PLANO DE AULA 5 – ÁGUA E ENERGIA

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Introdução
Esta é a última proposta de trabalho de uma série de cinco sobre a questão da água no Brasil e no mundo. Até aqui, os professores e estudantes tiveram a oportunidade de entrar em contato com temas e assuntos como o ciclo da água, a distribuição e a disponibilidade de água na Terra – face às condições naturais e, principalmente, aos usos desse recurso – e também suas modalidades de utilização e repercussões. Na quarta sequência didática esteve em questão a gestão dos recursos hídricos no Brasil e no mundo, apontando a necessidade de visões integradas e usos compartilhados das bacias hidrográficas.

Agora, vamos examinar o uso da água para a produção de energia e avaliar seus limites e possibilidades, com destaque para a situação do Brasil, onde as usinas hidrelétricas são as responsáveis por mais de dois terços da energia elétrica gerada no país.

Objetivos
Identificar a produção de energia a partir de usinas hidrelétricas no Brasil e no mundo, avaliando o potencial energético e a capacidade instalada em diferentes bacias hidrográficas.
Avaliar limites e possibilidades e eventuais impactos socioambientais provocados pela instalação dos sistemas de geração de energia a partir de usinas hidrelétricas.
Promover ações na escola e na comunidade que contribuam para preservar os recursos hídricos e evitar usos inadequados da energia disponível.

Conteúdos
Água e energia: matriz energética; geração de energia a partir de usinas hidrelétricas no Brasil e no mundo; uso da água para geração de energia e impactos socioambientais.

Áreas do conhecimento
Geografia, Ciências e História

Ano
1º ao 5º ano

Tempo estimado
Três aulas

Desenvolvimento das atividades

Primeira e segunda aulas
De onde vem a energia elétrica que utilizamos todos os dias? Como é a composição da matriz energética nacional? Nesse quadro, qual é o papel da energia hidrelétrica? Por que, mesmo com a disponibilidade de recursos naturais no Brasil, são instituídos planos e aparecem recomendações para economizar energia? Essas e outras questões podem compor planos de aula, projetos de trabalho na escola e sequências didáticas sobre a relação entre água e energia.

Peça que a turma se divida em grupos. Cada um deve preparar listas com as atividades diárias de cada membro que envolvem o consumo de energia elétrica, desde o despertar até a hora de dormir. Proponha que listem também os aparelhos utilizados nessas atividades. A seguir, faça uma roda de conversa com os resultados, aproveitando para lançar algumas questões: como a energia chega até a casa de cada família? A família de cada aluno consome muita ou pouca energia? Esse consumo vem aumentando ou diminuindo? Como é possível descobrir essa informação? O que se pode fazer para evitar gastos desnecessários de energia? Para começar a responder a essas questões, proponha que cada aluno examine a conta de luz de sua casa e traga os resultados para a aula seguinte. Na conta de luz, há obrigatoriamente um campo chamado de “Informações de Leitura”. Nele, aparece um pequeno gráfico de barras comparando o consumo dos meses do ano. Assim, com a ajuda dos adultos, cada estudante pode descobrir como estão os níveis de consumo na residência.

Terceira aula
Faça uma roda de conversa com a turma sobre os resultados da leitura da conta de luz. Considere as variações para menos no consumo de energia elétrica nos meses de férias ou recesso escolar e verifique se há redução no período de vigência do horário de verão, de outubro a fevereiro. Geralmente, há redução de consumo nesses meses, já que a iluminação natural ocorre durante mais tempo.

Em relação ao sistema que abastece as residências, mostre que a energia chega pela rede elétrica instalada, que, por sua vez está ligada a subestações e às usinas geradoras. Como a energia gerada não poe ser armazenada, é preciso evitar gastos desnecessários, como deixar lâmpadas e aparelhos ligados na ausência de pessoas. O mesmo vale para banhos demorados e uso excessivo de torneiras elétricas, que consomem muita água e energia. Explique que a economia de energia contribui para reduzir a pressão sobre os recursos naturais, em especial na instalação de novas usinas hidrelétricas (consulte o trabalho desperdício de energia).

Proponha que os alunos, em pequenos grupos, elaborem desenhos e cartazes abordando a importância da economia de energia por todos os setores. Combine com a eles a exposição dos resultados na escola.

Avaliação
No caso das turmas do Fundamental I, considere a participação dos estudantes nas tarefas coletivas e individuais. Examine com atenção os relatórios da leitura de conta de luz e avalie os produtos finais sobre a economia de energia. Nas conversas e na produção de textos, observe a compreensão da importância da economia de água e energia e seu significado para reduzir a pressão sobre os recursos. Nas turmas do Fundamental II, é essencial avaliar o domínio dos conceitos, noções e processos em jogo, como os de matriz e fonte energética, recurso renovável e não-renovável e as análises sobre a produção de energia hidrelétrica. Avalie o conjunto das produções de texto e a participação de cada um. Reserve um tempo para que as turmas avaliem as experiências.

Bibliografia:

http://www.worldenergy.org/documents/resultados_pre_ben_2008.pdf
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/Atlas/energia_hidraulica/4_5.htm
http://www.cptec.inpe.br/
http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/ciclo.asp
http://www.pura.poli.usp.br/dicas.htm
http://www.multiciencia.unicamp.br/art03.htm
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-401420080002&lng=pt&nrm=iso

DESPERDÍCIO DE ENERGIA

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Desperdício de Energia

Se ainda pairava alguma dúvida sobre a importância do uso consciente da energia, os dados levantados pela Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco) vieram acabar com ela. Devido ao desperdício de energia e o mau uso, o Brasil desperdiça cerca de R$ 10 bilhões por ano em petróleo, eletricidade e gás natural. Para se ter uma noção da gravidade desse número, só para construir a hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, localizada na Região Amazônica, serão necessários R$ 8 bilhões. A potência estimada da nova usina de Jirau é para a produção de 3.300 megawatts (MW). É como se a cada ano jogássemos fora mais de uma usina hidrelétrica desse porte.
O cálculo representa 5% do volume de eletricidade distribuído por todas as concessionárias de energia do país somado à produção de petróleo pela Petrobras. Em termos financeiros, o valor pode crescer ainda mais já que a cotação do barril de petróleo vem batendo sucessivos recordes de preço.

Evite Disperdicios

Segundo a diretora-executiva da entidade, Maria Cecília Amaral, o desperdício está espalhado por todas as esferas da economia, mas o campeão de desperdício é o setor público, com 45% de perdas. Em segundo lugar está o comércio com 30% e, por último, a indústria, com 15%.
De acordo com a Associação, um bom exemplo é dado pelo setor industrial que vem se preocupando cada vez mais com a redução do consumo de energia em suas linhas de produção. A Abesco avaliou que os custos de energia podem responder por até 70% do valor do produto fabricado, como é o caso dos bens que utilizam grande quantidade de alumínio em sua composição.

Além das perdas financeiras para o país, o desperdício de energia também contribui para o aquecimento global e é causador de profundos impactos sociais e ambientais. Quanto mais necessitarmos de energia, mais usinas geradoras precisarão ser construídas e mais poços de petróleo terão de ser perfurados. Para ficar no exemplo das hidrelétricas, imensas áreas precisam ser inundadas, desmatadas e algumas populações são obrigadas a abandonar suas casas. E, segundo reportagem publicada pela Ciência Hoje, revista de divulgação científica da SBPC, a energia hidroelétrica também causa a emissão de gases de efeito estufa por efeito. Isso ocorre porque a vegetação que fica sob as águas das represas se decompõe, liberando grandes volumes de metano, um gás 23 vezes mais poderoso em termos de aquecimento global do que o CO2.

Essas são importantes razões para que o consumidor consciente faça a sua parte para ajudar a reduzir a demanda por energia. Aqui vão algumas dicas:

• Todos os produtos consomem energia em seu processo de fabricação. Quando adquirimos um produto, não compramos apenas o que vemos, mas todo o ciclo de produção daquele bem, que exigiu matéria-prima, água, energia, transporte e trabalho. Por isso, dê preferência aos produtos fabricados por empresas que se preocupam em reduzir o consumo de energia em suas atividades. E use todos os produtos até o final da sua vida útil, só comprando um novo quando realmente é necessário. Assim, você vai colaborar para um menor gasto de energia nos processos industriais.
• Uma lâmpada econômica pode economizar até 80% de energia em relação à lâmpada convencional. Além disso, as lâmpadas econômicas (compactas fluorescentes) duram até 13 vezes mais do que as tradicionais (incandescentes). Por isso, apesar de serem um pouco mais caras, as lâmpadas econômicas compensam o dinheiro gasto. Durante a sua vida útil, cada uma delas pode proporcionar uma economia na conta de luz que varia de R$ 60 a R$ 120, muito mais do que o gasto a maior na sua compra.
• O selo Procel indica os produtos que têm melhor desempenho energético, comparados com os outros da mesma categoria. Criado em 1993, o selo Procel serve para distinguir aqueles produtos que conseguem realizar o mesmo que os outros gastando menos energia. Para obter o selo, os produtos são submetidos a uma série de testes em laboratórios. Por isso, dê preferência a produtos que tenham o selo Procel. Assim você estará reconhecendo o empenho dos fabricantes que se esforçaram para desenvolver um produto mais econômico energeticamente e estará incentivando outras empresas a fazerem o mesmo.
• 20% da energia consumida no país é gerada por usinas termelétricas, movidas a carvão e altamente poluentes. Quer dizer que a cada cinco lâmpadas acesas na sua casa, uma é alimentada por energia termelétrica. Portanto, procure economizar o máximo de energia e você estará contribuindo para reduzir a poluição provocada pelas usinas termelétricas, além de diminuir a contribuição dessas usinas para o aquecimento global e, também, o montante que você pagará em sua conta de eletricidade.
• Um dos maiores consumidores de energia em uma casa fica no banheiro. De acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), um chuveiro elétrico é responsável por 25% a 35% do gasto de eletricidade de uma casa e apresenta um consumo médio mensal de 120 kWh, considerando um chuveiro de 3500 W, usado 40 minutos de uso por dia (quatro banhos diários de 10 minutos cada). Esse volume de energia elétrica, para ser produzido, lança cerca de 31 quilos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Em um ano, essa emissão sobe para mais de 11 mil quilos, o equivalente à emissão de um carro movido a gasolina, com motor até 1.4 de potência, ao andar 72 mil quilômetros, ou seja, percorrendo oito vezes todo o litoral brasileiro.
• O dispositivo stand-by dos aparelhos eletro-eletrônicos chega a responder por 25% do consumo de energia desses equipamentos. O stand-by – caracterizado pelo controle remoto presentes nas TVs, DVDs, sistemas de som, e outros equipamentos – é um grande “comedor” de energia elétrica. Para evitar esse consumo desnecessário, lembre-se de desligar o equipamento pelo seu botão on/off ou de tirar da tomada os aparelhos sempre que estiverem foram de uso.
• Computadores e monitores de vídeo devem ser desligados mesmo quando não forem usados durante um período curto de tempo. Muita gente acha que o processo de ligar e desligar computadores e periféricos consome muita energia e, por isso, prefere deixá-los ligados. Não é verdade. Os computadores devem ser desligados sempre que forem ficar mais de meia hora inativos. E os monitores de vídeo devem ser desligados se forem ficar sem uso por mais de quinze minutos. Por isso, não se esqueça de desligar seu computador e monitor sempre que for sair para almoçar ou para reuniões prolongadas.
• A geladeira é um dos grandes consumidores de energia elétrica em uma casa, pois fica ligada o tempo todo. Veja como você pode gastar menos:
– Instalando a geladeira e o freezer em local ventilado e longe do fogão.
– Verificando se a vedação das portas está funcionando bem.
– Evitando forrar as prateleiras da geladeira com plásticos ou vidro, pois isso dificulta a passagem do ar e provoca aumento no consumo de energia.
– Procurando não abarrotar as prateleiras, deixando espaço entre os alimentos para facilitar a circulação do ar.
– Não guardando líquidos nem alimentos ainda quentes na geladeira, pois o motor vai ter de trabalhar mais para resfriar o ambiente interno e, conseqüentemente, gastar mais energia.
– Não deixando a porta da geladeira aberta desnecessariamente nem por muito tempo, pois isso faz com que o frio “escape” e exige mais trabalho do motor para baixar a temperatura interna novamente.
• Na hora de usar a máquina de lavar roupa, economize água e energia lavando, de uma só vez, a quantidade máxima de roupa indicada pelo fabricante. Além disso, coloque sempre a quantidade de sabão recomendada pelo fabricante. Assim você não terá de programar outro enxágue, que gastaria mais energia elétrica, além do desperdício de sabão e água.
• Evite passar poucas peças de roupa de cada vez. Espere acumular uma quantidade razoável de roupa e passe tudo de uma vez só. Além disso, passe primeiro as roupas delicadas, que precisam de menos calor. No final, depois de desligar o ferro, aproveite ainda o seu calor para passar algumas roupas leves.

Mercado aposta em rede inteligente para cortar o desperdício de energia elétrica

“GATOS” ou “G.A.TO” (Lê-se: gea-tô)

GATO Energia Eletrica

Popularmente chamado de Gato, e pelos mais espertinhos de Gea-tô, é o nome dado ao furto de energia elétrica nas residencias, comércios e industria de todo o país.

Tão necessário quanto produzir energia, é cortar o desperdício da energia produzida.

Os investimentos feitos nesse sentido no país poderão gerar uma economia de quase R$ 8 bilhões.

O valor refere-se à energia “desviada” por conta da manipulação dos medidores e dos chamados “gatos”.

Essa perda corresponde a 17% do total de 114.000 megawatts (MW) gerados pela matriz elétrica nacional, o equivalente a quase 20.000 MW, quantia muito superior à produção de Itaipu, a maior hidrelétrica do país e que tem capacidade para 14.000 MW.

As perdas atingem, em cheio, os cofres das distribuidoras e do governo. A resposta a esse rombo gigantesco está vindo em forma de tecnologia altamente sofisticada, as “smart grids”, ou redes inteligentes.

“A popularização dessas tecnologias está avançando rapidamente. Os desembolsos no mercado brasileiro, na área de redes inteligente, estão na casa dos R$ 5,5 bilhões”, estima Cyro Boccuzzi, vice-presidente da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul (Enersul) e sócio fundador da Expertise Consultoria e Ordenamento em Energia Inteligente (Ecoee). A

injeção desses recursos deverá proporcionar um corte drástico nessas perdas, reduzindo para índices entre 2% a 3%, taxas idênticas às registradas nos EUA e Europa. Há outros benefícios: as novas tecnologias em aplicação reduzirão problemas provocados com picos de consumo e as despesas com falhas na rede elétricas. “Esse é um efeito interessante, porque hoje o Brasil gasta dinheiro fazendo usinas para atender esse desvio de 17%, que não é remunerado”, emenda.

A solução ganha corpo dentro das empresas de energia através de projetos pilotos que exigem volumosas quantias para a melhoria do desempenho e automatização dos processos relacionados à energia. “O alto custo e a escassez da mão de obra acelera a adoção de tecnologia”, acrescenta Boccuzzi.

Para se ter uma ideia, um corte e uma religação de energia no Estado do Mato Grosso do Sul custa em torno de R$ 54,00. “Isso é quase o custo para a instalação de um desconector direto efetuar o desligamento à distância. As tecnologias estão ficando mais padronizadas, comuns e acessíveis, e estão entrando no dia a dia da empresa. Todas as companhias instaladas no Brasil estão estudando a questão e fazendo projetos em maior ou menor escala”, afirma.

Pelos cálculos de Boccuzzi, 80% do mercado de energia está, há cerca de três anos, articulando com as empresas na área de tecnologia a implementação das smart grids. “O conceito de rede inteligente é um conglomerado de tecnologia, uma cesta de tecnologia, que nem sempre é implementado de forma completa. Os investimentos feitos pelas empresas já vêm contemplando parte dessas tecnologias”, diz.

O vice-presidente lembra que quando hoje se constrói uma sub-estação, não faz sentido construir sem automação. “A automação já vem embutida como um padrão mínimo exigido pela concessionária, coisa que não acontecia até bem pouco tempo atrás”, conclui.

PLANO DE AULA 4 – CONSUMO CONSCIENTE

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Introdução
Este é o quarto plano de aula de uma série de cinco propostas, que traz como tema central a gestão da água no Brasil e no mundo. Nos planos anteriores, foram abordados temas como o ciclo da água, a distribuição e disponibilidade do recurso em nosso país e em outras regiões do planeta e a questão dos usos e consumo da água. Agora, vamos tratar da identificação dos pontos de pressão e conflitos pelo uso da água, bem como das formas de cooperação e gestão compartilhada dos recursos hídricos.

Trata-se de responder à pergunta: onde há pouca água, quem deve utilizá-la prioritariamente? Como ressaltam os especialistas Robin Clarke e Jannet King, vêm ocorrendo avanços no uso compartilhado de bacias hidrográficas entre os países. No Brasil, as leis aprovadas a partir do final da década de 1990 indicam prioridades de usos e medidas e políticas de gestão integrada e recuperação dos cursos d’água e bacias. Mas ainda há muito por fazer, como os estudantes poderão comprovar.

O próximo plano de aula encerra a série sobre a água, com o debate sobre água e geração de energia.

Objetivos
Identificar pontos de pressão e conflitos pelo uso da água no Brasil e no mundo.
Reconhecer e avaliar políticas e medidas de gestão compartilhada dos recursos hídricos nacional e internacionalmente.
Promover ações na escola e na comunidade que contribuam para preservar os recursos hídricos disponíveis.

Conteúdo
Água: conflitos, cooperação e gestão dos recursos hídricos

Ano
1º ao 5º anos

Tempo estimado
Quatro aulas

Desenvolvimento

Primeira e segunda aulas
Planos de aula, projetos de trabalho na escola e sequências didáticas podem se orientar pelas seguintes questões: que ações precisam ser desenvolvidas para garantir a qualidade e disponibilidade de água para diferentes usos? Existem leis sobre isso? O que elas indicam? O que significa gestão integrada dos recursos hídricos? Qual é o papel dos diferentes atores sociais quando estão em questão a oferta e a qualidade da água?

Peça que a turma se divida em grupos e, a partir do que já foi estudado, faça uma lista de ações para preservar e garantir a qualidade e oferta de água na localidade. Proponha que retomem os usos que consomem ou comprometem os recursos hídricos no município: os rios e córregos estão poluídos ou contaminados por dejetos domésticos, industriais ou agrícolas? De onde vem essa poluição? As margens de rios, córregos ou lagos estão desmatadas ou foi mantida a cobertura vegetal? Como está a rede de coleta e o tratamento de esgotos no município e região? Deixe que falem e escrevam livremente sobre esses pontos, a partir do que já observaram ou vivenciaram. Considere a possibilidade de levar um técnico, pesquisador, autoridade ou representante de organização social para conversar com os alunos. Ou, de outro lado, verifique se há comitê de bacia hidrográfica na região ou no município e examine a perspectiva de programar uma visita com os alunos.

A seguir, é importante definir com a garotada uma atividade a ser desenvolvida pela turma para contribuir para a preservação dos recursos hídricos locais. Em várias escolas e municípios do país, os estudantes vêm se mobilizando para, por exemplo, promover o replantio das matas ciliares com espécies nativas. Se a opção for por essa medida, é preciso descobrir se existem viveiros de mudas na localidade ou se há instituições e organizações sociais ocupadas com ações como essas. Os alunos, mediante a assessoria de técnicos e professores, poderão criar viveiros de mudas de plantas na escola.

Terceira e quarta aulas
Faça uma roda de conversa com a garotada e discuta a importância das matas ciliares. Como o nome diz, elas se dispõem ao longo das margens dos cursos d’água e auxiliam no controle da erosão e do assoreamento. Contribuem para manter a quantidade e qualidade dos recursos hídricos, filtrando possíveis resíduos depositados na água. Além disso, ao formarem corredores de vegetação, as matas ciliares (ou de galeria) colaboram para manter a biodiversidade e oferecer alimento e abrigo à fauna.

Com a ajuda de técnicos locais e dos professores, os alunos podem mapear e escolher a área para o plantio das mudas. Nesse percurso, poderão convidar outras turmas da escola a participar e organizar um evento para marcar o plantio, mais adiante, com a participação dos pais, membros da comunidade, representantes do poder público e organizações locais. Com esta atividade prática, poderão compreender a importância desse tipo de ação para a revitalização de rios, córregos e lagos.

Avaliação
No caso das turmas do Fundamental I, é importante levar em conta a participação de cada aluno nas tarefas coletivas e individuais. Examine com atenção os trabalhos individuais e em grupos na constituição do projeto de plantio de mudas. Nas conversas e na produção de textos, observe a compreensão da importância da água e sua inter-relação com os outros elementos do meio físico e social.

Bibliografia:

O Atlas da Água, de Robin Clarke e Jannet King. Publifolha, tel. 0800-140090. Publicação com dados e estatísticas atualizados, conflitos pelo uso da água e prognósticos sobre sua disponibilidade. Consulte a parte 5, que destaca os conflitos e a cooperação.
Água como Mercadoria, de Renato Tagnin, em Desafios do Consumo, organizado por Ricardo Mendes Antas Jr., Ed. Vozes
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=157
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./agua/doce/index.html&conteudo=./agua/doce/comite.html

PLANO DE AULA 3 – O USO DA ÁGUA

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Introdução
Este é o terceiro plano de aula de uma série de cinco propostas para trabalhar com os estudantes a questão da água. No primeiro plano –A água no cotidiano -foram desenvolvidas atividades sobre o ciclo da água e seus caminhos na natureza. Já no segundo plano – A oferta de água – foi examinada a distribuição do recurso nos diferentes países e regiões do planeta. Examinamos em detalhes o caso do Brasil, que conta com 12% das águas superficiais do planeta, mas mesmo assim convive com a escassez em diversas regiões. Vale lembrar que apenas 2,5% de toda a água existente na Terra é doce e somente um terço disso está pronto para o consumo.

Agora, vamos examinar mais de perto os usos da água, tanto para o abastecimento doméstico como para o uso industrial e agrícola, analisando também perspectivas para seu reaproveitamento. No próximo plano, estarão em foco medidas e propostas para a gestão dos recursos hídricos.

Objetivos
Compreender as noções de uso da água, uso com intervenção e sem intervenção e uso sustentável dos recursos hídricos.
Analisar os diferentes usos da água e suas repercussões na distribuição e disponibilidade do recurso.
Reconhecer e analisar práticas e situações que comprometem a disponibilidade de água no Brasil e no mundo e examinar propostas para seu uso sustentável.

Conteúdos específicos
Água: usos, consumo, disponibilidade e sustentabilidade. Poluição da água

Anos
1º ao 5º ano

Tempo estimado
Quatro aulas

Desenvolvimento das atividades

Primeira e segunda aulas
Qual é o destino da água disponível? Quais são os setores que mais consomem água no mundo? E no Brasil, como é essa proporção? Existem usos que não comprometem as reservas? Quais são eles? Essas são algumas indagações importantes quando o assunto é a água. Elas podem ser consideradas pontos de partida para projetos de trabalho, sequências didáticas e aulas sobre o tema.

Peça que, em pequenos grupos, todos preparem listas com os usos possíveis da água. Para desenvolver o trabalho, o professor deve levar em conta os seguintes aspectos: abastecimento humano (beber, tomar banho, cozinhar, lavar objetos), agricultura e criação de animais (dar de beber ao gado, irrigar cultivos, lavar instalações etc.), indústrias e estabelecimentos comerciais e de serviços, navegação, pesca e aquicultura, geração de energia e outros. Eles podem conversar com familiares e outras pessoas para ampliar a lista. Na próxima aula, devem apresentar os resultados para os colegas.

Terceira e quarta aulas
Peça que a garotada apresente os resultados das aulas anteriores em classe e organize uma roda de conversa sobre o assunto. Você pode ler em voz alta alguns dados do quadro “Onde a água é usada” (abaixo), destacando o peso acentuado da agropecuária. Em seguida, proponha que os alunos escolham alguns itens da lista e façam desenhos representando a utilização de recursos hídricos. Peça que representem, para o caso do Brasil, as prioridades definidas para o uso de água de acordo. Para este trabalho, leve em conta a legislação vigente, que prioriza o consumo humano e animal em situações de escassez. Os desenhos, acompanhados de textos e figuras, podem compor painéis feitos em pequenos grupos para serem expostos na escola.

ONDE A ÁGUA É USADA?

USOS DA ÁGUA NO MUNDO

USOS DA ÁGUA NO BRASIL

Avaliação
Para as turmas do Fundamental I, é importante levar em conta a participação de cada aluno nas tarefas coletivas e individuais e verificar como cada um representa os diferentes usos e destinos da água disponível. Verifique a diversidade de imagens e textos nos painéis propostos.

BIBLIOGRAFIA
O Atlas da Água, de Robin Clarke e Jannet King. Publifolha, 2005. Publicação com dados e estatísticas atualizados, conflitos pelo uso da água e prognósticos sobre sua disponibilidade.
Aquastats (Relatório da FAO-ONU de 2003); World Development Indicators (Relatório do Banco Mundial, de 2003); Atlas da Água (2005), de Robin Clarke e Jannet King
http://pnrh.cnrh-srh.gov.br/
http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt5.html

PLANO DE AULA 2 – A OFERTA DA ÁGUA

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Introdução
Este é o segundo plano de aula de uma série de cinco propostas para trabalhar com a questão hídrica no Ensino Fundamental. No primeiro plano, Caminhos das Águas, foram apresentadas atividades sobre o percurso da água na natureza, observando a distribuição dela no planeta, bem como as proporções desse recurso em rios, geleiras, cumes de montanhas, solos, atmosfera e subsolo. Examinou-se o ciclo e os usos da água.

Aqui, vamos verificar a distribuição e a disponibilidade de água própria para o consumo humano na superfície terrestre, analisando as causas naturais e sociais que afetam sua oferta – situações como consumo excessivo, poluição, desperdício e ausência ou precariedade dos serviços de saneamento básico.

A escassez tem levado a disputas e conflitos pela posse e pelo uso da água em diferentes regiões do globo, um quadro que tende a se agravar.

Objetivos
Identificar a distribuição de água no planeta e os fatores naturais e sociais que interferem na sua abundância e escassez, tendo em vista o consumo humano.
Reconhecer e analisar práticas e situações que comprometem a disponibilidade de água no Brasil e no mundo e examinar propostas para o uso sustentável do recurso.

Conteúdo
Água – distribuição e disponibilidade na superfície terrestre; A situação do Brasil; Usos da água; e sustentabilidade do recurso.

Ano
1º ao 5º

Tempo estimado
Quatro aulas

Desenvolvimento

Primeira aula
Como é a distribuição e a disponibilidade da água no mundo? Quais as áreas que convivem com abundância ou escassez dela? No Brasil, como é a situação? E na cidade em que vivem os alunos, há oferta adequada de água? Qual é a situação dos mananciais e cursos d’água que abastecem a localidade? Essas e outras questões podem servir de mote ao desenvolvimento dos assuntos relativos a este plano e ser o ponto de partida para a organização de projetos coletivos de trabalho, sequências didáticas e outras atividades.

Para os estudantes de 1º ao 5º ano, proponha rodas de conversa sobre situações em que tenha ocorrido falta ou racionamento de água na rua, no bairro ou no município. Peça que descrevam essas situações e apontem quais os procedimentos adotados em cada família. A seguir, eles podem relatar o que sabem sobre a disponibilidade de água na localidade (regime de chuvas, volume de água de rios, lagos e áreas de mananciais etc.). Aproveite as indicações ao final deste plano e ofereça novas informações à turma.

Depois, a conversa pode tomar o rumo das práticas que os alunos consideram inadequadas e que comprometam a oferta de água, como o despejo de esgotos domésticos e resíduos industriais em rios, córregos ou trechos de praia (se houver). Para a aula seguinte, sugira que conversem a respeito desses pontos com familiares e membros da comunidade, em especial os mais idosos ou aqueles que vivem há mais tempo no município, trazendo os resultados para uma nova roda de conversa.

Segunda aula
Organize uma nova roda de conversa para compartilhar os resultados das conversas dos alunos com familiares ou membros da comunidade sobre a oferta e o uso da água na localidade. Em seguida, proponha a eles que representem as situações apontadas por meio de desenhos ou mosaicos de figuras (fotos, charges e ilustrações). Reserve tempo para esse trabalho, que deve ser feito, preferencialmente, em pequenos grupos. Providencie os materiais e recursos necessários.

Proponha a seguir um novo exercício: como seria uma semana na vida de cada um sem água para consumo? Como obter o necessário? Alguém imagina o que faziam os povos da antiguidade, que ainda não tinham recursos à mão para garantir a qualidade da água? Faça a leitura do texto da coletânea Como Fazíamos Sem… Água Limpa? (ver indicação no final deste plano). Se necessário, colete outros textos apropriados para a faixa etária. Ofereça algumas informações a mais: na Grécia antiga, utilizava-se a água da chuva para beber, mas os gregos já sabiam da necessidade de fervê-la e filtrá-la (com panos) antes do consumo. A busca por água levou muitas culturas a ocupar preferencialmente margens de rios, onde o abastecimento era mais garantido. Isso, no entanto, acarretava a construção de diques contra inundações e sistemas de bombeamento para evitar enchentes.

Terceira e quarta aulas
Convide a garotada a montar painéis ou cartazes com desenhos, ilustrações e textos sobre os usos da água, com base no que vem ocorrendo no próprio município. É importante que apontem situações como a poluição e o comprometimento do mar, de rios e córregos, caso isso ocorra, e indiquem a importância de economizar e usar adequadamente a água, no caso de indivíduos, atividades econômicas e poder público. Proponha a exposição de trabalhos em varais ou murais na escola.

Avaliação
Leve em conta os objetivos estabelecidos no início das atividades. Observe e registre a participação dos estudantes nas etapas individuais e coletivas do trabalho. Para verificar o domínio progressivo dos conceitos, examine o conjunto da produção de textos, painéis, desenhos e outros trabalhos realizados. Reserve um tempo para que a moçada fale livremente sobre a experiência e para avaliar eventuais dificuldades e ganhos de aprendizagem.

Bibliografia
Ambiente Brasileiro: 500 Anos de Exploração dos Recursos Hídricos, Aldo Rebouças, em Patrimônio Ambiental Brasileiro, Wagner C. Ribeiro (org), Edusp
Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território (ver em especial o Capítulo 3 – O Meio Ambiente e sua Gestão, que trata das águas no Brasil), Hervé Théry e Neli Mello, Edusp.
Como Fazíamos Sem…Água Limpa, Bárbara Soalheiro, Panda Books.
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./agua/doce/index.html&conteudo=./agua/doce/comite.html
http://www.brasilia.unesco.org/noticias/releases/releases2006/wwr

DESPERDÍCIO DE ÁGUA E POLUIÇÃO NO BRASIL

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Poluição e desperdício reduzem a água disponível no Brasil

O país é rico em disponibilidade de água, com 12% do total do mundo, mas a distribuição no território é muito desigual

Se o assunto é água, o Brasil é um país privilegiado. Sozinho, detém 12% da água doce de superfície do mundo, o rio de maior volume e um dos principais aqüíferos subterrâneos, além de invejáveis índices de chuva. Mesmo assim, falta água no semi-árido e nas grandes capitais, porque a distribuição desse recurso é bastante desigual. Cerca de 70% da reserva brasileira de água está no Norte, onde vivem menos de 10% da população. Enquanto um morador de Roraima tem acesso a 1,8 milhão de litros de água por ano, quem vive em Pernambuco precisa se virar com muito menos – o padrão mínimo que a ONU considera adequado é de 1,7 milhão de litros ao ano. A situação pode ser pior nas regiões populosas, nas quais o consumo é muito maior e a poluição das indústrias e do esgoto residencial reduz o volume disponível para o uso. É o caso da bacia do rio Tietê, na região metropolitana de São Paulo, onde os habitantes têm acesso a um volume de água menor do que o recomendado para uma vida saudável.

Além da poluição, o que preocupa a maior metrópole do país é a ocupação irregular das margens de rios e represas, como a de Guarapiranga, que mata a sede de 3,7 milhões de paulistanos. A seu redor, vivem cerca de 700 mil habitantes. Com o desmatamento das margens para a construção das casas, grande quantidade de sedimentos foi arrastada para a represa, que perdeu sua capacidade de armazenamento e ainda recebe o esgoto de muitas residências. O problema se repete na represa Billings, também responsável pelo abastecimento de São Paulo. Esse manancial é destino final das águas poluentes que são bombeadas dos rios Tietê e Pinheiros para manter seu curso.

A alternativa foi trazer água de uma bacia hidrográfica vizinha, a do rio Piracicaba-Jundiaí-Capivari, que abastece a metade da metrópole paulistana. Isso acabou gerando uma disputa regional. No total, 58 municípios compartilham esse manancial, e a solução foi criar o Banco das Águas, um acordo que estabelece cotas de captação para a região metropolitana de São Paulo (31 metros cúbicos por segundo) e para o conjunto dos municípios da região de Piracicaba (5 metros cúbicos por segundo). Nesse sistema, tanto um lado como o outro podem ir além desses limites como compensação, caso tenha retirado menor quantidade de água em períodos anteriores.

DEMOCRATIZAÇÃO DA ÁGUA
Essa política de uso das águas foi definida por um comitê, formado em 1993, para acabar com a briga sobre quem tinha direito a que nessa bacia hidrográfica. Esse modelo, pioneiro no Brasil, inspirou quatro anos depois a Lei das Águas, dando a possibilidade de criar em nível nacional um sistema que harmonizasse os diversos usos dos mananciais – geração de energia, abastecimento da população e irrigação de cultivos. A Agência Nacional de Águas é o órgão do governo federal responsável pela gestão dos recursos hídricos no país. Esse trabalho é conduzido em parceria com os Comitês de Bacia, que se espalharam no Brasil, após a nova legislação. Os comitês reúnem representantes da sociedade civil em cada região para sugerir iniciativas para preservar os rios e evitar conflitos.

A atual legislação reconhece os vários usos para a água e determina que a prioridade seja sempre para o abastecimento humano e animal. O Brasil tem 89,1% da população urbana com acesso a redes de distribuição de água. Nas residências rurais, a situação é menos confortável: só 17% são atendidas. O uso doméstico e industrial corresponde hoje a 30% de todo o consumo do país. O setor que mais utiliza recursos hídricos é a agricultura, com 70% do consumo.

MELHORAR O USO
Um dos meios para equilibrar essas necessidades é a cobrança pelo uso dos rios por indústrias e outros agentes econômicos. Criado a partir da Lei das Águas, o sistema é aplicado nas bacias dos rios Piracicaba-Jundiaí-Capivari e do Paraíba do Sul, e há projetos para o início da cobrança em outras regiões. Como resultado, para diminuir custos, muitas indústrias cortaram o consumo pela metade. Associado a isso, reduzir o desperdício é uma das medidas para preservar mananciais. Outras iniciativas são o reúso de água por indústrias e a reciclagem de esgoto para irrigar jardins e lavar ruas.

O grande problema de água do Brasil é, sobretudo, seu mau uso. Em razão de uma rede de distribuição obsoleta, avariada e insuficiente para atender a população, 40% de toda a água encanada se perde. Além disso, mais da metade dos municípios brasileiros ainda não têm rede de esgoto, o que reduz a água potável disponível para o consumo da população.

ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
Uma importante fonte potencial de abastecimento são as águas subterrâneas, aquelas que ocupam os espaços existentes entre as rochas do subsolo e se movem pelo efeito da força da gravidade. Seu volume é calculado em cerca de 100 vezes mais do que o das águas doces superficiais (rios, lagos, pântanos, água atmosférica e umidade do solo). No território brasileiro, as reservas de águas subterrâneas em aqüíferos são estimadas em 112 trilhões de metros cúbicos, e o mais importante deles é o Aqüífero Guarani.

Trata-se da principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e ocupa 1,19 milhão de quilômetros quadrados. Esse aqüífero se estende pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e por partes do território do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. Uma camada de rocha basáltica retém as águas e as protege de contaminação. Pelos atuais estudos, o Aqüífero Guarani tem armazenados 45 trilhões de metros cúbicos de água, dos quais 160 bilhões são extraídos por ano para diversos fins. No momento, ainda é pouco usado para esse fim, embora haja poços artesianos que captem suas águas. Em pontos nos quais chega mais perto da superfície, já está sofrendo ameaças de contaminação

LIQUIDO PRECIOSO

A poluição e o mau uso de mananciais ampliam a escassez hídrica e fazem do acesso à água potável um foco de tensão em diversas partes do globo.

O corpo humano é composto de mais de dois terços de água. Para manter a saúde, precisamos bebê-la várias vezes ao dia. É condição básica para a existência da vida; faz parte da rotina de todos. Com ela, escovamos os dentes, tomamos banho, lavamos roupa e louça e ainda geramos energia elétrica, produzimos alimentos, movemos indústrias, transportamos mercadorias e aproveitamos o lazer. O planeta, fornecedor dessa fonte vital, também precisa dela para manter-se saudável – e garantir o equilíbrio do clima e dos ambientes naturais. Não é por acaso que a água simboliza a vida. O problema é que se torna um bem cada vez mais escasso. Mais que isso. Disputada como um tesouro raro e precioso, ela pode se transformar em motivo de violência e guerra, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje, calcula-se que 2,2 bilhões de habitantes, quase um terço da humanidade, sofre com a falta de água potável. Em 20 anos, serão 3,9 bilhões com sede.

Estima-se que a principal disputa no planeta nos próximos 50 anos não será por petróleo, ouro ou carvão – mas por água. O alerta consta do relatório divulgado pela ONU no Dia Mundial da Água. Dentro de um cenário de crise, aumenta a briga pela posse e pelo uso desse recurso. A questão preocupa, porque a desigualdade e a escassez tendem a aumentar os conflitos. Além de atritos entre grupos rivais em um mesmo país, há embates diplomáticos entre nações e outras desavenças que podem culminar nas próximas décadas em confrontos armados pelo controle de mananciais. O relatório identifica 46 países nos quais há risco de essa crise provocar brigas. O perigo é maior entre nações que vivem escassez e compartilham o uso de rios e lagos. Existem no planeta263 bacias hidrográficas transnacionais, abrangendo 145 países. Mais de 40%da população mundial habita essas áreas, como o mar Cáspio e o mar de Aral, na Ásia; o lago Chade e o lago Vitória, na África, e os Grandes Lagos da América do Norte.

Em alguns casos, as fontes são disputadas litro a litro, como no Oriente Médio, onde dominar a água é estopim de guerras desde a Antiguidade. Israelenses e palestinos lideram as disputas. Sob o solo do deserto, estão os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos usavam essa água à vontade, mas a ocupação israelense, após a Guerra dos Seis Dias, acabou com isso. Os poços são controlados por militares israelenses. E qualquer acordo de paz para a Faixa de Gaza exigirá um capítulo especial para a água.

CRESCE A BRIGA
Israelenses e palestinos, por sua vez, confrontam a Síria e a Jordânia pelo controle do vale do rio Jordão, a principal fonte de água da região. Exaurido pela mineração, pela irrigação e até pela manutenção de campos de golfe no deserto, o Jordão está minguando. Apenas um terço do volume original chega ao mar Morto, que pode sumir até 2050 e se resume a um lago sem vida, seis vezes mais salgado que o oceano. Não muito longe dali, a Síria briga com a Turquia e o Iraque pelo uso da bacia que envolve os rios Tigre e Eufrates.

O MUNDO COM SEDE

A Água do planeta pode acabar?

A natureza pode ser irônica quando responde às agressões causadas pelo homem. Exemplo disso é a relação da humanidade com a água, o líquido mais abundante da Terra. Tratamos tão mal nosso planeta que acabamos nos colocando numa realidade catastrófica, de dupla face: ao mesmo tempo que corremos o risco de afogar nossas cidades sob a água salgada do mar, padecemos da falta de água doce.

De um lado, está o aquecimento global, com o conseqüente derretimento das geleiras e a elevação do nível dos mares, que ameaça desalojar bilhões de habitantes das zonas litorâneas. De outro, há o esgotamento das reservas de água potável do planeta. Em outras palavras, estamos chegando à mesma situação extrema de um náufrago, que se vê com água por todos os lados, mas sem nenhuma gota para beber.

Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) repetem o diagnóstico cada vez mais alarmante: mais de 1 bilhão de pessoas – o equivalente a 18% da população mundial – não têm acesso a uma quantidade mínima aceitável de água potável, ou seja, água segura para uso humano. Se nada mudar no padrão de consumo, dois terços da população do planeta em 2025 – 5,5 bilhões de pessoas – poderão não ter acesso à água limpa. E, em 2050, apenas um quarto da humanidade vai dispor de água para satisfazer suas necessidades básicas.

A escassez de água não ameaça apenas com a sede. Traz a morte na forma de doenças. Segundo a ONU, 1,7 bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões morrem a cada ano em todo o mundo por consumir água contaminada e contrair
doenças como diarréia e malária.

A água potável é um bem raro por natureza. Quase 97,5% da água que cobre a superfície da Terra é salgada. Dos restantes 2,5%, dois terços estão em estado sólido, nas geleiras e calotas polares – de difícil aproveitamento. A maior parte da água em estado líquido encontra-se no subterrâneo. Lagos, rios e lençóis freáticos menos profundos são apenas 0,26% de toda a água potável.

É dessa pequena fração que toda a humanidade (e boa parte da flora e fauna) depende para sobreviver. É claro que, a princípio, fontes não deveriam esgotar-se, com o ciclo da água garantindo a permanente renovação do volume de rios, lagos e lençóis freáticos por meio das chuvas, originadas pela evaporação dos mares. A água está em eterna reciclagem, há bilhões de anos. A questão é o descompasso entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo em que exploramos os recursos hídricos.

DESEQUILÍBRIO
O primeiro problema é o desequilíbrio na distribuição – um desequilíbrio que começa pela geografia física e segue pela economia. Alguns países têm muito mais água do que sua população necessita. É o caso do Canadá, da Islândia e do Brasil. Outros são situados em regiões extremamente secas, como o norte da África, o Oriente Médio e o norte da China.

Como resultado dessa má distribuição, um canadense pode gastar até 600 litros de água por dia, enquanto um africano dispõe de menos de 30 litros para beber, cozinhar, fazer a higiene, limpar a casa, irrigar a plantação e sustentar os rebanhos.

As populações que habitam as áreas mais áridas da Terra vivem o que se chama “estresse hídrico”, uma reunião de fatores ambientais, como falta de chuvas, e socioeconômicos, como crescimento demográfico alto, que resulta em gente demais para água de menos.

PLANO DE AULA 1 – ÁGUA NO COTIDIANO

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Introdução

Ao lado da biodiversidade e do aquecimento global, a disponibilidade de água está se tornando uma das principais questões socioambientais do mundo atual. Relatórios da ONU indicam que quase 20% da humanidade – cerca de 1 bilhão de pessoas – não têm acesso à quantidade mínima aceitável de água potável e aos 20 a 50 litros diários necessários para beber, cozinhar e tomar banho. Em contrapartida, o consumo per capita em países ricos como Estados Unidos e Canadá é de 300 litros diários de água. Inúmeras regiões do planeta já estão marcadas pela escassez e pelo estresse hídrico – desequilíbrio entre demanda e oferta de água, causado, entre outros fatores, pela contaminação dos recursos. Esse quadro vem gerando disputas e conflitos.

Este plano de aula inicia uma série de cinco propostas para trabalhar com a questão hídrica no Ensino Fundamental. Serão abordados aqui, sob o ângulo da sustentabilidade e do consumo consciente, a origem, composição e distribuição da água e seus caminhos pela natureza, essenciais para compreender sua importância: sem ela, não seria possível a vida na Terra.

Objetivos

Identificar a presença da água no cotidiano e reconhecer sua importância como recurso natural indispensável à vida no planeta.
Reconhecer as diferentes etapas e processos que constituem o ciclo da água na natureza e avaliar repercussões das alterações nele promovidas pelas atividades humanas.

Conteúdos
Água: distribuição, usos e consumo e ciclo da água

Ano
1º ao 5º

Tempo estimado
Quatro aulas

Desenvolvimento das atividades

Primeira aula
De onde vem a água? Como ela chega até as nossas casas, pronta para o consumo? Como a utilizamos? Como podemos economizá-la, evitando o risco de o recurso faltar no futuro? Essas questões podem ser o ponto de partida para planos de estudo, projetos ou sequências didáticas sobre a questão da água.

Pode-se propor, de início, que os alunos elaborem, em pequenos grupos, listas com o uso da água em suas atividades diárias: para beber, tomar banho, escovar os dentes e lavar as mãos e o rosto, cozinhar, lavar objetos etc. Conversando entre si, podem descobrir também outros usos não diretamente ligados ao seu próprio cotidiano, como o agrícola e o industrial. Peça que todos mostrem os trabalhos à turma e discuta os resultados, destacando a presença e a importância da água em praticamente tudo o que fazemos. Aproveite e assinale, também, que ela é essencial ao organismo humano porque ajuda a regular a temperatura do corpo e a diluir ou transportar substâncias.

Segunda aula
As turmas podem iniciar esta aula assistindo ao vídeo sobre o Planeta Água.

Como ele também mostra aspectos do ciclo da água na natureza e sua presença na superfície terrestre (rios, lagos e mares) e na atmosfera, pode-se aproveitar para conversar sobre isso com os estudantes. Estimule-os a falar sobre aspectos climáticos que já tenham observado, como os períodos de maior ou menor precipitação, que denotam padrões sobre a presença da água. Assinale que a Terra é o único planeta do Sistema Solar que tem a água nos três estados (sólido, líquido e gasoso). Ao final da aula, eles podem fazer representações em desenhos, textos ou colagem de figuras sobre os caminhos da água, sem a preocupação com a precisão sobre termos e processos neste momento.

Terceira e quarta aulas
Dedique as duas últimas aulas à preparação e à exposição dos resultados finais. Com base no que já foi visto, proponha aos estudantes o debate sobre formas de economizar e utilizar adequadamente a água (O trabalho Desperdício de água e poluição no Brasil tem dados sobre usos e consumo no Brasil ). Esclareça que, para chegar às residências e aos estabelecimentos comerciais e industriais, a água é captada em rios, lagos ou reservatórios, vai para uma estação de tratamento, onde passa por processos de filtragem e purificação, sendo distribuída pela rede aos domicílios e estabelecimentos, pronta para o consumo. Recomenda-se filtrar ou ferver a água antes de bebê-la.

Organizado em pequenos grupos, o pessoal pode elaborar folhetos com dicas para economizar água. Nas residências, é preciso atenção especial com o uso da água no banheiro (não tomar banhos demorados, fechar a torneira ao escovar os dentes ou fazer a barba, consertar vazamentos etc.), na cozinha (manter torneiras fechadas ao ensaboar a louça), evitar o uso de mangueiras em jardins e na lavagem de carros ¬- o gasto de água é muito maior do que com o uso de balde. O controle do consumo residencial pode ser acompanhado pela leitura da conta mensal. Os mesmos procedimentos valem para os ambientes de trabalho. Chame a atenção dos estudantes para as responsabilidades do poder público, encarregado de consertar ou instalar redes de abastecimento e coleta de água e tratamento de esgotos, fazer reparos em vazamentos ou realizar a limpeza de espaços públicos. Os alunos podem desenhar ou colar figuras e desenhos para ilustrar o folheto, que pode ser distribuído a outras turmas da escola e à comunidade.

Avaliação
Leve em conta os objetivos definidos inicialmente. Como a sequência didática é um conjunto articulado de aulas e atividades, registre a participação dos estudantes nas diferentes etapas e nos trabalhos individuais e coletivos. Examine a produção de textos, painéis, desenhos e outros trabalhos realizados por eles. Se necessário, promova debates ou atividades individuais para examinar o que os estudantes aprenderam neste percurso.

Bibliografia
Ambiente Brasileiro: 500 Anos de Exploração dos Recursos Hídricos, Aldo Rebouças, em Patrimônio Ambiental Brasileiro, Wagner C. Ribeiro (org), Edusp, tel. (11) 3091-2911.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-401420080002&lng=pt&nrm=iso
http://www.multiciencia.unicamp.br/art03.htm
http://www.pura.poli.usp.br/dicas.htm
http://www.ana.gov.br/
http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/ciclo.asp
http://www.cptec.inpe.br/
http://youtu.be/BzxyNeUfD-8

A ORIGEM DO IOGURTE E SEU POTENCIAL NO MERCADO BRASILEIRO

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RESUMO

O estudo para a concretização deste trabalho foi realizado no período de 1 de abril a 10 de maio de 2002.

A metodologia usada foi segmentar a pesquisa escolhendo o produto iogurte natural, e realizando pesquisas de preço por marca e em 5 supermercados diferentes, em sites da internet e seu preço no ponto de venda ( supermercado).

As pesquisas de preços foram todas realizadas em supermercados da zona norte de São Paulo, durante o período compreendido entre 26 de abril a 10 de maio de 2002, não sendo observado flutuações relevantes nos preços dos produtos pesquisados, com exceções as promoções que foram excluídas para não alterar a média de preços praticados em condições normais do mercado.

Além da pesquisa de preço realizada em cinco grandes supermercados, foi utilizado como fonte de informações que agregaram valor ao estudo, os sites (Internet) dos fabricantes bem como de empresas de consultoria em marketing.

INTRODUÇÃO

O presente relatório tem a finalidade de apresentar um breve histórico quanto à origem do iogurte, seu modo de fabricação, características, propriedades nutritivas, comentando sobre sua introdução no Brasil e potencial no mercado brasileiro.

Apresentaremos o potencial do produto iogurte (somadas todas as variedades) no mercado nacional, e suas perspectivas de crescimento, comparando com consumo de outros países.

Faremos comparativo do composto de marketing do iogurte natural das principais marcas e também grandes fabricantes (Danone, Nestlé, Parmalat, Batavo e Vigor), visto que o iogurte pertence ao ramo de refrigerados, que possui ampla segmentação como, natural, com sabor de frutas, com pedaços de frutas, com cereais, light, diet, liquido e etc., daremos destaque ao iogurte natural.

Analisaremos este mercado, pois também existem os fabricantes regionais que têm auxiliado no desenvolvimento do hábito de consumo porque eles começam a disponibilizar produto similar, ainda que a qualidade possa não ser tão significativamente melhor. Mas, como os produtos são consumidos dentro da região, e pelo preço têm um giro rápido ( visto que o iogurte degrada com o tempo em função das condições de refrigeração e processo produtivo). Mas todos eles quando são novos, independente de maior tecnologia ou não, há grande probabilidade de ter um produto bom para o paladar. Então, esses fabricantes regionais ajudam a desenvolver o mercado porque eles oferecem um produto mais barato (a fábrica é pequena, eles estão ali na região, o dono às vezes é o próprio gerente industrial de vendas…), com a estabilidade econômica e com a melhoria econômica do Brasil terá, certamente, dentro do seu processo de consolidação da nova moeda, o consumidor que está entrando na categoria por meio dos fabricantes regionais, vai migrar, com a melhoria do poder aquisitivo, para as marcas. Isto quer dizer que os consumidores que não entraram no mercado das grandes marcas, vão entrar no mercado de consumo pelos fabricantes regionais. É um processo contínuo. O fabricante regional ajuda a desenvolver o mercado junto com o líder, que lança campanhas temáticas, de marketing, de benefícios.

É um mercado de alto potencial de crescimento, necessitando de investimentos em divulgação e em todo o seu processo produtivo, de distribuição e embalagens, visando redução de custos e preço final de venda, tornando-o acessível a maioria da população.

História do Iogurte

Um lugar na história

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O leite fermentado que deu origem ao iogurte da atualidade teve origem no Oriente, como o prova o próprio nome (yoğurt).

Através das expedições, guerras e relações comerciais entre os fenícios e os egípcios e, mais tarde, também através de gregos e romanos, este alimento que hoje faz parte do nosso cotidiano rapidamente se difundiu, conquistando uma posição privilegiada na dieta alimentar dos mais diversos povos.

A descoberta: um alimento delicioso, criado em marmitas de barro ou junto ao dorso dos camelos

A origem do iogurte ainda não é totalmente conhecida, mas há vários episódios espalhados pelo mundo, que podem estar na base do seu aparecimento na antiguidade.

Período do Neolítico

Durante este período, os pastores começaram a domesticar os animais mamíferos e a utilizar o seu leite como alimento. Não se sabe quais foram os primeiros animais domesticados,mas tudo indica que tenham sido os camelos, búfalos, cabras, ovelhas ou vacas.

O leite destes animais era armazenado em marmitas de barro à temperatura ambiente, o que, conjugado com o clima do deserto, cuja temperatura chegava a atingir 43ºC, criava as condições ideais para que o leite fermentasse, produzindo um rudimentar tipo de iogurte.

Desertos da Turquia

Os pastores armazenavam o leite fresco em bolas feitas de pele de cabra. Os sacos colocavam-se atados nos camelos e o calor do seu corpo, em contacto com aqueles, propiciava a multiplicação de bactérias ácidas.

Várias horas depois, quando os pastores se preparavam para beber o leite, encontravam uma massa semi-sólida e coagulada: o leite acabara de converter-se em iogurte, o que os pastores consideravam delicioso.

Uma vez consumido o fermento lácteo contido naquelas bolsas, estas voltavam a ser cheias de leite fresco, e devido aos resíduos precedentes, se transformava novamente em leite fermentado.

Bálcãs

Outras indicações dão conta de que o iogurte possa ter aparecido junto dos antigos povos nômades dos Bálcãs e, também, nas zonas de estepes da Ásia Central.

Os benefícios: do exército de Gengis Khan à misteriosa longevidade do povo búlgaro

Galeno, célebre médico grego do século II a.C., descreveu as virtudes deste alimento, realçando a sua maior digestibilidade comparativamente ao leite e o seu efeito benéfico e purificador no excesso de bílis e nos problemas de estômago.

Dioscórides, outro importante médico da antiguidade, recomendou o iogurte como medicamento para o tratamento do fígado, do estômago, do sangue, da tuberculose, como depurativo geral e contra as supurações.

Em Damasco, no século VII, surgiu um livro de medicina intitulado “Grande explicação do Poder dos Elementos e da Medicina”. Nesta obra, sucessivamente complementada e atualizada por diversos médicos eruditos gregos, árabes e hindus, recomendava-se unanimemente o consumo de iogurte como calmante, refrescante e regulador intestinal.

Gengis Khan, o célebre guerreiro e líder militar dos mongóis, alimentava o seu invencível exército com iogurte, tomado ao natural ou utilizado como conservante da carne ou de outros alimentos.

É quase certo que o iogurte, bem como os leites fermentados, têm ocupado desde sempre um papel importante na alimentação dos habitantes do Médio Oriente e da Europa Centra. Porem no Ocidente só se consumia ocasionalmente.

Esta realidade alterou-se quando o consumo de iogurte começou a aumentar gradualmente na Europa Ocidental, devido ao aparecimento das primeiras teorias sobre longevidade.

Entre estas, destaca-se a do biólogo russo Llia Metchnikoff (1910), que relacionou o consumo elevado de iogurte com a superior longevidade das tribos das montanhas da Bulgária.

Naquela época, o povo búlgaro era o mais pobre da Europa: o árido território, as contínuas invasões e dominações estrangeiras determinaram um nível de vida muito baixo. Apesar da situação desfavorável, Metchnikoff descobriu que, numa população com pouco mais de um milhão de habitantes, cerca de 1600 pessoas ultrapassavam os 100 anos de idade, com ótimas condições de saúde (na América do Norte, a proporção de pessoas com esta idade era de 11 para um milhão).

Após ter analisado a dieta dos búlgaros, o biólogo russo descobriu que o iogurte era um dos seus componentes básicos, juntamente com o consumo de grandes quantidades de produtos vegetais de cultivo próprio. Assim, foi atribuída a causa desta longevidade ao iogurte, que continha bactérias capazes de converter o açúcar do leite (a lactose), em ácido láctico.

Prosseguindo as suas investigações, Metchnikoff isolou o bacilo e dedicou todos os seus esforços a estudar as propriedades deste microorganismo, que chamou de Bacillus Bulgaricus, mais tarde denominado Lactobacillus Bulgaricus.

Concluiu que no intestino grosso havia um conjunto de micróbios que contribuíam para a putrefação e desencadeavam fatores degenerativos no organismo, acreditando ainda que, implantando a bactéria proveniente do iogurte no intestino, aquela produzia ácido láctico e impedia que se desenvolvessem as bactérias da putrefação neste ambiente ácido.

O iogurte além de poder aumentar a longevidade, possui outras benéficas propriedades nutricionais, graças aos fermentos lácteos, como o Lactobacillus bulgaricus e o Streptococcus termophilus, aos quais se juntam o leite, depois de homogeneizado e pasteurizado. Devido ao facto de ser obtido mediante fermentação láctea, o iogurte é muito fácil de digerir, o que o torna o produto ideal para pessoas com problemas gastrointestinais. Contudo, não se esgotam aqui os benefícios deste alimento. Por exemplo o seu consumo regula o sistema imunológico, sem esquecer que se trata de uma excelente fonte de cálcio e, como tal, a sua ingestão é uma fonte de ajuda no crescimento das crianças. Os lactobacilos (bactérias presentes no leite) executam a função láctica, em que o produto final é o ácido láctico. Para isso eles utilizam, como ponto de partida, a lactose, o açúcar do leite. O sabor azedo do leite fermentado deve-se ao ácido láctico formado e eliminado pelos lactobacilos. O abaixamento do pH (aumento de acidez) causado pelo ácido láctico provoca a coagulação das proteínas do leite e a formação do coalho, usado na fabricação de queijos e iogurtes.

Propriedades do Iogurte:

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Contem um baixo teor de lactose:

A lactose é parcialmente transformada em acido láctico, durante o percurso da fermentação, isto facilita a assimilação do iogurte em indivíduos com intolerância à lactose, e que por isso têm problemas em assimilar os nutrientes do leite.

A acidez do iogurte confere uma proteção natural contra as infecções, manifestando-se a inibição de diferentes tipos de bactérias patogênicas no iogurte. Por outro lado, o acido láctico dissolve o cálcio presente no iogurte e favorece a sua assimilação.

Proteólise e digestão:

As proteínas do leite, que têm um alto valor biológico, são parcialmente pré-digeridas por ação das bactérias lácticas, o que permite uma melhor digestão.

Vitaminas:

As vitaminas do leite ajudam ao desenvolvimento das bactérias lácticas que, por sua vez, produzem outras vitaminas, aumentando a variedade de vitaminas presentes no iogurte.

Minerais:

O iogurte apresenta uma ampla variedade de minerais, destacando-se com maior importância o cálcio, que para além do mais apresenta uma elevada biodisponibilidade.

Bactérias lácticas vivas e os seus efeitos no sistema digestivo:

Sempre vivas no momento do seu consumo as bactérias lácticas, e os seus metabólicos , continuam a sua ação benéfica por todo o sistema digestivo.

A lactose produzida por estas bactérias, fonte única de origem alimentar, pode compensar uma atividade lactásica diminuída, permitindo a assimilação de lactose e do resto dos nutrientes.

As bactérias lácticas têm um efeito benéfico sobre a flora intestinal. A ingestão simultânea de lactose e de bactérias lácticas cria as condições ótimas para a povoação do intestino com esta flora láctica . A sua atividade não é ainda suficientemente conhecida, mas entre as ações que lhe são atribuídas podemos citar a inibição do desenvolvimento de bactérias patogênicas e, conseqüente constituição de um meio de prevenção contra infecções gastro -intestinais. O consumo de iogurte permitirá uma melhor resistência a este tipo de situações. As bactérias lácticas presentes no iogurte parecem promover também a estimulação do sistema imunológico.

Só é iogurte um produto que apresente a denominação “IOGURTE” no seu rótulo, que seja perecível em curto prazo e deve manter-se no frigorífico para a sua conservação. Unicamente o produto lácteo com a denominação “IOGURTE” tem estas características, ficando de fora por isso os produtos industrializados que contêm ao contrário do iogurte, bactérias lácteas não viáveis.

MERCADO

A Nestlé é a marca de Refrigerados mais vendida no mercado, o que garante à Nestlé a liderança de marca no mercado. Porém se considerarmos a aquisição da Paulista pela Danone no final do ano passado, a Danone é líder de mercado. Aparece com destaque também a Parmalat, que tem investido mais significativamente nesse mercado desde 1996, inclusive com a compra da Batavo em 1998. As marcas regionais também são importantes, como, por exemplo, a Itambé, de Minas Gerais. As grandes redes com suas marcas próprias também estão crescendo significativamente como, por exemplo, Carrefour e Extra.

O Mercado consumidor do iogurte em função do poder aquisitivo, concentra-se em São Paulo (capital e interior) seguido pelo Rio de Janeiro, Estados do Sul, Nordeste e Centro Oeste, seguindo a tendencia do mercado de produtos alimentícios em geral.(fonte Abrini)

Segundo declarações do Sr Mizael Massa, presidente da Abrini ( Associação Brasileira da Industria de Iogurtes), o Iogurte é um produto relativamente novo no Brasil, e até 1970 havia no pais um pequeno mercado consumidor de iogurte natural, formado basicamente por jovens e adultos que gostavam de tomar o produto batido com açúcar, época em que a produção nacional era estimada em 10 mil toneladas por ano, ou 100 gramas “per capita” por ano, que significava 100 vezes menos que na Suíça.

Hoje o consumo brasileiro é de cerca de 2,7 kg / habitante por ano, que representa um consumo muito baixo em comparação com outros paises.

Na Argentina, esse número é de 7 quilos/habitante. Assim como nos Estados Unidos, o trabalho de desenvolvimento de mercado é muito recente, tem menos de 25 anos. No começo o iogurte era o branco, tinha uma conotação medicinal. O problema nos Estados Unidos é que lá o iogurte entrou e foi posicionado para o adulto, e o crescimento foi muito lento. Há um consumo per capita grande (4,5 quilos/habitante) em relação ao Brasil, mas está ligado ao poder aquisitivo, a penetração lá é mais baixa. O México, que tem semelhanças muito grandes com o Brasil quanto à economia e ao perfil das classes sociais, já tem um consumo maior que o nosso (3,5 quilos/habitante)., sendo que na França um mercado mais maduro para o iogurte, o consumo per capita é de 35 kg ano .

A produção brasileira das grandes marcas gira em torno de 400 mil toneladas, representando 76% do total de produtos lácteos. Mas se nós agregarmos os microfabricantes regionais, nós passamos de 520 mil toneladas/ano, porque temos mais de 200 fabricantes regionais no Brasil, que fabricam e distribuem numa micro-área (200 a 300 quilômetros de sua sede).

É o sexto maior mercado alimentício do Brasil, excluindo-se carnes. O mercado de lácteos movimenta mais de R$ 1,3 bilhão por ano, em faturamento, se colocarmos as marcas regionais. Só os principais fabricantes, as sete grandes empresas com atuação nacional, movimentam cerca de R$ 810 milhões por ano.

O iogurte é um produto conhecido pela grande população brasileira, mas que têm uma baixa penetração (25%) e o preço por quilo final, ao consumidor, é relativamente caro, quando se compara a produtos básicos da alimentação. Tem alto potencial de crescimento ainda. As classes C, D e E compram com baixa regularidade, alguns consomem uma vez por ano. Acontece que somos milhões de brasileiros, e isso gera um alto volume, mostrando também o grande potencial que nós temos. Quanto mais se incorporar aos hábitos do consumidor, maior será o crescimento desse mercado.

PRODUTO

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Iogurte Natural

Sua principal característica é a baixa acidez , e o fato de simbolizar o iogurte em seu primeiro estado, conquista as pessoas que estão preocupadas com sua saúde
O iogurte é um alimento saudável, que, além de conter todos os nutrientes do leite, como proteínas, carboidratos, vitaminas e sais minerais, possui microorganismos vivos que exercem uma influência positiva no organismo.

Ingredientes:

Leite, leite em pó integral e fermentos lácteos.

Conservação:

Mantido resfriado até 10ºC. Validade: 35 a 45 dias após a data de fabricação.

Principais etapas de fabricação dos iogurtes

O esquema abaixo sintetiza as principais etapas de fabricação desses produtos.

Em primeiro lugar, faz-se a PADRONIZAÇÃO do leite, acertando-se o teor de gordura, conforme o tipo de iogurte a ser fabricado

Em seguida faz-se a pasteurização, onde o leite é submetido aquecimento, para se eliminar as bactérias patogênicas, e resfriado à temperatura de 42-43°C, temperatura ideal para recebimento dos fermentos lácteos de Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus, responsáveis pela FERMENTAÇÃO do leite. Nesta etapa, que ocorre dentro de tanques herméticos, ocorre a coagulação do leite através da formação de ácido láctico e consequente aumento de acidez, e há a formação de compostos que dão o sabor e a textura característicos do iogurte. Após atingido o nível correto de acidez, o produto é submetido a RESFRIAMENTO, recebe a adição dos demais ingredientes, que caracterizam cada variedade, seguindo para o ENVASAMENTO realizado por máquinas automáticas, sem nenhum contato manual. Dentro dos potinhos ou frascos, ele será mantido daí em diante à temperatura de 6°C.

Todas as matérias-primas e todas as etapas de fabricação são acompanhados de cuidadosos controles e só são liberados após a aprovação dos técnicos da garantia da qualidade.

PROMOÇÕES

Os fabricantes de iogurte procuram fazer marketing pesado em cima de suas marcas, através da mídia.(Tv aberta, jornais, promoções, patrocínios e outros)

Possuem atendimento aos consumidores, através do SAC para dúvidas, esclarecimentos, reclamações e sugestões, além de disponibilizarem através da Internet seus sites com as informações a sobre o produto e com serviços de informações especiais a estudantes e pesquisadores que auxiliam na formação de opiniões.

Preocupam-se com a boa exposição e condições de conservação do produto nos pontos de venda , mantendo promotores que prestam informações do produto e divulgam promoções tipo “leve 8 pague 6” e garantem a reposição rápida e evitam a manutenção de produtos vencidos nas gôndolas, demonstrando sua preocupação com o consumidor visando fortalecer a marca, além de distribuição de brindes.

Promoções com preços especiais também fazem parte da estratégia de marketing deste segmento, onde em parceria com um ou vários supermercados, oferecem preços especiais por determinado período ou promoções onde o consumidor adquire quantidade maior do produto pagando menos.

A participação em eventos e patrocínios também faz parte da estratégia de divulgação de algumas marcas participando de eventos específicos e relacionados com cada público-alvo. Além disso, há uma expressiva participação das marcas em atividades escolares, culturais e esportivas.

Vale mencionar ainda a participação institucional em cursos de culinária e apoio a edições de livros, sites e revistas que divulgam receitas com o produto iogurte ou com esclarecimentos sobre o beneficio de seu consumo para a saúde, boa forma e estética ( uso de iogurte para beleza da pele).

PREÇOS

Os preços do iogurte no Brasil são relativamente caros, em relação à renda per capita do pais e comparado ao preço em outros paises, porem no mercado interno nota-se que as principais marcas praticam preços superiores aos fabricantes de médio e pequeno porte, pois estes últimos procuram atrair o consumidor principalmente pelo preço, investindo menos na marca e publicidade.

Excluindo promoções dos fabricantes, os preços variam conforme o distribuidor notando-se variações de preços no produto da mesma marca em pontos de venda relativamente próximos, sendo que nas três datas pesquisadas os preços não sofreram alteração, notando que entre as principais marcas o preço não é o principal diferencial, conforme tabela a seguir:

Iogurte Natural - Embalagem contendo 4 potes de 200 gramas, exceto Danone (pote de 185 gramas)
Iogurte Natural – Embalagem contendo 4 potes de 200 gramas, exceto Danone (pote de 185 gramas)

Iogurte Natural - Embalagem contendo 4 potes de 200 gramas, exceto Danone (pote de 185 gramas)
Iogurte Natural – Embalagem contendo 4 potes de 200 gramas, exceto Danone (pote de 185 gramas)

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Iogurte Natural – Embalagem contendo 4 potes de 200 gramas, exceto Danone (pote de 185 gramas)

CLASSIFICAÇÃO:

Quanto ao processo de fabricação

      Iogurte tradicional – onde a fermentação ocorre dentro das embalagens;

Iogurte batido – a fermentação ocorre em dornas e posteriormente o iogurte é embalado;

Quanto aos ingredientes

      Iogurte natural – feito apenas de leite e microorganismos fermentadores.

Iogurte com frutas – com polpas e pedaços de frutas.

Iogurte com aromas – presença de aromatizantes.

Quanto ao teor de gordura

      Iogurte Integral – não há nenhuma alteração na quantidade de gordura original do leite

Iogurte Semi-desnatado – mais raro, há uma retirada significativa na quantidade de nata

Iogurte Desnatado – não há nata

PONTO DE VENDAS (DISTRIBUIÇÃO)

A comercialização das principais marcas tem distribuição nacional, através de venda direta ao ponto de venda final ou através de distribuidores, sendo que maior volume de vendas é através de supermercados.

A distribuição física do produto é uma das principais dificuldades do setor, pois em se tratando de produto perecível, com vencimento para consumo entre 35 e 45 dias da fabricação, o produto requer uma infra-estrutura refrigerada do inicio ao fim da distribuição e venda ao consumidor.

É um ponto critico pois onera as empresas fabricantes,distribuidoras e pontos finais de venda em demasia e restringe os pontos de vendas potenciais.

Atualmente no Brasil existem 85.000 pontos de venda potenciais, sendo que as principais marcas atingem cerca de 40.000 pontos de vendas de forma alternada, demonstrando a necessidade de investimento nesta área e potencial para crescimento.

Em razão da exigência desta infra-estrutura e da distribuição de renda no pais o consumo se concentra em São Paulo, Sul do pais, Rio de Janeiro, Nordeste e Centro Oeste.

EMBALAGENS

A embalagem neste segmento é muito importante, pois se trata de um produto alimentício perecível, que requer distribuição refrigerada e a embalagem deve acompanhar essas necessidades.

O consumidor compra com os olhos, e a embalagem ajuda a venda do produto, assim as embalagens para o iogurte natural estão praticamente padronizadas em potes plásticos com tampinha de papel plastificado, visto que estas tampinhas possuem custos menores que as aluminizadas, Algumas marcas ainda usam a tampa aluminizada, mas com tendência de mudança em razão do custo conforme mencionado anteriormente.

Na sua maioria os potes plásticos são de 200 grs e säo comercializados individualmente ou em embalagens de papel cartonado contendo quatro potes de 200 grs, cada, com exceção da Danone que comercializa em potes de 185 grs.

As embalagens apresentam as informações ao consumidor, como data de fabricação, validade, composição do produto e conteúdo nutricionais, conforme exige a legislação.

As embalagens são modernas, fáceis de pegar e muito praticas, que facilitam o manuseio e o produto pode ser consumido diretamente na embalagem, possuem fundo claro com decorações em cores suaves, passando a impressão de produto puro e saudável.

Faz parte das estratégias de marketing das empresas a melhoria continua das embalagens, dando atratividade maior, visual agradável, dinâmico, e moderno ao produto, alem da facilidade de manuseio, e redução de custos.

DIETA DO IOGURTE

Com a dieta do iogurte, você pode perder até 4 quilos em apenas 3 dias.

Perder peso nunca foi tão fácil e gostoso como é na dieta do iogurte. Pois é, esse alimento, que chegou aos poucos ao Brasil e foi se tornando cada vez mais consumido, além de ser uma ótima fonte de nutrientes, também ajuda a secar as gordurinhas. Sendo assim, saiba como funciona a dieta do iogurte e corra ao supermercado para comprar os seus potinhos!

COMO O IOGURTE EMAGRECE

O iogurte é riquíssimo em cálcio, mineral biodisponível nesse alimento, sendo mais facilmente absorvido pelo organismo. Ele é o responsável pela maior queima de gorduras, além de formar uma espécie de detergente no aparelho gastrointestinal, varrendo-o das gorduras. E para completar, ajuda a termogênese, ou seja, aumenta a temperatura corporal, fazendo com que as gorduras sejam eliminadas.

Entretanto, a versão do iogurte que contém mais cálcio e proteínas é a desnatada. Por isso, essa é a opção a ser utilizada na dieta.

Benefícios do Iogurte

Além de fazer o seu corpo ficar enxuto, o iogurte promove outros benefícios para a sua saúde. Os iogurtes denominados probióticos são os mais apropriados para quem deseja ganhar saúde com esse alimento. Para tanto, leia o rótulo antes de comprar o produto. Eles contêm lactobacilos capazes de estimular as nossas células de defesa, mantendo gripes e resfriados afastados por longos anos.

Por ser rico em cálcio, o iogurte mantém a saúde dos ossos em dia, sendo recomendado principalmente para crianças e mulheres, que têm menos riscos de osteoporose. Por outro lado, as vitaminas do complexo B, além de combaterem a depressão e a ansiedade, mantêm a tonicidade do aparelho gastrointestinal. Outras funções dessas vitaminas são a de metabolizar lipídeos, proteínas e carboidratos, produzir energia, oxigenar as células e produzir neurotransmissores.

Por fim, os probióticos ajudam a melhorar o trânsito intestinal, livrando-a da prisão de ventre e outras complicações digestivas. Com isso, seu humor ficará bem melhor e divertido.

Como Fazer a Dieta do Iogurte

Como foi escrito acima, os iogurtes mais recomendados para que você possa aproveitar todos os seus benefícios são os desnatados e os probióticos. Se tiver intolerância à lactose, já existem versões produzidas com soja, outro elemento importante na dieta, contanto que você fique atenta às calorias, que são em maior quantidade nesse alimento.

Se o seu intuito for apenas o de ganhar saúde, consuma 1 pote de iogurte de sua escolha por dia. Entretanto, se quer perder medidas, siga o cardápio abaixo por 3 dias e perca incríveis 4 quilos!

      Café da Manhã: 1 pote de iogurte natural de 200 ml e 2 fatias de pão light.

Almoço: 1 prato de salada verde com pepino, tomate e cenoura ralada temperada com azeite, vinagre e sal; 1 espeto de queijo coalho e 1 pote de iogurte natural de 200 ml.

Lanche da Tarde: 1 pote e meio de iogurte natural.

Jantar: 1 sanduíche feito com 2 fatias de pão light, cenoura ralada, alface, tomate e 1 colher de sopa de maionese light; 5 morangos e 1 pote de iogurte natural.

Ceia: 1 pote de iogurte natural de 200 ml.

Uma dica importante é consumir bastante água durante essa dieta, pois ela enche o estômago, enganando a fome e ainda desincha o corpo, além de deixá-lo bem hidratado e saudável.

CONCLUSÃO

O estudo realizado para a concretização deste trabalho foi de grande valia para todos nós, principalmente porque demandou organização, disciplina e empenho de todos os componentes do grupo, para pesquisas, cumprimentos de prazos e compilação das informações obtidas.

No tocante ao desenvolvimento do trabalho, as pesquisas realizadas nos trouxeram bons conhecimentos do mercado de iogurtes, em especial da linha natural, objeto de nosso estudo, e da importância das estratégias de marketing, do composto de marketing (quatro “pés”), e o quinto elemento do composto que é a embalagem.

Podemos perceber quão vasto é o mercado de refrigerados assim como os seus fabricantes e marcas. Quanto aos iogurtes, é um produto onde o seu consumo tem crescido muito nos últimos anos no mercado brasileiro, com a melhoria econômica após o plano REAL, mantendo ainda um grande potencial de crescimento para os próximos anos, se comparado ao consumo de outros paises.

Desta forma, acreditamos que a continua busca de alternativas na distribuição do produto, visando aumentar os pontos de vendas e redução de custos na distribuição, alem de melhorias e redução de custos das embalagens tornarão o produto mais acessível à população brasileira, facilitando sua penetração nas faixas de consumidores com menor renda, melhorando sua participação no mercado de produtos alimentícios.

Observamos que apesar da grande quantidade de produtores regionais, que auxiliam a difundir o produto, existe concentração na produção e no consumo das grandes marcas, com tendência à maior concentração em razão das aquisições que as multinacionais estão realizando.

BIBLIOGRAFIA:

Sites na Internet consultados

http://www.parmalat.com.br
http://www.nestle.com.br
http://www.batavo.com.br
http://www.vigor.com.br
http://www.danone.com.br
http://www.datamark.com.br
http://www.ibge.com.br
http://www.iogurte.com
http://www.depemar.com.br

MINERAÇÃO

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Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais. Nesse trabalho vamos aprofundar sobre o assunto.

SUMÁRIO

    • 1 – História da mineração

1.1 – Pré-história

1.2 – Antiguidade

1.3 – Idade média

1.4 – Idade Moderna

1.5 – Idade Contemporânea

2 – Importância econômica da mineração no Brasil

3 – Fases da vida de uma exploração mineira

4 – Métodos de lavra

4.1 – Operações de lavra

4.2 – Lavra (mineração)

5 – Processamento mineral

6 – Problemas ambientais

7 – Referências

INTRODUÇÃO

Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais. Podem incluir-se aqui a exploração de petróleo e gás natural e até de água. Como atividade industrial, a mineração é indispensável para a manutenção do nível de vida e avanço das sociedades modernas em que vivemos. Desde os metais às cerâmicas e ao betão, dos combustíveis aos plásticos, equipamentos eléctricos e eletronicos, cablagens, computadores, cosméticos, passando pelas estradas e outras vias de comunicação e muitos outros produtos e materiais que utilizamos ou de que desfrutamos todos os dias, todos eles têm origem na atividade da mineração. Pode-se sem qualquer tipo de dúvida dizer que sem a mineração a civilização atual, tal como a conhecemos, pura e simplesmente não existiria, facto do qual a maioria de nós nem sequer se apercebe.
A imagem um tanto negativa desta atividade junto da sociedade em geral, sobretudo nas últimas décadas, deve-se sobretudo aos profundos impactos que ela pode ter no ambiente (sobretudo os negativos) e que têm sido a causa de numerosos acidentes ao longo dos tempos. Trabalho retirado do site trabalhos escolares ponto net.
Por último, não nos podemos esquecer que a capacidade desta atividade em fornecer à sociedade os materiais que esta necessita não é infinita, pois muitos dos recursos minerais explorados são, pelo contrário, bastante finitos.

1 – História da mineração

1.1 – Pré-história

Ocupavam-se sobretudo da obtenção de sílex e cherte para a fabricação de utensílios e armas de pedra. As suas pedreiras e cortas levaram à criação primeiro de galerias e mais tarde de poços e finalmente as primeiras explorações subterrâneas durante o neolítico. Surpreendentemente, algumas destas minas subterrâneas, escavadas em giz no sul da Inglaterra e norte de França atingiam os 90 metros de profundidade. A partir daqui a humanidade passou a dirigir a sua atenção também para os minérios metálicos. Inicialmente os metais eram apenas apreciados como pedras ornamentais. Por volta de 40 000 a.C. era extraída hematite, na atual Suazilândia, para utilização em pinturas rituais. Entre 7000 a.C. e 4000 a.C. desenvolveu-se a metalurgia do cobre até à produção de ligas com características variáveis de fusão, dureza e flexibilidade. A tecnologia pirometalúrgica apareceu pela primeira vez no Médio oriente por volta de 6000 a.C..

1.2 – Antiguidade

Mineiração

O bronze seria produzido a partir de 2600 a.C.. Cerca de 2000 a.C. os povos do mediterrâneo oriental eram já capazes da produção em massa de cobre, chumbo e prata a partir de minérios de óxidos e sulfuretos de metais, bem como de várias ligas metálicas. Por esta mesma altura, os povos pré-Hititas já utilizavam o ferro e os chineses iniciavam a extração de carvão para utilização como combustível.
As minas de prata e chumbo de Laurium, próximo de Atenas, Grécia foram inicialmente exploradas e posteriormente abandonadas pelos micênios, no 2º milênio a.C.. Eram explorações a a céu aberto com pequenas galerias. Os atenienses retomariam a sua exploração cerca de 600 a.C., construindo numerosos poços de acesso e ventilação e utilizando o método de câmaras e pilares. O progresso da escavação era lento, estimando-se que um mineiro conseguisse um avanço de 1.5 m/mês na escavação de poços.
Cerca de 950 a.C. os Fenícios iniciam a exploração da mina de Rio Tinto, Espanha, para obtenção de prata. Por volta de 700 a.C. são utilizadas as primeiras ferramentas de ferro na extração de sal-gema na Áustria e em 600 a.C. os chineses descobrem o petróleo e o gás natural em explorações de sal. As primeiras armas de aço aparecem na China em 600 a.C..

1.3 – Idade média

Em 265 a.C. iniciam-se as Guerras Púnicas pelo controle dos depósitos argentíferos da Península Ibérica e pela mesma altura Teofrasto escreve a sua obra Sobre as pedras. Cerca do ano 900, os chineses inventam a porcelana. A maior contribuição romana para a mineração foram os dispositivos de remoção de água das minas, destacando-se a nora e o parafuso de Arquimedes.

1.4 – Idade Moderna

Em 1553 são utilizados pela primeira vez carris para movimentação de minérios, na República Checa e em 1556 é publicada a primeira edição de De Re Metallica de Agrícola, o primeiro registo abrangente sobre métodos mineiros e metalúrgicos. Em 1627 faz-se a primeira utilização de explosivos em mina na Hungria e em 1768 inicia-se a utilização bombas movidas a vapor para retirar água das minas de estanho da Cornualha.

1.5 – Idade Contemporânea

Em 1815 é fabricada a primeira lanterna de segurança para uso em minas de carvão, em 1825 é legalizado o primeiro sindicato mineiro em Inglaterra e em 1829 aparecem as primeiras jigas. 1848 é o ano do início da corrida ao ouro na Califórnia, em 1850 aparece em França, a primeira máquina de perfuração de rocha, em 1864 surge a primeira broca de diamante e em 1865 Alfred Nobel inventa a dinamite. Em 1876 são utilizados pela primeira vez martelos pneumáticos, na Alemanha. Os britadores de maxilas e os moinhos de bolas são aplicados pela primeira vez na Cornualha em 1880 e a primeira máquina de extração a eletricidade começa a funcionar em 1888, em Aspen, Colorado.
Em 1897 é inventada a mesa de Wilfley e em 1900 a lâmpada de acetileno;

2 – Importância econômica da mineração no Brasil

A economia brasileira sempre teve uma relação estreita com a extração mineral. Desde os tempos de colônia, o Brasil transformou a mineração – também responsável por parte da ocupação territorial – em um dos setores básicos da economia nacional. Atualmente, é responsável por 3 a 5% do Produto Interno Bruto.3
Importante na obtenção de matérias-primas, é utilizada por indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, fertilizantes, petroquímica e responsável pela interiorização da indústria inclusive em regiões de fronteiras. Em 2000, o setor mineral representou 8,5 % do PIB – US$ 50,5 bilhões de dólares. É um setor portanto de profunda importância, pois, além do que já representa para a economia nacional, o subsolo brasileiro representa um importante depósito mineral. Entre as substâncias encontradas, destacam-se o nióbio, minério de ferro (segundo maior produtor mundial), tantalita, manganês, entre outros. Deixando de lado aspectos já mencionados, não se pode esquecer que a atividade mineradora é responsável pela criação de inúmeros empregos diretos, representando no ano 2000, 500.000 empregos e um saldo na balança comercial de US$ 7,7 bilhões de dólares.

Mineiração Lavagem Diamante
Lavagem de Diamante
Mineração Diamantes
Mineração Diamantes

Durante todo o século XVIII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos (ouro, prata, cobre) e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planalto Central e Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A descoberta de ouro, diamante e esmeraldas nessa região provocou um afluxo populacional vindo de Portugal e de outras áreas povoadas da colônia, como São Paulo de Piratininga, São Vicente e o litoral nordestino. Já de início, o choque na corrida pelas minas levou a um conflito entre paulistas e grupo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil (Guerra dos Emboabas).
No total, estima-se que entre mil e três mil toneladas de ouro foram levadas para a metrópole.
Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos tropeiros.
O país passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um novo polo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na sociedade.
As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escrava. A mineração também provocou o aumento do controle do comércio de escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os escravos eram os únicos que trabalhavam.
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos índios, através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil.
Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como “a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo”, e por séculos foi a capital do Brasil. e também a Jurema.

3 – Fases da vida de uma exploração mineira

A vida de uma exploração mineira (mina ou pedreira) é composta por um conjunto de etapas que se podem resumir a:

    • 1 – Pesquisa para localização do minério.

2 – Prospecção para determinação da extensão e valor do minério localizado.

3 – Estimativa dos recursos em termos de extensão e teor do depósito.

4 – Planeamento, para avaliação da parte do depósito economicamente extraível.

5 – Estudo de viabilidade para avaliação global do projeto e tomada de decisão entre iniciar ou abandonar a exploração do depósito.

6 – Desenvolvimento de acessos ao depósito que se vai explorar.

7 – Exploração, com vista à extração de minério em grande escala.

8 – Recuperação da zona afetada pela exploração de forma a que tenha um possível uso futuro.

De notar que entre a fase de pesquisa e o início da exploração podem decorrer vários anos ou mesmo décadas, sendo os investimentos necessários nesta fase muito elevados.

4 – Métodos de lavra

Relativamente ao modo de escavação as minas podem dividir-se em dois tipos principais: minas subterrâneas e minas a céu aberto.
A escolha do método de lavra depende em grande parte da localização e forma do depósito mineral, devendo ser escolhido o método mais seguro e ao mesmo tempo mais econômico. O desmonte do minério pode ser efetuado por meios mecânicos (por exemplo com escavadoras hidráulicas) ou com recurso a explosivos (na grande parte dos casos).

4.1 – Operações de lavra

As operações executadas com vista à extração de um minério e até ao seu processamento são sequenciais e podem ser resumidas da seguinte forma (no caso de desmonte com explosivos):

Perfuração – o minério é furado utilizando máquinas hidráulicas de perfuração; a perfuração é executada com diâmetro, comprimento e distâncias entre furos previamente calculadas;

Desmonte – os furos previamente executados são preenchidos (ou carregados) com explosivo, procedendo-se então à detonação deste e consequente fragmentação do minério.

Remoção – o minério assim fragmentado é carregado em caminhões, vagonetas ou outro meio de transporte, até à instalação de processamento, geralmente situada próximo da mina.

4.2 – Lavra (mineração)

Esteira de Transporte de Minérios
Esteira de Transporte de Minérios

Entende-se por lavra: o conjunto de operações coordenadas que objetivam o aproveitamento industrial das jazidas, desde a extração das substâncias minerais até o beneficiamento destas. Sendo observadas as condições econômicas, sociais, geológicas, geográficas e ambientais para o planejamento do método de lavra.

Durante o planejamento, a viabilidade econômica é o fator mais importante para a seleção do método de lavra. Porém, aspectos de higiene, segurança, estabilidade da mina, a recuperação do minério e a produtividade máxima também são considerados. A escolha do método de lavra é o fator que possibilita o desenvolvimento da operação de extração do material. A escolha errada poderá trazer consequências negativas para a viabilidade da mina. Os métodos de lavra são limitados pelas condições de disponibilidade e o desenvolvimento de equipamentos, assim como, os aspectos tecnológicos, sociais, econômicos e políticos. Os métodos de lavra devem ser bastante flexíveis já que podem ocorrer mudanças devidas a alguns fatores inesperados que podem causar custos adicionais. Por isso, a maioria das minas utiliza mais de um método de extração.

Após selecionado o método de lavra, deve se produzir condições adequadas para os funcionários, reduzir os impactos causados ao meio ambiente e ao mesmo tempo conseguir estabilidade, na mina, durante sua vida útil.
As características físicas do depósito, como a profundidade e sua extensão, limitam as possibilidades de aplicação de alguns métodos de lavra. Como por exemplo, o mergulho de corpo, que é um fator importante não só na escolha do método de lavra, mas também na escolha dos equipamentos que serão utilizados. O mergulho de corpo pode ser classificado como: suave (horizontal a 20º), médio (20º a 50º) e íngreme (50º a vertical). A espessura do depósito também é um fator limitante para a escolha do método, podendo ser classificado como: estreito ( 100m) (Nicholas, 1968).
Além desses fatores, há outras considerações que devem ser analisadas: sobre as águas superficiais e subterrâneas, quanto à formas de drenagem e bombeamento; a permeabilidade do rochoso maciço, deformabilidade, resistência, etc. Todas devem ser aliadas as características da geologia estrutural – falhas, dobras, diques – avaliadas no início do projeto, geralmente inicia-se pelo Decapeamento que consiste na retirada da parte superficial do solo. Ex: matéria orgânica, arvores, gramineas, etc…

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A estabilidade política de um país, questões sociais e geográficas influenciam diretamente na escolha do método de lavra, pois, como por exemplo, a mineração em regiões remotas não desperta o interesse de operários qualificados e de sua permanência no local, isso influencia também os custos e a produtividade, o que afeta a escala de produção, pois esta depende do desenvolvimento tecnológico, que para uma operação grande exige uma infra-estrutura adicional.
O critério de avaliação econômica é muito importante e deve ser levado em conta, assim como a situação financeira da empresa, pois se trata reconhecidamente de uma atividade que está sujeita a riscos elevados.

Tipos de método de lavra: A metodologia adotada em determinado jazimento é aquela que apresenta menor custo. Existem mais de trezentas variações de métodos tradicionais, embora possa destacar o método de lavra a céu aberto e subterrânea como principais. Os tipos de método de lavra mais comuns, praticados no Brasil, podem ser:

1- A céu aberto: método de bancos em cava ou encostas dependente das condições topográficas do terreno, a profundidade máxima da cava dependerá do teor e da relação entre estéril e minério, e as dimensões das plataformas de trabalho dependerão da produção e conveniência dos equipamentos.

2 – Subterrânea: lavra desenvolvida no subsolo em função de dois condicionantes, um é a geometria do corpo (inclinação e espessura) e o outro são as características de resistência e estabilidade dos maciços que constituem o minério e suas encaixantes.

3 – Realce auto-portantes: método que costuma exigir elevada continuidade e homogeneidade da qualidade do minério possuindo alta produtividade face á
simplicidade das operações empregadas;

4 – Câmaras e pilares: método que se presta bem à mecanização, desde que a espessura da camada permita a operação de equipamentos em seu interior;

5 – Subníveis: o método permite grande variação em sua aplicação, as perfurações podem ser descendentes, ascendentes ou radial, no Brasil é bastante empregado em vários locais;

6 – VCR – Vertical Crater Retreat (Recuo por Crateras Verticais): método de grande importância na mineração por ter permitido, pela primeira vez, a recuperação de pilares. A perfuração nesse método é sempre feita no sentido descendente.

7 – Suporte das encaixantes: os mais comuns são o recalque (shirinkage) e o corte e enchimento (corte e aterro). Método de menor produtividade, (devido aos desmonte menores, de um maior número de operações conjugadas e da dificuldade de manuseio do minério em recalque ou enchimento), quando comparado com aberturas auto-portantes em condições similares.

8 – Recalque: método que não se adéqua bem á mecanização, pois existe uma relação entre as dimensões dos equipamentos de perfuração e a espessura e inclinação da camada para que essa permita a operação dos equipamentos no seu interior.

9 – Corte e enchimento: método que permite lidar com variações quanto á continuidade e homogeneidade da qualidade do minério, provendo diluição e recuperação aceitáveis.

10 – Abatimento: os mais comuns são o abatimento em subníveis (praticado no Brasil), por blocos e longwall.

11 – Subníveis: método de perfuração ascendente no qual o teto vai sendo abatido de acordo com o encerramento das atividades de extração das galerias;

12 – Garimpagem Manual: lavagem do cascalho com equipamentos e ferramentas rudimentares e manuais.

13 – Garimpagem manual com auxilio da ação de águas pluviais: as águas abrem depressões na superfície do solo revelando a topografia e os níveis de cascalho.

14 – Garimpagem manual com auxilio da ação de águas fluviais: pequenos córregos são desviados e direcionados para áreas definidas aleatoriamente que já tenham sido trabalhadas e possibilitem a concentração do material levado até lá pelas águas, que depois é peneirado.

15 – Garimpagem manual por catas: são abertos poços retangulares para chegar a níveis mineralizados, utilizando pás, picaretas, enxadeco, enxada e suruca (peneiras) para depois fazer a catação manual.

16 – Garimpagem mecânica por desmonte hidráulico: O material é extraído por um forte jato de água de alta pressão na direção da base do declive provocando um desmoronamento.

17 – Garimpagem mecânica por desmonte hidráulico em leitos submersos com auxilio de mascarita, escafandro e chupadora: Um sistema de bombeamento impulsiona a sucção da polpa formada muitas vezes com lâminas de água de 30 metros o ponto de sucção no fundo da água é atingido por tubulações nas quais a polpa é transportada. Os equipamentos utilizados são a mascarita, que é uma mascara de mergulho com oxigênio bombeado ao mergulhador , que leva junto uma pá e um saco para coletar cascalho; o escafandro, que é uma roupa especial impermeável que possui um aparelho respiratório para maior autonomia do mergulhador; e a chupadoura, que é um sistema flutuante do motor, bomba de sucção, compressor e outros equipamentos.

18 – Dragagem: método consiste na utilização de dragas que trabalham nos leitos dos rios, onde a lavra é preferencialmente executada contra-corrente e normalmente requer o represamento do curso d’água para proporcionar condições operacionais à draga. A grande vantagem desse método consiste em reunir quatro operações em uma única, ou seja: a draga desmonta, carrega o material, transporta e beneficia numa única operação, permitindo a viabilidade econômica da jazida, pois transforma depósitos em jazidas aluvionares, aliadas a alta mecanização e alta produtividade horária. Geralmente são utilizadas as chamadas dragas de alcatruzes e de sucção;

19 – A Mascarita: consiste numa simples máscara de mergulho, adaptada a uma mangueira, alimentadora de oxigênio por bombeamento a compressão. O mergulhador faz-se acompanhar de uma pá (rabeta ou rabinha) e um saco (+/- 20 litros) para a coleta de cascalho;

20 – O Escafandro: consiste numa roupa especial, impermeável e hermeticamente fechada, provida de um aparelho respiratório adequado, alimentado por um compressor de ar, permitindo maior autonomia de mergulho;

21 – A Chupadora: consiste num sistema flutuante, onde são acopladas motor, bomba de sucção, compressor, caixa de seleção (concentração preliminar do material retirado do fundo do rio). A mangueira de sucção é monitorada pelo escafandrista, que transmite à superfície sinais codificados, através de uma corda amarrada à sua cintura.

EXEMPLO DE APLICAÇÕES DOS MÉTODOS

Mineração Quartzo

Quartzo:

      • lavras a céu aberto, subterrânea por corte e enchimento, garimpagem manual por águas pluviais e catas e desmonte hidráulico com catação manual.

mineracao_solo_argila

Argilas: lavra a céu aberto bem simplificada, sendo a extração realizada por trabalhadores braçais para melhor aproveitamento da jazida;

mineracao_turmalina_preta

Turmalina: lavras a céu aberto, e subterrânea por abertura de galerias com utilização de explosivos.

mineracao_ametista

Ametista: lavras a céu aberto, subterrânea com abertura de túneis e galerias, e garimpagem manual por águas pluviais ou catas.

mineracao_diamante_gemaDiamante: garimpagem manual por águas pluviais, fluviais e catas; garimpagem mecanizada com desmontes hidráulicos e hidráulicos com leitos submersos, e dragagem.


Ouro: lavras a céu aberto; garimpagem manual por águas pluviais, fluviais e catas utilizando a bateia (peneira de madeira em forma de cone); garimpagem mecanizada por desmontes hidráulico e hidráulico em leitos submersos, drenagem e subterrânea com abertura de túneis e galerias e e pelos métodos realce auto-portantes a exceção do VCR, suporte das encaixantes e abatimento.

mineracao_cristais_feldspato_pegmatitico_clivagemFeldspato: lavras a céu aberto, e subterrânea por abertura de galerias através de desmonte com utilização de explosivos em pegmatitos;

mineracao_cristal_mica

Mica: lavras a céu aberto, e subterrânea por abertura de galerias através de desmonte com utilização de explosivos em pegmatitos e alasquitos;

mineracao_cal_kaolin

Caulim: lavras a céu aberto, com emprego de métodos convencionais de extração como o uso de trator, retro-escavadeira e carregadeira frontal, e subterrânea em jazimentos de rochas sedimentares, pegmatíticas, graníticas, vulcânicas, anortosíticas e lentes argilo-caulínica tipo semi-flint;

mineracao_talco_macicoTalco: lavra a céu aberto em bancadas, geralmente acompanhando a topografia do terreno;

mineracao_esmeralda_gigante_colombia

Esmeralda: lavras a céu aberto, garimpagem manual por águas pluviais, fluviais e catas, subterrânea por abertura de poços, túneis e galerias, utilizando detonações e escavações manuais para extrair os cristais.

5 – Processamento mineral

O processamento mineral ou tratando de minérios, consiste de uma série de processos que têm em vista a separação física dos minerais úteis da ganga (a parte do minério que não tem interesse econômico e que é rejeitada) e a obtenção final de um concentrado, com um teor elevado de minerais úteis. Os métodos utilizados podem ser físicos ou químicos e podem ser divididos de forma aproximadamente sequencial em:

    • 1 – Fragmentação primária

2 – Granulação

3 – Moagem

4 – Classificação (pode estar incluída entre os vários tipos de fragmentação e concentração)

5 – Concentração

O produto obtido na fase final de concentração é o produto final da actividade de uma mina, sendo vendido por um preço estabelecido de acordo, sobretudo mas não só, com o teor de metal que contem.

6 – Problemas ambientais

Atualmente as companhias mineiras são obrigadas a cumprir normas ambientais, de encerramento e funcionamento bastante restritas, de forma a assegurar que a área afetada pela exploração mineira regressa à sua condição inicial, ou próxima da inicial e em alguns casos até melhor que a inicial. Alguns métodos de exploração antiquados tiveram (e continuam a ter), em países com fraca regulamentação, efeitos devastadores no ambiente e na saúde pública. Pode ocorrer contaminação química grave do solo nas áreas afetadas, a qual pode ser ampliada e disseminada por exemplo pela água, criando situações de contaminação maciça.
Outros problemas ambientais possíveis são a erosão, subsidência, abandono de resíduos perigosos, perda de biodiversidade e contaminação de aquíferos e cursos de água.
No entanto, as explorações mineiras modernas têm práticas que diminuíram significativamente a ocorrência destes problemas, sendo alvo de constantes apurações ambientais.

7 – REFERÊNCIAS:

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Tesouros da Terra – Minerais e Pedras Preciosas; Ed. Planeta.
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Del Lama, Eliane; Os minerais e suas aplicações. Instituto de Geociências USP; São Paulo; 2003. Site:
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Job, Ulisses; Sistema preenche com pirita as frentes que já foram mineradas. SATC – Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina; Santa Catarina; 2011. Site:
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Ganesha, Aislin; A pirita atrai dinheiro. Jornale; 2009. Site:
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A EXPLORAÇÃO DO OURO NO BRASIL

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INTRODUÇÃO

Iremos destacar neste trabalho os pontos principais e mais relevantes a respeito de a Exploração do Ouro no Brasil (desde o início ao declínio), como o Início do Ciclo de ouro, o fluxo populacional, a inflação, o sistema de exploração, a produção, a tributação, a monetização, nosso comercio interno até o declínio passando pelos pontos positivos.

1.0 O CICLO DA MINERAÇÃO

1.1 OS PRÓDROMOS DO CICLO

A descoberta de metais e pedras preciosas foi um objetivo permanente da Coroa portuguesa em sua política colonialista-mercantilista.

O que dificultava a localização de minas de ouro era o difícil acesso. Além disso, a agroindústria açucareira absorvia os meios de produção ocasionando o desinteresse dos colonos em ouro. Somente quando a agroindústria açucareira deu sinal de paralisação é que o interesse pela mineração voltou a rondar a cabeça dos colonos.

Foram enviados especialistas em localização de minas para ensinar aos bandeirantes algumas técnicas de exploração. Logo que foram detectadas as primeiras minas de pedras preciosas os bandeirantes começaram a ocupar as regiões. Para garantir posse das minas aos seus descobridores foi decretada a Lei Reinol. A coroa portuguesa se aproveitou do momento e declarou que todos os que estivessem explorando minas teriam privilégios de nobreza o que motivou ainda mais a exploração.

1.2 O INÍCIO DO CICLO

A principal região a ser explorada era Cataguases, que apresentava maior número de jazidas; inclusive foi ordenada em carta régia que fosse construído uma estrada ligando Rio de Janeiro a Minas Gerais, facilitando o acesso dos exploradores.

Com a descoberta de ouro e dos diamantes, o modelo mercantilista tornou-se bem mais simples para Portugal, pois a renda passou a ser obtida diretamente do produto extraído.

1.3 O FLUXO POPULACIONAL

A exploração de minérios tornou-se muito atraente para os colonos e até mesmo para os estrangeiros, pois facilitava o crescimento econômico pessoal com muito pouco investimento, isso por que eram necessárias apenas enxadas, baldes, etc.. O nordeste que possuía maior número de habitantes passou por uma fase de despovoamento por causa das migrações para as regiões mineradoras justo pela estagnação de sua agroindústria açucareira tendo como conseqüência a queda de seu comércio de açúcar .

Além disso, houve um grande desvio de subsistência do nordeste para as regiões mineradoras. Eram tantas pessoas naquelas regiões que já estava começando a faltar espaço. Os bandeirantes estavam com medo que forasteiros tomassem as minas deles que lhe foram concebidas em carta régia, o que acarretava em grandes conflitos, gerando então a Guerra dos Emboabas (1709), no qual os bandeirantes sofreram uma sangrenta derrota, sendo que os que sobreviveram abandonaram as regiões. Graças a essa guerra, a economia de São Paulo sofreu um grande declínio, deixando a população em situações precárias de vida. Após o abandono da região os bandeirantes descobriram junto aos índios novas jazidas de ouro, fazendo com que a economia de São Paulo respirasse um pouco mais aliviada.

Os escravos contribuíram muito para a região com sua experiência no trato de metais, tendo então muitas regalias, como trabalhar livre, até mesmo de comprar sua própria liberdade.

O indígena também contribuiu com o ciclo da mineração servindo como guia de expedições. A população da colônia cresceu muito rapidamente tendo como conseqüência a transferência de sua sede que era em Salvador, para o Rio de Janeiro, destacando a elevação do Brasil a Vice-Reino.

1.4 A INFLAÇÃO

O abastecimento de comida estava escasso graças a grande população que ocupava a região da Serra da Mantiqueira, fazendo com que os exploradores trocassem ouro por comida a preço de banana. Não adiantou nada a Portugal transportar mais quantidade de comida, pois a fome se alastrava por toda a colônia.

O gado e os escravos não tiveram seu preço tão elevado por causa da demanda-preço.

Eles sabiam que se aumentassem os preços a procura diminuiria. Apenas os alimentos foram mantidos com preço alto, pois era necessário para sua subsistência.

1.5 O SISTEMA DE EXPLORAÇÃO

O descobridor tinha direito a 4.356 m2, sendo que dois lotes era dele e os outros dois a Coroa reservava para si, que normalmente eram arrendados.

1.6 A PRODUÇÃO

Não se sabe, a rigor, a soma do ouro extraído, mas no período áureo do ciclo, entre 1741 e 1760, a produção teria atingido a média de 14.600 quilos anuais. A região das Minas Gerais foi onde a mineração teve maior intensidade mas, na realidade, o ouro de aluvião, principalmente, foi extraído largamente em todo o Brasil; durante o século XVIII. Entre 1781 e 1800, a média caiu para 5.450 quilos anuais. Mesmo com o declínio do ciclo, permaneceu um grande numero de faiscadores com suas bateias nos riachos e córregos.

A produção de ouro, no período de 1700 e 1801, teria sido de 983 toneladas, equivalentes a 135 milhões de libras esterlinas.

Roberto C. Simonsen avaliou a exportação, no período colonial, inferior a 200 milhões de libras esterlinas e ressaltou o fato de esse valor ser inferior ao do açúcar, que, no mesmo período ultrapassou 300 milhões de libras.

Entre 1700 e 1770 a produção de ouro do Brasil foi praticamente igual a toda a produção de ouro do resto da América no período entre 1493 e 1850, e alcançou cerca de 50% do que o resto do mundo produziu do séc. XIX, pela produção dos Estados Unidos.

As minas diamantíferas produziram mais no período compreendido entre o descobrimento das minas do Tijuco (1729) e o ano em que a Coroa portuguesa resolveu assumir diretamente a exploração (1771). O valor do diamante era, contudo, bem mais estável do que o do ouro. A produção de diamante teria atingido quase três milhões de quilates, até 1832, tendo a mineração sido mais intensa no início do ciclo.

1.7 A TRIBUTAÇÃO

O maior problema do fisco era a extração clandestina e o contrabando. O ouro era de fácil transporte, além de ser aceito como bem de troca. O ouro desempenhava função monetária no comércio. Estima-se que 20% do ouro não passava pelos fiscais. O governo estabeleceu a Intendência das Minas para que houvesse maior rigor no fisco e evitar a sonegação de impostos. As medidas foram as seguintes:

Recolhimento do quinto nas minas, por provedores nomeados;
Proibição de exportação do ouro;
Criação regular de casas de fundição, com o fim exclusivo de fundir o ouro em pó ou em pepitas;
Controles de vias de acesso à região mineradora para fiscalização do pagamento dos quintos (quinta parte das riquezas minerais do Brasil)
Com a saída clandestina de pedras e a queda nos preços do diamante na Europa a Coroa portuguesa decidiu passar o controle de extração e a comercialização para o Real Tesouro como forma de controlar a oferta das pedras no mercado mundial. O tráfico de ouro era intenso, fazendo com que o fisco ficasse perdido na hora de fechar as contas. Estava cada vez mais difícil cobrar o quinto, pois com a saída clandestina de ouro eles não conseguiam mais saber o valor da quinta parte de ouro extraído.

O governo procurou um modo de garantir a tributação do ouro e das pedras preciosas, sendo assim, em 1713 foi decretada a contribuição anual de arrobas a título de quintos.

Isso não era interessante para a metrópole, pois a mesma criou as Casas de Fundição e da Moeda, para que o ouro que circulasse fosse fundido e cunhado. Com o passar do tempo foram baixadas.

O governo, todavia, acabou impondo o sistema de captação A fazenda chegou a recolher em média, aproximadamente 2 toneladas de ouro no período 1737 – 1746, mas foi decrescendo devido a exaustão das minas. Em 1750 a Coroa portuguesa resolveu restabelecer o sistema de cobrança de quinto e reabrir as Casas de Fundição, mantendo, no entanto, o limite mínimo de arrecadação anual de cem arrobas na região de mineração. Mas a queda da produção tornou-se cada vez maior, e o mínimo de cem arrobas, que não fora atingido em 1757-58 alcançou essa marca em 1763-64. A arrecadação continuou declinando atingindo quarenta arrobas no final do século XVIII.

Além dos impostos municipais e das tarifas que incidiam sobre a extração mineral, acrescia-se, à carga tributária, uma série de outros impostos: dízimos, donativos, sisa, contribuição literária (depois de 1750) e de taxas menores, como direitos sobre a entrada e trânsito pela região de mineração e passagem de rios, que sobrecarregavam os colonos, diminuindo sua capacidade de poupança para novos investimentos, além de estimular o contrabando e a sonegação em geral. Parte da arrecadação ficava na colônia, sob a forma de serviços públicos, mas as tarifas sobre a extração eram canalizadas para a metrópole.

1.8 A MONETIZAÇÃO

Desde o início da colonização havia falta de moeda metálica, que facilitava as transações comerciais internas. A carência diminuiu quando Portugal esteve sob o jugo espanhol, aumentando a circulação de moedas mas, agravou-se quando as moedas foram recolhidas para serem recunhadas.

Com a queda dos preços do açúcar e do trabalho no mercado mundial, a colônia passou a pagar as importações em dinheiro, que provocou grande crise monetária. O governo português decidiu, então, criar uma moeda provincial com maior valor. Com a finalidade de fundir metal e cunhar moedas de ouro e prata com molde exclusivo, para circulação, o governo português fundou, em 1694, a Casa da Moeda do Brasil que atendeu os interesses da Coroa portuguesa que passou a dispor de maiores recursos para quintar o ouro.

O papel moeda apareceu somente em 1771 na forma de bilhete de extração emitido pelas Casas de Fundição. A circulação era restrita à região de mineração que facilitou as transações comerciais até o início do século XIX.

Apesar da criação da moeda provincial a falta era constante, notadamente no norte, que usavam os produtos vegetais como unidade monetária, como o cacau e a vara do algodão.

1.9 O COMÉRCIO INTERNO

A coroa portuguesa para evitar o contrabando e assegurar a arrecadação dos tributos, dificultou as comunicações da região mineradora com as regiões circunvizinhas. Essas restrições atingiram seriamente o comércio da região.

A falta de capitais e de melhores técnicas agravou a capacidade de produção da economia de subsistência, tornando-se crítica no deslocamento das correntes humanas para a região de mineração, que tiveram seu abastecimento prejudicado, pela falta de transporte e pela ação do governo que proibiu a abertura de novos caminhos, por conseguinte, estimulou o comércio interno que se constituiu em fator de integração nacional.

O potencial de determinadas minas aumentou o número de mineradores formando os primeiros núcleos no interior da colônia, com seus precários recursos de comunicação restringia bastante o seu comércio. O cavalo exerceu papel relevante na evolução econômico-social do interior incentivada a sua criação pelo governo.

1.10 O DECLÍNIO DO CICLO

A partir de 1760 ocorreu o esgotamento das jazidas pela falta de recursos técnicos para a lavra subterrânea e a economia de mineração entrou em declínio.

Na realidade a mineração só causou uma ilusão de riqueza a Portugal sem prosperidade econômica que se poderia prever.

Em decorrência da política colonial adotada por Portugal, a Inglaterra encontrou na economia Luso-brasileira um mercado em expansão com grande flexibilidade de importações que lhe proporcionou desenvolvimento econômico no século XVIII.

Em 1696 o governo britânico procurou lastrear sua moeda com o ouro e estabeleceu a relação 1:16 entre os valores do ouro e da prata para suas operações, enquanto os demais países da Europa tinham relação menor que variava de 1:15 a 1:15 1/2; esta divergência fez com que o ouro do mercado mundial fosse canalizado para os bancos ingleses, restando só a prata aos demais países.

Tendo a população mineradora mergulhado em uma profunda miséria, algumas atividades artesanais serviram de embrião para a industrialização futura: a metalúrgica rudimentar que utilizava o minério de ferro, a fiação e a tecelagem que utilizavam como matéria prima, o algodão.

No final do ciclo a maioria da população abandonou as minas e dirigiu-se para o sul e sudeste, a classe média agregou-se as atividades comerciais e a pobre retornou ao campo ou se marginalizou nos núcleos urbanos mais próximos. A pecuária tornou-se a principal atividade econômica da antiga região de mineração.

1.11 EFEITOS DO CICLO (ASPECTOS POSITIVOS DO CICLO)

A intensificação do comércio interno, principalmente da economia pecuária, alargou as fronteiras econômicas e possibilitou a integração de novas áreas à economia da colônia, além de propiciar maior mercado para produtos regionais.

O deslocamento da sede do governo colonial para o Rio de janeiro (1763) ofereceu condições para que a cidade ganhasse dimensões como centro comercial urbano e permitiu que os problemas nacionais se sobrepusessem aos regionais.

A acumulação de bens de capital representados em escravos e animais de transporte favoreceu mais tarde, a expansão das culturas de café no vale do Rio Paraíba. O ciclo de mineração ofereceu, assim, um quadro de prosperidade efêmera.

Os efeitos da mineração, para a colônia, foram muito mais de natureza política do que econômica.

No final do século XVIII, a conjuntura internacional tornou-se favorável aos produtos agrícolas brasileiros de exportação que preencheram os vazios deixados pelo ouro e pelos diamantes na balança comercial.

A revolução urbana, com carência de alimentos e matéria prima com a independência dos Estados Unidos e as guerras napoleônicas, deram condições favoráveis para o florescimento da agricultura de exportação do norte e nordeste, o que possibilitou o equilíbrio da balança comercial portuguesa do final do século XVIII até a segunda década do século imediato.

CONCLUSÃO

Concluímos que na época do ciclo do ouro a Coroa Portuguesa tinha um objetivo “A exploração do ouro”, sendo mais intenso na região de Cataguases. As facilidades que o ouro proporcionava aos indivíduos que o explorava eram muito grande, pois elevava sua renda muito rápida. Vimos que a inflação começou por causa da demanda-preço, que colocava os preços lá em cima, pela escassez dos produtos. Uma outra situação vivida naquela época e que está em nosso cotidiano era o contrabando e a sonegação de impostos. Um dos pontos mais importantes do texto foi a criação do papel-moeda, que facilitou as transações comercias do país. De tudo isso que aconteceu podemos tirar de positivo a abertura das fronteiras econômicas do Brasil.