DIVERSIDADE E ADIVERSIDADES NA SALA DE AULA 2/2

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3.3 Docência de melhor qualidade

O ensino competente é um ensino de boa qualidade, ao explorar a expressão boa qualidade, vamos ter a possibilidade de fazer a conexão estreita entre as dimensões técnica, política, ética e estética da atividade docente.
Segundo Chaui(2000, p. 07)
Da mesma maneira que é preciso superar a retórica da qualidade, é preciso denunciar e evitar o discurso competente. Esse é um discurso instituído, não é qualquer um que pode dizer a qualquer outro qualquer coisa em qualquer lugar e em qualquer circunstancias.
A competência se reveste de um caráter ideológico, que tem o papel de dissimular a existência da dominação na sociedade dividida e hierarquizada em que vivemos. Ela ganha a feição de uma competência privada, identificada como um modelo sustentado pela linguagem do especialista que detém os segredos da realidade vivida e que, indulgentemente, permite ao não especialista a ilusão de participar do saber(Chaui, 2000, p. 13).
Ir contra o caráter ideológico do discurso da competência e da retórica da qualidade significa procurar trazer, para os sujeitos sociais e suas relações, as idéias e os valores que parecem ter sido deslocados para o espaço de uma racionalidade cientificista, de um a suposta neutralidade, em que os homens se encontram reduzidos à condição de objetos sociais e não sujeitos históricos.
Ir contra o caráter ideológico do discurso da competência e da retórica da qualidade significa procurar trazer, para os sujeitos sociais e suas relações, as idéias e os valores que parecem ter sido deslocados para o espaço de uma racionalidade, em que os homens se encontram reduzidos à condição de objetos sociais e não sujeitos históricos.
Em busca da significação dos conceitos: o recurso à lógica foi chamada por Aristóteles de organon, instrumento cuja presença é necessária em todos os campos do conhecimento para verificar a correção do pensamento. A lógica formal ocupa-se com a forma do pensamento, expressa pela linguagem, o núcleo da investigação da lógica é o juízo, operação mental que afirma ou nega algo, que atribui um predicado a um sujeito. Na indução, temos um raciocínio no sentido inverso: partimos de proposições que tem um caráter particular e chegamos a uma conclusão de caráter geral, universal. Quando raciocinamos, trabalhamos sempre com um encadeamento de proposições, mesmo que sua seqüência não seja explicita, a lógica encarrega-se de investigar a correção do pensamento, estabelecimento princípios e regras para se chegar a verdade. Os conceitos se expressam em termos ou categorias. Os termos possuem duas propriedades lógicas: a extensão e a compreensão. Assim, vamos encontrar o termo competência usado freqüentemente para designar múltiplos conceitos: capacidade, saber, habilidade, conjunto de habilidades, especificidade. O que efetivamente interessa e retomar o tratamento que os conceitos ganham na educação.
O termo qualidade já carrega em sua compreensão uma idéia de algo bom, entretanto, quando se fala em educação de qualidade, esta se pensando em uma serie de atributos que teria essa educação. A qualidade, então, não seria um atributo, uma propriedade, mas consistiria num conjunto de qualidades. O importante é chamar atenção para o fato de que se entendemos a qualidade como uma propriedade dos seres, teremos que considerar que algumas propriedades não tem apenas um caráter positivo, não são somente boas.
Qualidades são propriedades que se encontram nos seres. Dizemos que a educação é um processo de socialização da cultura, no qual se constroem, se mantêm e se transformam os conhecimentos e os valores. Se esse processo de socialização se faz com a imposição de conhecimentos e valores, diremos que é uma má educação. Se tem, ao contrario, o dialogo, a construção da cidadania, como propriedade, nós a chamaremos de uma boa educação, desejamos e lutamos pela qual, é uma educação cujas qualidades carregam um valor positivo, a boa educação é, na verdade, extremamente variável nas inúmeras sociedades e culturas, em virtude dos valores que as sustentam, é preciso perguntar criticamente: de qual educação se fala quando se fala numa educação de boa qualidade?
Parece haver necessidade de efetivamente se adjetivar a qualidade. Pra se contrapor a uma concepção que desqualifica, não se faz referencia a uma qualidade sócio-cultural, esta idéia de qualidade sócio-cultural se coloca exatamente em oposição à concepção de qualidade veiculada nos programas de Qualidade Total.
O Programa de Qualidade Total, que teve seu inicio em empresas do Japão, na década de 50, e traz uma proposta denominada novo paradigma em administração, tem sido implantado em organizações do mundo inteiro. As palavras de ordem do Programa são: eficiência, controle e competitividade.
È principalmente na segunda metade da década de 80 que o Programa Qualidade Total de instala no Brasil, ganhando espaço em diversas organizações escolares e estendendo-se as instituições escolares.
À medida que os processos desenvolvidos pelas organizações asiáticas começaram a ser estudadas, foi crescendo o interesse pela gerencia de qualidade total. O colário que se adotou foi: o que é bom para a empresa, é bom para a escola. Em sua investida no campo da Educação, o Programa alcançou primeiramente as escolas particulares, mas ganhou também atenção de sistemas públicos de ensino, apresentando-se como uma alternativa para a superação dos problemas enfrentados nas escolas.
Falar em qualidade total, é pois, fazer referencia a algo que se cristaliza, fica preso num modelo. O que se deseja para a sociedade não é uma educação de qualidade total, mas uma educação da melhor qualidade, que se coloca sempre à frente, como algo a ser construído e buscado pelos sujeitos que a constroem.
Para Cortella( 1998, p. 14-15), em uma democracia plena, quantidade é sinal de qualidade social e, se não se tem a quantidade total entendida, não se pode falar em qualidade, associado ao conceito de democracia, a qualidade que se adjetiva de social é indicadora da presença, na escola, especialmente, na escola publica, de uma solida base cientifica, formação critica de cidadania e solidariedade de classe social, carece de tradução em qualidade de ensino. Tem múltiplos sentidos, ele
Perrenoud(1997, p. 07) reconhece que a noção de competência tem múltiplos sentidos, ele se refere, inicialmente, à competência como uma orquestração de recursos cognitivos e afetivos diversos para enfrentar um conjunto de situações complexas. Assim, as competências utilizam, integram, mobilizam conhecimentos para enfrentar um conjunto de situações complexas.
Verificamos assim, que o termo competência é usado ora como sinônimo de outros termos como capacidade, conhecimento, saber etc, ora contendo esses mesmos termos em sua significação. Na medida em que os conceitos de capacidade, conhecimento, saber apontam para algo desejável, pode-se perceber a relação entre a idéia de competência e a idéia de qualidade, considerada esta como portadora de um sentido positivo. Se retomarmos o que vimos nos PCNs, podemos afirmar que se supõe que o desenvolvimento de competências conduz a formação de um individuo qualificado.
Verifica-se que, quando se recorre ao termo competências para explorar a idéia de qualificação, esta também corre o risco de sofrer uma modificação em seu significado, principalmente no que diz respeito à formação profissional. Qualificar, portando, é mais que definem o profissional eficiente em cada área. A competência guarda o sentido de saber fazer bemo dever, ela se refere sempre a um fazer que requer um conjunto de saberes e implica num posicionamento diante daquilo que se apresenta como desejável e necessário. O conjunto de propriedades, de caráter técnico, ético, político e estético é o que define a competência.
Entretanto, é possível falar de uma competência específica do professor, que alem dos saberes a ensinar, necessita dominar saberes para ensinar.
Qualidade implica conotação de valor e valor não tem caráter individual, a competência se amplia na construção coletiva, na partilha de experiências, de reflexão. A articulação com a qualidade aponta na competência a presença de uma dimensão ainda não explorada, a estética.

4 HISTÓRICO DE SOLEDADE-PB

O Município de Soledade está localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, Estado da Paraíba, mas que na verdade apresenta características da região denominada de Cariri. Apesar do clima quente e seco, não apresenta uniformidade climática. Clima predominante é o semi-árido, com temperatura oscilante entre 20° e 387° com precipitação pluviométrica anual de 320,44mm; as temperaturas mais baixas ocorrem entre os meses de junho e agosto. Os dias são quentes e as noites têm temperatura agradável. Pelos dados da SUDENE (Superintendência Nacional do Desenvolvimento do Nordeste) as chuvas caem no período de janeiro a abril, chegando até a pequenas quedas pluviométricas nos meses de junho a agosto. Embora tenha se mantido estável, considerando-se os índices registrados nos anos passados. A medida pluviométrica sofreu vertiginosa queda, se para isso levarmos em consideração as precipitações ocorridas durante os últimos anos. Os limites de Soledade-PB são: ao norte com os municípios de São Vicente do Seridó-PB, Cubati-PB e Olivedos-PB; ao sul com Gurjão-PB; ao leste com Pocinhos-PB; e ao oeste com Juazeirinho-PB.
A cidade tem uma infra-estrutura de transporte, pois é servida pela BR-230 e pela Rede Ferroviária Federal, no sentido leste, a oeste ainda, as rodovias estaduais: PB 177, que liga a Região Curimataú ao Sul, situa-se a 168 KM da Capital da Paraíba João Pessoa e a 54KM de Campina Grande e próximo a importantes cidades do Sertão Paraibano, tais como Patos-PB, Cajazeiras-PB e Souza-PB.
A área do município de Soledade-PB é de 634,7 KM que equivale a 16,02% da área da microrregião do Curimataú Ocidental, e 1,12% da superfície total do Estado da Paraíba. Tem altitude média de 521 metros acima do nível do mar devido a sua localização no Planalto da Borborema.
A população soledadense variou muito no que diz respeito ao número de habitantes. Isso ocorre porque a estiagem prolongada reduziu o nível produtivo da agricultura assim como o de emprego no campo que cai consideravelmente, ocasionando um maior deslocamento para as grandes cidades e com isso o aumento do êxodo rural e sua população e de 12.716 habitantes, segundo dados do Censo Demográfico de 2000.
Soledade apesar de estar localizada em uma região marcada pelas demais cidade circunvizinha, ela é cortada pela BR-230na qual transitam constantemente quantidades consideradas de veículos, que propicia renda ao comércio local através de prestações de serviços como bares e lanchonetes; ponto de parada obrigatória para algumas empresas de ônibus, que fazem o trajeto para o sertão (Transnacional, Guanabara e Jardinense, e outros carros alternativos), e ainda local de descanso para os caminhoneiros que pernoitam nos alojamentos, nos postos de combustíveis e nos dormitórios.
O comércio soledadense é beneficiado com a venda de seus produtos e serviços para cidades vizinhas, que não possuem um comércio tão desenvolvido e por serem mais distantes de Campina Grande-PB (Centro Comercial) a maioria das pessoas dessas localidades se deslocam para Soledade-PB com o propósito de fazerem suas compras e consultas médicas.
A renda que circula no município é proveniente de do Funcionalismo Público, Estadual e Federal, Agricultura e Empregos gerados nas fábricas e indústrias ali instaladas, que propicia o desenvolvimento do comércio local; aposentadorias e comércio informal.
A cidade também é bem dotada de comércio varejista, com dezoito lojas de artigos para presentes e confecções que abrem para clientes de varias cidades circunvizinhas (Cubatí-PB, Gurjão-PB, Juazeirinho-PB, Olivedos-PB e Séridó-PB). O grande contingente de clientela faz com que os donos de lojas estejam sempre em busca de novidades.

5 CONTEXTUALIZANDO A ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Dr. TRAJANO NÓBREGA

5.1 Dados Gerais

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega está localizada na Rua José Rufino de Carvalho s/n no município de Soledade, PB, tem entidade mantenedora o governo estadual e recebe recursos do Programa Dinheiro Direito da Escola (PDDE). Administrada atualmente pela Sra. Maria e Fatima Arruda(diretora escolar) e o Sr. Faustino Anízio Gomes Costa(diretor adjunto). Ambos mantêm um bom relacionamento com a comunidade escolar como um todo.

5.2 Aspecto Histórico

A Escola Trajano Nóbrega como é chamada por todos, foi construída em 1972, pela Prefeitura Municipal de Soledade na administração de José Joaquim de Araújo, que, sentindo necessidade de uma escola publica para atender as necessidades da juventude e do município, ele iniciou com recursos próprios municipais a construção de um prédio na Rua José Francisco de Araújo, 62. Devido a escassez de recursos a obra foi paralisada, tendo continuidade na gestão do prefeito José Manoel de Araújo no ano de 1974, vindo a funcionar em março do referido ano, atendendo um total de alunos2 na 5ª série e um corpo docente de 9 professores3.
A escola recebeu o nome Educandário Municipal Dr. Trajano Nóbrega em homenagem a Trajano Pires da Nóbrega4 um filho da terra considerado ilustre respeitado e amado por toda a comunidade. No segundo semestre de 1974, a instituição foi estadualizada pelo governador Ernani Sátiro, através de encaminhamento dos deputados Evaldo Gonçalves (estadual) e Álvaro Gaudêncio Filho (federal) passando a denominar-se Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega, entretanto funcionando no prédio do município.
A escola iniciou suas atividades tendo apenas a 5ª série ginasial (atual Fundamental II) divididos em duas turmas para um total de nove professores que se organizavam para atendê-los. Esses professores, alguns graduados, outros ainda estudando, mas nem todos atuavam nas áreas correspondentes ao curso. Quanto as disciplinas a escola atendia: português, inglês, educação física e educação musical. Só em 1978 foi implantado o curso cientifico, o atual fundamental médio no governo Ivan Bichara.

5.3 Legislação

Em 2001, no governo de José Targino Maranhão teve inicio a construção de um prédio para a escola na Rua José Rufino de Carvalho s/n neste município, com recursos do Projeto Alvorada juntamente com a Escola Jovem e o Banco Mundial (G.A. M-41 anos diretora). Sendo concluído no governo de Cássio Cunha Lima em 2003, passando a instituição a realizar as atividades em seu próprio prédio, estando atualmente em bom estado de conservação.
Apesar de a escola ter começando a funcionar em 1974, o carimbo existente nela apresenta o decreto de criação 7546-27/03/1987 e uma resolução 372/82, não sendo possível ter obtido explicações sobre esse fato, visto que não foi localizado o referido decreto. Ela segue o regimento estadual, uma vez que não dispõe de regimento escolar, o mesmo foi iniciado, mas não foi concluído, estando ainda em articulação. Cássio Cunha Lima em 2003, passando a instituição a Escola Jovem e o Banco Mundial”.

5.4 Estrutura Física

A Escola Estadual Dr. Trajano Nóbrega na atualidade tem a seguinte estrutura: um único andar, disposto de 11 salas de aula, 01 sala de professores, 01 diretoria, 01 secretaria, 08 sanitários dentro e fora da escola (anexo ao ginásio), 01 ginásio de esporte, 01 biblioteca, 01 cozinha, 01 refeitório, 01 depósito para merenda, 01 sala de vídeo, 01 laboratório de informática, estacionamento, além de rampas para deficientes físicos. A escola dispõe de apoio didático através de antena parabólica, 03 televisores, 01 vídeo cassete, 01 DVD, 01 computador, 01 retro projeto. A maioria desses equipamentos em perfeito estado de conservação, necessitando aquisição de telefones. Recentemente foi iniciada a construção de uma sala de informática para atender os alunos deste estabelecimento, estando em fase de conclusão. A escola também desenvolve vários projetos, um na área ambiental, projeto de inclusão digital e atualmente o Projeto de Diversidade e Gênero implantado n segundo semestre de 2009 que esta em andamento.

5.5 Funcionamento

Atualmente a escola atende ao número 1.120 alunos desde a Educação Infantil ao Ensino Médio funcionando nos turnos manhã, tarde e noite, com uma carga horária de 800 horas, no total de 204 dias no turno noturno. Esses alunos estão distribuídos em 27 turmas com um total variando entre 35 e 40 alunos por turma tem um corpo docente composto de 39 professores, sendo um para cada série do Ensino Infantil e Fundamental I, II, Ensino Médio e Eja.
Por ter um espaço amplo e um ginásio de esportes a escola cede seu prédio para eventos como: retiros religiosos, semanas pedagógicos realizada pelo município, seminário estaduais, atividades esportivas diversas, além de aos finais de semana, os jovens da comunidade utilizar-se do ginásio para prática de laser.
Apesar de ser ampla, a escola dispõe de um número reduzido de pessoal de apoio, sendo duas pessoas com serviços de secretaria pela manhã, três á tarde e três a noite, duas auxiliares de serviços gerais para os três turnos, e uma pessoa por turno na cozinha e cantina se organizando entre si conciliando as tarefas para atender as necessidades da escola. Ultimamente uma das grandes preocupações dessa entidade é a falta de vigilância.

5.6 Gestão

A Escola Dr. Trajano Nóbrega teve 13 gestores e atualmente é composta das seguintes pessoas: Maria de Fatima Arruda(diretora geral), com Licenciatura em Geografia e Faustino Anízio Gomes(diretor-adjunto), com Licenciatura em Historia. Ambos foram nomeadas por indicação.
Esses gestores mantêm com o Conselho Escolar, formado através de pais, alunos, professores, direção, funcionários e comunidade, uma relação de perfeita harmonia, realizando reuniões esporádicas nas quais são discutidos temas diversos como: verbas da merenda, destino dos recursos do Programa Dinheiro na Escola (PDDE), manutenção, eventos, além de desempenho dos alunos.

5.7 Ação Pedagógica

A Escola Trajano Nóbrega, dispõe de Coordenação Pedagógica, auxiliando assim, o trabalho dos professores que se reúnem bimestralmente para planejar por conta própria, tentando adequar os temas propostos por cada um a realidade dos alunos. A escola organiza o seu currículo com as disciplinas obrigatórias como Língua Portuguesa (Gramática, Redação e Literatura), Matemática, Artes, Ciências, Química, Física, Geografia, História, Língua Inglesa, Educação Física, adotando um sistema de ensino por séries. A escola também dispõe de um Projeto Político Pedagógico que segundo a diretora. Isto mostra que a escola está de acordo com a LDB que faz essa exigência há dez anos.

6 – FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

As relações das instituições sociedade, cultura e família se dão de modo interativo, pois estas não podem viver ou se manterem sem uma inter-relação entre ambas, assim é preciso que os valores e conhecimentos dentro das circunstâncias e a objetivação dos sujeitos estão dentro de cada realidade. A escola é o espaço de transmissão sistemática do saber historicamente acumulado pela sociedade, com o objetivo de formar os indivíduos, capacitando-os a participar como agentes na construção desta sociedade. (RIOS, 1989, p.14)
A escola é o espaço de sistematização do saber por isso é que ela é fonte de assimilação das inteligências adquiridas e repassadas culturalmente pela sociedade que a compõe. Assim a escola tem uma relação com todas as outras dimensões da vida de um ser, e por isso é que ela forma cidadãos capazes de se transformarem em seres pensantes. Em relação a isto notemos o que Rios enfatiza a este assunto, pois a especificidade do processo educativo que se desenvolve na escola reside no fato de que ele tem como objetivo a socialização do conhecimento elaborado __ a transmissão do saber historicamente acumulado pela sociedade, que leva à criação de novos saberes.
A eficiência e a eficácia da escola estão em questionamentos, pois não está sendo feito uma reflexão sobre os diversos caminhos que levam um ser a ela, com isso é preciso fazer uma reestruturação nos outros seguimentos sociais. Com intuito de refletir sobre realidade escolar é necessário buscar saber o que é ser professor?; O que a educação contribui para a melhoria social? Para responder tais questões são necessárias reflexões filosóficas nas quais busquem a melhoria da realidade sócio-cultural.
As várias concepções sobre as relações sociedade e escola busca dá uma autonomia relativa de modo que é necessário buscar uma relação dialética entre escola e sociedade. Com isso é preciso construir coletivamente espaços efetivos de inovação na prática educativa que cada um desenvolve na sua própria instituição. (CORTELA, 2002, p.33)
Um ser cujas atividades estão associadas a outros seres tem um meio social. O que ele faz e o que ele pode fazer dependem das expectativas, exigências, aprovações e condenações dos outros. Um ser relacionado com outros seres não pode desenvolver as suas atividades próprias sem ter em conta as atividades dos outros. Porque elas são as condições indispensáveis à realização das suas tendências. Quando ele se move faz mexer os outros e reciprocamente. Conceber como possível definir as atividades de um indivíduo em termos das suas ações isoladamente, é o mesmo que tentar imaginar um homem de negócios a fazer negócios de compra e venda completamente sozinho. O dono de uma fábrica, que faz planos na privacidade do seu gabinete, está, na verdade, a ter uma atividade mais orientada socialmente do que quando está a comprar matéria prima ou a vender o seu produto final. Pensamentos ou sentimentos que estão relacionados com ações associadas a outros são formas de comportamento tão sociais como a maior parte dos atos manifestamente cooperativos ou hostis. Como é que o meio social educa os seus membros imaturos é o que temos mais especialmente que mostrar. Não é muito difícil ver como é que ele molda os hábitos externos de ação. Até os cães e os cavalos modificam as suas ações quando se associam a seres humanos; eles adquirem hábitos diferentes porque os seres humanos se interessam pelo que eles fazem. Os seres humanos controlam os animais através do controle dos estímulos naturais que os influenciam; por outras palavras, criando um determinado meio. A comida, os freios e as rédeas, os barulhos, as carroças, são usados para dirigir o modo como as respostas naturais ou instintivas dos cavalos ocorrem.
Procedendo sistematicamente de forma a provocar certas ações, criam-se hábitos que funcionam com a mesma uniformidade que com o estímulo original. Se um rato é colocado num labirinto e encontra comida ao dar certo número de voltas numa determinada seqüência, a sua atividade é modificada gradualmente até ele fazer esse percurso habitualmente, e não outro, quando sente fome a importância principal desta constatação precedente sobre o processo educativo que avança de bom ou de mau grado, é conduzir-nos à observação de que o único modo pelo qual os adultos controlam conscientemente o tipo de educação que os imaturos recebem é controlando o meio em que atual, e, portanto pensam e sentem. Nunca educamos diretamente, mas sim indiretamente através do meio. Há uma grande diferença entre permitir que meios aleatórios façam esse trabalho, ou concebermos os meios para os nossos propósitos.
E qualquer meio é um meio aleatório no que diz respeito à influência educativa que exerce, a menos que tenha sido deliberadamente regulado relativamente ao seu efeito educativo. Um lar inteligente difere de um não inteligente essencialmente no fato de os hábitos de vida e de comunicação que prevalecem serem escolhidos, ou pelo menos alterados, pela consideração das suas conseqüências no desenvolvimento da criança. Mas as escolas continuam a ser, evidentemente, o caso típico de meios moldados com a preocupação expressa de influenciar as disposições mentais e morais dos seus membros.
De acordo com textos já lidos podemos sintetizar que a função social da escola é preparar o indivíduo como um ser pensante de uma sociedade crítica(CORTELLA, 2006).
As pessoas que compõem a Escola Estadual de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega estar realmente cientes do seu papel na função social da escola, como elaborando um projeto pedagógico, procurando criar oportunidades de ampliação dos conhecimentos adquiridos nas vidas diárias dos alunos deixando que eles sejam capazes de desenvolver suas capacidades de se comunicar de modo eficaz, e que sejam críticos através da fala e da escrita, interagindo no contexto social e participarem de um posicionamento crítico e responsável capaz de ser agente dependente e transformador e não receptor de conhecimentos.
Se o conhecimento produzido pela humanidade é uma espécie de herança, então todos deveriam ter direito a ela, igualmente. O que acontece é que o que se torna saber escolar na escola de uma determinada classe social não é o mesmo que se torna saber escolar para outra classe social. Além disso, as condições concretas de acesso a esse conhecimento fora da escola também é diferenciado. Outra questão a ser pensada é que quando definimos o conteúdo escolar definimos métodos positivistas para lidar com eles, limitando a possibilidade de torná-lo instrumento para uma compreensão ampliada e profunda das relações sociais e da situação de sujeito. Que método então deveríamos adotar?
Mesmo dentro da escola pública temos que verificar se todos têm acesso ao conhecimento. Às vezes pensamos que ele deve ser destinado a quem ocupa o espaço de aluno e acabamos tendo em nosso quadros funcionários totalmente analfabetos ou analfabetos funcionais.
Quando organizamos o saber escolar temos também que ter clareza sobre sua não neutralidade e que quando informamos, formamos! A forma e conteúdo da informação têm uma direção, uma intenção, um propósito, portanto não são neutros.
Precisamos superar o discurso de que o governo quer um povo ignorante porque mantê-lo sem instrução representa a garantia de manipulá-lo. Não é verdade que a classe dominante ou o seu gerente de plantão, o Estado, assim agem. Hoje, há uma necessidade de instrução mínima. Nossa sociedade apresenta uma complexidade tecnológica maior do que há três décadas e exige um consumidor instruído. Não poderíamos, por exemplo, trabalhar de graça para os donos de bancos (quando operamos sozinhos os serviços prestados) se fôssemos totalmente analfabetos. Mas é claro que esta instrução está condicionada pelo limite do pragmatismo capitalista.
É comum encontrar pessoas que ainda pensam na escola como forma de obter sucesso através do saber reproduzido e domesticado em detrimento da busca da solidariedade, da transmissão do patrimônio cultural, do despertar das potencialidades e reflexão do que se vive. Dentro desta situação, criam-se entraves que dificultam a vivência de uma dimensão plena da escola. Espera-se que o processo de escolarização construa conhecimentos embasados na vivência e que este seja aplicado na vida. Outro ponto importante, é que este processo de aquisição de conhecimentos, possa dar subsídios para minimizar as diferenças, dando ao aluno, das classes menos favorecidas, a oportunidade de inserir-se na sociedade, com chances de concorrer em iguais condições.
A escola e a sociedade caminham juntas uma dependendo da outra politicamente e essa relação passa por vários momentos: O otimismo ingênuo atribui à escola uma missão de desenvolvimento da humanidade. Enquanto o pessimismo ingênuo diz que a escola é um instrumento de dominação que passa a reproduzir as desigualdades, o otimismo crítico acredita que a escola é útil para o desenvolvimento a transformação Social. Esses conceitos permanecem de forma consciente ou inconsciente dentro de cada um, e isto é demonstrado no cotidiano através das funções exercidas por representantes na sociedade.
A escola hoje não dispõe de uma função social, ela tornou-se como uma rede produtiva e mostra-se preocupada com a questão burocrática. A direção preocupa-se com a organização a documentação necessária para o funcionamento da mesma; o professor por sua vez é cobrado pelo plano de aula e pela carga horária(CORTELLA, 2006).
É hora da escola adequar a ação pedagógica à nova realidade tecnológica e cultural. Ela ainda é um dos poucos espaços em que a sociedade pode se comprometer com a democratização do acesso às linguagens que, constroem o pensamento e o cidadão. E o espaço escolar tem o compromisso de formar cidadãos autônomos e conscientes, tem que contribuir para as pessoas se posicionem criticamente frente ao universo de informações a que são expostos diariamente.
A escola pode realizar sim, várias funções, mas não pode deixar de realizar sua função de construir uma escola pública que ofereça um processo educativo popular.

6.1 O Cotidiano Escolar

Estudando o texto O Significado do Cotidiano de Maria Isabel da Cunha na coletânea de textos didáticos III do componente curricular Prática II. Vejo que o estudo do cotidiano vem em busca do conhecimento real e potencial que acontece.
A vida cotidiana se reduz aos conhecimentos de situações circunstanciais e apenas a este nível da realidade (PENIN 1989: P. 13)
Para compreensão da ação docente encontram-se impregnados os outros momentos sociais que entrelaça-se continuamente com ele. Isso faz com que o cotidiano seja muitas vezes orientado e vivido por meio de significados atribuídos a determinadas tarefas dentro de sua prática docente de comportamentos assimilados.
E reelaborando nas relações estabelecidas, não apenas no espaço escolar, mais em todos os outros como é dito por HELLER (1989: p.17); Mesmo que não tenham conhecimento de que, além do cotidiano, nada substitui os grandes acontecimentos, pois todos os dias ocorrem mudanças tanto na prática como na teoria que nascem através do cotidiano intuitivamente e que não se constitui apenas da rotina. E no fazer de todos os dias que surgem se modificam ou desaparecem idéias, atos e relações.
O cotidiano escolar foi analisado, partindo da realidade da Escola Estadual de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega através de pesquisas com a intenção de realizar uma investigação do cotidiano com o objetivo de perceber, no espaço da mesma, elementos que me indicassem as formas próprias dos alunos(as) tecerem conhecimentos e que conhecimentos eram estes nos diversos contextos de suas vidas, a fim de buscar compreender a organização do currículo escolar numa perspectiva que ultrapasse os limites dos documentos oficiais e planejamentos elaborados a partir de livros didáticos.
No que se refere a observação, é importante lembrar que se a intenção era a de aprender o movimento do cotidiano em toda a sua minúcia, identificando as táticas que alunos praticantes(CERTEAU, 1994) deixou transparecer nas suas ações, não poderia haver esquemas predeterminadas que me dirigisse o olhar para pontos fixos, enquadrados em hipóteses tomadas a priori. Pelo contrario: foi necessário chegar a escola com os sentidos todos em alertas atentos para que captassem tudo aquilo que se oferecesse a eles, desde os sons até os cheiros, desde luzes e cores ate as texturas. E como a memória costuma nos trair, foi preciso ao observar, notar tudo para que o movimento de ida e volta da teoria a pratica e desta aquela não me pegasse a surpresa , apontando que o que ficou esquecido pudesse a vir fazer a diferença.
Isto por que como pesquisadora do cotidiano da Escola Estadual de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega fui aprendendo que este nos dedica possibilidades que escapam e são vistas em um determinado momento. Precisamos, assim guardar com carinho tudo o que vamos entendendo ou criando, mesmo que pareça não ser importante, em determinado momento.

6.2 O Cotidiano da Escola Trajano Nóbrega

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega SoledadePB funciona nos turnos manhã, tarde e noite. Apresento aqui o seu cotidiano, mas especificamente o turno manhã, onde trabalho como docente. Neste horário (07h às 11h) a escola atende alunos de 1º ao 9º Ano. Às 05h30min da manhã chega à escola a pessoa que vai cuidar da limpeza (M.L. 42 anos). É ela que várias vezes é quem abre o portão da escola às 07h para alunos e professores entrarem, ou então esse trabalho é feito por algumas das gestoras, já que o número de pessoal de apoio é escasso. Os alunos vão para as salas de aula, enquanto os professores seguem para a sala dos professores, onde pegam alguns materiais (giz, cadernetas, livros) e posteriormente direcionam-se para as salas de aula. Esse mesmo ritual acontece nos turnos tarde e noite. Às 09h15min é o intervalo, momento esperado com muita expectativa por alguns alunos, pois se percebe imediatamente o quanto a merenda é importante, pois quando falta à merenda, alguns alunos reclamam muito e outros ficam tristes, já que muitos alunos sobrevivem com a Bolsa Família. Às 09h30min os alunos e professores retornam as salas de aula, onde permanecem até 11h.
A escola participa de alguns eventos como datas comemorativas: dia das mães, festas juninas, dia das crianças, desfile de 7 de setembro, com a participação da banda da escola a Banda Marcial Fábio Nery, formada por alunos e ex-alunos da escola, e por outras pessoas da comunidade. A banda também participa de outros eventos na cidade, como, por exemplo, a festa da emancipação do município, além de eventos em outras cidades.
A Escola Dr. Trajano Nóbrega tem como evento principal a feira de Ciências, evento este que tem a participação não só dos professores, mas onde o alunado tem a oportunidade de mostrar para a comunidade o seu potencial, nesse período a escola recebe aproximadamente 1.500 pessoas.
Na última feira de Ciências (setembro de 2009), os alunos do 1º ao 5º Ano, apresentaram o projeto A educação no trânsito começa na escola, onde conseguimos trazer para a escola as coordenadoras Pedagógicas do DETRAN de João Pessoa as senhoras Eliana Abrantes e Fátima, que além de palestras com os alunos sobre a importância da educação no trânsito, ainda tivemos em outro dia, a culminância do projeto juntamente com elas na praça da cidade com, direito a passeios nos carrinhos Mini-bugue, com a participação de mais de 10 escolas do município, além da distribuição de panfletos, informativos sobre o trânsito para todos os participantes. A escola desenvolveu também o projeto Jogometria, onde inseria nas aulas de matemática as possibilidades de jogos educativos, trazendo para as aulas a parte lúdica envolvendo os alunos.
Assim a escola busca proporcionar uma interação entre escola e comunidade visando sempre contribuir para o processo ensino aprendizagem.

7 METODOLOGIA

Muitas vezes pedras no caminho demarcam os limites de nossa vida, mas até onde poderemos ir, de quais espaços sociais poderemos usufruir ou , onde desejamos chegar. Os padrões sociais estabelecidos como politicamente corretos, legítimos, podem se pedras no caminho de outros. Assim, e preciso retirar as pedras do caminho para que todos cheguem onde querem. Entendo que toda ação tem seu valor pedagógico, se reconhecermos que somos todos diferentes, necessariamente precisamos reconhecer a existência de diversidades. Fazer de uma forma só, ou ensinar de uma forma só, não cabe mais no perfil do professor. È preciso reconhecer os processos de construção do conhecimento utilizados pelos diversos alunos que se encontram na sala de aula, é descobrir um jeito de ensinar que comunica a todos, Cabe ao professor em primeiro lugar conhecer seus alunos, sua historia acadêmica, as estratégias desenvolvidas para construção do conhecimento. O primeiro passo é dialogar como mostra Paulo Freire.
Se faz necessário aprender a aceitar as diferenças, para compartilhar os diferentes tipos de saberes na busca de condições mais adequadas ao desenvolvimento das potencialidades presentes em cada aluno.
Após detectar as particularidades da escola e perceber os problemas diretamente relacionados ao aprendizado , e apartir daí foi possível elaborar planos de ações que buscasse minimizá-los. Onde será trabalhado através de debates, entrevistas, seminários, trabalhos em sala de aula, trabalhou extra-classe, cartazes, folderes, reuniões com alunos, professores, coordenadores e todos ligados ao processo de aprendizado, exibição de filmes, e por fim palestras; tudo enfocando os temas de cada plano de ação, a diversidade de gênero, étnico, religioso, sexualidade e orientação sexual. Também é importante incluir nesse processo a participação dos pais, pois eles precisam estar envolvidos e formar parcerias nesse processo educacional, visando o desenvolvimento do aluno.
Sobre as entrevistas, vale destacar que também elas não aconteceram a partir de questionários pré-estabelecidos, com perguntas fechadas que viessem limitar aquilo que desejassem, com base no trabalho desenvolvido, percebo que só é possível analisar e começar a mudar o mundo através do diálogo entre todos, através de um grande mergulho na realidade cotidiana da escola e nunca se deixar levar pelo olhar distante e neutro que me ensinaram e reformulei.

8 Considerações Finais

Podemos perceber na fala dos educadores que falta uma formação intercultural, uma vez que em todas as entrevistas os professores afirmaram não se sentirem devidamente preparados para discutirem a temática. Isso é desastroso para toda a sociedade, se entendemos, como pontuamos ao longo do texto, a escola como um dos espaços privilegiados para a desconstrução de idéias preconceituosas e que as diferenças e as identidades são construções históricas que, se não forem ressignificadas, continuarão veiculando preconceitos, racismo, ódio, etc.
A discussão da temática racial na escola, com professores preparados, formados e informados sobre o conteúdo implícito e explícito da discriminação, segundo os autores que discutem essa temática, é uma das estratégias para que a escola trabalhe no sentido de desconstruir essas práticas discriminatórias, contribuindo para a construção de uma educação intercultural.
Quem acha que o papel do professor e só passar conhecimentos, talvez seja a aprendizagem ativa e interativa como um devaneio teórico ou como ilusões de certas propostas pedagógicas. Essa visão leva a prática em que só o professor tem a palavra e a interação dos estudantes é desprezada, o que PE deixado de lado, e o fato que na sala de aula, esta sendo formado o futuro e que estamos trabalho com seres humanos, muito embora sejam crianças, adolescentes e ate mesmo adultos, trata-se de pessoas, e pessoas que a cada dia se modificam, temos planos, pensamentos, algo que esta sendo constantemente mudado, não podemos falar que alguém hoje será a mesma pessoa que de amanha. Partindo dessa premissa, nos professores devemos trabalhar de forma vencer as adversidades, e ensinar e aprender a conviver com as diversidades existentes, valorizando a autonomia de cada um e aceitando.
A escola como forma mais democrática de fornecer conhecimento, deve oferecer opções e ações que possam fazer a diferença para que todos sintam que somos realmente iguais, todos. A escola tem que incluir em seu projeto pedagógico métodos para garantir um convívio saudável com o que alguns acham adverso.
Mas como superar os obstáculos? Inicialmente detectar os problemas existentes, tudo que pode acarretar negativamente para o aprendizado dos alunos; para um segundo momento estabelecer e implantar ações que visem combater a discriminação e o preconceito, tanto relação aos gêneros, quanto as diversidades existentes na escola.
Homens e mulheres apresentam as mesmas capacidades de aprendizagem, muito embora alguns sejam melhores em determinas disciplinas, devemos trabalhar suas potencialidades e tentar superar suas dificuldades, afinal, de acordo com Vygostski professor é um desenvolvimentista, e deve oferecer subsídios para que o aluno desenvolva seu lado cognitivo.
Algo que também se faz necessário e a comunicação entre professores e demais funcionários, afinal boa parte do tempo os alunos passam na escola, e todos estão envolvidos nesse processo.
A escola é o lugar onde a criança e o adolescente aprende a pensar, onde é formado o caráter, e onde é acrescentado algo a consciência do aluno sobre vida, sociedade, ética, e interação. Afinal, o aluno é um ser humano, que tem angústias, dúvidas, e é imprescindível fornecer conhecimentos dos valores e virtudes que devem presidir a vida de um futuro cidadão. Que valores? Que virtudes devem estar presentes na formação de nosso alunos? Isto vai além do conhecimento específico de cada disciplina. A cada dia os alunos tem acesso a uma gama de informações, que passam a associar mais e mais a sua capacidade intelecta, por outro lado, apesar dessa quantidade enorme de informações, eles tem cada vez mais uma menor capacidade de reflexão, pois temos também a carência de uma formação ética, de valores, e de homens capazes de pensar e examinar os valores maiores de suas vidas.
As ações estabelecidas nos planos de ações mostrados nesse trabalho visam vencer essas barreiras, barreiras estas construídas na formação inicial dos alunos, idéias que se formaram desde suas infância, devemos traçar o caráter que queremos ver desenvolvidos em nosso jovens e tentar mudar o mundo.
Esperamos com este projeto estimular os alunos a raciocinar e a trabalhar suas regras que foram pré-estabelecidas e desenvolver uma mentalidade ética própria para nossa época. Pois acredito que o aluno deve ir a escola para aprender por conta própria, inclusive com relaçao a vida em sociedade, e não aprender as regras prontas que lhe são impostas.
Atualmente se faz necessário disseminar a cultura da paz para o desenvolvimento de uma sociedade mais humana, justa e igualitária, fundamentada em valores universais, respeitando as diferenças, E é na escola que a diversidade encontra lugar garantido. As ações apresentadas nesta trabalho ainda estão em andamento, mas espero alcançar os objetivos de cada uma delas.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Formação de Professoras/es em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais
CURSO GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA
Aluno(a): Ruth Fragoso Mamede da Silva

PLANO DE AÇÃO DE GÊNERO :
1. Introdução:
O presente plano visa diminuir ou até mesmo acabar com os problemas educacionais no que tange as diversidades de gêneros na escola, problemas tais como os causas devido as diferença no tratamento na sala de aula com relação aos meninos e meninas, algo que vem desestimulando o aprendizado e levando a uma queda no aproveitamento escolar , principalmente meninos.
a. Descrever as evidências da ocorrência do problema relacionado às relações de Gênero .
Só após ter ingressado neste curso pude perceber que estava agindo de forma errada na sala e assim percebi os problemas causados até mesmo por mim devido a separação durante as aulas dois meninos e meninas, eles por serem mais agressivos, elétricos, etc, e elas por apresentarem mais interesse; percebo a importância de incentivar o entrosamento entre alunos dos dois sexos.
Qual o problema e Quais fatos ou situações você observou que mostram que isso é realmente um problema na escola?
Em pesquisa feito entre meus alunos, na qual leciono matemática, é possível notar o rendimento escolar dos meninos muito abaixo da média, algo que nas meninas mostra um aproveitamento considerável. Até mesmo com relação ao comportamento, notei uma certa discriminação por parte dos outros professores com relação aos alunos do sexo masculino.
b. Apontar a origem ou causas do problema a partir dos atores e integrantes da comunidade escolar [professores, alunos, pais, gestão];
De certa forma a origem está nos fatos observados no cotidiano escolar, onde meninos e meninas apresentam diferenças gritantes quanto ao modo de se comportarem, nas qualidades que cada um apresentam, tais como a linguagem de cada um, a agressividade, a grafia, a solidariedade, a emotividade, a disciplina, a amabilidade, a perseverança, até mesma a limpeza pessoal. As meninas apresentam-se mais cuidadosas com algumas dessas características, fazendo assim com que os professores aja de forma diferenciada.
c. Avaliar os efeitos e implicações pedagógicas
Para um melhor aprendizado e na busca de um ensino-aprendizado mais satisfatória esta deve ser uma prática combatida, pois torna esta levando uma queda no rendimentos escolar, prejudicando assim os alunos diretamente.
2. Objetivos:
O que pretendendo com este plano?, combater esse tipo de discriminação, e assim tornar o aprendizado, o dia-a-dia escolar, o ensinar e o aprender prazeroso e que isto traga frutos futuramente, formado assim pessoas com caráter e que não apresentem resquícios de uma infância meio conturbada.
3. Ação:
Estabelecer uma metodologia de ensino onde todos(meninos e meninas) possam interagir de modo igual, todos permaneçam juntos durante as aulas, e todos tenham vez e voz.
4. Detalhamento: Atividades, etapas, tarefas.
Dinâmicas, atividades esportivas em grupo, debates, feira de ciências
5. Estrutura, recursos materiais e humanos necessários.
6. Responsáveis pelo Plano.
Professores, recreadores e coordenadores
7. Prazo.
Cronograma:

8. Resultados esperados
Melhorar a auto-estima de todos os alunos e também o aproveitamento escolar.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Formação de Professoras/es em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais
CURSO GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA
Aluno(a): Ruth Fragoso Mamede da Silva

PLANO DE AÇÃO DE SEXUALIDADE E ORIENTAÇÃO SEXUAL
Introdução:
A Sociedade esta constantemente passando por transformações, é isto traz consigo vários problemas. Com o avanço das mídias e o efeito principalmente da internet, que a cada dia ocupa mais espaço na sociedade e pelo fato de estar tornando mais acessível, principalmente ao público jovem. Podemos perceber o crescente número de gravidez indesejada e que a cada dia as jovens começam mais cedo sua atividades sexuais, também podemos perceber o aumento do número de pessoas com doenças sexualmente transmitidas. Outro problema e com relação a discriminação sexual como os tidos diferentes, estes problemas refletem diretamente não apenas na escola, mas também na sociedade em geral. O presente plano de trabalho visa tentar amenizar estes problemas e suas conseqüências.
Objetivo:
Conscientizar os alunos que diversidade existe e devemos respeitar as escolhas de cada um, e que afinal somos todos iguais, é que conviver com essas diferenças e algo benéfico para toda sociedade.
Público Alvo
8º e 9º ano do Ensino Fundamental II.
Ação:
Aulas expositivas e mostrar através de filmes, palestras e ate conversas paralelas entre as aulas que atos discriminatórios e excludentes são impróprios e errados no tratamento uns com os outros.
A partir daí montaremos um ciclo de palestras que possa atingir não apenas os alunos, professores e funcionários da escola, mas que possa abranger toda a sociedade. Onde teremos painéis, folders, depoimentos e veiculação de filmes que tratem do assunto.
Recursos:
Aulas Expositivas
Filmes: O Segredo de Brokeback Mountain; I Love You, Phillip Morris, Matadores de vampiros lésbicas, Juno, Meninas.
Palestra com a orientadora educacional; professores e voluntários.
Cronograma:

Mídias utilizadas:
Mídias impressas livros, revistas, filmes (DVD), internet, folders.
Culminância:
Ciclo de palestras, depoimentos, exposição de trabalho que envolvam o assunto.
Resultados previstos:
Conscientizar acerca das diferenças e melhorar o tratamento uns com os outros, respeitando-os e valorizando-os enquanto cidadãos.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Formação de Professoras/ES em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais
CURSO GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA
Aluno (a): Ruth Fragoso Mamede da Silva
PLANO DE AÇÃO ETNIA
INTRODUÇÃO:
Atualmente os jovens e adolescentes sofrem influência das mídias e do mundo em geral, algumas deixando de lado até mesmo os princípios e valores que foram criados com isto fazem valer a lei do que esta na moda e quem se sobressaem mais, recaindo sobre os diferentes o pesado fardo de agir corretamente, mas pagam um preço alto por fugirem dos padrões… é com isto algumas jovens deixando seus princípios de lado ou até mesmo por fraqueza de caráter , fazem sexo sem se prevenir ocorrendo no melhor das hipóteses uma gravidez indesejada.
Isto ocorrendo à vítima sofrerá com os xingamentos e o descaso que afeta no desempenho escolar, na formação do caráter, diminuindo a auto estima do aluno atingido.
Com isto algumas vezes é freqüente escutarmos expressões tais como: Dizer que brasileiro tem sangue fraco porque a maioria do povo é mestiça; fazer comparação, usando a cor branca como símbolo do que é limpo, bom puro e, em contrapartida, usar açor preta representando o que é sujo, feio, ruim; anúncio de emprego exigindo boa aparência, negros de alma branca; é negro, mas é bonito; piadas de mau gosto: coisa de preto, serviço de preto; limpar sangue; melhorar a raça; usar eufemismo: escurinho, moreninho; pessoas de cor. Ele não é totalmente negro; é de raça apurada
OBJETIVO:
Mostrar que todos são iguais apesar de serem de cor ou posição sociais, que as diferenças dão essenciais para vivermos no mundo, pois se todos fossem iguais não teria a miscigenação. Todos devem concorrer no mercado de trabalho mediante a capacidade intelectual, podendo atuar em todas as ramos e camadas sociais de forma positiva e proveitosa, capaz de realizarem atividades com perfeição.
Turmas:
8º e 9º ano do fundamental II fase.
Ação:
Observar em filmes roda de conversa, e ou palestras que atos discriminatórios e excludentes são impróprios e errados no tratamento uns com os outros.
Com isto sugeri a montagem de uma peça teatral onde, uma turma de farão a encenação de fatos cotidianos onde uma moça atraída por um rapaz da moda se entrega a ele sexualmente, e ele não a aceita mais alegando que nunca ficaria com uma negra, não sendo aceita por ele e pelos colegas de escola… (a turma terá que produzir um o final da história).. Em seguida os alunos terão de assistir o filme Escritores da Liberdade, onde a história retrata uma escola recheada de discriminações raciais e religiosas.
Recursos:
Filme: Escritores da Liberdade
Palestra com a psicóloga (se possível);
Cronograma:

PROCEDIMENTOS:

Português:
* Apresentação do projeto a turma, que irá envolver todos os alunos, e será realizado em quatro meses, com estudo de textos, interpretação e análise de gráficos, estudo de fatos históricos relacionados com preconceito ao longo dos anos em diversos países.
* Leitura, interpretação e reescritura de um artigo da revista que trata desse assunto Cidades que comemoraram o dia da consciência negra e o texto Racismo e preconceito.
Escrita do final do texto da peça teatral e criação do título.
Matemática:
*Análise de interpretação de gráficos. Construção de gráficos, pesquisa junto ao alunado da escola;
Artes:
*Pintura de tela (utilizando papel madeira e tinta guache). Preconceito- Nunca
Uso de mídias:
Mídias impressas livros, revista informativa Mundo Jovem, filme (DVD), internet, bola.

Culminância:

Postagem de um blog criado pelos alunos onde os mesmos irão postar suas reflexões sobre os temas estudados em cada disciplina que se envolveu no projeto;
Apresentação da peça teatral.
Resultados previstos:
Conscientizar acerca das diferenças e melhorar o tratamento uns com os outros, respeitando-os e valorizando-os enquanto cidadãos.

10 Referências Bibliográficas

Paraíba. Secretaria do Estado da Educação e Cultura. Referenciais Curriculares para o Ensino Médio da Paraíba: Ciências da Natureza, Matemática e Suas tecnologias. João Pessoa- PB. 2007.
ALTMANN H. (2003). Orientação sexual em uma escola: recortes de corpos e de gênero. Cadernos Pagu, Campinas SP, n. 21, p. 281-315.
ALTMANN, H. (2001). Orientação sexual nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 9, n. 2, p. 575-587
Arroyo, org. Da escola carente à escola possível. Edições Loyola, São Paulo, 1991.(Coleção popular nº 08)
Brasil. Constituição(1988) Constituição da Republica Federativa do Brasil: Texto Constitucional : Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2000. 448p.
Burak, D.. A modelagem matemática e a sala de aula. In: Anais I Encontro Paranaense de Modelagem em Educação Matemática- I EPMEM. 2004, Londrina-UEL. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1992.
CAVALLEIRO, Eliane dos Santos. Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2006.
Cunha, Silvia Danielle da . A dinâmica do ambiente gerado pela modelagem matemática na Educação de jovens e Adultos. In : Simpósio Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, 2º SIPEMA-UFRPE, Recipe- PE, agosto de 2010.
Educação. Um tesouro a descobrir.- 8. ed. – São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2003.
FOUCAULT, Michel (1988). História da Sexualidade I: A vontade de saber. RJ: Graal, 1988.
Gil, A. C. Como classificar as pesquisas? In: Como elaborar projetos de pesquisas. 3ed.São Paulo: Atlas, 1991. p. 45-61.
GOMES, Nilma Lino. Educação cidadã, etnia e raça: o trato pedagógico da diversidade. In: CAVALLEIRO, Eliane (org). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.
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Hernández, Fernando. Transgressão e mudanças na educação: os projetos de trabalho; trad. Jussara Haubert Rodrigues.- Porto Alegre: ArtMed, 1998.
JUNQUEIRA, R. (2007) O reconhecimento da diversidade sexual e a problematização da homofobia no contexto escolar. In: Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade: discutindo práticas educativas, 3., 2007. Anais. Rio Grande, RS: Ed. da FURG, 2007.
Kuenzer, Acácia Zeneide. |Ensino médio e profissional: as políticas do estado neoliberal-3. Ed. – São Paulo: Cortez, 2001-(coleções Questões da nossa época; v. 630).
Kupstas, Márcia( Org.).Trabalho em debate. São Paulo: Moderna. (Coleções polêmicas . Série debate na escola),1997.
LDB,Lei de Diretrizes e Bases,Lei N º9.394; Promulgada em 20/12/1996; ed. Do Brasil.
MEKESENAS, P. Pesquisa social e ação pedagógica. São Paulo : Loyola, 2002.
MEYER, ZM e Borges, DE (2008). Limites e possibilidades de uma ação educativa na redução da vulnerabilidade à violência e à homofobia. Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educ., RJ, v. 16, n. 58, p. 59-76.
MINAYO, M. C. de S. ( Org.) Pesquisa social: Teoria, método e criatividade. 2º ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
MINISTERIO DA SAUDE (2004). Brasil sem Homofobia – programa de combate à violência e à discriminação contra GLBT e promoção da cidadania homossexual. Brasília, DF. Disponível na Internet: http://www.mj.gov.br/sedh/documentos/004_1_3.pdf [10 jun 2009]
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SCHLIEMAN, Analúcia Dias. Na vida dez, na escola zero/David Willian Carraher, Terezina Nunes Carraher.-São Paulo: Cortez, 1989.
SOUZA, Elisabeth Fernandes de. Repercussões do discurso pedagógico sobre relações raciais nos PCNs. In: CAVALLEIRO, Eliane (Org.). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.

DIVERSIDADE E ADVERSIDADES NA SALA DE AULA 1/2

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Formação de Professoras/ES em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais
CURSO GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA
Aluno (a): Ruth Fragoso Mamede da Silva
ROMPENDO BARREIRAS – DIVERSIDADE E ADIVERSIDADES NA SALA DE AULA
CAMPINA GRANDE PB
2010

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Diversidade Étnica e racial
2.2 Sexualidade e Orientação Sexual
2.3 Diversidade de Gêneros
2.4 A Questão Rural
3 EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E PRÁTICA EDUCATIVA
3.1 Compromisso do Educador com a sociedade
3.2 Saberes necessários para a prática educativa.
3.3 Docência de melhor qualidade
4 HISTÓRICO DE SOLEDADE-PB
5 CONTEXTUALIZANDO A ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Dr. TRAJANO NÓBREGA
5.1 DADOS GERAIS
5.2 ASPECTO HISTÓRICO
5.3 LEGISLAÇÃO
5.4 ESTRUTURA FÍSICA
5.5 FUNCIONAMENTO
5.6 GESTÃO
5.7 AÇÃO PEDAGÓGICA
6 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA
6.1 O Cotidiano Escolar
6.2 O Cotidiano da Escola Trajano Nóbrega
7 METODOLOGIA
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
9 PLANOS DE AÇÃO
9.1 Plano de Ação de Gênero
9.2 Plano de Ação Sexualidade e Orientação Sexual
9.3 Plano de Ação Relações étnicas e Raciais
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 INTRODUÇÃO

A educação consiste em mais do que escolaridade, ela surgiu muito antes de existirem escolas, ela surge, então, como um recurso indispensável a humanidade na sua construção dos ideais da paz, liberalidade e da justiça social, bem como, um caminho que leva ao desenvolvimento humano, incluindo a associação profissional. A escola desta forma deve possibilitar formas de emancipação ampliando o campo de percepção, para que se fortaleça o processo de formação dos diversos níveis de realidade levando o estudante a pensar e refletir sobre as origens das diversas discriminações presentes na sociedade.
Inicialmente farei uma explanação onde será mostrada a fundamentação teórica acerca dos temas em questão, tais como os problemas relacionados ao gênero, enfocando a o tratamento em sala de aula de meninos e meninas e as múltiplas possibilidades de trabalho em equipe; diversidade étnica e racial, onde irei trabalhar mais profundamente o preconceito racial; orientação sexual e sexualidade, com relação aos problemas da gravidez precoce, o bullying e a homofobia na sala de aula, a questão dos jovens rurais e sua inclusão na escola urbana, e por última, mas não menos importante a questão indígena.
Mostrarei a importância da escola para a formação do individuo e para a sociedade em geral, e sua função social como instrumentos de desenvolvimento humano e formador de consciência e cidadania.
No presente trabalho será mostrado as particularidades do Município de Soledade, local onde estão sendo implantadas as ações, mas precisamente na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Trajano Nóbrega.
Será dado um tratamento especial aos planos de ação, dentre eles, Diversidade de Gênero, Relações Étnicas e Racial e Orientação Sexual e Sexualidade.
Entendemos que a igualdade é inventada quando construímos um jeito de caminhar e o impomos a todas as pessoas da sociedade ou a todos os presentes do sistema educacional. Passamos, então a viver e alimentar uma ilusão: o caminho igual para todos. E mais, a falácia torna-se uma determinação: os que não percorrem esse caminho são incapazes de aprender. Daí a exclusão, tem alunos que consegue e tem aluno que não consegue aprender. Especialmente quando se refere a inclusão das diversidades, somos desafiados a construir caminhos acessíveis, rompendo barreiras já existentes na sociedade.
No entanto, existem escolas com propostas pedagógicas que não apresentam um trabalho adequado para romper essas barreiras no sentido de atender as necessidades de todos os participantes do ensino. Talvez isso ocorra pelo fato dos professores não estarem preparados para trabalhar essa problemática, contextualizando-os com situações do cotidiano do aluno, explorando conteúdos necessários para o contexto não só cognitivo, mas social e profissional.
Não podemos deixar de ressaltar as contribuições do Referencial Curricular Nacional Médio, no qual apresenta, como um dos objetivos do ensino, a necessidade de interação de todos, mas para isso é necessário conviver com as diferenças e aceita-las.
Diante dessa problemática e considerando a relevância no Ensino Fundamental e Médio para a formação ética e social do aluno, realizarmos este trabalho

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Preconceito Racial e Discriminação

Ao compreender que as diferenças são construções culturais erigidas historicamente nos relacionamentos dos indivíduos entre si e dos grupos sociais, que, ao serem construídas, vão estabelecendo os regulamentos que regem essas relações, propomos pensar e dirigir nosso olhar sobre como e em que espaço ou não-espaço se dá a discussão sobre as relações raciais na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr; Trajano Nóbrega. Conforme afirma Gomes:
Cabe ao educador e à educadora compreender como os diferentes povos, ao longo da história, classificaram a si mesmos e aos outros, como certas classificações foram hierarquizadas no contexto do racismo e como este fenômeno interfere na construção da auto-estima e impede a construção de uma escola democrática. (GOMES, 2003, p. 77).
Assim, conhecer como as relações raciais são discutidas na escola significa conhecer o trabalho que ela desenvolve com o objetivo de construir a educação para uma sociedade mais democrática, sem preconceitos, racismos e máscaras. Para isso é possível aproveitar-se:
[…] das situações flagrantes de discriminação no espaço escolar e na sala de aula como momento pedagógico privilegiado para se discutir a diversidade e conscientizar seus alunos sobre a importância e a riqueza que ela traz à nossa cultura e à nossa identidade nacional. (MUNANGA, 2005, p. 15).
A escola, da forma como se encontra organizada, reflexo do modelo de organização social, está permeada por uma complexa relação entre os sujeitos e grupos étnicos e sociais que lhe dão forma e visibilidade. Se a escola reflete o modelo de sociedade em que se encontra inserida, reflete também as múltiplas práticas sociais, culturais e econômicas que determinam as relações sociais e as desigualdades a que os grupos denominados diferentes estão submetidos, considerando os conflitos, os silêncios, as contradições sociais dos sujeitos que tecem as teias de relacionamentos presentes no seu cotidiano.
Não queremos aqui pontuar a escola como responsável pela solução de todas as mazelas que constituem as desigualdades e a falsa idéia de igualdade de oportunidades para os excluídos da escola e na escola. Mas,
Mesmo que a escola não seja a panacéia ou seja, a solução de todos os graves problemas que constituem as desigualdades na ausência de igualdade de oportunidades para os excluídos da e na escola e dos processos de cidadania ativa no país, há uma luta intensa pela garantia do acesso e permanência nos espaços educativos formais. (PASSOS, 2002, p. 21).
Percebemos que, embora a escola tendo sido pensada para atender a um determinado grupo, ela não atenta para o contexto cultural dos seus alunos ao preparar seus currículos, continuando conteúdista, enfocando conteúdos e realidades distantes do mundo real dos alunos, esquecendo-se segundo Passos (2002, p. 23) que toda criança e adolescente traz para o cotidiano escolar a sua totalidade de ser. Isso torna evidente que a criança na escola não é apenas mais uma criança, é um ser que traz toda a complexidade de sua existência no mundo, um ser que está construindo sua identidade, estabelecendo seus valores e conceitos, ou seja, aprendendo a se ver no mundo e a ver o mundo, muitas vezes, através da lente da escola.
A educação é entendida como um processo social no qual os cidadãos têm acesso aos conhecimentos produzidos e deles se apropriam de forma a se prepararem para o exercício de sua cidadania. Representa um ato político que pode levar à construção de um indivíduo participante, como à construção de indivíduos conformados à realidade apresentada. (CAVALLEIRO, 2006, p. 21).
Portanto, a educação constitui um dos espaços privilegiados, junto com a família, para a discussão da temática racial no sentido de desconstruir a hierarquização cultural, a naturalização do racismo e da discriminação, a inculcação de valores que se mostraram perniciosos para as relações humanas.
Assim, o papel da escola na construção e fortalecimento da identidade das crianças assume proporções cada vez maiores, uma vez que as crianças começam a ouvir representações que inferiorizam o outro na mais tenra idade. Conforme pontuamos, a escola não pode ser responsabilizada sozinha pela solução de todos os problemas, mas, como um espaço de construção de significados, é um espaço, sim, privilegiado para a discussão e ressignificação desses significados, pois, como vimos, a escola reflete a organização social e deve contribuir para que seu reflexo na organização social seja o de desconstruir significados responsáveis pela inferiorização do outro.
A escola precisa contribuir para desenvolver condições para que a criança desenvolva e fortaleça sua identidade, saiba argumentar, questionar e lutar por seus direitos, para que haja igualdade de todos perante a lei, para que sejam reconhecidos sua ascendência africana e o direito dos negros no Brasil.
[…] precisamos desde o início envolver a criança, adolescente, o jovem, oferecendo-lhe condições para que eles amadureçam conscientes de sua identidade e saibam questionar e reivindicar seus direitos de cidadãos brasileiros, em que todos devem ser iguais perante a lei independente da cor da pele. (PESSANHA, 2003, p. 164).
Isso implica reconhecer que a escola precisa rever seus currículos para atender às problemáticas que se encontram no seu interior, sendo uma delas a construção de identidades. O currículo é um elemento fundamental no processo de construção de identidades (SILVA, 2003). É através dele que a escola determina seu plano de conteúdos e de ação:
[…] o papel da escola assume grandes proporções na tentativa de solução dessa problemática, torna-se premente no processo de desconstrução da discriminação e do preconceito, por meio de práticas pedagógicas que representem a superação dessa situação, pois o espaço escolar não pode desvincular-se da realidade, precisa ter, junto à sociedade, um profundo comprometimento com as causas sociais e principalmente reconhecer a diversidade como fonte de enriquecimento das relações sociais, portanto fundamental para o crescimento da sociedade. (Parecer Orientativo nº. 131/2005 CEE/MS).
Enquanto a escola se omitir em discutir a questão racial, os preconceitos e estereótipos serão internalizados pelas crianças negras e fortalecidos poderosamente nas crianças não negras.
Não se pode pensar em uma educação que contemple a cidadania se partimos do pressuposto de que as questões colocadas pela população negra, pelas mulheres, pelos portadores de necessidades especiais devem ser tratadas pela escola simplesmente para atender à reivindicação desses sujeitos. Mais do que isso, é preciso garantir a equidade social. Discutir direitos civis. (GOMES, 2001, p. 92).
Se a escola é um espaço privilegiado para o encontro das diferenças, é papel da educação romper as barreiras impostas por uma sociedade homogeneizadora e dar vez e voz para índios e negros para que, vendo assim sua história contada no ambiente escolar, enxergando-se no interior da escola, possam construir uma imagem mais positiva de si mesmos.
Agnes Heller (2000) conceitua preconceito como um tipo particular de juízo provisório. Por esse caráter provisório, ele pode se alterar e modificar-se na atividade social e individual. E, estando o preconceito ligado à cotidianidade, ele desempenha uma função importante nas diferentes esferas, mas,
não procedem essencialmente dessas esferas, nem aumentam sua eficácia; ao contrário, não só a diminuem como obstaculizam o aproveitamento das possibilidades que elas comportam. Quem não se liberta de seus preconceitos artísticos, científicos, e políticos acaba fracassando, inclusive pessoalmente. (Agnes Heller, 2000, p.43)
Se o preconceito provoca o fracasso pessoal, ele é limitador das potencialidades do sujeito e como tal não permite que esses sujeitos possam viver a vida, já tão limitada, em sua plenitude possível. Por um lado, assume-se estereótipos, analogias e esquemas já elaborados; por outro eles nos são impingidos pelo meio em que crescemos. (p. 44) Nesse sentido, pode-se passar muito tempo até que se perceba criticamente tais esquemas impostos. Às vezes, passam-se gerações inteiras sem que se problematizem os estereótipos de comportamento e pensamento. Outras vezes, pode-se questioná-los num menor espaço de tempo.
As relações do preconceito com o fenômeno social, no entanto, o coloca na esfera dos fenômenos psicológicos porque ele considera que o preconceito está baseado em julgamentos de pessoas sobre outras pessoas, ou seja, encontra-se na esfera da consciência dos indivíduos, pois, ninguém é obrigado a gostar de alguém, mas, é obrigado a respeitar os seus direitos. O preconceituoso nem sempre fere os direitos, de fato, do outro, mesmo que não alimente grandes simpatias por esse outro. Preconceito é, portanto,
uma opinião preestabelecida, que é imposta pelo meio, época e educação. Ele regula as relações de uma pessoa com a sociedade. Ao regular, ele permeia toda a sociedade, tornando-a uma espécie de mediador de todas as relações humanas. Ele pode ser definido, também, como uma indisposição, um julgamento prévio, negativo, que se faz de pessoas estigmatizadas por estereótipos. (SantAna, 2001, p. 54)
Chamamos a atenção para o caráter de inflexibilidade que está contido no sentido da palavra preconceito. O indivíduo preconceituoso é aquele que se prende a uma determinada opinião numa posição dogmática que o impede de ter acesso a um conhecimento mais fundamentado da questão que o levaria, talvez, a uma nova avaliação de suas opiniões.
Apesar do preconceituoso nem sempre ferir os direitos do outro, isso não quer dizer que tal tipo de sentimento não possa vir a se tornar prejudicial, pois, o preconceito é o primeiro passo para uma atitude discriminatória e discriminar significa separar, distinguir, estabelecer diferenças.

2.2 Sexualidade e Orientação Sexual

A discussão acerca da relação estabelecida entre as práticas escolares e a sexualidade dos alunos tem sido objeto de debate crescente nas últimas décadas. Neste debate, estudiosos do campo de estudos do gênero e sexualidade, tanto no Brasil como em outros países, tem evidenciado o caráter normatizador1 das instituições escolares. Em nosso país, alguns autores têm ressaltado o reforço das escolas à produção de masculinidades e feminilidades não-transgressivas dos estereótipos reconhecidos socialmente. Tal pedagogia da sexualidade começa muitas vezes ainda na pré-escola, como mostra Souza (1998) acerca da vigilância estabelecida por professoras em relação à sexualidade infantil e de sua função de incutir nas crianças os comportamentos que elas consideram adequados.
Ao mesmo tempo em que reproduzem formas de preconceito e discriminação encontradas na sociedade mais ampla, as escolas são vistas por alguns teóricos como um local privilegiado de implementação de políticas públicas que promovam a saúde de crianças e adolescentes, o que sugere serem espaços possíveis de resistência à normatização da sexualidade. Para Junqueira (2007), uma visão crítica do papel da escola abre espaço para ações educacionais que promovam a eqüidade de gênero, a inclusão social e a constituição de uma cidadania para todos(as), com o combate ao sexismo e à homofobia, dentre outras formas de opressão.
Um dos campos onde há um embate entre posições normatizadoras da sexualidade e aquelas que buscam se apropriar deste espaço para justamente questionar os códigos normativos relacionados ao gênero e a sexualidade é o da orientação sexual nas escolas, incluída em 1998 como tema transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) em nosso país. Alguns autores têm enfatizado que a simples inclusão deste tema não garante o respeito à eqüidade de gênero e a aceitação da diversidade de práticas e identidades sexuais. Para Ribeiro, Souza e Souza (2004) isto ocorre porque no ambiente escolar o tema ‘sexualidade’ é visto como dos domínios dos professores de ciências ou de educação física, sendo por isso abordado quase sempre por meio de linguagem científica, o que legitima um discurso autorizado e, portanto, verdadeiro sobre a sexualidade e coloca os discursos das crianças ou adolescentes como falsos. Sendo assim, na estrutura e organização da orientação sexual nas escolas o sexo é concebido como um ‘dado da natureza’, como uma necessidade básica relacionada a impulsos e desejos, sobre os quais os sujeitos precisam ser informados. Junqueira (2007) ressalta também que o discurso dos docentes sobre sexualidade nas escolas é quase sempre permeado pelas idéias de risco e ameaça (de DST/AIDS e gravidez indesejada).
Alguns autores têm destacado o papel heteronormativo2 do funcionamento escolar também em nosso país. Os programas de educação sexual e reprodutiva, além de serem raros, ainda pressupõem a heterossexualidade como norma, ponto de tudo aquilo que está fora dela ser tratado como desviante. A visão dominante sobre o corpo reprodutivo nos discursos escolares contribui também para a heteronormatividade, uma vez que pressupõe a ‘naturalidade’ de um relacionamento sexual ser sempre entre pessoas de sexos diferentes. Outro elemento destacado pela autora é um evidente recorte de gênero por parte dos que ministram as aulas, que são, na maioria, mulheres.
Alguns autores têm destacado o papel heteronormativo do funcionamento escolar também em nosso país. Os programas de educação sexual e reprodutiva, além de serem raros, ainda pressupõem a heterossexualidade como norma, a ponto de tudo aquilo que está fora dela ser tratado como desviante. A visão dominante sobre o corpo reprodutivo nos discursos escolares contribui também para a heteronormatividade, uma vez que pressupõe a ‘naturalidade’ de um relacionamento sexual ser sempre entre pessoas de sexos diferentes. Outro elemento destacado pela autora é um evidente recorte de gênero por parte dos que ministram as aulas, que são, na maioria, mulheres.
Estudos sobre a heteronormatividades1 e homofobia no cotidiano das escolas brasileiras mostra forte rejeição à homossexualidade em todo o Brasil.Estudos sobre a heteronormatividades e homofobia no cotidiano das escolas brasileiras mostra forte rejeição à homossexualidade em todo o Brasil. A discriminação contra homossexuais na pesquisa é inclusive mais assumida do que a contra negros pelos alunos. A homofobia no Brasil recebe um reforço cultural na desvalorização de tudo que é feminino ou coisa de mulher. Os homens que se aproximam de um comportamento socialmente identificado como feminino são fortemente vigiados, discriminados e, certamente, sofrerão vários tipos de penalidades na escola, que envolvem, muitas vezes, violência física, como mostra o estudo de Souza (2006).
As pesquisas sobre homofobia nas escolas e a demanda da sociedade civil organizada por respostas aos efeitos danosos das discriminações e desigualdades sociais relativos às sexualidades periféricas, inclusive no âmbito escolar, levou o Governo Federal à criação, em 2004, do programa Brasil Sem Homofobia (Ministério da Saúde, 2004), que tem como princípios: a) a inclusão da perspectiva da não-discriminação por orientação sexual e de promoção dos direitos humanos de gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais, nas políticas públicas e estratégias do Governo Federal; b) a produção de conhecimento para subsidiar a elaboração, implantação e avaliação das políticas públicas voltadas para o combate à violência e à discriminação por orientação sexual e c) a reafirmação de que a defesa, a garantia e a promoção dos direitos humanos incluem o combate a todas as formas de discriminação e de violência incluindo a homofobia (pp 11-12)
Apesar do crescente o interesse e o número de estudos sobre a homofobia nas escolas brasileiras, não pudemos encontrar estudos específicos aprofundados sobre as formas pelas quais esta se manifesta no cotidiano das escolas e suas conseqüências sobre os jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) Por este motivo, recorreremos aos estudos realizados no Reino Unido, local da maior parte dos estudos disponíveis sobre o tema. Nestes, a homofobia geralmente é considerada a partir da categoria mais ampla bullying.
O bullying é definido como a exposição de um aluno a ações negativas repetidas por parte de um ou mais estudantes, por um período considerável de tempo. Pode ser direto – sob a forma de ameaça e agressão – ou indireto – como no caso do isolamento e exclusão intencional de algumas atividades a que o aluno é submetido. Para o mesmo autor (Olweus, 1999), tal prática está também relacionada a uma desigualdade de poder, uma vez que a vítima não consegue se defender de foram adequada, por várias razões, como por estar isolada, ser menor ou fisicamente mais frágil, ou se sentir inferiorizada em relação àqueles que a perseguem. Identificamos efeitos danosos de curto e longo prazo que o bullying gera em suas vítimas. Entre os de curto prazo citam a perda de auto-estima e autoconfiança, retraimento, dificuldade de concentração, absenteísmo escolar, fobia da escola e tentativas de suicídio. Os de longo prazo incluem sentimento de culpa e vergonha, depressão, ansiedade, medo de estabelecer relações com estranhos, isolamento social e timidez exagerada.
O bullying homofóbico tem algumas semelhanças e diferenças com os demais tipos, como o sexista e o movido por questões étnico/raciais. Embora todos estes sejam bastante comuns nas escolas, o bullying homofóbico, por estar geralmente disseminado por todo o ambiente escolar, deixa poucos espaços a canais em aberto para que os alunos o possam reportar, o que o torna especialmente perigoso. Um outro fator complicador é o de que sua denúncia pode envolver em alguns casos a revelação sobre a orientação sexual do aluno, o que pode gerar uma vitimização ainda maior do mesmo. Finalmente, as conseqüências e a abordagem do bullying homofóbico são agravadas pelo preconceito em relação à liberdade de orientação sexual presente nos discursos de muitas religiões, presentes também nos vários atores da instituição escolar.
A utilização do conceito de bullying como base para a discussão da homofobia no ambiente escolar tem como uma de suas vantagens de chamar a atenção para a intensidade com que as diversas modalidades de violência homofóbica são exercidas neste contexto. Permite também relacionar esta modalidade de violência com outras também estudadas a partir deste conceito, como as motivadas por razões étnicas ou religiosas. O recurso ao conceito de bullying, porém, traz algumas limitações que devem ser levadas em consideração. Uma delas refere-se ao fato de muitos estudos que se utilizam deste referencial terem sido conduzidos dentro de um paradigma psicológico que concentra sua análise nas motivações individuais e grupais para o exercício da violência no contexto escolar, negligenciando o quanto os comportamentos associados ao bullying estão intrinsicamente ligados a relações sociais de poder e controle, e envolvem sempre um abuso de poder interpessoal. É importante, portanto, superar a conceito tradicional de bullying, a partir da politização da violência sexual e racial que ocorre no nível micro-cultural da sala de aula, o que significa um enfoque a partir de uma perspectiva social crítica e interdisciplinar.
O estudo e o combate á homofobia nas escolas pressupõe, portanto, uma visão crítica que foca não somente o ambiente escolar e seu cotidiano, mas as relações de poder que atravessam os campos do gênero e sexualidade e sua articulação com outras formas de dominação, como aquelas relacionadas à classe, raça/etnia e idade. No caso do ambiente escolar, pesquisas em diferentes países examinam a escola como um lugar-chave para a produção de masculinidades, feminilidades e sexualidades socialmente sancionadas. Estudos mostram as formas de violência e assédio baseadas no gênero e na orientação sexual são evidenciadas como tendo uma função importante na produção de uma masculinidade hegemônica heterossexual, enraizada em um contexto social mais amplo e que se manifesta nas escolas
Com relação à realidade brasileira, os estudos realizados na última década e expostos anteriormente evidenciam uma preocupação crescente com o tema da homofobia nas escolas e sua prevenção. As intervenções para combatê-la, todavia, mostram o ambiente da escola atravessado pela heteronormatividade presente em nossa sociedade, sugerindo a necessidade de estratégias de enfrentamento que ultrapassem o foco exclusivo no ambiente escolar.
O interesse recente pelo tema da homofobia nas escolas brasileiras traz a tona à escolha dos referenciais teóricos a serem utilizados para as análises e intervenções com vistas a reduzir sua intensidade e minimizar seus efeitos. A utilização do conceito de bullying homofóbico contribuiu, no Brasil e em outros países, para evidenciar a homofobia nas escolas e seus efeitos sobre suas vítimas, que incluem perda de auto-estima e autoconfiança, retraimento, dificuldade de concentração, absenteísmo escolar, fobia da escola, sentimentos de culpa e vergonha, depressão, ansiedade, medo de estabelecer relações com estranhos, levando em alguns casos a tentativas de suicídio. No entanto, alguns estudos mostram à necessidade de relacionar às formas de violência homofóbica existentes no cotidiano escolar com os desenvolvimentos teóricos do campo de estudos de gênero e sexualidade, em especial as contribuições do feminismo pós-estruturalista e da quer theory, como forma de aprofundar a compreensão deste fenômeno, a partir de suas relações com a produção de masculinidades e feminilidade hegemônicas presentes. A homofobia, assume, a partir desta perspectiva e muitas vezes de forma explícita, uma função disciplinar sobre os corpos e subjetividades. Sendo assim, seu enfrentamento requer uma atenção que vá além do microcosmo da sala de aula e da escola, implicando em um questionamento das formas de dominação associadas ao gênero e à sexualidade que atravessam as sociedades ocidentais em geral e a brasileira em particular.
A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, e isto, na maioria das vezes reflete diretamente nos estudos deste adolescentes e e de suas famílias. A maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade. Por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos. Os problemas associados com a gravidez da adolescente concentram-se, mais gravemente, no aspecto indesejado da gravidez e a frequente busca pelo aborto. Com relação aos rapazes, principalmente aqueles que apenas “ficam”, dificilmente vão sentir como sendo sua também a responsabilidade sobre a gravidez. As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. Entre os fatos que devem ser levados em consideração, inclusive pela equipe que faz o pré-natal, estão: o abandono do lar dos pais pelas adolescentes, o abandono pelo pai da criança, a opressão e a discriminação social, empregos menos remunerados, a dependência financeira dos pais por mais tempo, e o fim cedo dos estudos. Apesar da orientação sobre métodos anticoncepcionais, o número de adolescentes grávidas continua crescendo. Talvez por não terem grandes perspectivas de vida, por descuido ou simplesmente por emoção.

2.3 Diversidade de Gêneros

No sentido gramatical do termo, gênero é entendido como expressão do sexo, atribuição do masculino e do feminino, mas se analisarmos o seu conceito histórico, a palavra gênero foi utilizada, segundo Scott (1995), pelas feministas americanas como uma referência à organização social da relação entre os sexos, no intuito de relutar quanto ao caráter determinista da Biologia, que segundo elas, influenciava no antagonismo entre sexos. Portanto, é necessário um esforço em diferenciar sexo de gênero, e este, foi um dos primeiros estudos realizados sobre essa temática. Tais estudos definiam que
O termo sexo se refere à fisiologia, dá a distinção entre o macho e a fêmea da espécie humana, enquanto que gênero, num sentido amplo, é cultural e engloba as relações que ocorrem na sociedade entre os gêneros masculino e feminino. (VIEZZER, apud LOPES 2000, p. 88).
Desde então, inúmeras publicações têm dado destaque a esta discussão e hoje já se admite que tanto sexo quanto gênero, são construídos culturalmente e que mesmo a definição dada pela Biologia é cultural; visto que essa ciência emergiu num contexto de dominação masculina no meio cientifico o que refletiu de forma discriminatória na sua elaboração e definição terminológica, assim como a linguagem também comprovadamente o é.
Embora os estudos da temática de gênero estejam bastante adiantados no sentido da definição, geralmente, quando é levantada essa discussão, há uma preocupação principalmente com o que pensam as famílias. Elas querem garantir que meninos sejam homens e meninas sejam mulheres, qualquer possibilidade de rompimento das fronteiras de gênero é compreendida erroneamente como anormalidade. Essa situação acontece porque.
Gênero não é apenas uma identificação com o sexo; ele também supõe que o desejo sexual seja direcionado ao outro sexo. A divisão sexual do trabalho está implicada nos dois aspetos do gênero ela os cria homens e mulheres, e os cria heterossexuais. (RUBIN, 1993, p. 12)
Sendo assim, a cultura define fêmeas e machos como mulheres e homens e o trabalho a ser executado por ambos, para que possam ser aceitos ao exercê-lo. Esse mesmo tratamento é dado aos relacionamentos, que podem ou não ser, admitidos culturalmente.
O sentido de gênero aqui adotado é que as relações de gênero são resultados de uma construção social que se dá na relação de dominação do masculino sobre o feminino, no privilegiamento da sociedade cultural e política.
Dessa forma, como a sociedade é estruturada em torno de relações de dominação, entre as quais as de gênero, é que têm consistido em considerar as atividades associadas ao masculino como superiores às atividades associadas ao feminino. Entretanto, querer a submissão de qualquer uma das partes, não nos parece a mais indicada, visto que a luta histórica que a ser empreendida pela humanidade deve ser pela superação de toda e qualquer forma de opressão. Por uma sociedade andrógina e sem gênero (mas não sem sexo), em que a anatomia de cada um é irrelevante para o que cada um é e faz. (idem, p 22). As relações de gênero nessa perspectiva são frutos de produtos históricos humano.
Quanto à abordagem sobre identidade de gênero na educação infantil, entendemos que é necessário inicialmente explicitarmos o que estamos entendendo por esta expressão para posteriormente seguirmos nossa reflexão frente ao papel da escola na construção do gênero.
Tomamos como ponto de partida Louro, que conceitua o gênero quando diz:
Entender o gênero como constituinte da identidade dos sujeitos, pois estas estão sempre se constituindo, elas são instáveis e, portanto, possíveis de transformação. Uma vez que em suas relações sociais, atravessadas por diferentes discursos, símbolos, representações e práticas, os sujeitos vão se construindo como masculino e feminino, arranjando e desarranjando seus lugares sociais, suas disposições, suas formas de ser e de estar no mundo (LOURO, 1997, p.24).
Todas essas estruturas, essas mudanças, vão se transformando ao longo da vida em determinados momentos históricos, em uma dada sociedade, em diversos grupos tais como: religiosos, raciais, de classe, gênero e outros.
Ainda sob esse contexto Meyer vem contribuir quando diz que:
O conceito de gênero passa a englobar todas as formas de construção social, cultural e lingüística implicadas com os processos que diferenciam mulheres de homens, incluindo aqueles processos que produzem seus corpos distinguindo-os e separando-os como corpos dotados de sexo, gênero e sexualidade (MEYER, 2003, p.16).
Assim sendo, o gênero perpassa por caminhos que não aborda as diferenças simplesmente como distinções biológicas entre homens e mulheres, mas sim tende a perceber tais diferenças sem que as mesmas levem às desigualdades geradoras de opressões e discriminações. Felipe ressalta:
O conceito de gênero procura se contrapor a idéia de uma essência (masculina ou feminina) natural, universal e imutável, enfatizando os processos de construção ou formação histórica, lingüística e socialmente determinada. A constituição de cada pessoa deve ser pensada como um processo que se desenvolve ao longo de toda a vida em diferentes espaços e tempos. Desta forma, o conceito de gênero trouxe-nos a possibilidade de colocar em discussão as relações de poder que se estabelecem entre homens e mulheres, proporcionando-os como desiguais em suas possíveis e múltiplas diferenças (FELIPE, 2004, p.33).
A escola limita espaços, ela impõe o que pode e o que não pode, utilizando para isso de subterfúgios para instituir o que os meninos e as meninas podem, criando com isso, já no interior da escola, distinções de agrupamentos nos mais diferentes contextos: no pátio, no refeitório, na sala de aula, nas brincadeiras, legitimando desde cedo uma educação sexista geradora de futuras desigualdades, rivalidades.
Nesse contexto Felipe afirma:
A escola, em geral, não disponibiliza outras formas de masculinidade e feminilidade, preocupando-se apenas em estabelecer e reafirmar aquelas já consagradas como sendo a referência. Tudo o que se distanciar dela poderá ser interpretada como anormal, desviante (FELIPE, 2004, p.34).
Ou seja, a escola ao invés de propiciar condições, atividades que não discriminam os meninos e as meninas, acaba por criar condições adversas. Isto causa cada vez mais a distinção sexista, as desigualdades e consequentemente a hierarquização entre os sexos, tornando crescentes as discussões sobre o que é desejado e esperado para os meninos e o que é esperado e desejado para as meninas, como se ambos fossem de mundos distintos. Sobretudo reafirmando o papel que a sociedade lhes impõe.
Complementando esse pensamento, Louro relata que:
Os antigos manuais já ensinavam aos mestres os cuidados que deveriam ter com os corpos e almas de seus alunos. O modo de sentar, andar, a forma de colocar os cadernos, pés e mãos acabaram por produzir um corpo escolarizado, distinguindo o menino ou a menina que passar pelos bancos escolares (LOURO, 1997, p.61).
Podemos observar que ainda hoje, no âmbito escolar, temos atitudes, condutas que geram essa rotulação de comportamentos discriminatórios, conduzindo os meninos e meninas a uma constante rivalidade, além de distinguir-se os corpos e as mentes (LOURO, 1997, p.62).
Dentro dessa visão recorro a Meyer quando afirma:
Desde sua constituição, a escola moderna é marcada por diferenças e está implicada, também, com a produção dessas diferenças. Embora não seja possível atribuir a ela toda a responsabilidade pela construção das identidades sociais, ela continua sendo, para crianças e jovens, um local importante de vivências cotidianas específicas e, ao mesmo tempo, plurais (MEYER, 2004, p.8).
Desde o momento do ingresso na escola, ocorrem já as diferenças que são ligadas ao fator social, de raça, de religião, de sexo, de gênero… fatores esses que fazem parte de toda uma sociedade. A escola, por sua vez, ao invés de trabalhar com as diferenças de modo a acolhê-las e aproximá-las, geralmente as afasta, causando as desigualdades e produzindo assim exclusões cada vez mais constantes nos diferentes contextos.
Nesta perspectiva, é necessário que a escola, com seus professores e professoras, reavalie suas práticas pedagógicas, suas condutas e principalmente seus conceitos e pré-conceitos sobre o que é tido como normal ou anormal, masculinidade e feminilidade, pois o fato de os professores e professoras não se questionarem sobre as produções de identidades de gênero na escola, acabam reafirmando estereótipos do que é ser menino ou menina.
Vale ressaltar que ao se deparar com situações de gênero, o (a) educador (a) não pode ficar alheio (a) à situação, pois a não interferência, resultará na legitimação da hierarquização entre o masculino e o feminino.

2.4 Questão Rural.

No meio rural brasileiro, espaço cada vez mais heterogêneo e diversificado, são tecidas relações sócio-culturais singulares, ao mesmo tempo que mantém vínculos de dependência com os centros urbanos. Não se pode negar a influência histórica da cidade no campo, cada vez mais acentuada com a urbanização do meio rural e com a absorção de novos elementos político, social e econômico em sua prática produtiva e em seu modo de vida.
Um outro aspecto concernente à mobilização dos jovens rurais para a cidade diz respeito à relação estabelecida entre os jovens e a atividade agrícola. O trabalho como agricultor vincula-se à valorização que o jovem e sua família atribuem a esta atividade. Numerosas pesquisas demonstram que a atividade agrícola é considerada relevante para as famílias rurais (WANDERLEY, 2006).
A migração para a cidade pode significar também uma estratégia, tanto da família, quanto dos jovens de construir novas possibilidades de vida no campo a partir do desenvolvimento de outras atividades econômicas – tornando a migração temporária. A migração não se constitui na única forma de vinculação dos jovens com o mundo urbano. A existência de atividades não agrícolas em áreas próximas ao meio rural a exemplo do que acontece em várias cidades brasileiras – permite que os jovens rurais permaneçam morando na sua localidade
Os jovens rurais figuram como parcela dessa população ainda bastante desconhecida, dado o não reconhecimento de problemas específicos que os afetam, a exemplo da existência de diversas situações de não reconhecimento, preconceitos, marginalidade e exclusão, ao contrário dos jovens urbanos que são vislumbrados pelas instituições, especialmente no que diz respeito à proposição de políticas públicas. Também não são reconhecidas as práticas de sociabilidade e as vivências culturais, aportadas num contexto específico. Vale ressaltar no entanto que estas singularidades estão entrelaçadas com a dinâmica da economia e da sociedade nacionais. Assim, não se pode instituir fronteiras nítidas entre os universos culturais dos sujeitos do campo e da cidade, já que ambos compartilham projetos que se assemelham
O entendimento sobre a juventude rural supõe o reconhecimento da existência de espaços distintos a exemplo da casa, da vizinhança e da cidade onde os/as jovens vivenciam cotidianamente experiências individuais e coletivas. Sobre a importância da comunidade local para os jovens rurais, Brandão (1995, p. 136) afirma que quando há vizinhos por perto, parentes ou não, os grupos de idade alargam os limites da ordem familiar cotidiana e se constituem como os primeiros espaços extrafamiliares de convivência e socialização. Nestes espaços os jovens constroem relações com amigos, vivenciam o lazer, estabelecem relações com os meios de comunicação de massa, participam de manifestações culturais e religiosas, expressando um sentimento de pertencimento tanto à comunidade como a grupos de jovens constituídos. Nesse sentido , as experiências cotidianas dos jovens dependem da intensidade e da riqueza da vida social existentes no meio rural
Para Pais (2003, p. 70) torna-se necessário que os jovens sejam estudados a partir de seus contextos vivenciais, quotidianos porque é quotidianamente, isto é, no curso das suas interações, que os jovens constroem formas sociais de consciência, de pensamento, de percepção e ação. Daí a relevância da valorização do lugar social da juventude rural, com suas especificidades. Para Vieira (2006), contrariamente à idéia ainda vigente de que só restam no campo os mais velhos, em algumas regiões do país o meio rural concentra uma parcela significativa de jovens homens e mulheres, que constroem distintas trajetórias e formas de pensar e vivenciar sua condição juvenil.
Sobre a inserção do jovem na escola pública, observa-se a escassez de estudos que se proponham a desvelar o sujeito a partir da perspectiva da totalidade do ser social e cultural, para além da dimensão identitária de aluno. Muitos dos sentidos ligados à escola passam hoje pela dimensão da sociabilidade, da convivência entre os jovens e da construção de projetos de vida. Nesse sentido, as experiências dos jovens rurais são distintas e múltiplas, o que implica diversas maneiras de viver a juventude

3 CAPÍTULO I EDUCAÇÃO E SOCIEDADE.

3.1 Compromisso do Educador com a sociedade

Só quando compreendemos ser necessária a existência de mais métodos de ensino, fundamentais e persistentes, é que podemos ter a certeza de colocar os métodos escolásticos no seu verdadeiro contexto. As pessoas não formam uma sociedade apenas por viverem em proximidade física. Assim um homem não deixa de ser socialmente influenciado por estar afastado dos outros uns tantos metros ou quilômetros. Um livro ou uma carta podem levar a uma associação mais íntima entre seres humanos separados milhares de quilômetros entre eles do que vivendo debaixo do mesmo teto.
Um conjunto de pessoas não forma um grupo social apenas porque trabalham para um fim comum. As diversas partes de uma máquina trabalham em cooperação para um resultado comum, mas não formam uma comunidade. No entanto se todos estivessem conscientes do objetivo comum que se pretende atingir e interessados em alcançar esse objetivo de tal forma que cada atividade específica fosse regulada para esse fim,
então sim estar-se-ia em presença de uma comunidade. Mas isto envolve comunicação. Cada elemento do grupo teria necessidade de saber o que cada um dos outros estava a fazer e teria de haver um modo de manter os outros informados das suas próprias intenções e progressos. Para que haja consenso é necessário que haja comunicação.
Finalmente, não só a vida social requer ensino e aprendizagem para a sua própria permanência, mas o próprio processo de vida em comum é educativo, alargando e clarificando a experiência, estimulando e enriquecendo a imaginação, criando responsabilidade para o rigor e vivacidade no pensamento e afirmação. Um ser humano que viva sozinho (mentalmente e fisicamente) terá muito poucas ou nenhumas ocasiões para refletir sobre a sua experiência passada, e retirar daí o seu significado. A desigualdade ao nível das competências entre os elementos adultos e os elementos ainda imaturos, torna necessário que não só os mais novos sejam ensinados, mas a própria necessidade de ensinar dá um enorme estímulo para reduzir a experiência a uma ordem de grandeza e forma, que a tornará mais facilmente comunicável e portanto mais útil.
A distinção mais notável entre seres vivos e seres inanimados é que os primeiros se mantêm por renovação. Quando se bate numa pedra, esta oferece resistência. Se esta resistência for maior que a força com que se bate, a pedra não se altera minimamente. Caso contrário, ela é partida em pequenos bocados. Uma pedra nunca tenta reagir de tal forma que se possa manter inalterável contra a pressão que sofre ao ser batida, e muito menos ainda de forma a contribuir para a ação de que é alvo. Os seres vivos no entanto, podem ser facilmente esmagados por uma força superior, mas tentam apesar disso transformar a energia que atua contra eles num meio de prolongar a sua própria existência. Se não o conseguirem, não ficam partidos em bocados mais pequenos (pelo menos nas formas de vida superiores), mas perdem a sua identidade como um ser vivo. Enquanto resiste, o ser vivo luta de forma a utilizar a necessidade de ensinar e aprender para assegurar a continua existência de uma sociedade é de fato tão óbvia, que pode até parecer que andamos às voltas com uma frase feita. Mas a justificação está no fato de tal ênfase ser uma forma de nos afastar de uma noção escolástica e formal de educação. A escola é na realidade um meio importante de transmissão na formação do jovem; mas é apenas um meio, e quando comparada com outros, é um meio relativamente superficial.

3.2 Saberes necessários para à prática educativa

Segundo Libâneo(1994), a pratica educativa é um fenômeno mundial e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades, não há sociedade sem pratica educativa, ela existe numa grande variedade de instituições e atividades decorrentes a organização econômica, política e legal, da religião, dos costumes das formas de convivência humana. As formas que assumem a prática educativa sejam não intencionais ou intencionais, formais ou não formais, escolares ou extra-escolares, se interpenetram.
A prática educativa, é parte integrante da dinâmica das relações sociais, podem e devem ser transformadas pelos próprios indivíduos que a entregam.
O campo específico de atuação profissional e política do professor é a escola, quanto mais se diversificam as formas de educação extra escolar e quanto mais a minoria dominante refina os meios de difusão da ideologia burguesa tanto mais educação escolar adquiri importância principalmente para as classes trabalhadoras.
A educação e instituição social que se ordena no sistema educacional de um pais num determinado momento histórico, é processo por consistir de transformações sucessivas tanto no sentido histórico quanto no desenvolvimento da personalidade.
A instrução se refere a formação intelectual. O ensino corresponde a ações, meios e condições para realização da instrução, portanto, a instrução, mediante o ensino, tem resultados formativos quando convergem para o objetivo educativo, quando os conhecimentos, habilidades e capacidades propiciadas pelo ensino se tornam princípios reguladores da ação humana, em convicções e atitudes reais frente a realidade, pode-se instruir sem educar e vice-versa, o objetivo educativo não e o resultado natural e colateral do ensino, devendo-se supor por parte do educador um propósito intencional e explicito de orientar a instrução e o ensino para objetivos educativos. O trabalho docente é uma modalidade de trabalho pedagógico, colocando ação educativa como objeto de reflexão.
A educação escolar constitui-se num sistema de instrução e ensino com propósitos intencionas, praticas sistematizadas e alto grau de organização, ligado intimamente às demais praticas sociais.
Para tornar efetivo o processo educativo, é preciso dar-lhe uma orientação sobre as finalidades e meios da sua realização, conforme opções que se façam quanto ao tipo de homem que se deseja formar e ao tipo de sociedade a que se aspira. Pertence a pedagogia a tarefa com teoria e pratica do processo educativo. A pedagogia e um campo de conhecimentos que investiga a natureza das finalidades da educação. Numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social.
A didática é o principal ramo de estudos da pedagogia, ela investiga os fundamentos, condições e modos de realização, da instrução e do ensino. Há também estreita ligação da didática com os demais campos do conhecimento pedagógico.
A estrutura e funcionamento do ensino incluem questões da organização do sistema escolar nos seus aspectos políticos e legais, e aspectos do funcionamento interno da escola.
A formação profissional é um processo pedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor para dirigir competentemente o processo de ensino, abrange, pois duas dimensões: a formação teórico-científica que são necessariamente referentes a pratica escolar e a formação técnico pratica que não se reduzem ao mero domínio de técnicas e regras, mas implicam também aos aspectos teóricos, ao mesmo que fornecem à teoria os problemas e desafios da pratica.
Nesse entendimento a didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a pratica docente, se baseia numa concepção de homem e sociedade, se subordina a propósitos sociais, políticos e pedagógicos.
O processo de ensino é uma atividade conjunta de professores e alunos, organizados sob a direção do professor, e este é o objetivo de estudo da didática, são três importantes aspectos do processo de ensino: a avaliação escolar, o planejamento e as relações professor-aluno na sala de aula.
Na prática a teoria é outra. O curso nem fundamenta teoricamente nem toma a prática como referencia para a fundamentação teórica, carece de teoria e de pratica. O estagio tem de ser teórico-prático, que a teoria é indissociável da pratica, é necessário explicitar os conceitos de pratica e de teoria e como compreendemos a superação da fragmentação entre elas a partir do conceito de práxis, o que aponta para o desenvolvimento do estagio como atitude investigativa, que envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos professores, dos alunos e da sociedade.
Muitas vezes os alunos aprendem com os professores, imitando-os, mas também elaborando seu próprio modo de ser a partir da análise critica do nosso modo de ser. O estagio então, reduz-se a observar os professores em aula e imitar esses modelos, sem proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa, a observação se limita à sala de aula, sem análise do contexto escolar, e espera-se do estagiário e elaboração e execução de aulas-modelo.
O exercício de qualquer profissional e técnico, é necessária a utilização de técnicas para executar as operações e ações próprias, no entanto, as habilidades não são suficientes para a resolução dos problemas com os quais se defrontam, uma vez que a redução às técnicas não dá conta da complexidade das situações do exercício desses profissionais. Nessa perspectiva, o profissional fica reduzido ao prático: não necessita dominar os conhecimentos científicos, mas tão-somente as rotinas de intervenção técnicas deles derivadas. As oficinas pedagógicas, muito utilizadas e valorizadas, tem por objetivo auxiliar os alunos no desempenho de suas atividades na sala de aula e podem ser desenvolvidas sob a forma de cursos, ministrados por estagiários, voltados para a confecção de recursos didáticos, tem sido utilizados cursos de prestação de serviços às redes de ensino, obras sociais e eventos, o que acaba submetendo os estagiários como mão-de-obra formados. Um curso de formação estará dando conta do aspecto prático da profissão a medida que possibilite o treinamento em situações experimentais de determinadas habilidades consideradas, a priori, como docente. Portanto, a habilidade que o professor deve desenvolver é saber lançar mão adequadamente das técnicas conforme as diversas e diferentes situações em que o ensino ocorre, o que necessariamente implica a criação de novas técnicas. No campo da formação de professores tem sido produzidos para denunciar essas questões, contribuindo para uma melhor compreensão da formação a partir de estudos críticos e analíticos das praticas desenvolvidos nas universidades, mas também trazendo contribuições significativas do campo teórico para novos encaminhamentos aos cursos de formação. È importante destacar que a universidade é por excelência o espaço formativo da docência, uma vez que não é simples formar para o exercício da docência de qualidade e que a pesquisa é o caminho metodológico para essa formação.
O reducionismo dos estágios às perspectivas da prática instrumental e do criticismo expõe os problemas na formação profissional docente. Se a pretensão é alterar as instituições com a contribuição das teorias, precisamos compreender a imbricação entre sujeitos e instituições, ação pratica, o papel das teorias é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e, ao mesmo tempo, colocar elas próprias em questionamento, uma vez que as teorias são explicações sempre provisórias da realidade. Portanto, no estágio dos cursos de formação de professores, compete possibilitar que os futuros professores compreendam a complexidade das práticas institucionais e as ações aí praticadas por seus profissionais como alternativa no preparo para sua inserção profissional.
Valorizando a experiência e a reflexão na experiência, conforme Dewey, e o conhecimento tácito, conforme Luria e Polanyi, Schön propõe uma formação da prática profissional como momento de construção de conhecimento por meio de reflexão, análise e problematização dessa prática e a consideração do conhecimento tácito, presente nas soluções que os profissionais encontram em ato. Com isso, abre perspectivas para a valorização da pesquisa na ação dos profissionais, colocando as bases para o que se convencionou denominar professor pesquisador de sua prática. A proposta da epistemologia da prática, conforme Sacristán(1999, p. 12), considera inseparáveis teoria e prática no plano da subjetividade do professor, pois sempre há um diálogo do conhecimento pessoal com a ação. Assim, a teoria, alem de seu poder formativo, dota os sujeitos de pontos de vista variados sobre a ação contextualizada, o papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas de análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais, nos quais se da sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os.

UMA VISÃO SOCIAL PARA AS HUMANIDADES

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Resumo : A estrutura do artigo se desenrola no conceito de reapresentação das Humanidades para atualidade vigente, auxiliado pelos textos sugeridos e pesquisas correlatas que demonstrarão, através dos exemplos, a múltipla formação desse campo de estudo interligado com diferentes áreas (pedagógica, mercado e social) possibilitando, portanto, identificarmos a base das Humanas.
Palavra-Chave: Contemporaneidade, Iniciativa, Humanidades

Inicialmente, o propósito do artigo discutiria sobre o porquê da importância das humanidades, e o escritor deste propósito, obrigatoriamente, comprovará de maneira lógica e coerente, fundamentando-se no literário, nas artes e no social, o quanto esse estudo é, ou devem ser importante, entretanto, no momento, o objetivo desta discussão será outra. O foco trabalhando demonstrará como esse campo de estudo possibilita importantes mudanças em diferentes áreas, citando pequenas iniciativas, individuais ou institucionais, a revelarem, aos poucos, o quanto o campo das Humanidades é presente na atualidade, dada esse presença, entenderemos sua formação, entretanto antes de reapresentá-la, deve se saber quem ela é. Então, o que é as Humanidades?
Dando a palavra ao dicionário, seria “o estudo das línguas, das literaturas e das filosofias dos antigos gregos e romanos” (Minidicionário da Língua Portuguesa, Sérgio Ximenes – 2º Ed. Reform; São Paulo; Ediouro, 2000), possivelmente para o categórico dicionário, esse é sua única e, talvez, melhor definição da palavra, entretanto esse conceito limita as possibilidades de compreensão desse campo. Existe uma verdade nos gregos e romanos, as Humanidades originalmente foram discutidas na filosofia, na língua e na literatura por eles, mais por um, do que por outro, e depois, incidiu na história, que continua sendo vivida, escrita e discutida. Então, neste caso, o papel dado como um registro antigo nos livros de história perde essa essência, pois esse campo de estudo continua ampliando-se e encorpando novos significados.
Nesse sentido afirma Rouarnet: “Somos esse passado, e esse passado vive em nós: só ele pode ajudar-nos a entender a atualidade que nos modela, e que contribuímos para modelar na exata medida em que conhecemos as influências que nos constituíram”. (Rouarnet, Sergio Paulo, As razões do Iluminismo, 1987, Ed. Schwarcz, p. 314)
Entender o motivo de reapresentar, ou se importar com as Humanidades é compreender a si mesmo como história, cidadão, agente e humano, ou seja, elas coexistem em nós e nós dentro delas. Através dessa relação resultam-se processos, intrinsecamente, intensos de reflexão e argumentação sobre interpretações de mundo, social, real, de mercado e psicológico confirmando então que “a filosofia está assim no centro das humanidades” (IBID, p. 320), e nessa busca incessante de respostas aperfeiçoamos o crítico. “Por isso, o filósofo é crítico, embora não seja cético. Não desespera da verdade, mas recusa todas as certezas, considerando-as provisórias e sujeitas a serem relativizadas por novos argumentos” (IBEDEM). Meditando, portanto, que a funcionalidade do pensar é a própria arte produzida no cerne desse conhecimento, entretanto essa, em certas ocasiões, permanece excludente para a compreensão pública. “O que está em jogo, na difusão do conhecimento em Humanas pela sociedade como um todo é a constituição de uma opinião pública democrática” (Ribeiro, Renato Janine; A universidade e a vida atual: Fellini não via filmes; Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2003; p.104). Democratizar as humanidades é a proposta que se ausenta das pautas políticas, e quando é discutida, na minoria das vezes, adquiri uma necessária cautela. A questão se trata em originar civis críticos e transformadores sociais, um pesadelo para a política de elite, para política de mercado. De acordo com Rouarnet, a razão filosófica é inimiga nata da razão de Estado: não é por acaso que ela foi suprimida dos currículos brasileiros (p.320), na mesma página evidencia que é a obviedade da disciplina discutida, que tem a crítica como razão de ser, não pode ser estimulada pelos regimes autoritários. Embora não estejamos em regime autoritário, habitamos em uma sociedade autoritária e multifacetada conduzida por um mercado-política de produção de pensadores e idéias, cujo seu interesse é desenvolver insaciáveis consumidores. Esse, definitivamente, não é o foco das Humanidades.
No filme Vem dançar (Take the lead, 2006, New Line Cinema) com roteiro de Dianne Houston e direção de Liz Friedlander aborda a história real do dançarino norte-americano, Pierre Dulaine, elaborador de um simples projeto, aplicado atualmente em mais de 60 instituições públicas de Nova York (EUA), promovendo através da dança de salão, o resgate de valores e o trabalho de equipe dando perspectivas de futuro para jovens da periferia. Pierre dedica-se nessa idéia, não por desconfiar dos benefícios ofertados pelos demais projetos da instituição, ele apenas propõe algo novo, ou em suas palavras que “todo mundo tem que ter acesso a cultura”. Saindo do território norte-americano e desaguando no nacional, o projeto Joaninha realizado pelo Ballet Stagium (companhia de dança brasileira) a partir de 1998, criado por Márika Gidali e Décio Otero, abriga 110 jovens, alunos de escolas públicas entre 7 e 14 anos ensinados pelos dançarinos da próprio corpo de balé, a desenvolverem suas potencialidades e formação de cidadania através da dança. A companhia também encabeça outros projetos que visam à inclusão destes jovens para diversas manifestações culturais, como apresentações teatrais, danças e participações nas escolas com alunos e professores. O Projeto Stagium-Febem, por exemplo, trabalha com jovens detidos – uma vez por semana – contribuindo para o resgate de sua auto-estima e equilíbrio mental através da dança, alongamento e capoeira, mas a companhia informa, que o alvo dos projetos não é implementar a dança nas escolas pública e nem objetiva formar bailarinos. Trata-se de um contribuinte sócio-educacional, ou melhor, uma práxis – ação de homens sobre si mesmos.
“As humanidades servem para tudo isso, mas ainda que não servissem para nada, mereceriam ser cultivadas simplesmente por que nos dão prazer” (Rouarnet, 1987, p. 326)
A participação efetiva desse campo, além de integrar a construção crítica e da potencialidade civil, proporciona a sensação de prazer, sem que haja a necessidade de suscitar mil e uma razões para aproveitar do ato, e para evitar mal-entendidos: não afirmo as Humanidades como fator não reflexivo, apenas torno público sua velha função pedagógica. Elucidando esse significado, recorrei ao exemplo da criação da Lei nº 11.769 – sancionada em agosto de 2008 – visando à inclusão obrigatória da Música como disciplina nas grades escolares de educação básica, públicas e particulares, que entra em vigor em 2011. Desde a antiguidade até o percorrer dos tempos, a música se associou e retratou marcas de épocas. De espelhos de harmonia para universo, cultura do espírito até um recurso indispensável para sociabilidade, e mesmo assim, sem ofuscar seu dom lúdico, amargo, profano ou santo. E como a filosofia, a música transita, vivencia, problematiza, opera, repensa o cotidiano. Conforme o pensamento de Rouarnet, “…, o manejo das humanidades torna o espírito mais versátil” (IBID, p. 323) e a existência dessa versatilidade é a proposta buscada pelo Ensino, compartilhada para o Social e aproveitada para o Mercado.
Baseado na reportagem música na pauta das escolas do almanaque Saraiva, de Janeiro (2010), apresento o relato da coordenadora de artes e música do Colégio Objetivo, Elisabeth Nogueira Sennes, lutadora do projeto de inclusão musical, compartilha através de sua experiência de 33 anos de ensino musical no colégio, a observação que através desse recurso, eles, os jovens, tornam-se musicalmente alfabetizados, desenvolvendo críticos e desembaraços. Esse conhecimento musical, estende-se do erudito ao popular, proposto na dinâmica de o fazer, o ouvir e o criar. Observe que o ato de ensinar música carrega a natural mistura do prazer ao educacional, e isso não é de agora – os gregos já sabiam disso – e o ensino transmuta-se num elemento proveitoso para o ensinado. Concordamos, portanto, que disciplinas com base de Humanas, como música, filosofia e sociologia, em instituições de ensino devem viabilizar a educação – não apenas dessas matérias – para um aprendizado mais lúdico e mais interativo, ou melhor, capacitar o indivíduo, não para estruturá-lo como crítico, sócio-educativo, e, ou participativo, porém inter-relativo no diálogo do eu e sociedade. Visando a restituir, ”ao homem, através de um discurso que o conheça, a capacidade de proferir ele mesmo um discurso verdadeiro e sem ilusões a seu próprio respeito” (Ribeiro, 2003, p. 99), “por isso é que o empreendimento das Humanas ( ou, vale retomar, as Humanidades) se mostra emancipador” (IBEDEM).
Concluindo, até então, o que discutimos refere-se ao campo das Humanas, sendo que a proposta não é resgatá-la embasada em modelos passados, entretanto reapresentá-la, sem extrair conceitos, para a sociedade deste século.
“O fortalecimento das humanidades terá de ser acompanhado por uma habilitação mais cuidadosa dos professores, com base numa pedagogia que enfatize o debate, a pesquisa, a reflexão original e que desenvolva a capacidade de usar os conhecimentos adquiridos para compreender melhor a atualidade e para criticá-la” (Rouarnet, 1987, p.328).
Se considerarmos este argumento como um apelo radical contra o passado e defendermos a cultura de atenienses e troianos, cometeremos o erro, de recusar a história vivida neste social vigente. “Se quisermos melhoras as Humanas, devemos considerar quais são suas fundações, e agir de acordo com isso” (Ribeiro, 2003, p.89). O passado e o presente não são lados opostos de uma moeda, a constante mobilidade entre eles permite progressões e transgressões, que – certamente – impactarão no futuro. Pondera-se deste modo, que o entendimento desse campo permite-se uma analise limpa do meio que transita, de tal modo, que a parti desta permissão; reflexões, argumentos, pesquisas e mudanças ocorrerão.
Iniciativas de democratização das Humanidades – tendo como os exemplos citados – fortalecem a acessibilidade para o populacional, porém é preciso mais. Não favorece propagandas que fomente a leitura, por exemplo, se as prateleiras das bibliotecas públicas continuam vazias ou defasadas, se os impostos cobrados sobre livros custem absurdos elevando seus preços, se não valoriza os escritores populares, se… e entre outros tantos. “Torna-nos cultos através da arte e das ciências”, e Kant não se encontra enganado, entretanto para alcançar o culto, devemos ser humanos, e para ser-los, devemos ser críticos.

Referências:
o ROUANET, Sergio Paulo, As razões do iluminismo, São Paulo: Companhia de letras, 1987;
o RIBEIRO, Renato Janine; A universidade e a vida atual: Fellini não via filmes; Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2003
o Artigo: A Importância da Música na Formação e Educação da Humanidade / Rui Vilafanha, Bandasfilarmonicas.com, 2004; www.google.com.br acesso em 17 de abril 2010
o < www.músicaemercado.com.br> acesso em 15 de abril 2010
o Ficha técnica e comentário do filme Vem dançar, www.adorocinema.com acesso em 5 de abril 2010
o Filme Vem dançar, (Take the lead, 2006, New Line Cinema)
o Projeto Baillet Stagium: , aba Projetos, acesso em 5 de abril 2010
o Reportagem música na pauta das escolas, Almanaque Saraiva – janeiro 2010 / Editora Saraiva Reportagem, pp. 40 e 41
o BERNARDINO e COSTA, Juliana e Cynthia. Reportagem Musica em todas as escolas, www.editoraabril.com acesso em 10 de abril 2010.
o ABREU, Márcia. Texto Diferentes formas de ler (Texto aplicado na aula de Língua portuguesa, poder e diversidade).

A EFICÁCIA VERTICAL E HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

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RESUMO

Com o presente trabalho, caminhamos por dispor o nascimento e a amplitude que possuem os direitos fundamentais na seara jurídica brasileira. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a garantia de direitos humanos ficou evidenciada ao longo do seu art. 5.º, de forma principiológica. Consistem, tais direitos, em verdadeiros espeques jurídicos máximos, capazes de serem opostos até mesmo ao Estado que os criou. Tratar da verticalidade, por sua vez, consiste na satisfação do direito do Estado em relação a um particular; e da horizontalidade, na satisfação do direito de um particular perante outro. Entretanto, ainda que se criem mecanismos de efetivação de tais direitos, sempre a mora e a recursosidade processual serão tidos como freios e barreiras da Justiça.

Palavras-chave: Direitos Fundamentais. Direitos Humanos. Verticalidade. Horizontalidade. Justiça.
SANTOS, Luciano Alves Rodrigues dos. The effectiveness of vertical and horizontal fundamental rights. Monograph. Law. 22 l. Cândido Mota, SP, 2010.

ABSTRACT

With this work, we will walk through the birth and the extent that possess the fundamental rights in the Brazilian legal system. Since the promulgation of the 1988 Federal Constitution, the guarantee of human rights was evident throughout their art. 5. º, so principology. Consist of such rights, in actual legal maximum spikes, able to be opposed even to the state that created them. Dealing with verticality, in turn, is the satisfaction of the State law with respect to a particular, and the horizontal, the satisfaction of the right of an individual against another. However, even if they create mechanisms for realization of such rights, lives and always will be held recursosidade procedural checks and barriers of Justice.

Key words: Fundamental Rights. Human Rights. Verticality. Horizontality. Justice.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1 O NASCIMENTO DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
1.1 Introito
1.2 O Direito como terminologia não isolada
1.3 O caráter fundamental do Direito: um contrassenso à justiça
1.4 Os direitos fundamentais

2 AS QUATRO DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS

3 A EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
3.1 Eficácia vertical e horizontal dos direitos fundamentais

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Inicialmente, iremos abordar o nascimento dos direitos fundamentais ao longo da História, com passagens que demonstram verdadeiras eras desprovidas de lei ou mesmo autoritárias em sua essência.
E a persistência pelo uso da força, numa sociedade desprovida de leis, faz nascer o caráter injusto nas relações, preterindo pretensões de um em favor de outrem: uma verdadeira autotutela de direitos.
Outrossim, há de pontuarmos as terminologias acerca do instituto “Direito”, bem como da sua própria significação no todo, tido, em tese, como um regramento, uma ordem imposta à própria sociedade.
Trata-se, contudo, de um conjunto de normas não isoladas; um conjunto precípuo, de forma a perscrutar pela Justiça e pela paz social.
Por conseguinte, o caráter fundamental atribuído a um direito dá a este o sentido de máxima proteção e máxima garantia, capaz de buscar traços de humanidade e opor-se à própria fonte criadora (o Estado), abolindo qualquer ameaça ou perigo de lesão.
E ao falarmos em direitos fundamentais, há que suscitarmos sua eficácia no plano vertical, quando da imposição do Estado em face de um particular, bem como do ponto de vista horizontal, em que um terceiro opõe-se a outro, numa mesma linha de poder, tendo o Estado apenas como agente regulador, ainda que a sua garantia, na totalidade, seja mitigada em face da própria estrutura de poder exarada.

1 O NASCIMENTO DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1.1 Introito

Num primeiro comento, a abordagem acerca dos direitos fundamentais nos faz inferir que sua origem tem berço edificado na História mundial, muito antes do que hoje se tem como garantia e demais perspectivas constitucionais e legais vigentes.
Existem, como à frente se verá, traços dessa matéria no período da ascensão do Cristianismo, caminhando por galgar um itinerário cada vez mais contundente.
Na verdade, para que se efetue um estudo mergulhado no nife de todo esse processo evolutivo, faz-se necessário que iniciemos nosso estudo pautado pelo conceito de “direito fundamental”, e, de forma ainda mais abrangente, do que se pode entender como “direito” e do que se conclui como “fundamental”, para que depois façamos um liame de ambos os vocábulos.

1.2 O Direito como terminologia não isolada

O termo “direito”, como bem nos diz Pedro Lenza, de forma pluralizada, abrange “[…] bens e vantagens prescritos na norma […]”.
Depreende-se do exposto, num primeiro momento, que a noção de direito ora citada traz consigo uma pluralidade de benefícios, benesses estas que devem estar sedimentadas numa determinada norma. Não se cogita, tampouco, que possa existir um direito puramente imaterial, sem estar grafado ou mesmo inserto no pensamento do legislador.
Obviamente essa corrente é contemporânea e, num primeiro momento, caracteriza um óbice à História de toda formação jurídica se deixarmos de lado outros pensamentos e doutrinas.
Daí a necessidade extrema de trazermos à tona as sábias palavras de Hans Kelsen, que elucida que “o direito é uma ordem da conduta humana”. E bem emprega o termo ordem, pois se refere a um regramento, um conjunto de ações emanadas por um ente maior.
E note-se, porém, que jamais se pode alegar que consiste o direito em algo singularizado, mas sim, em um conjunto de regramentos e ações. Quando Kelsen nos mostra sua posição, afirma veementemente que jamais poder-se-ia analisar a natureza do direito se o víssemos de forma singular, já que há por detrás de sua imagem um processo congênito, erigido por inúmeras outras regras, que se concatenam para chegar a um fim último. E todo esse processo pluralizado de enxergar o direito como um conjunto de normas tem sido difundido e propalado por inúmeras gerações ao longo da História, sem que se interpusesse qualquer levante contrário ou mesmo diverso, talvez porque realmente inexista outro caminho.
Assim, povos de diferentes partes do mundo, quando conclamavam possuir um direito a um ou a outro ponto incontroverso, referiam-se claramente que havia normas ou um conjunto de regras concatenadas de tal forma a solver-lhes a celeuma havida.
Ao traçarmos um paralelo entre a noção ampla do termo “direito” e a sua difusão pelos tempos mais remotos, vislumbra-se que o próprio Moisés, ao receber das mãos divinas as Tábuas da Lei, percebe que esta contém não somente um, mas dez ordens escritas a serem adimplidas pelo seu povo, em Israel. Isto porque não se pode impor o Direito com apenas uma única ordem, pois não haveria espaço para traçar toda a dimensão do que se pretende coordenar ou obrigar.
Para um melhor vislumbrar, vejamos o que traz o Livro do Êxodo (Ex., 34, 29) com pertinência ao tema: “Descendo Moisés do monte Sinai, trazia as duas tábuas do testemunho […]”.
Note-se, assim, que o próprio Livro retrocitado descreve como sendo duas as tábuas mandamentais, ou seja, a pura descrição de que qualquer ordem de Direito emanada jamais poderia ser imposta sozinha, de forma singular e isolada, mas somada a outras mais, num sistema complexo de regramentos e imposições legais.
Ocorre, conquanto, que as normas nem sempre eram exteriorizadas ou postas materialmente, ou, muitas vezes, impostas de forma diversa. Para Platão, a norma era sempre abstrata, contida num espaço celeste, dito éter, que, quando projetada na mente, nunca chegava à realidade do modo como se havia pensado.
Já para Aristóteles, porém, a norma estava ligada ao real e à cultura de cada sociedade. E Nietzshe, num pensamento mais assertivo, dita que a experiência de cada um constitui-se num precedente fundamental para que se estabeleça a comunicação, e, por consequência, a norma.
Na atualidade, o que se tem, de forma denotativa, é que o termo “Direito” consiste “[…] num conjunto de normas da vida em sociedade […]”, isto é, num grupo de escritos, justos e avençados, de forma a reger toda uma coletividade. E tais regras, por sua vez são, na maioria dos casos, exteriorizadas e materializadas de acordo com as alterações sociais emergentes, pois aquelas que não o forem jamais serão passíveis de aplicação.

1.3 O caráter fundamental do Direito: um contrassenso à justiça

Expor o caráter fundamental do Direito é medida que deve ser explicitada numa visão posterior ou ulterior do tema, de forma que se possa traçar um paralelo entre sua gênese e a ligação final às normas jurídicas.
Primeiramente, como etimologia do termo “fundamental”, podemos vislumbrar que se trata, ainda que de forma figurada, daquilo “que tem caráter essencial e determinante; básico, indispensável”. Todavia, não é pequena a porção de pessoas que julgam indispensável qualquer tipo de direito, bastando que seja o seu, como mesmo nos mostra George Marmelstein, expondo o seguinte exemplo: “Há quem se considere titular de um direito fundamental de andar armado.”
Note que a própria sociedade diverge no que concerne à ideia do caráter fundamental: uns porque se inspiram na própria conduta do ser; outros porque têm consigo que somente o seu direito é fundamental; e outros porque ligam o termo fundamental ao vocábulo “Justiça”.
O senso de justiça, presente em toda e qualquer sociedade, parece, num primeiro momento, estar intrinsecamente ligado ao Direito. E assim o é porque este, na medida em que é elaborado, deve sim fornecer àquela um provimento justo a quem o implora.
Mas a maioria dos estudiosos sabe que nem sempre o que é justo para um é para outrem. Um Direito perfeito, se assim existe, pode ser totalmente justo para uma sociedade e insano e arbitrário para outra.
Não se pode, então, acolher o termo “justo” como semelhante a “fundamental”, pois este deve, sem qualquer exceção, ser indispensável; enquanto aquele pode oscilar para uma forma leal ou arbitrária. E justiça, como preceitua Hans Kelsen, “[…] é a felicidade social”. E felicidade, como todos sabemos, é variante, adjetivo que não pode subsistir junto a “fundamental”, que é essencial ao ser; e, óbvio, ao Direito.
Um direito fundamental, deste modo, não deve ser um direito que conceda tão-somente felicidade social, mas também um direito que seja indispensável à sociedade, sem o qual esta não poderá subsistir; algo que garanta, ainda que de forma ínfima, as mais válidas porções de vida, liberdade, propriedade e segurança.
Diante deste comento, ao nos transportarmos para o âmbito brasileiro, vemos que o Direito, para galgar seu escopo fundamental – a paz social –, necessita, vigorosamente, dos seguintes requisitos: a) possuir imediata aplicabilidade, sem que se cogitem quaisquer indagações duvidosas sobre sua existência ou eficácia; b) ser moldado num robusto sistema pétreo, que não se altera com simples ordem, manifestação popular ou lei; c) ser hierarquicamente respeitado por qualquer outra lei e até mesmo pela lei que o instituiu.
Infere-se, portanto, que todo aquele direito que não se prestar a tais mandamentos citados tampouco perderão sua consistência jurídica, mas serão tidos como direitos comuns a todas e demais situações, regulações ou garantias; direitos que têm força obrigatória, mas sem caráter fundamental.
Nos resta, outrossim, inferirmos no próximo subcapítulo o nexo entre direito e sua perspectiva fundamental, para, assim, podermos mensurar sua gênese e aplicabilidade no campo político e social.

1.4 Os direitos fundamentais

Como pudemos observar até esse ponto, há distinções entre ser um direito fundamental ou justo, bem como ser ele fundamental ou não. E vimos também que o direito não é uno, e sim, plural, composto de normas e regras que se concatenam para formar um todo, um sistema complexo de regulações, nunca aplicadas de forma isolada.
Percorrido todo esse iter, é imprescindível voltarmos nossa atenção à junção entre os vocábulos “direito” e “fundamental”, na sua forma pluralizada, de forma que tratemos unicamente das espécies normativas indispensáveis ao ser e à sociedade que o circunda.
Na Antiguidade, em ampla comunhão, todos os doutrinadores afirmam não haver traços de direito fundamental, já que imperava um regime de escravidão, com diminuição de raças, crenças e sexo. O Estado, quando se fez forte para reger a própria sociedade que o erigiu, voltou-se a ela de forma autoritária, embasado em pura busca por poder.
O ente estatal nada mais é do que um forte conglomerado de pessoas, unidas em prol de organização e governo. Contudo, algumas formações de poder estatal tornaram-se arbitrárias, com poder de mando inclusive sobre a vida de cada ente.
Em Roma antiga, por exemplo, todo o fundamento de sua organização fundava-se na autoridade, já que a norma era levada a rigor, ainda que favorecesse a maioria, pois quem detinha maior poder aquisitivo era sempre mais privilegiado. A sociedade era assim estruturada de acordo com a gama de poder de cada membro.
E todas as demais partes do mundo rumaram por ter uma organização forte, soberana e autoritária, já que a descrença pelos valores estatais era grande e a possibilidade de grandes revoltas erigia a cada passo, sendo contida com rigor, fosse pela morte, exílio, prisão etc. Todo aquele que não se prostrasse perante o Estado deveria ser punido. Não havia qualquer garantia de direito, fosse ele fundamental ou não.
Porém, numa perspectiva mais ampla do momento, via-se que aquele “[…] Estado com poder absoluto, sem limites jurídicos e políticos, foi enfraquecido […]”, fato que obtinha uma roupagem inspirada, na maioria dos movimentos de massas, nos lemas: fraternidade, igualdade e liberdade, a exemplo da Revolução Francesa, de 1789, que mais tarde fora seguida pelas correntes de Direitos Humanos, Organizações Mundiais etc.
E com o enfraquecimento estatal emergente, enxergava-se a cada dia a possibilidade de se almejar direitos até então jamais cogitados ou inexistentes, como o direito à propriedade, à dignidade, ao trabalho etc.
Buscava-se, a cada formação estatal, uma forma de incutir dentre os seus mandamentos algumas perspectivas tendentes a abolir toda forma impura de governo, rompendo com valores imorais e arbitrários, e garantindo à sociedade formada um caráter mais cidadão, com normas emanadas do povo e para o povo, mais dignas e materializadas, pois a tendência abstrata da época era imperiosa, isto é, o direito não era escrito ou posto; aplicava-se-lhe da mesma forma como trazia Platão: a norma se projetava no éter e nem sempre chegava à tona como fora fabricada.
Deste ponto, contudo, eram grandes as batalhas travadas entre Estado e sociedade. E começavam, então, a surgir gerações sociais distintas, e, por conseguinte, dimensões diversas de direitos: uns amplamente sociais, outros aparentemente justos etc., como se verá no próximo capítulo.

2 AS QUATRO DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS

Como se viu até então, o Estado começava a ser atacado por correntes sociais em busca de normas menos autoritárias, ou seja, fundamentais.
E na História dos direitos fundamentais podem ser destacadas quatro grandes gerações, ou, num termo mais assertivo para a atualidade, quatro grandes dimensões de direitos fundamentais, tidos como “direitos humanos”.
A primeira dimensão, por volta dos séculos XVII a XIX, segundo nos ensina Pedro Lenza, buscou a liberdade como principal meio, traduzida em céleres documentos, dos quais cabe destacar a Magna Carta do Rei João, de 1215.
A liberdade, num contexto amplo e explicativo, segundo Marmelstein, reside no fato de “[…] cada indivíduo decidir por si mesmo que lugares deseja frequentar, em qual religião deve acreditar, com quais pessoas queira se reunir ou se associar, qual profissão que deseja seguir, quais os livros que pretende ler e assim por diante”.
E na alusão ao documento do Rei João, este retrata claramente essa disputa de direitos: de um lado o poder soberano, sujeito a renunciar do autoritarismo, e de outro aqueles que lutavam por ideais liberais. Vejamos parte de sua perspectiva legal:

É um documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas da Inglaterra, especialmente o do Rei João, que o assinou, impedindo assim o exercício do poder absoluto. Resultou de desentendimentos entre João, o Papa e os barões ingleses acerca das prerrogativas do soberano. Segundo os termos da Magna Carta, João deveria renunciar a certos direitos e respeitar determinados procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do rei estaria sujeita à lei.

Em complementação ao exposto, segundo nos conta Von Jhering, “[…] pode tornar-se difficilimo distinguir o ponto em que cessa a coacção e começa a liberdade”. Isso porque o Estado também possui seu conceito do que é ser livre e o exara por meio de suas próprias leis. Daí o choque entre o que espera a sociedade de um direito fundamental e o que tem o Estado para fornecer como garantia.
Por conseguinte, a segunda dimensão de direitos (a partir do século XIX), segundo Lenza, caminhou na busca dos direitos sociais, direitos estes voltados à proteção na relação de trabalho, bem como direitos culturais e econômicos. Como documento desse momento, cabe ser grifada a Constituição de Weimar, de 1919.
Em melhor assunta, a aludida Constituição Alemã, segundo nos conta a História, é vista sob o seguinte ponto de vista:

A Constituição de Weimar representa o auge da crise do Estado Liberal do séc. XVIII e a ascensão do Estado Social do séc. XX. Foi o marco do movimento constitucionalista que consagrou direitos sociais, de 2.ª geração/dimensão (relativos às relações de produção e de trabalho, à educação, à cultura, à previdência) e reorganizou o Estado em função da Sociedade e não mais do indivíduo.

Note que o trecho ora grifado por nós retrata veementemente a submissão do Estado ao indivíduo e não deste em favor daquele, tendo como marco fundamental o movimento constitucionalista da época, que, segundo Canotilho, é uma técnica específica de limitação do poder, com fins garantísticos.
A terceira dimensão de direitos fundamentais intensificou-se em virtude do grande crescimento industrial e desenvolvimento tecnológico. Procurou-se, de certa forma, sopesar valores, de forma a preservar o consumidor, parte fraca de toda relação, o meio ambiente etc., culminando no termo “solidariedade”. E solidariedade, segundo o dicionário mais bem quisto, significa o “compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas”.
Isso nos mostra, de antemão, a mútua cooperação que deve haver entre empresas e consumidores, empresas e meio ambiente e pessoas e pessoas.
A quarta e última dimensão, segundo Lenza, nasce em virtude dos grandes avanços na engenharia genética, que colocariam “[…] em risco a própria existência humana, através da manipulação do patrimônio genético”.
Esta última corrente deve ser entendida como a mais traumática de todas, pois há de se sopesar o desenvolvimento tecnológico junto ao incerto, ao inimaginável.
Quando pensamos na manipulação genética, de primeira mão nos vem à tona o uso de células-tronco para pesquisas, assunto bastante discutido em âmbito nacional, chegando ao órgão máximo julgador, nossa excelsa Corte, assim conclamada Supremo Tribunal Federal (STF).
Cabe lembrarmos, neste ponto clímax, que a pauta trazida à pretória Corte advinha de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), sob o n. 3.510, em face do art. 5.º da Lei n. 11.105, de 24 de março de 2005. Como tese principal, o Procurador Geral da República alegava que “[…] a vida humana acontece na, e a partir da fecundação, sustentando que o referido preceito desrespeita a inviolabilidade do direito à vida e a dignidade da pessoa humana”.
A Suprema Corte, em sessão histórica, por seis votos a cinco, decidiu pela constitucionalidade do artigo da Lei em espeque, pelo fato de que, se a vida termina com a morte cerebral, jamais poderia o zigoto, objeto de estudo genético, possuir cérebro, e, consequentemente, vida.
Veja como os direitos fundamentais, por mais bem postos que estejam na legislação de um Estado, podem confrontar-se com eles próprios, a exemplo do exposto anteriormente: de um lado o direito à vida, violado em pesquisa genética, e de outro o direito à dignidade da pessoa em obter a cura para diversos males que a cercam, ou, como mesmo evidencia o Ministro Marco Aurélio, do Supremo, o “princípio da razoabilidade”.
Começa a se impor, neste ponto, que os direitos fundamentais, para serem conseguidos ao longo da História, travaram batalhas imensuráveis, desde a época do Rei João Sem Terra, em 1215, ao período atual, no qual se disputam tecnologias como forma de contrabalancear sua amplitude.
E é desse ponto, então, que evidenciaremos, no capítulo seguinte, o porquê dos choques entre direitos fundamentais, seja em âmbito público ou em seara privada, sobrevindo o clímax deste trabalho, que consiste na sua eficácia horizontal e vertical como forma de garantia social e de justiça.

3 A EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Primeiramente, abordarmos eficácia legal em plena era digital nos parece um tanto angustiante. Contudo, ainda que nossa Constituição Federal tenha sido promulgada em 05-10-1988, a mesma guarda potentes direitos, capazes até mesmo de opor-se à sociedade ou a quem quer que seja.
O art. 5.º da nossa Lei Maior, ao longo de seus incisos, demonstra autossuficiência e autodeterminação de um povo que se reuniu, após um período ostensivo e militar, com portas fechadas, de forma que fizesse valer a sua vontade.
Contudo, a vontade à época consistia em liberdade a toda forma de opressão estatal, tal como o voto direto, a eleição periódica de representantes etc. Não se pensava, jamais, que o tempo pudesse se alterar e a própria sociedade rebelar-se, alegando direitos amplamente paternalistas e protecionistas, com presunção de liberdade e ampla defesa etc.
Fez-se, assim, a vontade de um povo com máximo interesse em ver-se livre de injustiças, que pudesse levantar a lei a toda forma de ameaça, tendo o Estado como seu garantidor, pois deteve este para si o jus puniendi, preterindo qualquer forma de autotutela ou autodefesa dos direitos.
E num único documento, preambulado pela proteção de Deus, tido como revolucionário, solene e rígido, nasceram os direitos fundamentais de cada cidadão, com influência magna dos direitos humanos e das correntes jusnaturalistas, que, para a maioria dos entendedores do direito, coleciona não somente garantias em seu art. 5.º, mas sim, em todo o seu corpo, assim denominado: Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

3.1 Eficácia vertical e horizontal dos direitos fundamentais

Abordar a verticalidade que possui um direito incita expor sobre a relação Estado-cidadão. Como o Estado ergueu-se forte e soberano, detendo para si todo o controle geral da sociedade, imagina-se que este esteja numa posição acima daquela. E aquela, quando o busca, o faz num sentido vertical, como o próprio termo nos mostra: “situado no ponto mais alto, no vértice, sobre a cabeça ou na sua direção”.
Quando buscamos solução para um dado problema, devemos fazê-lo por meio de um ente despersonalizado, usando dos meios que ele próprio dita, sob pena de incorrermos em violência ou grave ameaça a terceiro, conduta esta vedada pelo art. 345 do Código Penal. Vejamos: “Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: Pena – detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.”
Consiste, na verdade, em buscar do Estado uma lei por ele posta para nossa satisfação.
Contudo, nem sempre a eficácia esperada pelo terceiro, com pretensão, é obtida, seja pela morosidade ou pela própria insuficiência legislativa do ente maior.
E note-se, porém, que a própria Constituição Federal, mãe dos direitos fundamentais, elenca, em seu art. 5.º, XXXV, que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
Trata-se de um direito fundamental sumariamente declarado, mas que nem sempre é tutelado. Isso porque esta busca vertical pelo socorro estatal é, de certa forma, mitigada, seja pela mora judiciária ou mesmo pela ausência de complementação legal.
Com isso, cabe dizer que a cada direito fundamental preterido outro tem lugar, formando-se uma cadeia legal.
Nossa Lei Maior, quando trouxe no artigo retrocitado que o peso da lei deverá recair de forma favorável àquele que dela necessita, esbarrou-se no seu próprio art. 5.º, LV, in verbis: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
Com isso, nascendo o direito de um, mitigado estará ele em face do direito de outrem, pois para este nasce o direito de resposta, nas mesmas condições, também denominada de “eficácia horizontal”.
E bem se emprega o termo “horizontal”, pois não há soberania de um em face de outrem, mas sim, isonomia, concedida pela própria lei, muito diferente do poder vertical que tem o Estado em face de um particular. E igualdade, por sua vez, é elencada no próprio caput do art. 5.º da Constituição. Vejamos:

Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade […].

A Lei Constitucional, no entanto, vem tentando garantir que a verticalidade e a horizontalidade estejam em harmonia, ditando, para tanto, regras mais eficazes, a exemplo do art. 5.º, LXXVIII, in verbis: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.
Ocorre que nem sempre o escrito é cumprido na sua integralidade, pois efetivar a máxima e estrita celeridade é algo quase impraticável para a lei, principalmente quando se tem abarrotamentos processuais em todo o Estado.
Como dissemos anteriormente, a ampla garantia de defesa torna prejudicial a eficácia absoluta de qualquer direito, seja ela horizontal ou vertical, pois esta, quando suscitada, encontra barreiras na própria sociedade e no próprio mecanismo, e aquela, por ser morosa e recursosa.
Por fim, um choque de garantias entre direitos fundamentais pode sobrevir de forma assombrosa, pois não se sabe ao certo quais os limites impostos pela lei.
Assim, por exemplo, até onde é possível a cessão de um direito fundamental? Qual o limite de um direito, quando pensamos em programas de televisão que expõem a vida alheia a qualquer preço, cuja imagem é posta à prova e à venda? Trata-se de um direito à intimidade, mas, em contrapartida, em choque com o direito à liberdade individual de cada um.
Os direitos fundamentais, por sua essência, são indisponíveis, insuscetíveis de alienação. Porém, seria uma forma de venda da imagem a participação em programas como esse?
As respostas, contudo, ainda não têm fundamentação lógica. Entendemos que deve haver uma cedência de um em favor de outro direito, uma forma maleável de conduta, em que se é possível sacrificar a imagem e intimidade em favor da liberdade.
E certo é, contudo, que o sacrifício de um direito fundamental, por mais valioso que seja, deve ser sopesado, seja pelo próprio titular ou pelo ente maior, sob pena deste incorrer em sanções cíveis, administrativas e penais, conquanto, à luz de nossa legislação, tampouco se veja desenvolvidas técnicas de preservação, e, quem sabe, num futuro próximo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo, pudemos observar todo o itinerário histórico do Direito como ciência, abstrata e advinda do Estado, detentor único do jus puniendi, bem como da ideia de justiça como felicidade do ser.
Além disso, pôde-se, com clareza, expor diferenciações entre formas de resolução litigiosa do passado até a atualidade, pautada, ao longo dos tempos, pela incidência de quatro grandes dimensões legais, bem como do nascimento dos direitos, do mais rupestre ao mais fundamental, marcados por inúmeros documentos célebres.
Colocamos, ainda, o quesito fundamentalidade, em favor dos Direitos, preconizados em nossa Lei Maior de 1988, os quais, vez outra, são opostos de forma horizontal ou vertical a um ou a outro ente, bem como ao Estado.
Enfim, pudemos nos deter quanto à proporcionalidade existente entre direitos e princípios fundamentais, quando um indivíduo, em favor de sua liberdade, sacrifica, p. ex., sua intimidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL. A Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulinas, 1987.
Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União: Brasília/DF, 31 dez. 1940. Disponível em: . Acesso em: 7 set. 2009.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: Brasília/DF, 5 out. 1988. Disponível em: . Acesso em: 7 set. 2009.
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Almedina, 1993.
COUTO, Lindajara Ostjen. A Origem dos Direitos Fundamentais. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2010.
HOUAISS, Antônio. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Versão Monousuário 3.0. Rio de Janeiro: Objetiva, jun. 2009. CD-ROM.
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KELSEN, Hans. Teoria Geral do Estado. Trad. Luís Carlos Borges. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 10. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Método, 2006.
MARMELSTEIN, George. Curso de Direitos Fundamentais. São Paulo: Atlas, 2008.
WAMBIER, Luiz Rodrigues (coord.). Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.
• Endereços Eletrônicos
. Acesso em: 04 abr. 2010.
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. Acesso em: 04 abr. 2010.

FENÔMENOS SEMÂNTICOS NAS PIADAS

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FENÔMENOS SEMÂNTICOS NAS PIADAS

RESUMO:

Através do discurso do humor, buscamos demonstrar os vários temas explorados na piada dando ênfase aos fenômenos semânticos decorrentes no texto humorístico, especialmente a polissemia, a ambigüidade e a homonímia que irão contribuir para gerar o humor dentro do gênero piada.
Muitas palavras com o passar do tempo adquirem novos significados, sendo que seu sentido original continua a existir independente dos outros significados atribuídos. Esse jogo de sentidos é um dos recursos frequentemente utilizados pelas piadas para causar o riso.

PALAVRAS-CHAVE: Piadas, fenômenos semânticos, sentido.

INTRODUÇÃO

É impossível esconder que o sentido das palavras é um tema há muito tempo discutido. Sabe-se que o estudo do sentido empregado nos léxicos são motivos de análise desde o século V, através dos gregos que se interessavam bastante com a variação sofrida pela linguagem e sua relação com a sociedade. Com o passar do tempo surgiram outras visões sobre a semântica que divergiam da perspectiva histórica.
A semântica, cuja definição mais geral, é de que ela é um ramo da lingüística que se ocupa do sentido, tem sido desde os primórdios objeto de preocupação de filósofos e gramáticos que, preocupados com a construção do conhecimento tentaram aprofundar a investigações do sentido das palavras.
Durante um longo período esses estudiosos voltaram suas atenções para o estudo das questões do significado, porém não obtiveram grandes progressos devido às formas e as teorias equivocadas utilizadas para descrever o sentido.
Verificou-se, portanto, que os fenômenos relativos ao significado não constituem tarefa simples e fácil, devido a sua amplitude e complexidade. Por esse motivo muitos lingüistas desconsideraram a investigação do significado, argumentando a grande dificuldade de desenvolver trabalhos abrangentes em semântica.
Outro fator que contribui para essa problemática é a subjetividade do significado, determinado através dos experimentos do interlocutor transcendendo a realidade. É o que ocorre com o significado de algumas palavras que evoluem com o passar do tempo, pois a língua vive em constante dinamismo, determinando expansões de sentido nas palavras, causando alguns obstáculos em relação ao estudo do significado.
Com os estudos realizados por Michel Bréal, no final do século XIX, a semântica ganhou espaço perante os estudos lingüísticos. Para Bréal, as mudanças de sentido aconteciam através da influência que um léxico exerce sobre o outro em uma determinada língua. A partir desses estudos outros semanticistas desenvolveram novas teorias e diferentes métodos para explicar a evolução do significado.
Para Ilari (1987, p.6), “a semântica é um domínio de limites movediços”, pois o significado é algo muito complexo, exige-se muito estudo e dedicação devido não se limitar ao campo sintático. É como ele próprio denomina, movediço, ou seja, instável.
A amplitude semântica é confirmada no vocabulário de uma língua que com o passar do tempo vai ganhando novas palavras ou as palavras já existentes ganham novos significados. É uma renovação e um enriquecimento que é realizado pelos próprios falantes de uma determinada língua.
Essa inovação de significado das palavras acontece também por meio das relações interpessoais entre os indivíduos, levando-os a descobrir e a classificar os objetos através de seus próprios conhecimentos.
Como afirma Benveniste:
“A linguagem reproduz a realidade. Isso deve entender-se da maneira mais literal: a realidade é produzida por intermédio da linguagem. Aquele que fala, faz renascer pelo seu discurso o acontecimento e a sua experiência do acontecimento. Aquele que o ouve aprende primeiro o discurso, o acontecimento produzido (…). A linguagem reproduz o mundo, mas submetendo-o à sua própria organização”. (BENVENISTE, 1995, p. 26).

Indivíduos pertencentes a uma mesma língua, irão estabelecer os sentidos das palavras de acordo com o universo a que pertencerem e atribuirão, neste contexto novas palavras pertencentes a esse grupo e esses léxicos ganharão novos significados. Podemos citar como exemplo o termo “operação”, que quando empregado a um cirurgião e a um matemático terá sentidos diferentes.
A falta de consenso entre os lingüistas com relação à definição de semântica gera divergências e imprecisões para a conceituação do significado. Ou seja, o sentido não se apresenta de forma definida, pois cada semanticistas acaba por eleger uma forma para analisar este termo.
O estudioso Guiraud comenta sobre o objeto de estudo da semântica ser complexo e da confusão causada ao empregá-lo. Ele expõe a seguinte questão:

“A semântica é o estudo do sentido das palavras. Mas algumas observações, teorias, pontos de vistas recentes trazem de novo a tona atualmente este velho problema, e assim como todas as ciências a um só tempo muito antigas e muito novas, a semântica sofre por não ter ainda definido exatamente o seu objeto, e também por não ter esclarecido a sua terminologia. Eis porque tanto os especialistas quanto os leigos se sentem confusos diante dos empregos que a cada dia encontram desse termo”. (GUIRAUD, 1989, p.7)

Essa confusão com relação ao significado das palavras, é muito recorrente nas piadas, que utilizam esse jogo de sentidos para a formação do humor. As piadas são textos curtos com graus variados de complexidade e que apresentam um vasto campo lingüístico.podendo ser explorado nas áreas da escrita, da produção e da oralidade.
Pretendemos por meio dessa análise identificar os fenômenos semânticos mais frequentes no texto humorístico e demonstrar que a piada possui um texto interressante e produtivo com mecanismos lingüisticos que podem ser objetos de análises.

Análise das Piadas
A piada tem por finalidade fazer rir, no entanto, uma análise lingüística mais aprofundada vem comprovar que esse gênero possui outros aspectos que ultrapassam o simples fato de provocar o riso. No texto de humor há muitos outros recursos lingüísticos disponíveis, tanto no campo fonético quanto no morfológico, sintático e semântico.
Através do discurso do humor, buscamos demonstrar os variados fenômenos semânticos dando ênfase a polissemia, a ambigüidade e a homonímia, que são os mais recorrentes nas piadas e de fundamental valor para os estudos lingüísitcos. Possenti expõe a importância de se trabalhar os textos humorísticos, segundo ele:

“a lingüística só tem a ganhar se se debruçar sobre textos humorísticos, pois, eles com certeza, são uma verdadeira mina para os lingüístas, que ainda não os consideram.”
(POSSENTI, 1998, p. 22)

Nem todas as piadas analisadas neste artigo são engraçadas, mas a nossa preocupação é mostrar a estrutura semântica do humor, o emaranhado de detalhes presentes nos enunciados, ambigüidades lexicais, sintáticas e fonológicas.
Os textos das piadas trazem em seu interior marcas ideológicas, históricas e sociais que contribuem para a compreensão do seu sentido global.
Apresentaremos alguns exemplos, nos quais nos propomos a analisar os mecanismos lingüísticos (ambigüidade, polissemia e homonímia) presentes na produção do humor

Caso I: Maradona
– Maradona és mejor que Pelé!
– Maradona não dá nem pro cheiro!
– Pensando bem, pro cheiro ele dá sim.

Esta piada é um exemplo fabuloso da existência de significação ampla de um determinado termo. Além da existência da polissemia percebemos também a presença da polifonia, elementos essenciais para haver esta abundância de leitura nas piadas.
Algumas palavras possuem no contexto desta piada duplo significado. O termo cheio não está empregado no seu sentido original, que é o de aroma, perfume. Através do conhecimento sobre a vida do jogador Maradona, perceberemos que a palavra cheiro representa a forma cômica do ato de drogar-se.
Por meio da polifonia é possível identificar várias vozes no discurso nos dizendo quem é Maradona, o que ele faz, seu comportamento e sua nacionalidade. Enfim, percebemos que este texto humorístico traz marcas históricas e sociais que contribuem para a compreensão do seu sentido global.

Caso II: Quarto barato
Um homem chega na cidadezinha do interior e, ao procurar o hotel, estranha os preços das diárias: havia diária de cem reais, uma de cinqüenta reais e outra de dez reais. O capiau atende e explica:
– Na de cem reais tem TV a cabo e sauna. Na de cinqüenta reais não tem sauna. Na de dez reais tem que fazer a cama!
O viajante não tem dúvida:
– Fico nessa! Fazer a cama pra mim não é problema!
– Certo… Então pode pegar a madeira, os pregos e o martelo ali no fundo.

A ambigüidade é características muito relevante e presente num texto de humor. Nesta piada o que provoca o riso é o jogo de palavras e o duplo sentido decorrentes da ambigüidade do que é dito. Note que o autor brinca com o sentido da expressão fazer a cama que, em um determinado momento é interpretada no sentido denotativo e que em outro é entendida no sentido figurado.
O viajante ao ouvir essa expressão deduz que se trata de arrumar sua cama deixando-a em ordem. Tal interpretação não é valida para o dono do estabelecimento que compreende a sentença fazer a cama no seu sentido real, ou seja, de construir o objeto utilizando madeira, pregos e martelo.
Outro fator que contribui para que a piada alcance a sua finalidade humorística é o absurdo. Para Gil, “o absurdo ocorre quando se contraria o senso comum, quando se escapa ao conhecimento estabelecido” (1991, p. 82). Na piada o absurdo está presente nos variados preços das diárias e no fato de fabricar uma cama em um hotel, mesmo sendo em uma cidadezinha do interior.

Caso III: A carta
Um guarda de trânsito ao ver que um caminhão está sendo dirigido por um cachorro, ficou muito assustado e perguntou:
– Onde está a carta?
O cachorro não entendeu bem, e respondeu:
– Por acaso eu fiquei de escrever para você?

O absurdo é um fator predominante nesta piada que se apresenta através da personificação de um animal, neste caso, um cachorro. As atitudes humanas atribuídas ao ser irracional vai contribuir para gerar o riso.
O ápice da piada é provocado pela confusão quanto ao sentido da palavra carta. Observe que nas duas ocorrências ela apresenta sentidos diferentes: primeiramente é utilizada equivalendo “habilitação, documento que atesta aptidão e o direito de alguém dirigir um veículo”; no segundo momento este sentido é desfeito e a palavra carta passa a ser utulizada no seu sentido mas comum, significando comunicação manuscrita ou impressa endereçada a uma ou várias pessoas.
Observe que este jogo com o sentido das palavras que vai despertar o prazer no discurso, onde aguardamos ansiosos pelo novo sentido que a palavra carta irá assumir.

Caso IV: Adão e Eva
E Eva disse a Adão:
– Adão, você me ama?
E ele em sua infinita sabedoria:
– E eu lá tenho escolha.

Ao lermos esta piada, automaticamente vem em nossa mente outro texto. Para que se possa ser ativado este outro texto em nossa memória é preciso ter um conhecimento prévio, no entanto, este conhecimento poderá não ser essencial, mas contribui para que haja pluricidade de sentidos. A elaboração desta piada tem por base a história de Adão e Eva no paraíso, se o leitor não tiver relacionado esta piada com o texto bíblico a compreensão não será adequada.
O que provoca o riso é o fato de como só existia a Eva no paraíso Adão era praticamente obrigado a ficar com ela, pois não havia outra mulher para escolher.

Caso V: Fumo e trago
Numa festa o secretário do presidente fila um cigarro.
O presidente comenta:
– Não sabia que você fumava.
– Eu fumo, mas não trago.
– Pois devia trazer.

O humor contido nesta piada é erguido por meio de duas formas verbais que se originam de verbos diferentes: tragar e trazer.
O termo trago na piada possui um sentido de fumar, porém o presidente entende esta expressão como trazer, fazendo uma crítica ao seu funcionário por não possuir cigarros sendo ele um fumante.
O equívoco com relação a esse termo provém da língua portuguesa que origina uma semelhança entre as formas trago, que é presente do indicativo do verbo trazer, e que possui a mesma forma ortográfica do verbo tragar, quando conjugado.
O engraçado nesta piada é a interpretação ambígua do presidente que confunde os dois verbos e por ele repreender seu funcionário por não estar portando cigarros, ao invés de repreendê-lo por ser fumante.

Caso VI: O padre e a velha governanta
Aquele pader havia sido nomeado recentemente para a paróquia. Instalou-se na casa paroquial que lhe estava destinada e, imediatamente a velha governanta veio se queixar dos problemas que a casa tinha:
Seu teto está com goteiras, padre. Seu fogão está velhíssimo e sua geladeira não funciona. Sua televisão está sem som… e por aí a fora.
– Minha filha, repondeu o padre, esta casa não é só minha, é sua também, na verdade de todos os nossos paroquianos… Porque você não diz nosso teto, nossa televisão.
– Passaram-se algumas semanas, e um dia o bispo veio visitar o padre. Estavam os dois conversando muito sossegado, quando a governanta entra de repente na sala e declara:
– Padre, tem um rato no nosso quarto, debaixo de nossa cama.

Nesta piada estão presentes palavras, nos casos os pronomes possessivos, que propiciam duplicidade de sentido. No início da piada o padre e a governanta tiveram um diálogo sobre a utilização dos pronomes, e concordaram em utilizar ao invés de seu o pronome possessivo nosso, quando se referissem aos objetos da casa.
Quando um novo personagem, que não tinha conhecimento do acordo, entra na história, ao escutar a governanta dirigir-se ao padre utilizando a expressão nosso quarto, nossa cama, deduz que os dois mantem um relacionamento amoroso. É nesse fato que está inserido o cômico da piada, pois o emprego do pronome possessivo vem a provocar a duplicidade de sentidos.

Caso VII: Briga
Dois garotos brigavam furiosamente na rua.
Um senhor passa por eles e separa a briga.
– Você não tem vergonha? Bater num menino menor que você, seu covarde!
E o menino:
– O senhor queria o quê? Que eu ficasse esperando ele crescer?

Quase sempre, o humor nas piadas não está no texto em si, mas na falta de sintonia entre o texto e o contexto discursivo.
Ao lembrar que um dos participantes da briga era maior que o outro, o homem pretendia fazer o garoto refletir sobre um dado cultural do mundo em que vivemos que afirma que numa briga deve haver igualdade de condições entre os participantes. Notamos neste contexto a presença da polifonia discursiva, que remete a uma regra de que um lutador só pode bater em alguém de seu tamanho. O problema é que um dos garotos estava violando essa regra e por isso foi taxado de covarde.
Pela resposta do garoto é possível extrair algumas pressuposições acerca da intenção lingüística estabelecida entre ele e o senhor. O garoto pode ter ouvido e compreendido bem a fala de seu interlocutor, mas não ter concordado com a crítica. Ou o garoto ouviu, mas não percebeu a intenção comunicativa da fala de seu interlocutor.

Caso VIII: Concerto ou conserto?
O português foi convidado pelo amigo brasileiro para assistir a um concerto de piano. No intervalo do espetáculo o amigo pergunta ao português:
– E aí? Está gostando do concerto de piano?
– O gajo tocou tão bem que eu nem havia percebido que o piano estava quebrado.

Nesta piada o que provoca o humor é a confusão feita com o significado da palavra concerto. O problema, na realidade, é que concerto (harmonia, acordo, espetáculo musical) se confunde na fala com conserto (reparo, reforma), pois são palavras homônimas homófonas, isto é, possuem sons iguais, escritas diferente e significados diferente. Por isso, o personagem não entendeu a pergunta feita pelo seu interlocutor.
A temática desta piada gira em torno do discurso pejorativo com relação ao indivíduo natural de Portugal, que é caracterizado como ignorante. Note que o português não é capaz de identificar o significado da palavra concerto, mesmo estando num espetáculo musical.

Caso IX: Registrando
Manoel teve um filho e foi registrá-lo no cartório:
– Que nome você gostaria de dar ao seu filho?
– Arquibancada do Vasco.
– Mas como Arquibancada do Vasco? Você não sabe que esse tipo de nome é proibido? Seu filho não pode ter esse nome.
– Mas por que não? É um nome normal como qualquer outro. Meu filho tem até um coleguinha com um nome semelhante.
– Seu Manoel, isso é proibido. Eu não posso fazer isso. Vamos ver… Qual o nome do coleguinha do seu filho?
– Geraldo Santos.

A piada chama a atenção para o caso em que a cadeia da fala é passível de segmentações alternativas, orientando para a segmentação relevante em função do contexto.
O hilário da piada é o nome que o pai quer colocar no filho, no caso, Arquibancada do Vasco, por pensar que o nome do coleguinha do menino se referia a “geral do Santos”, isto é, uma parte d estádio de futebol.
As pessoas não costumam separar palavras na fala, esse é um hábito que adquirimos na escrita. Por isso, há falas que apresentam duas segmentações diferentes, resultando em sentidos diferentes. Ao fazer uso do enunciado Geraldo Santos o pai se refere a uma parte do estádio de futebol, ao invés do nome próprio. O que ocorre nessa piada é um fenômeno semântico denominado da ambigüidade de segmentação.
Outro fator que contribui para o riso é a presença da polifônia. Podemos perceber no contexto discursivo a presença de várias vozes que pressupõe que o pai seja um torcedor fanático pelo time carioca Vasco da Gama, a ponto de querer colocar no filho o nome Arquibancada do Vasco.

Caso X: Cadelinha
O patrão dá uma bronca no caseiro:
– Olha, seu José, não deixa a sua cadela entrar novamente na minha casa! Ela está cheia de pulgas!
No mesmo instante, o caseiro vira-se para a sua cadelinha:
– Teimosa, vê se não entra mais na casa do patrão! Lá tá cheio de pulgas.

Podemos perceber que na piada o pronome ela é um dêitico, isto é, uma forma lingüística cuja referência só pode ser entendida através do contexto. É importante enfatizar o comportamento desse pronome na piada pois ele é responsável em estabelecer condições que ultrapassam um simples contexto.
Como é possível perceber, no texto há dois sentidos possíveis para o pronome ela podendo se referir tanto a cadela quanto a casa. Essa confusão quanto ao referente é que possibilita a produção do humor nesta piada, pois os sentidos são passíveis de equívocos.

CONCLUSÃO

A problemática da significação é uma das características que empobrecem o ensino da língua materna. A pouca atenção reservada ao estudo do significado é supérfluo se comparado ao tempo dedicado ao trabalho com a ortografia e a acentuação.
A significação das palavras pode nos oferecer um vasto campo de estudos e através desse artigo concluimos que a análise das piadas mostra um novo ângulo de análise. É tarefa do lingüista debruçar sobre esses textos humorísitcos e explicar não o que as piadas significam, mas como funcionam, descrevendo as chaves lingüísticas que são um meio que desencadeia o riso.
Esperamos que esse artigo tenha sido útil no sentido de ampliar os conhecimentos a respeito dos fenômenos semânticos nas piadas. Constatamos que o texto humorístico oferece uma enorme fonte de mecanismos lingüísticos que podem ser trabalhados pelos lingüistas.

REFERÊNCIA

GUIRAUD, Pierre. A Semântica. 5ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
ILARI, Rodolfo; GERALDI, João Wanderley. Semântica. 10ª ed. Série Princípios. São Paulo: Ática, 2003.
MARQUES, Maria Helena. Iniciação à Semântica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge e Zahar, 1996.
Site fonte: www.jurisway.org.br. Acesso em: 20/06/2008.

COMPONENTES PATRIMONIAIS

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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO
CURSO SUPERIOR DE CIENCIAS CONTABEIS

COMPONENTES PATRIMONIAIS

SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO
2-DESENVOLVIMENTO
3- CONCLUSÃO
4- REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

INTRODUÇÃO

Este modelo discursivo tem ampla visão sobre Componentes Patrimoniais e seus atributos; Bens, Direitos, Obrigações e patrimônio Líquido. Uma escolha na forma jurídica da empresa vai determinar o seu modelo de funcionamento, as opções por um determinado estatuto jurídico devem ser tomadas tendo em conta a valorização dos pontos fortes da futura empresa. É grifado também às características que melhor se adaptam às suas expectativas de desenvolvimento a exemplo dos componentes Patrimoniais. Questões como o tipo de responsabilidade, o compromisso dos bens prévios ao início da atividade, a fiscalização do negócio serão aqui abordados.

DESENVOLVIMENTO

Os bens materiais são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, bem como aqueles destinados à alienação, como bem se observa no disposto no artigo 86 do Novo Código Civil, sendo divididos em consumíveis de fato, como os alimentos, e consumíveis de direito, como o dinheiro.
Os bens imateriais são aqueles que suportam uso continuado, sem prejuízo do seu perecimento ou destruição progressiva e natural, como um carro, pois, a característica da durabilidade é imprescindível nesta diferenciação. “Para ser considerado naturalmente consumível é preciso que, com o uso, sofra destruição imediata. O bem suscetível de consumir-se ou deteriorar-se depois de um lapso de tempo mais ou menos longo não é considerado consumível… Não consumível é, portanto, a coisa que suporta uso continuado, repetido”.
Pode-se fazer um apanhado de exemplos de inconsumíveis. A roupa não é consumível, porque se gastam lentamente com o uso, assim como uma panela, um aparelho de som, um conjunto de estofado, uma mesa, “Pode haver coisa consumível, mas não fungível, por exemplo: o livreiro que expõe à venda os manuscritos de uma obra de autor”. Reputado oferece uma coisa consumível, mas infungível, por ser a única do seu gênero.
Bens consumíveis são destruídos na sua substância pelo uso normal e os não-consumíveis são aqueles cuja utilização não atinge a sua integridade.
A noção se prende a consumibilidade material e, não a deteriorabilidade a que as coisas estão sujeitas que podem até serem consideradas como inconsumíveis. Há ainda as juridicamente consumíveis, os bens que não são destruídos pelo uso, mas cuja utilização não pode ser renovada, porque implica na sua alienação.
As contas a receber, os adiantamentos concedidos e os valores a compensar decorrentes das atividades normais da empresa. É o caso das duplicatas a receber por vendas a prazo de mercadorias, dos adiantamentos os fornecedores de mercadorias, do ICMS e do IPI a recuperar são denominados direitos por funcionamento de uma empresa, para dar andamento ao patrimônio empresarial precisamos fazer girar o capital.
São as contas a receber, adiantamentos concedidos e valores a compensar decorrentes das operações não usuais às atividades da empresa. É o caso, por exemplo, de empréstimos a diretores e adiantamentos a acionistas a longo ou curto prazo que não estão relacionados ao atendimento social da Empresa, estes são denominados como direitos por financiamento.
As obrigações são todas relações jurídicas que impõe alguém uma prestação ou dever em proveito de outros. Essas relações são providas de sansão no caso do não cumprimento da obrigação, mas deixam as partes a vontade para impor regra a si mesma no ato da imposição, em principio, os particulares tem a faculdade de contratar da maneira que bem entendem, mais o limite dessa liberdade é a ordem pública, a moral e o direito. O contrato é convenção estabelecida entre duas ou mais pessoas para constituir ou extinguir entre elas uma relação jurídica patrimonial, enfim são dividas contraídas e assumidas pelas empresas e que deverão ser pagas futuramente e essas obrigações representam os valores líquidos a desembolsados como ex. Impostos a recolher, duplicatas a pagar a fornecedores, empréstimos contraídos, contribuições sociais a recolher e conseqüentemente a serem pagas, salários, férias, décimo terceiros etc. A lei configura-se como fonte imediata das obrigações, pois rege as condições determinantes do aparecimento delas, impondo ao devedor o seu cumprimento, cominado-lhe uma sanção por inadimplência: portanto não cria qualquer relações creditórias. Porém a lei em certos casos pode ser imediata, quando dela vem diretamente uma obrigação,como no caso das obrigações patrimoniais fundadas no risco profissional, que constitui um dos aspectos da teoria da responsabilidade objetiva.
Toda representação, quando positiva, o patrimônio liquido denomina a riqueza própria da empresa, livre de quaisquer obrigações. Quando o valor do patrimônio liquido for negativo , significa que a entidade tem mais dividas do que bens e direitos ou mesmo a inexistência de riqueza própria . O patrimônio líquido representa os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um determinado momento. No balanço patrimonial a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos e resultados futuros representa o PL (Patrimônio Líquido), que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas, baseado no Princípio da Entidade. O Pl é dividido em: capital social , Reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros, prejuizos acumulados etc. Pode se dizer que o patrimonio liquido é o resultado final de Bens , direitos e liquido das Obrigações Patrimoniais de uma entidade. Princípios contábeis são resultados de uma aplicação pratica das necessidades técnicas contábeis, permitindo uma comparação das demonstrações Financeiras das Empresas do mesmo setor, por criar uma uniformidade no processo contábil. A constituição do PL. e o total das obrigações com o patrimônio liquido que se encontra o resultado da situação patrimônio.
A> PE => PL > O
Ativo > PE => PATRIMONIO LIQUIDO> O

CONCLUSÃO

Após ter desenvolvido esse trabalho descobrir que para alcançarem seus objetivos as ciências precisam de princípios que devam ser identificados reconhecidos e respeitados. Na Contabilidade não e diferente existem princípios que foram criados á medida que as necessidades de controle foram surgindo obtendo assim clareza, precisão e a eficiência da situação patrimonial das Empresas.
A finalidade pratica da identificação dos Princípios Contábeis e a de servir de guia para o registro de fatos e a elaboração de demonstrações, orientando a fixação de regras. Estes princípios existem na contabilidade por serem imutáveis e impossíveis de serem desrespeitados, sob pena de negarmos os fundamentos doutrinários da contabilidade.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

IUDÍBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 5ª ed. – São Paulo: atlhas, 2000.
COSTA, Orismar Parreira. Análise das Demonstrações Contábeis. 2002.
Contabilidade Geral
Franco, Hilário – Editora Atlas – 23ª Edição – 1997.
Contabilidade Introdutória
Equipe de Professores da FEA/USP – Editora Atlas – 23ª Edição – 1998.
Contabilidade Empresarial
Marion, José Carlos – Editora Atlas – 23ª Edição – 2002.
http://www.crcro.org.br
Contabilidade Básica
Jose Manoel da Costa

O DESENVOLVIMENTO DO REALISMO NA EUROPA E NO BRASIL

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
CAMPUS DE SANTARÉM
FACULDADE DE LETRAS

O Desenvolvimento do Realismo na Europa e no Brasil

Introdução

Essa pesquisa tem como objetivo mostrar como ocorreu o desenvolvimento do realismo na Europa e, principalmente no Brasil. Além de enfatizar suas características e definir o pensamento ideológico que motivava os escritores para o realismo, busca ainda retratar quais foram os principais autores que sofreram influências realistas no Brasil e qual era a relação literária com o contexto social vivido na época do apogeu realista.

1. Origem

O Realismo é um movimento artístico que surgiu na França em 1857, quando Gustave Flaubert publica sua obra Madame Bovary, em que sua personagem principal busca um amor romântico, perfeito, mas a dura realidade, sem emoções, não permite realizar suas pretensões e ela acaba por se suicidar, a partir daí, o realismo se estende a numerosos países europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objeto de ação contra o capitalismo progressivamente mais dominador.
O realismo se inicia em Portugal com a Questão Coimbra, polemica literária entre Antero de Quental, Teófilo Braga e os jovens literatos que surgiam na década de 1860, e os representantes da geração anterior, entre os quais se destaca Castilho. No Brasil, considera-se o inicio do realismo em 1881, ano da publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

2. Características

A característica principal deste movimento foi a descrição, por abordar de temas sociais e um tratamento objetivo da realidade do ser humano. Possuía um forte caráter ideológico, marcado por uma linguagem política e de denúncia dos problemas sociais como, por exemplo, miséria, pobreza, exploração, corrupção, adultério, entre outros. Com uma linguagem clara, os artistas e escritores realistas iam diretamente ao foco da questão, reagindo, desta forma, ao subjetivismo do romantismo.
Com a revolução industrial cria-se a uma burguesia, ou seja uma sociedade rica que buscava freqüentar lugares que satisfizessem seus gostos. Foi então que iniciou uma imensa valorização do lucro, do dinheiro, enfim dos bens materiais e houve um afastamento dos valores religiosos.
Das influências intelectuais que mais ajudaram no sucesso do Realismo denota-se a reação contra as excentricidades românticas e contra as suas falsas idealizações da paixão amorosa, bem como um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ciências exatas e experimentais e pelo progresso técnico. À passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objetivo.

3. Correntes Filosóficas ligadas ao realismo

Naturalismo

Com o realismo deu-se inicio há varias correntes filosóficas ligadas a esse tema. Uma delas foi o naturalismo, onde a objetividade está presente, porém sem o conteúdo ideológico. Foi chamado de literatura experimental e teve como obra mais importante Germinal, de Emilio Zola.
No Brasil, a obra prima do naturalismo foi O Cortiço, de Aluisio de Azevedo.

Características

• Aplicação da ciência na literatura;
• Personagens que servem como protótipos das teorias cientificas;
• Aplicação de tecnologias como plano de fundo da narrativa;
• Descrição da sociedade de forma mais cientifica;
• Valorização da ciência, da experimentação.

Parnasianismo

O Parnasianismo surgiu na França opondo-se à prosa, já que foi um movimento essencialmente poético. Teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do Romantismo.
A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da autonomia da arte alheia à realidade. O nome da escola vem do termo grego “Parnassus”, o qual indica o lugar mitológico onde as musas moravam.
No Brasil, o parnasianismo está representado por Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.

Características

• Arte pela arte: sem influências da realidade nas formas ou conteúdos;
• Objetividade: em oposição ao sentimentalismo exacerbado;
• Culto da forma: ao contrário do descuido formal dos românticos;
• Impessoalidade: negação ao sentimentalismo romântico;
• Racionalismo: surge a poesia de meditação, filosófica;
• Visão carnal do amor: em oposição à visão espiritual dos românticos;
• Vênus é citada como modelo de mulher.

4. Teses Filosóficas

Segundo Salvatore D’nofre, com o fim da Revolução Industrial, o avanço das ciências naturais e da tecnologia, sentencia uma imensa resistência contra os sistemas abstratos, típicos da fase romântica.
Salvatore afirma:
“O progresso da humanidade, do ponto de vista intelectual e cientifico, levou a crença de que o homem pudesse resolver todos os problemas existenciais e sociais pelo descobrimento das causas biopsiquicas (raça), dos condicionamentos ambientais (meio) e das determinações temporais (momento histórico)”.
Para Salvatore D’nofre, a frustração advinda com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, através da fracassada Revolução Francesa e pelos sangrentos episódios de 1848, ocasionaram duras criticas à burguesia francesa, que fixava-se no egoísmo e no individualismo. Em efeito a essa realidade surge um novo culto à sociedade, a “Sociolatria”, que objetivava o progresso da coletividade.
Salvatore relata também que o complexo cultural da segunda metade do século XIX é denominado de materialismo, nas variadas formas. Positivismo, Determinismo, Evolucionismo, Liberalismo Sociologismo, entre outras. Destacarei algumas:
• Positivismo: O pai da filosofia positivista foi o pensador Frances Augusto Comte (1798-1857). Para ele, as coisas para serem verdadeiras precisam ser experimentadas.
• Determinismo: O homem é produto da raça, do meio.
• Evolucionismo, de Charles Darwin: Na cadeia alimentar sobrevive os mais fortes.
• Biologismo de Lamarck: Na cadeia alimentar tudo se transforma.
• Teoria do Social, de Spencer: A sociedade se organiza através da necessidade que cada uma tem.

5. Objetivos Ideológicos

Compromisso com a verdade: Retrata o que é, não o que gostaríamos que fosse. Repudia, portanto, o fantástico, o extraordinário, o sobrenatural.
Interpretação da vida: O artista não documenta apenas a realidade, mas procura compreendê-la, descobrir o sentido das ações e dos temperamentos humanos.
Contemporaneidade: Qualquer motivo de conflito do homem com o seu ambiente pode ser assunto artístico.
Descrição de Caracteres: Seguindo a opinião de Aristóteles de que a fábula é mais importante do que os personagens.

6. Principais Defensores

Em Portugal: Emerge a figura grandiosa de Eça de Queiroz (1845-1900), o maior escritor português da escola realista. Suas obras de destaque são: O crime do padre Amaro, em que retrata a lasciva e insensibilidade do clero de sua época; O primo Basílio, onde ataca o falso moralismo da sociedade burguesa e Os Maias.
No Brasil: Podemos citar Julio Ribeiro com a obra A Carne; O Cortiço, de Aluisio Azevedo; Bom Crioulo, de Adolfo Caminha; Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva; O Missionário, de Inglês de Sousa; Luiza – Homem, de Domingos Olimpio; O Ateneu, de Raul Pompéia.
Mas o maior escritor da época do realismo é, sem duvida Machado de Assis (1839-1908), gloria da literatura brasileira e figura de projeção internacional pelo caráter universalizante de sua ficção. Suas principais obras são: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó e Memorial de Aires.

7. Relação Literária com o Contexto Histórico da Época

Cria-se um contexto acentuadamente cientificista onde ganham espaço a experimentação, a observação, a pesquisa, a busca objetiva da verdade, enfim, uma atitude racional diante da vida. Os tumultos sociais, resultantes do conflito incipiente entre capital e trabalho, exigem do artista uma participação consciente no mundo.
Já não há mais lugar para a fantasia, o sentimentalismo, o subjetivismo. Veremos mais especificamente este novo conceito de literatura e a sua influência no mundo. Considerando Literatura como um documento de época, já que ela contém marcas do meio e do momento em que foi produzido, só se pode entender a maneira de ser da Literatura Realista a partir de um estudo introdutório do contexto em que ela predominou, onde reinam o materialismo e o cientificismo.
Na Ciência: A grande novidade decorrente do pensamento materialista, nessa época, é, sem dúvida, o surgimento das Ciências Naturais, no campo da Física e da Química, o acontecimento mais importante é a generalização do princípio da transformação da energia, descoberta em que se baseia a Ciência atual, pois possibilita a concepção einsteiniana da equivalência entre matéria e energia. Outra preocupação relevante é o desenvolvimento das pesquisas sobre o átomo e a molécula (Gay-Lussac e Avogrado), as buscas no campo da calorimetria, termodinâmica, telefonia, astronomia, eletromagnetismo, etc. São dessa época: o estudo da força elétrica e da quantidade de eletricidade (Coulomb), a construção da primeira pilha (Volta), a análise das relações entre campo magnético e corrente elétrica (Ampère) e a invenção do telefone (Graham-Bell).
Na Biologia/Genética, que até séculos anteriores haviam permanecido limitadas pelas concepções espiritualistas e sobrenaturais dos antigos, tornam-se imortais os nomes de: – Darwin, que em sua obra “A Origem das Espécies” funda o evolucionismo, doutrina científica que afirma a seleção natural e defende a concepção do aprimoramento progressivo das espécies de seres vivos (dos que conseguiram se adaptar ao meio e, por conseguinte, passar pelo processo de seleção natural), em especial a espécie humana (analisada como um animal como outro qualquer). – Lamark, que formula as leis da seleção natural, da qual é famosa a lei do uso e desuso de órgãos ou partes da constituição física (biológica) de um animal, responsável pela permanência ou não das espécies de seres vivos nessa evolução.
A intensificação do uso do microscópio, bem como a maior precisão metodológica com que passa a serem observados os seres vivos, também resulta em incrementos dos conhecimentos científicos: – Luis Pasteur, bacteriologista, prova que as bactérias provocam doenças e descobre a vacina anti-rábica; – Claude Bernard cria a fisiologia experimental (exames de laboratório); – Padre Gregório Mendell descobre os princípios da hereditariedade (o que possibilitou os atuais testes de DNA). Tudo isso contribui para um incalculável avanço também na Medicina, em que se descobrem as relações entre higiene e saúde: o que ainda não pode ser curado pode ser prevenido.
Na Psicologia, Skinner desenvolve uma terapia de cunho materialista: o behaviorismo, baseado em comportamentos externos tido como “anormais” nos indivíduos. Tais comportamentos são considerados reflexos do que ocorre no interior desses indivíduos.

8. Conclusão

Tendo em vista os fatores expostos nessa pesquisa sobre o Realismo europeu e brasileiro, concluo que foi de muita relevância a entrada desse pensamento mais voltado para o cotidiano da sociedade como forma de mostrar a verdadeira realidade do homem em meio à sociedade.
Toda essa argumentação deixa vivo a conexão entre a história e a literatura, sem que sejam descuidadas as especificidades dos referentes discursos. Voltando as idéias expostas, vemos que a experiência de fazer uma nova história da literatura brasileira aparece delimitada pela imagem de nação.

9. Referências:

COUTINHO, Afrânio. A Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Editora José Olímpio, 1986.
D’ONOFRIO, Salvatore. Literatura Ocidental. Ática, 1990.
LOPES, Harry Vieira. GONÇALVES, Jeosafá Fernandez. SILVA, Gonçalves da. MURRIE, Zuleika de Felice. Língua Portuguesa. São Paulo: Editora do Brasil, 2004.
Site Fonte: http://www.casaruibarbosa.gov.br/
http://www.suapesquisa.com/realismo/
http://www.mundosites.net/literatura/realismo.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Realismo

A CONTRIBUIÇÃO DA TECNOLOGIA NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS

A CONTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Sumário

Introdução
A Contribuição da Tecnologia na formação profissional
Conclusão
Bibliografia

Introdução

Não há como fechar os olhos a todos os impactos que, em pouco tempo, a tecnologia provocou nas empresas e no dia-a-dia de todos nós. Nos locais de trabalho, estamos saindo do ambiente do telefone, fax, correio, fotocópias e reuniões frente a frente. Estamos entrando num ambiente de mensagem gravada, e-mail, videoconferências, cursos à distância, através do uso de internet e intranet.
A internet permite-nos fazer conexões entre pessoas de uma corporação, entre pessoas de diversas empresas e entre corporações ou empresas. O desafio é criar sentido nessas conexões, para que se estabeleçam parcerias capazes de enriquecer-nos pessoal e profissionalmente.
O potencial dessa tecnologia, quando aplicado à aprendizagem, permite a disponibilização da capacitação em qualquer lugar e a qualquer hora e a habilidade de reunir, no momento necessário, os recursos de auxílio ao desempenho na quantidade certa, para uma dada necessidade, tais como: fóruns, chat`s, comunidades de aprendizagem etc.
Quando novas informações tornam-se acessíveis e as circunstâncias mudam, já não é possível resolver problemas com as soluções de ontem. Estamos descobrindo que aquilo que funcionava há dois anos, não vai funcionar na semana que vem.
O que nos cabe fazer? Vamos nos queixar, porque as coisas já não são como antes?
Ou, vamos usar a nossa capacidade empreendedora para descobrir novas respostas, novas soluções, novas idéias?

A Contribuição da Tecnologia na formação profissional

Nos mercados atuais, o uso estratégico da tecnologia da informação passou a desempenhar um papel fundamental na sobrevivência e crescimento das empresas.
As empresas deverão ser cada vez mais ágeis e transparentes na prestação dos seus serviços.
A informação é fundamental para a empresa moderna. Através dela é possível atingir uma situação de vantagem diante da concorrência. A empresa que utiliza a informação de forma correta consegue canalizar a sinergia de todos os colaboradores na busca da máxima satisfação do cliente. A implantação de sistemas capazes de gerenciar as informações tratadas pela empresa e definir como devem fluir dentro dela é uma meta a ser atingida.
O mercado necessita hoje de profissionais que conheçam os fundamentos da informática e que saibam utilizá-los adequadamente no desempenho de suas tarefas. Os gestores devem ter uma visão estratégica de como a tecnologia pode ser utilizada para a obtenção de vantagens competitivas, de forma a:
? Avaliar se a tecnologia está sendo utilizada de acordo com a estratégia geral da empresa;
? Avaliar os recursos utilizados na empresa (hardware e software);
? Identificar processos nos quais é possível aplicar recursos tecnológicos para otimização do trabalho;
? Utilizar a tecnologia para melhoria da qualidade dos serviços aos clientes;
? Avaliar aspectos relacionados à qualidade e segurança das informações;
? Utilizar a tecnologia para a fidelização de clientes;
? Utilizar a tecnologia para a inovação dos serviços.

Conclusão

Com a leitura deste texto, podemos perceber como o dinamismo da vida é um fato incontestável. Como é desafiante estarmos vivendo num mundo que se transforma com tanta rapidez.
Se, por um lado, a abertura comercial dos anos 90 quebrou barreiras, trazendo-nos alguns progressos, por outro lado, vemos aumentar a pobreza, a criminalidade e grande parte da população não tem trabalho. Todas estas mudanças são profundamente refletidas no mundo empresarial.
É dentro deste contexto, impactado pelas mudanças e pelos avanços tecnológicos, que emerge a figura do administrador empreendedor, a pessoa que quer e acredita que pode ter sucesso em seus negócios.

Bibliografia

01 – Andrade, Ronaldo – A Tecnologia da Informação como Ferramenta Estratégica
02 – SEBRAE – Curso Aprender a Empreender – Tema 01: O Empreendedor

CASO FORD X VOLVO

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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
APLICAÇÃO DA APRENDIZAGEM
FORD X VOLVO

Sumário

Caso Ford x Volvo
Tabela Escolas Administrativas X Problemas Caso Ford x Volvo
Plano de Ação
Conclusão
Bibliografia
Anexos

CASO
FORD X VOLVO

A Ford Motors é uma das três maiores empresa de fabricação de automóveis dos Estados Unidos, com sede em Michigan, foi fundada em 1903 por Henry Ford.
Nasceu e cresceu inserida em um sistema socioeconômico capitalista onde os meios de produção são dos empresários e não do Estado, onde a produção e a distribuição das riquezas são determinadas pelo mercado, ou seja, pela procura e oferta de bens.
A partir da década de 1970 a Ford foi triturada pela concorrência estrangeira da Toyota e Honda. Em 1999 a Ford adquiriu o modelo sueco volvo em uma tentativa de competir no mercado internacional e expandir para outras regiões. Além disso, a Ford fez uma reestruturação completa, visando restabelecer a infra estrutura da empresa, o processo significou também o corte e dispensa de pessoal e o uso de Tecnologia de Informação (TI) para ser a força motriz e a ligação entre os “Car Centers” da Ford no mundo inteiro.
Já a Volvo adquirida pela Ford, no meio dessas mudanças todas, vive em uma estrutura sócio econômica muito diferente da dos Estados Unidos. A Volvo empresa da Suécia vive em um sistema sócio econômico social democrata, em uma sociedade onde a interferência do Estado é muito grande, paternalista, onde o Estado oferece uma ampla rede de serviços sociais e muita padronização.
Neste estudo de caso o principal problema é a aquisição da Volvo pela Ford, o que levaria a uma reestruturação da Volvo, ocorrendo muitas mudanças para os funcionários. Então a principal questão é: “Como a Ford deve passar a administrar sua fábrica na Suécia?”
Em consequência dessa aquisição, surgiram muitos outros problemas como modificação na forma de produção, o que segundo a Administração Cientifica se caracteriza pelo estabelecimento de novos parâmetros de produção, necessidade de treinamento, revisão dos padrões de qualidade e produtividade e divisão do trabalho. Na Escola das Relações Humanas vamos verificar alteração das condições de trabalho e na Teoria Contingencial seria a possibilidade de implantação da terceirização dos serviços intermediários.
Outro problema seria a ameaça a estabilidade dos funcionários no emprego, onde com base na Teoria Clássica se caracteriza pela possibilidade de perda de benefícios, surgimento de instabilidade e rotatividade. Na Escola das Relações Humanas teremos desestruturação de equipes de trabalho e grupos informais insatisfeitos.
Por fim teríamos mais um problema que seria de disciplina, que na Teoria Clássica se caracteriza por possíveis problemas diante de novas normas organizacionais. Já na Teoria Comportamental teremos possíveis problemas relacionados às expectativas/recompensa e alteração dos parâmetros de reconhecimento profissional.
Assim podemos concluir que a chegada da Ford na Volvo provocou inúmeros problemas que teriam de ser solucionados da melhor forma possível.

PLANO DE AÇÃO

Como já vimos o grande problema deste estudo de caso é: “Como a Ford deve passar administrar sua fábrica na Suécia?”
Desta grande questão surgiram muitas outras questões, ou seja, muitos outros problemas que teriam de ser solucionados, questões como: preocupação dos funcionários da Volvo em perder os benefícios adquiridos, em acontecer mudanças na forma de trabalho existente, em perder a estabilidade no emprego e em ter perdas na qualidade de vida, todas elas pertinentes, mas com certeza mudanças iriam acontecer e todos iam ter que se adaptar e se adequar a essas mudanças.
As soluções para o grande problema da Ford na administração da volvo são muitas e aqui destacamos duas: A Ford deixa tudo como está ou promoveria uma mudança radical na empresa.
Devido ao quadro de mudanças radicais que a Ford vinha promovendo em suas estruturas, uma reengenharia nos seus “Car Centers” espalhados em mais de 200 países, a solução mais adequada seria uma mudança radical na empresa o que levaria a colocar a Volvo no mesmo plano das outros centros da Ford, evitando conflitos com empregados de outros centros e também seria implantado uma estrutura única em todos os centros da Ford, com a utilização de Tecnologia da Informação (TI), através de uma intranet onde as comunicações fluiriam mais fácil entre esses centros, no setor administrativo, técnico, de pesquisa, de distribuição levando a um crescimento constante e tornando a empresa competitiva e com condições de enfrentar seus concorrentes.
Com a implantação da Tecnologia da Informação (TI) levaria a um Downsizing (enxugamento) em vários cargos da empresa, ou seja, demissões para reduzir as operações ao essencial e transferir a terceiros (terceirização) as operações acidentais, sobrando assim recursos para serem investidos no essencial para o crescimento e expansão tão importantes para a Ford neste momento.
É necessários se fazer também um Benchmarking, aonde a Ford iria busca na empresa Dell, uma grande montadora e distribuidora de computadores e que tem um excelente centro de distribuição de seus produtos via internet como se dá essa distribuição e nela se espelhar para melhorar a distribuição da própria Ford.
Assim a mudanças seriam radicais, o que a principio levaria a insatisfação de empregados e possível diminuição de produtividade, mas no final todos sairiam ganhando, pois com a expansão e o aumento da qualidade, da produtividade e da competitividade da empresa, viriam juntos melhores salários e melhorias nas condições de trabalho.

CONCLUSÃO

A Ford é um exemplo de como as organizações tradicionais podem amadurecer para se adaptar ao que é atual e maximizar o valor do negócio. O processo que a Ford implantou passou a exigir o apoio contínuo da gestão. Além disso, dependia de alinhamento entre os envolvidos como uma chave para o sucesso. A correlação não ficou restrita ao pessoal interno; é extensivo aos concorrentes para alcançar benefícios mútuos, para trabalhar com fornecedores, para manter razões similares e infra estrutura adequada, e para criar programas de treinamento para educar todos sobre a visão e objetivos da organização.
A partir deste estudo de caso, eu entendi o nível de compromisso que as grandes empresas têm para manter a sua posição no mercado. Estas empresas conhecem a natureza renovável do negócio, no sentido de como é fácil cair para trás se não acompanhar a mudança. O processo de Ford mostra também a necessidade de raciocínio rápido e cheio de recursos, quando confrontado com situações que poderiam parecer desfavoráveis. A maneira como a Ford se aventurou no mercado externo através da aquisição de fabricantes locais foi uma decisão estratégica que não só permitiu a fusão da Ford com diferentes tecnologias, mas também salvou o custo adicional da criação de centros de produção no Japão e na Europa.

Bibliografia

1 – Internet – www.ead.ftc.com.br – AVA
2 – Material didático de Teoria Geral da Administração da FTC – EAD
3 – Robert D. Austin e Mark Cotteleer, “A Ford Motor Co.: maximizar o valor comercial das tecnologias da Web”.

Anexos

1 – Texto: “Gestão Americana na Suécia?”

A IMPRENSA NA SOCIEDADE

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Definição de Imprensa

Imprensa é a designação coletiva dos veículos de comunicação que exercem o e outras funções de comunicação informativa — em contraste com a comunicação puramente propagandística ou de entretenimento.
O termo imprensa deriva da prensa móvel, processo gráfico aperfeiçoado por Johannes Guttenberg no e que, a partir do século XVIII, foi usado para imprimir jornais, então os únicos veículos jornalísticos existentes. De meados do século XX em diante, os jornais passaram a ser também radio difundidos e tele difundidos (radio jornal e telejornal) e, com o advento da , vieram também os jornais online, ou ciber jornais, ou web jornais. O termo “imprensa”, contudo, foi mantido.

Definição de Propaganda

Propaganda é um modo específico de se apresentar uma informação, com o objetivo de servir a uma agenda. Mesmo que a mensagem traga informação verdadeira, é possível que esta seja partidária, não apresentando um quadro completo e balanceado do objeto em questão. Seu uso primário advém de contexto político, referindo-se geralmente aos esforços patrocinados por governos e partidos políticos. Uma manipulação semelhante de informações é bem conhecida, a publicidade, mas normalmente não é chamada de propaganda, ao menos no sentido mencionado acima.
“De forma neutra, propaganda é definida como forma propositada e sistemática de persuasão que visa influenciar com fins ideológicos, políticos ou comerciais, as emoções, atitudes, opiniões e acções de públicos-alvo através da transmissão controlada de informação parcial (que pode ou não ser factual) através de canais diretos e de mídia.”
– Richard Alan Nelson, A Chronology and Glossary of Propaganda in the United States, 1996

A Imprensa no Brasil

A história da imprensa no Brasil tem seu início em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, sendo até então proibida toda e qualquer atividade de imprensa — fossem a publicação de jornais, livros ou panfletos. Esta era uma peculiaridade da América Portuguesa, pois, nas demais colônias européias no continente, a imprensa se fazia presente desde o século XVI. A imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1808, com a criação da Impressão Régia, hoje Imprensa Nacional, pelo príncipe-regente dom João.
A informatização nos jornais do Brasil, iniciou na Folha de S. Paulo, na década de 80. A introdução de computadores na redação gerou a demissão de mais de 70 jornalistas revisores, cujo papel o computador já realizava em programas de auto-correção.
Os jornalistas mais velhos que não se adaptaram à informática também perderam seus empregos, cujas vagas foram ocupadas por jovens jornalistas provindos de faculdades e de remuneração mais baixa. Tais jovens não carregavam a visão política “panfletária” que os jornalistas mais tradicionais, de certo modo, apresentavam.
Virtualmente, a ditadura no Brasil terminou com a eleição de Tancredo Neves em 1985. Em 1989, o país voltou a eleger o seu presidente pelo voto direto, fato que não ocorria desde 1960, porém o processo de abertura e redemocratização não conseguiu democratizar as consciências e o acesso à informação de maneira profunda, pelo menos a curto prazo.
Segundo o geógrafo Milton Santos, “Não há uma real ‘democratização’ na América latina, os governos mantiveram o processo eleitoral, mas não o resto(…) Não é propriamente uma democracia porque a ampliação dos direitos efetivos não foi feitas” . Nos dias de hoje, através do celular e internet, todo mundo comunica, mas poucos analisam ou se conscientizam perante uma notícia.
O avanço da tecnologia nas redações criou uma linha industrial de produção dentro dos jornais. O tempo de uma redação é industrial, o que diminui o tempo de produção das matérias e sua apuração com a sociedade.

A Imprensa na Sociedade

Análise 1

“A cada momento, deste final de milênio, estamos sendo bombardeados por uma série de informações jornalísticas que nos levam a repensar qual seria, de fato, o papel da imprensa moderna e, até que ponto, ela conserva seu princípio ético de divulgar temas de interesse público ou se, alternativamente, ela vem explorando assuntos interessantes para o público.
Muito tem se falado na distinção existente entre a chamada grande imprensa caracterizada como séria, formadora de opinião e a pequena imprensa, que apela para aspectos popularescos, manipulando os leitores, divulgando informações sensacionalistas. Se o aspecto crítico é característica da primeira, parece correto afirmar que a função apelativa é atributo da segunda.
Se no primeiro caso o texto deve revelar sua referencialidade, fato que lhe confere valor documental, já no segundo, o texto, muitas vezes é enfraquecido, pois a palavra passa a ser mero instrumento, enquanto fotos consideradas extravagantes falam mais alto.
Conferimos assim, à imprensa genuína, a razão precípua de informar com exatidão, formando em seu leitor, o processo gerador de conhecimento consciente. Neste sentido, estamos diante do que Roland Barthes chama de “texto fetiche”, palavras que por sua elaboração textual, ganham vida e plasmam mensagens que conduzem ao texto envolvente. Ao levantarmos esta perspectiva, conferimos ao jornalista a possibilidade de engendrar matérias ” atraentes ” que o tornam um lapidador da palavra.
Em contrapartida, quando se trabalha exclusivamente com fatos bombásticos, o imediatismo faz-se presente e cria o que podemos chamar de jornalismo frívolo, que vive e se sustenta da desgraça e das banalidades que fazem parte do cotidiano.
O leitor é levado a vivenciar o processo catártico, no qual extravasa seu sucesso, ou sua tragédia pessoal. É como se a leitura lhe permitisse assumir um pacto romanesco, no qual ficção e realidade se mesclam, com a pluralidade do caleidoscópio.
Mas surge aqui um questionamento: entre a veiculação dos dois tipos de mensagem, qual a que atinge, realmente, o leitor, não só em termos quantitativos, mas também no que se refere à formação de sua essência sensível?
Não se trata aqui de um dilema entre qualidade x quantidade, mas algo muitíssimo mais amplo que se instaura na sociedade em que vivemos e que nos configura, com nitidez fotográfica, esta mesma sociedade, porque na verdade, é um símbolo de suas necessidades explícitas e também das mais recônditas…
Para analisarmos os aspectos mencionados, partiremos de um exemplo exaustivamente explorado pela mídia sensacionalista, ou não, ocorrido na primeira semana de setembro de 1997, ou melhor, na semana em que o mundo parou…
Todos os olhos se voltaram para a tragédia ocorrida em Paris na fatídica madrugada de 31 de agosto no Túnel de l’Alma. Como uma profecia fúnebre, morria em acidente automobilístico a princesa Diana de Gales e, talvez, de todo o mundo.
“Sua morte prematura provocada, quem sabe, pelo assédio dos “paparazzi” gerou o questionamento seguinte: em que medida o interesse pela aparência divulgado pela imprensa alternativa teria, em parte, responsabilidade pela exposição cruel a que “ mitos ” atuais estão sujeitos?
Segundo o historiador marxista inglês Eric Hobsbawn: “Não há dúvida de que a mídia conduziu Diana até sua morte”. Porém, cumpre olhar o reverso da moeda, visto que existem várias versões afirmando que a própria princesa teria interesse em cunhar uma imagem de embaixatriz humanitária e “rainha dos corações”, envolvendo a imprensa num jogo de sedução.
Considerações à parte, não se pode deixar de constatar que, se viva, a princesa motivava a mídia, morta, ela preencheu páginas, sem conta, nos periódicos mundiais.
No entanto, para ilustrar ainda melhor nosso questionamento inicial, outro fato, extremamente significativo, ocorreu num processo de simultaneidade ao acima descrito: a morte de madre Teresa de Calcutá.
A cobertura dada ao desaparecimento daquela que colocou toda sua vida a serviço dos empobrecidos, Prêmio Nobel da Paz em 79, não mereceu por parte da imprensa destaque comparável. Afinal, sua imagem despojada de “glamour” e voltada exclusivamente para causas humanitárias, não interessa ao leitor com a mesma intensidade… Ela não faz parte do sonho. É real, duramente real…
A linha divisória entre o interesse público e o interessante para o público é tênue e depende, em parte, do modo pelo qual é explorado sob o ponto de vista jornalístico. Neste sentido, exige grande capacidade de discernimento tanto de quem escreve, quanto de quem lê.
Concluindo, a tarefa jornalística exige a conscientização da extensão das mensagens veiculadas, balizando o alcance da intervenção da imprensa na sociedade. É desafiador conceituar processos de criação, principalmente se invocamos parâmetros fixos. Exemplificando, Mathew Parris, do “Times” de Londres, afirma : “Os jornais de prestígio só esperam os tablóides darem a primeira mordida para avançar sobre a carniça “.
Portanto, um dos grandes desafios da imprensa é buscar com precisão o direito à informação, divulgando assuntos, cujo enfoque particular, sejam significativos para a formação da opinião pública.”
Salerno, Fernando Mauro M.
(Diretor Geral de “O Vale Paraibano”
de São José dos Campos)

Análise 2
“São inúmeros os cientistas políticos, juristas, semiólogos e filósofos que se têm dedicado a analisar o papel da imprensa e a propor mecanismos destinados a evitar que esta coloque-se a serviço de grupos, contra os interesses da coletividade. Refiro-me à imprensa em sentido lato, o que inclui a televisão e o rádio. Karl Popper, por exemplo, era de opinião que o papel da imprensa – ou “quarto poder” – é o de controlar por meio das críticas outros três poderes tradicionais (executivo, legislativo e judiciário), além do poder informal, digamos assim, exercido pelos grupos econômicos e associações de classe de empresários. “Fala-se de censura”, dizia ele, a propósito da televisão, “mas são os produtores de TV que detêm o poder de censurar tudo a sua vontade, sem que se possa fazer nada” (in “Televisão: um Perigo para a Democracia”, Gradiva, Lisboa, 1.995).
Umberto Eco pergunta quem controla a imprensa. Ele mesmo responde que, num país livre, a imprensa só poderia ser controlada e criticada pela própria imprensa, e é nesse paradoxo que residem os problemas. (“Cinco Escritos Morais” Record, 1.998).
Num de seus escritos, Pierre Bourdieu mostra como a televisão, paradoxalmente, é capaz de ocultar mostrando, ou seja, mostrando uma coisa diferente do que seria honesto mostrar ou então mostrando o que é preciso mostrar, porém com uma ênfase que distorce a realidade (“Sur la télévision”, Liber Éditions, 1.997).
Noam Chomski, em palestra proferida no Rio de Janeiro há cerca de quatro anos, sob os auspícios da COPPE/UFRJ, declarou entre outras coisas que “devemos estar atentos para que a sociedade humana, integrada por seres que se comunicam entre sí, elevando lenta, porém progressivamente seus padrões de civilização e criando mecanismos cada vez mais eficientes para defender interesses individuais e coletivos, não seja transformada num agregado de células estanques, compostas, cada uma, por um indivíduo diante de sua “telinha” de computador ou de televisão, de onde recebe direta ou subliminarmente, maciças doses de propaganda (ou de instruções) que só interessam ao poder dominante, composto pelas grandes corporações, bancos, promotores de negócios, etc.”, e pelos políticos instalados no governo por tais grupos.
Creio não haver dúvida de que a democracia consiste em submeter os poderes político e econômico a um controle. É essa a característica essencial da democracia. Não deveria existir nenhum poder incontrolado, daí a importância da imprensa. Mas esta tornou-se um poder esmagador, talvez o mais forte de todos. E é assim porque toleramos seus abusos. Nenhuma democracia pode sobreviver se o poder da imprensa não for rigorosamente limitado e controlado pela sociedade.
O controle da sociedade sobre a imprensa deve começar pela elaboração de leis que proíbam, por exemplo, que grupos econômicos se associem a empresas jornalísticas ou a emissoras de rádio e televisão. E governantes inescrupulosos, como os que se atualmente estão no poder, devem ser legalmente impedidos de utilizar os meios de comunicação de massa, para fazer com que a população aceite passivamente alterações das leis vigentes, destinadas a adaptá-las a interesses pessoais, como ocorreu com a tristemente famosa emenda da re-eleição e com as imorais transgressões de dispositivos constitucionais e legais em que se basearam as privatizações de empresas importantes para a nossa autodeterminação, como a Vale do Rio Doce e as estatais do setor elétrico.
É indispensável, por outro lado, estabelecer mecanismos pelos quais a sociedade possa exercer controle sobre a qualidade de tudo o que é publicado ou transmitido, de forma a evitar que o enorme poder da imprensa escrita e eletrônica, seja empregado para fins “deseducativos”, desmoralizantes, violentos ou corruptores dos costumes. “
Carvalho, Joaquim Francisco de
(18 de abril de 2000)
Ánalise 3
Na minha opinião, a imprensa moderna, “brinca”, com as nossas emoções, pensamentos, e direitos. Ela de certa forma “programa” os nossos pensamentos e atitudes, através de fatos, propagandas, notícias, novelas, matérias, programas, filmes, e até mensagens subliminares. Se você não pensar só na imprensa, e pensar num globo, dos meios de comunicação, assim teremos aberturas, para por exemplo, o mundo da música, os filmes, logomarcas, e a internet. Voltando ao assunto das mensagens subliminares, em 1957, em algumas sessões de Férias de Amor, o publicitário americano Jim Vicary inseriu duas frases no filme:”Beba Coca-Cola” e “Coma Pipoca”, que apareciam numa velocidade de 3 mil quadros por segundo, devido a velocidade de exibição, as frases não eram percebidas pelos espectadores. Com elas, Vicary queria provar a eficácia de mensagens captadas inconscientemente pelas pessoas, as chamadas mensagens subliminares. O teste funcionou, nenhum espectador disse ter visto algo estranho na tela. Depois das sessões, a venda de Coca-Cola aumentou 58% e a de pipoca 18% no cinema em que o teste foi feito.
A imprensa de certa forma, trabalha a nossa mente, a treina, nos faz ter ideais, e opiniões, ou até mesmo, muda as nossas opiniões e ideais. Em um trecho da música Filtro Solar, o narrador diz “não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se sentir feio”, o que ele quer dizer com isso ? As revistas de beleza fazem uma apologia, a um só tipo de beleza, a beleza que se vê na televisão, passarelas, filmes, e na internet. As mulheres comuns na maioria, não são como esse tipo de mulher, não são como as atrizes modelos, cantoras, etc. Essas revistas fazem no geral, com que a mulher comum, se ache feia, faça tal dieta, compre tal produto, assim, ajudando o comércio, fazendo merchandising, e propaganda.
Você também, pode perder a conta, de quantas vezes, o programa Globo Repórter da rede globo de televisão, tem como tema, obesidade, controle de peso, dietas, em um ano. Não é errado, nos informar sobre isso, afinal, obesidade na maioria das vezes, e sinônimo de doenças do coração, diabetes, etc. Porém estar acima do peso, pode ser conveniente, para algumas pessoas, ou pode não ser, mas ao mesmo tempo ser uma dificuldade eliminar aqueles quilos a mais. A imprensa faz com que a sociedade crie um padrão de beleza, ou seja, beleza é sinônimo de magreza. O que é errado, pois ao longo dos anos com esse padrão de beleza, a sociedade foi desenvolvendo doenças, como bulimia e anorexia, para conseguir chegar a esse padrão de beleza que a sociedade exige.
Outro tipo de programação televisiva que trás conceitos, paradigmas, e apologias, totalmente erradas, são as novelas. Pode-se perceber, que o próprio Ministério Público, vem aumentando mais e mais ao longo dos anos as classificações etárias televisivas. O porquê disso, está nas próprias novelas, que mostram traição, assassinatos, trafico, mentira, maus tratos, entre outros assuntos.
É correto afirmar, que as novelas também tratam de assuntos do cotidiano que precisam ser demonstrados, como, maus tratos aos idosos em Mulheres Apaixonadas, seqüestro de crianças em Senhora do Destino, e deficiência física decorrida de acidente de trânsito em Viver a Vida, novelas todas da rede globo.
Porém há um grande apelo sexual, e para conceitos errados, é preciso mostrar expressamente, o que é certo ou errado. Porém o que é certo pra mim, pode ser errado pra você, e é por isso que o sistema acaba funcionando.
Sou assinante de uma revista, em que há uma sessão, chamada Debate, que eu gosto ! Nela, são discutidos, assuntos do dia a dia da sociedade, mostrando argumentos a favor e contra aquele determinado assunto.
Assuntos como, A publicidade deveria ser proibida para crianças ? ; Alimentos gordurosos deveriam ser proibidos nas escolas ? ; Deve haver toque de recolher para os jovens ? ; Baixar músicas e filmes de graça na internet é mesmo crime ? ; O Enem deve substituir o vestibular ? ; Meia-entrada para estudantes tem que ser controlada ? ; A idade mínima para dirigir deveria ser reduzida para 16 anos ? ; O cigarro deve ser proibido em lugares públicos ? ; O Brasil deve ter uma bomba atômica ? ; A idade mínima para beber deveria ser 16 anos ?
Mesmo que, você tenha uma opinião formada, em qualquer dos assuntos citados acima, lendo os argumentos, você quase sempre irá concordar com algo do argumento oposto, a imprensa gera uma controvérsia com aquilo que pensamos.
A imprensa também divulga muitas pessoas, que são tidas como artistas, ou astros, cantores, atores, modelos, e nós passamos a admirar essas pessoas, e muitas vezes imitá-las, idolatrá-las, sem quer que elas saibam que existimos, ou nosso nome, essa indústria da mídia, cria fãs, gera fãs clubes, e em algumas vezes essa admiração e idolatria, se torna algo possessivo, dominador, algo que não faz bem a pessoa e a sociedade, porque essa pessoa chega ao estremo de querer ser a pessoa, e de idolatrá-lo como se fosse um Deus, ou algo do gênero.
Melo, Júlia Marcelino
(28, de março de 2010)
Bibliografia
http://www.hottopos.com/mirand3/opapelda.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Propaganda
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa_no_Brasil
http://www.infoescola.com/jornalismo/imprensa-e-sociedade-brasileira/
http://www.varican.xpg.com.br/varican/Bsocial/papeldaimprensa.htm
SANTORO, André; VENTURA, Cristina. Mundo Estranho. Edição 82. Páginas 20 e 21. São Paulo, dezembro de 2008, editora Abril.

Música Corelata
Letra Original
Uprising – Muse
The paranoia is in bloom, the PR
The transmissions will resume
They’ll try to push drugs
Keep us all dumbed down and hope that
We will never see the truth around

(So come on)

Another promise, another scene, another
A package not to keep us trapped in greed
With all the green belts wrapped around our minds
And endless red tape to keep the truth confined

(So come on)

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious

(So come on)

Interchanging mind-control
come let the revolution take its toll if you could
Flick the switch and open your third eye, you’d see that
We should never be afraid to die

(So come on)

Rise up and take the power back, it’s time that
The fat cats had a heart attack, you know that
Their time is coming to an end, we have to
Unify and watch our flag ascend

(So come on)

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious

(So come on)

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious

(So come on)

Tradução
Rebelião
A paranóia está florescendo, uma propaganda
As transmissões serão retomadas
Eles tentarão empurrar drogas
Manter-nos estúpidos e esperar que
Nós não vejamos a verdade ao redor

(Então vamos)

Outra promessa, outra cena, outra
Um pacote não para nos manter presos na ganância
Com todos os “cintos verdes” amarrados em torno de nossas mentes
E uma burocracia sem fim para manter a verdade confinada

(Então vamos)

Eles não vão nos forçar
Eles irão parar de nos humilhar
Eles não vão nos controlar
Nós seremos vitoriosos

(Então vamos)

Intercâmbio de controle da mente, vem deixar a
Revolução pagar seu pedágio, se você pudesse
Balançar o relógio e abrir seu terceiro olho, você veria que
Nunca deveríamos ter medo de morrer

(Então vamos)

Erga-se e tome o poder de volta, é hora de
Os gananciosos terem um infarto, você sabe que
O tempo deles está chegando ao fim, nós temos que
Unificar e assistir a Ascenção de Nossa Bandeira

(Então vamos)

Eles não vão nos forçar
Eles Irão parar de nos humilhar
Eles não vão nos controlar
Seremos vitoriosos

(Então vamos)

(Oi) x4
(Oi) x4
(Oi) x4

Eles não vão nos forçar
Eles Irão parar de nos humilhar
Eles não vão nos controlar
Seremos vitoriosos

(Oi) x4

Conclusão

A imprensa, nada mais é, do que um conjunto de meios de informação/comunicação, que tem como objetivo, informar e noticiar, fatos ocorridos, e que ocorrem no dia a dia da humanidade, por meio de vários veículos de informação como: jornais, revistas, transmissões de rádio, telejornais, e internet.
Vim por meio de este trabalho analisar, os efeitos da imprensa na sociedade, as conseqüências da má utilização desse conjunto de veículos de informação.