Gripe Aviária

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Autor: Felipe Leão Miloski

A gripe aviária é resultado da infecção das aves pelo vírus da influenza, cujas cepas são classificadas ou de baixa ou de alta patogenicidade, de acordo com a capacidade de provocarem doença leve ou grave nesses animais.

Todas as aves são consideradas suscetíveis à infecção, embora algumas espécies sejam mais resistentes que outras. A doença provoca vários sintomas nas aves, os quais variam de uma forma leve até uma doença altamente contagiosa e extremamente fatal que pode resultar em grandes epidemias. Esta é conhecida como “gripe aviária de alta patogenicidade” e se caracteriza por início súbito, sintomas graves e morte rápida, com taxa de mortalidade próxima a 100%.

Quinze subtipos do vírus Influenza infectam as aves. Todos os surtos da forma de maior patogenicidade foram causados pelos subtipos H5 e H7.

Transmissão

A transmissão entre diferentes espécies de aves dá-se por contatos diretos ou indiretos de aves domésticas com aves aquáticas migratórias (principalmente patos selvagens), as quais são reservatórios naturais do vírus e também mais resistentes às infecções, têm sido a principal causa das epidemias. A exposição direta a aves infectadas ou a suas fezes (ou à terra contaminada com fezes) pode resultar na infecção humana.

As aves e as pessoas se infectam por inalação ou ingestão do vírus presente nas fezes e secreções (corrimento nasal, espirro, tosse) das aves infectadas. Ovos contaminados são outra fonte de infecção de galinhas, principalmente nos incubatórios de pintinhos, visto que o vírus pode ficar presente de 3 a 4 dias na casca dos ovos postos por aves contaminadas. Não foi evidenciado transmissão pela ingestão de ovos. A transmissão também se dá pelo contato com ração, água, equipamentos, veículos e roupas contaminadas.

Atenção: O vírus é sensível ao calor (56ºC por 3 horas ou 60ºC por 30 minutos) e desinfetantes comuns, como formalina e compostos iodados. Também pode sobreviver em temperaturas baixas, em esterco contaminado por pelo menos três meses. Na água, o vírus pode sobreviver por até 4 dias à temperatura de 22ºC e mais de 30 dias a 0ºC. Para as formas de alta patogenicidade (H5 e H7), estudos demonstraram que um único grama de esterco contaminado pode conter vírus suficiente para infectar milhões de aves.

Disseminação

A doença pode se espalhar facilmente de uma granja para outra. Um grande número de vírus é eliminado nas fezes das aves, contaminando a terra e o esterco. Os vírus respiratórios, quando inalados, podem propagar-se de ave para ave, causando infecção. Os equipamentos contaminados, veículos, forragem (pasto, alimento), viveiros ou roupas – principalmente sapatos – podem carrear o vírus de uma fazenda para outra. O vírus também pode ser carreado nos pés e corpos de animais, como roedores, que atuam como “vetores mecânicos” para propagar a doença.

As fezes de aves selvagens infectadas podem introduzir o vírus nas aves comerciais e domésticas (de quintais). O risco de que a infecção seja transmitida de aves selvagens para aves domésticas é maior quando as aves domésticas estão livres, compartilham o reservatório de água com as aves selvagens ou usam um reservatório de água que pode tornar-se contaminado por excretas de aves selvagens infectadas. Outra fonte de disseminação são as aves vivas, quando comercializadas em aglomerados sob condições insalubres.

A doença pode propagar-se de um país para outro país por meio do comércio internacional de aves domésticas vivas. Aves migratórias podem carrear o vírus por longas distâncias, como ocorrido anteriormente na difusão internacional da influenza aviária de alta patogenicidade. Aves aquáticas migratórias – principalmente patos selvagens – são o reservatório natural dos vírus da influenza aviária e são mais resistentes à infecção. Eles podem carrear o vírus por grandes distâncias e eliminá-los nas fezes, ainda que desenvolvam apenas doença leve e auto-limitada. No entanto, os patos domésticos são suscetíveis a infecções letais, bem como os perus, os gansos e diversas outras espécies criadas em granjas comerciais ou quintais.

Sintomas

Assim como a gripe humana, causada pelos vírus de influenza humano, os vírus de influenza aviária causam nas aves problemas respiratórios (tosse, espirros, corrimento nasal), fraqueza e complicações como pneumonia. A doença causada pelos subtipos H5 e H7 (classificados como vírus de influenza aviária de alta patogenicidade) podem causar quadros graves da doença, com manifestações neurológicas (dificuldade de locomoção) e outras (edema da crista e barbela, nas juntas, nas pernas, bem como hemorragia nos músculos), resultando na alta mortalidade das aves. Em alguns casos, as aves morrem repentinamente, antes de apresentarem sinais da doença. Nesses casos, a letalidade pode ocorrer em 50 a 80% das aves. Nas galinhas de postura observa-se diminuição na produção de ovos, bem como alterações na casca dos mesmos, deixando-as mais finas.

O tempo de aparecimento dos sintomas após a infecção pelo vírus da influenza depende do subtipo do vírus. Em geral os sintomas aparecem 3 dias após a infecção pelo vírus da influenza, podendo ocorrer a morte da ave. Em alguns casos esse tempo é menor que 24 horas e em outros pode chegar a 14 dias.

Após a infecção, as galinhas eliminam o vírus nas fezes por cerca de 10 dias e as aves silvestres por cerca de 30 dias. Depois desse período, as aves que não morreram pela infecção podem desenvolver imunidade contra a doença. As aves não permanecem portadoras do vírus por toda a vida.

Gripe aviária em humanos

Os surtos de doença causados pelos vírus de alta patogenicidade representam risco para a saúde humana, em particular para os trabalhadores de granjas e de abatedouros dessas aves, pelo nível maior de exposição. Outros subtipos do vírus de influenza aviária, já foram diagnosticados em humanos, mas não causaram doença grave nem mortalidade em pessoas infectadas. Por isso é importante o diagnóstico de influenza, com identificação viral e caracterização antigênica, tanto nas infecções em aves quanto no homem, a fim de estudar os vírus circulantes, conhecer melhor os riscos para as pessoas e para as aves e pesquisar a viabilidade de desenvolvimento de vacinas em humanos.

Até recentemente, sabia-se que o vírus de influenza humana circulava apenas entre humanos e suínos – de suíno para humano e de humano para os suíno. Os vírus influenza aviário, normalmente, infectam suínos e estes infectam humanos. No entanto, em 1997 descobriu-se que um vírus influenza aviário causou infecção de pessoas, transmitindo-se diretamente da ave para o homem, sem passar pelo suíno.

Em dezembro de 2003, quando iniciou a mais recente epidemia de influenza aviária na Ásia, este fato se repetiu. Uma das hipóteses levantadas para essa mudança no comportamento do vírus é o contato freqüente e próximo entre diferentes espécies de aves e humanos.

O que preocupa as autoridades sanitárias é a infecção pelo vírus da influenza aviária em humanos e que ocorreu pela primeira vez em Hong Kong, em 1997. O vírus da influenza aviária normalmente não infecta outras espécies além de aves e pássaros.

Atualmente, outros dois vírus de gripe aviária afetaram humanos recentemente. O H7N7, com início nos Países Baixos, em fevereiro de 2003, causou a morte de um veterinário dois meses depois, e sintomas levem em outras 83 pessoas. Casos mais simples do vírus H9N2 em duas crianças ocorreram em Hong Kong em 1999 e em meados de dezembro de 2003 (um caso).

O alerta mais recente é de janeiro de 2004, com a confirmação laboratorial da presença do vírus H5N1 da influenza aviária em casos humanos de doença respiratória grave no norte do Vietnã.

O H5N1 causa preocupação especial, pois sofre mutação rapidamente e tem propensão para infectar outras espécies de animais (inclusive o homem), mas as infecções humanas com a cepa H5N1 não são freqüentes .

Medidas de controle

As medidas de controle mais importantes são: a rápida destruição de todas as aves infectadas ou expostas, o descarte adequado das carcaças, quarentena e desinfecção rigorosa das granjas. Além de restrições ao transporte de aves domésticas vivas, tanto no próprio país como entre países.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda aos países afetados pela influenza humana e aviária as seguintes medidas:

1- Utilização de equipamento adequado para proteção pessoal dos abatedores e transportadores de aves:

roupas de proteção, de preferência macacões e aventais impermeáveis ou roupas cirúrgicas com mangas longas e aventais impermeáveis;
luvas de borracha, que possam ser desinfetadas;
máscaras N95 de preferência 1 ou máscaras cirúrgicas 2 ;
óculos de proteção;
botas de borracha ou de poliuretano que possam ser desinfetadas ou proteção descartável para os pés.
2- Lavagem freqüente das mãos com água e sabão. Os abatedores e transportadores devem desinfetar suas mãos depois de cada operação.

3- A limpeza do ambiente deve ser realizada nas áreas de abate, usando EPI (equipamentos de proteção individual) descritos anteriormente.

4- Todas as pessoas expostas a aves infectadas ou a fazendas sob suspeita devem ser monitoradas pelas autoridades sanitárias locais e recomenda-se, além da vacina contra o influenza, o uso de antivirais para o tratamento de suspeitas de infecções respiratórias causadas pelo vírus.

5- É importante que comuniquem imediatamente ao serviço de saúde o aparecimento de sintomas tais como dificuldade de respirar, conjuntivite, febre, dor no corpo ou outros sintomas de gripe. Pessoas com alto risco de complicações graves de influenza (imunodeprimidos, com 60 anos e mais de idade, com doenças crônicas de coração ou pulmões) devem evitar trabalhar com aves infectadas.

6- Devem ser coletados, para investigação do vírus da influenza, os seguintes espécimes clínicos de animais (inclusive suínos): sangue e post mortem (conteúdo intestinal, swab anal e oro-nasal, traquéia, pulmão, intestino, baço, rins, fígado e coração).

No Brasil, vigilância da influenza está implantada desde o ano 2000. Baseia-se na estratégia de vigilância sentinela, composta por unidades de saúde/pronto atendimento e laboratórios. Esta rede informa semanalmente a proporção de casos de síndrome gripal atendidos nas unidades sentinela e os tipos de vírus respiratórios que estão circulando em sua área de abrangência. Para dar suporte a esse sistema, desenvolveu-se um sistema de informação, o SIVEP – Gripe, com transmissão de dados on line , garantindo assim a disponibilização dos dados em tempo real. Para o diagnóstico laboratorial são realizados testes específicos em amostras de secreção nasofaríngea, coletada por aspirado nasofaríngeo e/ou swab combinado.

Atualmente, o Sistema de Vigilância da Influenza está implantado em 24 unidades sentinela, a maioria delas localizada nas capitais de 12 estados das cinco regiões brasileiras, com previsão de implantação no ano 2004 em outros cinco estados. No entanto, independente da participação nesta rede sentinela, toda suspeita da ocorrência de surto de influenza deve ser notificada, em consonância com as normas atuais sobre a notificação de doenças transmissíveis no país.

Destaca-se também a articulação inter-setorial do Ministério da Saúde (ANVISA – www.anvisa.gov.br e SVS – www.saude.gov.br/svs) com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (www.agricultura.gov.br), buscando uma maior integração das vigilâncias da influenza humana e animal com discussão de propostas conjuntas entre as áreas técnicas para potencializar ações e prevenção e controle da influenza animal e humana.

Pesquisas e atualidades

As pesquisas mais recentes mostram que o vírus de baixa patogenicidade pode, após circular por períodos curtos nas aves, sofrer mutações para formas de alta patogenicidade.

Desde meados de dezembro de 2003 alguns países asiáticos notificaram surtos de influenza aviária de alta patogenicidade em galinhas e patos, a saber: Cambodja, China, Coréia do Sul, Indonésia, Japão, Laos, Paquistão, Taiwan, Tailândia, Vietnã. Infecções em outras espécies (aves selvagens e suínos) também foram notificadas. A rápida propagação da influenza aviária de alta patogenicidade, com ocorrência de surtos em vários países ao mesmo tempo, é historicamente inédita e de grande preocupação para a saúde humana e animal. Especialmente alarmante, em termos de riscos para a saúde humana, é a detecção da cepa de alta patogenicidade conhecida como o H5N1, como a causa da maioria desses surtos.

Há evidências de que esta cepa tem uma capacidade singular de “pular” a barreira das espécies e causar doença grave, com alta mortalidade em humanos. Destaca-se a possibilidade de que a situação presente possa originar outra pandemia de influenza em humanos. Cientistas reconhecem que os vírus da influenza aviária e humana podem trocar material genético quando uma pessoa é infectada simultaneamente com vírus de ambas espécies. Este processo de troca genética no organismo pode produzir um subtipo completamente diferente de vírus influenza para o qual poucos humanos teriam imunidade natural.

As vacinas existentes, desenvolvidas para proteger os humanos durante epidemias sazonais, não seriam eficazes contra um vírus influenza completamente novo. Se o vírus novo contiver genes da influenza humana, pode ocorrer a transmissão direta de pessoa a pessoa (e não apenas de aves para o homem). Quando isto acontecer, estarão reunidas as condições para o início de uma nova pandemia de influenza. Isso foi observado durante a grande pandemia de influenza de 1918 -1919 (Gripe Espanhola), quando um subtipo novo do vírus influenza se espalhou mundialmente, com morte estimada de 40 a 50 milhões de pessoas.

Atualmente, o tempo médio entre a identificação de uma nova cepa e a produção de uma vacina específica é de 4 a 6 meses.

MALÁRIA

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Autor: Felipe Melhado

1. INTRODUÇÃO:

É uma doença infecciosa causada por um protozoário unicelular do gênero Plasmodium, que aniquila os glóbulos vermelhos do sangue, tornando as pessoas anêmicas. É transmitida por meio da picada de fêmeas de mosquito do gênero Anopheles, por transfusão de sangue ou, mais dificilmente, por compartilhamento de agulhas e seringas infectadas por Plasmodium. A doença é conhecida como: paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, febre quartã, febre palúdica, maleita, sezão, tremedeira, batedeira, mãe das febres ou, simplesmente febre.

Apesar de todas essas designações, o nome mais difundido, inclusive no meio médico, é malária, nome proveniente da expressão italiana mau aire, que significa mau ar ou ar insalubre, que pode trazer doença. Isto se deve ao fato de os antigos acreditarem que a doença era causada pelas emanações e miasmas dos pântanos. As demais expressões se relacionam com os sinais e sintomas da doença, condições climáticas e áreas mais acometidas pela doença. Ela continua sendo uma das mais importantes doenças parasitárias, se bem que as medidas de controle e os medicamentos modernos já lhe tenham retirado parte daquele caráter de flagelo da humanidade, que antes lhe era atribuída.

Esta é ainda uma das doenças humanas de maior prevalência no mundo; considerada a causa de 1,5 milhão de mortes anualmente, sendo 1 milhão de crianças e está ressurgindo em áreas onde era previamente controlada. Casos importados diagnosticados nos Estados Unidos anualmente somam aproximadamente 1.000.

Ainda existe a malária aviária causada nas aves domésticas e silvestres, sendo uma doença muito comum nos trópicos e transmitida por dípteros picadores.

2. HISTÓRICO:

Em 1532, iniciou-se a colonização de São Paulo, onde até meados do século XVIII ocorreram surtos epidêmicos em alguns locais do estado.

Com a economia cafeeira do século XIX, aumentaram os fluxos migratórios, aumentou o desmatamento, houve a construção de ferrovias, época acompanhada de um grande crescimento econômico. Tais fatos contribuíram para o aumento da endemia no estado.

No começo do século XX, Adolfo Lutz referiu a presença de casos de malária no litoral, nos vales dos rios Tietê, Paraná e Moji-Guaçu. Na década de 10, de 40% a 85% da população do interior do estado estavam contaminadas, sendo áreas com altas prevalências.

A complexidade da doença decorre de vários tipos diferentes de plasmódios, vetores, comportamentos variados em relação ao homem, às suas condições de vida e dependendo desses componentes diferentes a doença manifesta-se com diferentes padrões de ocorrência.

Existem duas teorias: a americana e a européia, sendo que a primeira dá ênfase aos vetores e a segunda, às condições sócio-econômicas. No ano de 1914, a moléstia passou a ser de notificação compulsória, não havendo um programa de controle da malária em São Paulo, sendo este verificado no ano de 1916. Nas três primeiras décadas do século XX, não aconteceu nenhum modelo de intervenção sobre a malária na população em geral e com os surgimentos das empresas, estas passaram a ser responsáveis pelos seus trabalhadores (Colonos).

As medidas tomadas consistiam na redução do contato homem mosquito.

No começo do século, a doença acometia muito mais as pessoas do meio rural, já que a população brasileira era essencialmente pertencente a este meio, já em áreas endêmicas as crianças eram mais afetadas que os adultos, pois com os acessos febris os indivíduos vão desenvolvendo a imunidade e nas regiões de epidemia, a moléstia aparecia de acordo com as estações do ano, ou seja, nas épocas mais chuvosas do ano.

No plano social, a necessidade de se combater a malária não era interessante do ponto de vista econômico, porque apesar de a prevalência ser alta no estado, existiam muitos trabalhadores rurais e se, caso algum deles viesse a óbito, este logo seria substituído por outro. Só mais tarde, quando os trabalhadores realizariam obras de engenharia nas cidades é que o controle fez-se necessário, já que os adoentados comprometeriam as mesmas.

No final dos anos 20, a malária era conhecida em todos os continentes e suas etapas de transmissão eram sabidas. Existiam um conjunto de medidas de controle com eficácia variável e a padronização era tida como impossível, já que a eficiência dos métodos de controle dependia das condições locais, sendo que nesta época em São Paulo, foram adotadas medidas de ação coletiva sobre o meio ambiente, como mosquiteiros, por exemplo.

Na década de 30, haviam 200 casos a cada 100.000 habitantes e a doença praticamente não ocorria ou apresentava incidências baixas nas zonas de colonização mais antigas, como na capital e no Vale do Paraíba. Os maiores valores do estado encontravam-se no litoral e as taxas mostravam-se mais elevadas em regiões novas de colonização, pois elas atraíam fluxos migratórios.

Nesta década, de 30% a 60%¨dos municípios de São Paulo eram malarígenos e 20% também possuíam transmissão urbana. Portanto, o estado aumentou o número de postos de saúde para tratar a parasitose. O grande problema consistia no fato de haver postos de saúde em maior quantidade nas zonas de colonização antiga (com menor incidência), pois nessas regiões os interesses econômicos encontravam-se mais consolidados e com isso as outras áreas que apresentavam maior número de casos, ficaram prejudicadas, oferecendo tratamento deficiente para seus habitantes, ou os deixando sem assistência médica, que apesar da existência dos postos de saúde, eram as empresas responsáveis pelo tratamento de seus trabalhadores.

A malária acometia cerca de seis milhões de brasileiros por ano na década de 1940, em todas as regiões do país. As mudanças sociais ocorridas e o intenso trabalho de controle desenvolvido por meio da Campanha de Erradicação da Malária – CEM, possibilitaram o relativo controle da doença, que passou a apresentar uma ocorrência de menos de 100 mil casos anuais e restringindo-se, espacialmente, às áreas de proximidade da floresta, na Amazônia Legal.

A partir da década de 70 os projetos de desenvolvimento da Amazônia, com abertura de estradas, construções de hidroelétricas, expansão de áreas de garimpo, entre outros, promoveram uma grande migração interna no país, com alterações ambientais importantes e exposição de grande contingente populacional à área malarígena.

Essa situação provocou a dispersão da malária pela região Norte e Centro-Oeste, com um aumento significativo do número de casos, passando-se a registrar patamares de 450 a 500 mil casos anuais.

Atualmente a malária concentra-se na região da Amazônia Legal, que respondem por mais de 99% dos casos registrados no país. Nos estados das demais regiões do país, os casos registrados são quase totalmente importados da região amazônica ou de outros países onde ocorre transmissão.

Aspectos socio-econômicos, como a valorização de produtos originários de atividades extrativistas e um intenso processo de assentamento rural, que provocam deslocamentos de grandes grupos populacionais para o interior das florestas e fatores ambientais, como a variação de índices pluviométricos, foram responsáveis por um incremento de casos até 1999, com mais de 637 mil casos tendo sido registrados, um crescimento de 34% em relação a 1998.

Desta maneira, nota-se que o indivíduo não era visto como parte do todo, pois tudo fora realizado de acordo com os interesses da sociedade, onde o Estado só passou a se preocupar com o social no momento em que isso tornou-se interessante do ponto de vista econômico e por isso é que ele tomou medidas coletivas principalmente nas áreas de colonização antiga, mostrando assim, que se o Estado estivesse preocupado com o indivíduo em si, ele teria criado os postos de saúde nas regiões mais afetadas pela doença.

3. ETIOLOGIA:

O gênero Plasmodium da classe Sporozoa é um dos principais protozoários que parasitam e causam infecções humanas, sendo parasitas intra-eritrocitários.

A malária humana no Brasil é causada pelas seguintes espécies de Plasmodium:

Plasmodium vivax (Grassi & Feletti; 1890) – Mais Comum
Plasmodium falciparum (Welch; 1897) – Mais Virulento ou Patogênico
Plasmodium malarie (Laveram; 1881)
Além destas espécies, existe mais uma no mundo:

Plasmodium ovale (Stephens; 1922)
A malária aviária é causada pelos parasitas da espécie Plasmodium juxtanucleare ou P. japonicum (Versiani e Gomes; 1941) que causa a malária das galinhas e dos gêneros Haemoproteus, Leucocytozoon.

4. RECEPTIVIDADE:

A receptividade (susceptibilidade) varia geneticamente; onde determinados fenótipos das hemácias são parcialmente resistentes a infecção (hemoglobina S e F, talassemia, deficiência de G6PD). A distribuição mundial das quatro espécies é determinada em parte por fatores genéticos do hospedeiro, sendo que a ausência de P. vivax na África reflete a ausência de substancias do grupo sangüíneo Duffy específicas entre a maioria dos africanos nativos.

De um modo geral, todas as pessoas são receptíveis (suscetíveis) à infecção, sendo que os adultos de uma coletividade altamente endêmica, onde a exposição aos anofelinos infectantes continua por muitos anos, assim desenvolvendo tolerância ou resistência a infecção.

A princípio, todo ser humano é receptível (suceptível) à malária, mesmo aqueles que já a contraíram por diversas vezes, sendo que as crianças na primeira infância apresentam a parasitemia em índices mais elevados que as crianças maiores, onde a parasitemia é mais baixa e que os adultos, onde a parasitemia também é mais baixa.

Confira a receptividade da malária pelo tipo de classificação dependendo da sua incidência:

Malária Holoendêmica: índice de esplenomegalia em crianças é alto (mais de 75% das crianças entre 2 e 10 anos apresentam esplenomegalia). O índice é baixo os adultos.
Malária Hiperendêmica: índice esplênico é maior que 50% nas crianças e é elevado nos adultos.
Malária Mesoendêmica: índice infantil entre 11 e 50%.
Malária Hipoendêmica: índice infantil é menor que 10%.

5. EPIDEMIOLOGIA:

A malária pode ou não estar estável em uma região. Isso depende de diversos fatores, tais como: prevalência, densidade e susceptibilidade do mosquito na área, freqüência com que os mosquitos picam o homem, duração média de vida dos anofelinos transmissores, tempo requerido para que se complete o ciclo esporogônico nos insetos (variável com a espécie de plasmódio e com a temperatura) e proporção de indivíduos susceptíveis.

As epidemias de malária resultam de uma transmissão feita simultaneamente a um número não habitual de pacientes. Sendo assim, ocorre uma exacerbação da incidência. As epidemias que se relacionam com o clima são chamadas de epidemias periódicas, enquanto que as epidemias irregulares são as que decorrem da introdução de uma nova espécie, de novos parasitas ou da reintrodução de um mesmo parasita após um grande período de ausência, podendo resultar da introdução de um novo e eficiente vetor em uma região ou de mudanças nos hábitos dos vetores locais.

SINONÍMIA:

Paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares, como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.

HOSPEDEIROS:

Definitivo: Mosquito

Intermediário: Homem

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE:

O homem infecta o mosquito enquanto circulem no sangue gametócitos infectantes em número suficiente para que o mosquito, ao sugá-lo, possa ingerir gametócitos de ambos os sexos. Em casos sem tratamento ou insuficientemente tratados, pode ser fonte de infecção para o mosquito durante mais de três anos na malária quartã, de um à três anos na malária por P. vivax e, geralmente, não mais de um ano para P .falciparum.

O mosquito permanece infectante por toda a vida e a transmissão por transfusão pode ocorrer enquanto permanecer no sangue circulante formas assexuadas. O sangue armazenado pode continuar infectante por até dezesseis dias.

Em áreas com elevada transmissão de malária, onde coexistem o Plasmodium falciparum e o Plasmodium vivax, freqüentemente é detectada a associação dessas espécies no exame de amostra de sangue de um paciente; outro caso que também deve ser considerado como infecção mista é aquele identificado através da “Lâmina de Verificação de Cura” – LVC – após o tratamento radical da espécie diagnosticada inicialmente, outra espécie é revelada, sem que o paciente tenha contraído nova infecção.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO:

É o espaço de tempo que vai da picada do mosquito infectado até o aparecimento do primeiro sintoma e apresenta uma duração, em média, de quinze dias, sendo que para o P. falciparum é de sete a doze dias, para o P. malariae é de sete a trinta dias e para o P. vivax é de oito a catorze dias. Com algumas cepas de P. vivax, em zonas temperadas ou subtropicais o período de incubação é prolongado, de oito à dez meses. Nos casos em que a causa de infecção é uma transfusão sanguínea, o período de incubação é geralmente breve, mas varia de acordo com número de parasitas contido no sangue.

MODO DE TRANSMISSÃO:

A malária é transmitida por picadas de fêmeas infectantes do mosquito do gênero Anopheles, sendo que a maioria das espécies se alimentam ao anoitecer ou nas primeiras horas da noite, onde algumas espécies de Anopheles ingerem sangue humano que contém plasmódios em sua forma de gametócitos e já nas espécies suscetíveis à infecção, gametócitos macho e fêmea se unem para formar o oocineto que apresenta uma série de transformações no seu interior, no prazo de 8 a 35 dias, segundo a espécie do parasito e a temperatura a que está exposto o vetor, para formar os esporozoítos. Esses se concentram nas glândulas salivares e são injetados no organismo humano cada vez que o inseto se alimenta de sangue, de modo que a maioria das espécies de mosquitos causam considerável transtorno pelas suas picadas, pois possuem longas pecas bucais que permitem-lhes picar o homem mesmo através de roupas.

A transmissão natural é mais comum em áreas rurais e semi – rurais, mas pode ocorrer em áreas urbanas, principalmente na periferia. A transmissão ocorre basicamente no interior das habitações, embora também possa ocorrer ao ar livre. Em altitudes superiores a 1500 metros o risco de aquisição de malária é pequeno. Além disso, a malária pode ser transmitida por injeção e transfusão de sangue de pessoas infectadas ou por seringa hipodérmicas (usadas, por exemplo, pelos viciado em drogas injetáveis (transmissão induzida), podendo haver transmissão congênita em casos especiais. A exposição do risco de contrair a malária associa os hábitos do indivíduo às condições de vida e de habitação e à situação econômica de região.

A criação de barragens (que constituem em novos criadouros), a agricultura por canais a céu aberto, a construção de estradas (escavações), a invasão de florestas, a degradação do meio ambiente pelos garimpeiros são exemplos de fatores que, aliados às condições de miséria e subnutrição contribuem para a introdução de cepas de plasmódios com novas características antigênicas nas populações humanas.

O aumento das chuvas, por sua vez, culmina em uma elevação no número de anofelinos viáveis, o que pode levar à criação de ondas epidêmicas. Por outro lado, as chuvas pesadas podem arrastar os mosquitos para locais inadequados, destruindo os criadouros e resultando, muitas vezes, em um conseqüente declínio da incidência da malária. A temperatura é um fator de suma importância na transmissão. Por exemplo, uma temperatura menor que 20°C impede o ciclo esporogônico do Plasmodium falciparum. Já a temperatura máxima para que se efetue o ciclo esporogônico de todas as espécies de plasmódio é em torno de 33°C. Até este extremo, quanto mais alta for a temperatura, mais rápido se efetua o ciclo esporogônico.

Nas regiões equatoriais, temos uma transmissão permanente e um aumento na velocidade de propagação da malária, devido à estabilidade da temperatura e da umidade nessas localidades.

O ritmo de propagação da malária se dá de acordo com as chuvas nas regiões tropicais, onde temos temperatura praticamente invariável e inconstância nos índices de umidade. A estiagem diminui a população dos mosquitos. Nas regiões subtropicais, há períodos em que a temperatura cai muito, impedindo a atividade de qualquer tipo de vetor e fazendo com que a transmissão seja interrompida. Com isso, caracterizam-se, fora desses períodos, os surtos epidêmicos.

As regiões temperadas apresentam surtos instáveis de malária, por causa dos invernos longos e do clima frio em geral, em que apenas o Plasmodium vivax é capaz de sobreviver.

Portanto, a malária apresenta características diferentes de uma região para outra e de acordo com a época.

RESERVATÓRIO:

O homem é o único reservatório importante da malária humana, embora os macacos das espécies superiores possam albergar o P. malariae. Na Amazônia, pesquisadores comprovaram a presença de P. brasilianum e P. simium, morfologicamente semelhantes aos P. malariae e P. vivax, em macacos de grande e pequeno portes, respectivamente, mas a transmissão natural ao homem não tem sido comprovada

VETORES:

Todos os transmissores de malária dos mamíferos são insetos da ordem dos dípteros, da família Culicidae e do gênero Anopheles. Este gênero compreende cerca de 400 espécies, das quais apenas reduzido número tem importância para a epidemiologia da malária, em cada região. No Brasil, cinco espécies são consideradas como vetores principais: Anopheles darlingi, Anopheles aquasalis, Anopheles albitarsis, Anopheles cruzi e Anopheles bellator. Os anofelinos são pequenos dípteros, medindo em geral menos de um centímetro de comprimento ou de envergadura, corpo delgado e longas pernas que lhe valeram em algumas regiões o nome de “pernilongo”. No Brasil, são conhecidos também por “carapanã”, “muriçoca”, “sovela”, “mosquito-prego” ou, simplesmente, mosquito. A maioria dos anofelinos tem hábitos crepusculares ou noturnos.

Durante o dia, dirigem-se para lugares onde ficam ao abrigo da luz excessiva, do vento e dos inimigos naturais. Aí encontram também maior grau de umidade durante as horas quentes do dia. Nos abrigos situados próximo aos criadouros, o número de machos e o de fêmeas costuma ser mais ou menos o mesmo. Em geral, tais ambientes são constituídos por arbustos e lugares de vegetação densa, oco ou árvores, espaços sob raízes e troncos caídos, em grutas ou buracos de animais, etc.

Ao crepúsculo, movidas pela necessidade de uma refeição sangüínea, as fêmeas saem em busca de suas fontes alimentares: animais ou homens. As espécies que procuram principal ou unicamente o sangue de animais (mamíferos, aves, etc) são qualificadas pela maioria dos especialistas como “zoófilas”, enquanto as que picam freqüente ou preferencialmente o homem são ditas “antropófilas”. Certo grau de antropofilia é condição fundamental para que uma espécie de anofelino seja boa vetora de malária humana. Anofelinos que costumam penetrar nas habitações humanas participam mais ativamente da transmissão da malária do que as espécies que permanecem de preferência no exterior. Este traço do comportamento, qualificado como domesticidade ou endofilia da espécie, é tomado em consideração nos inquéritos epidemiológicos. Ele fornece um dos parâmetros para medir a eficiência dessa espécie, como vetora da doença, e ajuda a planejar a luta anti-anofélica pela aplicação de inseticidas no interior das casas. A característica oposta à endofilia denomina-se exofilia.

Em certas regiões, a malária é transmitida por vetores no extra-domicílio, fato esse que requer outra orientação no planejamento do controle. Há mosquitos que penetram nas casas durante o crepúsculo vespertino e só se retiram ao amanhecer. Depois de picar, as fêmeas procuram repousar no interior das casas, nas partes baixas das paredes, atrás dos móveis, quadros, roupas penduradas ou outros esconderijos. A duração do contato dos insetos com a superfície interna das habitações tem grande importância para o efeito dos inseticidas de insetos de ação residual aí aplicados. As espécies ou variedades que têm por hábito abandonar as casas logo depois de se alimentarem, ou que ficam muito pouco tempo, subtraem-se mais facilmente à intoxicação pelos inseticidas, principalmente quando esses exercem alguma ação excito-repelente sobre os mosquitos. O principal vetor da malária no Brasil é o An. (N) darlingi. Antes da campanha de erradicação da malária só estavam livres de sua presença dois estados nordestinos (Rio Grande do Norte e Paraíba) e dois sulinos (Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Cria-se em grandes coleções de água, como represas, lagos, lagoas, remansos de rios.

Encontra-se em águas profundas, límpidas, pobres de matéria orgânica. Na época das chuvas, forma novos criadouros nos alagadiços, escavações e depressões de terreno. Nos poços “ilhas flutuantes”, ao longo dos grandes rios, contribui para o transporte e dispersão do An. darlingi. Além de sua domesticidade (endofilia), é notavelmente antropófilo, picando homens de preferência a outros animais. Em muitos lugares, pica freqüentemente fora das casas, condicionando uma transmissão extra-domiciliar da malária. Essa espécie é muito suscetível à infecção pelos plasmódios, tendo sido observadas, em condições naturais, taxas de parasitismo superiores a 20% no estômago (índice oocístico) e superiores a 5% nas glândulas salivares (índice esporosóitico).

Na malária aviária os vetores diferem, visto que as espécies aviárias de Plasmodium são transmitidas por mosquitos das espécies Anopheles, Culex e Aedes, já o Haemoproteus por moscas hipoboscídeas ou por mosquitos-pólvora e o Leucocytozoon por espécies de Simulium.

Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi – Root, 1926
Anopheles (Nyssorhynchus) albitarsis- LynchArribalzaga, 1878
Anopheles (Nyssorhynchus) aquasalis – Curry, 1932
Anopheles (Kerteszia) cruzi – Dyar & Kanab, 1908
Anopheles (Kerteszia) bellator – Dyar & Knab, 1908
Anopheles sp
CICLO EVOLUTIVO NO HOMEM:

São parasitos heteroxenos, com o ciclo endógeno começando com a inoculação dos esporozoítas da saliva (que serve como anticoagulante), injetada quando o mosquito pica para sugar o sangue. Os esporozoítas são delgados, curvos, medindo de 12 a 15 micra de comprimento, afilados em ambas extremidades, possuem núcleo alongado e desprovido de pigmento. Seu corpo é revestido por duas membranas, abaixo das quais se dispõem microtúbulos, cuja quantidade varia de acordo com a espécie e que servem como órgãos de locomoção. Na extremidade apical do esporozoíta está a taça anterior, homóloga ao conóide do toxoplasma. Mitocôndrias também são encontradas.

Uma vez inoculados, os esporozoítas deixam rapidamente o tecido subcutâneo e caem na corrente circulatória, onde permanecem livres durante cerca de meia hora. A esta fase segue-se uma negativa na circulação, que corresponde ao período pré-patente, durante o qual transfusões de grandes quantidades de sangue não induzem a malária. Este período dura 6 dias para o Plasmodium falciparum e 8 dias para o Plasmodium vivax.

Ao deixarem a circulação, os esporozoítas penetram nas células hepáticas. A interiorizarão nas células hospedeiras se deve a um conjunto de estruturas em forma de taça, com fibrilas contráteis. Nesta taça vem a secreção de suas organizas, que se presume ser enzimas de natureza proteolítica e que facilitam a penetração do esporozoíta nas células hepáticas do homem. As formas resultantes da penetração dos esporozoítas nos hepatócitos são, por alguns autores, denominadas criptozoítas (do grego kryptos = oculto), pela dificuldade em serem encontrados nessa fase. Nestas células multiplicam-se por processo esquizogônico (esquizogonia tecidual primária ou esquizogonia préeritrocítica), no qual resulta a formação de merozoítas.

Já no segundo dia, no interior dos hepatócitos, encontram-se esquizontes teciduais que aumentam de volume e se dividem para formar milhares de minúsculos merozoítas, que são liberados no tecido circundante ao rompimento do envoltório celular. Parte destes parasitas, agora postos em liberdade, é englobada por células fagocitárias e destruída, entretanto, outra parte se fixa sobre os glóbulos vermelhos dos vasos sinusóides do fígado. Salvo no caso do paludismo por Plasmodium falciparum, muitos destes merozoítas penetram novamente em outras células hepáticas, onde permanecem em estado latente (sob a forma de hipnozoítas), ou então, produzem um novo ciclo esporogônico (tecidual secundário). Atribui-se a tais formas latentes as recaídas tardias da malária pelo Plasmodium vivax.

Para alguns autores, o Plasmodium malarie não tem fase tecidual; com efeito, tem-se verificado que infecções por trofozoítas podem persistir até cinco anos após a inoculação do plasmódio.

Citrozoítas eritrocíticos apresentam-se no interior de glóbulos vermelhos sob a forma de um anel, com massa de citoplasma e um único núcleo. A massa citoplásmica cerca o vacúolo digestivo. O crescimento se processa às custas da célula; o trofozoíta utiliza-se do oxigênio das hemácias por meio de oxidase, provavelmente uma porfirina citocrômica férrica. Também há utilização da globina da célula e assim, os plasmódios dividem a hemoglobina em heme e globina. O heme torna-se a hemozóida (ou hematina) que é o pigmento malárico que se deposita em forma de grânulos escuros no citoplasma dos parasitas.

Na superfície do plasmódio foi descrito um poro ou citóstomo, que corresponde à micrópila, estrutura através da qual se dá o engolfamento do citoplasma da célula hospedeira (processo denominado fagotrofia, no qual a hemoglobina é incompletamente metabolizada, deixando um resíduo: o pigmento malárico). O Plasmodium falciparum absorve os alimentos por meio do citóstomo.

Os eritrócitos parasitados consomem glicose em uma taxa várias vezes mais alta que o normal, sendo que a utilização desta pelo parasita se processa de forma idêntica a dos músculos de seu hospedeiro.

O trofozoíta toma um grande desenvolvimento e o núcleo também se desenvolve e o parasita agora é denominado trofozoíta médio. O pigmento, que se apresentava esparso, agrupa-se no centro do parasita e se dá início à divisão, que começa com a transformação do núcleo. Esta resultará na formação do esquizonte, que quando maduro, apresenta-se sob forma de um corpo sólido com número variável de núcleos (de 4 a 72 núcleos, conforme a espécie). Em seguida formam-se os merozoítas. O organismo é chamado merócito ou rosácea, as células filhas são os merozoítas, restando uma massa de citoplasma residual que contém o pigmento.

Pela ruptura do glóbulo vermelho, que já se apresentava profundamente alterado, os merozoítas libertam-se no plasma. Estes, agora, penetram em outros glóbulos vermelhos e o ciclo se repete, enquanto o corpo residual do merócito, com seu conteúdo de pigmento, é fagocitado pelas células endoteliais livres dos vasos sangüíneos ou por fagócitos migradores.

A multiplicação continua e, aproximadamente em duas semanas já existe número suficiente de parasitas para determinar os sintomas clínicos. A fagocitose e a produção de anticorpos no sangue são processos que acabam inibindo a multiplicação.
O crescimento do parasita nos glóbulos vermelhos é acompanhado de perturbações destes, tais como dilatação ou contração, modificação da membrana, até a sua destruição. A parecem em seguida granulações que diferem nas 3 espécies e são denominadas granulações de Shüffner (Plasmodium vivax), de Maurer (Plasmodium falciparum) e de Zimann (Plasmodium malarie). Durante muito tempo nada se soube quanto a natureza destas granulações e só recentemente, após a introdução dos anticorpos marcados com fluorescência, é que Voller e colaboradores. (1952) mostraram existir, nestes grânulos, uma concentração de antígeno, principalmente derivado diretamente do parasita em crescimento, e é nestes pontos que se verifica a fluorescência com maior intensidade.

Após fases sucessiva de esquizogonia, aparecem no ciclo evolutivo as estruturas sexuadas do hematozoário, denominadas gametócitos, que no caso dos plasmódios só se desenvolvem em eritrócitos. Os gametócitos, desde o começo, apresentam caracteres que permitem distingui-los dos esquizontes; apresentam-se como um anel com pequeno vacúolo e são quase só formados de citoplasma colocada em torno do núcleo.

Segundo Hawking e colaboradores. (IX Congresso de Medicina Tropical e Malária), provas feitas com várias espécies de plasmódios de animais parecem mostrar que os gametócitos originados dos merozoítas durante a esquizogonia gastam de 1,5 a 2,5 dias para amadurecer e só são infectantes durante algumas horas. A esquizogonia nesses plasmódios processa-se ao meio-dia e alimentando mosquitos no hospedeiro vertebrado infectado, verifica-se que é perto de meia-noite que se obtém os maiores índices de infecção dos insetos. Mudando-se a hora do sono dos hospedeiros, transfere-se a da esquizogonia e por passagens sucessivas de infecções feitas somente através da inoculação de sangue se obtém cepas sem gametócitos e sem periodicidade. Acham os autores da experiência uma analogia com o que acontece na filariose: na malária os gametócitos estariam maduros nas horas de maior atividade hematofágica dos vetores e a esquizogonia se processaria ao meio-dia para dar tempo a que os gametócitos estivessem maduros naquelas horas. Quando maduros, os gametócitos têm quase o mesmo tamanho dos esquizontes, mas contêm maior número de grânulos de pigmento e possuem um único núcleo. Os gametócitos permanecem em geral envolvidos pela membrana dos glóbulos vermelhos, até serem ingeridos pelo mosquito. Se isto não se der, degeneram e morrem. Derramados no sangue continuam seu desenvolvimento nos anófeles. Quando o mosquito se alimenta, ingere não somente os gametócitos, mas também várias formas assexuadas. Estas últimas degeneram e desaparecem com a digestão do sangue, enquanto os gametócitos continuam a se desenvolver.

Devido a movimentos de contração e expansão, os gametócitos rompem a membrana dos glóbulos vermelhos e tornam-se livres no estômago do anofelino. Durante este processo os grânulos de pigmento do gametócito masculino são violentamente agitados. Seu núcleo se divide em diversas partículas de cromatina, e na sua superfície se dispõem faixas muito finas de citoplasma, sendo que em cada uma entra uma partícula de cromatina.

Desta maneira o microgametócito apresenta unidas a si de 4 a 12 estruturas em forma de flagelos que se agitam continuamente. Os corpos em forma de flagelos são realmente os microgametas. Ainda que o numero destes, produzidos por um único microgametócito, seja em geral dado como sendo de cerca de 8, parece que de fato este número varia muito, podendo ir de 4 a 13.

Assim, deve haver grande variabilidade nas modificações nucleares antes de se processar a microgametogênese. Com intervalos variáveis, eles se desprendem violentamente do corpo residual onde ficam retidos os grânulos de pigmento; e o fenômeno de exflagelação.

O corpo residual não toma mais parte no ciclo evolutivo e se desintegra. Os microgametas são muito móveis e se locomovem ativamente através do estômago do mosquito à procura da fêmea. Se não a encontrar, seus movimentos gradualmente diminuem, cessando em cerca de uma hora.

Durante este tempo, o gametócito feminino também acusa perturbações. Ao sair dos glóbulos vermelhos é esférico, mas não apresenta os movimentos ativos do gametócito masculino, enquanto os pigmentos ficam estacionários ou ligeiramente móveis.
Freqüentemente aparecem em sua superfície um ou dois corpúsculos pequenos, que se presumem derivados do núcleo e representariam o processo de maturação comparável à formação dos corpos polares. Assim está formado o gameta feminino.
Pouco se sabe a respeito dos fatos que presidem a maturação dos gametócitos, processo que normalmente se passa no estômago do mosquito.

O núcleo do gameta feminino ou macrogameta move-se para a superfície, onde ocorre uma pequena elevação do citoplasma. Se houver um microgameta na sua vizinhança, ele entra no vértice desta elevação e o seu núcleo une-se ao núcleo do macrogameta. Assim se dá a fertilização.

Parece que a formação do zigoto só se dá na presença de alguma substância segregada pelo estômago do mosquito. A princípio o zigoto é uma esfera inativa, depois começa a alongar-se até apresentar uma forma vermicular.

Segundo Schaudinn, dá-se a fertilização no espaço de 20 minutos a 2 horas após a sucção pelo anofele. Por meio de movimentos de contração, o zigoto móvel, agora denominado oocineto ou vernáculo, avança para o epitélio do estômago do mosquito.

Esta nova estrutura possui uma extremidade anterior delgada e outra posterior, o núcleo central e os grânulos do pigmento do gameta feminino colocam-se na posição pós-nuclear. Chegando à sua superfície do epitélio intestinal, o vermículo força uma passagem através das células de revestimento do estômago, liqüefazendo sua parede, atravessa-a e passa para o espaço entre o epitélio e a membrana elástica, que cobre toda a superfície do estômago do inseto.

Aí fica o oocisto quieto e se contrai formando uma esfera com diâmetro menor que de um glóbulo vermelho de sangue. Isto ocorre no segundo dia após a alimentação do mosquito.

O zigoto é logo em seguida cercado por um cisto que em parte se deriva da membrana elástica e em parte é formado pelo próprio parasita. Temos então o oocisto que aumenta rapidamente quando a temperatura é favorável. Em condições propícias ele chega a alcançar de 50 a 60 micra de diâmetro.

Os esporozoítas não se produzem diretamente, havendo antes uma fase em que o citoplasma do plasmódio se divide em vários esporoblastos uninucleares a partir dos quais aqueles são formados.

Os oocistos maduros rompem-se pondo em liberdade, na cavidade geral do mosquito ou hemocere, os esporozoítas, que móveis, penetram por todo o corpo do mosquito e podem ser encontrados em todos os órgãos.

Em temperatura ótima, o oocisto alcança a maturidade dentro de 4 a 15 dias depois de o inseto ter realizado o repasto infectante.

O número de esporozoítas produzidos pelo oocisto é bastante grande, cerca de 10.000.

Esporozoítas são encontrados em massa na horta, entre as fibras musculares, nos palcos, escutelos, e em outros pontos do inseto. A maioria penetra nas células das glândulas salivares e lá podem ser observados em número enorme, embebidos no seu citoplasma. Sendo a saliva segregada no duto salivar, os esporozoítas também passam, e são finalmente injetados pelo mosquito durante a picada.

Após a fase exoeritrocítica, entram nos glóbulos vermelhos, recomeçando o ciclo assexuado. Um único anófele consegue infeccionar muitas pessoas, causando o alastramento da doença.

Os ciclos da malária aviária são amplamente semelhantes ao da malária humana.

DISTRIBUIÇÃO:

BRASIL

O principal vetor da malária no Brasil é o (An. darlingi). Antes da campanha de erradicação da malária só estavam livres da sua presença dois estados nordestinos (Rio Grande do Norte e Paraíba) e dois sulinos (Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Este vetor é atualmente, o principal transmissor de malária na região Amazônica. Ele cria-se em grandes coleções de água, como represas, lagos, lagoas e remansos de rios. Encontra-se em águas profundas, límpidas, pobres de matéria orgânica. Na época das chuvas, forma novos criadouros nos alagadiços, escavações e depressões de terreno, contudo o An. darlingi desaparece nos meses de estio. Os poços “Ilhas flutuantes”, ao longo dos grandes rios, contribuem para o transporte e dispersão do Anopheles darlingi. Além de sua domesticidade (endofilia), ele é notavelmente antropófilo, picando preferencialmente homens à animais . Em muitos lugares ataca preferencialmente fora das casas, condicionando uma transmissão extra-domiciliar da malária. Essa espécie muito suscetível à infecção pelos plasmódios, tendo sendo observadas, em condições naturais, taxas de parasitismo superiores a 20% no estômago (índice oocístico) e superiores a 5% nas glândulas salivares (índice esporosoítico).

Já na faixa litorânea, inclusive no Rio de Janeiro, predomina o An. Aquasalis, que prolifera em condições de água salobra (suporta altos teores de salinidade na água), mangues, valas de drenagem, pequenas depressões de terreno, sulcos deixados pelas rodas dos veículos e impressões de cascos de animais com pouco volume de água. Ele existe o ano todo apesar de ser mais abundante nas estações chuvosas.

Os An. cruzii e An. bellator foram os vetores primários da malária nas primeiras endemias no Sul e Sudeste do Brasil. Ocorrem no litoral e desovam na água das folhas de bromeliáceas.

O An. cruzi existe apenas no Brasil e está relacionado à forma oligossintomática da malária que ocorre nos vales da Mata Atlânticanos Estados de RJ e SP .Há, no entanto, uma outra espécie de vetor da malária em algumas localidades da Amazônia que é o An. oswaldoi. Porém, alguns autores acreditam que a maioria das populações desta espécie estão mais relacionadas ao ambiente natural e preferem se alimentar de animais a homens em suas habitações.

Estima-se que mais de 40% da população mundial esta exposta ao risco de adquirir malária.

No Brasil, a distribuição geográfica é extensa. A área endêmica original, delimitada nos anos 50 através de estudos entomológicos e detecção de casos, abrangia 6,9 milhões de Km2 (correspondendo a 81% do território nacional).

Ao final de 1997, cerca de 61 milhões de habitantes viviam nessa imensa área, dos quais 19 milhões na Amazônia Legal e 41 milhões nas demais regiões. Entretanto, a população mais exposta ao risco de contrair malária era bem menor: 6 milhões na Amazônia Legal e menos de 1 milhão no restante do país, esses últimos vivendo em áreas residuais de transmissão (“baixo risco”) ou em torno de focos novos resultantes da introdução de casos importados, sendo que essa transmissão estava relacionada com a abertura de novas fronteiras, devido ao crescimento econômico desordenado e principalmente com a exploração de minérios.

Dos 405.051 portadores de plasmódios diagnosticados através de exames parasitológicos, em 1997, 403.108 foram registrados na Amazônia Legal, ou seja 99,5% daquele total eram positivos, sendo 41% das infecções dessa área causadas por P. falciparum.

Considere-se que a maioria dos pacientes que compõe os 0,5% restantes adoeceu na Amazônia, mas a identificação foi feita nas demais regiões (casos importados). Na Amazônia, em 1997, a malária apresenta maior concentração de casos no Pará, Rondônia e Amazonas – cerca de 76,3% dos registros. No Pará, os municípios mais comprometidos estão em garimpos (vale do Rio Tapajós/Jamanxym, Xingu e Araguaia/Tocantins) e nas áreas de influência das rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém). Em Rondônia, as maiores incidências estão em Jamari, Campo Novo, Rio Crespo, Buritis, Alto Paraíso e Costa Marques, onde se registraram altas densidades de Anopheles darlingi. No Amazonas, os municípios que apresentaram maior registro de casos foram Manaus, Apuí, Tefé, Humaitá e Eirunepé em conseqüência dos fluxos populacionais procedentes de zonas rurais e da fixação dessas populações em áreas urbanas periféricas onde existem vetores. Com menor intensidade a transmissão ocorreu em áreas dispersas do Estado como Apuí e Huamitá (no Madeira), Lábrea e Canutama (no Purus); e Alvarães e Tefé (no Solimões). Outras regiões menos extensas integram as áreas de elevada transmissão, classificadas como de “alto risco”, tais como: parte oeste de Roraima (garimpos, área Yanomami); Vale do Rio Acre (Plácido de Castro e Senador Guiomard) e trechos da bacia do Juruá (Cruzeiro do Sul e Tarauacá); vale do Rio Jari e área de influência da Rodovia Perimetral Norte, no Amapá. No Maranhão e no Tocantins, a transmissão é menos intensa, mas destacam-se Imperatriz, Açailândia, Pindaré, Santa Luzia e Zé Doca, no primeiro, e Xambioá, Araguatins e Ilha do Bananal, no segundo. Em síntese, a vigilância epidemiológica deve estar atenta para os pacientes febris procedentes das áreas relacionadas acima, que abrangem 1,8 milhões de Km2 e onde vivem 6 milhões de habitantes, com alto risco de adoecer por malária.

AMÉRICA

Dentre os principais vetores da malária que se distribuem pelo continente Americano, podemos citar:

Do Planalto mexicano para o norte: An. quadrimaculatus e An. pseudopunctipennis
América Central e Antilhas (Tehuantepec até a Costa Norte da Colômbia da Venezuela):An. Albimanus
Maior parte do continente sul-americano: An. darlingi
1. Anopheles pseudopunctipennis: É o único vetor de malária das vertentes ocidentais dos Andes e o principal transmissor nas grandes altitudes. Essa espécie é encontrada desde o sul dos EUA e México até o norte do Chile e Argentina, ocupando também o norte da Venezuela. Adaptado a climas secos de montanhas, onde encontram-se em nascentes, pequenas correntes e coleções de água, durante o ano todo e nas épocas de chuva, dispersa-se pelos terrenos alagados e rios atingindo áreas de menores altitudes.

Anopheles albimanus: É o mais importante vetor da malária no litoral do Golfo do México e na região do Caribe. Por preferir climas quentes e úmidos, a densidade desta espécie varia também conforme as estações do ano. Sua distribuição aumenta muito durante a época das chuva.

ÁFRICA

Nos territórios africanos compreendidos entre as faixas tropicais de desertos e recobertos por savanas, a malária é transmitidas principalmente por Anopheles gambiae e Anopheles Funestus.

1. Anopheles gambaie: predomina nas áreas mais úmidas da África, sendo a espécie mais antropófila e um dos melhores vetores de malária em todo o mundo.

2. Anopheles funestus: cria-se preferencialmente em grandes coleções de água permanentes, ou seja, margens de lagos e lagoas, em pântanos, etc., sempre que as larvas fiquem protegidas da insolação direta pelas vegetações flutuantes ou vertical (gramíneas …).

VIGILANCIA EPIDEMIOLÓGICA:

OBJETIVOS: Como fruto do desenvolvimento regular das atividades de combate à malária, a transmissão dessa doença foi interrompida nas Regiões Nordeste, Sudeste, Sul e parte Meridional do Centro-Oeste, onde permaneçam áreas residuais de transmissão que evoluem para a extinção. Nessas regiões, deve ser mantida eficiente vigilância epidemiológica para impedir a reintrodução da endemia, através do diagnóstico e tratamento dos casos e eliminação dos focos novos. A vigilância deve ser ativa para aplicar medidas anti-focais no campo, inclusive medidas anti-vetoriais e busca de casos. Todos os casos detectados devem ser investigados e classificados (autóctones, importados, introduzidos, induzidos e recaídas).

NOTIFICAÇÃO: A malária é uma doença de notificação em todo país, exceto na região amazônica, onde o número de casos é tão elevado que impossibilita o desencadeamento de ações de vigilância epidemiológica para cada caso. Na área extra amazônica, além de ser uma doença de notificação compulsória é de investigação obrigatória, visando a adoção de medidas de controle para manter essa parte do território brasileiro livre da doença. Na região Amazônica, o Programa de Controle da Malária atua e coleta sistematicamente os dados sobre os exames de gota espessa, que são realizados de rotina na área. Esses exames, oriundos de unidades de saúde fixas e volantes constituem importante fonte de dados para o programa.

INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA: As operações de vigilância em malária desenvolvem-se na seqüência seguinte:

busca de casos, diagnóstico e tratamento;
investigação epidemiológica para descobrir a origem dos mesmos;
como resultado da investigação, identificação dos vetores e, se comprovada a existência de foco ativo de malária, borrifação com inseticidas para controle dos anofelinos, simultaneamente com a eliminação dos portadores de parasitas no campo.
A vigilância deve ser dotada de estrutura capaz de possibilitar a execução das ações referidas acima. Na prática, é quase impossível prevenir a importação de casos – não se aceitam “barreiras sanitárias” que impeçam o livre deslocamento dos indivíduos – contudo, através de medidas dinâmicas, pode-se evitar a propagação da doença e eliminar o foco. Após a chegada de um caso importado, as possibilidades de transmissão e de difusão da malária dependem do grau de receptividade da área, ou seja, a presença e densidade dos mosquitos vetores. A freqüência de casos importados indicam o grau de vulnerabilidade, de modo que a interação desses dois fatores – receptividade e vulnerabilidade – constituem o potencial malarígeno, em função do qual é necessário programar a vigilância. Esses fatores devem, então, ser avaliados regularmente, a fim de se adaptar a vigilância ao maior ou menor risco de cada região e dotá-la de recursos que possam ser mobilizados prontamente, caso seja necessário prevenir o restabelecimento da transmissão. É importante, portanto, observar-se que esses fatores podem mudar, devendo a vigilância adaptar-se à nova situação. Caso seja disponível um técnico com experiência em programa de malária, recomenda-se a sua participação na equipe de vigilância, assim como de agentes de saúde treinados para desenvolverem atividades de campo.

DEFINIÇÃO DE CASO:

SUSPEITO: Todo o indivíduo que, procedendo de área onde haja transmissão de malária, ou tendo recebido transfusão sangüínea, apresente um quadro febril, especialmente se for acompanhado por sintomas sugestivos de malária.

CONFIRMADO: Para ser considerado como caso de malária é necessário a confirmação laboratorial, indicando a presença de parasitos no sangue. É importante e necessária a identificação da espécie parasitária.

CONDUTA FRENTE A UM CASO: Na área extra-amazônica, todo caso suspeito ou confirmado de malária deve ser investigado, visando à instituição do tratamento e à prevenção de um surto, caso haja presença dos insetos transmissores na área. A investigação consta dos seguintes itens:

confirmação laboratorial do caso, através da confecção da gota espessa para diagnóstico parasitológico da malária;
preenchimento de formulário de “Notificação de Caso Febril” que contém o número de lâminas (lâmina de vidro com gota espessa); a data da coleta; o nome, idade, sexo e endereço do paciente e lugar onde esteve nos últimos quinze dias (localidade, município, estado). Após a realização do exame microscópico, o resultado será anotado no mesmo formulário acima referido: negativo, F (falciparum), V (vivax), M (malariae) e F+V (associação falciparum + vivax). Consta, ainda, o nome e a quantidade do medicamento fornecido. Esse formulário é um modelo carbonado, com original e duas cópias: uma é entregue ao paciente, outra permanece na Unidade e o original é introduzido no sistema de informação;
definição de caso: autóctone ou importado;
tratamento específico do caso, de acordo com o diagnóstico parasitológico;
pesquisa entomológica, quando indicada; e
adoção das medidas de controle pertinentes.
Nas regiões extra-amazônicas, onde a transmissão endêmica encontra-se interrompida, todos os casos devem ser tratados radicalmente e investigados, com vistas à sua classificação. A presença de casos “importados” constitui a situação mais freqüente: indivíduos adoecem na Amazônia e são detectados em diferentes locais do país.

Muitas vezes esses casos dão origem aos casos “introduzidos”, uma primeira geração de doentes que resultam da transmissão por mosquitos infectados pelos casos importados. Quando a investigação indica a presença de casos “autóctones”, significa que se encontra em evolução um foco de malária, o que obriga a tomada de providências, com caráter de urgência, para a eliminação do foco (medidas anti-focais). O resultado da investigação pode levar à conclusão de que se trata de uma “recaída” – habitualmente um paciente com vivax, com história anterior de malária que não esteve mais em áreas de transmissão após o tratamento da infecção natural. Se o paciente tem antecedentes de haver compartilhado de agulhas de injeção, deve-se investigar e tratar devidamente todas as pessoas que utilizaram o mesmo injetor. Outra forma de malária “induzida” é a que resulta de transfusão. Nesse caso é necessário localizar os doadores e submetê-los a exame de sangue para determinar a presença de parasitos e anticorpos contra a malária; os doadores que apresentarem resultado positivo com respeito aos parasitos devem receber o tratamento. Nas áreas endêmicas ou hiperendêmicas de malária, os casos são notificados, mas não são sistematicamente investigados. As medidas de controle devem estar rotineiramente sendo aplicada.

No caso de confirmação de malária induzida, comunicar a Vigilância Sanitária, para adoção das medidas cabíveis junto ao banco de sangue.

CONDUTA FRENTE A UM SURTO: Na Amazônia, os surtos são freqüentes em áreas de “alto risco”, especialmente em garimpos, novos assentamentos humanos e áreas com extração madeireira. As medidas aplicadas constituem a essência do controle de malária: identificação e tratamento oportuno; controle dos vetores e desenvolvimento de ações educativas para prevenção de novos casos. Nas zonas de “médio risco”, ainda na Amazônia Legal, os surtos correspondem à eclosão de focos novos de malária, estando indicado o uso de medidas anti-focais para sua eliminação. Fora da Amazônia, é preciso determinar a natureza e extensão do surto que equivale, habitualmente, a um foco novo de malária: devem ser intensificadas as medidas de luta contra os insetos adultos e formas larvárias de vetores que podem incluir a eliminação de criadouros. Ênfase deve ser dada à identificação e tratamento de casos, à proteção pessoal e ao emprego de medicamentos supressores.

6. PATOGENIA:

Ocorre devida a alta patogenicidade das espécies, ocasionando uma esplenomegalia, podendo ter uma manifestação frequente de hepatoesplenomegalia, com acumulo de líquido na cavidade pericardial, pela elevada parasitemia que ocorre principalmente pela distorção dos eritrócitos.

Na malária aguda o fígado aumenta de volume juntamente com o baço, alguns dias após o início da febre. Já nas formas crônicas os dois órgãos adquirem de ordinário grandes dimensões, lembrando-se que os pacientes com malária não costumam apresentar linfadenopatia.

7. SINTOMAS CLÍNICOS:

Em pequeno número de pacientes aparecem sintomas prodrômicos vários dias antes dos paroxismos da malária. O paciente sente incômodo, cefaléia ocasional, náuseas, vômitos, astenia, fadiga, anorexia e febre ligeira. Tais sintomas são inespecíficos, pois podem ser observados em outras doenças transmissíveis.

O ataque agudo de malária caracteriza-se por um conjunto de paroxismos febris que apresentam quatro períodos sucessivos: o de frio, calor, de suor e apirexia. Na maioria dos doentes maláricos, a sintomatologia começa repentinamente com o período de frio, que dura entre 15 e 60 minutos.

Os sintomas se relacionam com o aumento brusco de temperatura do corpo e se caracterizam pela sensação de frio intenso, calafrio com nítido tremor generalizado e ranger dos dentes, podendo serem acompanhados de cefaléia, náuseas e vômitos e o pulso é débil e rápido; a pele está seca, com rugas. Os lábios ficam cianóticos. Nessa etapa, sobretudo em crianças, podem ocorrer, crises convulsivas.

O período de calor dura de 2 a 6 horas e se inicia quando termina o calafrio. O paciente começa a sentir-se quente, a face fica hiperêmica, o pulso é forte e a pele seca e quente.

A dor de cabeça, que geralmente aparece na etapa anterior, aumenta em intensidade e as náuseas e vômitos podem continuar, a respiração é rápida e o paciente tem sede, com a temperatura podendo alcançar 40°C ou mais e não responde aos antibióticos térmicos.Alguns pacientes, podem apresentar delírio. O período de suor dura de 2 a 4 horas. A febre diminui rapidamente e a cefaléia, sede e mal estar cedem. O doente tem a sensação de alívio e de tranqüilidade. Quando o suor termina, o paciente sente-se cansado e débil; livre dos sintomas pode ter um sono tranqüilo. A duração total do paroxismo varia de 6 a 12 horas. Sem dúvidas, uma ou todas as fases podem não se manifestar, levando a um possível erro de diagnóstico. Herpes labial ou nasal pode ocorrer.

FORMAS CLÍNICAS:

Podem ser leves, moderadas, graves e de urgência. Essa classificação depende de vários fatores, tais como: a intensidade e duração da febre e dos sintomas gerais, do nível da parasitemia e da intensidade da anemia. A manifestação clínica relaciona-se com a evolução da malária em indivíduos semi-imunes, que tiveram vários episódios, ou em pessoas com boa resposta do sistema imune. Nesses pacientes a febre não é alta, os sintomas gerais são discretos e a parasitemia é baixa. Embora possa existir anemia, ela não é muito marcada. A forma moderada é típica de indivíduos não imunes, que apresentam o paroxismo febril nos períodos de frio, calor e suor. A temperatura é alta, com aumentos nas crises, os sintomas gerais são mais intensos, com forte cefaléia. A parasitemia varia de 0,1 a 0,5% e os valores da hemoglobina, o número de glóbulos vermelhos e o hematócito indicam anemia moderada. As formas grave e de urgência, com raras exceções, são observadas nas infecções produzidas por P. falciparum. A forma grave apresenta-se em indivíduos não imunes, mulheres grávidas e crianças. O paroxismo febril não é comum. O paciente mantém uma febre persistente, não muito elevada, e não apresenta calafrios, nem suor. A cefaléia é forte, o vômito freqüente e pode apresentar delírio. Podem estar parasitados até 2% dos eritrócitos e a anemia é intensa, com nítida redução da hemoglobina e do hematócito. Se o paciente não recebe terapêutica específica, adequada e oportuna pode evoluir para a forma de urgência. Os sinais e sintomas anteriores são mais graves e aparecem as complicações. As manifestações mais freqüentes se relacionam com os rins, pulmões, fígado, cérebro e sangue. A febre é variável, mas com freqüência alta; a cefaléia e vômitos são persistentes; a urina se reduz e concentra. Pode-se notar icterícia, principalmente na conjuntiva ocular e taquipnéia. O paciente sente-se confuso e com o raciocínio lento. A parasistemia é superior a 2% e pode alcançar 30% ou mais. A anemia é muito intensa e o paciente pode ter uma redução de 50% da taxa de hemoglobina na semana de evolução.

8. IMUNIDADE:

As pessoas não apresentam imunidade, quando existe a introdução de uma nova espécie, de novos parasitas ou da reintrodução de um mesmo parasita após um grande período de ausência e da introdução de um novo e eficiente vetor em uma região ou de mudanças nos hábitos dos vetores locais.

A imunidade é induzida pela presença do parasita e nunca chega a conferir proteção total, sendo que com o passar do tempo, diminuem a parasitemia, a esplenomegalia e os outros sinais ficando difícil a detecção da parasitemia no exame de sangue, devido á parasitemia ser mais baixa e o aumento da resistência imunológica, principalmente de crianças maiores e adultos.
Em situações em que o indivíduo já apresentou dezenas de episódios da doença, o que é bastante comum acontecer na África, poderá ser observado um abrandamento dos sintomas

Existem infecções recorrentes que resultam em alguma imunidade natural espécie-específica; não evitando infecção pelo esporozoíto, mas diminuindo a parasitemia e os sintomas. Existindo ainda a imunidade materna que protege o recém-nascido, apesar de haver infecção placentária como observada na infecção ativa na gravidez, sendo indivíduos não imunes, mulheres grávidas e crianças.

9. DIAGNÓSTICO:

CLÍNICO:

Quando o exame de sangue não puder ser feito ou quando permanecer negativo, apesar das razões que mantêm a suspeita, devem ser considerados como fatos sugestivos e mais freqüentemente relacionados com a malária, os seguintes:

a) febre com caráter intermitente, especialmente se ocorre, juntamente aos sintomas que acompanham, com regularidade cada 48 ou 72 horas;
b) anemia do tipo hipocrômica, com taxa de leucócitos normal ou ligeiramente baixa, alta percentagem de pigmentos; a contagem de hematócrito pode elevar-se no início da febre (fase de calafrios);
c) baço aumentado e doloroso;
d) residência ou procedência de zona endêmica, visita curta ou turismo em zona endêmica, assim como a história pregressa de exposição provável à picada de mosquitos anofelinos; e
e) resposta favorável e rápida aos antimaláricos.

LABORATORIAL:

A confirmação do diagnóstico se faz mediante a demonstração dos parasitos da malária em amostras de sangue examinadas ao microscópio.

GOTA ESPESSA: O diagnóstico laboratorial da malária tem sido tradicionalmente pelo método da gota espessa. Este é um método sensível e um bom microscopista detecta 0,001% de parasitenia, ou seja 1 parasita/106 hemácias. Permite a identificação da espécie e o estágio de desenvolvimento do plasmódio, fornece informações sobre a viabilidade do parasita e é quantificável. Contudo, é preciso ter em conta que o exame de uma amostra de sangue para procurar plasmódios torna-se pouco sensível se os parasitas estão presentes em número muito reduzido (menos de 10 por microlitro de sangue). Uma gota espessa de 1,0 a 1,5 cm3 de superfície pode ter entre 500 a 800 campos microscópicos satisfatórios (aumento total de 700 – 800 diâmetros com objetiva de imersão em óleo). O exame de toda a preparação de sangue se realiza somente sob circunstâncias muito especiais, com os estudos de infecções experimentais ou para a avaliação do efeito do medicamento sobre os plasmódios. Quando os sintomas de um paciente febril se devem a uma infecção malárica, os parasitas são abundantes, talvez um ou mais em cada campo microscópico. Na rotina, adotou-se o exame de, pelo menos, 100 campos microscópios em gota espessa uniforme, bem desemoglobinizada e bem corada. Se existem diferenças na espessura, na desemoglobinização ou na coloração, o número de campos a ser examinados deve ser aumentado proporcionalmente à qualidade da amostra.

10. ANATOMIA PATOLÓGICA:

A malária, sendo uma doença multissistemica, pode demostrar acometimento em números órgãos, particularmente no cerebro, rins, pulmões, fígado e baço. Estas alterações anatomopatologicas mostram-se evidentes, sobre tudo nas formas graves causadas pelo P. falciparum.

No sistema nervoso central observa-se macroscopicamente o encéfalo congesto, com edema, com hemorragias petequiais na substancia branca; apresentando ainda uma cor cinza azulada devido ao pigmento malarico (hemozoina) e as meninges também ficam congestas. Microscopicamente, as hemácias infectadas ficam aderidas ao endotélio dos capilares e venulas cerebrais ou então formando agregados com células não parasitadas, levando a alterações na circulação cerebral pela obstrução dos pequenos vasos, dependendo da severidade do grau de seqüestração eritrocitária. Pode-se observar ainda lesões como necrose perivascular e neural com a presença de granulomas, trombos que são provenientes e mediadores de inflamação do tecido nervoso.

Nos rins ocorrem alterações tubulares, glomerulares com necrose tubular aguda, glomerulonefrite, hipercelularidade, sendo benigna ate desaparecer em poucas semanas após a cura da infecção. Na malária cronica ocorrem lesões glomerulares proliferativas lentamente progressiva causando esclerose glomerular, atrofia tubular secundária, assim ocorre perda da função renal.

Nos pulmões pode ocorrer edema pulmonar que é grave e fatal, ocorrendo congestão vascular edema intersticial e alveolar com eritrócitos infectados aderidos ao endotélio dos capilares pulmonares com um infiltrado inflamatório crônico nos septos alveolares, podendo ocorrer alterações mais graves como a formação de membranas hialinas e hemorragias intra-alveolar.

No fígado ocorrem lesões induzidas pela ruptura de hepatócitos, assim na fase aguda o fígado mostra-se aumentado e de cor cinza escuro (pigmento malárico-hemozoina).Microscopicamente ocorre congestão, hiperplasia e hipertrofia das células d-hemozoina).Microscopicamente ocorre congestão, hiperplasia e hipertrofia das células de Kupffer, contendo parasitas fora dos sinuzoides e entre estes e os hepatócitos, também nos espaços portais. Nas formas graves pode ocorrer necrose centrilobular impregnada de bilirrubina. Na forma crônica pode haver fibrose portal e intralobular discretas não causando cirrose hepática.

No baço, a malária aguda aumenta moderadamente o volume do órgão, amolece sua consistência ficando sujeito a rupturas. Em casos fatais pode haver áreas hemorrágicas na polpa, trombos arteriolares e áreas de infarto com a cor variando do vermelho-escuro ao negro dependendo do grau de congestão e da quantidade de hemozoina. Microscopicamente, apresenta congestão intensa bastante pigmento nos macrofagos e hipeplasia. Na forma crônica existe a esplenomegalia que deve a hipertrofia e hiperplasia do sistema reticuloendotelial, havendo fibrose, consistência endurecida, lenhosa, periesplenite e o baço pode aderir-se aos órgãos vizinhos (diaframa e parede abdominal). Nessa fase a homozoina e hemossiderina são responsáveis pelo bloqueio das vias linfáticas intra- esplênicas, formando cistos linfáticos.

A medula óssea na infecção aguda apresenta-se hiperemiada, com hiperplasia das células reticuloendoteliais, hiperplasia normoblastica co ausência de retículocitose periférica. Nos casos graves ocorre deplecao da série granulocitica, e nos casos cronicos esplenomegalia, hiperesplenismo, assim apresenta-se hipercelular com com hiperplasia da eritroide e mielóide.

Na placenta ocorre aborto e o parto pre-maturo pelo grande número de seqüestração nos sinuzoides da placenta, com coloração enegrecida, consistência esponjosa, friável e pálida,servindo de refugio para os parasitas do sistema imune e das drogas anti-maláricas.

No miocárdio ocorrem lesões mínimas, com citoaderencias aos capilares pequenos vasos deste músculo, podendo haver miocardite leve com infiltrado linfomonocitário nos tecidos intersticiais.

No trato gastrointestinal a mucosa dos intestinos é congesta e edematosa podendo haver necrose do epitélio intestinal e seqüestração das hemácias parasitárias.

11. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:

Terá que ser feito em certos casos, com a Febre Tifóide, a Febre Amarela, a Hepatite Infecciosa, o Calazar, a Esquistossomose Mansônica, o Abcesso Amebiano do Fígado, a Leptospirose e outros processos febris. Em crianças que podem apresentar quadros clínicos mais variados e menos típicos, há que excluir as outras causas de doenças febris prevalentes na área antes de instituir o tratamento. Na fase inicial, sobretudo na criança, a malária confunde-se com outras doenças infecciosas dos tratos respiratórios, urinário e digestivo, quer de etiologia viral ou bacteriana. No período de estado, com febre já tendente à intermitência, as principais doenças que suscitam dúvidas são as infecções urinárias, tuberculose miliar, salmoneloses septicêmicas, calazar, endocardite bacteriana e as leucoses, pois todas, a par da febre, apresentam, em geral, esplenomegalia, algumas delas, anemia, e hepatomegalia.

15. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

BECKER P. F.L. Patologia geral. 1e d. São Paulo: Sarvier, 1997.p.172-175 e 207.

FORTES E. Parasitologia veterinária. 3e d. São Paulo: Ícone,1997.p.115.

HAY W.W., GROOTHUIS J.R. et al. Diagnóstico e tratamento em pediatria. 12e d.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.p.946-953.

URQUHART G.M., ARMOUR J. et al Parasitologia veterinária. 2e d. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1998.p.130 e 217.

VERONESI R. e FOCACCIA R. Tratado de infectologia. 2e d. São Paulo: Atheneu,
1996.p.1272-1274.

http://www.malárianet.hpg.ig.com.br

http://www.funasa.gov.br

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL DE GADO BOVINO LEITEIRO

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Autor: Rodrigo Garziera

1. INTRODUÇÃO

Inseminação artificial é uma prática que consiste na introdução de sêmen no útero da vaca, feito pelo homem.

Visando a melhor produção leiteira, os produtores pecuaristas estão cada vez mais aplicando fortunas pra terem melhores animais e com maior produção de leite/dia, tendo como objetivo, a obtenção de maiores lucros.

Com o declínio da agricultura, a maioria dos pecuarista e agricultores estão recorrendo ao leite, pois é uma fonte de renda diária. Muitos desses (em torno de 60.000), pequenos produtores, estão usando desse recurso para a própria subsistência.

Mas a maioria desses animais não apresentam o mínimo de qualidade genética, tendo como produção 7 l/dia. Esse dado é considerado extremamente baixo, e, para melhorá-lo há necessidade de boas inseminações, que muitas vezes, são consideradas caras. Ao fazer uma inseminação artificial, pode-se escolher a raça do touro, sendo que esse pode corrigir os defeitos da fêmeas, nascendo assim uma terneira com boas formas estáticas, boa produção de leite e principalmente, com uma raça bem definida.

Esse trabalho visa os favores da inseminação artificial, sendo que no primeiro capítulo discute-se as vantagens econômicas, sanitárias e sociais. Já no segundo capítulo trata-se da apresentação do próprio inseminador. No terceiro, a composição do aparelho genital de uma vaca. No quarto capítulo, visa-se os métodos de melhor eficiência de inseminação. O quinto capítulo implica no reconhecimento do cio e o horário de inseminar. O sexto e o sétimo capítulo abrange a apresentação do sêmen, como armazenar e descongelar o mesmo, e a sua disposição no aparelho genital. E por último, o oitavo capítulo apresentará o modo de limpeza do material utilizado na inseminação.

2. CONHEÇA A MELHOR FORMA DE QUALIFICAR O REBANHO

A inseminação artificial é um método de reprodução normal, e, por isto mesmo, o termo “artificial” talvez não seja dos mais apropriados, uma vez que o material fecundado (sêmen) é natural, provindo de reprodutores masculinos. Somente a sua deposição nos órgãos genitais femininos é que é feita com a participação do homem e de instrumentos. Inseminação artificial é “um método de reprodução que consiste na deposição do sêmen através de instrumental próprio, nas proporções mais adequadas no aparelho genital feminino”.

Após anos de análises, Adyr Soares Becker conclui que se a inseminação artificial for precedida de critérios rigorosos, principalmente escolha de reprodutor e higiene do manjo, poupa tempo e dinheiro em melhoramento genético.

2.1 Vantagens Zootécnicas

A inseminação artificial é um meio que tem como fim o melhoramento zootécnico dos rebanhos. Através dela, consegue-se uniformizar os rebanhos a partir de um único pai.

Permite organizar-se extremos programas de cruzamento; usar o sêmen de uma só ejaculada para centenas de vacas, aproveitando melhor a energia genética dos reprodutores; encurtar a estação de reprodução, conseguindo-se períodos de nascimento e desmama bem definidos com a terneira mais uniforme; melhorar o rendimento (carne, leite, lã, etc.). “a congelação de embriões (crioconservação) tem, além do significado científico, grande importância econômica e zootécnica” (Rodrigues, 1991, p 26), além de que , um reprodutor continue reproduzindo mesmo depois de morto. Além disso, um programa de inseminação artificial, no gado de corte, recomenda a adoção de determinadas técnicas de manejo, fazendo com que a reprodução mereça maior atenção, dentro de uma fazenda. O próprio sistema de identificação individual, através de brincos e fichários, facilita o controle, permitindo identificar e eliminar os animais com problema de reprodução.

2.2 Vantagens Econômicas

Entre outras, a possibilidade de pequenos e grandes criadores disparem de reprodutores de alto valor zootécnico, por preços bastante acessíveis. Além disso elimina-se os gastos de manutenção de touros (alimentação, tratador, medicamentos, etc.) e evita-se riscos de prejuízos por morte ou doenças. Também a ausência de touros permite, ao fazendeiro, aumentar a concentração de vacas.

Diante da situação evolutiva de todos os ramos comerciais e culturais, Mauro S. Ribeiro (1992), afirma que a utilização de técnicas na área rural faz-se na medida em que o homem evolui culturalmente. Portanto, não pode-se esperar objetivos amplos e abrangentes de uma população rural com escassos acessos ao que denomina-se vida moderna. Ainda faltam várias etapas para que se possa utilizar as biotécnicas de reprodução animal de forma correta, econômica, objetiva e geradora de benefícios ao homem rural. Devido a técnica de congelamento de sêmen, o criador pode usar sêmen de touros estrangeiros, sem se preocupar com o preço ou importação bastante acessível, tenso, como ônus, apenas a dose do material fecundado. “Proprietários de reprodutores de alto valor zootécnico podem congelar e comercializar o sêmen de seus reprodutores, obtendo, com isso, bons lucros, bastando, para tal, cumprir as exigências legais” (Becker, 1985, p 20)

Já está provado que o índice de fecundação, através de inseminação artificial, é bem superior ao da monta natural e, com isto, representa um menor custo de produção. Para comprovar-se, basta apenas fazer os cálculos do índice de produção de um terneiro, produzido através de inseminação artificial, e de outro, produzido através de monta natural, levando-se em conta o índice de fecundação, o preço de sêmen, o preço de touros (compra r manutenção), percentagem de nascimento, etc.

2.3 Vantagens Sanitárias

Existe, nos animais, a exemplo com o que acontece com a espécie humana, a ocorrência de doenças venéreas, de transmissão exclusiva pela cópula. São chamadas doenças de reprodução. Na monta natural, a presença de apenas uma vaca ou touro contaminado representa um perigo muito grande, devido a grande facilidade de disseminação de doenças.

Nos programas de inseminação artificial, são usados touros comprovadamente livres de tais doenças, e, mesmo que exista num rebanho uma vaca doente, não há perigo de transmissão paras as outras, pois o material de aplicação de sêmen é individual. A inseminação artificial age como um meio profilático, no rebanho, por não existir o contato direto macho x fêmea.

2.4 Vantagens Sociais

O trabalhador rural, ao concluir um curso de inseminação artificial, é valorizado profissionalmente, obtendo, assim, um mercado de trabalho mais amplo e melhores oportunidades salariais. Além disso, a participação no curso lhe dá a oportunidade de conviver com elementos de zonas diferentes e ter uma maior aproximação com os técnicos.

3. LIMITAÇÕES DA IA

Assim como se pode disseminar as boas características de um reprodutor, pode-se multiplicar características indesejáveis se o reprodutor escolhido possuir defeitos zootécnicos. A questão da higiene do inseminador também é um risco, pois diversas doenças podem ser por ele transportadas (aftosa, brucelose, mamite, tuberculose) . Os órgãos genitais dos animais são muito sensíveis, e se os instrumentos empregados na inseminação estiverem contaminados, o inseminador provocará infecções que podem resultar em abortos, ou mesmo mortes.

4. APARELHO GENITAL DA VACA

O aparelho reprodutor feminino é composto dos seguintes órgãos: ovários, trompas ou ovidutos, útero, vagina e vulva.

Ovários – São duas glândulas localizadas no interior do abdome, que podem variar um pouco em cada espécie animal e também com o estado de prenhez. Possuem a forma ovóide, ligeiramente achatados e medem, em média, 4 x 2, 5 cm. Os ovários produzem os óvulos e hormônios: estrogênio, progesterona e relaxina.

Trompas – Também chamadas de ovidutos, são condutos que unem os ovários aos cornos uterinos, e é o local onde ocorre a fecundação ( encontro do espermatozóide com o óvulo) medem de 15 a 30 cm.

Útero – É um órgão oco, de paredes musculosas e apresenta as seguintes partes: cornos uterinos, corpo do útero e colo do útero. Os cornos uterinos são em número de dois: o direito e o esquerdo e é onde se desenvolve o feto, durante a gestação. O corpo do útero é um cilindro oco, achatado, que se comunica, pela frente, com ambos os cornos e posteriormente com o colo uterino. O colo uterino é a porção mais posterior do útero. Possui as paredes espessas, no seu interior, existe o canal cervical que põe o útero em comunicação com a vagina. O canal cervical possui uma porção de anéis (2 a 4), que são bastante desenvolvidos em vacas que já tiveram muitas crias. A identificação deste órgão é de grande importância para o inseminador, pois o final do canal é onde deverá ser depositado o sêmen, sendo, por isso mesmo, chamado de “alvo do inseminador”. O colo uterino mede mais ou menos 10cm de comprimento, e tanto a sua consistência quanto o seu tamanho variam de acordo com a idade do animal (nas novilhas ele é fino e mole). Varia também com raça.

Vagina – É um órgão tubular, que vai do útero até próximo ao meato urinário. Mede de 25 a 30 cm.

Vulva – É a porção externa do parelho genital feminino. Possui a forma de uma fenda vertical ou oblíqua. É composta das seguintes partes: dois lábios vulvares, duas comissuras, um clitóris e os vestítulo.

5. TÉCNICAS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

Existem diversos métodos conhecidos, muitos dos quais já fora de uso: inseminação vaginal – consiste na deposição do sêmen no interior da cavidade vaginal. Inseminação uterina – deposição no colo uterino. Inseminação intraperitonial – deposição do sêmen no ovário (método usado em aves). Inseminação cervical – consiste na deposição do sêmen no final do canal cervical (exatamente onde termina o colo uterino e inicia o corpo do útero). Esta técnica é, atualmente, a mais usada por apresentar um índice de fecundação superior aos demais. Uma grande vantagem desta técnica é a de eliminar o prejudicial contato do sêmen com a vagina, que pode causar retornos.

4.1 Preparo para a inseminação

A inseminação artificial, por ser um método de reprodução que conta com a participação do homem e de instrumentos, está sujeita a erros por desatenção ou falta de esclarecimento. Em todas as fases, devem ser observados os mínimos detalhes, pois apenas um pequeno descuido pode ser fatal. O preparo das vacas deve ser criterioso, levando-se em conta o seguinte:

Os animais deverão ser preparados com bastante antecedência;
Após reunidos em um mangueira, deverão ser classificados pelo tipo zootécnico e pela idade, devendo ser descartados os velhos e os que reunam condições de promover o melhoramento do rebanho;
O diagnóstico de gestação também deve ser feito;
A tarefa seguinte é a colocação de brincos;
A seguir, faz-se a aplicação de tuberculina e coleta de sangue para o exame de brucelose, eliminando-se da reprodução os que reagirem positivamente para ambos os testes;
Nos restantes, ou seja, os que forem considerados aptos, aconselha-se fazer uma aplicação de ADE e colocá-los em um potreiro com bastante pasto.
Sal mineral e farinha de osso devem ficar à disposição dos animais, permanentemente, e em quantidades que satisfaçam às exigências.

6. CIO

O ciclo sexual é composto de quatro períodos: proestro, estro, metaestro e diaestro. O período de estro é o cio propriamente dito. O cio, na maioria das espécies, é o melhor momento para fecundação, porque nele ocorre a ovulação.

” O sincronizador de cio, controla o ciclo estral, para saber de forma exata qual é o momento de começar o tratamento com hormônios, pra que ocorra a superovulação. Como a natureza animal produz normalmente um óvulo, que corresponderia a um filho, é necessário provocar a ocorrência de vários óvulos em um mesmo cio”. (Becker, 1985, p 26)

A vaca é exceção. Nela, a ovulação ocorre num período de mais ou menos 12 horas após o final do cio, que dura, em média, 18 horas, e se repete a cada 21 dias. Na monta natural, o touro possui instintos que permite reconhecer uma vaca em cio. Em inseminação artificial, o inseminador tem um papel semelhante ao touro para o reconhecimento do cio. Um mau reconhecimento do cio pode levar um trabalho de inseminação a um fracasso total, ocasionando, ao criador, grandes prejuízos (valor do sêmen, material de aplicação, pequena quantidade de terneiros nascidos noa no seguinte, etc.)

6.1 Reconhecimento do cio

O reconhecimento do cio pé de capital importância, pois não basta que uma vaca esteja em cio para ser inseminada. Existe, dentro do período de cio, um momento que é o mais apropriado para a inseminação. Quando uma vaca entra em cio, apresenta uma série de modificações, tanto no seu comportamento, como no aspecto de seus órgãos genitais.

Mudanças no comportamento: inquietação, perda do apetite, monta e deixa-se montar; quando se toca nos órgãos genitais, levanta a cauda; pode emitir sons freqüentes. Outras mudanças: vulva inchada e avermelhada, corrimento de muco, que pode ser abundante em alguns animais e escasso em outros. Este muco deverá ser limpo, sem estrias de sangue ou pus. Na vaca leiteira, pode haver uma queda na produção de leite.

A presença de sangue na vulva, ancas ou cauda é sinal indicativo que o cio já passou. Vaca não menstrua. Este sangue indica que a vaca esteve no cio há três ou quatro dias.

Nos animais estabulados, ou semiestabulados, não há dificuldades em se fazer a identificação do cio. Devido ao contato diário do tratador com o animal, basta apenas a observação individual de cada um. Então, só serão observados os sinais de vulva, perda do apetite, diminuição do leite. Para os animais de campo, geralmente rebanhos com muitos animais, existe um esquema que facilita muito o trabalho, já que é impraticável a observação direta e individual.

O inseminador, acompanhado de dois ou três campeiros, deverá fazer duas recorridas diárias ao rebanho, para identificar apartar as vacas em cio. A primeira pela manhã, das seis às nove horas e, a segunda, das 16h 30 min às 18h 30 min. O sinal que indicará o animal em cio, no campo, é o “deixar-se montar” por outro animal. Este outro animal pode ser uma vaca, um rufião previamente preparado, ou até mesmo um boi manso. Normalmente, a vaca que entra em cio fica inquieta, não pasta e se aproxima de uma companheira, tentando montá-la. Se esta outra não está no cio, ela não aceita a monta, ma, num determinado momento, ela salta sobre a que está em cio, que aceita, tomando as atitudes como se fosse receber a monta de um touro.

Há outro meio de reconhecer animais em cio. Existem dispositivos que são adaptados na garupa das fêmeas. Ao receber a monta, estes dispositivos são comprimidos e mudam de cor, passando do branco para o vermelho. Outro método é o de usar espingardas que lançam cápsulas que, ao contato com o animal, rebentam e derramam uma tinta, marcando.

Ao final de cada período de inseminação o inseminador deverá separar as vacas em cio e colocá-las num potreiro de espera, próximo ao tronco de inseminação. Caso o inseminador e campeiros tenham que separar somente um animal, tarefa esta muito difícil, que provoca muito movimento no gado, em geral, aconselha-se a usar duas ou três vacas mansas que irão servir de sinuelo. isto facilita o trabalho de aparte evitando aquela intensa movimentação, muito prejudicial as vacas que irão ser inseminadas.

Os animais deverão ser conduzidos com calma, sem gritos ou correrias. Em fim, devem ser evitadas quaisquer situações que poderão deixar os animais inquietos. A presença de cachorro é altamente prejudicial ao bom andamento do trabalhos.

A vaca que vai ser inseminada deverá ser contida, de modo que ofereça segurança tanto para ela quanto pra o inseminador. Se ela estiver se negando a entrar no brete, aconselha-se a meter, na sua frente, uma vaca mansa, de modo que quando ela estiver presa veja a que está a sua frente. Caso o tronco de contenção não possua tesoura, aconselha-se a não prender a cabeça do animal com corda, pois deixa-o inquieto.

6.2 Horário de Inseminar

A finalidade da inseminação é promover o encontro do espermatozóide com o óvulo, objetivando a fecundação. Por isso, ela deve ser realizada no momento apropriado, para que se dê realmente o encontro. Sabe-se que a vaca ovula mais ou menos doze horas após o término do cio; que o óvulo dura, aproximadamente 6 horas e que o espermatozóide dura 24 horas. Está comprovado que o melhor momento para inseminar uma vaca é nas última dez horas do período de receptividade e nas 10 primeiras após o término do cio. Porém, como não se pode precisar o início do período de receptividade, adota-se a seguinte regra prática:

As vacas identificadas em cio, pela manhã, serão inseminadas na tarde do mesmo dia;
As vacas identificadas em cio pela tarde serão inseminadas na manhã seguinte.
As vacas de leite devem ser inseminadas antes da ordenha. Sempre que houver necessidade de banhos carrapaticidas ou vacinas deve se evitar faze-los no mesmo dia da inseminação. Também todos os trabalhos preparativos (colocação de brincos, teste de brucelose e tuberculose) deverão ser feitos com bastante antecedência.

7. APRESENTAÇÃO DO SÊMEN

O sêmen após coletado, é especialmente preparado para ser congelado. Os métodos de congelamento são quase perfeitos e os espermatozóides não são prejudicado. Após congelado, o sêmen é armazenado a uma temperatura de –196°C. A apresentação do sêmen congelado é maneira como ele está acondicionado. Existem atualmente, quatro formas: pellets, palhetas, ampola e minitubo.

Pellets: é o sêmen, não possuindo embalagem. Este tipo está sendo substituído por outros três tipos, que serão vistos a seguir. A vantagem que apresenta é o baixo custo de produção e simplicidade no método de congelamento, que pode ser feito até mesmo nas fazendas. Apresenta as seguintes desvantagens: não possui embalagem, o que dificulta a identificação e facilita a contaminação; dificulta acondicionamento, pois, para uma pequena quantidade de sêmen é necessário um canister inteiro para guardá-lo; necessita de esterilização de tubos de hemólise e outros instrumentos, prática esta muito difícil de se conseguir com perfeição; nas fazendas, necessita-se de diluidor. Sua aplicação é feita com pipeta e bulbos plásticos.

Ampolas: como o próprio nome diz, vêm acondicionado em ampolas, cujos dados de touro e sêmen vêm impressos na própria ampola. Também é aplicado com pipeta e bulbos plásticos.

Palhetas: O sêmen em palhetas é o que vêm acondicionado em canudinhos plásticos, semelhante a um carga de caneta esferográfica. A palheta também contém impressos os dados do sêmen. Sua aplicação é feita com pistola metálica, protegida com uma bainha plástica. É o melhor método. Não há perigo de contaminação. O sêmen sai da palheta diretamente para o útero da vaca. A sua grande vantagem é a cor da palheta, identificando a raça.

7.1 Armazenamento do sêmen

Todo o sêmen congelado, seja ele em palhetas, pellets, ou ampolas, deverá ser armazenado em recipientes especiais, denominados botijões. Estes botijões deverão conter nitrogênio líquido, cuja temperatura normal é de –196° C. Estes aparelhos são construídos com material especial, possuem parede dupla e entre elas, existe vácuo e um material isolante térmico. Qualquer batida poderá quebrar o equilíbrio entre a s duas paredes do aparelho.

7.2 Descongelação de ampolas

Coloque água e pedras de gelo num recipiente de isopor, aguardando alguns minutos pra a água ficar numa temperatura em torno de zero graus centígrados.

Retire a ampola da haste e coloque rapidamente dentro d’água. Em seguida formará uma crosta de gelo em torno da ampola, que deverá ser removida com as unhas sem retirar a ampola da água.

Em aproximadamente cinco minutos a ampola estará descongelada; retire-a da água e seque com papel toalha.

Com um cortador de ampolas, arranha o gargalo da ampola após quebre-o . a seguir com a pipeta e o bulbo aspire o sêmen contido na ampola e imediatamente inicie a inseminação.

8. DEPOSIÇÃO DO SÊMEN NO APARELHO GENITAL

Na execução da inseminação artificial deve ser obedecida a seguinte ordem:

Introduza a mão no reto e localize o colo do útero; agarre-o firme, mas em apertar com muita força.
O auxiliar limpa a vulva com papel toalha.
Com o auxiliar abrindo os lábios vulvares, introduza na vagina a pipeta ou o pistolete com a ponta anterior levemente dirigida para cima.
Distenda o colo para frente (em direção a cabeça da vaca) para desmanchar as pregas vaginais, bem como o fundo do saco vaginal.
Sempre distendendo o colo para frente, vá introduzindo a pipeta ou o pistolete procurando localizar sua ponta anterior na abertura do colo.
Faça pressão com a pipeta ou o pistolete para a frente enquanto traz o colo para trás com leves movimentos para facilitar e entrada da pipeta no canal do colo.
A seguir, ultrapasse os anéis do colo, exercendo uma pressão constante, para frente, da pipeta enquanto traciona o colo para trás com leves movimento rotativos.
A seguir puxe um pouco para trás a pipeta, pois o local de deposição do sêmen situa-se no final do colo.

9. LIMPEZA DO MATERIAL

Os tubos de hemólise devem ser lavados com água corrente após o término de cada inseminação.

Quando tiver diversos tubos já usados, lavar novamente com água corrente e sabão de coco ou glicerina. Enxaguar com água limpa em abundância (se tiver água destilada, melhor). Usar escovas próprias para lavar os tubos.

Enrolar cada tubo, individualmente em papel toalha, levar ao forno ou estufa e deixar secar até que o papel toalha fique bem quebradiço (no mínimo 20 minutos).

Jamais use duas vezes um mesmo tubo sem lavar e esterilizar.

10. CONCLUSÃO

Com a apresentação deste trabalho, pode-se concluir que a inseminação artificial apresenta somente vantagens como, evitar doenças, maior proporção de fecundação, qualidade em raça e muitas outras.

Todas essas vantagens englobam em um complexo que, só tende a lucros para os criadores de médio e alto porte. Já os pequenos não têm acesso à maioria delas, o que faz cair muito a qualidade de mercado.

As técnicas de inseminação apresentadas devem ser analisadas, pois alguns descuidos do inseminador podem causar prejuízos ao pecuarista. Dentre as técnicas, a introdução do sêmen no útero da vaca, como visto, só tende a trazer vantagens, como eliminar o contato do sêmen com a vagina, podendo causar retornos.

Com a evolução e o crescimento da criação do gado leiteiro, esse mercado de inseminação tende a aumentar ainda muito; isso só vem a trazer benefícios, como o declínio do preço de inseminações de boa qualidade.

Conclui-se então, que boas inseminações são serão mais privilégios de poucos, mas sim necessidade de muitos que visam uma cabanha com melhoramento genético e uma alta produção de leite.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Olavo. Investimento em Genética. A Granja, São Paulo, nº 526, p.32-8, jun. 1992.

BECKER, Adyr Soares. Pesquisas mostram quais os melhores cruzamentos. A Granja, São Paulo, nº449, p.16-23, jun. 1985.

MEINCKE, Werner. Vantagens e limitações da IA. A Granja, São Paulo, nº456, p.30, dez. 1985.

RIBEIRO, Mauro Santos. Como se produz leite de primeiro mundo. A Granja, São Paulo, nº 543, p.45-8, jun. 1992.

RODRIGUES, José Luiz. Conheça a melhor forma de qualificar o rebanho. A Granja, São Paulo, nº 453, p. 20-9, out. 1985.

MULTIPLICAÇÃO sem milagres nem mistérios. A Granja, São Paulo, nº520, p.22-6, nov.

1991.

LEPTOSPIROSE

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Autor: Vanessa Bottoni

A leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose (doença de animais) que ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Acomete o Homem e os animais.

Agente Etiológico: o gênero Leptospira é um dos componentes da família dos Espiroquetídeos, onde estão reunidos os microrganismos com morfologia filamentosa, espiralados, visualizados apenas pela microscopia de campo escuro e de contraste de fase, com afinidade tintorial pelos corantes argênticos. Nesse gênero aceita-se atualmente a existência de duas espécies: L.interrogans e L.biflexa, as quais reúnem, respectivamente, as estirpes patogênicas e aquelas saprófitas de vida livre, encontradas usualmente em água doce de superfície.A diferenciação em espécie apoia-se nas características de crescimento em meios de cultivo enriquecidos; no entanto, do ponto de vista taxonômico, as características antigênicas decorrentes de antígenos de parede, com natureza lipoproteica, possibilitam as diferenciações sorológicas que superam a cifra de 200 exemplares para a espécies L. interrogans, as quais com base em relações antigênicas são reagrupadas em sorogrupos.

Transmissão

A leptospirose é primariamente uma zoonose. Acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interrogans junto com a urina.

O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos. A L. interrogans multiplica-se nos rins desses animais sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. O homem é infectado casual e transitoriamente, e não tem importância como transmissor da doença. A transmissão de uma pessoa para outra é muito pouco provável.

A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive no solo úmido ou na água, que tenham pH neutro ou alcalino. Não sobrevive em águas com alto teor salino. A L. interrogans penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita a penetração, que pode ocorrer também através da pele íntegra, quando a exposição é prolongada.

Sinais Clínicos

A maioria das pessoas infectadas pela Leptospira interrogans desenvolve sintomas discretos ou não apresenta manifestações da doença. As manifestações da leptospirose, quando ocorrem, em geral aparecem entre 2 e 30 dias após a infecção (período de incubação médio de dez dias). Os sintomas são muito variados:

vômitos
dor de cabeça
calafrios
febre elevada
fraqueza
dores musculares, principalmente na barriga da perna
coloração amarelada da pele
alteração de volume urinário
hemorragias na pele e mucosas
A infecção humana varia muito em gravidade, desde formas subclínicas até as formas graves ou fatais. Qualquer sorovar pode causar a forma grave ou branda. A doença, na maioria dos casos, se inicia abruptamente com febre, mal-estar geral e cefaléia, descrevendo-se duas formas clínicas, anictérica e ictérica.

Medidas de Controle

Vários fatores interagem na ocorrência de um caso de leptospirose, portanto, as medidas de controle deverão ser direcionadas não só ao controle de roedores (medidas de anti-ratização e desratização), como também à melhoria das condições higiênico-sanitárias da população e alterações do meio ambiente. Entre as principais medidas de controle da leptospirose destacam-se:

controle da população de roedores por meio de medidas de anti-ratização e desratização;
redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou situação de risco;
medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a risco, através do uso de roupas especiais, luvas e botas;
uso de sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés representam alguma proteção, quando for possível usar luvas e botas;
limpeza e desinfecção com hipoclorito de sódio de áreas físicas domiciliares ou que não estejam contaminadas;
utilização de Agua filtrada, fervida ou clorada para ingestão;
vigilância sanitária dos alimentos, descartando os que entraram em contato com águas contaminadas;
armazenagem correta dos alimentos em locais livres de roedores;
armazenagem e destino adequado do lixo, principal fonte de alimento e abrigo do roedor;
eliminar entulho, materiais de construção ou objetos em desuso que possam oferecer abrigo a roedores;
desassoreamento, limpeza e canalização de córregos;
construção e manutenção permanente das galerias de águas pluviais e esgoto em áreas urbanas;
emprego de técnicas de drenagem de águas livres supostamente contaminadas;
ações permanentes de educação em saúde alertando sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção, manifestações clínicas, tratamento e controle da doença;
em caso de suspeita clínica, procurar orientação médica, relatando a história epidemiológica nos vinte dias que antecederam os sintomas ;
a critério médico, poderá ou não ser indicado o uso de antibioticoterapia em casos de exposição de alto risco;
tratamento de animais doentes, com especial atenção para o uso de procedimentos terapêuticos que sustem a eliminação urinária de leptospiras;
vacinação de animais (caninos, bovinos e suínos) através do uso de bacterinas preparadas com as variantes sorológicas prevalentes na região; e
higiene, remoção e destino adequado de excretas animais e desinfecção permanentes dos canis ou locais de criação de animais.

Leptospirose Animal

A leptospirose é uma zoonose na qual os animais são hospedeiros primários, essenciais para a persistência dos focos da infecção, e os seres humanos são hospedeiros acidentais, terminais, pouco eficientes na perpetuação da mesma. Esses fatos ressaltam a importância do direcionamento das ações preventivas para os animais vertebrados que se comportam como reservatórios de leptospiras. O impacto da leptospirose em termos da saúde pública reflete-se no alto custo do tratamento dos seres humanos acometidos com letalidade da ordem de 5% a 20%. No entanto, quanto à saúde animal, as conseqüências dessa infecção são particularmente da esfera econômica, tendo em vista o envolvimento de bovinos, eqüinos, suínos, caprinos e ovinos, espécies animais produtoras de alimentos nobres como a carne, o leite, e ainda de produtos de interesse industrial, tais como a lã e o couro. A leptospirose animal representa, portanto, um ponto de preocupação para os profissionais envolvidos com a saúde animal e saúde pública. A melhoria das ações de controle voltadas aos animais refletirá na diminuição do nível de contaminação ambiental e, conseqüentemente, na redução do número de casos humanos da doença.

Agente Etiológico: o agente etiológico da leptospirose animal é o mesmo da leptospirose humana. Cada sorovar tem o(s) seu(s) hospedeiro(s) preferencial(ais), porém uma espécie animal pode albergar um ou mais sorovares.

Aspectos Epidemiológicos da Leptospirose Animal: as leptospiras podem hospedar-se em diversos grupos de animais vertebrados; no entanto, os mamíferos são os que, na atualidade, apresentam maior significado epidemiológico. Inquéritos conduzidos em ecossistemas silvestres, não modificados pela ação humana, referem a presença da infecção em roedores, marsupiais, carnívoros e edentados. No entanto, em ecossistemas rurais e urbanos, o principal reservatório de leptospira é constituído pelos roedores sinantrópicos, entre os quais o Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), que ocupa no mundo todo uma posição de destaque. Saliente-se que, neste grupo de animais, a relação hospedeiro- parasita revela uma condição de equilíbrio na qual os animais acometidos, usualmente, não exteriorizam nenhum sinal da infecção.

Modo de Transmissão: a penetração da leptospirose ocorre ativamente através de mucosas (ocular, digestiva, respiratória, genital), da pele escarificada e inclusive da pele íntegra, como ocorre quando da permanência por tempo prolongado em coleções de água contaminada. A eliminação da leptospira ocorre através da urina, de forma intermitente, podendo persistir por períodos de tempo de longa duração, variáveis com as espécies animais e a variante sorológica da leptospira envolvida; nos roedores, a presença de leptospira pode ser registrada permanentemente na urina. Devido à uretra constituir-se na via comum para eliminação de urina e sêmen, é possível que este último também venha a ser contaminado por leptospiras o que torna possível a transmissão venérea por leptospirose animal, tanto pela monta natural, como através da inseminação artificial.

Aspectos Clínicos: dentre os animais de produção, explorados em ecossistemas rurais, as manifestações clínicas mais freqüentes atingem a esfera reprodutiva, incluindo o abortamento, usualmente no terço final da gestação. Em algumas oportunidades, as reprodutoras atingidas podem apresentar infertilidade ou mesmo esterilidade. O nascimento de produtos a termo debilitados evoluem para o óbito nos primeiros dias de vida, é também outra manifestação da infecção. Alguns sinais em particular podem ser observados de acordo com a espécie animal e em determinadas faixas etárias. Em suínos jovens, durante a fase de aleitamento, podem ocorrer quadros de encefalite por leptospiras, que se manifestam por incoordenação motora e acessos convulsivos com movimento de pedalamento. Em bezerros jovens, pode ser observado um quadro febril com icterícia e hemoglobinúria, o qual solicita o estabelecimento de um diagnóstico diferencial com a tristeza parasitária (infecção por hematozoários). Em vacas adultas das raças com aptidão leiteira, pode haver a infecção da glândula mamária e o quadro clínico é o de uma mastite atípica, com sensível diminuição da secreção láctea, úbere flácido e o leite manchado por coágulos de sangue. Nos eqüinos as manifestações clínicas mais freqüentemente associadas à leptospirose são o comprometimento do globo ocular com o aparecimento de uma conjuntivite recidivante, que pode evoluir para a cegueira, caso não seja introduzido o tratamento adequado, abortamento esporádico e infertilidade. Dentre os animais de companhia mantidos nas áreas urbanas junto ao domicílio humano, a leptospirose pode acometer o cão doméstico, provocando quadros febris com sinais variáveis de hemorragias, icterícia e uremia com alto grau de letalidade e óbito decorrente das insuficiências hepática e renal. As fontes de infecção animal podem ser sumarizadas em doentes, portadores convalescentes e os portadores sadios. Através dos animais portadores, ocorre a persistência dos focos de leptospirose, devido à longa duração desta condição (meses ou anos) e à ampla facilidade de deslocamento que pode ser oferecida a estes animais, uma vez que os mesmos não revelam nenhum sinal da infecção.

Diagnóstico: o diagnóstico da leptospirose animal deve apoiar-se na integração dos informes clínicos-epidemiológicos com os dos resultados dos exames laboratoriais. A confirmação definitiva da infecção assenta-se na demonstração da presença do microrganismo ou dos anticorpos específicos. A soroaglutinação microscópica é o procedimento laboratorial mais amplamente empregado para o diagnóstico etiológico da infecção animal. Outros métodos são dispendiosos, de resultado demorado, aplicando-se apenas a casos individuais e ou animais de alto valor estimativo ou econômico.

SITES:

WWW.cives.ufrj.br

WWW.santalucia.com.br

www.saude.sp.gov.br

www.funasa.gov.br

www.etudo.com.br

PICORNAVÍRUS E A FEBRE AFTOSA

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Autor: Luiz Adolfo Vargas de Oliveira

PICORNAVÍRUS

CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES

Os picornavírus representam uma imensa família de vírus com relação ao número de membros, mas é uma das menores em relação ao tamanho dos vírions. Esta família engloba 2 grupos principais: os enterovírus e os rinovírus.

Muitos picornavírus provocam doenças em seres humanos, como a paralisia (incompleta e reversível), hepatite, lesões cutâneas, doenças respiratória, conjuntivite, etc.

Os enterovírus de origem humana incluem os seguintes tipos: poliovírus (3 tipos – poliomielite), vírus Coxsackie A (23 tipos – meningite), vírus Coxsackie B (6 tipos – meningite), vírus echo (34 tipos – diarréia). Enterovírus também são encontrados em muitos animais, inclusive em gado bovino, suínos e camundongos, causando, por exemplo, febre aftosa. Os rinovírus humanos incluem mais de cem tipos antigênicos, incluindo o resfriado comum. Incluem ainda como hospedeiros os equinos e os bovinos.

Os enterovírus são habitantes temporários do trato alimentar humano e podem ser isolados da garganta ou das porções baixas do intestino. Por outro lado, os rinovírus são isolados sobretudo em material da garganta e do nariz.

O vírion dos enterovírus e dos rinovírus consiste em um capsídeo com 60 subunidades, cada qual com quatro proteínas (VP1 a VP4) dispostas em simetria icosaédrica em torno de um genoma constituído por um filamento único de RNA de sentido positivo. As três maiores proteínas virais (VP1-VP3) estão envolvidas com neutralização de infecção viral. Os enterovírus são estáveis em pH ácido durante uma a três horas, porém são termolábeis. Os rinovírus são termoresistentes e acido-lábeis. No quadro um encontramos propriedades importantes dos picornavírus.

Quadro 1

Vírion: Icosaédrico (lhe confere estabilidade), cerca de 27 nm de diâmetro, contém 60 subunidades;

Composição: 30% RNA e 70% proteína;

Genoma: RNA de filamento único, linear, de sentido positivo (funciona como RNA-m), infectante;

Proteínas: Proteínas superficiais VP1 e VP3 são os principais locais de ligação de anticorpo. A VP4 está associada com RNA viral;

Envoltório: Nenhum;

Características notáveis: A família é constituída por muitos membros que infectam seres humanos e animais, provocando várias doenças.

FEBRE AFTOSA (AFTOVÍRUS DO GADO)

CONCEITUAÇÃO E HISTÓRICO

A febre aftosa é uma doença de animais, aguda e contagiosa, também chamada aftosa. É conhecida desde 1514, quando foi descrita pela primeira vez com um surto ocorrido na Itália. No Brasil foi constatada pela primeira vez em 1896 em MG. Dentre as várias espécies sensíveis, as mais atingidas são a bovina e a suína, mas também ovinos e caprinos, além de vários animais selvagens. Nos equídeos ocorre uma doença com sintomatologia idêntica: trata-se da aftosa dos cavalos. É endêmica no México e Canadá e rara nos EUA.

SINAIS CLÍNICOS

No homem, se caracteriza por febre, salivação e vesiculação das muscosas da orofaringe e da pele nas regiões palmares e plantares, e dos dedos das mãos e dos pés. Nos animais, caracteriza-se por estado febril inicial, seguido por erupção vesicular, que se localiza nas membranas mucosas e na pele, particularmente na cavidade bucal, tetas e espaço interdigital.

Na camada epitelial da língua, o vírus provoca aparecimento de um ou várias vesículas (aftas). Das vesículas, o vírus passa para o sangue, provocando viremia, que se caracteriza por acentuada elevação de temperatura. O sangue distribui o vírus por todo o organismo, localizando-se preferencialmente no epitélio das mucosas e da pele, onde aparecem as vesículas secundárias. A mucosa da cavidade bucal, a língua, as tetas e o tecido interdigital são os pontos de eleição do vírus. O período de incubação (estado oculto) varia de 2 a 7 dias. Nas figuras A, B, C, D e E observamos os sintomas.

O AGENTE CAUSADOR E FATORES QUE O INATIVAM

A aftosa é causada por um enterovírus, como foi demonstrado em 1897, um dos menores que se conhece, medindo 23nm, sendo ácido-lábil. Existem pelo menos 7 tipos: O, A, C, SAT1, SAT2, SAT3 e Ásia1, sendo os 3 primeiros clássicos com ocorrência no Brasil, e os outros exóticos. Ainda existem mais de 50 subtipos (ocorrência rara).

Os principais fatores para conservação ou destruição do vírus aftoso são: dessecação, temperatura e pH. Este vírus, a 37°C resiste de 4 a 5 dias. A 55°C é destruido de 15 a 40 minutos e a 100°C, morre instantaneamente. Em pH ácido, é destruído rapidamente. O pH ideal está entre 7 e 7,5.

TRANSMIÇÃO

Esta doença pode ser transmitida ao homem por contato ou ingestão. Os animais adquirem a doença, via de regra, por contato com a saliva dos doentes, que contamina a água e as forragens. De grande importância também são os animais portadores, que continuam eliminando o vírus ativo por um período que varia de acordo com a espécie. A aftosa pode ser transmitida ainda pelos ordenhadores e pessoas que cuidam de animais doentes e sadios.

CONSEQUÊNCIAS DA AFTOSA

As sequelas deixadas são de gravidade variável e contribuem para diminuir consideravelmente o valor econômico dos animais. O vírus pode lesar o músculo cardíaco resultando em redução da capacidade de trabalho. As lesões de úbere provocam redução ou parada da produção láctea, além de se tornarem maus produtores de carne. Como consequência das lesões do casco pode surgir um processo supurativo que atinge as articulações mais próximas, fazendo com que o animal pise com mais dificuldade.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico clínico baseia-se no aparecimento de uma infecção febril, que atinge vários animais ao mesmo tempo, disseminando-se rapidamente no rebanho, acompanhado de lesões vesiculares na cavidade bucal, teta e espaços interdigitais. O diagnóstico laboratorial é feito a partir de coleta do epitélio lingual ou dos pés.

PROFILAXIA

Os métodos de controle da doença são ditados pela sua elevada contagiosidade e pela resistência do vírus à inativação. No Brasil o método mais eficiente é a vacinação sistêmica das espécies a cada 4 meses e alguns cuidados devem ser tomados, como limpeza regular e ventilação dos estábulos, alimentos de fácil mastigação, limpeza bucal com soluções adstringentes e anti-sépticos (água com limão ou vinagre), as ulcerações do casco devem ser tratadas e desinfetadas. Nos EUA, todos os animais expostos são sacrificados e suas carcaças destruídas. Uma quarentena rigorosa é estabelecida, e a área não é considerada segura até que todos os animais suscetíveis não apresentem sintomas durante 30 dias. Outro método é a quarentena do rebanho e a vacinação de todos os animais não afetados. Outras nações proibem a importação de material potencialmente infectante, como carne fresca, e a doença foi eliminada em tais regiões. Mesmo assim, aves migratórias podem desempenhar o papel de carreadores do vírus. Deve-se proteger o rebanho cerca de dois a três meses antes do aparecimento presumível do surto epizoótico (surto que ataca mesmos animais), procedendo-se à inoculação da vacina em animais acima de três meses. A imunidade se estabelece cerca de 14 dias após a vacinação, período em que eles devem ser poupados de qualquer esforço. A duração da imunidade é de 4 a 6 meses.

IMUNIDADE E VACINAS

A imunidade após a infecção é satisfatória, porém passageira. A doença pode ocorrer no mesmo rebanho mais de uma vez por ano, em virtude da infecção por tipos ou subtipos diferentes.

As vacinas tratadas por formol foram preparadas por vírus cultivados em cultura no tecido da língua dos bovinos. Elas não produzem imunidade duradoura sendo necessárias inoculações frequentes de reforço. A vacina consagrada com maior experiência no campo é a de Schmidt-Waldmann, preparada com vírus proveniente da língua de bovinos, inativado pelo formol.

BIBLIOGRAFIA

Microbiologia Médica Jawetz, Ernest – Guanabara Koogan, 18ª ediçao;

Biologia Celular e Molecular Junqueira, L.C. e Carneiro, J. – Guanabara Koogan, 5ª edição

Bacteriologia e Imunologia Bier, Otto – Editora Melhoramentos, 14ª edição

Clínica de Doenças Tropicais e Infecciosas Meira, Domingos Alves – Editora Interlivros, 1ª edição

TOXOPLASMOSE

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Autor: Carlos Alexandre Oelke

INTRODUÇÃO

A toxoplasmose ocorre em animais de estimação e produção incluindo suínos, caprinos, aves, animais silvestres, cães, gatos e a maioria dos vertebrados terrestres. A infecção é muito comum em animais, sendo uma importante causa de aborto e morte neonatal em ovelhas, cabras e porcos, os quais são igualmente suscetíveis à infecção, causando desta maneira perdas econômicas. O T.gondii, apesar de infectar com freqüência o homem, causa geralmente doença benigna, pois raramente causa distúrbios no seu hospedeiro.

Para se ter um dimensionamento desta doença, cerca de 4.100 das 4,1 milhões de crianças nascidas nos Estados Unidos todo ano, apresentam infecção congênita, sendo que a maioria não mostra sinais clínicos ao nascer, mas apresentam alguma seqüela no decorrer da vida. Na região metropolitana de São Paulo, Brasil, estima-se que devam nascer cerca de 230 a 300 crianças infectadas por ano. Na França e Áustria a incidência de toxoplasmose congênita é de 3-4 casos por cada 1000 nascimentos e no Reino Unido foram descritos 91 casos entre 1975 e 1980.

Outros grupos afetados pela toxoplasmose são pacientes imunocomprometidos, como aqueles portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS), transplantados e pacientes com câncer. A toxoplasmose em pacientes com AIDS causa muitas vezes lesões no sistema nervoso central. Nos transplantados, devido à imunossupressão, também pode ocorrer à reativação dos cistos ou infecção primária nos órgãos transplantados. Nos Estados Unidos na primeira década da epidemia de AIDS, 20.000 a 40.000 pacientes infectados com HIV apresentaram as formas clínicas da toxoplasmose.

Apesar da toxoplasmose ocorrer numa variedade grande de animais, é o gato que tem papel fundamental na proliferação dessa doença, pois ele esta relacionado com a produção e eliminação dos oocistos (ovos) e perpetuação da doença. Ele ingere os cistos que estão nos tecidos dos ratos, lagartixas, pássaros e baratas, e passa a eliminar nas fezes os ovos (oocistos). Estes ovos tem que esporular no meio ambiente antes de se tornarem infectantes; este processo demora de um a cinco dias após a excreção, dependendo da temperatura e umidade do meio ambiente.

TOXOPLASMOSE

Sinônimo:

Doença do gato.

O que é a Toxoplasmose?

Toxoplasma gondii (T. gondii) é um protozoário, parasita intracelular obrigatório, pertencente ao filo Apicomplexa, classe Sporozoa, subclasse Coccidia e ordem Eucoccidia e que pode infectar o homem e uma ampla variedade de animais domésticos e selvagens, os protozoários deste filo caracterizam-se por apresentar o Complexo Apical, estrutura responsável pelos processos de invasão celular, outros representantes do filo são Plasmodium spp, Cryptosporidum spp, Isospora spp, Sarcocystis spp e Babesia spp. O T. gondii foi primeiramente descrito por NICOLLE & MANCEAUX (1908), em um roedor (Ctenodactylus gundi) na África do Sul e inicialmente foi denominado de Leishmania gondii, sendo posteriormente classificado como Toxoplasma gondii (NICOLLE & MANCEAUX, 1909). No Brasil, Splendore em 1908 também isolou o parasita em um coelho de laboratório em São Paulo. Apesar de ter sido isolado já no começo do século, apenas na década de 70 é que foram descritos a sua natureza coccidiana, bem como os seus hospedeiros definitivos e intermediários (FRENKEL et al., 1970). A toxoplasmose é causada pelo Toxoplasma gondii, agente que acomete uma infinidade de espécies, incluindo os mamíferos, répteis, anfíbios e aves (FRENKEL et al., 1970) sendo considerada uma das parasitoses mais freqüentes no homem (FRENKE, 1990) e nos animais homeotérmicos (APTL, 1973).

A infecção nos humanos é assintomática em 80 a 90 % dos casos, isto é, não causa sintomas, e pode passar desapercebida naqueles pacientes cuja imunidade é normal. As defesas imunológicas da pessoa normal podem deixar este parasita “inerte” no corpo (sem causar dano algum) por tempo indeterminado.

No entanto, quando esta pessoa tornar-se imunodeprimida (com as defesas imunológicas diminuídas) por qualquer razão (AIDS, secundária a remédios usados para transplantados ou mesmo após uma doença muito debilitante) os sintomas e a doença toxoplasmose pode se manifestar.

Outro período particularmente de risco para se adquirir a infecção é durante a vida intra-uterina, da gestante para o feto (transmissão vertical). Nesta podendo ocorrer:

Abortamento
Crescimento intra-uterino retardado (o feto cresce menos que o normal)
Morte fetal (morte após 20 semanas de gestação)
Prematuridade (nascimento antes de 37 semanas)
Malformações diversas: microftalmia (olhos pequenos), micro-encefalia (cabeça pequena), hidrocefalia, retardo mental, pneumonite, hepato-esplenomegalia (aumento com alteração da função do fígado e do baço), lesões de pele e calcificações dentro do cérebro.

Ciclo evolutivo

Este agente apresenta um ciclo vital complexo com múltiplos hospedeiros (Figura 1). Os felinos em geral são os hospedeiros definitivos de T.gondii, sendo que estes podem se contaminar pelas três formas infectantes do parasita: taquizoítos, presentes nas células infectadas; bradizoítos, presentes em cistos teciduais; e esporozoítos, liberados pelos oocistos. Os parasitas então se reproduzem sexuadamente nas células epiteliais do intestino dos felinos, liberando oocistos em suas fezes, estrutura essa que é muito resistente às condições ambientais e a agentes químicos.

Nos demais animais que funcionam como hospedeiros intermediários, a contaminação ocorre principalmente através da ingestão de alimentos ou água contaminados com oocistos. Nestes hospedeiros, as formas do parasita encontradas são taquizoítos, formas assexuadas invasivas de rápida multiplicação, ou bradizoítos, de lenta proliferação encontradas no interior dos cistos teciduais na infecção crônica, persistindo nas células dos hospedeiros por longos períodos, sendo outra fonte de infecção.

O homem pode adquirir a infecção pela ingestão de carne de outros hospedeiros intermediários contaminados como aves, porcos, ovelhas e cabras ou pela ingestão de oocistos através da água ou alimentos mal lavados contaminados com fezes de gatos.

Ocasionalmente, esta transmissão pode ocorrer via taquizoítos através de transfusão de hemoderivados e principalmente através da placenta em mães primoinfectadas.

A morfologia do T.gondii depende da forma analisada. Basicamente, o agente é nucleado, apresenta a maioria das estruturas constitutivas de uma célula eucariota, como mitocôndrias, complexo de Golgi e lisossomos. Caraterístico do gênero é o complexo apical, formado por conóide, roptrias e micronemas, responsável pela formação do vacúolo parasitóforo na célula hospedeira (Figura 2). Apresenta um citóstoma na sua face lateral e organelas especiais, denominadas apicoplastos, que são aparentemente destinadas a reservas de energia. Estas estruturas são mantidas na maior parte das formas de divisão assexuada, como taquizoítos (formas de multiplicação rápida), bradizoítos (formas de multiplicação lenta em cistos) e esporozoítos (formas liberadas de oocistos).

Taquizoítos

É a forma de proliferação rápida, facilmente encontrada em líquidos biológicos. Sua forma é de arco, em um dos pólos, mais afilado, encontra-se o complexo apical, composto por róptrias, micronemas, conóide e anel polar, e outro polo, mais arredondado, geralmente apresenta o núcleo.

O taquizoíto apresenta ainda uma película, composta por três membranas. O complexo apical está relacionado com o processo de invasão do parasita. Dentre as inúmeras proteínas contidas nas róptrias, a principal é a ROP-1 ou PEF, é capaz de promover a penetração do agente em células hospedeiras na presença de cálcio.

Cistos

É a forma de resistência nos tecidos, são geralmente encontrados nos músculos cardíacos e células do sistema nervoso. Esses cistos podem conter de 10 a centenas de bradizoítos.

Como resistência aos agentes usuais de esterilização, os bradizoítos e seus cistos são mortos se congelados a –20°C, aquecidos a 65°C ou submetidos à radiação ionizante.

Esporozoítos (oocistos)

É a forma infectante produzida no intestino do gato. Após sua maturação, é viável por muitos meses e até anos, sendo muito resistentes a esterilizantes químicos. Resistente há 1 hora em tintura de iodo 2%, solução sulfocrômica, etanol a 95%, amônia líquida, hidróxido de sódio e ácido hipocloroso a 10%, 24 horas em formalina 10%, em uréia e dessecamento.

Eliminado pelas fezes do hospedeiro definitivo, ele contém em seu interior dois esporocistos, com quatro esporozoítos em cada um, a maturação ocorre no meio exterior, em período que dura de um a cinco dias, surgindo então capacidade infectante. O oocisto de T.gondii, quando depositado, esporulados na superfície do solo, podem permanecer viáveis cerca de um ano, se a temperatura não ultrapassar 37°C.

Fezes de gatos contendo oocistos de toxoplasma, enterrados após sua eliminação por gatos, permitiram sobrevivência dos oocistos por período de até 18 meses. Por outro lado, quando as fezes são depositadas no assoalho de residências, situação que pode ocorrer em ambientes urbanos, onde há pouca disponibilidade de solo natural para os gatos, os oocistos podem manter-se
viáveis por 3 meses, se não houver exposição direta à luz solar. T.gondii é capaz de invadir e se multiplicar dentro de todas as células nucleadas de mamíferos, hemácias nucleadas de aves, eritrócitos imaturos de mamíferos, cultura de células de peixes e insetos, podendo ser facilmente mantido em diversas culturas celulares ou passagens por animais.

O tratamento (sulfa e pirimetamina) consegue controlar as formas de rápida proliferação (taquizoítos), mas não existe nenhuma droga que consiga eliminar os cistos teciduais latentes em humanos e animais, e estes se mantém viáveis por longos períodos podendo reativar a infecção.

Como se adquire a doença?

Por ingestão de cistos presentes em dejetos de animais contaminados, particularmente gatos, que podem estar presentes em qualquer solo onde o animal transita. Mais comum no nosso meio.
A contaminação no homem acontece principalmente devido ao consumo de leite em natura (sem pasteurização), fundamentalmente de cabra e de vaca, carne de coelho, carne crua ou mal cozida, de boi e principalmente de suíno, salsichas, lingüiças que não são fiscalizadas (aquelas trazidas do interior, feitas artesanalmente), água contaminada em lugares onde não há saneamento básico.
Por transmissão intra-uterina da gestante contaminada para o feto (vertical).
Uma quarta forma de transmissão pode ocorrer através de órgãos contaminados que, ao serem transplantados em pessoas que terão que utilizar medicações que diminuem a imunidade (para combater a rejeição ao órgão recebido), causam a doença.

Quais são os sintomas?

Precisa-se fazer distinção entre:

pessoas “imunocompetentes” (com imunidade normal), e
pessoas “imunodeprimidos” (com a imunidade diminuída).
Naquelas pessoas que possuem a imunidade preservada ocorrem sintomas somente em 10% dos casos. Nestes casos a principal manifestação é a presença de linfonodos ou gânglios linfáticos aumentados: são as chamadas ínguas, que podem ocorrer em qualquer lugar do corpo onde existam gânglios (regiões inguinal, axilar, pescoço, etc), mas freqüentemente acometem o pescoço. Os gânglios ficam perceptíveis a simples visualização ou a palpação e são indolores. As manifestações podem ficar restritas a isto e são auto-limitadas, isto é, desaparecem espontaneamente.

No entanto alguns pacientes podem apresentar febre, dores nos músculos e articulações, cansaço, dores de cabeça e alterações visuais, quando ocorre comprometimento da retina (camada que reveste a face interna e posterior do olho que é rica em terminações nervosas sensíveis a luz), dor de garganta, surgimento de pontos avermelhados difusos por todo o corpo – como uma alergia, urticária e aumento do fígado e do baço; menos comumente ocorre inflamação do músculo do coração. Dores abdominais podem ocorrer quando houver comprometimento dos gânglios da região posterior do abdômen. Apesar de, na maioria das vezes estes gânglios desaparecerem espontaneamente, em alguns casos podem durar meses, bem como o cansaço e a fadiga.

Uma forma menos benigna de acometimento dos pacientes com imunidade normal é a inflamação da retina (corioretinite). Ela acontece na maioria das vezes como decorrência da contaminação na vida fetal, manifestando-se na adolescência ou quando adulto jovem, raramente após os quarenta anos.

As pessoas com estes quadros apresentam visão borrada e pontos cegos no campo visual que podem permanecer ou até levar à cegueira do olho comprometido se não adequadamente tratado.

Após uma fase aguda de infecção, seja com manifestações mínimas (ínguas) ou não, a doença fica latente, como se estivesse “adormecida” assim permanecendo para sempre ou podendo reapresentar-se mais adiante espontaneamente ou como decorrência de uma queda do nível de imunidade.

A apresentação desta doença naqueles com imunidade diminuída, como já se poderia imaginar é muito mais agressiva. Particularmente mais comum neste grupo são os pacientes contaminados pelo vírus HIV-1 (vírus que causa a síndrome da imunodeficiência adquirida, SIDA ou AIDS em inglês).

Em geral também ocorre por reativação de infecção latente. Os sintomas nestes casos são manifestações de comprometimento do cérebro, pulmões, olhos e coração.

A apresentação mais comum decorre do comprometimento cerebral manifesta por dores de cabeça, febre, sonolência, diminuição de força generalizada ou de parte do corpo (metade direita ou esquerda) evoluindo para diminuição progressiva da lucidez até o estado de coma. Se não tratados estes casos evoluem para uma rápida progressão e morte.

Como se faz o diagnóstico?

Por se tratar de doença com sintomas muito inespecíficos e comuns a muitas outras, o diagnóstico geralmente é feito por médicos com experiência na área. A confirmação do diagnóstico é feita por diversos testes sangüíneos. Os mais comuns são os que detectam a presença de anticorpos no sangue contra o Toxoplasma gondii.

Na gestante costuma-se solicitar exames para a detecção de dois tipos de anticorpos, o IgG e o IGM:

IgG é o marcador da imunidade ao parasita.
IgM é o marcador de infecção aguda pelo parasita.
As gestantes que têm anticorpos tipo IgG positivos, têm imunidade para a doença.

Tratamento

A necessidade e o tempo de tratamento serão determinados pelas manifestações, locais de acometimento e principalmente estado imunológico da pessoa que está doente.

São três as situações:

– Imunocompetentes com infecção aguda:

Somente comprometimento gânglionar: em geral não requer tratamento.

Infecções adquiridas por transfusão com sangue contaminado (raros, pois todos os doadores são testados nos bancos de sangue) ou acidentes com materiais contaminados (em profissionais da área da saúde): em geral são quadros severos e devem ser tratados.

Infecção da retina (corioretinite): devem ser tratados.

– Infecções agudas em gestantes:

Devem ser tratadas, pois há comprovação de que assim diminui a chance de contaminação fetal.

Com comprovação de contaminação fetal: necessita tratamento e o regime de tratamento pode ser danoso ao feto, por isso especial vigilância deve ser mantida neste sentido.

– Infecções em imunocomprometidos:

Estas pessoas sempre devem ser tratadas e alguns grupos, como os contaminados pelo vírus HIV-1, devem permanecer tomando uma dose um pouco menor da medicação que usaram para tratar a doença por tempo indeterminado. Discute-se, neste último caso a possibilidade de interromper esta manutenção do tratamento naqueles que conseguem recuperação imunológica com os chamados coquetéis contra a AIDS

Prevenção e Profilaxia para os Seres Humanos:

Não ingerir carne, pratos tradicionais a base de carne ou embutidos frescais crus ou mal cozidos;
cozinhar bem as carnes ( 60º C por 10 minutos);
embutidos frescais, salgar com 2,5% de sal por 48 horas;
lavar as mãos após manusear carnes cruas, contato com solo ou com fezes dos gatos;
não beber leite de cabra, sem ferver ou pasteurizar;
lavar bem as verduras;
beber água filtrada ou fervida
mulheres em fase fértil: sorologia pré-nupcial e durante a gestação.
educação sanitária.
As gestantes, além de evitar o contato com gatos, devem submeter-se a adequado acompanhamento médico (pré-natal). Alguns países obtiveram sucesso na prevenção da contaminação intra-uterina fazendo testes laboratoriais em todas as gestantes.

Em pessoas com deficiência imunológica a prevenção pode ser necessária com o uso de medicação dependendo de uma análise individual de cada caso.

Desaconselhamos o uso de microondas para o cozimento de carnes já que o calor não consegue fazer o cozimento por igual. Não deve-se experimentar carne crua ou embutidos em fase de maturação.

Também não podemos esquecer de controlar as baratas, que também contaminam os alimentos.

Prevenção e Profilaxia para com o Meio Ambiente:

Não alimentar gatos com produtos cárneos ou mal cozidos. Alimenta-los com alimentos secos ou enlatados;
controle de moscas, baratas e outros animais que podem servir como hospedeiros do toxoplasma;
evitar o contato com solo e areia que possam estar contaminados com fezes do gatos;
limpar diariamente a caixa de areia dos gatos (o ideal é toda vez que renovar areia imergir a bandeja em água fervente ou utilizar bandeja descartável) ;
lavar as mãos após manusear gatos e seus excrementos;
utilizar luvas quando estiver trabalhando em jardins, principalmente mulheres grávidas;
manter coberta as caixas de areia que crianças utilizam para brincar.

Toxoplasmose nos animais

Diversas espécies de animais foram encontradas infectadas pelo T.gondii, inclusive aquelas que são utilizadas para consumo humano, podendo ser fontes de infecção ou causar prejuízos econômicos nas criações.

As ovelhas são susceptíveis a infecção pelo T.gondii, sendo que estes animais podem sofrer abortos ou mortes neonatal, tornando a toxoplasmose um importante problema econômico na criação destes animais, devido aos prejuízos causados nos criadouros, principalmente na Nova Zelândia e Inglaterra. No Uruguai, estima-se que a perda durante a gestação dos animais é de 1,4-3,9% com um prejuízo financeiro em torno de US$ 1,4-4,7 milhões de dólares para o país.

Em cabras a doença é mais severa do que em ovelhas e os animais podem morrer de enterite e encefalite causada pelo T.gondii, cistos podem permanece durante toda a vida dos caprinos, sendo que em animais naturalmente e experimentalmente infectados foram localizados nos músculos, coração, diafragma, fígado, rins e cérebro.

A toxoplasmose em suínos foi descrita em diversos países e a mortalidade ocorre principalmente em animais jovens, as manifestações clínicas mais freqüentes são pneumonia, miocardite, encefalite e necrose da placenta podendo provocar também abortos ou natimortos. A carne suína representa uma fonte de risco significativa de contaminação humana no Brasil. Do ponto de vista epidemiológico, o consumo de carne, deste animal, infectada com cisto de T.gondii representa uma fonte importante de infecção para o homem. Na Europa a taxa de parasitismo excede a 50% em carcaças obtidas de matadouros.

No gado o T.gondii invade as células e forma cistos, mas estes não persistem por muito tempo nos tecidos, pois estes animais são relativamente resistentes a toxoplasmose em relação a outros animais.

Coelhos: sintomatologia é caracterizada, sobretudo por palidez visível nas orelhas e diarréia, manchas necróticas no fígado a abundante exsudato peritonial.

Cão: os sintomas são representados por febre, corrimento nasal e ocular, diarréia ou desinteria e incoordenação de movimentos. O cão tem sido considerado como importante fonte de infecção humana, devido ao fato do protozoário ser eliminado através da saliva, das fezes e da urina.

Gato: importante fonte de infecção, pela sua domesticidade, que adquire a parasitose através de mecanismo congênito, de rnivorismo ou de contaminação por fezes. Se quiser cuidar mais um pouco de seu gato não deixe que saia para caçar, não dê carne crua, vísceras ou ossos.

Galinha: a forma mais provável de aquisição da infecção é dada pelo hábito de as aves ciscarem o solo contaminado com oocistos contidos em fezes de gatos. Os sintomas mais evidentes foram arrepiamento, asas caídas e olhos fechados.

Cobaias e Camundongos: os animais apresentam lesões necróticas na placenta e originam crias parasitadas quando ocorre transmissão congênita da toxoplasmose.

Controle da Doença nos animais

Dentre as formas de controle do parasita estão as práticas de manejo para os animais, controle de roedores e felinos nas instalações, educação sanitária e vacinação. A vacinação dos animais domésticos principalmente ovinos e suínos é uma das estratégias para o controle do T. gondii e vem sendo continuamente estudada com o objetivo de reduzir as perdas econômicas provocada pelos danos reprodutivos e reduzir o número de cistos teciduais em animais de interesse econômico. Assim pode-se diminuir o risco de infecção ao homem pela ingestão de cistos em carne crua ou mal cozida de animais infectados e para prevenir ainda a eliminação de oocistos pelos felídeos (DUBEY, 1996). A primeira vacina comercial foi a Toxovax®, produzida com a amostra S48 e utilizada em ovinos. A S48 foi isolada demembranas fetais de um aborto ovino e, após 3.000 passagens em camundongos, perdeu a sua habilidade de desenvolver cistos teciduais. Seis semanas após a inoculação subcutânea de taquizoítas vivos da amostra S48, o T. gondii não é mais detectado nos tecidos de ovinos. Esta vacina viva é amplamente utilizada no Reino Unido e Nova Zelândia, prevenindo o abortamento ovino e garantindo uma proteção durante 18 meses, mas se recomenda a revacinação anual (BUXTON, 1993). Outra amostra de T.gondii (RH), não persistente em tecido suíno, induziu imunidade por até 7 meses após a imunização (DUBEY et al. 1994).

Atualmente, além das pesquisas em relação a antígenos ou partículas antigênicas capazes de induzir uma resposta imune eficaz no hospedeiro, esforços se concentram na busca de novos adjuvantes ou formulações capazes de aumentar a imunogenicidade de diferentes antígenos, fazem parte deste grupo os Complexos Imunoestimulantes (Iscoms). Uma vacina composta por antígenos de T.gondii e Iscoms, experimentalmente testada em camundongos, induziu uma proteção significante ao desafio (UGGLA et al., 1988; LUNDÉN et al. 1993). BUXTON em 1989 realizou um experimento em ovelhas prenhas e obteve uma substancial resposta de anticorpos, além da redução na mortalidade das crias. LUNDÉN (1995) trabalhando na imunização de ovinos com Iscoms e T.gondii verificou, através do Western blotting, que a resposta dos anticorpos após a imunização foi contra os mesmos antígenos que induziram uma resposta imune após a infecção dos ovinos não imunizados. Estes resultados indicam que a imunização com Iscoms de T.gondii podem levar à proteção, em diferentes graus, frente a uma infecção, fato que estimula novas pesquisas em outras espécies de interesse econômico.

Prevenção da eliminação de oocistos pelos gatos é uma das mais importantes formas de controlar a disseminação da toxoplasmose no meio ambiente. DUBEY (1995) verificou que gatos inoculados experimentalmente

com cistos de T.gondii, voltaram a produzir oocistos após 6 anos, quando foram desafiados com uma amostra heteróloga. Este fato altera o conceito de imunidade entérica duradoura após a primoinfecção com produção de oocistos de T.gondii. As vacinas mortas produzidas com particulas antigênicas, testadas até o presente momento, não obtiveram bons resultados ao desafio com amostra virulenta e permitiram a eliminação de oocistos, ou seja, não houve o desenvolvimento de uma imunidade entérica eficaz. FRENKEL e SMITH (1982) verificaram que a administração parenteral do T.gondii em qualquer estágio, não protegeu contra a eliminação de oocistos sendo necessária a ingestão de bradizoítas vivos, presentes nos cistos, para uma imunidade protetora. FISHBACK e FRENKEL (1990), com base em estudos anteriores, reforçaram a idéia de que apenas a vacina viva é capaz de produzir massa antigênica necessária para induzir a imunidade intestinal e impedir a eliminação de oocistos de T.gondii, isto porque as estruturas entéricas do complexo ciclo de vida intestinal felino ainda não foram totalmente elucidadas. FRENKEL et al.(1991) e FREYRE et al. (1993) realizaram estudos com uma amostra mutante de T.gondii (T- 263), 84% dos gatos vacinados com bradizoítas não eliminaram oocistos ao desafio.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa patologia causa tanto prejuízos econômicos como sociais, devido ao fato da mesma acometer animais de valor comercial como, suínos, ovelhas, entre outros, e também causar doenças no homem, sendo assim uma zoonose de grande relevância. Mais pouco são os mecanismos que se tem para combater essa doença, e muitas vezes pode se tornar caro. Diante disto o que se pode fazer é adotar praticas de manejo, para evitar que os animais se contaminem, e também o homem deve tomar algumas precauções para evitar sua contaminação com seus animais de estimação, consumindo produtos tanto de origem animal e vegetal contaminados com o T. gondii.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Disponível em: www.abcdasaúde.com.br?artigo.php?417; Acesso em 31/10/04; às 15:09h.

Disponível em: www.sampaonline.com.br/saúde/toxoplasmose.htm; Acesso em 31/10/04; às 16:37h.

Disponível em: www.etall.hpg.ig.com.br/toxoplas.htm; Acesso em 31/10/04; às 22:04h.

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BUXTON, D.; THOMSON, K.M.; MALEY, S.; WRIGHT, S.; BOS H.J. Experimental challenge of sheep 18 months after vaccination with a live (S48) Toxoplasma gondii vaccine. Veterinary Record, v.25, p. 310-312, 1993.

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NICOLLE ,C.; MANCEAUX,L. Sur un protozoaire nouveau du gondii. Academic Science, Paris, v.147,p.763-6, 1969.

RAIVA

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Autor: Maria Fernanda Falk

1-Brasil

A raiva é uma doença muito delicada de ser tratada, pois tem um impacto social muito forte.

No sul do Brasil deve ser tratada diferencialmente que no restante do país.

Para a região sul citarei principalmente os métodos preventivos como meio de sustentar os baixos níveis já existentes.

A imunização em massa deve ser mantida como forma de não reincidência da doença em meio urbano, animais vindos de outras regiões, para ingressarem no estado deveriam possuir certificado de vacinação. Mantendo os animais domésticos vacinados a chance destes pegarem raiva de animais selvagens é muito menor, pois o número de suscetíveis baixa, diminuindo consequentemente o risco para humanos.

Na região sul, e em todo o país os profissionais que tenham contato constante com animais devem ser imunizados contra a raiva. Os caçadores em geral também, pois é maior a chance de um encontro destes com animais selvagens não vacinados.

Em meio rural, o fator econômico da perda de gado, conseqüente do ataque de morcegos deve ser fator de pressão aos meios públicos para que efetuem a imunização do gado.

Visto que com o tempo o número de animais selvagens (principalmente morcegos) acometidos por raiva tende a aumentar, a população rural deve ser orientada na maneira de construírem casas e estábulos para que os morcegos não possam penetrar. A reforma das casas já existentes deve ser financiada pelas prefeituras locais onde a população de morcegos for maior.

Todos os animais do país diagnosticados com raiva devem ser sacrificados, e os com suspeita devem ser capturados pelas autoridades competentes para uma possível confirmação.

Em todo o país a vacinação anual dos animais domésticos deve ser seguida e reforçada por campanhas de orientação.

A população deve ser informada que a doença é letal e não tem cura e que no caso de agressão de animais elas devem procurar imediatamente o sistema de saúde para que possam se tratar adequadamente, e o animal deve ser mantido sob observação.

No norte do país, onde os estados são menos afortunados a raiva ainda é motivo de algumas mortes, que poderiam ser evitadas. Nesta região a providência a ser tomada é melhorar as campanhas em dois pontos básicos:

Aumentar a cobertura territorial da vacinação, fazendo-a chegar aos pontos mais remotos, seja à cavalo, de barco ou helicóptero.
Orientar a população com linguagem acessível (indígena se necessário), para a importância de vacinarem animais domésticos, evitarem mamíferos selvagens, como macacos, e principalmente de procurarem ajuda médica ante a qualquer agressão de mamíferos que venham a sofrer.
Outro problema enfrentado no nordeste do Brasil é a raiva por raposas, estes animais que normalmente evitam os humanos e cães, quando doentes por raiva, perdem o medo e podem atacar caçadores e outras pessoas desavisadas. Como a vacinação para este tipo de animais ainda é “futuro” em nosso pais, podemos evitar maiores riscos orientando sobre as precauções e procedimentos a serem tomados.

A raiva em humanos, por morcegos hematófagos que alimentavam-se de gado, em campos que são destinados à plantação, é muito elevada. Quando um campo for passar por estas mudanças a população local deve ser avisada previamente para que sejam tomadas as devidas providências.

Os médicos veterinários, e profissionais de saúde em geral devem ser avisados da importância de notificarem os novos casos e suspeitas, só assim saberemos as proporções da doença e poderemos influenciar melhor o governo para atitudes mais drásticas em relação ao assunto.

Acredito que seguindo esta linha de atitude no Brasil, a raiva pode ser controlada e posteriormente, com medidas mais específicas, erradicada.

2-EUA

A raiva nos EUA é muito mais complicada que no brasil, pois houve uma mudança em seu perfil na metade do século, depois de tida como controlada, ela aos poucos foi se espalhando nos mamíferos silvestres (gambás, raposas, coiotes, guaxinins, coelhos, esquilos e outros roedores) e agora esta voltando aos animais domésticos e humanos.

No sudoeste dos EUA é comum a raiva por texugos e raposas. No Texas há também a raiva dos coiotes.

Nos EUA, o problema dos animais silvestres é muito maior, pois eles são muito populares entre as crianças e costumam freqüentar o quintal e as praças das cidades, mesmo as grandes metrópoles. Como já foi citado anteriormente, estes animais perdem o medo dos humanos quando rábidos e podem facilmente atacar crianças e outros animais domésticos.

Além disto há uma tendência mundial para um aumento no número de casos de raiva. Em 1993 o número de casos em animais foi especialmente alto, cerca de 40000 pessoas morrem no mundo a cada ano de raiva.

Também em 1993 em Massachusettes, foi encontrada raiva em animais silvestres, depois de 40 anos de ter sido encontrada só em morcegos. Nos guaxinins desta região ela está se espalhando rapidamente.

No condado de Cumberland houveram 28 casos de raiva em 1994, 117 em 95 e já foram reportados 9 casos em 1996, destes 5 eram gatos os outros eram raposas e guaxinins. Em Sampsom região vizinha dois cães rábidos já foram notificados.

Aproximadamente duas pessoas morrem de raiva nos EUA a cada ano, algumas adquirem a doença fora do país.

Os departamentos epidemiológicos esperam um aumento para os níveis de raiva em relação ao ano de 1995.

Outro aspecto importante são os altos custos da doença, a lei nacional obriga aos proprietários de animais domésticos que os vacinem ao custo de 5$ US. Mas o estado gasta de 230 milhões a 1 bilhão de dólares anuais para prevenir a raiva.

Em New Hampishire a exposição em potencial à um único gato rábido levou ao tratamento 650 pessoas com um custo de 1.5 milhões de dólares para o estado.

Outros custos da raiva são:

Trauma psicológico em humanos.
Eutanásia de animais de estimação.
E a perda de pesquisas importantes sobre animais silvestres durante novos surtos.
Em 1995 a raiva nos EUA atingiu níveis históricos e o custo para preveni-la em humanos está se tornado cada vez maior.

Neste país onde as campanhas são já bem sucedidas as providências a serem tomadas são um pouco mais específicas que no Brasil.

As pesquisas sobre diferentes vacinas orais para as diversas espécies silvestres devem ser intensas. Deve-se procurar uma vacina para a cruza do lobo com o cão, visto que a vacina oral usualmente aplicada para os cães não imuniza esta espécie híbrida muito popular no país.

As pessoas devem ser alertadas sobre cuidados para o caso de uma agressão por animal. E devem ser instruídas para evitar o acúmulo de lixo, pois os silvestres de pequeno porte vêem em busca de alimento fácil aproximando-se das casas. Os cães devem ser mantidos acorrentados e quando possível soltos nos quintais com cercas que delimitem o seu perímetro, evitando a saída do cão e a entrada de algum “intruso”.

Assim como no Brasil nos EUA os morcegos também são motivo para preocupação, além destes transmitirem raiva à animais domésticos eles transmitem aos humanos ( hematófagos ou não), a importação de animais silvestres nos EUA é proibida, exceto para certos zoológicos ou para fins de pesquisa. Em 1994 permissões federais impróprias foram emitidas para importar morcegos oriundos das tumbas egípcias, para serem comercializados como animais de estimação raros, estes animais não se sujeitaram à quarentena, e alguns exemplares foram soltos e acasalaram-se com as espécies locais. Acreditam alguns pesquisadores que assim pode-se desenvolver um variante da doença, como a que sofreu uma menina de 4 anos de Washington, no último caso de raiva humano reportada (março de 1995). Mesmo dizendo que não foi agredida pelo morcego a menina contraiu um variante viral da raiva, que foi também encontrada no morcego.

Por estes motivos, acredito que a raiva nos EUA só será erradicada se for feito um controle muito rígido dos reservatórios, que mantém e transmitem a raiva, além do controle das fronteiras (especial mente com o México), a caça aos pequenos mamíferos (texugos, guaxinins e raposas) deve ser estimulada. E talvez, para que o país se torne área livre, seja necessário eliminar os reservatórios.

A vacina oral para animais silvestres já existe, e está sendo utilizada, mas há sérias limitações: não se sabe o número exato de iscas que se deve deixar disponível em cada área, cada vacina oral é específica para cada espécie e não se pode garantir que o animal certo “morderá a isca”, fora ser um procedimento caro onde não se podem comprovar os resultados à curto prazo.

Acredito que um incentivo governamental em pesquisas no sentido de garantir a vacinação da maioria dos animais silvestres iria garantir 50% do êxito no processo de tornar uma área livre do vírus da raiva os outros 50% dependem da continuação dos processos vacinais e campanhas de esclarecimento já existentes.

3-Ilhas Comores

Neste país como no Brasil, a falta de recursos e a condições socio-econômicas pesam muito no fator de controle e erradicação das doenças.

O fato de haverem casos de raiva humana, em duas das quatro ilhas, significa que a doença está bem espalhada em animais domésticos e silvestres. O procedimento inicial a ser tomado deve ser o mesmo nas quatro ilhas.

Com campanhas de vacinação intensiva em cães e gatos, e a concientização da população sobre as características mortais do vírus, e sobre a necessidade de procurarem atendimento médico com rapidez no caso de agressão por animais, e outras informações importantes, poderemos dar passos positivos no caminho do controle.

Vacinar profissionais que lidem com animais e caçadores é imprescindível.

E finalmente estimular a caça a mangosta, que constitui o reservatório principal do vírus.

Raiva – Prevenção e Causas

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Autor: Damiom

Breve Histórico

O “Código de Eshnunna”, elaborado na Mesopotâmia, século 23 A.C., especifica e determina a quantia que deveria ser paga se uma pessoa morresse em decorrência da mordida de um cachorro louco. Os registros, na antiga Babilônia, relatam a transmissão de raiva por cães para pessoas, através de mordedura, com uma visão epidemiológica utilizada até os dias de hoje.

A raiva e seu forma de transmissão foram também relatadas na Grécia desde o século III D.C. Aristóteles a descreveu em camelos e em cavalos. Filomeno, erudito grego, estimou seu período de incubação variando de 40 dias a vários anos.Os escritores romanos do século I D.C., Celso e Plínio, descreviam a raiva e seu tratamento, assim como Célio Aureliano, do século V D.C., que afirmava ser a raiva do homem causada por mordidas de cães, raposas, cavalos, macacos, lobos, ursos, leopardos e aves. (Hatshbach, P.I., 1989).

Nas Américas, a raiva canina foi citada pela primeira vez no México (1709) e em Barbados (1741). No período de 1768 a 1771 foi descrita uma epizootia na cidade de Boston, Estados Unidos, transmitida por raposas e cães.

Na América Latina a raiva é conhecida desde as primeiras expedições colonizadoras quando homens e animais morreram em consequência da enfermidade transmitida por morcegos hematófagos. Supostamente a raiva canina foi introduzida através de cães infectados que vieram acompanhando a estes colonizadores.( Schneider, M. C., 1990 )

Com o passar dos anos, novos e importantes descobrimentos foram realizados. Em 1879, Galtier, médico veterinário professor da Escola de Veterinária de Lion, fez experimentos, utilizando coelhos como animais de laboratório. Este fato conduziu aos famosos trabalhos de Pasteur sobre a raiva, com a vacinação do menino Joseph Meister em 1885 e a fundação do Instituto Pasteur, Paris em 1888.

Em 1903, Remliger demostrou a filtrabilidade do vírus e no mesmo ano, Negri descreveu os Corpúsculos de inclusão em células nervosas de cérebros de cães acometidos de raiva, pensando, entretanto, que estes eram um estágio de desenvolvimento de protozoários. A controvérsia protozoário – vírus persistiu até a década de 1930, quando o vírus foi cultivado em cultura celular. No diagnóstico da doença, o desenvolvimento da Prova de Inoculação em camundongos (Webster e Dawson, 1939 ) foi um marco na história da raiva. Mais tarde, as vacinas de uso humano foram aperfeiçoadas e desenvolvidos métodos de controle da raiva. (Hatschbach,1989).

A Raiva em Algumas Espécies

HUMANA

Período Prodrômico
Febre – 2 a 4 dias;
Cefaléia, mal-estar geral, anorexia, náusea, dor de garganta, parestesia no local da mordedura ;

Período sintomático:
Aerofobia,
Hidrofobia (sinal patognomônico) por espasmos de músculos de deglutição e respiração;
Paralisia ascendente do tipo Landry.

A raiva transmitida por morcegos é predominantemente do tipo paralítico.

8 dias a 6 meses (média de 30 a 60 dias)
Os principais transmissores são:
– Cães
– Gatos
– Morcegos
– Animais silvestres

Através de:

– Mordedura .Arranhadura
– Contato
– Aerossóis

Pode ocorrer transmissão através de transplantes de órgãos de pessoas infectadas

CANINA

Periodo prodrômico:
– de 2 a 3 dias;
– Alteração comportamental
– Febre
– Hiporreflexia ocular

Forma furiosa: . de 2 a 4 dias; . Irritabilidade, excitação, insônia, latido frequente, agressividade, ataques viciosos a objetos imóveis, deambulação sem direção;

Forma paralítica:
– de 2 a 4 dias
– Paralisia dos músculos da mandíbula inferior (mandíbula pendente) com salivação abundante e espumosa, latido bi-tonal (paralisia parcial das cordas vocais)
– Dilatação da pupila
– Depressão, convulsão, coma e morte por paralisia respiratória

10 dias a 6 meses (media de 60 dias).

Os principais transmissores são:
– Cães
– Animais silvestres
– Morcegos

Através de:
– Mordedura
– Arranhadura

FELINA

Os sintomas clínicos nos gatos são similares aos dos cães, mas, são mais agressivos

O mesmo dos cães

O mesmo dos cães

BOVINA

Raiva paralítica
-Afastamento do rebanho
-Indícios vagos, mugido frequente, pisoteamento da terra, pelagem eriçada, excitação, tremores musculares com posterior apatía;
-Salivação abundante (paralisia faríngea)
-No 2o ou 3o día – paresia, alteração do andar, o animal se torna cambaleante;
-Contrações tônico-clônicas, constipação, tenesmo, oligúria, atonia ruminal, flacidez peniana;
-Perda de peso rápida e progressiva;
-Decúbito ventral;
-Morte por paralisia dos músculos respiratórios

25 e mais de 150 dias

Os principais transmissores são:
– Morcegos hematófagos
– Animais silvestres
– Cães

Através:
– Mordedura

EQUINA

– Aparentam constante alerta e tensão;
– Orelhas eretas com muita mobilidade;
– Excitação sexual e agressividade (podem fraturar os dentes e mandíbula);
– Perda de apetite ou apetite estranho;
– Paralisia da garganta e mandíbula produzindo salivação abundante;
– Decúbito lateral, movimentos de pedalar;
– Morte em poucos dias.

30 a 90 dias

Os principais transmissores são:
– Morcegos hematófagos
– Animai silvestres
– Cães

Através:
– Mordedura

OVINA E CAPRINA

-Menos frequente (proteção da capa de lã);
-Mordem os lábios, excitação, inquietude;
-Em alguns casos salivação e agressividade

19 a 27 dias

Os principais transmissores são:
– Morcegos hematófagos
– Animais silvestres
– Cães

Através de:
– Mordedura

SUÍNA

Duas formas principais: furiosa e paralítica;
-Início: Irritabilidade, Incoordenação, grunhido rouco, coceira no local da mordedura, saltos repentinos;
-Espasmos clônicos generalizados
-Paralisia e morte

Aproximadamente 70 dias

Os principais transmissores são:
– Morcegos hematófagos
– Animais silvestres
– Cães

Através:
– Mordedura

CAMELIDEOS
(Alpacas)

-Ataque a outras alpacas;
-Mugidos que aumentam com o decurso da enfermidade;
-Luta entre eles;
-Prostração duradoura, apetite depravado;
-Fase final – conjuntivite, salivação abundante, dispnéia e incoordenação
-Paralisia e morte

15 a 34 dias(Moro, 1959)- 90 dias

Os principais transmissores são:
– Animais silvestres
– Cães

Através:
– Mordedura

Patogenia – Virus

Pertence ao gênero Lyssavirus da família Rhabdoviridae, mede aproximadamente 180 nm de longitude y 75 nm de diâmetro. Possui forma cilíndrica com uma extremidade cônica e outra plana, em forma de projétil.

Sua base é constituída por uma molécula de RNA rodeada por um capsideo de natureza proteica. A molécula de RNA e a cápsula são cobertas por um envoltório de natureza lipoprotêica, de onde saem projeções filamentosas ( espículas) de natureza glicoproteica ( INPPAZ/OPS/OMS, 1994).

A partir do emprego de anticorpos monoclonais (Viktor y col, 1978) foram reconhecidos distintos sorotipos de vírus rábico e atualmente se reconhece sete genotipos, baseados em suas características sorológicas e genômicas:

:: GENOTIPO I

Inclui o vírus da raiva “clássica”, tanto as cepas de rua (silvestre), como as vacinais. Encontrado nas Américas, Europa, África e Ásia;

:: GENOTIPO II

Vírus protótipo procedente de morcegos de Lagos. Encontrado na África;

:: GENOTIPO III

Vírus Mokola, Encontrado na África;

:: GENOTIPO IV

Vírus Duvenhage. Encontrado na África;

:: GENOTIPO V

Vírus de morcego da Europa tipo 1 (EBL 1). Encontrado na Europa.

:: GENOTIPO VI

Vírus de morcego da a Europa tipo2 (EBL2). Encontrado na Europa.

:: GENOTIPO VII

Vírus de morcego da Austrália. Encontrado na Austrália.

Os quatro primeiros genotipos podem ser diferenciados por técnicas de soro neutralização ou por reação com anticorpos monoclonais. Estudos sobre a seqüência de nucleótidos mostram diferenças entre os diversos genotipos com uma média de substuição de nucleótideos entre 30 a 35%.

A identificação de variantes do genótipo I são diferenciadas por técnicas de anticorpos monoclonais , tipificação antigênica e sequência genética. ( Ruiz, A, Alvarez,E., 1999)

Vacinas Antirrábicas

CONSIDERAÇÕES GERAIS
(Oitavo Comitê de Expertos da OMS, 1982)

Foram alcançados progressos consideráveis na produção e aperfeiçoamento das vacinas anti-rábicas no último decênio. Entretanto, a disponibilidade de vacinas anti-rábicas com elevado nível de imunogenicidade e inocuidade continua sendo um objetivo ainda não atingido em muitas regiões do mundo. As vacinas preparadas em cultivos celulares devem substituir as derivadas de tecido cerebral o mais breve possível.

As principais recomendações, são:
Estrito controle da qualidade das vacinas (inocuidade e potencia).
Avaliação da imunogenicidade da vacina, através de Provas sorológicas em uma amostra representativa de animais e pessoas vacinadas, quando for apropriado
Investigação exaustiva de todos os casos de raiva que ocorram em pacientes vacinados (Eficácia da vacina, variantes dos vírus rábicos, vírus relacionados com a raiva)
Reduzir o custo das vacinas derivadas de cultivo celular para uso veterinário e humano ( a produção conjunta pode promover uma economia considerável).
Promover o estudo e desenvolvimento de vacinas para imunizar as diversas espécies animais silvestres.
Seleção cuidadosa das cepas víricas, com controle periódico para verificação da identidade antigênica dessas cepas, como também a identidade e pureza das linhas celulares utilizadas.
Comprovação que as cepas empregadas na produção das vacinas oferecem proteção contra as infecções pelos vírus locais do campo.
Atuação dos Centros Colaboradores dla OMS como:
– Fonte de provisão de vacinas de semeadura,
– Laboratórios de referência e para o exame das cepas,
– Local de treinamento de pessoal nas técnicas da luta anti-rábica.

VACINAS ANTIRRÁBICAS E SUA EVOLUÇÃO AO LONGO DOS ANOS

A PRIMEIRA VACINA – TIPO PASTEUR (1885)

Elaborada com vírus fixo inoculado em coelho por via intracerebral e causa a morte dos animais em 5 a 6 dias. Este vírus é patogênico para os coelhos e antigamente era considerado não patogênico para o homem e cães, exceto quando inoculado por via intracerebral; entretanto, observações demonstraram que também é patogênico para o homem por via parenteral. (Giron,P.C.,1981)

Pasteur inoculava coelhos e os sacrificava quando apresentavam as últimas manifestações da doença. Retirava a medula espinhal, colocando para secar a temperatura ambiente, de tal forma que eram mantidas medulas com 14, 13, 12, até chegar a 1 dia de dessecação. Quando ocorria um caso de mordedura por animal suspeito, o paciente era vacinado inicialmente com a vacina de 14 dias, no dia seguinte com a de 13 dias e assim sucessivamente, até chegar a de 2 dias. Esta foi o primeiro tipo de vacina viva atenuada utilizada para prevenção da raiva. (Giron,P.C.,1981).

FERMI (1906)

Elaborada com vírus fixo obtido de cérebro de coelhos e inativada com fenol durante 24 horas a 22o C

SEMPLE (1911)

Massa viral obtida de cérebro de coelho, depois cordeiro e mais tarde de novilhos, com concentração de 4% de matéria cerebral , inativada com fenol a 1%, durante 72 horas a 30o C.

UEMO, DOI (1916)

HEMPT (1925)

KELSER (1925) (Giron,P.C., 1981)

AVIANIZADA FLURY LEP (DE BAIXA PASSAGEM)

Vacina produzida por inoculação do vírus ( Amostra Flury) primeiramente em pintos, por via intracerebral, atenuada através de 136 passagens e posteriormente inoculada em embrião de pinto (40 a 50 passagens), sendo produzida em ovos embrionados ou em células renais de hamster. Protegia os cães por até três anos, porém o protocolo preconizado em alguns países previa que na primo vacinação seriam necessárias 3 aplicações em um ano e posteriormente reforço em intervalo de três anos. Foi desaconselhada devido à ocorrência de acidentes vacinais em cães com alguma freqüência. (Giron,P.C.,1981)

AVIANIZADA FLURY HEP (DE ALTA PASSAGEM)

Segue o mesmo princípio da LEP, porém utilizando até 178 e em alguns casos 227-230 passagens em embrião de pinto. O vírus Flury mais atenuado é replicado em ovos embrionados, em células renais de cão ou em fibroblastos de embrião de pinto. (Giron,P.C.,1981)

EMBRIÃO DE PATO

Elaborada por Perck e colaboradores (1953) com vírus fixo, inativada com beta-propiolactona, liofilizada e acondicionada em ampolas, requerendo na sua diluição 1 ml de diluente. É utilizada na prevenção da raiva humana. Produz menos reações sistêmicas que as vacinas dos tipos Semple e Fermi. Contra indicação : produção de reação local de dor, eritema e endurecimento do ponto de inoculação (Giron,P.C.,1981)

FUENZALIDA E PALÁCIOS

Elaborada com vírus obtido em cérebro de camundongos lactentes e inativados por uz ultravioleta, com conservantes mertiolate 1×10000 e fenol 1×1000. Tem uma capacidade imunológica muito superior em comparação com as vacinas Fermi e Semple, o que permitiu a diminuição da concentração de tecido nervoso (1%) e também do número de doses aplicadas, reduzindo o custo da profilaxia de raiva em humanos. Além disso, por utilizar animais recém-nascidos, a quantidade de mielina é mínima, diminuindo consideravelmente os riscos de acidentes neurológicos. Induz a formação de anticorpos a partir do sétimo dia. (Giron,P.C.,1981)

CULTIVO CELULAR

Desde 1963, importantes progressos foram obtidos com a produção de vacinas de cultivo celular. As partículas virais eliminadas pelas células infectadas são submetidas a ultrafiltração em membrana de nitrocelulose, ultracentrifugação zonal ou precipitação por acetato de zinco. Nestas condições, chega-se a concentrar o vírus em 100 vezes. Este produto possui alto poder imunizante. Entre as vacinas de uso humano preparadas a partir de cultivo celular estão as de células de primeiro implante de rins de hamster (cepa SAD, concentrada e inativada por formol ou luz ultravioleta),as de células renais de feto bovino (cepa Pasteur, com 31 passagens e inativação por beta-propiolactona) e as de células diplóides humanas, inativadas por betapropiolactona em diluição 1:4.000 por 18 horas a 2-4º C, que tem uma taxa de multiplicação relativamente baixa, apesar da vantagem da ausência de heterogenicidade.( III Seminário de Técnicas de controle de raiva humana, 1979; Kuwert; Wiktor; Koprowski, 1980)

USO ORAL

Até meados dos anos 60, os métodos usados para controle de raiva nas populações de animais silvestres eram baseados na redução populacional, através de armadilhas, caçadas, envenenamento por iscas contendo estricnina e utilização de substâncias anticoagulantes, no caso de morcegos. Esta última ainda é largamente utilizada em todo o mundo. Porém, o alto custo e a ineficiência desse tipo de controle para os mamíferos terrestres fizeram com que,desde 1968, os Estados Unidos, Europa e Canadá pesquisassem e testassem vacinas e métodos de vacinação oral (iscas) para esses animais. A atenção foi concentrada em cinco objetivos:

Encontrar uma vacina oral efetiva;
Provar a segurança da vacina para seres humanos e espécies não visadas;
Desenvolver uma isca adequada;
Encontrar a estratégia e tática certas para a distribuição das iscas;
Obter conhecimento suficiente do ecossistema dos vetores para determinar os parâmetros para a eliminação da raiva. (Baer, G.M., 1975; Campbell, J.B.; Charlton, K.M., 1988; Meslin, F.X.; Kaplan, M.M.; Koprowski, H, 1996)
VACINAS ORAIS DE VÍRUS VIVO MODIFICADO ( MLV)

Essa vacina já tinha sua eficácia comprovada na administração intramuscular em animais domésticos, simulando a inoculação do vírus através da mordedura. Entretanto, a demonstração de que o vírus rábico poderia também ser absorvido em uma forma imunogênica através da mucosa da orofaringe foi um passo crítico em direção à prova do potencial da via oral para a vacinação. (Campbell, J.B; Chartlon, K.M., 1988)

VACINAS ORAIS DE VÍRUS MORTO

Problemas de segurança foram associados às vacinas de vírus vivo modificado – MLV (modified live vaccines) , como indução de raiva clínica em roedores. Foram então, desenvolvidas as vacinas com vírus inativado – KV (killed vaccines) nos anos 70. Porém, não se obteve sucesso na soroconversão com o uso oral dessa vacina na vida selvagem. Eram necessárias muitas doses para um mesmo animal, dificultando o controle da enfermidade e a resposta imune é de pouca duração (cerca de um mês). (Campbell, J.B; Chartlon, K.M., 1988)

VACINAS ORAIS RECOMBINANTES

Os avanços na clonagem e expressão gênica levaram à evolução de uma nova geração de vacinas para raiva. Cepas de orthopoxvírus, tais como o vírus vacínia, têm sido extensivamente caracterizados em nível molecular. Seu grande genoma, facilidade de produção, termoestabilidade, larga gama de hospedeiros e segurança fazem com que esse vírus seja altamente adequado para a expressão de genes estranhos a ele, incluindo hepatite, herpes, influenza e raiva. A expressão de genes estranhos por uma entidade auto-replicante oferece potencial para imunidade de longo prazo, sem o risco da doença do agente estranho, quando usado na totalidade, como alguns vírus atenuados. Por exemplo, o vírus vacínia recombinante (VRG), que expressa o gene de glicoproteína (proteìna G) do vírus rábico, não tem a capacidade de causar raiva. Quando administrada oralmente a animais de laboratório, a vacina VRG induz rapidamente altos níveis de anticorpos neutralizantes do vírus rábico e confere proteção contra o desafio com diversas cepas de campo de vírus rábico antigenicamente distintas.

Demonstrou-se que a vacina VRG induz a produção de anticorpos neutralizantes do vírus da raiva primeiramente ao ser administrada oralmente para roedores de laboratório. Subsequentemente foi demonstrado que racoons e outros carnívoros poderiam ser vacinados por via oral através do consumo de iscas contendo a vacina. Após dez anos de experimentos sob condições de laboratório e testes a campo na Europa e América do Norte, a VRG é a única vacina recombinante que tem sido usada extensivamente para o controle de raiva no ambiente silvestre, mas outras vacinas recombinantes deverão entrar em testes nos próximos anos.

Os requerimentos de segurança para vacinas anti-rábicas recombinantes em imunização oral de carnívoros contra a raiva, foram elaborados por vários consultores da OMS.

É provável que vacinas recombinantes sejam usadas no controle global de muitas doenças infecciosas. Tais vacinas têm mostrado serem seguras, potentes, versáteis e confiáveis e devem substituir gradualmente a primeira e segunda gerações de vacinas virais. (Meslin, F.X.; Kaplan, M.M.; Koprowski, H, 1996).

Avanços no Programa de Controle e Eliminação da Raiva

Em julho de 1969, foi colocado em funcionamento, pela primeira vez, um sistema de informação sobre raiva por iniciativa da Organização Pan americana da Saúde através do Centro Pan americano de Zoonoses.

Em 1983, na reunião de Diretores de Programas de Raiva da América Latina (Guayaquil), foi aprovado o Programa Regional para eliminação da Raiva Urbana nas principais cidades da América Latina, até o final dos anos 80.

Em 1992, o Plano de Ação 1993 – 2000 para Consolidação da Fase de Ataque Final para Eliminação da Raiva, define as estratégias e linhas de ação para eliminar a raiva humana, consolidar a eliminação de raiva canina e manter livres os paises que haviam alcançado esse objetivo.

O Sistema de Informação então implantado facilitou a caracterização de áreas de risco através da análise retrospectiva dos dados. O reforço do Sistema de Vigilância através da constante atualização do mapa epidemiológico da enfermidade, ofereceu subsídios para tomada de decisões e contribuiu para investigações epidemiológicas e as atividades de controle.

Situação da Raiva na América Latina

Países Informantes:

Na Reunião de Diretores de Programas Nacionais para o Controle da Raiva, celebrada em Guayaquil, Equador, em dezembro de 1983 foram definidas as áreas geográficas de cobertura do Programa na América, agrupadas por sub-regiões.

Brasil e México foram considerados individualmente, em função de suas extensões e os países do Caribe Inglês (do Este) não foram incluídos, na ocasião, por não apresentar casos de raiva. Em 1998, foram incluídos no Programa, 7 (sete) territórios: Barbados, Guiana, Suriname, Granada, Jamaica, Trinidad y Tobago e Bahamas (Caribe do Este).

Entretanto, o Sistema de Informação abrange 50 (cinquenta) paises, inclusive os da América do Norte (EE.UU. e Canadá) e 26 (vinte e seis) do Caribe Inglês. (Ruiz,A.,1999)

Classe Mammalia

A classe Mammalia, que engloba os mamíferos, caracteriza-se por animais vertebrados, possuidores de corpo de pêlos e que nutrem seus filhotes no início de seu desenvolvimento por leite secretado pelas glândulas mamárias das fêmeas. Estes são subdivididos em 19 ordens, entre as quais, encontramos a dos Chiroptera, onde estão agrupados os morcegos.

Ordem Chiroptera

O nome Chiroptera origina-se de Chiro = mão e Ptero = asas, isto é, animais com a mão transformada em asa. É a segunda ordem em número de espécies, com cerca de 987 formas já conhecidas, cujo número só é superada pela Ordem Rodentia, onde incluem os ratos, esquilos, cutias, etc. São os únicos mamíferos com capacidade real de vôo, propiciada pela membrana que une 4 dos 5 dedos do membro anterior, formando a asa. Outras espécies, como o esquilo – voador, apenas planam, após saltarem de lugares altos. Os morcegos ocorrem em todos os continentes, só não sendo encontrados nos pólos. São em geral pequenos, na grande maioria não excedendo 100 gramas de peso. Apresentam hábitos crepusculares e noturnos e parte significativa das espécies orientam-se pela ecolocalização, emitindo sons de alta freqüência, inaudíveis ao homem.

Problemas com morcegos

Entrada eventual de morcegos em residências
Refúgio em forro
Refúgio em outros locais da casa
Ataque de hematófagos
Acidentes
Em nenhum desses casos, tente tocar/pegar o animal. Se for mordido procure um posto de saúde o mais rápido possível. Se achar necessário procure algum órgão responsável na sua cidade.

Principais Espécies

Morcego das casas (Myotis nigricans) Sociabilidade – Grupos Atividade – Crepúsculo Refúgio – Sótãos Alimentação – Insetos É a menor espécie de morcego encontrada na cidade. É chamado assim por freqüentemente se refugiar nos telhados das casas, onde podem formar grupos muito grandes. Possui cor parda avermelhada.

Morcego Hematófago

Apenas 3 das 987 espécies se alimentam de sangue. Os morcegos vampiros realizam um corte na pele do animal, com o auxílio dos incisivos e caninos. Com a ferida aberta, a saliva deste morcego é anticoagulante e permite que o sangue flua e o animal se alimente. Até 200 gramas são perdidas, mas o morcego só se alimenta de 15 gramas. Ao detectar o ataque a animais domésticos, você deve procurar o veterinário o mais rápido possível. Lembre-se que qualquer mamífero pode transmitir raiva.

Morcego das frutas

(Artibeus lituratus) Sociabilidade – Grupo Atividade – Noite Refúgio – Folhas Alimentação – Frutas É o morcego mais comum na cidade, onde se alimenta de frutas como o jamelão, amêndoa, manga e outras. Vive em grupos compostos por 1 único macho e várias fêmeas, geralmente em galhos de árvores. Possui coloração parda com 4 listras brancas na cabeça, acima e abaixo dos olhos.

Morcego cauda de rato (Molossus ater)

Sociabilidade – Grupo Atividade – Crepúsculo Refúgio – Sótãos Alimentação – Insetos É um morcego muito comum. Também freqüentemente se refugia em telhados. Se alimenta de insetos. Possui coloração preta uniforme e é maior que o morcego das casas. Seus locais de repouso são reconhecíveis pelo cheiro forte.

Falso vampiro (Phyllostomus hastatus)

Sociabilidade – Grupos Atividade – Noite Refúgio – Troncos Alimentação – Onívoro É uma das maiores espécies encontradas. Se alimenta de pequenos animais, porém também aceita frutas e lambe flores como o beija-flor. Possui coloração negra uniforme. Vivem em ocos de árvores em grupos de 1 macho e várias fêmeas.

Morcego beija-flor (Glossophaga soricina)

Sociabilidade – Grupos Atividade – Noite Refúgio – Folhas Alimentação – Frutas É uma espécie de pequeno porte. Possui língua alongada que o auxilia a lamber as flores para obter o néctar de que se alimenta. Tem cor parda uniforme.

10 MOTIVOS PARA CONSERVAÇÃO DOS MORCEGOS

Morcegos são importantes elo na cadeia alimentar.
As fezes dos morcegos constituem ótimo adubo.
Na saliva do morcego vampiro há uma substância anti-coagulante e poderá ser empregada largamente no tratamento de doenças vasculares.
Morcegos poderão atuar como controladores de pragas na agropecuária.
Morcegos tem sido analisados na utilização do sonar que poderá ajudar o homem.
São grandes controladores de insetos.
São responsáveis pela formação de florestas.
Há morcegos que se alimentam de pequenos animais, como os ratos, controlando-os.
Morcegos ajudam na reprodução de mais de 500 espécies de plantas.
Morcegos são utilizados em pesquisas, inclusive de medicamentos, que poderão ajudar o homem.

TIPOS DE MORCEGOS MAIS COMUNS NAS CONSTRUÇÕES HUMANAS

GENEROS
LOCAIS MAIS ENCONTRADOS
ALIMENTAÇÃO

Phyllostomus Stos, ocos, folhagens Onivoro
Glossophaga Casas, bueiros, folhagens Nectar e plen
Carollia Casas, tneis, minas Frutas
Artibeus Arvores proxima residencias, casas Frutas
Lasiurus Casas, Arvores Insetos
Eptesicus Ocos, casas Insetos
Mollossops Casas, telhados, ocos, forros, vo de dilatao Insetos
Mollossus Casas, telhados, ocos, forros, vo de dilatao Insetos
Eumops Cumeeiras, stos, forros Insetos

LOCAIS MAIS PREFERIDOS PELOS MORCEGOS URBANOS E PERI-URBANOS

Casas – forros (caibros, linhas, paredes), sótãos e porões, frestas na paredes e marquises.
Armazéns fechados.
Garagens.
Igrejas.
Túneis e bueiros.
Silos.
Pontes.
Poços de água (cacimba e cisternas).
Árvores próximas (folhagens, ocos e galhos).
Outros locais escuros da casa (móveis, cortinas, plantas, etc.).

TRAUMATISMO CRANIANO

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Autor: Ricardo Furlan Alonso

Por definição, as lesões traumáticas do SNC tem surgimento rápido. Muitos pacientes traumatizados apresentam-se com lesões cranianas, nas nem todos sofrem lesão ao SNC. Os pacientes que sofrem lesão ao SNC são definidos como apresentando traumatismo craniocerebral (TCC), independentemente da localização precisa da lesão no cérebro. Muitos pacientes com TCC morrem ou ficam gravemente incapacitados. O objetivo do clínico é a reversão das lesões reversíveis, ao mesmo tempo que tenta evitar a ocorrência de outras lesões. A causa mais comuns de TCC é o acidente automobilístico (atropelamento). Outras causas são: traumatismo contuso, quedas, combates entre animais, e ferimentos por arma de fogo.

As lesões traumáticas do sistema nervoso não apenas causam lesões imediatas e diretas aos tecidos nervosos (eventos primários); elas também iniciam uma cascata metabólica secundária, que piora a moléstia neurológica, ao mesmo tempo que causa distúrbios sistêmicos e metabólicos. Estes eventos secundários podem estar relacionados a ativação do sistema nervoso simpático. O aumento da PlC, hipertensão sistêmica, necrose do miocárdio, arritmias cardíacas, edema pulmonar e aumento da necessidade por nutrientes são eventos ocorrentes em seguida a TCC. Outros eventos secundários resultam de liberação de opióides endógenos, liberação de neurotoxinas excitatórias, produção de radicais livres, liberação de ácidos graxos livres, perda de fosfátos de alta energia, acidose do SNC, e desequilibrio iônico a nível do SNC.

A importância relativa destes fatores permanece ainda desconhecida, do mesmo modo que o lapso de tempo necessário para que estes eventos secundários produzam lesões irreversíveis ao SNC.

Eventos Primários

Os eventos primários ocorre por ocasião da lesão, sendo de natureza basicamente mecânica. Os tratos fibrosos sofrem ruptura mecânica, e as membranas celulares são lesionadas. Estas rupturas mecânicas podem não ser reparáveis. Esta lesão física imediata é uma contusão. Pode ocorrer também a ruptura fisiológica reversível de algumas células: urna concussão. As concussões são completamente reversíveis.

Eventos Secundários

– Alterações de Pressão

A pressão intracraniana (PlC) eleva-se na maioria dos pacientes com traumatismo do SNC, geralmente como resultado do edema cerebral e hemorragia intracraniana. A PIC elevada diminui o fluxo sanguineo cerebral, mediante a compressão das veias durais, elevando ainda mais a PIC. Se não tratada, a PIC elevada poderá resultar em herniação cerebral. A PIC elevada deverá ser tratada com diuréticos, agentes osmóticos, e esteróides. A produção do LCR poderá ser também diminuída pelo uso de diuréticos e osmóticos. O volume sanguineo intracraniano é diminuído pela hiperventilação e elevação da cabeça. O clínico pode tentar redução da taxa metabólica cerebral, resfriando a cabeça; ou, em alguns casos, anestesiando o paciente.

– Edema.

O edema cerebral pode ser citotóxico ou vasogênico. O edema citotóxico acumula-se nas células, particularmente neurônios e astrócitos, e geralmente decorre da hipóxia celular. O edema vasogênico é extracelular e origina-se do extravasamento através de BHE lesionada. O edema vasogênico afeta primariarnente a substância branca, sendo mais propicio a terapia, do que o edema citotóxico.

– Hipoxia

Hipoxia significativa do SNC ocorre na maioria dos pacientes de TCC, geralmente como consequência da PIC elevada. Os pacientes hipóxicos também podem apresentar hipercarbia, o que elevará ainda mais a PIC.

– Convulsões

Muitos pacientes com TCC apresentam-se com convulsões, imediatamente ou corno sequela retardada do Traumatismo.

– Abordagem Diagnostica

O primeiro passo no tratamento de pacientes de TCC é a estabilização de lesões não-nervosas com risco de vida. O choque deve ser tratado, e o paciente será avaliado em busca de evidências de pneumotórax e arritmias cardíacas. Se o abdômen está tenso ou dolorido, estarão indicadas a radiografia e a ultra-sonografia para a detecção de víscera rompida ou órgão abdominal lacerado. Quando o estado clínico geral do paciente estiver estabilizado, será avaliada a lesão intracraniana.

Primeiramente, a lesão é localizada. Esta localização estabelece uma base de dados, que ajudará na determinação do curso terapêutico inicial, monitoração da terapia, e fornecimento do prognóstico.

Devemos estabelecer se o paciente está sofrendo lesão ao SNC, ou ao SNP, pois ha diferenças nos tratamentos e prognósticos. Poucos pacientes com lesão ao SNP necessitarão de tratamento. Por exemplo, pacientes com lesões vestibulares periféricas podem aparentar profunda desorientação, mas tem lesão que necessita de pouco tratamento, e com bom prognóstico. Em contraste, pacientes com lesão do SNC frequentemente necessitam de tratamento vigoroso, e tem prognóstico sombrio. Por exemplo, pacientes com lesão ao tronco cerebral recebem prognóstico sombrio, mesmo com o tratamento.

Geralmente os pacientes com lesão ao SNP sobrevivem sem sequelas sérias. Em contraste, pacientes com lesão ao SNC talvez não sobrevivam, e podem apresentar sequelas sérias, como a epilepsia, mudanças da personalidade, e paralisia grave dos membros. A diferenciação entre as lesões ao SNP e SNC baseia-se no exame neurológico do paciente.

Abordagem Terapêutica

– Tratamento Clinico

Assim que se tenha completado a avaliação inicial, deverá ter inicio o tratamento clinico. Elevar a cabeça; isto facilitará o esvaziamento passivo do seio venoso, diminuirá a PIC, favorecerá a reabsorção do LCR, e ajudará na manutenção do fluxo sanguineo cerebral.

Com o aumento do CO2, também aumenta a vasodilatação, e isto aumenta o volume intracraniano, elevando diretamente a PIC. O oxigênio diminui o CO2, diminuindo a PIlC. O oxigênio pode ser fornecido através de linha nasal de oxigênio, através de câmara de oxigênio, ou, se o paciente está comatoso, por intubação. A intubação e a hiperventilação constituem o modo mais rápido de reverter a hipercarbia e a hipoxia num paciente em estado de estupor ou de coma. O oxigênio também atua na prevenção ou reversão do edema cerebral.

Os esteróides reduzem o edema e estabilizam as membranas celulares. Os esteróides também estabilizam a BHE, evitando o desenvolvimento de mais edema. Os esteróides reduzem a resposta inflamatória que resulta da necrose tecidual, diminuindo a desmielinização secundária ocorrente 1 a 5 dias após o TCC. O uso de esteróides deve ser de curta duração, pois estes medicamentos podem inibir a remielinização. Os esteróides devem ser iniciados por via intravenosa. Os regimes terapêuticos diferem, com base no momento em que o paciente se apresentou, com relação ao movimento de ocorrência do traumatismo.

Quando o paciente é apresentado dentro de uma hora após o traumatismo, e se seu nível de consciência está deprimido, há dois protocolos possíveis:

1º – Administrar metilprednisolona, (30 mg/ kg), em injeção intravenosa rápida concentrada; em seguida, repetir esta injeção em 2 e 6 horas. Esta medicação é seguida pela infusão continua de metilprednisona na base de2,5 mg/kg hora durante 48 horas. Depois desta medicação, suspender os esteróides.

2º – Administrar succinato sódico de prednisona, 30 mg/kg por via intravenosa; repetir a dose a 2 e 6 horas. Em seguida, administrar succinato sódico de prednisolona em forma de infusão IV continua na velocidade de 5mg/kg/hora, durante as próximas 48 horas.

Quando o paciente é apresentado mais de uma hora, mas menos de 8 horas após a lesão, ou se não está em coma, administrar injeção intravenosa concentrada rápida de succinato sódico de prednisona, 30 mg/kg; em seguida, administrar dexametasona na dose de 0,1 mg/kg duas vezes ao dia, durante 3 dias.

Diversos diuréticos revertem o edema cerebral: osrnóticos diuréticos (P.e, manitol), inibidores da anidrase carbônica, e furosemida. Administrar furosemida na dose de 0,7 mg/kg, como injeção IV concentrada rápida. Repetir a dose a cada 4 horas. Aparentemente a furosernida diminui a produção do LCR, e facilita a reabsorção do edema cerebral.

Quando o paciente apresenta-se com nível de consciência reduzido, deverá ser administrada injeção I.V. rápida única concentrada de manitol, 1g/kg, numa solução a 20%, e na velocidade de 2ml/kg/minuto. O manitol deve sen administrado juntamente com a furosemida, pois os efeitos clínicos de cada um destes medicamentos ficam prolongados, e fica reduzido o edema de rebote, quando os agentes são administrados concomitantemente.

Os bloqueadores do cálcio, vasodilatadores, antagonistas narcóticos, prostaciclina, e antiprostaglandinas como a aspirina, já foram defendidos como capazes de evitar lesões vasculares pós-traumáticas, ao impedir o vaso espasmo ou a formação de microtrornbos arteniolares. Não utilizamos rotineiramente estes medicamentos em pacientes de TCC.

Para pacientes com convulsões, são administrados benzodiazepinicos intravenosos (como o diazepam ou lorazepam), para o controle das convulsões ativas. Também fica recomendado o regime de anticonvulsivantes orais. A terapia anticonvulsivante poderá ser reduzida paulatinamente e suspensa, se o paciente permanecer livre de convulsões durante 6 meses.

Terapia Cirúrgica

Raramente ha necessidade de cirurgia em seguida a um TCC, a menos que o paciente apresente fraturas cranianas com achatamento, que estejam comprimindo tecido nervoso, ou ferida aberta que possa introduzir uma infecção. Alguns autores defendem a exploração cirúrgica para os hematomas, em pacientes num estado de deterioração. Não presenciamos qualquer resultado benéfico em pacientes que foram submetidos a explorações “cegas”. Caso se possa obter imagens por MRI e varreduras CT, a cirurgia deverá ficar reservada para os pacientes com lesões em massa documentadas.

Tratamento Auxiliar

Uma terapia auxiliar apropriada é essencial. Tal tratamento deverá constar de líquidos e da monitoração cuidadosa dos eletrólitos; além disto, o paciente será mudado de posição frequentemente, para que sejam evitadas feridas de decúbito. Deverá ser instituída a hiperalimentação, caso o paciente se mostre incapaz do ingerir o alimento.

Prognóstico

A gravidade e a localização da lesão determinam o prognóstico. No caso de lesões confinadas ao SNP, o prognóstico é em geral bom. Geralmente, os pacientes em coma por mais de 48 horas não se recuperam. Após estas duas generalizações, o prognóstico será melhor determinado pela observação dos sinais se estão estáveis ou em processo de deterioração, e pelo conhecimento do local da lesão no SNC. Os pacientes com lesões em processo de deterioração terão resultados sombrios. Os aspectos clínicos da deterioração em casos de TCC são aspecto mental em rápido declínio, pupilas dilatadas, paresia progressiva, bradicardia, e/ou perda do nistagmo oculovestibular. Os sinais comumente indicam a herniação cerebral. Os pacientes com lesões do hemisfério cerebral frequentemente tem prognóstico razoável. Embora muitos pacientes com lesão do hemisfério venham a melhoram, poderão ficar com deficiências comportamentais persistentes. As lesões ao tronco cerebral geralmente tem prognóstico sombrio. As lesões cerebelares geralmente tem prognóstico regular a bom.

O grau de ativação do sistema nervoso simpático é importante determinante prognóstico em pacientes com TCC. A mensuração das catecolaminas circulantes aumentou a precisão prognóstica em seres humanos com TCC. Pacientes com níveis sensivelmente elevados de norepinefnina (NE) tiveram prognóstico muito mais sombrio que os com níveis normais de norepinefrina.

O Dr. A. Shores, da “Michigan State University” está avaliando urna escala prognostica para uso em Medicina Veterinária. Uma baixa pontuação (3 a 7) previa confiavelmente um resultado fatal, nesta escala. Uma pontuação elevada (11 a 16) foi confiavelmente associada a resultado favorável. As pontuações intermediárias estão menos confiavelmente associadas ao resultado previsto.

EDEMA PERIFÉRICO

Edema refere-se ao acúmulo de quantidades excessivas de liquido extracelular no espaço intersticial. O termo edema nada implica, com relação ao volume plasmático, que pode estar aumentado, diminuído, ou normal. Nem a presença de edema implica qualquer coisa com relação ao volume celular, que comumente permanece normal. Edema periférico é a denominação utilizada na diferenciação entre o edema ocorrendo em qualquer dos leitos vasculares periféricos (sistêmicos) e o edema pulmonar, em que é afetada a vasculatura pulmonar. Os termos comumente empregados na descrição das localizações anatômicas do edema periférico são: ascite (acúmulo de líquido na cavidade peritonial), hidrotórax (excesso de liquido na cavidade pleural), hidropericcirdio (excesso de liquido no espaço pericárdio), e edema subcutâneo (aumento do volume de liquido nos espaços intersticiais dos tecidos subcutâneos.

O edema periférico pode ser localizado ou generalizado quanto a sua distribuição, dependendo de sua etiologia e do mecanismo de formação. Para que seja considerado generalizado, o liquido deve acumular-se tanto cranial, quanto caudalmente ao diafragma. O edema pode ser inflamatório ou não inflamatório, dependendo do processo fisiopatológico subjacente.

FISIOLOGIA MICROCIRCULATÓRIA E MECANISMOS DE FORMAÇÃO DO EDEMA

Cerca de dois terços de toda a água corporal se encontram no interior das células. A água restante é extracelular, estando distribuída entre o compartimento vascular (água do plasma) e o compartimento intersticial. Sob condições normais, o volume de água em cada um destes compartimentos permanece quase constante, a despeito do movimento da água e dos eletrólitos para o interior e exterior dos capilares. Esta troca balanceada de líquidos na microvasculatura implica na necessidade de sistema circulatório intacto e normalmente funcionante, um sistema linfático intacto e normalmente funcionante, e uma concentração normal para a albumina plasmática. Se um ou mais destes fatores estiver anormal, o liquido poderá deixar os capilares numa velocidade superior a velocidade de retorno, provocando expansão do compartimento intersticial (edema).

As forças responsáveis para a troca de líquidos entre os capilares e o intersticio estão relacionadas matematicamente pela lei de Starling*, que define que o movimento resultante da água é determinado pela diferença entre as forcas de filtração e as forcas de absorção. A pressão hidrostática capilar e a pressão colóido-osmótica do liquido intersticial constituem as forças de filtração que promovem o fluxo de água e dos solutos difusíveis, do interior do capilar. As forças de absorção são a pressão oncótica plasmática e a pressão hidrostática do liquido intersticial (tensão tecidual). Há um movimento resultante de liquido desde os capilares ate o intersticio, em decorrência destas forças. O líquido que deixa o espaço vascular em excesso é retornado do espaço intersticial pelo sistema linfático. Assim, o equilíbrio é alcançado pelo balanceamento das forças de Starling exercidas através das membranas capilares e pelo fluxo linfático. Este equilíbrio requer revestimento endotelial vascular normal.

Embora a lei de Starling possa ser modelo excessivamente simplificado da troca de líquidos na microvasculatura, ela proporciona um modelo clínico extremamente útil essencialmente todas as formas clínicas de edema refletem uma expansão do compartimento do líquido intersticial, devido a perturbação numa das forças de Starling, ou graças ao aumento na permeabilidade vascular. Em termos práticos, quatro mecanismos são responsáveis pela formação do edema: (1) aumento da pressão hidrostática capilar, (2) diminuição da pressão oncótica plasmática, (3) obstrução linfática, e (4) aumento da permeabilidade vascular. Os diagnósticos diferenciais para o edema periférico são mais logicamente considerados segundo estes quatro mecanismos, bem corno em concordância com a distribuição do edema.

Um aumento da pressão hidrostática capilar media pode produzir edema não-inflamatório que é localizado ou generalizado, dependendo da causa do aumento da pressão. A pressão intravascular é influenciada principalmente pela pressão venosa, e não pela pressão arterial. Assim, a um nível local a causa mais importante do aumento da pressão hidrostática capilar é a obstrução localizada ao fluxo venoso (a pressão aumenta, par detrás da obstrução).As causas são a trombose ou a tumor intravascular, ou as lesões compressivas extravasculares coma tumor, granuloma, abscesso, dilatação gástrica, bandagem, ou coleira. Um aumento localizado na pressão hidrostática capilar ocorre menos comumente em decorrência de fistula arteriovenosa. Nesta lesão, a pressão hidrostática capilar aumenta, devido a comunicação direta entre a artéria e a veia.

A causa mais frequente do aumento generalizado na pressão venosa é a insuficiência do coração direito ou a deficiência do enchimento do coração direito. Embora a edema em decorrência da insuficiência cardíaca seja tipicamente mais generalizado que o resultante de lesão obstrutiva local, cães com insuficiência cardíaca frequentemente apresentam-se com ascite sem edema subcutâneo ou hidrotórax significativo. Em contraste, gatos com insuficiência cardíaca rapidamente formam derrame pleural na ausência de grandes derrames asciticos, e podem apresentar hidrotórax diante de cardiopatia do coração esquerdo grave ou crônica. Um aumento generalizado na pressão venosa também pode resultar da rápida expansão da volemia, mediante a administração de grande volume de liquido, numa velocidade que excede a capacidade dos rins em excretar este excesso.

Vista que a principal força de oposição ao movimento da água e solutos difusiveis a partir dos capilares ate o interstício é a pressão colóido-osmótica, uma queda na concentração das proteínas plasmáticas pode resultar num edema generalizado não inflamatório. A albumina, em decorrência de sua abundância e peso molecular relativamente baixo, é responsável pela major parte da pressão oncótica plasmática, e a edema decorrente da hipoproteinemia é quase sempre a resultado da hipoalbuminemia. A hipoalbuminemia pode ser causada pela síntese inadequada ou pela perda excessiva.

Visto que a equilíbrio de Starling depende do fluxo linfático para a retorno do excesso do liquido que deixa as capilares para a compartimento vascular, qualquer lesão que impeça a absorção ou a fluxo da linfa ira causar edema. O edema decorrente de obstrução linfática é quase sempre localizado, porque a obstrução é comumente focal. A obstrução linfática pode resultar de lesões que afetam as canais linfáticos, ou de lesões que provocam a obstrução a nível dos linfonodos. Assim, esta forma de edema pode ser causada par traumatismo, interrupção cirúrgica, malformação congênita, e diversos processos inflamatórios ou neoplásicos. O edema deste tipo é particularmente comum em casos de tumores malignos que crescem e provocam a obstrução da drenagem linfática. Uma condição edematosa localizada que pode mimetizar a edema generalizado é a linfedema primário, uma anormalidade congênita dos vasos linfáticos ou linfonodos que pode ocorrer numa, ou em todas as extremidades.

Visto que o equilíbrio de Starling depende da integridade estrutural dos capilares, a lesão endotelial ira resultar em edema. O edema resultante de lesão endotelial capilar é mais comumente um fenômeno inflamatório localizado, acompanhado por outras características da resposta inflamatória (p.ex., calor, dor, eritema). Menos frequentemente, toxinas, agentes químicos ou agentes infecciosos produzem aumento disseminado na permeabilidade capilar, ocorrendo o edema generalizado.

ACHADOS DA HISTÓRIA CLÍNICA

Em se tratando de pacientes edematosos, deve ser feita a tentativa para a determinação do momento em que teve inicio o problema (“idade do edema”), e a rapidez da progressão dos sinais clínicos. A presença de a edema em fase inicial, ou de edema de leve intensidade, pode passar despercebido pelo proprietário do animal. Frequentemente, animais com edema periférico são levados ao veterinário devido a “inchaço” no abdômen, decorrente do liquido peritonial, ou por causa de respiração laboriosa, decorrente do comprometimento da expansão pulmonar, causado por hidrotórax e/ou ascite. Comumente o edema não-inflamatório tem inicio insidioso e, quando os tecidos subcutâneos são afetados, tem inicio nas partes mais baixas do corpo. Em contraste, o edema de natureza inflamatória é frequentemente agudo, e pode ter inicio em áreas não dependentes.

ACHADOS FÍSICOS

O componente intersticial (10 compartimento do 11-quido extracelular pode aumentar significativamente, antes que os sinais clínicos possam ser identificados. Portanto, comumente o ganho de peso precede as outras manifestações do edema. Outros sinais clínicos específicos dependerão da gravidade, extensão e localização anatômica do acúmulo anormal do liquido, que, por sua vez, reflete a causa subjacente. O clínico, ao examinar o paciente, deve determinar se o liquido nas cavidades corporais, se há presença de líquido subcutâneo, ou se está ocorrendo a combinação do derrame em cavidade(s) corporal(is) e de edema subcutâneo. A auscultação e percussão do tórax podem revelar a presença de liquido pleural. A auscultação cardíaca pode detectar evidências de cardiopatia (murmúrios, galopes, arritmias) ou de derrame pericárdico (sons cardíacos abafados). Deve ser efetuada a palpação abdominal, para a identificação da presença de ascite, massas, e/ou organomegalia. Aumentos de volume do fígado ou baço num paciente edematoso são sugestivos de congestão passiva ou de neoplasia. Podemos observar a não-complacência do tórax cranial ou o deslocamento do impulso apical cardíaco em alguns animais, com uma massa mediastinal cranial.

As porções mais baixas do corpo devem ser cuidadosamente inspecionadas e palpadas, em busca de edema subcutâneo. Quando o edema subcutâneo de natureza nao-inflamatória é suficientemente grave, um dedo pressionado contra o tecido edematoso produz depressão duradoura, denominada edema depressivel. O edema subcutâneo não-inflamatório étipicamente indolor, sem que ocorra claudicação ou calor associado, e a pele comumente mostra-se macia e intacta. Entretanto, pode ocorrer inflamação secundária, causando localmente calor, dor, exsudação e ulceração. Se o edema se deve a presença de fistula arteniovenosa, a palpação pode revelar pulsos hiperdinâmicos e frêmito; pode ser auscultado ruído ou murmúrio de maquinaria.

O exame dos linfonodos de pacientes com edema periférico pode revelar crescimento sugestivo de neoplasia ou linfangite. Os linfonodos podem estar ausentes em pacientes com linfedema primário. As glândulas mamárias e a região perineal devem ser cuidadosamente examinadas em busca de neoplasia, que pode ter causado o edema, como resultado da invasão dos linfaticos regionais.

PLANO DIAGNÓSTICO

A distribuição do edema é um meio auxiliar diagnóstico importante. O edema de um dos membros pélvicos ou de um ou ambos os membros torácicos se deve geralmente a obstrução venosa e/ou linfática. A obstrução da veia cava cranial causa edema subcutâneo do pescoço, membros torácicos e, ocasionalmente, pescoço e face. O edema facial também pode originarse de reações alérgicas e envenenamentos. O edema que resulta da hipoalbuminemia acomete primeiramente as partes baixas, e em seguida generaliza-se. Em cães, a insuficiência cardíaca congestiva tende a causar ascite com ou sem hidrotórax, enquanto que os gatos sofrem o hidrotórax clinico antes da ascite.

Radiografias exploratórias e a avaliação sonográfica do tórax e abdômen devem ser obtidas de animais com derrame em cavidade corporal ou com edema generalizado, para a confirmação da presença de liquido, para a detecção de massas, e para a avaliação do tamanho e forma do coração, fígado e baço. Radiografias da região anatômica afetada devem sen obtidas de pacientes com edema localizado, numa tentativa de identificação de lesões traumáticas ou neoplásica. O hemograma completo normalmente proporciona informações diagnosticas específicas em pacientes edematosos, mas pode revelar altenações associadas a processo inflamatório. O perfil bioquímico do sono é utilizado na confirmação ou exclusão da hipoalbuminemia como mecanismo subjacente do edema, e para a identificação da disfunção hepática ou renal, que pode estar contribuindo ou causando o acúmulo de líquido. A análise do liquido removido do derrarne das cavidades corporais diferenciará entre processos inflamatórios e não-inflamatórios, e também pode revelar um agente etiológico (microrganismos ou células neoplasicas). Testes sorológicos para agentes virais ou riquetsiais devem ser obtidos em animais com edema e evidência clínica de vasculite (p.ex., febre, leucocitóse, trombocitopenia). Pode haver justificativa para uma avaliação cardíaca completa, inclusive com a mensuração da pressão venosa central, para a verificação da presença de insuficiência cardíaca congestiva como causa da ascite ou derrame pleural. A venografia e as mensurações da pressão venosa podem ser utilizadas na identificação da presença e localização da oclusão venosa. A arteriografia é necessária para a confirmação da presença e localização da suspeita de fistula arteriovenosa. A linfografia e a linfocintigrafia são procedimentos imagisticos úteis em pacientes sob suspeita de obstrução linfática. Talvez haja necessidade de biópsia da pele e tecidos subcutâneos afetados, pana o exame histopatológico e culturas microbianas, para a obtenção do diagnóstico definitivo em pacientes sob suspeita de vasculite, celulite, ou obstrução linfática secundária.

O fluxograma sumaria a abordagem diagnostica sugerida para pacientes com edema periférico.

OBJETIVOS DO TRATAMENTO E RESULTADOS

O tratamento do edema periférico requer a identificação e terapia especifica para a causa subjacente. O tratamento auxiliar, na forma de aspiração do líquido, está indicado em pacientes com comprometimento das funções respiratórias e/ou cardíacas, em decorrência do derrame pleural e/ou pericárdio. A hipotensão pode resultar de volume circulante ineficaz em alguns pacientes portadores de estados edematosos graves, justificando-se a administração intravenosa de plasma e/ou líquido. A terapia diurética raramente trana benefícios a longo prazo, exceto em pacientes com edema de origem cardíaca. O prognóstico a longo prazo para os pacientes com edema periférico depende do tratamento bem sucedido do mecanismo da patologia subjacente.

TRICHONEMATE

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Autor: Vanessa Bottoni

Introdução

A infestação parasitária é um sério problema de saúde para cavalos de todas as idades. O organismo do cavalo serve de hospedeiro para muitos parasitas. As larvas dos vermes podem ser encontradas nas pastagens, estábulos, cocheiras e em qualquer outro local contaminado com fezes de eqüinos (embora algumas larvas possam ser transportadas por insetos).

A infestação acontece quando as larvas são ingeridas pelo cavalo enquanto pasteja e
então encontram seu caminho dentro do organismo do animal, onde se instalam, crescem e se tornam vermes adultos. Durante toda a vida, o cavalo está sujeito a infestações. Dependendo do tipo e do número de vermes em seu corpo, o cavalo pode se tornar anêmico ou sofrer destruição de tecidos, obstruções intestinais, bloqueio de vasos sangüíneos e outros sérios distúrbios de saúde. Isso acontece porque os vermes acabam competindo com o cavalo pelos nutrientes de sua dieta, levando-o a uma diminuição de performance e capacidade no trabalho, reprodução e crescimento.

Estrongilos

Os Estrongilos são os mais importantes e os mais comuns de todos os parasitas internos dos eqüinos. Parasitam cavalos de todas as idades, exceto poldros até aos 6 meses. Strongylus estão divididos em duas categorias:

Grandes Estrongilos.
Pequenos Estrongilos

Grandes Estrongilos

Os Grandes Estrongilos, são mais perigosas que os pequenos, devido, principalmente,as suas migrações no organismo do hospedeiro. Este grupo de parasitas é composto pelos Strongylus Vulgaris, Strongylus Edentatus e Strongylus Equinus. Estes parasitas têm provavelmente morto mais cavalos através dos séculos do que bactérias, vírus, fome, invernos rigorosos ou qualquer outra causa.

Pequenos Estrongilos

Os Pequenos Estrongilos, até à 20 anos, foram classificados no género Trichonema, a partir de 1975, foram reagrupados, por Lichtenfels em 4 géneros, na sub-família: Cyathostominae (Cyathostomus, Cylicocyclus, Cylicodontophorus e Cylicostephalus), somando-se depois outros 2 (Gyalocephalus e Poteriostomum). O número de espécies é enorme, superando 40, mas existem dificuldades na sua classificação, ainda dos adultos das 10-12 espécies mais frequentes.

MORFOLOGIA – Apresentam cápsula bucal desenvolvida com coroa radiada, variando a quantidade de dentes de acordo com a espécie. A variação de tamanho é de 9 a 25 mm.

HOSPEDEIRO DEFINITIVO – Equinos e asininos.

LOCAL DE PARASITISMO – Intestino grosso, principalmente ceco e colo.

CICLO – Verme adulto no intestino do HD. Fezes são eliminadas contendo ovos do parasita com L1 (larvas de primeiro estágio). Ocorre eclosão do ovo e liberação de L1. As larvas L1 evoluem à L2 (L1 e L2 são rabditóides). As larvas L2 evoluem à L3 (L3 são
filarióides). O HD ingere capim com L3. As L3 chegam ao intestino grosso, penetram na parede podendo causar cólicas e diarreias, bem como perda de mobilidade, apetite e peso. Na parede ficam em forma de nódulo. No nódulo evoluem para L4 e finalmente L5. Como L5, voltam à luz do órgão e desenvolvem-se até vermes adultos.

TRANSMISSÃO – Ingestão de pastagens contaminadas com L3.

PATOGENIA :

Vermes adultos provocam anemia e edema.
Ulcerações a nível de mucosa intestinal.
Enterite catarral.
Dificuldade de absorção e diarréia.
Invasões secundárias por bactérias nas lesões.
DIAGNÓSTICO – Exame de fezes pelo método de Willis; cultura de larvas e posteriormente a utilização do método de Baerman.

TRATAMENTO – Existem vários fabricantes de vermífugos bastante conhecidos. Quase todos eles se apresentam em bisnagas com conteúdo pastoso ou em forma de gel. Estas bisnagas possuem graduação indicando a dosagem de acordo com o peso do animal. Existem vermífugos com cinco tipos básicos de drogas anti-helmínticas: benzoimidazóis (mebendazol, thiabendazol, canbendazol, fenbendazol, oxfendazol e oxibendazol); organofosforatos (dichlorvos e trichlorfon; piperazinas (associadas ou não ao dissulfeto de carbono e a fenotiazínicos); carbamatos (pomoato de pirantel e tartarato de pirantel) e ivermectin.