Células 2

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Autoria: Dermival Antônio Beber

Hialoplasma

As funções do hialoplasma são basicamente a sustentação, a glicólise, a formação de microtúbulos e sede de reações químicas citoplasmáticas.
A sustentação do citoplasma deve-se ao funcionamento do ectoplasma como verdadeiro suporte celular, mantendo mais ou menos constante a sua forma.
A glicólise compreende a primeira parte da respiração celular onde ocorre a quebra da glicose originando duas moléculas de ácido pirúvico, que em condições anaeróbias é convertido em ácido lático; no entanto , em presença de oxigênio, é incorporado ao ciclo de Krebs.
Os microtúbulos são minúsculos cilindros ocos formados no hialoplasma de todas as células importantes, com várias funções celulares como a divisão, contractibilidade citoplasmática, transporte de moléculas no interior do citoplasma, etc.

Ectoplasma

É a porção mais externa do hialoplasma apresenta-se mais consistente. Também conhecido como Plasmagel.

Endoplasma

É a porção mais fluida e mais interna do hialoplasma. Também conhecido como Plasmassol.

Retículo Endoplasmático

Rede de túbulos e cisternas achatadas mergulhadas no citoplasma. Dentre suas várias funções ressaltamos o metabolismo de lipídios (incluindo a síntese de esteróides e fosfolipídios) e a síntese de proteínas para exportação.
Funciona como sistema circulatório – atua como transportador e armazenador de substâncias. Há dois tipos:

Retículo Endoplasmático Liso:

É muito abundante em células secretoras de lipídios (por exemplo células de fígado) e em células de certas glândulas envolvidas com a produção de hormônios esteróides (células das glândulas) onde ocorre a síntese dos hormônios sexuais, estrógeno e testosterona.

Retículo Endoplasmático Rugoso:

Rugoso por ter aderido a sua superfície externa os ribossomos, local de produção de proteínas, as quais serão transportadas internamente para o Complexo de Golgi. Com origem na membrana plasmática, apresenta também na sua constituição lipídios e proteínas. Além das funções já citadas atua também aumentando a superfície interna da célula produzindo um gradiente de concentração diferenciado.

Complexo de Golgi

São estruturas membranosas e achatadas, cuja função é elaborar e armazenar proteínas vidas do retículo endoplasmático; podem também eliminar substâncias produzidas pela célula, mas que irão atuar fora da estrutura celular que originou (enzimas por exemplo). Produzem ainda os lisossomos (suco digestivo celular). É responsável pela formação do acrossomo dos espermatozóides, estrutura que contém hialuronidase que permite a fecundação do óvulo. A síntese de enzimas e a gênese de lisossomos, são organelas responsáveis pela digestão da célula. Nos vegetais denomina-se dictiossomo e é responsável pela formação da lamela média da parede celulósica.Esta organela foi descoberta pelo citologista italiano Camillo Golgi que viveu no século XIX.

Lisossomos

Estrutura que apresenta enzimas digestivas capazes de digerir um grande número de produtos orgânicos. Realiza a digestão intracelular. Apresenta-se de 3 formas: lisossomo primário que contém apenas enzimas digestivas em seu interior, lisossomo secundário ou vacúolo digestivo que resulta da fusão de um lisossomo primário e um fagossomo ou pinossomo e o lisossomo terciário ou residual que contém apenas sobras da digestão intracelular. É importante nos glóbulos brancos e de modo geral para a célula já que digere as partes desta (autofagia) que serão substituídas por outras mais novas, o que ocorre com freqüência em nossas células. Realiza também a autólise e histólise (destruição de um tecido) como o que pode ser observado na regressão da cauda dos girinos. Originam-se no Complexo de Golgi. Estas organelas são vesículas esféricas repletas de enzimas hidrolíticas que atuam em pH ácido. As plantas não possuem lisossomos.

Ribossomos

São grânulos de ribonucleoproteínas produzidos a partir dos nucléolos. A função dos ribossomos é a síntese protéica pela união de aminoácidos, em processo controlado pelo DNA. O RNA descreve a seqüência dos aminoácidos da proteína. Eles realizam essa função estando no hialoplasma ou preso à membrana do retículo endoplasmático. Quando os ribossomos encontram-se no hialoplasma, unidos pelo RNAm, e só assim são funcionais, denominam-se POLISSOMOS. As proteínas produzidas por esses orgânulos são distribuídas para outras partes do organismo que se faça necessário. Podem estar livres no hialoplasma ou aderidos à face externa das membranas do retículo endoplasmático.

Mitocôndrias

Organela citoplasmática formada por duas membranas lipoprotéicas, sendo a interna formada por pregas. O interior é preenchido por um líquido denso, denominado matriz mitocondrial (onde se encontram enzimas, íons, dentre outras substâncias). Dentro delas se realiza o processo de extração de energia dos alimentos (respiração celular) que será armazenada em moléculas de ATP (adenosina trifosfato). É o ATP que fornece energia necessária para as reações químicas celulares. Apresenta forma de bastonete ou esférica. Possuem DNA, RNA e ribossomos próprios, tendo assim capacidade de autoduplicar-se. Quanto maior a atividade metabólica da célula, maior será quantidade de mitocôndrias em seu interior. Apresentam capacidade de movimentação, concentrando-se assim nas regiões da célula com maior necessidade energética (exp. Músculos das coxas) . Alguns cientistas acreditam terem sido “procariontes” (bactérias) que passaram a viver simbioticamente no interior das células no início evolutivo da vida (células fornecendo açucares e outras substâncias e bactérias fornecendo energia.).

Vacúolos

Os vacúolos são vesículas preenchidas com partículas ou líquidos. São delimitados por uma membrana simples. Nas células animais e em protistas, os vacúolos fundem-se com lisossomos e acontece a digestão do conteúdo do vacúolo. Nas células vegetais geralmente existe um grande vacúolo. O líquido deste vacúolo é chamado seiva vegetal e tem enzimas digestivas que atuam em pH ácido.

Vacúolo de Suco Celular

Estrutura derivada do retículo endoplasmático que pode conter líquidos e pigmentos, além de diversas outras substâncias. Está relacionado com armazenamento e equilíbrio osmótico, sendo que sua membrana é denominada de Tonoplasto. O tamanho do Vacúolo de suco celular pode ser associado à idade da célula, sendo que em células envelhecidas chega a ocupar até 95% do volume celular.

Vacúolos Contráteis (ou pulsáteis)

Em protozoários de água doce, ocorrem vacúolos que se contraem ritmicamente, Esses organismos unicelulares vivem em um meio, onde a concentração é menor que a concentração da célula. Esses vacúolos, que se comunicam com o exterior por meio de um poro, expulsam o excesso de água da célula. De fato, sendo esses organismos hipertônicos em relação ao meio, ocorre constantemente a entrada de um fluxo de água, por osmose. Esta água tem então de ser transferida para o exterior, sob pena de ocorrer lise (quebra) da célula. Em função dessa característica de contração e expansão periódica é que esses vacúolos receberam o nome de vacúolos contráteis ou pulsáteis, participando do controle osmótico dos protistas de água doce.

Plastos

São organelas citoplasmáticas encontradas em todo o reino vegetal com exceções das bactérias, determinadas algas e os mixomicetos.
Os plastos caracterizam-se pela presença de pigmentos como clorofila e carotenóides, e pela capacidade que apresentam em sintetizar e acumular substâncias de reservas tais como amido, proteínas e gorduras .
De acordo com o pigmento que possuem são divididos em leucoplastos ou plastos incolores e cromoplastos ou plastos coloridos.

Centríolos

Estruturas cilíndricas, geralmente encontradas aos pares, compostas de microtúbulos protéicos. Dão origem a cílios e flagelos (menos os das bactérias), estando também relacionados com a reprodução celular – formando o fuso acromático que é observado durante a divisão celular. É uma estrutura muito pequena e de difícil observação ao M. Óptico, porém no M. Eletrônico apresenta-se em formação de 9 jogos de 3 microtúbulos dispostos em círculo, formando uma espécie de cilindro oco. Os centríolos são ausentes em procariontes e em vegetais superiores.

CÉLULA VEGETAL

Cloroplasto: organela formada por duas membranas e por estruturas discóidais internas. É a sede da fotossíntese, pois contém moléculas de clorofila que capturam a energia solar (luz-fótons) e produzem moléculas como glicose que poderá ser utilizada pelas mitocôndrias para a geração de energia na forma de ATP. Apresentam seu próprio DNA, RNA e ribossomos, a exemplo do que acontece com as mitocôndrias. São encontrados com mais freqüência nas regiões do vegetal que mais expostas à luz – folhas e caules jovens.

Parede celulósica: constituída por celulose (polissacarídio) e também por glicoproteínas (açúcar + proteína), hemicelulose (união de certos açúcares com 5 carbonos) e pectina (polissacarídio). A celulose forma fibras, enquanto as outras constituem uma espécie de cimento; juntas formam uma estrutura muito resistente.

Vacúolo de Suco Celular: Estrutura derivada do retículo endoplasmático que pode conter líquidos e pigmentos, além de diversas outras substâncias. Está relacionado com armazenamento e equilíbrio osmótico, sendo que sua membrana é denominada de Tonoplasto. O tamanho do Vacúolo de suco celular pode ser associado à idade da célula, sendo que em células envelhecidas chega a ocupar até 95% do volume celular.

Núcleo Celular

Uma das principais características da célula eucarionte é a presença de um núcleo de forma variável, porém bem individualizado e separado do restante da célula:

Ao microscópio óptico o núcleo tem contorno nítido, sendo o seu interior preenchido por elementos figurados. Dentre os elementos distingem-se o nucléolo e a cromatina.

Quando uma célula se divide, seu material nuclear (cromatina) perde a aparência relativamente homogênea típica das células que não estão em divisão e condensa-se numa serie de organelas em forma de bastão, denominadas cromossomos. Nas células somáticas humanas são encontrados 46 cromossomos.

Há dois tipos de divisão celular: mitose e meiose . A mitose é a divisão habitual das células somáticas, pela qual o corpo cresce, se diferencia e realiza reparos. A divisão mitótica resulta normalmente em duas células-filhas, cada uma com cromossomos e genes idênticos aos da célula-mãe. A meiose ocorre somente nas células da linhagem germinativa e apenas uma vez numa geração. Resulta na formação de células reprodutivas (gametas), cada uma das quais tem apenas 23 cromossomos.

OS CROMOSSOMOS HUMANOS

Nas células somáticas humanas são encontrados 23 pares de cromossomos. Destes, 22 pares são semelhantes em ambos os sexos e são denominados autossomos. O par restante compreende os cromossomos sexuais, de morfologia diferente entre si, que recebem o nome de X e Y. No sexo feminino existem dois cromossomos X e no masculino existem um cromossomo X e um Y.

Cada espécie possui um conjunto cromossômico típico ( cariótipo ) em termos do número e da morfologia dos cromossomos. O número de cromossomos das diversas espécies biológicas é muito variável. A figura abaixo ilustra o cariótipo feminino humano normal:

O estudo morfológico dos cromossomos mostrou que há dois exemplares idênticos de cada em cada célula diplóide. Portanto, nos núcleos existem pares de cromossomos homólogos . Denominamos n o número básico de cromossomos de uma espécie, portanto as células diplóides apresentarão em seu núcleo 2 n cromossomos e as haplóides n cromossomos. Cada cromossomo mitótico apresenta uma região estrangulada denominada centrômero ou constrição primária que é um ponto de referência citológico básico dividindo os cromossomos em dois braços: p (de petti) para o braço curto e q para o longo. Os braços são indicados pelo número do cromossomo seguido de p ou q; por exemplo, 11p é o braço curto do cromossomo 11.

Além da constrição primária descrita como centrômero, certos cromossomos apresentam estreitamentos que aparecem sempre no mesmo lugar: São as constrições secundárias.

De acordo com a posição do centrômero, distinguem-se alguns tipos gerais de cromossomos:

Metacêntrico: Apresenta um centrômero mais ou menos central e braços de comprimentos aproximadamente iguais.

Submetacêntrico: O centrômero é excêntrico e apresenta braços de comprimento nitidamente diferentes.

Acrocêntrico: Apresenta centrômero próximo a uma extremidade. Os cromossomos acrocêntricos humanos (13, 14, 15, 21, 22) têm pequenas massas de cromatina conhecidas como satélites fixadas aos seus braços curtos por pedículos estreitos ou constrições secundárias.

Célula

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Autoria: Cleuza Lopes

Menor unidade estrutural de um ser vivo, capaz de existir de maneira independente e se reproduzir. As células animais são compostas de três partes fundamentais: membrana plasmática, citoplasma e núcleo. A membrana plasmática é o envoltório das células. No interior das células, existe o citoplasma, que é composto por várias estruturas vivas – organelas (retículo endoplasmático liso e rugoso, ribossomos, mitocôndrias, complexo de Golgi, lisossomos, centríolos e vacúolos) – e por um líquido gelatinoso chamado hialoplasma. No centro da célula, encontra-se o núcleo, que é separado do citoplasma por uma membrana, a carioteca. Nele estão o suco nuclear, o nucléolo e os cromossomos. Esses últimos possuem os genes, que determinam os caracteres hereditários.

A célula foi descoberta em 1665 pelo inglês Robert Hooke. O cientista utilizou o termo célula para designar as pequenas cavidades de um pedaço de cortiça – tecido vegetal morto – observadas por ele com um microscópio. Os microscópios de maior resolução permitiram novos avanços no estudo das células: entre 1838 e 1839, o botânico Matthias J. Schleiden e o fisiologista Theodor Schwann concluem que tanto os animais quanto os vegetais são constituídos por células.

Mitose

Processo pelo qual as células de animais se dividem, produzindo, cada uma, duas células idênticas à original. A reprodução de células-filhas iguais à original tem como finalidade repor as células mortas no organismo, ou possibilitar o aumento do número delas nos processos de crescimento. Outro processo de divisão celular é a meiose, que produz duas células com metade dos cromossomos da célula-mãe.

No período que antecede a mitose, ocorre a duplicação dos cromossomos, numa fase denominada de interfase. Então, os filamentos simples de cromossomos passam a ser duplos, recebendo o nome de cromátides. Nas células humanas, os 23 cromossomos passam a ser 23 pares, unidos por um ponto denominado centrômero.

A divisão da célula realiza-se em cinco diferentes fases: prófase, prómetafase, metáfase, anáfase e telófase.

Prófase – No núcleo da célula, os cromossomos condensam-se e passam a ser cada vez mais curtos e grossos. No citoplasma, massa fluida dentro da célula na qual o núcleo está mergulhado, os dois centríolos (organóides que se localizam junto ao núcleo e respondem pelo movimento dentro das células) se duplicam e começam a migrar em direções opostas.

Prometáfase – A membrana nuclear rompe-se e os cromossomos espalham-se pela célula. Estes irão se prender no conjunto de fibras, cujas extremidades terminam próximas aos centríolos, agora já localizados em pólos opostos na célula.

Metáfase – O conjunto de fibras, denominado fuso acromático, forma uma “ponte” entre os dois centríolos, que estão localizados nas extremidades da célula. As cromátides permanecem no meio da célula.

Anáfase – Os centrômeros rompem-se, os pares de cromossomos separam-se em lotes idênticos e são puxados para os pólos opostos da célula na direção dos centríolos, indo constituir o núcleo das células-filhas.

Telófase – Os cromossomos de cada pólo entrelaçam-se, de modo que não se pode mais distingui-los separadamente, até ficarem invisíveis e serem envolvidos dentro de um novo núcleo. As fibras do fuso desaparecem e a célula começa então a se dividir, dando origem a duas células independentes.

Carvão Mineral

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Autoria: André Amato

O carvão mineral é oriundo da decomposição das florestas que ocorreram no período Carbonífero, da era primária, sendo uma das formas em que o elemento carbono é encontrado no Globo Terrestre. Na formação do carvão mineral ocorre um processo no qual há transformação da celulose, com a saída de íons de hidrogênio e oxigênio e um aumento no enriquecimento do carbono, dando origem à hulha.
A hulha pode ser originada pela decomposição de florestas no próprio local, ou ainda, pela sedimentação de detritos vegetais trazidos pelas águas. Assim pode-se dizer que as jazidas de carvão representam restos de vegetais que foram transformados no local, ou transportados por longas distâncias, onde ocorreu a decomposição da celulose pela ação de bactérias, como por exemplo, o Micrococus carbo, uma bactéria anaeróbica.
A condição de um relevo plano com lagos e pantanais e a existência de florestas exuberantes no Sul do Brasil devido ao clima , permitiram a deposição de matéria morta vegetal no período Carbonífero.
A boa qualidade do carvão depende da pequena quantidade de minerais existentes em sua composição, pois estes minerais não queimam e ainda roubam calor. Temos como exemplo os carvões húmicos que possuem em sua composição matéria mineral como a argila, areia, pirita ou marcassita, etc, além da fração combustível.
Os terrenos da idade termocarbonífera encontram-se desde o Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, sendo que a série tubarão e que nos apresenta maior interesse.
A série Tubarão pode ser dividida em dois grupos: grupo bonito e grupo palermo. O grupo bonito apresenta maior interesse econômico, sendo que pode ser definido como um composto de camadas arenosas, argilosa e de carvão. Segundo Putzer, os carvões de Santa Catarina tiveram sua formação terra firme, em bacias rasas e não muito extensas, ocorrendo a predominância de carvões betuminosos que apresentam um teor de matéria volátil superior a 25 %, e grande quantidade de hidrocarbonetos pesados, que são utilizados como fonte de carvão metalúrgico. As áreas carboníferas de maior importância do Estado de Santa Catarina esta localizada na Serra do Mar. Alguns municípios que devem ser citados são: Lauro Müller, Uruçanga, Sideróplis e Orleans.
Apesar da existência de várias áreas carboníferas, o carvão produzido no Brasil é de má qualidade, tendo como conseqüência a pouca conversão do mesmo em coque metalúrgico. No Estado do Rio Grande do Sul e Paraná o carvão produzido é em sua grande maioria utilizado para gerar calor nas usinas termelétricas. Uma tendência que pode ser observada no Brasil é a da ampliação do uso do nosso minério como matéria- industrial , e até mesmo a utilização dos subprodutos do beneficiamento a fim de produzir o ferro e o ácido sulfúrico.

Carbono 2

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Autoria: Thamaris Ribeiro

Carbono

Conhecido pelo homem pré- histórico sob as formas de carvão vegetal e negro- de- fumo (material usado em pinturas de cavernas).
O carbono é o décimo nono elemento mais abundante, não-metalico, pertencente ao grupo IV do sistema periódico, cujo o símbolo químico é C e o numero atômico 6, constituindo cerca de 0,2% da crusta terrestre e 0,03% em volume da atmosfera (na forma de dióxido de carbono).

Caracteriza-se por apresentar diferentes estados alotrópicos e participar de todas as substâncias orgânicas. Alem das formas cristalinas – diamante e grafita.

Embora esteja largamente distribuído na natureza, principalmente em formas combinadas, apenas podemos encontrar pequenas quantidades de carbono na sua forma livre ou elementar. È também o principal constituinte de toda a matéria animal e vegetal, carvão, petróleo e gás natural. Na forma de carbonatos, encontra-se minerais como o calcário, a dolomite e o mármore, assim como em certos depósitos marinhos as conchas das ostras.

Aplicações

O carbono é um elemento indispensável na industria, a maior aplicação do carbono é na forma de coque nas industrias de ferro e do aço, onde se utiliza para reduzir o minério de ferro nos altos fornos.

Tal como na industria de borracha, os compostos negros de carbono têm larga aplicação como tintas de impressão bem como nas industrias de papel, plástico e pintura.

A maior aplicação dos compostos de carbono na fase gasosa é a recolha de solventes orgânicos voláteis do ar, ou ainda na purificação ou separação de gases naturais e industriais.

Ação biológica

Não se conhecem efeitos tóxicos associados ao carbono elementar. No entanto muitos dos compostos de carbono mais comuns exibem fortes efeitos tóxicos. Vejamos alguns exemplos:

• Monóxido de carbono- É um gás inodoro, extremante tóxico e asfixiante. Quando comparado com o hidrogênio verifica-se ser mais rapidamente absorvido e mais firmemente ligado à hemoglobina do sangue (glóbulos vermelhos).

• Dióxido de carbono- É menos tóxico, comportando-se principalmente como um asfixiante e narcótico.

• Cianeto de hidrogênio e os cianetos alcalinos – São extremamente tóxicos, atuando como venenos protoplasmáticos que restringem a oxidação nos tecidos.

A exposição aguda de vapores de tetracloreto de carbono pode danificar os rins ou o fígado. O dissulfeto é um narcótico poderoso, mas os seus efeitos crônicos são mais sérios.

Ciclo do carbono na natureza

Os ciclos do carbono e do oxigênio na natureza são processos fundamentais na transformação constante das substancias orgânicas que constituem a biosfera, ou seja, o ambiente em que se desenvolvem os fenômenos biológicos. Na primeira etapa do ciclo, a fotossíntese, as partes verdes das plantas absorvem o dióxido de carbono atmosférico e o fazem reagir com a água. Para isso, servem-se da luz solar e da presença de clorofila.

Formam-se assim compostos de carbono complexos, que vão constituir a própria estrutura dos vegetais, com liberação de oxigênio. Esse gás, que passa ao ar, é utilizado na respiração de bactérias e animais, em que se registra o processo inverso-captação de oxigênio e desprendimento de dióxido de carbono com o que se encerra o ciclo.

O ciclo do carbono, com seus elementos de transformação vegetação em geral é extremamente importante porque graças a ele, assegura-se a continuidade do equilíbrio vital. Tanto é assim que o dióxido de carbono presente na atmosfera de todo o globo se esgotaria em apenas 25 anos se na o fosse recomposto pelos processos de respiração bacteriana e animal, que mantêm seus índices em níveis constantes, e em conseqüência, preservam as condições básicas para a vida na terra.

Carbono

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Autoria: Alan Rosso

O carbono é o elemento fundamental na constituição das moléculas orgânicas. O carbono utilizado primariamente pelos seres vivos está presente no ambiente, combinado ao oxigênio e formando as moléculas de gás carbônico presentes na atmosfera ou dissolvidas nas águas dos mares, rios e lagos. O carbono passa a fazer parte da biomassa através do processo da fotossíntese. Os seres fotossintetizantes incorporam o gás carbônico atmosférico, transformando-se em moléculas orgânicas. Os passos mais importantes do ciclo do carbono são:
• O dióxido de carbono na atmosfera é absorvido pelas plantas e convertido em açúcar, pelo processo de fotossíntese.
• Os animais comem as plantas e ao decomporem os açúcares liberam carbono na atmosfera, oceanos e solo.
• Outros organismos se decompõem, como as plantas e os animais, devolvendo carbono ao meio ambiente.
• O carbono também é trocado entre os oceanos e a atmosfera. Isto acontece em ambos os sentidos na interação entre ar e a água.
A importância do ciclo do carbono na natureza pode ser melhor evidenciado pela estimativa de que todo o CO2 presente no ar, caso não houvesse reposição, seria completamente exaurido em menos de 20 anos, tendo em vista a fotossíntese atual.
Nos processos de mineralização das substâncias carbonadas, com a conseqüente reposição do CO2 à atmosfera, têm revelante papel os microrganismos heterotróficos. Outra grande contribuição destes no ciclo de carbono é o suprimento de CO2 ao solo, onde este gás funciona como um eficiente solvente na preparação de alimentos inorgânicos para as plantas, a partir de substâncias minerais do solo.
O carbono é absorvido pelas plantas, consideradas os produtores da cadeia trófica. Uma vez incorporado às moléculas orgânicas dos produtores, poderá seguir dois caminhos: ou será liberado novamente para a atmosfera na forma de CO2, como resultado da degradação das moléculas orgânicas no processo respiratório, ou será transferido na forma de moléculas orgânicas aos animais herbívoros quando estes comerem os produtores (uma parte será transferida para os decompositores que liberarão o carbono novamente para a atmosfera, degradando as moléculas orgânicas presentes na parte que lhes coube).
Os animais, através da respiração, liberam à atmosfera parte do carbono assimilado, na forma de CO2. Parte do carbono contido nos herbívoros será transferida para os níveis tróficos seguintes e outra parte caberá aos decompositores e, assim, sucessivamente, até que todo o carbono fixado pela fotossíntese retorne novamente à atmosfera na forma de CO2.
Emissão de Carbono na Atmosfera
O gás carbônico existente na atmosfera é essencialmente originado pelo processo de respiração (79%). Pode ser gerado ainda pela queima de materiais orgânicos, combustíveis fósseis (gasolina, querosene, óleo diesel, xisto, etc) ou não (álcool, óleos vegetais). Pode ainda ser resultado da atividade vulcânica.
Os solos ricos em matéria orgânica em decomposição (pântanos) apresentam grande concentração de CO2. O gás carbônico presente na atmosfera é importante componente do efeito estufa, um fenômeno atmosférico natural, que ocorre porque gases como o gás carbônico (CO2), vapor de água (H2O), metano (CH4), ozônio (O3) e óxido nitroso (N2O) são transparentes e deixam passar a luz solar em direção à superfície da Terra. Esses gases porém são praticamente impermeáveis ao calor emitido pela superfície terrestre aquecida (radiação terrestre). Esse fenômeno faz com que a atmosfera permaneça aquecida após o pôr-do-sol, resfriando-se lentamente durante a noite. Em função dessa propriedade física, a temperatura média global do ar próximo à superfície é de 15 ºC. Na sua ausência, seria de 18 ºC abaixo de zero. Portanto, o efeito estufa é benéfico à vida no planeta Terra como hoje esta é conhecida.
Desse modo, a questão preocupante é a intensificação do efeito estufa em relação aos níveis atuais. Quanto maior a concentração de gases estufa na atmosfera, maior será a capacidade de aprisionar a radiação terrestre (calor) e maior será a temperatura da Terra. O principal gás estufa é o vapor de água, porém sua concentração é muito variável no tempo e espaço. O CO2, segundo gás em importância, tem causado polêmica quanto à quantidade emitida e principais locais e fontes de emissão, além da necessidade de controle de emissões. Isso ocorre devido ao aumento de sua concentração na atmosfera (cerca de 0,5% ao ano) e seu tempo de vida na atmosfera, que é de até 200 anos. A necessidade de estabelecimento de protocolos de controle de emissões de gases estufa é incontestável (Protocolo de Kyoto, por exemplo), pois testar a hipótese do efeito estufa intensificado em um experimento com próprio Globo seria bastante arriscado.

Ciclo do Carbono
O ciclo do carbono nada mais é do que uma representação teórica da utilização do dióxido de carbono pelas algas e plantas. Na verdade este ciclo trata da fotossíntese. O retorno do carbono se dá de duas formas, através da respiração (principal) e através da “quebra” da matéria orgânica (secundária). É importante ressaltar que uma grande quantidade de carbono é incorporada anualmente diretamente da atmosfera para os oceanos

O ciclo do carbono pode ser exemplificado como o aproveitamento do CO2 dissolvido na água do mar pelas algas. Parte desse CO2 retorna para a água através da repiração da própria alga e parte, quando ela morre ou é consumida por um predador herbívoro ou bactéria. O tecido animal morto por sua vez é decomposto por uma bactéria e o carbono incorporado ao meio através da oxidação da matéria orgânica. Portanto, o ciclo do carbono é uma via de mão dupla, a qual inclui o trajeto do carbono inorgânico e o trajeto do carbono orgânico. É um ciclo relativamente complexo pois inclui mais de um grupo de bactérias na decomposição da matéria orgânica.Do total do carbono encontrado no mar apenas 1% é aproveitado pela fotossíntese. O restante é, na sua maioria, armazenado nas conchas de moluscos e na forma de ions bicarbonato. A proporção de Carbono para Nitrogênio e para Fósforo é respectivamente:

A Camada de Ozônio 2

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Autoria: Janaina Zulmira Leiras

A surpresa mais perturbadora do final do século XX talvez tenha sido a descoberta da fragilidade do novo meio ambiente. As florestas tropicais, que fornecem parte do oxigênio que respiramos, estão desaparecendo a uma velocidade alarmante na África, na América do Sul e principalmente no Sudeste Asiático. A camada de Ozônio, que nos protege de radiações nocivas, está sendo destruída.

Tudo começou com um fenômeno importante para a manutenção da vida, foi a transformação de parte do oxigênio que se acumulava na atmosfera em ozônio. Isso graças a interação das radiações ultravioletas do sol nas altas camadas da atmosfera. Essas reações originaram uma verdadeira barreira de ozônio, filtrando e impedindo a penetração de quantidades excessivas de raios ultravioletas, que são nocivos à vida.

A camada de ozônio é uma “capa” desse gás (ATMOSFERA) que envolve a Terra e a protege de vários tipos de radiação, sendo que a principal delas, a radiação ultravioleta, é a principal causadora de câncer de pele. No último século, devido ao desenvolvimento industrial, passaram a ser utilizados produtos que emitem Clorofluorcarbonos (CFC), um gás que ao atingir a camada de ozônio destrói as moléculas que a formam (O3), causando assim a destruição dessa camada da atmosfera. Sem essa camada, a incidência de raios ultravioletas nocivos à Terra fica sensivelmente maior, aumentando as chances de contração de câncer.

A origem dos atuais problemas ambientais está no estilo de vida das nações industrializadas. O aumento da industrialização no hemisfério norte trouxe riquezas materiais às custas do meio ambiente. A mineração a céu aberto deixou cicatrizes na área rural, cidades e fábricas se espalharam, liberando substâncias químicas nocivas no ar. Os carros estão se multiplicando, acrescentando poluentes à atmosfera. O uso generalizado de artigos descartáveis que são “energeticamente ineficientes ” é um desperdício de recursos escassos &ndash as pilhas usadas em rádios precisam de 50 vezes mais energia para serem fabricadas, do que àquela que produzem. Se o Terceiro Mundo seguir essas práticas ao se desenvolver, poderá levar a terra a um holocausto ecológico.

Nas últimas décadas tentou-se evitar ao máximo a utilização do CFC e, mesmo assim, o buraco na camada de ozônio continua aumentando, preocupando cada vez mais a população mundial. As ineficientes tentativas de se diminuir a produção de CFC, devido à dificuldade de se substituir esse gás ,principalmente nos refrigeradores, fez com que o buraco continuasse aumentando, prejudicando cada vez mais a humanidade. Um exemplo do fracasso na tentativa de se eliminar a produção de CFC foi a dos EUA, o maior produtor desse gás em todo planeta. Em 1978 os EUA produziam, em aerossóis, 470 mil toneladas de CFC, aumentando para 235 mil em 1988. Em compensação, a produção de CFC em outros produtos, que era de 350 mil toneladas em 1978, passou para 540 mil em 1988, mostrando a necessidade de se utilizar esse gás em nossa vida quotidiana. É muito difícil encontrar uma solução para o problema. De qualquer forma, temos que evitar ao máximo a utilização desse gás, para que possamos garantir a sobrevivência de nossa espécie.

CONSEQUÊNCIA

Do total da energia que nos chega do Sol, cerca de 46% correspondem à luz visível; 45%, à radiação infravermelha, e 9% , à radiação ultravioleta. Essa última contém mais energia e, por isso, é mais perigosa para a vida dos animais e vegetais sobre a superfície da terra. O ultravioleta é a radiação que consegue “quebrar” várias moléculas que formam nossa pele, sendo por isso o principal responsável pelas queimaduras da praia.

Na atmosfera terrestre. entre 12 e 32 Km de altitude, existe a camada de ozônio (O3) e que funciona como escudo, evitando que 9% da radiação ultravioleta atinja a superfície da Terra.

No início da década de 60 verificou-se que a camada de ozônio estava sendo destruída mais rapidamente que o normal. O problema foi agravado pelo aumento do número de automóveis, aviões a jato, aviões supersônicos, foguetes, ônibus espaciais. Em 1984 verificou-se uma perda de 40% da camada de ozônio sobre a Antártida. Calcula-se que a camada de ozônio vem diminuindo 0,5% ao ano, e que uma redução de 1% na camada de ozônio corresponde a um aumento de 2% da radiação ultravioleta que chega à superfície terrestre, o que trará problemas como câncer de pele, catarata, cegueira, queima de vegetais, alterações no plâncton e reflexos em toda a cadeia alimentar marítima.

No Brasil, a camada de ozônio ainda não perdeu 5% do seu tamanho original, de acordo com os instrumentos medidores do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais). O instituto acompanha a movimentação do gás na atmosfera desde 1978 e até hoje não detectou nenhuma variação significante, provavelmente pela pouca produção de CFC no Brasil em comparação com os países de primeiro mundo. No Brasil apenas 5% dos aerossóis utilizam CFC, já que uma mistura de butano e propano é significativamente mais barata, funcionando perfeitamente em substituição ao Clorofluorcarbonos.

A FORMAÇÃO DE “O3”

Átomos de oxigênio podem se combinar de diferentes formas; esse fenômeno é chamado de alotropia e as formas resultantes destas combinações são chamadas de formas alotrópicas. Assim, o ozônio é uma forma alotrópica do oxigênio. Ele é formado por três átomos de oxigênio e tem propriedades físico-químicas muito diferentes das outras formas alotrópicas.

A atmosfera é constituída por aproximadamente 21% de O2 e 78% de N2, e essa composição varia muito pouco até aproximadamente 70Km de altura. À medida que as radiações mais energéticas chegam à superfície da Terra podem ser absorvidas seletivamente por algumas substâncias. Entretanto, antes de chegar à baixa atmosfera, uma parte dessa radiação é absorvida pelo oxigênio existente na estratosfera, desencadeando uma série de reações. Um mecanismo proposto para explicar uma rota freqüente de formação do ozônio a partir do oxigênio é:

A primeira equação representa a reação de desenlace da molécula de oxigênio, que ocorre quando essa molécula absorve reações energéticas ( de baixo comprimento de onda ).

A Segunda equação representa a adição do oxigênio atômico (O) à molécula de oxigênio, O2. A presença de uma molécula (M), por exemplo N2, faz-se necessária para absorver o calor liberado na reação, pois esta é exotérmica. Caso não houvesse uma terceira molécula para absorver parte da energia liberada pela reação, o ozônio formado sofreria decomposição em aproximadamente 10&ndash13 segundos. Muito provavelmente é dessa maneira que se forma a importante camada de ozônio na estratosfera.

A camada de ozônio formada corresponde a uma faixa de aproximadamente 30 mil metros de espessura, que se inicia perto de 15Km da superfície terrestre. Se a camada estivesse nas condições de temperatura e pressão do nível do mar teria uma espessura de, no máximo, 3 milímetros. Mesmo assim ela é fundamental para a conservação da vida na Terra. O ozônio absorve intensamente a radiação ultravioleta. Por isso funciona como um filtro que impede esta radiação de chegar à superfície terrestre.

Em pequena quantidade, os raios ultravioleta são benéficos: por exemplo, ativam a formação de vitamina D em nossa pele. Mas em grande volume causam vários males aos seres humanos, entre eles as conhecidas queimaduras de sol, câncer de pele e lesões oculares. Nas plantas e nos fitoplânctons o excesso de radiação ultravioleta determina redução do ritmo de crescimento e de produtividade.

O ozônio também se forma na troposfera, região mais baixa da atmosfera e onde vivemos. Aqui embaixo, sob a ação da luz, o ozônio se forma preferivelmente de uma combinação de óxidos de nitrogênio ( produtos formados a partir da combustão de derivados do petróleo, eliminados pelas chaminés de fábricas e canos de escape dos veículos automotores.). Por se constituir numa espécie extremamente reativa, um poderoso agente oxidante, o ozônio ataca uma série de materiais, como obras de arte, plantas, tecidos, borrachas e até os seres vivos, inclusive o próprio organismo humano; portanto, sua presença na baixa atmosfera é indesejável. E, por seu caráter reativo, constitui um importante causador de vários poluentes secundários.

AS REAÇÕES NOCIVAS

As moléculas de Clorofluorcarbonos, ou Freon, passam intactas pela troposfera, que é a parte da atmosfera que vai da superfície até uma altitude média de 10.000 metros. Em seguida essas moléculas atingem a estratosfera, onde os raios ultravioletas do sol aparecem em maior quantidade. Esses raios quebram as partículas de CFC (ClFC) liberando o átomo de cloro. Este átomo, então, rompe a molécula de ozônio (O3), formando monóxido de cloro (ClO) e oxigênio (O2).

A reação tem continuidade e logo o átomo de cloro libera o de oxigênio que se liga a um átomo de oxigênio de outra molécula de ozônio, e o átomo de cloro passa a destruir outra molécula de ozônio, criando uma reação em cadeia.

O ozônio pode ser destruído pelo freon que é o gás de refrigeração utilizado em geladeiras, freezers, aparelhos de ar condicionado, aerossóis, sprays de perfumes, desodorantes, tintas, etc.

UV

Observe que ocorre uma reação em cadeia com a formação de cloro atômico que dá continuidade à destruição da camada de ozônio.

Por outro lado, existe a reação que beneficia a camada de ozônio: Quando a luz solar atua sobre óxidos de nitrogênio, estes podem reagir liberando os átomos de oxigênio, que se combinam e produzem ozônio. Estes óxidos de nitrogênio são produzidos continuamente pelos veículos automotores, resultado da queima de combustíveis fósseis. Infelizmente, a produção de CFC, mesmo sendo menor que a de óxidos de nitrogênio, consegue, devido à reação em cadeia já explicada, destruir um número bem maior de moléculas de ozônio que as produzidas pelos automóveis.

OS EFEITOS

A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio será o grande aumento da incidência de câncer de pele, desde que os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe a hipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio pode causar desequilíbrio no clima, resultando no “efeito estufa”, o que causaria o descongelamento das geleiras polares e conseqüente inundação de muitos territórios que atualmente se encontram em condições de habitação. De qualquer forma, a maior preocupação dos cientistas é mesmo com o câncer de pele, cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Cada vez mais aconselha-se a evitar o sol nas horas em que esteja muito forte, assim como a utilização de filtros solares, únicas maneiras de se prevenir e de se proteger a pele.

OS POLUENTES

O monóxido de carbono é o contaminante do ar mais abundante da camada inferior da atmosfera. Outros poluentes são óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, dióxidos de enxofre, hidrocarbonetos (identificaram-se 56 hidrocarbonetos diferentes em áreas urbanas), o ozônio ( o mesmo que exerce um efeito benéfico na alta atmosfera, protegendo-nos dos raios ultravioleta), chumbo, aldeídos e material particulado.

Estas substâncias atingem seres humanos manifestando-se através de sintomas distintos: dores de cabeça, desconforto, cansaço, palpitações no coração, vertigens, diminuição dos reflexos (monóxido de carbono, que em concentrações elevadas, pode conduzir à morte), irritação dos olhos, nariz, garganta e pulmões (óxidos de nitrog6enio); infiltração de partículas nos pulmões formando ácidos sulfurícos (óxido de enxofre); asma aguda e crônica, bronquite e efisema (dióxido de enxofre); Câncer (hidrocarbonetos); destruição de enzimas e proteínas (ozônio); degeneração do sistema nervoso central e doenças nos ossos, principalmente em crianças (chumbo). O material particulado causa irritação e entupimento dos alvéolos pulmonares. O Brasil é um dos países com maior quantidade de aldeídos na atmosfera, originados pelos carros à álcool. Acredita-se que o aldeído fórmico provoque tumores em cobaias, mas sobre os efeitos no homem ainda não há informações.

A CAMADA DE OZÔNIO CONTINUA AMEAÇADA

O dia 16 de setembro de 1997 marcou o décimo aniversário da assinatura do Protocolo de Montreal Sobre as Substâncias que Destróem a Camada de Ozônio, um acordo internacional destinado a reduzir os trágicos efeitos do desenvolvimento industrial sobre o fino escudo atmosférico que protege a Terra – e todos os seres que nela vivem – dos mortais raios ultravioletas B (UV-B).

Mas será que há razões suficientes para uma comemoração? Estudos científicos realizados anualmente demostram que a camada de ozônio continua a diminuir, apesar das medidas de proteção impulsionadas pelo Protocolo de Montreal.

Dados da agência espacial norte-americana NASA mostram que em 1996 o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atingiu o recorde de 16 milhões de km quadrados – área duas vezes maior que o Brasil.

Em algumas regiões, já foram detectados níveis de raios UV-B cinco vezes mais altos do que o normal. As conseqüências dessa radiação excessiva são tremendas: câncer de pele, catarata, danos ao sistema imunológico, redução da biodiversidade etc.

As grandes inimigas da camada de ozônio são as moléculas de cloro [1] e de bromo lançadas na atmosfera em decorrência de produtos e tecnologias industriais. As principais dessas substâncias são os CFCs (clorofluorcarbonos), HCFCs (hidroclorofluorcarbonos) e brometo de metila [2]- presentes em ampla gama de produtos – gases refrigerantes, solventes, espumas etc. Esses gases tendem a se acumular nas regiões mais frias do planeta tais como os pólos. Por isso o buraco na Antártida é tão grande.

Os CFCs são gases cumulativos: uma vez na estratosfera, ficam por décadas ou mesmo séculos. Ou seja: mesmo que todo o mundo deixasse de produzir CFC hoje, a camada de ozônio continuará a sofrer os efeitos por muito tempo.

Para manter seus lucros, a poderosa indústria química mundial têm resistido fortemente aos esforços destinados a proteger a camada de ozônio. Durante anos, seus porta-vozes negaram os efeitos destrutivos do CFC sobre o ozônio, apontados pelo Greenpeace e por diversos cientistas. Foi preciso que a NASA confirmasse a maciça presença de monóxido de cloro sobre a Antártida para que a indústria se rendesse às evidências. Ao admitir os efeitos do CFC, a indústria química passou a defender o HCFC como alternativa. Alternativa falsa: o HCFC também destrói a camada de ozônio. Outra “solução” proposta pela indústria, o HFC (hidrofluorcarbono), embora não destrua o ozônio, é 3.400 vezes mais poderoso do que o CO² como fator de aquecimento global [3].

Desde 1995, o uso de CFC está proibido em todos os países chamados “desenvolvidos” do “Norte”- mas os chamados “países em desenvolvimento” do “Sul”- como o Brasil – ganharam um prazo maior (2005) para substituir o CFC por outros produtos menos nocivos ao ozônio. Desculpa para essa prorrogação: “proteger” a economia desses países, menos capazes de competir. Na prática, com a globalização da economia mundial, as empresas dos países desenvolvidos simplesmente ganharam a chance de transferir para os países não desenvolvidos suas unidades industriais e tecnologias proibidas. São elas que estão sendo “protegidas”.

UM TRATADO CHEIO DE FUROS

Graças a tudo isso, o tratado internacional destinado a reduzir o buraco na camada de ozônio está ele mesmo cheio de furos:

O uso de substâncias destrutivas do ozônio é atualmente de 200 kg/ano per capita nos países desenvolvidos. Apesar das medidas adotadas nesses países, o consumo dessas substâncias aumentou 45% na última década.

O Fundo Multilateral [4] do Protocolo de Montreal continua a financiar projetos utilizando HCFCs, contrariando decisões que limitam o uso dessas substâncias nocivas em aplicações onde não existem soluções ambientalmente corretas. Um bom exemplo disso é o financiamento de US$ 5 milhões aprovado na 19ª reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral, em outubro de 1996, para a empresa brasileira Multibrás [5]. A empresa quer usar os recursos para substituir os CFCs 11 e 12 por HCFCs e HFCs em seus produtos.

Os recursos do Fundo Multilateral são insuficientes e os atrasos no desembolso desses recursos adiam por vários anos a eliminação das substâncias destrutivas do ozônio.

O Protocolo de Montreal não vigora em várias regiões do planeta – tais como a Federação Russa.

Substâncias destrutivas do ozônio, como o brometo de metila, sequer são contempladas no Protocolo de Montreal.

A ausência de controle estrito sobre o HCFC e brometo de metila adia ou torna mais lento o declínio da presença de substâncias destrutivas do ozônio.

O comércio ilegal e o consumo de CFCs continua a ameaçar a camada de ozônio.

O PROTOCOLO DE MONTREAL SÓ VAI FUNCIONAR:

SE a produção e o uso das substâncias que destróem a camada de ozônio forem banidos. Nós não precisamos delas.
SE os países do Norte desenvolvido mantiverem suas promessas. Eles não estão. E não estão contribuindo com recursos financeiros suficientes para que o Fundo Multilateral possa ajudar os países do Sul, em desenvolvimento, a adotar tecnologias apropriadas.
SE os países do Sul atuarem de forma responsável – eles não o fazem. Alguns insistem em construir fábricas de CFC e fabricar produtos utilizando CFCs alegando não terem recursos para a conversão tecnológica de suas indústrias.
SE o Norte não despejar tecnologia obsoleta e poluente no Sul. Subsidiárias das indústrias químicas do Norte continuam a produzir substâncias destrutivas do ozônio nos países em desenvolvimento. Essas empresas continuam a fabricar seus produtos químicos destrutivos no Norte e a exportá-los.
[1] Cloro – é um ávido destruidor da camada de ozônio – na estratosfera, ele “quebra” a molécula do ozônio (O³) e se “apropria” de um átomo de oxigênio para formar monóxido de cloro (ClO), um gás pouco estável que gera um processo em cadeia de eliminação do ozônio.

[2] Brometo de metila – substância química usada principalmente em agricultura para limpeza do solo, antes do plantio, e na eliminação das pragas. Os principais consumidores no Brasil são a indústria de fumo (no sul do país) e a indústria de armazenamento de grãos.

[3] Aquecimento global: “esquentamento” gradativo do planeta pelos chamados “gases-estufa” gerados pelo processo industrial – tais como o dióxido de carbono (CO²) -, resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis como o petróleo. Desde 1890, marco da revolução industrial, a temperatura média global do planeta aumentou 0.5 grau Celsius.

[4] Fundo Multilateral: fundo criado pelos países-membros do Protocolo de Montreal destinado a financiar a conversão de tecnologias e processos destrutivos do ozônio por outros, não destrutivos.

[5] Multibrás – maior produtor brasileiro de geladeiras, controla a Brastemp, a Consul e a Embraco. Tem 41% de suas ações em mãos da multinacional Whirpool.

(Fonte: Greenpeace Brasil)

Laboratórios de pesquisa DO OZÔNIO da estação “Comandante Ferraz” – ANTARTICA

A maior atividade do Laboratório de Ozônio é fazer observações, isto é, medidas da Camada de Ozônio usando uma rede de instrumentos de superfície chamados espectrofotômetros, do tipo Dobson e do tipo mais moderno, o Brewer. No momento, operamos dois instrumentos Dobson, e seis instrumentos Brewer em diferentes estações de medida. Natal, RN e Cachoeira Paulista, SP, são estações Dobson; Natal (RN), Cuiabá (MT), Cachoeira Paulista (SP), Santa Maria (RS), La Paz (Bolívia), e Punta Arenas (Chile), são estações Brewer. Além dos instrumentos de superfície citados, usamos também a técnica ECC (células de concentração eletroquímica) para medir a concentração de ozônio em função de altura, na troposfera e na estratosfera, usando balões meteorológicos. Um programa de medidas usando esta técnica está em operação em Natal, RN, desde 1978.

A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio é a Antártica. Nessa região, principalmente no mês de setembro, quase a metade da concentração de ozônio é misteriosamente sugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa à mercê dos raios ultravioletas uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível; de 3 a 7% do ozônio que a compunha já foi destruído pelo homem. Mesmo menores que na Antártida, esses números representam um enorme alerta ao que nos poderá acontecer, se continuarmos a fechar os olhos para esse problema.

Campanhas especiais de campo também tem sido feitas, especialmente na região Amazônica, para estudar efeitos na atmosfera das queimadas locais. Mais recentemente, acrescentamos também outros instrumentos de medida da radiação UV-B nas estações da rede.

Os dados de ozônio obtidos na troposfera são muito úteis para estudos das queimadas, e seus efeitos sobre a atmosfera. Este estudo de queimadas é uma segunda prioridade do Laboratório de Ozônio. O pessoal do laboratório, em 1997, é formado por 5 Doutores, 2 engenheiros, e 5 técnicos. Alguns estudantes de mestrado e doutorado completam o time.
O laboratório foi criado em 1985 pelo Dr. Volker W.J.H. Kirchhoff, que até o presente é o seu chefe.

Esta estação é mantida pela Marinha do Brasil, com apoio logístico da Força Aérea Brasileira. O INPE tem mantido vários projetos de pesquisa nesta estação durante os últimos 10 anos, com o apoio financeiro do CNPq. O Laboratório de Ozônio do INPE mantém aí estudos sobre a camada de ozônio, o Buraco na Camada de Ozônio da Antártica, e medidas de Radiação UV-B.

O ozônio é uma molécula que existe em toda a atmosfera. Na parte mais baixa, a troposfera, a concentração é relativamente baixa. Na estratosfera, que fica entre 15 e 50 km de altura, a concentração do ozônio passa por um máximo a aproximadamente 30 km. Entre 25 e 35 km define-se, arbitrariamente, a região da “camada de ozônio”.

O ozônio desta região tem uma função muito importante para a vida na superfície terrestre. Ela absorve a radiação que vem do sol, o ultravioleta do tipo B, entre 280 e 320 nanometros (nm). Apenas o ozônio, na atmosfera, tem esta propriedade importante de absorver a radiação UV-B, que é prejudicial à vida de homens, animais, e plantas.

Explica-se que a vida surgiu na Terra junto com o oxigênio, e portanto o ozônio, e portanto os seres vivos nunca precisaram de se defender contra a radiação que sempre, desde o início, protegeu a Terra contra este tipo de radiação.

A partir dos anos 60, percebeu-se uma nítida diminuição do conteúdo da camada de ozônio, a nível mundial, de ano a ano. Esta diminuição, que é da ordem de 4% por década, em média, continua ainda hoje, e deve permanecer nesta tendência por várias décadas. Sabe-se hoje que o problema da camada de ozônio está associado aos chamados CFC´s, substâncias produzidas artificialmente pelo Homem moderno, e que foram e são muito úteis nos processos de refrigeração, em geladeiras e ar condicionado, principalmente. Nestas substâncias existe o cloro, mas que somente pode ser liberado da molécula do CFC quando esta é submetida a altas doses de radiação UV-B. É exatamente isto que acontece na estratosfera, na altura e acima da camada de ozônio. O CFC é liberado na superfície, e demora muitos anos para chegar, em parte, na estratosfera.

Quando chega na altura certa o cloro é liberado de sua molécula, podendo então reagir quimicamente com o ozônio, numa reação química que destrói o ozônio. O cloro, no entanto, é regenerado logo depois, via outra reação química, e pode então, destruir mais moléculas de ozônio. Este tipo de reação catalítica é responsável pela destruição de milhares de moléculas de ozônio por apenas um átomo de cloro.

Porque o buraco está na Antártica?

Em todo o mundo as massas de ar circulam, sendo que um poluente lançado no Brasil pode atingir a Europa devido a correntes de convecção. Na Antártida, por sua vez, devido ao rigoroso inverno de seis meses, essa circulação de ar não ocorre e, assim, formam-se círculos de convecção exclusivos daquela área. Os poluentes atraídos durante o verão permanecem na Antártida até a época de subirem para a estratosfera. Ao chegar o verão, os primeiros raios de sol quebram as moléculas de CFC encontradas nessa área, iniciando a reação. Em 1988, foi constatado que na atmosfera da Antártida, a concentração de monóxido de cloro é cem vezes maior que em qualquer outra parte do mundo.

O INPE desenvolve importante programa de observações da camada de ozônio, mantendo no território nacional uma rede de observatórios da camada de ozônio e de radiação ultravioleta. O grupo é muito ativo em termos de publicações e participação em eventos internacionais. Dois de seus membros já foram parte do IOC, International Ozone Commission. Fora do Brasil, instalou-se ainda um observatório em La Paz, na Bolívia, para obter dados de altitude nos Andes, e também no Chile, na região mais austral do continente, em Punta Arenas, com o objetivo de observar o Buraco da Camada de Ozônio, fenômeno tipicamente Antártico.

Seguem abaixo dois exemplos de medidas feitas em Punta Arenas, Chile, região da Antártica, onde se pode observar o Buraco na Camada de Ozônio da Antártica.

Exemplo do buraco de ozônio da Antártica, mostrando concentrações de ozônio em nbar (nanobar) em função de altura em km, em função do tempo (dias de outubro); a concentração é mínima no dia 12, 13, e 14 de outubro de 1995, quando o buraco passa por cima de Punta Arenas.

Representação do buraco de ozônio da Antártica, visto em Punta Arenas, em função da variação do conteúdo total de ozônio, medido por duas técnicas diferentes: usando espectrofotômetro e usando sondagens de ozônio.

A Radiação Ultravioleta é uma parte sui-generis do espectro solar, e pode ser separada em três partes: a radiação UV-A, que se estende desde 320 a 400 nanometros (nm); a radiação UV-B, que vai de 280-320 nm; e a radiação UV-C, que vai de 280 a comprimentos de onda ainda menores. O UV-C é totalmente absorvido na atmosfera terrestre, e por isto não é de maior importância para medidas feitas da superfície da Terra. O UV-A é importante, porque não é absorvido pela atmosfera, a não ser por espalhamento nas moléculas e partículas, e porque tem efeitos sobre a pele humana. A radiação UV mais importante, sem dúvida, é a UV-B. Esta radiação é absorvida na atmosfera pelo ozônio, na estratosfera. A pequena quantidade que passa pela atmosfera e atinge a superfície é muito importante, porque excessos desta radiação causam câncer de pele, e são a grande preocupação dos médicos dermatologistas. Como a camada de ozônio está ainda diminuindo, e vai continuar assim por mais algumas décadas, acredita-se que o UV-B vai aumentar sua intensidade no futuro.

É por isto que as medidas de UV-B, em diversas situações e em vários sítios, é considerada tão importante. Já existe tecnologia adequada para se medir o UV-B.

Instrumento que mede a radiação UV-B em vários canais importantes do espectro, permite estudos da camada de ozônio e do Buraco na camada de ozônio, e da radiação UV-B. A foto mostra um instrumento instalado na Estação Brasileira da Antártica, Comandante Ferraz

O INPE mantém uma importante rede de monitores de UV-B no território nacional, e tem oferecido estas informações à comunidade médica. Um dos objetivos do trabalho é divulgar o índice de UV-B, que é um número sem dimensões que visa definir quantitativamente se o sol está forte ou fraco. É um número de 0 a 16. No inverno, em S.Paulo, por exemplo, o índice é da ordem de 5, e no verão da ordem de 12.

DENÚNCIA SOBRE OS FABRICANTES DE GELAGEIRAS “FONTE GREENPEACE”

GELADEIRAS BRASILEIRAS DESTROEM O OZÔNIO E ESQUENTAM A TERRA.

Para os europeus bons produtos, já no Brasil… Brastemp e Consul estão lançando geladeiras e freezers com o selo “Sem CFC”. A Whirpool, dona dessas marcas, quer nos fazer acreditar que estes modelos são ambientalmente melhores. NÃO É VERDADE. Eles contêm duas substâncias nocivas ao meio ambiente. No isolamento térmico das paredes, usam o gás HCFC (HidroCloroFluorCarbono), que destrói a camada de ozônio. A própria Whirpool já não o usa na Alemanha. Nos sistemas de refrigeração, usam o HFC (HidroFluorCarbono), que causa dois problemas: primeiro, destrói indiretamente a camada de ozônio, já que e fabricado a partir do CFC; segundo, e um poderoso gás estufa, 3200 vezes mais potente que o gás carbônico no aquecimento global do planeta.

Maus Antecedentes:

A Whirpool já foi condenada por propaganda enganosa nos EUA. As entidades Ozone Action e Environmental Law Foundation processaram-na na Califórnia por etiquetar suas geladeiras como “Amigas do Ozônio”. A Whirpool perdeu a causa, e teve de substituir as “etiquetas verdes” por outras que indicavam que o HCFC destrói a camada de ozônio em menor grau que o CFC.

Onde esta a verdade?

A Whirpool produz na Europa as verdadeiras geladeiras verdes – GREENFREEZE – construídas com duas substancias simples (hidrocarbonetos): ciclopentano nas espumas de isolamento térmico e isobutano nos sistemas de refrigeração. Estas substancias permitem construir equipamentos com maior economia de energia e que não danificam o meio ambiente.

A tecnologia GREENFREEZE foi desenvolvida em 1992 pelo Greenpeace, em associação com o Instituto de Higiene de Dortmond da Alemanha. A tecnologia e de livre acesso e as substancias utilizadas não são patenteáveis. O HCFC e o HFC, ao contrario, são patenteados por industrias químicas e são somente produzidos contra o pagamento de ‘royalties’. O GREENFREEZE e hoje produzido por todos os grandes fabricantes europeus. Só na Alemanha já se vendeu mais de 9 milhões de aparelhos com as marcas Bosh, Liebherr, Siemens, AEG, Electrolux e Bauknecht (Whirpool). Na China a Kelon produzira 800 mil destes aparelhos este ano, e Rússia, Ucrânia, Bielorussia, Turquia, Índia, Bangladesh e Cuba preparam-se para fabrica-los. Na Argentina, depois de forte pressão, a Whirpool comprometeu-se com o Greenpeace, publicamente e por escrito, a fabricar greenfreeze ate 1999.

Não somos consumidores de segunda!

O Greenpeace considera inaceitável que o conglomerado Whirpool/Brastemp/Consul trate o consumidor brasileiro como de segunda categoria, não se propondo a aqui produzir o GREENFREEZE.

A SOLUÇÃO! “GELADEIRA VERDE”

Para desmontar as alegações da indústria de que era inviável a produção de refrigeradores não destrutivos da camada de ozônio, o Greenpeace desenvolveu em 1992, na Alemanha, a “geladeira verde” (Greenfreeze), utilizando gases hidrocarbonetos [1] como elemento refrigerante e na fabricação das espumas isolantes. Foi a primeira geladeira no mundo a não destruir o ozônio. A tecnologia foi doada gratuitamente à indústria mundial de geladeiras.

A indústria química, que vem pressionando a indústria de refrigeração a adotar os HCFCs e HFCs como alternativa aos CFCs, reagiu de forma dura, lançando uma campanha contra o Greenpeace alegando que as “geladeiras verdes” consumiriam mais energia, seriam inflamáveis e eram tecnicamente inviáveis. Por trás da campanha, uma lógica: a indústria química tem bilhões de dólares investidos em HCFC e HFC. A multinacional inglesa ICI, grande produtora dessas substâncias, e também de CFC (e alvo de várias ações diretas do Greenpeace), chegou a escrever aos sócios da organização na Inglaterra perguntando: “Será que devemos todos ir para o laboratório e passar os próximos dez anos verificando se as idéias do Greenpeace podem ser colocadas em prática?”

A ICI precisou de apenas duas semanas para descobrir que estava errada: esse foi o tempo necessário para que a Universidade de South Bank, na mesma Inglaterra, desenvolvesse um protótipo de “geladeira verde”.

Em 1993 a indústria alemã DKK/ Foron, que estava em dificuldades financeiras, anunciou a intenção de produzir a geladeira verde em grande escala, depois que milhares de sócios do Greenpeace na Alemanha se comprometeram a comprar o produto. Hoje a empresa é economicamente saudável. O sucesso da Foron levou várias outras indústrias a seguirem seu exemplo.

A tecnologia Greenfreeze está largamente difundida na Europa e em outras partes do mundo, presente em geladeiras que não só preservam o ozônio como são economicamente competitivas e mais eficientes do ponto vista do consumo de energia do que as tradicionais.

“Geladeiras verdes” com marcas dos grandes fabricantes mundiais – inclusive Bosch (Continental, no Brasil), Electrolux e Whirpool (Brastemp/Consul, no Brasil) – estão à venda na Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Suíça e Inglaterra. E, melhor ainda: empresas do “Sul” já estão optando pela tecnologia desenvolvida pelo Greenpeace: a China já produz Greenfreezers e indústrias da Argentina, Cuba e Índia lançarão em breve “geladeiras verdes” como resultado de iniciativas do Greenpeace. Falta o Brasil seguir o exemplo.

O que é bom para a Europa não é bom para o Brasil?

Electrolux, Whirpool e Bosch fabricam greenfreezers em outros países. Mas no Brasil, suas subsidiárias optaram por geladeiras falsamente apresentadas como “ecológicas”. Os modelos da Electrolux, Brastemp e Consul recém lançados no mercado usam o gás HFC ou HCFC em substituição ao CFC. A Electrolux foi mais longe em sua “maquiagem verde” e recorreu à propaganda enganosa de seu modelo R260, que usa o gás refrigerante R134a (nome de mercado de um dos HFCs), apresentado em anúncios assim: “Isto é que é geladeira: não deixa nem a temperatura da Terra subir”. O HFC é 3.400 vezes mais poderoso agente de aquecimento global do que o CO². O Greenpeace entrou com representação contra a mentira na Delegacia do Consumidor e no Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Cade). O Cade recomendou a retirada da propaganda. Mas a falsa solução continua à venda.

[1] Hidrocarbonetos – gases simples, como o butano, o propano e o isobutano, excelentes fluidos refrigerantes. Há muito são conhecidos pela humanidade, a tecnologia é bastante experimentada e eles são totalmente inofensivos à camada de ozônio, além de muito mais baratos do que os HCFCs e HFCs.

CONCLUSÃO

Diante de tudo que foi dito, surge uma pergunta: é possível reconstruir a camada de ozônio? Em tese, sim. Mas há alguns complicadores práticos. Devido ao longo período de residência dos clorofluorcarbonos na atmosfera e a sua ainda intensa emissão para o ar, eles já se acumularam numa quantidade muito grande. Segundo algumas previsões, mesmo que as emissões se reduzissem a zero, as reações da destruição do ozônio continuariam por pelo menos mais 100 anos. Caso persistam as emissões, hoje na ordem de 1,2 milhões de toneladas anuais, o ritmo da destruição da camada de ozônio será cada vez mais alto, levando eventualmente a mudanças significativas também na composição da alta atmosfera, em elevadas altitudes. Não dá para prever com certeza o que aconteceria numa situação dessas, pois não se conhece com precisão como as espécies constituintes da atmosfera reagiriam a um ambiente onde o processo de formação-destruição-regeneração do ozônio estratosférico fosse intensificada; além disso, não se conhece com exatidão os mecanismos desse processo.

Camada de Ozônio

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Autoria: Sonia Regina Rodrigues

O ozônio é uma substância química formada por três átomos de oxigênio. O oxigênio, o gás que respiramos, começou a se acumular na atmosfera há aproximadamente 400 milhões de anos. Mas as moléculas de oxigênio, sob a ação constante dos raios ultravioletas (UV) do Sol, quebravam e depois se recombinavam, dando origem ao ozônio.
A camada de ozônio situa-se numa faixa de 25 a 30 km da estratosfera – a parte da atmosfera que vai de 12 a 40 km. O oxigênio absorve o excesso de radiação ultravioleta. Foi graças a esta capa protetora que a vida pôde evoluir em nosso planeta. Diminuindo a intensidade da chegada dos UV à superfície, o ozônio evita feridas na pele, câncer e mutações degenerativas. Ele funciona como um agente do sistema imunológico do planeta.
Sua ausência deixa todos expostos, indefesos ante os efeitos dos raios ultravioleta.
Em 1982, detectou-se, pela primeira vez, o desaparecimento de ozônio em áreas sobre a Antártida. Medições sucessivas constataram que a camada de ozônio era cada vez mais rarefeita. Atualmente esse fenômeno pode ser percebido não só no Pólo Sul, mas também sobre o Ártico, o Chile e a Argentina. Os cientistas apontam os clorofluorcarbonos como os responsáveis pela situação. Também chamados CFCs, os clorofluorcarbonos surgiram em 1931 para serem usados em refrigeradores, eram excelentes, pois, além de baratos, não eram tóxicos nem inflamáveis.
Os CFCs são compostos por cloro, flúor e carbono. Quando chegam à estratosfera, eles são decompostos pelos raios ultravioleta. O cloro resultante reage com o oxigênio, destruindo-o. O cloro liberado volta a atacar as moléculas de oxigênio, recomeçando o ciclo das reações. Cada átomo de cloro de CFC pode destruir 100 mil moléculas de oxigênio. É lógico que a forma de diminuir o buraco seria a não utilização de CFC, como já acontece em vários países da Europa e EUA. O problema é que os CFCs são muito estáveis: depois de 139 anos, metade da quantidade liberada no ar ainda permanece na atmosfera. Por isso, eles têm muito tempo para subir até a estratosfera e começar o processo de destruição. Quer dizer: na metade do século XXI, a camada de ozônio ainda estará sofrendo os efeitos dos primeiros CFCs lançados na atmosfera.

Em Setembro de 1987, o Programa das Nações Unidas para proteção do Meio Ambiente conseguiu que um grupo de 31 países reunidos no Canadá assinasse o “Protocolo de Monteral”, determinando a redução pela metade da produção mundial de CFC até o ano de 2000. Em 1989, o documento contava com a adesão de 81 países, inclusive o Brasil. Nessa ocasião, os signatários do protocolo decidiram interromper completamente a produção de CFC até o final do século XX. Em 1992, os Estados Unidos decidiram que suspenderiam sua produção em 1996. Logo depois, a Alemanha, a Dinamarca e a Holanda anunciaram que interromperiam a produção até 1994.
Há outras substâncias que também destroem a camada de ozônio e que até agora não sofreram nenhum tipo de proibição. São elas: tetracloreto de carbono, um solvente; clorofórmio, anestésico e solvente; e dióxido de nitrogênio, utilizado na composição do ácido nítrico. Como se pode perceber, o problema ainda está longe de uma solução definitiva.

Buraco de Ozônio
A camada de ozônio serve como uma proteção contra os raios ultravioleta. Hoje, sabe-se que ela pode ser destruída por substâncias como o clorofluorcarbono(CFC), usado em aerossóis, em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado.
Na atmosfera, o CFC é quebrado pelos raios ultravioleta do sol, e o átomo de cloro é liberado. O cloro destrói a molécula de ozônio, formando monóxido de cloro e oxigênio.

Chuva ácida
A chuva ácida é um grave problema ambiental que tem origem nos grandes centros urbanos, pois resulta da reação de gases poluentes (trióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio) com a água da chuva. Sua acidez é capaz de corroer construções e monumentos.

O buraco na camada de ozônio
A camada de ozônio e uma “capa” desse gás que envolve a terra e a protege de vários tipos de radiação, sendo a principal delas a radiação ultravioleta que é a principal causadora de câncer de pele. No último século, devido ao desenvolvimento industrial, passaram a ser utilizados produtos que emitem clorofluorcarbono, um gás que, ao chegar a camada de ozônio destrói as moléculas que a formam (O3) e assim causa a destruição dessa camada da atmosfera. Sem essa camada, a incidência de raios ultravioletas nocivos sobre a terra fica sensivelmente maior, aumentando as chances de contração do câncer. Nas últimas décadas, tentou-se evitar ao máximo a utilização do CFC. Mesmo assim, o buraco na camada de ozônio continua aumentando, o que cada vez mais preocupa a população do mundo todo. A ineficiência das tentativas de diminuir a produção de CFC no mundo, devido a dificuldade de substituir esse gás principalmente nos refrigeradores, fez com que o buraco da camada continua-se aumentando, o cada vez mais prejudica a própria humanidade. Um exemplo do fracasso de uma tentativa de eliminar a produção de CFC no mundo foi a dos EUA, o maior produtor desse gás em todo o planeta. Em 1978, os EUA produziam, em aerossois, 470 mil toneladas de CFC que passaram a ser 235 mil em 1988. Em compensação, a produção de CFC em outros produtos, que era de 350 mil toneladas em 1978, passou a ser de 540 mil em 1988, mostrando a necessidade que se tem de utilizar esse gás na nossa vida quotidiana. E muito difícil encontrar uma solução para esse problema, mas de qualquer maneira, temos que evitar ao máximo a utilização desse gás para podermos garantir a sobrevivência de nossa própria espécie.

O buraco
A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio e a Antártida. Nessa região, principalmente no mês de setembro, quase a metade da concentração de ozônio e misteriosamente sugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa a merce dos raios ultravioletas uma area de 31 milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível, de 3 a 7% do ozônio que a compunha ja foi destruído pelo homem. Mesmo sendo menores que na Antártida, esses números são um enorme alerta ao que poderá acontecer se continuarmos a fechar os olhos para esse problema.

O que são os raios ultravioleta?
Raios ultravioleta são ondas semelhantes as ondas luminosas, que estão exatamente acima do extremo violeta do espectro da luz visível. O comprimento de onda dos raios ultravioleta varia de 4,1 x 10-4 ate 4,1 x 10-2 mm. As ondas prejudiciais de raios ultravioleta são as mais curtas.

A reação
As moléculas de clorofluorcarbono, ou Freon, passam intactas pela troposfera, que e a parte da atmosfera que vai dos 0 aos 10000 metros de altitude. Quando passam por essa parte, desembocam na estratosfera, onde os raios ultravioletas do sol estão em maior quantidade. Esses raios quebram as partículas de CFC (ClFC) liberando o átomo de cloro. Este átomo, então, rompe a molécula de ozônio (O3), formando monóxido de cloro (ClO) e oxigênio (O2). Mas a reação nao para por ai, logo o átomo de cloro libera o de oxigênio que se liga a um oxigênio de outra molécula de ozônio e o átomo de cloro passa a destruir outra molécula de ozônio, criando uma reação em cadeia. Por outro lado, existe a reação que beneficia a camada de ozônio: Quando a luz solar atua sobre óxidos de nitrogênio, estes podem reagir liberando os átomos de oxigênio, que se combinam e produzem ozônio. Estes óxidos de nitrogênio são produzidos diariamente pela queima de combustíveis fósseis feita pelos carros. Infelizmente, a produção de CFC, mesmo sendo menor que a de óxidos de nitrogênio consegue, devido a reação em cadeia ja explicada, destruir muitas mais moléculas de ozônio que as produzidas pelos automóveis.

Porque na Antártida
Em todo o mundo, as massas de ar circulam, sendo que um poluente lancado no Brasil, pode ir parar na Europa devido as correntes de convecção. Na Antártida, por sua vez, devido ao rigoroso inverno de seis meses, essa circulação de ar não ocorre e então se formam círculos de convecção exclusivos daquela área. Assim, os poluentes atraídos durante o verão, ficam na Antártida até que sobem para a estratosfera. Quando chega o verão, os primeiros raios de sol já quebram as moléculas de CFC encontradas nessa área, iniciando a reação. Em 1988, foi constatado que na atmosfera da Antártida, a concentração de monóxido de cloro e cem vezes maior que em qualquer outro lugar do mundo.

No Brasil ainda há pouco com que se preocupar
No Brasil, a camada de ozônio ainda não perdeu 5% do seu tamanho original. Isso é o que dizem os instrumentos medidores do IMPE (Instituto de Pesquisas Espaciais). O instituto acompanha a movimentação do gás na atmosfera desde 1978 e até hoje não detectou nenhuma variação significante. Talvez isso se deva a pouca produção de CFC no Brasil em comparação com os países de primeiro mundo. Isso se deve a que no Brasil, apenas 5% dos aerossois utilizam CFC, já que aqui uma mistura de butano e propano e significativamente mais barata, e funciona perfeitamente em substituição do clorofluorcarbono.

Os males
A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio será o grande aumento da incidência de câncer de pele, já que os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe a hipótese que a destruição da camada de ozônio pode causar um desequilíbrio no clima, resultando no “efeito estufa”, que acarretaria no descongelamento das geleiras polares e enfim, na inundação de muitos territórios que hoje podem ser habitados. De qualquer maneira, a maior preocupação dos cientistas e mesmo com o câncer de pele, cuja incidência já vem aumentando nos últimos vinte anos. Cada vez mais se indica evitar as horas em que o sol está mais forte e a utilização de filtros solares, únicas maneiras de se prevenir, e de se proteger a pele.

Questoes do tema

1. É possível recuperar o dano feito a camada de ozônio?
Sim, é possível recuperar o dano feito a camada de ozônio parando imediatamente de produzir CFC. Isso e possível porque o ozônio é produzido quando a luz solar incide sobre óxidos de nitrogênio (ex. NO2), que são expelidos pelos automóveis em meio aos seus gases de descarga. Assim, se a produção de CFC fosse totalmente parada, aos poucos a camada de ozônio se recuperaria, apesar que isto demoraria anos, já que os átomos de cloro ja expelidos em CFC ficarão por até 75 anos reagindo com as moléculas de ozônio e transformando-as em moléculas de oxigênio.

2. Qual o país que produz a maior quantidade de CFC em todo o mundo?
O país que possui a maior produção de CFC e, conseqüentemente, o maior consumo percapita é o Estados Unidos que, ainda em 1978 produzia 470 mil toneladas de CFC em aerossois e 350 mil toneladas de CFC em outros produtos. Mesmo com a proibição do uso do CFC, em aerossois, nos EUA, em 1988 ainda se produziam 235 mil toneladas nesses produtos e 540 mil toneladas em refrigeração, embalagens, etc.

3. O Brasil tem um papel importante contribuindo para a destruição da camada de ozônio?
Sim e Não. Dependendo o lado pelo qual considerarmos a pergunta teremos respostas diferentes. Por um lado, o Brasil contribui significativamente para a destruição da camada de ozônio, já que também possui sprays de CFC e a grande maioria da população possui geladeiras. Além disso, no Brasil existe o costume de vender produtos em embalagens que precisam de CFC para serem produzidas. Por outro lado, se compararmos a produção de CFC do Brasil com a de outros países, chegaremos a conclusão que a influência do Brasil na destruição da camada de ozônio é praticamente nula. Isso se deve a que no Brasil, 95% dos aerossois utilizam uma mistura de butano e propano em substituição ao CFC, devido ao seu baixo custo.

Cadeias Alimentares

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Autoria: Patrícia Aparecida da Silva

Os seres vivos de uma comunidade são ligados através de sua alimentação. Um coelho alimenta-se de plantas e uma raposa come coelhos. Esses elos são chamados cadeias alimentares.
Animais e plantas tiram energia de sua alimentação. As plantas usam a energia do Sol para sintetizar seu próprio alimento – são os produtores, ou a origem. Os animais não podem fazer sua própria comida, por isso têm de comer plantas ou outros animais – são os consumidores. Como os animais comem mais do que um tipo de alimento, fazem parte de várias cadeias alimentares. Diversas cadeias podem ser unidas em uma trama alimentar.

CADEIA ALIMENTAR
Em uma cadeia alimentar cada ser vivo é alimento para o seguinte, como as plantas para o coelho e o coelho para a raposa. As cadeias têm apenas três ou quatro elos, porque no quarto toda a energia foi usada.

NÍVEIS TRÓFICOS
Pode-se estudar uma comunidade agrupando os seres vivos em níveis de alimentação: os níveis tróficos (de trofi, nutrição em grego). Os níveis tróficos baseiam-se na biomassa dos seres vivos no mesmo estágio, ou na quantidade de energia estocada por um grupo em certo ponto.
O desenho abaixo forma uma pirâmide – a quantidade de energia diminui em cada nível sucessivo.

VENENO AMPLIFICADO
O efeito dos venenos aumentam ao longo de uma cadeia alimentar. Inseticidas em plantações são assimilados por pássaros que comem as sementes. Se uma ave de rapina come vários desses pássaros, absorve grande quantidade de veneno, suficiente para matá-lo ou para fazer com que ponha ovos de cascas finas, que se rompem no ninho. Esse efeito é chamado bioamplificação.

TRAMA ALIMENTAR
Uma trama alimentar inclui seres vivos de diversos ecossistemas. Na teia alimentar abaixo, de uma comunidade em um lago, alguns animais e plantas vivem na água e outros na terra. A origem (produtores) da cadeia alimentar são as plantas aquáticas e plâncton, comidos por herbívoros (comedores de plantas). Os herbívoros são comidos por carnívoros (comedores de carne), como peixes e mamíferos. Uma mudança no número de espécies em um dos elos afeta toda a trama

Biotecnologia

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Autoria: Ana Flávia Marques

A Teoria da Evolução revolucionou o pensar da Biologia enquanto Ciência que estuda os seres vivos – sua origem, sua morfologia, fisiologia e ecologia. Charles Darwin, um naturalista por excelência, foi o pai de tal revolução, afirmando que os seres vivos teriam evoluído de um ancestral comum, herdando pequenas modificações, que se perpetuariam ou não, por seleção natural.
O mecanismo da coevolução, a natureza do desequilíbrio de ligação ou a história da diversidade das espécies pode atrair o interesse de poucas pessoas, mas o tópico da evolução humana é de interesse praticamente universal. Segundo FUTUYAMA (1992), esse é o ponto central dos ataques dos criacionistas à evolução, e/ou o tema que pode oferecer pistas ao mistério que cerca o “modelo perfeito dos animais” e a compreensão das possibilidades e limitações da natureza humana.
O homem é um produto da evolução, sendo assim, muitos dos problemas relacionados a ele podem ser entendidos apenas quando o homem é considerado como um organismo evoluído e em evolução. O conhecimento profundo dos princípios e mecanismos da evolução é, portanto, um pré-requisito para entender o homem (MAYR, 1977).
Dessa forma, o trabalho aqui apresentado visa ser um primeiro passo para o conhecimento dos princípios básicos que nortearam Charles Darwin no postulado da Teoria da Evolução. O tema justifica-se pois a evolução, um dos conceitos e descobertas fundamentais ao pensamento moderno, é ponto central para a Biologia contemporânea e para o uso da Biologia na sociedade atual.
Sem a evolução, tanto a genética como a fisiologia, perderiam a coerência; numerosas aplicações práticas da biologia seriam puramente empíricas e teriam uma fundamentação teórica fraca, se é que teriam alguma. De um ponto de vista filosófico, certamente nada pode trazer mais satisfação do que conseguir um entendimento sobre nossa origem e a dos outros seres vivos e podemos muito bem concordar com Darwin que ‘existe grandeza nesta visão da vida’, na qual ‘de um começo tão simples, incontáveis formas muito bonitas e maravilhosas, têm se desenvolvido e estão se desenvolvendo’ (FUTUYAMA, 1992, p.563).

1.0 – CHARLES DARWIN – BREVE BIOGRAFIA

Charles Darwin, naturalista inglês, nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury. Robert Darwin, seu pai, era Físico, filho de Erasmus Darwin, poeta, filósofo e naturalista. A mãe de Charles, Susannah Wedgood Darwin morreu quando ele contava apenas oito anos de idade.
Com dezesseis anos, Darwin deixou Sherewsbury para estudar medicina na Universidade de Edinburgh. Repelido pelas práticas cirúrgicas sem anestesia (ainda desconhecida na época), Darwin parte para a Universidade de Cambridge, com o objetivo (imposto pelo seu pai) de tornar-se clérigo da Igreja da Inglaterra.
A vida religiosa não agrada a Darwin, e em 31 de dezembro de 1831 ele aceita o convite para tornar-se membro de uma expedição científica a bordo do navio Beagle. Assim, Darwin passa cinco anos (1831 a 1836) navegando pela costa do Pacífico e pela América do sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas maiores à medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil. Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico, zoologista e homem de ciência. Esta viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida subseqüente de pesquisador e escritor. Tanto é verdade que na introdução de seu livro ele assim se refere: “as relações geológicas que existem entre a fauna extinta da América meridional, assim como certos fatos relativos à distribuição dos seres organizados que povoam este continente, impressionaram-me profundamente quando da minha viagem a bordo do Beagle, na condição de naturalista. Estes fatos (…) parecem lançar alguma luz sobre a origem das espécies (…) julguei que, acumulando pacientemente todos os dados relativos a este assunto e examinando-os sob todos os aspectos, poderia, talvez, elucidar esta questão” (p.17).
Em todo o lugar onde ia, Darwin reunia grandes coleções de rochas, plantas e animais (fósseis e vivos) enviadas à sua pátria. Imediatamente, após seu regresso à Inglaterra, Darwin iniciou um caderno de notas sobre a evolução, reunindo dados sobre a variação das espécies, dando assim os primeiros passos para a Origem das Espécies. No começo, o grande enigma era explicar o aparecimento e o desaparecimento das espécies. Assim surgiram, em sua cabeça, várias questões: por que se originavam as espécies? Por que se modificavam com o passar dos tempos, diferenciavam-se em numerosos tipos e freqüentemente desapareciam do mundo por completo?
A chave do mistério Darwin encontrou casualmente na leitura: “Ensaio sobre a População”, de Malthus.
Depois disso, nasceu a famosa doutrina darwinista da seleção natural, da luta pela sobrevivência ou da sobrevivência do mais apto – pedra fundamental da Origem das Espécies.
As pesquisas feitas pelo naturalista durante a viagem abordo do Beagle é que fundamentaram sua Teoria da Evolução, servindo de base para o famoso livro Origem das Espécies, cujo título original em Inglês é On The Origin of Species By Means of Natural Selection ( Na Origem das Espécies – Sob o Conhecimento da Seleção Natural). A obra foi publicada em 1859, sob o bombardeamento das controvérsias – o que era(é) muito natural: Darwin estava(está) mudando a crença contemporânea sobre a criação da vida na Terra. No livro Origem das Espécies, Darwin defende duas teorias principais: a da evolução biológica – todas as espécies de plantas e animais que vivem hoje descendem de formas mais primitivas – e a de que esta evolução ocorre por “seleção natural”. Os princípios básicos da teoria sobre a evolução de Charles Darwin, apresentados na Origem das Espécies, são quase que universalmente aceitos no mundo científico; embora existam controvérsias em torno deles.
A Origem das Espécies demonstra a atuação do princípio da seleção natural ao impedir o aumento da população. Alguns indivíduos de uma espécie são mais fortes, podem correr mais depressa, são mais inteligentes, mais imunes à doença, mais agressivos sexualmente ou mais aptos a suportar os rigores do clima do que seus companheiros. Estes sobreviverão e se reproduzirão, enquanto os mais fracos perecerão. No curso de muitos milênios, as variações levaram à criação de espécies essencialmente novas.
Após a publicação de sua obra mais famosa, Darwin continua a escrever e publicar trabalhos na área da Biologia por toda a sua vida. Ele passa a viver, com sua esposa e filhos, em Downe, um vilarejo a 50 milhas de Londres. Sofre de síndrome do pânico e mal-de-Chagas, o último adquirido durante sua viagem pela América do Sul. A morte chega em 19 de abril de 1822. Charles Darwin é sepultado na Abadia de Westminster.

2.0 – A TEORIA DA EVOLUÇÃO

A noção de que os seres vivos do passado eram diferentes dos atuais e que eles mudaram com o tempo ocorreu a muitos naturalistas dos séculos XVIII e XIX. Muitos deles trabalharam no sentido de elaborar uma teoria coerente para explicar a evolução. Mas foi Darwin quem acumulou uma quantidade tão grande de evidências que tornou inevitável a aceitação da teoria evolucionista. Além disso, sua obra é completamente original ao desenvolver novos conceitos, como os de adaptação, luta pela vida e divergência de caracteres.
Entre outros exemplos de ação da seleção artificial, Darwin toma o das raças inglesas de aves de capoeira e conclui que descendem de uma espécie selvagem indica, o Gallus bankiva. Do mesmo modo, mostra o cientista inglês que a multiplicação de raças de pombos domésticos provém, por seleção artificial, do Pombo torcaz, Columbia livia, compreendendo com este termo muitas espécies geográficas que só diferem umas das outras em aspectos insignificantes.
Darwin admite o fato de que “determinadas variações úteis ao homem são, provavelmente, produzidas sucedânea e gradualmente por outras”(p.39). Cita ele até certas variações, que nós chamamos hoje mutações, como o Cardo Penteador, o Cão Tournebroche ou o Carneiro Ancon que “surgiram de maneira súbita”. Mas ele não se detém em tais tipos de variações bruscas de grande amplitude. Efetivamente, Darwin mostra que a chave da origem de todas as raças atuais se encontra no poder de seleção e de acumulação que o homem exerce nas variações sucessivas fornecidas pela natureza. Considera ele que, desde os tempos mais remotos, funcionou uma “seleção inconsciente”, quando o homem escolhia espontaneamente as plantas e os animais que lhe eram mais úteis, durante um grande número de gerações sucessivas. Considerando as circunstâncias favoráveis à seleção pelo homem, Darwin assinala a importância do número de indivíduos que se criam, pois “como as variações manifestamente úteis ou agradáveis ao homem se produzem apenas casualmente, tem-se tanto mais desejo em produzi-las quanto maior é o número de indivíduos que se criam” (p.46). Se substituíssemos variações pela palavra mutações, esta última asserção de Darwin ainda seria válida hoje. Essa variabilidade – mal definida na ausência da genética – pode-se substituir, sem dificuldades, por variações hereditárias do patrimônio genético – mutações.
Darwin considera temerário afirmar, como fazem alguns autores, que os animais domésticos teriam atingido o limite da variação, isto é, que não são suscetíveis de se transformar. A atualidade mostra que ele tinha razão.
Por analogia com a seleção artificial, Darwin concebeu o que continua sendo o núcleo válido de sua teoria, a seleção natural. Assim surgem algumas perguntas: o princípio da seleção, que se apresenta tão poderoso entre as mãos do homem, aplica-se ao estado selvagem? Quais podem ser as causas que resultam no mecanismo da seleção natural? A essas questões, Darwin responde tomando como ponto de partida a rapidez com que os seres organizados tendem a multiplicar-se.
Darwin chega à conclusão de que a luta pela existência leva, na natureza, à seleção natural. Este combate pela vida é, segundo o evolucionista inglês, a conseqüência necessária e “inevitável” do princípio do aumento geométrico que rege o crescimento dos seres vivos e constitui a aplicação aos reinos animal e vegetal da doutrina de Malthus. O princípio básico enunciado por Malthus é que a população aumenta muito mais depressa que os alimentos. Diz ele: “a população, quando não limitada, cresce numa proporção geométrica. A subsistência aumenta apenas em proporção aritmética. Mesmo um conhecimento superficial de matemática mostrará a imensa superioridade da primeira força com relação à segunda. Nos reinos animal e vegetal, a natureza espalhou as sementes da vida com profusão e liberalidade. Foi, porém mais econômica no espaço e no alimento necessário para cultivá-las”. A seqüência lógica do raciocínio de Malthus é que deve haver obstáculos constantes ao crescimento da população. O mais drástico de todos é a escassez de alimentos. Outros serão as atividades insalubres, o trabalho excessivo, a pobreza extrema, as doenças, o mau tratamento das crianças, as cidades grandes, as epidemias, a fome, os vícios, aos quais Malthus acrescentou mais tarde a ‘repressão moral’(in: DOWNS, R.B. p.145).
Logo de início Darwin sublinha a dificuldade de ter sempre presente no espírito a luta universal pela sobrevivência como um efeito de uma superpopulação em relação à insuficiência dos meios de subsistência: “Contemplamos a natureza exuberante de beleza e de prosperidade e notamos, muitas vezes, uma superabundância de alimentação; mas não vemos, ou esquecemos, que as aves, que cantam empoleiradas descuidosas num ramo, nutrem-se principalmente de insetos ou de grãos, e que fazendo isto, destróem seguidamente seres vivos; esquecemos que as aves carnívoras e os animais de presa estão à espreita para destruir quantidades consideráveis destes alegres cantores, destruindo-lhes ovos ou devorando-lhes os
filhos; não nos lembramos sempre de que, se há superabundância de alimentação em certas épocas, o mesmo não se dá em todas as estações do ano” (p.69).
O autor de Origem das espécies mostra que até a espécie humana, cuja reprodução é lenta, pode dobrar em vinte e cinco anos, e, consequentemente, “em menos de mil anos, não haveria espaço suficiente no globo onde se conservasse de pé”(p.70). O elefante – que, entre os animais mais conhecidos, é o que se reproduz mais lentamente (reproduz-se dos 30 até os 90 anos) – chegaria, segundo o cálculo de Darwin, depois de cerca de 750 anos, a 19 milhões de indivíduos, partindo do primeiro casal. Evidentemente, nesses cálculos não são contabilizados os obstáculos que se opõem à tendência natural para a multiplicação.
“As causas que se opõem à tendência natural para a multiplicação de cada espécie são bastante obscuras”(p.72). Considerando que complexas e inesperadas são as relações recíprocas dos seres organizados que lutam na mesma região Darwin cita como principais barreiras à multiplicação: a quantidade de alimentos, o clima e a facilidade com que os indivíduos se tornam presas de outros animais. Além disso, característica de fundamental importância é a capacidade de reprodução.
Sabe-se que Darwin constatou o papel essencial da seleção natural na evolução das espécies. Neste sentido, ele questiona: quando vemos que variações úteis ao homem ocorreram, incontestavelmente, seria tão improvável que outras variações proveitosas, sob qualquer aspecto, para os seres organizados, em seu grande e incessante combate pela vida, tenham às vezes surgido no decorrer de milhares de gerações? Se semelhantes variações são possíveis – importante lembrar que o número de indivíduos que nascem é infinitamente maior do número dos que sobrevivem – deveríamos duvidar de que aqueles que têm alguma vantagem, por pequena que seja, sobre outros, não tenham mais chances de viver e propagar seu tipo? Por outro lado, qualquer variação nociva, em qualquer grau, pode acarretar a extinção do indivíduo. É a essa conservação de variações individuais favoráveis e à destruição das que são nocivas que aplicou o conceito de seleção natural ou de persistência do mais capaz.
Darwin coloca que muitos escritores têm compreendido mal e criticado a expressão seleção natural. Mas acredita que, depois de algum tempo, esses termos, a princípio novos, tornar-se-ão familiares, e as críticas “inúteis” serão esquecidas.
A seleção natural é gerada na “luta pela sobrevivência”, mas Darwin logo adverte que emprega essa expressão no sentido metafórico mais amplo, compreendendo as relações de dependência que existem entre um ser e outro e, o que é mais importante, não apenas a vida do indivíduo, mas também a sua aptidão e bom êxito no que se refere a descendentes. Destaca que dois animais carnívoros, em tempos de fome, estão realmente em luta recíproca, para decidir qual deles obterá o alimento que o fará sobreviver. Mas uma planta situada às margens de um deserto luta pela vida contra a seca, ainda que fosse mais exato dizer que sua existência depende de umidade.
Diante disso, pode-se dizer que a luta pela existência, compreendida no sentido metafórico do termo, produz relações muito imbricadas entre as diferentes espécies na escala da natureza. Assim, Darwin constata que, na Inglaterra, a presença de mamangabas é indispensável à fecundação do trevo vermelho, pois só elas são capazes de perfurar a corola da flor, quando procuram o néctar. Mas o número desses insetos varia em função do número de ratazanas que destróem seus ninhos. Enfim, o número da população das ratazanas depende do número de gatos. Assim, é perfeitamente possível, observa Darwin, que a abundância do elemento felino em um local qualquer pode determinar através das ratazanas e das mamangabas a freqüência de certas plantas. Essas relações ecológicas complexas entre as espécies levam a uma seleção natural que, certamente, pode explicar as “coadaptações” algumas vezes muito complicadas.
Ainda, quanto à seleção natural, Darwin acredita que ela é responsável pela divergência dos caracteres, partindo de um ancestral comum e também pela extinção de certas cepas. A divergência dos caracteres é uma aquisição positiva na luta pela existência: “um grupo de animais, cujos organismos apresentam poucas diferenças, dificilmente pode lutar com um grupo cujas diferenças sejam mais pronunciadas” (p.112). Assim, continua o pesquisador inglês, pode-se duvidar, por exemplo, de que os marsupiais australianos, repartidos em grupos pouco diferentes uns dos outros e que representam vagamente (…) nossos mamíferos, carnívoros, ruminantes e roedores, pudessem um dia lutar com sucesso contra essas ordens tão fortemente caracterizadas. Cita como exemplo que “entre os mamíferos australianos podemos observar a diferença das espécies num estado incompleto de desenvolvimento” (p.112).
Segundo Darwin, a ação da seleção natural pode explicar o processo de progresso gradual: “A seleção natural atua exclusivamente no meio da conservação e acumulação das variações que são úteis a cada indivíduo nas condições orgânicas em que pode encontrar-se situado em todos os períodos da vida. Cada ser, e é este o ponto final do progresso, tende a aprimorar-se cada vez mais em relação a estas condições. Este aperfeiçoamento conduz inevitavelmente ao progresso gradual da organização de maior número de seres vivos em todo o mundo” (p.119). No entanto, Darwin reconhece a dificuldade que se tem ao definir o progresso da organização: “referimo-nos aqui a um assunto muito complexo, porque os naturalistas ainda não definiram, de forma satisfatória para todos, o que deve compreender por um ‘progresso de organização’ ” (p.119). Para os vertebrados, trata-se, evidentemente, de um progresso intelectual e de uma conformação que se aproxime da do homem.”
Darwin está perfeitamente consciente do papel do fator tempo na ação da seleção natural, cuja eficácia é enfatizada pelo grande naturalista: “por mais lenta que seja a marcha da seleção, já que o homem pode, com seus fracos meios, fazer muito por seleção artificial, não vejo nenhum limite para a extensão das mudanças, para a beleza e para a infinita complicação das coadaptações entre todos os seres organizados, tanto uns com os outros, quanto com as condições físicas nas quais eles se encontram, mudanças que podem, no decorrer do tempo, ser efetuadas pela seleção natural, ou a sobrevivência dos mais aptos.” O papel predominante da seleção natural na concepção de Darwin é, por ele mesmo, posto em evidência.
Darwin evidencia o combate no interior de uma espécie e entre as diferentes espécies biológicas – intra e interespecífico -, em um habitat comum, como a base biológica de seleção natural. Assinala também que a luta pela existência é mais severa entre os indivíduos e as variedades da mesma espécie. Diz ele que a luta é muito mais intensa entre os indivíduos pertencentes à mesma espécie, os quais com efeito, freqüentam as mesmas regiões, procuram o mesmo alimento, e vêem-se expostos aos mesmos perigos. Darwin exemplifica dizendo que se semearmos juntas diversas variedades de trigo, e se mais tarde semearmos novamente os seus grãos misturados, as variedades às quais o solo e o clima serão mais convenientes, ou que são por natureza mais férteis prevalecerão contra as outras, fornecendo assim mais grãos, não tardando em suplantá-las completamente. Para conseguir conservar uma coleção de variedades muito vizinhas, como por exemplo, da ervilha-de-cheiro, é preciso, a cada ano, colhê-las separadamente, depois misturar suas sementes nas proporções desejadas. Pois, de outro modo, as variedades mais fracas diminuem e acabam por extinguir-se. Para provar que a concorrência recíproca será muito mais rigorosa entre as espécies de um mesmo gênero que entre as espécies de gêneros diferentes, Darwin cita, entre muitos exemplos, que nos Estados Unidos uma espécie de andorinha causou a extinção de uma outra congênere.
Esse combate intra-específico, na concepção de Darwin, não leva, de modo algum, à destruição da espécie, mas, ao contrário, leva um grupo formado pelos indivíduos mais aptos a sobreviver, conseqüentemente mais bem adaptados às suas condições de existência. No que se refere ao combate inter-específico, pode ele conduzir à eliminação de certas espécies ou variedades por outras mais bem armadas, mas em muitos casos, esse tipo de luta pela existência pode produzir um reforço recíproco das espécies em concorrência, pela sobrevivência dos indivíduos mais resistentes.
Além disso, a luta pela existência – inter ou intra-específica – explica as coadaptações muito diversas que existem na natureza: “a conformação de cada ser organizado está em relação, nos pontos mais importantes e algumas vezes mais ocultos, com a de todos os seres organizados com os quais se acha em concorrência para a sua alimentação e habitação, e com a de todos aqueles que lhe servem de presa ou contra os quais tem de defender-se”(p.79/80). Essa asserção é ilustrada pela conformação das garras e das presas do tigre e a das patas e dentes do parasita que se agarra aos pêlos de seu corpo. Não se limitando ao mundo animal, tais adaptações específicas se encontram também no reino vegetal. Assim, as sementes providas de um feixe de pêlos podem ser transportadas a distância e cair num terreno não ocupado por outras espécies; até a reserva de alimento que se acumula nas sementes de vegetais favorece espécies muito ricas em tais acúmulos, como por exemplo, as ervilhas e as favas quando se encontram disseminadas entre as plantas selvagens. Darwin observa ainda: “A substância nutritiva depositada nas sementes de muitas destas plantas parece, de início, não apresentar espécie alguma de conexão com outras plantas. Contudo, o crescimento vigoroso das novas plantas provindo destas sementes (…) parece indicar que a principal vantagem desta substância é favorecer o crescimento da sementeira na luta que sustenta com as outras plantas que crescem em volta de si” (p.80).
Recapitulando sua concepção da luta pela existência, Darwin conclui com otimismo que devemos “lembrar-nos a todo instante que os seres organizados se empenham incessantemente por se multiplicar seguindo uma progressão geométrica; cada indivíduo, em algumas fases da vida, durante determinadas estações do ano, no decurso de cada geração ou em certos intervalos, deve lutar pela sobrevivência e permanecer exposto à destruição. O simples fato de pensar nesta luta universal provoca tristes reflexões; todavia, podemos consolar-nos com a certeza de que a luta não é incessante na natureza, que o medo é desconhecido, que a morte está geralmente pronta, e que os seres vigorosos, sadios e afortunados sobreviverão e se multiplicarão” (p.81).
Outro tipo de seleção que Darwin evidencia é a chamada seleção sexual. Esta, é ainda considerada com reserva no mundo científico. Sabe-se que não se trata de uma luta pela existência, no sentido estrito da palavra, mas de um combate pelo prolongamento da existência individual na descendência. O pesquisador assim coloca: esta espécie de seleção não depende da luta pela sobrevivência com outros seres organizados, ou com as condições ambiente, mas a luta entre os indivíduos de um mesmo sexo, ordinariamente machos, para assegurar a posse do sexo oposto. Esta luta não cessa com a morte do vencido, mas pela falta ou pela pequena quantidade de descendentes”(p.90/91). Acrescenta ainda: “A seleção sexual, é pois, menos rigorosa que a seleção natural” (p.91).
Sabe-se que os machos diferem das fêmeas de sua espécie pelos caracteres sexuais primários – órgãos de reprodução -, mas também por caracteres sexuais secundários como por exemplo, a cauda do pavão. É a seleção sexual a responsável, segundo Darwin, por esses atributos que servem para combater e repelir os rivais, impedindo-os assim de fecundar as fêmeas, enquanto os ornamentos, as cores, os odores, etc., têm a função de atraí-las. O pesquisador inglês considera que se deve atribuir tais caracteres à ação à seleção sexual e não à seleção ordinária, pois os machos desprovidos de tais atributos secundários poderiam afrontar a luta pela existência e engendrar uma numerosa descendência, se não encontrassem machos mais bem dotados em armas ou em atrativos; a prova disso é que as fêmeas que não possuem tais meios suplementares podem muito bem sobreviver e reproduzir a espécie. Darwin estabelece uma analogia entre a seleção sexual e a artificial: da mesma maneira que o brutal criador de galos de briga pode aprimorar a raça pela escolha rigorosa dos seus mais belos exemplares, assim também os machos mais vigorosos, isto é, os que são mais capazes a ocupar o seu lugar na natureza, deixam um número maior de descendentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como disse Darwin, no mundo inteiro, a seleção natural procura, a cada dia, a cada hora, as mais leves variações; rejeita as que não servem, preservando e acrescentando as que servem. É desta forma que a teoria da evolução contínua é apresentada na Origem das Espécies.
A específica contribuição que Darwin trouxe às investigações evolucionistas é o princípio da seleção natural. A evolução progride em perfeição cada vez maior, porque os organismos são selecionados. Quem faz essa seleção é a própria natureza; seleção muito mais profunda que a seleção artificial. Para explicar a modalidade em que essa seleção acontece, Darwin se reporta a Thomas Malthus, cujas teorias em torno do crescimento populacional preconizavam, no futuro, uma luta pela sobrevivência. Para o pesquisador, a luta pela vida, oriunda da falta de alimentos e condições de vida adversas, sempre existiu, e nesta luta sobreviveram sempre os organismos mais fortes, mais rijos, ocasionando uma seleção constante. Tal seleção é auxiliada por uma seleção sexual, pois os acasalamentos se dão entre espécimes mais fortes; pelas mudanças ambientais, pois estas sempre acontecem em benefício das espécies; pela hereditariedade, pois os filhos recebem, na geração, os caracteres dos pais.
Pode-se dizer que a influência de Darwin em quase todos os ramos importantes do conhecimento foi e continua a ser profunda.
Basicamente, Darwin apresentou um mecanismo aceitável para explicar como as espécies se modificam. Ele documentou que os organismos se modificam contínua, lenta e gradualmente, de modo a, sem saltos, originar novos tipos de seres vivos ao longo de uma série de etapas intermediárias de seres em transformação; admitiu que estas mudanças permitem aos organismos adaptarem-se ao meio onde vivem e que elas são promovidas pela seleção natural – um mecanismo que favorece determinados indivíduos a deixar mais descendentes do que outros.
Cabe ressaltar que também em relação à evolução, Darwin foi pioneiro ao transpor a análise individual dos organismos – feita pela biologia clássica – para os estudos modernos que envolvem populações inteiras de plantas e animais.
Para sintetizar, Darwin é, com toda justiça, considerado um dos mais criteriosos e competentes observadores da natureza. Demonstrou que a adaptação ao ambiente decorre da ação da seleção natural e foi o seguidor e cloncluinte de uma teoria científica que, antes dele, vinha germinando ou que, pelo menos, já tinha sido prognosticada filosoficamente.
Alguns evolucionistas pós-darwinianos tenderam a propagar uma idéia empobrecida, ingenuamente feroz, da seleção natural, a idéia da pura e simples “luta pela vida”, expressão que inclusive não é de Darwin, mas de Spencer. Os neodarwinianos do começo deste século propuseram, ao contrário, uma concepção muito mais rica, importante e mostraram, baseados em teorias quantitativas, que o fator decisivo da seleção não é a “luta pela vida”, mas no interior de uma espécie, a taxa diferencial de reprodução.
Para finalizar, Darwin não nega que alguns se opõem à teoria da descendência – modificada pela variação e pela seleção natural – com numerosas e sérias contestações. Porém, o pesquisador considera a objeção levantada por sir William Thompson como uma das mais sérias. Dizia ele que o intervalo decorrido desde o surgimento da Terra teria sido insuficiente para permitir a soma das alterações orgânicas que se admite. Darwin responde a isso dizendo, em primeiro lugar, que não há como precisar (avaliada em anos) a rapidez das modificações das espécies e, depois, que muitos cientistas até admitem o insuficiente conhecimento da constituição do universo e do interior do Planeta para saber de forma precisa sua idade.
Darwin acrescenta ainda que se forem considerados períodos longos, a geologia prova que todas as espécies se transformaram e se transformam de acordo com sua teoria – lenta e progressivamente.
Interessante colocar que Darwin, quanto às objeções mais sérias, julga-se ignorante para avaliá-las. No entanto, elas não são suficientes para contestar os fatos e considerações que profundamente o convenceram de que, durante uma longa série de gerações, as espécies se modificaram. Acrescenta ainda, que essas modificações efetuaram-se principalmente pela seleção natural de numerosas variações pequenas, mas vantajosas.
Com relação à afirmação de que o pesquisador atribui as modificações da espécies exclusivamente à seleção natural, Darwin assim defende-se dizendo que sempre deixou clara sua posição, escrevendo no final da introdução da primeira edição dessa obra o seguinte: “Estou convencido de que a seleção natural tem sido o agente principal das modificações, mas jamais o foi exclusivamente só”(p.450).
Além disso, contestaram a teoria da seleção natural criticando o método de raciocínio. Darwin responde dizendo: “os maiores sábios não deixaram de o seguir” (p.451).
Conclui-se o presente trabalho com a correta colocação de Darwin: “Quando as opiniões que expus nesta obra, opiniões que Mr. Wallace afirmou também do jornal da Sociedade Lineana, e quando opiniões semelhantes sobre a origem das espécies forem geralmente aceitas pelos naturalistas, podemos prever que se produzirá na história natural uma importante revolução”.

Biosfera

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Autoria: Hilda Chaves Boettcher

Terra é um sistema complicado. A parte onde existe vida é chamada biosfera. Bios vem do grego “vida”. A biosfera se estende um pouco acima e um pouco abaixo da superfície do planeta. O habitat é formado por áreas distintas, cada uma com seu clima, solo e comunidades de plantas e animais. Essas áreas são os ecossistemas. Cada qual consiste de um número de partes relacionada , de modo a manter o sistema inteiro funcionando. Embora distintos, os ecossistemas não são fechados. A luz do sol, a chuva, a água, os nutrientes convivem no mesmo solo, também compartilhado por sementes e animais que nele passam.

AS UNIDADES DA BIOSFERA
Para tornar mais fácil o estudo da biosfera, os ecologistas dividiram-na em unidades menores. Informações sobre cada unidade podem ser colocadas juntas para revelar um retrato completo. Um ecossistema pode ser estudado como um todo, ou se concentrar nos seres que nele vivem individualmente.

A TERRA
A Terra é o único planeta onde se conhece o que chamamos de vida. Tem uma atmosfera que contém os elementos necessários para a sobrevivência dos seres vivos e que protege a superfície do planeta dos efeitos perigosos dos raios do Sol.

BIOSFERA
A biosfera cobre toda a superfície da Terra. É a parte viva do planeta e inclui a atmosfera. Contém diversos ecossistemas diferentes.

ECOSSISTEMA
Um ecossistema é uma área específica da biosfera que contém os seres vivos. Inclui as rochas e o subsolo, a superfície e o ar. Contém vários habitats. Uma floresta é um exemplo de um ecossistema. Os maiores ecossistemas, como as florestas tropicais e os desertos, são chamados de biomes.

HABITAT
O habitat é o lar natural de um grupo de plantas e animais. Esse grupo de seres vivos é chamado de comunidade. O habitat é, às vezes apontado como “endereço” das espécies. Contém diversos nichos. As árvores são um exemplo de habitat.

NICHO
Um nicho é a posição de um ser vivo dentro de um ecossistema, incluindo o lugar que habita, o que ele absorve ou come, como se comporta como está relacionado com outros seres vivos. O nicho tem sido chamado de “ocupação”de uma espécie.

OS ECOSSISTEMAS DO MUNDO
Os ecossistemas distribuem-se na Terra principalmente de acordo com o clima. Há zonas de climas diferentes, dos pólos, frios e secos, ao equador, quente e úmido. As plantas e animais são adaptados às condições e se associam uns aos outros para formar comunidade. Eles têm papéis definidos dentro de cada ecossistema, competindo por recursos para sobreviver.

LIMITES DOS ECOSSISTEMAS
Cada ecossistema é diferente de sua vizinhança, que é parte de outros ecossistemas. Alguns têm vizinhas distintas, como entre uma floresta e um lago. Os habitats e nichos mudam subitamente. Mas muitos ecossistemas se misturam. Há áreas onde essa mescla é chamada de ecotono, com animais e plantas dos dois ecossistemas.