Artes Marciais Chinesas

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Autor: Anônimo

Artes marciais chinesas referem-se à enorme variedade de estilos de arte marciais provenientes da China. Freqüentemente, as artes marciais chinesas são chamadas incorrectamente de Kung Fu, o termo correto utilizado na China é Wushu.

Alega-se que a maioria das artes marciais chinesas e algumas Artes Marciais Japonesas são originárias dos ensinamentos de Bodhidharma um monge indiano que viveu alguns anos no Templo Shaolin (um mosteiro budista) durante sua visita à China no século VI A.C. Estudiosos consideram essa alegação com considerável ceticismo, já que notas históricas e a arqueologia moderna relatam origens mais antigas de algumas técnicas e escolas chinesas. Sabe se hoje, que o histórico de guerras na china conta seu inicio há aproximadamente cinco mil anos. De qualquer forma, o Templo Shaolin, localizado na província de Henan, próximo à cidade de Dengfeng, conta com séculos de tradição fomentando as artes marciais, já que o templo proporcionou abrigo para artistas marciais das mais variadas técnicas, provenientes de toda a China. No mundo todo, as artes marciais são muito praticadas e embora ainda tenham o seu caráter marcial, hoje em dia o seu desenvolvimento tem se voltado ao esporte de competição o que tem ajudado no crescimento da prática e maior aceitação por parte das autoridades.

Não se pode negar a forte influência dos estilos internos de wudang, famosa montanha onde existem os templos dos mestres taoístas. Pouco conhecido no ocidente, ainda um pouco fechado até mesmo na china, mas de uma cultura e riqueza ímpar. Atualmente são feitos esforços para tornar o wudang tão popular quanto o shaolin. Os estilos de tai-chi-chuan, xing yi quan e baguazhang entre outros nasceram praticamente em wudang, o centro do kung fu interno onde o qi gong e a meditação são o forte em seu treinamento. As pessoas falam muito de shaolin devido a sua fama e popularidade, mas não conhecem o centro dos monges e guerreiros Wudang que influenciaram as linhas internas do kung fu chinês.

Estilos de Artes Marciais Chinesas
Centenas de diferentes estilos de artes marciais chinesas foram desenvolvidas nos últimos 2.000 anos. Diversos estilos distintos traziam seus próprios conjuntos de técnicas e idéias. Há também diversos temas comuns entre estilos, o que levou muitos a caracterizá-los como pertencentes a “famílias” (家, jiā) de artes marciais. Há estilos que imitam movimentos de animais. Há estilos que reúnem inspiração de diversas filosofias chinesas. Alguns estilos se concentram totalmente na crença de controlar a energia Qi, Chi ou Ki, enquanto outros focam totalmente competições e exibições. Muitos estilos, também, fazem uso de um vasto arsenal de armas chinesas. Para uma lista de estilos, veja Lista de artes marciais chinesas.

As artes marciais chinesas podem ser divididas em duas grandes categorias: externas e internas. A diferença está em que tipo de treinamento seu foco principal compreende, mesmo que a maioria dos estilos deveria conter ambos elementos internos e externos, na prática isto não se revela, cada um tende a se concentrar em um dos pólos, devido a dificuldade de entender o que seja interno.

Os estilos externos podem ainda ser divididos entre do norte e do sul, se referindo a que parte da China que os estilos vieram (utilizando Rio Yangtze, ou Chang Jiang, como referência).

Estilos externos (外家 wài jiā)
Estes estilos são o que a maioria das pessoas associa com as artes marciais chinesas. Os estilos são geralmente rápidos e explosivos, com foco na força física e agilidade.

Estilos externos podem ser tanto os estilos tradicionas, que focam na aplicação e na luta, como também os estilos modernos, adaptados para competições e exercícios. Exemplos de estilos externos são Wing Chun, que enfatiza socos e bloqueios curtos, Shaolin Quan, com seus ataques explosivos e chutes altos que se parecem com o Tae Kwon Do coreano, e também muitos estilos inspirados por movimentos de animais.Não podemos esquecer das técnicas de Shuaijiao técnicas de projeções e quedas, e do chin-na técnicas de torções e imobilizações.

Estilos externos são iniciados com um treinamento de força muscular, velocidade e aplicação, e geralmente integram conhecimentos de qigong nos treinamentos avançados, depois que o nível físico desejado já tenha sido alcançado.

Estilos internos (內家 nèi jiā)
Estilos internos focalizam primariamente na prática do que consideram como elementos internos, como consciência do espírito, da mente e do Nei Gong (potencial interno). Alguns praticantes de estilo interno dizem que a diferença entre interno e externo é principalmente a distinção do interior e exterior do corpo. A razão para o nome “interno”, de acordo com as escolas, é que há um foco nos aspectos internos, desenvolvimento do Chi ou energia vital, já no início do treinamento. Uma vez apreendidas as relações internas, elas são aplicadas externamente pelo estilo em questão.

Devido ao longo período que os iniciantes são postos a trabalhar nos princípios básicos das escolas internas e, talvez, devido à predominância recentemente de diversas escolas “New Age” ocidentais (que são criticadas pelos “conservadores” por enfatizar a filosofia, deixando de lado o treinamento intenso), várias pessoas passaram a pensar que tais estilos não oferecem o treinamento físico necessário.

Nas escolas conservadoras, entretanto, muito tempo é reservado ao trabalho físico básico, como por exemplo a “postura da árvore” (Zhan Zhuang), fortalecimento do corpo, além posibilidade do uso de armas em nível avançado, que podem conter exigências de coordenação extremamente sofisticadas. Além disso, vários estilos internos utilizam treinamentos em duplas, como por exemplo, o Tui Shou.

Os movimentos da maioria dos estilos internos são executadas lentamente, embora alguns também incluam movimentos repentinamente explosivos, como aqueles do I-Chuan, Hsing-I Chuan, Tai Chi Chuan estilo Chen e Pa-Kua. É bem verdade que em toda história bem poucas pessoas dominaram verdadeiramente esta classe de estilos, na atualidade é muito raro encontrar um mestre de profundo conhecimento no Neijia, quanto mais variedades de técnicas e estilos se treina pior a qualidade de quem busca aperfeiçomento nos estilos internos, mas sua base pode se relacionar tranquilamente com os estilos de sua família, desde que ensinados corretamente.

O Neijia é uma forma de Arte Marcial ampla que integra muitos sistemas e que tem um caráter simbólico. Cada técnica, movimento e treinamento representa algo mais profundo da natureza do homem e do universo. Filosoficamente mantém seus valores atemporais (justiça, ética sabedoria,…) unidos ao aspecto marcial, deixando de ser apenas um conjunto de técnicas de combate. Quem trilha um caminho de valor, naturalmente se harmoniza com a vida e com o meio.

Bibliografia: Wikipédia

Capoeira

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Autor: Anônimo

Durante o século XVI, Portugal enviou escravos para a América do Sul, provenientes da África Ocidental. O Brasil foi o maior receptor da migração de escravos, com 42% de todos os escravos enviados através do Atlântico. Os seguintes povos foram os que mais frequentemente eram vendidos no Brasil: grupo sudanês, composto principalmente pelos povos Iorubá e Daomé, o grupo guineo-sudanês dos povos Malesi e Hausa, e o grupo banto (incluindo os kongos, os Kimbundos e os Kasanjes) de Angola, Congo e Moçambique.

Os negros trouxeram consigo para o Novo Mundo as suas tradições culturais e religião. A homogeneização dos povos africanos sob a opressão da escravatura foi o catalisador da capoeira. A capoeira foi desenvolvida pelos escravos do Brasil como forma de resistir aos seus opressores, praticar em segredo a sua arte, transmitir a sua cultura e melhorar a sua moral. Há registros da prática da capoeira nos séculos XVIII e XIX nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Salvador, porém durante anos a capoeira foi considerada subversiva, sua prática era proibida e duramente reprimida. Devido a essa repressão, a capoeira praticamente se extinguiu no Rio de Janeiro, onde os grupos de capoeristas eram conhecidos como maltas, e em Recife, onde segundo alguns a capoeira deu origem à dança do frevo, conhecida como o passo. Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira do Brasil em Salvador. Mestre Bimba acrescentou movimentos de artes marciais e desenvolveu um treinamento sistemático para a capoeira, estilo que passou a ser conhecido como Regional. Em contraponto, Mestre Pastinha pregava a tradição da capoeira com um jogo matreiro, de disfarce e ludibriação, estilo que passou a ser conhecido como Angola. Da rivalidade desses dois grandes mestres, a capoeira deixou de ser marginalizada, e se espalhou da Bahia para todos os estados brasileiros.

A música é um componente fundamental da capoeira. Ela determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado durante a roda de capoeira. A música é composta de instrumentos e de canções, podendo o ritmo variar de acordo com o Toque de Capoeira de bem lento (Angola) a bastante acelerado (Sao Bento Grande). Muitas canções são na forma de pequenas estrofes intercaladas por um refrão, enquanto outras vêm na forma de longas narrativas (ladainhas). As canções de capoeira têm assuntos dos mais variados. Algumas canções são sobre histórias de capoeiristas famosos, outras podem falar do cotidiano de uma lavadeira. Algumas canções são sobre o que está acontecendo na roda de capoeira, outras sobre a vida ou um amor perdido, e outras ainda são alegres e falam de coisas tolas, cantadas apenas para se divertir. Os capoeiristas mudam o estilo das canções frequentemente de acordo com o ritmo do berimbau. Desta maneira, é na verdade a música que comanda a capoeira, e não só no ritmo mas também no conteúdo. O toque Cavalaria era usado para avisar os integrantes da roda que a polícia estava chegando; por sua vez, a letra é constatemente usada para passar mensagens para um dos capoeiristas, na maioria das vezes de maneira velada e sutil.

Os instrumentos são tocados numa linha chamada bateria. O principal instrumento é o berimbau, que é feito de um bastão de madeira envergado por um cabo de aço em forma de arco e uma cabaça usada como caixa de reverberação. O berimbau varia de afinação, podendo ser o berra boi (mais grave), viola (médio) e violinha (mais agudo). Os outros instrumentos são: pandeiro, atabaque, caxixi e com menos freqüência o ganzá e o agogô.

A roda de capoeira é um círculo de pessoas em que é jogada a capoeira.

Os capoeiristas se perfilam na roda de capoeira batendo palma no ritmo do berimbau e cantando a música enquanto dois capoeiristas jogam capoeira. O jogo entre dois capoeiristas pode terminar ao comando do capoeirista no berimbau (normalmente um capoeirista mais experiente) ou quando algum capoeirista da roda entra entre os dois e inicia um novo jogo com um deles.

O tamanho da roda pode variar de um diâmetro de três metros até diâmetros superiores a dez etros, ao mesmo tempo que pode ter meia dúzia de capoeristas até mais de uma centena deles.

O jogo normalmente se inicia ao pé dos berimbaus. A roda de capoeira pode se realizar em praticamente qualquer lugar, em ambientes fechados ou abertos, sobre o cimento, a terra, a areia, o asfalto, na rua, numa praça, num descampado ou em uma academia.

Para que a roda seja realizada precisamos de uma orquestra de instrumentos. A orquestra dos grupos de angola é normalmente configurada assim: ao centro da orquestra um berimbau berra-boi ou gunga (com a maior cabaça) que faz o som grave, do lado direito um berimbau gunga ou médio (com a cabaça média) que faz um som intermediário, do lado esquerdo um berimbau viola (com a cabaça menor) que faz o som agudo. Ao lado do gunga vão por ordem o atabaque, um pandeiro e um agogô, já ao lado do viola vão: mais um pandeiro e um reco-reco (intrumento comumente feito do bambu).

A roda de capoeira é um microcosmo que reflete o macrocosmo da vida e o mundo que nos cerca. Vários elementos permeiam nossas relações com o mundo e no Jogo de Capoeira estes elementos aparecem de maneira intensa. Respeito, malicia, maldade, responsabilidade, provocação, disputa, liberdade, brincadeira, e poder, entre outros, estão presentes em maior ou menor intensidade durante um jogo, e não há um jogo igual ao outro, mesmo com um mesmo oponente.

Em geral a capoeira não busca destruir o oponente, porém contusões devido a combates mais agressivos não são raras. Entretanto, de maneira geral o capoerista prefere mostrar sua superioridade “marcando” o golpe no oponente sem no entanto completá-lo. Se o seu oponente não pode evitar um ataque lento, não existe razão para utilizar um golpe mais rápido.

A ginga é o movimento básico da capoeira, é um movimento de pernas no ritmo do toque que lembra uma dança, porém capoeristas experientes raramente ficam gingando pois estão constantemente atacando, defendendo, e “floreando” (movimentos acrobáticos). Além da ginga são muito comuns os chutes em rotação, rasteiras, golpes com as mãos, cabeçadas (com o objetivo principal de desequilibrar), esquivas, saltos, mortais, giros apoiados nas mãos e na cabeça, movimentos acrobáticos e de grande elasticidade e movimentos próximos ao solo.

O jogo de capoeira pode durar de poucos segundos, quando há muitos capoeiristas se revezando dentro da roda, até alguns minutos. Combates longos assim são comuns quando dois capoeiristas resolvem confrontar suas habilidades ao máximo, ou mesmo quando os dois resolvem suas diferenças na roda. Em embates longos é comum a volta ao mundo, que é quando um dos capoeiristas solicita uma pausa no jogo dando algumas voltas na roda com o openente o seguindo. Depois duas a três voltas os dois saem ao pé do berimbau para continuar o jogo.

Cada toque requer uma forma diferente de jogar capoeira, a capoeira Angola pede um jogo mais lento perto do solo e com mais “mandinga” (matreiro, sutil, dissimulado), São Bento Grande de Bimba um jogo rápido e de muito chutes em rotação, Iúna um jogo com muitos floreios (movimentos acrobáticos) e assim por diante.

Existem muitos tipos de capoeira. Os dois principais são a capoeira Angola, e a Capoeira Regional. Mesmo existindo grupos de capoeira com apenas um estilo, a maioria dos grupos tenta a misturá-lo de alguma maneira.

O sistema de graduação varia de grupo para grupo. Nos grupos de capoeira regional ou de capoeira angola e regional, a graduação é normalmente representada pelas cores de cordas ou cordéis amarrados na cintura do jogador.

Existem várias entidades(Ligas, Federações e Confedereções) que tentam organizar a graduação na capoeira. Atualmente a Confederação Brasileira de Capoeira adota o sistema de graduação feito por cordões e seguindo as cores da bandeira brasileira. Temos então a seguinte ordem do iniciante ao mestre:

[editar] Sistema oficial de graduação
A- Graduação Infantil (3 a 12 anos)
1º estágio – iniciante: sem corda ou sem cordão
2º estágio – batizado: cinza claro/verde
3º estágio – graduado: cinza claro/amarelo
4º estágio – graduado: cinza claro / azul
5º estágio – intermediário: cinza claro/verde/ amarelo
6º estágio – adiantado: cinza claro / verde / azul
7º estágio – estagiário: cinza claro / amarelo / azul
B- Graduação normal (a partir de 13 anos)
1º estágio – iniciante: sem corda ou cordão
2º estágio – batizado: verde
3º estágio – graduado: amarelo
4º estágio – graduado: azul
5º estágio – intermediário: verde e amarelo
6º estágio – adiantado: verde e azul
7º estágio – estagiário: amarelo e azul
C- Docente de capoeira
8º estágio – Formado: verde, amarelo, azul e branco
9º estágio – Monitor: verde e branco
10º estágio – Instrutor: amarelo e branco
11º estágio – Contramestre: azul e branco
12º estágio – Mestre: branco

Bibliografia: Wikipédia

Personal Training

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Autor: Prof. Luiz Antônio Domingues Filho

Quando um cliente faz a opção em contratar um personal trainer deve tomar certos cuidados para que não se arrependa mais tarde.
A figura do personal trainer tem se popularizado nos últimos anos. Hoje em dia é possível contratar profissionais de alto nível por preços acessíveis. Inicialmente eram contratados por atletas, celebridades ou executivos que não podiam perder tempo freqüentando academias e, ainda, zelavam pela privacidade total. Por isso, antes de contratar o seu personal trainer, certifique-se de que ele tem formação universitária em educação física, cursos de especialização e verifique suas referências. O Procom recomenda colher informações no Conselho Federal de Educação Física (CONFEF/CREF), na Associação Brasileira de Personal Trainer (ABPT), revistas especializadas, academias conceituadas e clínicas médicas.
Guilherme Coelho de Almeida, seu irmão e advogado concordam: “se houver algum problema de saúde decorrente de exercícios mal direcionados, com o contrato ele prova a relação de consumo e o professor pode ser responsabilizado, indenizando o cliente pelo mal causado”. Quando do pagamento, é importante também fazer um recibo, assinado pelo personal trainer. Nas papelarias há formulários já prontos.
Como muitos profissionais funcionam só com contrato verbal, o Procom recomenda que sejam guardados folhetos com informações ou material de divulgação para, havendo algum problema, ter respaldo jurídico. Todos os comprovantes de pagamento devem ser guardados. Cabe ainda ao personal trainer, quando solicitado, indicar e orientar os equipamentos, calçados e vestuário, adequados à prática esportiva adotada.
Sendo assim, aqui vão algumas sugestões que devem ser lembradas por ambos, cliente e personal:
1. O trabalho do personal trainer pode ser direcionado para clientes com bom condicionamento físico, atletas, sedentários, obesos, portadores de problemas físicos, posturais ou cardiovasculares.
2. O trabalho é individual. Os exercícios devem visar necessidades específicas de cada um. Não tente copiar o treinamento de outras pessoas.
3. Tenha seu(s) objetivo(s) bem definido(s).
4. Nenhum profissional capacitado promete resultados espetaculares a curto prazo, nem traça objetivos impossíveis de serem atingidos. Nesses casos, a motivação e a expectativa inicial rapidamente se transformam em frustração e desconfiança.
5. Os honorários são cobrados por hora, semanal ou mensal. Mas ainda não há uma tabela fixa de preços para esses profissionais.
6. É necessário uma avaliação física antes de iniciar qualquer tipo de atividade.
7. Quando preencher qualquer ficha informando sobre sua saúde, não esqueça: sinceridade em primeiro lugar!
8. Siga corretamente as orientações de seu personal trainer na hora de fazer os exercícios.
9. A diferença entre o personal trainer e o instrutor de academias é o numero de informações e dados que o primeiro dispõe a seu respeito.
10. O trabalho de um personal trainer é multidisciplinar. Ele age em conjunto com seu médico, nutricionista, psicólogo e outros.
11. A prática do personal training não exige lugar específico.
12. Observe se o personal é um ouvinte atento para seus problemas e se ele tem boa capacidade de comunicação. O mais interessante nesse tipo de treinamento é o relacionamento pessoal que estabelece entre o cliente e profissional.
13. A carga de trabalho deverá ser aumentada gradativamente e de forma específica, criando condições para que se notem os efeitos do exercício.
14. A freqüência ideal varia de três a cinco vezes por semana. Em caso de indisponibilidade, pode-se optar por uma atividade moderada que complemente o trabalho. Outra saída é o treinamento prescrito. Isto é, o aluno faz uma ou duas aulas por semana e no restante exercita-se sozinho. Para iniciantes não é muito aconselhável.
15. A ansiedade excessiva pode acabar prejudicando um bom treinamento.
16. O personal trainer tem que ser formado em Educação Física, ter registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF) e, de preferência ser membro da Associação Brasileira de Personal Trainer (ABPT) ou da Federação Internacional de Educação Física (FIEP).
17. Os resultados dependem também de uma dieta, sendo assim, às vezes o cliente necessita reeducar seus hábitos alimentares. Quem prescreve a dieta é o nutricionista e não o professor de Educação Física, a menos que ele tenha formação em nutrição.
18. Não transforme seu Personal Trainer num terapeuta, ele só pode ajudá-lo a atingir seus objetivos estéticos e a melhorar a saúde. Caso contrário pode haver uma confusão na relação e há uma frustração.
Então lembre-se, quando o cliente optar por um trabalho diferenciado e individualizado, certifique através de uma anamnese, exames e avaliações, que tipo de cliente ele é:
·Aparentemente saudável, sem fator de risco cardiovascular;
·Aparentemente saudável, com fator de risco cardiovascular;
·Portadores de doença cardiovascular.
Para que você possa fazer um planejamento do condicionamento físico com segurança e respaldo jurídico. Ficando atento a esses detalhes, você será um personal trainer de sucesso. Não esqueça acredite sempre em você e no seu trabalho.

Bibliografia: site fitmail.com

Educação Física Adaptada

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Autor: Profa. Márcia Greguol

O esporte adaptado, aqui definido como o esporte modificado ou criado para pessoas portadoras de deficiências, tem adquirido nos últimos tempo cada vez mais status de rendimento. Mas, afinal, quem são essas pessoas portadoras de deficiências? Uma mulher um pouco mais gorda, um sujeito baixinho, uma pessoa que usa óculos, será que elas se encaixam nesse grupo?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas portadoras de deficiências (PPD) são aquelas que, por alguma condição motora, sensorial ou mental, vêem-se limitadas de viver plenamente. Daí pode-se concluir que o indivíduo apresenta, ao nascer ou durante o decorrer de sua vida, algum distúrbio que lhe acarretará uma limitação. Assim, a OMS propõe o seguinte esquema: Doença ou distúrbio ® deficiência ® limitação ® desvantagem . Daí podemos concluir que, para um indivíduo ser considerado portador de deficiência, ele deve apresentar limitações que lhe causem prejuízos à sua vida plena. Dessa forma, quem usa óculos, é gordo ou baixinho, não será considerado portador de deficiência já que, de forma geral, consegue ter uma vida dentro dos padrões de normalidade. Obviamente, devemos lembrar que a “normalidade” é algo que varia muito de sociedade, época e cultura. Assim, o esporte adaptado procura atender portadores de deficiências visuais, auditivas, mentais e motoras, desde que estes sejam realmente limitados de participar de atividades esportivas convencionais.Como foi anteriormente mencionado, o esporte adaptado pode ser criado ou apenas modificado para atender as PPD. Como exemplo de modalidades esportivas modificadas, teríamos o tênis em cadeira de rodas, a natação para cegos, o futebol para surdos, o basquetebol em cadeira de rodas, o atletismo para deficientes mentais. Já como modalidades criadas especialmente para PPD poderíamos citar o golbol (esporte com bola para cegos) e bocha para paralisados cerebrais. A história do esporte adaptado no mundo é relativamente recente.

Os primeiros registros referem-se a treinamentos e competições de futebol para surdos, realizados na Inglaterra e nos Estados Unidos na primeira década do século XX. Algumas competições de atletismo para cegos também foram organizadas nos EUA a partir de 1920. Contudo, o grande desenvolvimento do esporte adaptado no mundo ocorreu após a II Guerra Mundial. Apesar de todas as suas conseqüências desastrosas, a II Guerra forçou a evolução de pesquisas e proporcionou às PPD condições melhores do que as anteriormente existentes. Muitos soldados, ao voltarem para seus países cegos, surdos, mutilados ou com lesões medulares, começaram a exigir do governo melhores condições de tratamento para que pudessem retornar à vida o mais próximo possível da normal. Assim, a partir de 1946, começaram a surgir nos Estados Unidos e na Inglaterra os primeiros movimentos organizados de esporte para portadores de deficiências físicas e sensoriais. Na Inglaterra, o movimento teve uma conotação mais voltada para a reabilitação do indivíduo e centrou-se no hospital de Stoke Mandeville, comandado pelo Dr Ludwig Gutman. Já nos EUA, as associações visavam o rendimento e não apenas um complemento da terapia dos indivíduos. A partir de 1950 muitos campeonatos mundiais e associações foram organizados, sendo que a principal na Inglaterra foi a ISMGF (International Stoke Mandeville Games Federation) e nos EUA foi a PVA (Paralyzed Veterans of America). No Brasil, a influência foi tanto inglesa como norte-americana, sendo que os primeiros clubes foram fundados em 1958: Clube dos Paraplégicos de São Paulo e Clube do Otimismo do Rio de Janeiro. Ambos os clubes foram fundados por atletas que ficaram lesados medulares em um certo momento de suas vidas e que tiveram a oportunidade de tratarem-se nos EUA, onde conheceram o esporte adaptado. Em São Paulo, o fundador foi Sérgio Del Grande e no Rio de Janeiro foi Robson Sampaio.

Nos últimos anos, em todo o mundo, tem se falado muito no termo “acessibilidade”. Hoje em dia é muito comum ouvirmos falar sobre o direito de todas as pessoas, independente de sua condição, à educação e à prática de atividades físicas. Diante desse quadro, muitos mecanismos legais têm sido criados para garantir esses direitos a todos os indivíduos. Assim, formalizou-se a partir da década de 50 a Educação Física Adaptada, que hoje pode ser definida como um conjunto de atividades, jogos, exercícios, ritmos e esportes, voltados para atender às necessidades especiais de indivíduos na área de Educação Física. Esses programas vieram inicialmente com a finalidade de possibilitar a inclusão de alunos portadores de deficiências físicas, mentais, visuais e auditivas em aulas de Educação Física escolar. Hoje, com a evolução das pesquisas na área da atividade motora, a Educação Física Adaptada busca, através de diversas estratégias, oferecer programas individualizados de atividades físicas para indivíduos que, por algumas deficiência ou distúrbio, não teriam benefícios ideais caso participassem de um programa convencional.

Esse público alvo, então, inclui portadores de deficiências motoras, visuais, auditivas, mentais, comportamentais, distúrbios respiratórios, posturais e cardíacos, obesidade, diabetes, hipertensão e gestantes. A gravidez, embora não se trate de um distúrbio ou deficiência, é incluso nesse quadro por se tratar de um estágio especial pelo qual nem todas as pessoas passam. A terceira idade, embora apresente características particulares, não é inclusa por muitos autores dentro da educação física adaptada, por tratar-se de um estágio natural da vida, e não de uma situação especial. Importante ressaltar que programas individualizados não implicam em aulas particulares. O desafio do professor na Educação Física Adaptada deve ser o de desenvolver programas de atividades físicas para populações específicas, podendo ser trabalhadas individualmente ou em grupos. Para tanto, o professor deve possuir conhecimentos sobre as diversas deficiências e distúrbios orgânicos que ocasionam limitações específicas nos indivíduos. Muitos alunos que participam desses tipos de programas, poderiam até acompanhar aulas de atividades físicas convencionais; contudo, muitos não teriam benefícios tão específicos ou mesmo se arriscariam a agravar sua condição caso persistissem em tais atividades.

Em 1960 ocorreram os primeiros jogos Paraolímpicos em Roma. Desde esta data, os jogos ocorrem sempre algumas semanas após os Jogos Olímpicos convencionais e utilizam a mesma sede para sua realização. O Brasil participa das Paraolimpíadas desde 1972 e, especialmente nas duas últimas participações, vêm alcançando resultados cada vez mais elevados, embora a mídia brasileira insista em ignorar este acontecimento. Hoje, existem no Brasil grandes associações que cuidam do desporto adaptado para portadores de deficiências. Gostaria de destacar a ADD – Associação Desportiva para Deficientes, que, além de possuir atletas deficientes físicos em diversas modalidades esportivas, também os encaminha para o mercado de trabalho e oferece a eles cursos profissionalizantes. A ADD conta para isso com o apoio de voluntários e de algumas empresas privadas. Para conhecer mais sobre esse trabalho e sobre o esporte adaptado para portadores de deficiências, sugiro o site da ADD: www.add.com.br . Lá existem muitas informações sobre o esporte adaptado e outras associações que atendem pessoas portadoras de deficiências.

Bibliografia: Site Fitmail.com

Avaliação Física

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Autor: Grupo Fitmail

A prática de exercícios físicos tem ocupado uma posição de destaque em nossa sociedade. Vemos surgir novas academias quase que diariamente, e o número de adeptos da atividade física é cada vez maior. Além do número de academias, tem crescido, também, a qualidade dos serviços oferecidos nas mesmas. E foi sob a perspectiva de oferecer melhores serviços aos alunos que muitas academias passaram a contar com Departamentos de Avaliação Física. Quando falamos em avaliação física, muitas pessoas logo pensam em uma quantidade enorme de aparelhos, de difícil acesso e alto custo; mas na verdade é possível oferecer este serviço aos alunos, com qualidade e sem grandes gastos.

É muito comum ao professor, ouvir perguntas do tipo:
“A minha condição física está muito ruim?”
“Quanto eu melhorei nestes meses de prática de exercícios?”
E para que o professor possa responder a estas perguntas de uma forma mais objetiva, respaldada por resultados comprovados por testes, há a necessidade do aluno passar por avaliações físicas periódicas.
Conhecer a condição física inicial do aluno é de fundamental importância para a prescrição da atividade mais adequada a atender seus objetivos e necessidades, além disso é interessante que o professor possa ter um acompanhamento das alterações ocorridas nessa condição física inicial, decorrentes do programa de exercícios físicos do aluno, e é nesse contexto que a avaliação física mostra-se um instrumento de trabalho indispensável para o professor. Para a realização desse trabalho torna-se necessário diferenciar a aptidão física relacionada à saúde, que é o nosso objetivo dentro da academia, da relacionada ao desempenho atlético.
Pela óptica da aptidão física, aqueles componentes que contribuem para um melhor rendimento esportivo, levando em consideração que cada especialidade esportiva apresenta exigências de aptidão bem específicas, devem ser tratados como componentes da aptidão física relacionada ao desempenho atlético. Ao passo que a aptidão física relacionada à saúde envolve apenas aqueles componentes que em questões motoras podem ser creditados alguma proteção contra doenças do tipo degenerativas, como as cardiopatias, a obesidade, a hipertensão e vários distúrbios musculo-esqueléticos, e que podem ser influenciadas pela atividade física regular (GUEDES 1994).
Nesse contexto, a resistência cardiorrespiratória, a força/resistência muscular e a flexibilidade seriam os componentes que caracterizam a aptidão física relacionada à saúde (PATE 1983). Desta forma, será abordado aqui no FITMAIL um tipo de avaliação simples, que atenda as necessidades da aptidão física relacionada à saúde, com a utilização de um pequeno número de equipamentos e a partir de um baixo custo operacional, o que viabiliza a sua utilização em academias de pequeno e médio porte, que representam a maior parte desses estabelecimentos.
Esta avaliação será dividida em 4 partes: aspectos posturais, composição corporal, aspectos neuromotores e aspectos metabólicos; sendo estes, suficientes para identificar o estado inicial do aluno e orientar o trabalho do professor. Não é nossa pretensão, com esse material, ensinar os profissionais de Educação Física a fazer avaliação física em academia, pois entendemos que para ingressar nessa área há a necessidade de muito estudo e, sobretudo, praticar bastante a dinâmica das medidas e dos testes, porém acreditamos que essa publicação possa ser um bom guia de referência para quem está iniciando nesses estudos e nessa prática.

Antes de iniciar qualquer programa de exercícios físicos é indispensável que o aluno passe por um exame médico, além da avaliação física; porém, nem sempre a academia dispõe de um médico, por isso recomendamos que no ato da matrícula do aluno seja solicitado um exame de seu médico, comprovando seu estado de saúde atual.
Além disso, a avaliação física deverá ser agendada também no momento da matrícula, para que o aluno possa fazê-la o mais rápido possível a fim de iniciar sua atividade com uma orientação baseada nos seus resultados.
O tipo de avaliação que proporemos aqui durará em torno de 40 minutos e será realizada na seguinte ordem:

01. Anamnese
02. Avaliação Postural
03. Medidas Antropométricas
04. Teste de Flexibilida
05. Medida da Pressão Arterial e da Freqüência Cardíaca em repouso
06. Teste ergométrico
07. Teste Abdominal
08. Teste de Flexão e Extensão dos Cotovelos
09. Emissão do laudo com os resultados
10. Explicação e Orientação ao aluno

Podemos dizer que o processo de avaliação física inicia pela anamnese, pois é nesse momento que o avaliador começa a saber mais a respeito do avaliado e, por isso, é necessário que aproveite-o para obter o máximo de informações possível para a realização dos testes e para a própria prescrição dos exercícios físicos.

Devem constar da anamnese informações sobre:
– Objetivo do avaliado com o exercício físico
– História de atividades e exercícios físicos pregressa e atual
– História de patologias na família
. Doenças cardíacas
. Hipertensão arterial
. Diabetes
. outras
– História de patologias pessoais pregressa e atual
– Utilização de medicamentos
– Hábitos como Tabagismo e Etilismo

A partir dessas respostas já é possível perceber se o aluno apresenta-se dentro da faixa de risco para o desenvolvimento de doenças crônico degenerativas, o que orientará nossa conduta tanto na administração dos testes quanto na prescrição dos exercícios físicos, tornando nosso trabalho muito mais seguro.

Bibliografia: WEINECK, J. Biologia do esporte. São Paulo. Manole, 1991.

História da Ginástica Ritmica

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Autor: Anônimo
A Ginástica Rítmica Desportiva (G.R.D.) ou apenas Ginástica Rítmica, envolve movimentos de corpo e dança de variados tipos e dificuldades combinadas com a manipulação de pequenos equipamentos. Nas rotinas de Ginástica Rítmica, são ainda permitidos certos elementos pré-acrobáticos, como rolamentos, entre outros.
Ginastas rítmicos devem demonstrar tamanha coordenação e controle, assim como um dançarino bem treinado. Eles têm que desenvolver o movimento sempre em harmonia com a música.

A história da Ginástica Rítmica começa um pouco mais tarde do que a da Ginástica Artística. Este tipo de atividade física aposta mais na elegância e na beleza do que no esforço e na resistência. A outra diferença importante entre a Ginástica Desportiva e a Ginástica Artística baseia-se na forma de utilização dos equipamentos, que são complementos dos movimentos na primeira e suporte para as acrobacias na segunda. Neste sentido, a pontuação na Ginástica Rítmica baseia-se não só na execução correta dos movimentos, mas também na graciosidade das atletas, pois este desporto está reservado apenas às mulheres (competitivamente falando).

A Ginástica Desportiva já era praticada desde os finais da I Guerra Mundial, embora sem que regras específicas tivessem sido fixadas. Muitas escolas inovaram a forma como se praticavam os exercícios tradicionais de ginástica através da junção da música que exige o ritmo nos movimentos das ginastas. Apenas em 1946 é feita uma primeira distinção na ginástica de competição, na Rússia, quando surge também a designação de Rítmica.

Em 1961 vários países do leste Europeu organizam um campeonato internacional desta disciplina e no ano seguinte a Federação Internacional de Ginástica reconhece a nova modalidade nas suas regras, sendo que em 1963 se realiza o primeiro campeonato mundial. A maior parte dos equipamentos utilizados atualmente foram introduzidos nesta competição com a exceção da fita e das maças.

Em 1984 a Ginástica Rítmica faz a sua primeira aparição olímpica, embora as melhores ginastas a nível mundial, provenientes dos países do Leste europeu não tivessem concorrido nesse ano devido ao boicote realizado por esses países. Em 1996 os Jogos Olímpicos trazem ainda uma outra modificação nesta competição, tendo sido introduzida a prova de grupo.

Bibliografia: Site Ginásticas.com

História da Ginástica Olímpica

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Autor: Profª. Drª. Elizabeth Paoliello

A história da Ginástica confunde-se com a história do homem. A Ginástica entendida por Ramos (1982: 15) como a prática do exercício físico “vem da Pré-história, afirma-se na Antigüidade, estaciona na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e sistematiza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. No homem pré-histórico a atividade física tinha papel relevante para sua sobrevivência, expressa principalmente na necessidade vital de atacar e defender-se. O exercício físico de caráter utilitário e sistematizado de forma rudimentar, era transmitido através das gerações e fazia parte dos jogos, rituais e festividades.

Na Antigüidade, principalmente no Oriente, os exercícios físicos aparecem nas várias formas de luta, na natação, no remo, no hipismo, na arte de atirar com o arco, como exercícios utilitários, nos jogos, nos rituais religiosos e na preparação guerreira de maneira geral. Na Grécia nasceu o ideal da beleza humana, o qual pode ser observado nas obras de arte espalhadas pelos museus em todo o mundo, onde a prática do exercício físico era altamente valorizada como educação corporal em Atenas e como preparação para a guerra em Esparta. O fato de ser a Grécia o berço dos Jogos Olímpicos, disputados 293 vezes durante quase 12 séculos (776 a. C-393 d. C), demonstra a importância da atividade física nesta época. Em Roma, o exercício físico tinha como objetivo principal a preparação militar e num segundo plano a prática de atividades desportivas como as corridas de carros e os combates de gladiadores que estavam sempre ligados às questões bélicas. Recordações das magníficas instalações esportivas desta época como as termas, o circo, o estádio, ainda hoje impressionam quem os visita pela magnitude de suas proporções.

Na Idade Média os exercícios físicos foram a base da preparação militar dos soldados, que durante os séculos XI, XII e XIII lutaram nas Cruzadas empreendidas pela igreja. Entre os nobres eram valorizadas a esgrima e a equitação como requisitos para a participação nas Justas e Torneios, jogos que tinham como objetivo “enobrecer o homem e fazê-lo forte e apto”(Ramos, 1982). Há ainda registros de outras atividades praticadas neste período como o manejo do arco e flecha, a luta, a escalada, a marcha, a corrida, o salto, a caça e a pesca e jogos simples e de pelota, um tipo de futebol e jogos de raqueta.

O exercício físico na Idade Moderna, considerada simbolicamente a partir de 1453, quando da tomada de Constantinopla pelos turcos, passou a ser altamente valorizado como agente de educação. Vários estudiosos da época, entre eles inúmeros pedagogos, contribuíram para a evolução do conhecimento da Educação Física com a publicação de obras relacionadas à pedagogia, à fisiologia e à técnica. A partir daí surgiu um grande movimento de sistematização da Ginástica.

Segundo Langlade e Langlade (1970), até 1800 as formas comuns de exercício físico eram os jogos populares, as danças folclóricas e regionais e o atletismo. Para estes autores, a origem da atual Ginástica data do início do século XIX, quando surgiram quatro grandes escolas: A Escola Inglesa, a Escola Alemã, a Escola Sueca e a Escola Francesa, sendo a primeira mais relacionada aos jogos, atividades atléticas e ao esporte. As demais escolas foram as responsáveis pelo surgimento dos principais métodos ginásticos, que por sua vez determinaram a partir de 1900 o início dos três grandes movimentos ginásticos na Europa. São eles: o Movimento do Oeste na França, o Movimento do Centro na Alemanha, Áustria e Suíça e o Movimento do Norte englobando os países da Escandinávia.

Estes movimentos vão até 1939 quando foi realizada a primeira Lingiada em Estocolmo, um festival internacional de Ginástica em comemoração ao centenário de morte de Per Henrik Ling, o maior nome da Ginástica Sueca, dando início ao período que se estende até os dias de hoje, denominado “Influências recíprocas e universalização dos conceitos ginásticos”, segundo Langlade e Langlade (1970).

A denominação Ginástica, inicialmente utilizada como referência à todo tipo de atividade física sistematizada, cujos conteúdos variavam desde as atividades necessárias à sobrevivência, aos jogos, ao atletismo, às lutas, à preparação de soldados, adquiriu a partir de 1800 com o surgimento das escolas e movimentos ginásticos acima descritos, uma conotação mais ligada à prática do exercício físico. De acordo com Soares (1994: 64), a partir desta época, a Ginástica passou a desempenhar importantes funções na sociedade industrial, “apresentando-se como capaz de corrigir vícios posturais oriundos das atitudes adotadas no trabalho, demonstrando assim, as suas vinculações com a medicina e, desse modo, conquistando status.

Inúmeros métodos ginásticos foram sendo desenvolvidos principalmente nos países europeus, os quais influenciaram e até os dias de hoje influenciam, a Ginástica mundial e em particular a brasileira. Dentre aqueles que tiveram maior penetração no Brasil destacam-se as escolas alemã, sueca e francesa. Essas questões são amplamente analisadas por autores como Ramos (1982), Marinho [19–], Langlade e Langlade (1970), Castellani Filho (1988), Soares (1994) entre outros, os quais tem estudado os aspectos históricos relacionados à Educação Física e à Ginástica e contribuído de forma significativa para a compreensão de sua evolução em nível nacional e internacional.

Em Busca de um Conceito de Ginástica

Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra Ginástica vem do grego Gymnastiké e significa a “Arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade. O conjunto de exercícios corporais sistematizados, para este fim, realizados no solo ou com auxílio de aparelhos e aplicados com objetivos educativos, competitivos, terapêuticos, etc.”. Na Encyclopedia Britannica, a Ginástica é definida como “a system of physical exercices practised either to promote physical development or a sport”. De acordo com a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a Ginástica é caracterizada como:

“uma forma ou modalidade de educação física, isto é, uma maneira de formar fisicamente o corpo humano, sendo as restantes, além dela, os jogos e os desportos. A definição científica diz-nos que a ginástica é a exercitação metódica dos órgãos no seu conjunto (relacionada ao movimento e à atitude), por intermédio de exercícios corporais, de “forma” precisamente determinada e ordenados sistematicamente, de modo a solicitar não só todas as partes do corpo, como as grandes funções orgânicas vitais e sistemas anatômicos, nomeadamente: o respiratório, o cárdio-circulatório, o de nutrição (assimilação e desassimilação), o nervoso, os órgãos de secreção interna, etc. “

Os conceitos acima citados, entre outros, demonstram uma visão limitada da Ginástica, onde o aspecto relativo à formação física é ressaltado em detrimento dos demais. Devido à grande abrangência da Ginástica, o estabelecimento de um conceito único para ela, restringiria a compreensão deste imenso universo que a caracteriza como um dos conteúdos da Educação Física. Esta modalidade no decorrer dos tempos, tem sido direcionada para objetivos diversificados, ampliando cada vez mais as possibilidades de sua utilização, portanto, a fim de facilitar o seu entendimento, são apresentados a seguir 5 grandes grupos que englobam os seus principais campos de atuação.

Os Campos de Atuação da Ginástica

1. Ginásticas de Condicionamento Físico: englobam todas as modalidades que tem por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo normal e/ou do atleta.

2. Ginásticas de Competição: reúnem todas as modalidades competitivas.

3. Ginásticas Fisioterápicas: responsáveis pela utilização do exercício físico na prevenção ou tratamento de doenças.

4. Ginásticas de Conscientização Corporal: reúnem as Novas propostas de abordagem do corpo, também conhecidas por Técnicas alternativas ou Ginásticas Suaves (Souza, 1992), e que foram introduzidas no Brasil a partir da década de 70, tendo como pioneira a Anti-Ginástica. A grande maioria destes trabalhos tiveram origem na busca da solução de problemas físicos e posturais.

5. Ginásticas de Demonstração: é representante deste grupo a Ginástica Geral, cuja principal característica é a não-competitividade, tendo como função principal a interação social isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social.

O Conteúdo da Ginástica

Todo movimento ginástico, assim como os movimentos característicos dos esportes, evoluíram dos movimentos naturais do ser humano, ou habilidades específicas do ser humano que, segundo Pérez Gallardo (1993), “são aquelas que se caracterizam por estar presentes em todos os seres humanos, independentes de seu lugar geográfico e nível sócio-cultural e que servem de base para aquisição de habilidades culturalmente determinadas…”

Estes movimentos naturais ou habilidades específicas do ser humano, quando analisados e transformados, visando o aprimoramento da performance do movimento, entendida aqui de acordo com vários objetivos como: economia de energia, melhoria do resultado, prevenção de lesões, beleza do movimento entre outros, passam a ser considerados como movimentos construídos (exercícios) ou habilidades culturalmente determinadas. Por exemplo, um movimento próprio do homem como o saltar, foi sendo estudado, transformado e aperfeiçoado através dos tempos, para alcançar os objetivos de cada um dos esportes onde ele aparece: salto em altura, em distância e triplo no atletismo, cortada e bloqueio no voleibol, salto sobre o cavalo na Ginástica Artística, salto “jeté” na Ginástica Rítmica Desportiva entre outros.

Uma das principais características da Ginástica é a possibilidade de utilização de uma enorme variedade de aparelhos, entre eles os de grande porte como o trampolim acrobático, a trave de equilíbrio, as rodas ginásticas, as barras paralelas; os aparelhos de sobrecarga como os halteres, as bicicletas ergométricas, os aparelhos de musculação; aparelhos portáteis como a corda, a bola, as maças, até os aparelhos adaptados ou alternativos provenientes da natureza ou da fabricação humana.

A Estrutura da Ginástica no Mundo

Para a melhor compreensão do universo da Ginástica e sua evolução, faz-se necessário, analisar sua estrutura organizacional em nível mundial. A Federação Internacional de Ginástica (FIG) é a organização mais antiga e com maior abrangência internacional na área da Ginástica. Está subordinada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), sendo responsável pelas modalidades gímnicas que são competidas nos Jogos Olímpicos. É portanto a Federação com maior poder e influência na Ginástica mundial.

A FIG é um órgão que tem como objetivo orientar, regulamentar, controlar, difundir e promover eventos na área da Ginástica. Tem sua origem nas Federações Européias de Ginástica (Fédérations Européennes de Gymnastique-FEG), estabelecidas em 23 de Julho de 1881 em Bruxelas-Bélgica, com a participação da França, Bélgica e Holanda. Apesar de reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional desde 1896, a FEG só participou como federação oficial de Ginástica Artística nos Jogos Olímpicos de Londres em 1908.

Em 7 de Abril de 1921 a FEG incluiu em seu quadro outros países, resultando na fundação da Federação Internacional de Ginástica – FIG com a participação de 16 federações (países) membros. Atualmente tem sua sede em Moutier, na Suíça, e possui 121 países filiados. Cada uma destas Federações nacionais representam o órgão máximo da Ginástica em seu país, tendo em nível nacional os mesmos objetivos da FIG. Ainda relacionadas a FIG estão as Federações que controlam a Ginástica no âmbito continental, entre elas a União Asiática de Ginástica fundada em 1964, a União Pan-americana de Ginástica fundada em 1967, a União Européia de Ginástica fundada em 1982, e a União Africana de Ginástica fundada em 1990. (FIG 1991: 158)

A FIG atualmente é composta de 5 comitês sendo 4 relativos às modalidades competitivas (Ginástica Artística Masculina, Ginástica Artística Feminina, Ginástica Rítmica Desportiva e Ginástica Aeróbica) e um relativo a Ginástica Geral que tem caráter demonstrativo.

Segundo o “Gymnaestrada Guide – X World Gymnaestrada Berlim 1995”, em 1994 a Ginástica Aeróbica foi admitida pela FIG como modalidade e organizado seu primeiro campeonato. No Congresso da FIG realizado em Atlanta em 1996, foi decidida a inclusão definitiva da Ginástica Aeróbica em seu programa competitivo porém, o estatuto e toda regulamentação para a sua incorporação, estão sendo preparados para serem apresentados no Congresso da FIG de 1998. Também foi discutida em Atlanta a inclusão na FIG, do Trampolim Acrobático e dos Esportes Acrobáticos, representados respectivamente pela FIT – Federação Internacional de Trampolim e pela IFSA – Federação Internacional de Esportes Acrobáticos, as quais encontram-se em fase de preparação e mudanças dos estatutos e regulamentos, para serem submetido à aprovação no próximo Congresso da FIG em 1998. (World of Gymnastics, Moutier, nº. 19, October, 1996: 30).

A intenção da FIG de incorporar outras modalidades gímnicas, pode ser claramente observada nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, na realização de sua Festa de Gala (FIG Gala), após o término de todas as competições na área da Ginástica, onde os melhores ginastas de Ginástica Artística, Ginástica Rítmica Desportiva, Ginástica Aeróbica, Ginástica Acrobática, Trampolim Acrobático e Tumbling fizeram uma belíssima apresentação sem caráter competitivo.

A convivência de modalidades competitivas e demonstrativas numa mesma federação, é uma característica da FIG reafirmada nas palavras de Yuri Titov, presidente desta instituição de 1976 a 1996, no documento de propaganda da Ginástica Geral (FIG [199-]: 04): “Nós somos a primeira federação internacional que se dedica tanto ao esporte competitivo como ao esporte recreativo… “ Este é um aspecto interessante que destaca a FIG das demais federações desportivas, vindo ao encontro de sua natureza e objetivos diferenciados, os quais se harmonizam perfeitamente com o espírito e tradições desta entidade.

A presença da Ginástica Geral como um comitê específico dentro da estrutura da FIG a partir de 1984, vem demonstrar a importância deste fenômeno de massa que envolve um incontável número de praticantes em todo o mundo, ultrapassando em larga escala o total de atletas das modalidades competitivas dirigidas pela mesma federação.

Coexistem com a FIG, outras federações internacionais que regulamentam modalidades gímnicas não abrangidas por ela até o momento. Entre elas destaca-se a Federação Internacional de Trampolim (FIT) responsável pelo Trampolim Acrobático e pelo Duplo Mini-Trampolim, ambas modalidades competitivas porém não olímpicas e a Federação Internacional de Esportes Acrobáticos (IFSA) que coordena a Ginástica Acrobática e o “Tumbling”.

Com relação aos Jogos Olímpicos a Ginástica é oficialmente representada nas modalidades Ginástica Artística Masculina desde 1908 em Londres, a Ginástica Artística Feminina desde 1928 em Amsterdã e a GRD desde 1984 em Los Angeles. Sem caráter competitivo, a Ginástica Geral tem sempre abrilhantado as Cerimônias de Abertura dos Jogos, caracterizando-se como um dos pontos altos destes eventos, onde a criatividade, a plasticidade, a expressão corporal se fazem presentes na participação sincronizada de um grande número de ginastas.

Bibliografia: O UNIVERSO DA GINÁSTICA: EVOLUÇÃO E ABRANGÊNCIA.

O QUE É FISIOTERAPIA?

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Definição e Áreas de atuação

É uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais.

Fisioterapeuta

Profissional de Saúde, com formação acadêmica Superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais (Diagnóstico Cinesiológico Funcional), a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.

Atividade de saúde, regulamentada pelo Decreto-Lei 938/69, Lei 6.316/75, Resoluções do COFFITO, Decreto 9.640/84, Lei 8.856/94.

Áreas de atuação

• Fisioterapia Clínica
A) Hospitais e clínicas
B) Ambulatórios
C) Consultórios
D) Centros de Reabilitação

• Saúde Coletiva
A) Programas institucionais
B) Ações Básicas de Saúde
C) Fisioterapia do Trabalho
D) Vigilância Sanitária

• Educação
A) Docência (níveis secundário e superior)
B) Extensão
C) Pesquisa
D) Supervisão (técnica e administrativa)
E) Direção e coordenação de cursos

• Outras
A) Indústria de equipamentos de uso fisioterapêutico
B) Esporte

• Especialidades Reconhecidas
A) Acupuntura (Resoluções Coffito nºs: 201, de 24/06/99 e 219, de 14/12/00)
B) Quiropraxia (Resolução Coffito nº 220, de 23/05/01)
C) Osteopatia (Resolução Coffito nº 220, de 23/05/01)
D) Fisioterapia Pneumo Funcional (Resolução Coffito nº 188, de 09/12/98)
E) Fisioterapia Neuro Funcional (Resolução Coffito nº 189, de 09/12/98)

• Exigências Legais
Pessoa Jurídica
A) Responsabilidade Técnica pelo serviço da empresa perante o Crefito.
B) Comprovação do registro do profissional no Crefito.
C) Registro da empresa no Crefito.

Pessoa Física
A) Registro do Profissional no Crefito
B) Cadastramento do seu consultório no Crefito.

atribuições profissionais

FISIOTERAPIA CLÍNICA

1.1 – Atribuições Gerais

1.1.1 – Prestar assistência fisioterapêutica (Hospitalar, Ambulatorial e em Consultórios)

1.1.2 – Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, prescrever, planejar, ordenar, analisar, supervisionar e avaliar os projetos fisioterapêuticos, a sua eficácia, a sua resolutividade e as condições de alta do cliente submetido a estas práticas de saúde.

1.2 – Atribuições Específicas

1.2.1 – Hospitais, Clínicas e Ambulatórios

a) Avaliar o estado funcional do cliente, a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese funcional e exame da cinesia, funcionalidade e sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas.

b) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, planejar, organizar, supervisionar, prescrever e avaliar os projetos terapêuticos desenvolvidos nos clientes.

c) Estabelecer rotinas para a assistência fisioterapêutica, fazendo sempre as adequações necessárias.

d) Solicitar exames complementares para acompanhamento da evolução do quadro funcional do cliente, sempre que necessário e justificado.

e) Recorrer a outros profissionais de saúde e/ou solicitar pareceres técnicos especializados, quando necessário.

f) Reformular o programa terapêutico sempre que necessário.

g) Registrar no prontuário do cliente, as prescrições fisioterapêuticas, sua evolução, as intercorrências e as condições de alta da assistência fisioterapêutica.

h) Integrar a equipe multiprofissional de saúde, sempre que necessário, com participação plena na atenção prestada ao cliente.

i) Desenvolver estudos e pesquisas relacionados a sua área de atuação.

j) Colaborar na formação e no aprimoramento de outros profissionais de saúde, orientando estágios e participando de programas de treinamento em serviço.

k) Efetuar controle periódico da qualidade e da resolutividade do seu trabalho.

l) Elaborar pareceres técnicos especializados sempre que solicitados.

1.2.2 – Em Consultórios

a) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese funcional e exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas.

b) Estabelecer o programa terapêutico do cliente, fazendo as adequações necessárias.

c) Solicitar exames complementares e/ou requerer pareceres técnicos especializados de outros profissionais de saúde, quando necessários.

d) Registrar em prontuário ou ficha de evolução do cliente, a prescrição fisioterapêutica, a sua evolução, as intercorrências e as condições de alta em Fisioterapia.

e) Colaborar com as autoridades de fiscalização profissional e/ou sanitária.

f) Efetuar controle periódico da qualidade e funcionalidade dos seus equipamentos, das condições sanitárias e da resolutividade dos trabalhos desenvolvidos.

1.2.3 – Centros de Recuperação Bio-Psico-Social (Reabilitação)

a) Avaliar o estado funcional do cliente, através da elaboração do Diagnóstico Cinesiológico Funcional a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da amnese funcional e do exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas.

b) Desenvolver atividades, de forma harmônica na equipe multiprofissional de saúde.

c) Zelar pela autonomia científica de cada um dos membros da equipe, não abdicando da independência científico-profissional e da isonomia nas suas relações profissionais.

d) Participação plena na atenção de saúde prestada a cada cliente, na integração das ações multiprofissionalizadas, na sua resolutividade e na deliberação da alta do cliente.

e) Participar das reuniões de estudos e discussões de casos, de forma ativa e contributiva aos objetivos pretendidos.

f) Registrar no prontuário do cliente, todas as prescrições e ações nele desenvolvidas.

SAÚDE COLETIVA

22.1 – Atribuição Principal

Educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva, na atenção primária em saúde.

2.2 – Atribuições Específicas

2.2.1 – Programas Institucionais

a) Participar de equipes multiprofissionais destinadas a planejar, implementar, controlar e executar políticas, programas, cursos, pesquisas ou eventos em Saúde Pública.

b) Contribuir no planejamento, investigação e estudos epidemiológicos.

c) Promover e participar de estudos e pesquisas relacionados a sua área de atuação.

d) Integrar os órgãos colegiados de controle social.

e) Participar de câmaras técnicas de padronização de procedimentos em saúde coletiva.

f) Avaliar a qualidade, a eficácia e os riscos a saúde decorrentes de equipamentos eletro-eletrônicos de uso em Fisioterapia.

2.2.2 – Ações Básicas de Saúde

a) Participar de equipes multiprofissionais destinadas ao planejamento, a implementação, ao controle e a execução de projetos e programas de ações básicas de saúde.

b) Promover e participar de estudos e pesquisas voltados a inserção de protocolos da sua área de atuação, nas ações básicas de saúde.

c) Participar do planejamento e execução de treinamentos e reciclagens de recursos humanos em saúde.

d) Participar de órgãos colegiados de controle social.

2.2.3 – Fisioterapia do Trabalho

a) Promover ações terapêuticas preventivas a instalações de processos que levam a incapacidade funcional laborativa.

b) Analisar os fatores ambientais, contributivos ao conhecimento de distúrbios funcionais laborativos.

c) Desenvolver programas coletivos, contributivos à diminuição dos riscos de acidente de trabalho.

2.2.4 – Vigilância Sanitária

a) Integrar a equipe de Vigilância Sanitária.

b) Cumprir e fazer cumprir a legislação de Vigilância Sanitária.

c) Encaminhar às autoridades de fiscalização profissional, relatórios sobre condições e práticas inadequadas à saúde coletiva e/ou impeditivas da boa
prática profissional.

d) Integrar Comissões Técnicas de regulamentação e procedimentos relativos a qualidade, a eficiência e aos riscos sanitários dos equipamentos de uso em Fisioterapia.

e) Verificar as condições técnico-sanitárias das empresas que ofereçam assistência fisioterapêutica à coletividade.

EDUCAÇÃO

3.1 – Atribuição Principal

a) Dirigir, coordenar e supervisionar cursos de graduação em Fisioterapia/Saúde.

b) Lecionar disciplinas básicas e profissionalizantes dos Cursos de Graduação em Fisioterapia e outros cursos na área da saúde.

c) Elaborar planejamento de ensino, ministrar e administrar aulas, indicar bibliografia especializada e atualizada, equipamento e material auxiliar necessários para o melhor cumprimento do programa.

d) Coordenar e/ou participar de trabalhos inter e transdisciplinares.

e) Realizar e/ou participar de atividades complementares à formação profissional.

f) Participar de estudos e pesquisas em Fisioterapia e Saúde.

g) Supervisionar programas de treinamento e estágios.

h) Executar atividades administrativas inerentes à docência.

i) Planejar, implementar e controlar as atividades técnicas e administrativas do ano letivo, quando do exercício de Direção e/ou Coordenação de cursos de graduação e pós-graduação.

j) Orientar o corpo docente e discente quanto à formação do Fisioterapeuta, abordando visão crítica da realidade política, social e econômica do país.

k) Promover a atualização didática pedagógica em relação à formação profissional do Fisioterapeuta.

OUTRAS

4.1 – Equipamentos e produtos para Fisioterapia (industrialização e comercialização)

a) Desenvolver/Projetar protótipos de produtos de interesse do Fisioterapeuta e/ou da Fisioterapia.

b) Desenvolver e avaliar a utilização destes produtos no meio social.

c) Elaborar manual de especificações.

d) Promover a qualidade e o desempenho dos produtos.

e) Coordenar e supervisionar as demonstrações técnicas do produto junto aos profissionais Fisioterapeutas.

f) Assessorar tecnicamente a produção.

g) Supervisionar e coordenar a apresentação do produto em feiras e eventos.

h) Desenvolver material de apoio para treinamento.

i) Participar de equipes multiprofissionais responsáveis pelo desenvolvimento dos produtos, pelo seu controle de qualidade e análise de seu desenvolvimento e risco sanitário.

4.2 – Esporte

a) Planejar, implantar, coordenar e supervisionar programas destinados à recuperação funcional de atletas.

b) Realizar avaliações e acompanhamento da recuperação funcional do cliente.

c) Elaborar programas de assistência fisioterapêutica ao atleta de competição.

d) Integrar a equipe multiprofissional de saúde do esporte com participação plena na atenção prestada ao atleta.

EXIGÊNCIAS LEGAIS

5.1 – Responsabilidade Técnica de empresas

a) Toda empresa ligada a produção de equipamentos de utilização em Fisioterapia e as que prestam assistência fisioterapêutica, são obrigadas ao registro nos Órgãos de controle e fiscalização do exercício da atividade profissional da Fisioterapia (Lei n.º 6.316/75).

b) No momento da solicitação de seu registro, deverão apresentar profissional Fisioterapeuta, para assumir a responsabilidade técnica da Empresa perante o órgão de fiscalização, a quem serão imputadas as responsabilidades pelas quebras da ética social que não sanear ou denunciar.

5.2 – Registro Profissional

a) Para o exercício da atividade profissional de Fisioterapeuta no país, é exigível além da formação em curso universitário superior, o registro do seu título no Conselho Profissional da categoria.
A atividade profissional só é permitida após o trâmite processual e a concessão de Carteira de Identidade Profissional de Fisioterapeuta (Lei nº 6.316/75).

Fonte: COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional

ERGOESPIROMETRIA

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AUTOR: TURÍBIO LEITE DE BARROS NETO, ANTONIO SERGIO TEBEXRENI, VERA LÚCIA TAMBEIRO

A ergoespirometria é um exame de grande aplicação prática tanto para o atleta como para os praticantes de atividade física não competitiva.
O teste ergoespirométrico possibilita determinar variáveis respiratórias, metabólicas e cardiovasculares pela medida das trocas gasosas pulmonares durante o exercício e a expressão dos índices de avaliação funcional.

O consumo máximo de oxigênio e o limiar anaeróbio são os principais indicadores de aptidão funcional cardiorrespiratória, sendo utilizados na prática para diagnóstico e prognóstico de desempenho esportivo.

A monitorização do treinamento torna-se um procedimento individualizado, na medida em que são utilizadas a velocidade e a frequência cardíaca do limiar anaeróbio para indicação e diagnóstico do treinamento. A utilização prática da ergoespirometria permitiu, portanto, um saldo de qualidade no método da avaliação e do treinamento esportivo de atletas.

INTRODUÇÃO
Tradicionalmente, o teste ergométrico ou “stress testing”, estuda a atividade elétrica do coração e suas repercussões clínicas, aferindo a adequação entre a demanda e a oferta de oxigênio ao miocárdio.

Considerando-se que, basicamente, a função do sistema cardiovascular e pulmonar é manter o processo de respiração celular e que uma maneira de se aferir essa função é por meio da análise do consumo de oxigênio (VO2) e do gás carbônico produzido (VCO2), que por sua vez, variam com a intensidade de trabalho realizado1, a utilização de um teste de esforço no qual se consiga determinar o consumo de oxigênio e a eliminação de gás carbônico diretamente reflete, em última análise, a integridade desses sistemas, bem como suas adaptações durante a realização de um exercício.

Esse teste, denominado de cardiopulmonar, cardiorrespiratório ou ergoespirométrico traz, na realidade, informações a respeito da integridade de todos os sistemas envolvidos com o transporte de gases, ou seja, não envolve apenas os ajustes cardiovasculares e respiratórios, mas, também, neurológicos, humorais e hematológicos2 .

Na prática, a grande utilidade do teste cardiorrespiratório reside na determinação da capacidade funcional ou capacidade aeróbia, pela obtenção dos dois índices de limitação funcional mais empregados, que são o consumo máximo de oxigênio e o limiar anaeróbio ventilatório; portanto, pode e deve ser utilizado para, a avaliação de atletas, sedentários, cardiopatas, pneumopatas, etc.

Para a atividade física, seja para iniciantes ou indivíduos com atividade regular, é o teste que discrimina a intensidade de exercício aeróbio a ser prescrita, considerando-se, obviamente, as informações da ergometria tradicional, implícitas no procedimento, associadas às informações sobre o mecanismo de transporte de gases envolvidos.

Na avaliação fisiológica de atletas, das mais variadas modalidades, é o teste que se impõe pela quantidade de informações e pela facilidade de execução. É utilizado para o diagnóstico das necessidades energéticas específicas nas diferentes modalidades, para o diagnóstico das capacidades funcionais individuais (avaliação dos índices de aptidão física, obtenção de médias de referência, cálculo dos desvios percentuais e diagnóstico geral da aptidão física), no treinamento específico, ou seja, num determinado esporte coletivo, como, por exemplo no futebol, diferenciam o treinamento para grupos de funções táticas distintas (zagueiros, laterais, volantes ou atacantes) e ainda na evolução dos índices de aptidão física com a reavaliação periódica, o diagnóstico individual da evolução e a periodização do treinamento.

ASPECTOS FISIOLÓGICOS

A partir da década de 70, em função da evolução tecnológica que facilitou a análise dos gases3-6, o emprego dos testes cardiorrespiratórios ganhou destaque na área de pesquisa, e também na área clínica, e, através da análise do comportamento do consumo de oxigênio, e de outras variáveis, informações de grande valia puderam ser obtidas e usadas.

Para a interpretação adequada de um teste cardiorrespiratório, é necessária uma avaliação criteriosa dos parâmetros ventilatórios envolvidos, que são fornecidos em um período predeterminado ou, mesmo a cada movimento respiratório. Os principais parâmetros envolvidos são: ventilação pulmonar (VE – BTPS l/min); consumo de oxigênio (VO2 ml/kg/min); 3) produção de dióxido de carbono (VCO2 l/min); razão de trocas gasosas (R); equivalentes ventilatórios para o oxigênio (VEO2 l/min) e dióxido de carbono (VECO2 l/min); pulso de oxigênio (Pulso de O2); relação espaço morto ventilatório, – volume corrente; reserva ventilatória e 9) relação consumo de oxigênio–carga de trabalho.

Ventilação Minuto (VE)

A ventilação minuto (VE) é o volume de ar que se move para dentro e para fora dos pulmões expresso em litros por minuto. É determinado pelo produto da frequência respiratória e o volume de ar exalado a cada ventilação (volume corrente). O produto da VE pelo oxigênio consumido (diferença entre o conteúdo de oxigênio inspirado e expirado) determina o consumo de oxigênio (VO2). Uma vez que o oxigênio consumido geralmente sofre alterações em quantidades similares nos indivíduos normais, a ventilação é o principal componente do consumo de oxigênio durante o exercício. Indivíduos bem condicionados com ventilações máximas altas e, conseqüentemente, altos valores para o VO2 max, também devem expressar elevado débito cardíaco. A relação entre a ventilação alveolar e o fluxo sanguíneo capilar alveolar, denominada relação ventilação-perfusão, é de aproximadamente 0,80 em repouso podendo, com o exercício, aproximar-se de 5,0 em função do aumento da ventilação e do fluxo sanguíneo alveolar nessa condição1.

Consumo de Oxigênio (VO2)

O consumo de oxigênio (VO2) é uma medida objetiva da capacidade funcional, ou seja, da capacidade do organismo em ofertar e utilizar o oxigênio para a produção de energia; aumenta linearmente com o trabalho muscular crescente, sendo considerado máximo (VO2 max) quando nenhum aumento adicional ocorre com o incremento de cargas. Conforme será amplamente discutido posteriormente, nenhum outro parâmetro é tão preciso ou reproduzível como o VO2 max. É determinado pela capacidade de se aumentar o débito cardíaco e direcionar o fluxo sanguíneo para os músculos em atividade 2,3 portanto, usado como um índice de aptidão física, é de grande valia na avaliação funcional de atletas7.

Produção de Dióxido de Carbono

O dióxido de carbono produzido pelo organismo (VCO2) durante o exercício, expresso em litros por minuto, é gerado a partir de duas fontes. A primeira, o CO2 metabólico, é produzido pelo metabolismo oxidativo. Aproximadamente 75% do oxigênio consumido pelo organismo é convertido em dióxido de carbono, que é eliminado pelos pulmões. Uma segunda fonte, chamada de CO2 não metabólico, resulta do tamponamento do lactato, que ocorre em níveis mais elevados de exercício. Uma elevação do CO2 no sangue pode, rapidamente, resultar em acidose respiratória. Felizmente, os principais determinantes da ventilação durante o exercício são essas duas fontes de CO2, as quais são refletidas no ar expirado como VCO2. Logo, o VCO2 relaciona-se de perto com a VE durante o exercício, e o corpo mantém um pH relativamente normal na maioria das condições. O VCO2 e a VE também se elevam em paralelo ao VO2 em intensidades de exercício de 50 a 70% do VO2 max. Em intensidades acima desses níveis, a VE aumenta desproporcionalmente ao VO2 e isso ocorre porque, com o aumento na intensidade, o lactato é produzido numa taxa maior do que é removido do sangue. Como o lactato deve ser tamponado, esse processo gera uma fonte adicional de CO2 que, por sua vez, estimula a ventilação 1,6.

Razão de Trocas Gasosas (R)

A razão de trocas gasosas (R) expressa a relação entre CO2 produzido e o O2 consumido. Aproximadamente 75% do O2 consumido é convertido em CO2; portanto, em repouso, o R varia entre 0,75 e 0,85. Uma vez que o R depende do tipo de combustível utilizado, lipídios ou glicídios, ele pode fornecer um índice do metabolismo de carboidratos e gorduras. Se os carboidratos forem os combustíveis predominantes, o R se iguala a 1,0 dado a fórmula:

C6H12O6 + 6 O2 Þ 6 CO2 + 6 H2O logo, R = VCO2 / VO2 = 6 CO2 / 6 O2 = 1,0

Como a composição química dos lipídios difere dos carboidratos, uma vez que estes contém consideravelmente mais átomos de oxigênio em proporção aos átomos de hidrogênio, quando um lípide é catabolizado para produção de energia o oxigênio é requerido não apenas para oxidação de carbono a dióxido de carbono, mas também para oxidação de átomos de hidrogênio, portanto, mais oxigênio é necessário para queimar gordura. Quando o ácido palmítico, um típico ácido graxo, é oxidado a dióxido de carbono e água, 16 moléculas de dióxido de carbono são produzidas para cada 23 moléculas de oxigênio consumidas, de acordo com a fórmula abaixo:

C16H32O2 + 23 O2 Þ 16 CO2 + 16 H2O logo, R = 16 CO2 / 23 O2 = 0,6961,6

Equivalentes ventilatórios para oxigênio e dióxido de carbono

Os equivalentes ventilatórios para o oxigênio (VEO2) e dióxido de carbono (VECO2) são calculados pela relação entre a ventilação (l/min) e o VO2 e VCO2 , respectivamente. Um grande volume de ventilação (20 a 40 litros) é requerido para consumir um litro de oxigênio, portanto, em repouso, o VEO2 encontra-se em torno de 30. Declínio dos valores do VEO2 é observado a partir do repouso até níveis submáximos de exercício, seguido de rápida elevação em níveis mais intensos de exercício, quando a VE aumenta em resposta à necessidade de tamponar o lactato.

O VEO2 reflete a necessidade ventilatória para um dado nível de VO2, portanto, apresenta-se como um índice da eficiência ventilatória. Pacientes com uma relação inadequada entre a ventilação e a perfusão pulmonar (alta fração de espaço morto fisiológico) ventilam ineficientemente e têm altos valores para o VEO2. Atletas, por outro lado, tendem a apresentar valores mais baixos de VEO21,6.

O VECO2 representa a necessidade ventilatória para eliminar uma determinada quantidade de CO2 produzido pelos tecidos em atividade. Da mesma forma que o VEO2, reflete a ventilação do espaço morto, mas é fortemente influenciado pela PaCO2. Uma vez que o CO2 metabólico é um forte estímulo para a VE durante o exercício, esta reflete o comportamento do VCO2 e vice-versa. Após uma queda no início do exercício, o VECO2 não aumenta durante o esforço submáximo1,6,

Pulso de Oxigênio
O pulso de oxigênio (pulso de O2) é uma medida indireta do transporte de oxigênio cardiopulmonar. É calculado dividindo-se o consumo de oxigênio (ml/min) pela frequência cardíaca. Os valores normais em repouso variam de 4 a 6, podendo atingir valores de 10 a 20 com o esforço máximo.

O pulso de oxigênio pode ser definido como o produto do volume sistólico (VS) pela diferença arteriovenosa de oxigênio. Os ajustes circulatórios que ocorrem durante o exercício (aumento da diferença arteriovenosa de O2 e do débito cardíaco e redistribuição do fluxo sanguíneo para o território muscular em atividade) aumentarão esse índice que, em uma dada carga de trabalho, é mais elevado no indivíduo bem condicionado e saudável, estando reduzido em qualquer condição que afete negativamente o volume sistólico (disfunção ventricular esquerda secundária à isquemia, infarto, etc) ou em condições que reduzam o conteúdo arterial de O2 (anemia ou hipoxemia) 1,6.

Relação espaço morto ventilatório-volume corrente

A relação entre o espaço morto ventilatório e volume corrente (Vd/Vt), medida pelas trocas gasosas, é uma estimativa da fração do volume corrente que representa o espaço morto fisiológico, portanto, reflete a eficiência ventilatória.

Ao avaliarmos a Vd/Vt, a tensão arterial do CO2 é estimada a partir da pressão expiratória final desse gás, muito embora, a pressão expiratória final do CO2 tenda a superestimar a tensão arterial do CO2 durante o exercício, resultando em valores Vd/Vt erroneamente altos. Por outro lado, quando o espaço morto estiver elevado, a pressão expiratória final do CO2 estará reduzida, levando a uma subestimação do CO2 arterial e, conseqüentemente, a uma subestimação do Vd/Vt. O cálculo da tensão arterial do CO2 por meio de técnicas ventilatórias pode ser problemático em pacientes com doença vascular pulmonar ou de vias aéreas. Dentro dessas limitações, o espaço morto estimado por técnicas ventilatórias fornece uma indicação da contribuição do espaço morto para a ventilação. Quando uma medida acurada do Vd/Vt for importante, o sangue arterial deve ser obtido diretamente para quantificar a pressão do CO2 arterial.

A ventilação do espaço morto fisiológico representa a diferença entre a ventilação minuto e a ventilação alveolar, portanto, a Vd/Vt estima como a ventilação se relaciona com a perfusão nos pulmões. A Vd/Vt é baixa quando existe uma adequação uniforme entre a ventilação alveolar e a perfusão e, quando ocorre um desequilíbrio, há elevação dessa relação. Em indivíduos normais, a Vd/Vt varia de um terço para algo entre um décimo e um quinto no pico do exercício1,6.

Reserva Ventilatória

A reserva ventilatória representa a relação entre a ventilação máxima de exercício e a ventilação voluntária máxima em repouso (VE max/VVM). A maioria dos indivíduos saudáveis atinge uma VE max de 60% a 70% da VVM no pico do exercício. Indivíduos normais têm uma reserva ventilatória substancial (20% a 40%) no pico do exercício, sendo limitados por outros fatores. O atleta altamente treinado, por atingir elevados níveis de débito cardíaco máximo, tende a utilizar uma maior fração da reserva ventilatória6.

Relação consumo de oxigênio – carga de trabalho

A aplicação prática desta variável para o atleta ainda carece de maior consistência6.

AJUSTES CARDIOVASCULARES AO EXERCÍCIO FÍSICO

Os ajustes cardiovasculares ocorrem para que possa haver um aumento de fluxo sanguíneo aos territórios musculares em atividade, em função de um aumento da demanda metabólica local, com conseqüente aumento do consumo de oxigênio7.

É na formação reticular do bulbo cerebral que se encontram os neurônios reguladores centrais que, por meio de informações aferentes, promovem os ajustes cardiovasculares8 As informações que alcançam o sistema nervoso, fazem-no por mecanismos não bem definidos, existindo três hipóteses para explicar como as informações atingem o bulbo cerebral. Eldridge e colaboradores9 propuseram que descargas aferentes, a partir de centros motores superiores, excitariam os neurônios bulbares, provocando os estímulos para os ajustes quando necessários. Outros autores10,11 ponderaram que, em conseqüência à natureza e à intensidade do exercício, estímulos locais, mecânicos e/ou metabólicos, sensibilizariam terminações nervosas de fibras dos grupos III e IV, promovendo a excitação em nível bulbar. Wasserman e Whipp12 consideraram que o fluxo de gás carbônico aos pulmões, pelo retorno venoso, seria responsável pela origem das informações aferentes ao bulbo cerebral.

Quando da realização de um exercício isotônico, o consumo de oxigênio aumenta proporcionalmente ao débito cardíaco e à diferença arteriovenosa de oxigênio10. Nessa condição, o aumento do débito cardíaco deve ser acompanhado por um mecanismo eficiente de redistribuição de fluxo sanguíneo, visto que, nas estruturas musculares solicitadas, ocorre maior atividade metabólica13.

O aumento do débito cardíaco é resultante do aumento da freqüência cardíaca e do volume de ejeção sistólico10. Durante o exercício, mediado por um comando central e por reflexos periféricos14,15, ocorre aumento de descarga simpática e diminuição do tônus vagal16, que, sinergicamente, promovem elevação da freqüência cardíaca. Esse aumento é linear, em relação ao consumo de oxigênio, e atinge seu valor máximo no mesmo patamar em que é máxima a captação de oxigênio17 .

O volume de ejeção sistólico também aumenta quando se realiza um exercício em posição ortostática. Não existe, entretanto, consenso a respeito de se o valor máximo atingido ocorre em torno de 40% a 60%18 ou valor mais elevado em relação ao consumo máximo de oxigênio, ou, ainda, se pode aumentar progressivamente até que se alcance um débito cardíaco máximo19.

A redistribuição de fluxo sanguíneo para os territórios musculares em atividade decorre de uma vasodilatação mediada por metabólitos, que, em nível local, promove alteração de pH, temperatura, pO2, osmolaridade e concentração de potássio13,16. Mesmo com aumento do débito cardíaco, o fluxo sanguíneo não aumenta indiscriminadamente para territórios que não estejam sendo exercitados, porque nessas áreas, ocorre aumento de resistência local conseqüente a uma descarga simpática difusa20.

A diferença arteriovenosa de oxigênio aumenta durante a atividade física em conseqüência da extração acentuada de oxigênio do sangue arterial10. Enquanto indivíduos não treinados conseguem extrair em torno de 15 ml de oxigênio por 100 ml de sangue, indivíduos treinados podem conseguir incrementos de até 20% nessa taxa, o que demonstra o efeito periférico benéfico do treinamento21.

ÍNDICES DE LIMITAÇÃO FUNCIONAL

Uma vez que o exercício físico impõe adaptações fisiólogicas ao sistema cardiovascular e que, em função de uma crescente demanda de oxigênio, ocorrem ajustes cardiovasculares, como o aumento do débito cardíaco e da diferença arteriovenosa de oxigênio, a caracterização de índices que consigam mensurar a aptidão física, como o consumo máximo de oxigênio (VO2 max) e o limiar anaeróbio (LA), trouxe benefícios tanto na área da pesquisa como na área clínica10.

CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO

O consumo máximo de oxigênio pode ser definido como o maior volume de oxigênio por unidade de tempo que um indivíduo consegue captar respirando ar atmosférico durante o exercício22, sendo alcançado quando se atingem níveis máximos de débito cardíaco e de extração periférica de oxigênio23, e não se conseguindo ultrapassá-lo com maior carga de trabalho muscular24.

Duas são as hipóteses na caracterização dos fatores que limitam o consumo máximo de oxigênio. Postula-se, primeiramente, que haveria uma limitação central, isto é, dependente do débito cardíaco máximo (Q max) e do conteúdo de oxigênio no sangue arterial25, e, em segundo lugar, que a limitação seria periférica, expressa pela diferença arteriovenosa de oxigênio e pelo metabolismo tecidual26.

Em síntese, os fatores limitantes exprimem a capacidade do sistema cardiocirculatório em fornecer oxigênio para a célula em atividade e a capacidade tecidual de extrair esse oxigênio10; portanto, o consumo máximo de oxigênio pode ser expresso pela equação de Fick onde:

VO2 máx = Q máx . (a-v)O2 max

O VO2 max pode ser caracterizado como um índice que fornece uma avaliação da capacidade funcional de transporte e utilização de oxigênio10, sendo o volume de ejeção sistólico máximo, o principal fator limitante de captação máxima de oxigênio na maioria dos indivíduos27. O VO2 máx tem sido bastante utilizado no diagnóstico e prognóstico de aptidão física e desempenho em atletas. Sua limitação, no aspecto pratico, deve-se ao fato de existir grande homogeneidade desse índice em atletas de elite. Assim a expectativa de discriminação ou previsão de desempenho em grupos de elite de uma mesma modalidade esbarra na seleção natural prévia que o esporte impõe. Sua maior aplicação pratica acaba por ser caracterizada pela avaliação longitudinal do atleta em diferentes períodos de treinamento.

Em nosso Serviço, temos aplicado a ergoespirometria para determinação do VO2 máx em atletas de diferentes modalidades. Na Figura 1 estão apresentados os valores de referência para 12 modalidades esportivas. Podemos notar que existe uma tendência a valores tanto mais elevados quanto maior é a importância do metabolismo aeróbio no desempenho de cada modalidade. A título de comparação, podemos observar os valores referentes a grupos de indivíduos cardiopatas, sedentários hígidos e obesos.

LIMIAR ANAERÓBIO

Outro índice que reflete satisfatoriamente a aptidão física, e que pode ser empregado tanto na prática clínica como na avaliação e no treinamento de atletas, é o limiar anaeróbio10. Há mais de sessenta anos, foi estabelecido o conceito de que acima de uma determinada intensidade de exercício haveria acúmulo de ácido lático no sangue, acompanhado de aumento da excreção de gás carbônico e da ventilação28.

O exercício físico é acompanhado de aumentos proporcionais de consumo de oxigênio e da eliminação de gás carbônico até uma determinada intensidade. Wasserman e McIlroy29 sugeriram o termo limiar anaeróbio, caracterizando-o, num exercício de cargas crescentes, como um nível de intensidade a partir da qual a ventilação e a produção de gás carbônico aumentam desproporcionalmente, elevando o quociente de trocas gasosas expresso pela razão entre o gás carbônico produzido e o consumo de oxigênio.

Essas alterações decorrem da desproporção entre aporte e demanda mitocondrial de oxigênio, aumentando a relação piruvato/lactato e levando, como conseqüência, ao inicio da acidose metabólica do exercicico23.

Sintetizando, as reações químicas que ocorrem nesse processo podem ser descritas da seguinte forma: a produção aumentada de ácido láctico nas células musculares em atividade alcança, através da membrana celular, a corrente sanguínea, onde, tamponada pelo sistema do bicarbonato, forma lactato de sódio e ácido carbônico; este último, por ser altamente volátil, dissocia-se em gás carbônico e água.

O início da acidose metabólica e o excesso de gás carbônico seriam os responsáveis pelo estímulo dos centros respiratórios que desencadeariam o aumento desproporcional da ventilação que, por sua vez, em conjunto com níveis elevados de gás carbônico, provocaria a elevação do quociente respiratório (R).

Em resumo, o limar anaeróbio, que quando caracterizado exclusivamente em função das trocas respiratórias, recebe a denominação de limiar ventilatório12, pode ser definido como a intensidade de esforço, ou o consumo de oxigênio, acima da qual a produção de ácido láctico supera sua própria remoção, provocando hiperventilação29. Indivíduos não treinados apresentam, em geral, limiar anaeróbio em torno de 50% a 70% do consumo máximo de oxigênio30. Atletas treinados utilizam maior fração do VO2 máx, podendo elevar o limiar anaeróbio até cerca de 85% do VO2 max31.

O limiar anaeróbio tem sido largamente utilizado na prática, tanto no diagnóstico de aptidão física como, e principalmente, na prescrição de treinamento tanto para indivíduos sedentários como para atletas das mais diferentes modalidades. Em termos de aplicação prática, a expressão do limiar anaeróbio em velocidade de corrida quando o teste é realizado na esteira e em carga na bicicleta tem se mostrado extremamente útil. Para o treinador ou preparador físico, saber que seu atleta deve manter determinada velocidade para fazer um treinamento essencialmente aeróbio representa, efetivamente individualizar o trabalho em bases cientificas. Por outro lado, a evolução do limiar anaeróbio tem se mostrado um indicador bastante útil para aferir o progresso do treinamento. Na Figura 3 podemos ver a ilustração da evolução dos índices de limiar anaeróbio de um grupo de jogadores de futebol profissional avaliados no CEMAFE imediatamente após o retorno do período de férias de 30 dias e após 2 meses de treinamento.

O limiar anaeróbio tem se mostrado melhor preditor de desempenho que o VO2 máx para exercícios de longa duração32. Com o objetivo de analisar as correlações entre o ritmo de corrida na maratona e os indicadores fisiológicos de desempenho, submetemos um grupo de 234 atletas do sexo masculino e 63 do sexo feminino a teste de avaliação em esteira rolante para determinação do VO2 máx e limiar anaeróbio imediatamente antes da corrida de uma maratona (maratona de Nova Iorque). Correlacionando a velocidade média desenvolvida na prova por cada atleta com o VO2 máx e com o limiar anaeróbio obtidos no teste, obtivemos respectivamente para o sexo masculino r = 0,75 e r = 0,82 e para o sexo feminino r = 0,83 e r = 0,87, sendo o VO2 máx expresso em ml/kg/min e o limiar anaeróbio em velocidade em km/h.

Outra aplicação prática importante do limiar anaeróbio é a utilização do seu valor expresso em freqüência cardíaca, o que possibilita, pela monitorização contínua desta variável fisiológica, diagnostico preciso da natureza aeróbia ou anaeróbia das mais diferentes modalidades esportivas. Na Figura 5, podemos analisar o comportamento da freqüência cardíaca em um atleta profissional de futebol durante o jogo. Podemos notar que, ao considerarmos o nível de frequência cardíaca do limiar anaeróbio como referência, o atleta alterna momentos de intensidade de exercício acima e abaixo do limiar, caracterizando a natureza mista aeróbia/anaeróbia da modalidade. Este perfil, que é uma característica dependente tanto da aptidão física do atleta como da solicitação específica de sua função tática, permitirá a elaboração de um programa individualizado de treinamento, que na medida do possível, reproduza o tipo de solicitação do jogo. Na Figura 6 é apresentado um registro contínuo de freqüência cardíaca gravado durante um treino oficial para um grande prêmio de motociclismo em um piloto brasileiro na categoria 500 cc. Pode-se observar que mesmo um exercício predominantemente isométrico eleva significativamente a freqüência cardíaca, atingindo-se valores superiores ao limiar anaeróbio, o que, novamente, propicia o diagnóstico da natureza energética das solicitações bem como da intensidade de esforço que deve ser solicitada no treinamento específico.

A ergoespirometria é, portanto, um método que cada vez mais acrescenta qualidade ao diagnóstico da aptidão física e à monitorização do treinamento de atletas, permitindo, inclusive, que se introduza o conceito básico do treinamento científico que é o respeito à individualidade biológica do atleta.

Bikes de Triatlo

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Autor: Sérgio Bunioto

A geometria das bikes de triatlo

Apesar de recente, desde sua criação, o triatlo evoluiu muito em relação ao número de praticantes, às distâncias das competições disputadas e, é claro, ao desenvolvimento tecnológico de seus materiais. Destes, o mais relevante e considerado determinante para um bom resultado, sem dúvida é a bicicleta.

No início, as bikes de triatlo eram provenientes exclusivamente do ciclismo de estrada, uma vez que não havia interesse econômico na criação de um modelo específico para triatletas. Como naquela época a etapa de ciclismo nas competições era realizada sem a permissão do “vácuo” (uso do ciclista à frente para diminuir a resistência do ar), os modelos mais utilizados foram os de contra-relógio, ou time-trial, acrescidos de um longo clip à frente do guidão.

Com o passar dos anos, através da disseminação da modalidade, deu-se início a uma corrida tecnológica visando maximizar o desempenho destes atletas. Paralelamente, o triatlo se difundiu, principalmente através de distâncias mais curtas como a atualmente conhecida distância olímpica. Os percursos passaram a ser mais técnicos e a exigir bicicletas mais ágeis e compactas que as até então utilizadas no contra-relógio.

No início dos anos 90, com a liberação do vácuo nas etapas do circuito mundial, o ciclismo perdeu seu brilho, sendo considerado uma etapa de transição entre a natação e a corrida, com secundária influência sobre o resultado final.

Entretanto, nos últimos anos, a ITU (International Triatlhon Union) valorizando novamente esta etapa, criou competições, desde os Jogos Olímpicos de Sidney, com percursos mais seletivos, incluindo curvas fechadas e subidas íngremes, forçando assim a quebra dos enormes pelotões comumente formados neste tipo de prova.

Assim, devido maior à exposição dos atletas à resistência do ar, as bikes de time-trial voltaram a ganhar espaço, inclusive em distâncias mais curtas, não ficando restritas apenas às competições tradicionais como o ironman.

Através de modificações tecnológicas como o corte traseiro no seat-tube , os quadros TT ( time-trial ) constituem hoje uma bicicleta compacta, com o comprimento total entre as rodas mais aproximado. Neles, a resposta de aceleração nas retomadas de curva, bem como a agilidade e a dirigibilidade do equipamento, tornam-se aumentados. E ainda, como principal vantagem, os quadros TT, devido à geometria verticalizada do seat-tube , segundo estudos científicos, seria capaz de proporcionar benefícios ergonômicos como uma menor freqüência cardíaca e um menor consumo de oxigênio para uma mesma carga. Além disso, devido à posição anteriorizada do atleta, mesmo com o uso do clip, os quadros TT podem impedir uma flexão exagerada do quadril, minimizando efeitos negativos como a compressão do diafragma.

Entretanto, apesar dos benefícios citados acima, ainda são necessários novos estudos, complexos e mais específicos para de fato comprovar a eficácia de rendimento do uso destas bicicletas em competições de triatlo, para dessa forma, melhorar ainda mais o rendimento de nossos atletas.