Técnicas Adequadas de Descongelamento de Produtos Cárneos

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Autor: Suelen Aparecida da Silva

1. INTRODUÇÃO

O congelamento é, indiscutivelmente um dos melhores métodos de conservação de alimentos. Adequadamente conduzido, inibe a deterioração microbiológica, reduz a velocidade das reações químicas, como a atividade enzimática e a oxidação de gorduras, ao mesmo tempo em que retém o sabor, o aroma, a cor e o valor nutritivo dos alimentos e pouco altera a textura dos produtos após o descongelamento (Robertson, 1992).

O congelamento é um meio para prolongar a vida útil de carnes e derivados, pois à medida que a temperatura é reduzida às reações físicas, químicas e bioquímicas que acarretam alterações sensoriais nestes produtos passam a ocorrer em baixa velocidade, apesar de não serem completamente paralisadas mesmo quando o alimento é armazenado a -30ºC. Ao mesmo tempo, parte dos microrganismos deterioradores deixa de se multiplicar, sendo que a maioria das bactérias e fungos pára de se desenvolver a -8º C, e parte é destruída (Paine & Paine, 1983).

De modo geral, os produtos cárneos congelados possuem como parâmetro de qualidade, o grau de desnaturação protéica que ocorre durante o armazenamento. A desnaturação das proteínas ocorre devido às condições de congelamento e descongelamento e oscilações na temperatura de armazenamento. Com a desnaturação, as proteínas perdem a capacidade de reter água, o que irá alterar a textura da carne após o descongelamento e suas propriedades funcionais (Ardito, 1994) ¹.

Muitos alimentos congelados, principalmente a carne, gozam, entre grande parte de consumidores, de certo desprestígio, pelo conceito distorcido de que os mesmos apresentam qualidades impróprias e, por isso, despertam certas repugnâncias.

Essas imperfeições às vezes realmente ocorrem e constituem o resultado de uma congelação ou descongelação inadequada ou a soma de uma congelação mal conduzida e descongelação correta, ou ainda de uma congelação correta e descongelação mal conduzida.

O produto congelado e descongelado segundo as normas preconizadas, em absoluto sofrerá redução de suas condições originais.

Admitindo-se a regularidade dos processos anteriores, cabe, então à descongelação mal empreendida, a responsabilidade dos defeitos registrados; para que não haja, então, quebras de qualidades organolépticas dos produtos durante a descongelação, nunca deverão ser desprezados os parâmetros de temperatura, tempo, condições ambientais e proteção do alimento.

A descongelação de alimentos não é o processo similar ao da congelação, pelo ciclo de temperatura de ambas, que é inverso, e por haver na descongelação, maior tempo de duração, fenômenos de condensação de umidade atmosférica na superfície do alimento e extravasamento de líquidos não reabsorvidos.

Mais do que nunca a higiene dos alimentos tem que ser colocada em prática, pois dela dependerá a melhor qualidade organolépticas e nutritiva ².

2. CRESCIMENTO DE MICRORGANISMOS EM CARNES DESCONGELADAS

O crescimento microbiológico após o descongelamento depende primeiramente da temperatura do descongelamento e do tamanho da amostra. Elliot & Straka (1964) reportaram que a vida de prateleira a 2°C para carne de frango moída congelada foi similar à carne que não foi congelada.

Durante a estocagem congelada, os microrganismos que fazem parte da microbiota encontram-se na fase estacionária desde que a temperatura esteja abaixo da mínima para o crescimento. Esse crescimento não é iniciado logo depois de alcançada a temperatura de descongelamento, pois normalmente ocorre a fase lag, e sua duração dependerá do estado em que se encontra a bactéria e da temperatura de descongelamento. A duração desta fase pode ser muito importante, à medida que, dada às condições apropriadas, o descongelamento pode ser consumado antes da flora deteriorada entrar na fase exponencial. Há evidências que a duração dessa fase lag aumenta com o aumento do período de estocagem congelada (Lowry & Gill, 1985).

Maxcy et al. (1973) observaram que a 5°C havia dois dias de fase lag após o descongelamento para a carne de frango moída antes do início do rápido crescimento bacteriano.

Segundo Sulzbacher (1952), a fase lag em carne suína e bovina moída descongelada teve duração de pelo menos 48 horas. Houve alguma aceleração no crescimento durante o período de dois a cinco dias, mas sem grande aumento na contagem e após o quinto dia os microrganismos entraram na fase lag ³.

3. DESCONGELAMENTO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS

Com as modernas técnicas de que dispomos, é possível cozinhar diversos tipos de alimentos sem proceder ao seu descongelamento. De fato, muitos produtos não devem ser descongelados, devido à maneira em que foram preparados. Pequenos pedaços de carne vermelha e de aves, alimentos cozidos preparados com peixe, carne e aves estão nessa categoria. No entanto, os grandes pedaços de carne e todos os tipos de aves congeladas inteiras, devem ser completamente descongelados antes do cozimento 4.

A dona-de-casa também tem que estar atenta a todos os processos que antecedem o descongelamento do seu alimento como, por exemplo: o frigorífico, o açougue, as autoridades sanitárias e seguir as tarefas de caráter fundamental para que a carne seja consumida em bom estado.

São necessários que sejam observados os seguintes itens:

Se os frigoríficos iniciam o processo de descongelação antes da remessa ao açougue, mas não em temperatura ambiente;
Se o transporte da carne proveniente das câmaras frias até os locais de consumo ou descongelamento é realizado corretamente;
Se nos estabelecimentos retalhistas, os quartos descongelados são submetidos às manipulações estritamente necessárias para os cortes.
Observar as características normais da carne congelada, como por exemplo, endurecimento, ressecamento superficial por cristalização da umidade e conseqüente desidratação e perda de peso, a coloração superficial é vermelho-escura (desidratação e oxidação da miohemoglobina), coloração profunda inalterada.
Depois da descongelação, as aves apresentam-se úmidas na superfície, de uma maneira mais acentuada em redor das aberturas naturais, amolecimento geral das partes musculares, e ligeiro odor especial.
Quaisquer alterações podem apresentar perigo para saúde e sinais de faltas técnicas ou higiênicas, como, envelhecimento da carne, a gordura pode se tornar granulada, as vértebras acinzentadas, cheiro de rato (mofos), manchas de cores diversas (bolores), cheiro azedo (proliferação de coliformes), manchas brancas de queima por congelação, e rancificação das gorduras.
Seguir as devidas recomendações evitará que a carne congelada, produto mais perecível que a carne fresca se deteriore e cause intoxicações, portanto:

Não guardar carne congelada crua, de um dia para outro, mesmo em geladeira ou freezer.
Iniciar o preparo culinário, na volta do açougue, o mais depressa possível.
Evitar demasiado manuseio da carne crua.
Se a carne congelada não vai ser consumida no dia da compra, deve ser passada em água fervente por dez minutos, como medida de emergência. Depois de fria, deve ser colocada e conservada na geladeira 5.

4. DESCONGELAMENTO DE AVES

Todos os produtos congelados, em especial as carnes de aves, devem ser descongeladas em refrigerador, e jamais colocadas debaixo da água corrente da torneira.

As carnes de aves são uma conhecida fonte de bactéria salmonela, sendo necessário tomar muito cuidado ao descongelá-las para reduzir o risco de contaminação cruzada vinda do líquido que corre do descongelamento, o qual pode contaminar as tábuas de carne, as superfícies de trabalho, o equipamento, as facas e até as roupas.

Ao descongelar debaixo da água da torneira, a superfície da carne descongela muito mais depressa do que a parte interna da ave, oferecendo às bactérias as condições ideais de calor e umidade que elas exigem para crescer e multiplicar-se. É até provável que o centro da carne não fique descongelado por completo quando a parte superficial já esteja descongelada, e isso pode fazer com que levemos a ave ao forno apenas parcialmente descongelada.

A pia, com suas saídas de água e a torneira, também fica bastante contaminada com o líquido que corre do descongelamento, e em geral são as saídas que não recebem desinfecção apropriada ao removermos a carne de ave para levá-la ao cozimento. O risco de contaminação cruzada, a partir da pia e das torneiras, é bastante grande.

Os alimentos cozidos que estão esfriando antes de serem levados à refrigeração, nunca devem ficar na mesma área que a carne vermelha ou de aves que estão descongelados.

A melhor maneira de termos certeza de que os alimentos estão perfeitamente descongelados é usando um termômetro digital de profundidade, para verificar a temperatura no centro do alimento em processo de descongelamento.

REGRAS PARA A MANIPULAÇÃO DE CARNES DE AVES CONGELADAS

As carnes de aves congeladas, de todos os tipos, devem ser manipuladas com todo o cuidado. Elas são a causa mais comum de intoxicação, e nunca é demais o cuidado que merecem durante o armazenamento, a preparação, o cozimento e o consumo.
Sempre guarde as aves congeladas em lugar separado de outros alimentos congelados (no mínimo em travessa, recipientes ou divisões separadas no freezer) – de preferência em um freezer separado.
Descongele completamente as carnes de aves em um refrigerador. O descongelamento só é completo quando todo o corpo da ave até mole, as pernas flexíveis e a cavidade de corpo 100% livre de cristais de gelo.
Uma vez descongelada, a carne de ave deve ser cozida imediatamente ou mantida em refrigerador, para cozimento dentro de 24 horas.
Remova sempre os miúdos antes de assar. Jamais asse esse tipo de carne com os miúdos dentro da ave.
Se um frango cheio está sendo preparado, o recheio deve ser colocado pela cavidade do pescoço, e jamais se deve encher toda a cavidade do corpo. O ideal é cozinhar o recheio separadamente. A cavidade do corpo é bastante úmida, e o recheio, que contém farelo de pão, absorve uma boa parte dessa umidade.
O recheio forma uma massa bastante densa, e o calor do forno não é suficiente para penetrar no centro do recheio, antes de a carne ficar assada. Assim, o recheio fica apenas parcialmente cozido, proporcionando as condições ideais para o crescimento e multiplicação das bactérias.
A menos que a ave seja servida imediatamente, esse processo de crescimento das bactérias continua sem controle algum. Quando a carne por fim é consumida, está infestada de bactérias venenosas, virtualmente garantindo um surto de intoxicação alimentar.
Todos os utensílios, superfícies de trabalho, equipamento, torneiras e saídas da pia, usados para a preparação de carnes cruas e aves, devem ser desinfetados por completo após o uso. Jamais devem ser empregados para a preparação de alimentos cozidos sem a necessária limpeza e desinfecção.
Depois de cozidas, as carnes de aves devem ser consumidas imediatamente. Se a intenção é servi-las frias, devem ser esfriadas rapidamente (dentro de no máximo 1 hora e meia), com aparelho de resfriamento rápido, e guardadas em refrigerado até o consumo, que não deve ser depois de 12 horas de cozimento.
Todas as carnes, inclusive as de aves, devem ser esfriadas a uma temperatura em que podem ser refrigeradas, dentro do prazo de 1 hora e meia depois do cozimento, se não são servidas imediatamente.
Evite manipular as carnes de aves cozidas sempre que possível, para reduzir o risco de contaminação cruzada 4.

5. DESCONGELAMENTO DE CARNES

Para valorização da carne congelada, é de grande importância que se conheça o método correto de descongelamento, escolhido o método ele deverá ser cumprido até o final. Com vistas a garantir a boa qualidade do produto e, ainda a mais perfeita higiene.

REGRAS PARA DESCONGELAMENTO DE CARNES

O produto congelado deve estar sempre embalado em sacos plásticos transparentes próprios para finalidade.
A carne congelada deve ser levada a uma câmara a 5°C, com 90 a 95% de umidade relativa, onde deve permanecer por 72 horas.
No entanto, mesmo após 72 horas, a carne ainda não estará totalmente descongelada, já que o processo, nestas condições, só se completará no quinto dia, no caso de peças grandes, como quartos de carcaça.
Esta lentidão favorece a qualidade da carne congelada, do ponto de vista de sua palatabilidade, mas propicia uma considerável multiplicação bacteriana. Por este motivo adota-se um descongelamento entre 10 a 15ºC, com 85% de umidade relativa e ventilação de três metros por segundo. Neste caso, a carcaça, que pelo método acima levaria cinco dias para descongelar, levará apenas 36 horas.
No descongelamento a água e o sangue devem ser descartados, pois são fonte e caldo de cultura para os micróbios de putrefação.
Após o descongelamento, o alimento deve ser mantido em refrigeração à temperatura de 0° a 2°C, até o pré-preparo.
Após o descongelamento, o alimento deverá ser consumido no máximo em 24 horas.
O alimento descongelado não pode e não deve ser recongelado, sob risco de deterioração.
A vasilha em que se procede ao descongelamento deve ser rigorosamente higienizada com água clorada, antes e depois do descongelamento 6.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. PINO LM. Estabilidade oxidativa da carne de frangos alimentados com diferentes fontes lipídicas, armazenada sob congelamento. Dissertação apresentada à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Universidade de São Paulo. Piracicaba-SP, p. 13-14, 2005.

2. EVANGELISTA J. Tecnologia de Alimentos. 2ª Ed. Liv. Atheneu Edit., p. 383.

3. NUNES TP. Efeito da pré-cura na estabilidade microbiológica de carne mecanicamente separada e elaboração de um produto reestruturado com filés de peito de galinhas de descarte. Dissertação apresentada à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Universidade de São Paulo. Piracicaba-SP, p. 17-18, 2003.

4. Livro – Controle Sanitário dos Alimentos. 2ª Ed. Liv. Atheneu Edit., p. 194-195.

5. Os dez mandamentos do congelamento e descongelamento de alimentos.

6. http://www.atibaia.sp.gov.br/vigilanciasanitaria/alimentos/ali_osdezmand.htm (15 fev.2006).

ELETRÓLISE

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Autor: Heitor Machado Franco

Definição de eletrólise:

É um processo não-espontâneo, no qual a passagem de uma corrente elétrica através de um sistema líquido, onde existam íons, produzindo reações químicas.

As eletrólises são realizadas em cubas eletrolíticas, nas quais a corrente elétrica é produzida por um gerador (pilha).

Nesse sistema, os eletrodos são geralmente inertes, formados por platina ou grafita (carvão).

As substâncias que serão submetidas à eletrólise podem estar liquefeitas (fundidas) ou em solução aquosa.

Definição de potencial eletrônico:

Quando um voltímetro ou outro dispositivo de tensão é ligado a uma célula galvânica, ele indica uma diferença de potencial elétrico. Chamamos esta diferença de tensão ou potencial produzido pela célula e atribuímos-lhe o sinal algébrico positivo. O sinal + indica que a reação de célula se desdobra espontaneamente.

Diferenciação da pilha de eletrólise:

Pilha é qualquer dispositivo no qual uma reação de oxi-redução espontânea produz corrente elétrica já a Eletrólise é uma reação de oxi-redução não-espontânea produzida pela passagem da corrente elétrica.

Descrição da Pilha de Daniell

Essa pilha eletroquímica baseia-se na seguinte reação de oxi-redução:

Zn + CuSO4 / ZnSO4 + Cu

Veja que existem dois compartimentos, chamados MEIAS-CÉLULAS, separados por uma placa de porcelana porosa.

No compartimento da esquerda (meia-célula do zinco), existe uma chapa de zinco mergulhada em solução aquosa de sulfato de zinco (ZnSO4); considerando-se que o zinco, neste caso, tem uma tendência espontânea para perder elétrons, temos: Zn ??Zn2+ + 2e- (é a semi-reação de oxidação); Desse modo, a chapa de zinco “solta” elétrons para o circuito externo (dizemos, então, que a chapa de zinco é o eletrodo negativo ou anodo).
No compartimento da direita (meia-célula do cobre), existe uma chapa de cobre mergulhada em solução aquosa de sulfato cúprico (CuSO4); considerando-se que o Cu2+, neste caso, tem uma tendência espontânea para receber elétrons, temos:
Cu2+ + 2e- ?? Cu ( é a semi-reação de redução); desse modo o Cu2+ “captura” elétrons do circuito externo, através da chapa de cobre, que se torna positiva (dizemos, então, que a chapa de cobre é o eletrodo positivo ou catodo ); veja também que a soma das duas equações anteriores nos fornece a equação geral da pilha:
A porcelana porosa deve impedir a mistura das duas soluções, mas deve permitir a passagem dos íons que estão sendo atraídos ou repelidos pelas forças elétricas.

Após certo tempo de funcionamento da pilha, notamos que a chapa de zinco está corroída, a chapa de cobre aumentou devido à deposição de cobre e as concentrações das soluções se alteraram. Tudo isso é conseqüência da própria reação geral de funcionamento da pilha:

Onde, estão indicados os eletrodos, as molaridades das soluções e a temperatura de funcionamento da pilha.

Resumindo, podemos dizer que a pilha ou a célula eletroquímica é um dispositivo que transforma energia química em energia elétrica. Isso é conseguido, por meio de uma reação de oxi-redução, com o oxidante e o redutor separados em compartimentos diferentes, de modo que o redutor “entrega” elétrons ao oxidante através de um circuito externo (fio).

Descrição do processo de galvanoplastia:

No processo de galvanoplastia primeiramente a peça passa por um polimento feito por politrizes ou através de jatos abrasivos. O polimento é feito para deixar a superfície da peça extremamente lisa, sob o ponto de vista macroscópico. Com isso reduz-se a área a ser tratada, pois uma superfície lisa tem uma área muito menor que uma áspera e, portanto, usará uma quantidade menor de metal a ser depositado. A superfície, não tendo fissuras, poros ou frisos, evitará que nesses locais fiquem retidos íons que facilitam posterior oxidação, ou então graxas que impedirão um contato elétrico perfeito.A peça então passa por um processo de decapagem que consiste em remover óxidos, tintas, incrustações da superfície metálica. Isso é feito mergulhando-se a peça em solução de ácido clorídrico ou ácido sulfúrico. A peça decapada é em seguida mergulhada em água para remover o ácido. Em alguns lugares mergulham em seguida em solução alcalina e depois em água novamente.

Antes da deposição a peça também passa por um processo de desengraxe que tem por finalidade remover óleo (graxa) das peças. A maior parte da graxa sobre a peça provém do lixamento, corte, furação e polimento das chapas. Nessas operações o óleo é usado para que a chapa não aqueça demais. Somente após todo este tratamento inicial é que a peça vai passar pela deposição propriamente dita. No processo de galvanoplastia as reações não são espontâneas é necessário, portanto fornecer energia elétrica para que ocorra a deposição (eletrólise). A galvanoplastia é, portanto um processo de eletrodeposição no qual o objeto que vai receber o revestimento metálico é ligado ao pólo negativo de uma fonte de corrente contínua e se torna cátodo. O metal que vai dar o revestimento é ligado ao pólo positivo e vai ser o ânodo. O objeto a ser revestido deverá conduzir corrente elétrica. No caso do objeto ser de plástico, que não é um bom condutor, um tratamento superficial o tornará condutor. Há ainda o problema da aderência de um metal no outro. Para que a película do metal se ligue à base, além de perfeita limpeza e desengraxe, é preciso conhecer a natureza dos metais. O níquel não dá boa adesão ao aço. Por isso, intermediariamente, faz-se uma deposição prévia do cobre, que dá boa adesão com ambos. Os banhos eletrolíticos que fazem revestimentos metálicos têm uma seqüência: uma peça para se cromada necessariamente precisa ser primeiro cobreada, depois niquelada e, por fim, receber uma camada de crômio.

O vocabulário técnico reserva o termo “galvanizada” para as peças de ferro que recebem uma eletrodeposição de zinco. A deposição eletrolítica pode levar à produção de peças prateadas e douradas, além de outras onde ocorre estanhagem, cadmiagem e latonagem. As peças cromadas têm quase sempre um efeito decorativo e estão muito presentes em automóveis: frisos, antenas, botões de rádio, faróis alças de cinto de segurança etc. Em alguns desses casos temos aço cromado em outros plásticos cromados. Em residências também existem muitas peças cromadas, por exemplo: ralos, torneiras, escorredores de pratos, maçanetas, botões etc.

Caracterização de Grupos Funcionais

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Autor: Douglas Melo

1 – Introdução

Certos compostos orgânicos contêm apenas os elementos carbono e hidrogênio conhecidos por hidrocarbonetos. Estes podem se classificar, segundo a sua estrutura, em dois grandes grupos: alifáticos e aromáticos. Os álcoois podem classificar-se como primário, secundário ou terciário, conforme a espécie de átomo a que está ligado o grupo –OH.

Os aldeídos e cetonas são estruturalmente semelhantes, pois ambos têm a carbonila (C=O) como grupo funcional. A diferença entre eles é que os primeiros possuem pelo menos um átomo de hidrogênio ligado ao carbono carbonílico, ao passo que os últimos possuem dois grupos alquil e, ou aril. Aldeídos e cetonas são largamente encontrados na natureza, aparecendo em fragrâncias, corantes, harmônios, açúcares etc.

Os ácidos carboxílicos são caracterizados estruturalmente pela presença do grupo –COOH denominado grupo carboxílico. Muitos produtos e sintéticos possuem este grupo funcional.

2 – Objetivo

Caracterizar os diferentes grupos funcionais.

3 – Fundamentação Teórica

Nos compostos orgânicos, ao lado das cadeias carbônicas geralmente denominados “esqueletos”, podem estar presentes, ligados a essas cadeias, outros átomos ou grupos de átomos chamados “grupos funcionais”. Os grupos funcionais proporcionam as moléculas orgânicas características especiais, constatadas através de suas propriedades físicas e químicas. Constituem-se, via de regra, pontos reativos da molécula, apresentando maior vulnerabilidade do que as cadeias carbônicas.

As ligações dupla e tripla, embora integrantes do assim chamado esqueleto molecular, são consideradas grupos funcionais. Esses dois tipos de estrutura carbônica auferem aos hidrocarbonetos propriedades especiais, transformando-se nos centros reativos desses compostos. Alguns autores não incluem as duplas e as triplas ligações como os grupos funcionais.

Os hidrocarbonetos aromáticos, embora possuindo propriedades físicas químicas específicas, não são incluídos dentro dos grupos funcionais. Analogamente, o ciclopropano, anel que devido à grande tensão envolvida propicia grande reatividade às moléculas que o envolvem, não é também considerado como grupo funcional.

Parte experimental

4 – Material

Reagentes

– Cloreto de zinco anidro;

– Ácido clorídrico (HCL);

– Álcool t-butílico;

– Álcool etílico;

– Nitrato de Prata (AgNO3 5%);

– Hidróxido de Sódio (NaOH 10%);

– Hidróxido de amônio (NH4OH 10%);

– Hidróxido de Prata (AgOH);

– Formol;

– Acetona;

– Glicose (C6H12O6);

– Álcool etílico;

– Metanol;

– Água (H2O);

– Iodeto de potássio.

Vidraria

– Becker;

– Tubo de ensaio;

– Pipeta.

Outros

– Suporte para tubo de ensaio;

– Contas gotas;

– Pisseta;

– Lamparina de álcool.

5 – Procedimentos

– Teste de Tollens

Para fazer o reagente de Tollens, colocou-se em um tubo de ensaio 2 ml de nitrato de Prata (AgNO3), em seguida adicionou uma gota de Óxido de Sódio (NaOH), formando-se uma coloração marrom. Continuando o processo acrescentou-se gota a gota de hidróxido de amônia (NH4OH) até que a solução atingisse a transparência, cerca de 28 gotas, em seguida deixando o tubo de ensaio em repouso pó 10 minutos. O reagente está pronto.

Experimento 1: Em um tubo de ensaio colocou-se aproximadamente 0,5 ml (cerca de 10 gotas) de formol e adicionando-se 0,5 ml do reagente de Tollens.

Experimento 2: Em outro tubo de ensaio adicionou-se 0,5 ml de acetona e 0,5 ml do reagente de Tollens.

Experimento 3: Outro tubo de ensaio adquirido, colocou-se 0,5 ml de glicose juntamente com 0,5 ml do reagente de Tollens.

– Teste de Iodofórmio

Este reagente é preparado dissolvendo-se 10g de iodeto de potássio e 5g de Iodo em 50 ml de água. Formando o reagente iodeto de potássio-iodo.

Experimento 1: Pipetou-se 2 ml de água destilada (H2Od), logo após levando-o para um tubo de ensaio, juntamente com 5 gotas de álcool etílico e 0,5 ml do reagente Iodofórmio, no mesmo tubo de ensaio adicionou-se gota a gota uma solução de Hidróxido de Sódio (NaOH), até que a mesma solução adquira a coloração amarela-clara, em seguida agitando-a e deixando em repouso cerca de 2 a 3 minutos, para que possamos verificar a reação.

Experimento 2: Pipetou-se 2 ml de água destilada (H2Od), logo após levando-a para um tubo de ensaio, em seguida foi adicionado 5 gotas de acetona e 0,5 ml do reagente Iodofórmio, no mesmo tubo de ensaio adicionou-se gota a gota uma solução a 5% de Hidróxido de Sódio (NaOH), até que a mesma solução adquira a coloração amarela clara, em seguida agitando-a e deixando em repouso cerca de 2 a 3 minutos, para que possamos verificar a reação.

6 – Resultados e Discussões

– Teste de Tollens

Experimento 1:

O resultado da reação entre o reagente de Tollens e formol, verificou-se uma massa de coloração cinzenta, sendo este um precipitado. Formando uma substância heterogênea.

Experimento 2:

O resultado do reagente de Tollens com acetona, verificou-se uma solução de cor cinza metálica e homogênea, com o passar de pouco tempo, observou-se um espelho de prata metálico ao redor do tubo de ensaio.

Experimento 3:

O resultado do reagente de Tollens com a glicose, formou um precipitado que ao aquecer o mesmo em uma lamparina de álcool, a uma temperatura de aproximadamente de 60ºC, verifica-se um espelho no fundo do tubo de ensaio.

– Teste de Iodofórmio

Experimento 1:

Ao adicionar água (H2O) com álcool etílico ocorreu uma reação de cor transparente, em seguida ao adicionar o Iodofórmio formou uma solução com coloração vermelho escuro, depois adicionou-se com a pipeta, algumas gotas de hidróxido de sódio (NaOH), verificando-se uma mudança de cor até ficar a cor amarelo claro, sendo preciso aproximadamente cerca de 15 gotas de NaOH, após passar cerca de 2 minutos formou-se um líquido transparente com precipitado amarelado no fundo do tubo.

Experimento 2:

No inicio do processo onde se adicionou 10 ml de Iodofórmio com 2 ml de água e 5 gotas de acetona, verificou-se uma substância com solução de cor vermelha, logo após foi colocado neste mesmo tubo hidróxido de sódio (NaOH) algumas gotas deste, houve mudança na solução formando um corpo de fundo, precipitado de coloração amarelado.

7 – Conclusão

Com todos esses procedimentos conseguimos diferencial a variedade de grupos funcionais, cada um com suas características específicas, tendo possibilidade de entender e conseguir classificar cada grupo funcional. Seja este um álcool, aldeído, cetonas dentre outros.

8 – Bibliografia

MORRISON, r. T.; Boyd, R. N. Química orgânica. 12. ed, Lisboa Fundação Gulbekiam. 1996.

CAMPOS, Marcelo de Moura, Fundamentos de Química orgânica. ed. Edgard Blucher. 1980.

DOENÇA DE PARKINSON

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Autor: Negreiros Neto

A ciência versus a doença

Há um dito popular que diz “na luta do rochedo contra o mar, quem sai perdendo é o siri”, fazendo uma comparação do ditado popular e a luta da ciência versus a doença, nos colocamos no lugar do siri, pois o homem faz investimentos milionários em busca de novos horizontes e não consegue descobrir a origem desse mundo microscópio ao seu redor.

Dentre das milhares de enfermidades existente em nosso habitat e outras que ainda não conhecemos, vamos pincelar a DOENÇA DE PARKINSON, que foi descrita pela primeira vez, na monografia intitulada “Um ensaio sobre a paralisia agitante” do médico inglês James Parkinson no ano de 1817. (grifo nosso)

Décadas se passaram para os neurologistas reconhecer que não era apenas uma paralisia, pois nem todos os pacientes apresentavam tremor, então reabatizaram como o nome de PARKINSON em homenagem ao médico James Parkinson.

Estudos observaram que um mensageiro químico chamado Dopanima, que são produzidos por neurônios das células cerebrais, que tem a função de transmitir informações que comandam os movimentos, como as células cerebrais não se regeneram e a sua morte é causada devido a uma pigmentação escura chamada de “Substância negra” matando esses neurônios progressivamente e as liberações de dopamina diminuem, surgindo falhas no mecanismo motor do homem.

Ora, sabemos as causas, os fatores, as predisposições genéticas, mas só recebemos a notícia que estamos com a doença 10(dez) anos, depois que iniciou a degeneração dos neurônios, ou seja, já temos perdido 80% da nossa substancia negra, assim faz comentários o neurologista canadense Anthony E. Lang da Universidade de Toronto.

Por outro lado, sabemos que não existe exatidão nos motivos das alterações internas desses neurônios, alguns cientistas admitem que haja predisposição genética, relacionada com fatores ambientais, pois tais fatores foram encontrados em famílias Ítalo-Americanos portadores da doença.

As inúmeras pesquisa que procuram descobrir a cura, começam a encontrar alguns aliados, como a FISIOTERAPIA que mantêm os sintomas do Parkisano sob controle, possibilitando aos pacientes uma vida satisfatória e produtiva.(grifo nosso)

Alguns medicamento, já estão cendo comercializados, dentre destas drogas, destaca-se a LEVODOPA, pois essa se transforma em dopamina(neuro-transmissor), mas como toda substancia química, apresenta seus efeitos colateriais e sua ação no organismo dura menos tempo.

Busacando outros caminhos alternativos, o neurocientista Lars Bjorklund, da faculdade de Medicina Harvard, nos Estados Unidos, iniciou pesquisa utilizando células-troncos, afim de produzir neurônios que por sua vez produziriam as dopomina. Experiência em comundongos são satisfatórias, pois as células indiferenciadas, viraram neurõnios no cerebro dos animas.Testes em seres humanos deverão acontecer entre 2007 à 2009.

Desde da primeira monografia sobre esta doença, contabilizamos 189 anos e temos que esperar mas alguns para sermos usado como cobaias, se não já tivemos sido todos esses anos. Adoença aparecia na faixa dos 60(sessenta) anos de idade, politicamente o homem estaria numa faixa etaria próxima de sua pespequitiva de vida.

Hoje a doença acomete homens coma metade da idade(30 anos), como no caso do ator canadense Michael J. Fox, e segundo as estimativas da própria Organização Mundial de Saúde, já são quase 4,7 milhões de Parkinsiano(gerundio nosso) em todo planeta.

Deixamos os planetas em seus devidos lugares, criação de estação orbital para qual propósito. Fugir da terra? Vamos cuidar dela e em especial de nós mesmos, os únicos do universo(afirmação nossa).

Resenha do texto “Por dentro do mistério”

Autora: Maria Fernanda Vomero

Editora: Abril S/A, em Setembro/2002

A CRISE DO GÁS NO BRASIL EM 2007

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Autor: Marcelo Cardoso

1 INTRODUÇÃO

A recente nacionalização das áreas de petróleo e gás na Bolívia colocou em xeque a Petrobrás, o governo e o povo brasileiro, abrindo o campo de debates sobre a política energética de nosso país.

O governo brasileiro cometeu um erro estratégico no passado ao tornar o país extremamente dependente do gás boliviano. Em vez de investir na produção doméstica de energia e fontes alternativas, o Brasil optou pela importação de um recurso finito vindo da Bolívia.

No dia 1º de maio de 2006, o presidente boliviano Evo Morales anunciou o cumprimento de uma promessa de campanha eleitoral, a nacionalização dos recursos hidrocarbonetos daquele país. A Petrobrás e o Brasil foram os mais prejudicados, pois fizeram investimentos que chegaram a quadruplicar as reservas de gás na Bolívia, geraram empregos para o povo boliviano e viram os acordos contratuais serem descumpridos com a expropriação de ativos do povo brasileiro.

É inegável que a Bolívia tem direito às riquezas de seu subsolo, pois a soberania permanente de um país sobre seus recursos naturais é reconhecida pela ONU. Porém, a ocupação de forma hostil, com o uso de tropas e sem conversações prévias contraria as mínimas regras de convivência entre países parceiros e vizinhos.

Nos últimos anos, a indústria paulista foi incentivada a investir no uso do gás natural como fonte de energia e essa medida certamente prejudicará toda a economia brasileira, pois o produto lá extraído responde por metade do consumo dessas fábricas, uma vez que o governo boliviano já avisou sobre um possível aumento no preço do gás natural.

O presidente Lula, por sua vez, reagiu de forma surpreendente. Ele não saiu em defesa dos interesses nacionais, não questionou a quebra de contrato e não pediu indenização pela expropriação. Fez pior, abaixou-se a uma trama liderada pelo presidente venezuelano Hugo Chaves, se diz solidário ao povo boliviano e disposto a renegociar os acordos.

Chávez, o presidente Néstor Kirchner da Argentina e o próprio Morales, viajaram à Cuba e receberam a bênção do patriarca Fidel Castro para colocarem em prática seus planos. Com isso, deixa explícito o vigor do novo ciclo de populismo na América Latina: Hugo Chávez é o grande líder e tem influência em decisões de vários países.

Este trabalho objetiva uma análise dos aspectos administrativos, econômicos e éticos da crise, através de uma minuciosa pesquisa a fontes sérias, uma linguagem clara, objetiva e acessível, com a intenção de contribuir com o entendimento do assunto tratado, uma vez que o tema é atual e muito discutido.

2 ASPECTOS ADMINISTRATIVOS DA CRISE

A opção pela importação do gás boliviano foi feita em 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso assinou os acordos de fornecimento de gás com a Bolívia. Porém, o gasoduto Bolívia-Brasil só entrou em operação em 1999.

Apesar de setores da sociedade civil, como a Associação dos Engenheiros da Petrobrás terem protestado, o governo ignorou as propostas alternativas e firmou contrato com as empresas transnacionais que atuavam na Bolívia, como a estadunidense Enron, envolvida em esquemas de fraudes contábeis e de corrupção, e a anglo-holandesa Shell, envolvida em diversos crimes contra os direitos humanos na África. O projeto do Gasoduto Bolívia-Brasil contava, ainda, com apoio do Banco Mundial. De acordo com físico e engenheiro José Bautista Vidal, “Estudiosos apresentaram na época outras sete opções de investimento energético que o governo rechaçou, apesar de ter um grande potencial de energia que pode ser obtido através dos derivados da biomassa, mas não investiu nisso”. Também poderia ser investido no gás nacional. Além da vulnerabilidade que a dependência de uma fonte de energia externa gera, as condições contratuais do gasoduto eram absurdas. Uma das cláusulas do contrato chamada take and pay (pegue e pague, tradução livre) foi extremamente danosa ao país, pois determina que o Brasil pague pelo valor de uma possível demanda de pico de gás. Não interessa quanto consumimos, porque pagamos pelo pico. Por exemplo, se recebemos 18 milhões de metros cúbicos de gás, iremos pagar por 25 milhões, que é o pico que foi estabelecido. Para Vidal, o então presidente fez essa escolha para o país porque tinha compromisso com corporações transnacionais na internacionalização do problema energético brasileiro.

Fundamentando esse episódio, houve um grave erro de planejamento estratégico ao tornar o Brasil extremamente dependente do gás boliviano, que é um recurso finito e não aumentar os investimentos na produção interna e em fontes de energia alternativa.

Outro princípio administrativo ferido nesse caso foi o preparo, não houve uma capacitação adequada das pessoas envolvidas tanto no planejamento do governo anterior, quanto na negociação do atual governo depois da crise. Segundo a Revista veja, “Contratualmente, o Brasil era obrigado a pagar aos bolivianos por um gás que não estava utilizando. Houve várias negociações, com diferentes governantes do país vizinho, para que o preço fosse reduzido, mas a Bolívia, escorando-se nos contratos firmados bilateralmente, permaneceu irredutível. Agora que o Brasil precisa do gasoduto em plena força, a Bolívia joga os contratos na lata do lixo – aquele mesmo que defendia com tanta veemência”. Se tivéssemos no comando pessoas treinadas, bem orientadas e altamente capacitadas, a situação não chegaria a esse ponto.

O atual governo não demonstrou controle diante da situação, pois deveria utilizar-se de suas habilidades conceituais, algo primordial no campo administrativo, e deveria se mostrar mais atento diante de um cenário interno e externo tão óbvio. O governo Lula deveria monitorar as ações do país vizinho para não deixar que a crise acontecesse.

Mas se a crise aconteceu, cabe a ele tomar as medidas certas para a execução das melhores alternativas para a resolução do problema. Os interesses nacionais estão em jogo, o presidente tem que ser nosso maior defensor e as quebras de contratos devem ser questionadas. O Brasil é e deve ser a maior potência regional, mas tem que se comportar como tal, sem engolir desaforos, nem solidarizar-se com o povo vizinho. Lula e seus assessores precisam tomar decisões firmes.

O governo Lula precisaria perceber que existe um sistema aberto em jogo e o comportamento é probabilístico e não determinístico, pois o ambiente nunca é totalmente previsível, é provável e complexo, respondendo a muitas variáveis. E com essa variável da nacionalização do gás boliviano ele não contava.

3 ASPECTOS ECONÔMICOS DA CRISE

O gás natural em questão não é o mesmo encontrado nos botijões, é um combustível fóssil encontrado em rochas no subsolo, composto predominantemente de metano. Chega encanado às casas, é usado nos fogões, no aquecimento de água e só pode ser transportado por gasodutos. É mais seguro, porque só se inflama se aquecido a mais de 600º C. Seu consumo cresce ao ritmo médio de 18% ao ano, a frota de veículos brasileiros que usa o GNV (gás natural veicular) já passa de 1 milhão de carros e a economia chega a 70% no combustível e 25% no IPVA. Na indústria é utilizado como combustível em fornos, como no caso das refinarias e fábricas de vidros e cerâmicas, sendo usado também na geração de energia e refrigeração. O comércio beneficia-se do recurso em restaurantes, hotéis e shoppings, usando-o no aquecimento de água e nos sistemas de refrigeração de ar.

O desfecho da crise do gás boliviano certamente provocará um aumento dos preços da energia no Brasil nos próximos anos, seja ela industrial ou residencial.

A partir de 2007, o Brasil ingressará em um quadro de dependência cada vez maior do gás em sua matriz energética, resultado de uma paralisia geral dos investimentos em energia hidrelétrica.

Das 23 concessões autorizadas entre 2000 e 2001 para a construção de novas hidrelétricas, nenhuma saiu do papel. As concessionárias afirmam que a remuneração fixada pelo governo Lula (o preço da energia) não é atrativa e abandonaram os investimentos.
Sem essas obras, o país dependerá cada vez mais de usinas termoelétricas, que precisam principalmente de gás para operar. No último leilão de “energia nova” promovido pelo governo, por exemplo, 70% do pregão foi dominado pelas fontes térmicas. Dos 30% restantes, de energia hidrelétrica, dois terços foram assumidos basicamente por estatais, as únicas que aceitaram os preços fixados pelo governo.

Os países tinham uma relação comercial normal à base de oferta e demanda, uma vez que o Brasil precisa comprar o gás e a Bolívia precisa vendê-lo. Nosso vizinho tem quase a mesma população de São Paulo, seu PIB é menor que o da capital paulista e de países como Gana, Tanzânia e Jordânia. Em 180 países a Bolívia aparece apenas em 101º lugar, o que facilita um acordo razoavelmente amigável. Não tendo a quem vendê-lo, ela precisa manter o fluxo para o Brasil, porém aumentou preços e impostos. A tributação que era de 50%, já subiu para 82%. A Petrobrás terá margens de lucro menores e deverá, cedo ou tarde, repassar o custo para os consumidores brasileiros.

Sem capital nem tecnologia, não há jeito de o Estado boliviano realizar os grandes investimentos necessários para tirar e processar o gás natural. Evo Morales sentiu-se à vontade para tomar as refinarias confiando no fato do Brasil ser freguês cativo do gás e na ajuda de Hugo Chávez. A estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA prepara-se para assumir os campos de gás que venham a ser abandonados por empresas estrangeiras. Chávez também já acertou o fornecimento de todo óleo diesel que a Bolívia necessitar em troca de sua soja.

Trata-se de uma política consistente do venezuelano para ocupar espaço no continente e influenciar países. Desde que assumiu a Presidência em 1999, Chávez já gastou 25 bilhões de dólares em subsídios e doações a países latino-americanos. Com esse sistema de apadrinhamento comercial, ele está tentando criar um bloco comercial para futura exploração.

Mas, não só o Brasil e a Petrobrás foram prejudicados, outras vinte companhias estrangeiras foram atingidas pelo “Decreto Supremo” que passou para o controle do Estado boliviano toda a indústria do gás e do petróleo. O documento não fala em indenizar as empresas estatizadas e o prejuízo é em torno de 3,5 bilhões de dólares.

Novos investimentos a médio e longo prazo estão começando a ser feitos na produção doméstica, como a ampliação da exploração das bacias de Santos e de Vitória. Mas essas novas fontes só estarão disponíveis em três ou quatro anos. Outra alternativa é a exploração de outras fontes. O governo brasileiro já pensa em tirar Angra 3 do papel, a usina nuclear iria permitir a redução de 7 milhões de m³/dia das importações de gás boliviano e passou da condição de “patinho feio” para a de salvação do sistema elétrico nacional. O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner Moreira, revelou que o governo brasileiro não só já admite a viabilidade econômica da usina nuclear Angra 3, como já estuda as mudanças necessárias na legislação para permitir a comercialização da energia da geradora.

4 ASPECTOS ÉTICOS DA CRISE

4.1 Ética Pessoal

A América Latina atravessa um mau momento, seus comandantes vivem uma crise espiritual e de valores, cada um defende seu ponto de vista e dão péssimos exemplos. Néstor Kirchner enfrentou o FMI e até agora não se deu mal. Hugo Chávez insiste em dizer certas verdades e, ditador ou não, já se posiciona como o principal líder da região. Agora, vem Evo Morales e nacionaliza as riquezas energéticas do seu país, exatamente como havia prometido. Isso poderá ser fatal para a Bolívia, pois 70% de habitantes vivem em situação miserável. Com a fuga do capital internacional, os outros 30% da população correm sério risco de pobreza.

A proposta de Morales tem cunho eleitoreiro. Se, de um lado ele se sai bem para a opinião pública de seu país para as eleições para a assembléia constituinte de 2 de julho próximo, de outro, Lula terá arranhões.

A ética é uma parte da filosofia que estuda o comportamento humano, e os “companheiros presidentes” não agiram corretamente quando reuniram-se, viajaram até Cuba e colocaram em prática um plano de nacionalização do gás que excluiria o suposto amigo Lula. Logo ele, que um dia sonhou ser um grande estadista, acordou como vítima de uma manobra populista liderada por Hugo Chávez.

Antes do anúncio oficial da nacionalização do gás, o venezuelano foi até a Bolívia cumprimentar seu fantoche e lhe dizer o que deveria e o que não deveria ser dito, ferindo os sentimentos da nação brasileira. Chávez não mede esforços para se tornar o maior líder da América Latina ao criar mecanismos populistas para se perpetuar no poder, mesmo que tenha que usar métodos pouco éticos.

4.2 Ética Social

A ética orienta o comportamento humano, visa o bem comum e regula o modo de vida da sociedade. Essa briga pela disputa do gás mexe com a população de toda América no aspecto cultural. Os governos precisam refletir eticamente, pois são responsáveis pela sociedade. A crise de valores morais instalada nesse episódio poderá influenciar a cultura dos povos envolvidos, pois cada um defende seu ponto de vista.

Antes de qualquer decisão precipitada devem ser feitas algumas reflexões: Morales nacionalizou recursos naturais que representam quase um terço do PIB do seu país, mas países não são pessoas e não agem por sentimentos primários. Este ato autoritário e temerário de Morales é, para o Brasil, uma afronta ao orgulho. Mas temos que enxergar também o outro lado, para os bolivianos pode ser uma esperança de vida digna.

A nacionalização tem de ser vista como um processo mais amplo e não como o capricho de um presidente. É parte de um processo histórico muito mais amplo do qual Evo Morales é líder e refém. Ao prometê-la em campanha, ele simplesmente não pode trair a vontade da imensa população que o pôs no poder. O povo boliviano confia em que Evo cumprirá sua promessa de construir um novo país, mas que se ele falhar não pensarão duas vezes em ir para as ruas fazer valer suas vontades e Evo Morales está usando este imenso capital político de maneira estratégica. Lula não fala em guerra nem invasões, e isso já é um grande passo.

Hugo Chávez segue uma ideologia populista, o Estado assume o controle de setores vitais da economia e aumenta os gastos públicos com programas assistencialistas e empreguismo oficial. Para consolidar o poder, o regime adota um discurso antiimperialista. Resultado: Como o Estado gasta mais do que arrecada, a inflação dispara, os investidores se afastam e falta dinheiro para saldar a dívida externa. Em nome dessa ideologia, age sem ética e leva seu país à estagnação econômica e a pobreza.

4.3 Ética Empresarial

Morales argumenta que confiscou as empresas em nome do povo boliviano, ele promete melhorar a qualidade de vida do seu povo. Mas os países são mutuamente dependentes e acordaram anteriormente que uma possível negociação não deve ser feita através da imprensa, fato não cumprido pelos adeptos de Evo Morales. Os contratos devem ser cumpridos, o que não afasta a hipótese de uma possível renegociação.

Outro ponto importante nesse episódio foi a reunião em Puerto Iguazú, na Argentina para discutir a crise. Compareceram Evo Morales, Néstor Kirchner, Lula e Hugo Chávez.A presença da Argentina se entende, pois o país também compra gás da Bolívia, mas por que a Bolívia? A resposta possível: Chávez foi falar em nome de Morales, seu discípulo, e deixar claro quem dá as cartas na nova geografia do populismo latino-americano. Lula saiu da reunião desenxabido e confundiu conceitos ao manifestar-se solidário à Bolívia, mesmo quando ela se apossa de um patrimônio que é de todos os brasileiros. A ética não é mesmo um ponto forte na personalidade do presidente venezuelano.

Segundo a Revista Veja, “o incidente expõe as fraturas regionais e deixa explícito o vigor do novo ciclo de populismo na América Latina, que tem Hugo Chávez e Evo Morales como expoentes. A influência de Chávez na decisão boliviana de nacionalizar o gás já está provocando instabilidade política e econômica” Tudo começou quando a Venezuela saiu do Pacto Andino, o que estremeceu as relações entre Caracas e Bogotá. Devido à intromissão, mais uma vez, de Chávez nas eleições peruanas, Lima retirou seu embaixador da Venezuela.

Em nome de sua ideologia populista, Hugo Chávez age sem ética e vai provocando crises entre países historicamente parceiros.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A economia mundial passou por grandes transformações nas últimas duas décadas. De um lado, a expansão do processo de globalização, com impactos diretos nos padrões de investimentos estrangeiros, comércio internacional e tecnologia. Do outro, o incremento da regionalização, a formação de blocos envolvendo países em um movimento de reação dos Estados nacionais, no sentido de reverter a sua perda de poder, face ao agigantamento das grandes corporações.

Daí a importância dos progressos das negociações entre os países. Como em toda negociação internacional, o Brasil precisa avaliar corretamente as ameaças e as oportunidades da nova configuração e definir as suas metas e os seus objetivos.

Pode-se concluir que Brasil e Bolívia firmaram um acordo com o intuito de concretizarem objetivos em comum. Podem ainda ser uma complementação de habilidades, em que os parceiros têm diferentes interesses, mas estes são administrados de forma harmoniosa para que o objetivo da aliança seja alcançado.

Sabe-se também que existem riscos, possibilidade de traição e de oportunismo, quando se fala em acordos. Por isso, é necessário traçar os objetivos que se quer atingir e analisar as possibilidades para tal fim. É necessário que os países parceiros trabalhem juntos, beneficiando-se mutuamente, assumindo riscos e lucros. É preciso também que se faça uma permanente avaliação da parceria para que erros possam ser corrigidos, problemas possam selecionados, melhorando cada vez mais a relação.

Nesse sentido, o governo brasileiro deve agir com ética, responsabilidade e tranqüilidade, porém, sem perder a autoridade para evitar que novas crises se instalem em nosso país e movimentos populistas liderados por países menores não ganhem maiores proporções.

Convém ressaltar que, um melhor planejamento, com investimentos domésticos, garantirá ao Brasil a possibilidade de uma melhora gradativa na política energética e acordos exteriores precisam ser bem definidos para evitar que erros como esses não se repitam no futuro.

6 REFERÊNCIAS

VEJA, Revista Veja. – edição 1955, ano 39, nº 18 – Brasil: 10 de maio de 2006.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u107347.shtml, acessado em 01 de junho de 2006.

http://br.news.finance.yahoo.com/060518/25/14uwi.html, acessado em 01 de junho de 2006.

http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=34388, acessado em 01 de junho de 2006.

http://www.duplipensar.net/artigos/2006-Q2/crise-do-gas-da-bolivia-lula-aprendiz-de-neville-chamberlain.html, acessado em 02 de junho de 2006.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/news_item.2006-05-08.0030813572, acessado em 02 de junho de 2006.

A Arte da Guerra

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Autor: Evandro Luiz Xavier Costa

Livro: A Arte da Guerra;

Autor: Sun Tzu, com adaptação de James Clavell;

Editora: Record, 8ª edição.

I – Introdução:

Infelizmente pouco se sabe do autor ou de quando escreveu os treze capítulos de seu livro. Alguns o situam mais ou menos em 500 a. C., no Reino de Wu, na China, outros em 300 a. C., mas sabe-se que Sun Tzu foi um filósofo antes de se tornar um general. Um de seus comentadores, Su-ma Ch’ien, em 100 a. C., Aproximadamente, relata que seu livro “A Arte da Guerra”, que discute todos os aspectos da guerra, do tático ao humano, chamou a atenção de Ho Lu, Rei de Wu, que o nomeou general. E a partir de então e durante quase duas décadas, até a morte de Sun Tzu e do rei, os exércitos de Wu venceram os seus inimigos tradicionais.

É um notável documento, escrito originalmente em chinês há aproximadamente 2.500 anos, cujos ensinamentos mantêm-se atualizados até nossos dias, podendo ser aplicados tanto na formação de militares como ao mundo dos negócios e na vida cotidiana de cada um. É um livro para ser lido não só por militares, mas por qualquer pessoa, pois aplica-se a todo e qualquer conflito, alcançando cada indivíduo com seu opositor, uma empresa com outra, concorrente ou aliada, e até mesmo o amante com sua amada.

II – Desenvolvimento:

Este extraordinário livro, escrito a mais de 2.500 anos, na China, começa assim:

“A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim, em nenhuma circunstância deve ser negligenciada”.

O livro que começa com o capítulo dedicado a preparação dos planos; passa ao sobre a guerra efetiva; em seguida ao intitulado “A Espada Embainhada”, que traz um dos grandes ensinamentos do autor, segundo o qual “o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”; depois discorre sobre os pontos fracos e fortes de um exército; a maneira de manobrá-lo; táticas especiais para situações especiais; o exército em marcha; os diversos tipos de terrenos; quando atacar e quando não atacar; ataque pelo fogo; e termina com o capítulo sobre o emprego de espiões, totalizando treze capítulos, repletos de ensinamentos e experiências de combates e de vida, que foram registradas nessa obra por um filósofo que se tornou general, é um documento de grande valor para toda a humanidade e que merece ser lido e estudado por todos aqueles que buscam o conhecimento e principalmente a paz.

Em seu primeiro capítulo, um dos mais ricos em ensinamentos, que trata da preparação dos planos, Sun Tzu relata que a arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que são: a lei moral; o céu ; a terra; o chefe; o método e a disciplina. Depois de detalhar cada um desses fatores determina que estes devem ser familiares a cada general, e que quem os conhecer será vencedor, e quem não os conhecer fracassará. E afirma que pode prever a vitória ou a derrota analisando as seguintes comparações:

– Qual dos soberanos está impregnado com a lei moral?

– Qual dos dois generais tem mais competência?

– Com quem estão as vantagens oriundas do céu e da terra?

– Em que lado a disciplina é mais rigorosamente aplicada?

– Qual o exército mais forte?

– De que lado há oficiais e soldados mais bem treinados?

– Em que exército existe a absoluta certeza de que o mérito será mais apropriadamente recompensado e o demérito punido sumariamente?

Mas ensina que os planos devem ser modificados de acordo com as circunstâncias. E que toda operação militar tem o logro como base. E que por isso, quando formos capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe, devemos fazê-los acreditar que estamos perto. Que devemos preparar iscas para atrair o inimigo. Devemos fingir desorganização e esmagá-lo. Que se ele estiver protegido em todos os pontos, devemos estar preparados para isso. Que se ele tem forças superiores, devemos evitá-lo. Que se o seu adversário é de temperamento irascível, deve procurar irritá-lo. Deve fingir estar fraco para que ele se torne arrogante. Se ele estiver tranqüilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado. E apareça quando não estiver sendo esperado.

No capítulo sobre a guerra efetiva o autor detalha os custos de organização de um exército e os efeitos desastrosos de uma guerra longa.

Quando passa ao intitulado “A Espada Embainhada”, ensina que “a gloria suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”, e que precisamos saber que há cinco coisas fundamentais para a vitória:

1 – será vencedor quem souber quando lutar e quando não lutar;

2 – será vencedor quem souber como manobrar tanto as forças superiores como as inferiores;

3 – será vencedor aquele cujo exército estiver animado do mesmo espírito em todos os postos;

4 – será vencedor quem, autopreparado, espera para surpreender o inimigo despreparado; e

5 – será vencedor quem tiver capacidade militar e não sofrer a interferência do soberano.

Sun Tzu afirma que “se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas”.

Sobre as “tática”, observa que “os bons guerreiros de antigamente primeiro se colocaram fora da possibilidade de derrota e depois esperaram a oportunidade de derrotar o inimigo”, e com sabedoria explica que “o verdadeiro mérito é planejar secretamente, deslocar-se sub-repticiamente, frustar as intenções do inimigo e impedir seus planos, de maneira que, finalmente, o dia possa ser ganho sem o derramamento de uma gota de sangue”.

Discorrendo sobre a “energia”, o filósofo general determina que o guerreiro inteligente deve procurar o efeito da energia combinada e não exigir muito dos indivíduos. Deve levar em conta o talento de cada um e utilizar cada homem de acordo com sua capacidade. E que não se deve exigir perfeição dos sem talento.

Importantes ensinamentos estão contidos no capítulo que trata dos “pontos fracos

e fortes”, onde o autor afirma que mesmo que o inimigo seja mais forte em tropas, podemos impedi-lo de combater. Que devemos planejar de forma a descobrir seus planos e a sua probabilidade de sucesso. Devemos provocá-lo e descobrir a base da sua atividade ou inatividade. Devemos força-lo a revelar-se, de forma a exibir seus pontos vulneráveis. Devemos comparar meticulosamente o exército adversário com o nosso, de forma a saber onde a força é superabundante e onde é deficiente.

No importante capítulo intitulado “Manobras”, enquanto Sun Tzu ensina como manobrar um exército para se defender de ataques inimigos ou para tomar o ofensiva no combate, ele detalha princípios como o “artifício do desvio”; “a arte de estudar os humores”; “a arte de conservar o autodomínio”; “a arte de economizar forças”; e a “arte de examinar as circunstâncias”.

Há um capítulo dedicado a considerações sobres a “Variação de Táticas”, onde ensina que quando em região difícil, não devemos acampar. Quando em regiões onde cruzam-se boas estradas, devemos nos unir aos aliados. Que não devemos nos demorar em posições perigosamente isoladas. Que em situações de cerco, devemos recorrer a estratagemas. Que numa posição desesperada, devemos lutar. Que há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas.

Afirma também que há exércitos que não podem ser atacados; posições que não podem ser discutidas; ordens do soberano que não devem ser obedecidas. E conclui “o general que compreende

inteiramente as vantagens que acompanham as variações de táticas, sabe como comandar seus soldados. O que não compreende, por mais que esteja familiarizado com a configuração do terreno, não será capaz de transformar seu conhecimento em prática”. E Segundo Sun Tzu, há cinco erros que podem determinar a ruína de um general:

1 – a negligência, que leva à destruição;

2 – a covardia, que leva à captura;

3 – a debilidade da honra, que é sensível à vergonha;

4 – temperamento impetuoso, que pode ser provocado com insultos; e

5 – excesso de solicitude com seus soldados.

Ao escrever sobre “o exército em marcha”, Sun Tzu relata detalhadamente os diferentes tipos de terrenos por que passa um exército em marcha e ensina as meios de se utilizar suas características em proveito tanto da defesa quanto do ataque ao inimigo, e observa que quando o exército acampar, deve passar rapidamente pelas montanhas e ficar nas proximidades dos vales. E que deve-se também, acampar em lugares altos e de frente para o sol.

Quanto ao “terreno”, o autor o divide em seis tipos: o acessível; o complicado; o retardador; os desfiladeiros; os cumes escarpados; e posições a grande distância do inimigo. Também observa que há situações que deixam um exército exposto a calamidades e que são da responsabilidade do general, como: fugas; insubordinação; colapso; ruína; desorganização; e derrota total. Afirma que há seis formas de atrair a derrota: negligenciar o cálculo da força do inimigo; falta de autoridade; treinamento imperfeito; ira injustificável; não observância da disciplina; e incapacidade de usar homens escolhidos.

Afirma também que “a formação natural da região é o melhor aliado do soldado, mas a capacidade de estimar o adversário, de comandar as forças da vitória e de calcular astutamente as dificuldades, perigos e distâncias, constitui o teste de um grande general. Quem conhecer essas coisas e, no combate, puser em prática esses conhecimentos, vencerá seus combates”.

Para Sun Tzu a arte da guerra reconhece nove variedades de terreno: o dispersivo; o fácil; o controverso; o aberto; o de estradas cruzadas; o sério; o difícil; o orlado; e o desesperador. E dedica o capítulo intitulado “as nove situações” para explicá-los detalhadamente. Ensinando que a rapidez é a essência da guerra. Que devemos tirar partido da falta de preparação do inimigo e marchar por caminhos onde não se é esperado, atacando pontos desprotegidos.

O “ataque pelo fogo” é um capítulo que merece especial atenção, pois o autor estabelece que há cinco maneiras de atacar com fogo, e detalha cada uma delas, e afirma que ao atacar com fogo, devemos estar preparados para enfrentar cinco possíveis desdobramentos. E ao detalhar esses desdobramentos ele determina que ao iniciar um incêndio, deve-se estar em favor do vento e nunca a sotavento.

Sun Tzu explica e justifica o emprego de espiões em seu capítulo XIII, onde afirma que o emprego de espiões é o único meio para se chegar a “previsão”, pois entende que as disposições do inimigo só são averiguadas por meio de espiões. Ele os divide em cinco tipos: os espiões locais; os espiões internos; os espiões convertidos; os espiões condenados; e os espiões sobreviventes. Sendo que, após explicar detalhadamente cada um desses tipos, ele conclui que o espião convertido é essencial e o mais importante deles. Justifica ainda, que a finalidade e a intenção de espionar em todas as cinco variedade é o conhecimento do inimigo. E encerra seu livro afirmando que “os espiões são os elementos mais importantes de uma guerra, porque neles repousa a capacidade de movimentação de um exército”.

III – Conclusão:

Este livro escrito a vinte e cinco séculos, mantém-se atualizado e é capaz de mostrar com clareza o que ainda continua sendo feito errado e porque alguns países, exércitos, empresas e pessoas têm tanto sucesso em determinadas áreas e outros não. Ele indica, com simplicidade, como tomar a iniciativa e combater o inimigo, qualquer inimigo. Nesse sentido, Sun Tzu escreveu: “Se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates”. As verdades de Sun

Tzu podem mostrar-nos o caminho da vitória em todas as espécies de conflitos, desde conflitos comerciais comuns, batalhas em salas de diretoria e na luta diária pela sobrevivência, até na guerra dos sexos. Pois todas são formas de guerra, todas combatem sob as mesmas regras e preceitos que Sun Tzu tão bem traduziu em palavras e deixou para sempre registradas em seus treze capítulos de ensinamentos, conhecimentos e experiências de uma vida voltada para os combates e para a guerra, mas também voltada para a observação e estudo de sua realidade e do próprio ser humano, que só um filósofo com uma mente brilhante e inteligência aguçada como Sun Tzu poderia fazer.

CANDIDÍASE

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Autor: Lívia Freitas

A Candidíase é uma doença sexualmente transmissível que possui como sintomas principais: corrimento espesso, tipo nata de leite; hiperemia (vermelhidão); edema (inchaço); prurido (coceira) ou irritação intensa, inclusive, podenca causar infecções urinárias, com dores fortes e fazer aparecer manchas brancas (sapinhos).

Esta doença é causada por um fungo, Candida albicans, que vive normalmente na vagina, sem causar agravos. Porém, quando a resistência imunológica genital encontra-se diminuída, a Candidíase se manifesta, apresentando todos ou alguns dos sintomas relatados anteriormente, sendo necessário ser devidamente tratada.
A Candidíase não é uma patologia de transmissão exclusivamente sexual, podendo ser contraída através de roupas íntimas, toalhas, lençóis ou outros objetos que contenham o fungo em sua superfície.

Algumas doenças ou situações podem favorecer o aparecimento da Candidíase, sendo as principais:

O uso de antibióticos, pois eles reduzem a resistência imunológica nesse tipo de caso;

Durante a gravidez, sendo inclusive comum esse acontecimento em tal período;

Pacientes com Diabetes Mellitus, pois estes também possuem maior probabilidade de contraí-la, devido a uma mudança no pH vaginal;

Outras infecções genitais oportunas, pois as doenças atacam diretamente a flora vaginal, expondo-a a diversas outras;

Deficiência imunológica, ou seja, baixo grau de proteção quanto a várias formas de contaminação e contração de agravos, pela debilidade do organismo em se defender de agentes estranhos ao mesmo;

Uso de medicamentos, como anticoncepcionais e corticóides, que também contribuem para a baixa imunidade corpórea.

O diagnóstico da Candidíase pode ser realizado através do Exame Preventivo, também chamado de Citologia Oncótica ou Papanicolau, feito em consultório médico ou de enfermagem. Consiste em um exame simples, rápido e indolor, onde por meio de uma coleta das secreções endocervical e da ectocérvice, permite-se fazer uma análise minuciosa em laboratório específico e produzir-se o resultado.

Diante do resultado positivo, o tratamento será sistêmico e feito com cremes locais, à base de antifúngicos, em geral de 03 a 07 dias (ex.: Nistatina, Miconazol). Em casos mais resistentes, deve-se fazer o tratamento por via oral (ex.: Fluconazol), bem como na suspeita de que o parceiro também tenha a doença, este deverá ser tratado.

Principais cuidados a serem realizados para evitar esse tipo de patologia:

Usar sabonete neutro, em banhos diários, preferencialmente mais de um banho por dia no verão. Usar roupa íntima de algodão, evitando produtos sintéticos, inclusive meia calça, para que a pele possa respirar e a umidade ser diminuída. No contato sexual, usar preservativo. É aconselhável fazer a higiene genital com muito cuidado, evitando o uso de duchas vaginais.

Usar sempre a camisinha.

Nunca esquecer: conhecer bem o próprio corpo, e promover uma boa higiene, prevenção e cuidados com o mesmo, podem fazer toda a diferença!

Exigências Nutricionais de Cães e Gatos

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Autor: Almir Maia Júnior

Cães

Alimentando Cães Adultos

Quando um cão atinge a maturidade total, ele entra no período de manutenção. Os animais saudáveis normais que não estão prenhes, amamentando ou trabalhando pesado têm necessidades nutricionais relativamente baixas para manter um estado corporal apropriado. Um bom estado corporal é aquele em que o animal está bem proporcionado, com uma cintura perceptível atrás das costelas, podendo-se, ao apalpá-las, sentir uma fina camada de gordura sobre elas.

Com a variedade de alimentos para cães nutricionalmente completas e balanceadas existentes no mercado, proporcionar uma dieta apropriada para um cão adulto pode ser simples, sem a necessidade de nenhum tipo de suplemento. Se carne ou sobras de comida forem administradas como suplemento, elas deverão perfazer não mais de 10% da dieta total. Níveis mais elevados podem diluir o valor nutricional da dieta comercial, predispor um animal à obesidade e levar um animal a ficar exigente para comer.

No caso de cães com necessidades calóricas mais baixas e/ou cães que são menos ativos, deve-se atentar para a possibilidade de um ganho de peso excessivo. Freqüentemente, o peso de um cão pode ser reduzido simplesmente eliminando-se as sobras de comida e snacks da dieta e evitando-se alimentos para cães de alto teor calórico. Cães com excesso de peso podem ter mais problemas de saúde e uma expectativa de vida mais curta.

As recomendações para a alimentação de cães adultos podem variar, dependendo da raça, da atividade, do metabolismo e da preferência do dono do cão. Independentemente do fato de um animal ser alimentado uma ou duas vezes ao dia, ele deve ser alimentado na mesma hora e ter sempre água potável fresca à sua disposição. Assim como acontece com os seres humanos, o apetite de um cão pode variar de dia para dia. Isto não deve constituir nenhum problema, a menos que a perda de apetite persista ou o cão apresente sinais de doença ou perda de peso. Nestas situações, o cão deve ser examinado por um veterinário.

Alimentando Durante a Prenhez

Independentemente da raça, a fêmea deve ter pelo menos um ano de idade e estar pelo menos no segundo período de cio antes de acasalar. É importante o estado corporal tanto dos machos como das fêmeas utilizados em um programa de reprodução. Se os machos estiverem com excesso de peso, eles poderão ser fisiológica e anatomicamente ineficientes para o acasalamento. As fêmeas com excesso de peso podem ter taxas de concepção mais baixas e mais problemas no momento do parto. A ingestão de alimentos variará de acordo com a idade, atividade, metabolismo corporal e ambiente. Se possível, cada cão deverá ser alimentado individualmente a fim de atingir e manter o estado corporal normal.

As necessidades de nutrientes da fêmea durante as primeiras seis ou sete semanas de prenhez não são maiores do que para os cães na manutenção. Durante as últimas duas ou três semanas, as necessidades para todos os nutrientes aumentarão e as necessidades calóricas poderão ser atendidas durante o último terço aumentando-se, gradualmente, a ingestão de alimentos pela fêmea. Recomendam-se dietas contendo mais de 3.500 calorias metabolizáveis por quilo de alimento e, pelo menos, 21% de proteína. A forma mais fácil de assegurar uma nutrição apropriada consiste em dar ao cão um alimento para cães de boa qualidade que seja rotulado como completo e balanceado para reprodução e crescimento ou para todas as etapas da vida. Quando estas dietas dadas, não é necessária a suplementação de vitaminas e minerais. Problemas podem ocorrer com o excesso de suplementação, particularmente quando níveis elevados de vitamina A ou cálcio são acrescentados.

A menos que uma fêmea tenha tendência para engordar demais durante a prenhez, pode-se dar a ela todos os alimentos que ela quiser comer. Não é raro que uma fêmea prenhe diminua sua ingestão de alimentos, temporariamente, por volta da terceira ou quarta semana de prenhez. Normalmente, ela comerá mais durante a última fase da prenhez. Todavia, se isto não ocorrer e o estado corporal começar a deteriorar-se, medidas deverão ser tomadas para aumentar a ingestão de alimentos. Isto pode ser feito umedecendo-se o alimento seco com água morna a fim de melhorar a palatabilidade ou adicionando-se pequenas quantidades de alimentos enlatados para cães ao alimento seco e alimentando-se a fêmea várias vezes ao dia. À medida que o momento do parto se aproxima, a fêmea pode perder o apetite. Isto é considerado como um comportamento normal e, a menos que ela pareça estar com um problema de saúde, não será necessária nenhuma alteração no programa de alimentação. Em muitos casos, a rejeição ao alimento durante a última semana é uma indicação de que o parto ocorrerá dentro das próximas 24 a 48 horas. Usualmente, dentro de 24 horas pós-parto, o apetite da fêmea retornará. Após o nascimento dos cãezinhos, ela deverá receber todo o alimento que quiser.

Durante a reprodução, a água serve como um meio de transporte de nutrientes para o feto em desenvolvimento e remove os resíduos para serem eliminados. As outras funções importantes da água dietética consistem em ajudar a regular a temperatura corporal e em auxiliar na produção de leite. Manter as vasilhas de água limpas e trocar a água freqüentemente tendem a encorajar o consumo de água. Água fresca em uma vasilha limpa deve estar disponível durante todo o tempo.

Alimentando Durante a Lactação

A produção de leite é uma das etapas que apresentam maiores necessidades nutricionais na vida de uma fêmea. Uma dieta completa e balanceada para a reprodução e crescimento ou para todas as etapas da vida proporcionará a nutrição de que uma fêmea precisa durante este tempo. A necessidade de leite dos cãezinhos que estão mamando continuará a aumentar durante cerca de 20 a 30 dias. Conseqüentemente, as necessidades de alimento e água da fêmea aumentam neste período. No pico da lactação, a ingestão de alimento da fêmea pode ser duas a quatro vezes maior do que sua ingestão de alimento usual ou de manutenção. Pode acontecer que fêmeas muito atenciosas raramente deixem seus filhotes para comer ou beber e precisarão de encorajamento. A mesma dieta utilizada durante o período de gestação pode ser dada durante a lactação. A fim de manter um bom estado corporal e fornecer amplas quantidades de leite aos seus filhotes, as fêmeas lactantes devem receber todo o alimento que quiserem.

Umedecer com água o alimento seco para cães ajudará a aumentar a ingestão de alimento durante a lactação. Uma outra importante razão para oferecer alimento seco umedecido é que, com três a quatro meses de idade, os filhotes normais começam a lambiscar alimentos sólidos. Acostumar os filhotes a uma dieta comercial de boa qualidade o mais cedo possível ajudará a evitar que se tornem enjoados para comer. Alimentos preparados em casa devem ser evitados. À medida que os filhotes começam a comer mais alimento sólido, a necessidade de produção de leite da fêmea diminui. Normalmente, os filhotes são desmamados entre seis e oito semanas de idade e, na época da desmama, o consumo de alimento pela fêmea deve ser de menos de 50% acima do seu nível usual ou de manutenção. A fim de ajudar a reduzir o fluxo de leite e evitar problemas nas glândulas mamárias, recomenda-se o seguinte procedimento para a desmama:

No dia em que os filhotes são desmamados, a fêmea não deve receber nenhum alimento, mas deve ter bastante água fresca para beber. Deve-se separar os cãezinhos da mãe e oferecer-lhes alimento e água. Alimento seco umedecido com água morna pode ajudar a estimular os cãezinhos a ingerirem alimento. No dia após a desmama, a mãe deve receber ¼ da quantidade de alimento que lhe era oferecida antes dela ser acasalada. A mãe e os filhotes podem ser mantidos juntos por várias horas no dia após a desmama de modo que os filhotes possam mamar até acabar com o leite da mãe. No terceiro dia, a fêmea deve receber ½ da quantidade que recebia antes do acasalamento e, no quarto dia, ¾ da referida quantidade. No quinto dia, deve-se oferecer a ela seu nível de alimentação de manutenção usual. Se a ninhada for grande, a fêmea poderá estar bem magra quando os filhotes forem desmamados. Neste caso, deve-se dar a ela uma quantidade extra de alimento após o quinto dia da desmama e até o seu estado corporal voltar ao normal.

Alimentando os Filhotes

Nos primeiros sete a dez dias de vida, os olhos do filhote permanecem fechados. Mesmo assim, durante o referido período, os filhotes dobram seu peso ao nascimento e ficam cada vez mais ativos. Como regra elementar, cada filhote em uma ninhada deve ganhar, aproximadamente, seu peso ao nascimento a cada semana durante o período de lactação ou amamentação (na primeira semana ele pode ganhar um pouco menos e nas semanas finais um pouco mais do referido peso).

Embora as fêmeas sejam, em sua maioria, excelentes mães, algumas mães nervosas ou descuidadas podem precisar de uma atenção especial que as ajude a se acalmar e aceitar sua nova prole. Para isto pode ser que tenhamos que trabalhar junto à mãe e/ou filhotes e colocar os filhotes junto aos mamilos da mãe. Os filhotes mal amamentados poderão ter um tamanho menor, uma temperatura corporal mais baixa e menos peso. Ao cuidar, rotineiramente, dos filhotes você terá uma oportunidade de verificar seu estado e progresso, embora cuidados excessivos possam ser estressantes para a mãe e os filhotes e devam ser evitados.

Usualmente, a maneira típica de um filhote começar a comer alimentos sólidos (cerca de 3 a 4 semanas) é correndo por cima e em volta da vasilha de alimento da mãe e lambendo o alimento seco umedecido que fica em suas patas. Por causa disto, o alimento tenderá a ficar compactado, razão porque se deve considerar a necessidade de mexer a dieta compactada ou oferecer quantidades frescas periodicamente. Com seis semanas de idade, a maioria dos filhotes está pronta para ser desmamada. Se os filhotes tiverem começado a comer alimentos sólidos da vasilha da mãe, não é raro que comecem, eles próprios, a se desmamarem com cerca de quatro a cinco semanas de idade.

As necessidades de nutrientes para o crescimento e desenvolvimento normais dos filhotes são maiores do que aquelas de um cão adulto. Por esta razão, as dietas nutricionalmente completas e balanceadas destinadas ao crescimento e reprodução ou todas as etapas da vida são recomendadas. Não é necessária nenhuma suplementação adicional na forma de vitaminas, minerais, carne ou outros aditivos.

A capacidade do estômago de um filhote não é grande o bastante para conter alimento suficiente, ingerido em uma “refeição”, para atender à sua necessidade diária de nutrientes requeridos. Os filhotes novos devem ser alimentados pelo menos três vezes ao dia até que suas necessidades alimentares comecem a equilibrar-se à medida em que vão amadurecendo. Os filhotes devem ter água fresca em uma vasilha limpa à sua disposição durante todo o tempo.

Como no caso das fêmeas prenhes, o alimento seco pode ser umedecido com água morna a fim de estimular a ingestão de alimento. O leite também pode ser utilizado para umedecer o alimento seco, todavia, o leite em excesso pode atuar como um laxativo e causar problemas digestivos para alguns filhotes e cães adultos. Deve-se dar uma hora para o filhote comer, após o que a porção não comida deve ser descartada. Alimento seco umedecido ou alimento enlatado deixado à temperatura ambiente pode tornar-se intragável e até mesmo estragar-se se deixado fora por várias horas.

Estabelecer hábitos alimentares rotineiros alimentando um filhote no mesmo lugar e à mesma hora todos os dias é recomendável e pode ajudar a treiná-lo a se comportar bem em sua casa. Oferecer alimentos humanos da mesa não é recomendável porque isto encorajaria o animal a pedir comida e poderia a torná-lo enjoado para comer. Os filhotes que consomem uma dieta completa e balanceada não precisam de vitaminas, minerais ou carne suplementares. Na realidade, o excesso de suplementação provou ser prejudicial para o desenvolvimento apropriado dos filhotes novos e em crescimento.

A quantidade de alimento oferecida a um filhote variará, dependendo do seu tamanho, atividade, metabolismo e ambiente. Não se deve deixar que os filhotes fiquem com excesso de peso. O excesso de peso não só dá ao filhote uma má aparência, mas também pode causar anormalidades ósseas. Se um filhote parece que está engordando demais, sua ingestão de alimento deve ser reduzida. Se um filhote parece que está magro demais e não há nenhum problema de saúde, sua ingestão de alimento deve ser aumentada. Toda vez que os donos tiverem perguntas a fazer ou preocupações a respeito do estado corporal do seu animal, eles devem consultar seu próprio veterinário.

Alimentando Cães de Trabalho

Independentemente da temperatura ambiental sazonal ou do estado fisiológico de um cão, quando tudo mais é igual, quanto mais ativo for um cão, de mais alimento ele precisará. Todos os nutrientes serão requeridos em quantidades maiores do que para um cão adulto em manutenção, não simplesmente proteína adicional ou minerais extra, tais como cálcio e fósforo. A atividade física é o resultado externamente visível de uma seqüência complexa de contrações musculares. A combustão de combustíveis dietéticos, tais como gordura, proteína e carboidratos proporciona a energia para o trabalho muscular. Água, vitaminas e minerais participam na utilização da energia para trabalho.

Os cães de trabalho são, usualmente, aqueles utilizados para caçar, pastorear ovelhas, bem como cães que, rotineiramente, correm longas distâncias (isto é, mais de 20 milhas por semana). Estes grupos de cães de trabalho podem ter uma maior necessidade de nutrientes quando estão treinando ou efetivamente trabalhando. A necessidade de nutrientes adicionais dependerá do nível de atividade de um cão em particular. Um ponto de referência é o fato de que eles são completos e balanceados com alta densidade de nutrientes, incluindo, pelo menos, 26% de proteína, 10% de gordura, 30% de carboidratos e 3.000 quilocalorias por quilo de alimento seco.

Nos períodos em que um cão não está treinando nem trabalhando, é recomendável que a quantidade da ração de treinamento/trabalho do cão seja reduzida ou que o cão passe, gradualmente, para uma alimentação com menos calorias e menos densa em nutrientes (contendo, pelo menos, 20% de proteína e 3.300 quilocalorias por quilo de alimento). Manter os cães em um bom estado corporal no período em estão fora de atividade ajuda a tornar menos estressante o seu condicionamento para os períodos de treinamento ou trabalho.

Não se deve dar aos cães que estão trabalhando ou treinando uma refeição imediatamente antes ou imediatamente após uma sessão de atividade extenuante. Alimentar os cães quase na hora dos exercícios pode resultar em um mau desempenho ou distúrbio gástrico ou desconforto (evidenciado por vômitos ou fezes soltas) e aumentar o risco de dilatação gástrica. A utilização apropriada de alimentos (tais como snacks ou snacks) durante os períodos de maior atividade pode evitar desconforto de fome e fadiga nos cães de trabalho. A utilização apropriada de alimentos consiste em oferecer o snack ou snack após um período de repouso, em pequenas porções, com água fresca e fria e seguido de um período de repouso.

Alimentando Cães Mais Velhos

Os cães são definidos como mais velhos ou geriátricos quando atingiram os últimos 25% do seu período de expectativa de vida, que está diretamente relacionado com o tamanho ou raça, bem como cuidados recebidos durante toda sua vida:

Cães de raça pequena com mais de 12 anos de idade
Cães de raça média com mais de 10 anos de idade
Cães de raça grande com mais de 9 anos de idade
Cães de raça gigante com mais de 7 anos de idade
Alguns sinais de envelhecimento:

mudanças no peso corporal com dificuldade na locomoção (movimento)
mudanças da audição e/ou visão
mudanças na pele e/ou pelagem
mudanças nos hábitos de urinar e defecar
mau hálito associado a problemas nos dentes ou na boca
Estudos mostraram que os cães mais velhos saudáveis utilizam à proteína do mesmo modo que o cão adulto jovem e que os cães geriátricos podem precisar de, aproximadamente, 50% a mais de proteína do que os cães adultos mais jovens. Entretanto, as dietas comerciais atuais formuladas para cães adultos em manutenção, geralmente, proporcionam proteína adequada. Os animais menos ativos podem ter baixas necessidades calóricas, razão porque se deve ter cuidado ao se administrar dietas densas em calorias a fim de evitar o risco de um ganho excessivo de peso.

Gatos

Alimentando Gatos Adultos

Um gato adulto com uma atividade normal requer apenas uma dieta de manutenção. Um alimento comercial para gatos que seja de boa qualidade, bem como completo e balanceado para manutenção ou para todas as etapas da vida é apropriado para alimentar as gatas adultas que não estejam prenhas ou amamentando. Os gatos devem ser alimentados como indivíduos e os fatores que influem na quantidade de alimento requerida por um gato adulto típico para manter um bom estado corporal incluem nível de atividade, temperatura e metabolismo corporal. Um bom estado corporal é aquele em que o animal está bem proporcionado, com uma cintura perceptível atrás das costelas, podendo se sentir sobre elas uma leve camada de gordura.

Como os gatos tendem a ser lambiscadores ou a comer ocasionalmente, eles devem ter acesso ao seu alimento por várias horas cada dia. E, como no caso de outros animais, uma fonte disponível de água fresca e limpa é importante para, praticamente, todas as funções corporais – digestão, absorção, circulação, transporte de nutrientes, construção de tecidos e auxílio na regulação da temperatura corporal.

Os gatos requerem um nível mais elevado de proteína dietética e um equilíbrio de nutrientes diferente daquele dos cães. Da mesma forma que os filhotes, os gatos maduros requerem a adição de taurina à sua dieta, enquanto que os cães não precisam. Estas necessidades dietéticas únicas são atendidas administrando-se alimentos para gatos completos e balanceados. Por estas razões, recomenda-se que não se dê aos gatos adultos alimentos para cães. Um gato pode ser alimentado com uma dieta de manutenção após um ano de idade. As dietas de manutenção não são apropriadas para os filhotes ou gatas prenhas ou que estejam amamentando.

O gato com peso médio de 3 a 7 quilos requer cerca de 85 gramas de alimento seco ou semi-úmido, ou 170 gramas a 227 gramas de alimento enlatado por dia. A quantidade de alimento requerida variará de acordo com a densidade de nutrientes do alimento e de gato para gato. Mesmo quando todos os fatores são os mesmos, dois gatos de tamanho, idade e atividade semelhantes podem requerer quantidades diferentes de alimento simplesmente porque eles têm taxas de metabolismo diferentes. O apetite e o consumo total de alimentos de um gato variam de dia para dia. A perda de apetite ou relutância em comer não constituem problemas em gatos adultos, a menos que ela persista por vários dias ou o gato apresente sintomas de doença. Se isto acontecer, o gato deverá ser examinado por um veterinário.

Alimentando Durante a Prenhez

A nutrição constitui um fator chave para se manter um gato saudável e sua importância torna-se ainda maior durante a gestação e lactação. A dieta deve fornecer os nutrientes essenciais devidamente balanceados para os filhotes que estão se desenvolvendo e preparar a fêmea para o estresse da lactação. Dietas rotuladas para manutenção de gatos adultos, alimentação intermitente ou empregos terapêuticos são, geralmente, inadequadas para a gestação e lactação. Uma dieta selecionada para ser dada à fêmea durante o período em questão deve estar rotulada como nutricionalmente completa e balanceada para todas as etapas da vida do gato ou para o crescimento e reprodução. Esta reivindicação deve, de preferência, ser apoiada por estudos sobre alimentação de animais. São recomendadas as dietas formuladas para fornecer pelo menos 30% de proteína e contendo mais de 1.700 Kcals por quilo de alimento. Se uma dieta de manutenção tiver sido dada antes do acasalamento, deverá ser feita uma mudança gradual para uma dieta apropriada para reprodução, durante o último trimestre da prenhez.

Algumas vezes, os criadores acreditam que, além da dieta regular, suplementos dietéticos sejam necessários para fornecer a nutrição extra requerida pelas gatas prenhes e gatas que estão amamentando. Esta necessidade de nutrição extra pode ser atendida administrando-se uma dieta completa e balanceada e de boa qualidade, eliminando-se desta forma qualquer necessidade de suplementos.

Durante toda a gestação, a fêmea pode apresentar um aumento vagaroso e constante no peso corporal e, ao mesmo tempo, um aumento gradual na ingestão de alimentos. As alterações hormonais e de comportamento que ocorrem durante a reprodução podem causar períodos em que a fêmea come pouco, come de mais ou não come nada. Por exemplo, muitas gatas prenhes passam por um breve período de perda parcial do apetite por volta da terceira semana de gestação, o qual dura de 3 a 10 dias. É de se esperar uma certa ansiedade do dono, mas é importante resistir à tentação de fazer mudanças na dieta ou no programa de alimentação toda vez que a gata prenhe atingir um período de perda de apetite. Entretanto, se ela permanecer comendo pouco por um tempo prolongado, ou se seu estado físico começar a se deteriorar, ela deverá ser examinada por um veterinário para ver se há problemas de saúde. Sua rejeição ao alimento durante a nona semana da gestação é, freqüentemente, uma boa indicação de que a parição ocorrerá dentro das próximas 24 a 48 horas. Geralmente, dentro de 24 horas após a parição, o apetite da fêmea aumenta vagarosamente.

Alimentando Durante a Lactação

A necessidade de leite dos filhotes continuará a aumentar durante um período de 20 a 30 dias, aproximadamente. Conseqüentemente, as necessidades de alimentos e água da fêmea aumentará durante o período mencionado. É possível que as fêmeas tenham que ser alimentadas duas ou três vezes por dia, devendo-se manter à sua disposição água fresca em uma tigela limpa. Deve-se dar alimento seco umedecido durante a lactação a fim de aumentar a ingestão de alimentos e água da fêmea e encorajar os filhotes a começarem a lambiscar alimentos sólidos.

Quando os filhotes atingem três a quatro semanas de idade, seu interesse em alimentos sólidos começa e o interesse da fêmea em amamentar declina. Alimento umedecido em uma tigela rasa deve estar à disposição dos filhotes durante várias horas cada dia. Em geral, a desmama dos filhotes ocorre entre 6 e 8 semanas de idade.

No caso de fêmeas que continuam a manter uma produção significativa de leite, a congestão das mamas e o desconforto resultante poderão ser um problema. A resolução deste problema poderá ser acelerada limitando-se a alimentação da gata conforme o seguinte procedimento:

No primeiro dia da desmama, a fêmea não deve ser alimentada, mas uma fonte de água limpa deve ser colocada à sua disposição. Deve-se separar os filhotes da fêmea e oferecer-lhes alimento e água. Alimento seco umedecido com água morna poderá ajudar a estimular os filhotes a ingerirem alimentos. No 2º, 3º e 4º dias após a desmama, recomenda-se limitar a alimentação da fêmea a ¼, ½ e ¾ da quantidade usual, respectivamente. No quinto dia, a ingestão de alimentos deve ser retomada na quantidade normal que era administrada à fêmea antes da gestação e lactação.

Alimentando os Filhotes

As pesquisas mostram que um filhote se desenvolve desde a primeira infância até fase inicial da idade adulta em cerca de um ano e, durante suas primeiras vinte semanas, um filhote pode apresentar um aumento de 2.000% sobre o seu peso de nascimento. Com 26 semanas de idade, a taxa de crescimento começa a se estabilizar. Todavia, os filhotes continuam a desenvolver-se internamente e seu crescimento normal termina por volta dos 12 meses de idade. Os filhotes também requerem cerca de duas vezes a energia por quilo de peso corporal de um gato maduro.

Os filhotes devem estar completamente desmamados com 6 a 8 semanas de idade, quando então deverão ser acostumados a uma dieta regular com um alimento para filhotes, do tipo para crescimento, completo e balanceado. Os filhotes de gatos requerem níveis mais elevados de proteína do que os filhotes de cachorro e também uma necessidade particular do aminoácido taurina. A falta de taurina suficiente em uma dieta do filhote poderia resultar em uma visão prejudicada. Por esta e outras razões, recomenda-se que os filhotes sejam alimentados apenas com alimentos desenvolvidos para filhotes de gatos e não com alimentos para filhotes de cachorro. Uma suplementação pode perturbar o equilíbrio de nutrientes do alimento e um excesso de suplementação pode ser prejudicial.

Recomenda-se que os filhotes de gato sejam alimentados duas a três vezes por dia durante este período de rápido crescimento. Muitos donos colocam alimento à disposição dos filhotes durante todo o tempo, juntamente com uma fonte de água fresca e limpa. Alimentos secos podem ser umedecidos com água morna a fim de ajudar a amaciá-los e torná-los mais fáceis de serem comidos. Alimentos secos umedecidos ou alimentos enlatados deixados à temperatura ambiente podem ficar intragáveis e até mesmo estragar se forem deixados por várias horas na tigela, de modo que as porções não comidas devem ser removidas e jogadas fora após uma hora. Assim como no caso de outros animais, quaisquer alterações na dieta devem ser feitas gradualmente, em um período de 7 a 10 dias, a fim de evitar distúrbios digestivos.

Os filhotes de gato tendem a comer ocasionalmente, pois eles fazem um grande número de pequenas refeições durante todo o dia. Normalmente, o filhote se aproxima do alimento, cheira-o rapidamente e, em seguida, começa a comê-lo. Após consumir uma pequena porção do alimento, ele vai embora e volta para comê-lo a intervalos. Este comportamento não deve ser confundido com uma relutância ou rejeição à comida.

Ruído excessivo, novos ambientes, a limpeza das tigelas de alimento/água podem ser fatores a serem considerados se um filhote se recusar a comer. Se a recusa em comer for prolongada e/ou o filhote apresentar sinais de doença, tais como indiferença, diarréia, vômitos repetidos, secreção dos olhos ou nariz, esforço para urinar ou constipação, ou começar a se esconder de forma não usual em locais escuros, um veterinário deverá ser consultado.

Dos seis meses a um ano de idade, os filhotes devem ser alimentados duas vezes ao dia caso seja administrado a eles alimento enlatado, semi-úmido ou seco umedecido. Alimento seco pode ser dado à vontade, enchendo-se a tigela com uma quantidade suficiente de alimento uma vez por dia. Todavia, deve-se evitar o excesso de alimentação. Os filhotes devem ser alimentados como indivíduos e as quantidades de alimentos a serem dadas dependerão de sua atividade e estado corporal. É uma boa idéia começar com as quantidades recomendadas no rótulo da embalagem e utilizar estas informações como guia. Ajuste a quantidade a ser administrada de modo a obter um estado corporal saudável. Também é apropriado consultar seu veterinário quando você levar seu filhote para ser examinado em uma exame de saúde de rotina.
As instruções contidas na embalagem devem ser utilizadas como guia para a alimentação diária de qualquer gato. Os gatos ativos ou que vivem do lado de fora da casa do dono podem requerer mais alimento a fim de manter um bom estado corporal. Se um gato ficar excessivamente gordo, sua ingestão de alimento deve ser diminuída. Um veterinário pode auxiliar o dono a avaliar o estado corporal do gato e, se necessário, ajudá-lo a planejar um programa de redução de peso apropriado.

Os gatos, como as pessoas, têm preferências alimentares individuais. Os filhotes de uma mesma ninhada podem adquirir gostos e hábitos alimentares diferentes. Entretanto, a reputação do gato de ser enjoado para comer é, geralmente, o resultado das práticas alimentares estabelecidas pelo próprio dono. Quanto maior a variedade oferecida a um gato, maior será a variedade que ele irá esperar. Com a ampla escolha de alimentos comerciais para gatos existente no mercado, é fácil fornecer uma dieta nutricionalmente completa e balanceada que o gato aceite comer.

Dietas Enlatadas

Os alimentos enlatados para cães contêm entre 8% e 15% de proteína e entre 2% e 15% de gordura, dependendo da composição da dieta. O teor de umidade para alimentos enlatados para cães é de, aproximadamente, 75% (menos de 78%). Os alimentos enlatados para cães fornecem 830 a 2100 quilocalorias metabolizáveis, por kg. O consumo total do alimento é elevado por causa do alto teor calórico. O equilíbrio em nutrientes é ditado, em grande parte, pelo tipo da composição da dieta. Estas dietas oferecem a mais elevada palatabilidade e o custo mais alto por porção em comparação com os produtos secos e os produtos semi-úmidos. Além disto, a administração dos produtos enlatados ao animal é menos conveniente do que a dos outros tipos de produtos. Uma vez aberta à lata, o alimento não utilizado deve ser armazenado no refrigerador.

Dietas Secas

A maioria dos alimentos secos para animais de estimação contêm 18% a 27% de proteína, 7% a 15% de gordura, menos de 12% de umidade e 35% a 50% de carboidrato (também expresso como N.F.E. ou extrato isento de nitrogênio). Estas dietas proporcionam entre 3100 e 4400 quilocalorias metabolizáveis por kg do produto. Os alimentos secos para gatos contêm 28% ou mais de proteína, 8% a 24% de gordura, menos de 12% de umidade e têm 1.400 a 2.000 quilocalorias metabolizáveis por quilo da dieta.

Os alimentos secos comerciais para cães foram introduzidos nos Estados Unidos no final da década de 90 na forma de biscoitos assados feitos com grãos, vegetais e carne misturados. Muitos dos primeiros alimentos para animais de estimação eram coletivamente rotulados como “dietas alimentares para cães e gatos” e pouco se sabia sobre as necessidades de nutrientes individuais dos cães e gatos. Entretanto, quando os nutricionistas de animais começaram a estudar as necessidades nutricionais dos cães e gatos, as necessidades de certos nutrientes particulares foram estabelecidas para cada espécie.

Dietas Semi-Úmidas

Os alimentos semi-úmidos para cães e gatos contêm, aproximadamente, 16% a 25% de proteína, 5% a 10% de gordura, cerca de 25% a 35% de carboidrato e 30% de água (os níveis de umidade, algumas vezes, chegam até 50%). As dietas semi-úmidas de alta qualidade contêm cerca de 2650 a 3000 de quilocalorias metabolizáveis por kg do produto. Geralmente, os alimentos moles-úmidos para cães e gatos são mais palatáveis do que as dietas secas e fáceis de serem administrados ao animal e armazenados. Sua administração ao animal é mais dispendiosa do que a das dietas secas.

Eis um exemplo de Análise Garantida e Lista de Ingredientes de um produto alimentício para animais de estimação:

Lista de Ingredientes

Análise Garantida:

Proteína bruta: não menos de 31,5%
Gordura bruta: não menos de 8,0%
Fibra bruta: não mais de 4,5%
Umidade: 12,0%
Cálcio (Ca): não menos de 1,2%
Fósforo (P): não menos de 1,0%
Sal (NaCl): não mais de 1,5%
Taurina: não menos de 0,125%
Ingredientes: Milho amarelo moído, farinha de glúten de milho, farinha de soja, farinha de subprodutos de aves, gordura animal preservada com BHA, trigo moído, farinha de peixe, farinha de carne e osso, ácido fosfórico, carbonato de cálcio, dried animal digest*, sal, cloreto de potássio, soro seco de leite, cloridrato de colina, levedura de cerveja seca, leite desnatado seco, taurina, L-lisina, óxido de zinco, sulfato ferroso, niacina, suplementos de vitaminas (A, D-3, E, B-12), pantotenato de cálcio, ácido cítrico, sulfato de manganês, suplemento de riboflavina, biotina, ácido fólico, sulfato de cobre, mononitrato de tiamina, cloridrato de piridoxina, complexo bissulfito sódico de menadiona, (fonte de atividade de vitamina K), iodato de cálcio.

Aditivos

Dois tipos de aditivos são incluídos nos produtos alimentícios para animais de estimação: aqueles que são nutricionais e aqueles que acrescentam outros benefícios ao alimento, como por exemplo, conservantes.

Os aditivos nutricionais incluem vitaminas, minerais, gorduras e aminoácidos. Muitos são adicionados na forma pura, o que pode ter vantagens de custo, disponibilidade e estabilidade. Eles também permitem a suplementação de um produto a fim de aumentar os níveis de determinados nutrientes sem afetar os níveis de outros nutrientes na dieta.

O organismo de um animal não pode distinguir entre vitaminas que ocorrem em ingredientes naturais e aqueles que são produzidos sinteticamente. O uso de nutrientes sintéticos ajuda a conseguir o alto grau de equilíbrio nutricional encontrado nos alimentos de animais de estimação, de boa qualidade.

O rótulo dos alimentos de animais de estimação apresenta uma lista de alguns ingredientes que não proporcionam, necessariamente, benefícios em termos de nutrientes, mas que têm uma finalidade específica na dieta. Estes tipos de aditivos são detalhados a seguir:

Antioxidantes – Ingredientes, tais como BHA, BHT ou tocoferóis mistos são adicionados às gorduras dos alimentos para animais de estimação em níveis extremamente baixos a fim de evitar ranço e, assim, evitar o odor desagradável, a perda da palatabilidade e a destruição de vitaminas que podem ocorrer quando as gorduras ficam rançosas.
Conservantes Químicos – Conservantes são utilizados em alimentos para animais de estimação, do tipo semi-úmido, a fim de evitar que se deteriorem devido ao desenvolvimento de mofo e bactérias. Os conservantes incluem ingredientes tais como propilenoglicol (não para uso em alimentos para gatos), ácido sórbico e sorbato de potássio. Todos os ingredientes deste tipo devem ter sua utilização aprovada pela FDA (Administração de Alimentos e Drogas).
Agentes Flavorizantes – Os flavorizantes constituem uma forma conveniente de tornar os produtos mais atraentes para os cães e gatos. Alguns podem ter nomes químicos complicados, mas outros, tais como alho e cebola, também são utilizados como agentes flavorizantes.
Colorização – Cores são acrescentadas a alguns alimentos para animais de estimação para ajudar a manter uma aparência consistente do produto, uma vez que a cor dos ingredientes naturais pode variar, ou para permitir distinguir entre os sabores em um alimento de múltiplas partículas. As cores artificiais usadas nos alimentos para animais de estimação são as mesmas aprovadas para utilização em alimentos para seres humanos.

DISPLASIA COXOFEMORAL

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Autor: Luciana de Miranda

INTRODUÇÃO

A displasia coxofemoral consiste na má formação das articulações coxofemorais, apresentando incidência em todas as raças de cães, principalmente nas grandes e de crescimento rápido. Atinge igualmente machos e fêmeas, podendo comprometer uma (aproximadamente 10%) ou ambas articulações, especialmente as duas.

Um exame clínico apropriado não é suficiente para o diagnóstico da displasia. O diagnóstico definitivo somente será confirmado através de exame radiográfico, mediante imagem de qualidade e animal corretamente posicionado.

HISTÓRICO

Schnelle (1936) descreveu pela primeira vez a displasia coxofemoral e Konde (1947) comentou sua origem hereditária. Schales (1959) a descreveu como má formação e indicou o exame radiográfico para o diagnóstico. Wayne e Riser (1964) relacionaram o crescimento rápido e precoce e ganho de peso de pastores com transmissão genética. Henricson, Norberg e Olsson (1966) consideraram-na como má formação hereditária e a subluxação como conseqüência da alteração anatômica.

TRANSMISSÃO

A transmissão é hereditária, recessiva, intermitente e poligênica (alguns autores tem considerado 20 genes).

Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente (multifatorial), associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. Recomenda-se fundamentalmente evitar os traumas, sejam eles da obesidade, dos trabalhos precoces, dos exercícios forçados, dos locais escorregadios, etc..

ETIOPATOGENIA

As estruturas que auxiliam na manutenção das articulações são: cápsula articular, ligamento acetabular transverso, musculatura da região, ligamento redondo, pressão negativa intrarticular e ampliação do acetábulo pelo lábio glenoidal ou ligamento acetabular.

Pesquisadores tem fundamentado seus estudos nas modificações bioquímicas do líquido sinovial, como a diminuição do cloro (carga negativa) e aumento do sódio e potássio (cargas positivas). Em função destas alterações ocorre um aumento da osmolaridade, que traz como conseqüência o aumento da quantidade do mesmo líquido e a sinovite com desidratação da cartilagem articular. A partir deste instante desenrola-se uma seqüência de outros episódios, tais como: aumento da pressão intra articular, aumento da tensão sobre as estruturas moles que mantém a articulação, afrouxamento destes tecidos moles, perda da intimidade articular, arrasamento (ossificação ou calcificação) ou não da cavidade acetabular (aspecto medial), subluxação (deslocamento lateral da cabeça femoral, normalmente como primeiro sinal radiográfico), edema, ruptura parcial ou total do ligamento redondo, micro fraturas acetabulares craniais e por fim a artrose secundária (secundária porque se desenvolve secundariamente a uma outra alteração – a displasia). Há de se considerar ainda a hipótese de que a displasia é uma má formação biomecânica, resultante de uma disparidade entre o desenvolvimento da massa muscular pélvica e o rápido crescimento do esqueleto.

SINTOMATOLOGIA

Ocorre principalmente entre os quatro meses até menos de um ano de vida. Os cães poderão apresentar dificuldades para levantar, caminhar, correr, saltar e subir escadas. A locomoção pode ser dificultada em lugares lisos. Para correr poderão imitar a corrida de coelhos. A claudicação poderá afetar um ou os dois membros. No segundo caso observa-se, com alguma freqüência, que os animais deslocam o peso mais sobre os membros anteriores, desenvolvendo a musculatura torácica desproporcionalmente em relação aos posteriores. As passadas podem ser mais curtas, podendo ocorrer relutância aos exercícios, observando-se preferência pelo sentar ou deitar. Episódios anormais de agressividade são algumas vezes observados, inclusive com o proprietário. A displasia pode provocar muitas dores, andar imperfeito, afetando a resistência do animal.

EXAME CLÍNICO

Baseia-se na observação do animal em estação, caminhando e trotando, na constatação de aumentos de volumes e assimetrias e na busca da presença da dor, crepitação e amplitude do movimento articular, maior na fase aguda e menor na crônica, já que nesta última intensificam-se as alterações articulares degenerativas, tomando lugar a fibrose capsular e muscular circundante.

Os sinais de Ortolani e Bardens devem ser explorados em cães jovens, anestesiados e colocados em decúbito lateral. Para o sinal de Ortolani , posicione o fêmur superior perpendicularmente ao eixo longitudinal da pelve e paralelamente à superfície da mesa de exame. Coloque a palma de uma das mãos sobre a articulação coxofemoral sob avaliação e com a outra segure firmemente a articulação fêmoro-tíbio-patelar correspondente, pressionando o fêmur contra o seu acetábulo. Quando esta pressão é exercida, a cabeça femoral da articulação displásica subluxa dorso lateralmente. Mantenha esta pressão e abduza ao máximo o fêmur. Durante esta manobra você sentirá que a cabeça do fêmur retornará a sua cavidade acetabular, algumas vezes emitindo um som audível semelhante a um “clunk”. O retorno com ou sem som é um achado clínico que corresponde a um sinal Ortolani positivo, vindo a confirmar a presença de frouxidão articular.

Para o sinal de Bardens , indicado para animais mais leves e com menos de três meses de idade, segure o fêmur superior com uma mão e posicione a outra com o polegar na tuberosidade isquiática, o indicador sobre o trocanter maior e o dedo médio na tuberosidade sacral. Abduza o fêmur paralelamente à mesa de exame. O deslocamento lateral do trocanter maior, além do compatível, percebido pelo indicador, revela frouxidão articular.

CONTENÇÃO

O diagnóstico definitivo através do exame radiográfico, mediante posicionamento correto do paciente e imagens de qualidade. O posicionamento normalmente é alcançado através da anestesia geral, já que estamos frente a uma patologia muitas vezes dolorosa e de raças geralmente grandes.

A associação farmacológica da tiletamina e zolazepam (Zoletil 50 – Virbac) proporciona analgesia rápida e profunda e relaxamento muscular. É uma anestesia dissociativa segura, de efeitos secundários reduzidos. Recomendamos a administração na dose prescrita pelo fabricante por via E.V. (1ml para cada 10 kg de peso), devido aos efeitos mais rápidos (ganho de tempo) e pelas dosagens menores, quando comparadas à aplicação I.M.. Os riscos de uma anestesia feita com cuidado e com drogas modernas caem praticamente a zero.

CONTROLE DA DISPLASIA

Todos os animais utilizados na reprodução devem passar por uma seleção radiográfica. Como condição mínima necessária, pelo menos os pais dos reprodutores devem ser isentos de displasia, não sendo preciso ressaltar que quanto mais longe formos no controle dos ascendentes, melhor será. Os animais aprovados para a reprodução também o deverão ser quanto a prova dos descendentes. Não basta apresentar articulações coxofemorais normais, pois animais nestas condições podem transmitir a má formação aos seus descendentes. É importante esclarecer que as radiografias só avaliam os aspectos fenotípicos (alterações radiográficas) e não o genótipo. Freqüentemente animais sem sinais de displasia são portadores dos respectivos gens.

É preciso deixar muito claro que todos os animais, com exceção dos de categoria A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD –), do alemão Hüftgelenk Dysplasie e do inglês Hip Dysplasia, apresentam displasia, em menor ou maior grau. Atualmente no Brasil, para fins de reprodução, é permitido o acasalamento dos cães pertencentes às três primeiras categorias, ou seja, A (HD -), B (HD +/-) e C (HD +), enquanto que em alguns países de primeiro mundo, como por exemplo a Alemanha, só são autorizados para o mesmo fim as classificações A e B.

Sugere-se, caso a fêmea seja C (displasia coxofemoral leve: HD +), que ela deva ter excelentes características do padrão da raça, como conformação, temperamento, etc.. Estas virtudes devem superar as deficiências das articulações. Esta mesma fêmea deveria acasalar com um macho A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD -). As recomendações para as fêmeas não devem ser aplicadas aos machos, já que os mesmos transmitirão a displasia para um número muito maior de filhotes. Animais levemente displásicos tendem a transmitir displasias discretas. É importante ressaltar que os critérios de acasalamento devem levar em consideração o tamanho do plantel e a conformação das articulações. Se a população de animais em uma determinada raça é muito grande e o controle da displasia é feito rotineiramente há muito tempo, o critério na reprodução será mais rígido se comparado com outras raças com número menor de exemplares e com controle radiográfico mais incipiente.

Caso contrário limitaríamos tanto os acasalamentos que poderiam não haver mais animais aptos para este fim.

Muitos proprietários questionam o diagnóstico radiográfico, quando o resultado é de displasia moderada ou severa e quando os cães correspondentes praticam exercícios diários intensos sem manifestar qualquer sintoma. Isto é perfeitamente possível, pois sabemos que muitas vezes não há correlação entre as lesões radiográficas e os sinais clínicos.

RADIOGRAFIA PERFEITA

Ao se realizar uma radiografia das articulações coxofemorais para o diagnóstico da displasia, faz-se necessária, preferencialmente, a anestesia geral, podendo ser de curta duração, de tal forma que o paciente esteja livre de qualquer reação, com o objetivo de se obter um posicionamento correto. O animal é então colocado em decúbito dorsal , com os membros posteriores estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve deve estar paralela à superfície da mesa, ou seja, sem inclinação.

Para uma radiografia de posicionamento adequado, é de grande valia uma calha, utilizada para deitar o animal no seu interior, com a pelve fora da mesma. Portanto ela é um acessório muito importante para este tipo de exame. Os membros torácicos são estendidos cranialmente, tomando-se o cuidado de não haver inclinação do tórax do animal. Nestas circunstâncias a imagem radiográfica deverá nos mostrar o seguinte :

ílios simétricos
canal pélvico ovalado, de contornos simétricos, quando dividido sagitalmente
foramens obturadores simétricos
fêmures paralelos entre si e com a coluna vertebral
Patelas sobrepostas aos sulcos trocleares
A imagem radiográfica deve permitir a visualização de toda a pelve, assim como das articulações fêmoro-tíbio-patelares, para que se possa avaliar a simetria dos ílios e os posicionamentos das patelas. Se estas não estiverem sobrepostas aos sulcos trocleares, conclui-se que os posteriores foram rotacionados insuficiente ou excessivamente. Normalmente é insuficiente, ou seja, a patela tende a se sobrepor mais ao côndilo lateral do fêmur do que ao sulco propriamente dito. No posicionamento apropriado das patelas, alcançado através da rotação medial dos membros, exerce-se uma força sobre as cabeças femorais, levando as articulações displásicas à subluxação, enquanto que no animal normal não ocorrerá o mesmo. Normalmente é esta subluxação a primeira alteração radiográfica e em princípio a mais importante. Através dela é que se determina o grau no índice de Norberg. As demais alterações irão se desenvolver como conseqüência da subluxação, como por exemplo a artrose, por isso denominada de artrose secundária.

Uma radiografia de qualidade deverá ser bem contrastada, observando-se de forma bem detalhada o bordo acetabular dorsal e a estrutura trabecular da cabeça e colo femorais. Alcançam-se estes objetivos utilizando-se bons equipamentos de raios X, écrans e filmes de boa procedência, revelação por processamento automático sempre que possível e uma câmara escura que realmente seja escura, provida de uma lâmpada de segurança que realmente seja de segurança. Sob a superfície da mesa radiográfica, no Bucky, faz-se presente a grade anti difusora, com a função de absorver a maior parte da radiação secundária. Esta, quando ausente, produz imagens sem contraste, isto é, de aspecto enfumaçado.

RADIOGRAFIA INADEQUADA

É aquela sem o posicionamento apropriado, caracterizada principalmente pela assimetria dos ílios, ausência de paralelismo entre os fêmures, principalmente por abdução dos membros, patelas não sobrepostas aos sulcos trocleares e aquelas sem padrão de imagem, por estarem sub ou super expostas (claras ou escuras, respectivamente), prejudicando o contraste, tremidas, manchadas, mal reveladas, etc., bem como aquelas sem os dados de identificação do paciente na emulsão (antes da revelação) do filme.

DIAGNÓSTICO

É realizado através do índice de Norberg . Baseia-se na determinação dos centros das cabeças femorais e da união dos mesmos por intermédio de uma linha, que nos possibilitará traçar, a partir de um dos centros uma segunda linha, que tangenciará o bordo acetabular crânio lateral. As duas linhas formam entre si um ângulo, chamado ângulo de Norberg. Este é apenas um dos elementos necessários para o diagnóstico da displasia. Outros fatores devem ser levados em consideração, tais como o posicionamento do centro da cabeça femoral em relação ao bordo acetabular dorsal, o aspecto da linha articular, a presença de alterações articulares degenerativas (artrose secundária) e a conformação dos bordos acetabulares, principalmente do crânio lateral.

Segundo Norberg o menor ângulo compatível com a normalidade é 105º, porem pode haver uma articulação com 105º ou mais e ser classificada como próxima do normal (B) ou levemente displásica (C), bastando para isto a presença de osteófito no bordo acetabular crânio lateral, adulterando o ângulo ou quando menos de 50% da cabeça femoral estiver inserida dentro da cavidade acetabular.

Os autores tem preconizado pelo menos 50%. É de fundamental importância entender, que em princípio, quanto maior o ângulo de Norberg, maior será a congruência articular. em outras palavras, maior será o contato entre cabeça femoral e cavidade acetabular ou maior será a intimidade entre elas ou maior será o encaixe da cabeça femoral. A partir deste momento, quanto menor a congruência articular, menor será o ângulo e mais evidente será a subluxação, podendo atingir até a luxação.

ALIMENTAÇÃO E DISPLASIA

Cães alimentados à vontade crescem mais rapidamente e tendem à obesidade, exacerbando a displasia coxofemural, ao contrário dos que são submetidos a um regime alimentar mais restrito.

Estudos comprovam que é impressionante a redução da intensidade da displasia em cães labradores. Em 24 labradores que receberam 25% menos alimento que outros 24, alimentados à vontade. O estudo foi feito por 6 especialistas, PhDs em veterinárias de diversas universidades americanas, em conjunto com a Ralston Purina. “Basta manter o cão esbelto com as costelas perceptíveis ao toque, não magro a ponto de elas serem visíveis”, comenta o veterinário especializado em radiologia Edgar Sommer.

A restrição alimentar intensifica menos a displasia coxofemural. Essa possibilidade não deve desestimular programas criteriosos de acasalamento, mesmo porque essa má formação é comprovadamente hereditária.

Normas do CBRV – Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária- para avaliação da displasia coxofemoral em cães no Brasil, segundo os critérios da Federação Cinológica Internacional – FCI

1 – Procedimentos técnicos

Idade

A avaliação das condições articulares será feita conclusivamente a partir dos doze meses completos de idade na maior parte das raças, exceção feita ao Bullmastiff, Dogue de Bordeaux, Great Dane, Leonberger, Maremma, Mastiff, Mastim Napolitan, Newfoundland, Landseer, Pyrenean Mountain Dog e St. Bernard, cuja apreciação deverá ser realizada com pelo menos dezoito meses completos de idade. Avaliações preliminares das articulações coxofemorais poderão ser realizadas a partir dos seis meses de idade.

Contenção

Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejada, é obrigatória a contenção do paciente, mediante a utilização de associações farmacológicas capazes de determinar perfeito relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações por parte do cão.

O médico veterinário, ao realizar a radiografia, assinará um termo de responsabilidade, comprometendo-se com esse tipo de contenção.

Posicionamento

Decúbito dorsal com os membros pélvicos em extensão caudal, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, tomando-se o cuidado de manter as articulações fêmoro-tíbio-patelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. Deve-se ainda ter o cuidado para que a pelve fique em posição horizontal. Uma segunda radiografia poderá ainda ser utilizada, com os membros pélvicos flexionados – frog position (posição de rã).

Identificação

do filme

Na identificação mínima permanente do filme, em sua emulsão, deverá constar o número de registro do animal, raça, data de nascimento, data do exame radiográfico e a identificação da articulação coxofemoral direita ou esquerda.

Identificação do paciente

O médico veterinário ao realizar a radiografia deverá identificar o animal, caso ainda não esteja, por microchip, corretamente denominado de transponder (figura 7), ou por tatuagem, para um posterior controle, se necessário.

Tamanho do filme

Deve ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações fêmoro-tíbio-patelares do paciente.

Qualidade da radiografia

Serão analisadas as radiografias devidamente identificadas e as que obedecerem os critérios de posicionamento do animal, cujo padrão de qualidade ofereça condições de visualização da micro trabeculação óssea da cabeça e colo femorais e ainda definição precisa das margens da articulação coxofemoral, especialmente do bordo acetabular dorsal.

2 – Laudo

O radiologista, ao receber a radiografia, avalia a sua qualidade para o diagnóstico, ficando a seu cargo a possibilidade de ser devolvida ao médico veterinário que a realizou, caso não obedeça aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo definitivo, cada radiografia será examinada por um dos radiologistas credenciados pelo CBRV, escolhido por sorteio, que não terá conhecimento do nome de registro ou mesmo do proprietário do animal. Cada proprietário terá direito, mediante pagamento dos respectivos custos, de recorrer a um segundo e último diagnóstico, submetido ao júri da Displasia Coxofemoral do Comitê Científico da Federação Cinológica Internacional.

Classificação das articulações coxofemorais:

A (HD –): sem sinais de displasia coxofemoral

A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. O bordo acetabular crânio lateral apresenta-se pontiagudo e ligeiramente arredondado. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º, como referência.

B (HD +/-): articulações coxofemorais próximas do normal

A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente ao bordo acetabular dorsal.

C (HD +): displasia coxofemoral leve

A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100º e/ou há um ligeiro achatamento do bordo acetabular crânio lateral. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal ou na cabeça e colo femorais.

D (HD ++): displasia coxofemoral moderada

Evidente incongruência entre cabeça femoral e o acetábulo com subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, é maior do que 90º, como referência. Presença de achatamento do bordo acetabular crânio lateral e/ou sinais osteoartrósicos.

E (HD +++): displasia coxofemoral severa

Marcadas alterações displásicas das articulações coxofemorais, como luxação ou distinta subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, menor do que 90º. Evidente achatamento da margem acetabular cranial, deformação da cabeça femoral (formato de cogumelo, achatada) ou outros sinais de osteoartrose.

TRATAMENTO

O tratamento poderá ser medicamentoso ou cirúrgico. Relacionam-se neste último várias possibilidades, desde as mais simples, tais como, por exemplo, a pectineotomia e a ressecção de cabeça femoral (artroplastia excisional), até as mais complexas, como as correções de desvios do tipo geno valgo e antiversão, a osteotomia tripla de pelve, a osteotomia intertrocantérica, o alongamento de colo femoral, a prótese total, etc., e as associações cirúrgicas, como a osteotomia tripla de pelve com o alongamento de colo femoral. Modernamente tem se tratado, não só a displasia coxofemoral, mas também a displasia do cotovelo, a osteocondrose, a necrose avascular de cabeça femoral, a espondiloartrose, enfim, todas as patologias articulares degenerativas (artroses) e inflamatórias (artrites) através de produtos de origem natural com a propriedade de regenerar (anabolizar) e proteger a cartilagem articular degenerada, produzindo uma analgesia natural. Os antinflamatórios esteróides mascaram a dor, liberando os movimentos articulares.

Estes esteróides somados aos movimentos articulares tem uma ação de destruição (catabolização) da cartilagem articular, que é antagônica aos fatores anabolizantes dos produtos acima referidos. Por esta razão a associação dos mesmos não deve ser recomendada, muito menos só a aplicação dos antinflamatórios. A ação anabolizante do produto pode ter um resultado final melhor quando acompanhada de medidas apropriadas de manejo, tais como manter o animal em locais restritos para que o mesmo reduza sua atividade física, assim como evitar a obesidade do paciente e os locais escorregadios. Há inclusive a possibilidade de ocorrer um remodelamento osteoarticular. Este fato é de suma importância, pois os osteófitos pericondrais poderiam ser, no mínimo, parcialmente reabsorvidos, descomprimindo, por exemplo, as ramificações nervosas eferentes localizadas nos espaços intervertebrais. Poderíamos evitar a calcificação dos discos intervertebrais.

Caso estes procedimentos não sejam coroados de êxito, não podemos deixar de considerar a intervenção cirúrgica como uma possibilidade adicional.

ANEXOS

DISPLASIA

1-Buldogue Inglês 197
0.0
20.9
72.6

2-Pug 113
0.0
5.2
66.4

3-Otterhound 179
0,0
10.1
54.2

4-Chumber Spaniel 245
3.3
20.2
50.6

5-São Bernardo 1.641
3.7
3.9
47.2

6- Boykin Spaniel 919
0.3
4.5
44.8

7- Sussex Spaniel 106
0.9
6.4
41.5

8-Buldogue Americano 322
2.2
3.6
38.5

9-Newfaundland 8.477
5.7
3.2
27.2

10-American 1.019
1.5
0.8
26.3

11-Bulmastife 2.661
2.9
2.0
26.0

12-Bloodhound 1.672
1.9
1.3
25.7

13-Fila Brasileiro 311
7.1
2.0
25.1

14-Chinook 111
1.8
2.0
25.1

15-Chesopeoke Bay Retriever 7.346
8.9
1.2
222.8

16-Setter Gordon 4.111
6.6
1.1
21.6

17-Golden Retriever 77.686
2.8
1.0
21.4

18-Field Spaniel 331
5.4
2.2
21.2

19-Chou Chou 3.744
6.0
2.9
21.2

20-Rotweiler 73.517
7.2
1.7
21.2

21-Kuvasz 1.208
9.0
1.9
21.2

22-Eikhound Norueguês 2.793
5.7
1.0
20.7

23-Mastife 4.243
5.8
0.9
20.6

24-Old English Sheepdog 8.617
9.8
1.2
20.6

25-Schnauzer Gigante 2.934
7.6
1.0
20.4

26-Seaucenon 111
10.78
0.7
19.8

27-Pastor Alemão 63.635
3.0
1.8
19.7

28-Staffordshire Ball Terrier 132
0.8
0.0
19.7

29-Bernese Mountain Dog 6.019
7.5
1.2
19.3

30-America Pit Bull Terrier 153
5.9
0.0
19.0

31-Setter Inglês 5.808
6.3
1.2
18.8

32-Spinone 243
15.6
0.9
18.5

33-Grand Bouwier Suisse 507
7.3
0.6
17.9

34-Block And Ton Coonhoud 428
5.8
0.6
17.7

35-Bogle 185
0.5
0.4
17.3

36-Welsh Corgi Pernbroke 4.613
2.0
0.0
16.9

37-Welsh Springer Spaniel 827
9.1
0.0
16.88

38-Shi Tsu 435
1.8
0.88
16.8

39-Brittany 10.342
6.7
0.9
16.5

40-Briard 1.178
10.4
1.5
16.3

41-Bouvier de Flandres 5.053
5.2
0.7
16.1

42-Pudelpointer 895
3.3
1.5
15.9

43-Walh Cargi Cardigan 501
3.2
0.5
15.8

44-Springer Spaniel Inglês 7.586
7.1
0.9
15.5

45-Curty Coated Retriewer 574
7.8
0.5
15.3

46-Cão D´Água Português 2.664
10.5
0.9
15.2

47-Irish Water Spaniel 686
10.9
1.5
15.2

48-Polish Owczarek Nizinny 101
5.0
0.7
14.9

49-Akita 11.541
14.6
0.6
14.5

50-Leonberger 396
16.4
0.8
14.5

51-Shar Pei 7.313
8.1
0.0
14.4

52-Australian Cattle Dog 1.395
2.7
0.3
14.2

53-Ainedale Terrier 3.107
6.7
0.8
13.6

54-Poodle 10.037
9.0
0.3
13.6

55-Komondor 720
9.2
1.1
13.3

56-Retriever do Labrador 103.814
14.2
1.1
13.2

57-Setter Irlandês 8.005
6.8
0.5
13.0

58-Pastor da Anatália 803
15.3
1.3
12.6

59-Dogue Alemão 6.315
10.0
0.4
12.4

60-Malamute do Alasca 10.038
14.6
0.4
12.3

61-Barder Collie 3.174
9.5
0.6
12.1

62-Samoieda 11.238
8.6
1.0
11.8

63-Boxer 2.078
2.8
0.5
11.4

64-Munnsherland 152
17.8
1.6
11.2

65-Mastim Tibetano 368
4.9
1.2
11.1

66-Akbash 348
20.1
1.1
10.9

67-Cavalier King Charles 1.317
3.7
0.2
10.4

68-Puli 1.305
15.2
0.0
10.0

CONCLUSÃO

A displasia coxofemoral é a má formação das articulações coxofemorais, incidindo em todas as raças, principalmente nas grandes e de crescimento rápido. Sua transmissão é hereditária, recessiva, intermitente e poligênica. Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente, associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. A suspeita ao exame clínico é possível, mas é o estudo radiográfico, normalmente a partir dos doze meses completos de idade na maior parte das raças, mediante posicionamento correto do animal, que define o diagnóstico. Para tanto o paciente deve estar livre de qualquer reação. Este estado é atingido com a anestesia geral, de preferência. O paciente deve ser posicionado em decúbito dorsal, membros posteriores estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve não pode estar inclinada. Na identificação mínima do filme deverá constar o número de registro do cão, data de nascimento e data do exame radiográfico. A subluxação, normalmente como primeiro sinal radiográfico, pode levar à artrose secundária, assim denominada por se desenvolver secundariamente a uma outra alteração, no caso a displasia. O controle desta má formação se faz através de uma seleção radiográfica de todos os animais utilizados na reprodução. O índice de Norberg é utilizado para o diagnóstico. Modernamente o tratamento medicamentoso tem se baseado em produtos com capacidade anabolizante da cartilagem articular degenerada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SMITH, G.K.; et al. New concepts of coxofemoral joint stability and the development of a clinical stress-radiographic method for quantitating hip joint laxity in the dog. Journal of American Veterinary Medical Association, 196 (1), 59-70, 1990.

Genital Masculino

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Autor: Norberto Carone Castro Junior

Discorra sobre os componentes celulares do testículo (localização e função). Explique a espermatogênese.

Os componentes celulares são: Dentro dos Túbulos Seminíferos encontramos as células da linhagem germinativa, que começam na espermatogônia e terminam em espermatozóides, que ficarão na luz tubular. Temos tb as células intersticiais ou células de Sertoli, que produzem proteína que eleva a afinidade das células germinativas à testosterona, além da função de sustentação das células do túbulo e de proteção ao espermatozóide contra o estroma evitando um processo inflamatório. Fora dos Túbulos Seminíferos encontramos as células de Leydig, que possuem a função de produzir testosterona, que possui liberação controlada pelos hormônios LH e FSH.

OBS: O indivíduo XY possui ducto de Volfe, que irá dar origem ao sistema reprodutor masculino.

A espermatogênese nada mais é do que a maturação das células germinativas em espermatozóides.

Explique a estrutura e a função da bolsa escrotal e comente sobre os processos inflamatórios mais freqüentes.

Composição da Bolsa: Pele (fina e s/ pêlo, com exceção dos felinos), Camada Fibromuscular (Túnica de Dartus, que é importante para termorregulação), Túnicas Vaginais (Parietal e Visceral), Túnica Vascularizada e Testículos.

Função: Termorregulação através do músculo cremaster e proteção.

Processos Inflamatórios: Os processos mais freqüentes são as Dermatites, que são causadas por 3 agentes em especial: Dermatophitus congolensis (bactéria), Besnoitia besnoti (bactéria) e Chorioptis ovis (larva de mosca). Essas dermatites estão mais comumente associadas à traumatismos de bolsa escrotal. As conseqüências das dermatites são: Perda das funções da bolsa e como conseqüência o aparecimento de degeneração com morte celular da linhagem espermatogênica.

Inicialmente há um aumento de volume do testículo (edema) e com o passar do tempo teremos fibrose do testículo como resultado da fase crônica (atrofia testicular marcada por diminuição das céls germinativas e aumento das céls intersticiais).

Conceitue Criptorquidismo. Cite os fatores predisponentes para o seu desenvolvimento e caracterize as lesões macro/microscópicas.

Quando a descida dos testículos, da cavidade abdominal para o escroto não se processa normalmente durante o período fetal temos um caso de Criptorquidismo que pode ser Uni/Bilateral, e é extremamente freqüente no cão.

Os testículos ficam mantidos em temperaturas altas podendo haver a inibição da espermatogênese.

Fatores predisponentes: Basicamente podem ser classificados em 4 fatores: Distúrbios cromossômicos, como a Trissomia dos 13; Exposição da fêmea prenhe à estrógenos; Partos Distócitos, principalmente quando o animal nasce em posição posterior (acredita-se que a pressão exercida à esse animal é contrária à pressão exercida se este nascesse em posição anterior, e isto acaba causando a não descida do testículo); Animais que desenvolvem Onfaloflebite (como a pressão dentro da cavidade é alterada, acredita-se que esse fator dificulta a descida testicular).

Micro/Macroscopicamente: Interrupção no desenvolvimento das céls germinativas associado c/ hialinização e espessamento acentuado da membrana basal dos túbulos espermáticos. Os túbulos terminam por adotar o aspecto de densos cordões de tecido conjuntivo hialino delineado por mebranas basais proeminentes. Ocorre aumento do estroma intersticial.

O testículo criptorquídico possui dimensões pequenas e consistência firme secundária às alterações fibróticas (devemos o quadro ao Processo Degenerativo).

Obs: A descida é comandada pela testosterona.

Conceitue Barreira Hematotesticular e explique a sua relação c/ o desenvolvimento das Orquites.

A Barreira Hematotesticular é feita principalmente pelas células de Sertoli e componentes fibrosos (fibroblastos). Essa barreira impede o contato dos espermatozóides c/ o estroma (q é ctituido por linfócitos). Como o espermatozóide não é reconhecido como célula do organismo, o seu contato com o estroma formará uma resposta inflamatória (Orquite Auto-Imune).

O Rompimento dessa barreira pode ocorrer por neoplasias, vasectomias e traumatismos mecânicos, por exemplo.

Comente sobre as diversas formas de Orquites nos animais domésticos.

Orquite Auto-Imune: caracterizada pela formação de granulomas do tipo corpo estranho. Ocorrerá qndo houver quebra da barreira hematotesticular.

Orquite Intra-Tubular: decorrente de processos inflamatórios que acometem o túbulo. Geralmente é ascendente. Podemos ter um infiltrado neutrofílico (abscessos), granulomas do tipo corpo estranho (por rompimento da barreira hematotesticular) – Granuloma Espermático.

Orquite Necrotizante: É a mais importante de todas. Tem como principal agente a Brucella, que provoca processo inflamatório exuberante (inf. Aguda + edema q comprimem vasos no local provocando Isquemia, que levará a necrose de coagulação). Temos associado a essa inflamação, o granuloma por corpo estranho.

Orquite Granulomatosa: Teremos a formação do granuloma caseoso. Acomete animais c/ tuberculose (o agente da tuberculoso provoca a formação do granuloma caseoso). Teremos tb, granulomas por corpo estranho.

Orquite Inspecífica (Inter-Tubular): Descrita em bovinos e eqüinos. Microscopicamente teremos um infiltrado linfocítico entre os túbulos (Não há acomentimento dos túbulos). A causa é desconhecida. Macroscopicamente não há alterações.

Diferencie a partir do aspecto macroscópico as principais Neoplasias Testiculares em cães.

Sertolinomas: Neoplasia das células de Sertoli. Macro: Massa de coloração branca de crescimento acelerado.

Ladigomas: Neoplasia das células de Leydig. Macro: Massas que não causam deformidade testicular. Geralmente são de cor laranja.

Seminomas: Neoplasia de células Germinativas. Macro: Possuem coloração branca e se parecem com linfomas.

Teratomas: Neoplasia de células Toti ou Pluripotentes (que dão origem a qqer tipo tecidual). Macro: Podemos encontrar pêlo, dente, cartilagem, osso e etc …

Obs: O diagnóstico é fechado por exame histopatológico; todas são consideradas malignas e podem metastatizar (principalmente para linfonodos inguinais); diminuem ou inibem a fertilidade do animal.

Obs: Síndrome da Feminilização: Ocorre principalmente em Sertolinomas. O animal passa a apresentar quadro de ginecomastia, áreas de alopecia (estrógeno é tóxico ao folículo piloso); distribuição da gordura corpórea parecida com a da fêmea e pode apresentar aumento das infecções (estrógenos são tóxicos à medula óssea).

Discorra sobre Hiperplasia Prostática e Prostatite aguda e crônica em cães.

Hiperplasia Prostática Benigna

Em um certo grau, tanto a hipertrofia (aumento no tamanho), como a hiperplasia (aumento do nº de céls) de céls prostáticas respondem por um aumento de volume da glândula em todos os cães não castrados de meia idade e idosos.

Constitui o distúrbio + comum da próstada. As causas incluem desequilíbrio na proporção de andrógenos e estrógenos, aumento do nº de receptores andrógenos e aumento da sensibilidade tecidual à andrógenos.

A Diidrotestosterona é o principal andrógeno que promove hiperplasia prostática.

Obs: O animal apresenta disquesia e disúria.

Obs: A palpação fecha o diagnóstico

Obs: Pode ser neoplásico.

Prostatite Bacteriana (Crônica)

A prostatite bacteriana ocorre qndo se altera a resistência normal do hospedeiro.

As causas predisponentes incluem destruição da arquitetura glandular normal (hiperplasia benigna, metaplasia escamosa e neoplasia), uretropatias, infecções do trato urinário, alterações no fluxo urinário, alteração nas secreções prostáticas e disfunção imune do hospedeiro.

A infecção ocorre geralmente através da via ascendente, embora possa ocorrer propagação hematógena das bactérias. Os patógenos mais comuns são: E. coli, Staphylococcus, Proteus mirabilis, Streptococcus e Mycoplasma.Os isolados menos comuns incluem: Klebsiella, Brucella canis, Pseudomonas e Ureaplasma. As infecções anaeróbicas são mais raras.

A próstada se encontra reduzida de tamanho (devido a fibrose), o infiltrado presente é o mononuclear.

Prostatite Não Bacteriana (Aguda)

A próstada se encontra aumentada de tamanho devido ao edema. Há presença de infiltrado neotrofílico e áreas de necrose.

Normalmente é extensão de um processo urinário, cistite principalmente.

Acometidas por agentes bacterianos, e que se originam de infecções urinárias (idem aos da Crônica).

Considerações ao Pênis e ao Escroto

Balanite: Processo inflamatório peniano

Postite: Processo inflamatório prepucial

Obs: Normalmente temos Balanopostite, e como agentes principais temos: Herpes Vírus, Corinium bacterium renal.

Fimose: Dificuldade de exposição do pênis. Relaciona-se ao estreitamento do prepúcio por inflamação ou alterações cromossômicas.

Parafimose: Dificuldade no retorno do pênis ao prepúcio.

TVT: Tumor de Sticker ou Tumor Venéreo Transmissível. Fica na base do pênis como lesões verrucosas.

Neo de céls escamosas: Comum em eqüinos. Fica na glande do pênis (área + apical).