TUBERCULOSE BOVINA

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Autor: Mychelle Silva dos Santos

INTRODUÇÃO

Este trabalho destina-se à pesquisa de uma doença mundialmente conhecida e de interesse veterinário.

A tuberculose bovina é uma zoonose de evolução crônica causada pelo Mycobacterium bovis, que se caracteriza pelo desenvolvimento progressivo de granulomas (tubérculos), podendo se localizar em qualquer órgão. 2, 5

O confinamento tem grande importância na difusão da doença no rebanho, por isso a maior prevalência no gado leiteiro. 3 Outros fatores, são as condições ambientais que levam os animais a terem um comportamento promíscuo, já nos bovinos de corte as épocas de seca ou enchentes, onde os animais costumam se concentrar em um determinado local. 5

Com relação à saúde pública, a tuberculose é responsável por parte das infecções humanas, principalmente pelo consumo do leite cru. 3 Por isso é importante a pasteurização. Outros grupos de maior exposição à doença são os tratadores de rebanhos infectados e trabalhadores da indústria de carne. 5

ETIOLOGIA

As micobactérias são organismos da família Mycobacteriaceae, do gênero Mycobacterium . São bacilos curtos aeróbicos, imóveis, considerados gram-positivos, não esporulam, não possuem cápsula e são ácido-álcool resistente.4, 5Possui característica tintorial, nos gêneros Mycobacterium e Nocardia, que em alguns casos torna difícil a diferenciação. Mas tuberculose é o termo usado para a doença causada pelo Mycobacterium tuberculosis, M. bovis e M. avium, agentes etiológicos da tuberculose humana, bovina e aviária respectivamente. 5 O M.bovis é patogênico para praticamente todos os mamíferos, inclusive o homem, além de ser a causa mais comum de tuberculose em bovinos. 2, 5 Em outras espécies animais, o M. avium pode ser responsável por uma proporção considerável dos casos de tuberculose. 2

PATOLOGIA

A tuberculose bovina é uma enfermidade de evolução crônica, caracterizada pela formação de lesão do tipo granulomatoso, de aspecto nodular denominado tubérculo. 5 O microorganismo normalmente penetra através das vias respiratórias. 3 Ao atingir o alvéolo o bacilo é capturado por macrófagos, sendo seu destino determinado pelos seguintes fatores: virulência do microrganismo, carga infectante e resistência do hospedeiro. 5 Normalmente, depois de englobados pelos macrófagos, produzem inflamação granulomatosa composta de células e líquido. 4 Estes nódulos iniciais podem permanecer estacionários, porém podem tornar-se inflamatórias progressivas formando lesões secundárias, cujo centro apresenta necrose, com material caseoso semi-sólido, podendo apresentar-se calcificado. 4 A combinação de lesões no local de ingresso e nos linfonodos locais é denominada complexo primário. A partir daí, ocorre à disseminação pós-primária até diversos órgãos. Em ruminantes a moléstia é progressiva. 3, 2

EPIDEMIOLOGIA

A tuberculose ocorre em todos os países do mundo e é da maior importância em bovinos leiteiros. 2 Os animais infectados são a fonte usual, e o microrganismo ocorre em gotículas exaladas, no escarro, fezes, leite, urina, corrimento vaginal, sêmen e nódulos drenantes. 3 A doença pode ocorrer em todas as espécies, incluindo o homem, e é de importância por razões de saúde pública, bem como seus efeitos prejudiciais na produção animal. 2 O leite é via de infecção comum. A estabulação e a aglomeração aumentam a disseminação. A tuberculose bovina é importante zoonose, por causa da disseminação pelo leite. 3 O homem é sensível às infecções pelos três tipos principais de micobactérias, o M. tuberculosis, M. bovis e a M. avium, embora os bacilos da tuberculose tipo mamífero sejam mais patogênicos. 4, 5 A infecção pelo M. tuberculosis, agente etiológico da tuberculose humana, também evolui para a tuberculose em algumas espécies animais, como primatas em cativeiro, cães, e gatos que convivem com o homem, o suíno alimentado com restos de alimentos e, curiosamente, o papagaio. Nos bovinos, a infecção pelo M. tuberculosis causa apenas sensibilização alérgica passageira, que desaparece dentro de 6 a 8 meses, afastada a fonte de contágio.5

Vias de infecção: A tuberculose em um rebanho é introduzida principalmente pela aquisição de animais infectados, propagando-se independente de sexo, raça ou idade, sendo que alguns fatores podem contribuir para que a enfermidade se propague, destacando-se o manejo, as instalações inadequadas e, principalemnete, a estabulação que propicia o contao estreito e frequente entre os animais.5

Aproximadamente 90% das infecções pelo M. bovis ocorre pela via respiratória através da inalação de aerosóis contaminados com o microorganismo, que em estábulos ao abrigo da luz podem sobreviver em grandes expectorações durante vários meses, em em gotículas, de 3 a 18 dias. A via de contaminação digestiva ocorre principalmente em bezerros alimentados com leite de vacas com mastite tuberculosa ou por água e forragens contaminadas. Apesar de 5% das vacas apresentarem tuberculose genital, somente 1% dos bezerros manifestam tuberculose congênita. Pode ocorrer contaminação sexual nos casos de epidimite e metrite tuberculosa. 5

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA DOENÇA

Alguns sinais gerais normalmente são evidentes, por exemplo, bovinos com extensas lesões tuberculosas do tipo miliar são clinicamente normais, porém, se apresentar emagrecimento progressivo não associado a outros sinais deve-se sempre levantar suspeita. Também a falta de apetite e oscilação da temperatura. A condição de pelagem é variável, podendo estar áspera ou macia. Animais acometidos tendem a se tornar mais dóceis e sem energia, mas os olhos se mantém brilhantes e alertas. Estes sinais gerais costumam tornar-se mais pronunciados após o parto. 2

Na maioria das vezes, a tuberculose tem um curso crônico e limitado a um só órgão, por exemplo o pulmão. O processo é lento e clinicamente inaparente, inclusive alguns animais podem passar toda sua vida útil sem a sintomatologia evidente, constituindo uma ameaça potencial para o resto do rebanho.1

O comprometimento dos pulmões, caracteriza-se por uma tosse crônica, devido à broncopneumonia, esta tosse ocorre vez ou outra e é deprimida, entrecortada e produtiva e com a evolução da doença, quando a maior parte dos pulmões foi destruída, torna-se aparente uma dispnéia com taquipnéia e respiração profunda. 2

Os sinais mais comuns de acometimento alimentar são causados pela pressão de linfonodos aumentados sobre os órgãos vizinhos, como o timpanismo ruminal recidivante e, depois, persistente. São raras as diarréias.2

A mastite tuberculosa é da maior importância devido ao perigo para a saúde pública, pela disseminação da doença para bezerros e pela dificuldade de diferenciá-la de outras formas de mastite. Seu achado característico é uma induração e hipertrofia acentuadas que envolvem primeiro a parte superior do úbere nos quartos posteriores.2

DIAGNÓSTICO

1. ALÉRGICO:

Os métodos de diagnóstico utilizados são os diretos e os indiretos. Os primeiros são os que determinam a presença no animal do agente etiológico, e seus componentes ou de seus produtos derivados. A bacteriologia e a histologia correspondem a esta categoria. Os métodos indiretos determinam a resposta do animal ao agente etiológico. Essa resposta pode ser humoral (produção de anticorpos circulantes) ou celular (medida por linfócitos e macrófagos), tal como a reação tuberculina.5

Para diagnóstico de rotina da tuberculose bovina, a tuberculinização é o método, rápido, seguro, econômico, podendo aplicar-se também com resultados satisfatórios em suínos, caprinos e ovinos. Em equinos, cães e gatos tuberculina e pouco satisfatório.5

A tuberculinização é uma prova na qual se pesquisa a sensibilização dos animais às tuberculo-proteínas específicas, podendo ser feita por diferentes vias e em vários locais, entretanto o método preconizado para diagnóstico de rotina é a intradérmica nas suas três modalidades, caudal, cervical simples ou comparada.5

Existe ainda outros 2 tipos que caíram em desuso por serem métodos muito trabalhosos e sujeitos a várias interferências, são eles, tuberculinização subcutânea e a tuberculinização oftálmica.5

A tuberculinização intradérmica é a via de inoculação mais eficiente, podendo a inoculação ser feita por métodos e locais diferentes:5

1.1.Tuberculinização intradérmica na prega ano-caudal: A poderá ser feita na prega ano-caudal quando não de dispuser de instrumental necessário para executá-la no pescoço ou escápula. A inoculação da tuberculina poderá ser feita em quaisquer dos lados da prega recomenda-se no entanto utilizar o mesmo lado para facilitar a leitura. Aplica-se a tuberculina por via intradérmica usando-se de preferência seringa calibrada para doses de 0,1ml. A inoculação é preferida quando a formação de uma pápula no local. A leitura é feita após 72 horas da inoculação usando métodos subjetivos:5

REAÇÃO NEGATIVA: Quando não há alteração evidente no local da inoculação.5

REAÇÃO SUSPEITA: Quando há tumefação local discreta.5

REAÇÃO POSITIVA: Quando há reação local igual ou maior que o tamanho de uma azeitona ou quando há tumefação difusa da prega inoculando, cujo volume atinja o dobro do tamanho do oposto.5

1.2 Tuberculinização intradérmica na região da escápula: Prefere-se esta região pela facilidade de acesso, pois na maioria dos estábulos os animais são contidos pelo sistema de canzil ou corrente, dificultando a inoculação na região caudal. Nesta região a sensibilidade é similar à cervical, podendo utilizar-se da tuberculização simples ou comparada:5

1.2.1Tuberculinização simples: Em teste de rotina ou triagem, é preferível, a prova intradérmica simples à prova caudal pela maior sensibilidade e facilidade de inoculação. Outra vantagem da prova simples em relação em um rebanho, pois as reações de várias provas podem ser comparadas através das medidas das reações em exames anteriores. Utilizando somente PPD bovina, a inoculação é feita na frente ou atrás da espinha da escápula. O local é demarcado depilando-se uma área de aproximadamente 4 cm2 utilizando-se lâmina de barbear. Não é recomendado desinfetar o local para evitar irritação. A espessura da dobra da pele no local de inoculação é mensurada com auxílio de um paquímetro apropriado antes da inoculação e as medidas anotadas em formulário.5

A inoculação é feita por via intradérmica no centro da área demarcada com seringa automática calibrada para doses de 0,1 ml. A inoculação é perfeita quando forma uma pápula no local. A interpretação da reação é feita 72 horas após a inoculação.5

1.2.2.Tuberculinização comparada: Em propriedades onde ocorrem reações suspeitas e/ou fracamente positivas com características de reações inespecíficas procede-se a inoculação simultânea de PPD aviária e PPD bovina, 6 a 8 semanas após a primeira inoculação simples, para excluir dúvidas. Existem rebanhos onde a média da espessura para as reações positivas, oscila em torno de 4 mm.5

A sensibilização alérgica inespecífica apresenta geralmente ligeira tumefação, bastante circunscrita, consistência firme, com pouco resposta dolorosa.5

Na tuberculinização subsequente, após 60 dias, aparecem animais que não mais reagem, e outros que se mostram negativos, passam a reagir. A tuberculinização comparada com tuberculina aviária e bovina nestes rebanhos, mostra, reações iguais ou maiores para tuberculina aviária, pois raramente a tuberculina bovina reage mais que a tuberculina aviária.2,3,5

A inoculação deverá ser nas regiões anterior e posterior na espinha da escápula, sendo que os locais de inoculação deverão estar distantes aproximadamente 15 cm um do outro. Deve-se usar como norma inoculação da tuberculina aviária na posição cranial e a tuberculina bovina na posição caudal. A interpretação das reações deverá ser feita 72 horas após a inoculação das tuberculinas.5

Em resumo, a conduta na aplicação do teste em bovinos deve observar:

Reagentes positivas falsas (reagentes sem lesões macroscópicas) que podem ocorrer por:

Animais sensibilizados para outros alérgenos micobacterianos. Estes podem incluir animais infectados com tuberculose humana ou aviária, animais com lesões locais mínimas causadas por micobactérias relativamente apatogênicas.
Animais sensibilizados a outros alérgenos que podem ser bacterianos, p. ex., Nocardia farcinicus, em bovinos com mormo ou não.2
Reações negativas falsas podem ocorrer por:

Casos avançados de tuberculose;
Casos iniciais até seis semanas após a infecção;
Vacas que pariram dentro das seis semanas precedentes;
Animais dessenbilizados pela administração de tuberculina durante os 8 a 60 dias precedentes;
Bovinos idosos.2
Os reagentes considerados como inespecíficos devem ser retestados pelo teste comparativo na região cervical 7 dias após a resposta do teste da prega da cauda.2

2. CLÍNICO:

Possui valor relativo, pois o animal pode estar infectado, com foco localizado, e apresentar-se clinicamente sadio, situação em que é difícil convencer o criador, visto que, a seu julgamento, animal tuberculoso é o animal caquético. È importante o exame clínico na erradicação da tuberculose de um rebanho, pois os animais que têm uma infecção evoluída, generalizada, apresentam paralelamente um decréscimo da sensibilização alérgica. No teste alérgico, em geral eles reagem pouco, as vezes chegando mesmo à anergia.5,2 A importância do exame clínico é evidente em animais que têm uma tuberculose evoluída e que se manifesta por meio de alguns sintomas clínicos como tosse seca, curta e repetitiva. Ainda como fator a ser analisado pelo clínico, quando se observa o rebanho caminhando em uma caminhada, os tuberculosos geralmente vêm atrás dos demais, demonstrando cansaço e baixa capacidade respiratória. Outros sinais clínicos podem aparecer como, por exemplo, linfadenomegalia localizada ou generalizada.5

3. ANATOMOPATOLÓGICO:

As dificuldades que o diagnóstico macroscópico pode apresentar ao patologista e ao inspetor de carnes se devem principalmente a muitos processos inflamatórios granulomatosos, como os produzidos por Corynebacterium pyogenes, em actinomicoses, coccidiomicoses e actinobacilose, inclusive lesões causadas por larvas de parasitos. Também as lesões carcinomatosas podem ser confundidas com as tuberculosas.5

Conhecida a patogenia da enfermidade, o patologista ou o inpetor buscará as lesões produzidas pelo M.bovis na infecção primária e nos orgãos que servem de porta de entrada do bacilo. Em bovinos deve-se prestar especial atenção a pulmões e glanglios mediastínicos, intestinos e glânglios hepáticos.5

O complexo primário pode apresentar-se como nódulo cujo tamanho varia entre ervilha e uma noz, de aspecto caseoso, de cor vítreo ou amarelado, localizado no parênquima do pulmão ou na parede intestinal.5

Pode-se encontar situações em que bovinos tuberculino positivos não apresentem lesões visíveis à necrópsia:

Os animais podem estar em estágios iniciais da doença, o que dificulta a localização das lesões.
As lesões localizadas nas partes do corpo que geralmente não examinadas durante o trabalho de inspeção de carnes.
Animais que tenham tido contato com outras micobactérias, que não o M. bovis, normalmente lesões discretas ou invisíveis a olho nu.5
3.1.Inspeção em Tuberculose Bovina

Estabelicida a etiopatologia da enfermidade, o médico veterinário inspetor deve considerar a extensão, o desenvolvimento, o estado evolutivo e a natureza das alterações morfológicas, assim como estado geral da carcaça, para proceder o descarte parcial ou total do animal sacrificado.5

Em regulamentos de inspeção de carnes para consumo humano deve-se descartar totalmente a carcaça nos seguintes casos:

Quando apresenta lesões generalizadas a tuberculose está generalizada quando a distribuição das lesões só pode ter originado pela entrada de bacilos na corrente sanguínea.
Quando na inspeção ante mortem o animal apresentar febre, associada a lesão tuberculose ativa descoberta no exame post-morten.
Quando é observado caquexia associado aos sintomas mencionado anteriormente.
Quando são encontradas lesões em músculos ou tecidos inter-musculares, ossos, articulações ou ganglios linfáticos, como resultado da drenagem de músculos, ossos ou articulações.
Quando as lesões são comuns a órgãos e tecidos da cavidade torácica ou abdominal.
Quando as lesões são múltiplas, agudas e ativamente progressivas. Em bovinos, a enfermidade afeta principalmente o sistema respiratório. A carcaça pode ser aprovada para consumo depois da eliminação das partes afetadas, se as lesões estão localizadas e circunscritas aos sítios primários de infecção, tais como gânglios linfáticos cervicais, brônquios e mediátinicos, não tendo progredido além dos gânglios linfáticos mesentéricos.5
3.2 Envio de amostras para diagnóstico histopatológico

A amostra é remetida em solução de formaldeído a 10%, acondicionada em frascos, observando a proporção de uma parte de material para 10 partes de formaldeído.5

4. BACTERIOLÓGICO:

A presença de lesões macroscópicas granulomatosas na inspeção de uma carcaça e sua confirmação histológico permite o diagnóstico de tuberculose. Entretanto, só pode ser realizada mediante o estudo do cultivo. 5

4.1 Cultura:

O diagnóstico bacteriológico possui o inconveniente de grande tempo (4 semanas) que o M. Bovis demora para crescer. Porém, em certos casos, esse diagnóstico é de grande valia pois somente através da cultura podemos descobrir a etiologia do foco.5

Situações onde a análise completa das bactérias são necessárias:

Confirmação da presença de infecção tuberculosa em bovinos de um país ou região onde não foi comprovada anteriormente;
Estudo de animais – tuberculino positivos, nos quais não se observam lesões macroscópicas semelhantes à tuberculose. (amostras de gânglios do trato respiratório e intestinal);
Confirmação da presença de infecção em animais tuberculino-positivos, com ou sem lesões macroscópicas, de uma propriedade considetada livre da doença;
Pesquisa de micobactérias em amostras de leite e outros produtos de origem animal;
Necrópsias de animais com reações inespecíficas, nos quais são encontradas lesões suspeitas de tuberculose.5
As amostras suspeitas de tuberculose que normalmente são remetidas ao laboratório bacteriológico são gânglios, fragmentos de órgãos ou produtos de origem animal. Para os bovinos consideram-se especialmente os gânglios do trato respiratório, mediastínicos, bronquiais e pulmonares. Outro órgão que se deve observar é o fígado.5

5. Outros Métodos De Diagnóstico:

Encontram-se em avaliação algumas provas in vitro, que poderão ser empregadas como provas complementares à prova tuberculínica, como instrumento de vigilância epidemiológica ou confirmação de diagnóstico.5

São basicamente de três tipos:

Baseadas na resposta humoral: ELISA;
Baseadas em resposta celular: INTERFERON GAMMA;
Baseadas em “epifenomenos”: GLUTARALDEÍDO;
Reação em cadeia de polimerase: PCR.5

CONTROLE

O controle e a erradicação da tuberculose bovina vêm sendo focalizados com ênfase em quase todo o mundo. Os métodos dependem de muitos fatores, mas o teste e a prática de sacrifício são os únicos meios pelos quais a erradicação definitiva é conseguida. 2,5

No homem, a prevenção da infecção por M. bovis se resume na pasteurização do leite, na vacinação com BCG e principalmente no controle e erradicação da tuberculose bovina.1

Para um melhor controle da infecção deve-se observar os seguintes cuidados:

Todos os animais com mais de 3 meses de idade devem ser testados;
No teste inicial deve ser feito um exame clínico minucioso, para assegurar que não existem casos avançados que darão reações negativas ao teste;
Devem ser instituídas medidas de higiene tão logo o primeiro grupo de reagentes seja removido. (cochos limpos e desinfetados pelo calor, vasilhames de água esvaziados e desinfetados, etc);
Caso se constate a existência da doença, todos os outros animais da propriedade deverão ser examinados, também os tratadores pois podem ser fonte de infecção;2

TRATAMENTO

Devido ao progresso alcançado no tratamento da tuberculose humana com certas drogas como a isoniazida, combinações de estreptomicina e ácido para-aminossalicílico e outros ácidos, o tratemento dos animais tuberculosos tem merecido alguns estudos e há revindicações no sentido de se testar a eficácia da isoniazida, administrada por via oral e por longo tempo, tanto para tratamento como para profilaxia.2

A isoniazida foi descoberta em 1945 e apresenta-se sob a forma de um pó cristalino branco, inodoro, solúvel em água e de baixa palatabilidade. 5

No início do uso da isoniazida, em bovinos era feita a aplicação por via subcutânea dos animais recém infectados, na dose de 10mg/kg de peso vivo e nos altamente infectados a droga pura e cristalina por via oral, na dose de 25 mg/kg de peso vivo, nas primeiras 60 doses em dias consecutivas e outras 60 em dias alternados, obtendo-se eficiência terapêutica de 93,28%, certificada através da dessensibilização alérgica durante dois anos e quatro meses.5

Recentemente foi adotado um esquema contrário ao anterior, desde o início, o medicamneto é fornecido aos animais por via oral em doses aproximadamente 25mg/kg peso vivo em dias alternados, em 3 dosagens por semana, perfazendo um total de 80 doses, correspondendo a pouco mais de 6 meses.5

Netse tratamento intermitente , obtem-se uma percentam de cura maior do que o tatamento contínuo devido a manutenção da ação bactericida da isoniazida através de administração de altas concentrações; a droga penetra bem em material caseoso, porém a droga é, inicialmente, mais elevada no plasma e nos músculos que no tecido infectado, mas este retém o medicamento por um longo tempo em quantidades bem acima das requeridas, justificando sua administração intermitente.5

Este regime de tratamento representa um grande benefício ao produtor, pois permite reduzir em um terço o gasto com isoniazida, além da considerável redução na mão de obra, sendo que, o tratamento apresenta um custo de aproximadamente 5 a 10% do valor comercial do animal, dependendo da produção deste.5

CONCLUSÃO

A erradicação completa da tuberculose não foi realmente obtida em país algum. Em muitos, um estado de erradicação virtual existe há anos, mas ocorre recidivas mínimas. A matança dos reagentes à tuberculina torna-se excessivamente onerosa, principalmente em países subdesenvolvidos, onde as taxas de prevalência da doença são altas e as verbas destinadas ao controle das enfermidades escassas. 1,2,5

Tendo em vista estes fatores, fica evidente a necessidade do controle contínuo dos rebanhos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ACHA N., Pedro e SZYFRES, Boris.

ZOONOSIS Y ENFERMEDADES TRANSMISIBLES COMUNES AL HOMBRE Y A LOS ANIMALES, 2ª Edição.

Tuberculosis Zoonotica

(Organizacion Panamericana de la Salud)

Local: Editora, Ano.

Páginas 691 à 696.

2. TEXTOS DA INTERNET.

Febre Aftosa

Coordenadoria de Defesa Agropecuária

http://cati.sp.gov.br/dda/aftosa.htm

[email protected]

IMA – Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária

Portaria nº 121, de 29 de março de 1993.

http://www.agridata.mg.gov.br/12196.htm

URINÁLISE

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Autor: Norberto Carone Castro Junior

Células Epiteliais

– Escamosas: vagina, uretra feminina e masculina

– Transicionais: pelve, bexiga e porção superior da uretra

– Células dos túbulos renais ou globosas

Obs: Atenção para o significado da presença dessas células

Obs: Em grandes quantidades por campo, indica que há problemas

Cilindros

Origem: Túbulo contornado distal e coletor

São os únicos componentes renais !!!

Proteína de Tamm (glicoproteína) = Cilindros

Condições para o aparecimento: Baixo pH, grande qntidade de soluto, baixo fluxo urinário e causas desconhecidas.

Cilindros Hialinos ou Translúcidos

Composição: glicoproteína
Fisiológico: exercícios, desidratação, calor e estresse
Patológico: glomerulonefrite, pielonefrite, doença renal crônica e insuficiência cardíaca congestiva
Obs: No exame da fita, é indicado como Aumento de Proteína

Cilindros Hemáticos

É um cilindro hialino com hemáceas ao seu redor
Sangramento no interior do néfron
Associado a glomerulonefrite, lesões glomerulares, tubulares e capilares renais
Obs: No exame da fita, é indicado como Sangue Oculto

Cilindros Epiteliais

Células epiteliais que se grudam no cilindro hialino
Presentes qndo haver lesão tubular de células epiteliais
Aparecem facilmente na glomerulonefrite
Cilindros Leucocitários

Cilindros hialinos que contém leucócitos
Infecção ou inflamação no interior do néfron tais como: Pielonefrite e Glomerulonefrite
Geralmente ocorre concomitante c/ leucocitúria e mostra a necessidade de se realizar uma cultura de urina.
Cilindros Granulosos

Comum aparecerem 1 ou 2 por campo
São Finos e Grosseiros
Oriundos de desintegração de cilindros celulares que permanecem no túbulo devido à estase urinária
Grânulos: restos de leucócitos e bactérias
Obs: Recomenda-se fazer tb coleta para cultura

Cilindros Cereos

É o mais grave
Estágio avançado do cilindro hialino
Lesão Tubular Crônica é indicada
Possui uma “dobradinha” na cauda
Cilindros Gordurosos

Cilindros com Grânulos de Gordura
São produtos de degradação de cilindros tubulares
Ocorre na degeneração tubular, por exemplo, na D. melitus.
Cilindros de Bilirrubina

Aparecem nas lesões renais e hepáticas
Havendo pigmentos biliares e cilindros, haverá cilindros de bilirrubina
Doença: Leptospirose Icto-Hemorrágica, por exemplo,
Obs: Todo Cilindro é Problemático !!!!

Cilindróides

Formado na junção da alça de Henle e do Túbulo contornado distal
São afilados
São considerados cilindros
Possuem uma “caudinha” no seu final
Bactérias

A bexiga é estéril
A uretra é contaminada
Depende da coleta
Cictocentese e bactérias: infecção urinária
Fungos e Leveduras

São contaminantes em geral, ou seja, aparecem depois da coleta
Confundem-se com hemáceas, então fazer prova do ácido acético, que rompe a hemácea, mas não rompe o fungo
Parasitas

Dioctophime renale (é o único parasita do rim)
Capilária sp (passa da corrente circulatória)
Dirofilária sp (está na circulação e passa para a corrente circulatória)
Trichonomas sp (é vaginal)
Espermatozóides

Não tem significado clínico
Aparece qndo sondamos o macho ou fêmeas pós-copuladas
Qual o elemento químico que se altera ???? Proteína (pós-renal)
Muco

Sem significado clínico
Posso confundir com cilindro hialino
Cristais (é considerado normal até que não produza cálculos)

É muito freqüente
É formado com modificação de: pH; temperatura; concentração; dieta
Podem ser verdadeiros (possuem forma) ou amorfos (s/ forma)
Cristais normais em urina ácida:

Urato Amorfo
Urato de Sódio
Oxalato de Cálcio
Ácido Úrico
Cristais normais em urina alcalina:

Fosfato Triplo
Fosfato Amorfo
Fosfato de Cálcio
Fosfato Amoníaco Magnesiano (Estruvita)
Biurato de Amôneo
Carbonato de Cálcio
Cristais Anormais (Patológicos):

Cistina
Colesterol
Leucina
Tirosina
Sulfonamida
Ampicilina
Hemossiderina
Bilirrubina
Contrastes Radiográficos (Iodo, por exemplo)

AMAMENTAÇÃO

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Autor: Joyce dos Santos Porcino

A fonoaudiologia atuando diretamente nesta área.

A amamentação é de fundamental importância para o recém-nascido. Além de estabelecer um vínculo entre mãe-filho, possui inúmeras vantagens.

O leite da mãe é um alimento completo, composto por proteínas, gorduras, carboidratos e células, contribuindo para o desenvolvimento e crescimento do bebê. Protege contra infecções intestinais, respiratórias, urinárias, otites, alergias alimentares e câncer. Além disso, independe da renda familiar, pois não custa nada.

O aleitamento materno estimula o desenvolvimento neuro-psicomotor e social, assim como desenvolve a estrutura facial e suas funções: mastigação, fala, alinhamento dos dentes e respiração.

A comunicação é de suma importância para os seres humanos. A fala é o modo mais freqüente na comunicação, mas para que ela ocorra os músculos envolvidos devem estar adequados. Quem se encarrega de preparar esses músculos para a fala é a amamentação materna, pois através da sucção, há um desenvolvimento muscular necessário para uma boa articulação. Portanto, a amamentação é um dos fatores responsáveis pela comunicação oral.

Uma vez que o fonoaudiólogo estuda os distúrbios da comunicação humana e as funções de sucção, deglutição, mastigação e respiração, atuando diretamente, diagnosticando e intervindo nas desordens dessas funções, é de fundamental importância sua atuação direta em programas de incentivo e assistência ao aleitamento materno, detectando e corrigindo erros de pega e sucção.

Uma pega incorreta da mama pelo bebê, ou uma sucção inadequada, podem levar a um desmame precoce.

Os benefícios da amamentação ainda são pouco divulgados, tanto quanto a importância desta como prevenção das alterações das funções de sucção, deglutição e respiração e conseqüentemente de patologias da comunicação, como por exemplo, a prevenção de distúrbios articulatórios, retardos de fala, otites médias crônicas, disfunção da mastigação, deglutição e respiração, instalação de hábitos orais inadequados (sucção de dedo, de língua, roer unha, etc…) e até alteração do crescimento facial e oclusão dentária.

DICAS PARA O SUCESSO NA AMAMENTAÇÃO

Pega da mama pelo bebê:

O queixo do bebê toca a mama;
Boca bem aberta;
Lábio inferior virado para fora;
Bochechas arredondadas ou achatadas contra a mama;
Vê-se pouca aréola;
Vê-se mais aréola acima da boca do bebê do que abaixo dela;
Durante a mamada, a mama parece arredondada;
Sucções lentas e profundas: o bebê suga, dá uma pausa e suga novamente;
A mãe pode ouvir o bebê deglutindo (engolindo).
Posicionamento:

O corpo do bebê próximo ao da mãe;
Corpo e cabeça do bebê alinhados;
Queixo do bebê tocando o peito;
Nádegas do bebê apoiadas;
A mãe deve segurar o bebê no colo com firmeza.
Existem várias posições para amamentar, o importante é que a posição seja a mais confortável para a mãe e para o bebê. Procure um ambiente tranqüilo para amamentar e aproveite este momento para conversar com seu bebê e toca-lo. Ele já é capaz de sentir e entender todo esse amor e carinho.

Aleitar é preciso…

AUDIÇÃO EM CRIANÇAS

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Autor: Renata Leuzzi

Introdução

A deficiência auditiva afeta o desenvolvimento da criança e da vida do adulto, razão pela qual é de fundamental importância para o desenvolvimento de ações de prevenção, através de impedimento de sua instalação, do diagnostico e da intervenção precoce.

As intervenções preventivas devem ter um custo que possa ser mantido, ser de fácil aplicação e de acesso a todos, alem de aceitação por parte da comunidade. Algumas ações importantes são:

Promoção a saúde e prevenção de deficiências auditivas através de campanhas de imunização, atendimento pré-natal, boas condições de parto, acesso aos serviços de saúde, melhores condições de nutrição e saneamento básico.
Alertar a população através de comunicações informativas e educativas.
Identificação das deficiências auditivas o mais rápido possível através das triagens auditivas. Processos rápido, simples, de baixo custo, que permite identificar, dentro de uma grande população, aqueles com maior probabilidade de apresentar uma alteração na função auditiva.
A utilização da triagem auditiva pode ser implementada no nível de atenção primária a saúde, nas maternidades ou em equipamentos de bem estar social e de educação.

Todas as crianças que necessitem do diagnostico após a triagem auditiva, devem ser encaminhadas para os níveis de atenção secundaria ou terciária, na dependência dos exames necessários. O diagnostico deve incluir exame otorrinolaringológico e avaliação audiológica através de procedimentos de avaliação comportamental e/ou eletrofisiolóogicos.

A reabilitação deve ser instituída imediatamente após o diagnostico e inclui a orientação aos pais, a indicação e adaptação de aparelho de amplificação sonora e terapia fonoaudiologica sempre que necessário.

A analise da situação atual tem mostrado que poucas ações para a prevenção, identificação, diagnostico e reabilitação precoces de deficiências auditivas tem sido realizadas no Brasil. É preciso que os diferentes profissionais da saúde possam divulgar e discutir esta questão, com o objetivo de reverter esta situação.

O fonoaudiólogo na audiologia

Participa de programas de conservação auditiva em indústrias: atuando na realização das audiometrias admissionais, periódicas e na educação e treinamento dos trabalhadores.
Aplica testes de percepção de fala e processamento auditivo central.
Seleciona e adapta de aparelhos de amplificação sonora e equipamentos auxiliares de audição.
Avalia eletrofisiológicamente a audição, por meio de: audiometria cortical; eletrococleografia, audiometria de tronco cerebral e emissões otoacústicas evocadas transientes e produtos de distorção.
Realiza avaliação otoneurológica e reabilitação vestibular.
Atua na habilitação auditiva da criança e na reabilitação do adulto/ idoso portador de deficiência auditiva.
Participa de equipes de implantes cocleares, atuando na reabilitação de pacientes implantados.
Participa ativamente e organiza eventos nacionais e internacionais, estando ligado a várias sociedades científicas afins.
É membro de diversos comitês nacionais multidisciplinares destinados a diferentes finalidades.
Participa de programas de estudos pós-graduados em nível de aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado, com áreas de concentração em audiologia.
Realiza e orienta monografias de iniciação científica, especialização, dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, capítulos de livros e publica artigos em periódicos científicos nacionais e internacionais.

Avaliação auditiva em crianças

Anamnese

A avaliação começa por uma história clinica completa, onde alguns aspectos deveriam ser pormenorizados. Em primeiro lugar deve-se caracterizar a época de ocorrência da possível Da. Antes dos três anos de idade, um dos aspectos que chama a atenção dos pais e do pediatra para um possível distúrbio auditivo e não a aquisição da linguagem. Dos três aos seis anos, a criançaa poderá apresentar-se destraida, com distúrbios da fala. Acima dos seis anos, a deficiência auditiva poderá se apresentar como um distúrbio na aprendizagem. A presença de uma causa congênita devera ser sempre investigada na anmnese. Malformações anatômicas da cabeça ou do pescoço, a presença de anormalidades estão relacionadas a perda de audição assim como a rubéola materna, a sífilis, toxoplasmose etc. a audição deve ser avaliada também em todas as crianças com síndromes genéticas pois esta podem levar a perda de audição. As causas perinatais, como pré-maturidade, perda de peso, hiperbilirrubinemia etc são também responsáveis por déficits auditivos. O uso de drogas ototoxicas, e meningite também estão relacionados a perda de audição. Portanto é importante a avaliação da audição em todas as crianças para poder detectar problemas precocemente e poder diagnosticar tal problema,

Diagnostico diferencial

A criança com deficiência auditiva normalmente tem comunicação gestual e quando que algo costuma se fazer entender por seus familiares. A portadora de outros distúrbios, tem comunicação difícil ou ate mesmo impossível, como crianças autistas. A criança que não fala, mas cuja linguagem receptiva encontra-se integra, isto é, entende e executa ordens, faz associações corretas de objeto e função, identifica e discrimina objetos, alimentos, roupas etc. esta criança poderá estar se apresentando um simples retardo de aquisição da linguagem emissiva por causas ambientais. A criança que não fala ou articula poucas palavras isoladas, apresenta retardo no desenvolvimento neuropsicomotor, é poderá ser portadora de deficiência mental. A criança que não fala e articula poucas palavras com grandes dificuldades praxicas associada a outros problemas motores, com linguagem receptiva integra, poderá ser portadora de paralisia cerebral. Podem ocorrer casos de deficientes múltiplas, cujo prognostico será pior tanto pela própria limitação desses pacientes, como pela falta de clinicas ou instituições especializadas nesse tipo de atendimento. Um fato interessante é observar que as crianças com deficiência auditiva geralmente aprontam o que querem. Já as crianças com outros tipos de distúrbios levam a mãe pela mão ate onde querem, mas não apontam, deixando o familiar adivinhar o que elas estão querendo. As crianças surdas quando colocadas junto com as crianças que tem audição normal, participam normalmente de todas as atividades lúdicas, não apresentando distúrbios de conduta. As portadoras de distúrbios neurológicos ou psiquiátricos tem quase sempre conduta incomum. As que apresentam retardo mental tem conduta mais infantil. Os condicionamentos auditivos, observados na resposta a sons familiares como o ruído do carro do pai ao chegar, a chamada sonora de comerciais e programas de tv, musicas, eta ausente nas crianças surdas e presente em outras patologias de modo geral.

Procedimentos na Triagem

Quaisquer que sejam as hipoacusias, quanto mais cedo a identificação, maior a possibilidade de cura ou de redução de seqüela. Portanto, os procedimentos de triagem não objetivam o diagnostico, mas a identifição das doenças mais freqüentes na população, através da observação de sinais precoces.

Triagem auditiva

O objetivo é identificar as hipoacusias graves ou profundas. Estima-se que em 2.000 nascimentos, um tenha hipoacusia grave. Apesar da baixa ocorrência, a triagem justifica-se pelas graves conseqüências para o desenvolvimento posterior da criança, quando a detecção não é realizada precocemente.

Os parâmetros para a detecção precoce estão em:

selecionar os bebês de risco;
observar as respostas de orientação diante de estímulos sonoros.
Este último trata-se de uma avaliação subjetiva, feita pelo estudo comportamental frente a sons e ruída, de preferência com espectro sonoro e intensidade conhecidos.

Na ausência ou inconsistência de reações diante estímulos sonoros e na presença de situações de risco para DA, deve-se encaminhar o bebê para uma avaliação audiológica objetiva.

BERA:

O potencial evocado auditivo é o método eletrofisiológico quantificativo mais adequado para a avaliação da audição, porém é inviável como método de triagem universal pelo alto custo. Neste método finos eletrodos colados à cabeça do paciente recolhem os potenciais oriundos de estímulos (clicks) emitidos pelo equipamento. São observados, então, os potenciais evocados da cóclea e tronco cerebral. Normalmente esse tipo de pesquisa é conhecido pelas siglas BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry) e ABR (auditory brainstem evoked response).

Os programas de triagem auditivos neonatais realizados nos hospitais são mais efetivos e mais baratos que os screenings comportamentais aos 7-9 meses.

Os métodos de triagem auditiva neonatal podem identificar até 80% de deficiência auditiva com 2-3% de falso-positivas;
A triagem auditiva em crianças de risco (UTI neonatal + história familiar), representando 6-8% dos recém-nascidos, reduz o custo dos programas, mas identificam apenas 40-50% dos casos de DA. Os métodos de triagem de população de risco, associados a testes comportamentais aos 7-9 meses, apresentam maior custo e menor efetividade do que os programas de triagem universal;
Os métodos de triagem auditiva neonatal não identificam perdas auditivas posteriores. A aplicação de métodos comportamentais é necessária para a identificação de 10 a 20% das perdas permanentes que ocorrem a posteriori;
A triagem auditiva neonatal deve ser considerada a primeira parte dos programas de prevenção e adaptação de criança com DA, devendo ser aplicada, respeitando as diferenças regionais e econômicas existentes.
Em relação ao Brasil, o custo para aplicação de um protocolo de avaliação universal baseado em aparelhagem eletrofisiológica certamente é ainda inviável. No entanto, o desenvolvimento de núcleos regionais seletivos para a aplicação de protocolos, seja em populações de risco ou universal, é uma alternativa mais viável.

Ou testes comportamentais

Os testes comportamentais que são realizados no berçário, através da observação de respostas reflexas ao som (reflexo de Moro e córneo-palpebral), e que fazem parte da rotina do exame do recém-nascido de risco pelo intensivista é um método aplicável de avaliação auditiva. Certamente as respostas são menos precisas que as obtidas com as otoemissões e potenciais evocados automatizados.

De quatro a 24 meses

Além da detecção de perdas graves ou profundas, o objetivo neste período é identificar perdas moderadas e leves, em conseqüência de problemas de ouvido médio.

Em crianças com história de perdas auditivas na família é fundamental a realização de avaliações sistemáticas até o final do segundo ano de vida, pois os sintomas de doenças hereditárias do aparelho auditivo podem aparecer tardiamente.

A triagem é feita através de exames periódicos nas crianças de risco, de observação de respostas de orientação a sons, do desenvolvimento geral e da fala e de exame da membrana timpânica.

Para a observação das respostas de orientação a sons, deve ser adotado o seguinte procedimento:

– com a criança acordada, o estímulo sonoro deve ser apresentado quando estiver distraída com brinquedos

4-7 meses – aos quatro meses o bebê esboça movimentos de cabeça em direção à fonte sonora. Aos seis meses volta a cabeça deliberadamente para o lado, quando é apresentado o som instrumental ou é chamado pelo nome. Os instrumentos sonoros devem ser acionados de forma que produzam sons menos intensos do que nos primeiros meses e apresentados a uma distância de 80 cm do ouvido

7-9 meses – a criança esboça movimento de abaixar a cabeça à procura da fonte sonora. A apresentação de sons vocais fora de seu campo visual geralmente provoca vocalizações, o que não é observado em crianças com perda auditiva grave ou profunda

9 a 13 meses – volta deliberadamente a cabeça para sons apresentados lateralmente e no plano inferior

13 a 16 meses – esboça movimento de elevação da cabeça em direção à fonte sonora

16 a 21 meses – volta deliberadamente a cabeça para cima, para baixo e para os lados, em direção à fonte sonora;

21 a 24 meses – procura a fonte sonora em qualquer direção, com movimentos deliberados de cabeça em todos os ângulos.

A falha ou ausência de respostas de orientação aos sons sugere a necessidade de exames otorrinolaringológico e audiológico minuciosos, além de avaliação da linguagem.

No que se refere ao exame da membrana timpânica, é importante observar a elasticidade, a coloração e as condições da superfície. Sempre que houver suspeita de alguma alteração deve-se encaminhar para uma avaliação audiológica.

De dois a dez anos

O principal objetivo nesta fase é a investigação de doenças do ouvido médio. Calcula-se que uma em 25 crianças aos dois anos apresenta perdas auditivas leves e moderadas.

A doença mais comum é a otite média tipo seroso (disacusia condutiva) e apesar de ser, na sua maioria, uma disacusia leve, é suficiente para dificultar o aprendizado.

A quantidade de crianças que deve fazer parte deste grupo é muito maior: 2/3 de todas as crianças apresentam pelo menos um episódio de otite média até a idade pré-escolar. Um terço destas crianças apresenta o primeiro episódio antes de três anos, 1/3 deste grupo apresenta mais de três episódios de otite.

A única forma de tirar as deficiências auditivas de menor intensidade nesta idade é tornando obrigatória a avaliação auditiva tonal e vocal no período pré-escolar, antes do início da alfabetização e em qualquer momento em que alguma dificuldade no aprendizado esteja presente.

Métodos subjetivos de avaliação da audição em crianças

Observação comportamental

A audiometria de observação comportamental tem por objetivo a avaliação de audição em crianças de zero a dois anos e meio de idade, sendo observadas as respostas comportamentais evidentes aos estímulos sonoros. Durante a apresentação do estímulo, são observadas na criança respostas reflexas (reflexo cócleo-palpebral, reação de Startle), procura e localização da fonte sonora, mudança de expressão facial e visual, choro, risos, entre outros(14).

A avaliação durante os primeiros quatro meses é qualitativa, desta forma, é preciso que o observador seja capaz de identificar bebês que têm audição normal. Nos bebês que não respondem é difícil reconhecer aqueles que têm perda e os que não têm, mas uma das possibilidades é que aqueles que apresentam perda auditiva severa ou profunda, tenham falhas constantes ao responder ao estímulo sonoro(11).

Os parâmetros para identificar os níveis de referência das respostas auditivas de crianças normais, são estabelecidos abaixo(15):

– De zero a três meses de idade: sobressalto e atenção.

– De três a seis meses de idade: atenção, procura da fonte e localização lateral (direito e esquerdo), com nível mínimo de resposta a tons puros de 80dB.

– De seis a nove meses de idade: localização lateral, localização indireta para baixo e para cima, com nível mínimo de resposta a tons puros de 60dB.

– De nove a treze meses de idade: localização no plano lateral, localização direta para baixo e indireta para cima, com nível mínimo de resposta a tons puros de 40dB.

– De treze a dezoito meses de idade: localização lateral, localização direta para cima e direta para baixo, com nível mínimo de resposta a tons puros de 20dB.

Técnica de BOEL

Downs‘s Hear Kit

Audiometria de reforço visual

É baseada na técnica de Condicionamento do Reflexo de Orientação (COR) de Suzuki e Ogiba (1961). Apresenta-se o estímulo sonoro, de preferência do tipo (narrow band noise) ruído de banda estreita, ou do tipo modulado (Warble tone) e a fala. Assim que a criança responde ao som, o profissional apresenta um estímulo visual.

O objetivo do teste é reforçar qualquer resposta apresentada pela criança: cessar sua atividade, procurar e ou localizar a fonte sonora, piscar os olhos, sorrir.

A resposta dependerá da idade da criança.

Para este exame é necessário o audiômetro.

Reflexo condicionado de orientação

Consiste na aplicação repetida e sob certas condições já estabelecidas, de um estímulo sensorial indiferente (neutro) associado a um estímulo natural, adequado (que invariavelmente gera um tipo de resposta). Depois de várias repetições, o estímulo indiferente sozinho passa a provocar a mesma resposta produzida pelo estímulo natural

Audiometria lúdica – jogos

É um teste em que a criança apresenta uma resposta lúdica a um estímulo sonoro. É realizada com fones e tem a vantagem de atrair a atenção da criança de forma mais efetiva, com pequeno custo, e avalia um ouvido de cada vez. A sala de teste deve ser tratada acusticamente, os brinquedos devem ficar fora do alcance visual da criança, devendo ser apresentados, um a um. O jogo proposto é: cada vez que a criança ouvir o som coloca o brinquedo numa caixa, por exemplo.

Logoaudiometria

com figuras( SRT, SR)

Testes de P.A.C.(P.S.I.)

Caracterizar o aspecto da interação de sons verbais e não-verbais com e sem perda auditiva por meio dos testes de Localização Sonora em Cinco Direções, Fusão Binaural e do Teste Pediátrico de Inteligibilidade de Fala em escuta Monótica (Pediatric Sentence Identification – PSI-MCI), levando em conta cada procedimento e o grau da perda auditiva

Emissões otoacústicas evocadas EOAEs transientes e produtos de distorção

Com este teste é possível prever informações acerca do limiar auditivo na extensão da audição, ao contrario do BERA, que proporciona informações razoavelmente acusadas restringidas.

Métodos objetivos da avaliação auditiva na criança

Os exames objetivos mais importantes são: Imitanciometria (Timpanometria e Reflexos), Eletrococleografia, Audiometria de Tronco Cerebral (BERA) e Audiometria de Respostas Evocadas.

Audiometria cortical e BERA.

Consiste a audiometria cortical num método objetivo de exame através do qual podemos determinar o limiar auditivo daqueles pacientes nos quais é impossível efetuar-se uma audiometria convencional. Assim é que podemos testar crianças desde o nascimento, retardados mentais (crianças e adultos), pacientes com perda auditiva funcional e afásicos.Baseia-se a audiometria cortical no aparecimento de um potencial na cortex, como decorrência de um estímulo auditivo súbito. A audiometria de respostas elétricas do tronco cerebral (B.E.R.A.), tem o objetivo de avaliar a audição periférica e a condução nervosa até o colículo inferior. É uma técnica não invasiva e objetiva, que pode ser aplicada em adultos e crianças de qualquer idade. O B.E.R.A. é realizado dentro de uma cabine acústica, e utiliza 3 eletrodos de superfície, colocados na fronte e mastóides. O uso de anestesia é desnecessário em adultos e opcional em crianças. O B.E.R.A. consiste em uma série de ondas que refletem a ativação do VIII par de nervo craniano e as estruturas ativas do tronco cerebral, até o colículo inferior. Geralmente o B.E.R.A. possui de 5 a 7 ondas positivas com aproximadamente 1 mseg. de distância entre elas.Geralmente, são apresentados 10 estímulos por segundo e em seguida observa-se a resposta elétrica captada que é levada para um sistema composto de um pré-amplificador e um amplificador, e depois para um sistema mediador que soma e tira a média das respostas. O registro das respostas é feito em papel especial, por caneta ou agulha específica.

A avaliação das respostas baseia-se em 5 padrões principais :

o formato das curvas;
a presença ou não de cada onda nas várias intensidades;
o período de latência;
o valor de amplitude de cada onda;
a correlação entre os dados dos estímulos unilaterais e bilaterais.
O B.E.R.A. é utilizado para determinar o nível mínimo de resposta auditiva em adultos e crianças psicóticos, autistas, com deficiência mental,etc; em casos de pacientes simuladores e em recém-nascidos e lactentes. Através de uma análise detalhada de suas ondas, é possível também caracterizar o tipo de perda auditiva e a localização topográfica da lesão. Além disso, o B.E.R.A. permite pesquisar a maturação das vias auditivas em prematuros e lactentes, e diagnosticar patologias neurológicas que afetam o VIII par e o tronco cerebralem conta cada procedimento e o grau da perda auditiva

Imitanciometria

Exame utilizado para fornecer informações objetivas sobre a integridade funcional do ouvido médio (Timpanometria e Reflexo Estapediano)

Malformações Congênitas

São os chamados “defeitos estruturais grosseiros” existentes no recém nascido. Cerca de 2 a 3% dos neonatos vivos apresentam uma ou mais malformações congênitas significantes. Ao final do primeiro ano de vida podem aparecer descobertas de outras malformações não discerníveis ao nascimento.

Causas:

hereditária: genética e cromossômica
Fatores ambientais
interações de fatores genéticos e ambientais sendo estes agentes; infecciosos, radiação, agentes químicos, hormônios, deficiências nutricionais, hipoxia, substancias químicas ambientais.

Malformações do sistema vestíbulo coclear

Orelha interna

alterações do desenvolvimento labiríntico
as alterações podem gerar desde displasia leves ate aplasia
podem ser ; genéticas ou adquiridas
Nas genéticas o gene é o determinador do distúrbio, nas malformações adquiridas, são os fatores ambientais que interferem no desenvolvimento.

Orelha Externa e Media

As malformações que acometem o pavilhão e o conduto auditivo externo com freqüência também comprometem a orelha media
quanto mais cedo esse processo acontece, mais graves são as malformações.
a severidade da malformação varia dependendo da localização do aparelho branquial afetado e o estagio em que houve a para do desenvolvimento.
alterações unilaterais ou bilaterais, sendo mais comum acometimento da orelha externa e media concomitante.
1.5% da população apresenta apêndices auriculares.
as malformações de orelha media e externa, são acometidas de malformações de mandíbula, palato, etc.
Conduta terapêutica

tranqüilizar os pais, já que na maioria dos casos há desorientação familiar, para que seja possível uma correção futura
avaliação da audição, utilizando métodos objetivos e subjetivos
com perdas unilaterais a criança apresenta um desenvolvimento da linguagem normal.
Já com perdas bilaterais é preciso a protetização precoce.
tomografia computadorizada
deformidade auricular moderada passível de correção, mesmo em crianças pequenas.
orelhas malformadas, tipo microtia e agnesia de conduto auditivo externo, devem ser operadas após o quinto ano de vida.

Fatores de risco para uma perda auditiva infantil

A perda auditiva infantil pode ter varias causas, muitas delas temporárias. Mesmo em alguns casos de surdez neurosensorial, o déficit auditivo não é total. A surdez neurosensorial ocorre em uma criança a cada 2000 nascimentos. Calcula-se que 80% das crianças com SNS sofreram de déficit auditivo congênito ou adquirido precocemente e em 30%dos casos existe um forte componente hereditário -daí a importância em informar ao pediatra sobre casos de surdez em crianças na família. A causa da surdez nem sempre é obvia e permanece obscura em cerca de 40%dos casos. As causas mais comuns de SNS são: fatores hereditários, traumas, risco perinatais, baixo peso, hemorragias no ouvido interno ou uso de antibióticos. Apesar de trabalhoso e caro, buscar a causa é importante nos casos tratáveis de SNS. Cerca de 50% dos recém-nascidos não possuem fatores de risco sugestivos de SNS e com isto o diagnostico é retardado ate que sejam observadas anomalias na fala e na linguagem. Em 33% doa casos o diagnostico é dado quando a criança já esta por volta doa 12 meses de idade. A idade media de diagnostico de surdez na infância varia de 1,74 a 4,3 anos de idade. Contudo, alguns estudos contestam estes números e afirmam: a idade media para o diagnostico pode ser ainda mais alta, situando-se entre 7 e 8 anos de idade em boa parte dos casos. Os pais são os responsáveis pela primeira suspeita de surdez em 60% das crianças com déficit auditivo. Dentre as principais características de risco que auxiliam na avaliação da audição do bebe, pode se destacar:

Durante a Gravidez:

Mãe teve sarampo
Mãe ingeriu bebidas alcoólicas.
Recém-nascido e ate 6 meses de idade

com baixo peso ao nascer ou nascida prematuramente (6-7 meses)
Com aparência incomum (face ou orelhas)
Sofreu icterícia e necessitou de transfusão de sangue
Permaneceu na UTI neonatal por mais de 5 dias.
Recebeu antibióticos endovenosos
Teve meningite ou outros distúrbios neurológicos
Sofreu trauma craniano importante, com ou sem sangramento pelo ouvido.
Apresentou infecções otológicas recorrentes com secreção nos ouvidos por mais de 3 meses.
não reage a ruídos altos com choro ou movimento.
Não acorda com ruído altos
não emite sons
não se vira ao som da voz
Entre 6 e 12 meses de idade

Não aponta para familiares ou objetos quando pedido
Não balbucia ou parou de balbuciar.
Por volta dos 12 meses ainda não compreende frases simples.
Após 13 meses de idade

Não se volta quando chamada
Não se mostra alerta aos sons do ambiente
Não responde aos sons ou não localiza sua fonte
Não imita seus familiares ou usa palavras simples para denominar coisas em casa.
Não utiliza a linguagem falada como outras crianças da mesma idade.
Não ouve tv no volume habitual
Não demonstra grande progresso na compreensão e no uso de palavras para se comunicar.
Recomendações Gerais

Na suspeita de surdez, levar a criança a um otorrinolaringologista para ser examinada. O teste de audição pode ser feito em qualquer idade, mesmo em recém nascidos.

Conclusão

A audição é um dos cinco sentido do ser humano, e é através dela que a linguagem verbal é percebida e interpretada.

É a audição que nos fornece informações sobre os acontecimentos do meio ambiente e que nos permite formar vínculos sócio emocionais, alem de atuar como mecanismo de alerta e defesa contra os perigos que nos cercam.

A deficiência auditiva, popularmente conhecida como surdez atinge grande parte da população mundial, em maior ou menos grau e são diferenciado pelo local da deficiência, seu grau de comprometimento e origem.

Assim sendo, é de extrema importância que os pais e os profissionais da saúde façam um bom acompanhamento, principalmente daqueles que apresentam fatores de risco para a deficiência auditiva:

casos de surdez na família
síndromes e alterações genéticas
problemas durante a gravidez
otites freqüentes
É muito importante que o acompanhamento seja feito pelos próprios pais, pediatras e fonoaudiólogos, pois é possível evitar que problemas graves venham a se instalar. O diagnóstico precoce é fundamental para um direcionismo na habilitação da deficiência auditiva, ou seja, propiciar a criança e sua família uma qualidade de vida cada vez melhor. Por isso a atenção em relação ao desenvolvimento auditivo é de extrema importância para a criança.

Bibliografia

1) Marchesan, Irene Q, D’agostino, Lídia. Desenvolvimento da Linguagem, Monografias Médicas. Série “Pediatria”, Savier,

2) Ramos, Berenice Dias. O Papel do Pediatra no Desenvovimento da Linguagem. Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica, Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia,.

3) Wertzner, Haydée F, Lins, Lea. Distúrbios da Linguagem; Pediatrica em Consultório, Sarvier,

4) Da Silva, Rosane P. A Fala Infantil Revela Saúde. Pediatria Moderna, vol Xxxvi, Março 2000,

5) Feldman, H, Bauer, RE. Pediatria do Desenvolvimento-Comportamento. Atlas Colorido de Diagnóstico Clínico em Pediatria, E. Monole, segunda edição

6) Lamar, A. Deficiência Auditiva-Métodos de Avaliação. Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica, Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia

7) Lamar, A, Peixoto, M. A Questão da Triagem Auditiva. Documento Científico da Sbp, Dezembro, 1999.

Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASIs)

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Autor: Evelise Aline Soares

Características Físicas e Eletroacústicas dos Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASIs)

1 – INTRODUÇÃO

O órgão vestíbulococlear é o receptor das ondas sonoras e o transformador destas ondas mecânicas em impulsos elétrico (nervosos) transmitidas para os centros corticais relacionados com a audição e também será responsável pelo sentido de equilíbrio. É dividido em três orelhas, que é a nova nomenclatura que deixou de lado o termo ouvido : (1) orelha externa; (2) orelha média e (3) orelha interna (LARTARJET & LIARD, 1996).

Dessas partes a mais importante é o ouvido interno, pois sua porção anterior, a cóclea, abriga o órgão de Corti, que é uma estrutura mecano-receptora essencial à audição (COSTA, CRUZ & OLIVEIRA, 1994).

Segundo BRAGA, MORAES & VASCONCELOS (1998), desde o século XVIII, o homem utiliza-se de instrumentos na tentativa de suprir suas dificuldades auditivas, iniciando com objetos de natureza mecânica, como as trombetas, até os dias de hoje, com o surgimento da Era Digital.

A deficiência auditiva atinge milhões de pessoas devido a uma série de fatores, tais como: hereditariedade, acidentes, traumas, doenças, envelhecimento do organismo, etc. Da mesma forma que a deficiência visual, a deficiência auditiva também apresenta graus e tipos de perda que irão caracterizar individualmente o modo de tratamento.

É muito importante observarmos que a prevenção contra a perda auditiva é um comportamento que devemos praticar em nosso cotidiano para chegarmos a uma idade avançada com o mínimo de perda auditiva. A não exposição constante a ruídos muito intensos e o cuidado com a ingestão de drogas (remédios) que podem provocar deficiência auditiva é de extrema importância para garantirmos a perfeita audição ao longo do tempo.

Normalmente a deficiência auditiva não é do tipo “tudo ou nada”, de modo que o indivíduo escuta de acordo com o seu resíduo auditivo. Os graus de perda variam desde uma perda suave até uma perda profunda, passando por perdas moderadas e severas. Para cada tipo e grau de perda dispomos atualmente de aparelhos de amplificação sonora que auxiliam cada indivíduo de forma muito significativa, pois os aparelhos auditivos são selecionados e adaptados sob medida de acordo com o tipo e grau de perda apresentada pelo deficiente auditivo.

Os aparelhos auditivos constituem-se em sofisticados instrumentos eletrônicos miniaturizados e alimentados por uma pequena pilha. Eles amplificam o som ambiental e os sons da fala, aumentando o volume desses sons e permitindo, dessa forma, que o usuário do aparelho escute mais e compreenda melhor. Para o uso de aparelhos de amplificação sonora existe a necessidade de um exame auditivo minucioso (exame audiométrico) que irá possibilitar a indicação mais adequada.

OBJETIVOS

O objetivo do presente trabalho é esclarecer quais são as características físicas e eletroacústicas dos Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASIs).

2 – REVISÃO DE LITERATURA

2.1 – CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS AASIS

Uma prótese auditiva é um sistema que capta o som do meio ambiente, aumenta sua intensidade e o fornece, amplificado, ao usuário (ALMEIDA & IORIO,1996).

As próteses são compostas de diversas partes e possuem vários controles que permitem ajustar os parâmetros de amplificação (ou características eletroacústicas) para que o usuário receba o som da forma mais adequada possível (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), as próteses são basicamente compostas por um microfone, um amplificador, receptor e as pilhas que garante o funcionamento do aparelho.

A primeira parte importante da prótese auditiva é o microfone, que capta o som do ambiente e o transforma em um sinal elétrico equivalente. A seguir, este sinal elétrico é enviado a um sistema de amplificação, onde é aumentado e modificado conforme o necessário. Finalmente o sinal elétrico é enviado ao receptor, que retransforma o sinal elétrico em acústico e o envia ao usuário. Assim funcionam as próteses auditivas analógicas ou tradicionais (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

2.1.1 – TIPOS DE APARELHOS DE AASIS

Podemos encontrar tipos de AASI diferente para diferentes classificações, sendo assim encontraremos classificações quanto o local de uso e quanto o tipo de condução do som. Sendo assim teremos:

De acordo com o local de uso – Em 1940, surgiram as primeiras próteses auditivas portáteis de caixa, seguindo-se as retro-auriculares (adaptadas atrás do pavilhão auricular) e as intra-aurais (adaptadas dentro da concha e do meato acústico externo).

Deste último grupo fazem parte as próteses intra-canais e micro-canais (C. I. C. – completamente dentro do canal).

A diferença entre eles está no posicionamento dentro do meato acústico externo e na distância até a membrana timpânica, com conseqüentes diferenças quanto ao nível de amplificação sonora (BRAGA, MORAES & VASCONCELOS, 1998).

De acordo com o local de uso teremos:

I – Haste de óculos – Junto a haste do óculos são moldados os componentes do AASI que comunicam-se com um molde auricular.

II – AASI convencional ou de caixinha – Possui o microfone e o amplificador localizados em uma caixinha que pode ser presa a roupa do usuário. Esta caixinha através de um fio conecta-se a um receptor externo que esta acoplado ao molde direto. Estes AASIs são pouco utilizados e possuem a transmissão do som por via aérea e óssea.

III – Retro auricular – Todos os componentes estão localizados dentro de um compartimento que se adapta ao pavilhão, o seu microfone localiza-se na porção superior . É um aparelho que chega a dar ganhos para as perdas profundas possuindo boa aceitação estética e também pode ser encontrado em número menor onde terá o nome de mini-retro.

IV – Intra auricular – menor que o retro e ocupa a concha e o meato acústico externo, é mais caro que o retro devido a redução de seus componentes.

V – Intra canal – menor que o intra auricular e localizado no meato acústico externo no seu interior, porém é mais caro que os demais mas trará ao paciente maior estética.

VI – Micro canal – menor e mais caro que os demais estando localizado na parte profunda do meato acústico externo, sendo montado no próprio molde.

De acordo com a condução – De acordo com a condução – teremos:

I – Condução por via aérea – fornece o som amplificado ao usuário pelo receptor através de uma onda mecânica .

II – Condução óssea – o aparelho amplifica o som e o passa para o usuário por vibração óssea posicionado na mastóide.

2.1.2 – COMPONENTES INTERNOS DOS AASIS

As partes internas principais do AASIs são o microfone, o sistema de amplificação e o receptor, embora a pilha e os sistemas de entrada alternativos.

A – MICROFONE – O microfone, que converte o sinal acústico do ambiente em um sinal elétrico equivalente, é portanto denominado transdutor de entrada da prótese auditiva. Existem vários materiais possíveis para a confecção de microfones (carbono, cristal, cerâmica) e vários deles foram utilizados em aparelhos auditivos. Atualmente, entretanto, praticamente só é utilizado o microfone de eletreto, um material sintético com propriedades elétricas especiais (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Os microfones podem apresentar características especiais no que diz respeito à sensibilidade à direção da fonte sonora e a resposta de freqüências transmitida. Quanto à sensibilidade à direção da fonte sonora, os microfones podem ser omnidirecionais ou direcionais (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Os microfones omnidirecionais captam da mesma forma os sons vindos de qualquer direção, sendo atualmente os mais utilizados. Podem ser reconhecidos pela existência de uma única abertura para a entrada do som (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Os microfones direcionais captam melhor os sons frontais até um ângulo de 450 e, em função de suas características, atenuam a resposta de baixa freqüência da prótese auditiva. Este tipo de microfone pode ser reconhecido por suas duas entradas de som: a dianteira, comum, e uma segunda abertura na parte de trás da prótese (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), ele é chamado de gradiente de pressão porque seu funcionamento baseia-se na diferença de pressão sonora.

Além dos microfones direcionais, algumas outras construções especiais de microfones permitem que os mesmos sejam mais sensíveis a determinada região de freqüências. Com isto, os microfones podem alterar de forma efetiva a resposta de freqüências da prótese. Assim os microfones podem ter uma resposta semelhante para todas as freqüências, sendo chamados de microfones de resposta plana. Se, por outro lado, apresentarem uma sensibilidade menor para as baixas freqüências, têm-se os microfones em rampa ou meia-rampa. (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

B – AMPLIFICADOR – é o sistema que tem a função de aumentar a intensidade do sinal elétrico gerado pelo microfone. E o principal responsável pelas características de ganho da prótese auditiva (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), o amplificador possui uma capacidade de amplificação própria (denominada ganho), que é função de suas características de construção.

Uma prótese auditiva normalmente não possui apenas um amplificador, mas vários estágios de amplificação (na realidade uma seqüência de amplificadores). O tipo do último amplificador do conjunto (STAAB & LYBARGER, 1994, citado por CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997), identifica algumas características da prótese auditiva. Os amplificadores usados em próteses auditivas dividem-se em :

O amplificador Classe A é normalmente usado em próteses auditivas de pequeno ganho e saída máxima reduzida. Apresenta um nível importante de distorção quando usado em altas intensidades de sarda e possui um consumo de pilha bastante grande.

O amplificador Classe B— push-pull, por sua vez, é caracterizado pela baixa distorção, sendo capaz de fornecer um maior ganho, melhor resposta de freqüências e maior saída máxima, com menor consumo de pilha, do que o amplificador Classe A. Sua grande desvantagem é o espaço necessário na prótese para sua construção.

Os amplificadores Classe O e Classe H (KRAUSS, BOSTIAN & RAAB, 1980 citados por CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997), são amplificadores de alta eficiência que também fornecem uma melhor resposta de freqüências, maior ganho e maior saída máxima, com menor consumo de pilha, do que o amplificador Classe A. Sua principal vantagem em relação ao Classe B — push-pull é, porém, o fato de serem pequenos o suficiente para permitir que próteses como as intracanais incorporem os benefícios anteriormente descritos.

3 – RECEPTOR – Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), a função do receptor é oposta ao do microfone, pois transforma o sinal eletrico em mecânico.

O receptor é o componente da prótese auditiva que tem a função de retransformar o sinal elétrico amplificado em sinal acústico. Sendo assim, tal qual o microfone, é um transdutor, no caso o transdutor de saída, da prótese auditiva. Todos os receptores utilizados em próteses auditivas são magnéticos, embora o tipo varie conforme seja um receptor interno (em próteses retroauriculares e intra-aurais) ou externo (em próteses auditivas convencionais) (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

De acordo com ALNMEIDA & IORIO (1996), teremos os tipos: armadura balanceada e tipo telefone.

C – PILHA – A pilha não é exatamente um componente da prótese auditiva, mas a fonte de energia necessária para o sistema funcionar. Uma pilha é, conceitualmente, um reservatório de energia química que pode ser convertida em energia elétrica quando desejado. Normalmente, a pilha é constituída por dois metais diferentes (eletrodos) imersos em um meio químico (eletrólito) (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Os diferentes tipos de próteses auditivas utilizam tipos diferentes de pilhas. Normalmente, as próteses auditivas convencionais utilizam pilhas alcalinas comuns do tipo AA ou AAA. Já as próteses retroauriculares e intra-aurais necessitam de pilhas especiais.

A grande vantagem das pilhas especiais usadas em próteses auditivas é o fato de elas manterem uma tensão (entre 1,3V e 1,5V) praticamente constante durante toda sua vida útil. Isto evita que a saída e o ganho da prótese diminuam progressivamente, conforme a pilha se desgasta.

A duração das pilhas de prótese auditiva varia conforme o tipo de amplificador usado. Já foi comentado que o amplificador Classe A tem um consumo relativamente alto em relação aos demais tipos de amplificadores. Isto acontece porque, neste tipo de amplificador, o consumo é constante, não importando se há ou não som entrando na prótese. Os amplificadores Classe 8— push pull, Classe De Classe H, por sua vez, não consomem em locais silenciosos, sendo o Classe D ainda mais econômico, neste aspecto, do que o Classe B — push-pull (KILLION, 1993, citado por CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

2.1.3 – TIPOS DE MOLDES AURICULARES

A seleção do estilo e características do molde auricular dependerá do tipo de prótese auditiva a ser utilizado, das modificações acústicas necessárias a cada caso e do conforto do usuário.

Teremos os seguintes tipos:

O molde direto que é utilizado com prótese de caixa ou convencional. Possui uma arruela, que permite o encaixe do receptor externo ao molde. Quando usado por crianças, deve ter a área da hélix, pois ajuda manter o molde no lugar (ALMEIDA & IIORIO, 1996).

O Molde Invisível que são molde padrão utilizado com as próteses retroauriculares e embutidas em hastes de óculos. Aceita facilmente todas as modificações acústicas possíveis
O molde canal é auto-explicativo. Geralmente, indicado para atender necessidades estéticas, deve ser bastante longo para evitar problemas de deslocamento e microfonia durante a mastigação ou fala. De forma geral, quanto mais potente for a prótese auditiva, maior será o risco de ocorrência de realimentação acústica ou microfonia (ALMEIDA & IIORIO, 1996).

Uma versão mais teve do molde concha, pode ser feita removendo-se grande parte do material e deixando a área da concha escavada. Este estilo de molde é indicado, especialmente, para crianças usuárias de prótese auditiva potentes, sendo aconselhável a manutenção da porção (ALMEIDA & IIORIO, 1996).

Os moldas para próteses auditivas intra-aurliculares, variam bastante, uma vez que as caixas deste tipo de aparelho são individualizadas e o estilo do molde dependente da forma e do tamanho do medo acústico externo e da concha do paciente. Para obtermos uma adaptação perfeita, vedação acústica e boa fixação à orelha do usuário, é fundamental uma impressão precisa (ALMEIDA & IIORIO, 1996).

Além dos tipos de moldes temos que dominar as modificações acústicas que os mesmo devem ou não apresentar, que são as seguintes: ventilação, efeito corneto, danper, reverse horn e filtro. Onde cada um quadrará nas características apresentadas pelo paciente.

2.1.3.1 – MATERIAIS DOS MOLDES

Quanto o material para a fabricação dos moldes teremos dois tipos o de acrílico e o de silicone, sendo que o de silicone é o mais indicado.

2.2 – TIPOS DE TECNOLOGIA DOS AASIs

Segundo WIESELBERG (1999), por décadas, as indústrias de aparelhos auditivos têm tentado resolver os problemas acima de diferentes formas, mas com limitado sucesso.

O grande avanço só aconteceu recentemente, quando o processamento de sinal dos aparelhos auditivos passou da tecnologia analógica para a digital. A tecnologia digital torna possível obter processamento de sinal que se adapta automática e continuamente à variação acústica do ambiente, assim como é possível programar os dados da perda auditiva do paciente no aparelho (WIESELBERG, 1999).

2.2.1 – PRÓTESES AUDITIVAS ANALÓGICAS

Chamamos o aparelho de analógico devido ao fato da onda elétrica dentro do circuito de amplificação ser equivalente em aparência à onda sonora captada pelo microfone do aparelho. Este sinal elétrico é amplificado e filtrado, sendo posteriormente reconvertido pelo receptor em onda sonora.

Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), as vantagens da utilização da tecnologia convencional analógica são o baixo custo e a miniaturização de seus componentes, a familiaridade existente com a tecnologia e o baixo consumo de energia. Suas limitações são: menor versatilidade dos circuitos, o que torna a adaptação individual mais difícil e restrições quanto ao processamento de sinal, que podem ser realizadas por seus circuitos miniaturizados.

2.2.2 – PRÓTESES AUDITIVAS DIGITAIS

Os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento do processamento do sinal eletrônico, proporcionando uma qualidade sonora muito além do que se obtinha anos atrás. Enquanto as próteses auditivas analógicas amplificam a onda sonora de forma análoga à original, as digitais processam a amplificação de forma computadorizada, garantindo maior qualidade de som e fidedignidade à onda sonora que está sendo amplificada (LINHARES, YOSHIDA, BRAGA, 1997).

CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols (1997), referem que as próteses auditivas totalmente digitais têm um sistema diferente, onde o som é primeiramente convertido em um sinal elétrico, que por sua vez é convertido em um sinal digital. Este sinal digital passa por um processamento, onde são feitas as alterações desejadas, e é então reconvertido em sinal elétrico. Por último, o sinal elétrico é reconvertido em som e fornecido ao usuário. Nestas próteses, existe um microprocessador com um programa que realiza e controla as alterações necessárias no sinal digital. Um aparelho digital não consiste apenas dos seus circuitos eletrônicos e transdutores, mas também de uma programação para controlar tais circuitos. Tanto o processamento do sinal sonoro, quanto o controle deste processamento são feitos através de meios digitais.

De acordo com ALMEIDA & IORIO (1996), o sistema contém um microfone que capta a onda sonora e a transforma em elétrica, exatamente como na prótese auditiva analógica. Antes do sinal ser enviado para o amplificador convencional, passa por um mecanismo chamado de conversor analógico/digital (A/D). Este conversor transforma o sinal elétrico em uma seqüência de dígitos, os quais são então enviados para um microprocessador que efetuará as filtragens e a amplificação necessárias.

O microprocessador é a alma deste sistema, no qual o sinal digital será processado pelo programa, de acordo com um ou mais algoritimos. Se o microprocessador, por exemplo, estiver programado para multiplicar cada número que chega por mil, uma sequência numérica muito maior representará o mesmo sinal de entrada, porém “amplificado”. Uma vez que o sinal é uma seqüência de números, muitas modificações adicionais podem ser realizadas, algumas das quais não poderiam ser efetuadas por intermédio da eletrônica convencional analógica. Através de programas de computador, que realizam várias computações na seqüência numérica, muitas características específicas podem ser implementadas, tais como: filtragens múltiplas do sinal, amplificadores multicanal, ajustes seletivos dos níveis de saída máxima, controle automático do ganho, dependendo da estrutura do sinal e do ambiente acústico, sistemas de compressão refinados e uma ampla variedade de efeitos (ALMEIDA & IORIO, 1996).

A seqüência numérica “amplificada” é, então, enviada para um conversor de sinais digital/analógico (D/A), que é essencialmente o inverso do processo de conversão analógico/digital, e é transformada em sinal elétrico que possa ser enviado ao receptor que, por sua vez, o reproduzirá amplificado e reconvertido em onda sonora (ALMEIDA & IORIO, 1996).

Um aparelho é considerado completamente digital quando possui um conversor analógico/ digital, o qual converte o sinal de fala em dígitos para poderem ser processados. O consumo de energia e a velocidade necessária para executar todos os algoritimos, ainda hoje, são as principais limitações do processamento digital de sinal. Além disso, é necessário para acomodar circuitos adicionais, baterias e programas (ALMEIDA & IORIO, 1996).

2.2.3 – PRÓTESES AUDITIVAS HÍBRIDAS

Segundo ALMEIDA & IORIO (1996), o termo híbrido indica a combinação de dois tipos diferentes de tecnologia e dá a idéia de que a prótese auditiva não é completamente analógica ou digital, mas parte de cada um deles . Essencialmente, é um aparelho analógico que possui um ou mais componentes digitais. Este tipo de combinação utiliza o melhor do circuito analógico e o aprimora, incorporando os benefícios da eletrônica digital. Nesse caso, o sinal sonoro nunca é convertido em dígitos; porém, internamente no aparelho, existe um chip que controla ou altera o modo como o som ser amplificado.

Neste tipo de prótese, cada vez mais popular, todo o processamento do sinal pela prótese é feito de forma analógica, exatamente como nas próteses analógicas comuns. Entretanto, existe a possibilidade de programar os parâmetros de amplificação através de um sistema digital, onde os ajustes mais adequados a um determinado indivíduo são armazenados na memória do aparelho, bastando alterar a programação para redefini-los (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

A resposta de freqüência, o ganho acústico, a saída máxima, a compressão e outros parâmetros são ajustados através de uma conexão com uma unidade externa de programação. Possui um chip de memória, no qual os ajustes selecionados são estocados e podem ser reprogramados sempre que necessário. Alguns aparelhos programáveis possuem apenas uma memória; outros duas, três ou até quatro (ALMEIDA & IORIO, 1996).

2.3 – CARACTERÍSTICAS ELETROACÚSTICAS DOS APARELHOS AUDITIVOS

As próteses auditivas são instrumentos que amplificam e modificam os sinais sonoros do ambiente para adptar-lós a um indivíduo deficiente auditivo. Possuem características eletroacústicas, que desempenham operacional quando processa um sinal sonoro (ALMEIDA & IORIO, 1996).

As características eletroacústicas de uma prótese auditiva são a descrição de seu desempenho operacional quando processam o sinal sonoro. Ou, em outras palavras, correspondem à descrição de o quê a prótese auditiva ‘faz”(CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

As principais características eletroacústicas das próteses auditivas estão em correlação direta às características de uma audição deficiente. Elas são basicamente: o ganho acústico, relacionado ao grau de perda auditiva, a resposta de freqüências, relacionada à configuração do audiograma do indivíduo, e a saída máxima, relacionada ao nível de desconforto para sons intensos apresentado pelo mesmo “(CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

O processo de adaptação de próteses auditivas em crianças inclui também, além da seleção e acompanhamento do fonoaudiólogo, a orientação familiar, terapia de fala e linguagem, bem como o encaminhamento escolar adequado, sempre que necessário (LICHTING & CARVALHO, 1996).

Algumas outras características de funcionamento além do ganho, resposta de freqüências e saída máxima, podem ser importantes no manejo das próteses auditivas. Entre elas, destacam-se a distorção e a realimentação acústica.

Saída máxima

A saída máxima de um aparelho é o maior nível de pressão sonora que ele é capaz de produzir, sendo normalmente uma função do amplificador e, principalmente do receptor da prótese (ALMEIDA & IORIO, 1996).

Nos indivíduos com perdas auditivas, particularmente aqueles com perdas neurossensoriais, o nível de desconforto não se altera na mesma proporção que o limiar de audibilidade, fazendo com que os sons muito intensos sejam tão desconfortáveis para os mesmos quanto são para indivíduos normais (em um fenômeno conhecido como recrutamento). Assim, uma prótese auditiva não pode amplificar indefinidamente os sons, sob pena de estes sons se tornarem insuportáveis. Do mesmo modo, todos os aparelhos sonoros possuem limitações inerentes à sua construção que limitam a intensidade máxima que os mesmos conseguem reproduzir (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Novamente, a saída máxima é um dado que costuma ser fornecido em uma freqüência em particular ou através de um gráfico em função da freqüência nas fichas técnicas. Se a saída máxima de uma prótese auditiva não for adequada, pode impedir a utilização da prótese ou, ainda, gerar um deslocamento temporário ou mesmo permanente, dos limiares de audibilidade.

Um fato importante na análise da saída máxima é o fato de o nível de pressão sonora gerado em uma cavidade (como o formado entre a ponta do molde auricular e a membrana timpânica) ser dependente do tamanho desta cavidade (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Ganho acústico

Um indivíduo que tem dificuldade em escutar sons de baixa intensidade precisa que estes sons sejam amplificados, conforme já foi dito. Quanto maior a perda de audição, maior será a amplificação necessária. A quantidade de amplificação fornecida por uma prótese auditiva é o seu ganho acústico “(CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Para ALMEIDA & IORIO (1996), o ganho acústico é a diferença em decibeis entre o som que sai e o som que entra na prótese auditiva. Desta forma, para uma prótese auditiva com 40 dB de ganho, um som ambiente de 60 dB será fornecido ao usuário com uma intensidade de 100 dB. O ganho acústico deve ser sempre expresso em decibeis.

O ganho de uma prótese deve ser fornecido pelo fabricante na ficha técnica que acompanha a mesma. Entretanto, nenhuma prótese auditiva tem um ganho acústico perfeitamente igual em todas as freqüências e existem controles que permitem modificar este ganho. Assim, o ganho pode vir descrito como um valor único, representando toda a faixa de freqüências através de uma média ou de uma única freqüência considerada representativa. ldealmente, porém, o ganho deve ser analisado através de um gráfico, onde o valor de ganho em cada freqüência possa ser verificado (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

O ganho acústico fornecido por uma prótese auditiva para um determinado indivíduo também pode ser verificado diretamente através de medidas específicas. Quando o ganho de uma prótese é definido em termos da diferença dos limiares de audibilidade em campo livre com e sem a prótese auditiva, dá-se a este valor o nome de ganho funcional (COSTA e cols., 1993, citado por CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Por outro lado, determinados equipamentos permitem verificar qual a pressão sonora que está sendo liberada pela prótese no meato acústico externo do indivíduo. Quando o ganho acústico da prótese é definido em termos da pressão sonora em um ponto da orelha do usuário com a prótese e o nível de pressão sonora neste mesmo ponto sem a prótese, dá-se a este valor o nome de ganho de inserção (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Segundo ALMEIDA & IORIO (19960, o ganho funcional é a diferença entre os limiares de audibilidade em campo livre com e sem o AASI.

Resposta de freqüências

A resposta de freqüências de uma prótese auditiva é, portanto, a relação de amplificação existente entre as diversas freqüências. Este dado é sempre fornecido na ficha técnica da prótese através de um gráfico, com as diferentes freqüências no eixo horizontal e valores de ganho acústico no eixo vertical (ALMEIDA & IORIO, 1996 ; CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Variações na resposta de freqüências das próteses auditivas permitem fornecer uma ênfase nos sons graves ou agudos, através do destaque das baixas ou altas freqüências em relação ao todo do sinal complexo do ambiente. Esta resposta também pode ser alterada em algumas próteses auditivas, conforme o necessário, através de sistemas específicos ou através de modificações acústicas nos moldes auriculares (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

A resposta de freqüências também pode ser representada, de forma simplificada, através da faixa de freqüências, onde dois números referem os limites menor e maior da faixa de freqüências utilizável da prótese auditiva.

Distorção

Distorção é uma falha do sistema de amplificação em transmitir ou reproduzir um determinado som. A distorção pode ou não interferir na inteligibilidade de fala, porém ela é responsável pelo julgamento de qualidade do parelho (ALMEIDA & IORIO, 1996).

Esta alteração pode ser desejada, como no caso das variações na resposta de freqüências importantes para a adaptação da prótese, mas também pode ser indesejada, como quando a onda é modificada de uma forma desnecessária ou prejudicial. Normalmente, as distorções não desejadas geram uma diminuição na qualidade de som do aparelho, sendo que as distorções mais graves podem até mesmo afetar a inteligibilidade. Em algum grau, toda prótese auditiva tem distorção, mas quanto menor esta for, mais “limpo” será o som da prótese (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Realimentação acústica

A realimentação acústica é um processo que ocorre quando o som liberado pelo receptor é captado novamente pelo microfone da prótese auditiva, gerando um “apito” audível tanto para o usuário da prótese (em alguns casos) como para aqueles que estão ao seu redor. Este mesmo fenômeno é conhecido popularmente como “microfonia” (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Este problema é especialmente grave para aqueles indivíduos com perdas auditivas importantes, que necessitam de grandes valores de ganho e, normalmente, os maiores problemas com realimentação acústica ocorrem com próteses auditivas com ênfase nas altas freqüências (POLLACK, 1988). Entretanto, com técnicas adequadas, estes problemas podem ser resolvidos na maior parte dos casos.

A realimentação acústica também se inicia freqüentemente por deterioração do molde auricular ou, no caso das crianças, pelo crescimento da orelha externa. Nestes casos, a dificuldade pode ser facilmente solucionada com a troca do molde por um novo (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

2.4 – FICHAS TÉCNICAS

Um ponto importante na análise das características eletroacústicas de uma prótese auditiva é saber como os dados constantes nas fichas técnicas foram obtidos. Existem vários modos de se verificar estas características e várias normas que regulam a construção das fichas técnicas. Todas as características eletroacústicas de uma prótese auditiva podem ser medidas da mesma forma: com os controles adequadamente ajustados, um sinal acústico é aplicado ao microfone da prótese auditiva e a saída do receptor é analisada após passar por um dispositivo padronizado, dentro de uma câmara anecóica (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Estes dispositivos padronizados podem ser peças de metal, denominados acopla dores, ou sistemas mais aperfeiçoados, como um manequim, o KEMAR (BURKHARD & SACHS, 1975), que simula as características acústicas de um ser humano adulto normal.

Os acopladores são os sistemas normalmente utilizados para a confecção das fichas técnicas e são basicamente de dois tipos: o acoplador de 2,0 ml e o simulador de ouvido. O acoplador de 2,0 ml é um cilindro simples de metal com 2,0 ml de volume na sua cavidade interna. Como é possível imaginar, os resultados de medidas das características eletroacústicas obtidos com este acoplador diferem bastante dos resultados obtidos em um indivíduo (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Assim, em 1974 (KASTEN & FRANKS, 1986; POLLACK, 1988; LIBBY & WESTERMANN, 1988; STAAB & LYBARGER, 1994) foi introduzido o simulador de ouvido, com uma cavidade de 1,2 ml (valor bem mais próximo do real nas orelhas adultas) e uma série de outros dispositivos destinados a simular as características acústicas de uma orelha (CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Apesar disso, nenhum dos sistemas consegue fazer uma previsão exata dos resultados obtidos com a prótese auditiva em um determinado indivíduo, pois inúmeros fatores interferem nesta reposta. De uma forma geral, pode-se dizer que a interação entre cada prótese e cada indivíduo é única, e leva a resultados únicos.

Para que as fichas técnicas das próteses auditivas possam ser comparadas, é preciso que as mesmas tenham sido confeccionadas de um modo padronizado. Assim, as fichas técnicas são construídas de acordo com normas nacionais ou internacionais que padronizam as medidas a serem apresentadas e o modo de realizá-las(CAMPIOTTO, LEVY, HOLZHEIN, e cols, 1997).

Hoje em dia, há basicamente dois grandes grupos de normas técnicas, embora alguns outros países tenham normas próprias: as normas internacionais do International Electrotechnical Commission (1 EC) e as normas americanas do American National Standards Institute (ANSI). Como o próprio nome diz, a norma ANSI é adotada nos EUA e a norma IEC, internacionalmente. O Brasil não adota oficialmente nenhuma norma, mas existe a preferência de uso pelas normas internacionais. Entretanto, boa parte da bibliografia sobre aparelhos auditivos, por ser oriunda dos EUA, faz referência às normas ANSI.

As normas ainda apresentam diferenças no tipo de medidas realizadas e outros detalhes, o que faz com que os dados fornecidos nas fichas construídas de acordo com a norma americana sejam bastante diferentes dos dados fornecidos nas fichas de acordo com a norma internacional. Uma discussão mais detalhada sobre as normas existentes e as diferenças e particularidades de cada uma pode ser encontrada em MENEGOTTO, ALMEIDA & IORIO, 1996.

3 – Conclusão

O deficiente auditivo contar com o trabalho de profissionais da área (médicos otorrinos e fonoaudiólogas) que farão os testes necessários para o diagnóstico do problema auditivo e a seleção do aparelho que apresentará o melhor resultado. Ressaltamos que será indicado um modelo específico de aparelho auditivo para cada tipo e grau de perda e que o aparelho é adaptado ao ouvido deficiente através de um molde plástico construído sob medida. Esta adaptação é, portanto, personalizada e confortável, permitindo que o paciente tenha um bom e completo aproveitamento do aparelho.

Os aparelhos auditivos podem ser comparados a óculos para os ouvidos pois, de forma análoga a um par de óculos ajustando a luz, o aparelho auditivo ajusta os sons de modo a compensar eventual deficiência auditiva.

Esses profissionais estão em condições de fornecer os esclarecimentos necessários para auxiliá-lo quanto à sua deficiência auditiva e orientá-lo, se este for o caso, quanto à aquisição e uso de um aparelho auditivo.

Os modelos de aparelhos auditivos mais conhecidos são o intracanal (usado dentro do conduto auditivo) e o retro-auricular (usado atrás da orelha) e, em grande parte, são fabricados no Canadá, nos Estados Unidos e também em alguns países da Europa. Normalmente são aparelhos de alta qualidade e dotados dos mais recentes avanços tecnológicos para amplificação de som, capazes de ajudar a resolver a grande maioria das perdas auditivas. Eles são importados e estão disponíveis aqui no Brasil por preços equivalentes aos praticados em todo o mundo.

O não conhecimento do aparelho e suas características pode levar o profissional a realizar regulagem não compatíveis as características necessárias pelo paciente, o que pode gerar desconforto e até mesmo desinteresse pelo paciente em utilizar o aparelho.

4 – Referencias bibliográficas

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BRAGA, L. G. E.; MORAES, M. F. B. B. & BRAGA, S. R. Protetização auditiva:reflexões sobre sua adequação. http: //www.hcnet.usp.br/otorrino/arq2/Protet.htm,1999.

CAMPIOTTO, A. R.; LEVY, C.; HOLZHEIM, D. e cols. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 1997.

COSTA, S.S. ; CRUZ, O. L. Otorrinolaringologia prática e princípios 2 a . Porto Alegre, 1994.

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LICHTING, I; CARVALHO, R.M.M. Audição – Abordagens Atuais. São Paulo: Ed. Pró-Fono, 1996. http://www.laysom.com.br/perda.html

LATARJET, M & LIARD, R, L. Anatomia humana. 2ed. Vol II. São Paulo: Panamericana, 1996.

LINHARES, C.; YOSHIDA, N; BRAGA, S.R.S. Avanços Tecnológicos do Aparelho Auditivo Intra-Canal. Revista Brasileira de Atualização em ORL, vol. 4 no.6. Edição Nov. pp.187-189. Grupo editorial Moreira Jr., São Paulo, 1997.

WIESELBERG, M. Relatório preliminar sobre o efeito do aparelho auditivo Digital . http://www.hcnet.usp.br/otorrino/arq1/arqdigi.htm , 1999.

CISTO EM PREGA VOCAL

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Autor: Luana

Resumo

Cisto em prega vocal é o tema revisado neste estudo, a fim de melhorar o entendimento desta patologia, visto que, existem diversas nomenclaturas para se referir à mesma patologia que é tida como uma lesão benigna e que produz alteração no mecanismo da fonação, resultando em disfonia e fadiga vocal. É através de exames clínicos e estudos histopatológicos que os diversos autores apoiam-se para determinar as diversas nomenclaturas.

A maior incidência desta patologia dá-se no sexo feminino, na idade entre 20 e 50 anos, geralmente, localizando-se no terço médio ou médio anterior da prega vocal, e encontrando-se na camada superficial da lâmina própria.

O tratamento na maioria dos casos é o cirúrgico, acompanhado de terapia vocal e o resultado anatômico é, em geral, satisfatório. Já em relação à voz, esta quase sempre volta à padrões normais.

A fala é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento intelectual e a integração social do homem, e para sua produção, o meio utilizado é a voz. Esta apresenta uma característica individual, sendo uma das extensões mais fortes de nossa personalidade.

Ela nos oferece dados sobre a idade, sexo do indivíduo, além de refletir o estado emocional de cada pessoa, como também, dados relacionados à maturação biológica e aspecto social.

A voz é utilizada pelo ser humano logo ao nascer, como via de comunicação para expressar dor, prazer, desprazer e fome.

Quando falamos sobre voz ou patologia que possa estar interferindo sobre esta, é impossível iniciar algum trabalho sem mesmo se referir, sucintamente, onde e como a voz é produzida.

Cisto em prega vocal é uma patologia benigna que produz uma alteração funcional da voz, caracterizada por disfonia e fadiga vocal. Normalmente, a maior incidência dá-se no sexo feminino na idade entre 20 e 50 anos. Basicamente, são duas as hipóteses para a etiologia do cisto: adquirido ou de mal formação congênita, consideradas por especialistas como Bouchayer e col.-1985. Dentre outras patologias existentes em relação à voz, esta se diferencia pelo fato de necessitar de um minucioso e atencioso procedimento de diagnóstico clínico, evitando dentro do possível, alguma confusão com outra patologia.

Para o diagnóstico, os especialistas utilizam , laringoscopia indireta com magnificação, estroboscopia e levantamento do histórico. Cada um oferece indícios e dados para levar a uma conclusão diagnóstica. Mesmo com todo esse aparato, podem persistir dúvidas que só serão solucionadas no momento do exame histopatológico. Pode-se ainda acrescentar que para a realização da laringoscopia e da estroboscopia, o profissional deverá estar devidamente preparado, pois um olhar menos atento e pouco treinado poderá deixar- se enganar principalmente porque em geral esta patologia costuma apresentar uma reação contra lateral na corda vocal oposta não acometida, simulando nódulos.
As diversas nomenclaturas encontradas para se referir a estes cistos, foram determinadas através de suas formas, tamanhos, aspectos e achados histopatológicos. pode-se constatar que existem basicamente três principais tipos de cistos a serem considerados: cisto epidermóide, cisto de retenção e pseudocisto, que foram colocados pelos diversos autores.

Sendo assim, cisto epidermóide, cisto intracordal verdadeiro epidermóide, cisto tipo epidérmico e cisto fechado foram os diferentes nomes encontrados para se referir ao cisto que se apresenta envolto por um epitélio estratificado de multicamadas, de diversas espessuras alargando-se centripetamente, como cristais de colesterol acumulados e queratina este apoia-se na membrana basilar, podendo apresentar uma forma arredondada ou achatada. Este cisto pode ser encontrado na camada superficial da lâmina própria, também, chamada de espaço de Reinke, sendo o único encontrado próximo ao ligamento vocal. Sua localização na prega vocal dá-se no terço médio, e em geral é unilateral. Existem duas hipóteses a serem consideradas para a origem deste cisto: adquirida ou mal formação congênita, sendo esta última a mais fortemente considerada pelos autores. Sua incidência é predominante no sexo feminino, na idade entre 20 a 40 anos.

Quando foi revisado, o cisto acima descrito, alguns autores relataram ter encontrado cistos que desenvolvem uma abertura externa, em geral, logo acima da borda livre da corda afetada, permitindo que o conteúdo esvazie-se espontaneamente, denominando-os como sendo os cistos abertos. Acrescentam ainda que estes cistos apresentam um impacto de disfonia menos acentuado, devido ao fato destes apresentarem margem livre para poder vibrar. Já o cisto epidermóide, que se encontra no espaço de Reinke, aumenta a massa e consequentemente atinge de maneira mais efetiva a voz.

Ainda durante os estudos realizados sobre a cisto epidermóide, pode-se constatar que estão associados a sulcos e pontes mucosas. O sulco poderia ser um estágio de desenvolvimento do cisto epidermóide, e estes se formam na parte mais interna do sulco.

Cisto de retenção mucosa, cisto de retenção, cisto do tipo anexial e cisto intraepitelial foram os nomes dados ao cisto considerado submucoso, glandular, contento material mucoso, causado pela obstrução do ducto excretor, no qual a secreção é retida dentro da glândula afetada. Este tipo de cisto encontra-se na camada superficial da lâmina própria, e à medida que cresce, aumenta a distância entre a cobertura e a lâmina própria, mas não se estende para as demais camadas. É maior que os cisto epidermóide, entretanto, apresentando um impacto vocal menos severo que este, devido ao fato de ser constituído de um fluido. Localiza-se no terço médio com anterior da prega vocal e a incidência também é predominantemente feminina, na idade entre 25 e 54 anos.

Pseudocisto e cisto de inclusão mucosa falsa são as nomenclaturas utilizadas para se referir ao cisto que apresenta um mecanismo de formação diferente dos cistos acima citados. Este tipo de formação não foi bem esclarecida, porém foi dito que o pseudocisto forma uma cavidade de líquido que sai de dentro dos vasos. Sua parede é completamente fina e translúcida contendo líquido viscoso. Este cisto pode assemelhar-se a um cisto de retenção, por localização, e costuma ser unilateral apresentando aspecto translúcido e forma variável, e encontrando-se na submucosa. O pseudocisto, por seu conteúdo, altera de forma menos significante o padrão vibratório, ocasionando uma disfonia menos acentuada com relação ao cisto de retenção mucosa, sendo muitas vezes quase imperceptível auditivelmente.
Através da análise perceptual, em geral, constata-se que os pacientes portadores de cistos apresentam disfonia caracterizada por rouquidão, associada à fadiga vocal, “loudness” rebaixado, “pitch” grave e diplofonia.

O tratamento é cirúrgico associado à fonoterapia na maioria dos casos, resultando um bom prognóstico para os pacientes, que na maior parte obtiveram padrão vocal normal ou quase perto do normal. Pode-se ainda levantar uma hipótese que quando os autores referem-se ao padrão vocal quase normal, eles possam estar se referindo ao cistos epidermóides, pois sabe-se que são os únicos mais próximos ao ligamento vocal e que quanto mais a lesão se estende na estrutura de camada, mais o cirurgião pode interferir em tecidos cicatriciais e consequentemente pode interferir na qualidade vocal.

Com relação à terapia, que inicialmente motivou os estudos sobre cisto, pouco se encontrou efetivamente para atuação terápica, a não ser uma colocação feita por Pontes e col.-1994, na qual os objetivos da terapia são: diminuir as compensações negativas, cuidando em especial a hipercinesia muscular, melhorar a resistência vocal, cuidar das lesões secundárias e preparar o paciente para a realização cirúrgica. Mesmo sendo citada nos trabalhos, a atuação da terapia vocal juntamente com tratamento cirúrgico pouco foi destacada e, algumas vezes, pouco valorizada. Isto pode ser percebido no trabalho de Steffen-1995, foi colocado que apenas 60% dos casos foram acompanhados por terapia vocal, levando-se a pensar que ainda não existe a conscientização do seu benefício.

CLASSIFICAÇÃO DAS MALOCLUSÕES E TIPOS DE MORDIDA

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Autor: Gercélia dos Santos Ramos

DESENVOLVIMENTO DENTÁRIO

Os dentes possuem a substância mais dura do corpo humano (esmalte) e representam também, a estrutura de maior tempo de formação, quando comparados e relacionados aos outros tecidos humanos. Quando formados, os dentes, apresentam suas coroas, em termos dimensionais, com seu tamanho e formatos definitivos. Este fato é bastante significativo em função de que as estruturas circunjacentes passarão pelo processo de aumento proporcional ao avanço da idade do indivíduo. Esta assincronia gera situações de aparência complexa e às vezes não harmoniosas; que são inerentes ao desenvolvimento da oclusão dentaria.

Segundo Petrelli (1992), é interessante observar que as coroas dos dentes são formadas, iniicialmente, na região que futuramente acomodara as suas próprias raízes.

O sistema dentário humano é difiodonte (duas dentições: decídua e permanente). A necessidade destas duas dentições é explicada pelo fato de que os dentes decíduos, uma vez formados, não aumentam de tamanho, ficando, com o correr do tempo, em flagrante discrepância com as bases ósseas, que sofrem crescimento. Daí a necessidade de uma segunda dentição, a permanente, com dentes maiores em dimensão e número.

A dentição decídua tem início de sua formação durante as seis primeiras semanas de vida intra-uterina. A erupção dos primeiros dentes decíduos se dá por volta dos seis meses de idade. O término ocorre, normalmente, cerca de vinte e quatro a trinta meses após o nascimento da criança, quando os segundos molares decíduos entram em oclusão.

As arcadas dentárias, nesta fase, apresentam-se em forma semicircular ou ovóide, havendo a presença ou não de diastemas entre os dentes. É importante notar que as arcadas dentárias apresentam menor variabilidade em sua forma do que as permanentes. Em contra partida a este temos, o fato de que na dentadura permanente, os dentes, estão orientados (sentido axial) quase que perpendicularmente ao plano oclusal. Os dentes inferiores ocluem suavemente por lingual em relação aos superiores.

Os dentes molares decíduos têm uma ampla área de contato para fazer face ao ato da trituração dos alimentos. É interessante notar, que existem uma considerável variação dimensional nas coroas dos dentes 2º molares decíduos.

Poucas alterações costumam ocorrer na dentição decídua no período que vai dos dois anos e meio aos cinco anos de idade Isto se aplica ás posições dentárias individuais e também à relação transversa e sagital das arcadas. Neste período os dentes permanentes estão fazendo sua formação intra-óssea:

Molares permanentes estão em formação em situação espacial sempre posterior ao último decíduo;
Os incisivos permanentes estão localizados por lingual em relação às raízes de seus predecessores.
De acordo com Moyers, a forma básica das arcadas é determinada, até o quarto mês de vida intra-uterina, pelos germes dentários em desenvolvimento e pelo osso basal em desenvolvimento. Nesta mesma época, a língua adapta-se ao espaço que vai’, gradativamente aumentando.
Após a erupção dos dentes decíduos, o arco formado pelas coroas dentárias é sempre alterado pela atividade muscular, embora sua forma inicial não seja determinada pelos músculos.
Para Figun & Garido, os dentes decíduos durante seu período de existência na cavidade bucal, cumprem funções de ordem fisiológicas e biológicas.
Funções de ordem fisiológicas:

Ações mastigatórias;
Estabelecimento de uma linha e de um plano oclusal;
Manutenção da dimensão vertical;
Início da fonação;
Manutenção do espaço necessário para a correta erupção dos dentes permanentes.
Funções biológicas:

Ação estimulante no crescimento ósseo alveolar dos maxilares;
Atuação no processo de erupção dos futuros dentes permanentes, pela relação de proximidade que têm com os mesmos.
A dentadura decídua é composta de vinte dentes em cada arcada. A erupção ocorre seqüencialmente (incisivos centrais inferiores, incisivos centrai superiores, incisivos laterais superiores, incisivos laterais inferiores, 1º molares superiores e os inferiores, caninos superiores e inferiores, 2º molares superiores e inferiores) e, acedida que surgem os dentes, os músculos aprendem a efetuar os movimentos oclusais funcionais necessários.

Existem diastemas generalizados na região anterior, sendo que o espaço mais amplo, denominados “primatas”, podem, ocorrer em mesial dos dentes caninos decíduos superiores e em distal dos caninos decíduos inferiores. Segundo Petrelli (1992 ), os dentes decíduos inferiores são, geralmente, um pouco maiores do que os superiores, dando origem a um plano terminal reto, típico da porção posterior final da dentadura decídua.

Desarmonias no padrão esqueletal, hábitos inadequados de sucção e processos cariosos interproximais podem produzir um degrau no plano terminal. Este degrau pode ser do tipo “mesial “ou “distal.” O plano terminal determinado pelos 2º molares decíduos (retos ou em degrau mesial ou distal ) exerce influência sobre o futuro posicionamento dos 1º molares permanentes, antes e após o seu processo de erupção.

No entender de Moyers, o período de dentição mista é aquele em que os dentes decíduos e permanentes estão na boca simultaneamente. O início deste período é marcado pela erupção dos 1º molares permanentes. Estes dentes têm sua guia de erupção na arcada determinada pelas superfícies distais dos 2º molares decíduos. Os 1º molares permanentes são considerados “peças chaves” para o estabelecimento de uma oclusão dentária definitiva dentro dos padrões de normalidade.

Os planos terminais dos 2º molares decíduos determinam o tipo de relacionamentodos1º molares permanentes. Angle foi o autor do sistema de classificação que se baseia nas relações anteroposteriores dos 1º molares superiores e inferiores entre si.

Ainda de acordo com Moyers, os dentes permanentes que irão fazer seu processo de erupção nesta e, após esta fase, são classificados em duas categorias:

Dentes sucessores: aqueles que substituem os decíduos existentes anteriormente na arcada. É o caso dos dentes incisivos, caninos e pré-molares permanentes.

Dentes adicionais: aqueles que fazem seu processo de erupção na região situada, na arcada, posteriormente aos2º molares decíduos. É o caso dos dentes molares: 1º, 2º e 3º.

A ortodontia tem a possibilidade de poder, com o uso de recursos terapêuticos de sua área de atuação e com o auxilio complementar, quando necessário, de especialidades como a fonoaudiologia e a otorrinolaringologia, administrar e orientar o correto crescimento e desenvolvimento dento- ósteo-craniofacial de uma criança.

A fase da dentição mista é aquela em que, pela própria dinâmica das modificações que se processam, aumenta a possibilidade de ocorrência de anomalias nesta região.

Este estágio intermediário ou de “dentição mista “é aquele que possibilita grandes possibilidades de início oportuno e tempestivo de tratamento. Acha o autor que pelas características próprias pertinentes ao citado estágio, a maioria dos tratamentos deveria ser iniciada nesta época.

Em seus estudos Petrell (1992) menciona classificação feita por Barnett, em 1978. Nela, relaciona-se a idade cronológica, dividida em cinco estágios, às características do desenvolvimento da oclusão dentária. Esta classificação é efetuada a partir do ponto de vista de observação clinica.

3 anos – 1º estágio – Dentição decídua
6 anos – 2º estágio – Erupção dos dentes 1ºs molares permanentes.
6 a 9 anos – 3º estágio – Troca dos dentes incisivos.
9 a 12 anos – 4º estágio – Troca dos dentes dos segmentos laterais das arcadas.
12 anos – 5º estágio – Erupção dos dentes 2ºs molares permanentes.
Petrelli (1992), considera que com a esfoliação e queda do último molar decíduo, termina a fase da dentição mista e se completa a dentadura permanente do ser humano. Isto ocorre, normalmente, por volta dos 12/13 anos de idade, estando presentes todos os dentes permanentes, exceto os 3ºs molares, que nesta época ainda estão com seus germes em processo intra-ósseo de formação.

Ultrapassada a fase da dentição mista termos, finalmente, arcadas que contém somente dentes permanentes. Quando completa (inclusive a erupção dos 3ºs molares), a arcada humana é composta por 32 dentes, 16 superiores, sendo oito em cada hemiarcada. Estes dentes são divididos em vários grupos:

Grupo dos incisivos.
Grupo dos caninos.
Grupo dos pré-molares.
Grupo dos molares.

OCLUSÃO

Segundo ENLOW (1993), a oclusão dentária é um dos assuntos mais complexos da odontologia e tão fundamental aos estudos da fonoaudiologia, ou seja necessitamos dos conhecimentos a respeito de como se estabelecem os perfeitos e corretos funcionamentos oclusais, na arcada decídua, mista e permanente, pois a oclusão é o resultado do controle neuromuscular dos componentes do Sistema Estomatognático que são os dentes, periodonto, maxila, mandíbula, articulação têmporo mandibular eseus músculos associados.

Durante a erupção normal dos dentes, para que ocorra a oclusão, espera-se que os dentes e o osso alveolar desenvolvam-se até que o antagonista do arco oposto seja encontrado.

MALOCLUSÃO

Segundo Moyers, em vez de possuir “causas” especificas, como algumas enfermidades, maloclusões são em geral alterações clinicamente significativas do campo normal de crescimento e morfologia. Fatores etiológicos contribuem para a desarmonia com mais freqüência do que simplesmente a “causam”. Muitas vezes, a maloclusão e deformidade dentofacial não são causadas por processos patológicos, mas sim por distorções moderadas do desenvolvimento normal. Freqüentemente, estes problemas resultam de uma interação complexa de múltiplo fatores que influenciam o crescimento e o desenvolvimento, e se torna possível descrever um fator etiológico específico.

Embora seja difícil conhecer a causa precisa de muitas maloclusões, podemos saber, geralmente, quais são as possibilidades, e estas devem ser levadas em conta quando o tratamento for considerado.

Causas específicas da maloclusão

Distúrbios no desenvolvimento embrionário.
Distúrbios no desenvolvimento esquelético.
Distúrbios no desenvolvimento dentário.
Guia inadequada de erupção.
Trauma dentário.
Influências genéticas Influências ambientais.
Maus hábitos orais.
Classificação da maloclusão

Para Petrelli (1992), classificar significa distribuir em classes e nos grupos respectivos de acordo com o método ou sistema de classificação. Para classificar uma maloclusão, devemos ter um conceito de oclusão normal. Como a oclusão normal é composta de vários fatores, onde alguns deles, se considerados isoladamente, poderão estar fora da variação normal esperada; a simples classificação da maloclusão normal ou anormal é difícil.

O sistema de classificação é o agrupamento de certos sinais e sintomas das maloclusões típicas, produzindo síndromes ou classes, cuja identificação e classificação são úteis.

O sistema de classificação é o agrupamento de certos sinais e sintomas das maloclusões típicas, produzindo sindromes ou classes, cuja identificação e classificação são úteis.

Há várias razões práticas para realizarmos uma classificação. Segundo Moyers, elas seriam feitas por razões tradicionais, para facilidade de referência, para fins de comparação e para facilitar a comunicação pessoal. Edward H. Angle, apresentou um tipo de classificação que tinha com referência a oclusão do 1º molar superior, supondo que sua posição na arcada era imutável.

Classificação de Angle

Edward Angle, considerado o pai da Ortodontia, criou a classificação mais usada mundialmente. Esta classificação tem por base que os 1ºs molares superiores permanentes determinavam a “chave de oclusão”. Estuda as relações anteroposteriores das arcadas dentárias.

Angle sistematizou a maloclusão em três grupos principais:

CLASSE I

É quando a cúspide mesiovestibular do 1º molar superior permanente oclui no sulco mesiovestibular do 1º molar inferior permanente. Nesta categoria, basicamente existe uma relação normal entre a maxila e a mandíbula. As anomalias encontradas são apenas de posição dentária.

Nesta classe são classificadas as anomalias de forma, número e posição dentárias, mordidas abertas, mordidas profundas, biprotrusões, e mordidas cruzadas. Neste caso pode ser encontrada uma desarmonia entre o volume ósseo e dentário, provocando apinhamentos dentários, principalmente na região anterior.

CLASSE II

Este grupo caracteriza-se pela mandíbula encontra-se em posição distal com respeito à maxila. A cúspide distovestiular do 1º molar superior oclui com o sulco mesiovestibular do 1º molar inferior. A oclusão dos demais dentes reflete esta relação distal, quando é comum dizer que os dentes inferiores encontram-se em posição posterior aos dentes superiores. Esta classe apresenta duas divisões:

DIVISÃO 1

Casos cuja chave de molar apresenta-se em classe II e os incisivos superiores estão freqüentemente em labioversão exagerada. Pode estar associada uma musculatura peribucal anormal comum lábio superior hipotônico e o inferior hipertônico. A arcada superior pode apresentar-se com uma grande atresia. A língua não encosta no palato durante a posição de descanso. Durante a deglutição, há atividade muscular anormal dos músculos do mento e bucinador, juntamente com uma função compensadora da língua e modificação da posição lingual, com tendência a acentuar o estreitamento da maxila. Podemos encontrar também associado a este tipo de maloclusão algum tipo de hábito vicioso, como sucção de dedo ou de chupeta, como também casos de respiradores bucais.

DIVISÃO 2

Apresenta a mesma morfologia da classe II, com relação à oclusão de molares, distinguindo-se pela posição dos incisivos centrais superiores que encontram-se em palatoversão, enquanto os incisivos laterais superiores apresentam uma inclinação vestibular. Em alguns casos podemos encontrar tanto os incisivos centrais e laterais superiores inclinados para palatino como os caninos superiores em posição vestibular. A arcada superior dificilmente é atrésicas sendo freqüentemente mais ampla que o normal na região intercaninos. Encontramos com bastante freqüência a presença de uma mordida profunda. A função muscular peribucal geralmente encontra-se dentro dos limites de normalidade, sendo que em alguns casos nota-se a hipertonicidade do lábio inferior.

CLASSE III

Nesta categoria, englobam-se as anomalias que apresentam uma relação anterior da mandíbula em relação à maxila. Na oclusão dos 1ºs molares, o sulco mesiovestibular do 1º molar permanente inferior oclui anteriomente à cúspide mesiovestibular do 1º molar permanente superior. Apresenta-se, muitas vezes, associadas a uma hiperplasia mandibular. Freqüentemente apresentam uma mordida cruzada anterior e os incisivos inferiores em linguoversão.

TIPOS DE MORDIDA

Sobremordida (Overbite)

Quando as pontas incisais dos dentes mandibulares se fecham contra a superfície lingual do seu antagonista maxilar de tal modo que aproximadamente um terço da coroa mandibular fique escondida.

Sobremordida zero

Quando o incisivo se coloca habitualmente ponta-a-ponta durante a oclusão.

Mordida aberta (Openbite)

Quando persiste um espaço ou distancia habitual entre as superfícies incisal e oclusal durante a oclusão habitual.

Overjet

É uma dimensão antero-posterior e constitui uma distancia, no plano horizontal, entre as superfícies linguais dos incisivos superiores e as superfícies labiais dos incisivos inferiores.

Mordida cruzada (Crossbite)

Quando um ou mais dentes se encontram mal posicionados lingual, labial ou facialmente em relação aos seus correspondentes no arco oposto.

CLASSIFICAÇÃO DAS OCLUSÕES

Classe I Classe II Classe III

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ENLOW, D.H. Crescimento Facial – Porto Alegre – Editora Artes Médicas. 1993a, 188p

GONZÁLEZ, N.Z.T, Fonoaudiologia e Ortopedia Maxiliar na Reabilitação Orofacial, São Paulo, Editora Santos, 2000, 33-34p.

HANSON, M.L., Fundamentos da Miologia Orofacial. Rio de Janeiro, Editora Enelivros, 1995, 67-73p.

MOYERS, R. – Ortodontia. 3 ed. RJ : Editora Quanabara Koogan, 1979. 669p.

PETRELLI, E. – Ortodontia para Fonoaudiologia. – PR> Lovise, 1992.

PROFFIT, W. R. – Ortodontia contemporânea – 2ª ed. Editora Med., 1979.

COLESTEATOMA

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Autor: Marla Larocca

Definição

O Colesteatoma é uma massa cística que pode ocorrer dentro do ouvido médio e de outras áreas pneumatizadas do osso temporal, tanto unilaterais quanto bilaterais. Como regra geral, os colesteatomas desenvolvem-se como uma complicação de infecção crônica ou recorrente do ouvido médio. A formação do colesteatoma geralmente é acompanhada por retração ou perfuração da membrana timpânica. Entretanto, em raras ocasiões, os colesteatomas podem desenvolver-se sem nenhuma anormalidade aparente do ouvido médio como fator predisponente. Um possível risco do colesteatoma envolve a erosão de estruturas otológicas da cadeia ossicular, aparecimento de fístula ou invasão do labirinto ósseo, erosão do canal de Fallópio e etc.

Origem

O colesteatoma pode ser congênito ou adquirido. O congênito é raro, sendo uma anomalia de desenvolvimento devido à persistência de brotos de tecido epitelial no osso temporal. A membrana do tímpano permanece íntegra e, histologicamente, a lesão assemelha-se a um cisto epidermóide. O colesteatoma adquirido é comum e resulta de complicação da otite média crônica. Na maioria dos casos, localiza-se na porção póstero-superior do ouvido médio, mas pode preencher quase toda sua cavidade e estender-se à mastóide.

Patogênese

O colesteatoma apresenta controvérsias em relação à patogenia e existem várias teorias para explicar a presença de epitélio escamoso ceratinizante na orelha média:

Metaplasia do epitélio do ouvido médio resultante de inflamação crônica.

Migração do epitélio escamoso do conduto auditivo externo para o ouvido médio, através da membrana timpânica perfurada.

Invaginação de parte da membrana timpânica para o interior da cavidade do ouvido médio, formando uma bolsa de retração revestida pelo epitélio escamoso da face externa da membrana do tímpano.

Essa invaginação parece resultar de pressão negativa persistente no ouvido médio devido à disfunção grave e prolongada da tuba auditiva que surge em inflamação crônica.

Histologia

O colesteatoma é uma lesão cística revestida por epitélio escamoso ceratinizados, cuja cavidade fica preenchida pelas escamas córneas. No estroma fibroso, abaixo do epitélio, encontram-se infiltrado de manocucleares e cristais de colesterol associados à reação granulomatosa do tipo corpo estranho (granuloma de colesterol). Esses granulomas resultam provavelmente, de focos hemorrágicos que ocorrem no estroma.

Incidência

A incidência do colesteatoma na população de classe média branca é por volta de 6 para cada 100 mil indivíduos. A incidência varia em função da idade, com maior probabilidade de ocorrência no grupo de indivíduos de 10 a 30 anos de idade. O colesteatoma é uma doença predominante do sexo masculino, sendo que 80% dos colesteatomas congênitos e 63% dos colesteatomas adquiridos ocorrem no sexo masculino.

Sinais e Sintomas

Os sintomas são semelhantes aos da otite média crônica supurada, com otorréia espessa e fétida, associada à deficiência auditiva causada por destruição dos ossículos. A purgação está presente por muitos anos e geralmente apresenta odor fétido. Se o canal semicircular estiver envolvido, podem aparecer tonturas ou vertigens.

Evolução Clínica

Na mastóide, colesteatoma destrói progressivamente suas estruturas. As principais complicações são labirintite, fistula labiríntica, paralisia do nervo facial, petrosite e meningite.

Eles destroem o osso e podem provocar complicações intracranianas graves se atingirem a dura mater da fossa posterior ou média do crânio, através do seio lateral ou do canal semicircular lateral. Podem produzir também paralisia facial se o nervo facial for atingido na orelha média ou na mastóidea. Esses freqüentemente destroem as estruturas ossiculares e é comum observar a destruição do processo longo da bigorna e de todas as estruturas situadas superiormente ao estribo, permanecendo intacta somente a platina do estribo; porém muitas vezes ela pode estar destruída. O tecido escamoso pode estender-se para os espaços mais internos da orelha, até mesmo para a porção interna do osso temporal.

Achados Médicos e Audiológicos

Os resultados da sensitividade para tom puro, geralmente mostram uma perda auditiva condutiva. O grau da perda varia, entretanto, dependendo da localização e tamanho do colesteatoma. Ocasionalmente, tanto pode aparecer uma perda sensório-neural como uma sensitividade normal para tom puro. Os valores de inteligibilidade de fala estão geralmente dentro dos limites normais. Os resultados impedanciométricos variam a depender da natureza e extensão do envolvimento da cadeia ossicular. Por exemplo, se o colesteatoma produz uma leve pressão sobre a cadeia ossicular, os dados da impedanciometria podem mostrar um padrão ou função. O timpanograma pode ser de configuração baixa tipo A, as medidas de complacência estática podem estar levemente reduzidas; e os limiares do reflexo acústico podem estar elevadas. Se, entretanto, o tumor envolver a cadeia ossicular, os resultados impedanciométricos podem refletir um efeito de massa. O timpanograma pode ser do tipo B, a complacência estática pode estar abaixo dos limites normais e os reflexos podem estar ausentes. Finalmente, se o colesteatoma provocar uma erosão da cadeia ossicular, pode resultar num padrão de descontinuidade. Os achados podem ser caracterizados por um timpanograma atipicamente alto, em complacência estática acima da faixa normal e reflexos acústicos elevados ou ausentes.

Uma exceção aos achados acima envolve pacientes com colesteatomas que tenham provocado erosão da cadeia ossicular. Nestes pacientes, algumas vezes, o próprio tumor pode formar uma conexão funcional entre os ossículos. Nesta circuntância, pode ser observado um timpanograma arredondado e um pequeno gap aéro-ósseo não esperado.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela história clínica e pelo exame físico. Uma otoscopia revela facilmente a presença do colesteatoma adquirido. A constatação de um colesteatoma congênito é mais difícil, uma vez que neste caso a membrana timpânica permanece íntegra.

Algumas vezes, principalmente para que se possa avaliar a extensão do problema, são necessários exames radiológicos, inclusive tomografia computadorizada.

Tratamento

O tratamento do colesteatoma é exclusivamente cirúrgico. As cirurgias seguem os princípios gerais das cirurgias da orelha média e mastóide, elimina a patologia, conserva ou restaura a anatomia e a função, e previne as recidivas. Mais de uma cirurgia é necessária, especialmente se houver mais de uma das orelhas comprometidas.

As cirurgias indicadas são as de timpanoplastias e mastoidectomias isoladas.

Estudo de Caso

Um indivíduo de 31 anos de idade, sexo masculino, com colesteatoma no ouvido direito.

Achados Cirúrgicos

O colesteatoma originou-se no atiço e estendeu-se para baixo e dentro do ouvido médio, ao nível da articulação incudoestapediana. A membrana timpânica estava quase que totalmente ausente.

História

O paciente referiu infecções intermitentes no ouvido médio e perda auditiva flutuante no ouvido direito há 19 anos. Ele relata perfuração crônica da membrana timpânica por pelo menos 15 anos. O paciente não refere tinnitus ou tontura. Atualmente, ele acha que sua audição em ambos os ouvidos está boa.

Resultados

O audiograma mostra uma perda condutiva leve no ouvido direito e sensitividade normal no ouvido esquerdo. Os valores de PTA (média para tom puro) são de 17 dBNA no ouvido direito e –2dBNA no ouvido esquerdo. A condução por via óssea e a audiometria da SAL (Nível de Acuidade Sensorial) no ouvido direito mostram um componente condutivo de cera de 10 a 20 dB. No ouvido esquerdo, a condução por via óssea e os resultados do teste de SAL estão acoplados à condução por via aérea.

O teste de Weber em 500Hz lateraliza para o ouvido direito. O teste de Bing (não mostrado) em 500Hz indica a ausência do efeito de oclusão de 20 dB. As funções de PI-SSI estão normais em ambos os ouvidos. Os valores máximos de SSI são de 100% bilateralmente. Os valores de SSIT, 20 dB no ouvido direito e –2dBNA no ouvido esquerdo confirmam a média de sensitividade para tom puro.

A timpanometria e as medidas de complacências estática no ouvido direito não puderam ser obtidas devido à perfuração da membrana timpânica. Não foi possível manter-se pressões positivas nem negativas no ouvido direito. Este fato sugere um tuba de Eustáquio permeável. No ouvido esquerdo, o timpanograma é de configuração normal, tipo A e a complacência estática está dentro dos limites normais, com exceção do limiar do reflexo contralateral direito em 250Hz, que estão elevados, os reflexos contralateral do ouvido direito e ipsilateral do ouvido esquerdo foi elaborado o declínio do reflexo em 500 e 1000 Hz no ouvido direito. As medidas dos reflexos acústicos e sonda com som no ouvido esquerdo e sonda no ouvido direito não puderam ser obtidas.

Conclusão

Ouvido Direito – Perda condutiva leve. A impedanciometria é compatível com uma perfuração da membrana timpânica.

Referências Bibliográficas:

DOWS, MarionP.; NORTHERN, Jerry L. Audição em Crianças. 3ª Edição. São Paulo: Manole, 1989, Pág.65.

HUNGRIA, Helio. Otorrinolaringologia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000, Pág. 375 / 378.

FILHO, Geraldo Brasileiro. Bogliolo Patologia. 6ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000, Pág.1021

KATZ, Jack. Tratado de Audiologia Clínica. 4ª Edição. São Paulo: Manole, 1999, Pág. 15.

CALDAS, Nelson; SIH, Tânia. Otologia e Audiologia em Pediatria. Rio de Janeiro: Revinter, 1999, Pág. 99 / 105.

JERGER, Susan e James. Alterações Auditivas – Um Manual para Avaliação Clínica. São Paulo: Atheneu, 1998, Pág. 23 / 28.

Consultado em 18/05/2002

http://www.pavan.med.br/colest.htm

CONTROLE ORAL NA ALIMENTAÇÃO

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Autor: Flavia Fialho Fernandes

Introdução:

Quando se fala em Motricidade Oral, torna-se necessário o conhecimento do funcionamento do Sistema Estomatognático (SE).

O Sistema Estomatognático é formado por vários elementos ,tais como, nervos, dentes, ossos, músculos, lábios, vasos, e espaços orgânicos. Esse sistema identifica um conjunto de estruturas bucais onde se desenvolvem funções comuns tendo como característica constante à participação da mandíbula e está intimamente ligada a funções de outros sistemas, como o nervoso, circulatório, digestório, respiratório, metabólico, endócrino, etc.

Fazem parte do SE os seguintes processos: Mastigação, Sucção, Deglutição, Fonação e Articulação, Respiração, Dentes e Oclusão. Ainda fazem parte desse sistema, diferentes tecidos e órgãos como músculos, ossos, dentes, articulações, glândulas, mucosas e suporte neurovascular correspondente. São consideradas funções estomatognáticas, mastigação, sucção, deglutição, fonação e articulação e respiração.

É indispensável antes de abordamos a Mastigação e seus processos e fases e a Deglutição em sua fase oral, a Cavidade Bucal.

A Cavidade Bucal tem como principais funções a respiração, mastigação,sucção, deglutição, mímica expressiva e fala (emissão da voz, articulação e palavra).

É através da boca que o ser humano estabelece o primeiro contato com o mundo exterior, realiza as funções vitais que permitam a sua sobrevivência física e emocional. O desempenho dessas funções vai depender da estrutura espacial e dinâmica da boca.

MASTIGAÇÃO:

DEFINIÇÃO:

É a função mais importante do SE, correspondendo ao ínicio do processo digestivo, que se inicia na boca.

Endende-se por mastigação o conjunto de fenômenos estomatognáticos que visa a degradação mecânica dos alimentos, isto é, a trituração e moagem dos alimentos, degradando-as em partículas pequenas que logo após, ligam-se entre si pela ação misturadora da saliva, obtendo-se o bolo alimentar, apto para ser deglutido.

Durante a mastigação, contraem-se coordenadamente vários grupos musculares, sendo obviamente os mandibulares os mais destacados, embora também sejam fundamentais os músculos da língua e os faciais, especialmente o Bucinador e o Orbicular dos lábios. As contrações musculares levam a oposição rítmica dos dentes através de sua superfície oclusal funcional, gerando-se uma pressão intercuspideana que se aplica sobre os alimentos, quebrando-os em pedaços menores.

FASES MECÂNICAS DA MASTIGAÇÃO

Descrevem-se mo ciclo mastigatório, três etapas descritas a seguir. Mas vale a pena ressaltar que o ciclo mastigatório se refere a seqüência de fenômenos mecânicos que resultam na desintegração do alimento. As fases são:

Incisão : Ocorre quando a elevação da mandíbula em protusão apreende o alimento entre as bordas incisais, que contém proprioceptores que identificam a consistência do alimento para que seja empregada a força adequada, logo após a mandíbula repropulsa-se, deslizando as bordas incisais dos incisivos superiores. Exagera-se a intensidade da contração muscular elevadora da mandíbula determinando-se movimentos rítmicos, até que o alimento é finalmente cortado, caindo, logo após a mandíbula.

A língua, coordenadamente com as bochechas, vai localizando o alimento entre as superfícies oclusais dos dentes. Agora preferentemente os posteriores (pré-molares e molares) que, pelas suas características anatômicas oclusais, realizam as etapas seguintes. Esta fase dura aproximadamente 5-10% do tempo total do ciclo mastigatório.

Trituração: È a transformação mecânica de partes grandes do alimento em partes menores. Ocorre principalmente nos pré-molares, uma vez que sua pressão intercuspideana é maior que a dos molares, podendo assim moer mais facilmente partículas maiores, que oferecem maior resistência. Dura em torno de 65-70% do tempo total.

Pulverização : É a moenda das partículas pequenas, transformando-as em elementos muito reduzidos, que não oferecem resistência nenhuma ao nível das superfícies oclusais, ou da mucosa bucal. Dura por volta de 25-30% de tempo total do ciclo mastigatório.

Estas duas últimas etapas não podem ser separadas abruptamente, já que muito freqüentemente, o alimento esta sendo triturado nos pré-molares, passa para os molares, onde ocorre a pulverização; mas logo após, pode retornar aos pré-molares, reiniciando-se a moenda a esse nível.

Durante as 3 etapas do ciclo mastigatório, em especial na incisão e trituração ocorre reflexamente secreção salivar que ajuda eficientemente na mastigação e, ulteriormente na formação do bolo alimentar. Também nessas fases, a atividade muscular é intensa, especialmente a dos movimentos verticais da mandíbula: abertura e fechamento da boca que através de proprioceptores será adequado ao tamanho e consistência do alimento.

Na Pulverização molar, além dos movimentos verticais da mandíbula, são importantes os movimentos horizontais, laterais e de protusão e retrusão que serão vistos abaixo.

ATO MASTIGATÓRIO

Representa estágios seqüentes integrantes do ciclo da mastigação. È constituída por 3 fases fundamentais:

Fase de Abertura de boca :

A mandíbula cai, por relaxamento reflexo simultâneo dos músculos levantadores, e contração isotônica simultânea dos músculos abaixadores mandibulares.

Fase de Fechamento de boca :

Agora a mandíbula eleva-se pela contração isotônica simultânea dos músculos abaixadores mandibulares.

Fase Oclusal:

Há o contato e intercuspidação dos dentes, fisiologicamente em oclusão cêntrica, gerando forças interoclusais, devido á contração isométrica dos M.levantores da mandíbula. Obviamente esta constitui a fase crucial da mastigação, já que gera a pressão interoclusal, quebrando o alimento interposto entre os dentes . A fase oclusal também é conhecida como GOLPE MASTIGATÓRIO. A duração total do ciclo mastigatório varia segundo a consistência do alimento e seu tamanho.

PROCESSOS DE CONTROLE E AJUSTE DA MASTIGAÇÃO

Frente a alimentos com características diferentes, os processos de controle da mastigação se referem a diversos, entre os quais vale a pena referir os abaixo:

Variação da Intensidade da Força Mastigatória

A força mastigatória é determinada pela força contrátil dos M.levantadores da mandíbula e por conseguinte, para controlar a força mastigatória, os mecanismos adaptativos devem agir primeiramente na atividade mecânica destes músculos. Deduz-se que quanto maior for a força exercida na mastigação mais duro é o alimento. Onde este alimento duro produz um sistema adaptativo, capaz de aumentar a força mastigatória para sei tipo. Isto graças a botões terminais do periodonto que regulam adaptativamente a força mastigatória.

Variações da Pressão Mastigatória

A pressão exercida depende da relação entre a força e a área de aplicação da força. Assim, a pressão que se exerce sobre o alimento é função da área oclusal fisiológica que representa a superfície mastigatória útil.

A contração isométrica dos M.levantadores da mandíbula durante a fase oclusal, gera uma força entre os arcos dentários que é a força mastigatória, que determina uma pressão interoclusal ou intercuspideana diferente segundo a área onde age, apresentando-se maior quando se refere a áreas reduzidas.

Na distribuição dentária segundo a consistência do alimento pode-se ver na tabela 1 em anexos, que alimentos mais duros recebem então uma força maior e são colocados ao nível dos pré-molares, sendo que o primeiro pré-molar representaria o dente que com maior eficiência atuaria na mastigação de alimentos mais duros, devido a sua menor superfície oclusal, em relação a força exercida que é também considerável, só algo menos que o molar, onde a força mastigatória é máxima.

Variação do número de golpes mastigatórios

Refere-se ao numero de contatos interdentários produzidos durante a mastigação habitual, que depende também das qualidades físicas do alimento. Por exemplo, uma cenoura crua quando mastigada precisa de 2,1 golpes-segundo. Na figura 2 em anexos pode-se observar o número de golpes para 3 variedades de alimento, tais como a maça (mole), carne (dura), e o biscoito (consistência intermediária) .

DISTRIBUIÇÃO DO ALIMENTO DURANTE A MASTIGAÇÃO

Quando a mastigação é bilateral alternada (padrão), isto é, o alimento é distribuído homogeneamente nos dentes tanto do lado direito quanto do lado esquerdo.Apresenta-se uma distribuição uniforme das forças mastigatórias nos tecidos de suporte do dente, o que facilita a estabilidade dos tecidos periodontais e por outra parte, harmoniza-se também a oclusão e a atividade dos M.mastigatórios apresenta-se bilateralmente sincrônica.

O padrão bilateral de mastigação seria a situação ideal que se manifesta quando há uma harmonia funcional dos diversos componentes do SE.

Nos casos de unilateral estimulam-se apenas as estruturas do lado de trabalho, impedindo, no lado inativo, o desgaste fisiológico das cúspides dentarias, possibilitando interferências oclusais inadequadas e favorecendo a instalação de placas dentarias bacteriana. A causa mais freqüente da mastigação unilateral é a limitação da mobilidade articular (ATM) por dor, por doenças periodontais, ausência dos dentes, adaptações frente a interferências oclusais ou contatos prematuros.

FATORES GERAIS CONDICIONANTES DA FORÇA MASTIGATÓRIA

Variam pouco quanto o sexo e a idade, a força mastigatória é levemente maior no sexo masculino e em indivíduos jovens entre 15-20 anos onde apresentam valores um tanto maior de força mastigatória. Estes são valores pouco importantes.

Quanto ao tipo de alimentação existente na boca, de diversos grupos de dentes, suas posições espaciais e seus estados (patologias dentárias, doenças periodontais ou próteses).

Pode ser maior a influencia segundo o tipo de alimento que recebe habitualmente o individuo.

RENDIMENTO MASTIGATÓRIO

É a porcentagem de alimento duro padrão moído num determinado número de golpes mastigatórios. O grau obtido de trituração ou moagem a que é submetido o alimento.

Aparentemente a mastigação é aprendida através de vários reflexos como os de contato oclusal, de movimentos de deslizamento e finalmente de natureza periodontal, até se estabelecer o padrão mastigatório adulto.

POSTURA E EQUILIBRIO DA CABEÇA NA MASTIGAÇÃO

As diversas fases da função mastigatória são facilitadas ou sustentadas por contração tônica da musculatura cervical que determinará a postura adequada da cabeça para a função mastigatória.

CONTROLE NERVOSO DA MASTIGAÇÃO

É determinado por reflexos de origem oral e a imposição de um ritmo central através da geração de um padrão rítmico mastigatório, provavelmente localizado no corpo amigdalóide do sistema límbico. É efetivado na formação reticular, posteriormente pelos núcleos mesencefálicos do V par, supratrigemial e diversos núcleos motores destacando-se os V,VII e XII pares cranianos como básicos,mas também participam os pares IX,X,XI e os neurônios cervicais C2 e C5. Observar o quadro abaixo:

A mastigação inicia-se como um processo aparentemente voluntário determinado córtex cerebral quando leva o alimento na boca e logo após pela presença do alimento na boca leva-se a inconscientemente a fecha-la. O fechamento bucal é determinado pelo volume que o alimento significa na cavidade bucal e esse volume passa a ser transformado em pressão.

Essa pressão intra-oral que foi gerada excita agora o fenômeno inicial expremido como REFLEXO DE ABERTURA BUCAL. Este é iniciado nas estruturas bucais sensíveis como mucosa, ATM e algo menos, o periodonto.

O REFLEXO DE FECHAMENTO BUCAL inicia-se nos fusos musculares dos M.levantadores que são destendidos pelo abaixamento da mandíbula, traduz-se por contração isotônica dos mesmos músculos e relaxamento dos antagonistas abaixadores, bem como os linguais e faciais.

O REFELEXO DE APERTO OU PRESSÃO INTEROCLUSAL é determinado por contração isométrica do M.levantador promovida por um reflexo iniciado nos receptores de contato oclusal periodontal.

PROCESSO DE DEGLUTIÇÃO EM SUA FASE ORAL

DEFINIÇÃO :

Entende-se por deglutição a passagem ativa do conteúdo bucal para o estômago, com o concurso proeminente da faringe e esôfago. Pode-se referir, quer ao fluxo do bolo alimentar, quer ao de fluido ou saliva.

Está programada em fases sucessivas: Preparatória Oral, Oral Propriamente Dita, Faríngea e Esofágica. Sendo a primeira intermediaria entre a mastigação precedente e a engolição propriamente tal e obedece ao controle voluntário .

Existem dois tipos de deglutição : a própria do latente pequeno (pré-eruptiva), associada a sucção e a deglutição do adulto ou pós-eructiva, independente de outras funções que se apresenta quando há maior grau de amadurecimento do SNC (centro da deglutição bulbar).

CARACTERÍSTICAS DA FASE ORAL DA DEGLUTIÇÃO

A fase oral é parcialmente voluntária e reflexa, conta com a participação básica da língua, mandíbula e na fase final, do véu palatino; é de curta duração, agindo a língua como um pistão. Considera-se fundamental o músculo Genioglosso.

A fase II- Oral Propriamente Dita é um tanto mais duradoura que a fase I- Oral Preparatória, é caracterizada pela propulsão intra-oral que determina um fluxo baixo de transporte sobre a própria superfície da língua.

O PROCESSO DE DEGLUTIÇÃO NA FASE II – ORAL PROPRIAMENTE DITA

Analisar as estruturas anatômicas envolvidas no processo da deglutição, na figura 3 em anexos.

Detecta-se como fenômeno inicial uma projeção do ápice da língua para cima e para trás, estabelecendo uma zona de hipertensão anterior seguida de formação na mesma superfície dorsal da língua de uma concavidade que forma uma espécie de colher, devido em grande parte á contratilidade da musculatura intrínseca da língua, intervindo o M.Transverso e o longitudinal Superior.

Segue-se um processo ondulatório na mesma superfície dorsal que se estende em sentido posterior para a base da língua, condição que contribui ao deslocamento do bolo alimentar no sentido da faringe.

Considera-se esta fase como a formação de um êmbolo lingual que pressiona o bolo alimentar para trás, formando-se um sistema de pistão propulsor do bolo.

Essa fase não se apresenta tampouco na deglutição de líquidos,porquanto o fluido- seja bebida ou saliva –passa fundamentalmente para o assoalho da boca e, através deste atinge o canal para-epiglótico passando passivamente para a faringe por escoamento que não exige atividade fisiológica particular, exceto talvez, a própria pressão intrabucal determinada pelo tônus bucinador, além da posição elevada da mandíbula que facilita a geração da pressão positiva intra-oral.

A fase Oral finaliza com a abertura do esfíncter glosso-palatino, já referido previamente, determinado por um aumento do diâmetro posterior da boca por abaixamento da base da língua e levantamento do véu palatino em que participam os M.estilo-hióideo, estiloglosso, além dos M.supra-hioídeos, como o milo-hióideo, porém, com proeminente participação do Genioglosso, estimado, segundo muitos, como o músculo chave da fase oral da deglutição.

Este músculo ao se contrair isotonicamente, traciona a língua para frente abrindo o canal posterior da boca . Completa-se o relaxamento do esfíncter funcional glosso-palatino com a contração do M, Levantador do véu palatino, puxando o palato mole para cima, descortinando o véu, ao mesmo que oblitera a abertura posterior das narinas, protegendo esta via aérea da possível introdução do fluxo deglutitório.

Novamente a semelhança da fase prévia ,os nervos protagonistas são o trigêmio e hipoglosso, sendo a participação do facial é insignificante, mas começa a assumir um papel relevante o conjunto de 3 nervos que integram o Plexo Faríngeo sendo eles: Vago(X), o Glossofaríngeo (IX), e Acessório (XI), fundamentais no desenvolvimento na etapa seguinte.

A participação neuro-muscular varia segundo o tipo de material promovido na deglutição oral como se pode ver na figura 4 em anexos. Na qual é denominado:

Padrão A – A engolição voluntária de saliva
Padrão B – refere-se basicamente a deglutição de líquidos (goles de água).
Padrão C – deglutição de um bolo alimentar de pão após o correspondente ato mastigatório.
O mecanismo de controle central da deglutição bucal é o centro funcional da formação reticular bulbar, ativado por impulsos reflexos originados também na mucosa oral, especialmente na mucosa da língua na sua posição dorsal média e posterior, onde existe ampla população de proprioceptores sensíveis á pressão e toque, exercidos pelo posicionamento do bolo alimentar na boca. A participação da vontade parece insignificante, mas já na certa interferência da ritmicidade gerada pelo padrão rítmico próprio do centro. Nesta fase, além dos M.glóssicos e palatinos já mencionados, o trigêmio estimula a contratilidade tônica da musculatura levantadora da mandíbula, promovendo o posicionamento alto da mesma, mas sem promover oclusão dental, nem menos geração de pressão interoclusal; isto devido á contratilidade concominante dos M.supra-hióideos, especialmente do milo-hióideo, estilo-hióideo, e ventre anterior do digástrico, que ao se contrair provocam balanceamento com os M.levantadores da mandíbula, situando esta em posição alta, mas não máxima.

O QUE DEVE ESTAR EM CONTROLE PARA QUE HAJA UM EQUILIBRIO DA FASE ORAL

Primeiramente não haver nenhum tipo de lesão neurológica que leve a alterações nestas fases.

Todas as estruturas anatômicas e fisiológicas do Sistema Estomatognático devem estar preservadas.

Os mecanismos protetores não devem estar comprometidos, pois são responsáveis por 2 mecanismos de proteção, sendo eles : Contra aspiração durante a deglutição e outro Contra o refluxo de conteúdos gástricos para a faringe e laringe.

O comprometimento desse Mecanismo protetor traz como conseqüência: resíduos na faringe após a deglutição (que reduzem a força propulsora da língua,com aumento no tempo de transporte do bolo da fase oral para a faríngea…), penetração laríngea (presença de contraste ou resíduos alimentares que invadem a via aérea porém permanecendo acima das pregas vocais,com ou sem resposta de tosse) e aspiração laringotraqueal (presença de materiais abaixo do plano das pregas vocais).

REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS

TRATADO DE FISIOLOGIA APLICADO A FONOAUDIOLOGIA

Autor: Douglas,C.R

Robe Editorial

Edição 1 – 2002 – SP

MANUAL PRÁTICO DE MOTRICIDADE ORAL- AVALIAÇÃO E TRATAMENTO

Autor: Ferraz, M.C.A

Revinter Editora

Edição 5 – 2001 – RJ

DISFAGIA : AVALIAÇÃO E TRATAMENTO

Autor: Jacobi. Levy. Corrêa da Silva

Revinter Editora

Edição 1 – 2003 – RJ

Gagueira

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Autor: Renata Leuzzi

Fala Normal

Na fala normal, na qual ocorre na maioria dos casos à pessoa não tem nenhum problema que a comprometa pois uma fala fluente é uma fala em que não repetimos, prolongamos ou hesitamos nas palavras. Mas só conseguimos ser totalmente fluente quando decoramos ou lemos algum texto, durante emissões automáticas (contar, meses do ano), quando cantamos, etc.

Uma disfluência na qual gaguejamos em situações constrangedoras, difíceis ou que requerem muita concentração são consideradas “deslizes”, ou seja, pequenas disfluência que ocorrem na fala normal.

Disfluência

Uma disfluência é quando ocorre algum problema, pode se perceber uma disfluência que é gaguejar, tropeçar nas palavras, isto é, a disfluência é caracterizada por:

ReReRepetições

Proolongamentos

B_Bloqueios

na fala. Nós utilizamos a disfluência como uma estratégia para falar, portanto, estas características podem estar presentes na fala de todos nós e são consideradas normais.

Uma disfluência às vezes pode nos levar a uma fala disfluente, como por exemplo:

1. quando estamos nervosos, ansiosos,eufóricos, com raiva

2. quando temos várias coisas para contar ao mesmo tempo

3. quando falamos uma palavra difícil

4. quando a criança está aprendendo a falar

Uma disfluência pode ocorre em crianças que estão na fase de aquisição de linguagem, já que ela está aprendendo a falar. Portanto, quando ocorre no processo de aquisição da linguagem é considerada normal apesar de as mesmas situações que vimos anteriormente podem também gerar disfluência na criança.

Se esta disfluência é freqüente, pode ser preciso ver um fonoaudiólogo pois pode haver algum problema mas se acontece periodicamente ou de vez em quando esta é entendida como normal. Às vezes pode estar acontecendo algo que faca com que ocorra este efeito na fala da criança portanto é necessário descobrir o que esta causando esta disfluência.

As modificações na configuração da família moderna podem influenciar a criança emocionalmente, o que pode gerar uma freqüente disfluência. Nós já vimos que o emocional influencia em nossa fala. Na criança, a influência será maior, já que a mesma é muito pequena para poder lidar com problemas como pais que se separam muito cedo, famílias com poucos filhos num intervalo muito grande entre cada um, mães jovens e solteiras, mães com pouco tempo para cuidar dos filhos portanto entender o que está acontecendo com a criança é fundamental. O acompanhamento fonoaudiológico neste momento é importante.

Além da constante disfluência na fala, há outros sintomas associados, como ter consciência do seu problema e não acredita que possa falar sem gaguejar, evita situações comunicativas, a tensão é generalizada ou especifica, etc.

Disfluência na fala; em crianças

É normal a disfluência na fala de crianças que estão em aquisição de linguagem. Se os pais, ao verem este efeito na fala de seu filho, reagirem de forma negativa , por acharem que o mesmo está com gagueira, essa disfluência, considerada fisiológica (normal), pode passar a ser uma disfluência patológica. Se ágüem age de alguma forma negativa diante de uma criança podem levar a uma disfluência maior ou então a um paciente gaguejar mais.

Os pais, por estarem ansiosos e desinformados, já que pensam que o filho é gago, tentam fazê-lo parar de gaguejar dizendo frases do tipo: “Fale direito”, “Calma”, “Respire antes de falar”, quer dizer, agem de forma negativa a sua fala. Mas não só os pais podem agir dessa forma, mas também professores, pessoas da família onde o mesmo efeito acontecerá.

Deste modo o que acontece é que a criança tentará fazer como seus pais querem: falar direito, respirar antes de falar … Mas isso não fará com que ela pare de gaguejar e sim, com que gagueje mais ainda, já que ficará mais tensa, nervosa pela cobrança a sua fala. E nós já vimos o que pode acontecer quando ficamos tensos, nervosos: gaguejamos.

Além disso, no mesmo período em que a criança está aprendendo a falar acontece à formação de sua identidade (Quem sou eu?). Com toda essa cobrança a sua fala, ela acreditará que é incapaz de falar sem gaguejar, acreditará que é gaga.

É importante não querer comparar a fala do seu filho com a de outras crianças, pois cada uma é singular, desenvolvem-se em ritmos diferentes portanto os pais devem proporcionar momentos de prazer a sua linguagem, como: contar histórias, cantar. Nas horas em que a criança gaguejar, tenhamos paciência e deixe mos que ele fale tudo o que tem para dizer. A idade até em que se pode gaguejar naturalmente é ate os três anos de idade, quando a gagueira é considerada normal, pois, é nessa fase que se conhece o mundo das palavras, tudo é novo e aprendido ao mesmo tempo. Nesse período, os pais ou as pessoas que cuidam da criança não devem apressar sua fala, para que ela não atropele as palavras na hora de se comunicar. Para isso, devem ter paciência para ouvi-la e nunca completar as suas frases. Se a gagueira continuar depois dessa idade, é aconselhável uma visita ao fonoaudiólogo que irá ajudá-la no uso da linguagem. No caso das crianças, brincadeiras com fantoches, jogos educativos e interativos são utilizados como tratamento. Já para os adolescentes e adultos, exercícios mais técnicos utilizando a fala podem ajudar a se expressar sem gaguejar.

Disfluência na fala; em adultos

A disfluência em adultos é comum acontecer com todos, pois ela ocorre na maioria das vezes em situações como falar em publico, falar em voz alta, falar diante de muita gente ou diante de alguém que existe um sentimento etc. Estas disfluência que não ocorrem freqüentemente são normais e quase todos temos estas. Acontece com todos e varias vezes mas quando este começa a ficar muito freqüente diante de situações que não requerem esforço ou pressão, isto se torna um problema que tem de ser investigado e tratado. Às vezes, se este não é tratado quando aparece, ele pode ate levar um paciente à gagueira intensa causando sofrimento a ele.

Gagueira

Como a disfluência da fala (patológica ou não) pode ser considerada normal temos a gagueira, que já não é considerada normal na fase mais tardia do que os três anos de idade onde a criança ou o adulto já não deveria mais gaguejar. A gagueira na criança significa muitas coisas: insuficiência lingüística (criança com mais de 4 anos),ansiedade na comunicação, falta de organização motora da fala. Portanto na criança o que é importante é não fixar a gagueira: como por exemplo evitar observações que dêem ênfase ao gaguejar, atitude de espanto do interlocutor (fixando: têm uma coisa errada aqui!), evitar que a criança se exponha mais naqueles dias ou momentos em que ela está gaguejando mais.

Na criança o que pode ajudar uma criança diante do fato dela estar gaguejando é: dar o exemplo de falar com tranqüilidade, pai ou mãe ou professor falando devagar, contar histórias para a criança, desenvolvendo vocabulário e o modelo de fala como repetir a mesma história muitas vezes, repetindo e fixando palavras, expressões, idéias, pensamentos, pedir à criança que conte às histórias que ouviu, relate casos ou acontecimentos, elogiar a criança quando se expressa bem, reforçando a fluência, etc.

Diferente da gagueira em crianças, para os adultos Gaguejar é um comportamento particular de falar, que o indivíduo desenvolve, com uma grande variável de características como a tensão muscular, a tensão respiratória, uma repetição de fonemas, alongamento de fonemas, repetição de palavras, movimentos “auxiliares” de rosto, ou de braços ou qualquer parte do corpo; movimento de fuga dos olhos e outras tantas formas diferentes quantas forem às pessoas que gaguejam.

É natural em qualquer pessoa, em algum momento, hesitar ao falar, retroceder na formulação da frase ou do pensamento; a insegurança em algumas vezes se reflete na forma de falar, assim como a raiva, o amor ou qualquer sentimento.

É natural a pessoa gaguejar em alguns momentos. A freqüência que possa ocorrer nessas hesitações, repetições, fugas é que faz a diferença.

Assim como a pessoa desenvolve a fala, também desenvolve o gaguejar. O gago vai “aprimorando” esse comportamento, sem o saber, porque com o tempo vai adicionando outros componentes a sua forma de falar, como tensão de alguma parte do corpo, movimento de piscar de olhos, etc.

Muitas vezes passa a fugir de determinadas palavras, ou situações, chegando até a afetar a sua auto-estima.

A gagueira é um distúrbio da infância que começa e se desenvolve usualmente ao mesmo tempo que a fala é adquirida, de forma que, a natureza, o stress e demandas conflitivas devem estar centradas em torno da transmissão de valores e expectativas dos pais para as crianças, referindo, também, uma rapidez para desenvolver distúrbios de fala.

Schrager, defende a idéia de que a gagueira é um processo, instalando-se enquanto o sistema nervoso central cumpre suas etapas de desenvolvimento, época de grande significação na evolução e desenvolvimento global da criança. Acrescenta, ainda, que quando os pais exageram a importância das primeiras vacilações e repetições, rotulando-as de gagueira, instala-se um sério componente psicológico, que em muitos casos, fixa o sintoma.

Quando a criança inicia seu processo de desenvolvimento da fala, ela começa a pronunciar as palavras que ela mais ouve como: “mamãe” ; “papai” ; “au-au” e assim quanto mais ela ouve vocabulários novos, ela vai repetindo de acordo com a maturidade do sistema nervoso, crescimento dos dentes, coordenação da respiração e da língua. Chamamos este processo de ouvir para depois falar de “feedback auditivo”, quer dizer, ela precisa ouvir para poder falar e vice-versa.

Portanto a gagueira consiste numa perturbação da fala que afeta o ritmo, a velocidade e a prosódia (a melodia) da fala. Manifesta-se pela dificuldade em iniciar a fonação (bloqueio), pela repetição de um som, de sílabas ou de palavras, pelo prolongamento de sons. A gagueira é normalmente considerada uma disfunção da fala. A gagueira é, na verdade, uma condição extremamente complexa que envolve mais do que a repetição das palavras, prolongamento das sílabas e outras “disfunções” da fala. A gagueira afeta a pessoa como um todo e é mais adequadamente descrita como uma combinação de disfunções de fala, comunicação e comportamento.

A gagueira é muitas vezes comparada a um iceberg e a disfunção da fala apenas representa a ponta desse iceberg.

A restante massa do iceberg da gagueira permanece sob a superfície e representa as disfunções de comunicação e comportamento. É todo um conjunto de padrões pouco comuns de comunicação e comportamento aliado às “disfunções” da fala que sobressai nos gagos.

Alguns comportamentos dos gagos incluem:

1.Os gagos tendem a evitar o contato direto nos olhos dos interlocutores. Isto porque provavelmente não querem ver as reações dos interlocutores à sua gagueira.

2.Os gagos apresentam freqüentemente padrões de respiração irregulares e tentam falar com pouco ou nenhum ar nos pulmões. Alguns gagos tentam mesmo falar enquanto inalam.

3.Alguns gagos evitam ou tentam evitar a gagueira recorrendo à substituição de palavras: Se pressentirem que irão gaguejar com uma determinada palavra, substituem-na por outra com um significado semelhante. Alguns gagos têm tanto sucesso com esta técnica que ninguém, nem mesmo os cônjuges, sabem que sofrem deste problema.

4.Os gagos recorrem muitas vezes ao uso de palavras sem sentido como “entendeu”, “né”, etc. Sentem que estas palavras insignificantes lhes permitem ganhar tempo que lhes permita ultrapassar uma palavra temida.

5.Os gagos tendem a reagir ao stress contraindo os músculos das cordas vocais. O que provavelmente explica porque a sua fala piora em situações de stress. Alguns gagos evitam a gagueira evitando falar pura e simplesmente.

Para além destes padrões pouco comuns de comunicação e comportamento, alguns gagos exibem sentimentos e percepções negativos sobre a sua gagueira e sobre si próprios como:

Vergonha: os gagos sentem vergonha da gagueira e fazem todos os esforços para ocultá-la.

Culpa: os gagos sentem culpa por não conseguirem obter aquilo que poderiam obter facilmente se falassem com fluência.

Frustração: os gagos sentem-se frustrados pela sua incapacidade em comunicar eficazmente com as outras pessoas.

Baixa auto-estima: a gagueira às vezes causa um sentimento de impotência.

Terapias e métodos para a melhora da gagueira

Todos estes elementos ocultos da gagueira tendem a reforçar as disfunções da fala. Uma terapia da fala que se dedique apenas ao mecanismo da fala falhará por completo. Apenas uma terapia da fala holística e exaustiva dedicada a todos os elementos deste problema poderá eliminar com sucesso a gagueira da sua vida. Isto deve ser levado em conta ao escolher uma terapia para a gagueira.

Existem terapias que podem ajudar no tratamento da gagueira. Elas são quatro:

1. Auto-terapia da fala

2. Dispositivos eletrônicos

3. Patologista da Fala

4. Clínicas de Linguagem

Que são escolhidos de acordo com cada tipo de gagueira e com cada paciente é diferente mas não é possível eliminar a gagueira da noite para o dia.

Portanto para os fonoaudiólogos que são especialistas no estudo da fala as causas da gagueira ainda não foram totalmente desvendadas. Já se sabe que traumas sofridos na infância, sustos, medos e perdas de pessoas queridas, por exemplo, são fatores que podem causar a gagueira.E que se o problema for grave, um tratamento conjunto com um fonoaudiólogo e um psicólogo pode melhorá-lo e, até, resolvê-lo. Mas há casos em que a gagueira pode ser herdada de pais ou avós nos quais estes ainda permanecem um mistério a ser desvendado pela ciência.