MAR MORTO

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É um mar de água salgada do Oriente Médio. Com uma superfície de aproximadamente 1,050 km quadrados, correspondente a um comprimento máximo de 80km e a uma largura de máxima de 18 quilômetros, é alimentado pelo Rio Jordão e banha a Jordânia, Israel e a Cisjordânia.

Nos últimos 50 anos, o Mar Morto perdeu um terço da sua superfície, em grande parte por causa da exploração excessiva de seu afluente, única fonte de água doce da região, para além da natural evaporação das suas águas.

Contudo, os especialistas são de opinião que, dentro de alguns anos, esta perda tenderá a estabilizar paralelamente à estudos que levem à sua conservação e preservação, portanto, o desaparecimento do Mar Morto não aconteceria, segundo estes, nem hoje nem no futuro.

Este nível estava próximo de 417 metros abaixo do nível médio do Mediterrâneo, o que faz com que seja a maior depressão do mundo, e a tendência é o aumento deste desnível durante o século XXI.

Atualmente, a contínua perda das suas águas (como já se referiu tem as suas causas na cada vez maior captação das águas do Rio Jordão, por parte das autoridades de Israel e Jordânia) causa uma contínua redução em sua área e profundidade, relativamente ao nível médio das águas do Mar Mediterrâneo. No ano de 2004, este nível estava próximo de 417 m abaixo do nível médio do Mar Mediterrâneo, o que faz com que seja a maior depressão do mundo, e a tendência é o aumento deste desnível durante o século XXI.

O Mar Morto tem esse nome devido a grande quantidade de sal por ele apresentada, dez vezes superior à dos demais oceanos, e então seria impossivel qualquer forma de vida em suas aguas. Qualquer peixe que seja transportado pelo Rio Jordão morre imediatamente, assim que desagua neste lago de água salgada. A sua água é composta por vários tipos de sais, alguns dos quais só podem ser encontrados nesta região do mundo. Em termos de concentração, e em comparação com a concentração média dos restantes oceanos em que o teor de sal, por 100 ml de água, não passa de 3 g, no Mar Morto essa taxa é de 30 a 35 g de sal por 100 ml de água, ou seja, dez vezes superior.

A designação de Mar Morto só passou a ser utilizada a partir do século II da era cristã. Ao longo dos séculos anteriores, vários foram os nomes pelos quais era conhecido, entre outras fontes, a Bíblia Sagrada, concretamente alguns dos Livros do Antigo Testamento. Assim, nos Livros Génesis 14,3 e Josué 3,16 aparece com o nome de Mar Salgado. Com o nome de Mar de Arabá aparece em Deuteronómio 3,17 e em II Reis 14,25. Já em Joel 2,20 e Zacarias 14,8 surge como Mar Oriental. Fora da Bíblia Sagrada, Flávio Josefo chamou-lhe Lago de Asfalto e o Talmude designou-o por Mar de Sodoma, Mar de Lot entre outros nomes que ele recebeu.

O Mar Morto contém a água mais salgada do mundo. Essa grande quantidade de sal aumenta sua flutuabilidade, e os banhistas bóiam facilmente.

PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

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Os sistemas de projeções cartográficas foram desenvolvidos para dar uma solução ao problema da transferência de uma imagem da superfície curva da esfera terrestre para um plano da carta, o que sempre vai acarretar deformações.

Os sistemas de projeções constituem-se de uma fórmula matemática que transforma as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas. O uso deste artifício geométrico das projeções consegue reduzir as deformações, mas nunca eliminá-las.

Os tipos de propriedades geométricas que caracterizam as projeções cartográficas, em suas relações entre a esfera (Terra) e um plano, que é o mapa, são:

a) Conformes – os ângulos são mantidos idênticos (na esfera e no plano) e as áreas são deformadas.
b) Equivalentes – quando as áreas apresentam-se idênticas e os ângulos deformados.
c) Afiláticas – quando as áreas e os ângulos apresentam-se deformados.

Projeção de Mercator

Nesta projeção os meridianos e os paralelos são linhas retas que se cortam em ângulos retos. Corresponde a um tipo cilíndrico pouco modificado. Nela as regiões polares aparecem muito exageradas.


Projeções de Mercator ou Cilíndrica Equatorial

Projeção de Peters

Outra projeção muito utilizada para planisférios é a de Arno Peters, que data de 1973. Sua base também é cilíndrica equivalente, e determina uma distribuição dos paralelos com intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos, como podemos observar no mapa a seguir.


Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters

As retas perpendiculares aos paralelos e as linhas meridianas têm intervalos menores, resultando na representação das massas continentais, um significativo achatamento no sentido Leste-Oeste e a deformação no sentido Norte-Sul, na faixa compreendida entre os paralelos 60o Norte e Sul, e acima destes até os pólos, a impressão de alongamento da Terra.

Projeção ortográfica

Ela nos apresenta um hemisfério como se o víssemos a grande distância.
Os paralelos mantêm seu paralelismo e os meridianos passam pelos pólos, como ocorre na esfera.
As terras próximas ao Equador aparecem com forma e áreas corretas, mas os pólos apresentam maior deformação.

Projeção cônica

Nesta projeção os meridianos convergem para os pólos e os paralelos são arcos concêntricos situados a igual distância uns dos outros.
São utilizados para mapas de países de latitudes médias.

Projeção de Mollweide

Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas curvas. Sua área é proporcional à da esfera terrestre, tendo a forma elíptica.
As zonas centrais apresentam grande exatidão, tanto em área como em configuração, mas as extremidades apresentam grandes distorções.

Projeção de Goode, que modifica a de Moolweide

É uma projeção descontínua, pois tenta eliminar várias áreas oceânicas. Goode coloca os meridianos centrais da projeção correspondendo aos meridianos quase centrais dos continentes para lograr maior exatidão.

Projeção de Holzel

Projeção equivalente, seu contorno elipsoidal faz referência à forma aproximada da Terra que tem um ligeiro achatamento nos pólos.

Projeção Azimutal

Eqüidistante Oblíqua Centrada na Cidade de São Paulo
Nesta projeção, centrada em São Paulo, os ângulos azimutais são mantidos a partir da parte central da projeção.

Projeção Azimutal

Eqüidistante Polar

Projeção eqüidistante que tem os pólos em sua porção central. As maiores deformações estão em suas áreas periféricas.

CAPITALISMO

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O capitalismo, ao longo do processo histórico, apresentou três estágios, que seriam o capitalismo comercial, industrial e financeiro.

O capitalismo comercial estruturava-se na circulação de mercadorias. Entre os Séculos XVI e XVIII, a divisão internacional do trabalho apresentava-se polarizada pelas potências comerciais européias, e a periferia preenchida pela Ásia, África e América, formando uma rede de fluxos mundial.

O capitalismo industrial estruturava-se na produção de mercadorias. No Século XIX, a Inglaterra (nação pioneira neste processo) e a Europa Ocidental foram abarcadas pelo processo de Industrialização e uma nova divisão internacional do trabalho foi gerada.

O capitalismo financeiro estrutura-se nos mercados de capitais. No Século XX, a união entre o capital bancário e a indústria, particularmente após a 2ª Guerra Mundial, levou a formação de uma nova divisão internacional do trabalho.
Magnoli (2002), apoiado em Arrighi (1996), defende o conceito de ciclos sistêmicos, como se pode observar na passagem:

“Os quatro ciclos arrighianos são denominados a partir dos componentes centrais do sistema: Gênova, Holanda, Grã-Bretanha e EUA. O ciclo genovês estende-se entre o Século XV e o início do Século XVII; o ciclo holandês, entre o fim do Século XVI e o Século XVIII; o ciclo britânico, entre o fim do Século XVIII e o início do Século XX; o ciclo americano, desde o final do Século XIX” (p. 57).

Neste trabalho, o escopo nos restringe a análise do denominado ciclo americano. O grande evento que possibilitou a consolidação do ciclo americano trata-se da Conferência de Bretton Woods. A transição do padrão ouro para o padrão dólar foi um evento relevante na formação efetiva da hegemon dos EUA. De acordo com Magnoli (2002):

“Entre 1850 e 1914, o fluxo de capitais britânicos para os Estados Unidos – em investimentos e empréstimos – somou 3 bilhões de dólares. Neste período, os EUA remeteram à Grã-Bretanha, como pagamento de juros e dividendos, cerca de 5 bilhões de dólares. Contudo, durante a Primeira Guerra Mundial, a demanda britânica por armamentos, matérias-primas e bens-de-capital foi suprida, parcialmente, pelos Estados Unidos. Como resultado, no final do conflito, a república americana tinha se tornado credora da Grã-Bretanha. Além disso, durante a guerra, os investimentos americanos tinham tomado o lugar dos britânicos na América Latina e em parte da Ásia” (p. 60).

O período de 1901-1950, de acordo com Hobsbawn, conhecido como “Era da Catástrofe” foi ajustado a partir da Conferência de Bretton Woods. De acordo com Mattos (1998):

“As negociações de Bretton Woods representam o triunfo de coordenação e planejamento sobre os ideais do Laissez faire, que tinham sido hegemônicos até o período da Grande Depressão do entre-guerras” (p. 45).

Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA detinham 70% das reservas internacionais de ouro, o que legitimou as decisões tomadas em Bretton Woods.

A Conferência de Bretton Woods (1944) determinou que o dólar a partir de então se tornava a moeda-referência para as reservas financeiras dos países e nas trocas comerciais. Destaca-se que até a URSS utilizou o dólar como moeda de reserva das suas riquezas.

A Conferência consolidou a Hegemon dos Estados Unidos, dentro da perspectiva da Teoria da Estabilidade Hegemônica do Capitalismo. A Hegemon apresentava-se relacionada aos aspectos industrial, militar e financeiro.

Bretton Woods teve o representante da Inglaterra (Sir. Keynes) e o representante dos EUA (Dexter White) formulando hipóteses para a continuidade e crescimento das políticas econômicas internacionais. De acordo com Mattos (1998):

“O principal ponto a unir a concepções de Keynes e White era, fundamentalmente o reconhecimento da falência de forças de livre mercado em sustentar o crescimento econômico e, portanto, a necessidade de criação de uma nova ordem financeira internacional que pudesse disciplinar os movimentos de capitais, a paridade entre moedas e os fluxos internacionais de bens (e serviços). Os mecanismos criados deveriam evitar os dois principais efeitos disruptivos da ordem econômica mundial vigente no entre-guerras, a saber, a extrema mobilidade de capitais entre países e a adoção de recorrentes desvalorizações cambiais competitivas entre os países, como recurso desesperado de defesa contra a depressão econômica que se abatera sobre a maioria deles nas décadas de 20 e 30” (p. 46).

No entanto, os economistas divergiam em alguns aspectos. White propôs a criação de um Fundo de Estabilização, que deveria oferecer recursos para os países, garantindo a reconstrução. Keynes defendeu a criação do Clearing Union, um Banco Central internacional, que seria o responsável pela emissão de moedas que serviriam como referência internacional. O economista inglês tinha temor que a deflação dos anos 20 e 30 voltasse a atuar. Destaca-se também que Keynes buscava desconcentrar a hegemonia dos EUA.

Mattos (1998) analisando a função das organizações supranacionais sinaliza que: “o problema do FMI não é o seu poder excessivo, mas sua deplorável submissão ao poder e aos interesses dos EUA” (p. 48).

As principais conseqüências de Bretton Woods foram a utilização do padrão dólar (US$ 35 por onça de ouro), a paridade fixa entre moedas (- 10% < X < 10%), atingindo este patamar máximo, para mais ou para menos, apenas com o consentimento do FMI. Bretton Woods oficializa o duplo papel do dólar no cenário internacional, a atuação como reserva monetária e a função de moeda de crédito. Outro mecanismo do pós-guerra foi o Plano Marshal (1948-52). De acordo com Mattos (1998):
“A construção promovida pelos recursos transferidos pelo Plano Marshall baseou-se fundamentalmente na recuperação dos mercados internos dos países, embora tenha sido bastante considerável a expansão do comércio internacional neste período” (p. 51).

Após a 2ª Guerra Mundial, nota-se a atuação das organizações supra-nacionais recém-criadas. Estas possuíam o papel de promover o crescimento econômico. E conseguiram atingir tal êxito.

O período de 1949-1973 ficou conhecido como os “anos dourados” do capitalismo, um período de exceção da História do Capitalismo, pois se visualizou todos os benefícios que este modelo pode apresentar em detrimento da suavização de seus problemas estruturais.

O ciclo virtuoso dos anos dourados se estruturou a partir da sinergia entre os aumentos de produtividade, dos salários reais e da geração de empregos. Mattos (1998) define os anos dourados como:

“a associação de fatores técnico-produtivos (oligopolização dos mercados, ganhos de escala, investimentos frente à demanda, preços rígidos à baixa, rentabilidade e produtividade crescente nos setores líderes, vendas em ascensão) com fatores políticos (salários reais crescentes, definidos no âmbito das negociações coletivas entre capital e trabalho), fatores sociais (Estado transferindo renda para os excluídos do mercado de trabalho organizado e investido na área social) e institucionais (moeda-crédito internacional estável e abundante) gerou um ciclo virtuoso de crescimento durante mais de vinte anos, com maior intensidade ainda nos países que estavam fazendo o ‘cathing up’” (p. 54).

No final dos anos 60, as medidas de Bretton Woods perdiam valor paulatinamente. Este período de agitação recebeu o nome de “Dilema de Triffin”, que de acordo com Mattos (1998):

“A expansão da liquidez internacional estaria limitada pela perda de confiança dos agentes econômicos na conversibilidade do dólar em ouro, dada a crescente desproporção entre as reservas em dólar dos paises e os estoques americanos em ouro” (p. 57).
As duas décadas após Bretton Woods foram marcadas pelo destacado desenvolvimento industrial e a formação de uma sociedade de consumo de massa nos países europeus e no Japão.

Em agosto de 1971, o presidente dos EUA Richard Nixon finaliza a conversibilidade do dólar em ouro. Destarte, o dólar desaparece do cenário econômico como agente do sistema monetário internacional. E esta medida de Nixon demonstrou o poder do dólar, pois este se manteve como moeda-referência internacional.

A concorrência com a produção japonesa e alemã vem apresentando entraves na economia dos EUA. Para Mattos (1998):
“O déficit da balança comercial dos EUA é uma demonstração de desgaste da economia americana e mais um impulsionador da perda de credibilidade da moeda americana como referência de valor das reservas de diversos países” (p. 59).
O desmantelamento do modelo fordista mina a continuidade dos anos dourados. Mattos (1998) diz que:

“Muitos acordos coletivos deixaram de ser renovados e os salários, diante da nova realidade, deixaram de ser vistos como fonte de demanda global e passaram a ser encarado como custo pelas empresas. Esta reversão da expectativa e as mudanças de mentalidade, geradas pela nova conjuntura, representaram a falência da perspectiva ‘keynesiana’ que predominou durante os ‘anos dourados’” (p. 60).

Há a importância em diferenciar os capitalistas dos Estados Nacionais. De acordo com Harvey (2005):
“Em primeiro lugar, as motivações e os interesses dos respectivos agentes divergem. O capitalista que dispõe de capital financeiro deseja aplicá-lo onde quer que possa haver lucro, e tipicamente busca acumular mais capital.

Os políticos e homens de Estado buscam tipicamente resultados que mantenham o aumentem o poder de seus próprios Estados diante de outros Estados.

O capitalista procura vantagens individuais (embora de modo geral sujeito a restrições legais) só é responsável perante seu círculo social imediato, ao passo em que o homem de Estado procura vantagens coletivas, vendo-se restringido pela situação política e militar de seu Estado, sendo em algum sentido responsável perante uma comunidade de cidadãos ou, o que é mais freqüente, perante um grupo da elite, uma classe, uma estrutura de parentesco ou algum outro grupo social.

O capitalista opera no espaço e tempo contínuos, enquanto o político opera num espaço territorializado e, ao menos nas Democracias, no âmbito de uma temporalidade ditada por um ciclo eleitoral.

Por outro lado, as empresas capitalistas vêm e vão, mudam de localização, se fundem entre si ou encerram as operações, mas os Estados são entidades de vida longa, não podem migrar e, exceto em circunstâncias excepcionais de conquista geográfica, estão confinados a fronteiras territoriais fixas” (p. 32).
No entanto, os capitalistas devem acompanhar as decisões tomadas pelos Estados. A estrutura monetária e fiscal, dentre outras medidas que caracterizam o poder do Estado, formam o cenário de acumulação de capital.

Arrighi (1996) apud Harvey (2005) diferencia também o conceitos de liderança e supremacia, sendo:
“A supremacia de um grupo ou, no caso, de uma nação-Estado pode… manifestar-se de duas maneiras: como ‘dominação’ e como ‘liderança moral e intelectual’.

Um grupo social domina grupos antagônicos, que ele tende a ‘liquidar’ ou a subjugar, talvez mesmo pela força armada; ele lidera grupos afins ou aliados (…) um Estado dominante se torna o ‘modelo’ a ser emulado por outros Estados e os atrai assim para o seu próprio curso de desenvolvimento…

Isso pode aumentar o prestígio, e por conseguinte, o poder do Estado dominante…, mas na medida em que obtém algum grau de sucesso, essa emulação tende a contrabalançar e, portanto, antes a reduzir do que a aumentar o poder do hegemon, ao trazer à existência competidores do hegemon e reduzir o que há nele de ‘especial’ (…) o fato de um Estado dominante conduzir o sistema de Estados numa direção desejada e, ao fazê-lo, ser majoritariamente percebido como voltado para a promoção de um interesse geral. A liderança nesse sentido aumenta o poder do Estado dominante” (p. 39).

Nos últimos 50 anos, os EUA têm atuado, principalmente, a partir de medidas coercitivas tanto interna quanto externamente, no que diz respeito as suas estratégias de dominação. Pode-se destacar o macartismo e mais recentemente, a aprovação da “Lei Patriota”, na escala nacional. Na escala global, o apoio a golpes militares, e mais recentemente, a política de ataque preventivo, em alta no governo Bush, tem atuado em países com regimes vistos como de exceção, como o sistema de Saddam Hussein no Iraque.

Immanuel Wallerstein no seu artigo: “Mundialização ou a Era de Transição? Uma visão de longo prazo da trajetória do sistema-mundo”, explica as fases A (1945-1973) e B (1973 até os dias de Hoje) do ciclo do Kondratieff.

Wallerstein analisa a fase A do ciclo do Kondratieff como sendo correspondente ao que os autores da escola francesa denominam de “os 30 anos gloriosos”, igualando com a fase de apogeu e hegemonia mundial dos Estados Unidos após o firmamento da nova ordem mundial pós-1945, que ocasionou da boa situação dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial (1939-45), pois este país foi a única potência industrial que terminou a guerra de maneira praticamente intacta, ao analisar potencial e território.

Os Estados Unidos, através da formação de instituições e acordos internacionais, resolveram um de seus principais problemas para a consolidação de sua hegemonia: a concretização da ordem mundial estável.

Outra dificuldade a ser solucionada diz respeito à formação de uma demanda que assegurasse o escoamento da crescente produção dos Estados Unidos. A deliberação para esta dificuldade foi conquistada com o plano Marshall (1947) para a Europa Ocidental, assim como uma ajuda equivalente para o Japão (Plano Colombo) após a Guerra da Coréia (1950-53).

No bojo da Guerra Fria (1945-91), os Estados Unidos se aproveitam para aproximar seus vínculos econômicos a partir de alianças militares.

Mesmo com o expressivo número de países que, de nenhuma forma, foram beneficiados com as políticas estadunidenses, como os países de Terceiro Mundo (que se reúnem na Conferência de Bandung – 1955), os Estados Unidos, de maneira geral, não tiveram grandes entraves para a concretização de sua hegemonia nessa fase A.

Na fase B, Wallerstein começa sinalizando um relevante evento que foi o aumento do preço do petróleo pela Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep, criada em 1960), onde os principais países exportadores de petróleo formaram um cartel, aumentando, de forma abrupta, o preço do petróleo. Este evento poderia ser analisado como de grande efeito para que países do Terceiro Mundo pudessem fazer frente aos países desenvolvidos, entretanto, considerando que tal ação só ocorreu após a aprovação de dois grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio: Arábia Saudita e Irã. Pode-se analisar este evento como positivo para os países desenvolvidos.

Após o aumento do preço do barril de petróleo, tem-se como efeito cascata que a elevação dos preços de quase todos os produtos, e ainda, resultou na diminuição da produção, se destacando como um fato positivo para o entrave causado pela superprodução.

Os países que necessitavam exportar matéria-prima para a conquista de renda enfrentaram severos obstáculos econômicos, sobrecarregados pelo encarecimento das importações. O elevado preço do barril do petróleo favoreceu os
países produtores, e também os conglomerados petrolíferos.

A partir do superávit de capital, os países produtores de petróleo ampliaram suas despesas, principalmente com a importação de produtos vindos dos países desenvolvidos. E ainda, parte deste capital foi depositado em bancos, com destaque para os estadunidenses e alemães, que passaram a dispor de capital excedente, oprimindo os países que estavam sofrendo com a crise para que estes contraíssem capital em elevadas cifras, com juros.

Com isso, o Japão e a Europa começam a se destacar globalmente, diminuindo a hegemonia dos Estados Unidos, que procurou, através de uma série de medidas manter sua hegemonia em patamares sublimes, porém, não conseguiu grande eficácia.
Nos anos 80, se estabelece um estágio de modificações no cenário global. Destacam-se quatro fatores principais. Em primeiro lugar, o desponte da crise da dívida externa em países de diversas partes do planeta.

Em segundo lugar, a rápida ascensão do Japão, dos tigres asiáticos, do sudeste asiático e da China continental. Em terceiro lugar, a política estadunidense do “keynesianismo militar” que finalizou com a recessão nos Estados Unidos devido a grandes empréstimos tomados, principalmente do Japão. Em quarto lugar, o estouro de empréstimos contraídos por grandes empresas com o intuito de conquistar os lucros do capital especulativo de curto prazo em oposição aos investimentos produtivos. Sem se referir ao extremo oriente, a economia global enfrentava um colapso.

Sob esta perspectiva, e mesmo com diversas medidas, a União Soviética (que surge em 1922) chegou ao fim (em 1991). O “boom” do endividamento mundial acarretou em uma crise, nos anos 90 no mercado imobiliário japonês, diminuindo em larga escala o valor dos títulos.

Com a queda da União soviética (1991), os Estados Unidos perpassam um grande infortúnio com a invasão do Kwait (1991) pelo Iraque. Os Estados Unidos que enfrentavam problemas (tanto financeiro, como militar) passam pelo crivo da sociedade civil organizada após a sua intervenção.

A partir da criação do euro (2000), a Europa demonstra que caminha no sentido da sua unificação e para desarranjar os laços que a deixavam bem próxima aos Estados Unidos.

No bojo destes eventos ocorre a chamada crise asiática, que foi agravada com a desastrosa atuação do FMI (criado em 1944), desencadeando na propagação da deflação no Extremo Oriente e na zona de influência, seguido pela Rússia e pelo Brasil. Concluindo, portanto a análise da fase B dos ciclos de Kondratieff por Wallerstein.
A globalização financeira limita as decisões de política econômica imbuídas na escala nacional para que ocorra a geração de empregos e a segurança no trabalho.

A globalização financeira começa a se desenvolver no espaço deixado pela crise da sociedade industrial. Para Mattos (1998):
“a forma D-D’ adquire peso cada vez mais importante, suplantando a importância clássica da forma D-M-D’ (Marx, 1968), pela qual a valorização do capital implicava o emprego de equipamentos e bens de capital e, portanto, o emprego de mão-de-obra para a extração da mais valia” (p. 64).

A globalização financeira acarreta na perda de arrecadação pelos Estados, diminuindo o seu poder de atuação. Neste sentido, as políticas de geração de empregos se deslocam das atribuições do Estado para a participação do capital privado, que muitas vezes opta pela realização de investimentos financeiros.

Pode-se analisar o neoliberalismo como ausência de projeto para a construção de uma nova ordem mundial. Para Vizentini (1992):

“O próprio neoliberalismo levanta hoje dúvidas, pois para um número crescente de estudiosos apresenta-se muito mais como a falta de um projeto novo. Historicamente, a ‘volta as raízes’ foi sempre uma decorrência da ausência de perspectivas para o futuro.

Em nenhuma outra época deste século os dirigentes conservadores atuaram tão intensamente através de políticas de curto prazo como agora, ainda que camuflando as táticas conjunturais como estratégias de longo alcance” (p. 224).
Uma das estratégias realizadas tem sido a reunião (e não ampliação) dos mercados, na tentativa de compensar a diminuição do consumo em cada país. A formação de megablocos econômicos sinaliza para tal assertiva.

A situação econômica dos Estados Unidos apresenta-se entrelaçada com as indústrias do setor bélico. Neste sentido, Vizentini (1992) diz que:

“Ao desaparecer o inimigo externo (o socialismo), os antagonismos sociais oriundos das profundas e crescentes desigualdades, e que antes eram abafadas pelas tensões internacionais, reaparecem e são reinteriorizados com características fortemente irracionais. É o fim do consenso doméstico. A solução que se esboça é manter vivos os mecanismos de repressão interna típicos da Guerra Fria, redirecionando simultaneamente a ação exterior contra novos inimigos ‘reais ou forjados’” (p. 228).

Com a derrocada da hegemon dos EUA, um grupo de países começa a se destacar de forma incisiva. Para Magnoli (2002):
“As potências econômicas passaram a coordenar suas políticas de câmbio por meio de reuniões anuais do Grupo dos 5 – Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Grã-Betanha – que, depois, agregou a Itália e o Canadá, tornando-se o atual G-7. Esta coordenação da política cambial jamais evitou instabilidades e oscilações mas, no conjunto, o governo das maiores economias revelaram-se capazes de evitar o precipício de guerras comerciais e retaliações protecionistas” (p. 56).

Para finalizar, conclui-se que na atual (des) ordem econômica mundial inexistem mecanismos que possibilitem o crescimento econômico sustentado, a melhoria na distribuição de renda e o desenvolvimento dos indicadores sociais. Além disso, a hegemonia do sistema capitalista está em aberto, sendo alvo de disputa pelas principais potências do planeta.

Referências Bibliográficas

HARVEY, D. O Novo Imperialismo. Rio de Janeiro, 2005. pp.: 31-76.
MAGNOLI, D. Relações Internacionais: Teoria e História. São Paulo: Editora Saraiva, 2002. pp.: 50-63.
MATTOS, F. A. Retrospectiva Histórica do processo de Globalização Financeira. São Paulo: Cultura Vozes, jan/fev. 1998. pp.: 43-70.
RAMONET, I. O Pensamento Único e os Regimes Globalitários. In: FIORI, J. L. (et alli). Globalização: o fato e o mito. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. pp.: 54-75.
VIZENTINI, P. G. F., RIBEIRO, L. D. T. A transição para uma Nova Ordem Internacional. pp.: 223-237.

MERCOSUL, UNIÃO EUROPÉIA, ALCA, NAFTA, APEC, OMC, G-8, ONU

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BLOCOS ECONÔMICOS – MERCOSUL, UNIÃO EUROPÉIA, ALCA, NAFTA, APEC, OMC, G-8, ONU

Blocos Econômicos são reuniões de países que têm como objetivo a integração econômica e social.

ALCA
Acordo de Livre Comércio das Américas

A ALCA surge em 1994 com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos (exceto Cuba). O prazo mínimo para a sua formação é de 7 anos, quando poderá transformar-se em um dos maiores blocos comerciais do mundo.

Com o PIB total de 12,5 trilhões de dólares (maior que o da União Européia – U.E.), os países da ALCA somam uma população de 790 milhões de habitantes, o dobro da registrada na U.E. Na prática, sua formação significa abortar os projetos de expansão do MERCOSUL e estender o NAFTA para o restante das Américas.

Os EUA são os maiores interessados em fechar o acordo. O país participa de vários blocos comerciais e registrou em 2000 um déficit comercial de quase 480 bilhões de dólares. Precisa, portanto, exportat mais para gerar saldo em sua balança comercial. Com uma área livre de impostos de importação, os norte-americanos poderiam suprir as demais nações da América com suas mercadorias.

Em maio de 2002, é aprovado nos EUA o fast-track, que permite que o presidente do país possa negociar acordos comerciais, permitindo ao Congresso apenas aprovar ou não os acordos, sem fazer qualquer tipo de emenda ou modificação no texto original. A criação do fast-track está ajudando os EUA a agilizar a implementação da ALCA.

A grande preocupação da comunidade latino-americana, que gera a maioria das reclamações por parte dos críticos à formação do bloco, assim como a preocupação por parte dos governos dos países que irão fazer parte da ALCA, diz respeito as barreiras não-tarifárias (leis antidumping, cotas de importação e normas sanitárias) que são aplicadas pelos EUA. Apesar da livre circulação de mercadorias, essas barreiras continuariam a dificultar a entrada de produtos provenientes da América Latina naquele mercado.

APEC
Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico

A APEC, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, foi criada no ano de 1989 na Austrália, como um fórum de conversação entre os países membros da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e seis parceiros econômicos da região do Pacífico, como EUA e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu características de um bloco econômico na Conferência de Seattle, quando os membros se comprometeram a transformar o Pacífico em uma área de livre comércio.

A criação da APEC surgiu em decorrência de um intenso desenvolvimento econômico ocorrido na região da Ásia e do Pacífico, propiciando um abertura de mercado entre 20 países mais Hong Kong (China), além da transformação da área do sudeste asiático em uma área de livre comércio nos anos que antecederam a criação da APEC, causando um grande impacto na economia mundial.

Um aspecto estratégico da aliança, é aproximar a economia norte-americana dos países do Pacífico, a para contrabalançar com as economias do Japão e de Hong Kong.

Entre os aspectos positivos da criação da APEC estão o desenvolvimento das economias dos países membros que expandiram seus mercados, sendo que hoje em dia, além de produzirem sua mercadoria, correspondem a 46% das exportações mundiais, além da aproximação entre a economia norte americana e os países do Pacífico e o crescimento da Austrália como exportadora de matérias primas para outros países membros do bloco.

Como aspectos negativos, pode-se salientar que um dos maiores problemas da APEC, senão o maior é a grande dificuldade em coincidir os diferentes interesses dos países membros e daqueles que estão ligados ao bloco, como Peru, Nova Zelândia, Filipinas e Canadá. Além disso, o bloco tem pouco valor em relação a Organização Mundial do Comércio, mesmo sendo responsável por grande movimentação no comércio mundial.

Países Membros: os países membros da APEC são: Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia, Estados Unidos, China, Hong Kong, Taiwan, México, Papua, Nova Guiné e Chile.

Relação com o Brasil: a relação da APEC com o Brasil não é muito direta ou explícita, porém alguns países membros da APEC, também fariam parte da ALCA, caso seja realmente formada, além de uma reunião que foi criada pelos membros do Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico que discutiu a globalização e durou sete dias, na qual o Brasil foi um dos temas junto com outros países da América Latina, discutindo-se a relação entre os países. O bloco está dividido quanto a questão do petróleo, pois vários de seus membros são produtores e estão satisfeitos com a alta nos preços, em quanto aqueles que precisam comprar o petróleo brigam para que o preço diminua.

CEI
Comunidade dos Estados Independentes

A CEI é uma organização criada em 1991 que integra 12 das 15 repúblicas que formavam a URSS. Ficam de fora apenas os três Estados bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia.

Sediada em Minsk, capital da Belarus, organiza-se em uma confederação de Estados, preservando a soberania de cada um. Sua estrutura abriga dois conselhos: um formado pelos chefes de Estados, e outro pelos chefes de Governo, que se encontram de três em três meses.

No ato de criação, a comunidade prevê a centralização das Forças Armadas e o uso de uma moeda comum: o Rublo. Na prática, porém, as ex-repúblicas não chegam a um consenso sobre integração político-econômica. Somente em 1997 todos os membros, exceto a Geórgia, assinam um acordo para estabelecer uma união alfandegária e dobrar o comércio interno até o ano de 2000.

Grupo dos 8

O G-8 é formado pelos 8 países mais industrializados do mundo e tem como objetivo coordenar a política econômica e monetária mundial. Em reunião realizada em 1997, em Denver (EUA), a Federação Russa é admitida como país-membro, mas não participa das discussões econômicas. O G-8 realiza três encontros anuais, sendo o mais importante a reunião de chefes de governo e de Estado, quando os dirigentes assinam um documento final que deve nortear as ações dos países membros.

O grupo nasce em 1975 da iniciativa do então primeiro-ministro alemão Helmut Schmidt e do presidente francês Valéry Giscard d’Estaign. Eles reúnem-se com líderes dos EUA, do Japão e da Grã-Bretanha para discutir a situação da política econômica internacional.

A partir dos anos 80, esses países passam a discutir também temas gerais, como drogas, democracia e corrupção. Com a admissão da Itália e Canadá, passa a ser chamado de Grupo dos Sete. O presidente russo Boris Iéltsin participa como convidado especial da reunião do G-7 desde 1992. A oficialização da entrada da Federação Russa pelo presidente dos EUA, Bill Clinton, é uma resposta ao fato de Iélsin ter aceitado o ingresso dos países da ex-URSS na OTAN.

MERCOSUL
Mercado Comum do Sul

Criado em 1991, o MERCOSUL é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países sul-americanos que adotam políticas de integração econômica e aduaneira. A origem do MERCOSUL está nos acordos comerciais entre Brasil e Argentina elaborados em meados dos anos 80.

A partir do início da década de 90, o ingresso do Paraguai e do Uruguai torna a proposta de integração mais abrangente. Em 1995 instala-se uma zona de livre comércio.

Cerca de 90% das mercadorias fabricadas nos países-membros podem ser comercializadas internamente sem tarifa de importação. Alguns setores, porém, mantém barreiras tarifárias temporárias, que deverão ser reduzidas gradualmente. Além da extinção de tarifas internas, o MERCOSUL estipula a união aduaneira, com a padronização das tarifas externas para diversos itens.

Ou seja: os países-membros comprometem-se a manter a mesma alíquota de importação para determinados produtos.

Os países-membros totalizam uma população de 206 milhões de habitantes e um PIB de 1,1 trilhão de dólares. A sede do MERCOSUL se alterna entre as capitais desses países. Segundo cláusula de 1996 só integram o MERCOSUL nações com instituições políticas democráticas. Chile e Bolívia são membros associados, assinando tratado para a formação de zona de livre comércio, mas não entram na união aduaneira.

NAFTA
Acordo de Livre Comércio da América do Norte

O NAFTA é um instrumento de integração entre a economia dos EUA, do Canadá e do México. O primeiro passo para sua criação é o tratado de livre comércio assinado por norte-americanos e canadenses em 1988, ao qual os mexicanos aderem em 1992.

A ratificação do NAFTA, em 1993, vem para consolidar o intenso comércio regional já existente na América do Norte e para enfrentar a concorrência representada pela União Européia. Entra em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a total eliminação das barreiras alfandegárias entre os três países. Seu mais importante resultado até hoje é a ajuda financeira prestada pelos EUA ao México durante a crise cambial de 1994, que teve grande repercussão na economia global.

OMC
Organização Mundial do Comércio

Com sede em Genebra, na Suíça , a OMC visa promover e regular o comércio entre as nações. É criada em 1995, em substituição ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que já realizara várias rodadas de negociação multilaterais para a redução de barreiras comerciais. Em 1998, a OMC conta com 132 membros.

Em 2002, a China, que possui a maior população do planeta e o 6º maior PIB mundial, ingressa na OMC, o que implicaria na aplicação das regras mundiais do comércio internacional com a China.

ONU
Organização das Nações Unidas

A ONU é o organismo internacional que surge no final da II Guerra Mundial em substituição à Liga das Nações. Tem como objetivos manter a paz, defender os direitos humanos e as liberdades fundamentais e promover o desenvolvimento dos países em escala mundial. Sua primeira carta é assinada em junho de 1945, por 50 países, em San Francisco, nos EUA.

Atualmente, a ONU é integrada por 185 dos 192 Estados do mundo. Nos últimos anos enfrenta uma crise financeira e política. Vários países-membros têm atrasado o pagamento das contribuições acumulando uma dívida total de US$2,5 bilhões, dos quais US$1,5 bilhão só dos EUA, o maior devedor.

A crise política está relacionada à necessidade de redefinição de seu papel no mundo pós-guerra Fria. Em 1997, um plano de reforma apresentado pela Secretaria Geral da entidade propõe a redução radical do número de departamentos, funcionários e funções da organização. O objetivo é concentrar suas atividades nos processos de paz e no desenvolvimento geral das nações.

Cinco órgãos principais compõe a ONU: a Assembléia Geral, o Conselho de Segurança, a Secretaria Geral, o Conselho Econômico e Social e a Corte Internacinal de Justiça. Há ainda o Conselho de Tutela, instituído para supervisionar os territórios que se encontravam sob administração e proteção da organização. Desativado em 1997, três anos após a independência da última colônia, Palau, só se reúne em caso de necessidade.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 países-membros, sendo que 5 são membros permanentes com direito a veto (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e Inglaterra) e 10 são membros temporários com mandato de 2 anos. Estuda-se a possibilidade da criação de mais vagas permanentes, além do fim do veto.

U. E.
União Européia

Conhecido inicialmente como Comunidade Econômica Européia (CEE), o bloco econômico formado por 15 países da Europa Ocidental passa formalmente a ser chamada de UNIÃO EUROPÉIA (EU) em 1993, quando o Tratado de Maastricht entra em vigor. É o segundo maior bloco econômico do mundo em termos de PIB, com uma população de 374 milhões de pessoas.

Histórico:
1951 – Criada a Comunidade Européia do Carvão e do Aço
1957 – Tratado de Roma (Comunidade Econômica Européia – Europa dos 6)
1992 – Consolidação do Mercado Comum Europeu (eliminação das barreiras alfandegárias)
1993 – Entra em vigor o Tratado de Maastricht (Holanda), assinado em 1991

Membros: França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Alemanha (1957), Dinamarca, Irlanda, Reino Unido (1973), Grécia, Espanha, Portugal (1981/1986), Áustria, Suécia e Finlândia.

Em 2004 ocorreu o ingresso de mais 10 países: Letônia, Estônia, Lituânia, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Hungria, Malta e Chipre.

INDÚSTRIAS NO BRASIL – O ESPAÇO INDUSTRIAL NO BRASIL

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INDÚSTRIAS NO BRASIL – O ESPAÇO INDUSTRIAL NO BRASIL

Há tempos, as indústrias vêm conquistando o seu espaço no Brasil, tornando-se um dos elementos mais básicos de uma determinada região. Trazendo consigo, sempre uma característica marcante, a MUDANÇA, seja ela qual for, tanto na cultura como na economia ou até mesmo no espaço que ela ocupa e no impacto que ela causará em seu ambiente.
A seguir, veremos um pouco mais sobre essas indústrias, como e porque, que um lugar que comporta uma ou várias indústrias se modifica, e modifica a vida de sua população;como os meios de transporte e comunicação podem influenciar para a industrialização de uma determinada região.

Porque as indústrias tendem a se concentrar mais em uma determinada região?Como fica o desenvolvimento de uma região pouco industrializada?Essas e outras questões, serão abordadas a seguir,tendo como principal objetivo,fazer que se entenda melhor, o papel desta gigante, chamada INDÚSTRIA !

A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS INDÚSTRIAS NO BRASIL

A atividade industrial, muito concentrada no Sudeste brasileiro, de uns tempos pra cá, vem se distribuindo melhor entre as diversas regiões do país. Atualmente, seguindo uma tendência mundial, o Brasil vem passando por um processo de descentralização industrial, chamada por alguns autores de desindustrialização, que vem ocorrendo intra – regionalmente e também entre as regiões.

Dentro da Região Sudeste há uma tendência de saída do ABCD Paulista, buscando menores custos de produção do interior paulista, no Vale do Paraíba ao longo da Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo à Belo Horizonte. Estas áreas oferecem, além de incentivos fiscais, menores custos de mão-de-obra, transportes menos congestionados e por tratarem-se de cidades-médias, melhor qualidade de vida, o que é vital quando trata-se de tecnopólos.

A desconcentração industrial entre as regiões vem determinando o crescimento de cidades-médias dotadas de boa infra-estrutura e com centros formadores de mão-de-obra qualificada, geralmente universidades. Além disso, percebe-se um movimento de indústrias tradicionais, de uso intensivo de mão-de-obra, como a de calçados e vestuários para o Nordeste, atraídas sobretudo, pela mão-de-obra extremamente barata.

A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL NO SUDESTE

A distribuição espacial da indústria brasileira, com acentuada concentração em São Paulo, foi determinada pelo processo histórico, já que no momento do início da efetiva industrialização, o estado tinha, devido à cafeicultura, os principais fatores para instalação das indústrias a saber: capital, mercado consumidor, mão-de-obra e transportes.

Além disso, a atuação estatal através de diversos planos governamentais, como o Plano de Metas, acentuou esta concentração no Sudeste, destacando novamente São Paulo. A partir desse processo industrial e, respectiva concentração, o Brasil, que não possuía um espaço geográfico nacional integrado, tendo uma estrutura de arquipélago econômico com várias áreas desarticuladas, passa a se integrar. Esta integração reflete nossa divisão inter-regional do trabalho, sendo tipicamente centro-periferia, ou seja, com a região Sudeste polarizando as demais.

A exemplo do que ocorre em outros países industrializados, existe no Brasil uma grande concentração espacial da indústria no Sudeste.A concentração industrial no Sudeste é maior no Estado de São Paulo, por motivos históricos. O processo de industrialização, entretanto, não atingiu toda a região Sudeste, o que produziu espaços geográficos diferenciados e grandes desigualdades dentro da própria região. A cidade de São Paulo, o ABCD(Santo André,São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema)e centros próximos, como Campinas, Jundiaí e São José dos Campos possuem uma superconcentração industrial, elaborando espaços geográficos integrados à região metropolitana de São Paulo.Esta área tornou-se o centro da industrialização, que se expandiu nas seguintes direções: par a Baixada Santista, para a região de Sorocaba, para o Vale do Paraíba – Rio de Janeiro e interior, alcançando Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

AS ATIVIDADES ECONÔMICAS E INDUSTRIAIS NAS 05 REGIÕES DO BRASIL

Sudeste:

Como descrito anteriormente, o Sudeste, é a região que possui a maior concentração industrial do país.

Nesta área, os principais tipos de indústrias são: automobilística, petroquímica,de produtos químicos, alimentares, de minerais não metálicos, têxtil, de vestuário, metalúrgica, mecânica, etc. É um centro polindustrial, marcado pela variedade e volume de produção.

Várias empresas multinacionais operam nos setores automobilísticos de máquinas e motores, produtos químicos, petroquímicos, etc.As empresas governamentais atuam principalmente nos setores de siderurgia. Petróleo e metalurgia, enquanto empresas nacionais ocupam áreas diversificadas.

O grande interesse de empresas multinacionais é principalmente pela mão-de-obra mais barata, pelo forte mercado consumidor e pela exportação dos produtos industriais a preços mais baixos.Quem observa a saída de navios dos portos de Santos e do Rio de Janeiro tem oportunidade de verificar quantos produtos industriais saem do Brasil para outros países. E aí vem a pergunta:com quem fica o lucro dessas operações?Será que fica para os trabalhadores que as produziram?

A cidade do Rio de Janeiro, caracterizada durante muito tempo como capital administrativa do Brasil até a criação de Brasília, possui também um grande parque industrial. Porém, não tem as mesmas características de alta produção e concentração de São Paulo.Constitui-se também,de empresas de vários tipos, destacando-se as indústrias de refino de petróleo, estaleiros, indústria de material de transporte, tecelagem, metalurgia, papel, têxtil, vestuário, alimentos, etc.

Minas Gerais, de passado ligado à mineração, assumiu importância no setor metalúrgico após a 2º Guerra Mundial e passou a produzir principalmente aço, ferro-gusa e cimento para as principais fábricas do Sudeste. Belo Horizonte tornou-se um centro industrial diversificado, com indústrias que vão desde o extrativismo ao setor automobilístico.

Além do triângulo São Paulo,Rio de Janeiro,Belo Horizonte, existem no Sudeste outras áreas industriais, a maioria apresentando ligação direta com algum produto ou com a ocorrência de matéria-prima . É o caso de Volta Redonda, Ipatinga, Timóteo, João Monlevade e Ouro Branco, entre outras, ligadas à siderurgia.Outros centros industriais estão ligados à produção local, como Campos e Macaé (açúcar e álcool), Três Corações, Araxá e Itaperuna(leite e derivados), Franca e Nova Serrana(calçados), Araguari e Uberlândia(cereais),etc.

O estado do Espírito Santo é o menos industrializado do Sudeste, tendo centros industriais especializados como:Aracruz , Ibiraçu, Cachoeiro de Itapemirim

Vitória, a capital do Estado, tem atividades econômicas diversificadas, relacionadas à sua situação portuária e às indústrias ligadas à usina siderúrgica de Tubarão.

No Sudeste, outras atividades estão muito ligadas à vida urbana e industrial:comércio, serviço público, profissionais liberais, educação, serviços bancários, de comunicação, de transporte , etc.Quanto maior a cidade, maior variedade de profissionais aparecem ligados às atividades urbanas.

Como entre São Paulo, Rio e Belo Horizonte concentra-se a maior produção industrial do país, a circulação de pessoas e mercadorias é muito intensa na região.Milhares de pessoas estão envolvidas na comercialização, transporte e distribuição dos produtos destinados à industrialização, ao consumo interno ou à exportação.Considerada também o centro cultural do país, a região possui uma vasta rede de prestação de serviços em todos os ramos, com grande capacidade de expansão, graças ao crescimento de suas cidades.

Sul:

A industrialização do Sul, tem muita vinculação com a produção agrária e dentro da divisão regional do trabalho visa o abastecimento do mercado interno e as exportações.

O imigrante foi um elemento muito importante no início da industrialização como mercado consumidor e no processo industrial de produtos agrícolas, muitas vezes em estrutura familiar e artesanal.

A industrialização de São Paulo implicou na incorporação do espaço do Sul como fonte de matéria-prima,Implicou também na incapacidade de concorrência das indústrias do sul, que passaram a exportar seus produtos tradicionais como calçados e produtos alimentares, para o exterior.Com as transformações espaciais ocasionadas pela expansão da soja, o Sul passou a ter investimentos estrangeiros em indústrias de implementos agrícolas.

A indústria passou a se diversificar para produzir bens intermediários para as indústrias de São Paulo.Nesse sentido o sul passou a complementar a produção do Sudeste.Daí considerarmos o Sul como sub-região do Centro-Sul.

Objetivando a integração brasileira com os países do Mercosul, a indústria do Sul conta com empresas no setor petroquímico, carboquímico, siderúrgico e em indústrias de ponta (informática e química fina).

A reorganização e modernização da indústria do sul necessitam também de uma política nacional que possibilite o aproveitamento das possibilidades de integração da agropecuária e da indústria, à implantação e crescimento da produção de bens de capital( máquinas, equipamentos), de indústrias de ponta em condições de concorrência com as indústrias de São Paulo.

Nordeste:

A industrialização dessa região vem se modificando, modernizando, mas sofre a concorrência com as indústrias do Centro-Sul, principalmente de São Paulo, que utilizam um maquinário tecnologicamente mais sofisticado.

A agroindústria açucareira é uma das mais importantes, visando sobretudo a exportação do açúcar e do álcool.

As indústrias continuam a tendência de intensificar a produção ligada à agricultura (alimentos, têxteis, bebidas) e as novas indústrias metalúrgicas, químicas, mecânicas e outras.

A exploração petrolífera no Recôncavo Baiano trouxe para a região indústrias ligadas à produção refino e utilização de derivados do petróleo.

Essa nova indústria , de alta tecnologia e capital intenso, não absorve a mão-de-obra que passa a subempregar-se na área de serviços ou fica desempregada.

As indústrias estão concentradas nas mãos de poucos empresários e os salários pagos são muito baixos, acarretando o empobrecimento da população operária.

O sistema industrial do Nordeste, concentrado na Zona da Mata, tem pouca integração interna. Encontra-se somente em alguns pontos dispersos e concentra-se sobretudo nas regiões metropolitanas:Recife, Salvador e Fortaleza .

Com vistas à política do Governo Federal para o Programa de Corredores da Exportação, instituído no final da década de 70 para atender ao escoamento da produção destinada ao mercado externo, foram realizadas obras nos terminais açucareiros dos portos de Recife e Maceió.

A rede rodoviária acha-se mais integrada a outras regiões do que dentro do próprio Nordeste. A construção da rodovia , ligando o Nordeste(Zona da Mata) ao Sudeste e ao Sul, possibilitou o abastecimento do Nordeste com produtos industrializados no Sudeste e o deslocamento da população nordestina em direção a este.

Centro-Oeste:

Na década de 60, a industrialização a nível nacional adquire novos padrões. As indústrias de máquinas e insumos agrícolas, instaladas no Sudeste, tiveram mercado consumidor certo no Centro-Oeste, ao incentivarem-se os cultivos dos produtos de exportação em grandes áreas mecanizadas.

A partir da década de 70, o Governo Federal implantou uma nova política econômica visando a exportação .Para atender às necessidades econômicas brasileiras e a sua participação dentro da divisão internacional do trabalho, caberia ao Centro-Oeste a função de produtor de grãos e carnes para exportação.

Com tudo isso, o Centro-Oeste tornou-se a segunda região em criação de bovinos do País, sendo esta a atividade econômica mais importante da sub-região. Sua produção de carne visa o mercado interno e externo.

Existem grandes matadouros e frigoríficos que industrializam os produtos de exportação. O abastecimento regional é feito pelos matadouros de porte médio e matadouros municipais, além dos abates clandestinos que não passam pela fiscalização do Serviço de Inspeção Federal.

Sua industrialização se baseia no beneficiamento de matérias-primas e cereais, além do abate de reses o que contribui para o maior valor de sua produção industrial . As outras atividades industriais são voltadas para a produção de bens de consumo, como :alimentos, móveis etc. A indústria de alimentos, a partir de 1990, passou a se instalar nos pólos produtores de matérias-primas, provocando um avanço na agroindústria do Centro-Oeste. A CEVAL, instalada em Dourados MS, por exemplo, já processa 50% da soja na própria área.

N o estado de Goiás por exemplo ,existem indústrias em Goiânia, Anápolis,Itumbiara, Pires do rio,Catalão, Goianésia e Ceres. Goiânia e Anápolis, localizadas na área de maior desenvolvimento econômico da região, são os centros industriais mais significativos, graças ao seu mercado consumidor, que estimula o desenvolvimento industrial.

Enquanto outras áreas apresentam indústrias ligadas aos produtos alimentares, minerais não metálicos e madeira, esta área possui certa diversificação industrial.Contudo, os produtos alimentares representam o maior valor da produção industrial.

Norte:

A atividade industrial no Norte, é pouco expressiva, se comparada com outras regiões brasileiras. Porém, os investimentos aplicados, principalmente nas últimas décadas, na área dos transportes, comunicações e energia possibilitaram à algumas áreas o crescimento no setor industrial , visando à exportação.

Grande parte das indústrias está localizada próxima à fonte de matérias-primas como a extração de minerais e madeiras, com pequeno beneficiamento dos produtos.

A agroindústria regional dedica-se basicamente ao beneficiamento de matérias-primas diversas, destacando-se a produção de laticínios;o processamento de carne, ossos e couro; a preservação do pescado, por congelação, defumação, salga, enlatamento; a extração de suco de frutas; o esmagamento de sementes para fabricação de óleos; a destilação de essências florestais; prensagem de juta, etc.Tais atividades, além de aumentarem o valor final da matéria-prima, geram empregos.

As principais regiões industriais são Belém e Manaus. Na Amazônia não acontece como no Centro-sul do país, a criação de áreas industriais de grandes dimensões.

Mais adiante veremos sobre a criação da Zona Franca de Manaus.

COMO A IMPLANTAÇAO DE UMA INDÚSTRIA PODE ALTERAR NA CULTURA E NAS RELAÇÕES DE TRABALHO NA REGIÃO EM QUE FOI IMPLANTADA

Já é do conhecimento de todos nós, que quando uma indústria é implantada em determinada região, várias mudanças acontecem, dentre elas, mudanças no espaço geográfico, mudanças culturais,e principalmente, mudanças na economia.

A implantação de uma indústria, modifica a cultura, pois, um trabalho que artesanalmente era executado pelo povo, e tido como tradição, cede seu lugar, muitas vezes à máquinas pesadas, e que exercem sozinhas e em pouco tempo, o serviço que muitas vezes, era desempenhado por várias pessoas e em um período de tempo muito maior.Assim, milhares de postos de trabalho se extinguiam,fazendo-se aumentar o número de empregos informais surgidos nessa região.

Além de mudanças na cultura e economia , surgem também, mudanças no espaço geográfico:em alguns casos, as industrias são implantadas, sem maior avaliação dos danos que ela poderá causar, acarretando conseqüências gravíssimas posteriormente.

A ZONA FRANCA DE MANAUS

A ZFM foi criada em 1957 originalmente através da Lei 3.173 com o objetivo de estabelecer em Manaus um entreposto destinado ao beneficiamento de produtos para posterior exportação. Em 1967, a ZFM foi subordinada diretamente ao Ministério do Interior, através da SUFRAMA (pelo Decreto-Lei nº 288). O decreto estabelecia incentivos com vigência até o ano 1997.

Ao longo dos anos 70, os incentivos fiscais atraíram para a ZFM investimentos de empresas nacionais e estrangeiras anteriormente instaladas no sul do Brasil, bem como investimentos de novas ET, principalmente da indústria eletrônica de consumo. Nos anos 80, a Política Nacional de Informática impediu que a produção de computadores e periféricos e de equipamentos de telecomunicações se deslocasse para Manaus e a ZFM manteve apenas o segmento de consumo da indústria eletrônica.

A Constituição de 1988 prorrogou a vigência dos incentivos fiscais da União para a ZFM até o ano 2.013, mas com a abertura da economia, nos anos 90, esses incentivos perderam eficácia. Simultaneamente, os produtos fabricados na ZFM passaram a enfrentar a concorrência com produtos importados no mercado doméstico brasileiro. As empresas estabelecidas em Manaus promoveram um forte ajuste com redução do emprego e aumento do conteúdo importado dos produtos finais.

A RELAÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE E COMUNICAÇÃO, E DO COMÉRCIO COM A INDUSTRIALIZAÇÃO DE UMA DETERMINADA REGIÃO

Os meios de transporte, comunicação e comércio, são os fatores cruciais para que se implante uma indústria em uma determinada região.

Para ser determinado estratégico para a implantação de uma indústria, um local tem que ter fácil acesso à rodovias, que escoem a sua produção para as diversas regiões do país e os portos, visando a exportação.

Os meios de comunicação, também são vitais, para que sejam feitos os contatos necessários para se fechar grandes negócios, visando a obtenção de lucros mais altos, para o crescimento da indústria, a atualização dos conhecimentos e a velocidade de comunicação.

O comércio, também é muito importante, pois para que se produza alguma coisa , é necessário que haja mercado para este produto, e o comércio tem o papel de intermediário entre o produtor e o consumidor final.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA INDÚSTRIA

As economias capitalistas tiveram, do pós guerra até meados da década de 70, uma das fases de maior expansão e transformações da estrutura produtiva, sob a égide do setor industrial. Essa expansão foi liderada por dois grandes subsetores: o metal-mecânico (indústria de automotores, bens de capital e do consumo duráveis) e a química (especialmente a petroquímica).

A rápida implantação da matriz industrial internacional no Brasil internalizou os vetores produtivos da químico-petroquímica, da metal-mecânica, da indústria de material de transporte, da indústria madeireira, de papel e celulose e de minerais não-metálicos todos com uma forte carga de impacto sobre o meio ambiente.

De maneira geral, e abstraindo as características de cada ecossistema, o impacto do setor industrial sobre o meio ambiente depende de três grandes fatores: da natureza da estrutura da indústria em distintas relações com o meio natural; da intensiva e concentração espacial dos gêneros e ramos industriais; e o padrão tecnológico do processo produtivo- tecnologias de filtragem e processamento dos efluentes além do reaproveitamento econômico dos subprodutos.

A industrialização maciça e tardia incorporou padrões tecnológicos avançados para base nacional, mas ultrapassados no que se refere ao meio ambiente, com escassos elementos tecnológicos de tratamento, reciclagem e reprocessamento.

Enquanto o Brasil começa a realizar ajustes no perfil da indústria nacional, a economia mundial ingressa em um novo ciclo de paradigma tecnológico. Ao contrário da industrialização do pós-guerra, altamente consumidora de recursos naturais – matérias – primas, “commodities” e energéticos, o novo padrão de crescimento tende a uma demanda elevada de informação e conhecimento com diminuição relativa do “consumo” de recursos ambientais e de “produção” de efluentes poluidores.

É importante, sempre relembrarmos, os acidentes ambientais causados pela falta de cuidados de certas indústrias, para que haja pelo menos a esperança, de que não voltará a acontecer.

Baía de Sepetiba: ainda sem solução para rejeitos

Manchas de óleo na Região dos Lagos e na baía de Guanabara

Rio vai à Justiça contra mineradora

Vazamento: Rio Muriaé tem 400 milhões de litros de lama

Ingá: Ibama prevê desastre ambiental

Óleo vaza de plataforma da Bacia de Campos

Rompe barreira em Macacos

Cataguases,papel e celulose indiciada por prefeitura

Acima, algumas manchetes de jornais que anunciaram algumas das catástrofes ambientais.

CONCLUSÃO

Uma indústria em uma certa região, pode ser benéfica tanto quanto prejudicial, pois ao mesmo tempo que contribui para o crescimento, ela pode estar executando a massificação da cultura de um povo.

Muitas vezes, o prejuízo natural causado por um acidente ambiental, tendo como protagonista uma indústria, pode não ser revisto nunca mais, matando ecossistemas inteiros,um prejuízo sem recuperação.

Uma indústria, também pode contribuir fortemente para o desenvolvimento da população, gerando inúmeros empregos diretos e indiretos.

Será que hoje em dia a humanidade conseguiria viver sem comodidade e tecnologia?Sem um celular ou um computador, ou mesmo uma televisão ou um rádio?

E se não existisse o carro?Ou mesmo você não pudesse nem sonhar em ir de ônibus para o trabalho, tivesse que ir de carro de boi?Enfim, o mundo não seria o mesmo, sem seus produtos industrializados!

DICIONÁRIO DE GEOGRAFIA

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Altitude
Distância vertical deste ponto até o nível zero, geralmente, o nível médio do mar.

Atlas
Conjunto de mapas agrupados em um volume.

Bacia Hidrográfica
Área drenada por um rio principal e seus tributários. As bacias hidrográficas recebem o nome do rio principal, sendo também chamadas bacias fluviais ou bacias de drenagem.

Barômetro
Instrumento utilizado em Topografia para determinação da altitude de pontos da superfície terrestre em função de sua pressão atmosférica.

Carta Geográfica
Carta topográfica de escala pequena, em regra inferior a 1/500 000, que representa os traços mais gerais de vastas regiões do globo terrestre.

Carta Náutica
Carta temática destinada a apoiar a navegação marítima e que apresenta, sobre um fundo de informação topográfica e hidrográfica mais ou menos simplificado, informação específica relevante para a condução da navegação perigos e ajudas à navegação, corredores de tráfego marítimo, informação oceanográfica e meteorológica.

Carta Política
Carta temática que representa informação de aspectos com relevância política dos países, especialmente as divisões territoriais e administrativas e os centros populacionais mais importantes.

Carta Temática
Carta cujo objetivo é representar informação, ou apoiar atividades, de caráter especializado. Tipicamente, as cartas temáticas apresentam, sobre um fundo de informação geral mais ou menos simplificado, muitas vezes extraído de cartas topográficas, hidrográficas e administrativas, fenômenos localizáveis de qualquer natureza, sob forma qualitativa ou quantitativa. São cartas temáticas as cartas políticas, meteorológicas, demográficas, geológicas, etc…

Carta Topográfica
Carta de base que representa, tão fiel e pormenorizadamente quanto a escala o permita, a topografia da superfície terrestre. O termo geralmente aplica-se às cartas de maior escala, em regra igual ou superior a 1:50 000.

Carta-Imagem
Carta obtida por meio de referenciamento e correção geométrica de uma imagem aéra ou de satélite.

Cartografia
Conjunto de estudos e operações científicas, artísticas e técnicas, baseado no resultado de observações diretas ou de análise de documentação, visando a elaboração e preparação de cartas, projetos e outras formas de expressão, bem como sua utilização.

Cartógrafo
Pessoa que elabora mapas ou cartas geográficas.

Círculo Polar Antártico
Círculo ou linha imaginária que assinala, ao redor do pólo sul, o alcance máximo dos raios solares no dia 21 de junho, ou seja, quando começa o verão no hemisfério norte.

Círculo Polar Ártico
Círculo imaginário que assinala, ao redor do pólo norte, o alcance máximo dos raios solares no dia 22 de dezembro, ou seja, quando começa o verão no hemisfério sul.

Cobertura Aerofotogramétrica
Conjunto de fotografias de determinada região que obtidas por meio de uma câmara fotogramétrica de precisão a bordo de uma aeronave.

Convenções Cartográficas
Ou Legenda, parte de uma carta ou mapa, que contém o significado de todos os símbolos, cores e traços utilizados na representação do desenho técnico cartográfico.

Coordenadas
Valores lineares e/ou angulares que indicam a posição ocupada por um ponto num sistema de referência qualquer.

Coordenadas Cartesianas
Sistema de referência posicional no qual a localização é medida em dois ou três eixos ortogonais (perpendiculares). As coordenadas cartesianas diferem das coordenadas latitude e longitude por estas últimas compreenderem um sistema de referência esférico.

Coordenadas Geodésicas
Os valores de longitude e latitude que definem a posição de um ponto na superfície da terra, em relação ao elipsóide de referência.

Coordenadas Geográficas
Termo global usado geralmente para indicar, tanto as coordenadas geodésicas quanto as coordenadas astronômicas, o mesmo que coordenadas terrestres.

Croquis
Mapa temático, essencialmente concebido com fins explicativos, que representa, de forma muito generalizada, fenômenos geográficos no seu conjunto, realçando as suas relações espaciais.

Curvas de Nível
Linhas curvas representadas numa carta ou mapa, que unem pontos de mesma elevação e que se destinam a retratar a forma do terreno.

Dado
Qualquer tipo de representação que tenha um significado.

Equador
Grande círculo imaginário traçado em volta da Terra no plano perpendicular ao eixo terrestre, a igual distância dos pólos norte e sul, dividindo portanto a Terra em hemisfério setentrional e hemisfério meridional.

Escala
Relação entre as dimensões de elementos representados numa carta ou mapa e suas dimensões reais (naturais) correspondentes.

Escala Gráfica
Tipo de escala cartográfica, utilizada na elaboração de plantas, cartas e mapas, em que a relação entre as distâncias reais e as distâncias representadas no papel é dada por um segmento de reta em que uma unidade de medida na reta corresponde a uma determinada medida real, conforme a relação utilizada.

Escala Numérica
Escala cartográfica utilizada na elaboração de plantas e mapas, em que a relação entre as distâncias reais e as distâncias representadas no papel é dada por números, em regra na forma de uma fração (por exemplo, 1/50 000 ou 1: 50 000, sendo preferível o segundo).

Fotografias Aéreas
Fotografias obtidas por sensores instalados em aeronaves.

Fotograma
Qualquer fotografia obtida através de uma câmara fotogramétrica.

Fotogrametria
Arte, ciência e tecnologia de obter informações confiáveis de objetos físicos e do meio através do uso de fotografias ou de qualquer outro tipo de registro da energia eletromagnética.

Fotoíndice
Conjunto de fotografias aéreas, superpostas pelos detalhes que lhes são comuns, reduzido fotograficamente ou de forma digital que permite visualizar o conjunto fotografado.

Fuso
Fuso UTM, zona de projeção delimitada por dois meridianos cuja longitude difere de 6?, e por dois paralelos de latitudes 80? norte e sul.

Geocodificação
Definição da posição de elementos geográficos referenciada a um sistema de coordenadas padrão. Normalmente é feita por meio da definição de um centróide.

Geodésia
Ciência que procura definir e situar as características naturais e físicas de grandes porções da superfície terrestre.

Geofísica
Ramo da física experimental que se preocupa em determinar a estrutura, composição e desenvolvimento da Terra, inclusive a atmosfera e a hidrosfera.

Geóide
Superfície equipotencial do campo gravimétrico da Terra que coincide com o nível médio do mar e que se estende por todos os continentes, sem interrupção.

Geomorfologia
Ciência que estuda as formas do relevo, tendo em vista a origem, estrutura e natureza das rochas, o clima e as diferentes forças endógenas e exógenas (de formação das rochas) que, de modo geral, modificam o relevo terrestre.

Geoprocessamento
Tecnologia que abrange o conjunto de procedimentos de entrada, manipulação, armazenamento e análise de dados espacialmente referenciados.

Georreferência
Relação entre as coordenadas de uma planta e as coordenadas do mundo real conhecidas.

GIS
Abreviatura para “Geographic Information System”, ou seja, Sistema de Informação Geográfica, sendo a associação de elementos de uma Base Cartográfica à um Banco de Dados Relacional, permitindo desenvolver aplicações voltadas para uma administração otimizada.

GMT
Abreviação de Greenwich Mean Time, hora local do meridiano de Greenwich, assumida como horário padrão internacional e conhecida em português como Hora do meridiano de Greenwich.

GPS
Abreviatura para “Global Position System”. Sistema criado para a navegação que utiliza sinais emitidos por satélites artificiais. Usado para a navegação e posicionamento no mar, ar e superfície terrestre. O Sistema de Posicionamento Global permite ao usuário, por meio do recebimento de sinais de satélites artificiais, definir a exata localização de um ponto qualquer sobre o globo.

Greenwich
Nome da cidade inglesa que marca a longitude zero, ou seja, o meridiano-origem ou meridiano principal, conforme ficou estabelecido desde 1883.

Hemisfério
Denominação de cada uma das metades em que a Terra é imaginariamente dividida, pela linha que corta o equador, ou, as metades divididas pelo meridiano de Greenwich.

Hidrografia
Representação das águas continentais e oceânicas do globo terrestre.

Hipsometria
Estudo que trata da medição das altitudes.

Histograma
Representação gráfica da distribuição da freqüência de níveis de cinza de uma imagem matricial de sensor remoto. Apresenta no eixo “x” a variação de níveis de cinza da imagem e no eixo “y” a freqüência de cada valor digital na mesma.

Imagem
Registro permanente em meio digital ou material fotográfico de acidentes naturais, artificiais, objetos e atividades, obtido por sensores como o infravermelho, pancromático e satelital de alta resolução.

Imagem de Satélite
Imagem captada por um sensor a bordo de um satélite artificial, codificada e transmitida para uma estação rastreadora na Terra.

Imagem Multiespectral
Imagem de múltiplas bandas, isto é, é uma imagem obtida por múltiplos sensores que detectam a energia em bandas de diferentes comprimentos de onda.

Imagens de RADAR
Imagens resultantes da combinação de processos fotográficos ou digitais e técnicas de RADAR onde impulsos elétricos ou microondas são emitidos (antena) em direções predeterminadas, e os raios refletidos e devolvidos são recebidos (antena) e utilizados para fornecer imagens que ficam registradas em filme ou em meio digital.

Imagens Orbitais
Nome dado às imagens obtidas por satélites que orbitam ao redor da Terra.

Informação
Dado codificado.
Informações Georreferenciadas
Ligação de atributos não gráficos ou dados geograficamente referenciados às informações gráficas de um mapa.

Isóbara
Linha que, num mapa, liga os pontos que apresentam os mesmos valores de pressão atmosférica.

Isoieta
Linha que, num mapa, liga os pontos que apresentam a mesma quantidade de chuva.

LANDSAT
Programa do governo americano de imageamento da superficíe terrestre por satélites iniciado pela NASA em meados dos anos 70. Este termo é também utilizado para designar um ou mais satélites do programa (Landsat 4, 5, 7), bem como, os dados (imagens) por eles enviados.

Latitude
Indica a medida do arco de meridiano (em graus) compreendido entre o equador (origem das latitudes) e o paralelo do lugar a que diz respeito.

Levantamento Topográfico
Levantamento cujo objetivo principal é a determinação do relevo da superfície terrestre e a localização dos acidentes naturais e artificiais desta superfície.

Levantamentos Gravimétricos
Levantamentos que têm por fim a determinação do valor da gravidade numa série de pontos de uma determinada região.

Longitude
Representa a amplitude do arco do equador ou do paralelo compreendido entre o semi-meridiano de referência (Greenwich, Inglaterra) e o semi-meridiano do lugar considerado.

Mapa
Ou Carta, é a representação gráfica, geralmente em uma superfície plana e em determinada escala, das características naturais e artificiais da superfície ou sub-superfície terrestres.

Mapa Digital
Mapa cujo suporte é um meio digital.

Mapa Temático
Representação gráfica, sobre um mapa básico (topográfico, geográfico ou hidrográfico), de sínteses de pesquisa e estudos de temas variados como por exemplo, agrícolas, arqueológicos, climáticos, econômicos etc.

Mapeamento Sistemático Nacional
Elaboração e preparação de cartas ou mapas do território nacional, em escalas diversas e para fins diversos, segundo normas e padrões pré-estabelecidos por entidades cartográficas.

Meridiano
Elipse ou círculo máximo cujo plano contém o eixo de rotação da Terra. Sobre um determinado meridiano a longitude é constante.

Meridiano Central
Longitude de origem de cada fuso no sistema de coordenadas da projeção UTM.

Meridiano de Greenwich
Ou Meridiano Principal ou Meridiano de Origem, corresponde à longitude 0º, passando pela localidade de Greenwich, na Grã-Bretanha, e sendo convencionado como o meridiano
de referência, dividindo a Terra em hemisfério leste ou oriental, e hemisfério oeste ou ocidental, e cuja hora (GMT) é conhecida como o horário padrão internacional no sistema de fusos horários.

Norte Cartográfico
Direção norte dos meridianos numa quadrícula cartográfica.

Norte Geográfico
Direção do pólo Norte, definido pelos meridianos.

Norte Magnético
Direção para onde aponta o pólo Norte de uma agulha magnética, assumida livre de outros efeitos que não sejam o campo magnético da Terra.

Orientação
Termo que remonta aos mapas antigos (medievais) cujo padrão era o de colocar o Leste na parte do topo (como fazemos hoje com o Norte).

Orientação Absoluta
Orientação de um modelo estereoscópico em um Aparelho Restituidor cuja finalidade é determinar a escala e o nivelamento do modelo, utilizando-se os pontos de controle vertical e horizontal que nele aparecem.

Orientação Relativa
Orientação de um modelo estereoscópico em um Aparelho Restituidor cuja finalidade é a determinação exata da posição da câmara no instante da tomada das fotografias.

Projeção Cartográfica
Arranjo sistemático, sobre um plano, da rede geográfica de meridianos e paralelos definida na esfera ou no elipsóide de referência. O processo de transformação, geométrico ou analítico, utilizado para realizar essa representação.

Projeção Central
Ou Cônica, é o processo de redução de uma figura espacial para o plano. Este processo se dá pelo traçado em perspectiva onde cada ponto da superfície é ligado a um ponto de fuga (centro perspectivo do sistema de lentes de uma câmara) e daí projetado no plano de referência (fotografia).

Projeção Cilíndrica
Projeção cartográfica que utiliza um cilindro como superfície de projeção e que, no seu aspecto normal, apresenta os meridianos e os paralelos retilíneos e perpendiculares entre si.

Projeção Conforme
Projeção em que a forma de figuras da superfície cartográfica e os ângulos em torno de pontos são corretamente representados.

Projeção Cônica
Projeção cartográfica que utiliza um cone como superfície de Projeção e que, no seu aspecto normal, apresenta os paralelos circulares e concêntricos, e os meridianos retilíneos e concorrentes no vértice, fazendo entre si ângulos inferiores às respectivas diferenças de longitude.

Projeção Convencional
Projeção cartográfica que não utiliza o conceito de superfície de Projeção, antes sendo construída com base em critérios formulados matematicamente.

Projeção Eqüidistante
Projeção cartográfica em que a escala real é conservada ao longo de certas linhas. Uma Projeção é azimutal eqüidistante quando as distâncias são conservadas ao longo dos círculos máximos que passam pelo centro; eqüidistante meridiana, quando a distância é conservada ao longo dos meridianos; e eqüidistante transversal, quando a distância é conservada ao longo dos paralelos.

Projeção Equivalente
Projeção cartográfica em que a proporção das áreas de todos os objetos representados é conservada, ou seja, em que o módulo de deformação areal é constante e igual à unidade

Projeção Ortogonal
Processo de redução de uma figura espacial para o plano. Este processo se dá pela projeção de cada ponto da figura (terreno) perpendicularmente a um plano de referência (planta).

RADAR (Radio Detection And Ranging)
Dispositivo para determinar a presença, distância e velocidade de um objeto por meio de transmissões de microondas. São atualmente utilizados em diversos campos navegação marítima e aérea, a orientação automática de satélites e mísseis, medição de fenômenos atmosféricos, estudos geológicos, controle de velocidade e fluxos de veículos.

Representação Cartográfica
Representação gráfica geral ou parcial em duas ou três dimensões da configuração da terra ou dos fenômenos correlacionados.

Scanner
Ou Escaner, dispositivo ótico de varredura, que captura imagens e as transfere para um computador.

Sensor
Dispositivo que capta e registra, sob a forma de imagem, a energia refletida ou emitida pela superfície terrestre (terreno, acidentes artificiais, fenômenos físicos etc.)

Sensoriamento Remoto
Registro da energia refletida ou emitida por objetos ou elementos da superfície terrestre, por sensores localizados a grandes distâncias (geralmente no espaço).

SIG-Sistema de Informação Geográfica
Ver GIS.

Símbolo Cartográfico
Expressão gráfica esquemática ou simplificada de um objeto ou fenômeno. Os símbolos podem ser pontuais, lineares ou em mancha, consoante a forma de implantação gráfica.

Topografia
Ciência que procura definir e situar as características naturais e físicas de pequenas porções da superfície terrestre.

Zoneamento
Organização de uma área em zonas ou faixas com fins específicos.

Zoneamento Urbano
Divisão de áreas objetivando a reorganização espacial de uma cidade, como forma de diferenciar as áreas e os fins a que se destinam.

RIO TIÊTE

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O rio Tietê é o mais tradicional curso d’água do estado de São Paulo, não só por cortar sua capital, como também por atravessar, praticamente, todo o território paulista, desde os contrafortes da Serra do Mar até o rio Paraná, extremo oeste do estado.

Nasce no município paulista de Salesópolis, nos contrafortes da Serra do Mar, aproximadamente na cota 1.120m acima do nível do mar. Embora nascendo a menos de 22Km de distância, em linha reta do oceano suas águas percorrem mais de 3,7mil Km antes de serem lançadas ao estuário do Prata, através do rio Paraná.

Devido às obras de reversão, as águas de cabeceira são desviadas diretamente para o mar, gerando grande quantidade de energia nas usinas de Cubatão. Desemboca o rio Tietê no Alto Paraná, pouco à jusante do salto de Urubupungá, afogado pela barragem de Jupiá, que represa também as águas do Tietê nos seus últimos quilômetros de percurso, na cota aproximada de 220 m.

O comprimento total do rio é de 1,15m mil Km e seu desnível entre a desembocadura e as cabeceiras de pouco mais de 860m o que dá uma declividade média global de 74cm/Km. O grande desnível de seu curso tem sido aproveitado para construção de várias barragens destinadas à produção de energia hidrelétrica. A declividade do leito do rio Tietê é bastante variável, dependendo da natureza e características dos terrenos atravessados. No primeiro trecho, na Serra do Mar, ela é muito acentuada, reduzindo-se sensivelmente, à medida que o rio se aproxima do planalto paulistano; considerando-se unicamente o trecho à jusante da capital de São Paulo, até a desembocadura, a declividade média total baixa a menos de 50cm/Km; no trecho encachoeirado entre o fim da canalização do rio, no município de São Paulo até Salto de Itu, num percurso de cerca de 80Km, a declividade aumenta novamente atingindo cerca de 200cm/Km. Daí em diante, a declividade média cai a 30cm/Km.

Considera-se o rio Tietê dividido em quatro trechos:

Alto Tietê

Das nascentes até a cidade de Pirapora do Bom Jesus, com aproximadamente 250Km de extensão e 350m de desnível.

O Alto Tietê percorre em região de grande aglomeração populacional, tendo suas condições naturais intensamente modificadas pela ação humana; no trecho superior, corre ainda em corrente livre, correspondendo a região de cabeceira, tem larguras e profundidades reduzidas e elevada sinuosidade. No município de Mogi, já apresenta largura considerável e profundidades que ultrapassam, no período de estiagem, mais de 1,5m em média. No estirão metropolitano de São Paulo, o rio encontra-se com leito artificial, numa extensão de 26Km, em um canal com largura de 45m, largura esta aumentada para 56m após a confluência com o rio Tamanduateí; a profundidade normal do canal é de 5,7m.

À jusante do município da capital, numa pequena extensão corre o rio Tietê em corrente livre, com leito irregular, Em seguida, o curso d’água encontra-se represado por duas barragens, provida à de montante, de estação de bombeamento que inverte o sentido de escoamento das águas para o canal do rio Pinheiros, por onde é desviada quase toda da vazão natural.

Médio Tietê superior

Da cidade de Bom Jesus de Pirapora à cidade de Laras, onde atinge o remanso da barragem de Barra Bonita, tem 260Km de extensão e 218m de desnível. Abrange também dois subtrechos bem diferenciados: o de montante que vai da barragem de Pirapora até o Salto de Itu, em que o pouco as águas restantes após o bombeamento para a reversão de Cubatão desce abruptamente cerca de 150m em 80Km de percurso; corre o rio encachoeirado, entre gargantas e margens profundas, que em alguns pontos forma verdadeiros canions.

No trecho encachoeirado, entre Pirapora e Itu, como as vazões são reduzidas em estiagem a pouco mais de 1m3/s, as profundidades são extremamente baixas: o leito é rochoso, existindo numerosos saltos de pequena altura de queda livre. A declividade média nestes 80Km ultrapassa 2m/Km. Há, no trecho, pequenas barragens para produção de energia, consumida por particulares no local.

No subtrecho seguinte, o rio corre suavemente entre colinas elevadas e numerosas curvas, sem obstáculos de maiores proporções além de diversas corredeiras. A profundidade média no trecho entre Salto de Itu e Laras é da ordem de 2m, em estiagem normal, caindo em alguns estirões, a menos de 1,0m. As larguras neste mesmo estirão estão compreendidas entre 70 e 150m. O leito é bem sinuoso, com 4 ou 5 grandes meandros de fortes curvaturas.

A declividade média do Médio Tietê Superior é de 87cm/Km, sendo reduzida a 20cm/Km, entre o Salto do Itu e Laras. A bacia que este trecho drena é de 9.920Km2, estando localizada na mesma, algumas cidades importantes como Jundiaí e Sorocaba.

Médio Tietê Inferior

Da cidade da Laras até a corredeira de Laje. Encontra-se praticamente todo canalizado, por uma série de barragens de aproveitamento múltiplo. Quando o rio corria livremente, era atravessado por numerosas corredeiras originadas pelo cruzamento de diversos travessões basálticos, não havendo, porém, nenhuma grande queda no trecho.

A largura do Médio Tietê, oscilava então em torno de 150m e suas profundidades médias em estiagens era da ordem de 2m, exceto nos travessões rochosos, onde baixavam, por vezes em longos estirões, a menos de 0,5m; a declividade média do rio, entre a cidade de Laras e a corredeira de laje era de cerca de 23,5cm/Km, valor bastante baixo, sobretudo considerando-se a existência dos rápidos referidos.

A área drenada pelo Médio Tietê e de 42.277Km2, havendo na sua bacia numerosas cidades importantes, entre as quais: Americana, Araraquara, Bauru, Botucatu, Campinas, Jaú, Limeira, Lins Piracicaba, Rio Claro e São Carlos.

O principal afluente do Médio Tietê é o rio Piracicaba, com 185Km de extensão desde a confluência de seus formadores o rio Jaguari e Atibaia. No baixo rio Piracicaba as larguras variam de 30 a 50m e a profundidade média entre 1,5 e 2,0m. Em seu estirão de jusante tem suas águas represadas pela barragem de Barra Bonita, atingindo o remanso, com o reservatório cheio, a ponte da SP-191 em Santa Maria da Serra, a cerca de 60Km da foz.

Baixo Tietê

Da corredeira de Laje até a foz no rio Paraná, com 240km de extensão e 98m desnível.

Apresenta fraca sinuosidade, larguras consideráveis, que vão de 150m a mais de 300m. É cortado por duas grandes cachoeiras: salto de Avanhandava, com 19m de queda, no Km 210 e o salto de Itapura, próximo a desembocadura e afogado pela barragem de Jupiá, no rio Paraná. A declividade média do trecho é de 42cm/Km, sendo que à jusante do salto Avanhandava baixa a menos de 23cm/Km.

O Baixo Tietê drena uma área de 13.646Km, em sua bacia contribuinte há apenas uma cidade de maior importância: Andradina.

O rio Tietê é atualmente navegável no trecho do remanso da barragem de Jupiá (40Km) e no trecho entre a barragem de Nova Avanhandava e do remanso da barragem de Barra Bonita, formando um estirão contínuo de 443Km de extensão já em utilização.

A hidrovia Tietê-Paraná oferece condições técnicas de navegação comparáveis às hidrovias internacionais. Os gabaritos adotados nas obras e canais de navegação são similares ou, até mesmo em alguns casos, mais favoráveis do que os de hidrovias estrangeiras que já apresentam tráfego intenso. É o caso, por exemplo, do Alto Sena, na França, que movimenta 16 milhões t/ano ou o rio Escaut na Bélgica, cujo transporte atinge 8 milhões t/ano. O canal do norte, na França, interligando a bacia do Sena com as regiões de Lille e Dunquerque, concluído no final da década de 60, tem eclusas com apenas 6,0m de largura e 90,0m de comprimento, apenas 30% da área das eclusas do rio Tietê.

As obras de canalização do rios Tietê e Paraná foram, na maior parte, realizadas sem previsão de utilização imediata da hidrovia.

Estudos comprovaram que os comboios de empurra, sistema criado pelos norte-americanos, oferecem vantagens econômicas. Daí a necessidade de adaptar as eclusas do rio Tietê, projetadas na década de 50 de acordo com a navegação européia, onde se utilizam embarcações isoladas.

Os comboios-empurra exigem alguns requisitos particulares como construção de muros guias retilíneos alinhados com os muros de ala das eclusas, certa altura livre sobre o nível de água e raios de curvatura do canal de navegação compatíveis com seu comprimento.

Para o rio Tietê, onde a navegação está sendo implantada, o ideal será preparar a via para o sistema de comboios como já vem sendo feito no Alto Paraná. Por essa razão foi adotada como embarcação-tipo, um comboio de empurra com dimensões máximas compatíveis com as das câmaras das eclusas concluídas.

POLUIÇÃO DO TIETÊ

Interesses políticos, falta de articulação entre governos e de visão administrativa estão prejudicando o andamento do projeto de despoluição do Rio Tietê. Nos últimos 16 anos, o governo estadual, por meio da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), realizou obras de rebaixamento e alargamento da calha do rio, o que permitiu maior vazão e, conseqüentemente, maior dispersão dos elementos tóxicos despejados no rio. Além disso, reduziu a poluição industrial – das 1.160 indústrias poluidoras identificadas em 1992, apenas 200 continuam poluindo o rio. E estações de tratamento inauguradas nos últimos dez anos ampliaram de 4 m3 para 11 m3 por segundo o volume de esgoto tratado na região metropolitana.

Foram R$ 3 bilhões investidos com uma previsão de, no fim de 2007, fazer a mancha de poluição do rio recuar 160 quilômetros. Meta difícil de ser alcançada porque mais de metade dos municípios da região metropolitana ainda despeja esgoto in natura no rio e mais de 250 prefeituras da área da Bacia do Tietê pouco ou nada investiram na proteção do rio, como, por exemplo, na contenção da erosão. Na visão estreita de muitos prefeitos, a participação no Projeto Tietê apenas fortalece uma bandeira política do PSDB. Como resultado, a mancha de poluição recuou 120 quilômetros – até a altura de Porto Feliz -, 40 quilômetros a menos do que o esperado.

Na região mais rica e desenvolvida do País, somente a cidade de Biritiba Mirim trata 100% do esgoto coletado. Dos 34 municípios que compõem a região metropolitana, 19 não tratam o esgoto, que é lançado nos córregos e rios que deságuam no Tietê. Diariamente, 690 toneladas de esgoto são lançadas no rio mais importante do Estado.

Em 1992, esse abuso produzia uma mancha de poluição que começava em Itaquaquecetuba, próximo da nascente do rio, e se estendia até Anhembi, nas vizinhanças da Represa de Barra Bonita. Hoje, como mostrou reportagem publicada domingo no Estado, a pouco mais de 100 quilômetros da capital, o índice de oxigênio nas águas do Tietê dobrou e a pesca voltou a fazer parte das atividades de municípios como Porto Feliz, Cabreúva e Anhembi.

É uma vitória, mas os resultados poderiam ser muito melhores se todos os prefeitos dos municípios da bacia do rio tivessem colaborado.

Em São Caetano, por exemplo, cidade que tem um dos melhores índices de qualidade de vida do País, 100% do esgoto é coletado e despejado in natura no rio, mas o tratamento só começará a ser feito no segundo semestre – um atraso injustificável para um município rico e que tem em sua vizinhança uma estação de tratamento de esgoto da Sabesp com capacidade suficiente para atender à demanda.

Em alguns casos, a pressão da opinião pública tem levado governos locais a tentar recuperar o tempo perdido. Guarulhos, por exemplo, sustentou durante anos uma disputa sem propósito com o governo do Estado e com a Prefeitura de São Paulo, porque se recusava a tratar seus dejetos, despejados in natura no rio. A atitude da administração da terceira cidade mais populosa do Estado anulava trabalhos de saneamento, inclusive a despoluição de 42 córregos, feita em conjunto pela Sabesp e pela Prefeitura da capital. Agora, a prefeitura de Guarulhos promete construir estações de tratamento de esgoto e utilizar a unidade que a Sabesp instalou em São Miguel Paulista.

Assim como as prefeituras têm de fazer o que lhes cabe na coleta e tratamento do esgoto, os consumidores também precisam arcar com os custos da conexão das redes domésticas à rede pública, evitando o despejo irregular em galerias pluviais ou córregos. O valor da conta de água e esgoto aumenta, de fato. Mas o custo de não fazer as ligações, em termos de saúde pública e qualidade de vida, é muito maior.

No segundo semestre, o governo estadual iniciará a terceira etapa do Projeto Tietê, que consistirá na universalização.

DESPROMOÇÃO DE PLUTÃO

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DESPROMOÇÃO DE PLUTÃO

Desde a sua descoberta, em 1930, até Agosto de 2006, Plutão foi considerado um planeta principal. A partir de então foi “despromovido” a Planeta anão. Porquê? Qual a nova definição de planeta? Qual a definição de planeta anão?

Uma das razões pela qual Plutão foi “despromovido” decorre do aparecimento de outros corpos celestes de tamanhos semelhantes ou maiores que Plutão (com cerca de 2300Km de diâmetro).

Contam-se, entre eles, Caronte, o seu satélite natural, com cerca de 1200 Km de diâmetro; Éris, um corpo celeste que existe para lá de Plutão a cerca de 97UA( unidades astronómicas) do Sol e cerca de 3000Km de diâmetro e, ainda, Ceres um asteróide situado na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter com cerca de 950Km de diâmetro.

Para que Plutão fosse considerado Planeta, os outros três também teriam que o ser porque apresentam tamanho semelhante a Plutão.


Caroante


Éris


Ceres

Outra razão para a referida “desqualificação” relaciona-se com a definição de Planeta proposta a Agosto de 2006: corpo que orbita em torno de uma estrela, tem que ter massa suficiente para ter gravidade própria, assume forma arredondada, possui um diâmetro superior a 800Km e dominar a sua órbita -a órbita tem que estar desimpedida de outros astros.

Assim sendo, Plutão não pode ser considerado um planeta principal já que na sua órbita existem outros astros nomeadamente Neptuno. Éris, apesar de ser maior que Plutão, também não pode ser considerada planeta principal pois na sua órbita também gravitam outros astros.

Ceres também não porque é um asteróide. Foram, então, os três classificados como planetas anões. E Caronte foi, é e continuará a ser um satélite natural de Plutão.

BRIC – BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA

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BRIC – BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA

O que é o Bric?

Bric – grupo formado pelas economias emergentes de Brasil, Rússia, Índia e China. Analistas brasileiros e americanos apostam que os quatro vão continuar crescendo, na contramão da recessão mundial. Neste cenário, o Brasil lidera, ao lado da China, as previsões otimistas, lastreado por um conjunto de fatores estruturais, no qual o sistema bancário tem destaque. À Rússia, coube a liderança no ranking de vulnerabilidade.

“A crise mostra que o sistema financeiro é vital e deveria ser balizado pelo acordo da Basiléia. Entre os Bric, o Brasil é o único que segue a cartilha”, disse Ernesto Lozardo, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro Globalização: a certeza imprevisível das nações.

O Basiléia II é o acordo que regula em mais de 100 países a gestão do risco bancário. A regulação foca a prevenção de uma crise bancária internacional, através da fiscalização do lastro nas ações de risco. Justamente o elemento que poderia ter evitado a crise mundial, detonada pelos subprimes nos Estados Unidos.

“A principal âncora do nosso desenvolvimento é o sistema financeiro estável e sólido. Ele fará o Brasil se sair melhor na crise. Os bancos brasileiros estão capitalizados e são confiáveis. Esta credibilidade é dada pelo Banco Central que faz correções rápidas, fiscalizando a liquidez e o grau de risco dos bancos” disse Lozardo, acrescentando que o País é o único com metas para a inflação e ações interbancárias.

Nem a China, com quem o Brasil divide a melhor posição diante da crise, dispõe de tal eficiência. “O sistema bancário da China ainda é arcaico se comparado com o nosso”, disse Rodrigo Maciel, secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC).

Mas, se os chineses só têm cartões de crédito há três anos, exibem reservas estrangeiras incomparáveis. O Brasil dispõe de US$ 208 bilhões, a China de US$ 2 trilhões. “A China é a base sólida que os Bric têm para reduzir o impacto da crise e continuar garantindo o crescimento mundial”, disse Maciel.

Crescimento mundial do Bric

Em 2007, os quatro países representavam 30% da economia mundial e foram responsáveis por quase metade do crescimento global, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os Bric avançam assim no rumo da profecia de Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, que criou o termo e previu que o grupo seria a maior economia do mundo até 2050. Em artigo recente, O’Neill disse que a demanda dos Bric pode compensar a desaceleração americana. Mesmo analistas como Paul Krugman, que consideram uma estupidez o agrupamento estabelecido por O’Neill, admitem que a maior parte do crescimento econômico mundial vem dos emergentes.

ECONOMIA DA CHINA

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A China é um país de economia planificada, isto é, controlada pelo estado segundo os princípios socialistas. Com a morte do presidente Mao Zedong (Mao Tsé-tung), a economia passou por um processo de modernização e liberalização, visando mais eficiência e melhor aproveitamento dos recursos.

Organização econômica:
O novo regime instaurado em 1949 procurou transformar a sociedade e a economia com a socialização dos bens básicos: a terra, a indústria e as fontes de energia. Eliminada a propriedade privada dos meios de produção, o objetivo seguinte foi o desenvolvimento produtivo e a industrialização, contando apenas com os recursos internos. Isso se realizou com a planificação da economia a médio prazo e com os planos qüinqüenais.

Contudo, a partir de 1978, pouco depois da morte de Mao Zedong, a política econômica tomou novo rumo, cujo objetivo prioritário era modernizar o país. Deixou-se de lado o mito da auto-suficiência econômica e intensificaram-se as trocas comerciais com o Japão, a Europa e os Estados Unidos. Além disso, houve mudanças no sistema de gestão industrial e o sistema de comunas camponesas foi complementado com a criação de pequenos lotes privados.

Agricultura, pecuária e pesca. Os chineses têm praticado a agricultura no mínimo há três milênios. Depois da revolução, o governo procurou aumentar a produção agrícola para atender as necessidades da população sem recorrer às importações. A exploração do campo foi organizada em comunas, cujo tamanho e riqueza variavam de acordo com a região. No fim do século XX, dois terços da população se dedicavam às atividades primárias da economia.

A necessidade de aumentar a produção exigia maior rendimento das áreas cultivadas, cujos solos estavam depauperados após séculos de utilização intensiva. Com essa finalidade, já na década de 1960 a terra passou a ser adubada com fertilizantes químicos e o curso dos rios foi alterado; as secas passaram a ter menos impacto e construíram-se canais, barragens e muros de contenção para atenuar os efeitos das inundações.

A China apresenta grande variedade de regiões agrícolas. As terras mais férteis estão no sudeste e no centro do país. As regiões do norte e do oeste têm zonas de cultivo que se estendem pelos sopés dos maciços montanhosos.

As culturas mais importantes são as de cereais, de que a China é um dos maiores produtores do mundo. Destacam-se o arroz, no sudeste, e o trigo, o milho e a soja. Também são importantes as culturas de hortaliças (batata-doce e batata-inglesa) e de produtos de uso industrial como o algodão. Cultivam-se ainda plantas tropicais como o amendoim, o chá e a cana-de-açúcar.

A importância da pecuária é relativa, pois quase toda a terra disponível é dedicada à agricultura. As criações mais importantes são as domésticas (patos e porcos), em que a China ocupa um dos primeiros lugares. O gado bovino (búfalos) e o eqüino é utilizado para tração nas atividades agrícolas. A criação extensiva ou nômade (ovelhas e cavalos) ocorre nas regiões que não comportam agricultura: a oeste de Xinjiang, na Mongólia Interior ou no Tibet.

O peixe tem lugar de destaque na alimentação dos chineses:
A pesca fluvial é muito importante, praticada nos rios, canais, arrozais, lagos e até nos charcos e zonas pantanosas. A pesca costeira se faz com embarcações artesanais (barcos a vela e a remo), enquanto as embarcações motorizadas são reservadas quase exclusivamente à pesca em alto-mar. A China é um dos primeiros países em volume de pesca.

Mineração e energia: São enormes os recursos do subsolo chinês, mas as grandes distâncias, o relevo acidentado e as vias de comunicação insuficientes limitam as possibilidades de seu aproveitamento.

A China possui uma das maiores reservas de carvão do planeta. As jazidas mais ricas encontram-se no norte, na bacia de Shanxi e no oeste de Shandong. No sul da China, há pequenas explorações que alimentam a indústria da região. A partir da década de 1960, a prospecção de hidrocarbonetos deu excelentes resultados. As principais reservas de petróleo ocorrem em Daqing (Tashing), no golfo de Bo, na bacia de Qaidam e em Xinjiang. A produção atende às reduzidas necessidades internas e o resto é exportado. A eletricidade provém de grande número de centrais térmicas, hidrelétricas e nucleares.

O subsolo chinês contém grandes reservas de ferro e manganês. Possui também abundantes jazidas de molibdênio, tungstênio, bauxita, cobre e estanho.

Indústria:
A partir de 1842, o antigo artesanato chinês (tecidos, cerâmica, cristal) começou a ser complementado por uma indústria moderna que esteve em mãos de estrangeiros (ingleses, russos e japoneses) até a revolução de 1949.

Desde o começo, o regime revolucionário se propôs converter a China num país industrial. Nos primeiros dez anos, o apoio técnico e financeiro da União Soviética permitiu um vertiginoso desenvolvimento industrial, interrompido em princípios da década de 1960, com o fracasso do chamado “grande salto para a frente” e o fim da ajuda soviética. Mesmo assim, em 1970 a produção industrial havia triplicado em relação à de 1949: a China tornara-se o país mais industrializado do Terceiro Mundo. Depois da morte de Mao, e sobretudo a partir de 1978, observou-se uma clara evolução da política industrial, que se materializou na multiplicação das importações de bens de equipamento e de tecnologia e no estímulo à produtividade (diversificação de salários e atribuição de gratificações por desempenho).

A indústria siderúrgica, especialmente estimulada a partir de 1949, não consegue satisfazer as necessidades do país. As instalações mais importantes são as de Anshan, Baotou (Paotou) – na Mongólia Interior – e Xangai.

Na indústria mecânica tem destaque a fabricação de caminhões (fundamentais para o transporte, dada a insuficiência da rede ferroviária) e de tratores. As principais fábricas estão em Tianjin, Baotou, Xangai e Cantão. São também importantes as indústrias de construção naval instaladas em Lüda (Dairen) e Xangai; de material ferroviário, em Changzhou e Lüda; de material elétrico, em Harbin; e de equipamentos agrícolas, em Lüda,
Pequim, Tianjin, Nanquim e Fushun.

A indústria química cresceu espetacularmente já na década de 1960, com a produção de fertilizantes e com a petroquímica. Pequim e Xangai são os núcleos onde se localizam os maiores complexos químicos. A indústria têxtil apresenta enorme volume de produção, atendendo a mais de um bilhão de pessoas. Seu grau de evolução tecnológica varia desde a manufatura artesanal até a tecnologia de ponta. Destaca-se a fabricação de artigos de lã, seda e algodão e, em menor grau, a de fibras sintéticas. Muito dispersos, os principais centros têxteis ficam nos núcleos mais povoados: Xangai e Pequim.

Comunicações e comércio:
A insuficiência da rede viária constitui um dos maiores problemas da economia chinesa, embora a malha de estradas e ferrovias tenham-se multiplicado a partir de 1949. A rede de transportes terrestres é decerto mais densa no leste da China, sobretudo no eixo Pequim-Xangai, que é a região mais populosa e industrializada. Acham-se também asseguradas as comunicações com as regiões menos povoadas, porém estratégicas, do oeste do país, Xinjiang e o Tibet.

As insuficiências são compensadas pelas hidrovias (mais de 150.000km), sobretudo o rio Amur e seus afluentes, além do curso inferior do Yangzi. A eles acrescenta-se o grande canal, reformado em 1958, que une o rio Amarelo ao Yangzi.

O transporte marítimo é assegurado por navios estrangeiros, pois a marinha mercante chinesa, em que pese o notável incremento de sua capacidade de carga, não pode absorver todos os fretes. Os principais portos são Lüda, Tianjin, Xangai e Cantão.

As rotas aéreas domésticas são atendidas por companhias nacionais, mas a exploração da maior parte das linhas internacionais está em mãos de empresas estrangeiras. Pequim, Xangai e Cantão possuem aeroportos internacionais.

Na China, o comércio exterior é monopólio do estado. Durante o regime maoísta reduziram-se ao mínimo as transações com o estrangeiro, mas essa situação mudou progressivamente após a morte do presidente Mao. Até 1969, o maior volume de trocas era com os países socialistas. Desde 1970, porém, os maiores fornecedores são o Japão, Hong Kong, a Europa ocidental e os Estados Unidos. O comércio com o Terceiro Mundo está vinculado à ajuda financeira e técnica que a China presta aos países em desenvolvimento.

Os chineses importam dos países desenvolvidos bens de capital (às vezes fábricas completas), fertilizantes, trigo e matérias-primas (algodão, lã e cobre). Em contrapartida, vendem matérias-primas (soja, antimônio, tungstênio e seda natural), produtos alimentícios (chá, carne de porco) e manufaturas destinadas a países do Terceiro Mundo (maquinaria, tecidos e produtos farmacêuticos).