DICAS DE PORTUGUÊS – VÍRGULA

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A palavra vírgula vem de longe. Nasceu no latim. Lá, queria dizer varinha. Também significava pequeno traço ou linha. Depois, virou sinal de pontuação. Indica pausa rápida, menor que o ponto.

A mocinha atravessou os séculos. No caminho, suscitou discussões. Alguns afirmam que seu emprego é questão de gosto. A gente põe o sinalzinho onde tem vontade. Outros dizem que basta ler a frase. Parou pra respirar? Pronto. Taca-lhe a vírgula. Aí surge um problema. Como os gagos e os asmáticos se viram?

Outros, ainda, acham que devem usar todas as vírgulas a que têm direito – as obrigatórias e as facultativas. É o caso do amanuense Borjalino Ferraz. O homem estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo. Esnobava o saber em ofícios e memorandos. Não deixava passar uma.

O chefe reclamou do exagero. “Desse jeito”, disse ele, “o amigo acaba com o estoque. O município não tem dinheiro pra comprar vírgulas novas”. O puxão de orelhas entrou por um ouvido e saiu por outro. O prefeito não pôde fazer nada. Borjalino tinha estabilidade.

Há situações e situações. Nalgumas, a vírgula é facultativa. Aí, não há erro. Você acerta sempre. Noutras, obrigatória. É o caso da separação dos termos coordenados, explicativos e deslocados. Os coordenados foram assunto da lição anterior. Agora é vez dos explicativos.

O termo explicativo tem várias caras. Uma é velha conhecida. Chama-se aposto. Lembra-se?

D. Pedro II, imperador do Brasil, morreu em Paris.

Os professores vivem dizendo que o aposto não faz falta. Pode cair fora. Verdade? É. Ele facilita a vida do leitor. Mas a ausência dele não causa prejuízo ao entendimento da frase. Se eu não sei quem é D. Pedro II, tenho saída. Dou uma espiadinha num livro de história. Está tudo ali.

Compare as frases:

O presidente da República, Lula, prepara nova viagem.

O ex-presidente da República Itamar Franco morou no exterior.

Por que um nome vem entre vírgulas e outro não? As situações são tão parecidas. É chute? Não. O segredo está no que vem antes do nome. No primeiro caso, é presidente da República. Quantos existem? Só um. Lula é termo explicativo. Funciona como aposto. Daí as vírgulas.

Mas há mais de um ex-presidente. Se eu não disser a quem me refiro, deixo o leitor numa enrascada. Posso estar falando de José Sarney, Itamar Franco, FHC. Aí, só há um jeito: dar nome ao boi. Itamar Franco é termo restritivo. Não aceita vírgula.

Mais exemplos? Ei-los: A capital do Brasil, Brasília, tem dois milhões de habitantes (o Brasil tem uma só capital). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve depor na CPI (só há um ministro da Fazenda). O ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero ficou famoso pela indiscrição parabólica (há um montão de ex-ministros da Fazenda).

Às vezes, a gente se vê numa enrascada:

Meu filho Marcelo estuda na universidade.

Restritivo ou explicativo? Depende. Do quê? Do antecedente do termo Marcelo. Eu tenho um filho ou mais de um filho? Se um, o termo é explicativo. Se mais de um, restritivo.

Minha mãe, Rosa, mora em São Paulo.

Minha tia Maria chega amanhã; minha tia Carla vem na próxima semana.

Viu? Eu só tenho uma mãe. Rosa é termo explicativo. Tenho mais de uma tia. Maria e Carla são termos restritivos.

A língua é um conjunto de possibilidades. Flexível, a danada detesta monotonia. Oferece vários jeitos de dizer a mesma coisa. Veja:

O aluno estudioso tira boas notas.

O aluno que estuda tira boas notas.

As frases dizem que há alunos e alunos. Não é qualquer um que tira boas notas. Só chega lá quem se debruça sobre os livros. Numa, o termo restritivo é adjetivo (estudioso). Noutra, oração adjetiva (que estuda). O tratamento mantém-se. Nada de vírgula.

Com as explicativas ocorre o mesmo: O homem, mortal, tem alma imortal. O homem, que é mortal, tem alma imortal.

Esta cilada caiu no vestibular:

Os cinco filhos de José que chegaram do Rio estão no Recife.

A questão: quantos filhos tem José?

( ) Tem cinco. ( ) Tem mais de cinco.

E agora? Quem responde é a oração. Restritiva ou explicativa? Sem vírgulas, é restritiva. Então José tem mais de cinco filhos. Se fossem só cinco, “que chegaram do Rio” estaria cercadinha de vírgulas.

INVERSÃO DA ORDEM DOS TERMOS NUMA ORAÇÃO

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INVERSÃO DA ORDEM DOS TERMOS NUMA ORAÇÃO

De você eu gosto.
Eu gosto de você.

As palavras são as mesmas, só a ordem se altera. Será que a primeira frase tem exatamente o mesmo sentido da segunda? Podemos convir que o sentido seja o mesmo, mas sabemos que ninguém coloca as palavras numa certa ordem por acaso.

Quando alguém diz “De você eu gosto”, a ênfase recai no sintagma “de você”. Essa inversão da ordem gera mudança de foco, mudança de luz. Note que “de você eu gosto” é diferente de “eu gosto de você” no que diz respeito àquilo que está sendo destacado: de você eu gosto, dela não.

No português a ordem das palavras numa frase é relativamente flexível. A alteração da ordem tem normalmente algum efeito estilístico.

Tomemos um exemplo, extraído da canção “Zé Ninguém”, gravada pelo Biquíni Cavadão:

… Quem foi que disse que a justiça tarda, mas não falha?
Que, se eu não for um bom menino, Deus vai castigar!
Os dias passam lentos
aos meses seguem os aumentos
cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra
eu não sou ministro, eu não sou magnata
eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
aqui embaixo, as leis são diferentes…

Você notou a frase “aos meses seguem os aumentos” ( aos = a + os a = preposição )?

Nessa frase houve uma inversão na ordem, e é possível rastrear a intenção que a gerou. Observe antes, porém, que, para que não houvesse ambigüidade, o letrista preposicionou o objeto direto “os meses”.

Do contrário, este poderia passar como sujeito da oração (como identificaríamos claramente o sujeito na construção “os meses seguem os aumentos”?). O objeto direto preposicionado é um recurso para destacar, sem margem a dúvidas, o sujeito da oração.

Mas qual teria sido a intenção de inverter a ordem dos termos na oração? Na ordem direta seria “os aumentos seguem os meses”, ou seja, os meses vão correndo e, com eles, os aumentos.

Nessa seqüência, não haveria rima entre os termos “lentos” e “aumentos”. Alterando a ordem das palavras, o compositor obteve um efeito expressivo, a rima. Trata-se de um recurso estilístico perfeitamente possível. É a estrutura frasal se flexibilizando para atender àquilo que efetivamente se quer dizer.

É PROIBIDO É PROIBIDA

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Uma pessoa vai a um edifício comercial, a um ambiente mais formal, e vê ali uma tabuleta:

É proibido a entrada.
Pouco depois, ao entrar no prédio ao lado, a pessoa depara-se com outra tabuleta:
É proibida a entrada.

Uma confusão, não é? O programa foi às ruas consultar algumas pessoas e perguntou quais eram as formas corretas:

“Não é permitido a entrada” ou “Não é permitida a entrada”?
“É proibido a entrada” ou “É proibida a entrada”?

Houve empate no número de respostas certas e erradas. Vamos a alguns exemplos para esclarecer essa questão:

A sopa é boa.
Sopa é bom.

A cerveja é boa.
Cerveja é bom.

Quando se generaliza, quando não se determina, não se faz a concordância; usa-se o masculino com valor genérico, com valor neutro. Portanto:

Sopa é bom. / É bom sopa.
Cerveja é bom. / É bom cerveja.
Entrada é proibido. / É proibido entrada.
Entrada não é permitido. / Não é permitido entrada.

Se não existe um artigo ou uma preposição antes de “entrada”, se não há nenhum determinante, o particípio passado dos verbos “proibir” e permitir” deve ficar no masculino. Mas, se houver algum determinante, o verbo deve, então, concordar com a palavra “entrada”. Veja as formas corretas:

É proibido entrada.
É proibida a entrada.
Não é permitido entrada.
Não é permitida a entrada.

PONTUAÇÃO – TEORIA E EXERCÍCIOS

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Ponto-final (.) – usado no final de frases declarativas, de orações ou de períodos. Marca pausas longas.

Exs.: Anita viajou para Santos. Levou consigo todas as suas jóias.

Vírgula (,) – usado para marcar pausas de breve duração entre os termos de oração e entre orações de um mesmo período. Nos casos mais comuns usamos a vírgula para separar:

a) vocativo – Ex.: — Como vai, Ricardo?

b) aposto – Ex.: Moisés, o caçula, sai cedo de casa.

c) adjuntos adverbiais – Exs.: Em meados de março, meu tio voltou de Itu.

A neve cai sobre a cidade, impiedosamente.

d) termos de enumeração – Ex.: Comprei bananas, maçãs, pêras e abacaxis.

e) nomes de lugar nas datas e endereços –

Exs.: Embu, 24 de maio de 1996.

Rua Santa Luzia, 26.

f) orações – Exs.: Não quero viajar, mas vou mesmo assim.

Deus, que é pai de todos, só quer nossa felicidade.

g) palavras ou expressões explicativas ou conclusivas –

Exs.: Assim, estando tudo combinado, assinamos o contrato.

Milton concordou comigo, ou seja, fez tudo que eu pedi.

OBS.: usa-se também a vírgula para marcar a elipse, ou seja, a

omissão de um termo da oração. Ex.: Em São Paulo mora meu pai; em

Santos, minha mãe.

CUIDADO: não se deve usar a vírgula entre:

a) o sujeito e o predicado – Ex.: Os operários trabalham o dia todo.

b) o verbo e seus complementos – Ex.: Eu tenho novidades para você.

c) o nome e o seu complemento – Ex.: O meu amor à pátria é maior que tudo.

d) a oração principal e a oração subordinada substantiva

Ex.: Não acho que você se parece com seu pai.

Ponto-e-vírgula (;) – usado para marcar pausa maior que a da vírgula e menor que

a do ponto-final.Aparece mais para separar:

a) orações de períodos compostos muito longos –

Ex.: Se o homem peca nos maus passos, paguem os pés;se peca nas más

obras, paguem as mãos; se peca nas más palavras, pague a língua…

b) separar itens que constituem uma lei, um decreto, uma portaria, um relatório, um
regulamento, uma instrução normativa – Ex.:

“O vocabulário conterá:

– o formulário ortográfico;

– o vocabulário comum;

– o registro de abreviaturas.”

Dois-pontos (:) – pausa maior que a da vírgula e serve para:

a) Introduzir a fala do interlocutor (neste caso, usa-se também o travessão).

Ex.: Maria disse:

—Vou embora, José.

b) Introduzir uma citação. Ex.: Como diria meu pai :”Seja honesto e tudo sairá sempre bem.”.

c) Introduzir uma enumeração explicativa.

Ex: Para a viagem não podemos esquecer de levar: blusas, repelentes, lanternas, colchonetes e escovas de dentes.

Ponto-de-interrogação (?) – usado nas frases interrogativas, indicando uma mudança na entonação. Ex.: Você voltará ainda hoje?

Ponto-de-exclamação (!) – usado nas frases exclamativas.

Exs.: Ué! Você não volta hoje?

Todos para o chão! É um assalto!

Reticências (…) – indicam interrupção da fala. Empregam-se para:

a) Indicar que o sentido vai além do que já foi expresso.

Ex.: Se você não voltar já aqui…

b) Indicar uma dúvida ou hesitação.

Ex.: Ou ele está preso ou está morto…

c) Indicar que algumas partes de uma citação foram suprimidas. Nesse caso aparecem entre parênteses.

Ex.: “Maria Rita voltou à sala. Seu padrinho a esperava perto da porta. Sua mãe hesitou em entregá-la de imediato (…) e quando todos se despediram, ela foi a única que conteve o choro.”

EXERCÍCIO:

Reescreva as orações, pontuando adequadamente e fazendo pequenas modificações, quando necessário:

a) Maria Rita menina pobre do interior chegou a São Paulo assustada

b) O encanador sorriu e disse se a senhora quiser eu posso trocar também a torneira dona

c) Quando tudo vai mal nós devemos parar e pensar onde é que estamos errando desta maneira podemos começar a melhorar isto é a progredir.

d) Socorro alguém me ajude

e) Ao voltar para casa encontrei um ambiente assustador móveis revirados roupas jogadas pelo chão lâmpadas quebradas e torneiras abertas

f) De MPB eu gosto mas de música sertaneja

g) Não critique seu filho homem de Deus dê o apoio que ele necessita e tudo terminará bem se você não apoiá-lo quem irá fazê-lo

h) Os nossos sonhos não são inatingíveis a nossa vontade deve torná-los realidade

i) O computador que é uma invenção deste século torna a nossa vida cada dia mais fácil

j) Eu venderei todas as minhas terras mesmo que antes disso a lavoura se recupere

l) Naquele instante quando ninguém mais esperava de longe avistamos uma figura estranha que se aproximava quando chegou bem perto ele perguntou o que fazem aqui neste fim-de-mundo e nós respondemos graças a Deus o senhor apareceu estamos perdidos nesta mata há dias

m) Quando lhe disserem para desistir persista quando conseguir a vitória divida com seus amigos a sua alegria

n) Quanta burocracia levei dois meses para tirar um documento de identidade

o) Você tem duas opções desiste da carreira ou do casamento

p) O presidente pode se tiver interesse colocar na cadeia os corruptos ou seja aqueles que só fazem mal ao país

RESPOSTAS:

a) Maria Rita, menina pobre do interior, chegou a São Paulo assustada.

b) O encanador sorriu e disse:

– Se a senhora quiser, eu posso trocar também a torneira, dona.

c) Quando tudo vai mal, nós devemos parar e pensar onde é que estamos errando. Desta maneira, podemos começara melhorar, isto é, a progredir.

d) Socorro, alguém me ajude! ou Socorro! Alguém me ajude!

e) Ao voltar para casa, encontrei um ambiente assustador: móveis revirados, roupas jogadas pelo chão, lâmpadas quebradas e torneiras abertas.

f) De MPB eu gosto, mas de música sertaneja…

g) Não critique seu filho, homem de Deus! Dê o apoio que ele necessita e tudo terminará bem. Se você não apoiá-lo, quem irá fazê-lo?

h) Os nossos sonhos não são inatingíveis. A nossa vontade deve torná-los realidade.

i) O computador, que é uma invenção deste século, torna a nossa vida cada dia mais fácil.

j) Eu venderei todas as minhas terras, mesmo que antes disso a lavoura se recupere.

l) Naquele instante, quando ninguém mais esperava, de longe avistamos uma figura estranha que se aproximava. Quando chegou bem perto, ele perguntou:

– O que fazem aqui neste fim-de-mundo?

E nós respondemos:

– Graças a Deus o senhor apareceu! Estamos perdidos nesta mata há dias.

m) Quando lhe disserem para desistir, persista; quando conseguir a vitória, divida com seus amigos a sua alegria.

n) Quanta burocracia! Levei dois meses para tirar um documento de identidade!

o) Você tem duas opções: desiste da carreira, ou do casamento.

p) O presidente pode, se tiver interesse, colocar na cadeia os corruptos, ou seja, aqueles que só fazem mal ao país.

PRINCIPAIS REGRAS DE ORTOGRAFIA

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“A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo prazo.” (Pasquale Cipro Neto & Ulisses Infante, Gramática da Língua Portuguesa)

Orientações Gerais
1) Devemos empregar “ss” em todos os substantivos derivados de verbos terminados em “gredir”, “mitir”, “ceder” e “cutir”.

Exemplos:

AGREDIR / AGRESSÃO
PROGREDIR / PROGRESSÃO
REGREDIR / REGRESSÃO
TRANSGREDIR / TRANSGRESSÃO

ADMITIR / ADMISSÃO
DEMITIR / DEMISSÃO
OMITIR / OMISSÃO
PERMITIR / PERMISSÃO
TRANSMITIR / TRANSMISSÃO

ACEDER / ACESSO
CEDER / CESSÃO
CONCEDER / CONCESSÃO
EXCEDER / EXCESSO, EXCESSIVO
SUCEDER / SUCESSÃO

DISCUTIR / DISCUSSÃO
PERCUTIR / PERCUSSÃO
REPERCUTIR / REPERCUSSÃO

2) Devemos empregar “s” em todos os substantivos derivados de verbos terminados em “ender”, “verter” e “pelir”.

Exemplos:

APREENDER / APREENSÃO
ASCENDER / ASCENSÃO
COMPREENDER / COMPREENSÃO
DISTENDER / DISTENSÃO
ESTENDER / EXTENSÃO
PRETENDER / PRETENSÃO
SUSPENDER / SUSPENSÃO
TENDER / TENSÃO

VERTER / VERSÃO
REVERTER / REVERSÃO
CONVERTER / CONVERSÃO
SUBVERTER / SUBVERSÃO

EXPELIR / EXPULSÃO
REPELIR / REPULSÃO

3) Devemos empregar “ç” em todos os substantivos derivados dos verbos “TER” e “TORCER”, mais seus derivados.

Exemplos:

ABSTER / ABSTENÇÃO
ATER / ATENÇÃO
DETER / DETENÇÃO
MANTER / MANUTENÇÃO
RETER / RETENÇÃO
TORCER / TORÇÃO
DISTORCER / DISTORÇÃO
CONTORCER / CONTORÇÃO

ERROS GROSSEIROS EM PORTUGUÊS

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1. As casas só podem ser “geminadas”, pois a palavra é derivada de gêmeos. “Germinadas” nem pensar!

2. Ser “de menor” ou “de maior” são expressões comumente ouvidas em rodas de gente estudada, mas estão erradas. “O garoto preso é menor” ou “O rapaz parece uma criança, mas é maior”. Mais exemplos:”O delinqüente é menor de idade” ou “O preso é maior de idade”.

3. “O aluno repetiu o ano.””A aluna passou o ano.”. Só os italianos que ainda falam mal o português dizem “repetir ou passar de ano”.

4. “O aluno fica para recuperação”, ele nunca “fica de recuperação”.

5. Meu aniversário caiu num domingo. Está errado falar “caiu de domingo”.

6. O filho saiu ao pai, esculpido e encarnado. “Cuspido e escarrado” é impossível.

7. “Saíram elas por elas” é a concordância correta. “Saiu elas por elas” fere os princípios gramaticais.

8. Atenção políticos e advogados da velha guarda. Tive a “subida honra” de saudar o presidente, nunca “a súbita honra”.”Subida” significa elevada; “súbita”, repentina.

9. Aos sábados, não trabalho. Está corretíssimo. Errado é falar ou escrever: De sábado, não trabalho.

10. O sujeito escapou ileso de um acidente de trânsito e comete um desatino, falando: “Faltei pouco para não morrer”. O sujeito da oração é “pouco”, e não “eu”, portanto a forma correta é “Faltou pouco para não morrer”.

11. Mandado de segurança. Os magistrados expedem mandados. Os políticos têm mandato.

12. Estou aguardando notícias. Nada de dizer “estou no aguardo de notícias”. Tal expressão não existe.

13. “Apêndice supurado” ou “Apêndice estuporado” ? Supurado quer dizer convertido em “pus”.

14. Seu caderno é “espiral” ou “aspiral”? Lógico, espiral, pois o arame do caderno tem a forma da rosca de um parafuso. Quem diz “aspiral”, está dando vexame.

15.Estou quite com o Serviço Militar. Ou é “quites”? Se for uma pessoa só, ela está “quite”, porque “Os jovens estão quites com Serviço Militar”.

DÚVIDAS DE ORTOGRAFIA – Sessão, Seção e Cessão

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Dúvidas de Ortografia
SEÇÃO dignifica corte, segmento, setor (setor de esportes);
CESSÃO é o ato de ceder (transferir ou doar algo); e
SESSÃO (com três esses) significa intervalo de tempo de uma reunião para determinado fim.

Outras palavras que podem confundi-lo:

acender = pôr fogo
ascender = subir, levantar

amoral = desconhecedor da moral
imoral = contra a moral

apreçar = marcar o preço
apressar = acelerar, ter pressa

arrear = pôr arreios
arriar = abaixar

bucho = estômago, barriga
buxo = arbusto

broxa = pincel
brocha = prego, tacha

caçar = ir à caça, buscar
cassar = anular, tornar sem efeito

cela = cadeia, quarto
sela = arreio

chá = bebida
xá = título de soberano no Irã

chalé = casa campestre
xale = cobertura para os ombros

xeque = lance do jogo de xadrez, contratempo
cheque = talão de cheque

comprimento = extensão
cumprimento = saudação

concertar = combinar
consertar = remendar, reparar

conjetura = suposição, hipótese
conjuntura = situação

coser = costurar
cozer = cozinhar

deferir = conceder, permitir
diferir = adiar, diferenciar

descriminar = inocentar, absolver
discriminar = diferençar, distinguir

despensa = compartimento onde se guardam objetos em geral
dispensa = desobrigação, ser dispensado

discente = relativo a alunos
docente = relativo a professores

emergir = vir à tona
imergir = mergulhar

emigrante = o que sai
imigrante = o que entra

esperto = inteligente
experto = perito, expert

flagrante = evidente, pego em flagrante
fragrante = aromático, com fragrância

fuzil = arma
fusível = resistência

incipiente = iniciante (c de começo)
insipiente = ignorante

indefesso = incansável
indefeso = sem defesa, fraco

infligir = aplicar pena, multa
infringir (lembra infração) = transgredir, violar, desrespeitar

intercessão = súplica, rogo
interseção = ponto de encontro de duas retas, linhas

laço = laçada, nó
lasso = cansado, frouxo

ratificar = reforçar, confirmar
retificar = corrigir, consertar

tacha = brocha, pequeno prego
taxa = tributo

tachar = censurar, notar defeito em
taxar = estabelecer o preço

vultoso = volumoso
vultuoso = atacado de congestão na face

HETERÔNIMOS

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Ao contrário dos pseudônimos – vários nomes para uma mesma personalidade – os heterônimos constituem várias pessoas que habitam um único poeta.

Cada um deles tem a sua própria biografia, sua temática poética singular e seu estilo específico. É como se eus fragmentados e múltiplos explodissem dentro do artista, gerando poesias totalmente diversas.

O próprio Fernando Pessoa explicou os seus heterônimos:

Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e idéias, os escreveria.

Assim têm estes poemas de Caeiro, os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos que ser considerados. Não há que buscar em quaisquer deles idéias ou sentimentos meus, pois muitos deles exprimem idéias que não aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente que os ler como estão, que é aliás como se deve ler.

DÚVIDAS AO UTILIZAR O Ç, S, SS, Z e X

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Grupo 01

a) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TO:

intento = intenção
canto = canção
exceto = exceção
junto = junção

b) Usa-se ç em palavras terminadas em TENÇÃO referentes a verbos derivados de TER:

deter = detenção
reter = retenção
conter = contenção
manter = manutenção

c) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TOR:

infrator = infração
trator = tração
redator = redação
setor = seção

d) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TIVO:

introspectivo = introspecção
relativo = relação
ativo = ação
intuitivo – intuição

e) Usa-se ç em palavras derivadas de verbos dos quais se retira a desinência R:

reeducar = reeducação
importar = importação
repartir = repartição
fundir = fundição

f) Usa-se ç após ditongo quando houver som de s:

eleição
traição

Grupo 02

a) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em NDER ou NDIR:

pretender = pretensão, pretensa, pretensioso
defender = defesa, defensivo
compreender = compreensão, compreensivo
repreender = repreensão
expandir = expansão
fundir = fusão
confundir = confusão

b) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em ERTER ou ERTIR:

inverter = inversão
converter = conversão
perverter = perversão
divertir = diversão c) Usa-se s após ditongo quando houver som de z:
Creusa
coisa
maisena

d) Usa-se s em palavras terminadas em ISA, substantivos femininos:

Luísa
Heloísa
Poetisa
Profetisa

Obs: Juíza escreve-se com z, por ser o feminino de juiz, que também se escreve com z.

e) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em CORRER ou PELIR:

concorrer = concurso
discorrer = discurso
expelir = expulso, expulsão
compelir = compulsório

f) Usa-se s na conjugação dos verbos PÔR, QUERER, USAR:

ele pôs
ele quis
ele usou

g) Usa-se s em palavras terminadas em ASE, ESE, ISE, OSE:

frase
tese
crise
osmose

•Exceções: deslize e gaze.
h) Usa-se s em palavras terminadas em OSO, OSA:

horrorosa
gostoso

•Exceção: gozo
Grupo 03

a) Usa-se o sufixo indicador de diminutivo INHO com s quando esta letra fizer parte do radical da palavra de origem; com z quando a palavra de origem não tiver o radical terminado em s:

Teresa = Teresinha
Casa = casinha
Mulher = mulherzinha
Pão = pãozinho

b) Os verbos terminados em ISAR serão escritos com s quando esta letra fizer parte do radical da palavra de origem; os terminados em IZAR serão escritos com z quando a palavra de origem não tiver o radical terminado em s:

improviso = improvisar
análise = analisar
pesquisa = pesquisar
terror = aterrorizar
útil = utilizar
economia = economizar

c) As palavras terminadas em ÊS e ESA serão escritas com s quando indicarem nacionalidade, títulos ou nomes próprios; as terminadas em EZ e EZA serão escritas com z quando forem substantivos abstratos provindos de adjetivos, ou seja, quando indicarem qualidade:

Teresa
Camponês
Inglês
Embriaguez
Limpeza

Grupo 04

a) Os verbos terminados em CEDER terão palavras derivadas escritas com CESS:

exceder = excesso, excessivo
conceder = concessão
proceder = processo

b) Os verbos terminados em PRIMIR terão palavras derivadas escritas com PRESS:

imprimir = impressão
deprimir = depressão
comprimir = compressa

c) Os verbos terminados em GREDIR terão palavras derivadas escritas com GRESS:

progredir = progresso
agredir = agressor, agressão, agressivo
transgredir = transgressão, transgressor

d) Os verbos terminados em METER terão palavras derivadas escritas com MISSou MESS:

comprometer = compromisso
prometer = promessa
intrometer = intromissão
remeter = remessa

Grupo 05

a) Escreve-se com j a conjugação dos verbos terminados em JAR:

Viajar = espero que eles viajem
Encorajar = para que eles se encorajem
Enferrujar = que não se enferrujem as portas

b) Escrevem-se com j as palavras derivadas de vocábulos terminados em JA:

loja = lojista
canja = canjica
sarja = sarjeta
gorja = gorjeta

c) Escrevem com j as palavras de origem tupi-guarani.

Jiló
Jibóia
Jirau

Grupo 06

a) Escrevem-se com g as palavras terminadas em ÁGIO, ÉGIO, ÍGIO, ÓGIO, ÚGIO:

pedágio
sacrilégio
prestígio
relógio
refúgio

b) Escrevem-se com g os substantivos terminados em GEM:

a viagem
a coragem
a ferrugem

•Exceções: pajem, lambujem) Palavras iniciadas por ME serão escritas com x:

Mexerica
México
Mexilhão
Mexer

•Exceção: mecha de cabelos) As palavras iniciadas por EN serão escritas com x, a não ser que provenham de vocábulos iniciados por ch:

Enxada
Enxerto
Enxurrada
Encher – provém de cheio
Enchumaçar – provém de chumaçoes) Usa-s x após ditongo:
ameixa
caixa
peixe
•Exceções: recauchutar, guache

DICAS DE PORTUGUÊS

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DICAS DE PORTUGUÊS

● A pronúncia certa é disenteria, e não desinteria.

● A palavra dó (pena) é masculina. Portanto, “Sentimos muito dó daquela moça”.

● Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

● Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

● Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.

● Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.

● A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.

● Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

● E não esqueça: exceção é com ç, mas excesso é com dois s.

● Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales…Horrível, né?