VOZES DE ANIMAIS E BARULHOS OU RUÍDOS DE COISAS

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VOZES DE ANIMAIS E BARULHOS OU RUÍDOS DE COISAS

Abelha – azoinar, sussurrar, ziziar, zoar, zonzonear, zunir, zunzum, zumbar, zumbir, zumbrar, zunzir, zunzar, zunzilular, zunzunar;
Abutre – açor, grasnar;

Águia – borbolhar, cachoar, chapinhar, chiar, escachoar, murmurar, rufar, rumorejar, sussurrar, trapejar, crocitar, grasnar, gritar, piar;

Andorinha – chilrar, chilrear, gazear, gorjear, grinfar, trinfar, trissar, zinzilular;

Anta – assobiar;

Anum – piar;

Apito – assobiar, silvar, trilar;

Araponga – bigornear, golpear, gritar, martelar, retinir, serrar, soar;

Arara – chalrar, grasnar, gritar, palrar, taramelar;

Ariranha – regougar;

Árvore – farfalhar, murmurar, ramalhar, sussurrar;

Asa – farfalhar, ruflar;

Asno – Ver burro;

Avestruz – grasnar, roncar, rugir;

Azulão – cantar, gorjear, trinar;

Bacurau – gemer, piar;

Baioneta – tinir;

Bala – assobiar, esfuziar, sibilar, zumbir, zunir;

Baleia – bufar;

Bandeira – tremular, trepear;

Beija-flor – gavear, gavinar, trissar (ou triçar), vinvilular;

Beijo – estalar, estalejar;

Bem-te-vi – cantar, estridular, assobiar;

Besouro – zoar, zumbir, zunir;

Bezerro – berrar, mugir;

Bife – chiar, rechinar;

Bisão – berrar;

Bode – balar, balir, berrar, bodejar, gaguejar;

Boi – mugir, berrar, bufar, arruar;

Bomba – arrebentar, estourar, estrondar, estrondear;

Búfalo – bramar, berrar, mugir;

Burro – azurrar, ornear, ornejar, rebusnar, relinchar, zornar, zunar, zurrar;

Buzina – fonfonar;

Cabra – cabrito – balar, balir, berregar, barregar, berrar, bezoar;

Caititu – grunhir, roncar;

Camelo – blaterar;

Campainha – soar, tilintar, tocar;

Camundongo – chiar, guinchar;

Canário – cantar, dobrar, modular, trilar, trinar;

Canhão – atroar, estrondear, estrugir, retumbar, ribombar, troar;

Cão – acuar, aulir, balsar, cainhar, cuincar, esganiçar, ganir, ganizar, ladrar, latir, maticar, roncar, ronronar, rosnar, uivar, ulular;

Capivara – assobiar;

Caracará – crocitar, grasnar, grasnir

Carneiro – balar, balir, berrar, berregar;

Cavalo – bufar, bufir, nitrir, relinchar, rifar, rinchar;

Cegonha – gloterar, grasnar;

Chacal – regougar;

Champanha – espocar, estourar;

Chave – trincar;

Cigarra – cantar, chiar, chichiar, ciciar, cigarrear, estridular, estrilar, fretenir, rechiar, rechinar, retinir, zangarrear, zinir, ziziar, zunir;

Cisne – arensar;

Cobra – assobiar, chocalhar, guizalhar, sibilar, silvar;

Codorna – piar, trilar;

Coelho – chiar, guinchar;

Condor – crocitar;

Copo – retinir, tilintar, tinir;

Coração – bater, palpitar, pulsar, arquejar, latejar;

Cordeiro – berregar, balar, balir;

Corneta – tocar, estrugir;

Corrupião – cantar, gorjear, trinar;

Coruja – chirrear, corujar, crocitar, crujar, piar, rir;

Cotovia – cantar, gorjear;

Cozimento – escachoar, acachoar, grugulejar, grugrulhar;

Crocodilo – bramir, rugir;

Cuco – cucular, cuar;

Cutia – gargalhar, bufar;

Dedo – estalar, estrincar;

Dente – estalar, estalejar, ranger, ringir, roçar;

Doninha – chiar, guinchar;

Dromedário – blaterar;

Égua – Ver cavalo;

Elefante – barrir, bramir;

Ema – grasnar, suspirar;

Espada – entrechocar, tinir;

Espingarda – espocar;

Esporas – retinir, tinir;

Falcão – crocitar, piar, pipiar;

Ferreiro – Ver araponga;

Flecha – assobiar, sibilar, silvar, zunir;

Fogo – crepitar, estalar;

Foguete – chiar, rechiar, esfuziar, espocar, estourar, pipocar;

Fole – arquejar, ofegar, resfolegar;

Folha – farfalhar, marulhar, sussurrar;

Fonte – borbulhar, cachoar, cantar, murmurar, murmurinhar, sussurrar;

Fritura – chiar, rechiar, rechinar;

Gafanhoto – chichiar, ziziar;

Gaivota – grasnar, pipilar;

Galinha d’angola – fraquejar;

Galinha – cacarejar, cacarecar;

Galo – cantar, clarinar, cocoriar, cocoricar, cucuricar, cucuritar;

Gambá – chiar, guinchar, regougar;

Ganso – gasnar, gritar;

Garça – gazear;

Gato – miar, resbunar, resmonear, ronronar, roncar, chorar;

Gavião – guinchar;

Gongo – ranger, vibrar, soar;

Graúna – cantar, trinar;

Grilo – chirriar, crilar, estridular, estrilar, guizalhar, trilar, tritrilar, tritrinar;

Grou – grasnar, grugrulhar, gruir, grulhar;

Hiena – gargalhar, gargalhear, gargalhadear;

Hipopótamo – grunhir;

Inseto – chiar, chirrear, estridular, sibilar, silvar, zinir, ziziar, zoar, zumbir, zunir, zunitar;

Jaburu – gritar;

Jacu – grasnar;

Jaguar – Ver onça;

Jandaia – Ver arara;

Javali – arruar, cuinchar, cuinhar, grunhir, roncar, rosnar;

Jia – coaxar;

Jumento – azurrar, ornear, ornejar, rebusnar, zornar, zurrar;

Juriti – arrular, arulhar, soluçar, turturinar;

Lagarto – gecar;

Lama (quando batida com as mãos, com os pés ou com o corpo) – chapinhar;

Leão – rugir;

Lebre – assobiar, guinchar;

Líquido – gluglu, gorgolejar;

Lobo – ladrar, uivar, ulular;

Locomotiva – apitar, resfolegar, silvar;

Lontra – assobiar, chiar, guinchar;

Mar – bramar, bramir, marulhar, roncar;

Martelo – malhar;

Melro – assobiar, cantar;

Metal – tinir;

Metralhadora – pipocar, pipoquear, matraquear, matraquejar;

Morcego – farfalhar, trissar;

Mosca – zoar, zumbir, zunir, ziziar, zonzonear, azoinar, zunzum;

Motor – roncar, zunir, assobiar, zumbir;

Mula – Ver burro;

Mutum – cantar, gemer, piar;

Onça – esturrar, miar, rugir, urrar;

Onda – bater, bramir, estrondar, murmurar;

Ovelha – balar, balir, berrar, berregar;

Paca – assobiar;

Palmas (das mãos) – estalar, estrepitar, estrugir, soar, vibrar;

Pandeiro – rufar;

Pantera – miar, rosnar, rugir;

Papagaio – charlar, charlear, falar, grazinar, parlar, palrear, taramelar, tartarear;

Pardal – chaiar, chilrear, piar, pipilar;

Passarinho – apitar, assobiar, cantar, chalrar, chichiar, chalrear, chiar, chilrar, chilrear, chirrear, dobrar, estribilhar, galrar, galrear, garrir, garrular, gazear, gazilar, gazilhar, gorjear, granizar, gritar, modular, palrar, papiar, piar, pipiar, pipilar, pipitar, ralhar, redobrar, regorjear, soar, suspirar, taralhar, tinir, tintinar, tintinir, tintlar, tintilar, trilar, trinar, ulular, vozear;

Patativa – cantar, soluçar;

Pato – grasnar, grassitar;

Pavão – pupilar;

Peixe – roncar;

Pelicano – grasnar, grassitar;

Perdigão, perdiz – cacarejar, piar, pipiar;

Pernilongo – cantar, zinir, zuir, zumbir, zunzunar;

Peru – gluginejar, gorgolejar, grugrulejar, grugrulhar, grulhar;

Pião (brinquedo) – ró-ró, roncar, zunir;

Pica-pau – estridular, restridular;

Pintarroxo – cantar, gorjear, trinar;

Pintassilgo – cantar, dobrar, modular, trilar;

Pinto – piar, pipiar, pipilar;

Pombo – arrolar, arrular, arrulhar, gemer, rular, rulhar, suspirar;

Porco – grunhir, guinchar, roncar;

Porta – bater, ranger, chiar, guinchar;

Rã – coaxar, engrolar, gasnir, grasnar, grasnir, malhar, rouquejar;

Raposa – regougar, roncar, uivar;

Rato – chiar, guinchar;

Rinoceronte – bramir, grunhir;

Rouxinol – cantar, gorjear, trilar, trinar;

Sabiá – cantar, gorjear, modular, trinar;

Sagüi – assobiar, guinchar;

Sapo – coaxar, gargarejar, grasnar, grasnir, roncar, rouquejar;

Seriema – cacarejar, gargalhar;

Serpente – Ver cobra;

Tico-tico – cantar, gorjear, trinar;

Tigre – bramar, bramir, miar, rugir, urrar;

Toupeira – chiar;

Touro – berrar, bufar, mugir, urrar;

Tucano – chalrar;

Urso – bramar, bramir, rugir;

Vaca – berrar, mugir;

Veado – berrar, bramar, rebramar;

Vespa – Ver abelha;

Zebra – relinchar, zurrar.

AS VOZES DOS ANIMAIS

Como é que faz o morcego, A voar de palha em palha, De noite, lá no quintal? – Farfalha.

Como faz um elefante, Molestado por um enxame De abelhas em seu lombo? – Brame.

E o bem-te-vi atrevido, Logo ao clarear do dia, Ao descobrir qualquer coisa? – Assovia.

Com o ruflar de suas asas, Fazendo pequena bulha, O bonito beija-flor? – Vinvilula.

E o rouxinol cantador Dos melhores da campina, Como será que ele faz? – Trina.

Como é que faz o grilo, Lá na solitária vila, Quando tudo está tranqüilo, – Trila.

Como é que faz a abelha, quando, com seu ferrão, pune Quem perturbar a colméia? – Zune.

Como faz o papagaio, Barulhento na areia, Dizendo coisas ao vento? – Palreia.

Francimar Torres Maia, Porto Alegre, 1967

HOMÔNIMOS E PARÔNIMOS

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HOMÔNIMOS E PARÔNIMOS

1. Definições
– Homônimos: vocábulos que se pronunciam da mesma forma, e que diferem no sentido.
– Homônimos perfeitos: vocábulos com pronúncia e grafia idênticas (homófonos e homógrafos). Ex.:
São: 3ª p. p. do verbo ser. – Eles são inteligentes.
São: sadio. – O menino, felizmente, está são.
São: forma reduzida de santo. – São José é meu santo protetor.

– Homônimos imperfeitos: vocábulos com pronúncia igual (homófonos), mas com grafia diferente (heterógrafos). Ex.:
Cessão: ato de ceder, cedência
Seção ou secção: corte, subdivisão, parte de um todo
Sessão: espaço de tempo em que se realiza uma reunião

– Parônimos: vocábulos ou expressões que apresentam semelhança de grafia e pronúncia, mas que diferem no sentido. Ex.:
Cavaleiro: homem a cavalo
Cavalheiro: homem gentil

2. Lista de Homônimos e Parônimos
Acender – pôr fogo a
Ascender – elevar-se, subir

Acento – inflexão de voz, tom de voz, acento
Assento – base, lugar de sentar-se

Acessório – pertences de qualquer instrumento ou máquina; que não é principal
Assessório – diz respeito a assistente, adjunto ou assessor

Aço – ferro temperado
Asso – do v. assar

Anticéptico – contrário ao cepticismo
Antisséptico – contrário ao pútrido; desinfetante

Asar – guarnecer de asas
Azar – má sorte, ocasionar

Brocha – tipo de prego
Broxa – tipo de pincel

Caçado – apanhado na caça
Cassado – anulado

Cardeal – principal; prelado; ave; planta; ponto (cardeal)
Cardial – relativo à cárdia

Cartucho – carga de arma de fogo
Cartuxo – frade de Cartuxa

Cédula – documento
Sédula – feminino de sédulo (cuidadoso)

Cegar – tornar ou ficar cego
Segar – ceifar

Cela – aposento de religiosos; pequeno quarto de dormir
Sela – arreio de cavalgadura

Censo – recenseamento
Senso – juízo

Censual – relativo a censo
Sensual – relativo aos sentidos

Cerra – do verbo cerrar (fechar)
Serra – instrumento cortante; montanha; do v. serrar (cortar)

Cerração – nevoeiro denso
Serração – ato de serrar

Cerrado – denso; terreno murado; part. do v. cerrar (fechado)
Serrado – particípio de serrar (cortar)

Cessão – ato de ceder
Sessão – tempo que dura uma assembléia
Secção ou seção – corte, divisão

Cevar – nutrir, saciar
Sevar – ralar

Chá – infusão de folhas para bebidas
Xá – título do soberano da Pérsia

Cheque – ordem de pagamento
Xeque – perigo; lance de jogo de xadrez; chefe de tribo árabe

Cinta – tira de pano
Sinta – do v. sentir

Círio – vela de cera
Sírio – relativo à Síria; natural desta

Cível – relativo ao Direito Civil
Civil – polido; referente às relações dos cidadãos entre si

Cocho – tabuleiro
Coxo – que manqueja

Comprimento – extensão
Cumprimento – ato de cumprir, saudação

Concelho – município
Conselho – parecer

Concerto – sessão musical; harmonia
Conserto – remendo, reparação

Concílio – assembléia de prelados católicos
Consílio – conselho

Conjetura – suposição
Conjuntura – momento

Coringa – pequena vela triangular usada à proa das canoas de embono; moço de barcaça
Curinga – carta de baralho

Corisa – inseto
Coriza – secreção das fossas nasais

Coser – costurar
Cozer – cozinhar

Decente – decoroso
Descente – que desce

Deferir – atender, conceder
Diferir – distinguir-se; posicionar-se contrariamente; adiar (um compromisso marcado)

Descargo – alívio
Desencargo – desobrigação de um encargo

Desconcertado – descomposto; disparato
Desconsertado – desarranjado

Descrição – ato de descrever
Discrição – qualidade de discreto

Descriminar – inocentar
Discriminar – distinguir, diferenciar

Despensa – copa
Dispensa – ato de dispensar

Despercebido – não notado
Desapercebido – desprevenido

Édito – ordem judicial
Edito – decreto, lei (do executivo ou legislativo)

Elidir – eliminar
Ilidir – refutar

Emergir – sair de onde estava mergulhado
Imergir – mergulhar

Emerso – que emergiu
Imerso – mergulhado

Emigração – ato de emigrar
Imigração – ato de imigrar

Eminente – excelente
Iminente – sobranceiro; que está por acontecer

Emissão – ato de emitir, pôr em circulação
Imissão – ato de imitir, fazer entrar

Empossar – dar posse
Empoçar – formar poça

Espectador – o que observa um ato
Expectador – o que tem expectativa

Espedir – despedir; estar moribundo
Expedir – enviar

Esperto – inteligente, vivo
Experto – perito (“expert”)

Espiar – espreitar
Expiar – sofrer pena ou castigo

Esplanada – terreno plano
Explanada (o) – part. do v. explanar

Estasiado – ressequido
Extasiado – arrebatado

Estático – firme
Extático – absorto

Esterno – osso dianteiro do peito
Externo – que está por fora

Estirpe – raiz, linhagem
Extirpe – flexão do v. extirpar

Estofar – cobrir de estofo
Estufar – meter em estufa

Estrato – filas de nuvens
Extrato – coisa que se extraiu de outra

Estremado – demarcado
Extremado – extraordinário

Flagrante – evidente
Fragrante – perfumado

Fluir – correr
Fruir – desfrutar

Fuzil – arma de fogo
Fusível – peça de instalação elétrica

Gás – fluido aeriforme
Gaz – medida de extensão

Incidente – acessório, episódio
Acidente – desastre; relevo geográfico

Infligir – aplicar castigo ou pena
Infringir – transgredir

Incipiente – que está em começo, iniciante
Insipiente – ignorante

Intenção – propósito
Intensão – intensidade; força

Intercessão – ato de interceder
Interseção – ato de cortar

Laço – nó que se desata facilmente
Lasso – fatigado

Maça – clava; pilão
Massa – mistura

Maçudo – maçador; monótono
Massudo – que tem aspecto de massa

Mandado – ordem judicial
Mandato – período de permanência em cargo

Mesinha – diminutivo de mesa
Mezinha – medicamento

Óleo – líquido combustível
Ólio – espécie de aranha grande

Paço – palácio real ou episcopal
Passo – marcha

Peão – indivíduo que anda a pé; peça de xadrez
Pião – brinquedo

Pleito – disputa
Preito – homenagem

Presar – aprisionar
Prezar – estimar muito

Proeminente – saliente no aspecto físico
Preeminente – nobre, distinto

Ratificar – confirmar
Retificar – corrigir

Recreação – recreio
Recriação – ato de recriar

Recrear – proporcionar recreio
Recriar – criar de novo

Ruço – grave, insustentável
Russo – da Rússia

Serva – criada, escreva
Cerva – fêmea do cervo

Sesta – hora do descanso
Sexta – redução de sexta-feira; hora canônica; intervalo musical

Tacha – tipo de prego; defeito; mancha moral
Taxa – imposto

Tachar – censurar, notar defeito em; pôr prego em
Taxar – determinar a taxa de

Tráfego – trânsito
Tráfico – negócio ilícito

Viagem – jornada
Viajem – do verbo viajar

Vultoso – volumoso
Vultuoso – inchado

SAIBA MAIS
Existem também expressões que apresentam semelhanças entre si, e têm significação diferente. Tal semelhança pode levar os utentes da língua a usar uma expressão uma em vez de outra.
Acerca de: sobre, a respeito de. Fala acerca de alguma coisa.
A cerca de: a uma distância aproximada de. Mora a cerca de dez quadras do centro da cidade.
Há cerca de: faz aproximadamente. Trabalha há cerca de cinco anos.

Ao encontro de: a favor, para junto de. Ir ao encontro dos anseios do povo. Ir ao encontro dos familiares.
De encontro a: contra. As medidas vêm de encontro aos interesses do povo.

Ao invés de: ao contrário de
Em vez de: em lugar de. Usar uma expressão em vez de outra.

A par: ciente. Estou a par do assunto.
Ao par: de acordo com a convenção legal, sem ágio, sem abatimentos (câmbio, ações, títulos, etc.).

À-toa (adjetivo): ordinário, imprestável. Vida à-toa.
À toa (advérbio): sem rumo. Andar à toa.

Outras Formas Homônimas e Parônimas

Além das palavras listadas no capítulo anterior, existem outras formas parônimas e homônimas imperfeitas, com pronúncia igual (homófonas) e grafia diferente (heterógrafas). É evidente que essa semelhança causa hesitações e induz a erros no ato de redigir.

1. PORQUÊS
– Porque: é conjução subordinativa causal; equivale a pois . Ele não veio porque choveu.
– Porquê: é a mesma conjunção subordinativa causal substantivada; é sinônimo de motivo, razão. Não sei o porquê da ausência dele.
– Por que: é a preposição por seguida de pronome interrogativo que; eqüivale a por que motivo, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais. Por que ele não veio? Eis o motivo por que não veio.
– Por quê: é o mesmo por que anterior, quando em fim de frase. Você não veio por quê?

2. ONDE/ AONDE
– Onde: empregado em situações estáticas (com verbos de quietação). Onde moras?
– Aonde: empregado em situações dinâmicas (com verbos de movimento). Equivale para onde. Aonde vais?

3. -EM, -ÉM, -ÊM, -ÊEM.
– -EM (tônico): em vocábulos monossilábicos: bem, cem, trem.
– -ÉM: em vocábulos oxítonos com mais de uma sílaba: armazém, ninguém, ele mantém.
– -ÊM: em formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir e seus derivados: eles têm, vêm, provêm, detêm.
– -ÊEM: em formas da 3ª pessoa do plural dos verbos dar, crer, ler e ver e de seus derivados: dêem, vêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, prevêem.

OBSERVE:

SINGULAR

ELE TEM
ELE VEM
ELE CONTÉM
ELE DETÉM
ELE RETÉM
ELE SE ATÉM
ELE PROVÉM

PLURAL

ELES TÊM
ELES VÊM
ELES CONTÊM
ELES DETÊM
ELES RETÊM
ELES SE ATÊM
ELES PROVÊM

SINGULAR

QUE ELE DÊ
ELE CRÊ
ELE DESCRÊ
ELE LÊ
ELE VÊ
ELE PREVÊ
ELE RELÊ
ELE REVÊ

PLURAL

QUE ELES DÊEM
ELES CRÊEM
ELES DESCRÊEM
ELES LÊEM
ELES VÊEM
ELES PREVÊEM
ELES RELÊEM
REVÊEM

ESSE OU ESTE?

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ESSE OU ESTE?

Esse ano ou este ano? Esse país ou este país? Não existem levantamentos, mas, se houvesse, os números seriam bem negativos – poucos sabem empregar corretamente os pronomes demonstrativos.

Em relação ao LUGAR

O lugar onde o falante está: este.
O lugar onde o ouvinte está: esse.
O lugar distante do falante e do ouvinte: aquele.

Exemplos:
-Este quarto está muito desarrumado. Vamos organizá-lo agora, filha?
-Essa poltrona onde você está sentado pertenceu ao meu avô.
-Traga-me esses livros que estão com você!
-Aquela casa antiga por onde passamos todos os dias será demolida amanhã.

Em relação ao TEMPO

Presente e futuro muito próximo: este.
Passado e futuro próximos: esse.
Passado distante: aquele.

Exemplos:

-Este ano (= 2008) eu vou tirar férias em dezembro.
-Esta noite ( = a de hoje) vou ao cinema.
-O ano de 2005 me trouxe muitas alegrias. Nesse ano eu viajei a Paris, conheci meu grande amor e ainda consegui um novo emprego.
-Em abril de 1940, nascia uma grande estrela. Naquele ano, o país vivia dias difíceis.

Em relação ao DISCURSO

O que vai ser mencionado: este/isto.
O que se mencionou antes: esse/isso.
Entre dois ou três fatos citados: o primeiro que foi citado = aquele, o do meio = esse, o último citado = este

Exemplos:

isto que eu digo sempre: cultura é fundamental.
-Meu irmão vive repetindo este provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.
-“Casa de ferreiro, espeto de pau.” Meu irmão vive repetindo esse provérbio.
-O fumo é prejudicial à saúde, isso já foi comprovado cientificamente.
-O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.-Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. Este é conhecido por suas poesias, aquele, por seus brilhantes romances.

ALUGA-SE CASAS OU ALUGAM-SE CASAS?

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ALUGA-SE CASAS OU ALUGAM-SE CASAS?

Quando o verbo se constrói com a partícula se, precisamos saber a quem essa ação se refere. Para isso, perguntamos Quem? ao verbo. “Aluga-se” casas – quem se aluga? Casas é a resposta. Então, o sujeito é casas. E, como nos é perceptível, está no plural (casas). Sendo assim, o verbo teria que concordar com ele: ALUGAM-SE casas. Outros exemplos: Vendem-se bicicletas e automóveis; Não se fazem homens como antigamente; Aluga-se salão; etc.>

Nesses casos, o sujeito do verbo sofre uma ação. Dizer Vendem-se casas é o mesmo que Casas SÃO vendidas (o sujeito casas sofre a ação – as casas são vendidas). Vendem-se bicicletas e automóveis – Bicicletas e automóveis SÃO vendidos; Não se fazem mais homens… – Homens não SÃO feitos; Não se devem fazer acusações infundadas – acusações infundadas não devem SER feitas. É só fabricar o verbo ser. Se der certo, quer dizer que o sujeito está recebendo, sofrendo uma ação. Na Gramática, isso recebe o nome de voz passiva (passivo é justamente quem recebe).

Mas tome cuidado: essa regra só vale para os verbos que não exigem preposição (a, em, de, com, para, etc.) no seu complemento. Perceba que alugar, vender e fazer não têm preposição alguma nos termos que os completam: quem aluga aluga alguma coisa; quem vende vende alguma coisa; quem faz faz alguma coisa. Se o verbo ligado à partícula se tiver a dita preposição no complemento, ficará sempre no SINGULAR. Exemplos: Precisa-se DE datilógrafos (quem precisa precisa DE alguma coisa); Acredita-se EM duendes (quem acredita acredita EM alguma coisa); etc. Independentemente de o termo seguinte estar no plural, o verbo, como se pode notar, fica sempre no singular.

Veja que é impossível fabricar o verbo ser nestes últimos verbos, como fizemos com os primeiros: Datilógrafos “são” precisados (ficaria horrível!); Duendes “são” acreditados (péssimo também). Também se deve observar que esses verbos possuem um sujeito que não se pode determinar (indeterminado). Quem precisa de datilógrafos? Não se sabe. Quem acredita em duendes? Também não se sabe.

Obs.: Nota-se acentuada tendência de deixar o verbo transitivo direto no singular, ignorando a concordância com o sujeito plural, quando há a intenção de indeterminar o sujeito. Exemplo: Parece que se faz muitas burradas nesta empresa (o locutor não pode ou não quer especificar o autor das “burradas”). Ao contrário dos gramáticos tradicionais, consideramos lícito esse tipo de construção, respeitando a liberdade do autor de querer indeterminar o sujeito, não tendo que, necessariamente, construir uma oração na voz passiva [Parece que se faz muitas burradas (…) – Parece que fazem muitas burradas]. Todavia, como nem todos compartilham a nossa opinião, prefira a concordância tradicional, pluralizando o verbo se o sujeito for plural (Parece que se fazem muitas burradas).

O PARÁGRAFO

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O PARÁGRAFO

“Parágrafo padrão é a unidade de composição constituída por um ou mais períodos, em que se desenvolve determinada idéia centra, a que se agarram outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.” (Othon M. Garcia, 1983:203)

§ = signum sections (sinal de separação ou de seções).

Estrutura

1. Tópico frasal ou frase-núcleo ou introdução. Consta, na maioria dos casos, de um ou dois períodos curtos iniciais em que se expressa de maneira clara e sucinta a idéia de núcleo. É uma generalização.
2. Desenvolvimento: é a explanação mesma da frase-núcleo. São as especificações que seguem a generalização do tópico frasal.
3. Conclusão: rara mormente nos parágrafos pouco extensos, retoma o objetivo expresso na frase-núcleo, recapitula e resume os aspectos apresentados no desenvolvimento.

Redação do parágrafo

1. Delimitação do assunto: é a restrição do assunto, a fim de torná-lo menos genérico; a fim de selecionar, organizar e ordenar as idéias.
2. Fixação do objetivo: é a determinação de para quê se vai escrever sobre certo assunto, com que finalidade se escreve, visando a qual objetivo. Possibilita selecionar a linha de pensamento que estará presente em todo o texto.
3. Formulação da frase-núcleo ou tópico frasal. O tópico frasal introduz o assunto no texto, mantendo o parágrafo nos limites do objetivo fixado. Apresenta uma generalização do que será desenvolvido.
4. Formulação do desenvolvimento: Seleção e organização dos aspectos ou detalhe que serão apresentados e deverão ser coerentes com o objetivo prefixado. É o desdobramento, a explicação do tópico frasal (introdução) e dos aspectos explicados no desenvolvimento.

Qualidade do parágrafo
O parágrafo_ unidade de composição_ deve apresentar as mesmas qualidades requeridas para composição:

1. Unidade

2. Coerência e coesão

3. Ênfase

4. Clareza

5. Concisão

6. Correção

7. Originalidade

1. Unidade. Consiste em dizer uma coisa de cada vez, omitindo-se o que não é essencial ou não se relaciona com idéia predominante no parágrafo.

1. Como conseguir unidade:

1. Delimitando o assunto.
2. Fixando o objetivo.
3. Usando tópico frasal explícito.
4. Evitando pormenores desnecessários.
5. Evitando frases entrecortadas.
6. Pondo em parágrafos diferentes idéias igualmente relevantes.
7. Não fragmentando o desenvolvimento da mesma idéia-núcleo em vários parágrafos.

2. Coerência e coesão

Coerência é a relação entre a idéia predominante e as idéias secundárias. É o resultado da estrutura lógica do texto. Para que haja coerência é necessário que haja coesão.

Coesão é a ligação formal dos termos e idéias.

Coerência é a ligação semântica.

Ordem e transição constituem os principais fatores da coerência.

2.1 Como obter coerência:

2.1.1 Seguindo a ordem:

-cronológica dos fatos;

-espacial dos objetos;

-lógica da idéias.

2.1.2 Utilizando adequadas palavras de transição e de referência:

2.1.2.1 Palavras de transição

– conectivos:

Intervocabulares: preposições;

Interoracionais: conjunções coordenativas e subordinativas.

2.1.2.2 Palavras de referencia:

-pronomes em geral;

– alguns advérbios e locuções adverbiais.

2.1.3 Utilizando outros elementos gramaticais, como:

– as correlações dos tempos verbais;

– a concordância.

2.1.4 Valendo-se de elementos lexicais, como:

– a reiteração, que é a repetição, a iteração;

É quando se usa um termos derivado para não se repetir a mesma palavra: Pedro está construindo uma casa. A construção foi entregue a uma empresa de renome internacional.

– a substituição, que pode ser feita pela sinonímia, pela hiponímia, pela hiperonímia;

– a associação, que é o ato ou efeito de associar. É a evocação que uma palavra suscita ao ser utilizada: mar_praia_sol_areia_banhistas….

2.1.5 Evitando:

-falta de paralelismo sintático e semântico;

-falta de concisão;

-falta de unidade.

3. Ênfase

Ênfase é o destaque que se dá a idéia-núcleo. A colocação das palavras na frase e das orações no período constitui um dos processos mais eficientes para dar relevo à idéia.

1. Como conseguir ênfase:

1. Observando a ordem de colocação das palavras e das orações.

2. Dispondo as idéias em ordem gradativa crescente ou decrescente.
3. Valendo-se de repetições intencionais.
4. Valendo-se de pleonasmos, anacolutos, interrupções, parênteses de correção, paralelismo ritmo e sintático.

4. Clareza

Clareza é a expressão das idéias de maneira compreensível, de modo a se obter uma só interpretação daquilo que se expressou. Depende, em grande parte, da escolha das palavras e de sua combinação e distribuição na frase.

1. Como conseguir clareza:

1. Escrevendo com simplicidade, objetividade e propriedade.
2. Evitando:

-vocabulário rebuscado e pouco conhecido;

-palavras ou expressões vagas (negócio, coisa…);

-ordem inversa;

-repetição da mesma idéia (tautologia);

-períodos muito longos;

-orações intercaladas;

-palavras ou expressões ambíguas.

5. Concisão

Concisão consiste em usar palavras precisas, em evitar palavras, expressões desnecessárias à comunicação e compreensão da idéia.

1. Como obter concisão:

Eliminando:

– o supérfluo, o redundante;

– o uso excessivo dos indefinidos, um , uma;

– o uso de pronome pessoal sujeito, quando não for indispensável à compreensão ou à ênfase;

– pormenores desnecessários.

6. Correção

A Correção consiste em escrever segundo oas exigências das normas gramaticais vigentes, observando- se também os critérios de aceitabilidade e adequação.

1. Como conseguir correção:

– observando a ortografia das palavras;

– respeitando- se os princípios da sintaxe de regência, colocação e concordância;

– utilizando correta e adequadamente os sinais de pontuação;

– valendo-se da adequada função da linguagem;

– expressando- se no adequado nível de fala.

A GENTE

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A GENTE

A expressão a gente, tomada como nós na linguagem coloquial, exige verbo e qualificação no singular. Como regra geral de concordância, o verbo concorda com a palavra que aparece, e não com a idéia.

Apesar de a expressão a gente querer dizer mais de uma pessoa, o verbo e o nome que com ela concordam devem estar no singular (a gente – singular; as gentes – plural). Logo, A gente é feliz, por exemplo, é a maneira correta.

Esse tipo de construção é comum na linguagem oral, mas não cai bem na redação, a não ser que caracterize a simplicidade do discurso (fala) de um personagem.

Obs.: a concordância em gênero (masculino ou feminino) do nome com a expressão a gente faz-se, quase sempre, com a idéia, fato a que chamamos concordância
ideológica ou silepse.

Exemplo:

Um membro de um grupo de homens diz: “A gente está muito nervoso hoje”.
Segundo a concordância tradicional (com o que aparece), nervoso deveria estar no feminino (A gente está nervosa), uma vez que gente é palavra feminina (gente nervosa). Mas a silepse, nesse caso, é preferível.

LITERATURA DE INFORMAÇÃO

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LITERATURA DE INFORMAÇÃO

O Quinhentismo ou Literatura de Informação corresponde ao estilo literário que abrange todas as manifestações literárias produzidas no Brasil à época de seu descobrimento, durante o século XVI. É um movimento paralelo ao Classicismo português e possui idéias relacionadas ao Renascimento, que vivia o seu auge na Europa.

A literatura de Informação tem como tema central os próprios objetivos da expansão marítima: a conquista material, na forma da literatura informativa das Grandes Navegações, e a conquista espiritual, resultante da política portuguesa da Contra-Reforma e representada pela literatura jesuítica da Companhia de Jesus.

A literatura informativa, também chamada de literatura dos viajantes ou dos cronistas, consiste em relatórios, documentos e cartas que empenham-se em levantar a fauna, flora e habitantes da nova terra, com o objetivo principal de encontrar riquezas, daí o fato de ser uma literatura meramente descritiva e de pouco valor literário.

A exaltação da terra exótica e exuberante seria sua principal característica, marcada pelos adjetivos, quase sempre empregados no superlativo. Esse ufanismo e exaltação do Brasil seria a principal semente do sentimento nativista, que ganharia força no século XVII. durante as primeiras manifestações contra a Metrópole

A Carta de Pero Vaz de Caminha

A Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil, popularmente conhecida como Carta de Pero Vaz de Caminha, é o documento no qual Pero Vaz de Caminha registrou as suas impressões sobre a terra que posteriormente viria a ser chamada de Brasil. É o primeiro documento escrito da história do Brasil sendo, portanto, considerado o marco inicial da obra literária no país.

Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Caminha redigiu a carta para o rei D. Manuel I (1495-1521) para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1 de Maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota.

Trechos Comentados da Carta de Pero Vaz de Caminha

Essa carta foi escrita na forma de um relato da viagem do descobrimento do Brasil.
No texto abaixo, cópia fiel da carta de Caminha, são apontados e comentados (em letra de tipo, tamanho e cor diferentes da carta) alguns trechos em que o narrador fala da viagem, da terra, suas riquezas, seu povo …. Vale a pena verificar como foi descrito o Brasil no momento da descoberta. É importante pensar sobre o que mudou desde então.

Posto que o Capitão-mor dessa Vossa Frota, assim como os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento dessa Vossa terra nova que agora nesta navegação se achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba fazer pior que todos.

Entretanto, tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosear nem afear, aqui não se há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu. Nestes 2 primeiros parágrafos de sua carta Caminha explica seu objetivo com ela: dar conta ao rei do ocorrido, sendo fiel aos fatos, sem acrescentar ou tirar nada.

Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Majestade – porque não saberei fazer e os pilotos devem ter este cuidado – e portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo. Que a partida de Belém foi como Vossa Alteza sabe, segunda- feira, 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, cerca de 3 ou 4 léguas.

E domingo, 22 do dito mês, às 10 horas pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto. Na noite seguinte, à segunda-feira, quando amanheceu, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte ou contrário para isso poder acontecer. Fez o Capitão suas diligências para o achar, em umas e outras partes, mas ele não apareceu mais. Nos 3 parágrafos seguintes (acima) Caminha relata brevemente o desenrolar da viagem até que, a partir do parágrafo 6 começà o relato do descobrimento e exploração do Brasil.

A intenção de explorar as riquezas materiais da terra.

Viu um deles umas contas de rosário brancas; acenou que lhes dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenou para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como que dariam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos. Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender porque não lho havíamos de dar.

Estes 2 parágrafos que vêm a seguir tratam dos primeiros sinais de terra e da primeira vista de terra que tiveram: o Monte Pascoal.
E assim seguimos nosso caminho por este mar de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra sendo da dita ilha distante, segundo os pilotos diziam, obra de 660 a 670 léguas, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outros a que também chamam de rabo-de-asno.

E na quarta-feira seguinte, pela manhã (22 de abril de 1500), topamos aves a que chamam fura-buchos e, neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra. A saber, primeiramente, de um grande monte, muito alto e redondo e de outras serras mais baixas ao sul dele e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o Capitão pôs o nome de Monte Pascoal e, à terra, Terra de Vera Cruz.

Mandou lançar o prumo e acharam 25 braças e ao sol-posto, a cerca de seis léguas da terra, lançamos âncora em 19 braças – ancoragem limpa. Ali ficamos ancorados toda aquela noite. E à quinta-feira [23 de abril], pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra, os navios pequenos adiante indo por 17, 16, 15, 14, 13, 12, 10 e 9 braças até meia légua da terra, onde todos lançamos âncora em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos e dali avistamos homens que andavam pela praia, cerca de sete ou oito, segundo os navios pequenos disseram, por chegarem primeiro.

Ali lançamos fora os batéis e esquifes. E vieram logo todos os Capitães das naus a esta nau do Capitão-mor e ali conversaram. E o Capitão mandou no batel em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E assim que ele começou a ir para lá, acudiram pela praia homens, aos dois ou aos três, de maneira que quando o batel chegou à boca do rio, já havia ali 18 ou 20 homens. Neste ponto Caminha começa a descrever a população local, os índios, e seus primeiros contatos com os portugueses. Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas, traziam arcos nas mãos e suas setas.

Vinham todos rijos em direção ao batel e Nicolau Coelho fez sinal para que pousassem os arcos, e eles pousaram. Ali não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente lhes deu um barrete e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas de aves, compridas, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaio, e outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de algaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza.

E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais falas por causa do mar. A noite seguinte ventou tanto sueste com aguaceiros que fez caçar as naus e especialmente a capitânia. E sexta pela manhã [24 de abril], às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar âncoras e fazer vela.

E fomos ao longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados pela popa, em direção ao norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso onde ficássemos para tomar água e lenha.Não por nos já minguar mas por nos acertarmos aqui. E quando fizemos vela, seriam já na praia, assentados perto do rio, cerca de 60 ou 70 homens que se juntaram ali pouco a pouco.

Fomos de longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que fossem mais chegados à terra e que achassem pouso seguro para as naus, que amainassem. Aqui Caminha conta um pouco das primeiras explorações da terra recém descoberta. E velejando nós pela costa, cerca de 10 léguas donde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada.

E meteram-se dentro e amainaram. E as naus arribaram sobre eles e um pouco antes do sol posto, amainaram cerca de uma légua do recife e ancoraram em 11 braças. E estando Afonso Lopes, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meteu-se logo no esquife a sondar o porto dentro.

E tomou em uma almadia dois daqueles homens da terra – mancebos e de bons corpos – e um deles trazia um arco e seis ou sete setas. E na praia andavam muitos com seus arcos e flechas, mas não os aproveitaram. Trouxe-os logo, já de noite, ao Capitão, em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.

Nestes 2 próximos parágrafos os índios são descritos com mais detalhes. A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus sem nenhuma cobertura. Não fazem caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas. E o fazem com tanta inocência como mostram o rosto.

Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos por eles ossos brancos verdadeiros do comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feito como roque-de-xadrez. E de tal maneira o trazem ali encaixado que não magoa nem lhes estorva a fala, nem comer, nem beber.

Os seus cabelos são corredios e andavam tosquiados, de tosquia alta mais do que sobre-pente, de boa grandura e rapados até para cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte
a fonte, para detrás, numa maneira de cabeleira de penas de ave amarela que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como cera, mas não era cera, de maneira que andava a cabeleira mui redonda e mui basta e mui igual e não fazia míngua mas lavagem para a levantar.

Os próximos parágrafos falam sobre o comportamento dos nativos quando do contato com os brancos.O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, e uma alcatifa aos pés por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço. E Sancho de Tovar e Simão de Miranda e Nicolau Coelho e Aires Correia e nós outros que aqui na nau com ele íamos, assentados no chão, nessa alcatifa. Acenderam tochas e eles entraram e não fizeram nenhuma menção de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão a acenar com a mão para a terra, e depois para o colar, como que nos dizendo que havia em terra ouro.

E também viu um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e então para o castiçal como que havia lá também prata. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo. Tomaram-no logo nas mãos e acenaram para a terra como que dizendo haver deles ali. Mostraram-lhes um carneiro e não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha, quase tiveram medo dela e não lhe queriam por a mão, depois a tomaram mas como espantados.

Nos 3 próximos parágrafos Caminha faz uma conclusão bem otimista da carta

“… dar-se-á nela tudo, …” Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais vimos contra o sul, até outra ponta que vem contra o norte, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Traz ao longo do mar, em algumas partes grandes barreiras, delas vermelhas e delas brancas, e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos, de ponta a ponta é toda praia plana muito chã e muito formosa. Sobre o sertão, nos parece, do mar, muito grande porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredo, que nos parecia mui longa terra.

Nela, até agora, não podemos saber que haja ouro, nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem ferro lho vimos. Mas, a terra em si, é de muitos bons ares, frios e temperados como os de Entre-Doiro e Minho, porque neste tempo de agora, assim os achávamos, como os de lá. Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Mas, o melhor fruto que nela se pode fazer, me parece, que será salvar esta gente, e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
A intenção de aculturar os indios para a fé católica

(…)Acabada a missa, desvestiu-se o padre e pôs-se em uma cadeira alta e nós todos, lançados por essa areia, e pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho e, ao fim dela, tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da cruz, sob cuja obediência viemos e que veio muito a propósito e fez muita devoção.
(….)

E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhe falece outra coisa para ser cristã, senão entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nós mesmo, por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem mais entre eles devagar ande, que todos seriam tornados ao desejo de Vossa Alteza. E, para isso, se alguém vier, não deixe logo de virem cléricos para os batizar porque já então terão mais conhecimento de nossa fé pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje também comungaram.

Entre todos estes que hoje vieram, não veio mais que uma mulher moça, a qual esteve sempre à missa, a quem deram um pano com que se cobrisse e puseram-lho ao redor de si. Mas ao assentar não fazia memória de o muito entender para se cobrir. Assim, Senhor, que a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria mais, quanto à vergonha. Ora veja Vossa Alteza, quem em tal inocência vive, ensinando-lhes o que para sua salvação pertence, se se converterão ou não?

FONOLOGIA E FONÉTICA

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FONOLOGIA E FONÉTICA

FONOLOGIA É a parte da Gramática que estuda o comportamento dos fonemas de uma língua, tomando-os como unidades sonoras capazes de criar diferença de significados. Outros nomes: fonêmica, fonemática.
FONÉTICA É a parte da Gramática que estuda as particularidades dos fonemas, ou seja, as variações que podem ocorrer na realização dos fonemas.
ONEMA E LETRA Fonema é a menor unidade sonora e distintiva de uma língua. Os fonemas dividem-se em vogais, semivogais e consoantes. Convém reforçar que o fonema é uma realidade acústica. Letra é o sinal gráfico que, na escrita, representa o fonema. A letra é uma realidade gráfico-visual do fonema.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

a) Uma mesma letra pode representar fonemas diferentes. É o que ocorre com a letra “x” em palavras como sexo (x = ks), feixe (x = ch), exato (x = z) e próximo (x = ss).
b) Um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes. É o que ocorre em flecha (ch = x) e lixo (x = ch).
c) Uma única letra pode representar dois fonemas. A esse fenômeno, chama-se dífono. Exemplo: táxi (lê-se “táksi” – x = ks).
d) Duas letras podem representar um único fonema. A esse fenômeno, chama-se dígrafo. Exemplo: chave (lê-se “xávi” – ch = x).

Tipos de fonemas

vogal – sons cuja produção não encontra obstáculos para a passagem de ar. Não precisam de amparo de outro fonema para serem emitidos, constituem assim a base da sílaba. Em quilo o u não é fonema, logo não há ditongo; já em quatro é pronunciado, constituindo o ditongo.
semivogal – sons i e u quando apoiados em uma vogal autêntica na mesma sílaba. Os fonemas e e o, nas mesmas circunstâncias, também serão semivogais.
consoante – fonemas produzidos através da obstrução à emissão de ar, precisando de uma vogal para serem emitidos. Para haver consoante, é necessário o fonema (som) e não a letra (representação). Em fixo, há três fonemas consonantais, apesar de haver graficamente só duas consoantes.
Então, podemos definir encontro vocálico da seguinte maneira: a seqüência de sons vocálicos (vogal/semivogal) um imediatamente após o outro em uma palavra.

Classificamos esses encontros em:

Ditongo
Tritongo
Hiato

DITONGO
É uma vogal e uma semivogal juntas na mesma sílaba. O ditongo é classificado em:

DITONGO CRESCENTE
É formado por semivogal + vogal.
Exemplo:
Quarto prêmio

DITONGO DECRESCENTE
É formado por vogal + semivogal.
Exemplo:
Feixe mão frouxo

DITONGO ORAL
Pronunciado totalmente pela boca.
Exemplo:
Feixe véu prêmio

DITONGO NASAL
Pronunciado parte pelo nariz e parte pela boca.
Exemplo:
Anão portão

Observação:
Não aparece escrita a semivogal no ditongo em (ẽi) e am (ãu).
Exemplo:
Amém (amẽi) importam (importãu)
Abaixo a relação dos ditongos decrescente e crescente:

DITONGO DECRESCENTE

ÃE – mãe
AI – sair
ÃI – câimbra
ÃO – anão
AU – grau
ÉI – anéis
EI – feixe
ẼI – entrem
ÉU – fogaréu
EU – teu
IU – aboliu
ÕE – põe, pulmões
ÓI – destrói
OI – coice, foice
OU – pouco, touro
UI – ruiva
ỮI – muita

DITONGOS CRESCENTES

EA – área
EO – páreo
IA – sorria
IE – espécie
IO – curiosa
OA – perdoa
UA – água
UÃ – quando
EU – tênue
UẼ – agüenta
UI – tranqüilo
UO –
ingênuo

TRITONGO
É o encontro vocálico formado por semivogal + vogal + semivogal formando uma só sílaba. Existem dois tipos de tritongo:
Tritongo oral
Tritongo nasal

TRITONGO ORAL
Pronunciado totalmente pela boca.
Exemplo:
Uruguai quaisquer

TRITONGO NASAL
Pronunciado em parte pelo nariz.
Exemplo:
Saguão quão

HIATO
É o encontro de duas vogais pronunciadas em sílabas diferentes.
Exemplo:
Juízo – ju – í – zo
Cooperativa – co – o – pe – ra – ti – va
Saída – sa – í – da

Observação:
As palavras como veia, saia, praia, etc, podemos ver um hiato (vei-a, sai-a, prai-a) ou dois ditongos (vei-ia, sai-ia, prai-ia).
A seguir uma questão sobre encontro vocálico:

(Unirio – RJ) – Há inúmeras palavras na língua portuguesa em que é indiferente considerar-se o encontro vocálico como ditongo crescente ou hiato. Assinale o item em que tal fato não ocorre, isto é, em ambas só podemos ter ditongo:

a)ofício, cuidou
b)matrimônio, melancolia
c)Rubião, Sofia
d)riquezas, oblíquos
e)freqüentes, quase.

Resposta (e)

ENCONTRO CONSONANTAL
É o encontro de duas ou consoantes, sem a presença de vogais, desde que não constituam dígrafos.
Psicologia, sangue, ringue, pinto.
Podem ser inseparáveis ou separáveis.

INSEPARÁVEIS
Crônico – crô-ni-co
Bravo – bra-vo
Planta – plan-ta

SEPARÁVEIS
Admirável – ad-mi-rá-vel

VERSIFICAÇÃO

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VERSIFICAÇÃO

A versificação consiste em possibilitar uma melhor compreensão de como se constrói um poema, dividindo em partes e detalhando cada uma delas, assim como está sendo feito no desenrolar deste trabalho.

Entre muitas das regras que a versificação impõe, as principais citadas aqui são: os versos, estrofes, rima e encadeamento, esses também tem suas subdivisões que não cabe citá-las aqui, pois iria estender muito um assunto com pretensão resumida.

Versificação

Versificação é a técnica e arte de fazer versos.

Verso

É cada linha do poema; é uma palavra ou conjunto de palavras com unidade rítmica.

Ex.:
“Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?”

(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Estrofe

Estrofes são agrupamentos de versos.
Elas podem ser classificadas quanto ao número de versos.

Monóstico – estrofe com um verso.
Dístico – estrofe com dois versos.
Terceto – estrofe co três versos.
Quadra ou Quarteto – estrofe com quatro versos.
Quintilha – estrofe com cinco versos.
Sextilha – estrofe com seis versos.
Septilha – estrofe com sete versos.
Oitava – estrofe com oito versos.
Nona – estrofe com nove versos.
Décima – estrofe com dez versos.

Observação:

Há certos tipos de poesia, como a balada e o rondó, que apresentam versos que se repetem no fim das estrofes. Esses versos são chamados de Refrão ou Estribo.

Rima

Rima é a identidade ou semelhança de sons que ocorre no fim dosa versos, embora possa ocorrer também no meio do verso (rima interna).
O que importa na rima é que haja coincidência de sons (total ou parcial) e não das letras que a formam.
A rima acentua o ritmo melódico do texto poético.
Há vários tipos de rima e para especificá-los no poema, convencionou-se usar as letras do alfabeto: os versos que estão ligados entre si pela rima recebem letras iguais.

Verso Branco
Verso branco é o verso que não tem rima.

“A menina tonta passa metade do dia
a namorar quem passa pela rua,
que a outra metade fica
pra namorar-se no espelho
A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho.”

(Manuel de Fonseca)

Encadeamento

Quando o verso não finaliza juntamente com um segmento sintático, ocorre o encadeamento ou Enjabement, que é a continuação do sentido de um verso no verso seguinte:

“E entra a Saudade… Fiquei
Como assombrado e sem voz!”

(Teixeira de Pascoaes)

Os versos são classificados de acordo com o número de sílabas poéticas que possuem:

Monossílabo – verso com uma sílaba poética.
Dissílabo – verso com duas sílabas poéticas.
Trissílabo – verso com três sílabas poéticas.
Tetrassílabo – verso co quatro sílabas poéticas.
Pentassílabo (ou redondilha maior) – verso com cinco sílabas poéticas.
Hexassílabo – verso com seis sílabas poéticas.
Heptassílabo – verso com sete sílabas poéticas.
Octossílabo – verso com oito s;ilabas poéticas.
Eneassílabo – verso com nove sílabas poéticas.
Decassólabo – verso com dez sílabas poéticas.
Hendecassílabo – verso com onze sílabas poéticas.
Dodecassílabo (ou alexandrino) – verso com doze sílabas poéticas.
Verso Bárbaro – verso com mais de doze sílabas poéticas.

Metro

É a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida dos versos, é a contagem das sílabas poéticas ou sílabas dos versos. As sílabas dos versos são sonoras e sua contagem é feita de maneira auditiva, diferente, portanto, da contagem estritamente gramatical que ocorre no texto em prosa.

Na contagem das sílabas poéticas estão ligadas umas às outras mais intimamente, o que conforme ao texto o ritmo e a melodia próprios do verso.

Se ocorrer na prosa essa ligação mais íntima entre as palavras, tem-se a prosa poética.
Em função do ritmo, muitas vezes o poema reduz ou alonga as sílabas poéticas. Por isso, para se medir um verso e proceder à contagem das sílabas , é necessário contar até a ultima sílaba tônica do verso e observar os encontros vocálicos.

Conclusão

Conclui-se que para se construir um poema, basta seguir cada etapa das explicações aqui esclarecidas. Cada item deve ser bem elaborado, reunindo todos em uma só porção.
Podemos colocar tudo isso mais resumidamente dizendo que o autor que queira seguir as regras só precisará trabalhar por si próprio para conseguir uma forma de unir as palavras com coesão e transmitido um sentido lógico.

GÊNEROS LITERÁRIOS

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GÊNEROS LITERÁRIOS

A Literatura é a arte que se manifesta pela palavra, seja ela falada ou escrita. Quanto à forma, o texto pode apresentar-se em prosa ou verso. Quanto ao conteúdo, estrutura, e segundo os clássicos, conforme a “maneira de imitação”, podemos enquadrar as obras literárias em três gêneros:

· Lírico: quando um “eu” nos passa uma emoção, um estado; centra-se no mundo interior do Poeta apresentando forte carga subjetiva. A subjetividade surge, assim, como característica marcante do lírico. O Poeta posiciona-se em face dos “mistérios da vida”. A lírica já foi definida como a expressão da “primeira pessoa do singular do tempo presente”.(*)

· Dramático: quando os “atores, num espaço especial, apresentam, por meio de palavras e gestos, um acontecimento”. Retrata, fundamentalmente, os conflitos humanos.(*)

· Épico: quando temos uma narrativa de fundo histórico; são os feitos heróicos e os grandes ideais de um povo o tema das epopéias. O narrador mantém um distanciamento em relação aos acontecimentos (esse distanciamento é reforçado, naturalmente, pelo aspecto temporal: (os fatos narrados situam-se no passado). Temos um Poeta-observador voltado, portanto, para o mundo exterior, tornando a narrativa objetiva. A objetividade é característica marcante do gênero épico. A épica já foi definida como a poesia da “terceira pessoa do tempo passado”. Fonte bibliográfica 4

Esta divisão tradicional em três gêneros literários originou-se na Grécia clássica, com Aristóteles, quando a poesia era a forma predominante de literatura. Por nos parecer mais didática, adotamos uma divisão em quatro gêneros literários, desmembrando do épico o gênero narrativo (ou, como querem alguns, a ficção), para enquadrar as narrativas em prosa.(*)

Poderíamos reconhecer ainda o gênero didático, despido de ficção e não identificado com a arte literária; segundo Wolfang Kayser, “o didático costuma ser delimitado como gênero especial, que fica fora da verdadeira literatura”.

Gênero Lírico
Seu nome vem de lira, instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos. Por muito tempo, até o final da Idade Média, as poesias eram cantadas; separando-se o texto do acompanhamento musical, a poesia passou a apresentar uma estrutura mais rica. A partir daí, a métrica (a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), o ritmo das palavras, a divisão em estrofes, a rima, a combinação das palavras foram elementos cultivados com mais intensidade pelos poetas.

Mas, cuidado! O que foi dito acima não significa que poesia, para ser poesia, precise, necessariamente, apresentar rima, métrica, estrofe. A poesia do Modernismo, por exemplo, desprezou esses conceitos; é uma poesia que se caracteriza pelo verso livre (abandono da métrica), por estrofes irregulares e pelo verso branco, ou seja, o verso sem rima. O que, também, não impede que “subitamente na esquina do poema, duas rimas se encontrem, como duas irmãs desconhecidas…”

Gênero Dramático
Drama, em grego, significa “ação”. Ao gênero dramático pertencem os textos, em poesia ou prosa, feitos para serem representados. Isso significa que entre autor e público desempenha papel fundamental o elenco (incluindo diretor, cenógrafo e atores) que representará o texto.

O gênero dramático compreende as seguintes modalidades:

· Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror”.(*)

· Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. Sua origem grega está ligada às festas populares, celebrando a fecundidade da natureza.(*)

· Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.(*)

· Farsa: pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que crítica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os costumes). (*)

Gênero Épico
A palavra “epopéia” vem do grego épos, ‘verso’+ poieô, ‘faço’ e se refere à narrativa em forma de versos, de um fato grandioso e maravilhoso que interessa a um povo. É uma poesia objetiva, impessoal, cuja característica maior é a presença de um narrador falando do passado (os verbos aparecem no pretérito). O tema é, normalmente, um episódio grandioso e heróico da história de um povo.

Dentre as principais epopéias (ou poemas épicos), destacamos:

■Ilíada e Odisséia (Homero, Grécia; narrativas sobre a guerra entre Grécia e Tróia).

■Eneida (Virgílio, Roma; narrativa dos feitos romanos)

■Paraíso Perdido (Milton, Inglaterra)

■Orlando Furioso (Ludovico Ariosto, Itália)

■Os Lusíadas (Camões, Portugal)

■Na literatura brasileira, as principais epopéias foram escritas no século XVIII:

■Caramuru (Santa Rita Durão)

■O Uraguai (Basílio da Gama)

Gênero Narrativo
O Gênero narrativo é visto como uma variante do gênero épico, enquadrando, neste caso, as narrativas em prosa. Dependendo da estrutura, da forma e da extensão, as principais manifestações narrativas são o romance, a novela e o conto. (*)

Em qualquer das três modalidades acima, temos representações da vida comum, de um mundo mais individualizado e particularizado, ao contrário da universalidade das grandiosas narrativas épicas, marcadas pela representação de um mundo maravilhoso, povoado de heróis e deuses.

As narrativas em prosa, que conheceram um notável desenvolvimento desde o final do século XVIII, são também comumente chamadas de narrativas de ficção.

· Romance: narração de um fato imaginário, mas verossímil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem. Comparado à novela, o romance apresenta um corte mais amplo da vida, com personagens e situações mais densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo. Dependendo da importância dada ao personagem ou à ação ou, ainda, ao espaço, podemos ter romance de costumes, romance psicológico, romance policial, romance regionalista, romance de cavalaria, romance histórico, etc.(*)

· Novela: na literatura em língua portuguesa, a principal distinção entre novela e romance é quantitativa: vale a extensão ou o número de páginas. Entretanto, podemos perceber características qualitativas: na novela, temos a valorização de um evento, um corte mais limitado da vida, a passagem do tempo é mais rápida, e o que é mais importante, na novela o narrador assume uma maior importância como contador de um fato passado.(*)

· Conto: é a mais breve e simples narrativa centrada em um episódio da vida. O crítico Alfredo Bosi, em seu livro O conto brasileiro contemporâneo, afirma que o caráter múltiplo do conto “já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de gêneros. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção”.(*)

· Fábula: narrativa inverossímil, com fundo didático, que tem como objetivo transmitir uma lição moral. Normalmente a fábula trabalha com animais como personagens. Quando os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe a denominação de apólogo. (*)

A fábula é das mais antigas narrativas, coincidindo seu aparecimento, segundo alguns estudiosos, com o da própria linguagem. No mundo ocidental, o primeiro grande nome da fábula foi Esopo, um escravo grego que teria vivido no século VI a.C. Modernamente, muitas das fábulas de Esopo foram retomadas por La Fontaine, poeta francês que viveu de 1621 a 1695. O grande mérito de La Fontaine reside no apurado trabalho realizado com a linguagem, ao recriar os temas tradicionais da fábula. No Brasil, Monteiro Lobato realizou tarefa semelhante, acrescentando, às fábulas tradicionais, curiosos e certeiros comentários dos personagens que viviam no Sítio do Picapau Amarelo.