CESSÃO SESSÃO SEÇÃO SECÇÃO

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1.1. CESSÃO: ceder (passar os direitos para alguém)
– Os herdeiros participaram do ato de cessão dos seus direitos perante o juiz.
– Há possibilidades de cessão de direitos hereditários.
– Cessão de posse configura-se cessão de direitos.
– Lei federal autoriza cessão de diques em instalações militares para a iniciativa privada.

1.2. SESSÃO: reunião
– Os homens do governo farão uma sessão secreta para discutir os assuntos da semana.
– Adolescentes somem após sessão de cinema, diz a manchete.
– Filme de Madonna tem sessão extra neste domingo.
– Sessão secreta sobre o caso Renam pode ser adiada.
– Câmara discute o caso de homicídio em sessão extraordinária.

1.3. SECÇÃO ou SEÇÃO: repartição, separação
– Veja a notícia na Folha Online, na seção ‘Dinheiro’.
– Confira as dicas da semana na seção ‘crianças’.
– Ela vota na 9a. seção eleitoral.
– Veja a Folha Online, na secção ‘Brasil’.

ABAIXO, ABAIXO DE E A BAIXO

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Abaixo

(adv.) = na parte inferior; em menor grau; inferiormente.

(interj.) = cair.

Um só vocábulo, escreve-se nos seguintes casos:

Ex.: O João desceu rapidamente pela rua abaixo. (advérbio de lugar)
Abaixo o governo! (Interjeição)
Deitaram abaixo as árvores todas. (por extensão = derrubaram)

O nadador teve uma fraca prestação, muito abaixo das suas possibilidades (locução prepositiva: abaixo de)

A baixo

Dois vocábulos, só se escreve em locuções adverbiais do tipo:

Ex.: O professor olhou o aluno de alto a baixo.
O empregado leu atentamente, de cima a baixo, todo o contrato laboral.

AFIM DE TC? OU A FIM DE TC?

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a fim de tc?

Com a internet em alta, a frase acima virou padrão de início de bate-papos virtuais.

A introdução da conversa se dá, quase sempre, da mesma forma: Está “afim” de teclar?

A maneira adequada seria: Está A FIM de teclar? Estar A FIM de algo é interessar-se por esse algo. Estar A FIM de uma conversa é, logo, estar interessado por ela.

A palavra afim indica afinidade: Meu estabelecimento atende a roqueiros, punks e AFINS (pessoas que têm afinidade com os freqüentadores).

Em que situações se utiliza a fim e afim?

Para distinguir entre a fim e afim, é necessário compreender que se trata de duas expressões homófonas (isto é, que se pronunciam da mesma maneira, mas têm grafias e significados distintos) que correspondem a duas construções diferentes.

A expressão a fim usa-se na locução prepositiva a fim de, para indicar
uma finalidade ou um objectivo, sendo equivalente a para.

Usa-se ainda a locução estar a fim de, com o significado de “ter vontade ou desejo de algo”.

O adjetivo afim usa-se com o significado de “que tem semelhanças ou afinidades com algo ou alguém” e é flexionável (ex. trataram o assunto em agenda e um outro afim deste; não tinham interesses afins).

SONETO DE FIDELIDADE VERSÃO VESTIBULANDA

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Sonhando com a Felicidade
Rayane Teles

De tudo sobre o vestibular estarei atento
Antes, e com tal empenho, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
De estudar, acharei meu conhecimento.

Não quero viver em vão esse momento
E sim com louvor conquistar meu canto
E rir todo riso e até derramar algum pranto
Ao se pensar nas saudações de contentamento.

E assim, quando mais tarde me encontre
Quem sabe o vestibular, angústia de quem vive
Quem sabe a aprovação, fim de quem estuda.

Eu possa lhe dizer do ano que tive:
Que não seja imortal, posto que eu passe
Mas que seja produtivo enquanto dure.

ORIGINAL

Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

O ACENTO É GRAVE

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O ACENTO É GRAVE

O uso do sinal indicativo de crase é um suplício

A crase é uma desgraça! Abaixo a crase! Serve pra quê? Ouvimos sempre essas reclamações dos alunos, porque ela incomoda mais que o elefante daquela musiquinha. Uma crase incomoda muita gente, duas crases…

Crase não é acento, é convenção, logo não marca a tonicidade. Os usuários (não do transporte coletivo, mas da língua) enfiam o acento grave conforme a eufonia. É forte, vai crase. Doce e grave engano.

O inusitado acontece por obra e graça de uma língua na qual a preposição e o artigo são idênticos: a. Daí à tragédia (com crase) é um passo. Os castelhanos perceberam o caos e se anteciparam: o artigo é la; e a preposição, a. Assim: Vamos a la casa de Maria é um enunciado claro, limpo, como a casa da própria.

Na outra ibérica língua, a de Fernando Pessoa, teríamos: Vamos aa casa de Maria. Quem daria crédito a esta grafia aa? Diriam tratar-se de coisa tipicamente lusitana. Bobagem reservada às (com crase) piadas.

De qualquer modo, experimente, heróico leitor dessa coluna, a pronúncia desses dois aas. Que tal? Não sentiu, por acaso, um bloqueio pulmonar? Logo, frisemos que o uso da crase é, antes de tudo, uma questão de saúde pública. Salvam-se os pulmões graças à (com crase) balsâmica crase.

Artifícios surgem como forma de evitar essa epidemia tão grave e aguda quanto a do Ebola. Troca-se a palavra à qual (com crase) a crase está ligada por uma masculina, surgindo ao, vai crase. Exemplo: Vai à praia. Vai ao litoral.

Adiante. Se a crase é a contração de a+a, ela poderá acontecer na frente de palavras femininas. Em Compro a crediário ou Compro a prazo temos o a como simples e inofensiva preposição, pois o artigo de prazo e de crediário é o. Pô!

Porém nada pode ser tão simples na vida do falante distraído da língua mãe de Bilac (cuidado! não disse falante da língua da mãe distraída do Bilac). Surgem, de inopino, não se sabe de onde, as locuções adverbiais femininas. Aqui não adiantam artifícios de troca por ao. Exemplos: Dobrar à direita; Ricardão colocou as calças às pressas; Saiu às cegas catando o Ricardão; A mulher estava às apalpadelas com o Ricardão; Agarrou a colega à unha; Estava à toa na vida, quando o Ricardão chegou às escondidas. Entretanto – Trancou a mulher a cadeado; Andava com ela a tiracolo. Todo o cuidado é pouco (com a crase e com o Ricardão).

Viu só, matei à paulada, mas matei a pau. Uau!

O CASO DO MIM E DO EU; DO TU E DO TE

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O CASO DO MIM E DO EU; DO TU E DO TE

É comum as pessoas dizerem: Este livro é para mim ler. Qual o equívoco? O certo é para eu ler. Simplesmente não observamos que o mim torna-se o sujeito de ler.

Pelas leis da gramática, mim e te não funcionam como sujeitos da ação. Logo: Para eu fazer, para eu ler, para eu escrever. Mim e te não praticam ação. Logo, mim não passa no vestibular; mim não namora, mim não vai a jogo de futebol. Eu, sim, passo no vestibular. Estudo para eu passar no vestibular. Na verdade, isso parece língua de índio: Mim Jane, tim Tarzã…

Os alunos irão reclamar: Que diferença faz, todo o mundo entende quando a gente diz pra mim fazer? Ah, sim, vocês acham mesmo isso? Então vejamos:

Imaginem que um colega faça o seguinte convite:

Vou-te convidar para tu comeres lá em casa.

Tu é sujeito de comer. Logo, praticará a ação de degustar o alimento cozido. Trata-se de pronome reto, digno
feitor de ações. Trocando para o pronome oblíquo:

Vou-te convidar para te comer lá em casa.

Mudou alguma coisa? Penso que sim. Agora o convidado, de agente da ação de comer, passa a ser o cardápio. Moral da história: Quando convidarem vocês para comer, perguntem se é com o reto ou com o oblíquo. Gentilmente, vai-se primeiro com o reto e, depois, mete-se o oblíquo.

ONDE E AONDE?

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ONDE E AONDE?

Sublime pânico. E agora? Estamos escrevendo uma importante correspondência e nos assoma essa dúvida atroz, aterrorizante. Realmente, a Língua Portuguesa é a pior do planeta. Nada disso. Ledo engano, caro internauta indeciso.

É muito simples. Usaremos AONDE quando pudermos substituir por PARA ONDE. Assim,

Aonde você vai, com essa roupa sumariíssima. Porque podemos substituir por PARA ONDE você vai…

Mas,

Moro onde não mora ninguém. Porque
é impossível substituir por Moro PARA ONDE não mora ninguém.

Fácil.

Então faça o teste. ONDE ou AONDE eu estava com a cabeça quando me casei com você?

VÍRGULA ANTES DO E

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Alguém disse, em sabedorias populares, que antes do E não há vírgula. Quem disse isso? O nome do tal não surge. Alguém, me disseram, sei lá. Não caia nessa, caro internauta. Vamos à regra, à verdade nua e crua, doa a quem doer…

Haverá, sim, vírgula antes do E se esse E ligar duas orações com sujeitos diferentes. Como assim? Vejamos.

Ele pegou suas coisas, e ela não o impediu de sair.

Ele é o sujeito, pratica a ação de pegar. Ela pratica, ou deixa de praticar a ação de impedir. São dois verbos, duas ações, com sujeitos diferentes. Aliás, sujeitos que estão em vias de se separar. Logo, haverá vírgula separando as orações
e os meliantes separatistas. Mas

Ele juntou as trouxas e seguiu rua a fora.

Ele é sujeito de juntar e de seguir. Logo, sem vírgula antes do E.

A partir de agora, cuidado com a vírgula antes do E, e muito cuidado com a mulher que o acompanha. Ninguém está a salvo. Ufa!

FIGURAS DE LINGUAGEM

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FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras sonoras

Aliteração
Repetição de sons consonantais (consoantes).

Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia.

Ex: “(…) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)

Assonância
Repetição dos mesmos sons vocálicos.

Ex: (A, O) – “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.” (Caetano Veloso)
(E, O) – “O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser me deu.” (Fernando Pessoa)

Paranomásia
É o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).

Ex: “Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias” (Padre Antonio Vieira)

Onomatopéia
Criação de uma palavra para imitar um som

Ex: A língua do nhem “Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa / A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…” (Cecília Meireles)

Figuras de sintaxe
Elipse
Omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos mais comuns:

a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois, compraríeis a casa?
b) substantivo – a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no ligar de o estádio Maracanã
c) preposição – estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no lugar de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
d) conjunção – espero você me entenda, no lugar de: espero que você me entenda.
e) verbo – queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o filho que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos – E o rapaz: – Não sei de nada !, em vez de E o rapaz disse:

Zeugma
Omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes. Se for verbo, pode necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, nas orações comparativas.

Ex: Alguns estudam, outros não, por: alguns estudam, outros não estudam. “O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano.” (Chico Buarque) – omissão de era

Hipérbato
Alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das orações no período. São determinadas por ênfase e podem até gerar anacolutos.

Ex: Morreu o presidente, por: O presidente morreu.

Obs1.: Também denominada de antecipação.
Obs2.: Se a inversão for violenta, comprometendo o sentido drasticamente, alguns autores denominam-na sínquise
Obs3.: Alguns autores considera anástrofe um tipo de hipérbato

Anástrofe

Anteposição, em expressões nominais, do termo regido de preposição ao termo regente.

Ex: “Da morte o manto lutuoso vos cobre a todos.”, por: O manto lutuoso da morte vos cobre a todos.

Obs.: alguns autores consideram um tipo de hipérbato

Pleonasmo

Repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a idéia.

Ex: Vi com meus próprios olhos. “E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento.” (Vinicius de Moraes), Ao pobre não lhe devo (OI pleonástico)

Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro – decorre da ignorância, perdendo o caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)

Assíndeto
Ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao texto. Ocorre muito nas orações coordenadas.

Ex: “Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios.”

Polissíndeto
repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.

Ex: O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. “E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (…)” (Carlos Drummond de Andrade)

Anacoluto
Termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente, inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.

Ex: Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns anos sem importância (sujeito sem predicado) / Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração)

Anáfora
Repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.

Ex: “Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta / Pro desfecho que falta / Por favor.” (Chico Buarque)

Obs.: repetição em final de versos ou frases é epístrofe; repetição no início e no fim será símploce. Classificações propostas por Rocha Lima.

Silepse
É a concordância com a idéia, e não com a palavra escrita. Existem três tipos:

a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída (= a cidade de São Paulo). V. Sª é lisonjeiro
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra de Canudos (= o livro de Euclides da Cunha). O casal não veio, estavam ocupados.
c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pess – os brasileiros, mas quem fala ou escreve também participa do processo verbal)

Antecipação
Antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático. Pode gerar anacoluto.

Ex.: Joana creio que veio aqui hoje.
O tempo parece que vai piorar

Obs.: Celso Cunha denomina-a prolepse.

Figuras de palavras ou tropos ou Alterações Semânticas

Metáfora

Emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. É um tipo de comparação implícita, sem termo comparativo.

Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. Encontrei a chave do problema. / “Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta.” (Luís Gonzaga Junior)

Obs1.: Alguns autores define como modalidades de metáfora: personificação (animismo), hipérbole, símbolo e sinestesia. ? Personificação – atribuição de ações, qualidades e sentimentos humanos a seres inanimados. (A lua sorri aos enamorados) ? Símbolo – nome de um ser ou coisa concreta assumindo valor convencional, abstrato. (balança = justiça, D. Quixote = idealismo, cão = fidelidade, além do simbolismo universal das cores)
Obs2.: esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas

Catacrese
Uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na ausência de termo específico.

Ex.: Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha) / “Distrai-se um deles a enterrar o dedo no tornozelo inchado.” – O verbo enterrar era usado primitivamente para significar apenas colocar na terra.

Obs1.: Modernamente, casos como pé de meia e boca de forno são considerados metáforas viciadas. Perderam valor estilístico e se formaram graças à semelhança de forma existente entre seres.
Obs2.: Para Rocha Lima, é um tipo de metáfora

Metonímia
Substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associação de significado.

Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra – livro) / Ir ao barbeiro (o possuidor pelo possuído, ou vice-versa – barbearia) / Bebi dois copos de leite (continente pelo conteúdo – leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pala classe – culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo todo – anos) / O brasileiro é malandro (sing. pelo plural – brasileiros) / Brilham os cristais (matéria pela obra – copos).

Antonomásia, perífrase
substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma expressão que facilmente o identifique. Fusão entre nome e seu aposto.

Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o leão, Escritor Maldito = Lima Barreto

Obs.: Também considera como uma variação da metonímia

Sinestesia
Interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão, audição, gustação e tato).

Ex.: “Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava … / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas … / Tanta harmonia melancolizava.” (Cruz e Souza)

Obs.: Para alguns autores, representa uma modalidade de metáfora

Anadiplose
É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no começo de outro membro de frase.

Ex: “Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos dados.”

Figuras de pensamento
Antítese
Aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.

Ex: “Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios” (Vinicius de Moraes)

Obs.: Paradoxo – idéias contraditórias num só pensamento, proposição de Rocha Lima (“dor que desatina sem doer” Camões)

Eufemismo
Consiste em “suavizar” alguma idéia desagradável

Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado)

Obs.: a autora Rocha Lima propõe uma variação chamada litote – afirma-se algo pela negação do contrário. (Ele não vê, em lugar de Ele é cego; Não sou moço, em vez de Sou velho). Para Bechara, alteração semântica.

Hipérbole
Exagero de uma idéia com finalidade expressiva

Ex: Estou morrendo de sede (com muita sede), Ela é louca pelos filhos (gosta muito dos filhos)

Obs.: Para alguns, é uma das modalidades de metáfora.

Ironia
Utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico.

Obs.: Para alguns designado como antífrase

Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.

Gradação
Apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax)

Ex: “Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não veja, que eu não conheça perfeitamente.”

Prosopopéia, personificação, animismo
É a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados.

Ex: “A lua, (…) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel …” (Jõao Bosco / Aldir Blanc)

Obs.: Para alguns, é uma modalidade de metáfora

Bibliografia

BECHARA, E., 2000, Moderna Gramática Portuguesa, 37 ed., Editora Lucerna, Rio de Janeiro, RJ
ROCHA LIMA, C. H., 1999, Gramática Normativa da Língua Portuguesa, 37 ed., José Olympio Editora, Rio de Janeiro, RJ
TUFANO, D., 1979, Estudos de Língua e Literatura, Vol. 2, 1 ed., Editora Moderna, São Paulo, SP

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

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ACENTUAÇÃO GRÁFICA

SÍLABA:
Vogal ou conjunto de fonemas que se pronunciam numa só emissão de voz:

sílaba átona (fraca)
sílaba tônica (forte)

Classificação das palavras quanto ao número de sílabas:

Monossílabo: vocábulo formado por uma só sílaba.
Exemplo: mar, eu, é.

Dissílabos: vocábulo formado por duas sílabas.
Exemplo: de-do, ca-fé, ba-ú.

Trissílabos: vocábulo formado por três sílabas.
Exemplo: prín-ci-pe, lâm-pa-da, ó-cu-los.

Polissílabos: vocábulo formado por quatro ou mais sílabas.
Exemplo: ma-ra-vi-lho-so, a-tro-pe-la-men-to, es-tú-pi-do.

Classificação das palavras quanto à acentuação:

Acentuação Tônica
Toda palavra tem uma sílaba que é pronunciada com mais intensidade que as outras. Essa sílaba é chamada de sílaba tônica. A sílaba tônica pode ocupar diferentes posições de acordo com essa colocação que pode ser classificada como: oxítona, paroxítona, proparoxítona e monossílaba tônica.

Os monossílabos podem ser:

Átonos (fracos):
Nunca são acentuados graficamente.
Exemplos: o, a, os, as, um, uns, me, te, se, lhe, lhes, nos, que, com, de, por, sem, sob, mas, nem, e.

Tônicos (fortes):
Acentuam-se os que terminam em a(s), e(s), o(s), ão(s), ã(s), os ditongos abertos ói(s), éu(s), éi(s) e as formas verbais vêm e têm.
Exemplos: mar, sol, pó, fez, fé, bom, eu , tu, nós, vós, meu, teu, seu, mim, ti, si, dá, dês, pôs, dói, não, pão, sãos, cru, réis.

Os monossílabos podem ser:
Os dissílabos, trissílabos e polissílabos podem ser: Oxítonos: sílaba tônica na última sílaba.
Exemplo: café, ralé, oposição, aparar. Paroxítonos: sílaba tônica na penúltima sílaba. Exemplo: cônsul, fusível, vulnerável, falo, escuto, mesa, cadeira, felicidade. Proparoxítonos: sílaba tônica na antepenúltima sílaba. Exemplo: pároco, próximo, trôpego, histérico, nêspera.

Os dissílabos, trissílabos e polissílabos podem ser:

Oxítonos: sílaba tônica na última sílaba.
Exemplo: café, ralé, oposição, aparar.

Paroxítonos: sílaba tônica na penúltima sílaba.
Exemplo: cônsul, fusível, vulnerável, falo, escuto, mesa, cadeira, felicidade.

Proparoxítonos: sílaba tônica na antepenúltima sílaba.
Exemplo: pároco, próximo, trôpego, histérico, nêspera.

Normas da Acentuação Gráfica.

MONOSSÍLABOS TÔNICOS
São acentuados os terminados em A, E, O (com ou sem S no final). Exemplos: lá, nós, pé, mês, pó, ré.

OXÍTONOS
São acentuados os terminados em EM, ENS, A, E, O (com ou sem S no final).

Exemplos:

A, AS: está, atrás, fubá. E,
ES: café, você, vocês.
O, OS: avó, compôs, paletós.
EM: também, amém, armazém, alguém.
ENS: deténs, parabéns, armazéns.

Quando a sílaba tônica é formada por ditongo aberto:

anéis, remóis, Ilhéus.

Quando o I ou o U da sílaba tônica, não sendo seguido por letra diferente de S , faz hiato com a vogal da sílaba anterior:

ba-ú, da-í, Lu-ís, a-í, I-ta-ja-í, Ja-ú

Atenção: Não são acentuados: ju-iz, ra-iz, Ra-ul, ru-im, ca-iu

PAROXÍTONAS
São acentuados os terminados em L, N, R, X, PS, I, IS, U, US, Ã, ÃS, ÃO, ÃOS,ON, NOS, UM ,UNS.

Exemplos:
I, IS: táxi, tênis, júri, cútis
U, US: ônus, bônus
Ã, ÃS: ímã, órfãs
ÃO, ÃOS: sótão, bênçãos
ON, ONS: cólon, nêutrons
UM, UNS: álbum, álbuns
L, N, R, X, PS: fácil, cônsul, éden, hífen, pólen, abdômen, bíceps, fórceps, mártir, caráter, ônix, tórax.

Atenção: Não são acentuados os que terminam em ens: edens, hifens, abdomens. -ditongo crescente (seguido ou não de s: Flávia, Mário, cárie, gêmeo, óleo, tênue, água, régua, espontânea, crânio, mágoa, orquídea, árduo, mútuo, vídeo)

Quando a sílaba tônica é formada por ditongo aberto (éu, éi, ói): epopéica, celulóide, ovóide

Quando o I ou o u da sílaba tônica, não sendo seguido por nh, faz hiato com a vogal anterior, formando sozinho, ou com um s, uma sílaba: a-mi-ú-de, ar-ca-ís-mo, ru-í-do, ca-ís-te, re-ú-ne, e-go-ís-mo, sa-í-da, vi-ú-va, ci-ú-me, ra-í-zes, ju-í-zes

Atenção: Não são acentuados: mo-i-nho, ra-i-nha, cam-pa-i-nha, a-in-da, ca-ir-mos.

Quando a primeira vogal dos hiatos oo, ee (vogais repetidas) é tônica: vê-em, crê-em, lê-em, dê-em, re-lê-em, vô-o, a-ben-çô-o

Confronte: boa, garoa, voe, abençoe, coroa Atenção: põe, põem (pôr e seus compostos)

Atenção: põe, põem (pôr e seus compostos)

PROPAROXÍTONAS
Todos, sem exceção, são acentuados.

Encontros Vocálicos Ditongo – duas vogais em uma única sílaba (não se separam).
Exemplo: oi, sau-da-de, frei. Hiato – duas vogais em sílabas vizinhas.
Exemplo: saúde = sa-ú-de, coordenar = co-or-de-nar, faísca = fa-ís-ca.

Tritongo – três vogais em uma única sílaba (não se separam)
Exemplo: Paraguai = Pa-ra-guai, Jóquei = Jô-quei.

Casos especiais

1. Acento diferencial:

-pôde ¹ pode ²: pretérito perfeito ¹ presente do verbo poder ² -pára ¹ para ²: presente do indicativo do verbo parar ¹

preposição ² -côa(s) ¹ coa(s) ²: presente do indicativo do verbo coar ¹ contração de com + a(s) ²

-péla(s) ¹ pela(s) ²: presente do indicativo do verbo pelar ou substantivo ¹ contração da preposição per + a(s) ²

-pêlo(s) ¹ pelo(s) ²: substantivo ¹ contração de per + o(s) ²

-péra ¹ pêra ² pera ³: substantivo (pedra) ¹ substantivo (fruta) ² forma arcaica da preposição para ³

-pólo(s) ¹ pôlo(s) ² polo(s)³ : substantivo ¹ (extremidade) substantivo ² (pássaro) contração de por + o(s) ³

-pôr ¹ por ²: verbo ¹ preposição ²

2. Til
Usado sobre a e o nasais: não, vão, cãs, cãibra (ou câimbra), mãe, afã, ímã, fã; nas formas verbais de pôr e seus compostos (põe, põem, depõe, compõem).

3. Trema
Usado sobre a vogal u quando pronunciada mas átona, precedida de g ou q e seguida de e ou i:

tranqüilo, freqüentemente, averigüei, argüir, agüentar, lingüiça, cinqüenta, pingüim, delinqüência

Seu uso é facultativo em alguns casos:

líquido = líqüido
liquidação = liqüidação
sanguíneo = sangüíneo
sanguinário = sangüinário
lânguido = lângüido
equilátero = eqüilátero
retorquir = retorqüir

Atenção: eqüino (relativo ao cavalo), equino (moldura curva ou arredondada)

4. Palavras compostas com elementos separados por hífen
Cada um tem autonomia fonética, morfológica e gráfica, seguindo as regras gerais:

anglo-itálico recém-chegado pós-homérico pré-história

Obs.: Os prefixos anti, semi, super, circum, inter, nuper e arqui não são acentuados.

5. Abreviaturas
O acento original se mantém:

página = pág.
século = séc.

6. Formas verbais
Considere cada parte como um todo e siga as regras gerais:

amá-lo = oxítono terminado em a + monossílabo átono
desejá-lo-íamos = oxítono terminado em a + monossílabo átono + proparoxítono

Confronte: resolvê-las-ias; predispô-los-ão; compô-la-ei; compô-la-ás; pô-lo-íeis.

Observe que as formas verbais terminadas em a recebem acento agudo e as terminadas em e e o, acento circunflexo.

“Confira no site após às 6 da tarde os exercícios referentes a essa matéria nessa mesma página”