RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

CONCEITO

Segundo o dicionário jurídico a palavra responsabilidade significa responsabilizar-se, vir garantindo, assegurar, assumir o pagamento do que se obrigou, ou do ato que praticou. No direito tributário, a palavra responsabilidade refere-se à sujeição de determinada pessoa, que pode ser o contribuinte ou não, ao direito da Administração Fazendária exigir a prestação da obrigação tributária.
Primeiramente, para que se entenda o instituto da Responsabilidade Tributária, é necessário que se tenha definido de forma clara os sujeitos passivos da obrigação tributária, quais sejam, o contribuinte e o responsável tributário.
O CTN diferencia de forma precisa, no seu artigo 121, parágrafo único, contribuinte de responsável. O contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária que possui relação direta com a incidência da norma jurídica tributária, ou seja, que tenha relação direta com o fato gerador do tributo, corresponde ao individuo que participa da constituição do fato gerador. Já o responsável tributário, é o sujeito passivo da obrigação tributária que tem relação indireta com o fato gerador do tributo, mas que, por força de lei assume a obrigação de recolher o tributo.
A doutrina faz também uma classificação dos sujeitos passivos da obrigação tributária, ela distingue sujeição passiva direta da indireta.
A corrente minoritária defendida por Sacha Calmon, defende que a sujeição passiva direta é aquela que o sujeito passivo assume originariamente a responsabilidade tributária. Para essa corrente, independe a distinção anterior de contribuinte e responsável. Aqui, o que importa é o momento da aquisição da responsabilidade.
Por outro lado, para a corrente majoritária a classificação de sujeição passiva está intimamente ligada à condição de contribuinte ou responsável. Isto porque para tal teoria o contribuinte sempre será sujeito passivo direto uma vez que mantém uma relação direta com o fato gerador, e o responsável necessariamente será um sujeito passivo indireto, pois o mesmo se relaciona de forma indireta com o fato gerador.
Já a sujeição passiva indireta, para Sacha Calmon, é aquela que o sujeito passivo assume a obrigação tributária de forma superveniente. O obrigado tributário toma para si uma obrigação que originariamente havia sido imputada a outra pessoa. Diferentemente, a corrente majoritária considera que a sujeição passiva indireta é aquela cujo sujeito se relaciona indiretamente com o fato gerador.
Ainda, a doutrina subdivide a responsabilização em duas formas: a por substituição e a por transferência. Na responsabilidade tributária por substituição, o substituto, assume a responsabilidade tributária do substituído devido a determinação de lei. Assim define Sabbag (2003, p. 159) […] caso em que a lei determina que o responsável (substituto) ocupe o lugar do contribuinte (substituído), desde a ocorrência do fato gerador, de tal sorte que, desde o nascimento da obrigação tributária, aquele já é o sujeito passivo.
Já na responsabilidade por transferência, a responsabilidade de recolher o tributo nasce com o sujeito que tem relação direta com o fato gerador, mas que força de lei, passa par o sujeito passivo indireto da obrigação tributária, ou seja;
[…] por previsão de lei expressa, a ocorrência de um fato, posterior ao surgimento da obrigação, transfere a um terceiro a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, lugar que até então era ocupado pelo contribuinte (Sabbag, 2003, p.159).
Responsabilidade tributaria por substituição
Substituição tributária é um mecanismo de arrecadação de tributos utilizado pelos governos federal e estaduais. Ele atribui ao contribuinte a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido pelo seu cliente. A substituição será recolhida pelo contribuinte e posteriormente repassada ao governo.
Esse procedimento é notadamente utilizado na cobrança do ICMS (sendo conhecido como ICMS/ST), embora também esteja previsto na regulamentação do IPI. A incidência da substituição tributária é definida a depender do produto.
A substituição tributária é utilizada para facilitar a fiscalização dos tributos “plurifásicos”, ou seja, os tributos que incidem várias vezes no decorrer da cadeia de circulação de uma determinada mercadoria ou serviço.
Pelo sistema de substituição tributária, o tributo plurifásico passa a ser recolhido de uma só vez, como se o tributo fosse monofásico.
Esse sistema é exemplificado pela doutrina com o caso das montadoras e das revendedoras. Por exemplo, se uma carreta sai da montadora em direção a revendedora e tomba na pista com todos os veículos novos que seriam vendidos, o Fisco entende que o substituído tem direito à restituição do valor pago, pois, o fato gerador presumido não foi consumado. Porém, se uma concessionária compra veículos de uma montadora e os vende por um valor menor que o do fato gerador presumido, a Fazenda Pública não restitui o valor da discrepância, nesse caso, a relação é exclusivamente entre substituído (revendedora) e substituto (montadora).

Espécies

Há várias espécieS de substituição tributária: a substituição para frente, a substituição para trás (ou diferimento), e a substituição propriamente dita.
Na primeira hipótese (substituição para frente), o tributo relativo a fatos geradores que deverão ocorrer posteriormente é arrecadado de maneira antecipada, sobre uma base de cálculo presumida. Assim, à guisa de exemplo, o estabelecimento industrial que vende certo produto, recolhe o tributo devido por ele mesmo, e também o tributo que seria devido pelo distribuidor e pelo varejista. Para proceder ao cálculo, o Estado deve divulgar uma base de cálculo presumida, segundo critérios definidos em lei. Essa base de cálculo deve observar a realidade de cada mercado, para fins de determinar o preço final praticado em cada operação.
Na substituição para trás, ou diferimento, o que ocorre é justamente o contrário. Apenas a última pessoa que participa da cadeia de circulação da mercadoria é que paga o tributo, de maneira integral, inclusive relativamente às operações anteriormente praticadas e/ou seus resultados.
Já na substitução pura e simples, o contribuinte em determinada operação ou prestação é substituído por outro que participa do mesmo negócio jurídico. Este é o caso, por exemplo, do industrial que paga o tributo devido pelo prestador que lhe provém o serviço de transporte.
Os valores recolhidos a título de substituição tributária são considerados definitivos, a não ser que o fato gerador presumido não se realize, hipótese em que o contribuinte poderá pedir restituição do tributo.

1. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO

A responsabilidade dos sucessores, é prevista no CTN, do artigo 129 ao 133. Ela correrá quando a pessoa que tem a obrigação de pagar o tributo não tem relação direta com o fato gerador, porém, por disposição de lei, lhe é atribuída a responsabilidade pelo pagamento do tributo devido. Na verdade, ocorrerá uma transferência da responsabilidade, que pode ser por morte do devedor, ou por venda do imóvel ou estabelecimento.
Como bem dispõe o artigo 129 do CTN, Segundo o CTN, a responsabilidade por sucessão abrange os créditos tributários definitivamente constituídos, isto é, as dívidas fiscais anteriores à sucessão; os créditos tributários em curso de constituição, ou melhor, as dívidas fiscais que estavam sedo apuradas ou lançadas no momento da sucessão e os créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão.
Ou seja, a responsabilidade ocorrerá antes, durante ou depois da constituição do crédito tributário. Isso significa que ao adquirir uma empresa, por exemplo, que já tenha um crédito tributário, a responsabilidade pelo seu pagamento recairá ao novo dono, por sucessão. Da mesma forma, mesmo não havendo ainda um auto de infração, logo ainda não constituído o crédito tributário, mas existindo um débito, esse será transferido por sucessão ao novo proprietário.
A responsabilidade por sucessão pode ocorrer por transferência causa mortis e inter vivos. O artigo 130 do CTN trata dessa última modalidade, em que a responsabilidade se transfere para o comprador através da transmissão de imóveis, como assim dispõe:
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço.
A interpretação dada a esse artigo é a de que aquele que adquire bem imóvel sub roga-se na responsabilidade pelo pagamento do tributo, ou seja, os impostos, devidos pelo proprietário de um imóvel, e não pagos, passam a ser devidos pelo seu adquirente.
Exemplificando, se, por exemplo, compra-se um imóvel com IPTU atrasado, e o comprador não atenta para esse detalhe, será o novo adquirente o responsável pelo pagamento de tributo. Machado (2004, p. 156) acrescenta que: essa obrigação do adquirente não existirá, porém, se da escritura de compra e venda constou a certidão, do sujeito ativo do tributo, de que o mesmo havia sido pago., nesse caso, com essa certidão, se impede a configuração da responsabilidade tributária do adquirente do imóvel.
E mais, é importante salientar que, havendo uma ação de execução fiscal contra o antigo proprietário, este poderá alegar em exceção de pré-executividade a ilegitimidade passiva, pois o novo adquirente será o responsável por sucessão. Diante desse artigo, fica claro que o adquirente tem o dever de averiguar se os impostos foram ou não pagos.
O parágrafo único do mesmo artigo dispõe que os bens imóveis adquiridos em hasta pública virão com os débitos pagos, o arrematante pagará pelo imóvel já com o valor do débito incluso.
O artigo 131 do CTN continua abordando a responsabilidade por sucessão, agora tratando dos bens móveis ou imóveis. O inciso I do citado artigo diz que, adquirindo ou remindo um bem móvel ou imóvel com débitos de tributos relativos a ele, terá o adquirente ou remitente a responsabilidade pelo seu pagamento. Pare melhor entender o inciso, reporta-se ao caso da aquisição de carro usado. Estando este com IPVA atrasado, o novo adquirente terá a responsabilidade pelo seu pagamento. Os incisos II e III, tratam da transmissão causa mortis da responsabilidade tributária por sucessão, não havendo nenhuma discussão a ser travada nesse sentido.
Adiante, no artigo 132 de CTN, há previsão da responsabilidade por sucessão nos casos de fusão, incorporação e transformação de empresas. Nesses casos, o sucessor será responsável exclusivo pelo pagamento do tributo. Logo, ocorrendo uma incorporação, que segundo Sabbag (2004), corresponde a uma operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, o sucessor será responsável pelo pagamento do tributo da empresa absorvida. Exemplo: A Empresa X incorpora à sua a Empresa Y. X será então responsável pelo pagamento dos débitos tributários de Y, assim como ocorre no Direito do trabalho.
Há uma observação a ser feita com relação às multas na responsabilidade por sucessão. Quando uma empresa se funde a outra, ou mesmo quando adquire outra, ela não será responsabilizada pelas multas adquiridas pela antiga empresa, isso porque, as multas de infração são pessoais, tem natureza de sanção.
Ainda, o parágrafo único do referido artigo dispõe que:
[…]Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.
Isso significa que, quando se continua coma a exploração de uma atividade de uma empresa que se extinguiu, haverá também a responsabilidade por sucessão. O sócio remanescente será o responsável por sucessão.
Por fim, tratando ainda da responsabilidade por sucessão, o caput do artigo 133 do CTN traz uma condição sine qua non para a responsabilização. Quando se adquire um estabelecimento comercial, desde que o novo adquirente continue exercendo a mesma atividade, será ele responsável por sucessão.
Porém, os incisos do referido artigo, trazem dois tipos de responsabilidade, quais sejam, responsabilidade integral (inciso I) e subsidiária (incisoII):
a) se o alienante não exerce mais a atividade que exercia depois de vender o estabelecimento comercial, o comprador será responsável integralmente pelo pagamento do tributo devido do estabelecimento;
b) se o alienante continua exercendo a mesma atividade depois de vender o estabelecimento comercial, esse será o principal responsável, o principal obrigado, enquanto que o comprador será o responsável subsidiariamente.
Para melhor entender o que trata o inciso II, traz-se o exemplo da alienante que possui 10 pontos de farmácia, porém só vende 01 ponto e continua com os demais. Nesse caso, será ele o responsável principal e subsidiariamente o comprador.
Necessário anotar-se, por fim, o acréscimo ao artigo 133 do CTN, que a Lei complementar 118/05 assim o fez. Dispõe que, aquele que adquire um bem de uma sociedade em falência, não responde, não sucede sobre os débitos tributários relativos à empresa, não ensejando a responsabilidade tributária. Porém, se o adquirente continua exercendo a atividade com o antigo sócio, o comprador, adquirente, responderá subsidiariamente.

Responsabilidade tributaria solidaria

Dispõe o Código Tributário Nacional:

Art. 124. São solidariamente obrigadas:
I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;
II as pessoas expressamente designadas por lei.
Responsabilidade solidária quando há mais de um sujeito passivo responsável pela obrigação tributária. A solidariedade nasce da vontade das partes ou decorre da lei, quando há interesses comuns. A solidariedade não comporta benefício de ordem. São efeitos da solidariedade: a) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita os demais; b) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os coobrigados, salvo quando o benefício for concedido em caráter pessoal, substituindo, nesse caso, a solidariedade dos demais pelo saldo remanescente; c) a interrupção da prescrição em relação a um dos obrigados favorece ou prejudica os demais.

O termo solidariedade pode ter duas acepções:

1.Em Direito tributário, solidariedade é uma situação que pode ocorrer na responsabilidade tributária: ela ocorre quando há mais de um sujeito passivo (devedor) de uma mesma obrigação tributária, cada qual obrigado à parte da dívida, ou à dívida toda. Também pode ocorrer na competência tributária, quando mais de um órgão do Estado tem direito à parte da mesma obrigação tributária.
2.A palavra “solidariedade” também é usada para designar um sentimento, ou a união de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo.
3.A palavra “solidariedade” também é usada para designar um termo da sociologia ver: Solidariedade social.

Conceitos de Solidariedade na Legislação Brasileira

O Código Tributário Nacional (CTN) define a solidariedade nos seus Artigos 124 e 125.
O Art.124 diz que são solidariamente obrigadas as [pessoas] que tenham interesse comum na situação que constitua o [fato gerador] da obrigação principal, ou as pessoas expressamente designadas por lei.
Se duas ou mais pessoas forem proprietárias de um imóvel, elas têm um interesse comum na situação que é [fato gerador] da obrigação de pagar o [IPTU]. Há, pois, solidariedade tributária entre elas (art. 124, I).
Quando uma empresa não efetuar o recolhimento regular de seus tributos, o administrador, gerente ou contador, pode ser chamado a responder pela obrigação juntamente com a empresa (art. 124, II).
Na solidariedade tributária não se admite o benefício de ordem, isto é, a escolha de quem, em comum, irá cumprir a obrigação (art. 124, Parágrafo Único).
Todos encontram-se vinculados na solidariedade: não se admite que um não pague, por motivo de idade, de estado de riqueza ou de má situação econômica.
O Art.125 estipula os efeitos da solidariedade:
I – o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais;
II – a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo;
III – a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.

CONCLUSÃO

Diante de tudo quanto exposto, chega-se à conclusão que o instituto da responsabilidade tributária, veio como uma forma melhorar a fiscalização e a arrecadação tributária para a Administração Fazendária.
È importante para a vida prática que se tenha conhecimento sobre todos essas espécies de responsabilidade, evitando assim, que futuras transações como aquisição de bens móveis e imóveis, fusão e incorporação de empresas, etc., possam trazer surpresas desagradáveis para o novo proprietário.

CESTA BÁSICA – PROCESSO DE COMPRA E PERFIL DO CONSUMIDOR

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A pesquisa tem como estudo o tema processo de decisão de compra dos itens da cesta básica. Procurou-se analisar como é feita a compra dos produtos da cesta básica e se os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha em Manhuaçu/MG, são influenciados em algum momento da compra. A partir da pesquisa bibliográfica, seguiu-se a uma pesquisa de estudo de campo, com caráter exploratório, através da qual foi mais fácil compreender sobre o consumidor e o processo de compra. Foi realizada uma entrevista de maneira semi-estruturada, perguntando sobre os itens constituintes da cesta básica. E a partir das respostas obtidas foi possível perceber que os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha em Manhuaçu/MG, são influenciados na compra dos produtos pela sua propaganda na TV. Quando estão no ponto de venda os casais são influenciados pelas estratégias de precificação dos produtos. Percebe-se uma sensibilidade ao preço, o que caracteriza forte influência da classe social na compra dos produtos. E na pesquisa realizada não foi possível perceber influência dos grupos de referência nas decisões dos casais.
Palavras chave: processo de compra, perfil do consumidor, cesta básica

SUMÁRIO:

1.INTRODUÇÃO
1.1-PROBLEMA
1.2-JUSTIFICATIVA
1.3-OBJETIVOS
1.3.1-Objetivo geral
1.3.2-Objetivos específicos
2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1-MUDANÇA NO PERFIL DO CONSUMIDOR
2.2-COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
2.3-PROCESSO DE DECISÃO DE COMPRA
2.4-INFLUÊNCIAS SOFRIDAS PELO CONSUMIDOR
2.5-CESTA BÁSICA
3.METODOLOGIA
3.1-UNIDADE DE ANÁLISE
3.2-TIPO DE PESQUISA
3.3-COLETA E AMOSTRA DE DADOS
3.4-ANÁLISE DOS DADOS
4.CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.1DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.2LIMITAÇÕES DA PESQUISA
4.3IMPLICAÇÕES GERENCIAIS
5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
6.APÊNDICE
7.ANEXO

1- Introdução

1.1- Problema:

Devido a mudança no perfil das famílias, algumas empresas investem em um novo nicho de mercado que vem surgindo: famílias compostas por um casal e sem interesse em ter filhos ou retardando o crescimento dela. Isso faz com que o processo de decisão de compra de alguns produtos seja diferenciado.
Um dos setores que mais sofre devido a esta mudança é setor varejista. As compras que antes eram feitas em quantidades maiores estão diminuindo e dando espaço para produtos vendidos em porções menores e que sejam de fácil preparo. Por causa desta mudança a cesta básica composta por arroz, feijão, farinha, carne, leite, etc. que são itens importantes na nossa alimentação, também está sofrendo modificações, pois, alguns produtos exigem um tempo a mais para preparo e nem sempre são fáceis de preparar.
Por estas razões procura-se identificar como os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha em Manhuaçu/ MG adquirem itens da cesta básica.

1.2- Justificativa:

Antes de elaborar estratégias de marketing mais eficientes, deve-se conhecer mais sobre o consumidor, saber qual a sua necessidade e desejo para então oferecer os produtos que vão satisfazê-lo. Mas, não é tão simples assim. Cada consumidor se comporta de uma maneira diferente, tem critérios diferentes no momento de escolher um produto para comprar e podem ser influenciados de várias formas no momento da compra.
Para uma empresa, conhecer sobre o público que ela quer atingir se torna importante, pois, sabendo o porquê e como os consumidores tomam as suas decisões de compra, ela saberá o momento certo de encaixar as estratégias de marketing e fazer com que o consumidor adquira seus produtos.
A importância do processo de decisão de compra está na forma como ele é divido, são cinco etapas pelas quais o consumidor passa e em cada etapa existem maneiras de ser influenciado na compra e devido a estas influências a compra pode se tornar mais complexa do que o imaginado. Assim, a pesquisa procura identificar como o consumidor, no caso casais sem filhos, passam por estas etapas e qual o fator que mais influencia a compra de determinados produtos.

1-3- Objetivos

1.3.1- Objetivo geral:

Identificar os fatores que influenciam o processo de compra dos itens da cesta básica dos casais sem filhos do bairro Santa Terezinha em Manhuaçu/MG.

1.3.2- Objetivos específicos:

Identificar os fatores socioculturais que caracterizam os casais sem filhos.
Identificar os fatores situacionais que determinam a exposição para a venda dos produtos constitutivos da cesta básica;
Identificar qual o valor que os casais sem filhos atribuem à marca dos produtos constitutivos da cesta básica e sua influência no processo de decisão de compra.

2- Fundamentação Teórica

2.1- Mudanças no perfil do consumidor

Nos últimos anos vem ocorrendo várias mudanças no perfil dos consumidores, dentre estas mudanças está a modificação da estrutura familiar, fazendo com que o ciclo de vida das famílias também se modifique.
Segundo Schiffman e Kanuk (2000), o ciclo tradicional de vida das famílias pode ser sintetizado em apenas cinco estágios básicos, estágio 1 : celibato, jovens adultos vivendo longe dos pais; estágio 2: de lua-de-mel, casal jovem casado; estágio 3: paternidade, casais com pelo menos um filho morando em casa; estágio 4: pós-paternidade, um casal idoso sem filho morando em casa e estágio 5: dissolução, apenas um conjugue sobrevivente.
Dubois1 (1994, apud. KARSAKLIAN, 2004), apresenta um ciclo de vida familiar dividido em nove etapas que são: 1. jovens solteiros morando sozinhos; 2. jovens casais sem filhos; 3. adultos casados com filhos com menos de seis anos; 4. adultos casados com filhos com mais de seis anos; 5. casais idosos com responsabilidade de filhos; 6. casais idosos, sem responsabilidade de filhos e com o chefe de família ativo; 7. casais idosos, sem responsabilidade de filhos e com chefe de família inativo; 8. idoso sozinho e ativo e 9. idoso, sozinho e aposentado.
Dentre as mudanças que vem ocorrendo na estrutura familiar, está o crescente número de casais sem filhos (optam por não tê-los ou tê-los depois de alguns anos), fazendo com que muitas empresas direcionem seus produtos para este público, pois, geralmente esta estrutura familiar é de casais com renda dupla e que estão centrados em suas carreiras. Assim, algumas empresas já investem neste tipo de público proporcionando um atendimento rápido e produtos que satisfaçam as suas necessidades (SCHIFFMAN; KANUK 2000).
Das muitas empresas que investem neste novo grupo está o setor imobiliário que vem crescendo suas vendas devido a mudança da estrutura dos imóveis, proporcionando maior conforto a estes casais sem filhos, outro setor que também vem investindo neste grupo é o setor varejista. O varejo é um dos setores mais sensíveis a mudança do perfil do consumidor. É onde se percebe mais rapidamente as transformações na renda e no comportamento de compra. (STEFANO; SANTANA; ONAGA, 2008). Alguns supermercados estão tendo que modificar suas estruturas, para atender este novo mercado, pois, muitos dos casais sem filhos não costumam ir a grandes supermercados e também passaram a oferecer porções menores de certos produtos e assim garantindo maior satisfação do cliente. (STEFANO; SANTANA; ONAGA, 2008).
Além da mudança relacionada à estrutura familiar, outra mudança que vem ocorrendo no perfil dos consumidores, é em relação aos hábitos de consumo de alimentos (NEVES; CASTRO, 2003). Atualmente os consumidores estão mais cuidadosos com a saúde, se preocupam mais com o corpo e procuram alimentos mais saudáveis. Na maioria das vezes não se preocupam com o valor a pagar, e os fatores como nutrição, sabor, etc. se tornam mais importantes do que o preço. Esta busca por uma alimentação saudável, é devido à influência da sociedade nas decisões de compra, pois, atualmente existem padrões de beleza que todos querem cumprir. Com isso os consumidores buscam comprar alimentos que sejam leves, livres de gordura, colesterol, etc.
Muitas empresas já perceberam que a tendência é a busca por alimentos saudáveis e estão investindo em embalagens e propagandas que valorizam estes produtos e estimulem os consumidores a adquiri-los, pois, a partir deste momento, o consumidor entra no processo de decisão de compra.
Devido aos novos desejos de satisfazer as necessidades de alimentação, o consumidor vem mudando seus hábitos alimentares, definindo um novo consumidor de alimentos. Assim, Neves e Castro (2003), desenvolveram o ABC do consumidor de alimentos, que coloca quais são os atributos que o consumidor procura nos alimentos e quais as oportunidades que surgem para as empresas no decorrer desta mudança.

A relação destes atributos e oportunidades é uma forma de apresentar, que as empresas têm muito que trabalhar para agradar ao consumidor, deixando claro que apenas o conhecimento sobre tais atributos, não garante às empresas bons resultados, pois, estas devem sempre estar buscando conhecer sobre o público que queira atingir.

2.2- Comportamento do consumidor

Foi a partir da década de 1950, que o marketing passou a ser voltado para o consumidor, desde então muitas empresas passaram a fazer uma análise do cliente, a fim de conhecer sobre suas características psicológicas, sociais e culturais. Com o passar dos anos pode-se observar uma grande diversidade entre os consumidores, mas, assim como as diversidades existem inúmeras similaridades, entre elas, estão as necessidades de cada ser humano.
De acordo com a teoria da hierarquia das necessidades apresentada por Maslow (KARSAKLIAN, 2004), o consumidor suprirá primeiro as necessidades básicas relacionadas ao fisiológico como fome, sede, saúde, etc. Em segundo as necessidade relacionadas a segurança física, abrigo e como se agasalhar; em terceiro as necessidades de pertinência e afeto, sentimentos afetivos e emocionais de amor e de pertinência às pessoas com as quais nos relacionamos intimamente.

Em quarto estão as necessidades relacionadas a status e estima, depois de se sentir seguro e querido, desejará ser mais querido. O indivíduo sentirá necessidade das qualidades que lhe dão estima aos olhos dos outros e que lhe darão autoconfiança. Por último estão as necessidades relacionadas a auto-realização, o indivíduo procura conhecer, estudar, organizar, etc. É a procura ao crescimento do homem como tal. (IBIDEM, 2004)
Uma outra similaridade é o fato de todos serem consumidores, ou seja, usam ou consomem alimentos, roupas, casas, etc. e por serem tão diferentes e ao mesmo tempo tão comuns, faz com que o estudo do comportamento do consumidor se torne algo tão importante para as empresas saberem ao certo como os indivíduos tomam decisões de gastar seus recursos disponíveis (tempo, dinheiro, esforço) em itens relacionados ao consumo (SCHIFFMAN; KANUK, 2000, p. 5).
O consumidor, estudado aqui individualmente, pode exercer uma única função ou cinco funções diferentes na compra de um produto, isso depende da complexidade da compra. Há o iniciador, que é a pessoa que dá idéia de compra do produto; o influenciador, é quem influência direta ou indiretamente a decisão de compra; o decisor, é quem decide se deve realizar a compra; o comprador, é quem efetua compra e/ou usuário, é quem consome ou usa o produto (LAS CASAS, 2006). Sendo assim, muitas empresas estão realizando pesquisas para identificar os papéis exercidos pelo seu público-alvo, afim de dirigir seus esforços promocionais e garantir melhores resultados.
A medida que se estuda sobre o comportamento do consumidor, fica claro que conhecê-lo não é uma tarefa fácil, pois, suas características e necessidades são diferentes e todos esperam por um produto que tenha características únicas, que atendam suas necessidades próprias e pessoais, de personalidade e estilo de vida. (SCHIFFMAN; KANUK, 2000)

2.3- Processo de decisão de compra

O processo de decisão de compra é formado por cinco etapas, que começa bem antes da compra real, dependendo do tipo de compra o consumidor pode pular ou voltar algumas etapas do processo (KOTLER, 2000, p. 201), quando se trata de compras com alto envolvimento, ou seja, produtos caros, que não são adquiridos com freqüência, o consumidor vai analisar a compra com mais cuidado, pois se trata de uma compra complexa, que envolve um risco maior; já em compras com baixo envolvimento, o consumidor não percebe tantos riscos na hora da compra, sendo assim a decisão é tomada com mais facilidade.
Os riscos que o consumidor pode perceber ou não na hora da compra, podem ser de ordem econômica (o produto pode não valer o que custa, em outra loja pode estar mais barato), funcional (não desempenhar a função esperada), física (o produto pode ser perigoso para integridade física), psicológico (o produto pode não satisfazer as necessidades de auto-estima ou de afeto), (GARBOGGINI, [2001?], p.6) e social (o produto pode não ser socialmente aceito, ex.: automóvel, roupa, imóveis, etc.) (Jacob e Kaplan2, 1972 apud.(Jacob e Kaplan, 1972 apud. GARBOGGINI, [2001?] p.6,).
As etapas pelas quais o consumidor tem que passar até efetuar a compra são:

O processo se inicia quando se percebe a necessidade ou desejo em relação a algo, esta necessidade pode vim de estímulos internos (ex.: sede, fome,…) ou externos (ex.: aroma, propagandas,…), este início é chamado de reconhecimento do problema.
Depois de identificada esta necessidade o consumidor passa a segunda etapa do processo, que é a busca de informações sobre o produto que deseja adquirir. Para Las Casas (2006), a busca pode ser feita por fontes internas (informações que estão na memória, experiências passadas com o produto) ou externas (lojas, propagandas, folhetos, etc.), já Kotler (2000), divide as fontes de informações em quatro grupos: fontes pessoais (família, amigos, conhecidos,…), fontes comerciais (propaganda, vendedores, embalagem,…), fontes públicas (meios de comunicação em massa,…) e fontes experimentais (manuseio, uso, etc.).
Na terceira etapa do processo de decisão de compra, o consumidor passa a avaliar as informações obtidas dos produtos para escolher qual atende melhor suas necessidades para então seguir a quarta etapa, que é a decisão de compra onde o consumidor decide se vai compra ou não o produto que foi avaliado, quando entra na etapa de decisão de compra o consumidor pode sofrer várias influências seja elas internas ou externas. (Kotler, 2000)
Na quinta e última etapa do processo de decisão de compra o consumidor não tem certeza se fez a escolha certa ou não e passa a experimentar uma satisfação ou insatisfação em relação ao produto que foi adquirido, esta etapa é chamada de avaliação pós-compra ou comportamento pós-compra. (IBIDEM, 2000)

2.4- Influências sofridas pelo consumidor

Para Las Casas (2006), o consumidor sofre influências externas e internas, caracterizam-se como influência externa: variáveis ambientais (afetam o ambiente da empresa e principalmente os hábitos do consumidor, por exemplo, quando há inflação, os consumidores podem adiar suas compras); variáveis do composto de marketing (influencia o consumidor estimulando-o a compra); fatores culturais (os valores, crenças, etc.); e fatores sociais (grupos de referência, família e classe social) e como influências internas caracterizam-se: personalidade, estilo de vida, percepção, atitude, aprendizagem, condicionamento clássico (estímulo) e condicionamento instrumental (experiência, negativa ou positiva em relação ao produto).
Segundo Kotler (2000), os fatores que podem influenciar o consumidor são: os fatores culturais (cultura, subcultura e classe social); os fatores sociais (grupos de referência; família; papéis, atividade que a pessoa desempenha e status); os fatores pessoais (idade e estágio do ciclo de vida, ocupação e circunstâncias econômicas, estilo de vida, personalidade e auto-imagem) e os fatores psicológicos (motivação, percepção, aprendizagem, crenças e atitudes).
Pinheiro et al. (2004), classifica os fatores de influência do consumidor em três níveis, sendo eles: fatores psicológicos (percepção, motivação, aprendizagem e memória, atitudes, personalidade, autoconceito e estilo de vida); fatores socioculturais (influência de grupo, família, cultura e classe social); e fatores situacionais (são influências sofridas no momento da compra).
Por meio dessa revisão de fatores que podem influenciar o consumidor, fica claro que conhecê-lo, não é uma tarefa fácil, pois, existem fatores que podem fazer com que ele mude de idéia no último minuto, mas conhecer essas influências e como elas afetam na decisão de compra dos consumidores se torna importante para as empresas que desejam desenvolver estratégias mais adequadas ao seu público.

2.5- Cesta básica

Uma cesta de alimentos para ser denominada como cesta básica, deve conter alimentos suficientes para alimentar um trabalhador em idade adulta, contendo quantidades balanceadas de proteínas, calorias, ferro, cálcio e fósforo (DECRETO LEI N. 399, art. 6º § 1º)3. Sendo assim, os itens e suas quantidades específicas estão relacionados no quadro a seguir.
Tabela dos produtos constitutivos da cesta básica:

Fonte: DIEESE (tabela referente à região de Belo Horizonte, em fevereiro de 2008).

Mensalmente é realizada uma pesquisa em dezesseis capitais para acompanhar a variação dos preços de cada produto que compõe a cesta básica, o custo mensal de cada um deles e quantas horas um indivíduo que ganha salário mínimo precisa trabalhar para poder comprá-los. (DIEESE, 1993, p.3)
Verifica-se, nos estabelecimentos quais as marcas ou tipos de maior procura pelos consumidores. A partir destas informações é organizada a tabela de marcas dos produtos. Esta tabela, definida a partir das marcas e ou tipos que apresentam maior freqüência absoluta, compõe o painel de produtos cujos preços serão coletados. Para a substituição da marca ou tipo de qualquer bem, deve se consultar a referida tabela, ou então, repetir a operação junto aos estabelecimentos. (DIEESE, 1993, p.5)
O cálculo é realizado da seguinte maneira, após coletados os preços dos produtos, é feito um cálculo da média dos preços por tipo de estabelecimento. O preço médio de cada produto é multiplicado pela sua quantidade estabelecida no decreto lei nº 399, assim indicando o gasto mensal do trabalhador com cada produto.
O cálculo das horas que o trabalhador que ganha um salário mínimo precisa trabalhar para comprar a cesta básica nacional, é feito da seguinte maneira:

O custo da cesta básica é dividido pelo salário mínimo do trabalhador e multiplicado por 220 (jornada de trabalho mensal adotada na constituição desde outubro de 1988).
O mesmo cálculo, é realizado em outras capitais e torna possível comparar e observar as variações regionais, em relação ao custo da cesta básica estabelecida como mínima para um adulto repor suas energias gastas durante um mês de trabalho. (DIEESE, 1993, p.6)
O levantamento mensal permite acompanhar a evolução do poder aquisitivo dos salários dos trabalhadores e comparar o preço da alimentação básica, determinada por lei, com o salário mínimo vigente. (DIEESE, 1993, p.6)

3- Metodologia

3.1- Unidade de análise

Nos últimos anos vem ocorrendo várias mudanças no perfil dos consumidores, dentre estas mudanças está a modificação da estrutura familiar. Muitas famílias estão optando por não ter filhos ou adiando esta decisão, assim o consumo de alimentos destas famílias é muito diferente em relação aos casais que possuem filhos.
A unidade de análise escolhida para realização da pesquisa são os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha de Manhuaçu/MG. Procura-se com a pesquisa analisar como estes casais decidem suas compras e como eles são influenciados.

3.2- Tipo de pesquisa

A pesquisa de campo foi realizada com caráter exploratório, pois é um assunto pouco discutido e foi preciso uma pesquisa inicial para saber como se dá o processo de compra dos casais sem filhos do bairro Santa Terezinha e esclarecer como os casais efetuam suas compras e quais os fatores podem influenciá-los no momento da compra.

3.3- Coleta e amostra de dados

Coleta e tratamento dos dados da pesquisa foi de caráter qualitativo. Na pesquisa qualitativa vai-se a um campo sem estruturação, justamente para captar as perspectivas e interpretações das pessoas. (FISCHER, 2001)
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas, com foco nos casais sem filhos do bairro Santa Terezinha, não sendo possível a presença do casal as perguntas foram feitas apenas para a esposa que respondia as questões pelos dois. As entrevistas foram gravadas para um melhor aproveitamento das respostas. Foi elaborado um roteiro com dezessete questões (ver apêndice A).
A amostra foi não probabilística por acessibilidade, a qual o pesquisador seleciona os elementos a que tem acesso, admitindo que estes possam, de alguma forma, representar o universo (GIL, 1999, p.104). Devido ao pouco tempo para realização da pesquisa e disponibilidade dos casais, foram entrevistados 8 (oito) casais de um total de aproximadamente 174. A coleta de dados foi feita com perguntas de maneira semi-estruturada de modo que o entrevistado pudesse expressar-se livremente.
A pesquisa realizada na segunda quinzena do mês de outubro de 2008, abordou assuntos relacionados aos produtos adquiridos pelos entrevistados, e se, em geral, eles são influenciados por outras pessoas ou pela mídia na hora de adquirir determinados produtos.

3.4- Análise dos dados

Foram feitas 17 (dezessete) perguntas aos entrevistados, sendo estas perguntas relacionadas a compra de alimentos constituintes da cesta básica. Em relação a freqüência de realização das compras os respondentes informaram que a compra é efetuada mensalmente.
Quando perguntado como eles realizaram a primeira compra depois de casados, os respondentes informaram que já tinham uma noção de quais alimentos e qual a quantidades que deveriam ser compradas.
Com relação ao local onde é realizada a compra dos produtos da cesta básica com mais freqüência, os respondentes informaram que geralmente é efetuada a compra em supermercados próximos ao bairro.
Em relação ao gasto aproximado com a compra de produtos da cesta básica, os respondentes informaram que o valor aproximado é de R$ 150,00 à R$ 290,00. Em seguida foi perguntado como é feito o pagamento das compras e os respondentes informaram que na maioria das vezes o pagamento é feito à vista.
Os casais entrevistados, normalmente, não procuram informações sobre o produto antes de efetuar a compra (6) e apenas 2 procuram antes de irem às compras. Para os casais que procuram as informações foi perguntado em seguida qual tipo de informação eles procuram e como são obtidas estas informações e os casais responderam que procuram saber preço e sabor do produto e as informações são obtidas no supermercado onde é realizada a compra.
Quando perguntado se geralmente eles adquirem um produto porque uma pessoa indicou, por experiência anterior, conhecimento da marca ou se a decisão acontece no ponto de venda, os respondentes informaram que na maioria das vezes compram porque já conhecem a marca, e sabem que ela é boa. Em seguida foi perguntado se eles procuram opinião de amigos ou família antes de comprar um produto, e os respondentes informaram que não.
Em relação a compra no ponto de venda foi perguntado se alguma vez eles já realizaram a compra de um produto apenas pela maneira que ele estava organizado no supermercado ou sua embalagem chamou a atenção e os respondentes informaram que sim, já efetuaram a compra apenas pela embalagem do produto.
Em seguida foi perguntado se eles já adquiriram um produto por causa da sua propaganda, seja ela em TV, rádio ou revista, os respondentes informaram que sim, e entre estes produtos estão: sabão em pó, macarrão instantâneo e outros. Com relação atributo que eles consideram mais importante no momento de realizar a compra e como sugestão foi citado sabor, embalagem ou preço os respondentes informaram que consideram com atributos mais importantes o preço e sabor.
Com relação a promoções realizadas no ponto de venda, os respondentes informaram que sempre observam as promoções antes de efetuar a compra. Em seguida foi perguntado se eles são fiéis a alguma marca de alimentos e a maioria dos respondentes informaram que são fiéis a uma marca de arroz.
Em seguida foi perguntado o que faz com que sejam fiéis a uma marca, os respondentes atribuíram como qualidade do arroz, o fácil e rápido preparo, o arroz fica mais solto, é melhor para cozinhar, o sabor, e o preço é mais em conta.
Quando perguntado se eles experimentavam outras marcas os respondentes informaram que sim. Em seguida foi perguntado o que os levava a experimentar outras marcas e os respondentes informaram se o produto parece bom eles compram para experimentar.
Por último foi perguntado se eles já adquiriram um produto porque uma pessoa do meio artístico fez a propaganda e os respondentes informaram que não.

4- Considerações finais

4.1- Discussão dos resultados

A partir dos dados obtidos com a pesquisa, notou-se que os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha são mais influenciados na compra de um produto pelas estratégias que os supermercadistas utilizam, seja no ponto de venda com a arrumação das gôndolas ou através de propaganda em revistas, TV ou rádio.
Tal influência exercida sobre os eles se deve ao fato de alguns casais quando procuram informações sobre o produto, fazem esta busca de informação no supermercado e aos casais que não procuram informações dos produtos antes da compra, tendem a escolher um produto no supermercado, assim, eles estão sujeitos a sofrer a influência das estratégias de marketing no ponto de venda. As estratégias no ponto de venda, as propagandas dos produtos também exercem influência sobre os casais, despertando o desejo de experimentar outros produtos.
Analisando todos os dados obtidos, conclui-se que os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha de Manhuaçu/MG são mais influenciados pelas propagandas (na TV) dos produtos. No ponto de venda são influenciados pelas estratégias de precificação dos produtos constitutivos da cesta básica (promoções, preço baixo). Percebe-se, na sensibilidade ao preço, forte influência da classe social a que pertencem no momento da compra.
A influência do grupo de referência não é muito percebida na compra dos itens da cesta básica, considerados compra rotineira. E os clientes não costumam lembrar das celebridades que participam das campanhas desses produtos.

4.2- Limitações da pesquisa

Uma das limitações encontradas foi o pouco tempo para a realização das entrevistas e a indisponibilidade dos casais, pois, a maioria trabalha em tempo integral não sendo possível encontrá-los em casa. Por estas razões não foi possível realizar as entrevistas com todos os casais sem filhos do bairro Santa Terezinha de Manhuaçu/MG.

4.3- Implicações Gerenciais

Com base nas teorias estudadas e resultados obtidos com a pesquisa, foi possível perceber o quanto as estratégias de diferenciação dos produtos de compra rotineira, como os constituintes da cesta básica são importantes para sua venda, seja um diferencial na embalagem, forma, preço, etc. pode se tornar uma vantagem para o produto.
Conclui-se a partir do trabalho realizado que as empresas que trabalham com produtos alimentícios devem buscar posicionar seus produtos em lugares estratégicos no ponto de venda, para despertar o interesse da compra no consumidor. Investir em merchandising no ponto de venda também é uma forma de chamar a atenção e que apresenta ter mais resultados na hora da compra.
Com isto sugere-se aos supermercados que mantenham um ambiente bem organizado com produtos sempre de fácil visualização e acesso, e os produtos da cesta básica manter na última gôndola do supermercado, pois, se o cliente tem a intenção de comprar o básico terá de passar pelos outros produtos, assim haverá mais chance de ele efetuar a compra de outros produtos e aumentar o ticket médio de compras.
Uma outra forma de aumentar a lembrança de marca é através de campanhas intensivas. Isso facilita o processo de compra agilizando as decisões. É importante, no processo de produtos de compra rotineira, que a marca esteja na cabeça do cliente.
Para as empresas que desejam atender a este novo nicho de mercado, os casais sem filhos, devem investir em produtos de porções menores e que sejam de fácil preparo, pois, através dos casais entrevistados foi possível perceber uma necessidade de produtos que sejam fáceis e rápidos para preparar. E para os supermercados que desejam atender estes casais, devem investir em uma mudança na estrutura, geralmente os casais sem filhos procuram supermercados que sejam menores para fazer suas compras, pois, não precisam ficar muito tempo procurando o produto que deseja comprar.

5- Referências:

BRASIL. Decreto-Lei nº 399 , de 30 de abril de1938. Rio de Janeiro, 1938. Aprova o regulamento para execução da Lei 185, de 14 de janeiro de 1936, que institui as comissões de salário mínimo. Disponível em: < http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=5538 >. Acesso em: 9 jun. 2008.
BRENNER, Eliana; JESUS, Dalena. Manual de planejamento e apresentação de trabalhos acadêmicos: Projeto de pesquisa, monografia e artigo. São Paulo: Atlas, 2007.
DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS. Pesquisa nacional da cesta básica. Disponível em: < http://www.dieese.org.br/rel/rac/metodologia.pdf >. Acesso em: 11 abr. 2008
FISCHER, Augusto. Métodos de pesquisa. Universidade do Contestado. Fraiburgo: 2001.
GARBOGGINI, Flailda Brito. Processo de decisão de compra. [2001?]. Disponível em: < http://www.puc-campinas.edu.br/centros/clc/pp/TextosEstudos%20ConsumidorI.doc >. Acesso em: 13 maio 2008
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1999.
KARSAKLIAN, Eliane. Comportamento do Consumidor. São Paulo: Atlas, 2004.
KOTLER, Philip. Administração de marketing. 10. ed. São Paulo: Pearson, 2000.
LAS CASAS, Alexandre. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade brasileira. São Paulo: Atlas, 2006.
NEVES, Marcos; CASTRO, Luciano. O consumidor mundial de alimentos. In: NEVES; CASTRO (org). Marketing e estratégia em agronegócios e alimentos. São Paulo: Atlas, 2003.
PINHEIRO, Roberto et al. Comportamento do consumidor e pesquisa de mercado. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
SCHIFFMAN, Leon G.; KANUK, Leslie Lazar. Comportamento do consumidor. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
STEFANO, Fabiane; SANTANA, Larissa; ONAGA, Marcelo. O retrato dos novos consumidores brasileiros. Portal Exame, São Paulo, 17 abr. 2008. Disponível em : < http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0916/economia/m0157294.html>. Acesso em: 5 out. 2008.

APÊNDICE A

Questões da entrevista

1- Com que freqüência é efetuada a compra dos produtos alimentícios constituintes da cesta básica?
2- Como você realizou sua primeira compra?
3- Onde você compra os itens da cesta básica com mais freqüência?
4- Qual valor aproximado gasto com alimentos da cesta básica?
5- Como é feito o pagamento das compras?
6- Antes de efetuar uma compra você procura informações sobre o produto? Que tipo de informação?
7- As informações são adquiridas de que maneira?
8- Como você adquire produtos da cesta básica: por indicação; através de experiência anterior; conhecimento da marca; decisão no ponto de venda? Você procura opinião de alguém da família ou amigos antes de comprar um produto?
9- Você já realizou a compra de um produto apenas pela maneira que ele for organizado no supermercado ou porque a embalagem te chamou a atenção? Sim? Qual? O que lhe chamou a atenção?
10- Alguma vez você já adquiriu um produto por causa da propaganda (TV, rádio, revista)? Sim? Qual?
11- Qual o atributo é considerado mais importante no momento da compra?
12- Você observa as promoções antes de comprar?
13- Você se considera fiel a alguma marca de alimentos?
14- O que te faz ser fiel a uma marca?
15- Você experimenta outras marcas?
16- O que leva você a experimentar novas marcas?
17- Você já realizou a compra de um produto porque uma pessoa conhecida do meio social e/ou meio artístico fez a propaganda do produto?

UM ESTUDO SOBRE AS MÚSICAS DO LEGIÃO URBANA

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS
NUCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE HISTÓRIA
Rock Brasileiro nos anos 1980: Um estudo sobre as músicas do Legião Urbana.
Natália Torres
Belo Horizonte-MG

TEMA

Este trabalho analisará letras de música da banda Legião Urbana com o intuito de identificar críticas aos diversos aspectos da sociedade brasileira.

JUSTIFICATIVA:

Este projeto visa compreender a postura da banda Legião Urbana frente às composições de suas músicas que expressavam uma insatisfação dos jovens da época contra a forma de opressão do governo brasileiro.
Proporcionará aos acadêmicos e a sociedade um maior conhecimento sobre a história do rock e o comportamento dos jovens que se expressavam por meio da música. Esse estudo pretende criar um debate sobre a história do rock brasileiro evidenciando sua capacidade de penetração nas questões que envolvem a sociedade.

OBJETIVO GERAL

Analisar músicas da banda Legião Urbana, visando identificar as críticas feitas a diversos aspectos da sociedade brasileira e de como essas críticas foram recebidas pela sociedade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1-Desenvolver uma análise sobre a história do rock brasileiro e o comportamento dos jovens que se expressavam por meio da música.
2-Analisar a história do rock brasileiro evidenciando sua capacidade de penetração nas questões que envolvem a sociedade.

REFERENCIAL TEORICO:

O rock brasileiro sempre foi visto com más olhos pela sociedade, foi sempre considerado como apenas uma febre passageira e como um movimento sem importância. Com o passar do tempo, o rock foi conquistando seu espaço na sociedade e ganhando lugar na radio e na mídia e aos poucos foram surgindo os primeiros grupos de rock. A guitarra ocupava cada vez mais o seu espaço, e as letras já começavam a relatar a realidade do Brasil, fazendo com que o rock começasse a ser visto como perigoso e cheio de intenções.
Aos poucos foram surgindo no cenário do rock novas bandas como Paralamas do Sucesso, Biquíni Cavadão e Legião Urbana.
Umas das bandas que surgiram no cenário do rock foi o Legião Urbana que se formou em 1980, foi considerada uma banda crucial na história do rock brasileiro e obteve o seu espaço de destaque no contesto do rock.
A banda se originou da separação do grupo Aborto Elétrico, nos anos 80 passaram a fazer sucesso com suas composições de letras como Que País É Esse?, Geração Coca-Cola, e Ainda É Cedo.Legião Urbana se tornou conhecida e considerada a maior banda de rock do país.

METODOLOGIA:

Para desenvolver esta pesquisa será usada como base metodológica a utilização de fontes documentais tais como obras que tratam da música como documento histórico, além da análise de letras produzidas pela banda. Serão utilizados também livros e artigos científicos que abordam a temática tratada nesta pesquisa.

BIBLIOGRAFIA:

Paulo: Editora: DBA DEPIEVE, Arthur. O Rock brasileiro dos anos 80. São Paulo: Editora 34, 2000.
MARCHETTI, Paulo. A historia do Rock de Brasileiro. Brasília: Editora Conrad, 2000.
CARLOS MARCELO. Renato Russo – O Filho da Revolução. Editora Agir.
A biografia de Renato Russo. O Trovador Solitário (de 2001).
RICARDO ALEXANDRE. DIAS DE LUTA O ROCK E O BRASIL DOS ANOS 80. São, 2002.

FICHA DE LEITURA – LIVRO IRACEMA

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Livro: Iracema

01- Nome do Livro?
R.: Iracema, publicado em maio de 1865.

02- Nome do Autor?
R.: José de Alencar.

03- Biografia do autor?
R.: José de Alencar nasceu em 1 de maio de 1829 na cidade de Messejana localizada em Fortaleza e faleceu em 12 de dezembro de 1877 aos 48 anos de idade no Rio de Janeiro, foi jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista(polêmico), romancista e dramaturgo brasileiro. Formou-se em direito e iniciou sua atividade literária no Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro, foi casado com Ana Cochrane, filho do senador José Martiniano Pereira de Alencar, irmão do diplomata Leonel Martiniano de Alencar. Iniciou sua carreira literária em 1857 com a publicação de O Guarani lançado como folhetim e que alcançou enorme sucesso. Suas obras podem ser divididas em três etapas: 01- Romance urbanos: Cinco Minutos(1860), A Viuvinha(1860); 02-Romances históricos: O Guarani (1870), Iracema (1875); 03- Romances regionalistas: O Gaúcho(1870), O Sertanejo (1876).

04- Quanto ao tempo, quando ocorrem os fatos narrados na obra?
R.: Um Jovem Guerreiro perde sua navegação em plena época de colonização dos portugueses no Brasil, e deixam-no para trás no meio da floresta, até que ele encontra uma bela mulher, eles se apaixonam um pelo outro e passam a conviver na aldeia da bela virgem dos lábios de mel, onde há muitos conflitos pelo guerreiro ser de fora da tribo.

05- Quanto ao espaço, onde ocorrem os fatos narrados na obra?
R.: Os fatos ocorrem na floresta e na aldeia.

06- Em que pessoa a obra é narrada? Que narração predomina na obra?
R.: 3ª pessoa. O romance entre um homem branco e uma bela índia que se apaixonam e há muitos conflitos com os chefes da tribo por serem contra a relação entre eles.

07- Que tipo de linguagem predomina na obra analisada?
R.: Coloquial.

08- Cite e caracterize o protagonista da obra. Justifique sua escolha.
R.: Iracema e Martim. A maioria da história conta da relação entre os dois, e as brigas e desentendimentos que é causado com todos da aldeia e a família da bela
09- Cite e caracterize o antagonista da obra. Justifique sua escolha.
R.: Irapuã. Chefe Tabajara comanda a tribo e não concorda com o relacionamento da virgem dos lábios de mel com Martím o homem branco, sendo que o romance entre os dois é a idéia da obra.

10- Cite um trecho da obra em que ocorre discurso descritivo?
R.: O Pajé enchia o cachimbo de erva de Tupã, o estrangeiro respirava o ar puro da noite para refrescar o sangue efervescente, a virgem destilava sua alma como o mel de um favo nos crebos soluços que lhe estalavam entre os lábios trêmulos. 4º parágrafo, página 50

11- Cite um trecho da obra em que ocorre discurso narrativo?
R.: O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o serviu porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba e correu para o guerreiro, sentido da mágoa que ousara. 7º parágrafo pagina 20

12- Cite um trecho da obra em que ocorre discurso dissertativo?
R.: “Chamou então o guerreiro Jatobá e disse: – Filho, toma o tacape da nação pitaguara, Tupão não quer que Batuireté o leve mais a guerra, pois tirou a força de seu corpo, os movimentos do seu braço e a luz dos seus olhos . Mas Tupão foi bom para ele, pois lhe deu um filho como guerreiro Jatobá”. 3° parágrafo, página 81

13- Cite um trecho da obra em que ocorre discurso direto?
R.: Teu irmão pensa que este lugar é o melhor do que as margens do Jaguaribe para a taba dos guerreiros de sua raça. Nestas águas as granes igaras que vêm de longas terras se esconderiam do vento e do mar, daqui eles iriam ao Mearium destruir os brancos tapuias, aliados dos Tabajaras, inimigos de tua nação. 3°parágrafo, página 79

14- Cite um trecho da obra em que ocorre discurso indireto?
R.: Meu irmão fala como a rã quando anuncia a chuva; mas a sábia que faz seu ninho, não sabe se dormirá nele. 8° parágrafo página 91
15- Qual é o tema tratado na obra?
R.: O romance entre a bela Iracema e o estrangeiro Martim.

16- Qual é o clímax da obra?
R.: A partir do momento que conta sobre a relação entre Martin e Iracema e que deles um filho é o resultado do amor, nada espera que aconteça em um romance a protagonista Iracema morrer deixando o filho.
17- Selecione 15 palavras ou expressões que você conheceu a partir da leitura da obra elaborando um vocabulário com as mesmas.
R.: Tabajara: Senhores das aldeias, de taba – aldeia, e jará- senhor. Maracá: Chocalho: (instrumento musical, usado em esportes como capoeira). Igaçaba: pote de barro. Inúbia: Trombeta guerreira (instrumento sonoro usado pelos índios). Esteio: apoio, escora. Estrídulo: Som estridente. Maracajá: Gato selvagem, pele mosqueada. Langue: solta, sensual. Pejo: pudor. Espanejava: revelava. Pocema: Grito de guerra. Mundaú: Rio muito tortuoso, que nasce na serra de Uruburetama – CE. Piroquara: Toca do peixe, pira–peixe, e coara-toca. Abaetê: Homem bom, verdadeiro de palavra. Monguba: Árvore que dá um fruto cheio de cotão(pelos que há na casca da fruta).

18- Fale sobre o contexto histórico, social e cultural que se enquadra a obra analisada.
R.: Romantismo no Brasil. O livro comenta sobre a época em que os estrangeiros (portugueses e europeus) estavam colonizando nosso país.

19- Elabore uma resenha crítica da obra analisada.
R.: A obra Iracema relata vários assuntos principalmente o romance entre Martim e Iracema, e os desvios ocorridos entre o relacionamento pela interação de culturas diferentes, que toda a tribo e familiares dela não aceitavam essa relação, Iracema acabou sendo contrária e aceitou ao desejo do homem branco e por fim fizeram um filho, para que a história ficasse com mais drama a bela dos lábios de mel morre deixando o filho, toda a sua tribo e família reconhecem e aceitam Martim como parte da família. Essa obra põe em conhecimento fatos importantes da nossa história e sociedade de nosso país como a colonização pelos portugueses e europeus, interação entre homem branco e índios, interação de diferentes culturas, as diferentes expressões e falas dos índios toma em consideração o significado em nossa língua.

20- Cite a bibliografia do autor.
Romances
• Cinco minutos, 1856
• A viuvinha, 1857
• O guarani, 1857
• Lucíola, 1862
• Diva, 1864
• Iracema, 1865
• As minas de prata – 1º vol., 1865
• As minas de prata – 2.º vol., 1866
• O gaúcho, 1870
• A pata da gazela, 1870
• O tronco do ipê, 1871
• Guerra dos mascates – 1º vol., 1871
• Til, 1871
• Sonhos d’ouro, 1872
• Alfarrábios, 1873
• Guerra dos mascates – 2º vol., 1873
• Ubirajara, 1874
• O sertanejo, 1875
• Senhora, 1875
• Encarnação, 1893

Teatro
• O crédito, 1857
• Verso e reverso, 1857
• O Demônio Familiar, 1857
• As asas de um anjo, 1858
• Mãe, 1860
• A expiação, 1867
• O jesuíta, 1875
Crônica
• Ao correr da pena, 1874

Autobiografia
• Como e por que sou romancista, 1873

Crítica e polêmica
• Cartas sobre a confederação dos tamoios, 1856
• Ao imperador:cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo, 1865
• Ao povo:cartas políticas de Erasmo, 1866
• O sistema representativo, 1866

A ÁFRICA – MATRIZ DA CULTURA BRASILEIRA

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FINOM – FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS

A ÁFRICA – MATRIZ DA CULTURA BRASILEIRA
2008

RESUMO
O principal objetivo deste trabalho é analisar de modo sucinto a questão da escravidão e suas implicações no processo de formação da sociedade brasileira. Para tanto, busca-se primeiramente definir o que é a escravidão, passando por um breve relato de sua prática pelas primeiras civilizações, até chegar a seu uso na sociedade colonial brasileira, daí a suas conseqüências atuais. Como conclusão, o artigo alerta para a necessidade da aplicação da Lei 10.639/2002, não só como forma de enriquecer o conhecimento da história da África e de seus povos, enquanto nossos antepassados, mas também como elemento fortalecedor de formação ética, no sentido de derrubar ideologias discriminatórias e preconceitos.

Palavras-Chave: África, Escravidão, Negros

Introdução

A escravidão era praticada na África muito antes da chegada dos colonizadores portugueses. Há indícios de captura de escravos pelas expedições egípcias desde 2680 a.C., aproximadamente.
Considerados como seres inferiores pelos mais poderosos, os escravos foram transformados em mercadoria de alto valor para a região do sul do Egito.
No século XIV, a expansão européia fez com que o sistema escravagista adquirisse um caráter essencialmente econômico, além de contornos raciais, fazendo com que o negro fosse identificado como escravo.
A visão etnocêntrica do europeu, que predominou até fins do século XV e primeiras décadas do século XVI, transformou o escravo no outro, diferente e inferior, não humano, passando a ser uma simples mercadoria, um bem a ser trocado, comprado e vendido. Como cita Mary Del Priore: “A cor negra, associada à escuridão e ao mal, remetia, no inconsciente europeu, ao inferno e às criaturas das sombras.” (DEL PRIORE; VENÂNCIO, 2004, p.56).
Mas o desenvolvimento do comercio de escravos africanos, entre os continentes, deve ser considerado a partir da presença da escravidão e do comércio de escravos no interior da própria África.
A escravidão na África foi uma imitação da escravidão dos Mouros e Sarracenos, que cresceu, desenvolveu-se, agigantou-se e envolveu todas as grandes potências marítimas, que eram a Inglaterra, França, Espanha e Portugal e outras quase todas arrastadas pelas rendas que o mercado de escravo oferecia. A África então passou a ser o grande palco da escravidão do homem pelo homem criando zonas de penetração ao interior desconhecido para aprisionamento dos negros. O homem foi transformado em mercadorias e classificados nas alfândegas como objeto de utilidade para pagamento de imposto de exportação. Ao longo dos séculos, a escravidão vai mudando de acordo com a região e ao uso do escravo, porém não deixando nunca de ser uma violência de um ser humano contra outro.
A partir do início do século XVII, a escravidão passa a ser caracteristicamente africana, isto é, o escravo passou a ser ligado diretamente a sua cor da pele, especificamente a cor negra. Dessa forma, a escravidão projeta-se até hoje sobre os descendentes dos escravos.

Desenvolvimento

Considerada o berço da humanidade, a África viu nascer o Homo Sapiens há 200 mil anos. Por viver numa região de clima quente, naturalmente sua pele apresentava uma coloração escura, resultado da concentração de melanina, que serve de proteção contra a radiação solar. Com o passar do tempo, o homem foi se deslocando para o norte, indo em direção às regiões frias da Europa, o que provocou o clareamento da pele, dando origem aos povos nórdicos.
Mas a evolução do homem se deu na região africana, onde surgiram a agricultura e as primeiras civilizações. Até o século XV a África seguia seu próprio desenvolvimento, com importantes estados constituídos, como o Império Songai, o Império de Gana, o Reino do Zimbábue, o Reino do Daomé, a civilização Achanti , a civilização Yorubá (composta de cidades-estado), e a civilização Ilê Ifé, entre outras. Algumas cidades como Gao, Tomboctu, Djennê e Benim, eram mais povoadas que Lisboa, Veneza e Londres, e possuíam universidades.
As sociedades africanas possuíam estrutura relativamente estável, e os reinos africanos gozaram de relativa estabilidade até a chegada dos europeus, para quem vendiam ouro, marfim e sal.
A origem da escravidão humana perde-se no tempo, assentando-se em épocas pré históricas, sendo impossível estabelecer se o primeiro escravo era branco ou negro, asiático, africano ou europeu. Mas podemos considerar que tenha começado com o desenvolvimento da lavoura. No espaço agrário, surgiu como complemento de mão-de-obra para a produção agrícola e no espaço urbano, o trabalho escravo era utilizado de diversas maneiras: tanto na área burocrática do governo como no exército, sobretudo a partir do contato com o mundo árabe.
A escravidão na região africana, além de ser uma imitação da escravidão dos Mouros e Sarracenos, era uma situação aceita que cresceu, desenvolveu-se e envolveu todas as grandes potencias marítimas, que eram: Inglaterra, França, Espanha e Portugal, tornando-se essencial para a economia e para a sociedade. Segundo Paul Lovejoy, “ a escravidão era uma instituição central em muitas regiões da África…”.(LOVEJOY, Paul E., 2002, p. 14).
Muitas vezes as pessoas se tornavam escravos por razões de disputas locais e guerras, ou de demonstração de riqueza e poder por parte de algum governante local. Algumas pessoas foram levadas à escravidão por castigo. O crime poderia ser feitiçaria, roubo ou adultério. Outras eram simplesmente raptadas e transformadas em escravos.
As primeiras excursões portuguesas à África foram pacíficas. Em meados da década de 1470 os “portugueses tinham começado a comerciar nos golfos do Benin e freqüentar o delta do rio Níger e os rios que lhe ficavam logo a oeste”, negociando principalmente escravos.
Acreditando que a principal fonte de lucro da costa oeste da África era a exploração de minas de ouro, os europeus investiram fortemente na navegação no Atlântico, o que levou a estabelecer ali o comércio de escravos. No período compreendido entre 1450 e 1900, subestima-se que foram vendidos cerca de 11.000.000 de escravos negros. È importante ressaltar que as explorações marítimas vinham sendo praticadas desde o século XIV pelos portugueses.
As redes de tráfico na África eram anteriores ao advento das rotas Atlânticas e cresceram significativamente depois que produtos de outras regiões foram introduzidos para serem trocados principalmente por escravos. Este crescimento foi simultâneo ao de guerras, conquistas, capturas, aumento progressivo de escravizações e de populações devastadas por migrações e pela fome.
Junto ao comércio de escravos, estabeleceu-se também o comércio de outros produtos, tais como o marfim, tecidos, tabaco, armas de fogo e peles. Porém, a principal fonte de riqueza ali obtida foi a mão-de-obra escrava.
O investimento europeu nas guerras geradoras de escravos modificou profundamente a África e também as Américas. Cidades atacavam outras cidades, escravizando a população.
As etnias que partiam dos vários portos da África transformavam-se ao longo do tempo. Logo após o desembarque, os escravos eram revendidos e, conseqüentemente, transferidos para outras localidades, para outras regiões.
A maioria dos historiadores concorda que pelo menos 12 milhões de escravos deixaram o continente entre os séculos XV e XIX, sendo que de dez a vinte por cento morreram a bordo dos navios. Assim, um valor de 11 milhões de escravos transportados para as Américas é o número mais próximo que os historiadores conseguiram chegar.
A escravidão foi uma das maiores questões da história do Brasil, tendo se iniciado no período de 1532 com o advento da colonização, estendendo-se até 1888. Durante estes três séculos e meio, o negro africano desempenhou um importante papel para o desenvolvimento econômico do Brasil, tanto no período colonial quanto depois da Independência.
A travessia do Atlântico para o Brasil acontecia através de embarcações denominadas “navios negreiros” ou “tumbeiros”. Os negros vinham de diferentes regiões da África (costa ocidental- Cabo Verde/Cabo da Boa Esperança -, costa oriental – Moçambique, e também das regiões do interior do continente. Cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões destas embarcações. A travessia do continente africano para o Brasil era feita nos porões dos navios, onde os negros eram empilhados de forma desumana, em condições totalmente insalubres. Muitos deles não chegavam vivos, tendo seus corpos atirados ao mar.
As principais causas de morte nos navios eram a disenteria e a varíola, sendo que muitas vezes os negros morriam de pura depressão e desespero, por se recusarem a comer. Ao serem forçados a se alimentar, pulavam do navio e morriam afogados no mar. Estas perdas foram registradas, porém a maior parte dos documentos que comprovam esta situação desapareceu.
Losses were recorded but most of these documents have disappeared.Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia, o Rio de Janeiro e Pernambuco, de onde seguiam para outras cidades. Desses portos, eram espalhados por todo o país. Chegados ao porto da destinação, os negros eram armazenados em um barracão à espera que fossem vendidos.
A venda dos escravos vindos da África era feita em praça pública, através de leilões, mas o comércio de negros não se restringia à venda do produto do tráfico. O principal objetivo era constituir a mão-de-obra do colonizador português, que não aceitava fazer o trabalho braçal em nome de uma nobreza muitas vezes auto-outorgada.
As primeiras regiões do Brasil a receberem escravos africanos foram Bahia e Pernambuco, onde a produção de açúcar mais prosperou. Ao longo do século XVII, o tráfico de escravos alcançou os maiores índices de lucro para Portugal, superando o próprio negócio de açúcar. A partir do século XVIII, as fazendas de produção de açúcar e as minas de ouro abrigavam um grande número de escravos nos trabalhos braçais, e estes escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam de sol a sol, vestiam-se com trapos de roupas e recebiam alimentação de péssima qualidade. À noite, eram colocados nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene), sendo acorrentados para evitas as fugas. Os castigos físicos eram constantes e o açoite era a forma mais comum de punição. O excesso de trabalho e as condições precárias de higiene e salubridade a que eram submetidos, reduziam em média de sete anos sua vida útil.
As manifestações religiosas, as festas e rituais trazidos da África eram proibidos, sendo-lhes imposto pelos seus senhores, as práticas do catolicismo, bem como o uso da língua portuguesa.
Porém, mesmo proibidos, não deixaram sua cultura morrer. Às escondidas, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantendo vivos crenças e costumes que trouxeram consigo, provocando a partir de então, grande influência étnica das culturas africanas no Brasil.
Mas os negros muitas vezes reagiram à escravidão, formando grupos de revoltas nas fazendas, que fugiam para as florestas, onde fundavam comunidades denominadas de quilombos. Estes quilombos eram organizados de forma que conseguiam recriar comunidades idênticas às existentes na África. Ali se praticava a agricultura, falavam sua própria língua e praticavam seus rituais religiosos. O mais famoso dos quilombos foi o de Palmares, cujo líder foi Zumbi. Ao longo do século XVII, este quilombo tornou-se um centro de resistência contra todo o sistema escravocrata. É bom lembrar que o Quilombo de Palmares representava um autentica republica negra com sua organização militar, de trabalho e de produção. Lá se trabalhava o ferro e a agricultura que incluía o plantio de mandioca, da cana-de-açúcar, bem como a criação de gado para suprir as necessidades internas. O excedente da produção era trocado na vizinhança por sal, pólvora e armas de fogo. O quilombo era uma ameaça aos fazendeiros da região, pois sua existência estimulava a fuga de escravos, e sua organização também incomodava a corte e as autoridades, fatores que levaram o governo a extingüí-lo de forma brutal.
Mas este famoso quilombo não foi o único a existir, muito pelo contrário. Os quilombos se multiplicaram pelo Brasil como uma forma de organização de resistência dos negros que fugiam do trabalho escravo.
A partir da metade do século XIX, a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento inglês aprovou em 1845 a Lei Bill Aberdeen, que proibia o tráfico de escravos, dando poder aos ingleses para abordar e aprisionar navios de países escravocratas. Em 1850, extingue-se o tráfico de escravos e a escravidão começa a declinar. Progressivamente, os escravos são substituídos por imigrantes europeus assalariados no mercado de trabalho. Mas somente a partir da Guerra do Paraguai (1865-1870) é que o movimento abolicionista ganha força. Ao retornarem vitoriosos da guerra, milhares de ex-escravos, muitos condecorados, se recusam a voltar à condição anterior. O problema social torna-se então uma questão política para a elite dirigente do Segundo Reinado.
A partir das pressões feitas pela Inglaterra para acabar com a escravidão no Brasil, e juntamente com a insistência e a luta das classes simpatizantes pela liberdade dos negros, foram assinadas quatro leis que, teoricamente, puseram fim na escravidão:
Lei Eusébio de Queirós (1850) – proibiu o tráfico.
Lei do Ventre Livre(1871) – deu liberdade às crianças negras nascidas a partes daquela data.
Lei do Sexagenário (1885) – deu liberdade aos negros escravos maiores de sessenta anos.
Lei Áurea (1888) – aboliu de vez a escravidão no Brasil, levando a liberdade a 750 mil escravos, a maioria deles trazidos da África pelos portugueses.
Apesar do fim da escravidão, a abolição não foi acompanhada de nenhuma ação no sentido de integrar o negro à sociedade. Não houve nenhuma melhora na condição social e econômica dos ex-escravos. Sem formação escolar e nem profissão definida, a maioria deles não saiu da condição subalterna, o que acabou provocando o surgimento de uma população livre, porém excluída socialmente, e que hoje representa uma das características mais marcantes da sociedade brasileira.

Conclusão

As conseqüências da escravidão para a África foram devastadores. Muitas comunidades que conviviam pacificamente, se militarizaram e travaram guerras infindáveis. Enquanto durou a escravidão, os escravos “produzidos” eram vendidos em feiras e exportados. A exploração de mão-de-obra escrava, primeiro pelos árabes e depois pelos europeus, provocou uma desestruturação de enormes proporções, que ainda não foi superada. Guerras, doenças e pobreza devastam até hoje grande parte do continente, cujas riquezas naturais continuam sendo remanejadas para outros países.
Já na sociedade brasileira, elas não só se limitam às desigualdades sociais, mas também estão incrustadas nas muitas idéias falsas e nos preconceitos que, muitas vezes até passam despercebidos por nós.
A herança social deixada pela escravidão no Brasil pode ser percebida nas camadas mais pobres da população. A Lei Áurea foi um documento que representou a libertação formal do escravo, porém não garantiu a sua incorporação como cidadão pleno à sociedade brasileira. Depois de decretado o fim da escravidão, os ex-escravos foram abandonados à própria sorte e forçados a integrar as camadas de marginalizados que já constituíam a maioria da população. Empurrados para a periferia das cidades, formaram as primeiras favelas, passando a viver de pequenos e esporádicos trabalhos, a maioria braçal.
A escravidão deixou muitas marcas na sociedade brasileira, tais como: grandes concentrações de negros e mestiços nas camadas mais pobres da população; a persistência da situação de marginalização em que vive a maior parte destes indivíduos; a sobrevivência do racismo e de outras formas de discriminação racial e social; as dificuldades de integração e de inclusão do negro na sociedade; os baixos níveis de renda, de escolaridade e de saúde predominantes entre a maioria da população. A escravidão, portanto, deixou um ponto fundamental para a compreensão dos problemas sociais, econômicos, demográficos e culturais presentes na atualidade.
A sociedade brasileira pode ser vista como o resultado de um projeto dos portugueses, cuja construção foi predominantemente africana. O modo africano de ser está em todo o conjunto do ser e da nação brasileiros. Os negros criaram expressões próprias que se incorporaram ao nosso cotidiano. Com a miscigenação das culturas, hoje o Brasil é um país que possui uma diversidade cultural imensa, com uma forte presença negra. A cultura afro-brasileira mais forte que podemos encontrar na sociedade brasileira está na Bahia, onde podemos encontrar traços africanos presentes nos cabelos, nas roupas, nas músicas, na culinária, nas danças e na religião (candomblé).
Atualmente, existem iniciativas por parte do governo que procuram reduzir as distorções históricas com relação à escravidão negra. A Lei 9.394 enfatiza que “O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia”. Já a Lei 10.639/2003 inclui no currículo oficial dos estabelecimentos de ensino básico das redes pública e privada o estudo obrigatório de História e Cultura Afro-Brasileira.

“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”.(Lei 10.639/2003)

Desta forma, a Lei 10.639/2002 torna-se elemento essencial para que seja refeito o caminho pelo qual se construiu uma imagem negativa dos povos africanos e, a partir daí, desconstruir ideologias e mentalidades discriminatórias e preconceituosas que permeiam nossa sociedade. Assim, espera-se que este trabalho venha contribuir ao menos um pouco para mostrar a importância de se conhecer a história da África, seu povo, sua cultura e costumes, visto que é lá onde se encontram nossas raízes étnicas e culturais.

Bibliografia

BARBIERI, Renato; LEONARDI, Victor. “Atlântico Negro: Na Rota dos Orixás”. Filme-documentário.
COSTA E SILVA, Alberto. A enxada e a lança: a África antes dos portugueses. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1996.
DEL PRIORE, Mary; VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais: uma introdução à África
Atlântica. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
LOVEJOY, Paul. A escravidão na África: uma historia de suas transformações. Trad. Regina A. R. Bhering e Luis Guilherme B. Chaves. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
OLIVA , Anderson Ribeiro. A História da África nos bancos escolares. Representações e
Imprecisões na literatura didática.In: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-546X2003000300003&script=sci_arttext&tlng=end_0100-6916.
SILVA, Vagner Gonçalves da. “Confusão sobre a Origem”. In: História Viva – Grandes Religiões 6 – Cultos Afro. Duetto.

UMA LEITURA CRÍTICA SEGUNDO A VIOLENCIA EM HOBBES 1/2

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INTRODUÇÃO

Neste trabalho relata-se as preocupações de Thomas Hobbes em apresentar o estado de guerra, o Estado Civil e a sociedade, tentando compreender o homem, suas paixões, seus desejos e suas relações com os outros. Contudo, é da compreensão da natureza humana que ele parte para teorizar sobre um modelo de Estado que fosse o mais eficiente possível na tarefa de garantir a manutenção do estado de sociedade.
A obra de Thomas Hobbes é considerada, na área da ciência política, como um marco que se impõe como importante referencial à passagem do pensamento político para a modernidade política. Tentando dá uma solução como deveria viver esses homens fora do estado de natureza, que não viessem mais a se destruir e nem destruir o seu semelhante, mas que vivessem sobre o mandato do Estado Civil por meio do pacto feito ao soberano.
Ainda neste trabalho mostra-se dois aspectos característicos desses dois estados onde ambos estão contidos a violência tanto física quanto à força das armas. Pois aqui no estado de natureza Hobbes ilustra o homem como livre com todo direito e nenhum dever para com o semelhante, e isso lhe dar o direito de fazer o que quer sem precisar de punição, ou seja, predomina a lei do mais forte. Já o Estado Civil ao contrário do estado natural, não predomina a lei do mais forte, porém a Lei do soberano que representa o Estado Civil.
Não é atoa uma frase dita por Hobbes que resume um pouco seu pensamento a respeito do que pensa o homem no estado de guerra: “o homem é o lobo do homem”. Isso para dizer que o homem é inseguro e sem confiança, a qualquer momento pode destruir seu semelhante, por causa da inveja e a busca da honra querendo sempre ser o melhor levando vantagem em tudo o que faz. Mas há um bem primeiro que os homens devem conservar que é a sua própria vida, caso contrário o homem chega a sua extinção. E o mal primeiro que é considerado um dos maiores é a morte na qual o homem não pode se defender dela, por isso o medo de morrer os causa conflitos uns com os outros em defesa da vida, porém a sua e não a do outro.
Portanto, a violência no Estado Civil se dá por uma necessidade de poder e de evitar a guerra. Daí pode-se trazer para os dias atuais e ver que as idéias de Hobbes estão ainda muito presentes baseadas no poder e as desordens dos homens; e observar que essa invenção da não-guerra é muito ambígua, porque afinal não há acordo ou conciliação que possa resolver questões entre membros da sociedade que fundamentalmente são inimigos. E olhando para essa realidade atual sobre os acontecimentos causados pelo homem, pode-se fazer um retorno ao Leviatã a respeito desse homem. E sobre esse desejo humano, Hobbes descreve o homem como um ser com uma compulsão que o transcende e o impele a obter sempre mais poder, e uma vez que o desejo é sinônimo de vida humana, está instituído o impasse que inviabilizará a vida no “estado de natureza” forçando a humanidade a uma saída deste impasse, uma vez que permanecer no “estado de natureza” significaria estabelecer um tipo de vida extremamente insegura e ameaçadora. Mas a violência é considerada por Hobbes positiva desde que ela seja usada em função da paz e a ausência da paz ele considera guerra.

CAPÍTULO I
O ESTADO DE GUERRA
Para apresentar o estado de guerra, o Estado Civil e a sociedade, Thomas Hobbes iniciou o seu trabalho tentando compreender o homem, suas paixões, seus desejos e suas relações com o outro. É da compreensão da natureza humana que Hobbes parte para teorizar sobre um modelo de Estado que fosse o mais eficiente possível na tarefa de garantir a manutenção do estado de sociedade.
Thomas Hobbes nasceu em Westport, em 1588 e morreu em 1689. Ele é contemporâneo de Bacon e Galileu. Sua obra é considerada, na área da ciência política, um marco que se impõe como importante referencial à passagem do pensamento político para a modernidade política, e por isso ele é conhecido mais como um filósofo político, ao abordar questões políticas e éticas. O fato de ter nascido prematuramente devido à chegada da “Armada Invencível” marca sua psicologia: a sua teorização do absolutismo, que tem raízes, sobretudo, no terror pelas guerras que ensangüentaram a sua época.
Observa-se aqui o seguinte pressuposto teórico: O homem é um ser, em sua essência ontológica, violento. A violência é própria e exclusiva do ser humano.
A questão da defesa de um Estado absoluto – forte marca em todo o corpo do Leviatã é historicizada, e essa contextualização histórica passa principalmente pela compreensão do impacto que cria um clima de instabilidade política, experimentado pela sociedade inglesa da época e que dera motivo às investigações e reflexões de Hobbes. Tal questão é atenuada diante da rica diversidade teórico-filosófica desenvolvida pelo autor sobre o homem, o Estado e a sociedade.
De 1651, ano em que foi publicado o Leviatã, até os nossos dias, a humanidade, apesar de consideráveis avanços em todo o seu processo civilizatório, ainda não conseguiu se libertar do estado de guerra na qual se encontra, apresenta-se com um comportamento inalterado, quando esta é analisada pela ótica do poder político, em seu sentido mais amplo. O poder político, instância que se instaura entre os homens em qualquer sociedade, envolvendo e movimentando povos e nações, continua sendo o principal meio que funda e dá coesão às relações sociais. É assustador constatar, entretanto, que os mecanismos e os desejos de dominação entre os homens pouco diferem dos da época em que Hobbes se inspirou para teorizar sobre o assunto. Daí se poder afirmar que, diante da evidente atualidade do pensamento hobbesiano, o qual tenta compreender o homem e o Estado, suas idéias, conceitos e reflexões, ultrapassa-se a mera tentativa de explicação histórica, ou mitológica, sobre o momento de passagem do estado de “natureza do homem para o estado de sociedade”. Na realidade o que Hobbes descreve, e dá conta, é a compreensão dos processos e mecanismos que movem o ser humano em sociedade, através de uma perspectiva extremamente realista e profunda, desvendando a maquiagem encobridora de uma visão cristã, predominante na época, ultrapassando com suas reflexões o momento histórico em que viveu.
Hobbes tem o homem em seu pensamento como o ponto de partida, por isso o filósofo é definido como antropólogo. As respostas estão na natureza humana, que é seu ponto de investigação. Por sua vez, o ponto de partida de toda a ação humana é denominado por ele de “conato”. Toda ação sensível ou moral é uma ação determinada pelo objeto, ao que ele chama de hedonismo: em busca do prazer e desejo.

A real motivação dos homens é o desejo, e esse é sempre egocêntrico. Todos os atos aparentemente altruístas podem ser explicados como uma demonstração de egoísmo, após a devida investigação. As principais características dos homens são o orgulho, a avareza, a ambição e o temor da morte. Portanto, os homens levam vidas solitárias, pobres, maldosas, brutais e breves. Essas descrições são transferidas para as atividades políticas (CHAMPLLIN, 2001, p. 146)

Hobbes declara que o homem aparentemente vive em liberdade, mas suas ações são previamente determinadas, por isso diz que não é possível viver sem desejo, pois já é inato o desejo de poder no homem. Já o estado de guerra é um estado natural, por isso nele o homem vive em sociedade não porque gosta, mas como meio de sobrevivência, ou seja, para conservar a sua espécie. Ele só encontra prazer sobrepondo-se ao outro, enquanto obedecer à ordem não é natural nele, pelo que Hobbes desconfia da natureza humana. Contudo, se tal natureza é egoísta, cada um deve buscar satisfazer seus próprios instintos, sem nenhuma consideração pelos outros: segue-se uma luta de todos contra todos, na qual cada homem se lança em relação ao outro como um lobo para devorar.
Por causa das guerras, Hobbes tinha uma visão pessimista sobre a sociedade, transferindo para ela tudo de mal que ele pensava sobre o homem individual, o modelo do egoísmo. Daí a sua frase “O homem é o lobo do homem”. Nesse sentido é impossível conseguir a felicidade, porque todos vivem envolvidos pelo temor de serem atacados uns pelos outros.
A respeito da lei natural, Hobbes diz: “Se não for constituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros” (LEVIATÃ, 1988, p. 103). Contudo, nos pequenos grupos de famílias que viviam em aldeias distantes não havia uma lei civil para se seguir, pois roubar, desapropriar por violência uns aos outros sempre tinha sido uma forma legítima e longe de ser contrária ao direito natural dos homens, pois estes tinham como lei legível a lei da honra, ou seja, fora do Estado civil.
Segundo Hobbes, ainda que os homens com o seu esforço venham a conseguir uma vitória contra o inimigo estrangeiro, ao terminar a batalha, quando não terão mais um inimigo comum, ou aquele que por alguns é tido como amigo e por outros como inimigos, de toda forma será inevitável que as diferenças entre seus interesses os levem à união, voltando a cair em guerra uns com os outros e, para garantir a sua honra e a dignidade, é que eles lutam entre si, causando a inveja, o ódio, a sede de vingança e finalmente a guerra; isso os faz diferenciar-se dos animais, que não precisam conquistar honra e tampouco dignidade para sobreviver.
Contudo, mesmo nessa situação de discórdia, o homem só encontra a felicidade na comparação com os outros homens, mesmo que venha a tirar prazer do que é admirável no outro, pois eles em grande parte se julgam mais sóbrios e mais capacitados que os outros para o exercício do poder público e, com a maneira diferente de trabalho, acabam levando o país à desordem e à guerra civil. Até o uso da linguagem tem os seus reveses, pois o homem faz mau uso dela para enganar os outros, leva a vida implicando com seu semelhante e parece nunca estar satisfeito, nesse caso tendendo a exibir sua sabedoria para controlar as ações dos que governam o Estado.
Nenhuma das grandes e duradouras sociedades provém da boa vontade que os homens tivessem uns para com os outros, mas do medo mútuo. Entretanto, a causa desse medo recíproco consiste, em parte, na igualdade natural dos homens e na sua mútua vontade de se ferirem, do que decorre que o homem não pode esperar dos outros a paz e tampouco prometer a si mesmo a menor segurança. “Cada homem é igual a outro, tendo o mais fraco a mesma capacidade do mais forte de destruí-lo o outro, quer usando de astúcia, quer aliando-se a outros ameaçados pelo mesmo perigo” (CHEVALLIER, 1982, p. 69). Por sua vez, a igualdade dos homens consiste no fato de que eles podem fazer coisas iguais. Portanto, todos os homens são naturalmente iguais entre si, mas a desigualdade constatada aqui encontra origem na sua ganância de poder e desejo.
No estado de natureza, todos os homens têm desejo e vontade de se ferir, mas que não procedem da mesma causa, e por isso não devem ser condenados com igual vigor, pois o homem temperado avalia corretamente o seu poder. O outro, supondo-se superior aos demais, quererá ter licença para fazer tudo o que bem entenda, e existirá mais respeito e honra do que pensarem devidos aos outros (é o que exige um espírito arrogante). No segundo homem a vontade de ferir vem da vã glória e da falsa avaliação que ele efetua de sua própria força; no outro, provém da necessidade de se defender, bem como à sua liberdade e bens, da violência do outro (HOBBES. 2002 p. 29).

Hobbes vê o homem como um competidor do outro homem, que tem uma sede de poder sob todas as suas formas. Vendo de maneira geral, o homem destrói o outro não por inferioridade de inteligência, porque ambos podem fazer o mal do mesmo jeito, mas por todos terem igualdade de capacidade que dá a cada um, igual esperança de alcançar seus fins, que impele cada um a esforçar-se por destruir ou por subjugar o outro; disso resultam concorrência, desconfiança recíproca, voracidade de glória ou de fama, que por sua vez tem por resultado a guerra perpétua de “cada um contra cada um”, e de todos contra todos. Assim, se o homem age dessa forma, segundo Hobbes seria impossível construir a paz, pois esta se daria por uma ausência de guerra, porém, quando se trata de violência, não há homem mais capacitado que os outros homens, todos agem de igual para igual.
As paixões que provocam de maneira mais decisiva as diferenças de talento são, principalmente, o maior ou menor desejo de poder, de riqueza, de saber e de honra, todas as quais podem ser reduzidas à primeira, que é o desejo de poder. Porque a riqueza, o saber e a honra não são mais do que diferentes formas de poder (HOBBES, 1979, p 49).
Visto que a necessidade da natureza faz com que os homens queiram e desejem aquilo que é bom para eles, acabam por evitar aquilo que lhes é prejudicial, mas, acima de tudo, o terrível inimigo da natureza é a morte, de quem se espera não apenas a perda de toda a sua potência, toda a sua vida, mas também a maior das dores físicas ao perdê-la. Portanto, é um direito de natureza que todo homem possa preservar a sua própria vida e membros, com toda a potência que possui. E se é para lutar em prol da vida de cada um, não interessa quem seja o seu adversário, importando o querer-viver, o outro que encontre seus meios. É uma briga constante pela sobrevivência.
Como se pode observar, fazer o bem ou o mal já é algo implicito no homem, pois este age segundo a sua vontade; a sua consciência será seu guia de fazer o bem ou mal. Marcelo diz que “as tentações não são constrições; a vontade é livre, e o homem faz o mal » (PERINE, 1987 P. 91).
Se o homem sucumbe, é porque ele quer sucumbir à tentação; se ele deve, ele pode obedecer à lei que a sua razão prática se dá e que ele conhece imediatamente como um fato. Se ele não obedece à lei é porque não quer. O ser que, enquanto ser moral, constitui o sentido do mundo e justifica-lhe a existência, é imoral e não somente fraco; escolheu a sua fraqueza, ele quis o mal: “sua natureza é depravada, ele a depravou”.
O mal é radical no homem, ele é indistruível, a sua possibilidade estando fundada na natureza mesma do homem; mas é igualmente indistruível e imperdível a possibilidade do bem, permanecendo a lei moral em toda a sua pureza e severidade imediatamente presente ao espírito do homem que se perverteu a si mesmo, que se sabe pervertido e que, por isso, não pode não se julgar (PERINE, 1987 p. 91).

Não é simplesmente a necessidade que distingue o homem dos outros animais, mas também o desejo e a negatividade, porque, de todos os animais, “o homem é o único que emprega a sua linguagem para dizer não” (PERINE 1987, P 127) ; para exprimir o seu desejo, isto é, aquilo que ele (não) é e (não) quer, vale dizer: o seu interesse. E o seu interesse, no final das contas, consiste em satisfazer a necessidade e o desejo, numa palavra, libertar-se do descontentamento. «Se o homem não devesse se purificar, se a sua vontade fosse sempre pura, ele não teria necessidade de lei nem saberia da existência de uma lei para a sua vontade » ( PERINE, 1987, p. 94).
Marcelo fala de uma definição de Hegel a respeito do homem e diz: “O homem é um animal como muitos outros, mas não é somente como os outros porque, além das necessidades, ele tem também desejos, quer dizer, necessidades que ele mesmo formou, que não são da sua natureza, mas que ele se deu” (PERINE, 1987, p. 126).
E é a negatividade que o impulsiona a agir sobre o que ele encontra a seu redor para satisfazer as suas necessidades, e o impulsiona a agir sobre a sua ação, isto é, sobre o seu modo de agir sobre a natureza, para satisfazer os desejos, isto é, as necessidades que ele mesmo criou.
O que se pode entender é que, se o homem tem a possibilidade de conhecer, agir pela razão e não o faz, conclui-se que fazer o bem ou o mal parte dele, mas como ele age pelos sentimentos (desejos) não significa que todos os seus desejos são maus, tendo porém uma causa de ser. Pensando dessa forma, volta à afirmação de Maquiavel: “Os fins justificam os meios”, ou seja, daí retorna a Caim e Abel, que a causa de Caim matar Abel foi a recusa de Deus aos seus produtos, daí provém a inveja e o descontentamento com a vida de seu irmão. A violência é o outro irredutível da razão, ela ainda não se tornou razão.
Segundo Spinoza, “as paixões impedem ao homem o uso da razão e o mantêm na escravidão. O homem é livre à medida que é guiado pela razão” (MONDIN, 1981 p. 92).
Spinoza faz um relato sobre a vida política em Hobbes e diz que a humanidade antes se encontrava nas origens no estado de liberdade (natureza). No estado de natureza não há nenhuma restrição aos direitos do indivíduo. Assim como o sábio tem o direito de fazer tudo o que a razão lhe ordena, ou seja, de viver segundo as leis da razão, assim também o ignorante e o estúpido têm o direito soberano de fazer tudo o que as paixões lhes ordenam.
Logo, se um indivíduo, guiado pela razão ou impelido pelas paixões, considera útil para si alguma coisa, tem o direito de desejá-la e de apropriar-se dela por todos os meios possíveis: força, astúcia, pedidos. Conseqüentemente pode-o considerar como seu inimigo a quem impedir a consecução de seu desejo. Resultado: guerras, morticínios, insegurança etc. Segundo Spinoza, “o homem deve agir segundo as leis da própria natureza” (MONDIN, 1981 pg 95).
Hobbes também concorda com Spinoza na sua ética quando diz que “é bom o que causa prazer; mau o que faz sofrer”. Portanto, bem e mal variam de pessoa para pessoa, porque a mesma sensação pode ser boa para um e má para outro. O fim supremo do homem é à procura do maior número possível de prazeres.

1.1 A violência no Estado Civil
“A violência no Estado Civil se dá por uma necessidade de ter poder e de evitar a guerra. Mas essa grande invenção da não-guerra é muito ambígua, porque afinal não há acordo ou conciliação que possa resolver questões entre membros da sociedade que fundamentalmente são inimigos” (SÉRGIO, 1992, p. 196).
O poder é a distribuição das possibilidades concretas do exercício da política, isto é, a distribuição das possibilidades concretas, na sociedade, de fazer transitar práticas sociais qualitativamente determinadas. Se, do ponto de vista das categorias filosóficas, o poder é a possibilidade genérica da violência genérica, do ponto de vista da sociedade ele só pode ser entendido como a distribuição social das possibilidades políticas, pois esta é que implica no trânsito das práticas que violam a própria sociedade. Não se pode explicar o poder como determinação social sem referir o “trânsito político” das práticas no qual esse poder se efetiva.
Segundo Hobbes, um Estado civil é constituído quando a maioria do povo concorda e faz um pacto com o soberano ou com uma assembléia de homens; na medida em que a multidão pactua, não pode voltar atrás e fazer outro pacto com mais alguém, nada restando a não ser obedecer ao primeiro. E no que consiste renunciar ao seu direito? Diz-se que quem abre mão de seu direito é aquele que a ele renuncia de forma absoluta ou deixa de fazer aquilo que antes fazia por direito. Porém, na transferência de seu direito, não basta à vontade apenas daquele que transfere: é preciso haver também a daquele que recebe. O soberano, por sua vez, ficará responsável de representar todas as pessoas que o escolheram para trabalhar em benefício deles, logo, uma vez tendo entregado os seus direitos ao soberano, jamais poderão se arrepender se não forem bem recompensados como gostariam de ser. Só na renúncia de seus direitos ao soberano já começa um ato de violência, pois nem todos gostariam de ser dominados, privados de seus direitos naturais, mas, como a maioria aceitou o resto também deve se sujeitar ao soberano.
O resgate do homem do estado de natureza para o Estado Civil já acontece de forma agressiva e violenta, pois, ao ingressar na “civilização”, este homem já começa perdendo alguns direitos e ganhando outros que são impostos pelo soberano, que faz as suas leis não para ele próprio cumprir, mas para serem cumpridas pelos seus súditos. Daí o grande desafio que o soberano tem que encarar, porque segundo Hobbes os homens não foram acostumados a viver em comunidade e, caso vivam, vivem por uma necessidade de conservar sua espécie. Por fazer o pacto, o homem já é submisso ao rei e então, se perder a liberdade natural para viver segundo as leis do Estado, já seria um ato de violência contra a natureza do homem, pois ele foi feito para viver livre já dizia Housseau, e não segundo as leis humanas, a não ser a Lei natural, mas como o próprio Hobbes afirma que o homem não vive sem regras, isso é quase que impossível. Contudo se existem leis, elas foram feitas para serem obedecidas por todos e não por alguns, pois as leis civis derivam das leis naturais e, no entanto, elas são obedecidas por todos. Portanto, se as leis que foram criadas em benefício do povo servirem apenas para alguns, e quem faz não obedece, então não se necessitaria de leis, bastando uma ordem imposta pelo soberano o qual todos obedeceriam. Por isso é necessário um poder comum que os mantenha em respeito uns com os outros e dirija suas ações rumo ao benefício comum, garantindo-se assim a segurança e satisfação deles e conseqüentemente a ordem, sem que o soberano tenha que usar a sua força para castigá-los no lugar da sabedoria, porque, se for preciso usar da força física para governá-los, a violência continua. Dessa forma, o Estado Civil nuca vai manter uma ordem sem primeiro ter que fazer ameaças ou a guerra, o que então já não é um estado de guerra natural e sim de guerra civil, longe de encontrar a paz.
É obrigado, cada homem perante cada homem, a reconhecer e a ser considerados autor de tudo quanto àquele que já é seu soberano fizer e considerar bom fazer na verdade. Cada homem confiou à sabedoria àquele que é portador de sua pessoa, portanto se depuserem estarão tirando-lhe o que é seu, o que também constitui injustiça (LEVIATÃ, 1988, p.107).

Uma vez feito o pacto, segundo Hobbes, nenhum súdito pode libertar-se da escravidão sob qualquer pretexto de infração e tampouco pode reivindicar ou lutar contra as formas injustas do soberano, pois se a maioria, por voto de consentimento, escolheu um rei que os representes aqui na Terra, os que tiverem discordado devem passar a aceitar o fato juntamente com os outros, ou seja, reconhecerem e acolher os atos que o soberano venha a praticar em seu favor, caso contrário serão destruídos pelos restantes. Já o soberano não se sente obrigado a obedecer à ordem de seus súditos, contudo, faz com que as suas leis sejam obedecidas, nem que para isso tenha que usar a força física, porque ele já representa todos os gostos dos súditos, sendo a vontade do soberano a mesma deles. Por fim, o homem no Estado civil não tem o direito de opinar nada nem pegar em armas para se defender, pois para isso tem o seu protetor que julgará qualquer dano feito a um de seus súditos “evitando” à volta do estado de guerra.
Para Hobbes, ainda que se venha a formular uma lei para o homem, este não vai obedecer e é por isso que ele diz que o “pacto sem a espada não passa de palavras”, daí a famosa frase: “O homem para obedecer às leis tem que ser castigado”. É a falta de responsabilidade que o torna incapaz de cumprir seus deveres de cidadãos para com o Estado.

Visto como o fim dessa instituição é a paz e a defesa de todos, e quem tem direito a um fim tem direitos aos meios, constituem direito de qualquer homem ou assembléia que detenha a soberania o de ser juiz de tanto dos meios para paz e a defesa quanto de tudo o que possa perturbar ou dificultar estas últimas e o de fazer tudo o que considere necessário ser feito, tanto antecipadamente, para a preservação da paz e da segurança, mediante a preservação da discórdia no interior e da hostilidade vinda do exterior, quanto também, depois de perdidas a paz e a segurança, para recuperação de ambas. (LEVIATÃ, 1988, p.109).

Quando Hobbes diz que somente um Estado forte, como uma monarquia, pode controlar uma criatura maligna como o homem, é no sentido de que ele não cumpre aquilo que promete, por isso deve haver castigo. Contudo, com o passar do tempo, à medida que esse homem vai sendo trabalhado, o castigo não será mais necessário, pois a paz provém da lei do Estado movido pelo monarca, da obediência dos súditos para com o rei. O homem, ao fazer um contrato com o rei, perde os direitos individuais para exercer um direito comunitário estabelecido pelo Estado. Daí o único direito natural que deve restar no homem deva ser o direito de viver. Pelo direito de defender a sua própria vida, que o soberano não pode tirar do homem, ele deve lutar com toda garra, mesmo que para isso tenha que recorrer à força física.
“O desenvolvimento de formas de controle social não elimina a ameaça da violência aberta. Tal ameaça é crucial para eficácia de outras formas de controle em que não se utiliza a violência física” (SÉRGIO, 1992, p. 129).
Não se deve perder de vista que, para se manter a ordem e a organização dum Estado Civil desenvolvido ou qualquer instituição, é necessário manter algumas disciplinas e, para que isso possa ocorrer, é preciso que alguém sofra as conseqüências; essas conseqüências poderão ser denominadas de violências, que não se dão só pelas autoridades e pelo sistema de dominação, mas também pela violência física, que é experimentada e tem de ser prevista pelos dominados.
Essa noção é decisiva para se entender o fundamento normal do terror. O Estado jamais renuncia a qualquer de suas conquistas em termos de violência, ou seja, o Estado nunca assume seus atos violentos contra o povo, sempre dizendo que está fazendo a coisa certa para manter a paz e a ordem.
“É uma contradição à idéia de um Estado liberal que se reduzisse, sem ambigüidade, à sua aparência de controlador da violência física aberta, pois na existência do soberano está imbricada uma prática em si mesma autoritária do direito de punir” (SÉRGIO, 1992, p.203).
O Estado é um grande dissimulador que consegue alternar a persuasão e o controle social com a violência física aberta. Consegue escamotear a violência física sob as altas aparências de estar servindo ao interesse comum dos seus cidadãos. Contudo, desde sua instituição, a violência e o terror estão na própria natureza do Estado. Dessa forma, não é só no estado de natureza que acontece a violência entre os homens, mas também no Estado civil, ou seja, a violência acontece a partir do momento em que é invadido o espaço do outro semelhante.
Sempre que se emprega a violência e se faz injustiça, embora pelas mãos escolhidas para administrar a justiça, ainda assim se trata de violência e dano, embora coberto pelo nome, pretensões ou formas da lei, sendo o objetivo em mira proteger e desagravar o inocente mediante a aplicação imparcial a todos quantos sob ela estão; sempre que não se dá sinceramente, faz-se a guerra contra os sofredores, que, não tendo para quem apelar na Terra para desagravá-los, ficam abandonados e o único remédio em tais casos, seria um apelo aos céus.
Na verdade, é preciso que os dominados tenham em comum com os dominantes os mesmo esquemas de percepção e apreciação, o que lhes permite ser percebidos reciprocamente e, conseqüentemente, aceitar o processo de dominação. Dessa forma, a violência monopolizada pelo Estado se legitima simbolicamente por dominados e dominadores, violência essa que ratificada, legalizada, legitimada enfim, passa a ser algo normal. A violência institucionalizada e legitimada simbolicamente não recebe o status de “terrorismo” em razão do processo de normalização.
1.2 Violência do homem em estado de natureza: características
Antes de falar a esse respeito do tema acima, é bom esclarecer um mal entendido comum. Quando Hobbes fala acerca do estado de natureza, ele não está necessariamente falando sobre condições pré-históricas da raça humana, ou sobre como foi a vida nas sociedades primitivas, ou ainda sobre uma condição que é meramente uma possibilidade teórica. Ele está falando a respeito de qualquer situação onde não exista um governo efetivo para impor a ordem. Sociedades pré-históricas ou primitivas podem exemplificar tais condições, mas também sociedades que são menos remotas.
A violência não é sinônima de crueldade ou de opressão. A crueldade pode ser reduzida indefinidamente. A opressão, pelo menos como possibilidade concreta, pode ser extinta da sociedade. A desigualdade social e os antagonismos podem ser superados. Porém a violência, enquanto construção e organização da sociedade, em sua positividade ontológica, como afirmação e auto-criação permanente, não pode nem deve ser abolida, pois isso seria extinguir o próprio homem, já que, se a violência é natural no homem e se esse homem vive de acordo com a sua natureza, então também é natural que esse homem pratique a violência mesmo que venha causar alguns prejuízos para sua própria vida.
A preocupação com os dramáticos índices de crescimento da violência e suas diferentes formas de manifestação coloca-se hoje como uma questão crucial para a sociedade brasileira. Inúmeras causas são apontadas como fatores que propiciam o aumento da violência, entre eles as imensas desigualdades econômicas, sociais e culturais, a disseminação das drogas, o desemprego, ou mesmo os efeitos perversos da chamada cultura de massa, mas, embora esses fatores contribuam para o aumento da violência, por si sós não explicam o fenômeno.
Considerando então a ofensividade da natureza dos homens uns com os outros, deve-se acrescentar um direito de todos os homens a todas as coisas, segundo o qual um homem invade com direito, e o outro homem com direito resiste, e os homens vivem assim em perpétua violência, estudando como se devem preparar uns contra os outros. O estado dos homens em sua liberdade natural é o estado de guerra, pois a guerra nada mais é que o tempo no qual há vontade de disputar e contestar por meio da força, seja com palavras ou com ações suficientemente declaradas; o tempo que não é a guerra, este é a paz.
No homem há um desejo de poder constante que só termina com a morte. Os homens se diferenciam dos animais apenas pela razão, que não passa de um cálculo (que soma e diminui as conseqüências); no homem já está implícito o desejo de conhecer as coisas e os seus porquês. Essa guerra não é só no sentido de “confronto físico” com o outro, mas também a vontade de investigar, de confrontar o outro adversário: enquanto isso acontecer, acontecerá guerra e não a paz, sendo o homem o “lobo para o homem”. Hobbes aqui adverte para o que esse estado de guerra pode causar na vida da sociedade e as conseqüências desse homem no estado natural.
“A guerra impede a indústria, a agricultura, as navegações, o conforto, a ciência, a literatura, toda a sociedade de crescer, e o pior de tudo é o constante perigo de morte violenta” (CHEVALLIER, 1982, p. 68).
Onde não há poder comum, não há lei; onde não há lei, não há injustiça. Na guerra, a força e a astúcia são duas virtudes cardeais. Nela não existe dono de nada, o “teu” e o “meu” distintos, mas só possui aquele que consegue tomar e conforme o tempo que puder guardar um objeto. Daí conclui Hobbes sobre a miserável condição em que “a simples natureza” à parte de todo pecado, de toda perversão, situa o homem. Eis o estado de natureza.
Em outro contraste, a saída do estado de guerra para o Estado Civil não muda muita coisa; se acontecer a violência no estado de natureza, no Estado Civil também acontece, pois como se vê, o estado natural é de inimizade e destruição e, portanto, coloca-se em estado de guerra contra aquele a quem declarou idêntica intenção, expondo de tal maneira a vida ao poder do outro, a qual lhe poderá ser tirada por aquele ou por qualquer outro que a ele venha juntar-se a defendê-lo, esposando-lhe a causa, pensando ele ter o direito de destruir aquele que o ameaça de destruição.
Contudo, Hobbes afirma que os homens têm a tendência de glorificar a fortaleza física, a violência e a matança. Os homens habilidosos nessas violências, e que são capazes de dominar outros homens, são os “heróis”. As verdadeiras qualidades espirituais não são muito valorizadas neste mundo de guerra.
No homem não pode haver uma incoerência de personalidade, pois se ele age de acordo com a sua natureza, onde ele estiver comete violência, por isso, afirma Gandhe, “não é possível ser violento, por exemplo, nas relações familiares ou pessoais e não-violento no que concerne ao recrutamento militar e à guerra” (GANDHE, 1967, p. 87). O ato de violência está a todo o momento implícito na natureza do homem e nos seus afazeres, o que é gritante na vida da sociedade, uma consciência que não pode ser mudada.
“Pois aqueles que perscrutarem com maior precisão as causas pelas quais os homens se reúnem, e se deleitam uns na companhia dos outros, facilmente hão de notar que isto não acontece porque atualmente não poderia suceder de outro modo, mas por acidente” (HOBBES, 2002, p.26).
O homem não procura a companhia dos outros naturalmente porque gosta, mas para dela receber alguma honra ou proveito; daí quando se reúne para comerciar, é evidente que cada um não o faz por consideração a seu próximo, porém apenas a seu negócio; se for para desempenhar algum ofício, certa amizade comercial se constitui que tem em si mais de zelo que de verdadeiro amor, e por isso dela podem brotar facções, às vezes, mas boa vontade nunca.

Aquele que, no estado de natureza, arrebata a liberdade que cabe a qualquer um nesse estado, deve necessariamente supor-se alimentar o desígnio de arrebatar tudo mais porquanto essa liberdade é o fundamento de todo o resto; como aquele que, no estado de sociedade, deve supor-se ter o desígnio de arrebatar tudo deles, tendo de considerar-se, portanto, como em estado de guerra (LOCKE, 1983, p. 40).

Nisso temos a diferença entre o estado de natureza e o estado de guerra que, muito embora certas pessoas tenham confundido, estão tão distantes um do outro como um estado de paz, boa vontade, assistência mútua e preservação estão de um estado de inimizade, malícia, violência e destruição mútua. Quando os homens vivem juntos conforme a razão, sem um superior comum na Terra que possua autoridade para julgar entre eles, verifica-se propriamente o estado de natureza. A falta de juiz comum com autoridade coloca todos os homens em um estado de natureza; a força sem o direito sobre a pessoa de um homem provoca um estado de guerra não só quando há como quando não há juiz comum.
S. Tomás de Aquino define a lei como “uma condenação da razão, promulgada para o bem comum por aquele que dirige a comunidade”, enquanto que Régis dá outra definição da lei natural como sendo “a lei que o homem conhece pela luz de sua razão, enquanto implícita na natureza das coisas”. Ninguém pode praticar a perfeita não-violência. Pode-se não usá-la com perfeição, mas, usando-a, renuncia-se definitivamente ao emprego da violência e avança-se do insucesso ao êxito.
Desde que os homens são, pela paixão natural, de diversas maneiras ofensivos uns com os outros, e todo homem pensa bem a cerca de si e odeia constatar o mesmo nos demais, eles devem provocar uns aos outros por meios das palavras e outros sinais de desprezo e ódio, que são incidentes a todas comparações, até finalmente mostrarem a preeminência pela potência e força do corpo (HOBBES, 2002, p. 94).

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UMA LEITURA CRÍTICA SEGUNDO A VIOLENCIA EM HOBBES 2/2

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CAPÍTULO II

O ESTADO CIVIL

Da compreensão do homem como um ser que deseja o poder, como uma forma incessante de sobrevivência, Hobbes infere a essência do Estado como uma entidade que é composta pela soma dos vários poderes individuais dos homens em sociedade. É nesse momento que se dá a passagem do estado de natureza “para o estado de sociedade”, quando o individual é sobredeterminado pelo coletivo. Esse acontecimento, que do ponto de vista histórico é impossível de situar, é um momento mítico em Hobbes.
Quem faz uma leitura do Leviatã, atenta e contextualizada em relação à época em que foi escrita, não deixará de se surpreender com o rigor científico, com as descobertas, reflexões e conceitos desenvolvidos sobre a natureza humana. Suas relações sociais, o papel do Estado como sustentáculo fundamental na formação da sociedade civil, serve até os nossos dias como importante referência para se pensar o Estado moderno e suas vicissitudes.
Segundo Rousseau, o homem nasce livre de toda corrupção; é livre para viver em sociedade expressando seus desejos e qualidades sem necessitar de regras e leis impostas por um sistema corruptor, que tira o que há de melhor no homem – a sua liberdade, que, sendo perdida, faz o ser humano deixar de ser homem. O que Rousseau sugere é que o Estado cuide bem dos cidadãos sem tirar a sua liberdade.
Quando Rousseau faz a crítica à civilização, ele não está querendo que o homem volte à animalidade, mas que o homem viva a sua dignidade de ser humano, na liberdade em relação aos animais. Contudo, não é que Rousseau seja contra a qualquer tipo de socialização, ele é contra sim, mas a civilização na concepção eurocêntrica e iluminista, ou seja, a socialização entendida enquanto civilização. Aquela que faz com que o homem se a sujeite a ela perdendo assim a sua liberdade natural e seus costumes.
Ele aponta o sentimento, essa outra “faculdade infinitamente mais sublime”, como o verdadeiro caminho para a penetração na essência da interioridade, pois, como tal, é outro dos elementos estruturais do pensamento de Rousseau. Mergulhar no fundo da natureza através do sentimento humano significa elevar-se da superfície da terra até a totalidade dos seres, ao sistema universal das coisas, ao ser incompreensível que a tudo engloba. O homem voltado para si mesmo pode penetrar na própria interioridade, alcançar a liberdade e atingir o sentimento íntimo da vida, com a qual o homem teria consciência de sua unidade com os semelhantes e com a universalidade dos seres. Dessa forma o homem via a natureza como parte de si mesmo.
A melhor maneira de tirar o sujeito dessa condição violenta é trabalhar nele a ética, o que vem impor limites e controles ao risco permanente da violência, pois de qualquer forma a violência se mantém no coração do poder dominador que oprime e o domínio se mantém no coração da violência, ou seja, ambos estão ligados ao mesmo fim.
Segundo Rousseau, “todos nascem homens e livres”; o homem ao nascer já traz consigo a liberdade e renunciá-la seria renunciar à sua própria qualidade de homem. Entretanto, Rousseau reivindica a consciência da dignidade do homem em geral e ilumina o valor universal da personalidade humana, cuja consciência não se traduz no sentimento particularista do amor próprio, porém na universalidade do amor de si. Para ele, esse amor de si é a parte que liga o individual ao eu comum, a vontade particular à vontade geral. Se, portanto, isso acontecer de fato, todos os cidadãos, afirma Rousseau, “poderão chegar a identificar-se, por fim, com o Todo maior, sentir-se membros da pátria, amá-la com esse sentimento delicado que todo homem separado só tem para si mesmo” (ROUSSEAU, 1983, p. 6).

A realização concreta do eu comum e da vontade geral implica necessariamente um contrato social, ou seja, uma livre associação de seres humanos inteligentes, que deliberadamente resolvem formar certo tipo de sociedade, à qual passam a prestar obediência. O contrato social seria, assim, a única base legítima para uma comunidade que deseja viver de acordo com os pressupostos da liberdade humana (ROUSSEAU, 1983 p. 6).

Contudo, por mais que esse homem seja bom, Rousseau sugere um tipo de associação para que haja uma organização sem que esse homem venha a perder seus costumes e a sua dignidade como ser humano. Ou seja, ele sugere uma sociedade livre de toda repressão. Por isso, esse homem tem que ser bem trabalhado para que haja o equilíbrio no Estado de sociedade. Pois na visão de Rousseau os homens não são absolutamente inimigos; sendo a causa da inimizade, as armas. Ou seja, a relação entre as coisas é que gera a guerra e, além do mais ele não concorda que os homens guerreiam entre si, mas o Estado contra outro Estado. É dessa forma que Rousseau indica uma associação na qual cada um unindo-se a todos obedece, porém, apenas a si mesmo e permanece livre como antes de estabelecer tal contrato. Além do mais, ele também mostra quais as possibilidades desse homem se livrar da injustiça e desigualdade sociais.
As possibilidades de desigualdade e injustiça entre os cidadãos são evitadas mediante a “total alienação de cada associado, com todos os seus direitos, em benefício para a comunidade” (ROUSSEAU, 1983 p. 7).
Rousseau sugere uma igualdade, uma “poliarquia”, na qual a vontade de todos é sempre dirigida para o bem comum. Enquanto Hobbes afirma um domínio total por um só governo. O indivíduo é, assim, levado a outra espécie de bondade, aquela virtude que o Estado propõe para o homem, que não é um ser isolado, mas parte de um grande Todo. Essa mudança do estado de natureza para o Estado Civil, Hobbes diz que o homem não perde seus direitos, apenas passa a viver de modo coletivo na sociedade civil; ou seja, o indivíduo realiza a sua liberdade no agir do Estado, pois ao entregar o seu direito ao soberano, tudo o que ele fizer será em prol do próprio homem, pois a sua liberdade está na mão do soberano, e a sua vontade será a mesma do indivíduo. E ao libertar-se dos pequenos limites de sua própria capacidade de ser individual, encontra totalidade numa verdadeira experiência social de fraternidade e igualdade de bens, junto a cidadãos que comungam do mesmo ideal.
A violência é percebida como exercício da força física e da coação psíquica para obrigar alguém a fazer alguma coisa contra si, contrária a seus interesses e desejos, contrária ao seu corpo e não à sua consciência, causando-lhe danos profundos e irreparáveis, como a morte, a loucura, a auto-agressão ou a agressão aos outros (CHAUÍ, 2002, p. 163).

A violência afeta vários aspectos da vida do ser humano. Na cultura, é entendida como o uso da força física e do constrangimento psíquico para obrigar alguém a agir de modo contrário à sua natureza e ao seu ser. A violência é a violação da integridade física e psíquica, da dignidade humana de alguém. O ser humano é tratado como sujeito, e fazer violência é reduzir esse sujeito à condição de objeto, portanto o Estado mais do que nunca deve lutar pela dignidade de seus súditos e combater a violência entre eles, pois isso seria o desejo de Hobbes acabar com a violência que ocorre entre os homens para defender o Estado.
No Estado absoluto, Hobbes fala de dois pressupostos que constituem a base da construção da sociedade e do Estado. Em primeiro lugar ele admite que, embora todos os bens sejam relativos, ou seja, os bens materiais, que tem importância a uns e a outros não, há também entre eles um bem primeiro e originário, que é constituído pela vida e sua conservação e, sobretudo, um mal primeiro que seria a morte. Em segundo lugar, nega a existência de uma justiça e uma injustiça natural, ao passo que não existem “valores” absolutos, e por fim ele sustenta que esses valores absolutos são frutos de “convenções definidas por nós mesmos e que são cognoscivos de modo perfeito e a priori, juntamente com tudo aquilo que delas variam” (HOBBES 1988, P 497).

2.1. Violência no Estado Civil: o Estado e o Terror
O maior dos poderes humanos é aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento numa só pessoa, natural ou civil, que tem o uso de todos os poderes na dependência de sua vontade: é o caso do poder de um Estado.
O desenvolvimento das idéias de Hobbes sobre o homem como ser desejante, desdobra-se para aquilo que é sua principal proposição sobre a natureza humana: o desejo do homem pelo poder.
As paixões que provocam de maneira mais decisiva as diferenças de talento são, principalmente, o maior ou menor desejo de poder, de riqueza, de saber e de honra. Todas as quais podem ser reduzidas à primeira, que é o desejo de poder. Porque a riqueza, o saber e a honra não são mais do que diferentes formas de poder.
No pensamento hobbesiano não está escrito a palavra “terrorismo” e nem mesmo ele trabalha com tal conceito, mas fazendo uma leitura a respeito de seu pensamento e trazendo para a realidade que se encontra hoje a situação do Estado atual quando promove guerra, pode-se observar a realidade de Hobbes ainda muito presente, ou seja, apenas mudou os termos; de estado de guerra passou a ser “terrorismo”. E como se sabe o Estado pode ser terrorista, mesmo quando a violência utilizada pelo seu aparelho repressivo seja fundamentada na lei. Mas lembrando que o Estado relatado por Hobbes não é terrorista, pois o rei luta em prol da paz, a liberdade dos homens com base em uma lei. Como marco temporal inicial para o estudo proposto, será utilizada a Revolução Francesa, por dois motivos. Primeiro, porque ela marca o início da Idade Contemporânea, e é a partir dela que os principais Estados europeus se unificam e criam as suas respectivas identidades nacionais. Segundo, porque não faz sentido falar em “terrorismo político” antes da monopolização da violência legítima por parte do Estado e do conseqüente surgimento de grupos que contestem esse poder.
E o terrorismo político caracteriza-se pelo recurso sistemático à violência contra pessoas e bens, visando criar na sociedade sentimentos coletivos de medo e de insegurança.
Contudo, é prática do terror como instrumento de ação política, procurando alcançar pelo uso da violência objetiva que poderiam ou deveriam cometer-se ao exercício legal da vontade política. O terrorismo caracteriza-se, antes de mais, pela indiscriminação das vítimas a atingir, pela generalização da violência, visando, em última análise, a liquidação, desativação ou retração da vontade de combater o inimigo predeterminado, ao mesmo tempo em que procura paralisar também a disponibilidade de reação da população.
Tal é, em termos básicos, a idéia de “terrorismo” que se fixou no senso comum. O estereótipo do terrorista é uma figura obscura que encarna o “mal” e deve ser eliminada do convívio social. Convencionou-se, então, utilizar o termo “terrorismo” apenas para os grupos contrários a determinados regimes políticos e que utilizam a violência como forma de lutar pelos seus objetivos. Os anarquistas, os grupos de libertação nacional e a maioria dos revolucionários, por exemplo, receberam o rótulo de terroristas.
O terror começou como terror de Estado; o de anti-Estado só surgiu depois, e o de Estado ainda predomina. Provocar o terror nas populações para alcançar fins políticos, militares, religiosos ou econômicos é tão antigo quanto às primeiras sociedades humanas, haja vista que os dois satélites do planeta Marte, nome do antigo deus da guerra, são Fobos e Deimos, o Medo e o Terror, em grego, duas táticas de guerra muito conhecidas e utilizado ao longo de toda a história. Na Grécia antiga, o historiador militar Xenofonte já aconselhava a prática de assassínios em países potencialmente adversários para criar pânico entre a população potencialmente inimiga. Além disso, nunca é demais ressaltar que a escravidão só pôde sobreviver na Antigüidade e nas Américas coloniais por causa do regime de terror, estatais e privados, a que os escravos eram submetidos.
Quando se fala em Terror, não dá para deixar de lembrar a Revolução Francesa, que não foi somente a marca da discussão a respeito do terrorismo político, mas também, e, sobretudo, a do próprio terrorismo estatal, isso porque o “terror” gerado pelas execuções em massa e pelas prisões arbitrárias teve início com a tomada do poder pelos revolucionários.
Pois olhando a realidade em que Hobbes viveu, ele afirma que o homem ainda civilizado é impossível confiar nele; daí a leitura de seu pensamento refletido sobre a realidade de hoje. Todavia, desde o advento do fenômeno do “terrorismo” com finalidade política, encontrar a sua definição sempre foi uma tarefa complicada para as ciências sociais. O termo pode ser aplicado a uma infinidade de condutas criminosas; implica uma negatividade muito grande e recebe muita publicidade pelos meios de comunicação. O “terrorismo” vem associado à prática de uma violência cruel e desumana que, quando ocorre, espalha um sentimento de medo na população.
Embora sendo o Estado, por intermédio do seu aparelho repressivo, interna ou externamente terrorista, a discussão proposta vai muito além da mera adjetivação. Pretende-se mostrar que o “terrorismo” não pode ser definido juridicamente sem que o Estado também seja incriminado. Não é possível incriminar apenas o policial que comete a tortura ou um chefe de Estado que comete genocídio, sem no mesmo passo incriminar o Estado como pessoa jurídica de direito público tal como são incriminados os grupos terroristas clandestinos.
Na concepção moderna, o Estado Civil é uma construção fascinante porque consegue dissimular com rara eficácia algo que está em seu âmago, a violência. Como se sabe, a luta pela paz não é construída com a paz e sim com a força da inteligência e até mesmo com a força física através das armas, só não se sabe aonde a violência vai parar; a intenção é boa, mas os meios é que não são adequados. É interessante lembrar que a idéia de atingir a paz pela guerra é uma idéia ainda presente em nossos dias; pois essa concepção já estava presente em Hobbes e foi herdada pela modernidade. “Os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém” (LEVIATÃ, 1988 P 103), afirma Hobbes no Leviatã, em 1651. Disso se entende que sem as armas o rei não consegue se manter no poder, pois isso seria um dos meios mais assustadores que garantiria ao rei a obediência de seus súditos, mesmo que seja pelo medo da punição. Dessa forma, o Estado jamais consegue transformar-se por completo em promotor da paz, sendo destinado a deparar com rios de sangue.
A violência pode irromper subitamente, e daí o soberano pode fazer uso dela rapidamente. “Desde sua constituição, a violência e o terror estão na própria natureza do Estado. A maquinaria destinada à violência torna-se intensamente industrializada. Produção e desfrutação são a face desse Estado” (SÉRGIO, 1994, p. 192).
Ainda hoje isso é uma realidade presente: o comércio de armas torna-se comum e coloca na mente das pessoas que elas servirão para uma segurança, como se fosse a coisa mais comum sair matando gente à vontade e ainda dizer que se é um cidadão da paz.
O Estado, constitucional ou autoritário, qualquer que seja a forma de governo, segrega permanentemente um regime de exceção para enormes contingentes. Loucos, prostitutas, prisioneiros, negros, hispânicos, árabes, curdos, judeus, ianomâmis, aidéticos, homossexuais, travestis, crianças, operários irão nascer e morrer sem terem conhecido o comedimento de Leviatã. As graves violações dos direitos humanos pelo Estado revelam a rotina do Terror no cotidiano das populações (SÉRGIO, 1994, p. 193).

Nos dias atuais, a presença mais recente da “guerra contra o terror” se encontra desencadeada pelo presidente George Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001, vinte anos depois da “guerra contra o terror” do presidente Ronald Reagan em 1981, logo após a libertação dos americanos que haviam sido feitos reféns na embaixada dos EUA no Irã. O maior triunfo dessa guerra internacional foi a detenção do famoso terrorista venezuelano Carlos, o Chacal, mas, prender um terrorista, não acabará o terrorismo. E qual o maior foco de terrorismo da história? Segundo muitos historiadores, são os Estados Unidos, o próprio país que, paradoxalmente, promove a guerra contra o terror.
Com sua política expansionista e sua força militar incontrastável, os EUA acabam sendo os maiores fatores, ativo e passivo, do terror no mundo. Os povos oprimidos pelo poder americano acabam reagindo da maneira mais desesperada, pois não têm meios de enfrentar os EUA. Mas se engana quem imagina que a guerra no Iraque é uma “loucura” de Bush. As classes dominantes americanas aprenderam, desde a Segunda Guerra Mundial, após a Grande Depressão, que a guerra é o melhor meio de manter o dinamismo de seu tipo particular de capitalismo.
Olhando para essa realidade atual sobre os acontecimentos causados pelo homem, pode-se fazer um retorno ao Leviatã a respeito do homem. Sobre o desejo humano, Hobbes descreve o homem como um ser com uma compulsão que o transcende e o impele a obter sempre mais poder, e uma vez que o desejo é sinônimo de vida humana, está instituído o impasse que inviabilizará a vida no “estado de natureza” forçando a humanidade a uma saída deste impasse, uma vez que permanecer no “estado de natureza” significaria estabelecer um tipo de vida extremamente insegura e ameaçadora. E a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta. E o ser humano como ser desejante, o qual é incompleto e busca permanentemente através dos deslocamentos dos objetos de desejos a sua inalcançável completude, já estava esboçado em Hobbes.
Contudo, com base no Leviatã a respeito do estado de guerra e o Estado Civil, pude fazer uma leitura sobre o comportamento do homem tanto em um estado quanto no outro; sendo que, em ambos estados o homem pode cometer a mesma violência, mesmo no seu estado civilizado. E hoje Tal prática bélica é pródiga em apresentar exemplos da atuação do aparelho repressivo do Estado e do fenômeno do “terrorismo” atribuído aos grupos clandestinos. Com base nos elementos apresentados, pretende-se evidenciar que em ambas as práticas violentas do Estado e dos grupos clandestinos os elementos são os mesmos e que, em termos objetivos, tanto um qunto o outro são formas de terrorismo.
Além do mais, o terrorismo serve para muitos países como meio de se ganhar dinheiro e, para os meios de comunicação, isso é propício, pois, quanto maior a notícia, mais engenhosa a capacidade dos autores do atentado terrorista, e ainda maior será o número de jornais vendidos ou o tempo concedido no horário nobre da televisão. Temerosas, mais e mais pessoas querem se informar sobre os fatos, e conseqüentemente o espaço para a publicidade se torna mais caro.
Para os órgãos de informação, que na grande maioria dos países são constituídos por empresas privadas, a notícia representa a fonte principal de lucro. A regra é simples: quanto mais pessoas assistem a determinada notícia ou a lêem, maior será o valor dos anúncios comerciais que veiculam. Ora, o terrorismo é uma notícia atraente. Quando ocorre um atentado denominado “terrorista”, as pessoas sentem medo e procuram informar-se acerca do que está acontecendo.
Torna-se fundamental investigar o que realmente gera o medo, se o atentado em si ou se a exploração do fato pela mídia. Resta identificar o real impacto de um atentado terrorista na população e a influência dos órgãos de comunicação na criação do medo e da “figura aterrorizante” do terrorista. Esse “casamento” quase perfeito entre terrorismo e mídia traz para o público, como conseqüência, a criação do mito do terrorista. Trata-se de uma figura estereotipada que representa o mal e que deve ser eliminada para que se mantenha a paz.
Contudo, o que se observa é que a tortura de presos em delegacias de polícia não é considerada terrorismo pela mídia, tampouco o é a invasão de um assentamento palestino por tropas israelenses. Já o lançamento de gás tóxico no metrô de uma cidade populosa ou uma bomba que explode dentro de um avião em pleno vôo seria atos terroristas. Quais as diferenças substanciais entre essas formas de violência que permitem classificá-las como terrorismo ou não? Em princípio nenhuma, uma vez que as duas formas geram medo.
Mesmo assim, os terroristas são descritos pela mídia como pessoas cruéis, imorais, que assassinam gente inocente, que espalham terror e medo pela sociedade. Os jornais, as revistas, de maior circulação no país e no exterior e os telejornais de emissoras de TV veiculam diariamente notícias sobre o terrorismo.
A indefinição sobre o real significado do termo terrorismo é tamanha, que qualquer ato que empregue a violência de indivíduos ou grupos pode ser considerado ato terrorista. Em geral, os atentados terroristas noticiados pelos órgãos de informação descrevem situações em que várias pessoas foram mortas, nas quais há um grande número de feridos e, quase sempre, que tenham sido provocadas por explosões de bombas. Todavia, há casos em que apenas um homicídio é considerado ato de terrorismo.

2. 2 Efeitos da violência necessária presente no Estado Civil

Vendo a concepção de Estado na visão de Novaes, pude ver que o Estado parece ser produzido como uma síntese que emana da própria articulação dos elementos do todo social. Se o poder, antes do Estado, existia difuso, distribuído mais ou menos eqüitativamente entre os membros da sociedade, depois ele se concentra numa única “agência” que adquire o monopólio desse poder. Já na concepção moderna, segundo Novaes o Estado surge da concentração de um poder já existente. Daí a necessidade de se construir uma lei no Estado Civil, por mais que ela venha a ser causa de violência, pois nem sempre é exercida de forma justa e coerente, ainda que necessária para que o soberano possa manter o homem, mesmo nas suas diferenças, sob o controle do Estado Civil, porque se acredita que, por medo da punição, o homem passa a fazer as coisas de acordo com as normas do Estado. Sendo assim, o homem deixa de agir conforme a sua natureza e passa a fazer parte da nova sociedade Civil. “A força não é o meio normal ou único do Estado, mas é o meio específico ao Estado. A relação entre o Estado e a força é exatamente íntima. O Estado pode se dizer que é uma comunidade humana que detém, com sucesso, o uso legítimo da força física sobre o seu território” (SÉRGIO, 1994, p. 194).
No entanto, segundo Hobbes, não dá para manter um Estado sem usar da força, seja ela por meio da astúcia, como dizia Maquiavel, ou mesmo pela força física, daí a frase: “as palavras sem a espada não passam de meras palavras”. Portanto, na saída do homem do estado natural para o Estado Civil o que pode mudar seria estar sujeito às leis criadas pelos homens e não a sua essência quanto personalidade, pois a maldade e a bondade já estão implícitas na natureza do homem. Olhando por essa linha de pensamento, pode-se observar algumas instituições nas quais se encontra a violência causada por esse homem, ainda que no Estado Civil.
Dá outra vez se pode observar como acontece a violência na política nos dias atuais. A violência histórico-social é um aspecto da apropriação da natureza pelos homens; a política é um aspecto do movimento histórico, pois assim como a violência do homem sobre a natureza não pode ser entendida como algo puramente negativo, a violência histórico-social tampouco pode ser considerada apenas sob esse aspecto. Como se pode ver, então, a violência não significa necessariamente opressão de uma parte da sociedade sobre outra, nem a política necessariamente “desigualdade social”, embora signifique diferença e contradição. Mas algo necessário segundo Hobbes para se manter um Estado em ordem, principalmente se for mantido por um soberano.
É próprio da essência humana violentar o mundo, interferir na legalidade das coisas, apropriar-se e organizar humanamente aquilo que, por si mesmo, para o homem é absolutamente insignificante. Nesse processo, o homem viola a si mesmo, transforma-se, nega-se e supera-se continuamente. É por violentar a natureza, que o homem é obrigado a violentar-se. E se faz parte da natureza do homem o desejo e a ganância, logo isso causa a violência na política, por fazer parte de uma organização humana. Porém Hobbes aceita a violência como meio de se chegar a paz, ou seja, ir até as últimas consequências em busca dela, mas como o homem não está habituado a obedecer ordem, aí se usa a violência; e o tempo que não é guerra, este é a paz.
O sucesso contínuo na obtenção daquelas coisas que de tempos a tempos os homens desejam, quer dizer, o prosperar constante, é aquilo a que os homens chamam felicidade; refiro-me à felicidade nesta vida. Pois não existe uma perpétua tranqüilidade de espírito, enquanto aqui vivemos, porquê a própria vida não passa de movimento, e jamais pode deixar de haver desejo, ou medo, tal como não pode deixar de haver sensação. Com isso deriva as diversas espécies de violências citadas aqui, com base no desejo de poder do homem sobre o outro.
A violência intrafamiliar designa a violência que ocorre na família, envolvendo parentes que vivem ou não sob o mesmo teto, embora a probabilidade de ocorrência seja maior entre parentes que convivem cotidianamente no mesmo domicílio. A violência doméstica, por sua vez, não se limita à família. Envolve todas as pessoas que convivem no mesmo espaço doméstico, vinculado ou não por laços de parentesco. Por sua vez, a violência contra a mulher, embora ocorra freqüentemente no espaço doméstico e familiar, não se restringe a ele. É praticada por parentes e não-parentes, dentro e fora do domicílio.
A família, na forma hoje conhecida, é uma instituição social básica, fundamental para a formação do indivíduo. Cabe aos pais zelar pelo desenvolvimento físico e emocional de seus filhos, provendo as suas necessidades materiais e afetivas e garantindo-lhes proteção e segurança. Assim sendo, podemos dizer que há violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes quando os pais utilizam o poder que lhes conferem esses papéis para fins de dominação e exploração, para satisfazer seus desejos e necessidades pessoais. Instaura-se assim uma confusão entre papéis e funções, principalmente no caso do abuso sexual, quando tais atos são acompanhados de cenas de sedução e carinho que mascaram a violência e o abuso. Tais comportamentos deixam a criança confusa e, dependendo do tipo de relação que mantém com o agressor, ela oscila entre calar-se ou denunciar tais atos praticados por alguém que, por obrigação, deveria dispensar-lhe cuidado e proteção.
Outro aspecto de violência se encontra na área urbana, que é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferenciam de outros tipos de violência e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade, e a mais constante infração é a dos códigos elementares de conduta civilizada.
A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que têm a violência como tema.
As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. Não dá para viver bem na área urbana se não existe segurança no trânsito, nas ruas e nos órgãos públicos da cidade, pois a violência pode atrapalhar todo o desenvolvimento de uma sociedade. Por isso, deve haver da parte dos governantes uma política solidária que venha a fazer um trabalho de suma importância o de favorecer a vida do povo, mantendo-o em harmonia.
Outro fator marcante da violência se encontra na área agrária, pois a terra é um dos assuntos mais críticos a serem relatados. Acontece que a propriedade e o controle da terra determinam quem vive e quem morre. Por mais de quatrocentos anos, desde que os navegantes de Colombo gritaram “É terra”, esta tem sido a base da cobiça e do poder entre ricos e pobres. “Os proprietários das grandes fazendas emergem como uma burguesia agrária, aliada ao capital internacional, estreitamente ligadas aos interesses industriais e financeiros” (MAY, Roy H., 1988, p. 23).
Já faz muito tempo que a terra é fator decisivo na política econômica do nosso Brasil, pois a sua posse e controle significam poder e domínio sobre os principais meios de produção. O caráter fundamental da estrutura agrária é a concentração de grandes extensões de terra, o latifúndio, em mão de pequena minoria, ao passo que a grande maioria da população não tem terra, ficando reduzida em pequenos terrenos ou minifúndios.
As raízes dessa estrutura agrária estão na conquista com o consecutivo desenvolvimento da fazenda e da plantação. Entretanto, na era do capitalismo moderno, o latifundiário não é mais o grande aristocrata rural conservador. São homens urbanos, capitalistas progressistas, envolvidos em várias empresas. Tais homens é que formam a nova burguesia agrária.
Na verdade, pode ser que os principais interesses não sejam agrícolas. Muitas vezes esses “novos” latifundiários se aproveitam das suas propriedades agrícolas e pecuárias para evitarem impostos e usufruir outros benefícios financeiros, que podem ser transformados para outros negócios ou como investimento para futura especulação da terra e necessidade de capital. No entanto eles têm muito poder, não apenas pelo controle da terra e de várias outras empresas e negócios, mas pelas suas relações com o capital internacional e pelo acesso e manipulação na política da sua própria nação.
Os afetados por essa violência de terra são os posseiros, manifundistas, arrendatários, assalariados e outros que reagem. Contudo, a sua reação, até agora, nunca foi tão evidente em comparação com a ação sofrida. É apenas uma ação de defesa dos seus direitos, que na maioria das vezes não se concretiza, pois a força dos grandes é tão devastadora que quase os esmaga. Assim, a violência no campo é uma realidade trágica, alimentada pela distribuição desigual das terras e do poder, agravadas pelas políticas oficiais que perpetuam a injustiça.
É bem conhecido o grande número de políticos, advogados, doutores, comerciantes, negociantes de equipamento agrícola, proprietários de meios de transportes, exportadores, importadores e inclusive industriais que também são proprietários de grandes superfícies de terra de cultivo (MAY, ROY H, 1988, p. 23).

Nietzsche entendia que todas as relações contratuais e legais que vieram a fazer parte da sociedade civil se haviam originado da violência posta em vigor mediante a ameaça de punição. “O Estado tem à sua disposição especialistas autorizados a usar a violência física para impedir que todos os cidadãos usem a violência” (SÉRGIO, 1994, p. 195).
Por outro lado, segundo Hobbes, se o Estado deve lutar contra a violência, é óbvio que não dá para fazer isso sem o uso da mesma. É a violência usada para combater a violência, mesmo que o Estado não consiga eliminar de vez a violência ilegal das sociedades. O monopólio legal da violência não elimina como uma mágica toda a violência ilegal e o que acontece como mais banalizado ou com mais evidência. Aceita seria a violência que os códigos tipificam como Crime: caso não identificada nos códigos do Estado, não é Crime.
O monopólio legal, diante da ilegalidade da violência física que persiste, não extingue o terror do Estado. “A cisão entre a lei e a violência é falsa, pois a legalidade do Estado não esvazia o terror. A legalidade corresponde à ilegalidade como sombra irrenunciável” (SÉRGIO, 1994, p. 197).
Todavia, o Estado nunca é fiel à sua lei e sempre acha um “jeitinho” para escapar ou age contra ela. Todo Estado é organizado em sua estrutura institucional de modo a funcionar segundo a lei ou contra a lei. A ilegalidade faz parte da lei; mesmo sendo as duas distintas, separadas, ainda assim é parte de uma única estrutura institucional. Entretanto, o Estado é obrigado a mostrar que está acima de todos os interesses, mesmo sabendo que é uma tarefa difícil enquadrarem-se na mais estrita legalidade, especialmente aqueles que estão ligados ao monopólio da violência. Caso mais ilustrativo está no aparelho policial, cuja ordem seria manter a segurança e a paz. Hoje a sua finalidade como prática parece ser outra, por ter como meta a legalidade, mas fazendo-a de modo ilegal. “A violência simbólica somente atua pela presença permanente da violência bruta que ela simboliza. A lei integra a ordem repressiva exercida pelo Estado. A lei é o código da violência pública organizada” (SÉRGIO, 1994, p. 197).
Os conflitos humanos não surgem do nada. Ocorrem como resultado de causas e condições, muitas das quais podem ser controladas pelos protagonistas. Depois que amadurecem as causas e condições que levam a choques violentos, é muito difícil restaurar a paz.
No entanto, a tentação de responder com violência é compreensível, mas uma abordagem mais cautelosa seria mais útil. Sofrimento e injustiças causados durante gerações inteiras provocaram essa violência. A essência de todas as grandes religiões é a compaixão, perdão, autodisciplina, fraternidade e caridade, e ainda assim há pessoas que usam a religião como uma máscara para encobrir e alcançar seus interesses particulares, de modo que seria errado culpar sua respectiva religião.
Muitos querem acabar com a violência, mas se de fato querem eliminá-la completamente, deve-se analisar primeiro se ela tem ou não algum valor, pois o que parece é que muitos não conseguem resolver seus problemas sem a sua presença e principalmente o Estado parece tê-la como normal. A violência pode até resolver problemas imediatos, mas plantará a semente para outros problemas, e dessa forma não dá para eliminá-la. Quem confia somente na força são os que não têm outro motivo senão o desejo egoísta e não conseguem alcançar seu objetivo através de argumentos lógicos. A ira é praticada por aquele que tem pouco apoio racional. Contudo, desse modo, a ira não é um sinal de força, mas de fraqueza. Se nossa motivação é negativa, a ação que ela produz é, no sentido mais profundo, violenta, embora possa parecer como ilusoriamente suave. Inversamente, se nossa motivação é sincera e positiva mas as circunstâncias requerem um comportamento duro, estamos essencialmente praticando a não-violência.
A violência é a conseqüência de emoções destrutivas. Acontecimentos deste tipo deixam claro que, se deixarmos que emoções negativas como o ódio, controlem e orientem nossa inteligência humana, as conseqüências serão desastrosas (…). O terrorismo não pode ser vencido com o uso da força, porque esta não ataca os complexos problemas subjacentes. Os conflitos humanos devem ser resolvidos com compaixão. A chave é a não-violência. É precisamente quando as coisas se tornam realmente difíceis, urgentes e críticas que precisamos pensar e agir de forma não-violenta (CARLOS, 2003, p. 47).

De outro modo, Maquiavel no seu discurso político dá-nos um parecer a respeito do homem que não é muito de confiança e na verdade só vive melhor por meio da punição; dessa forma o pensamento dele se assemelha ao de Hobbes quando diz que o uso da força física é necessária, caso contrário os súditos não obedeceriam ao soberano só pela palavra. Por isso afirma Maquiavel: “os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por uma corrente de obrigações que se rompe quando deixa de ser necessária, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo da punição, que nunca falha” (MAQUIAVEL, 1990, p. 47).
Se todos os homens fossem bons, afirma Maquiavel, não haveria castigo (punição); mas como eles são maus e não mantêm a palavra, não se está obrigado a agir de boa fé e desse modo acabam não fazendo as coisas certas por si sós, daí mais uma vez Maquiavel acrescentar que “nunca faltam razões legítimas para encobrir a inobservância das promessas. Contudo, os homens são tão pouco espertos, e se inclinam de tal modo às necessidades imediatas, que quem quiser enganá-los encontrará sempre quem se deixa enganar” (MAQUIAVEL, 1990, p. 49).
Nenhum Estado deve crer que sempre pode conseguir uma política segura; ao contrário, deve pensar que todas as políticas são duvidosas. E se a política é duvidosa, quem governa também corre o risco de não fazer a coisa (um bom governo). “Faz parte da natureza das coisas o fato de que nunca se tenta evitar uma dificuldade sem encontrar outra; a prudência consiste em saber reconhecer a natureza das circunstâncias difíceis, aceitando-as como boas ou menos nocivas” (MAQUIAVEL, 1990, p. 61). “Os homens falam sempre com falsidade, a não ser quando a necessidade os obriga a serem verídicos (…) Em toda a história do Estado, o soberano se valerá obviamente do monopólio da força física para aumentar seus recursos de poder” (MAQUIAVEL, 1990, p. 196). Daí a miserável condição do Estado em viver em conflitos perpétuos: a violência e o terror como meio de sobrevivência.

CONCLUSÃO

Este trabalho teve por objetivo mostrar um pouco o pensamento hobbesiano a respeito das duas características definidas por ele sobre o homem, tanto no estado natural quanto no Estado Civil.
Pois ele iniciou seu pensamento tentando compreender o homem, suas paixões, desejos e suas relações com os outros. Afirma que o homem é um ser, em sua essência ontológica, violento, pois a violência é própria e exclusiva do ser humano.
Contudo, por causa da violência física dos homens entre si em busca de poder e de honra, fazia com que eles vivessem em constante estado de guerra e, isso era a desconfiança de Hobbes a respeito do homem. E neste primeiro capítulo mostra que as principais causas de violências para miserável condição do homem no estado natural estava em torno das paixões e desejos, e que predominava a lei do mais forte.
A violência no Estado Civil se dar pelo desejo do soberano de evitar as guerras, fazendo com que os homens entreguem todos os seus direitos e sua liberdade a ele, sendo assim, agora tudo o que o Estado decidir, ou seja, o soberano, a respeito do homem, estará sendo também à vontade de seus súditos, pois a sua liberdade está na mão do rei. E o Estado Civil é constituído quando a maioria concorda e faz um pacto entre eles e o soberano
A violência no estado natural não pode ser entendida com sinônimo de crueldade ou de opressão; pois ela entendida como a tentativa de organização e construção da sociedade segundo Hobbes, ou seja, é algo necessária para que se haja paz, e se é próprio do homem o uso da violência, abolir seria extinguir o próprio homem já que a violência faz parte de sua natureza.
Já no segundo capítulo mostra as duas fáceis da violência usada em Hobbes, mas trazida para os dias atuais: a violência usada no Estado Civil e seus efeitos provocados pelos homens. Prova que até hoje está muito presente o pensamento hobbesiano na vida da sociedade, pois as guerras e o terrorismo viraram sinônimos de interesses particulares. A luta pelo poder e a ganância de ter, criaram as desigualdades sociais e o poder de quem tem mais.
Portanto, hoje com a força do capitalismo, as más distribuições de terras, a falta de uma boa educação na família e nas escolas, fazem com que toda uma sociedade não viva em paz, e isto estão presentes em todo lugar do mundo.

BIBLIOGRAFIA

SUSIN, Luiz Carlos. Reconciliação num mundo de conflitos (Revista Internacional de Teologia). Petrópolis: Vozes, 2003.
CHAMPLIN, R. Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5ª ed. São Paulo: Hagnos, 2001.
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HOBBES, Thomas. Do Cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
_____ Leviatã (Col. Os pensadores). 4ª ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. DF: Universidade de Brasília, 1982.
JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 8ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1966.
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ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. 3ª ed (Col. Os pensadores). São Paulo: Victor Civita, 1983.

JOGOMETRIA – UM ESTÍMULO A GEOMETRIA

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PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO

De uma forma ou de outra nós professores buscamos uma forma e estímulo a nossos alunos a não só aprenderem aquilo que passamos, mas gostarem realmente do que lhes foi ensinado. Trataremos neste projeto de formas de estimular a aprendizagem de geometria por meio do uso de jogos educativos, buscando através de jogos e também brincadeiras estimular a vontade nos alunos de aprenderem brincando, visto que o projeto terá como publico alvo alunos do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, ou seja, crianças na faixa etária de 11 a 12 anos, favorecendo assim a escolha por jogos e brincadeiras.
Para realização do projeto utilizaremos inicialmente aula expositiva do assunto que será abordado em seguida será mostrado aos alunos um vídeo da TV Escola(Módulo 21-Mão na forma) que trata de geometria. A seguir os alunos terão a tarefa de pesquisarem na internet sobre os temas abordados, e por fim e talvez o mais prazeroso para todos, iremos confeccionar alguns desses jogos educativos para podermos utilizá-los na prática.
Sabemos que matemática é vista como o bicho papão das escolas tentaremos provar que o aluno tem que estar motivado a solucionar um problema pela curiosidade da situação em si, ou pelo próprio desafio do problema, e ate mesmo para diversão, pois matemática tem que deixar de ser vista como a mais terrível das disciplinas. A respeito de algumas propostas baseados neste tema a aprendizagem através de jogos educativos, brincadeiras e ate jogos matemáticos e lógicos com uso de computadores mudará a história da matemática buscando a motivação para a aprendizagem e visando à melhoria do ensino de matemática segundo uma perspectiva construtivista.

Muitos grupos de trabalho e pesquisa em Educação Matemática propõem-se uso de jogos no ensino da matemática, de forma a resgatar no lúdico, aspectos do pensamento matemático que vêm sendo ignorados no ensino. A proposta deste projeto é de desenvolver através de jogos de desenvolvimento da mente a capacidade de raciocínio na criança, além de trabalhar, também, a estimativa e o cálculo mental. Acredita-se que no processo de desenvolvimento de estratégias de jogo o aluno envolve-se com o levantamento de hipóteses e conjeturas, aspecto fundamental no desenvolvimento do pensamento científico, inclusive matemático.

OBJETIVOS

A)OBJETIVO GERAL

Desenvolver nos alunos o desejo de aprender, através da prática concreta, divertida e criativa, os conceitos estudados sobre a geometria espacial e plana. utilizando para isto jogos educativos e brincadeiras em sala de aula.

B)OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1-Selecionar as diversas formas para que alunos desmotivados sintam-se estimulados a estudarem a temível matemática, com ênfase a geometria.
2-Analisar os efeitos da inclusão em sala de aula de jogos educativos buscando uma melhoria na capacidade de raciocínio dos alunos do Ensino Fundamental com relações ao estudo da geometria.
3-Comparar o nível de aprendizagem, através de atividades avaliativas, antes e depois do uso dos jogos educativos.
4-Despertar o desejo da pesquisa em livros, internet, etc. , visando embasamento para execução do trabalho.
5-Confeccionar peças com formato geométrico, identificando as características de cada uma.

METODOLOGIA

Durante a realização desse projeto, será feita uma aula expositiva do assunto a ser abordado ao longo do bimestre, visto que o estudo será posto aos alunos no 2º bimestre do ano letivo, e no primeiro momento será mostrado pelos professores tópicos relacionados aos fundamentos da geometria, tais como ponto, reta, plano, figuras geométricas, tudo inicialmente feito de forma arcaica e a mais utilizada atualmente, com a utilização do quadro e giz.
Num segundo momento será passados para os alunos um vídeo que tratará e figuras geométricas(TV Escola, Vol. 21-Mão na forma), pois a escola dispõe de uma sala de vídeo. Esta etapa se estenderá a mais duas aulas, pois ao longo da exposição do vídeo teremos intervalos onde será mostrado figuras geométricas feitas em madeira(material disponível na escola).
Nas aula que se seguem os alunos terão como atividade pesquisar na internet os diversos jogos educativos, sejam eles eletrônicos ou artesanais, todos com o objetivo de estimular o raciocínio lógico voltado para a geometria, tais como:tangram, jogo do quadrado, lego etc.
Em uma aula posterior confeccionaremos alguns sólidos geométricos, para fixar a relação das figuras com algo que encontramos no nosso cotidiano(cubo-caixa de giz, paralelepípedo-caixa de creme dental, etc…), para execução de tal tarefa iremos assistir o vídeo da TV ESCOLA, nº21, onde mostra alguns trabalhos realizados com materiais concretos.
Teremos também uma aula especial sobre o tangram, onde mostraremos as diversas formas geométricas que poderemos formas com o brinquedo, fazendo assim com que os alunos estimulem seu raciocínio lógico.

A avaliação será feita pelo desempenho dos alunos ao longo das aulas, prestando especial atenção a identificação das características, que cada um apresentou com relação aos temas abordados, também consideraremos a forma como o professor expôs o tema, pois a intervenção do mesmo e essencial para o entendimento.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Desde muito tempo a típica aula de matemática no nível de primeiro, segundo ou terceiro graus ainda é uma aula expositiva, cansativa e até mesmo enfadonha em que o professor passa para o quadro negro aquilo que ele julga importante, da forma que mais lhe for conveniente e menos trabalhosa. Ao aluno, cabe copia da lousa para o seu caderno e em seguida procura fazer,
Exercícios repetitivos de aplicação provenientes de modelos previamente apresentados de forma expositiva, com apenas uma forma de resposta onde é, supostamente à correta, dada como modelo pelo professor. Essa prática mostra a concepção de que como é possível aprender matemática através de um processo de transmissão de conhecimento, ou será apenas assimilação de conhecimento sem repensar como se construiu o mesmo.
O professor precisa resgatar não somente na educação fundamental, mas nas demais etapas de ensino uma formar de desenvolver o raciocínio lógico, a intuição e o raciocínio espacial. Atualmente, observa-se que alguns livros já trazem a Geometria relacionada com cada conteúdo matemático, exigindo assim, que o professor, além do conhecimento específico em Geometria, tenha um conhecimento de outros assuntos interdisciplinares, de modo que possa contribuir mais e melhor para a compreensão dos conhecimentos matemáticos.
A nossa proposta para tornar a aprendizagem da matemática mais efetiva e prazerosa, é a utilização de jogos nas aulas, pois supomos que ao fazermos uso deste recurso estaremos desenvolvendo estratégias necessárias para que o alunado obtenha sucesso. Se remetendo a DAmbrósio envolve-se com o levantamento de hipóteses e conjeturas, aspecto fundamental do desenvolvimento do pensamento científico, inclusive matemático (1989, p. 18).
Com relação aos jogos e sua aplicabilidade em sala de aula podemos citar os Parâmetros Curriculares Nacionais, onde afirma que ser o jogo um dos recursos a serem utilizados no ensino da matemática por que,
Por meio dos jogos as crianças não apenas vivenciam situações que se repetem, mas aprendem a lidar com símbolos e a pensar por analogia (jogos simbólicos): os significados das coisas passam a ser imaginados por elas. Ao criarem essas analogias, tornam-se produtoras de linguagens, criadoras de convenções, capacitando-se para se submeterem a regras e a dar explicações (BRASIL, 2001, p. 48).
Ainda com relação a este assunto e segundo os Parâmetros os jogos, é o desafio genuíno que eles provocam nos aluno, que gera interesse e prazer (BRASIL, 2001, p. 49).
Pesquisadores e educadores (entre os quais, MACEDO, PETTY e PASSOS, 2000 e 2005 e Brenelli, 2005) referem-se aos jogos considerando-os como incentivadores para o processo ensino/aprendizagem em todas as áreas e, em especial o de matemática. Para os autores, o jogo se constitui em uma abordagem significativa para o trabalho com a matemática na fase inicial da escolarização, fase em que a criança necessita explora, descobrir inúmeras coisas sobre o mundo que a cerca. Além disso, o jogo é uma atividade lúdica, que envolve o desejo e o interesse do jogador pela própria ação do jogo. Envolve ainda conhecer seus limites e as possibilidades de superá-los na busca da vitória, adquirindo confianças e coragem para se arriscar.
A criança, é despertada pelo jogo, é estimulada a superar desafios, e a utilizar sua criatividade para lidar com o imprevisível. E a possibilidade de superar o desafio é algo que agrada o seu ego, a sua construção do caráter.
Um aspecto fundamental da utilização dos jogos nas aulas de matemática encontra-se nas possibilidades que este recurso oferece para aproximar a criança do conhecimento científico. Moura (2000) que essa aproximação leva a criança a vivenciar virtualmente situações-problema que já foram ou são enfrentadas pela humanidade. Salienta que a matemática deve buscar no jogo (com sentido amplo) a ludicidade das soluções construídas para as situações-problema seriamente vividas pelo homem (MOURA, 2000, p. 86).
O ato de jogar, não é uma brincadeira apenas, é uma brincadeira que evolui até o conteúdo sistematizado por ter uma intencionalidade pedagógica (MOURA, 2000).
Cabe aos professores do ensino fundamental, principalmente os que trabalham nas séries iniciais, usarem os jogos como recurso e com o intuito de promover a aprendizagem significativa dos conceitos matemáticos. A utilização de jogos deve também contribuir para o desenvolvimento do raciocínio, da abstração e da inteligência, para o entendimento de conceitos, ao mesmo tempo em que estimula a criança a aceitar os desafios que ele cria, inclusive para assimilar conteúdos trabalhados em sala com maior facilidade, podemos afirmar também que os jogos oferecem oportunidade para o desenvolvimento emocional, uma vez que propiciam motivação, alegria, diversão e as relações sociais.
Podemos afirmar que ao fazermos uso dos jogos devemos ter em mente os objetivos que queremos atingir, criando um espaço onde as crianças pensem sobre as regras e o próprio uso social do jogo, com isto, Brenelli (2005) deixa claro que os progressos que as crianças podem apresentar por meio do uso de jogos somente acontecem quando, em sala de aula, se cria um espaço para pensar. Ou seja, os desenvolvimentos cognitivo, afetivo e pedagógico só acontecerão se a criança encontrar na escola um lugar para experimentar o prazer da atividade lúdica, o domínio de si, a criatividade, afirmação da personalidade e a valorização do eu (BRENELLI, 2005, p. 173).
Quanto à aplicabilidade deste projeto faremos uso de algumas tecnologias e mídias, para tal teremos que nos remetermos a alguns conceitos que serão impresidíveis, tais como a Integração das tecnologias como TV, vídeos, computadores e internet ao processo educacional, que pode promover mudanças bastante significativas na organização e no cotidiano da escola e na maneira como o ensino e a aprendizagem se processam se considerarmos os diversos recursos que estas tecnologias nos oferecem (…).” (PRATA, 2002, p. 77).
Nos mais variados campos da atividade humana tornam-se necessário o domínio de alguns conceitos e processos matemáticos, conhecer algoritmos e suas aplicações, desenvolver uma capacidade de raciocinar logicamente é fundamental na atividade matemática, para a maioria das profissões e no dia-a-dia dos indivíduos. Na Matemática escolar o desenvolvimento de competências para resolver os problemas cotidianos que as pessoas encontram é primordial. Nos últimos anos, cresceu a busca por alternativas que possibilitassem uma maior compreensão deste ensino e um conhecimento significativo que ocasiona favorecesse a vida profissional de qualquer estudante, podemos citar o uso de jogos e mais ainda das novas tecnologias.
De acordo com Souza sobre a importância de se trabalhar com o jogo na sala de aula afirma-se
A proposta de se trabalhar com jogos no processo ensino/aprendizagem da Matemática implica numa opção didática metodológica por parte do professor, vinculada às suas concepções de educação, de Matemática, de mundo, pois são a partir de tais concepções que se definem normas, maneiras e objetivos a serem trabalhados, coerentes com a metodologia de ensino adotada pelo professor (2002, p. 132).
Pensar na qualidade das aulas ministradas e a sua aceitação por parte dos discentes tem preocupado, e poderemos incrementar-las adaptando algumas mídias à aula de modo que o alunado sentirá motivado pelos atrativos tecnológicos.
Segundo Almeida (2005):
Tecnologia é um conceito com múltiplos significados, que variam conforme o contexto (REIS, 1995). Por isso, a tecnologia pode ser vista como: artefato, cultura, atividade com determinado objetivo, processo de criação, conhecimento sobre uma técnica e seus respectivos processos etc. Japiassu e Marcondes (1993, p. 232) acentuam o sentido da palavra técnica na ciência moderna como a aplicação prática do conhecimento científico teórico a um campo específico da atividade humana. (2005)
Supondo as inovações tecnológicas que surgem cada vez mais com muita freqüência, onde o alunado sempre acessando a internet faz-se necessário que os professores também busquem se aprofundar e aperfeiçoarem, utilizando essas tecnologias que podem ser novas e atuais ou até mesmo já existentes. Com isto podemos citar que
Tecnologias são os meios, os apoios, as ferramentas que utilizamos para que os alunos aprendam. A forma como os organizamos em grupos, em salas, em outros espaços isso também é tecnologia. O giz que escreve na louça é tecnologia de comunicação e uma boa organização da escrita facilita e muito aprendizagem. A forma de olhar, de gesticular, de falar com o outro isso também é tecnologia. O livro, a revista e o jornal são tecnologias fundamentais para a gestão e para a aprendizagem e ainda não sabemos utilizá-las adequadamente. O gravador, o retroprojetor, a televisão, o vídeo também são tecnologias importantes e também muito mal utilizadas, em geral. (BRASIL,MÍDIAS,CD)
Acreditamos, portanto que a integração das tecnologias como TV, vídeo computador e internet as aulas poderá propiciar mudanças bastante significativas para o cotidiano escolar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais Matemática. Brasília: MEC/SEF, 2001.
_____________________ BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Programa de formação Continuada Mídias na Educação. Brasília: MEC/SEF, CDs.
BRENELLI, Roseli. O jogo como espaço para pensar. 5ª ed. Campinas: Papirus, 2005.
DAMBRÓSIO, Beatriz. Como ensinar matemática hoje? Temas e Debates, n.1, ano 2, 1989, p. 15-19.
DAMBRÓSIO, Ubiratan. Etnomatemática. São Paulo. Ática. 1990.1ª edição.
ALMEIDA, Fernando José. Contribuições teóricas sobre gestão: elementos para mapear o entendimento das práticas gestionárias e sua visão de mundo, de sociedade e de ser humano. In: Manual do curso – escola de gestores da educação básica. Brasília, 2005.
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Gestão de tecnologias na escola: possibilidades de uma prática democrática. Disponível em http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2005/itlr/tetxt2.htm Acesso em 10/02/2006.
ALMEIDA, Maria Elizabeth B. de & MORAN, José Manuel (orgs). Integração das tecnologias na educação. Salto para o futuro. Secretaria de Educação a Distância: Brasília, Seed, 2005. p. 124-127. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto Acesso em 10/02/2006.
PRATA, Carmem Lúcia. Gestão escolar e as tecnologias. In: ALONSO,
SOUZA, Maria de Fátima Guerra Fundamentos da Educação Básica para Crianças.Volume 3, In: Módulo 2. Curso PIE Pedagogia para Professores em Exercício no Início de Escolarização. Brasília, UnB, 2002.
SANTOS, Santa Marli Pires dos (org.). A ludicidade como ciência. Petrópolis, RJ. Vozes.

PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

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CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
KARINA SILVA GOMES
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
NATAL/RN
2009

SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO
2.PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
2.1.Conceito
3.TIPOS DE PLANOS
3.1.PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre
3.2.VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre
4.TIPOS DE BENEFÍCIOS
4.1.Renda Mensal Vitalícia
4.2.Com Reversão ao Beneficiário Indicado
4.3.Com Reversão ao Cônjuge
4.4.Com Prazo Mínimo Garantido
4.5.Renda Mensal Temporária
5.BENEFÍCIOS DE RISCO
5.1.Pecúlio por Morte
5.2.Pensão por Morte
5.3.Renda por Invalidez
5.4.Pecúlio por invalidez
6.CASO PRÁTICO
CONCLUSÃ
REFERÊNCIAS
ANEXO

1.INTRODUÇÃO

Atualmente cada vez mais pessoas procuram planos de Previdência Complementar no país. Primeiramente porque a Previdência Social está falida, há um rombo no sistema previdenciário, e esse déficit já chega em 39 bilhões de reais (ano de 2008).
Essa conta que não fecha, gera muitas incertezas a cada dia que passa, fazendo-se necessário uma alternativa complementar para garantir no futuro uma aposentadoria mais digna e confortável, com tranqüilidade na terceira idade.
Existem hoje no mercado diversas instituições que oferecem os mais variados tipos de planos, onde a pessoa pode escolher o que mais se adequar ao seu perfil.

2.PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

2.1.Conceito

A Previdência Complementar também chamada de Previdência Privada é um veículo para garantir uma aposentadoria além da que é paga pela Previdência Social. Trata-se de um investimento a longo prazo, pois quanto maior o capital acumulado, maior será o benefício futuro. Funciona da seguinte maneira: durante o período em que a pessoa está trabalhando, em regra geral paga mensalmente uma quantia, conforme a sua disponibilidade, acumulando um saldo que poderá ser resgatado integralmente ou recebido todo mês quando se aposentar.
Existem vários produtos no mercado, os quais se adequarão as realidades de cada um. A idade, o prazo de contribuição, a capacidade financeira, e os objetivos de curto, médio e longo prazo são fatores que influenciam no valor a ser pago pelo contratante.
Por meio da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977, as autoridades brasileiras criaram regras sobre entidades da previdência complementar no país (revogada pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001). Essas entidades são divididas em duas categorias: Aberta e Fechada. O sistema de previdência aberta é um plano em que qualquer pessoa pode ingressar individualmente. Essas empresas têm fins lucrativos e são fiscalizadas pela SUSEP. A Previdência Fechada é necessariamente destinada a empresas ou associações nos quais os funcionários ou associados contribuem para a formação de um fundo de pensão, gerido por entidades sem fins lucrativos. Esse plano deve ser oferecido a todos os empregados ligados a empresa que patrocina, e adquiridos por pessoas que tenham vínculo empregatício com a mesma. São normatizados e fiscalizados pela Secretaria de Previdência Complementar.

3.TIPOS DE PLANOS

3.1.PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre

Mais vantajoso para quem declara imposto de renda (IR) no formulário completo, porque é possível deduzir da base de cálculo até o limite de 12% da renda bruta anual tributável (desde que contribua para a Previdência Social ou Regime Próprio).
Esse plano permite que os recursos aplicados sejam resgatados (de acordo com o prazo de carência), e no momento do recebimento da renda, haverá incidência de Imposto de Renda sobre o total resgatado.

3.2.VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre

Foi desenvolvido com base no PGBL, a grande diferença entre os dois está no tratamento fiscal conferido a cada um. No VGBL a tributação incide somente sobre o ganho das aplicações financeiras, isto é, o rendimento do plano. Enquanto que no PGBL há incidência de imposto de renda sobre o total resgatado ou recebido como renda. Sendo assim é mais indicado para quem declara (IR) no formulário simplificado ou é isento, pois não pode ser abatido da declaração do imposto de renda.
De acordo com as características de cada um é possível definir o melhor fundo de investimento. Se o indivíduo gosta de correr riscos ou é conservador, e depois observar os benefícios fiscais. Para usufruir desses benefícios fiscais se faz necessária a escolha correta do sistema de tributação. A tabela regressiva é ideal para quem vai ficar contribuindo por pelo menos 10 anos, pois cai de 35% até dois anos de contribuição, para 10% de imposto de renda a partir de 10 anos. Se a intenção é um resgate no curto prazo, dentro de um período de até 05 anos, então a melhor opção é a tabela progressiva que tem uma alíquota única de 15% na fonte. O pecúlio não é tributável.
Também existem as chamadas taxas de carregamento e administração. A de carregamento poderá ser cobrada pela seguradora em cada aporte, ou no resgate sobre o valor acumulado. Os percentuais variam até 5%. A de administração incide anualmente sobre a rentabilidade dos fundos. Variam de 0,5% a 3,7%.

4.TIPOS DE BENEFÍCIOS

4.1.Renda Mensal Vitalícia

Pagamento mensal de renda enquanto o participante viver. É cancelado quando o participante morre.

4.2.Com Reversão ao Beneficiário Indicado

Nesse caso, com a morte prematura do beneficiário ocorrerá a reversão de um percentual dessa renda para um participante (enquanto viver) indicado em contrato pelo mesmo.

4.3.Com Reversão ao Cônjuge

Renda mensal paga ao cônjuge na ocasião da morte do participante, se o beneficiário falecer antes do participante, o benefício será cancelado.

4.4.Com Prazo Mínimo Garantido

Pagamento mensal enquanto o participante viver, e dentro do prazo determinado em contrato, existe a garantia de reversão da renda para um beneficiário, em caso de morte do participante.

4.5.Renda Mensal Temporária

É a renda paga por um prazo determinado, esse benefício cessa com o falecimento, ou fim do período contratado.

5.BENEFÍCIOS DE RISCO

Existem ainda benefícios de risco ou acessórios que também podem ser contratados.

5.1.Pecúlio por Morte

Pagamento em dinheiro de uma única vez ao(s) beneficiário(s) determinados no contrato, em caso de falecimento do participante (cumprido prazo de carência).

5.2.Pensão por Morte

Renda a ser paga ao(s) beneficiário(s) indicado (s) no contrato em decorrência da morte do participante (no período de cobertura e após a carência do plano).

5.3.Renda por Invalidez

Renda paga em decorrência de sua invalidez total e permanente (no período de cobertura e após a carência do plano).

5.4.Pecúlio por invalidez

Pagamento em dinheiro de uma única vez ao próprio participante em decorrência de sua invalidez total e permanente (no período de cobertura e após a carência do plano).

6.CASO PRÁTICO

SIMULAÇÃO: Uma mulher de 30 anos com perfil conservador deseja contribuir com R$ 150,00 mensais por pelo menos 25 anos para ter uma aposentadoria vitalícia. A mesma faz sua declaração de imposto de renda de forma simplificada, e quer saber qual seria o plano ideal e o valor da reserva acumulada estimada no futuro.
Conforme simulação (anexo) feita no site da Caixa Econômica Federal o produto seria o previnvest. O aconselhável para essa pessoa tradicional seria o Fundo de Renda Fixa que é 100% composto por títulos de renda fixa para quem prefere não correr riscos, e a modalidade o VGBL, ideal para quem declara seu IR simplificado. Como o prazo de contribuição é longo, a tributação seria a regressiva, pois diminuem 5 pontos percentuais a cada 2 anos variando de 35% a 10% em função do prazo de permanência.
O valor da reserva acumulada estimada (25 anos) seria:
R$ 248.025,21
A renda mensal líquida:
R$ 1.434,95

CONCLUSÃO

Muitos brasileiros estão recorrendo a Previdência Complementar como forma de garantir um futuro melhor e mais tranqüilo para si como também para sua família. Visto que há um déficit na Previdência Social que cresce vertiginosamente ao longo dos anos, e paga um benefício máximo de R$ 2.801,82. Assim, quem recebe acima desse valor e quer manter o mesmo padrão de vida necessita de um fundo complementar.
De acordo com o perfil do investidor são muitas as opções de planos. Pode ser de curto, médio ou longo prazo, com direito a benefícios fiscais conforme sistema de tributação adequado ao plano.
Sem dúvida, a Previdência Complementar é uma ótima opção de rendimento futuro com segurança e a possibilidade de um maior volume de recurso possível.

REFERÊNCIAS

Especial você s/a previdência. Você S/A. Edição 137, páginas 4-18, novembro de 2009.
Disponível em: . Acesso em: 27 de novembro de 2009.
Disponível em: . Acesso em: 27 de novembro de 2009.
Disponível em: . Acesso em: 27 de novembro de 2009.
Disponível em: . Acesso em: 27 de novembro de 2009

O MONGE E O EXECUTIVO

0

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
INTRODUÇÃO À ECONOMIA
NATAL/RN
2007

Esquema do resumo:
John Daily – gerente-geral – grande indústria – aparentemente – vida – boa – família – desestruturada – relacionamento – casamento – filhos – trabalho – sucesso – mudanças – atrito – desgaste – estilo – liderança – angustiada – pastor – mosteiro – atenção – ex-executivo – padre Peter – Len Hoffman – Simeão – sonhos – habilidade – liderar – diferença – poder – autoridade – princípios – chave – executar – relacionamentos – paradigma – ouvinte – servir – egoísmo – individualismo – Jesus – Gandhi – Martin Luther King – amor – comportamento – ações – intenções – ideal – positivos – ambiente – saudável – recompensas – ego – jornada.

QUESTÃO 1

HUNTER, James C..O Monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. 18 ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

RESUMO

O livro narra a história de John Daily, um bem sucedido gerente-geral de uma grande indústria. Casado, dois filhos, treinador voluntário de beisebol, que aparentemente tinha uma vida muito boa. Porém sua família se desestruturava, sua esposa se sentia infeliz no casamento, o relacionamento com os filhos não ia bem, e o trabalho que pensava estar seguro do sucesso também passava por mudanças. Após atrito e desgaste com empregados insatisfeitos na fábrica, seu estilo de liderança foi colocado à prova. A esposa Rachel, angustiada, sugere que ele fale com o pastor da igreja que o aconselha a participar de um retiro no mosteiro João da Cruz para refletir e ordenar as idéias. O que chama mais a sua atenção é saber que um dos frades do lugar é o lendário e conhecido ex-executivo, Leonard Hoffman, a partir daí ele decide ir. Ao chegar conhece o padre Peter o qual logo lhe revela que Len Hoffman lá é chamado por Simeão e dá aulas sobre liderança aos visitantes. O nome Simeão perseguia John a vida inteira, porque sempre tinha sonhos que diziam para achar Simeão e ouvi-lo. Hoffman era conhecido pela habilidade e liderar e motivar pessoas. Em suas aulas ministradas aos participantes do retiro, debateu-se inicialmente a diferença entre poder e autoridade e sobre os princípios da liderança. Ensina que a chave para a liderança é executar tarefas enquanto se constroem relacionamentos. Discute o paradigma de ter o cliente como aliado e não como inimigo, pois sem pessoas não há negócios. Expõe a todos que é necessário ser sempre um bom ouvinte, e que a autoridade se estabelece ao servir aos outros e sacrificar-se por eles. Faz os participantes refletirem sobre arrogância, orgulho, egoísmo, e o individualismo nos tempos de hoje. Menciona grandes nomes da história, como: Jesus, Gandhi, Luther King, que foram grandes líderes usando apenas a autoridade sem nenhum poder. Fala do ato de amar, definindo como sendo um comportamento, não apenas sentimento e que deve ser praticado sempre. Fundamenta amor na vontade, e que sem ações, as intenções são NADA. Descreve os requisitos básicos para se tornar um líder ideal: paciência, bondade, humildade, respeito, abnegação, perdão, honestidade, compromisso. Comportamentos positivos produzem sentimentos positivos gerando um ambiente saudável e de sucesso para uma crescer. Na última reunião do grupo, Hoffman debate sobre as recompensas disso tudo, que são: a alegria e a satisfação interior, que livram as algemas do ego e da concentração somente em si mesmos os quais destroem a alegria de viver. Os participantes se despediram do retiro compreendendo todos os ensinamentos daquelas reuniões, e John ao sair dava o primeiro passo para uma nova jornada em sua vida.
PALAVRAS-CHAVE: Liderança. Autoridade. Poder. Simeão. Paradigma. Amor.

QUESTÃO 2

Entendendo que a contabilidade é uma ciência social comente a pirâmide de Maslow. Em seus aspectos principais.
A pirâmide de Maslow, é uma divisão hierárquica proposta por Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de subir” uma hierarquia de necessidades para atingir a sua auto-realização. Na base (1º nível) estão as necessidades básicas: comida, a água e moradia. No próximo nível as necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa, com um emprego estável, um plano de saúde. Em seguida as necessidades sociais, de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo. Nos últimos níveis estão as necessidades de auto-estima e auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser. Entretanto existem várias criticas a sua teoria, a principal delas é que é possível uma pessoa estar auto-realizada, contudo não conseguir uma total satisfação de suas necessidades fisiológicas.

QUESTÃO 3

De acordo com o livro paradigmas são padrões estabelecidos pela sociedade, pesquise dentro da história da contabilidade exemplos de paradigmas.
A Contabilidade existe desde o princípio da civilização e utilizava técnicas específicas de forma rudimentar e não sistematizada, que foram se aperfeiçoando e especializando, sendo algumas delas aplicadas até hoje. A Contabilidade empírica, praticada pelo homem primitivo, já tinha como objeto o Patrimônio, representado pelos rebanhos e outros bens nos seus aspectos quantitativos. Os primeiros registros processaram-se de forma rudimentar, na memória do homem. Como este é um ser pensante, logo encontrou formas mais eficientes de processar os seus registros, utilizando gravações e outros métodos alternativos. O Sistema Contábil evoluiu com a duplicação de documentos e os registros se tornaram diários e, posteriormente, foram sintetizados no final de determinados períodos. O contador deixou de ser apenas um fazedor de impostos, quebrou o paradigma e passou a ter papel importante para a empresa, sendo um instrumento básico e essencial de gestão.