ADOÇÃO POR HOMOSSEXUAIS 2/2

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conceito e natureza jurídica

O termo adoção se origina do latim, de adoptio, significando em nossa língua, na expressão corrente, tomar alguém como filho.
Juridicamente, a adoção tem recebido da doutrina conceitos diferenciados, veja-se alguns:
Maria Helena Diniz dita sobre adoção:
A adoção é um ato jurídico solene pelo qual alguém estabeleceu, irrevogável e independente de qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afim, um vínculo fictício de filiação, trazendo para sua família, na condição de filho, pessoa que geralmente lhe é estranha.39
Wald conceitua o termo adoção como uma ficção jurídica que cria o parentesco civil. É um ato jurídico bilateral que gera laços de paternidade e filiação entre pessoas para as quais tal relação inexiste naturalmente”. 40
Há, ainda, outros conceitos, dentre os quais o do doutrinador Wilson Donizeti Liberati, que define que a “adoção é um ato solene pelo qual se admite em lugar de filho quem por natureza não é.” 41
Em obra sobre o direito da Criança e do Adolescente, José de Faria Tavares conceitua o instituto como ato judicial complexo que transforma, por ficção jurídica, sob total discrição, um estranho em filho do adotante, para todos os fins de direito e para sempre.42
Todos os conceitos, porém, por mais diversos, confluem para um ponto comum, a criação de um vínculo jurídico de filiação. Ninguém discorda, portanto, de que a adoção confere a alguém o estado de filho. Esta modalidade de filiação dá-se o nome de parentesco civil, pois desvinculado do laço de consangüinidade, sendo parentesco constituído pela lei, que cria uma nova situação jurídica, uma nova relação de filiação.
Esta nova relação de filiação, por determinação constitucional, não pode sofrer qualquer distinção com relação à filiação biológica, como é visto no art. 227. §6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.43
Com relação à natureza jurídica da adoção, também a doutrina traz posições distintas, há cinco correntes que tentam explicar a natureza jurídica da adoção.
A primeira corrente defende a adoção como uma instituição, a segunda entende a adoção como um ato jurídico, a terceira explica a adoção como um ato de natureza híbrida, a quarta corrente vê na adoção um contrato e a quinta corrente conceitua adoção como um ato complexo.
Mas apenas duas foram importantes, a primeira que alude à natureza contratual da adoção, e a segunda que vê a adoção como um ato complexo.
A primeira foi defendida pela maioria da doutrina civilista no século XIX. Nela se justifica a natureza contratual da adoção por encerrar, em sua formação, a manifestação de vontade das pessoas envolvidas. Esta corrente amparou o texto do Código Civil Brasileiro de 1916. Foi abandonada, por não se enquadrar na concepção moderna de contrato, já que a adoção não admite a liberdade na estipulação de seus efeitos e por não possuir conteúdo essencialmente econômico, características inerentes à conceituação hodierna do contrato.
A segunda para sua formalização, a adoção passará por dois momentos: o primeiro, de natureza negocial, onde haverá a manifestação das partes interessadas, afirmando quererem a adoção, e o segundo momento, onde haverá a intervenção do estado, que verificará da conveniência, ou não, da adoção. O primeiro momento se dá na fase postulatória da adoção, enquanto que o segundo se dará ao fim da fase instrutória do processo judicial, com a prolação da sentença. Para que se consume e se aperfeiçoe a adoção, se fará necessária a manifestação da vontade do adotante, do adotando e do estado.

Requisitos objetivos e subjetivos da adoção

Para o cumprimento da adoção, foram estabelecidos requisitos, de ordem objetiva e outros de ordem subjetiva.
Todas as pessoas maiores de dezoito anos, independentemente do estado civil, têm capacidade e legitimação para adotar. Para ser promovida a adoção por casal, basta que um deles tenha completado a idade mínima, devendo, porém, ser também demonstrada à estabilidade da família.44
A lei reza sobre a idade mínima de 18 anos, mas não fala sobre o limite máximo de idade, Jose Luiz Mônaco da Silva lamenta não ter sido estipulado este limite, pois, se a adoção tem em mira imitar a natureza, causa estranheza o fato de a lei não obstá-la, antes permitindo que pessoas que, em razão da idade, mais estariam para avos do que para propriamente para pais dos adotados.45
Silvio Rodrigues, citando Emilio Betti, nota-se que a legitimação se distingue da capacidade, pois aquela depende de uma relação particular do sujeito com o objeto do direito.46
Em relação ao estado, civil Artur Marques da Silva Filho, doutrina que essa liberalização no Estatuto da Criança e do Adolescente desvinculando a adoção do estado civil ao adotante, ampliou sobre maneira as possibilidades de expansão do instituto e tem merecido encômios da doutrina.47
A diferença de idade entre adotante e adotado, em regra é de que esta seja de no mínimo de 16 anos, bastando que um dos requerentes preencha o requisito.

Liborni Siqueira argumenta que:

Os dezesseis anos de diferença se justificam em face dos fatores biológicos ditados para a concepção e a mãe natureza. O relacionamento pai-mãe-filho necessita de cuidados em louvor do processo educacional, pois do contrário teremos criança brincando com crianças.48
A adoção é um ato pessoal do adotante, sendo que a lei veda a adoção por procuração.
Entre os requisitos da adoção, está o estágio de convivência, consiste num período fixado pelo juiz para a aferição da adaptação do adotando ao novo lar, podendo ser dispensado se o adotando não tiver mais de um ano de idade ou se o tempo de convivência com os adotantes já for suficiente para a avaliação. Este será promovido obrigatoriamente se o adotando tiver mais de um ano de vida e tem o condão de tornar a adoção mais completa.
A finalidade do estágio de convivência é comprovar a compatibilidade entre as partes e a probabilidade de um futuro sucesso da adoção.
Na adoção por estrangeiro, a prova do estágio de convivência é indispensável. Nesse caso exige-se que o estágio de convivência ocorra no mínimo por quinze dias para criança até dois anos de idade e de, no mínimo, trinta dias para criança de mais dessa idade.
Outro requisito para a adoção diz respeito à concordância por parte do adotado, de seus pais ou representante legal. Entretanto, o consentimento do adotado somente é requerido e aceito se ele contar com mais de doze anos.
cadastro e habilitação para adoção
Dispõe o ECA em seu art. 50 que a autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção.49 A existência destes cadastros é bastante útil, pois facilita a apuração dos requisitos legais e facilita a compatibilidade entre o adotante e adotando pela equipe interprofissional, o que tornara mais celebre os processos de adoção.
A relação de crianças e adolescentes será elaborada pela equipe interprofissional da Vara da Infância, com base em informações constantes nos processos e procedimentos em curso no juízo e nas informações que são repassadas periodicamente pelos abrigos sobre a situação de cada criança e adolescente que assistam.50
Cabe a indagação sobre o critério a ser utilizado para que seja entendido que determinada criança encontra-se em condições de ser adotada. O abandono por parte dos genitores e da família será o critério mais freqüente.
Quando não há genitor e família, como nos casos de bebês e crianças de tenra idade que são abandonados e não se consegue nenhuma informação de sua origem, não existe nenhum problema para sua inclusão no cadastro.
Em se tratando de criança abandonada que já consiga fornecer dados sobre sua origem, assim como adolescente que venha a ser encontrado pelas ruas, deve-se tentar buscar a veracidade das informações prestadas, por que muitas vezes as informações não são verdadeiras, pois não desejam retornar para casa e verificar os motivos que ensejaram o abrigo para que seja estudado se há a possibilidade de reintegração familiar. Constatado que não há possibilidade de reintegração, a inserção do nome da criança e do adolescente no cadastro deve ser feita o mais rapidamente possível, para que ainda exista possibilidade de colocação em família substituta, pois o brasileiro não tem o habito de realizar adoções de crianças que tenham ultrapassado seis anos de idade, sendo extremamente difícil a realização de adoções quando esta idade é ultrapassada, ou seja, a denominada adoção tardia.
O cadastro de pessoas interessadas em adotar só poderá ser criado a partir do momento em que os interessados busquem a Vara da Infância demonstrando seu desejo de adotar e a idade e sexo da criança ou adolescente que pretendem adotar.
Para fazer o cadastro é necessário que a pessoa interessada leve os seguintes documentos originais ou cópias autenticadas em cartório:
a)Atestado de saúde (sanidade) física e mental (expedido por médico);
b)1 foto recente do(s) requerente (s);
c)Fotos da residência (parte externa e interna).
d)Apresentar original e cópia simples:
e)Carteira de identidade;
f)Comprovante de residência;
g)Comprovante de renda ou holerite (em papel timbrado ou com firma reconhecida);
h)CPF;
i)Certidão de casamento;
j)Certidão de nascimento para solteiros;
k)Certidão negativa de distribuição cível;
l)Atestado de antecedentes criminais.51
Após a entrega destes documentos, estas pessoas devem ser orientadas a requererem sua habilitação para adoção.
No curso da habilitação o pretendente será entrevistado pela equipe interprofissional do juízo que emitira parecer informando se a pessoa tem condições de adotar. Após a manifestação do Ministério Público que tem o prazo de 5 dias para isso, o juiz decidira com base no parecer da equipe e na promoção ministerial.
Habilitada, a pessoa será inscrita no cadastro que terá uma ordem seqüencial e ficará aguardando o surgimento de uma criança ou adolescente que se enquadre nas suas opções de idade e sexo. Será entregue certificado a pessoa, constando que se encontra habilitado a adotar.
Surgindo esta criança ou adolescente, serão chamadas as pessoas constantes no cadastro por ordem de antiguidade para que a conheçam. Havendo empatia entre elas, será iniciado o processo de adoção. Caso contrário, será chamada a pessoa seguinte do cadastro.
Tem ele por finalidade dar publicidade sobre quem são as pessoas cadastradas e, entre elas, demonstrar a existência de imparcialidade por parte do Estado, por estarem sendo convocadas as pessoas pela estrita ordem de habilitação.
Com a existência do cadastro de pessoas habilitadas a adotar é obrigatório o respeito ao mesmo. Surgindo uma criança para ser adotada, devem ser chamadas as pessoas previamente cadastradas e não qualquer outra que surja interessada na criança. Logo se alguém encontra uma criança abandonada, deverá levá-la até a Vara da Infância, onde será encaminhada para o abrigo e, posteriormente, inserida no cadastro para adoção. Serão, em seguida, chamadas as pessoas cadastradas para realizarem a adoção. A pessoa que encontrou a criança não poderá adotar, já que a preferência será para aquelas cadastradas, salvo se nenhuma das pessoas cadastradas mostra interesse em adotar.
Neste sentido a jurisprudência:
EMENTA: ADOÇÃO. CRIANÇA ABANDONADA. OBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO REGULAR. PRÉVIA INSCRIÇÃO NO CADASTRO PRÓPRIO. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. A escolha de uma criança para adotar feita pelos pretendentes não os habilita a postular a sua guarda provisória. A inexistência de vínculos sólidos com a infante, que seria situação excepcional, não se verifica no caso em exame, sendo necessário antes verificar o rol de pretendentes já habilitados. Recurso desprovido, por maioria. (Agravo de Instrumento Nº 70009424219, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 08/09/2004)52
Apesar da obrigatoriedade de consulta e respeito ao cadastro, em algumas situações, considerando a aplicação do Princípio Interesse, a preferência para adoção de determinada criança não será conferida as pessoas cadastradas. Isto se dará quando a pessoa que postular a adoção já mantiver vinculo afetivo com a criança ou adolescente, neste momento o vinculo prevalecerá sobre a letra fria da lei, com o intuito de se minorar as conseqüências da medida.
A adoção é o grande exemplo da filiação socioafetiva, seu único elo é o afeto, que deve prevalecer sobre tudo. Toda criança ou adolescente que tem a possibilidade de ser adotada já passou por um momento de rejeição em sua vida, tendo conseguido obter e dar amor a um estranho que vê, agora, como pai, superando sentimento de perda. Não se justifica que em nome ao respeito a uma regra que tem a finalidade única de dar publicidade e legalidade as adoções, o sentimento, o sustentáculo da adoção, seja colocado em segundo plano e a criança seja obrigada a passar por outro drama em sua vida, sair da companhia de quem aprendeu a amar.
Neste sentido a nossa jurisprudência:
EMENTA: ADOÇÃO. CRIANÇA ABANDONADA. OBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO REGULAR. PRÉVIA INSCRIÇÃO NO CADASTRO PRÓPRIO. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. Embora da maior utilidade o cadastro de pessoas interessadas em adotar e das crianças e adolescentes disponíveis para adoção, pois facilitam a apuração dos requisitos legais, permitindo o exame quanto à compatibilidade entre os interessados em razão do suporte multidisciplinar, garantindo também celeridade às adoções, a prévia inscrição no cadastro oficial não constitui condição “sine qua non”. O art. 50 do ECA, não autoriza a conclusão de que seja juridicamente possível o pedido formulado por quem não esteja previamente habilitado. Mostra-se ponderável a pretensão dos recorrentes, que constituem uma família harmônica e feliz, pois surgiu entre eles e a adotanda um vínculo intenso de afeto, que somente a magia do amor explica. Compreensível que o casal, não pretendendo adotar alguma criança, não tivesse se habilitado no cadastro próprio, mas, ao conhecer aquela criança, estabelecendo com ela um relacionamento de afeto, estreitando mais o vínculo, tenham decidido acolhê-la como membro da família. Os apelantes não desejam adotar uma criança, mas sim aquela criança. As relações de família devem ser sobre tudo, relações de afeto e o amor é o único vínculo capaz de dar suporte e coesão a um núcleo familiar. As peculiaridades do caso concreto reclamam solução mais flexível. Recurso provido. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Apelação Cível Nº 70000399600, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 16/02/2000)53
É importante que haja um incremento, por parte do Poder Judiciário, do cadastro, seja de crianças e adolescentes, sejam pessoas habilitadas a dotar, já que é obrigatória sua existência, como se vê pela simples leitura do art. 50 do ECA.
Muitas Varas da Infância até o momento, ainda não iniciaram a elaboração de seus cadastros, fato que dificulta a colocação em família substituta, pois é normal pessoas que desejam adotar buscarem informações nas Varas da Infância e receberem como resposta que não há crianças ou adolescentes em condições de serem adotados, isto por falta de informação da equipe técnica, causada pela inexistência do cadastro. Para a elaboração do cadastro é importante que o juiz participe do inicio de seu processo, atuando junto com a equipe interprofissional e os abrigos.
Para a melhoria do funcionamento dos cadastros o ideal seria sua centralização nas Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção (CEJA), o que facilitaria a informação para todas as Varas da Infância e incrementaria a realização das adoções, pois se não existisse uma família para uma criança ou uma criança para uma família determinada Comarca, certamente existiria em outra e muito mais famílias seriam formadas.
aspecto psicológico
Outro ponto gerador de polêmica quanto à adoção por homossexuais é o da conveniência psicológica para o menor e na possibilidade de influência na orientação sexual da criança ou adolescente adotado.
Esta questão vem sendo pesquisada na Califórnia desde 1970, em famílias plurais ou em famílias que vivem casamentos abertos, concluindo-se que as crianças que vivem sob esse tipo de organização familiar têm o mesmo nível de ajustamento encontrado entre crianças que convivem com pais dos dois sexos.54
O risco de o menor tornar-se homossexual, devido à falta de referência paterna e materna, assim como a possibilidade da criança ser vítima de escárnio no meio social que freqüenta, é caracterizado para desembargadora e doutrinadora Maria Berenice Dias como, seqüelas que inexistem, asseverando ainda que:
[…] não há como prevalecer o mito de que a homossexualidade dos genitores é geradora de patologias, eis não ter sido constatado qualquer efeito danoso para o desenvolvimento moral ou a estabilidade emocional da criança conviver com pais do mesmo sexo. Muito menos se sustenta o temor de que o pai irá praticar sua sexualidade na frente ou com os filhos. Assim, nada justifica a visão estereotipada de que o menor que vive em um lar homossexual será socialmente estigmatizado terá prejudicado seu desenvolvimento, ou que a falta de modelo heterossexual acarretará perda de referenciais ou tornará confusa a identidade de gênero.55
Dessa forma, percebe-se que a questão central no tocante aos aspectos psicológicos da adoção é no que se refere à ausência de referências, ou seja, da presença da figura materna e paterna.
Entretanto, além do que fora exposto acima, contribui para o afastamento desse questionamento a hipótese de adoção por solteiros sejam homossexuais ou não, pais divorciados, viúvos (as) e mães solteiras, pois nesses casos também não haverá a presença das duas figuras do sexo oposto.
Isso não influi para a possibilidade de a criança ou o adolescente torna-se homossexual.
Outro ponto a se destacar, diz respeito aos filhos de casais heterossexuais, que vivem em uma família estável e saudável, mas que se tornam homossexuais. Dessa forma cai por terra, o fato da referência materna e paterna ser requisito para que o indivíduo não se torne homossexual.

ESTABILIDADE FAMILIAR NA ADOÇÃO

A questão da estabilidade da família é fundamental e deve resultar devidamente demonstrada e provada, pois condiciona o deferimento da adoção.
Cumpre salientar o quesito referente a estabilidade familiar, essa estabilidade não diz respeito apenas em relação às adoções requeridas por heterossexuais casados ou em união estável, mas também a divorciados ou separados judicialmente, solteiros homossexuais ou não, e por parceiros homoafetivos.
Entretanto, ainda não foi reconhecido a parceria e o casamento homossexual, apesar de já serem assegurados os direitos sucessórios a parceiros que vivem em união estável.
Não se podem avaliar apenas questões relativas à celebração do casamento, reconhecimento de união estável, o tempo dessas relações para que se possa considerar competência para a adoção.
O conceito de estabilidade familiar é bastante subjetivo, cabendo ao juiz decidir, com apoio de técnicos especializados, por meio do estágio de convivência, se os casados, divorciados, os que vivem em uniões estáveis, os solteiros e homossexuais possuem capacidade de promover o bem-estar, assim como o desenvolvimento saudável do adotando.
A estabilidade familiar também diz respeito à situação financeira e não somente a relação entre os membros da família, mas é certo que a situação financeira dos adotantes não é fator decisivo para a verificação da possibilidade de efetivar-se a adoção, pois não adianta a inserção de alguém em família substituta de confortável situação financeira, se nenhum afeto, nenhum amor for transmitido ao novo filho.
Para a avaliação da estabilidade familiar, é imprescindível a atuação da equipe interprofissional, a fim de que venham colher subsídios que possam indicar existência desta correta exigência legal. Esta colheita de informações será realizada em dois momentos, no transcorrer do procedimento judicial de habilitação das pessoas interessadas em adotar e durante o processo judicial da adoção.

ADOÇÃO HOMOAFETIVA AO REDOR DO MUNDO

A adoção por homossexuais começa a evoluir em alguns países. Desde o final da década de 90, mulheres e homens homossexuais na Europa e em alguns Estados dos Estados Unidos, Austrália e outras regiões do mundo têm conseguido a autorização legal para adotar crianças.
A legislação aprovada varia substancialmente de país para país, e em alguns casos é permitido que casais homossexuais adotem crianças sem qualquer grau de parentesco.
Vejam-se os países que permitem a adoção de crianças por casais homossexuais através de sua legislação.56
Nos EUA em 1986, duas mulheres da Califórnia se tornou o primeiro casal gay a adotar legalmente uma criança. Desde então, o numero de Estados nos EUA que permitem a adoção por casais do mesmo sexo subiu para 14. A lista inclui Nova York, Connecticut e Nova Jersey. A situação em alguns Estados é ambígua, com a adoção por homossexuais não definidas explicitamente.
Na Dinamarca em 1999, o governo permitiu a homossexuais ligados por união civil adotar o filho de seu companheiro ou companheira e agora em 2009 o país aprova o direito de um casal homossexual adotar em conjunto uma criança.
O projeto de lei, apresentado pelo deputado Simon Emil Ammitzboell, declaradamente gay, foi aprovado por 62 votos a 53, e 64 deputados não votaram. O governo conservador e seu aliado no Parlamento, o Partido do Povo Dinamarquês (extrema direita) se opuseram ao projeto, mas sete membros do governista Partido Liberal votaram a favor da lei, que teve o apoio da oposição social-democrata e do Partido Socialista Popular. “É um grande passo. Cai assim um dos últimos obstáculos no caminho da igualdade entre casais homossexuais e heterossexuais”, declarou Ammitzboell, dizendo-se esperançoso de que “num futuro não muito distante, a Dinamarca autorize os homossexuais a se casar na igreja”.
A Dinamarca foi o primeiro país do mundo a autorizar os casamentos civis entre casais do mesmo sexo, em 1989, concedendo os mesmos direitos garantidos aos heterossexuais, exceto os referentes ao uso da inseminação artificial e à adoção. O ministro da Justiça, o conservador Brian Mikkelsen, afirmou que a lei aprovada nesta terça-feira é “simbólica e sem sentido”, porque, segundo ele, nenhum dos países com os quais as agências dinamarquesas de adoção trabalham vai querer autorizar a adoção de crianças por casais homossexuais. A opinião é rejeitada pela oposição.57
Noruega em 2008, o país legalizou a união civil entre homossexuais como a possibilidade de adoção de crianças.
A Holanda em abril de 2001 se tornou o primeiro país europeu a autorizar a adoção por casais homossexuais de crianças sem relação de parentesco. No entanto, a criança deve ser residente habitual na Holanda. A adoção de uma criança de outro país não é permitida a casais do mesmo sexo. A restrição não existe para casais heterossexuais. Os casais que queiram adotar uma criança devem demonstrar que vivem juntos nos últimos três anos e que tenham cuidado da criança há pelo menos um ano.
A Alemanha também em 2001 autorizou um membro do casal homossexual a adotar o filho biológico do outro desde que haja união civil.
Suécia no ano de 2002 legaliza a adoção por casais homossexuais desde que haja união civil.
Também em 2002 o estado de Western na Austrália permitiu a adoção por casais homossexuais, logo depois, a medida foi adotada também no território da capital, Camberra.
Ainda em 2002 a África do Sul através de sua Suprema Corte legalizou a adoção, sendo o único país da áfrica a adotar esta medida.
Inglaterra e País de Gales, os dois países permitiram, a partir de 2005, que casais homossexuais adotassem uma criança.
A Espanha em 2006 adota a mesma medida da Inglaterra.
Também em 2006 a Islândia aprovou a lei que permite a adoção por casais homossexuais com relação estável de mais de cinco anos.
Ainda em 2006 a Bélgica adotou medidas semelhantes a da Islândia.
Por 77 votos a favor contra 62, a Câmara dos Deputados do Parlamento Federal da Bélgica aprovou, dia 2 de dezembro, a lei que permite que casais formados por pessoas do mesmo sexo adotem crianças, belgas ou estrangeiras. De acordo com a EFE, os partidos da maioria governamental como os da oposição, não interferiram na opinião de seus deputados, o que promoveu um grande equilíbrio na votação. O projeto de lei encontrou apoio total dos socialistas flamengos do partido SPA, assim como dos liberais flamengos do VLD.
A rejeição partiu dos deputados dos dois partidos democratas-cristãos, que não somavam a maioria no Parlamento. Agora, a Bélgica, que já havia aprovado o casamento gay em fevereiro do ano de 2003, passa a aceitar a adoção pelos casais homossexuais, juntando-se assim a Holanda e Espanha.58
A Noruega em 2008 legalizou tanto a união civil entre homossexuais como a possibilidade de adoção de crianças.
Israel em 2008 através de uma decisão de um procurador-geral facilitou a adoção para casais do mesmo sexo.
Um comitê do Ministério de Assuntos Sociais israelense estuda a possibilidade de reformar a lei para estender a adoção a casais do mesmo sexo, informou à Efe seu porta-voz, Nachum Ido A lei israelense só permite a adoção a casais heterossexuais, mas a Corte Suprema permitiu recentemente que várias lésbicas pudessem cuidar de crianças maiores de dois anos. Estes casais de mulheres receberam crianças rechaçadas por muitos candidatos para adoção, porque seus pais tinham um passado conflituoso ou porque não eram recém-nascidos, explicou Ido. Nossa experiência do acompanhamento destes casais de lésbicas em sua adoção é que foram muito boas mães, assegurou o porta-voz do Ministério liderado pelo trabalhista Issac Herzog. O comitê, formado há dois anos, mas que ficou paralisado após a renúncia de seu presidente anterior, começará a analisar nas próximas semanas a possibilidade de reformar a lei ou que a Corte Suprema aprove a adoção a casais do mesmo sexo, que por enquanto limitou a lésbicas e para crianças maiores de dois anos.Ido precisou neste sentido que outro comitê no Ministério da Justiça estuda as implicações legais de uma eventual reforma. Embora faça parte dos trabalhos do comitê de seu Ministério, o porta-voz considerou mais complicado o caso dos homens, porque apenas um casal do sexo masculino procurou a adoção.59
E por último em setembro 2009, o Uruguai se converte no primeiro país latino-americano a legalizar a adoção de crianças por casais homossexuais.
A aprovação no Senado foi por 17 votos a favor entre os 23 presentes, são 31 senadores no total. No mês de agosto, a lei havia sido aprovada na Câmara por 40 votos, de 53 presentes. Agora, o texto vai para sanção do Executivo. O projeto causou embates entre a oposição, governo e a Igreja Católica, que se opôs fortemente à medida. Essa lei se segue a outros projetos polêmicos aprovados, como a do concubinato, da separação e do fim da proibição do ingresso de homossexuais nas Forças Armadas. A lei de adoções permite que casais homossexuais entrem com o pedido. Uma das medidas que mais causaram polêmica foi a que deu ao Instituto da Criança e do Adolescente a palavra final nas adoções. Antes, era dos juízes. O arcebispo de Montevidéu, Nicolás Cotugno, declarou que a adoção por homossexuais “vai contra os direitos fundamentais do ser humano”.60
O mundo se divide em três blocos: os liberais, os conservadores e os intermediários. Os liberais estão compostos pelos países nórdicos, onde a união homoafetiva já foi legalizada, a exemplo da Dinamarca, Noruega, Holanda que prevê o casamento, a adoção, entre outros direitos. Os conservadores compreendem aos mulçumanos, onde existe até a pena de morte para quem pratica essa relação. Os intermediários são os que compõem o maior bloco, aonde vem se discutindo acerca da relação homoafetiva, a exemplo do Brasil.

ADOÇÃO HOMOAFETIVA no brasil

Muito se tem discutido, nos últimos anos, sobre a possibilidade de se deferir a adoção de crianças a pessoas homossexuais. Nenhum dispositivo há, na legislação pertinente, que impeça a adoção por homossexuais, nem poderia porque a CF veda preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Quando se trata de homossexualidade a questão da adoção é um assunto extremamente polêmico e tal situação, tem ensejado inúmeras discussões e controvérsias, seja nos meios jurídicos, religiosos e sociais.
Aspectos a Favor da Adoção
Primeiramente faz-se necessário a análise dos aspectos abordados a favor da adoção homossexual.
Acredita-se que a adoção é possível, pois segundo o artigo 43 do ECA, a adoção poderá ser deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos.61 Ou seja, é muito melhor para uma criança que vive na rua, em abandono ou sob maus tratos ter uma família a continuar vivendo em condições precárias.
Como define a decisão do Juiz Siro Darlan de Oliveira:

ADOÇÃO DE ADOLESCENTE COM DESTITUIÇÃO DO PÁTRIO PODER O pedido inicial deve ser acolhido porque o Suplicante

demonstrou reunir condições para o pleno exercício do encargo pleiteado, atestado esse fato, pela emissão de Declaração de Idoneidade para a Adoção com parecer favorável do Ministério Público contra o qual não se insurgiu no prazo legal devido, fundando-se em motivos legítimos, de acordo com o Estudo Social e parecer psicológico, e apresenta reais vantagens para o Adotando, que vivia há 12 anos em estado de abandono familiar em instituição coletiva e hoje tem a possibilidade de conviver em ambiente familiar, estuda em conceituado colégio de ensino religioso e freqüenta um psicanalista para que possa se adequar à nova realidade e poder exercitar o direito do convívio familiar que a CF assegura no art. 227. JULGADO PROCEDENTE O PEDIDO NA INICAL. 1ª VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO PROCESSO Nº 97/1/03710-8/ JUIZ SIRO DARLAN DE OLIVEIRA. Julgado em 20 de agosto de 1998.62
Se em uma união entre duas pessoas, ainda que do mesmo sexo, tiverem um lar duradouro, onde cumpram com os deveres de fidelidade e assistência recíproca e convivam num ambiente digno e tranqüilo, não se pode negar uma real vantagem para o adotando.
Segundo o desembargador Rui Portanova do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul o sistema jurídico como um todo permite a adoção por homossexuais, uma vez que não existe norma que proíba tal ato. Portanova lembra ainda que pessoas solteiras não tenham nenhum empecilho para adotar, é preciso apenas que tenha a idade mínima exigida pela nova lei de adoção, em seu artigo 42 Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.63
Assim, ele defende que se a pessoa está dentro dos requisitos exigidos para a adoção, e já que não há nenhuma disposição legal que a impeça, não poderá ser negado com base na orientação sexual.
Em relação a isso tem entendido a jurisprudência:
ADOÇÃO – Pedido efetuado por pessoa solteira com concordância da mãe natural – Possibilidade – Hipótese onde os relatórios social e psicológico comprovam condições morais e materiais da requerente para assumir o mister, a despeito de ser homossexual – Circunstância que, por si só, não impede a adoção que, no caso presente, constitui medida que atende aos superiores interesses da criança, que já se encontra sob os cuidados da adotante – Recurso não provido. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO – Apelação Cível n. 51.111-0 CÂMARA ESPECIAL – Relator: OETTERER GUEDES – 11.11.99 – V.U.)64
No âmbito Constitucional não se pode excluir o direito individual de guarda, tutela e adoção, direito garantido a todo cidadão, apenas por sua preferência sexual, pois isso iria contra o princípio da igualdade, ferindo o respeito a dignidade e caindo em discriminação.
Segundo o artigo 227 da Constituição Federal:
[…] é dever de o Estado assegurar a criança e ao adolescente, com absoluta prioridade o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, a cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 65
É evidente que tais direitos não são assegurados a criança enquanto ela estiver em situação de abandono, entregue a criminalidade, ao vício, etc.
No entanto, observa-se que atualmente tem ocorrido uma pacificação não apenas pela jurisprudência, mas também por propostas que regulam a matéria.
Atualmente os juízes têm considerado a adoção como objetivo principal da sua decisão, sem analisar muito o fato de o casal ser ou não homossexual. Isso porque em nosso país existe um número muito grande de crianças abandonadas necessitando de uma família. O juiz, analisando as condições em que vivam essas duas pessoas, se constatarem que elas mantêm um clima harmonioso no lar, exiba boa conduta moral e que tenham condições financeiras para educar e criar uma criança, não terá porque indeferir a adoção.
Assim define a jurisprudência:
Adoção cumulada com destituição de o pátrio poder. Alegação de ser homossexual o adotante. Deferimento do pedido. Recurso do Ministério Público.
1. Havendo os pareceres de apoio (psicológico e de estudos sociais), considerando que o adotado, agora com dez anos, sente agora orgulho de ter um pai e uma família, já que abandonado pelos genitores com um ano de idade atende a adoção aos objetivos preconizados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e desejados por toda a sociedade. 2. Sendo o adotante professor de ciências de colégios religiosos, cujos padrões de conduta são rigidamente observados, e inexistindo óbice outro, também é a adoção, a ele entregue, fator de formação moral, cultural e espiritual do adotado. 3. A afirmação de homossexualidade do adotante, preferência individual constitucionalmente garantida, não pode servir de empecilho à adoção de menor, se não demonstrada ou provada qualquer manifestação ofensiva ao decoro, e capaz de deformar o caráter do adotado, por mestre a cuja atuação é também entregue a formação moral e cultural de muitos outros jovens. Votação:Unânime Resultado: Apelo improvido TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Acórdão: Apelação Cível Processo 1998.001.14332 Relator: Desembargador Jorge Magalhães Julgamento: 23.03.1999 Nona Câmara Cível66
Veja também uma publicação do que o desembargador Rui Portanova, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul explicou no 9º Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), em Belo Horizonte, de 12 a 15 de maio de 2004. O encontro foi promovido pela Corregedoria Geral de Justiça de Minas Gerais, através da Comissão Executiva Judiciária de Adoção (Ceja), pela Fundação CDL e pela entidade italiana Nova, que atua no campo de adoções internacionais. Contou com o apoio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas e da Associação dos Magistrados Mineiros. (TJ-MG).
O desembargador explicou que como não há norma que proíba homossexuais de adotarem uma criança, esse fato é juridicamente possível. Para pessoas solteiras não há problema algum, a lei faz referência apenas à idade: “Só a pessoa maior de dezoito anos pode adotar, de acordo com o artigo 1.618 do Novo Código Civil”. Também em relação a casais de homossexuais não existe norma alguma a respeito.
Segundo Rui Portanova, quando há uma lacuna na lei, o juiz deve decidir usando analogia. Alguns magistrados consideram que o mais próximo de uma união de homossexuais seria a sociedade de fato. Mas, para ele, como é uma relação que envolve amor, o que seria mais semelhante na lei, é a união estável.
Segundo o desembargador, é o conceito de união estável que viabiliza juridicamente esse tipo de adoção. O artigo 1.622 do Novo Código Civil dispõe que “ninguém pode ser adotado por duas pessoas, salvo se forem marido e mulher ou se viverem em união estável”.
O desembargador Rui Portanova lembrou também que o direito não é composto somente pelas leis, “o direito é fato, valor e norma, é a conjugação dessas três dimensões”. Para ele, no caso da adoção, o que deve sempre prevalecer é o princípio do melhor interesse da criança.67
Veja mais uma reportagem a favor da adoção por homossexuais da revista Veja virtual publicada no dia 18 de março de 2009, por Reinaldo Azevedo.

E AGORA A ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR GAYS.

Há o que não se pode escolher. Ninguém é gay porque quer. E também não pode deixar de ser gay ainda que queira. Hetero e homossexuais podem ser decentes e indecentes, morais ou imorais, promíscuos ou comportados, bons e maus pais e mães& Como o segredo de aborrecer é dizer tudo, vamos lá: creio que casais heterossexuais, desde que ajustados e com as devidas condições, devam ter a preferência na adoção. E a razão é simples: a criança terá certamente menos explicações a dar. Não vislumbro a possibilidade de que uma família de dois pais ou de duas mães venha a ser considerada coisa tão corriqueira quanto a do casal heterossexual. Mas a possível estranheza de um casal gay, para a criança, é o menor dos problemas se a alternativa é permanecer em alguma instituição, sem afeto, sem atenção, sem cuidados. Homossexualidade não pega. E heterossexualidade também não ou a esmagadora maioria dos gays não viria de lares heterossexuais. Então nisso você não está com a Igreja? É não estou. Até já deixei de fazer certas coisas por fidelidade à Igreja. Mas jamais deixei de dizer o que penso. Não conheço uma interdição explícita à adoção, mas não ignoro que essa família a que não me oponho é reprovada pelo Vaticano. Exponho-me à reprovação. Só peço à delicadeza que não igualem uma questão como essa ao aborto, por exemplo. Note-se: crianças abandonadas, no Brasil, é um verdadeiro flagelo social. Os orfanatos estão cheios. Parece que as famílias tradicionais não têm acorrido em seu socorro em número suficiente. Não posso crer que seja um ato de amor impedir que dois homens ou duas mulheres dotados das devidas condições psicológicas, morais e financeiros as adotem. Nesse caso, essa é minha escolha moral. E não me parece generoso, ademais, que uma pessoa impedida de escolher a sua sexualidade também seja impedida de ser feliz ao lado de quem ama.68
Apesar de algumas decisões serem inéditas em nosso país, a postura da jurisprudência moderna tem sido admirável. Pois tem se preocupado com a dignidade do ser humano como um todo.
Veja a primeira adoção por casal homossexual ocorrida na cidade de São Paulo, os cabeleireiros paulistas Vasco Pedro da Gama Filho de 35 anos e Junior de carvalho de 43, são pais de Theodora, de 5 anos. Eles conseguiram adotar a garota em 2007. Os dois companheiros vão à reunião de pais e mestres e freqüenta festas na escola da filha. No espaço destinado a filiação da certidão de nascimento de Theodora, ambos aparecem como pais.
Veja-se a certidão:
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Existe também uma grande resistência por parte da sociedade em relação a esse tipo de adoção. É normal que exista um temor de futuras reações comportamentais e transtornos psicológicos para a criança. Mas tal temor não pode por si só ser motivo para ir contra algo tão grandioso e solidário como a adoção.
Na opinião de Rodrigo da Cunha Pereira: A ordenação jurídica, para estar mais próxima do ideal de Justiça, e afinal cumprir sua função básica, deve estar voltada, antes das regras morais e estigmatizantes, para a libertação dos sujeitos, a afim de que se cumpra a ética do Direito. 70
Em suma, o que se defende é que deve prevalecer o bem estar do adotando, levando em consideração sua atual condição de vida e como seria se vivesse num novo lar, seja ele proporcionado por pessoas do mesmo sexo ou não.
É preciso pensar no futuro do adotando, pensar no carinho que ele irá receber das pessoas que o desejam e lembrar que o amor, poderá fazer dessa criança um ser humano melhor.
Aspectos Contrários a Adoção
Veja-se alguns argumentos contrários há adoção por casais homoafetivos:
O instituto procura sempre construir uma entidade familiar e, por isso, duas pessoas do mesmo sexo não podem adotar um mesmo indivíduo, pois não conseguirão nunca imitar a posição de pai e mãe para adotarem, ainda que um deles tenha o sexo psicológico invertido.
A CF em seu artigo 227 dispõe sobre os direitos da criança e do adolescente, dentre eles o dever de salvá-los de possíveis atos discriminatórios, como já visto anteriormente. Diante disso, a Lei Maior diz que a família, a sociedade e o Estado têm, ante a criança e o adolescente, o dever de conferir tais direitos. Portanto, o direito que está em jogo é o do adotado. Para quem pretende adotar o único direito que se tem é o de querer adotar e tal direito não lhe pode ser negado. Contudo, se todos têm o direito de requerer a adoção, por outro lado, nem todos podem conseguir, já que para a realização da adoção é preciso ter certeza de que o adotante terá condições de cumprir com todos os seus pátrios deveres e ainda a certeza de que a adoção não irá de maneira alguma prejudicar o desenvolvimento psico-físico-social do adotado.
O Estado, em caso de dúvida, através de procedimentos legais pode negar o pedido da adoção, já que este dispõe do dever de proteger a integridade e o futuro da criança que será adotada. E com isso o Estado não estará rompendo nenhum princípio elencado no artigo 5º da CF, como o da igualdade, por exemplo, pois a impossibilidade da adoção estaria sendo não por discriminação ou má vontade estatal e sim por uma incapacidade de quem deseja adotar. Tal impossibilidade não está vinculada a uma incapacidade moral, educacional ou financeira dos homossexuais, mas está ligada conjuntamente com aspectos exteriores. Um desses aspectos seria a certeza de que no futuro o adotado sofrerá discriminação social e que certamente afetará seu desenvolvimento psicológico e seu convívio em sociedade.
É papel dos pais proporcionarem o bem estar dos filhos, isso ajudará na sua formação, influenciará na construção dos seus valores morais e éticos. Estaria, portanto havendo um descumprimento ao artigo 227 da CF, pois não estaria protegendo o adotado de tais preconceitos.
Infelizmente a sociedade brasileira ainda não está preparada para aceitar essa situação e o adotando estaria completamente passivo a tais discriminações.
A discriminação é algo que preocupa muito quem é adepto dessa idéia. Pois é minuciosamente analisado o que essa criança sofreria, seja na escola, na rua, onde fosse.
O fato de seus pais serem diferente daquilo que a nossa sociedade considerada como normal humilharia essa criança, poderia traumatizá-la deixando graves conseqüências para sua vida adulta. Pois a criança não tem o discernimento para entender porque só os pais dela são diferentes e com isso, a tendência seria ela se fechar, prejudicando não só seu desenvolvimento escolar quanto sua relação com o mundo.
De acordo com o artigo 43 do ECA, a adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando […]71, é evidente que, sofrendo tantos preconceitos desde a infância, não haverá vantagem ao adotado. É injusto que uma criança inocente pague por uma opção feita pelos seus pais. Os homossexuais quando decidem assumir sua condição estão correndo o risco de sofrer possíveis discriminações, mas por escolha própria.
Ainda o artigo 29 do ECA dispõe que não se dará a colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado72. Nesse sentido, o ambiente desajustado que será colocado é fator relevante para o não deferimento da adoção.
Mas um fato que deve também ser questionado é a hipótese de um homossexual, seja masculino ou feminino, ocultar sua preferência sexual, pleitear a adoção e obtê-la, trazendo a criança para convívio do seu lar junto com o parceiro do mesmo sexo. Isso porque a adoção por solteiros é admitida.
Cabe a todos analisar os pontos positivos e negativos para depois posicionar-se. Mas tal posição deve ser decidida sem preconceitos e julgamentos pré-elaborados. Antes de tudo deve-se considerar algo muito mais valioso e que está em jogo, que é a vida de uma criança.
Há uma busca frenética do ser feliz. O ser humano necessita de carinho e de amor para viver. Então que possa desejar felicidade aos menos favorecidos, àquelas pessoas que não podem ter filhos com seus parceiros e que mesmo assim, sentem vontade e tem condições financeiras para criar e educar uma criança. A adoção é muito mais que um ato de amor, é doação, é dedicação.

CONCLUSÃO

O tema abordado é algo ainda muito novo para o direito. A sociedade não se encontra preparada para aceitar a adoção homoafetiva nem tão pouco para se posicionar em relação ao tema. Tudo o que é inovador é visto com certo temor pela sociedade. Mas a humanidade vem avançando rapidamente, muitas transformações estão ocorrendo e por ser um fenômeno social, têm grande relevância para o direito.
O tema por ser polêmico e ensejar inúmeras discussões e controvérsias, precisa ser analisado cuidadosamente.
A adoção é um instituto admirável, pois é a aceitação de um estranho em um seio familiar já formado.
O Estatuto da Criança e do Adolescente autoriza a adoção por uma única pessoa, não fazendo qualquer restrição quanto a sua orientação sexual. Portanto, não é difícil prever a hipótese de um homossexual que, ocultando sua preferência sexual, venha a pleitear e obter a adoção de uma criança, trazendo-a para conviver com quem mantém um vínculo afetivo estável.
Nessa situação, quem é adotado por um só dos parceiros não pode usufruir qualquer direito com relação àquele que também reconhece como verdadeiramente seu pai ou sua mãe. Ocorrendo a separação do par ou a morte do que não é legitimamente o genitor, nenhum benefício o filho poderá desfrutar. Não pode pleitear qualquer direito, nem alimentos nem benefícios de cunho previdenciário ou sucessório. Sequer o direito de visita é regulamentado, mesmo que detenha a posse do estado de filho, tenha igual sentimento e desfrute da mesma condição frente a ambos. O amor para com os pais em nada se diferencia pelo fato de eles serem do mesmo ou de diverso sexo. Ao se arrostar tal realidade, é imperioso concluir que, de forma paradoxal, o intuito de resguardar e preservar a criança ou o adolescente resta por lhe subtrair a possibilidade de usufruir direitos que de fato possui.
Negar a adoção a uma pessoa pelo simples fato dela ser considerada diferente dos padrões normais estabelecidos pela sociedade é um ato de discriminação. A Constituição Federal proíbe tal ato e elenca em seu artigo 3º objetivos fundamentais como a construção de uma sociedade mais justa e solidária, bem como promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
A adoção não pode estar condicionada à preferência sexual ou à realidade familiar do adotante, sob pena de infringir-se o mais sagrado cânone do respeito à dignidade humana, que se sintetiza no princípio da igualdade e na vedação de tratamento discriminatório de qualquer ordem.
A dificuldade em deferir adoções exclusivamente pela orientação sexual ou identidade de gênero dos pretendentes acaba impedindo que expressivos números de crianças sejam subtraídos da marginalidade. Imperioso contrastar nossa realidade social, com um enorme contingente de menores abandonados ou em situação irregular, quando poderiam ter uma vida cercada de carinho e atenção.
Por outro lado deferir um pedido de adoção a um casal homossexual é um grande ato de responsabilidade, uma vez que é dada total confiança de que o casal manterá um comportamento respeitável no lar, protegendo a criança dos sofrimentos e humilhação que ela certamente passará por conviver com algo diferente dentro do seu lar.
Em ambos os casos é preciso pesar e ver se há a real vantagem para o adotando, pois a adoção só será admitida quando constituir efetivo benefício ao adotado e isso deverá ser analisado caso a caso, levando em consideração principalmente os fatores psicológicos tanto dos adotantes quando do adotado.
São preconceituosos os escrúpulos existentes. Por isso, urge contornar princípios, rever valores e abrir espaços para novas discussões. É chegada a hora de acabar com a injustificável resistência a que indivíduos ou casais homossexuais acalentem o sonho de ter filhos.
Assim, a adoção deve ser vista como um ato de amor e o que deve prevalecer é a felicidade e o bem estar do adotando.

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ISO 26000 A TENDENCIA PARA UM FUTURO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL

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ISO 26000 – A TENDÊNCIA PARA UM FUTURO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL
Pelotas
2009

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo principal estudar os principais aspectos e conceitos que envolvem a temática em torno da Responsabilidade Social e o Desenvolvimento sustentável. O intuito foi demonstrar a tendência que envolve a sociedade junto às organizações por um mundo ambientalmente responsável. Para tanto, o trabalho discorre sobre a ISO 26000, que se trata de um conjunto de normas que pretende padronizar as ações e orientar a implantação de projetos de Responsabilidade Social pelas empresas, indiferente de porte ou tipo. Além disso, o trabalho busca demonstrar a importância dada à políticas de Responsabilidade Social nas empresas por órgãos de financiamento como o BNDES. Desta forma, para a concretização deste estudo realizou-se uma pesquisa bibliográfica, através de livros e artigos científicos relacionados aos conceitos e demais aspectos envolvidos pelo tema, bem como, informações disponíveis on-line.
Palavras-chaves: ISO 26000, Responsabilidade Social, Sustentabilidade.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
O Objeto de Estudo
Referencial Teórico
2.1 Responsabilidade Social
2.1.1 Temas Centrais da Responsabilidade Social
2.1.2 A participação dos Stakeholders
2.2 A Globalização, a Revolução Tecnológica e suas influências na Responsabilidade Social
2.3 Temas Emergentes, os riscos de um planeta em evolução
2.3.1 Ecologia e Meio Ambiente
2.3.2 Saúde e Bem-Estar
2.3.3 Diversidade e Direitos Humanos
2.4 A Empresa Sustentável – Pensando globalmente, agindo localmente
2.5 A ISO e a importância de seu envolvimento com Responsabilidade Social
2.5.1 ABNT NBR 16001 A norma brasileira de Responsabilidade Social
2.6 ISO 26000, a tendência para um futuro socialmente responsável
2.6.1 O processo construtivo da ISO 26000
2.6.1.1 Linha Histórica do processo construtivo da ISO 26000
2.6.2 Países envolvidos com a ISO 26000
2.6.3 A estrutura da norma ISO 26000
2.6.4 Princípios para adequação à norma ISO 26000
2.7 A participação brasileira no desenvolvimento da ISO 26000
2.8 A Imagem Social nas organizações
2.8.1 A ISO 26000 e a busca de financiamentos além de imagem social
2.9 Órgãos de Financiamento
2.9.1 O BNDES
2.9.2 BNDES e Responsabilidade Social
Metodologia
Análise e Discussão dos Resultados
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

LISTA DE SIGLAS

BNDES Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social
ONG Organização não Governamental
ISO International Organization for Standardization
Organização Internacional para Padronização
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
ONU Organização das Nações Unidas
OIT Organização Interna do Trabalho
ETHOS Instituto de Empresas e Responsabilidade Social
MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

INTRODUÇÃO

O Desenvolvimento sustentável e a Responsabilidade Social tem se tornado uma referência por parte das organizações e uma cobrança constante da sociedade em que se inserem. Por essa razão, considera-se oportuno abordar essa temática tão atual e instigante que já é uma tendência para a maioria das organizações em todo o mundo.
Segundo Carrol1 citado por Oliveira(2008, p.71) a definição de Responsabilidade Social engloba expectativas econômicas, legais, éticas e filantrópicas que uma sociedade tem das organizações em algum momento.
Já de acordo com o Livro Verde da Comissão Européia (COM, 2001, p.4), a Responsabilidade Social é um conceito, aonde as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo.
Porém, não existe uma definição considerada única para este termo, de modo que a Responsabilidade Social pode ser analisada por diversos pontos de vista, devendo então levar em consideração vários aspectos formadores de um conjunto de ações que beneficiam não só a organização, mas também os Stakeholders2.
Desta forma, uma organização responsável socialmente deve estabelecer uma relação de respeito com todos os envolvidos em sua área de atuação, bem como com a comunidade e o meio em que está inserida, auferindo preceitos básicos de consideração para com a sociedade e o meio ambiente.
Por isso a relevância de um tema que tem despertado a atenção e interesse das organizações que seguem essa tendência: a ISO 26000, que se trata de uma conjuntura de normas com todas as características para transformar-se em um dos principais guias para as organizações no que se refere a práticas de gestão social e ambientalmente responsável.
Entretanto, este trabalho tem por objetivo não apenas demonstrar a importância da imagem social para as organizações, mas também como podem beneficiar-se no que tange a busca de investimentos dos órgãos de financiamento, considerando dentre eles o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Este atualmente é considerado o principal agente financiador de longo prazo do Brasil que desempenha também o papel de disseminar e influenciar princípios e procedimentos éticos socialmente responsáveis, tanto no meio econômico quanto no setor público.
Assim sendo, este trabalho tem por finalidade desvendar o seguinte problema de pesquisa: Como as Empresas se beneficiam com as normas de Responsabilidade Social, no que tange a busca de investimentos dos organismos de financiamento, além de imagem social?

OBJETIVO GERAL

Identificar a importância de um conjunto de normas para nortear as organizações nas questões referentes à Responsabilidade Social.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Analisar a relevância das normas da ISO 26000 para as organizações que buscam financiamentos de organismos de investimento, além da imagem social;
Determinar a tendência de um futuro social e ambientalmente responsável das organizações;
Sugerir um modelo que auxilie o futuro social e ambientalmente responsável para o sucesso das organizações.

CAPÍTULO 1

O Objeto de Estudo ISO 26000:
O GUIA DE ORIENTAÇÃO DAS EMPRESAS SOCIALMENTE RESPONSÁVEIS

Uma das questões mais importantes nos dias atuais trata da relevância de um assunto que já está inserido no cerne da Sociedade: A Responsabilidade Social. Este assunto provoca nas organizações o pensar, não apenas na busca por resultados e lucros, mas também pelo desenvolvimento humano de todos os envolvidos de alguma forma na vida da empresa.
Partindo desse pressuposto, este trabalho visa abordar a nova norma da ISO referente à Responsabilidade Social: a ISO 26000. E diante da importância deste assunto, além de identificar a tendência de um futuro social e ambientalmente responsável das organizações, pretende-se mostrar o diferencial que este guia pode trazer às empresas que buscam financiamentos de organismos de investimento, além da imagem social.

CAPÍTULO 2

Referencial Teórico

2.1 Responsabilidade Social

A Responsabilidade Social e por conseqüência, a Sustentabilidade são um dos temas mais importantes e discutidos nas ultimas décadas, por isso compreender a essência desta questão faz toda a diferença.
Há pouco tempo, quando o tema Qualidade entrava em questão, as empresas que se utilizavam em determinados produtos ou marcas eram entendidos como sendo uma exceção entre os demais. Logo se percebeu que este tema estava longe de ser um modismo, e sim uma real necessidade, tornando-se tendência e atualmente obrigação.
O tema Responsabilidade Social não se trata de modismo, assim como a Gestão da qualidade, que no início aparecia como um diferencial entre as empresas e hoje é essencial e auxilia na atitude sustentável.
Assim, a Gestão da Sustentabilidade que aparece como um diferencial, brevemente será fundamental e obrigatório, por isso as organizações que estão saindo na frente já desfrutam de certas vantagens competitivas.
Para Savitz (2007, p. 2 á 5) Sustentabilidade, na prática, pode ser encarada como a arte de fazer negócios num mundo interdependente, significando de uma forma geral operar a empresa sem causar danos aos seres vivos e sem destruir o meio ambiente, mas sim restaurando-o e enriquecendo-o.
Por isso, nesse contexto o autor prefere o termo Sustentabilidade, porque responsabilidade destaca os benefícios para os grupos sociais fora da empresa, ao passo que sustentabilidade atribui igual importância aos benefícios desfrutados pelas empresas em si. (SAVITZ, 2007, p.4)
Desta forma, a Responsabilidade Social pode ser compreendida como uma evolução natural dos processos que envolvem as relações entre empresas e sociedade, tendo como objetivo a gestão voltada para o ser humano.
Contudo, o termo Responsabilidade Social muitas vezes é confundido com Ação Social ou Filantropia, que vem a ser uma atitude que causa impacto apenas momentâneo, já a Responsabilidade Social é uma ação bem mais ampla e abrangente que envolve o futuro das gerações, por isso o termo Sustentabilidade, que envolve temas como educação, conscientização e treinamento.
De acordo com Aligleri e Kruglianskas (2009, p.9) o desempenho social inadequado e a falta de políticas bem elaboradas de cunho social e ambiental podem ter sérias implicações organizacionais, acarretando prejuízos materiais e morais de modo a aumentar os custos e perder oportunidades de mercado.
Ainda para os autores não há como ignorar o novo compromisso das empresas, pois a questão não é parte apenas de uma sensibilização ética, mas principalmente econômica e mercadológica.
Desta maneira, conforme Ashley (2006, p.3-6) há um reconhecimento de que ética, cultura e valores morais são inseparáveis de qualquer noção de responsabilidade empresarial.
Para a autora, parece lícito afirmar que hoje em dia as organizações precisam estar atentas não só à suas responsabilidades econômicas e legais, mas também a responsabilidades éticas, morais e sociais, sendo as responsabilidades éticas correspondentes a valores morais específicos.
Segundo Ashley (2006, p.5) observa-se que:
Valores morais dizem respeito a crenças pessoais sobre comportamento eticamente correto ou incorreto, tanto do próprio indivíduo como em relação aos outros. É dessa maneira que valores morais e ética se complementam. A moral pode ser vista como um conjunto de valores e de regras de comportamento que as coletividades, sejam elas nações, grupos sociais ou organizações adotam por julgarem corretos e desejáveis.
Deste modo, são esses valores morais que definem a cultura da organização de forma a determinar os preceitos de ética absorvidos pelos membros da empresa.
Para Aligleri e Kruglianskas (2009, p. 10) a discussão conceitual sobre responsabilidade das empresas pode ser vista como um contínuo que parte de pouca ou nenhuma mudança em seu papel e operações, dirigindo-se para configurações mais radicais, voltadas para as políticas e relações organizacionais.

2.1.1 Temas Centrais da Responsabilidade Social

A Responsabilidade Social deve ser abordada sob um contexto geral pelas organizações, não devendo ser vista por meio de ações irregulares, isoladas ou ocasionais, pelo fato de ações filantrópicas não ser uma alternativa para a organização lidar com o impacto de suas decisões e atividades.
De acordo com o Instituto Fonte (2008) para identificar e abordar a natureza de suas responsabilidades em relação à sociedade e o meio ambiente, uma organização deveria considerar os seguintes temas centrais, que por consequência abrangem vários outros subitens:
Governança Organizacional: envolve estruturas e processos de tomada de decisão;
Direitos Humanos: tratam de direitos civis, políticos, sociais econômicos, culturais e fundamentais do trabalho, além da não discriminação e atenção a grupos vulneráveis, bem como cuidados para evitar cumplicidade;
Práticas de trabalho: abrangem emprego e relações empregatícias, condições de trabalho e proteção social, diálogo social, desenvolvimento humano, além de saúde e segurança no trabalho;
Meio Ambiente: inclui prevenção da poluição, uso sustentável de recursos, mitigação e adaptação das mudanças climáticas e proteção e restauração do ambiente natural;
Práticas justas de operação: Envolvem medidas contra a corrupção, envolvimento político responsável, competição justa, promoção da Responsabilidade Social na esfera de influência da organização e respeito pelos direitos de propriedade;
Questões de Consumidores: Tratam de práticas contratuais, informativas e de marketing justas; proteção à saúde e segurança dos consumidores; consumo sustentável; serviço de suporte e resolução de disputas; proteção dos dados e da privacidade dos consumidores além de educação e conscientização;
Desenvolvimento econômico e social da comunidade: Compreende geração de empregos, desenvolvimento tecnológico, renda e riqueza, investimento responsável, envolvimento com a comunidade, educação, cultura, saúde e capacitação.

2.1.2 A participação dos Stakeholders

Stakeholders é a denominação dos grupos de interesse com certa legitimidade que exercem influência junto às empresas, tornando-as responsáveis por os grupos sobre os quais o empreendimento interfere, cabendo responsabilidades que irão afetar o cotidiano e a sociedade destas pessoas.
Desta forma a Responsabilidade Social deve ser entendida como um conjunto de princípios que direciona as ações e relações da organização com as pessoas e o meio que está inserida, fazendo parte de uma estratégia de direção de negócios que torna a empresa parceira e também responsável pelo desenvolvimento social das partes interessadas, estes, os chamados Stakeholders.
Em uma visão mais habitual, a empresa enxerga o trabalho, a matéria-prima e os bens de capital como relações que estabelecem a forma de trabalhar e a maneira como se processará o produto final, sendo a empresa como um atravessador do produto de insumo para o cliente, porém, pela visão da gestão com stakeholders a empresa se torna o centro e o principal ator em meio a consumidores, clientes, funcionários, fornecedores, financiadores, acionistas, mídia, ONGs3, governo e comunidade.
Para Oliveira (2008, p.98) as empresas buscam a interação com os stakeholders como uma maneira de tentar sua legitimação perante eles e a sociedade. Sendo o stakeholder definitivo e mais importante aquele que tem legitimidade, poder e urgência.
E completa:
Dentro desse novo contexto, surge a importância das ferramentas de comunicação para ajudar a mediar as relações entre uma organização e os stakeholders novos, cada vez mais influentes, com interesse em suas ações sócio-ambientais. Assim, o gerenciamento de informações é crucial para a gestão com stakeholders. (OLIVEIRA, 2008, p.99)

2.2 A Globalização, a Revolução Tecnológica e suas influências na Responsabilidade Social

A Globalização pode ser entendida como o fenômeno decorrente da revolução tecnológica que tornou o mundo uma Aldeia global, completamente interligada e interdependente, proporcionando uma interação entre pessoas e mercados de forma que se possam interligar aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos. Gera-se assim, uma grande expansão onde se torna possível atingir mercados distantes e emergentes.
Esta expansão fez com que houvesse o aumento do uso de novas e revolucionárias tecnologias que tem proporcionado um desenvolvimento cada vez maior nos setores de comunicações e informação.
Contudo, os fatos acontecidos em lugares distantes, envolvendo também políticas e culturas diferentes, que antes não pareciam influenciar em outros povos, hoje praticamente podem definir estratégias políticas e econômicas além de influenciar milhões de pessoas em seu dia a dia, especialmente pela rede mundial de computadores.
Deste modo, a internet sendo a grande rede mundial de computadores, permite um fluxo de idéias e informações nunca antes visto pela humanidade, e faz com que uma pessoa tenha acesso a notícias de qualquer lugar do planeta, podendo inclusive tornar-se parte da imprensa, observando e direcionando tendências do mundo inteiro.
Segundo Grayson e Hodges (2003, p.14) a possibilidade de obter, transmitir e processar informações cresceu demais por causa do aumento da capacidade das telecomunicações, da velocidade dos computadores e do desenvolvimento da tecnologia da internet.
Ainda de acordo com os autores a tecnologia de transmissão de informações e especialmente o uso generalizado da televisão ajudou a levar os meios de comunicação ao mundo inteiro, tendo como reação dos consumidores a espera por noticias e informações assim que desejarem.
Assim, a globalização e as novas tecnologias tem desempenho fundamental nas questões de Responsabilidade Social, tendo em vista a relação entre os países e as atitudes que possam tomar em relação à estas questões.

2.3 Temas Emergentes, os riscos de um planeta em evolução

Um dos grandes desafios do mundo contemporâneo é conseguir tornar o planeta sustentável, como conseqüência de atos que perduram por vários anos, nossa geração parece estar colhendo os frutos de uma evolução totalmente sem precedentes.
Mudanças climáticas, doenças emergentes ou transmitidas por vetores, desigualdades sociais, desemprego, desmatamento e aumento da população são alguns dos tópicos que geram polêmicas e preocupações na maioria dos países.
Segundo Grayson e Hodges (2003, p.95) a definição dos temas emergentes apresenta várias facetas inter-relacionadas envolvendo as forças globais de mudança e envolvem questões referentes a Ecologia e Meio Ambiente, Saúde e Bem estar, diversidade e Direitos Humanos, além das próprias comunidades.
Para os autores em cada uma dessas questões há componentes diferentes que terão um efeito tanto próprio quanto cumulativo nas decisões de negócios e na responsabilidade das empresas.

2.3.1 Ecologia e Meio Ambiente

Cada vez mais as empresas têm buscado focar suas atitudes em adequações para a convivência com o Meio ambiente e tecnologias que tornem suas ações ecologicamente corretas. Para tanto os gestores devem estar atentos aos fatores ambientais uma vez que afetam drasticamente a tomada de decisões e as práticas do comércio.
De acordo com Grayson e Hodges (2003, p.96) o meio ambiente tem se tornado um tema emergente de administração para os gerentes, sendo preciso ampliar o alcance de questões que se encontram sob um tópico tradicional, daí a inclusão de ecologia.
A revolução na demografia e no desenvolvimento chamou a atenção para as populações ameaçadas pela degradação ambiental. E a revolução de valores fez com que grupos de pressão exigissem uma fiscalização e padrões ambientais mais rígidos, a fim de preservar o planeta. (GRAYSON; HODGES, 2003, p.96)
Os autores ainda acrescentam que as questões ecológicas e ambientais podem ter um impacto negativo ou positivo num amplo espectro de áreas de atuação, o que acarreta obrigatoriamente em um compromisso de todos nas empresas.
Além disso, o enorme consumo de energia pelas populações urbanas contribui ainda mais para uma crise energética, em função da exploração de reservas finitas como gás natural, petróleo e carvão. Podemos juntar a isso a exploração em regiões como a Amazônia, a escassez da água, além do desperdício gerado pela sociedade que acarreta em aterros e depósitos de lixo, o que contribui ainda mais para o aquecimento global e a sobrevivência de várias espécies de animais.
Embora os problemas sejam mais sérios na África e no Oeste da Ásia, a falta dágua já é um grande empecilho ao crescimento industrial e socioeconômico em muitas outras regiões, como China, Índia e Indonésia. Koffi Annan, secretário geral da ONU, Civilization, Outubro/Novembro de 2000(GRAYSON; HODGES, 2003, p.100)

2.3.2 Saúde e Bem-Estar

A Globalização, o aumento constante da velocidade nas comunicações e a eficiência de novas tecnologias acabaram por mudar a essência do trabalho e por conseqüência a relação Empresa e população, fazendo com que as pessoas passem a buscar continuamente a qualidade de vida, aliando trabalho, saúde e bem-estar.
Grayson e Hodges (2003, p.105) afirmam que o tema saúde e bem-estar compreende não só a saúde física e preocupações com proteção, mas também as influências externas, como pressão, assistência aos dependentes, aprendizado contínuo e equilíbrio entre trabalho e lazer.

2.3.3 Diversidade e Direitos Humanos

Segundo os autores as forças globais colocam em primeiro plano questões que já foram periféricas para o mundo dos negócios, mas hoje são importantes para uma administração avançada.
É o caso da relevância da questão da diversidade e dos direitos humanos, a qual, se não for encarada com sensibilidade, pode fazer com que a empresa se exponha muito a riscos, porém existe a oportunidade de agregar valor proporcionando vantagens competitivas. (GRAYSON; HODGES, 2003, p.105)

2.4 A Empresa Sustentável – Pensando globalmente, agindo localmente

Para Savitz (2007, p.2) empresa sustentável é aquela que gera lucro para os acionistas, ao mesmo tempo em que protege o meio ambiente e melhora a vida das pessoas com quem mantém interações.
Assim, quando se fala em Sustentabilidade, devemos obrigatoriamente ligar este termo à gerações futuras. A empresa verdadeiramente sustentável é aquela que pensa além do próprio planejamento quanto à sua estrutura financeira ou comercial, mas sim, age legitimamente em razão de gerações que ainda virão.
Segundo Aligleri e Kruglianskas (2009, p.18) os administradores estão sendo pressionados a procurar novas filosofias de gestão que aliem os interesses da sociedade onde atuam aos interesses da própria empresa, no intuito de proporcionar legitimidade, crescimento e sustentabilidade da corporação.
Portanto, de acordo com Savitz (2007, p.3):
Sustentabilidade é a gestão do negócio de maneira a promover o crescimento e gerar lucro, reconhecendo e facilitando a realização das aspirações econômicas e não-econômicas das pessoas de quem a empresa depende, dentro e fora da organização.

2.5 A ISO e a importância de seu envolvimento com Responsabilidade Social

A organização internacional para padronização (International Organization for standardization ISO), com sede em Genebra, é uma instituição internacional criada em 1947, para desenvolver normas de padronização de procedimentos e de qualidade do produto final em diversos campos técnicos, exceto na eletricidade e eletrônica, cuja responsabilidade é da Comissão Internacional de Eletrotécnica (IEC), fundada em 1906.
Segundo Aligleri e Kruglianskas (2009, p.209) a ISO é caracterizada como uma confederação internacional de órgãos nacionais de normalização e está presente em mais de 150 países desenvolvidos ou em desenvolvimento em todas as regiões do mundo. No Brasil, sua representante é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
No entanto, a ISO é uma organização não governamental que faz uma ponte entre os setores públicos e privados, permitindo um consenso a ser alcançado através de soluções que atendam às demandas dos negócios e necessidades mais amplas da sociedade.
As normas da ISO contribuem para o mundo em que vivemos, pois suas finalidades são assegurar características como qualidade, ecologia, economia, segurança, confiabilidade, compatibilidade, interoperabilidade, eficiência e efetividade. Além disso, facilitam o comércio, difundem conhecimento e compartilham os avanços tecnológicos e as boas práticas de gestão. (ALIGLERI; KRUGLIANSKAS, 2009, p. 209)
Entre as normas mais importantes desenvolvidas pela ISO pode-se destacar a ISO 9000 referente à gestão da qualidade nas organizações e a ISO 14000 que trata da gestão ambiental.
Seguindo este contexto, este trabalho abordará a ISO 26000, que surge como um guia de orientação às organizações que pretendem tornarem-se socialmente responsáveis, atingindo a tendência da Sustentabilidade.

2.5.1 ABNT NBR 16001 – A norma brasileira de Responsabilidade Social

Com o inicio do processo de avaliação da viabilidade de preparação de uma norma referente à Responsabilidade Social pela ISO, a Associação Brasileira de Normas Técnicas decidiu a partir de 2002, compor uma comissão para elaborar uma norma nacional de Responsabilidade Social.
Segundo o INMETRO (2009) a ABNT NBR 16001 estabelece requisitos mínimos relativos a um sistema de gestão de Responsabilidade Social, permitindo à organização formular e implementar uma política e objetivos que levem em conta as exigências legais, compromissos éticos, preocupação com a promoção da cidadania e o Desenvolvimento sustentável.
A norma brasileira tem em vista o modelo PDCA (plan, do, check, act planejar, fazer, avaliar e agir) que fora utilizado pelas normas ISO 9001(Gestão da Qualidade) e ISO 14001(Gestão Ambiental). Decidiu-se que a base do sistema dessa norma seria a mesma, facilitando a integração com os sistemas de gestão já existentes.
De acordo com o INMETRO (2009) a norma é estruturada em requisitos, permitindo portanto, que a organização busque a certificação de seu sistema de gestão da Responsabilidade Social junto a uma organização externa.

2.6 ISO 26000, a tendência para um futuro socialmente responsável

Para Aktouf (2004, p. 231) as organizações devem pensar como uma empresa cidadã, exercendo essa cidadania a princípio internamente e também expandindo para o lado externo, o que significa tornar a organização responsável não apenas perante seus acionistas e comitentes, mas também perante o conjunto de fatores que permitem que ela funcione.
O Autor considera anticidadãs as organizações que continuam a enxergar a sociedade como um conjunto de clientes ou de consumidores que servem apenas para serem levados a comprar mais, bem como, do mesmo modo, consideram a natureza como um grande estoque de materiais ilimitados à espera de serem explorados.
Segundo Oliveira (2008, p.73) a maneira como a empresa responde aos stakeholders tem um papel importante no direcionamento das ações de Responsabilidade social e cita a ISO 26000 como o conjunto de ações de uma organização para assumir as responsabilidades pelo impacto de suas atividades sobre a sociedade e o meio ambiente, em que essas atitudes sejam consistentes com os interesses da sociedade e com o Desenvolvimento sustentável.
Desta forma, a ISO 26000 pretende auxiliar as empresas nas questões referentes à Responsabilidade Social, e por ser exclusivamente voluntária, o objetivo gira em torno da conscientização das organizações de forma a inserir na sua própria cultura, bem como, na sua missão, atitudes em prol da Sustentabilidade.
O primeiro-passo para uma empresa começar a agir nas questões de Responsabilidade Social é conscientizar-se que as estratégias começam de dentro para fora, e que ações isoladas não trazem benefícios nem para a empresa, muito menos para a sociedade e servem apenas como atos esporádicos não surtindo efeito nenhum aos interesses da comunidade.
Por isso, para Aligleri e Kruglianskas (2009, p.208) o envolvimento da ISO com questões relacionadas à Sustentabilidade traz força e apoio ao tema devido a sua capacidade de influenciar o mercado.
Assim, de acordo com os autores a ISO 26000 dará um impulso às praticas de Responsabilidade Social e promoverá um acordo global quanto à nomenclatura e à conceituação, ajudando a integrar princípios e valores universais às operações das organizações, permitindo estabelecer um vínculo entre o global e o local.

2.6.1 O processo construtivo da ISO 26000

Em 2001, o conselho da ISO sugeriu ao Comitê de Política do Consumidor (COPOLCO) um estudo referente à viabilidade de instituir normas internacionais na área de Responsabilidade Social. Após as pesquisas, chegou-se a conclusão de que a ISO estava preparada para liderar o desenvolvimento destas normas.
A partir daí o conselho da ISO criou um grupo consultivo para melhor investigar a questão. Após discussões, relatórios e conferências, o Comitê Técnico de Gestão (TMB Technical Management Board), administrador de desenvolvimento das normas da ISO, idealizou o processo que pudesse ser abrangente a ponto de atender todos os interessados em Responsabilidade Social.
Desta forma, criou-se um Grupo de Trabalho (SRWG- Social Responsibility Working Group) encarregado de elaborar a norma. Liderados pela Swedish Standards Institute (SIS), da Suécia e a ABNT, sendo a primeira vez que um país desenvolvido e outro em desenvolvimento coordenam a elaboração de uma norma da ISO.
O processo de construção da ISO 26000 torna-se bastante desafiador primeiramente por tratar de um processo multistakeholder, que envolve diversas partes, como governos, empresas, comunidade, ONGs e outros.
Partindo deste pressuposto, esse processo possui características independentes que a diferencia inclusive da própria ISO, e um dos principais pontos é que a norma não será certificável, bem como não terá caráter de gestão, podendo ser aplicada em organizações de qualquer porte ou tipo.
Segundo Aligleri e Kruglianskas (2009, p.210) o Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO escolheu como método de trabalho a divisão em equipes, denominados de grupos-tarefa. A estrutura especial permite que diferentes stakeholders participem sem a predominância de um grupo.
Os grupos de trabalho são representados por especialistas com poder de opinião e observadores, que acompanham as discussões, porém sem se pronunciar.
A participação se dá por organismos membros da ISO ou pelas chamadas D-liaisons, relevantes organizações internacionais que desejam participar do trabalho. Além dos comitês-espelho nacionais que interagem levando em conta os interesses de cada país.
Em suma, o processo de trabalho da ISO 26000 integra visões nacionais, institucionais e a dos grupos-tarefa.

2.6.1.1 Linha Histórica do processo construtivo da ISO 26000

2001 – O conselho da ISO pede ao Comitê de política do consumidor (COPOLCO) um estudo referente à viabilidade de criação de normas internacionais de Responsabilidade Social. Um ano depois a resposta é positiva, sendo indicado um grupo consultivo estratégico para o desenvolvimento da questão.
2002 – Definem-se os encarregados de estudar em detalhes a viabilidade da norma, estruturando a natureza e seu escopo. Brasil, Estados Unidos e México integram o grupo inicial de oito membros do recém-criado SAG (Strategic Advisory Group).
2004 – A SAG apresenta um relatório apontando as questões a serem abordadas pela ISO 26000. Dois meses depois, em Junho, uma conferência realizada em Estocolmo com a participação de 66 países determina que a nova norma deva conter apenas diretrizes e dispensar certificação.
Definem-se Brasil e Suécia como líderes do Grupo de Trabalho de Responsabilidade social, encarregado de elaborar a norma.
2005 – É aprovada a proposta para o desenvolvimento da norma, definindo a participação de países em desenvolvimento, consumidores, trabalhadores, além de outros órgãos como a ONU (Organização das Nações Unidas) e OIT (Organização Internacional do Trabalho).
A ISO e a OIT assinam o MoU (Memorandum of Understanding), selando o propósito de cooperação.
A segunda reunião do Grupo de Trabalho ocorre em Bangcoc e define a estrutura de capítulos, instituindo grupos-tarefa permanentes para redigir a primeira minuta.
Neste mesmo ano, em Salvador, é criado o Chairman´s Advisory Group (CAG), grupo consultivo de apoio à liderança do processo, além de seis grupos-tarefa, sendo três estratégicos e três encarregados de questões de conteúdo.
2006 – Ocorre o terceiro encontro em Lisboa, no qual elabora-se uma lista de tópicos a serem abordados, redigindo um esboço dos primeiros capítulos.
A ISO assina um termo de entendimento (MoU) com o pacto global da ONU.
2007 – O Quarto encontro em Sidney propõe uma nova definição e uma lista de princípios para a responsabilidade social, além disso, é aprovada uma política para a participação da mídia no Grupo de trabalho.
Em Novembro, nove meses depois, acontece o Quinto encontro em Viena, que gera o consenso em torno de questões chave como as definições de Stakeholder e cadeia de valor, o que representou um grande avanço na elaboração da norma.
2008 – A Sexta reunião do grupo de trabalho acontece em Santiago, No Chile, passando por uma importante etapa, sendo elevado da categoria de projeto de trabalho para Projeto de Comissão.
Segundo o ecodesenvolvimento.org(2009) este foi um dos maiores encontros já realizados pelo grupo de trabalho contando com a presença de 386 especialistas de 76 países participantes.
2009 – A Sétima reunião sediada em Quebec aconteceu em maio de 2009 e debateu questões complexas como entraves ao comércio, direitos humanos e sociabilidade.
2010 – A próxima reunião do Grupo de trabalho, presidido pelo brasileiro Jorge Cajazeira, será realizada em Copenhague, na Dinamarca, na primeira metade de 2010.
A publicação da ISO 26000 tem previsão para Setembro de 2010.

2.6.2 Países envolvidos com a ISO 26000

Atualmente, segundo o Instituto ETHOS (FERRONI, 2008, p.8), 78 países estão envolvidos na constituição da norma, representados por 392 experts (especialistas com direito a opinar) e 132 observadores (que acompanham as discussões).
Desta forma, com base nos contatos e na disposição de posições ocorridas durante as reuniões internacionais, o processo de elaboração da ISO 26000 conforma um verdadeiro mutirão internacional, apurando visões nacionais e de cada grupo de stakeholder.

2.6.3 A estrutura da norma ISO 26000

Conforme Aligleri e Kruglianskas (2009, p. 216) a ISO 26000 estimula as organizações a irem além do cumprimento da lei e complementa outros instrumentos e iniciativas relacionadas à Responsabilidade Social.
De acordo com a própria ISO 26000 a Responsabilidade Social define-se pela responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento transparente e ético que contribua para o desenvolvimento sustentável, saúde e bem-estar, levando em conta as expectativas dos stakeholders, além de estar integrado na organização e ser praticado em seus relacionamentos.

2.6.4 Princípios para adequação à norma ISO 26000

Logicamente a Responsabilidade social nas organizações envolve um comportamento baseado em princípios, por isso a importância de todo um envolvimento das empresas como um todo nesse processo.
Abaixo, conforme Aligleri e Kruglianskas(2009, p.216) os sete princípios mais importantes a ser considerados no processo de desenvolvimento da norma:
Prestar contas e assumir a responsabilidade pelo seu impacto
Transparência nas decisões e atividades
Comportamento ético
Respeito pelo interesse dos stakeholders
Respeito às regras legais
Respeito às normas internacionais de relacionamento
Respeito aos direitos humanos
Esses princípios devem estar claros e fundamentados na cultura da organização, pois são essas premissas que definem as estratégias e as ações referentes à Responsabilidade Social.

2.7 A participação brasileira no desenvolvimento da ISO 26000

Especificamente 78 países e 41 organizações internacionais estão envolvidos no grupo de trabalho para a construção da ISO 26000, entre eles, segundo o MDS (2009), o Brasil tem uma participação decisiva sendo representado oficialmente pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a quem cabe constituir um comitê espelho nacional, incluindo os mesmos grupos de interesse da sociedade considerados na composição do Grupo de Trabalho internacional da ISO.
Este comitê reúne-se juntamente com a Comissão Especial de Estudos (CEET), criada na ABNT para acompanhamento e preparo da posição brasileira, tendo a seguinte composição: Furnas (representando o setor empresarial em substituição à Natura), Departamento intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos DIEESE (trabalhadores), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor IDEC (consumidores), Instituto Akatu (ONGs), Ministério da Ciência e Tecnologia (Governo), ABNT (serviços, suporte, pesquisa e outros) e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS (acompanhamento).
O Brasil possui um lugar de destaque entre os países comprometidos em criar a norma ISO 26000 e participa desde os processos iniciais em 2002 quando formou-se o primeiro núcleo para dar impulso a essa iniciativa.
Em 2004 o Brasil passou a assumir juntamente com a Suécia a liderança do Grupo de Trabalho de Responsabilidade social, através do conjunto da ABNT e o Swedish Standards Institute (SIS) que é o organismo normalizador sueco.
Este Grupo de Trabalho, formado para a elaboração da norma tem como presidente o brasileiro Jorge Emanuel Reis Cajazeira, da Suzano Papel e Celulose, enquanto Eduardo Campos de São Thiago, da ABNT, possui o cargo de co-secretário.
O Brasil também já sediou um dos encontros do Grupo. Em 2005 a cidade de Salvador, na Bahia foi escolhida para receber participantes de mais de quarenta países para estabelecer os pontos estratégicos do processo.
O instituto Ethos e o UniEthos participam oficialmente da elaboração da ISO 26000 como membros, respectivamente, da rede internacional Fórum Empresa e da Red Interamericana de Responsabilidad Social Empresarial, as quais figuram na categoria D-liaison, que congrega entidades relevantes no cenário internacional. (Ferroni (Coord.) Contribuição do GT Ethos para a ISO 26000. 2007, p. 13)
Desde 2006, a ABNT juntamente com a Petrobrás, iniciaram um ciclo de Seminários de Normalização em responsabilidade social, com objetivo de divulgar a norma sobre Responsabilidade Social já existente no Brasil (ABNT NBR 16001) e o projeto da ISO 26000.

2.8 A Imagem Social nas organizações

Conforme Oliveira (2008, p.126) a marca como um diferencial competitivo envolve diversas questões e permeia toda a organização, visto que lida com valores, imagem e identidade, e estes são manifestos em todas as atividades da empresa. Isto significa adequar a estratégia e o posicionamento de Marketing aos anseios dos stakeholders, que precisam perceber a relação custo-benefício envolvido.
Segundo o autor, do ponto de vista do Marketing socioambiental, cabe as organizações atenderem as necessidades dos consumidores dentro de uma perspectiva de equilíbrio entre os lucros das organizações, os interesses dos consumidores e o bem estar da sociedade. (OLIVEIRA, 2008, p.128)
O Marketing social e ambiental segundo Oliveira (2008, p.128) tem por objetivos desenvolver produtos que equilibrem necessidade dos consumidores, tendo um preço viável, ser conveniente com compatibilidade socioambiental além de projetar uma imagem de alta qualidade com registro de trajetória de seu fabricante, no que se refere à Responsabilidade Social.

2.8.1 A ISO 26000 e a busca de financiamentos além de imagem social

O fato de as empresas socialmente responsáveis adquirirem certas vantagens competitivas traz como um dos fundamentos a possibilidade de conseguir investimentos de órgãos de financiamento que também sugerem a preocupação com a Sustentabilidade, caso do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que veremos a seguir.
Desta forma, a empresa que estiver ligada à ISO adquire automaticamente maior credibilidade e afirmação devida justamente a sua capacidade de influenciar o mercado.
Neste aspecto a Responsabilidade Social empresarial deixa de ser obrigatória e passa a ser estratégica, tornando-se uma vantagem competitiva e um diferencial no mercado.

2.9 Órgãos de Financiamento

Os financiamentos consistem basicamente em um investimento usando recursos de terceiros.
Assim, para que uma empresa busque financiamento no intuito de efetivar um determinado investimento faz-se necessário conhecer as fontes de recursos disponíveis para tais empreendimentos, que podem ser bancos comerciais, oficiais, de fomentos ou privados, caixas econômicas, outras instituições financeiras e a possibilidade de captação de recursos no mercado financeiro de outros países que ajudam no desenvolvimento nacional.

2.9.1 O BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um órgão do Governo Federal, considerado principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as extensões social, regional e ambiental.
Fundado em 1952, o BNDES destaca-se no apoio à agricultura, indústria, infra-estrutura e comércio e serviços, proporcionando condições especiais para micro, pequenas e médias empresas.
Segundo o BNDES(2008) o apoio se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco age no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.
A Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952, criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). O objetivo da nova autarquia federal era ser o órgão formulador e executor da política nacional de desenvolvimento econômico.
Numa primeira fase, o BNDE investiu muito em infra-estrutura, mas a criação de estatais aos poucos liberou o Banco para investir mais na iniciativa privada e na indústria. Durante os anos 60, o setor agropecuário e as pequenas e médias empresas puderam contar com linhas de financiamento do Banco.
Uma importante transformação no BNDE se deu em 1971, quando ele virou uma empresa pública. A mudança possibilitou maior flexibilidade na contratação de pessoal, maior liberdade nas operações de captação e aplicação de recursos e menor interferência política.
O Banco, nos anos 70, foi uma peça fundamental na política de substituição de importações. Os setores de bens de capital e insumos básicos passaram a receber mais investimentos, o que levou à formação do mais completo parque industrial da América Latina. Começaram os investimentos em áreas ainda incipientes, como a informática e a microeletrônica.
O início dos anos 80 foi marcado pela integração das apreensões sociais à política de desenvolvimento. A mudança se refletiu na denominação do Banco, que, em 1982, passou a se chamar Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Nos anos 90, o BNDES teve papel importante na privatização das grandes estatais nacionais. O Banco foi o órgão responsável pelo apoio administrativo, financeiro e técnico do Programa Nacional de Desestatização, iniciado em 1991.

2.9.2 BNDES e Responsabilidade Social

Como este trabalho tem por objetivo não apenas demonstrar a importância da imagem social para as organizações, mas também como podem beneficiar-se no que tange a busca de investimentos dos organismos de financiamento, apreciaremos prioritariamente o BNDES, considerado o principal agente financiador de longo prazo do Brasil que desempenha também o papel de disseminar e influenciar princípios e procedimentos éticos socialmente responsáveis, tanto no meio econômico quanto no setor público.
Segundo o IDIS (2006) o BNDES oferece, desde maio de 2006, uma linha de financiamento para projetos sociais. Este incentivo tem o propósito de estimular o desenvolvimento de iniciativas voltadas à agregação da variável social pelo setor corporativo, e é induzido muitas vezes pelo próprio BNDES, sendo estimulado principalmente como forma de corrigir eventuais impactos negativos que possam ser decorrentes da implantação dos empreendimentos.
Conforme o BNDES(2008) o século 21 começou com a consolidação da vertente social na missão do Banco, que é promover a competitividade da economia brasileira, de forma agregada à sustentabilidade, à geração de emprego e renda e à redução das desigualdades sociais e regionais.
De acordo com o Instituto Fonte(2008) a Linha de Investimentos Sociais de Empresas é uma evolução do antigo Programa de Apoio ao Investimento Social (PAIS). Desde a criação da linha, R$ 265 milhões foram investidos em 122 operações de cunho social. Os recursos foram aplicados em projetos e programas de qualificação social voltados tanto para o âmbito interno da empresa (ações cujos públicos são funcionários, seus dependentes ou familiares; empregados de fornecedores e clientes) quanto para a comunidade (coligados a políticas públicas de diferentes níveis federativos).
Conforme o Instituto, as duas espécies de públicos-alvo condicionam duas vertentes da linha de financiamento, com condições distintas, embora ambos estabeleçam prazos de até 96 meses para pagamento, compreendendo carência de 24 meses.
Em média, os empréstimos giram em torno de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões. Mas não há alcance pré-estabelecido. O teto depende do próprio investidor, que apresenta o projeto e aguarda a avaliação dos técnicos.
Os dois maiores projetos sociais já financiados pelo BNDES foram um da Veracel Celulose, com investimento social de R$ 22,6 milhões (sendo R$ 19,7 financiados pelo banco), e outro da Cia. Brasileira de Distribuição, com financiamento total de R$ 15,5 milhões.(Instituto Fonte, 2008)
Ainda segundo o Instituto Fonte(2008) a criação de linhas de financiamento bancário exclusivas para investimento social acompanha o desenvolvimento da responsabilidade social no meio corporativo. Tanto a International Finance Corporation (IFC) do Banco Mundial, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento estão utilizando instrumentos similares ao do BNDES.
Desta forma reitera-se a importância de um conjunto de normas que possam orientar as organizações nas questões referentes à Responsabilidade social, tanto pela tendência mundial como pela necessidade daquelas que buscam investimentos junto à órgãos de financiamento, tamanha importância do termo Desenvolvimento sustentável nos dias atuais.

CAPÍTULO 3

Metodologia
A metodologia envolve a pesquisa e análise por diversos meios pelos quais se permita adquirir conhecimento científico, de forma a obter um conjunto de princípios e procedimentos aplicados para que se possa construir, de modo ordenado e seguro, os conhecimentos adquiridos.
Segundo Traldi e Dias (2009, p.5) os trabalhos monográficos necessitam de um certo rigor metodológico, pois não podem ser submetidos a pura espontaneidade criativa de quem os elabora.
Portanto, com o propósito de atingir os objetivos traçados para este trabalho e buscar conhecimentos significativos que permitissem conhecer os principais aspectos relacionados ao tema de estudo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, sendo utilizados livros e artigos científicos relacionados aos conceitos e demais aspectos envolvidos pelo tema, bem como, informações disponíveis on-line.

CAPÍTULO 4

Análise e Discussão dos Resultados
Inicialmente percebeu-se que existe verdadeiramente uma grande preocupação por parte de toda a sociedade com as questões inerentes à Responsabilidade Social. Estas questões têm provocado debates envolvendo países de enorme influência na economia mundial, o que dá ainda mais força e credibilidade ao assunto.
Neste contexto, segundo Savitz (2007, p.2) a Sustentabilidade se originou da conscientização crescente, durante a década de 1980, de que os países precisavam descobrir maneiras de promover o crescimento econômico sem destruir o meio ambiente e prejudicar futuras gerações.
Contudo as atividades organizacionais promovem a interseção entre os interesses de negócios e os interesses do meio ambiente e da sociedade, assim as empresas sustentáveis tem oportunidade de alcançar maior sucesso no futuro, podendo continuar prósperas ao longo de décadas e gerações.(Savitz, 2007, p.2)
Ao passo que prossegue a evolução da Sustentabilidade, a imagem de que o lucro é o único propósito das empresas começa a ser questionada, validando a idéia das empresas possuírem outros objetivos igualmente importantes.
Desta forma, é nítida a preocupação das organizações em refletir sobre os impactos de seus atos e incluir a sociedade como um todo nas suas tomadas de decisões. Esta preocupação faz com que se retomem assuntos antes sem a devida relevância, como o contexto de Responsabilidade social e Ambiental.
De acordo com Ashley(2006,p.56) o conceito de Responsabilidade Social corporativa não pode ser reduzido a uma dimensão social da empresa, mas interpretado por meio de uma visão integrada de dimensões econômicas, ambientais e sociais que se relacionam.
Por isso a importância de se diferenciar a abordagem tradicional de gestão, que busca a maximização pura e simples dos lucros, da abordagem ecocêntrica que leva em conta as relações recíprocas entre ser humano e natureza.

Desta maneira, para Aktouf (2004, p.253) existem soluções para todos os problemas de cidadania das empresas, bem como equilíbrio entre fatores de produção, melhoria da natureza e do cidadão além de uma melhor partilha das riquezas produzidas.
Segundo o autor o que falta é a aceitação, pelos dirigentes políticos e econômicos envolvendo as mudanças radicais que as soluções implicam nos níveis de análise da prática econômica, em nível mundial, macroeconômico, mesoeconômico e microeconômico.
O nível mundial envolve principalmente a categoria das multinacionais e sua influência no mercado mundial, enquanto a macroeconomia analisa as variáveis globais tais como produção, desemprego, taxas de juro, de câmbio e níveis gerais de preço. Já a Microeconomia estuda o comportamento das unidades individuais em relação à empresas e consumidores, considerando-as tanto isoladamente como nas relações mútuas. Por conseguinte mesoeconomia compreende o nível intermediário entre o macro e o microeconômico e envolve setores como da saúde, educação, transporte, cultura, comunicações, que tem por finalidade garantir a dignidade do cidadão.
Já de acordo com Ashley (2006, p.8) só é possível entender como as organizações põem em prática suas responsabilidades perante os stakeholders se levar-se em conta que toda organização faz parte de um contexto sociocultural mais amplo, o qual determina de modo importante tanto suas atividades quanto a relação com o ambiente sociocultural.
Para a autora há sempre um contexto que influencia as organizações, tornando a administração culturalmente condicionada e sujeita aos valores, princípios e tradições da sociedade em que se insere.
Quando dizemos que a responsabilidade social das empresas tem sua interpretação condicionada pela cultura empresarial e nacional, estamos falando de cultura tal como é entendida pelos antropólogos, ou seja, um sistema específico de valores e visões de mundo em cujo contexto se dão as ações e práticas de determinada sociedade.(ASHLEY, 2006, p.9)
Desta forma é estritamente necessário que as empresas possam engajar os conceitos de Responsabilidade Social na sua cultura organizacional.
Não há indivíduos, empresas ou países sem cultura. Toda sociedade funciona de acordo com princípios, valores e tradições culturais específicas que determinam os pensamentos e comportamento de indivíduos, grupos e instituições, entre as quais se incluem, necessariamente as organizações e o mundo dos negócios em geral.(ASHLEY(2006,P.10)
E completa:
Além de princípios éticos e valores morais, temos também princípios e valores culturais influenciando os modos de ação e práticas administrativas e, portanto, o modo como a responsabilidade social corporativa é concebida e implementada em determinada sociedade. (ASHLEY, 2006, p.10)
Entretanto é notório certo despreparo das organizações em lidar com este tema, fato este que fez com que a ISO decidisse se envolver com a questão. Sendo assim, com o enorme poder de influência que esta instituição possui, a Responsabilidade social pode estar definitivamente sendo absorvida por uma grande parte das organizações em várias partes do mundo.
Deste modo a ISO 26000 vem a ser um guia completo que possa orientar as organizações que buscam a Responsabilidade Social.
De acordo com o Instituto ETHOS (Ferroni, 2008, p.8) o processo de elaboração da ISO 26000 configura um autêntico mutirão internacional, ao qual se afinam as visões nacionais (ou institucionais) e as visões de cada grupo de stakeholder.
Segundo o Instituto apesar do aumento constante no número de participantes, ainda há desafios a enfrentar para obter uma presença ampla e efetiva da comunidade internacional. Entre os obstáculos destacam-se a barreira de idiomas, que se procura transpor com força-tarefa de tradução, bem como o desnível de experiências no trato de assuntos referentes à Responsabilidade Social, além do custo das viagens internacionais, em média duas por ano.
Porém, a partir do momento que as organizações e os países passam a investir em temas como este, desfrutam rapidamente de uma grande vantagem competitiva no mercado, devido à grande preocupação da própria sociedade com temas como o aquecimento global, ecologia, meio ambiente, os direitos humanos e a relação trabalho e bem estar.
Contudo, é necessário que as organizações possam planejar essas ações proporcionalmente conforme seus recursos e o impacto que gera na comunidade, porém as empresas procuram usufruir de algumas vantagens que não só a imagem social, mas também a busca por novos investidores e o auxílio de órgãos de financiamento.
Portanto as organizações que buscam realmente o titulo de socialmente responsáveis devem promover ações e atitudes devidamente projetadas de acordo com um planejamento específico. Assim, conseguirão atingir não só os seus objetivos, mas também os anseios de todos os envolvidos na sua cadeia de relacionamentos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A busca por um planeta sustentável tem sido uma grande preocupação da sociedade nas últimas décadas. Esta temática tornou-se tão importante a ponto de conseguir unir vários países em prol de um objetivo: fazer das organizações as grandes protagonistas desta luta, tornando-as parte de um contexto de um mundo mais justo e humanizado.
Os conceitos de Sustentabilidade e Responsabilidade Social defendidos por vários autores e discorridos exaustivamente neste trabalho provam que este tema vem se destacando consideravelmente no meio empresarial. Desta forma tornou-se praticamente uma unanimidade a importância desse paradigma para a sobrevivência de uma organização num mercado altamente globalizado e competitivo.
Tanto que o envolvimento da ISO com este tema demonstra a importância com que as nações têm tratado o assunto, visto a participação cada vez maior dos países na elaboração da ISO 26000.
Essa afirmação corrobora com um dos objetivos deste trabalho, que foi justamente mostrar a importância de um conjunto de normas que possa orientar as organizações nas demandas referentes à Responsabilidade Social, bem como determinar a tendência de um futuro social e ambientalmente responsável nas empresas de todo o mundo.
Logicamente as organizações tendem a buscar naturalmente um retorno perante as ações de Responsabilidade Socioambiental, visto que a maximização dos lucros ainda é uma das grandes metas das empresas, por isso pretendeu-se analisar a relevância das normas da ISO 26000 para as organizações que buscam financiamentos de organismos de investimento, além da imagem social.
Vimos que as empresas podem adquirir enormes vantagens competitivas perante o mercado, e não somente pelo Marketing positivo que essas ações trazem à sua imagem, mas também nos anseios financeiros que as organizações possam ter na busca de financiamentos, chegando a ser ponto decisivo para órgãos como o BNDES.
Portanto as empresas estão sendo exigidas pela própria sociedade a incorporarem em suas estratégias objetivos que sejam compatíveis com seu crescimento econômico e bem-estar da comunidade, cuidando do planeta para que tenhamos gerações futuras saudáveis e mais humanizadas.
Sugestões e Limitações
Limitações: Durante o desenvolvimento deste trabalho encontrou-se alguns obstáculos pelo fato da ISO 26000 tratar-se de um assunto novo e em desenvolvimento.
Sugestão de um modelo para a prática de Responsabilidade Social nas Pequenas e Médias Empresas
Um dos objetivos deste trabalho é sugerir um modelo que auxilie o futuro social e ambientalmente responsável para o sucesso das organizações. Desta forma pretende-se mostrar a importância das pequenas e médias empresas nas questões de Desenvolvimento sustentável.
Segundo Grayson e Hodges (2003, p.193) os temas emergentes de gestão têm repercussão não só nas grandes multinacionais visto que há uma explosão de pequenas empresas, alimentadas pelas mesmas forças de mudança.
Para os autores as pequenas empresas precisam agir diante dos temas emergentes de gestão e das expectativas dos acionistas do mesmo modo que as empresas maiores, mesmo tendo necessidades financeiras e gerenciais diferentes.
Contudo, é indispensável que exista primeiramente a vontade dos gestores em inserir o tema na organização, sendo que é necessário percorrer um bom caminho até que os conceitos de Responsabilidade social estejam engajados na própria cultura da empresa, fortalecendo a idéia de que o desenvolvimento sustentável começa de ações internas para posteriormente torná-las externas.
A seguir, nos quadros 3 e 4, um modelo para auxiliar na organização de idéias que se possa começar a planejar e projetar a Responsabilidade Socioambiental na Empresa, incluindo-a na missão e na cultura organizacional.

ABSTRACT

The present work had as objective main to study the main aspects and concepts that involve thematic around the Social Responsibility and the sustainable Development. Intention was to demonstrate the trend that involves the society next to the organizations for an ambiently responsible world. For in such a way, the work it discourses on ISO 26000, that one is about a set of norms that it intends to standardize the actions and to guide the implantation of projects of social responsibility for the companies, indifferent of transport or type. Moreover, the work searches to demonstrate the importance given to the politics of Social Responsibility in the companies for financing agencies as the BNDES. In such a way, for the concretion of this study a bibliographical research was become fulfilled, through books and scientific articles related to the concepts and too much involved aspects for the subject, as well as, available information on-line.
Word-keys: ISO 26000, Social Responsibility, Sustainability.

REFERÊNCIAS

ALIGRERI, Lílian; ALIGRERI, Luiz Antônio; KRUGLIANSKAS, Isak. Gestão socioambiental: responsabilidade e sustentabilidade no negócio. São Paulo: Atlas, 2009
AKTOUF, Omar Pós-Globalização, administração e racionalidade econômica: A síndrome do Avestruz. São Paulo: Atlas, 2004.
ASHLEY, Patrícia Almeida. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2006
BNDES Banco Nacional do desenvolvimento, 2009. Conceitos, linhas de financiamento, fundo social. Disponível em: Acesso em 20 out. 2009.
Ecodesenvolvimento.org, 2009, ISO 26000. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2009.
GRAYSON, David. Compromisso social e Gestão empresarial. São Paulo: Publifolha, 2003
IDIS. Instituto para o Desenvolvimento do Investimento social, 2006. Linha de financiamento do BNDES, Disponível em: Acesso em: 16 set. 2009.
INMETRO. Instituto Nacional de metrologia, normalização e qualidade industrial, 2008. Responsabilidade social e ISO 26000. Disponível em: Acesso em: 09 set. 2009.
INMETRO Norma nacional ABNT NBR 16001, 2006. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2009.
INSTITUTO FONTE. Linhas de financiamento social, BNDES, 2007. Disponível em Acesso em: 20 out. 2009.
Livro verde – Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas COM(2001) 366, Julho de 2001. Disponível em: MDS (Ministério do desenvolvimento social e combate à fome) (2009) ISO 26000. Disponível em: OLIVEIRA, José Antônio Puppin de. Empresas na sociedade: sustentabilidade e responsabilidade social. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008
SAVITZ, Andrew W. A empresa sustentável: O verdadeiro sucesso é lucro com responsabilidade social e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007
TRALDI, Maria Cristina; DIAS, Reinaldo. Trabalho de Conclusão de Curso. Campinas: Alínea, 2009.

LANÇAMENTO DA 1º EDIÇÃO DO GUIA TURÍSTICO AMIGO GLBT 1/2

Priscyla Nelina dos Santos Batista
Estudo de caso: Evento de lançamento da 1ª edição do Guia Turístico Amigo GLBT – João Pessoa – PB
Prof. Dr. Severino Alves de Lucena de Filho
Orientador
João Pessoa – Paraíba
2007

RESUMO

A proposta do presente trabalho tem como objetivo principal, analisar a eficácia dos eventos como ferramenta de Marketing promocional, para tanto, esta foi baseada em um estudo de caso sobre o evento de lançamento do Guia Turístico Amigo do GLBT de João Pessoa – PB. Este tema se apresenta atualmente como uma das estratégias de maior crescimento do composto promocional, mesmo sendo esta área pouco focalizada na literatura mais recente de Marketing. Como formas de complementaridade da experiência empírica foram feitas pesquisas bibliográficas com fontes voltadas, direta e indiretamente, à estratégia do estudo, buscando dar referencial teórico, para que os objetivos fossem atingidos. Os resultados do estudo mostraram que o evento foi um instrumento eficaz para a apresentação do novo produto, que devido a sua sinergia, alcançou todo o seu potencial em virtude da participação dos formadores de opinião com poder de propagar a idéia do projeto e influenciar sua adoção no mercado, como também promoveu o desenvolvimento turístico local com a inclusão social.
Palavras-chave: Evento, Marketing Promocional, Turismo GLBT.

ABSTRACT

The proposal of the present work is to analyze the effectiveness of events as a tool of promotional marketing, for in such a way, this was based on a case study of the launching of the Amigo do GLBT Tourist Guide – João Pessoa – PB. This subject is currently one of the biggest strategie in growth of the promocional composition, this area still is being little focused in most of the recent Marketing literature. As a complement of the empirical experience, bibliographical research with directly and indirectly sources from the strategy of the study has been made, searching to give theoretical referential, so that the objectives would be reached. The results of the research has shown that the event was an efficient instrument for the presentation of the new product, and it reached all of its potential in virtue of the participation of people with the power to propagate the news and to influence its adoption by the market, it also promoted the local tourism development with social inclusion.
Key Words: Events, Promotional Marketing, Tourism GLBT

SUMÁRIO

RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE QUADROS
LISTA DE FIGURAS
CAPÍTULO I
1 INTRODUÇÃO
1.1 A Estrutura do Trabalho
1.2 Relevância do Estudo
1.3 Objetivos da Pesquisa
1.4 Delimitação do Estudo
CAPÍTULO II
2 METODOLOGIA
2.1 O Tipo de Pesquisa
2.2 O Método de Pesquisa
2.2.1 O método do estudo de caso
2.2.2 O universo da pesquisa
CAPÍTULO III
3 EVENTOS
3.2 Conceitos
3.3 Classificação e Tipologia
3.3.1 Classificação
3.3.2 Tipologia
3.4 Públicos
3.5 Criatividade
CAPÍTULO IV
4 MARKETING
4.1 O que é Marketing?
4.2 Mix de Marketing
4.3 – Evento como Ferramenta de Marketing Promocional
CAPÍTULO V
5 Turismo Segmentado
5.1 Turismo GLBT
5.2 Mercado Turístico GLBT de João Pessoa
Capítulo VI
6 ANÁLISE DO ESTUDO DE CASO
6.1 O Guia Amigo do GLBT de João Pessoa PB
6.2 Ações
6.2.1. Coleta de Dados e Formatação do Projeto
6.2.2 – Elaboração do Layout do Guia
6.2.3 – Contato com as Empresas
6.3 O Evento de Lançamento
6.3.1 As Ações de Comunicação para o Evento
7 CONSIDERAÇÕES
REFERÊNCIAS
ANEXOS

LISTA DE QUADROS

Quadro I – QUADRO I -CRONOGRAMA DAS AÇÕES
QUADRO II QUADRO DE EMPRESAS PARCEIRAS
QUADRO III QUADRO DE APOIOS

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Logomarca do Guia
Figura 2 Capa e Tela de Clóvis Júnior
Figura 3 Nota da revista G Magazine

CAPÍTULO I

1 Introdução

O movimento GLBT1 Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros há décadas gera polêmicas e discussões em vários setores da sociedade em nível mundial, gerando e provocando ações e projetos de políticas públicas com grandes conquistas sociais e políticas para o segmento.
A homossexualidade passou a ser foco das atenções depois da conscientização da comunidade GLBT como grupo social2, e entre outros motivos, o fato de empresários perceberem esse segmento como consumidores potenciais dos seus produtos ou serviços.
O Turismo GLBT, enquanto mercado, tem mostrado seu potencial bastante relevante e para entendê-lo melhor é preciso abandonar os preconceitos, no chamado Turismo tradicional. O maior responsável por tal postura, certamente, é a falta de conhecimento, que leva a opiniões equivocadas e conceitos distorcidos, confundindo-o, algumas vezes, como Turismo sexual.
Pelo perfil desse público, percebe-se que boa parcela dos estabelecimentos comerciais demonstra interesse em ter o segmento GLBT como consumidores, porém receiam ter seu nome diretamente associado e limitado a esse público e, pelo preconceito ainda existente, fazendo-os perder sua clientela heterossexual.
Conscientes de que o público GLBT não pode ser mais ignorado e da necessidade de esclarecimentos sobre o assunto, alunos da disciplina de Organização de Eventos do curso de Turismo habilitação em Marketing Turístico – da Universidade Federal da Paraíba, sob a orientação do professor Dr. Severino Alves de Lucena Filho, desenvolveram o Guia Turístico Amigo do GLBT da cidade de João Pessoa – Paraíba, com objetivo principal de disponibilizar aos turistas que visitam João Pessoa um guia de opções de locais e empresas receptivas ou direcionadas para o segmento GLBT.
Como importante veículo de divulgação direcionado para o segmento, bem como instrumento de esclarecimento para a sociedade e empresas do trade turístico, o Guia Turístico Amigo do GLBT volta-se à desvinculação de qualquer preconceito existente, catalogando os locais e estabelecimentos que apresentam boa receptividade ao turista, sem distinção de opção sexual, religião ou raça, respeitando a individualidade de todos.
A fim de ressaltar a importância e o intuito do projeto, foi promovido um evento de lançamento da 1ª edição do Guia Amigo GLBT para os formadores de opinião da localidade. Neste sentido, o presente trabalho busca analisar e compreender a eficácia do evento como ferramenta de marketing promocional para produtos turísticos.

1.1- A Estrutura do Trabalho

O capítulo I apresenta de maneira geral o problema de pesquisa, objetivos que pretende alcançar, bem como a importância do objeto estudado e sua delimitação. Já no capítulo II destaca-se a metodologia da pesquisa a ser empregada, buscando especificar o tipo, o método e seu universo. Os eventos serão abordados em diversos aspectos, tais como: história, conceitos, classificação, tipologia e os seus diferentes públicos, no decorrer do capítulo III. No capítulo IV procuramos reforçar o referencial teórico para o estudo de caso, pesquisando sobre o Marketing, o Mix de Marketing e o evento como Marketing Promocional, assim como a criatividade como fator indispensável para a organização de eventos.
No capítulo V discutiremos a segmentação como conceito moderno do marketing, analisado pela ótica do Turismo, dando enfoque ao segmento GLBT e o seu atual cenário na cidade de João Pessoa. O resultado do estudo de caso empírico será analisado no capítulo VI, procurando estabelecer relações entre o objeto estudado e o aparato teórico utilizado. Logo após a análise do estudo de caso apresentam-se as considerações, onde estão sistematizados os principais resultados obtidos sob a forma de conclusão. A seguir elencamos as referências selecionadas e utilizadas na condição de apoio teórico.

1.2 Relevância do Estudo

De um modo geral, a democratização relacionada às identidades de gênero tem se acentuado nas últimas décadas. Temos visto uma transformação dos discursos científicos, das legislações nacionais e das práticas sociais que definem a identidade social e a cidadania dos homossexuais e de outros grupos oprimidos. Esses novos espaços conquistados só foram possíveis através da militância que se organizou em torno das demandas deste segmento e que aos poucos foi politizando novas questões e produzindo antagonismos sociais anteriormente impensáveis.
Seguindo esta tendência, a importância do tema decorre do fato observado, empiricamente, que o Guia Amigo do GLBT e o evento de lançamento do mesmo colaboraram para uma maior discussão e conseqüentemente conscientização sobre o tema da homossexualidade no mercado turístico na cidade de João Pessoa PB.
Os resultados da conquista obtida pela equipe gestora, com o apoio dos órgãos públicos e da iniciativa privada, abraçando uma idéia que traz consigo o desenvolvimento turístico local com a inclusão social; a desmistificação de preconceitos sobre diversidade sexual, contribui assim para mobilizar a interação universidade e sociedade; motivando-nos de fazer parte do futuro do mercado profissional, bem como de sermos cidadãos capazes de transformar, de forma positiva, a realidade social.

1.3 Objetivos da Pesquisa

Com relação ao objetivo geral, este trabalho analisa um estudo de caso sobre: O evento de lançamento do Guia Turístico Amigo do GLBT como ferramenta de marketing promocional.
Quanto aos objetivos específicos, o estudo visa:
contribuir para o debate da utilização do evento como estratégia do marketing promocional para o turismo;
analisar a criatividade como fator indispensável para a elaboração de eventos;
promover o desenvolvimento turístico local com a inclusão social;
amenizar os preconceitos sobre diversidade sexual.

1.4- Delimitação do estudo

O atual trabalho de conclusão de curso constitui-se de um estudo de caso que é, segundo YIN (2001), utilizado para melhor compreensão dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos. A necessidade da utilização do estudo de caso consiste na análise de compreender os fenômenos sociais complexos. O estudo do evento como ferramenta do composto promocional é uma área ainda pouco focalizada na literatura mais recente de Marketing, embora conscientes de que devem atrair, de modo contínuo os turistas, muitos destinos, atrativos e equipamentos, por vezes, desconhecem a importância de eventos para esse fim, que trazem muitas possibilidades de promoção da imagem. Este projeto discutirá os benefícios decorrentes da promoção dos mesmos e, como caso específico, analisaremos o evento de lançamento do guia Amigo GLBT.

CAPÍTULO II

2 Metodologia

Uma pesquisa deve pressupor uma metodologia que dê sustentação teórica ao tema abordado na investigação, de modo que os objetivos delimitados possam ser alcançados com êxito (MATTAR, 2001). O estudo constitui-se de caráter exploratório, numa abordagem qualitativa. Como estratégia de pesquisa, optou-se pelo método de estudo de caso. As etapas metodológicas desta pesquisa foram estabelecidas de forma sistemática, visando a consecução de resultados satisfatórios.

2.1 Tipo de pesquisa

Inicialmente a familiarização com o tema em questão deu-se dentro das atividades programáticas da disciplina Organização de Eventos Habilitação em Marketing Turístico do curso de Turismo da Universidade Federal da Paraíba onde a idéia da criação do guia turístico da cidade de João Pessoa sobre a temática GLBT foi sugerida e apresentada pelo Prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho. Realizado todo o projeto do guia e do evento, surgiu interesse de aprofundamento na temática por meio do Projeto de Conclusão de Curso, para tanto foi realizada uma pesquisa qualitativa, bem como levantamentos de autores e obras que se referem às áreas do Marketing e eventos.
A pesquisa qualitativa, geralmente, não emprega instrumento estatístico, para análise dos dados; seu foco de interesse é amplo e parte de uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Dela faz parte a obtenção de dados descritivos, mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo.
Segundo MATTAR (2001, p.18) as pesquisas qualitativas são exploratórias, porque visa promover o pesquisador de um maior conhecimento sobre o tema, ou problema de pesquisa em perspectiva. A abordagem exploratória, com base em dados primários e secundários, deu-se a partir de revisão bibliográfica, levantamento de informações e dados em revistas especializadas, sites de internet e jornais.

2.2- Método de pesquisa

2.2.1 – O Método do estudo de caso

A pesquisa foi desenvolvida pelo método do estudo de caso, categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Lazzarini (1997, p.21) ressalva, entretanto, que:
Tal compreensão, para fins de pesquisa, não deve ser buscada sem que haja retroalimentação de um corpo teórico que necessite de consolidação e/ou aperfeiçoamento. Assim sendo, o estudo de caso é particularmente aplicável quando se deseja obter generalizações analíticas, e não estatísticas, que possam contribuir para um certo referencial teórico. Sem este enfoque, o estudo de caso acaba tornando-se apenas uma história bem contada.
Para se discutir o método do estudo de caso três aspectos devem ser considerados: a natureza da experiência, enquanto fenômeno a ser investigado, o conhecimento que se pretende alcançar e a possibilidade de generalização de estudos a partir do método. Quanto à natureza da experiência, para Stake apud Denzin e Lincoln (2000) o que é condenado no método é justamente o aspecto mais interessante de sua natureza: ele está em harmonia com a experiência daqueles que com ele estão envolvidos e, portanto, para essas pessoas constitui-se numa base natural para generalização. Isto é especialmente importante na área de ciências sociais onde os estudos estão fundamentados na relação entre a profundidade e tipo da experiência vivida, a expressão desta experiência e a compreensão da mesma.
Quanto ao tipo de conhecimento que se pretende adquirir, Stake apresenta a diferença entre explanação e compreensão de um fenômeno. No método do estudo de caso a ênfase está na compreensão, fundamentada basicamente no conhecimento implícito que, segundo o autor, tem uma forte ligação com intencionalidade, o que não ocorre quando o objetivo é meramente explanação, baseada no conhecimento proposicional. Assim, quando a explanação, ou a busca de um conhecimento proposicional, seja o cerne de um estudo, o estudo de caso pode ser uma desvantagem, mas quando o objetivo é a compreensão, ampliação da experiência, a desvantagem desaparece.
Quanto à possibilidade de generalização a partir do método de estudo de caso, deve-se levar em consideração que o caso é uma unidade de análise. A utilização de um único caso é apropriada em algumas circunstâncias: quando se utiliza o caso para se determinar se as proposições de uma teoria são corretas; quando o caso sob estudo é raro ou extremo, ou seja, não existem muitas situações semelhantes para que sejam feitos estudos comparativos; quando o caso é revelador, ou seja, quando o mesmo permite o acesso a informações não facilmente disponíveis (STAKE apud DENZIN e LINCOLN, 2000, p. 135); quando se pretende reunir, numa interpretação unificada, inúmeros aspectos de um objeto pesquisado (MATTAR, 2001).

2.2.2 O universo da pesquisa

O objeto estudado foi o evento de lançamento do Guia Turístico Amigo do GLBT da cidade de João Pessoa PB e sua escolha deu-se mediante a nossa vivência com a produção do guia, bem como do reconhecido sucesso e eficácia do evento de lançamento como estratégia de marketing promocional. Este fato afirma a tendência atual onde eventos são vistos como importante ferramenta de comunicação e sinergia, usada de maneira estratégica pelas organizações para formar e consolidar imagem e para aproximar a marca de seus públicos, propiciando um excelente canal de relacionamento.

CAPÍTULO III

3 – EVENTOS

3.1 Histórico

Pela sua natureza desbravadora o homem reconheceu que existiam outros espaços além do seu habitual, e que poderia deslocar-se para estes, pelas mais diversas razões. A partir do interesse do ser humano em buscar situações de descobertas e grandes acontecimentos, surge o Turismo. É nesse momento que os eventos tornam-se um elemento propulsor da atividade turística, pois já no primeiro registro, que foram os primeiros Jogos Olímpicos da Era Antiga, datados de 776 a.C, envolvem o deslocamento de muitas pessoas, marcando-o como o primeiro grande evento de massa.
Os Jogos Olímpicos ou Olimpíadas eram realizadas a cada quatro anos, originalmente conhecidos como Festival Olímpico, faziam parte dos quatro grandes festivais religiosos pan-helênicos celebrados na Grécia Antiga e eram assistidos por visitantes vindos de todas as cidades-estado que formavam o mundo grego. Sediado na cidade de Olímpia, os jogos tinham caráter religioso, homenageando Zeus3. Um dos grandes legados dessa época para o Turismo foi o espírito da hospitalidade que se desenvolveu a partir de uma crença em que Zeus disfarçava-se de participante das reuniões, e por isso os gregos recebiam todos os participantes de maneira cordial, porque entre eles, poderia estar o deus. Os Jogos também deixaram como herança a infra-estrutura de acesso, os espaços construídos para os eventos, bem como incentivaram a realização de outras atrações nas demais cidades gregas.
Na Antiguidade também eram realizados outros tipos de eventos, como por exemplo, as Festas Saturnálias4, das quais derivam o carnaval. Neste mesmo período ocorreram as primeiras segmentações de eventos, entre eles, o congresso e a conferência.
A Idade Média foi de pouca expressão para o desenvolvimento do Turismo de lazer, decorrente da falta de segurança nas estradas, entretanto, foi marcada por uma série de eventos religiosos e comerciais, já que esses possuíam caráter de necessidade. Os concílios e as representações teatrais eram os principais tipos de eventos religiosos da época, que eram organizados para afirmar e preservar o poder da Igreja. As feiras comerciais surgiram do interesse de efetuar negócios, conhecer as novidades e até mesmo estabelecer contato com outros povos. Os eventos comerciais duravam de seis a sete semanas, isso movimentava o mercado interno praticamente o ano inteiro, o que os levou a tomar tamanha proporção a ponto de criar um mercado internacional, capaz de atrair um grande número de pessoas e gerar muita riqueza. Nos países onde eram realizadas as feiras, a influência ocorreu não só no intercâmbio interno, como também no processo civilizador que acompanha o contato com as novidades.
Com o declínio da Idade Média, muitos artistas, artesãos, músicos e poetas programaram suas viagens a fim de mostrar seus trabalhos, o que favoreceu os eventos de cunho cultural. Nessa mesma época, iniciam-se as viagens chamadas Grand Tours. Essas viagens eram restritas principalmente aos filhos de famílias ricas, com propósitos educacionais, dessa forma, o interesse pela interação cultural fomentou os eventos locais. A partir dessas viagens foram se popularizando e originando as casas de hóspedes, pousadas e alojamentos. Outro ponto a destacar é o papel da imprensa nessa época, quando produziram os primeiros textos sobre as viagens, sendo distribuídos em todos os locais da Europa. Essas primeiras publicações serviam para despertar o interesse de viajar nas pessoas.
Com a Revolução Industrial, as técnicas e instrumentos inovadores, o desaparecimento dos pequenos proprietários e o desenvolvimento do sistema capitalista favoreceram o crescimento do êxodo rural. Isso formou nas cidades um grande contingente de mão-de-obra barata, causando a exploração dos trabalhadores, como as grandes jornadas de trabalho diárias, etc. Mas os trabalhadores lutaram por seus direitos através de organizações trabalhistas e conseguiram alcançar vitórias como o direito a férias (VICENTINO, 1997). Assim o Turismo se desenvolveu de fato, pois além de utilizar o trem e o navio, desenvolvidos pela industrialização, essa nova sociedade industrial deu aos trabalhadores mais tempo livre e direito às férias remuneradas. Todas essas transformações conquistadas refletiram também nos tipos de eventos realizados nessa época, causando o surgimento dos eventos científicos e técnicos. Para Miyamoto (1987), eventos científicos são aqueles promovidos por entidades ligadas ao ramo das ciências naturais e biológicas. Já os eventos técnicos, ainda segundo o mesmo autor, são os realizados por entidades ligadas às ciências exatas e sociais. Nesse mesmo período, dá-se início a comercialização do Turismo pelo inglês Thomas Cook, quando em 1841 este organizou uma viagem de trem com o objetivo de levar um grupo para participar de um encontro anti-alcoólico, o que caracteriza uma viagem de Turismo de Eventos. Com o sucesso dessa primeira experiência, surgem idéias de criar oportunidades e eventos que chamassem atenção das pessoas despertando o desejo de participarem de promoções, sendo os eventos um importante expositor, já que foram organizadas feiras e exposições de âmbito universal, Camargo, (2000, p. 50) afirma:
A montagem de pavilhões, de cidades efêmeras destinadas aos objetos e a abrir estas festas de povos, grandes eventos de massas, não apenas animaram os deslocamentos e concentração turística, mas geraram alguns sítios e monumentos significativos, como atrativos para o turismo atual.
Basta citar a Torre Eiffel em Paris, que ressemantizou a cidade como um dos centros avançados da sociedade industrial.
No século XX, as alterações verificadas no Turismo foram também determinadas pelo desenvolvimento tecnológico e industrial que permitiram o surgimento e generalização de novos meios de transporte, como ocorreu após a II Guerra Mundial (1939-1945), “[…] quando as tecnologias desenvolvidas durante a Segunda Guerra são aproveitadas para fins pacíficos […]” (TRIGO, 2002, p. 20). Assim, o avião comercial e as viagens marítimas conseguiram ganhos surpreendentes, e também as telecomunicações, e outras tecnologias fizeram com que o Turismo e o Turismo de Eventos crescessem após a guerra.
O Turismo atual é concebido como uma rica e grandiosa “indústria” que se relaciona com todos os setores da economia, e é sem dúvida uma atividade socioeconômica de muita importância, haja vista que propicia a geração de bens e serviços para os seres humanos visando à satisfação de diversas necessidades básicas e secundárias. Ao longo do tempo, os eventos foram se firmando como sinônimo de sucesso, sendo um excelente meio de divulgação e proporcionando a troca de experiências que pode levar o enriquecimento do conhecimento. Dentro do panorama atual do Turismo a organização de eventos obteve um expressivo crescimento, assim sendo, é hoje muito mais do que uma atividade econômica é sim, um fenômeno social, característico da sociedade pós-industrial, que está presente na vida de todos que participam dela, mesmo na diferença de classes, grupos, etnias e nações.

3.2 Conceitos

A origem da palavra evento, vem do termo eventual, o mesmo que casual. Depois de várias análises sobre o conceito de eventos, encontramos duas definições que nos pareceram mais propícias para o profissional organizador de eventos: Evento é um componente do mix da comunicação, que tem por objetivo minimizar esforços, fazendo uso da capacidade sinérgica da qual dispõe o poder expressivo, no intuito de engajar pessoas, numa idéia ou ação. (GIÁCOMO, 2007). E para Melo Neto (2000), é qualquer fato que pode gerar sensação e, por isso, ser motivo de notícia (seja esta de cunho interno, ou externo).
Logo, entendemos evento como uma atividade que surgiu pela necessidade de interação social do homem. E seu desenvolvimento aconteceu principalmente por sua ampla tendência para troca de culturas, conhecimentos, técnicas, intercâmbios, além de gerar benefícios econômicos.
Como todas as formas de comunicação o evento tem sempre um objetivo à atingir, daí a importância do seu planejamento adequado e oportuno às características do público, do ambiente onde será realizado e do patrocinador. Para um planejamento de sucesso são muitas as variáveis a se considerar, entre elas: ter um objetivo, diagnosticar se o evento é o meio mais eficaz para se atingir o objetivo, se os recursos disponíveis são suficientes para o nível de qualidade desejado e se há tempo necessário para o cumprimento de todas as etapas, entre outras. A discordância desses elementos acarretará na ineficiência da estratégia, pois o público se sentirá frustrado e associará o fracasso do evento à marca e ao produto.
Já quando bem delineado e executado, além de facilitar a divulgação da marca, agregar valor e facilitar na conquista de novos clientes, o evento se torna um fato, tornando-se uma mídia eficiente e um elemento gerador de negócios e de notícia para a mídia geral. Essa nova tendência de utilizar os eventos como impulsionador de negócios, torna o Marketing de Eventos a modalidade de Marketing promocional de maior crescimento.
Mesmo diante de novos conceitos e números animadores, é preciso ficar atento e ser cauteloso. Afinal, para que o resultado de um evento seja positivo, tudo precisa estar delineado ao objetivo do cliente, à imagem do produto ou serviço e à valorização da marca. De nada adianta fazer o convidado se divertir e ir embora sem ouvir sobre seu produto ou serviço. Um bom evento deve ter começo, meio, fim e pós-evento, criatividade, planejamento, estratégia, foco, conteúdo e agregação de valor cultural.

3.3 Classificação e Tipologia

As classificações e tipologias de eventos são importantes para assimilar a amplitude que esses acontecimentos podem assumir e é muito importante principalmente na hora de decidirmos qual evento será executado para a idéia que tivemos. Na busca de um maior entendimento sobre a categorização dos eventos, pesquisamos vários autores, entre eles entendemos que Matias (2002) abrange o nosso objeto de estudo de forma mais satisfatória. Dessa forma utilizamos sua classificação e tipologia como aparato teórico para esse estudo.

3.3.1 Classificação

Existem várias formas de se classificar eventos, apresentamos a seguir a classificação proposta por Matias (2002) que se delineia em relação ao público e a área de interesse.
Enquanto ao público ele pode ser fechado e aberto:
Fechado quando ocorre dentro de determinadas situações específicas e com público-alvo definido, que é convocado e/ou convidado a participar.
Aberto quando propostos a um público, podem ser divididos em evento aberto por adesão e evento aberto em geral. O evento aberto por adesão é aquele apresentado e sujeito a um determinado segmento de público, que tem a opção de aderir mediante inscrição gratuita e / ou pagamento de taxa de participação. O evento aberto em geral é aquele que atinge a todas as classes de públicos.
Em relação à área de interesse, há diversos tipos de eventos que podem ser classificados:
Artístico: relacionado a qualquer manifestação de arte;
Científico: trata-se de assuntos referentes às ciências naturais e biológicas;
Cultural: ressalta os aspectos de determinada cultura, para conhecimento geral ou promocional;
Cívico: trata de assuntos ligados a pátria;
Desportivo: ligado a qualquer tipo de evento do setor esportivo, independente da sua modalidade;
Folclórico: trata de manifestações regionais de um país;
Lazer: proporciona entretenimento ao seu participante;
Promocional: promove um produto, pessoa, entidade ou governo, quer seja promoção de imagem ou apoio ao marketing;
Religioso: trata de assuntos religiosos;
Turísticos: explora os recursos turísticos de uma região ou país, por meio de viagens de conhecimento profissional ou não, entre outros.
Com base na classificação acima, o evento de lançamento do Guia Amigo GLBT de João Pessoa PB, quanto ao público classifica-se como fechado, por ter um público-alvo definido convidado a participar. Já de acordo com a área de interesse, denomina-se promocional, pois o intuito principal era lançar o Guia Amigo GLBT no mercado como produto turístico para o segmento GLBT, e conseqüentemente divulgar as potencialidades da cidade de João Pessoa como destino turístico.

3.3.2 Tipologia

Segundo Matias (2002), os eventos conforme suas peculiaridades podem ser classificados em diversos tipos, entre eles:
Conferência: caracteriza-se pela apresentação de um tema informativo (geral, técnico ou cientifico) por autoridade em determinado assunto para um grande número de pessoas. É uma reunião bastante formal, exigindo a presença de um presidente de mesa que coordenará os trabalhos. Não são permitidas interrupções e as perguntas são feitas no final da apresentação por escrito e com identificação;
Congresso: reuniões promovidas por entidades associativas que visam debater assuntos de interesse de determinado ramo profissional;
Coquetel: reunião de pessoas, cujo objetivo é a comemoração de alguma data ou acontecimento;
Encontro: reunião de pessoas de uma categoria, para debater sobre temas antagônicos, apresentados por representantes de grupos participantes, necessitando de um coordenador para resumir e apresentar as conclusões dos diversos grupos;
Fórum: reunião que visa conseguir efetiva participação de um público numeroso a fim de obter mais informações sobre determinado tema proposto;
Seminário: consiste em uma exposição verbal para pessoas colocadas no mesmo plano, cujos participantes possuem conhecimento prévio do assunto a ser exposto. Seu propósito é fornecer e somar informações de temas já pesquisados;
Roadshow: consiste na demonstração itinerante montada sobre um ônibus ou carreta, que se desloca para áreas geoeconômicas de determinado país ou estado, com o objetivo de informar e mostrar o potencial de uma organização, governo ou entidade, por meio da apresentação de fotos, gráficos, livros e vídeos, visando conquistar novos clientes;
Workshop: grupo de trabalho ou oficina. É uma reunião de especialistas para apresentação de novas técnicas, desenvolvimento de novos temas.
De acordo com a tipologia acima citada, o evento estudado se qualifica como um coquetel, já que foi realizada uma reunião para a comemoração do lançamento do projeto pioneiro em João Pessoa, o Guia Amigo GLBT.

3.4 Públicos

O estudo do público a que o evento se destina deve ser realizado ainda na fase do pré-evento, pois a partir dessa definição é que vai se embasar todo o planejamento das outras fases. O papel do público no sucesso dos eventos é de tal forma significativo que decide a existência do mesmo.
Uma das características dos eventos como ferramenta de promoção é a de que o público vai espontaneamente ao evento, travando uma relação aberta, natural e direta, o que conseqüentemente possibilita um comportamento de maior receptividade deste público com as mensagens e abordagens veiculadas e apresentadas nessas ocasiões.
Para Giácomo (2007, p.41), o público se divide em alvo e de interesse. O público-alvo é aquela fatia da população que se tem em mira para induzir ao consumo já o público de interesse é o eixo ao redor do qual os eventos devem traçar as suas estratégias. Desta maneira, para a autora, o termo público-alvo, pressupõe uma resposta de aceitação passiva à proposta de consumo. O sucesso de um evento, no entanto, exige uma aceitação/participação ativa e interessada do público, pois o “consumo” do evento não se resume ao simples impulso para a apropriação de um objeto. Giácomo (2007) reconhece que a quantidade de pessoas que participa de um evento, ainda que seja numericamente significativa, não representa necessariamente a presença de um “público de interesse”, este sim, com necessidades específicas e com a respectiva motivação, necessárias para o engajamento ativo a uma idéia ou ação proposta.
Tendo como embasamento a teoria de Giácomo (2007) sobre públicos, o evento de lançamento do Guia Amigo GLBT teve como público-alvo: jornalistas, professores e funcionários da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Secretaria de Turismo do Estado da Paraíba (Seted), Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR), Secretaria de Turismo de João Pessoa (Setur-JP), estudantes de Turismo, empresas parceiras do projeto, além de vereadores e deputados. Já como públicos de interesse estavam presentes as entidades de representação do movimento GLBT da cidade de João Pessoa e a própria comunidade GLBT.

3.5 Criatividade

Os eventos tornaram-se estratégias de comunicação de produtos e marcas de todos os tipos, mobilizam a opinião pública, geram polêmicas, criam fatos, tornam-se acontecimentos, despertam emoções nas pessoas, e por todos esses motivos Melo Neto (2000, p.23) afirma que O entretenimento é a nova indústria do terceiro milênio. O crescimento da atividade acompanha também a exigência por parte do mercado e o surgimento de novos conceitos que trazem sofisticação e resultados mensuráveis ao universo da criação de eventos. Qualquer que seja o acontecimento escolhido, cada vez mais, as empresas utilizam essa ferramenta para fazer com que seus públicos tenham experiência com a marca. Toda a sensação que um público tem em um evento é importantíssima, afinal elas serão lembradas como a experiência que uma determinada marca lhe oferece. Em um evento bem planejado, o público vivencia todos os benefícios que tal marca pode lhe trazer.
E para conseguir êxito num tempo de competitividade acirrada e transformações cada vez mais rápidas, as empresas precisam estar dispostas a ousar e inovar. O pensamento criativo é a única forma de romper com os velhos padrões.
Segundo Mirshawka e Mirshawka (1993, p.20), a criatividade é a capacidade de dar origem as coisas novas e valiosas, além disso, é a capacidade de encontrar novos e melhores modos para se fazer as coisas. Ainda segundo os autores, isso implica diversas qualidades:
Poder de fantasia que vá além da realidade, capacidade de descobrir relações entre as coisas, sensibilidade e força de percepção, certo grau de inquietude e anticonformismo, facilidade para imaginar hipóteses e audácia para empreender novos caminhos.
Outro aspecto interessante da criatividade é o fato de que não basta somente criar, gerar idéias, é preciso analisá-las e implementá-las. Também podemos percebê-la não somente como um instrumento de soluções de problemas, mas também como alavancagem de negócios e como habilidade necessária, devendo ser cultivada tanto do ponto de vista pessoal como organizacional.
Ainda de acordo com Mirshawka (1993, p.22), O ato criativo, implica três elementos: a pessoa criadora, o processo criativo e o objeto criado. A pessoa criadora é aquela que possui habilidade para traduzir as percepções e os entendimentos que estão ocultos, e com eles, fazer nascer uma nova idéia. O processo criativo é a trajetória que a nossa mente faz quando queremos gerar uma idéia ou resolvermos alguma coisa. Assim sendo, poderemos afirmar que este é a habilidade de desenvolvermos a qualidade do nosso pensamento. O objeto criado é a idéia concebida. É a constatação que aquela decisão é a melhor opção para o que desejamos.
O nosso processo de criação ocorre num contexto social, existindo, portanto, muitas variáveis que limitam a criatividade, podendo ter várias origens, mas independentemente desse aspecto, todas elas podem limitar o alcance de sua criatividade no ambiente de trabalho. Dentre elas pode-se destacar a timidez, a dificuldade em competir, a falta de abertura na comunicação e o processo oral deficiente.
A palavra criatividade, nos últimos anos vem sendo banalizada e utilizada em demasia. Isso provoca, como resultado, o entendimento que criatividade é algo de “esperteza” ou um “dom dos artistas e gênios”. Todavia, consideramos que a criatividade é o resultado da produção de novas idéias que são além de apropriadas, significativas e corretas. Com isto queremos dizer que, para algo ser criativo, tem de ser diferente do que foi feito antes, mas não pode ser meramente peculiar, tem de ter propósito, sentido e, evidentemente, ser orientado para algum objetivo.
Portanto, o sujeito criativo possui uma visão ampla tanto das necessidades de um determinado campo como das possibilidades de viabilização da sua criação. Desse modo, entendemos que a equipe gestora teve uma posição inovadora a partir do momento que detectou a importância de um guia que divulgasse João Pessoa, como um destino atento a esse crescente nicho de mercado, que é o Turismo segmentado GLBT. E mesmo com as dificuldades que sabíamos que iríamos enfrentar, sejam elas de cunho social ou financeiro, encontramos meios e soluções para a viabilização do projeto, tais como: agregação de valor cultural, por meio de parcerias com artistas locais, da música, das artes plásticas e do designer gráfico; apoio das ONG´s representantes das classes homossexuais da cidade, assim como do Governo do Estado da Paraíba e da Prefeitura Municipal de João Pessoa. De maneira que todas as contribuições foram de suma importância para a concretização do projeto.

CAPÍTULO IV

4 MARKETING

4.1 O que é Marketing?

Há décadas, as organizações vêm passando por profundas transformações, gerando um novo perfil organizacional que ainda se molda constantemente. As organizações passaram a interagir com o mundo ao seu redor, deste modo, suas características refletem a influência do ambiente em que as mesmas estão inseridas. De maneira que em função do atual cenário de globalização das economias, e com o acirramento da competitividade entre as empresas, o marketing cada vez mais assume um papel fundamental no gerenciamento das corporações.
O Marketing desenvolve-se frente às novas exigências de ressaltar e singularizar uma marca entre tantas outras. Para Kotler (1998, p.26), O marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos e valor uns com os outros”.
A American Marketing Association define Marketing como:
O processo de planejar e executar a concepção, a determinação de preço, a promoção e a distribuição de idéias, bens e serviços para criar negociações que satisfaçam metas individuais e organizacionais (MENEGHETTI, 2001, p. 21).
Dessa forma, podemos entender Marketing como o conjunto de operações pelas quais uma empresa trata de assegurar a colocação de seus produtos no mercado. Costumeiramente o Marketing é compreendido apenas no âmbito da comunicação, quando na verdade esta é uma parte integrante do processo de análise das oportunidades de mercado, de pesquisa, de público-alvo e de desenvolvimento de estratégias mercadológicas. O Marketing é uma forma de fazer negócios que cria mercados e, sobretudo, relacionamentos.
Acompanhando todo o processo de transformações organizacionais, o conceito de Marketing foi evoluindo simultaneamente. Na Revolução Industrial era utilizado de forma precária, sendo apenas na década de 60 que o pensamento de vender a qualquer custo cedeu lugar à satisfação do cliente. Já na década de 80 as empresas estavam preocupadas em reduzir os custos e remover os excessos de atividades das corporações, nos anos 90, ao contrário, os esforços estavam em buscar formas de aumentar o faturamento. Foi nessa fase que, com o avanço tecnológico, o Marketing sofreu o seu maior impacto através do comércio eletrônico e do Serviço de Atendimento ao Consumidor, possibilitando uma gestão de relacionamento com os clientes em larga escala. A Internet, a TV a Cabo, a popularização da telefonia celular e a democratização dos meios de comunicação deram ao cliente não só o poder de barganha, mas o poder de informação. Nessa missão, o Marketing assumiu uma função estratégica, criando oportunidades de lucros e oferecendo idéias sempre melhores, que ampliaram a vantagem competitiva das empresas no mercado.
Atualmente, como destaca Kotler (1998),
É cada vez mais difícil agradar os clientes que querem produtos e serviços superiores, adaptados às suas necessidades, fornecidos com rapidez, pelos menores preços e com serviços adicionais gratuitos.
O diferencial se transferiu para uma área imensurável do Marketing, onde fica cada vez mais difícil inovar. Kotler explica também que os clientes já não são tão leais como antes, possuem múltiplas escolhas no mercado, ao mesmo tempo em que os produtos e serviços de empresas concorrentes estão atingindo uma paridade crescente. A qualidade já não faz mais a diferença. O divisor de águas agora será o valor agregado de um produto que é constituído muitas vezes de valores intangíveis como: a atitude do vendedor, a postura do fornecedor, a empatia com o cliente, a cultura empresarial, etc.
O Marketing passa então a ser utilizado nas mais diferentes formas e em diversas áreas, abrangendo toda e qualquer ação empresarial, além de incorporar a empresa por completo, ou seja, todos os funcionários e todos os setores e departamentos. Devido a sua abrangência, possui especificações para determinadas ações, como: Marketing Cultural, Marketing Social, Marketing Esportivo, Marketing Pessoal, Marketing Religioso, Marketing Político, entre outros.
Mesmo com tantas nomenclaturas para o Marketing, demarcaremos nosso estudo na área do Marketing Promocional como algo muito utilizado nas questões que envolvem mercado.
Segundo a Ampro5, o Marketing Promocional é
A atividade do marketing aplicada a produtos, serviços ou marcas, visando, por meio da interação junto ao seu público-alvo, alcançar os objetivos estratégicos de construção de marca, vendas e fidelização.
A contínua sofisticação dos consumidores, que elevam seu senso crítico e tornam-se mais céticos em relação às campanhas publicitárias, exige do setor uma redefinição e, mais do que nunca, muita criatividade. Anos atrás, as agências de propaganda monopolizavam os meios de contato entre a empresa e o consumidor, através da publicidade direcionada aos veículos de massa. Aos poucos, porém, o Marketing Promocional vem conquistando seu espaço nas ações de construção de marca das empresas, através das suas várias ferramentas. Entre as ferramentas disponíveis nessa nova modalidade de relacionamento encontram-se promoções ao consumidor, campanhas de incentivo, ações de relações públicas, merchandising6, convenções de venda e eventos.
Delimitaremos ainda, o estudo do Marketing Promocional à utilização do evento como ferramenta, que cada vez mais vem sendo incluída no planejamento estratégico de comunicação das empresas, devido a sinergia que este proporciona ao juntar o negócio do patrocinador com os consumidores potenciais em um ambiente interativo.

Para ver a segunda parte desse trabalho clique aqui

LANÇAMENTO DA 1º EDIÇÃO DO GUIA TURÍSTICO AMIGO GLBT 2/2

Para ver a Primeira parte desse trabalho clique aqui.

4.2 Mix de Marketing

O Mix de Marketing foi formulado por Jerome McCarthy em seu livro Basic Marketing (1960) e trata dos interesses para os quais as organizações devem estar cientes se desejam alcançar seus objetivos de Marketing.
O composto é dividido em quatro secções frequentemente chamadas dos “quatro pês”, são eles:
Produto: o que uma empresa cria, produz ou desenvolve de acordo com uma demanda existente ou gerada;
Preço: é o valor atribuído a um produto ou serviço. Devemos sempre levar em consideração custo-benefício e a concorrência;
Praça (distribuição): toda estrutura que se relaciona com os canais de distribuição e de logística que viabilizam a entrega ou aquisição do produto ao cliente.
Promoção (comunicação): é o esforço que a empresa faz para comunicar a existência de seus produtos (ou serviços) ao mercado e promovê-los, utilizando os meios de comunicação.
Os profissionais de Marketing usam estas variáveis para estabelecer um plano. Para o plano de Marketing ser bem sucedido, a estratégia traçada para os 4P´s, deve refletir a melhor proposta de valor para os consumidores de um mercado-alvo bem definido.
De acordo com os 4Ps, pode-se definir o produto como elemento primordial, pois os consumidores dão preferência àqueles que ofereçam qualidade ou que tenham características inovadoras, tornando-o um elemento-chave na oferta do mercado. O planejamento do Mix de Marketing começa na formulação de uma oferta para satisfazer as necessidades e desejos do cliente-alvo. Em segundo lugar, pode-se destacar a promoção a que está diretamente ligado, um outro ponto importante que pode ser citado é a praça, que se refere aos canais utilizados pelo fabricante para fazer chegar o produto até o consumidor. O último tópico a ser abordado é o preço, que é o elemento que produz receita e é um dos principais determinantes na escolha dos compradores.
Os 4P´s, além de todas as outras características pertinentes a cada um deles, devem ser considerados não de forma isolada, mas complementando-se para obterem resultados cada vez mais satisfatórios.

4.3 – Evento como Ferramenta de Marketing Promocional

O Marketing Promocional visa a “venda” institucional, mercadológica ou promocional de produtos ou empresas, podendo ser realizado de diferentes formas, dependendo dos elementos que se tem a mão, do que se pretende vender e do mercado em que se atua, neste modo, o Marketing de Eventos se insere na categoria de Marketing Promocional.
O estudo do evento como ferramenta do composto promocional ainda é uma área pouco focalizada na literatura mais recente de Marketing. Embora mantenha aproximação conceitual e prática com a noção de estratégia e evidências na sua geração de resultados, a temática não despertou muitos teóricos para o aprofundamento do estudo e, conseqüente, debate de idéias e enriquecimento do conhecimento. De toda forma, por ter gerado vários resultados bem-sucedidos, atualmente a organização de eventos tem sido reconhecida como uma atividade de relevância no planejamento estratégico das empresas, agregando valor às marcas, abandonando a idéia que prevalecia até certo tempo de que os eventos eram utilizados apenas para resolver problemas pontuais.
Quando se prepara uma estratégia de Marketing, é importante planejar uma combinação de métodos de promoção, que trabalhará no conjunto, para atingirem objetivos específicos. A promoção é parte primordial de qualquer composto de Marketing. Seus objetivos são: informar, persuadir e lembrar. Já para Boone & Kurtz (1999, p. 396) são: “fornecer informações; aumentar a demanda; diferenciar um produto; acentuar o valor de um produto e equilibrar as vendas”.
As empresas devem procurar meios de se comunicarem com seus públicos de formas impactante e persuasiva. Logo os eventos surgem como uma ótima estratégia de aproximação das organizações com seus públicos, por se tratar de uma forma bastante eficaz de unir um determinado número de pessoas, com o objetivo de criar um ambiente sociável, em harmonia com a emoção e descontração, proporcionando a identificação da marca com a satisfação do cliente. Hoje, as empresas têm que lidar com clientes com perfis muito mais seletivos, exigentes e racionais, dispostos a não se deixar levar por impulsos. Portanto, não basta desenvolver bons produtos, adotar estratégias de preço realista, estabelecer canais de distribuição que conduzam o produto rapidamente ao público visado. O relacionamento entre as organizações e os clientes deve implicar esforços na compreensão das atitudes e comportamentos do consumidor, ou seja, estabelecer uma comunicação mais direta.
Do ponto de vista das organizações, a promoção de eventos age em dois campos da comunicação mercadológica: o interesse institucional e o interesse promocional (comercial), conforme salienta Cesca (1997, p. 15):
” institucional: quando visa criar ou firmar o conceito/imagem da empresa, entidade, governo ou pessoa, sem objetivos mercadológicos imediatos;
” promocional: quando visa à promoção de um produto da empresa ou de um serviço do governo, entidade, pessoa, em apoio a Marketing, visando fins mercadológicos.
A Organização de Eventos é uma atividade complexa, que só pode ser executada com sucesso a partir de um planejamento minucioso. O planejamento básico de um evento deve seguir alguns passos essenciais para seu desenvolvimento. Esses passos podem ser descritos e reunidos em quatro grupos: Planejamento, Organização, Execução e Avaliação.
Planejamento é a fase mais demorada e complexa. É nesta etapa que se levantam todos os dados e informações, se definem os objetivos que se pretende atingir e se estabelece um plano de trabalho.
Já na organização as particularidades de cada evento são ajustadas para suas implantações e preparadas as atividades que serão desenvolvidas.
Na execução, as ações planejadas e decididas na fase do planejamento e da organização são acompanhadas e monitoradas.
A avaliação é a última e a soma de todas as fases do projeto – do planejamento à execução final na qual os objetivos, os públicos e os resultados são avaliados qualitativamente, para identificar as falhas cometidas e corrigi-las posteriormente. Para concluir, deve-se elaborar um relatório de avaliação contendo toda a história do evento e todas as atividades que foram realizadas, pois servirá como base para o planejamento de eventos futuros.
Dependendo do tipo de evento, a sua implantação terá etapas diferentes, mas é de extrema importância que o organizador exerça controle sobre cada passo, autorizando seu início, monitorando seu desenvolvimento e verificando seu encerramento, de forma a alcançar os objetivos propostos na fase do planejamento do evento.
Por considerar o evento do Guia Amigo GLBT como uma atividade destinada a otimizar todas as ações da equipe gestora, percebemos a importância das etapas de planejamento para o evento. Para o êxito deste trabalho, foi necessária a combinação de uma série de fatores ou variáveis de comunicação, além de considerar a determinação dos objetivos, estratégias e execução dos planos de ação.

Capítulo V

5 Turismo Segmentado

Considerado como um conceito moderno do Marketing, a Segmentação de Mercado surge como um instrumento capaz de fornecer subsídios ao entendimento do Mercado, em função da percepção de que os consumidores são diferentes em termos de necessidades e desejos. Baseia-se na idéia de que um produto comum não pode satisfazer as necessidades de todos os consumidores. O motivo é simples: os consumidores são muitos, dispersos em diversas regiões; têm hábitos de compra variados, gostos diferenciados e variam em suas necessidades, desejos e preferências. A Segmentação é estratégia que auxilia a empresa a penetrar em focos escolhidos, facilitando o acesso ao consumidor por intermédio do ajuste da oferta à demanda, e do produto ao mercado. Logo seu objetivo é descobrir as diferenças realmente importantes entre os consumidores, e reuni-los em grupos relativamente homogêneos quanto a certas características objetivas e subjetivas, com isso, aumenta a competitividade da empresa em relação aos concorrentes.
Por isso que o Brasil, atrelado ao mercado internacional, entrou na era da Segmentação, fruto do aumento da concorrência e principalmente da exigência do cliente. O cliente moderno está cansado de empresas generalistas, que faz de tudo um pouco, mais preocupada em vender do que atender aos seus interesses e que o tratam como elemento de uma massa consumista impessoal.
O conceito de Turismo Segmentado ou Especializado é originalmente utilizado pelo mercado norte-americano, como special interest travel (em tradução literal, turismo de interesse especial). De modo geral a Segmentação é entendida como uma forma de organizar o Turismo para fins de planejamento, gestão e mercado. Segundo a Cartilha de Segmentação no Ministério do Turismo a Segmentação Turística pode ser definida tanto pela oferta, quanto pela demanda.
A partir da oferta, a segmentação define tipos de turismo cuja identidade pode ser conferida pela existência, em um território, de:
Atividades, práticas e tradições (agropecuária, pesca, esporte, manifestações culturais, manifestações de fé);
Aspectos e características (geográficas, históricas, arquitetônicas, urbanísticas, sociais);
Determinados serviços e infra-estrutura (de saúde, de educação, de eventos, de hospedagem, de lazer).
Com enfoque na demanda, a Segmentação é definida pela identificação de certos grupos de consumidores caracterizados a partir das suas especificidades em relação a alguns fatores que determinam suas decisões, preferências e motivações, ou seja, a partir das características e das variáveis da demanda.
A Segmentação do Mercado turístico cresce e especializa-se, e assim novas tendências de Turismo surgem para que pessoas com interesses diversos possam viajar e satisfazer-se de acordo com suas motivações, reforçando a idéia de que as pessoas estão procurando viajar para lugares onde haja semelhança com seu jeito de pensar e ver o mundo, ou para lugares de interesse particular. Na realidade, as pessoas sempre viajaram por motivos diversos, mas a partir da necessidade de conhecer e satisfazer a clientela é que o estudo do Turismo Segmentado tornou-se necessário.

5.1 Turismo GLBT

O surgimento do Turismo GLBT é conseqüência direta da retomada do Movimento Homossexual, na década de 80. E nos anos 90, com a maior conscientização da população em relação aos direitos das minorias, superando velhos preconceitos, e uma tomada de posição dos componentes dos diversos grupos de homossexuais, assumindo sua condição, também deram um enorme impulso para o crescimento da atividade. Neste contexto, podemos dizer que o Turismo GLBT surgiu da necessidade de Mercado pouquíssimo explorado pelas agências de Turismo tradicional.
Como Segmento de Mercado surgiu em 1992, em Minneapolis, Estados Unidos, quando foi fundada a RSPV Travel Productions7. A empresa nasce da tentativa de dois agentes de Turismo em fretar um navio para a realização de cruzeiros somente para gays. Depois de muita recusa, mas com uma enorme lista de espera de clientes, os agentes conseguiram fretar sete embarcações. O sucesso foi tão grande que a agência hoje possui seu próprio navio o Seaspirit8.
O Brasil não faz parte dos roteiros gays internacionalmente mais procurados, mas é considerado o país latino-americano de maior potencial para o turismo GLBT, já que São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais gays de destaque da América do Sul por oferecerem, além de opções de lazer, um menor grau de preconceito contra a comunidade GLBT. Inclusive, o Rio de Janeiro em 1995, sediou o Gaymes (Olimpíadas Gay) e o festival de cinema e vídeo Mix Brasil, paralelamente a 17ª Conferência Internacional de Gays e Lésbicas, sendo todos esses eventos organizados pela ILGA (Associação Internacional de Gays e Lésbicas), considerada a entidade homossexual de maior importância no cenário mundial. Além do Rio de Janeiro e de São Paulo, outras capitais também vêm se destacando como destinos gay-friendly9, entre elas: Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife, João Pessoa e Fortaleza.
Mesmo com todo o crescimento notado, o país ainda carece de estatísticas concretas sobre o turismo GLBT, principalmente pelo fato das pessoas omitirem a sua orientação sexual, dado o preconceito. Contudo, a iniciativa de criar a Abrat (Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes; http://www.abratgls.com.br) foi um passo muito importante para a organização do Turismo GLBT, pois esta associação reúne agências especializadas e a rede de hotéis Othon, com o objetivo de qualificar o setor turístico através do treinamento, orientado-o a lidar com gays e lésbicas de forma natural e com respeito, para que o Brasil seja reconhecido como um destino “gay-friendly”.
Diante do cenário de muitas conquistas sociais, a comunidade GLBT, cada vez mais se aproxima da tão sonhada emancipação. Uma das formas de maior visibilidade dos movimentos homossexuais tem sido as Paradas Gays, realizadas por ocasião do Dia Internacional do Orgulho Gay, dia 28 de junho. Nesta data, diversos países realizam suas Paradas Gays, mesmo em meio a guerras e epidemias, levando expressivos números de gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e simpatizantes às ruas. Com o tema Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia a 11ª Parada Gay de São Paulo superou o público de 2006 e bateu recorde com 3,5 milhões de pessoas e movimentou nos cofres do comércio turístico da cidade, R$ 135 milhões, segundo estimativas da organização do evento. De acordo com Nelson Matias, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) o principal objetivo desse evento é a intensificação da conquista da aprovação do projeto de lei 122/200610 que criminaliza a homofobia. O mesmo afirma que a Parada não representa apenas uma luta dos GLBT, é uma luta de todos os cidadãos de vanguarda, que não querem uma sociedade intolerante, que desejam uma sociedade sem machismo, sexismo, racismo e homofobia.
Atualmente, o turismo GLBT no Brasil está fundamentado principalmente neste tipo de encontros, pois são eles, junto com os grupos organizados, que dão força à luta contra a intolerância e o preconceito, e pelo reconhecimento como grupo social. Outros destinos que são bastante procurados por esse público são lugares com belezas naturais, riqueza cultural e respeito às diversidades, onde eles possam passear, fazer compras, namorar e se divertir, sem serem incomodados.
Segundo, Antunes (2003, p.76)
Ao contrário do que se imagina, o universo homossexual é composto, em sua maioria, por pessoas com bom nível sócio-econômico-cultural. Os homossexuais tendem a preocupar-se mais com sua formação intelectual e são mais dedicados ao trabalho, o que acaba por fazer com que tenham melhor renda.
Deste modo, os empreendedores começaram a perceber no público GLBT um nicho de mercado potencial, pois além de comumente serem solteiros e sem parceiros fixos, possuem despesas fixas baixas, permitindo que venham gastar mais consigo.
Infelizmente, não são todos que percebem esse filão no mercado, muitas vezes por conta do preconceito, do medo do novo, além de que por falta de conhecimento muitas vezes o turismo GLBT é confundido com o turismo sexual. Os profissionais do turismo devem trabalhar com a responsabilidade de satisfazer e realizar os sonhos de seus clientes, independente do gênero (classe, raça/etnia, sexo e religião). Para estes profissionais e os empreendedores do turismo, com visão de futuro, desprovidos de preconceitos e interessados em ampliar seus negócios, eis uma excelente, e pouco explorada, alternativa de investimentos, além de ser uma grande fonte de conhecimento, pois nos possibilita rever conceitos morais e sociais.

5.2 – Mercado Turístico GLBT de João Pessoa

Nascida entre o Rio Sanhauá e o mar, a capital da Paraíba, fundada em 1585, recebeu primeiramente o nome de Filipéia de Nossa Senhora da Neves, depois Frederica, Parayba e finalmente João Pessoa, a partir do ano de 1930. Conhecida por Cidade das Acácias, João Pessoa possui belíssimas praias, clima tropical, monumentos históricos em excelente estado de conservação, além de ser reconhecida como uma capital muito calma e hospitaleira, e que já demonstra através de várias ações, o respeito às diversidades. Como por exemplo, a modificação do Artigo 5º da Lei Municipal 11.005, que foi alterado no tocante aos beneficiários de pensão. Agora, está assegurado ao cônjuge do servidor, independente de sua orientação sexual, o direito a receber os recursos previstos na Constituição, no caso do falecimento do funcionário. Sendo apenas quatro cidades brasileiras que oferecem esse benefício aos servidores homossexuais (Recife, João Pessoa, São Paulo e Rio). E são todas estas características que fazem com que o Turismo GLBT cresça a cada ano na cidade. A conquista de um espaço no disputado ranking turístico está fazendo com que o Governo Municipal invista principalmente na qualidade de vida como um dos principais atrativos do lugar. Várias campanhas tem se espalhado pela cidade, numa garantia de cidadania e bem estar para todos os habitantes de João Pessoa e seus visitantes.
O Turismo é uma indústria que reúne inúmeras empresas dedicadas às mais variadas atividades, as quais dependem umas das outras no correto desempenho individual, para o fortalecimento do setor. Não basta o destino possuir apenas riqueza natural, precisam-se de estradas, aeroportos, serviços de abastecimento de água e energia elétrica, rede de esgoto, coleta de lixo, estabelecimentos de alimentação e de lazer, hospedagens, agências de turismo, etc. Cada vez mais, João Pessoa vem abandonando a visão simplista de que os projetos turísticos se resumem exclusivamente em construir hotéis e esperar pelos turistas. Atualmente existe maior preocupação com os programas e projetos desenvolvidos em função dos mercados que irão ser atendidos, para satisfazer as variadas necessidades do turista, desde o inicio até o fim do seu roteiro.
Acompanhando essa tendência, alguns empresários pessoenses perceberam no público GLBT um nicho de mercado para o Turismo de João Pessoa, por todas as características que a capital possui e pelo perfil desse público. Sendo assim, passaram a ter uma preocupação maior em atender o mesmo, procurando sempre satisfazer as suas expectativas com qualidade. Para tanto, a capital já dispõe de algumas empresas segmentadas para a comunidade GLBT, tais como: bares, boates, sauna e cinemas. E outras que mesmo não sendo direcionadas exclusivamente para o segmento procuram sempre atender com excelência esse público.
João Pessoa também sedia várias eventos gays durante o ano, sendo junho o mês que conta com o maior número, pois é o Mês da Diversidade Sexual da Paraíba. Durante todo o mês são realizadas mesas-redondas, sessões especiais na Assembléia Legislativa do Estado, festas do orgulho gay, seminários, exposições e mostras de vídeos. Além destes, são realizados dois eventos de maior porte, que são o Miss Paraíba Gay, evento consolidado há mais de 10 anos, e a Parada GLBT, que este ano teve como tema Por um Brasil sem racismo e homofobia.
Diante da observação de prospecção de mercado e do atual cenário da cidade de João Pessoa para o público homossexual, algumas empresas ingressaram como parceiros do projeto Guia Turístico Amigo do GLBT viabilizado por meio dos alunos do curso de Turismo, da Universidade Federal da Paraíba como forma de demonstrar a sua disposição em receber com responsabilidade e sem discriminação a comunidade GLBT.

Capítulo VI

6 ANÁLISE DO ESTUDO DE CASO

6.1 O Guia Amigo GLBT de João Pessoa PB

Dentro das atividades programáticas da disciplina Organização de

QUADRO I CRONOGRAMA DAS AÇÕES

AUTOR: PESQUISADORAS

Eventos Habilitação em Marketing Turístico do curso de Turismo da Universidade Federal da Paraíba estava a criação e a execução de um projeto turístico, bem como o lançamento desse projeto por meio de um evento realizado pelos próprios alunos, no período letivo 2006.2. Na perspectiva apresentada, o grupo acolheu a idéia sugerida e apresentada pelo Prof. Dr. Severino de Lucena Alves Filho, a qual abordava a criação de um guia turístico da cidade de João Pessoa sobre a temática GLBT. Diante da inovação e pioneirismo da proposta, a equipe reuniu-se e através das discussões iniciais selecionou-se o líder e representante da equipe, bem como a elaboração de cronograma justificando as ações primordiais para a formatação e a execução do projeto.

6.2 Ações

Organizar eventos exige trabalho e responsabilidade, deste modo um planejamento detalhado é fundamental. Para que o evento seja realizado com eficácia, há que se considerar em todas as suas etapas, o público, os objetivos, as estratégias, os recursos e os fatores condicionantes, para que haja um acompanhamento preciso, uma implantação coerente e uma avaliação satisfatória.
Dentre as ações planejadas e executadas pela equipe gestora do projeto, apresentamos as de maior ênfase e os principais marcos evolutivos que permitiram a concretização dos resultados almejados.

6.2.1. Coleta de Dados e Formatação do Projeto

Após a incorporação da idéia, através de reuniões com o professor orientador, o grupo iniciou uma pesquisa para constatar a existência de projetos semelhantes em outros municípios e estados. Com orientação entramos em contato com a Nuances11, ONG de Porto Alegre que atua desde 1991 na defesa dos direitos humanos e pela livre expressão sexual, e obtivemos materiais suficientes e de qualidade para iniciarmos a estruturação do guia proposto.
O projeto formatou-se através de seu objetivo principal: disponibilizar ao público de turistas que visitam João Pessoa um guia de opções de locais e empresas receptivas ou direcionadas para o segmento GLBT12.

6.2.2 – Elaboração do Layout do Guia

Com a estruturação do projeto, a equipe gestora focou-se na elaboração do layout do guia. Dentre as primeiras concepções denominou-se o título de Catalogay, e através da criação da arte creditada a designer gráfica Larissa Leal junto à equipe determinou-se o uso da imagem do atrativo turístico Praia do Jacaré como capa. Após reuniões e orientações alterou-se o layout geral do guia, desde o título até a capa, visto a principal característica do turista GLBT: exigentes quanto à qualidade dos serviços e produtos consumidos.
Intitulado de Amigo do GLBT, similar à campanha Amigo do turista lançada pelo Governo do Estado da Paraíba objetivando sensibilizar a população para atender bem os visitantes, o novo título proposto pretende também impressionar, tanto a sociedade como o trade turístico, da importância da boa receptividade, na qualidade dos serviços e produtos oferecidos e, principalmente, no respeito à diversidade sexual. A alteração do nome do guia enfatizava que as empresas participantes não apresentavam serviços necessariamente voltados ao público GLBT, e sim eram receptivas a esse segmento.
Com a proposta de sugerir qualidade e credibilidade ao projeto, a equipe decidiu convidar um dos artistas locais mais consagrados: Clóvis Júnior13; a ser parceiro dessa idéia, o qual honrosamente aceitou o convite e cedeu uma de suas imagens como forma de agregação de valor cultural.
A capa e a logomarca, após as alterações:

Na logomarca o beija flor apresenta as cores do arco-íris, parte integrante de um dos símbolos mais conhecidos da comunidade GLBT. A tela de Clóvis Júnior retrata a capital, tanto em seus atrativos turísticos como em sua cultura local, representada pelos símbolos do ciclo junino.14 Essa agregação de valor artístico cultural, harmoniza-se com o período de comemoração dos eventos do Dia Internacional do Orgulho Gay.

6.2.3 – Contato com as Empresas

A equipe analisou e mapeou as possíveis empresas turísticas parceiras, de acordo com suas características e seus serviços específicos, distinguindo-as em:
Hotéis e Pousadas;
Agências e guias de turismo;
Restaurantes, bares e lanchonetes;
Entretenimento e outros serviços.
A partir da estruturação apresentada no layout do guia, formataram-se 30 (trinta) pequenos espaços que seriam utilizados para divulgação das empresas, em forma de texto, ao preço de R$ 35,00 (trinta e cinco reais); em contrapartida 10 (dez) espaços maiores foram disponibilizados para utilização, com possibilidade de uso de imagem arte gráfica com o custo de R$150,00 (cento e cinqüenta reais). Outros espaços do guia permitiram divulgar, institucionalmente, as ONGs locais como a GMMQ (Grupo de Mulheres Lésbicas Maria Quitéria), Astrapa (Associação das Travestis da Paraíba) e MEL (Movimento Espírito Lilás), que têm como objetivo básico promover os direitos e a cidadania dos homossexuais, bissexuais, travestis e lésbicas. Essas ONGs, além de atuarem na relação de estratégia com outros movimentos populares e entidades, na distribuição de folhetos informativos, na atuação no fórum de ONG’s e na prevenção a DST/AIDS; o projeto Cidade Limpa Atrai Turista15, o qual obteve grande sucesso em sua campanha educativa, também é parte integrante das atividades acadêmicas da disciplina Organização de Eventos; além de disponibilizar ao turista, telefones úteis, um pequeno roteiro da cidade, mapa da orla e o próprio editorial do guia.
Grupos menores, dentro da equipe, foram formados para atender às numerosas visitas a cada segmento específico que iriam ser realizadas. Notou-se no decorrer das visitas que algumas empresas não obtiveram interesse e nem boa receptividade ao projeto. Houve afirmações de experiências negativas com a presença de turistas homossexuais, em suas empresas, junto à clientela de heterossexuais. Isso demonstra claramente o preconceito e discriminação existente na sociedade de nossa capital, justificando ainda mais a importância da realização de trabalhos como o Guia Turístico Amigo do GLBT focados na inclusão social e conscientização.
Em contrapartida às posturas negativas apresentadas, muitas empresas se uniram à idéia, tornando-se parceiras essenciais na construção do guia, as quais são apresentadas no quadro abaixo:

QUADRO II QUADRO DE EMPRESAS PARCEIRAS

AUTOR: PESQUISADORAS

6.3 O Evento de Lançamento

Através das reuniões, da equipe gestora com o professor orientador, baseado no aparato teórico utilizado para o planejamento do evento, selecionou-se a data de 28 de maio de 2007 para ser o dia de lançamento do Guia Turístico Amigo do GLBT. Observando critérios das ações estabelecidas nas fases de planejamento e organização, a data foi escolhida levando em consideração fatores como: a exigência de ser realizado ainda durante o período letivo vigente, bem como a baixa concorrência com outros eventos, visto este ocorrer em uma segunda-feira, além de ser uma data estratégica para unir o lançamento do guia, com a abertura das comemorações do Mês da Diversidade Sexual da Paraíba.
Outro ponto também importante a ser abordado, é a limitação dos recursos financeiros disponíveis para a execução de ambos os projetos: o guia e o evento de lançamento. Diante do quadro, tivemos a iniciativa de buscar parcerias, através da captação de apoio junto a órgãos públicos e empresas privadas. Deste modo, obtivemos parcerias indispensáveis para a concretização do projeto, as quais podem ser visualizadas no quadro abaixo:

QUADRO II QUADRO DE APOIOS

AUTOR: PESQUISADORAS

Preservando a qualidade que permeou todo o planejamento do projeto, escolhemos a casa de recepções Solar do Conselheiro16 para o lançamento, por entender que é um local neutro, ao mesmo tempo em que representa o elo entre o tradicional e o moderno. Iniciando-se às 20h, o evento teve como agregação de valor cultural, a exposição de Clóvis Júnior, no interior do casarão, e ocorreu regularmente, iniciando o cerimonial aproximadamente às 21h.
No salão superior da casa de recepções, havia a presença de convidados como o Secretário Executivo de Turismo Gilberto Giba de Oliveira Lima; Secretário Executivo de Turismo de João Pessoa Elzário Júnior; Secretária de Educação de João Pessoa Ariane Sá; Diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal da Paraíba Lúcio Flávio; Coordenador do Comitê Paraibano de Educação e Direitos Humanos José Baptista; Coordenadora do Curso de Turismo da Universidade Federal da Paraíba Signe Dayse; entre outros que apreciaram a abertura do lançamento do Guia Turístico Amigo do GLBT.
Representando o Governo Estadual, o Secretário de Turismo, Gilberto Giba de Oliveira Lima explanou sobre a importância de iniciativas como a que foi proposta pelo evento. Em seguida, Elzário Júnior, representando o Governo Municipal, como Secretário de Turismo Executivo do município, retratou os aspectos positivos do intercâmbio entre sociedade, governo e universidade. Os representantes da Universidade Federal da Paraíba, Lúcio Flávio Diretor do CCHLA – e Signe Dayse Coordenadora do Curso de Turismo reforçaram os comentários anteriores, parabenizando o Prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho e principalmente, os integrantes da equipe gestora, pelo trabalho conquistado. Fernanda Benvenutt, representando as ONG´s Astrapa, MEL e Maria Quitéria, como presidente da Associação dos Travestis da Paraíba, explanou sobre a situação atual, a respeito da diversidade sexual e, principalmente, o preconceito enfrentado pela comunidade GLBT na Paraíba. A aluna Jaciara Soares responsabilizou-se por representar a equipe gestora do evento, lançando oficialmente o Guia Turístico Amigo do GLBT, e após as considerações do professor orientador do projeto, prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho, ocorreu o coquetel no pátio do Solar do Conselheiro, abrilhantado pela musicalidade do quarteto Ô de Casa, que foi selecionado, utilizando os mesmo critérios de qualidade que a equipe gestora procurou ter em todas as ações de planejamento e execução do projeto.

6.3.1 As ações de comunicação para o evento

Como todas as etapas de planejamento dos eventos, as ações de comunicação seguem a determinação do público-alvo. Deste modo, dependendo dos hábitos de leitura, dos programas e canais de televisão preferidos e das preferências radiofônicas do público-alvo, o profissional de mídia poderá determinar os meios de comunicação ideais e primários à divulgação do evento. Diante de todo o quadro de planejamento, a equipe entendeu que os jornais locais e sites nacionais voltados ao público alvo seria a melhor forma de atingir os objetivos de divulgação do projeto e do evento, assim como de promoção da cidade de João Pessoa como destino turístico. Durante os encontros da equipe gestora, ficou acordado que a aluna Jaciara Soares coordenaria o contato com a mídia, para divulgação do evento.
Para o contato tanto com a mídia de massa, foi elaborado um release17. Entendendo que é preciso ter cuidados importantes a serem observados na divulgação de qualquer mensagem, ainda mais se tratando de um tema tão delicado para a nossa sociedade, como o homossexualismo, tivemos o cuidado de elaborar uma mensagem real e honesta.
Através de inúmeros contatos, por e-mail e telefone aos principais formadores de opinião como jornalistas locais e sites focados no público GLBT, obtivemos ótimos resultados, aumentando a visibilidade do projeto e sua credibilidade, como a notícia veiculada no Gonline, site filiado à revista homossexual mais conhecida do universo GLBT: a G Magazine. E das notas e reportagens veiculadas nos jornais locais, tais como: Jornal da Paraíba e Correio da Paraíba. Percebemos que obtivemos sucesso no tocante a divulgação, tanto pela concentração em uma só pessoa, pois o contato fica mais direto e pessoal, como também pelo fato de se tratar de um projeto inovador que chamou a atenção da mídia. Mesmo depois do projeto lançado, obtivemos publicações tal como a nota que foi veiculada na revista G Magazine de outubro de 2007.

Figura 3 Nota da Revista G Magazine

Também pelo seu caráter inovador e pela seriedade com que foi planejado e executado, o projeto recebeu o reconhecimento do poder público, por meio do convite para participar da sessão especial de abertura da Frente Parlamentar Minoria GLBT na Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, bem como congratulações com uma Moção de Aplauso, requerida pelo Deputado Rodrigo Soares.
Outra ação de muita importância para o sucesso da divulgação foi o entrosamento da equipe gestora, que permitiu a eficácia da comunicação interna, bem como o cumprimento da programação, dentro do planejamento elaborado para as veiculações, sempre considerando a verba disponível. Além de acompanhar com rigor o que está sendo veiculado, avaliando o retorno ao grupo dentro das previsões de planejamento. Outro elemento tão importante quanto às ações anteriores foi a comunicação visual, através da utilização da logomarca sempre que possível, em todos os documentos e formulários, mesmo nos impressos de circulação interna, afim de que o próprio grupo fixasse ao máximo a marca do projeto.

7 CONSIDERAÇÕES

Por se tratar de um projeto inovador, com uma temática bastante polêmica, principalmente em nosso município e estado, a elaboração do Guia Amigo do GLBT foi um tanto desafiadora. A implicação da responsabilidade sobre o trabalho idealizado trazia consigo a reflexão de cada passo dado, na certeza de não cometer erros que comprometessem o resultado final.
Devido ao amadurecimento das idéias do grupo com o decorrer do projeto, ocorreram várias alterações durante o processo de concretização do evento, como a própria mudança do título do guia turístico, de Catalogay para Amigos do GLBT,, visto o grupo não aceitar idéias pré-concebidas, desvinculadas a qualquer tipo de preconceito.
Todas as orientações foram primordiais para o andamento das execuções do projeto e a conquista dos resultados obtidos. O auxílio do aparato teórico e da orientação constante do Prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho, informando sobre os cuidados em abordar a temática, para a não vulgarização do tema, desde a escolha do local até o tipo de buffet enfatizando sempre a adequação de todos os detalhes do evento ao tipo de público e aos atributos do produto, considerando também questões como a segurança e a infra-estrutura de apoio necessário.
Apesar das dificuldades iniciais para obter parcerias, principalmente no receio de algumas empresas em vincular-se a temática GLBT, observamos que, através do engajamento da mídia, obtivemos sucesso na adesão de empresas de qualidade e renome, que perceberam o potencial do público GLBT no município. Além de atrair a atenção dos órgãos públicos competentes para a importância do apoio a este projeto para a divulgação de João Pessoa como destino turístico.
Entendendo que eventos são especialmente valiosos na hora de apresentar ao mercado um novo produto, um novo serviço ou mesmo uma novidade de algo já existente, percebemos que não poderíamos ter escolhido estratégia melhor para o lançamento do Guia Turístico Amigo GLBT. Tudo isso se deu, graças ao poder sinérgico que os eventos possuem, alcançando todo o seu potencial em virtude da participação de formadores de opinião com poder de propagar a idéia e influenciar sua adoção no mercado.
No evento tratamos de destacar os benefícios do produto, e durante a realização, nossa atenção se voltou para a necessidade de manter o público envolvido na programação de atividades planejada. E dessa forma, com criatividade e tendo um engajamento da equipe gestora no sentido de fazer um planejamento coerente e eficaz, com situações previstas, e as que não estavam contornadas, pudemos garantir o sucesso e a consecução dos resultados esperados, ao passo que usamos a estratégia de Marketing Promocional adequada que foi comunicar-se melhor com o mercado alvo e associar o projeto a um evento comprometido com a inclusão social e o respeito às diferenças. .
Ao completar-se esse estudo sobre evento como ferramenta de Marketing Promocional no turismo que tratou de destacar o evento de lançamento do Guia Amigo GLBT de João Pessoa, percebe-se a importância do mesmo como um exemplo de sucesso que pode ser utilizado por outras organizações. Pois realizamos o evento enfrentando preconceitos pela temática abordada e também por sermos estudantes, além da limitação dos recursos financeiros; mesmo assim conseguimos alcançar os objetivos e sentir a aceitação do produto pelo mercado, influenciar os formadores de opiniões a divulgar a idéia e promover a cidade de João Pessoa como destino turístico receptivo ao público GLBT. Foi assim que tornamos o projeto uma experiência pedagógica interligada à realidade do mercado, além de uma lição de cidadania, tanto para a equipe gestora, quanto para os parceiros.

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EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE – EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

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Departamento de Estudos Lingüísticos e Literários
Curso de Habilitação em Gestão na Educação
Disciplina: Gestão de Sistemas em Educação e Movimento Social
Maria das graças Souza Silva Seibert
RESENHA DO TEXTO: EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA
Campus de Itapetinga-Bahia
12.09.2006

RESENHA DO TEXTO

EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA
Suzana Sacavino

SACAVINO, Suzana (Org.). CANDAU, Vera Maria (Org,). Educação em direitos humanos e Democracia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ: DP&A, 2003.
Na construção política atual, termos como democracia, democratização, direitos humanos, globalização e sociedade civil, são utilizadas freqüentemente de modo unificado nos mais diversos setores da sociedade, inclusive no âmbito da educação e por essa razão, são bastante pertinentes as reflexões trazidas por Suzana Sacavino nesse texto apresentado na X ENDIPE, realizado no Rio de Janeiro em maio de 2000, onde são explicitados pontos relevantes acerca da educação em direitos humanos evidenciados nos processos de democratização sob a égide da ideologia neoliberal.
Em duas partes distintas, porém interligadas, a autora expõe suas idéias sem rodeios e com muita originalidade. A primeira parte, distinguida com o título: Democracia: um valor com diferentes enfoques, caracteriza os atuais enfoques da democracia, permeados sempre por confrontos, principalmente no que tange a sua relação com o mercado. Tomando por base o referencial teórico de BORON (1996), ela cita algumas lógicas embutidas no mercado e na democracia como também, sua relação com os direitos humanos e os valores firmados.
Com o título: Educação em direitos humanos para uma democracia participativa e popular, Sacavino apresenta a segunda parte do texto, citando algumas propostas para a educação em direitos humanos e cidadania a partir da ótica de construção democrática, levando em consideração os pressupostos apresentados no primeiro momento.
A autora conclui suas reflexões chamando a atenção para a perspectiva de potenciar pessoas e grupos desfavorecidos ou discriminados e sugere uma educação que promova o empoderamento como forma de fortalecer as capacidades individuais e coletivas dos sujeitos. Assim a educação em direitos humanos se fundamentará na educação do nunca mais, capaz de quebrar a cultura do silêncio e promover enfim a democracia participativa e popular.
Expressões como privatização da cidadania, descidanização e barateamento da democracia, dentre outras, traduzem o vocabulário simples, mas empregado no texto com muita precisão e criticidade, tornando a leitura agradável e recomendável para educadores e demais cidadãos que buscam inteirar-se sobre a promoção da educação voltada para os direitos humanos e cidadania numa realidade concretizada sob o prisma ideológico neoliberal.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SACAVINO, Suzana (Org.). CANDAU, Vera Maria (Org,). Educação em direitos humanos e Democracia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ: DP&A, 2003.

A IMPORTÂNCIA DE INTERNET PARA GLOBALIZAÇÃO

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CRIMES PRATICADOS COM A AJUDA DA INTERNET

AGUINALDO JOSÉ DE LIMA
A IMPORTÂNCIA DE INTERNET PARA GLOBALIZAÇÃO
TUPÃ
2009

Resumo

A presente pesquisa tem como abordagem o uso da tecnologia da informática e seus reflexos na globalização do âmbito dos cybercrimes, ou seja, dos crimes praticados por meio eletrônico contrários à ótica da moral e dos bons costumes, bem como analisa a falta de conhecimentos dos usuários para essa nova modalidade de crime e a possibilidade de utilização poranalogia o conhecimento existente de prevenção. Busca demonstrar a (in)existência de conhecimento dos usuários , em âmbito brasileiro, relacionada aos crimes eletrônicos, bem como analisar precedentes, enfatizando a necessidade de utilização analógica do Código Penal os crimes contra os costumes ou contra o patrimônio que ocorrem na internet. Vislumbra-se a importância de uma nova postura jurídica e social acerca dos crimes digitais, já que o Brasil é um expoente na utilização da internet, e principalmente a nova geração, crianças e adolescentes, enfrentam diariamente uma série de situações que às expõe a riscos oriundos desta inclusão digital. Neste sentido o presente trabalho comporta, em um primeiro momento, pesquisa teórica lastrada em internet e globalização que enfocam a importância do tema e, num segundo momento, os efeitos dessa tecnologia com o surgimento de uma nova era de crimes.
Palavras – chave: Internet; globalização; crimes digitais.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Contextualização do tema
Definição do problema
Proposição
Objetivos
Objetivo geral
Objetivos específicos
Justificativa
REVISÃO DE LITERATURA
Internet uma nova tecnologia
Internet tecnologia fundamental para globalização
A internet e as conseqüências da globalização
Internet e globalização uma nova era de crimes
Globalização os crimes de alta tecnologia
Crimes pela Internet
Crimes digitais no Brasil

1 INTRODUÇÂO

1.1 Contextualização do Tema

O movimento de globalização, que torna o planeta quase uma aldeia, tem sido viabilizado pelas tecnologias de comunicação e de computação. Quebradas as barreiras culturais que fechavam o livre comércio entre os países, a Internet está viabilizando o intercâmbio entre países como se todos estivessem fisicamente próximos. Essa sensação de proximidade é viabilizada pelos sistemas de comunicação por áudio (telefonia), vídeo (TV) e dados (Internet). Ao lado desse movimento saudável, existem oportunistas e criminosos que se aproveitam de brechas deixadas pelas tecnologias para realizar roubos e criar uma imagem de falta de privacidade e de segurança nesse novo ambiente.
Este trabalho mostra que ao lado do vetor técnico que cria uma série de mecanismos de proteção aos sistemas e aos usuários, existe um segundo vetor comportamental que precisa ser trabalhado na sociedade e nas empresas para garantir que o uso da Internet se torne mais seguro.

1.2 Definição do Problema

A tecnologia trouxe inúmeros benefícios para o mundo e o computador está inserido em nosso contexto atual de tal forma que certas tarefas são difíceis de imaginar sem a sua utilização, desde tarefas de controle de tráfego aéreo até uma rotineira compra através de cartão de crédito.
Nesse imenso universo, há uma grande movimentação financeira e comercial possibilitando uma ação criminosa que frauda uma ou todas as partes envolvidas em determinada transação dando início a uma nova modalidade de crime, chamado Crime Digital.

1.3 Proposição

Essa pesquisa tem uma proposta basicamente social orientando sobre as modalidades de crimes que existem na internet servindo de alerta aos usuários da rede para que não se tornem uma vítima do sistema e possam usar com segurança todos os meios digitais.
A pesquisa enfatiza o que existe de mais assustador para os usuários que são os crimes que afligem o mundo digital, os delitos cometidos através de meios eletrônicos estão aumentando significativamente á medida que o acesso à internet está cada vez maior e mais fácil. O leque de transgressões é grande, complexo e variado, indo desde a pedofilia a fraudes bancárias, passando por disseminação de vírus eletrônico, clonagem de cartões de crédito ou até mesmo espionagem industrial

1.4 Objetivos

Contribuir com a área tecnológica pretende-se atingir os seguintes objetivos

1.4.1 Objetivo Geral

Essa pesquisa tem como objetivo contribuir para a compreensão e divulgação de informações relevantes a todos que acessam a rede ou utilizam os caixas eletrônicos em estabelecimentos bancários, alertando-os para os tipos de crimes digitais, como agem os criminosos e o que fazer para se protegerem deles ao efetuarem uma transação, uma vez que somente com conhecimento e muita cautela é possível inibir a ação dos bandidos e combater o crime.

1.4.2 Objetivos Específicos

Estudo sobre a importância da internet para globalização
Analise de surgimento de uma nova modalidade de crimes
Estudo de tipos de crimes sociais
Perfil dos criminosos digitais
Estudo sobre o combate dos crimes digitais
Estudo de proposta ao combate a crimes digitais

1.5 Justificativa

Vários fatores contribuíram para impulsionar a globalização, entretanto, para efeito deste estudo, será destacada a revolução informática Internet como grande fator e algumas implicações no âmbito internacional. A Internet propaga as notícias em tempo real, acaba com espaços isolados e agiliza a compra e venda. Além disso, a Internet é um ótimo meio de marketing.

2. REVISÃO DE LITERATURA

O estudo dos tópicos a seguir procura explorar os aspectos da tecnologia e o entendimento sobre o surgimento de uma nova modalidade de crime, a fim de auxiliar ao combate e prevenção dos crimes digitais.

2.1 Internet uma nova tecnologia

A Internet é um imenso sistema de redes e de computadores permanentemente interligados entre si a nível mundial e que funcionam como emissores e receptores de informação. A Internet permite interligar sistemas informáticos de todo o mundo, possibilitando a comunicação e a troca de informação de uma forma fácil e rápida.
Segundo Suyama (2006) a Internet nasceu em 1969 como projeto ARPAnet do Departamento de Defesa dos E.U.A. Tratava-se de uma rede experimental militar capaz de suportar estragos parciais e garantir a compatibilidade entre máquinas diferentes. O objetivo básico era que cada computador conectado pudesse falar com qualquer outro que também estivesse na Rede: peer-to-peer (entre iguais). O autor ainda diz que:
[…] As instituições científicas e os fabricantes queriam conectar suas redes a ARPAnet. Por este motivo se implantaram na rede local seus mesmos protocolos. O acesso à Rede foi difundido pelas Universidades e atualmente há toda uma série de redes interconectadas que formam a Internet (a Rede de redes). E como o uso gera demanda, continuamente são acrescentados novos e mais rápidos links e serviços para satisfazer a crescente necessidade. (SUYAMA, 2006).
De acordo com Heide, Stilborne (2000, p8),
A Internet é uma extensa rede de redes de computadores interligadas, mas independentes. Em menos de duas décadas transformou-se de uma rede altamente especializada de comunicações, utilizada principalmente para fins militares e acadêmicos, em um bazar eletrônico de massa.
Segundo Bogo (2000) considera Internet como sendo, […] um conjunto de redes de computadores interligadas que tem em comum um conjunto de protocolos e serviços, de uma forma que os usuários conectados possam usufruir de serviços de informação e comunicação de alcance mundial.
De acordo com Ellswortho (1949, p.7) […] existem mais definições a esse respeito do que o número de usuários da internet. Não existe uma localização real nem uma idéia exata do seu tamanho e nem tão pouco uma conclusão única sobre quem esta realmente na internet. Mas tudo bem porque, afinal de contas, a internet funciona e funciona bem.
De acordo com Fonseca, Sampaio (2009) […] a Internet já é hoje a 2ª maior rede do mundo, ficando atrás apenas da rede telefônica mundial. Grande parte das redes corporativas já se encontra hoje ligadas à Internet Praticamente todos os Centros de Pesquisa e Universidades do mundo inteiro também podem ser acessados virtualmente pela rede. As conseqüências da grande utilização desta nova mídia ainda não podem ser totalmente previstas, mas espera-se uma grande mudança no comportamento das pessoas com a utilização maciça da rede. A Internet já está hoje em mais de 80 países. Nos dias de hoje, não é mais um luxo ou simples questão de opção uma pessoa utilizar e dominar o manuseio e serviços disponíveis na Internet, pois é considerado o maior sistema de comunicação desenvolvido pelo homem.

2.2 Internet tecnologia fundamental para globalização

A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, à rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de troca de idéias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada à imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro (MARTIN, 1998 P.10). Ainda o autor diz:
O termo global simples é usado a várias décadas, mas fazer negócios no patrimônio digital é uma iniciativa virtual e, portanto, global.Visto Worll Wide Web não conhece fronteiras e, como seu nome implica, é inerentemente global, isso faz com que as empresas que entram num ambiente sejam globais desde o início; basta se considerem assim.(MARTIN, 1998 P.10).
A gigantesca rede de redes conhecida como Internet vem crescendo constantemente numa velocidade extraordinária. São milhares de sistemas interligados atualmente, trocando informações através de um amplo leque de serviços. Nos dias atuais, nenhuma empresa que opera globalmente ou planeja se expandir para além das fronteiras nacionais pode se dar ao luxo de desprezar a Internet. A Internet oferece um modo relativamente barato de aproximar compradores e vendedores em escala mundial. A Globalização Econômica e Social estabelece uma integração entre os países e pessoas do mundo todo. Através deste processo, as pessoas, as transações financeiras e comerciais espalham aspectos culturais pelos quatro cantos do planeta. O conceito de Aldeia Global se encaixa neste contexto, pois está relacionado com a criação de uma rede de conexões, que deixam as distâncias cada vez mais curtas, facilitando as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente. A explosão das tecnologias de informação multiplicou muitas vezes a capacidades de comunicação de alguns indivíduos e grupos privilegiados. A Internet pode servir as pessoas no seu uso responsável da liberdade e da democracia, aumentar a gama de opções em vários setores da vida, alargar os horizontes educativos e culturais, abaterem as divisões e promover o desenvolvimento humano de inúmeras formas. Uma visão idealista do livre intercâmbio de informações e de idéias desempenhou uma parte notável no desenvolvimento da Internet.
De acordo com Moreira (2008) […] A globalização extrapola as relações comerciais e financeiras. As pessoas estão cada vez mais descobrindo na Internet uma maneira rápida e eficiente de entrar em contato com pessoas de outros países ou, até mesmo, de conhecer aspectos culturais e sociais de várias partes do planeta. Junto com a televisão, a rede mundial de computadores quebra barreiras e vai, cada vez mais, ligando as pessoas e espalhando as idéias, formando assim uma grande Aldeia Global.

2.3 A Internet e as Conseqüências da Globalização

A Internet que ao mesmo tempo contribui para o melhoramento da comunicação pode levar, de igual modo, ao aumento do isolamento e à alienação. A Internet pode unir as pessoas, mas também as pode dividir, tanto a nível individual como em grupos mutuamente suspeitos, separados por ideologias, políticas, posses, raças, etnias, diferenças de geração e até mesmo de religião. Ela já tem sido utilizada de maneira agressiva, quase como se fosse uma arma de guerra, e já se tem falado do perigo do terrorismo cibernético. Seria dolorosamente irônico se este instrumento de comunicação, com um potencial tão elevado para unir as pessoas, voltasse às suas origens da guerra fria e se tornasse uma arena para o conflito internacional. Atualmente a internet representa o meio de comunicação típica e mais representativa da era globalizada. É difícil, por exemplo, imaginar que os homens tivessem alcançado o grau de interação que hoje possuem sem que houvesse, pari passu, a evolução dos meios de comunicação, principalmente no que diz respeito à rede mundial de computadores. A internet permite numa velocidade impressionante à transmissão de uma informação de um lugar para outro, diminuindo consideravelmente as distâncias (MOREIRA, 2001).
Moreira (2001) diz que:
[…] com o crescimento do número de internautas e com as facilidades trazidas pela rede mundial uma nova forma de criminalidade surgiria. Esta era uma realidade da qual não se poderia fugir. A internet, ao lado de representar um avanço no desenvolvimento da humanidade, permitiu o aparecimento de uma nova criminalidade, aliás, muito mais difícil de ser combatida.
De acordo com Siqueira (2000) Os “riscos de grande conseqüência” surgiram do impacto do desenvolvimento técnico-industrial sem limites sobre o homem concreto (como produtor e consumidor), sobre a natureza e sobre a sociedade e sua organização […].
Segundo Ramalho (2002), a popularização da rede mundial de computadores está provocando uma grande revolução na sociedade atual. No entanto, com o advento deste que é considerado o maior meio de comunicação da atualidade também surgiram os crimes digitais que, devido ao alcance da internet, são hoje os que mais crescem. E, desta forma, a intensificação do relacionamento humano por meios digitais, com a produção em série de computadores e o uso indiscriminado da rede mundial favorecendo em todos os aspectos novas relações e modificando as antigas, traz por óbvio, novas condutas ilícitas. Assim, a Internet pode prejudicar o próprio homem, pois este a desenvolveu sem um controle centralizado. No entanto, cabe salientar, que a Internet não pode ser considerada uma terra sem lei, uma vez que as relações ali existentes são entre seres humanos e estas devem obedecer às diretrizes constitucionais.
Neste período de globalização em que vivemos, não podemos nem devemos endeusar o mercado como se ele tudo compusesse. Não é assim! Pese embora a irreversibilidade da globalização, devemos ter a consciência de que as desigualdades se estão a acentuar no mundo e que outros flagelos nos chegam fruto da abolição das fronteiras. O mundo demora a tomar consciência de que estamos em um processo acelerado de globalização, sem possibilidade de retrocesso.

2.4 Internet e globalização uma nova era de crimes

A simplificação do acesso aos computadores e a redução dos preços de software e hardware tornou a Internet um instrumento tecnológico cada vez mais popular. Mas o uso que tem sido feito da rede mundial suscita uma pluralidade de questões do ponto de vista da ética e também do Direito Penal. Se de um lado o advento dessas novas tecnologias pode propiciar incalculáveis benefícios à humanidade, por outro, tem propagado e vem propagando estímulos e influxos negativos, contribuindo para a decadência moral, para a violência, e principalmente, para a elevação dos índices de criminalidade, podendo se transformar num retrocesso da sociedade, visto que o mundo virtual vem causando uma série de transtornos no mundo real. Por ser um instrumento de comunicação sem fronteiras, a divulgação de informações imorais e ilegais também se tornaram práticas corriqueiras e a cada nova criação ou avanço tecnológico na área de informática também avançam os crimes de informática e pela informática (BARROS, 2002).
Segundo Oliveira (2001, p.18) Uma preocupação muito comum entre a maioria dos participantes da negociação eletrônica é com relação à segurança, reduzindo ou dificultando a comercialização. A atual ausência de segurança no pagamento on line está impedindo que grandes segmentos da população efetuem suas compras.
De acordo com Schwartz (1998, p.110) Seja qual for à forma que o pagamento assumir na net, segurança é uma questão primordial. É uma questão difícil, principalmente por que é governada mais pela percepção do que pela realidade. Muitos de nós deixamos de perceber as ameaças a segurança no cotidiano,por exemplo, pessoas que tem medo de avião pulam pra dentro de seus carros sem preocupação,mesmo que a chance de morrer em um acidente automobilístico seja cerca de cem vezes maior do que de um avião.Da mesma forma, muitas das pessoas que dizem que nunca passarão seu número de cartão de crédito pela internet fazem pedidos de mercadoria sem problema algum por uma rede de compras na tv a cabo fornecendo no processo seu número de cartão de crédito pelo telefone a algum estranho de vinte dois anos de idade em uma cidade qualquer.

2.5 Globalização e os crimes de alta tecnologia

Os crimes praticados, também chamados de crimes digitais ou transnacionais, podem afetar dezenas de países, sem que o agressor saia de sua casa. É uma preocupação que está chamando a atenção da polícia de todo o mundo, especialmente no que diz respeito à coleta de evidências e materialidade; há também de se considerar o princípio de territorialidade, pois, se o computador está num determinado país, e o crime é cometido em outro, como processá-lo se o infrator nunca entrou naquele país?
Tal cenário leva a crer que os criminosos em breve ultrapassarão a capacidade dos organismos policiais em capturá-los, pois se prevalece da forma revolucionária do espaço cibernético, parcamente provido de regras sociais ou éticas, um convite à imaginação dos criminosos, limitados somente por suas habilidades técnicas (MIRANDA, 1999).

2.6 Crimes pela internet

Quando se fala em crimes digitais, pensamos em pedofilia, fraudes, criação e disseminação de vírus, mais esta não é a realidade, pois atitudes aparentemente inocentes como comentários maldosos por e-mail, sobre uma pessoa física ou jurídica, bem como a divulgação de mensagens falsas que solicitou por ajuda a alguma causa supostamente “nobre”, podem se enquadrar como delitos digitais.

Com estes exemplos abaixo, podemos demonstrar que muitas vezes, as pessoas cometem delitos graves sem se aperceberem disto. Sendo ruim para a pessoa que o realizou, ficando ela sujeita a acusação, mesmo não tendo tido a intenção de causar algum dano.
Segundo Barros (2002) o número de ações abusivas perpetradas via Internet vem aumentando nos últimos anos, entretanto, para sua identificação devemos levar em consideração o meio, a localização do agente, o meio empregado, o objetivo, o resultado e os efeitos do resultado, sem falar que emerge, necessariamente, a questão da competência. A gama desses delitos é quase infinita. Ilustraremos a seguir as condutas mais freqüentes na rede mundial:

ABORTO (incentivo)
ACESSO NÃO AUTORIZADO
AMEAÇA
APOLOGIA AO CRIME
APROPRIAÇÃO INDÉBITA
CONTAMINAÇÃO POR VÍRUS
CRIME DE DANO
CRIME ORGANIZADO
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
CRIMES CONTRA A HONRA
CRIMES TRIBUTÁRIOS
DIREITOS AUTORAIS
DIREITOS DO CONSUMIDOR
DIREITOS HUMANOS
DIVULGAÇÃO DE SEGREDO
ESTELIONATOFALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS
FRAUDE VIA COMPUTAÇÃO
INCITAÇÃO À VIOLÊNCIA
INCITAÇÃO À DISCRIMINAÇÃO
PEDOFILIA
PIRATARIA
PROTESTO CONTRA INSTITUIÇÕES
PORNOGRAFIA INFANTIL
PRÁTICA DE RACISMO
SABOTAGEM
SEDUÇÃO
ESTÍMULO AO TRÁFICO DE DROGAS
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
TRANSFERÊNCIA DE DADOS
VIOLAÇÃO DE SOFTWARES
VIOLAÇÃO DO DEVER DE INFORMAR (BARROS, 2002).

De acordo com Silva (2000) o perfil do criminoso, baseado em pesquisa empírica, indica jovens, inteligentes, educados, com idade entre 16 e 32 anos, do sexo masculino, magros, caucasianos, audaciosos e aventureiros, com inteligência bem acima da média e movidos pelo desafio da superação do conhecimento, além do sentimento de anonimato, que bloqueia seus parâmetros de entendimento para avaliar sua conduta como ilegal, sempre alegando ignorância do crime como sendo simplesmente, “uma brincadeira. E esses jovens têm como preferência ficção científica, música, xadrez, jogos de guerra e não gostam de esportes, sendo que suas condutas geralmente passam por três estágios: o desafio, o dinheiro extra, e, por fim, os altos gastos e o comércio ilegal.

2.7 Crimes digitais no Brasil

Os ataques por meio da Internet aumentaram consideravelmente em 2007 e 2008. Criminosos cibernéticos utilizaram 785.684 programas maliciosos de computador, conhecidos como malware. Ferramentas e “kits” prontos estão à disposição de criminosos por meio da Internet. E a surpresa é que a maioria dos ataques é direcionada a saquear contas depositadas sob aguarda de instituições financeiras no Brasil. O Brasil se tornou o terceiro maior disseminador de malware e arquivos espiões do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. A tendência desse tipo de golpe, de malware, é aumentar, na medida em que o número de internautas também aumenta com o passar do tempo (SANTOS e SALOMÃO, 2008).
De acordo com Junior (2007) os crackers, chamados equivocadamente de hackers, especialistas em invadir sistemas informáticos e bancos de dados, sempre com o intuito de causar prejuízo (concorrência desleal, dano, violação de direito autoral e outras condutas). As estatísticas revelam que o Brasil é o País com o maior número de crackers especialistas no mundo.
[…] empresas em diversos pontos do País, públicas e privadas, têm sido vítimas dos crimes de computadores, e a gravidade da questão é mascarada pela “síndrome da má reputação”, que leva tais empresas a assumirem os prejuízos, encobrindo os delitos, temendo uma propaganda negativa ou um estímulo a outros delinqüentes do gênero. Consideram ainda que o grupo de criminosos digitais atuando no Brasil ainda é pequeno, restrito aos que dominam idiomas estrangeiros e detém tecnologia de “ponta” e habituados à área financeira (CORREIA, 1994, p258).
De acordo com Silva (2000) a atuação da polícia em crimes de computador requer investigação especializada e ação efetiva. Não existem no Brasil policial preparados para combater esse tipo de crime, faltando visão, planejamento, preparo e treinamento. Silva ainda diz que o passo inicial e premente é a criação de uma unidade policial especializada em investigação e atos de polícia judiciária para crimes de alta tecnologia, que englobaria os crimes de computadores e outros que aparecerem no rastro do desenvolvimento tecnológico dos próximos anos.

2.8 Perspectivas de combate aos crimes

Recentemente nos Estados Unidos o deputado Michael Fitzpatrick propôs uma lei federal que proíbe que escolas e bibliotecas permitam acesso por menores de idade a sites comerciais que exijam criação de perfis, como os fóruns, salas de bate-papo, blogs, messengers, e-mails e sites de relacionamento. Paralelamente à proposta do deputado Fitzpatrick, o procurador-geral americano Alberto Gonzales, declarou que os provedores não colaboram no combate à pornografia infantil ocorrida em seus suportes, razão pela qual enviou ao Congresso norte-americano proposta de Emenda que assegure tal colaboração. Os provedores não estariam guardando registros dos pedófilos. A proposta exige que os websites possuam tarja de esclarecimento sobre conteúdo caso contenham informações de sexo, bem como a obrigação dos provedores comunicarem ao Departamento de Justiça a existência de pornografia infantil em seus sistemas. Os provedores que falharem no cumprimento das exigências serão severamente punidos (MENDES, 2009).
Segundo Demetrio (2009), o Brasil caminha na contramão da legislação mundial de crimes eletrônicos. Para ele, o Código Penal não reflete a realidade dos crimes cometidos com as novas tecnologias. Segundo ele o código penal não consegue ser suficiente para tratar dos crimes eletrônicos, enquadrados atualmente como furto, dano, apropriação indébita, estelionato, divulgação de segredo e crime contra a propriedade intelectual e industrial. No caso do Keylogger (programa de computador que vigia tudo o que o usuário digita) não existe nenhuma previsão legal e é feita uma espécie de adaptação para se encaixar na lei. Os cavalos de tróia (programas que invadem o computador e liberam caminho para outra invasão) também apresentam problemas porque não existem punições específicas.
Segundo Arnaud Laurans (2009) com a divulgação do governo brasileiro em adotar novas carteiras de identidade baseadas na tecnologia de Smart Card, o governo brasileiro dá um salto importante para garantir a integridade e a segurança digital de seus cidadãos, uma vez que a adoção do chip possibilitará o armazenamento dos certificados digitais e características biométricas que permitirão identificar e autenticar os cidadãos tanto no mundo físico quanto no mundo virtual. Questionamentos como esses estão em pauta e várias medidas têm sido tomadas. O governo, por exemplo, esforçou-se com a melhora, ano a ano, do Projeto de Lei que regulamenta o uso da internet no Brasil e prevê punições a chamada Lei dos Crimes Digitais.

3 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

O trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa teórica, aplicada com ênfase em livros, artigos publicados na Internet, além de, em sede introdutória, tecer algumas considerações acerca da grande evolução dos crimes cometidos em meio eletrônico. Foi adotado o método de abordagem descritiva. Após a instrução foi desenvolvido o tema e obteve-se um texto com a finalidade de fazer o leitor refletir sobre as mais diversas situações que estamos vivenciando no mundo digital, os tipos de crimes, o perfil do criminoso virtual, a falta de legislação específica e os possíveis métodos que serão adotados a fim de inibir as ações dos infratores.

4 RESULTADOS

Os benefícios trazidos pelo avanço da tecnologia e pelo uso dos computadores são indiscutíveis, pois o acesso à informação constitui um verdadeiro patrimônio econômico, político e cultural. Entretanto, esses benefícios trouxeram consigo os crimes e criminosos digitais. O foco dessa pesquisa é alertar as pessoas para o perigo iminente e que esta dentro de casa. Deixamos o criminoso entrar pela porta da frente, entregamos nossos dados pessoais e se quer atentamos para o fato de estarmos sendo extorquidos. Quando percebemos, o estrago já este adiantado e muitas vezes são irreparáveis.
O crime digital pode afetar dezenas de países, sem que o agressor saia de casa e o que mais assusta e a proporção com que isso ocorre. E uma preocupação de nível mundial e a precaução é, sem sombra de dúvidas, a melhor arma.

5 CONCLUSÃO PARCIAL

Em conclusão, observamos que paralelamente à Internet, cresce também várias modalidades de crimes, que por serem recentes e desconhecidos das autoridades, não possuem legislação própria, descaracterizando a infração e fortalecendo a ação delituosa do criminoso.
É sabido ainda, que com a experiência e maturidade no desenvolvimento de novas idéias e sistemas preventivos de crimes digitais, novas formas de segurança serão implantadas a fim de se estabelecer uma maior segurança na rede.

6 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CORREIA, Antonio. Dos crimes contra ordem tributária. São Paulo: Saraiva, 1994. 285p.
DEMETRIO, Amanda. Brasil caminha na contramão da legislação mundial de crimes eletrônicos 2009. Disponível em: < http://www.newstin.com.br/related.a?edition=br&group_id=pt-010-001142388&similarFilter=ALL > Acesso em: 18 out. 2009.
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O SISTEMA ACUSATÓRIO

0

CENTRO UNIVERSITÁRIO PLÍNIO LEITE
O SISTEMA ACUSATÓRIO.
ALVILANE FERREIA LEMOS
UNIPLI
2009

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 DELIMITAÇÃO DO TEMA
3 OBJETIVOS
4 JUSTIFICATIVA
5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
6 HIPÓTESE
7 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
8 METODOLOGIA DA PESQUISA.

1 INTRODUÇÃO

A Constituição Federal de 1988 consagrou o sistema acusatório como único gestor do processo penal, não existindo mais espaço para o inquisitorialismo do período medieval. Com efeito, os próprios princípios do devido processo legal, contraditória e ampla defesa, pronunciadas como direitos fundamentais do cidadão, não deixam dúvidas quanto à opção constitucional pelo sistema acusatório, eis que inconciliáveis tais princípios com o sistema inquisitivo, onde o réu tem que se defender de seu próprio julgador, o qual funciona também como acusador.
O maior desafio dos processualistas da atualidade consiste em, exatamente, fazer a ponderação entre as garantias fundamentais inerentes a um processo penal democrático e a efetividade deste processo, não perdendo de vista que esta também é uma garantia fundamental, como componente do direito de acesso à Justiça e que, uma vez completamente sacrificada, pode conduzir a uma impunidade que, a longo prazo, tende a comprometer a própria manutenção do regime democrático que se pretende preservar.
O Código de Processo Penal remonta à década de 40, é urgente, pois, a sua reforma, incorporando inovações, as quais venham a facilitar a tarefa de preparação da ação penal, com o intuito de se buscar dentro de um processo democrático a efetividade necessária ao seu fim último, que é a manutenção da ordem jurídica, com a perfeita aplicação das normas de convivência que regem as relações humanas. Em face desta necessidade teve início um Projeto de Lei 1.914/07 que tramita na Câmara dos Deputados, o qual prevê a instituição do Juízo de Instrução Criminal Preliminar mediante a alteração do Código de Processo Penal. O ponto crucial da proposta consiste na extinção do inquérito policial de modo que, a autoridade policial, tão-logo tome conhecimento de infração penal, deverá garantir a coleta de dados sobre o crime e apresentar imediatamente a vítima, o suposto autor do delito e as testemunhas ao juízo de instrução criminal. A idéia é dotar o sistema de segurança de regras mais eficazes, ajustadas à necessidade de celeridade no combate ao crime, sem ferir os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório.
A proposta transfere as investigações que hoje são conduzidas no inquérito policial para dentro do processo criminal. Para isso, cria o juízo de instrução criminal – órgão que reunirá em uma mesma fase o trabalho dos diversos agentes, como a Polícia, o Ministério Público e o Judiciário.
Entrementes, críticos da proposta consideram o texto inconstitucional, um dos motivos é que a Carta Magna instituiu um modelo que diferencia as figuras do julgador, do defensor e acusador.
Ademais, na prática, se o sistema acusatório é o que mais se aproxima do regime das liberdades, e se o sistema do juízo de instrução significa, para a melhor doutrina, um retrocesso, tal é sua flagrante ineficiência já revelada em vários países da Europa, imagine-se a adoção de tal sistema aqui no Brasil, que tem uma dimensão continental, e onde, na maioria de seus rincões, não há juízes nem promotores.

2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A fim de se proceder à análise do tema proposto, inicialmente insta salientar que a pesquisa se baseará, precipuamente, em ramos próprios do Direito Público, a saber, no Direito Constitucional, bem como no Direito Processual Penal.
Com a proposta da presente pesquisa pretende-se estudar os Princípios Constitucionais e a legitimidade no processo penal, traçar a participação dos órgãos estatais na investigação e, por fim, abordar os problemas e as vantagens quer giram em torno do Projeto de Lei 1.914/07.
Ressalte-se que, as garantias fundamentais, os princípios que norteiam o processo penal e a separação das atividades de julgar e acusar são matérias com expressa previsão constitucional, a teor das disposições contidas nos artigos 5º, 60 § 4º, 129 e 144, todos da Constituição Federal de 1988.
Por sua vez, o processo, como instrumento para a realização do Direito Penal, deve realizar sua dupla função: de um lado, tornar viável a aplicação da pena, e de outro, servir como efetivo instrumento de garantia dos direitos e liberdades individuais, assegurando os indivíduos contra os atos abusivos do Estado.

3 OBJETIVOS

Pretende-se, em caráter geral, traçar as regras de um sistema acusatório harmonizado com os direitos fundamentais, que garante ao réu todos os direitos assegurados num processo penal democrático, mas que também garanta a efetividade deste mesmo processo.
Desta forma, com a proposta da presente pesquisa pretende-se traçar o perfil de um novo Ministério Público e de uma nova Magistratura Criminal, além de uma nova Polícia, atentos a todos os paradigmas de uma sociedade democrática contemporânea.
Isto porque, em relação ao referido projeto de lei, há de se destacar alguns pontos controvertidos dentre eles a previsão do juiz participar das investigações prévias, o que para alguns pode afetar sua isenção no julgamento, e ainda, segundo a melhor e majoritária doutrina, o sistema do juizado de instrução exclui praticamente o Ministério Público da relação processual de repressão, sem falar que a Constituição Federal cuidou de assegurar aos delegados de polícia de carreira não só a gerência do órgão policial, mas a função de polícia judiciária. Tal a interpretação literal de seu § 4o, do artigo 144. Deste modo, o que a Constituição constituiu somente a ela toca o poder jurídico de desconstituir.
Para tanto, no prazo total de 06 meses, cumpre verificar:
a)se o referido projeto de lei (Nº 1.914/2007) ao alterar o Código de Processo Penal instituindo o Juízo de Instrução Criminal Preliminar afronta competência e disciplina de ordem constitucional;
b)se o juiz que participará das investigações prévias pode ter afetada sua isenção no julgamento; e
c)o que é pretendido com o aludido projeto de lei, que embora tenha defeitos e arranhe dispositivos constitucionais também tem o mérito de evitar a duplicidade de atos praticados ao longo da investigação criminal.

4 JUSTIFICATIVA

A pesquisa pretendida se justifica num momento em que tem florescido na sociedade a busca pela resposta de um clamor de segurança, por parte da articulação das instâncias responsáveis por esta atribuição. Segundo justificativas dos autores projeto de lei (deputado Maurício Rands e outros) para se atender a este clamor se impõe que inovações sejam incorporadas ao Código de Processo Penal, as quais venham a facilitar a tarefa de preparação da ação penal, resguardando os princípios constitucionais que garantem cláusulas pétreas do nosso ordenamento jurídico tais como: a garantia do instituo do contraditório e da ampla defesa do suspeito ou acusado.
O Juízo de Instrução Criminal Preliminar objetiva dar mais celeridade à conclusão da ação penal, evitando, por exemplo, que vítimas, acusado e testemunhas sejam ouvidas durante o inquérito e, depois, chamadas novamente pelo juiz para prestar depoimento. Há defensores do projeto que afirmam que a integração dos diversos agentes tem como único objetivo esclarecer mais rapidamente a verdade, a justificativa é a de que com o Juízo de Instrução Criminal, espera-se integrar desde o primeiro momento todos os agentes, economizando fases processuais como interrogatórios e audiências com testemunhas.
Assim, a pergunta que se deve fazer é: a duração do processo hoje é suficiente para inibir a criminalidade? Ou será que a demora na tramitação das ações é um fator causador da criminalidade?
Como já mencionado, o apreciado projeto de lei surgiu da necessidade de responder ao clamor de segurança presente na sociedade. Tal projeto visa conferir eficácia à jurisdição criminal, respondendo a um dos mais importantes anseios da sociedade brasileira, de modo a possibilitar a efetiva e imediata punição dos culpados, vez que enseja a elucidação da verdade real, na medida em que aproxima a coleta da prova do momento de ocorrência da infração penal.

5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

Tendo em vista as características e os princípios que envolvem o Sistema Acusatório, mister se faz verificar a compatibilidade do Juízo de Instrução Criminal Preliminar com tal sistema processual proclamado pela Constituição de 1988.
Verificada a respectiva compatibilidade, necessário se faz analisar todos os aspectos fáticos que o Juízo de Instrução Criminal envolve. Ademais, merecem ser analisadas também as vantagens e as dificuldades decorrentes da implantação do Juízo de Instrução Criminal no Brasil.
Dissecados todos esses pontos, impõe-se o estudo de seu enquadramento dentro do ordenamento jurídico pátrio, a fim de estabelecer quais os valores juridicamente protegidos pela Carta Magna que o referido projeto de lei possa violar.

6 HIPÓTESE

Perfazendo-se um exame da realidade frente ao projeto de lei, percebe-se que será necessário mexer com toda uma estrutura hoje existente, não aparecendo no referido projeto o posicionamento dos vários atores envolvidos nas modificações que se pretende implementar, particularmente os dois pólos institucionais do sistema penal e processual penal: a Polícia e o Poder Judiciário
Por tais razões, pretende-se fornecer, com o trabalho de pesquisa a ser desenvolvido, ao arrimo da dogmática jurídica vigente, elementos jurídicos para concluir que:
a)o Juízo de Instrução Criminal Preliminar fere o sistema processual consagrado pela CF/88;
b)o aludido projeto de lei é inconstitucional por violar cláusula pétrea;
c)o Juízo de Instrução Criminal Preliminar ao retirar da Polícia as suas atribuições de conduzir o procedimento instrutório não significará que o processo será mais célere, haja vista quantos processos dormitam junto ao Poder Judiciário, infelizmente assoberbado com tantos processos ancorados por inúmeros recursos à disposição da defesa
d)a proposta de reforma do Código de Processo Penal, ao pretender indiretamente extinguir o inquérito policial, violou elemento conceitual de um direito e garantia individual – a sagrada prerrogativa ao devido processo legal, não podendo, desta forma, ser efetivada, ainda que seja por intermédio de emenda à Constituição .

7 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

FEITOZA, Denílson. Direito Processual Penal Teoria, Crítica e Práxis. 4ª Edição. Niterói: Editora Impetus. 2006.
Trata-se de obra inovadora, clara, sistemática, rigorosa, teórico-prática e imprescindível ao aluno, ao professor, ao profissional e ao estudioso, seja para estudo na graduação, pós-graduação, seja para uso prático na propositura de ações, oferecimento de pareceres, preparação de defesas, elaboração de sentenças e interposição de recursos. Devido ao aprofundamento gradativo dos temas item a item, faculta uma dupla abordagem, segundo o nível de profundidade desejado: didática ou crítico-científica.
Há que se destacar a preocupação do autor com os elementos da práxis forense, de forma que a presente obra é dedicada não apenas aos estudiosos do Direito Penal, mas também aos profissionais da magistratura, do Ministério Público, da advocacia e da polícia judiciária

8 METODOLOGIA DA PESQUISA.

Há o intuito de se desenvolver trabalho de pesquisa documental, inicialmente, com base na produção doutrinária tanto do direito pátrio, quanto do direito comparado, que versem sobre a direitos e garantias individuais e o sistema processual proclamado pela Constituição de 1988.
Da mesma forma, será objeto de pesquisa os diversos julgados do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, bem como as decisões proferidas nas demais instâncias inferiores, a fim de delinear quais os valores que os referidos defendem no exercício de suas atribuições legais. Dada a extensão da pesquisa em evidência, será necessária, ainda, a consulta em bancos de dados por meio da rede mundial de computadores.

BIBLIOGRAFIA.

1.FEITOZA, Denílson. Direito Processual Penal Teoria, Crítica e Práxis. 4ª Edição. Niterói: Editora Impetus, 2006.
2.GRECO FILHO, Vicente. Manual de Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 2007.
3.CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 14ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008.
4.Brasil. Constituição da República. São Paulo: Saraiva, 2008.

QUALIDADE DE VIDA NOS IDOSOS 1/2

0

1 INTRODUÇÃO

O processo de envelhecimento do idoso diante de certas adversidades e dificuldades, nas quais eles necessitam fazer intenso uso de seus aparelhos psíquico, um trabalho mais frequênte de elaborações de luto, independente da estrutura de personalidade, e que caracteriza-se de várias perdas, que vão desde limitações físicas, cognitivas, sociais, afetivas, decorrentes da idade avançada, bem como doenças ou condições sócio econômicas desfavoráveis, obscuros e críticos para a ciência.

Dessa forma o idoso é visto, como um corpo físico composto de ossos, interligados por cadeias musculares, que se relacionam através de comandos neuronais na busca de um equilíbrio estático e dinâmico¹.

Quando falamos de idosos é como, somente um corpo doente, modificado em suas estruturas e sem necessidades emocionais, em um contexto de trabalho anátomo funcionais que envolvem a manutenção de um padrão postural consequentemente de mecanismo neurofisiológicos que se relacionam ao comando das suas estruturas músculo-esqueléticos².

Ao estabelecermos uma atenção a ser baseada no físico e nas patologias, uma condição de um idoso que é tido por uma perspectiva desumanizada ao ser visto apenas por sua estrutura corpórea a luz de sua concretude biológica².

Ao observar a necessidade da elaboração de mais estudos sobre as características de uma população idosa e atenção a eles, é delicada. A população de idosos é muito peculiar em suas necessidades. Relatos antigos na história mundial, já expressavam preocupações quanto aos cuidados, ao relacionamento familiar e as questões éticas no processo de envelhecimento. Em 1999, uma organização sem fins lucrativos revisou a situação das políticas nacionais sobre o envelhecimento em 46 países³.

No Brasil, a preocupação com essa explosão demográfica, também ocorre há vários anos e vem crescendo cada vez mais devido ao aumento da expectativa de vida, em aumento do número de idosos. O último Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Bioestatística (IBGE) acusou que, no Brasil, a população com idade igual ou superior a 60 anos soma mais de 14,5 milhões de pessoas, 8,56% da população total, sendo que quase 2 milhões estão acima dos 75 anos, e destes, cerca de 25 mil estão acima dos 100 anos. Chama a atenção que dessa população já viveu 100 anos ou mais, quase 90% são mulheres4.

Estima-se também que em 2050 a população de idosos represente 18% do total de brasileiros, o que corresponderá aproximadamente 47 milhões de idosos. Com uma dinâmica de cuidado aos idosos algumas adaptações da família, dos programas governamentais, da sociedade, das instituições, e, em especial, da equipe que atende essa população idosa³.

Torna-se cada vez mais evidente a necessidade de discutir os direitos dos idosos, assim como ocorreu em 2003 no Senado Federal, momento em que foi lançada uma redação do estatuto do idoso que garante que ele goze de todos os direitos fundamentais inerentes a pessoa humana. Um bom exemplo, pela lei todas as facilidades para prevenção da sua saúde física ou mental seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social em condições de liberdade e dignidade4,5.

O envelhecimento é um processo natural que desperta muito medo e fantasia. É importante rever que o envelhecer é uma qualidade de vida que está presente em todos, entretanto nem todos conseguem isto. O idoso no Brasil deve merecer cada vez mais o interesse dos órgãos públicos, dos formuladores de políticas sociais e da sociedade em geral, dado o volume crescente desse segmento populacional de suas características demográficas, econômicas e sociais requerendo cuidados e atenção ao idoso6.

O envelhecimento é bem sucedido como competência adaptativa do individuo, pois as capacidades generalizada são desafios para resultante do corpo, da mente e o ambiente. Competência adaptativa é dimensional como: estratégias e habilidades para lidar com o individuo estressores em relação a capacidade para a resolução de problemas e no desempenho e competência social6.

Os idosos tem tarefas que diferem entre outras idades por serem mais defensores e preventivas, pois a qualidade de vida dos idosos são ajustadas ao decrécimo da força física e saúde; á aposentadoria e á redução de renda; se ajustar a morte do esposo(a); estabelecer filiação a um grupo de pessoas idosas: manter as obrigações sociais e cívicas e estabelecer arranjos físicos satisfatórios para viver bem a velhice6.

Os idosos tem sido estereotipados na sociedade ocidental, o idoso ao fim da vida são olhados na sociedade com um preconceito que idosos são: todos iguais.Os idosos temem a sua ida ao seu lar pois diminui a sua dependência. Os profissionais da saúde que tem um alerta sobre que a internação do seu nível de autonomia e qualidade são os princípios éticos dos cuidados de saúde e a ação social 7.

Há a necessidade de programas de apoio aos idosos e políticas sociais para que os idosos se mantenham plenamente capazes de enfrentar não só a vertente assistencial mais sim valorizar a ocupação da educação e autonomia7.

Novos caminhos para os idosos são: as comunidades e familiares, destaques na criação de uma estrutura, bem como proporcionar efetivas opções aqueles que decidem a deixar o serviço ativo. Um ambiente familiar detecta características no comportamento do idoso. Em convívio com sociedade, o idoso tem mais carinho, experiências, idéias, sentimentos, conhecimentos, dúvidas.

Para trazer felicidade ao idoso é preciso engajá-lo em atividades para sentir se útil. As atividades em grupos são formas que o individuo engajado socialmente, pode se relacionar com outras pessoas, o que contribui significativamente para a sua qualidade de vida8 .

Profissionais da saúde devem minimizar e prevenir os efeitos do envelhecimento, estimulando a participação dos idosos em grupos de afetividades para contribuição da qualidade de vida dependente da sua participação e autonomia9.

A qualidade de vida resulta em valorização aos idosos. Um bom relacionamento, com os amigos e familiares, pois sua participação em organização social é de imensa importância, para contribuir com o bem estar, alegria e amor, condição financeira estável de trabalho10.

O envelhecimento com qualidade é importante, pois as questões familiares, da sua vivência conjunta, dada à especificidade do relacionamento nessa etapa do ciclo, principalmente, da perda de papéis por parte do senescente, bem como da transferência desses papéis para os filhos, demandando transformações nas maneiras de definir os elementos presentes na experiência familiar¹¹.

Os processo atributos de envelhecimento nas suas múltiplas dimensões, tem como a relação dos senescentes com a sociedade e a família que, suscita nos idosos padrões de comportamentos que prejudicam sua qualidade de vida¹¹.

A relevância científica e social ao investigar as condições do bem-estar na senescência e os fatores associados à qualidade de vida de idosos, no intuito de criar alternativas de intervenção e propor ações e políticas na área da saúde, buscando atender às demandas da população que vem cada dia mais se envelhecendo¹².

As condições de vida e saúde do idoso são avaliadas de forma que permite implementação de propostas de intervenção, tanto em programas geriátricos quanto em políticas sociais gerais, no intuito de promover o bem-estar dos que envelhecem¹².

A qualidade de vida e a percepção refletem os indivíduos que necessitam ser satisfeitas ou que lhes estão sendo negadas oportunidades de alcançar a felicidade e a auto-realização, com independência de seu estado de saúde físico ou das condições sociais e econômicas¹².

Segundo a OMS, o ambiente físico em que o idoso está inserido pode determinar a dependência ou não do indivíduo. Dessa forma, é mais provável que um idoso esteja física e socialmente ativo se puder ir andando com segurança à casa de seus vizinhos, ao parque ou tomar o transporte local. Idosos que vivem em ambientes inseguros são menos propensos a saírem sozinhos e, portanto, estão mais susceptíveis ao isolamento e à depressão, bem como ter mais problemas de mobilidade e pior estado físico, o que vem a influenciar a qualidade de vida. A moradia e o ambiente físico adequados têm influência positiva na qualidade de vida do idoso. Quanto mais ativo o idoso, maior sua satisfação com a vida e, consequentemente, melhor sua qualidade de vida¹².

O idoso em domicílios tem a convivência com familiares pode tanto oferecer benefícios, no sentido do apoio familiar nas condições debilitantes e de dependência, podendo reduzir o isolamento, mais também podendo gerar conflitos, que acabam o auto-estima e o estado emocional do idoso, afetando de forma marcante a qualidade de vida¹².

Alguns programas da terceira idade, caracterizam-se como propostas de educação permanente ou de educação continuada. A educação permanente é concebida como um fato educativo global, sem limites de idade, sociais e culturais. Uma forma diferente, a educação continuada equivale à educação convencional de adultos, referindo-se ao prolongamento do sistema ao longo de toda a vida, segundo a demanda do indivíduo e a sociedade¹³.

Os motivos principais que levam os idosos a procurarem as os grupos da terceira idade são a busca por conhecimentos,amigos,companheiros, atualização cultural, autoconhecimento, autodesenvolvimento, contato social, ocupação do tempo livre e o desejo de ter maior conhecimento para ajudar outras pessoas na defesa de seus direitos¹³.

Uma característica para a terceira idade é a maioria da população que são mulheres Pode estar relacionado às diferenças entre homens e mulheres quanto à representação do envelhecimento e como esses indivíduos percebem estas mudanças: as mulheres com maior interesse cultural, e os homens mais pelos assuntos políticos¹³.

Uma relação entre qualidade de vida e sintomas depressivos são formas que os indivíduos avaliam a sua qualidade de vida, pois apresentam mais sintomas depressivos do que aqueles que têm esperança, pois melhora a condições de saúde, entre eles a qualidade de vida¹³.

O idoso tem alguns fatores que podem desencadear sintomas depressivos, tais como a falta ou perda de contatos sociais, depressão, viuvez, vida estressantes, casas asilares, baixa rendam, ansiedade, falta de atividades sociais, nível educacional baixo e uso de medicação antidepressiva, a perda do estado de saúde física, e o início da depressão¹³.

Podem evitar a depressão o apoio que o indivíduo recebe em relações interpessoais, uma rede de amigos e de familiares podem ajudar os idosos a evitar a depressão. Amizades ou vínculos de confiança, parceiro ou amigo podem proteger os indivíduos contra o surgimento de sintomatologia depressiva¹³.

A tendência das condições crônicas que afetam os idosos são abrangente e de forma geral num processo incapacitante das suas funcionalidades, se manifestando de forma expressiva atingindo as suas atividade cotidiana. Ao se manifestarem essas infuncionalidades há necessidade de freqüentes cuidados14.

Dentro das incapacitantes funcionalidade do idoso está a deficiência auditiva que mais acometem essa população. Dificultando a comunicação, favorecendo o isolamento social, depressão e sentimentos negativos afetando seriamente a qualidade de vida, há prejuízos nas relações nas relações interpessoais do idoso, dificuldades para se manter informados pelos meios de comunicação e a usufruir de lazer 15.

Para melhorar a qualidade de vida da população, tende a crescer nos próximos anos, é de grande valia social. A realização de avaliações auditivas e os encaminhamentos para a seleção e adaptação de prótese auditiva devem fazer parte da rotina de profissionais das mais variadas áreas que trabalham com adultos e idosos15.

Limitações , impacto e agravamento progressivo na qualidade de vida, são comumente causados pela insuficiência cardíaca que tem como desfecho final das doenças cardio vasculares, As limitações vem dos sintomas físicos, como fadiga dispnéia que são características da doença, com o agravamento progressivo, vem o medo, e sintomatologias emocionais com a insegurança, a tristeza, perda da memória e de atenção, pode diminui o equilíbrio, onde pode ocasionar quedas comprometimento da calcificação óssea pela idade, além de ferir a qualidade de vida 16.

A insuficiência cardíaca está associada ao comprometimento do desempenho funcional, traduzindo no relato das idosas pelas limitações nas atividades habituais do dia-a-dia, incapacidade para o trabalho e no estabelecimento de relações sociais e perda da independência. A avaliação do tratamento do idoso com insuficiência cardíaca, que venham subsidiar o desenho de intervenções que, por meio da melhora da independência funcional, possam resultar em melhoria de sua qualidade de vida relacionada à saúde dos idosos 16.

Cuidar do idoso é o objetivo dos profissionais da saúde, além de integrá-lo a sociedade, protege-lo, almejando estar preparados a lidar com especificidade deste processo do envelhecimento, tratar seus distúrbios e não apenas lidar com um organismo biológico .Os dados demográficos e epidemiológicos no Brasil,deve-se considerar a necessidade de abordagem abrangente que valoriza o ser humano a partir de suas complexidades, abrindo espaços para adicionar autonomia e bem-estar aos anos de vida ampliados16.

Há influência significativa dos fatores físicos, ambientais, psicoemocionais e sociais para o bem estar do idoso que são fundamentais para manter uma vida saudável, feliz e participativa. Para beneficiar idosos, familiares e a população que está envelhecendo uma abordagem preventiva, global e multidisciplinar para reabilitar reduzindo e postergando as doenças orgânicas e crônicas17. Políticas saudáveis devem ser implementadas utilizando de mecanismos operacionais concretos e estratégicos promovendo a saúde e qualidade de vida numa gestão social integrada a municípios, considerando o contexto local, utilizando-se de programas de integração para atacar o ciclo de pobreza, doença e sofrimento. Esta responsabilidade para o profissional da saúde implica na saúde e qualidade de vida do idoso como um todo17

O Estado ganha favorecendo pessoas maior de 65 com o menor custo benefícios ao promover saúde e profilaxia comprimindo a morbidade. Trata-se da educação para auto formação da pessoa que aprende a se tornar um cidadão, em busca do mais auto grau de saúde física e da sua própria identidade. Segundo a Organização Mundial de saúde (OMS), O objetivo da educação em saúde é desenvolver nas pessoas o senso de responsabilidade pela sua própria saúde e da comunidade a que pertençam capacitando os de maneira participativa e construtiva 18.

Nos programas educacionais está o objetivo de envolver todos os membros do grupo patológico, familiares e pessoa mais próxima ao idoso, integrando-os e influenciando a interagir conjuntamente com os profissionais da saúde construindo uma compreensão das implicações do processo do envelhecimento e o que traz na vida do indivíduo e seus desdobramento no contexto familiar 18.

Com o trabalho educacional em saúde do idoso o que se pretende, é ir de encontro aos desejos de familiares e idosos de melhorar a qualidade de vida, Funciona como motivação, tornando interessante o aprendizado. Profissionais e sujeitos autônomos desenvolvem e constroem essa autonomia com base na imaginação de um futuro melhor 18 .

Alguns aspectos a serem considerados nas atividades de ensino aos idosos são os fatores fisiológicos, sociais, econômicos e culturais, como alteração da memória, comprometimento sensorial, escolaridade e deficiência de sistemas de suporte à saúde e da rede social de apoio. É preciso valorizar os sujeitos naquilo que têm de melhor, sua história, seu tempo a sua capacidade de criação 18.

Estimulando ao sentimento do idoso, na família e na sociedade a participar construtivamente, fundamentando este respeito de direito à saúde com qualidade de vida, com os idosos nas comunidade saudável, fica mais fácil identificar e entender os determinados condicionamentos das desigualdades, construindo assim meios de superar e promover integração com toda a sociedade!. Integrando também os programas de saúde na terceira idade em o idoso e a sua família 18 .

2 OBJETIVO

Analisar as publicações que abordam a qualidade de vida do idoso no Brasil.

3 METODOLOGIA

3.1 Característica da pesquisa

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica no período de 1999 a 2009. Segundo Severino8 revisão bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, livros, artigos, teses etc. Utiliza-se dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados.

3.2 Critérios de Busca

Os artigos serão localizados em periódicos científicos, nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde ) e Scielo ,com recorte temporal a partir de 1999 e somente textos no idioma português realizados no Brasil. Serão utilizadas os seguintes descritores de busca: Qualidade de Vida e idoso.

4 ANÁLISE e DISCUSSÃO DOS DADOS

Na base de dados Scielo, foram encontrados 60 artigos, sendo que 15 artigos atendiam ao propósito da pesquisa.

Na base de dados LILACS, que registra as pesquisas produzidas na América Latina e Caribe. Foram encontrados 58 artigos sendo que 15 artigos estavam presentes também na Scielo e somente 04 falam sobre qualidade de vida no idosos.

DISCUSSÃO

IBGE

No Brasil, a transição demográfica é incontestável. Até o ano 2025, possivelmente ocuparemos o sexto lugar da população de idosos do planeta com 31,8 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais. Porém, estamos longe de atingirmos o envelhecimento bem sucedido4 .

ENVELHECIMENTO

O envelhecimento populacional brasileiro caracteriza-se pelo acúmulo de incapacidades progressivas nas suas atividades funcionais e de vida diária, associada a condições socioeconômicas adversas. A mortalidade é substituída por comorbidades e a manutenção da capacidade funcional surge, portanto, como um novo paradigma de saúde, relevante para o Idoso. O acelerado ritmo de envelhecimento no Brasil cria novos desafios para a sociedade Brasileira contemporânea, onde esse processo ocorre num cenário de profundas transformações sociais, urbanas, industriais e familiares 9, 8 6

INSTITUCIONALIZADOS

A família encontra grandes dificuldades para o desempenho das funções tradicionais a ela atribuídas, de educadora das crianças e cuidadora dos mais velhos. Se as instituições para idosos, conhecidas como asilos, se destinavam à velhice desvalida, hoje, na sociedade marcada pelo envelhecimento, passam a ter uma nova missão: cuidar de idosos necessitados de uma assistência multiprofissional, em face das perdas funcionais que tornaram problemática a vida a sós ou com a família. Com o crescimento dessa população idosa e dependente de cuidados especiais, as instituições destinadas a prestar assistência a essa população se tornam cada vez mais necessárias. A busca de novos modelos institucionais que propiciem um ambiente e cuidados específicos e que preservem e promovam os direitos fundamentais do idoso como ser humano devem ser incentivados. Essa busca muitas vezes proporciona a aproximação entre a comunidade e a universidade e vice-versa 29 .

Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado, grande nível de sedentarismo, carência afetiva, perda de autonomia causada por incapacidades físicas e mentais, ausência de familiares para ajudar no autocuidado e insuficiência de suporte financeiro. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e comorbidades refletindo em sua independência e autonomia. O novo paradigma de saúde do idoso brasileiro é como manter a sua capacidade funcional mantendo-o independente e preservando a sua autonomia. O idoso institucionalizado e a entidade que o abriga, geralmente, não conseguem arcar sozinhos com a complexidade e as dificuldades da senescência e/ou senilidade. Como se pode ver, o prolongamento da vida não é uma atitude isolada8, 9 .

PROFISSIONAIS EM AZILOS

Profissionais que trabalham com o processo do envelhecimento nas mais diversas áreas de saber (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros), tentam proporcionar, em todos os níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terciário), o bem estar bio-psico-social dos idosos institucionalizados, potencializando suas funções globais, a fim de obter uma maior independência, autonomia e uma melhor qualidade para essa fase de vid8, 9

UNIVERSIDADE E ASILO

Para se alcançar esta abordagem holística do idoso, foi criado o Programa de Extensão Universitária: Melhoria da Qualidade de Vida dos Idosos Institucionalizados, tendo, como temática principal, a manutenção da capacidade funcional global que é, em essência, uma atividade multiprofissional33,

Esse programa faz parte do Núcleo de Geriatria e Gerontologia (NUGG) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e é composto por quatro projetos: Atividades Educativas com Idoso de Instituição Asilar, Assistência Fisioterápica aos Idosos da Casa do Ancião da Cidade de Ozanan, Assistência Multiprofissional aos Idosos da Casa do Ancião da Cidade de Ozanan, Oficina de Extensão da Terceira Idade: Desenvolvimento de Tecnologias na área de Gerontologia. As atividades são realizadas nas áreas de medicina, fisioterapia, enfermagem e engenharia mecânica, e recentemente somou-se ainda a colaboração participativa da fonoaudiologia33.

ENVELHECIMENTO

O envelhecimento se refere a um fenômeno fisiológico de comportamento social ou cronológico. É um processo biossocial de regressão, observável em todos os seres vivos expressando-se na perda de capacidade ao longo da vida, devido à influência de diferentes variáveis, como as genéticas, danos acumulados e estilo de vida, além de alterações psico-emocionais1. Definido como um fenômeno altamente complexo e variável, comum a todos os membros de uma determinada espécie, progressivo envolvendo mecanismos deletérios que afetam a capacidade de desempenhar um grande número de funções. Trata-se de um processo multidimensional e multidirecional, pois há uma variabilidade na taxa e direção das mudanças (ganhos e perdas) em diferentes características em cada indivíduo e entre indivíduos 8,9 20.6

3 IDOSO OU TERCEIRA IDADE

Entende-se por idoso ou pessoa da terceira idade, indivíduos com mais de 60 anos de idade, instituído pelo estatuto do idoso. O envelhecimento vem aumentando consideravelmente, o que se atribui a um aumento da expectativa de vida, a diminuição da taxa de natalidade, a um melhor controle de doenças infecto-contagiosas (imunização) e crônico-degenerativas 10

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, existiam 390 milhões de pessoas acima de 65 anos em 1998 e estima-se que em 2025 essa população será o dobro. Em muitos países em desenvolvimento, especialmente na América Latina e Ásia é esperado um aumento de 300% na população idosa chegando a 02 bilhões de pessoas acima de 60 anos até 2025 10

IBGE

No Brasil, a população de idosos era de 15 milhões em 2002 e estima-se que em 2020 o número de pessoas acima de 60 anos de idade na população brasileira terá crescido 16 vezes em relação a 1950. O índice de envelhecimento (pop. > 65 anos x pop. De 0 a 14 anos x 100), que representa a razão entre a população maior que 65 anos e a população de 0 a 14 anos vezes 100(6), em 1980 era de 10,49%, em 1991 de 13,90% e em 2000 de 19,77% 4.

CEARA X SÃO PAULO IBGE

Um estudo sobre a epidemiologia do envelhecimento no Nordeste do Brasil, mostra que o percentual de idosos na cidade de Fortaleza é de quase 8% da população, sendo similar à cidade de São Paulo e superior à média nacional, além disto a maioria destes idosos reside em domicílios multigeracionais e apresentam morbidade física e mental particularmente alta em áreas mais pobres, mostrando uma realidade preocupante em termos de seu progressivo impacto sobre os serviços de saúde das próximas décadas 4.

MUDANÇAS ESTRUTURAIS

Verificamos portanto, que o aumento da população idosa gera necessidades de mudanças na estrutura social para que estas pessoas, ao terem suas vidas prolongadas, não fiquem distantes de um espaço social, em relativa alienação, inatividade, incapacidade física, dependência, conseqüentemente sem qualidade de vida3.

4.3 CINCO FATORES PARA O BEM VIVER DO IDOSO

Cinco fatores são recomendados para o idoso ter saúde: vida independente, casa, ocupação, afeição e comunicação. Se algum desses fatores estiver deficiente a qualidade de vida do idoso estará comprometida. A mostra que baixos níveis de saúde na velhice associam-se com altos níveis de depressão e angústia e com baixos níveis de satisfação de vida e bem estar. Também afirma que as dificuldades do idoso em realizar as atividades da vida diária, devido a problemas físicos, ocasionam dificuldades nas relações sociais e na manutenção da autonomia, trazendo prejuízos à sua saúde emocional 13., 4

O conceito “envelhecimento com sucesso”, que engloba três diferentes domínios multidimensionais: a) evitar as doenças e incapacidades; b) manter uma alta função física e cognitiva; e c) engajar-se de forma sustentada em atividades sociais e produtivas 2.

ARTIGO 3º DO ESTATUTO DO IDOSO

Segundo o Estatuto do Idoso, no seu artigo 3o, há a obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público em assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. O direito à liberdade compreende, de acordo com o estatuto, a faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; a opinião e expressão; crença e culto religioso; a prática de esportes e de diversões; a participação na vida familiar e comunitária; a participação na vida política, na forma da lei; a faculdade de buscar refúgio, auxílio e orientação 5., 3

Benefícios da Atividade Física

Atualmente, está comprovado que quanto mais ativa é uma pessoa menos limitações físicas ela tem. Dentre os inúmeros benefícios que a prática de exercícios físicos promove, um dos principais é a proteção da capacidade funcional em todas as idades, principalmente nos idosos.20.

O QUE É CAPACIDADE FUNCIONAL

Por capacidade funcional entende-se o desempenho para a realização das atividades do cotidiano ou atividades da vida diária. As atividades da vida diária podem ser classificadas por vários índices. As atividades da vida diária (AVD) são referidas como: tomar banho, vestir-se, levantar-se e sentar-se, caminhar a uma pequena distância; ou seja, atividades de cuidados pessoais básicos e, as atividades instrumentais da vida diária (AIVD) como: cozinhar, limpar a casa, fazer compras, jardinagem; ou seja atividades mais complexas da vida cotidiana. Um estilo de vida fisicamente inativo pode ser causa primária da incapacidade para realizar AVD, porém de acordo com seu estudo, um programa de exercícios físicos regulares pode promover mais mudanças qualitativas do que quantitativas, como por exemplo alteração na forma de realização do movimento, aumento na velocidade de execução da tarefa e adoção de medidas de segurança para realizar a tarefa20.

Além de beneficiar a capacidade funcional, o exercício físico promove melhora na aptidão física. No idoso os componentes da aptidão física sofrem um declínio que pode comprometer sua saúde. A aptidão física relacionada à saúde 20, 10 .

Pode ser definida como a capacidade de realizar as atividades do cotidiano com vigor e energia e demonstrar menor risco de desenvolver doenças ou condições crônicas degenerativas, associadas a baixos níveis de atividade física. Os componentes da aptidão física relacionados à saúde e que podem ser mais influenciados pelas atividades físicas habituais são a aptidão cardiorrespiratória, a força e resistência muscular e a flexibilidade, por isso são os mais avaliados, sendo preditores da condição da saúde14.20

ATIVIDADE FÍSICA

A prática de atividade física também promove a melhora da composição corporal, a diminuição de dores articulares, o aumento da densidade mineral óssea, a melhora da utilização de glicose, a melhora do perfil lipídico, o aumento da capacidade aeróbia, a melhora de força e de flexibilidade, a diminuição da resistência vascular e, como benefícios psicossociais encontram-se o alívio da depressão, o aumento da auto-confiança, a melhora da auto-estimam 14.

O tipo de exercício físico recomendado para idosos no passado era mais o aeróbio pelos seus efeitos no sistema cardiovascular e controle destas doenças, além dos benefícios psicológicos. Atualmente, estudos mostram a importância dos exercícios envolvendo força e flexibilidade, pela melhora e manutenção da capacidade funcional e autonomia do idoso 10 e 20

O potencial do ser humano será aumentado se, na fase de não trabalho e/ou no tempo livre, o idoso se ocupar com novas aprendizagens, o que significa uma atualização permanente e uma inserção no mundo que demandam novos aprenderes num fluxo rápido e contínuo. Uma das condições que o ambiente deve oferecer para que o idoso mantenha-se atualizado é a prática regular de exercícios físicos 20.

Através da percepção de seus entrevistados, as mudanças no bem-estar e na disposição geral, a melhoria na aptidão física e no desempenho das atividades da vida diária, as sensações corporais agradáveis, uma maior disposição, a alteração de quadros de doenças com supressão ou diminuição do uso de medicamentos, o resgate da condição de eficiência, independência e autonomia, levando os idosos a serem novamente ativos e abertos para o mundo, devolvendo-lhes uma das possibilidades do ser, que é a motilidade primordial que predispõe à ação 20.

Programas de atividades físicas para o idoso

Há uma diminuição no nível de atividade física com o envelhecimento e estudos mostram que a atividade física mais prevalente é a caminhada e o alongamento e exercícios de força entram em declínio com o avanço da idade.

Estudos mostram a importância dos exercícios de força para a manutenção do equilíbrio, agilidade e da capacidade funcional dos idosos. Para manter a força muscular e o equilíbrio, importante realizar exercícios com pesos, de 2 a 4 vezes por semana, que estimulem a musculatura e auxiliem na manutenção da postura e do equilíbrio.20

As pessoas com mais de 50 anos de idade realizam atividades físicas em função de orientação médica, amigos, familiares, procura por companhia, colegas de trabalho, programas de incentivo à pratica de atividades físicas. As barreiras citadas pelo mesmo autor foram falta de local e equipamentos apropriados, falta de clima adequado, falta de conhecimento, medo de lesões e necessidade de repouso. Estes dados evidenciam a relevância do profissional da saúde, sobretudo dos médicos no envolvimento regular com a atividade física nesta faixa etária.

Um programa de exercícios físicos bem direcionado e eficiente para esta idade deve ter como meta a melhora da capacidade física do indivíduo, diminuindo a deterioração das variáveis de aptidão física como resistência cardiovascular, força, flexibilidade e equilíbrio, o aumentodo contato social e a redução de problemas psicológicos coma ansiedade e a depressão 20.

Na Carta de Ottawa (20), dentre os cinco aspectos básicos a serem desenvolvidos para a promoção da saúde, menciona a construção de políticas públicas voltadas à saúde, nas quais o objetivo maior é o de indicar aos dirigentes e políticos que as escolhas saudáveis são as mais fáceis de realizar.

Os programas de incentivo à prática de atividades físicas para esta população ainda são escassos, pouco explorados em ambientes de promoção da saúde, necessitando assim, maior atenção dos gestores, dos atendimentos em saúde, dos programas em educação em saúde e da própria sociedade.

Poucos programas de incentivo à prática de atividades físicas tem sido desenvolvidos no Brasil. No entanto, as poucas iniciativas tem trazido avanços nessa área. Um bom exemplo foi o Programa Agita São Paulo (21), que, buscou mostrar a importância da atividade física de intensidade moderada, 30 minutos por dia, de forma acumulada ou contínua, na maioria dos dias da semana, para a promoção da saúde, tendo havido especial atenção com o público da terceira idade.20.

4.3 Universidade para o idoso

Mais do que qualquer época, o século 20 se caracterizou por profundas e radicais transformações, destacando-se o aumento do tempo de vida da população como o fato mais significativo no âmbito da saúde pública mundial. A esperança de vida experimentou um incremento de cerca de 30 anos ao longo do século 20, numa profunda revolução da demografia e da saúde pública. Tal revolução formula para os especialistas, homens públicos e coletividades um dos maiores desafios sociais da história humana e uma intensa demanda por estudos e análises para uma melhor definição de políticas públicas de prevenção de saúde no envelhecimento 13.,18, 33

Trata-se de um fenômeno simultaneamente global e local, com evolução preocupante a curto e médio prazo, à medida que a rápida diminuição das taxas de natalidade observadas nos últimos anos na maioria dos países sinaliza um incremento ainda maior do processo global de envelhecimento da população. A equação demográfica é simples: quanto menor o número de jovens é maior o número de adultos atingindo a terceira idade, mais rápido é o envelhecimento da população como um todo (Camarano, 1999).

TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

O cenário que se desenha é de profundas transformações sociais, não só pelo aumento proporcional do número de idosos nos diferentes países e sociedades, mas igualmente em função do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Estima-se que os avanços científicos e técnicos permitirão ao ser humano alcançar de 110, 120 anos ¬ uma expectativa de vida que corresponderia aos limites biológicos ¬ ainda no presente século. São mudanças fantásticas e muito próximas, que reclamam modelos inovadores e sintonizados com a contemporaneidade, que garantam vida já de dez anos, desenvolvido em uma instituição voltada para o idoso. Pretende-se com isso contribuir para uma melhor compreensão da lógica de promoção da saúde do idoso e compartilhar com o público leitor os marcos de um modelo de cuidado integral, reconhecidamente exitoso.

UNTAI/UERJ

Possivelmente uma das maiores qualidades do programa da UnATI/UERJ (Universidade da Terceira Idade, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é que sua concepção leva em conta o escopo e a complexidade do envelhecimento humano no país, reclamando uma superação dos modelos até então vigentes 33

Pelo fato de se localizar no interior de uma grande universidade pública, este modelo deve possibilitar o convívio entre distintas gerações, como estratégia de redução da discrepância de valores e conceitos. A enorme gama de cursos e atividades nas mais diversas áreas do conhecimento, as estruturas de apoio, como laboratórios, bibliotecas, e, ainda, as tecnologias inovadoras desenvolvidas na universidade foram agregadas ao projeto como suporte para a transmissão de conhecimentos novos e qualificados em diferentes áreas, para os estudantes com mais de 60 anos .

Visando assegurar qualidade às atividades planejadas, houve a preocupação com a utilização de metodologias com qualidade para este crescente contingente populacional 21.

O foco do presente artigo é descrever um programa, com uma experiência que respeitassem as características dos alunos idosos. Levou-se em consideração o modo de repassar as informações, e com esta finalidade foram utilizados modelos pedagógicos específicos, que incorporam os valores, a cognição e as características próprias desta faixa etária. O idoso foi integrado a um espaço de pessoas mais jovens, oferecendo-lhe atividades que pudessem ser bem assimiladas e que fossem tão relevantes quanto o são as atividades universitárias habituais para o público mais jovem.

Todo este trabalho se deu com uma preocupação, que constitui um dos princípios do programa: oferecer serviços de qualidade, fazendo com que as atividades oferecidas aos idosos tenham relevância social e atendam ao interesse deste público, levando em conta suas trajetórias de vida. Houve preocupação explícita de não incluir no projeto ações com o intuito exclusivo de ocupar o tempo livre do idoso ou de tratá-lo como pessoa incapaz de aprender novas habilidades e adquirir novos conhecimentos. Procurou-se evitar o equívoco de estabelecer estruturas infantilizadoras, que pudessem reforçar os estigmas e preconceitos da sociedade para com os idosos.

Em sintonia com a concepção de cursos e atividades para os idosos, esteve sempre presente a preocupação da qualificação e formação de recursos humanos capazes de lidar com este segmento etário. Seria contraditório lidar com as demandas provenientes desta população, no interior de uma universidade, sem o necessário estímulo à formação qualificada dos jovens que estão se graduando em diversas áreas do conhecimento e que irão atuar em uma sociedade marcada pelo crescente envelhecimento populacional 21.

Por outro lado, apesar da relevância indiscutível dos programas educacionais, culturais e de lazer dirigidos aos idosos, sabe-se que muitos idosos não se beneficiam destas atividades devido ao comprometimento de sua capacidade funcional. Isto se deve à relação estreita entre o próprio processo de envelhecimento e a maioria das doenças que acometem o indivíduo idoso. “Vida com qualidade” foi o eixo que norteou o programa. A abordagem proposta prioriza a promoção da saúde, o cuidado e a manutenção da autonomia. Deste modo, todas as ações desenvolvidas no programa visam, em última análise, à preocupação com a preservação da saúde do indivíduo idoso.

Pode-se considerar o projeto um aprofundamento de práticas preventivas, balizado pelo afã de detectar precocemente os agravos de saúde que acometem os idosos. Cabe observar, no entanto, que a proposta não se esgota aí, mas avança em direção a uma nova fronteira: a Saúde Coletiva. Considera-se aqui como referência o conceito de “saúde coletiva” formulado por Paim & Almeida Filho (2000):

Podemos entender Saúde Coletiva como campo científico, onde se produzem saberes e conhecimentos acerca do objeto “saúde” e onde operam distintas disciplinas que o contemplam sob vários ângulos; e como âmbito de práticas, onde se realizam ações em diferentes organizações e instituições por diversos agentes (especializados ou não) dentro e fora do espaço convencionalmente reconhecido como “setor saúde”.

Ao se estabelecer uma estratégia de lazer, ensino, cultura e pesquisa, que tenha como fio condutor este conceito, configura-se uma proposta de saúde coletiva baseada num modelo de vida ativa com cidadania.

Mais do que qualquer época, o século 20 se caracterizou por profundas e radicais transformações, destacando-se o aumento do tempo de vida da população como o fato mais significativo no âmbito da saúde pública mundial. A esperança de vida experimentou um incremento de cerca de 30 anos ao longo do século 20, numa profunda revolução da demografia e da saúde pública. Tal revolução formula para os especialistas, homens públicos e coletividades um dos maiores desafios sociais da história humana e uma intensa demanda por estudos e análises para uma melhor definição de políticas públicas de prevenção de saúde no envelhecimento. Trata-se de um fenômeno simultaneamente global e local, com evolução preocupante a curto e médio prazo, à medida que a rápida diminuição das taxas de natalidade observadas nos últimos anos na maioria dos países sinaliza um incremento ainda maior do processo global de envelhecimento da população.

A equação demográfica é simples: quanto menor o número de jovens e maior o número de adultos atingindo a terceira idade, mais rápido é o envelhecimento da população como um todo (Camarano, 1999).

REPETIDO

O cenário que se desenha é de profundas transformações sociais, não só pelo aumento proporcional do número de idosos nos diferentes países e sociedades, mas igualmente em função do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Estima-se que os avanços científicos e técnicos permitirão ao ser humano alcançar de 110, 120 anos ¬ uma expectativa de vida que corresponderia aos limites biológicos ¬ ainda no presente século. São mudanças fantásticas e muito próximas, que reclamam modelos inovadores e sintonizados com a contemporaneidade, que garantam vida com qualidade para este crescente contingente populacional33.

O foco do presente artigo é descrever um programa, com uma experiência já de dez anos, desenvolvido em uma instituição voltada para o idoso. Pretende-se com isso contribuir para uma melhor compreensão da lógica de promoção da saúde do idoso e compartilhar com o público leitor os marcos de um modelo de cuidado integral, reconhecidamente exitoso.

Possivelmente uma das maiores qualidades do programa da UnATI/UERJ (Universidade da Terceira Idade, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é que sua concepção leva em conta o escopo e a complexidade do envelhecimento humano no país, reclamando uma superação dos modelos até então vigentes.

Pelo fato de se localizar no interior de uma grande universidade pública, este modelo deve possibilitar o convívio entre distintas gerações, como estratégia de redução da discrepância de valores e conceitos.

A enorme gama de cursos e atividades nas mais diversas áreas do conhecimento, as estruturas de apoio, como laboratórios, bibliotecas, e, ainda, as tecnologias inovadoras desenvolvidas na universidade foram agregadas ao projeto como suporte para a transmissão de conhecimentos novos e qualificados em diferentes áreas, para os estudantes com mais de 60 anos.

Visando assegurar qualidade às atividades planejadas, houve a preocupação com a utilização de metodologias que respeitassem as características dos alunos idosos. Levou-se em consideração o modo de repassar as informações, e com esta finalidade foram utilizados modelos pedagógicos específicos, que incorporam os valores, a cognição e as características próprias desta faixa etária. O idoso foi integrado a um espaço de pessoas mais jovens, oferecendo-lhe atividades que pudessem ser bem assimiladas e que fossem tão relevantes quanto o são as atividades universitárias habituais para o público mais jovem.

Todo este trabalho se deu com uma preocupação, que constitui um dos princípios do programa: oferecer serviços de qualidade, fazendo com que as atividades oferecidas aos idosos tenham relevância social e atendam ao interesse deste público, levando em conta suas trajetórias de vida. Houve preocupação explícita de não incluir no projeto ações com o intuito exclusivo de ocupar o tempo livre do idoso ou de tratá-lo como pessoa incapaz de aprender novas habilidades e adquirir novos conhecimentos. Procurou-se evitar o equívoco de estabelecer estruturas infantilizadoras, que pudessem reforçar os estigmas e preconceitos da sociedade para com os idosos.

Em sintonia com a concepção de cursos e atividades para os idosos, esteve sempre presente a preocupação da qualificação e formação de recursos humanos capazes de lidar com este segmento etário. Seria contraditório lidar com as demandas provenientes desta população, no interior de uma universidade, sem o necessário estímulo à formação qualificada dos jovens que estão se graduando em diversas áreas do conhecimento e que irão atuar em uma sociedade marcada pelo crescente envelhecimento populacional.

Para ver a seguna parte clique aqui

QUALIDADE DE VIDA NOS IDOSOS 2/2

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Essa é a segunda parte. Para ver a primeira parte clique aqui
COMPROMETIMENTO FUNCIONAL

Por outro lado, apesar da relevância indiscutível dos programas educacionais, culturais e de lazer dirigidos aos idosos, sabe-se que muitos idosos não se beneficiam destas atividades devido ao comprometimento de sua capacidade funcional. Isto se deve à relação estreita entre o próprio processo de envelhecimento e a maioria das doenças que acometem o indivíduo idoso. “Vida com qualidade” foi o eixo que norteou o programa. A abordagem proposta prioriza a promoção da saúde, o cuidado e a manutenção da autonomia. Deste modo, todas as ações desenvolvidas no programa visam, em última análise, à preocupação com a preservação da saúde do indivíduo idoso.

Pode-se considerar o projeto um aprofundamento de práticas preventivas, balizado pelo afã de detectar precocemente os agravos de saúde que acometem os idosos. Cabe observar, no entanto, que a proposta não se esgota aí, mas avança em direção a uma nova fronteira: a Saúde Coletiva. Considera-se aqui como referência o conceito de “saúde coletiva” formulado por Paim & Almeida Filho (2000):

Podemos entender Saúde Coletiva como campo científico, onde se produzem saberes e conhecimentos acerca do objeto “saúde” e onde operam distintas disciplinas que o contemplam sob vários ângulos; e como âmbito de práticas, onde se realizam ações em diferentes organizações e instituições por diversos agentes (especializados ou não) dentro e fora do espaço convencionalmente reconhecido como “setor saúde”.

Ao se estabelecer uma estratégia de lazer, ensino, cultura e pesquisa, que tenha como fio condutor este conceito, configura-se uma proposta de saúde coletiva baseada num modelo de vida ativa com cidadania.

Dificuldades teóricas, operacionais e conceituais não faltaram no início do programa. Foram muitas as reuniões, adaptações e alterações, embora o programa não seja estático, definitivo ou acabado.

Hoje, a julgar pela participação e relatos dos alunos idosos, pelos trabalhos científicos realizados e pela grande aceitação do programa junto à sociedade e à comunidade científica, consideramos que o projeto UnATI/UERJ, em seu décimo ano de vida, é sólido o suficiente para fomentar um debate qualificado com um público mais amplo 21.

Promoção da saúde, envelhecimento e a emergência ao idoso

No final da década de 1980, quando se intensifica o movimento de valorização do idoso em decorrência das análises demográficas acerca do envelhecimento populacional, muitos profissionais nas áreas da saúde e das ciências humanas e sociais tomaram como ponto de partida a marcante obra de Simone de Beauvoir (1970), A velhice, e, no âmbito nacional, os eloqüentes trabalhos de Eneida Haddad, A ideologia da velhice (1986), e de Ecléa Bosi, Lembranças de velhos (1987).

AELEMENTO DESCRTÁVEL Estas autoras discutem a perda do valor social do idoso em função do avanço do capitalismo, que torna o idoso elemento descartável de um sistema que singulariza a capacidade produtiva em detrimento de outras dimensões do humano.

Desde então, profissionais que focalizam o envelhecimento como campo de eleição de sua prática profissional e construção de saberes vêm travando um embate na tentativa de resgatar o valor social do idoso. Tal resgate passa, inevitavelmente, por assegurar sua cidadania plena.

Segundo Boff (2001), o desenvolvimento do capitalismo moldou o modo ocidental de ser e estar no mundo, e deu forma à nova ordem global. No início da década de 1970, inicia-se uma escalada de crises regionais, seguida da desestruturação econômica e aprofundamento das desigualdades na distribuição de renda. No curso das décadas de 1980 e 1990, as forças sociais dominantes passaram ao largo do enfrentamento das crises e se concentram na unificação do capitalismo em nível global, sob a égide do pensamento neoliberal.

A ciência impulsiona o processo do capitalismo global, como produto e sustentáculo do desenvolvimento da sociedade moderna. Se, por um lado, muitos benefícios foram alcançados por intermédio do conhecimento científico, por outro, a ciência silenciou outras formas de saber. Neste contexto, a tradição e a sabedoria dos anciãos perderam valor frente à palavra da ciência.

O desenvolvimento moderno determinou profundas transformações no campo da saúde. Paim & Almeida Filho (2000) sublinham que a “nova ordem mundial”, que se instaura na década de 1980, inspirada no neoliberalismo, fragiliza os esforços para o enfrentamento coletivo dos problemas de saúde. Particularmente nos países de economia capitalista dependente, a opção pelo “Estado mínimo” e o corte nos gastos públicos, em resposta à assim denominada “crise fiscal do Estado”, comprometem a esfera institucional conhecida como saúde pública. Emerge então uma “crise da saúde pública”, percebida de modo diferente pelos distintos sujeitos atuantes neste campo social. Visando superar esta situação adversa, vários aportes têm sido propostos, reclamando novas abordagens.

Fala-se de um paradigma pós-moderno, que reconheceria as diferenças sociais e culturais, sem que haja uma ruptura com o conhecimento moderno, científico, e sim a sua superação, pelo reconhecimento das diferenças ¬ o que exclui a idéia de hierarquia entre os desiguais, uma vez que é o respeito às diferenças o que nos faz iguais.

Trata-se de um novo modelo, que tem como imperativos éticos a participação e a solidariedade, articulados à ciência e ao mundo da vida. De acordo com Serrano (2002), este novo paradigma compreenderia um modelo de desenvolvimento que leva em conta: a) a saúde como eixo das políticas públicas; b) uma atitude de cuidado na relação com a natureza; c) o compromisso com a participação social de todos, compreendendo o empowerment e a construção dos sujeitos-cidadãos; d) o resgate do lazer; e) o resgate do espiritual; f) a inserção da perspectiva da promoção da saúde como prioritária; e g) a integração das diferentes práticas culturais.

INCLUSÃO SOCIAL

Para construir este novo referencial é necessário garantir a cidadania para todos, inclusive para aqueles que a tiveram e perderam. É a partir da inclusão social que se pode contar com pessoas solidárias, cordiais e conectadas com tudo e todos. É neste marco que se pode resgatar o ser idoso como valor para a sociedade.

O contexto atual, no entanto, não parece favorecer esta atuação: a baixa prioridade conferida aos idosos pelas políticas públicas (assistenciais, previdenciárias e de ciência & tecnologia) evidencia uma percepção inadequada das suas necessidades específicas. Torna-se necessário, portanto, um esforço político orientado no sentido de colocar na agenda da sociedade as necessidades deste segmento populacional.

O envelhecimento é uma questão que, ainda que incorporada ao campo da Saúde Coletiva desde os seus primórdios, não vem merecendo a devida atenção dos formuladores e gestores de políticas públicas. Ao apresentar “a promoção da saúde” como um movimento no campo da saúde coletiva, Paim & Almeida Filho (2000) relatam que, em 1974, no Canadá, o documento conhecido como Relatório Lalonde definiu as bases de um movimento pela promoção da saúde, trazendo como consigna básica “adicionar não só anos à vida, mas vida aos anos”.

SAUDE E QV

Ferreira & Buss (2002), Adriano et al. (2000) e Paim & Almeida Filho (2000) concordam que a Carta de Ottawa (apud Brasil. Ministério da Saúde, 2002) constitui um marco deste movimento, uma vez que é nesta conferência que a promoção da saúde é definida como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. A Carta de Ottawa define cinco campos vitais à promoção da saúde: 1) elaboração e implementação de políticas públicas saudáveis; 2) criação de ambientes favoráveis à saúde; 3) reforço da ação comunitária; 4) desenvolvimento de habilidades pessoais; e 5) reorientação do sistema e dos serviços de saúde.

Observe-se a ligação estabelecida entre saúde e qualidade de vida e a ênfase na criação de ambientes favoráveis à saúde e desenvolvimento de habilidades pessoais. Aí se inserem as ações de promoção da saúde do idoso que ampliam o âmbito das intervenções, como a experiência bem-sucedida relatada a seguir.

A Carta de Ottawa (1986) destaca que as condições e os requisitos para a saúde são a paz, a educação, a moradia, a alimentação, a renda, um ecossistema estável, a justiça social e a eqüidade. A saúde, nesta concepção ampliada, é, mais do que ausência de doença, um estado adequado de bem-estar físico, mental e social que permite aos indivíduos identificar e realizar suas aspirações e satisfazer suas necessidades (Ottawa, 1986). A partir desta definição de saúde, muitos autores na área da Saúde Coletiva, entre os quais Ferreira & Buss (2002), Adriano et al. (2000) e Paim & Almeida Filho (2000), sublinham o aspecto da promoção da saúde, incorporado à idéia de assistência e de cura.

Ao considerar que “qualidade de vida” se reveste de múltiplos sentidos, Minayo, Hartz & Buss (2000) afirmam aproximar-se esta noção à satisfação buscada na vida familiar, amorosa, social e ambiental e na própria estética existencial. Pressupõe a qualidade de vida a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade toma como seus padrões de conforto e bem-estar. O termo abrange muitos significados, que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades que a ele se reportam em variadas culturas, espaços e momentos históricos, sendo, portanto, uma construção social com a marca da relatividade cultural.

POLÍTICAS PÚBLICAS EM PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

Assis (1998) observa que os inúmeros problemas que afetam a qualidade de vida dos idosos em um país subdesenvolvido demandam respostas urgentes em diversas áreas. Às políticas públicas cabe garantir os direitos fundamentais (habitação, renda, alimentação), e desenvolver ações voltadas às necessidades específicas da população idosa, como centros de convivência, assistência especializada à saúde, centros-dia, serviços de apoio domiciliar ao idoso, programa de medicamentos, universidades da terceira idade etc.

Em abril de 2002, na Segunda Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em Madri, foi aprovado o PIAE ¬ Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento. O documento foi referendado por todos os países membros das Nações Unidas e representa, portanto, um compromisso internacional em resposta ao rápido envelhecimento da população mundial. As recomendações do PIAE definem três áreas prioritárias: a) como inserir o envelhecimento populacional na agenda do desenvolvimento; b) a importância singular e global da saúde; e c) como desenvolver políticas de meio-ambiente (tanto físico quanto social) que atendam às necessidades de indivíduos e sociedades que envelhecem.

À OMS, como agência especializada da ONU (Organização das Nações Unidas), coube um papel particularmente importante na formulação de recomendações específicas do PIAE. Na Assembléia de Madri, a entidade lançou o documento Envelhecimento ativo: um marco para elaboração de políticas, que complementa e amplia o PIAE. Neste documento, a OMS recomenda que políticas de saúde na área de envelhecimento levem em consideração os determinantes de saúde ao longo de todo o curso de vida (sociais, econômicos, comportamentais, pessoais, culturais, além do ambiente físico e acesso a serviços), com particular ênfase sobre as questões de gênero e as desigualdades sociais (Carta de Ouro Preto-NESPE, 2003).

Para atender a estas agendas faz-se necessário desenvolver modelos de atenção à saúde do idoso que superem as práticas tradicionais, pois o atendimento que lhes é oferecido habitualmente restringe-se, na melhor das hipóteses, ao tratamento clínico de doenças específicas.

Veras & Camargo (1995) afirmam que, dentre as instituições públicas, a universidade é, no momento, a mais bem equipada para responder a estas necessidades. A estruturação de microuniversidades temáticas voltadas para a terceira idade pode ser um ponto de partida. Ali, os idosos, além de receberem assistência e participarem de atividades culturais e de lazer, constituem um campo inestimável para pesquisas em várias áreas do conhecimento, ajudando assim na formação de profissionais de alta qualificação e alavancando a produção de conhecimento sobre o envelhecimento humano.

Portanto, um centro de convivência ¬ uma das funções do programa da UnATI/UERJ ¬ deve ter como característica o cuidado integral do idoso. É importante destacar que o modelo desenvolvido na UnATI/UERJ se fundamenta no campo da saúde coletiva, embora tenha com a gerontologia uma afinidade de saberes e práticas. Groisman (2002) observa que a gerontologia veicula um discurso no qual utiliza a noção de prevenção num sentido diferente daquele preconizado e praticado no campo da saúde coletiva: A prevenção parece ser a saída encontrada pela Gerontologia para escapar do binômio saúde¬doença. Com o discurso da “prevenção”, todos os sujeitos são passíveis de intervenção, independentemente de seu estado de saúde ou de sua inserção na “normalidade”. Pela urgência da prevenção, não importa também quando começa a velhice, pois a prevenção deve começar muito antes.

Lutando por um envelhecimento bem-sucedido, a Geriatria/Gerontologia parece delinear o seu mais ambicioso projeto, que é disciplinar a vida humana em toda a sua extensão (Groisman, 2002).

Teixeira (2001) aponta que, para além da busca de alternativas à crise do modelo médico hegemônico, é possível imaginar que uma das principais características das práticas de saúde no futuro será a ênfase concedida à pesquisa e às práticas de prevenção. A concepção de uma microuniversidade temática, ou seja, a conjugação de atividades em três áreas de atuação da universidade ¬ ensino, pesquisa e extensão ¬ voltadas para o cuidado integral do idoso, estimula a criação de alternativas inovadoras com interações sinérgicas entre produção de conhecimento, formação, aperfeiçoamento de recursos humanos e prestação de serviços. Os participantes das atividades numa UnATI ¬ seus usuários e profissionais ¬ são artífices de um grande experimento, no qual continuamente se está às voltas com a proposição de novas alternativas que façam face às demandas da população idosa.

Teixeira (2001) enfatiza que a socialização de conhecimentos sobre estratégias e práticas de promoção da saúde e qualidade de vida deverá subsidiar a formação de novos sujeitos das práticas de saúde, para além do Estado. Ao mesmo tempo, a revolução das comunicações favorece a conexão de grupos que compartilhem ideais, pratiquem modos de vida comuns e busquem soluções para problemas singulares.

As pessoas idosas desejam e podem permanecer ativas e independentes por tanto tempo quanto for possível, se o devido apoio lhes for proporcionado. Os idosos estão potencialmente sob risco não apenas porque envelheceram, mas em virtude do processo de envelhecimento torná-los mais vulneráveis à incapacidade, em grande medida, decorrente de condições adversas do meio físico, social, ou de questões afetivas. Portanto, o apoio adequado é necessário tanto para os idosos quanto para os que deles cuidam.

A concepção da UnATI/UERJ é a de um centro de convivência para idosos que é mais do que um local para o idoso estar. Trata-se de um espaço de promoção da saúde e exercício da cidadania. Teixeira (2001) demonstra que as ações de promoção da saúde implicam o desenvolvimento de tecnologias “radicalmente novas”. A autora acrescenta que estas tecnologias exigem o desenvolvimento de métodos, técnicas e instrumentos de comunicação social e marketing sanitário, visando à promoção de mudanças no âmbito das políticas públicas, bem como de mudanças das condições e dos modos de vida de grupos populacionais expostos a riscos diferenciados, o que pressupõe alterações nas relações de poder.

A autora, concordando com os objetivos do modelo UnATI/UERJ, afirma que essas mudanças nas relações políticas e sociais vêm sendo anunciadas nos textos sobre promoção da saúde como processo de empowerment de grupos populacionais específicos, o que significa não apenas a mobilização em torno de direitos gerais de cidadania, mas também a organização de ações político-sociais específicas que conectem indivíduos e grupos com problemáticas e preocupações comuns.

A UnATI/UERJ tem como princípio basilar a socialização de conhecimentos acerca de estratégias e práticas de promoção da saúde e da qualidade de vida. Esta socialização deverá subsidiar a formação de novos sujeitos das práticas de saúde. Assim, como aponta Teixeira (2001), poderá ocorrer a revalorização do território mais imediato no qual se constitui o espaço público de convivência, seja este espaço a rua, o bairro, a cidade, ou a universidade. Afinal, ainda segundo a mesma autora:

O futuro poderá ser o cenário em que se desenvolverão processos distintos: de um lado, a “mercantilização” da prevenção, com a penetração da lógica da produção, distribuição e consumo de mercadorias no campo específico da prevenção de riscos e agravos à saúde de indivíduos e grupos; de outro, o esforço coletivo pela “socialização” da promoção, com a formação de novos sujeitos políticos coletivos, que se mobilizem pela transformação das condições e dos modos de vida dos diversos grupos populacionais. A indeterminação, espaço de múltiplos possíveis, permanece, entretanto, como a marca da contemporaneidade, a exigir o conhecimento e a intervenção no tempo presente, tempo de exploração e construção de futuros.

O movimento Universidades da Terceira Idade no mundo e no Brasil

A universidade é tradicionalmente um espaço dos jovens, onde são gerados novos conhecimentos, um lugar de novidade e juventude. As propostas de Universidade da Terceira Idade (UTI) não fogem deste padrão, ao contrário. As UTIs promovem a saúde e a qualidade em seu sentido mais amplo ¬ aquele que toma como pressuposto ser a saúde expressão da vida com qualidade. Seu objetivo geral é contribuir para a elevação dos níveis de saúde física, mental e social das pessoas idosas, utilizando as possibilidades existentes nas universidades.

Peixoto (1997) afirma que as Universidades da Terceira Idade brasileiras surgiram num momento em que suas similares européias já estavam na terceira geração. A primeira Universidade da Terceira Idade surgiu no final da década de 1960, na França, como um espaço para atividades culturais e sociabilidade, com o objetivo de ocupar o tempo livre e favorecer as relações sociais. Não havia então preocupação com educação permanente, educação sanitária e assistência jurídica.

A segunda geração de Universidades da Terceira Idade surgiu em Toulouse, também na França, em 1973. Foi esta a primeira Universidade da Terceira Idade voltada para o ensino e a pesquisa. Suas atividades educativas apoiavam-se nos conceitos de participação e desenvolvimento de estudos sobre o envelhecimento. A partir de então, as UTIs vêm sendo chamadas a desempenhar o papel de centro de pesquisas gerontológicas.

Em 1975, foi criada a Associação Internacional das Universidades da Terceira Idade e, em 1981, havia 59 UTIs apenas na França. Em 1980, foi organizada a União Francesa de Universidades da Terceira Idade. Ainda na França, na década de 1980, surge a terceira geração das UTIs. Este movimento caracteriza-se pela elaboração de um programa educacional mais amplo, voltado à oferta de alternativas diversificadas a uma renovada população de aposentados, cada vez mais escolarizada, a exigir cursos universitários formais, com direito a créditos e diploma.

Ainda segundo Peixoto (1997), cabe observar que, a partir dessa dinâmica, as UTIs elaboram uma programação baseada em três eixos: participação, autonomia e integração. Com isso, os estudantes passam de simples consumidores a produtores de conhecimento, na medida em que participam das pesquisas universitárias. Os alunos da UTI vêm a desempenhar um papel ativo nas pesquisas universitárias em três níveis: a) pesquisas feitas para os idosos ¬ para combater os efeitos do envelhecimento; b) pesquisas feitas com os idosos ¬ em que estes mobilizam seus conhecimentos, criatividade, vontade, inteligência e memória. Privilegiam discussões em grupo; c) pesquisas feitas pelos estudantes idosos ¬ quando os estudantes adquiriram o rigor científico, o espírito crítico e a solidez da reflexão que caracteriza o trabalho universitário, e desenvolvem, eles mesmos, seus protocolos de pesquisa.

No Brasil, segundo informações de Lima (1999), a UnATI da Universidade Federal de Santa Catarina iniciou suas atividades em 1983, a partir da criação do Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI). Em 1990, em parceria com o SESC, a PUC de Campinas criou a Universidade da Terceira Idade da PUC/Campinas, a primeira a ser divulgada na mídia em caráter nacional. A partir da década de 1990 ¬ partindo das experiências francesas e das diretrizes emanadas pelo Plano Internacional de Ação sobre Envelhecimento das Nações Unidas, estabelecido a partir da Primeira Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em 1982, em Viena ¬ várias UnATIs foram implantadas pelo país.

Palma (2000) salienta que este encontro na Áustria destacou a necessidade de educação permanente, que se estende por toda a vida. O Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento estabelecido nesta assembléia sublinha o descaso dos governos para com os idosos, uma vez que reservam exclusivamente à criança e ao adolescente os benefícios da educação. O plano recomenda que se assegure às pessoas que deixam a vida ativa os instrumentos necessários à manutenção da capacidade psíquica e intelectual e sua participação na vida coletiva.

A partir da década de 1990, ainda segundo Palma (2000), multiplicam-se os programas voltados para idosos em universidades brasileiras. Estes programas possuem as denominações e seguem os modelos os mais diversos, mas têm propósitos comuns, como o de rever os estereótipos e preconceitos com relação à velhice, promover a auto-estima e o resgate da cidadania, incentivar a autonomia, a independência, a auto-expressão e a reinserção social em busca de uma velhice bem-sucedida. Nos dias atuais, instituições com estas características somam, em nosso país, mais de 150 unidades (Martins de Sá, 1999).

4.4 Qualidade de vida na comunidade

A Qualidade de Vida–QV tem sido preocupação constante do ser humano, desde o início de sua existência e, atualmente, constitui um compromisso pessoal a busca contínua de uma vida saudável, desenvolvida à luz de um bem-estar indissociável das condições do modo de viver, como: saúde, moradia, educação, lazer, transporte, liberdade, trabalho, auto-estima, entre outras.

O termo Qualidade de Vida tem recebido uma variedade de definições ao longo dos anos. A QV pode se basear em três princípios fundamentais: capacidade funcional, nível sócioeconômico e satisfação(1). A QV também pode estar relacionada com os seguintes componentes: capacidade física, estado emocional, interação social, atividade intelectual, situação econômica e autoproteção de saúde(2). Na realidade, o conceito de QV varia de acordo com a visão de cada indivíduo. Para alguns, ela é considerada como unidimensional, enquanto, para outros, é conceituada como multidimensional(3).

A QV boa ou excelente é aquela que oferece um mínimo de condições para que os indivíduos possam desenvolver o máximo de suas potencialidades, vivendo, sentindo ou amando, trabalhando, produzindo bens ou serviços; fazendo ciência ou artes; vivendo (…) apenas enfeitando, ou, simplesmente existindo. Todos são seres vivos que procuram se realizar(4). Por outro lado, muitas pessoas procuram associar qualidade de vida com o fator saúde. Nesse sentido, saúde, independente de qualquer definição idealista que lhe possa ser atribuída, é produto das condições objetivas de existência. Resulta das condições de vida biológica, social e cultural e, particularmente, das relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, através do trabalho(5).

Assim, como é difícil conceituar Qualidade de Vida, a sua medida também o é, já que ela pode sofrer influência de valores culturais, éticos e religiosos, bem como de valores e percepções pessoais(6). Esse caráter de subjetividade de que se reveste o conceito de qualidade de vida baseia-se na realidade individual que converge no subjetivismo, constituindo-se, assim, num conceito muito complexo e de difícil avaliação(2,7).

Considerando a multidimensionalidade, assim como os vários significados associados à definição de qualidade de vida, observados no âmbito das diversas disciplinas, Flanagan propôs uma escala para avaliar tal conceito que é bastante utilizada nos Estados Unidos da América, pela validade e confiabilidade de seus achados, que contempla o grau de satisfação individual ou percebido com relação a cinco dimensões da vida: bem-estar físico e material; relacionamentos; atividades sociais, comunitárias e cívicas; desenvolvimento e realização pessoal e recreação(8).

Numa aproximação entre a concepção de qualidade de vida proposta por Flanagan em sua escala com a literatura pertinente, observa-se, quanto aos conceitos inter-relacionados expressos em suas dimensões e itens como: bem-estar “refere-se à boa disposição física, conforto, tranqüilidade”(9); relacionamento, compreende “ligação afetiva, condicionada por uma série de atitudes recíprocas”(9); atividade, é definida como comportamentos emitidos como resposta a eventos(10), que atuariam sobre a competência funcional do indivíduo. Autodesenvolvimento, consiste na auto-aceitação, relações positivas com outros, autonomia, senso de domínio, busca de metas(10). Recreação, compreende as atividades de distração de significado individual e social(11).

No tocante à avaliação da qualidade de vida do idoso, deve-se ressaltar a complexidade da tarefa e, como tal, reforçar a importância da utilização de critérios de avaliação híbridos, como os contemplados na escala de Flanagan, que permitam clarificar aspectos intersubjetivos que têm maior probabilidade de ocorrência em idosos do que em adultos jovens, tais como: doenças, perdas de papéis ocupacionais e perdas afetivas.

Avaliar a qualidade de vida do idoso implica a adoção de múltiplos critérios de natureza biológica, psicológica e socioestrutural, pois vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na velhice: longevidade, saúde biológica, saúde mental, satisfação, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papéis familiares, ocupacionais e continuidade de relações informais com amigos(10).

Ante o exposto, avaliar as condições de vida do idoso reveste-se de grande importância científica e social por permitir a implementação de alternativas válidas de intervenção, tanto em programas gerontogeriátricos, quanto em políticas sociais gerais, no intuito de promover o bem-estar das pessoas maduras, particularmente, no nosso contexto, onde os atuais idosos são aqueles que conseguiram sobreviver às condições adversas.

4.6 Estado depressivo do idoso

Devido ao aumento do número de idosos na população brasileira e ao aumento da longevidade na última década houve uma proliferação de programas e atividades destinados ao público idoso. Dentre eles, destacam-se os trabalhos realizados nas universidades da terceira idade, que têm como objetivo principal rever os estereótipos e preconceitos associados ao envelhecimento, promover a auto-estima e o resgate da cidadania, incentivar a autonomia, a independência, a auto-expressão e a reinserção social em busca de um envelhecimento bem-sucedido (Palma, 2000).

Os programas das universidades brasileiras da terceira idade, em sua maioria, caracterizam-se como propostas de educação permanente ou de educação continuada (Neri & Cachioni, 1999). A educação permanente é concebida como um fato educativo global, sem limites de idade, que surge da necessidade de acompanhar as transformações rápidas que estão acontecendo no mundo nos aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais. De forma diferente, a educação continuada equivale à educação convencional de adultos, referindo-se ao prolongamento do sistema escolar ao longo de toda a vida, segundo a demanda do indivíduo e da sociedade (Giubilei, 1993).

Segundo Neri (1996), os principais motivos que levam os idosos a procurarem as universidades da terceira idade são a busca por conhecimentos, atualização cultural, autoconhecimento, autodesenvolvimento, contato social, ocupação do tempo livre e o desejo de ter maior conhecimento para ajudar outras pessoas na defesa de seus direitos. O estudo de Guerreiro (1993) revelou que a solidão é uma das razões para a procura pela universidade, que oferece aos seus participantes a oportunidade de ampliação do círculo de amizades com um grupo específico de pessoas. Para Silva (1999), a motivação para engajamento deve-se à necessidade de complementar a educação e atualizar-se, buscando suprir deficiências presumidas e melhorar a imagem social. Segundo Castro (1998), os principais motivos que levam os idosos às universidades da terceira idade são a busca por relacionamentos, convivência, atualização, troca de experiências, conhecimentos sobre o processo de envelhecimento e o autoconhecimento.

Uma característica marcante das universidades para a terceira idade é a predominância de mulheres, que representam a maioria da população total (Castro, 2004; Goldstein, 1995). Esse fato pode estar relacionado às diferenças entre homens e mulheres quanto à representação do envelhecimento e como esses indivíduos percebem estas mudanças: as mulheres com maior interesse cultural, e os homens mais pelos assuntos políticos (Debert, 1999).

A Universidade para a Terceira Idade (UNITI) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é um exemplo bem sucedido de programa de educação permanente voltado exclusivamente ao público idoso. A UNITI é um projeto de extensão, ensino e pesquisa que funciona junto ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Esse programa iniciou suas atividades no primeiro semestre de 1991 e está no 17° ano de funcionamento. O grupo da UNITI é composto semestralmente, em média, por 150 pessoas da comunidade com idade >60 anos. Participam da UNITI, atualmente, 148 idosas e dois idosos; ao longo dos seus dezessete anos de existência, o número de homens nunca ultrapassou os 5%.

O objetivo principal da UNITI é potencializar os recursos humanos nas pessoas com idade >60 anos, viabilizando mudanças sociais que permitam a estes idosos o direito de participar com seus próprios recursos. A dinâmica de trabalho apóia-se na própria capacidade dos idosos e nas suas necessidades específicas, dentro de uma filosofia que privilegia a autodescoberta. Na prática, trabalham-se os conceitos de plasticidade, mutualidade, resiliência, informalidade, colaboração, solidariedade, autodiagnóstico compartilhado, técnicas de experiência e mensuração conjunta de programas (Castro, 2004).

Dentro desse conceito, o projeto UNITI vem contribuindo para o desenvolvimento pessoal e social do idoso, incentivando-o a adotar um estilo de vida mais saudável, passível de maior adaptação e sobrevivência na sociedade atual, de acordo com as suas características de personalidade. Segundo a teoria de Murray (Hall, Lindzey & Campbell, 2000), a personalidade refere-se a uma série de eventos que abrangem toda a vida do indivíduo, refletindo elementos duradouros e recorrentes do comportamento, bem como elementos novos e únicos. Para ele, a personalidade seria o agente organizador ou governador do indivíduo.

A influência da personalidade ao longo do processo de envelhecimento ainda é alvo de muitas discussões. As primeiras pesquisas sugeriram que a personalidade se tornava mais rígida com o envelhecimento e que se desenvolvia muito pouco na idade avançada (Neugarten, Moore & Lowe, 1965; Papalia & Olds, 2000; Tavares, 2005). Estudos posteriores sugeriram o contrário, que ocorreria uma estabilidade dos traços de personalidade ao longo da vida adulta e da velhice; assim, a personalidade não se tornaria mais rígida com o passar dos anos, mas permaneceria da mesma forma desde a vida adulta (Costa, Herbst, McCrae & Siegler, 2000; Herbst, McCrae, Costa, Feaganes & Siegler, 2000; McCrae & Costa, 1987, 1994). Porém, alguns autores defendem a idéia de que diferenças entre coortes refletem na personalidade de idosos, sendo que pessoas de coortes mais recentes parecem apresentar maior flexibilidade do que as de coortes anteriores (Hilgard, Atkinson & Atkinson, 1979; Ruth & Coleman, 1996; Schaie & Willis, 1991).

Teorias atuais de personalidade indicam que, apesar da aparente estabilidade da personalidade na idade adulta, existe considerável potencial para mudança (Field & Millsap, 1991; Helson, Jones & Kwan, 2002; Labouvie-Vief, Diehl, Tarnowski & Shen, 2000; McAdams, 1995; Maiden, Peterson, Caya & Hayslip, 2003).

Alguns estudos mostraram que as dimensões de personalidade podem estar relacionadas aos índices de resiliência e bem-estar subjetivo (Ryff, 1991; Staudinger, Marsiske & Baltes, 1993), além de desencadeamento de sintomas depressivos (Costa, McCrae & Zonderman, 1987; Costa et al., 2000; Diener & Diener, 1996; Martin, Valora & Poon, 2002; Small, Herzog, Hultsch & Dixon, 2003; Steunenberg, Beekman, Deeg & Kerkhof, 2006; Watson & Walker, 1996). O bem-estar tem sido considerado por alguns autores como sinônimo de qualidade de vida (Fleck, Chachamovich & Trentini, 2003).

Conforme o Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (The World Health Organization Quality of life Assessment Group- WHOQOL, 1998), o conceito de qualidade de vida é definido como a percepção que o indivíduo tem sobre a sua posição na vida e no contexto de sua cultura, de acordo com os sistemas de valores da sociedade em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

Existe uma relação direta entre qualidade de vida e intensidade de sintomas depressivos (Trentini, 2004). Dessa forma, os indivíduos que avaliam a sua qualidade de vida como negativa apresentam significativamente mais sintomas depressivos do que aqueles que têm esperança; conforme alguns estudos, esses últimos apresentam melhores condições de saúde (Carpenito, 1995; Farran, Herth & Popovich, 1995; Miller, 1985). Outros estudos também têm encontrado uma associação entre má qualidade de vida e depressão (Herman et al., 2002; Kuehner, 2002; Xavier et al., 2002).

No idoso, os fatores que podem desencadear sintomas depressivos são a falta ou a perda de contatos sociais, história de depressão pregressa, viuvez, eventos de vida estressantes, institucionalização em casas asilares, baixa renda, insatisfação com o suporte social, ansiedade, falta de atividades sociais, nível educacional baixo e uso de medicação antidepressiva (Djernes, 2006; Papalia & Olds, 2000). Sabe-se ainda que a perda do estado de saúde física pode ser o desencadeador do início e da persistência da depressão (Argimon & Stein, 2005; Geerlings, Beekman, Deeg & Vantilburg, 2000).

A depressão pode ser evitada ou minimizada por intermédio do apoio que o indivíduo recebe nas relações interpessoais (Jefferson & Greist, 1999). Papalia et al. (2006) reforçaram a hipótese de que uma forte rede de amigos e de familiares pode ajudar os idosos a evitar e/ou a enfrentar a depressão. Determinados contextos afetivos de amizades ou vínculos de confiança com cônjuge, parceiro ou amigo podem tanto desencadear quanto proteger os indivíduos contra o surgimento de sintomatologia depressiva.

Este estudo examinou a relação entre o tempo de participação na UNITA da UFRGS e os aspectos de personalidade, depressão e qualidade de vida de idosas.

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TREINAMENTO DE FORÇA PARA INDIVÍDUOS HIPERTENSOS

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1.INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial no Brasil é um dos problemas de maior prevalência na população, acometendo 15-20% dos adultos representando assim um dos principais fatores de risco para a morbidade e mortalidade cardiovasculares. (NEGRÃO, 2005)
Vários estudos constatam o benefício do exercício físico tanto aeróbio (como principal estratégia) quanto o de força em benefício da redução da pressão arterial. (POLITO et al, 2005)
O treinamento de força, também conhecido como treinamento contra a resistência ou treinamento com pesos, se tornou uma das formas de exercício mais comuns entre a população para melhoraria da aptidão física dos indivíduos e melhoria do condicionamento de atletas (FLECK & KRAEMER, 2006). Tal forma de exercício vem sendo recomendada para grupos especiais como pacientes de reabilitação cardíaca, diabéticos e idosos. (SIMÃO, 2004)
Quando se remete a prescrição isolada do treinamento de força para indivíduos hipertensos poucos estudos encontram-se na literatura, ao realizarmos uma procura nos buscadores virtuais (scielo e pubmed) encontramos apenas 4 estudos com indivíduos hipertensos (Hardy and Tucker, 1998; Fisher, 2001; Mediano et al, 2005; Melo et al, 2006)
Devido a tais fatos este trabalho teve por objetivo identificar e analisar as respostas do treinamento de força sobre a pressão arterial em indivíduos hipertensos.

2.OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral:

Identificar as respostas do treinamento de força sobre a pressão arterial em indivíduos hipertensos.

2.2 Objetivos específicos:

Descrever as respostas do treinamento de força sobre a pressão arterial em indivíduos hipertensos;

Analisar as respostas do treinamento de força sobre a pressão arterial em indivíduos hipertensos.

3.METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, através da análise de artigos científicos dispostos em bibliotecas virtuais (Scielo e Pubmed) e livros que contenham elementos principais como o treinamento de força e a hipertensão arterial.

4. REFERENCIAL TEÓRICO

4. 1. TREINAMENTO DE FORÇA E VARIÁVEIS HEMODINÂMICAS

O treinamento de força (TF), também conhecido como treinamento contra a resistência ou treinamento com pesos, se tornou a partir da década de 90 uma das formas de exercício mais comuns entre a população para melhoraria da aptidão física, do condicionamento de atletas e aumento da força muscular (FLECK & KRAEMER, 2006). É atualmente considerado um componente integral de um programa completo de exercícios para indivíduos interessados na melhoria de seu estado de saúde e aptidão ou também aqueles que estão se reabilitando de uma série de doenças ou incapacidades. (GRAVES & FRANKLIN, 2006)
É relevante termos o conhecimento e controle das respostas cardiovasculares durante ou após a realização do treinamento de força para a segurança do praticante, principalmente quando as suas condições clínicas implicam maiores riscos cardiovasculares, como por exemplo, a hipertensão arterial. (FORJAZ ET AL. 2003)
Para melhor entendimento do TF e como este repercute no sistema cardiovascular é necessário o conhecimento das variáveis hemodinâmicas. Sabendo que dentre estas, as variáveis utilizadas para controlar a intensidade do treinamento de força destacam-se: freqüência cardíaca (FC), pressão arterial (PA) e o duplo produto (DP). E volume sistólico (VS), débito cardíaco (DC) como elementos integrantes de alguns destes.
4.1.2 Treinamento de força e freqüência cardíaca
A FC é determinada pela quantidade de batimentos por minuto executados pelo músculo do miocárdio. (COSTILL & WILMORE, 2001)
A maioria dos dados transversais indica que a FC de atletas de força altamente treinados não é diferente daquelas de indivíduos sedentários. Os estudos longitudinais de curta duração (até 20 semanas) apresentam significativas diminuições da FC aproximadamente 4 a 13%. Tal mecanismo de diminuição ainda não está totalmente elucidado, entretanto, tal diminuição pode estar tipicamente associada ao aumento do tônus parassimpático e diminuição do tônus simpático. (FLECK & KRAEMER, 2006)

4.1.3 Treinamento de força e volume sistólico

O VS é entendido pela quantidade de sangue remanescente no final da sístole, quando o ventrículo completa sua fase de ejeção. (COSTILL & WILMORE, 2001).
Não há diferenças no VS absoluto entre homens treinados e indivíduos normais. No entanto, valores maiores vêm sendo reportados em indivíduos altamente treinados. Os dados das investigações transversais indicam que o TF tem pouca ou nenhuma influencia no volume sistólico. (FLECK & KRAEMER, 2006)

4.1.4 Treinamento de força e débito cardíaco

O DC é representado pelo produto da FC e volume de ejeção (VE). Durante a realização do TF há um aumento desta variável (FLECK & KRAEMER, 2006). O mecanismo envolvido se dá principalmente pelo aumento da FC, pois, o VE não aumenta durante a realização deste tipo de treinamento.
Logo no início do exercício, há uma diminuição da estimulação vagal e um aumento da estimulação simpática, liberando norepinefrina neural e hormonal, ativando os receptores B1 cardíacos aumentando as propriedades cronotrópicas e inotrópicas da contração do miocárdio. Tal combinação, estimulação simpática e diminuição vagal, fazem com que haja um aumento da FC através da realização do TF (FLECK & KRAEMER, 2006). Assim, aumentos no DC podem ser alcançados principalmente por aumentos na FC. (FLECK & KRAEMER, 2006)

4.1.5 Treinamento de força e duplo produto

O DP é o resultado da FC e pressão arterial sistólica (PAS), a diminuição desta variável é comumente associada a resultados positivos do treinamento. Alguns estudos demonstram diminuição significativa após TF tradicional e após treinamento de levantamento de peso olímpico. Pode-se considerar que o DP esteja diretamente relacionado a respostas na FC e PAS considerando, assim, que diminuições nos valores destas reflitam numa diminuição do DP. (FLECK & KRAEMER, 2006)

4.1.6 Treinamento de força e pressão arterial

A PA é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. Ela é expressa por dois valores o sistólico e o diastólico, onde, o valor mais elevado é o sistólico, PAS que representa a maior pressão no interior da artéria e corresponde à sístole ventricular cardíaca e o valor mais baixo é o diastólico, pressão arterial diastólica (PAD) que representa a pressão mais baixa no interior das artérias correspondendo à diástole ventricular quando o coração encontra-se em repouso. (COSTILL & WILMORE, 2001)
A PA também pode ser entendida como o produto do volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo, em um minuto, isto é, DC pela resistência que as artérias oferecem a seu próprio enchimento, Isto é, a resistência vascular periférica (RVP). (GUYTON, 2004)
Estudos demonstram que atletas de força bem treinados possuem tanto a PAS quanto PAD em níveis normais, embora valores acima da média já tenham sido reportados. Trabalhos de curto período não apresentam alterações significativas na PAS e PAD em indivíduos normotensos. Entretanto em um estudo foi reportado decréscimo significativo na PAS sem alteração da PAD em indivíduos normotensos e em outro se verificou um significativo decréscimo na PAD nos indivíduos treinados. Provavelmente a diminuição da pressão arterial de repouso por meio do treinamento de força esteja relacionada com a diminuição do tecido adiposo e alterações no fluxo simpatoatrial. (FLECK & KRAEMER, 2006)

4.2. TREINAMENTO DE FORÇA E HIPERTENSÃO ARTERIAL

O treinamento de força (TF), atualmente é considerado um componente integral de um programa completo de exercícios para indivíduos interessados na melhoria de seu estado de saúde, como também, para aqueles que estão se reabilitando de uma série de doenças ou incapacidades, isto é, grupos especiais como pacientes de reabilitação cardíaca, hipertensos, diabéticos e idosos (GRAVES & FRANKLIN, 2006).

4.3. HIPERTENSÃO ARTERIAL

A hipertensão arterial (HA) é a principal doença cardiovascular e comumente tem inicio na juventude. Esta incidência aumenta com a idade, de modo que adultos de meia-idade e acima dos 65 anos possuem pressão arterial elevada. (SKINNER, 2005)
Também é considerada uma síndrome de inúmeros fatores, caracterizada pela presença de níveis tensionais elevados e normalmente associada a distúrbios: metabólicos, hormonais, hipertrofia cardíaca e vascular. São aceitos como normais níveis de PAD inferiores a 80 mmHg e PAS inferiores a 120 mmHg. (NEGRÃO, 2005)

No Brasil, a hipertensão arterial é um dos problemas de maior prevalência na população, acometendo 15-20% dos adultos, representando um dos principais fatores de risco para a morbidade e mortalidade cardiovasculares. (NEGRÃO, 2005)
Segundo o (ACSM, 2003), os fatores de risco associados à HA são a obesidade, inatividade física, ingestão alta de sal, ingestão baixa de potássio, consumo em alto nível de álcool e estresse. É aceito também que as interações entre esses fatores relacionados ao estilo de vida e dotes genéticos possam contribuir para o surgimento da HA. Por esses motivos, mudanças no estilo de vida que modificam em favor desses fatores constituem uma parte fundamental no tratamento da HA.

4.3.1 Respostas do treinamento de força em indivíduos hipertensos

Quando se remete a prescrição isolada do TF para indivíduos hipertensos poucos estudos encontram-se na literatura, ao realizarmos uma procura nos buscadores virtuais encontramos apenas 4 estudos com indivíduos hipertensos.
Estudo elaborado por Hardy and Tucker (1998) que analisou 24 homens sedentários com hipertensão leve, idade entre 30 e 65 anos, aparentemente saudáveis, sem efeito de álcool e que não tomavam medicamentos que interferissem na pressão sanguínea. Acompanhados estes, por 24 horas (durante sua vida diária) após um único turno de exercícios de força, através da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). Sendo inicialmente medida a pressão sanguínea antes da sessão, 15 minutos após o término do exercício e a cada 30 minutos durante as 23 horas conseguintes.
Os indivíduos foram submetidos a uma sessão total de exercício de 45 minutos, onde 5 minutos foram destinados a um aquecimento de baixa intensidade (caminhada). Logo após foi realizada uma sessão de TF com 3 séries de 8-12 repetições com 1 minuto de intervalo entre as séries. Os resultados demonstram que após um único turno de TF pode-se proporciona uma redução nos níveis de PAS e PAD na primeira hora pós-exercício em indivíduos hipertensos leves, não medicados.
Posteriormente um estudo realizado por Fisher (2001), examinou o efeito agudo de uma única sessão de treinamento de força sobre a pressão arterial em mulheres normotensas e hipertensas limítrofes. Foram recrutadas dezesseis mulheres (9 normotensas e 7 hipertensas limítrofes) com idades entre 37 e 55 anos fisicamente ativas e com experiência no exercício. O estudo foi realizado em três sessões separadas por no mínimo de 48h. Na sessão os indivíduos realizaram três circuitos com 5 exercícios e carga a 50% de 1 RM estimada para 15 repetições. O intervalo de descanso foi de 30 segundos entre os exercícios e 2 minutos entre os circuitos. A pressão arterial foi medida através do método auscultatório.
Os resultados do estudo demonstraram queda na PAS durante 60 minutos no período de recuperação do exercício no grupo de hipertensos limítrofes em relação ao grupo normotenso. Cinco dos sete indivíduos hipertensos limítrofes tiveram um decréscimo consistente na pressão arterial sistólica, apenas três dos nove normotensos sustentaram hipotensão pós-treino. A PAD não sofreu alteração significativa durante toda a investigação.
Tal efeito hipotensor pode ser explicado por mecanismos hemodinâmicos centrais e periféricos como: redução da resistência vascular periférica relacionada à vasodilatação termorreguladora, diminuição da atividade nervosa simpática ou pela liberação de algumas substâncias vasodilatadoras. Em conclusão, um programa de treinamento de força pode ser útil no controle da hipertensão sendo, mesmo assim, necessários estudos adicionais para delinear o papel deste tipo de exercício na obtenção de níveis saudáveis da pressão arterial de repouso.
Outro estudo feito por Mediano et al. (2005) com indivíduos hipertensos medicados de ambos os sexos (16 homens e 4 mulheres), praticantes de exercício físico supervisionado, mas sem experiência prévia em treinamento de força, usuários de medicamento anti-hipertensivo e que não possuíam qualquer enfermidade que comprometessem as respostas cardiovasculares ou limitasse a execução dos exercícios.
Inicialmente estabeleceram-se sessões de TF com de volume de treino diferentes. Na primeira sessão submeteram-se a um teste de 10 repetições máximas (10RM) nos exercícios de supino reto, leg-press, remada em pé no puxador baixo e rosca tríceps no puxador alto. Nas outras visitas a PA foi medida antes do inicio de cada sessão e logo após executavam uma (1SER) ou três (3SER) séries de no máximo 10 repetições dos exercícios propostos, com intervalo de dois minutos entre as séries. Durante o exercício foi desestimulada a prática da manobra de valsalva e após o termino de cada sessão foi aferida a PA no local de término do último exercício e constantemente a cada 10 minutos durante 60 minutos.
Foi observado no presente estudo que tanto a PAD quanto a PAS pós-exercício em 1SER e 3SER estavam acima dos valores pré-exercício. A PAS em 1SER sofreu redução apenas no 40° minuto pós-exercício e em 3SER sofreu diminuição durante todas as medições pós-exercício. A PAD nos indivíduos que executaram 1SER não sofreu diminuição significativa em nenhum momento durante os 60 minutos pós-exercício e os que executaram 3SER houve redução no 30° e 50° minuto.
Pode-se afirmar que os valores mais baixos nos momentos após logo o término do exercício estejam relacionados ao mecanismo baroreflexo, hiperemia decorrente da contração muscular e pela diminuição da atividade simpática. Ainda os valores da PA podem diminuir além dos registrados antes do exercício, mas esses mecanismos ainda não estão bem esclarecidos. É possível que mecanismos como a maior liberação de óxido nítrico (NO) e menor descarga adrenérgica possam contribuir para a hipotensão pós-exercício tido como principal intervenção não farmacológica de controle da PA podendo tal fenômeno repercutir sobre a PA de repouso tornando mais baixa do que a observada antes do exercício.
Em conclusão observou-se neste estudo que uma sessão de TF realizada com um maior volume 3SER pode proporcionar diminuição na PAS e PAD, em especial a PAS, por um período de 60 minutos em indivíduos hipertensos controlados por medicamentos e que tal efeito hipotensor ocorra devido a um maior volume de treino.
Um estudo conseguinte elaborado por Melo et al (2006) investigou os efeitos de um único turno de TF de baixa intensidade em 11 mulheres hipertensas com idades entre 41-50 anos, usuárias do medicamento captopril (dentre as pacientes analisadas 5 ingeriam também medicamentos antidiuréticos), não praticavam qualquer tipo de exercício físico, nem possuíam doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, nível alto de colesterol ou qualquer outra doença que pode-se influenciar nos estudos. Estas foram submetidas a uma sessão de TF de baixa intensidade onde executaram 6 exercícios, com 3 séries e 20 repetições a 40% de 1RM, sendo a PA medida antes do exercício e após, a cada 15 minutos durante 120 minutos pelo método auscultatório e pela MAPA durante 21 horas após a sessão.
Na primeira série todos os pacientes executaram os exercícios com 20 repetições, porém na segunda e na terceira apenas alguns pacientes executaram as 20 repetições e os que não conseguiram realizaram um mínimo de 15 repetições. Foi demonstrado nos estudos verificados pelo método auscultatório que a PAS sofreu um decréscimo significativo do 15° ao 90° minutos de recuperação pós-exercicio e um aumento significativo nos 120° minutos após o término do exercício e PAD também sofreu diminuição significativa dos 45° aos 75° minutos e um aumento também significativo 120° minutos após a intervenção, quando ambas são comparados ao grupo controle. E pela MAPA houve diminuição tanto da PAS quanto da PAD por um intervalo de 10 horas conseguintes ao exercício. Cabe ressaltar que tais resultados sofrem a influência medicamentosa.

4.4. TREINAMENTO DE FORÇA E MECANISMOS HIPOTENSORES

Tomando como base artigo publicado por MacDonald (2002), a hipotensão pós-exercício (HPE) ou post exercise hypotension (PEH) foi inicialmente documentada em 1897 por L. Hill após treino de explosão de 365m com duração de 90 minutos, mas foi só depois de relatório de Fitzgerald`s documentando diminuição em sua hipertensão após exercitar-se que a comunidade científica iniciou análise sobre tal fenômeno.
A HPE pode manifestar-se em qualquer indivíduo, hipertenso ou não, mas documentou-se uma maior redução da pressão sanguínea em indivíduos hipertensos em relação a indivíduos normotensos. Cabe ressaltar que não se devem confundir mecanismos hipotensores com os de estabilização que são ativados logo após o término do exercício como, por exemplo, a redução da atividade simpática e aumento da parassimpática. A hipotensão refere-se á um longo período de tempo que a pressão arterial se mantém diminuída em relação ao repouso e durante as atividades diárias. (Mcdonald, 2002)
Os mecanismos potencialmente afetados pela hipotensão são o DC e a (RVP), sendo estes produtos da pressão sanguínea. Com base nestas afirmações e sabendo-se que tal fenômeno é multifatorial, tem-se como possíveis mecanismos hipotensores:
Barorreceptores: são nervos responsáveis por mandar estímulos para o controle pressórico. Estudos feitos em roedores demonstraram que após o exercício aeróbio há aumento na sensibilidade destes nervos podendo proporcionar ações destes em benefício da HPE. (Mcdonald, 2002)
Óxido Nítrico: o NO por ser um importante vasodilatador pode ser um dos responsáveis pelo fenômeno da HPE, porém, afirma ainda ter a necessidade de mais estudos. (Mcdonald, 2002)
Serotonina: á possibilidade da HPE, pelas diferenças encontradas no aumento dos níveis de serotonina, que causa a diminuição na atividade simpática.
É necessário lembrar que tais mecanismos hipotensores são apenas suposições que podem acontecer com a realização do TF, pois, a maioria destes mecanismos está diretamente comprovado no treinamento aeróbio. (Mcdonald, 2002)
Um estudo realizado por Rezk et al (2006) com dezesseis indivíduos normotensos de ambos os sexos (8 homens e 9 mulheres), saudáveis, com idades entre 23 e 24 anos, teve por objetivo analisar os efeitos hipotensores após um único turno de TF.
A intensidade das cargas foi estimada pelo teste de 1RM. Os indivíduos executaram 6 exercícios (supino reto, leg press 70º, puxada por trás, cadeira flexora, rosca direta e leg press 40º) com cargas de intensidades diferentes em dois tipos de treinos, onde, um era executar 3 séries de 20 repetições com carga a 40% de 1RM e intervalos de 45 segundos entres as séries e 90 entre os exercícios, e o outro a 80% de 1RM com 3 séries de 10 repetições e intervalos de 60 segundos entre as séries e 90 segundos entre os exercícios, em dias não consecutivos e com intervalos de pelo menos sete dias entre os dois tipos de treino, sendo a FC monitorada durante o exercício.
Os resultados hemodinâmicos foram medidos duplamente antes da intervenção, e nos 15°, 30°, 60° minutos durante o período de intervenção e 90° minuto após. Um valor médio foi calculado para cada momento.
O estudo apresentou HPE nas duas intensidades de treino, mas a PAD sofreu diminuição apenas no treino de baixa intensidade. A diminuição da PA foi devido a uma redução do débito cardíaco (DC) que não foi completamente compensado por um aumento da resistência vascular sistêmica (RVS). Redução do DC é devida a uma diminuição do volume sistólico, apesar do aumento da FC promovido pela ativação simpática e desativação da modulação parassimpática do coração.
Concluindo os autores evidenciam que os mecanismos envolvidos na (HPE) não se devem a atuação das variáveis de maneira isolada e sim pela relação entre elas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve por objetivo analisar as respostas do treinamento de força e seus mecanismos hipotensores em indivíduos hipertensos. Pode-se afirmar que o treinamento de força possa ser um método não farmacológico auxiliar no controle da hipertensão arterial se prescrito de forma correta.
Resumindo, Hardy and Tucker (1998) documentaram que após um único turno de TF pode-se proporciona uma redução nos níveis de PAS e PAD na primeira hora pós-exercício em indivíduos hipertensos leves, não medicados. Fisher (2001) analisando as respostas em um único turno de exercício relatou que houve queda na PAS durante 60 minutos no período de recuperação do exercício no grupo de hipertensos limítrofes em relação ao grupo normotenso. Cinco dos sete indivíduos hipertensos limítrofes tiveram um decréscimo consistente na pressão arterial sistólica, apenas três dos nove normotensos sustentaram hipotensão pós-treino e que a PAD não sofreu alteração significativa durante toda a investigação.
Mediano et al. (2005) observou que uma sessão de TF realizada com um maior volume 3SER pode proporcionar diminuição na PAS e PAD, em especial a PAS, por um período de 60 minutos em indivíduos hipertensos controlados por medicamentos e que tal efeito hipotensor ocorra devido a um maior volume de treino.
Melo et al (2006) demonstrou nos estudos verificados pelo método auscultatório que a PAS sofreu um decréscimo significativo do 15° ao 90° minutos de recuperação pós-exercicio e um aumento significativo nos 120° minutos após o término do exercício e PAD também sofreu diminuição significativa dos 45° aos 75° minutos e um aumento também significativo 120° minutos após a intervenção, quando ambas são comparados ao grupo controle. E pela (MAPA) houve diminuição tanto da PAS quanto da PAD por um intervalo de 10 horas conseguintes ao exercício. Cabe ressaltar que tais resultados sofrem a influência medicamentosa.
Em conclusão um maior volume, menor intensidade e maior duração do treino de força influenciam positivamente no efeito e duração da resposta hipotensora aguda. Quanto ao efeito crônico tal comportamento não é evidenciado.

6. REFERÊNCIAS

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