O QUE VEM A SER UM CLONE? (CLONAGEM)

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Autor: Grasiela Rocha Ajala

Quando ouvimos falar em clonagem, a primeira coisa que nos vem à mente é a ovelha Dolly, o primeiro animal clonado de células de um indivíduo adulto.

A clonagem, entretanto, não se refere apenas ao método aplicado no caso de Dolly. Podemos clonar ou gerar cópias de genes, células, tecidos, órgãos e plantas. A palavra clone deriva do grego Klón, o broto da planta que, quando quebrada, pode se desenvolver como a planta-mãe. Para os microbiólogos, por exemplo, o termo clone se aplica a uma população de microorganismos geneticamente idênticos. Nos animais, inclusive no homem, ocorre um processo de clonagem natural que leva à formação de gêmeos idênticos. Isto se dá quando o embrião, nos estágios iniciais de seu desenvolvimento, sofre uma divisão natural, originando dois ou mais indivíduos geneticamente iguais.
Sabemos que a maioria dos organismos, com excessão dos assexuados, se desenvolvem da união de um indivíduo do sexo masculino, com outro do sexo feminino. Um espermatozóide que contém n cromossomos, irá fecundar um óvulo também com n cromossomos, formando um indivíduo com 2n cromossomos. Entretanto, na clonagem artificial (o caso de Dolly), não ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozóide para formar um novo indivíduo. Nesse procedimento, o novo indivíduo será criado da célula somática (2n cromossomos) do indivíduo original, portanto, com os mesmos genes deste, daí ser considerado a sua cópia.

Devemos lembrar também que existe uma idéia muito difundida, porém errada, de que o clone é uma cópia idêntica de seu original. Sabemos que todo indivíduo é resultado das interações entre o seu genótipo e o seu ambiente. O clone de qualquer indivíduo, apesar de conter o mesmo material genético do original, não será idêntico a este último, pois vai sofrer influências ambientais diversas, que poderão acarretar diferenças fenotípicas entre os dois. Isso é válido tanto no caso de Dolly, em que o original desenvolveu-se num período de tempo anterior ao clone, quanto no caso de gêmeos idênticos (clones naturais). Um bom exemplo relacionado a esse fenômeno é o caso de Cedric, Cecil, Cyril e Tuppence, quatro carneirinhos da raça dorset que foram clonados pela equipe de Ian Wilmut e Keith Campbell, a mesma que clonou Dolly e Polly. Esses quatro carneiros são geneticamente idênticos, porém diferem em tamanho e temperamento, o que pode significar que os genes sozinhos não determinam todos os caracteres físicos e comportamentais de um organismo, eles estão em diálogo constante com o ambiente, interagindo com o mesmo.

As Técnicas

Os famosos casos das ovelhas Dolly, Megan e Morag estão relacionados a uma técnica de clonagem chamada de transplante nuclear, desenvolvida pela equipe de Ian Wilmut e Keith Campbell no Instituto Roslin em Edimburgo, Escócia. Esse procedimento envolve duas células: a célula recipiente e a célula doadora. A recipiente, normalmente, é um ovo não fertilizado, retirado da ovelha logo após a ovulação. A doadora, com todo o seu material genético diplóide, é aquela que será copiada (clonada). Esta célula pode ser retirada de um embrião, ou de um animal adulto.

O primeiro passo é esvaziar a célula recipiente de seu material genético, ou seja, retira-se, com uma micropipeta, os cromossomos do núcleo desta célula. Em seguida, será realizada a fusão da célula doadora com a célula recipiente esvaziada. Essa fusão é feita com o auxílio de descargas elétricas definidas e seqüenciadas. O embrião formado será, então, colocado num meio de cultura durante, mais ou menos, uma semana. Dando-se o desenvolvimento do embrião, este será implantado no útero de uma terceira ovelha, onde continuará a se desenvolver até ser parido por sua mãe de aluguel. A diferença entre o caso de Megan e Morag e o de Dolly é que, no primeiro caso, a célula doadora foi retirada de um embrião com a idade de nove dias, e, no de Dolly, a célula doadora foi retirada de um animal adulto, porém, em ambos, essas células já apresentavam o grau considerável de diferenciação. Este fato poderia ser um empecilho para o sucesso das clonagens se não fosse uma inovação introduzida em Roslin, como veremos mais adiante.

A técnica da transferência nuclear, ou transplante nuclear, já vinha sendo desenvolvida desde a década de 1980, tanto na Europa como na América do Norte. O primeiro cientista a clonar com sucesso ovelhas usando essa técnica foi o dinamarquês Steen Willadsen. A nova técnica desenvolvida em Roslin graças aos conhecimentos de Keith Campbell sobre o ciclo celular apresentava, entretanto, uma novidade que foi revolucionária em relação às técnicas anteriores. Agora já se sabia que o núcleo doador, se fosse transferido na fase G0 (quiescente) da sua mitose, estaria mais apto a ser reprogramado e assim recuperar a sua totipotência, permitindo ao novo zigoto se diferenciar nos mais diversos tecidos e órgãos, ao longo do seu desenvolvimento embrionário. Esse era o empecilho maior que tornava a clonagem pela transferência nuclear uma tarefa muito difícil, ou seja, na técnica antiga os pesquisadores estavam mais preocupados em obter um núcleo doador que ainda não tivesse se diferenciado o bastante, a ponto de perder a sua totipotência. Na maioria das vezes, isso era impossível, o que malograva as tentativas de clonagem por esse método, apesar dos poucos sucessos.

Outra técnica desenvolvida por Wilmut e sua equipe mistura o transplante nuclear com a transgênese. Nela o gene de interesse é adicionado ao genoma de uma célula, que será a célula doadora no processo de clonagem. O primeiro animal produzido com essa técnica foi a ovelha Polly, clonada de uma célula doadora que recebeu o gene para o fator IX humano, uma proteína do sangue usada no tratamento da hemofilia B. As glândulas mamárias dessa ovelha secretam proteínas humanas com o seu leite. A conjunção dessas duas técnicas permitiria a produção de múltiplos indivíduos transgênicos, ou seja, clones que carregam a mesma alteração genética.

Segundo o próprio Ian Wilmut, entretanto, a técnica da transferência nuclear tem suas limitações e, ainda, não é totalmente eficiente. É importante saber que no experimento de Dolly, esta foi a única sobrevivente viável, dentre duzentos e setenta e sete possíveis clones de ovelhas. Todos os experimentos com clonagem descritos até agora mostram um padrão consistente de mortalidade durante o desenvolvimento fetal e embrionário, na ordem de um a dois por cento de embriões que conseguem sobreviver e se desenvolver. Infelizmente, mesmo alguns dos clones que sobreviveram até o nascimento morreram logo depois. As causas dessas mortes permanecem desconhecidas, mas isto pode refletir a complexidade de uma reprogramação genética necessária para que uma prole saudável seja produzida. Mesmo se um gene se expressa de maneira inapropriada ou falha para expressar uma proteína importante, o resultado pode ser fatal. Uma reprogramação pode envolver a regulação de milhares de genes num processo que pode incorporar fatores aleatórios. Conclui Wilmut. A despeito da importância da quiescência para o sucesso do desenvolvimento do clone, estudos mais recentes têm demonstrado que o fato da célula estar nessa fase do seu ciclo, talvez não seja o único fator importante para o sucesso do desenvolvimento do clone.

A Clonagem no Brasil

No dia 21 de março o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, anunciou, em Brasília, o nascimento do primeiro animal clonado brasileiro, a bezerra Vitória da raça simental, nascida na Fazenda Sucupira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As pesquisas em reprodução animal na Embrapa começaram em 1984 e são o resultado da tecnologia de transferência nuclear; a bezerra Vitória é resultado de núcleos transferidos de um embrião de cinco dias coletado de uma vaca simental pela técnica de transferência de embriões clássica. Essa técnica é semelhante àquela usada na clonagem de Megan e Morag, na qual uma célula é enucleada (célula recipiente) e depois fusionada com a célula doadora retirada de um embrião. De acordo com a Embrapa …este é o primeiro passo para que o Brasil domine completamente essa tecnologia e constitua a base da aplicação prática da transferência nuclear nos programas de conservação e melhoramento animal. Estudos de simulação demonstram que a combinação da clonagem com as demais técnicas de multiplicação animal permitirá obter, em um ano, o ganho genético equivalente a 12 anos de seleção e multiplicação pelos métodos tradicionais. Para o diretor-presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, o domínio da tecnologia de clonagem animal pelo Brasil possibilitará a reprodução acelerada de animais geneticamente superiores, a evolução de pesquisas de transgenia animal e também a reprodução de raças de animais ameaçadas de extinção no território nacional.

A artrite de Dolly

No dia 4 de janeiro, uma notícia se espalhou pelo mundo, causando tristeza para os eufóricos cientistas defensores da clonagem humana, e alívio para os prudentes. A equipe que cuida da ovelha Dolly (o primeiro mamífero clonado da História) detectou que ela está com artrite no quadril e no joelho esquerdo. Isso vem comprovar o que muitos já vinham dizendo: o animal clonado pode ter problemas de envelhecimento precoce. Em 1999, quando Dolly tinha três anos, foi submetida a uma exame, constatando que as características de seus cromossomos já eram de uma ovelha de nove anos.

A artrite de Dolly deixou claro que o sucesso da clonagem humana ainda vai demorar muito para acontecer com pleno êxito, se isso realmente ocorrer. A clonagem pode trazer benefícios no combate às enfermidades físicas, mas, sob o aspecto ético, é condenável quando destrói embriões humanos para atingir essa finalidade, e insuficiente para debelar as causas dos sofrimentos (inclusive físicos) de origens morais.

A clonagem humana (terapêutica ou reprodutiva), traz em discussão os efeitos práticos das possibilidades técnicas de intervenção que visam a geração de forma artificial de um organismo vivo idêntico ao que lhe originou. As finalidades dos experimentos buscam viabilizar a regeneração de células e tecidos danifica dos, como esforço de combater enfermidades crônicas, de origem genética; como também obter condições de (via laboratório) reproduzir o organismo humano em condições inteiramente não naturais. Já não há mais o encontro do espermatozóide com o óvulo, mas a provocação de estímulos externos (uma descarga elétrica, por exemplo), para forçar o desenvolvimento de um embrião. Através desta técnica inusitada, os cientistas avançam em suas experiências, com uma tal avidez, que mais causa apreensão do que admiração.

A técnica em si é simples, apesar de cara, falha, e ainda estar muito longe de alcançar seus objetivos. A grande motivação dos pesquisadores e investidores das experiências em curso, é lucrarem com a eficácia dos resultados. Vencer as doenças, para estes megapatrocinadores, ou ainda conseguir reproduzir um organismo humano por técnicas inteiramente artificiais, representa uma perspectiva de lucro abundante e poder ilimitado. Porém, tanto o erro de premissa (de que um mal pode servir de etapa à obtenção de um bem), como a confiança de que a ciência pode responder todos os mistérios da vida, fazem empresários e cientistas não levarem em conta de que tais projetos poderão não ser plenamente realizáveis, porque outros componentes importantes no processo não estão sendo devidamente considerados.

Segundo a fé católica, a dimensão trinitária da pessoa humana, formada de corpo, alma e espírito, coloca um obstáculo difícil de transpor, para alcançar o sucesso da clonagem humana. É que a pessoa não é somente o corpo, mas tem como parte constitutiva da sua composição, também a alma e o espírito; unidos entre si formando uma mesma realidade. Ao investigar as causas das enfermidades físicas, muitos cientistas deixam de lado o que a Igreja anuncia como verdade de fé, e passa a analisar o “material biológico” como se fosse a única evidência da vida, não percebendo o “algo mais” que o torna um ser vivente. Por isso, a ciência não chegará à verdade da pessoa humana, sem dialogar com a religião, sem unir fé e razão “as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” (Encíclica Fides et Ratio, 1).

A religião também se torna ciência, quando aquilo que ela indica como verdade de fé é resultado de ampla e profunda observação sobre os fenômenos da vida, e se utiliza de outros critérios para conferir seus dados; e chegar àquilo que muitas vezes a ciência não irá contradizer, mas confirmar. Quando a ciência e a religião reconhecerem que ambas precisam estar juntas nesse processo, dialogando, aprendendo e reconsiderando os equívocos de interpretação, então teremos as chances concretas do encontro com a verdade, que tanto a ciência como a religião estão a caminho da plena revelação, “porque o mesmo Deus que revela os mistérios e comunica a fé, foi quem colocou também, no espírito humano, a luz da razão”. (Fides et Ratio, 53).

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE CLONAGEM

Existem clones naturais?

Sim. Bactérias e amebas se reproduzem. As plantas que nascem por brotamento podem ser consideradas clones do organismo que as originam. As fêmeas de algumas espécies de peixe produzem embriões sem necessidade de fertilização dos óvulos pelo esperma de um macho.

É possível clonar humanos?

Teoricamente, sim. Mas o sucesso da clonagem em uma espécie não significa que ela funcionará com outras. É possível que a clonagem de humanos exija procedimentos ainda não desenvolvidos. Até o momento, não foi anunciada nenhuma tentativa de fazê-lo.

Por que clonar humanos?

A clonagem reprodutiva de humanos poderá ser uma alternativa para contornar a esterilidade, tanto masculina quanto feminina.

Há pesquisadores que propõem a combinação da clonagem reprodutiva de humanos com técnicas de engenharia genética para gerar indivíduos com características pré-selecionadas, como inteligência, menor propensão a contrair certas doenças e outras. Outra opção é a “clonagem parcial”, na qual as técnicas podem ser usadas para reprodução de órgãos (e não de indivíduos), com a finalidade de usá-los em transplantes.

Por que não clonar humanos?

Muitos grupos, como a Igreja Católica, não consideram aceitável o grande número de embriões que seriam perdidos no processo de clonagem. No caso de Dolly, dos 276 embriões manipulados, apenas 29 sobreviveram e foram implantados em ovelhas e só um chegou ao final da gestação.

Outra crítica é que a clonagem, associada à engenharia genética, poderia ser usada para o desenvolvimento de uma “raça” de indivíduos com características consideradas superiores.

A clonagem também é atacada por aqueles que vêem na perda de diversidade genética a ameaça à sobrevivência da espécie humana.

É possível uma pessoa ser clonada sem saber?

Teoricamente, sim. O DNA de uma única célula seria suficiente para gerar um clone.

Mesmo supondo um controle rígido sobre os exames de sangue e demais amostras de tecido habitualmente retiradas das pessoas, existem muitas outras fontes.

Células podem ser obtidas em saliva, que ficam em copos e talheres, ou mesmo de fios de cabelos, arrrancados com seus bulbos.

Será possível clonar mortos?

Sim, desde que as células colhidas para obter material genético ainda estejam vivas, o que só é possível após algumas horas depois da morte do “doador”.

Os clones já nascem com a idade do doador do DNA?

Esse é um assunto controverso. O material genéticos das células tem um marcador do tempo de vida, o telômero. Ele fica na ponta dos cromossomos. Cada vez que a célula se divide, o telômero fica mais curto. As células se dividem para se multiplicar; assim elas constróem e recompõem o organismo.

Quanto mais elas se dividem, mais telômero encurta e as células ficam velhas, até o ponto em que elas não se dividem mais e morrem. Pode ser que os clones nasçam com células que vão parar de se reproduzir mais cedo. Como os clones gerados a partir de células adultas são recentes, ainda não se sabe se esse processo ocorre.

Outro problema de usar células de animais adultos é que elas têm cromossomos deteriorados pelo tempo. Uma célula de intestino pode ter falhas na porção de seus cromossomos que codificam genes responsáveis pelo desenvolvimento dos rins, e esse defeito não afeta o desenvolvimento da célula. Porém, caso ela seja usada como fonte de material para um clone, é possível que o feto formado apresente deformidades renais.

Os clones são exatamente iguais?

Do ponto de vista genético, sim. Mas o ambiente tem um grande poder de moldar um indivíduo. Gêmeos univitelinos possuem o mesmo genoma, mas apresentam diferenças físicas e psíquicas adquiridas em processos distintos de desenvolvimento individual.

Existem clones de clones?

Sim. Cientistas da Universidade do Havaí (EUA) divulgaram, no mês passado, o desenvolvimento de três gerações de ratos clonados em seus laboratórios.

O cientista escocês Ian Wilmut, “pai” da ovelha Dolly, disse nesta terça-feira em Washington que a clonagem humana comporta grandes riscos e que poderá produzir crianças com malformações.

WASHINGTON – O cientista escocês Ian Wilmut, “pai” da ovelha Dolly, disse nesta terça-feira em Washington que a clonagem humana comporta grandes riscos e que poderá produzir crianças com malformações.

“A clonagem dos animais vem se mostrando ineficaz em todas as espécies. A falsa gravidez, os nascimentos prematuros e a presença de deformações nos clones que sobrevivem são bastante comuns e poderíamos esperar ver os mesmos fracassos na clonagem de seres humanos”, disse Wilmut, do Roslin Institut of Scotland, durante um pronunciamento na Academia Nacional de Ciências americana.

Para ele, a clonagem é resposta “ineficaz” para a esterilidade.

Wilmut estimou, além disso, que era responsabilidade da sociedade determinar até onde pode ir a tecnologia. “Se a sociedade decidir que não quer uma coisa em particular, pode detê-la”, estimou.

Ian Wilmut é pai da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado com êxito em 1997 depois de 276 tentativas infrutíferas.

Atualmente, Dolly é obesa e apresenta sintomas de envelhecimento precoce.Os cientistas não sabem o porquê.

Nos animais, os índices de sucesso da clonagem são estimados em apenas 3% e 5%. As experiências realizadas até agora mostram um forte aumento da taxa de gravidezes falsas, deformidades e malformações de órgãos vitais, como o coração e os pulmões.

Porca rara é clonada na primeira tentativa

Princesa, a última porca de uma espécie ameaçada de extinção nos Estados Unidos, foi clonada com sucesso por cientistas da companhia americana Infigen.

Como Princesa foi clonada na primeira tentativa, os cientistas acreditam que a experiência é um marco para a clonagem.

A ovelha Dolly (o primeiro animal clonado do mundo, em 1997), por exemplo, foi clonada após mais de 200 tentativas.

Os cientistas apostam que a clonagem de porcos possa ajudar no tratamento de doenças humanas.

Manipulação genética

Os animais poderiam ser manipulados geneticamente para que seus órgãos fossem aproveitados em seres humanos, diminuindo, assim, a necessidade de transplantes.

Princesa, uma porca de seis anos, era a última fêmea de uma linhagem rara de porcos, a Gloucestershire Old Spots da América do Norte.

“Nós também contribuímos para que a espécie não fosse extinta”, comemorou Michael Bishop, presidente da Infigen.

Com apenas uma implantação dos embriões clonados a partir de uma célula de Princesa no útero de uma mãe de aluguel, foram geradas duas porcas gêmeas, iguais a Princesa.

A técnica de clonagem de Princesa é semelhante à que clonou a ovelha Dolly: o material genético de uma célula da porca foi fundido ao óvulo de uma doadora.

Mas, em vez de usar essas células da mesma maneira em que elas foram extraídas, os cientistas conseguiram reprogramar a célula para um estágio embrionário.

Isso, segundo eles, aumentou as chances de sucesso da clonagem.

Animais clonados morrem mais cedo, afirma estudo

Depois que os responsáveis pela clonagem da ovelha Dolly anunciaram que ela sofria de artrite (inflamação nas articulações) precoce, um novo estudo, publicado esta semana na Grã-Bretanha, ressalta ainda mais os perigos da técnica.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica “Nature Genetics”, os animais clonados morrem mais cedo do que os concebidos naturalmente.

Cientistas do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas de Tóquio, no Japão, clonaram 12 ratos, observando o seu ciclo de vida. Dez deles morreram precocemente, de acordo com os cientistas.

Os roedores clonados também sofreram mais de pneumonia severa, falência do fígado e tumores. Trata-se da primeira pesquisa que associa a clonagem à morte precoce.

Anomalias

Outros estudos já haviam mostrado que animais clonados sofriam mais de obesidade, problemas no sistema imunológico e anomalias genéticas.

De acordo com os pesquisadores, a morte precoce dos ratos pode ser atribuída à fraqueza no sistema de defesa do organismo.

Este problema pode estar associado a defeitos genéticos adquiridos pelos animais durante o processo de clonagem ou a defeitos da própria célula adulta, a partir da qual foram copiados.

O cientista Atsuo Ogura, responsável pela pesquisa, lembra que o estudo ressalta as controvérsias da técnica de clonagem.

Ogura afirma que a técnica ainda não é dominada pela ciência e não poderia ser aplicada em seres humanos.

“Os possíveis efeitos a longo prazo da clonagem, assim como a alta incidência de abortos e nascimentos de animais clonados defeituosos, só aumentam nossos receios em relação à clonagem humana para fins reprodutivos” explicou Ogura.

Experiência polêmica

O bioeticista Donald Bruce, do Projeto de Tecnologia e Religião da Church of Scotland’s Society, disse à BBC que o estudo japonês é um ótimo exemplo de como a clonagem pode ser perigosa, caso aplicada em seres humanos.

Em outubro do ano passado, os cientistas Severino Antinori (italiano) e Panos Zavos (cipriota) anunciaram que até o fim de 2002 clonariam o primeiro ser humano.

A experiência é duramente combatida por cientistas de todo o mundo.

De acordo com Zavos e Antinori, a clonagem de seres humanos teria como finalidade a concepção de filhos de casais estéreis. Duzentos casais, segundo eles, já estariam inscritos no projeto.

Alguns animais já clonados

Ovelhas

Em fevereiro de 1997, o escocês Ian Wilmut, um brilhante embriologista de 52 anos, anunciou a primeira clonagem de um animal adulto, uma ovelha.Desde 1978, vários tipos de animais são copiados e, se não fosse proibido, já teriam sido anunciados os clones de gente.

Macacos

O primeiro primata geneticamente modificado do mundo, criado por cientistas nos Estados Unidos, teve um gene do animal marinho inserido em seu DNA. O gene codifica uma proteína verde fluorescente, sem aplicação para pesquisas clínicas.

Bovinos

Clonagem de bezerra brasileira foi semelhante à da ovelha Dolly Vitória, uma bezerra da raça simental, é o primeiro animal clonado no Brasil.

.Gado clonado promete revolucionar mercado de alimentos SYDNEY (Reuters) – O futuro chegou. Leite e bifes de vacas clonadas e de animais nascidos de vacas clonadas encontram-se a apenas um passo de distância. Um rebanho de animais clonados dos EUA acaba de dar início à produção de leite. A China dará à luz seu primeiro animal clonado em janeiro.

Porcos

Depois das ovelhas, os porquinhos agora é que foram clonados na Inglaterra. Uma porca com mais de 100 quilos acaba de dar a luz a cinco porquinhas idênticas. A conquista da medicina é de suma importância para aqueles que vivem na fila dos transplantes esperando por um orgão, uma vez que os porcos poderão ser forncedores genéticamente potenciais. Coração, fígado e outros orgãos dos porquinhos poderão ser usados por seres humanos. Mas, fiquem calmos, isto não transformará ninguém em espírito de porco.

As cinco cópias de uma mesma fêmea nasceram no dia 5 de março, num laboratório da empresa em Blacksburg, no estado americano da Virgínia.. Os nomes não foram escolhidos ao acaso. Millie é uma referência ao novo milênio; Chirsta, ao cirurgião Christian Barnard, autor do primeiro transplante de coração; Alexis e Carrel são uma homenagem ao ganhador do prêmio Nobel de Medicina de1912, Alexis Carrel, cujas pesquisas formaram a base da ciência dos transplantes; e Dotcom (em português, Pontocom) alude à Internet. Porcos são animais rejeitados por ser contornado pela clonagem, para que isso acabe é preciso alterar geneticamente os porcos. Ainda não pode-se mudar todo um animal adulto, só pode alterar células, isso bastaria para criar um clone transgênico.

Ratos

Cientistas da Universidade do Havaí clonam mamífero adulto do sexo masculino. É o rato Fibro clonagem deixou de ser uma técnica aplicável exclusivamente às fêmeas. Cientistas da Universidade do Havaí clonaram o primeiro mamífero adulto do sexo masculino. Trata-se de um camundongo batizado de Fibro, uma brincadeira com a palavra fibroblasto, tipo de célula usada na criação do animal.

criam também camundongos verdes para aperfeiçoar transplante de órgãos mais uma invenção para a galeria das experiências genéticas aparentemente bizarras. Cientistas da Universidade do Havaí, em Honolulu, criaram camundongos que exibem um brilho esverdeado quando colocados sob luz ultravioleta.

Cabras

Empresa do Canadá anuncia a clonagem de três cabras MONTREAL – Uma empresa de Montreal (Canadá), Nexia Biotechnologies, anunciou ter conseguido, mediante clonagem, o nascimento de três cabras idênticas. A técnica utilizada foi a mesma que propiciou o nascimento da ovelha Dolly, em fevereiro de 1997, na Escócia. As trigêmeas, Danny, Clint e Arnold, que, segundo a empresa, são as primeiras cabras clonadas do mundo, nasceram há um mês. Vários núcleos de células de uma cabra adulta foram transferidos para óvulos maduros não-fecundados dos quais antes se tirou o núcleo. Os óvulos foram então implantados nas mães portadoras – dois em uma e um terceiro na outra. Como foram usadas as mesmas células-base, as três cabras têm o mesmo mapa genético. A técnica permitirá que a Nexia produza em grande escala seda sintética chamada Biosteel, um material extremamente resistente extraído do leite de cabra, cujos genes se modificarão para se obtê-la. Este produto pode ser usado no setor aeroespacial, na engenharia, medicina e cirurgia. A Nexia anunciou em agosto de 98 a obtenção de uma cabra modificada geneticamente capaz de produzir proteínas humanas.

Sapos

1952

Realizada a primeira experiência do gênero, a clonagem de girinos a partir de núcleos de células somáticas. Porém. Todos morreram antes de amadurecerem e se transformarem em rãs. Dez anos depois John Gurdon tenta o mesmo procedimento no Reino Unido e consegue obter clones a partir de células de um sapo adulto. Novamente, girinos nascem, mas morrem antes de atingir a fase adulta.

1966 / Junho

Gurdon e Uehlinger relatam que rãs adultas foram desenvolvidas a partir de transferência nuclear de células intestinais de girino em ovos Xenopus enucleados.

1975 / Agosto

Gurdon et al. relatam que a transferência nuclear de células de pele de rãs adultas para ovos Xenopus enucleados permite o desenvolvimento de girinos até o estágio de batimentos cardíacos, mas não até o estágio adulto.

Bibliografia

http://www.sciam.com/explorations/030397clone/030397beards.html

http://www.ri.bbsrc.ac.uk/library/research/cloning/dolly.html

http://www.sciam.com/1998/1298issue/1298wilmut.html.

O QUE É CLONAGEM

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A clonagem, é a cópia, ou duplicação de células ou de embriões a partir de um ser já adulto. As cópias possui todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Os cientistas isolaram uma célula, e retiraram dela o seu núcleo, e juntou-se um célula a outra célula e em seguida vem a duplicação das células, através de duplicações sucessivas de duas células de quatro em quatro, de oito em oito, de dezesseis em dezesseis, e assim sucessivamente até chegar ao ponto dessas células todas constituírem um ser, como foi o caso da ovelha Dolly.

O SURGIMENTO DE DOLLY

Em julho de 1996, na pequena cidade de Edimburgo, no interior da Escócia, nasceu Dolly, uma saudável ovelha na raça Finn Dorset como tantas outras que pastam pelas colinas da região. Com uma diferença fantástica: Dolly não foi gerada de forma natural. Mas de uma impressionante descoberta da engenharia genética, Dolly foi produzida artificialmente em laboratório, a partir de uma única célula da mama de uma ovelha adulta. Não houve cruzamento nem mesmo inseminação artificial. Dolly é um clone de outra ovelha. O que significa que é a copia de outro ser da sua espécie, mesmo em nível molecular. O código genético das duas não tem nenhuma diferença. Tudo foi duplicado igualmente: o tamanho das orelhas, as marcas nas patas, os dentes, o formato e a cor dos olhos.

COMO FOI FEITA A CLONAGEM DE DOLLY

A Clonagem foi realizada a partir da utilização de células e embriões, a ciências tenta copiar outros seres vivos e até mesmo seres humanos, com o mesmo código genético. Significa que a cópia possui todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Todos os meios possíveis da mídia, estamparam com estardalhaço as fotos e imagens da ovelha Dolly criada em laboratório. Os cientistas, para desenvolverem esse experimento, retiraram uma célula mamaria da ovelha doadora, com toda sua informação genética, e fundiram-na com um óvulo não fertilizado de outra ovelha (sem DNA). O embrião resultante foi inseminado artificialmente numa terceira, que gerou a ovelha conhecida como Dolly.

A ERA DOS CLONES BRASILEIROS

Pesquisadores brasileiros estão, a um passo de produzir seu primeiro clone de um animal superior. Não será uma ovelha, como a graciosa Dolly, mas um bovino, provavelmente da raça Nelore, a mais disseminada na pecuária de corte do país. Dois cientistas disputam a primazia na corrida por esse objetivo. Em Brasília, o médico veterinário Rodolfo Rumpf, coordenador de projetos do Centro Nacionals de Recursos Genéticos e Biotecnologia (CENARGEN), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). E, em São Paulo, José Antonio Visintin, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootécnica (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP). Os métodos de clonagem propostos por eles são semelhantes ao utilizado na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, para a criação de macacos.

“POLLY”, A NOVA OVELHA CLONADA

Polly é a primeira ovelha clonada na forma transigência a partir da nova tecnologia de clonagem. Ela esta sendo considerada um sucesso pêlos cientistas para um passo crucial na sua comercialização. Polly contém um gene humano, responsável pela produção de uma proteína humana em seu leite que permitirá tratar doenças que vão da hemofilia à osteoporose. A experiência foi realizada da seguinte forma. Os cientistas retiraram um óvulo de uma ovelha e esvaziaram seu núcleo, a parte que contém o material genético. O DNA retirado de uma célula de outra ovelha adulta foi acrescido de um gene humano e implantado no óvulo. O embrião foi gerado a partir desse material. Implantado em uma outra ovelha, o embrião desenvolveu-se normalmente. A fêmea pariu o filhote. Nascendo assim Polly.

OPINIÃO PESSOAL

Caso a clonagem seja permitida, será inevitável que vários governos, instituições e empresas abusem desse processo, gerando indivíduos com destinos traçados de acordo com os interesses de seus criadores. Serão fundadas grandes fábricas de máquinas e armas humanas, pessoas iguais às geradas sexuadamente, mas tendo seus cérebros lavados, programadas como andróides. Dessa maneira, a tal Lei da ONU, que deve ser considerada como A Lei Máxima da Vida Humana, será fatalmente agredida.

Sabe-se, porém, que, para a ciência, a intenção não é a de usar a clonagem com tais finalidades. Muitos a consideram como a alternativa do futuro para casais que não podem gerar filhos. Ainda assim, devemos admitir que, do ponto de vista genético, um indivíduo clonado não é filho de seu parental, e sim, um irmão gêmeo idêntico.

Esse pensamento poderia ser contestado pelo fato de que um filho, mais do que um ser que se originou de uma fusão genética, é alguém que se cria e se ama como um filho. Se o pretexto for este, então por que não substituir a clonagem pela adoção de uma criança? Mas se o objetivo maior da ciência for o de dar a todos a capacidade de gerar pessoas do mesmo “sangue”, então a humanidade agradecerá muito mais se, ao invés de se fazerem clonagens, forem descobertos métodos para regenerar células reprodutivas de pessoas estéreis.

Com tantas alternativas para a perpetuidade da espécie humana, a clonagem se faz desnecessária, além de perigosa se feita por mentes mal intencionadas. Além disso, não faz o menor sentido o que se ouve de algumas pessoas, que a clonagem permitirá que pessoas queridas, importantes e inteligentes voltem à vida ou sejam replicadas. Não é preciso ser um biólogo para saber que o DNA determina como deve ser o cérebro de cada um, mas não determina como deve ser sua personalidade.

Autor: Paulo Silva

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Autor: Vanessa Araujo

O turismo de eventos tem se transformado em um negócio dos mais atraentes na conjuntura atual, sob todos os pontos de vista, tanto financeiro, quanto econômico e social. Este é um segmento importante para o setor hoteleiro, pois, traz o tipo de visitante que mais gasta no hotel. Além disso, propicia um fluxo espontâneo de turistas no período de baixa e média estação e regulariza o fluxo e ativa os setores produtivos. O evento ao se desenvolver e distribuir os fluxos turísticos estará cumprindo o papel econômico do turismo, aumentando o número de ocupação nos meios de transporte, diminuindo a ociosidade dos meios de hospedagem, movimentando restaurantes entre outros seguimentos associados ao turismo. Cada evento se distingue por suas características particulares e finalidades diferenciadas buscando alguns o campo cultural, outros o campo social ou econômico. Os eventos podem ser classificados como: congressos, feiras, exposições, convenções, simpósios, seminários, workshops, etc… O evento é um ótimo veículo de promoção da região, decorrendo daí a responsabilidade de possuir uma oferta adequada.

Organizar, planejar e administrar o departamento de eventos de um hotel requer vários e importantes cuidados. Deslocando-se um grande número de profissionais, os eventos dinamizam economicamente tanto o hotel quanto à cidade onde este se encontra. O Brasil é um dos países que mais cediam eventos internacionais, principalmente a cidade de São Paulo. Segundo perfil da demanda turística realizado pela Embratur no ano de 2000, das pessoas que visitaram o país no período 23% vieram para eventos; dos 15,1 milhões de pessoas que participaram de feiras ou convenções neste ano, 4,2 milhões eram turistas. Em 1998 a cidade de São Paulo apareceu pela 1ª vez no ranking mundial das sedes de eventos internacionais em 21º lugar. (fonte: SPCVB/ 2001). São 73.566 eventos nos espaços com capacidade superior a 50 pessoas, significando dizer que se computando os espaços menores o número anual de eventos deve ser muito maior. No ano passado o turismo de eventos em São Paulo gerou negócios no valor de 2,6 bilhões de reais (SPC&VB/ 2001). Para de ter uma idéia, o turismo de negócios de São Paulo cresce 7% ao ano em relação ao de lazer; São Paulo aparece em 27º lugar no ranking mundial de feiras e congressos e das feiras e eventos brasileiros, 68% acorrem na cidade de São Paulo.

A Bahia também tem um pólo de eventos bastante significativos. O aumento no volume de visitantes, através do Centro de Convenções da Bahia, tem reduzido a sazonalidade turística, com isso, está ampliando a oferta de serviços, a arrecadação tributária e a capacidade de investimento público. Isto gera mais investimento privado e acaba aumentando a oferta de empregos na cidade. A captação de eventos como congressos, convenções, seminários e feiras são uma outra estratégia para aumentar o fluxo de turistas nas cidades da Bahia. Agora, além do Salvador, o estado dispõe de duas outras cidades que podem abrigar eventos: Porto Seguro e Ilhéus. As fundações, de direito privado e sem fins lucrativos, já estão trabalhando na captação de eventos que serão realizados nos modernos Centros de Convenções das duas cidades.

Porto Seguro direcionou suas atividades para a captação de mantenedores da fundação, já agendou dois eventos de grande porte: O Congresso Melhoramento de Plantas, para o ano que vem e o Congresso Norte/Nordeste de Queimaduras, para 2004. A previsão é de que os dois congressos levem a Porto Seguro quase mil participantes. O Centro Cultural e de Eventos do Descobrimento de Porto Seguro é considerado o mais moderno centros de convenções do país. Em um ano de atividade, este centro sediou 19 eventos, entre congressos, assembléias, fóruns, convenções, jornadas, exposições, seminários, entrega de prêmios e treinamentos, com pouco mais de 25.300 participantes. Cinco eventos já estão programados ainda para este ano, um para 2003 e outro para 2004, esses últimos captados pelo Convention Bureau, em apenas três meses instituído em Porto Seguro.

Ilhéus, no litoral sul da Bahia, possui todos os pré-requisitos para sediar qualquer tipo de evento, como aeroporto internacional, porto, parque hoteleiro de padrão internacional com 7.400 leitos e um Centro de Convenções, considerado. O Ilhéus Convention Bureau também tem como função o desenvolvimento do segmento de turismo de eventos (convenções, congressos e feiras) na cidade e em toda a Costa do Cacau. Esta tem como finalidade principal à captação de eventos de todas as suas formas e espécies, principalmente os de natureza técnica, cultural, desportiva e científica, com o objetivo de atrair e aumentar o fluxo de visitantes para os municípios de Ilhéus, Canavieiras, Una, Itacaré, Itabuna, Uruçuca, Olivença e outros.

Sendo que há uma grande expectativa de expansão desse segmento, o empresário hoteleiro deve estar familiarizado com a complexidade organizacional de um evento e as possibilidades de lucrar com ele. Na medida em que a realização de um evento chega a movimentar um exército de profissionais na sua viabilização, fica clara a sua importância na dinamização econômica, tão almejada por inúmeras cidades. Os prestadores de serviços, permanentemente, têm suas atenções voltadas para os calendários divulgados por empresas e associações promotores de eventos. Isto porque a realização de um evento, via de regra, significa a chegada de pessoas das mais diversas partes do país e do mundo, pessoas que necessitarão de transporte, recepção, hospedagem, alimentação, diversão, etc…

A organização de um evento obedece, normalmente, três etapas:

Pré-Evento: estende-se desde o momento em que é tomada a decisão de se realizar o evento, até o dia que antecede o inicia do mesmo. E nesta fase que a entidade promotora contará com a assessoria de uma empresa que organiza eventos, para tomar decisões com respeito à data e local do acontecimento, bem como estruturar todos os serviços de divulgação, inscrição, recepção, hospedagem, alimentação, transporte e lazer, que serão colocados à disposição dos participantes.
Evento: fase que abrange o desenrolar do evento em si, onde todos os serviços que foram planejados e contratados, na fase anterior, serão testados. Desde a eficiência em transportar o participante do terminal de transportes, até o hotel onde se hospedará, finalizando com as normas de cerimonial devidas à autoridade que encerrará o evento.
Pós-Evento: no nosso entender, esta é a fase mais importante de todo o processo, pois é quando se fará a análise crítica do evento, verificando-se o grau de satisfação do participante, a eficiência e eficácia dos serviços prestados e os resultados obtidos com o empreendimento. Para finalizar, daremos um enfoque nas empresas da área turística, que se envolvem no processo organizacional de um evento.
O turismo de eventos é um negócio milionário e que requer muitos cuidados, e deve gerar hospedagens e uso de serviços do hotel. O trabalho do colaborador da área de eventos é vender produtos e serviços com conhecimento, habilidade, esforço, competência e criatividade tentando satisfazer as necessidades do cliente. É válido reforçar que o cliente é a principal razão da existência de qualquer empresa, portanto, é o foco do trabalho a ser desenvolvido. Alguns aspectos fundamentais para um bom evento devem ser observados:

Atividades diárias e vendas de produtos e serviços – os colaboradores do departamento de eventos de um hotel devem ter conhecimento profundo de todos os produtos e serviços oferecidos ao cliente. Devem falar a mesma língua em relação a preços, orçamentos, descontos, ofertas, concessões, etc… Precisam conhecer a política e a estrutura da empresa, prestando atendimento com um padrão que satisfaça a expectativa do cliente.
Atendimento direto ou ao telefone – o cliente que procura o departamento de eventos nem sempre sabe o que realmente quer. É preciso que os profissionais tenham calma, paciência, conhecimento, habilidade, entre outras qualidades, para atende-lo. Todas as informações e opções de serviços devem ser colocadas com clareza e exatidão. Um bom vendedor sabe captar as necessidades e preferências do cliente.
Tempo é dinheiro – trabalhar com eficiência significa adiantar tarefas, adivinhar o pensamento da pessoa, saber o que ela quer antes mesmo dela se manifestar. Para obter sucesso o profissional de eventos deve enviar os orçamentos e propostas dentro de um prazo mínimo, se possível antes da data ou horário prometido, demonstrando interesse e eficiência.
Clareza e Objetividade – os orçamentos e contratos enviados ao cliente devem ser claros e objetivos no seu conteúdo, sem se esquecer dos detalhes e acertos preestabelecidos. Uma falha e tudo pode sair errado, gerando reclamações e insatisfações. É bom manter sempre duas assinaturas em cada orçamento e contrato para haver um compromisso de mais de uma pessoa e, assim, evitar falhas.
Integração perfeita com os demais setores do hotel – um grande evento movimenta toda a estrutura do hotel: hospedagem, alimentação, montagem e manutenção de salas, etc… Por isso, é fundamental um bom relacionamento com o pessoal de outras áreas, principalmente da recepção e de alimentos e bebidas. Uma boa ordem de serviço discriminando as funções de cada é importante para o sucesso do evento.
Atendimento durante o evento – o departamento de eventos deve ter uma equipe com um bom número de colaboradores para atender à fase executiva do programa, pois não adianta apenas prestar um bom serviço administrativo. Durante a efetivação, oferecer um atendimento mais que personalizado é a chave para retorno do cliente. Por isso, é fundamental a equipe se manter a postos, em pontos estratégicos: na entrada das salas e salões, nos banheiros, na área de alimentação, administrativa, etc…
Atenção com a higiene e a limpeza – um evento geralmente proporciona um grande fluxo de pessoas dentro do hotel, quer utilizando salas e salões, que utilizando banheiros e áreas sociais. A limpeza e higienização constantes dessas áreas devem ser motivo de preocupação dos operadores de serviços.
Contato com empresas externas – nem sempre o hotel dispõe de todos os materiais necessários para o atendimento de vários eventos ao mesmo tempo. Manter um bom contato com locadoras é mais do que necessário, tendo sempre os preços de cada material e equipamento atualizado para serem repassados ao cliente. O ideal pe trabalhar com empresas conhecidas, que prestem serviços com qualidade, pelo valor próximo ao serviço oferecido pelo hotel.
Resolução dos imprevistos – todo evento gera imprevisto de última hora. É preciso saber antecipa-los. Uma boa equipe de trabalho com experiência sabe como agir. Antes do início de qualquer evento, a chefia deve orientar e destacar os problemas que podem ocorrer e as soluções possíveis.
Encerramento do evento – os profissionais devem dar atenção ao cliente no encerramento do evento. Uma simples ajuda na guarda e remoção de materiais, uma vistoria em conjunto nas notas de débito ou a predisposição para ajudar ao cliente em tudo que for necessário. São procedimentos como este que cativam o cliente.
Feedback e os resultados (pós-eventos) – depois de concluído, o evento deve ser analisado, visando rever conceitos e avaliações. Uma pesquisa por escrito ou telemarketing junto ao cliente, após alguns dias da realização, pode trazer uma série de respostas a várias perguntas. É preciso ouvir o cliente, conhecer suas críticas e sugestões. Assim, é possível melhorar cada vez mais.
Manutenção do cliente – a equipe de eventos que realmente se preocupa com o cliente, lembra dele como um amigo. São essenciais realizar visitas e telefonemas, enviar malas diretas, ou promover outro tipo de contato. Atualmente um grande número de hotéis opera com eventos e necessita de bons e competentes profissionais nesse importante departamento. Pessoas comunicativas e com conhecimento de telemarketing, vendas, atendimento com qualidade, etiqueta e postura são essenciais para o sucesso na venda de eventos hoteleiros.
No mercado de captação de eventos, a importância estratégica evidencia-se quando a cidade candidata se posiciona na mente do público alvo, estimulando a percepção dos diferenciais do produto. Como exemplo temos a qualidade dos serviços de hotelaria, entretenimentos e lazer, da infra-estrutura turística, do espaço de eventos, da tecnologia disponível, os atrativos turísticos e a qualidade dos serviços periféricos. O objetivo principal é diferenciar, de forma proativa, a cidade e sua criação de serviços, comunicando ao público-alvo que são diferentes (estratégia de comunicação para captação). O posicionamento como estratégia permitirá a definição de um composto mercadológico capaz de mudar a posição real que a cidade ocupa na mente do público alvo, para a posição de como quer percebida, isto está diretamente relacionado com a estratégia de comunicação a ser desenvolvida para o processo de captação, que deverá conter todos os aspectos dos serviços (base e periféricos que estimulem a percepção dos diferenciais do produto pelo público-alvo). Todos esses diferenciais interagem e são decisivos para captação, pois constituem a oferta global de serviços que serão “prestados” para os participantes / acompanhantes de um evento.

A empresa que quiser entrar no ramo de eventos deve estar preparada para os vários tipos de eventos:

Competitivos

Concursos – Caracteriza-se pelo espírito de competição e se adaptam as áreas: Artísticas, culturais, científicas. O regulamento estabelece os parâmetros necessários aos participantes e a sua forma de julgamento.
Torneio – Caracteriza-se pelo espírito de competição com caráter esportivo. Deverá seguir o regulamento específico da modalidade.
Demonstrativo ou expositivo

Alguns exemplos são: Excursão, Show, Festival, Desfile, Desfiles cívicos, Feira, Salão, Leilões, Noite de autógrafos, Inauguração, Pedra Fundamental, Galeria de Personalidades, Visitas Empresariais, Exposição e Mostra.

Baseados em reuniões dialogais

1. Reunião – Encontro de 2 ou mais pessoas a fim de discutir, debater e solucionar questões sobre determinado tema relacionado com sua áreas de atividade.

2. Conferência – Tem duração de no máximo 1 hora e 30 minutos. Dividindo-se o tempo entre as apresentações, perguntas e respostas. É a exposição de um assunto de amplo conhecimento do conferencista. Após a apresentação a palavra poderá ser dada à platéia para questionamento; se for em um evento maior não é aconselhado abrir espaço para perguntas, pois a ordem do dia poderá ficar comprometida.

3. Palestra – Exposição de um assunto para uma platéia relativamente pequena. O assunto é geralmente de natureza educativa e os ouvintes já possuem algum conhecimento sobre o que será exposto. Após apresentação deverá ser aberta para questionamentos.

4. Simpósio – Vários exposições com a presença de um coordenador. Possui geralmente um tema científico. Após apresentação, abre-se para perguntas à mesa.

5. Painel – Debates entre os expositores, sob a coordenação de um moderador, cabendo à platéia o comportamento de expectadora, sem formular perguntas à mesa.

6. Mesa-Redonda – Evento que reúne de 4 a 8 pessoas, que sentadas em semi-círculo, debatem sobre um assunto polemico, tendo cada debatedor cerca de 10’ para sua apresentação inicial. Mesa-redonda pode ser aberta ou fechada. A 1° modalidade, mais comum no Brasil, permite a intervenção da platéia, já a 2° restringe a participação aos apresentadores.

7. Convenção – Caracteriza-se por ser um evento interno de uma organização objetivando o treinamento, a reciclagem, e informações entre os participantes.

8. Congresso – Realizado em vários dias, com inclusão de outro encontro dentro deste. Constitui-se num evento de grande porte, que engloba inclusive, atividades sociais para os participantes. Os congressos podem ser regionais, nacionais e internacionais.

9. Debate – É a discussão entre 2 pessoas que defendem pontos de vista diferentes sobre um tema. É possível realizar debates com mais de duas pessoas, porém a oportunidade da palavra fica reduzida.

10. Workshop – São encontros onde há uma parte expositiva seguida de demonstrações do objeto que gerou o evento. Poderá fazer parte de um evento de maior amplitude.

11. Seminário – A exposição é feita por um ou mais pessoas com a presença de um coordenador. O assunto exposto é do conhecimento da platéia que participa em forma de grupos. Dividi-se em: Exposição, Discussão, Conclusão.

12. Jornada – São encontros de grupos profissionais, de âmbito regional, para discutir periodicamente assuntos de interesse ao grupo. Têm duração de vários dias.

Baseados nas reuniões coloquiais sociais:

Brunch (Breakfast+lunch) – Caracteriza-se por ser um café da manhã-almoço, servido em estilo buffet.
Coffee-Break – Não se trata de um evento, mas sim do tradicional lanche. Objetiva oferecer aos participantes um descanso entre duas fases de um evento.
Coquetel – Caracteriza-se pela reunião de pessoas com o objetivo de confraternização com número de convidados indeterminado. Trata-se de um evento de curta duração e categorizado como aberto, com as pessoas conversando em pé. O horário ideal para sua realização é das 19:00 às 21:00.
Happy-Hour – Evento utilizado como política de entrosamento da empresa, com um número limitado de participantes. Trata-se de um evento caracterizado por drink. Horário ideal para sua realização é das 17:30 às 19:00.

Bibliografia:

MATIAS, Marlene; Organização de Eventos – Procedimentos e técnicas. 1° edição brasileira. SP 2001. Páginas 1 à 32, 97 à 109.

CESCA, Cleusa G. Gimenes, Organização de eventos – Manual para planejamento e execução. 4° edição, summus editorial, SP. Páginas 75 a 86.

MEIRELLES, Gilda Fleury, Tudo sobre Eventos. Editora STS, SP- 1999. Páginas 30 à 94.

TURISMO DE EVENTOS X SAZONALIDADE

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Autor: Tiago Cunha Dos Santos

1. INTRODUÇÃO

O planejamento turístico organiza a atividade de forma a atingir certos objetivos, através de tomadas de decisões estratégicas. Um dos problemas que a gestão do turismo pode enfrentar é a questão da sazonalidade, fazendo com que se encontrem alternativas para transformar ameaças em oportunidades. A mais estudada e viável forma de oportunidade são os eventos.

Eventos são acontecimentos previamente planejados com data, hora, local e tema determinados que reúnem pessoas com o mesmo interesse para promover produtos, serviços, imagens e idéias. O turismo de eventos traz grandes benefícios para a comunidade-sede, como geração de empregos, melhoria na infra-estrutura básica e incremento econômico na baixa temporada.

Todo destino turístico deve realizar um planejamento, elaborando estratégias e propostas para a melhor implantação e desenvolvimento da atividade. Através deste planejamento, a gestão estratégica poderá solucionar os problemas que surgem ao decorrer do tempo como, a questão da sazonalidade.

O turismo de eventos não possui como característica a sazonalidade, pois os eventos ocorrem ao longo de todo o ano, no verão e no inverno e independente de condições climáticas. Sendo assim, no planejamento turístico deve constar estratégias e ações de desenvolvimento e incentivo para este segmento.

2. PLANEJAMENTO E GESTÃO

O planejamento turístico tem por objetivo levar determinados benefícios socioeconômicos para a sociedade, mantendo a sustentabilidade do setor. (OMT, 2003). O planejamento turístico pesquisa, estuda e analisa diversos fatores como, mercados turísticos, atrativos e atividades turísticas, hospedagem e outros serviços turísticos, transporte, outras infra-estruturas e elementos institucionais.

Segundo Mota (2003, p.24), “a essência do planejamento estratégico é perceber as oportunidades e ameaças do futuro, explorá-las e combatê-las”. O autor ainda cita Maximiano (2000), definindo gestão estratégica como um “processo de definir, realizar e avaliar os resultados dos planos estratégicos”.

Planejamento e gestão são processos distintos e complementares, sendo o planejamento uma preparação para a gestão futura. Com a complementaridade entre ambos busca-se evitar ou minimizar problemas e ampliar as alternativas para a solução dos mesmos. A gestão é a efetivação, em parte, das condições que o planejamento feito constatou em suas estratégias e propostas.

3. TURISMO E A SAZONALIDADE

O turismo é uma das atividades econômicas que mais cresce no mundo e está sujeito à diversas influências políticas, econômicas e sociais. Um dos problemas que essas influências podem trazer é a sazonalidade, causada, segundo Mota (2003), por férias escolares ou dos trabalhadores, poder aquisitivo da população, variações cambiais, guerras, epidemias, distúrbios políticos, falta de segurança, moda, concorrência, etc. Ainda conforme Mota (2003,p.20), “esse fenômeno é decorrente da concentração das atividades turísticas no espaço e no tempo”.

A sazonalidade prejudica a oferta turística e produz diversas conseqüências como, desemprego, inflação, queda no faturamento e mortalidade de empresas turísticas, comprometendo a qualidade no atendimento, modificando a política promocional do produto turístico e alterando preços.

A gestão turística deverá estabelecer uma estratégia para reduzir a sazonalidade da demanda. A que se destaca é a estratégia de complementação dos atrativos da alta estação, com outras atrações que criam demanda durante o período de baixa temporada. O melhor exemplo dessa estratégia são os eventos, como a Oktoberfest, em Blumenau e o Ironman, em Florianópolis.

4. TURISMO DE EVENTOS

Existem diversos tipos de eventos porém, o conceito básico caracteriza todos eles. Evento é um acontecimento que ocorre em local, data e hora determinados com a finalidade de estabelecer imagem de organizações, produtos, serviços, pessoas e idéias e proporcionar a aproximação dos participantes. Além disso, carrega a promessa de proporcionar as pessoas entretenimento e informação. Segundo CARDOSO (2003, p.151), “o turismo de eventos é o deslocamento realizado por indivíduos e seus acompanhantes como o objetivo de participar de um acontecimento”, Ele ainda afirma que, “historicamente pode-se dizer que o turismo de eventos tem origem com o próprio turismo, uma vez que os primeiros deslocamentos foram em função dos jogos olímpicos em 776 ac”.

O turismo de eventos é o setor desta “indústria” que mais cresce no mundo, representando um dos maiores e mais importante segmento da economia ligada ao turismo, negócios e lazer. “No Brasil, ele gera US$30 bilhões/ano, tendo tido crescimento de 110% na década de 1990. Só de 1999 a 2000, este crescimento foi de 31,6%”. (EMBRATUR, 2001 apud MARTIN, 2003, p.240).

O turismo de eventos proporciona diversas vantagens para a economia e comunidade-sede. Além de seu gasto ser maior do que o do turista de temporada, o turista de eventos é comum na baixa estação, ocupando a rede hoteleira com capacidade ociosa e incrementando a economia local. Os eventos programados e planejados antecipadamente não sofrem impactos imediatos e diretos de mudanças políticas e colaboram com a estabilidade econômica, pois, utilizam-se de mão-de-obra mais ou menos qualificada.

A comunidade anfitriã beneficia-se diretamente através da geração de empregos e da criação e melhoria da infra-estrutura turística e melhoria da infra-estrutura básica da localidade. Através da exposição na mídia, a localidade pode fortalecer seu perfil como destino turístico, o setor público também se beneficia com o turismo de eventos, que incrementa os investimentos locais e aumenta o recolhimento de tributos e divisas para o estado. Acostumados a investir apenas na divulgação e promoção de imagem institucional, Secretarias de Estado e Institutos de Turismo, já começaram a falar em equipamentos e condições para a realização de eventos em seus destinos. Segundo o Fórum Brasileiro dos Convention & Visitors Bureaux (2001), a renda anual com eventos no Brasil é de R$ 2,5 bilhões, o que garante mais de R$ 108 milhões em recolhimento de impostos e divisas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O turismo é uma atividade social, cultural e econômica muito instável e suscetível à diversas influências. Sendo assim, o planejador ou gestor devem estar aptos para transformar as ameaças em oportunidades inovadoras. A sazonalidade ameaça toda a economia turística e o destino turístico, atingindo empresas e comunidade. O gestor deve possuir a visão e conhecimento para criar as oportunidades e identificar o turismo de eventos como uma boa solução. O turismo de eventos cresce progressiva e rapidamente e proporciona diversos benefícios para a comunidade e localidade-sede. Porém, esta atividade deve ser realizados por profissionais sérios e capacitados, não por amadores.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALLEN, J; HARRIS, R; MCDONNELL, J; O`TOOLE, W. Organização e gestão de eventos. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

CARDOSO, C. Turismo de eventos como oportunidade para o desenvolvimento regional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO. São Paulo: Roca, 14-18, maio. 2002. Oportunidades e investimentos em turismo. P.147-156.

MARTIN, V. Eventos: uma cadeia multidisciplinar. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO. Foz do Iguaçu: ROCCA, 14-18, maio. 2002. Turismo: enfoques teóricos e práticos, p.239-247.

MOTA, K. Gestão estratégica da sazonalidade turística: transformando ameaças em oportunidades. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO. São Paulo:Roca, 14- 18, mai. 2002. Planejamento e gestão em turismo. P.15-27.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE TURISMO. O planejamento para o desenvolvimento do turismo local. Porto Alegre: 2003

ZANELLA, L.C. Manual de organização de eventos. São Paulo: Atlas, 2003.

PARADA GAY DE SÃO PAULO

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Autor: Denise Coutinho

A IMPORTÂNCIA DA PARADA GLBT DE SÃO PAULO PARA O TURISMO DE EVENTOS DA REGIÃO

Resumo

Este artigo mostra a origem e a importância social e econômica da Parada do Orgulho Gay, que acontece no estado de São Paulo, trazendo muitas pessoas de todos estados e também do exterior, tornando este evento um atrativo turístico da região. Além da parada, durante o mês são realizados shows, palestras e exposições de arte. Mostra também o lado social do evento assim como as causas a serem alcançadas.

Palavras-chave: Turismo. Parada GLBT. Evento.

Além de ser considerada por muitos apenas uma grande festa, a parada GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros) é uma manifestação social onde as pessoas que participam buscam o direito de pelo menos exercerem sua cidadania.

Em 1997 surgiu à primeira manifestação de caráter participativo GLBT, Começou tímida, com dois mil participantes, e foi aumentando com as pessoas que passavam. A Parada, manifestação popular que tem o intuito de comemorar o dia do orgulho gay, com o passar dos anos, adquiriu características políticas, lutando pela conquista de direitos civis e o fim da discriminação. O próprio site da associação que organiza o evento define seus objetivos como:

Seu objetivo primeiro é dar visibilidade às categorias sócio-sexuais e fomentar a criação de políticas públicas para homossexuais. A principal estratégia é ocupar os espaços públicos para proporcionar uma troca efetiva entre todas as categorias sociais, elevar a auto-estima dos homossexuais e sensibilizar a sociedade para o convívio com as diferenças.

Ainda sobre os objetivos do movimento, Facchini (2004 p.47):

A palavra chave é visibilidade, mas não se trata de visibilidade individual, ou focada em personalidades de lideranças, mas sim na visibilidade em massa. Se em sete edições do evento, a parada de São Paulo, passou de 1.200 a 1 milhão de participantes, e passou a ser manchete dos maiores jornais e matéria de TV em ‘horário nobre’ essa visibilidade se reverte em favor da luta pelos direitos sexuais e esse crescimento reflete a expansão e o fortalecimento de um campo social que acredita na diversidade das formas de amar e na legitimidade de todas elas.

Segundo Reinaldo Damião (2004, p.03), presidente da Associação do Orgulho GLBT, a associação é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, formados por voluntários sem remuneração nos cargos que ocupam, onde tem como missão lutar por uma sociedade mais justa e inclusiva que reconheça os direitos humanos e a diversidade. Cada ano um tema é desenvolvido pela Associação do Orgulho GLBT. Aqui se pode observar desde a primeira até a mais recente:

1997 -Somos muitos, estamos em todas as profissões – 2 mil pessoas.
1998 – Os direitos de gays, lésbicas e travestis são direitos humanos – 7 mil pessoas.
1999 – Orgulho gay no Brasil, rumo ao ano 2000 – 35 mil pessoas.
2000 – Celebrando o Orgulho de Viver a Diversidade – 120 mil pessoas.
2001 – Abraçando a Diversidade – 250 mil pessoas.
2002 – Educando para a Diversidade – 500 mil pessoas.
2003 – Construindo Políticas Homossexuais – 1 milhão de pessoas.
2004 – Temos Família e Orgulho – 1 milhão e 800 mil pessoas.
2005 – Parceria civil, já. Direitos iguais! Nem mais nem menos. – aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Sobre a tematização da parada e a diversidade do público participante Manso (2004) relata:

O tema da família parece ter incentivado a participação dos simpatizantes das mais diferentes idades e opções sexuais. Era possível ver desde carrinhos de bebês até senhores e senhoras que ficavam nas calçadas apenas para ver o cortejo passar. Nos prédios, os moradores da avenida também participavam e jogavam papel picado. Uma das coisas mais impressionantes era a quantidade de pessoas vestindo apenas sungas ou biquínis, apesar do frio de 10 graus que era registrado nos termômetros da Paulista.

A Parada GLBT pode ser considerada um grande atrativo turístico da cidade de São Paulo. Na sua nona edição, no Brasil, agora em 2005, alcançou quase dois milhões de pessoas na famosa Avenida Paulista. Já é considerada a maior Parada do orgulho Gay de todo o mundo. Segundo Portes (2004): “Os números, tanto da polícia como dos organizadores, superam o da parada de Nova York no ano passado, que contou com cerca de um milhão de participantes, e de Toronto (900 mil)”.

De acordo com site Cidade de São Paulo é grande o número de pessoas que viajam para participar deste evento. De acordo com a CVC, operadora de Turismo de grande porte, que acaba de fazer uma parceria com a Associação da Parada GLBT, até o ano passado foram vendidos mais de quarto mil pacotes turísticos destinados a este público.

A cada ano o número de participantes cresce considerávelmente. Segundo Secretário Executivo de Turismo do Estado de São Paulo, Marco Branco (2004, p.11) ” Por isso o trade turístico deve estar preparado para bem receber os integrantes do segmento GLBT, saber que destinos devem ser determinados, como os receptivos devem atuar, assim com a hotelaria, o setor gastronômico, etc.”

Segundo Fisher (2005) a Parada GLBT é considerada a maior manifestação de rua do país, e mesmo assim, sendo um sucesso de mídia, o evento reclama de falta de visão das empresas e ainda não conseguiu se sustentar financeiramente através de patrocínios de grandes anunciantes.

Além da parada em si, as pessoas que vão participar do evento também podem visitar exposições, feiras, palestras, tudo relacionado ao tema, no mês do orgulho gay. Até 2004 o parque Hopi Hari proporcionava um dia especial, chamado de GAY DAY, voltado para este tipo de público.

Os próprios hotéis e a estrutura turística da cidade prepara na época da parada pacotes especiais para o público gay, sendo desde convênios diretos com companhias aéreas até tickets de descontos em boates, saunas e bares GLS.

Com essa série de eventos voltados para o público em questão, evidencia-se o potencial turístico do tema, as iniciativas para uma melhor satisfação de seus usuários e a implantação de políticas similares em outras regiões do país. Assim como a capacidade de movimentação da economia local em todos os seus ambitos.

REFERÊNCIAS:

BRANCO, Marco. Pelo crescimento do turismo. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT de SP 2004. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

Damião, Reinaldo. Bem vindo ao mês de orgulho GLBT 2004. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT de SP 2004. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

FACCHINI, Regina. Paradas: uma política (homos)sexual lúdica, mas não lihgt. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

FISHER, André. Jesus e o orgulho gay. Revista da Folha. São Paulo: Editora Folha de São Paulo, nº 670, ano XIV, Maio, 2005.

MANSO, Bruno Paes; CARARO. Aryane. São Paulo tem a maior parda gay do mundo. Estadão Online. http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2004/jun/14/1.htm Acesso em 31 maio 2005.

PORTES, Ivone. São Paulo tem a maior parada gay do mundo. Folha online ilustrada Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u44973.shtml. Acesso em 25 maio 2005.

Cidade de são Paulo. São Paulo se prepara para a parada GLBT. Disponível em: http://www.cidadedesaopaulo.com/eventos/acontece.asp?idMat=258. Acesso em 18 maio 2005.

Histórico da Paradas do Orgulho GLBT em São Paulo. Site Oficial da Associação do Orgulho GLBT de São Paulo. Disponível em: http://www.comunidadeglbt.com.br/r_index.php. Acesso em 18 maio 2005.

TURISMO DE EVENTOS x ATUALIDADE E FUTURO

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Autor: Christian Soliva

Introdução

Tomando-se por base o número de eventos que são realizados nos mais diferentes destinos ao decorrer dos anos, o Turismo de Eventos vem crescendo visivelmente.

Numa mistura de Turismo e Marketing a área de Eventos torne-se essencial nos dias atuais pelo fato de que sempre alguém estará “se lançando” ou lançando algum produto.

Eventos Técnicos-Científicos é outra área que vem ganhando bastantes importância, pois no mundo globalizado que vivemos é preciso a junção dos conhecimentos, principalmente na área da saúde, educação e cultura.

A cidade de São Paulo abriga a maior parte dos eventos realizados no Brasil, devido às suas facilidades e grande diversidade. Estima-se que a cada quatro horas 1 (um) evento é realizado na cidade.

Determinado evento pode promover e/ou beneficiar um ou vários promotores, como por exemplo em um evento de lançamento de um destino turístico, que pode beneficiar uma agência, uma operadora, uma companhia aérea, um hotel, entre outros colaboradores.

A criatividade é o ponto fundamental nesta área. Com o desenvolvimento de novas técnicas de comunicação, vídeo, imagens, cores, cada Evento se torna único. Cada um tem sua magia. O que é imprescindível para o cliente ou participante do evento não esquecê-lo.

Todo Evento necessita de um planejamento para que nada saia do controle, e se sair, os organizadores tenham sempre uma solução previamente pensada, uma carta na manga. Como exemplo de antecipação e planejamento pode-se citar alguns Eventos Técnicos-Ciêntíficos que já possuem datas marcadas para o ano de 2008.

Enfim, eventos está se tornando cada dia mais importante para a Economia das cidades ou países os quais são realizados.

Turismo e Turismo de Eventos no Brasil e no Mundo

O turismo de eventos está se tornando cada vez mais forte ponto de apoio da atividade turística e economia nacional e internacional.

Por motivos da dificuldade de precariedade de materiais que nos permitem analisar o desempenho do Turismo de Eventos, utilizaremos como base dados do ICCA – Internacional Congress and Convention Association.

O ICCA é uma entidade que contribui para o desenvolvimento mundial de todos os tipos de eventos internacionais.

Segundo o ICCA, foram realizados em 1996 e 1997 em torno de 4.856 eventos, sendo que comparado aos anos de 1994 e 1995 sofreu uma diminuição de 5,6 %.

Os continentes que mais se destacaram nessa atividade foram: Europa (58,3%), Ásia (18,5%) e América do Norte (9,7%).

Em 1997 o Turismo de Eventos gerou um fluxo de 1.457.953 turistas circulando pelo mundo.

As instalações mais utilizadas para em 1997 para a realização dos eventos foram: Centro de Convenções (51%), Hotéis (22%), universidades (15%) e outros (12%).

O Brasil participa do mercado das Américas com 11,1% do total de eventos e ocupa o 3º lugar dos países em número de eventos, ficando atrás somente dos EUA e Canadá.

A indústria do Turismo no Brasil

Dados econômicos do turismo no mundo em 1998, segundo a organização mundial de turismo:

US$ 3,4 trilhões de faturamento
US$ 655 bilhões de impostos
260 milhões de empregados gerados
625 milhões de chegadas de turistas
US$ 439 bilhões de ingressos de divisas
Dados econômicos do turismo no Brasil:

US$ 38 bilhões de faturamento direto e indireto ( WTTC )
US$ 7trilhões de impostos gerados diretos e indiretos ( WTTC )
5 milhões de empregos ( WTTC )
4,8 milhões de turistas estrangeiros ( OMT )
38,2 milhões de turistas domésticos ( FIPE – USP )
US$ 3,6 bilhões de ingressos de divisas ( OMT )
US$ 13,2 bilhões de receitas diretas com o turismo interno ( FIPE – USP )

Outros indicadores 1995/1999

US$ 670 milhões investidos em obras de infra estrutura básica no PRODETUR 1º fase /Nordeste: 7Aeroportos ( Porto Seguro, Lençóis, Salvador , São Luís, Aracaju , Natal, Fortaleza ), 29 trechos rodoviários totalizando 389Km , 17 projetos de saneamento básico beneficiando 369 Km, 17 projetos de saneamento básico beneficiando 362 habitantes, preservação de 5.335 hectares de meio ambiente recuperação de 22.832 m2 de patrimônio histórico, estruturação e capacitação de 41 órgãos.

US$ 600 milhões ( PRODETUR na segunda fase ) – Nordeste , a partir de 1999.*
US$ 212 milhões em obras de infra-estrutura básica, previstos a partir de 1999, na região da Amazônia Legal.*
US$ 450 milhões em obras de infra estrutura básica , no Pantanal, a partir de 2000.
US$ 465 milhões no PRODETUR SUL ( previstos para os próximos 3 anos ).*

Além de mais de US$ 10 bilhões de recursos diretos da União e dos Estados em programas de obras de infra-estrutura múltipla por todo o País é o Brasil em Ação.

*Recursos BID + GOVERNO FEDERAL + ESTADOS
**Recursos BID + GOVERNO FEDERAL

US$ 6 bilhões de novos investimentos privados em novos projetos turísticos

300 novos hotéis em construção
140 mil empregos diretos
420 mil empregos indiretos
10 novos parques temáticos

Fluxo de turistas domésticos, em 1998, segundo estudo da FIPE:

US$ 38,2 milhões

Desembarque de vôos nacionais

1994 – 13.190.489
1998 – 26.471.094
*INFRAERO

Desembarque de vôos internacionais

1994 – 3.018.424
1998 – 5.428.413
*INFRAERO

Vendas de Pacotes Domésticos e Internacionais

1996 – 30% X 70% Internacionais
1997 – 40% X 60% Internacionais
1998 – 49% X 51% Internacionais
1999 – 60% X 40% Internacionais
*ABAV

Agência de Viagens cadastradas na EMBRATUR
4960

Hotéis no Brasil
*ABIB

10 mil meios de hospedagem existentes
Geração de 720 mil empregos, sendo 180 mil indiretos
Receita bruta em torno de US$ 2 bilhões
Patrimônio imobilizado em torno de US$ 10 bilhões
Arrecadação de mais de US$ 400 milhões em impostos e taxas
1200 hotéis recadastrados na EMBRATUR, até junho de 1999
Taxas anuais de ocupação Hoteleira
*HOWARTHSOTECONTI

1994 – 52%
1998 – 65%

Os hotéis de categoria Luxo Superior registraram em 1998, taxas superiores a 73%

METAS PARA O ANO 2003

Aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros
Aumentar para 57 milhões o fluxo de turistas nacionais
US$ 5,5 bilhões a receita cambial turística
Geração de 500 mil novos empregos

4. Anexos

Eventos no Brasil até 2008

13º Congresso Mundial da Terapia Familiar -IFTA-

Cidade : Porto Alegre,Rs Início : 14 Nov Término : 17 Nov

Boletim: 02/28/2001 Código do Evento : 200100341

EPRI Conferência Latina Americana

País : Brazil Ano : 2001 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 28 Nov Término : 30 Nov

Boletim: Código do Evento : 200102326

17º Congresso Internacional de Teletrafico -ITC ’01-

País : Brazil Ano : 2001 Público esperado. : 600

Cidade : Salvador (Bahia) Início : 02 Dec Término : 07 Dec

Boletim: Código do Evento : 200100164

28ª Conferência Anual Embryo Transfer Society -IETS-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 700

Cidade : Foz Do Iguacu Início : 13 Jan Término : 15 Jan

Boletim: 02/28/2001 Código do Evento : 200200439

3ª Conferência Internacional on Unsaturated Soils -UNSAT 2002-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Recife, Pe Início : 10 Mar Término : 13 Mar

Boletim: Código do Evento : 200201716

15ª Conferência Mundial da Associação Internacional dos Direitos da Criança -IPA-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 800 – 1000

Cidade : Sao Paulo Início : 27 May Término : 31 May

Boletim: 08/31/2000 Código do Evento : 200200702

14º Congresso Panamericano de Anatomia -PAAA-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 24 Jul Término : 27 Jul

Boletim: 04/30/2001 Código do Evento : 200201138

10º Simpósio Internacional Trends in Science and Technology Education -IOSTE-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 300

Cidade : Sao Paulo Início : 27 Jul Término : 03 Aug

Boletim: 12/31/1999 Código do Evento : 200200510

8ª Conferência Mundial do Rotary -INTEROTA 2002-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 2500

Cidade : Rio de Janeiro Início : Jul Término :

Boletim: Código do Evento : 200200437

87º Congresso Mundial da Associação Universal Esperanto -UEA-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 2200

Cidade : Fortaleza,Ce Início : 03 Aug Término : 10 Aug

Boletim: Código do Evento : 200200432

15º Congresso Internacional de Gnostic Anthropology

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 04 Aug Término : 10 Aug

Boletim: Código do Evento : 200201175

4º Congresso Internacional on Environmental Geotechnics -IS-Brazil 2002-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 500

Cidade : Rio de Janeiro Início : 11 Aug Término : 15 Aug

Boletim: 09/30/2001 Código do Evento : 200200130

8º Congresso Internacional de Patologia Microbial

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Foz Do Iguacu Início : 18 Aug Término : 23 Aug

Boletim: 10/31/1999 Código do Evento : 200200193

35º Encontro da Sociedade de Patologia Invertebrada

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Foz Do Iguacu Início : 18 Aug Término : 23 Aug

Boletim: Código do Evento : 200200982

9º Congresso Internacional de Obesidade -ICO 2002-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Sao Paulo Início : 24 Aug Término : 29 Aug

Boletim: 05/31/1999 Código do Evento : 200200034

16º Simpósio Internacional & 7º Congresso Mundial De Pesquisa da Obesidade

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Sao Paulo Início : 27 Aug Término : 31 Aug

Boletim: Código do Evento : 200201702

17º Congresso Mundial do Petróleo -WPC-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 8000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 01 Sep Término : 05 Sep

Boletim: Código do Evento : 200200743

Assembléia Global das United Religions Initiative -URI-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 08 Sep Término : 13 Sep

Boletim: Código do Evento : 200201316

27ª Assembléia Geral do Conselho da Ciência Internacional -ICSU-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 20 Sep Término : 29 Sep

Boletim: 08/31/2001 Código do Evento : 200201419

7º Simpósio Internacional Mango

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Planaltina, Df Início : Sep Término :

Boletim: Código do Evento : 200201305

12ª Convenção Mundial das Mulheres Budistas

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 3000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 05 Oct Término : 06 Oct

Boletim: Código do Evento : 200200662

6º Congresso Mundial de Bioética -IAB6-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Brasilia, DF Início : 30 Oct Término : 03 Nov

Boletim: Código do Evento : 200201639

8º Congresso International de Cancer Oral -ICOOC-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 27 Nov Término : 02 Dec

Boletim: 09/30/1999 Código do Evento : 200200145

2º Congresso Mundial de Cancer de Cabeça e Pescoço juntmente com o 8º Congresso Internacional de Cancer Bucal

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 1000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 27 Nov Término : 02 Dec

Boletim: Código do Evento : 200200319

73º Congresso da Associação Internacional Esmagadores de Sementes -IASC-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 1200

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200200100

10ª Conferência Internacional da Harmonia e Qualidade da Energia -ICHQP-

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200200277

13º Encontro do Comitê Internacional de Conservação dos Museus -ICOM-CC

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 1000

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: 01/31/2000 Código do Evento : 200200519

8ª Conferência Mundial da História das Cidades

País : Brazil Ano : 2002 Público esperado. : 300

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200200556

31º Congresso Internacional da Saúde Ocupacional e ambiental na indústria química – MEDICHEM’2003-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 5000

Cidade : Foz Do Iguacu Início : 23 Feb Término : 28 Feb

Boletim: Código do Evento : 200300029

12 Congresso Panamericano dos Les Clefs D’Or

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 27 Apr Término : 03 May

Boletim: 08/31/2001 Código do Evento : 200300663

34º Encontro Anual da Sociedade Mundial de Aquacultura -WORLD AQUACULTURE ‘2003-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 4000

Cidade : Salvador (Bahia) Início : 10 May Término : 15 May

Boletim: Código do Evento : 200300253

14º Congresso Internacional de Dentistas – Maxillo-Facial Radiology -IADMFR-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Florianopolis,Sc Início : 19 May Término : 23 May

Boletim: 03/31/2001 Código do Evento : 200300535

8ª Conferência Internacional de Informática da Enfermagem -NI’ 2003-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 1000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 20 Jun Término : 25 May

Boletim: 03/31/2001 Código do Evento : 200300093

13º Congresso Internacional de Criminologia -SIC-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : 10 Aug Término : 15 Aug

Boletim: Código do Evento : 200300602

54º Encontro Anual da Sociedade Internacional de Eletroquímica -ISE-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Florianopolis,Sc Início : 31 Aug Término : 05 Sep

Boletim: Código do Evento : 200300239

5º Congresso Internacional Shock

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 2000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 07 Sep Término : 10 Sep

Boletim: Código do Evento : 200300241

2ª Conferência Internacional de Neuroregeneração

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Sep Término :

Boletim: Código do Evento : 200300729

9º Congresso Mundial da Produção Animal -WAAP-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 2500

Cidade : Porto Alegre,Rs Início : 26 Oct Término : 31 Oct

Boletim: 09/30/2000 Código do Evento : 200300087

20º Congresso da Confederação Latino Americana de Organizadores de Congresso – COCAL 2003-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Curitiba,Pr Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200300181

7ª Conferência Internacional de materiais e Mecanismos de Supercondutividade e Alta-Temperatura

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. : 1300

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200300281

11ª Conferência Interamericana de Educação Matemática -11 IACME-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Blumenau, Sc Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200300442

6º Congresso da Associação Internacional das Leis Constitucionais -IACL-

País : Brazil Ano : 2003 Público esperado. :

Cidade : Sao Paulo Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200300483

2º Congresso Intercontinental de Patologia

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 1000

Cidade : Foz Do Iguacu Início : 09 Jun Término : 13 Jun

Boletim: Código do Evento : 200400202

9º Simpósio Internacional de Desmoronamentos -ISL 2004-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 450

Cidade : Rio de Janeiro Início : 28 Jun Término : 03 Jul

Boletim: 09/30/2000 Código do Evento : 200400218

15º Congresso Internacional da Reprodução Animal -ICAR-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 2000

Cidade : Salvador (Bahia) Início : 08 Aug Término : 12 Aug

Boletim: 03/31/2001 Código do Evento : 200400210

9º Congresso Internacional do Laser na Odontologia -ISLD-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 1500

Cidade : Sao Paulo Início : Aug Término :

Boletim: Código do Evento : 200400066

67º Encontro da Sociedade Meteorológica

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 400

Cidade : Rio de Janeiro Início : Aug Término :

Boletim: 06/30/1999 Código do Evento : 200400108

12º Congresso da Federação Internacional de Estudos Clássicos e Sociais -FIEC-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. :

Cidade : Ouro Preto Início : Aug Término :

Boletim: Código do Evento : 200400225

16º Congresso Internacional de Astética

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. : 800

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: 11/30/1998 Código do Evento : 200400067

20º Encontro Científico da Sociedade Internaional de Hipertensão -ISH-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. :

Cidade : Sao Paulo Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200400157

15º Congresso do Conselho Mundial de Enterostomal Therapists – WCET-

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. :

Cidade : Florianopolis,Sc Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200400287

4º Seminário Mundial da Mídia para Crianças

País : Brazil Ano : 2004 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200400332

18º Congresso Internacional Gerontologia -IAG-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 5000

Cidade : Rio de Janeiro Início : 19 Aug Término : 24 Aug

Boletim: 09/30/1997 Código do Evento : 200500018

Congresso Da União Postal das Americas, Espanha e Portugal -PUASP-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 150

Cidade : Rio de Janeiro Início : Sep Término :

Boletim: Código do Evento : 200500100

9º Congresso Internacional de Bibliotecários Médicos -ICML-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 1500 – 2000

Cidade : Sao Paulo Início : 16 Oct Término : 20 Oct

Boletim: 02/28/2001 Código do Evento : 200500069

15º Congresso Mundial da União Internacional Pebologia

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 1500

Cidade : Rio de Janeiro Início : Oct Término :

Boletim: 10/31/2000 Código do Evento : 200500098

4º Congresso Mundial de Cardiologia Pediátrica e Pesquisa Cardíaca

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 2500

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200500022

36ª Conferência dos Especialistas da Energia Eletrônica -PESC 2005-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. : 550

Cidade : Recife, Pe Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200500104

10ª Conferência Internacional das Estradas de Ferro

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. :

Cidade : Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200500139

3ª Congresso Mundial de Reabilitação médica -ISPRM-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. :

Cidade : Sao Paulo Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200500150

7º Congresso da Associação Latino Americana de Imunologia -ALAI-

País : Brazil Ano : 2005 Público esperado. :

Cidade : Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200500164

30º Congresso Internacional de Oftalmologia -IFOS-

País : Brazil Ano : 2006 Público esperado. :

Cidade : Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200600022

41º Congresso Mundial Polymer IUPAC Macro 2006

País : Brazil Ano : 2006 Público esperado. : 2000

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200600049

13ª Conferência Internacional de Metais Pesados no Meio Ambiente

País : Brazil Ano : 2006 Público esperado. : 400

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200600072

18º Congresso Mundial da Confederação Mundial de Medidas -IMEKO-

País : Brazil Ano : 2006 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200600074

13º Congresso Internacional de Imunologia -IUIS-

País : Brazil Ano : 2007 Público esperado. : 5000 – 8000

Cidade : Rio de Janeiro Início : Aug Término :

Boletim: 08/31/2001 Código do Evento : 200700023

8º Congresso da Associação latino Americana de Imonulogia -ALAI-

País : Brazil Ano : 2007 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Aug Término :

Boletim: 09/30/2001 Código do Evento : 200700041

13º Congresso Internacional de Endocrinologia

País : Brazil Ano : 2008 Público esperado. :

Cidade : Rio de Janeiro Início : Término :

Boletim: Código do Evento : 200800034

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2001/2002

Celebrada entre

SINDIEVENTOS – SINDICATO DOS TRABALHADORES, EMPREGADOS, AUTÔNOMOS, AVULSOS E TEMPORÁRIOS EM FEIRAS, CONGRESSOS E EVENTOS EM GERAL E ATIVIDADES AFINS DE ORGANIZAÇÃO, MONTAGEM E PROMOÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO e

SINDIPROM – SINDICATO DE EMPRESAS DE PROMOÇÃO, ORGANIZAÇÃO E MONTAGEM DE FEIRAS, CONGRESSOS E EVENTOS DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Convenção Coletiva de Trabalho que entre si celebram, de um lado o SINDIEVENTOS – SINDICATO DOS TRABALHADORES, EMPREGADOS, AUTÔNOMOS, AVULSOS E TEMPORÁRIOS EM FEIRAS, CONGRESSOS E EVENTOS EM GERAL E ATIVIDADES AFINS DE ORGANIZAÇÃO, MONTAGEM E PROMOÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO, representando toda categoria profissional no Estado de São Paulo; de outro lado, o SINDIPROM – SINDICATO DE EMPRESAS DE PROMOÇÃO, ORGANIZAÇÃO E MONTAGEM DE FEIRAS, CONGRESSOS E EVENTOS DO ESTADO DE SÃO PAULO, representando toda a categoria econômica no Estado de São Paulo, nas seguintes cláusulas e condições:

Cláusula 1ª – REAJUSTAMENTO – Os salários fixos serão reajustados a partir de 1º de fevereiro de 2.001, em 7% (sete por cento).

Cláusula 2ª – ADMITIDOS APÓS A DATA-BASE – Os empregados admitidos após a data-base terão aumento proporcional de 1/12 (um doze avos), por mês de trabalho, considerando mês fração superior a 15 dias.

Cláusula 3ª – COMPENSAÇÕES – Serão compensados os aumentos espontâneos ou compulsórios, concedidos a partir de 1º de fevereiro de 2000, salvo os decorrentes de promoção, transferências de cargo, função ou estabelecimento, comissionamento, equiparação salarial e mérito.

Cláusula 4ª – COMPENSAÇÃO E PRORROGAÇÃO DE HORAS DE TRABALHO – A compensação e a prorrogação de horas fica autorizada conforme a necessidade, podendo, inclusive, ultrapassar o limite de duas horas diárias.

Cláusula 5ª – HORAS EXTRAORDINÁRIAS – As horas extras serão devidas com adicional de 70% (setenta por cento), a partir da data de assinatura do presente instrumento normativo.

Parágrafo único – O trabalho extraordinário realizado em feriados ou nos dias de descanso semanal remunerado, sem compensação, será devido com adicional de 100%.

Cláusula 6ª – ALIMENTAÇÃO – Fornecimento de vale-refeição ou de alimentação custeado pelo empregador, desde que não seja inferior ao valor de R$ 4,00 (quatro reais), sem qualquer cunho salarial.

Parágrafo único – Quando a prorrogação da jornada diária de trabalho exceder a 3 (três) horas, o empregador deverá fornecer, gratuitamente, uma refeição comercial, sendo que tal benefício não se integrará ao salário.

Cláusula 7ª – ESTABILIDADE PRÉ-APOSENTADORIA – Fica assegurado garantia de emprego e salários ao empregado que esteja a menos de um ano da aposentadoria, exceto quando dispensado por justa causa, sendo que implementadas as condições para a obtenção da aposentadoria, cessa a estabilidade.

Cláusula 8ª – GRATIFICAÇÃO POR APOSENTADORIA – Ao empregado com 5 (cinco) anos ou mais de trabalho, contínuo na mesma empresa, quando do seu desligamento, por motivo de aposentadoria, será paga uma gratificação, a título indenizatório, em valor mínimo equivalente a 100% do seu último salário.

Cláusula 9ª – ADICIONAL DE PERMANÊNCIA – O empregado que completar 5 (cinco) anos de trabalho contínuo na mesma empresa receberá mensalmente, um adicional de 5% (cinco por cento) do seu salário, por qüinqüênio trabalhado, valor que deverá ser discriminado no envelope de pagamento.

Cláusula 10ª – SUBSTITUTO – Garantia ao empregado admitido para a função de outro empregado, dispensado sem justa causa, será de igual salário ao empregado de menor salário da função, sem considerar vantagens pessoais.

Cláusula 11ª – ESTABILIDADE DA GESTANTE – Fica assegurada Estabilidade no emprego, a contar do início da gravidez até 60 dias após o término da licença maternidade.

Parágrafo Único: Na dispensa sem justa causa, a empregada deverá apresentar ao empregador, atestado médico comprobatório da gravidez, dentro de 60 (sessenta) dias a contar do último dia efetivamente trabalhado, sob pena da perda do direito previsto nesta cláusula.

Cláusula 12ª – ESTABILIDADE AO ALISTAMENTO NO SERVIÇO MILITAR – Ao empregado em idade de prestar o serviço militar, desde que com no mínimo 2 anos de serviço na empresa, fica assegurada a estabilidade provisória desde o alistamento até 30 dias após o término do compromisso.

Cláusula 13ª – ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS EMPREGADOS – Ao empregado que for dispensado sem justa causa, fica assegurada por parte da empresa que tiver convênio com entidade médica a continuidade do beneficio, inclusive aos dependentes, durante o prazo de 30 dias após o desligamento.

Cláusula 14ª – AVISO PRÉVIO – Nos casos de dispensa sem justa causa, o aviso prévio que poderá ser cumprido em casa obedecerá aos seguintes critérios:

a) além do prazo legal, concessão de 1 dia por cada ano trabalhado.

b) o aviso prévio não poderá ter inicio no sábado, domingo ou feriado.

Cláusula 15ª – AVISO PRÉVIO ESPECIAL – Ao empregado com idade igual ou superior a 45 (quarenta e cinco) anos e contar mais de 5 (cinco) anos de contrato na mesma empresa, fica assegurado um aviso prévio de 45 dias, sem prejuízo da vantagem prevista na clausula 14.

Parágrafo único: Em se tratando de aviso prévio trabalhado, o empregado receberá 15 dias em pecúnia, sendo que o trabalho efetivo será de trinta dias.

Cláusula 16ª – FÉRIAS – O inicio das férias não poderá coincidir, com sextas-feiras, sábados, domingos ou feriados:

a) Nas festas de fim de ano: Nas férias coletivas ou individuais, os dias 24 e 25/12 e 31/12 e 01/01, não serão computados como férias.

b) Recomenda-se uma escala de férias, que permita pelo menos um dos períodos nos meses nobres (Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Julho), para os empregados estudantes ou com filhos estudantes.

Cláusula 17ª – UNIFORMES E ROUPAS ESPECIAIS – Quando exigidos ou necessários, serão fornecidos gratuitamente pelo empregador, exceto se houver descuido, falta de zelo a ponto de diminuir a duração dos mesmos.

Cláusula 18ª – PROVAS ESCOLARES – ABONO DE FALTAS – Serão abonadas as faltas, para prestação de exames escolares e vestibulares, condicionado à prévia comunicação à empresa e comprovação posterior.

Cláusula 19ª – AUXÍLIO FUNERAL – Em caso de falecimento de empregado com mais de 3 (três) anos de serviço, será devido aos dependentes o pagamento de 1 (um) salário-base, a titulo de auxílio-funeral – indenizatório.

Cláusula 20ª – ATRASO DE SALÁRIO – Por atraso no pagamento dos salários, sem prejuízo de outras cominações legais, responderá pela multa de 2%(dois por cento) sobre o montante do saldo devedor, acrescido de 1% (um por cento) de juros ao mês, limitado pelo valor principal nos termos do Art. 920 do Código Civil Brasileiro.

Cláusula 21ª – PISO SALARIAL – Fica estipulado o Piso Salarial em R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais).

Cláusula 22ª – FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS (FACULTATIVO) – Fica facultado a cada empresa o fornecimento de cesta básica de alimentos sem ônus aos empregados, sendo recomendado o valor mínimo de R$ 35,00 (trinta e cinco reais) que será colocada à disposição até o último dia de cada mês.

Cláusula 23ª – VALE TRANSPORTE – A empresa obriga-se a fornecer vale-transporte a cada empregado, limitado o desconto a 6% (seis por cento) do salário na forma de legislação vigente.

Cláusula 24ª – COMISSIONISTA – Aos empregados que recebem salário fixo mais comissões, ou simplesmente comissões, a parte variável das verbas rescisórias e as férias serão calculadas com base na média das comissões, incluídos o repouso semanal remunerado e prêmios auferidos nos últimos 12 (doze) meses ou menos, se for o caso. O mesmo critério será adotado para o pagamento do 13º salário considerando-se, porém, o período do ano correspondente.

Cláusula 25ª – PROMOÇÕES – Ao empregado promovido será assegurado um aumento de salário.

Cláusula 26ª – FORNECIMENTO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO – As empresas comprometem-se a fornecer os equipamentos de proteção individual (EPI) aos trabalhadores nas montagens e desmontagens, adequados ao risco, com certificado de aprovação (CA).

Cláusula 27ª – PLANTÃO MÉDICO – Durante a realização de eventos, inclusive na montagem e desmontagem, serão mantidas equipes médicas de plantão para atendimento aos trabalhadores, mantido pelo organizador promotor.

Cláusula 28ª – EMPRESAS ESTRANGEIRAS OU INTERNACIONAIS, PROMOTORAS DE EVENTOS E FEIRAS BEM COMO EMPRESAS DE MONTAGENS E DE INFRA-ESTRUTURAS EM GERAL – As empresas estrangeiras promotoras de eventos e de feiras, bem como as empresas de montagens e de infra-estruturas em geral deverão cumprir a legislação brasileira, ficando sob o império desta legislação: a) as relações de trabalho entre as empresas estrangeiras e os trabalhadores nacionais à sua disposição; b) entre estas empresas estrangeiras e a empresa brasileira que a representar em obra ou serviços, seja por sub-empreitada, ou não, seja por mera gestão de negócios, ou não.

Parágrafo primeiro – As empresas internacionais ou estrangeiras que promoverem feiras e eventos no Estado de São Paulo deverão cumprir a legislação trabalhista brasileira, cumprindo a admissão, no mínimo, de 70% (setenta por cento) de mão-de-obra nacional.

Parágrafo segundo – E assim disciplinado, desde que não haja conflito entre a legislação nacional e a legislação internacional do trabalho ou tratados sobre a mesma matéria no interesse de Estado

Cláusula 29ª – PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES E LOCAIS DE EVENTOS (CONDIÇÕES DE TRABALHO) – As empresas de organização e promoção de feiras, congressos, seminários e outros eventos, bem como as montadoras através do SINDIPROM e o SINDIEVENTOS, deverão fazer gestões junto aos pavilhões de exposições para que os mesmos ofereçam refeitórios ou restaurantes populares, vestiários, sanitários e bebedouros, propiciando assim melhores condições de trabalho aos empregados.

Cláusula 30ª – CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL – As empresas obrigam-se a descontar do salário do empregado a importância equivalente a 5% do salário de junho de 2.001 já reajustado e recolhido até o dia 5 de julho 2.001, na Caixa Econômica Federal, em guia própria fornecida pelo Sindieventos.

Parágrafo Único. O não pagamento determinará a multa de 10% (dez por cento) sobre o saldo devedor, acrescido de juros de 1% ao mês, limitados ao principal nos termos do Art. 920 do Código Civil Brasileiro.

Cláusula 31ª – CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA PATRONAL- A fim de contribuir para a manutenção do sistema confederativo da representação sindical, fica instituída esta contribuição aprovada em assembléia geral extraordinária na importância equivalente aos seguintes valores e classificação das empresas: a) R$ 120,00 (cento e vinte reais) – micro-empresas com faturamento anual de até R$ 50.000,00, b) R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais) – empresas de pequeno porte com faturamento anual de R$ 50.000,01 até R$ 250.000,00, c) R$ 480,00 (quatrocentos e oitenta reais) – demais empresas com faturamento anual acima de R$ 250.000,01.

Parágrafo Único. O não pagamento determinará a multa de 10% (dez por cento) sobre o saldo devedor, acrescido de juros de 1% ao mês, limitados ao principal nos termos do Art. 920 do Código Civil Brasileiro.

Cláusula 32ª – VALE QUINZENAL FACULTATIVO – As empresas têm a faculdade para fornecer antecipação salarial, desde que não seja inferior a 30% (trinta por cento) do salário.

Cláusula 33ª – MULTA PELO NÃO CUMPRIMENTO DO ACORDO – Pela falta de cumprimento das obrigações deste instrumento, a empresa responderá pela multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por empregado e por mês de atraso, limitado ao principal nos termos do Art. 920 do Código Civil Brasileiro revertendo seu beneficio em favor da parte prejudicada, excetuadas as cláusulas que já contém multa especifica, sendo que a multa só será devida ao empregado que estiver postulando-a sob a assistência de seu sindicato.

Cláusula 34ª – COMPROVANTE DO CUMPRIMENTO DAS NORMAS – As empresas integrantes da categoria econômica, inclusive os profissionais promotores de eventos, nas atividades compreendidas pelo SINDIPROM devem comprovar perante o sindicato o cumprimento das normas estabelecidas nesta convenção e o recolhimento das contribuições devidas, em prazo de trinta dias quando solicitados.

Cláusula 35ª – LIVRE ACESSO DO SINDICATO – Fica assegurado aos representantes legais dos sindicatos – SINDIEVENTOS e SINDIPROM, livre acesso a todas as dependências de feiras, congressos e eventos em geral.

Cláusula 36ª – LIVRE ACESSO DOS PORTADORES DE CARTEIRA OU CREDENCIAL DOS SINDICATOS – Os associados do SINDIEVENTOS, integrantes do quadro de empregados das empresas associadas ao SINDIPROM, portadores de carteira ou credencial emitidas pelo SINDIEVENTOS e pelo SINDIPROM, no seu período de validade, terão livre acesso para trabalharem em qualquer lugar em que se realizar eventos no Estado de São Paulo, sem que sejam obrigados a efetuar o pagamento da taxa, cobrada pelo organizador/promotor ou responsável pelo evento.

Cláusula 37ª – CONSULTORIA DE APOSENTADOS – Poderá ser constituída pelo Sindieventos e Sindiprom consultoria de trabalhadores aposentados, destinados a prestar serviços de assessoria e consultoria em eventos, aproveitando a experiência e conhecimentos.

Cláusula 38ª – CONTRIBUIÇÕES ASSOCIATIVAS – As empresas comprometem-se a descontar em folha de pagamento e a recolher nos 10 dias seguintes, as Contribuições Associativas, conforme relação com os nomes dos associados que for encaminhada com antecedência de 15 dias pelo Sindieventos.

Cláusula 39ª – BANCO DE HORAS – Ficam as empresas autorizadas a instituir BANCO DE HORAS, juntamente com o SINDIEVENTOS, destinado a controlar a jornada de trabalho, através do registro diário das horas trabalhadas, do número de horas prorrogadas ou reduzidas, a soma do número de horas de créditos ou de débitos, para futura compensação de horas.

§ 1º – A compensação de horas, através do Banco de Horas, deverá ter jornada de trabalho prorrogada ou reduzida, no prazo máximo, de 365 dias.

§ 2º – Eventual saldo das horas excedentes trabalhadas, que não for compensado dentro do prazo de 365 dias, será pago como horas extras, acrescidos do adicional de 70%.

Cláusula 40ª – A presente Convenção Coletiva de Trabalho abrange todas as entidades, instituições, empresas de organização, promoção e realização de feiras, congressos e eventos em geral, bem como as que realizam montagem e infra-estrutura, e todos os trabalhadores, empregados, autônomos, avulsos e temporários que prestam serviços nestes referidos setores econômicos e em “out let”, leilões, distribuição de folhetos e divulgação de produtos no Estado de São Paulo.

Cláusula 41ª – As dúvidas e controvérsias decorrentes da aplicação da presente convenção coletiva serão submetidas à comissão de conciliação prévia, e, não se chegando a uma solução conciliatória, as partes poderão recorrer à arbitragem prevista na cláusula 42 ou recorrer à Justiça do Trabalho.

Cláusula 42ª – ARBITRAGEM – As partes acordantes reiteram e renovam a cláusula 42 da norma coletiva 1999/2000, consolidando a instituição da arbitragem, de acordo com a lei 9.307/96, para decidir sobre litígios/conflitos individuais e coletivos das partes decorrentes da relação de trabalho, elegendo desde já o “TAESP” – Tribunal de Arbitragem do Estado de São Paulo, para realizar os procedimentos.

§ 1º – A cláusula compromissória ou o compromisso arbitral de adesão à convenção de arbitragem, assegurada na Lei 9.307/96 – Art. 3º, será renovada entre as empresas e os seus empregados, estipulada por escrito e inserta no próprio contrato de trabalho de acordo com o § 1º do Art. 4º da mesma lei, mediante carimbo padronizado na página de anotações gerais da CTPS de cada empregado.

§ 2º – Acordam as partes, com o disposto no Art. 8º da Lei 9.307/96, que assegura a cláusula compromissória autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implicará necessariamente na nulidade da referida cláusula.

Cláusula 43ª – SEGURO DE VIDA – As empresas, independentemente do número de empregados, patrocinarão o seguro de vida e de invalidez por acidente, em grupo, em favor de seus empregados, sem ônus para os mesmos, tendo como beneficiários aqueles que tiverem condição legal para tanto. As entidades terão o prazo de 120 dias para estabelecerem os critérios e os procedimentos para implementação desta cláusula.

Cláusula 44ª – PRAZO DE VIGÊNCIA – A vigência da presente convenção será de um ano, a contar de 1º de fevereiro de 2.001 até 31 de janeiro de 2.002.

E por estarem de pleno acordo com os termos e condições estipuladas nesta Convenção Coletiva de Trabalho, firmam o presente para que produza seus efeitos legais.

Turismo de Eventos

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Autor: Vanessa Araujo

O turismo de eventos tem se transformado em um negócio dos mais atraentes na conjuntura atual, sob todos os pontos de vista, tanto financeiro, quanto econômico e social. Este é um segmento importante para o setor hoteleiro, pois, traz o tipo de visitante que mais gasta no hotel. Além disso, propicia um fluxo espontâneo de turistas no período de baixa e média estação e regulariza o fluxo e ativa os setores produtivos. O evento ao se desenvolver e distribuir os fluxos turísticos estará cumprindo o papel econômico do turismo, aumentando o número de ocupação nos meios de transporte, diminuindo a ociosidade dos meios de hospedagem, movimentando restaurantes entre outros seguimentos associados ao turismo. Cada evento se distingue por suas características particulares e finalidades diferenciadas buscando alguns o campo cultural, outros o campo social ou econômico. Os eventos podem ser classificados como: congressos, feiras, exposições, convenções, simpósios, seminários, workshops, etc… O evento é um ótimo veículo de promoção da região, decorrendo daí a responsabilidade de possuir uma oferta adequada.

Organizar, planejar e administrar o departamento de eventos de um hotel requer vários e importantes cuidados. Deslocando-se um grande número de profissionais, os eventos dinamizam economicamente tanto o hotel quanto à cidade onde este se encontra. O Brasil é um dos países que mais cediam eventos internacionais, principalmente a cidade de São Paulo. Segundo perfil da demanda turística realizado pela Embratur no ano de 2000, das pessoas que visitaram o país no período 23% vieram para eventos; dos 15,1 milhões de pessoas que participaram de feiras ou convenções neste ano, 4,2 milhões eram turistas. Em 1998 a cidade de São Paulo apareceu pela 1ª vez no ranking mundial das sedes de eventos internacionais em 21º lugar. (fonte: SPCVB/ 2001). São 73.566 eventos nos espaços com capacidade superior a 50 pessoas, significando dizer que se computando os espaços menores o número anual de eventos deve ser muito maior. No ano passado o turismo de eventos em São Paulo gerou negócios no valor de 2,6 bilhões de reais (SPC&VB/ 2001). Para de ter uma idéia, o turismo de negócios de São Paulo cresce 7% ao ano em relação ao de lazer; São Paulo aparece em 27º lugar no ranking mundial de feiras e congressos e das feiras e eventos brasileiros, 68% acorrem na cidade de São Paulo.

A Bahia também tem um pólo de eventos bastante significativos. O aumento no volume de visitantes, através do Centro de Convenções da Bahia, tem reduzido a sazonalidade turística, com isso, está ampliando a oferta de serviços, a arrecadação tributária e a capacidade de investimento público. Isto gera mais investimento privado e acaba aumentando a oferta de empregos na cidade. A captação de eventos como congressos, convenções, seminários e feiras são uma outra estratégia para aumentar o fluxo de turistas nas cidades da Bahia. Agora, além do Salvador, o estado dispõe de duas outras cidades que podem abrigar eventos: Porto Seguro e Ilhéus. As fundações, de direito privado e sem fins lucrativos, já estão trabalhando na captação de eventos que serão realizados nos modernos Centros de Convenções das duas cidades.

Porto Seguro direcionou suas atividades para a captação de mantenedores da fundação, já agendou dois eventos de grande porte: O Congresso Melhoramento de Plantas, para o ano que vem e o Congresso Norte/Nordeste de Queimaduras, para 2004. A previsão é de que os dois congressos levem a Porto Seguro quase mil participantes. O Centro Cultural e de Eventos do Descobrimento de Porto Seguro é considerado o mais moderno centros de convenções do país. Em um ano de atividade, este centro sediou 19 eventos, entre congressos, assembléias, fóruns, convenções, jornadas, exposições, seminários, entrega de prêmios e treinamentos, com pouco mais de 25.300 participantes. Cinco eventos já estão programados ainda para este ano, um para 2003 e outro para 2004, esses últimos captados pelo Convention Bureau, em apenas três meses instituído em Porto Seguro.

Ilhéus, no litoral sul da Bahia, possui todos os pré-requisitos para sediar qualquer tipo de evento, como aeroporto internacional, porto, parque hoteleiro de padrão internacional com 7.400 leitos e um Centro de Convenções, considerado. O Ilhéus Convention Bureau também tem como função o desenvolvimento do segmento de turismo de eventos (convenções, congressos e feiras) na cidade e em toda a Costa do Cacau. Esta tem como finalidade principal à captação de eventos de todas as suas formas e espécies, principalmente os de natureza técnica, cultural, desportiva e científica, com o objetivo de atrair e aumentar o fluxo de visitantes para os municípios de Ilhéus, Canavieiras, Una, Itacaré, Itabuna, Uruçuca, Olivença e outros.

Sendo que há uma grande expectativa de expansão desse segmento, o empresário hoteleiro deve estar familiarizado com a complexidade organizacional de um evento e as possibilidades de lucrar com ele. Na medida em que a realização de um evento chega a movimentar um exército de profissionais na sua viabilização, fica clara a sua importância na dinamização econômica, tão almejada por inúmeras cidades. Os prestadores de serviços, permanentemente, têm suas atenções voltadas para os calendários divulgados por empresas e associações promotores de eventos. Isto porque a realização de um evento, via de regra, significa a chegada de pessoas das mais diversas partes do país e do mundo, pessoas que necessitarão de transporte, recepção, hospedagem, alimentação, diversão, etc…

A organização de um evento obedece, normalmente, três etapas:

Pré-Evento: estende-se desde o momento em que é tomada a decisão de se realizar o evento, até o dia que antecede o inicia do mesmo. E nesta fase que a entidade promotora contará com a assessoria de uma empresa que organiza eventos, para tomar decisões com respeito à data e local do acontecimento, bem como estruturar todos os serviços de divulgação, inscrição, recepção, hospedagem, alimentação, transporte e lazer, que serão colocados à disposição dos participantes.
Evento: fase que abrange o desenrolar do evento em si, onde todos os serviços que foram planejados e contratados, na fase anterior, serão testados. Desde a eficiência em transportar o participante do terminal de transportes, até o hotel onde se hospedará, finalizando com as normas de cerimonial devidas à autoridade que encerrará o evento.
Pós-Evento: no nosso entender, esta é a fase mais importante de todo o processo, pois é quando se fará a análise crítica do evento, verificando-se o grau de satisfação do participante, a eficiência e eficácia dos serviços prestados e os resultados obtidos com o empreendimento. Para finalizar, daremos um enfoque nas empresas da área turística, que se envolvem no processo organizacional de um evento.
O turismo de eventos é um negócio milionário e que requer muitos cuidados, e deve gerar hospedagens e uso de serviços do hotel. O trabalho do colaborador da área de eventos é vender produtos e serviços com conhecimento, habilidade, esforço, competência e criatividade tentando satisfazer as necessidades do cliente. É válido reforçar que o cliente é a principal razão da existência de qualquer empresa, portanto, é o foco do trabalho a ser desenvolvido. Alguns aspectos fundamentais para um bom evento devem ser observados:

Atividades diárias e vendas de produtos e serviços – os colaboradores do departamento de eventos de um hotel devem ter conhecimento profundo de todos os produtos e serviços oferecidos ao cliente. Devem falar a mesma língua em relação a preços, orçamentos, descontos, ofertas, concessões, etc… Precisam conhecer a política e a estrutura da empresa, prestando atendimento com um padrão que satisfaça a expectativa do cliente.
Atendimento direto ou ao telefone – o cliente que procura o departamento de eventos nem sempre sabe o que realmente quer. É preciso que os profissionais tenham calma, paciência, conhecimento, habilidade, entre outras qualidades, para atende-lo. Todas as informações e opções de serviços devem ser colocadas com clareza e exatidão. Um bom vendedor sabe captar as necessidades e preferências do cliente.
Tempo é dinheiro – trabalhar com eficiência significa adiantar tarefas, adivinhar o pensamento da pessoa, saber o que ela quer antes mesmo dela se manifestar. Para obter sucesso o profissional de eventos deve enviar os orçamentos e propostas dentro de um prazo mínimo, se possível antes da data ou horário prometido, demonstrando interesse e eficiência.
Clareza e Objetividade – os orçamentos e contratos enviados ao cliente devem ser claros e objetivos no seu conteúdo, sem se esquecer dos detalhes e acertos preestabelecidos. Uma falha e tudo pode sair errado, gerando reclamações e insatisfações. É bom manter sempre duas assinaturas em cada orçamento e contrato para haver um compromisso de mais de uma pessoa e, assim, evitar falhas.
Integração perfeita com os demais setores do hotel – um grande evento movimenta toda a estrutura do hotel: hospedagem, alimentação, montagem e manutenção de salas, etc… Por isso, é fundamental um bom relacionamento com o pessoal de outras áreas, principalmente da recepção e de alimentos e bebidas. Uma boa ordem de serviço discriminando as funções de cada é importante para o sucesso do evento.
Atendimento durante o evento – o departamento de eventos deve ter uma equipe com um bom número de colaboradores para atender à fase executiva do programa, pois não adianta apenas prestar um bom serviço administrativo. Durante a efetivação, oferecer um atendimento mais que personalizado é a chave para retorno do cliente. Por isso, é fundamental a equipe se manter a postos, em pontos estratégicos: na entrada das salas e salões, nos banheiros, na área de alimentação, administrativa, etc…
Atenção com a higiene e a limpeza – um evento geralmente proporciona um grande fluxo de pessoas dentro do hotel, quer utilizando salas e salões, que utilizando banheiros e áreas sociais. A limpeza e higienização constantes dessas áreas devem ser motivo de preocupação dos operadores de serviços.
Contato com empresas externas – nem sempre o hotel dispõe de todos os materiais necessários para o atendimento de vários eventos ao mesmo tempo. Manter um bom contato com locadoras é mais do que necessário, tendo sempre os preços de cada material e equipamento atualizado para serem repassados ao cliente. O ideal pe trabalhar com empresas conhecidas, que prestem serviços com qualidade, pelo valor próximo ao serviço oferecido pelo hotel.
Resolução dos imprevistos – todo evento gera imprevisto de última hora. É preciso saber antecipa-los. Uma boa equipe de trabalho com experiência sabe como agir. Antes do início de qualquer evento, a chefia deve orientar e destacar os problemas que podem ocorrer e as soluções possíveis.
Encerramento do evento – os profissionais devem dar atenção ao cliente no encerramento do evento. Uma simples ajuda na guarda e remoção de materiais, uma vistoria em conjunto nas notas de débito ou a predisposição para ajudar ao cliente em tudo que for necessário. São procedimentos como este que cativam o cliente.
Feedback e os resultados (pós-eventos) – depois de concluído, o evento deve ser analisado, visando rever conceitos e avaliações. Uma pesquisa por escrito ou telemarketing junto ao cliente, após alguns dias da realização, pode trazer uma série de respostas a várias perguntas. É preciso ouvir o cliente, conhecer suas críticas e sugestões. Assim, é possível melhorar cada vez mais.
Manutenção do cliente – a equipe de eventos que realmente se preocupa com o cliente, lembra dele como um amigo. São essenciais realizar visitas e telefonemas, enviar malas diretas, ou promover outro tipo de contato. Atualmente um grande número de hotéis opera com eventos e necessita de bons e competentes profissionais nesse importante departamento. Pessoas comunicativas e com conhecimento de telemarketing, vendas, atendimento com qualidade, etiqueta e postura são essenciais para o sucesso na venda de eventos hoteleiros.
No mercado de captação de eventos, a importância estratégica evidencia-se quando a cidade candidata se posiciona na mente do público alvo, estimulando a percepção dos diferenciais do produto. Como exemplo temos a qualidade dos serviços de hotelaria, entretenimentos e lazer, da infra-estrutura turística, do espaço de eventos, da tecnologia disponível, os atrativos turísticos e a qualidade dos serviços periféricos. O objetivo principal é diferenciar, de forma proativa, a cidade e sua criação de serviços, comunicando ao público-alvo que são diferentes (estratégia de comunicação para captação). O posicionamento como estratégia permitirá a definição de um composto mercadológico capaz de mudar a posição real que a cidade ocupa na mente do público alvo, para a posição de como quer percebida, isto está diretamente relacionado com a estratégia de comunicação a ser desenvolvida para o processo de captação, que deverá conter todos os aspectos dos serviços (base e periféricos que estimulem a percepção dos diferenciais do produto pelo público-alvo). Todos esses diferenciais interagem e são decisivos para captação, pois constituem a oferta global de serviços que serão “prestados” para os participantes / acompanhantes de um evento.

A empresa que quiser entrar no ramo de eventos deve estar preparada para os vários tipos de eventos:

Competitivos

Concursos – Caracteriza-se pelo espírito de competição e se adaptam as áreas: Artísticas, culturais, científicas. O regulamento estabelece os parâmetros necessários aos participantes e a sua forma de julgamento.
Torneio – Caracteriza-se pelo espírito de competição com caráter esportivo. Deverá seguir o regulamento específico da modalidade.
Demonstrativo ou expositivo

Alguns exemplos são: Excursão, Show, Festival, Desfile, Desfiles cívicos, Feira, Salão, Leilões, Noite de autógrafos, Inauguração, Pedra Fundamental, Galeria de Personalidades, Visitas Empresariais, Exposição e Mostra.

Baseados em reuniões dialogais

1. Reunião – Encontro de 2 ou mais pessoas a fim de discutir, debater e solucionar questões sobre determinado tema relacionado com sua áreas de atividade.

2. Conferência – Tem duração de no máximo 1 hora e 30 minutos. Dividindo-se o tempo entre as apresentações, perguntas e respostas. É a exposição de um assunto de amplo conhecimento do conferencista. Após a apresentação a palavra poderá ser dada à platéia para questionamento; se for em um evento maior não é aconselhado abrir espaço para perguntas, pois a ordem do dia poderá ficar comprometida.

3. Palestra – Exposição de um assunto para uma platéia relativamente pequena. O assunto é geralmente de natureza educativa e os ouvintes já possuem algum conhecimento sobre o que será exposto. Após apresentação deverá ser aberta para questionamentos.

4. Simpósio – Vários exposições com a presença de um coordenador. Possui geralmente um tema científico. Após apresentação, abre-se para perguntas à mesa.

5. Painel – Debates entre os expositores, sob a coordenação de um moderador, cabendo à platéia o comportamento de expectadora, sem formular perguntas à mesa.

6. Mesa-Redonda – Evento que reúne de 4 a 8 pessoas, que sentadas em semi-círculo, debatem sobre um assunto polemico, tendo cada debatedor cerca de 10’ para sua apresentação inicial. Mesa-redonda pode ser aberta ou fechada. A 1° modalidade, mais comum no Brasil, permite a intervenção da platéia, já a 2° restringe a participação aos apresentadores.

7. Convenção – Caracteriza-se por ser um evento interno de uma organização objetivando o treinamento, a reciclagem, e informações entre os participantes.

8. Congresso – Realizado em vários dias, com inclusão de outro encontro dentro deste. Constitui-se num evento de grande porte, que engloba inclusive, atividades sociais para os participantes. Os congressos podem ser regionais, nacionais e internacionais.

9. Debate – É a discussão entre 2 pessoas que defendem pontos de vista diferentes sobre um tema. É possível realizar debates com mais de duas pessoas, porém a oportunidade da palavra fica reduzida.

10. Workshop – São encontros onde há uma parte expositiva seguida de demonstrações do objeto que gerou o evento. Poderá fazer parte de um evento de maior amplitude.

11. Seminário – A exposição é feita por um ou mais pessoas com a presença de um coordenador. O assunto exposto é do conhecimento da platéia que participa em forma de grupos. Dividi-se em: Exposição, Discussão, Conclusão.

12. Jornada – São encontros de grupos profissionais, de âmbito regional, para discutir periodicamente assuntos de interesse ao grupo. Têm duração de vários dias.

Baseados nas reuniões coloquiais sociais:

Brunch (Breakfast+lunch) – Caracteriza-se por ser um café da manhã-almoço, servido em estilo buffet.
Coffee-Break – Não se trata de um evento, mas sim do tradicional lanche. Objetiva oferecer aos participantes um descanso entre duas fases de um evento.
Coquetel – Caracteriza-se pela reunião de pessoas com o objetivo de confraternização com número de convidados indeterminado. Trata-se de um evento de curta duração e categorizado como aberto, com as pessoas conversando em pé. O horário ideal para sua realização é das 19:00 às 21:00.
Happy-Hour – Evento utilizado como política de entrosamento da empresa, com um número limitado de participantes. Trata-se de um evento caracterizado por drink. Horário ideal para sua realização é das 17:30 às 19:00.

Bibliografia:

MATIAS, Marlene; Organização de Eventos – Procedimentos e técnicas. 1° edição brasileira. SP 2001. Páginas 1 à 32, 97 à 109.

CESCA, Cleusa G. Gimenes, Organização de eventos – Manual para planejamento e execução. 4° edição, summus editorial, SP. Páginas 75 a 86.

MEIRELLES, Gilda Fleury, Tudo sobre Eventos. Editora STS, SP- 1999. Páginas 30 à 94.

Turismo de Eventos

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Autor: Michel Lataste

DEFINIÇÃO DE EVENTOS

Os eventos constituem uma das formas mais válidas do dinamizar as estruturas turísticas. Para o turista o uma proposta, um convite de viver o momento em que tudo foi organizado especialmente para ele.

O evento, ao se desenvolver e distribuir os fluxos turísticos, estará cumprindo o papel econômico do turismo, aumentando o número de ocupação nos meios de transporte, diminuindo a ociosidade dos meios de hospedagem, movimentando restaurantes, casas de diversões, favorecendo a distribuição de ronda, oportunizando o efeito multiplicador do turismo.

Dentro da oferta de produtos de consumo turístico, o evento apresenta uma vantagem que lhe é intrínseca, o fator diferencial. Cada evento se distingue por suas características particulares e finalidades diferenciadas buscando alguns o campo cultural, outros o campo social ou económico. Ele é também o momento em que se todo o resultado da preparação como o trabalho propriamente dito, o ambiente, as pessoas, o momento.

No Brasil, por exemplo, o carnaval do Rio de Janeiro é um evento que demanda toda uma conjuntura em sua permanente organização o atualização.
O evento divulga a cidade e o país sediador, fixando a imagem das cidades como centro turístico, graças ao aspecto diferencial.

Para conhecermos a realidade dos Eventos Turísticos, ou mesmo em um determinado estado ou pais, caberia em primeiro lugar realizar um diagnóstico da situação existente, que nos oferecesse , entre outros dados, algumas respostas como:

Qual a singularidade que apresenta o Evento?
Quais são os recursos turísticos e serviços complementares que a região promotora oferece?
Qual a capacidade de ocupação da cidade receptora?
Qual o perfil do participante dos nossos Eventos?
Qual o esquema promocional adequado ao segmento do mercado que desejamos atingir?
Quais os gastos médios efetuados por um turista que participa de um evento? (participante ou acompanhante).
O Calendário de Eventos oficial é editado pela EMBRATUR onde são registrados os eventos realizados no Brasil.

Se classificarmos e Identificarmos os eventos, verificamos: congressos, feiras, exposições, convenções, simpósios, seminários, etc…
O evento é um ótimo veículo de promoção da região, decorrendo daí a responsabilidade de possuir uma oferta adequada. Lembramos também que o nível de desenvolvimento da região é uma condicionante da demanda.

Evento: um segmento promissor

Deslocando-se um grande número de profissionais, os eventos dinamizam economicamente tanto o hotel quanto a cidade onde este se encontra.

Em 1988, o Brasil colocou-se em 11º lugar entre os países que sediaran eventos internacionais com a expectativa de expansão desse segmento, o empresário hoteleiro deve estar familiarizado com a complexidade organizaclonal de um evento e as possibilidades de lucrar com ele, em detalhes, os diferentes tipos de evenbs e as etapas de sua organização.

Este artigo visa familiarizar o empresário do setor com a complexidade existente na organização de um evento, e também com as possibilidades de usufruir dessa movimentação economica. Iniciamos apresentando uma conceituação para o termo EVENTO: “Iniciativa na área das comunicações, idealizada, planejada, organizada e realizada com base na infinita necessidade de criação humana, visando a informação e a intercomunicação.” Pelo próprio conceito apresentado, fica patente a amplidão e a generalidade do termo. Porém com os reflexos e resultados que a realização de um evento vem apresentando, principalmente após a 2ª guerra mundial, podemos melhor dimensioná-lo, associando-o aos serviços que atualmente áreas de turismo e hotelaria estão capacitadas a oferecer.

Na medida em que a realização de um evento chega a movimentar um exército de profissionais na sua viabilização, fica clara a sua importância na dinamização econômica, tão almejada por inúmeras cidades. Os prestadores de serviços, permanentemente, tem suas atenções voltadas para os calendários divulgados por empresas e associações promotores de eventos. Isto porque a realização de um evento, via de regra, significa a chegada de pessoas das mais diversas partes do pais e do mundo, pessoas que necessitarão de transporte, recepção, hospedagem, alimentação, diversão, etc…

Além disso, podemos relacionar algum benefícios advindos deste novo segmento de atividades:

melhor performance nas taxas de ocupação das empresas hoteleiras e de transporte. Isto parque os promotores realizam seus eventos em época de baixa temporada, quando encontram facilidades em reunir um número significante de participantes, ao mesmo tempo em que possuem vários locais dispostos a sediá-los;
incremento na receita global do local sede do evento, à medida que um turista participante gasta três vezes mais do que um turista comum;

melhoria da imagem da cidade sede do evento, levando-se em conta que o participante pode se transformar em um elemento divulgador do local, ao retornar a seu ponto de origem;
despertar o interesse de várias entidades promotores em realizar futuros eventos, no mesmo local, na medida em que os já realizados tenham obtido sucesso.
Diante do exposto, não podemos contestar a significância do segmento evento para os países que tem se destacado em sua recepção. E o Brasil? Como tem se comportado fronte a esta realidade? No ano de 1983 o Brasil Chegou a ocupar a 11º posição entre os países que sediam eventos internacionais. Portanto numa posição bastante motivadora. Isto significa que recebemos fluxos de turistas de eventos que permaneceram em nosso país de oito a nove dias, gastando em média 225 dólares por dia, utilizando nossos serviços e podendo levar Informações sobre o Brasil para seus países de origem.

A título de complementação de informação, destacam-se os investimentos que o empresário vem fazendo na construção de espaços específicos para a realização de eventos, quer na construção de Centros de Convenções, quer com a adaptação em hotéis, de espaço físico para este fim.

Existe toda uma tipologia de eventos, já determinada, que os classifica de acordo com seus objetivos. Podemos lista-los como: congressos, convenções seminários, simpósios, mesa-redonda, painel, forum, palestras, conferência, debate, feiras, exposições, encontro/jornada. Além dos mencionados, podemos listar: shows, inaugurações, leilões, banquetes, entre outros.

Num segundo momento, passamos a enfocar a questão da organização de um evento.

A organizacão de um evento obedece, normalmente, as seguintes etapas:

Pré-Evento: estende-se desde o momento em que é tomada a decisão de se realizar o evento, até o dia que antecede o inicia do mesmo. E nesta fase que a entidade promotora contará com a assessoria de uma empresa que organiza eventos, para tomar decisões com respeito a data e local do acontecimento, bem como estruturar todos os servicos de divulgação, inscrição, recepção, hospedagem, alimentação, transporte e lazer, que serão colocados à disposição dos participantes.

Evento: fase que abrange o desenrolar do evento em si, onde todos os serviços que foram planejados e contratados, na fase anterior, serão testados. Desde a eficiência em transportar o participante do terminal de transportes, até o hotel onde se hospedará, finalizando com as normas de cerimonial devidas à autoridade que encerrará o evento.

Pós-Evento: no nosso entender, esta é a fase mais importante de todo o processo, pois é quando se fará a análise crítica do evento, verificando-se o grau de satisfação do participante, a eficiência e eficácia dos serviços prestados e os resultados obtidos com o empreendimento. Para finalizar, daremos um enfoque nas empresas da área turística, que se envolvem no processo organizacional de um evento.

TURISMO DE EVENTOS

Estratégia para captação

No mercado de captação de eventos, a Importância estratégica evidencia-se quando a cidade candidata se posiciona na mente do público alvo, estimulando a percepção dos diferenciais do produto. Como exemplo temos a qualidade dos serviços de hotelaria, entretenimentos e lazer, da Infra-estrutura turística, do espaço de eventos, da tecnologia disponível, os atrativos turísticos e a qualidade dos serviços periféricos. Podemos citar como exemplo os serviços de taxi, locaçao de veículos, comércio, bares e restaurantes etc… O objetivo principal é diferenciar, de forma proativa, a cidade e sua criação de serviços, comunicando ao público-alvo que são diferentes (estratégia de comunicacão para captação).

O posicionamento como estratégia permitirá a definição de um composto mercadolôgico capaz de mudar a posição real que a cidade ocupa na mente do público alvo, para a posição de como quer percebida, isto está diretamente relacionado com a estratégia de comunicação a ser desenvolvida para o processo de captação, que deverá conter todos os aspectos dos serviços (base e periféricos que estimulem a percepção dos diferenciais do produto pelo público- alvo.

Como já citado, a diferenciação é um dos instrumentos mais importantes que a cidade candidata a sediar um evento tem para se posicionar.

No mercado de eventos podemos identificar alguns diferenciais:

Diferenciação através dos recursos humanos – características do pessoal de contato tais como: competência, credibilidade, confiabilidade, responsabilidade, cortesia, etc… direta ou indiretamente ligados ao evento.

Diferenciação através da imagem – diferenciais exclusivamente ligados à estratégia de comunicação que deverá ser direcionada para o público-alvo a ser atingido, enfatizando os aspectos facilitadores para a realização do evento e que atendam necessidades, desejos e expectativas dos participantes, dos delegados que decidem o destino do evento.

Diferenciação através de atrativos turísticos – os atrativos turísticos são diferenciais que devem ser explorados na estratégia de comunicação, entre outros objetivos, o de despertar o desejo de conhecer, participar e interagir, principalmente nos pré e pós evento.

Diferenciação através de equipamentos e tecnologia disponível – aspectos que devem obrigatoriamente fazer parte da estratégia de comunicação, estes diferenciais poderão definir a decisão favorável e consequentemente o sucesso da captação.

Todos esses diferenciais Interagem sinergeticamente e são decisivos para captação pois constituem a oferta global de serviços que serão “prestados” para os participantes / acompanhantes de um evento.

OBESIDADE INFANTIL

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Autor: Douglas David Deccker

A obesidade não é mais apenas um problema estético, que incomoda por causa da “zoação” dos colegas. O excesso de peso pode provocar o surgimento de vários problemas de saúde como diabetes, problemas cardíacos e a má formação do esqueleto.

Cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas de obesidade, e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na fase adulta.

A obesidade na infância é usualmente uma condição não benigna, apesar da crença popular de que a criança com sobrepeso irá crescer com mais rapidez do que sua condição. Quanto mais tempo uma criança estiver com sobrepeso, mais provável que o estado continue na adolescência e fase adulta. As conseqüências da obesidade na infância incluem dificuldades psicossociais (discriminação, auto-imagem negativa, socialização diminuída), maior altura com possíveis expectativas sociais impróprias e freqüência aumentada de hiperlipidemia, hipertensão e tolerância anormal à glicose.

As crianças cuja recuperação de adiposidade do crescimento normal ocorre antes dos cinco anos e meio de idade são prováveis de serem mais gordas na fase adulta do que as que aquelas cuja recuperação de adiposidade ocorre após os sete anos de idade (Rolland-Cachera e cols, 1987). O momento da recuperação da adiposidade e o excesso de gordura na adolescência são fatores críticos no desenvolvimento da obesidade na infância, com o ultimo período, sendo o mais preditivo da obesidade adulta e morbidade relacionada (Dietz, 1994).

As ingestões de energia permaneceram estáveis durante os últimos vinte anos, sugerindo que a dieta não é um contribuinte principal para a prevalência aumentada de obesidade (Kennedy e Goldberg, 1995). A inatividade, entretanto, desempenha um papel principal no desenvolvimento da obesidade, resultante do uso da televisão e do computador, oportunidades limitadas de atividade física ou preocupações de segurança que impeçam as crianças de aproveitar para brincar livremente fora de casa.

É difícil determinar a obesidade em crianças em crescimento. Algum excesso de gordura pode ocorrer em qualquer ponta do espectro da infância; isto é; o bebe de um ano de idade que está engatinhando e a criança pré-puberal podem ser mais pesadas e mais gordas por razões de desenvolvimento e fisiológicas, mas com freqüência isto não permanec. A altura e o peso sozinhos não levam em conta a criança muito musculosa. O IMC, que é uma ferramenta clinica útil para avaliar o peso em comparação com a altura, possui suas limitações na determinação da obesidade devido à variabilidade relacionada ao sexo, raça e estagio de maturação ( Daniels e cols, 1997 ). As crianças em risco de obesidade devem ser monitoradas frequentemente de forma que a intervenção precoce possa ser fornecida.

As crianças em geral ganham peso com facilidade devido a fatores tais como: hábitos alimentares errados, inclinação genética, estilo de vida sedentário, distúrbios psicológicos, problemas na convivência familiar entre outros. As pessoas dizem que crianças obesas ingerem grande quantidade de comida. Esta afirmativa nem sempre é verdadeira, pois em geral as crianças obesas usam alimentos de alto valor calórico que não precisa ser em grande quantidade para causar o aumento de peso.

Consumo demasiado de alimentos gordurosos

Como exemplo podemos citar, os famosos sanduíches (hambúrguer, misto-quente, cheesburguer etc.) que as mamães adoram preparar para o lanche dos seus filhos, as batatas fritas, os bifes passados na manteiga são os verdadeiros vilãos da alimentação infantil, vindo de encontro ao pessoal da equipe de saúde que condenam estes alimentos expondo os perigos da má alimentação aos pais, onde alguns ainda pensam que criança saudável é criança gorda. As crianças costumam também a imitar os pais em tudo que eles fazem, assim sendo se os pais têm hábitos alimentares errados, acaba induzindo seus filhos a se alimentarem do mesmo jeito.

Falta de atividades físicas

A vida sedentária facilitada pelos avanços tecnológicos (computadores, televisão, videogames, etc.), faz com que as crianças não precisem se esforçar fisicamente a nada. Hoje em dia, ao contrário de alguns anos atrás, as crianças devido à violência urbana a pedido de seus pais, ficam dentro de casa com atividades que não as estimulam fazer atividades físicas como correr, jogar bola, brincar de pique etc., levando-as a passarem horas paradas enfrente a uma TV ou outro equipamento eletrônico e quase sempre com um pacote de biscoito ou um sanduíche regado a refrigerante. Isto é um fator preocupante para o desenvolvimento da obesidade

Ansiedade

Não são apenas os adultos que sofrem de ansiedade provocados pelo stress do dia a dia. As crianças também são alvos deste sintoma, causados, por exemplo, por preocupações em semanas de prova na escola, entre outros. A ansiedade os faz comer mais. É como se fosse uma comilança compulsiva, sem fome.

Psiquiatras afirmam que por trás de um obeso sempre poderá existir um problema psicológico, agravando-se devido a nossa cultura onde a sociedade exclui os gordinhos de várias brincadeiras devido a sua situação. Isso só leva a criança a piorar porque quase sempre são tímidas e sentem-se envergonhadas, acabam se isolando e fazendo da alimentação uma “fuga” da realidade, isto é, quanto mais rejeitado, mais ansiosos e consequentemente mais comem.

Depressão

Pessoas com sintomas de depressão, sofrem alterações no apetite podendo emagrecer ou engordar. A pessoa deprimida, geralmente não pratica atividades físicas e come mais doces, principalmente, o chocolate.

Fatores hormonais

A obesidade pode ainda ter correlação com variações hormonais tais como: excesso de insulina; deficiência do hormônio de crescimento; excesso de hidrocortisona, os estrógenos etc.

Fatores Genéticos

Se um dos pais é obeso, o filho tem 50% de chances de se tornar gordinho, e se os dois pais estão acima do peso, os riscos aumenta para 100%. A criança que tem pais obesos corre o risco de se tornar obesa também porque a obesidade pode ser adquirida geneticamente.

Prevenção é a palavra chave para evitar a obesidade. Aqui vão algumas dicas recomendadas por médicos e nutricionistas para que você se previna contra esse mal e tenha uma vida sempre saudável

Seguir uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes e verduras.
Respeitar os horários das refeições e não beliscar guloseimas entre um intervalo e outro.
Evitar alimentos gordurosos, como doces, frituras e refrigerantes.
Praticar atividades físicas, sejam esportes no colégio ou academia, desde que seja orientado por um profissional. Caminhar é a melhor pedida, pois qualquer pessoa pode;
Beba bastante água, pelo menos 2 litros por dia. A água é importantíssima no bom desempenho das funções do organismo. Principalmente para quem pratica atividades físicas, pois mantém o corpo sempre hidratado.
Para o tratamento do obeso infantil, existem algumas normas gerais a serem seguidas: uma dieta balanceada que determine crescimento adequado e manutenção de peso; exercícios físicos controlados e apoio emocional individual e familiar. Além disso, a Educação Nutricional é essencial, pois visa a modificação e melhorias dos hábitos alimentares a longo prazo, e torna-se um elemento de conscientização e reformulação das distorções do comportamento alimentar, auxiliando a refletir sobre a saúde e qualidade de vida.

A imposição de regimes rígidos ou pré-estabelecidos de forma generalizada são contra indicados pela própria ineficiência comprovada, devido à dificuldade de aderência, ou por representar um fator gerador de maior angústia nesses pacientes, que tem a alimentação como forma de compensação emocional.

Para o tratamento da obesidade infantil, faz-se necessário a presença de uma equipe multiprofissional, que consiste de médico, nutricionista, educador físico, e um outro profissional de extrema importância – o psicólogo, pois sabe-se que algumas causas da obesidade podem ser psicogenéticas, tais como: rejeição materna e falta de afeto, depressão e culpa, angústias circunstanciais, mães simbióticas e pais superprotetores, pais alcoólatras, criança imatura e problemas orgânicos, como os neurológicos.

Para melhores resultados nos tratamentos é importante a cooperação dos pais, que devem estar conscientes de que a obesidade é um risco e que gera problemas na vida adulta.

A escola também tem papel fundamental ao modelar as atitudes e comportamentos das crianças sobre Nutrição. Uma forma de realizar este trabalho é integrar a nutrição à sala de aula, incorporando conceitos de Nutrição às crianças.

PROGRAMA DE CONTROLE

Um programa de sucesso deve ter como objetivo :

Perda rápida de peso, ser metabolicamente seguro, paciente não sentir fome, preservação da massa muscular, nenhuma reação psicológica, manter o crescimento normal, manutenção da perda de peso, fácil de ser aderido.

Os componentes essenciais são:

Dieta, exercícios, modificação dos hábitos.

DIETA (programa de dieta ligh)

O volume de caloria ingerida inicialmente deverá ser bem controlado e a dieta extremamente equilibrada em função das necessidades diárias de nutrientes para o bom desenvolvimento da criança. A criança não necessita sempre perder peso, pois se houver diminuição na curva de ganho ponderal, o crescimento fará com que esta criança deixe de ser obesa.

EXERCÍCIOS

Exercícios aeróbicos devem ser estimulados de acordo com a preferência da criança. Exercícios promovem bem estar e aumentam a auto estima da criança

ALTERAÇÃO DOS HÁBITOS

Alterações dos hábitos diários, ensinando a criança a comer mais lentamente e em menor quantidade. Fazer a criança acostumar-se a se exercitar, se auto-controlar registrando detalhadamente as quantidades e os tipos de alimentos ingeridos e estado emocional nos momentos das refeições. Estas anotações irão ajudar as crianças a evitar fatores precipitantes da ingestão alimentar em excesso. Controle dos estímulos ( impulsos) separando o ato de se alimentar de outras atividades , reforços positivistas e negativistas fornecidos pelos familiares .

Obesidade infantil X Desenvolvimento

1 a 3 anos:

Aspecto Biológico: É caracterizada pela espessura da prega cutânea e pelo aumento de peso desproporcional ao crescimento, sempre abalizados pelas curvas de desenvolvimento pondo-estatural.

Os indivíduos geneticamente propensos à obesidade mobilizam mal as reservas energéticas, sofrendo mais do que outros o desconforto do jejum – baixa tolerância ao jejum.

Come a intervalos curtos.

O bebê superalimentado cresce numa proporção maior que os sabidamente nutridos, aumentando sua camada muscular e gordurosa em proporções exuberantes.

O excesso de peso interfere (para pior) no controle de doenças respiratórias de fundo alérgico (asma), doenças da pele (dermatites) e focos irritativos cerebrais (epilepsia).

A relação mãe-filho está empobrecida. Todas as trocas afetivas ocorrem através da comida

Aspecto Psicológico

Introjeção da imagem: “barriga cheia = felicidade da mamãe + felicidade do bebê.

Aspecto Social

Socialmente o bebê gordo é um sucesso!

4 a 6 anos:

Aspecto Biológico

Acentua-se a fome. Está sempre comendo, petiscando. Ainda mais que agora ele anda, abrem armários, latas de bolacha, bombonieres, geladeira.

Continua crescendo e engordando mais que outras crianças de sua idade.

Tem início às queixas de dores nas pernas, joelhos, acentua-se o joelho valgo e nota-se, em alguns “gordinhos”, o início de escolioses e lordoses.

A socialização tropeça na pouca disposição para as correrias.

Continua sendo um sucesso, é “bonzinho”, “bem-educado”, “come-tudo”.

Aspecto Psicológico

A opção pela TV e jogos eletrônicos, pela imobilidade, vai delineando-se com nitidez.

Aspecto Social

Prefere a companhia dos adultos à das outras crianças.

7 a 10 anos : Aspecto Biológico

A criança que já está gorda e grande, no estirão fisiológico do crescimento dos 7 anos apresenta novo aumento rápido de estatura, massa muscular e gordura.

Tem dificuldade para andar de bicicleta, jogar futebol, subir escadas e patinar.

Os exercícios físicos são fundamentais para desenvolver a coordenação motora, modular o metabolismo basal e desenvolver o prazer por uma vida mais sadia.

Aspecto Psicológico

De regra é bom aluno.

No grupo de crianças, apresenta-se como tímido, raramente se manifesta como líder.

Mantém o padrão de criança “obediente”, “não dá trabalho”, fica horas em frente à TV e alguns já dominam o computador

Aspecto Social

É problemático comprar roupa pronta.

Início da preocupação familiar com o excesso de peso, porém sempre optam por esperar a criança crescer e ficar “um pouco vaidosa”.

11 a 13 anos:

Aspecto Biológico

Tornam-se evidentes as estrias abdominais e na parte interna da coxa, que apresenta também a pele escurecida pela dermatite de atrito.

Ginecomastia nos meninos.

Abdome em avental nos meninos e meninas.

Descompensações freqüentes da coluna, naqueles que são portadores de escoliose.

Puberdade precoce para meninos e meninas o que resulta num crescimento final menor que o sugerido na primeira infância.

Os genitais externos aparentemente pequenos nos meninos, passam a ser um problema da criança.

Aspecto Psicológico

A criança passa a recusar a freqüentar piscinas, praia, e alguns até a usar short.

Na escola estabelecem boa camaradagem com os colegas apesar do acentuado sedentarismo.

Aspecto Social

A preocupação da família com a obesidade apresenta-se de forma franca, sem desculpas. Esta mudança é vivenciada pelo pré-adolescente como perda de amor, principalmente se ele tiver um irmão magro.

Os pré-adolescentes tendem a estabelecer vínculos fortes com um amigo; poucos fazem parte de um grupo.

ANOREXIA NERVOSA

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Autor: Tatiana Grazziane Gandra

DISTÚRBIOS ALIMENTARES

ANOREXIA NERVOSA

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma conseqüência dessa distorção doentia do esquema corporal.

O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar.

A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anorética mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

A pessoa que pesa menos que 85% do peso considerado normal para a idade e altura costuma ser um dado valioso para se pensar em anorexia. A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) recomenda que a pessoa tenha um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou inferior a 17, 5 kg/m2 sugestivo de anorexia. O IMC é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em metros. Essas medidas ou índices são apenas diretrizes sugeridas para o clínico, pois não é razoável especificar um padrão único para um peso normal mínimo aplicável a todos os pacientes de determinada idade e altura. Ao determinar um peso normal mínimo, o médico deve considerar não apenas essas diretrizes, mas sobretudo a constituição corporal e a história ponderal do paciente.

A perda de peso nas pessoas com Anorexia Nervosa é obtida, principalmente, através da redução do consumo alimentar total, embora alguns pacientes possam começar “o regime” excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente calóricos. De modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas alguns poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adota métodos adicionais de perda de peso, os quais incluem auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes ou diuréticos e prática de exercícios intensos ou excessivos.

As pessoas com este transtorno têm muito medo de ganhar peso ou ficar gordos e este medo geralmente não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal freqüentemente aumenta à medida que o peso real diminui.

A vivência e a importância do peso e da forma corporal, como dissemos, são distorcidas nesses pacientes. Alguns deles acham que têm um excesso de peso global, independentemente dos resultados contrários da balança. Outros percebem que estão magros, mas ainda assim se preocupam com o fato de certas partes de seu corpo, particularmente abdômen, nádegas e coxas, estarem “muito gordas”.

Na Anorexia Nervosa os pacientes podem empregar uma ampla variedade de técnicas para estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como “gordas”. A auto-estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição.

As mulheres que já menstruam costumam apresentar supressão das menstruações (amenorréia) quando acometidas de Anorexia Nervosa. Isso é devido a níveis anormalmente baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez, devem-se a uma redução da secreção de hormônio folículo-estimulante([FSH) e hormônio luteinizante (LH) pela pituitária. Essa ocorrência indica séria disfunção fisiológica na Anorexia Nervosa. A amenorréia em geral é uma conseqüência da perda de peso mas, em uma minoria de pacientes pode precedê-la. Em jovens pré-púberes, o aparecimento de menstruações (menarca) pode ser retardada pela doença.

Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento subjetivo acerca das seqüelas físicas e psicológicas da inanição. Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Um estranho comportamento em relação à comida pode ser exibido por alguns desses pacientes. Eles costumam esconder comidas pelos armários, banheiros, dentro de roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares. Ou ainda, podem procurar empregos como garçonetes, cozinheiros ou simplesmente colecionar receitas e artigos sobre comida. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no consumo. Assim, intensifica o medo de ceder ao impulso de comer e aumentam as proibições contra ela. Padrões de pensamento pré-mórbidos assumem um novo significado, um estilo de raciocínio de tudo-ou-nada leva a conclusão de que um grama de peso ganho significa uma transição de normal para gordo.

CAUSAS

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.

Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.

Os modelos de sistemas familiare s procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causais.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes freqüentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação

TIPOS

Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa.

Tipo Restritivo. Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos.

TRANSTORNOS ASSOCIADOS

Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para Transtorno Depressivo Maior. Muitos dos aspectos depressivos podem ser secundários às seqüelas fisiológicas e clínicas da desnutrição. Os sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma recuperação completa ou parcial do peso.

Características Obsessivo-Compulsivas, tanto relacionadas quanto não relacionadas com comida, com freqüência são proeminentes. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa preocupa-se excessivamente com alimentos, como dissemos acima.

Observações de comportamentos associados com outras formas de restrição alimentar sugerem que as obsessões e compulsões relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os pacientes com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, pode haver um diagnóstico conjunto e concomitante de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

Outras características ocasionalmente associadas com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.

Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de semi-inanição deste transtorno pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia sangüínea, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.

Os níveis de hormônio tiroideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalãmico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.

O eletrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O eletroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, refletindo uma encefalopatia metabólìca, conseqüente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com freqüência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargia. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do tronco mais finos desenvolvem (lanugo). A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A anorexia nervosa pode levar à morte em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.

CARACTERÍSTICAS DA CULTURA, DA IDADE E DO SEXO

A Anorexia Nervosa parece ter uma prevalência bem maior em sociedades industrializadas, nas quais existe abundância de alimentos e onde, especialmente no tocante às mulheres, ser atraente está ligado à magreza. O transtorno é provavelmente mais comum nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e África do Sul, mas poucos trabalhos examinaram a prevalência em outras culturas. Os pacientes que emigraram de culturas nas quais o transtorno é raro para culturas nas quais o transtorno é mais prevalente podem desenvolver Anorexia Nervosa, à medida que assimilam os ideais de elegância ligados à magreza.

Fatores culturais também podem influenciar as manifestações do transtorno. Por exemplo, em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, podendo a motivação expressada para a restrição alimentar ter um conteúdo diferente, como desconforto epigástrico ou antipatia por certos alimentos.

A Anorexia Nervosa raramente inicia antes da puberdade, mas existem indícios de que a gravidade das perturbações mentais associadas pode ser maior nos pacientes pré-púberes que desenvolvem a doença. Entretanto, também há dados que sugerem que quando a doença se inicia durante os primeiros anos da adolescência (entre 13 e 18 anos de idade), ela pode estar associada com um melhor prognóstico. Mais de 90% dos casos de Anorexia Nervosa ocorrem em mulheres.

EPIDEMIOLOGIA

A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbelteza com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidência de Anorexia Nervosa tem aumentado nas últimas décadas.

CURSO

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes se recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos pacientes baixados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é em torno de 10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio eletrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

No recreio, as crianças mais gordas são alvo de troça dos colegas mas são vários os fatores contribuem para esta preocupação: a pressão do órgãos de comunicação social, dos pares e da própria família. Todos estes vetores, em conjunto, levam as crianças a acreditar que, realmente, «é esteticamente agradável ser magro». Os investigadores também perceberam que as meninas que são alvo de troça por parte dos seus colegas apresentam uma personalidade mais frágil e baixa auto-estima, mesmo quando não são, de fato, gordas.

A psicóloga Denise Bellotto de Moraes, da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp foi responsável por pesquisa que avaliou o comportamento de 316 adolescentes de dez a 19 anos de uma escola particular de SP.

levantamento, verificou-se que metade das 178 meninas estava insatisfeita com seus corpos, contra 30% dos meninos. Das garotas, 30% faziam dieta sem precisar. Para nutricionistas, fisiologistas e pediatras o resultado dessa obsessão com as dietas é preocupante e pode comprometer o desenvolvimento, podendo, inclusive ser o início de distúrbios alimentares graves, como a bulimia e a anorexia.

O primeiro passo para uma alimentação saudável na adolescência é entender e aceitar as mudanças do corpo. Por exemplo; é normal que as meninas ganhem alguns quilos por volta dos dez anos, pois elas precisam de depósitos de gordura ( em média elas têm de ter de 18% a 20%) para a produção dos hormônios da puberdade e para se preparar para o fenômeno do “estirão”, quando crescem rapidamente.

Critérios Diagnósticos Anorexia Nervosa

Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
Medo intenso de ganhar peso ou se tornar gordo mesmo com o peso abaixo do normal.
Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno.)Especificar tipo:
Tipo Restritivo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente não se envolveu regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).
Tipo Compulsão Periódica/Purgativo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).
TRATAMENTO

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, como imos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correçào hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

BULIMIA NERVOSA

As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa. Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses. Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares. O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum é considerado normal.

Um “período limitado de tempo” refere-se a um período definido, geralmente durando menos de 2 horas. Um episódio isolado de compulsão periódica não precisa ser restrito a um contexto. Por exemplo, um paciente pode começar um episódio em um restaurante e continuá-lo ao voltar para casa. O ato de ingerir continuamente pequenas quantidades de comida durante o dia inteiro não seria considerado uma compulsão periódica.

Embora varie o tipo de alimento consumido durante os ataques de hiperfagia (comer muito), ele tipicamente inclui doces e alimentos com alto teor calórico, tais como sorvetes ou bolos. Entretanto, as compulsões periódicas parecem caracterizar-se mais por uma anormalidade na quantidade de alimentos consumidos do que por uma avidez por determinados nutrientes, como carboidratos. Embora os pacientes com Bulimia Nervosa, durante um episódio de compulsão periódica, possam consumir mais calorias do que as pessoas sem Bulimia Nervosa consomem durante uma refeição, a proporção de calorias derivadas de proteínas, gorduras e carboidratos é similar.

Os pacientes com Bulimia Nervosa tipicamente se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar seus sintomas. As compulsões periódicas geralmente ocorrem em segredo, ou dissimuladas tanto quanto possível. Um episódio pode, ou não, ser planejado de antemão e em geral (mas nem sempre) é caracterizado por um consumo rápido.

A compulsão periódica freqüentemente prossegue até que o paciente se sinta desconfortável, ou mesmo dolorosamente repleto. A compulsão periódica é tipicamente desencadeada por estados de humor disfóricos, estressores interpessoais, intensa fome após restrição por dietas, ou sentimentos relacionados a peso, forma do corpo e alimentos. A compulsão periódica pode reduzir temporariamente a disforia, mas autocríticas e humor deprimido freqüentemente ocorrem logo após.

Um episódio de compulsão periódica também se acompanha de um sentimento de falta de controle. Um paciente pode estar em um estado frenético enquanto leva a efeito a compulsão, especialmente no curso inicial do transtorno. Alguns pacientes descrevem uma qualidade dissociativa durante ou após os episódios de compulsão periódica.

Após a Bulimia Nervosa ter persistido por algum tempo, os pacientes podem afirmar que seus episódios compulsivos não mais se caracterizam por um sentimento agudo de perda do controle, mas sim por indicadores comportamentais de prejuízo do controle, tais como dificuldade em resistir a comer em excesso ou dificuldade para cessar um episódio compulsivo, uma vez iniciado. 0 prejuízo no controle associado com a compulsão periódica da Bulimia Nervosa não é absoluto, já que, por exemplo, um paciente pode continuar comendo enquanto o telefone toca, mas interromper o comportamento se um colega ou o cônjuge ingressar inesperadamente no mesmo aposento.

Outra característica essencial da Bulimia Nervosa é o uso recorrente de comportamentos compensatórios inadequados para prevenir o aumento de peso. Muitos pacientes com Bulimia Nervosa empregam diversos métodos em suas tentativas de. compensarem a compulsão periódica. A técnica compensatória mais comum é a indução de vômito após um episódio de compulsão periódica. Este método purgativo é empregado por 80 a 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa que se apresentam para tratamento em clínicas de transtornos alimentares. Os efeitos imediatos do vômito incluem alívio do desconforto físico e redução do medo de ganhar peso. Em alguns casos, o vômito torna-se um objetivo em si mesmo, de modo que a pessoa come em excesso para vomitar ou vomita após ingerir uma pequena quantidade de alimento. Os pacientes com Bulimia Nervosa podem usar uma variedade de métodos para a indução de vômitos, incluindo o uso dos dedos ou instrumentos para estimular o reflexo de vômito.

Os pacientes em geral se tornam hábeis na indução de vômitos e por fim são capazes de vomitar quando querem. Raramente, os pacientes consomem xarope de ipeca para a indução do vômito. Outros comportamentos purgativos incluem o uso indevido de laxantes e diuréticos. Aproximadamente um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa utiliza laxantes após um ataque de hiperfagia. Raramente, os pacientes com este transtorno utilizam enemas após os episódios compulsivos, mas este quase nunca é o único método compensatório empregado.

Os pacientes com Bulimia Nervosa podem jejuar por um dia ou mais ou exercitar-se excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo. Exercícios podem ser considerados excessivos quando interferem significativamente em atividades importantes, quando ocorrem em momentos ou contextos inadequados ou quando o paciente continua se exercitando apesar de lesionado ou de outras complicações médicas. Raramente, os pacientes com este transtorno podem tomar hormônio da tiróide na tentativa de prevenir o aumento de peso. Os pacientes com diabete melito e Bulimia Nervosa podem omitir ou reduzir as doses de insulina, para reduzir o metabolismo dos alimentos consumidos durante os ataques de hiperfagia.

Os pacientes com Bulimia Nervosa colocam uma ênfase excessiva na forma ou no peso do corpo em sua auto-avaliação, sendo esses fatores, tipicamente, os mais importantes na determinação da auto-estima. As pessoas com o transtorno podem ter estreita semelhança com as que têm Anorexia Nervosa, em seu medo de ganhar peso, em seu desejo de perder peso e no nível de insatisfação com seu próprio corpo. Entretanto, um diagnóstico de Bulimia Nervosa não deve ser dado quando a perturbação ocorre apenas durante episódios de Anorexia Nervosa.

CAUSAS

Pouco se conhece a respeito das causas da Bulimia Nervosa. Possivelmente exista um modelo onde múltiplas causas devem interagir para o surgimento da doença, incluindo aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.

Influência cultural tem ido apontada, atualmente, como um forte desencadeante; o corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Desta forma a propaganda dos regimes convence o público de que o corpo pode ser moldado. Assim, a busca pelo corpo perfeito tem se manifestado em três áreas: nutrição/dieta, atividade física e cirurgia plástica. Nos EUA o números de lipoaspiração passou de aproximadamente 55.900 casos em 1981 para 101.000 em 1988.

Distúrbio da interação familiar, eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade pessoal são apontados como fatores desencadeantes ou mantenedores da bulimia. Postula-se que alterações de diferentes neurotransmissores podem contribuir para o complexo sintomático, notadamente dos mesmos neurotransmissores envolvidos na depressão emocional.

TIPOS

Os seguintes subtipos podem ser usados para especificar a presença ou ausência regular d e métodos purgativos como meio de compensar uma compulsão periódica:

Tipo Purgativo. Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente se envolveu regularmente na auto-indução de vômito ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.

Tipo Sem Purgação. Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.

TRANSTORNOS ASSOCIADOS

Os pacientes com Bulimia Nervosa tipicamente estão dentro da faixa de peso normal, embora alguns possam estar com um peso levemente acima ou abaixo do normal. O transtorno ocorre, mas é incomum, entre pacientes moderada e morbidamente obesos. Há indícios de que, antes do início do Transtorno Alimentar, os pacientes com Bulimia Nervosa estão mais propensos ao excesso de peso do que seus pares. Entre os episódios compulsivos, os pacientes com o transtorno tipicamente restringem seu consumo calórico total e selecionam preferencialmente alimentos com baixas calorias (diet) evitando alimentos que percebem como engordantes ou que provavelmente ativarão um ataque de hiperfagia.

Os pacientes com Bulimia Nervosa apresentam uma freqüência maior de sintomas depressivos (por ex., baixa auto-estima, insegurança) ou Transtornos do Humor (particularmente Transtorno Distímico e Transtorno Depressivo Maior). Em muitas ou na maior parte dessas pessoas, o distúrbio do humor começa simultaneamente ou segue o desenvolvimento da Bulimia Nervosa, sendo que com freqüência atribuem sua perturbação do humor à Bulimia Nervosa. Também pode haver maior freqüência de sintomas de ansiedade (por ex., medo de situações sociais) ou Transtornos de Ansiedade. Esses distúrbios do humor e de ansiedade comumente apresentam remissão após o tratamento efetivo da Bulimia Nervosa.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes freqüentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.

CARACTERÍSTICAS DA CULTURA, DA IDADE E DO SEXO

A Bulimia Nervosa ocorre, conforme relatado, com freqüência aproximadamente similares na maioria dos países industrializados, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Japão, Nova Zelândia e África do Sul. Poucos estudos examinaram a prevalência da Bulimia Nervosa em outras culturas. Em estudos clínicos da Bulimia Nervosa nos Estados Unidos, os pacientes com este transtorno eram principalmente brancos. mas o transtorno também foi relatado entre outros grupos étnicos.

Em amostras clínicas e populacionais, pelo menos 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa são mulheres, como também ocorre na Anorexia Nervosa. Alguns dados sugerem que os homens com Bulimia Nervosa têm maior prevalência de obesidade pré-mórbida do que as mulheres com o transtorno.

A prevalência da Bulimia Nervosa entre mulheres adolescentes e adultas jovens é de aproximadamente 1-3%; a taxa de ocorrência deste transtorno em homens é de aproximadamente um décimo da que ocorre em mulheres.

A Bulimia Nervosa começa ao final da adolescência ou início da idade adulta. A compulsão periódica freqüentemente começa durante ou após um episódio de dieta. 0 comportamento alimentar perturbado persiste por pelo menos vários anos, em uma alta porcentagem das amostras clínicas. 0 curso pode ser crônico ou intermitente, com alternância de períodos de remissão e recorrência de ataques de hiperfagia. 0 resultado da Bulimia Nervosa a longo prazo é desconhecido.

EPIDEMIOLOGIA

A taxa de prevalência da bulimia nervosa é de 2 a 4% entre mulheres adolescentes e adultas jovens. A grande maioria dos pacientes com bulimia nervosa é do sexo feminino, na proporção de 9:1. O início dos sintomas vai dos últimos anos da adolescência até os 40 anos com idade média de início por volta dos 20 anos.

Algumas profissões em particular parecem apresentar maior risco, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda em geral, onde o rigor com o controle do peso é maior do que na população geral. Semelhante à anorexia nervosa. Aspectos socioculturais são importantes na medida em que a doença parece também mais comum em classes econômicas mais elevadas..

CURSO

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes se recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos pacientes baixados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é em torno de 10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio eletrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

Critérios Diagnósticos Bulimia Nervosa

A. Episódios recorrentes de compulsão periódica. Um episódio de compulsão periódica é caracterizado por ambos os seguintes aspectos:

1. – ingestão, em um período limitado de tempo (por ex., dentro de um período de 2 horas) de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período similar e sob circunstâncias similares

2. – um sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio (por ex., um sentimento de incapacidade de parar de comer ou de controlar o que ou quanto está comendo)

B. Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos, jejuns ou exercícios excessivos.

C. A compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média, pelo menos duas vezes por semana, por 3 meses.

D. A auto-avaliação é indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo

E. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa.

Tipo Purgativo: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

Tipo Sem Purgação: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

TRATAMENTO

A grande maioria dos pacientes bulímicos deve ser tratada em nível ambulatorial, exceto nos casos onde o desequilíbrio metabólico exige uma intervenção mais intensiva. É interessante o tratamento ambulatorial pois, em geral, os pacientes são mulheres jovens estudantes ou com empregos, donas de casa e com filhos pequenos, onde o afastamento seria prejudicial.

Quando necessária, a internação ocorre por complicações associadas como: depressão com risco de suicídio, perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral, hipopotassemia seguida de arritmia cardíaca e nos casos de comportamento multiimpulsivo (abuso de álcool, drogas, automutilação, cleptomania, promiscuidade sexual).

Alguns autores preconizam a prescrição de um plano de alimentação regular. Um diário de alimentação, pensamentos, sentimentos e comportamentos experimentados em cada situação. Este diário deverá ser discutido com o paciente de forma tranqüila e franca.

A psicoterapia pode ser de linha cognitiva e/ou comportamental e deve ajudar o paciente no entendimento dos seus aspectos dinâmicos assim como orientá-lo em questões práticas, por exemplo: planejando antecipadamente os horários quanto às atividades e refeições; tentar comer acompanhado; não estocar alimentos em casa; pesar-se apenas na consulta médica, etc.

Os antidepressivos têm demonstrado maior eficácia na diminuição dos episódios bulímicos; esses incluem antidepressivos tricíclicos, ou ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), como por exemplo a fluoxetina e a fluvoxamina, mesmo na ausência de depressão coexistente. Outras medicações foram usadas sem resultados promissores.

OBESIDADE (e Obesidade Infantil)

Há duas tendências sociais cruciantes para pessoas acima do peso ideal; uma é a grosseira e desumana discriminação estética e a outra é encarar o obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por que é preguiçoso.

Algumas vezes, isto gera preconceito em relação à pessoa obesa, dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até mesmo quadros psiquiátricos conseqüentes a essa marginalização.

A obesidade é considerada hoje uma doença, tipo crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce. Tudo isso é verdade, mas de qual doença estamos falando? Quem é obeso?

Na psiquiatria aprendemos que existem graus variáveis entre estar perfeitamente normal e perdidamente doente, ao contrário da obstetrícia, onde

a pessoa está ou não está grávida; não há meio-termo.

Com a obesidade dá-se o mesmo que na psiquiatria, ou seja, graus variados, indo desde o sobre-peso discreto até a obesidade mórbida.

Alguns autores começam seus artigos dizendo que “a obesidade acomete uma grande proporção de pessoas – no Brasil 40% da população adulta tem excesso de peso”. Outros dizem… “calcula-se que 300.000 pessoas nos Estados Unidos morrem por ano precocemente devido à obesidade e no Brasil, este número está entre 50.000 e 100.000 pessoas”. Às vezes temos a impressão que esses dados têm outro objetivo além da informação, eles podem pretender causar pânico entre todos os gordinhos. A indústria da obesidade, das dietas, das academias de ginástica, da tirania da estética é gigantesca.

Nossa cultura, altamente consumista, tem por hábito a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, etc. Inclusive no relacionamento social, agraciamos nossas visitas, amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy hour, cafezinho, bolo, etc.

Admite-se que a porcentagem de gordura corporal deve situar-se entre 15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25% para o sexo feminino. Podem ser considerados obesos os homens com percentual superior a 25% e as mulheres com mais de 30%.Qualquer definição de obesidade pode ser considerada arbitrária. Não é fácil a obtenção de uma classificação que separe com precisão indivíduos obesos e não obesos. A heterogeneidade da raça humana estimulou a criação, pelos estudiosos do assunto, de diversas definições, cálculos, tabelas, enfocando aspectos qualitativos e quantitativos. Mas, qualquer que seja o parâmetro ou a definição empregada, não há como separar o termo obesidade de excesso de gordura corporal.

Em nossa opinião, a obesidade comporta um duplo enfoque; um enfoque antropométrico e fisiopatológico e outro enfoque psicodinâmico. Se você acredita que a qualidade de vida não pode se basear apenas na quantidade de dias vividos, então entenderá o que queremos dizer com enfoque psicodinâmico da questão obesidade.

Psicodinamicamente, seria correto considerar-se obesa toda pessoa insatisfeita com seu próprio corpo por ter seu peso acima do ideal antropométrico. O parâmetro “antropométrico” é indispensável na definição para excluirmos, das pessoas psicodinamicamente obesas, aquelas portadoras de anorexia nervosa e que se acham gordas, sem o estarem de fato.

Ainda psicodinamicamente ou emocionalmente, peso ideal seria aquele onde a pessoa está se sentindo bem, quando se olha no espelho e se gosta, quando se acha linda, não importando o número que a balança estámarcando.

Academicamente (antropometricamente), entretanto, a obesidade pode ser definida como quantidade percentual aumentada de gordura corporal, sendo que a partir deste critério é obesa uma pessoa que possua mais de 30% de gordura em sua composição corporal total e um homem com mais de 25% de gordura corpórea em relação à massa magra.

A obesidade é u ma síndrome com várias causas, caracterizada por um excesso de tecido gorduroso e pode ser classificada em várias modalidades. Há várias maneiras de saber se a pessoa é ou não gorda, ou seja, de se classificar a obesidade. A maneira mais simples e comum de classificar a obesidade é pelo peso. Na realidade nem sempre o pesado é gordo, já que a musculatura pesa mais que o tecido gorduroso, e uma pessoa musculosa não costuma ser gorda.

Desde 1958, depois da famosa frase do economista John Kenneth Gailbraith, afirmando que “nos Estados Unidos da América morrem mais pessoas por excesso que por falta de comida”, o tratamento da obesidade deixou de ser uma questão simplesmente estética e passou a ser uma questão de saúde pública e pessoal.

O Índice de Massa Corpórea (IMC) é o mais utilizado na prática. Tem boa correlação com a percentagem de gordura corporal. No entanto, perde a confiabilidade em atletas com grande massa muscular.

A meta de se atingir um bom peso passou a exigir mudanças no habito alimentar, na prática do condicionamento físico e na atenção à saúde psíquica. Um peso mais proporcional passou a ter forte relação com o desenvolvimento, amadurecimento e envelhecimento mais saudáveis.

Complicações Clínicas da Obesidade

Desde a antiguidade Hipócrates percebera maior tendência dos obesos para a morte súbita e, de fato, a questão da obesidade está muito além das preocupações estéticas. A obesidade predispõe, então, a uma série de outras doenças. São também sintomas comuns aos obesos o cansaço, a sudorese excessiva, principalmente… em pés, mãos e axilas, as dores nas pernas e colunas.

O excesso de peso tem íntima relação, por exemplo, com a mortalidade por causas cardiovasculares. Normalmente a obesidade predispõe à hipertensão arterial, ao aumento dos níveis de triglicérides e colesterol, bem como à diminuição do colesterol benigno (HDL-colesterol).

Quando se observa um obeso ofegante, normalmente é porque o aumento da gordura no tórax e abdome pode causar alterações no padrão respiratório. Nesses casos há diminuição do volume e da complacência pulmonares e aumento do trabalho do diafragma. Em grandes obesos também pode ocorrer uma má oxigenação dos tecidos devido aos distúrbios da relação entre a ventilação e a área corporal a ser nutrida pelo oxigênio (perfusão).

A obesidade é também um importante fator para o desenvolvimento da diabetes mellitus, do tipo não dependente de insulina. Mesmo diante do tratamento com insulina esses diabéticos obesos apresentam uma fraca resposta metabólica terapêutica.

Havendo aumento do peso há, sem dúvida, aumento das necessidades de insulina. Dessa forma, ou seja, com hiper secreção de insulina, é que os obesos mantém sua glicemia plasmática mas, a persistência desta condição de hipersecreção em longo prazo, poderá produzir a falência da capacidade de secreção de insulina pela célula ß do pâncreas. Aí sim, teríamos, de fato, a diabetes.

Também a atividade fibrinolítica, indispensável para a fluidez do sangue encontra-se diminuída, predispondo à formação de coágulos. Neste caso os níveis de Antitrombina III, importante anticoagulante endógeno, está significativamente reduzidos em obesos mórbidos. Na parte osteo-muscular a obesidade está associada à maior incidência de osteoartrose de joelhos.

Alguns estudos da American Cancer Society mostram que a incidência de câncer intestinal (colo-retal) e de próstata, foi de 1,33 vezes maior em homens obesos e o câncer de endométrio, vesícula, colo de útero e mama, 1,55 vêzes maior em mulheres obesas.

Em mulheres obesas observa-se maior freqüência de ovários policísticos, bem como maior produção de hormônios masculinos (androgênios) pelos ovários. Isso pode ocasionar o surgimento de pelos e barba (hirsutismo), irregularidade menstrual, infertilidade e aumento dos ovários.

Atualmente, possivelmente pela supervalorização cultural da estética e conseqüente rejeição social sofrida pelo obeso, com freqüência essas pessoas entram em estado de depressão emocional.
Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos, jejuns ou exercícios excessivos.

C. A compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média, pelo menos duas vezes por semana, por 3 meses.

D. A auto-avaliação é indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo

E. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa.

Tipo Purgativo: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

Tipo Sem Purgação: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

TRATAMENTO

A grande maioria dos pacientes bulímicos deve ser tratada em nível ambulatorial, exceto nos casos onde o desequilíbrio metabólico exige uma intervenção mais intensiva. É interessante o tratamento ambulatorial pois, em geral, os pacientes são mulheres jovens estudantes ou com empregos, donas de casa e com filhos pequenos, onde o afastamento seria prejudicial.

Quando necessária, a internação ocorre por complicações associadas como: depressão com risco de suicídio, perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral, hipopotassemia seguida de arritmia cardíaca e nos casos de comportamento multiimpulsivo (abuso de álcool, drogas, automutilação, cleptomania, promiscuidade sexual).

Alguns autores preconizam a prescrição de um plano de alimentação regular. Um diário de alimentação, pensamentos, sentimentos e comportamentos experimentados em cada situação. Este diário deverá ser discutido com o paciente de forma tranqüila e franca.

A psicoterapia pode ser de linha cognitiva e/ou comportamental e deve ajudar o paciente no entendimento dos seus aspectos dinâmicos assim como orientá-lo em questões práticas, por exemplo: planejando antecipadamente os horários quanto às atividades e refeições; tentar comer acompanhado; não estocar alimentos em casa; pesar-se apenas na consulta médica, etc.

Os antidepressivos têm demonstrado maior eficácia na diminuição dos episódios bulímicos; esses incluem antidepressivos tricíclicos, ou ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), como por exemplo a fluoxetina e a fluvoxamina, mesmo na ausência de depressão coexistente. Outras medicações foram usadas sem resultados promissores.

OBESIDADE (e Obesidade Infantil)

Há duas tendências sociais cruciantes para pessoas acima do peso ideal; uma é a grosseira e desumana discriminação estética e a outra é encarar o obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por que é preguiçoso.

Algumas vezes, isto gera preconceito em relação à pessoa obesa, dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até mesmo quadros psiquiátricos conseqüentes a essa marginalização.

A obesidade é considerada hoje uma doença, tipo crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce. Tudo isso é verdade, mas de qual doença estamos falando? Quem é obeso?

Na psiquiatria aprendemos que existem graus variáveis entre estar perfeitamente normal e perdidamente doente, ao contrário da obstetrícia, onde

a pessoa está ou não está grávida; não há meio-termo.

Com a obesidade dá-se o mesmo que na psiquiatria, ou seja, graus variados, indo desde o sobre-peso discreto até a obesidade mórbida.

Alguns autores começam seus artigos dizendo que “a obesidade acomete uma grande proporção de pessoas – no Brasil 40% da população adulta tem excesso de peso”. Outros dizem… “calcula-se que 300.000 pessoas nos Estados Unidos morrem por ano precocemente devido à obesidade e no Brasil, este número está entre 50.000 e 100.000 pessoas”. Às vezes temos a impressão que esses dados têm outro objetivo além da informação, eles podem pretender causar pânico entre todos os gordinhos. A indústria da obesidade, das dietas, das academias de ginástica, da tirania da estética é gigantesca.

Nossa cultura, altamente consumista, tem por hábito a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, etc. Inclusive no relacionamento social, agraciamos nossas visitas, amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy hour, cafezinho, bolo, etc.

Admite-se que a porcentagem de gordura corporal deve situar-se entre 15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25% para o sexo feminino. Podem ser considerados obesos os homens com percentual superior a 25% e as mulheres com mais de 30%.Qualquer definição de obesidade pode ser considerada arbitrária. Não é fácil a obtenção de uma classificação que separe com precisão indivíduos obesos e não obesos. A heterogeneidade da raça humana estimulou a criação, pelos estudiosos do assunto, de diversas definições, cálculos, tabelas, enfocando aspectos qualitativos e quantitativos. Mas, qualquer que seja o parâmetro ou a definição empregada, não há como separar o termo obesidade de excesso de gordura corporal.

Em nossa opinião, a obesidade comporta um duplo enfoque; um enfoque antropométrico e fisiopatológico e outro enfoque psicodinâmico. Se você acredita que a qualidade de vida não pode se basear apenas na quantidade de dias vividos, então entenderá o que queremos dizer com enfoque psicodinâmico da questão obesidade.

Psicodinamicamente, seria correto considerar-se obesa toda pessoa insatisfeita com seu próprio corpo por ter seu peso acima do ideal antropométrico. O parâmetro “antropométrico” é indispensável na definição para excluirmos, das pessoas psicodinamicamente obesas, aquelas portadoras de anorexia nervosa e que se acham gordas, sem o estarem de fato.

Ainda psicodinamicamente ou emocionalmente, peso ideal seria aquele onde a pessoa está se sentindo bem, quando se olha no espelho e se gosta, quando se acha linda, não importando o número que a balança estámarcando.

Academicamente (antropometricamente), entretanto, a obesidade pode ser definida como quantidade percentual aumentada de gordura corporal, sendo que a partir deste critério é obesa uma pessoa que possua mais de 30% de gordura em sua composição corporal total e um homem com mais de 25% de gordura corpórea em relação à massa magra.

A obesidade é u ma síndrome com várias causas, caracterizada por um excesso de tecido gorduroso e pode ser classificada em várias modalidades. Há várias maneiras de saber se a pessoa é ou não gorda, ou seja, de se classificar a obesidade. A maneira mais simples e comum de classificar a obesidade é pelo peso. Na realidade nem sempre o pesado é gordo, já que a musculatura pesa mais que o tecido gorduroso, e uma pessoa musculosa não costuma ser gorda.

Desde 1958, depois da famosa frase do economista John Kenneth Gailbraith, afirmando que “nos Estados Unidos da América morrem mais pessoas por excesso que por falta de comida”, o tratamento da obesidade deixou de ser uma questão simplesmente estética e passou a ser uma questão de saúde pública e pessoal.

O Índice de Massa Corpórea (IMC) é o mais utilizado na prática. Tem boa correlação com a percentagem de gordura corporal. No entanto, perde a confiabilidade em atletas com grande massa muscular.

A meta de se atingir um bom peso passou a exigir mudanças no habito alimentar, na prática do condicionamento físico e na atenção à saúde psíquica. Um peso mais proporcional passou a ter forte relação com o desenvolvimento, amadurecimento e envelhecimento mais saudáveis.

Complicações Clínicas da Obesidade

Desde a antiguidade Hipócrates percebera maior tendência dos obesos para a morte súbita e, de fato, a questão da obesidade está muito além das preocupações estéticas. A obesidade predispõe, então, a uma série de outras doenças. São também sintomas comuns aos obesos o cansaço, a sudorese excessiva, principalmente… em pés, mãos e axilas, as dores nas pernas e colunas.

O excesso de peso tem íntima relação, por exemplo, com a mortalidade por causas cardiovasculares. Normalmente a obesidade predispõe à hipertensão arterial, ao aumento dos níveis de triglicérides e colesterol, bem como à diminuição do colesterol benigno (HDL-colesterol).

Quando se observa um obeso ofegante, normalmente é porque o aumento da gordura no tórax e abdome pode causar alterações no padrão respiratório. Nesses casos há diminuição do volume e da complacência pulmonares e aumento do trabalho do diafragma. Em grandes obesos também pode ocorrer uma má oxigenação dos tecidos devido aos distúrbios da relação entre a ventilação e a área corporal a ser nutrida pelo oxigênio (perfusão).

A obesidade é também um importante fator para o desenvolvimento da diabetes mellitus, do tipo não dependente de insulina. Mesmo diante do tratamento com insulina esses diabéticos obesos apresentam uma fraca resposta metabólica terapêutica.

Havendo aumento do peso há, sem dúvida, aumento das necessidades de insulina. Dessa forma, ou seja, com hiper secreção de insulina, é que os obesos mantém sua glicemia plasmática mas, a persistência desta condição de hipersecreção em longo prazo, poderá produzir a falência da capacidade de secreção de insulina pela célula ß do pâncreas. Aí sim, teríamos, de fato, a diabetes.

Também a atividade fibrinolítica, indispensável para a fluidez do sangue encontra-se diminuída, predispondo à formação de coágulos. Neste caso os níveis de Antitrombina III, importante anticoagulante endógeno, está significativamente reduzidos em obesos mórbidos. Na parte osteo-muscular a obesidade está associada à maior incidência de osteoartrose de joelhos.

Alguns estudos da American Cancer Society mostram que a incidência de câncer intestinal (colo-retal) e de próstata, foi de 1,33 vezes maior em homens obesos e o câncer de endométrio, vesícula, colo de útero e mama, 1,55 vêzes maior em mulheres obesas.

Em mulheres obesas observa-se maior freqüência de ovários policísticos, bem como maior produção de hormônios masculinos (androgênios) pelos ovários. Isso pode ocasionar o surgimento de pelos e barba (hirsutismo), irregularidade menstrual, infertilidade e aumento dos ovários.

Atualmente, possivelmente pela supervalorização cultural da estética e conseqüente rejeição social sofrida pelo obeso, com freqüência essas pessoas entram em estado de depressão emocional.
Tipos (formas) da Obesidade

Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa distribuição da gordura é variável de pessoa para pessoa. E essa variação da gordura altera o risco de doenças associado ao excesso de peso.

A grosso modo, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura. A gordura pode concentrar-se na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de Obesidade Ginóide, que acomete mais a mulher, chamada também de obesidade em forma pêra ou, ainda, obesidade subcutânea.

A gordura pode ainda concentrar-se no abdome, profundamente entre as vísceras, é chamada de Obesidade Andróide, porque acomete mais os homens, ou obesidade em forma de maçã ou, ainda obesidade visceral.

Para a saúde física é diferente quando a gordura se acumula sob a forma de Obesidade Andróide ou Obesidade Ginóide. Entre esses tipos, é o tipo andróide que mais se relaciona ao maior risco cardiovascular. Naturalmente há grandes variações entre esses dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade.

Obesidade Mórbida

O peso corpóreo, considerando o acúmulo e a a distribuição da gordura, é determinado por vários mecanismos, incluindo o perfil metabólico, a função hormonal, neurológica e psíquica. Quando há alteração em algum desses mecanismos pode ocorrer um desequilíbrio entre a ingestão alimentar e o gasto de energia, favorecendo o armazenamento anormal da sobra de energia sob a forma de gordura e, conseqüentemente, o aumento do peso corpóreo.

As pessoas com IMC acima de 40 (veja o cálculo acima), são portadoras de Obesidade Mórbida, o que equivale a aproximadamente 45 Kg acima do peso ideal. A Obesidade Mórbida é um problema de saúde que ultrapassa em muito a simples preocupação estética. Ela envolve a saúde global do organismo e, inclusive, a saúde psíquica, já que a auto-estima pode estar severamente prejudicada.

As doenças relacionadas à obesidade são as principais responsáveis pelo aumento das taxas de mortalidade em adultos jovens, da diminuição da qualidade e expectativa de vida. Entre elas destacam-se a sobrecarga das articulações, apnéia do sono, insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensão arterial, aumento da gordura no sangue e, conseqüentemente, o entupimento de vasos (arteriosclerose), infarto do miocárdio, etc.

Daphne Marussi e Paulo Dalgalarrondo estudaram o perfil psiquiátrico de 50 pacientes com obesidade mórbida (IMC a partir de 40), 38 mulheres e 12 homens, e encontraram entre eles 20 a 30% de comedores compulsivos passíveis de tratamento psiquiátrico, principalmente se considerarmos que o comedor compulsivo tem maior tendência à depressão e freqüentemente apresenta história de outros transtornos psíquicos.

A idade média dos pacientes com Obesidade Mórbida neste estudo foi de 39,5 anos e o IMC médio foi de 50,4. Entre esses pacientes 32,6% encontravam-se desempregados. As pessoas com peso maior estavam relacionadas significativamente com um menor gosto pelas coisas que faziam anteriormente e os episódios bulímicos (fome voraz e descontrolada) correlacionava-se com uma dificuldade ficar sentado e se divertir relaxado e com o fato de se sentir tenso ou contraído, juntamente com a sensação de medo como se alguma coisa ruim fosse acontecer (elevados índices e depressão).

Esses autores concluiram que existe uma alta incidência de indivíduos com compulsão alimentar entre os pacientes obesos mórbidos que procuram tratamento e, entre eles, apenas 24,5% estavam dentro dos limites da normalidade em termos de hábitos alimentares. A alta freqüência de episódios bulímicos correlacionou-se positivamente com os escores altos da escala de ansiedade e de depressão, portanto, tais pacientes apresentam taxas mais elevadas de transtornos do humor, transtornos de ansiedade e, concomitantemente, de bulimia nervosa. Recomendam que se faça uma diferenciação de pacientes compulsivos dos não compulsivos nos programas de perda de peso para que estes recebam tratamento adequado .

É sabido que algumas pessoas engordam com mais facilidade que outras. Para que se entenda esta tendência, é necessário ter em mente que na origem da obesidade estão envolvidos fatores metabólicos, genéticos, culturais e comportamentais.

A obesidade em si, resultaria de um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético. Alguns estudos associam a obesidade com menor gasto energético diário. Sendo assim, quanto mais eficiente metabolicamente for a pessoa, mais energia sobraria para poder ser acumulada sob forma de gordura. Entretanto, diversos estudos demonstraram que o obeso gasta mais energia que o magro a cada 24hs. Os obesos têm maior percentagem de gordura corporal, mas seu peso absoluto é metabolicamente mais ativo, portanto, é também metabolicamente mais ativo.

Quando os obesos perdem peso, eles tendem a diminuir seus gastos energéticos. Talvez esteja aí uma explicação para a dificuldade, em grande número de casos, de se manter por longo tempo os resultados terapêuticos dos regimes. Postula-se que cada indivíduo tenha seu próprio ponto de equilíbrio (set point), no qual seu peso e suas funções metabólicas estariam harmonizados.

Durante muito tempo o obeso foi considerado por todos como o grande culpado pelo seu excesso de peso. Através de falta de vontade, de gula, de falta de controle, indolência e outros atributos pouco honrosos acreditava-se que o gordo era sim o responsável absoluto pela sua obesidade.

É claro que, se a pessoa tem uma tendência natural para o excesso de peso, será mais sensível às transgressões alimentares, mas vários outros fatores estão envolvidos na obesidade. Mesmo essa tendência à obesidade pode ser facilitada ou dificultada pelos aspectos culturais e comportamentais da pessoa. Observa-se, por exemplo, ganho de peso após o casamento e com o envelhecimento, notadamente em mulheres. Também o ato de parar de fumar, bem como a gestação também costumam ter forte relação com o aumento do peso. O estilo de vida sedentário também acaba favorecendo o ganho de peso. Culturalmente, o cardápio rico em alimentos com alto teor de carboidrato e de gordura também parece ser característica de comunidades com maior número de obesos.

Quanto a possíveis alterações endócrinas, a maioria dos autores insiste em afirmar, categoricamente, que a expressiva maioria dos casos de obesidade não apresenta alterações hormonais. No entanto, as investigações hormonais se justificam, tendo em vista que muitos distúrbios endócrinos costumam associar-se à obesidade, como é o caso, por exemplo, do hipotiroidismo e síndrome de Cushing, e requerem tratamento específico.

E o que é caloria? Esse inimigo número um da obesidade. Caloria é a unidade padrão para medir a energia proporcionada pelos alimentos. O corpo gasta parte da energia adquirida nos alimentos para manter suas atividades básicas e vitais, tais como fazer circular o sangue, respirar, fazer a digestão e a diurese, etc, e gasta outra parte para atividades de vida, tais como andar, trabalhar, fazer sexo, etc.

A energia calórica que adquirimos nos alimentos vem de três tipos de nutrientes: