concorrência como decorrência de fatores como:

Desenvolvimento tecnológico,[…]
Livre-comércio.
Mudança dos mercados vendedores para mercados compradores.
Aumento da capacidade de investimento de capital e elevação dos níveis de ponto de equilíbrio.
Rapidez do ritmo de mudança tecnológica que rapidamente torna obsoleto um produto ou reduz drasticamente seus custos de produção.
crescimento dos negócios e das empresas.
Todos esses fatores iriam completar as condições propícias para a busca de bases científicas para a melhoria da prática empresarial e para o surgimento da teoria administrativa.” (p.38)

FICHAMENTO DE COMENTÁRIO

Com o avanço tecnológico e o desenvolvimento do conhecimento humano, a Administração está sendo considerada a principal chave para a solução dos mais graves problemas que afligem o mundo moderno, tornando-se uma das mais importantes áreas da atividade humana pois, tanto nas industrias, comércios, organizações de serviços públicos, hospitais, universidades, etc… as pessoas trabalham em conjunto para conseguir os objetivos comuns da função administrativa.

A Teoria Geral da Administração está sempre se expandindo e ampliando, levando varias pessoas a retornarem às universidades para cursarem Administração. O administrador é um profissional que precisa conhecer as disciplinas heterogêneas (como Matemática, Direito, Sociologia, Psicologia, Estatísticas etc.), estando atento aos eventos passados e presentes, bem como às previsões futuras, pois seu horizonte é amplo. O administrador é um agente não só de condução mas também de mudanças e transformações das empresas levando-as a novos rumos, novos processos, novos objetivos, novas estratégias. Ele modifica a cultura organizacional existente nas empresas, e as empresas bem administradas, modificam os rumos de uma nação.

PARTE 1

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

“O mundo atual é uma sociedade institucionalizada e composta de organizações. Todas as atividades voltadas para a produção de bens […] ou para a prestação de serviços […]. Existem organizações lucrativas (chamadas empresas ) e organizações não lucrativas (como o Exército, Igreja, serviços públicos, entidades filantrópicas, organizações não-governamentais etc.)” […] (p.1)

“Em cada nível e em cada especialização da administração, as situações são muito diversificadas […]. Cada organização tem seus objetivos, seu ramo de atividade, seus dirigentes e seu pessoal, seus problemas internos e externos, seu mercado, sua situação financeira, sua tecnologia, seus recursos básicos, sua ideologia e política de negócios etc. […[. “(p.2)

CAPÍTULO 1

A ADMINISTRAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS

“[…],a Administração tornou-se uma das mais importantes áreas da atividade humana. […] E a tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas por meio das pessoas de maneira eficiente e eficaz.” (p.05,06)

“[…].A tarefa de administrar se aplica a qualquer tipo ou tamanho de organização, […]. Toda organização, seja ela industrial ou prestadora de serviços, precisa ser administrada para alcançar seus objetivos com a maior eficiência e economia de ação e de recursos alcançar objetivos. […]”. (p.06)

Conteúdo e Objeto de Estudo da Administração.

“A palavra administração vem do latim ad (direção, tendência, para) e minister (subordinação ou obediência) e significa […], aquele que presta um serviço a outro […]. A tarefa da Administração é a de interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional, […]. Assim, a Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos”. (p.06,07)

“[…]. O conteúdo do estudo da Administração varia de acordo com a teoria ou escola considerada. Cada autor da Administração tende a abordar as variáveis e assuntos típicos da orientação teórica de sua escola ou teoria.

A Teoria Geral da Administração começou com a ênfase nas tarefas […], através da Administração Cientifica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista.

O Estado Atual da Teoria Geral da Administração.

À medida que a Administração se defronta com novas situações […], as doutrinas e teorias administrativas precisam adaptar suas abordagens ou modifica-las para continuarem úteis e aplicáveis.[…]. ” (p. 09)

A Administração na Sociedade Moderna

“A administração é um fenômeno universal no mundo moderno. […] por essa razão, profissionais – como engenheiros, economistas, contabilistas, ou médicos […], quando são promovidos em suas empresas – como construtoras, consultorias ou hospitais – ao nível de superior, gerente ou diretor, […]. A partir daí, precisam aprender a administrar e adquirir novos conhecimentos e posturas que suas especialidades não lhes ensinou em momento algum […]. É isso o que leva muitos profissionais de nível superior a retornarem mais tarde aos bancos universitários para cursarem Administração […]. “A Administração tornou-se importante na condução da sociedade moderna. Ela não é um fim em si mesma, mas um meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor forma, com o menor custo e com a maior eficiência e eficácia.” (pág. 11)

Perspectivas Futuras da Administração

…………………………………..

“A tarefa administrativa nas próximas décadas será incerta e desafiadora, […]. Vários fatores deverão provocar profundos impactos sobre as organizações e empresas, como:

1. Crescimento das Organizações: […] “(p. 12,13)

2. Concorrência mais aguda: […]

3. Sofisticação da tecnologia: […]

4. Taxas elevadas de inflação: […].

5. Globalização da economia e internacionalização dos negócios: […]

6. Visibilidade maior das organizações: […].

PARTE 2

OS PRIMÓRDIOS DA ADMINISTRAÇÃO

A história mostra que a teoria dos empreendimentos militares, sociais, políticos, militares, sociais, políticos, econômicos e religiosos teve uma estrutura orgânica piramidal que retrata uma estrutura hierárquica[…]. A teoria da estrutura hierárquica não é nova: Platão, Aristóteles e Hamurabi já tratavam dela. A bíblia relata os conselhos de Jetro, sogro de Moisés e sacerdote de Mídia, […] (p.21)

” O texto bíblico conta que Moisés seguiu os conselhos do sogro e construiu sua pirâmide humana: escolheu homens capazes de toda Israel e delegou-lhes autoridade como se fossem seus representantes […].

[…]. Os papiros egípcios atribuídos à época de 1300 a.C. Já indicam a importância da burocracia publica no antigo Egito. Na China, as parábolas de Confúcio sugerem praticas para a boa administração publica.[…]” (p.22)

CAPÍTULO 2

ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ADMINISTRAÇÃO

“[…] No final do século XIX , […] , a sociedade era completamente diferente. As organizações eram poucas e pequenas: predominavam as pequenas oficinas, artesãos independentes, pequenas escolas, profissionais autônomos (como médicos, advogados, que trabalhavam por conta própria), o lavrador, o armazém da esquina etc.[…]” (p.25,26)

Influência dos Filósofos

“A administração recebeu influência da Filosofia desde os tempos da Antiguidade. O filósofo grego Sócrates (470 a.C, -399 a.C.), […]

Platão (429 a.C.-347 a.C.), […].

Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), […].

Francis Bacon (1561-1626) […]

René Descartes (1596 –1650), […]. (p.26)

“Thomas Hobbes (1588 – 1679), […].

Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) […].

Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895) […]” (pág.27)

Influência da Organização da Igreja Católica

” […] A estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para as organizações que, ávidas de experiências bem-sucedidas, passaram a incorporar os princípios e normas administrativas utilizados pela Igreja Católica.” (pág.28)

Influencia da Organização Militar

“A organização militar influenciou o aparecimento das teorias da Administração. […]. O princípio da unidade de comando (pelo qual cada subordinado só pode ter um superior) é o núcleo das organizações militares.[…] (pág. 28)

………………………………………..

“Outra contribuição da organização militar é o princípio de direção, que preceitua que todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer. […]” (p.29)

Influência da Revolução Industrial

“Com a invenção da máquina a vapor por James Watt (1736-1819) e sua aplicação à produção, surgiu uma nova concepção de trabalho que modificou completamente a estrutura social e comercial da época, […]. É a chamada Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra e que pode ser dividida em duas épocas distintas.

1780 a 1860: 1ª Revolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro.

1860 a 1914: 2ª Revolução Industrial ou do aço e da eletricidade.

1ª fase: […].

2ª fase: […].

3ª fase:[…] ” (p.30)

“4ª fase:.[…] (p.30,31)

A partir de 1860, a Revolução Industrial entrou em sua segunda fase.[…]

As características da 2ª Revolução Industrial são as seguintes:

1. Substituição do ferro pelo aço como material industrial básico.

2. Substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo como fontes de energia.

3. Desenvolvimento da maquinaria automática e da especialização do trabalhador.

4. Crescente domínio da industria pela ciência.

5. Transformações radicais nos transportes e nas comunicações.

6. Desenvolvimento de novas formas de organização capitalista.

7. Expansão da industrialização desde a Europa até o Extremo Oriente.”(p.31)

Influência dos Economistas Liberais

“Ao término do século XVIII, os economistas clássicos liberais conseguem aceitação de suas teorias […]. As idéias liberais decorrem do direito natural: a ordem natural é a ordem mais perfeita. Os bens naturais, sociais e econômicos são os bens que possuem caráter eterno. Os direitos econômicos humanos são inalienáveis e existe uma harmonia preestabelecida em toda coletividade de indivíduos.” […] (p.34)

Influência dos Pioneiros e Empreendedores

“Nos Estados Unidos, ao redor de 1820 o maior negócio empresarial foram as estradas de ferro, empreendimentos privados e que constituíram um poderoso núcleo de investimentos de toda uma classe de investidores […]. (p.36)

…………………………………………….

Em 1871, a Inglaterra era a maior potência econômica mundial. Em 1865. John D. Rockefeller (1839-1937) funda a Standard Oil. Em 1890, Carnegie funda o truste de aço,ultrapassando rapidamente a produção de toda Inglaterra. Swift Armour formam o truste das conservas. Guggenheim forma o truste do cobre e Mello, o truste do alumínio […]. Logo apareceram os gerentes profissionais, os primeiros organizadores que se preocupavam mais com a fábrica do que com vendas ou compras”. […] (p.36)

…………………………………………….

“Os grandes capitães de indústrias – como John D. Rockefeller, Gustavus Swifit, James Duke, Wrstinghouse, Daimler e Benz, Henry Ford e outros – não tinham condições de sistematizar seus vastos negócios com eficiência, pois eram empreendedores e não organizadores. […]

Na virada do século XX, grandes corporações sucumbiram financeiramente. […]. Estavam criadas as condições para o aparecimento dos grandes organizadores da empresa moderna.[…] Estava chegando a era da competição e da concorrência como decorrência de fatores como:

1. Desenvolvimento tecnológico,[…]

2. Livre-comércio.

3. Mudança dos mercados vendedores para mercados compradores.

4. Aumento da capacidade de investimento de capital e elevação dos níveis de ponto de equilíbrio.

5. Rapidez do ritmo de mudança tecnológica que rapidamente torna obsoleto um produto ou reduz drasticamente seus custos de produção.

6. Crescimento dos negócios e das empresas.

Todos esses fatores iriam completar as condições propícias para a busca de bases científicas para a melhoria da prática empresarial e para o surgimento da teoria administrativa.

Fonte: CHIAVENATO, Idelbrano. Introdução à Teoria Geral da Administração 6.a ed. Revista e Atualizada, Rio de Janeiro: Campos, 2000 Cap. 1 e 2, p. 1-44.

FLUXO DE CAIXA

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Autor: Amauri Canavezi Taino Junior

1. Introdução

Todas as operações, sejam elas de uma empresa ou de uma pessoa física, devem possuir um controle. Este controle refere-se a tudo o que for saída ou entrada de caixa, em função de que toda a administração do ativo é importante, pois deve ter em mente os objetivos simultâneos da administração financeira: liquidez e rentabilidade (ZDANOWICZ, 1992). Assim, sem um controle eficaz dentro de uma organização, a avaliação da atividade se torna difícil, não possuindo informações sobre a rentabilidade e sobre o grau de liquidez da empresa. Estes controles são elaborados a partir de relatórios internos que subsidiam os administradores na tomada de decisões. É através deles que são identificados os pontos fortes e fracos existentes na empresa, bem como as decisões que envolvem investimentos e financiamentos. Conforme Zdanowicz (1992) o fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro: planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período Esse controle é útil tanto quando a empresa está crescendo e aumentando suas atividades quanto no momento em que apresenta prejuízo, tornando mais fácil a visualização de problemas que estão levando a esse prejuízo, pois segundo Zdanowicz (1992) é fundamental que o administrador financeiro saiba gerir corretamente os recursos alocados na massa patrimonial ativa da empresa […] e independente do porte: micro, pequena, média ou grande empresa. Assim, a administração financeira ganha importância no sentido de auxiliar os administradores a tomarem decisões, tanto no que se refere aos financiamentos (qualquer busca de recursos), quanto a investimentos (aplicação destes recursos).

Embora o controle de fluxo de caixa seja imprescindível na administração, ele não é tudo, pois podem existir alguns imprevistos que venham a alterá-lo. Para Santos (2001) o planejamento de caixa não é uma atividade fácil, pois lida com grande dose de incerteza Para Zdanowicz (1992), o administrador financeiro deve estar preparado para rever seus planos, caso algum problema econômico-financeiro imprevisto venha a perturbá-lo. Portanto, deve existir um direto relacionamento entre o administrador financeiro e os demais departamentos da empresa, para que o mesmo saiba das saídas de caixa necessárias a cada departamento, programando os pagamentos.

2. Conceito e importância do Fluxo de Caixa

A partir do conceito de administração financeira, pode-se dizer que o fluxo de caixa é um dos instrumentos mais utilizados pelo administrador financeiro na gestão empresarial. A administração financeira é a arte e a ciência de administrar os recursos financeiros para maximizar a riqueza dos acionistas (LEMES, RIGO, CHEROBIM, 2002). Dessa forma, pode-se dizer que em todas as empresas deveria existir o controle rígido de caixa.

Uma boa administração necessita de informações para que a atividade da empresa flua de maneira a atingir seu objetivo final que é o lucro. Contanto que as informações sejam reais e representem a situação da empresa no momento em que são levantadas, o administrador possui uma ferramenta importante em seu trabalho.

A partir de um fluxo de caixa projetado a empresa possui uma ferramenta importante aos administradores para a tomada de decisões. Após o levantamento dos dados extraídos de cada departamento da empresa, os mesmos são tabelados para formar o fluxo projetado. Com base em períodos anteriores é possível projetar as receitas e as despesas que irão acontecer no período projetado.

Assim, após o ocorrido os dados são comparados para avaliar o que aconteceu com o que havia sido projetado. Caso ocorra algum fato que não estava previsto, isso faz com que sejam alterados os dados para o período projetado.

Como o sócio espera rentabilidade sobre seu capital investido, uma operação que traga risco para a empresa, pode comprometer o resultado de tal período e até mesmo do futuro da empresa. Sem a análise do risco e da rentabilidade, não se prevê qual resultado o investimento pode trazer. Antes de cada operação, é preciso analisar os fatores que influenciam a mesma, identificando os pontos fortes e fracos e qual o rendimento que tal operação irá trazer.

Para Zdanowicz (1992) o fluxo de caixa é o instrumento de programação financeira, que corresponde às estimativas de entradas e saídas de caixa em certo período de tempo projetado. Com essa estimativa a organização das finanças torna-se mais correta em função de ter em mãos o que irá receber e o que irá pagar em certo período de tempo, podendo prever possíveis investimentos com as sobras, bem como a busca de recursos quando existir déficit no caixa da empresa.

O principal objetivo do fluxo de caixa é dar uma visão das atividades desenvolvidas bem como operações financeiras que são realizadas, no grupo do ativo circulante, dentro das disponibilidades, e que representam o grau de liquidez da empresa.

Assim, pode-se perceber que o fluxo projetado é uma ferramenta que permite ao administrador financeiro controlar o ativo da empresa, o qual é a riqueza da mesma e o que gera o lucro.

3. Políticas de Administração do Fluxo de Caixa

Segundo Lemes, Rigo e Cherobim (2002) a gestão do caixa é a atividade da administração financeira que objetiva a otimização dos recursos financeiros, integrada às demais atividades da empresa. Assim, a boa administração do caixa depende da harmonia entre as saídas e entradas, sendo que pode haver sobras e faltas de dinheiro, que obrigará o administrador financeiro a buscar soluções para resolver situações dessa natureza.

O ciclo de caixa é o período em que os recursos da empresa foram utilizados para o pagamento dos bens e/ou matérias-primas até o recebimento pela venda do produto acabado resultante (LEMES, RIGO e CHEROBIM, 2002). Assim, o ciclo de caixa depende das políticas que são adotadas pela empresa e estas devem ser estabelecidas conforme a necessidade e de acordo com as demais políticas internas.

Ainda, de acordo com Lemes, Rigo e Cherobim (2002), existem formas para melhorar o ciclo de caixa da empresa, tais como:

Redução do tempo de compensação da cobrança: nesse caso é necessário que o administrador procure minimizar o tempo que ocorre entre o pagamento feito pelo cliente e a efetiva disponibilização do mesmo ao caixa da empresa;
Ampliação do tempo de pagamento: essa técnica tem como objetivo o aumento do prazo para pagamento o máximo possível, para que se ajuste com as entradas de caixa de forma a não deixar obrigar o administrador a buscar recursos fora da empresa a custos mais altos;
Redução dos prazos de processamento administrativo: visa acelerar o processo da entrada de cheques na tesouraria e a posterior utilização dos mesmos, através de depósitos bancários;
A aceleração da cobrança de valores a receber: possui como objetivo principal acelerar o recebimento dos clientes, mediante descontos pelo pagamento no prazo ou antecipadamente;
Uso de meios eletrônicos: com a modernização do sistema bancário, hoje as agências são mais eficientes facilitando o trabalho dentro das empresas através da comunicação e agilização do processo de recebimento;
As melhores formas de cobrança: existem várias formas de cobrança que podem ser estudadas e adaptadas para melhorar a eficácia do processo de recebimento e de cobrança dos valores a receber;
Ajustamento conveniente dos vencimentos: as despesas que são pro visionadas devem ser ajustadas de acordo com o período em que o fluxo de caixa é favorável, através de negociações para definição das datas de pagamento.
Algumas empresas costumam trabalhar com saldos mínimos em função de o capital circulante ser insuficiente. Para determinar o saldo mínimo de caixa de uma empresa, segundo Lemes, Rigo e Cherobim (2002), devem-se levar em consideração os seguintes aspectos:

Peculiaridades de cada setor de atividade: isso se refere aos usos e costumes utilizados no setor, como por exemplo, vender a prazo;
Previsibilidade das entradas e saídas de caixa: através de um orçamento de caixa é possível prever as entradas e saídas mais próximas da realidade da empresa, através o conhecimento sobre suas operações;
Exigências de reciprocidade bancária: por meio de negociações com as instituições financeiras, devem-se buscar as alternativas que proporcionem as menores tarifas financeiras para a empresa, e que tragam resultados positivos para as cobranças.
Capacidade de captar recursos próprios ou de terceiros: uma situação financeira equilibrada contribui para a empresa na hora de buscar recursos junto à instituições financeiras, sendo que estas acompanham a vida da empresa de perto.

4. O Capital de Giro e o Fluxo de Caixa

A administração do capital de giro é uma ferramenta que preserva a vida da empresa, pois envolve um processo contínuo de tomada de decisões voltadas principalmente para a preservação da liquidez da empresa, mas que também afetam sua rentabilidade (BRAGA, 1989). O capital de giro é, segundo Braga (1989), os recursos aplicados no ativo circulante, formado basicamente pelos estoques, contas a receber e disponibilidades. Assim, as políticas internas na administração do capital de giro irão definir o funcionamento interno da empresa, pois estão relacionadas com a gestão dos ativos e passivos circulantes (BRAGA, 1989).

O capital de giro também é conhecido como capital circulante líquido (CCL) e vem a cobrir o descompasso entre os fluxos de pagamentos e recebimentos, sendo que quanto maior for o CCL menor será o risco de insolvência da empresa. Também não podemos dizer que se o CCL for alto a liquidez é boa, pois se este for constituído, por exemplo, por estoques velhos e de difícil venda, a boa liquidez será ilusória. Da mesma forma, um CCL baixo nem sempre representa uma situação difícil, pois um supermercado, por exemplo, compra bastante a prazo, mas consegue girar seus estoques rapidamente, a vista, podendo fazer aplicações com este dinheiro no período que resta até o pagamento do fornecedor.

Conforme Martins e Neto (1985) o capital de giro corresponde ao ativo circulante de uma empresa, ou seja, o ativo circulante são os recursos que irão financiar o ciclo operacional que vai desde a compra das matérias-primas até a venda e o recebimento desta.

O capital circulante líquido pode ser obtido através da seguinte equação, conforme Martins e Neto (1985):

CGL (CCL) = Ativo Circulante – Passivo Circulante

O prazo compreendido entre o intervalo de tempo da compra das mercadorias e o recebimento da venda é conhecido como ciclo operacional, ou seja, esse período a empresa investe em suas operações com o financiamento por parte dos fornecedores. Já o prazo existente entre os pagamentos dos fornecedores e o recebimento da vendas é conhecido como ciclo financeiro que, muitas vezes deve ser financiado com o próprio dinheiro da empresa ou pela busca de recursos de terceiros (BRAGA, 1989). Esse fluxo financeiro muitas vezes pode ser reduzido por políticas internas que afetem a administração do capital de giro.

Existem políticas de gerenciamento do capital circulante que ajudam na sua administração para que os recursos sejam distribuídos conforme sua necessidade. De acordo com Lemes, Rigo e Cherobim (2002), são as seguintes políticas que podem ser adotadas para o bom gerenciamento do capital de giro:

Volume de investimentos necessários no total do capital circulante: as políticas referentes aos investimentos devem ser rígidas para que a empresa busque o melhor resultado com os menores recursos possíveis.
Distribuição dos investimentos ao nível de caixa, valores a receber e estoques: o administrador financeiro deverá levar em consideração o ramo de atividade para definir como será distribuído o capital entre os ativos circulantes;
Como serão financiados os investimentos: o volume de investimentos pode estar limitado à utilização de recursos próprios ou de terceiros, conforme a possibilidade de captação.

5. O Controle Interno na Administração do Fluxo de Caixa

Para que as operações internas da empresa sejam feitas da maneira correta e para o bom andamento das atividades, faz-se necessário que os controles internos sejam eficientes para acompanhar todo o processo operacional, cada um em seu departamento. Segundo o Comitê de Procedimentos de Auditoria do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA), controle interno: é o plano de organização e o conjunto ordenado dos métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração (ATTIE, 1992).

Para Attie (1992) o controle interno é parte integrante de cada segmento da organização e cada procedimento corresponde a uma parte do conjunto do controle interno. Isso significa que cada departamento irá possuir seus controles internos, visando sempre à eficiência máxima do setor, evitando erros e possíveis fraudes que possam ocorrer. Esses controles servirão para levantar informações precisas em cada área da empresa, no auxílio para a tomada de decisões.

Estes controles internos facilitam a visualização de problemas e possíveis fraudes que possam ocorrer quando da entrada de informações durante o exercício das atividades da empresa. O controle interno faz parte da elaboração do fluxo de caixa, pois se não houver controle sobre o saldo disponível da empresa, dificilmente o fluxo de caixa terá os saldos corretos com as programações de pagamentos e recebimentos. Segundo Attie (1995) a revisão do controle tem a finalidade de determinar qual a confiabilidade depositada no controle interno (…). Desta forma, o controle interno deve ser revisado para que se possa confiar no mesmo.

Conforme Attie (1995) deve ser feita a contagem física do caixa com a presença do responsável, verificando se a documentação é válida e se os processos estão sendo feitos da maneira correta. Pode ser feita a contagem surpresa do caixa para prevenir a encoberta de valores.

As contas bancárias devem ser cuidadosamente conciliadas para verificar se as pendências são decorrentes de operações normais. Através do extrato bancário pode ser feita a confirmação dos saldos e verificação dos lançamentos. Existem também as aplicações financeiras, decorrentes das sobras de numerários com período de resgate bem curto. A verificação das aplicações segue as mesmas aplicações utilizadas na conferência de caixa, através do exame da documentação que comprove as aplicações e resgates (ATTIE, 1995).

Outro aspecto importante se refere à administração das contas a receber, e tem por objetivo:

Determinar a sua existência e representatividade contra os devedores envolvidos;
Determinar se é de propriedade da companhia;
Determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
D) Determinar a existência de restrições de uso, de vinculações em garantida ou de contingências;
Determinar que esteja corretamente classificada nas demonstrações financeiras e que as divulgações aplicáveis foram expostas nas notas explicativas (ATTIE, 1995).
Dentre os circulantes possuímos também o controle dos estoques que visa, principalmente:

Determinar sua existência, que poderá estar na companhia, em custódia com terceiros ou em trânsito;
Determinar se é pertencente à companhia;
Determinar se foram aplicados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
Determinar e existência de estoques penhorados ou dados em garantia;
Determinar que estejam corretamente classificados nas demonstrações financeiras e que as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas (ATTIE, 1995).
Estes são os principais controles que devem existir no ativo circulante. Outro ponto que requer atenção é quanto às obrigações para com terceiros, ou seja, os passivos que devem ser pagos. Para o bom controle das contas do passivo circulante, devem-se fazer as seguintes verificações:

Determinar se são pertencentes à companhia;
Determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
Determinar a existência de ativos dados em garantia ou vinculações aos passivos;
Determinar se estão classificados nas demonstrações financeiras, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas (ATTIE, 1995).
Ainda, segundo Attie (1992) as principais características de um bom controle interno são:

Plano de organização que proporcione segregação de funções apropriadas das responsabilidades funcionais;
Sistema de autorização e procedimentos de escrituração adequados, que proporcionem controle eficiente sobre o ativo, passivo, receitas, custos e despesas;
Observação de práticas salutares no cumprimento dos deveres e funções de cada um dos departamentos da organização;
Pessoal com adequada qualificação técnica e profissional, para a execução de suas atribuições.
Os principais controles internos que podem existir na tesouraria são, segundo Hoji (2001): fluxo de caixa, disponibilidades, aplicações financeiras, empréstimos e financiamentos, contas a receber, contas a pagar, talões de cheques, cheques cancelados, cheques devolvidos, tarifas bancárias, fundos fixos de caixa, cheques emitidos e não retirados.

6. Considerações Finais

O ponto importante da administração financeira é o fluxo de caixa. O mesmo deve ser elaborado conforme a necessidade de cada empresa, buscando evidenciar a atividade preponderante na empresa e seus efeitos na gestão financeira. Para uma boa análise do fluxo de caixa previsto e realizado, conforme demonstrado, é necessário que o administrador financeiro conheça todas as operações da empresa e que cada departamento repasse as informações corretas para a elaboração do fluxo de caixa.

A análise do fluxo de caixa leva os administradores a conhecerem a real situação financeira de sua empresa, pois segundo Matarazzo (1995) a demonstração do fluxo líquido de caixa permite extrair importantes informações sobre o comportamento financeiro da empresa”. Daí a importância do fluxo para as empresas. Podem ser extraídas informações, segundo Matarazzo (1995), como:

Autofinanciamento das operações (compra produção e vendas);
Independência do sistema bancário de curto prazo;
Gerar recursos para manter e expandir o nível de investimentos;
Amortizar dívidas bancárias de curto e de longo prazo.
Isso demonstra a grande importância da elaboração do fluxo de caixa para as empresas, sendo que em muitas delas, o fluxo é ignorado, fazendo com que, sem ter controle das entradas e saídas de caixa, levem a empresa à falência.

Identificou-se o ferramental, modelos de fluxo de caixa que podem ser implantados nas empresas necessitando, porém, que as informações repassadas ao administrador financeiro estejam corretas e, representem a realidade da empresa. A partir do momento em que as informações sejam corretas ou mais próximas da realidade, é mais fácil a elaboração e a implantação do fluxo financeiro.

Assim, de modo que, com as informações em mãos, o administrador financeiro deve colocá-las no fluxo de caixa de forma a evidenciar a atividade principal da empresa e relatar aos administradores a situação para que sejam tomadas as medidas mais corretas possíveis para a situação, em particular. Essa tarefa exige do administrador financeiro um bom conhecimento e que saiba analisar a atividade empresarial, buscando soluções para problemas, na busca da maximização da riqueza da empresa.

7. Referências Bibliográficas

ATTIE, William. Auditoria Interna. São Paulo: Atlas, 1992.

BRAGA, Gilberto. Fundamentos e Técnicas de Administração Financeira. São Paulo: Atlas, 1989.

HOJI, Masakazu. Administração Financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2001

A Importância da Auditoria

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A Importância da Auditoria Independente na Divulgação das Informações Contábeis

Introdução

A divulgação das informações contábeis tem particular importância dentro da doutrina contábil sendo tratada como um importante capítulo da teoria contábil.

A evidenciação está diretamente associada aos usuários das demonstrações contábeis. Segundo alguns autores, a quantidade de informações a serem fornecidas depende do grau de necessidade desses usuários. Essa consideração é importante, entretanto, de maneira generalizada, os diversos organismos de regulamentação contábil, consideram um conjunto mínimo de informações necessárias para seus usuários, independente de suas necessidades.

Este trabalho pretende abordar, de maneira estruturada, a divulgação das informações, principalmente, aos usuários externos à empresa. Para tais usuários, o papel do parecer da auditoria independente assume grande importância, atestando a adequada utilização dos princípios de contabilidade geralmente aceitos.

1. Informações Contábeis

As Demonstrações Contábeis representam uma das principais formas de comunicação das entidades com a sociedade, como forma de prestação de contas.

As informações prestadas pelas empresas, contidas nos Relatórios Contábeis, devem ser úteis, relevantes, oportunas e compreensíveis. Também devem ser precisas, neutras e representativamente fiel.(segundo o IASC).

“A divulgação financeira deve fornecer informação útil à tomada de decisões racionais de investimento, concessões de crédito, etc., por investidores e credores atuais e futuros, bem como outros usuários. (SFAC 1, parágrafo .34)

Sem dúvida, a determinação do grupo de usuários da informação contábil é muito importante na determinação da quantidade e diversidade de informações a serem fornecidas pela contabilidade.

Definindo-se, por exemplo, os acionistas e outros grupos de investidores como sendo o grupo apropriado para o foco a ser adotado pela contabilidade, então a divulgação feita na publicação das informações financeiras pode ser definida como sendo a apresentação de informação necessária para o funcionamento ótimo de mercados eficientes de capitais. Esse enfoque é atribuído principalmente em países com participação forte do mercado de capitais como é os EUA.

Outros grupos de interesse podem ser identificados, como na Europa, os interesses de funcionários e governo tendem a estar no mesmo nível dos acionistas. Na França, por exemplo as empresas são obrigadas a apresentar um Balanço Social a um grupo de funcionários anualmente.

O atendimento pleno das necessidades de informações contábeis de cada usuário, seria considerado ideal para a contabilidade.

Na figura abaixo, apresenta-se um quadro onde estão listados os diversos tipos de usuários da informação contábil e os tipos de informações requeridos pelos mesmos.

Observe que no quadro acima, tomando-se por exemplo os investidores institucionais como usuário da informação, suas necessidades de informações estão diretamente relacionados com as decisões de investimentos, portanto, para esse grupo de usuários, deveriam ser fornecidos informações claras e precisas sobre o desempenho das empresas para que suas decisões sejam baseadas em dados fidedignos.

2. Divulgação das Informações Contábeis

As informações de naturezas econômicos e financeiras apresentadas nos principais relatórios contábeis, incluindo notas explicativas (sentido restrito).

Num sentido mais amplo, a divulgação deve ser abrangente incluindo outras informações, além das demonstrações contábeis, como por exemplo, relatórios suplementares e complementares.

A quantidade de informação a ser divulgada, depende, em parte, da sofisticação do leitor que a recebe. O FASB adota que a informação divulgada em relatórios financeiros deve ser:

“Compreensível para os que possuem um conhecimento razoável de negócios e atividades econômicas e estão dispostos a estudar a informação com diligência razoável.”

As informações contábeis podem apresentar-se de duas formas:

Dados quantitativos – informações financeiras
Informação não quantitativa: verifica-se a relevância da informação associando-se a informação qualitativa à informação quantitativa.
No quadro abaixo, demonstra-se como e quais informações as empresas podem divulgar para atender às necessidades dos usuários.

Relatórios Financeiros

Todas a informações necessárias para decisões de investimentos, créditos e decisões similares
Relatórios Financeiros
Áreas afetadas diretamente pela existência do FASB
Base de Demonstrações Contábeis
Escopo de reconhecimento e mensuração de conceitos demonstrados
Demonstrações Contábeis Notas para demonstrações financeiras Informações Suplementares Outros meios de relatórios financeiros Outras informações
· Demonstração da Posição Financeira · Demonstração de Resultado · Demonstração de Fluxos de Caixa · Demonstração de Investimentos e distribuição aos sócios Exemplos · Políticas Contábeis · Contingências · Números de Ações do Capital · Mensurações alternativas (valores de mercado de itens mantidos a custo histórico) Exemplos: · Mudança na Evidenciação de preços · Informações de reservas de petróleo e gás Exemplos: Discussão e análises gerenciais · Carta aos acionistas Exemplos: · Discussão sobre concorrências e exigências conforme Formulário SEC 10-K · Relatórios dos analistas · Estatísticas econômicas · Novos artigos sobre a companhia

Fonte: Adaptado de HENDRIKSEN & BREDA (1991: 855)

3. O papel da auditoria independente

Muito se discute sobre o papel da auditoria, ou seja, seu campo de atuação, responsabilidades, limites e outros.

De acordo com o IFAC (1997:23):

“É expressar uma opinião sobre se as demonstrações contábeis foram preparadas, em todos os aspectos relevantes, de acordo com uma estrutura conceitual identificada para relatórios contábeis.”

O auditor deve conduzir seus trabalhos de acordo com as normas internacionais ou locais de auditoria, com a leis e regulamentações. Essas normas contém os princípios básicos e procedimentos essenciais, em conjunto com as respectivas diretrizes.

Esses princípios, ditados pelo Código de Ética dos Contadores que atuam como Profissionais Liberais, são:

independência;
integridade;
objetividade;
competência e devido zelo profissional;
confidencialidade;
comportamento profissional; e
normas técnicas.
Dessa forma, pode-se afirmar que as demonstrações contábeis, quando auditadas, apresentam um grau de comparabilidade maior em relação à observância dos procedimentos técnicos dos princípios contábeis geralmente aceitos.

Embora o parecer de auditoria aumente a credibilidade das demonstrações contábeis, o usuário dessas demonstrações não pode presumir que o parecer seja uma maneira de viabilidade futura segura da empresa e nem da eficiência e eficácia de que a administração conduziu os negócios da empresa durante o período coberto pelo parecer. E a responsabilidade de preparar e apresentar as demonstrações contábeis cabe à administração da empresa, não o isentando de suas responsabilidades.

4. Contribuição da Auditoria Independente na melhoria da Qualidade das Informações Financeiras

A função da auditoria independente é muito importante ao mercado de capitais e a todos os usuários das demonstrações contábeis auditadas para suportar determinadas transações e decisões, pela confiança que gera à todo processo, quanto a qualidade das informações prestadas.

A credibilidade e importância deve-se a diversos fatores, entre os quais destaca-se, conforme BOYTON & KELL (1995: 35-36):

“Conflito de interesses: Muitos usuários das demonstrações contábeis estão preocupados com o atual ou potencial conflito de interesses entre eles e a administração da entidade. Esta preocupação estende-se ao receio de que tais demonstrações e as informações adicionais preparadas pela administração possam ser intencionalmente enviesadas em favor da administração. Conflitos de interesses podem também existir entre as diferentes classes de seus usuários, como credores e acionistas. Assim, os usuários procuram obter, através dos acionistas, a certeza de que a informação está: (1) livre de viés da administração; (2) neutra com respeito a vários grupos de usuários, isto é, a informação não é apresentada de forma que favoreça um grupo de usuários em detrimento a outro.

Conseqüência: Demonstrações contábeis publicadas representam uma importante e, em alguns casos, a única fonte de informações utilizadas na execução de significativos investimentos, empréstimos e outras decisões. Assim sendo, os usuários querem que essas demonstrações contenham o máximo possível de informações relevantes. Em função das conseqüências econômicas, sociais e outras, provenientes de suas decisões, os usuários procuram os auditores independentes para obtenção da segurança de que estas demonstrações contábeis foram preparadas de acordo com os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, incluindo todas as divulgações apropriadas.

Complexidade: Tanto a contabilidade como o processo de preparação das demonstrações financeiras têm se tornado incrivelmente complexos. As normas de contabilização e divulgação de leasing, pensões, imposto de renda e lucro por ação são exemplos deste fato. Assim como o nível de complexidade aumenta, também aumenta o risco de interpretações errôneas e erros não intencionais.

Afastamento: Distância, tempo e custo tornam impraticável para a maioria dos usuários interessados em demonstrações contábeis o acesso direto aos registros contábeis subjacentes para executar suas próprias verificações das afirmações contidas em tais demonstrações. É preferível aceitar a qualidade dos dados financeiros, uma vez que, novamente, os usuários confiam na independência do relatório do auditor para suprir suas necessidades.”

5. Situação Atual das Informações Auditadas

De acordo com o AICPA (1998: 1), ICAEW (1999: 2), PRICEWATERHOUSECOOPERS (1996: 9), as demonstrações contábeis auditadas estão deixando de ser a principal fonte de informação de seus usuários para tomada de decisão, como mostra a figura a seguir:

Fontes de Informação dos Tomadores de Decisão

Diversos fatores têm afetado as necessidades da informações dos usuários das informações nos últimos anos. Fatores esses, que derivam em função do: avanço da tecnologia de informação (comércio eletrônico, telecomunicações e sistemas integrados); mudanças de estruturas corporativas (concentração de empresas, competição entre cadeias de empresas, organização dos processos e core business); fluxo de capital (novos canais de distribuição, participação nos resultados e erosão de margens); accountability (diversidade de necessidades, mudanças nos critérios de decisão e maiores exigências dos usuários das informações); e globalização (blocos econômicos, quebra de barreiras alfandegárias, menor intervenção governamental e quebra de monopólios).

Diante da complexidade dos negócios, os usuários das informações necessitam de asseveração das informações de forma contínua para minimizar os riscos, principalmente os riscos inerentes e de controle, e agregar valor na tomada de decisão.

Evolução de litígios, nos Estados Unidos, envolvendo questões contábeis

O auditor, contudo, está exposto a questões de litígios, mesmo quando executados seus exames em conformidade com as normas de auditoria e opinião adequada em relação às demonstrações contábeis, conforme nota de rodapé do SAS n.º 47 – Audit Risk and Materiality in Conducting an Audit. (AICPA, 1994, p. AU § 312.03):

“Em adição ao risco de auditoria, o auditor também está exposto a perdas ou danos a sua prática profissional decorrente de litígios, publicidades adversas, ou outros eventos que surgem em conexão com as demonstrações contábeis que foram por ele auditadas e sobre as quais emitiu-se uma opinião. Esta exposição está presente mesmo quando o auditor executou seus exames de acordo com as normas de auditoria geralmente aceitas e emitiu uma opinião adequada com relação às demonstrações contábeis”.

Nos Estados Unidos, litígios e processos contra empresas de auditoria têm crescido consideravelmente. Em 1992, havia mais de 4.000 processos pendentes totalizando mais de trinta bilhões de dólares, e os custo totais das, então, big six com litígios pagos, advogados e prêmios de seguro (Net Protection Costs) foi de US$ 600 milhões, isto é, 11% da receita total, representando a maior despesa da empresa, exceto com salários (GELBCKE: 1997).

O crescimento de litígios, nesse período, deve-se principalmente ao envolvimento de empresas de setores bancários, de computadores e telecomunicações, que vêm apresentando oscilações significativas no preço de suas ações de mercado durante esse período. O número de litígios das empresas desses três setores que representavam 25 per cento dos casos em 1996, passou a representar 45 per cento dos casos em apenas dois anos.

Cabe ressaltar que uma parcela significativa desses processos está relacionada à política de deep pockets, uma vez que, sobre o faturamento, as empresas de auditoria que atuam nos Estados Unidos depositam um percentual para um fundo de reserva destinado a ressarcir as partes que foram, de alguma forma, prejudicadas em conseqüência dos trabalhos e opiniões emitidas sob sua responsabilidade.

Outro fator que deve ser analisado com profundidade é a relação obrigatoriedade versus utilidade das demonstrações contábeis auditadas. Em pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos, tomando como base os controllers das empresas americanas listadas na Revista Fortune – as 1000 maiores – e auditadas por uma das Big Five, sugerem formas de melhoria da qualidade dos serviços de auditoria em consonância com o parecer das demonstrações contábeis conforme demonstra o quadro abaixo (BEHN et alii, 1997, p. 20),:

Sugestões dos Controllers para melhorar a qualidade dos Serviços de Auditoria

Sugestões Itens mencionados por 434 Controllers – %
1. Maior envolvimento pró-ativo nos negócios, serviços, além dos requeridos pelos princípios contábeis, e sugestões que agreguem valor. 14
2. Menor rotatividade e melhor treinamento 14
3. Maior rapidez em responder a perguntas técnicas e melhor antecipação de questões contábeis que afetarão a companhia 10
4. Melhor conhecimento dos negócios por parte de gerentes e diretores 9
5. Mais trabalhos de ínterim, melhor planejamento, coordenação e comunicação 9
6. Maior eficiência, melhor controle dos honorários de auditoria 8
7. Melhorar a coordenação com os escritórios internacionais afiliados 6
8. Maior uso de análise de riscos e foco sobre áreas-chave de auditoria de alto risco 5
9. Aperfeiçoamento nos comentários da carta de gerência e sugestões de controle interno 4
10. Maior envolvimento e comunicação dos sócios 4
11. Melhor manuseio de questões de auditoria de sistemas 2
12. Menor agressividade de marketing dos serviços de consultoria 1

Como podemos deduzir pela tabela acima, os auditores carecem não só de maior envolvimento nos negócios do cliente, como de sugestões que possam adicionar valor à cadeia de informações das empresas.

Inclusive, considerando o fenômeno da globalização, onde as empresas possuem investimentos e atuam nos diversos países do planeta, a disponibilidade de informações precisas em tempo real tem papel preponderante na credibilidade das informações contábeis.

Evidências recentes, como as crises econômicas da Rússia e dos países do sudeste asiático, demonstram um grau de fragilidade nos sistema de controle e de informações. Nesta oportunidade, o Banco Mundial aconselhou as empresas de auditoria a exigirem as demonstrações contábeis em conformidade com as normas internacionais de contabilidade, e não as locais, a fim de propiciar a transparência das informações divulgadas pelas empresas (ROGERSON:1998:1-4).

A ampliação do espaço geográfico e o aumento da competitividade das operações, nos dá a dimensão da importância do papel da evidenciação das informações contábeis de maneira adequada. Neste contexto, a auditoria assume relevante papel na contribuição para o fornecimento de tais informações, Dessa forma pode-se afirmar que é necessária uma supervisão além das que são adotadas pela auditoria tradicional, com o objetivo de reduzir os riscos e aumentar a qualidade e transparência das informações para os tomadores de decisão, evitando perdas relevantes, como apresentado na tabela a seguir, por SILVA NETO (1997:186).

Perdas Famosas com Derivativos

Perda, em US$ milhões Empresa Mercado
25 General Reinsurance Caps
350 Merril Lynch Opções/Volatilidade
125 Societé des Bourses Francaise Futuros
600 London B. of Hammersmith & Fulham Diversos
380 Klockner Hedge
275 Allied Lyons Opções de Moeda
70 ABN AMRO Ajustes Diários
1456 Kashima Oil Derivativos de Moedas
130 Nippon Steel Derivativos de Taxa de Câmbio
50 Medani Structured Notes
90 AIG Diversos
1340 Metallgesellschaft Corp Derivativos de Energia (Óleo)
200 Codelco Chile Futuro de Metais
100 Cargill Derivativos Hipotecários
600 Askin Securities MBS Model
157 P&G DM/US Spreads
121 Mead Corp Swaps
99 Florida State Tresury $ League Derivativos Hipotecários
10 Kidder Peabody Amortizing Swap Pricing
19 Gibson Greetings Swaps
10 CIBC (Wood Gundy) Futuros Financeiros
150 Glaxo Holding Derivativos Hipotecários
8 Cartepillar Financial Caps and Swaptions
22 ARCO (Pensio Fund) Strutured Notes
34 Dell Computer Swaps e Opções
113 Air Products Swaps de Moedas
51 Harris Trust (Bank of Montreal) Derivativos de Moedas
68 Pacific Horizons Funds Strutured Notes
20 Paramount Communications Inc. Swaps de Taxa de Juros
10 Kidder Peabody Opções de Bond
40 CS First Boston Inv. Management Currency-linked e outros derivativos
90 Investor Equity Life Insurance Futuros de Bond
1800 Sumitomo Corporation Derivativos de Cobre
1300 Banco Barings Derivativos de Índice

Fonte: SILVA NETO, Lauro de Araújo; DERIVATIVOS: Definições, emprego e risco, 1997,p. 186.

Uma reengenharia no enfoque de auditoria tornou-se necessária para atender às novas necessidades dos usuários das informações, sejam usuários internos ou externos.

Para manter e aumentar a credibilidade das informações apresentadas pelos gestores das empresas, o auditor deve explorar as oportunidades em agregar valor em todas as áreas do processo decisório das empresas, de forma a garantir a asseveração e a transparência da informações divulgadas aos seus usuários, internos ou externos, para a tomada de decisão.

Além dos serviços a emissão de parecer acerca das demonstrações contábeis de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos, a figura do auditor é, pela suas características, o profissional mais indicado para emitir parecer aos diversos tipos de usuários quanto a: mensuração de desempenho, comércio eletrônico, avaliação de riscos, confiabilidade nos sistemas, melhoria operacional e de lucratividade, bencmarkirg, nível de prestação de contas de órgão governamentais, controle interno, auditoria interna, compliance, qualidade dos produtos, questões ambientais, fusões, aquisições, emissão de títulos, entre outros.

6. Conclusão

É indiscutível a importância da função da auditoria independente para atestar a credibilidade das demonstrações contábeis.

A complexidade das informações, aliada a outros fatores como a atuação das empresas em vários mercados, contínuas e rápidas alterações em processos e ambientes nos quais as empresas estão inseridas fez com que empresas de auditoria procurassem novas formas de atuação a fim de cumprir o seu papel específico.

Dessa forma, embora as informações apresentadas nas demonstrações contábeis auditadas deixaram de ser relevantes aos tomadores de decisão pelos fatores descritos abaixo:

focam um conjunto limitado de riscos (aqueles que afetam distorções relevantes nas demonstrações contábeis);
focam um conjunto limitado de mensuração de desempenho (princípios fundamentais de contabilidade);
focam um conjunto limitado de sistemas de informação (sistemas baseados em transações financeiras históricas e internas);
focam um conjunto limitado de stakeholders (diretores, investidores e credores).
Diante das novas necessidades dos usuários das informações para tomada de decisão, as empresas de auditoria promoveram uma reengenharia no seu enfoque, mudando do tradicional (de resultados) para o sistêmico (de processos), passando a avaliar os riscos e os controles internos e voltando-se para os negócios dos clientes.

As empresas de auditoria, assim, visando atender a essas necessidades dos tomadores de decisão, passaram a oferecer diversos tipos de serviços, além das auditorias das demonstrações contábeis anuais ou semestrais, em casos de instituições financeiras, expandindo seu campo de atuação, como mostra a figura abaixo, mantendo-se a independência e a objetividade para atender a necessidades dos diversos tipos de usuários, não apenas os credores e investidores.

7. Bibliografia

AICPA – AMERICAN INSTITUTE OF CERTIFIED PUBLIC ACCOUNTANTS – Professional Standards, New York, 1994.
AICPA – AMERICAN INSTITUTE OF CERTIFIED PUBLIC ACCOUNTANTS – Threats, 1998 b disponível no site http://www.aicpa.org/assurance/scas/ howaffct/lgfirm/threats/index.htm em 15/05/98.
BEHN, Bruce K. et alii. – The Determinants of Audit Client Satisfation Among Clients of Big 6 Firms, Accounting Horizons, p. 61-74, vol. 11, n.º 1, p. 7-24, march, 1997.
BOYTON, Willian C.; KELL, Walter G: Modern Auditing, 6º ed., Editora Wiley & Sons, New York, 1996.
DOWNES, Jonh and GOODMAN, Jordan Eliott – Dicionário de termos financeiros e de investimento; tradução de Ana Rocha Tradutores Associados, São Paulo, Nobel, 1993.
FRANCO & MARRA: Auditoria Contábil, 3ª ed., São Paulo, editora Atlas, 2000.
GELBCKE, Ernesto Rubens: Auditoria – os riscos profissionais e a complexidade dos novos ambientes, trabalho apresentado na 15º Convenção dos Contabilistas do Estado de São Paulo, águas de Lindóia, 1997.
HENDRIKSEN, Eldon S. & VAN BREDA, Michael F. – Accounting Theory, 5. ed., Illinois, Irwin, 1991.
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IFAC – International Federation of Accountants, Normas Internacionais de Auditoria e Código de Ética Profissional, IBRACON, 1997.
KANITZ, Stephen C. and MATARAZZO, Dante – Análise de Balanços, material direcionado ao programa de treinamento para pessoal de alto nível do setor elétrico brasileiro, 1974.
KELLY, Jim – The firm created by this wednesday’s merger of two of the big six wants to pull away from the pach – but the pack itself is changing, in Financial Times, 29/06/1998, p. 29.
PRICEWATERHOUSECOOPERS – The Value of Information and Audits, New Jersey, 1996.
PRICEWATERHOUSECOOPERS – Securities Litigation Newsletter – 1999 a, disponível no site: http.pwcglobal.com em 24/02/2000.
PRICEWATERHOUSECOOPERS – 1998 Securities Litigation Study – 1999 b, disponível no site: http.pwcglobal.com em 24/02/2000.
ROGERSON, Paul – World Bank takes aim at Big Five over Asia, in International Accounting Bulletin, issue 236, october/1998, p. 1 and 4.
SILVA NETO, Lauro de Araújo – Derivativos: definições, emprego e riscos, São Paulo, Editora Atlas, 1997.

CICLOS BIOGEOQUÍMICOS

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Autor: Kesley Pedro Alves

1. Introdução

Materialmente a Terra é um sistema quase fechado; muito pouca matéria entra ou sai; as transformações sobre ou dentro dela precisam vir de combinações de matéria já existente. Energeticamente, contudo, a Terra é um sistema aberto.

Recebe energia constante do sol que precisa re-irradiar de volta para o espaço a fim de manter uma temperatura controlada. A energia flui para a terra e retorna para fora novamente. A matéria precisa fluir em ciclos.

2. Ciclos Biogeoquímicos

Os elementos necessários à vida – água, carbono, oxigênio, nitrogênio, etc. – passam por ciclos biogeoquímicos que mantêm sua pureza e a capacidade de serem aproveitados pelas coisas vivas.

A biogeoquímica é o estudo das trocas de materiais entre os componentes vivos (biótica) e não vivos (abiótica).

Os principais ciclos biogeoquímicos da natureza são:

2.1 Ciclo da Água

O ciclo da água é movido pela energia solar. Esta energia faz evaporar a água dos oceanos, dos lagos, dos rios e das superfícies úmidas do solo e provoca transpiração das folhas e dos corpos de outros organismos vivos.

As moléculas de água vão da superfície terrestre para a atmosfera, onde, junto com outros compostos moleculares, dão origem às nuvens. O retorno dessa água para a superfície se dá na forma líquida (chuva) ou na forma sólida (neve, granizo).

Quando a chuva ou a neve atingem o chão, uma parte é absorvida pelo solo, onde forma os lençóis subterrâneos, ou é absorvida pelas plantas. O restante forma a água de escoamento que se junta às nascentes e às fontes de lençóis freáticos para formar os lagos e os rios que alimentam os oceanos, fechando assim o ciclo da água.

2.2 O Ciclo do Carbono

O carbono é o elemento essencial na composição da matéria orgânica.

Depois da água, é o elemento que entra em maior quantidade na constituição dos organismos vivos. O ciclo do carbono envolve um estágio sólido e um gasoso. O estágio sólido representa o carbono encerrado nas rochas (pedras calcárias) e nos combustíveis fósseis, como hulha e petróleo, fixados pela fotossíntese durante milhões de anos.

Quando estes são queimados, ou através de atividades vulcânicas, o carbo, sob a forma de CO2 (dióxido de carbono), é transferido para a atmosfera. A respiração dos organismos vivos, a decomposição de organismos mortos, a queima de combustíveis dos veículos automotivos e das máquinas a motor também contribuem com CO2 para a atmosfera. Nos vegetais, o carbono entra na forma de CO2 pelas folhas, através dos estômatos, no processo fotossintético. Também na forma de CO2 sai pela respiração dos vegetais, dos animais e dos decompositores.

2.3 O Ciclo do Nitrogênio

O nitrogênio constitui aproximadamente 79% de nossa atmosfera.Os organismos vivos, excetuando-se algumas bactérias e algas, não conseguem fixá-lo diretamente na forma como o encontram no ar. Através de fenômenos eletroquímicos (raios) e fotoquímicos (sol), o N2 combina-se com o oxigênio e a água da atmosfera, formando os nitratos (NO3) – forma mais utilizada pelas plantas – que se precipitam para o solo.

As plantas dependem do nitrato contido no solo para seu crescimento.

Essa forma de nitrogênio inorgânico transfere-se para o organismo animal pela alimentação.

O nitrogênio é um dos elementos mais importantes para a constituição das células e, portanto, de todos os seres vivos. Participa obrigatoriamente das moléculas de proteínas e de outros compostos orgânicos essenciais à vida.

Durante suas vidas, as aves os répteis e os insetos eliminam resíduos nitrogenados na forma de ácido úrico. Os mamíferos excretam os restos nitrogenados na forma de uréia. Com a morte desses seres, os compostos nitrogenados são decompostos em substâncias simples por organismos que habitam o solo. AS bactérias decompositoras agem, liberando o nitrogênio na forma de amônia (NH3) que se transforma em nitritos (NO2) e estes em nitratos (NO3), que podem ser reaproveitados pelos vegetais ou, sob a ação de outras bactérias, são transformados em N2 livre, retornando à atmosfera e fechando assim o ciclo.

2.4 Ciclo do oxigênio

O oxigênio representa cerca de 21% do ar atmosférico, sendo de vital importância para os seres vivos, quer usado nos processos energéticos, quer nos processos respiratórios.

As únicas fontes que convertem o CO2 em O2 (oxigênio) são os vegetais clorofilados realizadores de fotossíntese.

Desse O2 livre produzido, uma parte é absorvida pelos seres vivos através do processo da respiração e devolvida à atmosfera sob a forma de CO2 e H2O, isto é, oxigênio combinado. Outra parte é dissolvida nas águas que também possuem O2 livre proveniente da atividade fotossintetizadora de algas e de outros vegetais aquáticos. Quando a temperatura da água se eleva ou ocorre saturação de O2, ela começa desprendê-lo, retornando à atmosfera parte desse oxigênio dissolvido.

2.5 Ciclo do Fósforo

O fósforo constitui um importante componente da substância viva, além de estar ligado ao metabolismo respiratório e fotossintético. Daí seu uso com adubo.

Na natureza é um elemento encontrado em pequena quantidade em relação às necessidades dos seres vivos e seu grande reservatório são as rochas fosfatadas.

A erosão do solo pelas águas ou pelos ventos desagrega essas rochas e esses fósforo mineral é levado para os oceanos. Uma grande parte é sedimentada nas profundezas e não será aproveitada. A pequena parte aproveitada pelos seres marinhos, entre eles certas aves marinhas, é restituída ao solo, de onde pode novamente ser retirado pela plantas.

O organismo animal entra no ciclo ao se alimentar desses vegetais. Após sua morte ou por excreções (fezes, urina) lançadas por esses organismos durante sua vida, os compostos contendo fósforo retornam ao solo onde são decompostos por bactérias e fungos, fechando assim seu ciclo.

2.6 Ciclo do Enxofre

É um ciclo que envolve um estágio sólido e um gasoso onde os organismos (especialmente os microorganismos), que obtêm energia a partir da oxidação química de compostos inorgânicos, exercem papéis fundamentais.

Processos geoquímicos e metereológicos tais como erosão, lixiviação (arraste por lençóis freáticos) e ação da chuva são importantes na recuperação do enxofre dos sedimentos mais profundos.

Quando as plantas e os animais mortos são decompostos pelos microorganismos saprófitos aeróbios e anaeróbios, destes últimos desprende-se gás sulfídrico (H2S). Parte desse gás é reconvertidaem sulfato por bactérias sulfurosas especializadas. A outra parte é transformada em enxofre (S) por certas bactérias que obtêm sua energia a partir dessa transformação química.

Assim, os ciclos biogeoquímicos combinam-se para formar um mecanismo de controle complexo que mantém condições favoráveis à vida.

3. Conclusões

É maravilhoso como a natureza por si gerencia nos ciclos. Neste estudo observamos a importância de respeitar a natureza em todos os níveis. Concientizamos e aprendemos como a natureza se renova em cada um dos ciclos citados. É preservar é necessário para que no futuro, não sofra as conseqüências das tranformações.

4. Bibliografia

Matsushima, Kazue – Conceito para se fazer Educação Ambiental, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, 1997 e Livro – Educação Ambiental – Guia do Professor de 1º e 2º graus, 1987.

http://www.pr.gov.br/meioambiente/educ_ent_ciclos.shtml

HISTÓRIA DOS ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

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Autor: Leonardo de Souza Melo

Os esteróides são substâncias que já vem sendo usadas por muitos anos.

Quando vencer era importante, atletas só se preocupavam em combater seus rivais, nunca pararam para distinguir o “natural” do “artificial”.

Na antiga Grécia, muitos campeões olímpicos devem ter perdido sua glória por ter ingerido testículos de carneiro (principal origem de testosterona). Os africanos usam plantas desde a antigüidade para afastar a fadiga e o cansaço, os noruegueses Vikings comiam fungos para se manterem acordados e descansados para as suas batalhas e conquistas pelo alto mar.

O primeiro caso moderno documentado de doping aconteceu em 1865, com Deutch, que usava estimulantes afim de melhorar a sua performance na natação. No séc. XIX, de acordo com os jornalistas, os ciclistas europeus estavam se drogando com “produtos milagrosos” originados da cafeína para uma camada de cubos de açúcar, com a finalidade de acabar com a dor e a exaustão dos esportes.

Os esteróides são conhecidos desde 1935, mas menos como substância e mais como um para efeito dos andrógenos. A sua aplicação no esporte teria começado em 1954, com os atletas russos. Seu uso foi vedado pelo COI em 1976, sendo usado com mais freqüência pelos leigos.

O QUE SÃO ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

“Os esteróides são hormônios, responsáveis pela harmonia das funções primordiais do organismo” (Guimarães neto). Podemos também chama-los de “anabólicos, que são hormônios esteróides da classe dos hormônios sexuais masculinos, os andrógenos”.
As propriedades anabólicas desde hormônios aceleram o crescimento, elevando a taxa de massa muscular. O uso de esteróides anabólicos eleva principalmente: a força, a aceleração e a explosão muscular. Se por um lado os esteróides beneficiam no desempenho, eles oferecem riscos seríssimos a saúde.”

CATEGORIA DOS ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

São três as categorias dos esteróides anabolizante:

Estrógenos
Andrógenos
Cortisona.
Estrógenos (Hormônio Feminino): É produzido no ovário e é o responsável de produzir os caracteres sexuais femininos.
Andrógenos( Hormônio Masculino): São produzidos no testículos e são responsáveis pela produção de características sexuais masculinas.
Esses dois hormônios são produzidos em ambos os sexos havendo apenas uma predominância dos estrógenos nas mulheres e andrógenos nos homens.
Cortisona: É produzida pelos dois sexos, e tem efeito analgésico e antinflamatório.

“Os esteróides anabólicos são um subgrupo de andrógenos” (Guimarães Neto). Podemos entender que existem nessas substâncias propriedades andrógenas e anabólicas em diferentes níveis, dependendo do anabolizante.”

TIPOS DE ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

Foram produzidos vários tipos de esteróides anabólicos pela indústria farmacêutica: Supositórios, cremes, selos de fixação na pele e sublingual, porém os mas consumidos são os: orais e os injetáveis.

Orais: Via comprimido, na sua ingestão passa pelo estômago, é absorvido pelo intestino, processado pelo fígado, então vai para acorrente sangüínea. Como o fígado é responsável pela destruição de qualquer corpo estranho no organismo, vários esteróides estavam sendo destruídos através de um processo chamado 17 alpha alcalinização. A alcalinização provoca uma sobrecarga no fígado que acaba danificado por um esforço para combater algo que não consegue processar.

Injetáveis: Os esteróides injetáveis são menos nocivos do que os orais, por não passar por um processo de alcalinização. Esse tipo de esteróide passa pela corrente sangüínea via muscular, e umas das vantagens é que a base oleosa permanece na corrente sangüínea com uma longa duração, visto que o óleo demora para se dissipar no local da aplicação devido a sua viscosidade. As desvantagens dos anabolizantes injetáveis é que são mais tóxicos para os rins e são desconfortáveis devido a sua forma de aplicação: “injetável”.

EFEITOS DOS ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

Podem aumentar a força ou contrabilidade da célula muscular, através do aumento do aumento do armazenamento de fósforo creatino. Essas substâncias ajudam a repor o ATP (“Moeda energética”), que é a principal fonte de energia para o músculo. Isso ocorre em uma complexa seqüência de eventos denominados CICLOS DE KREBS, que depende de várias enzimas.
Promovem balanço nitrogenado positivo. essa é mais uma forma de aumentar a força muscular e também o volume. O nitrogênio é conhecido como o componente de crescimento na proteína.
Aumentam a retenção de glicogênio. Essa substância deriva da quebra de carboidratos que é a fonte secundária de energia para o músculo, tão logo tenha se esgotado as reservas de ATP.
Favorecem a absorção de aminoácidos, que são estruturas necessárias para a formação da massa muscular.
Bloqueia o cortisol, que é um hormônio catabólico liberado após um treinamento árduo e por stress emocional. Esse hormônio pode suprir a produção natural de testosterona do organismo, já que estes são antagônicos e confrontam-se em uma batalha para decidir se o músculo iria crescer ou irá definir-se.

ALGUNS EFEITOS COLATERAIS DOS ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

Segundo Guimarães Neto, o principal culpado pelos efeitos colaterais provocado pelo uso de anabolizantes é um hormônio denominado: DIHIDROTESTOSTERONA(DHL).

Os efeitos indesejáveis provocado por essa droga são: Calvície, hipertrofia Prostática, Acne, Agressividade, Hipertensão, Limitação do Crescimento, Virilização em mulheres, Aumento do Colesterol, Ginecomastia, Dores de Cabeça, Impotência, e Esterilidade, Insônia, Hepatoxidade, Problemas de Tendões e Ligamentos, entre vários outros.

1. Calvície: O DHL, faz com que o folículo capilar pare de crescer cabelo;

2. Hipertrofia Prostática: O DHL, tem um papel importante no mecanismo de aumento prostático, podendo levar o consumidor a impotência;

3. Acne: O DHL, faz com que as glândulas sebáceas produzam mais óleo, isto é combinado com as bactérias do ar e pele seca formam a acne;

4. Agressividade: É a causadora deste estado por ser uma droga muito andrógena;

5. Hipertensão: Isso ocorre, pois os esteróides provocam grande retenção de água, inclusive no sangue, fazendo que este aumente de volume, em conseqüência de pressão;

6. Limitação do Crescimento: Alguns tipos de esteróides usados em longa duração ou em quantidades abusivas, tem como efeito colateral o fechamento prematuro dos discos de crescimento localizado nas epífise ósseas;

7. Aumento do Colesterol: Os esteróides tem como efeito colateral o acumulo de LDL e diminuição do DHL. ( Os esteróides anabolizantes são um tipo de colesterol);

8. Virilização em Mulheres: Pode ocorrer nas mulheres que utilizam esteróides o crescimento de pelos, engrossamento da voz, hipertrofia do clitóris e amenorréia;

9. Ginecomastia: Excessivo desenvolvimento dos mamilos em indivíduos do sexo masculino, que é conhecido popularmente como “TETA DE VACA”;

10. Dores de Cabeça: Também é ocasionada em função dos esteróides mais androgênicos e dos efeitos da elevação da pressão arterial;

11. Impotência e Esterilidade: No início do tratamento com esteróides, o homem passa por uma fase de excitação sexual com o aumento da freqüência das ereções, entretanto dura por apenas algumas semanas, isto se reverte gradualmente até a perda do interesse sexual. Esse desinteresse é o resultado da redução da produção de testosterona devido a elevação excessiva de testosterona no corpo;

12. Insônia: Os anabolizantes tem um efeito de estimulante no sistema nervoso central, que provoca insônia;

13. Hepatoxidade: O fígado é prejudicado ou lesionado pelos esteróides mais tóxicos, porem estas lesões são reversíveis tão logo o uso seja interrompido;

14. Problemas de Tendões e Ligamentos: Os esteróides anabólicos faz com que os músculos se desenvolva rapidamente, e este desenvolvimento não é acompanhado pelos tendões e ligamentos que se desenvolvem lentamente, isto causa problemas para tendões e ligamentos como: inflamação, inchaço e até ruptura.

ANÁLISE DOS ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

*ANAVAR (Oxandrolone): Esta droga foi originalmente comercializada na década de 60 pela Searle e em diversos países. Oxandrolone é moderadamente androgínico e com bom efeito anabólico, não causando muitos efeitos colaterais. Por isso também é utilizado pelas mulheres. O Anavar tem como efeito principal um grande aumento de força por ampliar os
depósitos de fósforo creatina intracelular. É utilizado normalmente em conjunto com Parabolan para densidade muscular e Deca para aumento de massa.

Apresentação: Caixa com 30 comprimidos de 2,5 mg cada.

*ANABOLICUM VISTER (Quimbolone): Este esteróide destinado ao tratamento de mulheres no período pós-menopausa e ao tratamento de sintomas relacionados com o envelhecimento. É um esteróide muito pouco andrógeno, não aromatiza é toxico para o fígado, mas por outro lado tem efeito anabólico restrito. Atletas que estão iniciando o uso de esteróides, são os que podem obter maior resultado, sendo os que já estão acostumados com drogas mais fortes não conseguem bons resultados administrando esse esteróide.

Apresentação: Recipiente de vidro contendo comprimidos de 10 mg. É produzido na Itália pela Parke Davis.

*ANABOL (Metandrostenolona): Com nome de Dinabol esta droga foi inicialmente produzida nos EUA pela Ciba, porem a produção parou a muitos anos, de forma que, se encontrá-la com outros tipos de nomes. Este foi um dos esteróides orais mais populares, principalmente para aqueles que não são muitos chegados ao desconforto das injeções.
Esta droga, em doses adequadas, mostra ser bastante androgênica, causando significativos ganhos de força e volume muscular em poucas semanas de uso. A maior parte de ganho de volume deve-se a retenção hídrica. Por aromatizar, pode causar Ginecomastia e também acne. Quem usa esse tipo de droga, costuma tomar junto no ciclo, a Deca para aumentara força e a massa muscular.

Apresentação: Comprimidos de 5 mg dependendo do laboratório.

*ANDROXON (Undecato de Testosterona): Esta droga também é encontrada no Brasil, foi dita como um excelente esteróide por não ser alquilado. O Androxon é absorvido pelo intestino não passando pelo fígado, de forma que não apresenta risco de toxidade para o mesmo como as demais drogas. Tem um curto período de vida na corrente sangüínea, de forma que deve ser ingerido mais constantemente para manter uma dose estável no sangue. Segundo os fisiculturistas esta droga apesar de não ter grandes efeitos colaterais, ela não ocasiona melhoria na força e nem aumento de massa muscular.

Apresentação: Capsula marrom de 40g em caixa de 60 comprimidos. É produzida pela Organon no Brasil.

*DECA-DURABOLIN (Decanoato de Nandrolona): Uma das mais conhecidas e tomadas pelos “leigos”!! A Deca em sua forma original é moderadamente androgênica com boas propriedades anabólicas, sendo utilizada para ganho de massa muscular e pré-competição, porem alguns atletas tendem a reter líquidos com essa droga. A deca é muito usada como esteróide de base para todo o ciclo de anabolizante por evitar inflamações e dores devido ao treinamento pesado.

Apresentação: Ampolas de 25 mg ou 50 mg. É produzida no Brasil pela Organon.

*DEPOSTERON (Cipionato de testosterona): Esta droga injetável é conhecida por promover rápido ganho de força e volume muscular. é altamente androgênica com boas propriedades anabólicas. Como a maior parte das testosteronas, essa droga tende a aromatizar facilmente, sendo provavelmente a maior responsável pela Ginecomastia entre os culturistas. Por reter muita água, pode causar elevação da pressão arterial. É utilizada fora de temporada, quando o objetivo é ganhar peso. O Deposteron é também conhecido como o anabolizante que mais atrofia os testículos, além de ocasionar perdas vertiginosas de força e volume tão logo a droga seja descontinuada. Encontra-se como recomendação o acompanhamento com Movaldex durante a sua administração.

Apresentação: Caixa com uma ampola de 200 mg. É produzida no Brasil pela Novaquímica.

*DURATESTON (Decanoato de testosterona, Fenilpropiaonato de testosterona, Isocaproato de testosterona e Propionato de testosterona): este esteróide é a combinação de 4 compostos de testosterona. É injetável e a sua intenção é de misturar estes diferentes ésteres para uma ação imediata após a aplicação e mante-la por um longo período. O Propionato tem uma ação imediata, mas de curto período, o Fenilpropionato e o Isocaproato tem um início de ação mais lenta, porém de maior duração. Excelente droga para ganho de força e peso e não retém líquidos , mas mesmo assim só é utilizada fora de temporada. Mulheres não devem utilizá-la.

Apresentação: Ampola de 250 mg. É produzida no Brasil pela Organon.

*EQUIPOISE (Undecilenato de Boldenone): Se você está procurando uma droga para a base do seu ciclo, você já encontrou! Muito utilizada com a Deca no trabalho de base e apesar de ser uma droga de uso exclusivo veterinário, os culturistas já descobriram os seus excelentes efeitos anabólicos. Ela é moderadamente tóxica ao fígado e com baixo nível de aromatização.

Apresentação: Caixa com 6 ampolas de 2 ml cada. é produzida na Itália na LPB PHARMACEUTICALS de Milano.

*HALOSTIN (Fluoximesterona): É utilizado nas últimas semanas que antecedem o campeonato por ser muito tóxico ao fígado. O objetivo é aumentar o nível de andróginos no organismo enquanto estiver realizado super compensação de características principal o poder de não reter muita água. O Halostin, no momento, só parece estar sendo produzido pela UPOHJN na Grécia. Pode causar mudanças de comportamento por ser uma droga altamente androgênica.

Apresentação: Frasco com 20 comprimidos de 5 mg cada produzido pela Upjohn.

*HEMOGENIN (Oximetolona): Esta droga é conhecida como esteróide oral mais perigoso que um culturista pode tomar. Ele ocasiona um rápido ganho de força e volume muscular, mas devido a sua toxidade ao fígado, a dose e o ciclo devem ser limitados, pois sua utilização pode tomar mais pronunciados os outros efeitos colaterais, mas mesmo em doses menores, é de praxe o uso de Novaldex para se limitar os feitos indesejáveis. Não ultrapasse o tempo de uso de 6 semanas, e os intervalos de consumo sejam de no mínimo 6 a 8 semanas.

Apresentação: Caixa com 10 comprimidos de 50 mg cada. É produzido pela Syntex no Brasil.

*PROVIRON (Mesterolona): Este é um esteróide anti-aromatizante não tóxico. Mas também não tem propriedades anabólicas. Muitos atletas utilizam o para combater a Ginecomastia e aumentar a densidade muscular.

Apresentação: Frasco com 20 comprimidos sulcados. É produzido pela Shering do Brasil.

*PRIMOBOLAN (Mentelona): É considerado atualmente o anabolizante favorito para ser consumido na fase de pré-competição por produzir densidade muscular em dieta para a perda de gordura e liquido subcutâneo. É também muito apreciando pelas mulheres.

Apresentação: Caixa com comprimidos( 50 de 25 mg) ou ampolas(10 de 20 mg), todos produzidos pela Shering da Europa.

*PARABOLAN (Trembolone): Excelente esteróide para efeito cosmético, ou seja nas fases de competições. Se tomar com outros anabolizantes, administrar junto o Novaldex.

Apresentação: Caixa com uma ampola de 76 mg/1,5 ml. É produzido pela Negma.

*TESTOVIRON (): Esta é uma das testosterona de ação mais prolongada no organismo. Muito utilizada no final de ciclos para permitir uma volta gradual da produção fisiológica da testosterona, evitando assim choque vertiginoso com perda de peso, como acontece ao intervalo de outros esteróides.

Apresentação: Ampola de 250 mg produzido na Europa pela Shering

*WINSTROL (Stanozolol): Esteróide de pouca retenção hídrica, e com pequenas taxas anabólicas. É controvertido no mundo do culturismo. pois uns afirmam que não tem efeito nenhum e outros afirmam que tem efeitos ótimos. Pode ser que pessoas não tenham os receptores para esse tipo de bola, não ocorrendo nada, mas em outras pessoas que tenham o receptor ocorre boas mudanças.

Apresentação:

Caixa com 30 comprimidos ou caixa com 3 ampolas. É produzido pela Zambon.

Rodrigo Henrique de Oliveira

SISTEMA NERVOSO CENTRAL

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Autor: Rafael Marcatti

1- Introdução

Admite-se que no homem adulto de estatura mediana o menor encéfalo compatível com a inteligência normal seria de 900 gramas. Acima deste limite as tentativas de se correlacionar o peso do encéfalo com o grau de inteligência esbarram em numerosas exceções (este se refere ao peso corporal e não ao grau de inteligência, pois ainda não se consegui provar de forma alguma qual dos dois sexos é mais inteligente).

A inteligência não se refere somente a quantidade de massa cinzenta, mas sim a capacidade que os seres humanos tem de entender, raciocinar, interpretar e relacionar o conhecimento sobre experiências vividas e não vividas, e a capacidade adaptativa do ser humano a novas situações.

O Sistema Nervoso Central necessita de grande aporte de oxigênio e glicose para o seu metabolismo, por isso o fluxo sanguíneo é geralmente intenso.

A parada da circulação por 7 (sete) segundos leva o indivíduo à perda da consciência e com 5 (cinco) minutos já começa a ocorrer lesões irreversíveis.

As diferentes áreas são lesadas em tempos diferentes de forma que o centro respiratório do bulbo é o último a ser lesado.

O fluxo sangüíneo cerebral é superado somente pelo rim e coração.

O encéfalo é irrigado pelas artérias carótidas internas e vertebrais. Na base do crânio essas artérias irão formar o polígono de Willis.

As artérias cerebrais têm as paredes finas, comparáveis às veias com a finalidade de amortecer e proteger o tecido nervoso do choque da onda sistólica que é a responsável pela pulsação das artérias.

2- O Sistema Nervoso Central (SNC)

O Sistema Nervoso tem a capacidade de receber, transmitir, elaborar e armazenar informações. Recebe informações sobre mudanças que ocorrem no meio externo, isto é, relaciona o indivíduo com seu ambiente e inicia e regula as respostas adequadas. Não somente é afetado pelo meio externo, mas também pelo meio interno, isto é, tudo que ocorre nas diversas regiões do corpo. As mudanças no meio externo são apreciadas de forma consciente, enquanto as mudanças no meio interno não tendem a ser percebidas conscientemente. Quando ocorrem mudanças no meio, e estas afetam o sistema nervoso, são chamadas de estímulos. O sistema nervoso, junto com o endócrino, desempenha a maioria das funções da regulação do organismo. O sistema endócrino regula principalmente as funções metabólicas do organismo.

Com a denominação de sistema nervoso compreendemos aquele conjunto de órgãos que transmitem a todo o organismo os impulsos necessários aos movimentos e às diversas funções, e recebem do próprio organismo e do mundo externo as sensações.

No sistema nervoso distingue-se uma parte nervosa central, formada pelo eixo cérebro-espinhal, da qual partem os estímulos e à qual chegam as sensações, e uma parte nervosa periférica, formada pelos nervos, os quais servem para “conduzir” a corrente nervosa. Os nervos transportam à periferia os estímulos e dela recebem as diversas sensações que, com percurso inverso, são conduzidas ao sistema nervoso central.

O sistema nervoso central é a parte nobre do nosso organismo: por presunção é a sede da inteligência, o lugar onde se formam as idéias e o lugar do qual partem as ordens para a execução dos movimentos, para a regulação de todas as funções; é o anteparo ao qual chegam as impressões da vista, do ouvido, do tacto, do olfato, dos sabores.

No sistema nervoso central fica, em suma, o comando de todo o organismo, seja entendido no sentido físico, seja no sentido psíquico. Toda a lesão que ocorra em uma parte qualquer do sistema nervoso central é quase sempre permanente e não pode ser reparada.

3- O cerebelo
É o centro coordenador dos movimentos e intervém também no equilíbrio do corpo e na orientação. Apresenta dobras em sua superfície e a substância cinzenta de sua parte cortical penetra no interior da branca, formando arborizações chamadas “árvore da vida”; entre seus dois hemisférios se interpõe uma pequena saliência chamada Vérnix.

O cerebelo constitui a parte posterior e inferior do encéfalo; tem ele contacto com as fossetas inferiores do osso occipital. A cissura transversal separa o cerebelo do cérebro, de modo que o cerebelo parece uma massa nervosa independente. Ela, na verdade, está unida ao cérebro somente por dois prolongamentos: os pedúnculos cerebelares superiores. Também no cerebelo, como no cérebro, a substância cinzenta está na periferia e a substância branca no interior; esta se ramifica no interior do cerebelo como os ramos de uma planta, pelo que os antigos anatomistas a chamaram de “arbor vitae” (árvore da vida). Os pedúnculos cerebelares médios ligam o cerebelo à ponte de Varólio, e os pedúnculos cerebelares inferiores a põem em comunicação com o bulbo ou medula alongada.

3.1- Divisão do Cerebelo

O cerebelo está dividido em duas partes por um sulco sagital, pelo que se distinguem dois lobos laterais reunidos, no centro, por um lobo mediano. O cérebro e o cerebelo constituem a parte superior do encéfalo em direto contato com os ossos cranianos. Entre a massa do cérebro e a do cerebelo, que, de fato, enchem a cavidade craniana, e a medula espinhal que, depois de ter percorrido o canal vertebral, entra no crânio pelo buraco occipital, há um segmento de substância nervosa que faz a ligação – é o tronco cerebral.

3.2- Localização do Cerebelo

O Cerebelo localiza-se logo abaixo do cérebro e possui seguintes funções: Coordena os movimentos comandados pelo cérebro, garantindo uma perfeita harmonia entre eles, dá o tônus muscular, isto é, regula o grau de contração do músculo em repouso, mantém o equilíbrio do corpo, graças às suas ligações com os canais semicirculares do ouvido interno.

4- Bulbo
Tem sua origem na base do crânio e continua na medula. É um órgão elaborador de atos reflexos e, como tal, rege a atividade de funções tão importantes para a vida como a respiratória e a do coração.

4.1- Localização do Bulbo

Localizado abaixo da ponte, controla importantes funções do nosso organismo, entre elas: a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos e certos atos reflexos (como a deglutição, o vômito, a tosse e o piscar dos olhos).

5- O Cérebro
É o órgão onde se radicam a sensibilidade consciente, a mobilidade voluntária e a inteligência; por este motivo é considerado como o centro nervoso mais importante de todo o sistema.

Apresenta um profundo sulco que chega até o corpo caloso e o divide em dois hemisférios simétricos (esquerdo e direito).

5.1- Córtex Cerebral

O córtex cerebral constitui o nível superior na organização hierárquica do sistema nervoso; encontra-se repregada apresentando pregas ou circunvoluções e figuras ou canais. O córtex cerebral não é homogêneo, encontrando-se diferenças na espessura total, nas das diferentes capas e na conformação celular fibrilar.

5.2- Ações Voluntárias e Involuntárias

O cérebro contém os centros nervosos relacionados com os sentidos, a memória, o pensamento e a inteligência. O cérebro coordena também as ações voluntárias desenvolvidas pelo indivíduo, além de comandar atos inconscientes.

5.3- Áreas Cerebrais Específicas

Para explicar o grupo de estruturas de neurônios, conhecido pelo nome de córtex, em quatro áreas altamente especializadas.

Cada uma destas áreas tem uma maneira de perceber, selecionar e processar as informações necessárias unicamente para cumprir sua tarefa específica.

5.4- Lobo posterior esquerdo.

Especializado em desenvolver seqüências e processos etapa por etapa. É o especialista das rotinas. Sempre que fazemos uma tarefa seqüenciada é esta à parte que domina, por exemplo, ao fazer uma conta com muitos números, fabricar objetos ou prestar serviços. Também é a parte que rotula e guarda as palavras. O meio cientifico e industrial o explora ao máximo para produzir alimentos, casas, roupa e tudo que se relaciona a processos automatizados. As pessoas que têm esta área como líder são detalhistas, organizadas, preferem os procedimentos sujeitos a regras bem definidas e são grandes produtores de bens ou serviços.

5.5- Lobo posterior direito
É o especialista em perceber as relações harmônicas do mundo ao redor. Isto é, percebe através dos sentidos as partes do mundo cujos dados são úteis para chegar à harmonia e criá-la quando não existe. São as pessoas que, ao receber uma mensagem, percebem com maior facilidade o tom e os gestos do que as palavras que estão escutando. Esta área lidera as pessoas solidárias, que criam laços de boa vontade, lealdade e confiança com sua família, seu grupo de amigos, seus companheiros de trabalho e a sociedade em geral. São pessoas sensíveis e com alta noção de pertencer a um grupo.

5.6- Lobo frontal direito

Percebe padrões e relações abstratas. Por exemplo, ao ver um rosto, é a parte que desenha a caricatura. E também é o grande especialista em detectar as “tendências”. Percebe mudanças e usa a imaginação para criar novas respostas, produtos, serviços ou estratégias. Também é o responsável por gestos e a linguagem corporal. Portanto, as pessoas que têm esta parte como líder gesticulam e precisam mover seu corpo quando estão falando. São pessoas sensíveis, criativas, visionárias e inovadoras.

5.7- Lobo frontal esquerdo

Tem maior habilidade para a análise lógica e é eficaz quando se trata de calcular, avaliar e diagnosticar porque “vê” a estrutura. Isto é, é a parte que sustenta, estimula ou impede alguma coisa. Portanto, sabe focalizar as metas e avaliar os resultados de uma ação.

São as pessoas que preferem falar apenas para comunicar alguma coisa: uma ordem, uma conclusão ou a pergunta exata. As pessoas que têm esta área como líder não hesitam em tomar as decisões necessárias. São lógicos, dirigentes natos, sabem negociar e debater.

5.8- Principal Órgão do Sistema Nervoso Central

O cérebro é o principal órgão do sistema nervoso e o centro de controle de todo o corpo, tanto das ações voluntárias quanto das involuntárias. É por isso que, mesmo se estiver dormindo, você respira e o coração bombeia sangue. Tudo porque o grande capitão fica no comando dos controles dessa nave fascinante e complexa que é o seu corpo. Ademais, quando você está acordado, cada vez que pensa, sente, se lembra de alguma coisa ou fala, é também seu cérebro que está operando, ou seja, esteja você dormindo ou acordado, seu cérebro se encarrega de que todos os sistemas de seu corpo funcionem normalmente.

Mas as pessoas não são apenas um corpo que subsiste, mas seres que participam num mundo de relacionamentos consigo mesmo e com o mundo ao redor.

Dentro desse mundo há muitas outras pessoas e outros elementos, aquilo que se chama a “realidade”. Isto é, fatores que abrangem tudo, do clima e meio geográfico aos padrões de comportamento social, de trabalho e econômico.

Para responder a todas essas exigências externas, o cérebro humano trabalha para desenvolver habilidades e respostas eficientes. É o grande aliado de cada um e o que nos ajuda a viver e a negociar com a realidade.

Neste sentido, há um elemento muito importante: seu cérebro sempre atua procurando seu bem-estar e seu progresso pessoal.

6- Barreira Encefálica:

As barreiras encefálicas podem ser conceituadas como dispositivos que impendem ou dificultam a passagem de substancias do sangue para o tecido nervoso, do sangue para o líquor, ou do líquor para o sangue.

7- Vascularização Cerebral

A circulação arterial do cérebro apresenta duas origens que convergem entre si: o sistema carotídeo e o sistema vertebral.

As artérias do cérebro provem de quatro grossos troncos arteriais que entram no crânio para se disporem na massa encefálica. Destes troncos arteriais uns são anteriores e outros posteriores, os anteriores são as duas carótidas internas e os posteriores são as duas artérias vertebrais.

A artéria carótida direita nasce do tronco arterial bráquio-cefálico e a artéria carótida esquerda diretamente da aorta: ambas passam na frente do pescoço, onde cada artéria se bifurca, originando as artérias carótidas internas e externas.

Por sua vez as artérias carótidas internas divide-se em duas, formando as artérias cerebrais médias e as artérias cerebrais anteriores. Estas últimas unem-se através da artéria comunicante anterior, dando origem à porção anterior do polígono de Willis.

As carótidas transportando 300-400 ml/m de sangue, irrigam, através dos seus ramos intracerebrais, a maior parte, dos hemisférios cerebrais, os gânglios da base e os conteúdos das órbitas.

As artérias vertebrais são comunicações da artéria subclávia. Estas atravessam os buracos transversários das vértebras cervicais, até alcançarem o áxis, dirigindo-se posteriormente ao atlas e cérebro.

As duas artérias vertebrais, uma de cada lado unem-se na frente do tronco cerebral, para formar a artéria basilar. Na parte superior do mesencéfalo, a artéria basilar bifurca-se, para formar as artérias cerebrais posteriores, e as artérias comunicantes posteriores, ou seja, a porção posterior do polígono de Willis.

As artérias comunicantes posteriores ligam das artérias posteriores às artérias carótidas internas e completam o polígono de Willis.

8- O Polígono de Willis
O polígono de Willis é um circuito arterial fechado que se encontra na base do cérebro e desenha uma figura geométrica conhecida por heptágono de Willis.

Este heptágono é constituído adiante pelas artérias cerebrais anteriores, unidas entre si pela comunicante anterior; atrás encontram-se as artérias cerebrais posteriores e lateralmente apresentam-se as comunicantes posteriores ou laterais.

O polígono de Willis constitui o sistema anastemótico mais importante entre os dois territórios carotídeos (através da artéria comunicante anterior) e entre estes e o território vertebrobasilar (através das artérias comunicantes posteriores).

9- Territórios Vasculares
Os principais ramos das artérias cerebrais que irrigam os hemisférios e as estruturas sub-corticais são as artérias cerebrais anterior, posterior e média. Cada uma destas artérias cerebrais é responsável pelo território cerebral que irriga, logo uma obstrução produz sinais focais específicos para a artéria envolvida.

9.1- Diferentes Territórios Vasculares
Os diferentes territórios vasculares irrigados pelas artérias cerebrais anteriormente referidas encontram-se descritas abaixo:

9.2- Artéria Cerebral Anterior
Ramo da carótida interna percorre a fissura longitudinal do cérebro e sua obstrução leva a paralisia e diminuição da sensibilidade do membro inferior do lado oposto.

– face interna do lobo frontal

– porção anterior de face interna do lobo parietal

– cápsula interna anterior

– núcleo caudado inferior

– fórnix anterior

– 4/5 anteriores do corpo caloso região anterior dos gânglios da base

9.3- Artéria Cerebral Posterior
Ramo da bifurcação da artéria basilar percorre a face inferior do lobo temporal e se dirigem para o lobo occipital. Sua obstrução causa cegueira em uma parte do campo visual.

– face interna do lobo occipital

– porção posterior da face interna do lobo temporal

– porção posterior do corpo caloso

– mesencéfalo grande parte do tálamo óptico

9.4- Artéria Cerebral Média
Ramo principal da carótida interna percorre o sulco lateral e vasculariza a maior parte da face súpero-lateral de cada hemisfério. As obstruções quando não fatais levam a diminuição da sensibilidade do lado oposto do corpo (exceto membro inferior) podendo haver também graves distúrbios da linguagem.

– face externa do hemisfério cerebral (lobo frontal, parietal e temporal)

– porção posterior da cápsula interna

– cápsula externa

– parte externa

– maior parte do núcleo caudado

Conclusão
Com base no conteúdo apresentado, fica claro a importância de uma vascularazição íntegra para o bom funcionamento do Sistema Nervoso Central e de todas nossas funções vitais.

Podemos dizer que existem os principais ramos das artérias cerebrais que irrigam os hemisférios e suas principais estruturas que são as artérias cerebrais anterior, posterior e média.

Cada uma destas artérias cerebrais é responsável pelo território cerebral que irriga, logo uma obstrução produz sinais focais específicos para a artéria envolvida.

O polígono de Willis é um circuito arterial fechado que se encontra na base do cérebro e desenha uma figura geométrica conhecida por heptágono de Willis.

É constituído pelas artérias cerebrais anteriores, unidas entre si pela comunicante anterior; atrás encontram-se as artérias cerebrais posteriores e lateralmente apresentam-se as comunicantes posteriores ou laterais.

Referências Bibliográficas:

1- BOBATH, Berta (1990). Hemiplegia no adulto: Avaliação e tratamento, São Paulo: Editora Manole;

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5- MAUSNER & BAHN (1999). Introdução à epidemiologia (2ª Ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian;

6- O’ SULLIVAN, S. (1993). Avaliação e tratamento (2ª Ed.). São Paulo: Editora Manole;

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8- WILLARD & SPACKMAN (1998). Terapia Ocupacional (9ª Ed.). Philadelphia: Lippincott-Raven Publishers.

BETA BLOQUEADORES

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Autor: Bruna Amorim

1 HAS – Hipertensão Arterial Sistêmica

A hipertensão arterial sistêmica atualmente não pode mais ser vista apenas como uma condição clínica em que as cifras tensionais estão acima de um determinado valor. Na verdade a hipertensão arterial existe num contexto sindrômico, com alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas, entre as quais a própria elevação dos níveis tensionais, as dislipidemias, a resistência insulínica, a obesidade centrípeta, a microalbuminúria, a atividade aumentada dos fatores de coagulação, a redução da complascência arterial e a hipertrofia com alteração da função diastólica do VE.

1.1 Fisiopatologia

A perfusão tecidual adequada é garantida pela manutenção da força motriz da circulação, a pressão sanguínea, em níveis adequados e razoavelmente constantes, esteja o indivíduo em repouso ou desenvolvendo diferentes atividades. Modificações importantes de fluxo ocorrem em diferentes quadros comportamentais assumidos pelo indivíduo nas 24 horas; essas modificações, no entanto, não causam grandes alterações dos níveis pressóricos, pela interação de complexos mecanismos que mantêm a pressão dentro de uma faixa relativamente estreita de variação.

A pressão, definida como força/unidade de área, é uma entidade física. A pressão arterial, portanto, depende de fatores físicos, como volume sanguíneo e capacitância da circulação, sendo resultante da combinação instantânea entre o volume minuto cardíaco (ou débito cardíaco = freqüência cardíaca x volume sistólico), a resistência periférica e a capacitância venosa, que condiciona a pré-carga e, portanto, o volume sistólico. Cada um desses determinantes primários da pressão arterial é, por sua vez, determinado por uma série de fatores. A manutenção (componente tônico) bem como a variação momento a momento da pressão arterial (componente fásico) dependem de mecanismos complexos e redundantes que determinam ajustes apropriados da freqüência e da contratilidade cardíacas, do estado contrátil dos vasos de resistência e de capacitância e da distribuição de fluido dentro e fora dos vasos.

Na hipertensão estabelecida, existem alterações em praticamente todos esses controladores, sendo difícil estabelecer quais os que tiveram papel preponderante no desencadeamento de mesmo na manutenção de valores elevados de pressão arterial. Embora seja improvável que todos esses fatores estejam alterados ao mesmo tempo num dado paciente, arranjos múltiplos podem ser encontrados, uma vez que o marcador hemodinâmico da hipertensão primária é o aumento persistente da resistência vascular periférica, o qual pode ser determinado por meio de diferentes associações desses fatores determinantes. Dessa forma, os mecanismos que promovem desequilíbrio entre os fatores pressores e depressores e induzem alteração do calibre das arteríolas merecem especial atenção. Eles atuam basicamente na contração da musculatura que regula a luz do vaso ou na espessura da musculatura, ocupando maior ou menor parte do lúmen, ou em ambas.

1.1.1 Mecanismos Neurogênicos: Aspectos funcionais no controle do tônus vascular — o sistema nervoso simpático

A variação do tônus vascular depende de diferentes fatores funcionais. Dentre eles destaca-se a atividade simpática gerada centralmente e modulada por aferências de diferentes reflexos e por substâncias vasopressoras ou vasodepressoras circulantes ou produzidas pelas células da musculatura lisa ou endoteliais. Um considerável número de evidências dá suporte ao aumento da atividade simpática precocemente na hipertensão). Sabe-se que pelo menos três maiores arcos reflexos estão envolvidos na modulação da atividade simpática, ligados aos barorreceptores arteriais (alta pressão), aos receptores cardiopulmonares (baixa pressão) e aos quimiorreceptores arteriais.

Pressorreceptores arteriais

Os pressorreceptores arteriais são o mais importante mecanismo de controle reflexo da pressão arterial, momento a momento. A deformação da parede dos vasos induzida por aumentos da pressão arterial gera potenciais de ação que são conduzidos ao núcleo do trato solitário, no sistema nervoso central. A partir daí, são produzidas respostas de aumento da atividade vagal e queda da freqüência cardíaca bem como de redução da atividade simpática para o coração e os vasos, contribuindo para a bradicardia, reduzindo a contratilidade cardíaca e a resistência vascular periférica e aumentando a capacitância venosa.

Na hipertensão sustentada, esses mecanorreceptores sofrem adaptação, deslocando sua faixa de funcionamento para um novo nível de pressão arterial, que normalmente é acompanhada de redução da sensibilidade dos pressorreceptores. Isso determina que, para uma igual variação da pressão arterial, os hipertensos tenham menor quantidade de informações e, conseqüentemente, deficiência na regulação reflexa da pressão arterial. A menor sensibilidade dos barorreceptores é provavelmente o maior determinante do aumento da variabilidade da pressão arterial em indivíduos hipertensos, e de forma indireta associada às conseqüentes lesões dos órgãos-alvo. A disfunção barorreflexa tem sido demonstrada em várias doenças cardiovasculares e na hipertensão clínica e experimental. O controle reflexo da circulação comandado pelos barorreceptores tem sido reconhecido também como um importante preditor de risco após evento cardiovascular.

Receptores cardiopulmonares

Três grupos de receptores são ativados por mudanças na pressão das câmaras cardíacas. O primeiro grupo, localizado nas junções veno-atriais, é ativado pelo enchimento e pela contração atriais. A distensão mecânica dessas regiões provoca aumento da freqüência cardíaca, em decorrência da elevação da atividade simpática para o nodo sinoatrial, sem alterar a atividade das fibras eferentes vagais para o coração ou das fibras simpáticas para o miocárdio. O aumento da freqüência cardíaca ajuda a manter o volume cardíaco relativamente constante durante aumentos no retorno venoso. Além disso, a distensão mecânica do átrio causa vasodilatação da vasculatura muscular esquelética e aumento do débito urinário de água pelo rim. A diurese é determinada por inibição da secreção do hormônio antidiurético pela neuro-hipófise e pela redução da atividade simpática renal.

O segundo grupo de receptores cardiopulmonares, cujas aferências não-mielinizadas trafegam pelo vago, comporta-se, quando ativado, como os mecanorreceptores carotídeos e aórticos, reduzindo a atividade simpática e aumentando a atividade do vago para o coração. A modulação da atividade simpática comandada por esses receptores é especialmente importante na regulação da resistência vascular renal. Em algumas situações, os aferentes vagais não mielinizados podem reforçar (hemorragia) ou se opor (insuficiência cardíaca) à ação dos mecanorreceptores arteriais.

O terceiro grupo de aferentes cardiopulmonares trafega junto aos aferentes cardíacos simpáticos até a medula espinhal. São aferentes mielinizados e não-mielinizados (a maioria) e são ativados por estímulos mecânicos ou por substâncias produzidas/liberadas no próprio miocárdio. Sua importância funcional não está totalmente esclarecida, mas parecem ser ativados por estímulos químicos gerados em áreas isquêmicas do miocárdio, quando também ocorre sensação dolorosa (dor anginosa).

Os reflexos cardiopulmonares podem ser testados experimentalmente pela injeção endovenosa de substâncias químicas (reflexo de Bezold-Jarisch), como a serotonina, provocando bradicardia e hipotensão, ou pela expansão do volume plasmático, aumentando o retorno venoso e a pressão de enchimento atrial e ventricular, provocando inibição reflexa da atividade simpática (bradicardia e vasodilatação).

Quimiorreceptores arteriais

As trocas gasosas nos pulmões e a excreção de ácidos e bases pelos rins são responsáveis pela manutenção de níveis adequados dos valores de PO2 (pressão parcial de oxigênio), PCO2 (pressão parcial de gás carbônico) e pH (concentração de íons hidrogênio). Aumentos ou quedas de PO2, PCO2 e/ou pH elicitam respostas homeostáticas para corrigir essas variações a partir da sensibilidade dos quimiorreceptores arteriais, estruturas localizadas estrategicamente no circuito arterial (corpúsculos aórticos e carotídeos). A estimulação dos quimiorreceptores provoca o aumento da amplitude e da freqüência respiratória. O aumento resultante na ventilação é ajustado precisamente de maneira a restaurar os gases sanguíneos e o pH a seus valores normais. O aumento da ventilação também ativa os mecanorreceptores pulmonares, causando mudanças circulatórias reflexas que parcialmente se sobrepõem às mudanças devidas à estimulação dos quimiorreceptores isoladamente.

1.1.2 Sistema nervoso simpático: papel na gênese e na manutenção da hipertensão

Dos fatores funcionais, a atividade simpática modulada por diferentes aferências e substâncias parece ser um fato importante, não só na gênese como na manutenção da hipertensão. O simpático também contribui para o crescimento da parede vascular, influenciando, conseqüentemente, os fatores estruturais.

Embora não esteja definitivamente comprovada, inúmeras evidências apontam para a participação do aumento da atividade do sistema nervoso simpático na patogênese da hipertensão arterial. Como a hipertensão arterial é multifatorial, a atividade simpática aumentada pode interagir com outros fatores que contribuem para o desenvolvimento da hipertensão arterial. As catecolaminas, além de aumentarem o tônus dos vasos de resistência nas fases iniciais da hipertensão, seriam também estimuladoras de mecanismos tróficos nos vasos, os quais manteriam a hipertensão por indução de hipertrofia vascular.

A ligação entre o estresse emocional e a hipertensão arterial e o papel do estresse na gênese da hipertensão arterial vêm sendo alvos de grande interesse na literatura. Evidências de que a adrenalina liberada de forma intermitente poderia provocar vasoconstrição neurogênica sustentada e hipertensão pela ação em receptores pré-sinápticos facilitando a liberação de norepinefrina reforçam essa possibilidade.

Observações clínicas sugerem que indivíduos hipertensos ou com predisposição genética para a hipertensão respondem de forma mais acentuada ao estresse. Por outro lado, em indivíduos que vivem ou trabalham em situações estressantes a prevalência da hipertensão pode ser até cinco vezes maior que em indivíduos afastados dessas situações(31). As dificuldades em se atribuir ao estresse um papel mais definido na gênese da hiperatividade simpática associada à hipertensão arterial está na observação de existirem, num mesmo indivíduo, outros fatores de risco associados (dieta, nível econômico, sedentarismo e hábitos sociais).

Independentemente de seu papel na patogênese da hipertensão, associa-se à atividade do simpático o aumento da morbidade e da mortalidade cardiovasculares que acometem os pacientes durante as primeiras horas da manhã. Nesse período, associado à fase do pré-despertar e também ao ato de se levantar após uma noite em decúbito(33), ocorre aumento da atividade alfa-simpática (substituindo a queda da atividade durante o sono), estabelecendo o nível de atividade existente na vigília. Como conseqüência, há vasoconstrição arterial e a pressão arterial se eleva de forma abrupta. Esse aumento é parcialmente responsável pela maior ocorrência de morte súbita, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio nas primeiras horas da manhã.

Além das rápidas respostas neurais, os diferentes receptores cardiovasculares modulam também a liberação de vários hormônios que participam da manutenção dos valores basais da pressão arterial. Durante quedas sustentadas da pressão arterial, por exemplo, ocorre maior liberação de epinefrina e norepinefrina pela medula adrenal, maior liberação de vasopressina pela neuro-hipófise e aumento dos níveis plasmáticos de renina. Esses sistemas hormonais prolongam por minutos ou até mesmo horas as respostas cardiovasculares comandadas pelos diferentes receptores. Entre eles, um dos mais amplamente estudados é o sistema renina-angiotensina. (IRIGOYEN e Cols, 2003)

1.1.3 Mecanismos Renais e Sistema Renina-Angiotensina

Os rins estão envolvidos tanto na retenção de sódio e água como na liberação alterada de Renina (aumenta PA) ou prostaglandinas (depressores de PA). Os rins influenciam tanto a resistência periférica quanto a homeostasia do sódio, e o sistema Renina-angiotensina. A renina (pequena enzima protéica) é elaborada por células do rim quando a pressão arterial cai a valores muito baixos, que transforma o angiotensinogênio plasmático em Angiotensina I sendo convertida em Angiotensina II (que possui propriedades vasoconstritoras) que altera a pressão arterial ao aumentar tanto a resistência periférica quanto o volume sangüíneo. O 1o efeito é obtido através da capacidade de causar vascoconstrição através de uma ação direta sobre o músculo liso vascular. O 2o efeito decorre da estimulação da secreção de aldosterona, que aumenta a reabsorção tubular distal de sódio e portanto de H2O

2 beta bloqueadores

A hipótese formulada por Ahlquist, segundo a qual os efeitos da catecolamina eram mediadas pela ativação dos receptores a e ß-adrenérgicos distintos forneceu o impulso inicial para síntese e a avaliação farmacológica dos bloqueadores ß-adrenérgicos. O primeiro agente seletivo foi o dicloroisoprotenerol. Todavia, esse composto é um agonista parcial e aceitou-se que essa propriedade impossibilitasse seu uso clínico seguro. No final da década de 1950, Sir James Black e colaboradores iniciaram um programa visando ao desenvolvimento de outros agentes desse tipo. Embora a utilidade do primeiro antagonista desenvolvido, o pronetalol, fosse limitada pela produção de tumores no timo em camundongos, apareceu logo o propranolol (GOODMAN & GILMAN, 2003). Até hoje o propranolol tem sido a prolífica droga-mãe, ponto principal de referência para todos os beta bloqueadores (SILVA, 2002).

2.1 Conceito

O termo beta bloqueador deve ser reservado exclusivamente àquelas substâncias que demonstram antagonismo específico ai estímulo beta endógeno ou exógeno. Todos os beta bloqueadores inibem competitivamente os efeitos das catecolaminas no local do receptor beta (Silva, 2002).

2.2 Relação Estrutura X Ação

Todos os beta bloqueadores até hoje desenvolvidos têm estrutura semelhante à do isoproterenol (fig2). A parte da estrutura responsável pela afinidade aos receptores ß-adrenérgicos é a cadeia alifática lateral e a hidroxila ligada ao carbono beta.

2.3 Mecanismo de Ação

Os Beta bloqueadores competem especificamente com agentes estimulantes de receptores b-adrenérgicos, pelos sítios receptores disponíveis. Quando o acesso aos sítios receptores b-adrenérgicos é bloqueado as respostas cronotrópicas, inotrópicas, e vasodilatadora do estímulo b-adrenérgico são proporcionalmente diminuídas. O mecanismo de efeito anti-hipertensivo, não está totalmente elucidado. Entre os fatores que podem estar envolvidos, contribuindo para a ação anti-hipertensiva, estão: a diminuição do débito cardíaco com reajuste da sensibilidade dos barorr3ceptores; inibição da secreção de renina pelos rins; a diminuição do tônus simpático, provenientes dos centros vasomotores do cérebro (SILVA, 2002).

Os antagonistas dos receptores b-adrenérgicos exercem efeitos significativos sobre o ritmo cardíaco e automaticidade. Reduzem a freqüência sinusal, diminuem a velocidade espontânea de despolarização de marca-passos ectópicos, retardam a condução nos átrios e no nodo AV e aumentam o período refratário funcional do nodo AV (GOODMAN & GILMAN, 2003).

3 CLASSIFICAÇÃO

3.1 ANTAGONISTA ß NÃO SELETIVO

3.1.1 PROPRANOLOL

Trata-se de um protótipo útil. Interage com os receptores ß1 e ß2 com igual afinidade, carece de atividade simpaticomimética intrínseca e não bloqueia os receptores alfa adrenérgicos. O propranolol reduz a freqüência sinusal em 10 a 20%. Pode ocorrer bradicardia severa na presença de doença do nó sinusal ou se a FC é muito dependente do tônus adrenérgico.

3.1.2 LABETALOL

As ações do Labetolol sobre os receptores ß e a1 adrenérgicos contribuem para queda de pressão arterial em pacientes hipertensos. O bloqueio dos receptores a1 causa relaxamento do músculo liso arterial e vasodilatação. O bloqueio ß1 também contribui para queda da pressão arterial, em parte pelo bloqueio da estimulação simpática reflexa do coração. Além disso, a atividade simpáticomimética intrínseca do labetolol no nível dos receptores ß2 pode contribuir para vasodilatação.

3.1.3 NADOLOL

Antagonista de ação longa com igual afinidade pelos receptores ß1 e ß2-adrenérgicos. Possui meia vida relativamente prolongada.

3.1.4 PINDOLOL

É um antagonista ß-adrenérgico não seletivo dotado de atividade simpaticomimética intrínseca, com baixa atividade de estabilização de membrana e lipossubilidade moderada.

3.2 ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS ß1-SELETIVOS

3.2.1 METOPROLOL

Desprovido de atividade simpaticomimética.

3.2.2 ATENOLOL

Desprovido de atividade simpaticomimética, tem meia vida relativamente maior que o metoprolol e, por ser muito hidrofílico, parece penetrar no cérebro apenas em grau limitado.

3.2.3 ESMOLOL

Duração de ação muito curta, pouca ou nenhuma atividade simpaticomimética intrínseca e sem ação estabilizadora de membrana.

3.2.4 ACEBUTOLOL

Apresenta alguma atividade simpaticomimética intrínseca.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 10ª edição. Editoda Mc Graw Hill; Rio de Janeiro, 2003.

IRIGOYEN, Maria Claudia; LACCHINI, Silvia; ANGELIS, Kátia de; MICHELINI, Lisete C.. Fisiopatologia da Hipertensão: O que avançamos?. Artigo publicado na Revista da Sociedade de Cardiologia de São Paulo, 2003.

RANG, H.P.; DALE, M.M.; RITTER, J.M.; MOORE, P.K.. Farmacologia. 5ªedição. Editora Elsevier, Rio de Janeiro, 2003.

SILVA, Penildon. Farmacologia. 6ªedição. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2002.

NEUROPLASTICIDADE

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Autor: Glauber Carlos Liberato

“Existem evidências anatômicas e funcionais de que a plasticidade é potencializada pela atividade assim como por manipulação.”

Raineteau e colaboradores (2001).

1. Introdução

A Plasticidade cerebral consiste na capacidade adaptativa SNC – sua habilidade em modificar a organização estrutural própria e seu funcionamento, desde as respostas às lesões traumáticas destrutivas, e até as sutis alterações resultantes dos processos de aprendizagem e memória.

Este fato é melhor compreendido através do conhecimento do neurônio, da natureza das suas conexões sinápticas e da organização das áreas cerebrais. A cada nova experiência do indivíduo, redes de neurônios são rearranjadas, outras tantas sinapses são reforçadas e múltiplas possibilidades de respostas ao ambiente tornam-se possíveis.

Para os profissionais da área fisioterápica, a idéia de neuroplasticidade é de grande valia, pois constitui um avanço fantástico no processo de reabilitação. Esse processo depende da reorganização de circuitos que foram seccionados pela lesão. A plasticidade sináptica proporciona formação de novos circuitos em brotamentos colaterais que são estruturas importantes para o processo de recuperação. Enfim, existem evidências anatômicas e funcionais de que a plasticidade é potencializada pela atividade assim como por manipulação (RAINETEAU em Plasticity of Motor Systems After Incomplete Spinal Cord Injury, 2001).

2. Grau de Neuroplasticidade

Existem alguns fatores que determinam o grau de neuroplasticidade, que varia com a idade do indivíduo, local, tempo da lesão e a natureza da mesma, esses repercutem diretamente no potencial de recuperação funcional após o acometimento neural.

É durante o desenvolvimento ontogenético que o sistema nervoso é mais plástico, principalmente na fase denominada de período crítico, em que é mais suscetível a transformações. Este tipo de período crítico dura algumas horas. Modificações plásticas não são privilégios de animais jovens ou imaturos e podem ocorrer também em indivíduos adultos.

Segundo relatos encontrados na literatura a recuperação das funções perdidas em uma lesão cerebral se dá por partes adjacentes de tecido nervoso que não foram lesadas, e o efeito da lesão dependeria mais da quantidade de tecido poupado do que da localização da lesão; pela alteração qualitativa da função de uma via nervosa íntegra controlando uma função que antes não era sua; através de estratégias motoras diferentes para realizar uma atividade que esteja perdida.

A recuperação da lesão passa por processos diferenciados que variam desde a existência de vias motoras latentes em várias áreas do córtex ou no hemisfério contralateral que podem ser ativadas para assumir a função do tecido lesado até o fato da função ser totalmente substituída pelo hemisfério remanescente.

3. Plasticidade Regenerativa – SNC x SNP

A plasticidade regenerativa consiste no recrescimento de axônios lesados. Sem dúvida alguma a ocorrência da reparação neural é vigente no sistema nervoso periférico (SNP) porque a produção do fator de crescimento neural (nerve growth factor) contribui significativamente para a recuperação desses neurônios. A regeneração neural e denominada brotamento, (Sprouting) e pode acontecer de duas formas: Colateral e regenerativa, que é a reinervação por ramificação de neurônios intactos ou o axônio acometido emite brotamentos laterais para novos alvos respectivamente. No sistema nervoso central (SNC) entretanto, a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de regeneração tem se constituído em um imenso desafio para a neurobiologia. Ao contrário do SNP, as reações regenerativas do SNC são burladas em parte por falta de NGF, da inibição do crescimento pelos oligodentrócitos e pela interferência da atividade de limpeza da microglia. Contudo a regeneração do SNP pode causar movimentos não desejados chamados sincinesias.

4. Santiago Ramón y Cajal – Crescimento axonal

O espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), ao observar um pequeno crescimento axônico, subseqüente à lesão medular, supôs, pelo aspecto encontrado na histologia, que o crescimento axonal seria bloqueado por algum fator desconhecido. E ele tinha razão, hoje sabemos de fato, que alguma coisa existe dentro do SNC que inibe o crescimento axonal.

5. Hubel e Wiesel – Período crítico

Os trabalhos de Hubel e Wiesel, foram de grande importância e avanço para a neurplasticidade, na década de 50, estudando a via visual em uma série de experimentos, eles mostraram que no início da vida axonal existe um período crítico no qual as conexões neurais presentes ao nascimento podem ser perdidas ou modificadas pela deprivação visual. No macaco, a oclusão de um olho por poucos dias, durante as primeiras semanas após o nascimento, causa mudanças importantes e permanentes no córtex visual. A susceptibilidade dos animais a estas mudanças diminui com a idade, de modo que os primatas ficam resistentes aos efeitos da vedação da pálpebra entre 6 e 12 meses após o nascimento. Em gatos, a oclusão de um olho ocasiona conexões anormais, se e apenas se, a privação for feita aos 3-4 meses de vida e a estimulação sensorial normal, após remoção da oclusão, não corrige as anormalidades desenvolvidas no período de déficit.

6. Alberto Aguayo – Nervo óptico

Trabalhando na Universidade de Montreal no Canadá durante a década de 80, o neurocientista uruguaio Albert Aguayo demonstrou que o nervo óptico podia se regenerar se o crescimento do axônio acontecesse de maneira orientada, dentro de um tubo e fora do crânio. Assim ele estabeleceu esta conexão utilizando o nervo ciático do mesmo animal, o qual servia como “ponte” entre o corpo celular dos neurônios da retina.

Destes experimentos ele tirou duas conclusões importantes:

os axônios centrais são capazes de regenerar desde que estejam em contato com o micro-ambiente do SNP;
O micro-ambiente do SNC não favorece o crescimento regenerativo dos axônios centrais, que se interrompe imediatamente, logo que saem do SNP e entram no SNC.
Estes experimentos pioneiros levaram à busca de moléculas inibitórias do crescimento de axônios lesados no SNC. Verificou-se que ocorre intensa cromatólise dos neurônios axotomizados, seguida de degeneração e morte celular.

Os prolongamentos distais dos axônios lesados, assim como sua mielina, tornam-se tortuosos e fragmentados. Estudos em cultura de células mostraram que no SNC, além de não haver produção de substâncias que promovem o crescimento, como acontece no SNP, há produção de substâncias inibidoras do crescimento axonal, que são conhecidas como NI-35 e NI-250 (neurite inhibitory, 35 e 250 kDa), os astrócitos (células gliais), sintetizam proteoglicanos (glicoproteínas) com ação anti-regenerativa e ocorre intensa proliferação e concentração glial nas imediações da lesão, que forma uma verdadeira cicatriz, constituindo-se em uma barreira mecânica ao crescimento do axônio em regeneração. Sob o efeito limitante de todos estes fatores, os cones de crescimento que se formam nos cotos proximais dos axônios centrais lesados não são capazes de crescer em direção ao seu alvo.

7. Conclusão

Conclui-se que através da neuroplasticidade e intervenção cinesioterápica que o paciente experimenta os fenômenos da recuperação após lesão cerebral, possui um SNC anormal ou atípico, não só em termos das disfunções alteradas ou perdidas, mas também em termos de conexões sinápticas, circuitos e vias destruídas ou modificadas, devido à reorganização por que passa o SNC. Esta reorganização é também responsável pelas modificações que são observadas clinicamente no sistema neuromuscular dos pacientes. A reabilitação do cérebro lesado pode promover reconexão de circuitos neuronais lesados,. quando há uma pequena perda de conectividade, tende a uma recuperação autônoma, enquanto uma grande perda terá perda permanente da função. Também existem lesões potencialmente recuperáveis, mas que para tanto necessitam de objetivos terapêuticos precisos, mantendo níveis adequados de estímulos facilitadores e inibidores. O conhecimento dos mecanismos celulares e funcionais dos fenômenos da plasticidade tanto no SNC como no SNP, contribui para o esclarecimento das causas dos desequilíbrios cinesiopatológicos, no diagnóstico das perdas da independência funcional dos pacientes que é objetivo fundamental da avaliação fisioterápica. Contudo os estudos atuais estão comprovando que a atuação da fisioterapia, através de estímulos aos padrões normais de movimento e inibição dos padrões anormais, provoca um aumento e aceleração no processo de recuperação funcional cerebral, dessa forma com ajuda mútua paciente/regeneração/estímulo conseguimos gradativamente a melhora funcional.

8. Referências Bibliografias

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