Clone Humano

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Autoria: Alanderson de Freitas Marron

WASHINGTON – Uma empresa americana disse que clonou um embrião humano, em um avanço destinado não à criação de um ser humano completo, mas sim ao cultivo de células-mãe.
É o primeiro clone bem sucedido de um embrião humano de que se tem notícia, e a companhia biotecnológica Advanced Cell Tchnology Inc., com sede em Worcester, Massachusetts, espera que o experimento ajude a criar melhores tratamentos para doenças que vão desde o mal de Parkinson ao diabetes.

“Nossa intenção não é criar seres humanos clonados, mas sim salvar vidas e produzir tratamentos para uma grande variedade de doenças, incluindo diabetes, derrames, câncer, AIDS e doenças degenerativas como os males de Alzheimer e de Parkinson”, disse o Dr. Robert Lanza, vice-presidente de desenvolvimento médico e científico da ACT, em um pronunciamento.
O anúncio, no entanto, atraiu críticas imediatas daqueles que temem que este avanço acabe por levar à clonagem de seres humanos completos.

O Congresso americano vem se mobilizando para proibir todo tipo de clonagem humana. Uma proposta de lei proibindo clones de seres humanos está sendo debatida pelo Senado.
A Advanced Cell Technology disse que usou tecnologia de clonagem para criar uma pequena esfera de células, que poderá ser usada como uma fonte de células-mãe. As células-mãe embrionárias podem se tornar qualquer tipo de célula existente no corpo. “Cientifica e biologicamente, as entidades que criamos não constituem indivíduos. São apenas vida celular. Não são uma vida humana”, disse Michael West, chefe executivo da ACT, à rede de TV americana ABC.

As leis federais dos Estados Unidos proíbem o uso de verbas públicas para a clonagem de seres humanos, mas a ACT é uma companhia privada e portanto pode fazê-lo à vontade. O vice-presidente da empresa, Joe Cibelli, que liderou o estudo, disse que sua equipe usou a tecnologia tradicional de clonagem, utilizando um óvulo humano e uma célula de pele humana. Eles removeram o DNA do óvulo e o substituíram pelo da célula adulta. O óvulo começou a crescer como se tivesse sido fertilizado por um espermatozóide, mas em vez de se tornar um bebê, tornou-se uma bola de células. A mesma técnica já foi usada para clonar ovelhas, gado e macacos. A companhia não disse se conseguiu ou não obter células-mãe com o embrião clonado.

Tanto a clonagem como a pesquisa com células-mãe são campos muito controversos nos Estados Unidos. Para os cientistas, as células-mãe têm valor porque podem vir a ser usadas no tratamento uma série de doenças, entre elas o câncer e a AIDS. Elas podem ser obtidas a partir de adultos, mas até o momento a fonte mais flexível desse tipo de célula parecem ser os embriões – tão jovens que não passam de um pequeno grupo de células. Estes embriões, normalmente descartados em clínicas de fertilização, são destruídos durante o processo. Por isso, muitas pessoas são contra esse tipo de pesquisa.

O Presidente Bush recentemente decidiu que verbas federais podem ser usadas para financiar pesquisas com células-mãe, desde que as células usadas pertençam a um grupo determinado de colônias criadas antes de agosto e guardadas em 11 centros acadêmicos e laboratórios privados.
Quando a tecnologia de células-mãe puder ser combinada com a clonagem, espera-se que os pacientes possam doar órgãos ou tecidos a si mesmos, num processo conhecido como clonagem terapêutica. “A clonagem terapêutica humana poderia ser usada para tratar diversas doenças relacionadas à idade”, disse West. “Se as células humanas se comportarem como as de animais, talvez seja possível criar células jovens de todos os tipos, idênticas às células do paciente, que poderão ser usadas para tratar a enorme variedade de doenças relacionadas à idade que acompanham o envelhecimento”.
A reação do Congresso, onde a clonagem e a pesquisa com células-mãe vêm sendo debatidas há um bom tempo, foi rápida e furiosa. O líder majoritário do Senado, Tom Daschle, disse que ainda não compreendeu o feito da ACT. “Mas francamente é desconcertante”, disse Daschle na Fox News neste domingo. “Acho que isso está indo na direção errada”.
“Acredito que teremos um grande debate, mas não acho que deixaremos a clonagem humana prosseguir, disse o senador Richard Shelby, do Alabama, à NBC.
O senador Patrick Leahy, de Vermont, concorda. “Achei muito, muito preocupante e acredito que o resto do Congresso pensa o mesmo”, afirma.
A companhia disse que criou apenas um embrião de seis células. Mas West disse que, caso o embrião tivesse sido implantado no útero de uma mulher, teria crescido a ponto de se tornar um ser humano. “Tomamos medidas extremas para ter certeza de que um ser humano não resultasse dessa tecnologia”, disse.

Clonar Animais Ameaçados

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Autoria: Alanderson de Freitas Marron

Naturalmente: Uma vaca poderá dar à luz um clone de uma espécie ameaçada!

Se tudo correr bem, poderá nascer o primeiro animal de uma espécie ameaçada a partir de um animal doméstico usando a tecnologia da clonagem. Noah, um futuro exemplar de uma espécie ameaçada de búfalo selvagem, deverá nascer em Novembro.

É uma notícia sensacional: uma vaca está a preparar-se para dar à luz um clone de uma espécie ameaçada de búfalo selvagem nativo da Ásia. Cientistas americanos afirmam que a gravidez decorre normalmente, sem quaisquer problemas daí que, se tudo correr bem até ao fim desta experiência, poderá nascer o primeiro animal ameaçado usando a tecnologia da clonagem e utilizando uma animal doméstico como “incubadora”. Este búfalo asiático, já baptizado de Noah, deverá nascer em Novembro.

Esta espécie de búfalo selvagem é rara na Índia, Indonésia e Sudeste da Ásia, tendo sido intensamente caçada durante gerações. Mais recentemente os seus habitats de floresta, matas de bambus e pastagens têm diminuído ao ponto de só restarem 36000 exemplares no estado selvagem. Entretanto, o Livro Vermelho elaborado pela World Conservation Union–IUCN listou esta espécie como ameaçada, e o comércio deste animais, ou dos produtos que poderão ser obtidos através deles, foi proibido pela CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).

Assim, se esta experiência for bem sucedida, ficará aberto o caminho para a conservação e preservação de outras espécies em vias de extinção Noah será o primeiro de uma lista de outras espécies ameaçadas que estes investigadores tentarão clonar tais como uma espécie de antílope africano, o tigre da Sumatra e o panda gigante.

Esta técnica de clonagem poderá também recuperar espécies ou sub-espécies já extintas! Talvez o caso mais promissor seja o de uma sub-espécie da cabra montês, a Capra pyrenaica pyrenaica, nativa da Península Ibérica. O último exemplar morreu este ano, mas cientistas espanhóis conseguiram preservar algumas células do animal.

Avanços na técnica da clonagem oferecem a possibilidade de preservar e propagar espécies ameaçadas que têm francas dificuldade em se reproduzir em cativeiro, enquanto se tenta fazer um esforço para a recuperação dos seus habitats, de modo a poderem ser novamente reintroduzidas na natureza. Pode ser, por exemplo, uma técnica a empregar no caso do lince-ibérico.

Outra potencialidade da clonagem é a possibilidade de introdução de novos genes novamente na pool genética das espécies que apresentam um número já muito limitado de exemplares. Ou seja, ao clonarem animais cujas células tenham sido preservadas, os cientistas estão a recuperar os seus genes individuais, enriquecendo a diversidade genética das populações ameaçadas destas espécies. As estatísticas da eficiência desta técnica, reflectem o facto de ainda existirem grandes dificuldades para que o resultado final se traduza num sucesso. Por consequência, as primeiras espécies ameaçadas a serem clonadas serão aquelas das quais se têm já bastantes conhecimentos relativos à sua reprodução.

A clonagem de espécies ameaçadas é bastante controversa, embora na opinião destes investigadores americanos, cujo trabalho foi publicado no último número da conceituada revista americana, Scientific American, esta técnica possa contribuir para os planos de gestão de espécies que se encontram presentemente em vias de extinção.

No entanto, têm surgido críticas muito duras reforçando o facto de o principal problema da conservação e restauração de espécies em vias de extinção ser basicamente a preservação e recuperação dos seus habitats.

Clonagem Terapêutica

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A cada aparição relâmpago, marcada por declarações imprecisas sobre clones humanos que estaria criando, o ginecologista italiano Severino Antinori rouba as esperanças de milhões de portadores de moléstias devastadoras, como diabetes, esclerose múltipla e mal de Alzheimer. Esse contingente expressivo sonha com o dia em que a construção de células e tecidos sob medida – a chamada clonagem terapêutica – possa reverter males incuráveis e reconstituir órgãos combalidos. O segredo está nas células-tronco, estruturas primitivas que se convertem em qualquer tipo de tecido. A grande promessa de um campo jovem da ciência, a medicina regenerativa, é produzir embriões clonados e, a partir de suas células-tronco, fabricar órgãos para transplante sem risco de rejeição.
Com seu discurso, Antinori encarna a figura do cientista onipotente e vaidoso. Quer “brincar de Deus”, fabricando seres humanos à imagem e semelhança de alguém que já existe ou existiu. Essa perspectiva produziu assombro mundial. Vários países preparam leis que vetam o investimento em todo tipo de clonagem, inclusive na que promete salvar vidas. “A autopromoção de Antinori confunde e cria um efeito político negativo para a clonagem terapêutica”, disse a ÉPOCA o prêmio Nobel de Economia Kenneth Arrow. Ao lado de outros 66 laureados pela Academia Sueca, Arrow é signatário de um manifesto em defesa das pesquisas com células-tronco.

CLONAGEM TERAPÊUTICA

O embrião que interessa às pesquisas é um aglomerado de cerca de 200 células, sem forma definida. Nessa fase, surgem estruturas capazes de se transformar em qualquer tipo de tecido
1 DIA – Formação do embrião
As células possuem a capacidade de construir um novo ser em seu interior
5 DIAS Estágio de blastocisto
É a fase de maior potencial. As células podem se transformar em qualquer tecido do organismo.Elas são extraídas e multiplicadas em um banho nutritivo de hormônios e fatores de crescimento. De acordo com a substância adicionada, as células-tronco originam o tecido desejado

Os cientistas já conseguiram transformá-las em células de: Coração, Pâncreas, Cérebro, Fígado, Múculos, Rins e Ossos.

A clonagem terapêutica tem a ver com o método que originou a ovelha Dolly, em 1997, mas o produto final é diferente. Os cientistas injetam num óvulo vazio o núcleo de qualquer célula extraída do paciente. Ao rechear o óvulo, criam um embrião com material genético idêntico ao da célula original, sem precisar de espermatozóide para fecundá-lo. O ovo começa a se dividir até se tornar, no quinto dia de desenvolvimento, um aglomerado de aproximadamente 200 células. Os cientistas interrompem o crescimento do embrião nesse ponto – em vez de implantá-lo no útero, como Antinori diz ter feito. Em seguida, induzem aquelas células a se transformar num tipo específico de tecido. A depender das substâncias químicas adicionadas às células, elas se convertem em pele para queimados, neurônios para vítimas de mal de Parkinson e células de fígado para quem sofre de cirrose hepática, por exemplo.
Até agora, a maioria das descobertas foi realizada em estudos com camundongos. Alguns grupos, como o da Universidade da Califórnia, iniciaram experimentos com embriões humanos, mas interromperam o trabalho, enquanto aguardam aprovação de legislação específica. O grupo do cientista James Thomson, da Universidade de Wisconsin-Madison, um dos pioneiros das pesquisas com células humanas, fez um acordo de financiamento com a empresa de biotecnologia Geron para continuar os experimentos sem depender de dinheiro público. É tempo de avançar.
Na semana passada, a empresa americana Advanced Cell Technology (ACT) anunciou a primeira prova científica de que tecidos criados por clonagem terapêutica não são rejeitados pelo organismo. Pedaços de músculo cardíaco e de rins, desenvolvidos a partir de células clonadas de vacas, foram implantados com sucesso nesses animais, que dispõem de sistema imunológico sofisticado, semelhante ao humano. Antes desse estudo, opositores da técnica argumentavam que a idéia de construir órgãos compatíveis com o receptor era puramente teórica. “Já provamos as aplicações médicas da clonagem e condenamos qualquer tentativa de produzir gestações”, ressalta o presidente da ACT, Michael West.

AS PERSPECTIVAS

As pesquisas com células-tronco indicam novos caminhos para o tratamento de muitas doenças:

  • Pele
  • Queimaduras
  • Olhos
  • Doenças na córnea e no cristalino
  • Coração
  • Enfarte
  • Ossos
  • Osteoporose e artrite
  • Pâncreas
  • Diabetes
  • Fígado
  • Hepatite e cirrose Cérebro
  • Mal de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla
  • Rins
  • Câncer
  • Sangue
  • Hemorragias, imunodeficiência
  • Medula óssea
  • Câncer
  • Pulmão

A empresa provocou furor no fim do ano passado ao revelar o surgimento do primeiro clone humano, na verdade um embrião que só se desenvolveu até o estágio de seis células. A intenção dos pesquisadores era produzir células-tronco para mudar a vida de gente como o médico Judson Somerville, de 40 anos. Paraplégico desde 1991 devido a um acidente de bicicleta, o texano forneceu fragmentos de pele para criar o embrião clonado. O objetivo era reconstituir a medula com células novas. “Minha filha de 14 anos quer que eu a acompanhe ao altar quando se casar. Até lá, estarei em pé”, acredita Somerville.
Os testemunhos de recuperação impressionam. Em 1999, o americano James Ellison, de 37 anos, tornou-se um dos primeiros americanos com esclerose múltipla a receber um transplante de células-tronco, obtidas não de um embrião, mas da própria medula. A doença, produzida por uma desordem imunológica, ataca o tecido nervoso e causa paralisia. Ellison não está totalmente recuperado, mas voltou a andar alguns meses depois da cirurgia.
A perspectiva de cura sem trauma é revolucionária, mas reacende um velho dilema: até que ponto se pode dispor de embriões com objetivos terapêuticos? O material orgânico que interessa à ciência está longe de ser um daqueles fetos flagrados em exames de ultra-sonografia. Os pesquisadores buscam apenas um agrupamento microscópico de células. Não foi gerado pela união do homem com a mulher, e sim por um processo asséptico e artificial. Em tese, porém, poderia dar origem a um clone de carne e osso se fosse implantado no útero de uma mulher.
Os adversários da clonagem terapêutica dizem que a técnica pode transformar embriões numa commodity valiosa como ouro. Argumentam, com boa dose de razão, que as autoridades dificilmente conseguirão rastrear os embriões e saber se eles serão usados para fins terapêuticos ou reprodutivos. Há um consenso na comunidade científica sobre a inadequação da clonagem como forma de reprodução. Cada animal copiado exigiu a morte de centenas de fetos malformados. Fora isso, clones parecem envelhecer precocemente e suspeita-se que possam desenvolver doenças genéticas ao longo da vida. Ser Dolly não é simples.
Antinori, fixado na perspectiva de clonar humanos, não está sozinho na empreitada. O médico cipriota Panos Zavos, ex-colaborador do italiano, e a bioquímica canadense Brigitte Boisselier também alegam que estão prontos para criar bebês clonados. Contam com o apoio de casais inférteis obcecados pela idéia de ter um filho e de narcisistas radicais, interessados em produzir cópias de si mesmos. No mesmo bloco, há os fiéis de uma seita internacional com sede na Suíça, os raelianos. Eles acreditam que a vida na Terra tenha sido gerada por extraterrestres e querem perpetuar sua linhagem por meio de clones. Delírios como esses indicam a urgência de uma legislação internacional sobre o assunto.
O grande embate vai ocorrer ainda neste mês no Senado americano, que votará um projeto de lei altamente restritivo. A proposta do republicano Sam Brownback e da democrata Mary Landrieu pune com dez anos de prisão e multas pesadas quem realizar experiências de clonagem, seja para criar um bebê, seja para curar ä doenças. O projeto impede até a importação de remédios derivados de clonagem terapêutica ou o tratamento de cidadãos americanos no Exterior. O presidente George W. Bush já avisou que sancionará a lei se ela for aprovada. Há um ano, Bush limitou o investimento público apenas a pesquisas com material embrionário já existente.
Ao condenar a clonagem terapêutica, Bush se inspira nos mesmos grupos reacionários que sustentam a proibição do aborto nos Estados Unidos. Para eles, não há diferença entre a mulher que retira um filho indesejado e o cientista que quer obter células-tronco de embriões. Enquanto isso, clínicas de reprodução assistida estocam óvulos recém-fecundados e depois descartam os não utilizados. Se embriões hoje são jogados no lixo, por que não usá-los com o propósito de salvar vidas?
Para o cientista americano David Baltimore, laureado com o Prêmio Nobel de Medicina por suas pesquisas sobre câncer, uma massa de células com cinco dias de desenvolvimento não pode ser tratada como um ser humano. “Se enquadrarmos o uso de células-tronco como assassinato, vamos desperdiçar uma oportunidade enorme”, afirma. O debate traz de volta a divergência de conceitos sobre o momento em que a vida humana começa a existir. Para a Igreja Católica, isso ocorre no instante em que o óvulo é fecundado e começa a se dividir. Para os cientistas, só há vida depois que o embrião se prende ao útero, o que não acontece antes do sétimo dia de gestação.
A perspectiva de emperrar a pesquisa assusta investigadores sérios. A Coalizão para o Avanço da Pesquisa Médica – aliança de universidades, empresas e associações de pacientes – sustenta que a medida levará à evasão de cientistas americanos para países como Inglaterra, Israel e China, que apóiam experiências com embriões. Já serviria de exemplo o caso do cientista Roger Pedersen, que trocou o cargo de professor na Universidade da Califórnia por uma posição em Cambridge, na Inglaterra. ”Se passar, a lei trará uma intromissão governamental sem precedentes no processo científico”, diz Sean Tipton, um dos diretores da entidade.
Na falta de uma diretriz nacional, Estados americanos começam a criar leis locais. Dois deles, Iowa e Michigan, já baniram qualquer tipo de clonagem. Os cientistas americanos torcem para que o país adote um projeto de lei mais sensato, dos senadores democratas Dianne Feinstein e Edward Kennedy. A proposta proíbe a clonagem reprodutiva, sem restringir a pesquisa médica. Recentemente, a dupla conquistou uma adesão importante: o republicano Orrin Hatch, um reconhecido militante antiaborto.

O gabinete do doutor Antinori
Métodos polêmicos fazem o sucesso da clínica de Roma

O controvertido Severino Antinori ganhou notoriedade em 1994, quando uma de suas pacientes, Rosanna Della Corte, deu à luz aos 63 anos. O impacto do recorde mundial, considerado um experimento abusivo pelo Vaticano, quase provocou a perda da licença profissional do ginecologista. A Associação Médica Italiana ameaça cassá-la caso ele continue insistindo nos planos de clonagem. Aos 56 anos, Antinori não se sente intimidado. Afirma que três mulheres estão gerando clones e calcula que os bebês nasçam entre dezembro deste ano e janeiro de 2003. Segundo ele, as voluntárias vivem em países islâmicos e da ex-URSS.
O médico, que na juventude ajudava um tio veterinário a inseminar vacas, fez fama nos anos 80 graças a técnicas de reprodução inovadoras e questionáveis. Para a maioria dos cientistas, Antinori não passa de um criador de factóides. Isso não impede que a ante-sala de seu consultório transborde de clientes. Celular em punho, Antinori costuma circular de uma sala a outra em altos brados. É conhecido por explosões de temperamento, tais como atirar escada abaixo a câmera de uma equipe de TV. Na década passada, colecionou mais brigas na Justiça que publicações científicas. Contabiliza 30 ações contra jornalistas, colegas e “inimigos talebans”, como se refere aos membros da Igreja Católica.

O esforço de legislar sobre uma área recente do conhecimento, cheia de perspectivas e incertezas, mobiliza a Organização das Nações Unidas. A entidade quer criar uma convenção internacional que permita o desenvolvimento da clonagem terapêutica e enquadre a reprodutiva na categoria de crimes contra a dignidade humana, comparáveis à tortura e ao terrorismo. A medida fincará obstáculos na busca por financiamento e transformará em párias os cientistas aventureiros. Em fevereiro, representantes de 80 países tentaram aprovar o documento. O acordo foi adiado para 2003 porque EUA, Itália e Espanha insistem em banir também a clonagem terapêutica.
No Brasil, a discussão começa a florescer. O Senado promove um seminário sobre o assunto nos dias 11 e 12. Cientistas, religiosos, advogados, donos de clínicas de fertilização e associações de pacientes debaterão um projeto de lei do senador Sebastião Rocha (PDT-AP), que barra a clonagem para gerar filhos e regulamenta a modalidade que interessa à medicina. Atualmente, uma norma da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança impede pesquisas com células de embrião, a contragosto de alguns acadêmicos. “Sinto-me de mãos atadas”, diz a geneticista Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. A equipe de Lygia é uma das poucas no Brasil que criaram linhagens de células-tronco embrionárias em camundongos. Os pesquisadores fizeram com que essas estruturas se convertessem em tipos variados de tecido. Lygia estusiasma-se ao observar que as células induzidas a virar músculo cardíaco pulsam sob a lente do microscópio. “Seria maravilhoso repetir o processo em humanos”, diz.
A sensação de urgência é compartilhada por vítimas de várias moléstias. Há dois anos, a mineira Edna Pupin, presidente da Associação dos Amigos dos Portadores de Distrofia Muscular de Ribeirão Preto, juntou-se a famílias de São Paulo para criar o Centro de Terapia Gênica, o primeiro do país, sustentado com economias particulares. No laboratório, o geneticista Sérgio Dani tenta reverter a doença que leva à falência dos músculos. Por enquanto, testa o tratamento em cães. Depois de colher células-tronco da medula óssea dos animais portadores da doença, Dani pretende agregar a elas o gene produtor de uma proteína fundamental ao bom funcionamento dos músculos. Em seguida, as sementes serão injetadas na corrente sanguínea do doador. Espera-se que elas formem colônias de tecido saudável e a técnica seja aprovada para testes em humanos.

FÁBRICA DE VIDA

Tesouros armazenados na Universidade de Wisconsin-Madison, uma das mais avançadas na pesquisa de clonagem terapêutica nos EUA
Colônias de células-tronco (formas arredondadas) têm potencial de se transformar em qualquer tecido do organismo humano. Com elas, os cientistas já conseguiram criar as estruturas abaixo:
Células sanguíneas (glóbulos vermelhos) foram desenvolvidas a partir de embriões. No futuro, elas poderão abastecer bancos de transfusão ou beneficiar pacientes que sofreram transplantes
Neurônios úteis à pesquisa contra os males de Parkinson e Alzheimer foram derivados de células-tronco após um banho de nutrientes

Edna Pupin representará a ansiedade das famílias no seminário do Senado. Defenderá a liberação de pesquisas com embriões humanos paralelamente aos estudos em animais. Torce pela aprovação de uma legislação que permita ao menos a doação para a ciência dos milhares de embriões descartados pelas clínicas de reprodução assistida. ”Salvar a vida de alguém é um fim nobre para um embrião que será jogado fora de qualquer jeito”, diz Edna. A distrofia muscular já comprometeu os pulmões de seu filho, Murilo, de 23 anos, que vive ligado a um respirador artificial. “Se as células de um embrião pudessem salvá-lo, faria uma inseminação artificial só para isso”, afirma.
As convicções de Edna lançam lenha na fogueira da ética e da religião. Não há consenso sequer entre as famílias diretamente interessadas no avanço da medicina. A economista Maria Cecília de Siqueira e Mello perdeu a batalha contra o tempo depois de percorrer empresas em busca de doações para as pesquisas de distrofia muscular. Seu filho, Luís Filipe, morreu há dois meses. O rapaz de 20 anos deixou de andar na infância e tinha sérias deformações na coluna vertebral. “Jamais destruiria um embrião para salvar meu filho”, diz Maria Cecília.
Ela prefere apostar em formas alternativas de obtenção de células-tronco. Essas estruturas primitivas são encontradas, por exemplo, no cordão umbilical. Os médicos pretendem criar bancos de cordões em todo o Brasil para guardar o material doado pelas mães no momento do parto. Querem copiar o exemplo da China, que já conseguiu estocar milhares de bolsas da matéria-prima promissora. Aidéia é montar uma rede com células derivadas dos mais diversos perfis genéticos. Assim qualquer cidadão poderia encontrar células compatíveis com seu organismo quando precisasse de tratamento.
Outra opção ao uso de embriões é a busca de células-tronco no organismo de seres humanos adultos. Isso equivale a procurar uma agulha no palheiro: calcula-se que apenas uma em cada 1 milhão de células da medula óssea tenha de fato um grande potencial de criar diversos tipos de tecido. Em adultos, as sementes promissoras também foram encontradas, sempre em pequenas quantidades, na pele, no cérebro e até no couro cabeludo. Ainda não se mostraram tão fartas ou capazes de se transformar em qualquer tecido do organismo como as células de embrião. Os brasileiros investem nessa linha, enquanto a manipulação de embriões permanece uma possibilidade remota. O Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual, criado pelo governo federal, financia atividades em 13 centros de pesquisa que investigam a capacidade de criação de tecidos humanos – do nervoso ao ósseo.
Um dos expedientes prediletos de quem quer impedir as pesquisas com embriões é afirmar que células-tronco extraídas de adultos cumprem o mesmo papel do embrião clonado, com a vantagem de eliminar o dilema ético e religioso. “Isso é falso”, diz o Nobel de Medicina David Baltimore. “Ainda não foi demonstrado que as células de adultos tenham o potencial de se transformar em qualquer tecido do organismo”, explica. Dois estudos publicados na revista Nature no início de abril indicam que células-tronco extraídas de ratos adultos simplesmente se fundem com outras células do receptor, sem criar o tecido desejado. O cientista Naohiro Terada, da Universidade da Flórida, adverte que a conclusão não invalida os bons resultados obtidos em voluntários humanos.
Por enquanto, as experiências brasileiras são realizadas com células extraídas da medula óssea dos próprios pacientes. Em dezembro, o aposentado José Carlos Rosa, de 54 anos, recebeu implantes de célula-tronco no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Vítima de isquemia cardíaca, falta de irrigação sanguínea, José Carlos teve 100% de recuperação. Injetadas no braço, as células-tronco chegaram ao coração e criaram outras artérias. “Ganhei vida nova”, diz. Até o início de julho, a experiência será repetida em 30 pacientes vitimados pela doença de Chagas, em Salvador.
Nos Estados Unidos, pessoas com lesões nos ossos aguardam o lançamento de uma alternativa menos traumática que os implantes tradicionais. O cientista Yunhua Hu, da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, desenvolveu um polímero que transporta células-tronco para as áreas do corpo desejadas. Em contato com a região danificada, elas se transformam em células de osso e recuperam o tecido lesado. O potencial das células-tronco extraídas de adulto jamais teria sido descoberto sem pesquisas realizadas com embriões abortados ou descartados pelas clínicas de fertilização. Graças a experimentos polêmicos, os cientistas começam a entender os mecanismos que levam uma célula matriz a se transformar em pele ou neurônio, cabelo ou músculo cardíaco. As sociedades científicas sustentam que, apesar dos anúncios de sucesso com células adultas, é um equívoco impedir as pesquisas com embriões.
O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Esper Cavalheiro, um entusiasta da clonagem terapêutica, espera com ansiedade a aprovação de uma legislação avançada. “Temos de discutir se a proibição de pesquisas com embriões é restritiva demais e rouba esperança de milhões de brasileiros”, afirma. Com o objetivo de desvincular as pesquisas sérias das tentativas de produzir clones de carne e osso, cientistas propuseram uma alteração no jargão acadêmico. Querem que a clonagem terapêutica seja rebatizada como “transferência nuclear de célula somática”. O americano Charles Krauthammer, membro do Conselho de Bioética que assessora George W. Bush, faz piada. Segundo ele, a mudança equivale a dizer: ”Sexo? Nada disso. Isso é apenas a introdução do pênis na vagina”. A clonagem que promete salvar vidas não precisa de eufemismos.

O que é clonagem terapêutica?

Se pegarmos este mesmo óvulo cujo núcleo foi substituído por um de uma célula somática e, em vez de inseri-lo em um útero, deixarmos que ele se divida no laboratório, teremos a possibilidade de usar estas células, que são totipotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abriria perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido em que foram retiradas. Por isso, o grande alarde da empresa americana Advanced Cell Technology quando noticiou, no fim de 2001, que havia conseguido em laboratório o primeiro clone humano.

Infelizmente, a experiência divulgada por esses pesquisadores não foi nenhum sucesso, porque o embrião parou de se dividir com seis células. É importante que as pessoas entendam que na clonagem para fins terapêuticos serão gerados só tecidos em laboratório, sem implantação no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois retirar-lhe os órgãos, como alguns acreditam. A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente, ou substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto.

Entretanto, essa técnica tem suas limitações. Ela não serviria para portadores de doenças genéticas como, por exemplo, um afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir seu tecido muscular. Além disso, se houver redução no tamanho dos telômeros, as células clonadas teriam a idade do doador e não seriam necessariamente células jovens. Uma outra questão em aberto seria o comportamento dos genes de imprinting , que poderiam inviabilizar o processo dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído. Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia muito cara e com limitações importantes. Por esse motivo, a grande esperança vem não da clonagem, mas da utilização de células-tronco de outras fontes, como veremos a seguir.

Cronologia da descoberta do DNA

1865 O botânico e monge austríaco GREGOR MENDEL descobre as leis da hereditariedade depois de um extenso estudo com ervilhas.
1953 28/02 – O americano JAMES WATSON e o inglês Fancis Cick desvendam a estrutura da dupla hélice do DNA, a molécula que carrega o Código Genético.
25/04 – A descoberta é publicada num artigo de uma página na revista Nature, sem chamar a atenção da comunidade científica.
1973 O bioquímicos americanos Staley Cohen e Hebert Boyer inserem o gene de um sapo africano no DNA de uma bactéria e dão inicio a engenharia genética.
1982 O governo americano aprova o uso de INSULINA feita a partir de uma bactéria alterada geneticamente. É o primeiro remédio produzido pela engenharia genética.
1994 Os EUA aprovam o primeiro alimento transgênico, um TOMATE que demora a amadurecer.

Clonagem Humana

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Autoria: Aline

Cientistas “renegados” anunciaram recentemente que estão prontos para oferecer serviços particulares de clonagem de seres humanos, apesar da proibição formal para esse tipo de pesquisa imposta por muitos governos. A clonagem é a produção de um indivíduo geneticamente idêntico a outro, através da inserção do genoma completo de uma célula adulta em um óvulo, e posteriormente seu desenvolvimento em uma “barriga de aluguel”. A ovelha Dolly foi o primeiro (e mundialmente famoso) clone de um mamífero adulto, obtido por um instituto de pesquisa do Reino Unido, em 1998. Depois da Dolly, clones de vários outras espécies animais foram obtidas. Portanto, é apenas uma questão de tempo até que a ciência consiga clonar um ser humano. Os obstáculos são mais de natureza moral e ética do que tecnológica científica.

Clonagem humana: manipulando a vida
Julio Severo
As pesquisas com células-troncos são consideradas atualmente o avanço mais importante na história da medicina. O motivo é que essas células são versáteis e possuem o potencial de serem transformadas em células de substituição para o cérebro, coração, músculos, rins, fígado e outras partes do corpo.
Há duas origens de células-troncos: de pessoas adultas e embriões. Embora pesquisas nessa área possam trazer vários benefícios médicos importantes, há muitas dúvidas com relação ao uso dessas células.
O maior interesse dos cientistas é nas células de embriões. Mas qual a mãe que ofereceria o próprio embrião (filho) para ser utilizado em experiências de laboratório? As pessoas se sentem incomodadas com a questão, mas os cientistas afirmam que não há outro meio de se alcançar cura para determinadas doenças. Assim, para “evitar” maiores controvérsias, eles querem criar embriões através da clonagem para “salvar” outras vidas. Além disso, eles alegam que um embrião humano criado em laboratório é diferente de um embrião se desenvolvendo na barriga de uma mãe.
Na verdade, os clones na fase inicial de desenvolvimento não são diferentes em espécie ou natureza dos embriões normais na mesma fase de crescimento. Cada um é uma pessoa, uma vida humana, com sexo e com uma constituição genética específica.
Eis a verdade biologicamente precisa do que aconteceria se eu me submetesse a um “tratamento” com células-troncos extraídas de embriões criados através da clonagem:
Meu DNA seria extraído de uma de minhas células somáticas. O núcleo de um óvulo de uma mulher seria removido. Meu DNA, que contém 46 cromossomos, seria introduzido na parte do óvulo que antes continha o núcleo. O óvulo geneticamente modificado seria então estimulado a iniciar o desenvolvimento como embrião. O embrião criado seria em essência meu irmão gêmeo idêntico. Os pais biológicos dele seriam meus pais. Quando meu irmão fizesse 14 dias de vida, ele seria destruído a fim de que fossem extraídos dele as células-troncos. Essas células-troncos então seriam levadas a se diferenciar no tipo de órgão que eu preciso para meu tratamento médico. Uma linha dessas células já diferenciadas seria mantida e cultivada até que houvesse órgãos suficientes para introduzir em meu corpo. Assim, os órgãos do meu irmão gêmeo seriam introduzidos em mim, para tratar da minha doença.
Portanto, o ato da clonagem não ocorre quando o bebê nasce. O clone é criado quando o núcleo de um óvulo humano é removido e implantado com material genético tirado da pessoa que está sendo clonada. O óvulo é então estimulado e reage como se tivesse sido fertilizado. Quando esse processo começa, já existe um clone humano. Depois disso, é só uma questão do que se fará com a vida humana que se criou: pesquisas que a destruirão (clonagem terapêutica) ou implantação num útero .

O que é clonagem?

Clonagem é o processo de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo – microrganismo, vegetal ou animal. A clonagem pode ser natural ou induzida artificialmente. Ela é natural em todos os seres originados a partir de reprodução assexuada, ou seja, na qual não há participação de células sexuais, gametas, como é o caso das bactérias e dos seres unicelulares. A clonagem natural também pode ocorrer em mamíferos, como no tatu e, mais raramente, nos gêmeos univitelinos. Nos dois casos, embora haja reprodução sexuada na formação do ovo, os descendentes idênticos têm origem a partir de um processo assexuado de divisão celular. Em seguida, os cientistas inserem um núcleo retirado de uma célula adulta da pessoa que querem clonar. Essa célula é diplóide, ou seja, tem o conjunto completo de cromossomos e genes. Através de um choque elétrico aplicado ao óvulo, os cientistas induzem a sua divisão, dando início à geração do embrião. De modo a ser usada para fins terapêuticos, essa divisão é interrompida artificialmente quando os cientistas conseguem colher as células em que estão interessados, chamadas de células-tronco. Essas são células primitivas dão origem a todas as demais, como células nervosas, células do coração, etc.

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O que é um clone?

O problema é que a palavra clone transmite popularmente a idéia de uma cópia perfeita de um ser vivo. A palavra se originou no reino vegetal, onde o processo é usado há muito tempo pelos agricultores para produzir um pomar ou uma horta inteira de plantas geneticamente idênticas, tais como macieiras. Também dá uma idéia de cópias indistinguíveis de um original, geralmente para fins fraudulentos, tais como placas de automóveis, telefones celulares, cartões de crédito, etc.

O Comércio dos Clones.

Recentemente uma empresa americana, a Advanced Cell Technologies, declarou que teria feito a primeira clonagem de um ser humano para fins terapêuticos. O anúncio provocou uma enorme polêmica, levando a uma condenação quase universal, desde o Presidente Bush (que a declarou “imoral”), até, compreensivelmente, o Vaticano.

Quando surgiu a clonagem?

A idéia de clonagem surgiu em 1938 quando Hans Spermann, embriologista alemão (Nobel de Medicina, 1935) propôs um experimento que consistia em transferir o núcleo de uma célula em estágio tardio de desenvolvimento para um óvulo. Em 1952, Robert Briggs e Thomas King, da Filadélfia, realizam a primeira clonagem de sapos a partir de células embrionárias. Em 1984, Steen Willadsen da Universidade de Cambridge clonou uma ovelha a partir de células embrionárias jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Wisconsin clonou uma vaca a partir de células embrionárias jovens do mesmo animal (1986). Em 1995, Ian Wilmut e Keith Campbell, da estação de reprodução animal na Escócia, partiram de células embrionárias de 9 dias para clonar duas ovelhas idênticas chamadas de “Megan” e “Morag”. No ano seguinte surgiu “Dolly”, clonada pelas mãos destes mesmos pesquisadores a partir de células congeladas de uma ovelha. Esta foi a grande inovação – e que criou a grande repercussão do caso-, um clone originado não de uma célula embrionária, mas sim de uma célula mamária. Em 1997, Dolly teria seu nascimento anunciado, sendo o marco de uma nova era biotecnológica.
Posteriormente à ovelha mais famosa do mundo surgiram clones de bezerros, cabras, camundongos, porcos e macaco rhesus. Hoje a corrida tecnológica da clonagem tem como países líderes os Estados Unidos, Escócia, Inglaterra, Japão, Nova Zelândia e Canadá.
Os procedimentos mais utilizados em animais e que começam a ser usados em clonagem de humanos são dois: um deles consiste em utilizar o material genético (núcleo) extraído de uma célula não reprodutiva ou somática (diferente do óvulo ou espermatozóide) de um indivíduo e inseri-lo em um óvulo cujo núcleo com DNA tenha sido retirado. Essa célula pode ser originada de um embrião, feto ou adulto que estejam vivos, mantidos em cultura em um laboratório ou de tecido que esteja congelado.
A outra técnica consiste na fusão de uma célula inteira com um óvulo sem material genético. Foi essa justamente a técnica utilizada em Dolly. Sua fase crítica – em que o experimento pode não dar certo -se dá na etapa de fusão das células, feita através de corrente elétrica ou com um vírus chamado Sendai

Histórico da clonagem:
– Em 1952 é realizada a primeira experiência do gênero, a clonagem de rãs a partir de núcleos de células somáticas.
– Em 1970 são feitas pesquisas com embriões de ratos.
– Em 1979 são feitas pesquisas com ovelhas.
– Em 1993, cientistas norte-americanos clonam embriões humanos, mas posteriormente eliminam as sementes.
– Em 1997, o mundo conhece o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula somática, Dolly é seu nome, a partir daí a barreira de se criar indivíduos de forma assexuada foi quebrada
Em 1999 começa estudos para tentar clonar um mamute extinto a 20 mil anos.

Opiniões
A preocupação com a abordagem das questões éticas dos processos de clonagem não é recente. Desde a década de 1970 vários autores tem discutido diferentes questionamentos a respeito dos aspectos éticos envolvidos. Paul Ramsey, em 1970, propôs a importante discussão sobre a questão da possibilidade da clonagem substituir a reprodução pela duplicação. Esta possibilidade reduziria a diversidade entre os indivíduos, com o objetivo de selecionar características específicas de indivíduos já existentes.
Em 1986 o pesquisador britânico Kary Mulis descobriu um processo simples e eficiente de aumentar a quantidade de DNA de certa amostra. Trata-se da reação em cadeia da polimerase (PRC, do inglês polymerase chain reaction =O “milagre” da multiplicação). Atualmente, a reação em cadeia da polimerase é realizada em equipamentos automatizados e, graças a esse método, pode-se multiplicar a quantidade disponível de DNA por mais de um milhão, em pouco mais de duas horas!
Inicialmente, a solução contendo o DNA a ser “clonado” é aquecida por dois minutos. Com isso, ocorrre desnaturação da molécula e as duas cadeias se separam. A seguir, nucleotídeos livres começam a se emparelhar com os complementares, em cada uma das cadeias recém-separadas.Finalmente, uma DNA-polimerase resistente a altas temperaturas, obtida de bactérias que vivem em fontes termais, une esses nucleotídeos, formando, junto de cada cadeia antiga, uma nova cadeia complementar. Com isso, surgem duas moléculas idênticas de DNA. O ciclo pode ser reiniciado, repetindo-se aproximadamente a cada seis minutos e meio. Esse método permite pesquisar a presença de DNA em amostras de diversos materiais biológicos, como sangue, esperma, restos de tecidos, fósseis etc.

Clone Humano

WASHINGTON – Uma empresa americana disse que clonou um embrião humano, em um avanço destinado não à criação de um ser humano completo, mas sim ao cultivo de células-mãe.
É o primeiro clone bem sucedido de um embrião humano de que se tem notícia, e a companhia biotecnológica Advanced Cell Tchnology Inc., com sede em Worcester, Massachusetts, espera que o experimento ajude a criar melhores tratamentos para doenças que vão desde o mal de Parkinson ao diabetes.

“Nossa intenção não é criar seres humanos clonados, mas sim salvar vidas e produzir tratamentos para uma grande variedade de doenças, incluindo diabetes, derrames, câncer, AIDS e doenças degenerativas como os males de Alzheimer e de Parkinson”, disse o Dr. Robert Lanza, vice-presidente de desenvolvimento médico e científico da ACT, em um pronunciamento.
O anúncio, no entanto, atraiu críticas imediatas daqueles que temem que este avanço acabe por levar à clonagem de seres humanos completos.

O Congresso americano vem se mobilizando para proibir todo tipo de clonagem humana. Uma proposta de lei proibindo clones de seres humanos está sendo debatida pelo Senado.
A Advanced Cell Technology disse que usou tecnologia de clonagem para criar uma pequena esfera de células, que poderá ser usada como uma fonte de células-mãe. As células-mãe embrionárias podem se tornar qualquer tipo de célula existente no corpo. “Cientifica e biologicamente, as entidades que criamos não constituem indivíduos. São apenas vida celular. Não são uma vida humana”, disse Michael West, chefe executivo da ACT, à rede de TV americana ABC.

As leis federais dos Estados Unidos proíbem o uso de verbas públicas para a clonagem de seres humanos, mas a ACT é uma companhia privada e portanto pode fazê-lo à vontade. O vice-presidente da empresa, Joe Cibelli, que liderou o estudo, disse que sua equipe usou a tecnologia tradicional de clonagem, utilizando um óvulo humano e uma célula de pele humana. Eles removeram o DNA do óvulo e o substituíram pelo da célula adulta. O óvulo começou a crescer como se tivesse sido fertilizado por um espermatozóide, mas em vez de se tornar um bebê, tornou-se uma bola de células. A mesma técnica já foi usada para clonar ovelhas, gado e macacos. A companhia não disse se conseguiu ou não obter células-mãe com o embrião clonado.

Tanto a clonagem como a pesquisa com células-mãe são campos muito controversos nos Estados Unidos. Para os cientistas, as células-mãe têm valor porque podem vir a ser usadas no tratamento uma série de doenças, entre elas o câncer e a AIDS. Elas podem ser obtidas a partir de adultos, mas até o momento a fonte mais flexível desse tipo de célula parecem ser os embriões – tão jovens que não passam de um pequeno grupo de células. Estes embriões, normalmente descartados em clínicas de fertilização, são destruídos durante o processo. Por isso, muitas pessoas são contra esse tipo de pesquisa.

O Presidente Bush recentemente decidiu que verbas federais podem ser usadas para financiar pesquisas com células-mãe, desde que as células usadas pertençam a um grupo determinado de colônias criadas antes de agosto e guardadas em 11 centros acadêmicos e laboratórios privados.
Quando a tecnologia de células-mãe puder ser combinada com a clonagem, espera-se que os pacientes possam doar órgãos ou tecidos a si mesmos, num processo conhecido como clonagem terapêutica. “A clonagem terapêutica humana poderia ser usada para tratar diversas doenças relacionadas à idade”, disse West. “Se as células humanas se comportarem como as de animais, talvez seja possível criar células jovens de todos os tipos, idênticas às células do paciente, que poderão ser usadas para tratar a enorme variedade de doenças relacionadas à idade que acompanham o envelhecimento”.
A reação do Congresso, onde a clonagem e a pesquisa com células-mãe vêm sendo debatidas há um bom tempo, foi rápida e furiosa. O líder majoritário do Senado, Tom Daschle, disse que ainda não compreendeu o feito da ACT. “Mas francamente é desconcertante”, disse Daschle na Fox News neste domingo. “Acho que isso está indo na direção errada”.
“Acredito que teremos um grande debate, mas não acho que deixaremos a clonagem humana prosseguir, disse o senador Richard Shelby, do Alabama, à NBC.
O senador Patrick Leahy, de Vermont, concorda. “Achei muito, muito preocupante e acredito que o resto do Congresso pensa o mesmo”, afirma.
A companhia disse que criou apenas um embrião de seis células. Mas West disse que, caso o embrião tivesse sido implantado no útero de uma mulher, teria crescido a ponto de se tornar um ser humano. “Tomamos medidas extremas para ter certeza de que um ser humano não resultasse dessa tecnologia”, disse.

Quais são os interesses na clonagem?

* Especialistas brasileiros discutem ganhos e riscos da genética

CLONAGEM REPRODUTIVA: “NÃO ESTAMOS PREPARADOS”

Quando se trata de clonagem humana, a pesquisadora é bastante cautelosa. Segundo Zatz, a aplicação da técnica com fins reprodutivos não permite o diagnóstico de mutações patológicas, além de não oferecer garantias da idade biológica da criança ao nascer ou das consequências a longo prazo.
“É uma aventura para a qual não estamos preparados”, avaliou a especialista.
A situação muda quando a técnica é aplicada com finalidade terapêutica. Segundo Zatz, a clonagem foi permitida na Grã-Bretanha, desde que feita com embriões de até 14 dias, compostos por 16 células, sem implantação no útero.
“Como decidiríamos quem seria clonado e o que faríamos com os clones que não deram certo?”, questionou a especialista ao lembrar que foram feitas 277 tentativas na experiência que originou a ovelha Dolly, primeiro animal clonado no mundo.

Composto para clonagem causa mutações, diz estudo.

Quarta 19 de maio de 2004, 18h12 .

Pesquisadores da Universidade do Chile fizeram hoje um alerta à comunidade científica internacional sobre o perigo de a utilização de um composto químico na clonagem de animais e de embriões humanos gerar mutações.
A pesquisadora chilena Ruby Valdivia e o professor japonês Motoe Kato descobriram uma mutação de forma acidental, enquanto faziam clonagens de bactérias nos laboratórios universitários do Centro de Avaliação de Riscos de Genotoxicidade.
Para desenvolver sua experiência, empregaram um composto químico de uso freqüente nas clonagens, o 6-DNAP (6 dimetil aminopurina), cuja função é ativar o óvulo para levar à reprodução da célula, cujo DNA (código genético) será idêntico ao da célula de origem.
Ao observar o resultado de seu trabalho, ambos pesquisadores detectaram um sinal estranho que chamou sua atenção, segundo explicaram em entrevista coletiva.
Com o propósito de esclarecer suas dúvidas, repetiram a experiência com cinco tipos de bactérias. Uma delas apresentou mutação, criando uma nova bactéria com características diferentes da que a originou.
“Estamos fazendo um alerta sobre o perigo que este composto químico representa se o usarmos em seres humanos, porque causa mutações genéticas”, advertiu a professora Valdivia. “Devido a este resultado, pode-se concluir que existe uma alta probabilidade de mutações durante o processo de clonagem usando este composto”, afirmou.
O 6-DMAP é aplicado pelos cientistas em clonagens de mamíferos (porcos, gatos, ovelhas e vacas) no laboratório do doutor Woo Suk Hwang, na Coréia do Sul, segundo o relatório da Universidade do Chile.
Nesse mesmo laboratório, os cientistas coreanos conseguiram clonar embriões humanos, com o uso do 6-DMAP, segundo um artigo publicado pela revista Science em fevereiro.
“Os tecidos derivados destes clones podem apresentar mutações, como alterações de tipo celular ”, disse a pesquisadora.
Depois de repetir seu experimento em Santiago, o laboratório chileno enviou amostras ao Centro de Bioensaios de Tóquio, que chegou às mesmas conclusões sobre as mutações genéticas causadas pelo composto químico.
Os resultados finais da pesquisa, cujos autores recomendam proibir o uso do 6-DMAP nas futuras clonagens de embriões humanos com fins terapêuticos, foram publicados no dia 12 de maio na revista científica Mutation Research.
“Isto nos obriga a pesquisar mais e tirarmos o pé do acelerador na questão da clonagem, tomando consciência do composto químico que estamos usando”, afirmou Valdivia.
Se alguma equipe científica já conseguiu clonar seres humanos usando este composto, “é possível” que tenha levado ao nascimento de meninos e meninas com má-formação facial e outras características mutantes, advertiu a pesquisadora.

Duvidas sobre Clonagem.
Quais são as vantagens e desvantagens do desenvolvimento da técnica da clonagem.
As promessas do desenvolvimento da clonagem humana para fins terapêuticos são muitas. O sonho dos cientistas é dominar a técnica a tal ponto que se possa fornecer, no futuro, tecido e talvez até órgãos de reposição para pessoas que precisem de transplantes. Como o DNA desses tecidos ou órgãos seria o de quem iria recebê-los, não haveria risco de rejeição. Já a clonagem para fins reprodutivos – aquela que tem por objetivo o nascimento de bebês que seriam “cópias” da pessoa que doou o DNA para o procedimento – está sendo defendida como uma alternativa para pessoas que não podem ter filhos e para as quais as técnicas atuais de reprodução assistida não funcionam. O problema é que a clonagem ainda não é considerada um procedimento seguro. A maioria esmagadora dos cientistas da área diz que os bebês teriam grande risco de nascer com problemas graves – se chegassem a nascer.
Eu, sendo uma mulher, posso gerar um clone meu? Ou seja: pegar uma célula minha e injetar no meu próprio ovulo?
Sim, o DNA de uma mulher pode, em tese, ser usado para gerar um clone dela. A ovelha Dolly, por exemplo, é cópia de uma fêmea. O procedimento seria exatamente o que você sugeriu: o núcleo de uma célula comum sua seria injetado em um óvulo do qual se retirou o núcleo. Esse óvulo seria estimulado a dividir-se, como se tivesse sido fecundado. O óvulo não precisaria ser seu para que o clone fosse seu. O DNA (material genético) se concentra no núcleo das células. Por isso, a transferência do núcleo resultaria em um embrião com as mesmas informações genéticas que você carrega. Transferência nuclear, aliás, é o nome técnico da forma mais pesquisada de clonagem. Há, sim, um pouquinho de DNA em uma estrutura celular que fica fora do núcleo, a mitocondria. Mas essa porção de DNA vem sendo considerada residual. Se o óvulo usado na experiência fosse seu, até esse DNA seria o mesmo.
Ao clonar-se um ser humano de aproximadamente 30 anos, esse clone nascerá (se é que é possível) com células (ou com características) de uma pessoa de 30 anos ou será aparentemente um bebê normal?
Não se tem certeza da aparência que teria um bebê gerado a partir de clonagem. Os clones malsucedidos de animais (os abortados ou que morrem logo após o nascimento) têm problemas de saúde graves, mas não há relatos de que tenham nascido com aparência ou doenças de animais de idade avançada. Os clones bem-sucedidos, por sua vez, têm aparência de filhotes normais. Foi assim com Dolly ou com a gatinha Cc. Os pesquisadores só tiveram certeza de que Dolly apresentava sinais de envelhecimento precoce quando a ovelha já tinha três anos. Por outro lado, nem todos os clones parecem envelhecer mais rapidamente. Pesquisadores americanos relataram no ano passado que seus clones de vacas são saudáveis e impossíveis de distinguir de animais comuns. Eles atribuem isso ao avanço da técnica. Apesar de a passagem do tempo ficar de alguma forma registrada no DNA, ainda não se tem certeza de como isso afeta os clones. E não seria isso, necessariamente, a razão de os clones terem problemas de saúde. Os problemas que tornam tão difícil produzir-se um animal a partir de clonagem, segundo alguns especialistas, podem estar relacionados a reações que precisam acontecer no momento em que espermatozóide e óvulo se fundem – o que não ocorre na clonagem.

Clonagem Animal 2

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Autoria: Aline

A clonagem animal pode ser feita, basicamente, de duas formas: separando-se as células de um embrião em seu estágio inicial de multiplicação celular, ou pela substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma célula de um indivíduo já existente (neste último caso utiliza-se a técnica de transferência nuclear, que segundo alguns especialistas não trata-se propriamente de clonagem. No entanto, como popularmente o termo tem se aplicado também a esta técnica, neste site não será feita essa distinção) . A primeira forma, separação provocada das células de um embrião, produzirá novos indivíduos exatamente iguais, quanto ao patrimônio genético, porém diferentes de qualquer outro já existente. É um processo semelhante ao que ocorre na natureza quando são gerados gêmeos univitelinos, que têm origem a partir de um mesmo óvulo e de um mesmo espermatozóide. Este tipo de procedimento já foi realizado, de forma experimental, com embriões humanos, em 1993, pelos pesquisadores norte-americanos Jerry Hall e Robert Stillman, da Universidade de George Washington, de Washington/EUA. A segunda forma, que reproduz assexuadamente um indivíduo igual a outro previamente existente, pela substituição do material nuclear, também denominada de duplicação, foi proposto, teoricamente, pelo Prof. Hans Speman (1869 – 1941), em 1938. O Prof. Speman, biólogo alemão, ganhou o Prêmio Nobel de 1935 pelas suas contribuições no estudo da evolução dos seres vivos. O primeiro experimento com sucesso já foi realizado em 1952, pelos Drs. Robert Briggs e Thomas J. King, do Instituto Carnegie/Washington-EUA. Eles obtiveram os primeiros clones de rãs, por substituição de núcleos celulares. Durante muitos anos isto foi testado em diferentes espécies animais, especialmente mamíferos. O Prof. Ian Wilmut e seus colaboradores, do Roslin Institute, de Edimburgo/Escócia, associados a empresa PPL, realizaram em 1996, uma substituição do núcleo de um óvulo pelo de uma célula mamária proveniente de uma ovelha adulta. Esse processo é teoricamente simples mas, na prática, é muito difícil e delicado. Há duas diferenças básicas entre a clonagem induzida em animais feita a partir de células embrionárias e a realizada com células não reprodutivas. Os clones obtidos a partir de células embrionárias são limitados, pois cada ovo oferece somente de 8 a 16 células capazes de gerar embriões. Além disso, como o embrião clone derivou de um ovo, não se pode saber qual é o resultado final, pois ele é o produto de uma fecundação que contém uma combinação gênica desconhecida, que ainda não manifestou as suas características. Quanto aos clones obtidos a partir de células não reprodutivas, o resultado é certo, pois já se conhece o ser adulto que vai originar os clones. Neste caso, pode ser feito um número ilimitado de cópias.
Mais freqüente, a cópia de animais sob medida abre a perspectiva de curar doenças Prossegue a temporada de clones fabricados. Primeiro foi a ovelha Dolly, criada pelo embriologista Ian Wilmut nos laboratórios do Instituto Roslin, na Escócia. Em seguida vieram um par de macacos do Oregon, nos Estados Unidos, a vaquinha francesa Marguerite, que morreu alguns dias após o nascimento, os bezerros malhados Charlie e George e duas novilhas japonesas. A última novidade no campo da replicagem de animais foram 50 camundongos marrons, ou cinco gerações de clones, criados por pesquisadores da Universidade do Havaí. Os 17 meses transcorridos entre o anúncio do nascimento de Dolly – que, por sinal, já é mãe pelo método natural – e o dos ratos havaianos, 11dias atrás, consagraram a técnica de clonagem e alargaram os limites da ciência. Pesquisadores constroem cópias de animais a partir das células de suas matrizes e viram as costas à via normal de reprodução: a sexual.

Logo após a revelação do nascimento dos ratinhos, a empresa PPL Therapeutics, que financiou as pesquisas do criador de Dolly, anunciou sua associação com a ProBio America, sócia da Universidade do Havaí. Estava de olho no futuro e lucrativo mercado que anima essa pesquisa a princípio bizarra, mas com propósitos bem definidos: a clonagem de porcos com genes de outras espécies introduzidos artificialmente em suas células, os chamados transgênicos. Esses animais fariam o papel de uma fábrica viva de órgãos usados como substitutos dos órgãos humanos em transplantes, um filão do mercado mundial avaliado em US$ 6 bilhões por ano. Por enquanto, os xenotransplantes – transplantes de espécies “estrangeiras” – não são feitos por uma razão muito simples. Espécies diferentes não são compatíveis e, ao se misturar, podem favorecer o contágio de doenças ainda desconhecidas. Mas se prevê que, em breve, serão freqüentes.

A outra razão que move a criação desses animais também é econômica e não é nova. A PPL Therapeutics faz pesquisas com um rebanho de vacas, ovelhas e porcos transgênicos visando à produção de remédios para uso humano. É o caso de Polly, uma ovelha clonada que recebeu genes humanos. Quando ficar adulta, seu leite será rico em uma proteína usada para tratar fibrose cística e no fator coagulante 9, essencial no tratamento da hemofilia. Outras duas ovelhas transgênicas produzem o antioxidante EC-SOD, útil em transplantes e cirurgias cardíacas. Não é só: pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA) transplantaram células clonadas de bois para o cérebro de ratos, obtendo sucesso no tratamento dos sintomas do mal de Parkinson nesses animais. Não há limites para os avanços que a medicina espera alcançar com os transgênicos. Acredita-se, por exemplo, que as pesquisas ajudarão a entender o processo de multiplicação de células doentes responsáveis pelo câncer.
“Clones e transgênicos são o resultado de técnicas indissociáveis”, afirma o geneticista José Antonio Visintin, da Universidade de São Paulo. Enquanto os métodos de mutação genética produzem o animal com as características desejadas, a clonagem o multiplica. “É muito mais fácil fazer clones animais do que criar transgênicos”, afirma seu colega Rodolfo Rumpf, da Embrapa. Rumpf e Visintin competem amigavelmente na criação do primeiro clone brasileiro, um bovino da raça nelore. Neste caso, a clonagem será usada com outro objetivo econômico importante: o melhoramento genético dos rebanhos. Ela pode significar o rápido desenvolvimento de vacas capazes de produzir mais leite e carne mais saborosa. A clonagem também poderá ter um fim nobre: salvar espécies ameaçadas, como o urso-panda chinês, o tigre-de-bengala ou o mico-leão-dourado. “Um dos principais clientes da biotecnologia é a preservação genética de animais em via de extinção”, diz o pesquisador da Embrapa.
Se a clonagem de animais é possível, por que não a de humanos? A pergunta é natural e já foi formulada por vários cientistas desde a vinda de Dolly ao mundo. O médico americano Richard Seed causou reação ao anunciar no final do ano passado, em um simpósio médico de Chicago, estar apto a fabricar clones humanos dentro de 18 meses. Seed não pôde levar sua proposta adiante, mesmo porque os Estados Unidos, como a maioria dos países, entre eles o Brasil, proibiram experiências com seres humanos. Não haverá clones humanos fazendo companhia a porcos, bois, ovelhas e camundongos. O simples bom senso impede que experiências desse tipo sejam realizadas.

O interesse em clonar animais ameaçados em extinção

Naturalmente: Uma vaca poderá dar à luz um clone de uma espécie ameaçada!

Se tudo correr bem, poderá nascer o primeiro animal de uma espécie ameaçada a partir de um animal doméstico usando a tecnologia da clonagem. Noah, um futuro exemplar de uma espécie ameaçada de búfalo selvagem, deverá nascer em Novembro.

É uma notícia sensacional: uma vaca está a preparar-se para dar à luz um clone de uma espécie ameaçada de búfalo selvagem nativo da Ásia. Cientistas americanos afirmam que a gravidez decorre normalmente, sem quaisquer problemas daí que, se tudo correr bem até ao fim desta experiência, poderá nascer o primeiro animal ameaçado usando a tecnologia da clonagem e utilizando uma animal doméstico como “incubadora”. Este búfalo asiático, já baptizado de Noah, deverá nascer em Novembro.

Esta espécie de búfalo selvagem é rara na Índia, Indonésia e Sudeste da Ásia, tendo sido intensamente caçada durante gerações. Mais recentemente os seus habitats de floresta, matas de bambus e pastagens têm diminuído ao ponto de só restarem 36000 exemplares no estado selvagem. Entretanto, o Livro Vermelho elaborado pela World Conservation Union–IUCN listou esta espécie como ameaçada, e o comércio deste animais, ou dos produtos que poderão ser obtidos através deles, foi proibido pela CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).

Assim, se esta experiência for bem sucedida, ficará aberto o caminho para a conservação e preservação de outras espécies em vias de extinção Noah será o primeiro de uma lista de outras espécies ameaçadas que estes investigadores tentarão clonar tais como uma espécie de antílope africano, o tigre da Sumatra e o panda gigante.

Esta técnica de clonagem poderá também recuperar espécies ou sub-espécies já extintas! Talvez o caso mais promissor seja o de uma sub-espécie da cabra montês, a Capra pyrenaica pyrenaica, nativa da Península Ibérica. O último exemplar morreu este ano, mas cientistas espanhóis conseguiram preservar algumas células do animal.

Avanços na técnica da clonagem oferecem a possibilidade de preservar e propagar espécies ameaçadas que têm francas dificuldade em se reproduzir em cativeiro, enquanto se tenta fazer um esforço para a recuperação dos seus habitats, de modo a poderem ser novamente reintroduzidas na natureza. Pode ser, por exemplo, uma técnica a empregar no caso do lince-ibérico.

Outra potencialidade da clonagem é a possibilidade de introdução de novos genes novamente na pool genética das espécies que apresentam um número já muito limitado de exemplares. Ou seja, ao clonarem animais cujas células tenham sido preservadas, os cientistas estão a recuperar os seus genes individuais, enriquecendo a diversidade genética das populações ameaçadas destas espécies. As estatísticas da eficiência desta técnica, reflectem o facto de ainda existirem grandes dificuldades para que o resultado final se traduza num sucesso. Por consequência, as primeiras espécies ameaçadas a serem clonadas serão aquelas das quais se têm já bastantes conhecimentos relativos à sua reprodução.

A clonagem de espécies ameaçadas é bastante controversa, embora na opinião destes investigadores americanos, cujo trabalho foi publicado no último número da conceituada revista americana, Scientific American, esta técnica possa contribuir para os planos de gestão de espécies que se encontram presentemente em vias de extinção.

No entanto, têm surgido críticas muito duras reforçando o facto de o principal problema da conservação e restauração de espécies em vias de extinção ser basicamente a preservação e recuperação dos seus habitats.

Clonagem Animal

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Autoria: Carla C.

A clonagem animal pode ser feita, basicamente, de duas formas: separando-se as células de um embrião em seu estágio inicial de multiplicação celular, ou pela substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma célula de um indivíduo já existente (neste último caso utiliza-se a técnica de transferência nuclear, que segundo alguns especialistas não se trata propriamente de clonagem. No entanto, como popularmente o termo tem se aplicado também a esta técnica, neste site não será feita essa distinção). A primeira forma, separação provocada das células de um embrião, produzirá novos indivíduos exatamente iguais, quanto ao patrimônio genético, porém diferentes de qualquer outro já existente. É um processo semelhante ao que ocorre na natureza quando são gerados gêmeos univitelinos, que têm origem a partir de um mesmo óvulo e de um mesmo espermatozóide. Este tipo de procedimento já foi realizado, de forma experimental, com embriões humanos, em 1993, pelos pesquisadores norte-americanos Jerry Hall e Robert Stillman, da Universidade de George Washington, de Washington/EUA. A segunda forma, que reproduz assexuadamente um indivíduo igual a outro previamente existente, pela substituição do material nuclear, também denominada de duplicação, foi proposto, teoricamente, pelo Prof. Hans Speman (1869 – 1941), em 1938. O Prof. Speman, biólogo alemão, ganhou o Prêmio Nobel de 1935 pelas suas contribuições no estudo da evolução dos seres vivos. O primeiro experimento com sucesso já foi realizado em 1952, pelos Drs. Robert Briggs e Thomas J. King, do Instituto Carnegie/Washington-EUA. Eles obtiveram os primeiros clones de rãs, por substituição de núcleos celulares. Durante muitos anos isto foi testado em diferentes espécies animais, especialmente mamíferos. O Prof. Ian Wilmut e seus colaboradores, do Roslin Institute, de Edimburgo/Escócia, associados à empresa PPL, realizaram em 1996, uma substituição do núcleo de um óvulo pelo de uma célula mamária proveniente de uma ovelha adulta. Esse processo é teoricamente simples, mas, na prática, é muito difícil e delicado. Há duas diferenças básicas entre a clonagem induzida em animais feita a partir de células embrionárias e a realizada com células não reprodutivas. Os clones obtidos a partir de células embrionárias são limitados, pois cada ovo oferece somente de 8 a 16 células capazes de gerar embriões. Além disso, como o embrião clone derivou de um ovo, não se pode saber qual é o resultado final, pois ele é o produto de uma fecundação que contém uma combinação gênica desconhecida, que ainda não manifestou as suas características. Quanto aos clones obtidos a partir de células não reprodutivas, o resultado é certo, pois já se conhece o ser adulto que vai originar os clones. Neste caso, pode ser feito um número ilimitado de cópias.

Mais freqüente, a cópia de animais sob medida abre a perspectiva de curar doenças Prossegue a temporada de clones fabricados. Primeiro foi à ovelha Dolly, criada pelo embriologista Ian Wilmut nos laboratórios do Instituto Roslin, na Escócia. Em seguida vieram um par de macacos do Oregon, nos Estados Unidos, a vaquinha francesa Marguerite, que morreu alguns dias após o nascimento, os bezerros malhados Charlie e George e duas novilhas japonesas. As últimas novidades no campo da replicagem de animais foram 50 camundongos marrons, ou cinco gerações de clones, criados por pesquisadores da Universidade do Havaí. Os 17 meses transcorridos entre o anúncio do nascimento de Dolly – que, por sinal, já é mãe pelo método natural – e o dos ratos havaianos, 11dias atrás, consagraram a técnica de clonagem e alargaram os limites da ciência. Pesquisadores constroem cópias de animais a partir das células de suas matrizes e viram as costas à via normais de reprodução: a sexual.

Logo após a revelação do nascimento dos ratinhos, a empresa PPL Therapeutics, que financiou as pesquisas do criador de Dolly, anunciou sua associação com a PROBIO América, sócia da Universidade do Havaí. Estava de olho no futuro e lucrativo mercado que anima essa pesquisa a princípio bizarra, mas com propósitos bem definidos: a clonagem de porcos com genes de outras espécies introduzidos artificialmente em suas células, os chamados transgênicos. Esses animais fariam o papel de uma fábrica viva de órgãos usados como substitutos dos órgãos humanos em transplantes, um filão do mercado mundial avaliado em US$ 6 bilhões por ano. Por enquanto, os xenotransplantes – transplantes de espécies “estrangeiras” – não são feitos por uma razão muito simples. Espécies diferentes não são compatíveis e, ao se misturar, podem favorecer o contágio de doenças ainda desconhecidas. Mas se prevê que, em breve, serão freqüentes.

A outra razão que move a criação desses animais também é econômica e não é nova. A PPL Therapeutics faz pesquisas com um rebanho de vacas, ovelhas e porcos transgênicos visando à produção de remédios para uso humano. É o caso de Polly, uma ovelha clonada que recebeu genes humanos. Quando ficar adulta, seu leite será rico em uma proteína usada para tratar fibrose cística e no fator coagulante 9, essencial no tratamento da hemofilia. Outras duas ovelhas transgênicas produzem o antioxidante EC-SOD, útil em transplantes e cirurgias cardíacas. Não é só: pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA) transplantaram células clonadas de bois para o cérebro de ratos, obtendo sucesso no tratamento dos sintomas do mal de Parkinson nesses animais. Não há limites para os avanços que a medicina espera alcançar com os transgênicos. Acredita-se, por exemplo, que as pesquisas ajudarão a entender o processo de multiplicação de células doentes responsáveis pelo câncer.

“Clones e transgênicos são o resultado de técnicas indissociáveis”, afirma o geneticista José Antonio Visintin, da Universidade de São Paulo. Enquanto os métodos de mutação genética produzem o animal com as características desejadas, a clonagem o multiplica. “É muito mais fácil fazer clones animais do que criar transgênicos”, afirma seu colega Rodolfo Rumpf, da Embrapa. Rumpf e Visintin competem amigavelmente na criação do primeiro clone brasileiro, um bovino da raça nelore. Neste caso, a clonagem será usada com outro objetivo econômico importante: o melhoramento genético dos rebanhos. Ela pode significar o rápido desenvolvimento de vacas capazes de produzir mais leite e carne mais saborosa. A clonagem também poderá ter um fim nobre: salvar espécies ameaçadas, como o urso-panda chinês, o tigre-de-bengala ou o mico-leão-dourado. “Um dos principais clientes da biotecnologia é a preservação genética de animais em via de extinção”, diz o pesquisador da Embrapa.

Se a clonagem de animais é possível, por que não a de humanos? A pergunta é natural e já foi formulada por vários cientistas desde a vinda de Dolly ao mundo. O médico americano Richard Seed causou reação ao anunciar no final do ano passado, em um simpósio médico de Chicago, estar apto a fabricar clones humanos dentro de 18 meses. Seed não pôde levar sua proposta adiante, mesmo porque os Estados Unidos, como a maioria dos países, entre eles o Brasil, proibiu experiências com seres humanos. Não haverá clones humanos fazendo companhia a porcos, bois, ovelhas e camundongos. O simples bom senso impede que experiências desse tipo sejam realizadas.

Enérgica condenação católica ao experimento da clonagem
LIMA, Redação Central, 26 Nov. 01 (ACI).- A geração de um embrião humano através da clonagem por parte de um laboratório particular nos Estados Unidos provocou uma condenação enérgica no âmbito católico ao redor do mundo.
Além do explícito e enérgico comunicado dado a conhecer pela Sala de Imprensa da Santa Sede, Mons. Mauro Cozzoli, Professor de Teologia Moral da Pontifícia Universidade Lateranense, recordou que a ser o embrião um indivíduo, “a clonagem é um ato abusivo e moralmente censurável”. “O fato de que o tenham feito para fins terapêuticos agrava o juízo, já que não se pode criar um indivíduo para depois suprimi-lo em benefício de outro”, acrescentou o Prelado, que recordou que um embrião, ainda que tenha poucas células, tem o status de pessoa.
Cozzoli acrescentou que a clonagem “com êxito” anunciado pelo laboratório americano Advanced Cell Technology (ACT) “ofende a verdade da procriação, que deve se realizar com o encontro de dois gametas”, e recordou que o Papa João Paulo II teria condenado os experimentos com embriões, ao afirmar que não há homem algum nem autoridade humana que possa dispor livremente e de maneira deliberada de uma vida humana inocente, e muito menos para depois destruí-la.
Card. McCarrick: O perigo da arrogância
O Cardeal Theodore E. McCarrick, Arcebispo de Washington DC, apontou que o controvertido experimento científico “tem perigosas implicações, pois o homem está brincando de ser Deus e desvalorizando a vida humana”.
“O informe é profundamente perturbador”, disse o Cardeal McCarrick, dizendo que “ainda que devamos estimular a comunidade científica a continuar com as pesquisas de ponta, esta deve se dar dentro do marco ético de respeito à vida humana e o papel de Deus como Criador da vida”.
“A arrogância que leva alguém a crer que pode jogar o papel de Deus e reduzir os seres humanos a mera fonte de peças de troca é uma soberba que pode levar a perigosas conseqüências que não podemos antecipar plenamente”, disse também o Purpurado da capital norte americana; e advertiu que “inclusive boas intenções evidentes, como a cura de uma doença, podem ter efeitos negativos, tais como a desvalorização da vida humana com tudo o que isso implica”. “O uso de embriões para clonagem é moralmente mal”, enfatizou o Cardeal.
Pedido de proibição
O Comitê Nacional de Direito à Vida dos Estados Unidos (National Right to Life Committee) proferiu através de seu departamento legal, que a “investigação” realizada pela empresa norte americano torna evidente a necessidade de uma lei federal que proíba toda clonagem humana.
“Esta corporação está criando embriões humanos somente com o propósito de matá-los e colher suas células, explicou o diretor de assuntos legais da organização, Douglas Johnson”.
A brutalidade
De sua parte, o Professor do Instituto de Bioética da Universidade Católica Argentina, P. Rubén Revello, rejeitou o experimento por considerar que o embrião é “vida humana” e agora o embrião clonado será “despedaçado para utilizá-lo por partes”.
Revello precisou que “se fosse criado um embrião humano, ao ativar o núcleo embrional, se cria um ser humano”. Neste sentido, sublinhou que “para a Igreja e para a ciência há vida desde a concepção. E se há vida, há pessoa humana. Do contrário -perguntou-, o que haveria, um pré-humano? Não é certo que os que fazem experiências côn embriões humanos queiram vida humana e não uma pessoa humana” insistiu.
A rigor, o sacerdote reiterou a posição fixada pela Igreja em matéria de clonagem. A postura católica é expressa -entre outros documentos- em uma declaração difundida em 1997 pela Academia Pontifícia pela Vida. E em outra da mesma academia, publicado no ano passado, sobre “a produção e uso científico e terapêutico das células embrionárias humanas”.
Enquanto aos argumentos de utilização terapêutica, Revello disse que “hoje por hoje a ciência não pode dar resposta, por caso, em matéria Alzheimer”:
Poderiam destruir embriões e não chegar a nada “. Aponteu que o argumento terapêutico” só busca atenuar a maldade moral “pela destruição do embrião. Ainda assim, perguntou se “justifica matar a uma pessoa para salvar outra?”.
Logo depois de afirmar que “se deixamos este embrião seguir seu caminho espontâneo terminará sendo um bebê” lamentou que na ciência genética não se aplique o mesmo critério de respeito à vida que pesquisa farmacêutica. “Na farmacêutica tem-se muito cuidado nas experiências e há etapas: primeiro em laboratórios, depois em animais e, finalmente, em voluntários humanos”.
Revello sustentou ainda, que a ciência deveria avançar no estudo das células estaminais humanas que os adultos têm em vez de fazê-lo com as células estaminais dos embriões porque “no primeiro caso não acontece nada com a pessoa, ao contrário, com os embriões, termina eliminando-se vidas”.

Mentalidade eugenésica
O sacerdote afirmou que detrás deste experimento há um ressabio de “eugenesia, quer dizer, de seleção dos seres humanos mais aptos em detrimento dos menos aptos. Por acaso, uma nova forma de escravidão”. Concluiu que a clonagem humana é “sinal de uma ciência sem valores, de uma sociedade desconforme que busca na ciência substituir o sentido da vida e da salvação”.
Fala Argentina
Por sua parte, a prestigiosa Agência Católica Argentina AICA, recolheu testemunhos de diversas autoridades eclesiásticas argentinas. O bispo auxiliar de Córdoba e presidente da Comissão Episcopal de Fé e Cultura, Mons. José Rovai, expressou que “o embrião é já evidentemente um ser humano, e não se pode estar fazendo experimentos com e destruindo-o. É algo grave porque se está manipulando um ser humano concreto. Quando se fazem estes experimentos está se tocando em coisas muito sagradas e se impede que alguns seres humanos possam chegar a desenvolver sua personalidade e sua vida”.
O titular do organismo episcopal que habitualmente segue de perto as questões relacionadas com a bioética opinou que “isto pode levar a situações que sequer podemos prever, e também é uma coisa gravíssima que se possa usar para a produção em série, porque há um modo natural de como os seres humanos vêm ao mundo e neste campo há que se respeitar sempre à ordem da Criação. Inclusive o grande perigo de criar uma humanidade, ao tentar fazê-la seletiva, tem fundo e história pessoas que em outras épocas quiseram fazer o mesmo. O que me parece gravíssimo porque pode tocar a própria estrutura das pessoas. Não se justificam os fins terapêuticos nem a intenção de criar em série uma determinada forma de humanidade, que seria ainda pior”.
Aberração antropológica
Por sua vez, o vice-presidente do Consórcio de Médicos Católicos, doutor Carlos Abel Ray, considerou que “é uma ofensa à dignidade do ser humano e uma aberração antropológica”, e explicou: “há dois tipos de coisas que se podem fazer com a clonagem. Uma é a fissão, quer dizer, dividir um embrião pela metade para que se produzam seres idênticos. Mas a clonagem de por diferentes células é muito mais grave ainda e as repercussões éticas do problema são muito ruins para a humanidade. Desde o ponto de vista antropológico e desde o religioso, para qualquer das crenças monoteístas que consideram que Deus é o criador do homem e que se deve procriar pelos métodos naturais”. “Poderia ser -continuou Ray, professor pró-titular da cátedra de Medicina Legal na Universidade Católica Argentina e ex-professor de Pediatria da UBA-que se utilizasse com alguns fins que poderiam ser bons, mas que por hora não estão comprovados em absoluto. Mas ainda quando pudessem ser úteis em algum caso especial, como uma doença neurológica, nunca esse fim supostamente bom justifica a maldade da operação em si, que ultraja a dignidade do ser humano”.
Embrião e vida
Também expressou sua opinião o Padre Alberto Bochatey OSA, diretor do Instituto de Ética Biomédica da Universidade Católica Argentina. A seu ver, “o mais importante é reconhecer que no embrião há vida e que essa vida vai se desenvolvendo por um princípio intrínseco, unitário e de atualização de suas próprias capacidades. Aí está a vida, nesta união de células que vão se desenvolvendo. Se não as interrompemos e deixamos que se realizem normalmente no tempo certo e a seqüência exata, o desenvolvimento não vai parar. Mas se interrompemos isso, então para e não segue adiante”.
“É uma maravilha -seguiu dizendo- ver neste processo a coordenação, a continuidade e a gradualidade. Portanto, não há dúvida biológica de que aí há vida. Tanto é assim, que eles (os científicos que realizaram o anúncio) estão buscando células estaminais que só provém da vida humana. Não se podem produzi-las se não é através de um organismo humano”.
O sacerdote expressou que “experimentos de separar células e conseguir embriões, já temos desde princípios do século XX, com ouriços-do-mar, rãs, etc. Mas agora chegamos ao tema do embrião humano e evidentemente a dimensão ética é muito mais pesada”.
A Igreja respalda a ciência
Logo sublinhou que “um tema importante é ver que a Igreja não está contra, mas a favor de processos científicos completos. Isto significa que a dimensão ética e bioética estejam presentes. Não somente uma dimensão técnica, um interesse pontual, como pode ser o de necessitar de células estaminais e fazer, por isto, o que quero. Sem dúvidas estou trabalhando com seres humanos e isto tem uma dimensão muito grande, porque não é um órgão, mas um organismo”. “Estamos em meio a uma mentalidade tão utilitarista e tão pouca oncologista que nos leva a estas conclusões: que tudo está permitido e que tudo é possível”, se lamentou.
O P. Bochatey reconheceu que “não sei o que está na mente” destes pesquisadores, “mas parte de uma afirmação que não é clara, por não dizer que não é certa. No artículo que publicam na revista ‘The Journal of Regenerative Medicine’, dizem textualmente que a técnica da clonagem é diferente da reprodução clônica. Mas não: a técnica é a mesma, só que uma é passada logo a um útero e para a outra nunca pensaram que supere certo estágio de desenvolvimento. Não vão deixá-la crescer, mas já está vivendo”.
“A técnica é a mesma -sublinhou-, e essa divisão que se pretende fazer de que uma coisa é clonar com fins reprodutivos e outra é fazê-lo com fins terapêuticos, é análogo ao que se diz da eutanásia ativa ou passiva: no fim é eutanásia, é matar, uma por ação e outra por omissão. Aqui é: criar uma vida humana para depois reproduzi-la e que nasça, e criá-la para obter um tecido e depois não deixá-la crescer”.
O homem brincando de Deus
Hugo Obiglio, diretor do Instituto de Ética Biomédica da Universidade Católica e membro da Academia pela Vida do Vaticano opina: “O homem, em seu desejo de onipotência, sairia à busca da réplica de indivíduos dotados de engenho e beleza excepcionais. É o domínio de uns poucos sobre a totalidade, uma humanidade programada. O embrião, ainda em seu estágio inicial, é um homem e coisificá-lo -manipulá-lo- não só põe em perigo sua vida, mas também lesiona sua dignidade e integridade pessoal. Usar a clonagem como recurso terapêutico não se justifica”.

Tudo o que se necessita saber sobre as células estaminais
A investigação sobre as células estaminais embrionárias despertou um debate na comunidade científica internacional sobre a licitude ética de matar embriões humanos com fins experimentais.

Por um lado, alguns científicos justificam a morte dos embriões alegando que servirá para curar doenças ou simplesmente negam que os embriões concebidos sejam seres humanos.
Por outro, especialistas explicam que não é necessário matar para conseguir as mesmas células e defendem a vida em sua fase inicial.
Entretanto, até agora muitos se perguntam por que um debate tão específico tem alcançado magnitude mundial, o que são estas células estaminais e para que servem.
O Que são as células estaminais?
As células estaminais – também conhecidas como células-mãe, ou germinativas – são células mestras que têm a capacidade de se transformar em outros tipos de células, incluídas as do cérebro, do coração, dos ossos, dos músculos e da pele.
Onde há células estaminais?
Até o momento foi confirmada que há células estaminais no cordão umbilical, placenta, medula óssea e nos embriões.
Como são as células estaminais embrionárias?
Estas células estaminais estão contidas nos embriões humanos recém concebidos. Estes tipos de células são chamados pluripotenciais porque podem ser convertidas em praticamente qualquer órgão e permitem ao embrião desenvolver-se e converter-se em um corpo totalmente formado. Cada blastócito ou blástula, quer dizer, um embrião de cinco dias de concebido, é uma esfera oca formada por cerca de 100 células.
As células da capa externa formarão a placenta e outros órgãos necessários para sustentar o desenvolvimento fetal no útero. Enquanto isto, as células internas formarão quase todos os tecidos do corpo.
É por isso que, teoricamente, aprendendo como fazê-las crescer e manipulando-as, poderiam ser originados tecidos ou órgãos novos em laboratório para implantá-los em pacientes e curar doenças.
O que acontece quando as células estaminais são extraídas do embrião?
O embrião já não pode seguir desenvolvendo-se e morre.

Não há forma de obtê-las sem matar os embriões?
Sim, por exemplo, podem ser utilizadas as células estaminais da placenta e cordão umbilical. Neste caso, a ciência aproveita as células que são desfeitas naturalmente pela mãe no momento do parto. Nem a placenta nem o cordão umbilical são vitais para o ser humano e podem ser utilizados sem nenhum problema ético.
Além disso, há experimentos com células estaminais da medula óssea que têm alcançado êxito. Estas células são obtidas de bebês ou pessoas adultas que não se vêem afetadas por perdê-las.
Como são as células estaminais de adultos?
São células que abriga o tecido maduro no corpo dos bebês e dos adultos. As células-mãe estão mais especializadas que as embrionárias e dão lugar a tipos celulares específicos. Os chamados multipotenciais.
O corpo maduro utiliza estas células como “partes de reserva” para substituir outras células caducas. Por exemplo, certas células-mãe na medula óssea produzem glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas do sangue. Pesquisas recentes indicaram que as células-mãe adultas podem se converter em muitos outros tipos celulares mais do que se acreditava antes ser possível.
Os cientistas que queiram analisar células estaminais embrionárias, de onde podem obtê-las?
Geralmente os cientistas obtêm células estaminais embrionárias dos embriões que as clínicas de fertilização descartam como parte das técnicas de fertilização in vitro ou “bebê de proveta”. Sabe-se que estes procedimentos implicam, para cada casal interessado, na fertilização de muitos óvulos; mas não todos os óvulos fecundados (com vida própria) são implantados na mulher que os gestará. Alguns morrem, outros conseguem nascer e muitos são conservados congelados nos laboratórios para serem submetidos a experiências, utilizados em outros casais ou simplesmente são descartados.
Entretanto, surgiram grupos de cientistas que utilizam fundos privados, e se dedicam a produzir embriões com o único fim de extrair as células estaminais, destruindo-os.
Para que serve estudar as células estaminais?
Ainda não se conseguiu provar êxito algum do uso de células estaminais embrionárias, entretanto há estudos de células estaminais de adultos que apontam fortes indícios sobre a possibilidade de utilizá-las para tratar determinadas doenças.
A intenção dos cientistas é controlar as características de transformação das células-mãe para substituir tecidos e órgãos afetados por doenças ou por lesão a fim de restabelecer uma função normal.
Por exemplo, nas pessoas com mal de Parkinson, se injetam células-mãe na área do cérebro que controla o movimento muscular, onde a doença mata as células nervosas.
Acredita-se que as aplicações terapêuticas das células estaminais também poderiam ajudar a tratar doenças como os diabetes, o mal de Alzheimer, os acidentes cerebro-vasculares, o infarto do miocárdio, a esclerose múltipla, males vinculados ao sangue, os ossos e a medula óssea, assim como queimaduras graves com enxertos de pele, lesões da medula espinhal, e tratamentos para pacientes com câncer que perderam células e tecido por radiação e quimioterapia.
Entretanto, tudo isto fica ainda no plano das promessas. Vários médicos advertiram que estão sendo criadas muitas expectativas a respeito. A cura de todas as doenças não existe, por isso é totalmente inadequado aumentar as esperanças de enfermos e familiares dizendo-lhes que se fosse permitida as manipulações de embriões, se curariam muitas enfermidades, coisa que pode ser totalmente falsa.
Por que muitos cientistas insistem em usar células estaminais embrionárias?
Porque no embrião as células estaminais são mais abundantes e em teoria, mais versáteis. Contudo, seu uso supõe a morte de embriões.
A médica pró-vida estão a favor da pesquisa das células estaminais de adultos. Muitos já trabalham usando célula-mãe de adultos em transplantes de medula óssea para pacientes com câncer, sem afetar o embrião humano. A alternativa radica em extrair estas células de pessoas adultas. O problema é que não são tão abundantes e não se reproduzem tão facilmente como a dos embriões, mas a resposta é a necessidade de mais pesquisa nesta área para que isso seja possível.

O Que é o projeto Genoma Humano?
A publicação do mapa do genoma humano em revistas especializadas e Internet já suscita controvérsias em diversos setores. Entretanto, para o Vigário de Roma, Cardeal Camilo Ruini, frente aos novos descobrimentos “a Igreja não tem razão para temer”.
O Cardeal Ruini explicou que os recentes descobrimentos devem oferecer novas evidências sobre as características da relação entre o ser humano e os animais, e sublinhou que “existe uma grande diferença entre nós”. Especificamente, o Purpurado se referiu à capacidade do homem de pensar e de gozar de liberdade como um dom único de Deus. “Esse fator faz do ser humano uma criatura única entre as demais criaturas”, afirmou o Cardeal.
Por sua vez, o Mons. Elio Sgreccia, da Pontifícia Academia para a Vida, afirmou que os cientistas têm a obrigação de informar às pessoas sobre as últimas conseqüências de suas pesquisas, particularmente quando envolvem a manipulação genética.
Mons. Sgreccia, especialista em bioética, referiu-se às diversas maneiras de fazer experiências com questões humanas que “são escritas no grande livro da história humana”. “Em algumas instâncias, os cientistas se voltaram não só contra Deus, mas contra a raça humana e a sociedade”, acrescentou.
O problema
As duas partes vinculadas na pesquisa sobre o genoma humano, a empresa particular Celera Genomics e o Consórcio Internacional para o Seqüenciamento do Genoma Humano (formado por equipes estatais dos Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Alemanha e França) darão conferências de imprensa nas capitais desses países para apresentar à sociedade o genoma de um indivíduo.
Em Washington, a equipe financiada pelo governo americano, encabeçado pelo médico Francis Collins, explicará detalhes do artigo que será publicado na revista Nature. O grupo particular, dirigido pelo doutor Craig Venter, exporá o ensaio que, será publicado na revista Science. A informação já está disponível nos sites destas revistas (www. Science. Com e www. Nature. com), onde especialistas discutem as implicações éticas do uso de técnicas de manipulação genética para prevenir ou tratar doenças. Estas conferências são a continuação da notícia que em junho deram de forma conjunta o então presidente Bill Clinton e o primeiro ministro britânico Tony Blair, que anunciaram que os cientistas tinham conseguido “desenhar” o primeiro esboço do mapa genético humano. Daí em diante, a informação foi se dando aos poucos até o dia de hoje.
As duas equipes científicas trabalharam às vezes juntas, às vezes separadas, ao ritmo de rixas acadêmicas e médicas, mas chegaram ao mesmo resultado: desvendaram 95 por cento do genoma de um indivíduo. E resultou-se que o homem não tem 100.000 genes como se pensava em princípio, mas apenas 30.000, pouco mais que o dobro de genes de uma mosca. As publicações da informação sobre o primeiro mapa quase completam do genoma humano marca um giro na história da medicina moderna e o começo de uma forte batalha comercial pelo patenteamento de terapias e drogas vinculadas a estes novos conhecimentos genéticos. É que a partir do traçado do mapa genético -o conjunto de genes que determinam as características físicas e a predisposição de cada indivíduo a sofrer certas doenças-, abrem-se enormes esperanças médicas e econômicas.
Os cientistas já consideram a possibilidade de identificar a tendência que cada pessoa tem a sofrer alguns males e assim atacá-los ainda antes que se apresentem os sintomas. Inimigos como o câncer, a AIDS ou as afecções cardíacas poderiam passar a ser, em poucos anos, palavras do passado.
Um exemplo Para alguns, o melhor exemplo do que pode ocorrer com esta descoberta continua sendo o filme Gattaca, protagonizado por Ethan Hawke e Uma Thurman. Em Gattaca, eram extraídas dos bebês recém nascidos umas mínimas mostra de sangue. A partir dessa mostra, os médicos determinavam o genoma desse bebê e sua predisposição a sofrer determinadas doenças (no caso do protagonista, uma grave insuficiência cardíaca).No filme, os especialistas podiam modificar essa informação genética e fazer com que o bebê vivesse uma vida livre dessa enfermidade.
Segundo Stanley Fields, diretor do Howard Hughes Medical Institute de Seattle, conhecer este mapa não significa somente saber que gen está vinculado a uma doença, mas como reage aos medicamentos. “Seguramente este conhecimento vai nos aproximar a um mundo com menos doentes”, completou.
Descobertas
Entre os dados mais interessantes obtidos com a análise do genoma humano destacam-se: os seres humanos possuem entre 30 e 40 mil genes. Muito menos que o esperado, se comparado ao uma lesma que tem 18 mil e a mosca de fruta com 13 mil genes. De todos os genes do ser humano, somente 300 não têm uma contraposição reconhecível. A diferença entre o ser humano e os outros seres vivos é que nossos genes trabalham de maneira diferente, já que possuímos mais genes de controle. Há 20 tipos diferentes de aminoácidos que ao combinarem-se produzem proteínas tão diferentes como a queratina do cabelo e a hemoglobina do sangue.
As maiorias das mutações ocorrem nos homens e não nas mulheres. Há 1.820 centímetros de DNA em cada uma de nossas células.
Se todo o DNA do corpo humano fosse estendido de ponta a ponta, este percorreria a distância entre a terra e o sol 600 vezes, ida e volta.
Riscos
Para o especialista argentino Victor Penchaszadeh, chefe da Divisão de Genética Médica do Betch Israel Medical Center em Nova York e membro do comitê assessor sobre provas genéticas da Secretaría de Saúde Pública dos Estados Unidos, o patenteamento de genes é algo perigoso, mas não é algo novo nos Estados Unidos. “Pode ser muito perigoso. Ponho o caso do câncer de mama. Uma empresa descobriu um gen que predispõe a mulher a sofrer deste mal. Este gen foi patenteado e agora a empresa tem o monopólio exclusivo da análise que detecta a mutação do gen que provoca a doença”, completou. “Além disso, muitas vezes acontece que duas empresas patenteiam fragmentos de um mesmo gen e a disputa por quem é dono desse gen chega aos tribunais”, indicou.
A partir de hoje, podem se apresentar muitos interesses cruzados. Por um lado estão as empresas biotecnologias que seqüência e patenteiam os genes a pesar de serem patrimônio da natureza humana. Seu objetivo seria patentear o máximo de conhecimento para “vendê-lo” depois a possíveis usuários como, por exemplo, os laboratórios interessados em desenvolver medicamentos ou métodos de detecção a partir dessa informação. Por outro lado, estão os cientistas que lutam para que “a ciência esteja livre dos negócios” que fundaram HUGO (Human Genome Organization), uma organização formada por acadêmicos que promovem estes debates.
Inevitavelmente, tudo está cruzado pela economia. A possível detecção precoce de doenças nos genes e os tratamentos implicarão um gasto em tecnologia que só os países centrais poderão encarar. Além de que uma pessoa é muito mais do que um gen, também é certo que custará muito modificá-lo.
Com a publicação detalhada do mapa do genoma, a expectativa de vida humana poderia aumentar -principalmente nos países desenvolvidos – mais de 10 anos, quer dizer até aos 90 anos, segundo os especialistas. Em poucos anos, os médicos poderão informar a seus pacientes sobre a predisposição genética a contrair certas doenças. Até o chefe do consórcio público de investigação mundial do genoma, Francis Collins, prognosticou que em 10 anos os médicos serão capazes de dizer a seus pacientes que estes podem ser suscetíveis a sofrer hipertensão, diabetes ou alguma doença cardiovascular.
Espera-se, por exemplo, que em 2010 estejam disponíveis em nível massivo os testes de DNA, que ainda estão sendo desenvolvidos. E antes de 2020, estima-se que haverá terapias genéticas mais precisas e eficazes que utilizarão o conhecimento do genoma humano. Os especialistas dizem que essas terapias atacarão a hemofilia, os diabetes e a hipertensão, entre outras.
Também para essa época haverá mais medicamentos personalizados, produzidos sob medida a cada paciente. E antes de 2030, terão sido identificados os genes que regulam o envelhecimento celular.
Quem é Craig Venter?
Seus colegas o comparam com o “guru” da informática, Bill Gates, e o criticam por tratar a ciência como um grande negócio. Craig Venter, o presidente da Celera Genomics, gera todo tipo de sentimentos entre seus pares: ódio, admiração, respeito, inveja. Alheio às críticas, este homem calvo de 53 anos, se defende sempre com uma mesma frase: “As descobertas não podem esperar”. Venter trabalhava para o grupo de cientistas que dirige Francis Collins: o Projeto Genoma Humano, um instituto financiado com fundos públicos. Mas em 1994 abriu um centro particular para competir com o consórcio público. Venter nunca desfrutou de seus dias no colégio. Nem bem se graduou, trocou as inclinadas ruas de São Francisco pelas ensolaradas praias de Los Angeles. Mas as tardes de surf se acabaram, quando aos 21 anos, o mandaram ao Vietnã. A guerra aparentemente o transformou. No seu regresso se pôs a estudar e em seis anos se tornou médico. Depois, fechado em seu laboratório, não parou até descobrir o que muitos tinham tentado em vão durante anos: o mistério do genoma humano.
Como o magnata dos computadores Bill Gates, Venter iniciou seu trabalho com poucos fundos e baseou seu êxito nos computadores. Associou-se logo a Perkin Elmer Corporation, um fabricante que até pouco tempo, se dizia, atrasava a entrega de máquinas aos competidores de Celera. Desde setembro de 1999 começou a sacudir o ambiente científico mundial.

Clonar significa produzir uma cópia geneticamente idêntica de um indivíduo.
Como é que isto se faria? Os cientistas tirariam o seu ADN de uma célula epidérmica e colocavam-no num ovo de uma mulher da qual foi previamente retirado o ADN. Uma faísca de eletricidade iria dividir o ovo e após alguns dias teria um embrião geneticamente igual a si.
Tem-se falado muito de clonagem humana na imprensa. Na realidade, a maioria dos cientistas não está interessada em produzir clones humanos. O que os cientistas pretendem é produzir células humanas clonadas que possam ser utilizadas para tratar algumas doenças.
Como? Imagine que tinha uma doença que estava a destruir lentamente partes do seu cérebro. Os tratamentos atuais apenas reduzem os sintomas enquanto a doença continua a provocar lesões no cérebro. A clonagem oferece a esperança de uma cura.
Os cientistas iriam produzir um embrião clonado utilizando o ADN das suas células epidérmicas. Em seguida, iriam retirar células estaminais deste embrião, transformavam-nas em células cerebrais e fariam um transplante para o seu cérebro.
A clonagem é uma maneira diferente de utilizar células estaminais para curar uma doença. Algumas pessoas preferem esta forma de obter estas células. Afinal, um embrião clonado é uma cópia genética de alguém que está vivo e deu o seu consentimento. Todos temos o direito de decidir o que fazer com o nosso próprio ADN, ou não?
Pelo contrário, um embrião no congelador de uma clínica de fertilização foi criado a partir de uma mistura única de esperma e ovo e esta é uma união que só irá acontecer uma vez, produzindo um conjunto completamente único de genes que tem o potencial de se tornar num indivíduo único.
O objetivo da investigação da clonagem humana nunca foi clonar pessoas ou criar bebes para no futuro serem doadores de partes ou produtos humanos.
A investigação tem como objetivo obter células estaminais para curar doenças.
No entanto, os resultados das investigações da clonagem humana e em animais relativamente às células estaminais foram publicadas e, à semelhança de todas as descobertas científicas, estas publicações estão disponíveis ao nível mundial.
Era inevitável que um dia este conhecimento fosse mal utilizado. Agora, várias pessoas em todo o mundo anunciaram a sua intenção de clonar um bebe.
Estes indivíduos não trabalham para nenhuma universidade, hospital ou outra instituição governamental. No geral, a comunidade científica mundial opôs-se fortemente a quaisquer hipóteses de clonar um bebe.
Segundo John Kilner, presidente do Centre for Bioethics and Human Dignity nos Estados Unidos, “a maior parte da investigação publicada demonstra que a morte ou a mutilação do clone é os resultados mais prováveis da clonagem de mamíferos”.Ninguém sabe até que ponto é que a clonagem humana avançou realmente para criar um bebe. Em Abril de 2002, o cientista italiano Dr. Severino Antinori fez um comentário improvisado a um jornalista, afirmando que 3 mulheres já estariam grávidas de um embrião clonado. A partir dessa altura saiu das luzes da ribalta e nunca mais confirmou ou negou este comentário.
Os médicos consideram os riscos da clonagem humana muito elevados.
“Submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco desconhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente”, afirma Kilner.
A maior parte dos cientistas é da mesma opinião. A grande maioria das tentativas de clonagem de um animal resultou em embriões deformados ou em abortos após a implantação. Muitos cientistas defendem que os poucos animais clonados nascidos apresentam malformações que não são detectáveis através de exames ou de testes no útero como, por exemplo, deformações ao nível do revestimento dos pulmões.
Em 1996 foi clonada a ovelha Dolly. Foi o primeiro animal a ser clonado a partir do ADN de uma ovelha adulta, em vez de ser utilizado o ADN de um embrião. Embora a Dolly pareça suficientemente saudável, pôs-se a questão se ela iria envelhecer mais rapidamente do que uma ovelha normal. Além disso, foram precisas 277 tentativas para produzir a Dolly.
Quem é que aceitaria estas probabilidades numa experiência com bebes humanos?
No entanto, há quem concorde com a clonagem para ter um bebe. Por exemplo, pais que perderam um bebe e que querem substitui-lo, ou pessoas que querem ter os seus próprios filhos, mas que não conseguem da maneira tradicional. Por exemplo, nos casos em que um homem não pode produzir esperma, pode fazer com que o seu próprio ADN seja introduzido no ovo da sua parceira, criando um clone dele próprio.
Recorreria à clonagem se esta fosse a sua única possibilidade de ter um filho? E quem é que queria que soubesse? Conseguiria identificar uma criança clonada?

Clonagem 2

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Autoria: Alanderson de Freitas Marron

A preocupação com a abordagem das questões éticas dos processos de clonagem não é recente. Desde a década de 1970 vários autores tem discutido diferentes questionamentos a respeito dos aspectos éticos envolvidos. Paul Ramsey, em 1970, propôs a importante discussão sobre a questão da possibilidade da clonagem substituir a reprodução pela duplicação. Esta possibilidade reduziria a diversidade entre os indivíduos, com o objetivo de selecionar características específicas de indivíduos já existentes.
Em 1986 o pesquisador britânico Kary Mulis descobriu um processo simples e eficiente de aumentar a quantidade de DNA de certa amostra. Trata-se da reação em cadeia da polimerase (PRC, do inglês polymerase chain reaction =O “milagre” da multiplicação). Atualmente, a reação em cadeia da polimerase é realizada em equipamentos automatizados e, graças a esse método, pode-se multiplicar a quantidade disponível de DNA por mais de um milhão, em pouco mais de duas horas!
Inicialmente, a solução contendo o DNA a ser “clonado” é aquecida por dois minutos. Com isso, ocorrre desnaturação da molécula e as duas cadeias se separam. A seguir, nucleotídeos livres começam a se emparelhar com os complementares, em cada uma das cadeias recém-separadas.Finalmente, uma DNA-polimerase resistente a altas temperaturas, obtida de bactérias que vivem em fontes termais, une esses nucleotídeos, formando, junto de cada cadeia antiga, uma nova cadeia complementar. Com isso, surgem duas moléculas idênticas de DNA. O ciclo pode ser reiniciado, repetindo-se aproximadamente a cada seis minutos e meio. Esse método permite pesquisar a presença de DNA em amostras de diversos materiais biológicos, como sangue, esperma, restos de tecidos, fósseis etc.

Quais são os interesses na clonagem?

* Especialistas brasileiros discutem ganhos e riscos da genética

CLONAGEM REPRODUTIVA: “NÃO ESTAMOS PREPARADOS”

Quando se trata de clonagem humana, a pesquisadora é bastante cautelosa. Segundo Zatz, a aplicação da técnica com fins reprodutivos não permite o diagnóstico de mutações patológicas, além de não oferecer garantias da idade biológica da criança ao nascer ou das consequências a longo prazo.
“É uma aventura para a qual não estamos preparados”, avaliou a especialista.
A situação muda quando a técnica é aplicada com finalidade terapêutica. Segundo Zatz, a clonagem foi permitida na Grã-Bretanha, desde que feita com embriões de até 14 dias, compostos por 16 células, sem implantação no útero.
“Como decidiríamos quem seria clonado e o que faríamos com os clones que não deram certo?”, questionou a especialista ao lembrar que foram feitas 277 tentativas na experiência que originou a ovelha Dolly, primeiro animal clonado no mundo.

O Que é Clonagem

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Autoria: André Souza Santos

A clonagem, é a cópia, ou duplicação de células ou de embriões a partir de um ser já adulto. As cópias possui todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Os cientistas isolaram uma célula, e retiraram dela o seu núcleo, e juntou-se um célula a outra célula e em seguida vem a duplicação das células, através de duplicações sucessivas de duas células de quatro em quatro, de oito em oito, de dezesseis em dezesseis, e assim sucessivamente até chegar ao ponto dessas células todas constituírem um ser, como foi o caso da ovelha Dolly.

O SURGIMENTO DE DOLLY

Em julho de 1996, na pequena cidade de Edimburgo, no interior da Escócia, nasceu Dolly, uma saudável ovelha na raça Finn Dorset como tantas outras que pastam pelas colinas da região. Com uma diferença fantástica: Dolly não foi gerada de forma natural. Mas de uma impressionante descoberta da engenharia genética, Dolly foi produzida artificialmente em laboratório, a partir de uma única célula da mama de uma ovelha adulta. Não houve cruzamento nem mesmo inseminação artificial. Dolly é um clone de outra ovelha. O que significa que é a copia de outro ser da sua espécie, mesmo em nível molecular. O código genético das duas não tem nenhuma diferença. Tudo foi duplicado igualmente: o tamanho das orelhas, as marcas nas patas, os dentes, o formato e a cor dos olhos.

COMO FOI FEITA A CLONAGEM DE DOLLY

A Clonagem foi realizada a partir da utilização de células e embriões, a ciências tenta copiar outros seres vivos e até mesmo seres humanos, com o mesmo código genético. Significa que a cópia possui todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Todos os meios possíveis da mídia, estamparam com estardalhaço as fotos e imagens da ovelha Dolly criada em laboratório. Os cientistas, para desenvolverem esse experimento, retiraram uma célula mamaria da ovelha doadora, com toda sua informação genética, e fundiram-na com um óvulo não fertilizado de outra ovelha (sem DNA). O embrião resultante foi inseminado artificialmente numa terceira, que gerou a ovelha conhecida como Dolly.

A ERA DOS CLONES BRASILEIROS

Pesquisadores brasileiros estão, a um passo de produzir seu primeiro clone de um animal superior. Não será uma ovelha, como a graciosa Dolly, mas um bovino, provavelmente da raça Nelore, a mais disseminada na pecuária de corte do país. Dois cientistas disputam a primazia na corrida por esse objetivo. Em Brasília, o médico veterinário Rodolfo Rumpf, coordenador de projetos do Centro Nacionals de Recursos Genéticos e Biotecnologia (CENARGEN), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). E, em São Paulo, José Antonio Visintin, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootécnica (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP). Os métodos de clonagem propostos por eles são semelhantes ao utilizado na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, para a criação de macacos.

“POLLY”, A NOVA OVELHA CLONADA

Polly é a primeira ovelha clonada na forma transigência a partir da nova tecnologia de clonagem. Ela esta sendo considerada um sucesso pêlos cientistas para um passo crucial na sua comercialização. Polly contém um gene humano, responsável pela produção de uma proteína humana em seu leite que permitirá tratar doenças que vão da hemofilia à osteoporose. A experiência foi realizada da seguinte forma. Os cientistas retiraram um óvulo de uma ovelha e esvaziaram seu núcleo, a parte que contém o material genético. O DNA retirado de uma célula de outra ovelha adulta foi acrescido de um gene humano e implantado no óvulo. O embrião foi gerado a partir desse material. Implantado em uma outra ovelha, o embrião desenvolveu-se normalmente. A fêmea pariu o filhote. Nascendo assim Polly.

OPINIÃO PESSOAL
Caso a clonagem seja permitida, será inevitável que vários governos, instituições e empresas abusem desse processo, gerando indivíduos com destinos traçados de acordo com os interesses de seus criadores. Serão fundadas grandes fábricas de máquinas e armas humanas, pessoas iguais às geradas sexuadamente, mas tendo seus cérebros lavados, programadas como andróides. Dessa maneira, a tal Lei da ONU, que deve ser considerada como A Lei Máxima da Vida Humana, será fatalmente agredida.

Sabe-se, porém, que, para a ciência, a intenção não é a de usar a clonagem com tais finalidades. Muitos a consideram como a alternativa do futuro para casais que não podem gerar filhos. Ainda assim, devemos admitir que, do ponto de vista genético, um indivíduo clonado não é filho de seu parental, e sim, um irmão gêmeo idêntico.

Esse pensamento poderia ser contestado pelo fato de que um filho, mais do que um ser que se originou de uma fusão genética, é alguém que se cria e se ama como um filho. Se o pretexto for este, então por que não substituir a clonagem pela adoção de uma criança? Mas se o objetivo maior da ciência for o de dar a todos a capacidade de gerar pessoas do mesmo “sangue”, então a humanidade agradecerá muito mais se, ao invés de se fazerem clonagens, forem descobertos métodos para regenerar células reprodutivas de pessoas estéreis.

Com tantas alternativas para a perpetuidade da espécie humana, a clonagem se faz desnecessária, além de perigosa se feita por mentes mal intencionadas. Além disso, não faz o menor sentido o que se ouve de algumas pessoas, que a clonagem permitirá que pessoas queridas, importantes e inteligentes voltem à vida ou sejam replicadas. Não é preciso ser um biólogo para saber que o DNA determina como deve ser o cérebro de cada um, mas não determina como deve ser sua personalidade.

Classificação Biológica

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Autoria: Luciano Tabosa de Souza

A ciência busca ordenar o universo a sua volta.

Para isso o homem criou sistemas para agrupar os organismos em esquemas que façam sentido.

O homem compreende que não se pode escolher uma única característica como base de classificação.

Para organizar essas características, foi criado o Sistema de Classificação Biológica, que é o principal tópico abordado neste trabalho.

1- Como ficam os Híbridos na Classificação Biológica?

Os híbridos não fazem parte de uma Classificação Biológica especifica, ou seja, não possuem uma filogenia correta na história evolutiva. Eles são o produto do cruzamento entre dois indivíduos diferentes, em geral membros de espécies distintas.

Se os gametas que se conjugam, são de espécies diferentes, o híbrido diz-se intergenérico, se são da mesma espécie, chama-se interspecifico e, se pertencem a subespécies ou variedade da mesma espécie é interssubespecifico ou intervarietal. Eles possuem em geral características intermediarias aos dos seus progenitores.

Os híbridos são mais freqüentes entre os organismos vegetais, pois por serem imóveis, é inevitável a hibridização freqüente por causa da transferência de pólen pelos agentes externos.

Assim, tanto as necessidades ecológicas da planta como seus mecanismos reprodutivos, favorecem a hibridização.

2- Sistemas de Classificação Biológica

O reino é ainda a maior unidade usada em classificação biológica.

Entre o nível do gênero e o nível do reino, entretanto, Lineu e taxonomistas posteriores adicionaram diversas categorias. Assim, os gêneros são agrupados em famílias, as famílias em ordens, as ordens em classes e as classes em filos. Essas categorias podem ser subdivididas ou agregadas em várias outras menos importantes, como os subgêneros e as superfamílias. Por convenção, os nomes genéricos e específicos são escritos em itálicos, enquanto o nome das famílias, ordens, classes e outras categorias não o são, embora tenham a letra maiúscula inicial.

Para Lineu e seus sucessores imediatos, a classificação taxonômica era a revelação de um grande plano permanente. Quando teoria evolucionista, passou a ser a força ordenadora dominante, nas ciências biológicas, viu-se que a taxonomia refletia a história evolutiva.

As espécies são grupos que divergiam recentemente; os gêneros tiveram ancestrais mais distantes e assim por diante. Embora o significado da taxonomia mudasse, a classificação dos organismos por si mesma, baseada quase inteiramente em critérios morfológicos (como o são as teorias parentescos evolutivas), pouco se alterou.

Até bem recentemente era comum classificar cada ser vivo ou como planta, ou como animal.

Os animais eram organismos que se moviam, comiam coisas, respiravam; suas patas e órgãos do corpo cresciam até certo ponto e depois paravam de crescer. As plantas eram organismos que não se moviam, nem comiam, nem respiravam e que cresciam indefinidamente. Os fungos, as algas e as bactérias eram agrupados com as plantas; os protozoários-organismos unicelulares que comiam e se moviam-eram classificados como animais.

No século XX, começaram a surgir problemas, foram descobertas algumas diferenças importantes. Conseqüentemente, aumentou o número de grupos reconhecidos como reinos deferentes. As classificações mais recentes propõem cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae, Animália.

Outros sistemas propõem três reinos: Monera, plantas e animais. Alguns sistemas mantem a classificação em dois reinos: Plantas e Animais.

A razão dessa diversidade é que nenhum sistema é realmente satisfatório. Por exemplo, ao nível de vida unicelular, não há critérios práticos para separar plantas de animais.

Podem ocorrer duas espécies de organismos unicelulares móveis, quase idênticas, exceto quanto a presença ou ausência de cloroplastos. Em outros casos, a forma que possui cloroplastos, pode perde-lo de vez em quando e sobreviver e reproduzir-se indefinidamente. Apesar disso, um sistema baseado numa classificação planta-animal tem de separar essas formas, seja do ponto de vista da taxonomia baseada em critérios morfológicos, seja do da taxonomia baseada em critérios evolucionistas, a divisão em dois reinos é insatisfatória.

Por outro lado, existe uma clara seqüência evolutiva na qual representantes modernos, vivos vão desde algas unicelulares até plantas floríferas.

A CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS

Vegetais (bordo vermelho) Animal (homem)
Categoria Nome Características Categoria Nome Características
Reino Plantae Organismos geralmente dotados de paredes celulares rígidas e de clorofila Reino Animália Organismos multicelulares que requerem substâncias de origem vegetal e animal para alimento
Sub-reino Embryophyta Plantas formadoras de embrião – – –
Filo Tracheophyta Plantas vasculares Filo Chordata Animais com notocorda, corda nervosa oca, dorsal e brânquias na faringe em algum estágio do desenvolvimento
Subfilo Pterophytina Geralmente, folhas largas e salientes, padrão vascular complexo Subfilo Vertebrata Corda espinhal incluída em uma coluna vertebral, corpo basicamente segmentado, encéfalo dentro do crânio
Classe Angiospermae Plantas floríferas, semente incluída em ovário Superclasse Classe Tetrapoda Mammalia Vertebrados terrestres, de quatro patas. Filhotes alimentados por glândulas mamárias, respiração pulmonar, pêlos, cavidade do corpo dividida por diafragma, hemácias anucleadas, temperaturas corporal constante.
Subclasse Dicotyledoneae Embrião com duas folhas de semente (cotilédones) – – –
Ordem Sapindales Árvores ou arbustos Ordem Primates Arborícolas ou descendentes deles, geralmente com dedos, unhas chatas, olfato pouco desenvolvido.
Família Aceraceae Árvores de regiões temperadas Família Hominidae Cara achatada, olhos para a frente, visão de cores, posição ereta, locomoção bípede, pés e mãos diferentemente especializados
Gênero Acer Bordos Gênero Homo Encéfalo grande, fala, infância prolongada
Espécie Acer rubrum Bordo Vermelho Espécie Homo sapiens Mandíbula proeminente, fronte alta, pêlo ralo

3- Discussão

Análise Filogenética é um sistema de analisar a evolução formando um diagrama como uma árvore ramificada.

Estudos filogenéticos mostram que, por exemplo em mamíferos, os híbridos do sexo masculino são sempre infecundos, enquanto que as fêmeas, por vezes, são fecundas, ou seja, eles nunca trocam informação genética novamente.

Os híbridos, como dito anteriormente, não têm uma classificação biológica ou classificação filogenética, mas quando seus ascendentes são reconhecidos, podem ser inseridos manualmente na árvore filogenética.

Conclusão

Nossa discussão sobre classificação biológica e árvore filogenética, nos leva a concluirmos que houve uma evolução rápida nas ciências naturais, de alguns séculos atrás para o atual.

Através de estudos da morfologia e critérios evolucionistas, permitiu-se a criação dos primeiros sistemas de classificação natural. Por exemplo:

Na classificação zoológica são considerados os caracteres morfológicos e fisiológicos que abrange como mais importantes níveis de classificação zoológica: filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.

Na classificação botânica, considera-se tipo (que corresponde ao filo), classe, ordem, família, gênero e espécie.

(Essa diferença podemos observar na tabela da pág deste trabalho).

Concluímos também que os híbridos são indivíduos originados pela união de gametas diferentes na sua constituição genética e não podem ser classificados biologicamente.

Citoplasma 2

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Autoria: Anidia Regina

Na célula, o citoplasma se encontra entre o núcleo e a membrana plasmática.

O citoplasma é formado por uma espécie de líquido gelatinoso – a matriz citoplasmática, também chamada hialoplasma ou citosol – e várias outras estruturas celulares. Essas estruturas desempenham funções específicas para as células de forma semelhante à que os órgãos desempenham para os organismos desenvolvidos. São as organelas da célula: os centríolos, os ribossomos, o retículo endoplasmático, o complexo de Golgi, as mitocôndrias, os cloroplastos etc.

Organelas Citoplasmáticas

* Retículo Endoplasmático: O citoplasma das células eucariótica (que possuem núcleo) contém uma complexa rede de bolsas e tubos membranosos conhecida pelo nome de retículo endoplasmático.
Devido a sua comunicação com a membrana plasmática, o RE aumenta consideravelmente a superfície de contato entre a célula e o exterior, facilitando a entrada e saída de substâncias. Além disso, substâncias do exterior ou fabricadas pela própria célula podem acumular-se nas vesículas ou serem distribuídas para outros pontos. Assim, o Retículo facilita o transporte de substâncias pelo citoplasma.
Seu aspecto ao microscópio eletrônico permite classificá-lo em rugoso ou liso.

RE rugoso: também chamado de ergastoplasma, é formado por bolsas membranosas achatadas, com grânulos – os ribossomos – aderido à superfície externa. Sua principal função, graças aos ribossomos presente, é a síntese de proteínas.
RE liso: é formado por tubos membranosos lisos, sem ribossomos aderidos. Suas principais funções são: síntese de diversos lipídios, como o colesterol, hormônios esteróides e fofolipídios. É no RE liso que também ocorre o processo de desintoxicação das células.

* Complexo de Golgi: O complexo de Golgi é formado por uma pilha de sacos achatados e de vesículas, cuja função está associada à secreção, o que justifica o seu desenvolvimento acentuado em células glandulares. O material protético vindo do RE rugoso é encaminhado para as vesículas do Golgi, onde é acumulado e condensado, para posterior eliminação. Além de sistetizar alguns glicídios, o complexo de Golgi possui enzimas que adicionam e/ou removem monossacarídeos às glicoproteínas sistetizadas no RE. Completa-se assim, o processo de síntese de glicídios. Os glicídios produzidos ou modificados no complexo de Golgi podem ser usados de diferentes maneiras: na formação do glicocálix da membrana plasmática; na constituição da parede de celulose e da lamela média (que divide o citoplasma no final da divisão de uma célula vegetal).

* Lisossomos: (do grego Lýsis, “quebra”, “destruição”), são bolsas membranosas que contém enzimas capazes de digerir diversas substâncias orgânicas. Os lisossomos são encontrados em praticamente todas as células eucarióticas. As enzimas digestivas dos lisossomos são sintetizadas no RE rugoso, de onde migram para o aparelho de Golgi. Nessa organela, as enzimas são acondicionadas nas bolsas lisossômicas e liberadas no citoplasma. Os lisossomos atuam na digestão intracelular. Suas enzimas digerem tanto substâncias capturadas do meio através de fagocitose e pinocitose – formando os vacúolos digestivos, como partes envelhecidas da própria célula, que devem ser recicladas.

* Peroxissomos: são bolsas membranosas que contêm enzimas digestivas, porém, diferentes das presentes nos lisossomos. Além de enzimas para digerir gorduras e aminoácidos. Os tipos de enzimas presentes nos peroxissomos sugerem que, além da digestão, eles participem da desintoxicação da célula. O peroxissomo de hidrogênio, que se forma normalmente durante o metabolismo celular, é tóxico e deve ser rapidamente eliminado.

* Centríolos: no citoplasma das células animais encontramos dois cilindros formando um ângulo reto entre si: são os centríolos. Eles estão localizados em uma região mais densa do citoplasma, próximo ao núcleo. Essa região chama-se centrossomo. Cada centríolo é formado por microtúbulos dispostos de modo característico: há sempre nove grupos de três microtúbulos, formando a parede do cilindro. Os centríolos podem se autoduplicar, isto é, orientar a formação de novos centríolos. Eles têm duas funções: na divisão celular das células animais e na formação de cílios (estruturas curtas e numerosas) e flagelos (estrutura longa e em pequeno número), pelo corpo basal, que servem para a locomoção ou para a captura de alimento.

* Ribossomos: presentes em todos os seres vivos são grãos formados por ácido ribonucléico (RNA) e proteínas. Nas células eucarióticas, os ribossomos podem aparecer livres no hialoplasma ou associados a membrana do retículo (RE rugoso). É nos ribossomos que ocorre a síntese das proteínas. A síntese é feita através da união entre aminoácidos, sendo o mecanismo controlado pelo RNA. Este é produzido no núcleo da célula, sob o comando do DNA. O RNA, apoiado num grupo de ribossomos chamado polirribossomo ou polissoma, comanda a seqüência de aminoácidos da proteína. Durante esse trabalho, os ribossomos vão “deslizando” pela molécula de RNA, à medida que a proteína vai sendo fabricada.

* Vacúolos: são cavidades do citoplasma visíveis ao microscópio óptico. Além destes, há outros dois tipos de vacúolos, como o vacúolo contrátil e o vacúolo de suco celular.
Vacúolo Contráteis: presentes nos protozoários de água doce – encarrecam-se de eliminar o excesso de água das células, além de eliminar também, substâncias tóxicas ou em excesso.
Vacúolo de Sulco Celular: é característico das células vegetais, que armazena diversas substâncias. A coloração das flores, por exemplo, deve-se às antocianinas, pigmentos que se encontram dissolvidos nesse vacúolo.

* Mitocôndrias: As mitocôndrias são organóides celulares – presentes nos eucariontes – delimitadas por duas membranas lipoprotéicas. A membrana externa é lisa, e a interna apresenta inúmeras pregas, chamadas cristas mitocondriais, que se projetam para o interior da organela. Entre as cristas há uma solução chamada matriz mitocondrial. Essa solução viscosa é formada por diversas enzimas, DNA, RNA, pequenos ribossomos e outras substâncias. A mitocôndria é a organela onde ocorre a respiração celular.
A respiração celular é, em linhas gerais, uma queima controlada de substâncias orgânicas, por meio da qual a energia contida no alimento é gradualmente liberada e transferida ´para molécula de ATP.

* Cloroplastos: como as mitocôndrias, são delimitados por duas membranas lipoprotéicas. A membrana externa é lisa e a interna forma dobras para o interior da organela, constituindo um complexo sistema membranoso. Nesse sistema, destacam-se estruturas formadas por pilhas de discos membranosos, semelhantes a pilhas de moedas, cada uma chamada granum. Nas membranas internas do cloroplastos estão presentes os fotossistemas, cada um deles constituídos por algumas moléculas de clorofila, reunidas de modo a formar uma microscópica antena captadora de luz. Nos cloroplastos ocorre a fotossíntese.