HISTÓRIA DO DIREITO: A ESCOLA PAULISTA E A ESCOLA DO RECIFE

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HISTÓRIA DO DIREITO: A ESCOLA PAULISTA E A ESCOLA DO RECIFE

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho versa sobre a importância do tema na atualidade. Será abordado, para tanto, os fatores históricos, bem como as características individuais de cada escola.

Na fase inicial, o Direito se baseia na translação da legalidade monárquica portuguesa ao novo território colonial. As ordenações do Reino vinham coordenar pragmaticamente a vida colonial brasileira, impondo ao novo território uma legislação transladada da Mãe Pátria, sem maiores considerações, nem de ordem política, sociológica e muito menos de ordem filosófica.

Era usual, desde o período colonial, que os filhos de famílias ricas, quaisquer que fossem suas aptidões ou o desejo de seus pais, estudassem fora do país. Assim, nossos primeiros intelecuais com formação acadêmica, tinham seus diplomas obtidos na França ou, mais comumente em Portugal.

Nos primeiros anos do Brasil pós independência, as Escolas de Direito foram de grande relevância para o desenvolvimento da nação. O objetivo era formar governantes, administradores públicos e juristas, capazes de estruturar e conduzir o país.

O Direito no Brasil, nessa fase histórica, era única e exclusivamente o que ordenavam os Estatutos da Coroa, transportados ao novo Continente, à nova Colônia e aos seus problemas. Com a Independência houve apenas uma adição, a essa herança puramente lusitana, de certos elementos jurídico-políticos, de origem francesa e de origem inglesa. Os juristas se haviam libertado da pura tradição lusitana, mas o fenômeno jurídico, em si, não mudava em nada sua natureza tradicional e seus vínculos costumeiros, clássicos ou medievais.

E no epicentro dessa evolução, colocam-se as chamadas Escola de Direito do Recife e a Escola de Direito Paulista, onde no discorrer do presente trabalho faremos uma síntese de cada corrente de pensamento, bem como uma breve exposição de suas características e consequentemente de suas principais diferenças.

2. FACULDADE DE DIREITO DE OLINDA E RECIFE

Foi instalada inicialmente em 1828 em Olinda.

A Faculdade de Direito do Recife (atualmente denominada Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco) surgiu de fato em 1854 após a transferência da Faculdade de Direito de Olinda para a capital da província de Pernambuco, a mudança da cidade-sede também provocou uma conseqüente mudança de denominação.

Em 1912, mudou-se para o prédio onde funciona até hoje, na praça Dr. Adolfo Cirne, no Recife, depois de concluídas as obras pelo Governo da República.

O prédio construído por José de Almeida Pernambuco, ocupa uma área de 3.600 metros quadrados, no centro de uma área ajardinada e seu projeto arquitetônico, eclético, com predominância do estilo neo-clássico é de autoria do arquiteto francês Gustave Varin.

A Faculdade de Direito do Recife, desde os seus primeiros anos de existência, atuava não apenas como um centro de formação de bacharéis, mas, principalmente, como escola de Filosofia, Ciências e Letras, tornando-se célebre pelas discussões e polêmicas que empolgavam a sociedade da época.

A instituição viveu tempos gloriosos sob a influência de Tobias Barreto, Joaquim Nabuco e Castro Alves.

Foi na Faculdade de Direito do Recife onde nasceu e floresceu o movimento intelectual poético, crítico, filosófico, sociológico, folclórico e jurídico conhecido como a Escola do Recife, nos anos de 1860 e 1880 e cujo líder era o sergipano Tobias Barreto de Meneses. Outras figuras importantes do movimento foram Sílvio Romero, Artur Orlando, Clóvis Beviláqua, Capistrano de Abreu, Graça Aranha, Martins Júnior, Faelante da Câmara, Urbano Santos, Abelardo Lobo, Vitoriano Palhares, José Higino, Araripe Júnior, Gumercindo Bessa e João Carneiro de Sousa Bandeira.

Possui uma grande biblioteca com mais de cem mil volumes, muitos deles raros e preciosos, nas áreas de direito, filosofia, história e literatura, tendo sob sua guarda, inclusive, a biblioteca que pertenceu a Tobias Barreto. Publica, desde 1891, sua Revista Acadêmica, na qual reúne trabalhos jurídicos de autoria de seus professores e convidados.

Em 1922, como parte das comemorações do centenário da independência nacional houve sessão solene no salão nobre e foram plantadas quatro árvores no parque ao redor do prédio: dois visgueiros e duas palmeiras, as quais foram dados os nomes de Epitácio Pessoa, presidente da República, lembrado pelos relevantes serviços prestados à região Nordeste do país; Otávio Tavares, professor da Faculdade e prefeito da cidade do Recife; Neto Campelo, diretor e professor e Samuel Hardmann, doador das árvores plantadas.

Em 1924, o eminente pernambucano Manuel de Oliveira Lima foi eleito professor honorário da Faculdade.

Muitos dos seus professores tornaram-se famosos pela oratória, conhecimentos jurídicos e cultura geral.

Nilo Pereira, um dos muitos intelectuais que se formou na instituição, no seu livro “Pernambucanidade” (Recife, 1983, v.1, p.252) diz:

“A Faculdade é germinal. Que se irradiou por todo o Nordeste. E que esteve e está presente nas Universidades Regionais que se criaram. Formou os bacharéis saídos dos Recife … que ergueram, sobre os alicerces do humanismo jurídico, as Faculdades de Direito dos Estados vizinhos. Para ela vinham as gerações ansiosas de saber, futuros magistrados, advogados, juristas, jornalistas, diplomatas, estadistas, parlamentares, ministros de Estado, conselheiros do Império, escritores, poetas, tribunos, políticos…”

A Faculdade de Direito do Recife pertence à Universidade Federal de Pernambuco e teve seu prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O curso de graduação, com aproximadamente 970 discentes, conta com o selo de excelência fornecido pela Ordem dos Advogados do Brasil, enquanto que, em nível de pós-graduação mantém vários cursos de especialização, mestrado e doutorado, estes dois últimos com avaliação nota 5 (cinco), ou seja, uma das maiores no sistema nacional. Em decorrência desta avaliação mantém vários convênios inter-institucionais, dentre os quais cumpre destacar a Universidade Católica de Salvador e o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.

Abriga o Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), constituído por três departamentos: Departamento de Direito Público Geral e Processual, Departamento de Direito Público Especializado e Departamento de Teoria Geral do Direito e Direito Privado, contando com docentes Doutores, Mestres, Especialistas e Graduados.

Em virtude do deplorável estado estrutural em que se encontra o Palácio da Faculdade de Direito do Recife (está sendo morosamente reformado, inclusive) e também em face da incapacidade de alocar o número atual de discentes, as aulas estão sendo ministradas no antigo prédio da reitoria da UFPE próximo à FDR, na rua do Hospício, onde também funcionava a antiga Delegacia do MEC (DEMEC).

A Pós Graduação da FDR funciona noutro prédio situado na Rua do Hospício, em que era sediada a Escola de Engenharia.

Funciona também no DEMEC o “Núcleo de Prática Jurídica”, que presta serviços à comunidade carente do Recife. Recentemente, foi assinado convênio com o TRF-5ª Região, com o intuito de expandir os serviços do NPJ com a implantação de um posto avançado dos Juizados Especiais Federais.

2.1 Características

Por volta da metade do Século XIX, a escola do Recife seria palco de um acontecimento cultural, jurídico e político de notável originalidade que influenciaria toda uma geração de juristas: o culturalismo jurídico. Nesse período, influenciada pelas obras e pelo pensamento de Tobias Barreto, toda uma geração de pensadores da cultura jurídica nacional buscaria compreender e definir o fenômeno jurídico sob uma ótica evolucionista e histórico-sociológica, fortemente influenciada por teorias do pensamento jurídico germânico, e temperada pelo monismo de Haeckel e por fundamentos espiritualistas.

Esse movimento culturalista, inaugurado por Tobias Barreto e enriquecido pela contribuição de toda uma geração de juristas, como Sílvio Romero, Vitoriano Palhares, Martins Junior, Artur Orlando e Clovis Bevilacqua, entre outros, representou um marco significativo para a história do Direito brasileiro, por constituir-se num primeiro movimento genuinamente nacional, de criação de novas concepções do pensamento jurídico-filosófico, ao mesmo tempo em que combatia idéias e instituições conservadoras, como a escravidão e a monarquia, desencadeando lutas em defesa de direitos individuais, de liberdades públicas e da causa abolicionista e republicana.

Criticando a doutrina do Direito Natural Antigo e o jusnaturalismo dos modernos, escrevia Tobias:

“Assim como o ius naturale dos romanos não teve outra melhor missão, senão a de ser um direito de escravos, da mesma forma o direito natural dos modernos nunca foi mais do que um direito dos oprimidos, um desabafo, um pis-aller dos precitos e mal aventurados.”(06)(BARRETO, 1966, 197) .

Em outro momento de sua obra, Tobias apresenta seu entendimento sobre o culturalismo jurídico, dizendo que

“E preciso bater cem vezes e cem vezes repetir: o direito não é um filho do céu, é simplesmente um fenômeno histórico, um produto cultural da humanidade. Serpes nisi comederit non fit draco, a serpente que não devora a serpente não se faz dragão; a força que não vence a força não se faz direito; o direito é a força que matou a própria força…”(07) (BARRETO, 1878, 444).

Tobias definia o Direito como “o conjunto das condições existenciais e evolucionais da sociedade coativamente asseguradas.”

Por sua vez, a norma jurídica é compreendida por Tobias, em seu culturalismo jurídico, não como fruto da vontade ideal do legislador ou decorrente apenas de uma força política e tampouco advém de uma ordem cósmica ou divina, mas tem sua gênese no processo cultural produzido por toda sociedade. À norma jurídica, antecedem os hábitos e costumes sociais, intermediados pelas relações humanas, num processo civilizatório e histórico.

Vê-se então que o real significado e a importância do culturalismo jurídico de Tobias Barreto: a construção de uma primeira teoria da justiça no seio do pensamento jurídico nacional, que rompeu de forma original, com o arcabouço jurídico conservador de sua época.

Foi por buscar a evolução e o progresso da sociedade os integrantes da Escola do Recife liam e adotavam os pensamentos dos escritores alemães que eram anti-metafísicos, como por exemplo Charles Darwin, Augusto Comte e Hebert Spencer.

Como demonstração prática deste ideologismo, citamos Silvio Homero que, ao defender sua tese de doutorado, discutiu com o examinador ao afirmar que a metafísica já havia sido abolida pelo progresso e pela civilização, conforme texto narrado por Lilia Moritz Schwarcz, no ano de 1875.

O Brasil que Silvio Romero vivenciou estava em uma época de busca pela auto-identidade, na metade do século XIX, o país deixava para trás a monarquia e o escravismo.

Silvio Romero afirma que pelo fato do homem ser totalmente biológico e natural, parte do mesmo interesse de alargar, desenvolver, reforçar ou corrigir, sufocar e modificar vários de seus impulsos naturais.

Romero cria que os fatos sociais interferem na formação do direito. Ele não compreendia o direito se não como fato construído e derivado dos fatos sociais. Exigia ainda uma dedicação do homem para a realização da justiça social. Para ele, a liberdade é o fundamento da ação humana e a coação realizar-se-á na liberdade do outro. Romero defendie que, ainda que o direito deveria proteger e impulsionar a realização dos direitos sociais.

Ainda nos dias atuais, o culturalismo jurídico de Tobias Barreto e refinado por Silvio Romero, permanece vivo e atual, e certamente merece ser estudado por todos aqueles que buscam a construção de uma teoria da justiça.

2.2 Personagens

De 1832 a 1951, formaram-se 8.194 bacharéis, entre eles homens eminentes do ensino, na política, na magistratura, valendo citar, os seguintes:

Tobias Barreto de Meneses (Vila de Campos do Rio Real, 7 de junho de 1839 — Recife, 26 de junho de 1889) foi um filósofo, poeta e jurista brasileiro e fervoroso integrante da Escola do Recife (movimento filosófico de grande força calcado no monismo e evolucionismo europeu). Foi o fundador do condoreirismo brasileiro.

Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero (Vila do Lagarto, 21 de abril de 1851 — Rio de Janeiro, 18 de junho de 1914) foi um crítico literário, ensaista, poeta, filósofo, professor e político brasileiro.

Clóvis Beviláqua (Viçosa do Ceará , 4 de outubro de 1859 — Rio de Janeiro, 26 de julho de 1944) foi um jurista, filósofo e historiador brasileiro.

Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda (Maceió, 23 de abril de 1892 — Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1979) foi um jurista, filósofo, matemático e escritor brasileiro.

Em janeiro de 1980, ao emitir uma nota prévia ao escritor Alcântara Nogueira em sua obra “Conceito Ideológico do Direito na Escola do Recife”, Alceu Amoroso Nogueira cita:

“Tobias Barreto, Rocha Lima e Clóvis Bevilaqua, no século XIX, representaram para o Direito Brasileiro, o que pensadores como Pontes de Miranda, Miguel Reale e Alcântara Nogueira representam nesta vigília do século XXI”.

3. FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO

Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), também conhecida como Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, é uma instituição de ensino superior, integrante da Universidade de São Paulo cujas principais atividades são o ensino e a pesquisa na área do Direito.

A mais antiga instituição de ensino superior denominada faculdade no Brasil, juntamente criada com a Faculdade de Direito de Olinda (depois tranferida para Recife e agrupada pela Universidade Federal de Pernambuco) – uma das melhores no que diz respeito ao ensino jurídico a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, também conhecida como “As Arcadas”, foi criada pela lei imperial de 11 de agosto de 1827, tendo sido incorporada à Universidade de São Paulo quando de sua fundação em 1934. Surgida poucos anos após a proclamação da Independência do Brasil, destinava-se a formar governantes e administradores públicos, sendo fundamental para a consolidação do Império Brasileiro.

O Centro Acadêmico da Faculdade de Direito do Largo São Francisco recebe o nome em homenagem à data da lei que criou as primeiras faculdades de direito do país, em São Paulo e em Olinda. O Centro Acadêmico Onze de Agosto é o mais antigo e importante centro acadêmico do País, tendo grande participação histórica, principalmente nos momentos de defesa do estado democrático, como vivido, por exemplo, durante os anos da Ditadura Militar.

Entidade fundada em 1919 e ligada ao Centro Acadêmico XI de Agosto, é responsável em prestar assistência jurídica gratuita. O Departamento Jurídico XI de Agosto é a maior e mais antiga organização não-governamental para assistência jurídica gratuita da América Latina.

Foi declarado entidade de utilidade pública estadual (Lei no. 3287/57) e municipal (Decreto no. 3883/58). Sua estrutura é responsável por cerca de 570 atendimentos mensais, totalizando mais de 2.500 ações atualmente patrocinadas. Esses números só não são maiores devido às suas limitações estruturais, financeiras e de recursos humanos.

3.1 Características

Se a faculdade de Direito do Recife representava, além de tudo, a ilustração e o ideais de um liberalismo contraditório, a Faculdade de Direito de São Paulo, com algumas raras exceções, representava os ideais de uma oligarquia política conservadora onde as elites faziam estudar seus filhos.

Fundada em 11 de agosto de 1903 pelo então acadêmico José Bento de Monteiro Lobato e originalmente ligada ao Centro Acadêmico XI de Agosto, a revista “O Onze de Agosto” tem sido o principal órgão de divulgação de idéias nas “Arcadas”. Dirigida nos anos 1950 por Dalmo de Abreu Dallari e nos anos 1960 por Celso Lafer, foi proibida de circular nos anos da ditadura militar. Após ressurgir como jornal na década de 1980, “O Onze de Agosto” torna-se revista, dirigida por um conselho editorial independente e eleito anualmente pelos estudantes da Faculdade. Circula ininterruptamente entre 1995 e 2000. Nessa época reuniu ensaios de juristas como José Eduardo Faria, Dalmo Dallari, Ives Gandra e entrevistou personalidades como Ruy Mesquita, Márcio Thomaz Bastos e Dráuzio Varella. Seguindo as tradições da Academia, “O Onze de Agosto” hiberna desde então e aguarda uma nova geração para ressurgir renovada.

Todo ano, no dia 11 de agosto, desde 1828, os estudantes de direito saem pelos restaurantes da cidade e almoçam ou jantam de graça, e comemoram o dia da fundação da faculdade, que ficou conhecido como o “dia da pindura”. Muitos restaurantes do centro da cidade de São Paulo não abrem seus estabelecimentos nesse dia, e assim evitam o prejuízo. Outros aceitam a brincadeira. Atualmente, com a proliferação dos cursos de Direito, a prática do pindura está cada vez mais dificultada, ante a grande massa de universitários querendo praticá-lo durante o mês de agosto. Muitas vezes a brincadeira acaba na delegacia.

A idéia de criação de um curso jurídico no Brasil surgiu em 1822, logo após a Independência. Em 1823, D. Pedro I instaurou a Assembléia Constituinte para elaborar a primeira Constituição brasileira. Ao fim desse ano, foi dissolvida a Assembléia e em 1824 foi outorgada a primeira Constituição.

A criação desta Academia de Direito foi, pela primeira vez, proposta à Assembléia Constituinte por José Feliciano Fernandes Pinheiro (depois Visconde de São Leopoldo), na sessão de 14 de junho de 1823. Questões políticas, contudo, fizeram com que fosse postergada sua execução.

O segundo embate para a consecução desse ideal foi provocada, em breve discurso, por Lucio Soares Teixeira de Gouveia, deputado por Minas Gerais, quando, em sessão de 12 de maio de 1826, propôs que a Comissão de instrução Pública, revendo os trabalhos da Assembléia Constituinte apresentasse o Projeto de Lei que, naquela Assembléia havia sido discutido e sancionado, a fim de que com as adições e emendas que julgassem convenientes, ser sujeito, quanto antes, à consideração da Câmara “por ser objeto de muita urgência, porque da instrução da nossa mocidade depende em grande parte, a consolidação do sistema constitucional”.

Finalmente, adotado em terceira e última discussão na sessão de 31 de agosto de 1826, ao término da sessão legislativa. Remetido ao Senado no ano seguinte, teve, naquela casa, pouca discussão, e veio, por fim, a se converter na Lei de 11 de agosto de 1827, que decretou a criação dos Cursos Jurídicos no Brasil.

Por apresentação do ministro do Império Fernandes Pinheiro foram nomeados através do decreto de 13 de outubro de 1826 como Diretor do Curso de Direito em São Paulo o Tenente-General José Arouche de Toledo Rendon, doutor de leis pela Universidade de Coimbra para diretor, e os doutores José Maria de Avelar Brotero e Balthazar da Silva Lisboa, também da renomada Escola de Coimbra, o primeiro para lente da cadeira de Direito Natural e o segundo para a de Direito Eclesiástico.

Para a inauguração dos Cursos Jurídicos, fazia-se necessário, além do pessoal, o edifício.

Tanto para o de São Paulo, como para o de Olinda, tinham-se voltado as vistas gerais, desde a Assembléia Constituinte, para os grandes e quase inabitados conventos, existentes em ambas as cidades.

Compenetrado do mesmo pensamento mandou o governo examinar as condições em que se achavam os diversos mosteiros, que se poderiam prestar ao desejado destino.

Encarregado de escolher um deles, dentre os do Carmo, de São Bento e de São Francisco, escreveu Rendon em 1827 ao então Ministro do Império Fernandes Pinheiro:

“O primeiro e o segundo não têm capacidade para neles se estabelecer o Curso Jurídico, porque não tendo celas senão nas frentes, estas têm pouca extensão e apenas em cada uma delas se arranjariam três aulas; e para isso seria preciso expulsar os frades e demolir todas as celas, para delas e dos corredores formarem salões. Portanto, resta São Francisco.”.

No início de sua história, o Convento e a Escola estavam juntos. Os estudantes chegavam até as classes entrando pela sacristia e era o sino da igreja que os chamava para as aulas. O curso de Direito em São Paulo abriu suas no Largo São Francisco em 1 março de 1828, com inicio das aulas inaugural do curso de direito no Brasil composto por 33 alunos de diversas partes do pais, sendo: nove rapazes da própria cidade de São Paulo, oito do interior (Iguape, Porto Feliz, São Sebastião, Sorocaba e Vila Nova do Príncipe) dez do Rio de Janeiro, quatro de Minas Gerais e dois da Bahia. Cabe ainda salientar que a famosa Lei de 11 de agosto criou também um curso preparatório que passou a ser intitulado Curso Anexo. Sua vigência foi até 1896, quando pela Lei Federal n. 429, de 10 de dezembro daquele ano foi extinta.

Há também, na faculdade, outro pátio interno, onde existe um túmulo construído em 1842, por iniciativa de estudantes. Segundo a tradição, encontra-se ali sepultado Julio Frank, professor de História e Geografia do Curso Anexo à Faculdade de Direito e fundador da Burschenschaff, a Bucha, sociedade secreta da Faculdade de Direito, que durante vários anos influiu na política brasileira. Consta que figuravam entre seus componentes alunos que se tornaram cidadãos ilustres como Ruy Barbosa, Prudente de Morais, Rodrigues Alves, Afonso Arinos, Bernardino de Campos e outros.

Desde sua fundação até o final de século passado, as circunstâncias sociais mantiveram preconceituosa resistência à admissão de mulheres nos cursos da Faculdade. No entanto, enfrentando os preconceitos da época, em 1902 formou-se a primeira advogada brasileira, Maria Augusta Saraiva. Hoje o número de alunas é praticamente igual ao dos alunos do sexo masculino.

Aos poucos, a vida cultural, social e cívica não só da cidade de São Paulo, mas, do país são influenciados por idéias advindas das Arcadas que, por meio de seus ex-alunos assumiam posições importantes no dia a dia da nação inclusive em vários jornais de expressão regional ou mesmo nacional nasceram nessa época do início dos Cursos Jurídico, quase todos voltados à causa da República, como “Farol Paulistano” e o “Correio Paulistano”.

O prédio antigo foi demolido na década de 1930, para dar lugar ao prédio atual, inaugurado em 1934.

Mas não só de Glorias vive as Arcadas.

Em 11 de agosto de 1930 reunidos em assembléia os estudantes declaram o Largo São Francisco território livre. A revolução (1930) eclode dois meses mais tardes e faz de Getulio Vargas chefe do governo provisório.

O apoio a Vargas dura pouco tempo em São Paulo (até a nomeação do interventor Pernambucano para dirigir o Estado). No dia 23 de maio de 1932 as lojas não abrem em protesto contra o governo. Manifestantes liderados pelos estudantes saem e passeata pelo centro, na Rua Barão de Itapetininga são recebidos a balas. Quatro morrem e suas iniciais tornam-se a sigla do Movimento Constitucionalista: MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo).

Em nove de julho, estoura a revolução constitucionalista. Das arcadas sai pelo menos 3 batalhões do MMDC e sete estudantes morrem na luta.

São Paulo é derrotado e Vargas realiza eleições para constituinte em 1933. Pela primeira vez o voto é secreto e as mulheres podem ser votadas. A constituinte teve 22 representantes de São Paulo, dos quais quinze saídos da Faculdade.

Desde sua criação até sua incorporação à Universidade de São Paulo, a Faculdade de Direito de São Paulo pertenceu aos governos: monárquico e, depois, ao poder central republicano.

Na verdade, essa incorporação antecipou-se um pouco ao Decreto que formalizou a transferência, assinado por Getulio Vargas somente em 10 de agosto de 1934, a faculdade deixa o sistema então federal e é incorporada a Universidade de São Paulo (USP) que teve da faculdade de Direito seu primeiro diretor Prof. Reinaldo Porchat. Seus sucessores também pertencentes à faculdade de Direito foram: Jorge Americano, Miguel Reale (duas vezes) Ernesto de Moraes Leme, Luiz Antonio da Gama e Silva e Alfredo Buzaid e sua primeira Diretora surgiu após 170 anos; Profa. Ivete Senise Ferreira (2000 – 2004).

Desde a criação do Curso de Direito em 1827, tem sido sempre um centro de irradiação de idéias de Civismo e de Campanhas memoráveis em favor da Liberdade. Durante toda sua existência, o espírito do “Território Livre” sempre foi mantido adquirindo para a Escola um prestigio que vai além das fronteiras Nacionais.

Em 1947 nasce a campanha O Petróleo É Nosso. A campanha transforma-se num dos maiores movimentos de opinião pública já registrada no Brasil. Em 1953, Getulio Vargas cria a Petrobrás.

Em 1954, os estudantes lutam pela renuncia de Getulio Vargas, que se suicida em 24 de agosto do mesmo ano.

A faculdade volta a fervilhar no período da ditadura militar. Manifestações contra o arbítrio são promovidas constantemente. Os estudantes repudiam o AI-5. Em 1976, os alunos promovem o ENTERRO DA CONSTITUIÇÃO.

Em 1977, o pátio fica lotado de gente para ouvir a leitura da Carta aos Brasileiros, realizada pelo Prof. Godoffredo da Silva Telles Júnior. O documento pede imediata democratização e o retorno ao império da Lei. Ali começava a derrocada da Ditadura Militar.

Em 1984, o movimento pelas diretas já empolga os estudantes e o País. Na faculdade, o slogan era: “Diretas, Direito Nosso”.

Os estudantes participam da constituinte enviando propostas e, mais tarde, engajam-se no movimento fora Collor.

Em 1995, os estudantes iniciam campanha pelo reconhecimento dos mortos e desaparecidos do período da ditadura militar.

Em 1997, nasce na faculdade o MOVIMENTO SOU DA PAZ.

Esse compromisso com a História jamais permitira que a “Velha Faculdade e sempre Nova Academia” sucumba pela indiferença ou pela adesão a qualquer tentativa de sufocação da dignidade humana, pois a mística das Arcadas é a própria mística da Liberdade.

Assegurar a liberdade de afirmar e defender idéias e sentimentos nacionais, “soberania popular”, assim sendo, surgiu como a necessidade de nacionalização de idéias e sentimentos.

Possui uma característica positivista e política forte e marcante em nossa história.

3.2 Personagens

Nada menos do que nove Presidentes da República, tais como, Prudente de Moraes, Campos Salles, Afonso Pena, Rodrigues Alves, Delfim Moreira, Wenceslau Brás, Artur Bernardes, Washington Luiz, Jânio Quadros.

Juristas, como Ruy Barbosa, Pimenta Bueno, Teixeira Freitas, Barão de Ramalho, Conselheiro Ribas, Conselheiro Crispiniano, Lafayete Pereira, João Medes Júnior, Pedro Lessa, João Teodoro, Reinaldo Porchat, Carvalho de Mendonça, João Monteiro, Andrade Figueira, Candido Mota, Spenser Vampré, Francisco Morato, Dino Bueno, Almeira Nogueira, Gama Cerquira, João Arruda Gabriel de Rezende, Waldemar Ferreira, Mendes Pimentel, Jorge Americano, Vicente Ráo, Raul Fernandes, Alberto Sales, Maria Masagão, Noé de Azevedo, Basileu Garcia, Candido Mota Filho, Costa Manso, José Frederico Marques, Alfredo Buzaid, José Carlos de Ataliba Nogueira, Moacyr do Amaral Santos, Luiz Eulálio Bueno Vidigal, Cesarino Júnior, Miguel Reale, Goffredo da Silva Telles Júnior, Washington de Barros Monteiro, Silvio Rodrigues, Dalmo Dallari e Fábio Konder Comparato.

Estadistas e Políticos, como Joaquim Nabuco, José Bonifácio (“O Moço”), Barão do Rio Branco, Tavares Bastos, Paulino Soares de Souza, João Mendes, Silva Jardim, Martim Francisco, Antônio Carlos, Américo Brasiliense, Bernardino de Campos, Dino Bueno, Borges de Medeiros, Julio de Castilhos, Pinheiro Machado, Antônio Machado, Julio Prestes, Carlos Campos, Ulysses Guimarães, Abreu Sodré e André Franco Montoro.

Poetas, Artistas, Literatos, Jornalistas e outros intelectuais, como Álvares de Azevedo, Castro Alves, Fagundes Varela, Bernardo Guimarães, José de Alencar, Raul Pompéia, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Francisco Otaviano, Couto de Magalhães, Paulo Eiro, Raimundo Correa, Vicente de Carvalho, Afonso Guimarães, Afonso Celso, Coelho Neto, Batista Cepelos, Ricardo Gonçalves, Guilherme de Almeida, Menotte Del Picchia, Ribeiro Couto, Pedro de Oliveira Ribeiro, Rangel Pestana, José Maria Lisboa, Julio de Mesquita, Eduardo Prado, Afonso Arinos, Paulo Setúbal, Plínio Barreto, Godofredo Rangel, Alfredo Ellis Júnior, Péricles Eugenio da Silva Ramos, Pedro Taques de Almeida Alvim, Julio de Mesquita Filho, Vida Alves, Lygia Fagundes Telles, Nelson Pereira dos Santos e Paulo Autran.

Os Juízes Paulistas, a maioria, trazem a herança das lições das Arcadas. Inúmeros ex-alunos do Largo São Francisco tiveram e tem assento no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores da Federação e dos Estados.

Assim também na advocacia, no Ministério Público, nas Procuradorias e Defensorias Públicas, nas carreiras policiais e ainda no setor privados das empresas, em que a posição destacada dos antigos alunos da Faculdade tem sido constante.

4. A IMPORTÂNCIA DO TEMA NA ATUALIDADE

Segundo Miguel Reale, o culturalismo é “uma concepção do Direito que se integra no historicismo contemporâneo e aplica, no estudo do Estado e do Direito, os princípios fundamentais da Axiologia, ou seja, da teoria dos valores em função dos graus de evolução social”. De acordo com a teoria tridimensional, deste mesmo autor, o Direito é fato, valor e norma. É fato pois é ser e, é norma, porque é dever-ser exigido pelo valor a realizar.

Nesse processo de positivação o culturalismo foi consagrado legislativamente pelo Código Civil de 2002. Nenhum Código provém do nada, sem nenhuma fundamentação maior. Todo diploma legal sempre expressa uma reflexão filosófica. No atual Código Civil o embasamento filosófico é o movimento culturalista, que impõe uma mudança de paradigma e uma proposta de uma nova racionalidade.

É, então, diante destes conceitos que se pretende trabalhar o fenômeno da positivação do movimento culturalista, no atual Código Civil buscando a real concreção jurídica dos maiores valores de nossa sociedade.

Além de uma definição do Direito e da Ciência do Direito, pode-se dizer que o culturalismo jurídico de Tobias representou também um esforço para construir uma teoria da justiça. Isso se depreende de diversas passagens da obra do pensador sergipano. Na teoria da justiça expressa no culturalismo jurídico de Tobias, o Direito possui uma finalidade específica, de propiciar uma convivência harmônica entre os homens, alcançando-se assim uma coexistência pacífica no meio social.

Em 2000, é criado o grupo de extensão das Arcadas, e trabalha com os problemas jurídicos da população carente do Capão Redondo.

Em 2002 e 2003, os estudantes exigem do governo do Estado implantação da Defensoria Pública.

Em 2007 as manifestações são contra a redução da maioridade penal, ano este de grande importância para o a história do Direito, pois “11 de Agosto de 2007” é a data que se comemoram os 180 ANOS DE FUNDAÇÃO DOS CURSOS JURÍDICOS NO BRASIL e da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Atualmente a Faculdade de Direito Paulista oferece um curso de graduação e de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado, ambos considerados os melhores avaliados do país.

Mas o que se pode considerar como sentimento originário da corrente da Escola Paulista de Direito, é o furor e paixão pelo campo da política, sempre presente em nosso cotidiano.

Em suma, observamos a real importância do estudo das escolas de ensino jurídico pioneiras no Brasil, onde cada uma delas detém uma peculiaridade e característica, nos fazendo entender as raízes do pensamento filosófico, político, jurídico e literário, bem como os problemas dificuldades que precederam a fase contemporânea.

5. A RELEVÂNCIA DAS CORRENTES NA EVOLUÇÃO DO DIREITO

Pode-se traçar a evolução histórica do Direito no Brasil em dois momentos distintos, o primeiro quando inexistentes os elementos formadores do Estado Brasileiro, sendo este uma colônia de Portugal, e tendo todo o seu ordenamento jurídico importado da metrópole lusitana, ao sabor dos interesses daqueles que tinham interesses econômicos diretos na colônia. O segundo momento se dá a partir da libertação do jugo de Portugal, liberdade jurídica e política com a produção de suas próprias leis.

A contribuição da primeira fase, apesar de ausente o caráter nacional brasileiro, se dá pela implantação de técnicas, surgimento de profissionais e estruturas de aplicação.

À medida que as matrizes étnico-culturais brasileiras formavam-se, desenvolviam-se, evoluíam-se, o direito nacional sentia a necessidade de expressar-se, com as raízes que aqui se prendiam. Neste momento, a sociedade brasileira deixa de importar material jurídico lusitano e passou, em um impulso contrário, a enviar, ao direito, sua identidade, suas características próprias. A partir dessa nova desenvoltura nacional, o Brasil passou a produzir, internamente, seu próprio Direito.

Desde a criação do Curso de Direito, em 1827, este tem sido sempre um centro de irradiação de idéias de Civismo e de Campanhas memoráveis em favor da Liberdade.

Durante toda sua existência, o espírito do “Território Livre” sempre foi mantido, adquirindo para a Escola um prestigio que vai além das fronteiras Nacionais.

Enfim, foi de suma importância a criação das escolas de Direito no Brasil, sendo fundamental para a consolidação do Império, da República a manutenção da democracia e reconhecimento internacional.

6. AS DIFERENÇAS ENTRE AS CORRENTES DE PENSAMENTO

Na escola de direito de São Paulo, evidencia-se a influência da corrente de pensamento da antiga Escolástica.

Além de lutar com mais ardor no campo propriamente político, o ambiente era sobretudo a idéia republicana que, ali, de começo, originou um centro de irradiação de idéias de civismo e de campanhas memoráveis em favor à liberdade. Ali predominava também o aspecto jurídico propriamente dito (direito processual e civilista), trazendo consigo, características do ordenamento jurídico italiano.

Ressalta-se também que, faziam parte do corpo docente, vários mestres italianos, e em termos gerais, o relacionamento entre professores e alunos era homogêneo.

Na escola de Recife, predomina o campo intelectual, acadêmico, filosófico, literário, sendo suas atividades voltadas quase que exclusivamente para campo teórico, evidenciando a influência alemã.

O movimento antes de ser pela república, é pela abertura de novos caminhos ao espírito.

A Faculdade de Direito do Recife, desde os seus primeiros anos de existência, atuava não apenas como um centro de formação de bacharéis, mas, principalmente, como escola de Filosofia, Ciências e Letras, tornando-se célebre pelas discussões e polêmicas que empolgavam a sociedade da época.

Diferentemente da Escola de São Paulo, o relacionamento entre docentes e discentes era regado à discusões e discrepância de ideologias.

Existem diferenças a serem notadas também no que se diz respeito ao acervo literário, ou seja, as obras contidas na biblioteca da Escola do Recife, era predominantemente de autores literários e filosóficos, sendo este fator, influente na caracterização da escola. O mesmo ocorreu na escola de São Paulo, sendo esta tendo suas obras voltadas para o campo jurídico, sendo este, atualmente, considerado o maior acervo literário. A Escola de São Paulo conta com uma biblioteca central e bibliotecas por departamento, além da biblioteca da pós-graduação.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sendo influenciada por pensadores e filósofos alemães, e certamente por razões próprias do século os levaram a afirmar que direito é a força – a força bruta que se transformou – visando a fins sociais e tendo como termo a paz, o liberalismo da Escola do Recife, com todas as suas dissidências filosóficas, jurídicas, científicas ou critico-históricas, pode ser traduzido no pensamento expressivo de Clóvis Beviláqua:

“Liberdade dentro da ordem, igualdade em face da lei e justiça garantindo a ordem, a liberdade e a igualdade”.

Sobre a Escola Paulista, cabe a essa corrente tomar sempre a dianteira na obra de reconstrução harmoniosa do País pregando a Liberdade, Compreensão e Tolerância. Não podendo ser uma geração de desiludidos e desencantados, pois é de atitudes recentes e também como as do passado que leva a Pátria a esperar Atitudes Salvadoras.

É impossível cruzar as Arcadas sem sentir um orgulho meio juvenil e revolucionário, seja quarentão, recém saído da adolescência, ou na melhor idade.

8. CONCLUSÃO

Há a necessidade de um posicionamento e uma postura de nosso grupo acerca das análises discorridas sobre as duas escolas de direito estudadas, a Escola de Recife e Escola de São Paulo.

Concluímos que, a Escola de Recife sendo influenciada por ícones da literatura alemã e trabalhando sua linha de pensamento nos dogmas evolucionistas, darwinistas e kantistas, muito contribuiu para a evolução do direito brasileiro, no entanto, o que prevaleceu através dos tempos foi o culturalismo jurídico, ou seja, para nosso povo as demais doutrinas da sistemática difundida pela Escola de Recife não parece ter sido moldada à nossa cultura. Lembrando que, o grupo está se posicionando tendo em vista o prisma cultural e jurídico de nossa nação contemporânea, atual.

Já a Escola de Direito Paulista, para nossa época, também houve contribuição filosófica, e reconhecida internacionalmente através de Miguel Reale, e nos parece ter sua corrente de pensamento mais próxima do povo, seja por questões sócio-econômicas, políticas, culturais, religiosas e propriamente jurídicas, ou seja, identificando mais com a realidade do povo brasileiro.

Esse compromisso com a História jamais permitirá que a “Velha Faculdade e sempre Nova Academia” sucumbam pela indiferença ou pela adesão a qualquer tentativa de sufocação da dignidade humana, pois a mística das Arcadas é a própria mística da Liberdade.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NOGUEIRA, Alcântara. Conceito Ideológico do Direito na Escola do Recife. 1 ed. Fortaleza. BNB. 1980.

MARTINS, Ana Luiza. BARBUÍ, Eloísa. ARCADAS: história da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, 1827-1997, 2 ed. São Paulo: BM & F/Alternativa, 1999.

CABRAL, Francisco de Assis Alcântara. Trabalho Acadêmico, A Academia de Direito do Largo de São Francisco no Sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil, Universidade de São Paulo, SP.

BITTAR, Eduardo C. B., História do Direito Brasileiro, 1 edição, editora Atlas, 2003.

CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito Geral e do Brasil, 2 edição, editora Lumen Juris, RJ, 2005.

GONZÁLEZ, Everaldo Tadeu Quilici. BRAY, Renato Toller. ANDRADE, Maurício de. PAJOLA, Marcelo Tadeu. O Culturalismo Jurídico da Escola do Recife, Trabalho Acadêmico, SP.

NORTE, Janaína Braga. O Fenômeno da Positivação do Culturalismo no Ordenamento Jurídico Brasileiro. Tese de Mestrado em Direito Civil pela Universidade Estadual de Londrina PR. 2005.

BARRETO, Tobias. Questões vigentes. Citado por Clóvis Bevilácqua, História da Faculdade do Recife, Instituto Nacional do Livro, 1977, pg. 367.

SALDANHA, Nelson. A Escola do Recife. 2. ed. São Paulo: Convívio; Brasília: INL, 1985, p. 101.

MARTINS COSTA, Judith. Culturalismo e experiência no novo Código Civil, Revista dos Tribunais – 819, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMPLEMENTARES

http://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Direito_da_Universidade_de_S%C3%A3o_Paulo acesso em 11 de setembro de 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Direito_do_Recife acesso em 11 de setembro de 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_personalidades_egressas_da_Faculdade_de_Direito_do_Recife acesso em 11 de setembro de 2007.

http://www.oglobo.com.br, acesso em 10 de agosto de 2007.

http://www.direitonet.com.br/artigos/x/24/64/2464/, acesso em 30 de setembro de 2007.

DÍGRAFOS

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Dígrafo é o agrupamento de duas letras com apenas um fonema. Os principais dígrafos são rr, ss, sc, sç, xc, xs, lh, nh, ch, qu, gu.

Representam-se os dígrafos por letras maiores que as demais, exatamente para estabelecer a diferença entre uma letra e um dígrafo. Qu e gu só serão dígrafos, quando estiverem seguidos de e ou i, sem trema. Os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs têm suas letras separadas silabicamente; lh, nh, ch, qu, gu, não.
•arroz = ar-roz – aRos; assar = assar- aSar;
•nascer = nas-cer – naSer; desço = des-ço – deSo;
•exceção = ex-ce-ção – eSesãw;
•exsudar = ex-su-dar – eSudar;
•alho = a-lho – aío; banho = banho – baÑo;
•cacho = ca-cho – kaXo; querida = que-ri-da – Kerida;
•sangue = san-gue – sãGe.
Dígrafo Vocálico = É o outro nome que se dá ao Ressôo Nasal, pelo fato de serem duas letras com um fonema vocálico. sangue = san-gue – sãGe Não confunda dígrafo com encontro consonantal, que é o encontro de consoantes, cada uma representando um fonema.

Exemplos de dígrafos chapéu, piscina, carroça, descer, pássaro, mosquito, exceção, galinha, tampa, ponta, índia, comprimido e renda.

ENCONTROS CONSONANTAIS

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Encontros Consonantais são o agrupamento de consoantes. Os encontros consonantais (gn, mn, pn, ps, pt e tm) são incomnscomuns e são inseparáveis quando aparecem no início da sílaba.

Há uma dificuldade de pronúncia quando aparecem no meio da sílaba como em “pneu” ou “advogado”. No uso coloquial, há uma tendência a destruir esse encontro, inserindo a vogal i depois da consoante surda. Quando x corresponde a cs (táxi, falamos “tácsi”), há um encontro consonantal fonético. Nesse caso, x é chamado de dífono. Há três tipos de encontros consonantais:
Encontro Consonantal Puro
É o agrupamento de consoantes, lado a lado, na mesma sílaba. Bra-sil, pla-ne-ta, a-dre-na-li-na
Encontro Consonantal Disjunto
É o agrupamento de consoantes,
lado a lado, em sílabas diferentes. ap-to, cac-to, as-pec-to
Encontro Consonantal Fonético
É a letra x com som de ks. Maxi, nexo, axila = maksi, nekso, aksila. Não se esqueça de que as letras M e N pós-vocálicas não são consoantes, e sim semivogais ou simples sinais de nasalização (ressôo nasal).

ENCONTROS VOCÁLICOS

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Encontros Vocálicos são o agrupamento de vogais e semivogais e referem-se à seqüência de sons vocálicos que podem ocorrer numa mesma sílaba ou em sílabas separadas.

Há três tipos de encontros vocálicos: Hiato, Ditongo e Tritongo.

Hiato = É o agrupamento de duas vogais, cada uma em uma sílaba diferente. Lua- na, a-fi-a-do, pi-a-da

Ditongo = É o agrupamento de uma vogal e uma semivogal, em uma mesma sílaba. Quando a vogal estiver antes da semivogal, chamaremos de Ditongo Decrescente, e, quando a vogal estiver depois da semivogal, de Ditongo Crescente. Chamaremos ainda de oral e nasal, conforme ocorrer a saída do ar pelas narinas ou pela boca. Cai-xa = Ditongo decrescente oral. Cin-qüen-ta = Ditongo crescente nasal, com a ocorrência do Ressôo Nasal.

Tritongo = É o agrupamento de uma vogal e duas semivogais. Também pode ser oral ou nasal. A-güei = Tritongo oral. Á-güem = Tritongo nasal, com a ocorrência da semivogal m.

Além desse três, há dois outros encontros vocálicos importantes:

Iode = É o agrupamento de uma semivogal entre duas vogais. São aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oio, uio, uiu, em qualquer lugar da palavra – começo, meio ou fim. Foneticamente, ocorre duplo ditongo ou tritongo + ditongo, conforme o número de semivogais.

A Iode será representada com duplo Y: ay-ya, ey-ya, representando o “y” um fonema apenas, e não dois como possa parecer. A palavra vaia, então, tem quatro letras (v – a – i – a) e quatro fonemas (v – a – y – a), sendo que o “y” pertence a duas sílabas, não havendo, no entanto, “silêncio” entre as duas no momento de pronunciar a palavra.

Vau = O mesmo que a Iode, porém com a semivogal W. Pi-au-í = Vau, com a representação fonética Pi-aw-wi.
Com o “w” ocorre o mesmo que ocorreu com o “y”, ou seja, representa um fonema apenas.

Ocorrem, também, na Língua Portuguesa, encontros vocálicos que ora são pronunciados como ditongo, ora como hiato. São eles:

Sinérese = São os agrupamentos ae, ao, ea, ee, eo, ia, ie, io, oa, oe, ua, ue, uo, uu. Ca-e-ta-no, Cae-ta-no; ge-a-da, gea-da; com-pre-en-der, com-preen-der; Na-tá-li-a, Na-tá-lia; du-e-lo, due-lo; du-un-vi-ra-to, duun-vi-ra-to.

Diérese = São os agrupamentos ai, au, ei, eu, iu, oi, ui. re-in-te-grar, rein-te-grar; re-u-nir, reu-nir; di-u-tur-no, diu-tur-no. Obs.: Há palavras que, mesmo contendo esses agrupamentos não sofrem sinérese ou diérese. Há que se ter bom senso, no momento de se separarem as sílabas. Nas palavras rua, tia, magoa, por exemplo, é claro que só há hiato.

FONÉTICA

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A Fonética, ou Fonologia, estuda os sons emitidos pelo ser humano, para efetivar a comunicação. Diferentemente da escrita, que conta com vogais e consoantes, a Fonética se ocupa dos fonemas (= sons); são eles as vogais, as consoantes e as semivogais. A Fonética trata dos constituintes do discurso segmentados no nível mais profundo, quando ainda estão desprovidos de significação, resumindo, a Fonética trata dos sons da fala.
Fonema: : é a menor unidade de traços fônicos distintivos . O idioma português utiliza 34 fonemas, sendo 13 vogais, 19 consoantes e 2 semivogais.

Vogal = São as cinco já conhecidas – a, e, i, o, u – quando funcionam como base de uma sílaba.
Em cada sílaba há apenas uma vogal. NUNCA HAVERÁ MAIS DO QUE UMA VOGAL EM UMA MESMA SÍLABA.

Consoante = Qualquer letra – ou conjunto de letras representando um som só – que só possa ser soada com o auxílio de uma vogal (com + soante = soa com…).

Na fonética são consoantes b, d, f, g (ga, go,gu), j (ge, gi, j) k (c ou qu), l, m (antes de vogal), n (antes de vogal), p, r, s (s, c, ç, ss, sc, sç, xc), t, v, x (inclusive ch), z (s, z), nh, lh, rr. Semivogal = São as letras e, i, o e u quando formarem sílaba com uma vogal, antes ou depois dela, e as letras m e n, nos grupos AM, EM e EN, em final de palavra – somente em final de palavra.

Quando a semivogal possuir som de i, será representada foneticamente pela letra Y; com som deu, pela letra W.

Então teremos, por exemplo, na palavra caixeiro, que se separa silabicamente cai-xei-ro, o seguinte: 3 vogais = a, e, o; 3 consoantes = k (c), x, r; 2 semivogais = y (i, i). Representando a palavra foneticamente, ficaremos com kayxeyro.

Na palavra artilheiro, ar-ti-lhei-ro, o seguinte: 4 vogais = a, i, e, o; 4 consoantes = r, t, lh, r; 1 semivogal = y (i). Foneticamente = artiíeyro. Na palavra viagem, vi-a-gem, 3 vogais = i, a, e; 2 consoantes =
v, g; 1 semivogal = y (m). viajêy. M / N As letras M e N devem ser analisadas com muito cuidado. Elas podem ser:

Consoantes = Quando estiverem no início da sílaba.

Semivogais = Quando formarem os grupos AM, EM e EN, em final de palavra – somente em final de palavra – sendo representadas foneticamente por Y ou W.

Ressôo Nasal = Quando estiverem após vogal, na mesma sílaba que ela, excetuando os três grupos acima. Indica que o M e o N não são pronunciados, apenas tornam a vogal nasal, portanto haverá duas letras (a vogal + M ou N) com um fonema só (a vogal nasal). Por exemplo, na palavra manchem, terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo manchar, teremos o seguinte: man-chem, 2 vogais = a, e; 2 consoantes = o Io m, x(ch); 1 semivogal = y (o 2o m); 1 ressôo nasal = an (ã). mãxêy

PARÔNIMOS E HOMÔNIMOS

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Parônimos são palavras diferentes no sentido, mas com muita semelhança na escrita e na pronúncia.

Exemplos :

Infligir infrigir
Retificar ratificar
Vultoso vultuoso

Homônimos são palavras diferentes no sentido, mas que têm a mesma pronúncia. Dividem-se em homônimos perfeitos e homônimos imperfeitos.

•Homônimos perfeitos são palavras diferentes no sentido, mas idênticas na escrita e na pronúncia.
Exemplos :

Homem são (adj.) São João São várias as causas
Como vais ? Eu como feijão

•Homônimos imperfeitos, que se dividem em :
1.Homônimos homógrafos, quando têm a mesma escrita e a mesma pronúncia, exceto a abertura da vogal tônica.
Exemplos:

Almoço (verbo)

Almoço (substantivo)

2.Homônimos homófonos, quando têm a mesma pronúncia mas escrita diferente.
Exemplos :

Apreçar apressar
Sessão seção cessão

Exemplos de Parônimos e Homônimos:
Parônimos ( emprego do e ou do i )
Arrear Pôr arreios a Arriar Abaixar
Deferimento Concessão Diferimento Adiamento
Deferir Conceder Diferir Adiar
Delatar Denunciar Dilatar Retardar, estender
Descrição Representação Discrição Reserva
Descriminar Inocentar Discriminar Distinguir
Despensa Compartimento Dispensa Desobriga
Destratar Insultar Distratar Desfazer (contrato)
Emergir Vir à tona Imergir Mergulhar
Emigrante O que sai do próprio país Imigrante O que entra em país estranho
Eminência Altura; excelência Iminência Proximidade de ocorrência
Eminente Alto; excelente Iminente Que ameaça cair ou ocorrer
Emitir Lançar fora de si Imitir Fazer entrar
Enfestar Dobrar ao meio na sua largura Infestar Assolar
Enformar Meter em fôrma, incorporar Informar Avisar
Entender Compreender Intender Exercer vigilância
Lenimento Suavizante Linimento Medicamento para fricções
Peão Que anda a pé Pião Espécie de brinquedo
Recrear Divertir Recriar Criar de novo
Se Pronome átono; conjunção Si Pronome tônico; nota musical
Vadear Passar a vau Vadiar Passar vida ociosa
Venoso Relativo a veias Vinoso Que produz vinho

Parônimos (emprego do o ou do u )

Açodar Instigar Açudar Construir açudes
Assoar Limpar (o nariz) Assuar Vaiar
Bocal Embocadura Bucal Relativo à boca
Comprido Longo Cumprido Executado
Comprimento Extensão Cumprimento Saudação
Costear Navegar junto à costa Custear Prover as despesas de
Cutícula Película Cutícola Que vive na pele
Insolação Exposição ao sol Insulação Isolamento
Insolar Expor ao sol Insular Isolar
Ovular Semelhante a ovo Uvular Relativo à úvula
Pontoar Marcar com ponto Pontuar Empregar a pontuação em
Roborizar Fortalecer Ruborizar Corar; envergonhar-se
Soar Dar ou produzir som; ecoar Suar Transpirar
Soporativo Que produz sopor (modorra) Supurativo Que produz supuração
Sortir Abastecer Surtir Originar
Torvar Tornar-se carrancudo Turvar Tornar turvo (opaco); toldar
Torvo Iracundo, enfurecido Turvo Opaco; toldado
Vultoso Volumoso Vultuoso Atacado de vultuosidade (congestão na face)

Homônimos e parônimos (emprego do grupo sc )

Acender Pôr fogo a Ascender Subir
Decente Decoroso; limpo Descente Que desce; vazante
Discente Relativo a alunos Docente Relativo a professores

Acético Relativo ao vinagre Ascético Relativo ao ascetismo Asséptico Relativo à assepsia

Homônimos e parônimos (emprego do c, ç, s e ss )

Acento Inflexão da voz; sinal gráfico Assento Lugar onde a gente se assenta
Acessório Que não é fundamental Assessório Relativo ao assessor
Anticé(p)tico Oposto aos céticos Antissé(p)tico Desinfetante
Apreçar Marcar ou ver o preço de Apressar Tornar rápido
Caçar Perseguir a caça Cassar Anular
Cé(p)tico Que ou quem duvida Sé(p)tico Que causa infecção
Cegar Fazer perder a vista a Segar Ceifar; cortar
Cela Aposento de religiosos Sela Arreio de cavalgadura
Celeiro Depósito de provisões Seleiro Fabricante de selas
Cenário Decoração de teatro Senário Que consta de seis unidades
Censo Recenseamento Senso Juízo claro
Censual Relativo ao censo Sensual Relativo aos sentidos
Cerração Nevoeiro espesso Serração Ato de serrar
Cerrar Fechar Serrar Cortar
Cervo Veado Servo Servente
Cessação Ato de cessar Sessação Ato de sessar
Cessar Interromper Sessar Peneirar
Ciclo Período Siclo Moeda judaica
Cilício Cinto para penitências Silício Elemento químico
Cinemático Relativo ao movimento mecânico Sinemático Relativo aos estames
Círio Vela grande de cera Sírio da Síria
Concertar Harmonizar; combinar Consertar Remendar; reparar
Corço Cabrito selvagem Corso Natural da Córsega
Decertar Lutar Dissertar Discorrer
Empoçar Formar poça Empossar Dar posse a
Incerto Duvidoso Inserto Inserido, incluído
Incipiente Principiante Insipiente Ignorante
Intenção ou tenção Propósito Intensão ou tensão Intensidade
Intercessão Rogo, súplica Interse(c)ção Ponto em que duas linhas se cortam
Laço Laçada Lasso Cansado
Maça Clava Massa Pasta
Maçudo Indigesto; monótono Massudo Volumoso
Paço Palácio Passo Passada
Ruço Pardacento; grisalho Russo Natural da Rússia

Cessão Doação; anuência Secção ou seção Corte; divisão Sessão Reunião
Cesta Utensílio de vara, com asas Sexta Ordinal feminino de seis Sesta Hora de descanso
Indefesso Incansável Indefeso Sem defesa Infenso Contrário

Homônimos e parônimos (emprego do s ou do z)

Asado Que tem asas Azado Oportuno
Asar Guarnecer com asas Azar Dar azo a; má sorte
Coser Costurar Cozer Cozinhar
Revezar Substituir alternadamente Revisar Rever; corrigir
Vês Forma do verbo ver Vez Ocasião

Fúsil Que se pode fundir Fuzil Carabina Fusível Resistência de fusibilidade calibrada

Homônimos (emprego do s ou do x )

Espiar Espreitar Expiar Sofrer pena ou castigo
Espirar Soprar; respirar; estar vivo Expirar Expelir (o ar); morrer
Estrato Camada sedimentar; tipo de nuvem Extrato O que foi tirado de dentro; fragmento

Esterno Osso do peito Externo Exterior Hesterno Relativo ao dia de ontem

Homônimos e parônimos (emprego do ch ou do x )

Brocha Prego curto de cabeça larga e chata Broxa Pincel
Bucho Estômago de animais Buxo Arbusto ornamental
Cachão Borbotão; fervura Caixão Caixa grande; féretro
Cachola Cabeça; bestunto Caixola Pequena caixa
Cartucho Canudo de papel Cartuxo Pertencente à ordem da Cartuxa
Chá Arbusto; infusão Xá Título de soberano no Oriente
Chácara Quinta Xácara Narrativa popular em verso
Chalé Casa campestre em estilo suíço Xale Cobertura para os ombros
Cheque Ordem de pagamento Xeque Incidente no jogo de xadrez; contratempo
Cocha Gamela Coxa Parte da perna
Cocho Vasilha feita com um tronco de madeira escavada Coxo Aquele que manca
Luchar Sujar Luxar Deslocar; desconjuntar
Tacha Brocha; pequeno prego Taxa Imposto; preço
Tachar Censurar; notar defeito em Taxar Estabelecer o preço ou o imposto

ISAR OU IZAR?

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Por: Marcos Elias Picão
Emprega-se -isar nos verbos derivados de palavras que possuam s na sílaba final:

pisar (de piso)
analisar (de análise)
avisar (de aviso)
pesquisar (de pesquisa)

Se a palavra não apresentar s na sílaba final, então o verbo derivado dela ficará com -izar:

canalizar (de canal, que não tem s em nal)
fiscalizar
(de fiscal, que não tem s em cal)
sinalizar (de sinal, que não tem s em nal)
dramatizar (de drama, que não tem s em ma)

MODERNISMO NO BRASIL

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Autores do Modernismo
O Modernismo no Brasil começou com a Semana de Arte Moderna de 1922. Mas nem todos os participantes da Semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, com o tempo suplantou os estilos anteriores.

Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto. Outros modernistas importantes são o prosador Érico Veríssimo e o poeta Carlos Drummond de Andrade, que tem páginas próprias.

Jorge Amado
Jorge Amado nasceu em uma fazenda de cacau em Itabuna, Bahia, em 1912. Fez o curso primário em Ilhéus (com uma professora particular que se tornou personagem de Gabriela Cravo e Canela) e fez o secundário em um internato. Nessa época começou a ler autores ingleses e portugueses. Fugiu para a casa do avô no Sergipe e em 1927 matriculou-se num externato, onde ligou-se a Academia dos Rebeldes, grupo de jovens escritores contrários ao Modernismo.

Apesar disso, Jorge Amado é considerado modernista da segunda geração. Trabalhou em jornais e editoras, tendo fugido do país por perseguições políticas em 1935 e, após eleito deputado federal em 1945, teve seu mandato cassado em 1948 quando o PCB foi posto na ilegalidade. Deixou o país e viajou pelo mundo, recebendo um prêmio na união Soviética em 1951. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Sua obra, que já foi adaptada para várias mídias e traduzida para vários idiomas, é regionalista (trata sempre do NE, especialmente a Bahia) e é dividida em três fases: uma com maiores preocupações sociais, no começo da carreira, outra sobre o ciclo do cacau e outra ainda com maior lirismo.

Na primeira parte incluem-se Capitães de Areia e Mar Morto; na segunda Cacaus, Terras do Sem-Fim e São Jorge de Ilhéus; na terceira, iniciada com Gabriela Cravo e Canela (que apesar de se passar na zona do cacau não é sobre o ciclo do cacau em si), incluem-se Dona Flor e seus Dois Maridos, Teresa Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste. Jorge Amado é até hoje muito cotado para ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

“Naquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do árabe Nacib, a estação das chuvas tanto se prolongara além do normal e necessário que os fazendeiros, como um bando assustado de medrosos, cruzavam-se nas ruas a perguntar uns aos outros, o medo nos olhos e na voz” Gabriela Cravo e Canela

“E aqui termina a história de Nacib e Gabriela quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito.” Gabriela Cravo e Canela

” Lá estava Vadinho, no chão de paralelepípedos, a boca sorrindo, todo branco e loiro, todo cheio de paz e de inocência. Dona Flor ficou um instante parada, a contemplá-lo como se demorasse a reconhecer o marido ou talvez, mais provavelmente, a aceitar o fato, agora indiscutível, de sua morte. Mas foi só um instante. Com um berro arrancado do fundo das entranhas, atirou-se sobre Vadinho, agarrou-se ao corpo imóvel, a beijar-lhe os cabelos, o rosto pintado de carmim, os olhos abertos, o atrevido bigode, a boca morta, para sempre morta.” Dona Flor e seus Dois Maridos

“Eu sou o marido da pobre dona Flor, aquele que vai acordar a tua ânsia e morder o teu desejo, escondido no fundo do teu ser, de teu recato. Ele é o marido da senhora dona Flor, cuida da tua virtude, de tua honra, de teu respeito humano. Ele é tua face matinal, eu sou a tua noite, o amante para o qual não tens nem jeito nem coragem. Somos teus dois maridos, tuas duas faces, teu sim, teu não. Para ser feliz, precisa de nós dois. Quando era eu só, tinhas meu amor e te faltava tudo, como sofrias! Quando foi só ele, tinhas de um tudo, nada te faltavas, sofria ainda mais. Agora, sim, é dona Flor inteira como deves ser.” Dona Flor e seus Dois Maridos

Graciliano Ramos
Graciliano Ramos (1892-1953) pode ser considerado um dos mestres do Regionalismo. Suas obras passam-se no NE do Brasil e falam do povo nordestino, da seca, da realidade enfim, com uma linguagem direta e típica da região. Apesar de também Ter sido contista e cronista, é como romancista que se destaca.

Graciliano Ramos nasceu no interior do estado do Alagoas, mas sua família se mudou várias vezes, peregrinando pelo interior do Nordeste. Mais tarde mudou-se para o RJ e depois de volta a Palmeira dos Índios (AL), cidade onde realizou seus estudos. Lá casou, estabeleceu-se no comércio e chegou a ser prefeito da cidade.

Foi nessa época que foi descoberto como romancista: escrevera também o relatório que um editor desconfiara tratar-se de um romancista de gaveta. Estava certo: Graciliano Ramos estava escrevendo havia anos seu primeiro romance, Caetés, com o qual estrearia em sua carreira literária aos 41 anos (relativamente tarde).

Na mesma época de publicação do livro ele completou São Bernardo, primeira obra da trilogia que é sua obra-prima e inclui Angústia e Vidas Secas. Em 1936 foi acusado de comunista e mandado para a prisão, onde foi humilhado e maltratado (o fruto disso seria o livro de memórias chamado Memórias do Cárcere). Em 1945 ele realmente se filiou ao PC e chegou a visitar países além da Cortina de Ferro. Várias das obras de Graciliano Ramos já foram filmadas por consagrados diretores brasileiros.

Dyonélio Machado
Dyonélio Machado (1895-1986) nasceu em Quaraí, Rio Grande do Sul, e formou-se em Medicina em 1929 em Porto Alegre, sendo psiquiatra. Foi também jornalista, chegando a dirigir o jornal Correio do Povo, e deputado pelo PCB, mas foi destituído do cargo com a implantação do Estado Novo. Machado adquiriu notoriedade ao vencer junto com, entre outros, seu amigo Érico Veríssimo, o concurso da ABL em 1935. Machado era, aliás, amigo de muitos dos modernistas e se correspondia com eles, estando alinhado com a Geração de 30. Dyonélio foi o iniciador da prosa urbana gaúcha com o livro Um Pobre Homem. Sua obra de mais repercussão foi Os Ratos, mas também é importante O Louco do Cati entre sua obra.

“Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao ‘pega’ com leiteiro, Por detrás das cercas. Mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a ‘briga’ com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima, dizia-lhe: ‘Olha que os vizinhos estão ouvindo’. Depois, à hora da saída, eram aquelas caras curiosaas às janelas, com os olhos fitos nele enquanto ele cumprimentava.” Os Ratos

“Ele vê os ratos em cima da mesa, tirando de cada lado do dinheiro – da presa! – roendo-o, arrastando-o para longe dali, para a toca, às migalhas!…” Os Ratos

Raul Bopp
Raul Bopp (1898-1984), gaúcho de Tupaceretã, foi poeta, ensaísta, diplomata e jornalista. Participou da Semana de Arte Moderna e foi muito influenciado pelos Andrade. Sua obra apresenta nacionalismo e construções gramaticais mais audaciosas, com linguagem tipicamente popular.

Clarice Lispector
Clarice Lispector (1925-1977), contista, cronista e romancista de destaque na literatura brasileira, não é brasileira nata: nasceu na Ucrânia e veio para o Brasil ainda criança. Com 12 anos transfere-se do Recife onde morava para o Rio de Janeiro para cursar o secundário. Mas já escrevia antes disso: aos sete anos mandava contos ao semanário infantil.

Sempre recusados. Ainda estudante escreve seu primeiro romance (Perto do Coração Selvagem). Lispector tem um prosa introspectiva e intimista, que explora os caráter do ser humano e os conflitos interiores, com um estilo dramático e por vezes inteligentemente irônico. Além de vários romances como A hora da Estrela e A Paixão segundo G.H., Clarice escreveu contos.

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo.

Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boca nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente – é a minha própria dor, eu carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mias doida, inventada pelas nordestinas que andam aí aos montes.” A Hora da Estrela

“Acho com alegria que ainda não chegou a hora de estrela de cinema de Macabéa morrer. Pelo menos ainda não consigo adivinhar se lhe acontece o homem louro e estrangeiro. Rezem por ela e que todos interrompam o que estão fazendo para soprar-lhe vida, pois Macabéa está por enquanto solta ao acaso como a porta balançando ao vento no infinito, Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.” A Hora da Estrela

Antônio de Alcântra Machado
Antônio Castilho de Alcântara Machado d’Oliveira (1901-1935) foi um importante escritor modernista da primeira fase, apesar de não ter participado da Semana de Arte Moderna de 1922. Apesar de não ser tão radical como os outros modernistas contemporâneos seus, usava uma linguagem em seus contos que se aproximava muito do falado.

Seus personagens de Brás, Bexiga e Barra Funda falavam uma mistura muito peculiar de italiano e português. Machado nunca chegou a completar seu romance Mana Maria, que foi publicado um ano depois de sua prematura morte. Pouco antes do fim da vida rompeu relações com Oswald de Andrade por motivos ideológicos, ao mesmo tempo em que sua amizade com Mário de Andrade se estreitava.

“O primeiro serviço profissional de Bruno foi requerer ao exmo. snr. dr. Ministro da Justiça e Negócios Interiores do Brasil a naturalização de Tranquillo Zampinetti, cidadão italiano residente em São Paulo.” Brás, Bexiga e Barra Funda

Ronald de Carvalho
Ronald de Carvalho (1883-1935) foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Ensaísta e crítico, sobressaiu-se como poeta e declamador. Quando durante a Semana declamou a famosa poesia Os Sapos, de Manuel Bandeira, recebeu uma das maiores vaias de toda a apresentação. Em sua poesia abusava do verso livre, em contraposição a formalidade dos parnasianos.

Cassiano Ricardo
O paulista Cassiano Ricardo Leite (1895-1974) foi um dos líderes do Movimento Verde e Amarelo do início do Modernismo brasileiro. Ensaísta, jornalista e crítico, sobressaiu-se como poeta. Apesar do início parnasiano, chegou a ter influência concretista. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

O QUE MUDOU NA REFORMA ORTOGRÁFICA

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Que tal ficar por dentro da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, a quinta mais falada no mundo? E de forma beeeem objetiva? Melhor que isso, só se eu escrevesse em seu lugar! Que tal??? Os lingüistas garantem que as alterações só irão mexer em pouco menos de 0,5% do vocabulário dos brasileiros. Já os nossos amigos “de além mar” vão ter de se preocupar com outras “cositas más”, não apenas as que seguem. Olha só!

ALFABETO

Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”.

TREMA

Deixará de existir (tem gente que não usava há horas!), a não ser em nomes próprios e seus derivados. Mas a pronúncia continuará igual.

ACENTO AGUDO

Não se usará mais
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia” (olha que economia de tempo: assembleia, ideia, heroica, jiboia);
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca” (fica frio; só mais uma meia dúzia dessas);
3. nas formas verbais que têm o “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, argúem.

ACENTO CIRCUNFLEXO

Não se usará mais
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” – se tornam “enjoo” e “voo”.

HÍFEN

Não se usará mais
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r , ou seja, “hiper-“, “inter-” e “super-” como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”.
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”. OBS.: Mas acho bom a gente esperar mais um pouquinho (pode até 2012) pra tirar os tracinhos ou colocá-los, porque a turma está, ainda, meio confusa. Falta o “OK” final da Academia Brasileira de Letras.

ACENTO DIFERENCIAL

Não
se usará mais para diferenciar
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição);
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo);
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”);
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo);
5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica).

Viu só? Rapidinho! Ah, já ia me esquecendo! Você que tá se preparando pra prestar o vestibular pode se tranqüilizar. As universidades não irão cobrar agora as mudanças impostas pelo Acordo Ortográfico. Universidades como a PUCRS e a UFRGS, por exemplo, só deverão começar a aplicar as alterações em concursos subseqüentes. Na redação, no entanto, o uso das duas grafias será aceito por um tempo, enquanto durar o período de transição estimado pelo decreto presidencial, até 2012.

O ROMANTISMO NO BRASIL

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No Brasil, o momento histórico em que ocorre o Romantismo tem que ser visto a partir das últimas produções árcades, caracterizadas pela satírica política de Gonzaga e Silva Alvarenga, bem como as idéias de autonomia comuns naquela época. Em 1808, com a chegada da corte, o Rio de Janeiro passa por um processo de urbanização, tornando-se um campo propício à divulgação das novas influências européias; a Colônia caminhava no rumo da independência

O Romantismo no Brasil
Após 1822, cresce no Brasil independente o sentimento de nacionalismo, busca-se o passado histórico, exalta-se a natureza da pátria; na realidade, características já cultivadas na Europa e que se encaixavam perfeitamente à necessidade brasileira de ofuscar profundas crises sociais, financeiras e econômicas. De 1823 a 1831, o Brasil viveu um período conturbado como reflexo do autoritarismo de D. Pedro I: a dissolução da Assembléia Constituinte ; a Constituição outorgada; a Confederação do Equador; a luta pelo trono português contra seu irmão D. Miguel; a acusação de Ter mandado assassinar Líbero Badaró e, finalmente, a abdicação. Segue-se o período regencial e a maioridade prematura de Pedro II. É neste ambiente confuso e inseguro que surge o Romantismo brasileiro, carregado de lusofobia e, principalmente, de nacionalismo.

São palavras de Gonçalves de Magalhães:

“Não se pode lisonjear muito o Brasil de dever a Portugal sua primeira educação, tão mesquinha foi ela que bem parece Ter sido dada por mãos avaras e pobres. No começo do século atual, com as mudanças e reformas que tem experimentado o Brasil, novo aspecto apresenta a sua literatura. Uma só idéia absorve todos os pensamentos, uma idéia até então desconhecida; é a idéia da pátria; ela domina tudo, e tudo se faz por ela, ou em seu nome. Independência, liberdade, instituições sociais, reformas políticas, todas as criações necessárias em uma nova Nação, tais são os objetivos que ocupam as inteligências, que atraem a atenção de todos, e os únicos que ao povo interessam.”

Características do Romantismo
Um dos fatos mais importantes do Romantismo foi a criação de um novo público, uma vez que a literatura torna-se mais popular, o que não acontecia com os estilos de época de características clássicas. Surge o romance , forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas. Com a formação dos primeiros cursos universitários em 1827 e com o liberalismo burguês, dois novos elementos da sociedade brasileira representam um mercado consumidor a ser atingido: o estudante e mulher. Com a vinda da família real, a imprensa passa a existir no Brasil e, com ela, os folhetins, que desempenharam importante papel no desenvolvimento no romance romântico.

No prefácio de Suspiros poéticos e saudades, Gonçalves de Magalhães nos dá uma ótima visão do que era o romantismo para um autor romântico:

“É um livro de poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre os túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. Poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e pelo coração devem ser julgadas. Quanto à forma, isto é, a construção, por assim dizer, material das estrofes, nenhuma ordem seguimos; exprimindo as idéias como elas se apresentaram, para não destruir o acento da inspiração; além de que, a igualdade de versos, a regularidade das rimas, e a simetria das estrofes produz uma tal monotonia, que jamais podem agradar.”

Realmente, Gonçalves de Magalhães define o Romantismo e suas características básicas sob dois aspectos: o de conteúdo e o de forma.

Quanto ao conteúdo, os românticos cultivavam o nacionalismo , que se manifestava na exaltação da natureza da pátria, no retorno ao passado histórico e na criação do herói nacional, no caso brasileiro, o índio (o nosso cavaleiro medieval). Da exaltação do passado histórico vem o culto à Idade Média, que, além de representar as glórias e tradições do passado, também assume o papel de negar os valores da Antigüidade Clássica. Da mesma forma, a natureza ora é a extensão da pátria ora é um prolongamento do próprio poeta e seu estado emocional, um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX.

Outra característica marcante no romantismo e verdadeiro “cartão de visita” de toda a escola foi o sentimentalismo , a valorização dos sentimentos, das emoções pessoais: é o mundo interior que conta, o subjetivismo . e à medida que se volta para o eu, para o individualismo, o pessoalismo, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social. A constante valorização do eu gera o egocentrismo ; os poetas românticos se colocavam como o centro do universo. É evidente que daí surge um choque da realidade e o seu mundo. A derrota inevitável do eu leva a um estado de frustração e tédio. Daí as seguidas e múltiplas fugas da realidade : o álcool, o ópio, as “casa de aluguel” (prostíbulos), a saudade da infância, a idealização da sociedade, do amor e da mulher. No entanto, essa fugas tem ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.

Já ao final do Romantismo brasileiro, a partir de 1860, as transformações econômicas, políticas e sociais levam a uma literatura mais próxima da realidade; a poesia reflete as grandes agitações, como a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai, o ideal de República. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves. No fundo, uma transição para o realismo.

Quanto ao aspecto formal, a literatura romântica se apresenta totalmente desvinculada dos padrões e normas estéticas do Classicismo. O verso livre , sem métrica e estrofação, e o verso branco , sem rima, caracterizam a poesia romântica.

Romantismo – Poesia
Aquarela do Brasil

Oh!
Oi, essas fontes murmurantes
Onde eu mato minha sede
e onde a lua vem brincar

Oi, esse brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Brasil, Brasil…

Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da luaToda a canção do meu amor
Oi, esse Brasil lindo e trigueiroÉ o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiroBrasil, Brasil…

O romantismo se inicia no Brasil 1836, quando Gonçalves de Magalhães publica na França a Niterói – Revista Brasiliense, e no mesmo ano lança um livro de poesias românticas intitulado Suspiros poéticos e saudades.

Em 1822, D. Pedro I concretiza um movimento que se fazia sentir, de forma mais imediata, desde 1808: a independência do Brasil. A partir desse momento, o novo país necessita inserir-se no modelo moderno, acompanhando as nações independentes da Europa e América. A imagem do português conquistador deveria ser varrida; há a necessidade de auto-afirmação da pátria que se formava. O ciclo da mineração havia dado condições para que as famílias mais abastadas mandassem seus filhos à Europa, em particular França e Inglaterra, onde buscam soluções para os problemas brasileiros, apesar de não possuir o Brasil a mesma formação social dos países industrializados da Europa, representada pelo binômio burguesia/ proletariado. A estrutura social brasileira ainda era marcada pelo binômio aristocracia/ escravo; o “ser burguês” era mais um estado de espírito, norma de comportamento, do que uma posição econômica e social.

É nesse contexto que encontramos Gonçalves de Magalhães viajando pela Europa. Em 1836, vivendo o momento francês, funda a revista Niterói , da qual circularam apenas dois números, em paris. Nela, publica o “Ensaio sobre a história da literatura brasileira”, considerado o nosso primeiro manifesto romântico:

“Não, oh! Brasil! No meio do geral merecimento tu não deves ficar imóvel e tranqüilo, como o colono sem ambição e sem esperança. O germe da civilização, depositado em seu seio pela Europa, não tem dado ainda todos os frutos que deveria dar, vícios radicais têm tolhido seu desenvolvimento. Tu afastaste do teu colo a mão estranha que te sufocava, respira livremente, respira e cultiva as ciências, as artes, as letras as indústrias e combate tudo o que entrevá-las pode.”

O ano de 1881 é considerado marco final do romantismo, quando são lançados os primeiros romances de tendência naturalista e realista (O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias de Brás Cubas , de Machado de Assis), embora desde 1870 já ocorressem manifestações do pensamento realista na Escola de Recife, em movimento liderado por Tobias Barreto.

AS GERAÇÕES ROMÂNTICAS
Como vimos no início do capítulo, percebe-se nitidamente uma evolução no comportamento dos autores românticos; a comparação entre os primeiros e os últimos representantes dessa escola revela traços peculiares a cada fase, mas discrepantes entre si. No caso brasileiro, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias e a Castro Alves. Daí a necessidade de dividir o Romantismo em fases ou gerações. Assim é que no Romantismo brasileiro podemos reconhecer três gerações :

Primeira Geração – geração nacionalista ou indianista

Marcada pela exaltação da natureza, volta ao passado histórico, medievalismo, criação do herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.

Segunda Geração – geração do “mal do século”

Fortemente influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset, é chamada, inclusive, de geração byroniana. Impregnada de egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante – característicos do ultra-romantismo, o verdadeiro “mal do século”- seu tema preferido é a fuga da realidade, que se manifesta na idealização da infância, nas virgens sonhadas e na exaltação da morte. Os principais poetas dessa geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

Terceira geração – geração condoreira

Caracterizada pela poesia social e libertária, reflete as lutas internas da Segunda metade do reinado de D. Pedro II. Essa geração sofreu intensamente a influencia de Victor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana. O termo condoreirismo é conseqüência do símbolo de liberdade adotado pelos jovens românticos : o condor, águia que habita o alto da cordilheira dos Andes. Seu principal representante foi Castro Alves, seguido por Tobias Barreto e Sousândrade.

Principais Autores Românticos
Casimiro de Abreu

Poeta brasileiro, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em São João da Barra, no estado do Rio, em 4 de janeiro de 1837. Poeta de grande inspiração, seus versos ainda hoje apreciados, lidos com admiração. “As Primaveras”, sua coletânea de poemas, ainda continua agradando ao grande público, e as edições sucedendo. Faleceu a 19 de outubro de 1860, com a idade de 23 anos.

José Martiniano de Alencar

Foi bacharel em direito, jornalista, professor, crítico, teatrólogo e Poeta. Escreveu sobre o pseudônimo de IG, em 1856, as “Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”. É considerado o fundador do romance brasileiro, já que no Brasil foi o primeiro a dar ao país um verdadeiro estilo literário. Sua obra está repleta de um nacionalismo vibrante, toda ela escrita numa tentativa de nacionalismo puro, numa temática nova, muito brasileira. Publicou :

“O Guarani”, “Iracema”, “Ubirajara”, “As Minas de Prata”, “O Garatuja”, “O Ermitão da Glória”, “Lucíola”, “A Pata da Gazela”, “O Gaúcho”, “O Tronco do Ipê”, “O Sertanejo” e muitos outros. Faleceu em 1877.

Antônio Frederico Castro Alves

Nasceu na Bahia, em 1847. É considerado um dos maiores poetas brasileiros. Em 1863, começou a participar da campanha abolicionista, escrevendo em um jornal acadêmico seus primeiros versos em defesa da abolição da escravatura: “A Canção do Africano”. Castro Alves participou ativamente das inquietações de espírito, da agitação poética e patriota e das lutas liberais que empolgavam sua geração. Em 1868 transferiu-se do Rio de Janeiro para São Paulo, onde continuou sua campanha abolicionista, declamando seus poemas antiescravista em praça pública. Foi acometido de tuberculose e um acidente ocorrido em uma caçada acabou por consumi-lo. Faleceu em 6 de junho de 1871. Deixou vasta bagagem literária, entre artigos, poesias, etc. “A Cachoeira de Paulo Afonso”, “A Revolução de Minas” ou “Gonzaga”, drama e o livro “Espumas Flutuantes”.

Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Poeta brasileiro nascido em São Paulo, a 12 de setembro de 1831. “Lira dos Vinte Anos” é o título de sua obra principal, deixada inédita e publicada após a sua morte ocorrida em dez de março de 1852, no Rio de Janeiro. Escreveu ainda “A Noite na Taverna”, livro de contos, e mais “Conde Lopo”, um Drama, incompleto, aliás. Deixou também traduções e comentários críticos.

Antônio Gonçalves Dias

Poeta brasileiro, nasceu no estado do Maranhão, a 10 de agosto de 1823. Em 1840 foi estudar direito em Portugal, no Colégio de Artes, e foi lá que escreveu sua famosa “Canção do Exílio”. Já formado, embarcou para o Brasil, onde permaneceu muitos anos. Em 1847, lançou “Os Primeiros Cantos” e, 1848, “Os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão”. Em 1849, foi nomeado professor de latim e História do Brasil no Colégio Pedro II. Em 1851, foram publicados os “Últimos Cantos”. Em 1862, bastante enfermo , embarcou para Europa. Em 1864, voltando ao Brasil, faleceu em um naufrágio. Gonçalves Dias é o patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras.

Joaquim Manuel Macedo

Romancista, poeta e jornalista brasileiro, nasceu em 1820 e faleceu no Rio de Janeiro em 1882. Pode ser considerado um dos pioneiros do romance no Brasil. Seu primeiro romance “A Moreninha”, lançado em 1844, até hoje é sucesso. Foi médico, professor, deputado da Assembléia Provincial e deputado federal. Escreveu também “O Forasteiro”, “O Moço Louro”, “Os Dois Amores”, “O Culto do Dever”, “A Namoradeira”, e outras obras. É patrono da cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras.

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães

Jornalista, professor, crítico e poeta, nasceu em Ouro Preto, em 1825. Formado em Direito, viveu a atmosfera romântica da época. Estreou com um livro de versos “Contos da Solidão” em 1852, ao qual se seguiram “Poesias”, “Folhas de Outono” e “Novas Poesias”. Bernardo Guimarães foi um dos iniciadores do regionalismo romântico com a publicação de “O Ermitão de Muquém”, lançado em 1869. Abrangendo o tema da escravidão, escreveu “Escrava Isaura” e ainda “O Garimpeiro”, e “O Seminarista”. Morreu em 1884.

Romantismo – Prosa
Um índioUm índio desceráDe uma estrela colorida e brilhanteDe uma estrala que viráNuma velocidade estonteanteE pousará no coração do hemisfério sul na América num claro instanteDepois de exterminada a última nação indígenaE o espírito dos pássarosDas fontes de água límpidaMais avançado que a mais avançada das mais avançadas tecnologiasVirá Impávido que nem muhammad aliVirá que eu viApaixonadamente como periVirá que eu viTranqüilo e infalível como Bruce LeeVirá que eu viO aché do afoché filhos de ghandiViráUm índio preservadoEm pleno corpo físicoEm todo sólido todoGás e todo líquidoEm átomos palavras cor em gesto em cheiro em sombra em luz em som magníficoNum ponto eqüidistanteEntre o atlântico e o pacificoDo objeto sim resplandecenteDescerá o índioE as coisas que eu sei que ele dirá fará não sei dizer assim de um modo explícitoE aquilo que nesse momento se revelará aos povos Surpreenderá a todos não por ser exóticoMas pelo fato de poder Ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio.(Caetano Veloso)

O início da prosa literária brasileira ocorreu no Romantismo. Com o gradual desenvolvimento de algumas cidades, sobre tudo o Rio de Janeiro, a cidade da corte, formou-se um público composto basicamente de jovens da classe alta, cujo ócio permitia a leitura de romances e folhetins.

Esse público leitor buscava na literatura apenas distração. Torcia por suas personagens, sofria com as desilusões das heroínas e tranqüilizava-se com o inevitável final feliz. E, tão logo chegava ao fim, fechava o livro esquecia-o, esperando o próximo, que lhe oferecia praticamente as mesmas emoções. O público de hoje substituiu os romances e folhetins pelas telenovelas e fotonovelas, mas ainda continua em busca de distração, passando o tempo a torcer e chorar por seus heróis…

TENDÊNCIAS DO ROMANCE ROMÂNTICO
Romance urbano

É o que desenvolve tema ligado à vida social, principalmente do Rio de Janeiro. A variedade dos tipos humanos, os problemas sociais e morais
decorrentes do desenvolvimento da cidade, tudo serviu de fonte para os nossos romancistas, dentre os quais se destacam: José de Alencar (Senhora ; Lucíola), Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha; O Moço Loiro) e Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um sargento de milícias).

Romance sertanejo ou regionalista

Atração pelo pitoresco e o desejo de explorar e investigar o Brasil do interior, fizeram o autor romântico se interessar pela vida e hábitos das populações que viviam distantes das cidades. Abriam-se assim, para o romantismo, o campo fecundo do romance sertanejo, que até hoje continua a fornecer matéria a nossa literatura. Nessa linha, destacam-se José de Alencar, Taunay (Inocência) e Bernardo Guimarães (A escrava Isaura; O Seminarista).

Romance histórico

Foi um dos principais meios encontrados pelos românticos para a reinterpretação nacionalista de fatos e personagens da nossa história, numa revalorização e idealização de nosso passado. Nessa linha, os autores mais importantes são: José de Alencar (O Guarani; As Minas de Prata; A guerra dos Mascates), Bernardo Guimarães (Lendas e romances; histórias e tradições da província de Minas Gerais) e Franklin Távora (O Matuto; Lourenço).

Romance indianista

Ainda na perspectiva de valorização de nossas origens, surge o romance indianista, tendo encontrado sua melhor realização nas obras de José de Alencar, que idealizou a figura do índio, exaltando-lhe a nobreza e valentia. (Ubirajara; Iracema; O Guarani).

O trecho abaixo é um fragmento do capítulo IV de O guarani, em que Alencar descreve fisicamente Peri.

A luta

“Quando a cavalgada chegou à margem da clareira, aí se passava uma cena curiosa”.
Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbora das árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade. Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caia-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.
Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor de cobre, brilhava como reflexos dourados, os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores erguidos para a fronte, a pupila negra, móbil cintilante, a boca forte, mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto um pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência.Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, à qual se prendiam do lado esquerdo duas plumas matizadas, que descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negras o pescoço flexível.
Era de alta estatura; tinha as mãos delicadas; a perna ágil e nervosa, ornada com uma axorca de frutos amarelos, apoiava-se sobre um pé pequeno, mas firme no andar e veloz na corrida”.(José de Alencar)

O trecho seguinte é um fragmento do capítulo 11 de Iracema, em que Alencar descreve fisicamente a heroína índia.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.O favo de jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do ipu, onde campeava sua guerreira tribo. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os últimos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.
( José de Alencar )

Análise dos textos
Com certeza, você deve ter observado a força expressiva dos adjetivos, responsáveis pelo clima de idealização da figura do índio; também deve ter percebido que o autor se esforça para integrar o herói à natureza : são atitudes típicas do romântico. Ao ler o romance Iracema, você perceberá, talvez com maior evidência, essa postura de Alencar; aliás, o nome da heroína, que em tupi-guarani significa “lábios de mel”, é um anagrama da palavra América, ou seja, a heroína é a própria personificação da terra nova, virgem, selvagem. Uma curiosidade : repare como Alencar tem verdadeira fixação pela descrição dos pés de seus personagens, sempre pequenos, ágeis, delicados.
Por outro lado, ao entrarmos no século XX, notaremos uma constante preocupação de autores pré-modernistas ou modernistas em ridicularizar esse tipo de herói romântico. Busca-se, então, um herói mais próximo das realidade brasileira. Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e Macunaíma, de Mário de Andrade, são negações do Peri alencariano.

Lembrança de morrer
(fragmento)
“Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrimaEm pálpebra demente.E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro.
(…)

Só levo uma saudade – é dessas sombrasQue eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
(…)
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme aindaÉ pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
(…)
Beijarei a verdade santa e nua,Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitárioNa floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:- Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”
(Álvares de Azevedo)

Análise de texto
Características: sentimentalismo (amor idealizado), fugas da realidade, saudades da infância, individualismo e desilusão.

Romances Indianistas
Este é o gênero que trouxe maior popularidade a Alencar. São três romances: O guarani, Iracema e Ubirajara. Notamos neles, além do indianismo que reflete o nacionalismo e a exaltação da natureza da pátria, uma preocupação histórica: nos dois primeiros romances citados, Alencar mescla personagens reais com personagens fictícios; há uma preocupação muito grande em tudo datar e localizar (Alencar chegou a pesquisar textos quinhentistas).

Em O guarani , o índio, individualizado em Peri, aparece civilizado, em contato com os brancos; Alencar até o batiza, para que ele possa salvar Cecília (sem a condição de cristão, o índio não seria confiável!). Iracema , romance baseado numa lenda do período de formação do Ceará, retrata o nativo brasileiro – no caso, a índia – em seu primeiro contato com o branco colonizador. Da relação entre Iracema e o português Martim nasce Moacir, o primeiro cearense. O romance Ubirajara o índio pré-cabralino, ou seja, o nativo americano em seu estado mais puro, anterior à chegada do português colonizador.