A Linguagem no Deficiente Mental

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Autor: Debora Chagas dos Santos

INTRODUÇÃO

Apesar de podermos nos comunicar de muitas e variadas formas, é através da linguagem falada e escrita que geralmente o fazemos. Para além da sua função social e comunicativa, a linguagem é muito importante como instrumento do pensamento a serviço da resolução de problemas cognitivos, na planificação e regulação da conduta (Carretero e Madruga, 1984). É através da linguagem que nos apropriamos da cultura e interagimos com os outros. Nesse setor, as crianças com deficiência mental apresentam muitas vezes dificuldades, quer ao nível da fala e sua compreensão, quer no ajustamento social. Sabendo-se que os estímulos ambientais são fundamentais ao desenvolvimento do indivíduo (Hallahan e Kauffman, 1997), estes problemas poderão ser, se não causa, um fator a considerar como grande influência no desempenho das crianças com deficiência mental.

AS ALTERAÇOES DE LIGUAGEM NA DEFICIÊNCIA MENTAL E A INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA

Uma característica comumente considerada típica das crianças deficientes mentais é o atraso no desenvolvimento da linguagem. Não se sabe quanto do atraso da linguagem lhe é devido, e quanto é conseqüência das parcas habilidades cognitivas. O desenvolvimento da linguagem no deficiente mental segue a mesma seqüência que nas crianças normais, a passo mais lento, ou há diferenças qualitativas no desenvolvimento da linguagem no deficiente mental? Parece haver evidências suficientes para fundamentar, em parte, ambas as suposições.

Semmel, Barritt e Bennett (1970) estudaram crianças deficientes mentais educáveis institucionalizadas e não-institucionalizadas, comparando seu desempenho lingüístico com dois grupos de crianças típicas. Verificaram que as crianças deficientes mentais educáveis, com QIs médios de 70, tinham menos capacidade em linguagem do que as crianças típicas, mesmo quando a idade mental era elevada em consideração. Isto é, uma criança deficiente mental de 10 anos (com idade mental de 7 anos) ainda não tinha um desempenho tão bom em desenvolvimento de linguagem quanto uma criança típica de 7 anos. Os pesquisadores concluíram que pode haver uma diferença não somente em aquisição, mas também uma diferença qualitativa.

Cromer (1974) examinou os estudos sobre linguagem receptiva dos deficientes mentais e concluiu que: (1) os deficientes mentais desenvolvem a linguagem mais lentamente; (2) as crianças subnormais são mais atrasadas em idade de linguagem do que em idade mental; (3) capacidades cognitivas pobres, tais como tempo limitado de memória a curto prazo, podem ser responsáveis pelo atraso lingüístico.

Um outro aspecto, que revelou uma diferença na taxa de desenvolvimento da linguagem nos primeiros anos de vida e uma diferença qualitativa mais tarde, indica como o problema pode ser resolvido. Naremore e Dever (1975) colecionaram amostras de cinco minutos de discurso de crianças normais e deficientes de 6 a 10 anos. As amostras foram analisadas quanto a propriedades lingüísticas, tais como elaboração do sujeito, número de subordinações, número de orações relativas, e quanto a itens lingüístico básicos, tais como número de palavras, sentenças, pausas, repetições e assim por diante. As crianças retardadas eram mais deficientes no uso de orações complexas e elaboração de sujeito. Essa é uma importante falha de comunicação, porque limita o tipo e a quantidade de informações que a criança pode comunicar aos outros, principalmente quando são exigidas seqüências de atividades.

Um exemplo das diferenças entre a linguagem expressiva das crianças normais e das crianças deficientes mentais educáveis é dado nas amostras que se seguem, em que duas crianças de 10 anos descrevem o mesmo programa de televisão que viram (Naremore e Dever, 1975):

-Criança normal de 10 anos: Toda as vezes que ele tentava começar alguma coisa, todos eles começavam a tocar seus instrumentos e não faziam nada, então Lucy disse que precisavam de uma árvore de Natal cor-de-rosa para a rainha do Natal, mas, quando Charlie Brown saiu, descobriu que havia muitas que eram rosa, verde e azul, mas havia apenas uma pequena.

-Deficiente mental de 10 anos: Charlie Brown não parecia ter espírito de Natal e então Linus disse que ele deveria se envolver e havia esta pequena casa do médico e Charlie Brown foi lá e isso é o que Lucy lhe disse que fizesse.

A produção da criança deficiente mental não é apenas mais dispersa, com conteúdo mais limitado do que a da criança normal, mas também é pobre sintaticamente. A criança retardada depende muito do e com conectivo, e falta-lhe habilidade para impor uma estrutura temporal ou hierárquica aos eventos, ao contrário da criança normal.

Segundo a descrição do DSM.IV, a característica essencial do Retardo Mental é quando a pessoa tem um “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança”.

O presente trabalho focaliza o interesse na questão do desenvolvimento de sujeitos com deficiência mental, sobretudo, no que se refere ao desenvolvimento da linguagem. A partir dos estudos de Vygotsky (1989) e Bakthin (1995) sobre a linguagem humana, em especial as relações entre linguagem e consciência e a perspectiva dialética e dialógica, objetivou-se a compreensão de como jovens com deficiência mental fazem uso da linguagem, especialmente, durante os momentos em que estão convivendo em grupo.

Para a realização desta pesquisa formou-se um grupo de jovens com deficiência mental (dois do sexo masculino e dois do sexo feminino) que foram atendidos semanalmente em uma Clínica _ Escola de Fonoaudiologia localizada na cidade de Piracicaba, no Estado de São Paulo. Pôr um período de 4 meses (agosto a dezembro de 2002) desenvolveu-se um trabalho fonoaudiológico com este grupo, aonde foram privilegiadas situações de uso efetivo da linguagem, tais como, relatos de experiências vividas. O grupo foi a todo momento, encorajado a dialogar com seus pares sobre o tópico que estava sendo relatado. As sessões de fonoaudiologia, com duração de 60 minutos foram filmadas integralmente, as fitas transcritas e os dados analisados. O interesse foi compreender de que maneira se estabelece (ou não) a dinâmica dialógica entre os jovens com deficiência mental e terapeuta, com foco na questão da reversibilidade e na construção dos interlocutores no diálogo.

O estudo indica que, a interação entre os jovens com deficiência mental, é fundamental para a constituição da linguagem. Além disso, os dados mostram que, no início do atendimento fonoaudiológico, os participantes apenas respondiam às perguntas que lhes eram feitas pelo terapeuta. No decorrer do processo, a fonoaudióloga, ao buscar atribuir sentido e significação às palavras dos sujeitos, possibilitou que a linguagem enquanto atividade simbólica de fato ocorresse durante o jogo dialógico. Neste sentido, é possível concluir ainda que, o processo terapêutico fonoaudiológico realizado em grupo mostra-se um instrumento constitutivo e enriquecedor para o exercício pleno da linguagem.

Algumas sugestões na comunicação e expressão usada por fonoaudiólogas na área de expressão oral para deficientes mentais:

A produção e interpretação da linguagem oral deve ser feita em contextos familiares à criança. Por exemplo: falar sobre a própria criança, o pessoal da escola, os elementos da natureza (chuva, terra, água, vento, flora, fauna etc.), os animais, transportes em geral, os alimentos, o vestuário, os objetos escolares e domésticos, os brinquedos, os livros com gravuras, etc;
Articular as palavras de seu vocabulário, de forma a ser compreendido pelo grupo;
Usar a linguagem oral e gestual como meio eficiente de comunicação com as pessoas de su convívio;
Identificar-se, dizendo seu nome, nome dos pais, sexo etc;
Identificar-se e nomear os objetos e pessoas que a cercam;
Aumentar a capacidade de atenção e concentração, observando objetos, ouvindo músicas, sons, conversas, estórias;
Compreender e seguir ordens verbais simples (uma ordem de cada vez);
Expressar sua idéias, emoções e sentimentos;
Associar os objetos com sua funções;
Localizar e identificar as diferentes partes do seu próprio corpo, do colega e de figuras;
Manipular jornais, livros e revistas, folheando, observando e nomeando as gravuras;
Identificar e nomear os locais e dependências mais comuns da casa e da escola;
Responder a perguntas do tipo: Aonde está isto? O que você fez? Qual o brinquedo que usou?
Ampliar seu vocabulário oral, identificando e nomeando flores, frutos, brinquedos, animais, alimentos, objetos escolares e domésticos.

CONCLUSÃO

A linguagem não explica o desenvolvimento da inteligência. Uma das conclusões que se pode tirar a partir disso, é que a criança não aprende os conceitos infantis por transmissão verbal. Por exemplo, não adianta ensinar os conceitos de alto-baixo, maior-menor, apenas através da linguagem e da percepção de desenhos. Para compreender estas relações espaciais, a criança precisa agir sobre o meio, com seu corpo, sobre os objetos, e esta ação não pode ser substituída por palavras, estas noções precisam ser vivenciadas para serem compreendidas.

O desenvolvimento da linguagem da criança é reflexo do desenvolvimento do seu pensamento, segundo a teoria psicogenética de Piaget.

BIBLIOGRAFIA

CAMINHOS DO APRENDER. Uma alternativa educacional para a criança portadora de deficiência metal. Izabel Nunes Ferreira. Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portador de Deficiência – CORDE, 1993.

Educação da criança Excepcional / Samuel A. Kirk, James J. Gallagher; [tradução Marília Zanella Sanvicente]. – 3ªed. – São Paulo: Martins Fontes, 1996.

A INTER-RELAÇÃO ANÁTOMOFUNCIONAL DO APARELHO AUDITIVO

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A INTER-RELAÇÃO ANÁTOMOFUNCIONAL DO APARELHO AUDITIVO COM A ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO

JOÃO PESSOA – PB

JUNHO – 2003

Dedico este trabalho ao meu avô, por ser um eterno incentivador em minha vida, mesmo estando fisicamente ausente, o seu espírito me fortalece. Saudades!

As minhas irmãs que de uma maneira ou de outra contribuíram para minha formação profissional.

AGRADECIMENTOS

Aos meus avós, por estarem presentes nos momentos, mesmo alguns em espírito, confortando-me nas horas difíceis e de luta . Saudades!

Aos meus pais, Cydamar e Wilma, sendo referência na minha vida como pessoa digna e profissional. Torcendo sempre por minha vitória nesta vida! Amo vocês!

As minhas irmãs, Tatiana e Larissa que fazem parte da minha vida e a quem devo desculpas pelas impaciências minhas, bem como agradeço pelo carinho diante a esta caminhada!

À Leandro pela dedicação que sempre teve por mim fazendo parte da minha vida nos momentos felizes e tristes, auxiliando na superação deste caminho, como também, pela sua ajuda para a conclusão desta monografia. Obrigada!

À Luciana Karla, Flávia e Marlos que ao conhecer me encantaram com a verdadeira amizade e sinceridade de todas as horas, saibam que muito contribuíram em minha vida.

À Ana Maria, Rodrigo e Michelle que conheci melhor há pouco tempo, contudo tempo suficiente para a afirmação de uma amizade, que espero ser infinita.

À minha orientadora, Annacarla, pela competência e pela experiência de vida que propiciou diante de seus ensinamentos, demonstrando não apenas ser mentora mas também como incentivadora de minha formação.

À Dona Gercila, pela sua paciência e compreensão diante de tantos problemas durante a execução deste trabalho.

À Breno (In Memorian), uma pessoa inesquecível e contagiante, que sua lembrança permaneça viva dentro de nós, fazendo que sua ausência seja consolada. Saudades!

“Esta pesquisa não poderia ser feita sem que existisse alguém- proeminente e fundamental- que abrisse o caminho para ela: alguém cuja presença fosse o alicerce de toda mentalidade; a do mestre formador, estruturador de inteligências e critérios; a do cientista crítico e generoso, a do indivíduo que sabe e quer levar o mais jovem para frente.” Jaime Talesnik Para os professores e mestres inesquecíveis!

CARVALHO, C. N. de. João Pessoa, 2003. A inter-relação anátomofuncional do aparelho auditivo com a articulação temporomandibular: Um estudo bibliográfico. 82f. Monografia (Curso de Fonoaudiologia). Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.

O presente trabalho monográfico abordará uma nova possibilidade de avaliação multidisciplinar e diagnóstico diferencial através de estudos orgânicos e funcionais sintomáticos de alterações na articulação temporomandibular. A desordem da Articulação Temporomandibular (ATM) possui uma sintomatologia variada e muitas vezes não apresenta sinais clínicos. Através de um levantamento bibliográfico pôde-se estudar as duas estruturas, aparelho auditivo e ATM. Para tanto, se fez necessário um estudo aprofundado, com o objetivo de se fazer uma pesquisa separadamente sendo realizada uma descrição do sistema auditivo, informando seus componentes (musculares, ligamentosos e inervacionais) e suas propriedades, posteriormente a articulação temporomandibular (musculatura, ligamentos, inervações e envolvidas etc) a partir daí, por fazerem parte de sistemas distintos, foi realizado um estudo anátomo-funcional de suas estruturas. Esta pesquisa aborda dois assuntos que se interrelacionam: ATM e audição. A abordagem inicial é a pesquisa do desenvolvimento embrionário do aparelho auditivo e articulação temporomandibular, tendo como objetivo entender a inter-relação primordial existente entre elas e verificando as interferências de uma sobre a outra, quando ocorrerem distúrbios sobre esta articulação. Os sintomas auditivos foram considerados a fim de que fosse avaliada, qual e como é a relação sintomatológica auditiva dos pacientes com DTM. A metodologia empregada foi o método dedutivo, que tem o ideal de permitir fazer uso de uma ou várias proposições de uma conclusão lógica decorrida. A pesquisa evidenciou a importância do conhecimento anátomo-funcional desses sistemas a fim de promover um eficaz diagnóstico diferencial e intervenção multidisciplinar quanto ao portador de DTM e sintomatologias.

PALAVRAS-CHAVES: Aparelho auditivo ; Desordem temporomandibular ; sintomas auditivos

CARVALHO, C. N. de. João Pessoa, 2003. The anatomy and functional interrelation of the auditory device with the joint to temporomandibular: A bibliographical study. 82f Monograph (Course of Speechterapy). Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.

The present monographic work will approach a new possibility of multidiscipline evaluation to multidiscipline and distinguishing diagnosis through symptomatic organic and functional studies of alterations in the joint of the temporomandibular. The clutter of temporomandibular joint (TMJ) possesss a varied sintomatologia and many times do not present clinical signals. Through a bibliographical survey it could be studied the two structures, auditory device and TMJ. For so, it was necessary a deepened study, with the objective of making a research separately being carried through a description of the auditory system, informing its components (muscular, ligaments and nervs) and its properties, later the joint to temporomandibular (musculatura, ligaments, nervs involved and etc) from there, by being part of distinct systems, was carried through a study anátomo-functionary of its structures. This research approaches two subjects that are interrelated: TMJ and hearing. The initial boarding is the research of the embryonic development of the auditory device and joint to temporomandibular, having as objective to understand the existing primordial interrelation between them and verifying the one interferences on the other, when riots will occur on this joint. The auditory symptoms had been considered so that it was evaluated, which and as it is the auditory symptoms relation of the patients with clutter to temporomandibu. The employed methodology was the deductive method, that has the ideal to allow to make use of one or some proposals of a passed logical conclusion. The research evidenced the importance of the knowledge anátomo-functionary of these systems in order to promote an efficient distinguishing diagnosis and multidiscipline intervention in the carrier of the temporomandibular clutter and symptoms.

WORD-KEYS: Auditory device ; Clutter to temporomandibular ; auditory symptoms

INTRODUÇÃO

Sendo uma articulação complexa, na altura do ouvido, formada por dois ossos: a mandíbula (osso do queixo, maxilar inferior) e o temporal (osso lateral da cabeça), e observando anatomicamente a região da ATM, notamos a proximidade dela com o meato acústico externo, conseqüentemente a relação de suas artérias, ligamentos e nervos. Esse é um dos motivos que muitas pessoas procuram o Otorrinolaringologista antes de receber tratamento odontológico.

Para um adequado funcionamento da ATM vários aspectos influenciam determinando essa harmonia. Para que este equilíbrio seja atendido, estruturas das bases ósseas, da estabilidade oclusal, integridade e saúde das Articulações Temporomandibulares (ATMs) devem estar estabelecidas.

A Desordem Temporomandibular (DTM) se manifesta através de sinais e sintomas ligados a distúrbios estruturais e funcionais da Articulação Temporomandibular (ATM) e músculos faciais. Esta semiologia é caracteriza-se como limitações nos movimentos mandibulares, sensações auditivas (como zumbido, dores e pressão), dores faciais, cefaléia e mastigação dificultada, a qual origina-se de desequilíbrios oclusais, psíquicos e neuromusculares, podem manifestar-se combinados ou isoladamente.

Disfunção significa a ausência da anormalidade de funções do sistema mastigatório, que são, principalmente mastigação, deglutição, respiração e fonação. Seus sinais e sintomas podem manifestar-se nos músculos da mastigação, na ATM, no ouvido, na boca, nos dentes e na cabeça. Alguns fatores podem levar alguém a ter disfunção, entre eles: a oclusão, falta de dentes, restauração ou prótese mal adaptada, mastigação unilateral, hábitos bucais anormais, má postura, tensão emocional entre outros.

Dor na região de cabeça e pescoço é uma queixa freqüente associada a pacientes que procuram assistência odontológica. A complexidade anatômica da região e a dificuldade dos pacientes em descrever os sintomas, tornam muitas vezes complexo o estabelecimento de um diagnóstico correto, conseqüentemente uma terapia adequada. As desordens temporomandibulares (DTMs) representam um termo coletivo, relacionado com vários problemas clínicos, envolvendo os músculos mastigatórios e a articulação temporomandibular, sendo uma causa freqüente de dor facial.

Entre as várias queixas de naturezas diversas, referidas pelos indivíduos portadores de DTM, encontram-se as auditivas: otalgia, sensação de plenitude auricular, sensação de diminuição da acuidade auditiva, zumbido, tonturas e vertigens fazem parte da variedade dos sintomas que têm exigido dos profissionais envolvidos (Otorrinolaringologistas, cirurgiões-dentistas, ortodontistas e fonoaudiólogos) dedicação e conhecimento, no sentido de obterem um diagnóstico diferencial.

Sabendo da existência dessa relação, objetiva-se com esse estudo conhecer aprofundadamente a relação anátomo-fisiológica e sua prevalência na determinação dos sintomas auditivos decorrentes da DTM. Buscando aprimorar os conhecimentos teóricos cientificamente primando por uma futura prática profissional alicerçada e desta forma beneficiar todos os indivíduos que necessitem dos conhecimentos fonoaudiológicos bem como de sua prática.

Este trabalho se propõe estudar a anátomo-fisiologia do sistema auditivo e estruturas da Articulação Temporomandibular, bem como estudar a formação embrionária das estruturas da orelha e boca; promover levantamentos a cerca do desenvolvimento craniofacial; apresentar s estruturas anatômicas e funcionais da orelha assim como da ATM; promover o estudo da DTM e suas características enfatizadas nesta pesquisa anatômica para compreensão global do ser humano, favorecendo a atuação multidisciplinar nas disfunções da ATM e suas implicações.

1-FORMAÇÃO EMBRIONÁRIA

Este capítulo abordará sobre o conhecimento sobre a origem dessas estruturas, e relações em comum, possibilitando o entendimento de suas correlações e interferências anátomofuncionais.o desenvolvimento embriológico das estruturas craniofaciais, compostas por: mandíbula, orelha e articulação temporomandibular (ATM), constituindo o foco principal deste estudo. Já que a associação entre anormalidades da ATM e alterações otológicas é conhecida desde o início do século XX e entre os fatores que contribuem para que haja esta relação, pode-se destacar as formações embriológicas da mandíbula e dos ossículos da orelha média, que são as mesmas.

O aparelho branquial compõe-se segundo Moore & Persaud (1994) por estruturas primitivas chamadas: arcos branquiais (ou faríngeos), bolsas branquiais, fendas branquiais (ou faríngeas) e membranas branquiais. Estas estruturas embrionárias contribuem para formação da cabeça e pescoço.

No 24º dia de desenvolvimento embrionário, 7ª semana, ou ainda estágio 11 segundo Altmann, (1997); o primeiro arco branquial ou arco mandibular desenvolve duas proeminências: a menor e mais superior é conhecida como processo maxilar, e será responsável por originar a maxila, o osso zigomático e a porção esponjosa do osso temporal, a maior e mais inferior é denominada processo mandibular, e originará a mandíbula.

Um arco branquial típico, afirma Moore & Persaud (1994), contém: (1) um arco aórtico (artéria) que corre em torno da faringe primitiva até aorta dorsal, (2) um bastão cartilaginoso que constitui o esqueleto do arco, (3) um componente muscular que forma os músculos da cabeça e pescoço, e (4) um nervo que supre a mucosa e os músculos derivados do arco.

Hall, (1982 apud Moore & Persaud) refere que a extremidade dorsal do primeiro arco cartilaginoso (cartilagem de Meckel) está intimamente relacionada com o ouvido em formação e acaba por ossificar-se para constituir dois ossos do ouvido médio, o martelo e a bigorna. A porção intermediária dessa cartilagem regride, originando o ligamento esfenomandibular e o ligamento anterior do martelo. A porção ventral dessa estrutura cartilaginosa forma o primórdio da mandíbula e, acompanhando seu crescimento dirigem sua morfogênese inicial.

Sá Filho (1999) sob o ponto de vista evolutivo percebe a articulação temporomandibular sendo um desenvolvimento secundário. O tipo primário é formado na parte dorsal da cartilagem de Meckel e é representado no homem pela articulação entre o martelo e a bigorna do ouvido médio, e mostra a adaptação dos ossos da mandíbula primitiva à condução dos ossos.

Durante a 12ª semana, a porção escamosa do temporal e a cartilagem secundária de formam. A estrutura muscular do primeiro arco branquial originará, segundo Altmann (1997), os músculos estriados da cabeça e pescoço responsáveis pela mastigação (masseteres, temporais, pterigóides laterais e mediais, músculo miloióide, ventre anterior do músculo digástrico, músculo do tensor do tímpano e músculo tensor do palato).

As inervações do primeiro arco branquiais são realizadas pelos ramos maxilar e mandibular do nervo trigêmeo ou V par de nervos cranianos.

O endoderma da faringe forra os aspectos internos dos arcos branquiais ou faríngeos e passa por divertículos em forma de balão chamadas bolsas faríngeas. Pares de bolsas formam-se numa seqüência céfalicocaudal entre os primeiros e segundos arcos branquiais.( MOORE & PERSAUD 1994, p.67)

A primeira bolsa faríngea, situada entre o primeiro e o segundo arcos branquiais, segundo Altmann, se alonga no recesso tubotimpânico, envolvendo os ossículos do ouvido médio. a formação da membrana timpânica se dá a partir da extremidade distal dessa bolsa faríngea,que, quando dilatada encontra-se com o 1º sulco branquial e ainda, com a união da 1º membrana branquial à camada mesodérmica que se interpõem a ela. Este recesso tubotimpânico simples do embrião contribuirá para a formação da tuba auditiva, cavidade do ouvido médio, além das células mastóideas para a formação do processo mastóide do osso temporal. “A série de cavidades que se desenvolve a partir dessa excrescência torna-se incrustada, posteriormente, no osso temporal” ( Kerr apud Robson, 1974).

O segundo arco branquial ou arco hióide dará origem, refere Altmann, ao osso hióide e as regiões adjacentes do processo.

Ocorre a ossificação da estrutura cartilaginosa do 2º arco branquial formando a parte superior do corpo e o osso hióide. A porção intermediária da cartilagem encontrada entre o processo estilóide e o osso hióide, regride sendo responsável pela formação do ligamento estilóide. A porção dorsal (formada pela cartilagem de Reichert), também ossifica-se originando o estribo e o processo estilóide do osso temporal.

Quando a estrutura muscular do segundo arco branquial, esta é responsável pela formação dos músculos da expressão facial (frontal, orbicular dos olhos, auricular, bucinador, orbicular dos lábios e platisma), o músculo estapédio, o músculo estiloióide e o ventre posterior do músculo digástrico. Sua inervação é realizada pelo nervo facial ou VII par de nervos cranianos.

Por volta do 24º dia de desenvolvimento, estágio 12, as fossetas óticas, que formarão os ouvidos internos que surgem e o terceiro par de arcos branquiais torna-se visível.

Segundo Cate (2001) as complexas modificações que ocorrem durante a embriogênese estão entre a 4ª e 8ª semanas de desenvolvimento conduzem, entre outras coiss, à formação da face, boca, língua e suas estruturas associadas. No decorrer da 8ª semana em diante, o desenvolvimento é, essencialmente, em crescimento.

1.1 Desenvolvimento da Articulação Temporomandibular (ATM)

Segundo Villa & Rode (1995) in Bianchini (2000), a formação da ATM é bastante precoce, iniciando-se com a condensação do mesênquima, próximo a porção lateral da cartilagem de Meckel. Sá Filho (1999) acrescenta que a maioria das articulações sinoviais formam-se por volta da 7ª semana de vida intra-uterina “Duas fendas desenvolvem-se na condensação do mesênquima interposto, formando as cavidades superior e inferior das ATMs, e definindo o disco [ ] ,desenvolve-se a cápsula articular pela condensação do mesênquima ao redor da ATM, e a isola com membrana sinovial, dos tecidos adjacentes”. Sá Filho, (1999).

Neste período, a região anterior do disco está em continuidade com o músculo pterigóideo lateral e a região posterior, com o pericôndrio, que recobre a cartilagem de Meckel e que se diferencia em martelo (ossículo da orelha média).

O primeiro arco branquial origina o tecido ósseo da ATM, iniciando com a formação de dois blastemas. O blastema superior origina as estruturas temporais e o inferior as condilares, as suas cartilagens e ao disco articular. “A musculatura mastigatória também tem origem no primeiro arco branquial ocasionando a integração quanto a propriocepção destas estruturas, ATM e musculatura”, König Júnior, (1995) apud Bianchini (2000).

Devido à fossa mandibular ser plana ao nascer e a eminência articular ainda não ter se formado, a cápsula é a única estabilidade que a ATM possui. Sendo assim torna-se necessário aborda-se-á as estruturas de composição desta articulação tão complexa.

2. CRESCIMENTO FACIAL

Na infância, a face não se constitui simplesmente uma miniatura da face adulta, as respectivas proporções, muda significativamente. Torna-se mais lento o crescimento do cérebro no 3º ou 4º ano de idade, contudo os ossos da face perduram no crescimento expressivamente por vários anos mais.

Muitas vezes se ouve a combinação “crescimento e desenvolvimento”, porque a existência desta combinação? “Crescimento não é um mero processo de aumento de tamanho […] é um processo diferencial, no qual partes se desenvolvem mais ou menos rapidamente que outras e em várias direções regionais”(Cate, 2001, p. 393). Ainda acrescentam “É um processo gradual de maturação, que envolve um complexo de órgãos e tecidos diferentes mas funcionalmente inter-relacionados” (Enlow, 1993, p.17).

As orelhas do bebe e da criança parecem estar em posição baixa; no adulto, elas estão muito mais altas em relação à face […] elas de fato movem-se para baixo durante o continuado crescimento. Entretanto, a face alarga-se inferiormente de tal modo que a posição relativa das orelhas parece ser mais alta. Em um bebê, o corpo mandibular está quase alinhado com o meato auditivo, refletindo portanto sua origem embriológica comum. Mais tarde, o corpo desce conforme a face média e o ramo cresce verticalmente [ ].( ENLOW: 1993, p.17)

O queixo desenvolve-se, a mandíbula ajusta-se a este crescimento, e os olhos parecem menos separados ocorrendo muitas alterações localizadas, associadas ao processo contínuo de remodelagem dos tecidos duros e moles.

Segundo Enlow (1993), o aumento do ramo mandibular aloja sólida expansão vertical da região nasal e a erupção dos dentes permanentes, explicando o porquê do ramo mandibular do indivíduo adulto ser muito mais longo verticalmente. Enquanto que a posição retrusiva da mandíbula da criança é uma relação normal, ela é pequena não apenas em tamanho como em proporção.

A mandíbula da criança é pequena não apenas em tamanho, como proporção à face em geral. É ainda retrusiva, porém, tendo relação normal por razões das fossas cranianas anteriores situarem-se logo acima do complexo nasomaxilar. “Como o desenvolvimento das fossas cranianas anteriores é precoce, o complexo nasomaxilar é levado portanto a uma posição protusiva do que a maníbula, que se articula no lado ectocraniano das fossas endocranianas médias, localizadas posterioremente, somente mais tarde é que a mandíbula a alcança” (Enlow: 1993, p.20)

Cate (2001) acrescenta que o deslocamento mandibular anterior provoca o “espaço” para o acontecimento da articulação condilar, assim como toda a região logo atrás da mandíbula preparando o côndilo e o ramo para crescer atrás, bem como verticalmente acima.

O processo mastóide do osso temporal que é relativamente pequeno no bebê, torna-se protuberante (saliente) no indivíduo adulto. O processo estilóide ósseo também está ausente no recém-nascido e o osso em forma de anel em volta do meato acústico externo está voltado para baixo no recém-nascido, mas com crescimento ele passa para uma posição mais vertical.

3. ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (ATM)

As articulações da mandíbula com o crânio e esqueleto faciais superior abrangem duas articulações isoladas e os dentes em oclusão. As articulações, embora anatomicamente distintas, funcionam em conjunto, não sendo possível a realização de movimentos independentes. Faz-se necessário neste estudo à descrição de suas estruturas para um melhor entendimento de sua parte anatômica.

Um número diversificado de estruturas passa através da ATM. Medialmente, na fossa glenóide, estão as suturas escamotimpânicas, petrotimpânicas e escamopetrosa, que encontram a artéria timpânica anterior, o nervo corda do tímpano, e um ligamento fibroelástico queentram na cavidade superior.

3.1 Estruturas

3.1.1 Componentes Ósseos

A articulação temporomandibular é constituída por dois ossos que se unem formando a parte articular, os componentes ósseos da ATM dividem-se entre os da mandíbula – processo condilar formado pela cabeça, colo da mandíbula e fóvea pterigóide – , e os do temporal – fossa articular e tubérculo articular (Avery, 1992; König Júnior, 1995 apud Bianchini)

3.1.1.1 Côndilos Mandibulares

Lemos (2000, p.58 apud Bianchini) relata que estes são de formato elipsóide, situando-se no topo do ramo ascendente da mandíbula. Os côndilos mandibulares possuem uma direção oblíqua, para trás e para dentro. Seus eixos maiores medem, aproximadamente, 20 a 22mm. Se os eixos fossem prolongados, eles se encontrariam um pouco adiante do forame magno, formando um ângulo entre 150 e 160 graus. Seus eixos menores medem em torno de 7 a 8mm , tendo também direção oblíqua, para frente e para dentro.

Os côndilos apresentam convexidade sagital e frontal. Duas estruturas devem ser observadas nos côndilos: a fóvea pterigóide, local de inserção do músculo pterigóide externo e o colo condilar, onde se observar um estreitamento ósseo. O colo condilar é uma das zonas de fragilidade mandibular, sendo um dos locais mais freqüentes de fraturas condilares. (BIANCHINI 2000)

3.1.1.2 Fossa Mandibular

É uma depressão côncava nos sentidos lateral e ântero-posterior (11X21mm), tendo seu eixo maior paralelo ao tubérculo articular do temporal. A fissura petrotimpânica divide a fossa mandibular em duas partes: a articular (anterior) e a extra-articular (posterior) que forma a parede anterior do conduto auditivo.

3.1.1.3 Tubérculo Articular do Temporal

Situa-se imediatamente anterior à fossa mandibular, consistindo em uma eminência óssea convexa. O grau de convexidade do tubérculo articular do temporal (ou eminência articular) é variável mas importante, visto que determina a direção do côndilo quando a mandíbula executa o movimento de abertura da boca. Pra um melhor entendimento da articulação dessas estruturas serão citadas a seguir suas superfícies articulares.

3.1.2 Superfícies Articulares

A mandíbula divide-se num corpo e dois ramos. O ângulo da mandíbula é o local onde o ramo e o corpo se une. A porção articular da mandíbula é a porção anterior do côndilo, que se compõe de osso trabecular. O côndilo tem 8 a 10mm de profundidade (medida antero-posterior) e 15 a 20mm de comprimento (medida mediolateral), com pólos mediais e laterais irregulares. O pólo lateral do côndilo está praticamente nivelado com o aspecto lateral do ramo, mas o pólo medial projeta-se muito mais medialmente, comparativamente ao aspecto medial do ramo. As linhas que acompanham o eixo dos pólos mediolaterais de cada côndilo irão fazer interseção num ponto imediatamente anterior ao forame magno (Norkin & Levangie, 2001).

Na porção anterior ao côndilo há outra projeção, o processo coronóide. Na posição de boca fechada, esse processo assenta-se sob o arco zigomático, mas pode ser palpado abaixo do arco, quando a boca está aberta. O processo coronóide serve como um ponto de inserção para o músculo temporal.

O côndilo da mandíbula articula-se com o osso temporal na área da espinha glenóide posterior, fossa glenóide, eminência articular e tuberosidade articular. Estas estruturas estão imediatamente anteriores ao meato auditivo externo. Visto que não há outra estrutura óssea lateral à espinha, o côndilo pode ser palpado através do meato auditivo externo. A fossa glenóide, numa inspeção superficial, pode ser tomada pela superfície articular para a ATM. Porém, numa inspeção mais cuidadosa, o osso nesta área é delgado e translúcido, não sendo de forma alguma apropriado para servir como uma superfície articular. Entretanto, a eminência articular possui uma importante área de osso trabecular, servindo como a superfície articular principal da ATM. A tuberosidade articular é anterior a eminência articular, não se constituindo numa superfície articular. (NORKIN & LEVANGIE, 2001, p. 192)

As superfícies articulares do côndilo e a eminência articular estão revestidas por tecido colagenoso avascular denso, contendo algumas células cartilaginosas. Visto que algumas das células são cartilaginosas, alguns autores referem-se a este revestimento como uma fibrocartilagem. A maior quantidade de fibrocartilagem é encontrada na eminência articular e no aspecto anterior e superior do côndilo, o que se constitui em maior evidência como parte da afirmativa de que estas são áreas primárias de articulação. A presença de fibrocartilagem e não uma cartilagem hialina é um fator significativo, devido a capacidade reparadora da fibrocartilagem. Por este motivo a fibrocartilagem está presente em áreas que estão planejadas para suportar estresses repetidos e de alta intensidade.

As direções das fibras de colágeno são perpendiculares a superfície nas camadas mais profundas da fibrocartilagem, servindo para suportar os estresses. As fibras próximas a superfície estão alinhadas numa disposição em paralelo, para que seja facilitado o deslizamento das superfícies articulares. A fibrocartilagem também tem a capacidade de remodelar. A capacidade de remodelagem tem implicações para os mecanismos de lesão e para os tratamentos potenciais. Os defeitos na cartilagem podem ser criados ou corrigidos através de aplicação de forças relativamente pouco intensas, ao longo de um período prolongado. Entretanto o disco não possui esta capacidade sendo mais frágil a estas forças.

3.1.2.1 Disco Articular

O disco articular da ATM, responsável pela adaptação existente entre as superfícies funcionais da ATM (vertente anterior do côndilo e vertente posterior do tubérculo articular do temporal), é uma pequena placa fibrocartilaginosa, delgada na sua zona intermediária com maior espessura em suas regiões anterior e posterior, principalmente nesta última, com seu eixo maior coincidente com aquele do côndilo mandibular, formando com o mesmo uma unidade anatômica e funcional, denominada de complexo côndilo-discal (Okeson apud König Junior, 1995 apud Bianchini,2000).

Sua porção central não possui vasos e inervações, que são observados somente na sua periferia. Apresenta inserções nas regiões lateral e medial do côndilo, fusionando-se com fibras do músculo pterigóide lateral e com alguns feixes tendinosos do feixe profundo do músculo masseter, respectivamente. Em sua porção anterior, o disco divide-se em duas faixas, com a superior inserindo-se no tubérculo articular e o inferior na superfície anterior do côndilo. Os nervos temporal profundo e massetérico inervam a região anterior da ATM.

Fibras do músculo pterigóide lateral são encontradas entre essas faixas. Nessa porção, observa-se tecido conjuntivo frouxo, com predominância de fibras colágenas, vasos e fibras nervosas.

Em sua região posterior, temos também a divisão do disco em duas faixas, com interposição do tecido conjuntivo frouxo, com abundância de vasos e fibras nervosas. A região é denominada zona bilaminar ou ligamento retrodiscal. O feixe superior insere-se na fissura petrotimpânica, sendo rico em fibras elásticas e o feixe inferior adere ao côndilo, com predomínio de fibras colágenas do tipo 1, segundo Villa & Rode, 1995 apud Bianchini . Os mesmos autores citando trabalho de Gauge et al. apud Villa & Rode, relatam que aí também se encontram fibras colágenas do tipo 3, que fornece uma característica de maior distensão ao conjunto, preservando a região de danos durante a movimentação.

3.1.2.2 Cápsula Articular

Segundo Bianchini (2000) esta, tem origem na fossa mandibular , apresentando conexões no tubérculo articular do temporal, na fissura petrotimpânica e no colo do côndilo mandibular. Sua formação é constituída de tecido conjuntivo denso envolvendo toda a articulação de maneira a possibilitar a movimentação dos elementos articulares.

A circunferência superior da cápsula insere-se nos limites da superfície temporal, adiante, na borda anterior do côndilo; atrás, na borda anterior da cisura de Gasser; por fora, no tubérculo zigomático e na raiz longitudinal do zigoma e para dentro, na base da espinha do esfenóide.

A circunferência anterior é mais estreita e, além disso, oblíqua para baixo e para trás. Fixa-se adiante da borda da cartilagem articular e, por trás, desce até o colo numa extensão variável entre 4 a 10mm por baixo da interlinha articular, prestando inserção, ao nível de sua fase anterior, à fascícula do músculo pterigóideo lateral.

A cápsula, nas paredes lateral medial da articulação, compõem-se de colágeno, mas as fibras não estão sob tensão. Não ocorrendo cliques (ruídos articulares) antes que estas inserções se rompam ou se percam.

A cápsula está bem organizada na parede posterior e, estende-se da parede timpânica até o colo do processo condilar. O nervo auriculotemporal inerva as paredes medial, posterior e lateral da cápsula e a metade da parede látero-anterior.

Sendo a ATM uma articulação sinovial, esta acaba produzindo líquido nutriente e lubrificante, tendo a face interna da cápsula revestida pela membrana sinovial, que tem função de secretar o líquido sinovial rico em ácido hialurônico oferecendo consistência viscosa a fim de lubrificar as superfícies articulares, reduzindo a erosão e aumentando sua eficiência. Tem também a função de nutrir os componentes avasculares. Esta cápsula insere-se ao redor das superfícies articulares e na periferia do disco articular, dividindo a ATM em duas cavidades: a superior ou temporodiscal e a inferior ou disco mandibular. Em condições normais, ou seja, sem desordens patológicas essas cavidades não se comunicam.

3.2 Ligamentos

O aparelho ligamentoso é constituído pela cápsula articular, pelos ligamentos de reforço e acessórios. A seguir a função dos ligamentos é limitar os movimentos articulares, preservando desta maneira seus componentes. São eles:

A cápsula e seus ligamentos limitam a extensão dos movimentos de um côndilo isolado, e em conseqüência, da mandíbula. É um cilindro fibroso e sumamente solto, que envolve a articulação, constituído de feixes de direção vertical, que se dispõe em dois planos; um superficial, de fibras compridas que se estendem de uma a outra superfície óssea, e outro profundo, de fibras curtas, que partem das superfícies ósseas e terminam nas bordas do disco. Estas fibras curtas contribuem para separar em forma total as articulações supra e inframeniscal.

Quanto aos ligamentos, temos: o ligamento maleolar anterior, inserido no processo do maléolo, superiormente, une-se à cápsula e ao ligamento esfenomandibular inferiormente.

Existem ainda os ligamentos acessórios: são também chamados extrínsecos e são: estilo, esfeno e pterigomandibulares. Estes ligamentos são constituídos de feixes fibrosos que, segundo alguns autores, podem ser considerados como pseudoligamentos, onde na realidade, não são ligamentos, contudo, desempenham um papel muito discreto na dinâmica articular.

Dois ligamentos acessórios têm ligação com o ligamento temporomandibular. O esfenomandibular, cujas inserções vão até as suturas escamosas timpânica e petrotimpânica, superiormente, e o estilomandibular. Estes dois ligamentos parecem ter pouca ou nenhuma ação durante os movimentos ou na posição mandibular.

Um outro ligamento, o retrodiscal medial, insere-se na porção mais medial do disco e na área mais medial da fissura petrotimpânica. É um remanescente do ligamento maleolar que conectava o tendão do pterigóideo lateral ao martelo, na vida fetal (Harpmar e Woollard, 1938;Rees, 1954 apud Consten 1936).

Pinto apud Pavan, inicialmente estabeleceu uma conexão anatômica específica entre a ATM e a orelha média através de um fino ligamento denominado disco-maleolar. Ele se originaria do processo anterior do martelo e penetraria a fissura petrotimpânica, aderindo-se à cápsula e ao disco articular. Portanto, segundo essa comunicação, os movimentos da ATM causariam movimentos dos ossículos da orelha média.

Em conjunto, os ligamentos atuam como força de resistência durante os movimentos mandibulares.

3.2.1Ligamento Lateral ou Temporomandibular

Apresenta grande relação com a cápsula articular, sendo na realidade parte dela, formado por uma parte externa oblíqua e uma parte interna horizontal. A externa insere-se na superfície externa do tubérculo articular, no arco zigomático e na superfície externa no colo do côndilo.

A porção horizontal estende-se do tubérculo articular e arco zigomático ao pólo lateral do côndilo e parte posterior do disco articular. A porção oblíqua limita os movimentos excessivos de abertura bucal. A porção horizontal do ligamento limita o movimento posterior do côndilo e do disco, protegendo os tecidos retrodiscais de traumas causados pelo deslocamento posterior do côndilo, protegendo ainda o músculo pterigóideo lateral de estiramento excessivo. (Bianchini, 2000, p.61)

A direção póstero- inferior deste ligamento faz com que este funcione como um pêndulo durante a translação do côndilo, resistindo a retrusão excessiva e ao movimento em lateralidade do côndilo e permite, translação para frente.

3.2.2 Ligamento Esfenomandibular

O ligamento esfenomandibular é uma faixa fibrosa de 3mm de largura. “Situado entre os músculos pterigóideo lateral e medial , insere-se na espinha do osso esfenóide” Bianchini, 2000. Estendendo-se desde o lado externo da espinha do esfenóide até na face interna do ramo ascendente da mandíbula. Cruza o ligamento lateral externo, e a artéria maxilar interna relaciona-se com o feixe vásculo nervoso dentário inferior. Deixa um interstício ao nível do canal milo-hióideo para passar este nervo.

3.2.3 Ligamento Estilomandibular

O ligamento estilomandibular é uma cinta fibrosa que termina no gônio. Suas fibras continuam com a fáscia interna do pterigóideo medial.

Apresenta inserção do processo estilóide até o ângulo interno da mandíbula., é a marca do trajeto do osso estilóide, desde a sua origem até a base do crânio, pois tem centro próprio de ossificação e, como a mandíbula, é originário do primeiro arco branquial. Limita a protrusão excessiva da mandíbula. KÖNIG JÚNIOR (1995 apud BIANCHINI, 2000, P.62)

3.2.3 Ligamento Pterigomandibular

Segundo Bianchini (2000) dirige-se do hâmulo do processo pterigóideo do esfenóide até o ramo ascendente da mandíbula, também recebendo o nome de rafe pterigomandibular, sendo aí inseridos os músculos bucinador (lateralmente) e o constritor superior da faringe. O ligamento pterigomandibular estende-se desde o gancho da asa interna da apófise pterigóidea até o lábio interno do trígono retromolar.

3.2.4

Musculatura

As estruturas cranio-cervicais são relacionadas entre si, formando um complexo que por sua vez é integrado a outras estruturas do corpo humano. Como exemplo, Os músculos inseridos na mandíbula se relacionam direta ou indiretamente com os músculos cervicais e torácicos.

Os primeiros músculos descritos inicialmente neste estudo serão os músculos mastigatórios, julgados como os principais no estudo da ATM, por Bianchini (2000) cita por sua ação na elevação da mandíbula, e posteriormente os supra e infra-hióideos que também atuam no ciclo mastigatório, porém tendo influência indireta na ATM por participar em outros movimentos.

3.2.4.1 Masseter

Segundo Bianchini (2000), o masseter é o músculo mastigatório mais forte, sendo espesso e de forma retangular, tem sua origem no bordo inferior do arco zigomático, diriige-se obliquamente para face externa do ângulo mandibular, inserindo-se no ramo ascendente. É constituído de dois feixes musculares, o superficial e o profundo.

O feixe superficial origina-se na região anterior do arco zigomático, a partir do ângulo inferior do osso malar (chamado antigamente de osso zigomático). Suas fibras musculares apresentam direção oblíqua para baixo e para trás. O feixe muscular profundo posiciona-se abaixo do feixe superficial, em grande extensão, sendo mais evidente na região posterior do músculo. Suas fibras direcionam-se para baixo e para frente.

O músculo masseter relaciona-se, na sua parte mais profunda, com a chanfradura sigmóide da mandíbula, com o nervo masseterino, com a apófise coronóide da mandíbula, com o músculo temporal e com o músculo bucinador ( está separado deste último pela bola adiposa de Bichat). Em sua face externa, coberta pela aponeurose masseterina, relaciona-se com o músculo zigomático maior, cutâneo e risório, bem como com a artéria transversal da face, com o prolongamento anterior da parótida e seu conduto e com ramos do nervo facial. Em sua borda anterior, no seu limite interior, encontramos a artéria e a veia facial. (Bianchini 2000, p.63)

A ação deste músculo está em contrair as fibras profundas – levando a mandíbula para cima ou ainda para cima e para trás. Quando ocorre a contração das fibras musculares superficiais, sua ação é responsável em levar a mandíbula para cima e para frente. A sua inervação é feita pelo nervo masseterino (ramo do V nervo craniano).

3.2.4.2 Temporal

Origina-se na fossa temporal, tendo suas fibras convergidas para a apófise coronóide da mandíbula, onde fazem sua inserção. As características deste são as de serem um músculo largo, achatado, em forma de leque. O temporal apresenta extensas ligações, ocupando uma grande parte da fossa temporal, desde da linha curva temporal inferior do parietal até a crista esfenotemporal (onde se confunde com feixes do pterigóide lateral), na metade superior da face profunda da aponeurose temporal e na face interna do arco zigomático, formando o feixe jugal, que se confunde com fibras do músculo masseter.

O temporal apresenta 3 sentidos em suas fibras: as anteriores seguem uma orientação oblíqua, as médias uma vertical e as posteriores uma direção próxima da horizontal. Suas faces externa e interna terminam em uma lâmina tendinosa, que se exterioriza perto da apófise coronóide, formando um tendão que se insere na apófise coronóide da mandíbula. Este tendão prolonga-se na verdade, até o trígono retromolar, (Bianchini, 2000, p.65)

Segundo Aprile, Figun, Garino (1975 apud Bianchini,2000,p.66), um feixe fibroso deste tendão insere-se na fáscia bucofaríngea.

Sua inervação é realizada pelo nervo temporal profundo (ramo do V par craniano) e a ação deste músculo está em elevar a mandíbula. Suas fibras musculares posteriores fazem um tracionamento da mandíbula para trás (retropulsão).

3.2.4.3 Pterigóide Lateral

Segundo König Júnior (1995 apud Bianchini, 2000) o pterigóide lateral está disposto horizontalmente, originando-se na face externa da apófise pterigóide do esfenóide e inderindo-se no colo do côndilo mandibular, na fóvea pterigóide. Tem como característica ser um músculo curto, sendo constituído por dois feixes musculares um superior ou esfenoidal e outro inferior ou pterigóide. O primeiro origina-se na face lateral da asa maior do osso esfenóide e o segundo da face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide.

As fibras do pterigóide lateral convergem para o colo do côndilo mandibular, as superiores de forma horizontal e as inferiores obliquamente, para cima, para trás e para fora, com inserção no bordo anterior do disco articular, na própria cápsula e na fóvea pterigóide do côndilo mandibular. Relaciona-se externamente com: o masseter, a chanfradura sigmóide, a apófise coronóide, o tendão do temporal e a bola adiposa de Bichat e internamente com o músculo pterigóide medial, com os nervos dentários inferior, lingual e auricular temporal e com a artéria maxilar interna. (Bianchini, 2000, p.65)

O nervo pterigóide lateral (ramo do V par craniano) é responsável por sua inervação. O músculo pterigóide lateral é responsável pela contração bilateral simultânea, as fibras do feixe muscular inferior abaixam os côndilos mandibulares em direção aos tubérculos articulares e a mandíbula é protruída. Uma contração unilateral gera um movimento lateral da mandíbula para o lado oposto ao da contração.

O feixe superior permanece inativo na abertura bucal, trabalhando apenas em conjunto com os músculos elevadores. O tracionamento do pterigóide lateral sobre o disco articular e sobre o côndilo faz-se em direção medial, o que pode ser observado na abertura mandibular ampla. (Bianchini, 2000, p. 66)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

3.2.4.4 Pterigóide Medial

Segundo Bianchini (2000) este está situado na face interna da mandíbula, tem como característica ser um músculo espesso e de forma similar ao masseter, sendo porém mais curto. É originado na fossa pterigóide, dirigindo-se para baixo, para trás e para fora, com inserção na face interna do ramo ascendente da mandíbula, desde do canal milo-hióideo até o ângulo mandibular.

Tem relação com a parede lateral da faringe, dela separado pelo espaço maxilofaríngeo, por onde passam vasos da região cervical e vários nervos como o glossofaríngeo e hipoglosso maior, e na sua face externa com o pterigóide lateral. Mais abaixo, forma com a mandíbula o espaço pterigomandibular, onde se localizam os nervos dentários inferior e lingual e a artéria e veias dentárias.Inervação: pterigóide medial (ramo do V par craniano).Bianchini, 2000, p.66

Sua função é a de levar a mandíbula para cima e para diante. Ação que faz conjunta com o masseter.

3.2.4.5 Músculos Supra-Hióideos

O osso hióide é um osso ímpar, mediano e simétrico. Não possui nenhuma articulação com outros ossos. É unido à laringe por ligamentos e músculos e tem uma união especial com o processo estilóide do osso temporal.

a) Digástrico

Bianchini (2000) refere que este músculo apresenta dois feixes musculares são eles o anterior e o posterior). Sua porção central é constituída por um tendão intermediário situado acima do hióide e a ele unido. Forma o ventre posterior através da inserção na apófise mastóide e na extremidade distal do tendão intermediário. O tendão intermediário atravessa o músculo estilo-hióide, e apresenta continuação com as fibras do ventre anterior, que se insere na fosseta digástrica, no bordo inferior da mandíbula.

A inervação deste músculo é feita pelo ventre posterior é inervado por ramos nos nervos facial e glossofaríngeo e o anterior pelo nervo milo-hióideo. E sua ação é feita pelos dois ventres agem em conjunto ou separadamente. A contração do ventre anterior, com o hióide fixo, leva a mandíbula para baixo a para trás. Com a mandíbula fixa, leva o hióide para cima. O ventre posterior leva o hióide para cima e para trás quando a inserção superior está fixa. Se a inserção inferior está imóvel, a cabeça inclina-se para trás, colaborando na flexão posterior.

b) Estilo-Hióideo

Tem como característica ser um músculo delgado , que vai da apófise estilóide ao osso hióide, medialmente ao ventre posterior do digástrico. Tendo o ramo do nervo facial responsável pela sua inervação. Quando acionado, leva o osso hióide para cima e para trás. Procede ao alargamento do assoalho bucal, pois o movimento descrito é equilibrado pela contração dos músculos infra-hióideos.(Bianchini, 2000, p.70)

c) Milo-Hióideo

É caracteristicamente um músculo largo e oblíquo, que se estende desde a face interna da mandíbula até a face anterior do osso hióide, até a linha média, onde se une com seu par contrário. Insere-se na linha oblíqua interna da mandíbula (crista milo-hióidea). As fibras anteriores do músculo unem-se às de seu par na linha média em uma rafe mediana fibrosa. As fibras médias e posteriores inserem-se na rafe anterior do hióde. Sua inervação é feita pelo nervo milo-hióideo (ramo dentário inferior).

É responsável pelo abaixamento da mandíbula quando o osso hióide está fixo fazendo com que o mento para baixo e para trás. Se a mandíbula está fixa faz com que ocorra a elevação do osso hióide e o assoalho da boca durante a deglutição e pressiona a língua para cima e para trás com os arcos dentários em oclusão.

d) Gênio-Hióideo

Insere-se na apófise geni da mandíbula e no hióide. Situado ao lado da linha média, relaciona-se com seu homólogo no seu bordo interno.

Bianchini relata que o nervo hipoglosso maior é o responsável pela sua inervação. Tem como ação responsável por levar a mandíbula para baixo e, em menor grau, também para trás. Quando a mandíbula está fixa, eleva o osso hióide, encurtando o assoalho bucal durante os movimentos de deglutição.

3.2.4.6 Músculos Infra-Hióideos

a) Esternocleido-Hióideo

Insere-se no osso hióide, na altura de seu bordo inferior, e se dirige para baixo e para fora, em direção ao bordo posterior da clavícula, à articulação esternoclavicular e à face posterior do manúbrio esternal.

Sua inervação é realizada pelo ramo do hipoglosso maior, e tem como responsabilidade a ação de abaixar o osso hióide e o fixar para a ação dos músculos supra-hióideos. Se o osso hióide está fixo, contribuem para o ato da respiração.

b) Omo-Hióideo

É um músculo em forma de arco, que dirige-se para trás, para cima e para fora, estendendo-se desde o osso hióide até a osso omoplata. Possui em sua parte média um tendão que separa um ventre superior e outro posterior. Insere-se no bordo inferior do hióide e no bordo superior da omoplata.

O ramo do hipoglosso maior é o responsável por sua inervação. Tem como ação: tracionar o hióide para baixo e para trás e tencionar a aponeurose cervical média.

c) Tiro-Hióideo

Tem sua inserção no bordo inferior da asa maior do hióide, nos tubérculos tireóideos e na crista (cordão fibroso) que os une. Sua inervação é constituída pelo ramo tiro hióideo do nervo hipoglosso maior. Com o osso hióide fixo, este músculo tem a capacidade de elevar a laringe. Em caso contrário, abaixo o hióide.

d) Esternotiróideo

A inervação deste músculo é feita pelo ramo do hipoglosso maior. Inserindo-se na crista da cartilagem tireóidea, logo abaixo das inserções inferiores do músculo tiro-hióideo, as fibras musculares continuam para baixo e para dentro, terminando na face posterior do esterno e na primeira cartilagem costal.

É responsável por abaixar a laringe e fixar as inserções do músculo tiro-hióideo. Quando a laringe está fixa, contribui para o movimento de inspiração.

Fonoaudiologia e Retardo Mental

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Autor: Joyce dos Santos Porcino

O Retardo Mental ou Deficiência Mental, de acordo com o DSM – IV, enquadra-se nos Transtornos Geralmente Adquiridos Pela Primeira Vez na Infância ou Adolescência. Esse transtorno caracteriza-se por funcionamento intelectual significativamente abaixo da média (um QI de aproximadamente 70 ou menos), com início antes dos 18 anos de idade e déficits ou prejuízos concomitantes no funcionamento adaptativo. Classifica-se em Retardo Mental Leve, Moderado, Severo e Profundo, e Retardo Mental, Gravidade Inespecificada.

Dentro de uma concepção mais tradicionalista, o Retardo Mental é definido em termos do funcionamento do comportamento adaptativo e da inteligência. É a combinação de problemas de comportamento adaptativo e baixa inteligência.

O comportamento adaptativo é definido em termos da capacidade que cada indivíduo tem em tornar-se independentemente e sociavelmente responsável, tendo como referencial sua idade e grupo cultural.

CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICAS.

Existem três critérios fundamentais para classificar uma pessoa como Deficiente Mental, chamados de Critérios Diagnósticos Para Retardo Mental:

Funcionamento intelectual significativamente inferior à média: um QI de aproximadamente 70 ou abaixo, em um teste de QI individualmente administrado;
Déficits ou prejuízos concomitantes no funcionamento adaptativo atual, isto é, a efetividade da pessoa em atender os padrões esperados para sua idade por seu grupo cultural, em pelo menos duas das seguintes áreas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, independência habilidade acadêmica, trabalho, lazer, saúde e segurança; e
Início anterior aos 18 anos.
Não existem aspectos específicos de personalidade e de comportamento associados unicamente com o Retardo Mental. Alguns indivíduos com Retardo Mental são passivos, plácidos e dependentes, enquanto outros podem ser passivos e impulsivos. A falta de habilidades de comunicação pode predispor a comportamentos diruptivos e agressivos, que substituem a linguagem comunicativa. Algumas condições médicas gerais associadas com Retardo Mental se caracterizam por certos sintomas comportamentais. O indivíduo com Retardo Mental pode mostrar-se vulnerável à exploração por outros, ou ter negado seus direitos e oportunidades.

O Retardo Mental pode não ser uma enfermidade única. É um vasto complexo de casos clínicos, cujo único denominador comum é a insuficiência intelectual. Os transtornos mentais associados mais comuns são: Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade, Transtorno do Humor, Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, Transtorno de Movimento Estereotipado e Transtornos Mentais Devido a uma Condição Médica Geral (por exemplo, demência devido a um traumatismo craniano).

Os indivíduos com Retardo Mental devido a Síndrome de Down podem estar em maior risco para o desenvolvimento da Demência do Tipo Alzheimer.

A idade mental é inferior à idade cronológica, isto é, o indivíduo não seguirá as pessoas de sua idade.

O Retardo Mental possui muitas etiologias diferentes e pode ser visto como uma via final comum de vários processos patológicos que afetam o funcionamento do sistema nervoso central.

Para compreendermos melhor o Retardo Mental, devemos ter em mente os conceitos básicos de Quoeficiênte de Inteligência (QI), Idade Mental (IM) e suas relações, assim como os testes psicológicos.

QI: forma de mostrar uma relação quantitativa entre idade mental e idade cronológica. É feito através de testes que mostram uma representação momentânea da pessoa avaliada, e por isso, podem variar de uma testagem para outra.

IM: indica o nível intelectual no qual a criança está funcionando. Por si só, mostra pouco sobre as capacidades intelectuais.

TESTES PSICOLÓGICOS DE QI.

O funcionamento intelectual geral é definido pelo QI e obtido através de testes aplicados por psicólogos.

Para que se diagnostique um Retardo Mental, um só teste não é suficiente, mas uma bateria deles. Também não é importante o quanto o indivíduo respondeu, mas sim o como.

Os testes de QI mais utilizados são: WISC, COLUMBIA, TERMAN – MERRIL, GOOD ENOUGH e STANDFORSD – BINET.

WISC – AVALIAÇÃO QUALITATIVA.

Provas Verbais.

Formação: avalia a informação do mundo em que o indivíduo vive. Para ser bem sucedida nesta prova, o indivíduo precisa ter aprendido as informações do meio, e tê-las conservado em sua memória para uso posterior.
Compreensão: utiliza experiência passada e as informações contidas nela (generalização e abstração). Fazer julgamento de valor e tomar decisões.
Aritmética: capacidade de atenção, lidar com os signos. Memória imediata.
Números: capacidade de atenção. Memória auditiva imediata. Influenciado negativamente pela fadiga, falta de atenção ou problemas auditivos.
Semelhanças: formar conceitos. Capacidade de abstração. Boa memória remota.

Provas de Execução.

Completar Figuras: avalia capacidade perceptiva básica e capacidade de conceitualização do indivíduo. Atenção e concentração na tarefa.
Arranjo de Figuras: avalia percepção visual básica, seqüência temporal (noção de tempo, ordenação). Noção de causa – efeito.
Cubos: avalia coordenação viso-motora. Bom desempenho depende da capacidade de percepção, de análise, de síntese e da possibilidade de reproduzir os desenhos por ação motora.
Armar Objetos: avalia percepção e coordenação viso-motora.
Código: avalia boa capacidade viso-motora, concentração e atenção.
Na bateria de exames, além de testes de inteligência, devemos contar com avaliações de personalidade e habilidade psicomotora. Os testes mais utilizados são:

CAT / TAT / PFISTER ] Personalidade.
BENDER ] Teste motor para investigar alteração neurológica.
PIAGET – HEAD / REY ] Teste psicomotor.
Outros fatores levados em consideração são problemas emocionais, e relações observadas no dia-a-dia do indivíduo.

Outras escolhas de avaliação são as escalas de desenvolvimento, que verificam se o indivíduo possui habilidades adequadas para sua idade.

A escolha dos instrumentos de testagem e a interpretação dos resultados devem levar em conta fatores capazes de limitar o desempenho no teste, por exemplo: a bagagem sócio-cultural do indivíduo, língua materna, e deficiências comunicativas, motoras e sensoriais associadas.

CLASSIFICAÇÃO DOS RETARDOS MENTAIS.

Baseado no QI podemos classificar os Retardos Mentais em quatro níveis de gravidade:

Retardo Mental Leve Nível de QI 50-55 a aproximadamente 70.
Retardo Mental Moderado Nível de QI 35-40 a 50-55.
Retardo Mental Severo Nível de QI 20-25 a 35-40.
Retardo Mental Profundo Nível de QI abaixo de 20 ou 25.

Temos ainda o Retardo Mental, Gravidade Inespecificada, que pode ser usado quando existe uma forte suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser testada por métodos convencionais, por exemplo: em indivíduos com demasiado prejuízo ou não-cooperativos, ou em bebês.

Retardo Mental Leve.

Os indivíduos deste grupo representam 85% dos casos. Eles desenvolvem habilidades sociais e de comunicação durante os anos pré-escolares (0 a 5 anos), têm mínimo prejuízo nas áreas sensório motoras, e com freqüência não são facilmente diagnosticados até uma idade mais tardia.

Podem atingir habilidades acadêmicas equivalentes aproximadamente à sexta série escolar. Podem adquirir habilidades sociais e profissionais, mas podem precisar de supervisão, orientação e assistência.

Com apoios adequados, podem viver sem problemas na comunidade, de modo independente ou em contextos supervisionados.

Retardo Mental Moderado.

Os indivíduos deste grupo representam 10% dos casos. A maioria adquire habilidades de comunicação nos primeiros anos da infância. Beneficiam-se de treinamento profissional, e com moderada supervisão, podem cuidar de si mesmos.

Eles também podem beneficiar-se do treinamento em habilidades sociais e ocupacionais, mas provavelmente não progredirão além do nível de segunda série em termos acadêmicos. Podem aprender a viajar sozinhos em locais que lhes sejam familiares. Suas dificuldades no reconhecimento de convenções sociais podem interferir no relacionamento com seus pares.

A maioria é capaz de executar trabalhos não qualificados ou semiqualificados sob supervisão, e adapta-se bem à vida na comunidade, geralmente em contextos supervisionados.

Retardo Mental Severo.

Os indivíduos deste grupo representam 3-4% dos casos. Durante os primeiros anos da infância, estes indivíduos adquirem pouca ou nenhuma fala comunicativa. Durante a idade escolar podem aprender a falar e ser treinados em habilidades elementares de higiene, mas se beneficiam apenas em um grau limitado da instrução em matérias pré-escolares, tais como familiaridade com o alfabeto e contagem simples, embora possam dominar habilidades tais como reconhecimento visual de algumas palavras fundamentais à “sobrevivência”.

Podem ser capazes de executar tarefas simples sob estreita supervisão. A maioria adapta-se bem à vida em comunidade, em pensões ou com suas famílias, a menos que tenham alguma deficiência associada que exijam cuidados especializados de enfermagem ou outra espécie de atenção.

Retardo Mental Profundo.

Os indivíduos deste grupo representam apenas 1-2% dos casos. A maioria tem uma condição neurológica identificada como responsável pelo Retardo Mental. Apresenta prejuízos consideráveis no funcionamento sensório-motor, durante os primeiros anos da infância.

Um desenvolvimento mais favorável pode ocorrer em um ambiente altamente estruturado, com constante auxílio e supervisão, e no relacionamento individualizado com alguém responsável por seus cuidados.

O desenvolvimento motor e as habilidades de higiene e comunicação podem melhorar com treinamento apropriado. Alguns desses indivíduos conseguem executar tarefas simples, em contextos abrigados e estritamente supervisionados.

BASES ETIOLÓGICAS.

Fatores Genéticos.

Específicos: que são fáceis de visualizar por exames clínico e genético. Por exemplo: síndromes, hereditariedade.
Não-Específico: que apesar de haver distúrbio genético, este não é detectado clinicamente.

Fatores Pré-Natais (Gestacionais).

Metabólicos: alterações no metabolismo materno.
Infecciosos: qualquer doença infecciosa adquirida pela mãe durante a gestação.
Mecânicos.
Medicamentosos.
Químicos.

Fatores Natais.

Mecânicos: por exemplo, o uso inadequado de fórceps.
Complicações peri-natais: hipóxia.

Fatores Pós-Natais.

Infecções.
Intoxicações.
Subnutrição.
Ambientais.

Observações:

5 a 8% da população brasileira é Deficiente Mental, só não mais devido à alta taxa de mortalidade infantil. Mas este fato não impede uma vida normal, pois a maioria é de grau leve.
Retardos Mentais Moderado, Severo e Profundo normalmente são devido a problemas genéticos e/ou hereditários, ou por problemas peri-natais graves que comprometem o feto desde o início. Por exemplo: infecções.
O Retardo Mental Leve possui etiologias de diversas origens, basicamente derivadas dos comprometimentos nos dois primeiros anos de vida.

RETARDO MENTAL & FONOAUDIOLOGIA.

Como já vimos, Retardo Mental é o distúrbio do desenvolvimento, cuja característica principal corresponde a alteração no funcionamento intelectual, o qual está comumente associado aos outros déficits nas condutas verbais e sociais.

O desenvolvimento da linguagem é algo complexo, e que depende, de certa forma, do desenvolvimento de habilidades cognitivas e sócio-adaptativas. As crianças que são lentas em todas as fases de desenvolvimento, também serão lentas na aquisição de habilidades de linguagem. O desenvolvimento lento afeta o modo como as crianças com Retardo Mental aprendem sobre seu mundo e as pessoas e objetos nele. A maioria das crianças com retardo são lentas em todas as áreas do desenvolvimento: habilidades motoras, socialização, autocuidados e linguagem.

Em geral, as crianças com retardo são lentas em adquirir habilidades de comunicação. Mesmo no estágio pré-lingüístico, alguns bebês e crianças pequenas com retardo são menos interativos e usam menos formas de comunicação não-verbal do que seus colegas de idade com desenvolvimento normal. Contudo, crianças com tipos diferentes de Retardo Mental apresentam maior dificuldade em determinadas áreas de desenvolvimento de linguagem do que em outras. Por exemplo: algumas crianças com Síndrome de Down parecem experimentar problemas particulares com sintaxe e morfologia (Stoel-Gammon, 1990). Em contraste, as crianças com Síndrome de Wilians, em geral, são proficientes em sintaxe e morfologia, apesar de apresentares habilidades semânticas deficientes (Bullugi e cols., 1998). As crianças com Síndrome de X frágil tendem a experimentar problemas particulares com habilidades pragmáticas verbais e não-verbais (Scharfenaker, 1990). Dentro de qualquer grupo de crianças com Retardo Mental, há grande variabilidade individual na aquisição de habilidades de linguagem. Com orientação, as crianças com retardo podem desenvolver habilidades de comunicação até os limites do seu potencial cognitivo e sócio-adaptativo.

Basicamente, as características mais marcantes são as não-verbais e as lingüísticas.

Características Não-Verbais.

Pode resultar de uma grande variedade de causas.
Problemas comumente encontrados: anomalias físicas, déficits motores gerais, problema neurológicos, perdas auditivas e visuais.
Tendência a serem amigáveis: procuram contatos sociais.
Distúrbios comportamentais associados: infantilidade, desatenção, hiperatividade e comportamentos estereotipados.
Características Lingüísticas.

Quanto mais acentuado o comprometimento intelectual, mais limitado tenderá a ser o desenvolvimento da linguagem.
A variação no desenvolvimento da fala e da linguagem entre os portadores de tal deficiência é maior que aquela observada em crianças normais.
Os problemas articulatórios podem ser significativos, principalmente nos níveis de deficiências mais acentuados. Tais problemas resultam de atrasos no desenvolvimento neuromuscular, de dificuldades de coordenação motora, de perdas auditivas, de obstruções nasais crônicas e mesmo de possíveis deformidades orofaciais. Temos aqui fatores neurogênicos e condição músculo-esqueletais determinando tais padrões de alteração.
Mesmo na ausência de alterações neurológicas ou de malformações orofaciais, podem ocorrer distúrbios articulatórios, neste caso caracterizando os desvios fonêmicos.
Podem ocorrer disfluências.
O ritmo de desenvolvimento da linguagem é lento, tendendo a seguir o mesmo curso apresentado pelas crianças normais, caracterizando-se como um atraso.
Vocabulário tende a ser limitado e a construção de estruturas frasais mais elementares.
As dificuldades de linguagem tendem a ser duráveis, evidenciando déficits permanentes de linguagem.
O uso da linguagem pode lembrar padrões típicos de crianças mais novas.
Há um interesse pela comunicação.

TERAPIA.

terapia do Deficiente Mental dependerá muito das alterações fonoaudiológicas que ele apresentar.

Relataremos apenas a terapia de linguagem, pois todo Retardo Mental acompanha uma alteração, um Retardo de Linguagem.

Após avaliarmos e classificarmos o Retardo de Linguagem do indivíduo, devemos nos concentrar menos na sua patologia médica, o Retardo Mental, e nos focarmos mais em suas alterações fonoaudiológicas e nos seus limites e capacidades.

Existem várias teorias sobre terapia de linguagem, seguiremos a abordagem pragmática, funcional ou interacional, que enfatiza o papel das interações e experiências da criança no desenvolvimento da linguagem. A terapia é baseada na réplica de cenários familiares, trabalha-se primeiro com o concreto para depois introduzirmos o abstrato.

Nesta abordagem a narrativa do interlocutor é importante para enfatizar formas ou combinações específicas. O paciente não é requerido diretamente para a emissão da fala, mas sim, é conduzido gradativamente ao seu papel de interlocutor na narrativa. A principal meta é desenvolver a competência comunicativa. Faz uso de situações comunicativas no mundo real, sob forma de diálogos, e não dirigidas.

A vantagem é que o terapeuta tem a visão da linguagem na linguagem, e por causa disso, necessita de uma visão ampla e profunda da linguagem, sem estratificação.

O PAPEL DO FONOAUDIÓLOGO.

O papel do fonoaudiólogo numa terapia de linguagem é ser: interlocutor, investigador e terapeuta.

INTERLOCUTOR.

Neste caso o fonoaudiólogo atua numa conversa espontânea, não programada e sem planejamento prévio.

Na interlocução há o emissor e o receptor que interagem na busca da compreensão da linguagem. Para que isto ocorra, vias comunicativas, de emissão e recepção devem estar íntegras.

Regras de Interlocução.

Tomada de Turno: quando um fala o outro escuta. O paciente tem que assumir o papel de interlocutor, tomar seu turno dialógico e preenche-lo. Respostas não-verbais também indicam tomadas de turno.
Coerência Contextual: não basta tomar seu turno dialógico e preenche-lo com frases sem coerência e coesão.
Inteligibilidade: fala, gestos e expressões devem ser inteligíveis.
Espontaneidade: não significa falar muito ou ser desinibido para falar, mas sim, assumir seu papel de interlocutor sem que programe isso.

INVESTIGADOR.

O terapeuta deve ter toda a teoria da linguagem internalizada para poder “busca-la” sempre que necessário. Quando há alguma novidade durante a atividade dialógica, o fonoaudiólogo “sai” e busca recursos em sua teoria internalizada para agir de forma correta. Neste momento, o fonoaudiólogo está sendo investigador.

TERAPEUTA.

No momento em que o fonoaudiólogo está numa atividade dialógica, surge uma novidade, e ele busca recursos na teoria para aplica-la na prática, ele está fazendo o papel de terapeuta. Ser terapeuta nada mais é do que aplicar na prática a teoria.

OBJETIVO GERAL.

Desenvolvimento da Linguagem, dependendo de cada capacidade e limite individual.

OBJETIVO ESPECÍFICO.

Quando trabalhamos com linguagem fica difícil pensarmos num objetivo específico, pois não temos um planejamento prévio e fiel da nossa terapia.

Nestes casos, o objetivo específico é promover a construção da linguagem através da linguagem.

É claro que cada terapeuta deverá enfatizar a área da linguagem deficitária em seu paciente, por exemplo: desenvolvimento do nível sintático, semântico, fonético, fonológico, pragmático, de argumentação, de escrita, etc.

ESTRATÉGIAS.

Para cada um dos níveis da linguagem existem inúmeras maneiras de trabalharmos em terapia, mas depende de cada indivíduo e do seu grau de dificuldade e de capacidade.

Mas em todas as terapias de linguagem podemos utilizar as seguintes estratégias:

1) Atividade Dialógica.

Propicia situações favoráveis para o vínculo entre interlocutores, importante para a instalação dos processos dialógicos. O vínculo entre terapeuta / paciente é importante para estabelecer e instalar as regras de interlocução mais rapidamente.

Uma criança pequena normal realiza especularidade, complementaridade e reciprocidade, e na terapia utilizaremos o mesmo método.

Especularidade: a criança tem seu turno dialógico, mas não sabe como preenche-lo, então pega a fala do emissor, recorta e reproduz. Por isso é importante darmos modelos de frases para o paciente.

Complementaridade: a criança ainda faz especularidade, mas ao reproduzir a fala, introduz mais elementos, palavras, complementando a fala.

Reciprocidade: a criança não necessita mais da fala do outro para recorte, ela cria suas próprias frases e respostas, nas precisa de ajuda.

Trabalhar com isso em terapia é agir como a mãe em sua casa, quando a mãe faz isso com a criança em sua casa, sem saber ela estimula a linguagem. A diferença é que a terapeuta tem que ser investigadora e a mãe não.

Mesmo que a criança não verbalize, você tem que continuar, complementando e criando situações em que a criança tenha que verbalizar. Esse processo é lento.

2) A Linguagem das Ações.

Aqui, a terapia ocorre nas próprias ações, no brincar. Quanto mais complexa for a ação da criança, mais complexa será a sua linguagem.

Quatro pontos são principais nesta estratégia:

Reconhecer e preencher o turno dialógico.
Desenvolvimento dos traços semânticos componenciais.
Organização temporal do discurso.
Possibilidades lingüístico-cognitivas.

3) “Espelho”: O Recorte da Emissão da Criança.

Possibilidade de ouvir a própria fala.
Perceber a (re) construção do outro.
(Re) Construir sua própria emissão.
4) A Linguagem das Narrativas.

Organização do discurso (fonológico, sintático, semântico e pragmático).
Possibilidades de relações lingüístico-cognitivas.
Movimento das ações gráficas.
5) A Linguagem da Argumentação.

Negociação explícita e implícita de sentido.
Possibilidade de ajustes cognitivos / semânticos através de negociações discursivas.

TERAPIA EM CRIANÇAS SEM LINGUAGEM ORAL.

Em primeiro lugar devemos avaliar os comportamentos comunicativos intencionais (CCI), que precedem a linguagem oral em seu desenvolvimento normal.

CCI Regulatório: regula a ação do outro indivíduo. É o mais primitivo porque não exige uma interação grande. O indivíduo que apresenta um comportamento regulatório tem intenção comunicativa.

CCI de Atenção Conjunta: é o comportamento de um indivíduo para chamar a atenção do outro para uma determinada ação. Olha para o interlocultor, olha para o objeto, aponta e pede.

CCI de Interação: chama a atenção do interlocutor para uma determinada ação própria. A criança usa dos comportamentos que aprendeu para chamar atenção.

Todos esses comportamentos são linguagem, só que de uma forma mais primitiva. Enquanto não fala, utiliza esses comportamentos.

DESENVOLVIMENTO DA INTERAÇÃO SOCIAL.

Como a criança interage com a outra. Habilidades para interação social surgem desde o nascimento. Essas habilidades de interação vão transformando-se uma a uma em habilidades de comunicação. Comunicação é uma atividade social.

ASPÉCTOS DA INTERAÇÃO SOCIAL.

Observar com o outro uma mesma ação / objeto (atenção conjunta).
Tomada de turnos durante a atividade (esperar e agir na sua vez).
Tomada de turno durante a comunicação.
Iniciar interação ao invés de esperar passivamente.
Manter a interação e dar continuidade a atividade iniciada, por iniciativa do paciente.
Persistência, nunca desistir.
Esclarecimento, tentar de outra maneira.

ERROS QUE TEMOS COMETIDOS.

Freqüentemente nós enfocamos habilidades muito elevadas com a criança, e nos perguntamos porque ela não é capaz de reter ou transferir o conteúdo enfocado. Por isso é muito importante termos a certeza de que a criança tem habilidade pré-lingüística, antes de iniciar um enfoque com a linguagem.
Nós, fonoaudiólogos, pais e mestres, temos sido muito “denominadores”. Temos a tendência de sempre iniciarmos os contatos, atividades, ao invés de darmos preferência as iniciativas da criança. Precisamos dar oportunidades para a criança resolver seus próprios problemas com a linguagem, a comunicação.

TÉCNICAS PARA A TERAPIA FUNCIONAL.

Siga os passos do desenvolvimento pré-lingüístico.
Ensine cognição, comunicação e interação social num conjunto e, somente dentro de um contexto funcional e com significado.
Mantenha coisas de interesse da criança em locais visíveis, mas fora do alcance, de forma que ela tenha necessidade de se comunicar.
Crie regras, como: ninguém pode se levantar e sair sem antes comunicar suas intenções.
Se faça de “bobo”, peça esclarecimentos, evite comandos do tipo “diga pato”, pois quanto mais pressionada, pior.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

Spinelli, M. – Foniatria, 2a edição, SP, Editora Moraes, 1983.
Boone, D. R., Plante, E. – Comunicação Humana e seus Distúrbios. Editora Artes Médicas, Porto Alegre, 1994.
Aimard, P. – O Surgimento da Linguagem na Criança. Editora Artes Médicas, São Paulo, 1996.
Zorzi, J. L. – A Intervenção Fonoaudiológica nas Alterações da Linguagem Infantil. Editora Revinter, Rio de Janeiro, 1999.
Casanova, J. P. – Manual de Fonoaudiologia. 2a edição, Editora Artes Médicas, São Paulo, 1994.
Junqueira, P., Dauden, A. T. B. C. – Aspectos Atuais em Terapia Fonoaudiológica. 2a Edição, Pancast Editora, São Paulo, 1997.
Marchesan, I. Q., Zorzi, J. L., Gomes, I. V. C. – Tópicos em Fonoaudiologia, Volume III. Editora Lovise, São Paulo, 1996.

Xisto Betuminoso

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Autoria: anônimo

Criada em 1954 , a Superintendência Industrial de Xisto (SIX) da Petrobrás atua como um centro de desenvolvimento de tecnologia, inicialmente para o aproveitamento do xisto e, desde 1991, em outros projetos, principalmente na área de refino.
Com a implantação do Programa de Desenvolvimento de Tecnologias Estratégicas de Refino (Proter), a SIX passou também a trabalhar nas áreas de craqueamento catalítico, desasfaltação, hidrogenação e no desenvolvimento de novas rotas para o aproveitamento do coque e do resíduo asfáltico.
Além disso, o SIX desenvolveu e patenteou uma tecnologia para a incineração de resíduos oleosos. Operacionalmente simples, esta alternativa tem a vantagem da queima simultânea de diversos combustíveis, aliadas ao baixo custo de construção e manutenção. Vários projetos da SIX estão sendo desenvolvidos em conjunto com as universidades.

Tirando óleo de pedra
O histórico da exploração de xisto
no Brasil
Superintendência da Industrialização Xisto – SIX
Contato: Luciene Ulrich Kurt
tel.: (042) 520-7140 Fax.: (042) 520-7400
Endereço: Cidade Universitária – Quadra 7 – Ilha do Fundão – CEP: 21949-900 Rio de Janeiro/RJ – Brasil
Você está consultando:
Tecnologia / Centro de Pesquisa / Áreas de Atividade / Engenharia Básica / Tecnologia de Xisto

O Brasil tem um dos maiores volumes mundiais de xisto: reservas de 1,9 bilhão de barris de óleo, 25 milhões de toneladas de gás liquefeito, 68 bilhões de metros cúbicos de gás combustível e 48 milhões de toneladas de enxofre só na formação Irati, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás.
A Petrobrás concentra suas operações na jazida de São Mateus do Sul, onde o minério é encontrado em duas camadas: a camada superior de xisto com 6,4 metros de espessura e teor de óleo de 6,4%, e a camada inferior com 3,2 metros de espessura e teor de óleo de 9,1%.
A primeira extração de xisto no Brasil aconteceu em 1884, na Bahia. Em 1935, em São Mateus do Sul, Paraná, uma usina instalada por Roberto Angewitz chegou a produzir 318 litros de óleo de xisto por dia. Em 1949, o governo federal decidiu investigar cientificamente as potencialidades do xisto e a viabilidade econômica de sua industrialização. Um ano depois, era criada a Comissão de Industrialização do Xisto Betuminoso (CIXB), para estudar a construção de uma usina na cidade de Tremembé, em São Paulo, com capacidade para produzir 10 mil barris diários de óleo de xisto.
Com a criação da Petrobrás em 1953, o acervo da CIXB foi incorporado à Companhia e, em 1957/1958, os técnicos da Petrobrás desenvolveram um novo processo de transformação de xisto que recebeu o nome de Petrosix. Hoje, esse processo é reconhecido mundialmente como o mais avançado no aproveitamento industrial do minério.
Em 1972, entrava em operação a Usina Protótipo do Irati (UPI), que viria comprovar a viabilidade técnica do processo Petrosix, além de testar equipamentos e levantar dados básicos para projetos de usinas industriais. O processo de consolidação da tecnologia Petrosix chegaria ao fim em dezembro de 1991, quando entrou em operação o Módulo Industrial (MI), em plena escala.
A SIX processa diariamente 7.800 toneladas de xisto betuminoso, que geram 3.870 barris de óleo de xisto, 120 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de gás liquefeito de xisto e 75 toneladas de enxofre.
Você está consultando:
Tecnologia / Centro de Pesquisa / Áreas de Atividade / Engenharia Básica / Tecnologia de Xisto / Tirando Óleo de Pedra

O Potencial econômico do município de Pântano Grande está baseado na Exploração de minérios, uma vez que o solo é rico em calcário, caulim, quartzo, xisto betuminoso, carvão, barro refratário, entre outros minerais. Mas, também não menos importante é a Agricultura e Pecuária de nossa cidade. Veja na agricultura de Pântano Grande tem um bom desenvolvimento a maior parte dos agricultores têm assistência especializada e lavouras mecanizadas.

Vista de uma jazida de argila. Em algumas jazidas o processo de extração ainda é manual

Xisto Betuminoso

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Autoria: Anônimo

Criada em 1954 , a Superintendência Industrial de Xisto (SIX) da Petrobrás atua como um centro de desenvolvimento de tecnologia, inicialmente para o aproveitamento do xisto e, desde 1991, em outros projetos, principalmente na área de refino.
Com a implantação do Programa de Desenvolvimento de Tecnologias Estratégicas de Refino (Proter), a SIX passou também a trabalhar nas áreas de craqueamento catalítico, desasfaltação, hidrogenação e no desenvolvimento de novas rotas para o aproveitamento do coque e do resíduo asfáltico.
Além disso, o SIX desenvolveu e patenteou uma tecnologia para a incineração de resíduos oleosos. Operacionalmente simples, esta alternativa tem a vantagem da queima simultânea de diversos combustíveis, aliadas ao baixo custo de construção e manutenção. Vários projetos da SIX estão sendo desenvolvidos em conjunto com as universidades.

Tirando óleo de pedra
O histórico da exploração de xisto
no Brasil
Superintendência da Industrialização Xisto – SIX
Contato: Luciene Ulrich Kurt
tel.: (042) 520-7140 Fax.: (042) 520-7400
Endereço: Cidade Universitária – Quadra 7 – Ilha do Fundão – CEP: 21949-900 Rio de Janeiro/RJ – Brasil

O Brasil tem um dos maiores volumes mundiais de xisto: reservas de 1,9 bilhão de barris de óleo, 25 milhões de toneladas de gás liquefeito, 68 bilhões de metros cúbicos de gás combustível e 48 milhões de toneladas de enxofre só na formação Irati, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás.
A Petrobrás concentra suas operações na jazida de São Mateus do Sul, onde o minério é encontrado em duas camadas: a camada superior de xisto com 6,4 metros de espessura e teor de óleo de 6,4%, e a camada inferior com 3,2 metros de espessura e teor de óleo de 9,1%.
A primeira extração de xisto no Brasil aconteceu em 1884, na Bahia. Em 1935, em São Mateus do Sul, Paraná, uma usina instalada por Roberto Angewitz chegou a produzir 318 litros de óleo de xisto por dia. Em 1949, o governo federal decidiu investigar cientificamente as potencialidades do xisto e a viabilidade econômica de sua industrialização. Um ano depois, era criada a Comissão de Industrialização do Xisto Betuminoso (CIXB), para estudar a construção de uma usina na cidade de Tremembé, em São Paulo, com capacidade para produzir 10 mil barris diários de óleo de xisto.
Com a criação da Petrobrás em 1953, o acervo da CIXB foi incorporado à Companhia e, em 1957/1958, os técnicos da Petrobrás desenvolveram um novo processo de transformação de xisto que recebeu o nome de Petrosix. Hoje, esse processo é reconhecido mundialmente como o mais avançado no aproveitamento industrial do minério.
Em 1972, entrava em operação a Usina Protótipo do Irati (UPI), que viria comprovar a viabilidade técnica do processo Petrosix, além de testar equipamentos e levantar dados básicos para projetos de usinas industriais. O processo de consolidação da tecnologia Petrosix chegaria ao fim em dezembro de 1991, quando entrou em operação o Módulo Industrial (MI), em plena escala.
A SIX processa diariamente 7.800 toneladas de xisto betuminoso, que geram 3.870 barris de óleo de xisto, 120 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de gás liquefeito de xisto e 75 toneladas de enxofre.

O Potencial econômico do município de Pântano Grande está baseado na Exploração de minérios, uma vez que o solo é rico em calcário, caulim, quartzo, xisto betuminoso, carvão, barro refratário, entre outros minerais. Mas, também não menos importante é a Agricultura e Pecuária de nossa cidade. Veja na agricultura de Pântano Grande tem um bom desenvolvimento a maior parte dos agricultores têm assistência especializada e lavouras mecanizadas.

Bibliografia: Internet

VITIMOLOGIA

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Autoria: Graciella Muzeka

VITIMOLOGIA

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo o estudo da Vitimologia para sua conceituação e análise diante da problematização atual da criminalidade.

O estudo da vítima nas investigações criminológicas surgiu como resultado da progressiva ampliação e problematização do objeto da moderna criminologia.

Tradicionalmente as investigações criminológicas priorizavam o estudo sobre a pessoa do delinquente e sobre o delito. A evolução da criminologia, contudo, ensejou a ampliação do seu objeto de estudo, isto é, o deslocamento do âmbito de interesse da pessoa do delinquente e do delito para a vítima e o controle social.

Dessa forma a vítima, que em nada contribuía para a explicação cientifica do fato criminoso, passou a ter papel de grande importância no fenômeno delitivo. A vitimologia, por sua vez, propiciou o avanço do processo de redefinição do papel da vítima ao longo da história.

2. CONCEITO DE VITIMOLOGIA

A Vitimologia pode ser definida como o estudo científico das vítimas. A criminologia será sempre beneficiada com a orientação vitimológica. É o estudo da vítima no que se refere à sua personalidade, quer do ponto de vista biológico, psicológico e social, quer do da sua proteção social e jurídica, bem como dos meios de vitimização, sua inter-relação com o vitimizador e aspectos interdisciplinares e comparativos. Não é apenas o estudo da vítima do crime, o que seria tão limitado e estranho quanto afirmar que a Criminologia se ocupa apenas dos homicidas, abandonando-se os outros delitos e delinquentes.

A Vitimologia é abordada como ciência analítica e crítica da vítima, sujeito que sofre a ação ou omissão do autor do delito e é sinônimo de ofendido, lesado ou sujeito passivo. Evidentemente que sempre existiu a vítima, porém, não era considerada foco central de atenção. Era encarada apenas como apêndice do binômio crime-criminoso. A posição crítica, social, e globalizante surgiu bem mais tarde, e a vítima passou a ser outro pólo ativo desse binômio.

O termo Vitimologia, que etimologicamente deriva do latim e do grego, foi utilizada pela primeira vez por Benjamin Mendelsohn em sua obra pioneira sobre o assunto. Alguns autores contestam à Vitimologia o status de ciência autônoma, sendo um estudo relativamente recente, porém, com publicações já datadas de 1906, 1911 e 1928 que tratam da vítima e são precursoras da nova ciência.

3. PRECURSORES DA VITIMOLOGIA

3.1.DURKHEIM

Para ele o “o delito é fenômeno normal e está inserido em toda a história da humanidade”.

3.2. ISRAEL DRAPKIN

Os sacrifícios eram para evitar as desgraças ou a ira dos deuses, tendo acontecido não só nos indígenas, mas também em países de altos níveis de civilização.

3.3. EXNER, KIMBERG, WOLFGANG

A vítima que definitivamente interessa à vitimologia é o ser humano, que sofre danos aos seus bens juridicamente protegidos como ávida, a saúde, a honra, a honestidade.

3.4. VON HENTING

A ação direta das vítimas é considerada como provocadora do delito e a vulnerabilidade causada por fatores fora do controlo da vítima (idade, sexo, posição social).

3.5. MENDELSOHN

Tipos de vítimas com base na sua culpabilidade: graduação da culpabilidade da vítima, desde a completamente inocente (sem comportamentos de precipitação) até à vítima mais culpada do que o ofensor.

Vitimologia do ato, essencialmente centrada em dois planos: num primeiro no delinqüente, num segundo debruça-se sobre a vítima, o criminoso terá uma pena atenuada consoante o comportamento da vítima ou tipo de vítima.

3.6. AMIR

Culpabilização associada à precipitação, violação precipitada, aquela que a vítima desejou violentamente o ato ou se comportou de forma a suscitar más interpretações por parte do agressor.

3.7. FATTAH

Conceito jurídico e moral de culpa, a existência de sujeitos mais vulneráveis ao crime (não por qualquer determinação psicológica ou moral, mas por questões estruturais). Posição social ou comportamental, maior exposição ao risco.

4. CRIMES NA VITIMOLOGIA

4.1. ESTUPRO

A adolescente não pode ser violada se ela não quiser, ou seja, se reagir em conformidade, o homem não consegue manter relações sexuais com ela. Se ela provocou o indivíduo e terminou numa agressão é considerada sedutora, porque ao provocar o indivíduo, ela arisca segundo os ditados populares “quem brinca com o fogo queima-se” ou “quem anda à chuva molha-se”. O violador vê a vítima como um mero objeto e a violação acontece no sentido da escala social, entenda-se que o fato da imprudência não significa ser sinônimo da culpa ou melhor que o fato de uma mulher se encontrar às tantas da madrugada na rua num determinado sítio ermo, não traz a ideia implícita de obrigatoriedade de violação.

Na generalidade, o violador é um indivíduo conhecido da vítima quer se trate de jovens adultas ou de menores. No íntimo, a vítima deseja ser violada. Denomina-se fantasiar a violação, contudo sem passar à prática. A resistência da vítima nada diz da sua vontade de se encontrar naquela situação uma vez que reagem de forma diferente a um ataque, cada caso é um caso.

EMENTA – Nº 17876 – ESTUPRO – Não caracterização – Nos crimes sexuais, a palavra da vítima, para gozar da presunção de veracidade necessita ser verossímil, coerente e escudada no bom comportamento anterior – No caso o comportamento da vítima deixa muita a desejar – Absolvição decretada. (Relator: Celso Limongi – Apelação Criminal 100.223-3 – Candido Mota – 23.01.91)

EMENTA – Nº 71022 – ESTUPRO – Presunção de violência – Vítima de mau comportamento menos de 14 anos – Relações sexuais mantidas anteriormente com outros homens – Circunstâncias que elide presunção, de caráter relativo – Absolvição – Inteligência dos arts. 213 e 224, “a”, do CP ( Ement.) RT 557/322.

No tocante aos crimes sexuais, a participação ou consentimento da vítima, é algo muito mais sério do que imaginamos, pois mostramos anteriormente com algumas ementas que há casos de absolvição em processos que envolvam conjunção carnal, sedução, atentado violento ao pudor, estupro, etc.

4.2. HOMICÍDIO

O crime passional está inserido na psique do vitimante. a psique encontra-se enferma, irradiando ondas negativas. Encontrando a vítima, temos a reação como se fosse uma descarga elétrica, significando para o vitimizador a solução do conflito anterior.

O homicídio privilegiado, que é um caso de diminuição de pena no homicídio, está assim previsto no art. 121 §1o “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.” Configura-se o caso clássico de vítima mais culpada que o agente, não tendo este a alma assassina e cometeu o crime num momento de exaltação de ânimos. É o pai que vê o estuprador de sua filha fazendo chacotas com a família, ou daquele que, ao chegar em casa, vê sua mulher cometendo adultério e vem a assassina-la. Jiménez de Asúa destaca a influência vitimal nesse e outros delitos (como lesões corporais, homicídio consentido e o tiranicídio, onde o atormentador, o tirano, foi, durante longo tempo vitimário de seu povo até que, por fim, o atormentado o executa, de modo sumário e sem solenidades). É caso de homicídio privilegiado, também, o filho que mata o pai que constantemente chega em casa sob efeitos do álcool e investe contra a esposa.

4.3. ABORTO

Outro crime em que a participação da vítima é essencial para sua consumação é o aborto consensual. “Art. 126 – Provocar aborto com o consentimento da gestante”. Acontece, p. ex., nas clínicas de aborto em que a mulher chega lá para ter sua gravidez interrompida. A vítima não é procurada por ninguém da clínica, pelo contrário, vai lá por livre e espontânea vontade. Claro que, se a mulher for menor de 14 anos, ou débil, seu consentimento vai ser viciado sendo, portanto, inexistente, na esfera jurídica. Não podemos chamá-la de vítima, mas sim de agente ativa do crime, pois o médico (ou quem quer que seja que pratique o aborto) é apenas um instrumento de que ela dispõe para pôr termo à gravidez.

4.4. AGRESSÕES FÍSICAS E LESÕES

A repercussão psicológica da agressão costuma ser inferida mais na prática diária e da experiência de investigações dotadas de uma metodologia rigorosa. O caráter simbólico do estressador, os elementos de vulnerabilidade pessoal e as conseqüências sociais e econômicas do fato tem uma importância decisiva. A idade e sexo são fatores que impulsionam o traumatismo. Como por exemplo, as mulheres e idosos vivenciam de maneira diferente o dramatismo da agressão.

4.5. SEQUESTRO RELÂMPAGO

Entre os vários tipos de violência no trânsito, uma espécie de crime tem assustado mais os paulistanos que andam de carro: o sequestro-relâmpago. Apesar de o tempo em que a vítima fica em poder dos bandidos ser de, em média, uma hora, os ladrões que praticam esse crime são muito perigosos, de acordo com a polícia.

“Em geral, são bandidos jovens, que estão começando no crime”, afirma o delegado Manoel Camassa, 56, da Divecar (Divisão de Investigação sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas).

Segundo ele, quem pratica o sequestro-relâmpago não quer “sujar” o nome no mundo do crime e, por isso, faz de tudo para alcançar seu objetivo. Os ladrões, em geral, são três pessoas bem armadas e drogadas, têm preferência por carros que chamam a atenção e pelos motoristas que ostentam riqueza, seja usando jóias e relógios, seja falando ao celular.

Como afirma Maximiliano Rusconi, “o primeiro passo, possivelmente decisivo na troca de rumo, corresponde a certo âmbito de reflexão da criminologia, que deu nascimento à vitimologia, cujo batismo provém de Mendelssohn” (“Sistema Del Hecho Punible y Politica Criminal, AD-HOC, p. 97).

4.6. LAVAGEM DE DINHEIRO

Identifica-se como um negócio, constituindo-se em uma espécie de “crime do colarinho branco”, que vem trazendo preocupações a juristas do mundo inteiro, em razão dos danos que a modalidade delituosa causa à economia dos países, traduzindo-se numa delinqüência que supera as barreiras da proteção administrativa, exigindo que seja tratada em normas autônomas, especiais, que têm mais abrangência e flexibilidade, permitindo uma melhor atuação das autoridades encarregadas de sua repressão. Trata-se de fato pós-crime, que surge como forma de favoreci mento ou de receptação.

Nem sempre é fácil para o delinqüente a utilização do produto do crime. A imprevidência nos gastos com excentricidades que sempre acompanham o dinheiro obtido com facilidade e a aquisição imediata de bens acima de seu padrão pessoal de vida revelam sinais exteriores de riqueza, despertando suspeitas, sugerindo investigação pela polícia ou pelo imposto de renda. Por isso, os infratores experientes procuram organizar um projeto de inversão do produto do crime, contando com cooperadores dispostos a ocultar esses recursos e a encobrir as pistas que esse dinheiro deve seguir, com o objetivo de iludir a ação repressora.

Inúmeras operações têm sido detectadas envolvendo a compra e venda de imóveis. Assim, c.g., “um traficante de drogas usa produtos de seu crime para comprar uma propriedade imobiliária, pane em dinheiro e o restante obtido através de um empréstimo obtido sob a hipoteca do imóvel. Ele então vende a propriedade para uma corporação de fachada, que ele controla, por um valor nominal. A corporação aliena a propriedade para qualquer terceiro de boa-fé pelo preço de compra original. Dessa forma o traficante esconde seus produtos do crime em uma corporação e desta forma disfarça a origem dos fundos inicialmente utilizados”.

Outros esquemas têm utilizado advogados como consultores ou operadores da reciclagem: “um proeminente advogado operava uma rede de lavagem de dinheiro que utilizava 16 instituições financeiras, domésticas e internacionais, muitas delas situadas em ‘paraísos fiscais’. A maioria de seus clientes era constituída de cidadãos obedientes à lei, todavia alguns de seus clientes estavam envolvidos, em vários tipos de fraudes e evasão fiscal, e um deles havia cometido uma fraude de US$ 80 milhões envolvendo seguros. (…). Um dos métodos de lavagem utilizados era transferir fundos do cliente para uma de suas contas no Caribe. Esta conta corrente era apenas nominalmente do advogado e ele a usava para misturar recursos de vários clientes, antes de movimentar parcelas dos fundos acumulados nessa conta geral, por transferências via cabo, para outras contas em outros países do Caribe. Quando um cliente precisava de fundos, se podia transferi-los destas contas para unia conta corrente, em nome do advogado ou do cliente, nos Estados Unidos. O advogado asseverava aos seus clientes que eles poderiam esconder-se atrás do sigilo profissional do advogado se viessem: a ser investigados. Outro método de lavagem de ativos era através de cartões de crédito. Ele conseguia que fossem emitidos para seus clientes, sob sua responsabilidade, cartões de crédito, com nomes falsos, e a empresa emissora desconhecia a real identidade dos indivíduos constantes dos cartões.

5. RESPONSABILIDADE CIVIL E A VITIMOLOGIA

Há muito tempo a legislação brasileira tem se preocupado com a vítima, mas com exceção do Código Criminal do Império, isso tem sido feito de maneira muito insipiente.

Diante disso, há que se destacar a Lei 9.099/95, que deu maior ênfase à reparação do dano às vítimas. Segundo Luiz Flávio Gomes ocorreu a “redescoberta da vítima”.(1997, p. 423). O mesmo autor conclui que “… a lei 9.099/95, no âmbito da criminalidade pequena e média, introduziu no Brasil o chamado modelo consensual de Justiça Criminal. A prioridade agora não é o castigo do infrator, senão, sobretudo a indenização dos danos e prejuízo causados pelo delito em favor da vítima”.(GOMES, op. cit., p. 430)

Isso fica evidente quando analisamos os novos institutos trazidos pela referida lei. Falaremos, em primeiro lugar, da composição civil, prevista nos artigos 71 a 74 da Lei 9.099/95. Estabeleceu o legislador que o juiz deve, sempre que existir dano, buscar a composição civil, destacando que a composição civil implica renúncia ao direito de queixa ou representação. Fica clara a intenção do legislador de estimular a composição civil e por conseqüência a reparação do dano, pois o autor do fato, não aceitando a composição, fica sob o risco da ação penal, preferindo muitas vezes realizar o acordo civil a sofrer a sanção penal.

Outra forma de valorizar a vítima prevista na lei 9.099/95 foi ampliar o número de crimes que dependem de representação, pois o art. 88 estabelece que dependem de representação os crimes de lesão corporal dolosa leve e lesão corporal culposa. Segundo Scarance Fernandes, a conseqüência disso é que “cresce a dependência do Estado, em sua atividade persecutória, à vontade da vítima e, por conseqüência, aumenta a possibilidade de o autor do fato reparar o dano que foi causado pelo crime, visando evitar a acusação”.(2002, p. 212)

A lei 9.099/95 instituiu no Brasil a suspensão condicional do processo. Por este instituto, o processo fica suspenso pelo prazo de 02 a 04 anos e o autor do crime tem de cumprir algumas condições. Entre elas está a reparação do dano à vítima (art. 89, § 1º, I). Fica evidente, mais uma vez, a intenção do legislador de incentivar a reparação do dano e vincular alguns benefícios a sua ocorrência.

Embora os progressos trazidos pela lei 9.099/95, no tocante à reparação do dano, sejam elogiáveis, não podemos deixar de destacar alguns pontos relativos à vitimologia que devem ser corrigidos. O primeiro e mais importante deles é o do momento da representação nos crimes de ação penal pública, condicionada à representação. Segundo a lei, a representação deve ser feita em audiência preliminar, na presença do autor do fato. Isso faz com que a vítima, já perturbada com o delito, sinta-se ainda mais constrangida. A não representação é muitas vezes fruto deste constrangimento. Imagine-se alguém que tenha sido ameaçado de morte e que tenha de representar contra o autor da ameaça na frente do juiz. Se existia alguma inimizade, isto somente iria exacerbá-la.

Acreditamos que essa situação deve ser corrigida pela legislação ou mesmo pelo Juiz. Não obtida a composição civil, o juiz deve ouvir a vítima sem a presença do autor. Não há razão alguma para que o autor presencie o momento da representação, devendo ele ser trazido novamente à audiência quando da transação penal, ato que é personalíssimo e exige a sua presença.

Outra lei que se preocupou com a vítima foi a lei 9.503/98 que instituiu o Código de Trânsito. Nela, no art. 297, o legislador fez previsão da imposição de multa reparatória, “que consiste no pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. 49 do Código Penal, sempre que houver prejuízo material resultante do crime”.

Com base neste dispositivo, o juiz pode impor o pagamento de multa reparatória ao réu, desde que tenha ocorrido prejuízo material à(s) vítima(s), sendo certo que este valor será revertido à vítima e não poderá ser superior ao prejuízo demonstrado no processo.

A lei 9.605, de 12.2.98, criou no âmbito dos crimes contra o meio ambiente a pena da prestação pecuniária, que segundo a lei consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada, com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a 360 salários mínimos.

Com redação semelhante, a lei 9.714, de 25.11.98, que modificou a redação de vários artigos que tratavam das penas restritivas de direitos, criou a pena da prestação pecuniária. Segundo o art. 45, § 1º do Código Penal, com a redação dada pela lei acima referida, a prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima e seus dependentes de importância fixada pelo juiz.

Percebemos, então, que a legislação pátria, especialmente a partir da lei 9.099/95, preocupou-se muito com a vítima e com a reparação do dano, sendo este rumo a ser seguido pela vitimologia.

5.1. Perspectivas para a reparação do dano

Mesmo diante dos últimos avanços da vitimologia no campo da reparação do dano, muito ainda precisa ser feito. Embora a Lei 9.099/95 e as outras leis acima referidas tenham trazido importantes instrumentos para a busca da reparação, o certo é que em todas elas há a previsão de que a reparação do dano só será obrigatória quando o agente tiver meios de fazê-lo. No Brasil pobre em que vivemos, onde a situação dos réus reflete a situação do país, não há dúvida de que a maioria deles são pessoas pobres e incapazes de reparar o dano. Diante disso, todo e qualquer avanço no campo da reparação do dano esbarra na impossibilidade material dos réus. Já em 1973, Edgar de Moura Bittencourt escreveu o seguinte:

“Quando o infrator tem recursos, é simples a restauração do equilíbrio econômico, com a correlata ação de indenização, que a lei civil outorga ao ofendido contra seu ofensor. Mas quando este não tem com que indenizar ou pelo menos com o que indenizar cabalmente (talvez esta seja a maioria dos casos), restará a injustiça social, pelo desequilíbrio econômico”.(BITTENCOURT, op. cit., p. 34)

Solução interessante poderia ser a instituição de um fundo de reparação de danos às vítimas, constituído da receitas obtidas com as multas e com verbas estatais. O Estado, em última instância, tem por obrigação garantir os bens jurídicos e, em caso de lesão, deve promover a sua indenização.

Registramos que no 1º Congresso Internacional de Vitimologia, realizado em Jerusalém, foi recomendado que as nações criassem um instrumento oficial de compensação para as vítimas de crime, independente da reparação do dano por parte do próprio criminoso.(cf. FERNANDES & FERNANDES, 1995, p. 464)

Falando a respeito do tema, Scarance Fernandes relata o seguinte:

“Crescem os fundos de indenização. Preocupam-se os países em criar estímulos para que o delinqüente repare o dano, prevendo-se programas de reparação e de conciliação tendentes a evitar a imposição da pena, estimulando-se a reparação como pena para pequenos delito ou como sanção substitutiva, Acentua-se visível inclinação para admitir que entidades coletivas, associações, sindicatos, possam defender, em sede penal, interesses civis. A temática da responsabilidade por ato ilícito evolui de uma postura individualista, para um sentido coletivista, diante do contínuo progresso das teorias sobre socialização dos riscos na sociedade”.(1995, p. 161) (grifos no original)

Note-se a necessidade de que a multa penal, originariamente destinada a ressarcir o prejuízo da vítima, volte a ter esta destinação.

Desde os primeiros tempos, os pagamentos impostos ao agente ou os bens que lhe eram confiscados revertiam em parte para a vítima e em parte para o rei, os senhores feudais, a Igreja e o Estado. Na Idade Média, paulatinamente, as multas e os bens confiscados passam a ficar exclusivamente para a Igreja, os senhores feudais e os reis. Essa situação se consolidou com o fortalecimento do Estado e a multa passou a ser destinada à Administração Pública. Entre nós, a multa é destinada ao fundo penitenciário.

Ocorre que a obrigação de cuidar do sistema penitenciário deve ser atribuída ao Estado, não sendo razoável que as multas pagas pelos acusados e sentenciados sejam destinadas a esse fim. Muito melhor do que um Fundo Penitenciário, é a constituição de um Fundo de Reparação à vítima.

A nosso ver, este é o caminho da evolução e a perspectiva é de um sistema garantidor da reparação do dano. Somente com a constituição de um Fundo de Reparação à vítima, o Estado dará resposta eficaz à população que exige um sistema adequado, e que garanta o ressarcimento do dano causado pela criminalidade, pois em última instância é o Estado quem deve garantir a segurança da população.

5.2. PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA, REPARAÇÃO E COMPENSAÇÃO E TRATAMENTO DAS VÍTIMAS DE DELITO

A Vitimologia tem chamado atenção na necessidade de experimentar programas de assistência, reparação e compensação e tratamento das vítimas do delito, como exemplo, só nos Estados unidos, tem-se mais de quinhentos programas distintos de ajuda e compensação da vítima, sendo quatro deles:

1.Programas de Assistência Imediata: são aqueles que oferecem serviços ligados ao tipo material, físico e psicológico a vítimas de certos delitos que, geralmente, não são comunicados às autoridades. São feitos a destinatários específicos, e em geral, por instituições privadas, como o movimento particular em favor da vítima, na Espanha. Essa abriu um glorioso caminho para a proliferação de associações privadas e agências que ajudam muito nesse processo de assistência às vítimas de delito.

2.Programas de reparação ou restituição de responsabilidade do próprio infrator: são aqueles programas que tratam de viabilizar a reparação do dano ou dos prejuízos sofridos pela vítima mediante o pagamento de dinheiro de da realização de certa atividade do infrator em benefício da vítima. Este sistema tem uma grande vantagem por conscientizar o infrator do mal que causou à vítima e por desenvolver uma relação positiva entre infrator e vítima. Porém, esse sistema muitas vezes se mostra ineficaz, pois existem muitos problemas que inviabilizam o seu cumprimento, como: existem situações em que se torna impossível estabelecer uma relação de confiança entre infrator e vítima; e a própria situação financeira do delinqüente, que impede a restituição do infrator no pagamento de quantia para a vítima.

3.Programas de compensação da vítima: são aqueles que se baseiam na idéia de solidariedade social com a vítima inocente e na necessidade que tem o Estado de assumir custos que têm origem no seu fracasso de prevenir o delito. Visa evitar o mais absoluto desamparo da vítima no caso de insolvência do infrator ou de impossibilidade de garantir seu patrimônio para a compensação. Estes programas visam ressarcir os prejuízos do delito, e o quantum varia a partir do caso concreto. Mas, existem algumas bases para a fixação deste quantum, tais como: a incapacidade laboral em decorrência do delito, o tratamento e hospitalização da vítima, etc. Porém, tal ressarcimento vai depender de certos requisitos, como a inocência da vítima no delito, a sua cooperação com as investigações e com o sistema legal, sua solicitação expressa de ajudas, etc. Apesar de suas boas intenções, este programa recebeu inúmeras críticas: primeiro, ao achar que ele iria aumentar o número de vítimas potenciais, aumentar a criminalidade, e que iria aumentar o número de custos, penalizando o erário público. Nenhuma destas críticas que previam o futuro vingou. Ainda assim, as pessoas preferiram prevenir o delito a se beneficiar com ele. Porém, em, segundo, as críticas de que o sistema não funcionava por ser pouco divulgado e por existir apenas no campo teórico são verdadeiras, e são comprovadas ao perguntar a uma vítima se ela recorreria ao pedido de ajuda do Estado por uma segunda vez. A resposta é negativa.

4. Programas de assistência à vítima declarante: São aqueles programas que se dirigem àquelas vítimas que irão participar como testemunha no processo, como uma troca de favores. A finalidade fundamental do Advogado da vítima (aquele que o Estado coloca à sua disposição) é dar-lhe oportuno assessoramento jurídico e a assistência pessoal durante todo o processo, evitando estratégias da defesa, tratamentos desatenciosos e burocratizados daqueles que fazem parte do controle social formal, até mesmo, sensacionalismo de certos meios de comunicação que ajudam, e muito, no sofrimento da vítima

5.3. DELINQUÊNCIA CONTRA A PROPRIEDADE

A vivência de ser assaltado pode resultar dramática para o psiquismo da vitima. Pesquisas demonstram que: entre 10 e 30% dos trabalhadores de banco vitimas de um assalto a mão armada desenvolvem um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Outras pesquisas demonstram que mesmo sem contato pessoal direto entre a vitima e vitimador, há o surgimento de problemas emocionais como o temor e a sensação de desproteção.

5.4. DELITOS DE TRÂNSITO

O evento traumático pela vitimização psicológica ocasionada por veículos motorizados é mais freqüente. A doutrina contatou três fases:

Aguda: breve duração vitima experimenta transtornos como agressividade, pânico, apatia, ansiedade e confusão.
Subaguda: sucede a aguda, pode prolongar por semanas, se desenvolve os transtornos mentais, com reações emocionais e comportamento social desaptativo.
Reação a longo prazo: última fase, transtornos mentais não orgânicos e orgânicos (em menor potencial).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Vitimologia hoje transcende o crime, hipertrofiando seu âmbito para tornar-se o objeto de ciência multidisciplinar. Estuda-se a personalidade da vítima, tanto da vítima de delinqüente como da vítima de outros fatores como conseqüência de suas inclinações subconscientes; os elementos psíquicos do complexo criminógeno existente no seu potencial receptivo; os meios de identificação dos indivíduos com tendência a se tornarem vítimas, bem como a investigação estatística e elaboração de tabelas de previsão para permitir incluir métodos psicoeducativos necessários para organizar a própria defesa e a busca de meios de tratamento curativo, a fim de prevenir a recidiva, devendo a vítima ser amparada e orientada com mecanismos institucionais eficazes de defesa e ressarcimento.

Diante dos estudos aqui apresentados, pode-se concluir que:

1.É incontestável a importância hoje da Vitimologia para o Direito Penal

2. Vitimologia é uma ciência autônoma e que pode trabalhar também como uma ciência auxiliar a Moderna Criminologia, a Sociologia Criminal e a Psicologia Criminal.

3. Está claro que ainda há muito a se explorar desta ciência tão fascinante.

4. Vimos que após analisado o comportamento da vítima no julgamento e aplicação da pena, esta análise vitimológica poderá até mudar o conteúdo da sentença prolatada, o que é comum nos crimes sexuais que envolvam o consentimento do ofendido(vítima), a facilitação, instigação e a sua provocação.

Diante desta incontestável realidade encontrada nos nossos tribunais da vítima coadjuvante na gênese do crime, vislumbramos que os operadores do Direito atentem para esse conflito estabelecido a partir da dupla penal vítima provocadora-acusado, e que a Vitimologia contribua para o cuidadoso trabalho de investigação dos fatos apurados pelo magistrado, para assim não incorrer em um erro judicial, que talvez possa ser incorrigível.

7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

CALHAU, Lélio Braga. Vítima e direito penal. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002.

DELMANTO, Celso. et alii. Código Penal Comentada. 5ª. ed. Rio de Janeiro, Renovar, 2000.

FERNANDES, Antônio Scarance. O papel da vítima no processo criminal. São Paulo: Malheiros, 1995.

MANZANERA, Luis Rodriguez & MENDES, Nelson Pizzotti. Problemas criminológicos da atualidade. In: Justicia, v. 173, p. 22/26, jan./mar., 1996.

MARQUES, Oswaldo Henrique Fuek. A perspectiva da Vitimologia, in Atualidades Jurídicas 3. Saraiva: São Paulo, 2001.

MENDELSOHN, Benjamín. Tipologias. Centro de Difusion de la Victimologia. Disponível na internet: www.geocities.com/fmuraro, pesquisa realizada em 16.10.2002.

VITIMOLOGIA NA GÊNESE DO DIREITO

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VITIMOLOGIA

ORIGEM DA VITIMOLOGIA

A vitimologia existe desde os primeiros povos, mas ganhou reconhecimento com o final da II Guerra Mundial, onde soldados comandados por Adolf Hitler, o maior carrasco da história mundial, sacrificaram aproximadamente 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazistas, tal fato teve grande repercussão mundial, devido a imensa quantidade de vítimas de grande maioria inocente.

O conhecimento desta ciência criminológica deve-se ao jurista Benjamin Medelson que em um congresso na universidade de Bucarest em 1947, apresentou sua tese onde dizia que a vítima não poderia ser só o sujeito passivo do crime, e sim deveria estudada junto ao estudo do crime, com isso poder descobrir as características das vítimas que podem causar a realização de um crime. Mendelson conseguiu atrair atenção de inúmeros estudiosos para a vítima, enfatizando que a vítima é essencial para a resolução justa de um crime, sendo que a vítima é passivamente parte do crime.

A VITIMOLOGIA E A SUA IMPORTÂNCIA  

O estudo da vitimologia é importantíssimo para resoluções criminosas, a vitimologia faz com que a atenção das pessoas não se voltem diretamente para o criminoso, mas também para a vítima, verificando que no fato criminoso a vítima tem igual valor ao criminoso.

A vitimologia leva ao estudo profundo da vítima, aspecto psicológico, seus aspectos físicos e mentais, seus impulsos e seus atos e costumes, verificando estes itens podemos descobrir o que pode ter ocasionado um crime, bem como a ligação do criminoso com a vítima. Nem sempre o culpado é o praticante do crime, existem inúmeros tipos de delitos que em algum destes o criminoso pode ser até a vítima por exemplo, fraude em seguro de vida.

CONCEITO DE VITIMOLOGIA

A vitimologia pode ser enquadrada como uma ciência autônoma, mas também como adotam a maioria dos juristas um ramo da criminologia moderna, que estuda a vítima em todos seus aspectos de personalidade ,características psicológicas, seus costumes, a relação do delinquente com a vítima e a influência da vítima no delito praticado, visando advertir, orientar, proteger e reparar as vítimas contra o crime.

AS VÍTIMAS

Vítimas são aquelas pessoas que individual ou coletivamente, tenham sofrido agressões que gerem dolo, bem como lesões físicas ou mentais, sofrimento emocional, prejuízo financeiro e perdas de seus direitos fundamentais, decorrente de ações ou omissões que ferem a legislação penal de respectivo estado membros, incluindo-se também abuso de poder, também são vítimas familiares, dependentes que tenham relação direta com a vítima do delito e aquelas pessoas que sofrerem qualquer tipo de dano ao interferir ou ajudar a vítima em perigo ou para prevenir ação danificadora.

Para a pessoa ser enquadrada como vítima , basta ela sofrer o delito, independente do criminoso ser identificado, detido, julgado condenado e de relação familiar entre o criminoso e a vítima, sem mesmo que a vítima tenha prestado queixa.

ACESSO DA VÍTIMA À JUSTIÇA E SEUS DIREITOS

As vítimas tem todo direito de acionar os mecanismos da justiça e reparação do dano por ela sofrido, de acordo com o ordenamento jurídico nacional.

Para beneficio da vítima serão estabelecidos mecanismos judiciais e administrativos que permitam que as vítimas, tenham a reparação dos danos sofridos mediante processos. A vítima terá direito a informações sobre seus direito para obter reparação, mediante os mecanismos jurídicos.

As vítimas terão o direito de saber sobre o andamento de seus processos bem como o seu resultado sobre seus direitos e seus alcances perante a lei.

É permitido que sejam analisada e apresentadas as preocupações da vítima , em etapas apropriadas do processo, quando estiver em jogo os interesses da vítima.

Medidas apropriadas serão tomadas para que minimize os sofrimentos causados às vítimas, proteger sua intimidade, para a garantia de sua segurança e de seus familiares e das testemunhas a seu favor mediante a qualquer tipo de ameaça.

Será evitado atrasos desnecessários na resolução nas causas, bem como nas execuções que concedam as vítimas.

Sempre será utilizado mecanismos oficiosos para resolução de controvérsias com finalidade de facilitar a conciliação e a reparação em favor da vítima.

DO RESSARCIMENTO ÀS VÍTIMAS  

Os responsáveis pela lesão a vítima, família, dependentes ressarcirão a elas pelo dano causado, que poderá ser a devolução dos bens ou pagamentos por danos e perdas sofridos, reembolso dos gastos em conseqüência dos atos que a vitimou e restituição de direitos perdidos.

Os governos em casos penais ficarão responsáveis em rever suas normas, ressarcindo a vítima sentenciando e aplicando sanções penais ao causador do delito.

Nos casos de danos consideráveis ao meio ambiente, o responsável será incumbido de reabilitação do meio ambiente, reconstrução da infra-estrutura, reposição das instalações comunitárias e reembolso quando estes danos causem desagregação de uma comunidade.

Quando o causador do dano a vítima for funcionário público ou agente oficial, o estado será responsável pelo ressarcimento da vítima, caso já não haja governo quando ação ou omissão foi realizada, o governo subsequente ficará responsável pelo ressarcimento.

DA INDENIZAÇÃO ÀS VÍTIMAS

Quando a indenização procedente do delito não ressarcir a vítima integralmente, os estados procurarão indenizar financeiramente, as vítimas que tenham sofrido auto grau de lesões corporais ou prejuízo em sua saúde física ou mental, os familiares e dependentes das vítimas falecidas ou mentalmente incapacitadas em conseqüência do delito.

AS VÍTIMAS DO ABUSO DE PODER

Serão vítimas pessoas que individualmente ou coletivamente, sofrerem qualquer tipo de dano, desde lesões físicas até perda financeira e diminuição dos seus direitos fundamentais em conseqüência de ações ou omissões que não chegam a violar o direito penal , mas sim violam normas reconhecidas internacionalmente de direitos humanos.

Caberá aos estados anexar á legislação nacional normas que regulem os abusos de poder, proporcionando as vítimas recursos que incluirão ressarcimento e indenização assim como qualquer tipo de assistência a vítima.

É função dos estados revisão periódica da legislação vara assegurar sua adaptação em casos variantes, também é função dos estados formulas medidas para prevenir e diminuir o abuso de poder.

CRIMES COM PARTICIPAÇÃO ATIVA DA VÍTIMA

Os crimes com ativa participação da vítima são aquelas em que a vítima tem uma participação, no acontecimento do delito, seja esta participação direta ou indiretamente, a vítima contribui para ação do agente causador do delito.

Temos como crime com a participação ativa da vítima o homicídio , privilegiado, rixa, estelionato, sedução, corrupção ativa e passiva e rapto consensual.

Exemplificando o caso de homicídio privilegiado: No homicídio privilegiado, o crime é praticado por puro valor moral ou social, onde a vítima é tão culpada quanto o agente causador do delito, como exemplo temos: Joaquim joga cartas com João, onde este ganha o jogo, Joaquim irritado porque perdeu, mete o dedo na cara de João e o chama de ladrão em frente várias pessoas, João saca um revolver e baleia Joaquim que morre, neste caso podemos ver a participação ativa de Joaquim na gênese do delito, se Joaquim tivesse se poupado não haveria o delito.

CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS

A classificação das vítimas é uma evolução da vitimologia, que mostra várias maneiras de diminuir a criminalidade, com uma legislação moderna que melhor ampare a vítima. Tal classificação serve para distinguir a pessoa que infringiu a norma penal, para assim punir justamente o causador do delito, restabelecendo a ordem violada e reparação do mal causado pelo crime.

Dentre várias classificações feita por diversos autores, na minha concepção a classificação de Medelson é a mais completa. Medelson classifica as vítimas da seguinte forma:

Vítima inocente
Vítima menos culpada
Vítima tão culpada quanto o delinquente
Vítima mais culpada
Vítima como única culpada
Vítima inocente é aquela que não tem nenhuma culpa ou partição no delito, o delinquente é o único culpado, pois a vítima nada colaborou. Exemplo: sequestro, vítima de bala perdida, calúnia , infanticídio, etc.

Vítima menos culpada é aquela que a vítima por pura ignorância é que contribui de alguma forma para o resultado do delito, como frequentar lugares reconhecidamente perigosos ou expor seus bens materiais sem preocupação e cuidados que deveria Ter em grandes metrópoles criminogenias.

Vítima tão culpada quanto o delinquente é aquela provocadora, o crime é consumado com sua participação ativa, sem sua participação não haveria crime, põe exemplo: homicídio privilegiado, sedução, rixa etc. Onde a vítima também é a causador do delito.

Vítima mais culpada é aquela que causa o delito, a vítima faz com que o agente provoque o delito, o caso mais freqüente são o de lesão corporal que é cometido após injusta provocação da vítima ao agente.

Vítima como única culpada é aquela onde o agente provocador da ação é a própria vítima, é o que acontece nos casos de suicídio, auto mutilação, auto lesão, indivíduo empregado que atravessa uma avenida movimentada, entre outros.

A VÍTIMA E A AÇÃO PENAL

O dever de punir é somente do estado, cabendo a ele definir quais as condutas proibidas e as punição aos infratores, assim como apurar e punir seus autores através do devido processo legal.

A ação penal é um direito subjetivo, que é o direito de invocar a atenção do poder judiciário a um caso concreto para que se aplique o direito penal objetivo.

Qualquer pessoa que tomar conhecimento de algum crime, deve notifica-lo à autoridade policial que, se for necessário, instaurará um inquérito policial.

A lei não exige que a vítima compareça para notificar o caso, mas muitas vezes sem a participação da vítima não há como iniciar a apuração do crime, então a lei classifica a ação penal em pública, privada, pública mediante representação e subsidiária da pública.

Ação penal pública: Esta ação não condicionada a nenhuma regra, o estado por si só tem a iniciativa do procedimento policial e da ação penal, independente da vontade do ofendido. Esta prevista nos crime de homicídio, roubo, contra saúde pública, etc.

A ação penal pública deve ser exercida em juízo pelo promotor de justiça sem que se submeta a qualquer requisito.

Ação penal privada: É promovida mediante a queixa do ofendido ou de seu representante qualificado. O estado deixa a iniciativa do processo por conta da vítima, que em certos casos atingem seriamente intimo da vítima que ela prefere não entrar com o processo, preferindo a vítima suportar silenciosamente o seu sofrimento, do que arcar com a repercussão dos fatos, como: interrogatório, audiências, depoimentos de testemunhas, rumores, escândalos, etc. Isso ocorre geralmente onde as repercussões para vítimas já maior do que o próprio crime.

A queixa deve ser apresentada em juízo no prazo de seis meses, contados a partir da data em que a vítima tomou ciência do crime.

Ação penal condicionada: É promovida pelo ministério público, dependendo quando a lei exige, de representação do ofendido ou de requisição do ministro da justiça. Representação é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal de propor a ação. Os crimes mais comuns em que se perde a representação do ofendido são: ameaça, perigo de contato venéreo, divulgação de segredo entre outros. Quanto a requisição ministerial só é exigido em 2 casos : crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil se o agente entrar em nosso território , fato por compatível com país do estrangeiro ou em caso de crime contra o presidente da república ou contra chefe de governo estrangeiro.

Ação penal subsidiária: Pode ser proposta se o ministério público não oferecer denúncia no prazo legal nos crimes de ação pública, a vítima ou representante legal tem o prazo de seis meses para intentar a ação penal subsidiária por meio de queixa substitutiva, contando do prazo esgotado para o promotor de justiça iniciar a ação penal pública.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

É de estrema importância pois nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça a pessoa, reparada ou indenizada a coisa antes da denuncia é reduzida de um a dois terços da pena do infrator isso facilita o infrator a reparação do dano, além do que, nos casos de crimes não há violência ou grave ameaça a vítima prefere ser ressarcida do que entrar com a ação e ver o infrator punido, por isso o arrependimento posterior deve ser estimulado na nossa sociedade.

VITIMIZAÇÃO NO BRASIL

No Brasil a única vítima é o povo, que é deixado de lado pelo seus governantes.

Há muito tempo atrás um atleta chamado Pelé ressaltou um problema brasileiro, poderia Ter começado nesta época uma conscientização para solução do problema e o que pudemos apurar que os governantes da época estavam mais interessados com as conquistas esportiva do Brasil do que com seu povo.

Hoje em dia não mudou muito, o governo se preocupa mais com problemas banais, do que quitar sua divida em obrigações para com o povo, que continua sendo vítima de seus governantes.

A televisão

Devera ser um meio de comunicação cultural, pouco se importa com isso, o que mais importa para as redes de televisão é a audiência independentemente do conteúdo que tenham que mostrar em sua programação.

É uma perfeita guerra de baixarias em busca de audiência, desde desenhos violentas até aparição de mulheres nuas em sua programação sem que haja censura nenhuma.

Tudo isso só estimula a violência, desenhos violentos estimulam as crianças desde pequenas, quanto ao nível de audiência ganha quem mostrar mais sacanagem, isso é uma vergonha, mas ainda existem alguns canais cultos.

O desemprego

É tido como cidadão fora da sociedade, a grande competitividade, a falta de especialização são uma das causas do desemprego, com a falta de uma legislação que projeta o desempregado e com as necessidades que o desempregado tem, começam a virar criminosos não só para se auto- suprirem, mas também como uma forma de protesto contra a sociedade.

Legitima defesa

O indivíduo que pratica o crime em legitima defesa, tem todo direito de liberdade, porque senão fosse ele seria o criminoso que iria praticar conduta contra ele, antes um inocente livre do que um criminoso, e não é justo que pessoa que pratique crime para legitima defesa responda como outros criminosos, pois isso só irá estimular a violência.

Reincidência

É uma coisa que deveria ser evitada, para isso precisa que a população deixe de ser preconceituosa , pois o indivíduo que sai da prisão precisa de um emprego, só que na dificuldade disso faz com que ele caia em tentação e volte ao crime, na maioria das vezes isso acontece por falta da opção, pois enquanto a sociedade não deixar de ser preconceituosa e não empregar essas pessoas, a reincidência continuará a acontecer.

Correntes migratórias

É um fenômeno muito freqüente nos dias de hoje pessoas saem do interior das cidades , até mesmo do interior do país, em busca de sucesso em grandes metrópoles e fracassam quando chega, a estas metrópoles ficam perdidas com tamanha dimensão, costumes diferentes, além destas metrópoles estarem super saturadas de pessoas. Sem emprego fixo estas pessoas são apenas mais um desempregado, a falta de opção vai levar estas pessoas inocentes a virarem criminosas para suprirem suas necessidades.

Menor abandonado

Este problema é um dos maiores fatores da criminalidade , menores são abandonados ou fogem de casa devido a maus tratos da família, e vão diretamente para as ruas, estes garotos são chamados de ” garotos da vida”, pois a vida irá ser sua mãe, a rua sua escola, resto como alimento , viadutos e pontes como lar e criminosos como companheiros.

Sem nenhuma expectativa de vida melhor estes menores são induzidos por criminosos e no futuro só restará a estes menores a criminalidade. Apesar de existir órgãos são ineficientes, pois não são capazes de oferecer atividades saudáveis a esses jovens.

Existe outros inúmeros fatores de vitimização no Brasil como acidentes do trabalho, preconceito racial, armas de fogo entre outros problemas.

Diante desses fatos podemos perceber inúmeros problemas que precisam ser resolvidos.

A ingenuidade do povo brasileiro, a desigualdade social, a falta de vontade de aprendizagem do jovem brasileiro, a falta de regras sociais, a qualidade de ensino, a saúde precária , etc.

Mesmo com tantos problemas não podemos parar de lutar por u país melhor , se desistirmos estaremos todos sujeitos a virar criminosos.

FATORES QUE AFETAM O DESENVOLVIMENTO DE UMA NAÇÃO EMERGENTE

Diante de tantos problemas já citados, pesquisas comprovam tais estatísticas, que infelizmente mostram a realidade de nossa nação emergente. São eles:

10 milhões de pessoas com esquistossomose.
6 milhões de chagásicos.
5 milhões de tuberculosos.
1 milhão de casos novos de malária por ano.
1 milhão de casos de dengue.
1 milhão de infectados pelo vírus da AIDS.
A mortalidade infantil apresentou , em 1997, 37 mortes para cada mil crianças nascidas vivas.
As causas mais comuns são a falta de pré- natal, de acompanhamento médico durante o parto, infecções respiratórias, como pneumonia, a falta de saneamento básico e a desnutrição infantil.
Dos 5.507 municípios brasileiros, 1.369 tem altos índices de desnutrição infantil, causadas principalmente pelo desemprego.
A cada ano no país morrem 400 mil crianças com menos de 5 anos.
A taxa de mortalidade infantil brasileira registra 54 mortes para cada mil crianças de 0 a 1 ano de vida.
30 milhões de analfabetos.
10 milhões de crianças sem escola primária.
1 milhão de prostitutas infantis, constituindo atração turística na região nordeste do país.
15 milhões de idosos desamparados.
45 milhões de pessoas vivem com menos de US$1,00 por dia.
25 homicídios por grupo de 100 mil habitantes( 50 em São Paulo e 56 no Rio de Janeiro).
1% do lixo é reciclado e 70% jogado a céu aberto.
Um a cada 4 casamentos terminam em separação, chegando a 200 mil divórcios por ano.
AS cada dois minutos uma mulher é espancada.
71% das pessoas assassinadas foram mortas por armas de fogo.
18% da população brasileira sofre de depressão, doença associada a tristeza.
43 mil acidentes de trabalho por ano.
53,5% das crianças e adolescentes vivem em famílias que ganham um salário mínimo per capita.
A cada 1 minuto uma pessoa é assaltada no Brasil. Nos EUA o índice é maior – 46 segundos.
30% dos crimes no Brasil são cometidos por pessoas embriagadas
Em São Paulo 20% dos homicídios ocorrem dentro de bares ou nas proximidades.
16 milhões de hipertensos.
A cada mil adolescentes grávidas, 32 recorrem ao aborto. Somente nos EUA(aborto permitido) a taxa é maior que 36%.
900 mil partos em hospitais públicos de mães entre 10 a 18 anos 70% abandonam a escola depois do nascimento do filho.
A seca do Nordeste atinge 740 mil famílias.
No Brasil 46% de crianças menores de 10 anos são anêmicas. No Chile 3%, na Inglaterra 3% e na Índia 53%.
620 mil pessoas são internadas mensalmente nas Santas Casas brasileiras.

FATORES VITIMOLÓGICOS LATENTES

Do trote escolar

O trote escolar já não é uma brincadeira saudável, traz em seu currículo inúmeras mortes, os calouros vão as universidades com medo da intensidade dos trotes, as vezes calouros são submetidos a torturas e obrigados a fazerem diversos tipos de coisa apenas para divertirem os veteranos.

Já foram relatados diversos tipos de agressões aos calouros como queimaduras, espancamentos, tesouradas e até homicídios.

O calouro agredido acredita que no próximo ano será a vez dele agredir alguém , com isso esta violência só tende a crescer. Cabe as universidades extinguirem essa tal violência, orientando seus alunos a realizarem o trote solidário.

Do ataque de animais

Os animais são inocentes, neste crime temos como único culpado o dono do animal, que por falta de cuidado ou propositalmente causam este delito.

Existem inúmeras raças de cães, desde raças dóceis até raças com temperamento agressivo, estas sim representam perigo eminente a sociedade.

É obrigação do dono tomar todos os cuidados com estes animais agressivos, além do que é necessário a legislação que pune os causadores deste delito seja mais rígida e cobre as medidas necessárias para diminuir este mal. Não é justo que um animal seja sacrificado por ter mordido ou matado alguém, se o animal é anti-social é por que o dono não deu o carinho específico, segurança ao animal e até maus tratos, tornado-se este animal em um rebelde. Se o dono do animal tomar todas as precauções necessárias dificilmente ocorrerá o ataque do animal, sempre que houver o ataque o dono deve ser responsabilizado e punido por tais atos do animal.

DOS CRIMINOSOS GRUPAIS

Antigamente se ia ao estádio de futebol pacificamente, hoje o que encontramos nos estádios são criminosos grupais agindo com extremo violência movidos por um sentimento de rivalidade e ódio entre torcidas organizadas, enfrentando-se em rixas que acabam até em morte de pessoas inocentes.

As pessoas são tomadas por um momento de euforia e mudam de personalidade de um momento para outro, tornando-se por um momento um delinqüente que só age deste modo por estar em grupo, talvez se estivesse só não praticaria tal conduta, sendo que muitas destas pessoas tem uma vida social normal sem conflitos.

Pessoas que antigamente iam aos estádios, hoje não querem nem chegar perto com medo da violência, tal violência que tira até a liberdade de um torcedor usar a camisa de seu time predileto.

Sente-se a falta de uma legislação que regule este problema, tais normas a serem estudadas talvez possam diminuir estes delitos, além de um processo de conscientização dos torcedores.

TORTURA

Antigamente na época da ditadura a tortura era usada por militares, hoje em dia a tortura é proibida e sua pratica é considerada crime.

A tortura é conceituada como ato doloroso que produz sofrimentos físicos e psíquicos. São exemplo de tortura por maus tratos físicos os choques elétricos, as queimaduras, posições forçadas, agressão sexual, etc; e exemplos de maus tratos morais a simulação e execução, a exposição contínua a ruídos ensurdecedores, o confinamento, a privação do sono ou a submissão de parentes, como no caso de quem separa a mãe do filho.

Mesmo sendo crime a torturas é aplicada em diversos casos, como no caso dos trotes escolares, a tortura de detentos nas penitenciarias e até mesmo de menores na febem, entre outros casos.

ERRO MÉDICO

Hoje em dia a sociedade tem cada vez mais medo dos erros médicos, que são cada vez mais freqüentes.

O médico que por erro grotesco ocasionar a morte de um paciente, é um criminoso e deve ser punido de acordo com as leis penais, visto que tal erro é irreparável.

Existem vários casos que constatam-se a imprudência dos médicos, existem casos de ministrarem remédios errados que resultou na morte do paciente, o médico que negligentemente esquece instrumentos cirúrgicos dentro de seus pacientes causando-lhes lesões corporais, médicos incapacitados que deformam o corpo do s pacientes que é o caso da cirurgia plástica, o médico que por descuido amputa a perna errada do paciente, entre vários outros casos.

Impõem-se a estes médicos a responsabilização civil pelos danos morais e materiais que foram produzidos às vitimas, devendo este pagar pelos seus erros.

JOGO DO BICHO

O jogo do bicho é um jogo popular onde a maioria dos cidadãos tentem a sorte, mas que é ilícito e proibido por lei.

O medo das autoridades é a guerra entre banqueiros do jogo do bicho, que pode se comparar a guerra de traficantes por um ponto melhor de freguesia e lucros. São várias as pessoas que se arriscam fazendo este jogo, que são os chamados bicheiros, para aumentar a renda familiar se arriscam com tal ato ilícito. O jogo é tão popular que quase todos os botecos tem um bicheiro encarregado de fazer o jogo do bicho, é ilegal mas até casas lotéricas fazem jogo do bicho.

Cabe às autoridades analisar e propor alguma medida para regularizar este tipo de jogo, já não que dá para controlar a sua proibição pois é muito ramificado.

INTERNET

Vocabulário Jurídico

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Autoria: Carlos Augusto C.

Dicionário Jurídico

1 – Prescrição – Perda do direito de ação fase do transcurso de um prazo legal.

2 – Decadência – Perda de um direito pela inércia do sujeito ao fim de um determinado prazo.

3 – Preclusão – Perda do direito de praticar um ato processual, pela inércia da parte durante o prazo respectivo.

4 – Jornada “in Itinere”- Percurso do trabalho, quando sai de sua casa com destino ao seu trabalho e do trabalho para casa.

5 – Contrato de shopping – Derivado do latim “contractos” de contrahere, possui o sentido de ajuste, convenção, pacto, transação. Expressa, assim, a idéia de ajuste, da convenção, pacto transação. Firmada ou acordada entre duas ou mais pessoas para um fim qualquer. É elemento de valia do contrato o concurso de vontades da partes contratantes. O contrato de shopping especifica-se, de acordo com a Lei n.º 8.245/91 como contrato de locação não – residencial.

a) O empregador ou proprietário

b) O administradora

c) O lojista (ou inquilino)

São ainda características do contrato de shopping:

a) O aluguel, que deverá ser calculado sobre o percentual da venda do lojista, além da parte fixa, incidido, no mês de dezembro, o dobro da remuneração

b) O fundo de promoção ou de propaganda

c) A possibilidade de retomada para o proprietário

d) A distribuição planejada das lojas segundo o ramo respectivo.

f) As lojas anexas (grandes magazines) e as lojas satélites.

g) A interveniência na administração de cada loja pôr parte da administradora.

6 – Franchising – Tipo de contrato comercial em que o franqueador sede à um franqueado o direito de uso da sua marca.

7 – Casamento – União solene entre duas pessoas de sexos diferentes, com legitimação religiosa e/ou cível ; núpcias.

8 – Amásia – A mulher que está unida a algum homem em regime de concubinato. E vice versa.

9 – Concubinato – Tipo de união cível entre homem e mulher que não estão casados, mas que tem características de como se casados fossem.

10 – Comandita simples – Tipo sociedade comercial entre pessoas com características de responsabilidade mista, em que alguns sócios tem responsabilidades limitadas e outras ilimitadas.

11 – Trapiche – São grandes armazéns portuários .

12 – Adi Quem – Locução latina que designa o juízo de superior instância.

13 – Comodato – É o contrato de empréstimo de bens não fungíveis. (aquele que pode ser trocado pôr outro igual ).

14 – Outorga uxória – Consentimento dado de um conjugue ao outro para o exercício de certo ato jurídico.

15 – Duplicata – Titulo de credito que é uma cópia da fatura de compra e venda à prazo.

16 – Enxequete – Aquele que promove a execução, que faz cumprir sentença que lhe foi favorável; o beneficiado pôr titulo e judicial.

17 – Agravo de instrumento – É um recurso impetrado em superior instancia contra decisão desfavorável.

18 – Nascituro – Ser humano gerado que se encontra no ventre materno.

19 – Domicílio – É o lugar onde a pessoa responde juridicamente.

20- Residência – É o lugar onde a pessoa fixa pôr prazo indeterminado a sua moradia.

Biografia

DE PLÁCIDO E SILVA – Vocabulário Jurídico – Ed. Forense. 15ª Edição.

Zonas de Livre Comércio

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Autoria: Ademir Gomes

Zonas de Livre Comércio

1 – NAFTA(North American Free Trade Agreement)

1.1 -INTRODUÇÃO:

O Acordo de Livre Comércio da América do Norte foi assinado pelos líderes de: Canadá. México e EUA em 7 de outubro de 1992, porém somente entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1994 depois de um conturbado processo de confirmação por parte dos EUA, onde a xenofobia, o etnocentrismo e o preconceito de certos setores políticos oferecem formidáveis obstáculos.

O NAFTA criou uma zona de livre comércio na qual tarifas e certas outras barreiras ao comércio de bens e serviços e recursos financeiros serão gradualmente eliminadas em um período de 15 anos, mas espera-se que a maior parte das liberalizações ocorra nos primeiros cinco anos.

O NAFTA criou uma zona de livre comércio na qual tarifas e certas outras barreiras ao comércio de bens e serviços e recursos financeiros serão gradualmente eliminadas em um período de 15 anos, mas espera-se que a maior parte das liberalizações ocorra nos primeiros cinco anos.

1.2 – COMO E POR QUE SURGIU O NAFTA?

O NAFTA não nasceu do nada ou de uma vontade política sem precedentes. Um regime de livre comércio já existia entre os EUA e o Canadá, que possuíam antes do NAFTA, estruturas econômicas semelhantes. O precursor do NAFTA, o Acordo de Livre Comércio entre os EUA e Canadá não causou controvérsias nos Estados Unidos, e foi aprovado sem dificuldades pelo Congresso, entrando em vigência em 1989. Por outro lado, o México participou do modelo geral da economia da América Latina, até o surgimento da crise da dívida externa, em agosto de 1982. O efeito em rede da crise política, contudo, resultou na mudança dos modelos adotados tradicionalmente pelos países da região para o conceito de mercados abertos, integração econômica, e crescimento conduzido pelo setor privado, atraindo o investimento estrangeiro. Durante a campanha eleitoral de 1992, Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, mesmo como candidato, adotou como tema de campanha o apoio ao NAFTA e ao Livre Comércio. Durante sua primeira administração as negociações foram concluídas e finalmente aprovadas pelo Congresso depois de um difícil e lento debate, após novembro de 1993. O NAFTA começou a valer em 1994 com a inclusão do México.

1.1.1 – PROPÓSITOS:

O próximo passo dessa estratégia é a adoção do modelo “hub and spoke” (cubo e raio), através do qual os EUA procurarão expandir a estrutura do NAFTA para ampliar o número de países com reserva de mercado comercial para suas exportações, ao mesmo tempo em que impedir o acesso de quaisquer terceiros (inclusive seus sócios no NAFTA) aos seus mercados.

A expansão do NAFTA era vista pelos formuladores de política em Washington como a mais importante estratégia, se não a estratégia, para criar a

ALCA. Por causa de um ano de eleição nos EUA (1996), a promessa do NAFTA ao Chile nunca se materializou. Na realidade a administração Clinton evitou buscar a autorização necessária para negociar a acessão do Chile. Enquanto isso, o Chile, que já participava de um acordo de livre comércio com o México, aderiu a outro acordo com o Canadá. Além do Chile, permitia-se calcular a expansão do NAFTA ao incluir países com economias compatíveis. Possivelmente um país caribenho seria o próximo, como por exemplo, Trinidad e Tobago, que decisivamente, cumpria com os critérios mais imediatos. Até agora, contudo, o NAFTA não expandiu suas fronteiras.

1.1.2 -INVESTIMENTOS:

Neste setor foram feitos progressos consideráveis por parte do México. Os países membros aceitaram conceder uns aos outros o tratamento de nação mais favorecida, de eliminar restrições ao repatriamento de capital e de garantir a livre conversibilidade das respectivas remessas. Esta garantia cambial é extraordinária, quando originária de um país como o México, historicamente afetado por crises de balanço de pagamentos. Mais ainda, os países membros concordam em garantir a isenção à desapropriação, a não ser por interesse público, em base não discriminatória e mediante o devido processo legal, com justa indenização. Há neste ponto também uma significativa renúncia à soberania, no que os países do NAFTA admitem submeter questões referentes a investimentos a painéis arbitrais internacionais. Dada a resistência que os EUA tem em cumprir decisões de painéis arbitrais do GATT, aguarda-se com enorme curiosidade o seu comportamento em questões relativas ao NAFTA.

1.1.3 – COMÉRCIO DE SERVIÇOS:

Na área de comércio de serviços, a grande concessão foi feita pelo México, no acesso ao seu mercado de serviços bancários, que foi liberalizado a um nível mais amplo que o dos EUA. De fato, no México, foi estabelecida a possibilidade de se constituir “holdings” financeiras, que poderão operar bancos, corretoras de valores, empresas de seguros, de “leasing” e de “factoring”. Todavia, o México estabeleceu uma preservação para a área de serviços financeiros, para conservar a situação presente de mercado até o ano 2004. Os EUA também têm uma preservação de dois anos para permitir a adaptação da legislação dos estados federados aos compromissos do GATT.

1.1.4 – ESPAÇO ECONOMICO DA AMERICA DO NORTE

O Acordo de Comercio Norte Americano (NAFTA- North American Free Trade Agreement) assenta na existência de determinadas condições, gerais e especiais, que favoreceram a implementação do acordo. No que diz respeito a condições gerais, é de referir a capacidade econômica e institucional das partes em respeitar compromissos a longo prazo bem como a existência de um ambiente macroeconômico estável direcionado para políticas de economia de mercado e no enquadramento do GATT, (Acordo Geral em Tarifas e Comercio) a promoção de regimes livre cambistas.

Em relação a condições especiais, fundamentais para o estabelecimento de uma zona de comercio livre, há que destacar:

Grau razoável de estabilidade monetária

Existência de uma certa ordem monetária num contexto de taxas de inflação relativamente elevadas, que influenciam a relação preços/salários, com repercussões nas taxas de cambio reais e posteriormente no setor de importação/exportação.

Aceitação das regras de mercado

As partes intervenientes no acordo, na analise de cada economia estão dispostas em aceitar regras de mercado, o que leva ao fomento da concorrência, permitindo a redução dos custos e favorecendo a inovação.

Financiamento orçamental baseado nos impostos

Estando por base do acordo, a redução e eliminação de impostos aduaneiros as partes devem possuir um sistema de financiamento publico que tenha por base impostos diretos e indiretos, isto porque após a implementação do acordo as receitas externas iram reduzir-se gradualmente.

Existência de relações comerciais e financeiras

A existência de relações comerciais e financeiras constitui a razão essencial para o estabelecimento de um acordo que conduza a tratamento preferencial.

Democracia das partes

Todas as partes do acordo, têm por base um sistema político democrático essencial para se atingirem os objetivos do acordo.

O Acordo da NAFTA estabelece uma área de comercio livre e expressa os seguintes objetivos:

1. Eliminação de barreiras ao comercio de bens e serviços, entre os territórios das partes;
2. Promoção de condições de competição justa dentro da área de comercio livre;
3. Oportunidades de investimento crescentes dentro da FTA (Área de Comercio Livre);
4. Proteção efetiva e execução de direitos de propriedade intelectual;
5. Criação de uma armação para a cooperação adicional, aumentando os benefícios do Acordo.

Os objetivos estão expressos no artigo 102 do Tratado da NAFTA, de uma forma mais especifica, o qual passo a transcrever:

Artigo 102: Objetivos

1.os objetivos deste Acordo, como se elaborou mais especificamente pelos seus princípios e regras, inclusive nacional, tratamento e transparência são:

(a) eliminar barreiras ao comercio que facilite o movimento de bens e serviços entre os territórios das partes;

(b) promover condições de competição justa na área de livre comercio;

(c) aumentar oportunidades de investimento substancialmente no território das partes;

(d) promover a proteção adequada e efetiva á execução de propriedade intelectual;

(e) criar procedimentos efetivos para a implementação, aplicação deste Acordo, e para a sua articulação
administração e resolução de disputas;

(f) estabelecer uma armação para a adicional trilateral, regional e cooperação multilateral para se expandir e
aumentar os benefícios do Acordo.

1.1.5 – TRABALHO E AMBIENTE, ACORDOS LATERAIS PARA A NAFTA

É de referir o Acordo de Cooperação no Mercado de Trabalho, realizado em 13 de Agosto de 1993, por representantes dos três países e realçar o fato de ter sido a primeira vez em termos históricos que a par de uma Acordo de comercio se congratulasse um acordo laboral associado. O acordo laboral visa complementar a NAFTA, por forma a que se promovam condições de trabalho e se melhore condições a nível social.

Deste Acordo laboral destacam-se as seguintes características:

Liberdade de associação;
Direito a negociação coletiva;
Direito á grave;
Proibição do trabalho forçado;
Restrições ao trabalho infantil;
Condições mínimas no local de trabalho;
Eliminação de discriminação laboral;
Igualdade salarial para ambos os sexos;
Proteção para vitimas de acidentes de trabalho;
Proteção para vitimas de acidentes ou doenças no local de trabalho;
Proteção para trabalhadores imigrantes;
No campo jurídico e administrativo, o Acordo estabelece os seguintes objetivos:

Fornecimento de meios efetivos para o cumprimento dos direitos garantidos, pelas leis laborais, para todos os grupos de pessoas com interesses legalmente reconhecidos pelas leis de cada pais;
Manutenção de imparcialidade e independência nos processos administrativos e judiciais internos, dando as partes a possibilidade de serem ouvidas e de apresentarem provas, possibilitando normalmente o acesso do publico ás salas de tribunal;
Possibilidade de apresentar recursos independentes de acordo com as normas administrativas;
Possibilidade das partes lesadas receberem compensações pela violação da lei laboral, com ou sem acordo mutuo.
A par do Acordo de Cooperação no Mercado de Trabalho, foi assinado também na mesma data o Acordo de Cooperação Ambiental, demonstrando-se o interesse por questões deste nível, e da mesma forma como anteriormente foi a primeira vez que um Acordo ambiental foi assinado a par de um Acordo de Comercio.

Este Acordo promove a idéia de compatibilidade entre crescimento econômico e a salvaguarda de questões ambientais, estabelecendo-se uma serie de obrigações em que cada partes se compromete a realizar os seguintes itens:

Os países garantem o acesso dos respectivos cidadãos aos tribunais possibilitando a execução de petições ao governo para fazer cumprir a lei e para repor qualquer violação;
Os países garantem a abertura de processos judiciais e administrativos de forma a aumentar a transparência e a possibilitar a criação de leis e regulamentos ambientais;
Canada, México e os E.U.A comprometem-se a assegurar que as respectivas leis proporcionem elevados níveis de proteção ambiental, e a desenvolverem mais mecanismos de cooperação;
No decorrer da execução efetiva das leis, o Acordo estabelece um mecanismo próprio de resolução de disputas;
O acordo não afeta os direitos dos Estados e das províncias englobadas na NAFTA de manterem plafonds ambientais a níveis mais elevados que os governos federais;
Os países ficam obrigados a apresentar relatórios sobre o estado do respectivo ambiente, e a promoverem educação ambiental, investigação cientifica e desenvolvimento tecnológico;
Os países comprometem-se a desenvolver esforços para limitar o comercio de substancias toxicas que se encontrem banidas a nível interno.

1.1.6 – BALANÇO DA NAFTA CINCO ANOS DEPOIS

A NAFTA , Tratado de Livre Comercio da América do Norte, chega aos cinco anos deixando alguns analistas convencidos do seu fracasso no capitulo social. Para os organismos do governo, no entanto, o comercio exterior, entre os Estados Unidos, Canada e México, é evidência de sucesso.

Uma análise mais apurada sugere que ambos os balanços podem estar exagerados. As principais controvérsias travam-se na questão do emprego e do padrão de vida, temas abordados em um dos Acordos paralelos da NAFTA.

No México, diversos setores responsabilizam a NAFTA pelo aumento de 52% no nível de preços ao consumidor entre 1995 e 1996, pela perda de empregos e pela redução do salário real a um nível que mesmo em1998 não superava o de 1994.

Segundo a Rede Mexicana de Ação Frente ao Livre Comercio (RMALC), essa deterioração não é conjuntural, mas constitui a base da competitividade do México na América do Norte. No entanto, uma vez separadas as variáveis da deterioração, não parece plausível estabelecer uma relação que as conecte casualmente com a NAFTA; em segundo lugar, estas aparecem vinculadas principalmente aos efeitos da crise do “peso” de dezembro de 1994. Também não é possível demonstrar o vinculo entre a criação da NAFTA e as circunstâncias que estiveram em torno da fuga de capitais naquele ano. Naquele país ainda que um dos objetivos do tratado seja a atração de capitais estrangeiros, o que se pode dizer é que ele foi insuficiente para manter a taxa de crescimento dos investimentos no México.

Alguns dos indicadores de emprego relacionado com a NAFTA, como emprego em empresas remodeladas de produtos na região da fronteira dos E.U.A, mostram que no período 1993- 1996 houve um aumento de 46%. Também cresceu o número de empresas e o índice de população em cidades como Ciudad Juáerz, bem como na fronteira (México/E.U.A), ainda que os salários tenham sofrido perdas importantes no seu poder aquisitivo.

A expansão do comercio intrabloco também não esta isenta de dificuldades de interpretação. A hipótese do sucesso comercial conta com vários elementos a seu favor. Durante os primeiros quatro anos, o intercâmbio trilateral cresceu 43% e atualmente representa quase um terço das transações externas dos E.U.A.
Apesar de contar somente com cinco anos de vida sob a NAFTA transitam grande parte dos produtos dos três países livres de tarifas, e o processo de integração deve-se complementar em 2010. Observe-se que o crescimento nas vendas não indica o desempenho real das exportações do país. Em menor grau que o Canada, a integração do México á economia dos E.U.A torna cada vez mais difícil definir o que é especificamente nacional no comercio entre os dois países. Essa situação caracteriza precisamente os setores mais dinâmicos da exportação mexicana: têxtil, vestuário e industria automobilística. Esta ultima é muito importante para o México e para os E.U.A, pelo numero de empregos que gera e pela a sua contribuição para o PIB. Dado que a liberalização é mais acentuada pelo lado mexicano, a NAFTA favorece especialmente as exportações norte americanas. Apesar disso, a venda de veículos mexicanos cresceu de US$ 11 biliões para US$ 23 biliões no período 1993-1996. Atualmente o México é um dos maiores exportadores do mundo.

No setor têxtil, o México beneficiou com as alterações das disposições do Acordo Multifibras da Organização Mundial de Comercio (OMC), pelo anexo 300B da NAFTA, o qual estipula a eliminação imediata das restrições quantitativas, as salvaguardas e as tarifas do mercado norte-americano. Em virtude dessas facilidades, em quatro anos (1993- 1997) as exportações para os E.U.A passaram de US$ 1,4 bilião para US$ 4,2 biliões. Não obstante a expansão desses setores desde 1995 tem como primeira explicação a diminuição do valor das exportações mexicanas como conseqüência da desvalorização do peso. Durante esse período, as atividades da NAFTA estiveram orientadas principalmente para reforçar a integração do México á economia dos E.U.A por meio de regras restritivas.

A venda de têxteis mexicanos sob a NAFTA, por exemplo, favorece apenas os produtos que utilizam tecidos feitos com fios dos E.U.A . As exportações de vestuário que empregam tecidos mexicanos devem pagar taxas alfandegárias ou submeter-se ao regime de quotas dos E.U.A

Quanto á industria automobilística, somente os automóveis que cumpram o requisito de 60% de consumos região ( 62,5% no caso de autopeças) são passíveis para o livre comercio sem quotas e tarifas; os restantes devem sujeitar-se ás restrições da política comercial norte- americana. O comercio de têxteis e automóveis pode ser visto como um fluxo de produtos semi- manufaturados norte- americanos, primeiro exportados para o México para a sua transformação, em alguns casos é mínima, e depois reexportados para os E.U.A

A dificuldade de uma avaliação de fundo da NAFTA não vem apenas das complexidades assinaladas, pois alguns dos objetivos de liberalização comercial ainda se encontram pendentes, com prazos da 10 a 15 anos. Outros não têm espaço dentro do Tratado com a flexibilização das regras de origem e a substituição das medidas antidumping por políticas de concorrência.

Finalmente, o déficit de consenso que caracteriza a NAFTA, e que vem dificultando uma maior participação dos seus intervenientes, tem pela frente a tarefa de associar os seus modestos instrumentos para conseguir o bem- estar das maiorias.

2. ALCA

2.1 – Histórico:

Em 1990, o Presidente dos Estados Unidos, George Bush, lançou a ” Iniciativa para as Américas”, que visava ao aprofundamento das relações daquele país com a América Latina, que assim voltava a figurar entre as prioridades de política externa dos Estados Unidos. Na época constavam como pontos importantes da Iniciativa a questões dos investimentos, da dívida externa e do comércio. Nasceu naquela ocasião a idéia de constituir uma área de livre comércio do Alasca à Terra do Fogo.

Este projeto foi retomado pelo sucessor de Bush, Bill Clinton, que chamou os países do hemisfério para uma Reunião de Chefes de Estado e de Governo em Miami. Assim, em 10 de dezembro de 1994, ocorreu em Miami a Reunião de Cúpula das Américas, reunindo chefes de Estado de 34 países do continente, exceto Cuba, que decidiram dar início à constituição da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

O documento oficial que saiu deste encontro contém uma Declaração de Princípios e um Plano de Ação. Na Declaração de Princípios, os países se propõem a um pacto pela preservação e fortalecimento da democracia, promoção da prosperidade, erradicação da pobreza e da discriminação, desenvolvimento sustentável e conservação do meio ambiente. Para o cumprimento das diretrizes contidas na Declaração de Princípios, os países ali representados elaboraram um Plano de Ação para cada um dos temas acima citados, onde também aparecem os passos a serem dados para a formação da ALCA, inclusive com um cronograma inicial para os trabalhos.

No dia 30 de junho de 1995, em cumprimento ao calendário estabelecido pela Cúpula de Miami, realizou-se a primeira reunião dos Ministros de Comércio do hemisfério (Reunião Ministerial de Denver). O documento oficial deste primeiro encontro já menciona que a ALCA terá como base os acordos sub-regionais e bilaterais existentes e que o acordo será um empreendimento único (single undertaking) e compatível com os dispositivos do Acordo da OMC.

Para preparar o terreno das negociações, decidiu-se criar 7 Grupos de Trabalho cobrindo as áreas : acesso a mercados; procedimentos aduaneiros e regras de origem; investimentos; normas e barreiras técnicas ao comércio; medidas sanitárias e fitossanitárias; subsídios, antidumping e direitos compensatórios; e economias menores.

Na II Reunião dos Ministros de Comércio da região (Reunião Ministerial de Cartagena) reafirmou-se o compromisso com o avanço das negociações até o final do século e criaram quatro novos Grupos de Trabalho cobrindo as áreas de Compras Governamentais, Direitos de Propriedade Intelectual, Serviços e Política de Concorrência. Foi solicitado à OEA que procedesse à compilação de informações a respeito dos mecanismos de solução de controvérsias utilizados nos acordos bilaterais e sub-regionais de comércio no hemisfério. No documento reconhece-se a importância da participação do setor privado no processo da ALCA.

Em maio de 1997 o Brasil foi sede de uma Reunião Ministerial (Reunião Ministerial de Belo Horizonte). Nesta reunião foram examinados os resultados do programa de trabalho acordado nas Reuniões anteriores e o progresso substancial da liberalização do comércio no hemisfério desde a Cúpula de Miami. Acordou-se que as negociações da ALCA começariam a partir da Reunião de Santiago, que se realizaria em março de 1998, e que na reunião de São José da Costa Rica seriam estabelecidos os objetivos, enfoques, estruturas e localização das negociações. Reafirmou-se princípios negociadores como o empreendimento único, a decisão por consenso, a coexistência com outros acordos regionais, a compatibilidade com os dispositivos da OMC e a possibilidade dos países negociarem isoladamente ou como bloco de que façam parte.

Conforme havia sido acordado em Cartagena de Índias, estabeleceu-se o Grupo de Trabalho sobre Solução de Controvérsias. Concordou-se em que a questão do meio ambiente e sua relação com o comércio seria mantido em observação, acompanhando o andamento das discussões do Comitê de Comércio e Meio Ambiente da OMC.

Em março de 1998, realizou-se em São José da Costa Rica a quarta reunião ministerial da ALCA, que marcou o final da fase preparatória e o início efetivo das negociações. Nesta ocasião os Ministros de Comércio recomendaram aos Chefes de Estado que as negociações fossem iniciadas a partir da II Cúpula das Américas, em Santiago do Chile, marcada para abril daquele ano, mantendo-se o compromisso de conclui-las até 2005.

A Reunião de São José serviu também para definir a estrutura inicial das negociações, estabelecendo o Comitê de Negociações Comerciais, os 9 grupos de negociação, os Comitês Consultivos e o sistema de rodízio da presidência da ALCA e dos grupos de negociação.

3.APEC
3.1 -A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico

3.1.2 – BLOCOS ECONôMICOS

São associações de países que estabelecem relações econômicas privilegiadas entre si. O primeiro bloco que surge na Europa, em 1957, com a criação da Comunidade Econômica Européia (CEE), atual União Européia (UE). Mas a tendência de regionalização da economia só se fortalece nos anos 90, com o fim da Guerra Fria. Na América se destacam o Nafta, o Mercosul e, em menor grau, o Pacto Andino e o Caricom; na Europa, a UE e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI); na África há o SADC; e na Ásia, o Asean. Também está em fase de implantação o bloco transcontinental Apec, que reúne países da América e da Ásia. Continuam as negociações para a formação de um bloco abrangendo toda a América, o Alca

3.1.3 -TIPOS DE BLOCOS

Os blocos econômicos classificam-se em zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum e união econômica e monetária. Na zona de livre comércio, há a redução ou a eliminação das taxas alfandegárias que incidem sobre a troca de mercadorias dentro do bloco. A união aduaneira, além de abrir mercados internos, regulamenta o comércio dos países-membros com nações externas ao bloco. Já o mercado comum garante a livre circulação de pessoas, serviços e capitais.

3.1.4-APEC

A cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) é criada em 1.989, na Austrália, como um fórum de conversações informais entre os países membros da Associação das Nações do Sudoeste Asiático (ASEAN) e seis parceiros econômicos da região do Pacífico, entre eles os Estados Unidos e Japão. Quatro anos depois, na Conferência de Seatle nos EUA, adquire características de bloco econômico. Em 1.994, os países membros comprometem-se a transformar o Pacífico em uma área de livre-comércio. O forte protecionismo econômico, no entanto, faz adiar para o ano 2.000 a eliminação das barreias comerciais na região. Prevê-se que esta ocorrerá gradativamente: num período de dez anos nos países desenvolvidos e em até 20 anos nas nações em desenvolvimento.

3.1.5- Os membros são:

1.989 – Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia e EUA;
1.991-China,Hong Kong (China), Taiwan (Formosa);
1.993 – México, Papua Nova Guiné;
1.994 – Chile;
1.998 – Peru, Federação Russa, Vietnã.

3.1.6 -Objetivos

A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico é um bloco econômico formado para promover a abertura de mercados entre 20 países e Hong Kong (China), isto é, pretende estabelecer a livre troca de mercadorias entre todos os países do grupo até 2.020, ou seja, é um bloco que se enquadra, ou melhor, que terá todo o perfil de “zona de livre comércio”.

Porém, a eliminação destas barreiras devem ser quebradas gradualmente até o período de 2.020, se dividindo entre 10 anos para os países desenvolvidos e mais 20 para as nações em desenvolvimento.

3.1.7 -A Sede

O país escolhido para a sede do bloco é uma cidade-estado localizada na maior ilha de um arquipélago ao sul da península da Malásia. As áreas urbanas ocupam metade do território e no restante estão plantações, parques públicos e áreas militares. Muito pouco da floresta tropical original sobrevive. A maioria da população tem origem chinesa, e existem minorias malaias e indianas. Mesmo sendo uma cidade moderna, Cingapura preserva elementos das antigas culturas asiáticas.

Importante entreposto comercial e financeiro, o país tem uma renda per capita superior a 30 mil dólares e seus habitantes desfrutam um dos mais altos padrões de vida do mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, Cingapura conta com o sexto melhor sistema público de saúde do planeta. A economia se baseia nos serviços bancários e portuários, no turismo e na indústria de alta tecnologia.

Mais de 3,5 mil multinacionais concentram seus centros de operações na ilha. Politicamente, Cingapura tem um sistema fechado, com censura severa, e chibatadas ainda são usadas como penas legais.

3.1.8 – A aliança

Um aspecto estratégico dessa aliança é o fato de aproximar a economia norte-americana aos demais países do pacífico, contra balanceando o peso do Japão e da China, as 2 grandes potências da região e ainda os surpreendentes “Tigres Asiáticos”, como Cingapura, Coréia do Sul e Hong Kong.

3.1.9 -TIGRES ASIÁTICOS

A partir da década de 70, o direcionamento da indústria eletrônica para a exportação de produtos baratos traz prosperidade econômica crescente e rápida para alguns países da Ásia, Coréia do Sul, Formosa(Taiwan), Hong Kong e Cingapura são os primeiros destaques.

Dez anos depois, Malásia, Tailândia e Indonésia integram o grupo de países chamados Tigres Asiáticos. Apesar da recessão mundial dos anos 80, apresentam uma taxa de crescimento médio anual de 5%, graças à base industrial voltada para os mercados externos da Ásia,Europa e América do Norte.

As indústrias e exportações concentram-se em produtos têxteis e eletrônicos. Os Tigres beneficiam-se da transferência de tecnologia obtida através de investimentos estrangeiros associados a grupos nacionais.

Os Estados Unidos e o Japão são os principais parceiros econômicos e investidores. Com exceção de Cingapura,as economias dos Tigres Asiáticos dispõem de mão-de-obra barata: as organizações sindicais são incipientes e as legislações trabalhistas forçam a submissão dos trabalhadores.

Tal situação só é possível porque é sustentada por uma cultura conformista, que valoriza a disciplina e a ordem, e admite a intervenção do Estado em diversos setores econômicos. O planejamento estatal em prática em larga escala, seguindo de perto modelo japonês.

Dados Econômicos e Geográficos Comparativos

Bloco
Integrantes
Criação
Área (km)
PIB (milhões de USS)
População (milhões)
PIB Per Capita (em USS)

Apec
20 países e Hong Kong
1989
62.322.098
15.996.156
2.559,3
6.493

CARICOM
14 países e 4 territórios
1973
463.157
27.559
14,7
2.396

CEI
12 países
1991
22.100.900
403.949
284,1
1.422

Mercosul
6 países
1991
11.910.463
1.105.526
215,9
5.251

Nafta
3 países
1988
21.315.771
9.204.528
408,4
23.220

Pacto Andino
5 países
1969
4.721.155
287.610
113,1
2.641

Sadc
14 países
1992
9.271.734
185.899
197,8
983

EU
15 países
1957
3.235.972
8.336.945
375,2
22.261

Asean
10 países
1967
4.523.445
463.625
517,6
922

Fonte: Atlante Geográfico de Agostini, Banco Mundial, Fundo de População das Nações Unidas

As nações do APEC respondem hoje por mais da metade do PIB do mundo e por 46% das exportações mundiais, sendo que 50% dessas exportações são realizadas pelos extremos da China ao riquíssimo Brunei.

3.1.10 -Relações do APEC com o Brasil

O Brasil em 1.999, supriu, com valores inexpressivos, as importações que os países de bloco efetuaram. A maior participação das exportações Brasileiras foi para Papua Nova Guiné com 6,63% e a menor com Brunei 0,00%. E com o maior parceiro do Brasil no grupo, os EUA, não foi além de 1,01%.
De acordo com esses dados, as relações comerciais de exportação para o APEC esteve a quilômetros de distância de serem lucrativas, sendo, que nem os EUA, nosso maior parceiro nesse bloco, elas correspoderam apenas 1,01%.

Em relação à Ásia, várias reportagens dizem que o Brasil ainda não se alertou do potencial comercial desses países.

Exemplo: A China, com 1,2 bilhões de habitantes, constituindo um mercado consumidor em grande potencial e Cingapura um dos Tigres Asiáticos,

Mas pode ser que o Brasil não atinja esses mercados por questões de diversidades, diferenças culturais pois um deles Cingapura, um país-cidade politicamente muito rígido e fechado, já sabendo que com relação aos EUA a taxa foi muito baixa em função do alto protencionismo do país

3.1.11. – APEC (Bloco fechado)

Seus líderes declaram que não pretendem criar um bloco fechado, para não impedir o desenvolvimento dos seus países membros, pois só a China por si mesma, constitui um imenso mercado, que vai se expandindo, mesmo em tempos de crise, a coeficientes que o Brasil desconhece há anos,o que também se tornaria praticamente impossível porque alguns de seus países membros fazem parte de outros blocos como é o caso dos EUA que está presente no bloco NAFTA.

3.1.12. -Como participar das atividades do APEC?

Todas as atividades do APEC são abertas para todas as economias que são membros do bloco. Economias não membras, organizações regionais ou internacionais assim como outras podem participar, como visitantes,em algumas das atividades, quando há a aprovação de acordos com o APEC

3.1.13 – Os observadores

Há três observadores: Associação das Nações do sudeste asiático(ASEAN) Secretaria, Conselho de Cooperação Econômico do Pacifíco(PECC) e o fórum do Pacifíco Sul (SPF)

3.1.14 -Os membros designados

Peru, Rússia e Vietnan foram membros designados no APEC durante o período de Janeiro 1998 a Novembro de 1998. Foi um arranjo transitivo para dar tempo para essas três economias se familiarizarem com as relações de negócios do APEC. Como membros designados, esses países são convidados a participar de todas as reuniões como observadores durante esse período transitivo.

3.1.15 – A Crise na Ásia (1997- jun 1998)

A crise financeira e monetária que ocorreu na Ásia na segunda metade de 1997, e ainda perdurava em 1998, com suas repercussões internacionais, mostra claramente a fragilidade do sistema financeiro e monetário globalizado. A crise da Ásia havia criado incertezas sobre quem, quando, e em que nível seria afetado, trazendo intranqüilidade a todo o mercado financeiro.

Esta crise manifestou-se principalmente como uma crise cambial, seguida de crise financeira e econômica, com conseqüências na Europa e Américas, principalmente sobre os chamados países emergentes (Rússia, e países da América Latina). Os investidores estrangeiros enxergam uma correlação muito alta dos riscos de investimentos nestes países.

Dois de julho de 1997, a moeda da Tailândia deixa sua paridade fixa em relação ao dólar americano e sofre desvalorização contínua. Em pouco tempo, o mesmo foi acontecendo com a Malásia e Filipinas. Em outubro a Coréia do Sul começa a sofrer da desvalorização, seguida pela Indonésia. A situação fica grave em dezembro e janeiro, devido ao prospecto destes dois países declararem moratória no pagamento da dívida externa.

Para se ter uma idéia da magnitude desta crise, desde o começo dela até meados de janeiro de 1998, a rúpia da Indonésia sofreu uma desvalorização de cerca de 75% (e mais outro tanto até a queda do presidente Suharto em maio); o baht tailandês e o ringgit da Malásia desvalorizaram cerca de 50%; o peso filipino cerca de 40% e os dólares de Cingapura e de Taiwan, 20%. Somente a China e Hong Kong mantiveram suas moedas valorizadas. O mercado de ações sofreu um acentuado declínio desde julho. A Malásia e a Indonésia observaram um declínio de 45- 50%, enquanto a Coréia, Filipinas e Hong Kong tiveram 35-40%. A bolsa de valores da Tailândia perdeu aproximadamente 30%, embora isto seja sobre um valor que já vinha acumulando perdas. Estes dados são referentes a até meados de janeiro de 1998.

3.1.16 – Causas da Crise

As causas desta crise, seriam essencialmente empréstimos problemáticos dos bancos tomados pelo setor privado, além de uma política de câmbio fixo frente ao dólar, sobre-valorizado, e grandes déficits em conta corrente. Problemas que vão exigir, no longo prazo, reformas estruturais do sistema bancário em particular, austeridade monetária e fiscal, e ajustes próprios a cada economia. Já no curto prazo as ajudas financeiras internacional (FMI), para programas de ajustes serão necessários.
O crescimento econômico regional, principalmente nos anos de 1994 e 1995, motivava as empresas à expansão que em muitos casos eram apoiadas por empréstimos. O crédito era garantido pela política do governo e também por razões políticas. A área financeira se movia sem um regime adequado de regulação ou de supervisão e, freqüentemente, créditos encontravam destino em investimentos não produtivos, como imóveis, criando “as bolhas de ativos”. Muitas das economias do leste asiático (excluindo a China) tornaram-se alavancadas, principalmente quando as economias encontravam-se aquecidas em 1994-95. A Tailândia, Indonésia, Malásia e Coréia do Sul detinham um crescimento em torno de 8%.

As políticas econômicas foram ficando mais restritivas e o crescimento começou a se desacelerar, em 1996. As bolhas de ativos começaram a estourar. As empresas que tomaram empréstimos contando com um crescimento intenso da economia para serem saldados começaram a ter problemas, levando o sistema bancário a acumular empréstimos problemáticos. Os problemas do setor financeiro se avolumavam e hesitava-se em dar o tratamento adequado por razões políticas, como fechar ou colocar restrições aos bancos.

A Tailândia, Malásia, Cingapura, Filipinas e Hong Kong tinham suas moedas fixas em relação ao dólar e a rúpia da Indonésia sofria desvalorizações constantes em relação ao dólar americano. As taxas de inflação nesses países eram superiores a dos EUA e Japão, e com o dólar americano valorizado contra o iene, as taxas de câmbio asiáticas tornaram-se sobrevalorizadas principalmente em relação ao Japão, de cujo mercado dependem fortemente. Um contexto que conduziria à deterioração nas contas externas levando o crescimento das exportações de 20% para menos de 5% em 1996 (salvo as Filipinas).

A conta corrente dos países do leste asiático (excluindo a China) passaram de uma situação de superávit a uma de déficit da balança comercial (de cerca de 5,5 bilhões de dólares de superávit em 1993 a cerca de 25 bilhões de dólares de déficit em 1995 e 35 bilhões em 1996). Os desequilíbrios externos eram financiados com capital externo e devido à estabilidade das taxas de câmbio, muitos dos empréstimos não eram protegidos contra desvalorizações. O baht tailandês não agüentou um ataque especulativo maciço e as dívidas com o exterior que em pouco tempo quase esgotaram as divisas da Tailândia, levando à desvalorização de sua moeda. Outras moedas da região sucumbiram às pressões e acabaram desvalorizadas.

A crescente globalização dos mercados financeiros, e a integração rápida e contínua dos mercados emergentes nos anos 90 foi acompanhada de várias crises cambiais, como a crise do ERM (“exchange rate mechanism”) da Europa em 1993 (que tornou famoso o especulador George Soros, com seu ataque à Libra), a do peso mexicano de 1994 e a crise da Ásia de 1997-1998.

As desvalorizações das moedas trouxeram elevações drásticas nos valores das dívidas e nos seus serviços (juros), levando as empresas à ou próximo à falência, agravando a situação econômica.

3.1.17 – A Situação do Japão

A situação de recessão no Japão serviu para exacerbar a crise da Ásia. Esta situação de recessão começou na década de 1980, quando houve um grande crescimento alimentado por uma dose grande de investimentos. Tal crescimento acabou provocando uma grande massa de especulação nos mercados acionário e imobiliário (setores não produtivos).

Este fenômeno ficou conhecido como uma bolha de ativos (ativos não produtivos a preços altamente inflacionados). Em 1990 e 1991, preocupado com o aumento exagerado dos preços das ações e imóveis, o governo do Japão elevou as taxas de juros, provocando assim um colapso dos preços destes ativos (a bolha estourou). Este tipo de medida é bastante recessiva, e o governo japonês tentou reestimular a economia com obras e serviços públicos. Mas este é um setor dispendioso e ineficiente, e tal medida não surtiu o efeito desejado. Com medo de que os pacotes fiscais provocassem aumento da inflação, o governo adotou medidas monetárias muito apertadas.

Em 1995, mesmo diminuindo as taxas de juros (nominais), como a inflação estava abaixando mais rápida, os juros reais estavam aumentando. Durante o triênio 1993-1995 a economia japonesa estagnou, e em (1998) estava em recessão.

3.1.18 – O caso da China

China e Hong Kong têm conseguido passar ao largo da crise asiática, mantendo fixas suas moedas.

Um estudo o FMI buscou analisar as causas do grande desenvolvimento econômico sofrido pela China nos últimos 20 anos. Em 1978 o governo da China iniciou um programa de reformas econômicas de grandes proporções, depois de anos de controle governamental sobre a produção. Encorajou a formação de empresas rurais e negócios privados, liberalizou o comércio e investimentos externos, relaxou o controle sobre alguns preços, e investiu na produção industrial e na educação de sua força de trabalho. Em comparação a um crescimento de cerca de 6% antes das reformas, a China obteve índices de crescimento de 9% a 13% nos anos posteriores.

O interessante é que chegaram à conclusão de que além do crescimento dos bens de capital do país (novas fábricas, maquinário, sistemas de comunicação) e quantidade da mão de obra, um fator que se destaca é o aumento intenso da produtividade (eficiência do trabalhador). Segundo o relatório citado, este aumento de produtividade contribuiu com cerca de 42% do crescimento da economia chinesa durante o período 1979-1994, e no começo dos anos 1990, a contribuição do aumento da produtividade superou a do investimento em capital industrial.

3.2. – RELATÓRIO ECONÔMICO – CINGAPURA PRODUTO INTERNO BRUTO

A economia de Cingapura organizou uma recuperação forte em 1999. Depois de um 0.4% de crescimento anêmico em 1998, produção econômica se expandida por 5.4 por cento em 1999. Crescimento foi conduzido principalmente pela recuperação rápida em demanda externa que se expandida por 6.7 por cento depois do 4.4 declínio de por cento em 1998.

O aumento nas exportações de bem de mercadoria foi conduzido por eletrônica flutuante e exportações de substâncias químicas. Com o escolher-para cima em demanda regional, exportações de serviços melhoraram também por causa de frete mais vivo e serviços de porto e chegadas turísticas aumentadas.
Rosa de demanda doméstica por 6.5 por cento, invertendo a contração de 7.3 por cento em 1998. Isto foi impulsionado pela melhoria em despesa de consumo por causa de sentimentos de consumidor positivos, como também pela reconstrução de inventários. Porém, gasto importante continuou encolhendo principalmente devido à baixa em atividade de construção de setor privada.

Da perspectiva de setorial, o fabricando, transporte e comunicações, e o atacadista e setores de comércio de varejo proveram o ímpeto principal para crescimento. Com exceção da construção e negócio conserta setores, o desempenho de todos os outros setores principais melhorou em 1999 comparados um ano atrás para.

Montando em virtude da demanda de eletrônica global e a recuperação regional, o setor industrial organizou um turnaround forte em 1999 crescer por 14 por cento. A eletrônica e as indústrias de substâncias químicas escreveram com giz crescimento de dobrar-dígito de mais que 20 por cento. O anterior foi dirigido através de crescimento robusto na telecomunicação e semicondutor segmenta, enquanto o posterior se expandiu na parte de trás de demanda forte para farmacêutico e substâncias químicas de industrial/specialty do EUA e Europa.

O setor de construção contraído por 12 por cento em 1999, abaixo nitidamente de um crescimento de 4.4 por cento um ano mais cedo. Isto foi esperado, determinado o declínio acentuado de 35 por cento em contratos premiados em 1998. Demanda de construção permaneceu fraca em 1999, como contratos premiaram se caia mais adiante por 23 por cento a $11.7 bilhões, conduziu por um outono afiado em contratos de setor públicos.

O transporte e setor de comunicações crescidos por 7.1 por cento em 1999, para cima de 5.5 por cento em 1998. Areje carga e o número de passageiros de ar dirigidos crescidos respectivamente por 17 por cento e 8.7 por cento, em linha com a melhoria em comércio regional e turismo. Isto contrastou nitidamente respectivamente com os declínios de 3.8 por cento e 5.4 por cento em 1998. No sub-setor de mar, dirigiu carga de mar total e processamento de recipiente total subido respectivamente por 4.3 por cento e 5.3 por cento em 1999, comparados com -4.6 por cento e 7.1 por cento no ano precedendo.

Em linha com o rebote rápido nas economias domésticas e regionais, o atacadista e setor de comércio de varejo uma 7.1 recuperação de por cento organizou em 1999 e inverte o 4.1 declínio de por cento em 1998. A mudança para melhor nas economias regionais erguidas entrepot comerciam, e também era um fator contribuindo principal atrás do 11 aumento de por cento em chegadas de visita. Demanda doméstica também benefited da melhoria em confiança de consumidor. Varejo global volume de vendas cresceu por um robusto 17 por cento, para cima de -7 por cento em 1998.

Semelhantemente, a recuperação em chegadas de visita e sentimentos de consumidor melhorando ajudou para os hotéis e para setor de restaurantes a se expandir por 3.7 por cento em 1999 e inverte a 3.7 queda de por cento em 1998.

O setor de serviços financeiro registrou crescimento plano em 1999, comparados a -8.1 por cento em 1998. A melhoria estava em parte devido à onda em atividade de mercado de valores em cima de uma parte grande do ano. Refletindo os sentimentos de mercado mais otimistas na perspectiva econômica doméstica e regional, empanada de mercado de valores subiu 100 respectivamente por centavo e 110 por cento em valor e cláusula de volume.

Também funde atividade de administração postou crescimento robusto. Porém, outros segmentos chaves permaneceram fracos. Ambos os mercados bancários domésticos e perto da praia contraíram em 1999, como empréstimos e avança aos clientes de non-banco domésticos e regionais continuou recusando ao longo do ano. No mercado de câmbio exterior, a empanada diária comum continuou sendo fraco.

O setor de serviços empresarial cultivou marginally por 0.1 por cento em 1999, mais lento que os 5.1 por cento em 1998. Embora computador e serviços relacionados como também o profissional conserta continuado fazendo bem, crescimento foi arrastado abaixo pela fraqueza em serviços de bens imóveis.

3.2.1. -INFLAÇÃO

O índice de preço de consumidor registrou crescimento plano em 1999 e inverte o declínio de 0.3 por cento em 1998. Custos mais altos de comida, artigos misturados, educação e healthcare excederam em valor mais baixos custos de moradia e transporte e comunicações.

3.2.2. – EMPREGO

O labour comercializam benefited da mudança para melhor na economia. Emprego total ressaltou com um lucro de trabalho líquido de 39,900, uma reversão afiada da perda líquida de 23,400 trabalhos em 1998. O crescimento de emprego estava largo-baseado do outro lado de todas as indústrias principais, com a exceção do setor de construção. Com o escolher-para cima em demanda de negócio, o número de trabalhadores reduzidos gastos encolhido por meio a 14,600 de um registro de 29,100 em 1998. O setor industrial respondeu por 55 por cento da economia total, principalmente da indústria de eletrônica. O número relativamente mais alto de economia comparado a período de pre-crise refletiu a reestruturação ininterrupta e consolidação em certa chave segmentos industriais, notavelmente na indústria de unidade de disco onde margens derrubaram significativamente devido a competição mais aguda.

Embora o seasonally trimestral ajustaram que taxa de desemprego estava em uma tendência descendente e alivia a 2.9 por cento em 1999 de dezembro de um alto de 4.3 por cento em 1998 de dezembro, a taxa de desemprego comum durante o ano inteiro de 1999 era 3.5 por cento, ligeiramente mais alto que os 3.2 por cento no ano precedendo. Isto estava devido à relativamente mais baixa taxa de desemprego em princípios de a metade de 1998, antes dos efeitos cheios da crise econômica era sentido no mercado de labour.

3.2.3 – COMÉRCIO EXTERNO

O comércio externo total de Cingapura ressaltado por 8.1 por cento em 1999, uma recuperação afiada da 7.5 contração de por cento um ano atrás. Comércio total alcançou $382 bilhões, atrás para o nível em 1997. Recuperação contínua do crise-golpe que economias asiáticas, junto com o fortalecimento de demanda global para eletrônica, telecomunicação e produtos de substância química, conduziram a uma 17 onda de por cento pelo segundo a metade de 1999 que excederam em valor um declínio marginal de 0.9 por cento durante o primeiro a metade do ano.

Comércio total em condições de volume experimentou um rebote afiado semelhante, para cima 7.4 por cento, comparado a -6.7 por cento em 1998. Exporte volume subido por 5.4 por cento, com exportações domésticas e ré-exportações que crescem respectivamente por 8.1 por cento e 1.6 por cento. Refletindo o consumo doméstico melhorado e atividade industrial aumentada, volume de importação também se expandido por 9.5 por cento em 1999.

3.2.4 – BALANÇA DE PAGAMENTO

A balança de pagamento global de Cingapura registrou um excesso de $7.3 bilhões em 1999, comparados com $5 bilhões em 1998. O equilíbrio global foi impulsionado por um aumento no excesso de conta atual para $36 bilhões, juntados com um outflow menor na conta importante e financeira. Como resultado, as reservas estrangeiras oficiais aumentaram a $128 bilhões como às end-1999, equivalente a 8.2 meses de importações atuais

3.2.5. -DÍVIDA EXTERNA BRUTA

Como a 1999 de fim-dezembro, Cingapura não teve nenhuma dívida externa.

3.2.6 -POLÍTICA FISCAL

Política fiscal busca criar um ambiente que promove um setor privado dinâmico, gera crescimento robusto e emprego, e avança o desenvolvimento de Cingapura. Política fiscal em 1999 permanecidos engrenado para estes objetivos, em defesa de crescimento econômico contínuo, non-inflacionário.

Despesas governamentais enfocam na entrega de bem públicos essenciais e serviços, particularmente nas áreas chaves de educação, alojando, infra-estrutura econômica, cuidado de saúde básico e segurança nacional. Como em anos prévios, o tamanho de despesas em 1999 foi alocado para social e comunidade conserta (40 por cento) e segurança (34 por cento). serviços Econômicos responderam por outros 18 por cento de despesas totais.

Despesa governamental total cresceu de $24.8 bilhões em 1998 a $24.9 bilhões em 1999. O aumento leve estava devido a desenvolvimento mais alto que gasta ($11 bilhões) que rosa por 4.6 por cento mais de 1998. Porém, despesa operacional ($13.9 bilhões) recusado por 2.3 por cento mais de 1998, em parte por causa dos ajustes de salário de serviço civis em linha com a política de restrição de salário.
No lado de renda, a política de taxação em 1999 continuou enfocando em aumentar nossa estrutura de imposto internacionalmente competitiva para encorajar a comercialidade incorporada e individual. Apoiado pelo escolher-para cima em crescimento econômico, o governo pôde ensinar renda suficiente para financiar ambos o operando e despesas de desenvolvimento. Governo que renda operacional se desenvolvida por 1.4 por cento de $28.2 bilhões em 1998 a $28.6 bilhões em 1999. O aumento estava em grande parte devido a aumentos em imposto de renda, taxas e carga de pólvora, e interesse receberam como resultado de empréstimos excelentes mais altos do governo para tábuas estatutárias.
Contra um fundo econômico mais favorável, o excesso de orçamento durante ano fiscal 1999 (1 1999 a 31 de abril Arruina 2000) surgiu $2.9 bilhões, ou 1.9 por cento de GDP.

3.2.8 – POLÍTICA MONETÁRIA

O objetivo de política monetária permaneceu um de manter estabilidade de preço por crescimento econômico contínuo. Devido ao ambiente inflacionário conquistado e a necessidade para facilitar a recuperação na economia, a Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) adotou um troca taxa política stance neutro em 1999. Além, determinado aqueles mercados de moeda corrente ficaram menos voláteis comparou com o ano antes, o MAS também estreitou a troca taxa política faixa para sua largura de pre-crise

3.2.9 – TAXA DE TROCA

O movimento de Cingapura dólar troca taxa contra moedas correntes industriais e regionais principais estava misturado em 1999. Embora depreciou contra o dólar de EUA no primeiro a metade do ano, o dólar de Cingapura se retirou nos últimos dois trimestres devido à recuperação econômica doméstica forte-que-esperada e interesse renovado no bourse local. Todavia, dólar de Cingapura depreciado por uma média 1.3 por cento contra o dólar de EUA em 1999, depois da 11 depreciação de por cento vista o ano antes.

uportado pela perspectiva econômica melhorada de Japão, o Iene tinha fortalecido significativamente contra moedas correntes principais. Assim o dólar de Cingapura também debilitou contra isto, por 14 por cento em 1999 comparados a uma depreciação de 4.3 por cento em 1998.

Por outro lado, o Cingapura dólar firmed contra a maioria das moedas correntes européias em 1999. Fortaleceu marginally respectivamente contra a libra esterlina e o Deutschemark por 1.1 por cento e 2.9 por cento, em contraste com a depreciação de dobrar-dígito em 1998. Contra o franco francês e italiano lira, o dólar de Cingapura apreciado por 3 por cento cada. Desde então sua introdução em 1999 de janeiro, o Euro depreciado por 14 por cento contra o dólar de Cingapura.

O dólar de Cingapura depreciou contra a maioria das moedas correntes do ASEAN e países de NIE. Com o turnaround econômico e o retorno para estabilidade relativa, moedas correntes regionais ressaltaram em 1999 e seguem a depreciação afiada experimentou o ano antes. O dólar de Cingapura se caiu por 21 por cento contra o rupiah indonésio, 16 por cento contra o coreano ganho, 8.9 por cento contra o Baht tailandês, e 4.8 por cento contra o dólar de Taiwan Novo. Contra o ringgit de Malaysian, o dólar de Cingapura depreciado por 4.2 por cento comparados com uma avaliação de 25 por cento em 1998. Dado a Hong Kong dólar cavilha ao dólar de EUA, o dólar de Cingapura também debilitou contra isto por 1.1 por cento.

3.2.10 -TAXAS DE JUROS

O ambiente de taxa de juros externo estava geralmente mais apertado em 1999. Enquanto o EUA Reserva Federal tinha implementado uma série de caminhadas de taxa de juros em cima do ano, o Banco Central europeu e o Banco de Inglaterra aliviou taxas na parte mais cedo do ano antes de apertar em finais de meio. A 3-monª taxa de juros de interbank de Cingapura reagiu a algumas destas flutuações. A taxa de benchmark terminou o ano a uns 14-monº alto de 2.63 por cento de 1.75 por cento a 1998 de fim-dezembro. Porém, em 2.03 por cento em média, estava mais baixo que a média de 5.18 por cento em 1998. Também permaneceu debaixo do 3-monº dólar de EUA SIBOR que foi impulsionado a 6.06 por cento a fim-dezembro pelas três caminhadas de quarto-ponto em taxas de juros de EUA em 1999. Porém, o diferencial entre 3-monº dólar de EUA SIBOR e a taxa de interbank doméstica permanecidas largamente inalterado a 3.43 porcentagem apontam a end-1999 comparados com 3.38 porcentagem aponta às end-1998.

Depósito de varejo e taxas emprestando eram estáveis em 1999. O início comum que empresta taxa dos bancos principais moderou ligeiramente de 5.90 por cento a 1998 a 5.80 por cento de fim-dezembro em 1999 de janeiro e permaneceu inalterado ao longo do ano. Os 3-monº e as 12-monª taxas de depósito fixas também deslizaram respectivamente marginally a 1.68 por cento e 2.46 por cento, antes de permanecer constante de 1999 de março para o fim do ano.

3.2.11 -PROVISÃO DE DINHEIRO

Crescimento de dinheiro estreito (M1) fortaleceu em 1999 a 14 por cento, comparados com uma contração de 0.9 por cento em 1998. A subida rápida em dinheiro estreito estava em grande parte devido a um 16 aumento de por cento em depósitos de demanda, para cima de 9.7 por cento em 1998. A preferência para segurar capitais acessíveis refletidos o baixo ambiente de taxa de juros mais prontamente e o escolher-para cima em atividade econômica. Agregados monetários largos, M2 e M3, também se expandiram, embora a taxas mais lentas de 8.5 por cento e 7.3 por cento respectivamente em 1999, comparou com 9.7 por cento e 8.1 por cento no ano prévio. A moderação estava devido ao halving do crescimento de depósitos fixos, embora depósitos de poupança continuaram aumentando a dobrar-dígito taxa em 1999.

3.2.12 – PERSPECTIVA PARA A ECONOMIA de CINGAPURA

Condições econômicas globais devolveram a normalidade em 1999, depois dos motins e incertezas nos dois anos prévios. O crescimento forte continuado no EUA, embora alguns sinais de diminuição de velocidade consumidor gastando, e o firming da economia de EU foram importantes. Na Ásia, a recuperação gradual da economia japonesa e melhor que esperou desempenho de crescimento na China; Hong Kong, China,; Coréia; e Malásia também representou um papel principal.

Devido ao ambiente externo favorável, a perspectiva para a economia de Cingapura é luminosa. Expectativas empresariais da indústria e conserta os provedores também foram positivos. Entrando em 2000, a demanda de eletrônica global forte e o revivificação em comércio de intra-Ásia ajudarão reforce o crescimento econômico de Cingapura

Levando em conta os acima de fatores, o GDP oficial prevêem para Cingapura para 2000 é 7.5 por cento a 8.5 por cento.

Estratégias e Ajuste Mede empreendido Sustentar a Recuperação e Fortalecer Mercados

3.2.13 – PACOTE CUSTO-CORTANTE

Com a tempestade econômica regional agora passada, vem o desafio para administrar a recuperação e restabelecer crescimento econômico em uma base contínua. Enquanto crescimento ficou mais largo baseado e emprego tem abaixo, a economia ainda tem que enviar um pouco de fraquezas. Por exemplo, várias indústrias industriais como unidade de disco e petróleo refinar continuam enfrentando pressões de custo severas. Continuando reestruturando está causando um fluxo fixo de economias.

Levando em conta estes desenvolvimentos, o governo revisou seu stance econômico, e particularmente as medidas em novembro 1998’s pacote de redução de custo. Em geral, o pacote continuará como cometeu, mas o mercado operário apertando fez isto necessário apresentar CPF contribuição taxas para a restauração de empregador. A perspectiva econômica melhorada também justifica um quantum mais alto de gratificação de ano-fim para criados civis, e uma restauração dos cortes de salário impôs em criados civis. O Desenvolvimento de Habilidades que o Levy foi ajustado, como habilidades melhorando é crítico a mantendo os trabalhadores empregável. Em áreas chaves de custos empresariais, isto é aluguéis de terra industriais e porto e dívida de aeroporto, as bonificações estiveram estendidas durante um ano adicional.

3.2.14 – DEREGULATION DO SETOR DE SERVIÇOS

O recente tumulto econômico regional alterou o fundo para crescimento econômico e competitividade de custo. Cingapura precisa empreender reformas apropriadas e estratégias para permanecer competitivo. Uma área na qual Cingapura ainda é um laggard é o deregulation de serviços. Comparado ao setor industrial, o setor de serviços ainda é fechado muito e ineficiente. Porém, a Internet está acelerando o tradability de serviços, e como resultado, o setor de serviços em todo país crescentemente será sujeito a global em lugar de competição doméstica ou regional. Além, determinado o limite obscurecendo entre bem e serviços, um setor de serviços eficiente e competitivo será um fator vital que contribui ao vibrancy do setor industrial. O governo aumentou o deregulation do setor de serviços então – em serviços financeiros, telecomunicações, eletricidade e gás.

Em 1999 de maio, o MAS avançam desvelado seu pacote de liberalização de setor bancário que incluiu medidas para permitir concorrentes novos na indústria bancária melhore governance incorporado, remova o shareholding estrangeiro limitam, e permite mais flexibilidade de regulatory relativo às operações de bancos locais. A pontaria é mover para um ambiente mais aberto e competitivo, para esporear o desenvolvimento e melhorando de bancos locais, e desenvolve um setor financeiro mais dinâmico.

Em 2000 de fevereiro, a Autoridade de Desenvolvimento de Info-comunicações (IDA) apresentou a introdução de competição de mercado cheia no setor de telecomunicações por dois anos, começando 2000 de abril. Dirija e eqüidade estrangeira indireta limita para todas as telecomunicações públicas conserta também foram erguidas licenças. Uma liberalização mais cedo do setor de telecomunicações atrairia os jogadores principais e ajuda desenvolvem uma indústria de info-comunicações forte e vibrante que depende de telecomunicação globalmente competitiva taxa e serviços.

Como poder é um componente chave de custos empresariais, Cingapura tem que ser globalmente competitivo neste setor. Dentro dos próximos dois anos, serão abertas as partes contestáveis do setor de eletricidade completamente e competição será introduzida na indústria de gás natural.

3.2.15 -COMITÊ NA COMPETITIVIDADE DE CINGAPURA

O Comitê na Competitividade de Cingapura (CSC) ‘ visão de s é para Cingapura se tornar um avançado, globalmente competitivo, economia de conhecimento durante a próxima década, com fabricar e serviços como as máquinas gêmeas de crescimento.

Fabricando permanecerão um componente integrante na economia de Cingapura, mas capacidades em desenvolvimento na cadeia de valor industrial inteira além de produção, de R&D e projeta a comercializando e também serão precisadas de vendas. Ao mesmo tempo, Cingapura desenvolverá em um primeiro cubo de serviços na Ásia com uma orientação global, com competências fortes em ambos nosso cubo tradicional conserta como também serviços de crescimento novos, altos. O setor doméstico será competitivo e vibrante, capaz de companhias de mundo-classe produtoras e indústrias internacionalmente competitivas. A mão-de-obra será custo-competitiva com capacidades de mundo-classe em administração empresarial, tecnologia, inovação, produção e serviços, e desenvolvimento de mercado internacional.

Cingapura se tornará uma economia conhecimento-baseada onde a base para competitividade será as capacidades e capital de intelectual para absorver processo e aplicar conhecimento e mover depressa. Cingapura será uma sociedade cosmopolita aberta, atraente a talento global e conectou com outros nodos globais. Junto com o talento global, uma massa crítica de empresários de risco-tomada, os inovadores e arbitrageurs moverão a economia à frente na Idade de Informação.

3.2.16 – RELATÓRIO ECONÔMICO – TAILÂNDIA REAL PRODUTO INTERNO BRUTO

Depois de uma realidade sem precedente produto doméstico bruto (PIB) contração de 10.2 por cento em 1998, a economia começou a mostrar sinais positivos de recuperação no princípio de 1999. Real crescimento de PIB em 1999 era 4.2 por cento, conduziu pelo setor industrial e demanda doméstica aumentada impulsionou por vários pacotes de incentivo governamentais. A taxa de utilização de capacidade no setor industrial aumentado a 63 por cento de ligeiramente mais que 50 por cento em 1998. Enquanto isto ainda estava debaixo de níveis normais de 70 a 80 por cento e fabrica era não obstante a máquina de recuperação econômica, com uma taxa de crescimento de ao redor 11.3 por cento em 1999.

Veículo e produção de equipamento de passagem mostraram a taxa mais alta de crescimento. Modelos de veículo novos impulsionaram demanda doméstica, e exportações se expandiram como veículo estrangeiro produtores Tailândia usada como um centro de produção por fabricar regional. Agricultura mostrou crescimento modesto de 0.5 por cento, com produção aumentada de colheitas principais como arroz, borracha, milho, e cassava em parte compensados por um declínio acentuado em preços de fazenda.

Demanda doméstica que tinha contraído o ano prévio nitidamente apanhou, particularmente no segundo e terceiros trimestres de 1999, e rosa para 8.5 por cento durante o ano. Consumo privado cresceu moderadamente e é o resultado em parte de confiança de consumidor ascendente, e ampliando renda de fazenda modestamente. Incentivo governamental mede que incluiu reduzindo a taxa de imposto valor-somada de 10 a 7 por cento e impostos cortantes em produtos de petróleo aumento também ajudado consumo privado.

Turismo continuou crescendo, com o número de turistas que alcançam 8.5 milhões em 1999, um 10.1 aumento de por cento do ano prévio. O private/business setor investimento índice recusou moderadamente em 1999, comparados com um declínio íngreme em 1998.

3.2.17-INFLAÇÃO

Seguindo um ano de inflação relativamente alta de 8.1 por cento em 1998, o nível de preço era notavelmente estável em 1999. Apesar de pressão superior de preços de óleo ascendentes no mercado mundial, foi contida inflação às 0.3 por cento, o mais baixo nível registrou desde que a Tailândia começou compilando o índice mais de 50 anos atrás. A taxa de troca e a maioria artigo estima (aparte de óleo) permaneceu estável, enquanto recuperação de demanda doméstica não gerou pressão superior em preços.

3.2.18-EMPREGO

A crise econômica resultou em desemprego historicamente alto desde mid-1997. A taxa de desemprego antes da crise era ao redor 1.51 por cento. Por 1998, esta figura tinha triplicado quase a 4.37 por cento da força operária total, e underemployment tinham aumentado significativamente. A situação aliviou um pouco em 1999, como a taxa de desemprego recusou ligeiramente a 4.17 por cento. Programas públicos impulsionaram emprego temporário, e o setor de agricultura absorveu um número significante de deitar-fora trabalhadores urbanos que tinham voltado às províncias deles/delas. Além disso, produção e crescimento de emprego permanecem debaixo de crescimento de pre-crise taxa, depois de desabar 1998 nitidamente.

3.2.20 -CONTAS de COMÉRCIO

Enquanto comércio e excessos de conta atuais desabaram 1999 ligeiramente, desempenho de setor externo melhorou não obstante significativamente como salários de exportação em condições de dólar aumentadas por 7.4 por cento. Crescimento de importação estava mais alto nas 17.7 por cento e resulta em um declínio no excesso de comércio de 10.8 por cento de GDP em 1998 a 7.4 por cento em 1999. O excesso de conta atual se caiu de 13.3 por cento de PIB em 1998 a 9.1 por cento em 1999.

Enquanto isso, apesar de inflows aumentado de investimentos diretos estrangeiros, movimentos importantes líquidos registraram um déficit de US$6.1 bilhões e refletem outflows de capital privado grande como bancos comerciais continuou reembolsando as dívidas externas deles/delas, em particular a Facilidade de banco internacional de Bangkok empréstimos perto da praia. (Esta organização, estabelecida em 1993, permite bancos autorizados para operar perto da praia, obtém emprestado no estrangeiro, e empresta aos prestatários domésticos em moedas correntes estrangeiras.)

3.2.21 -DÍVIDA EXTERNA BRUTA

Em 1999 de dezembro, dívida ex

A História do Cinema Brasileiro

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Autoria: Anderson

Cinema Brasileiro

“Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nosso é estrangeiro, pois tudo o que é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar” (Paulo Emílio Sales Gomes in Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento. SP: Paz e Terra, 1996)

Cinema Brasileiro

Após a Bela Época, período áureo do cinema entre 1908 a 1912, o cinema entra em crise, as produções caem num ritmo quase inexistente, dando vazão para as telas serem ocupadas com filmes franceses e americanos. No íncio da década de 20, temos os primeiros sinais de revitalidade, através dos ciclos regionais tomam seu lugar na história. De Pernambuco a Porto Alegre, pessoas e máquinas movidas a manivela constroem uma parte do registro brasileiro, fora do nascente eixo Rio-São Paulo. O mundo conhece diversas movimentos cinematográficos históricos como o futurismo, surrealismo, expressionismo e as vanguardas russas.

Na década de 30, já com o domínio da estética e linguagem cinematográfica, nascem os primeiros clássicos do cinema mudo brasileiro, modalidade já decadente em outras partes do mundo com a inauguração oficial do sistema sonoro em 1927. Com a entrada do som nas salas de cinema, o cinema vira indústria de fato. A era de ouro hollywoodiana é imposta mundialmente, estabelecida através dos modelos de studio system, star system e cinema de diferentes gêneros. Os franceses seguram o realismo poético e os ingleses com sua escola de documentaristas. Nesta mesma década e na seguinte, com o fim dos ciclos regionais nacionais, os cariocas detém praticamente toda a produção nacional com a produção de comédias populares e musical.

O conteúdo deste sofrerá fortes resumos com fontes bibliográficas descrito no final do trabalho. O pouco tempo no qual foi proposto a execução deste não permitiu a profundidade temática merecida.

A retomada da produção nos anos 20

Alguns pontos contemplam a retomada do cinema nacional na década de 20, mais precisamente em 1922, quando um gesto melancólico para as comemorações do centenário da Independência deu origem a trabalhos nacionais em forma de documentários e cinejornais. O lançamento da revista Cinearte conjugou a união entre os jovens realizadores, antes dispersos pelos país. Através desta comunicação, estimulou-se o diálogo e a vinculação de novos contatos e projetos. Aqui é estabelecido um marco para algo que pode ser considerado um movimento do cinema brasileiro, uma verdadeira tomada de consciência cinematográfica.

Os focos de criação surgem em diversos pontos do país: Campinas, Recife, Belo Horizonte, Rio Grande do Sul, Sul de Minas Gerais. Estes ciclos, em sua maioria, foram formados por pequenos artesãos ou jovens técnicos, com espaço para o fervor juvenil e orgulho regional por queimar película em sua terra.

Poderíamos citar muitos nomes de destaque, mas vamos ater a apenas um: Humberto Mauro. Vindo da fase mineira de Cataguases, este cineasta desenvolveu a primeira carreira contínua, coerente e bela que o cinema do Brasil conheceu. Aprimoramento estético e busca de uma linguagem contendo valores nacionais foram os seus principais legados para a história e seus seguidores, dentre eles, Glauber Rocha.

Outro fruto do periódico Cinearte foi a criação da companhia cinematográfica Cinédia, de onde saíram filmes direta ou indiretamente vinculados com a produtora como Lábios sem Beijos e Ganga Bruta de Humberto Mauro e Limite de Mário Peixoto.

Anos 30 e 40 – Crise e hegemonia carioca

Antonio Costa inicia no capítulo “O Cinema sonoro dos anos 30 aos 50” de seu livro: “O aparecimento do cinema sonoro implicou uma verdadeira revolução não só na estética do filme mas principalmente nas técnicas de produção e nos níveis econômicos da indústria cinematográfica.”

Cineastas de peso tiveram as suas dúvidas quanto a novidade revolucionária da época: “É compreensível que os cineastas que tinham feito da ausência da palavra e do som o princípio estrutural da expressão fílmica, tenham resistido a tais inovações: foi o caso de Chaplin, quem não se adaptou à nova técnica mas tentou adaptá-la a suas exigências, entre mil dúvidas e incertezas … Da mesma forma, os cineastas soviéticos preocuparam-se em circunscrever, com o chamado ‘movimento do assincronismo’, as novidades do cinema sonoro, tratando de evitar os perigos de um retrocesso aos modelos do teatro e da literatura. O manifesto, assinado por Eisenstein, Pudovkin e Alexandrov, tentava explicitamente canalizar o uso do som na direção do contraponto, do conflito entre trilha sonora e ótica, visando garantir a primazia da montagem como princípio organizador e estético do filme.”

O triunfo do som nos cinemas foi principal causa da nova crise no cinema nacional. Com poucas chances de competir com os estrangeiros, sem verbas para comprarem equipamentos de captação de som e falta de recursos para a continuidade de produção, paulatinamente extinguem os ciclos regionais e a produção fixa-se exclusivamente em território fluminense, mais precisamente nos estúdios da Cinédia e na Brasil Vita Film, empresa dirigida por Carmen Santos com Humberto Mauro na direção de alguns filmes.

Esta crise entra em paradoxo com a situação política no país. Com a intervenção do Estado na atividade cinematográfica, é vendido o sonho de uma verdadeira indústria que era legitimado pela própria Revolução de 1930, que representa para o país o paradigma do poder agrário para o urbano.

A realidade brasileira neste período foi agitadíssima. Fatos como a Coluna Prestes ou a participação na Segunda Grande Guerra não surtiram efeitos relevantes na produção cinematográfica. Tal comodismo pode ser considerado em parte pela mãos de ferro do Departamento de Imprensa e Propaganda do período varguista. Com a dominação dos jornais cinematográficos, levam a derrocada a maioria das produtoras. Afrânio Catani em seu capítulo “A aventura industrial e o cinema paulista” do livro organizado por Fernão Ramos, conclui que “a propaganda (getulista ou ademarista, governamental ou privada) era a base de sustentação dos nossos filmes naturais.”

A receita de gênero brasileiro que durou quase vinte anos foram a comédia musical e a chanchada, com grande apelo popular e tipicamente nacional, fora dos padrões predominantemente americanos.

Bem no final da década de 40, duas estrelas maiores sobem no panorama nacional com as chanchadas e comédias apolíticas da Atlântida e a Vera Cruz, onde tinha como meta produzir filmes brasileiros com qualidade internacional.

Relato

Por: Anderson M. Cortez

A novidade cinematográfica chegou cedo ao Brasil. Os aparelhos de projeção exibidos ao público europeu e americano no inverno de 1895-1896 começaram a chegar ao Rio de Janeiro em meio deste último ano. No ano seguinte, a novidade foi apresentada inúmeras vezes nos centros de diversão da capital. Em 1898, foram realizadas as primeiras filmagens no Brasil.

Durante os dez primeiros anos, porém, o cinema teve pouca expressão , tanto como atividade comercial de exibição de fitas importadas quanto como fabricação artesanal local. Só em 1907 houve no Rio energia elétrica produzida industrialmente, e então o comércio cinematográfico floresceu, com um quadro técnico, artístico e comercial do nascente cinema, formado quase que exclusivamente por estrangeiros que já tinham alguma experiência na área cinematográfica em seus países de origem. Quanto aos homens que abordaram o cinema como negócio, eles não pertenciam ao mundo comercial estabilizado e rotineiro dominado por portugueses. Eram quase sempre italianos, aventureiros. Esses empresários atuavam, concomitantemente como produtores, importadores e proprietários de salas, situação que condicionou ao cinema brasileiro um harmonioso desenvolvimento, pelo menos durante poucos anos.

1ª fase – 1896-1912

Entre 1908 e 1911, o Rio conheceu a idade do ouro do cinema brasileiro, predominando uma produção em que os filmes reconstituíam os crimes, crapulosos ou passionais, que impressionavam a imaginação popular. Essa idade do ouro não poderia durar, pois sua eclosão coincide com a transformação do cinema artesanal em importante indústria nos países mais adiantados.. Subsistiu, contudo, um debilíssimo cinema brasileiro. De 1912 em diante, durante dez anos, foram produzidos anualmente apenas cerca de seis filmes de enredo, nem todos com tempo de projeção superior a uma hora. Os principais realizadores do período foram Francisco Serrador, Antônio Leal e os irmãos Botelho.

Todas as filmagens brasileiras realizadas até 1907 limitavam-se a assuntos naturais. A ficção cinematográfica, o “filme posado” só apareceu com o surto de 1908 e a primeira fita de ficção realizada no Brasil foi Os estranguladores de Antônio Leal.

2ª fase – 1912 – 1922

Este período é marcado pela primeira grande crise do nosso cinema, com problemas de produção e dificuldades de exibição nas salas de cinema, ocupadas pelos filmes norte-americanos, que vinha predominando no mercado mundial. Nestes anos, o cinema brasileiro foi amparado pela produção de documentários e cine-jornais, que levantavam recursos para a produção de filmes de ficção. São dessa época as chamadas “cavações”, onde por exemplo uma grande indústria contrata um cinegrafista e sua equipe para fazer um documentário institucional sobre a empresa, ou ainda importantes famílias encomendavam o registro de casamentos ou batizados. Entre os filmes desse tempo, destacam-se os calcados em obras célebres da literatura brasileira, principalmente as do período romântico.

3ª fase – 1923-1933

Aproximadamente em 1925, dobra a média de produção anual, e há progresso na qualidade. Além do Rio de Janeiro e de São Paulo, produzem também as capitais de Pernambuco, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais (com o famoso ciclo de Cataguases, de Humberto Mauro e a Phebo Films) . Em torno de 1930, nasceram os clássicos do cinema mudo brasileiro e houve uma incursão válida na vanguarda ou ou menos hermética. Porém, quando o nosso cinema mudo alcança essa relativa plenitude, o filme falado já está vitorioso em toda parte.

Datam destes anos também os primeiros sinais da tomada de consciência cinematográfica nacional, com as revistas e jornais dedicando colunas e matérias ao filme brasileiro, como por exemplo a Cinédia.. Consagram-se nessa época alguns nomes do cinema brasileiro, entre eles Mário Peixoto (O limite), Gilberto Rossi, Edgar Brasil, Humberto Mauro. É nessa época, com os filmes Barro Humano e Brasa Dormida realizados por Humberto Mauro que se demonstrou que o cinema nacional começava a dominar os recursos do cinema narrativo. Os dois expoentes dessa época, realizados pela Cinédia, produtora de Ademar Gonzaga, foram Ganga Bruta de Humberto Mauro e Limite de Mário Peixoto.

4ª fase – 1934 -1949

A história do cinema falado brasileiro abre-se com um longo e penoso reinício. Durante as décadas de 1930 e 1940, a produção se limita praticamente ao Rio de Janeiro, onde se criam estúdios mais ou menos aparelhados. O resultado mais evidente foi a proliferação do gênero da comédia popularesca, vulgar e freqüentemente musical, registrou e exprimiu alguns aspectos e aspirações do panorama humano do Rio de Janeiro através das chanchadas. Os principais estúdios que se mantiveram ativos foram Brasil Vita Filmes ,de Carmem Santos e Cinédia de Ademar Gonzaga.

Essa produção de chanchadas carioca lançou um conjunto de atores como Mesquitinha, Oscarito e Grande Otelo, que foram os principais responsáveis pela aproximação do filme brasileiro com o público. Enquanto a década de 30 foi marcada por uma produção sob a égide da produtora Cinédia, os anos 40 já conta com a hegemonia da Atlântida, buscando desenvolver temas brasileiros

5ª fase – 1950-1966

A década de 1950 marca,em São Paulo, a tentativa de se implantar a indústria cinematográfica, juntamente com a inauguração de um importante movimento teatral, marcado pela fundanção do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e a implementação das artes plásticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). A fundação da Vera Cruz fez parte de um projeto estético-cultural mais amplo, que previa para São Paulo a vitalização da vida cultural, conduzida pela burguesia industrial, buscando uma hegemonia na vida política e cultural do país.

A produção da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de estúdios, com a preocupação de produzir industrialmente seus filmes, que constituíam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lançando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como os de Tônia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliana Lage entre outros. O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem dúvida o qualitativo técnico, pois era bem equipada, contava com uma equipe técnica – maior parte estrangeira – que trazia consigo a experiência de fora, suas produções traduziam a preocupação de ser um cinema sério, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atlântida. No entanto os motivos do fracasso do estúdio são, entre outros, alto custo dos seus filmes, a ausência de uma distribuidora própria – sofrendo dificuldades de escoar seus produtos ao mercado e salas de cinema brasileiras. A sua principal obra comercial, que ganhou Cannes, foi o Cangaceiro, de Lima Barreto, que inaugura o gênero de cangaço.

Paralelamente aos estúdios e em oposição a eles, tanto na sua vertente paulista quanto carioca, surgiu uma geração de realizadores independentes, que asseguraria a continuidade dos filmes de pretensões artísticas. Entre estes, destaca-se a produção de cineastas como Walter Hugo Khouri, que deu seguimento ao cinema de pretensões universalistas da Vera Cruz, realizando dramas psicológicos nos moldes do cinema clássico, e Nelson Pereira dos Santos, que enveredou por um cinema de tom neo-realista, fugindo aos padrões dos estúdios ao filmar Rio 40º e Rio, Zona Norte. Nelson assume papel de destaque no cinema brasileiro, fundando aqui o cinema moderno, aproximando-se da geração de jovens críticos e realizadores, e compondo com eles o Cinema Novo, o mais importante movimento do cinema brasileiro e momento de plena maturidade artística e cultural do nosso cinema.

Os cinco primeiros anos da década de 1960 são dominados, entretanto, pelo fenômeno baiano, que se constitui de um conjunto de filmes realizados na Bahia, produzidos alguns por baianos e outros por sulistas: Bahia de todos os santos e o Pagador de Promessas, destacam-se , o primeiro pelo pioneirismo de sua função, e o segundo pelo equilíbrio de sua fatura. Projeta-se, então, no cinema propriamente baiano, a figura de Glauber Rocha, que em 1961 estreou com Barravento e a seguir realizou esse poderoso Deus e o Diabo na terra do Sol.

É a erupção do chamado Cinema Novo, movimento notadamente carioca que engloba de forma pouco discriminada tudo o que se fez de melhor no moderno cinema brasileiro. Com diretores premiados como Glauber Robcha, Paulo César Sarraceni, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra, Carlos Diegues, Sérgio Ricardo Walter Lima Jr…

Se durante aproximadamente uma década o cinema tardou em entrar para o hábito brasileiro, isso foi devido ao nosso subdesenvolvimento em eletricidade, inclusive na capital federal. Quando a energia foi industrializada no Rio, as salas de exibição proliferaram. Os donos dessas salas comerciavam com o filme estrangeiro, mas logo tiveram a idéia de produzir e assim, durante três ou quatro anos, a partir de 1908, o Rio conheceu um período que se pode considerar a Bela Época do Cinema Brasileiro.

Assim, depois da Bela Época, um outro marco importante no cinema brasileiro são as chanchadas da Atlântida. Com ela, a produção foi ininterrupta durante cerca de vinte anos de filmes musicais e de chanchada, ou a combinação de ambos, se processou desvinculada do gosto do ocupante e contrária ao interesse estrangeiro. O público que garantiu o sucesso dessas fitas encontrava nelas, de forma reinventada e reinterpretada, modelos de espetáculos que possuem parentesco em todo o Ocidente mas que emanam diretamente de um fundo brasileiro constituído e tenaz em sua permanência. A esses valores relativamente estáveis os filmes acrescentavam a contribuição das invenções cariocas efêmeras em matéria de anedota, maneira de dizer, julgar e de se comportar, fluxo contínuo que encontrou na chanchada uma possibilidade de cristalização mais completa do que anteriormente na caricatura ou no teatro de variedades.

É bom lembrar que essas obras, com passagens rigorosamente antológicas, traziam, assim como o seu público, a marca do subdesenvolvimento; contudo o acordo que se estabelecia entre elas e o espectador era um fato cultural mais vivo do que o produzido até então pelo contato entre o brasileiro e o produto cultural norte-americano.

Resumo e Relato dos Jornalistas

Botticelli, Da Vinci e Michelangelo só foram considerados artistas do “Rissorgimento” italiano alguns séculos depois de terem morrido. Mas os cineastas brasileiros já exprimem o sentimento de fazer parte do renascimento do cinema no Brasil. Como se imaginasse um organismo que um dia nasceu, depois cresceu e se reproduziu, a maioria se refere ao nosso cinema como a uma espécie de cadáver embalsamado que retorna à vida durante estes dez últimos anos do milênio. 0 óbito ocorrera, súbito e inapelável, no começo desta década, em conseqüência de uma espécie de execução oficial (governo Collor), logo seguida de uma respiração boca a boca (governo ltamar) igualmente estatal. Historicamente referido, o acontecimento é forçosamente inédito, mas a referida sensação de nascer novamente não énovidade. Em diversas outras ocasiões, o cinema brasileiro pareceu ressuscitar de algum tipo de falecimento. Paschoal Segreto, Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga e Nelson Pereira dos Santos, por exemplo, foram igualmente pioneiros. Em suma, nesta trajetória de pouco mais de cem anos, a consciência de participar de uma forma qualquer de recomeço já se manifestou tantas outras vezes, que fica a impressão de ver o cinema sempre engatinhando no Brasil.

De fato, não há como negar o momento de clivagem que atravessamos, lutando para ultrapassar o zero quase absoluto que caracterizou 1992 e 1993 – anos em que só se lançaram quatro longas metragens no mercado. Em 1994, já voltamos a respirar, subindo para dez títulos lançados – entre eles o emblemático Lamarca, de Sérgio Rezende. E entretanto, a reafirmação só se confirma de 1995 para cá, ultrapassando a marca de 85 lançamentos (cálculo referente ao primeiro semestre de 98). Quantidade ainda tímida, se comparada com o mínimo necessário para a consolidação de uma atividade economica em escala industrial, ou com os índices que a produção nacional alcançava nos anos 70, quando se chegou a cem títulos anuais.

Vivemos, sem dúvida, o início de uma nova etapa: mal voltamos a filmar e, de cara, já disputamos mercado interno e prestígio internacional, exibindo um desempenho bastante razoável para uma atividade econômica e cultural que apenas recomeça. Palmas para Central do Brasil, de Walter Salles, premiado em Berlim, para 0 sertão das memórias, de José Araújo, agraciado no Sundance Festival, e para 0 quatrilho, de Fábio Barreto, e 0 que é isso companheiro, de Bruno Barreto, indicados para o Oscar. Aos aplausos, porém, é oportuno acrescentar a observação de que, enquanto contam histórias e transmitem emoções, todos esses filmes falam do Brasil e da sua gente. Ou seja, o cinema nacional desenvolve o gosto de falar do país e de si mesmo. 0 resto do mundo começa a perceber o fato. Em sua edição de agosto de 1998, a exigente revista Cahiers du Cinèma dedica um artigo ao fenômeno que aqui abordamos, vendo-o igualmente como uma forma de renascença. Através do texto do crítico Renê Sotomayor, ficamos sabendo que a retomada da produção também acontece na Argentina, no Chile, na Colômbia e no México. Além de explicar o funcionamento da Lei do Audiovisual, ele analisa os mais representativos filmes do periodo, cometendo alguns equívocos, como por exemplo em relação a 0 quatrilho.

Para o redator de Cahiers ou Cinema, o filme peca por não exibir “o experimentalismo dos anos 60, nem um principio radical sobre a identidade brasileira. É um filme de reconciliação, que sela um pacto entre a TV e o cinema, entre uma nova geração de cineastas e o público”. Como vemos, ainda há comentaristas que consideram o experimentalismo como sinônimo de excelência. Sucede que a obra de Fábio Barreto vale também por revelar, em sua feitura, uma experiência acumulada desde os tempos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz que, muito antes da TV, já perseguia um padrão de qualidade. É natural que, assim como Sotomayor, certos jornalistas estrangeiros não considerem indicadores de uma ‘identidade brasileira’ um espetáculo tão aparentemente italiano como 0 quatrilho. Se conhecesse melhor este país, o crítico saberia que, além das matrizes portuguesas, africanas e indígenas, ele é também resultado das múltiplas correntes migratórias que o fizeram tão diversificado. Poderia perceber que, entre os seus muitos acertos, o filme de Barretc, mostra exatamente como aqui as raizes culturais européias não se limitam a reproduzir o velho continente, mas podem se transfigurar, apontando para uma civilização original – cujo cinema, aliás, já possui uma história própria, tão rica quanto desigual e conturbada.

Esta última década do século e do milênio marca um ponto de inflexão na trajetória histórica de uma cinematografia que já completou cem anos de existência. Estamos diante, portanto, de uma oportunidade privilegiada para refletir a respeito, uma vez que, no Brasil, as políticas públicas para o cinema – ou a ausência delas – refletem diretamente na dinâmica da produção. Enquanto aqueles que se ocupam de planejar essas políticas se questionam sobre o melhor caminho a seguir, os cineastas vão colocando seus filmes em cartaz, oferecendo suas propostas para integrar este renascimento.

Observando os filmes realizados entre 1994 e 98, cabe perguntar que tipo de cinema brasileiro estaria renascendo? A ‘época dourada’ da Embrafilme, ou Cinema Novo dos anos 60/70? 0 cinema industrial tipicamente paulista, da Vera Cruz e da Maristela nos anos 40/50? 0 cicio do cangaço, ou as chanchadas cariocas da Atlântida e da Cinédia? Cada uma dessas categorias corresponde, é evidente, a uma etapa específica da nossa história. Espelham a economia, as condições sociais e a estética que a marcavam. Ocorre, porém, que muitos dos filmes recentes apontam para este ou aquele parâmetro histórico. Indicam, de certo modo, uma espécie de filiação a uma determinada linhagem à qual pertenceriam. Como se, nesse reinício de vida, boa parte dos realizadores buscassem casos exemplares, ou referências concretas no estoque de experiências passadas, para orientar as suas opções. Mais ou menos como fizeram os artistas do Renascimento, pesquisando os clássicos gregos ou romanos: ao construir uma imagem estruturada acerca de um passado anterior àIdade Média, elaboravam formas e conceitos inteiramente modernos, que apontavam – e ainda apontam – para o futuro da produção cultural.

Essa analogia é ainda mais sugestiva quando se leva em consideração que, apesar das imensas limitações materiais que os realizadores de cinema precisam enfrentar neste país, reina a mais ampla liberdade no setor. Como repara Hector Babenco, “a Lei do Audiovisual e a Lei Rouanet permitiram que pudéssemos voltar a fazer cinema, mas, graças a Deus, ninguém do governo nos determinou que tipo de filme deveríamos fazer”. Para avaliar a importância dessa constatação, basta lembrar da época em que era quase obrigatório enfeitar o elenco com astros e estrelas do rádio para que o filme chamasse a atenção do público. Refiro-me aos anos 50, como poderia também me referir aos anos 80, em que a obrigatoriedade imposta pelo mercado se transferiu para o erotismo. Num momento imediatamente anterior à explosão da oferta de filmes pornográficos através do mercado de vídeo doméstico, fosse comédia ou drama, o filme brasileiro que pretendesse disputar bilheteria precisava necessariamente apresentar um bom número de cenas eróticas.

Nos últimos quatro anos, ao contrário, não se consolidaram nem determinações mercadológicas e nem imposições políticas capazes de influenciar a criação cinematográfica. Colocando de outro modo, cada um fez o filme que conseguiu, ou que escolheu fazer. Por isso mesmo, é no mínimo curioso identificar determinados paradigmas de que alguns realizadores se serviram, nesse período, para trabalhar. Com esse recurso, pode-se delinear um conjunto de tendências, ou no mínimo regularidades de intenções e de procedimentos, passíveis de serem usadas como características inclicativas do período.

Independentemente dos prêmios e dos resultados das bilheterias, esta fase se caracteriza pela extrema diversidade de temas e de estilos. Destaca-se, porém, a tentativa de uma análise desapaixonada e amadurecida da realidade brasileira (ver quadro 1), associada a uma clara proposta de reflexão sobre o sentido da nossa própria cinematografia (quadro 2). Em consonância, portanto, com este que é um dos traços mais firmes e inconfundíveis, talvez até exclusivos, da cultura brasileira: quanto mais contraditório, diferenciado e aberto às múltiplas influências da civilização contemporânea, mais autêntico e nacional o cinema brasileiro se tem mostrado. Pedindo licença a Oswald de Andrade, arrisco-me a supor que talvez nunca tenhamos exercido, com tanta franqueza e apetite, a nossa proverbial vocação para a antropofagia. Em busca de embasamento para esta hipótese, apresento alguns casos concretos de cleglutição da nossa própria experiência cinematográfica.

Quais seriam os pontos de contato entre as comédias do passado e os exemplos recentes do gênero? Tomemos o caso de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati. 0 fato deste último ser um espetáculo de época, com uma produção quase luxuosa, não nos permite identificá-lo com a safra de super-produções históricas que a Embrafilme do regime militar estimulava nos anos 70. Associando irreverência e bom humor, Camurati nos oferece uma versão do passado brasileiro que contraria as interpretações tradicionais e costumeiras. Conquistando, também por isso, a entusiasmada adesão das platéias, geralmente sedentas de piadas que nos permitam achar graça da nossa própria existência. Mais ou menos como ocorria nos anos 40 e 50, com o saudoso ‘teatro de revista’. Quase um milhão de espectadores representa uma proeza individual da cineasta e uma conquista coletiva para o cinema brasileiro que, em 1995, através desse filme, se reencontrou com o grande público do qual se achava divorciado.

Como eixo principal a unir essas duas pontas da história, salientamse discursos humorísticos montados sobre um projeto de divertimento francamente popular. Quando bem-sucedido, aliás, esse é o único tipo de projeto que, infalivelmente, propicia longas filas nas portas dos cinemas. De fato, Pequeno dicionário amoroso, de Sandra Werneck, atraiu cerca de 400 mil, Tieta do Agreste, de Carlos Diégues, foi visto por 500 mil e Carlota Joaquina já se aproxima de um milhão de espectadores. Ainda assim, não podemos afirmar que a tendência dominante do período seja a comédia, de modo geral. Até porque o género representa apenas 12 % do total de filmes produzidos (ver quadro 3). Por outro lado, uma única comédia atraiu quase 60% de todos os espectadores que pagaram para assistir filmes brasileiros em 1998.
Com quase dois milhões de espectadores, o mais recente campeão de bilheteria é 0 noviço rebelde, de Tizuka Yamasaki – herdeiro indiscutível da tradição da chanchada, que predominou nas décadas de 1930, 40 e 50.
As comédias musicais reunidas sob o rótulo de ‘chanchadas’ se constituíam numa modalidade muito peculiar de produto cinematográfico. Desde Alô, alô, Carnaval, de Adhemar Gonzaga, em 1936, elas se mantiveram atreladas de maneira ancilar ao rádio e à indústria fonográfica, porque seu sucesso dependia dos cantores e cantoras famosas que pudessem incluir no elenco. Não fosse a todo-poderosa ‘Rádio Nacional’ uma empresa pública, aqueles filmes poderiam ser classificados como rebentos diretos e puros do mercado. Sem qualquer apoio do governo e fabricados com capital próprio das empresas produtoras, estreavam sempre às vésperas do Carnaval, ou em torno das festas juninas, para promover a vendagem dos discos do mês. Não havia a menor possibilidade de ‘mestiçagem’ com o Estado, porque, entre 1933 e 1966, o único órgão estatal de apoio ao cinema era o Instituto Nacional de Cinema Educativo, que só apoiava filmes pedagógicos.

Além de uma surrada comicidade, que se limita a diluir e minimizar o que o grupo Os Trapalhões repetiram em décadas de televisão, 0 noviço rebelde tem como principal atrativo os números musicais e a presença cênica da dupla de adolescentes Sandy e Júnior, sulperastros da música popular, especializados em canções românticas e infantis. Filhos de um dos integrantes da dupla Chitãozinho e Xororó, esses jovens têm vendido mais discos que o próprio Roberto Carlos. A garota Sandy, aliás, exerce agora um estrelato equivalente ao que Vanderléa ou Celi Campello desfrutaram na época da ‘jovem guarda’. Escrito, produzido e protagonizado por Renato Aragão, 0 Noviço Rebelde recorre a Sandy e Júnior assim como as chanchadas recorriam a Ângela Maria e Cauby Peixoto.

Pode-se até dizer que Tieta, Carlota Joaquina e Pequeno Dicionário tambem se apóiam em artistas conhecidos da televisão e que, além disso, Pequeno Dicionário Amoroso utiliza uma linguagem de humorismo atualmente em voga na TV – melhor dizendo na Rede Globo (Comédia da vida privada, A vida ao vivo, etc.), que corresponde ao que a Rádio Nacional representava antes dos anos 60. A comicidade de Diégues, Camurati e Werneck, no entanto, é montada em dramaturgia e não nas piadas de ‘pastelão’ e nas palhaçadas meramente visuais que caracterizavam a maioria das chanchadas e os filmes de Aragão. Destaco esse fato para me remeter ao final da década de 1940, quando do berço sofisticado do Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, brotou a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Naquele instante estabeleceu-se no cinema brasileiro uma dicotomia equivalente à que separa o popular e o erudito, na história da arte deste século.

Apoiada por uma elite de intelectuais e financistas que desprezavam as chanchadas e, por extensão, todo o cinema brasileiro, a nova empresa produtora se colocava numa posição diametralmente oposta aos filmes de grande público, associando-os a noções de ‘vulgaridade’ e ‘baixo nivel cultural’. Igualmente criado por intelectuais, ainda que de tipo diferente, o Cinema Novo também renegava a comédia carnavalesca e circense, quando se iniciou no fim da década de 1950. Adjetivos como ‘alienante’ ou ‘colonizado’ serviam para designar as produções de grande público. Agora, em plena renascença, o popular responde ao erudito, com cerca de dois milhões de espectadores consagrando 0 noviço rebelde como o filme comercialmente mais bem-sucedido no momento. Sucessor de Oscarito e Mazzarolpi, Aragão já fez 140 milhões de espectadores em seus outros 38 longas realizados entre 1965 e 1991. Em matéria de renda, 0 noviço rebelde só perdeu para Titanic, Independence day e 0 Mundo Perdido.

Alguém dirá que esse vitorioso filme representa a superação dialética entre o erudito e o popular, uma vez que é dirigido por Tizulka Yamazaki, cineasta prestigiada pela crítica e premiada por obras sérias como Gaijin – os caminhos da liberdade.

Em 1991, aliás, ela foi bastante combatida por ter dirigido Lua de Cristal para Xuxa Meneghel. Profissional habilidosa, em 0 Noviço Rebelde, ela se encarrega de providenciar urna imagem limpa e uma montagem que chega a impressionar pela eficiência. Tanto que, em algumas passagens, especialmente musicais, consegue-se esquecer das lamentáveis gracinhas escatológicas que pontuam o roteiro. Críticos como Sérgio Augusto consideram essa linha humorística de gênero ‘pastelão’ uma forma de ‘subchanchada’. Outros, como Ortiz Ramos e Fatimarlei Lunardelli saem em defesa de Aragão, detectando em seus filmes ‘estilo próprio’ e descobrindo, na figura do ‘palhaço inteligente’, valores culturais calcados na tradição cômica autênticamente brasileira. Esse juizo talvez valha para algum de seus 38 filmes anteriores. Mas em 0 Noviço Rebelde, ele se contenta em oferecer um melancólico pastiche de seu próprio trabalho anterior.

De qualquer maneira, essa comparação entre os dois momentos históricos sugere uma reflexão. Até os anos 60, o cinema comercial não mereceu cuidados por parte dos govemantes, provavelmente porque aparentava não necessitar de qualquer política estatal, uma vez que já possuía um grande público e parecia caminhar com as próprias pernas. Nos dias de hoje talvez se possa evitar erros desse tipo e não deixar de lado a questão do público, nas políticas a serem adotadas nesta nova etapa que se abre. Especialmente o público infantil, que é mais numeroso e representa o futuro das platéias e da nação. 0 noviço rebelde, sem dúvida, só conseguiu uma bilheteria tão vasta porque conta com o interesse das crianças, junto a quem a televisão divulga intensivamente tanto os shows de Sandy e Júnior quanto o indefectível programa dos Trapalhões.

Nesse sentido, deve-se comemorar o bom desempenho do encantador Menino maluquinho, de Helvécio Ratton, que mesmo sem dispor do apoio publicitário da TV, foi assistido por mais de 331 mil espectadores. Simples e comovente, a história de Ziraldo inaugura uma linha de espetáculos infantis destinados a agradar, sem que seja preciso pedir socorro aos astros do disco e da TV, nem abusar da escatologia e do “pastelão”. Além de Patrícia Pillar – que, curiosamente, também está em 0 Noviço Rebelde – o elenco de Menino Maluquinho não tem gente famosa da TV. Seu ponto forte é o roteiro, que consegue entremear a alegria das brincadeiras infantis com a dureza da realidade. Pode ser resumido como um apanhado da vidinha inconseqüente de um garoto mineiro dos anos 60 que, aos nove anos, enfrenta a separação dos pais e a morte do avô. Se cada criança que leu o livro de Ziraldo resolver assistir o filme, Menino Maluquinho poderá alcançar um dia a marca de três milhões de espectadores.

Mudando o foco da comparação histórica, deparamos com A guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, A ostra e o vento, de Walter Lima Jr, e Anahy de las Missiones, de Sérgio Silva. Num certo sentido, lembram a solenidade formal e o apuro técnico dos grandes espetáculos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, fundada pelo empresário Franco Zampari. Apenas lembram, porque trabalham com emoções muito mais densas do que aquelas que afloravam do cinema paulista da década de 1950. Ainda que sonhasse secretamente com a exportação de seus produtos, Zampari não produzia para o público brasileiro como um todo. Até porque, naquela década, o mercado cinematográfico nacional apresentava um perfil diferente do atual: o alvo era a burguesia urbana bem comportada das grandes cidades, que costumava freqüentar teatro e que ainda não dispunha da TV para obter uma diversão mais barata e amena.

A guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, ao contrário, nasceu com o compromisso de tentar a comunicação com os diversos setores do público atual. Belíssimo espetáculo, inteligente, didático e dramaticamente empolgante, foi transformado em minissérie, para ser exibido com destaque na televisão – onde precisou disputar audiência com o futebol e com as novelas. Talvez seja o mais competente de todos os filmes históricos feitos nesta safra e o que melhor abordou o tema até hoje. Com ele, Rezende superou os entraves narrativos que prejudicaram Lamarca, quando se mostrou emocionalmente paralisado diante do assunto que abordava. Para contar minuciosamente a história do guerrilheiro morto em 1971, em lugar da dramaturgia clássica e funcional de Canudos, ele inundara o roteiro de flash-backs que pesavam como chumbo, emperrando a narrativa. A propósito, o filme político mais interessante do período é 0 que é isso companheiro? De Bruno Barreto. Porque, além de não se perder em proselitismo, demagogia e vãs teorizações, nos presenteia com um thriller capaz de espantar o sono do mais preguiçoso dos espectadores. Com ele e com 0 quatrilho, a clã dos Barreto conseguiu fincar no pantanoso terreno deste período a bandeira do cinema industrial, desfraldada nos anos 50, pelos empresários paulistas.

Figuras da história paulistana como as de Zampari, da Vera Cruz, Anthony Assunção, da Multifilmes e Mário Audrá, da Maristela, justificam ainda mais a designação de ‘renascimento’ atribuída à retomada da produção que se verifica atualmente. Quinze séculos depois da morte, aquele nobre romano que protegia as artes e que se chamava Mecenas foi o inspirador de uma elite européia engajada em renovar a cultura. Do mesmo modo, Zampari, Assunção e Audrá não imaginavam que as suas experiências de investimento em cinema – tidas, aliás, como fracassadas por alguns observadores apressados – seriam incorporadas aos mecanismos legais responsáveis pela renascença desta segunda metade dos anos 90. Eram capitalistas que, provavelmente, perceberam no cinema uma possibilidade de obter produtos de elevada rentabilidade a partir de investimentos bem mais modestos do que os exigidos pela maioria das indústrias da época.
Gente daquele tipo não existe mais e nem as condições econômicas que possibilitaram seus empreendimentos cinematográficos, realizados sem qualquer apoio estatal, enfrentando a má vontade dos governantes e a descrença dos jornais. Mais grave ainda: com o crescimento da população e do mercado, hoje seriam necessários centenas de Zamparis e Audrás para repetir, no presente, o cicio industrial que eles protagonizaram. De certa maneira, é o que pretendem a Lei do Audiovisual e a Lei de Incentivo Fiscal à Cultura. Elas desenvolveram mecanismos de incentivo fiscal e de investimentos especiais, para instituir o mecenato, que tem permitido a realização de mais ou menos duas dúzias de filmes a cada ano.

Voltando ao texto da Cahiers du Cinèma, para o comentarista Sotomayor, o que melhor simboliza esse renascimento é o retorno do sertão como cenário. Apesar de chileno, ele padece desse deslumbramento europeu pelo Brasil rural e arcaico. Acredita que “a terra seca do Nordeste brasileiro é a mais fecunda em mitos reaparecidos recentemente na paisagem fílmica brasileira”. Fora a temática, nem Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariri, nem 0 baile perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, apresentam qualquer ligação estilística com os épicos de cangaço produzidos nos anos 60. Muito poucos iam além de reproduzir, na paisagem nordestina, os esquemas habituais do western hollywoodiano. Corisco e Dada é um ‘docudrama’ empenhado em desvendar a função da mulher entre os bandidos rurais do Nordeste. Já 0 baile perfumado pode ser definido como o ousado making-off de um documentário célebre: o registro verdadeiro do bando de Lampião pelo fotógrafo libanês Benjamim Abrahão. Mesmo questionável, entretanto, a afirmação de Sotomayor pode conduzir a uma reflexão histórica de certa utilidade.

Entre o fim das grandes empresas paulistas e a fundação da Embrafilme foram feitos quase trinta filmes de cangaço. Tudo começou em 1953 com 0 cangaceiro, de Lima Barreto, produzido na Vera Cruz – o primeiro filme brasileiro a fazer sucesso internacional. Uma obra tão marcante que foi refilmada, em 97, por Anibal Massaini. Mesmo após o fim da Vera Cruz, 1 . à nos anos 60, os filmes sobre cangaceiros se multiplicavam. Em que pesem as diferenças de qualidade que apresentavam entre si, todos vinham embebidos das memórias difusas de um Brasil arcaico e sertanejo. De modo esquemático, na época, a produção brasileira se achava polarizada em dois blocos: as empresas que se movimentavam no espaço deixado pelas grandes produtoras falidas e os inovadores do Cinema Novo, que propunham um ‘cinema de autor’, ou seja, liderado por realizadores que, além de escrever e dirigir, produziam os próprios filmes.

Apesar de contarem com parcelas diferentes do público, os dois blocos competiam vigorosamente no campo da qualidade. Caso típico foi 0 Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, produzido em 1962 por Oswaldo Massaini, o primeiro filme brasileiro a receber a Palma de Ouro do Festival de Cannes. 0 espetáculo parecia ter a alma de um filme do Cinema Novo, no corpo de uma obra construída nos moldes clássicos da Vera Cruz. Dois anos mais tarde, Glauber Rocha se interessou pelo tema do cangaceiro e realizou Deus e o Diabo na terra do Sol, um dos pilares do movimento. A partir daí, a caatinga nordestina, peixeiras afiadas e gibões de couro invadiram as telas, com alguns resultados excelentes dentro e fora do Cinema Novo. Com esse relato, queremos ressaltar a importância da competição na produção cultural.

A adrenalina que vem da ação competitiva é, sem dúvida, responsável pelo interesse despertado pelos filmes que recentemente disputaram festivais internacionais. 0 Ministério da Cultura tem consciência de que é preciso fortalecer o nosso sistema de estrelas e, para esse fim, tem aproveitado a oportunidade das comemorações anuais do Dia da Cultura, sempre no começo de novembro. Em 1997, o produtor Luís Carlos Barreto, de 0 quatrilho e 0 que é isso companheiro, foi condecorado pelo presidente Fernando Henrique com a medalha da Ordem do Mérito Cultural. Os veteranos Hector Balbenco, Ruy Guerra e Nelson Pereira dos Santos, além da iniciante Tata Amaral foram agraciados com o polpudo Prêmio Ministério da Cultura, criado em 1995 em homenagem à memória do cineasta Humberto Mauro.

Para brincar com as ilações históricas insinuadas na abertura deste texto, que especulava em torno da idéia de renascimento, imaginemos uma premiação para o cinema brasileiro que tivesse os artistas da Renascença como patronos. Quem mereceria ser indicado para o prêmio Shakespeare pela melhor dramaturgia? 0 que é isso companheiro, Quem matou Pixote, de José Joffilly e Sertão das memórias, de José Araújo, que se baseiam em personagens reais da vida nacional? Ou Como nascem os anjos, de Murilo Salles, Os matadores, de Beto Brant e Boieiros, de Ugo Giorgetti, que, através da ficção, se aprofundam na discussão de questões profundamente brasileiras? Para quem iria o prêmio Bocaccio para a melhor comédia de costumes? Para Pequeno dicionário amoroso, ou para Como ser solteiro no Rio de Janeiro, de Rosane Svartman?

0 favorito para o prêmio Camões talvez seja Central do Brasil. Afinal, a obra de Salles Jr. apresenta – por meio de uma linguagem poética a um só tempo racional e emocionante – a odisséia de uma gente brasileira que sobrevive muito além do que prometia a força humana. Mas não resta a menor dúvida que o ganhador de um prêmio Cervantes seria Policarpo Quaresma, o herói do Brasil, de Paulo Thiago. Há momentos em que a aparência do personagem criado pelo escritor Lima Barreto lembra a triste figura de Quixote, tal como nos acostumamos a conhecer, através das ilustrações de Gustave Doré. Mesmo assemelhados na temeridade visionária e na tendência para fracassar, entretanto, os personagens trilham caminhos opostos.

Enquanto Dom Quixote resistia às mudanças, sobrepondo a elas os seus delírios de nobreza, Quaresma aplaude os novos tempos, idolatrando os líderes emergentes e transformando em mitos algumas das suas alternativas ideológicas. 0 Senhor da Mancha transfigurava o mundo em que vivia para suportar o contato com ele, mas Policarpo Quaresma se integra de tal maneira à realidade, que termina por se afastar do que ela tem de essencial, perdendo a possibilidade de nela interferir. Assim, é um adesista feroz que acaba sacrificado pelo próprio esquema político que venera. Bem intencionado, provoca a destruição daqueles que procura ajudar, como os mendigos a quem entrega uma parte de suas terras. Por tudo isso, o personagem pode funcionar como metáfora de um cinema engajado que, de tanto se preocupar com o povo, acabou perdendo a comunicação com aquela entidade a serviço de quem se colocara.

Um palpite para os futuros professores de história do cinema, que tentarem esquematizar o período que abordamos neste texto: para que os alunos o memorizem com facilidade, bastará enfatizar que ele se inicia com Lamarca e se encerra com Policarpo Quaresma, o herói do Brasil – figuras tão diametralmente opostas e, ao mesmo tempo, tão paralelas, em sua semelhança com os quixotescos heróis da Renascença e deste povo brasileiro, por vezes romântico, rebelde e sertanejo. Colocadas assim, lado a lado, essas duas figuras nos sugerem uma conclusão: neste período, através do cinema, todos nós, artistas, empresas e governantes, conseguimos acertar um pouco o passo. E esse passo se mostrou, sem dúvida, digno de herói.

Premiações

Dia 23 de março de 1998 poderá ficar marcado como o dia em que o Brasil finalmente ganhou o Oscar. Como se sabe, o filme O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto está concorrendo na categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, categoria esta, mais conhecida como Melhor Filme Estrangeiro. É a terceira vez que o Brasil concorre, depois de O pagador de promessas, em 1962 e O quatrilho, em 1995.

O que é isso, companheiro?, que teve uma recepção bastante tumultuada no Brasil e assistido por cerca de 270 mil pessoas, nos Estados Unidos, ao contrário, está tendo uma acolhida muito positiva desde que entrou em cartaz em janeiro, em nove cidades. Até a primeira semana de março, o filme que ali foi rebatizado de Four days in september, já havia rendido US$ 380 mil e a indicação para o Oscar. Confira, a seguir, as participações (diretas e indiretas) do Brasil na festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

1944 – Indicação de Melhor Canção para “Rio de Janeiro”, autoria de Ary Barroso e Ned Washington, do filme Brazil. Ganhou “Swinging on a star”, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme O bom pastor (Going my way).

1959 – Orfeu do carnaval (Orfeu negro), de Marcel Camus, representando a França, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme foi inteiramente filmado no Rio de Janeiro, baseado ne peça de Vinicius de Moraes, com atores brasileiros, falado em português, mas com produção francesa.

1962 – Indicação de O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, para Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou o francês Sempre aos domingos (Les dimanches de Ville-D’Avray), de Serge Bourguignon. Os outros indicados foram o grego Electra, de Michael Cacoyannis, o italiano Quatro dias em Nápoles e o mexicano Tlayucan.

1978 – Indicação da co-produção franco-brasileira Raoni, de Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha, para Melhor Documentário Longo. Quem concorre nesta categoria é o produtor. No caso de Raoni, concorreram os produtores Jean-Pierre Dutilleux, Michel Gast e Barry Williams. Ganhou Scared straight!, produção de Arnold Shapiro.

1981 – Indicação de El Salvador: another Vietnam, dirigido e produzido pela brasileira Tetê Vasconcellos, para Melhor Documentário Longo. Ganhou Genocide, produção de Rabbi Marvin Hier e Arnold Schwartzman.

1985 – A co-produção entre Brasil e Estados Unidos, O beijo da Mulher Aranha, ganhou quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Direção para Hector Babenco, Melhor Roteiro Adaptado, de Leonard Schrader, baseado na novela de Manuel Puig e Melhor Ator para William Hurt, que saiu vencedor. O melhor filme foi Entre dois amores (Out of Africa), de Sidney Pollack.

1995 – Indicação de O quatrilho, de Fábio Barreto, para Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou o holandês A excêntrica família de Antônia, de Marleen Gorris. Os outros indicados foram o sueco Todas as coisas são belas, de Bo Wideberg, o argelino Dust of life e o italiano O homem das estrelas, de Giuseppe Tornatore.

1997 – Indicação de O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto, para Melhor Filme Estrangeiro. Concorrem também o holandês Personagem (Karakter), de Mike van Diem, o alemão Além do silêncio (Jenseits der Stille), de Caroline Link, o russo O ladrão (Vor), de Pavel Chukhrai e o espanhol Segredos do coração (Secretos del corazón), de Montxo Armendariz.

Dia 23 de março de 1998 poderá ficar marcado como o dia em que o Brasil finalmente ganhou o Oscar. Como se sabe, o filme O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto está concorrendo na categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, categoria esta, mais conhecida como Melhor Filme Estrangeiro. É a terceira vez que o Brasil concorre, depois de O pagador de promessas, em 1962 e O quatrilho, em 1995.

O que é isso, companheiro?, que teve uma recepção bastante tumultuada no Brasil e assistido por cerca de 270 mil pessoas, nos Estados Unidos, ao contrário, está tendo uma acolhida muito positiva desde que entrou em cartaz em janeiro, em nove cidades. Até a primeira semana de março, o filme que ali foi rebatizado de Four days in september, já havia rendido US$ 380 mil e a indicação para o Oscar. Confira, a seguir, as participações (diretas e indiretas) do Brasil na festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

1944 – Indicação de Melhor Canção para “Rio de Janeiro”, autoria de Ary Barroso e Ned Washington, do filme Brazil. Ganhou “Swinging on a star”, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme O bom pastor (Going my way).

1959 – Orfeu do carnaval (Orfeu negro), de Marcel Camus, representando a França, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme foi inteiramente filmado no Rio de Janeiro, baseado ne peça de Vinicius de Moraes, com atores brasileiros, falado em português, mas com produção francesa.

1962 – Indicação de O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, para Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou o francês Sempre aos domingos (Les dimanches de Ville-D’Avray), de Serge Bourguignon. Os outros indicados foram o grego Electra, de Michael Cacoyannis, o italiano Quatro dias em Nápoles e o mexicano Tlayucan.

1978 – Indicação da co-produção franco-brasileira Raoni, de Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha, para Melhor Documentário Longo. Quem concorre nesta categoria é o produtor. No caso de Raoni, concorreram os produtores Jean-Pierre Dutilleux, Michel Gast e Barry Williams. Ganhou Scared straight!, produção de Arnold Shapiro.

1981 – Indicação de El Salvador: another Vietnam, dirigido e produzido pela brasileira Tetê Vasconcellos, para Melhor Documentário Longo. Ganhou Genocide, produção de Rabbi Marvin Hier e Arnold Schwartzman.

1985 – A co-produção entre Brasil e Estados Unidos, O beijo da Mulher Aranha, ganhou quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Direção para Hector Babenco, Melhor Roteiro Adaptado, de Leonard Schrader, baseado na novela de Manuel Puig e Melhor Ator para William Hurt, que saiu vencedor. O melhor filme foi Entre dois amores (Out of Africa), de Sidney Pollack.

1995 – Indicação de O quatrilho, de Fábio Barreto, para Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou o holandês A excêntrica família de Antônia, de Marleen Gorris. Os outros indicados foram o sueco Todas as coisas são belas, de Bo Wideberg, o argelino Dust of life e o italiano O homem das estrelas, de Giuseppe Tornatore.

1997 – Indicação de O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto, para Melhor Filme Estrangeiro. Concorrem também o holandês Personagem (Karakter), de Mike van Diem, o alemão Além do silêncio (Jenseits der Stille), de Caroline Link, o russo O ladrão (Vor), de Pavel Chukhrai e o espanhol Segredos do coração (Secretos del corazón), de Montxo Armendariz.

Dupla vitória para o Brasil no Festival Internacional de Cinema de Berlim

Depois de uma coleção de Ursos de Prata, o cinema brasileiro ganhou o Urso de Ouro, o prêmio máximo do Festival Internacional de Berlim, com Central do Brasil, de Walter Salles. O filme deu ainda o Urso de Prata de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. É a terceira vez que uma atriz brasileira ganha este prêmio. Confira, a seguir, as distinções berlinenses para o cinema brasileiro.

1964 – Urso de Prata para Os fuzis, de Ruy Guerra

1969 – Urso de Prata para Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr.

1973 – Urso de Prata para Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor

1978 – Urso de Prata para A queda, de Ruy Guerra e Nelson Xavier

1986 – Urso de Prata de Melhor Atriz para Marcélia Cartaxo, por A hora da estrela

1987 – Urso de Prata de Melhor Atriz para Ana Beatriz Nogueira, por Vera

1990 – Urso de Prata para Ilha das Flores, de Jorge Furtado

1998 – Urso de Prata de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro, por Central do Brasil

1998 – Urso de Ouro para Central do Brasil, de Walter Salles

Bibliografia

BARRO, Máximo. O Cinema aprende a falar. São Paulo, Centro Cultural de São Paulo, 1997.

COSTA, Antonio. Compreender o Cinema. São Paulo, Editora Globo, 1989.

GOMES, Paulo Emílio Sales. Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento. São Paulo, Paz e Terra, 1996.

RAMOS, Fernão (organizador). História do Cinema Brasileiro. São Paulo, Art Editora, 1987.