CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS

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FONEMA: é a menor unidade de traços fônicos distintivos.

Exemplo: AZUL = A / Z / U / L

LETRA: é a representação gráfica deste som.

CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS

Vogais: são fonemas que saem livremente pelo canal bucal. (a, e, i, o, u)

Consoantes: são fonemas produzidos com obstáculos à passagem da corrente expiratória (b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, v, x, w, y, z).

Semivogais: são as vogais I ou U, quando acompanhadas de outra vogal na mesma sílaba, formando, assim, um ditongo ou tritongo.

Exemplo: CASEIRO

Sílaba: fonema ou grupo de fonemas emitidos de uma só vez.

Exemplo: Acaso (a – ca – so).

ENCONTROS VOCÁLICOS

Ditongo: é o encontro de uma vogal e de uma semivogal ou vice-versa na mesma sílaba.

Os ditongos podem ser: orais ou nasais, crescentes ou decrescentes.

Ditongos orais: quando a vogal e a semivogal são orais. Exemplo: pai – fui – partiu

Ditongos nasais: quando a vogal e a semivogal são nasais. Exemplo: mãe – muito – quando

Ditongos crescentes: quando constituído por uma semivogal e uma vogal na mesma sílaba, isto é, quando a semivogal antecede a vogal. Exemplo: lírio – história

Ditongos decrescentes: quando formados por uma vogal e uma semivogal, isto é, a vogal antecede a semivogal. Exemplo: pai – mau

Tritongos: é o encontro de uma vogal entre duas semivogais na mesma sílaba.

Tritongos orais: quais – averigüei – enxagüei

Tritongos nasais: enxáguam – saguão – deságüem

Hiatos: é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes: Exemplo: vôo (vô – o) – saúde (sa – ú – de)

CLASSIFICAÇÃO DAS VOGAIS

1.Quanto a zona de articulação

* anteriores ou palatais: quando à língua se eleva gradualmente para a frente. (/ É / – / Ê / – / I /)
*média: quando o fonema vocálico é emitido coma língua baixa, quase em repouso. (/ A /)
*posteriores ou velares: quando a língua se eleva para trás. (/ Õ / – / Ô / – / U /)

2. Quanto à intensidade

* átonas – são aquelas que se pronunciam com menor intensidade ( casa, rosa, Pelé).
* tônicas – são as que se pronunciam com maior intensidade, isto é, onde cai o acento tônico (casa, rosa , Pelé).

3. Quanto ao Timbre

*abertas: maior abertura do tubo vocal. (pá, pé, pó)
*fechadas: menor abertura do tubo vocal. (vê, vinda, avô, mundo)

4.Quanto ao papel das cavidades bucal e nasal: as vogais podem ser orais e nasais

* orais: são aquelas cuja ressonância se dá na boca: ( par, fé, negro, vida, voto, povo, tudo)
* nasais: são aquelas cuja ressonância se dá no nariz (lã, pente – cinco – conto – mundo)

CLASSIFICAÇÃO DAS CONSOANTES

1.Quanto ao modo de articulação:

* oclusivas: quando a corrente expiratória encontra um obstáculo total (oclusão), que impede a saída do ar, explodindo subitamente. / P / – / T / – / K / – / B / – / D / – / G /
* constritivas: quando há um estreitamento do canal bucal, saindo a corrente de ar apertada ou constrita, ou melhor, quando o obstáculo é parcial.
* fricativas: quando a corrente expiratória passa por uma estreita fenda, o que produz um ruído comparável a um fricção. / F / – / S / – / X / – / N / – / Z / – / J /
* laterais: quando a ponta ou dorso da língua se apóia no palato (céu da boca), saindo a corrente de ar pelas fendas laterais da boca. / L / – / LH /
* vibrantes: quando a ponta mantém com os alvéolos contato intermitente, o que acarreta um movimento vibratório rápido, abrindo e fechando a passagem à corrente expiratória. / R / – / RR /

2.Quanto ao ponto de articulação:

* bilabiais: quando há contato dos lábios.
* labiodentais: quando há contato da ponta da língua com a arcada dentária superior.
* alveolares: quando há contato da ponta da língua com os alvéolos dos dentes superiores.
* palatais: quando há contato do dorso da língua com o palato duro, ou céu da boca.
* velares: quando há contato da parte posterior da língua com o palato mole, o véu palatino.

3.Quanto ao papel das cordas vocais:

* surdas:quando são produzidas sem vibração as cordas vocais. / P / – / T / – / K / – / F / – / S / – / X /
* sonoras: quando são produzidas por vibração das cordas vocais. (/ B / – / D / – / G / – / V / – / Z / – / J / – / L /- / LH / – / R / – / RR / – / M / – / N / – / NH /)

4.Quanto ao papel das cavidades bucal e nasal:

* nasais: quando a corrente expiratória se desenvolve pela boca e pelo nariz, em virtude do abaixamento do véu palatino. / M / – / N / – / NH /
*orais: quando a corrente expiratória sai exclusivamente pela boca.

ENCONTRO CONSONANTAL

É o encontro de duas ou mais consoantes na mesma sílaba ou em sílabas diferentes Exemplo: su-bli-me

DÍGRAFO OU DIGRAMA

É o grupo de duas letras que representam um só fonema. Os dígrafos podem ser consonantais ou vocálicos.

Dígrafos consonantais: CH, LH, NH, RR, SS, SC, SÇ. XC, XS, QU, GU.

Dígrafos vocálicos: AM ou AN, EM ou EN, IM ou IN, OM ou ON, UM ou UN.

LETRAS (DIACRÍTICA E ETIMOLÓGICA)

Diacrítica: é a segunda letra de dígrafo. Exemplo: chave – campo

Etimológica: é o h sem valor fonético . Exemplo: hoje – haver.

CONTAGEM DE FONEMAS

1.dígrafo: vale 1 fonema
2.x – ks: vale 2 fonemas
3.letra etimológica: não valem fonema algum
4.Exemplos: (chave -> 5 letras e 4 fonemas) (fixo -> 4 letras e 5 fonemas) (hoje -> 4 letras e 3 fonemas).

NUMERAL CARDINAL E NUMERAL ORDINAL

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NÚMERO CARDINAL
Número Cardinal: Os números cardinais designam a quantidade em si mesma (numerais substantivos) ou relacionada a substantivos(numerais adjetivos):

Exemplo: Cinco menos três são dois.
Cinco oradores revezaram-se naquela noite.

Flexionam-se em gênero os cardinais um, dois, ambos e as centenas a partir de duzentos: uma, duas, ambas, trezentas, oitocentas etc.

Os cardinais milhão, bilhão (ou bilião), trilhão etc. flexionam-se em número: milhões, bilhões (ou biliões), trilhões etc. Os outros numerais cardinais são invariáveis.

Os numerais quartoze, dezesseis, dezessete e dezenove apresentam as formas variantes catorze, dezasseis, dezassete e dezanove, as três últimas empregadas normalmente em Portugal. São condenáveis as formas: “douze”, “cincoenta”, “treis”e “hum”.

Em princípio, os cardinais designam quantidade precisa, mas freqüentemente são empregados em hipérboles, exprimindo indeterminação exagerada:

Exemplo:
Depois do céu azul, chuvas mil.
Já lhe disso um milhão de vezes.
Trilhões de asneiras.

Intercala-se a conjunção e nas centenas, dezenas e unidades ; mas deve ser omitida entre as seqüências de três algarismos, isto é, não deve ser empregada no intervalo que coincide com o ponto de separação:

Exemplo:
46 = quarenta e seis
146 = cento e quarenta e seis
1.146= mil cento e quarenta e seis

(Mas: mil e cem, mil e duzentos, mil e trezentos etc.)

845.916.336.146= oitocentos e quarenta e cinco bilhões,novecentos e dezesseis milhões, trezentos e trinta e seis mil cento e quarenta e seis.

NUMERAL ORDINAL
O numeral ordinal designa a ordem de sucessão ocupada numa série pelos objetos, seres etc. Podem ser substantivos ou adjetivos:

Exemplo:
Somos os primeiros a questioná-la.
Os primeiros colocados receberão prêmios.

Os ordinais variam normalmente em gênero e número: primeiro, primeira, primeiros, primeiras ; centésimo, centésima, centésimos, centésimas etc.São também muito freqüente as derivações sufixais(aumentativas, diminutivas e superlativas) de alguns ordinais na linguagem coloquial:

Exemplo:
Primeirão !
Ela foi a primeirinha a chegar.
Isto é de primeiríssima qualidade !
Agora o seu time disputará a Segundona (Segunda Divisão de futebol).

Cognato de primeiro(a) o latinismo primo(a) é empregado em alguns casos: obra-prima, matéria-prima, números primos, meu primo, minhas primas, de prima (de primeira) etc.

Por derivação imprópria, alguns ordinais, convertidos em adjetivos, não denotam ordem, senão qualidade (superior ou inferior).

Exemplo:
É um material didático de primeira.
Você comprou um produto de segunda.
Aquilo era um colégio de terceira.

Os ordinais até décimo devem ser usados na designação de séculos, papas, soberanos, partes de obras etc., quando pospostos ao substantivo. A partir de onze, empregam-se os cardinais:

Século I (primeiro)
João Paulo II (segundo)
Henrique VIII (oitavo)
Canto V (quinto)
Parte I (primeira)
Tomo III (terceiro)
Capítulo IX (nono)
ATO III (terceiro)

Uma pequena diferença ocorre na numeração de artigos de portarias, decretos, leis: usam-se os ordinais até o nono ; daí em diante, empregam-se os cardinais:

Artigo I (primeiro)

Anteposto ao substantivo, deve-se usar o numeral ordinal:

décimo primeiro século
vigésimo segundo papa

DIFERENÇA ENTRE PREDICATIVO DO OBJETIVO E ADJUNTO ADNOMINAL

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Vamos tratar da diferença entre PREDICATIVO DO OBJETO e ADJUNTO ADNOMINAL.

Para isso, veja o exemplo abaixo:

“Quando o promotor analisou o processo, considerou nulos as provas e os
depoimentos”
Excelente questão!

Vamos analisar o segundo período, colocando-o na ordem chamada “direta”, que consiste em SUJEITO / VERBO / COMPLEMENTO VERBAL:

(O promotor) considerou as provas e os depoimentos nulos.
Perceba que “nulos” se refere a “as provas e os depoimentos”. Como esse sintagma exerce na oração a função sintática de OBJETO DIRETO, o adjetivo “nulos” exerce a função de “PREDICATIVO DO OBJETO DIRETO”.

Mas o que é predicativo do objeto?
Predicativo é a função exercida por um substantivo ou adjetivo (classes gramaticais) que atribui a uma outra qualidade ou estado.

O que difere o PREDICATIVO DO OBJETO da outra função sintática – ADJUNTO ADNOMINAL – é o fato de que, como esta segunda denominação indica, o adjunto vem junto ao nome para atribuir a ele uma característica. O adjunto adnominal é um TERMO ACESSÓRIO (dispensável), enquanto que o PREDICATIVO é um termo INTEGRANTE da oração.

Perceba que eu não poderia omitir a informação “nulos” no período – O promotor considerou as provas e os depoimentos … – iria ficar faltando alguma coisa.

Como fazer para diferenciar um do outro na hora da prova?
Basta tentar substituir o complemento por um pronome correspondente.
Vamos substituir os dois substantivos que exercem a função de objeto direto por um pronome :

O promotor considerou-as (as provas) NULAS.
(O predicativo não fez parte da substituição)
O mesmo não ocorre se a função fosse a de ADJUNTO ADNOMINAL. Exemplo:
O promotor proferiu decisões nulas ->> O promotou proferiu-as
(Agora o adjetivo acompanhou o substantivo na substituição.)
Como o adjetivo “nulos” está se referindo aos dois termos “as provas
e os depoimentos”, deve com eles concordar em gênero e número. E pelo simples fato de exercer a função de predicativo do objeto (como vimos), não importa a posição na oração – deve estar SEMPRE de acordo com eles.

Essa última ressalva é porque, caso a função sintática fosse ADJUNTO ADNOMINAL, se o adjetivo estivesse anteposto aos substantivos a que se referisse, com o mais próximo deveria concordar.

Exemplo:
O promotor proferiu nulas decisões e pareceres.(concorda com “decisões”)
O promotor proferiu nulos pareceres e decisões. (concorda com “pareceres”)

Para confirmar que o adjetivo (classe gramatical) exerce a função sintática de adjunto adnominal nas orações acima, é só substituir os termos por pronomes correspondentes: O promotor proferiu-os. Se o adjetivo ‘sumiu’, é porque exercia a função de adjunto adnominal.

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL

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Na construção de um texto, assim como na fala, usamos mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do que se lê / diz.

Esses mecanismos lingüísticos que estabelecem a conectividade e a retomada do que foi escrito / dito são os referentes textuais e buscam garantir a coesão textual para que haja coerência, não só entre os elementos que compõem a oração, como também entre a seqüência de orações dentro do texto.

Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os participantes do processo têm com o tema. Por exemplo, o uso de uma determinada sigla, que para o público a quem se dirige deveria ser de conhecimento geral, evita que se lance mão de repetições inúteis.

Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha imaginária – composta de termos e expressões – que une os diversos elementos do texto e busca estabelecer relações de sentido entre eles.

Dessa forma, com o emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual.

Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoerência é resultado do mau uso daqueles elementos de coesão textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Construído com os elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.

Nas palavras do mestre Evanildo Bechara (1), “o enunciado não se constrói com um amontoado de palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência e independência sintática e semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”.

Desta lição, extrai-se que não se deve escrever frases ou textos desconexos – é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que essas frases estejam coesas e coerentes formando o texto.

Além disso, relembre-se que, por coesão, entende-se ligação, relação, nexo entre os elementos que compõem a estrutura textual.

Há diversas formas de se garantir a coesão entre os elementos de uma frase ou de um texto:

1. Substituição de palavras com o emprego de sinônimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo associativo.

2. Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante).

3. Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância – resultado da pobreza de vocabulário. Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima)

4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece com base na maior especificidade do significado de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel (mais genérico).

5. Emprego de hiperônimos – relações de um termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específico. Por exemplo, felino está numa relação de hiperonímia com gato.

6. Substitutos universais, como os verbos vicários (ex.: Necessito viajar, porém só o
farei no ano vindouro) A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de conectivos, como certos pronomes, certos advérbios e expressões adverbiais, conjunções, elipses, entre outros.
A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. … Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
relação entre as duas orações.).

Dêiticos são elementos lingüísticos que têm a propriedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa função de progressão textual, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa.

Já os componentes concentram em si a significação.
Elisa Guimarães (2) nos ensina a esse respeito:

“Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou posterioridade.

Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).”

Esse conceito será de grande valia quando tratarmos do uso dos pronomes demonstrativos.
Somente a coesão, contudo, não é suficiente para que haja sentido no texto, esse é o papel da coerência, e coerência se relaciona intimamente a contexto.

Como nosso intuito nesta página é a apresentação de conceitos, sem aprofundá-los em demasia, bastam-nos essas
informações.

Vejamos como o examinador tem abordado o assunto:

(PROVA AFTN/RN 2005)
Assinale a opção em que a estrutura sugerida para preenchimento da lacuna correspondente provoca defeito de coesão e incoerência nos sentidos do texto.

A violência no País há muito ultrapassou todos os limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil como um dos países mais violentos do mundo, levando-se em conta o risco de morte por homicídio.

Em 1980, tínhamos uma média de, aproximadamente, doze homicídios por cem mil habitantes. ___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de violência intencional aumentou, chegando a mais do que o dobro do índice verificado em 1980 – 121,6% –, ___3___, ao final dos anos 90 foi superado o patamar de 25 homicídios por cem mil habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em idade de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a cada queda de 1% do PIB a violência crescia mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990.

Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que os custos da violência consumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo
masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o preço da escalada da violência no Brasil.

(Adaptado de http:// www.brasil.gov.br/acoes.htm)

a) 1 – Tanto é assim que
b) 2 – Lamentavelmente
c) 3 – ou seja
d) 4 – Simultaneamente
e) 5 – Se bem que

COMENTÁRIO: As lacunas no texto ocultam palavras e expressões que atuam como conectores – ligam orações estabelecendo relações semânticas entre os períodos. A banca sugere algumas opções de preenchimento.

Dessas, a única que não atende ao solicitado é a de número 5, uma vez que a expressão “Se bem que” deveria introduzir uma oração de valor concessivo, estabelecendo, assim, idéia contrária à que foi apresentada até então pelo texto.

Verifica-se, contudo, que o que se segue ratifica as informações anteriores ao fornecer dados complementares às estatísticas sobre homicídios. Sendo aceita a sugestão da banca, a coerência textual seria prejudicada. Por isso, o gabarito é a opção E.

REALISMO E NATURALISMO

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Surgimento: II metade do século XIX

Características do realismo:

1) Objetivismo e impessoalidade

2) Busca da verossimilhança: as obras devem dar a impressão de verdade total, isto é, de que constituem um reflexo perfeito da realidade

3) Busca da perfeição formal

4) Pessimismo: os valores burgueses e as crenças religiosas e ideológicas sofrem um processo de completo descrédito

5) Racionalismo – cuja tradução é tanto a análise psicológica como a análise social

Características do naturalismo

1) Arte vinculada às novas teorias científicas e ideológicas européias (Evolucionismo, Positivismo, Determinismo, Socialismo, Medicina Experimental). Daí o outro nome do movimento, criado por Zola: romance experimental.

2) Todas as características do Realismo – menos a análise psicológica. Esta é substituída por variações deterministas que transformam os personagens em fantoches de destinos pré-estabelecidos. Segundo Taine, o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico em que vive. Pode-se dizer assim que o Naturalismo é o Realismo mais o cientificismo da II metade do século XIX.

3) Cientificismo sociológico e biológico. O sociológico é dado pelo determinismo do meio e do momento. O biológico pelo determinismo de raça e dos temperamentos e caracteres herdados.

4) Personagens patológicos. Para provar suas teses, os escritores naturalistas são obrigados muitas vezes a apresentar protagonistas doentios, criminosos, bêbados, histéricos, maníacos.

O Realismo e Naturalismo no Brasil

As primeiras idéias renovadoras surgem na década de 1870, no Recife, através da ação de Tobias Barreto e Sílvio Romero.

· Em 1881 aparecem O mulato, de Aluísio Azevedo e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Ainda que não sigam de todo os modelos europeus, as obras são respectivamente consideradas as inauguratórias da estética naturalista e realista no país.

O romance realista

Machado de Assis
I fase: (Tendências indefinidas, com maior acento romântico)

Ressurreição – A mão e a luva – Helena – Iaiá Garcia

· Tentativa de contrastar caracteres, conforme declaração do autor no prefácio de Ressurreição.

· Certos temas recorrentes na II fase, como a ambição e o egoísmo, já se insinuam nestes romances

· Linguagem carregada de lugares-comuns.

II fase: (Realista, mas de um realismo absolutamente singular, fora dos padrões europeus)

Memórias póstumas de Brás Cubas

Um defunto autor, sem as ilusões e as fraudes interiores dos vivos, narra do túmulo a sua vida pregressa. Num tom irônico, ele vai descobrindo a ausência de grandeza em si e em todas as pessoas. A consciência de que as ações humanas são desencadeadas apenas pelo interesse, pela possibilidade de lucro, pelo egoísmo e pelo instinto sexual, justifica o fim do romance, em que Brás Cubas mede sua vida e conclui que ganhara: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.

Curioso é o personagem Quincas Borba, amigo do personagem-narrador, filósofo de duvidosa sanidade mental, criador da teoria do Humanitas que, sendo uma sátira contra todas as filosofias, é também a tradução da corrosiva visão de mundo do próprio Machado de Assis.

Quincas Borba

O modesto professor Rubião recebe em Barbacena grande herança do falecido filósofo Quincas Borba, com a condição de cuidar do seu cachorro, também chamado Quincas Borba.

Rubião abandona a província, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde é enganado e explorado por um bando de parasitas, especificamente por um ambicioso casal: Sofia e Palha. Sofia percebe a paixão do professor por ela e se diverte com sua ingenuidade. Palha monta um negócio de exportação com o professor, o qual entra com todos os recursos financeiros para o empreendimento.

Rubião, consciência estreita em demasia para a complexidade psicológica e social, nada entende. E acaba enlouquecendo. Dissipa, então, a sua fortuna inteiramente. Palha desmancha a sociedade, ficando com o negócio e Rubião é despachado de volta para Barbacena, em companhia do cachorro Quincas Borba. Lá morre na maior miséria.

Bento Santiago tenta recompor o passado através da memória, e recorda o amor adolescente por Capitu (a de “olhos oblíquos e dissimulados”, “olhos de cigana”, “olhos de ressaca”). Boa parte da memória de Bentinho concentra-se na adolescência dos personagens, na poesia da primeira paixão, no compromisso de casamento e em seu ingresso forçado no seminário, promessa carola de sua mãe. Depois, as ações ocorrem velozes: a amizade com Escobar, o abandono do seminário, o tão desejado casamento com Capitu, o enlace de Escobar com Sancha, a amizade dos casais, o nascimento de Ezequiel, filho do personagem-narrador, a felicidade.

Escobar morre no mar e Capitu sofre tanto que Bentinho desconfia. Uma desconfiança que aumentará dia após dia, uma dialética de suspeitas e ciúmes: Bento vê no filho, Ezequiel os traços fisionômicos de Escobar. O casamento se corrói pela traição (concreta?, real?) de Capitu, que parte para a Europa com o filho, impelida pelo marido que já não os aceita. Anos depois, Capitu morre, Ezequiel retorna para o Brasil (segundo o narrador, cada vez mais parecido com Escobar), vai para a África e lá também morre. O processo de desagregação de Bentinho estava concluído, restando-lhe enfrentar a solidão definitiva.

Esaú e Jacó

Quando o Conselheiro Aires morre, encontra-se em seus papéis a narrativa em questão. É a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo, que já brigavam no ventre da mãe e que seguem adversários na infância e na vida adulta e na maturidade. Um se forma médico, outro advogado, um ingressa no partido conservador, outro no partido liberal. Um é monarquista, outro vira republicano. Ambos, no entanto, se apaixonam pela mesma moça, Flora. Esta oscila entre os gêmeos e termina morrendo sem optar por nenhum. Pedro e Paulo reconciliam-se e prometem amizade fraternal para o resto da vida, mas em seguidas rompem outra vez e seguem se odiando mutuamente.

O romance é muito lembrado por ser o único, na obra machadiana, em que fatos históricos (a Abolição e a República) têm importância no entrecho. Nos vestibulares aparece com freqüência o irônico episódio do cap. XLIX – Tabuleta velha – em que um dono de confeitaria, Custódio, em meio à confusão histórica (fim do Império, início da República) não sabe como designar a sua casa de negócios.

Memorial de Aires

O mesmo Conselheiro Aires, diplomata aposentado, escreve o seu diário cheio de finas observações sobre a vida, num tom discreto e levemente nostálgico, abrandando aquele pessimismo dos relatos anteriores de Machado de Assis. (No mundo ficcional, as memórias do conselheiro são anteriores ao romance Esaú e Jacó, do qual ele também é o narrador).

O conselheiro acompanha com interesse humano (talvez amoroso) a jovem viúva Fidélia, praticamente adotada por um casal de velhos sem filhos, Dona Carmo e Aguiar. Estes tinham experimentando uma grande decepção quando um rapaz a quem se afeiçoaram, como se fosse seu filho verdadeiro, Tristão, mudara-se para Lisboa com o fim de freqüentar a escola de medicina. Tristão retorna e acaba se casando com Fidélia. Em seguida, para tristeza dos velhos, o jovem casal viaja para Europa. O romance termina com o Conselheiro Aires acompanhando com discreta piedade a solidão do casal Aguiar e Carmo, no qual muito críticos viram as figuras de Machado e de sua esposa, Carolina.

Os temas principais:

1 – O adultério: Motivo central de Dom Casmurro e de uma série de contos, além de ser motivo importante de Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba.

2 – O parasitismo social: Reflexo de uma sociedade erigida sobre o trabalho do escravo. Parasitas são quase todos os personagens de Machado, principalmente em Quincas Borba.

3 – A confusão entre a razão e a loucura: As fronteiras estabelecidas entre a razão e a insanidade são vagas e incertas. No conto O alienista desenvolve-se uma ironia feroz contra as certezas cientificistas do século XIX.

4 – O egoísmo, a vaidade, o interesse: Sem estes elementos nada ocorreria nos romances e contos de Machado de Assis. Os personagens movem-se por orgulho ou cobiça, e os que vivem por motivos mais nobres, em geral, são os enganados, os vencidos.

5 – A impossibilidade de ação com grandeza: Se acompanharmos Brás Cubas, Bentinho e o mesmo Rubião, veremos apenas o inventário de mesquinharias e atitudes hipócritas que satisfazem a moral das aparências.

6 – A hipocrisia: Relaciona-se com aspecto do duplo comportamento humano. Intimamente, os seres possuem determinadas facetas, idéias, sentimentos, mas, para satisfazer as exigências sociais, dissimulam, falsificam a sua identidade. Trata-se de um universo de véus e máscaras. Há uma alma interior e uma alma exterior: este é o tema do conto O espelho. Às vezes, a aparência e a verdade se confundem tanto que os indivíduos tomam uma pela outra: Capitu aparenta trair, Bentinho a julga traidora.

7 – A ambigüidade feminina: As mulheres no regime patriarcalista, inferiorizadas socialmente, são impelidas a aprender regras de dissimulação e de sedução, e se servem delas como armas. Muitas vezes, são elas que conduzem os homens desencadeando crises e problemas. Sofia, Capitu, Virgília e dona Conceição – esta última do conto Missa do galo – exemplificam este tipo de mulher.

8- O instinto e o subconsciente como móveis dos atos humanos.

APOSTO

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É o termo que explica, desenvolve, identifica ou resume um outro termo da oração, independente da função sintática que este exerça. Há quatro tipos de aposto:

Aposto Explicativo
O aposto explicativo identifica ou explica o termo anterior; é separado do termo que identifica por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões.

Ex.

•Terra Vermelha, romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.

Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
É a oração que funciona como aposto explicativo. É sempre iniciada por um pronome relativo e, da mesma maneira que o aposto explicativo, é separada por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões.

Ex.

•Terra Vermelha, que é um romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.

Oração Subordinada Substantiva Apositiva
Oração Subordinada Substantiva Apositiva é outra oração que funciona como aposto. A função dela é complementar o sentido de uma frase anterior que esteja completa sintaticamente. Por exemplo, quando se diz Ela só quer uma coisa a frase está completa sintaticamente, pois tem sujeito-verbo-objeto, porém incompleta quanto ao sentido.

Portanto deveremos colocar algo que complete o sentido dessa frase. Por exemplo Ela só quer uma coisa: que sua presença seja notada. Eis aí a Oração Subordinada Substantiva Apositiva. Não confunda com a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa, que também funciona como aposto, mas que tem como função complementar o sentido de um substantivo anterior, e não uma frase. Por exemplo: A vaca, que para os hindus é um animal sagrado, para nós é sinônimo de churrasco. Eis aí a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa.

Aposto Especificador

O aposto especificador Individualiza ou especifica um substantivo de sentido genérico, sem pausa. Geralmente é um substantivo próprio que individualiza um substantivo comum.

Ex.

•O professor José mora na rua Santarém, na cidade de Londrina.

Aposto Enumerador
O aposto enumerador é uma seqüência de elementos usada para desenvolver uma idéia anterior.

Ex.

•O pai sempre lhe dava três conselhos: nunca empreste dinheiro a ninguém, nunca peça dinheiro emprestado a ninguém e nunca fique devendo dinheiro a ninguém.

•O Escoteiro deve carregar consigo seu material: mochila, saco de dormir e barraca.

Aposto Resumidor
O aposto resumidor é usado para resumir termos anteriores. É representado, geralmente, por um pronome indefinido.

Ex.

Alunos, professores, funcionários, ninguém deixou de lhe dar os parabéns.

Vocativo
O vocativo é um termo independente que serve para chamar por alguém, para interpelar ou para invocar um ouvinte real ou imaginário.

Ex.

Teté, dê-me um beijo!

LITERATURA CONTEMPORÂNEA

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Contexto histórico
Nas últimas décadas, a cultura brasileira vivenciou um período de acentuado desenvolvimento tecnológico e industrial; entretanto, neste período ocorreram diversas crises no campo político e social.

Os anos 60 (época do governo democrático-populista de J.K.) foram repletos de uma verdadeira euforia política e econômica, com amplos reflexos culturais: Bossa Nova, Cinema Novo, teatro de Arena, as Vanguardas, e a Televisão.

A crise desencadeada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e o golpe militar que derrubou João Goulart colocaram fim nessa euforia, estabelecendo um clima de censura e medo no país (promulgação do AI-5; fechamento do Congresso; jornais censurados, revistas, filmes, músicas; perseguição e exílio de intelectuais, artistas e políticos). A cultura usou disfarces ou recuou.

A conquista do tricampeonato mundial de futebol em 1970, foi capitalizada pelo regime militar e uma onda de nacionalismo ufanista espalhou-se por todo o país, alienando as mentes e adormecendo a consciência da maioria da população por um bom período de tempo: “Brasil – ame-o ou deixe-o”, a cultura marginalizou-se.

Em 1979, um dos primeiros atos do presidente Figueiredo foi sancionar a lei da anistia, permitindo a volta dos exilados. Esse ato presidencial fez o otimismo e esperança renascerem naqueles que discordavam da política praticada pelos militares daquele período.

Na década de 80 inicia-se uma mobilização popular pela volta das eleições diretas, que só veio a concretizar-se em 89, com a posse de Fernando Collor de Mello, cassado em 1991.
1995 : eleição e posse do presidente Henrique Cardoso.

Manifestações Artísticas
As manifestações literárias desse período desenvolvem-se a partir de duas linhas-mestras:
a) De um lado, a permanência de alguns autores já consagrados como João Cabral e Carlos Drummond de Andrade acompanhada do surgimento de novos
artistas como Lygia F. Telles e Dalton Trevisan, ligados as linhas tradicionais da literatura brasileira: regionalismo, intimismo, urbanismo, introspecção psicológica.

b) De outro lado, a ruptura com valores tradicionais que se dispersam através de propostas alternativas ou experimentais, buscando novos caminhos ou exprimindo de maneiras pouco convencionais as tensões de um país sufocado pelas forçasda repressão. Nessa vertente nascem o concretismo, a poesia Práxis,os romancese contos fantásticos, alegóricos.

O professor Domício Proença Filho (cit. in. Faraco e Moura, Língua e Literatura, vol. 3 Ed. Ática), defende a idéia de que “nas três últimas décadas, a cultura brasileira tem vivido sob o signo da multiplicidade seja na área política, social ou artística”. Para ele, a cultura pós-moderna apresenta as seguintes características:

eliminação entre fronteiras entre a arte erudita e a popular; presença marcante da intertextualidade ( diálogo com obras já existentes e presumivelmente conhecidas) mistura de estilos (ecletismo que contenta gostos diversificados) preocupação com o presente, sem projeção ou perspectivas para o futuro. Na dramaturgia, especificamente, surgiu um espectador mais ativo que passou a fazer parte de uma interação entre atores e platéia.
Música e cinema sofrendo concorrência e pressão por parte da “moda” imposta pelos países mais desenvolvidos.

A rapidez de sucessão dos modismos, tendo por objetivo o consumo desenfreado;

o lucro, passou a reinar na sociedade brasileira.
Tratando-se especificamente da Literatura, o Professor Proença aponta asseguintes características dessa arte, neste período:
a) Ludismo na criação da obra, desembocando freqüentemente na paródia ou pastiche. Ex: as sucessivas imitações do famoso poema de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio” (“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…”).

b) Intertextualidade, característica da qual os textos de Drummond como “A um bruxo com amor” (retomando M. de Assis); “Todo Mundo e Ninguém” (retomando
o auto da Lusitânia, de Gil Vicente) são belos exemplos.

c) Fragmentação textual: “associação de fragmentos de textos colocados em seqüência, sem qualquer relacionamento explícito entre a significação de ambos”, como em uma montagem cinematográfica.

POESIA
Nesta há duas constantes:
a) Uma reflexão cada vez mais acurada e crítica sobre a realidade e a busca de novas formas de expressão; mantêm nomes consagrados como João Cabral, Mário Quintana, Drummond no painel da literatura.

b) Afirmação de grupos que usavam técnicas inovadoras como: sonoridade das palavras, recursos gráficos, aproveitamento visual da página em branco, recortes, montagens e colagens.

As principais vanguardas poéticas prendem-se aos grupos:
Concretismo, Poema-Processo, Poesia-Social, Tropicalismo; Poesia-Social e Poesia-Marginal.

Concretismo
O concretismo foi idealizado e realizado pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e por Décio Pignatari . Em 1952 esse movimento começou a ser divulgado através da revista “Noigrandes”(“antídoto contra o tédio” em linguagem provençal), mas seu lançamento oficial aconteceu em 1956, com a Exposição Nacional da Arte Concreta em São Paulo. Suas propostas aparecem no Plano- Piloto da Poesia Concreta; assinado por seus inventores:

Poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas, dando por encerrado
o ciclo histórico do verso ( unidade rítmico- formal), a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutural, espaço qualificado estrutura espácio- temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico ¬linear, daí a importância da idéia do ideograma, desde o seu sentido geral de sintaxe espacial ou visual, até o seus sentido específico (fenollosa/pound) de método de compor baseado na justa posição direta -analógica não lógico¬discursiva – de elementos. (…). Poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem, realismo total, contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. Criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível um arte geral da palavra. o poema- produto: objeto útil (grifos nossos).

Vários poemas desse período não apresentam versos; “jogam” com a forma e o fundo, aproveitando o espaço gráfico em sua totalidade, “brincam” com o significado e o significante do signo lingüístico, rejeitam a idéia de lirismo e tratam de forma inusitada o tema. O poema é como um quadro, sem ligações com o universo subjetivo; esse “objeto” concreto é passível de manipulação e permite múltiplas leituras (de cima para baixo; da direita para a esquerda, em diagonal, etc.).

Como pode-se perceber, retomam procedimentos que remontam às vanguardas do início do século, tais como Cubismo e Futurismo. Seus recursos são os mais variados: experiências sonoras ( aliterações, paronomásias;; caracteres tipográficas variadas (formas e tamanhos); diagramação; criação de neologismos… O poeta é um artesão da civilização urbana, sintonizado com o seu tempo.

Poesia – Práxis
Em 1962, Mário Chamie lidera em grupo dissidente, contra o radicalismo dos “mais concretos” e instaura a poesia-práxis. Em sua obra Lavra-lavra faz uma espécie de manifesto:
“as palavras não são corpos inertes, imobilizados a partir de quem as profere e as usa… As palavras são corpos- vivos. Não vítimas passivas do contexto.

O autor práxis não escreve sobre temas, ele parte de “áreas”(seja uma fato externo ou emoção), procurando conhecer todos os significados e contradições possíveis e atuantes dessas áreas, através de elementos sensíveis que conferem a elas realidade e existência”.
A poesia-práxis preocupou-se com a palavra- energia, que gera outras palavras – uma valorização do ato de compor. É o que se vê no poema Agiotagem, de Mário Chamie:

Agiotagem
um dois três
o juro: o prazo
o pôr/ o cento/ o mês/ o ágio porcentagio.
dez cem mil
o lucro: o dízimo
o ágio/ a moral/ a monta em péssimo empréstimo.

muito nada tudo a quebra: a sobra a monta/ o pé/ o cento/ a quota haja nota agiota.
Fragmento do Poema “LAVRADOR” (Mário Chamie)
LAVRA: Onde tendes pá, pé e o pó sermão da cria: tal terreiro
DOR: Onde tenho a pó, o pé e a pá quinhão da via: tal meu meio de plantar sem água e sombra.
LAVRA: Onde está o pó, tendes cãimbra;
Poema-código (ou semiótico) e Poema / Processo.
Em 1964, Décio Pignatari e Luiz Ângelo Pinto, lançaram a idéia do poema- código ou semiótico, predominantemente visual, incorporando outras linguagens (jornal, propaganda), montando um texto à maneira dadaísta.

Uma outra variante do Concretismo foi uma radicalização ainda maior – o poema – processo -, criação de Wladimir Dias Pino e Alvares de Sá, utilizando sobretudo signos visuais e dispensando o uso da palavra.

A poética da resistência: A poesia -social

Seu principal mentor é o maranhense Ferreira Gullar, que, em 1964, rompe com a poesia concreta e retoma o verso discursivo e temas de interesse social (guerra- fria, corrida atômica, neocapitalismo, terceiro mundismo), buscando maior comunicação com o leitor e servir como testemunha de uma época. Após o golpe militar e a AI-5, empreende uma verdadeira “poesia de resistência”. ao lado de outros escritores, artistas e compositores (J.J. Veiga, Thiago de Mello, Affonso Romano de Sant’Ana, Antônio Callado, Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Oduvaldo Viana Filho…).

Tropicalismo
O movimento musical popular chamado Tropicalismo originou-se, ainda na década de 60, nos festivais de M. P. B. realizados pela TV Record, que projetaram no cenário nacional, os jovens Caetano Veloso, Gilberto Gil, o grupo Os Mutantes e Tom Zé, apoiados em textos de Torquato Neto e Capinam e nos arranjos do maestro Rogério Duprat.

Com humor, irreverência, atitudes rebeldes e anarquistas os tropicalistas procuravam combater o nacionalismo ingênuo que dominava o cenário brasileiro, retomando o ideário e as propostas do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Dessa forma, propunham a devoração e de deglutição de todo e qualquer tipo de cultura, desde as guitarras elétricas dos Beatles até a Bossa Nova de João Gilberto e o “nordestinismo” de Luiz Gonzaga.

Características dos textos:
ironia e paródia, humor e fragmentação da realidade; enunciação de flashes cinematográficos aparentemente desconexos, ruptura com os padrões tradicionais da linguagem ( pontuação sintaxe etc.).
Suas influências foram fundamentais na música, mas repercutiram também na literatura e no teatro.
Com o AI-5, seus representantes foram perseguidos e exilados.
A partir daí, a linguagem artística ou se cala ou se metaforiza ou apela para meios não convencionais de divulgação.

A Poesia Marginal

Segundo a professora Samira Youssef Campedelli (M Literatura, História e Texto, 3, Saraiva) “a poesia desenvolvida sob a mira da polícia e da política nos anos 70 foi uma manifestação de denuncia e de protesto, uma explosão de literatura geradora de poemas espontâneos, mal-acabados, irônicos, coloquiais, que falam do mundo imediato do próprio poeta, zombam da cultura, escarnecem a própria literatura.

A profusão de grupos e movimentos poéticos, jogando para o ar padrões estéticos estabelecidos, mostra um poeta cujo perfil pode ser mais ou menos assim delineado ele é jovem, seu campo é a banalidade cotidiana, aparentemente não tem nem grandes paixões nem grandes imagens, faz questão de ser marginal”. Experimentalismo, moralidade, ideologia e irreverência são algumas de suas características.

A divulgação dessa obra foge do “circuito tradicional”: são textos fechados em muros; jornais, revistas e folhetos mimeografados ou impressos em gráficas de fundo de quintal e vendidas em mesas de restaurantes, portas de cinemas, teatros e centros culturais; happening e shows musicais; até uma “chuva de poesia” foi realizada no centro de São Paulo, da cobertura do edifício Itália, em 1980.

Ainda de acordo com a Professora Samira (opuscit, p.354) “Recupera-se alguns laços com a produção do primeiro Modernismo (1922) – poemas -minuto, poemas ¬piada; experimentaram-se técnicas como a colagem e a desmontagem dadaístas; praticaram-se formas consagradas, como o sonetos ou o haicai; tudo foi possível dentro do território livre da poesia marginal, como bem atestam os poemas de Paulo Leminsky, à moda grafite, com sabor de haicai:

NÃO DISCUTO COM O DESTINO O QUE PINTAR EU ASSINO
Representantes desse grupos: Wally Salomão, Cacaso,Capinam, Alice Ruiz, Charles, Chacal, Torquato Neto e Gilberto Gil (Marginalia e “Geléia Geral”)
o céu não cai do céu
O céu não cai do céu, poema de Régis Bonvicino
Não é rara também a paródia, assim como a metalinguagem.
Enquanto os concretistas atribuem grande importância à construção do poema, os marginais preocupam-se sobretudo com a expressão, ora de fatos triviais, ora de seus sentimentos. Por isso, boa parte dessa poesia marca-se por um tom de conversa íntima, de confissão pessoal.

Outras Tendências
Alguns poetas não se filiam a nenhuma dessas tendências, ou constituindo obra pessoal ou seguindo novos caminhos, ainda muito novos e incertos para serem “catalogados”; ou retomando a linha criativa de poetas já consagrados, como Drummond, Murilo Mendes e João Cabral.
São eles: Adélia Prado,Manuel de Barros,José Paulo Paes,Cora Coralina; entre outros.

Prosa
Assim como na Poesia, na Prosa o período pós -moderno caracteriza-se por uma pluralidade de tendências e estilos.

A partir dos anos 70, vão -se quebrando limites entre os gêneros literários : romance e conto, conto e crônica, crônica e notícia; desdobram-se e acabam incorporando técnicas e linguagens, antes fora de seus domínios. Dessa forma, aparecem romances com ares de reportagens; contos parecidos com poemas em prosa ou com crônicas, autobiografias com lances romanescos narrativos que adquirem contornos de cena teatral; textos que se constroem por justaposição de cenas, reflexões, documentos …

O Romance
O romance ora segue as linhas tradicionais, aprofundando-se e enriquecendo-as com novos temas; ora inova, criando novas nuances de prosa.
Há diversos tipos de romance

Romance regionalista:
Seguindo um caminho tradicional, iniciado desde o Romantismo, uma safra de bons escritores continua a retratar o homem no ambiente das zonas rurais, com seus problemas geográficos e sociais.

Ex:
Mário Palmério (Vila dos Confins, Chapadão do Bugre),José Cândido de Carvalho (O Coronel e o Lobisomem), Bernardo Élis (O tronco),Herberto Sales (Além dos Maribus), Antônio Callado (Quarup); entre outros.

Romance Intimista:
Na mesma linha de sondagem interior, de indagação dos problemas humanos, iniciada por Clarice Lispector, vários autores exploram o interior de personagens angustiadas, desnudando seus traumas, problemas psicológicos, religiosos, morais e metafísicos:

Ex:
Lygia Fagundes Telles (Ciranda de Pedra, As Meninas),Autran Dourado (Ópera dos Mortos, O Risco no Bordado),Osman Lins (O Fiel e a Pedra), Lya Luft (Reunião de Família ), Aníbal Machado (João Ternura), Fernando Sabino (O Encontro Marcado), Josué Montello (Os degraus do Paraíso), Chico Buarque (Estorvo); entre outros.

Romance urbano – social
Documenta os grandes centros urbanos com seus problemas específicos : a burguesia e o proletariado em constante luta pela ascensão social, luta de classes, violência urbana, solidão, angústia e marginalização.

Ex:
José Condé (Um Ramo para Luísa),Carlos Heitor Cony (O ventre), Antônio Olavo Pereira (Marcoré), Marcos Rey, Luís Vilela, Ricardo Ramos, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca.

Romance político A censura calou, durante um tempo, as vozes dos meios de comunicação de massa fazendo com que o romance passasse a suprir essa lacuna, registrando o dia-a-dia da história, fazendo surgir novas modalidades de prosa:

a) paródia histórica. Ex: Márcio de Sousa (Galvez, o Imperador do Acre), Ariano Suassuna (A Pedra do Reino), João Ubaldo Ribeiro (Sargento Getúlio).

b) o romance reportagem, com emprego de linguagem jornalística e enredos com relatos de torturas, como veículo de denúncia e protesto contra a opressão.
Ex: Ignácio de Loyola Brandão (Zero, não Verás País Nenhum), Antônio Callado (Quarup, Reflexos do baile), Roberto Drummond (Sangue de Coca- Cola) e Rubem Fonseca (O Caso Morel).

c) o romance policial, com aspectos urbanos e políticos aparece na ficção de Marcelo Rubens Paiva (Bala na Agulha) e de Rubem Fonseca; este último, considerado o melhor nesse gênero, escreveu “A Grande Arte”, “Bufo & Spallanzani” ,”Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos”dentre outros.

d) o romance histórico, que consegue fundir narrativa policial, fatos políticos e abordagem histórica tem grandes representantes como a obra “Agosto” de Rubem Fonseca, que retrata os acontecimento políticos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio; “Boca do Inferno” de Ana Miranda que retrata a Bahia do século XVII e os envolvimentos políticos e amorosos de Gregório de Matos; Fernando Morais seguindo esta linha escreve “Olga”, a história da esposa de Luís Carlos Prestes, entregue aos alemães nazistas pelo governo de Getúlio.

No Realismo Fantástico e no Surrealismo alguns escritores constroem metáforas que representam a situação do Brasil utilizando situações absurdas e assustadoras.

Ex:
Murilo Rubião é o pioneiro (O Pirotécnico Zacarias, O Ex-Mágico); J. J. Veiga (Sombras de Reis Barbudos, A Hora dos Ruminantes); Moacir Scliar (A Balada do Falso Messias, Carnaval dos Animais); Érico Veríssimo (Incidente em Antares).
Romance Memorialista e / ou autobiográfico
Essa tendência surge na ficção brasileira na década de 80, misturando autobiografia, relatos de viagens memoriais e reflexões de intelectuais que viveram no exílio ou foram testemunhas das atrocidades cometidas pelo regime militar.

Ex: Pedro Nava (Baú de Ossos),Érico Veríssimo (Solo de Clarineta I e II), Fernado Gabeira(O que é isso Companheiro? e O Crepúsculo do Macho), Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho).
Romances experimentais e metalingüísticos
Desenvolvem novas técnicas de narrativa e trabalho linguístico que apresentam estrutura fragmentária.

Ex:
Osman Lins (Avalovara), Ignácio de Loyola Brandão (Zero), Ivan Ângelo (A Festa),Antônio Callado (Reflexos do Baile).

O Conto e a Crônica

A partir dos anos 70, houve uma verdadeira explosão editorial do conto e da crônica, por serem narrativas curtas, condensadas e atenderem à necessidade de rapidez do mundo moderno. Novas dimensões foram introduzidas no conto tradicional : subversão da seqüência narrativa, interiorizarão do relato, colagem de flashes e imagens, fusão entre poesia e prosa, evocação de estados emocionais.

A crônica, texto ligeiro, de interpretação imediata, com flagrantes do cotidiano, também passou a agradar o leitor tornando-se popular.

Autores que se destacam nesses dois gêneros:
Contos:
Lygia F. Telles,Osmar Lins, Murilo Rubião,Autran Dourado, Homero Homem, Moacyr Scliar, Oto Lara Resende,Dalton Trevisan,J. J. Veiga,Nélida Pinon, Rubem Fonseca, João Antônio,Domingos Pelegrim Jr,Ricardo Ramos, Marina Colasanti,Luís Vilela,Marcelo Rubens Paiva, Ivan Ângelo e Hilda Hilst.

Crônica:
Rubem Braga,Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queiroz,Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Álvaro Moreira,Sérgio Porto (Stanislau Ponte Preta), Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo eJoão Ubaldo Ribeiro.

ESTRANGEIRISMO

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Este texto pretende discutir a validade do projeto de lei 1676/99, que objetiva defender, proteger e promover a língua portuguesa em território brasileiro. Para tanto, usaremos, como referencial teórico, artigos de Fiorin e Aubert. Nossa hipótese é mostrar que o uso de estrangeirismos, em especial o de anglicismos, não descaracteriza a língua, uma vez que atinge apenas algumas áreas pré-determinadas.

Palavras-chave: preconceito, empréstimo e renovação lingüísticos.

“Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. (LUDWIG WITTGENSTEIN)

O projeto de lei n.º 1676/99, de autoria do deputado Aldo Rebelo, é um dos poucos assuntos relacionados à língua que tem espaço na mídia brasileira. Em época recente, o projeto tornou-se objeto de polêmica entre o seu autor e alguns lingüistas, entre eles Fiorin (2000) e Aubert (2001). Considerado por este último como preconceituoso, o referido documento objetiva defender, proteger e promover a língua portuguesa no Brasil.

Para tanto, sugere que o uso do português se torne obrigatório em determinadas situações do cotidiano, sendo que qualquer “uso de palavra ou expressão em língua estrangeira, ressalvados os casos excepcionados” na lei “e na sua regulamentação, será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei”. Apud AUBERT, 2001: 68)

O deputado, ao justificar o projeto de lei, argumenta que assistimos, atualmente, a uma verdadeira descaracterização da língua portuguesa, (Grifo nosso) tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos. Nosso objetivo, neste trabalho, é discutir a validade dessa afirmativa, sobretudo com relação aos empréstimos lexicais da língua inglesa.

O projeto de lei, em seu artigo 3.º, define os segmentos sociais que serão alvo da possível lei: (1) todos os brasileiros; (2) todos os estrangeiros que se encontram em nosso país há mais de um ano. Define também as situações em que a língua portuguesa deve ser usada:

Art. 3.º – É obrigatório o uso da língua portuguesa por brasileiros natos e naturalizados, e pelos estrangeiros residentes no País há mais de 1 (um) ano, nos seguintes domínios socioculturais:

I – no ensino e na aprendizagem;

II – no trabalho;

III – nas relações jurídicas;

IV – na expressão oral, escrita, audiovisual e eletrônica oficial;

V – na expressão oral, escrita, audiovisual e eletrônica em eventos públicos nacionais;

VI – nos meios de comunicação de massa;

VII – na produção e no consumo de bens, produtos e serviços;

VIII – na publicidade de bens, produtos e serviços.

(Apud AUBERT, 2001: 166-7)

Nota-se, principalmente nos incisos VI, VII e VIII, que o campo de ação do projeto de lei é o léxico da língua, já que pretende coibir o uso de certas palavras estrangeiras nos meios de comunicação, no anúncio e publicidade comerciais. Com isso, a lei se tornaria uma barreira na descaracterização do português brasileiro.

Segundo Fiorin (2000: 225-6), o que caracteriza uma língua é a sua gramática e o seu fundo léxico comum. Partindo do pressuposto de que o projeto de lei visa a planificar o uso do léxico no português brasileiro, não iremos nos preocupar, aqui, com o que tange à gramática. Desse modo, sobra-nos a questão do fundo léxico comum. E o que vem a ser esse fundo?

A base que sustenta o léxico de uma língua é denominada fundo léxico comum, que, por sua vez, expressa noções que não são afetadas por mudanças econômicas, sociais e políticas:

O léxico possui um fundo comum, que caracteriza uma língua e é tão resistente quanto à gramática, porque as noções que ele expressa, de um lado, não são afetadas por mudanças econômicas e sociais, e, de outro, porque são de uso geral e coloquial. Esse fundo comum é o sustentáculo da estrutura léxica de uma língua. (Fiorin, 2000: 226)

Fazem parte desse fundo comum palavras que designam, por exemplo, as partes do corpo, o mobiliário, os tipos de parentesco, os nomes de animais e de plantas, os fenômenos da natureza, os dias, os meses e as estações do ano. Em geral, grande parte das palavras do fundo em questão é de origem latina e, como podemos observar, encontram-se atualmente em franco uso, não sendo substituídas por estrangeirismos. (cf. Fiorin, 2000: 226-7)

Da mesma maneira, o léxico de uma língua é composto, também, por palavras de formação vernácula e por empréstimos de outras línguas. Esses empréstimos refletem, por sua vez, a posição de determinada nação em relação às outras, ou seja, as dependências social, política, cultural e, sobretudo, econômica, fazem com que as nações dependentes adotem produtos, serviços e modismos das nações dominantes.

Em nossa época, os estrangeirismos existentes na língua portuguesa do Brasil advêm principalmente da língua inglesa, devido à forte presença norte-americana em nossas vidas. Esses anglicismos não fazem parte de nosso fundo lexical comum, pois são empréstimos lingüísticos conseqüentes de determinada situação sócio-econômica vivida pelo Brasil, em determinada situação histórica. Foi assim no séc. XIX, quando a França era o centro cultural do mundo ocidental: a língua portuguesa, nessa época, viu-se invadida por expressões francesas, quase todas de origem léxica, como dominó, paletó, champagne, bouquet, chance, comitê, troupe etc. Algumas dessas palavras, ainda hoje, sobrevivem na língua portuguesa do Brasil, tendo sido absorvidas pelo nosso léxico:

Essa influência à distância não é nova. No caso brasileiro, fez-se, ao longo de quase dois séculos, pelo peso e prestígio da cultura francesa, e, com mais intensidade, a partir dos anos 40 do século XX, pelo peso e prestígio da cultura, da economia e do poderio militar anglo-americano. A difusão e a presença crescente dos meios de comunicação e da chamada “indústria do entretenimento” proporcionam ferramentas de disseminação de matrizes comportamentais (inclusive de comportamentos lingüísticos), irradiando da cultura dominante para as culturas periféricas. (AUBERT, 2001: 166)

Desse modo, o léxico é formado por um fundo comum, que é fixo, por construções vernaculares (derivação, sufixação, parassíntese, composição e prefixação) e por empréstimos de outras línguas, que variam de acordo com o momento social vivido pela nação. Segundo Fiorin, o léxico de uma língua é, assim, “um conglomerado de formas provindas de fontes diversas”. (2000: 227)

Entretanto, da mesma forma que os povos dominados recebem empréstimos lingüísticos de nações dominantes, estas, de uma maneira mais amena, também apresentam, em seu vocabulário, estrangeirismos. Ou seja, ainda que a adoção de empréstimos seja mais relevante em um determinado lado (dos países dominados), o outro lado, isto é, os países dominantes, também têm, no conjunto lexical, sua porção de palavras importadas. Este fato pode ser incentivado, no caso do Brasil, pelas suas dimensões territoriais e demográficas. A realidade territorial brasileira exige das culturas dominantes, em determinadas circunstâncias, acomodação lingüística, a fim de que essas nações possam interagir com o universo brasileiro. (cf. AUBERT, 2001: 170-1)

Exemplificando essa situação, Aubert postula:
Demonstra essa circunstância a designação oficial do Brasil como Federative Republic of Brazil, embora um termo mais próximo à idiomaticidade do inglês teria sido Federal Republic of Brazil. Do mesmo modo, para permitir à cultura anglo-saxã lidar com a realidade societária brasileira, foi necessário cunhar o termo quotaholter, para designar o sócio-quotista de uma empresa de responsabilidade limitada, posto que shareholder ou stockholder gerariam imprecisão, tendentes a ser percebidos como equivalente a acionista de sociedade anônima. (2001: 171)

A percepção do conteúdo do léxico nos desautoriza, dessa maneira, a falar em descaracterização, pois os empréstimos lingüísticos (e, entre eles, o “tão temível” anglicismo) fazem parte da história e do uso de uma língua.

Diante dos fatos apresentados acima, podemos afirmar que, para justificar o projeto de lei 1676/99, pelo menos um dos argumentos usados pelo deputado Aldo Rebelo não tem fundamentação científica. Ao afirmar que os estrangeirismos estão descaracterizando a língua portuguesa falada no Brasil, o deputado se esquece de que os empréstimos fazem parte da dinâmica da língua, ao mesmo tempo em que refletem a situação de determinado momento histórico do povo que a usa.

Percebe-se também que o deputado não conhece a história da própria língua portuguesa no Brasil (repleta de palavras oriundas de línguas indígenas e africanas), já que acredita que é possível coibir o fenômeno do empréstimo lingüístico, simplesmente proibindo o uso de certas expressões por meio de uma lei.

Por sua vez, o fundo léxico comum, que, juntamente com a gramática formam a base de uma língua, não é afetado pelos estrangeirismos (no caso especial do Brasil, pelos anglicismos). Estes últimos só ocorrem em determinadas “partes mais flexíveis” do nosso vocabulário. Atualmente, podemos citar os meios musical e cinematográfico e, em especial, a Informática, como as fontes mais comuns de anglicismos, dado à intensa influência norte-americana nessas áreas.

Assim, torna-se muito difícil, a curto e médio prazo, evitar o empréstimo lingüístico, já que a situação político-econômica mundial faz com que a língua inglesa tenha um maior prestígio em relação às outras línguas. Acrescente-se, ainda, que o empréstimo, de uma certa maneira, é um dos meios de renovação lexical e, em conseqüência, pode ser considerado, lingüisticamente, um recurso pertencente ao fenômeno do enriquecimento de uma língua.

PONTUAÇÃO

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São três as principais funções dos sinais de pontuação:

1 – assinalar as pausas e a entoação na leitura oral;
2 – separar orações, expressões e palavras que devem vir destacadas das outras na frase;
3 – ajudar na compreensão do sentido da frase, evitando o duplo sentido, a ambigüidade.

EMPREGO:

1. PONTO ( . )

Geralmente é empregado:

* para indicar o final de uma frase declarativa;
* para separar os períodos entre si, simples ou compostos.

Ex.: Não poderei comparecer à reunião.

No agitado porto fenício de Biblos, comercializava-se o papiro – um tipo de papel feito no Egito a partir de um aglomerado de fibras de junco e papiro. Os gregos chamaram este papel de biblos, por causa do porto. Muitas palavras relacionadas com livros – como Bíblia, biblioteca, bibliografia – vêm de biblos. (Enciclopédia do Estudamte)

Emprega-se também o ponto nas abreviaturas:

Sr. (senhor) d.C. (depois de Cristo) Prof. (professor)

2. VÍRGULA ( , )

Leia a história em que o sujeito deixou o seguinte testamento:

Deixo os meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

Quem tinha direito ao espólio? Eram quatro os concorrentes e cada um pontuou o texto de forma diferente:

* O sobrinho:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

* A irmã:
Deixo os meus bens à minha irmã; não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

* O alfaiate:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

* O procurador dos pobres:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!

Vê-se que, uma única vírgula pode alterar significativamente o sentido de um texto e, desse modo, trazer complexas conseqüências para a sociedade.

A vírgula é empregada:

* nas datas e nos endereços:

Recife, 23 de março de 2006.
Av. Conde da Boa Vista, 1999.

* Em termos independentes entre si, mas de mesma função sintática:

O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
(as palavras em negrito são núcleos do sujeito composto)

* no vocativo, para separa-lo da frase:

Amor, ligue outra hora.
Não pode adiar a reunião, sr. Júlio?

* no aposto, para separa-lo da frase:

Dra. Márcia, uma competente fisioterapeuta, foi promovida.
Finalmente conheci Mariana, estudante de administração de empresas.
* em certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo, ou seja, etc.

Ontem falei com o diretor da empresa, isto é, expliquei-lhe o assunto.
Claro que vou conseguir a vaga de gerente. Por exemplo, já estudei toda a apostila.

* Para separar adjuntos adverbiais intercalados ou não: (termo que indica a circunstância em que a ação ocorre)

Hoje, retornei à casa onde morei aos 20 anos.
Todos vão, pouco a pouco, se acostumando com a idéia.
Escreveram corretamente, mas erraram na pronúncia.

* Para separar orações subordinadas adverbiais: (Têm valor e função de um advérbio. É introduzida por uma conjunção subordinativa)

CAUSAIS: (expressam causa, motivo)

Fui aprovado, porque estudei.

CONDICIONAIS: (expressam condição para a ocorrência de um fato)

Se chover, não haverá gincana.
Caso faça sol, o programa será mantido.

CONCESSIVAS: (expressam concessão)

Não parecia russo, embora falasse a língua muito bem.
Ainda que ela chegue hoje, só irei vê-la amanhã.
Por mais que gritasse, ninguém a ouvia.

PROPORCIONAIS: expressam proporção.

À medida que o tempo passava, nós ficávamos mais calmos.

À proporção que iam saindo, tudo se resolvia.

* Para isolar a oração subordinada adjetiva explicativa do restante da frase: (esta oração tem o valor e a função de um adjetivo. É introduzida por um pronome relativo (que, o qual, a qual, quem)

José, que é nosso guia, indicará o melhor caminho.

Os professores, que estavam em greve, já retornaram às aulas.

Aquela mulher, a qual todos chamam de Rosa, não trabalha aqui.

IMPORTANTE!!

Nunca se usa a vírgula:

Entre o sujeito e o verbo da oração, mesmo se ocorrer ordem inversa:

A partida de vôlei transcorreu normalmente.

Sujeito verbo

Transcorreu normalmente a partida de vôlei.

Verbo sujeito

3. PONTO E VÍRGULA ( ; ) –emprega-se para indicar uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula.

É empregado:

* Para separar os itens dos enunciados enumerativos:

As águas das chuvas provocam sérios problemas à rede de esgotos. Evite problemas, procedendo da seguinte forma:

a) não ligue ralos de fundo de quintais às redes de esgoto;

b) tampe a caixa de inspeção e limpe-as a cada três meses;

c) não jogue nos vasos sanitários fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, plásticos, estopas, panos, etc.

* Para separar orações, desde que a segunda contenha zeugma (elipse de um termo):

Uns dizem que ele se casou por amor; outros, que se casou por interesse. ( a vírgula está significando a elipse de “dizem”.)

Vocês anseiam pela liberdade; nós, pela paz. (a vírgula também está significando a elipse do verbo ansiar)

* Para separar as partes de um período:

“Os olhos negros e inquietos pareciam garotos travessos em hora de recreio; os braços gesticulavam a cada palavra; o corpo torcia-se pelos bancos e pelas carteiras da sala com a agilidade de um peixinho de jardim por entre as plantas de um tanque.” (Viriato Corrêa)

* Nas frases em que foi empregado o ponto-e-vírgula, já existe vírgula no interior de uma das orações coordenadas. Logo, há necessidade de uma pausa maior separando uma oração da outra:

Ex.: 1 -Todos levantam a voz para reclamar da poluição, entretanto poucos se levantam para jogar seu lixo no cesto.
2- todos levantam a voz para reclamar da poluição; poucos, entretanto, se levantam para jogar seu lixo no cesto.
3 – todos levantam a voz para reclamar da poluição; poucos se levantam para jogar seu lixo no cesto, entretanto.

Logo, o ponto-e-vírgula é empregado para separar orações coordenadas quando pelo menos uma delas já tem vírgula no seu interior.

Reescreva os períodos alterando a ordem da conjunção adversativa e empregando ponto-e-vírgula:

a) Tomei dois analgésicos, no entanto a dor não passou.

_________________________________________________

b) A floresta vive de si mesma, porém é ameaçada pelo homem.

_________________________________________________

4. DOIS PONTOS ( : )

São empregados:

* Para apresentar uma citação:

Ex.: O administrador afirmou: “Não haverá atraso no pagamento dos salários”.

* Depois de certos verbos declarativos (verbos que introduzem a fala das personagens no discurso direto, como dizer, perguntar, responder…):

Exs.: “Meu chefe disse:

– por favor, ponha todo o relatório sobre a minha mesa.”

“De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:

– Papai, que é plebiscito?”

5. RETICÊNCIAS ( … )

São empregadas

* Para indicar supressão de palavras:

Ex.: “Luisinha fez um gesto de quem estava impacientada.

– Pois então eu digo… a senhora não sabe … eu …eu lhe quero… muito bem.” (Manoel Antônio de Almeida)

* Quebra de seqüência na fala ou no pensamento do narrador ou da personagem:

“Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa – ‘seu Rubem, o cajueirinho…’ – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou.” (Rubem Braga)

* Para indicar uma dúvida:

Qualquer dia destes embarco pra… pra… China.

Sabe, eu estava pensando se… se poderíamos noivar.

6. PARÊNTESES ( )

Empregados:

* Para isolar palavras explicativas:

Depois do jantar (mal servido) seu Dagoberto saiu do Grande Hotel e Pensão do Sol (familiar) palitando os dentes. (Antônio Machado)

7. TRAVESSÃO ( – )

Empregado:

* Nos diálogos, para apresentar o início da fala de uma personagem ou indicar a mudança da sua fala :

Ex.: – Senhor, queira me desculpar, mas essa vaga já foi preenchida.

– Está certo.

* Para destacar expressões explicativas:

“O ano era de 1840. Naquele dia – uma segunda-feira do mês de março – deixei-me estar alguns instantes na rua.” (Machado de Assis)

8. ASPAS ( “ “ )

Empregadas:

* Para assinalar transcrições:

Ex.: “Caminhavam dois burros, um com carga de açúcar, outro com carga de esponjas.” (Monteiro Lobato)

* Para pôr palavras em evidência:

Ex.: O rapaz “caiu das nuvens” ao saber o que aconteceu.

* Para assinalar palavras estrangeiras ou termos da gíria.

Ex.: De repente, ele escreveu “kiss me” no meu caderno.

Não conversei muito com ele; seu vocabulário era mais puxado pra gírias, como: “manero”, “brother”, “sacou”.

TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO

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TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO

Os termos acessórios da oração são o adjunto adnominal, o adjunto adverbial, o aposto e o vocativo. E o que significa esses termos? Vejamos:

Adjunto adnominal

É o termo que caracteriza o nome sem intermediação de um verbo. As classes de palavras que podem desempenhar a função de adjunto adnominal são adjetivos, locuções adjetivas, pronomes, numerais e artigos. Ele é uma expressão que acompanha um ou mais nomes conferindo-lhe um atributo. Trata-se, portanto, de um termo de valor adjetivo que modificará o nome a que se refere.
Os adjuntos adnominais não determinam ou especificam o nome. Eles apenas conferem uma nova informação ao nome e por isso são chamados de modificadores.
Exemplos

* No desfile, duas garotas vestiam calças e camisetas brancas.
* O espetáculo de dança foi suspenso até segunda ordem.
* O espetáculo coreográfico foi suspenso até segunda ordem.
* O passeio era demorado e filosófico.

Mas… não faça confusão com o predicativo:

É importante notar que o adjunto adnominal pode estar em qualquer parte da oração e dá uma característica constante ao substantivo. Já o predicativo só se encontra no predicado, e dá uma característica momentânea ao substantivo. Podemos diferenciar um do outro substituindo a estrutura sintática por -o, -os, -a, -as. Veja os exemplos:

* Busquei o caderno velho. –> Busquei-o.

Note que a estrutura o caderno velho pode ser substituída por -o. Isso caracteriza o adjunto adnominal.

* Considero sua decisão triste. –> Considero-a triste

Note que a estrutura sua decisão triste não pode ser substituída inteiramente, caracterizando o predicativo, que nesse caso é o predicativo do objeto, pois se refere ao substantivo decisão.

E também não confunda com o complemento nominal:

É comum as pessoas fazerem confusão ao tentar classificar essas estruturas sintáticas. Uma dica é sempre notar que o adjunto adnominal só trabalha para o substantivo (concreto ou abstrato), enquanto o complemento nominal pode trabalhar para o substantivo abstrato, adjetivo e advérbio. Quando uma estrutura que se está em dúvida quanto sua classificação estiver trabalhando para um adjetivo ou advérbio, certamente será complemento nominal.

Quando a estrutura estiver relacionada a um substantivo, basta olhar se este substantivo “existe” sem o auxílio de um complemento. Se existir, a estrutura é classificada como adjunto adnominal, se não, complemento nominal. Vejamos exemplos:

* necessidade de atenção – note que necessidade não “existe” sem o complemento de “de atenção”. Isso caracteriza o complemento nominal;
* chuva fria – note que chuva “existe” sem complemento, fria pode ser retirado, sem alterar o significado do substantivo. Isso caracteriza o adjunto adnominal.

E complemento nominal sempre vem com uma preposição.

Adjunto adverbial:

O adjunto adverbial é um termo acessório da oração cuja função é complementar um verbo intransitivo, ou seja, um verbo que tem sentido pleno, completo, ou um verbo transitivo, aquele que possui um complemento. Exemplo: Choveu ontem.

O termo grifado, no caso, sob uma análise sintática, é um adjunto adverbial, visto que complementa um verbo intransitivo, de sentido pleno, que no caso é o verbo “chover”. Já numa análise morfológica, o termo ontem passa a ser categorizado como um advérbio composto pela própria palavra, ou seja, os adjuntos adverbiais tem que ter obrigatoriamente um verbo.

Os adjuntos adverbiais podem ser classificados em:

Afirmação: Estou realmente preocupado.

Assunto: Falaram sobre política.

Causa: Os homens morrem de fome.

Companhia: Fui ao cinema com meu amigo.

Concessão: Voltaram apesar do escuro.

Condição: Não saiam sem meu consentimento.

Direção: Apontou para o alto.

Dúvida: Talvez ela volte para mim.

Efeito: Sua atitude redundou em prejuízos.

Exclusão: Todos partiram, menos ela.

Finalidade: Saí a passeio.

Instrumento: Cortou-se com a faca.

Intensidade: Comeu muito.

Lugar: Estive na praia.

Matéria: Vinho se faz com uva.

Meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.

Modo: Correu desesperadamente.

Negação: Não sai.

Oposição: Voltou contra o próprio partido.

Ordem: Classificou-se em segundo lugar.

Preço: Comprei tudo por dois tostões.

Tempo: Você chegou agora?

Aposto

É um termo acessório da oração que se liga a um substantivo, tal como o adjunto adnominal, mas que, no entanto sempre aparecerá com a função de explicá-lo, aparecendo de forma isolada, ora entre vírgulas, ora separado por uma única vírgula no início ou no final de uma oração ou ainda por dois pontos.
Existem cinco tipos de aposto: O aposto explicativo, o aposto enumerativo, o aposto especificativo, o aposto distributivo e o aposto oracional. Na norma culta é permitido utilizar qualquer um dos apostos também entre parênteses ou entre dois travessões. Vejamos cada um desses apostos:

Aposto explicativo

É aquele que explica o termo anterior. (Você imaginava que seria isso… não é?)
Exemplo: Parônimo de Opilião, um blog bem interessante, é uma maneira de se manter bem informado.

Aposto enumerativo

É aquele utilizado para enumerar dados relacionados ao termo anterior. (essas explicações as vezes surpreendem… não?)
Exemplo: A Vanessa possui três blogs: Parônimo de Opilião, Aprendendo o Básico e Eniac – cursinho.

Aposto especificativo

É aquele que especifica um lugar. Pode ser utilizado sem vírgulas.
Exemplo: O melhor carnaval é o do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa.

Aposto distributivo

É aquele que distribui as informações de termos separadamente. Geralmente utilizado com ponto e vírgula.
Exemplo: Vanessa e Renato escrevem blogs; esta no Aprendendo o Básico, e aquele, no Parônimo de Opilião.

Aposto oracional

É o aposto que possui um verbo. Exemplo: Desejo uma única coisa: que os meus blogs sejam lidos.

Aposto recapitulativo (resumidor)

É o aposto que recapitula toda a oração.
Exemplo: Trocar fraldas. Amamentar, limpar o nariz, acordar de noite, tudo exige paciência.

Aposto comparativo

É o aposto que compara. Geralmente entre vírgulas.
Exemplo: A inflação, monstro devorador dos salários, é sempre uma ameaça à estabilidade econômica do país.

Vocativo

Dentro da sintaxe, o vocativo é um termo de natureza exclamativa, que tem como função chamar alguém ou alguma coisa personificada.
Exemplos “Tenho certeza, amigos, que isso vai acabar bem.”
“Ide lá, rapazes!”
“Paulo,venha cá.”