REFORMA ORTOGRÁFICA

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O que é?

O Acordo Ortográfico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) visa padronizar a ortografia do português nos oito países que possuem essa língua como pelo menos uma das oficiais. Os países membros da CPLP são: Brasil, Portugal, Timor Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Por que padronizar?
A padronização da ortografia supostamente favoreceria a Promoção da Língua Portuguesa no mundo. Facilitaria seu estudo e seu uso por estrangeiros em qualquer um dos oito países de língua portuguesa. Traria, de certa forma, uma identidade lingüística lusófona a esses países e a seus falantes.

Sai ou não sai?
A primeira tentativa de acordo foi em 1990. Até hoje, os países ainda não efetivaram as mudanças. Um Protocolo Modificativo foi redigido para que o acordo pudesse ser aprovado contendo a retificação de apenas 3 países da CPLP.

O Acordo já está ratificado, mas falta ainda que cada país ratifique seu protocolo modificativo. No Brasil, o Acordo está para entrar em vigor a partir de 2008.

Período de transição
É claro que não deveremos mudar nossa escrita da noite para o dia. Está previsto um período de transição para que as pessoas se acostumem com a nova ortografia e as editoras possam atualizar suas publicações.

Nas escolas
Luís Fonseca, secretário-executivo CPLP, diz que nos primeiros anos não haverá reprovações nas escolas por problemas de hifenização ou acentuação (em relação às novas regras). Ainda mais porque apenas 1,5% das palavras, no máximo, sofrerão alguma modificação com o Acordo.

ESCRITA

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ESCRITA

Método de comunicação humana realizado por meio de sinais visuais que constituem um sistema.

Estes sistemas podem ser incompletos ou completos. Os sistemas incompletos, usados para anotações, são mecanismos técnicos que registram feitos significativos ou expressam significações gerais. Incluem a escrita pictográfica, a ideográfica e a usada por objetos marcados. Nos sistemas incompletos não existe correspondência entre os signos gráficos e a língua representada, o que os torna ambíguos.

Um sistema completo é aquele capaz de expressar, na escrita, tudo quanto formula oralmente. Caracteriza-se pela correspondência, mais ou menos estável, entre os sinais gráficos e os elementos da língua que transcreve. Os sistemas completos classificam-se em ideográficos (também chamados morfemáticos), silábicos e alfabéticos.

O sistema ideográfico, denominado ideograma, representa palavras completas. O sistema silábico utiliza signos que representam sons com os quais se escrevem as palavras. O sistema alfabético tem mais signos para escrever e cada signo representa um fonema. Ver também Alfabeto.

O primeiro escrito conhecido, anterior a 3000 a.C, é atribuído aos sumérios da Mesopotâmia. Escrito com caracteres ideográficos, propicia uma leitura pouco precisa. Identifica-se nele o princípio da transferência fonética e é possível rastrear sua história até averiguar como foi convertido em escrita ideossilábica. No caso dos egípcios, são conhecidos escritos que remontam a cerca de cem anos depois e também registram o princípio da transferência fonética. Ver também Língua egípcia e Hieróglifos.

Outros sistemas ideossilábicos surgiram mais tarde no Egeu, Anatólia e na Indochina (ver também Língua chinesa). Na última metade do segundo milênio antes de Cristo, os povos semíticos, que viviam na Síria e na Palestina, adotaram o silabário egípcio (ver também Línguas semíticas). Os gregos basearam-se na escrita dos fenícios e acrescentaram a ela vogais e consoantes, criando a escrita alfabética em torno de 800 a.C. (Ver também Língua grega).

Alfabeto, palavra que, derivada da língua grega e constituída por alpha e beta, suas duas primeiras letras, designa a série de sinais escritos que representam um ou mais sons e que, combinados, formam todas as palavras possíveis de um idioma.

Os alfabetos são diferentes dos silabários, pictogramas e ideogramas: em um silabário, cada sinal representa uma sílaba. No sistema pictográfico, os objetos são representados por meio de desenhos. Nos ideogramas, os pictogramas são combinados para representar o que não pode ser desenhado.

Os primeiros sistemas de escrita foram a escrita cuneiforme dos babilônios e dos assírios, a escrita hieroglífica dos egípcios, os símbolos da escrita chinesa e japonesa e os pictogramas dos maias.

Alfabeto do semítico setentrional
É o primeiro alfabeto de que se tem notícia e surgiu, entre 1700 a.C. e 1500 a.C., na região que hoje corresponde à Síria e à Palestina. O alfabeto semítico possui apenas 22 consoantes. Os alfabetos hebraico, árabe e fenício se basearam neste modelo. A escrita é realizada da direita para a esquerda.

Alfabetos grego e romano
Entre os anos 1000 e 900 a.C., os gregos adotaram a variante fenícia do alfabeto semítico. Depois do ano 500 a.C., o grego se difundiu por todo o mundo mediterrâneo e dele surgiram outras escritas, entre elas, a etrusca e a romana. Em conseqüência das conquistas romanas e da difusão do latim, este alfabeto se tornou a base de todas as línguas européias ocidentais.

Alfabeto cirílico
Por volta do ano 860 d.C., os religiosos gregos, que viviam em Constantinopla, evangelizaram os eslavos e idealizaram um sistema de escrita conhecido como alfabeto cirílico. Suas variantes são as escritas russa, ucraniana, sérvia e búlgara.

Alfabeto árabe
Também tem sua origem no semítico e, possivelmente, surgiu no século IV de nossa era. Foi utilizado nas línguas persa e urdu. É a escrita do mundo islâmico.

Fenícia, antigo nome de uma estreita faixa de terra na costa leste do mar Mediterrâneo que atualmente constitui parte do Líbano. O território tem aproximadamente 320 km de comprimento e entre 8 e 25 km de largura.

Os fenícios, chamados sidônios no Antigo Testamento e fenícios pelo poeta Homero, eram um povo de língua semítica, ligado aos cananeus da antiga Palestina. Fundaram as primeiras povoações na costa mediterrânea por volta de 2500 a.C.

No começo de sua história desenvolveram-se sob a influência das culturas suméria e acádia da vizinha Babilônia. Por volta de 1800 a.C., o Egito, que começava a formar um império no Oriente Próximo, invadiu e controlou a Fenícia, controlando-a até cerca de 1400 a.C. Por volta de 1100 a.C. os fenícios tornaram-se independentes do Egito e converteram-se nos melhores comerciantes e marinheiros do mundo clássico.

A contribuição fenícia mais importante para a civilização foi o alfabeto. Atribui-se também a esta cultura a invenção da tinta de púrpura e do vidro. As cidades fenícias foram famosas por sua religião panteísta e seus templos eram o centro da vida cívica. A divindade fenícia mais importante era Astarté.

Escrita, Instrumentos de, utensílios manuais utilizados para efetuar marcas alfanuméricas em ou sobre uma superfície. As inscrições se caracterizam pela eliminação de parte da superfície, a fim de gravar essas marcas. O instrumento de escrita é controlado normalmente pelos movimentos de dedos, mão, pulso e braço da pessoa que escreve.
Instrumentos antigos

A mais antiga forma de escrita ocidental é a cuneiforme, que se realizava mediante a pressão de uma vareta de três ou quatro faces sobre barro mole, que depois era cozido. O avanço importante que se seguiu foi o emprego, pelos gregos, do pincel, do martelo e do cinzel. No século I d.C., as escritas duráveis eram realizadas sobre papiro, com uma espécie de bambu afilado e mergulhado em tinta.

Os pincéis planos e os bambus de ponta rômbica eram utilizados para as superfícies polidas e os rebocos ou muros de pedra, como no esgrafito. As inscrições eram realizadas com martelo e cinzel.

O nascimento e a difusão do cristianismo aumentaram a demanda por documentos religiosos escritos. Os livros em velino (ou pergaminho) vieram substituir os rolos de papiro e a pena de cálamo suplantou a pena de bambu, transformando-se no principal instrumento de escrita durante quase 1.300 anos.

De igual modo, por volta do século XVIII, o papel havia substituído o velino como principal superfície de escrita e começou-se a utilizar o aço para fabricar pontas de caneta. A primeira pena de aço patenteada foi construída pelo engenheiro inglês Bryan Donkin, em 1803.

A pena de cálamo caiu rapidamente em desuso.
Em 1884, Lewis Waterman, um agente de seguros de Nova York, patenteou a primeira pena esferográfica com depósito de tinta. Em 1938, Georg Biro inventou uma tinta viscosa e oleosa que servia para um tipo de caneta dotada de um rolamento na ponta.

A caneta esferográfica apresentava certas vantagens sobre a caneta-tinteiro: a tinta era impermeável e quase indelével; permitia escrever sobre superfícies muito diferentes e o instrumento podia ser mantido em qualquer posição durante a escrita.

Em 1963, apareceu a chamada caneta hidrográfica, com ponta de feltro. Quem a inventou foi o japonês Yukio Horie, em 1962. As canetas hidrográficas utilizam tinturas como fluido para escrever.

Um dos instrumentos mais difundidos para escritas deléveis é o lápis. Os traços do lápis podem ser apagados com facilidade. O interior do instrumento é formado por uma mistura de grafita (uma variedade do carbono) e argila. Em 1795, inventou-se uma fórmula para misturar pó de grafita com argila, cortando o produto resultante em pequenas barras que depois eram cozidas.

Em 1812, William Monroe criou um processo, empregado até hoje, mediante o qual se podia embutir a mistura grafita-argila entre dois pedaços de madeira de cedro. A lapiseira, patenteada em 1877, é formada por um estilete cilíndrico de carga, inserido num cilindro metálico ou plástico, e empurrado por um êmbolo que, ao girar, vai expulsando a ponta da carga.

CRASE

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CRASE

Crase é a fusão de duas vogais idênticas. Representa-se graficamente a crase pelo acento grave.

Fomos à piscina
à artigo e preposição

Ocorrerá a crase sempre que houver um termo que exija a preposição a e outro termo que aceite o artigo a.
Para termos certeza de que o “a” aparece repetido, basta utilizarmos alguns artifícios:

I. Substituir a palavra feminina por uma masculina correspondente. Se aparecer ao ou aos diante de palavras masculinas, é porque ocorre a crase.

Exemplos:

Temos amor à arte.
(Temos amor ao estudo)

Respondi às perguntas.
(Respondi aos questionário)

II. Substituir o “a” por para ou para a. Se aparecer para a, ocorre a crase:

Exemplos:

Contarei uma estória a você.
(Contarei uma estória para você.)

Fui à Holanda
(Fui para a Holanda)

III. Substituir o verbo “ir” pelo verbo pelo verbo “voltar”. Se aparecer a expressão voltar da, é porque ocorre a crase.

Exemplos:

Iremos a Curitiba.
(Voltaremos de Curitiba)

Iremos à Bahia
(Voltaremos da Bahia)

Não ocorre a Crase

a) antes de verbo
Voltamos a contemplar a lua.

b) antes de palavras masculinas
Gosto muito de andar a pé.
Passeamos a cavalo.

c) antes de pronomes de tratamento, exceção feita a senhora, senhorita e dona:
Dirigiu-se a V.Sa. com aspereza
Dirigiu-se à Sra. com aspereza.

d) antes de pronomes em geral:
Não vou a qualquer parte.
Fiz alusão a esta aluna.

e) em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos frente a frente
Estamos cara a cara.

f) quando o “a” vem antes de uma palavra no plural:
Não falo a pessoas estranhas.
Restrição ao crédito causa o temor a empresários.

Crase facultativa

1. Antes de nome próprio feminino:
Refiro-me à (a) Julinana.

2. Antes de pronome possessivo feminino:
Dirija-se à (a) sua fazenda.

3. Depois da preposição até:
Dirija-se até à (a) porta.

Casos particulares

1. Casa
Quando a palavra casa é empregada no sentido de lar e não vem determinada por nenhum adjunto adnominal, não ocorre a crase.

Exemplos:

Regressaram a casa para almoçar
Regressaram à casa de seus pais

2. Terra
Quando a palavra terra for utilizada para designar chão firme, não ocorre crase.

Exemplos:

Regressaram a terra depois de muitos dias.
Regressaram à terra natal.

3. Pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aqueles, aquilo.
Se o tempo que antecede um desse pronomes demonstrativos reger a preposição a, vai ocorrer a crase.

Exemplos:

Está é a nação que me refiro.
(Este é o país a que me refiro.)
Esta é a nação à qual me refiro.
(Este é o país ao qual me refiro.)
Estas são as finalidades às quais se destina o projeto.
(Estes são os objetivos aos quais se destino o projeto.)
Houve um sugestão anterior à que você deu.
(Houve um palpite anterior ao que você me deu.)

Ocorre também a crase

a) Na indicação do número de horas:
Chegamos às nove horas.

b) Na expressão à moda de, mesmo que a palavra moda venha oculta:
Usam sapatos à (moda de) Luís XV.

c) Nas expressões adverbiais femininas, exceto às de instrumento:
Chegou à tarde (tempo).
Falou à vontade (modo).

d) Nas locuções conjuntivas e prepositivas; à medida que, à força de…

OBSERVAÇÕES: Lembre-se que:

Há – indica tempo passado.
Moramos aqui há seis anos

A – indica tempo futuro e distância.
Daqui a dois meses, irei à fazenda.
Moro a três quarteirões da escola.

VIRUS E BACTÉRIAS

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VIRUS E BACTÉRIAS

Vírus

Por existirem muitas divergências sobre se os vírus se enquadram ou não entre os seres vivos, estes “organismos” não estão inseridos em nenhum dos grandes reinos dos seres vivos, daí a necessidade de serem estudados à parte.

Suas principais características são:

– Não possui estruturas celulares (membrana plasmática, citoplasma, etc.).

– São formados basicamente por uma cápsula protéica denominada capsômero que contém em seu interior um só tipo de ácido nucléico: DNA ou RNA, nunca ambos. Alguns vírus mais complexos podem apresentar também lipídios e glicídios presos à cápsula.

– São tão pequenos que podem penetrar no interior das células das menores bactérias que se conhecem, (100 a 1000 Å), portanto são visíveis somente ao M.E.

– Só apresentam propriedades de vida quando estão no interio0s de células vivas. Por isso são considerados parasitas celulares obrigatórios.

Reprodução dos Vírus

Um dos vírus mais estudados é o bacteriófago ou fago, que ataca bactérias reproduzindo-se em seu interior. Estes vírus são inofensivos ao homem e a outros animais.

A forma de reprodução dos vírus dentro de uma bactéria dá-se o nome de reprodução por montagem.

Doenças Causadas por Vírus

Os vírus podem causar doenças em plantas e animais. As principais doenças causadas por vírus que atingem o homem são:

Hidrofobia (Raiva): saliva introduzida pela mordida de animais infectados (o cão, por exemplo). Infecção: o vírus penetra pelo ferimento e instala-se no sistema nervoso. Controle: vacinação de animais domésticos e aplicação de soro e vacina em pessoas mordidas. Sintomas e características: febre, mal-estar, delírios, convulsões, paralisia dos músculos respiratórios (é doença mortal).

Hepatite Infecciosa: transmissão: gotículas de muco e saliva; contaminação fecal de água e objetos. Infecção: o vírus instala-se no fígado onde se multiplica, destruindo células. Controle: injeção de gamaglobulina em pessoas que entram em contato com o doente; saneamento, cuidados com alimentos ingeridos. Sintomas e características: febre, anorexia, náuseas, mal-estar, icterícia (pode ser fatal).

Caxumba: transmissão: contato direto; objetos contaminados; gotículas de saliva. Infecção: o vírus multiplica-se nas glândulas parótidas; eventualmente localiza-se em outros órgãos, como ovários e testículos. Controle: vacinação. Sintomas e características: parotidite (infecção das parótidas), com inchaço abaixo e em frente das orelhas (pode tornar a pessoa estéril se atingir os testículos ou os ovários).

Gripe: transmissão: gotículas de secreção expelidas pelas vias respiratórias. Infecção: o vírus penetra pela boca ou pelo nariz, localizando-se nas vias respiratórias superiores. Controle: nenhum. Sintomas e características: febre, prostração, dores de cabeça e musculares, obstrução nasal e tosse.

Rubéola: transmissão: gotículas de muco e saliva; contato direto. Infecção: o vírus penetra pelas vias respiratórias e se dissemina através do sangue. Controle: aplicação de imunoglobulina (com efeito protetor discutível). Sintomas e características: febre, prostração, erupções cutâneas (em embriões provoca a morte ou deficiências congênitas).

Varíola: transmissão: gotículas de saliva; objetos contaminados e contato direto. Infecção: o vírus penetra pelas mucosas das vias respiratórias e dissemina-se através do sangue; finalmente, atinge a pele e as mucosas, causando lesões. Controle: vacinação. Sintomas e características: febre alta e erupções cutâneas (geralmente deixando cicatrizes na pele; pode ser fatal).

Sarampo: transmissão: contato direto e indireto com secreções nasofaríngeas da pessoa doente. Infecção: o vírus penetra pelas mucosas das vias respiratórias e dissemina-se através do sangue. Controle: vacinação. Sintomas e características: febre alta, tosse, vermelhidão por todo o corpo (pode ser fatal em crianças).

Febre Amarela: transmissão: Picada de mosquitos, entre os quais se destaca o Aedes aegypti. Infecção: o vírus penetra através da pele, dissemina-se pelo sangue e localiza-se no fígado, na medula óssea, no baço e em outros órgãos. Controle: vacinação e combate aos mosquitos transmissores. Sintomas e características: febre alta, náuseas, vômitos, calafrios, prostração e pele amarelada (pode ser fatal).

Poliomielite: transmissão: alimento e objetos contaminados; secreções respiratórias. Infecção: o vírus penetra pela boca, multiplica-se no intestino, dissemina-se pelo sangue e instala-se no sistema nervoso central, onde destrói os neurônios. Controle: vacinação. Sintomas e características: paralisia dos membros; em muitos casos ocorrem apenas febres baixas e indisposição, que logo desaparecem sem causar problemas (provoca deficiência física).

AIDS (Síndrome da Imuno-Deficiência Adquirida): transmissão: sangue, esperma e muco vaginal contaminados. Infecção: o vírus penetra no organismo através de relações sexuais, uso de agulhas de injeção contaminadas ou transfusões de sangue infectado; ataca o sistema imunológico. Controle: uso de preservativos (Camisinha-vénus) nas relações sexuais e de agulhas descartáveis ou esterilizadas; controle rigoroso, por parte dos bancos de sangue da qualidade do sangue doado; ainda não existem remédios ou vacinas eficazes contra a doença. Sintomas e características: febre intermitente, diarréia, emagrecimento rápido, inflamação dos gânglios linfáticos, doenças do aparelho respiratório, infecções variadas, câncer de pele (doença mortal em 100% dos casos).

Bactérias

São unicelulares e estão entre os menores seres vivos conhecidos. Podem viver isolados ou formar colônias. Provavelmente são os organismos mais abundantes do planeta sendo encontrados em praticamente todos os ambientes.

Quanto a nutrição, podem ser autótrofas ou heterótrofas. As autótrofas podem sintetizar seu próprio alimento através da fotossíntese ou da quimiossíntese. As heterótrofas podem ser saprófitas, simbióticas ou parasitas.

Quanto a forma as bactérias podem ser classificadas: cocos, bacilos, espirilos e vibriões.

Cocos – bactérias de forma arredondada.

Bacilos – bactérias alongadas em forma de bastonetes.

Espirilos – são bactérias espiraladas.

Vibriões – são bactérias em forma de vírgulas.

Quanto a respiração elas podem ser aeróbias ou anaeróbias.

As bactérias tem alto poder de reprodução.

A principal forma de reprodução é a assexuada por divisão binária, bipartição ou cissiparidade. Neste caso um indivíduo se divide originando dois outros idênticos.

As bactérias podem realizar também um processo semelhante a reprodução sexuada típica, chamado conjugação: duas bactérias se ligam através de pontes citoplasmáticas; ocorre então a transferência de DNA de uma bactéria para outra. Por este processo ocorrem recombinações gênicas.

Algumas bactérias podem ser úteis ao homem e são utilizadas na agricultura, e na indústria (produção de iogurte, queijos, vinhos). Na indústria farmacêutica, bactérias do gênero Bacillus são utilizadas na produção de antibióticos. Outras bactérias são agentes causadores de diversas doenças em plantas e animais, inclusive no homem.

São também muito importante ao meio ambiente na decomposição de matéria orgânica, pois ingerem restos de animais e plantas.

Doenças Causadas por Bactérias

Tuberculose: é causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, ataca geralmente os pulmões. Há tosse persistente, emagrecimento, febre, fadiga e, nos casos mais avançados, hemoptise. O tratamento é feito com antibióticos e as medidas preventivas incluem vacinação das crianças – a vacina é a BCG (Bacilo de Calmet-Guérin) – radiografias e melhorias dos padrões de vida das populações mas pobres.

Hanseníase (lepra): transmitida pelo bacilo de Hansen (Mycobacterium lepra), causa lesões na pele, nas mucosas e nos nervos. O doente fica com falta de sensibilidade na pele. Quando o tratamento é feito a tempo, a recuperação é total.

Difteria (crupe): muitas vezes fatal, é causada pelo bacilo diftérico, atacando principalmente crianças. Produz uma membrana na garganta acompanhada de dor e febre, dificuldade de falar e engolir. O tratamento deve ser feito o mais rápido possível. A vacina antidiftérica está associada à antitetânica e à antipertussis (essa última com a coqueluche) na forma de vacina tríplice.

Coqueluche: doença típica de crianças produzindo uma tosse característica, causada pela bactéria Bordetella pertussis. O tratamento consiste em repouso, boa alimentação e, se o médico achar necessário, antibióticos e sedativos para a tosse.

Pneumonia bacteriana: embora algumas formas de pneumonia sejam causadas por vírus, a maioria é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, que ataca o pulmão. Começa com febre alta, dor no peito ou nas costas e tosse com expectoração. O médico deve ser chamado para iniciar o tratamento com antibióticos e o doente deve ficar em repouso.

Escarlatina: provocada pelo Streptococcus pyogenes. Causa dor de garganta, febre, dores musculares, náuseas e vômitos. As amígdalas ficam inflamadas, com pus, e a língua apresenta pequenas saliências (“língua de framboesa”). Depois disso surgem erupções na pele e manchas vermelho-escarlates. O médico deve ser consultado e o doente tem que ficar em repouso. De modo geral, a evolução é benigna, mas pode haver complicações causadas pela disseminação da infecção para outros órgãos do corpo.

Tétano: produzido pelo bacilo do tétano (Clostridium tetani), pode penetrar no organismo por ferimentos na pele ou pelo cordão umbilical do recém-nascido quando este é cortado por instrumentos não esterilizados. Há dor de cabeça, febre e contrações musculares, provocando rigidez na nuca e mandíbula. Há casos de morte por asfixia. A vacinação e os cuidados médicos (é aplicado o soro antitetânico em caso de ferimento suspeito) são essenciais.

Leptospirose: causada pela Leptospira interrogans, é transmitida pela água, alimentos e objetos contaminados por urina de ratos, cães e outros animais portadores da bactéria. Há febre alta, calafrios, dores de cabeça e dores musculares e articulares. É necessário atendimento médico para evitar complicações renais e hepáticas.

Tracoma: inflamação da conjuntiva e da córnea que pode levar à cegueira, é causada pela Chlamydia trachomatis. Surgem bolhas nos olhos e granulações nas pálpebras. É necessário pronto atendimento médico. A prevenção inclui uma boa higiene pessoal e o tratamento é feito com sulfas e antibióticos.

Disenterias bacilares: constituem a principal causa de mortalidade infantil nos países subdesenvolvidos, onde as casses mais pobres vivem em péssimas condições sanitárias e de moradia. São doenças causadas por diversas bactérias, como a Shigella e a Salmonella, e pelos colibacilos patogênicos. Transmitidas pela ingestão de água e alimentos contaminados, exigem pronto atendimento médico. A profilaxia só pode ser feita através de medidas de saneamento e melhoria das condições socioeconômicas da população.

Gonorréia ou blenorragia: causada por uma bactéria, o gonococo (Neisseria gonorrhoeae), transmite-se por contato sexual. Provoca dor, ardência e pus urinar. O tratamento deve ser feito sob orientação médica, pois exige o emprego de antibióticos.

Sífilis: provocada pela bactéria Treponema pallidum, é transmitida, geralmente, por contato sexual (pode passar também da mãe para o feto pela placenta). Um sinal característico da doença é o aparecimento, próximo aos órgãos sexuais, de uma ferida de bordas endurecidas, indolor (o “cancro duro”), que regride mesmo sem tratamento. Entretanto, essa regressão não significa que o indivíduo esteja curado, sendo absolutamente necessários diagnóstico e tratamento médicos. Sem tratamento, a doença tem sérias conseqüências, atacando diversos órgãos do corpo, inclusive o sistema nervoso, e provocando paralisia progressiva e morte.

Meningite meningocócica: infecção das meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula). Pode ser provocada por vírus, mas a forma mais comum de meningite é causada por uma bactéria – o meningococo. Os sintomas iniciais são febre alta, náuseas, vômitos e rigidez dos músculos da nuca. O doente não consegue encostar o queixo no peito e deve ser hospitalizado imediatamente, sendo submetido a tratamento por antibióticos, pois a doença pode ser fatal. Como é transmitida por espirro, tosse ou fala, é importante a notificação à escola caso uma criança a contraia.

Cólera: doença causada pela bactéria Vibrio cholerae (vibrião colérico), que se instala e se multiplica na parede do intestino delgado, produzindo substâncias tóxicas e provocando uma forte diarréia. As fezes são aquosas e esbranquiçadas (parecendo água de arroz), sem muco ou sangue. Ocorrem também cólicas abdominais, dores no corpo, náuseas e vômitos.

O grande perigo está na rápida desidratação provocada pela diarréia: o doente pode perder de um a dois litros de líquido por hora. Como conseqüência, o doente apresenta muita sede, cãibras, olhos encovados e pele seca, azulada e enrugada. Se o processo continuar, pode haver rápida insuficiência renal e morte em 24 horas ou menos. Por isso, é preciso procurar logo atendimento médico para que a perda de água seja controlada através de reidratação endovenosa com soro e antibióticos.

Mais de 90% das pessoas que contraem o cólera permanecem assintomáticos, isto é, não chegam a adoecer, podendo sofrer apenas uma diarréia branda (embora possam transmitir a doença por mais de trinta dias). A doença é contraída através da ingestão de água ou alimentos contaminados, crus ou mal cozidos (a bactéria morre em água fervida e em alimentos cozidos).

Embora haja vacinas contra o cólera, sua eficácia é apenas parcial (em geral, cerca de 50%) e dura poucos meses. Por isso, a doença somente pode ser erradicada através de medidas de higiene e saneamento básico.

Febre tifóide: causada pela Salmonella typhi, provoca úlceras no intestino, diarréia, cólica e febre. O tratamento é feito com antibióticos. A prevenção inclui vacinas e melhoria das condições sanitárias da população.

ACIDENTE COM CÉSIO-137

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ACIDENTE COM CÉSIO-137

INDICE

    • 1 – A natureza da fonte contaminadora
    • 2 – Eventos
    • 2.1 – A origem do acidente
    • 2.2 – O desmonte do equipamento radiológico
    • 2.3 – A exposição à radiação
    • 3 – A demora na detecção
    • 4 – A contaminação
    • 5 – Lixo atômico
    • 6 – Consequências
    • 7 – Revitalização da região
    8 – Referências

O acidente radiológico de Goiânia, amplamente conhecido como acidente com o Césio-137, foi um grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido no Brasil. A contaminação teve início em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radioterapias das instalações de um hospital abandonado foi encontrado, na zona central de Goiânia, no estado de Goiás. Foi classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares.

O instrumento, irresponsavelmente deixado no hospital, foi encontrado por catadores de um ferro velho do local, que entenderam tratar-se de sucata. Foi desmontado e repassado para terceiros, gerando um rastro de contaminação, o qual afetou seriamente a saúde de centenas de pessoas. O acidente com Césio-137 foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora das usinas nucleares.

1 – A natureza da fonte contaminadora

A contaminação em Goiânia originou-se de uma cápsula que continha cloreto de césio – um sal obtido do radioisótopo 137 do elemento químico césio. A cápsula radioativa era parte de um equipamento radioterapêutico, e, dentro deste, encontrava-se revestida por uma caixa protetora de aço e chumbo. Essa caixa de proteção continha também uma janela feita de irídio, que permitia a passagem da radiação para o exterior.

A caixa contendo a cápsula radioativa estava, por sua vez, contida num contentor giratório que dispunha de um colimador. Este servia para direcionar o feixe radioativo, bem como para controlar a sua intensidade.

Não se pôde conhecer ao certo o número de série da fonte radioativa, mas pensa-se que a mesma tenha sido produzida por volta de 1970, pelo Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos da América. O material radioativo contido na cápsula totalizava 0,093 kg e a sua radioatividade era, à época do acidente, de 50,9 Terabecquerels (TBq) ou 1375 Ci.[1]

O equipamento radioterápico em questão era do modelo Cesapam F-3000. Foi projetado, nos anos 1950, pela empresa italiana Barazetti e Cia., e comercializado pela empresa italiana Generay SpA.

O objeto onde contia a capsula de cásio foi recolhida pelos militares do exército, e encontra-se exposto como um trófeu no interior da Escola de Instrução Especializada, no rio de Janeiro, Capital. É um modo de agradecimento aos que participaram da limpeza da área contaminada.

2 – EVENTOS

2.1 – A origem do acidente

O Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) era um instituto privado, localizado na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia. O equipamento que gerou a contaminação na cidade entrou em funcionamento em 1971, tendo sido desativado em 1985, quando o IGR deixou de operar no endereço mencionado. Com a mudança de localização, o equipamento de teleterapia foi abandonado no interior das antigas instalações. A maior parte das edificações pertencentes à clínica foi demolida, mas algumas salas – inclusive aquela em que se localizava o aparelho – foram mantidas em ruínas. Houve onze mortes e 600 pessoas foram contaminadas, mas muitos alegam ser impossível medir em números o tamanho de uma catástrofe nuclear.

2.2 – O desmonte do equipamento radiológico

Foi no ferro-velho de Devair que a cápsula de césio foi aberta para o reaproveitamento do chumbo. O dono do ferro-velho expôs ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCl), um sal muito parecido com o sal de cozinha (NaCl), mas que emite um brilho azulado quando em local desprovido de luz. Devair ficou encantado com o pó que emitia um brilho azul no escuro. Ele mostrou a descoberta para a mulher Maria Gabriela, bem como o distribuiu para familiares e amigos. Pelo fato de esse sal ser higroscópico, ou seja, absorver a umidade do ar, ele facilmente adere à roupa, pele e utensílios, podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente. Devair passou pelo tratamento de descontaminação no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, e morreu sete anos depois.

2.3 – A exposição à radiação

Tão logo expostas à presença do material radioativo, as pessoas em algumas horas começaram a desenvolver sintomas: náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarreias. Alarmados, os familiares dos contaminados foram inicialmente a drogarias procurar auxílio, alguns procuraram postos de saúde e foram encaminhados para hospitais.

3 – A DEMORA NA DETECÇÃO

Os profissionais de saúde, vendo os sintomas, pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida, medicando os doentes em conformidade com os sintomas descritos. Maria Gabriela, esposa do dono do ferro velho, desconfiou que aquele pó que emitia um brilho azul era o responsável pelos sintomas que ocorriam na sua família. Ela e um empregado do ferro-velho do marido levaram a cápsula de césio para a Vigilância Sanitária, que ainda permaneceu durante dois dias abandonada sobre uma cadeira. Durante a entrevista com médicos, a esposa do dono do ferro velho relatou para a junta médica que os vômitos e diarreia se iniciaram depois que seu marido desmontou aquele “aparelho estranho”. Só então, no dia 29 de setembro de 1987, foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas. Maria Gabriela foi um dos pacientes tratados no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Foi a primeira vítima da contaminação, falecendo no dia 23 de outubro de 1987 de complicações relativas à contaminação com césio. Outra vítima, considerada o retrato da tragédia, Leide das Neves Ferreira, ingeriu involuntariamente pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina de seis anos foi a vítima com a maior dose de radiação do acidente. Não conseguiu sobreviver e morreu no dia 23 de outubro de 1987, duas horas depois da tia. Foi enterrada em um caixão blindado, erguido por um guindaste, por causa das altas taxas de radiação. O seu enterro virou uma disputa judicial, pois os coveiros e a população da época não aceitavam que ela fosse enterrada, mas sim cremada para que os seus restos mortais não contaminassem o solo do cemitério. Depois de dias de impasse, Leide foi enterrada em um caixão de chumbo lacrado para que a radiação fosse contida.

O governo da época tentou minimizar o acidente escondendo dados da população, que foi submetida a uma “seleção” no Estádio Olímpico Pedro Ludovico; os governantes da época escondiam a tragédia da população, que aterrorizada procurava por auxílio, dizendo ser apenas um vazamento de gás.
Outra razão é que Goiânia sediava, na época, o GP Internacional de Motovelocidade no Autódromo Internacional Ayrton Senna e o Governador do Estado Henrique Santillo não queria que o pânico fosse instalado nos estrangeiros.

4 – A CONTAMINAÇÃO

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mandou examinar toda a população da região. No total 112.800 pessoas foram expostas aos efeitos do césio, muitas com contaminação corporal externa revertida a tempo. Destas, 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. Porém, 49 foram internadas, sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo; destas, quatro não resistiram e acabaram morrendo.

Muitas casas foram esvaziadas, e limpadores a vácuo foram usados para remover a poeira antes das superfícies serem examinadas para detecção de radioatividade. Para uma melhor identificação, foi usada uma mistura de ácido e tintas azuis. Telhados foram limpos a vácuo, mas duas casas tiveram seus telhados removidos. Objetos como brinquedos, fotografias e utensílios domésticos foram considerados material de rejeito. O que foi recolhido com a limpeza foi transferido para o Parque Estadual Telma Ortegal.

Até à atualidade, todos os contaminados ainda desenvolvem enfermidades relativas à contaminação radioativa, fato este muitas vezes não noticiado pela mídia brasileira.

Após vinte e três anos do desastre radioativo, as várias pessoas contaminadas pela radioatividade reclamam por não estarem recebendo os medicamentos, que, segundo leis instituídas, deveriam ser distribuídos pelo governo. E muitas pessoas contaminadas ainda vivem nas redondezas da região do acidente, entre as Ruas 57, Avenida Paranaíba, Rua 74, Rua 80, Rua 70 e Avenida Goiás; essas pessoas não oferecem, contudo, mais nenhum risco de contaminação à população.

Em uma casa, em que o césio foi distribuído, a residente, esposa do comerciante vizinho à Devair, jogou o elemento radioativo no vaso sanitário e, em seguida, deu descarga. O imóvel ficou conhecido como “casa da fossa”. Entretanto, a SANEAGO alegou que a casa não possuía fossa, sendo construída com cisterna, para a população não pensar que a água da cidade estaria hipoteticamente contaminada

5 – Lixo atômico

A limpeza produziu 13.500 toneladas de lixo atômico, que necessitou ser acondicionado em 14 contêineres que foram totalmente lacrados. Dentro destes estão 1.200 caixas e 2.900 tambores, que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos. Para armazenar esse lixo atômico e atendendo às recomendações do IBAMA, da CNEN e da CEMAm, o Parque Estadual Telma Ortegal foi criado em Goiânia, hoje pertencente ao município de Abadia de Goiás, onde se encontra uma “montanha” artificial onde foram enterrados em uma vala de aproximadamente 30 (trinta) metros de profundidade, revestida de uma parede de aproximadamente 1 (um) metro de espessura de concreto e chumbo.


Foto do Google Maps, mostrando o local da montanha artificial

6 – Consequências

Após o acidente, os imóveis em volta do acidente radiológico tiveram os seus valores reduzidas a preços insignificantes, pois quem morava na região queria sair daquele lugar, mas o medo da população da existência de radiação no ar impedia a compra e construção de novas habitações. Além das desvalorizações dos imóveis, por muito tempo a população local passou por uma certa discriminação devido ao medo de passar a radiação para outras pessoas, dificultando o acesso aos serviços, educação e viagens. Muitas lojas e o comércio que existiam antes do acidente acabaram fechando ou mudando de endereço, sobrando alguns poucos comerciantes que ainda resistiam em continuar na região.

7 – Revitalização da região


Mercado Popular da Rua 57 após a reforma

Somente no final dos anos 90, a região começou a passar uma imagem menos “assustadora” para os novos inquilinos, através de ações do governo municipal e estadual para a revitalização da região, revalorizando as casas que estavam nas mediações do acidente.

Em questão de poucos anos, o valor das casas da região central já era entre duas a três vezes maior do que na época do acidente. No início de 2006, a prefeitura municipal de Goiânia resolveu revitalizar o antigo Mercado Popular, sendo reinaugurado em novembro de 2006 com a edição 2007 da Casa Cor Goiás, com a presença de autoridades municipais e estaduais. Em fevereiro de 2007, o Mercado Popular passou a ser um ponto turístico da cidade, por possuir uma feira gastronômica todas as sextas-feiras à noite, sempre acompanhada de música ao vivo.

Aos poucos, a região atingida pelo acidente vem sendo valorizada, aumentando o interesse de grandes empreiteiras construírem prédios de luxo, onde antes eram apenas casebres abandonados

GREENPEACE

O Greenpeace refletia sobre as necessidades de ampliar sua atuação no Brasil, e com o acidente do Césio-137, ganhou força e a adesão de muitos colaboradores.

Quando o Brasil entrou para o mapa de países vítimas de ações internacionais predatórias, mal existiam ambientalistas no país. Com a realização da Eco-92 no Rio, quando mais de 180 países reconheceram os danos que causavam ao ambiente, o Greenpeace recebeu o empurrão que precisava para levantar o debate ambiental.


Campanha da Greenpeace sobre o acidente de Goiânia.

Foi durante o encontro, no dia 26 de abril, aniversário da explosão da usina nuclear de Chernobyl, que a tripulação do navio do Greenpeace Rainbow Warrior rumou para Angra dos Reis. Lá, 800 cruzes foram afixadas no pátio da usina nuclear, simbolizando o número de mortes ocorridas no trágico acidente na Ucrânia. O evento marcou oficialmente a inauguração do Greenpeace no Brasil.

Desde o início, a organização se comprometeu em levar a realidade e os desafios ambientais para a agenda política nacional e internacional. Com a preocupação de montar uma equipe brasileira, a organização se deparou com o desafio de não haver profissionais especializados no país. A primeira geração de funcionários foi formada por ativistas do movimento político e social, o que se mostrou ideal, uma vez que, em um país em desenvolvimento como o Brasil, os desafios ambientais estão intrinsecamente vinculados aos sociais.

8 – Referencias

1. International Atomic Energy Agency. The Radiological Accident in Goiânia. Vienna, 1988, pp. 18-22, ISBN 92-0-129088-8
2. Ficha Técnica de Pesadelo de Goiânia no IMDb.
3. http://www.greenpeace.org.br/nuclear/cesio/flash_cesio.html
4. http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2010agosto-cesio137.pdf

RADIOATIVIDADE – CHERNOBYL, GOIÂNIA, CÉSIO 137

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RADIOATIVIDADE – CHERNOBYL, GOIÂNIA, CÉSIO 137

Em 1895 Wilhelm Roentgen fez a primeira descoberta de uma radiação que ele chamou de raio X. Logo após, em 1986, Henri Becquerel faria, no mesmo campo, outra grande descoberta. Tendo deixado, por acaso, junto a um minério de urânio algumas chapas fotográficas, constatou, ao revelá-las, que as chapas estavam obscurecidas como se algo as tivesse afetado. Verificou então que a causa dessa alteração eram as radiações emitidas pelo composto de urânio contido no minério. Vários outros cientistas passaram a investigar esse tipo de fenômeno e em breve estaria explicado algo que iria revolucionar a ciência e a vida moderna: a radioatividade. Até essa época, pensava-se que os átomos fossem indivisíveis, e que as chamadas substâncias simples não sofressem transformações. Com a descoberta da radioatividade, no entanto, constatou-se que os átomos de certos elementos, como o urânio e o rádio, estão continuamente se desintegrando. Nessa transformação, eles emitem três tipos de radiação. Dois desses tipos são as partículas alfa e beta. A partícula alfa consiste em um grupo de dois prótons e dois nêutrons, e o seu poder de penetração é bem baixo, não atravessando sequer uma folha de papel. A partícula beta é idêntica a um elétron. Dotada de alta velocidade, tem maior penetração que partícula alfa, sendo entretanto, barrada por uma chapa de aço. Tanto a partícula alfa como a partícula beta provêm do núcleo do átomo.

Uma terceira espécie de radiação, chamada raios gama, não consiste em partículas; são na verdade, ondas eletromagnéticas muito mais penetrantes que as radiações alfa e beta. Assemelham-se bastante aos penetrantes raios X. Os núcleos dos átomos radioativos desintegram-se quando emitem essas radiações; assim, os átomos desses elementos transformam-se em átomos de outros elementos. Tal transformação é chamada decaimento. Átomos de urânio, por exemplo, decaem eventualmente para átomos de chumbo. O tempo necessário para que a metade dos átomos de uma mostra decaia é constante para cada elemento. Chama-se esse período de meia vida. O período de meia vida em alguns elementos leva uma fração de segundo, muitos milhões de anos, em outros.

Existem certos elementos que apresentam átomos com propriedades químicas análogas, mas com peso diverso. Esses elementos são chamados isótopos e alguns apresentam a propriedade da radiação. Alguns isótopos radioativos emitem somente partículas alfa, outros emitem somente partículas beta. Ainda há os que emitem ambas.

Em princípios de 1934, F. Joliot e Irene Curie abriram novas perspectivas extremamente importantes nas pesquisas da radioatividade. Conseguiram provar que certas transmutações provocadas obtinham efeitos análogos aos das transmutações naturais dos elementos. Vislumbraram com isso a possibilidade de produzir isótopos radioativos artificiais. Tais isótopos são obtidos expondo-se a uma forte radiação o carbono, o alumínio, o iodo e outros elementos não radioativos. Essa operação é atualmente feita em reatores nucleares.

Gradualmente foram se conhecendo as diversas aplicações da radioatividade. Hoje ela é usada nos mais diversos campos da atividade humana. Um dos elementos radioativos mais utilizados é o rádio. Ele é encontrado muito raramente na natureza. Foi descoberto por Pierre e Marie Curie, que o extraiu da pechblenda, um minério de urânio. As principais jazidas de minérios que contêm rádio encontram-se na Tchecoslováquia, República Popular do Congo e Estados Unidos. O rádio apresenta diversas espécies de isótopos, e seu período de meia vida é de aproximadamente 1.600 anos. É extremamente radioativo e emite intensos fluxos de partículas atômicas. Nesses fluxos radioativos sofre geralmente o decaimento para o chumbo; aliás, o próprio rádio é resultante do decaimento eventual do urânio. Foi um dos primeiros elementos radioativos a serem utilizados pelo homem, e ainda hoje é aplicado em diversos campos de atividade. É principalmente na radioterapia – e em especial como agente destrutor de tumores cancerosos – que encontra sua maior utilidade. No entanto, assim como os outros elementos radioativos, pode – em casos de longa exposição à sua radiação – ser inclusive fatal. Por esse motivo, atualmente, os cientistas que trabalham com o rádio e outros elementos radioativos protegem-se da radiação com trajes especiais; usam também uma espécie de insígnias, que contêm um filme fotográfico. Ao fim do dia de trabalho, o filme é revelado para se saber se uma dose muito alta, e portanto perigosa, de radioatividade atingiu o seu portador.

Além da medicina, há outros campos em que a radioatividade é utilizada. Um de seus usos mais interessantes é observado na arqueologia. Descobriu-se que, através do período de meia vida, ou seja, do tempo de decaimento dos diversos elementos, pode ser calculada a idade de objetos históricos extremamente antigos, como, por exemplo, fósseis, obras de arte primitivas, etc. Foi inclusive através desse mesmo método que se tornou possível levantar hipóteses bastante fundamentadas sobre a determinação da idade da Terra. Outro uso de decisiva importância da radioatividade é como potência energética. Atualmente, quando a carência de energia assume proporções mundiais, e que o petróleo e o carvão se tornam cada vez mais escassos, a radioatividade apareceu como a mais provável solução para um dos maiores problemas contemporâneos: o das fontes de energia. Graças à radioatividade é que o homem foi capaz de descobrir a energia nuclear. A energia chamada nuclear é decorrente de desintegração provocada de átomos de urânio e plutônio. Essa obtenção artificial de radiação é realizada por reatores nucleares. Futuramente a energia nuclear deverá estar sendo utilizada em larga escala, substituindo a energia produzida pelos combustíveis convencionais como o carvão e o petróleo.

No Brasil, pesquisas no campo dos reatores nucleares vêm sendo feitas há algum tempo; o primeiro reator nuclear de pesquisas a funcionar na América do Sul foi construído na Universidade de São Paulo.

Apesar de todos os benefício que trouxeram as pesquisas sobre a radioatividade, ela pode ser perigosa à vida humana. O problema da longa exposição à radiação pode ser contornado; porém, o verdadeiro perigo que trouxe ao homem a radioatividade é o do uso inadequado do imenso potencial energético que dela adveio, pois assim como possui uma extrema capacidade para proporcionar ao homem melhores condições de vida, também possui extrema capacidade de destruição. Graças à radioatividade foi possível a construção da arma mais mortífera que o homem já conheceu: a bomba atômica.

Acidente Nuclear de Chernobyl

O total oficial de mortos em virtude da radiação emitida pelo acidente no reator quatro da usina de Chernobyl, em 26 de abril de 1986 na Ucrânia, foi de 28 pessoas, vitimadas pela participação direta no combate ao incêndio da unidade. Outras duas pessoas faleceram atingidas diretamente pela explosão do reator, e uma terceira de infarto. As 31 mortes ocorreram até três meses depois do acidente. No período de dez anos, mais 14 pessoas morreram por motivos variados. Do total, dois óbitos podem ter sido provocados por efeitos tardios da radiação. Uma década após o acidente, 134 casos de síndrome aguda de radiação foram confirmados. Há outros 237 casos suspeitos. A estatística das vítimas do acidente foi uma das principais conclusões da Conferência Internacional “Uma década após Chernobyl”, organizada em Viena (Áustria) pela União Européia, Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Organização Mundial de Saúde (OMS). As duas entidades são ligadas à ONU. O evento reuniu 800 participantes de vários países, incluindo autoridades, especialistas na área nuclear, representantes de organizações não-governamentais, de centros de pesquisa e universidades. Segundo as conclusões aprovadas em Viena, “dez anos depois do acidente, o significativo aumento de casos de câncer de tireóide em crianças nos três países mais afetados (Ucrânia, Bielorússia e Rússia) é a única evidência de impacto na saúde resultante da radiação emitida pelo acidente”.

A maioria dos cerca de 800 casos de câncer de tireóide foi registrada em fetos que em abril de 1986 tinham mais de seis meses de vida intra-uterina e em crianças com até seis meses de idade.

Na opinião do médico Alexandre Rodrigues Oliveira, da INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que participou da reunião de Viena, o aumento dos casos de câncer de tireóide poderia ter sido evitado se as autoridades da então União Soviética tivessem distribuído cápsulas de Iodo estável à população imediatamente após o acidente e restringido a ingestão de alimentos contaminados.

O Iodo estável teria a capacidade de “saturar a tireóide, bloqueando a captação do Iodo radioativo pela glândula evitando, assim, qualquer dano”, afirma o médico. Para o engenheiro brasileiro Witold Lepecki, da Nuclen, o governo da Polônia distribuiu Iodo à população, e o país não registrou aumento de câncer de tireóide em crianças.

No Brasil, lei federal exige que o sal de cozinha seja iodado, como forma de evitar o bócio, provocado pela hipertrofia da tireóide, e o nascimento de crianças com retardamento mental ou cretinismo – dificuldade de aprendizado, locomoção, audição e visão.

Os especialistas reunidos na Conferência Internacional de Viena concluíram também que, “com exceção do câncer de tireóide, não existem desvios estatísticos significativos na incidência de outros tipos de câncer que poderiam ser atribuídos à radiação”. Também “não foram observados impactos dramáticos nas populações e nos ecossistemas”.

Na opinião de Witold Lepecki, as declarações de autoridades da Ucrânia, que calcularam em alguns milhares o número de mortos devido ao acidente de Chernobyl, devem ser encaradas com cuidado. “O político se comporta de maneira diferente do técnico. A autoridade pode estar querendo sensibilizar o mundo para obter recursos para um país subdesenvolvido”.

Lepecki, co-autor do relatório original da AIEA sobre Chernobyl, em 1986, e da revisão, em 1992, revela que durante a Conferência ficou comprovado que o Hemisfério Sul não foi afetado pela radiação emitida pela central ucraniana, devido ao regime de ventos do planeta.

Além do aumento de um tipo de câncer que, na opinião de Lepecki, poderia ser evitado (tireóide), foram detectados aumento de casos de ansiedade, estresse e de reclamações de problemas nos aparelhos cardiovascular, digestivo e respiratório, especialmente entre os que combateram o incêndio e as pessoas retiradas das áreas em que viviam.

“Estes efeitos não podem ser atribuídos diretamente à radiação, mas sim ao trauma psicológico causado pelo acidente e suas diferentes conseqüências, como falta de informação ou informação oficial incoerente, às dificuldades decorrentes da realocação compulsória, à ruptura dos laços familiares e sociais e, particularmente, ao medo dos efeitos futuros da radiação, em especial sobre as crianças”, afirma o médico Alexandre Oliveira.

O total de evacuados na Ucrânia, Bielorússia e Rússia, segundo as conclusões da Conferência de Viena, foi de 326 mil pessoas. A área de acesso proibido compreende 4.300 km2 e as regiões “de controle estrito” (“contaminadas”) alcançam 29.200 km2.

A descoberta da energia atômica em nosso século deveria ter sido uma bênção para a humanidade. E teria sido realmente, se ela tivesse se desenvolvido até aqui de maneira certa.

Como não foi esse o caso, é claro que a descoberta dessa energia foi dirigida para caminhos errados. Daí nasceu a bomba atômica e os “aperfeiçoamentos” que se seguiram, como a bomba de hidrogênio, as armas nucleares táticas, os mísseis balísticos intercontinentais de ogivas múltiplas, a bomba de nêutrons, os mísseis lançados de submarinos, o projeto guerra nas estrelas, a bomba termonuclear de cobalto (aparentemente ainda não desenvolvida), que alguns cientistas temem poder deslocar o eixo da Terra se detonada, etc.

Voltada para “fins pacíficos”, como fazem questão de alardear todos os governos que detêm tecnologia nuclear, a energia atômica obtida das usinas nucleares está longe de merecer qualquer comemoração. Os problemas com os rejeitos radioativos e os acidentes nucleares registrados até agora demonstram que é totalmente falho o modo pelo qual esta energia é gerada atualmente, ou, o que vem a dar no mesmo, demonstram que o ser humano não passa de um aprendiz nesse assunto, apesar de evidentemente estar convencido de dominar integralmente todo o processo.

De acordo com dados do governo americano de fins da década de 80, encontravam-se armazenados (apenas nos Estados Unidos), em tanques especiais de aço, entre 300 e 400 milhões de litros de resíduos radioativos. O ecologista brasileiro Júlio José Chiavenato afirma que “1% desse lixo atômico é mais poderoso do que todas as emissões liberadas pelas bombas atômicas detonadas até hoje.” Todo esse lixo atômico precisa ser guardado por pelo menos mil anos, e os tanques precisam ser substituídos a cada vinte anos por razões de segurança. De acordo ainda o ecologista Chiavenato, qualquer animal vivo hoje na Terra tem traços de estrôncio-90 nos ossos, um composto resultante dos processos de industrialização nuclear.

Atualmente existem mais de 400 usinas nucleares em operação no mundo, a maioria delas nos Estados Unidos, França, Inglaterra e países do Leste europeu.

Também por “razões de segurança”, quando acontece um acidente nuclear dificilmente são dadas todas as informações sobre o que ocorreu. A não ser que o acidente seja de fato muito grave, como foi o da usina de Three Mile Island nos Estados Unidos em 1979 e o da usina de Chernobyl, na Rússia, em 1986. Mas mesmo nesses casos as autoridades tentaram num primeiro momento minimizar a gravidade da situação. Já no caso de acidentes nucleares em instalações militares, as informações que chegam ao público (quando chegam) são muito escassas.

De qualquer forma, o que já ocorreu na segunda metade deste século em matéria de acidentes nucleares fornece uma boa amostra dos perigos a que a humanidade ficou exposta nas últimas décadas. Como em todos os outros efeitos retroativos do Juízo Final, também os acidentes nucleares jamais poderão atingir arbitrariamente pessoas inocentes, isto é, que não tragam em si um carma para isso.

Vamos ver os principais acidentes nucleares até (abril de 1998):

Em 1957 escapa radioatividade de uma usina inglesa situada na cidade de Liverpool. Somente em 1983 o governo britânico admitiria que pelo menos 39 pessoas morreram de câncer, em decorrência da radioatividade liberada no acidente. Documentos secretos recentemente divulgados indicam que pelo menos quatro acidentes nucleares ocorreram no Reino Unido em fins da década de 50.

Em setembro de 1957, um vazamento de radioatividade na usina russa de Tcheliabinski contamina 270 mil pessoas.

Em dezembro de 1957, o superaquecimento de um tanque para resíduos nucleares causa uma explosão que libera compostos radioativos numa área de 23 mil km2. Mais de 30 pequenas comunidades, numa área de 1.200 km², foram riscadas do mapa na antiga União Soviética e 17.200 pessoas foram evacuadas. Um relatório de 1992 informava que 8.015 pessoas já haviam morrido até aquele ano em decorrência dos efeitos do acidente.

Em janeiro de 1961, três operadores de um reator experimental nos Estados Unidos morrem devido à alta radiação.

Em outubro de 1966, o mau funcionamento do sistema de refrigeração de uma usina de Detroit causa o derretimento parcial do núcleo do reator.

Em janeiro de 1969, o mau funcionamento do refrigerante utilizado num reator experimental na Suíça, inunda de radioatividade a caverna subterrânea em que este se encontrava. A caverna foi lacrada.

Em março de 1975, um incêndio atinge uma usina nuclear americana do Alabama, queimando os controles elétricos e fazendo baixar o volume de água de resfriamento do reator a níveis perigosos.

Em março de 1979, a usina americana de Three Mile Island, na Pensilvânia, é palco do pior acidente nuclear registrado até então, quando a perda de refrigerante fez parte do núcleo do reator derreter.

Em fevereiro de 1981, oito trabalhadores americanos são contaminados, quando cerca de 100 mil galões de refrigerante radioativo vazam de um prédio de armazenamento do produto.

Durante a Guerra das Malvinas, em maio de 1982, o destróier britânico Sheffield afundou depois de ser atingido pela aviação argentina. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica, o navio estava carregado com armas nucleares, o que põe em risco as águas do Oceano Atlântico próximas à costa argentina.

Em janeiro de 1986, um cilindro de material nuclear queima após ter sido inadvertidamente aquecido numa usina de Oklahoma, Estados Unidos.

Em abril de 1986 ocorre o maior acidente nuclear da história (até agora), quando explode um dos quatro reatores da usina nuclear soviética de Chernobyl, lançando na atmosfera uma nuvem radioativa de cem milhões de curies (nível de radiação 6 milhões de vezes maior do que o que escapara da usina de Three Mile Island), cobrindo todo o centro-sul da Europa. Metade das substâncias radioativas voláteis que existiam no núcleo do reator foram lançadas na atmosfera (principalmente iodo e césio). A Ucrânia, a Bielorússia e o oeste da Rússia foram atingidas por uma precipitação radioativa de mais de 50 toneladas. As autoridades informaram na época que 31 pessoas morreram, 200 ficaram feridas e 135 mil habitantes próximos à usina tiveram de abandonar suas casas. Esses números se mostrariam depois absurdamente distantes da realidade, como se verá mais adiante.

Em setembro de 1987, a violação de uma cápsula de césio-137 por sucateiros da cidade de Goiânia, no Brasil, mata quatro pessoas e contamina 249. Três outras pessoas morreriam mais tarde de doenças degenerativas relacionadas à radiação.

Abril de 1993 – Rússia – Formação de uma nuvem radioativa depois da explosão de uma fábrica de recuperação de combustível radioativo em Tomsk-7, na Sibéria. O acidente provoca a projeção de matérias radioativas que contêm urânio 235, plutônio 237 e outros produtos da fissão nuclear.

9 de dezembro de 1995 – Japão – Um vazamento no circuito de refrigeração no gerador de Monju (centro) provoca a parada em regime urgente deste reator experimental. O incidente causa uma grande comoção na região e leva as autoridades a adiarem a construção de uma filial.

Em junho de 1996 acontece um vazamento de material radioativo de uma central nuclear de Córdoba, Argentina, que contamina o sistema de água potável da usina.

Em dezembro de 1996, o jornal San Francisco Examiner informa que uma quantidade não especificada de plutônio havia vazado de ogivas nucleares a bordo de um submarino russo, acidentado no Oceano Atlântico em 1986. O submarino estava carregado com 32 ogivas quando afundou.

Em março de 1997, uma explosão numa usina de processamento de combustível nuclear na cidade de Tokai, Japão, contamina 35 empregados com radioatividade.

Em maio de 1997, uma explosão num depósito da Unidade de Processamento de Plutônio da Reserva Nuclear Hanford, nos Estados Unidos, libera radioatividade na atmosfera (a bomba jogada sobre a cidade de Nagasaki na Segunda Guerra mundial foi construída com o plutônio produzido em Hanford).

Em junho de 1997, um funcionário é afetado gravemente por um vazamento radioativo no Centro de Pesquisas de Arzamas, na Rússia, que produz armas nucleares.

Em julho de 1997, o reator nuclear de Angra 2, no Brasil, é desligado por defeito numa válvula. Segundo o físico Luiz Pinguelli Rosa, foi “um problema semelhante ao ocorrido na usina de Three Mile Island”, nos Estados Unidos, em 1979.

Em outubro de 1997, o físico Luiz Pinguelli adverte que estava ocorrendo vazamento na usina de Angra 1, em razão de falhas nas varetas de combustível.

30 de setembro de 1999 – Japão – Um novo acidente na central nuclear de Tokaimura provoca a morte de duas pessoas e expõe mais de 600 à radiação. Além disso, o acidente deixa 320 mil refugiados. Dois técnicos provocaram de forma involuntária uma reação nuclear descontrolada ao utilizar uma quantidade de urânio muito maior do que a prevista durante o processo de fabricação de combustível nuclear. A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) avaliou o acidente como o mais grave desde o de Tchernobil.

06 de Agosto de 2004, Ao menos quatro operários morreram em uma central nuclear japonesa em Mihama, no Departamento de Fukui, a 320 quilômetros de Tóquio, capital do Japão, nesta segunda-feira, devido a um vazamento de vapor não-radioativo. O vazamento aconteceu por volta das 15h30 (horário local) em um prédio onde funcionam turbinas do reator número três da central, segundo a agência Kyodo.
O acidente aconteceu no dia em que se lembra no Japão o lançamento da bomba atômica em Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Vamos observar algumas outras particularidades e conseqüências relacionadas aos dois acidentes mais graves registrados até hoje, os das usinas nucleares de Three Mile Island e de Chernobyl:

Uma testemunha que morava numa cidade próxima à usina de Three Mile Island relatou dessa forma a situação logo após a confirmação do acidente: “As famílias estavam sendo reunidas desesperadamente e as ruas estavam uma loucura. Houve acidentes em frente à escola. Pais histéricos vinham apanhar as crianças no colégio, trombando uns com os outros, atravessando sinais vermelhos, numa situação de pânico geral.”

Estudantes que faziam a medida do nível de radiação com contador Geiger nessa escola encontraram leituras de 250 dentro do estabelecimento e de 350 do lado de fora do prédio. A leitura normal seria de 50. Totalmente em pânico, as pessoas começaram a sentir um gosto metálico na boca e algumas também um formigamento na pele…

Nos meses que se seguiram ao acidente, alguns fazendeiros da região notaram que seus animais estavam adoecendo, morrendo ou apresentando um comportamento estranho. Um fazendeiro que havia perdido parte de seu gado devido à radiação, notou que suas porcas ficaram no cio durante todo o inverno. Ele também percebeu que as árvores morreram ou tiveram suas folhas escurecidas muito antes do outono. Um outro fazendeiro observou que algumas árvores ficaram totalmente desfolhadas, e que os frutos de duas pereiras, apesar de não terem caído, estavam deformados.

Numa fazenda vizinha, o proprietário contou que todas as suas 125 galinhas haviam morrido depois de terem apresentado grandes dificuldades para respirar. Todas as suas quatro crias de coelhos nasceram mortas no ano seguinte ao acidente.

Muitos moradores da Pensilvânia apresentaram posteriormente vários problemas psicológicos. A esse respeito, o doutor Michael Gluck, clínico geral numa cidade próxima à usina, disse: “O efeito mais devastador que vi nesta área foi uma grave depressão psicológica.”

Em Chernobyl, depois do acidente, foram mobilizadas aproximadamente dois milhões de pessoas no processo de limpeza de toda a região atingida. Em abril de 1992, um comunicado oficial do governo estimava que o número de mortes naquele grupo, devido à radiação, situava-se entre 7 mil e 10 mil. Três anos depois, em abril de 1995, o Ministério da Saúde ucraniano informava que mais de 125 mil pessoas haviam morrido entre 1988 e 1994, vítimas da radiação.

Segundo o ministrou Andrei Serdiuk, “a radiação repercutiu na piora generalizada da situação demográfica e do estado de saúde da população da Ucrânia; aumentaram as doenças no sangue, no sistema nervoso, nos órgãos digestivos e respiratórios.”

Em 1996, a estimativa de mortes em razão do acidente, elaborada em conjunto pela Ucrânia e a Bielorússia, já fora ajustada para 300 mil… O número total de pessoas contaminadas seria de cinco milhões, e a área inutilizada pela radiação era de cerca de 140 mil km², equivalente a um Portugal e meio.

Um trabalho científico publicado na revista Nature, em 1995, informava que os índices de câncer de tiróide em crianças ucranianas haviam quintuplicado de uma maneira geral, e naqueles que moravam mais próximos de Chernobyl esse índice era 30 vezes maior. Dois anos depois, a OMS informava que o índice de câncer na tiróide entre as crianças era, na verdade, cem vezes superior ao nível de antes da tragédia. De acordo com a Organização, a radioatividade desprendida no acidente foi 200 vezes superior à liberada pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki juntas.

Em julho de 1995, durante uma reunião da Sociedade para o Estudo da Evolução, em Montreal, o cientista Robert Baker apresentou surpreendentes indícios de que o arganaz (espécie de ratinho silvestre da região atingida) estava passando por uma evolução extremamente rápida. Segundo o cientista, o índice de evolução em algumas espécies animais desde o acidente era maior do que o ocorrido normalmente em 10 milhões de anos.

Exames demonstraram que os ratos de Chernobyl apresentavam várias rupturas em seus fios de DNA. Segundo o Dr. Baker, o organismo do animal estava tentando reconstruir o DNA, mas essa restauração imprecisa pode provocar mutação dos genes, que são transmitidos às novas gerações de células. Algumas mutações tornam a divisão celular descontrolada e o resultado é o câncer. Já as mutações ocorridas nas células dos óvulos e dos espermatozóides podem ser repassadas aos descendentes dos animais; em alguns casos os resultados são defeitos congênitos que podem apressar a morte dos descendentes.

De acordo com o geneticista ucraniano Vyacheslav Konovalov, em algumas regiões próximas a Chernobyl até 80% de todos os animais nascem monstros mutantes, como potros de oito patas e bezerros com duas cabeças.

Todos esses efeitos danosos é o que a ciência conseguiu descobrir até agora, após o acidente de Chernobyl. Pode-se apenas especular o que adviria de um acidente nuclear ainda mais grave, ou das explosões de algumas bombas de hidrogênio na atmosfera.

Ainda em julho de 1995, um relatório da CIA americana mostrou que em dez reatores ativos na Eslováquia, Lituânia, Rússia, Bulgária e Ucrânia, havia “grande probabilidade de ocorrer desastres nas dimensões do de Chernobyl”. Na própria usina de Chernobyl foram detectadas 260 fissuras no sistema de resfriamento de um dos reatores em outubro de 1997; um porta-voz disse que “as rachaduras foram descobertas a tempo de evitar vazamento de radioatividade.” A OMS estima em 200 milhões de dólares o total de recursos necessários para se continuar investigando as conseqüências do acidente nuclear de Chernobyl nos próximos 15 anos…

Enquanto médicos e cientistas vão descobrindo mais efeitos danosos de Chernobyl, outros acidentes nucleares, de “menor monta”, continuam a ocorrer em todo o planeta, ao mesmo tempo em que vêm à tona agora também notícias de acidentes até então desconhecidos.

Em abril de 1995, uma usina nuclear perto de Bombaim (Índia) deixou vazar água radioativa. A notícia do acidente só foi divulgada em julho. Em outubro daquele ano, um jornal de Tóquio divulgou a notícia de um acidente com um submarino nuclear chinês, que afundara em 1983 próximo de Vladivostok, na Rússia; o acidente causou a contaminação da região e foi mantido como segredo militar pela ex-União Soviética e pelo atual comando da frota russa. Em dezembro de 1995, no Japão, vazaram cerca de duas toneladas de sódio líquido do sistema de refrigeração do “super reator nuclear” da usina de Monju. Os especialistas haviam escolhido esse tipo de reator porque o uso de sódio no lugar de água para refrigeração tornava mínimo o risco de vazamentos, por diminuir os fatores de corrosão… Também em dezembro, cientistas japoneses descobriram, na neve da Antártida, uma concentração de radioatividade 500 vezes superior à normal, à qual atribuíram os testes nucleares americanos realizados na atmosfera em 1963; segundo esses cientistas, “ficou comprovado que as provas nucleares afetam qualquer parte do globo, independentemente de onde tenham sido realizadas.”

O mau uso feito da energia nuclear, tanto para “fins pacíficos” como para uso militar, tornou-se maldição para a humanidade. A esse respeito, diz Roselis von Sass em sua obra “O Livro do Juízo Final”:

“Tudo foi dado à humanidade. Assim também a chave para essa inesgotável fonte de energia. Riquíssimas bênçãos poderia ela ter colhido, se não se tivesse colocado sempre e sempre de novo contra a vontade de Deus. Assim, também a energia atômica contribuirá para a purificação no Juízo.”

Acidente Nuclear de Goiânia

Até o final do ano, deverá estar pronto o depósito definitivo para os rejeitos gerados pelo acidente com o Césio-137 em Goiânia, em setembro de 1987. Não se trata apenas de um depósito, mas de um complexo de instalações onde a maioria das utilidades já se encontram prontas. O local é Abadia de Goiás, a cerca de 20 quilômetros do centro de Goiânia.

É o pior acidente radiológico da História, na opinião de Alfredo Tranjan Filho, coordenador do projeto e da construção do depósito definitivo, por ter ocorrido em um centro urbano. Causou a morte de quatro pessoas e a geração de 3.430 metros cúbicos de rejeitos radioativos (6 mil toneladas), não podendo, entretanto, ser confundido ou comparado com um acidente nuclear, como o de Chernobyl, cuja magnitude é muitas ordens de grandeza maior.

O edital de licitação da obra foi lançado em 1º de julho e o início do processo de transferência dos rejeitos está previsto para o mês de outubro. Este depósito abrigará cerca de 60% do total de rejeitos produzidos em Goiânia, aqueles cujo tempo de decaimento à condição de liberação como lixo comum é de até 300 anos.

Desse grupo, 16% exigem confinamento superior a 150 anos e 41%, isolamento de até 150 anos. O material está acondicionado em caixas metálicas construídas com a finalidade específica de armazenar o material radioativo e em tambores alocados dentro de containers de concreto ou metálicos.

O material restante (cerca de 40% do total) não apresenta mais potencial de contaminação e poderia ser colocado em aterros sanitários qualificados. Devido à inexistência destes no Brasil, os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), empresa responsável pelo armazenamento dos rejeitos, decidiram acondicioná-los em um depósito separado, já construído, chamado por eles de Container de Grande Porte (CGP), para diferenciá-lo do depósito dos rejeitos que, de fato, têm potencial de risco. O CGP nada mais é do que uma grande caixa de concreto com, aproximadamente, 60 metros de comprimento, 16 metros de largura e 4,5 metros de altura, construído sob a superfície, coberto com solo local, gramado, tendo a aparência de uma pequena elevação no terreno.

A definição do local e a permissão de construção do depósito final exigiu uma série de análises, incluindo verificação de características geográficas, geológicas, sócio-econômicas, pedológicas, hidrológicas, hidrogeológicas, etc. Além do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), confirmando se haveria impactos, se estes seriam positivos ou negativos e, nesse caso, se seriam aceitáveis, foi preparado um Relatório de Análise de Segurança (RAS), que avalia as possibilidades de acidente e seus resultados, caracterizando, uma vez mais, a escolha do local e o conceito construtivo do depósito.

Compensação

O EIA e o RAS para a definição do local recomendaram a adoção de algumas medidas mitigadoras e compensatórias no projeto de deposição final para reduzir o impacto da presença de um centro de armazenamento de rejeitos radioativos junto às populações vizinhas. “O acidente trouxe tanto prejuízo para uma determinada população, que a solução do problema deveria trazer benefício para a sociedade”, diz Alfredo Tranjan Filho.

Uma das primeiras ações mitigadoras e compensatórias foi a ampliação, através de Decreto do governo estadual, ao invés dos 90 mil metros quadrados originais para 1,6 milhão de metros quadrados, unificando o terreno do depósito provisório e do permanente. Decreto aprovado pela Assembléia Legislativa goiana transformou a área de preservação ambiental (APA), permitindo a criação de um parque que será aberto à visitação pública.

Na região serão plantadas, a partir de agosto, mudas de árvores características da vegetação de cerrado, típica do Centro-Oeste brasileiro que vem sendo fortemente devastado nos últimos anos. “O objetivo é tornar a área um celeiro para a criação de sementes de espécies do cerrado, visando o futuro reflorestamento de áreas desmatadas”, afirma Alfredo Tranjan Filho. O projeto de reflorestamento está orçado em R$ 800 mil e o Ministério do Meio Ambiente já alocou R$ 350 mil para este programa.

“Além do CGP e do depósito final dos rejeitos do acidente em Goiânia, a área abrigará um centro de informações voltado às comunidades próximas, com programas de educação ambiental, uso da terra, pecuária etc., guardará toda a história do que foi o acidente de Goiânia e sua solução”, diz Tranjan, “não permitindo às gerações futuras, diante de uma área verde, esquecer que tudo aquilo teve origem em um desastre, e que deve ser exemplo para que não se repita”.

Uma parte da área, a mais nobre e preservada, com quase 400 mil metros quadrados de terra, será destinada às populações vizinhas para atividades agrícolas e de criação de animais com fins comerciais, isto é, poderão tirar daquela terra parte do sustento da comunidade.

O complexo em Abadia de Goiás conta também com um laboratório de radioecologia, que realizará o acompanhamento do comportamento do depósito ao longo do tempo, servindo como centro de pesquisa e desenvolvimento. Conta com um Centro de Formação e Estudos em Radioecologia, que capacitará técnicos brasileiros, mormente os do Centro-Oeste, na área em questão. Conta ainda com um prédio de manutenção para atender a todas as necessidades do complexo.

Tecnologia nacional

“O projeto do depósito definitivo, ou melhor, de todo o complexo, é inteiramente nacional, custando 25% do preço cobrado por empresas estrangeiras, que só se propunham a construir o depósito. Hoje, o Brasil pode até exportar tecnologia na área”, afirma Tranjan, e o custo total não ultrapassará US$ 8 milhões.

Diante da gravidade do acidente, sem paralelo no mundo, os técnicos brasileiros se viram diante da necessidade de criar soluções imediatas para o problema. Segundo o coordenador do projeto e da construção do depósito definitivo, não só físicos, químicos e engenheiros, mas, também, médicos e psicólogos se defrontaram com casos de radiocontaminação e de problemas emocionais em um grau que, até então, jamais tinham lidado.

Ressaltando o caráter negativo do acidente ocorrido em Goiânia, Alfredo Tranjan Filho afirma que “houve uma conquista do ponto de vista científico-tecnológico, demonstrando a capacidade da ciência nacional de oferecer soluções para problemas inteiramente novos”.

Atualmente, segundo o técnico, a CNEN dispõe de um cadastro mais perfeito das fontes radioativas em uso no País do que em 1987, e melhores condições de atendimento em situações de emergência, embora, por falta de recursos financeiros, ainda esteja longe da ideal.

A partir do exemplo de Goiânia, a CNEN recolheu fontes similares à do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), que apresentava o Césio-137 aglutinado em uma matriz altamente solúvel, o que facilitou a contaminação. Hoje, são usadas fontes metálicas e um acidente como o de Goiânia dificilmente ocorreria.

Nove anos após o acidente, Alfredo Tranjan Filho encara o episódio da contaminação do Césio-137 na capital de Goiás como um exemplo claro das diferenças entre os vários “brasis” que coexistem: um Brasil rico, com alternativas tecnológicas e bom nível educacional, e outro miserável, caracterizado pela ignorância, pela falta de informação. “É um país que dispõe da tecnologia de fontes radiológicas para curar pessoas, mas, ao mesmo tempo, há quem as abandone, como há aquelas que roubam e arrebentam uma cápsula, sendo incapazes de reconhecer o símbolo da radioatividade”.

BARROCO

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Definição da palavra barroco

A palavra “barroco” tem sua origem controvertida. Enquanto alguns afirmam que está ligada a um processo relativo à memória que indicava um silogismo aristotélico de conclusão falsa, outros defendem que designaria um tipo de pérola de forma irregular, ou mesmo um terreno desigual, assimétrico.

Padre Antônio Vieira

Ninguém angariou tantas críticas e inimizades quanto o “impiedoso” Padre Antônio Vieira, detentor de um invejável volume de obras literárias, inquietantes para os padrões da época.

Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã (por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos); os pequenos comerciantes (por defender o monopólio comercial) e os administradores e colonos (por defender os índios).

Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custaram a Vieira uma condenação da Inquisição, ficando preso de 1665 a 1667. A obra do Padre Antônio Vieira pode ser dividida em três tipos de trabalhos: Profecias, Cartas e Sermões.

As Profecias constam de três obras: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. Nelas se notam o sebastianismo e as esperanças de que Portugal se tornaria o “quinto império do Mundo”.

Segundo ele, tal fato estaria escrito na Bíblia. Aqui ele demonstra bem seu estilo alegórico de interpretação bíblica (uma característica quase que constante de religiosos brasileiros íntimos da literatura barroca). Além, é claro, de revelar um nacionalismo megalomaníaco e servidão incomum.

O grosso da produção literária do Padre Antônio Vieira está nas cerca de 500 cartas. Elas versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos novos e sobre a situação da colônia, transformando-se em importantes documentos históricos.

O melhor de sua obra, no entanto, está nos 200 sermões. De estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao Gongorismo, o pregador português joga com as idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos de retórica dos jesuítas.

Um dos seus principais trabalhos é o Sermão da Sexagésima, pregado na capela Real de Lisboa, em 1655. A obra também ficou conhecida como “A palavra de Deus”. Polêmico, este sermão resume a arte de pregar. Com ele, Vieira procurou atingir seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos, analisando no sermão “Porque não frutificava a Palavra de Deus na terra”, atribuindo-lhes culpa.

Gregório de Matos Guerra

Uma das principais referências do barroco brasileiro é Gregório de Matos Guerra, poeta baiano que cultivou com a mesma beleza tanto o estilo cultista quanto o conceptista .

Na poesia lírica e religiosa, Gregório de Matos deixa claro certo idealismo renascentista, colocado ao lado do conflito (como de hábito na época) entre o pecado e o perdão, buscando a pureza da fé, mas tendo ao mesmo tempo necessidade de viver a vida mundana. Contradição que o situava com perfeição na escola barroca do Brasil. É patente do movimento nativista quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração lusitana.

Carpe Diem

O tema central do Barroco se encontra na antítese entre a vida e a morte. Daí decorre o sentimento da brevidade da vida, da angústia da passagem do tempo, que tudo destrói. Diante disso, o homem barroco oscila entre a renuncia e o gozo dos prazeres da vida.

Quando pensa no julgamento de Deus, foge dos prazeres e procura apoio na fé. Quando a fé é insuficiente, a atração dos prazeres o envolve e cresce o desejo de desfrutar da vida. Por isso, o Carpe Diem, expressão latina que significa “aproveita o dia (presente)”, é um dos temas freqüentes da arte barroca. A mocidade ou a juventude é freqüentemente comparada à flor que é bonita por pouco tempo e logo morre. Daí o apelo dos poetas barrocos.

O Carpe Diem é um tema que vinha já da Antiguidade, mas no Barroco foi desenvolvido de forma angustiada, pois era uma tentativa de fundir os opostos, de conciliar o que, no fundo, é inconciliável: a razão e a fé, a matéria e o espírito, a vida carnal e a vida espiritual.

Barroco X Renascimento


Exposição: Luz e Sombra na Pintura Italiana entre
o Renascimento e o Barroco

O homem do período renascentista acreditava que a cultura mais perfeita era a cultura desenvolvida em meio ao paganismo. Acreditava que a arte, a ciência e a erudição tinham florescido durante o período clássico, Grécia e Roma, e na capacidade de ação do homem, na sua atuação como ser dono do Universo e capaz de modificar tudo à sua volta. Na literatura eram imitados os textos da antiguidade Clássica.

Já o homem do período barroco estava dividido entre a religião e o paganismo, entre a verdade e a mentira, o amor e a solidão, o pecado e o perdão. As poesias são rebuscadas e utilizam o jogo de idéias, são assimétricas e apresentam antíteses, reflexo do conflito em que o homem barroco vivia

Literatura Barroca

Literatura barroca é uma área da literatura ocidental, produzida sobretudo no séc XVII, teve a sua compreensão e interpretação crítica extraordinariamente aprofundada e esclarecida graças à introdução no uso crítico e historiográfico do conceito de barroco literário.

O termo veio das artes plásticas e visuais, com um sentido pejorativo, designando a arte do período subseqüente ao Renascimento, que era interpretada como uma forma degenerada dessa arte, pela perda da clareza, pureza, equilíbrio, em troca do exagero ornamental e das distorções.

Originalmente tal como era corrente nos séculos X.VI e XVII barroco significava arte bizarra, artificial. A etimologia do termo é controvertida. Designando pérola de superfície irregular, teria sido usada por espanhóis e portugueses (barrueco e barroco).

Por outro lado, a palavra fora usada pela escolástica medieval, como termo mnemônico do silogismo e assim aparece em Montaigne com intenção irônica, pois então queria dizer raciocínio estranho, vicioso, confundindo o falso e o verdadeiro. Até o século XIX, permaneceu este o significado: argumentação barroco; imagem barroca; figura barroca.

A revisão da questão se deve a Jacob Burckhardt, no Cicerone (1855). Mas a sua reformulação definitiva para a história da arte, e depois para a crítica literária, foi empreendida por Heinrich Wolffin (1864-1945) desde 1879 ao reabilitar a arte barroca, mostrando-a como uma forma peculiar, com valor estético e significado próprios. Estabeleceu Wolfflin a teoria da análise formal das artes, pela qual a passagem de um tipo de arte para outro se processaria segundo princípios internos.

Assim, à arte renascentista sucedeu a barroca, não como um declínio, porém como o desenvolvimento natural para um estilo posterior, que já não é táctil, porém visual, não é linear, porém pictórico, não é composto em plano mas em profundidade, nem em partes coordenadas mas subordinadas a um conjunto, não é fechado mas aberto, não tem claridade absoluta mas relativa.

Tal teoria da definição dos estilos artísticos, à luz dessas categorias, foi aplicada à análise da literatura, nas obras que exprimiram a oposição entre o Renascimento e o barroco, como o Orlando Furioso de Ariosto e a Jerusalém Libertada do Tasso.

De 19l4 em diante o termo foi absorvido pela crítica literária, e se ampliaram os estudos interpretativos da literatura seiscentista. As velhas denominações , “seiscentismo” , “gongorismo” “eufuísmo”, “marinismo”, “conceptismo”, “culteranismo”, “cultismo”, “preciosismo”, de sentido pejorativo, passaram a ser compreendidas como referindo-se a formas imperfeitas ou não desenvolvidas do barroco e são hoje melhor englobadas sob o rótulo de barroco.

Assim, o barroco é o estilo artístico e literário, e mesmo o estilo de vida, que encheu o período entre o final do século XVI e o século XVIII, em todos os povos do Ocidente, com variantes locais de tempo e fisionomia artística, embora com unidade de características estéticas e estilísticas.

Mas, ao lado do elemento formal peculiar, o barroco é ligado a uma ideologia, que lhe empresta unidade espiritual, e essa ideologia foi fornecida pela Contra-Reforma.O barroco foi o estilo, a arte de atributos morfológicos adequados á expressão do conceito da vida dinamizado pela Contra-Reforma em reação ao Renascimento, e de modo a traduzir–se em todas as manifestações artísticas, a16m ao vestuário, da jardinagem, das festas.

A ideologia tridentina comunicou à época e à arte uma fisionomia trágica , dilacerada entre os pólos celeste e terrestre, entre a carne e o espírito, procurando incutir no homem o horror do mundo, o medo da morte, o pavor do inferno, conquistando-o para o céu pela captação de imaginação e seus sentidos, para o que usa o ornamental e o espetacular. O homem barroco é contraditório, em estado de conflito, saudoso do paraíso e ao mesmo tempo seduzido pelo mundo e pela carne.

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Anônimo, Cena da Paixão de Cristo, século XVIII.
Óleo sobre tela

A literatura barroca, destarte, apresenta caracteres típicos:o fusionismo (união dos detalhes num todo orgânico), o claro-escuro, o eco, a união do racional e do irracional (expressa nas figuras estilísticas paradoxo), a ambigüidade, o caráter grandioso e ornamental (expresso no exagero de figuras estilísticas), figuras de estilo que traduzem o estado de conflito e tensão espiritual (antíteses, paradoxos, contorções, hipérboles, etc) ; o uso dos concetti, wit, agudeza, do tipo de estilo conhecido como genus humile, de forma; epigramática, sentenciosa, breve.

É um estilo chamado filosófico, de pensamento, mais para ser lido do que ouvido, oposto ao estilo ciceroniano, redondo, oratório.

A literatura barroca inclui grandes nomes do seiscentismo: Góngora, Quevedo, Cervantes, Calderón, Lope de Vega, Gracián, Tasso, Marino, Donne, Crashaw, Shakespeare, Montaigne, Pascal, Antônio Vieira, Rodrigues Lobo, Gregório de Matos, Soror Juana de la Cruz e muitos outros.

DADAÍSMO

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Dadaísmo, movimento que abrange todos os gêneros artísticos e expressa uma proposta niilista contra a cultura ocidental, especialmente contra o militarismo desencadeado pela I Guerra Mundial. Criado, em 1916, por Tristan Tzara, o escritor alemão Hugo Ball, o artista alsaciano Jean Arp e outros intelectuais residentes em Zurique (Suíça), o movimento Dadá foi influenciado pela revolução contra a arte convencional liderada por Man Ray, Marcel Duchamp e Francis Picabia. Mais tarde, o dadaísmo inspiraria os surrealistas franceses.

Os dadaístas utilizaram técnicas revolucionárias. Suas idéias, derivadas da tradição romântica, baseavam-se no apelo ao subconsciente e na crença da bondade intrínseca do homem quando não corrompido pela sociedade.

Surrealismo, movimento artístico e literário fundado pelo poeta e crítico francês André Breton. Em 1924, Breton publicou o Manifesto surrealista em Paris, tornando-se líder do grupo que tomou este nome. O surrealismo surgiu do movimento Dadá que refletia, tanto na arte quanto na literatura, o protesto niilista contra a cultura ocidental. Continuando o dadaísmo, o surrealismo enfatizava o papel do inconsciente na atividade criadora.

Os surrealistas portugueses marcaram o movimento com duas exposições: junho de 49 e junho de 50, nas quais se comprometeram com uma criatividade exaltante, tornando-se um dos grupos mais empenhados em revolucionar o imaginário da vida cultural portuguesa.

Ver também Arte em Portugal

Arte em Portugal, a peculiar posição geográfica na Península Ibérica, o clima marítimo unificando montanhas e planícies em micro-regiões, o papel dos rios, a presença dominante do oceano — uma encruzilhada entre o Mediterrâneo, o Atlântico, a Europa e a África — fizeram surgir focos de características próprias com as tribos celtas (Lusos) e sua “cultura castreja” ao Norte e colonos greco-púnicos a Sul.

A província da Lusitânia (sécs. II a.C. – V d.C.) unificou estes centros sob a sofisticada civilização romana, ao mesmo tempo em que assimilava as invasões bárbaras e a difusão cristã. Em vilas rurais (Alentejo) e portos de mar (Algarve, Tróia) têm-se encontrado pinturas, mosaicos e estatuária tardios de bom nível, provando que a continuidade prevaleceu sobre as convulsões da Baixa Antigüidade.

Só com a constituição do reino portucalense independente, na primeira metade do século XII, podemos falar em uma “arte portuguesa” autônoma, diferenciada da galega. Esta arte é encontrada, sobretudo, nas torres senhoriais em pedra (Vila da Feira), nos castelos templários e nas centenas de matrizes e capelas rurais em estilo românico, de planta simples, cobertas de madeira, que enchem os campos repovoados do Norte (sécs. XII-XIII).

O seu avanço acompanha o da Reconquista, impondo o ritual latino contra o moçárabe e proporcionando a ligação lusa ao mundo ocidental através das Sés de Lisboa, 1147, e de Coimbra, 1160, construidas pela mesma equipe de mestres franceses.

Assim é a estética cisterciense: despojada, em formas geométricas puras, será uma constante na sensibilidade nacional, servindo de ponte ao pleno gótico — do qual um bom exemplo é o claustro da Sé de Coimbra, construído em 1218 — que acaba por se estender a todo o território, mantendo a hegemonia durante 3 séculos.

Pela centralização régia, o gótico ganha terreno na escultura — onde reintroduz a figura humana, desaparecida desde os romanos — com a estatuária devocional (Escola de Coimbra, séc. XIV) e tumulária (Alcobaça). Renova a arquitetura com plantas mais complexas, abobadadas em ogiva, claustros elegantes e cabeceiras luminosas (S. Domingos de Elvas, 1270).

Não é, porém, o gótico das grandes catedrais européias. Em Portugal há preferência pelas linhas horizontais, muros e alçados singelos, sem atingir o verticalismo europeu (novas Sés de Évora e Silves).

É um “gótico mediterrânico”, de estrutura simples e volumes lisos, que adquire cunho nacional no gótico mendicante dos Franciscanos e Dominicanos (Santarém), também presente na arquitetura civil e militar (torres de solares minhotos, muros de Óbidos, castelo de S. Jorge, em Lisboa).

O séc. XV, com a prosperidade dos descobrimentos, ensaia formas mais ricas, das fontes catalã e inglesa. O Gótico Final se reflete nas artes suntuárias. Pela primeira vez, surge na pintura (Nuno Gonçalves) um sentido novo de luxo e modernidade em que o país se afirma como grande potência.

A esta variedade de influências e paixão pelo real faltou, porém, unidade estilística. O primeiro esforço sincrético dá-se sob o reinado de D. Manuel l, o Venturoso (1495-1521), com o estilo manuelino, amálgama de elementos de raiz diversa: da alemã e mourisca até a oriental, unidos pela ideologia imperial e tom eufórico de uma época que se julgava predestinada a conquistar o mundo.

Variante do gosto gótico tardio europeu — muito individualizado no tratamento das formas, nas cores contrastantes e estridentes, na simbologia heráldica ou religiosa (mas não marítima, como se tem pensado) — o manuelino cria efeitos hiperrealistas de alarde, prosperidade e exaltação da monarquia triunfante em obras únicas, autênticos manifestos (Mosteiro e Torre de Belém, 1501-14 e Janela de Tomar, 1510). Iguais temas ocorrem na literatura, pintura e escultura da época e, entre seus artistas, destaca-se o dramaturgo Gil Vicente, também ourives e desenhista.

O estilo manuelino foi o primeiro a ter uma difusão mundial, do México a Moçambique, da Índia à Málaga (estreito de Cingapura) — dos marfins da Guiné à porcelana da China. Coube a essa arte cortesã o mérito de unificar e propor um ideal estético nacional em tomo da figura do rei-messias, na passagem da Idade Média à Moderna.

Extrovertida e de um otimismo quase naif, a época seguinte reagiu contra a carga excessiva de vitalidade e extravagância, refugiando-se na linguagem racional do Renascimento. Do dinamismo passou-se à estabilidade protagonizada por João III (1521-1557), do modelo flamengo à paixão pela Itália.

Em 1525, o bispo Miguel da Silva — a quem Castiglione dedicou o Il Cortegiano — trazia de Roma um arquiteto particular, Francesco da Cremona, que faz a primeira obra clássica no claustro de Viseu, logo imitada por fidalgos cosmopolitas e reforçada pelos escultores franceses de Coimbra, entre eles, Chanterene e João de Ruão.

Mas foi pela mão de João de Castilho que a encomenda régia aderiu ao novo estilo humanista (Conceição de Tomar, 1547), em obras ímpares fora da ltália. É o momento em que o teórico Francisco de Holanda regressa de Roma (1538-1540), onde conviveu com Michelangelo, trazendo a pintura maneirista, o neoplatonismo e o serlianismo que atingem o ponto alto com Diogo de Torralva (claustro de Tomar, 1558).

O impacto do Concílio de Trento, e o maior número de artistas estagiando na Itália com bolsas dadas pela Coroa, propiciam o avanço do Classicismo amadurecido, no dilema entre aderir às formas cultas trazidos pelos Habsburgos (Filipe Terzi, Baltasar Álvares, os pintores Venegas e Fernão Gomes) e os fiéis do gosto nacional, o “estilo chão” (Afonso Álvares, os últimos pintores maneiristas).

Em um sentido de simples: estabeleceu-se o dilema entre a Europa e o Império. É curioso que este predomine no século XVII — em que a questão colonial foi avassaladora — e aquele retornasse, sob a forma do Barroco, mas já desfasado no tempo, no final do século e no seguinte.

Se no Norte ainda foi possível o brilhante episódio de Nicolau Nasoni no Porto (torre dos Clérigos, 1737-1752), seguido de André Soares na talha arquitetônica minhota, em Lisboa, o tardo-barroco diluiu-se rapidamente entre um Rococó de influência franco-germânica (Queluz) e a tradição castiça nacional que, após o terremoto de 1755, renasce sob a forma do estilo pombalino, tendendo à rigidez do Neoclássico (Ajuda). Após o Romantismo (Sintra), o século XIX caraceteriza-se pelo ecletismo sem unidade de gosto ou estilo, numa situação que faz lembrar o séc. XV e o neo-manuelino, o “estilo nacional” por excelência.

A fase contemporânea, reagindo contra esse nacionalismo, segue evolução paralela à europeia, mas com forte pendor para um Realismo que perdura além do Modernismo (1905). Assiste-se, após 1950, a uma inesperada renovação artística, com a projeção de arquitetos e pintores de renome internacional.

EXPRESSIONISMO

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EXPRESSIONISMO

Expressionismo, corrente artística que, pela deformação ou exagero das figuras, buscava a expressão dos sentimentos e emoções do autor. Este movimento surgiu como reação aos modelos dominantes nas artes européias desde o Renascimento, particularmente nas ultrapassadas academias de Belas-Artes.

O artista expressionista buscava a experiência emocional, preocupando-se mais com as emoções do observador do que com a realidade externa. Para aumentar a dramaticidade da comunicação artística, exageravam e, mesmo, distorciam os temas trabalhados.

Embora o termo expressionismo não se aplicasse à pintura antes de 1911, suas características se encontram nas criações de quase todos os países e períodos. Parte da arte chinesa e japonesa dá mais importância à essência do que à aparência física.

Os grandes nomes da Europa medieval exageraram suas figuras nas igrejas românicas e góticas, objetivando aumentar a carga espiritual de suas criações. A intensidade expressiva, criada pela distorção, aparece também no século XVI nas obras de artistas maneiristas, como o pintor espanhol El Greco e o alemão Matthias Grünewald.

Os autênticos precursores do expressionismo vanguardista apareceram no final do século XIX e começo do XX. Entre eles destacam-se o pintor holandês Vincent van Gogh, o francês Paul Gauguin e o norueguês Edvard Munch, que utilizavam cores violentas e linhas fortes para aumentar a intensidade de seus trabalhos.

O grupo expressionista mais importante do século XX surgiu na Alemanha. Entre suas figuras de proa estão os pintores Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff, que fundaram em Dresde (1905) o grupo denominado Die Brücke (A ponte).

Em 1906, Emil Nolde e Max Pechstein aderiram ao movimento e, em 1910, Otto Müller. Em 1912, fizeram uma exposição coletiva aliados a um grupo de Munique denominado Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul), do qual faziam parte os pintores alemães Franz Marc, August Macke e Heinrich Campendonk, o suíço Paul Klee e o russo Wassily Kandinsky.

Esta primeira fase do Expressionismo Alemão foi marcada por uma visão satírica da burguesia e forte desejo de representar emoções subjetivas. Die Brücke dissolveu-se em 1913, um ano antes do início da I Guerra Mundial (1914-1918). Os Fauvistas — particularmente o pintor francês Georges Braque e o espanhol Pablo Picasso — influenciaram e foram influenciados pelo Expressionismo Alemão.

A fase seguinte do Expressionismo se chamou Die neue Sachlichkeit (Nova Objetividade) e surgiu junto com a desilusão reinante após a I Guerra Mundial. Fundada por Otto Dix e George Grosz, foi marcada pelo pessimismo existencial e por uma atitude irônica e cínica diante da sociedade.

Este período do Expressionismo transformou-se em movimento internacional, podendo-se perceber a influência dos alemães no trabalho de artistas de várias partes do mundo, entre eles, os austríacos Oskar Kokoschka e Egon Schiele, os franceses Georges Rouault, Chaïm Soutine, o búlgaro nacionalizado francês Jules Pascin e o norte-americano Max Weber.

Na América Latina, o principal nome do Expressionismo é o equatoriano Oswaldo Guayasamín que, influenciado pelos muralistas mexicanos, utilizou esta estética para retratar a realidade dos indígenas do seu país. Na Espanha, o Expressionismo teve forte cunho social e seus nomes mais importantes são José Gutierrez Solana, Benjamín Palencia, Pancho Cossío, Francisco Mateos, Rafael Zabaleta e Eduardo Vicente.

No Brasil destacam-se Antonio Garcia Bento, Benedito Calixto de Jesus, Lasar Segal, pintor da dor e sofrimento humanos, e Anita Malfatti, que modernizou a pintura brasileira com temas nacionalistas, entre eles O Tropical, de 1916.

O grito

O grito (1893), de Edward Munch, é considerado o primeiro quadro expressionista. Embora o pintor norueguês não militasse nas campanhas desse movimento, tornou-se seu principal precursor pela capacidade de retratar os conflitos internos de seus personagens.

Picasso, Pablo Ruiz (1881-1973), pintor e escultor espanhol, considerado um dos artistas mais importantes do século XX. Artista multifacetado, foi único e genial em todas as atividades que exerceu: inventor de formas, criador de técnicas e de estilos, artista gráfico e escultor.

Período de formação

O gênio de Picasso manifestou-se desde muito cedo: aos 10 anos de idade, fez suas primeiras pinturas e, aos 15, passou com brilhantismo nos exames para a Escola de Belas Artes de Barcelona, com a grande tela Ciência e Caridade (1897), ainda em moldes acadêmicos.

Período azul


Mulher Inclinada Lendo – Picasso

Entre 1900 e 1902 fez três viagens a Paris, onde se estabeleceu finalmente, em 1904. Os temas das obras de Edgar Degas e de Henri Marie de Toulouse-Lautrec, bem como o estilo deste último, exerceram grande influência em Picasso. A casa azul (1901) demonstra sua evolução para o período azul, assim chamado pelo predomínio dos tons dessa cor nas obras realizadas nessa época.

Período rosa

Pouco depois de se estabelecer em Paris, nos anos de 1904 e 1905, iniciou o chamado período rosa, concentrando sua temática no mundo do circo e criando obras como Família de arlequins (1905).

Protocubismo

No verão de 1906, durante uma estada em Gosol, Andorra, sua obra entrou em uma nova fase, marcada pela influência das artes gregas, ibérica e africana. O célebre retrato de Gertrude Stein (1905-1906) revela um tratamento do rosto em forma de máscara. A obra chave desse período é As senhoritas de Avignon (1907), em que rompe a profundidade espacial e a forma de representação ideal do nu feminino, restruturando-o por meio de linhas e planos cortantes e angulosos.

Cubismo analítico e sintético

Entre 1908 e 1911, Picasso e Georges Braque, inspirados no tratamento volumétrico das formas pictóricas de Paul Cézanne, trabalharam em estreita colaboração, desenvolvendo juntos a primeira fase do cubismo, hoje conhecida como cubismo analítico. Nela se destaca Daniel Henry Kahnweiler (1910).

Em 1912, Picasso realizou sua primeira colagem, Natureza morta com cadeira de palha. Esta técnica assinala a transição para o cubismo sintético.
Escultura cubista

O busto em bronze de Fernande Olivier (também conhecido como Cabeça de mulher, 1909) mostra a consumada habilidade técnica de Picasso no tratamento das formas tridimensionais. Compôs ainda grupos como Bandolim e clarinete (1914), constituídos por fragmentos de madeira, metal, papel e outros materiais.

Realismo

Em estilo realista figurativo são: Pablo vestido de arlequim (1924), Três mulheres na fonte (1921), As flautas de Pã (1923), Mulher dormindo na poltrona (1927) e Banhista sentada (1930).

Pinturas: 1930-1935

Vários quadros cubistas do início da década de 1930, em que predominam a harmonia das linhas, o traço curvilíneo e um certo erotismo subjacente, refletem o prazer e a paixão de Picasso por seu novo amor, Marie Thérèse Walter, como se observa em Moça diante do espelho (1932).

Guernica

Em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil espanhola, a aviação alemã, por ordem de Francisco Franco, bombardeou o povoado basco de Guernica. Poucas semanas depois Picasso começou a pintar o enorme mural conhecido como Guernica, em que conseguiu um esmagador impacto como retrato-denúncia dos horrores da guerra.

A II Guerra Mundial e os anos do pós-guerra

A deflagração e o posterior desenvolvimento da II Guerra Mundial contribuíram para que a paleta de Picasso se obscurecesse e a morte se tornasse o tema mais freqüente da maior parte de suas obras. É o que se vê em Restaurante com caveira de boi e em O ossário (1945).

Últimos trabalhos

Em 1964, realizou a maquete de Cabeça de mulher, monumental escultura em aço soldado, erigida em 1966, no Centro Cívico de Chicago.

Pablo Picasso

A imensa obra do pintor e escultor espanhol Pablo Picasso exerceu uma grande influência na arte contemporânea. Estabelecendo-se em Paris, em 1904, Picasso adotou de início um estilo próximo ao do pós-impressionismo. Mais tarde, em suas mais de 20 mil obras, desenvolveu outras tendências artísticas. É considerado o artista mais importante do século XX.

O SIMBOLISMO NA EUROPA E NO BRASIL

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No Brasil, o simbolismo começa em 1893 com a publicação de dois livros: “Missal” e “Broquéis”

(poesia) ambos de Cruz e Sousa. Estende-se até o ano de 1922, data da semana de Arte
Moderna. O início do simbolismo não pode,no entanto, ser identificado com o término da escola antecedente, o Realismo.

Na realidade, no final do século XIX e início do século XX, três tendências caminhavam paralelas: o Realismo e suas manifestações; o Simbolismo, à margem da literatura acadêmica da época; e o pré-Modernismo, com o aparecimento de alguns autores como Euclides da Cunha e Lima Barreto. Só um movimento com a amplitude da Semana da Arte Moderna poderia neutralizar todas essas estéticas e traçar novos e definiti- vos rumos para a nossa literatura.

Na Europa, o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867) é considerado precursor do simbolismo por ter publicado, em 1857, As Flores do Mal, livro que já exibe traços do movimento. Mas é só em 1881 que a nova manifestação é rotulada. O escritor francês Paul Bourget (1852-1935) chama-a de decadentismo. O nome é substituído por simbolismo em manifesto publicado em 1886 no suplemento Figaro Littéraire.

O simbolismo manifesta-se na poesia. As obras buscam sugerir os objetos com símbolos, como ao usar a cruz para falar de sofrimento. Os versos exploram a sonoridade e a visualidade. Também rejeita as formas rígidas do parnasianismo, movimento de que é contemporâneo. Apesar de várias de suas bases coincidirem com as do romantismo, difere dele pela expressão da subjetividade sem sentimentalismo. Considera que só é real aquilo que está na consciência individual do poeta.

A partir da noção de que a vida é misteriosa e inexplicável, os simbolistas a representam de modo vago, obscuro e até ininteligível.

Os principais expoentes na França são Paul Verlaine (1844-1896), autor de Outrora e Agora, Rimbaud (1854-1891), que escreve Iluminations, e Stéphane Mallarmé (1842-1898), autor de A Tarde de um Fauno, musicada por Claude Debussy (1862-1918). Em Portugal, o marco do simbolismo é a publicação em 1890 de Oaristos, de Eugênio de Castro (1869-1944), cujo prefácio apresenta os ideais do movimento. Outros representantes são Antônio Nobre (1867-1900), que escreve Só, e Camilo Pessanha (1867-1926), autor de Clepsidra.

O Momento Histórico

Durante o século XIX a Europa era, em quase sua totalidade, Imperialista. A Europa estava em pleno expansionismo em direção aos países da África, Ásia e América Latina.
E em pouco tempo, 3/5 das terras do globo passaram para o domínio europeu.

E, nesta mesma época, havia a política das alianças, liderada pela Inglaterra de um lado e pela Alemanha do outro. E em função disto, a Europa começou a investir no crescimento bélico de suas nações, estando eles às vésperas da primeira guerra mundial. Para essa crescente militarização, os historiadores dão o nome de “Paz Armada”.

Esse era o contexto histórico onde nasceu o Simbolismo.

Características das Escola

– Subjetividade
– Religiosidade
– Busca da essência humana : a alma
– Ambigüidade, conotação, sentido figurado
– Poesia hermética, de difícil entendimento
– Busca da musicalidade – exploração da sonoridade das palavras
– “É preciso sentir, e não raciocinar”
– Sinestesias: cruzamento entre impressões sensoriais
– Aliterações: repetição de fonemas
– Temática: sonho, mistério, morte
– A poesia atinge o leitor por inteiro: todos os sentidos são aguçados