ESTRABISMO

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O estrabismo é um defeito de visão que consiste numa alteração de paralelismo entre os dois eixos oculares. Manifesta-se com o desvio de um dos globos oculares para dentro, ou seja, para a base do nariz (estrabismo convergente) ou para fora (estrabismo divergente). Distinguem-se duas formas principais: paralítica e funcional.

A forma paralítica é causada pela paralisia de um ou mais músculos oculares, e manifesta-se com a impossibilidade de mover o olho para o lado do músculo paralisado e com diplopia (visão dupla). O olho estrábico fica desviado para o lado oposto àquele em que se encontra o músculo ocular paralisado, devido à força de tracção que o músculo antagonista do paralisado exerce. Assim, a paralisia do músculo recto interno provoca um estrabismo divergente, enquanto a paralisia do recto externo provoca um estrabismo convergente.

A causa mais frequente da paralisia adquirida dos músculos oculares são as perturbações vasculares (em indivíduos com doenças cardiovasculares ou diabetes), mas pode também ser originada por traumatismos, hemorragias cerebrais, doenças infecciosas locais agudas ou crónicas, esclerose com placas, sífilis, etc…

A forma funcional não está ligada a lesões paralíticas, mas sim à falta de coordenação do movimentos dos dois globos oculares. Esta forma não provoca diplopia e pode ser congénita ou adquirida, contínua ou intermitente.

Além das formas precedentes, existem outros tipos de estrabismo, em que o olho está desviado em sentido vertical. São os estrabismos ascendentes e os estrabismos descendentes.

A terapêutica dos estrabismos, conforme a gravidade dos casos, pode ser cirúrgica ou médica, com a aplicação de lentes apropriadas que corrijam os defeitos de refracção e exercícios ortópticos.

ESQUIZOFRENIA

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A Esquizofrenia caracteriza-se por um estado mental patológico cujo carácter essencial e evolutivo consiste numa progressiva dissociação dos elementos constitutivos da personalidade, o que leva à ruptura dos contactos com o ambiente e à desadaptação.

O significado etimológico de esquizofrenia valeu para sublinhar a essência da psicose (desagregação da personalidade), e, por outro, para abandonar o conceito de evolução crónica e fatal para a deterioração afectiva e psíquica; permitiu, todavia, uma extensão excessiva do seu uso a propósito de outros inúmeros distúrbios mentais, desde os síndromas confusionais à epilepsia, das neuroses obsessivas à histeria.
O termo esquizofrenia deve ser utilizado somente para indicar um grupo de psicoses de evolução diferente, que surgem precocemente (em geral, dos 15 aos 30 anos) e que, por um complexo de perturbações como a incoerência, o autismo, os fenómenos psico-sensoriais e ideativos anormais (alucinações e delírios), entre outras, se configuram em quadros psicopatológicos particulares.

Entre estes, os mais importantes são:

    • •o quadro hebefrénico, caracterizado por uma fatuidade e por uma incoerência que rapidamente descambam numa desagregação massiva da personalidade;
    • •o quadro catatónico, caracterizado pela prevalência de perturbações de psicomotricidade;
    • •o quadro paranóide, caracterizado fundamentalmente por perturbações psico-sensoriais e ideativas.
    A estes devem juntar-se os quadros de esquizofrenia simplex, espécie de evolução lenta e progressiva de uma personalidade esquizóide para o esmorecimento da afectividade, com o aparecimento de bizarrias comportamentais incompreensíveis e de esquizofrenia pseudoneurótica, também ela de evolução muito lenta.

Entre os sintomas da esquizofrenia, podem distinguir-se sintomas essenciais constantes e sintomas inconstantes.

Entre os primeiros, observam-se a ruptura da harmonia e da continuidade de toda a actividade psíquica, com inibições, bloqueios interiores, negativismo; actividade impulsiva ou então estereotipada, passividade, mimetismo, sugestionabilidade. Além disso, verifica-se a dissociação entre o eu e o mundo exterior, a polarização exclusiva sobre o próprio eu interior (autismo), resultando daí a inércia, a falta de iniciativa e a perturbação profunda da vida afectiva.

O segundo grupo de sintomas é do tipo catatónico, mas referidos ao campo psicomotor e o delírio, que é sintoma polimorfo e móvel.

Na maioria dos casos, a esquizofrenia é uma afecção de adolescência, que aparece depois da puberdade e se desenvolve durante a juventude e a idade madura. A variabilidade da sintomatologia acompanha-se de uma grande variabilidade na evolução desta doença.

Habitualmente, como já foi referido, os primeiros sintomas da esquizofrenia aparecem entre os 15 e os 30 anos; depois de uma primeira fase aguda, tem-se um período de remissão que se manifesta com menor vivacidade intelectual, com entorpecimento dos sentimentos, diminuída capacidade de contacto social; seguem-se fases de retomada da doença, que acaba por se tornar numa condição permanente.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE GRIPE A (H1N1)

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Como é que as pessoas podem ser infectadas pela Gripe A (H1N1)?

Os surtos em humanos ocorrem agora através de transmissão entre pessoas. Quando as pessoas infectadas tossem ou espirram, partículas infectadas podem instalar-se nas mãos, cair em superfícies ou dispersam-se no ar. Outras pessoas podem respirar o ar contaminado, ou tocar nas mãos ou nas superfícies contaminadas, e, deste modo, ficar expostas ao vírus. Para evitar a dispersão, as pessoas devem tapar a boca e o nariz quando tossirem, e lavar a as mãos com regularidade.

Quais são os sinais e sintomas de infeção?

Os sinais iniciais da Gripe A(H1N1) são semelhantes aos da gripe normal, tais como febre, tosse, dor de cabeça, dores musculares e nariz congestionado. Por vezes podem ocorrer vómitos e diarreia.

Até à data, existe alguma confirmação de transmissão da doença entre porcos e humanos?

Não

Porquê tanta preocupação à volta da possibilidade de uma pandemia, quando morrem milhares de pessoas todos os anos devido a epidemias sasonais?

As epidemias sasonais ocorrem todos os anos e a Organização Mundial de Saúde é capaz de tratar com vacinas para as mesmas. Uma pandemia é uma epidemia a nível mundial. É um novo vírus, para o qual as populações não terão imunidade.

Existem pessoas mais em risco do que outras?

Mais estudos são precisos para determinar se determinados estratos (idosos ou pessoas com problemas de saúde, por exemplo) estão mais em riscos do que outros. A organização Mundial de Saúde recomenda que todas as pessoas tomem as precauções necessárias para prevenir a disseminação da infecção.

Há alguma recomendação especial para as grávidas?

Sim, elas são vulneráveis. Como todas as outras pessoas, devem tomar as necessárias precauções.

Prevenção

O que posso fazer para proteger-me do vírus da Gripe A (H1N1)?

A principal fonte de transmissão desta estirpe de gripe parece ser similar à da influenza sazonal, através de partículas expelidas pela fala, tosse ou espirros. Pode prevenir a infecção evitando contacto próprio com pessoas que tenham sintomas próprios da gripe (tente manter uma distância não inferior a um metro, se possível) e tomando as seguintes medidas:

    • •evite tocar na sua boca e nariz;
    • •lave as mãos cuidadosamente com água e sabão, ou desinfecte-as com um produto à base de álcool, regularmente (especialmente se tocou na boca, nariz ou em superfícies que estão potencialmente contamindas);
    • •evite contacto próximo com pessoas que possam estar doentes;
    • •reduza, se possível, o tempo passado em multidões;
    • •melhore a circulação do ar na sua casa, abrindo as janelas;
    •mantenha hábitos saudáveis: coma comida nuritiva, mantenha-se fisicamente activo, tenha um sono adequado.

A Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de uma máscara?

Se não estiver doente não tem de usar máscara. Se estiver a tratar uma pessoa doente, poderá usar uma máscara quando estiver em contacto próximo com ela. Meta-a no lixo imediatamente depois e lave as suas mãos cuidadosamente.

Como sei se tenho Gripe A?

Não será capaz de diferenciar entre a gripe sazonal e a Gripe A sem ajuda médica. Apenas o seu médico e as autoridades de saúde poderão confirmar os casos de Gripe A.

O que devo fazer se pensar que tenho a doença?

    • •fique em casa e mantenha-se afastado da escola, do trabalho, de multidões;
    • •descanse e beba muitos líquidos;
    • •tape a sua boca e nriz quando tossir e espirrar e, se utilizar lenços, meta-os no lixo cuidadosamente. Lave as mãos imediatamente depois, com água e sabão, ou desinfecte-as com um produto à base de álcool;
    • •se não tiver um lenço à mão quando tossir ou espirrar, tape o melhor possível a sua boca com as costas do braço;
    • •utilize uma máscara para ajudá-lo a conter a difusão de partículas quando estiver perto de outras pessoas, mas certifique-se que o faz correctamente;
    • •informe a família e os amigos sobre a sua doença e tente evitar contacto com outras pessoas;
    •se possível, contacte um profissional de saúde antes de viajar para um hospital ou centro de saúde, de modo a assegurar-se que é necessário um exame médico.

O que devo fazer se precisar de cuidados médicos?

    • •Se possível, contacte as autoridades de saúde antes de se deslocar para um hospital ou centro de saúde, e descreva os seus sintomas. Explique porque é que pensa que tem Gripe A (H1N1) (por exemplo, se viajou recentemente para um país onde houve um surto). Siga as instruções que lhe forem dadas;
    • •se não conseguir entrar em contacto com as autoridades antes da deslocação, diga ao funcionário das suas suspeitas de infecção imediatamente após chegar ao local;
    •tape a sua boca e nariz durante a deslocação.

Deverei ir trabalhar se estiver com gripe mas estiver a sentir-me bem?

Não. Seja Gripe A ou gripe sazonal, deverá ficar em casa durante a duração desses sintomas. Esta é uma medida de precaução para proteger os seus colegas e as outras pessoas.

Viagens

É seguro viajar?

A Organização Mundial de Saúde não está a recomendar restrições nas viagens. Nos dias de hoje, limitar viagens e/ou impôr restrições teria muito pouco efeito em impedir a disseminação do vírus, mas seria extremamente incómodo para a comunidade internacional. O vírus H1N1 já foi confirmado em várias partes do mundo. O ênfase está agora em minimizar o impacto do vírus através da rápida identificação dos casos e em providenciar aos doentes os cuidados médicos apropriados, ao invés de impedir a sua propagação internacionalmente. Além disso, apesar da identificação dos sinais e sintomas do vírus entre viajantes poder ser uma técnica de monitorização efectiva, não é suficiente para reduzir a sua disseminação, uma vez que o H1N1 pode ser transmitido de pessoa para pessoa antes dos sintomas se começarem a desenvolver. Os viajantes podem proteger-se a si e aos outros seguindo as recomendações de viagem, que têm como objectivo a prevenção da difusão deste vírus. Os indivíduos que estão doentes deverão adiar a sua viagem e os viajantes que regressam e adoecem devem procurar os cuidados médicos necessários. Estas recomendações são medidas prudentes que podem limitar a propagação de muitas doenças contagiosas, não são a Gripe A.

Vacinas

Está já disponível alguma vacina para o vírus da Gripe A (H1N1)?

Não, mas já se está a trabalhar para desenvolvê-la. As vacinas contra a gripe geralmente contêm uma forma forma ou enfraquecida do vírus circulante. A vacina prepara o sistema imunitário para se defender contra uma verdadeira infecção. Para que a vacina proteja o melhor possível, o vírus que contém deve corresponder o mais possível à sua forma natural. Uma vez que o H1N1 é novo, não existe qualquer vacina feita com este vírus em particular. Fazer uma nova vacina da gripe poderá levar 5 a 6 meses.

GRIPE OU RESFRIADO

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Muitas vezes chamamos simples resfriados de gripe. Mas as diferenças existem e são importantes para a recuperação.

A Gripe é uma doença infecciosa aguda, contagiosa, muito difusa, provocada por um vírus específico (o vírus Influenza) que apresenta uma grande variabilidade, mesmo no decurso de uma epidemia. Isto explica porque a gripe é uma doença tão frequente e que praticamente não deixa imunidade, dada as características do agente que a provoca. Existem três tipos fundamentais do vírus da gripe: A, B e C.
A difusibilidade de que falámos é confirmada pela recordação das gravíssimas epidemias, entre as quais a de 1918, devida à grande mortalidade que provocou (15 milhões de pessoas, grande parte jovens), e que foi sem dúvida a mais grave.

Nos casos mais leves, a doença começa de maneira aguda com um quadro febril de curta duração (2-3 dias), acompanhado de angina, às vezes rinite ou traqueíte e quase sempre de uma astneia profunda com cefaleias e dores musculares e articulares; muitas vezes a tosse indica o estado inflamatório do epitélio traqueal: às vezes podem aparecer vómitos, diarreia ou dores abdominais relacionadas com uma reactividade particular do indivíduo.
Quando a tosse é insistente, seca ou com expectoração mucopurulenta abundante, deve-se suspeitar de que se tenha complicado com uma bronquite que, às vezes, pode denunciar uma marca asmatiforme com alterações respiratórias.
Também a broncopneumonia é uma complicação possível: aparece habitualmente na convalescença ou durante a efervescência, com uma brusca elevação da temperatura, com dores torácicas tipo pontada, dispneia e tosse.

A gripe pode ser perigosa, devido a estas complicações, para as pessoas mais idosas, nas quais pode apresentar uma evolução grave. A terapêutica é sintomática, isto é, com o objectivo de combater as dores e a febre: nos casos de profunda adinamia e hipotensão, está aconselhada a utilização de fármacos simpaticomiméticos.

A coisa mais normal é encontrar uma pessoa resfriada ou gripada. Quem mora em cidade grande então, nem se fala. Isso porque o aglomerado de pessoas facilita a propagação da gripe. Um simples espirro num lugar fechado pode contagiar quem está próximo, pois o vírus é transmitido através das gotículas que ficam suspensas no ar. Quando estiver gripado ou resfriado, cuidado com as mãos. Você leva a mão ao nariz, o vírus gruda em sua mão; você cumprimenta um amigo, o vírus passa para a mão dele que, sem querer, coça o nariz ou os olhos e pega a gripe.
Gripes e resfriados começam com sensação de cansaço, indisposição geral, dores musculares, cabeça pesada, febre, corrimento nasal e dor de garganta. Esse quadro considerado genericamente como gripal, na verdade, corresponde à gripe apenas numa minoria de casos.

Na prática, costumo diferenciar quadros gripais de resfriados comuns perguntando ao doente:
Apesar do mal-estar você consegue ir ao escritório, freqüentar as aulas ou realizar suas tarefas diárias?
No caso dos resfriados, o cansaço e o nariz escorrendo, não impedem os doentes de, com esforço, manter as atividades de rotina. Na gripe, não. Nos quadros gripais, o ele volta para casa e cai de cama. Não tem forças para fazer coisa alguma. Apesar de os sintomas serem semelhantes aos do resfriado, os da gripe são mais intensos, incapacitantes e duradouros.
Tanto a gripe quanto o resfriado são inflamações das vias respiratórias aéreas causadas por vírus. No entanto, a gripe ou influenza é uma doença mais grave, podendo ser fatal se acometer idosos ou pessoas debilitadas.

Resfriado comum

Não é sempre o mesmo vírus que provoca o resfriado. Existem inúmeros tipos diferentes, mas os sintomas são sempre semelhantes e se manifestam quando os vírus ultrapassam o muco protetor que reveste o nariz e a garganta, destruindo as células. Todavia, antes de morrer, elas liberam substâncias químicas que desencadeiam a inflamação e atraem os glóbulos brancos do sangue (leucócitos) para combater os vírus. Por mais surpreendente que pareça, os sintomas familiares do resfriado não são causados diretamente pelo vírus, mas sim pela reação do organismo contra eles.
Ao contrário do que se diz, friagem e umidade não são responsáveis pela ocorrência de resfriados comuns. O problema não é a temperatura baixa, mas o baixo teor de umidade do ar. Esse é o caso do ar condicionado, que muitas vezes seca o ar a ponto de provocar a desidratação do muco protetor da nasofaringe o que permite ao vírus instalar-se mais facilmente.

Recomendações

    • · Limite seu contato com pessoas resfriadas;
    • · Não toque em objetos manuseados por essas pessoas;
    • · Evite levar as mãos ao nariz e depois aos olhos ou à boca;
    • · Se estiver resfriado, para assoar o nariz, use lenços de papel descartáveis e jogue-os fora em lugar apropriado;
    • · Lave as mãos com freqüência;
    • · Mantenha a umidade do ar dos ambientes em níveis adequados;
    • · Ingira bastante líquido;
    • · Prefira alimentos que contenham vitamina C;
    • · Tome banhos quentes de chuveiro, cujo vapor alivia a congestão nasal;
    • · Não fume;
    • · Esqueça os antibióticos, pois estes combatem as bactérias, e não os vírus dos resfriados;
    · Faça uso da tradicional medicação caseira (chás com limão e mel, por exemplo), se isso lhe trouxer conforto;

Gripe

A gripe é causada pelo vírus Influenza que é altamente contagioso. Para ter-se uma idéia de sua capacidade de contágio, basta dizer que a bordo dos aviões ele pode rodar o mundo inteiro em apenas quatro dias. Em constante mutação, propaga-se com mais rapidez do que os do resfriado comum.
Esse vírus causa infecção das vias respiratórias e pode representar grave perigo para a saúde, não pelo resfriado ou pela gripe em si, mas pelas complicações que dele advêm, como sinusite e pneumonia.
Muitos casos de gripe poderiam ser evitados com a vacinação. Como os idosos são mais sensíveis às complicações da gripe, a vacina é um recurso importante para a prevenção. É aconselhável, também, que crianças e profissionais da área de saúde sejam vacinadas.
A vacina da gripe não garante proteção total, mesmo assim, quem contrair gripe depois de recebê-la, certamente terá uma forma mais benigna da doença. Seus efeitos colaterais, se aparecerem, serão fracos. Algumas pessoas sentem o corpo dolorido e as crianças podem desenvolver um estado febril de baixa intensidade.
A imunização efetiva ocorre cerca de duas semanas após a vacinação, que deve ser efetuada preferivelmente na época das campanhas, pois estas geralmente antecedem os períodos de maior incidência de contaminação.

Recomendações

Dores de cabeça, dores no corpo e febre:

    • 1) geralmente os resfriados não provocam febre nos adultos, mas a gripe, sim. Banhos prolongados, preferivelmente de imersão, com água morna podem ajudar a reduzir a febre e o desconforto que causa;
    • 2) mulheres grávidas, pessoas com histórico de úlceras e crianças não devem tomar antitérmicos e analgésicos sem ordem expressa do médico;
    3) beba muito liquido.Com febre a pessoa transpira mais. Essa perda de fluidos do organismo pode causar desidratação. Desidratação grave causa sede, diminui a micção e escurece qualquer urina produzida.

Diarréia:
Esse sintoma da gripe, raro em adultos, é comum nas crianças. O maior risco é a desidratação, portanto assegure-se de que a criança ingira bastante líquido. Bebês devem tomar soro fisiológico feito em casa (1litro de água fervida, 1colher de chá de sal, 1colher de


açúcar) ou adquirido nas farmácias.

Importante: procure o médico imediatamente se os sintomas de gripes e resfriados não desaparecerem em no máximo 10 dias ou na ocorrência de febre alta, tosse intensa, falta de ar, respiração difícil, expectoração marrom ou esverdeada, pescoço rígido, dor forte de cabeça, erupção cutânea, dor de garganta, gânglios inflamados e diarréias em crianças.
Esses sintomas podem sugerir complicações mais graves, como infecções bacterianas, meningites, sinusites e pneumonias.

A AUTONOMIA ESCOLAR NO CENTRO DO DEBATE

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Autora: Denise Carreira

A autonomia escolar ocupa lugar de destaque no debate das mudanças em curso nas políticas estaduais de educação. Em declarações e artigos de representantes da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE), publicados na imprensa, a autonomia ora aparece como princípio a ser afirmado por essas mudanças, ora como um mito a ser desconstruído, “armadilha” e até panacéia alimentada ao longo dos anos de 1980 e 1990. Nesta última perspectiva, as políticas comprometidas com a promoção da autonomia escolar são acusadas de terem gerado uma profunda fragmentação pedagógica, desorganização nas escolas e excessiva liberdade nas redes públicas de ensino, contribuindo para a queda da qualidade da educação.

Afinal, a autonomia escolar deve ser responsabilizada dessa forma? De qual autonomia está se falando? Que condições ela exige para florescer e qual a relação entre ela e a ação das secretarias de Educação?

A autonomia escolar não pode ser entendida como algo absoluto e que prescinda da ação organizada e coordenada das Secretarias por meio de suas políticas; e, muito menos, responsabilizada pelas limitações, inadequações e insuficiências dessas mesmas políticas, ao longo das últimas décadas, em garantir condições adequadas para que a autonomia escolar de fato pudesse se desenvolver em todo o seu potencial, observa Elie Ghanem.

Com base na produção de José Mario Azanha, Ghanem retomou o conceito de autonomia como “possibilidade de estabelecer novos paradigmas”, “capacidade de estabelecer normas” e como “compreensão própria das metas da tarefa educativa em uma democracia”. Em um breve giro pela história, o pesquisador mostrou como a autonomia figurou na legislação e nas políticas educacionais desde os anos de 1930, em sua tensão permanente com o contexto político do País.

Uma autonomia que desaparece em períodos ditatoriais, que se restringe à dimensão didática em outros momentos e que é afirmada enfaticamente e de forma ampla na abertura democrática na década de 1980, como processo comprometido com a partilha do poder e o estímulo a que educadores(as) e comunidades participassem das decisões das políticas educacionais, como preconizado pelo governo de Franco Montoro (1983-1987), no Estado de São Paulo.

Nos anos de 1990, a autonomia começa a ser desqualificada por alguns setores que propõem a aplicação da lógica gerencial e de prestação de serviços na gestão educacional, ao mesmo tempo em que é defendida por aqueles e aquelas que a entendem como caminho para a efetivação das políticas de descentralização e democratização das decisões políticas. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), a autonomia aparece no artigo 12, vinculada ao desenvolvimento dos projetos político-pedagógicos da escola.

Em meio a tantas tensões, afirmações e recuos, o debate sobre autonomia revela o lugar de poder da escola nos sistemas educacionais. Para Ghanem, a lógica vigente estabelece uma forte hierarquia administrativa entre secretarias e escolas, sendo que as últimas ocupam a base da pirâmide, carecendo de poder. “A escola não deveria estar acima ou abaixo, ela deve estar no centro das políticas educacionais”, afirma o professor.

O desenvolvimento da autonomia escolar depende profundamente da existência de um trabalho em equipe, que gere reflexão sobre a realidade, identificação de problemas comuns e a construção de soluções coletivas. Está também relacionado à capacidade de a escola estabelecer e alimentar vínculos com a comunidade e estimular a participação cidadã. Como viabilizar o trabalho em equipe e a relação com a comunidade em realidades escolares marcadas predominantemente por profissionais sobrecarregados(as), com muitos(as) alunos(as) por turma, sem tempo para formação, reflexão coletiva e preparação do trabalho pedagógico, atuando em várias escolas e com alta rotatividade?

Para se desenvolver plenamente, a autonomia escolar exige um conjunto de condições que as políticas educacionais ainda não conseguiram garantir, entre elas, a valorização e a formação dos(as) profissionais da educação.

Além de ferir um princípio da Constituição Brasileira, desqualificar a possibilidade da autonomia escolar e limitar os seus sujeitos ao papel de executores significa reduzir a complexidade na tarefa educativa e comprometer o potencial de mudança que se pretende estrutural. “Mudanças têm mais chance de sucesso quando são desejadas e envolvem aqueles que têm um papel vital no processo. Como se propõe uma mudança estrutural na política estadual desconsiderando-se totalmente o diálogo com os profissionais de educação? Qual a chance de sucesso?”, questiona Ghanem.

Jornal do Aluno

A professora Regina Oshiro abordou sua experiência e a de um grupo de docentes da rede estadual com os materiais fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação no início do ano letivo de 2007, para o ciclo II do ensino fundamental da rede estadual (5ª a 8ª série). Em especial, o “Jornal do Aluno” e os vídeos distribuídos como parte do Programa São Paulo Faz Escola.

Sintonizada com outras opiniões apresentadas ao longo do seminário, Regina destacou que o programa foi imposto à rede estadual sem qualquer tipo de diálogo com as equipes escolares, o que se caracterizou, para grande parte do professorado, como profundo desrespeito à sua autonomia. Apesar disso, Regina observou que uma parcela significativa dos profissionais aprovou a iniciativa da Secretaria, entendendo que o material facilitaria um cotidiano marcado pela falta de tempo para preparação das aulas.

A professora avaliou que os materiais das várias disciplinas – que estão subordinados ao objetivo principal de desenvolvimento da leitura e do raciocínio lógico-matemático – foram produzidos de forma aligeirada, com tratamento superficial e equivocado de vários conteúdos. Observou também que a implementação do Programa São Paulo Faz Escola modificou o cotidiano escolar, as dinâmicas de avaliação e colocou um novo papel para o(a) coordenador(a) pedagógico. Criticou o fato de o material e de sua aplicação serem pouco sensíveis à diversidade dos ritmos de aprendizagem dos(as)alunos(as), ao estabelecer a exigência de abordagem de uma grande quantidade de conteúdos em uma aula.

Também observou que no material há passagens que restringem o enfrentamento de problemáticas complexas – como as dificuldades vivenciadas pelo ensino noturno – a uma questão de capacidade do(a) gestor(a) escolar de coordenar ações. Em outra passagem, é minimizado o impacto das condições de trabalho no processo de aprendizagem ao se afirmar que o grande número de alunos(as) em uma classe não compromete a qualidade.

“Na base de tudo isso, existe um discurso que justifica a precarização das condições de trabalho e reforça a responsabilização dos profissionais pelos problemas da educação pública, eximindo as secretarias da necessidade urgente de garantir condições adequadas para o desenvolvimento do trabalho escolar”, afirma Regina.

A opinião de estudantes foi expressa pela aluna Carolina Roberto do Nascimento, da Escola Estadual Tide Setúbal. Segundo ela, os(as) alunos(as) foram surpreendidos(as) pela entrega do material no começo do ano. “No início, muitos acharam que poderia ser algo bom, que garantisse uma mesma qualidade de ensino para todos. Depois, começamos a achar que os conteúdos foram sendo “jogados” em cima da gente. Tudo muito rápido, sem muita discussão”.

Autonomia responsável

Gustavo de Oliveira, da Revista Nova Escola, lembrou que jornalistas têm dificuldade de acesso a informações nas secretarias: “Há muito que avançar”. E ponderou sobre a necessidade de uma “autonomia escolar responsável”, submetida a uma lógica de interesse público. “Por exemplo, não podemos deixar que uma direção mantenha livros trancados”. O repórter defendeu a necessidade que a autonomia seja construída por meio de um forte diálogo e envolvimento com a comunidade. Várias falas reforçaram a importância do controle social e da gestão democrática como bases para a autonomia escolar e do envolvimento das entidades sindicais nesse debate.

* Este texto reflete as exposições e debates empreendidos durante o “Seminário Mudanças na Educação Paulista: gestão, currículo e profissão docente”, na mesa “Autonomia político-pedagógica – alteração nas atribuições da escola e dos profissionais da educação”, que teve a participação de: Elie Ghanen, professor da Faculdade de Educação da USP; Regina Oshiro, professora da rede pública estadual na capital; e Gustavo de Oliveira, repórter da revista Nova Escola.

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

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RESUMO: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

Autora: Josilene Queiroz Santos

A Pedagogia da Autonomia é um livro pequeno em tamanho, mas gigante em otismo, que condena as mentalidades fatalistas que se conformam com a ideologia imobilizantes de que “a realidade é assim mesmo”. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a História é um tempo de possibilidades. É um “ato comunicante, co-participativo”, de modo modo algum produto de uma mente “burocratizada”. É necessário uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática.

Ensinar é algo de profundo e dinâmico, onde a qustão de identidade cultural que atinge a dimensão individual. Freire, novamentee, salienta que educar não é mera transferência de conhecimento, mas sim conscientização testemunho de vida, se não terá eficácia.
A autonomia, a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada, caso contrário, o ensino deixa de ser autêntico. ( p. 69 )

É necessário haver um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre “a autoriadade docente e as liberdades dos alunos, reiventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia”. (p.105)

Paulo Freire refere-se a mudanças reais na sociedade: no campo da econômia, à educação, à saúde (p.123), a situação atual do Brasil e nos países do terceiro mundo.

A pedagogia para Freire é “funada na ética, no respeito à dignidade e a própria autonomia do educando”. (p.11)

Nesse livro, Freire recomenda a postura crítica frente a qualquer atitude, porque essa postura crítica é o que caracteriza a “curiosidade epistemológica” e permite que, uma vez reconhecer os erros, é necessário fazer mudanças, para que haja melhora nas condições de vida de cada um, ou progresso.

Sugere que o professor leve discussões políticas para a sala de aula. Ele tem várias distorções de visão, tem uma visão excessivamente centrada no ser humano, colocando animais( inclusive mamíferos) como seres inferiores.

A docência decente, de qualidade, não se separa da afetividade que o professoe tem por seus alunos. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhececimento que o aluno traz para aescola, e de que “formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de diretrizes”. (p. 15)

Em sua análise, menciona que “não há docência sem discência”. (p.23), pois “quem forma se forma e re-forma ao forma, e quem é formado formando-se aos er formado” (p. 25)

… “Quem ensina aprende ao ensinar, é quem aprende ensina ao aprender”. (p. 25), justifica que o pensamento do professor não é superior.

Ele afirma que “não há ensinos sem pesquisa, nem pesquisa sem ensino” (p32). Para Freire, saber pensar é duvidar d esuas próprias certezas, qustionar suas verdades, os alunos terão o mesmo espírito crítico.

O professor precisa dialogar,ouvir, trocar experiência.

A educação deve servir de meio e forma para trasformação sociais. Na opinião de Paulo Freire, não é possível ao bom professor ser um completamente apolíco, no qual, ensina baseados em sua visão de mundo, mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça no professor a importância de sua tarefa político-pedagógica.

O livro inicia e finaliza, que o significado de ensinar é uma troca entre aluno e professor e que ensinar vale a pena.

AUTOR: Freire, Paulo
Pedagogia da autonomia
Edição 33
Cidade: são Paulo
Editora: paz e Terra
Ano da publicação: 1996

PRODUÇÃO DO TEXTO

INTRODUÇÃO

    • . Apresentará o papel do professor quanto o contexto atual.
    • . A importância de transformar a realidade de um país subdesenvolvidos em indíviduos críticos
    • . A educação faz toda diferença com relação a desigualdade social.
    . A dedicação à profissão.

“ENSINAR VALE A PENA”
Quanto Paulo Freire usou essa frase “ ensinar a pensar certo”, queria dizer aos professores/educadores que é necessário instigar os alunos para que busquem refletir criticamente sobre tudo que está em sua volta, ou seja, questionar as coisas que são ditas e não acreditar numa verdade pronta e acabada. Então ensinar a pensar certo , nada mais é que levar o aluno a perceber que ele pode achar suas próprias respostas.

Levar em conta a realidade do aluno, dentro do seu contexto social, suas culturas e formações indíviduais. Não só aprende o aluno mas o professor pode e deve aprender também com esse aluno.

A educação é a chave para acabar com alienação desse mundo burocrático, capitalista, desigual. Somente os ricos podem estudar em melhores escolas e terem os melhores empregos, e os pobre cada vez mais pobre. A importância de educar é fazer inserção social, política , despertar o interesse dos alunos nessa questão.

A educação não deve aparecer como um instrumento de ajuste à sociedade, que constrói mitos de uma estrutura social dominante. Ao desenvolver o senso-crítico, o homem destrói esse mito é conscientizado a compreender seu posicionamento neste mundo. Pode-se dizer que a abordagem fudamenta-se basicamente no estímulo crítico que pretende desenvolver no dujeito, que está inserido em um contexto social, econômico, político e histórico, o qual permitirá sua evolução.

O conhecimento é desenvolvido por meio do conhecimento a ser compartilhado entre o educador e educando, a educação é um processo contínuo. O professor está em processo de aprendeizagem constante, é preciso gostar de estudar, pesquisar, ser dinâmico… O educador não deve simplesmente transmitir conhecimento, mas alguém que cria as possibilidades para sua costrução ou produçaõ, o dialógo entre as partes é fundamental, o educador deve saber também escutar para que, assim, o conhecimento de ambas as partes possa ser desenvolvido. Com isso em prática, enriquecerá tanto ao professor como o aluno. O diálogo pode chegar ao objetivo: ação e reflexão. Por meio da palavra, o homem é capaz de transformar com ações o que antes havia refletido. O diálogo é uma peça fundamental, por exemplo, em uma conversa em grupo, as pessoas são capazes de debater uma situação e construir senso crítico. É capaz de indagar sobre a realidade desenvolvendo uma interação construtivista.

Ainda em nosso século, há problemas graves , números grandes de analfabetos. Parece que tem interesses políticos para que mude não mude esse quadro. Os nossos superiores poderiam se espelhar o que Paulo Freire fez, em apenass quarenta e cinco dias alfabetizar mais de quatrocentos pessoas. Pode-se conclui que não há interesses envolvidos para acabar com analfabetismo em nosso país. Percebe-se que educação que esperamos, não existe. É preciso, quanto educador fazer o que está em nosso alcance, ter em mente, os métodos, as teorias de Paulo Freire, com isso fará toda diferença.

A proposta educacional sociocultural baseia-se na construçaõ do conhecimento de forma crítica. O homem é convidado a perceber sua realidade e a questioná-la, por isso a educação é vista em sentido mais amplo, vai além do ambiente escolar. Segundo Freire, “o homem é o sujeito da educação”, portanto, a educação deve promover o indíduo e não procurar meios de adaptá-los à sociedade. A educação deve buscar na cultura popular valores que são inerentes a essa camada da população. O indíviduo deve participar de maneira ativa na construção da cultura. Diante da realidade de nosso país, a consciência crítica da realidade é imprescíndivel.

O homem com sujeito deve interagir com seu meio, através da interação chega-se ao conheceminto. O homem crítico faz toda diferença no seu contexto social, ao conscientizar-se pode tanto alterar seu meio quanto a si próprio.

Ter em mente tudo o que Paulo Freire ensinou é prioridade na vida dos que já educam e para os pretendem exercer essa função. Está em nossas mãos, tranformar o indíduo desde de sua pequeno em um ser crítico capaz de mudar a realidade de nosso país.

Como educando deve-se tomar cuidado de não fazer nenhum tipo de discriminação. Aceitar os alunos com suas diferenças culturais, religiosas…

Ter sempre em mente as palavras de Paulo Freire “ter amor pelo que faz”. Ensinar é umprocesso de troca entre aluno e professor, onde ambos adquirem e sanam dúvidas e crescem como seres humanos.

Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece um pensamento livre que “ ensinar vale a pena”.

CONCLUSÃO:
Pedagogia da Autonomia é uma obra que contém os saberes necessários e indispensávéis à uma prática educativa coerente com os padrões étnicos que regem à sociedade. Paulo Freire ao estruturar este livro levou em consideração as próprias experiências como educador em comunidades carentes. É uma obra mais voltado para métodos didáticos às comunidades de baixa renda. Analisa as questões professor-aluno, conteúdos disciplinares, aconselha que os educadores se posicionem criticamente, questionando, orietando e incentivando aos educandos a pensar e reeividicar seus direitos, influindo na sociedade. Todavia sugere que oao assumir este compromisso, o educador o assuma com ética, amor e alegria par ensianar, porque será das crianças que educamos hoje que partirão as mudanças que renovarão a sociedade brasileira.

DISFUNÇÃO SEXUAL E DEPRESSÃO

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Para o desempenho sexual há necessidade estar emocionalmente bem.

Disfunção Sexual é a incapacidade de participar do ato sexual com satisfação, devido à dor relacionada ao ato ou ao impedimento em uma ou mais fases do ciclo da resposta sexual (desejo-excitação-orgasmo-resolução). Definições a parte, Disfunção Sexual é quando a pessoa não consegue satisfação quanto ao seu desempenho sexual.

A Disfunção Sexual pode se manifestar como uma diminuição da libido (falta de desejo sexual), ou como uma alteração da excitação. Neste último caso entraria em jogo a inibição da sensação genital, a disfunção erétil, falta de lubrificação, ejaculação precoce ou retardada. Ainda faz parte do quadro de Disfunção Sexual os casos de retardo ou ausência do orgasmo, a dor durante, antes ou depois do ato sexual.

A Disfunção Sexual dos homens brasileiros foi mais bem estudada através do projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas da USP, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Sociedade Brasileira de Urologia. O estudo entrevistou 71.503 brasileiros com idade entre 20 e 103 anos em 24 estados. O resultado mostra que 54% dos brasileiros, pelo menos 25 milhões de homens, sofrem com algum problema de ereção (2003). Essa pesquisa também determinou com precisão a relação direta entre Disfunção Sexual e doenças como diabetes, hipertensão, depressão e problemas cardíacos.

Porque ocorre a Disfunção Sexual (fisiologia)

A causa da Disfunção Sexual é muito variada, multifatorial, onde se inclui também os problemas psíquicos, principalmente da Depressão, e outras doenças orgânicas, como a diabete, a hipertensão, ou mesmo o abusos de drogas e álcool, problemas hormonais, alterações nutricionais e efeitos colaterais de medicamentos. A obesidade, o colesterol alto e o fumo também são fatores de risco.

Tendo em vista a complexidade da fisiologia sexual, podemos dizer que a função sexual recebe influências de natureza central (Sistema Nervoso Central) e periférica (tudo o que não vem do cérebro). No Sistema Nervoso Central sabemos que existem alguns neurotransmissores relacionados à função sexual, como por exemplo, a Dopamina, relacionada ao desejo e à excitação. Também participam da excitação a Serotonina e a Noradrenalina. Em termos de hormônios, elaborados também no Sistema Nervoso Central, a prolactina está relacionada à excitação subjetiva e a ocitocina diretamente relacionada ao orgasmo.

Influindo na sexualidade e fora do Sistema Nervoso Central, ressaltam-se alguns hormônios, notadamente a progesterona, o estrogênio e a testosterona, todos envolvidos na deflagração do desejo sexual. Portanto, inúmeros fatores, especialmente hormônios e neurotransmissores, acham-se diretamente ou indiretamente envolvidos com a função sexual, desempenho e satisfação de homens e mulheres.

A Disfunção Sexual atinge, no Brasil, 51% das mulheres e 48 a 54% dos homens (Abdo, 2004) e essa incidência brasileira é comparável aos de outros países (Feldman,1994; Laudmann, 1999). A Disfunção Erétil é a campeã das reclamações masculinas, e a dificuldade em atingir o orgasmo, o maior problema das mulheres.

A Depressão, como um dos mais importantes fatores de risco para as dificuldades sexuais, é responsável por boa parte destes índices, causando desinteresse pela atividade sexual, conseqüentemente comprometendo o desejo, além da incapacidade de sentir prazer, próprio do estado depressivo (veja em Sintomas da Depressão). Sem desejo, o ciclo do desempenho sexual fica impedido, já no seu início. Sem vocação pra o prazer e sem o desejo, as fantasias sexuais não ocorrem e os estímulos não se efetivam. Não havendo desejo, a atividade sexual é pouca ou ausente, comprometendo o relacionamento como um todo e repercutindo em outras áreas da vida do casal.

No homem deprimido, a falta de excitação se traduz na Disfunção Erétil, chamada antes de Impotência Sexual. Trata-se da incapacidade de manter a ereção para se completar o ato sexual, fato que também irá gerar frustrações e, como um círculo vicioso, resultará em agravamento do estado depressivo.

Pelo lado feminino, a excitação sexual alterada é conhecida como frigidez, e acomete um grande número (se não a maioria) de mulheres deprimidas, tendo como conseqüência à falta de prazer ou mesmo dor durante as relações sexuais. As mulheres nessas circunstâncias evitam o ato sexual e desenvolvem um sentimento de culpa, exatamente por não se acharem aptas à função sexual que se espera das mulheres “normais”. Esse sentimento agrava ainda mais seu estado depressivo. Outro transtorno sexual freqüentemente observado entre as mulheres deprimidas, é a incapacidade de alcançar a plenitude do prazer, o que as impede de atingir o orgasmo.

A Disfunção Sexual freqüente na Depressão pode ainda piorar mais quando, infelizmente, o próprio tratamento para a depressão acaba induzindo essas disfunções. As alterações sexuais induzidas pelos antidepressivos tem alta incidência. Os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (veja em Depressão: tratamento) são espontaneamente reclamados como comprometedores da função sexual por 14,2% dos pacientes (Montejo-Gonzalez, 1997). Aliás, esses efeitos colaterais são responsáveis também pelo abandono precoce do tratamento antidepressivo.

Normalmente o tratamento antidepressivo deve se estender por seis a nove meses em pacientes de baixo risco de recaída. Deve ir até um ano naqueles que têm antecedentes pessoais ou familiares de depressão e definitivo (ou por anos) para pacientes crônicos ou que tiveram mais de três recaídas (10% a 15% dos casos). A falta de adesão à terapia antidepressiva, ou seja, o abandono do tratamento, é bastante grande. Normalmente os motivos alegados são, por ordem decrescente: estar se sentindo melhor, não suportar os efeitos adversos, desconforto em usar os remédios e, pasmem, porque o clinico recomendou parar com “essas drogas”.

Para o tratamento da Depressão em pacientes que ja se queixavam de Disfunção Sexual previamente, ou que apresentam isso como conseqüência do tratamento, é imperioso levar-se em consideração a orientação e esclarecimento quanto ao aspecto reversível da função sexual, discutir com eles as relações custo-benefício do tratamento e buscar antidepressivos com o mínimo comprometimento sexual. Neste sentido é importante orientar também a(o) parceira(o), mostrando inclusive, que os riscos da Depressão Maior são grandes, assim como das possibilidades para novo episódio depressivo se o uso da medicação for interrompido, antes do término do tratamento.

Nem todos antidepressivos são bem tolerados por todas pessoas e quanto mais seletivo for o antidepressivo sobre as estruturas do cérebro sobre as quais atua, menores são os efeitos colaterais. É bom lembrar, inclusive aos pacientes, que os medicamentos anti-hipertensivos também podem causar Disfunção Sexual, e o tratamento para hipertensão costuma se para a vida toda. Abaixo, um quadro sobre os efeitos que os antidepressivos podem, PODEM, causar:

Investigando a Disfunção Sexual

A Disfunção Sexual pode ser primária, quando estão presentes desde o início da vida sexual, ou secundárias, quando surgem depois de um período de vida sexual normal. A Disfunção Sexual pode ainda ser generalizada, quando estiver presente em todas as relações, ou situacionais, quando depender das circunstâncias.

Investigando a Disfunção Sexual primária, deve-se questionar:

    • 1. – doenças pessoais e familiares, hospitalização durante a infância;
    • 2. – experiências sexuais infantis;
    • 3. – atitudes e crenças dos pais e educadores sobre o sexo;
    4. – conflitos pessoais.

Investigando a Disfunção Sexual secundária, deve-se questionar:

    • 1. – perdas: emprego, parceiro (a), entes queridos;
    • 2. – conflitos relacionais;
    • 3. – conflitos pessoais: incapacidade de envolvimento e relacionamento;
    4. – ansiedade, medo, raiva, culpa.

Investigando a Disfunção Sexual generalizada, deve-se questionar:

    • 1. – condições médicas: endocrinológicas, neurológicas, cardíacas, renais, hepáticas, psiquiátricas;
    2. – efeito de medicamentos, especialmente anfetaminas, betabloqueadores, digoxina, interferon, metadona, cimetidina, indometacina, antidepressivos.

Investigando a Disfunção Sexual situacionais, deve-se questionar:

    • 1. – o significado do sexo, num determinado relacionamento;
    • 2. – conflitos no relacionamento com determinado (a) parceiro (a);
    Situações específicas: uso de drogas ou álcool, falta de privacidade, filhos pequenos, etc.

A pessoa deprimida pode não ter necessariamente dificuldade em “funcionar” ou em “chegar lá”, mas a falta de ânimo, interesse e disposição até para pensar no assunto. Isso aumenta ainda mais a angústia porque a pessoa não consegue corresponder ao apetite de seu par. Assim, muitas vezes, apesar dos possíveis efeitos dos antidepressivos sobre a sexualidade, o restabelecimênto do prazer e do ânimo produzidos pelo desaparecimento da Depressão restabelecem totalmente a função sexual.

Quando a Disfunção Sexual se refere ao impulso, além dos problemas emocionais, o mais provável é que o problema esteja nos hormônios. A prolactina, hormônio responsável pela produção do leite materno, inibe os neurotransmissores que ativam o desejo sexual. Na menopausa as alterações hormonais são violentas, com significativa diminuição do estrogênio, o hormônio que intumesce a mucosa da vagina preparando a mulher para o sexo. Ao mesmo tempo diminui a testosterona, que existe também no organismo feminino, porém, em quantidades menores.

Tanto o estrogênio, quanto a progesterona estão diretamente relacionados ao desejo sexual. Em cerca de 15% dos homens com mais de 40anos a testosterona diminui drasticamente. A terapia de reposição hormonal nessa fase da vida, seja no homem ou na mulher, envolve um delicado equilíbrio, sendo necesário avaliar seriamente os aspectos positivos e negativos.

Referências Bibliográficas

1. Abdo, CHN – Descobrimento sexual do Brasil. São Paulo: Summus, 2004.
2. Abdo, CHN et al. – Perfil sexual da mulher no climatério. Rev. Ginecol. Obstet., v.8, n.1, 1997.
3. Feldman, HA et al. – Impotence and its medical and psychosocial correlates: results of the Massachusetts Male Aging Study. J Urol., v.151, n.1, 1994.
4. Laumann, EO et al. – Sexual dysfunction in the United States: prevalence and predictors. JAMA. v.281 , n.6, 1999.
5. Montejo-Gonzalez, AL et al. – SSRI-induced sexual dysfunction: fluoxetine, paroxetine, sertraline, and fluvoxamine in a prospective, multicenter, and descriptive clinical study of 344 patients. J Sex Marital Ther., v.23, n.3, 1997.
6. Ballone GJ – Depressão e Disfunção Sexual (Impotência), in. PsiqWeb, internet, in. PsiqWeb

TRANSTORNOS ALIMENTARES

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Ninguém se assusta quando ouve uma adolescente magricela recusar uma mordida no sanduíche da amiga dizendo estar de regime. O uso indiscriminado de inibidores de apetite, geralmente anfetaminas, tampouco gera reprimendas mais intensas (Jornal do Brasil, 14 de outubro de 2001). Esses comportamentos, porém, podem ser um sinal de alerta para um problema mundial que atinge 1% da população feminina entre 18 e 40 anos e pode levar à morte, mas que só agora começa a receber a atenção devida no Brasil.

Os Transtornos Alimentares constituem uma verdadeira “epidemia” que assola sociedades industrializadas e desenvolvidas acometendo, sobretudo, adolescentes e adultos jovens. Quais serão os sintomas dessa epidemia emocional?

De um modo geral, o pensamento falho e doentio das pessoas portadoras dessas patologias se caracteriza por uma obsessão pela perfeição do corpo. Na realidade, trata-se de uma “epidemia de culto ao corpo” que se multiplica em uma população patologicamente preocupada com a estética corporal e afetada por alterações psíquicas relacionadas ao esquema corporal. É assim que os Transtornos Alimentares vêem aumentando sua incidência perigosamente e já começa a alarmar especialistas médicos, sociólogos, autoridades sanitárias.

A busca obsessiva da perfeição do corpo tem várias formas de se manifestar e algumas delas diferem notavelmente entre si. Existem os Transtornos Alimentares mais tradicionais, que são a Anorexia e Bulimia mas, não obstante, existem outros quadros que se estimulam e desenvolvem na denominada “cultura do esbelto”.

Os portadores da doença também desenvolvem uma obsessão pela forma física e distorcem a auto-imagem a tal ponto que se sentem gordos mesmo estando com 38 kg. O resultado é a paulatina deterioração física e mental, inicialmente com sintomas leves, tais como queda dos cabelos, até complicações cardiovasculares, renais e endócrinas tão graves que podem levar a morte.

Os professores e os pais devem ter noção dos fatores de risco da Anorexia Nervosa e da Bulimia.

Vejamos alguns fatores de risco que devem nortear uma hipótese de diagnóstico :

    • – Meninas adolescentes e adultas jovens de classe média e média-alta;
    • – Meninas que aspiraram trabalhar em atividades que enfatizam o estado de magreza do corpo (atores, modelos, bailarinas e desportistas);
    • – Ex-gordas ou com excesso de peso que se tornam obsessivas por práticas freqüente de dietas;
    • – História familiar de transtorno obsessivo-compulsivo;
    • – Baixa Auto-estima;
    • – Expectativa de grandes desempenhos (feitos);
    • – Perfeccionismo, insegurança no relacionamento social;
    – Dificuldade em identificar e expressar sentimentos.

Também podem ser traços característicos da personalidade inclinada à Anorexia Nervosa uma preocupação e cautela em excesso, medo de mudanças, hipersensibilidade e gosto pela ordem. Como se vê, são traços compatíveis com o Esprectro Obssesivo – compulsivo.
Para inclinação à Bulimia os traços característicos da personalidade seriam a impulsividade, desorganização, preferência pelo novo, fácil desmotivação, extroversão, preocupação com modismos.
Essa patologia, é significativamente agravada pela valorização desmedida que algumas culturas modernas emprestam à estética corporal, sugerindo à pessoas mais vulneráveis que seria praticamente impossível conciliar a felicidade com uma discreta “barriguinha”. m países desenvolvidos, 93% das mulheres e 82 % dos homens entrevistados estão preocupados com sua aparência e trabalham para melhorá-la. De um modo geral, desejar ter uma imagem corporal melhor não implica sofrer de algum transtorno emocional, obviamente. Entretanto, desejar ardentemente ter uma imagem corporal perfeita aumenta muito as possibilidades de que apareça algum transtorno emocional.

Há características comuns à Anorexia e à Bulimia, e existem também traços diferentes entre elas.
É na adolescência, quando a personalidade ainda não está plenamente configurada, que este tipo de obsessão se converte num pesadelo, agravado pelos modelos de perfeição e beleza que os meios de comunicação enfáticamente transmitem. Os jovens se sentem na obrigação de ter corpos perfeitos, extremamente “saudáveis”, ainda que para tal se sacrifique a saúde e o bem estar.

Que são os Transtornos Alimentares?

Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades.

Os principais tipos de Transtornos Alimentares são a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa. Essas duas patologias são intimamente relacionadas por representarem alguns sintomas em comum: uma idéia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com o peso, uma representação alterada da forma corporal e um medo patológico de engordar. Em ambos os quadros os pacientes estabelecem um julgamento de si mesmos indevidamente baseado na forma física, a qual freqüentemente percebem de forma distorcida.

O impacto que os Transtornos Alimentares exercem sobre as mulheres é mais prevalente, ainda que a incidência masculina esteja aumentando assustadoramente. A Vigorexia, por exemplo, tem sido predominante nos homens, mas já se estão detectando casos de mulheres obcecadas pelo músculo. Já os Transtornos Dismórficos acometem igualmente ambos sexos.
Em uma combinação quase fisiológica entre a aspiração de ser admirada, tornar-se famosa, ficar rica e ter sucesso (nessa ordem), estimuladas ainda por profissionais da moda de gosto anatômico extremamente duvidoso, mocinhas deixam-se abater totalmente pela inanição…. e recebem aplausos por isso.
Nessa circunstância os pais não percebem que algo está errado, a paciente dissimula e minimiza essa penúria orgânica e seu delírio dá-lhe a certeza de que é mais bonita que as outras.

HISTÓRICO

Segundo Cordas (2004), Habermas (1986, 89) descreveu um caso pioneiro altamente sugestivo de Anorexia Nervosa em uma serva que viveu no ano de 895. A jovem Friderada, após apresentar um apetite voraz e descontrolado, para tentar diminuí-lo, buscou refúgio em um convento e nele, com o tempo, foi restringindo sua dieta ate passar a efetuar longos jejuns. Embora inicialmente ainda conseguisse manter suas obrigações conventuais, rapidamente seu quadro foi se deteriorando até a sua morte, por desnutrição.

No ano de 1694, Richard Morton (Pearce, 2004) é o primeiro a relatar a Anorexia Nervosa, descrevendo o tratamento de uma jovem mulher com recusa em alimentar-se e ausência de ciclos menstruais, que acabou morrendo de inanição com suas faculdades mentais básicas preservadas.

Em 1873, o francês Charles Laségue, descreve a anorexia nervosa como uma doença autônoma denominada por ele de anorexie histérique e, descrevia o transtorno da seguinte maneira: “forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e caracteriza-se por emagrecimento extremo…” cuja “falta de apetite é …decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica…” (Cordás e Claudino, 2002).

Mas foi William Gull quem utilizou pela primeira vez a expressão “anorexia nervosa” em uma conferencia dada em Oxford (Gull, 1874): “forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e caracteriza-se por emagrecimento extremo” cuja “falta de apetite é decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica”. Gull descartou a possibilidade que uma enfermidade orgânica justificasse a anorexia.

Na mesma época e de maneira quase simultânea, se produziu a descrição da doença por Laségue (1873), qualificando-a de inanição histérica e considerando-a, da mesma forma que Gull, uma doença psicogêna (Toro,1996). No final do século XIX, em 1893, Freud descreveu um caso de anorexia tratado com hipnose, um ano mais tarde descreveu a doença como uma psiconeurose de defesa, ou neurose da alimentação com melancolia . Em 1874, William Gull descreve três meninas com quadro anoréxico restritivo denominando-o de apepsia histérica. Charcot detectou, por volta de 1889, que a idée fixe d obesité ou fobia de peso seria o elemento psicopatológico central que motivava as a anorexia em mulheres. A antiga idéia de Charcot é corroborada por Crisp, em 1980, que considerou a anorexia nervosa como um estado de fobia de peso.

Em 1903, Pierre Janet relata um caso de uma moça de 22 anos, que apresentava repulsa e vergonha de seu corpo com constante desejo de emagrecer, quadro que denominou de anorexie mental. O autor relacionou a busca intensa da magreza à necessidade de protelar a maturidade sexual e sugeriu dois subtipos psicopatológicos, obsessivo e histérico.

Foi em 1973 que Hilde Bruch propôs a psicopatologia central da anorexia nervosa estribada em três áreas de perturbação do funcionamento psíquico:

    • 1. – transtornos da imagem corporal;
    • 2.- transtornos na percepção ou interpretação de estímulos corporais, como por exemplo reconhecimento da fome e;
    3. – uma sensação paralisante de ineficiência que invade todo o pensamento e atividades da paciente.

Todos estes Transtornos Alimentares compartilham alguns sintomas em comum, tais como, desejar uma imagem corporal perfeita, em igual proporção entre a Anorexia e a Bulimia; e perceber uma distorção da realidade diante do espelho, predominantemente na Anorexia.
Um agravante é que, nas últimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais (e estupidamente frívolos) das sociedades desenvolvidas. É uma meta imposta por novos modelos de vida, nos quais o aspecto físico parece ser o único sinônimo válido de êxito, felicidade e, inclusive, saúde.

Aspectos neurológicos e sócio-culturais dos Transtornos Alimentares

Vários estudos epidemiológicos demonstram um aumento na incidência de alguns dos Transtornos Alimentares (Hsu, 1996) concomitante à evolução do padrão de beleza feminino em direção a um corpo cada vez mais magro (Garner & Garfinkel, 1980), notadamente da Anorexia e da Bulimia nervosas. A Anorexia e a Bulimia parecem ser mais prevalentes em países ocidentais e são claramente mais freqüentes entre mulheres jovens, especialmente aquelas pertencentes aos estratos sociais mais elevados destas sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores sócio-culturais.
É por isso que alguns pesquisadores entendem os Transtornos Alimentares como síndromes ligadas à cultura. As síndromes ligadas à cultura são constelações de sinais e sintomas que se restringem a determinadas culturas em função das características peculiares das mesmas.
De acordo com esta concepção, a pressão cultural para emagrecer é considerada um elemento fundamental da etiologia desses transtornos, os quais, juntamente com fatores biológicos, psicológicos e familiares acabam gerando uma preocupação excessiva com o corpo, um medo anormal de engordar e uma ansiedade marcantemente acompanhada de alterações do esquema corporal. Essas são, pois, as características da Bulimia e da Anorexia.
Em nível pessoal e neurológico, as condutas de alimentação estão normalmente reguladas por mecanismos automáticos no Sistema Nervoso Central (SNC). A sensação de fome tem origem dupla; tanto em estímulos metabólicos, quanto em receptores periféricos situados na boca e no tubo digestivo. Induz-se a sensação de apetite, que desencadeia conduta de alimentação. A sensação de saciedade faz cessar estímulos da fome e se detém o processo. As pessoas normais apresentam algumas reações adaptadas aos estímulos de fome e de sede, com respostas corretas para a saciedade.

Há tempos se sabe ser o hipotálamo o local onde se situam os centros da fome e da saciedade mas, será no córtex cerebral o local onde se desenvolvem mecanismos mais complexos relacionados à alimentação.
Embora o processo da alimentação (fome, sede, saciedade) possa parecer fisiologicamente automático e elementar, como dissemos, eles não ocorrem apenas nos elementos neurobiológicos que regulam a conduta alimentar. Eles também estão vinculados à experiências vivenciais prévias. Portanto, existem outros mecanismos mais complexos e relacionados com nossas experiências psicológicas (sentimentos de segurança, bem estar e afeto que se experimentam a através do peito materno na lactação, antecedentes pessoais de carência extrema, etc.) regulando o processo da alimentação.
Também se relacionam ao ato de comer, nossas experiências sociais, tomando-se por base o fato de que o ato de comer tenha um aspecto eminentemente social e cultural. Normalmente as características dos alimentos definem os diferentes grupos culturais. Assim, culturalmente se diz “dieta mediterrânea, comida americana, italiana, indiana…, pratos típicos, menus tradicionais…., etc”. Dessa forma, o ato de comer sempre foi e continua sendo um fenômeno de comunicação social. Através da comida o grupo social se sente reúne e se identifica, de tal forma que na maioria dos atos sociais a comida ocupa um lugar de destaque.
Devido a esses múltiplos aspectos atrelados ao comensalismo, existem muitas possibilidades de que o processo natural de alimentar-se varie no tempo e na cultura. Em algumas ocasiões a causa dos Transtornos Alimentares pode ser física, decorrente de doenças que dificultam o processo da alimentação ou alteram o aproveitamento normal dos alimentos, outras vezes, entretanto, o processo da alimentação pode alterar-se por fatores sociais, tais como a religião, cultura, status, moda etc…

Alterações Cerebrais e Transtornos Alimentares

Os pacientes com Anorexia Pura têm muitos aspectos clínicos comuns com os pacientes portadores de Bulimia, principalmente da Bulimia do tipo restritivo (de ingestão alimentar restrita). Alguns desses aspectos clínicos comuns às duas patologias seriam, por exemplo, a distorção da imagem corporal, alterações na percepção das sensações internas, fobia do ganho de peso, preocupação em manter um peso de corpo subnormal.

Estudos com tomografia por emissão de pósitrom (SPECT) mostraram haver um hipometabolismo (metabolismo abaixo do normal) em determinada região cerebral, mais precisamente na área frontal e parietal nos pacientes com Anorexia Nervosa (Tetsuro Naruo).

Esses estudos funcionais cerebrais têm mostrado que estímulos visuais de alimentos de alto teor calórico aumentam o fluxo sangüíneo cerebral regional no do giro do cíngulo, nas áreas para-límbicas de pacientes com Anorexia Nervosa. Os pacientes selecionados por Tetsuro Neruo foram divididos em três grupos: aqueles com Anorexia Nervosa, outros com com Bulimia e voluntários saudáveis. Todas as imagens foram submetidas à comparação com o espaço anatômico padrão do cérebro e alisadas a seguir. Após a análise estatística de cada imagem do cérebro, os relacionamentos entre imagens foram avaliados.

Esta análise das imagens do SPECT revelou que o fluxo do sangue da área frontal, principalmente na região do giro do cíngulo (bilateralmente), esteve diminuído significativamente no grupo de pacientes com Anorexia Nervosa, quando comparado com o grupo portador de Bulimia e com o grupo dos saudáveis.

Tais achados sugerem, possivelmente, a existência de alguma alteração funcional cerebral relevante na psicopatologia da Anorexia Nervosa. Entretanto, os trabalhos de Tetsuro Naruo mostraram também, que os pacientes com Bulimia podem apresentar uma ativação específica em determinadas regiões corticais anteriores, notadamente no hemisfério cerebral direito, quando estimulados com alimentos calóricos.

Vejamos alguns exemplos de outros Transtornos Alimentares.

1. – Anorexia Nervosa

A Anorexia Nervosa é um transtorno emocional que consiste numa perda de peso derivada e num intenso temor da obesidade. Esses sentimentos têm como conseqüência uma serie de condutas anômalas. A Anorexia Nervosa acomete preferentemente a mulheres jovens entre 14 e 18 anos.

Os sintomas mais freqüentes da Anorexia Nervosa são:

    • 1.Medo intenso a ganhar peso, mantendo-o abaixo do valor mínimo normal.
    • 2. pouca ingestão de alimentos ou dietas severas;
    • imagem corporal distorcida .
    • 3. Sensação de estar gorda quando se está magra;
    • grande perda de peso (freqüentemente em um período breve de tempo)
    • 4. Sentimento de culpa ou depreciação por ter comido
    • 5. Hiperatividade e exercício físico excessivo
    • 6. Perda da menstruação
    • 7. Excessiva sensibilidade ao frio
    8. Mudanças no caráter (irritabilidade, tristeza, insônia, etc.)

2. – Bulimia Nervosa

A Bulimia Nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo (as crises bulímicas), seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal, preocupação esta que leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde. A Bulimia Nervosa também acomete preferentemente a mulheres jovens ainda que algo maiores que em Anorexia.

Os sintomas mais freqüentes da Bulimia Nervosa são:

    • – Comer compulsivamente em forma ataques de fome e as escondidas,
    • – Preocupação constante em torno da comida e do peso,
    • – Condutas inapropiadas para compensar a ingestão excessiva com o fim de não ganhar peso, tais como o uso excessivo de fármacos, laxantes, diuréticos e vômitos auto-provocados.
    • – Manutenção do peso pode ser normal ou mesmo elevado,
    • – Erosão do esmalte dentário, podendo levar à perda dos dentes,
    – Mudanças no estado emocional, tais como depressão, tristeza, sentimentos de culpa e ódio para si mesma.

3. – Síndrome do Gourmet

As pessoas que sofrem dessa síndrome vivem preocupadas (mais que o normal) com a preparação, compra, apresentação e ingestão de pratos especiais, diferentes e e/ou exóticos. Podem continuar com esse tipo de preocupação e atividade, muito embora tenham perdido o interesse nas suas relações sociais, familiares e ocupacionais.

Acredita-se que tal alteração possa ser conseqüência de lesões ou alterações funcionais no hemisfério cerebral direito, tais como tumores, traumatismos, hemiplegia, etc.

4. – Transtorno Alimentar Noturno

É grande a incidência – de 1 a 3% da população – das pessoas que se levantam a comer pela noite, ainda que continuam dormidos. Em grande número das vezes essas pessoas não são conscientes do que fazem e não lembram de nada ao despertar. Quando lhes contam o que fizeram, negam contundentemente. A despeito desse “assaltos” noturnos à cozinha, a maioria desses pacientes faz regime durante o dia. Também ocorre em alcoolistas, drogadictos e pessoas com transtornos do sono.

Os pacientes com Síndrome do Comer Noturno geralmente comem mais de 55% das calorias totais de um dia entre 8h e 6h da manhã. Eles podem acordar várias vezes durante a noite só para comer e, concomitantemente, apresentam uma piora do humor durante a noite.

Normalmente a Síndrome do Comer Noturno não é uma patologia única, mas sim uma combinação de um transtorno alimentar, um transtorno do sono e um transtorno do humor. Embora não exista um tratamento específico, alguns medicamentos podem ser utilizados para ajudar no controle do comer noturno e nos sintomas depressivos que podem estar presentes.

5. – Pica

As pessoas com este transtorno se sentem impulsionadas a ingerir sustâncias não comestíveis: sabonete, argila, gesso, casquinhas de pintura, alumínio, cera, tijolo, etc. Trata-se de uma condição rara onde existe apetite por coisas ou substâncias não alimentares, como por exemplo, terra, moedas, carvão, sabonete, giz, tecido, etc. ou uma vontade anormal de ingerir produtos considerados ingredientes de alimentos, como diferentes tipos de farinha, batatas cruas, milho, mandioca, etc.

Para o diagnóstico de Pica esse fenômeno precisa persistir pelo menos por um mês. O nome pica vem do latim e significa pega, um pássaro do hemisfério norte renomado por comer quase de tudo que encontrar por sua frente. Pica pode ser observada em todas as idades mas em particular em mulheres grávidas e em crianças, especialmente naquelas que sofrem dificuldades em seu desenvolvimento infantil normal.

6. – Síndrome de Prader-Willy

A Síndrome de Prader-Willi é um defeito que pode afetar as crianças independentemente do sexo, raça ou condição social, de natureza genética e que inclui baixa estatura, retardo mental ou transtornos de aprendizagem, desenvolvimento sexual incompleto, problemas de comportamento característicos, baixo tono muscular e uma necessidade involuntária de comer constantemente, a qual, unida a uma necessidade de calorias reduzida, leva invariavelmente à obesidade.

Essa Síndrome deve seu nome aos doutores A. Prader, H. Willi e A. Labhart que, em 1956, descreveram pela primeira vez suas características. Acredita-se que haja um bebê com a síndrome para cada 10.000-15.000 nascimentos.

É um problema congênito associado à um tipo de retrardo mental. Essas pessoas não têm controle ao aceso à comida, comem sem parar até que acabam morrendo. Parece estar relacionado com um mau funcionamento do hipotálamo. O Prozac ajuda controlar o problema que, de momento, não tem cura.

7. – Transtorno do Comer Compulsivo

Atualmente acha-se em estudo uma terceira categoria comum de Transtorno Alimentar; o Transtorno do Comer Compulsivo (“binge-eating disorder”), na qual os pacientes apresentam episódios de voracidade fágica (episódios bulímicos) mas sem se utilizarem de métodos purgativos depois, como acontece na Bulimia Nervosa.

No Transtorno do Comer Compulsivo também não há preocupação mórbida e irracional com o peso e a forma do corpo, assim como acontece na Bulimia e na Anorexia. Estes pacientes são na maioria das vezes obesos e parecem se distinguir de obesos que não apresentam esses episódios de comer compulsivo por apresentarem mais co-morbidade psiquiátrica e pelo fato da obesidade ser de maior gravidade.

O transtorno do comer compulsivo acomete três mulheres para cada dois homens e tem uma prevalência de 2% na população geral e de 30% entre as pessoas obesas que procuram tratamento para emagrecer.

As pessoas com este transtorno apresentam freqüentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa e às escondidas, ou não deixam de comer o dia todo. Apesar desses pacientes se sentirem culpados e envergonhados por sua falta de controle, eles não apresentam atitudes compensatórias e compulsivas (vômito, laxantes…) típicas dos pacientes com Bulimia. Normalmente eles têm um histórico completo de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento. Normalmente são pessoas depressivas e obesas.

Esta compulsão alimentar incontrolável leva os pacientes a ingerir quantidades exageradas de alimentos em um curto espaço de tempo. Estes ataques de comer (binge eating) devem ocorrer com uma freqüência mínima de 2 vezes por semana para que seja diagnosticada a síndrome. Para o diagnóstico do Transtorno do Comer Compulsivo sugere-se os seguintes critérios:

Os sintomas mais freqüentes do Transtorno do Comer Compulsivo são:

1 – Episódios repetidos de “binge eating” (ataques de comer)
2 – Durante os episódios, 3 dos indicadores abaixo devem estar presentes:

    • -Comer muito mais rápido do que o normal
    • -Comer até se sentir desconfortavelmente empanturrado
    • -Comer grandes quantidades de comida, mesmo sem fome.
    • -Comer sozinho, com vergonha da quantidade.
    -Sentir-se culpado e/ou deprimido depois do episódio

Por que os Transtornos Alimentares aumentaram e acometeram preferentemente as mulheres?

Dos séculos XVII a XIX a Anorexia Nervosa recebia nomes de Anorexia Histérica, Apepsia Histérica e Compunção Nervosa, com inúmeras descrições científicas de autores famosos, como Morton (1689), Gull (1874) e Lassegue. Nestas épocas esse transtorno era considerado próprio de mulheres.

Em 1914 o doutor Simmonds descreveu este transtorno com o nome de Caquexia Hipofisária, ressaltando que era uma doença que acometia mulheres no pós-parto, as quais começavam a perder peso e acabavam morrendo. Em 1939, Otto Sheehan realizou o diagnóstico diferencial entre Caquexia Hipofisária (de origem eminentemente orgânica) e a Anorexia Nervosa.

Para entender porque vem aumentando a incidência dos Transtornos Alimentares e porque eles têm especial predileção pelo público feminino, temos que entender a “História do Comer Mal” e a “História do Valor da Magreza”.

A partir de 1925, os padrões de beleza feminina deram uma guinada muito importante. Desapareceram totalmente os tais espartilhos (usado por quase 4 séculos) do vestuário feminino, e a mulher começa a mostrar seu corpo de outra maneira. Neste ano aparecem pela primeira vez os figurinos de moda, nos quais se prega uma estilização progressiva. Essa mudança coincide com a incorporação da mulher ao esporte e começa a moda de mulheres delgadas.

Esta nova exibição do corpo feminino é definitivamente contínua e progressiva, fazendo com que a mulher se preocupe mais com sua estética corporal visível, a qual passa a ser objeto de observação e crítica sociais. Entretanto o modelo de beleza dos anos cinqüenta, como fora Marilin Monroe ou Ava Gadner, continua sendo representado por uma mulher mais cheia de curvas, mais palpável mas não gorda. E, a contar pelo entusiasmo que a imagem de Monroe provoca ainda hoje, há razões para crer-se que boa parcela da população masculina tem essa mesma preferência. Mas parece que as mulheres estão se importando cada vez menos com as preferências masculinas…

A partir dos anos 50 aumenta a preocupação com os Transtornos Alimentares. Começa o estudo das diferentes tendências de pensamento sobre esses transtornos, não só das idéias representadas pelos fatores biológicos e psicológicos, senão também dos elementos sociais e educativos que influenciavam a nova cultura da magreza.

O papel da mulher também passa a ser melhor analisado a partir dos anos 60, não só em relação à moda, mas também em relação à mudança social que se produz a partir de sua incorporação maciça no panorama ocupacional. Suspeita-se que dessa ocasião o surgimento de algumas dietas errôneas. Para isso contribuíram alguns fatores da cultura da época, tais como, a ausência de uma pessoa que se responsabilize pelos horários familiares de comida (papel tradicionalmente atribuído à mãe), o desaparecimento do hábito de comer em família e supressão da merenda e da ceia.

Todas essas alterações da conduta alimentar sofreram ainda a influência dos diferentes estilos de vida que surgiam em conseqüência das jornadas prolongadas de trabalho (tanto para homens como para mulheres), das dificuldades para traslados dos bairros distantes para os centros de trabalho e do frenético ritmo urbano que propiciava a necessidade de se comer fora de casa.

Portanto, as facilidades para se alimentar mal, juntamente com a cultura do emagrecimento, podem ter favorecido o aumento dos Transtornos Alimentares. E eles se tornaram mais comuns entre as mulheres, talvez porque a cultura da magreza fosse mais forte entre elas. Uma das características da Anorexia e da Bulimia nervosas é o medo patológico e obsessivo de engordar (mais comum entre mulheres), juntamente com um peculiar transtorno do esquema corporal.

Todas as estatísticas apontam que 90% das pessoas portadoras de Transtornos Alimentares são mulheres e, entre elas, aquelas com idade entre 14 e 18 anos, embora, hoje em dia, cada vez mais essa idade venha decrescendo perigosamente para meninas menores de 12 anos.

Os padrões de beleza atuais e a rejeição social à obesidade feminina fazem com que as adolescentes sintam um impulso incontrolável de estar tão delgadas como as “top models” que a publicidade e os meios de comunicação apresentam diariamente no glamour da glória e do sucesso.

As mensagens educativas dirigidas às jovens estimulam, sobretudo, que estas sejam muito responsáveis para conseguir êxito na vida social, profissional e familiar. Portanto, seguindo essas regras, não é casual que o perfil da jovem anoréxica (ou anorética) seja preferentemente de uma menina responsável e estudiosa, que deseja realizar corretamente seu relacionamento social e que tenha um perfeccionismo exagerado.

Um dos requisitos para se ter êxito e aceitação social é ter um físico apropriado, portanto, pelos valores culturais (das top models) é estar magra. A perda de peso, condição para se estar magra, pode realizar-se com vontade e esforço, portanto, é aqui que a jovem pode começar a ser responsável, meritosa, participativa e, incrivelmente magra.

Nos países industrializados, aos 15 anos de idade, uma a cada quatro meninas fazem regime para emagrecer, sem que, em quase nenhum caso, se constatem problemas de peso acima de uma faixa de normalidade. Respondendo a pergunta se “você se vê gorda, mesmo que os outros te vejam magra?”, 58 % das meninas de 15 anos contestaram afirmativamente a opinião dos outros que as consideravam normais, magras ou não gordas. Seria esse um indício de Distorção do Esquema Corporal?

É muito curioso observar que as lésbicas têm um índice de Transtornos Alimentares tão baixo quanto dos meninos, enquanto os meninos homossexuais têm este índice próximo ao das meninas.

Não obstante, existe um fundo de perfeccionismo corporal latente, tanto em meninos como em meninas, mas os homens têm (no momento) alguns modelos mais masculinizados, não tão delgados. É neste ponto que surge, atualmente, uma nova doença chamada Vigorexia, que consiste numa obsessão para atividade física exagerada nos meninos, especialmente em academias. Nesses casos, mais ou menos como acontece na Anorexia das mulheres, pode haver também alguma alteração no esquema corporal, de tal forma que, apesar de sua evidente massa muscular, eles se olham no espelho e se vêm enfraquecidos.

O impacto entre a população adolescente de programas de TV, sobretudo das novelas para jovens e dos vídeos musicais, influi fortemente nestas tendências supermusculares. Por outro lado, ao contrário do que podem pensar muitos, a Anorexia e a Bulimia nervosas não são doenças de meninas tontas que desejam ser magras. Esses Transtornos Alimentares acometem pessoas com perturbações emocionais e que precisam muita ajuda.

Referencias Bibliográficas:

Ballone, GJ – Transtornos Alimentares, in. PsiqWeb.

SÍNDROME DO PÂNICO OU TRANSTORNO DO PÂNICO

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A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.
Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor idéia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.

Principais Sintomas da Crise de Pânico:

A crise de pânico vem rapidamente e com severa angústia. A sua duração média é de 20 a 30 minutos, podendo variar de minutos a horas, atingindo seu ápice em aproximadamente 10 minutos. A freqüência de ocorrência das crises é variada e estas são em geral totalmente debilitantes, sendo usualmente seguidas de fadiga, conseqüência do desgaste gerado pela mesma. Os Principais sintomas de uma crise de Pânico são:

    • Dor no peito
    • Sensação de engasgo
    • Palpitação
    • Tremores
    • Falta de ar
    • Rigidez
    • Ondas de frio ou calor
    • Palidez
    • Sudorese abundante e fria
    • Reflexos intensificados (hipervigilância)
    • Formigamento das mãos e pés
    • Sensação de morte ou loucura eminente
    • Tonteira, Vertigem, Instabilidade,
    • Fraqueza, Sensação de desmaio
    Sensação de perda de controle, dificuldades no pensamento linear e lógico

Causas

Psicológicas (são as mais comuns): reação a um Stress ou a uma situação difícil cuja solução é igualmente difícil. Essa situação difícil pode ser profissional, afetiva, financeira, de saúde, etc.
Físicas: alterações no organismo provocadas, por medicamentos, doenças físicas, por abuso de álcool em drogas.
Genética familiar de Pânicoou de outros transtornos. Atenção: predisposição genética não quer dizer hereditariedade. Ou seja, Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico não passa de pai para filho, não se preocupe.
O mais comum é uma combinação de várias causas.

Sofrer de Pânico não tem nada a ver com personalidade forte ou fraca, com a pessoa ser ou não corajosa.

Como tratar ?

Tratamento Psicológico – O Psicólogo busca auxiliar o cliente no desenvolvimento de seu auto-suporte. Procura facilitar a pessoa a entrar mais em contato com suas sensações, por exemplo através do trabalho corporal (ex.: respiração). Visa proporcionar ao cliente a oportunidade de experimentar a possibilidade de correr riscos com seu próprio suporte, dentro do ambiente “seguro” proporcionado pelo espaço psicoterapêutico, solidificando sua autoconfiança.
Normalmente uma associação de tratamento psicoterápico e medicamentoso traz excelentes resultados. Lembrando que para o uso de medicamentos deve-se sempre procurar um médico.

CRISE DE VALORES

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Diante de acontecimentos que surgem esporadicamente na imprensa, sobre filhos que mandam matar os pais, netos que degolam avós, pais que matam filhos e toda sorte de crimes entre parentes próximos, algumas pessoas podem estar pensando que esse conjunto de fatos e de fenômenos denuncia uma alteração cultural ou indícios de alguma crise da própria civilização.

O assunto é antigo, vem desde a briga entre Caim e Abel. Por isso, talvez, o problema não deva ser exclusivamente na sociedade ou civilização. Em tese, o enfoque deveria ser dirigido à pessoa, que junto com outras tantas acabam compondo a sociedade, mas também não acredito que a pessoa em si, sua constituição bio-psicológica, tenha estado diferente do que tem sido há, digamos, uns 10 mil anos. Talvez o problema seja da imprensa e da mídia, essa estrutura internética e cósmica que nos oferece notícias em quantidade e velocidade inimagináveis, fazendo-nos saber desses crimes mais do que saberíamos em outras épocas.

O que parece estar acontecendo é que os comportamentos, as normas e o sentido global da vida individual e comunitária, não se inspiram em padrões éticos de valores, preferindo aluir ao sabor de critérios imediatistas, consumistas, hedonistas e pragmáticos. Num português mais direto, preferindo-se o que se pode ter agora, consumir vertiginosamente, o prazer sem conseqüências e tudo o que for mais fácil.

Embora não se possa ter certeza de que a maneira da sociedade se conduzir, hoje, seja diferente do que fora em outras épocas, pelo menos uma verdade se detecta: há, atualmente, muito maior apelo ao consumo e ao prazer do que antes. Mas o ser humano, em si, continua sendo o mesmo, tenha tido ele que usar da clava, da espada, da caneta ou do satélite, seus propósitos, anseios e paixões continuam os mesmos.
O ser humano normal sempre foi ávido de seus direitos e, supondo ser correto o ditado segundo o qual “o condenado se consola na dor do semelhante”, há uma grande tendência das pessoas que não têm as mesmas coisas e os mesmos prazeres que outras, desejarem ardorosamente uma equiparação. Talvez, em outras épocas, as pessoas não tivessem informação ou noção do que se pode ter na vida. Atualmente, através da mídia, o cidadão normal vê em sua televisão, no cinema ou nas revistas, tudo aquilo que poderia usufruir e a “vida lhe nega”.

A pessoa normal se frustra muito mais sabendo dessas coisas do que as ignorando e, a partir desse conhecimento, começa a querer também, começa a achar que seu DNA não pode ser tão diferente do DNA daquele seu “semelhante” que vive nababescamente. Se princípios éticos não forem acrescidos à formação dessas pessoas desde o berço, os meios para conquistar a pretendida igualdade tornam-se eminentemente pragmáticos e aéticos.

Talvez a poção mágica que está transformando nossa sociedade seja composta de uma perigosa combinação entre a vitrine do prazer e do consumo, oferecida pela mídia, com o fascínio da liberdade plena, pretensamente virtuosa em sua essência. Talvez, também, se o slogan da Revolução Francesa tivesse sido “Liberdade responsável, Igualdade de oportunidades e Fraternidade Tolerante”, o mundo ocidental seria diferente.

Inculca-se na pessoa desde criança, atendendo a uma leitura deficiente e incompleta de algumas correntes psicologistas, um exercício da liberdade sem limites, deixando de lado o ensinamento de que a dignidade desta liberdade reside na responsabilidade, pois o exercício da liberdade deve ser a expressão do respeito de cada pessoa em relação a si mesma e em relação ao seu semelhante. Pois bem, primeiro a mídia apetrecha a consciência humana de tudo aquilo que é possível ter, depois, a liberdade dá rédeas soltas aos meios de tê-las. Deu no que deu.

A imediatização da vida (repetindo sempre, estimulada pela mídia) exige meios mais eficientes e rápidos para a aquisição do prazer, e a liberdade, destituída de sua contra-partida que é a responsabilidade, dá, para pessoas órfãs de princípios éticos, o aval de se poder fazer o que quiser. Nas pessoas bem formadas surge uma enorme frustração em ver que os outros fazem tudo aquilo que elas não se permitem. E essas pessoas estão órfãs de ética porque? Talvez porque interesse ao mercado de consumo que as pessoas não pensem tanto, apenas consumam…

A conquista dos objetivos hedonistas através da liberdade plena, aética, amoral e estimulada pela glorificação do sucesso, fez surgir novos poderes, fragilizando aqueles em que, tradicionalmente, se assentava a sociedade. Com isso surgem sintomas de falta de confiança no sistema judicial, porque o que é legal não significa, necessariamente, moral. Esse é, aliás, um sintoma preocupante das sociedades ocidentais, onde a ordem legal se afasta, muito freqüentemente, da ordem ética. Surgem também sintomas de falta de garantias dos direitos e da dignidade, sintomas de falta de referenciais morais, perda de confiança nas instituições e nos valores.

A liberdade sexual é, hoje, um tabu onde ninguém ousa tocar, pois o policiamento dessa liberdade é extremamente opressor. Daí decorrem as doenças sexualmente transmissíveis, aumento de adolescentes que engravidam, aborto complicado e letal, medo dos relacionamentos duradouros e coisificação do amor. A instituição social gasta milhões no tratamento da AIDS, orienta e oferece preservativos gratuitamente, mas não se vê uma palavra sobre valores e preservação da dignidade da pessoa, muito pelo contrário. A televisão mostra cada vez mais cenas de sexo explícito entre pessoas que mal se conhecem, tentando convencer que o facultativo é obrigatório, como um indispensável passaporte para a modernidade.

A liberdade dos usos e costumes leva ao abuso das drogas. Nesse caso a instituição social oferece gratuitamente seringas descartáveis, gasta milhões nas internações hospitalares, etc, mas não se diz uma palavra que sugira responsabilidade no exercício da liberdade de comportamento. Aliás, parece não haver vontade para resolver esse problema de vez. A engenharia genética, se quisesse, já estaria dotada de recursos para desenvolver doenças capazes de dizimar plantações de coca, maconha e ópio.

Crianças Frustradas – Mito ou Realidade

Há um enorme conflito habitando a mente do homem moderno; por um lado, a necessidade quase imperiosa de ter sucesso, e atualmente isso significa, exclusiva-mente, sucesso financeiro. Por outro lado, o freqüente custo amargo desse sucesso.
Segundo uma tendência deteriorante da sociedade intelectóide, crianças não podem se frustrar. Se elas se sentirem diferentes de seus pares, se elas não tiverem os bens de consumo de seus coleguinhas, telefone celular, roupas de grife, dinheiro para bares, boates e afins, enfim, se elas não se inserirem totalmente no mundo consumista que contactuam na escola e na mídia, pode ocorrer uma enorme tragédia; ficam frustradas.

Diante dessa perspectiva lúgubre, os pais têm de dota-las dessa “penosa normalidade” e, para tal, têm que trabalhar muito. Às vezes tem que trabalhar o pai e a mãe e, com isso, na falta alguém para educar e orientar essas crianças, elas acabam indo parar em creches e pré-escolas. E nas creches e pré escolas o que lhes é ensinado? Bem, aí já é outra questão, muito mais longa. Além disso, essas crianças correm o risco de crescerem frustradas porque seus pais são, como se diz modernamente, ausentes.

As crianças, incluindo aqui adolescentes, que por sinal são crianças pioradas, reivindicam desde os 11-12 anos, direitos dos adultos. Elas sempre têm coleguinhas cujos pais deixam fazer de tudo, permitem tudo e dão tudo e, novamente para não crescerem frustradas, ou pior, revoltadas, recebem tudo. Depois que perdem a virgindade, se drogam e chegam em casa bêbadas, os pais se sentem culpados, novamente por terem sido ausentes. Para minimizar a culpa ou continuar furtando-se da árdua tarefa de educar, levam os filhos a psicólogos.

Agora pasmem: uma excelente reportagem intitulada Jovem sabe o que há de errado com a família, de autoria de Daniela Tófoli e publicado no Jornal da Tarde de 11/02/03 mostra-se que, na opinião dos jovens, o erro foi terem tido excesso de liberdade. Juntando essa pesquisa, sensata e, possivelmente, verdadeira, o conflito dos pais aumenta muito. O que faremos com tudo aquilo que ouvimos dos psicólogos, educadores, pediatras e psiquiatras a favor da liberdade aos filhos, agora que eles já estão no ápice dos problemas de conduta?

Algumas correntes mais fantasiosas chegam a defender a idéia de que o quarto do filho é seu espaço inviolável, que suas opções de indumentária sejam prontamente aceitas (incluindo aqui piercings, tatuagens e toda sorte de automutilação), e outras liberalidades semelhantes.
As correntes libertárias e irresponsáveis, porque nem sempre seus defensores são pais, se propagam pela mídia, desde o cinema até programas atuais como os Big Bro-thers da vida e são defendidas com furor de orgasmo por mães que anseiam, não apenas serem consideradas amigas dos filhos, como também pessoas bacanas, legais, modernas e qualquer outro adjetivo que as faça esquecer que estão envelhecendo.

Não dar liberdade aos filhos pode causar frustração, dar liberdade também, assim como dar tudo o que querem, que dizem também corromper seus futuros ou, ao contrário, não dar o que querem deixa-os revoltados…. Se os pais não se preocupam muito em ganhar dinheiro, preferindo ficar mais tempo em casa enriquecendo a convivência com os filhos e, conseqüentemente, porventura o menino não tenha dinheiro para passar as férias em Búzios com os amigos, também fica revoltado, dizendo que seus pais são perdedores, não souberam ter o sucesso que tiveram os pais dos amiguinhos. Se, por outro lado, os pais batalham na vida para que os filhos tenham dinheiro para passar as férias em Búzios, aí os pais serão ausentes, logo, os filhos são frustrados do mesmo jeito. Afinal, o que eles querem?

A grande armadilha da natureza, visando a preservação da espécie, é claro, foi fazer as pessoas acreditarem que com elas tudo será diferente, portanto, acabam tendo filhos também. E a mãe continuará tendo orgulho em se achar a melhor amiga dos filhos, esquecendo-se que amigos a gente escolhe. Talvez se ela se dedicasse a desempenhar seu papel original as coisas fossem diferente.

Algumas (sugerem-me colocar sempre esse algumas) mães não são as melhores amigas dos filhos; elas são cúmplices. Escondem do pai a maioria dos comportamentos reprováveis, são empresárias do marketing de suas filhas, “modelos ou atrizes em potencial” custe o que custar, ocultam a primeira bebedeira do filho e assim por diante.

Talvez, devido à inclinação de sentir-se sempre jovem, moderno e progressista, grande número de profissionais dedica-se a entender os adolescentes. Sua função seria plena de êxito se conseguissem fazer esses adolescentes queixosos de que ninguém os entende, entender que, de fato, ninguém tem obrigação de entendê-los. Seria meritosa sua função se convencessem os adolescentes, que vivem se queixando com o velho chavão de não terem pedido para nascer, de que seus pais também não pediram para nascer exatamente eles. Poderiam ter nascidos crianças melhores.

Em meu caso, longe de ser um consultório médico inusitado, tenho visto mais freqüentemente pais frustrados com os filhos do que o inverso. De qualquer forma, ao menos em termos de publicidade, tem sido bem menor o número de profissionais que se dedicam a compreender os pais frustrados. Não apenas frustrados porque não existe o Dia dos Adultos (como Dia das Crianças), mas também porque os pais dos amigos dos filhos são sempre melhores, porque todos (incluindo as mães cúmplices) gostariam que os pais fossem mais generosos com o dinheiro mas, ao mesmo tempo, recriminam qualquer tentativa de economizar o dinheiro suficiente para serem generosos… De fato, quando um adolescente se suicida, a sociedade tende a avaliar seus pais com olhos pouco compreensivos, mas o inverso, ou seja, quando um dos pais se suicida, ninguém olha seus filhos com malícia.

Voltando ao tema original do capítulo, concluímos que, de fato, crianças e adolescentes podem sim estar frustradas com seus pais, na mesma ou menor proporção que os pais também se frustram com elas.

Comportamento (Personalidade?) Infantil de Risco
Um tipo de comportamento infantil, quiçá algum traço marcante de personalidade (que deve ser corrigido), tem se mostrado mais vulnerável aos severos problemas de conduta no futuro. Trata-se do tipo “menino reizinho” ou “menina rainha”. É uma atitude existencial infantil bastante problemática, que não existiria sem a colaboração expressa dos pais, avós, tios, enfim, da platéia de servos que rodeia a criança.

É fácil identificar esse tipo de criança. Ela não aceita nenhum limite, impõe sempre sua vontade e questiona veementemente a autoridade. Em casa, na escola e mesmo com seus amiguinhos e familiares, a criança-rei mantém relações interpessoais conflitivas. Impõe suas exigências e utiliza teatralmente os demais para obter seus desejos. Ao lado da habitual simpatia, necessária para que sua maneira de lidar com os outros seja eficiente, são sempre muito egocêntricos e não demonstram nenhum respeito para com os sentimentos e direitos das outras pessoas. Esse traço pode vir a ser um severo problema de conduta no futuro.

Há, entretanto, uma diferença entre a criança-rei e a criança simplesmente mimada. Esta, costuma ser uma criança privilegiada, tanto no plano material como na esfera afetiva, mas se comporta dentro dos limites estabelecidos para a vida gregária harmônica, enquanto a criança-rei impõe sua vontade por quaisquer meios; chantagem emocional, gritos e berros, birra, desobediência simples, mentiras, etc.

Um dos grandes obstáculos à melhora dessas crianças costuma ser a opinião de alguns familiares, normalmente avós, que consideram essa postura arrogante e egocêntrica como se tratasse de mérito ou qualidade desejáveis da personalidade (personalidade forte, como costumam dizer). Na realidade esse raciocínio é, muitas vezes, uma defesa contra o sentimento de impotência desses familiares diante do problema.

Ao contrário do que podem pensar as pessoas que convivem com as crianças que tiranizam todos à sua volta, elas não são, obrigatoriamente, felizes. Talvez serão menos felizes ainda no futuro, quando a realidade da vida impuser limites reais às suas condutas. Portanto, para boa saúde mental e boa capacidade de adaptação à vida em geral, é imprescindível definir limites nítidos, precisos e, sobretudo, sensatos sobre o que a criança (e pessoas em geral) pode e o que não pode. E essa tarefa deve começar o mais precocemente possível.

Uma das importantes funções do estabelecimento de limites é para a criança conhecer a frustração e se adaptar à realidade, mas essa tarefa só será possível quando os pais conhecerem a diferença entre “frustração” e “sofrimento”. Tal distinção também será necessária para que se ensine à criança as noções de direitos e deveres, principalmente dos deveres. Ensinar a frustração significa ensinar a participar da vida cotidiana, a conviver com as outras pessoas e a superar os conflitos que, inexoravelmente, existirão durante toda a vida.

Crise de valores e violência
Mitos e Verdades
A intenção é comentar alguns mitos sobre criação de filhos, frustrações de crianças e coisas assim.

Escolhemos algumas questões socialmente relevantes:

– Crianças adotadas são mais problemáticas.
– Filhos de pais separados têm maior incidência de problemas emocionais.
– É culpa dos pais os filhos delinqüentes, que agridem até familiares

Mito:
Crianças adotadas são mais problemáticas.

Realidade:
De fato, estatisticamente as crianças adotadas costumam ser mais problemáticas e, inclusive, esses problemas parecem depender muito da vida que tiveram antes da adoção (em orfanatos, com pais biológicos, etc). Em tese, alguns estudos têm sugerido que as possíveis alterações no desenvolvimento de crianças adotadas podem ser estudadas juntamente com as eventuais alterações que sofre também a criança interna em orfanato. De certa forma, isso é verdadeiro em grande número de casos, partindo do pressuposto que as crianças adotadas passaram, antes, algum tempo em instituições asilares, portanto, mesmo adotadas elas carregariam as vivências da instituição.

Há ainda quem compare as possíveis alterações observadas no desenvolvimento das crianças de orfanato, com as possíveis alterações de outras crianças que vivem em seus lares mas, não obstante, também são vítimas da Negligência Precoce. São os casos onde a mãe pode até estar fisicamente presente, mas é emocionalmente distante. Veja mais em PsiqWeb.

Uma das seqüelas da criança de orfanato diz respeito à graduação ou nível em que estabelece vínculos íntimos com outras pessoas. Alguns, por um padrão de Vínculo Inseguro, costumam ser exageradamente amigáveis com todos que se aproximam, como se tentassem atrair a companhia e de alguém que lhes desse mais segurança, outros, ao contrário, parecem evitar qualquer aproximação mais calorosa, como se tivessem medo da decepção. Essas crianças parece que sentem a falta de pessoas particularmente sintonizadas com elas e, apesar disso não produzir necessariamente um evidente distúrbio de vínculo, pode fazer com que elas oscilem para mais (vínculo inseguro) ou para menos (vínculo embotado).

Nas crianças adotadas precocemente e que nem tenham tido contacto com pais biológicos e/ou instituições asilares, embora as chances de problemas diminuam, existem elementos genéticos de valor inquestionável. Uma das mais sólidas concepções acerca da Personalidade foi baseada na constituição biotipológica, segundo a qual a genética não estaria limitada exclusivamente à cor dos olhos, dos cabelos, da pele, à estatura, aos distúrbios metabólicos e, às vezes, às malformações físicas, mas também, determinaria às peculiares maneiras do indivíduo relacionar-se com o mundo: seu temperamento, seus traços afetivos, etc.

Mesmo considerando a possibilidade (superestimadas, às vezes) de que o amor e carinho consertam tudo, não se pode negar a natureza biológica do ser humano. Tendo por base nossa natural submissão ao reino animal e nossa submissão também às leis da biologia, da genética e dos instintos, os genes herdados se apresentam como possibilidades variáveis de desenvolvimento em contacto com o meio (e não como certeza inexorável de desenvolvimento).

Mito:
Filhos de pais separados têm maior incidência de problemas emocionais.

Realidade:
Estatisticamente nada tem sugerido ser diferente a incidência de transtornos emocionais entre filhos de pais separados em comparação com a incidência de filhos de pais que vivem juntos. Particularmente em meu consultório, essas incidências são absolutamente idênticas nos dois grupos.

O abandono infantil (veja Negligência Precoce), que pode muito bem acontecer em famílias de pais que vivem juntos parece ter uma importância muito maior no desenvolvimento de transtornos emocionais e de personalidade nas crianças.

Veja um trecho de artigo do site Boa Saúde, intitulado Divórcio e filhos:
“… No entanto, não se têm notícias de que a maioria dessas crianças afastada dos pais tivesse forçosamente um único destino, o de se entregarem aos vícios, ou de fracassarem na escola, ou de precisarem de assistência mental ou psicológica.
Afirmar, portanto, que a separação pura e simples gera filhos com problemas é colocar de imediato, nos filhos de pais separados, o rótulo de filhos-problema, quando eles nem sequer ainda cresceram ou demonstraram quais serão suas tendências pessoais.
Os filhos de pais separados hoje são em número praticamente equiparado aos filhos de pais que vivem juntos e o rendimento escolar, o comportamento e as emoções são difíceis de distinguir entre os dois grupos.
O que desestabiliza emocionalmente os filhos, por ocasião de um divórcio dos pais, não é a separação em si, mas como ela é administrada e muito do humor dos filhos dependerá, daí por diante, do humor, da atenção e das condições do pai ou da mãe que tiver ficado com sua guarda….” Veja o artigo todo.

É mais ou menos unânime a opinião de que a separação conjugal proporciona mudanças definitivas na maneira de viver (e de sentir a vida) de todas as pessoas envolvidas, sejam os filhos ou os pais. Entretanto, ainda que esses filhos adquiram maneiras diferentes de representarem suas vivências, isso não significa que tenham transtornos emocionais e, principalmente, que tenham mais transtornos emocionais que outras crianças. Muito mais importante que a separação conjugal do casal é a atenção e carinho que recebem as crianças para seu desenvolvimento. Veja um trecho de Danilo Perestrello sobre isso na coluna ao lado.

Judith Wallerstein, estudiosa de separações conjugais, escreve em seu livro ” Filhos do Divórcio”:

“quando os pais decidem pela separação após pensar bem e considerar cuidadosamente as alternativas, quando previram as conseqüências psicológicas, sociais e econômicas para todos os envolvidos, quando acertaram manter um bom relacionamento entre pais e filhos, então é provável que as crianças não venham a sofrer interferência no desenvolvimento ou desgaste psicológico duradouro. Por outro lado, se o divórcio for realizado de modo a humilhar ou enraivecer um dos parceiros, se o ressentimento e a infelicidade dominarem o relacionamento pós-divórcio, ou se as crianças forem mal amparadas ou informadas, se foram usadas como aliadas, alvo de disputa ou vistas como extensões dos adultos, se o relacionamento da criança com um ou ambos os pais for empobrecido e perturbado e se a criança se sentir rejeitada, o desfecho mais provável para as crianças será a interferência no desenvolvimento, a depressão ou ambos”.

Mito:
É culpa dos pais os filhos delinqüentes, que agridem até familiares

Realidade:
Em termos. Evidentemente, se constatamos que todos os filhos de um casal têm sérios problemas de conduta (veja Transtornos de Conduta), o bom senso recomenda considerar que o problema seja de ordem familiar, genético ou educacional. Alguma coisa de muito ruim aconteceu na geração e/ou educação e desenvolvimento desses filhos, comprometendo o desenvolvimento deles todos.

Entretanto, quando constatamos ocorrência do distúrbio de conduta em apenas parte dos filhos, normalmente apenas um deles, o mais provável é que o “defeito” seja do filho e não dos pais, já que o mesmo lar foi compartilhado por outros filhos e o problema de conduta não se repetiu. Trata-se, muito provavelmente de um problema atrelado ao caráter do delinqüente (veja Violência na Criança e Adolescente).

Os adolescentes e jovens que se destacam pela hostilidade exagerada, podem ter um histórico de condutas agressivas que remonta a idades muito mais precoces, como no período pré-escolar, por exemplo, quando os avós, pais e “amigos” achavam que era apenas um “excesso de energia” ou uma travessura própria da infância.

Referencias Bibliográficas:

Ballone GJ – A Família, Crise de Valores e Violência, in. PsiqWeb