ESPAÇO ANTES DA VÍRGULA?

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Por: Professor Carlos Moreno

Professor Moreno, gostaria saber se existe alguma regra formal que obrigue a pontuação a ficar “encostada” à palavra da esquerda. Um colega de trabalho costuma colocar um espaço entre a última palavra escrita (ou digitada) e o sinal de pontuação, seja vírgula, dois-pontos, ponto final, ponto de interrogação ou de exclamação. Argumentei que esse não era o costume, mas me desafiou a apresentar a norma que proíbe que isso seja feito. Pesquisei exaustivamente e consultei alguns professores, mas não achei o que procurava, pois a maioria das pessoas acha que é só um costume estético. Há algum fundamento gramatical?

José Francisco C. — Sorocaba (SP)

Prezado José, este é um daqueles casos em que o costume acaba se tornando lei. As vírgulas, os pontos, etc. realmente costumam ficar encostados na palavra anterior, não por força de alguma regra gramatical, mas sim por herança da forte tradição tipográfica que antecedeu o nosso mundo de textos digitais. Eu pensava que, com o tempo, este detalhe acabaria se tornando irrelevante, já que um processador de texto como o Word, ao justificar as linhas, às vezes produz um efeito visual em que o espaço entre as palavras, ou entre elas e os sinais de pontuação, parece consideravelmente aumentado

Acontece que eu não estava enxergando o óbvio, e foi necessário que um leitor de Porto Alegre, Alfredo Kauer, me chamasse a atenção para um princípio fundamental de digitação que, embora não seja uma regra gramatical, encerra definitivamente a questão: ao teclarmos um texto no computador, o processador de texto interpreta cada toque de espaço como o aviso de que uma palavra terminou e que vai começar outra; por isso, nunca devemos inserir um espaço antes do sinal (seja vírgula, ponto, ponto-e-vírgula, parênteses, aspas, etc.), mas sim depois, para que o sinal se torne, aos olhos do processador, parte integrante da palavra anterior. Como a mudança automática de linhas sempre se dá depois de uma palavra completa, a vírgula, estando “encostada”, não vai passar para a linha seguinte.

Aposto que os textos digitados pelo teu colega de trabalho apresentam, às vezes, algum sinal de pontuação isolado no início de certas linhas — o que, além de esquisito, torna muito penoso o trabalho do leitor, obrigando-o a voltar à linha que já tinha lido. Se essa observação é notícia antiga para os usuários mais experientes dos processadores de texto, muito poderá esclarecer os novatos, que às vezes ficam olhando intrigados para aquele sinal solitário no começo da linha, atribuindo-o a alguma daquelas entidades misteriosas que volta e meia se manifestam no nosso monitor, como a desanimadora tela azul ou aquela mensagem, tão antipática quanto apocalítica, que nos informa que acabamos de cometer um “erro fatal”. Abraço. Prof. Moreno

VARIEDADES DO PORTUGUÊS NO BRASIL E NO MUNDO

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VARIEDADES DO PORTUGUÊS NO BRASIL E NO MUNDO

O Português no Mundo Acompanhando os navegadores, colonizadores e comerciantes portugueses em todas as suas incríveis viagens, a partir do século XV, o português se transformou na língua de um império. Nesse processo, entrou em contato – forçado, o mais das vezes; amigável em alguns casos – com as mais diversas línguas, passando por processos de variação e de mudança lingüística. No limite, deu origem a várias línguas crioulas.

O português, como se sabe, é a língua oficial nos países de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e – mais recentemente – Timor Leste. Como assinala Mattos e Silva (1988), em tais ex-colônias ainda não se sabe que rumos o português estaria tomando, visto que o processo de independência política se deu há pouco tempo e o português, em muitos casos, se expande via escolarização, já que países como Angola e Moçambique têm uma situação lingüística complexa, sendo o português a língua oficial mas não a língua materna da maioria da população. Sendo assim, não se conhecem em profundidade detalhes sobre o processo de dialetação nesses países, afora o fato de que mantêm com o português europeu uma proximidade muito grande.

LÍNGUAS CRIOULAS Com relação às línguas crioulas, a literatura é um pouco maior, mesmo assim várias delas ainda estão por merecer uma descrição mais acurada e profunda. Mas é impressionante e extensa a lista de línguas crioulas que teriam no português a sua língua de base. Segundo nos informam Tarallo e Alckmin (1987), na Ásia os crioulos portugueses seriam classificados em três grupos:

1-o. grupo: sino-português
2-o. grupo: malaio- português
3-o. grupo: indo-português

Destes, o mais numeroso foi o terceiro grupo – o da Índia – mas a maioria dessas línguas já está extinta.

Já na África, podemos, ainda segundo os mesmos autores, apontar:

1.Crioulos portugueses do golfo da Guiné
2.Crioulo português das ilhas de Cabo Verde
3.Crioulo português da Guiné-Bissau
4.Crioulo português do Senegal

Os que têm apresentado uma vitalidade maior são os do golfo da Guiné, nas Ilhas de São Tomé e Príncipe, e o de Cabo Verde. Nestes dois últimos casos, temos a língua crioula concorrendo com o próprio português, que é a língua oficial.

Do ponto de vista sociolingüístico, a grande questão que tais crioulos vivem diz respeito às condições de sua sobrevivência. Línguas altamente estigmatizadas, só recentemente têm sido recebidas e tomadas como símbolos de nacionalidade, ganhando escrita, literatura, gramáticas, que são instrumentos poderosos de promoção e difusão das línguas.

O PORTUGUÊS DE PORTUGAL Portugal representa, segundo Tessyer (1982), um caso muito interessante, do ponto de vista lingüístico: país monolíngüe, tem a sua língua quase estritamente limitada aos limites geográficos do país. Além disso, as áreas dialetais, há muito tempo estudadas, são as mesmas há praticamente cinco séculos. Há várias propostas para a definição das regiões dialetais de Portugal. A mais recente, que costuma ser citada, é a de Cintra (1971), que propõe três grandes regiões dialetais:

• dialetos galegos
• dialetos setentrionais
• dialetos centro-meridionais

Cada uma dessas áreas é subdivida em outras áreas dialetais. Chama a atenção nessa proposta a inclusão da região do galego como parte das regiões dialetais do português, que incluiria toda a Galícia espanhola como parte da dialetação portuguesa. Aqui temos o embate entre o lingüístico e o político posto de maneira bastante clara: para Cintra (1971), a separação política é apenas um detalhe, já que lingüisticamente haveria razões para incluir a Galícia entre os dialetos portugueses.

No caso de Portugal, propriamente dito, Cintra vai distinguir dois grandes grupos de dialetos: os setentrionais – ao norte, e os centromeridionais – ao sul. Esta divisão, grosso modo, lembra a expansão do território português. Como se sabe, Portugal surge como país na sua porção norte, com capital em Guimarães, usando uma língua hoje reconhecida como galego-português. Paulatinamente o português vai se separando do galego, à medida que o centro cultural se desloca para o sul, em Lisboa.

Não me deterei nos traços que diferenciam os grupos de dialetos, remetendo o leitor para Cintra (1971). Mas é interessante acompanhar Mattos e Silva (1988) chamando a atenção para o fato de os traços que marcam fortemente os dialetos do norte não serem encontrados no português do Brasil, como é o caso da neutralização de /b/ e /v/, ou a oposição entre a africada palatal surda [tt] e a fricativa palatal [t] (o primeiro caso, nas palavras escritas com o dígrafo ch). O importante é frisar que a situação dialetológica em Portugal parece conhecer uma relativa estabilidade, muito provavelmente em função da manutenção das mesmas dinâmicas sociais.

De qualquer forma, é digno de nota o fato de que a sociolingüística não conhece em Portugal uma tradição de pesquisas forte como no Brasil. O foco lá são as pesquisas de cunho dialetológico voltadas para padrões de distribuição regionais. Essa ausência de pesquisas sociolingüísticas em Portugal tem dificultado a interação com os resultados produzidos no Brasil, que alcançam um grau de detalhamento bem maior no que diz respeito à complexidade social do fenômeno de variação. Para pesquisadores como Mattos e Silva (1988), em Portugal o aspecto regional da variação parece ser mais saliente do que o aspecto social, situação que, segundo a autora, seria a oposta do Brasil, onde os aspectos sociais teriam uma força maior do que os regionais.

O PORTUGUÊS DO BRASIL Nas duas últimas décadas tem sido feito um grande esforço descritivo e interpretativo a respeito da constituição do português do Brasil, podendo destacar-se três grandes linhas de trabalho:

1.A estrutura gramatical do português do Brasil
2.Os processos de variação no âmbito das cidades e dos territórios
3.Os processos históricos de constituição do português do Brasil e seus dialetos

ALGUNS PROCESSOS LINGÜÍSTICOS RELEVANTES Longe de querer esgotar a questão num texto tão breve, gostaria de destacar alguns lugares na estrutura da língua, bastante permeáveis à variação. São lugares que não só expressam a diferença entre Portugal e Brasil, como também definem no Brasil diferenças regionais e sociais.

I. Fonologia Segundo Mateus et alii (1983) teríamos seis indicadores fonológicos que diferenciariam o português brasileiro do português de Portugal. Desses, destaco quatro: a realização das vogais pré-tônicas; a realização de /t/, /d/ diante de ; a realização de /s/ em final de sílaba; a realização de /l/ em final de sílaba. O fato interessante é que esses mesmos ambientes diferenciam no Brasil regiões dialetais diferentes, ainda não muito bem demarcadas.

I.1. AS VOGAIS PRÉ-TÔNICAS
Enquanto no português de Portugal há uma tendência muito forte para a redução das vogais pré-tônicas (talvez a grande marca identificadora do sotaque português para um brasileiro), no Brasil, elas são pronunciadas claramente, não se percebendo, até onde se sabe, nenhuma tendência de que caminharemos na mesma direção de Portugal. Ao mesmo tempo, é nas vogais pré-tônicas que se encontra o grande traço apontado por Antenor Nascentes como definidor das duas grandes regiões dialetais do Brasil: o norte e o sul. No norte, elas tenderiam a serem abertas. A linha divisória estaria entre o Espírito Santo e a Bahia, indo, para o oeste até Cuiabá.

Além disso, as vogais pré-tônicas sofrem também um processo conhecido como o de elevação da vogal (grosso modo, /e/ -> ; /o/ -> ) altamente variável em todo o país, com matizes sociais os mais diversos.

I.2. A REALIZAÇÃO DA CONSOANTE /T/ DIANTE DA VOGAL
Esse é outro traço que, ao mesmo tempo que diferencia o português de Portugal do português brasileiro, também definiria áreas dialetais importantes no nosso país. Não temos um mapa dialetal geral do Brasil mas, pelas pesquisas já realizadas, sabe-se que no Sudeste brasileiro, descendo até a região Sul, com exceção do litoral catarinense e outras ilhas, subindo até a capital baiana, entrando pelo Centro-Oeste e tomando o Norte do país, temos a realização africada [tt]; nas demais regiões, assim como em Portugal e demais países de língua portuguesa, esse processo de africação não ocorre.

I.3. A REALIZAÇÃO DA CONSOANTE FRICATIVA /S/ FECHANDO SÍLABA
Esse é outro traço que opõe Brasil e Portugal e, ao mesmo tempo, define também áreas diferentes no território brasileiro. Trata-se da possibilidade de palatalização da consoante /s/ quando fechando sílaba, em palavras como casca, seis. Em falares como o carioca, ou o de Florianópolis, a realização é palatalizada, ou seja, o efeito acústico é algo semelhante à primeira consoante da palava chá.

I.4. A REALIZAÇÃO DE /L/ EM FINAL DE SÍLABA
Em Portugal, em palavras como legal, leal, a última consoante é realizada como um [l] velarizado; no Brasil, haveria a forte tendência de realizá-la como uma semivogal [w], de tal maneira que se tenderia a não distinguir mal e mau. Mas o interessante é que no Brasil há ainda dialetos que usam a forma velarizada, no Sul do país. Dos traços que elencamos nesta seção, este é o que menor abrangência tem no país. II. Morfologia e sintaxe São muitos os lugares da estrutura morfossintática que estão em variação no Brasil e que nos diferenciam dos dialetos portugueses. A morfologia verbal, especialmente a flexão de número e pessoa e a morfologia pronominal – aqui se destacando os pronomes pessoais – são palco de grandes processos de variação e mudança (em termos de dialetação brasileira, destaca-se o emprego dos pronomes tu e você como tratamento íntimo que diferencia grandes áreas lingüísticas no Brasil). Associadas a esses lugares, a sintaxe no Brasil experimenta também muitos processos de variação e mudança, com especial destaque para os fenômenos de ordem e a representação pronominal do sujeito e do objeto.

HISTÓRIA Contar a história do português do Brasil é mergulhar na sua história colonial e de país independente, já que as línguas não são organismos desgarrados dos povos que as utilizam. Para tentar explicar as diferenças do português do Brasil, três grandes hipóteses têm sido investigadas:

1.A hipótese conservadora
2.A hipótese do contato
3.A hipótese da deriva lingüística

Comecemos pela última. Segundo ela, o que ocorreu no português do Brasil foi apenas o lento, gradual e inexorável processo de mudança lingüística que afeta qualquer língua. Nesse caso, as características do português do Brasil seriam fruto do jogo interno da estrutura. Bom exemplo disso seria a perda da inversão do sujeito. Na medida em que as flexões verbais se simplificam, perdem-se os pronomes acusativos e a preposição a, marcadora do objeto direto preposicionado, a ordem se torna rígida para fazer as marcações sintáticas necessárias.

Pela hipótese do contato, o grande número de características lingüísticas do português do Brasil no período relativamente curto de sua existência se deveria ao contato do português com línguas indígenas e africanas. Como se viu acima, nas situações de contato pode ocorrer, no limite, o surgimento de uma nova língua – uma língua crioula. Muito já se discutiu quanto à possibilidade de o português ser/ter sido uma língua crioula, já que, além do contexto histórico ser semelhante ao de lugares onde se tem notícia de crioulos, há inúmeras características gramaticais que remetem às línguas crioulas. O problema da hipótese de crioulização é tomarmos no singular o português do Brasil e a língua crioula em questão: ou seja, seria o português do Brasil fruto de uma língua crioula? Hoje em dia, é muito mais interessante pensar que possa ter havido línguas crioulas no Brasil – e há fortes indícios que levam a essa conclusão – mas que elas, isoladamente, não seriam responsáveis pelo processo histórico de formação do português do Brasil atual. Ao mesmo tempo, não se deve descartar a importância que o contato com outras línguas possa ter trazido. Seguramente, profundas alterações foram introduzidas na língua a partir do contato lingüístico, sem que necessariamente tenhamos que pensar na formação de uma única língua crioula base do português do Brasil.

Por fim, a hipótese conservadora. Ela nos leva a inverter o raciocínio: os traços lingüísticos encontrados no português do Brasil seriam devidos mais à conservação do português do primeiro século de colonização do que às inovações aqui introduzidas. Assim, enquanto o português de Portugal sofria processos de mudança que lhe dariam as feições atuais, o português do Brasil, pelo isolamento das populações transplantadas, teria mantido aqui as características de antes da mudança. É claro que tal hipótese não explica o sem número de alterações na morfologia e na sintaxe, de que não se tem notícia em Portugal, mas ela é interessante para pensar alguns fenômenos fonológicos. Por exemplo, a queda das vogais pré-tônicas é uma inovação do português de Portugal que se teria implementado a partir do século XVIII – na verdade uma grande alteração no padrão rítmico da língua – que não teria afetado o português do Brasil. O mesmo se poderia dizer da palatalização de /s/ em final de sílaba, muito comum em cidades litorâneas brasileiras, mas pouco produtiva no interior.

O mais provável é que, nos diversos pontos do território, em momentos diferentes, tenhamos a atuação de cada uma dessas forças – a conservação, a inovação estrutural e o contato lingüístico que redundaram tanto nas diferenças do português do Brasil com relação ao de Portugal, quanto nas diferenças encontradas nos dialetos brasileiros. Mas é interessante observar que, quanto mais distante do português normativo, especialmente se consideramos as flexões pronominais e verbais, mais estigmatizado é o falar, no Brasil. Alterações profundas na produtividade morfológica estão muito associadas ao contato interlingüístico, o que nos leva à enorme população escravizada que é a base do povo brasileiro. Assim, o Brasil colônia teria, com a sua estrutura produtiva de espoliação, lançado as bases para a dialetação social no Brasil.

UMA VISÃO DOS DIALETOS BRASILEIROS Do conjunto de dados elencados acima, o que poderíamos dizer dos dialetos brasileiros? O projeto de um mapa dialetológico brasileiro só recentemente teve as suas primeiras iniciativas lançadas. O que temos são mapas regionais que apontam para a confirmação de pelo menos uma hipótese básica de Antenor Nascentes: a de que o Brasil seria dividido em duas grandes regiões dialetais – norte e sul.

Os resultados da sociolingüística, na maior parte dos casos voltados para a fala de grandes centros urbanos, têm apontado para uma forte variabilidade no português brasileiro, com traços sociais os mais diversos se imprimindo nas formas lingüísticas. Essa profusão de pesquisas impede que se chegue a um retrato mais preciso de como o Brasil se comporta em termos de suas regiões dialetais e qualquer tentativa – hoje – de adiantar conclusões não teria bases objetivas.

Outro fato extremamente importante e que desafia o conhecimento sistemático do que estaria ocorrendo no Brasil tem a ver com o grande conjunto de migrações que ocorreram no século XX, como bem assinala Cardoso (1998). Por volta Da década de 50 deixamos de ser um país rural para nos tornarmos um país essencialmente urbano. Hoje, segundo dados do último censo, 70% da população brasileira vive em cidades.

Em termos lingüísticos, isto significa que uma série de variedades que até então se encontravam isoladas umas das outras é posta em contato nas grandes cidades. O resultado desta grande mescla do século XX ainda está por se conhecer, mas seguramente é um dos grandes responsáveis pelo alto grau de variação que as pesquisas têm mostrado. Ao mesmo tempo, a universalização da escola, ainda em vias de alcançar completamente, tem colocado mais e mais falantes em contato com as formas mais eruditas da língua. Isso tem produzido uma grande tensão de cunho normativista cujo resultado ainda não se pode prever. Nesse sentido é sintomático que se tenham multiplicado os programas de rádio, TV e as colunas de jornal voltadas para as questões de português. Vivemos um momento de inflexão normativa, já que mais e mais pessoas de estratos mais populares têm alcançado os cursos superiores, onde a demanda pelas formas normativas é maior. Porém o peso das diferenças é muito grande, o que tensiona o falante, de um lado, e a língua, de outro. É cada vez mais difícil manter como norma aquela recomendada pelos gramáticos; ao mesmo tempo, formas desse dialeto normativo idealizado são incorporadas pelos falantes nos seus textos escritos, em especial. É o que demonstram as pesquisas sobre a língua escrita ao longo da escolaridade.

PALAVRAS FINAIS Neste pequeno balanço sobre os processos de variação no português devem ter ficado claros alguns pontos:

1. Aparentemente, a julgar pelo que nos informam os pesquisadores portugueses, Portugal experimenta, já há algum tempo, uma certa estabilidade no que diz respeito às suas áreas dialetais. No entanto, a ausência de pesquisas nas regiões urbanas, com maior detalhamento tanto no processo lingüístico de variação quanto nas relações sociais envolvidas nesse processo, nos impede de avançar nessa questão. É como se a língua por lá estivesse congelada, num eterno processo de variação estável.

2. Nos outros países de língua portuguesa, a grande questão é como irão se comportar as línguas crioulas, especialmente naqueles em que o português é língua oficial. Ou tais línguas crioulas ampliam seus contextos de uso, aprofundando a situação de bilingüísmo, que é o que parece ocorrer em Cabo Verde, ou são assimiladas pelo português, resultando, nesse caso, em um aprofundamento do processo de dialetação.

3. No caso do Brasil, tem havido um enorme esforço descritivo do português por aqui falado, sobretudo nos grandes centros urbanos. Desse retrato emerge tanto um português que está irremediavelmente separado do português de Portugal, quanto um português com alto grau de variação, em grande parte provocada pelo contato entre dialetos populares fruto de contatos entre o português e outras línguas, durante a formação do Brasil. Como o país está concentrado nos centros urbanos, o mais provável é que essas formas em variação sejam o veículo da expressão dos mais diversos grupos urbanos, ao
mesmo tempo em que se assentam as características regionais, em função de processos de identidade sempre em curso.

Em resumo, o Brasil é palco de uma emocionante epopéia lingüística, da qual não temos uma consciência muito clara, porque é o tempo em que vivemos, e o tempo em que vivemos nunca é o tempo em que nos entendemos.

Autor: Emilio Gozze Pagotto é professor adjunto da UFSC

VERBOS EM EAR

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É provável que você tenha ficado em dúvida em relação a determinadas flexões dos verbos em ear. Por exemplo: Vestibulando anseia por resultados das provas, ou ansia?
“Ele intermedeia o acordo, ou ele intermedia”?
O motorista freou o ônibus bruscamente, ou freiou?

“Vestibulando anseia por resultados das provas” é a frase que está de acordo com o padrão culto da língua portuguesa.

Cinco verbos terminados em iar são conjugados nas formas rizotônicas (formas cuja tonicidade cai no radical da palavra, isto é, na parte que não varia). São os verbos do anagrama MARIO. O nome MARIO é formado com as iniciais destes verbos: mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar.

Mediar: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais, medeiam.
Ansiar: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais, anseiam.
Remediar: remedeio, remedeias, remedeia, remediamos, remediais, remedeiam.
Incendiar: incendeio, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam.
Odiar: odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam.

O banco intermedeia ou intermedia as finanças daquela empresa?

A frase correta em conformidade com a norma culta é: “O banco intermedeia as finanças daquela empresa”.

Como vimos, nos verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar, intermediar e odiar, as três primeiras pessoas do singular e a terceira pessoa do plural do presente do indicativo e do presente do subjuntivo e todas as pessoas do imperativo têm o i transformado em ei nas formas rizotônicas (em que o acento tônico recai no radical, a parte invariável do verbo): med(iar), ans(iar), remed(iar), incend(iar) intermed(iar), od(iar).

Trocando em miúdos: quando a acentuação tônica recai sobre o i, ligado à consoante do radical, ele recebe a ajuda de um e, transformando-se em ei. Só para relembrar: intermedeio, intermedeias, intermedeia (intermediamos, intermediais), intermedeiam); intermedeie, intermedeies, intermedeie (intermediemos, intermedieis), intermedeiem.

Os outros verbos em iar são regulares, por isso, quando o acento cai no i, permanece: aprecio, arrepio, chio, crio, esquio, guio, premio e outros. Uma exceção é mobiliar; nele, as formas rizotônicas têm o acento tônico na sílaba bi e não na li.

“O motorista freou o ônibus
bruscamente, ou freiou?”

A frase certa segundo as gramáticas da língua é: “O motorista freou o ônibus bruscamente”.

O nome do verbo é frear sem “i”, mas, no presente do indicativo, conjuga-se da seguinte maneira: eu freio, tu freias, ele freia, nós freamos, vós freais, eles freiam,

No pretérito perfeito do indicativo: eu freei, tu freaste, ele freou, nós freamos, vós freastes, eles frearam.
Todos os verbos terminados em “ear” têm conjugação padronizada. No presente do indicativo, as terminações são: -eio, -eias, -eia, -eamos, -eais, -eiam”.

No pretérito perfeito, as terminações são “eei, easte, eou, eamos, eastes, earam”. Portanto, nada de “i” depois do “e”.
O presente do subjuntivo apresenta as terminações “eie, eies, eie, eemos, eeis, eiem”. Nesse tempo, o verbo frear se conjuga assim: “que eu freie, que tu freies, que ele freie, que nós freemos, que vós freeis, que eles freiem”.

CONCORDÂNCIA VERBAL

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Regra geral

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Ocorre quando o verbo é modificado (flexiona) para concordar com o seu sujeito.

Ex: Bancários iniciam campanha eleitoral.

Concordância do verbo com o sujeito composto

1º Caso

Quando o sujeito composto vier anteposto ao verbo, o verbo irá para o plural. Ex: O milho e a soja subiram de preço.

Obs.: Quando os núcleos do sujeito forem sinônimos, o verbo poderá ficar no singular ou no plural. Ex: Medo e terror nos acompanha (acompanham) sempre.

Quando os núcleos do sujeito vierem resumidos por tudo, nada, alguém ou ninguém, o verbo ficará no singular. Ex: Dinheiro, mulheres, bebida, nada o atraía.

Quando o sujeito for formado por núcleos dispostos em gradação (ascendente ou descendente) o verbo ficará no singular ou no plural. Ex: Uma briga, um vento, o maior furacão não os inquietava (inquietavam).

2º. Caso

Quando o sujeito composto vier posposto ao verbo, o verbo irá para o plural ou concordará apenas com o núcleo do sujeito que estiver mais próximo. Ex: Chegou o pai e a filha. Chegaram o pai e a filha.

3º. Caso

Quando o sujeito composto for formado por pessoas gramaticais diferentes, o verbo irá para o plural na pessoa que tiver prevalência. 1º , 2º , 3º. 2º , 3º. Ex: Eu, tu e ele fizemos o exercício. Tu e ele fizeste / fizeram.

4º. Caso
Quando os núcleos do sujeito vierem ligados pela conjunção “ou” , o verbo ficará no singular se houver idéia de exclusão. Se houver idéia de inclusão o verbo irá para o plural. Ex: Pedro ou Antônio será o presidente do clube. (Exclusão) Laranja ou mamão fazem bem a saúde. (Inclusão)

Casos especiais de concordância verbal

1º. Caso

Com a expressão “um dos que” o verbo ficará no singular e no plural. O plural é construção dominante. Ex: Você é um dos que mais estudam (estuda).

2º. Caso

Quando o sujeito for constituído das expressões “mais de”, “menos de”, “cerca de” o verbo concordará com o numeral que segue as expressões. Ex: Mais de uma pessoa protestou contra a lei. Mais de vinte pessoas protestaram contra a decisão.

Obs.: Com a expressão “mais de um”pode ocorrer o plural:- Quando o verbo dá idéia de ação recíproca (troca de ações). Ex: Mais de uma pessoa se abraçaram.- Quando a expressão “mais de um” vem repetida. Ex: Mais de um amigo, mais de um parente estavam presentes.

3º. Caso
Se o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular o verbo só concordará com ele. Se esses pronomes estiverem no plural o verbo concordará com ele ou com o pronome pessoal. Ex: Qual de nós? Alguns de nós. Qual de nós viajará? Quais de nós viajarão (viajaremos)?

4º. Caso

Quando o sujeito for um coletivo o verbo ficará no singular. Ex: A multidão gritava desesperadamente.

Obs.: – Quando o coletivo vier seguido de um adjunto no plural, o verbo ficará no singular ou poderá ir para o plural. Ex: A multidão de torcedores gritava (gritavam) desesperadamente.

5º. Caso

Quando o sujeito de um verbo for pronome relativo “que”, o verbo concordará com o antecedente deste pronome. Ex: Sou eu que pago.

6º. Caso
Quando o sujeito de um verbo for um pronome relativo “quem”, o verbo concordará com o antecedente ou ficará na 3º pessoa do singular concordando com o sujeito quem. Ex: Sou eu quem paga (pago).

7º. Caso

Quando o sujeito for formado por nome próprio que só tem plural, não antecipado de artigo, o verbo ficará no singular; se o nome próprio vier antecipado de artigo o verbo irá para o plural. Ex: Minas Gerais possui grandes fazendas. Os Estados Unidos são uma nação poderosa.

8º. Caso

Os verbos impessoais ficam sempre na 3º pessoa do singular. Ex: Faz 5 anos… Havia crianças na fila.

Obs.: – Também fica na 3º pessoa de singular o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal formando uma locução verbal.

Ex: Deve haver crianças na fila. – O verbo existir não é impessoal.
Ex: Existiam crianças na fila. Devem existir crianças na fila. (O verbo auxiliar de um verbo pessoal concordará com o sujeito).

9º. Caso

Com os verbos “dar”, “bater”, “soar” se aparecer o sujeito”relógio”a concordância se fará com ele; se não aparecer com o sujeito “relógio” a concordância se fará com o número de horas. Ex: O relógio deu cinco horas. Deram cinco horas no relógio da matriz. … relógio da matriz: Adjunto adverbial de lugar.

10º. Caso
Quando o sujeito for formado por um pronome de tratamento o verbo irá sempre para 3º pessoa. Vossa Excelência leu meus relatórios?
11º. Caso
Quando “se” funcionar como partícula apassivadora o verbo concordará normalmente com o sujeito da oração. Ex: Pintou-se o carro. Alugam-se casas.
12º. Caso
Quando o “se” funcionar como Índice de Indeterminação do Sujeito o verbo ficará sempre na 3º pessoa do singular. Ex: Precisa-se de secretária. Vive-se bem aqui.
13º. Caso
O verbo parecer, seguido de infinitivo admite duas construções: – Flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. – Flexiona-se o infinitivo e não flexiona-se o verbo parecer. Ex: Os prédios parecem cair. Os prédios parece caírem.
Concordância com o verbo ser
a) Quando, em predicados nominais, o sujeito for representado por um dos pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO: o verbo ser ou parecer concordarão com o predicativo. Ex.: Tudo são flores./Aquilo parecem ilusões.

Poderá ser feita a concordância com o sujeito quando se quer enfatizá-lo. Ex.: Aquilo é sonhos vãos.

b) O verbo ser concordará com o predicativo quando o sujeito for os pronomes interrogativos QUE ou QUEM. Ex.: Que são gametas?/ Quem foram os escolhidos?

c) Em indicações de horas, datas, tempo, distância: a concordância será com a expressão numérica. Ex.: São nove horas./ É uma hora.

Em indicações de datas, são aceitas as duas concordâncias pois subentende-se a palavra dia. Ex.: Hoje são 24 de outubro./ Hoje é (dia) 24 de outubro.

d) Quando o sujeito ou predicativo da oração for pronome pessoal, a concordância se dará com o pronome. Ex.: Aqui o presidente sou eu.

Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem pronomes, a concordância será com o que aparece primeiro, considerando o sujeito da oração. Ex.: Eu não sou tu

e) Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se fará com o predicativo. Ex.: O menino era as esperanças da família.

f) Nas locuções é pouco, é muito, é mais de, é menos de junto a especificações de preço, peso, quantidade, distância e etc, o verbo fica sempre no singular. Ex.: Cento e cinqüenta é pouco./ Cem metros é muito.

g) Nas expressões do tipo ser preciso, ser necessário, ser bom o verbo e o adjetivo podem ficar invariáveis, (verbo na 3ª pessoa do singular e adjetivo no masculino singular) ou concordar com o sujeito posposto. Ex.: É necessário aqueles materiais./ São necessários aqueles materiais.

h) Na expressão é que, usada como expletivo, se o sujeito da oração não aparecer entre o verbo ser e o que, ficará invariável.Se aparecer, o verbo concordará com o sujeito. Ex.: Eles é que sempre chegam atrasados./ São eles que sempre chegam atrasados.

LETRA MAIÚSCULA

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A letra maiúscula é um recurso gráfico utilizado para dois propósitos: assinalar o início do período (em oposição ao ponto final, que o encerra) e dar destaque a uma palavra, seja ela um substantivo próprio ou não. Uma vez alfabetizados, não temos dificuldade em utilizar a maiúscula para o primeiro propósito, mas temos dúvidas freqüentes sobre quando dar ou não destaque à palavra.

O Formulário Ortográfico de 1943, que rege a matéria, não foi suficiente explícito quanto ao estabelecimento de normas.
Além do mais, dá margem à flexibilidade, quando permite o uso de inicial maiúscula por “especial relevo”, por “deferência, consideração, respeito”, quando “se queira realçar”, ou na designação de “alto conceito”, “altos cargos, dignidades ou postos.” Assim, sempre se poderia justificar o uso de maiúsculas pela “ênfase” ou “destaque”.

O que se observa hoje em dia são as seguintes tendências:

1. As grandes companhias jornalísticas criam, para vários casos, normas próprias e acabam criando uma tendência.
2. O emprego de maiúsculas em excesso, os negritos, os sublinhados ou os destaques estão caindo de moda, já que “poluem” o texto.
3. A tendência é, pois, a seguinte:
– mais formalidade, mais deferência, mais ênfase: maiúscula;
– mais modernidade, menos “poluição” gráfica, mais simplicidade: minúscula.

Nunca se pode esquecer, no entanto, da regra taxativa que preceitua o emprego obrigatório de letra inicial maiúscula nos substantivos próprios de qualquer natureza.

Quando devo usar maiúscula, obrigatoriamente?

1. No início de período ou citação.
Exemplos:
– Ao longo de sua existência, a PUCRS atingiu uma posição de destaque entre as instituições de ensino superior mais conceituadas do Brasil.
– O Ir. Norberto Francisco Rauch, reitor da PUCRS, declarou, ao lançar o Plano Estratégico da PUCRS 2001-2010: “A aspiração da PUCRS é tornar-se referência pela relevância de suas pesquisas e excelência de seus cursos e serviços, conforme descrito na sua Visão de Futuro.”

Observação: Se, depois dos dois pontos, vier um simples desdobramento da frase ou uma enumeração (e não uma citação direta), a palavra começará com minúscula. Exemplo: O contexto do ensino superior brasileiro apresenta, entre outras, as seguintes grandes tendências: expansão acelerada e interiorização de ensino superior, consolidação da pós-graduação e melhoria da qualificação do corpo docente.

2. Nas datas oficiais e nomes de fatos ou épocas históricas, de festas religiosas, de atos solenes e de grandes empreendimentos públicos ou institucionais.

Exemplos: Sete de Setembro, Quinze de Novembro, Ano Novo, Idade Média, Era Cristã, Antigüidade, Sexta-Feira Santa, Dia das Mães, Dia do Professor, Natal, Confraternização Universal, Corpus Christi, Finados.

Observação: empregue letra minúscula em casos como os seguintes: era espacial, era nuclear, era pré-industrial, etc.

3. Nos títulos de livros, teses, dissertações, monografias, jornais, revistas, artigos, filmes, peças, músicas, telas, etc.

Observação: escrevem-se com inicial minúscula os artigos, as preposições, as conjunções e os advérbios desses títulos.

Exemplos: O Catecismo ao Alcance de Todos, Pilares da PUCRS, O Racional e o Mitológico em Wittgenstein, Os Sentidos da Justiça em Aristóteles, Introdução a Estudos de Fonologia do Português Brasileiro.

4. Nos nomes dos pontos cardeais e dos colaterais quando indicam as grandes regiões do Brasil e do mundo.

Exemplos: Sul, Nordeste, Leste Europeu, Oriente Médio,etc.

Observação: Quando designam direções ou quando se empregam como adjetivo, escrevem-se com inicial minúscula: o nordeste do Rio Grande do Sul; percorreu o Brasil de norte a sul, de leste a oeste; o sudoeste de Santa Catarina; vento norte; litoral sul; zona leste, etc.

5. Nos nomes de disciplinas de um currículo ou de um exame.

Exemplos: Introdução à Bíblia, Teologia Moral V, Língua Portuguesa I, Filosofia II, História da Psicologia, Matemática B, Cirurgia IV, Mecânica Geral,etc.

6. Nos ramos do conhecimento humano, quando tomados em sua dimensão mais ampla:

Exemplos: a Ética, a Lingüística, a Filosofia, a Medicina, a Aeronaútica, etc.

7. Nos nomes dos corpos celestes.

Exemplos: Terra, Sol, Lua, Via-Láctea, Saturno, etc.

8. Nos nomes de leis, decretos, atos ou diplomas oficiais.

Exemplos: Decreto Federal nº 25. 794; Portaria nº 1054, de 17-9-1998; Lei dos Direitos Autorais nº 9.609; Parecer nº 03/00; Sessão nº 01/00; Resolução 3/87 CFE, etc.

9. Em todos os elementos de um nome próprio composto, unidos por hífen.

Exemplos: Pró-Reitoria de Ensino e Graduação, Pós-Graduação em Finanças, etc.

10. Nos nomes de eventos (cursos, palestras, conferências, simpósios, feiras, festas, exposições, etc.).

Exemplos: Simpósio Internacional de Epilepsia; Jornada Paulista de
Radiologia; II Congresso Gaúcho de Educação Médica; Técnicas de Ventilação em Neonatologia, etc.

11. Nos nomes de diversos setores de uma administração ou instituição.

Exemplos: Reitoria, Pró-Reitoria de Administração, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Pró-Reitoria de Extensão Universitária, Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, Gabinete da Reitoria, Assessoria Jurídica, Assessoria de Comunicação Social, Gerência de Web, Conselho Departamental, Departamento de Jornalismo, Centro de Pastoral Universitária, etc.

Observação: Na designação das profissões e dos ocupantes de cargo (presidente, vice, ministro, senador, deputado, secretário, prefeito, vereador, papa, arcebispo, cardeal, princesa, rei, rainha, diretor, coordenador, advogado, professor, engenheiro, reitor, pró-reitor, etc) empregue-se letra minúscula, apesar de a norma oficial determinar maiúscula para os “altos cargos, dignidades ou postos”. Exemplos: reitor, vice-reitor, pró-reitor, chefe de gabinete, assessor, diretor, vice-diretor, coordenador, professor, etc.

12. Nos nomes comuns, quando personificados ou individualizados.

Exemplos: O Estado (Rio Grande do Sul), o País, a Nação (o Brasil), etc.

13. Nos pronomes de tratamento e nas suas abreviaturas.

Exemplos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Senhor, Senhora, Dom, Dona, V. Exa., V. Sa., etc.

14. Nos acidentes geográficos e sua denominação.

Exemplos: Rio das Antas, Rio Taquari, Serra do Mar, Golfo Pérsico, Cabo da Boa Esperança, Lagoa dos Quadros, Oceano Atlântico.

Observação: Segundo a norma oficial, escrevem-se com minúsculas: rio Taquari, monte Everest, etc. Acontece, no entanto, que tal procedimento poderá trazer confusão quando o acidente geográfico faz parte integrante, indissociável do nome próprio: Mar Morto, Mar Vermelho, Trópico de Câncer, Hemisfério Sul, etc. Se a opção for sempre pela maiúscula, a grafia, neste caso, ficará mais fácil.

15. Nos nomes de logradouros públicos (avenida, ruas, travessas, praças, pontes, viadutos, etc.).

Exemplos: Avenida Farrapos, Rua Vicente da Fontoura, Travessa Fonte da Saúde, Parque Farroupilha, Praça São Sebastião, Praça Dom Feliciano, etc.

PRONOME

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Palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha um substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.

Pronome substantivo X pronome adjetivo

Esta classificação pode ser atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto frasal.

pronome substantivo – substitui um substantivo, representando-o. (Ele prestou socorro)
pronome adjetivo – acompanha um substantivo, determinando-o. (Aquele rapaz é belo)

Observação

Os pronomes pessoais são sempre substantivos

Pessoas do discurso

1a pessoa – aquele que fala, emissor
2a pessoa – aquele com quem se fala, receptor
3a pessoa – aquele de que ou de quem se fala, referente

Tipos de pronomes:

•pessoal
•possessivo
•demonstrativo
•relativo
•indefinido
•interrogativo
Pessoal

Indicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. Podem também representar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa.

Ex.: A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe.

Apresentam variações de forma dependendo da função sintática que exercem na frase. Os pronomes pessoais retos desempenham, normalmente, função de sujeito; enquanto os oblíquos, geralmente, de complemento.

Observação: Os pronomes oblíquos tônicos devem vir regidos de preposição. Em comigo, contigo, conosco e convosco, a preposição com já é parte integrante do pronome.

Os pronomes de tratamento estão enquadrados nos pronomes pessoais. São empregados como referência à pessoa com quem se fala (2a pessoa), entretanto, a concordância é feita com a 3ª pessoa

Observação: também são considerados pronomes de tratamento as formas você, vocês (provenientes da redução de Vossa Mercê), Senhor, Senhora e Senhorita.

Emprego

as formas oblíquas o, a, os, as completam verbos que não vêm regidos de preposição; enquanto lhe e lhes para verbos regidos das preposições a ou para (não expressas)

em pouco uso, porém vigente, as formas mo, to, no-lo, vo-lo, lho e flexões resultam da fusão de dois objetos, representados por pronomes oblíquos (Ninguém mo disse = ninguém o disse a mim)

o, a, os e as viram lo(a/s), quando associados a verbos terminados em r, s ou z e viram no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo nasal

o/a (s), me, te, se, nos, vos desempenham função se sujeitos de infinitivo ou verbo no gerúndio, junto ao verbo fazer, deixar, mandar, ouvir e ver (Mandei-o entrar / Eu o vi sair / Deixei-as chorando)

você hoje é usado no lugar das 2as pessoas (tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa

as formas de tratamento serão precedidas de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S.

quando precedidos de preposição, os pronomes retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como oblíquos

eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ? para mim fazer)

pronomes acompanhados de só ou todos, ou seguido de numeral, assumem forma reta e podem funcionar como objeto direto (Estava só ele no banco / Encontramos todos eles)

me, te, se, nos, vos – podem ter valor reflexivo, enquanto se, nos, vos – podem ter valor reflexivo e recíproco

si e consigo – têm valor exclusivamente reflexivo e usados para a 3ª pessoa

conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica (com nós e com vós) quando vierem com modificadores (todos, outros, mesmos, próprios, numeral ou or. adjetiva)

os pronomes pessoais retos podem desempenhar função de sujeito, predicativo do sujeito ou vocativo, este último com tu e vós (Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto / Ó, tu, Senhor Jesus)

não se pode contrair as preposições de e em com pronomes que sejam sujeitos (Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas dele bem aqui)

os pronomes átonos podem assumir valor possessivo (Levaram-me o dinheiro / Pesavam-lhe os olhos)

alguns pronomes átonos são partes integrantes de verbos como suicidar-se, apiedar-se, condoer-se, ufanar-se, queixar-se, vangloriar-se etc.

pode-se usar alguns pronomes oblíquos como expressão expletiva (Não me venha com essa)

Observação

as regras de colocação dos pronomes pessoais do caso oblíquos átonos serão vistas em separado

Possessivo

Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em gênero e número com a coisa possuída.

Emprego

normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase

seu (a/s) pode causar ambigüidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s) (Ele disse que Maria estava trancada em sua casa – casa de quem?)

pode indicar aproximação numérica (ele tem lá seus 40 anos), posse figurada (“Minha terra tem palmeiras”), valor de indefinição = algum (Tenho cá as minhas dúvidas!)

nas expressões do tipo “Seu João”, seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética de Senhor.

Demonstrativo

Indicam posição de algo em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo. Isto, isso e aquilo são invariáveis e se empregam exclusivamente como substitutos de substantivos.

Mesmo, próprio, semelhante, tal (s) e o (a/s) podem desempenhar papel de pronome demonstrativo.

Emprego

uso dêitico, indicando localização no espaço – este (aqui), esse (aí) e aquele (lá)

uso dêitico, indicando localização temporal – este (presente), esse (passado próximo) e aquele (passado remoto ou bastante vago)

uso anafórico, em referência ao que já foi ou será dito – este (novo enunciado) e esse (retoma informação)

o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a aquele (a/s), isto (Leve o que lhe pertence)

tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a), este (a) ou aquele (a) e semelhante, quando anteposto ao substantivo a que se refere e equivalente a “aquele”, “idêntico” (O problema ainda não foi resolvido, tal demora atrapalhou as negociações / Não brigue por semelhante causa)

como referência a termos já citados, os pronomes aquele (a/s) e este (a/s) são usados para primeira e segunda ocorrências, respectivamente, em apostos distributivos (O médico e a enfermeira estavam calados: aquele amedrontado e esta calma / ou: esta calma e aquele amedrontado)

pode ocorrer a contração das preposições a, de, em com os pronomes demonstrativos (Não acreditei no que estava vendo / Fui àquela região de montanhas / Fez alusão à pessoa de azul e à de branco)

podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele estava com aquela paciência / Aquilo é um marido de enfeite)

nisso e nisto (em + pronome) podem ser usados com valor de “então” ou “nesse momento” (Nisso, ela entrou triunfante – nisso = advérbio)

Relativo

Retoma um termo expresso anteriormente (antecedente) e introduz uma oração dependente, adjetiva.

São eles que, quem e onde – invariáveis; além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).

São chamados relativos indefinidos quando são empregados sem antecedente expresso (Quem espera sempre alcança / Fez quanto pôde)

Emprego

o antecedente do relativo pode ser demonstrativo o (a/s) (O Brasil divide-se entre os que lêem ou não)

como relativo, quanto refere-se ao antecedente tudo ou todo (Ouvia tudo quanto me interessava)

quem será precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados expressos

quem = relativo indefinido quando é empregado sem antecedente claro, não vindo precedido de preposição

cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu conseqüente. Ele tem sempre valor adjetivo e não pode ser acompanhado de artigo.

Indefinido

Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico, representando pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade indeterminada. Em função da quantidade de pronomes indefinidos, merece atenção sua identificação.

Emprego

algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum resolverá o problema)

cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas cada uma)

alguns pronomes indefinidos, se vierem depois do nome a que estiverem se referindo, passam a ser adjetivos. (Certas pessoas deveriam ter seus lugares certos / Comprei várias balas de sabores vários)

bastante pode vir como adjetivo também, se estiver determinando algum substantivo, unindo-se a ele por verbo de ligação (Isso é bastante para mim)

o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente hoje)

existem algumas locuções pronominais indefinidas – quem quer que, o que quer, seja quem for, cada um etc.

todo com valor indefinido antecede o substantivo, sem artigo (Toda cidade parou para ver a banda ? Toda a cidade parou para ver a banda)

Interrogativo

São os pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. Referem-se à 3a pessoa do discurso. (Quantos livros você tem? / Não sei quem lhe contou)

Observação
há interrogativos adverbiais (Quando voltarão? / Onde encontrá-los? / Como foi tudo?)

DITONGOS E HIATOS

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Numa palavra, pode ocorrer que as vogais graficamente estejam juntas, mas sejam pronunciadas separadamente. Nesse caso, dizemos que há um hiato: saúde [sa-ú-de]; Itajaí [I-ta-ja-í]; balaústre [ba-la-ús-tre]; saída [sa-í-da]; rainha [ra-i-nha]; painho [pa-i-nho].

Outras vezes, as vogais estão juntas e são pronunciadas numa só emissão de voz. Dizemos, então, que há um ditongo: Orfeu, , dei, meu, dói, chapéu, etc.

Os ditongos podem ser pronunciados de um modo aberto (ditongos orais ou abertos) e com a pronúncia fechada (ditongos fechados ou nasais).

Os ditongos abertos -éi, -éu ou -ói só são acentuados nas palavras oxítonas (sílaba tônica é a última): anéis, batéis, farnéis (mas farneizinhos), papéis (mas papeizinhos), céu (s), chapéu (s) (mas chapeuzito), ilhéu (s) (mas ilheuzito), véu (s) (mas veuzinho), corrói (de corroer), herói (s), lençóis (mas lençoizinhos), móis, mói (de moer), remóis, remói (de remoer), sóis (de soer), sói (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo soer).

Mas esses mesmos ditongos, embora sejam pronunciados abertos, não são graficamente acentuados na sílaba tônica das palavras paroxítonas: assembleia, ateia, boleia, Coreia, Crimeia, Eneias, epopeia, epopeico, Galileia, geleia, hebreia, ideia; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), boia (substantivo e verbo), heroico, introito, jiboia, paranoico.

Não acentue os ditongos iu e ui quando precedidos de vogal: distraiu, instruiu, pauis (plural de paul).

É bom observar que as formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo, perderam o acento circunflexo. Assim: leem, creem, veem, releem, descreem, reveem, preveem (3ª pessoa do plural do presente do indicativo); deem (presente do subjuntivo).

Muita atenção! Conserva-se, por clareza gráfica, o acento circunflexo do singular das formas verbais crê, dê, lê, vê e dos derivados descrê, relê, revê, prevê, etc.

As palavras paroxítonas
terminadas em oo, formando hiato, perderam o acento: abençoo (flexão de abençoar); aperfeiçoo (de aperfeiçoar); destoo (flexão de destoar); enjoo (substantivo e flexão de enjoar); magoo (flexão de magoar); povoo (flexão de povoar); voo (substantivo e flexão de voar), etc.

Também as paroxítonas, cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongos, não são acentuadas: baiuca, bocaiuva, cauila (cauira), cheiinho (de cheio), saiinha (de saia).

Mas, atenção! Levam, porém, acento agudo as vogais i e u (seguidas ou não de s) das palavras oxítonas precedidas de ditongo: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.

Esteja atento e não acentue as vogais i e u quando vêm antes de nh, l, m, n, r e z: bainha, moinho, Adail, Raul, Coimbra, ruim, constituinte, oriundo, demiurgo, juiz, raiz. Portanto, não se usa acento se a consoante for diferente de s: cauim.

VÍCIOS DE LINGUAGEM

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São alterações defeituosas que sofre a língua em sua pronúncia e escrita devidas à ignorância do povo ou ao descaso de alguns escritores. São devidas, em grande parte, à suposta idéia da afinidade de forma ou pensamento.

Os vícios de linguagem são: barbarismo, anfibologia, cacofonia, eco, arcaísmo, vulgarismo, estrangeirismo, solecismo, obscuridade, hiato, colisão, neologismo, preciosismo, pleonasmo.

BARBARISMO:

É o vício de linguagem que consiste em usar uma palavra errada quanto à grafia, pronúncia, significação, flexão ou formação. Assim sendo, divide-se em: gráfico, ortoépico, prosódico, semântico, morfológico e mórfico.

•Gráficos: hontem, proesa, conssessiva, aza, por: ontem, proeza, concessiva e asa.

•Ortoépicos: interesse, carramanchão, subcistir, por: interesse, caramanchão, subsistir.

•Prosódicos: pegada, rúbrica, filântropo, por: pegada, rubrica, filantropo.

•Semânticos: Tráfico (por tráfego) indígena (como sinônimo de índio, em vez de autóctone).

•Morfológicos: cidadões, uma telefonema, proporam, reavi, deteu, por: cidadãos, um telefonema, propuseram, reouve, deteve.

•Mórficos: antidiluviano, filmeteca, monolinear, por: antediluviano, filmoteca, unlinear.

OBS.: Diversos autores consideram barbarismo palavras, expressões e construções estrangeiras, mas, nesta apostila, elas serão consideradas “estrangeirismos.”

AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA:

É o vício de línguagem que consiste em usar diversas palavras na frase de maneira a causar duplo sentido na sua interpretação.

Ex.: Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado. O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia. (nos dois casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente).

CACOFONIA:

Vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável ao ouvido. Constituem cacofonias:

•A colisão.

Ex.: Meu Deus não seja já.

•O eco

Ex.: Vicente mente consantemente.

•o hiato

Ex.: Ela iria à aula hoje, se não chovesse

•O cacófato

◦Ex.: Tem uma mão machucada: A aliteração – Ex.: Pede o Papa paz ao povo. O antônimo é a “eufonia”.

ECO:

Espécie de cacofonia que consiste na seqüência de sons vocálicos, idênticos, ou na proximidade de palavras que têm a mesma terminação. Também se chama assonância.

Ex.: É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.

Na poesia, a “rima” é uma forma normal de eco. São expressivas as repetições vocálicas a curto intervalo que visam à musicalidade ou à imitação de sons da natureza (harmonia imitativa); “Tíbios flautins finíssimos gritavam” (Bilac).

ARCAÍSMO:

Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou passaram a ter emprego diverso.

Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então), vosmecê (por você), geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a significação antiga de olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois de forma verbal do futuro do indicativo), etc.

VULGARISMO:

É o uso lingüístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma região.

O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático.

•Fonético:

◦A queda dos erres finais: anda, comê, etc. A vocalização do “L” final nas sílabas.


Ex.: mel = meu , sal = saú etc.

◦A monotongação dos ditongos.


Ex.: estoura = estóra, roubar = robar.

◦A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.


Ex.: advogado = adevogado, rítmo = rítimo, psicologia = pissicologia.

•Morfológico e sintático:

◦Temos a simplificação das flexões nominais e verbais.


Ex.: Os aluno, dois quilo, os homê brigou.

◦Também o emprego dos pronomes pessoais do caso reto em lugar do oblíquo.


Ex.: vi ela, olha eu, ó gente, etc.

ESTRANGEIRISMO:

Todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma recebe denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo (inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo, tupinismo (tupi-guarani), americanismo (línguas da América) etc…

O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático.

•Estrangeirismos morfológicos:

◦Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc…

◦Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc…

◦Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc…

◦Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche breque.

◦Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc…

◦Eslavismos: gravata, estepe etc…

◦Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc…

◦Hebraísmos: amém, sábado etc…

◦Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc…

◦Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc…

◦Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc…

◦Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc…

◦Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc…

◦Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc…

•Estrangeirismos Sintáticos:

Exemplos:

◦Saltar aos olhos (francesismo);

◦Pedro é mais velho de mim. (italianismo);

◦O jogo resultou admirável. (espanholismo);

◦Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc…

SOLECISMOS:

São os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.

Exemplos:

•Solecimos de regência:

◦Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme).

◦Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em 1923).

◦Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).

•Solecismo de concordância:

◦Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa)

◦O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).

•Solecismo de colocação:

◦Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou).

◦Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).

OBSCURIDADE:

Vício de linguagem que consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne obscuro, embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o abuso do arcaísmo e o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise (hipérbato vicioso), o parêntese extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes) as circunlocuções, a extensão exagerada da frase, as palavras rebuscadas, as construções intrincadas e a má pontuação.

Ex.: Foi evitada uma efusão de sangue inútil (Em vez de efusão inútil de sangue).

NEOLOGISMO:

Palavra, expressão ou construção recentemente criadas ou introduzidas na língua. Costumam-se classificar os neologismos em:

•Extrínsecos: que compreendem os estrangeirismos.

•Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua. Podem ser de origem culta ou popular.

Os neologismos de origem culta subdividem-se em:

•Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução: táxi), fonemática, televisão, comunista, etc…

•Literários ou artísticos: olhicerúleo, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal, festival, recital, concretismo, modernismo etc…

OBS.: Os neologismos populares são constituídos pelos termos de gíria. “Manjar” (entender, saber do assunto), “a pampa”, legal (excelente), Zico, biruta, transa, psicodélico etc…

PRECIOSISMO:

Expressão rebuscada. Usa-se com prejuízo da naturalidade do estilo. É o que o povo chama de “falar difícil”, “estar gastando”.

Ex.: “O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência astral e rendilhara d’alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos manuelinos.”

OBS.: O preciosismo também pode ser chamado de PROLEXIDADE.

PLEONASMO:

Emprego inconsciente ou voluntário de palavras ou expressões involuntárias, desnecessárias, por já estar sua significação contida em outras da mesma frase.

O pleonasmo, como vício de linguagem, contém uma repetição inútil e desnecessária dos elementos.

Exemplos:

◦Voltou a estudar novamente.

◦Ele reincidiu na mesma falta de novo.

◦Primeiro subiu para cima, depois em seguida entrou nas nuvens.

◦O navio naufragou e foi ao fundo. Neste caso, também se chama perissologia ou tautologia.

VIAGEM OU VIAJEM?

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Primeiro de tudo, ao começar a escrever, me perguntou bem á la Modelo burro, viajgem se escreve com g ou j, então pesquisei e descobri que:
Alterar tamanho do texto“Viagem” e “viajem” são palavras homófonas, ou seja, possuem a mesma pronúncia. Então, no geral, causam dúvida quanto ao emprego na escrita: com “g” ou com “j”?

Viagem – jornada
Viajem – do verbo viajar

Observemos: “viagem” é substantivo e, portanto, não admite flexão. Logo, quando flexionado, teremos “viajem” para a terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo: que eles viajem. Ou ainda no imperativo afirmativo: viajem eles.

Um substantivo, geralmente, vem antecedido por um artigo ou pronome ou um termo que o defina: a, o, uma, um, esta, essa, este, esse, aquele, aquela, boa. Veja exemplos com o substantivo “viagem”:

a) Uma viagem como esta não pode faltar na sua lua-de-mel!
b) Vamos iniciar a viagem com um pouco de música.
c) A viagem que nós fizemos foi perfeita!
d) Aquela viagem não foi muito boa, o lugar de dormir tinha muito barulho!
e) Vamos deixar essa viagem para um próximo feriado?
f) Certeza que essa viagem foi cancelada!
g) Você fez boa viagem?

No caso do verbo, há um sujeito acompanhando-o, praticando a determinada ação verbal. Logo, os pronomes, usualmente, se fazem presente:

a) Espero
que eles viajem sem problemas.
b) Viajem seguros na companhia aérea “Security air”!

Em outras conjugações:

a) Eu viajarei tranquilo, pois estou em paz!
b) Nós viajamos mais de 2 mil km para estar aqui!
c) Ela não sabe viajar calada, então, não consegui dormir!

Portanto, é fácil não errar mais, é só lembrar: Sempre use “j” nas conjugações verbais e “g” quando for substantivo!

LITERATURA NO BRASIL

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SÉCULO XVI
Os primeiros registros de atividade escrita no Brasil não são obras literárias, mas textos informativos sobre a “nova terra”. São crônicas históricas como a Carta ao Rei dom Manuel, de Pero Vaz de Caminha; o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a Que Vulgarmente Chamamos Brasil, de Pero Magalhães Gândavo; o Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa; e o Diálogo sobre a Conversão dos Gentios, composto entre 1556 e 1558 pelo padre Manoel da Nóbrega. Destacam-se também o teatro e os poemas do padre José de Anchieta.

Século XVII
Sob influência da Contra-Reforma, a estética barroca tenta conciliar opostos, como Deus e diabo, bem e mal, carne e espírito, pecado e arrependimento. Na literatura, o conflito se traduz em figuras de oposição, bem como no exagero e no estilo sinuoso. Esse movimento corresponde ao nascimento da literatura brasileira. O marco inicial é o poema épico Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira. Mas é Gregório de Matos o maior representante do gênero. Sua poesia lírica, bastante influenciada por Camões, Gôngora e Quevedo, se subdivide em amorosa, reflexiva e religiosa. No gênero satírico, Gregório de Matos não poupa ninguém de suas críticas, ficando por isso conhecido como “Boca do Inferno”. Na prosa, destacam-se os sermões de padre Antônio Vieira (Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes).

Século XVIII
O neoclassicismo se coloca contra os excessos formais do barroco e tenta retomar os valores desenvolvidos no classicismo. Reflete a aversão do espírito iluminista ao obscurantismo religioso do século anterior. Já o termo arcadismo, também atribuído a esse movimento literário, se deve ao bucolismo de muitos poetas do período, que adotavam pseudônimos de pastores para assinar seus poemas. O marco do arcadismo no Brasil é a publicação, em 1768, de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. Influenciado pelo iluminismo, ele participa da Inconfidência Mineira ao lado dos poetas Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Este, além das liras, reunidas em Marília de Dirceu, escreve também obra satírica, como as Cartas Chilenas. No gênero épico, destacam-se José Basílio da Gama (O Uraguai) e frei José de Santa Rita Durão (Caramuru). Igualmente se salientaram, ao fim do século, Domingos Caldas Barbosa e Silva Alvarenga

OS SALÕES DE LITERATURA
O ciclo do ouro, que possibilita o desenvolvimento da vida urbana, favorece a fundação das chamadas academias literárias, em que escritores e intelectuais se encontram para discutir a criação de uma literatura própria da América portuguesa e o estudo da história. Essas agremiações reúnem a elite da época em torno de atividades culturais, até então praticadas individualmente ou nos conventos. Entre as principais, estão a Academia Brasílica dos Esquecidos (1724), a Academia dos Seletos (1752) e a Academia Brasílica dos Renascidos (1759).

Século XIX
A saturação dos modelos neoclássicos e a necessidade de uma literatura que expresse o país independente resultam no florescimento do romantismo. O marco inicial do movimento é a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, em 1836. O ideal romântico do nacionalismo é expresso pelos indianistas, dos quais se destaca o poeta Gonçalves Dias (Primeiros Cantos). O individualismo é representado pela geração ultra-romântica – Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo –, influenciada pelo poeta inglês Lord Byron. O principal nome da poesia condoreira, que se caracteriza pela grandiloqüência e pelo uso de antíteses e hipérboles, é Castro Alves (Espumas Flutuantes), conhecido como o poeta dos escravos. Considerado o fundador do romance nacional, José de Alencar é o autor de narrativas indianistas (O Guarani), históricas (As Minas de Prata), urbanas (Lucíola) e regionalistas (O Gaúcho).

Século XIX (segunda metade)
O esgotamento da literatura romântica, que se alimentava de uma visão idealizadora da realidade, conduz à consagração do realismo. Influenciado pelo cientificismo, em voga na época, o movimento busca a descrição objetiva da realidade. O maior escritor do período, Machado de Assis, no entanto, não segue ortodoxamente esses princípios. Sua carreira costuma ser dividida em fase de aprendizagem, na qual se observam resquícios do romantismo, como nos romances Ressurreição, A Mão e a Luva e Helena; e a fase de maturidade, em que enfatiza a penetração psicológica e a reflexão sobre a existência, como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro. Os contemporâneos de Machado de Assis adotam o naturalismo, que considera o homem fruto do meio em que vive e leva a observação ao nível da minúcia, em sua ânsia de descrever cientificamente a realidade. O principal representante dessa tendência no Brasil é Aluísio Azevedo, autor de O Mulato e O Cortiço. Raul Pompéia cria em O Ateneu um estilo híbrido, realista com traços naturalistas, incorporando também elementos vagos e sugestivos, característicos do impressionismo, e a descrição grosseira e caricatural do expressionismo. Na poesia, duas correntes dividem os artistas: o parnasianismo e o simbolismo. O parnasianismo propõe o ideal da arte pela arte, dando preferência a uma poesia descritiva, em que sobressaem o rigor formal e o gosto por temas clássicos. No Brasil, o movimento ganha a cena literária a partir da década de 1880 e nela permanece até o começo do século XX. Seus maiores expoentes são Alberto de Oliveira (Meridionais), Raimundo Correia (Sinfonias) e Olavo Bilac (Poesias). Os primeiros livros filiados ao simbolismo, Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poemas), pertencem a João da Cruz e Sousa e foram publicados, ambos, em 1893. O movimento simbolista preocupa-se não em descrever objetivamente, mas em sugerir. Por isso seus poemas parecem vagos, feitos de imagens que se originam no sonho, na intuição, nas camadas mais profundas do inconsciente. Os versos possuem grande musicalidade. Outro poeta simbolista de destaque é Alphonsus de Guimaraens (Dona Mística).

1900-1922
Os modelos parnasianos e simbolistas estão desgastados, mas não há nova proposta estética, que só se manifesta com o modernismo, em 1922. O pré-modernismo é considerado um período de transição, em que prevalece a preocupação em entender a realidade social brasileira. Desenvolve-se então o regionalismo, que aparece ainda no século XIX, com José de Alencar, Franklin Távora e Bernardo Guimarães, e se caracteriza pela descrição pitoresca dos costumes do interior. João Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira e Afonso Arinos estão entre os principais nomes dessa tendência, mas o destaque pertence a Monteiro Lobato, autor de Urupês e Cidades Mortas, que se volta, em seus contos, para o cotidiano do caipira. Ele também é muito conhecido pelas histórias infantis do Sítio do Picapau Amarelo. Lima Barreto transpõe para seus romances a vida dos subúrbios cariocas, numa linguagem que se distancia da influência parnasiana e da ideologia positivista. Euclides da Cunha relata a Guerra de Canudos no monumental trabalho Os Sertões. Sobressai ainda a obra original de Augusto dos Anjos (Eu), que traz para o universo da poesia o vocabulário científico e a escatologia característicos do naturalismo.

1922-1930
O evento que marca o início do modernismo no Brasil é a Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Influenciados pelas vanguardas européias, os modernistas promovem uma revolução estética baseada principalmente no verso livre, na incorporação poética do cotidiano, na utilização de uma linguagem telegráfica, fragmentada, com elementos extraídos da oralidade e do coloquialismo. Seus expoentes são Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Destacam-se ainda os escritores Menotti del Picchia e Cassiano Ricardo (do grupo Verde-Amarelo), Raul Bopp e Alcântara Machado.

1930-1945
As conquistas modernistas vão sendo incorporadas aos padrões estéticos nacionais, o que permitiu à chamada geração de 30 voltar-se para temas de teor social, como a denúncia das desigualdades no campo e na cidade. No romance, o movimento é conhecido como neo-realista e aparece nas obras de Graciliano Ramos, Vidas Secas, de José Lins do Rego, Fogo Morto, de Rachel de Queiroz, O Quinze, e de Jorge Amado, O País do Carnaval, autores que tratam da seca, da vida miserável nordestina, da exploração e do desajuste social e psicológico. Erico Verissimo escreve, nesse período, romances urbanos, entre eles Clarissa e Olhai os Lírios do Campo. Na poesia, observa-se o retorno a um texto de contornos místicos, religiosos e sugestivos, que lembra certos aspectos do romantismo e do simbolismo. Os principais poetas que atuam a partir de então são Jorge de Lima, Murilo Mendes, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e Augusto Frederico Schmidt. Mário Quintana segue essa tendência até a década de 1990. Carlos Drummond de Andrade, um dos mais importantes poetas brasileiros, realiza uma síntese entre racionalismo e lirismo, revolta e conformismo, angústia e humor.

1940-1960
A literatura brasileira abandona o compromisso estrito com as temáticas de orientação social e revela a tendência ao experimentalismo lingüístico. João Guimarães Rosa, autor de Sagarana e Grande Sertão: Veredas, desenvolve um regionalismo universalista. João Cabral de Melo Neto trata da problemática social em Morte e Vida Severina e produz uma poesia em que sobressaem o rigor formal e a contenção, sem prejuízo do lirismo, em obras como A Educação pela Pedra. Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem e Laços de Família) volta-se para a realidade psicológica das personagens, revelando influência do existencialismo e valorizando as técnicas do fluxo de consciência. Também na linha do romance psicológico está a ficção de Cornélio Pena (A Menina Morta) e de Lúcio Cardoso (Crônica da Casa Assassinada). Na década de 1950 surge a poesia concreta, movimento de vanguarda criado pelos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari. Ela se opõe ao formalismo da geração de 45, ao se aproximar dos modernistas de 22, na medida em que propõe a destruição do verso e a exploração inovadora dos espaços da página. Rivalizando com o grupo concretista aparece, em 1962, a Poesia Práxis, de Mário Chamie.

Décadas de 1960 e 1970
A situação política do país, com seus sucessivos governos militares e a censura, fortalece os romances-reportagens, como os de José Louzeiro, e as obras que têm como pano de fundo a realidade brasileira, como Quarup, de Antônio Callado. São também retratos da época livros como Zero, de Ignácio Loyola Brandão, e A Festa, de Ivan Ângelo. Outro autor importante é Raduan Nassar, com sua linguagem apurada. Lígia Fagundes Telles publica contos e romances de grande penetração psicológica. Na linha dos romances intimistas, sobressaem a narrativa refinada de Autran Dourado (Sinos da Agonia) e o complexo trabalho estilístico de Osman Lins (Avalovara). Os contos de Dalton Trevisan misturam o grotesco ao banal. Pedro Nava destaca-se como memorialista. Ferreira Gullar, que se distanciara da poesia concreta, continua a produzir sua poesia participante. A partir do fim dos anos 1970 aparece a chamada geração mimeógrafo, responsável por uma poesia anárquica, satírica e coloquial. Seus principais nomes são Ana Cristina César e Cacaso.

Década de 1980
O período conhecido por pós-modernidade tem como característica marcante a heterogeneidade – pluralidade de vozes, de estilos, de gêneros e de visões do mundo. No Brasil, a chamada geração de 80 é marcada pelo desencanto em relação aos ideais de engajamento social e político da década de 1970. Caracteriza-se pela temática predominantemente urbana, com ênfase nos estilos pessoais e na exploração de novas técnicas narrativas. João Antônio revitaliza o conto brasileiro, e Silviano Santiago, a narrativa ficcional, com Em Liberdade (1981).

1980-1985
No gênero policial, Rubem Fonseca explora os efeitos psíquicos, sociais e estéticos da violência urbana, sobretudo em A Grande Arte (1983). Hilda Hilst trabalha temas metafísicos, privilegiando a exploração do universo sexual e a utilização do fluxo de consciência em poesia e prosa poética. Nas obras de João Gilberto Noll (A Fúria do Corpo), a sexualidade vem acompanhada de um clima pesado de delírio. Caio Fernando Abreu dedica-se ao romance urbano de inflexões intimistas. João Ubaldo Ribeiro investiga a história da identidade brasileira em Viva o Povo Brasileiro (1984). Do mesmo ano é o romance de Nelida Piñon, República dos Sonhos, que aborda as aventuras de imigrantes no Brasil. Na poesia, José Paulo Paes, Haroldo de Campos e Paulo Leminski continuam a explorar técnicas inspiradas no concretismo. Ganha destaque a poesia de Adélia Prado, que trabalha o universo feminino e cotidiano.

1986-1989
Ana Miranda lança o romance Boca do Inferno, sobre a vida de Gregório de Matos. No romance intimista destaca-se o livro de estréia de Milton Hatoum, Relato de um Certo Oriente. Josué Montello privilegia o universo maranhense em narrativas históricas. Nesse período divulga-se a poesia de Manuel de Barros (publicada em 1990), cujo apurado trabalho estilístico se volta para os temas ligados à região do Pantanal. Também é importante a obra reflexiva e metalingüística da poeta Orides Fontela.

Década de 1990
Em meio à pluralidade de estilos e técnicas característicos da pós-modernidade, sobressaem algumas tendências comuns. É o caso dos romances que, inspirados no fim do milênio, procuram analisar a história do país por meio de incursões ficcionais na história contemporânea. Também ressurge a temática memorialística, que, com base em lembranças pessoais, compõe certos painéis da história nacional.

1990-1995
O compositor Chico Buarque estréia no romance com a narrativa labiríntica e delirante de Estorvo (1991). Na moderna prosa regionalista, Francisco Dantas retrata um Nordeste em decadência em Coivara da Memória. Fernando Morais publica o romance-reportagem Chatô, e João Silvério Trevisan se destaca no romance histórico (Ana em Veneza). Na poesia, a influência do concretismo e da música popular aparece na obra de Arnaldo Antunes. Ganha importância uma nova geração de poetas: Alexei Bueno, Nelson Ascher, Régis Bonvicino, Rubens Rodrigues Torres Filho e Paulo Henriques Britto, além do veterano Wally Salomão.

1996-1999
Bernardo Carvalho mescla o suspense ao trabalho de desconstrução da narrativa nas obras Os Bêbados e os Sonâmbulos (1996) e Teatro (1998). Dentro do gênero urbano e policial, Patrícia Melo evidencia a influência de Rubem Fonseca em O Matador (1995). Paulo Lins estréia na prosa com Cidade de Deus (1997), romance social ambientado na periferia carioca. Na literatura de orientação memorialista, destacam-se Carlos Heitor Cony (Quase Memória, 1997) e Modesto Carone (Resumo de Ana, 1999), cuja narrativa explora a lembrança articulada à observação de fatos reais. A ficção ligada a acontecimentos históricos também está presente na obra de Zulmira Ribeiro Tavares (Cortejo em Abril, 1998) e de Moacyr Scliar (Sonhos tropicais). Silviano Santiago aborda a decadência familiar em De Cócoras (1999). Na poesia, são publicados livros póstumos de Carlos Drummond de Andrade (Farewell, 1997) e de Guimarães Rosa (Magma, 1998). Ferreira Gullar lança o livro de poemas Muitas Vozes (1999).

Anos 2000
A escritora Patrícia Melo recebe o Prêmio Jabuti de 2001, na categoria Romance, com Inferno, um painel de personagens do Rio de Janeiro, em que o protagonista da epopéia carioca é um fora-da-lei, Reizinho, um garoto de 11 anos, ex-viciado em crack. Anderson Braga Horta vence na categoria Poesia, com o livro Fragmentos da Paixão. O livro Corações Sujos, do escritor e jornalista Fernando Morais, conquista o prêmio de melhor livro na categoria reportagem. A obra aborda a história da Shindo Renmei, a seita nacionalista que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil após o fim da II Guerra Mundial, por se recusar a aceitar que o Japão tivesse saído derrotado do conflito. Em Ciências Sociais destaca-se a obra Intelectuais à Brasileira, de Sérgio Micelli. Em 2002, Ariano Suassuna recebe o Prêmio Jorge Amado de Literatura e Arte, na Bahia, pelo conjunto de sua obra. Comemoram-se os centenários de Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda. São festejados os 100 anos de Os Sertões, marco da literatura brasileira contemporânea. Em 2003, Rubem Fonseca recebe o Prêmio Camões; e Nélida Piñon, o Prêmio Internacional Menéndez Pelayo. Chico Buarque lança Budapeste e se consagra como um dos principais autores contemporâneos. Nesse mesmo ano, cria-se a Festa Literária Internacional de Parati (Flip), que, já no ano seguinte (2004), renomeada Feira Literária de Parati, se torna um dos eventos mais aguardados do gênero. Autores como o próprio Chico Buarque, Don DeLillo, Paul Auster, Martin Amis e o historiador Eric Hobsbawm participam de debates, palestras e leituras.