PERÍODO COMPOSTO

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PERÍODO COMPOSTO

Ao período formado por, no mínimo, duas orações (verbos), dá-se o nome de composto. O seu estudo é importantíssimo, principalmente para o uso adequado dos conectivos e dos sinais de pontuação.

TIPOS DE ORAÇÕES

Há, basicamente, dois tipos de orações: as subordinadas e as coordenadas. Enquanto aquelas sempre exercem uma função sintática em relação a outra oração (chamada de principal), estas têm existência sintática independente. Exemplos:

É muito importante que você se prepare para a prova. (a oração “que você se prepare para a prova” é subordinada à primeira, funcionando como sujeito)

Havia poucas pessoas no local; a música estava baixa. (as duas orações são sintaticamente livres, ainda que, em termos semânticos, haja conexão entre elas)

ORAÇÕES SUBORDINADAS

A Nomenclatura Gramatical Brasileira prevê três tipos de orações subordinadas: as substantivas, as adjetivas e as adverbiais.

As primeiras são aquelas que exercem alguma função substantiva. As adjetivas, por seu turno, têm função adjetiva e geralmente são introduzidas por pronomes relativos. Já as últimas equivalem a adjuntos adverbiais, indicando circunstâncias em que ocorre o evento expresso pela oração principal.

Orações subordinadas substantivas

A NGB prevê seis tipos:

a) Oração subordinada substantiva objetiva direta: exerce função sintática de objeto direto da oração principal. Exemplo: Disseram que fui aprovado.

b) Oração subordinada substantiva objetiva indireta: exerce função sintática de objeto indireto da oração principal. Exemplo: Lembre-se de que estou aqui.

c) Oração subordinada substantiva subjetiva: exerce função sintática de sujeito da oração principal. Exemplo: É importante que isso fique claro.

d) Oração subordinada substantiva completiva nominal: exerce função sintática de complemento nominal da oração principal. Exemplo: Estou certo de que vencerei.

e) Oração subordinada substantiva apositiva: exerce função sintática de aposto da oração principal. Exemplo: Lembre-se de uma coisa: que eu estou aqui.

f) Oração subordinada substantiva predicativa: exerce função sintática de predicativo da oração principal. Exemplo: A verdade é que nós mentimos.

Orações subordinadas adjetivas

A NGB prevê dois tipos:

a) Oração subordinada adjetiva restritiva: restringe o significado do termo nominal a que se liga, funcionando como adjunto adnominal. Exemplo: Os países que não investem em educação têm sérios problemas sociais.

b) Oração subordinada adjetiva explicativa: explica o termo nominal a que se liga, sem restringi-lo. Funciona como aposto explicativo. Exemplo: O Brasil, que tem sérios problemas sociais, não investe adequadamente na educação.

Orações subordinadas adverbiais

A NGB arrola nove tipos:

a) Oração subordinada adverbial temporal: funciona como adjunto adverbial de tempo da oração principal. Exemplo: Assim que o vir, darei o recado.

Principais conectivos: quando, assim que, logo que, depois que, antes que, desde que, mal, até que, sempre que, etc.

b) Oração subordinada adverbial final: funciona como adjunto adverbial de finalidade da oração principal. Exemplo: Ele agrediu o amigo para ficar com todo o dinheiro.

Principais conectivos: para, para que, a fim de, a fim de que, etc.

c) Oração subordinada adverbial proporcional: funciona como adjunto adverbial de proporção da oração principal. Exemplo: À medida que escurece, o perigo se aproxima.

Principais conectivos: à medida que, à proporção que, ao passo que, etc.

d) Oração subordinada adverbial causal: funciona como adjunto adverbial de causa da oração principal. Exemplo: Gosto dela porque entre nós existe respeito.

Principais conectivos: porque, já que, visto que, haja vista que, uma vez que, desde que, porquanto, desde que, como, na medida em que, em virtude de, se, etc.

e) Oração subordinada adverbial condicional: funciona como adjunto adverbial de condição da oração principal. Exemplo: Se ficarmos aqui, seremos assaltados.

Principais conectivos: se, caso, a, desde que, contanto que, etc.

f) Oração subordinada adverbial comparativa: funciona como adjunto adverbial de comparação da oração principal. Exemplo: Ele mente como o pai. (o verbo “mentir” está implícito na segunda oração)

Principais conectivos: como, tal qual, assim como, que nem, etc.

g) Oração subordinada adverbial concessiva: funciona como adjunto adverbial de concessão da oração principal. Exemplo: Ainda que nos detestemos, gosto de trabalhar com ela.

Principais conectivos: ainda que, embora, conquanto, não obstante, mesmo que, apesar de, a despeito de, posto que, etc.

h) Oração subordinada adverbial conformativa: funciona como adjunto adverbial de conformidade da oração principal. Exemplo: Conforme eles disseram, vai chover hoje.

Principais conectivos: conforme, segundo, consoante, como, etc.

i) Oração subordinada adverbial consecutiva: funciona como adjunto adverbial de conseqüência da oração principal. Exemplo: Falei tanto que perdi a voz.

Principais conectivos: que, de modo que, de forma que, de maneira que, etc.

Observação: o valor semântico de alguns conectivos varia de frase para frase. Exemplos:

Moro aqui desde que sou pequeno. (tempo)

Irei com você desde que nada de ruim ocorra comigo. (condição)

Como já estamos aqui, façamos o que deve ser feito. (causa)

Como disse a sua mãe, somos irmãos na verdade. (conformidade)

ORAÇÕES COORDENADAS

A NGB prevê dois tipos: as assindéticas e as sindéticas.

Orações coordenadas assindéticas

São aquelas que não são introduzidas por conectivo. Exemplo:

O homem parou. Fez uma cara estranha.

Orações coordenadas sindéticas

São introduzidas por conectivo. Podem ser, consoante a NGB, de cinco tipos:

a) Oração coordenada sindética aditiva: indica adição de idéias. Exemplo: O ladrão invadiu a casa e agrediu os moradores.

Principais conectivos: e, nem, tanto… quanto, não só… mas também, etc.

b) Oração coordenada sindética alternativa: indica alternância de idéias. Exemplo: Serei preso ou, no mínimo, levarei uma multa.

Principais conectivos: ou, ora… ora, já… já, quer… quer, etc.

c) Oração coordenada sindética explicativa: indica explicação. Exemplo: Façamos algo, pois a situação está insuportável.

Principais conectivos: porque, que, pois, etc.

d) Oração coordenada sindética adversativa: indica oposição de idéias. Exemplo: O material já está aqui, mas ainda não podemos iniciar a obra.

Principais conectivos: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, não obstante, etc.

e) Oração coordenada sindética conclusiva: indica conclusão. Exemplo: Você tem saúde; logo, pode fazer esse tipo de exercício.

Principais conectivos: logo, portanto, assim, então, pois (posição não-inicial da oração), etc.

Observações:

a) O valor semântico de alguns desses conectivos varia. Exemplos:

Ela tem as melhores condições e conta com o apoio da família. (adição)

Ela tem as melhores condições, e mesmo assim não faz nada. (oposição)

b) Algumas orações subordinadas e coordenadas podem aparecer sob a forma reduzida, ou seja, sem conectivo e com o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Exemplos:

Feitas as observações iniciais, já podemos iniciar a reunião. (oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio)

Alguns diziam não sentir fome. (oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo)

Ele apontou todas as falhas da empresa, sugerindo ótimas alternativas. (oração coordenada sindética aditiva reduzida de gerúndio)

REGÊNCIA VERBAL

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REGÊNCIA VERBAL

Na construção de uma unidade significativa, algumas palavras exigem o acompanhamento de outros elementos da língua. Essa relação de dependência com vistas à formação de um significado é chamada regência.

A regência pode ser direta, quando a relação de dependência é imediata, ou indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições.

A regência do substantivo sobre o adjetivo (como em “a menina bonita”), ou do verbo transitivo direto sobre seu complemento (ex.: “Maria ama Pedro”) se dá de forma direta, enquanto a regência do substantivo sobre outro substantivo (como em “a filha de Maria”) ou de um verbo transitivo indireto sobre seu complemento (ex.: “Maria gosta de Pedro”) se faz necessariamente por meio de uma preposição.

Nos casos de regência indireta, é preciso observar que nem todas as preposições podem desempenhar o papel de ligar o regente ao regido. Além disso, o uso de uma ou outra preposição pode provocar alterações de significado bastante consideráveis (ex.: “ir para casa”, “ir de casa”, “ir na casa”, etc.). Por isso, é preciso estar atento para o conjunto de preposições exigidas pelo regente, e para as implicações do seu uso.

A seguir alguns verbos da língua portuguesa que envolvem problemas freqüentes quanto à regência:

CONSTRUÇÃO INADEQUADA CONSTRUÇÃO ADEQUADA

estar de (greve) estar em (greve)
namorar com namorar
arrasar com arrasar
repetir de (ano) repetir o (ano)

Exemplos:
Suzana continuava a dizer que namorava com Mário. [Inadequado]
Suzana continuava a dizer que namorava Mário. [Adequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse de ano! [Inadequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse o ano! [Adequado]

Preposição
Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula.

Exemplos:
Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.

…[amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição]
…[de: preposição]

Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.

…[esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição]
…[com: preposição]

Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência.

Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento – chamado antecedente – é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez – chamado conseqüente – é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

Exemplos:
A hora das refeições é sagrada.

…[hora das refeições: elementos ligados por preposição]
…[de + as = das: preposição]
…[hora: termo antecedente = rege a construção “das refeições”]
…[refeições: termo conseqüente = é regido pela construção “hora da”]

Alguém passou por aqui.

…[passou por aqui: elementos ligados por preposição]
…[por: preposição]
…[passou: termo antecedente = rege a construção “por aqui”]
…[aqui: termo conseqüente = é regido pela construção “passou por”]

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.).

USO DO G E DO J

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USO DO G E DO J

Não consigo entender porque duas letras diferentes ainda são aplicadas ao mesmo som, a tecnologia evolui mas a burrice dos donos das palavras permanece a mesma a cada geração. Bom, depois das críticas, e de inúmeras possibilidades de sugestões de modificações na língua, vamos a uma dica… Para evitar confusão.

Use G em:

– Palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio e -úgio.
Exemplos: pedágio, colégio, litígio, relógio, refúgio.

– Palavras terminadas em -gem.
Exemplos: ferrugem, selvagem, massagem, mixagem.

– Palavras derivadas de outras que já sejam grafadas com G.
Exemplos: tingir – tingido – tingimento

Use J em:

– Palavras de origem tupi (indígena) e africana. (Engraçado que “indígena” se refere a índios, mas se grafa com G…)
Exemplos: biju, canjarana, canjica, jabuticaba, jacaré, jenipapo, jerimum, jibóia, pajé. (Exceção: Sergipe.)

– Verbos terminados em -jar ou -jear.
Exemplos: arranjar, despejar, sujar, viajar, trajar, ultrajar, granjear, gorjear, lisonjear.

– Palavras derivadas de outras já grafadas com J.
Exemplos: granja – granjeiro, laje – lajeado, etc.

Tome cuidado com o verbo viajar e o substantivo viagem (e talvez, alguns outros). Nas palavras terminadas em -agem, grafamos com G (como em viagem: “A viagem foi boa.”). Mas os verbos terminados em -jar são grafados com J (senão ficaria
/gar/, como em /garfo/, eis mais uma burrice da língua que permanece até os dias de hoje). Então, do verbo viajar, derivam suas formas, viajei, viajaram, etc. Da mesma forma, por ser derivada do verbo (na verdade, por ser uma forma conjugada do verbo), a palavra “viajem” com sentido de verbo, fica com J: “Compre os ingressos, para que eles viajem.”. Nesse caso, viajem vem de viajar, que já é com J, por ser um verbo terminado em -jar.


Idéia baseada e ampliada de:
CAMPEDELLI, Samira Yousseff & SOUZA, Jésus Barbosa. Português – Literatura, produção de textos e gramática. 3. ed. São Paulo, Saraiva, 2000.

LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA

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LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA

Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a comunicação lingüística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz do falante.

No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:

Fatores regionais: é possível notar a diferença do português falado por um habitante da região nordeste e outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também há variações no uso da língua. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.

Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.

Fatores contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos: quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se
estivéssemos discursando em uma solenidade de formatura.

Fatores profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e da informática, biólogos, médicos, lingüistas e outros especialistas.

Fatores naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta.

PARNASIANISMO

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Na década de 1870, quando o Parnasianismo começou a ser difundido como nova estética literária no Brasil, o país atravessava uma série de crises políticas e sociais que assinalariam o colapso do governo imperial e do regime escravocrata, culminando na abolição da escravatura, em 1888, e na proclamação da República, em 1889. O desenvolvimento econômico, que até meados do século XIX se concentrara no Nordeste, a partir dos anos de 1870 passou a deslocar-se para o Centro-Sul, onde a cultura do café começava a expandir-se. O único grande centro urbano do Brasil, ainda essencialmente agrícola, era o Rio de Janeiro, onde se concentrava a vida política e cultural do país. Mas foram intelectuais de Recife ligados à Faculdade de Direito, entre eles Silvio Romero e Tobias Barreto, os primeiros a divulgar as novas idéias literárias, filosóficas e políticas que passariam a influenciar o pensamento dos escritores nacionais.

A elite brasileira recebia, principalmente através da França, as idéias republicanas, positivistas e evolucionistas que agitavam os meios intelectuais europeus, além das descobertas de novas ciências como a física, a lingüística e a biologia. O grande veículo de difusão das novas teorias, inclusive literárias, eram os inúmeros periódicos surgidos com o desenvolvimento da imprensa nacional. Foi nas páginas do jornal Diário do Rio de Janeiro que, no final da década de 1870, travou-se a Batalha do Parnaso, polêmica entre os adeptos do Romantismo, de um lado, e os seguidores do Realismo e do Parnasianismo, de outro, que serviu para tornar mais conhecidas as novas tendências literárias.

Os jornais e revistas eram importantes veículos para a divulgação de obras e movimentos literários e consolidação de autores. Muitos escritores da época, além de publicarem poemas e folhetins, atuaram como cronistas em periódicos, contribuindo inclusive para a profissionalização do escritor brasileiro. Entre eles destaca-se Machado de Assis, um dos principais autores brasileiros do Realismo e poeta parnasiano que, como cronista da Gazeta de Notícias (RJ), exerceu forte influência crítica.

O sucessor de Machado na Gazeta de Notícias, Olavo Bilac, como bom parnasiano, permaneceu distante, no âmbito da poesia, dos acontecimentos sociais e políticos de seu tempo – ainda que tenha escrito eventuais poemas satíricos, alguns deles dedicados a Floriano Peixoto; produziu também poemas infantis e é o autor do Hino à Bandeira. Como cronista, desceu da “torre de marfim” e abordou alguns dos grandes temas de seu tempo, como a libertação dos escravos, em A Escravidão, e a reurbanização da capital nacional, em O Rio Convalesce.

Assim, os escritores brasileiros, que nesse período já constituíam um grupo numeroso, produtor de obras inseridas em uma tradição nacional, tinham garantida a circulação de seus textos por meio de periódicos ou de algumas editoras, como a francesa Garnier, instalada no Rio de Janeiro. No entanto, o público leitor era bastante restrito, já que a maioria da população brasileira – 80%, segundo o censo de 1872 – era analfabeta. Os poetas parnasianos dirigiam suas obras, portanto, a uma reduzida e letrada camada da população, que prestigiava seus poemas repletos de preciosismos lingüísticos e de referências à Antigüidade Clássica.

Nas últimas décadas do século XIX, várias correntes literárias inovadoras, entre elas o Parnasianismo, apresentaram parâmetros de criação artística que se contrapunham aos então já desgastados valores românticos. Enquanto na prosa o Realismo e o Naturalismo apresentavam novas maneiras de produzir ficção, calcadas na análise objetiva da realidade social e humana, no âmbito da poesia o movimento parnasiano voltava-se principalmente para o culto da forma, afastando-se dos problemas sociais do período.

O termo parnasianismo surgiu na França, para nomear os poetas reunidos nas antologias de poesia intituladas Le Parnasse Contemporain, publicadas a partir de 1866. Entre os poetas mais importantes do movimento francês estava Théophile Gautier, principal divulgador do princípio da “arte pela arte” – a arte voltada para si mesma, sem intenções políticas, morais, didáticas ou de qualquer outro tipo, princípio que sintetizava os objetivos do movimento. A nova escola rapidamente penetrou no Brasil e, nos decênios de 1880 e 1890, conquistou número progressivo de adeptos. Poetas parnasianos portugueses, como Gongalves Crespo (brasileiro de nascimento), Antero de Quental e Teófilo Braga também exerceram influência, ainda que em menor escala, sobre os autores brasileiros.

A obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, costuma ser identificada como o marco inicial do Parnasianismo no Brasil, onde o movimento perdurou até os primeiros decênios do século XX, coexistindo com o Simbolismo e mesmo com o início do Modernismo. O prolongamento da estética, por poetas conhecidos como Neoparnasianos, “é fenômeno particular da literatura brasileira”, segundo Otto Maria Carpeaux. Para o crítico, “aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e, por isso, o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte no mundo”. Já para Alfredo Bosi, “o Parnasianismo é o estilo das camadas dirigentes, da burocracia culta e semiculta, das profissões liberais habituadas a conceber a poesia como “linguagem ornada”, segundo padrões já consagrados que garantam o bom gosto da imitação”. O fato de a Academia Brasileira de Letras (1897) apresentar adeptos do Parnasianismo entre a maioria de seus fundadores pode também ter colaborado, segundo vários críticos, para a “oficialização” e para a extensão cronológica da escola, cujo prestígio enfraqueceu apenas depois dos duros ataques desferidos pelos poetas modernistas. Hoje, porém, as críticas de autores e pensadores ligados ao Modernismo estão sendo revistas, e o maior distanciamento permite avaliar, talvez com mais imparcialidade, as qualidades e os problemas do Parnasianismo.

Parnaso é um monte localizado na Grécia central, onde, segundo a mitologia, residiam o deus Apolo e as Musas, divindades inspiradoras das artes. Já no nome da escola se revela, por conseguinte, seu tributo à Antigüidade Clássica, que influenciou os temas e a concepção de arte dos adeptos do Parnasianismo. Incidentes da história ou da mitologia greco-latina foram grande fonte de termas para os parnasianos, como se pode observar no poema “Afrodite”, de Alberto de Oliveira. Formas poéticas antigas ou em desuso, como o soneto, principalmente, voltaram a ser cultivadas. Aliás o soneto, que havia quase desaparecido com os românticos, tornou-se marca distintiva dos parnasianos, assim como a famosa “chave de ouro” – o acabamento feliz, de belo efeito, de um poema.

A busca da objetividade temática e o culto da forma são as mais importantes características do Parnasianismo. Os poetas parnasianos opunham-se ao individualismo, ao sentimentalismo e ao subjetivismo românticos, e procuraram voltar sua poesia para temas que consideravam mais universais, como a natureza, a história, o amor, os objetos inanimados, além da própria poesia. Essa poética da impessoalidade era reforçada pelo gosto da descrição e do rigor formal. O ideal da “arte pela arte” resultou em acentuada preocupação com a versificação e a metrificação, pois acreditava-se que a Beleza residia também na forma. O trabalho do poeta foi, inclusive, comparado ao do escultor, do ourives, do artesão, já que seu esforço concentrava-se em dar forma perfeita a um objeto artístico. O poema de Raimundo Correia A um Artista, dedicado a Olavo Bilac, é modelar nesse sentido. Essa comparação levou à criação de poemas que tematizam esculturas, pinturas, jóias, objetos artísticos – como em Vaso Grego, de Alberto de Oliveira – transformando muitas vezes o princípio da “arte pela arte” em “arte sobre a arte”.

Os versos brancos do Romantismo foram abandonados e retomou-se o uso dos versos de 10 sílabas e das rimas ricas e raras, num movimento de aproximação da tradição clássica. A procura da expressão perfeita e original de determinada idéia ou sentimento levou à valorização do conhecimento da língua, necessário para fugir das imagens gastas e vulgarizadas da estética romântica. A utilização de vocabulário culto, como tentativa de renovação da linguagem poética, é, desse modo, outro traço característico do Parnasianismo. Olavo Bilac, em Língua Portuguesa, expressa o amor parnasiano ao idioma nacional. O apego dos parnasianos ao rigor gramatical e ao rebuscamento da linguagem teria contribuído, segundo Antonio Candido, “para lhes dar voga e credibilidade, pois facilitava o entrosamento com as aspirações dominantes da cultura oficial”.

Já a impassibilidade pretendida pela escola, necessária para o registro objetivo da realidade, se foi tematizada em poemas como Musa Impassível, de Francisca Júlia, não chegou a ser plenamente alcançada, e nem poderia ser. Afinal, como afirma Benjamin Abdala Junior, “o poeta só pode construir o poema selecionando situações, palavras, imagens, a partir de sua própria perspectiva”, o que torna a objetividade de certa forma um mito. Além disso, a impassibilidade e outros princípios do Parnasianismo foram muitas vezes alterados pelos autores nacionais, pois no Brasil os fundamentos da nova estética repousaram “na tradição literária interna, suficiente para assimilar e reformular as sugestões externas”, como observou José Aderaldo Castello.

A tradição brasileira permitiu, assim, que o mesmo Olavo Bilac que professa os ideiais parnasianos em Profissão de Fé e A um Poeta – em cujos versos o culto à forma, o tributo à Antiguidade Clássica, o amor à língua e a fidelidade ao princípio da “arte pela arte” são enfaticamente expostos – expressasse um lirismo apaixonado em tantos sonetos, como no antológico Ora (Direis) Ouvir Estrelas. É preciso lembrar ainda que o sistema literário brasileiro, se no período já estava consolidado por uma tradição local, englobava várias correntes literárias de origem estrangeira que aqui se misturavam e se recriavam, como o Romantismo e o Simbolismo, movimentos que influenciaram em menor ou maior grau a obra dos poetas parnasianos.

Os autores mais significativos do Parnasianismo foram Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia, considerados a “tríade oficial” do movimento, além de Vicente de Carvalho e Francisca Júlia. A poesia de Alberto de Oliveira é considerada a mais fiel aos valores do Parnasianismo; nela, a impessoalidade, o descritivismo, a tematização de objetos são elementos bastante presentes – ainda que em poemas como Alma em Flor revele sentimentalidade que desmente sua fama de impassível. Olavo Bilac, um dos mais populares poetas brasileiros, buscou e alcançou o rigor da forma, mas o lirismo e o sensualismo de seus versos muitas vezes o afastaram dos princípios mais rígidos do Parnasianismo. Raimundo Correia estreou como romântico, mas tornou-se parnasiano, intensamente influenciado por autores franceses e criador de uma poesia filosófica, reflexiva, distinta pelo pessimismo. Vicente de Carvalho, poeta também bastante popular, de obra impregnada de matizes românticas, foi o parnasiano que melhor tematizou a natureza, principalmente o mar de sua terra natal, Santos SP. Finalmente, Francisca Júlia é autora de sonetos que figuram entre os mais bem realizados do Parnasianismo e, ainda que alguns de seus últimos poemas apresentem traços simbolistas, segue sendo considerada poeta das mais leais aos fundamentos parnasianos.

DICAS DE PORTUGUÊS PARA VESTIBULANDOS

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Hífen X Travessão

Há quem faça confusão entre hífen e travessão. Aí vai a dica: o hífen é menor e só pode ser usado na separação das partes de uma palavra: decreto-lei, convenci-o, ex-diretor. O travessão é maior, sendo usado na introdução de diálogos e como sinal de pontuação. O erro mais freqüente é o que ocorre em relação ao uso dos espaços; enquanto o travessão requer espaço antes e depois, o hífen o dispensa.

Legal, legítimo, lícito, permitido

Usam-se essas palavras como se fossem sinônimos. Parecem, mas não são:
Legal: que está previsto em lei.
Legítimo: que emana da vontade popular, baseando-se no direito, na razão e na justiça.
Lícito: que não é proibido por lei; não é objeto de lei.
Permitido: que é autorizado por lei.

Há / A

Usa-se há para indicar tempo passado e nos sentidos de existir, ocorrer: Há muito tempo acontecem esses fatos. Há muita polêmica em torno do assunto.
Utiliza-se a:
Para indicar tempo futuro: Daqui a algum tempo saberemos a verdade. Daqui a pouco iniciará o jogo.
Para indicar distância: Isso ocorreu a cem metros da minha casa.

Aqui, aí, ali, lá

Quando se quer utilizar essas palavras para localizar em relação ao espaço geográfico, deve-se levar em conta que:
aqui: designa o lugar onde está quem fala ou escreve: aqui chove;
aí: indica o lugar de quem ouve ou lê: chove aí?;
ali e lá: servem para indicar outro lugar, afastado dos dois: estive em Brasília; ali (lá) está tudo tranqüilo.

Enquanto / Tempo

Enquanto com o sentido de como: a não ser que se refira realmente ao tempo e não à condição, ao cargo, o correto é dizer como presidente, e não enquanto presidente.

Literalmente?

O candidato estava literalmente nervoso. Literalmente significa “transcrição por escrito, com todas as letras; fiel ao texto original, sem alterar palavra”. É o caso da frase? Claro que não! Não se pode sequer imaginar alguém “literalmente” nervoso. É provável que o se tenha querido dizer que o candidato estava muito nervoso, o que seria correto.

ARCADISMO

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ARCADISMO

(1768-1808)
As formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma. Conhecida como Arcadismo, uma influência que inspirava-se na lendária região da Grécia antiga, já chegava à Itália . No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias Arcadismos, simulação pastoral, ambiente campestre, etc. Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes. A primeira obra do arcadismo foi feita em 1768, denominada Obras Poéticas, de Cláudio M. da Costa.

Características do Arcadismo
A ausência de subjetividade, o racionalismo, o soneto (forma poética), simplicidade, pseudônimos e bucolismo (natureza) e o neoclassicismo são umas das características do Arcadismo, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco. Entre outros:

Fugere urbem
Os árcades buscavam uma vida simples, bucólica, longe do burburinho citadino.

Inutilia truncar
A frase em latim resume grande parte da estética árcade. Ela significa que “as inutilidades devem ser banidas” e vai ao encontro do desprezo pelo exagero e pelo rebuscamento, característicos do Barroco.

Carpe diem
Aproveitar o dia, viver o momento presente com grande intensidade, foi uma atitude inteiramente assumida por esses poetas.

Poetas da Inconfidência Mineira
Não existiu, no Brasil, uma Arcádia, como em Portugal. Um vigoroso grupo intelectual (o grupo mineiro) destacou-se na arte Arcadismo e na prática política, participando ativamente da Inconfidência Mineira. Esse grupo, constituído por Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Manuel Inácio da Silva Alvarenga e outros intelectuais, foi desfeito de forma violenta, com a prisão, desterro ou morte de alguns poetas, à época da repressão política em torno do episódio da Inconfidência. Com os olhos voltados para a terra natal, esses poetas árcades iniciaram o período de transformação da literatura brasileira, que se vai efetivar, realmente, no século XIX, com os românticos. Tomás Antônio Gonzaga escreveu Marília de Dirceu, uma poesia lírica, e Cartas Chilenas, poesia satírica. Cláudio Manoel da Costa inspirou-se em Camões para escrever Obras Poéticas. Silva Alvarenga fez obras em forma clássica. Outros poetas como Basílio da Gama (O Uraguai) e Frei Santa Rita Durão (Caramuru) aparecem neste cenário.

EXEMPLO DE:
Obras Poéticas, de Cláudio M. da Costa.

    • Soneto
    • Destes penhascos fez a natureza
    • O berço em que nasci: oh quem cuidara.
    • Que entre penhas tão duras se criara
    • Uma alma terna, um peito sem dureza.

Amor, que vence os Tigres, por empresa
Tomou logo render-me, ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pode fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura.
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

Tomás Antônio Gonzaga

Marília de Dirceu, Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só apreço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que teu afeto me segura,
Que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte, e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Leve-me a sementeira muito embora
O rio sobre os campos levantado:
Acabe, acabe a peste matadora,
Sem deixar uma rês, o nédio gado.
Já destes bens, Marília, não preciso:
Nem me cega a paixão, que o mundo arrasta;
Para viver feliz, Marília, basta
Que os olhos movas, e me dês um riso.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço;
Ali descansarei a quente sesta,
Dormindo um leve sono em teu regaço:
Enquanto a luta jogam os Pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabelos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Depois de nos ferir a mão da morte,
Ou seja neste monte, ou noutra serra,
Nossos corpos terão, terão a sorte
De consumir os dois a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
Lerão estas palavras os Pastores:
“Quem quiser ser feliz nos seus amores,
Siga os exemplos, que nos deram estes.”
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Basílio da Gama

O Uruguai (fragmentos)
“O rei é vosso pai: quer-vos felizes.
Sois livres, como eu sou; e sereis livres.
Não sendo aqui, em qualquer outra parte.
Mas deveis entregar-nos estas terras.
Ao bem público cede o bem privado.
O sossego da Europa assim pede.
Assim o manda o rei. Vós sois rebeldes,
Se não obedeceis; mas os rebeldes
Eu sei que não sois vós – são os “bons” padres,
Que vos dizem a todos que sois livres,
E se servem de vós como de escravos,
E armados de orações vos põem no campo.”

Os trechos abaixo pertencem a Cacambo, chefe guarani:

“…Se o rei da Espanha
Ao teu rei quer dar terras com mão larga
Que lhe dê Buenos Aires e Corrientes.
E outras, que tem por estes vastos climas;
Porém não pode dar-lhe os nossos povos (…)”
“Gentes de Europa, nunca vos trouxera
O mar e o vento a nós. Ah! não debalde
Estendeu entre nós a natureza
Todo esse plano espaço imenso de águas.”

O trecho abaixo refere-se à expressão doce de Lindóia, já morta:

“Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste.
Que os corações mais duros enternece,
Tanto era bela no seu rosto a morte!”

Santa Rita Durão

Caramuru (fragmentos)
“Só tu tutelar anjo, que o acompanhas,
Sabes quanta virtude ali se arrisca
Essas fúrias da paixão, que acende, estranhas
Essa de insano amor doce faísca
ânsia no coração sentiu tamanhas
Que houvera de perder-se naqu’hora
Se não fora cristão, se herói fora.”
“Paraguaçu gentil (tal nome teve),
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve
Olhos de bela luz, testa espaçosa.”

CONCORDÂNCIA VERBAL

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CONCORDÂNCIA VERBAL

Regra geral

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

Ex: Bancários iniciam campanha eleitoral.
Concordância do verbo com o sujeito composto
1º Caso de Concordância Verbal

Quando o sujeito composto vier anteposto ao verbo, o verbo irá para o plural. Ex: O milho e a soja subiram de preço.

Obs.: Quando os núcleos do sujeito forem sinônimos, o verbo poderá ficar no singular ou no plural. Ex: Medo e terror nos acompanha (acompanham) sempre.

Quando os núcleos do sujeito vierem resumidos por tudo, nada, alguém ou ninguém, o verbo ficará no singular. Ex: Dinheiro, mulheres, bebida, nada o atraía.

Quando o sujeito for formado por núcleos dispostos em gradação (ascendente ou descendente) o verbo ficará no singular ou no plural. Ex: Uma briga, um vento, o maior furacão não os inquietava (inquietavam).
2º. Caso de Concordância Verbal

Quando o sujeito composto vier posposto ao verbo, o verbo irá para o plural ou concordará apenas com o núcleo do sujeito que estiver mais próximo. Ex: Chegou o pai e a filha. Chegaram o pai e a filha.
3º. Caso

Quando o sujeito composto for formado por pessoas gramaticais diferentes, o verbo irá para o plural na pessoa que tiver prevalência. 1º , 2º , 3º. 2º , 3º. de Concordância Verbal

Ex: Eu, tu e ele fizemos o exercício. Tu e ele fizeste / fizeram.
4º. Caso de Concordância Verbal

Quando os núcleos do sujeito vierem ligados pela conjunção “ou” , o verbo ficará no singular se houver idéia de exclusão. Se houver idéia de inclusão o verbo irá para o plural.

Ex: Pedro ou Antônio será o presidente do clube.
(Exclusão) Laranja ou mamão fazem bem a saúde. (Inclusão)
Casos especiais de concordância verbal
1º. Caso

Com a expressão “um dos que” o verbo ficará no singular e no plural. O plural é construção dominante. Ex: Você é um dos que mais estudam (estuda).
2º. Caso

Quando o sujeito for constituído das expressões “mais de”, “menos de”, “cerca de” o verbo concordará com o numeral que segue as expressões. Ex: Mais de uma pessoa protestou contra a lei. Mais de vinte pessoas protestaram contra a decisão.

Obs.: Com a expressão “mais de um”pode ocorrer o plural:- Quando o verbo dá idéia de ação recíproca (troca de ações).

Ex: Mais de uma pessoa se abraçaram.- Quando a expressão “mais de um” vem repetida. Ex: Mais de um amigo, mais de um parente estavam presentes.
3º. Caso

Se o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular o verbo só concordará com ele. Se esses pronomes estiverem no plural o verbo concordará com ele ou com o pronome pessoal.

Ex: Qual de nós? Alguns de nós. Qual de nós viajará? Quais de nós viajarão (viajaremos)?
4º. Caso

Quando o sujeito for um coletivo o verbo ficará no singular.

Ex: A multidão gritava desesperadamente.

Obs.: – Quando o coletivo vier seguido de um adjunto no plural, o verbo ficará no singular ou poderá ir para o plural.

Ex: A multidão de torcedores gritava (gritavam) desesperadamente.
5º. Caso

Quando o sujeito de um verbo for pronome relativo “que”, o verbo concordará com o antecedente deste pronome.

Ex: Sou eu que pago.
6º. Caso

Quando o sujeito de um verbo for um pronome relativo “quem”, o verbo concordará com o antecedente ou ficará na 3º pessoa do singular concordando com o sujeito quem.

Ex: Sou eu quem paga (pago).
7º. Caso

Quando o sujeito for formado por nome próprio que só tem plural, não antecipado de artigo, o verbo ficará no singular; se o nome próprio vier antecipado de artigo o verbo irá para o plural.

Ex: Minas Gerais possui grandes fazendas. Os Estados Unidos são uma nação poderosa.
8º. Caso

Os verbos impessoais ficam sempre na 3º pessoa do singular.

Ex: Faz 5 anos… Havia crianças na fila.

Obs.: – Também fica na 3º pessoa de singular o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal formando uma locução verbal.

Ex: Deve haver crianças na fila. – O verbo existir não é impessoal.

Ex: Existiam crianças na fila. Devem existir crianças na fila. (O verbo auxiliar de um verbo pessoal concordará com o sujeito).
9º. Caso

Com os verbos “dar”, “bater”, “soar” se aparecer o sujeito”relógio”a concordância se fará com ele; se não aparecer com o sujeito “relógio” a concordância se fará com o número de horas.

Ex: O relógio deu cinco horas. Deram cinco horas no relógio da matriz. … relógio da matriz: Adjunto adverbial de lugar.
10º. Caso

Quando o sujeito for formado por um pronome de tratamento o verbo irá sempre para 3º pessoa. Vossa Excelência leu meus relatórios?
11º. Caso

Quando “se” funcionar como partícula apassivadora o verbo concordará normalmente com o sujeito da oração.

Ex: Pintou-se o carro. Alugam-se casas.
12º. Caso

Quando o “se” funcionar como Índice de Indeterminação do Sujeito o verbo ficará sempre na 3º pessoa do singular.

Ex: Precisa-se de secretária. Vive-se bem aqui.
13º. Caso

O verbo parecer, seguido de infinitivo admite duas construções: – Flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. – Flexiona-se o infinitivo e não flexiona-se o verbo parecer.

Ex: Os prédios parecem cair. Os prédios parece caírem.
Concordância com
o verbo ser

a- Quando, em predicados nominais, o sujeito for representado por um dos pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO: o verbo ser ou parecer concordarão com o predicativo.

Ex.: Tudo são flores./Aquilo parecem ilusões.

Poderá ser feita a concordância com o sujeito quando se quer enfatizá-lo.

Ex.: Aquilo é sonhos vãos.

b- O verbo ser concordará com o predicativo quando o sujeito for os pronomes interrogativos QUE ou QUEM.

Ex.: Que são gametas?/ Quem foram os escolhidos?

c- Em indicações de horas, datas, tempo, distância: a concordância será com a expressão numérica

Ex.: São nove horas./ É uma hora.

Em indicações de datas, são aceitas as duas concordâncias pois subentende-se a palavra dia.

Ex.: Hoje são 24 de outubro./ Hoje é (dia) 24 de outubro.

d- Quando o sujeito ou predicativo da oração for pronome pessoal, a concordância se dará com o pronome.

Ex.: Aqui o presidente sou eu.

Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem pronomes, a concordância será com o que aparece primeiro, considerando o sujeito da oração.

Ex.: Eu não sou tu

e- Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se fará com o predicativo.

Ex.: O menino era as esperanças da família.

f- Nas locuções é pouco, é muito, é mais de, é menos de junto a especificações de preço, peso, quantidade, distância e etc, o verbo fica sempre no singular.

Ex.: Cento e cinqüenta é pouco./ Cem metros é muito.

g- Nas expressões do tipo ser preciso, ser necessário, ser bom o verbo e o adjetivo podem ficar invariáveis, (verbo na 3ª pessoa do singular e adjetivo no masculino singular) ou concordar com o sujeito posposto.

Ex.: É necessário aqueles materiais./ São necessários aqueles materiais.

h- Na expressão é que, usada como expletivo, se o sujeito da oração não aparecer entre o verbo ser e o que, ficará invariável.Se aparecer, o verbo concordará com o sujeito.

Ex.: Eles é que sempre chegam atrasados./ São eles que sempre chegam atrasados.

Adriana Cristina Mercuri Pinto
Graduada em Letras
Especialização em Lingüística Aplicada

A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO

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A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO

Recebi de um leitor um texto bastante conhecido, antigo, como exemplo de como a pontuação faz a diferença. A reprodução abaixo não é falta de assunto, mas uma forma de compartilhar com os leitores mais jovens as coisas antigas e boas que estão na internet.

Um homem rico estava muito doente, pediu papel e caneta, e assim escreveu:

“Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”.
Morreu antes de fazer a pontuação. Para quem ele deixava a fortuna?

Eram quatro concorrentes. O sobrinho fez a seguinte pontuação:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não, a meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres”

A irmã chegou em seguida e pontuou assim, o escrito:
“Deixo meus bens à minha irmã, não a meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.”

O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sardinha dele:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho
jamais! Será paga a conta do alfaiate.
Nada aos pobres.”

Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.”

MORAL DA HISTÓRIA
Pior de tudo é saber que ainda tem gente que acha que uma vírgula não faz a menor diferença!

DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

É comum encontrarmos alunos se queixando de que não sabem interpretar textos. Muitos têmaversão a exercícios nessa categoria. Acham monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira.

No texto literário, essa idéia tem algum fundamento, tendo em vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto não-literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas dicas para você analisar, compreender e interpretar com mais proficiência.

1º – Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passamos a gostar de algo, compreendemos melhor seu funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. Não se deixe levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Também não se intimide caso alguém diga que você lê porcaria. Leia tudo que tenha vontade, pois com o tempo você se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram superficiais e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o ponto de partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. Existe tempo para cada tempo de nossas vidas. Não fique chateado com comentários desagradáveis.

2º – Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu meio.

3º – Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um bom exercício para ampliar o léxico é fazer palavras cruzadas.

4º – Faça exercícios de sinônimos e antônimos.

5º – Leia verdadeiramente. Somos um País de poucas leituras. Veja o que diz a reportagem, a seguir, sobre os estudantes brasileiros.

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) revelam que, entre os 32 países submetidos ao exame para medir a capacidade de leitura dos alunos, o Brasil é o pior da turma. A julgar pelos resultados do Pisa, divulgados no dia 5 de dezembro, em Brasília, os estudantes brasileiros pouco entendem do que lêem. O Brasil ficou em último lugar, numa pesquisa que envolveu 32 países e avaliou, sobretudo, a compreensão de textos. No Brasil, as provas foram aplicadas em 4,8 mil alunos, da 7a série ao 2º ano do Ensino Médio.

6º – Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode ser falsa. É preciso paciência para ler outras vezes. Antes de responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas.

7º – Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada à idéia geral do texto.

8º – Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento, porque algumas perguntas extrapolam ao que está escrito. Veja um exemplo disso:

Texto:

Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.

(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)

– Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:

a) os portugueses.
b) os negros.
c) os índios.
d) tanto os índios quanto aos negros.
e) a miscigenação de portugueses e índios.

(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro : Impetus, 2003.)

Resposta: Letra C. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.

9º – Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir.

a) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
b) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
c) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
d) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
e) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
f) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.

Explicações:

a) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
b) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
c) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não-dedicados e, passaram no vestibular, somente, os que se dedicaram, restringindo o grupo de alunos.
d) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
e) Marcão é chamado para cantar.
f) Marcão pratica a ação de cantar.

10º – Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele.

“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescente com hormônios em ebulição e com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor.” (VEJA, p. 63, 11 maio 2005.)

Frase para análise.

Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande desafio do professor moderno.

1 – Não é mencionado que a escola seja da rede privada.

2 – O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério.

11º- Atenção ao uso da paráfrase (reescritura do texto sem prejuízo do sentido original).

Veja o exemplo:

Frase original: Estava eu hoje cedo, parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina, próximo a uma porta, uma loirona a me olhar e eu olhava também.(Concurso TRE/ SC – 2005)

A frase parafraseada é:

a) Parado em um sinal de trânsito hoje cedo, numa esquina, próximo a uma porta, eu olhei para uma loira e ela também me olhou.
b) Hoje cedo, eu estava parado em um sinal de trânsito, quando ao olhar para uma esquina, meus olhos deram com os olhos de uma loirona.
c) Hoje cedo, estava eu parado em um sinal de trânsito quando vi, numa esquina, próxima a uma porta, uma louraça a me olhar.
d) Estava eu hoje cedo parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina, próximo a uma porta, vejo uma loiraça a me olhar também.

Resposta: Letra C.

A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas.

a) substituição de locuções por palavras;
b) uso de sinônimos;
c) mudança de discurso direto por indireto e vice-versa;
d) converter a voz ativa para a passiva;
e) emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano = portugueses).

12º- Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases.

Exemplos

a) Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.
b) Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.
c) Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.
d) Determinados alunos pediram ajuda aos professores.

Explicações:

a) Certos alunos = qualquer aluno
b) Alunos certos = aluno correto
c) Alunos determinados = alunos decididos
d) Determinados alunos = qualquer aluno