A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCRITA

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A Função Social da Escrita.
FACULDADE DOM BOSCO
PIRACICABA – SP
2009

RESUMO

Este trabalho fundamenta-se a partir de uma revisão de literatura, seguida de uma entrevista como pesquisa de campo, visando uma compreensão da escrita, seu saber e, principalmente, sua função social. Partindo da História da escrita, como base deste, seguimos com indagações sobre o problema do analfabetismo em nosso país e sua complexidade diante uma vida social da atualidade. Exploramos o termo letramento, seu significado e importância à prática de leitura e escrita, propondo, assim, um melhor entendimento quanto à necessidade destes saberes e, através do trabalho de campo, exibir as dificuldades encontradas por uma pessoa desprovida destes, buscando indicar o quão essencial é, não apenas saber ler e escrever, mas possuir tal conhecimento seguido de sua prática para, assim, ser considerado como membro atuante da sociedade em que está inserido.
Palavras-chave: Leitura, escrita, analfabetismo, letramento.

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
HISTÓRIA DA ESCRITA
1.1. MINHA HISTÓRIA DE ESCRITA
CAPÍTULO 2
LETRAMENTO, ALFABETIZAÇÃO E O IMPACTO DA LEITURA E DA ESCRITA NA VIDA MODERNA
CAPÍTULO 3
A ESCRITA NA VIDA DE ALGUÉM
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Logo que penso no título de minha pesquisa, lembro-me de um dos principais fatores que me fizeram escolher o assunto, que foi o filme Central do Brasil, mais especificamente sua primeira parte.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

INTRODUÇÃO

Hoje, como estudante de Pedagogia, pude compreender, com o decorrer do curso e os conteúdos tratados, a real importância da escrita em nossas vidas, principalmente, tratando-se de uma necessidade básica à inclusão em nossa sociedade. A escrita passou do domínio de uns poucos para um saber universal, considerado um direito de todos.
O objetivo da produção textual tem como fonte primordial uma interlocução entre seus agentes, uma relação de compreensão do autor para com o leitor, deixando sempre espaços para uma variação de sentidos diferentes entre eles. A palavra comporta duas faces, pois procede de alguém e dirige-se para outro alguém, constituindo, assim, o produto da interação do locutor e do ouvinte (BAKHTIN, 2002).
Segundo Vygotsky (1998), o domínio de relações como a escrita nasce nas relações com o outro, por conta de nascermos em um mundo letrado, onde escrever uma lista de compras ou preencher um formulário são atividades que tornam o indivíduo mais adaptado à sociedade.
A escrita é uma forma legítima de autoria do discurso que, além de registrar a fala, apresenta ideias, conceitos e concepções de mundo e de vida, que traduzem as representações que as pessoas fazem de seu cotidiano e de seus pensamentos.
Nos dias de hoje, o não conhecimento da escrita dificulta a vida dos sujeitos, uma vez que nos padrões da sociedade atual ela é um pré-requisito para que a pessoa ter pleno acesso à cultura, ao poder. Sendo assim, a exclusão dos analfabetos acaba por acontecer.
A escrita, de alguma forma, faz parte do cotidiano de todas as pessoas que convivem em uma sociedade complexa, onde não é possível atingir seus objetivos ou realizar todas as suas tarefas apenas por meio da fala. Sendo assim, o saber escrever é fundamental na vida das pessoas, mas, e aquelas que não tiveram a oportunidade de se integrar a esse aprendizado? Existem preconceitos com os analfabetos? Ainda existem chances para que eles possam vir a participar do mundo dos alfabetizados?
A partir dos comentários e indagações postos, nesse trabalho vamos pesquisar, através de fontes teóricas de autores consagrados quanto ao tema, a função social da escrita, juntamente com seus agravantes e suas maravilhas.
No Capítulo 1, em sua primeira parte veremos uma breve história da escrita, focando desde seu surgimento, suas fases, os alfabetos, os tipos de escrita e seus objetivos, pretendendo, assim, uma ampliação desde as origens desta ação indispensável nos dias de hoje. Em sua segunda parte, narro a minha própria história de escrita, o percurso que percorri até hoje nesse mundo da escrita que, particularmente, me encanta, seguindo o capítulo com a importância do ato de escrever para uma vida em sociedade, comentando seus agravantes e seu bom resultado.
No Capítulo 2, trataremos do impacto da escrita na vida moderna, comentando sobre os alfabetizados versus os analfabetos, suas diferenças de vida e tratamento perante uma sociedade letrada, juntamente com considerações sobre o fenômeno fundamental da importância do saber ler e escrever nos dias atuais e, especialmente o termo Letramento. Em sequência, veremos os desafios da escrita no mundo contemporâneo e estabeleceremos relações com alguns livros, estabelecendo uma interlocução com algumas ideias sobre o assunto em questão.
No capítulo 3, nossa intenção foi colher um depoimento de uma pessoa não alfabetizada e, a partir dele, fechar, mesmo que provisoriamente, os pontos de vista apresentados no decorrer do trabalho sobre a função social da escrita.

CAPÍTULO 1

HISTÓRIA DA ESCRITA

Escrevendo a gente inventa. Inventa um romance, uma saudade, uma mentira… Escrevendo a gente faz história. Escrevo pra espantar os demônios, pra sentir o mundo, pra seduzir a vida.
(Marina Jacon)
A escrita surge a partir da necessidade do homem de criar registros, armazenar dados, enfim, preservar sua história. Os vestígios mais antigos de escrita encontrados são da região da baixa Mesopotâmia há mais de 5500 anos. A história da escrita, sem seguir uma evolução cronológica, caracteriza-se em três fases distintas: a pictórica, a ideográfica e a alfabética.
Você já imaginou um mundo onde não existisse a escrita? Como você iria escrever um bilhete, uma carta ou uma redação? Não existiriam listas telefônicas, nem livros, nem revistas e muito menos jornais, ou, se existissem, seriam só com figuras, você já imaginou? Se existissem professores, as aulas seriam, normalmente, expositivas, e não se ouviriam as famosas frases: “Leiam tais textos para a próxima aula”. Ah, e também não existiriam escritores, é óbvio. Histórias, romances, contos, poesias, só existiriam se fossem contadas de gerações para gerações. Nada seria documentado, sendo assim não teríamos Certidão de Nascimento e muito menos Carteira de Identidade e Atestado de Óbito (ANDRADE, 2001).
A história da escrita revela que a necessidade do homem em deixar marcas fez com que surgisse um meio de comunicação eterno. A escrita traçou o destino da humanidade e deu ao homem a possibilidade de se inscrever no mundo, pois, ao deixar marcas nas cavernas, o homem marcou seu destino, fazendo com que seus traços fossem lidos e interpretados muitos anos após suas inscrições (BOTELHO, mimeo s/d).
A linguagem escrita, como a linguagem falada, é um sistema simbólico criado pelo homem. No fluxo da comunicação verbal, grupos humanos passaram a utilizar linhas, pontos e outros sinais para representar, registrar, recordar e transmitir informações, conceitos e relações, produzindo assim a escrita (FONTANA, 2002).
A fase pictórica corresponde a desenhos, chamados de pictogramas e os pictogramas não estão associados a um som, mas sim à imagem do que se pretende representar. Estes também consistem em representações bem simplificadas dos objetos da realidade. Os pictogramas aparecem em inscrições antigas, mas podem ser vistos de maneira mais elaborada na escrita asteca e, recentemente, nas histórias em quadrinhos.
A fase ideográfica é representada pelos ideogramas, que são símbolos gráficos. Os ideogramas representam diretamente uma ideia completa em um único desenho como, hoje em dia, certos sinais de trânsito. As escritas ideográficas mais importantes são: a egípcia, a mesopotâmica e a chinesa.
Esses desenhos foram ao longo de sua evolução perdendo alguns dos traços mais representativos das figuras retratadas e tornaram-se uma simples convenção de escrita. As letras do nosso alfabeto vieram desse tipo de evolução (CAGLIARI, 2006, p.108).
A fase alfabética se caracteriza pelo uso das letras, as quais, embora tenham se originado nos ideogramas, perderam o valor ideográfico assumindo uma nova função da escrita, ou seja, a representação puramente fonográfica (CAGLIARI, 2006). A escrita alfabética representa a palavra falada com base em seus aspectos sonoros e nas possibilidades de uso das letras. Estas são grafismos (marcas) que representam os aspectos sonoros das palavras ditas.
A escrita da humanidade se utilizou de símbolos que foram evoluindo com o passar dos tempos. O uso de símbolos, que expressam fatos, ideias etc., pode ser considerado como a mais antiga manifestação de escrita produzida com a intenção de sua leitura.
O alfabeto surge a partir da decomposição da palavra em sons simples. O primeiro povo a criar signos para esses sons foram os fenícios e então a escrita evoluiu e passou a ser alfabética assim criando o alfabeto dos fenícios, que foi o que originou todos demais alfabetos.
O alfabeto fenício arcaico foi o mais difundido no mundo antigo e é anterior ao século XV a.C., foi constituído de 22 signos que permitiam escrever qualquer palavra e sua expansão ocorreu de forma rápida devido à sua simplicidade (TRINDADE, mimeo, s/d).
Um importante fato para nossa civilização foi a adoção do alfabeto fenício pelos gregos por volta de VIII a.C. Os gregos incorporaram, neste alfabeto, alguns sons vocálicos e o alfabeto grego clássico que conhecemos é composto de 24 letras (signos), vogais e consoantes. Deste alfabeto origina-se o alfabeto etrusco, que junto com o alfabeto gótico da Idade Média que também é originário do alfabeto grego clássico dá origem ao nosso alfabeto latino, o mesmo que dominou o mundo ocidental devido a expansão do Império Romano. O nosso alfabeto é fonográfico e representa, separadamente, as vogais e as consoantes (TRINDADE, mimeo, s/d).
Qualquer que seja o sistema de escrita, ele tem a função de representar as memórias, hoje, sendo possível tê-las registradas em livros e cadernos. Antes da criação da escrita, o conhecimento e/ou cultura tinham um tempo mais curto, por serem transmitidos oralmente, era restrito a quem ouvia e corria riscos de mudanças e, até mesmo, do esquecimento. Nenhuma criação tecnológica teve maior repercussão e benefício na história da humanidade do que a criação da escrita (OLIVEIRA, 2002, p.14).
Sabemos que, conforme um sistema de escrita é utilizado por um grande número de pessoas em diferentes lugares e para diversas formas de uso, a forma das letras do alfabeto admite variantes.
O latim, por exemplo, não tinha as letras minúsculas até a Idade Média, mas após se compor por vários tipos de letras, surge a escrita cursiva (CAGLIARI, 2006).
A escrita cursiva tem o uso particular e individual, pois é de difícil leitura e exige domínio perfeito dos movimentos para sua realização. Esse sistema é o mais complexo sistema de escrita existente, pois varia de pessoa para pessoa e sua habilidade com o mesmo.
O sistema cursivo é mais fácil para as pessoas acostumadas a usá-lo diariamente, porém, para decifrá-lo quando traçado por outra pessoa, a dificuldade surge em alguns momentos, afinal, muitas vezes não deciframos o que nós mesmos escrevemos em determinado momento. Vivemos num mundo onde a escrita se realiza através de muitos tipos de alfabetos. Como aprendemos a ler todos eles, não tomamos consciência dessa realidade (CAGLIARI, 2006, p.97).
Seja qual for a escrita e/ou sua forma, esta tem como objetivo permitir a leitura, que é uma interpretação que traduz os símbolos escritos em fala. Alguns tipos de escrita se preocupam apenas com a expressão oral, já outras com a transmissão de significados específicos, que devem ser decifrados pela pessoa habilitada. Esse tipo de escrita, que se preocupa com a transmissão de significados específicos, muitas vezes serve de palavras-chave para a sua decifração. São exemplos as placas e sinais de trânsito com os quais nos deparamos a todo momento.
A escrita se refere especificamente ao signo linguístico e à atividade de fala e, se diferencia de outras formas de representação do mundo, não só porque induz a leitura, mas também porque essa leitura é motivada, isto é, quem escreve pede ao leitor que interprete o que está escrito, não pelo puro prazer de fazê-lo, mas para realizar algo que a escrita indica (CAGLIARI, 2006, p.105).
Vivemos em contato com vários tipos de escrita: logotipos, rótulos de produtos, textos de jornais e revistas, televisão etc.. Todas essas informações nos levam a refletir sobre o grande número de possibilidades da escrita e suas marcas individuais para a leitura, que foram facilitadas como quando se estabeleceu um código e se convencionou um desenho para as letras, facilitando, assim, a comunicação entre as pessoas em uma mesma sociedade.
O nosso sistema de escrita, o Português, usa vários tipos de alfabeto e, mesmo assim não é totalmente alfabético, pois além das letras ele se compõe também com outros caracteres ideográficos, como os sinais de pontuação e os números (CAGLIARI, 2006).
É complexa a relação entre as letras e os sons da fala pelo fato de que a escrita não é como um espelho da fala, pois existem várias maneiras de se ler o que está escrito. Por isso, os sinais gráficos existentes na escrita do português conferem um valor sonoro especial às letras e sinais modificadores da entonação da fala, são os chamados sinais diacríticos: acento agudo, acento circunflexo, acento grave, ponto de interrogação, ponto de exclamação, til, aspas, ponto final, reticências etc..
Quando falamos, vemos pessoas, coisas, gesticulamos, rimos, e isso tudo não se traduz em letras ou sinais de pontuação; se passarmos só os fonemas para a escrita, o texto perde muito de suas características e pode até tornar-se confuso para quem o lê sem ter presenciado o ato da fala que aquela escrita representa. Quem escreve precisa recuperar, através de palavras, esses fatos que na fala aparecem representados pelas circunstâncias, pelas atitudes gestuais dos interlocutores etc. A escrita tem que criar, com palavras, o ambiente não-linguistico que serve de contexto para quem fala (CAGLIARI, 2006, p.120).
Bastante comum em nossa escrita também é o uso de abreviaturas e siglas para determinadas palavras, como exemplo: cça (criança), qq (qualquer), av. (avenida) etc.. Algumas abreviaturas chegam a ser consideradas, com o tempo, como palavras com vida própria, de tão acostumados que estamos de usá-las frequentemente (CAGLIARI, 2006).
Outra questão atual e bem comentada em nossa sociedade é o caso da linguagem dos internautas, usada pelos usuários de chats na internet.
Com o fenômeno da Internet aumentou, e muito, o número de escritores. Quem sabe pelo fato de que a rede anima a escrever, pois nela é difícil falar. Hoje, no Brasil, mais de um milhão de pessoas estão ligadas à rede. Todos os dias milhares de novos brasileiros se conectam à Internet e essa comunidade, evidentemente, se comunica entre si (ANDRADE, 2001).
Linguagem onde são trocadas as letras componentes das palavras e as abreviaturas existem a todo momento e não apenas as conhecidas da sociedade (citadas acima), ou seja, uma linguagem totalmente fora do entendimento de uma pessoa não usuária deste meio e que está, muitas vezes, tomando conta da escrita convencional dos internautas. Uma linguagem informal, a qual se aproxima muito da língua falada do cotidiano, o internauta foge das normas rígidas da língua escrita, já que não tem tempo para redigir seu texto e fazer um planejamento prévio do seu discurso. Deste modo, muitas vezes cria abreviações, símbolos e sinais que tornam mais rápida a comunicação (ANDRADE, 2001).
Além de confundir o jovem sobre o modo como se escreve corretamente determinada palavra colocada no papel e, algumas vezes ele não ter conhecimento sobre a maneira exata de escrevê-la, no caso de uma avaliação, por exemplo, esta linguagem é tão comum para ele, que se torna a correta, esquecendo-se da tradicional, até mesmo fora do mundo virtual, como é o caso do uso da escrita na escola.
As polêmicas questionam se a linguagem do mundo virtual não invadirá o mundo real ou se o linguajar tipicamente virtual não estaria transgredindo a norma culta de nossa língua e prestes a invadir o mundo real e ainda se as crianças e adolescentes frequentadores das salas de bate-papo poderiam estar aprendendo a escrever errado, em virtude da forma de escrever na Internet (ANDRADE, 2001).
A escrita começou a surgir no momento em que o obejtivo do ato de representar pictoricamente tinha como endereço a fala e, através dela, o leitor se informasse sobre as coisas. Sua primeira função era informativa, porém, hoje, não é a única nem a principal função da escrita. (CAGLIARI, 2006).
A escrita, seja qual for, sempre foi uma maneira de representar a memória e as histórias vivenciadas pelas pessoas. Muitas vezes ela serve como um tesouro que guarda a memória coletiva, religiosa, mágica, científica, política, artística e cultural. Ou seja, a escrita sempre vai nos dar a oportunidade de criar um baú de recordações e ensinamentos culturais. A escrita é uma das manifestações mais antigas da humanidade, ao lado da arte e da arquitetura (CAGLIARI, 1987).
Diante da definição da questão de minha investigação, que pretende discutir a função social da escrita, eu ficava me perguntando: como compreender a escrita nos dias atuais, diante de tantas formas de comunicação? Essa questão evocou-me às experiências pessoais com a escrita, pois, quanto mais nos apropriamos dela, podemos afirmar e reafirmar nossa singularidade, uma vez que quanto menos apropriação dela temos, mais excluídos estamos.
Assim, mediada pela aluna que sou, parto em busca de minha própria história da escrita, pois como um:
[…]sistema de signos histórico e social que possibilita ao homem significar o mundo e a realidade […] aprendê-la é aprender não só as palavras, mas também os seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas (PCN-LP, p.22).

1.1. MINHA HISTÓRIA DE ESCRITA

Não me recordo muito bem sobre a minha primeira experiência com a escrita, mas jamais me esquecerei de dois professores, especiais e fundamentais em minha vida. Eles sempre estavam presentes, guiando-me na fase do letramento, quando cursava o Ensino Fundamental na escola Sud Mennucci, anos de 1994 e 1995.
Foram pessoas magníficas, que tiveram que seguir outros rumos durante o ano letivo, mas que continuaram a se comunicar comigo através de cartas semanais por um longo tempo. Tempo que até hoje me deixa ótimas lembranças e muitas saudades. Creio que uma boa parte de meu gosto pela escrita surgiu nessas conversas e entretenimentos: as valiosas cartas.
Segundo os PCN de Língua Portuguesa,
A linguagem é uma forma de ação interindividual orientada por uma finalidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos da sua história. Dessa forma, se produz linguagem tanto numa conversa de bar, entre amigos, quanto ao escrever uma lista de compras, ou ao redigir uma carta diferentes práticas sociais das quais se pode participar (PCN-LP, p.22).
Desde então, em todas as fases de minha vida, tenho a participação direta da escrita. Boa parte da minha adolescência teve a participação dos tão queridos diários (melhor amigo das meninas) e, principalmente, de cadernos que se transformavam em jóias, compostos por frases, reflexões, músicas, poemas e, até mesmo minhas próprias criações como poetisa. Lembro-me de perder horas e esquecer do mundo real que me cercava quando estava na companhia de tão belas misturas de palavras.
Estes tesouros participantes de minha adolescência me acompanham até hoje, pois como cita Toquinho na música O Caderno: o que está escrito aqui comigo ficará guardado se lhe dá prazer&
Em minha fase colegial (Ensino Médio) era fascinada pela disciplina Língua Portuguesa e suas maravilhas escondidas por trás dos códigos, tanto que assim que o conclui, optei por uma faculdade de Letras, da qual desisti por me sentir sem base prévia para tamanho conhecimento, que é o universitário.
Hoje, cursando Pedagogia, sinto-me preparada teoricamente para quem sabe, um dia, ingressar em Letras novamente no intúito de dominar amplamente os segredos da escrita.
Creio que o gosto pela leitura seja um dos principais motivos que me desperta, cada vez mais, o interesse pela escrita e sua melhor forma de elaboração. A escrita só é significada pela leitura e vice-versa, a leitura da palavra só existe porque há a escrita.
nas narrativas, vida e texto duas formas do tecer que se entrelaçam – dão a ver, dão a ler, as especificidades de vivências diferenciadas, nas quais os saberes, a emoção, os sentimentos experimentados de angústias e de raiva, os sonhos, os fantasmas, o amor, que muitas e muitas vezes escapam à observação objetiva, fundem-se em tramas e dramas irredutíveis uns aos outros (FONTANA, 2000, p.223).
Lendo, encantei-me pelas formas que algumas pessoas conduzem seus textos, como é o caso de Pedro Bial, Cazuza, Zibia Gasparetto e Padre Fábio de Melo, autores que admiro muito pelo encanto de suas palavras. Palavras que mesmo em diferentes tipos de textos/escritas conseguem nos prender pela leitura de modo a esquecermo-nos e perdermo-nos no tempo. Tempo que difere de pessoa para pessoa, eu, por exemplo, gosto da noite, tanto para escrever como para uma leitura. Sua calmaria, seu silêncio e sua beleza formam um conjunto perfeito e ideal, na minha opinião, para desfrutar da leitura e da produção de textos. Cazuza, em seu poema Trapaça, representa com suas doces palavras o impacto da noite em algumas pessoas:
Quando a insônia me convence
Que essa solidão é o céu
Uma calma congelada
Paralisa a minha dor
E o dia nasce azul e feliz
O mundo acorda e eu vou dormir
Quando a noite me acostuma
A enxergar na escuridão
Você vem e acende tudo
E eu sou um cego a procurar
Alguém no mundo para me dizer
Se o amor existe, serve para quê?
(Cazuza, sem data)
Em cada ano que se passou de minha vida, tive professores exemplares que me despertaram e continuam despertando o gosto pela prática da escrita. Prática que muitas pessoas não gostam de exercer, mas que sabem que seu aprendizado é essencial em suas vidas, sendo de importância extrema para a participação na sociedade.
No curso de Pedagogia algumas disciplinas me despertaram a curiosidade sobre o tema da escrita, o que me fez escolhê-lo para meu trabalho de conclusão de curso. Durante as pesquisas e a elaboração do trabalho percebi que até eu mesma, sendo letrada e cursando o nível superior, encontro diversas dificuldades em expressar minhas ideias no papel, em encontrar e empregar a palavra certa de modo que o leitor possa chegar o mais perto possível do meu pensamento.
Narrar pressupõe uma comunidade de vida e de discurso entre o narrador e o ouvinte, fundada em uma tradição e memória comuns. Aquele que narra (com) partilha saberes e vivências nos quais seus ouvintes se re-conhecem e, pelo re-conhecimento, inserem-se na história que está sendo narrada, fazendo sugestões sobre sua continuação, vivendo essa continuação (FONTANA, 2000, p.223).
Por vivermos em um mundo letrado, onde as palavras estão por toda parte (outdoors, televisão, embalagens de produtos etc.), o saber escrever é fundamental na vida das pessoas, pois estas necessitam se comunicar com o outro não apenas através da fala, mas também por bilhetes, cartas e e-mails, sabendo expor suas ideias no papel de forma compreensiva ao outro. Assim, penso em meu papel de professora, pois a responsabilidade de ensinar um aluno a escrever:
é tanto maior quanto menor for o grau de letramento das comunidades em que vivem os alunos. […] cabe à escola promover a sua ampliação de forma que, progressivamente, durante os oito anos do ensino fundamental, cada aluno se torne capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra e, como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações (PCN-LP, p.21).
Em nossa sociedade atual, é necessário que o sujeito seja capaz de compreender e interpretar textos, assim como produzir textos próprios, não bastando apenas saber reproduzir os signos que formam as palavras, necessita-se de um contexto. O papel da escrita como comunicação social implica o saber escrever formalmente, visando a troca de informação entre sujeitos.
Dominando a escrita, o sujeito tem a possibilidade de autonomia para expressar suas ideias, pensamentos e planos, ao mesmo tempo em que também tem a possibilidade de fantasiar, viver um mundo fora de sua realidade atual. Ou seja, na multiplicidade de possibilidades de significação instaurada pela palavra (BAKHTIN, 2002), pela escrita prendemo-nos ao real, mas também temos a possibilidade da liberdade de voar em um mundo de sonhos, onde tudo é possível, conforme nossas vontades.
Há, ainda, outros fatores que destacam a importância do conhecimento da escrita, tais como a busca por emprego, a porta para a cultura e a entrada para os saberes (que serão discutidos nos próximos capítulos). Tais aspectos são fundamentais na vida do sujeito que vive em sociedade.
Estamos tão acostumados a conviver com a escrita, que não nos damos conta de como vive uma pessoa analfabeta, não paramos para pensar e questionar este problema. O ato de escrever está tão presente em nossas vidas que não percebemos que muitas pessoas não possuem este saber e, muitas vezes, nem tiverem a oportunidade para tal. Muitas famílias de classes sociais menos favorecidas vêem a escrita apenas existente para uma assinatura de seu nome ou para se fazer listas de compras e recados. Ou seja, para essas pessoas a escrita é apenas uma pequena garantia de sobrevivência na sociedade e não, como para os outros grupos de classes sociais, um passatempo, uma arte, pois escrever também é uma forma de expressão artística.
Ninguém escreve ou lê sem motivo, sem motivação. É justamente por isso que, em certas culturas, o uso da escrita se apresenta como algo secundário e dispensável mesmo e, em outras, como imprescindível. Muitas pessoas podem até ler jornal todos os dias, mas escrevem muito raramente (CAGLIARI, 2006, p.102).
É preciso uma motivação para escrever, e não apenas o saber fazer. Grande parte da população existente nas cidades não necessita da escrita para cumprir seu trabalho, pois esta não é exigida em determinados serviços. Assim, os programas de alfabetização de adultos devem ser elaborados de acordo com as reais necessidades e vivências do sujeito, e não a partir de uma cultura taxada, pela sociedade, como a ideal. Infelizmente, a arte literária não é motivação de escrita para todas as pessoas, muito pelo contrário, ela é a motivação de muito poucos.
Sendo assim, este trabalho focará a importância social da escrita e seus agravantes, como o preconceito e a dificuldade de uma pessoa analfabeta para viver entre os alfabetizados, visando despertar a atenção para um problema que está bem perto de nós, mas que nem sempre damos a devida importância, por não ser um assunto comentado diariamente e, por nós mesmos não estarmos vivendo tal situação.

CAPÍTULO 2

LETRAMENTO, ALFABETIZAÇÃO E O IMPACTO DA LEITURA E DA ESCRITA NA VIDA MODERNA
A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.
(John Dewey)
A palavra alfabetismo (estado ou qualidade de alfabetizado) não é de uso frequente em nossa sociedade, enquanto analfabetismo, que significa o seu contrário, é de uso bastante frequente e de compreensão familiar e universal.
Conhecemos bem, e nos acostumamos, sobre a condição de um analfabeto, que não é apenas o estado do indivíduo que não teve acesso à leitura e a escrita, mas sim quanto a sua exclusão no momento de exercer, em sua totalidade, o que é seu direito como cidadão, como ter acesso aos bens culturais da sociedade em que está inserido (SOARES, 2005).
O conceito de alfabetização também denota um conjunto de saberes sobre o código escrito da sua língua, que é mobilizado pelo indivíduo para participar das práticas letradas. Daí se dizer que um indivíduo é analfabeto, semi-analfabeto, semi-alfabetizado para referir-se aos modos, graus ou níveis desses saberes que ele apresenta (KLEIMAN, 2005, p.13).
Porém, o fenômeno do saber ler e escrever, e sua devida importância, é uma preocupação que surgiu recentemente em nosso contexto social por conta de uma nova realidade em que não basta apenas o saber ler e escrever, é preciso também saber fazer uso da leitura e da escrita, saber responder às exigências que a sociedade faz de ambas as práticas, pois é preciso compreender o sentido em uma determinada situação que envolva qualquer produto cultural escrito.
Durante muito tempo, era considerado analfabeto o indivíduo incapaz de escrever seu próprio nome. De um tempo para cá, o que define este indivíduo como analfabeto ou alfabetizado é o saber escrever um bilhete simples ou um recado, que são ações da escrita que a fazem ser uma prática social.
Ser alfabetizado hoje significa incorporar as práticas da leitura e da escrita, adquirir competência para usá-las, envolver-se através de livros (assim como jornais, revistas etc.), saber preencher formulários, escrever cartas, localizar-se em catálogos telefônicos, compreender uma bula de remédio entre outros (SOARES, 2005).
Um indivíduo, mesmo não sabendo ler e escrever, pode ser considerado letrado no momento em que a leitura e a escrita têm forte presença em sua vida, partindo de um mero interesse em ouvir uma leitura alheia ou um simples ditado para que outra pessoa escreva por ele, pois desta maneira o indivíduo encontra-se envolvido em práticas sociais de leitura e escrita (SOARES, 2005).
É letrada a pessoa que consegue tanto ler quanto escrever com compreensão uma frase simples e curta sobre sua vida cotidiana.
É iletrada a pessoa que não consegue ler nem escrever com compreensão uma frase simples e curta sobre sua vida cotidiana (UNESCO, 1958, p.4).
Segundo Magda Soares, em seu livro Letramento: um tema em três gêneros (2005, p.48):
Escrever: é também um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente escrever o próprio nome até escrever uma tese de doutorado& uma pessoa pode ser capaz de escrever um bilhete, uma carta, mas não ser capaz de escrever uma argumentação defendendo um ponto de vista, escrever um ensaio sobre determinado assunto[&] Assim: escrever é também um conjunto de habilidades, comportamentos e conhecimentos.
Quando pensamos em escrever, somos levados a uma releitura da realidade, de momentos, pois através da escrita recriamos e revivemos experiências já vividas. Cada pessoa tem, em sua escrita, a leitura de seu próprio mundo, que é transmitido para o leitor.
Ao nascer, cada um de nós mergulha na vida social, na história, e vive, ao longo de sua existência, distintos papéis e lugares sociais, carregados de significados estáveis e emergentes que nos chegam através dos outros. Mediados por nossos parceiros sociais, próximos e distantes, conhecidos e ignorados, integramo-nos progressivamente nas relações sociais, nelas aprendendo a nos reconhecermos como pessoas (FONTANA, 2000, p.222).
O letramento (palavra que apareceu pela primeira vez por Mary Kato, 1986) resulta da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita; é o estado ou condição que adquire um grupo social, ou indivíduo, como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais (SOARES, 2005).
[&]um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e escrita (SOARES, 2005, p.39).
O termo letramento surgiu ao lado de alfabetização devido à mudança na maneira de considerar o significado do acesso à leitura e à escrita em nosso país da mera aquisição da tecnologia do ler e escrever à inserção nas práticas sociais de leitura e escrita (SOARES, 2005, p.21).
Escrita, alfabetização e letramento estão ligados entre si, como uma relação produto/processo: os sistemas de escrita são como um produto cultural e, alfabetização e letramento são processos de aquisição de um sistema escrito.
A alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem& pertence, assim, ao âmbito do individual (TFOUNI, 2006, p.9).
O objetivo do letramento é investigar não somente a pessoa alfabetizada, mas também a analfabeta, desligando-se da verificação somente do individual e, focando-se no social, pois a alfabetização, como processo individual, não se completa por conta de a sociedade estar sempre em processo de mudança e a atualização individual para acompanhar essas mudanças é constante (TFOUNI, 2006).
Assim, de um ponto de vista sociointeracionista, a alfabetização, enquanto processo individual, não se completa nunca, visto que a sociedade está em constante movimento.
Enquanto a alfabetização ocupa-se da aquisição da escrita, o letramento concentra-se nos aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade (TFOUNI, 2006).
Quando dizem que uma pessoa que não incorpora os usos da escrita, não se apropria plenamente das práticas sociais de leitura/escrita, não estão se referindo a índices de alfabetização, mas sim, a níveis de letramento.
A ausência da escrita em uma sociedade é tão importante quanto sua presença, e, ambas são fatores que atuam ao mesmo tempo como causa e consequência de transformações sociais, culturais e psicológicas.
Para Vygotsky (1984), segundo Tfouni (2006, p.21): o letramento também representa a causa da elaboração de formas mais sofisticadas do comportamento humano que são os chamados processos mentais superiores, tais como: raciocínio abstrato, memória ativa, resolução de problemas etc.
Nas sociedades modernas, podemos dizer que não existe o letramento grau zero, que seria equivalente ao iletramento. Segundo o processo sócio-histórico, o que existe nas sociedades industriais modernas são graus de letramento, sem que com isso suponha-se a sua inexistência.
A visão etnocêntrica (forma de pensamento de quem crê na supremacia do seu grupo étnico) cria certa confusão entre não-alfabetizado e iletrado, por exemplo: os membros analfabetos de uma comunidade civilizada tratam e consideram as palavras de um modo semelhante aos selvagens (TFOUNI, 2006, p.24). O etnocentrismo pode ser esquecido, começando a se considerar alfabetização e letramento como processos interligados, porém separados. Assim, também estaremos separando o letramento do processo de escolarização, que comumente acompanha o processo de alfabetização.
Ao contrário do que se pensa, os não-alfabetizados têm capacidade para desviar seu raciocínio e resolver conflitos que se estabelecem no plano da dialogia. Assim, a questão não está em ser ou não, alfabetizado enquanto indivíduo, mas sim em ser ou não letrado na sociedade em que vive (TFOUNI, 2006).
Começar a dizer nunca é tarefa simples. E começar a escrever torna-se trabalho árduo e duplamente complexo (TFOUNI, 2006, p.29).
Se ao falar estamos aprisionados pela ilusão da completude, ao escrever ficamos presos em uma contradição, que tem a ver com a ilusão da linearidade do pensamento (e da transparência da linguagem) e a necessidade de imaginar um interlocutor ausente, muitas vezes fantasmático e idealizado, para o qual precisamos planejar e organizar o nosso discurso.
Não existe uma questão exata do que seja o letramento. A necessidade de se começar a falar disso surgiu da tomada de consciência, dos linguistas, de que havia algo além, mais amplo e, até determinante em relação ao sentido do termo alfabetização e sua função. A palavra letramento não é e não deve ser usada como sinônimo de alfabetização.
A ênfase do letramento é sempre colocada nas práticas, habilidades e conhecimentos voltados sempre para a codificação ou decodificação de textos escritos (TFOUNI, 2006).
O letramento pode atuar indiretamente, e influenciar até mesmo culturas e indivíduos que não dominam a escrita. Isto nos mostra que o letramento é um processo mais amplo que a alfabetização. Como diz Magda Soares em Letramento: um tema em três géneros (p.15): letramento& uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita.
Em nosso país existem algumas pesquisas que avaliam o nível de letramento de jovens e adultos, considerando como alfabetizado (o termo correto seria letrado) o indivíduo que tenha, no mínimo, completado a 4ª série do Ensino Fundamental, com base no propósito de que são necessários quatro anos de escolaridade para a apropriação da leitura e da escrita e de seus usos sociais. Mas, quando se pensa e calcula sobre o analfabetismo do Brasil seguindo esses critérios, o índice cresce de forma assustadora e inesperada (SOARES, 2005).
Estarmos incorporando a palavra letramento em nosso vocabulário significa que compreendemos que nosso problema não se resume apenas em ensinar leitura e escrita, mas também em levar o indivíduo todos eles a fazer uso dessa leitura e escrita de forma a envolver-se, principalmente, em suas práticas sociais. Assim, o nível de letramento de grupos sociais relaciona-se fundamentalmente com as suas condições sociais, culturais e econômicas (SOARES, 2005, p.58).
Uma condição importantíssima para o letramento é que haja a escolarização efetiva de toda a população, pois só percebemos a necessidade do letramento a partir do momento em que o acesso à escolaridade cresceu e tivemos muito mais pessoas lendo e escrevendo, passando a desejar um pouco mais do que apenas saber ler e escrever, ávidos então para compreender e usar efetivamente estes saberes. Outra condição, também considerável, é que exista a disponibilidade e fácil acesso a materiais de leitura. O que acontece nos países do Terceiro Mundo é que se alfabetizam os cidadãos, mas não lhes são dadas as devidas condições para ler e escrever, não existem materiais impressos à disposição, além de o preço de jornais e revistas ser, muitas vezes, inacessível à essas pessoas. Por isso ocorrem os fracassos nas campanhas de alfabetização de nosso país, contentam-se a ensinar a ler e a escrever, mas não criam as condições necessárias para que os novos alfabetizados passem a aprofundar-se em um ambiente de letramento, para que entrem no mundo letrado onde as pessoas têm acesso à leitura e à escrita através de livros, revistas, bibliotecas e livrarias, vivendo em condições sociais em que leitura e escrita têm uma função para elas, tornando-se uma necessidade e, até mesmo, uma forma de lazer (SOARES, 2005).
Um exemplo citado por Soares (p.59) é sobre o antigo Mobral, em que pesquisas mostraram que as pessoas alfabetizadas por esse movimento acabavam desalfabetizadas logo em seguida, pois tinham aprendido a ler e a escrever, mas devido a impossibilidade do uso da leitura e da escrita por carência de, em seu meio, de demandas de tais habilidades, por falta de acesso a materiais impressos, acabaram por perdê-las. Ou seja, tinham sido alfabetizadas, mas não lhes possibilitaram tornarem-se letradas. De acordo com a Declaração de Persépolis de 1975:
[&] não é apenas o processo de aprendizagem de habilidades de leitura, escrita e cálculo, mas uma contribuição para a liberação do homem e para seu pleno desenvolvimento. Assim concebido, o letramento cria condições para a aquisição de uma consciência crítica das contradições da sociedade em que os homens vivem e dos seus objetivos; ele também estimula a iniciativa e a participação do homem na criação de projetos capazes de atuar sobre o mundo, de transformá-lo e de definir os objetivos de um autêntico desenvolvimento humano. (citado por SOARES, 2005, p.77).
O letramento não tem uma essência estática nem universal. Em certo momento, a habilidade de saber ler e escrever o próprio nome já era a comprovação de letramento; hoje, a habilidade de memorizar, por exemplo, um texto sagrado é uma das demandas de letramento (SOARES, 2005).
A partir deste capítulo, pudemos, quem sabe, tomar consciência que, nos dias atuais, não basta apenas saber ler e escrever como antigamente, mas, o que nos torna membros participantes da sociedade em que vivemos é saber, principalmente, interpretar todo o tipo de texto escrito e isso é o que nos faz indivíduos letrados.

CAPÍTULO 3

A ESCRITA NA VIDA DE ALGUÉM

Um livro é como uma janela.
Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela
e só pode ver uma pequena parte da paisagem.
(Kahlil Gibran)
Quando decidi por pesquisar sobre o tema, não havia considerado a hipótese de uma entrevista para complementar meu trabalho, mas, no movimento da produção deste surgiu a ideia de procurar uma pessoa desprovida do conhecimento da leitura e, principalmente, da escrita para que, assim, pudesse comprovar aspectos que foram comentados durante os capítulos anteriores.
Após a decisão sobre uma entrevista, surgiu a indagação sobre quem seria o sujeito a narrar sua experiência com o tema e, após algumas preocupações para com isso, pedindo opiniões, acabei por encontrar a pessoa certa, entre uma conversa e outra, em minha própria família.
A pessoa que colaborou com meu trabalho, através de uma entrevista, contando sobre sua vida, foi a Senhora D, de 82 anos de idade.
Primeiramente pedi para que a Sra. D. me contasse sobre sua vida e assim foi, ela me contou que nasceu na cidade de Saltinho, trabalhava com os pais na roça, ajudava nos afazeres da casa e cuidava de irmãos mais novos, até que começou a trabalhar em uma fábrica de tecidos, confeccionando-os. Nessa mesma época, D. conheceu e casou-se com A., que é seu marido até hoje, com apenas 13 anos de idade.
D. teve nove filhos, passou por alguns problemas de saúde quando engravidou do último e, por isso, veio morar em Piracicaba, que era onde seu marido trabalhava na época. D. criou seus filhos muito bem, educou-os e todos foram escolarizados e, alguns deles, até se graduaram. Após terem seus filhos independentes e/ou casados, A. se aposentou e voltou com D. para Saltinho, onde vivem até hoje.
Por conta da vida a que as pessoas eram acostumadas naquela época, D. não teve acesso aos estudos, através de sua entrevista pude perceber que a maior preocupação com as mulheres antigamente era mais relacionada com um casamento sólido, em que a mulher era educada para cuidar da casa, do marido e dos filhos.
D. tem algum conhecimento das palavras, da importância delas. Seus filhos a ensinaram a escrever seu nome, o nome deles e também os números, mas ela não via necessidade, além de sentir-se velha para isso, de alfabetizar-se, pois foi criada daquela maneira, passou uma vida inteira sem esses saberes, não ía buscá-los agora que já cumpriu seus objetivos de esposa e mãe.
Ela me contou de suas dificuldades por ser analfabeta. A maioria delas foi superada por conta de que seu marido e filhos cuidavam, e ainda cuidam, dos afazeres que diziam respeito a alfabetização, acompanham-na quando precisa ir a algum lugar, fazem as compras para a casa e, até mesmo, ajudam-na com o telefone, pois D. não sabe usar direito.
E, assim D. tornou-se a pessoa que é hoje, interessada no futuro dos entes queridos e, mesmo sem acesso aos estudos e, principalmente, as regalias da pessoa provida do conhecimento da leitura e da escrita é uma pessoa capaz de relacionar-se com os demais, articulada em suas palavras e, principalmente, confiante em ser quem ela é. Não podendo esquecer de seu orgulho para com seus filhos formados e sua preocupação e noção do quão importante é o estudo na vida de uma pessoa nos dias atuais.
A narrativa conta sem dar explicações definitivas, admitindo diversas interpretações. Seu não-acabamento se apóia na plenitude do sentido e em sua profusão ilimitada, de tal modo que cada história dá ensejo a uma outra história, suscita outras histórias (FONTANA, 2000, p.223).
posso dizer, a partir dos conceitos de letramento trabalhados no capítulo dois, que embora D. seja considerada analfabeta e iletrada, ela vivendo em uma sociedade letrada acaba por apresentar uma oralidade marcada pela apropiação do produto cultural que é a leitura e a escrita, pois valoriza estes saberes.
D. precisa de ajuda até para usar um telefone, que é um meio de comunicação básico em nossa sociedade, mas cria seus prórpios mecanismos para enfrentar estas dificuldades, até solicitando o apoio de seus parentes e pelo que se apresenta, ela acaba, mesmo que precariamente, conseguindo fazer uso deste.
Neste sentido, a entrevista de D. dá a ver o que Soares (2005, p.21) aponta, a saber, que há uma mudança na maneira de considerar o significado do acesso à leitura e à escrita em nosso país da mera aquisição da tecnologia do ler e escrever à inserção nas práticas sociais de leitura e escrita. Assim, mais do que dominar o código, D. por viver em uma sociedade letrada, está inserida no processo.
A partir da narrativa da pessoa entrevistada, pude notar também a diferença de estilo e de necessidades que a vida de antigamente demandava em comparação com a vida atual. A mulher era criada para casar, para ter seu sustento provido por uma outra pessoa, no caso o marido, o que se exigia dela eram conhecimentos domésticos: tinha que cuidar bem de uma casa, criar filhos, acompanhar o marido. A sociedade, com tempo, foi tornando-se complexa, exigindo cada vez mais das pessoas e as mulheres foram ocupando outros espaços. D. não foi formada para as necessidades tecnológicas deste momento histórico, entretanto quis possibilitar aos filhos conhecimentos que não teve e podemos inferir que ela valorizava a leitura e a escrita.
D. apresenta em sua fala aspectos muito comuns de um tempo em que as pessoas importavam-se apenas com trabalho e uma vida honesta independente dos estudos. Hoje, até para um trabalho básico são exigidos conhecimentos de leitura e escrita.
Podemos também considerar o quanto a sociedade e a vida nela foram se tornando cada vez mais complexas não sendo posssível apenas saber ler e escrever, mas se cobra agora a interpretação e decodificação textos das mais diversas naturezas como aponta Chartier (1999, p.77), ao dizer que: os gestos mudam segundo tempos e lugares… Novas atitudes são inventadas, outras se extinguem… do livro impresso ao texto eletrônico.
Portanto, se quem desconhecia a leitura e a escrita já estava excluído de certa forma de uma apropriação ampla do mundo concreto de sua existência, o que podemos dizer da exclusão em uma sociedade na qual outras demandas surgem a cada minuto? D. não apresenta em sua fala amargura, mas compreende que seus conhecimentos não são suficientes para este tempo e nos leva a pensar qual o nosso papel como professores e como podemos cada vez mais e melhor dar possibilidades aos nossos alunos de aprender a escrever, a ler e assim desenvolver-se na sua cultura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Logo que penso no título de minha pesquisa, lembro-me de um dos principais fatores que me fizeram escolher o assunto, que foi o filme Central do Brasil, mais especificamente sua primeira parte.
O filme nos mostra diversas pessoas, de diferentes culturas, mas com o mesmo propósito de se comunicar e isso nos faz refletir sobre o quão grande é o número de analfabetos existentes em nosso país. Por questão de necessidade, essas pessoas desprovidas dos saberes da leitura e da escrita necessitam criar certa confiança no outro que transcreve seus sentimentos através de uma carta, que continua sendo um importante meio de comunicação, mesmo após o surgimento da era da informática.
No filme, a escriba das cartas é Dora, uma professora aposentada que ganha a vida dessa maneira, assim, ela acaba tendo o poder de mudar ou não a vida dessas pessoas através das cartas que escreve. As pessoas dependem dela, de sua lealdade ao escrever o que realmente lhe é pedido, de certa forma, estão em suas mãos. E as personagens do filme, mesmo sendo analfabetas, assim como a entrevistada do terceiro capítulo deste, demonstram saber a importância da escrita, exatamente por viverem em um mundo letrado e estarem rodeadas por todos esses códigos existentes em nossa sociedade.
As personagens letradas participantes do filme acabam por caçoar de um analfabeto, comentando que nem escrever ele sabe, no momento em que este pede que se escreva ao seu destinatário que ele possui Ensino Superior, mostrando-nos, assim, uma atitude de preconceito, exclusão por parte delas e das próprias pessoas.
Uma professora que ganha a vida escrevendo para os que não sabem acaba brincando com a vida dessas pessoas no momento em que ri das cartas e seleciona as que irão para o correio e as que não irão. Que mundo é esse? Que professora é essa? E essas pessoas que confiaram, muitas vezes, seus destinos à ela, como ficam? Nunca saberiam o real destino de suas cartas e ela não se importa, coloca a culpa nos correios quando questionada sobre o assunto.
O filme nos mostra certa ausência de escola, uma negação até por parte da professora e isso não pode acontecer, não é justo para com os inocentes que só querem estudar. Toda professora sofre algumas dificuldades durante seu trajeto, principalmente quando trata-se do salário e o filme nos mostra uma desvalorização social para com a profissão, mas isso não pode nos deixar amargar como Dora, devemos lutar pelos nossos direitos, mas, principalmente, por uma educação igual para todos. O cenário do filme também nos mostra um país excludente, acompanhado de ambos os lados de Dora, a professora, que deve garantir o acesso à educação (e assim, a escrita) para todos e a escriba, que apenas sobreviverá com seu emprego enquanto existirem essas pessoas desprovidas de estudos.
As personagens pedem conselhos pessoais a Dora, consideram-na experiente, uma visão da parte delas que considera a professora melhor em todos os aspectos apenas por ter o conhecimento escolar. Pessoas inocentes pagam para serem enganadas, o que nos leva a compreender, ainda mais, que não dá para viver sem os conhecimentos de leitura e escrita.
Após toda essa negação presente no filme, os personagens nos levam a perceber que a escrita pode mudar nosso jeito de ser, percebemos que, com o decorrer da história, tanto a professora Dora como o garoto Josué modificam-se a partir do momento em que começam a relacionar-se, independente da diferença quanto à instrução. A professora Dora, amarga do início do filme, não é a mesma de seu final, sensível e com certa empatia, e foi a escrita uma das causas dessa mudança.
O filme nos traz infinitas indagações sobre a sociedade atual, assim como essa pesquisa em que busco, mesmo de forma simplificada, atingir pessoas interessadas no tema, como eu sou, e também professores que possam, através deste, conseguir algum tipo de colaboração e compreensão da importância da escrita, juntamente com seus privilégios e distorções, assim como também uma breve visão quanto aos conceitos de letramento, alfabetização e quanto a mudança social decorrente da função social da escrita.
Podemos encerrar insistindo, mais uma vez, na necessidade com que a educação para todos precisa, mais do que nunca, ser alcançada em uma sociedade tão exigente como a nossa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DE ARTOPLASTIA TOTAL DE JOELHO

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Resumo

A artroplastia total de joelho (ATJ) é uma cirurgia ortopédica comum, que leva a substituição da articulação do joelho por uma prótese articular. Essa cirurgia é realizada com o objetivo de reduzir a dor e melhorar a função tendo em vista o processo de degeneração articular do joelho. O foco deste estudo é na reabilitação no pós-operatório e a recuperação da amplitude de movimento (ADM) do joelho. O Objetivo geral deste artigo é identificar as principais técnicas de fisioterapia empregadas no pós-operatório de artorplastia de joelho; Verificar se a fisioterapia foi eficaz na recuperação funcional destes pacientes e em qual período ela se mostrou mais eficaz e demonstrar a importância da fisioterapia no pós-operatório de artroplastia de joelho. Além disso, buscou-se Objetivo: Elaborar un conjunto de recomendaciones para ayudar a sistematizar y mejorar el tratamiento rehabilitador de los pacientes intervenidos de prótesis de rodilla durante la fase de hospitalización.desenvolver um conjunto de recomendações para ajudar a sistematizar e melhorar o tratamento fisioterápico dos pacientes submetidos à artroplastia do joelho. Material y métodos: Se ha utilizado un diseño en cinco fases siguiendo los principios de la Medicina Basada en la Evidencia 1) definición del objetivo y población diana; 2) búsqueda sistematizada de la bibliografía; 3) análisis de la información; 4) síntesis de los resultados y 5) propuesta de recomendaciones. A Metodologia utilizada foi a de revisão bibliográfica de mais de 20 artigos publicados no período de 1990 a 2010 na internet em bases como Medline, Lilacs, Google Acadêmico e literatura atual impressa. Os descritores utilizados foram: Joelho + artroplastia + fisioterapia/ Knee + arthroplasty + physiotherapy + rehabilitación de rodillas.
Keywords: Knee. Knee arthroplasty.Palavras-chave: Artroplastia do joelho. Reabilitação. Physiotherapy. Fisioterapia

Abstract

La artoplastia total de rodillas es uma cirurgia ortopédica comum que lleva a la sustituición de la articulación de rodilla por uma protesis articular. Esa cirurgia es realizada con el objetivo de reducir el dolor y mejorar la función teniendo em vista el proceso de degeneración articular de la rodilla. El foco de este estúdio es la rehabilitación en el pos-operatorio y la recuperación de la amplitud de los movimientos (ADM) de la rodilla. El objetivo general de este artículo es identificar las técnicas principales de fisioterapia empleadas en el pos operatório de la artoplastia de rodillas. Además de eso, desarolla un conjunto de recomendaciones para ayudar a sistematizar y mejorar el tratamiento fisioterápico de los pacientes submetidos a la artoplastia de rodillas. La metodologia utilizada fue a de revisión bibliográfica de más de veinte artículos publicados en el período de 1990 a 2010 en la internet en bases como Medline, Lilacs, Google Academico y literatura atual escrita. Los decritores utilizados fueron: Joelho + artroplastia + fisioterapia/ Knee + arthroplasty + physiotherapy + rehabilitación de rodillas.
Palavras Llave: Artoplastia de rodillas. Rehabilitación. Fisioterapia

1 Introdução

A artroplastia total de joelho (ATJ) é uma cirurgia de substituição da articulação do joelho, que exige reabilitação no pós-operatório imediato com ênfase na recuperação da amplitude de movimento (ADM), e é um método terapêutico eficaz na recuperação funcional e no alívio da dor. A reabilitação consiste na mobilização passiva contínua que é realizada por meio de equipamento de mesmo nome (continuous passive motion CPM). O aparelho de CPM possibilita a melhora da função e da ADM do joelho, mas possibilita apenas a realização movimentos passivos e apresenta um custo elevado (CARVALHO, 2005, p 4)
A ADM restrita afeta as atividades funcionais do paciente, e a recuperação da ADM é considerada o primeiro indicador de sucesso da cirurgia, já que a substituição da articulação do joelho é cada vez mais comum nos países desenvolvidos, causando enormes custos diretos e indiretos. Existen dos razones que explican su importancia:
Eficacia. Hay pocas intervenciones médicas en las que dispongamos de datos tan concluyentes sobre la eficacia a medio y largo plazo como en las prótesis de rodilla (PR).Existem poucas intervenções médicas nas quais existem dados conclusivos sobre a eficácia de médio e longo prazo de próteses de joelho. En un meta-análisis de la bibliografía, realizado con gran rigor metodológico, Callahan et al (3) obtuvieron los siguientes datos: a) El 89,3% consiguen resultados excelentes o buenos; b) la mortalidad anual tras la intervención es del 1,5% (similar a la de la población general mayor de 55 años) yc) el índice global de revisión quirúrgica tras un seguimiento medio superior a los cuatro años fue sólo del 3,8% Callahan et al (2004) obtiveram os seguintes dados: a) 89,3% alcançam resultados excelentes ou bons, b) a mortalidade anual após a cirurgia é de 1, 5% (semelhante à da população geral com idade acima de 55 anos ) e c) A taxa global de revisão cirúrgica após um seguimento médio de quatro anos foi de apenas 3,8%. En un análisis reciente Lavernia et al (4) demostraron que la PR era una de las actividades médicas más costo-efectivas (calculando el coste por año de calidad de vida que se proporciona al paciente). Em uma análise recente Lavernia et al (2007) demonstraram que a ATJ era uma das atividades médicas mais eficazes (calculando o custo por ano de qualidade de vida que se proporciona ao paciente).
A artroplastia total do joelho é uma cirurgia até certo ponto radical que deve ser reservada para joelhos em que tratamentos mais conservadores, clínicos, fisioterápicos ou cirúrgicos, não projetem evolução favorável.
Não nos parece existir um modelo ideal de artroplastia total do joelho que seja solução para todos os casos. Assim, o que devemos fazer é estudar cada paciente criteriosamente, para estabelecer o tipo de artroplastia que melhor o beneficie.
A seleção da artroplastia ideal para o joelho é de fundamental importância. É relevante assinalar que, na maioria das vezes, o paciente apresenta-se em condições físicas e clínicas normais, tendo como limitação apenas o comprometimento de um ou ambos os joelhos.

2 Artroplastia de Joelho

Población susceptible. Tennant et al (5) en un importante estudio epidemiológico, realizado sobre una población de 210.000 personas mayores de 50 años, calcularon que un 20,4 / 1.000 presentaban criterios clínicos que obligaban a considerar la posibilidad de una PR. O tratamento cirúrgico para a artroplastia de joelho é do século XIX, com a artroplastia de ressecção descrita por Fergusson em 1861 e a artroplastia de interposição utilizando um fragmento de cápsula descrita em 1863 por Verneuil. Desde então, foram desenvolvidas outras técnicas, visando o restabelecimento da movimentação funcional e a melhora da sintomatologia álgica, com a interposição de vários materiais, orgânicos ou não, incluindo músculo, fáscia lata, tecido adiposo, pele, vesícula de porco, vidro e celulóide.
Em 1940, baseando-se nos conceitos de Smith-Petersen, que desenvolveu um molde para artroplastia interposicional para o quadril utilizando vitalium, Campbell descreveu uma hemiartroplastia do joelho, com um modelo metálico para a cobertura dos côndilos femorais, não obtendo bons resultados. Em 1955, McKeever e McKintosh apresentaram um modelo com substituição do platô tibial. Em 1957, Walldium introduziu modificações com relação ao material, ao design e à fixação, com uma prótese em dobradiça com fixação intramedular confeccionada de acrílico (GARCIA, 1997).
A era moderna da artroplastia total de joelho, no entanto, iniciou-se com Gunston, em 1971, com o desenvolvimento de uma prótese não restrita com fixação por cimento. Após seu relato, foram introduzidos vários modelos objetivando a simplificação da técnica cirúrgica, com formatos mais anatômicos e melhor fixação às superfícies ósseas. A prótese estabilizada posteriormente (PEP) foi introduzida em 1978 por Insall et al.(1999), com o objetivo de aumentar a amplitude de movimento, melhorar a função de subir e descer escadas e prevenir a subluxação posterior da tíbia.
Houve controvérsia com relação aos resultados clínicos de próteses que retinham o ligamento cruzado posterior (PRLCP) e aos modelos em que o ligamento cruzado posterior era sacrificado (PEP). No entanto, em diversos estudos prospectivos e retrospectivos, inclusive analisando pacientes com artroplastia bilateral nos quais se usaram uma PRLCP e uma PEP, não se conseguiu demonstrar qualquer vantagem de um modelo em relação ao outro em termos clínicos.
La PR ha sido considerada hasta hace pocos años como el último recurso en personas con grave incapacidad. A ATJ foi considerada até recentemente como o último recurso para as pessoas com deficiências graves. Los avances en el diseño protésico y en las técnicas quirúrgicas y anestésicas, la han transformado en una opción fiable, con un gran potencial para disminuir el dolor, la dependencia e incapacidad de gran número de pacientes. Avanços no desenho de próteses cirúrgicas e técnicas anestésicas tornaram-se uma opção confiável, com grande potencial para reduzir a dor, a dependência e a incapacidade de muitos pacientes. Esto unido al aumento de la edad media de la población y una mayor conciencia en las personas mayores por mejorar su calidad de vida, hacen previsible que el número de candidatos a PR seguirá creciendo. Isso, combinado com o aumento da idade média da população e uma maior sensibilização das pessoas idosas, traz melhoras na sua qualidade de vida, o que faz da substituição da articulação do joelho um dos fatores mais importantes para o paciente obter todos os benefícios potenciais do pós-operatório.
Tennant et al (2005) em um grande estudo epidemiológico, realizado em uma população de 210.000 pessoas com mais de 50 anos, obteve a estimativa de que 20,4 / 1.000 tinham critérios clínicos para considerar a possibilidade de uma ATJ. En más del 90% de los casos las enfermedades subyacentes que precisan PR son la artrosis de rodilla y la artritis reumatoide (6). Em mais de 90% dos casos, as condições subjacentes que são necessárias para a ATJ é a osteoartrite do joelho e artrite reumatóide. La gonartrosis supone un gran problema de salud (7).
A Osteoartrose do joelho é um importante problema de saúde. Un tercio de las personas mayores de 65 años tienen signos radiológicos de artrosis de rodilla (8), de los que aproximadamente un 40% refieren dolor (9). Um terço das pessoas com mais de 65 anos tem evidência radiográfica de osteoartrite do joelho, as quais aproximadamente 40% relatam dor. La mitad de los pacientes sintomáticos asocian incapacidad (10, 11). Metade da incapacidade está associada a pacientes sintomáticos. Muchos de estos enfermos sufren dolor intenso e importante deterioro funcional (12) que, al no responder a tratamientos conservadores ni a tratamientos quirúrgicos menos radicales, hacen necesaria la PR. Muitos desses pacientes sofrem dor e incapacidade funcional significativa e, por não responderem ao tratamento conservador ou menos radicais, exigem tratamentos cirúrgicos (ATJ).
Alguns autores como Tria, Coon (2003) têm demonstrado os benefícios da cirurgia minimamente invasiva na artroplastia de joelho, como menor incisão cirúrgica, tempo mais curto de internação, menor dor no pós-operatório e de ambulação sem necessidade de órteses mais precocemente. Ainda em relação à preservação do aparelho extensor na artroplastia de joelho.
Silva et al (2003) afirmam que maior força do quadríceps está relacionada com melhores pontuações em avaliações funcionais.
As cirurgias menos invasivas e menos agressivas, apesar de apresentarem curva de aprendizado e menor exposição cirúrgica são uma tendência da medicina e da ortopedia do século XXI. Talvez, a associação de técnicas como a cirurgia navegada por computador, que permite bons resultados no alinhamento de implantes com a via de acesso minimamente invasiva venha a ser utilizada com maior freqüência nas artroplastias de joelho.
Os joelhos com grau avançado de osteoartrose ou de artrite reumatóide têm indicação indiscutível de artroplastia total do joelho. Hoje, o que se discute é o tipo de prótese a ser utilizada, dependendo de fatores intrínsecos e extrínsecos ao paciente.
Os fatores intrínsecos ao paciente seriam: o arcabouço ósseo onde vai ser instalada a prótese (sua integridade ou não), a qualidade desse osso, o grau de deformidade angular e as instabilidades preexistentes ou não. Os fatores extrínsecos seriam: a disponibilidade de diferentes tipos de prótese para o cirurgião e sua habilidade em desenvolvê-los. O desenvolvimento constante do desenho protético deverá contribuir tanto para os resultados funcionais como para o desenvolvimento da artroplastia (CARVALHO, 2005)
Com as publicações de Freeman et al (2003) percebemos que as artroplastias totais do joelho (ATJ) evoluíram muito desde o início dos anos 70, com melhora na qualidade dos implantes e dos instrumentais. Pode-se observar a evolução nos métodos de fixação, desenhos dos implantes, espessura mínima do polietileno do componente tibial, uso de polietileno total na patela (sem metal-back), guias intramedulares com cortes mais precisos, enfim técnicas mais adequadas levando a resultados muito satisfatórios nas avaliações a longo prazo.

2.1 Fisioterapia pré operatória

O paciente cadidato a ter próteses de joelho costuma ter idade avançada, com longos períodos de inatividade por sua doença de base e um importante desacondicionamento físico. Se postulou que um programa de fisioterapia preoperatória poderia reverter parcialmente essa situação e melhorar os resultados posteriores à operação. Se realizaram dois ensayos clínicos controlados e prospectivos para valorizar sua efetividade. Whiteside et al (2007) introduziu um programa que combina exercício aeróbico e de fortalecimento muscular das quatro extremidades durante quatro semanas e compararam os resultados depois da intervenção com um grupo controle que não realizou nenhum tratamento pré-operatório. Não observaram diferentas significativas exceto menos dor nos primeiros dias. Não influenciou nem na força muscular.
Em um estudo mais recente, Firestone et al (2001) chegaram às mesmas conclusões. Compararam três alternativas: a) exercício aeróbico preoperatório, b) programa de cinesiterapia preoperatoria e c) grupo controle (em intervenção). Os resultados após a cirugía de PR foram similares nos três grupos.

3 Reabilitação

Diversos métodos são usados para a reabilitação no pós-operatório imediato. O principal é a mobilização articular passiva, realizada pelo fisioterapeuta, ou por um equipamento de mobilização articular passiva. No pós-operatório, a variação da resistência como método de treinamento traz benefícios aos pacientes. A resistência por meio das bandas elásticas é facilmente ajustada com pequenos incrementos no estiramento da banda. A cor e o modo de aplicação da banda (banda simples, dupla, tripla, quádrupla) também modifica a carga imposta ao membro (ALBUQUERQUE, 2006).
Com o aumento da prevalência de osteoatrose sintomática, a cirurgia de ATJ tem se tornado mais freqüente. Entre 1996 e 1997 a ATJ correspondeu a 56 % das cirurgias de substituição articular realizadas nos Estados Unidos (EUA). Segundo o “National Center of Health Statistics”, nos EUA foram realizadas 299.000 artroplastias totais de joelho em 2000 e a “American Association of Orthopaedic Surgeons” (AAOS) projeta que serão realizadas 475.000 artroplastias totais de joelho em 2030 (NADLER, 2003, p 163).
Diferentes vias de acesso para a realização de cirurgia de ATJ têm sido estudadas. A via de acesso transquadricipital é a mais utilizada. Também são descritas a via de acesso com dissecção do músculo vasto medial e a via de acesso abaixo do músculo vasto lateral. Mais recentemente está descrita a via de acesso poupando o músculo quadríceps femoral, denominada via de acesso minimamente invasiva.
A avaliação pré-operatória com valores de pontuação no escore do Hospital of Special Surgery demonstrou que o estudo iniciou com dois grupos que eram funcionalmente equivalentes. Aos seis meses de pós operatório, pacientes operados por estas duas vias de acesso também se mostraram equivalentes do ponto de vista funcional. Talvez exista diferença funcional no pós operatório inicial, até doze semanas após a cirurgia (BONBLINK, 2003).
Devido ao maior período de tratamento fisioterápico realizado, Faure et al (1999), ao comparar a via de acesso transquadricipital e a via de acesso abaixo do músculo vasto medial em pacientes submetidos à ATJ em ambos joelhos, não encontram diferença de força. Do ponto de vista metodológico, a utilização de pacientes operados bilateralmente é interessante, pois padroniza o paciente como caso e controle.
Cila et al (2002), encontram diferença de força entre a via de acesso abaixo do músculo vasto medial e a via de acesso transquadricipital com seis semanas de cirurgia, porém não encontram diferença aos três e seis meses. Por outro lado, a realização da dinamometria isocinética com seis semanas de cirurgia talvez seja muito precoce, não permitindo que o paciente aplique a força máxima durante o teste.
Segundo Sampaio (2004), a amplitude de movimento (ADM) obtida no pós-operatório depende principalmente do seu valor no pré-operatório. A ADM do joelho necessária para as atividades do dia-dia foi determinada por estudos biomecânicos e de análise de marcha. Os estudos do autor mostraram que os pacientes requerem 67° de flexão durante a fase de balanço da marcha, 83° para subir degraus, 100° para descê-los, 93° para levantar de cadeira e entre 71° e 117° para pegar um objeto no solo.
Faure et al (1993), afirmaram que pacientes com pouca flexão antes da cirurgia tendem a ganhar movimento e os que têm flexão maior que a média tendem a perdê-la.confirmam que a flexão pré-operatória é parâmetro útil para prognosticar a flexão pós-operatória após ATJ. A média de flexão pré-operatória foi semelhante à média após seis meses da cirurgia (p=0,47). Os pacientes com flexão menor ou igual a 90° graus ganharam movimento e os com flexão maior ou igual a 120° o perderam. Apesar dos avanços técnicos, a rigidez continua a ser complicação freqüente após ATJ. Não existe critério universalmente aceito para seu diagnóstico.
Quam et al (2001) demonstraram que os pacientes ganham movimento após a manipulação alcançando flexão semelhante à pré-operatória, evoluindo da mesma forma que os demais pacientes. O mesmo autor fala ainda que, entre os pacientes submetidos a manipulação do joelho, as médias de flexão antes da manipulação e após seis meses de pós-operatório foram significativamente diferentes. A idade e a morfologia do paciente, o diagnóstico e o modelo da prótese parecem não influenciá-la.
A utilização da PCT-EP em pacientes tem mostrado resultados satisfatórios (80,8% excelentes e bons), se considerarmos o rigor na seleção dos casos. Estudos mostram que a fixação biológica é mais resistente e com melhor capacidade de transmissão de força que a interface cimento-osso. Podemos, assim, ter uma fixação mais rígida e duradoura, sem as desvantagens na reabilitação causadas pelo cimento (FIRESTONE, 2001).
O resultado final da fase articular possui resultados altamente expressivos, com média variando de 38,21 pontos no pré-operatório para 85,42 pontos no pós-operatório, e 96,98% de excelentes e bons resultados.
O resultado final da fase funcional traz melhora estatisticamente significante, com média pré-operatória de 48,33 pontos, passando para 64,24 no pós-operatório, mas com resultados não tão expressivos como na fase articular: 36,36% de excelentes e bons; 33,33% de regulares e 30,31% de maus.
Armstrong & Whiteside (2001), obtiveram resultado com média de 88 pontos na fase articular e 64 pontos na funcional.
Bonblik et al. (2003), com 92 pontos na fase articular e 76 pontos na fase funcional, embora ambas as publicações se refiram a próteses do joelho sem cimento em pacientes reumatóides.
Jordan et al (1997) apresentaram um estudo com artroplastias totais do joelho sem cimento, obtendo a média de 92 pontos na fase funcional e média de 93 pontos na fase articular, o que é muito difícil de ser alcançado em nosso meio, principalmente no que se refere à parte funcional. Ainda segundo o mesmo autor, o ângulo femorotibial (AFT) apresentou melhora estatisticamente significante, variando de média de 0,42 graus para média de 5,15 graus no pós-operatório, estando dentro de uma faixa de ângulo femorotibial muito boa.
Nas fraturas de patela pós-artroplastia total do joelho, geralmente, o tratamento é conservador. Os fatores etiológicos têm como base um comprometimento da vascularização patelar, que pode ocorrer na artrotomia medial, acompanhada muitas vezes de liberação lateral, ressecção da gordura de Hoffa, ressecção óssea e efeito térmico do cimento sobre o osso. Todos esses fatores associados a mau alinhamento patelofemoral favorecem a ocorrência de fraturas de patela (PAGES, 2000)
Alguns trabalhos, como os de Jordan et al (1997) com mais de dez anos e de Scott et al (1997) com mais de 11 anos de evolução, trazem bastante otimismo em relação às artroplastias não cimentadas do joelho, pois continuam mantendo resultados superiores a 90% entre bons e excelentes.
Whiteside (2007) apresentou os resultados clínicos das artroplastias totais do joelho com seguimento entre 12 e 15 anos, com sobrevida da prótese em 88% dos casos e discreta queda da capacidade funcional com o decorrer do tempo, ao contrário da dor, que permaneceu sempre no mesmo nível (no caso: ausência de dor). Concluiu que, com esses resultados a longo prazo, a artroplastia total do joelho sem cimento, além de restaurar a função do joelho, preserva o estoque ósseo para futura revisão, muitas vezes feita com a prótese convencional.
Os ganhos iniciais com o uso do CPM são maiores do que com o uso de manipulações articulares, e estão relacionados com a melhora da ADM do joelho. A desvantagem do uso deste equipamento está relacionada com o fato do paciente ser mantido no leito para realizar a mobilização e o alto custo na aquisição do equipamento. O uso deste equipamento deve ser feito em torno de 20 horas diárias necessitando a orientação constante de um terapeuta. Já a Prancha de Deslizamento (ou Slider Board) permite os mesmos ganhos de ADM de forma passiva que o CPM, e ainda ganhos ativos, pela possibilidade da movimentação ativa do membro acometido. Além disso, o paciente pode realizar os exercícios de forma mais independente (MESTRINER, 1997).
O uso das bandas elásticas permite a execução do treino de força e resistência com diferentes intensidades, o que não é possível com ou outros dois equipamentos já citados anteriormente. Combinações podem ser utilizadas de maneira a elaborar um programa de treinamento com base nos princípios do treinamento desportivo, com pausas adequadas, aumentos diferenciados de carga conforme a condição de cada paciente.
A partir da construção da Prancha Deslizante e da calibração das bandas elásticas, sugere-se a realização de novos estudos para que se possa avaliar o grau de ativação muscular e ganho de força, durante a utilização deste equipamento, bem como, avaliar os benefícios no treino com sujeitos saudáveis, e avaliar o uso na reabilitação de pós-operatórios. Outros autores, contudo, continuaram defendendo a preservação do LCP porque com isso se reduziria o estresse de cisalhamento e o movimento entre o osso e o cimento e entre o cimento e a prótese, a amplitude de movimento seria aumentada pela indução do movimento de rolamento na flexão e o desgaste do polietileno diminuído pela redução do estresse aplicado sobre a superfície articular (DEMANGEI et al, 1998).
Ainda segundo Demangei (1998), na reabilitação do pós-operatório de artroplastia de joelho, o paciente pode ser beneficiado com a utilização da Prancha Deslizante construída. Esses benefícios podem ser obtidos tanto na fase inicial, com ênfase nos ganhos passivos de ADM, como na fase final onde se busca o treino de força e resistência, e adaptação para as atividades de vida diária.

4 Fisioterapia Fisioterapia na recuperação do paciente submetido à artoplastia

La eficacia de la fisioterapia en el postoperatorio de los pacientes con PR admite pocas dudas. A eficácia da fisioterapia no pós-operatório dos pacientes com PR pode ser dúvida. Los ensayos clínicos controlados han demostrado que es posible obtener buenos resultados sólo con fisioterapia y sin necesidad de utilizar aparatos de MPC (24, 29, 34, 41). Os ensaios clínicos controlados têm demonstrado que é possível obter bons resultados apenas com a fisioterapia e aparelhos sem o uso de MPC. Sabemos também que os resultados dos pacientes são melhores usando MPC se associada com fisioterapia. En la actualidad parece que lo ideal es una combinación de ambas técnicas. Avanços no desenho de próteses e de técnicas cirúrgicas têm prolongado a duração da prótese e, especialmente, permitem uma fisioterapia mais precoce e intensiva. Esta parece ser uma das principais razões pelas quais os resultados funcionais estão muito melhor agora do que era há 15 ou 20 anos.
No sería ético, en la actualidad, hacer un ensayo clínico comparando grupos con o sin fisioterapia.Seria antiético, fazer um ensaio clínico que comparou grupos com ou sem fisioterapia. Sin embargo, es importante definir los parámetros ideales de un gran número de variables: tipo de ejercicios, frecuencia de las sesiones de tratamiento, forma de reeducar la marcha y las transferencias, y momento de introducir cada técnica. No entanto, é importante definir os parâmetros ideais de um grande número de variáveis: tipo de exercício, freqüência das sessões de tratamento, reeducação no andar e transferências, e o tempo para introduzir cada técnica.
Garcia et al (2001) fez uma série de apontamentos sobre a fisioterapia na artoplastia que serão abordados a seguir:
Frequência das sessões de tratamento: O autor relata que diversos estudos variam sobre assunto e cita que o intervalo das sessões de fisioterapia deverá ser de uma a duas sessões por dia durante o tratamento e cinco a sete dias por semana. La gran mayoría de autores recomienda dos sesiones diarias. A grande maioria dos autores recomenda duas sessões diárias. En una encuesta realizada en 16 hospitales de Estados Unidos (60) se consideró que la pauta ideal eran dos sesiones/día los siete días de la semana pero que podía considerarse suficiente, y aceptable, una frecuencia de dos sesiones/día cinco días a la semana. La posibilidad de tratamiento durante el fin de semana depende de la organización de la actividad asistencial.
Em um levantamento realizado em 16 hospitais, considerou-se que o modelo ideal eram duas sessões por dia, sete dias por semana, mas poderia ser considerada suficiente, e aceitável, uma freqüência de duas sessões por dia, cinco dias por semana. A possibilidade de tratamento no fim de semana depende da organização da atividade de saúde.
Ejercicios: Los objetivos del ejercicio son prevenir complicaciones (respiratorias, tromboembólicas, etc.), mejorar la fuerza y movilidad (fundamentalmente del miembro intervenido) y preparar al paciente para la independencia en las transferencias, marcha y actividades cotidianas. Quanto aos exercícios, os objetivos são a prevenção de complicações (respiratórias, tromboembolismo, etc.), melhorar a força e mobilidade (essencialmente o membro em questão) e preparar o paciente para a independência nas transferências, caminhada e atividades diárias. Conviene especificar una serie de variables: cuando iniciarlo, descripción de la forma de realizarlo, número de repeticiones, progresión… Deve-se especificar um conjunto de variáveis como: quando você irá iniciá-lo, a descrição de como fazê-lo, o número de repetições, a progressão e etc. Podemos agruparlos en tres grupos:
Pode-se agrupá-los em três grupos:
a) Ejercicios en cama: Son fundamentalmente ejercicios activos. a) Exercícios na cama: Estes são exercícios mais ativos. El paciente debe ser instruido en la forma de realizarlos.O paciente deve ser instruído sobre como realizá-las. Algunos sólo requieren supervisión y otros una mínima asistencia durante los primeros días. Alguns só exigem supervisão mínima e outra assistência durante os primeiros dias. Los cinco ejercicios principales son: Os cinco exercícios são:
Isométricos de cuádriceps. Son contracciones estáticas para fortalecer el cuádriceps y evitar contracturas en flexión. Isométrica do quadríceps. Contrações estáticas para fortalecer o quadríceps e prevenir contraturas em flexão. Pueden iniciarse el mismo día de la cirugía. Descripción: en decúbito supino con la pierna extendida se contrae el cuádriceps intentando extender el miembro inferior (MI) y tocar con la parte posterior de la rodilla la superficie de la cama a la vez que se dorsiflexiona el tobillo. Eles podem começar no mesmo dia da cirurgia. Descrição: perna em supino reto com o quadríceps contraído, tentar estender a perna (MI) e jogar a parte de trás do joelho na superfície do leito, enquanto flexiona o tornozelo. Se puede colocar un rodillo o toalla en la parte posterior del tobillo. Você pode colocar um rolo de toalha ou na parte de trás do tornozelo. Se suele recomendar mantener la contracción durante 5 s, descansar otros 5 sy realizar al menos 10 repeticiones cada hora (o cinco repeticiones cada 1/2 h) con ambos miembros inferiores. É geralmente recomendado para manter a contração por 5 s, 5 s para descansar e realizar pelo menos 10 repetições cada hora (ou cinco repetições cada h 1 / 2) com ambos os membros inferiores.
«Bombeos» de tobillo. Son contracciones estáticas del tríceps, fundamentalmente para prevención de TVP.Contrações de Tríceps. São principalmente para a prevenção da TVP. También se inician el mismo día de la cirugía. Descripción: en decúbito supino y con la pierna estirada se realiza una flexión plantar del tobillo. Também a partir do primeiro dia da cirurgia. Descrição: perna supino reto e realizar uma flexão plantar do tornozelo. Se suele recomendar mantener la contracción durante 5 s, descansar otros cinco y realizar al menos 10 repeticiones cada hora (o cinco repeticiones cada 1/2 hora) con ambos MMII. É geralmente recomendado para manter a contração por 5 s, descansando cinco e fazer pelo menos 10 repetições cada hora (ou cinco se repete a cada 1 / 2 horas), com ambos os membros inferiores.
Elevación del MI estirado. Su objetivo es fortalecer la musculatura del miembro inferior. Se puede iniciar el 1.º ó 2.º día del postoperatorio. Elevação do Membro Inferior esticado. Destina-se a fortalecer os músculos dos membros inferiores. Você pode iniciar no 1º ou 2º dia pós-operatório. Algunos pacientes requieren inicialmente asistencia para poder realizarlo. Descripción: en decúbito supino se flexiona el MI sano apoyando la planta del pie sobre la cama. Alguns pacientes necessitam de apoio para fazê-lo inicialmente. Descrição: supino flexionado direito apoiado na cama. En esta posición se eleva el MI operado de unos 15 a 25 cm. Nesta posição, a cirurgia MI sobe cerca de 15 a 25 cm por Se mantiene 5 sy se desciende lentamente.5 s e é mantida ao descer lentamente. El número de repeticiones se va aumentando progresivamente, según la tolerancia del paciente, intentando llegar a 10-20 repeticiones 2-3 veces al día. O número de repetições é aumentada gradualmente, conforme tolerado pelo paciente, tentando chegar a 10-20 repetições 2-3 vezes ao dia. Cuando el paciente es capaz de realizar 20 repeticiones sin problemas se pueden añadir pesos a nivel del tobillo (inicialmente 1/2 kilo). Quando o paciente é capaz de realizar 20 repetições sem problemas, pode adicionar pesos ao nível do tornozelo (inicialmente 1 / 2 quilo).
Flexión activa de la rodilla. Se puede iniciar el 2.º día del postoperatorio. Flexão ativa do joelho. Você pode iniciar no 2º dia pós-operatório. Inicialmente algunos pacientes requieren asistencia. Descripción: se parte de la posición de decúbito supino con los MMII en extensión. Inicialmente, alguns pacientes necessitam de assistência. Descrição: Partimos da posição supina, com pernas estendidas. Se va doblando la rodilla de la pierna operada deslizando el talón hacia atrás todo lo posible y luego se vuelve a la posición inicial. Ele irá dobrar o joelho da perna operada por deslizar o calcanhar para trás, tanto quanto possível e depois retornar à posição inicial. El número de repeticiones se va aumentando progresivamente según la tolerancia del paciente intentando llegar a 10-20 repeticiones 2-3 veces al día. O número de repetições é progressivamente aumentada, conforme tolerado pelo paciente, tentando chegar a 10-20 repetições 2-3 vezes ao dia.
Extensión terminal de la rodilla. Su objetivo es fortalecer el cuádriceps y evitar contracturas en flexión. Joelho Terminal de Extensão. Destina-se a reforçar o quadríceps e prevenir contraturas em flexão. Se puede iniciar también en el 2.º día del postoperatorio. Descripción: con el paciente en decúbito supino se coloca un rodillo, de unos 20-25 cm de altura, debajo de la rodilla operada intentando que quede en una flexión de 30 a 40º. Você também pode iniciar no 2 º dia do pós-operatório. Descrição: Com o paciente em posição supina é colocado um rolo, cerca de 20-25 cm de altura, abaixo do joelho operado para tentar ficar em flexão de 30 a 40 graus. Se levanta el talón intentando que el MI quede totalmente recto. Levante o calcanhar para tentar obter o IM totalmente reto. Se mantiene 5 sy se baja lentamente la pierna. Manter a 5 s lentamente na parte inferior da perna. El número de repeticiones se va aumentando progresivamente según la tolerancia del paciente intentando llegar a las 10-20 repeticiones, 2-3 veces al día. O número de repetições é progressivamente aumentada, conforme tolerado pelo paciente, tentando alcançar 10-20 repetições, 2-3 vezes ao dia. Cuando el paciente es capaz de realizar 20 repeticiones sin problemas se puede añadir peso a nivel del tobillo (inicialmente 1/2 kilo). Quando o paciente é capaz de realizar 20 repetições com segurança pode adicionar peso ao nível do tornozelo (inicialmente 1 / 2 quilo).
Dentro de este grupo algunos autores recomiendan además: Dentro desse grupo, alguns autores também recomendam:
Ejercicios respiratorios. Sirven para prevenir el acúmulo de secreciones debido al encamamiento ya los efectos de la anestesia. Descripción: se realizan varias respiraciones diafragmáticas profundas (de tres a 10) inspirando el aire por la nariz y espirando por la boca lentamente, seguido de dos golpes de tos (en el tiempo espiratorio). Exercícios respiratórios. Eles servem para evitar o acúmulo de secreções devido ao repouso na cama e os efeitos da anestesia. Descrição: A realização da respiração profunda diafragmática múltipla (três a dez) para inspirar o ar pelo nariz e expirando pela boca lentamente, seguido por dois acessos de tosse (tempo de expiração). Se suele recomendar repetirlos cada hora. Em geral, é recomendável repetir a cada hora. Deben incluirse siempre que haya antecedentes respiratorios o se prevea un encamamiento prolongado. Devem ser incluídos sempre que exista plano de fundo envolvendo uma respiração ou repouso prolongado. No parecen necesarios de forma rutinaria. Parece haver necessidade de rotina.
Isométricos de glúteos. São as contrações estáticas para fortalecer os músculos glúteos. Descrição: Com o paciente em posição supina, é convidado a se contrair e apertar as nádegas mantendo a contração por 5 s, descansando por 5 s. Se suelen recomendar 10 repeticiones cada hora. Geralmente recomendam-se 10 repetições cada hora.
Isométrico dos isquiotibiais. São as contrações estáticas para fortalecer os flexores do joelho. Descrição: com o paciente em decúbito dorsal com rolo ou travesseiro embaixo do joelho para que ele permaneça em 20-30 ° de flexão. Nessa posição, ele é convidado a realizar a flexão plantar do tornozelo e coxa fazendo a contração e mantendo a contração por 5 s. Geralmente recomendam-se 10 repetições cada hora.
Exercícios de fortalecimento para os membros superiores (MMSS), tronco e MI são. Têm interesse em pacientes com falta de condicionamento físico significativo avanço ou poliarticular. Um nível de MMSS deve ser reforçado especialmente nos músculos utilizados para a execução de uma ajuda: adutores, abdutores e extensores ombros depressivos extensores do cotovelo; pronosupinadores, extensores de punho e flexores dos dedos.
b) Exercícios sentado: Tudo começa quando o paciente pode sentar-se, pelo menos, dois períodos de 30 minutos por dia (geralmente no 2. º dia pós-operatório). Eles são essencialmente três tarefas.
Extensão do joelho. O objetivo é reforçar o quadríceps e diminuir contraturas em flexão do joelho. Descrição: posição sentada com as pernas dobradas. O paciente deve tentar estender a perna, tanto quanto possível (fixação da coxa com as duas mãos), mantendo a contração de 5 segundos, abaixe lentamente. O número de repetições é progressivamente aumentada, conforme tolerado pelo paciente, tentando chegar a 10-20 repetições 2-3 vezes ao dia. Quando ele é capaz de realizar 20 repetições começando a extensão completa, pode ser adicionado no tornozelo pesos (inicialmente 1 / 2 quilo).
Flexão do joelho. O objetivo é reforçar os tendões e aumentar a mobilidade ativa do joelho. Descrição: Começa com a posição sentada com as pernas flexionadas e o músculo fixado à cadeira com as duas mãos. O paciente flexiona o joelho o máximo possível, fazendo deslizar o calcanhar para trás. Se indica que o paciente mantenha a flexão, tanto quanto possível (tentando conseguir pelo menos 15 s) e, em seguida, para relaxar a perna. O número de repetições é aumentada gradualmente, conforme tolerado pelo paciente, tentando chegar a 10 repetições 2-3 vezes ao dia.
Flexão ativa-assistida de joelho. É uma variante do exercício anterior, onde se cruza a perna sã na frente, colocando o calcanhar no tornozelo da perna operada e empurrado para trás tentando aumentar a flexão do joelho.
c) Exercícios na sala de fisioterapia. À partir do 2º ou 3 dia de pós-operatório deve-se avaliar se o paciente pode mover-se para a sala de fisioterapia, para realizar com supervisão os exercícios e introduzir mais alguns como a extensão do joelho passivo ou ativo-assistido de flexão de joelho de bruços. Desde o 5º ao 7º dia, se a ferida estiver fechada corretamente, poderia começar a fazer exercícios na piscina e na bicicleta ergométrica.
É importante que o paciente faça a maioria dos exercícios na sala de fisioterapia da mesma maneira que em casa após a alta.
Transferências: Alcançar a independência em transferências é um dos principais objetivos do tratamento pós-operatório. Inicialmente, precisamos da ajuda de 1 ou 2 pessoas e deverá ser progressivamente reduzido o nível de atendimento para conseguir a independência total. Existem dois tipos básicos de transferência, o paciente deve aprender:
a) Decúbito supino. Você pode ensinar no 1º dia pós-operatório. Se os sinais de hipotensão ortostática não desaparecem após alguns minutos, pode ser necessário adiar para o 2º dia. Descrição: Executado pelo lado não-operado. Previamente se relata ao paciente o procedimento e eleva-se a cabeceira da cama de 45°a 60°. Em seguida, o paciente se agarra ao trapézio e flexiona o joelho saudável pressionando com o pé para baixo para ir se deslocando para a beira da cama. O assistente mantém a perna operada em extensão (outro assistente cuida da drenagem, I.V ou peridural e, às vezes pode ajudar o movimento do tronco). Uma vez à beira da cama, o paciente libera o trapézio e coloca as mãos sobre a cama.
b) Ficar de pé. Você também pode ensinar no 1° dia pós-operatório, se não há sinais de hipotensão ortostática. Durante as primeiras 48 horas é permitido apenas apoio parcial no MI envolvidos. Descrição: O paciente está se aproximando da borda da cadeira (ou cama) e coloca o peso corporal no joelho saudável, mantendo esticado o MI que sofreu intervenção. Se impulsiona com os MMSS agarrados nos cotovelos e com o MI saudável, até colocar-se em pé.
Inicialmente, um assistente controla que o MI que sofreu intervenção se mantenha em extensão e o outro assistente vigia a drenagem, o percurso e, se necessário ajuda-o As transferências para usar o banheiro, andadores ou bengalas, requerem pequenas mudanças que se pode começar a ensinar a partir do segundo dia do pós-operatório.
Reeducação do andar. Começa a partir de 48 horas (2° Dia pós-operatório), após remoção de drenagem na ferida cirúrgica. Ele inclui vários aspectos.
Os cinco aspectos mais importantes para reeducar são: 1) padrão de reciprocidade bem coordenada com a ajuda, 2) flexão do joelho durante a fase de balanço, 3) apoio para o calcanhar e propulsão do ante pé para a fase de apoio; 4) executar giro, 5) forma de se aproximar da cadeira na borda da cama.
Seleção e adaptação de andadores. Se deve tentar que o paciente utilze desde o princípio o tipo de ajuda que vai empregar em sua casa depois da alta (se possível, dois bastões Ingleses). A altura correta dos bastões e do andador se calcula da mesma forma. Teoricamente a altura certa é aquela que permite que o cotovelo fique ligeiramente flexionado (de 20° a 30°) e o pulso se disponha em ligeira flexão dorsal. Se calcula com o paciente de pé e calçado com o sapato que habitualmente use, medindo a distância vertical desde a apófisis estiloides cubital com o braço relaxado, até o chão, a uma distância de uns 10-15 cm diante da base do 5.º dedo do pé. No entando, há que preguntar sempre ao paciente se a altura é ou não adequada, quando esta não se corresponda exatamente com a ideal. A borda superior da braçadeira deve ser aproximadamente 5 cm.
Treinamento em superfície lisa. Inicialmente é suficiente para que o paciente caminhe de três a cinco metros, aumentando gradualmente.
Subir e descer escadas. Se o paciente tem escadas de acesso ou dentro de sua casa é importante ensinar a maneira correta de se fazer isso.

3.1 Informações ao paciente

Há pouca dúvida de que informação de qualidade pode ter um impacto significativo e positivo sobre questões como a satisfação do paciente, como lidar com incidências de participação ativa no pós-operatório do programa de tratamento e, muito provavelmente, em resultados clínicos. Atualmente, a informação do paciente é considerada uma ferramenta fundamental terapêutico.
a) Antes da entrada e/ou durante a internação hospitalar: o que é a operação e o que esperar dela (os resultados esperados e risco de complicações), o que vai acontecer na experiência de pós-operatório, as regras de exercícios posturais a ser realizado, como realizar as transferências, e como caminhar com ajuda externa (andador ou bengalas).
b) Após: tomar a medicação (dose); cuidado de feridas, sinais e sintomas indicativos de complicações na ferida ou TVP possível, consultar o médico antes data de revisão, seguir o programa de exercícios a serem realizados em casa, ter precauções e antecipar o momento que poderia reiniciar as atividades que são importantes para o paciente (de condução, a atividade sexual, esportes…).

3.2 Critérios para alta hospitalar

Uma definição explícita dos critérios de alta é um bom indicador da qualidade assistencial. Onde mais variações se produzem é na mobilidade mínima do joelho (escala de 0° -20° de extensão e 65° -90° de flexão) e na distância que o paciente deve ser capaz de caminhar de forma independente (faixa de 20-50 m).
Quando clinicamente estável, sem febre, e com controle adequado da dor com a medicação oral; padrão evacuatório normal, independência em transferências e em atividades básicas da vida diária, e/ou tem um ambiente que lhe permite efetuar flexão de pelo menos 65° e extensão não superior a 20°; capaz de caminhar de forma independente com ajuda externa de 25 m para cima ou para baixo, e subir escadas com assistência mínima; este paciente está independente para realizar o programa de exercícios em casa.

3.3 Ajudas técnicas

O paciente com PR vai apresentar limitações para realizar atividades cotidianas, especialmente nas primeiras semanas após a alta. Se falta um ambiente familiar adequado ou este deseja obter o mais alto nível de autonomia desde o início, deve-se recomendar uma série de ajudas técnicas e/ ou adaptações que permitem compensar essas limitações.
O mais útil para o vestuário (calçadeira longa, sapatos com cordões elásticos ou tipo mocassim) para o banho (esponjas com cabo longo, cadeiras de banho e corrimãos) para o banheiro (elevadores de banheiro, assentos e diferentes tipos de apoios laterais).

CONCLUSÃO

Os resultados dos nossos estudos bibliográficos sugerem que a fisioterapia pode ser usada na artoplastia pós-cirúrgica para trabalhos de mobilização passiva, mobilização ativa e exercício ativo com aumento da resistência.
Na análise da amplitude de movimento após ATJ, a flexão pré-operatória influencia de forma significativa a flexão pós-operatória. Sua medida fornece ao cirurgião bom parâmetro para predizer a flexão após a artroplastia. No entanto, não há dados que sugerem que a terapia física no pré-operatório é uma intervenção eficaz em pacientes com PR. As Conclusiones: No existen datos que sugieran que la fisioterapia preoperatoria sea una intervención efectiva en los pacientes con PR.recomendações são para que a terapia física não seja indicada antes da cirurgia em pacientes submetidos à cirurgia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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NOVELAS, A ARTE QUE É MENTIRA E SE FAZ PARECER VERDADE

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Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens. A novela seria então uma forma intermediária entre o conto e o romance, caracterizada, em geral, por uma narrativa de extensão média na qual toda a ação acompanha a trajetória de um único personagem (o romance, em geral, apresenta diversas tramas e linhas narrativas).
Etimologicamente, folhetins televisivos de longa duração deveriam ser chamados em português de telerromances, mas o termo de origem espanhola já está consagrado: telenovelas.
Grandes novelas da literatura mundial

Capa da 1ª edição de A Metamorfose.
• 1759: Cândido, ou O Otimismo, de Voltaire
• 1886: A morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi
• 1887: Um estudo em vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle
• 1891: Billy Budd, de Herman Melville
• 1898: A volta do parafuso, de Henry James
• 1903: Tufão, de Joseph Conrad
• 1915: A Metamorfose, de Franz Kafka
• 1952: O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
• 1959: Adeus, Columbus, de Philip Roth
• 1962: Aura, de Carlos Fuentes
As tele novelas.
Uma telenovela é uma obra audiovisual pertencente obrigatoriamente ao gênero dramático e romântico, apresentada, como regra, em capítulos diários e cuja duração média de exibição é de oito meses. No Brasil, são exibidas nove novelas diárias.
As telenovelas brasileiras, em especial as da Rede Globo, tem enredos, no geral, com temas muito semelhantes se comparadas. Na maioria das vezes, misturam drama, romance e violência de uma forma bem peculiar, com o objetivo de ter como público alvo adulto feminino.
De tarde, as telenovelas brasileiras abordam um tema mais leve, com histórias focadas em romance e aventura. Ao anoitecer, envolvem temas mais radicais, misturando o romance já existente com dramatizações e leves cenas de sexo e violência. As histórias freqüentemente começam com tramas leves e pouco complicadas, e apenas com o passar da história os mistérios se desenrolam pouco a pouco, tornando o enredo forte e complexo.
Listas de novelas das 20hs
Rede GLOBO
• Terra Nostra, de Benedito Ruy Barbosa, dir.: Jayme Monjardim (1999/2000)
• Laços de Família, de Manoel Carlos, dir.: Ricardo Waddington (2000/01)
• Porto dos Milagres, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, dir.: Marcos Paulo (2001)
• O Clone, de Glória Perez, dir.: Jayme Monjardim (2001/02)
• Esperança, de Benedito Ruy Barbosa, escrita por Benedito Ruy Barbosa e Walcyr Carrasco, dir.: Luiz Fernando Carvalho (2002/03)
• Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos, dir.: Ricardo Waddington (2003)
• Celebridade, de Gilberto Braga, dir.: Denis Carvalho (2003/04)
• Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, dir.: Wolf Maya (2004/05)
• América, de Glória Perez, dir.: Jayme Monjardim e Marcos Schechtman (2005)
• Belíssima, de Sílvio de Abreu, dir.: Denise Saraceni (2005/06)
• Páginas da Vida, de Manoel Carlos, dir.: Jayme Monjardim (2006/07)
• Paraíso Tropical, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, dir.: Dênis Carvalho (2007)
• Duas Caras, de Aguinaldo Silva, dir. Wolf Maya (2007/08)
• A Favorita, de João Emanuel Carneiro, dir.: Ricardo Waddington (2008/09)
• Caminho das Índias, de Glória Perez, dir.: Marcos Schechtman (2009)
• Viver a Vida, de Manoel Carlos, dir.: Jayme Monjardim (2009/10)
• Passione, de Sílvio de Abreu, dir.: Denise Saraceni (2010/2011)
Sinopse de Viver a vida
Helena é uma supermodelo jovem, bela e decidida, que sempre obteve grande sucesso em sua vida pessoal e profissional. Mas ela nem imagina que seu destino mudará drasticamente a partir do momento em que ela se apaixonar por Marcos, um homem vinte anos mais velho e que acaba de colocar um ponto final num casamento de 30 anos. Marcos é o ex-marido de Teresa, com quem teve três lindas filhas, Luciana, Isabel e Mia, sendo a última a mais jovem e também a adotiva. Cada uma apresenta uma história e uma personalidade diferente. Helena e Marcos têm seu primeiro encontro em Búzios, cidade no Rio de Janeiro onde ela nasceu e cresceu e onde, no início da trama, acontece um desfile de moda em que ela é a principal estrela. É lá também que a mãe de Helena, Edite, tem uma pousada. Edite é divorciada de Oswaldo com quem teve mais dois filhos além de Helena: Sandra e Paulo. Sandra é uma menina mimada e muito brigona, que namora Benê, um traficante barra-pesada. Ela é espancada por ele sempre, engravida, tenta fazer aborto, mas é convencida a não fazer e, por amor ao bandido, não faz. Ela ama esse homem cruel que quase matou Edite sua mãe, e ela também. Já usou drogas e nas favelas do Rio fugia da polícia. Já seu irmão, Paulo, é um rapaz tranquilo, que quer um emprego e namora Soraia, irmã de Flávio, ambos filhos de Onofre e Matilde, que trabalham na casa de Marcos e Teresa em Búzios. Edite é casado com Ronaldo, que tenta não se meter nos problemas da família de Edite, mas não consegue.
Existem muitas novelas que merecem ser consagrados, e muitos escritores que merecem também ser consagrados, mas ainda no futuro vamos ter ainda muitas e muitas tele novelas e muitos escritores. As novelas são perfeitas mentiras, mas às vezes parece que o está acontecendo numa novela parece que é vida real, parece que você já viveu a história que está sendo contada numa novela, é por isso que as novelas é uma arte que é mentira mas se faz parecer verdade.

ANÁLISE DE QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) DA REDE SEM FIO

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Análise de Qualidade de Serviço(QoS)da rede sem fio da UniEvangélica

Resumo

A tecnologia para redes sem fio tem sido amplamente utilizada por instituições, Universidades e principalmente empresas, com a finalidade de economia em infra-estrutura de cabeamento, além de prover interligação, maior mobilidade e flexibilidade. Este projeto procurará descrever a forma como foi implementada a rede sem fios da UniEvangélica e o objetivo é observar a QoS da dita rede. Escolheu-se estudar os padrões IEEE 802.11 (Wireless Local Area Networks – WLANs) com o intuito de introduzir suporte a Qualidade de Serviço (QoS), de forma que as WLANs possam atender as necessidades reais dos usuários, também objetiva-se verificar os problemas, como velocidade real e empecilhos na transmissão, potência do sinal, para propor uma melhoria. Para alcançar tal objetivo, foram usados referências como livros, documentos eletrônicos, publicações periódicas e análises de estudos práticos.

Palavras-Chave: Rede Sem Fio; Qualidade de Serviço (QoS); Tecnologia Wireless.

INTRODUÇÃO

Com o aumento no número de usuários que acessam a Internet na UniEvangélica, viu-se a necessidade desses usuários de obter serviços funcionais e de alta qualidade, associados a um sistema de acesso com elevada disponibilidade, onde são empregadas técnicas de transmissão digitais, através de “pacotes” de dados.
A principal contribuição das redes sem fio na forma de comunicação de dados nas redes de computadores é a facilidade de mobilidade de dispositivo e flexibilidade de conexões, permitindo que os dispositivos sem fio possam se locomover dentro da área de abrangência da rede sem se desconectar dela e garantindo o acesso às informações em tempo real melhorando a produtividade e tornando as tomadas de decisões mais rápidas e eficientes.[15]
Para possibilitar um melhor o acesso a dados através de uma rede Móvel ou cabeada, existe a Qualidade de Serviço (Quality of Service – QoS), que visa atender as necessidades de gerenciamento dos serviços que rodam em uma rede. Esse estudo propõe o apresentar mais informações sobre este assunto.
Aqui, se apresentarão breves conceitos sobre as redes sem fio, características sobre estas redes e os protocolos de comunicação utilizados no ambiente sem fio da UniEvnagélica,

1 OBJETIVOS

1.1 Objetivo geral

Este estudo tem por objetivo geral avaliar a Qualidade de Serviço e o desempenho da rede sem fio dentro do padrão da IEE 802 da UniEvangélica, visando melhorar e maximizar o uso da internet dentro da instituição através de propostas de melhoria dessa rede, visto que dentro da literatura especializada, existem técnicas e formas de melhor avaliar essa tecnologia.

1.2 Objetivos específicos

1 Realizar o levantamento teórico bibliográfico sobre as técnicas de
QoS aplicadas às redes sem fio visando fazer uma comparação com a rede da UniEvangélica.
2 Avaliar a QoS na rede sem fio da UniEvangelica através da taxa de Transmissão, Vazão, Retardo;Variação do retardo (jitter); Taxa de erro de bits e Taxas de erros ou de perdas de pacotes.
3 Emitir um parecer e propor uma implantação de QoS na rede.

3 JUSTIFICATIVA

A diferenciação de serviços é uma questão amplamente estudada em cenários de redes fixas, no entanto em redes sem fio esta temática ainda é um desafio.
No intuito de responder estas perguntas este projeto propõe estudar a rede sem fio e analisar o nível de QoS nas redes sem fio da UniEvangélica, e as soluções teóricas para possíveis problemas, visto que há um constante crescimento dos sistemas wireless, que têm como vantagens sua fácil instalação, por não necessitar de cabos, e grande mobilidade de seus usuários que podem fazer uso da rede em qualquer área dentro coberta pela WLAN.
O desenvolvimento deste projeto de pesquisa é baseado na avaliação de diferenciação de serviços que se faz necessário devido ao grande crescimento da Internet e ao surgimento de novas aplicações como videoconferência, transmissão de TV e rádio, educação à distância, vídeo em tempo real, TV interativa, entre outras que exigem redes de alta velocidade e que demandam uma transmissão de dados sem interrupção ou perda de pacotes, baixo retardo, baixa variação de atraso e largura de banda expressiva. Assim, observou-se a necessidade de analisar a infra-estrutura física e lógica das redes de computadores da UniEvangélica, para elaboração de propostas de melhoria na QoS e também para atualização das normas e regulamentos de rede.

4 REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Rede de Computadores

Redes de computadores são estruturas físicas (equipamentos) e lógicas (programas, protocolos) que permitem que dois ou mais computadores possam compartilhar suas informações entre si. Quando um computador está conectado a uma rede de computadores, pode ter acesso às informações que chegam a ele e às informações presentes nos outros computadores ligados na mesma rede, o que permite um número muito maior de informações possíveis para acesso através daquele computador. [2]
Para conectar os computadores em uma rede, é necessário, além da estrutura física de conexão (como cabos, fios, antenas, linhas telefônicas, etc.), que cada computador possua o equipamento correto que o fará se conectar ao meio de transmissão. [2]
As redes de computadores podem ser classificadas como:
• LAN (Rede Local): Uma rede que liga computadores próximos e podem ser ligados por cabos apropriados (chamados cabos de rede).
• WAN (Rede Extensa): Redes que se estendem além das proximidades físicas dos computadores.

4.2 Tecnologias sem fio

As tecnologias móveis sem fio para banda larga podem ser classificadas como satélite, rede local sem fio Wireless Local Area Network (WLAN), fixa sem fio, móvel sem fio e tecnologias óticas no espaço livre. [6]
Os tipos de implementação de WLANs variam de acordo com as técnicas de transmissão utilizadas. Os produtos disponíveis no mercado encaixam-se num dos seguintes tipos: LAN infravermelho, LAN com espalhamento de espectro e LAN com microonda de faixa estreita. Em geral, as WLANs usam bandas não licenciadas do espectro, as chamadas bandas ISM, sendo que a maioria das redes WLAN utiliza a tecnologia de espectro distribuído, sua largura de banda atualmente esta entre 11 Mbps (802.11b) e 600 Mbps (802.11a/g), e esta banda é compartilhada entre os dispositivos que pertencem ao respectivo espectro.[1]
Segundo Santos (2003), uma rede local sem fio WLAN converte pacotes de dados em onda de rádio ou infravermelho e os envia para outros dispositivos sem fio ou para um ponto de acesso que funciona como uma estação central de uma arquitetura.
Em redes de computadores sem fio, o padrão quase universalmente aceito é o IEEE 802, por essa razão é o que será mais abordado no projeto.

4.3 Padrões IEEE 802

O IEEE definiu uma hierarquia de padrões complementares para redes sem fio. Essa padronização inclui o IEEE 802.15 para as redes pessoais (Personal Area Network – PAN), IEEE 802.11 para as redes locais (Local Area Network – LAN), 802.16 para as redes metropolitanas (Metropolitan Area Network) e o IEEE 802.20 para as redes geograficamente distribuídas (Wide Area Network – WAN). Cada padrão representa a tecnologia otimizada para mercados e modelos de uso distintos, sendo projetado para complementar os demais.[6]
Aqui serão explanados, os padrões IEEE 802.11 e 802.16, por serem os adotados na UniEvangélica.

A) Padrão IEEE 802.11

Segundo Silva; Souza (2003), o padrão IEEE 802.11 é um padrão para as redes locais sem fio em todos seus aspectos incluindo mecanismos de controle de acesso, confidencialidade e integridade e o mesmo, define três fases pelas quais qualquer cliente deve passar com sucesso, antes de obter acesso a rede sem fio, a fase de sondagem, autenticação e associação.
O provedor do serviço pode ser tanto uma estação quanto o sistema de distribuição e quando se refere à estação, se incluem os pontos de acesso também. Os serviços de distribuição são providos entre BSSs (grupo de serviços básicos), os quais podem ser implementados no AP ou em outro dispositivo de propósito especial anexado ao sistema de distribuição [12]

B) Padrão IEEE 802.11b

Conhecido também como Wi-Fi, representa a segunda geração dos padrões de redes wireless. Surgiu em 1999 com a velocidade de 11Mbps, o alcance do sinal varia entre 15 e 100 metros, dependendo dos obstáculos entre o ponto de acesso e as estações. O 802.11b utiliza a freqüência de 2.4GHz, a mesma utilizada por outros padrões de redes sem fio e microondas.[4]
Ainda segundo Garcia (2008), este padrão também define protocolos para dois tipos de redes: redes Ad Hoc e redes com infra-estrutura (Cliente/Servidor)
O dito padrão utiliza uma tecnologia de modulação DSSS (Direct Sequence Spread Spectrum) e é especificado para operar em 2,4 GHz, a mesma utilizada por outros padrões de rede sem fio e pelas microondas, todos potenciais causadores de interferência. [7]
C) IEEE 802.11g
O IEEE 802.11g prevê a especificação do MAC (Médium Access Control) e da camada física (PHY). A camada física será uma extensão do IEEE 802.11b com uma taxa de transmissão de 54-Mbps usando a modulação OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing). A especificação IEEE 802.11g é compatível com a especificação IEEE 802.11b. [20]
Usando um protocolo estendido, o 802.11g permite o uso misto da rede. Esta característica de uso misto permite que equipamentos que usam o 802.11b operando em 11-Mbps possam compartilhar a mesma rede com os novos equipamentos operando em 54-Mbps. Isso permitirá a migração sem impacto das redes de 11-Mbps para as redes de 54-Mbps.[20]
D) IEEE 802.11n
O 802.11n promete uma velocidade nominal de 300 megabits e um alcance quase duas vezes maior, um grande avanço sobre as redes 802.11g atuais, que transmitem a apenas 54 megabits. Como diz o ditado, “quando a esmola é muita, santo desconfia”. Este artigo fala sobre as melhorias introduzidas no 802.11n e explica as técnicas usadas para aumentar a taxa de transmissão. [14]
Para atingir taxas de transmissão tão altas, o 802.11n combina uma série de melhorias. A primeira é a redução do guard interval (o intervalo entre as transmissões) de 800 ns para 400 ns, o que resulta em um ganho de cerca de 11% na taxa de transmissão. A ele se soma o aumento no número de subcarriers para a transmissão de dados de 48 para 52, o que resulta em um ganho proporcional na taxa de transmissão. [14]

4.4 Conceito de QoS (Qualidade de Serviço)

O conceito de Qualidade de Serviço serve para mensurar a qualidade dos serviços oferecidos por uma rede de comunicações, ou seja, refletir o quanto ela é capaz de atender às expectativas de seus usuários através dos serviços que oferece. [3]
Stachlewski (2007) define QoS como um conjunto de características quantitativas ou qualitativas, sendo que estas características são chamadas de parâmetros de especificação da QoS. A QoS buscará atender às expectativas do usuário em termos do tempo de resposta e da qualidade, muitas vezes subjetiva, do serviço que está sendo provido, ou seja, fidelidade adequada do som e/ou da imagem sem ruídos nem congelam.
Com o crescimento de aplicações de multimídia (voz, vídeo e dados), tornou-se necessário, além de técnicas de redução de congestionamento, o fornecimento por parte das redes, de parâmetros de desempenho com uma determinada qualidade, que permitirá assim uma comunicação fim-a-fim confiável, ou ainda a inviabilidade de sua utilização [11].
A QoS envolve aspectos relacionados à percepção do usuário, aos requisitos das aplicações e aos recursos disponíveis no sistema, seja no equipamento do usuário ou na rede em si. Tem relação ainda com questões organizacionais e administrativas, como segurança, privacidade, contabilidade, política de preços dos serviços, estabelecimento e monitoração de contratos de serviços e grau de disponibilidade da rede [8]

4.5 QoS no Padrão IEEE 802.11

Existem três principais características em redes com QoS. A primeira é a disponibilidade em que o serviço é oferecido ao usuário, sendo imediatamente disponibilizado ou num tempo aceitável pelo usuário. Depois temos a qualidade em que a informação é recebida pelo usuário com baixa taxa de erros. E por ultimo a entrega consistente, onde o usuário tem garantido uma percepção com uma taxa e uma qualidade consistente. [5]
Os autores citam ainda alguns parâmetros usados para verificar o QoS de uma rede como:
• Taxa de Transmissão: quantidade de dados que podem ser transmitidos por unidade de tempo, normalmente é utilizada como unidade de tempo bits por segundo ou múltiplos dessa unidade.
• Vazão: quantidade de dados transmitidos com sucesso por unidade de tempo, sendo bits por segundo a unidade utilizada.
• Retardo: tempo consumido na transmissão de uma mensagem. Na camada de aplicação, o retardo é a diferença de tempo (fim-a-fim) transcorrida entre a geração do dado no transmissor e a sua apresentação no receptor.
• Variação do retardo (jitter): variação no conjunto de valores de retardo para unidades de dados consecutivas.
• Taxa de erro de bits: razão entre a quantidade de bits recebidos com erro e a quantidade de bits enviados.
• Taxas de erros ou de perdas de pacotes: razão entre a quantidade de pacotes perdidos e a quantidade de pacotes enviados.

4.6 A UniEvangélica

Segundo o histórico disponível no site da Instituição, a Associação Educativa Evangélica foi criada em 1947 por Arthur Wesley Archibald, a instituição passou a se chamar Centro Universitário de Anápolis (UniEvangélica) a partir de março de 2004, quando se credenciou como centro universitário, o primeiro de Goiás. Até então, era denominada Faculdades Integradas da Associação Educativa Evangélica.
A UniEvangélica desenvolve atividades acadêmicas voltadas para a concretização de seus fins: o ensino, a pesquisa e a extensão. Em franca expansão e fortalecimento, a área de Pós-Graduação está com cursos de especialização em diversas áreas e três mestrados. No total a instituição possui aproximadamente vinte cursos de graduação. [15]
A rede da UniEvangélica atende à vários setores e oito blocos da instituição, existindo um setor de T.I responsável pela manutenção e controle dessa rede, com apenas cinco profissionais em média. A rede funciona 24 horas por dia e atende à funcionários, professores e alunos da instituição.

5 METODOLOGIA

As atividades desenvolvidas para realização do projeto foram as seguintes: Estudo sobre redes sem fio; Estudo sobre os padrões existentes; Estudo sobre Qualidade de Serviço; Estudo sobre abordagens para oferecimento de QoS.
Se fará a identificação de tipologias de rede da UniEvangélica e avaliação de interfaces e desenvolvimento de linguagens nos ambientes de rede sem fio.
Diante da falta de informações e de não existir um levantamento da situação atual da rede de computadores da UniEvangélica, será elaborado um questionário para levantamento da infra-estrutura física e lógica das redes locais de computadores.
A pesquisa utilizará as técnicas qualitativas. Os métodos da observação serão utilizados na análise da formação, das reconfigurações, novos usos e impactos da expansão da rede da UniEvangélica.
O método de pesquisa orienta-se por referenciais téoricos adequados às especificidades da QoS e comunicação mediada pela tecnologia de redes sem fio, assim como suas aplicações que serão sugeridas posteriormente à pesquisa teórica e prática.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ANGELO, Ludmila Aparecida; BARBOSA,Victor Antônio Mendonça. Redes Wireless – Conceitos, Projetos e Especificações. Goiânia. 2003
[2] CARVALHO, João Antônio. Redes de Computadores – Noções Básicas. Disponível em: http://www.algosobre.com.br/informatica/redes-de-computadores-nocoes-basicas.html
[3] CISCO SYSTEMS. Quality of Service (QoS). Documentations. Disponível em: http://www.cisco.com/univercd/cc/td/doc/cisintwk/ito_doc/qos.htm
[4] GARCIA, Luiz Guilherme Uzeda. Redes 802.11 (Camada de Enlace): Redes locais sem fio que atendem ao padrão IEEE 802.11. 2001. Disponível em . Acesso em 21 out. 2009.
[5] HARTMANN, Eduardo André; PACHECO, Edson Luiz. Qualidade de Serviço em Redes Wireless. Santa Catarina. 2005
[6] LIMA, Luciana dos Santos; SOARES, Luiz Fernando Gomes; ENDLER, Markus. WiMAX: Padrão IEEE 802.16 para Banda Larga Sem Fio. Monografias em Ciência da Computação n°29/06. Pontifícia universidade católica do Rio de Janeiro. 2004
[7] MATHIAS, André Pimenta. IEEE 802.11 – Redes Sem Fio. UFRJ, 2000.
[8] NUNES, C.M. e Pellicioli, C.A. Qualidade de Serviço em redes sem fio. 2004
[9] SANTOS, Agenor Junior. Wireless Lan – padrão 802.11. Londrina, 2003
[10] SILVA, Gilson Marques; SOUZA, João Nunes. Uma análise dos mecanismos de segurança de redes locais sem fio e uma proposta de melhoria. Uberlândia, 2003.
[11] STACHLEWSKI, Sony Ribeiro. QoS (Quality of Service). Canoas. 2007
[12] TANENBAUM , Andrew. 1944. Redes de computadores; Tradução: CAMPUS, Vandenberg de Souza. São Paulo, Brasil. 2003. 945 p
[13]FAGUNDES, Eduardo Mayer. Fundamentos do Wirelass Lan. 2009 Disponível em http:// www.efagundes.com/Artigos/Wireless_LAN.htm. Acesso em: 23/11/09
[14]MORIMOTO, Carlos E. Redes Wireless: Entendendo o 802.11. 2007. Disponível em: http://www.guiadohardware.net/artigos/802-11n. Acesso em 23/11/09
[15] MARTINELLI, Tiago Cação. Qualidade de Serviço em rede sem fio. Guaíba: ULBRA. 2005.

A COOPERAÇÃO TÉCNICA NO BRASIL

RESUMO

A cooperação compactou-se no Brasil, como conceito e como prática política. Na linguagem diplomática e política, o termo “cooperação” manterá seu significado versátil com que traduziria a filosofia desenvolvimentista que carregava. A cooperação haveria de preencher, mediante mecanismos concretos, a função supletiva consignada à política exterior para o esforço interno de desenvolvimento. Fazia-se constantemente uma avaliação das modalidades hierarquizadas da cooperação, com o fim de medir a capacidade desenvolvimentista de cada uma delas, levando-se em conta os conceitos em voga internacionalmente e as chances de cada uma das modalidades. Observa-se, contudo, que a cooperação internacional adquiriu conotação específica, no quadro da política exterior brasileira, racional e coerente, que se constatou nas últimas décadas, até o regresso liberal dos anos noventa, quando as condições em que ela se praticava foram profundamente alteradas.

Palavras-chave: Cooperação Internacional; Cooperação Técnica Internacional.

ABSTRACT

The cooperation was compacted in Brazil, as concept and as political practice. In the diplomatic and political language, the term “cooperation” will maintain your versatile meaning with that would translate the philosophy desenvolvimentista that carried. The cooperation must fill out, by concrete mechanisms, the function selective consigned to the external politics for the internal effort of development. It was constantly made an evaluation of the nested modalities of the cooperation, in order to measure the capacity desenvolvimentista of each one of them, being taken into account the concepts in vogue internationally and the chances of each one of the modalities. It is observed, however, that the international cooperation acquired specific connotation, in the picture of the Brazilian, rational and coherent external politics, that it was verified in the last decades, until the liberal return of the nineties, when the conditions in that her one practiced they were deeply altered.

keywords: Cooperation International; Cooperation Tecnic International.

1 INTRODUÇÃO

O vínculo de cooperação entre instituições governamentais brasileiras e internacionais são derivações de programas amplos e de política de relações externas, a serem consideradas antes de se elaborar uma proposta de estabelecimento de relação em qualquer modalidade de cooperação, e objetivam diminuir os desequilíbrios ou desigualdades entre países e determinadas regiões.
Após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, os organismos internacionais passaram a levar em consideração, também, na avaliação de propostas de projetos de cooperação, o fato de que certas situações ocorridas em determinados países e regiões, refletem nos demais, comprometendo a qualidade de vida destes, nos seus diferentes pontos de vista.
O instrumento regulador da Cooperação Multilateral é o Acordo Básico de Assistência Técnica, de 29 de dezembro de 1964, assinado entre o Brasil e as Nações Unidas.

2 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

2.1 Conceito

A cooperação técnica internacional constitui importante instrumento de desenvolvimento, auxiliando um país a promover mudanças estruturais nos seus sistemas produtivos, como forma de superar restrições que tolhem seu natural crescimento. Os programas implementados sob sua égide permitem transferir conhecimentos, experiências de sucesso e sofisticados equipamentos, contribuindo assim para capacitar recursos humanos e fortalecer instituições do país receptor, a possibilitar-lhe salto qualitativo de caráter duradouro. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2008.
Para conceituar Cooperação Internacional no ordenamento brasileiro é necessário considerar três categorias de elementos básicos, que ao longo dos tempos foram considerados essenciais. O primeiro é o aspecto político, em que a cooperação era utilizada para refletir de forma sintética a essência da política exterior. Realçava, pois, o caráter pacifista e não-confrontacionista dessa política, além de legitimá-la diante da nação e da comunidade internacional. O segundo é quanto aos fins econômicos, nele a cooperação era procurada em razão do suporte que insumos externos, empresas, capitais, tecnologias, representavam para realizar as metas do desenvolvimento em três níveis: a indústria de base, a de transformação e a de ponta. E o terceiro é quanto ao modus faciendi que o pragmatismo da política exterior caracterizava a conduta brasileira na captação e implementação da cooperação internacional. A cooperação pragmática era uma cooperação desideologizada, até mesmo despolitizada, que explorava oportunidades com realismo, que criava alternativas diante de obstáculos.
Desta forma, o Brasil adora um conceito lato e complexo de cooperação internacional, o que nos leva a considerá-la como a disposição de instituições internacionais que adotam um determinado tipo de ação de fomento e/ou financiamento a atividades científicas.
Neste contexto, fomento seria uma ação continuada de apoio, incentivo, e estímulo a uma dada atividade, e que quase sempre inclui financiamento.
Também, entende-se cooperação internacional como parte do processo de construção social da ciência na periferia, já que os mecanismos de intervenção e construção da ciência entendida como atividade social, estão localizados nos países industrialmente mais avançados.
Fazendo valer os objetivos da cooperação o Departamento de Economia e Casos Sociais (DESA), juntamente com outras entidades das nações unidas incentivam os países a desenvolver estratégias e mecanismos destinados ao fomento global no campo da economia e desenvolvimento social. O objetivo do DESA é representar uma intervenção crucial entre políticas globais e ações nacionais, entre pesquisas e atividades operacionais. Acordos internacionais são traduzidos nos níveis dos países, enquanto lições são aprendidas e experiências ganhas, retornam no processo de reformas políticas.

2.2 Vertentes da Cooperação Técnica Internacional

A cooperação técnica no Brasil é desenvolvida segundo duas vertentes: a cooperação horizontal e a cooperação recebida do exterior.
A cooperação horizontal refere-se à cooperação técnica implementada pelo Brasil com outros países em desenvolvimento, por meio da qual é promovido o adensamento de suas relações e o estreitamento dos seus laços políticos e econômicos.
A cooperação recebida do exterior abrange a cooperações técnicas bilateral e multilateral, e busca a internalização de conhecimentos técnicos disponibilizados por organismos internacionais (cooperação multilateral) e por países mais desenvolvidos (cooperação bilateral), dentro da ótica de aceleração do processo de desenvolvimento nacional.

2.3 Cooperação Técnica

Com isso a ONU (Organização das Nações Unidas) fundou e programou as agências especializadas na sustentação das políticas e das prioridades dos países de destino. Cada país conta com a orientação de corpos intergovernamentais, e faz exame dos resultados e dos compromissos relevantes a conferência global. Esse sistema da ONU trabalha de maneira para promover o desenvolvimento social e econômico, compatibilizando atividades normativas, analíticas e operacionais, é a chamada Cooperação Técnica Internacional (CTI), ou cooperação para o desenvolvimento.
A cooperação técnica disseminava-se através de centenas de agências de execução, as quais cobriam as mais diversas áreas de atuação e se espalhavam pelas regiões do país. No Brasil podemos citar como exemplo os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal que estimulavam a pesquisa agrícola, visando a melhoria da qualidade e da produtividade; São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro desenvolviam projetos na área industrial e de tecnologia de alimentos; a fruticultura e a piscicultura situavam-se em grandes regiões geográficas; irrigação e desenvolvimento regional modificavam as condições do Nordeste; Rio Grande do Sul e Minas Gerais modernizavam sua produção de derivados do leite.
Não se pode deixar de falar sobre Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZPCAS), a qual foi estabelecida em 1986 pelos países da costa ocidental da África e os banhados pelo Atlântico Sul, na América Latina. Juntos, esses 24 países buscam formas de integração e colaboração regional. No caso do Brasil, a ZPCAS atende aos interesses do país no sentido de ampliar o espaço para a cooperação econômica e comercial, com a formação de mais uma zona de livre comércio; para a cooperação científica e técnica; e para iniciativas de caráter político-diplomático, visando a proteção ambiental, a desnuclearização e a solução de conflitos.
As intenções expressas através dos objetivos traçados pelos 401 (quatrocentos e um) projetos de cooperação recebida, aprovados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelos governos estrangeiros envolvidos Cooperação Técnica Recebida do Exterior (CTRE), nos levam a concluir sobre a existência das seguintes subáreas de atuação da CTI no Brasil: 1) Objetivos diversificados: 68 (sessenta e oito) projetos de pesquisa, 82 (oitenta e dois) de desenvolvimento, 28 (vinte e oito) de treinamento, 30 (trinta) de planejamento, 35 (trinta e cinco) de tecnologias, 28 (vinte e oito) de ensino e Universidade, 8 (oito) de desenvolvimento regional e 7 (sete) de meio ambiente. 2) Área agrícola: 33 (trinta e três) projetos, com ênfase decrescente para tecnologias de alimentos, irrigação, florestas, pecuária, laticínios, fruticultura, pesca, controle de pragas. 3) Área industrial: 27 (vinte e sete) projetos, com ênfase decrescente para telecomunicações, energia elétrica, metalurgia, aplicações nucleares, siderurgia. 4) Área de engenharias: 28 (vinte e oito) projetos diversificados pelos variados ramos da engenharia.
A modalidade de CTI de menor impacto social vale dizer os 173 projetos latino-americanos (RLAPNUD e INTRABID), voltavam-se, sobretudo para o treinamento de pessoal que se fazia através de seminários, cursos e estágios diversos. Um balanço envolvendo todos os 699 projetos de CTI do Brasil, excluída apenas a Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento (CTPD), indica que se obtiveram resultados globais em três dimensões: a) quanto à habilitação e capacitação de pessoal, registra-se uma cooperação entre centenas de técnicos estrangeiros e milhares de técnicos brasileiros, seja mediante atividades de ensino e pesquisa, seja mediante experiências ou aplicações concretas de conhecimentos; b) quanto à disseminação do bem-estar social, registra-se a cooperação para o aumento da produção e da produtividade em setores agrícolas vinculados, sobretudo à diversificação e à oferta de alimentos, tais como a produção de frutas, de peixe, de laticínios, a melhoria das embalagens e processos de conservação, transporte e comercialização de alimentos perecíveis; c) quanto a setores estratégicos do desenvolvimento, registra-se a cooperação nas mais variadas engenharias, nas telecomunicações e nas indústrias de base, além do planejamento do desenvolvimento regional ou setorial.

3 O BRASIL E A COOPERAÇÃO TÉCNICA INTERNACIONAL

O Brasil vem trabalhando em parceria com países amigos e organismos internacionais há cerca de quatro décadas. Os projetos de cooperação técnica vêm produzindo benefícios em importantes setores como transportes, energia, mineração, meio ambiente, agricultura, educação e saúde, o que permitiu construir instituições mais sólidas, aptas a desempenhar suas funções em nível superior de excelência.
O conceito de “parceria para o desenvolvimento”, adotado pelo Brasil, consolida a idéia de a relação de cooperação acarretar, a ambos os lados, compartilhar esforços e benefícios. As iniciativas propostas são avaliadas à luz do impacto e do alcance sobre as comunidades receptoras. Esse procedimento implica aprimorar mecanismos de negociação, avaliação e gestão dos projetos, a fim de enquadrá-los às prioridades nacionais.
Em 1968, em se falando em Cooperação, deve se lembrar do pacifismo relativo:
“[…] que ainda no quadro das Nações Unidas, celebrou-se um Acordo sobre o recolhimento de astronautas, devolução de astronautas e devolução de objetos lançados no espaço exterior. No mesmo foro concluíram-se, mais tarde uma Convenção sobre a responsabilidade pelos danos causados por engenhos espaciais (1972), uma Convenção sobre registro internacional, junto à Secretaria da ONU, de objetos lançados no espaço exterior (1975), e uma Convenção sobre atividades dos Estados na Lua e em outros corpos celestes, o chamado Tratado da Lua, de 1979, que desenvolve, sem alterações substanciais, os princípios do Tratado de 1967. Neste texto, reponta claro que a Lua só deve ser utilizada para fins pacíficos. Contudo, tanto na órbita da Terra quanto na de seu satélite os tratados só proíbem a colocação de engenhos dotados de armamento nuclear ou destruição em massa. Não ficaram proibidas, desse modo, outras formas de utilização militar das órbitas, o que vai dos simples engenhos de reconhecimento às armas não alcançadas pela referência proibitiva expressa.” (REZEK, 2000)

A cooperação técnica internacional desperta grande interesse num amplo segmento da sociedade, incluindo setores governamentais, ONG’s e o público em geral, por possibilitar um acesso mais ágil a tecnologias, conhecimentos, informações e capacitação. O papel da ABC é de coordenadora e responsável pelos programas e projetos, além de representante oficial do Governo nas ações de cooperação técnica.
Um exemplo de Pesquisa de Projetos de Cooperação Técnica Multilateral e Bilateral realizado cujo objetivo é o Apoio ao Centro Tecnológico de Energia Limpa, com a sua execução no Brasil, região Sudeste: pelo CERPCH – (Centro Nacional de Referência em Pequenos Aproveitamentos Energéticos).

4 CONCLUSÃO

Os benefícios que a cooperação técnica Internacional do Brasil auferiu, nas últimas décadas, para apoiar seu esforço de desenvolvimento, devem ser tributados, sobretudo à cooperação mediada pelo PNUD (BRAPNUD) e à cooperação bilateral recebida das nações avançadas (CTRE).
Os fatores internos responsáveis pelo êxito da CTI do Brasil foram à criação de um sistema nacional eficiente e racional para absorver a cooperação e a elevada capacidade de atração exercida sobre os agentes externos. Os resultados foram relevantes para o desenvolvimento brasileiro nas mais variadas áreas básicas de atividades, na medida em que afetavam as condições de vida da população.
Em particular, com a CTI, ampliou-se enormemente a quantidade, a variedade e a qualidade dos alimentos produzidos e comercializados; melhorou a capacitação profissional no campo e na cidade e a prestação de serviços pôde estender-se a novas camadas da população.
O Brasil procurou e teve êxito até certo limite em extrair da inteligência internacional, conhecimentos e tecnologias avançadas. Mas o objetivo de repassá-los aos agentes sociais não foi alcançado como convinha.
Um volume significativo de conhecimentos socialmente úteis permaneceu enclausurado em relatórios não divulgados. Assim mesmo, a experiência brasileira de cooperação técnica produziu efeitos sociais de grande alcance, em razão da multiplicidade de projetos através de cujas ações atingiam-se numerosos grupos de produtores e consumidores.
Apesar de preencher os requisitos para tal, apesar da enorme demanda registrada por parte desses países, apesar do propalado terceiro-mundismo da política exterior do Brasil nas últimas décadas, o país não formulou uma política de cooperação técnica em favor dos países atrasados e sua precária atuação a tal respeito não se pode qualificar senão de decepcionante.
Na verdade, já se caminhava no sentido da mudança desde os anos setenta. A cooperação internacional será, todavia, adequada ao desenvolvimento auto-sustentado se vier a preencher com rigor os novos requisitos: restringir-se à área científica e tecnológica, fazendo-se com responsabilidades e vantagens de ambos os lados; orientar-se para subáreas de atuação de maior impacto sobre as condições de vida da grande população; despir-se de todo caráter assistencial inerente seja à tradicional cooperação técnica, seja ao gênero recente de cooperação técnica internacional do Brasil.

REFERÊNCIAS

CASELLA, Paulo Borba; LIQUIDATO, Viegas. Vera Lúcia (coord.). Direito da Integração. São Paulo: Quartier Latin, 2006.
REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público. 8 ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2000
BRASIL. Cooperação Técnica. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2008.
Cooperação Técnica. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2008.
Cooperação Técnica Internacional. Disponível em: . Acesso em: 23/mai/2008

O MOVIMENTO ESTUDANTIL E SUA COBERTURA PELA IMPRENSA

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O movimento estudantil e sua cobertura pela imprensa brasileira: o congresso da UNE em 1968

Universidade de São Paulo
Escola de Comunicação e Artes

Introdução

A imprensa brasileira é vítima de um forte processo de polarização e centralização político-ideológica, proveniente da posse dos grandes meios de comunicação por empresários do alto escalão da iniciativa privada. Historicamente, o desenvolvimento da política no Brasil esteve vinculado à classe dominante, e a utilização da máquina pública como instrumento para a defesa de seus interesses é um fator recorrente nesse processo político, sendo a população em si, mais do que em outros países, excluída dele. Nesse contexto, o jornalismo deveria exercer mais do que nunca um papel de defesa dos interesses populares e assim o faria se não estivesse, entretanto, vinculado tão fortemente a esse mesmo capital privado que manda e desmanda nos acordos políticos nacionais. Reflexo desse processo é a hegemonia de grupos midiáticos como a Rede Globo, o Grupo Folha de São Paulo ou a Editora Abril, empresas jornalísticas cujos históricos estiveram sempre ligados ao grande capital que financia partidos políticos e suas campanhas eleitorais e é, dessa forma, beneficiado pelos mesmos. Nesse contexto é que se pode dizer que a imprensa brasileira é vítima: enquanto uma instância maior da democracia e dos direitos que toda sociedade tem a liberdade de expressão e opinião, ela é coagida muitas vezes por um partidarismo velado, contrário à imparcialidade que deveria ser a base da cobertura jornalística, contribuindo negativamente para o principal propósito do jornalismo: informar.
Durante o século XX, o surgimento do Movimento Estudantil brasileiro foi significativo para efetivar a participação política dos estudantes na vida do país. Apesar de ter sido cada vez mais noticioso esse envolvido, e crescente a representatividade dos estudantes pelo M.E. (até chegar ao momento político atual, onde entidades como a UNE, a UMES e a UBES são totalmente “chapa branca”), a cobertura da imprensa de sua militância foi prioritariamente negativa. Quando o golpe militar de 1964 foi dado e, posteriormente, em 1968, foi instaurado o Ato Institucional nº5, vivemos dois momentos que tocam profundamente os temas abordados nesse trabalho: a UNE torna-se uma organização clandestina e a imprensa passa a sofrer uma cruel censura. Nesse âmbito, o objetivo do trabalho foi enunciar, através de duas matérias de capa da Folha de São Paulo e da revista Veja sobre o congresso clandestino realizado pela UNE em 1968 na cidade de Ibiúna, como a imprensa da época dava um respaldo à sociedade sobre a organização política de seus estudantes e utilizava, quando lhe interessava ou não, da subjetividade para defender ou atacar nas entrelinhas esse movimento.

O congresso da UNE em 1968

Logo após o golpe militar de 1964, a União Nacional dos Estudantes, ou UNE, teve sua sede no Rio de Janeiro incendiada. Como qualquer outra organização popular que contasse com mais de 10 pessoas, ela foi fechada oficialmente e passou agir na ilegalidade.
Em outubro de 1968, os estudantes se organizaram em um congresso que foi realizado em um sítio na cidade de Ibiúna, reunindo diversas diligências do movimento estudantil bem como algumas lideranças importantes, dentre elas José Dirceu, Luís Travassos e Vladimir Palmeira. O congresso visava decidir os rumos do M.E. no Brasil bem como qual seria a partir dali sua linha de atuação política no combate à ditadura militar.
As deliberações sequer chegaram a ser efetivadas uma vez que a Polícia Militar descobriu o congresso por meio de uma denúncia feita por um delegado local e invadiu o sítio onde os estudantes se concentravam, levando todos eles para São Paulo, onde foram presos, em sua maioria por até uma semana, e submetidos a interrogatórios.
À época, alguns repórteres estiveram presentes no congresso que, apesar de ter os estudantes como seu principal público, estava repleto de jornalistas, tanto por serem partidários da organização estudantil como por estarem lá à trabalho, fazendo a cobertura clandestina do evento.
A capa da revista VEJA: “Todos presos”.
“(…) Assim terminou o Congresso da EX-UNE. Todos presos”. Era essa a manchete que enunciava o fim do Congresso na capa da revista VEJA de Outubro de 1968. De acordo com a revista, os estudantes que se encontravam no congresso não eram, nem de longe, “(…) parecidos com os perigosos subversivos ditos pelo governo (…)”. A cobertura feita pela revista tenta projetar os estudantes reunidos como jovens idealistas sem, entretanto, terem real noção do porquê de sua militância e os aponta como vítimas de lideranças ambiciosas que envolviam o M.E. à época:
“(…) O soldado o reconheceu: era Luís Travassos, presidente da ex-UNE. Foi levado até o coronel Ivo Barsotti, comandante da operação anti-Congresso. O Coronel apontou novo rumo para Travassos: a Rural, em que já estava José Dirceu, ex-presidente da ex-UEE paulista. Dirceu – cabelo comprido, barba por fazer, olhar cansado -, disse a seu velho rival na disputa pela liderança na ex-UNE: “Dentro de um mês fazemos um novo Congresso (…)””.
A revista enfatiza as condições precárias em que o congresso se deu, ressaltando que os estudantes se amontoavam em chiqueiros para dormir e não possuíam nenhuma condição de higiene ou asseio para passarem os dias que passaram ali. Ela transmite também a sensação de que a reunião era feita por militantes ingênuos, sem qualquer tipo de precaução com o que poderia vir a acontecer com todos aqueles estudantes ali reunidos e também sem qualquer tipo de prevenção para evitar que sua presença ali fosse denunciada – em suma, trata-os como um grupo de garotos urbanos de classe média que resolveram de algum modo atuar politicamente.
“(…) E o fato é que o movimento estudantil se tornou a vanguarda de todo movimento progressista no Brasil. Nós temos acesso à cultura e ainda por cima pertencemos à classe dominante. Se um estudante é preso, o País inteiro fala dele através de jornais e de um intercâmbio de protestos interfaculdades. Quem não é estudante pode ser preso e espancado que ninguém fala dele (…)”.
A revista atenta ainda para a organização da UNE até a gestão de João Goulart na presidência da república. Disserta sobre a contribuição governamental que a organização estudantil recebia do até então presidente e como ela havia se distanciado do real propósito dos estudantes até aquela época, tornando-se um órgão político cujo referencial de atuação mudara de campo.
“(…) O casarão cinzento da Praia do Flamengo ruiu em chamas no mesmo dia da queda do Governo Goulart e marcou o fim de um período de vida da ex-UNE. Ao ser fechada por decreto mais tarde conhecido como Lei Suplicy, a UNE se modificou e abandonou a política vinculada ao Ministério da Educação. O Ministro que assinou a Lei 4.464, de 9 de novembro de 1964, Professor Flávio Suplicy de Lacerda, hoje reitor da Universidade do Paraná, lançou na época um desafio: “A UNE poderá continuar existindo, mas como organização civil. Se sobreviver nessas condições, terá dado prova de capacidade e autenticidade de representação, pois sobreviverá sem o estímulo de gordas e fáceis dotações federais (…)”.
Ainda nessa matéria, a revista enuncia um questionamento: “Até onde chegam os perigosos caminhos dessa União?”. É possível enxergar que, de acordo com a linha editorial da revista Veja, o congresso não foi uma reunião subversiva como pregava o regime militar, mas uma reunião de leigos e ingênuos estudantes com uma diretoria, essa sim subversiva, proveniente de uma organização falida.
A matéria de capa da Folha de São Paulo: o mesmo título.
A Folha de São Paulo começa sua reportagem sobre o ocorrido com o mesmo título utilizado pela revista Veja: “Todos presos”. Entretanto, em sua cobertura, ela evita fazer qualquer análise do Movimento Estudantil ou da atuação da UNE. Continua bastante concisa na apresentação das informações, se prendendo aos dados como número de estudantes envolvidos, onde foram presos, etc.
“(…) Cerca de mil estudantes que participavam do XXX Congresso da UNE, iniciado clandestinadamente num sitio, em Ibiuna, no Sul do Estado, foram presos ontem de manhã por soldados da Força Publica e policiais do DOPS (…) A denuncia de um caboclo, que fora barrado ao tentar chegar até o sitio Muduru, onde estavam os estudantes, fortaleceu a convicção da Policia de que o congresso seria realizado ali. Depois de avançar alguns quilômetros de carro e outro trecho a pé, por causa da lama da estrada, 215 policiais chegaram ao local às 7h15 de ontem, organizaram o cerco aos estudantes e dispararam algumas rajadas de metralhadora para o ar, para intimidá-los (…)”
A Folha termina ainda sua curta reportagem com uma declaração do governador Abreu Sodré, onde fica mais evidente uma tentativa de combater a censura e ampliar a imparcialidade jornalística sobre o caso.
“(…) E acrescentou, referindo-se à prisão dos participantes do congresso da UNE: “Agi com energia para reprimir a agitação e a subversão quando determinei, após horas de angustia e apreensão, a prisão de estudantes subversivos que participavam do congresso da UNE (…)”
À época em que o congresso foi realizado, o grupo Folha ainda não havia unificado suas edições. Existia ainda uma outra edição do jornal, a Folha da Tarde, cuja edição saía no fim da tarde e era destinada especialmente aos trabalhadores e operários que saíam da fábrica após cumprirem uma jornada inteira de trabalho. Nessa edição, o jornal publicou o texto de um repórter que estivera presente no congresso da UNE e viu de perto, sendo inclusive preso com os outros estudantes, todo o processo a que foram submetidos. À partir daí, ele faz uma análise bastante consistente de todo o processo em um estilo textual que é, muitas vezes, o mais parcial possível: o relato.
“(…) O momento de maior apreensão foi quando chegamos a uma clareira onde esperamos transportes requisitados pela polícia para seguirmos até Ibiúna. Sentados na grama molhada, alguns dormiam. Um cabo foi passando de soldado a soldado, eles faziam um círculo em torno de nós. O cabo dizia qualquer coisa aos soldados e estes tiravam seus cassetetes e ficavam balançando-os em nossa direção. Um sargento começou a travar e destravar sua metralhadora. Longe, ouvíamos a voz de alguém que mandava em posição de sentido, levar os fuzis aos ombros e marchar em nossa direção. Alguns pensaram em fuzilamento. Outros acreditavam apenas ser espancados. A maioria tinha certeza ser apenas uma pequena guerra de nervos. E era isso mesmo (…)”.
Apesar da parcialidade contida no relato, ele é importante no contexto em que se encontrava a imprensa na época. Por meio dele, a Folha da Tarde torna possível a divulgação da arbitrariedade com que a Polícia Militar continha manifestações de qualquer ordem, bem como os maus-tratos sofridos pelos estudantes detidos preventivamente sem qualquer possibilidade de defesa. Ao término do texto, o repórter diz ainda estar bastante chocado com o que passou e, mostrando-se solidário, leva o leitor a pensar sobre aqueles que ainda se encontravam presos no momento em que o jornal era publicado.
“(…)Após o depoimento fomos libertados. Saímos do DOPS a passos calmos. Lembrávamos os companheiros do mesmo cárcere que estavam no presídio enfrentando a fome, o frio e, como nós, sujos de lama.
– Precisamos avisar aos outros estudantes para que levem agasalhos e alguma coisa de comer para que a turma não passe mais fome do que a que têm passado – comentei com o colega da “Veja”. Um táxi parou a um sinal que fizemos. Fomos até um restaurante onde matamos a fome de um dia inteiro sem comer……………………………………………………………..
Enquanto seguia para casa lembrava que teria uma cama com colchão e um cobertor, ao invés do chão frio e da umidade da penitenciária Tiradentes onde ficaram mais de 700 estudantes(…)”

Análise dos conteúdos: a subjetividade e a objetividade usadas.

A subjetividade na revista Veja
Dentre as formações estilísticas, os termos e a abordagem utilizada, podemos destacar uma característica que diferencia essencialmente as matérias da revista Veja e da Folha de São Paulo: enquanto a Folha procura enxugar seu texto de considerações sobre o congresso dos estudantes, a revista Veja elabora uma reportagem baseada essencialmente em análise de conteúdo, traçando um histórico do movimento estudantil e uma narrativa do que precedeu ao ocorrido, bem como um perfil dos estudantes que o compõe.
Dessa forma, é possível lançar um questionamento: qual o objetivo da revista Veja em escrever sua reportagem dessa forma?
Em seu livro “Poder no Jornalismo”, a professora Mayra Rodrigues Gomes faz uma citação interessante à respeito do papel da imprensa em um contexto histórico:
“(…) O jornalismo tem, entre outras, uma origem panfletária que conclama à ação política, que congrega em torno de ideais e mobiliza em direção à lutas. Se ele conserva esta veia, ainda que muitas vezes só insinuada pela posição ideológica das empresas jornalísticas, ela se revela no que aparece como evidente marca das últimas décadas: a visada da crítica, da denúncia, da vigilância, do apelo às justiças, que lhe é vital (…)” (GOMES, 2002: 15-16)
Logicamente, como bem observado pela professora Mayra, o jornalismo tem em sua essência um papel de crítica oriundo de uma posição político-ideológica. No âmbito da revista Veja, essa posição mostra-se clara pelo desenvolvimento do perfil editorial dessa revista ao longo dos anos, mas a intenção em expor tal visão não é objetiva na reportagem sobre o congresso da UNE. Por meio das histórias que anteviram o congresso, pelo destaque dado à personagens envolvidos (como os líderes estudantis José Dirceu e Luís Travassos) e, prioritariamente, pela composição do perfil do estudante que é militante do M.E., a reportagem não repreende o congresso da UNE, tampouco o classifica como subversivo ou perigoso; entretanto, utilizando da exposição dos dados da classe que o compõe, ela desvaloriza a organização dessa união, tentando descaracterizar seus membros.
“(…) Para se ter um retrato de quem é o estudante universitário no Brasil, foi feito um trabalho pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, em 1965, no qual se verifica que os pais dos universitários têm, na maioria, atividades remuneradas de nível alto e médio; que a maioria tem irmãos que estudaram; que a maioria das mães não trabalha; que em grande número fizeram o curso médio em escolas pagas; que apenas 8,52% deles têm pais operários; que a idade média dos primeiranistas é 22,11 anos (a idade média ideal é considerada entre dezessete e dezenove anos); que 44,12% deles trabalham; que 62,49% têm ajuda financeira da família; e que 27,75% das famílias têm carro(…)”
Enunciando sua origem familiar, sua classe social e suas atividades remuneradas, a reportagem busca prioritariamente mostrar que a UNE não condiz com sua linha ideológica que basicamente esteve sempre ligada ao marxismo ou, mais amplamente, à esquerda. Desse modo, o leitor poderia julgar o movimento como não sendo genuíno em sua luta, mas sim fruto de uma rebeldia juvenil ou mesmo de certa “alienação reversa”, como se os estudantes, na ânsia de ser lançaram a uma luta em face de um regime antidemocrático, passassem a obedecer cegamente alguns diligentes específicos (no caso, os recorrentemente citados líderes do M.E.).
A subjetividade na Folha da Tarde.

A Folha da Tarde, como já dito anteriormente, era um jornal destinado a um outro público alvo, isto é, os trabalhadores recém-saídos de suas jornadas de trabalho, que não haviam tido tempo de ler o jornal pela manhã. Para anunciar o congresso da UNE, a Folha da Tarde optou pelo relato de seu repórter Antônio Mello, que esteve presente no evento. Em sua essência, um relato já é um registro bastante tendencioso porque permite ao autor expressar claramente as visões pessoais. No caso ainda mais específico do repórter Antônio de Mello, ele foi, assim como os outros estudantes, preso, humilhado, sendo vítima de fome, frio e maus tratos. Nesse contexto, ele desenvolve, claramente, uma posição fraternal com os membros da UNE presentes ao congresso, impossibilitando um posicionamento frio perante os fatos.
“(…) Lá encontramos Vladimir Palmeira, José Dirceu e Antonio Ribas, este presidente da entidade dos secundaristas que fora libertado três dias antes de ser preso de novo. Vladimir tremia de frio. Os olhos estavam injetados de sangue e ele tremia de frio. Sua respiração irregular denunciava que ele devia ter sofrido outro ataque de asma(…)”.
Dessa forma, a Folha da Tarde consegue publicar uma visão bastante pessoal do ocorrido e seu registro ganha um vigor de realismo porque teve um repórter presente no momento, vivenciando toda a situação. Sumariamente, a diferença entre fazer a reportagem depois do fato e tê-la vivido enquanto ele acontecia possui a mesma diferença que existe entre contar uma história da qual você ouviu falar e uma outra que aconteceu com você (vale ressaltar que esse é um dos enunciados do New Journalism ou do Jornalismo Literário).
Há ainda outro ponto destacável nessa reportagem que diz respeito a linguagem utilizada. O relato de Antônio de Mello se caracteriza por uma informalidade tremenda que coincide inclusive com a utilização de termos próprios do M.E. ou de qualquer outra entidade de classe mobilizada (“companheiros”, “pelegos”, etc…). Em sua “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire defende a utilização de termos referentes à realidade do trabalhador bem como uma grafia correspondente à fala, para promover sua alfabetização. Esse paralelo nada mais é do que uma tentativa de trazer a elaboração teórica à prática cotidiana por meio da linguagem. O mesmo é feito pelo repórter, que busca, relatando situações inclusive de forma bem-humorada e usando coloquialismos, é capaz de trazer o fato frente a realidade do leitor alvo da Folha da Tarde.
“(…)Os conchavos se intensificavam de todas as partes. A delegação do Ceará não me pareceu que ia ficar com o José Dirceu (…) Outro reclamava contra o local que havia escolhido para o congresso. Dizia que “era muito escondido. De outras vezes vocês podiam escolher um lugarzinho melhor. Não precisa ser no meio do mato” Um estudante respondeu que o próximo Congresso vai ser realizado no “Othon Palace” (…)”
A objetividade na Folha de São Paulo.

Buscando uma análise meramente factual do congresso da UNE, a Folha de São Paulo se prende majoritariamente aos dados, tendo publicado, à época, uma matéria bastante resoluta de pouco mais que duas colunas. O informe dado pelo jornal, que tinha um público alvo diferente do seu companheiro Folha da Tarde, buscava meramente comentar a prisão dos estudantes e de alguns líderes estudantis. Ao final da matéria, a entrevista com Abreu Sodré busca somente finalizar e ponderar as ações tomadas pela força pública na tentativa de contenção de qualquer organização que o governador chama de “subversiva”.
“(…)Sem resistir, os congressistas foram colocados em fila e levados aos ônibus requisitados para transportá-los para a capital. O governador Abreu Sodré, ao ser homenageado por trabalhadores do DAE, no Horto Florestal, referiu-se ao episodio e reafirmou sua disposição de “manter a paz e a tranqüilidade para a população que deseja trabalhar”. E acrescentou, referindo-se à prisão dos participantes do congresso da UNE: “Agi com energia para reprimir a agitação e a subversão quando determinei, após horas de angustia e apreensão, a prisão de estudantes subversivos que participavam do congresso da UNE” (…)”.
Os termos utilizados propõe uma provável indiferença ao fato do ponto de vista editorial, que poderia inclusive denunciar um não apoio aos estudantes. É válido lembrar que a Folha de São Paulo apoio o golpe de 1964, como eles próprios afirmam em seu histórico público.
Essa indiferença em relação ao conteúdo anunciado, entretanto, pode também estar respeitando um acordo com a linha editorial adotada pelo Grupo Folha: a busca de diferentes pontos de vista por meio de reportagens diversas, feitas por diferentes autores sobre o mesmo terma. Dessa forma, a Folha de São Paulo ao publicar uma matéria que se propõe somente a disponibilizar dados concisos se contrapõe ao relato da Folha da Tarde, proporcionando uma espécie de balança ideológica que, teoricamente, resultaria em sua almejada imparcialidade.

Conclusão

As organizações sociais, que muitas vezes são movimentos espontâneos da sociedade frente a uma dificuldade enfrentada, nem sempre serão defendidas pela imprensa. Por mais que o papel do jornalismo seja estar ao lado do cidadão, atuando como uma voz que possa falar por aqueles que não a possuem, é discutível se ele encara essa atuação como legítima. Durante a ditadura militar, o movimento estudantil desempenhou um papel importante na luta pela redemocratização do país e a imprensa, que era e sempre será uma das mais interessadas na democracia e no livre uso da palavra, por vezes se colocou contra ele.
O questionamento da revista Veja acerca da legitimidade da participação dos estudantes da UNE no congresso e na luta política como um todo visa por em cheque a validade da indignação pequeno-burguesa. Entretanto, é válido lembrar que a democracia é um sistema intimamente ligado ao modelo liberal e, portanto, qualquer tipo de estímulo contra um regime autoritário e centralizador faz um imenso sentido.
“(…) Em compensação é freqüente que um movimento social provoque comportamentos de crise ou se apóie sobre eles. Uma crise econômica, a ameaça ou a realidade do desemprego provocam comportamentos coletivos que nem sempre estão associados a um questionamento de poder e que são diferentes de um movimento social, isto é, de um conflito de classes colocando em jogo o controle do sistema de ação histórica . O movimento estudantil na França, no decorrer dos anos recentes, foi fortemente associado a condutas de crise. É na faculdade de Letras, com recursos precários, com um ensino herdado da sociedade liberal, até mesmo de sociedades mais antigas, que ele se desenvolveu mais facilmente (…)” (FORACCHI e MARTINS, 1977: 337-338)
Mas ainda é válido ressaltar que a imprensa da época passava por uma rigorosa censura, que levou alguns outros veículos de comunicação a escapar dela por vias performáticas (à exemplo do Estado de São Paulo, que chegou a publicar receitas de bolo ou sonetos de Camões em lugar das manchetes). Nesse âmbito, é plausível que ambos os veículos, bem como todos aqueles que puderam e conseguiram noticiar um congresso estudantil, tenham feito reportagens completas e aprofundadas, cada um sobre seu viés ideológico e social.
Trata-se, portanto, de concluir que a imprensa é sempre capaz de seguir sua linha de pensamento editorial, mesmo em tempos de crise, mesmo quando a sua liberdade de expressão e opinião é velada, usando da objetividade ou da subjetividade para enunciar pontos que considere relevantes ou esmaecer nas entrelinhas das matérias determinados fatos que podem, ao seu modo, passar despercebidos. Afinal, fica claro que toda não ação já é uma ação, e, seguindo essa linha, toda não publicação já é uma publicação.
Ainda nesse contexto, é válido lembrar que a imprensa e a sociedade tornam-se, de um modo ou de outro, organismos confluentes e inseparáveis: um necessita do outro para seu funcionamento perfeito. Um primeiro sinal de que a organização social vigente caminha rumo à processos preocupantes é o estado de liberdade em que se encontra sua imprensa. A capacidade dela falar pelos fatos, à respeito deles, e julgá-los reflete essa necessidade de pontuar o fato e promover sua exposição – partilhar o que é individual com o coletivo, sem restrições, é, portanto, um dos principais objetivos do jornalismo.
Os jornais, as noticias, procedem por redundância pelo fato de nos dizerem o que é necessário pensar, reter, esperar, etc… a linguagem não é informativa nem comunicativa, não é comunicação de informação, mas – o que é bastante diferente – transmissão de palavras de ordem, seja de um encunciado a um outro, seja no interioro de cada enunciado, uma vez que o enunciado realiza um ato e que o ato se realizada no enunciado (DELEUZE e GUATTARI, 1995:16-17)

Bibliografia

Internet
http://www1.folha.uol.com.br/folha/80anos/grupo_folha.shtml
http://veja.abril.com.br/arquivo.shtml
13 – Congresso da UNE – todos presos
http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_16101968.shtml
http://veja.abril.com.br/especiais/veja_40anos/p_100.html

Página inicial

Livros
GOMES, MAYRA RODRIGUES. Poder no jornalismo. São Paulo: Edusp, 2003. 112 p.
GOMES, MAYRA RODRIGUES. Ética no jornalismo. Uma cartografia de valores. São Paulo: Editora Escrituras, 2002. 92 p.
DELEUZE, GILES E GUATTARI. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. Rio de Janeiro. Editora 34, 1995
FORACCHI, MARIALICE MENCARINI e MARTINS, JOSÉ DE SOUZA. Sociologia e sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1977.335 p.
FREIRE, PAULO. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1995. 213 p.

QUESTÕES SOBRE LIBERALISMO E NEOLIBERALISMO

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Fundamentos históricos do Neoliberalismo

Questões sobre Liberalismo e Neoliberalismo

1. Origem do neoliberalismo (resumo).
O neoliberalismo surgiu como resposta à crise de 1929 que foi deflagrada na economia norte-americana e ruiu com as estruturas do capitalismo liberal de até então. Em Bretton Woods, após a segunda guerra, surge a necessidade de reestruturar esse capitalismo de mercado visando sempre impedir que crises como a de então fossem tão agressivas no mercado mundial. A partir daí, embasado em teorias previamente escritas, surge o modelo que enxerga o Estado como interventor direto em casos de crise e que passa a ser adotado ao longo do século XX. No final da década de 80, com o fim da URSS e a eleição de políticos como Ronald Regan e Margareth Tatcher, o neoliberalismo se reafirma e se fortalece, passando a ser a grande marca do mercado do mundo globalizado.
2. Quais as condições que favoreceram o desenvolvimento do Liberalismo ?
A formação de uma classe burguesa que possuía um acúmulo de capitais que lhe permitiu promover a livre iniciativa, juntamente da eleição de governos representativos em substituição às monarquias absolutistas de até então. Aliados a esses fatores, o fim da escravidão em diversos países deu origem a uma classe que ao mesmo tempo era mão de obra e mercado consumidor, favorecendo o surgimento desse modelo como instância econômica vigente.
3. Quais as características do Neoliberalismo?
O Neoliberalismo prega a livre iniciativa e o livre comércio, promovendo políticas de subsídios e incentivo ao trânsito de capitais, relegando ao Estado, entretanto, o papel de interventor em momentos em que crises forem deflagradas.
$. Quais as propostas do Neoliberalismo no contexto econômico, político e social?
Promover a livre iniciativa no âmbito econômico, permitir a intervenção estatal quando for necessário dentro da política e na sociedade relegar aos cidadãos o pagamento de serviços relacionados ao bem estar social, como assistência médica e educação.
4. Qual a ideologia política dominante, hoje, nos países avançados? Como você classifica a ideologia política dominante, hoje, no Brasil?
A ideologia política dominante nos países avançados é claramente neoliberal. Esses países que em sua grande parte foram a vanguarda do capitalismo de mercado promovem o livre comércio globalizado por meio de regiões econômicas e conglomerados mercantis. Nesses casos, o Estado atua como o agente de contensão de crises, assim como recentemente pudemos ver nos Estados Unidos com os planos de Barack Obama para salvar alguns bancos da falência. A ideologia dominante no Brasil é também neoliberal. Ela foi praticamente um consenso na política democrática do pós-ditadura, mas começou essencialmente no governo de Collor, se firmou como política adotada na gestão de Fernando Henrique Cardoso e suas privatizações e até hoje, na gestão Lula, se faz presente, apesar do caráter popular desse candidato.
5. Existem países que não aceitam a política neoliberal? Quais?
Sim, dentre os países que não aceitam a política neoliberal podemos citar aqueles que possuem governos ditos de esquerda, como a Bolívia e a Venezuela por exemplo, ou ainda aqueles que são efetivamente socialistas, à exemplo de Cuba e Coréia do Norte.

LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO

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Centro Universitário de Patos de Minas – unipam
Faculdade de Ciências Sociais aplicadas – facia
Curso: ADMINISTRAÇÃO
Disciplina: estágio supervisionado II Relatório DE ESTÁGIO
coordenador esp: eliphas levi pereira
orientadora ESP: kaisa cristina santana soares
LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO
SIMONE ROCHA
Patos de Minas
2009

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo explanar conceitos referentes à liderança e motivação, bem como analisar quais são os principais qualificativos de um líder para que este possa motivar e integrar a equipe por ele liderada. São também discutidos temas referentes a necessidade, no cenário atual, de se adotar a motivação dos membros da organização como meta para o desenvolvimento, especialmente no que se refere ao trabalho com equipe. Foi abordado também sobre definição, identificação e avaliação relativos a liderança e motivação. A execução de tal tema justifica-se pelas transformações constantes que vem sendo notadas no mercado de trabalho vigente, o qual exige cada vez mais profissionais preparados, que saibam lidar com situações conflitantes, mantendo unida e em plena atividade a organização a qual pertence.
PALAVRAS-CHAVE: Liderança. Motivação. Organização. Equipe.

SUMÁRIO

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo GERAL
2.2 Objetivos ESPECÍFICOS
5 METODOLOGIA
5.1 Método de Abordagem
5.2 Método de Procedimento

1 INTRODUÇÃO

A administração vem sofrendo novas transformações na vida empresarial. As tendências hoje estão praticamente impondo que as mudanças sejam feitas o quanto antes. As empresas que não se adequarem para estas novas alterações poderão estar fadadas ao não desenvolvimento, ou seja, não estarão acompanhando o processo natural de aperfeiçoamento e evolução organizacional.
O meio empresarial dessa nova era do conhecimento somente poderá manter suas vantagens competitivas no futuro por meio da inovação tecnológica ou da melhoria contínua dos produtos já existentes. Mas somente isso não basta, é preciso a figura do líder para que seja assegurado o desempenho da organização.
Para que a produtividade do trabalho funcione realmente, e alcance os efeitos aguardados, é necessário que os participantes de uma determinada unidade de trabalho rentabilizem ao máximo seus recursos (materiais, humanos, tecnológico, etc) disponíveis. Dando tal valor aos recursos especialmente ao “capital humano”, a produtividade proporcionará lucratividade que é o objetivo final de toda empresa, juntamente com a satisfação pessoal. (CHIAVENATO, 2003, p. 93).
Mas para que isso seja possível é necessário um líder atuante e que tenha a liderança reconhecida pelos seus subordinados. O líder deve reconhecer o valor daqueles que estão sob sua autoridade e motivá-los a cumprir suas tarefas.
O fator humano quando lhe é dado o devido valor, tem muito a oferecer a empresa em termos de produtividade, pois mesmo que as empresas utilizem máquinas para desenvolver a atividades operacionais são os funcionários que estão manejando essas máquinas que ditam o ritmo de trabalho, e se o funcionário estiver motivado irá buscar o melhor desempenho da máquina a qual lhe compete a responsabilidade. (CHIAVENATO, 2003, p. 93)
Um líder precisa identificar oportunidades, pensar na estratégia do trabalho diário, unir esforços, ser uma fonte de informações e conhecimentos, dirigir projetos, ajudar seus colaboradores nos planos de carreira, resolver conflitos e problemas, além de contribuir para a saúde e inteligência da organização.
O novo líder deve ser menos gerente e mais companheiro e não pode se considerar infalível. Ele necessita estar ciente que, a distância hierárquica diminuiu em benefício dos resultados. Por esta razão, a liderança é hoje um tema crucial no qual fronteiras se abrirão ao comércio global e as organizações se encontrarão em uma constante luta por serem cada vez mais competitivas em termos de qualidade e eficiência e bem estar da instituição e permanecerão sempre em voga.
O líder como toda pessoa possui muitas virtudes e defeitos os quais ele deve conhecer. Isto implica olhar primeiro para dentro de si, conhecer-se, para depois entender os demais e refletir o que quer conseguir e o que procura atingir com os estes, para conseguir o sucesso. A partir disso, nasce a capacidade de exercer uma liderança efetiva, o que constitui uma das chaves para ser um administrador eficaz.
Se a chave é conhecer a si mesmo, a essência da liderança é a existência dos seguidores. Em outras palavras, o que faz com que uma pessoa seja líder é a disposição dos demais em segui-lo. As pessoas tendem a seguir a quem lhes oferece meios para a satisfação de seus desejos e necessidades.
Por esta razão Vianna (2003), afirma que a liderança e a motivação estão em estreita inter relação, pois lideres que apreciam melhor o que desejam, as pessoas e a razão de suas ações exercem com eficácia a motivação sobre estas.
Por tanto, diversas formas de liderança existem sendo de primordial importância a caracterização e o estudo das mesmas, revelando seus prós e contras de modo a possibilitar a compreensão absoluta do termo.
Mariño (2003), expõe alguns aspectos referentes a liderança que apresentam pontos positivos e negativos. Para autor, em primeiro termo, a liderança envolve a outras pessoas; os empregados ou seguidores. Os membros do grupo; dada sua vontade para aceitar as ordens do líder, ajudam a definir a posição do mesmo e permitem que decorra o processo da liderança; se não houvesse a quem mandar, as qualidades da liderança seriam irrelevantes.
Em segundo, para este mesmo autor, a liderança entranha uma distribuição desigual do poder entre os líderes e os membros do grupo. Os membros do grupo não carecem de poder; podem dar forma, e de fato o fazem, às atividades do grupo de diferentes maneiras. No entanto, por regra geral, o líder terá mais poder.
O terceiro aspecto da liderança, para o autor supracitado, é a capacidade para usar as diferentes formas do poder para influir na conduta dos seguidores, de diferentes maneiras. Aliás, alguns líderes influíram nos soldados para que matassem e alguns líderes influíram nos empregados para que fizessem sacrifícios pessoais para proveito da companhia. O poder para influir conduz ao quarto aspecto da liderança citado pelo Mariño (2003), que é a combinação dos três primeiros, mas se reconhece que a liderança é questão de valores.
Neste quarto aspecto, argumenta-se que o líder que considera vagamente os componentes morais da liderança passará à história como um corrupto ou algo pior. A liderança moral se refere aos valores e requer que se ofereça aos seguidores suficiente informação sobre as alternativas para que, quando chegue o momento de responder à proposta da liderança de um líder, possam eleger com inteligência.
Todo o exposto teórico acima de caracterização da liderança, desencadear da motivação e retrato do cenário atual de mudanças e altas tecnologias na organização conduzem ao objetivo central pelo qual este estudo é desenvolvido. Almeja-se descrever e comentar a importância dos lideres nas organizações e como estes podem empregar a motivação na gestão estratégica de suas equipes.
Tal objetivo é vislumbrado, pois diante de um processo real e crescente de globalização, diversas oportunidades de explorar novos mercados são expostos as empresas, oferecendo a estas a possibilidade de desenvolvimento de suas atividades e adequação de seus produtos a cultura de outros povos. Porém, tal avanço jamais poderá se concretizar nas organizações, se não houver lideres capazes de administrar e motivar um grupo a obterem cada vez melhores resultados.
Com vistas a uma textura que consiga amalgamar liderança e motivação, bem como atingir a apreensão de ambos os termos, tal estudo será construído.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo GERAL

Descrever e comentar a importância dos líderes nas organizações e como podem empregar a motivação na gestão estratégica de suas equipes.

2.2 Objetivos ESPECÍFICOS

Rever as teorias sobre liderança, especialmente no que se refere ao trabalho com equipes.
Definir e caracterizar conceitos relativos a liderança, trabalho em equipes e motivação.
Avaliar a interação existente entre as atuais teorias sobre liderança e sua real aplicabilidade nos modelos de gestão de equipes.

3 LIDERANÇA

3.1 CONCEITO INICIAL

No cenário atual, empresas se organizam para ingressarem cada vez mais em um universo globalizado, competitivo e que requer uma equipe de trabalho altamente capacitada em todos os critérios exigidos em uma organização. Para que tais inovações aconteçam, surge neste contexto a figura do líder.
Liderança é a capacidade que algumas pessoas possuem de conseguir que outras de modo espontâneo, ultrapassem o estabelecido formalmente. (FIORELLI, 2003, p.173).
Liderança é um fenômeno social que ocorre exclusivamente em grupos sociais. Podemos defini-la como uma influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida pelo processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos. (CHIAVENATO, 2003, P.148).
É a capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos. Todas essas definições mantêm seus pontos de convergência. Porém muitos autores tem se preocupado em tão somente definir certos estilos de liderança sem se preocuparem com os traços de personalidade do líder. Estilo de liderança, segundo Chiavenato, é o padrão recorrente de comportamento exibido pelo líder. (CHIAVENATO, 2003, P.151).
Estilo de liderança e traços pessoais do líder devem estar sempre em confluência. Quando tal fato ocorre, os resultados são relevantes, similares aos obtidos por White e Lippitt (1995 apud Chiavenato, 2003) que em um estudo pioneiro, definiram três estilos básicos de liderança: a autocrática, a liberal e a democrática. Na liderança autocrática as decisões são tomadas apenas pelo líder, sem qualquer participação do grupo. O líder determina a execução das tarefas e qual destas cada um deverá executar. Na liderança liberal, por sua vez, o líder tem uma participação mínima na tomada de decisões. Quanto a programação dos trabalhos, restringe-se a dar opiniões quando estas lhe são solicitadas. Em contrapartida, na liderança democrática os membros da organização apresentam liberdade assistida e gerenciada pelo líder. Ele permite que o próprio grupo encontre providências para atingir o alvo e divida livremente as tarefas, porém oferece aconselhamento técnico quando necessário. Os resultados dessa pesquisa tiveram boa repercussão nos Estados Unidos na época. A partir dela, passou-se a defender intensamente o papel da liderança democrática que, de acordo com Chiavenato, era um estilo perfeitamente compatível com o espírito americano da época, extremamente comunicativa, que encoraja a participação das pessoas, que é justa e não arbitrária e que se preocupa igualmente com os problemas das tarefas e das pessoas. (CHIAVENATO, 2003, p.151).
A liderança autocrática, por sua vez põe forte ênfase no líder, enquanto a liderança liberal enfatiza os subordinados. O diferencial da liderança democrática é que ela considera ambos igualmente.
No cotidiano prático da organização, o líder utiliza os três estilos de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. A principal questão problemática da liderança é, saber quando aplicar qual estilo, com quem e dentro de quais circunstâncias e tarefas a serem desenvolvidas.

3.2 IMPLANTAÇÃO DA LIDERANÇA

Em organizações quando os profissionais são solicitados para relacionar atributos de um líder quase não são citados aspectos que envolvem riqueza, tipo físico, inteligência e conhecimentos. Na verdade os aspectos emocionais são os mais mencionados. Isso vem comprovar o que na implantação da liderança é de fato observado. Fiorelli (2003) define alguns denominadores comuns que, para ele circundam toda liderança, sendo o primeiro deles a afirmação de que existe forte componente emocional no exercício da liderança. (FIORELLI, 2003, p. 176).
Os grandes líderes da humanidade comprovam essa visão. O elo emocional com seus seguidores supera ou fortalece suas qualidades pessoais, e ao mesmo tempo em que obscurece seus defeitos na ótica de seus admiradores. Mas de acordo com Fiorelli, essa forma de liderança, essencialmente carismática, contudo, constitui um risco no ambiente organizacional, porque compromete a crítica. (FIORELLI, 2003, p.176).
A segunda característica que se pode extrair da liderança, é ligar-se ao papel em que o líder representa para com o liderado. Essas pessoas em algum grau e de alguma forma contribuem para que o indivíduo supere suas dificuldades. Líderes na verdade são pessoas que representam muito para os liderados. Elas possuem a capacidade de orientar em decisões cruciais, mostrar-se presentes em momentos de dificuldade e ou fragilidade, e proporcionar amparo em situações angustiantes. Por seu comportamento, elas marcam sua imagem de maneira crucial no inconsciente das pessoas para as quais se tornam significativas.
Segundo Fiorelli, o verdadeiro líder desenvolve, no liderado, a percepção de relacionamento interpessoal significativo, positivo e proativo, capaz de estimular à ação, ao desenvolvimento, sob o impulso do envolvimento emocional. (FIORELLI, 2003, p. 177).
Mas há mais atributos que devem ser considerados para a escolha e implementação do melhor estilo de liderança. Recentemente, Fiedler (1967, apud Chiavenato, 2003), desenvolveu um modelo contingencial de liderança eficaz a partir da idéia de que não existe um estilo único e melhor de liderança e que seja sólido para toda e qualquer situação. Pelo contrário, os estilos eficazes de liderança, segundo ele, são situacionais, em que cada situação requer um diferente estilo de liderança.
O modelo contingencial de Fiedler, (1967, apud Chiavenato, 2003), baseia-se em três fatores situacionais: poder de posição do líder, que se refere à influência inerente a posição; estrutura da tarefa que se refere ao grau em que o trabalho dos subordinados é rotineiro e programado ou vago e indefinível, e relações líder membros, que se refere ao relacionamento interpessoal entre o líder e os membros do grupo. Essas três dimensões, podem ser combinadas em diferentes proporções produzindo diferentes graus de favorabilidade situacional para o líder alcançar bons resultados.
Quanto maior o poder da posição, a estrutura da tarefa e o nível das relações líder membros, maior a favorabilidade situacional para a liderança eficaz.

3.3 LIDERANÇA E PODER

De acordo com Chiavenato, poder é a capacidade de fazer algo que se quer fazer ou de fazer as coisas acontecerem de acordo com a sua vontade (CHIAVENATO, 2003, p. 157).
Para Robbins, o poder se refere à capacidade que A tem para influenciar o comportamento de B, de maneira que B aja de acordo com a vontade de A . (ROBBINS, 2002, p.342).
O poder pode existir, mas não ser exercido. Ele é portanto, uma capacidade ou potencial. Uma pessoa pode tê-lo e não utilizá-lo. Provavelmente, o aspecto mais importante do poder é ter uma função de dependência.
Quanto maior a dependência de B em relação a A, maior o poder de A nessa relação. A dependência se baseia nas alternativas percebidas por B e a importância que este dá a essas alternativas controladas por A. Uma pessoa só pode ter poder sobre você se ela controlar alguma coisa que você deseja. (ROBBINS, 2002, p.342).
Em relação ao universo administrativo, esse poder capaz de controlar pessoas mostra-se essencial para o sucesso do gerente. Essa face positiva do poder é o fundamento para a liderança eficaz. As fontes de poder podem ser classificados em duas grandes categorias: aquelas baseadas na posição de autoridade do líder e aquelas baseadas no gerente como uma pessoa. O poder não pode ser confundido com liderança. Segundo Fiorelli, poder distingue-se de liderança. A liderança representa uma forma de poder. (FIORELLI, 2003, p.174).
Existem diferenças que separam os dois termos, uma delas se refere a compatibilidade de objetivos. De acordo com o Robbins,
O poder não requer a compatibilidade de objetivos, apenas a relação de dependência. A liderança por outro lado, requer alguma congruência entre os objetivos do líder e os daqueles que estão sendo liderados. (ROBBINS, 2002, p.342).
Uma segunda diferença se relaciona a direção da influência. A liderança enfoca a influência descendente do líder sobre o liderado. Ela minimiza a importância dos padrões ascendentes e laterais de influência e o poder não. Outra diferença diz a respeito a ênfase das pesquisas. Robbins (2002), traz a distinção entre a pesquisa sobre liderança e a pesquisa sobre poder. Ele afirma que aquela, em sua maior parte, dá ênfase à questão do estilo, buscando respostas para perguntas como: Quando um líder deve ser apoiador? e Quanto ao processo decisório deve ser compartilhado com os liderados? Já esta dedica-se a uma área mais ampla e focaliza as táticas de conquista da submissão, indo pois, além do indivíduo, pelo fato de o poder assumir a possibilidade de vir a ser exercido também por grupos, para controlar outros grupos ou indivíduos.
Os conceitos de liderança e poder distinguem-se em pontos específicos, mas apresentam também na organização seus momentos de inter relação.

3.4 LIDERANÇA SITUACIONAL

A idéia de liderança situacional parte do princípio de que o estilo de liderança a ser utilizado deve depender mais da situação do que da personalidade do líder. Este tipo de liderança está implícita a idéia de que o líder deve ajudar os liderados amadurecer até o ponto em que sejam capazes e estejam dispostos a fazê-lo. Este desenvolvimento dos liderados deve ser realizado ajustando-se o comportamento de liderança, ou seja, passando pelos estilos de direção, treinamento, apoio e delegação.
Segundo Hersey e Blanchard (1986, p.117), postulam que, os líderes eficazes são capazes de adaptar seu estilo de comportamento de líder às necessidades dos liderados e a situação, sendo estas não constantes, o uso do estilo apropriado de comportamento do líder constitui um desafio para cada líder eficaz.
Percebe-se que o objetivo da liderança situacional consiste em o líder identificar a maturidade de seus subordinados e determinar qual comportamento irá adotar. A maturidade do subordinado pode ser avaliada a partir não somente do conhecimento e da experiência, mas também pelo nível de empenho, grau de autonomia, capacidade de assumir responsabilidade e tomar decisões, interesses por melhorias, relacionamentos e aceitação de desafios. Hersey e Blanchard consideram que a maturidade das pessoas é uma questão de graduação e dividem em quatro níveis:
M1 maturidade baixa considera que a pessoa não tem capacidade e nem vontade de assumir a responsabilidade de fazer algo, não são competentes nem seguras de si, sendo em muitos casos, sua falta de disposição conseqüência da insegurança em relação á tarefa exigida.
M2 maturidade baixa a moderada considera que a pessoa não tem capacidade, mas sente disposição para assumir responsabilidade, tem confiança em si, no entanto, ainda não possua as habilidades necessárias.
M3 maturidade moderada a alta considera que a pessoa tem capacidade, mas não está disposta a fazer o que dela se espera. Sua falta de disposição muitas vezes é conseqüência da falta de confiança em si mesma ou insegurança. Entretanto, se for competente, mas pouco disposta, sua relutância em fazer o que dela se espera é mais uma questão de motivação do que um problema de insegurança.
M4 maturidade alta considera que a pessoa neste nível tem capacidade e disposição para assumir responsabilidades.
Percebe que a liderança situacional baseia-se numa inter relação do comportamento de tarefa relacionado à estruturação do trabalho. Quanto mais alto o comportamento de tarefa, mais o líder se empenha em planejar, controlar, organizar e dirigir seu subordinado. Quanto mais baixo o comportamento de tarefa, mais o líder deixa estas atividades a cargo do subordinado, já o comportamento de relacionamento refere-se ao apoio dado ao subordinado. Quanto mais alto o comportamento de relacionamento, mais o líder se empenha em oferecer apoio sócio-emocional e canais de comunicação ao empregado. O líder eficaz deve utilizar diferentes estilos de liderança para cada grau de maturidade.
O estilo de liderança adequado para as quatros classes de maturidade, isto é, maturidade baixa, maturidade baixa a moderada, maturidade moderada a alta e maturidade alta, corresponde às seguintes designações de estilo de liderança:
E1 Determinar: para pessoas que não tem capacidade nem vontade (M1) de assumir a responsabilidade de fazer os padrões. Conseqüentemente, um estilo diretivo (E1) que dá uma orientação e supervisão clara e específica é a mais apropriada. Para estas pessoas o supervisor deve especificar o que as elas devem fazer, como, quando, e onde devem executar suas tarefas.
E2 Persuadir: é o estilo a ser adotado para as pessoas que sentem disposição, mas não tem capacidade. Ainda deve adotar-se um comportamento diretivo por sua falta de capacidade, mas ao mesmo tempo reforçar a disposição e o entusiasmo das pessoas. O líder procura conseguir que os liderados se sintam convencidos a adotarem os padrões e comportamentos desejados. Os operadores nesse nível de maturidade geralmente aceitam os padrões quando entendem as razões do mesmo e o supervisor lhes fornece a direção.
E3 Compartilhar: as pessoas neste nível de maturidade têm capacidade, mas não estão dispostas a elaborar os padrões. Neste caso o supervisor precisa abrir a porta no sentido de apoiar os operadores nos seus esforços de utilizarem a capacidade que já possuem e passam a elaborar os seus próprios padrões que determinam como,quando e onde fazer as coisas.
E4 Delegar: as pessoas neste nível de maturidade têm capacidade para a elaboração de padrões. Embora possa ainda ser o supervisor que determina quais os padrões a serem elaborados, a responsabilidade de fazê-los já é dessas pessoas. Os operadores determinam com, quando, e onde fazer as coisas, determinando os padrões.
Verifica-se que para promover o crescimento do indivíduo para o nível de maturidade mais alto (M4), não basta apenas que o líder determine o nível de maturidade de seu liderado e aplique o estilo de liderança mais adequada. Este é um requisito necessário, mas não suficiente. O líder precisa conduzir um processo de amadurecimento do liderado, que deve ser lento e gradual, sempre no sentido M1, M2, M3 e M4.

3.5 ATRIBUTOS DE UM LÍDER

Além de saber conciliar com maestria as noções de liderança e poder, os lideres necessitam de características específicas. O administrador ao ser eleito líder de um profissional, poderá orientá-lo e servirá de modelo para suas ações.
De acordo com Fiorelli, os atributos e características dessas pessoas especiais e a forma como elas se ajustam às mudanças contínuas e aos desafios crescentes no campo cognitivo e emocional constituem referências para todos aqueles que almejam exercer ou compreender esse papel. (FIORELLI, 2003, p.177).
Um líder servirá de boa referência se apresentar, segundo Chiavenato (2003), as características de focalização nos objetivos da organização, orientação para a ação, autoconfiança, habilidades no relacionamento humano, criatividade e constante inovação, flexibilidade, tomada precisa de decisões, bons padrões de desempenho e visão ampla para o futuro.
Já para o Fiorelli (2003), quem exerce liderança deve se portar com caráter expansivo, inteligência, estabilidade emocional mas não sem entusiasmo, deve ser ousado, sensível, confiante, imaginativo, possuir espírito crítico com senso de justiça e jamais pecar em sua disciplina.
Além de todos esses qualificativos, o líder deve possuir habilidade para falar, ouvir e observar, sem nunca deixar de trazer à memória que ele é um ser humano cheio de limitações e que conduz pessoas limitadas como ele. Relações administrativas jamais podem deixar de serem humanas.

4 MOTIVAÇÃO

4.1 CONCEITO INICIAL

De acordo com Robbins, a motivação é o resultado da interação do indivíduo com a situação. (ROBBINS, 2002, p.151). O autor postula que o nível de motivação de cada pessoa varia tanto dentro como entre cada um, de acordo com a situação. Sendo assim, a motivação para Robbins (2002), é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta.
Segundo Chiavenato (2003), a motivação está contida dentro das próprias pessoas e pode ser amplamente influenciada por fontes externas ao indivíduo ou pelo seu próprio trabalho na empresa. (CHIAVENATO, 2003, p.183).
A motivação intrínseca, direcionada para a TAREFA/COMPETÊNCIA, que se caracteriza por associar ao prazer pela modalidade, pelo progresso pessoal e pela valorização do esforço, aprendizagem e competência, sendo também associada a vários comportamentos tais como: prazer em treinar e competir, promoção da permanência da atividade e valorização da pessoa em outras áreas e a motivação extrínseca, direcionada para o EGO/RESULTADO, caracterizando-se pela associação a fatores externos à modalidade e valorização do resultado e suas conseqüências, sendo também associada a comportamentos que caracterizam-se por: vitória a todo custo, altos níveis de ansiedade e descontrole emocional, segundo o autor, devem se complementar por meios do trabalho gerencial. Ambos não podem ser deixados ao acaso, simplesmente à mercê dos acontecimentos e situações. Elas necessitam ser compreendidas pelo gerente e utilizadas como ponto de apoio para potenciar e alavancar a satisfação das pessoas. O gerente precisa conhecer o potencial interno de motivação de cada pessoa e deve saber como extrair do ambiente de trabalho as condições externas para elevar a satisfação profissional.
Mas essa certeza de que os deveres citados acima são o caminho para uma organização motivada não se mostrava tão clara. Em alguns anos atrás, as pessoas eram consideradas recursos das organizações. Em geral, recursos representam algo material, passivo, inerte, sem vida própria, que supere os processos organizacionais em termos de matérias-primas, dinheiro, máquinas e equipamentos. Durante décadas e em todo o decorrer da Era Industrial foi essa a abordagem predominante a respeito da atividade humana nas organizações. Entretanto, a Era da Informação se encarregou de mudar radicalmente esse paradigma. Hoje em dia, cada executivo passou a ser inserido no esforço conjunto de cultivar e desenvolver continuamente o talento humano. Motivar e unificar constitui, agora, meta para as empresas competitivas. E isso passou a ser totalmente descentralizado por toda a organização. Uma tarefa de todos e não de poucos.
O trabalho também está deixando de ser individualizado, solitário e isolado para se transformar em uma atividade grupal, solidária e conjunta. Enquanto os cargos estão passando por uma total redefinição, as equipes estão cada vez mais em voga. A velha abordagem de divisão do trabalho e especialização já esgotou suas possibilidades. Hoje, ao contrário de dividir, separar e isolar e tornou-se importante juntar e integrar para obter um efeito confluente e multiplicador. As pessoas trabalham melhor e mais satisfeitas quando os fazem juntos. Segundo Chiavenato, equipes células de produção, times, trabalho conjunto, compartilhamento, participação, solidariedade, polivalência, diversidade: essas estão sendo palavras de ordem nas organizações. (CHIAVENATO, 2003, p.3)
Tomando como alvo de análise uma dessas palavras de ordem, discutir-se a quais são as principais características que uma equipe de trabalho deve manter para amalgamar a motivação em seu cotidiano de trabalho.

4.2 EQUIPE DE TRABALHO E MOTIVAÇÃO: CRESCENDO COM QUALIDADE

Segundo Chiavenato (2003), uma das palavras de ordem na organização é equipe de trabalho. Toda equipe deve ter um conjunto de participantes capazes de contribuir com habilidades e competências diferentes para o alcance dos objetivos. O viável é que seja uma equipe dotada de todas as habilidades e competências necessárias ao seu sucesso. Individualmente cada membro não tem condições de possuir todas essas habilidades. Portanto, torna-se importante que a equipe tenha todas elas distribuídas entre os seus participantes. Cada pessoa envolvida na organização deve possuir uma ou mais competências para que, no conjunto a equipe possua todas elas. Isso significa diversidade: as situações e os problemas são vistos e abordados por vários ângulos diferentes. Margerison e McCann (1995 apud Chiavenato, 2003, p.66) citam nove fatores necessários para o desempenho em toda equipe de trabalho, a saber:
Assessoria;
Inovação;
Promoção;
Desenvolvimento;
Organização;
Produção;
Inspeção;
Manutenção;
Ligação.
Equipes eficazes devem demonstrar um foco nestes nove fatores. Em geral, essas equipes possuem membros que atuam como assessores, inovadores, promotores, desenvolvedores, organizadores, integradores, dentre outros. Além de focalizar nessas características, o perfil de desempenho da equipe deve ser sempre considerado, pois proporciona uma avaliação do desempenho conjunto oferecendo uma linguagem comum para a compreensão dos fatores críticos, além de funcionar como um catalisador para o desenvolvimento da equipe e melhoria de sua eficácia.
Entretanto, para que haja, de fato, um trabalho eficaz a equipe deve, também se questionar constantemente sobre alguns aspectos fundamentais, definidos por Chiavenato (2003) como:
1.Quais as informações de que necessitamos?
2.Qual é a melhor maneira de fazer o trabalho?
3.Quais são os parceiros que desejamos?
4.Como devemos nos organizar?
5.Quais nossos produtos/serviços definidos em termos de resultados ou saídas?
6.Quais os detalhes que precisamos verificar?
7.Quais os melhores padrões e procedimentos?
8.Como estamos ligados interna e externamente?
(CHIAVENATO, 2003, p. 69).
Margerison e McCann desenvolveram também, uma série de interrogações que, segundo eles, requerem claras definições por parte da equipe. São elas:
1.Quem somos nós?
2.Onde estamos agora?
3.Para onde estamos indo?
4.O que devemos fazer agora?
5.O que esperam de nós?
6.Qual o apoio de que necessitamos?
7.Quantos somos eficientes?
8.Qual o reconhecimento que desejamos receber?
(MARGERISON E McCANN, 1995 apud Chiavenato, 2003)
Não se pode falar em questões que desenvolve a eficiência da equipe sem mencionar a integração da equipe. Quando uma pessoa é admitida em uma organização, ela precisa passar por um processo de integração. Esse processo assemelha-se a uma cerimônia de iniciação e de aculturamento às práticas e filosofia predominantes na organização e, simultaneamente de desprendimento de hábitos e prejuízos indesejados que devem ser banidos do comportamento do recém-iniciado. É uma maneira pela qual a empresa recebe os novos participantes e os integra à sua cultura, ao seu sistema, para que possam comportar-se de maneira adequada às expectativas da organização.
Esse processo de integração procura fazer com que o novo participante assimile de maneira mais intensiva e rápida a cultura do local de trabalho no qual está inserido e se comporte a partir daí como um membro que veste a camisa da empresa. Segundo Chiavenato (2003) a socialização organizacional é o conjunto de processos pelo quais um novo membro aprende o sistema de valores, as normas e os padrões de comportamento requeridos pela organização na qual ingressa. É uma aprendizagem específica e que representa o preço de ser um novo membro da organização. (CHIAVENATO, 2003, p.89).
Na prática, esse processo de socialização organizacional visa a fazer com que o novo participante da empresa aprenda e incorpore certos valores, normas e padrões de comportamentos que a organização considera imprescindíveis e relevantes para um bom desempenho em seus quadros.
Esse bom desempenho relacionado à integração da equipe provoca o aumento da eficiência e eficácia da organização. A eficiência é o meio: baseia-se no método, procedimento, na rotina e no caminho para se chegar a alguma coisa. A eficácia é o resultado: baseia-se no alcance dos objetivos propostos e na conseqüência final do trabalho. Contudo, nem sempre a eficiência e a eficácia andam juntas. Pode-se encontrar uma equipe altamente eficiente, mas pouco eficaz ou uma equipe extremamente eficaz, porém desordenada em seu desempenho. O pior é quando a equipe não consegue ser nem eficiente nem eficaz. O desejável, segundo Chiavenato (2003), é otimizar o desempenho eficiente e eficaz, é fazer as coisas com arte e elegância para se alcançar meios e fins.
Agindo eficientemente e eficazmente. A equipe desenvolverá fatores de êxito no desempenho de seu trabalho. Cada membro:
Terá em mente objetivos claros e definidos;
Será capaz de envolver todos os vários aspectos envolvidos na tarefa;
Trabalhará em tempo completo, de forma total e absoluta;
Conviverá um ao lado do outro, ocupando uma localização única e integrada;
Comunicará com facilidade com os demais envolvidos;
Conseguirá resolver seus problemas somente com ajuda uns dos outros, sem participação de terceiros;
E trabalhando para atingir o bom êxito dos objetivos da organização, cada membro da equipe colaborará também para que seus próprios objetivos sejam alcançados. E são várias as motivações das pessoas em relação à empresa. Chiavenato (2003), cita algumas:
Fazer uma contribuição pessoal à organização ou à comunidade;
Ter satisfação intrínseca no trabalho;
Ter liberdade para exercitar a curiosidade natural;
Aprender sem medo de se mostrar incompetente;
Poder assumir riscos e cometer erro sem receio de reprimendas;
Receber uma remuneração adequada e compatível;
Receber apoio para falar a verdade sem medo de retaliações;
Aprender e praticar inovações no trabalho;
Ter o respeito de todos e sentir-se valioso.
CHIAVENATO, 2003, p.185)
Somente assim, integrando objetivos organizacionais, objetivos pessoais, eficiência, eficácia e integração é que equipes e lideranças poderão motivados, crescerem verdadeiramente com qualidade.

5 METODOLOGIA

A metodologia foi centrada na pesquisa exploratória de ordem teórica viabilizada, portanto, através de levantamento bibliográfico. Para que os aspectos anteriores pudessem ser explanados, embasou-se em autores como Stephen Paul Robbins (2002), José Osmir Fiorelli (2003), Idalberto Chiavenato (2003), Hersey / Blanchard (1986), dentre outros. Este estudo adotou também o método hipotético dedutivo, o qual procurou suplantar os problemas de generalização dos resultados por meio da idéia de falseabilidade como método de abordagem. Como procedimento metodológico, vias exploratórias foram priorizadas como já citado anteriormente.
Segundo teóricos, o trabalho metodológico concluído com a realização de estudo por meio de pesquisa bibliográfica utiliza apenas fontes escritas tais como: artigos científicos, revistas e livros, para aprofundamento sobre o tema através de seus autores.

5.1 Método de Abordagem

Esta pesquisa adotou o método hipotético-dedutivo por ser, dentre os três métodos mais tradicionais, aquele que melhor atende às exigências dos objetivos propostos. O método hipotético-dedutivo é descrito como aquele que procura suplantar os problemas de generalização dos resultados por meio da idéia de falseabilidade.
A metodologia científica é, pois, parte de uma dificuldade, á qual se apresenta uma solução transitória, passando-se após a fazer críticas à solução a fim de eliminar o erro, fazendo assim surgirem outros problemas. A ciência, então, se inicia e termina com problemas.

5.2 Método de Procedimento

O tipo de estudo realizado, como supracitado, foi a pesquisa exploratória com o objetivo de buscar soluções para o problema enfocado.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos conceitos e teorias estudados, foi possível identificar que a liderança não é um dom exercido pelo líder, em que este apenas determina e faz exigências, mas sim, deve ser conquistada levando em consideração todos os fatores ambientais, organizacionais e de relacionamento, visando o sucesso e o alcance dos objetivos, tanto da organização quanto de funcionários, pois a realização destes não depende apenas de um ou de outro isoladamente, mas de recíproca satisfação e envolvimento.
Um líder ideal é aquele que proporciona ao seu liderado o apoio necessário à motivação no trabalho. É aquele que participa ativamente como membro integrante de uma determinada empresa e que dá a chance à todos de participarem ativamente. Ele sabe ouvir, entender, respeitar e relacionar-se com os seus subordinados, criando um ambiente mais agradável, saudável e produtivo.
O cenário atual de globalização, alto desenvolvimento tecnológico e científico exige tomadas rápidas de decisão e possuir todas as características supracitados é pré- requisito para tal. Tempos diferentes exigem pessoas diferentes. Acima de tudo, o líder deve ser um ser humano que entende a empresa como a integração de seres humanos, os quais, com qualidade e defeitos inerentes à sua própria estrutura, se juntam para levar adiante um empreendimento que agregue valor à humanidade.
Pelo exposto, fica evidente que a partir da harmonia e integração entre lideres e subordinados, a criatividade, a qualidade e a produtividade serão grandes e todos lucrarão. A empresa terá muito mais resultados e os membros serão muito mais felizes e com muito mais qualidade de vida no trabalho.
Trabalhar efetivamente em uma equipe motivada traz benefícios para os lados envolvidos: empresa e funcionários. Por essa razão, liderança e motivação devem ser dois universos que, mesmo mantendo seus ideais teóricos em vias distintas, caminharão na prática organizacional em perfeita confluência.
A finalidade desse trabalho foi mostrar a responsabilidade de um líder em definir a realidade ou mesmo em motivar seus funcionários ou pessoas mais próximas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando Pessoas: Como transformar gerentes em gestores de pessoas. 4 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. 271p.
FIORELLI, José Osmir. Psicologia para Administradores: Integrando Teoria e Prática. 3 ed. São Paulo: Athas, 2003. 234p.
GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4 ed. São Paulo: Athas, 2002. 176p.
HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth. H. Psicologia para Administradores: A Teoria e as Técnicas da Liderança Situacional. São Paulo: EPU, 1986. 434p.
MARIÑO, Oscar Carlos Brelles. Estilos de Liderança em Organizações Militares: estudo de caso no Colégio Militar da Nação (Escola de Oficinas do Exército Argentino). Dissertação de mestrado em Administração. Florianópolis: UFSC, 2003.
ROBBINS, Stephen Paul. Comportamento Organizacional. 9 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. 637p.
VIANNA, Marco Aurélio. JUNQUEIRA, L.A.F. Costacurta. Gerente Total. São Paulo: Gente, 1996. 177p.

OS DESAFIOS DA ARMAZENAGEM

OS DESAFIOS DA ARMAZENAGEM

Sociedade Educacional do Vale do Itajaí – Mirim – ASSEVIM
Faculdade do Vale do Itajaí – Mirim – FAVIM

RESUMO

À medida que a tecnologia aumenta, a maneira de administrar os estoques de uma empresa se transforma junto com ela, pois agora a facilidade em manter um estoque organizado e ter a precisão dos produtos que nele estão trazem vantagens como: manter estoques baixos, atender a demanda sem custo adicional, manter contatos e parcerias diretas com os fornecedores, trazer respostas cada vez mais rápidas aos clientes, alem da certeza da acuracidade do estoque físico com o sistemático grande vilão dos centros de distribuição da atualidade.

Palavra-chave: Agilidade. Tecnologia. Vantagens.

1 INTRODUÇÃO

Buscar novas formas de atender bem ao que se propõe e compromete-se é importante, para que os profissionais da área logística e demais, de uma empresa busque o aprimoramento de suas técnicas. Inovar é acreditar que as mudanças podem dar certo, dar máxima atenção para o que o seu cliente quer e espera é o grande passo para o sucesso.
Segundo Montenegro (1998, p. 09), “Alternativamente, surgem aqueles que, atentos às mudanças do cenário, percebem o alcance da nova tecnologia e passam a incorporá-las aos seus negócios”.
As mudanças tecnológicas estão para ajudar, simplificar e facilitar o cotidiano de uma empresa ou ate mesmo dos que visam atender de forma mais rápida e eficiente seus clientes garantindo aos mesmos a qualidade de serviço prestado e por conseqüência fidelizando e conquistando os clientes que procuram por eficácia nos serviços que contratam.

2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

Sistema de informação na cadeia de suprimento é dividido em quatro níveis de funcionalidade. O primeiro é um sistema de transações que apresenta uma base para coletar os pedidos eletronicamente, começa sua seleção e embarque e concluir as transações apropriadas. O segundo é sistema de controle gerencial esse armazena o desempenho operacional e funcional das empresas, apresentando um relatório gerencial adequado. Os sistemas de analise de decisão dão apoio à gestão na identificação e avaliação de alternativas logística e por ultimo o sistema de planejamento estratégico que oferecem uma visão sobre mudanças estratégicas, como fusões, aquisição e ações competitivas. Bowersox (2006) afirma que todos esses sistemas estão se tornando decisivos para uma gestão de alto desempenho na cadeia de suprimentos.
O sistema de informação (SI), é de grande importância nas empresas de hoje, é por meio dele que administradores conseguem ter acesso com facilidade e rapidez às informações de sua empresa. Essas informações são fundamentais para as empresa e muitas vezes são usadas nas tomadas de decisões. Segundo Bowersox (2006, p. 168), “os sistemas de informação de cadeia de suprimentos dão inicio a atividades e acompanham a informação referente aos processos, facilitando o compartilhamento de informações tanto dentro da empresa como entre os parceiros da cadeia de suprimentos.”
O sistema de informação é adquirido de acordo com as necessidades das empresas, o acesso e a capacidade cada vez maior desse sistema de informação aumentam a precisão e disponibilidade na cadeia de suprimentos.

3 ELETRONIC DATA INTERCHANGE (EDI)

Segundo Coronado (2009, p.41), “a cadeia de suprimentos de pende cada vez mais da agilidade dos parceiros na troca de dados em busca de eficácia na satisfação do consumidor final, em ter o produto na hora certa, no momento certo, com qualidade e ao menor custo possível.”. Hoje temos as ferramentas nas mãos, porem as mesmas só nos auxiliam na tomada das decisões.
O EDI trata-se de uma troca de informações eletronicamente entre uma empresa e seus parceiros que facilita na entrega e no pedido de mercadorias, pois sendo automática a entrada da mercadoria na loja, assim que esta sai, um novo pedido é feito automaticamente.
A grande oportunidade da empresa que assume este método é ter a garantia de que seu pedido vai ser gerado no mesmo instante que a mercadoria sair, ou seja, produto procurado no lugar certo e na hora certa.
Levando em consideração que o EDI auxilia no atendimento a demanda do mercado, redução de custos administrativos, redução no nível de estoque, redução de saldos, redução de itens faltantes, aumento de vendas, redução de devoluções, fortalecimento de parcerias, diminuição de digitação e conferências, agilidade do recebimento de mercadorias trás a oportunidade de conquista de clientes diante de soluções rápidas com essa ferramenta.

4 ACURACIDADE NO ESTOQUES

Todos os produtos adquiridos em qualquer empresa não são imediatamente postos a venda ou utilizados para a fabricação, acabam por passar um período estocado, até a sua utilização esse período é precioso para que a mercadoria não se estrague ou desapareça.
Para que isso seja evitado é importante a acuracidade do estoque, ter a certeza das mercadorias em casa.
Quando se tem um estoque definido corretamente no sistema e condizente com o físico, fica muito mais fácil atender aos clientes e a demanda da empresa.
Segundo Novais (2004, p. 64), “o bom gerenciamento da cadeia logística retira tempos e custos supérfluos ao longo do ciclo do pedido”

5 O PAPEL DO JUST IN TIME NA ARMAZENAGEM

Controlar o fluxo de estoque é um dos principais focos na gestão da cadeia de suprimentos. Decidir quanto, quando e como movimentar os produtos e, também onde comprá-los é uma preocupação constante para o comprador.

O Just in Time é visto como um dos mais importantes sistemas na solução de problemas para a gestão dos estoques e armazenamento.
Segundo Osmar Conorado (2009, p. 104):

“A entrega Just in Time (JIT) é uma atividade que procura eliminar completamente os “gargalos” do setor. No contexto do sistema de estoque, ocorrem perdas sempre que recursos como mão-de-obra, materiais, dinheiro, espaço, tempo e informação são usados de maneira ineficiente.”

È certo dizer que o Just in time é uma filosofia operacional que representa alternativa ao uso de estoques para que se possa cumprir a meta de disponibilizar os produtos certos, no lugar certo e no tempo certo.
As empresas podem colocar esse processo em prática quando se tem uma boa parceria com seus fornecedores. De acordo com Ballou (2004, p. 345):

Dos fornecedores, poucos, porém escolhidos, espera-se que procedam com pouca ou nenhuma variância em matéria de entregas no prazo certo. O efeito global do planejamento de acordo com uma filosofia Just in time é a criação de fluxos de produtos que são cuidadosamente sincronizados com as respectivas demandas. Embora seja grande a probabilidade de que se precise trabalhar bem mais na gestão do canal de suprimentos sob uma filosofia JIT do que sob uma filosofia de fornecimento a partir de estoques, seu benefício é operar o canal com o mínimo estoque possível e as economias e/ou melhorias nos serviços disso resultantes.

Portanto essa relação privilegiada com poucos fornecedores beneficia ao compartilhamento de informações com o comprador e vice e versa. Eliminando as incertezas sempre que possível e atingindo uma meta de alta qualidade para o nível da organização.

6 APROVEITAMENTO DO ESPAÇO

Se a demanda dos produtos de cada empresa fosse conhecida com certa precisão e os produtos pudessem ser fornecidos a tempo para suprir essa demanda, teoricamente não haveria necessidade de estocagem. Infelizmente isso quase não é possível, é inevitável a necessidade de estocagem e o manuseio de materiais para se chegar perto da coordenação perfeita entre oferta e demanda. Conforme relata Ballou (2004, p. 374):

¨Por estes meios, a empresa evita amplas flutuações nos níveis de produção resultantes das incertezas e variações nos padrões de demanda. Além disso, os estoques acumulados podem se traduzir em redução dos custos dos transportes pela movimentação de quantidades maiores, mais econômicas. O objetivo é utilizar o espaço certo de estocagem para que se possa concretizar um equilíbrio eficiente e econômico entre os custos de armazenamento, produção e transporte. ¨

Com isso pode se disser que o espaço de estocagem é importante para obter a garantia na qualidade das mercadorias depositadas em determinado local. Uma organização pode se basear nas seguintes características para um uso adequado de estocagem: reduzir os custos de transporte e produção; coordenar oferta e demanda; assessorar no processo de produção e colaborar no processo de comercialização.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considera-se com este trabalho a importância de manter parcerias com seus fornecedores alem de investir em tecnologias como o EDI, em processos eletrônicos de leituras de dados que permitem uma maior segurança de estoque, na própria logística integrada que atua em parcerias com clientes, buscando informações para atendê-lo de forma eficaz, com os fornecedores grandes responsáveis pelo atendimento certo de uma empresa.
Na necessidade de fazer com que as informações circulem e sejam repassadas corretamente para os interessados nas mesmas, que não fiquem paradas em um setor apenas, mas que sejam compartilhadas para que futuros erros não venham a acontecer.
As oportunidades que aparecem com um sistema eficaz ,quando o operador logístico esta ciente do processo que realiza, e procura atender corretamente o que busca o cliente final, o maior responsável pela busca de tecnologias e aprimoramentos de uma empresa.

REFERÊNCIA

CORONADO, Osmar. Logística Integrada. São Paulo: Atlas, 2009.
BOWERSOX, Donald J. Gestão Logística de Cadeias de Suprimentos. Porto Alegre: Bookman, 2006.
NOVAIS, Galvão Antonio. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. 2. ed. São Paulo: Campus, 2004.
MONTENEGRO, Eraldo de Freitas. Gestão Estratégica: a arte de vencer desafios. São Paulo: Makron Books, 1998.
BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON

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UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
CCS – Centro de Ciências da Saúde
Disciplina – Psicologia do Desenvolvimento

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erik Erikson

Erik Homburger Erikson nasceu na Alemanha em 1902, mudou-se para os Estados Unidos em 1933 por causa da ameaça do Nazismo e veio a falecer em 1994.Teve seus estudos sempre focados na teoria da psicanálise e foi o 1º Psicanalista infantil nos Estados Unidos.No ciclo de vida definido por Erikson, cada fase influencia a outra.
Em meados do século XX, Erikson começa a construir sua teoria psicossocial do desenvolvimento humano, repensando vários conceitos de Freud, sempre considerando o ser humano como um ser social, antes de tudo, um ser que vive em grupo e sofre a pressão e a influência deste, (RABELLO & PASSOS. 2001)
Para Erkson o meio não é só a família mas agentes externos, tais como, o meio sócio-cultural, os grupos e as sociedades, sendo que o desenvolvimento tem de ser enquadrado na relatividade cultural.
Em cada estágio o ego passa por uma crise (que dá nome ao estágio). Esta crise pode ter um desfecho positivo (ritualização) ou negativo (ritualismo), sendo que da solução positiva, da crise, surge um ego mais rico e forte; da solução negativa temos um ego mais fragilizado.
Nesse sentido Erikson desenvolve a teoria Psicossocial que abrange 8 estágios durante o ciclo vital sendo que cada estágio envolve uma crise, sendo elas: confiança x desenvolvimento, autonomia x vergonha e dúvida, iniciativa x culpa, trabalho x inferioridade, identidade x confusão de papeis, intimidade x isolamento, geratividade x estagnação e integridade x desespero. O presente estudo, por se tratar de trabalho de disciplina de desenvolvimento I, terá como objetivo enfatizar apenas as três primeiras crises, já que essas fazem parte da primeira infância.

Confiança x Desconfiança

Nesta primeira fase da infância à atenção do bebê se volta à pessoa que propõe seu conforto, que satisfaz suas necessidades, o que a capacita em desenvolver a confiança básica, segurança e o otimismo. Nesses primeiros meses, os bebês desenvolvem um sentimento do quão confiável são as pessoas e objetos de seu ambiente.
Como ela depende dos pais para tudo (alimentação, afeto e proteção), ela precisa confiar inteiramente neles. Por isso, é necessário que os pais, principalmente as mães tratem o bebê com muito carinho e atenção, porque se este for privado poderá desenvolver uma criança desconfiada e insegura em relação com os outros.
O desenvolvimento da confiança é dado principalmente na fase oral da amamentação em que a criança pode se satisfeita (alimentada) ou não satisfeita (não alimentada) quando deseja o seio da mãe. O bebê precisa ter a certeza interior com uma previsão de que pode deixar a mãe de lado sem demasiada ansiedade ou raiva, pois o ego depende do reconhecimento de sensações e imagens lembradas e antecipadas que estão associadas ao exterior das coisas e pessoas.
Mas elas também precisam adquirir certa desconfiança para se proteger do perigo. O êxito da resolução da crise é a predominância da confiança o que ocasiona o desenvolvimento de uma determinada virtude ou força, que é neste caso a esperança, que é a crença de satisfazer seus desejos. Quando predomina a desconfiança, as crianças verão o mundo hostil e imprevisível. O bebê espera que sua mãe lhe dê conforto, segurança, carinho e atenção. Ele precisa desenvolver um equilíbrio entre confiança, para fazer relacionamentos íntimos e desconfiança, para se proteger.

Autonomia x Vergonha e Dúvida

Este estágio é muito importante para o desenvolvimento da personalidade, pois é marcado pela transição do controle externo para o autocontrole. Tendo desenvolvido em seu primeiro ano de vida um senso de confiança básica no mundo e com o despertar da autoconsciência, as crianças começam a substituir o julgamento de seus cuidadores pelo seu. A virtude que surge durante esse estágio é a vontade.
As crianças por necessitarem testar seu controle e capacidades, são impulsionadas a exercitar suas preferências e tomar decisões próprias. Esse impulso geralmente se manifesta na forma de negativismo (a tendência de exclamar “Não!” apenas para se opor a autoridade). A aceitação do controle social pela criança implica no aprendizado do que se espera dela, de quais são seus privilégios, obrigações e limitações. Deste aprendizado surge também a noção de capacidade e as atitudes judiciosas, ou seja, o poder de julgamento da criança, devido esta conseguir discriminar algumas regras.
Segundo Erikson liberdade ilimitada não é segura nem saudável, o que torna necessário a regulação exercida por vergonha e dúvida, mas o equilíbrio adequado é crucial. A dúvida funciona por vezes como um “limitador interno”, pois a criança reconhece o que ainda não está pronta para realizar, já a vergonha tem a função de “limitador externo” quando diz respeito a convivência com regras sensatas (sociais), mas esse é um quadro dinâmico.
Um exemplo comum e muito explorado, inclusive por Freud, é o uso de regras que os pais fazem para ensinar as crianças irem ao banheiro, utilizando a vergonha e ao mesmo tempo do encorajamento para dar certo nível de autonomia. Porém, a exposição da criança à vergonha de forma constante, pode estimular na verdade o descaramento e a dissimulação como reação de defesa, ou o sentimento permanente de vergonha e dúvida de suas capacidades e potencialidades. Assim como sentimento de autocontrole sem perda de auto-estima, resulta o sentimento de orgulho e boa vontade, já de um sentimento de supercontrole exterior resulta uma propensão duradoura para a dúvida e a vergonha.
Neste estágio os pais devem exercer um controle de forma que não prejudiquem o senso de autonomia da criança. Se ela for exigida demais ou pouco amparada, verá que não consegue dar conta das expectativas e sua auto-estima vai baixar. Se ela é pouco exigida ou protegida demais, ela tem a sensação de abandono e de dúvida de suas capacidades ou torna-se frágil, insegura e envergonhada. Encarando expressões de vontade própria da criança como um esforço normal e saudável por independência, e não como teimosia, os pais e outros cuidadores podem ajudá-las a adquirir autocontrole, contribuindo para que a mesma desenvolva seu senso de competência e evite conflitos excessivos.

Iniciativa x Culpa

O terceiro estágio estipulado por Erikson, equivale ao estágio psicossexual genital-locomotor, é o da iniciativa. Uma era de crescente destreza e responsabilidade.
Nesta fase a criança encontra-se nitidamente mais avançada e mais organizada tanto a nível físico como mental. É a capacidade de planejar as suas tarefas e metas a atingir que a define como autónoma e por consequência a introduz nesta etapa.
Ela encontra-se num estado de ansiedade porque quer aprender bem e a partir daqui amplia o seu sentido de obrigação e desempenho. A sua principal atividade é o brincar e o propósito é a virtude que surge neste estágio de desenvolvimento. Este chamado propósito define-se como o resultado do seu brincar, das suas tentativas e dos seus fracassos.
Para além dos jogos físicos com os seus brinquedos ela constrói também os chamados jogos mentais tentando imitar os adultos e entrando no mundo do faz de conta. O objetivo deste jogo é tentar perceber até que ponto ela pode ser como eles.
A iniciativa surge para atingir metas que, muitas vezes, tornam-se fixação. Na Teoria de Freud a principal fixação ocorre neste período. É o Complexo de Édipo, caracterizado pela fixação genital pelo progenitor do sexo oposto. Assim, meninos nutrem verdadeira paixão por suas mães enquanto as meninas identificam-se mais com seus pais. Para Erikson, assim como para Freud, as metas elaboradas são impossíveis. Então toda a energia despendida em busca de algo socialmente inalcançável é revertida para outras atividades. É nesse período que as crianças ampliam seus contatos, fazem mais amigos, aprendem a ler e escrever, fruto da energia proveniente da iniciativa.
O senso de responsabilidade também pode ser desenvolvido durante esta terceira crise do ego. Nela, a criança sente a necessidade de realizar tarefas e cumprir papéis. Os pais devem dar oportunidade aos filhos para que eles realizem tarefas condizentes com seu nível motor e intelectual. É necessário que a tarefa seja possível de ser cumprida. Outras, como desafio, podem ser mais complexas, porém devem ser realizadas como apoio de alguém.

Referência:

O estudo do desenvolvimento humano. In: Papalia, D. E; OLDS, S. W. Desenvolvimento humano. 8º. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
RABELLO, E. T. e PASSOS, J. S. Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento. Disponível em no dia 29 de abril de 2010.