Arte na Educação Escolar

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Autor: marianne a souza

O seguinte texto fala sobre o ensino e aprendizagem de arte visando contribuir para que o educador possa organizar, na escola, um trabalho com fundamentação teórica e metodológica.

Educação através da arte é um movimento educativo e cultural que busca a constituição de um ser humano completo dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático. Ela valoriza no ser humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos.

Educação artística é uma tentativa de melhorar a Arte na educação escolar. Incorpora atividades artísticas com ênfase no processo expressivo criativo dos alunos. Devido a essas características passou a compor um currículo que propunha valorização da tecnicidade e profissionalização em detrimento da cultura humanística. Porém, na pratica, essa educação vem sendo praticada de forma incompleta, esquecendo ou desconhecendo que o processo de aprendizagem e desenvolvimento do educando envolve múltiplos aspectos. Nas escolas de 1º e 2º graus fica evidente a desinformação dos professores que são preparados em cursos de reduzida duração, em detrimento de uma formação aprofundada em arte e no trabalho pedagógico na área.

O seguinte texto inicia uma reflexão partindo do pressuposto de que o professor necessita conhecer as tendências que influenciaram o ensino e a aprendizagem da arte ao longo da história para poder entender a situação da arte-educação no contexto atual e refletir sobre sua atuação pedagógica com o objetivo de melhorá-la.

Dominar os conhecimentos históricos relacionados com a arte-educação é de fundamental importância como subsídio para uma ação transformadora no ensino e na aprendizagem da arte na atualidade. A busca de propostas contemporâneas para tratar das questões do ensino-aprendizagem, nas instituições de ensino formal, vem sendo uma das principais preocupações dos educadores de arte brasileiros nas duas últimas décadas. Ao analisar as tendências pedagógicas que influenciaram e continuam influenciando o ensino-aprendizagem da arte, teremos condições de escolher qual a prática educativa mais adequada como caminho a seguir neste novo milênio.

Tendências pedagógicas

Atualmente, percebe-se nas escolas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio, bem como no Ensino Superior, a influência persistente das tendências tradicionais – escolanovista e tecnicista – permeando a ação dos professores no ensino-aprendizagem de arte. Tantas décadas se passaram e elas permanecem fortes em muitos estabelecimentos de ensino, norteando a prática de grande parte dos professores. Como vemos as instituições não mudaram muito, principalmente para aqueles professores de arte que não tiveram a oportunidade de conhecer e estudar as correntes pedagógicas.

Não é difícil encontrar professores de arte, tanto da rede oficial como da particular, totalmente alienados de seu contexto histórico e social. Conseqüentemente, são mais resistentes a inovações no ensino e na aprendizagem da arte, principalmente no que se refere às metodologias contemporâneas. Outros professores até conhecem, mas não se preocupam em relacionar esses conhecimentos com sua prática pedagógica, revertendo para a sala de aula um ensino-aprendizagem de qualidade discutível.

Classificação:

Pedagogia liberal: tradicional, renovadora progressista, renovadora não-diretiva, tecnicista
Pedagogia progressista: libertadora, libertária, crítico-social dos conteúdos
A pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois, embora difundida a idéia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.

A pedagogia liberal

Na sua visão, a educação começa pelo desenvolvimento das sensações e dos pensamentos, da valorização da espontaneidade e das experiências. Logo, a educação das crianças fica por conta do “desenvolvimento natural”.

A pedagogia liberal tradicional

A tendência tradicional é marcada pela concepção do homem em sua essência. Sua finalidade de vida é dar expressão à sua própria natureza. A pedagogia tradicional preocupa-se com a universalização do conhecimento. O treino intensivo, a repetição e a memorização são as formas pelas quais o professor, elemento principal desse processo, transmite o acervo de informações aos seus alunos. Estes são agentes passivos aos quais não é permitida nenhuma forma de manifestação. Os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas da vivência dos alunos e de sua realidade social.

O professor é detentor do saber e deve avaliar o seu aluno através de provas escritas, orais, exercícios e trabalhos de casa. Esse tipo de avaliação geralmente vem regado de um esforço negativo, com ameaças, punições e até mesmo redução de notas em função do comportamento do aluno durante as aulas.

Na questão do ensino e da aprendizagem da arte, esta continua restringindo-se à cópia e à repetição de modelos propostos pelo professor, com o objetivo de desenvolver a coordenação motora e a percepção visual do aluno, que se exercita ao copiar fielmente, o mais completo possível, do modelo original. Essa concepção está presente na maioria dos cursos de arte espalhados pelo país.

Na concepção renovada progressista, cabe à escola adequar as necessidades do indivíduo ao meio social em que está inserido, tornando-se mais próxima da vida. Já a concepção renovada não-diretiva relega à escola o papel de formar atitudes e, para isso, esta deve estar mais preocupada com os aspectos psicológicos do que com os aspectos pedagógicos ou sociais.

A pedagogia renovada é conhecida também como Pedagogia Nova, Escolanovismo ou ainda Escola Nova. A necessidade de democratizar a sociedade fez com que o movimento da Escola Nova acontecesse paralelamente à pedagogia tradicional, buscando reformas educacionais urgentes, emergindo da própria população a necessidade de uma consciência nacional.

A Escola Nova tem seus objetivos concentrados no aluno. Os educadores que adotam essa concepção acreditam em uma sociedade mais justa e igualitária, na qual caberia à educação adaptar os estudantes ao seu ambiente social. No tocante às teorias e práticas estéticas, a pedagogia escolanovista rompe com as “cópias de modelos”, e parte para a criatividade e a livre-expressão. A estética moderna privilegia a inspiração e a sensibilidade, acentuando o respeito à individualidade do aluno.

Se por um lado esses aspectos foram importantes para o rompimento com os padrões estéticos e metodológicos tradicionais, por outro, criou-se uma postura não-diretiva, onde tudo em arte era permitido em nome da livre-expressão. A preocupação em Artes Visuais passa a ser com o “desenho livre” e o conhecimento é deixado de lado, caindo na espontaneidade. Seu objetivo principal é o desenvolvimento da criatividade. Porém, na tentativa exagerada de busca da criatividade do aluno, muitos professores desviam-se da real proposta da Escola Nova.

Essa pedagogia apresenta-se mais democrática que a tradicional, baseada na crença de que a relação entre as pessoas pode ser mais justa e sem divisão em classes sociais. Assim como a pedagogia tradicional, ela também está presente em nossos dias influenciando as aulas de arte.

A pedagogia liberal tecnicista

A Pedagogia Liberal Tecnicista aparece nos Estados Unidos na segunda metade do século XX e é introduzida no Brasil entre 1960 e 1970. Nessa concepção, o homem é considerado um produto do meio. É uma conseqüência das forças existentes em seu ambiente. A consciência do homem é formada nas relações acidentais que ele estabelece com o meio ou controlada cientificamente através da educação.

A prática escolar nessa pedagogia tem como função especial adequar o sistema educacional com a proposta econômica e política do regime militar, preparando, dessa forma, mão-de-obra para ser aproveitada pelo mercado de trabalho. No que diz respeito ao ensino-aprendizagem da arte na tendência tecnicista, pode-se mencionar a ausência de fundamentos teóricos em detrimento do “saber construir” e “saber exprimir-se”. Nessa fase, percebe-se grande ênfase no uso de materiais alternativos, conhecidos na maioria das escolas como sucata e lixo limpo. O professor de arte busca socorro para suas dúvidas nos livros didáticos que estão no mercado para serem consumidos desde o final dos anos 70.

Não se pode esquecer que é no início dessa década que a disciplina de Educação Artística torna-se obrigatória, a partir da Lei de Diretrizes e Bases 5692/71, que centra o ensino da arte em técnicas e habilidades. A fragmentação no ensino da arte se dá em virtude do caráter tecnicista da lei.

A tendência tecnicista firma-se nos anos 70, alicerçada no princípio da otimização: racionalidade, eficiência e produtividade. Com sua organização racional e mecânica, visava corresponder aos interesses da sociedade industrial. A semelhança com o processo industrial não ocorre por acaso, pois tal proposição atinge seu apogeu nos anos 70, período de forte presença do autoritarismo do Estado e do regime militar. É nesse período que o espírito crítico e reflexivo é banido das escolas.

Encerrando esta reflexão relacionada com as pedagogias liberais, pode-se afirmar que todas essas pedagogias sobrevivem ainda hoje no sistema de ensino em nível de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior. Conseqüentemente, os profissionais que atuam hoje no mercado de trabalho têm aí as bases de sua formação. Sendo assim, o ensino-aprendizagem da arte está intimamente ligado a essas pedagogias que fazem parte da história do ensino no Brasil, estando respaldadas na conjuntura social e política brasileira.

A pedagogia progressista

A tendência progressista é resultado da inquietação de muitos educadores que, a partir da década de 60, manifestam suas angústias em relação ao rumo que vem tomando a educação. Suas discussões e questionamentos dirigem-se à educação, com ênfase na escola pública, no que diz respeito a real contribuição desta para a sociedade. Essas discussões têm contribuído para mobilizar novas propostas pedagógicas que apontam para uma educação conscientizadora do povo e para um redimensionamento histórico do trabalho escolar público, democrático e de toda a população.

Designar as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Evidente que a pedagogia não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais.

Tendência progressista libertadora

Essa tendência tem sua origem ligada diretamente com o método de alfabetização de Paulo Freire. Nessa concepção, o homem é considerado um ser situado num mundo material, concreto, econômico, social e ideologicamente determinado. Sendo assim, resta-lhe transformar essa situação. A busca do conhecimento é imprescindível, é uma atividade inseparável da prática social, e não deve se basear no acúmulo de informações, mas sim, numa reelaboração mental que deve surgir em forma de ação, sobre o mundo social.

Pedagogia progressista libertária

A pedagogia progressista libertária valoriza a experiência de autogestão, autonomia e não-diretividade. Nessa concepção, a idéia de conhecimento não é a investigação cognitiva do real, mas, sim, a descoberta de respostas relacionadas às exigências da vida social. Essa tendência acredita na liberdade total; por isso dá mais importância ao processo de aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino.

Pedagogia progressista “crítico-social dos conteúdos”

Essa tendência também é conhecida por pedagogia histórico-crítica. Surgiu no início da década de 80 e difere das duas progressistas anteriores pela ênfase que dá aos conteúdos, confrontando-os com a realidade social. Sua tarefa principal centra-se na difusão dos conteúdos, que não são abstratos, mas concretos. A ênfase dada ao conteúdo provoca polêmica por parte de alguns educadores preocupados com tais questões. Nesse sentido, cabe ao professor escolher conteúdos mais significativos para o aluno, os quais passam a contribuir na sua formação profissional. Tudo isso visando à inserção do aluno no contexto social. Na realidade, não basta que os conteúdos sejam bem ensinados, é preciso que tenham significação humana e social.

Mediante a reflexão sobre as tendências pedagógicas que influenciaram e continuam influenciando o ensino-aprendizagem da arte, espera-se que o estudo abordado neste artigo possa ajudar os professores de arte a entenderem-se como sujeitos do processo histórico, pois, ao mesmo tempo que fazem a história, são determinados por ela. Devem perceber que para interferir e transformar o presente é necessário conhecer e entender o passado. A compreensão da história lhes possibilitará uma ação transformadora no processo ensino-aprendizagem da arte, e lhes dará subsídio para repensar as relações sociais existentes nas instituições, tanto de Educação Infantil e Fundamental como de Ensino Médio e Superior.

Contudo, não se pode negar que ainda é grande o número de professores que desconhecem essa caminhada histórica e, conseqüentemente, são alienados de sua função social enquanto educadores, terminando sem saber que tipo de sociedade e de cidadão querem preparar para o futuro. Sendo assim, fica difícil mudar as concepções de ensino e aprendizagem da arte, que continuam presentes de forma mesclada na sociedade, provocando um emaranhado de posturas e uma grande confusão tanto na cabeça dos alunos como na dos próprios professores. O estudo das tendências pedagógicas poderá proporcionar aos professores de arte o entendimento da dimensão política que existe nas pedagogias que se adotam nas escolas e universidades, pois sua atuação em sala de aula é o resultado dessas opções. Não existe postura pedagógica neutra, todas estão comprometidas com uma ou outra ideologia, a dominante ou a do dominado. Portanto, cabe aos professores de arte permanecerem vigilantes e atentos, para que saibam escolher corretamente e não terminem sem saber a serviço de quem querem estar desenvolvendo o ensino e a aprendizagem da arte.

A arte de Estudar

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Autor: Jose Pardinho Souza

As pessoas que não se interessam ou não estudam geralmente têm sentimento de culpa. A falta de motivação é responsável por um número maior de fracassos do que um ambiente familiar inadequado ou a falta de capacidade. Sentir-se desmotivado é o problema mais sério que muitos estudantes enfrentam.

Por que tantos alunos acham difícil estudar? A falta de metas a longo prazo. A maioria dos estudantes tem sonhos profissionais: querem ser médicos, advogados, engenheiros, executivos, professores, etc. mas esses objetivos muitas vezes são vagos e geralmente mudam de tempos em tempos. Poucos estudantes estão absolutamente certos do que desejam fazer na vida, e um número ainda menor sabe exatamente o que deve fazer na faculdade, para se preparar para a carreira que escolheram. Essas incertezas levam à insegurança e à ansiedade e tolhem toda e qualquer motivação para estudar.

1. SUCESSO NA VIDA ACADÊMICA E PROFISSIONAL

Se você tem um propósito bem definido achará mais fácil adquirir os hábitos e as habilidades necessárias a um estudo eficiente. Quase todos os estudantes parecem interessados em ganhar bons salários quando terminarem seus estudos. Entretanto, é bom lembrar: há uma relação muito íntima entre boas notas e bons salários. Os alunos médios certamente terão um salário bem menor que os alunos que se destacaram em termos de notas.

A razão óbvia é que os que têm maior capacidade terão maior possibilidade de êxito, tanto na vida acadêmica quanto na vida profissional. Por outro lado, todas as profissões exigem que a pessoa seja capaz de ler com rapidez e de compreender o que se está lendo. Ainda, devem ser capazes de lembrar-se aquilo que leram. Mais ainda, exigem que a pessoa saiba distribuir o seu tempo e que saiba dialogar com os cliente, amigos de trabalho e patrões.

Muitos sabem que os bons hábitos podem tornar uma pessoa mais eficiente. Por isso, tenhamos sempre o cuidado de estarmos adquirindo bons hábitos.

2. A IMPORTÂNCIA DAS NOTAS

As notas não medem uma pessoa, nem são a única medida do desempenho acadêmico. São apenas um instrumento de avaliação bastante imperfeito daquilo que você aprendeu nas várias disciplinas. No entanto, de modo geral, as notas refletem realmente o que os alunos aprendem em determinados cursos e indicam o que eles provavelmente poderão conseguir no futuro.

3. SATISFAÇÃO NO ESTUDO

Aprender e estudar não são necessariamente obrigações desagradáveis. Você deve saber o que aprender e como aprender. À medida em que você vai aumentando a sua capacidade de compreensão de um determinado assunto, você vai adquirindo satisfação e vai desafiando a si mesmo a examinar algumas idéias novas. Uma vez cumprida com certa eficiência uma determinada tarefa, você estará em melhores condições para fazê-la de novo. Quanto mais você lê e aprende, mais fácil se torna ler e aprender. Em vez de ser uma tarefa árida e frustrante, estudar será uma coisa gratificante em si mesma.

Bons hábitos de estudo possibilitam fazer-se mais em menos tempo.

4. DESENVOLVENDO A EFICIÊNCIA PESSOAL

Para desenvolver uma eficiência pessoal, é importante concentrar-se naquilo que se está fazendo. Há que evitar, de modo especial, coisas que possam interromper a atividade. Se houver dificuldade em alguma matéria particular, cuidar para não gastar tempo demais nela esquecendo-se das outras disciplinas, que também requerem tempo suficiente para que seus conteúdos sejam aprendidos.

Aprenda a organizar o seu tempo para um estudo eficiente. Ficar cinco, seis ou até sete horas por dia estudando um assunto não é sinônimo de estar aproveitando o tempo; pelo contrário, pode ser indício de que a pessoa é desorganizada.

5. COMO APROVEITAR O TEMPO

organizar um horário de estudo. Um horário bem planejado significa economia de tempo. Evita que você fique indeciso quanto ao que vai fazer. Evita que você estude mais uma matéria que a outra;

ajuste-se às suas horas de aula as atividades e os trabalhos. Divida o horário em períodos de mais ou menos 45 minutos. Faça intervalo entre um período e outro de pelo menos 10 minutos. Evite estudar até tarde da noite, quando você já se encontra cansado. Especifique cada matéria dentro dos vários períodos, isso evita perder tempo pensando no que estudar primeiro.

Destine menos tempo aos assuntos mais fáceis e mais tempo nos que considera difíceis; faça o estudo em várias sessões, pois é mais proveitoso do que fazê-lo de “uma só pegada”. Revise as matérias quando estiver próxima a aula;

Fixe o horário estabelecido num local onde possa vê-lo com uma certa freqüência e cumpra-o cabalmente depois de estabelecido, porém, evite se estressar com os desvios ocasionais.

Procure um bom lugar para estudar. O melhor é sentar-se à mesa ou à escrivaninha e não na cama. Não leia e nem estude numa posição reclinada. Sente-se reto. Mantenha sua mesa ou escrivaninha limpa de qualquer coisa que não tenha relação com o estudo e que possa distrai-lo, ou seja: fotos, troféus, centro musical, etc. É importante que o local seja bem iluminado, com uma luz forte que seja confortável, agradável e distribuída de maneira igual, evitando sombra sobre os livros.

Tenha consigo todo o material necessário: lápis caneta, papel, livros, cadernos, borracha e um bom dicionário;

Procure estudar num local apropriado. A biblioteca pode ser um excelente ambiente.

Uma observação: uma velha regra prevê que para cada hora de aula são necessárias duas horas de estudos.

6. ESTUDANDO PARA AULAS EXPOSITIVAS

Tome nota de tudo que puder. Revise e passe a limpo os apontamentos sobre a aula, eliminando os pontos sem importância, desenvolvendo os mais importantes e reorganizando-os de forma mais legível. Não deixe passar muito tempo depois da aula para fazer o que está sendo sugerido. Quando possível, leia o tópico a ser estudado na aula antes da mesma, pois a familiaridade com um determinado tema ajuda a despertar o interesse. Procure encontrar materiais sobre o assunto.

Tenha cuidado mui especial com as matérias cumulativas, como a matemática, física, química, línguas e outras. Essas matérias são seqüenciais, no começo do curso você aprende coisas das quais terá necessidade para aprender mais tarde.

7. AUMENTANDO A CAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO

Há muitos fatores que facilitam a concentração. A boa saúde é um deles. Faça suas refeições em horários regulares. Durma o suficiente, pois o sono muitas vezes atrapalha a eficiência no estudo. Guarde as festas para o fim de semana ou para as noites livres. Reserve tempo para as recreações e para prática de exercícios físicos, ainda que seja uma caminhada. Tenha como meta a ser alcançada o interesse pelo estudo. Ao ler, habitue-se a conversar com o livro, a fazer pausas para argumentar a respeito do que leu; assim, você estará tomando uma atitude ativa quanto ao estudo, o que promoverá uma maior atenção de sua parte e o livrará da monotonia e da fadiga.

8. FORTALECENDO AS HABILIDADES BÁSICAS

8.1 Identificando suas fraquezas:

Responda sinceramente as seguintes perguntas: “Será que sei realmente ler bem? Com que rapidez consigo ler? Consigo lembrar-me do que li? Sei decidir sobre o que deve ser lembrado? Sei interpretar mapas e tabelas? E as legendas? O que eu faço quando estou lendo um texto pela primeira vez? O que eu faço quando acabo de ler? Quantas vezes preciso ler o mesmo assunto para entendê-lo? Leio um livro didático da mesma maneira que leio um romance? Com qual diferença leio química e antropologia? Tomo notas? Que tipo de notas eu tomo? Às vezes, tenho a impressão de que o professor está perguntando alguma coisa na prova que não estava nas aulas e nem nos textos? Qual é a extensão do meu vocabulário? Toma nota das palavras novas que encontro? Sei a diferença entre termos gerais e técnicos? Conheço o sentido dos sufixos e dos prefixos mais comuns? Sou capaz de fazer as quatro operações com rapidez e precisão? Sei ler gráficos?

Se você responder honestamente a essas perguntas estará dando um grande passo para descobrir as suas fraquezas, corrigi-las e alcançar maior satisfação nos estudos. Tornar-se-á mais apto para tirar o máximo de proveito de sua experiência em sala de aula, melhorar sua capacidade de leitura, de estudar livros didáticos com maior eficiência, de fazer provas e trabalhos, e estudar idiomas, matemática e ciências.

8.2 Tente compreender a organização.

Certifique-se de que entende, de saída, como o curso foi organizado. Procure ter acesso ao programa da escola e assistir a primeira aula de todos os cursos.

8.3 Aperfeiçoando a capacidade de ouvir.

Mantenha-se sintonizado com que o professor diz, ainda que a sala seja numerosa e que o professor tenha maneirismos e um tom de voz desagradável. Procure não se sintonizar com quadros na parede ou com a paisagem à janela. Tome bons apontamentos e mantenha-se atento ao que está sendo dito.

8.4 Tomando bons apontamentos nas aulas.

Tomar notas em aula é uma arte que se aperfeiçoa com a prática. Exige um certo esforço. Significa atenção em aula, cópia e revisão dos apontamentos. Ser disciplinado neste quesito enriquecerá a sua experiência acadêmica. Conserve os apontamentos através de um fichário com divisões por matérias. Tenha sempre à mão um estoque de papel em branco. Não se esqueça de datar os seus apontamentos.

9. CINCO REGRAS PARA TOMAR NOTAS:

1. Anotar as principais idéias e fatos;

Reduzir. Reduzir é resumir. Extraia os termos e conceitos-chave.

Ler em voz alta. Releia as notas de aula o mais cedo possível após a aula, também, antes de uma prova, para manter o assunto fresco na cabeça.

Refletir. Uma das principais finalidades da educação é ajudá-lo a pensar. Portanto, se você refletir sobre o que está aprendendo o resultado é que você alcançará uma nota satisfatória nos testes.

Rever. Deve saber quando, como e o que rever. Aqui está um segredo para uma boa eficiência no estudo.

9.1 Resumindo, questionando, ouvindo

A maioria dos bons discursos, capítulos e artigos lhe dão, antecipadamente, uma idéia do que virá em seguida. Quando você lê alguma coisa, pode, em geral, resumir seu conteúdo percorrendo os títulos e lendo os resumos.

Quanto a uma aula expositiva, você precisa ficar atento ao que diz o professor, isso ajudará a organizar seus apontamentos racionalmente. Não se esqueça de perguntar, pois esta é uma das maneiras mais eficazes de se aproveitar uma aula, mesmo que ela seja monótona.

10. COMO TIRAR O MELHOR PROVEITO DE SUAS AULAS PARTICIPATÓRIAS

Esteja preparado para participar e assim contribuir com idéias próprias para o debate, bem como prestar atenção às idéias expressas por seus colegas de turma.

Contribua para o debate. Faça pergunta, o que é próprio de alunos inteligentes e que gostam de pensar. Não tenha receio de pedir informação. Quando o professor fizer perguntas, coloque-se à disposição para responder, mesmo que não esteja seguro da resposta.

Troque idéias com os colegas. Conversem entre si, pois este é um dos mais eficazes métodos educacionais. Não fuja do tema.

11. COMO TIRAR O MÁXIMO PROVEITO DO ESTUDO INDEPENDENTE

O estudo independente pode consistir em leituras orientadas ou o preparo de um longo ensaio sobre um determinado assunto que lhe interesse.

11.1 Planejando o trabalho.

Não vá adiando o início de um determinado trabalho. Não caia na armadilha de deixar as coisas para a última hora, pois poderá chegar o fim do curso e você ter apenas um projeto inacabado e sem nota, ou o que é pior, com um trabalho feito às pressas e uma nota baixa. Comece imediatamente. Decida o que precisa fazer e reserve tempo em seu horário, de modo que possa trabalhar cada semana com vistas do seu objetivo. Mantenha os seus apontamentos de forma ordenada.

11.2 Entrevistas com o seu orientador.

Programe entrevistas periódicas com o seu orientador. Lembre-se de que ele ou ela é um profissional mui ocupado. Não roube o seu tempo.

11.3 Preparando o trabalho ou relatório final.

Decida logo de início qual é a forma que vai dar ao relatório final. Reserve tempo suficiente para prepará-lo e comece a coletar o material de que precisará, logo que for possível.

12. A ARTE DE LER

Isaac Watts disse uma coisa muito importante: “você tem sorte se aprendeu a ler bem e gosta de ler.”

Normalmente quem não gosta de ler é porque lê mal.

Façamos um teste para saber quais são as nossas deficiências na leitura (responda honestamente a cada pergunta):

a) Move os lábios ou vocaliza enquanto lê?

Quando move os lábios, você executa exatamente os mesmos movimentos feitos na leitura oral. É ineficiente porque diminui o seu ritmo. Além disso, mover os lábios é um mau hábito que você pode romper. É um sintoma de má leitura. Com os lábios imóveis você lerá melhor e mais depressa.

b) Você lê palavra por palavra?

Os bons leitores sabem que algumas palavras são mais importantes que outras e não dão a mesma ênfase a cada uma. Ler palavra por palavra é também um sintoma de uma leitura muito ruim. As pessoas que lêem palavra por palavra geralmente têm dificuldade em juntar os vocábulos que fazem sentido. Podem entender palavra por palavra, quando aparece, mas não tem idéia do que as palavras dizem quando são reunidas em expressões ou frases. Esse tipo de pessoa provavelmente escrevem mal e não sabem gramática.

c) Acha com freqüência, palavras que não compreende ou lhe são desconhecidas nas leituras que lhe mandam fazer?

Se a sua resposta for sim, então, precisa ampliar o seu vocabulário.

d) Volta atrás e acha necessário reler o que acabou de ler?

Isso é sintoma de desatenção.

e) Lê tudo com a mesma velocidade e da mesma maneira?

Francis Bacon disse que: “alguns livros são para ser degustados, outros para ser engolidos e alguns poucos para ser mastigados e digeridos”. Algumas coisas devem ser vistas apenas de relance. Outras coisas, podem ser lidas rapidamente. Outras, finalmente, devem ser lidas com muita atenção. Você deve ler cada frase como se cada palavra fosse uma bomba prestes a explodir.

f) Queixa-se com freqüência de que não compreende o que lê?

Algumas coisas você não entenderá. Todos nós teremos dificuldades para entender parte do que lemos, simplesmente porque ignoramos os detalhes técnicos do assunto. Mas você deve entender a maioria dos livros didáticos adotados em sua escola. Se sente que não entende uma grande parte do que lê, é um mau leitor. É provável que isso aconteça não só porque não entende uma grande parte do que lê, é um mau leitor. É provável que isso aconteça não só porque não possui embasamento técnico, mas por causa das suas deficiências nas habilidades lingüísticas essenciais e porque desenvolveu maus hábitos de leitura.

Há outras falhas, mas estas são sintomáticas. Se sua leitura é caracterizada por qualquer delas, então você tem muito o que fazer para melhorar. Com um pouco de esforço, quase todos conseguem melhorar sua capacidade de leitura de alguma forma.

12.1 LER COM UMA FINALIDADE

Quase todos os alunos, quando se sentam para estudar, escolhem um livro e começam a ler. Não se preocupam com o objetivo que possam ter para a leitura, daí resultando que lêem tudo do mesmo modo. Mas as maneiras de ler variam de acordo com os objetivos. O modo como você lê deve depender do seu propósito no momento.

12.2 LER POR ALTO

Um objetivo da leitura é descobrir do que trata determinado texto. Livro, ou pode querer saber se alguma coisa em que está interessado é nele mencionada. Um meio é procurar pontos de referência. Em livros didáticos e em alguns livros técnicos, isso é relativamente fácil de fazer, porque os títulos indicam quase tudo. Você pode folhear um livro ou um capítulo simplesmente examinando os títulos e subtítulos. Outro modo, especialmente em livros que não têm títulos, é examinar a primeira frase de cada parágrafo. Na maioria das vezes, a primeira frase contém a idéia principal do parágrafo. Da mesma forma, poderá ler o primeiro parágrafo de cada capítulo ou seção. Finalmente, poderá correr os olhos pela página em busca de certas palavras críticas. Isso pode ser necessário em livros que não tenha índice, e mesmo no caso dos que tenham.

Ler por alto é um passo importante e o primeiro a ser dado quando se estuda.

12.3 EXTRAINDO A IDÉIA PRINCIPAL

Como encontrar as idéias principais? Há idéias principais para capítulos inteiros, seções, subseções e parágrafos. Os parágrafos (trecho de prosa que trata de um único tópico) são as unidades menores. No parágrafo tudo gira em torno desse tópico.

Ao escrever é recomendável que se comece o parágrafo com uma frase-chave sobre o tópico, depois explique, ilustre, corrobore sua afirmativa por meio de outras frases e finalmente termine o parágrafo com uma frase que o resuma ou sirva de transição para o seguinte. Nem sempre, é bom que se diga, será possível e aconselhável começar o parágrafo com uma frase-chave. Às vezes a frase de transição vem antes. Essa frase mostra a ligação de um parágrafo com o que o antecede ou sucede. Às vezes o autor não pode dar a idéia principal em primeiro lugar. Um bom meio de apresentar alguma coisa nova é ilustrar primeiro o princípio que vai estabelecer. O princípio e não a ilustração é que constitui a idéia principal. É o que é novo para você, não aquilo que você já conhece, é o que constitui a idéia principal.

Ao procurar a idéia principal, não se preocupe com períodos completos. Os períodos geralmente contêm mais que uma idéia. A idéia principal provavelmente estará contida na oração principal de um período. Você pode em geral reduzi-la a duas ou três palavras mentalmente.

Para entender o que estamos dizendo, peque um de seus livros didáticos e procure alguns períodos com idéias principais. Agora, experimente eliminar os modificadores. Conserve apenas o sujeito e as palavras essenciais do predicado. É muito provável que obtenha a idéia principal..

Lembre, porém, de que às vezes os qualificativos são importantes para a idéia principal de uma frase-chave. Se você eliminar o adjetivo na frase “mesmo os leões domésticos mordem”, o ponto principal da frase ficará perdido. Por outro lado, se você ler: “a pessoa que lê rapidamente, percorrendo cada linha com o menor número de movimentos oculares e sem parar para devanear, é exatamente a que aprende muito em pouco tempo”, poderá eliminar a maior parte das palavras, traduzi-las e chegar à seguinte idéia principal: “o que lê mais rápido geralmente aprende mais rápido”.

Ocasionalmente, você encontrará parágrafos nos quais a idéia principal não é absolutamente expressa. Isso não acontece muito em livros didáticos, mas é comum na literatura, em geral, e na ficção, em particular.

Observa-se que, de modo geral, nada do que você lê é completo em si mesmo. O escritor não se preocupa em dizer-lhe todo o essencial sobre o assunto. Um escritor que o fizesse se tornaria insuportável e aborrecedor para o leitor. Os escritores esperam que você seja capaz de tirar certas conclusões do que lê.

Procure adquirir prática na busca da idéia principal dos parágrafos. Se o fizer, poderá tornar-se tão eficiente que o fará inconscientemente, sem pensar no assunto. Fazer isso é dominar um dos aspectos mais importantes de uma leitura eficiente.

12.4 EXTRAINDO DETALHES IMPORTANTES

Se conhece um determinado texto, pode tirar dele uma porção de detalhes importantes. Porém, o que é um detalhe importante? Muitas vezes é um exemplo do princípio estabelecido na idéia principal. Isso acontece com freqüência em livros de ciências.

Por exemplo, como dizem DEESE e DEESE ( 1990):

“um livro de biologia pode dizer que os pardais nas áreas urbanas da Inglaterra, durante o século XIX, eram mais escuros e acinzentados do que os pardais do campo. O texto pode em seguida dizer que este é um exemplo de coloração protetora na seleção natural. Como os pardais da cidade viviam num ambiente de pedras cobertas de foligem e pó de carvão, em vez de bosques, os que não avistados por predadores sobreviviam para procriar. O resultado foi que os pardais da cidade se tornaram mais escuros que os da roça. A idéia importante é que a coloração protetora resulta da seleção natural. Os pardais da Inglaterra são o exemplo.

Quase sempre os livros didáticos são organizados para apresentar informações de modo ordenado, é fácil extrair a idéia principal e pelo menos os detalhes mais importantes. Se você se habituar a ler de modo a identificá-los sem pensar muito, será mais eficiente em absorver informações do que se apenas for lendo sem se preocupar com o que é importante ou não.

12.5 LER POR PRAZER

Quanto mais você ler por prazer, melhor leitor se tornará. Algumas pessoas pouco lêem além das seções de esporte, histórias em quadrinhos, charges ou piadas. Todos temos coisas de que gostamos de ler por prazer. Aceite que você pode ler por prazer da mesma maneira que lê para aprender e que algumas coisas que ler, poderão ser incorporadas ao seu cabedal de conhecimentos.

12.6 AVALIAR O QUE VOCÊ LÊ

Aprenda a avaliar o que você lê. Com freqüência, você lerá assuntos polêmicos, entrevistas, reportagens e outras coisas que nem sempre podem ser julgadas pelo seu valor nominal. Você pode até ler coisas que ofendam suas crenças e valores. Procure descobrir por quê. Mesmo os livros didáticos nem sempre estão de acordo com as suas crenças e idéias preconcebidas. Quando houver essa discordância, examine suas crenças e descubra se você quer mantê-las ou não. Se você fizer isso, descobrirá que está numa posição muito melhor para defender essas crenças.

Se tomar uma posição avaliadora, ao ler, você se manterá alerta e absorverá conhecimentos de maneira mais seletiva. Aumentará a sua habilidade para dissecar argumentos. Ficará menos satisfeito em aceitar tudo o que lê pelo seu valor aparente.

12.7 AMPLIANDO O QUE LÊ

Outro objetivo da leitura é expandir ou ampliar o que você lê, de modo que possa ser aplicado a situações do seu dia-a-dia. Você pode aplicar o que lê aos seus próprios problemas, tornando, assim, a leitura uma experiência ativa.

12.8 USANDO OS OLHOS

São os olhos que controlam o nosso propósito, a nossa atenção e a nossa atitude quando lemos. Por isso, recomenda-se treinar bastante os movimentos oculares.

12.9 COMO MELHORAR SUA LEITURA

Muitas vezes, a má leitura é resultante de atenção dispersa ou de incapacidade de transformar o que se lê num conhecimento coerente. Para melhorar a sua leitura, tome as seguintes providências:

a) construa um vocabulário. À medida que seus textos de leitura se tornarem mais difíceis, procure aumentar o seu vocabulário. Muitas das palavras que aprendemos são termos técnicos, próprios de uma determinada disciplina. Se você estudar teologia, ouvirá falar de hermenêutica, homilética, esagoge, teosofia, teofania, etc.; se estudar psicologia, encontrará termo como “libido”, “gânglio”, ‘ego”, etc.; se estudar filosofia, “epistemologia”, “positivismo”, pragmatismo”, “neoaristotelismo”, “platonismo”, “maiêutica”, etc. você precisa saber o que estas palavras significam, lendo sobre elas ou ouvindo falar a seu respeito, ou então consultando um glossário ou dicionário. Além dos termos técnicos, verá que os livros que terá que ler contêm palavras que lhe são desconhecidas, como “heurística”, “peroração” e “reticular”. Finalmente, verá, palavras e expressões conhecidas em pregadas com sentidos novos e bastante específicos.

Um dos indícios mais evidentes de um bom leitor é o vocabulário. Um bom leitor é em conseqüência um bom aluno. Ele conhece e define um maior número de palavras e as distingue. Isso ajuda a ler mais depressa, pois não precisam parar para pensar. Não se sentem frustrados por uma incapacidade de compreender o que lêem. Aprenda a dominar as palavras que você lê.

b) preste atenção às palavras novas. Quando encontrar uma palavra nova ou encontrar uma que já tenha visto antes , mas não consegue identificar , não passe por cima dela. Isso não só é preguiçoso, é também um caminho certo para um mau desempenho acadêmico. O significado de uma frase interia pode depender de uma palavra nova, desconhecida. E esta pode ser a frase que contém a idéia principal.

c) Use um dicionário. O dicionário é o mais importante meio auxiliar para o estudo que você possui. Use-o certifique-se de que é um bom dicionário. Há muitos dicionários baratos à venda, mas um dicionário barato pode ser sinônimo de perda de tempo. Quando procurar uma palavra no dicionário, descubra seu significado específico no contexto em que a encontrou. Muitas palavras têm sentido gerais, que são encontrados nos dicionários, mas também sentidos específicos em determinados contextos. Isto acontece especialmente com palavras que são usadas como “metáfora”. Lembre-se, cada palavra nova que você compreende o sentido e os vários empregos se torna sua propriedade.

Também, lembre-se, escritores de sucesso, que têm o melhor domínio do português do que a maioria de nós, muitas vezes têm meia dúzia de dicionários para diversos fins. Estão sempre procurando palavras novas e até mesmo palavras que usaram durante toda a vida, simplesmente para apurar o emprego dessas palavras com determinados objetivos.

d) fichas de vocabulário. Um modo de aumentar e enriquecer o seu vocabulário é fazendo uso de fichas. Sempre tenha algumas consigo. Escreva também a expressão ou frase em que a encontrou, de modo a conhecer alguma coisa sobre o contexto. Mais tarde, quando de posse de um dicionário, procure a palavra e escreva a sua definição. Quando tiver acumulado um bom número de fichas, pegue-as e memorize.

e) Dissecando as palavras. Você pode melhorar o seu vocabulário aprendendo como as palavras se juntam. A língua portuguesa, principalmente o vocabulário derivado do latim, é constituída de elementos, muitos dos quais são empregados em inúmeras combinações para produzir novas palavras. Há três espécies de elementos: prefixos, sufixos e radicais. Se você conhecer o significado de um determinado prefixo e um radical, ou de um sufixo e um radical, poderá decifrar o sentido de uma palavra desconhecida que combine esses elementos.

O radical é a parte principal da palavra, ao passo que o prefixo e o sufixo são sílabas especiais acrescentadas no início e no fim da palavra. Na palavra “premeditação”, “pre” é o prefixo, “medita” é o radical e “ção” é o sufixo. O prefixo “pre”– significa antes e o sufixo “ção” indica que a palavra é um substantivo. “Medita (r ) significa ponderar, intentar, projetar. Portanto, “premeditação” se refere a um ato que é projetado antes, como assassinar alguém com premeditação.

Alguma palavras gregas entraram para a língua portuguesa, na maioria dos caos, através do latim. Embora sejam muito menos freqüentes que palavras puramente latina, algumas delas são muito importantes. Aprender palavras pode ser uma atividade absorvente e se você acha interessante ler a origem das palavras no dicionário, pode consultar dicionários históricos e etimológicos.

12.10 APRENDENDO A LER MAIS DEPRESSA

a) prática de leitura.

O primeiro passo para melhorar a velocidade de sua leitura é manter um registro da mesma. Dedique um período de tempo especial, a cada dia, para praticar a leitura rápida. Pode ser a qualquer hora, contanto que possa contar com ele, e não deixar que outras atividades interfiram. Calcule uma meia hora – ou pelo menos dez ou quinze minutos – para praticar a leitura rápida.

Escolha material que você gosta de ler e que não seja difícil demais, alguma coisa que não o distraia com ilustração e que não exija leitura de tabelas, gráficos e fórmulas. Qualquer que seja o material escolhido, mantenha o mesmo tipo durante a primeira fase do seu curso de auto-treinamento.

Pegue um relógio digital e dispare o cronômetro no momento exato que começar a ler. Leia o mais rápido que puder, procurando, porém, entender o que lê. Depois de ler três ou quatro páginas, pare o cronômetro e verifique quanto tempo gastou. Procure verificar quantas palavras você leu (conte as palavras de dez linhas, depois, divida o texto em conjunto de dez linhas e multiplique pelo número de palavras). Você poderá fazer a média de palavras que lê por minuto. Cuidado para sacrificar a compreensão do texto. Se notar que tem alguma deficiência, ou seja, se não conseguir ler ao menos 150 palavras de um texto fácil em um minuto, deverá procurar um especialista.

b) Prática de leitura superficial.

Há duas espécies de leitura superficial. Uma serve para procurar palavras e expressões-chave. Muitas vezes isso implica em recorrer os títulos; em outras ocasiões, é preciso ter idéia do que se está procurando. Outra espécie de leitura é aquele em que você deixa os olhos percorrerem a página de alto a baixo, para sentir o assunto que trata o livro ou o artigo, como está escrito e que tipo de vocabulário deverá conhecer para lê-lo.

13. ESTUDANDO EM LIVROS DIDÁTICOS

Cada estudante tem a sua própria maneira de estudar livros didáticos. Há no entanto alguns princípios gerais para o estudo eficiente dos livros didáticos. Fiquemos com o princípio de Francis P. Robinson, da Universidade estadual de Ohio. Ele resumiu a cinco as etapas específicas de um estudo eficaz:

a) Examinar. Aqui você procura obter a melhor visão possível do que vai estudar, entes de fazê-lo em minúcias. Examinar uma tarefa com antecedência é tão importante quanto examinar um mapa rodoviário antes de empreeender uma viagem de carro por estradas desconhecidas. Saiba o que vai encontrar antes de partir.

Examinar um livro é coisa que se faz partindo do geral para o particular. Quando pegar um livro pela primeira vez, dê uma olhada no volume todo, começando pelo prefácio. Ao ler um capítulo, você deverá prestar a atenção aos títulos. Eles lhe dizem qual o assunto abordado em determinada seção.

b) Perguntar. É importante fazer pergunta enquanto se aprende. A maioria das coisas que merecem ser lembradas é resposta a algum tipo de pergunta. Além disso, é sabido que uma pessoa se lembra mais daquilo que aprende como resposta a uma pergunta do que das coisas que apenas leu ou memorizou.

As perguntas ajudam porque fazem lembrar sobre o que se deseja saber com relação ao material que se está lendo. Todas as vezes que você se deparar com uma nova seção de um livro, deverá ter a cabeça cheia de perguntas.

Lembre-se que a finalidade das perguntas é orientá-lo para a idéia principal de uma seção e ajudá-lo a integrar essa idéia ao seu cabedal de conhecimento.

c) Ler. Ler não é a parte primeira, nem a última, nem obrigatoriamente a mais importante no processo de “Como estudar”. A leitura precisa ser algo ativo. Você precisa prestar atenção ao que aparece a cada passo; precisa questionar, evitando-se assim uma leitura passiva. Dê atenção aos termos importantes (normalmente os autores os anotam em itálico). Sempre que aparecer expressão em itálico, é preciso parar e prestar atenção, pois trata-se de coisa relevante.

Na leitura, não pule gráficos, tabelas e ilustrações. Mesmo uma simples fotografia ou desenho pode lhe dizer o conteúdo de uma seção inteira. As ilustrações às vezes, ajudam a tornar o material mais interessante e fazer com que seja lembrado mais facilmente.

d) Repetir. A repetição é o método mais antigo de aprender. Dizem que a “repetição” é a alma da aprendizagem; é o melhor método que pode, por si só, tornar sua leitura ativa, por isso é um método eficiente. A repetição revele, de imediato, a ignorância do leitor.

A regra geral é a seguinte; à medida que lê, pare de quando em vez para dizer, com suas próprias palavras, o conteúdo de cada seção importante do capítulo. Lembre-se que antigas pesquisas concluíram que: “quanto mais cedo se repete, mais tarde se esquece”.

A repetição serve para manter a atenção na tarefa a ser cumprida e ajuda, por outro lado, a corrigir erros.

e) Rever. A primeira revisão deve ser feita imediatamente após se estudar alguma coisa. Isso significa tentar repetir os pontos importantes do que se leu. Não deixe para revisar em cima da hora, antes de uma prova, por exemplo. Não reviso apenas com o intuito de memorizar, mas de aprender.

13.1 Como sublinhar e resumir livros didáticos

Nunca sublinhar sem antes percorrer o capítulo. Não se deve fazer uma seleção aleatória de textos. Isso indica que você não deu atenção devida ao texto o que, inevitavelmente, o levará a sublinhar coisas superficiais e deixar coisas importantes para trás.

Use a seguinte tática: primeiro: examine o capítulo; segundo: faça a si mesmo perguntas sobre ele, tentando respondê-las. Não sublinhe frases por atacado. Muitas palavras numa frase são irrelevantes. Em média, meia dúzia de palavras num parágrafo são suficientes.

14. MÉTODO PARA FAZER ESQUEMAS

O primeiro passo é utilizar as pistas que o autor fornece para o esquema que le próprio faz. Se há títulos no texto, você pode fazer um esboço do seu esquema baseando-se nesses títulos. Você deve escrever frases completas desses títulos após lê-los.

Seu resumo deve ser ordenado.

15. CONTEÚDO E FORMA DAS ANOTAÇÕES

Suas anotações devem conter as idéias principais e os detalhes importantes em cada nível de esquema. Certifique-se de que suas anotações serão fáceis de ser compreendidas mais tarde. Escreva legivelmente.

Observa-se que alguns tipos de leitura não se prestam a anotações esquematizadas. Uma obra literária, por exemplo, ninguém lê para entender determinados fatos ou teorias. O mais apropriado, nesse caso, é fazer um comentário do que foi lido. Deverá prestar atenção às imagens que o autor emprega e a qualquer interpretação simbólica que a obra possa ter. Você precisa estar alerta para os aspectos da história que podem parecer apenas incidentais mas que, na realidade, são de importância capital para a idéia ou a atmosfera que o autor deseja transmitir. Pode haver alusões, por exemplo, a história da mitologia clássica ou a textos bíblicos.

16. COMO FAZER RESUMOS

Estude cuidadosamente o material antes de começar a resumi-lo. Os resumos devem ser o mais breve possível, mas devem conter todas as informações essenciais. Resumo é uma simples repetição do assunto. Nele, são caracterizados os personagens de uma história, são mencionados os símbolos usados pelo autor, são mencionados os fatos mais marcante, as figuras de linguagem e os fatos irônicos.. É, deveras, um comentário feito com palavras próprias, onde a atmosfera da história e o sentimento que ela evoca são abordados.

Quando se tratar de resumos de um capítulo, é necessário que se faça um esquema.

17. COMO FAZER PROVAS

A melhor regra a seguir é: prepare-se para o tipo de provas que vai fazer e para todas as perguntas que possam aparecer, e não apenas para algumas delas. Estude a matéria toda. Procure estar em boas condições físicas, descansado e com boa disposição de espírito. Repasse os apontamentos de aula e as anotações feitas ao estudar pelo livro, prestando a atenção às idéias principais e revendo as listas de termos técnicos. Não faça da revisão um momento de aprendizagem.

Se você tiver mantido seu estudo em dia, a revisão para uma prova não precisará tomar muito tempo. Para uma prova semanal, bastam alguns minutos de revisão; para uma semestral, duas ou três horas: para uma final, de cinco a oito horas. Faça a revisão em períodos curtos. Intercale-os com outras atividades, principalmente repouso e recreação. Faça um plano definido para revisão.

Não vire a noite estudando sob o suposto poder do café preto ou sob os efeitos de pílulas estimulantes. Essa espécie de estudo frenético e desorganizado é ineficiente e, muitas vezes, prejudicial. Ficar sem comer, sem dormir e sem descansar causa esgotamento físico.

Na revisão, enfatiza a repetição. Reduza a leitura ao mínimo. Tente recordar as idéias principais sem recorrer aos apontamentos. Em seguida, confronte o que você relembra com as suas anotações. Não tente adivinhar o que o professor irá pedir na prova.

17.1 TIPOS DE PROVA

As provas podem ser objetivas ou dissertativas. Provas objetivas. As objetivas não exigem que você escreva. Tudo o que tem a fazer é decidir se determinadas afirmativas são verdadeiras ou falsas, qual das várias afirmativas é verdadeira ou como podem ser combinadas. Esse tipo de prova objetiva enfatiza sua capacidade de reconhecer as respostas certas quando as vê, não a sua aptidão para organizar as informações que recebeu.

Como fazer provas objetivas:

Examine. Ao receber a prova, folheie as páginas para ver se é muito longa e quantos tipos de questões há de cada tipo: verdadeiro/falso, múltipla escolha, acasalamento, etc. Em seguida,
leia atentamente as instruções; resolva como distribuir o tempo;
certifique-se de que entende a atribuição do valor das questões;
responda primeiro as questões fáceis. Comece por aquela que você tem certeza de que sabe fazer e depois, se tiver tempo, volte aos que você tem que pensar para solucionar;
Coloque as perguntas no contexto. Pergunte a si mesmo como essa questão deve ser respondida à luz do seu livro didático ou do que foi dito em aula. Identifique a fonte, se possível. Não caia na armadilha de responder uma pergunta com a sua opinião pessoal ou com o que foi dito em algum outro curso que esteja fazendo.

18 COMO RESPONDER AS QUESTÕES DE “VERDADEIRO/FALSO”

18. 1 Analise os modificadores. Ex.: todos, quase todos, alguns, poucos, nenhum…sempre, geralmente, às vezes, raramente, nunca… grande, muito grande, muito, pouco… mais igual, menos… bom, mau, é não é, etc.;

18.2 Procure palavras-chave. Há sempre uma delas. É geralmente uma palavra ou um grupo de palavras de que depende a verdade ou a falsidade da afirmativa;

19. COMO RESPONDER QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

Em geral, porém, apenas uma das alternativas é correta. Aqui sua tarefa é escolher a melhor alternativa – a que está mais próxima da verdade. É geralmente uma questão relativa e não absoluta. Assim sendo, adote uma estratégia de eliminação ao responder a pergunta. Procure pela palavra-chave dar o primeiro passo. Depois de eliminar uma ou duas alternativas completamente falsas, voc6e deverá decidir. Para que isto ocorra a contento, você precisa conhecer alguma coisa do que se está pedindo.

17. PROVAS DISSERTATIVAS.

A prova dissertativa, por outro lado, exige que você recorde. É preciso organizar o que sabe, de forma coerente.

A principal diferença entre os dois tipos de prova é apenas de organização, não de detalhes. As dissertativas são mais difíceis apenas porque exigem que você organize as informações, mas não podem mais que uma boa prova objetiva. Como a organização é indispensável nas provas dissertativas, se você for fazer uma, deve praticar para organizar as respostas com antecedência. As provas objetivas, por sua vez, dão ênfase ao conhecimento, portanto, você deve estar preparado para conhecer os pontos gerais, quando apresentados sob a forma de exemplos específicos.

A prova dissertativa é aquela em que as perguntas são relativamente curtas e o seu trabalho consiste principalmente em escrever e não em ler as perguntas e tentar descobrir as respostas certas. Este tipo de prova varia de um extremo – em que as perguntas têm respostas curtas e exigem que você escreva algo bastante específico – a outro extremo, em que as perguntas lhe pedem para discutir um problema geral. Às vezes as provas são uma combinação desses dois tipos.

18. PALAVRAS IMPORTANTES EM QUESTÕES DISSERTATIVAS

Compare, contraste, critique, defina, descreva, faça um diagrama, discuta, avalie, explique, ilustre, interprete, justifique, enumere, esquematize, prove, relacione, examine, resuma, trace, etc.

O melhor meio de saber se sua resposta está correta, é ser coerente e organizado. Quando estiver certo de que entendeu o que foi pedido numa questão, resolva que pontos deve mencionar e faça um esquema, usando-o como roteiro para escrever a resposta. Escolha as palavras com cuidado. Os professores não são adivinhos. Não conseguem descobrir o que você pretende dizer; podem apenas julgar o que você diz de fato. Procure expressar-se com exatidão. Lembre-se, ainda que a má caligrafia prejudica. Os professores não podem dar notas por aquilo que não conseguem entender. Tenha o cuidado de responder às perguntas num bom português. Pontue adequadamente e escreva com correção. Uma redação má indica pensamento desorganizado e confuso, bem como falta de conhecimento da matéria. Erros ortográficos, sobretudos em palavras importantes ou termos técnicos, sugerem uma leitura e um estudo sem atenção.

19. APRENDENDO COM AS PROVAS

Não pense nas provas só em termos de notas. Na verdade, a maior justificativa para as provas, no processo de aprendizagem, é dar ao aluno uma oportunidade de aprender com elas. Leia novamente a prova com o intuito de corrigir seus métodos de preparar-se para os exames e a fim de certificar-se de que realmente sabe o que deveria Ter escrito. Observe onde cometeu erros e perdeu pontos. Os erros, quando prontamente corrigidos, constituem um importante instrumento de aprendizagem.

20. COMO REDIGIR TRABALHOS NA FACULDADE

A coisa mais importante que um estudante aproveita de toda a educação formal que recebe é a capacidade de ler e escrever de maneira inteligente e organizada. Deste modo, o aluno precisa aprender a expressar idéias e apresentá-las de forma condizente com o seu nível de educação.

Muitos alunos detestam redigir. Para eles o curso de redação é entediante e muitas vezes fazem o mínimo possível. Procuram temas fáceis para redações e escrevem de modo a cometer o mínimo de erros possível.

Ninguém pode ensinar a ninguém a escrever – somente quem se dá ao trabalho de corrigir o que você escreve pode fazê-lo – contudo, existem algumas regras que podem facilitar a sua tarefa de escrever. Talvez, você nunca se torne um escritor profissional, mas pode aprender a escrever em prosa clara, direta e inteligível. Qualquer que seja a sua atividade profissional, depois de formado, sempre haverá ocasiões em que terá de escrever para comunicar alguma coisa a outras pessoas. Saber escrever é a primeira qualificação de uma pessoa de nível superior.

20.1 ETAPAS A CUMPRIR NA REDAÇÃO DE UM TRABALHO

20.1.1 Como escolher o assunto. Em geral, você tem uma certa liberdade para escolher o seu próprio assunto. Se escolher um assunto que seja por demais amplo ou restrito, pessoal ou controvertido, estará dificultando sua própria tarefa. Evite temas demasiado amplos ou difíceis e, também, assunto muito limitado ou um tema em que esteja muito envolvido emocionalmente.

Um meio de encontrar temas é folhear os índices de livros didáticos e especializados sobre o assunto que vai abordar. Escolha um livro didático e verifique quantos tópicos você pode identificar, que possam ser utilizados para um trabalho de fim de semestre.

Os apontamentos de aula podem servir como uma outra fonte de tópicos a serem utilizados. Preste atenção aos assuntos que surgem durante a aula e que possam ser úteis ou interessantes. Esteja atento aos temas que possam Ter relação com a sua área de estudos prioritária.

Você irá descobrir que muitos dos seus professores pedirão trabalhos baseados em sua experiência diária. Quase todos nós escrevemos melhor quando o fazemos sobre coisas que conhecemos e nas quais estamos interessados.

Outros bons temas surgem das relações entre as matérias.

Escolher um tópico que provavelmente interesse ao professor é uma boa regra. Os bons escritores levam em conta o público em potencial. Mais importante ainda é escolher um assunto que lhe interesse pessoalmente, um assunto sobre o qual queira aprender mais e entender melhor.

20.1.2 Reunindo material. Às vezes, você pode ter que fazer poucas leituras e escrever uma composição informal sobre um assunto de interesse pessoal. Quase sempre, entretanto, terá que aprender alguma coisa nova. Neste caso, provavelmente será preciso fazer uso intensivo da biblioteca e tomar notas de pesquisa.

Para começar, você deve fazer algumas leituras básicas. Normalmente, os livros e apostilas de curso contém informações importantes. Se tiver dificuldade, peça ajuda ao professor. Ele poderá ajudá-lo a esclarecer e limitar um tópico e fornecer fontes para leituras básicas. Em muitos casos, essas fontes fornecerão uma bibliografia básica que o levará a um outro material. Em outros casos, você deverá recorrer a resenhas, índices cumulativos, fontes bibliográficas especiais e à internet para compilar uma lista de obras que deve ler.

À medida que consultar suas referências, irá, preparando uma bibliografia a ser utilizada, a qual deverá ser registrada em fichas. Para cada livro ou artigo que consultar, prepare uma ficha com as seguintes informações:

Autor (ou autores) do livro ou artigo (também o tradutor, quando for o caso);
Título e edição (se não for a primeira) do livro ou título do artigo e nome do jornal ou revista;
Local de publicação (para livros);
Nome da editora;
Data do “copyright”;
Número do jornal ou revista (no caso de artigos);
Ano;
Número das páginas do artigo;
Mês do exemplar;
Nome do autor; nome do artigo; E-mail e data de acesso (para o caso de artigos tirados da Internet).
Identifique as fichas com códigos: letras, números ou símbolos. Tome notas à medida que ler livros didáticos. As anotações para um trabalho baseado em pesquisa de biblioteca não são como as que você faz, ao ler livros didáticos. As notas de pesquisas não são esquematizadas e sim sob a forma de sumários. A extensão e as minúcias do sumário dependem do tamanho do texto lido, do que o professor sugeriu que você fizesse e do seu objetivo ao fazer leitura. Faça sumários com a suas próprias palavras. Se usar as palavras do autor para alguma coisa, não se esqueça de pôr aspas ou indicar que está citando diretamente da fonte. Não deixe de anotar a página da citação.

21. COMO FAZER UM ESQUEMA

Quando acabar de tomar notas, você deverá fazer um esboço do trabalho. Primeiro leia todas as fichas e arrume-as de acordo com os títulos. Isto lhe dará uma idéia de como organizar seu trabalho. Quando fizer o esboço, arrume os tópicos principais e os secundários numa ordem lógica.

Uma coisa a ser lembrada é que você não pode ter menos que dois subtítulos para cada tópico. Não use títulos em excesso, mesmo para um trabalho longo. Faça um esquema utilizando frases em vez de tópicos, mas não se perca com minúcias. Lembre-se, o esquema tornará o seu trabalho mais organizado e facilitará a redação. Através do esquema, você descobrirá se terá ou não de fazer mais leituras ou dar mais substância a uma determinada seção.

22. FAZENDO O PRIMEIRO RASCUNHO

Alguns trabalhos exigem dois ou mais rascunhos. O importante é você escrever até ao ponto de que as idéias estejam claras e bem coordenadas. Para escrever, reserve um bom período de tempo, durante o qual possa trabalhar sem ser interrompido. Redigir um trabalho extenso de uma só vez é tarefa difícil, mas se o trabalho for curto, é possível fazê-lo – e é uma boa idéia. Para um primeiro rascunho não se preocupe em fazer tudo muito certo. Depois de lançar suas idéias no papel, você poderá corrigi-las facilmente.

Deixe bastante espaço para correções e alterações. Naturalmente seu rascunho final terá espaço duplo, mas faça o primeiro dessa mesma maneira. Se escrever à mão, faça-o em linhas alternadas.

Quando completar o primeiro rascunho, releia-o uma vez para fazer as alterações mais óbvias. Em seguida, deixe-o de lado por algum tempo. Quando programar a redação, preveja o intervalo mais longo que puder entre o primeiro rascunho e a revisão. Você terá assim uma nova perspectiva e será mais fácil descobrir erros e lapsos de gramática e de redação.

23. RASCUNHO FINAL

Antes de preparar a versão final, verifique se não há nenhum erro. Tenha sempre às mãos manuais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), visto que são muitos os detalhes que deverão ser observados.

O professor orientador, certamente, fará algumas anotações e comentários antes de encaminhar o trabalho para a nota final. Leia-os com atenção, pois poderá aprender sempre alguma coisa e, além do mais, não cometer mais os mesmos erros.

24. REDAÇÕES

24.1 Meios auxiliares para a redação.

Ter à mesa obras prontas para consultas. No mínimo, um bom dicionário e um manual de estilo. O dicionário deve ser atualizado e completo. Você deve criar o hábito de consultá-lo – conferir grafia e procurar definições. Quanto aos manuais, eles são úteis porque trazem as regras da gramática, o uso da língua e pontuação.

24.2 Como desenvolver a redação.

Aprenda a escrever prosa informativa de maneira clara, simples e exata. As frases dever ser escritas com clareza e bem ordenadas em parágrafos (habitue-se a pensar em frases claras e bem feitas). Depois de escritas, as frases devem ser revistas com atenção e espírito critico. Corrija as falhas e, sempre que possível, simplifique a sua maneira de expressar-se. Observe os erros mais comuns na construção de frases;

24.3 Frases fragmentadas.

Às vezes, têm sujeito e verbo, mas podem ser incompletas por ser formuladas como orações subordinadas. Bons escritores sabem usar os fragmentos de frases de modo eficiente, mas na medida do possível isso deve ser evitado.

24.4 Frases longas.

Cuidar especialmente com a pontuação. É preferível converter frases longas em períodos compostos, tornando subordinada uma das orações.

24.5 Falta de concordância entre sujeito e verbo.

Ex.: “O pessoal foi” e não “o pessoal foram”.

24.6 Falta de concordância entre pronome e antecedente.

“Cada pessoa da equipe fez o que lhes foi pedido.

24.7 Modificadores deslocados.

Para corrigir esses erros, começa-se por evitar a voz passiva sempre que possível e variando os tipos de frases que se escreve, eliminando construções prolixas e deselegantes.

25. COMO ESTUDAR UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA

Para início de conversa, é preciso praticar diariamente. Procure identificar onde você encontra mais dificuldade, se no falar, escrever ou ouvir.

25.1 Veja algumas regras:

a) Mantenha a matéria em dia. É indispensável que se participe freqüentemente das classes e que se faça os exercícios. Lembrar-se de que aprender um outro idioma é um processo cumulativo. É importante conhecer os significados das palavras antes de tentar reuni-las em frases. Precisa saber como pronunciar os sons e identificá-los com exatidão, antes de poder conversar com um falante nativo. Deve conhecer a ordem das palavras para entender as frases mais complexas. Tem que saber conjugar os verbos e declinar substantivos e adjetivos. Contudo, deve começar pelas coisas mais simples e ir avançando para as mais complicadas.

b) Passe bastante tempo repetindo. A repetição em voz alta é a técnica básica para aprender outra língua. Deve-se repetir pelo menos 80% do tempo de estudo. Três habilidades são necessárias na aprendizagem de um idioma estrangeiro: aprender a ler, entender o que ouve e aprender a falar.

c) Domine a gramática. É preciso aprender a estrutura de uma língua. O conhecimento de regras é que permite a construção de frases próprias e também a compreensão do que os outros dizem. É fundamental o domínio da gramática da língua mãe. Todas as línguas são cheias de irregularidades, exceções a regras gerais e regras contrárias, que se aplicam apenas a poucas palavras. Estas regras têm de ser decoradas. A gramática é o principal instrumento de que se pode dispor para dominar uma língua;

d) Aprender a pensar na outra língua. Pensar em outro idioma significa não só que você é fluente nele, mas também que não precisa traduzir. Desde o início do estudo é preciso aprender a associar as palavras estrangeiras não com vocábulos equivalentes no vernáculo, mas diretamente com os objetos, fatos e qualidades que elas designam.

e) Aprender a ler na língua estrangeira. Siga as seguintes sugestões: a) estude por meio de frases e períodos. Procure perceber o sentido das partes principais da frase como um todo, antes de procurar palavras específicas que não conhece. E quando procurar no dicionário uma palavra nova, deve levar em conta a relação dessa palavra com o padrão da frase como um todo. É importante memorizar os elementos básicos do vocabulário, como pronomes relativos ou verbos irregulares alem disso, é preciso aprender os verbos auxiliares, as preposições entre outros elementos.

f) Procurando palavras no dicionário: o que se deve e o que não se deve fazer. Consultar um dicionário é apenas um meio de aprender um significado de uma palavra e é não só demorado como , as vezes ineficiente porque isola o sentido do contexto em que a palavra é usada. É importante conhecer as palavras através do seu contexto. Ler a frase toda antes de procurar o significado de uma palavra no dicionário.

g) Dissecando as palavras: as línguas podem ser agrupadas de diversas maneiras : tem radicais, sufixos e prefixos, assim, poder-se-a muitas vezes decifrar uma palavra que nunca foi vista antes, dividindo-a em seus elementos constitutivos.

h) O uso de cognatos: é preciso prestar atenção, pois os cognatos podem enganar. Não se pode confiar cegamente nas semelhanças entre os vocábulos e os do português.

Utilize fichas.

As traduções justapostas: este tipo de material deve ser evitado. Procure um texto cuja a tradução esteja na outra página.

26. APRENDENDO A FALAR UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA.

Procure pessoas que falam a língua estrangeira que você deseja aprender e peça para conversarem com você. Ler jornais e revista na língua em questão. Assista filmes e tente acompanhar os diálogos sem recorrer às legendas.

Imitação: ousa fitas ou CDs gravados por falantes nativos, grave sua própria fala e corrija os erros que possa perceber por si mesmo.

Memorização: concentre-se em lembrar palavras e frases.

Estude em voz alta: leia em voz alta sempre que possível.

Distribua bem o estudo: divida cada tarefa em duas partes e aprenda cada uma separadamente. Reserve tempo para ler e rever.

A Aprendizagem da Leitura

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Autor: Jacira Maria Santos de Sousa

1. Tema

A aprendizagem da leitura

2. Problema

As dificuldades encontradas pelas crianças no desenvolvimento da leitura na educação Infantil

3. Justificativa

Nas duas últimas décadas a pesquisa a respeito dos processos de aprendizagem da leitura vem mostrando as dificuldades encontradas nas crianças no desenvolvimento da leituras na idade infantil. Essa constatação pôs em xeque uma antiga crença, na qual a escola apoiava suas práticas de ensino, e desencadeou uma revolução conceitual, uma mudança de paradigma. Estamos passando por esse momento, com as vantagens e prejuízos que caracterizam um período de transição, de transformação de idéias e práticas cristalizadas ao longo de muitos anos.

Baseada nestas abordagens procuro refletir e buscar encontrar possibilidades de novas alternativas, visamos apresentar orientações metodológicas que possam garantir momentos prazerosos para a criança no contato com os textos literários, pois é inegável a importância da literatura na formação completa do ser humano, nesse processo, busca-se equilíbrio entre o desenvolvimento da inteligência e a afetividade, entre a reação e a emoção, entre o útil e o agradável.

É de conhecimento de todos os educadores que a escola é o caminho certo quando se fala em processo ensino-aprendizagem, tendo em vista o compromisso que ele exerce perante a sociedade, por isso temos o compromisso de apresentar um plano que vá proporcionar aos educandos mais maturidade no exercício da escrita e leitura. Somente com análise profunda do problema que vamos ter bons resultados.

Precisamos exercer um papel mediador, daí a necessidade de conhecermos os mecanismos, para daí tornar fácil a caminhada dos nossos alunos.

4. Objetivos

Refletir sobre os problemas de aprendizagem procurando compreender a forma como os alunos estão utilizando os elementos do seu sistema cognitivo e emocional para aprender.

Reconhecer as relações que se estabelecem entre aluno e conhecimento, as quais são interpostas pelo professor e pela escola e pelo meio ambiente.

5. Fundamentação Teórica

Atingir o sucesso na aprendizagem exige que a criança alcance e supere determinadas integridades básicas, através de oportunidades adequadas. Convém lembrar, porém, que, quando “problemas” interferem, este processo não é algo catastrófico e sem solução. Trata-se de evidenciar o caminho que o aluno está percorrendo sem as frustrações e condenações que se referem à não-aprendizagem.

O problema de aprendizagem é entendido como uma patologia, considerada em dois sentidos: um amplo, pouco estudado e explorado; e um sentido mais estrito, o qual é mais comum nos consultórios e escolas, não tão profundo e mais aceitável para um sujeito que aprende. Existem quatro fatores que atuam sobre os problemas de aprendizagem: os orgânicos, os específicos, os psicógenos e os ambientais. Tais fatores devem ser levados em consideração no momento do diagnóstico, pois quase sempre mais de um destes estão comprometidos.

Os fatores orgânicos tratam o indivíduo é um todo e não partes que trabalham isoladas, é necessária, uma integração entre anatomia, bom funcionamento de todos os órgãos, bem como do sistema nervoso central.

Os fatores específicos são desordens específicas ligadas a determinadas áreas também específicas, as quais perpassam questões cognitivas e motoras. Quanto aos fatores psicógenos, subsidia-se na teoria psicanalítica, levando-se em consideração as disposições orgânicas e ambientais do sujeito.

Nos fatores ambientais, encontram-se os elementos que muitos professores vêm levando em consideração com prioridade, ou seja, as questões de moradia, bairro, escola e oportunidades de lazer. O ambiente é mais gerador de problemas escolares do que de aprendizagem. Somado a outros fatores, contribuem para dificuldades de aprendizagem, mas considerados isoladamente são eles geradores de problemas escolares como a evasão.

O processo da aquisição da leitura precede e excede os limites escolares, sendo, por isso, o próprio aluno o ponto de partida de toda aprendizagem. Este vive num mundo onde a escrita é fator presente nas ruas, permitindo que já se reflita sobre o processo. Enquanto a escrita é um sistema de representação da linguagem, a leitura é a interpretação.

São quatro as habilidades da linguagem verbal: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a habilidade lingüística mais difícil e complexa. A leitura é dos um processo de aquisição da lectoescrita e, como tal, compreende duas operações fundamentais: a decodificação e a compreensão.

A decodificação é a capacidade que temos como escritores ou leitores ou aprendentes de uma língua para identificarmos um signo gráfico por um nome ou por um som. Esta capacidade ou competência lingüística consiste no reconhecimento das letras ou signos gráficos e na tradução dos signos gráficos para a linguagem oral ou para outro sistema de signo.

Um dos grandes obstáculos ao processo de aprendizagem é o encaminhamento metodológico usado pelo professor. As complexas relações entre som/grafia, na retenção, na integralização dessas experiências, na compreensão e na interpretação da leitura e da escrita precisam ser bem asseguradas, pois, para que o domínio da linguagem pela criança aconteça, o professor precisa intervir no momento certo, fazendo o aluno elaborar suas hipóteses para que mais tarde possa reelaborar sozinho suas hipóteses.

Concluindo, os problemas de aprendizagem constituem uma situação real presente nas instituições escolares. Portanto, é necessário que todos os envolvidos com questões educacionais realizem pesquisas que possibilitem conhecer cada vez melhor as relações entre linguagem oral e escrita.

6. Referência Bibliográfica

LEMLE, Miriam. Guia teórico do alfabetizador. 9ª ed. São Paulo: Ática. 1994.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüistica. São Paulo: Scipione, 2002.

FERREIRO, Emília. Reflexão sobre alfabetização. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

FRANCHI,Eglê Pontes. Pedagogia da Alfabetização da Oralidade à escrita. São Paulo: Cortez, 1988.

GROSSI, Esther Pillar & BORDIN, Jussara. Paixão de aprender. 3ª ediçãoSão Paulo: Editora Vozes, 1993

A ALEGRIA DE ENSINAR

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Autor: Shirlei Luciana Lima

ALVES, Rubem, A alegria de ensinar: Vários esclarecimentos acerca da educação. 9ª ed. Campinas, SP: Papirus Editora, 2005.93 páginas.

Rubem Alves, nascido em Boa Esperança, Minas Gerais, em 1933, iniciou sua trajetória profissional e intelectual no estudo da teologia, mudou-se para Campinas e depois para Lavras, onde serviu como pastor numa comunidade presbiteriana. Em Princeton, Estados Unidos, realizou seu doutorado. Psicanalista e professor da Unicamp, escritor de crônicas e artigos para o jornal Correio Popular a para a folha de São Paulo.

Autor de vários livros, dentre os quais se destacam: O retorno e o terno, O quarto do mistério, Sobre o tempo e a Eternaidade, A festa de Maria, Cenas da vida, E aí?, Cartas aos adolescentes e seus pais, Concerto para corpo e alma, O amor que acende a lua e Navegando, a Menina e o pássaro encantado, A pipa e a flor (Loyola) e O passarinho engaiolado (Papirus).

Uma obra destinada aos educadores, mostrando a necessidade de se ensinar com amor, não deixando barreiras entre quem ensina e quem aprende. A arte de ensinar vai muito além do que meras escritas em cadernos e cadernetas, deve chegar à alma do educando, formando assim, pessoas do saber.

Ao ler A alegria de ensinar (Rubem Alves), logo de início, percebe-se que o autor coloca todo o amor, entrega-se inteiramente ao ato de ensinar, ensinar com alegria, com satisfação. Ele nos lembra sobre o prólogo de Zaratrusta, que passou longos dez anos na solidão, “acordando” logo após para a vida, quando de encontro ao sol, percebeu que se faz necessária à continuidade, a relação entre o que tem a ensinar com o que precisa aprender. Uma missão de partilhar a felicidade e deixar sementes para germinar, crescer, dar frutos e recomeçar.

Mas o sofrimento é notado e escrito por ele. Nas escolas não há professores com a alegria de ensinar, nem alunos amantes da escola. Mais parece um jogo de poderes onde uns mandam e outros obedecem, sem a preocupação de serem felizes no que executam. Rubem Alves tenta alertar sobre a grandiosidade do que é ensinar, da responsabilidade de se passar alegria em aprender.

Rubem Alves demonstra sua tristeza quando relata a mais concreta realidade: freqüentar escola é uma obrigação estressante que os alunos têm que passar em nome da educação. O que ele mais lamenta, é a forma com que a educação têm se comportado: O mestre fala e o aluno executa, sem a chance de se arriscar e caminhar sozinho, nos erros e acertos.

Em tempo real, sem direito de sonhar, sem usar a criatividade, os alunos fazem treinamento de sobrevivência e os educadores, máquinas para a geração de lucro. Com isso, os dias se passam e a vida se vai sem deixar saudade, porque o passado tem de ser esquecido para se aprender o hoje.

Ele se mostra sensato quando fala da verdade que existe nas crianças; verdade sem medo, vergonha ou pudor. Elas são o que querem ser em qualquer parte. E é assim que encantam e fazem inveja a qualquer adulto bem estruturado.

Leva-nos a crer que o amor depositado nas palavras e nos atos do educador que pratica com alegria sua profissão, seduz o aluno para que deseje e, desejando, aprenda. Somos uma máquina que só guardamos o que é objeto do desejo, o que não se mostra interessante cai no esquecimento.

Esta crônica deixa seu apelo aos professores para que aprendam a ensinar, não somente com a inteligência, mas também com sabedoria. Há um trecho no livro que resume tudo em poucas palavras: “As respostas nos permitem andar por terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.” (Rubem Alves).

Existe uma grande diferença entre o corpo movido pelos sonhos para o corpo movido pelas certezas. Vale lembrar.

A AÇÃO DO PEDAGOGO MEDIANTE OS PROJETOS DE TRABALHO

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Autor: Adimar do Nascimnto Valentim Leal

A AÇÃO DO PEDAGOGO MEDIANTE OS PROJETOS DE TRABALHO, NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PRÁTICAS PEDAGOGICAS NO MUNDO GLOBALIZADO E CONTEMPORÂNEO

Cabo Frio – RJ

2003

INTRODUÇÃO

Este projeto objetiva caracteriza o papel da Educação no mundo Globalizado. O foco desta reflexão é o papel da educação no mundo contemporâneo do qual faremos uma retomada histórica de sua trajetória, procurando analisar a sua missão como instituição social que torna possível o aceso ao saber sistematizado. O exame das origens da educação no país permite constatar a presença de uma educação que atende somente os segmentos minoritários da população. A Universidade é a instituição que a sociedade criou para transmitir às novas gerações saberes sistematizados. Ao longo do tempo tem se modificado; todavia, nenhuma outra forma de organização foi capaz de substituí-la, ainda que novas alternativas, como a educação à distância, tenham crescido de forma significativa nos últimos anos.

Consistirá em estudos que visam ampliar as concepções acerca das práticas/metodologias educativas inovadoras e um repensar sobre a ação/papel de cada um envolvido diretamente no processo educacional, ou seja, pedagogos, professores e alunos dentro desta nova perspectiva.

JUSTIFICATIVA

Este trabalho visa atender a exigência do curso de Pós-Graduação – Docência do Ensino Superior, bem como ampliar nossos conhecimentos enquanto profissionais comprometidos com uma educação transformadora que vise o sujeito no todo, não o sujeito fragmentado, buscando portanto novas práticas educativas que contemplem essa meta.

A universidade socializa a cultura, socializando os meios de adquiri-la. A identidade de processos, a identidade de vida e a própria unidade local fará com que nos cultivemos em sociedade, que ganhemos em comum a cultura, que nos sintamos solidários e unidos pela identidade de objetivos, de preocupações, de interesses e de idéias. E, daí, que nos sintamos uma comunidade governada por um espírito comum e comuns ideais. Ideais estes que nos levam em busca de uma sociedade mais justa e o conhecimento acessível a todos.

OBJETIVO GERAL

A importância de conhecer o papel da educação no mundo globalizado é a sociedade do conhecimento.

Com a execução deste trabalho/estudo tenho como objetivo aprofundar e/ou compreender melhor as novas práticas educativas, assim como pensar sobre suas contribuições para o processo ensino-aprendizagem para fazer escolhas mais conscientes.

Com este objetivo, tenho como meta a elaboração de uma monografia, que será realizada através de pesquisa bibliográfica , a fim de que essa atividade também possa contribuir e orientar futuros trabalhadores em educação a respeito dessas novas metodologias e contribua para orientar a todos os profissionais da educação na mudança de posturas que visem o aprimoramento do sistema alcançando uma qualidade capaz de gerar uma verdadeira aprendizagem, ou seja, um conhecimento sólido e eficaz.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Explicar o surgimento da educação no mundo moderno;
Identificar a sociedade do conhecimento;
Identificar as principais características da educação;
Identificar as relações entre Educação e cultura.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Ao longo da história, a educação tem exercido uma função social básica de transmissão do saber sistematizado. Verificamos também que as formas de transmissão variam de sociedade para sociedade e ao longo do tempo em cada uma delas. No Brasil de hoje, assim como em muitos outros países democráticos, a função da educação básica de transmitir o saber sistematizado não é um fim em si mesmo, mas o “meio para atingir a finalidade de desenvolver o educando de maneira plena, de preparar-lhe para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (LDB, art. 22). Está claro, todavia, que tais finalidades não se alcançam sem o trabalho com o saber sistematizado, expresso na organização do currículo de cada educação. A formação básica do educando se faz a partir dos conteúdos estudados e compreendidos. Ou seja: na educação básica, como em qualquer outro nível de ensino, forma (formação) e conteúdo vão juntos.

Se essas são as finalidades e a função social da educação, avaliar uma escola, é verificar como ela realiza essas atribuições para todas as crianças e jovens dos 7 aos 18 anos, cumprindo os oito anos do ensino fundamental e os três do ensino médio (e/ou profissional), sem perder aluno algum.

Vimos que o ideal de todas na educação, defendido por numerosos educadores brasileiros há muitas décadas e inscrito nas principais leis do país, ainda não foi totalmente atingido em muitas escolas e regiões por vários motivos. Os dados numéricos históricos apresentados na Unidade 1 mostram uma história educacional excludente, na qual parte expressiva da nossa população, em geral a mais pobre, não freqüentou a escola na idade adequada. Apenas nas últimas décadas, e mais expressivamente nos últimos anos, é que o número de matrículas de crianças e jovens em idade escolar começou a crescer. Esse processo de crescimento das matrículas escolares foi denominado de democratização do acesso a educação, indicando que crianças filhas de pais mais pobres, antes excluídas, estavam finalmente entrando na educação básica e nela permanecendo.

Entretanto, logo se verifica que grande parte desses alunos, apesar de chegarem à escola, não conseguiam sucesso dentro dela, sendo reprovados continuamente e/ou abandonando-a. Constata-se uma dificuldade da escola em lidar com esses alunos, sendo muitos os fatores atribuídos a esse fenômeno, todos contendo uma parcela de razão: condições de funcionamento das escolas instalações, equipamentos e material didático, por exemplo), baixos salários e má formação dos professores, organização da escola (pouco flexível, não atendendo às especificidades da clientela), má gestão, inadequada definição dos conhecimentos curriculares e/ou do ensino etc. em cada região ou localidade, esses e outros fatores conduziram aos precários resultados de aprendizagem dos alunos que permaneciam na escola. Tal situação levou a ser definida hoje, como prioridade no discurso pedagógico, a busca pela melhoria da qualidade do ensino. Esse discurso cobra da educação não só bons resultados de aprendizagem dos alunos como também a adequação do que ela ensina, tendo em vista as mudanças que se processam na civilização mundial e na sociedade brasileira.

De todas essas questões, estamos, nesse início de novo século e milênio, com a dupla tarefa de resolver, ao mesmo tempo, problemas de ontem (acesso à permanência) e de hoje (qualidade de ensino). É possível que, pensando a escola necessária para o atual momento civilizador, possamos propor soluções para resolver os problemas que se acumularam.

Por onde começar a pensar a educação necessária para o século XXI?

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

O que nos reserva para o século XXI

Autores diferenciam os primeiros períodos da humanidade a partir das mudanças nas características centrais do modo de produção dominante e nos grandes ciclos econômicos. Nesse período, possuir grande quantidade de terra era um indicador fundamental de riqueza e de poder de uns homens sobre os outros.

O segundo momento da humanidade com relação ao modo de produção inicia-se com a Revolução Industrial, que teve na maquina a vapor dos irmãos Watt, na segunda metade do século XVIII, seu marco inicial, e desenvolvimento surpreendente a partir dos séculos XIX, com o descobrimento das leis. O capital, assim como o lucro que gera a partir da mais valia obtida com a compra do trabalho dos operários, é o fator principal da produção.

O terceiro momento da humanidade relativo ao modo de produção inicia-se na segunda metade do século XX, com base sobretudo nas mudanças profundas e constantes que ocorrem na tecnologia e nos meios de comunicação. As informações acumulam-se e se modificam de maneira rápida e constante, exigindo de um trabalhador reciclagem contínua e domínio de conhecimentos tanto específicos quantos gerais. Tendo em vista a facilidade de comunicação, outra característica desse modo de produção que começa a se delinear é a de que em muitos casos o local de trabalho não necessita ser o mesmo para todos os empregados de uma empresa. O gráfico mostrado a seguir, de Richard Oliver (1999, p. 16) sistematiza esses três períodos da humanidade com relação ao modo de produção dominante.

A concepção das novas atribuições da educação, e conseqüentemente, da função social da escola tem sido bastante debatida. Nos anos 90, por exemplo, a Unesco (órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) instituiu a Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI, que veio a produzir um relatório no qual a educação é concebida a partir de princípios que constituem os quatro pilares da educação:

Aprender a conhecer: significa não tento a aquisição de um vasto repertório de saberes, mas o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Supõe aprender a aprender, exercitando os processos e habilidades cognitivas: atenção, memória e o pensamento mais complexo (comparação, análises, argumentação, avaliação, crítica).
Aprender a fazer: exprime a aquisição na o somente de uma qualificação profissional, mas de competências que tornem a pessoa apta a enfrentar
Aprender a conhecer: significa não tanto a aquisição de um vasto repertório de saberes, mas o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. Supõe aprender a aprender, exercitando os processos e habilidades cognitivas: atenção, memória e o pensamento mais complexo (comparação, análise, argumentação, avaliação, crítica).
Aprender a fazer: exprime a aquisição não somente não somente de uma qualificação profissional, mas de competência que tornem a pessoa apta a enfrentar variadas situações e trabalhar em equipe. Aprender a fazer envolve, assim, o âmbito das diferentes experiências sociais e de trabalho.
Aprender a conviver: que dizer tanto a direção da descoberta progressiva do outro e da interdependência quanto a participação em projetos comuns.
Aprender a ser: significa contribuir para o desenvolvimento total da pessoa: espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, capacidade para se comunicar, espiritualidade. Significa também a pessoa aprender a elaborar pensamentos autônomos e críticos e formular seus próprios juízos de valor, não negligenciando nenhuma de suas potencialidades individuais.
A educação assim concebida indica uma função da escola voltada para a realização plena do ser humano, alcançada pela convivência e pela ação concreta, qualificados pelo conhecimento. Historicamente, as escolas se preocuparam mais em desenvolver as duas primeiras aprendizagens (aprender a conhecer e aprender a fazer); há que se construir uma escola. Essa construção demanda uma travessia que geralmente se inicia pela passagem do âmbito dos princípios para o de um projeto pedagógico, e deste para a praticas e ações dos educadores. E essa travessia pressupõe uma reflexão de todos os envolvidos sobre todas as decisões que dão forma a uma escola, desde as relativas ao currículo, passando pelas relacionadas à aula e às metodologias, até as que se referem à gestão escolar.

Tendo em vista as mudanças profundas que ocorrem no âmbito da civilização lembradas e entendendo o currículo como uma trajetória de formação dos alunos, cuidado especial deve ser dado à definição dos conteúdos escolares. Eles constituem peça importante para ser colocada sobre os pilares de sustentação acima descritos. Nenhum currículo pode fixar-se por muito tempo. Deve haver um repensar constante sobre sua contemporaneidade, ou seja, sua atualidade e sua adequação ao que está acontecendo no mundo real. Os alunos precisam de conhecimentos que lhes sirvam para melhor entender a sociedade global e melhor conviver e agir em sua comunidade e no seu trabalho.

É chegado o momento de encerrarmos a nossa conversa. Esperamos que você tenha apreciado fazer esta jornada conosco. Refletimos sobre tantas coisas que não é simples, ao final, resumir em poucas palavras o caminho percorrido.

Começamos por estudar Escola e Mundo Contemporâneo. Nessa Unidade, debruçamo-nos sobre a função social da escola, analisando seu papel na transmissão de conhecimentos, no desenvolvimento pleno da pessoa humana e na formação para a cidadania. Vimos que nenhuma outra instituição ocupa este lugar na sociedade. Atentamos também para a função social que a escola tem exercido no Brasil, observando que no passado a escola atendia uma clientela reduzida. Pouco a pouco, essa tendência vai se modificando e há uma gradativa expansão da escolaridade obrigatória para todos as crianças. Ainda assim, muitos problemas permanecem. Analisamos também o papel reservado à educação na Constituição de 1988 e na legislação educacional.

Discutimos sobre a Escola e Sociedade do Conhecimento, concentrando-nos nas principais características da educação na sociedade do conhecimento. Vimos que na era da informação a escola é chamada a oferecer respostas a novas exigências de educação: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver e aprender a ser. Tudo isso requer da escola novas bases de convivência com as tecnologias da informação, e em particular com o computador.

Procuramos refletir sobre Escola e Democracia, mostrando a íntima relação entre ambos. Destacamos a importância da democracia como valor e como processo. Ao mesmo tempo, apontamos pistas para diferenciar uma cosia da outra. Observamos a presença dos princípios democráticos na Constituição e na LDB, indicando a articulação entre a escola e a gestão democrática.

Refletindo sobre Escola e Comunidade, caracterizamos a escola como um espaço social onde todos aprendem, observando o quanto a articulação entre uma e outra contribui para uma gestão bem-sucedida e para o sucesso de todas as crianças. Buscamos também identificar os problemas que podem dificultar a relação entre escola e comunidade, apontando mecanismos e estratégias de integração.

Finalmente, discutimos Escola e Cultura, apontando a relação recíproca entre valores culturais da comunidade e da cultura escolar. Procuramos ainda explicar a escola como pólo cultural e de desenvolvimento da comunidade.

CRONOGRAMA

O tema do projeto proposto, a ação do pedagogo mediante os projetos de trabalho, na formação de professores e práticas pedagógicas no mundo globalizado e contemporâneo, será estudado de acordo com a proposta abaixo relacionada.

Atividades
Julho
Agosto
Setembro

1. Procura de bibliografias a cerca do tema
X

2. Leitura e estudo das bibliográficas
X

3. Elaboração/revisão e digitação do projeto
X

4. Entrega do projeto
X

CUSTOS

Pesquisa Bibliográfica (xerox) R$ 18,00

Impressão (digitação) R$ 15,00

Encadernação R$ 2,00

Correio R$ 30,50

Total R$ 65,50

BIBLIOGRAFIA

AUSUBEL, D. Educational Psychology: a cognitive view. Nova York: Holt, Rinehart & Winston, 1968.

BRASIL, Congresso Nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 4.024/61.

BRASIL. MEC. Gestão escolar e formação de gestores. In: Em Aberto, nº 72, vol. 17. Brasileira:INEP, jun. 2000.

BRASIL. MEC. SEF. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

CASTELLES, M. A África na era da Internet. Folha de S. Paulo, Mais! 20. ago. 2000.

DEWEY, J. Democracia e Educação. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1959.

DRUMOND DE ANDRADE, C. Mãos dadas. In: Sentimento do Mundo: poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977.

FERREIRO, E. A revolução da informática e os processos de leitura/escrita. In: Pátio – Revista Pedagógica. Ano 3, nº 9. p. 59-63, maio./jul. 1999.

FORQUIN, J. C. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar, Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 35. ed. São Paulo: Cortez, 1997.

GIROUX, Henry. Escola crítica e política cultural, 3. ed. São Paulo: Cortez, 1992.

HERNÁNDEZ, Fernando, VENTURA, Monsteserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho, 5. ed. Porto Alegre: Arimed, 1998.

ITT, Diários Projeto de Trabalho. 1. ed. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação a Distancia, 1998, 96 p.

ITT, Parâmetros Curriculares Nacionais: Temas Transversais, 1. d. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, 1998, p. 436.

LEVY,

P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

MELLO, Guiomar Namo de. Cidadania e competitividade: desafios educacionais do terceiro milênio, 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.

REVISTA PEGAGÓGICA, Belo Horizonte: Lancer, v. 1. m. 1., Jan/fev 1983

REVISTA PRESENÇA PEDAGÓGICA , Belo Horizonte: Dimensão. V. 4. m. 3, mar./abr. 1998.

ROMANELLI, O. História da Educação (1930-1973). 23 ed. Petrópolis: Vozes, 1995.

SACRISTÁN, Gimeno. O que é uma escola para a democracia? In: Pátio – Revista Pedagógica. Comunidade e escola – a integração necessária, ano e, nº 10, p. 57-63. Porto Alegre: Artes Médicas, ago./out. 1999.

Ficção e Realidade se Perpassam

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Autor: Odete liber

Obra: 1984. 12ª ed., São Paulo: Nacional, 1979.

“Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”.

George Orwell, grande escritor, que utilizava o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em Bengala, na Índia Inglesa, em 25 de junho de 1903, e veio a falecer em Londres, a 21 de janeiro de 1950. Poucas pessoas, mesmo entre as que lhe eram próximas, conheciam seu verdadeiro nome, de tal forma que o seu pseudônimo se tornou a sua Segunda natureza. A adoção deste nome correspondeu a uma alteração na vida e nos ideais do homem – de sustentáculo do Império Britânico, ele tornar-se-á num rebelde, constantemente critico.

Escrito no pós-guerra, o livro de Orwell – 1984, é um dos maiores clássicos do século passado. O romance de Orwell, descreve uma visão pessimista de um futuro sombrio. O autor inverteu o ano no titulo para criticar o totalitarismo vigente em 1948. Sendo assim, não era apenas uma obra de ficção cientifica.

No livro conta-se a história de Winston, um apagado funcionário do Ministério da Verdade da Oceania, como parte da indiferença perante a sociedade totálitária em que vive, passa à revolta, levado pelo amor por Júlia e incentivado por O’Brian, um membro do Partido Interno com quem Winston simpatiza; e de como acaba por descobrir que a própria revolta é fomentada pelo Partido do Poder, e também de como, no quarto 101, todo o homem tem os seus limites.

Logo, pode-se dizer que ao escrever 1984, Orwell estava desencantado com o socialismo, especialmente com sua faceta stalinista, causa que abraçara para melhor lutar contra o naziifascismo, dedicou os últimos anos de vida a denunciar o comunismo stalinista. Para tanto publicou dois livros, nos anos de 1945 e 1949, ambos com impressionante projeção, e que fizeram por acirrar ainda mais o feroz debate ideológico entre comunistas e democratas que dividiu o mundo intelectual na época da guerra fria. Um deles intitulava-se Animal Farm (A revolução dos bichos), e o outro simplesmente tinha um número na capa, o Nineteen Eigthy Four (“1984”), no qual apareceu pela primeira vez o onipresente Big Brother, o Grande Irmão.

O intento do cidadão Winston Smith de rebelar-se contra o todo-poderoso sistema em que ele vivia fracassara rotundamente. Preso, torturado de uma maneira especial pela polícia política do regime (ele era fóbico a ratos, justamente com quem teve que compartilhar uma gaiola), ele não resistiu. Em pouco tempo, reciclado por um programa de recondicionamento de praxe, na verdade uma lavagem cerebral em regra, Winston voltou a ser um servo da ordem totalitária. Esta é em essência o enredo do livro 1984 (Neneteen Eithy-Four). Este livro assinalou o rompimento definitivo de Orwell com qualquer causa de esquerda e de certa forma, pode-se considerá-la como o epílogo do seu desentendimento com os comunistas, drama moral e ideológico que se arrastava há mais de dez anos, desde os tempo da Guerra Civil espanhola (1936-39).

Como tantos intelectuais da sua geração (a crise dos anos 30, seguida da espantosa ascensão do nazi-fascismo, quando ditadores como Hitler, Mussolini e Franco, passaram a servir de exemplo e inspiração para tantos outros candidatos à tirania), Orwell inclinou-se pela resistência a eles. Nunca, entretanto, foi um militante comunista. Considerava-se um independente, um companheiro de viagem da causa. E assim o foi. Em dezembro de 1936, ele, como tantos outros estrangeiros, apresentou-se como voluntário para deter o golpe direitista do general Franco, na Espanha. A situação piorou quando, ainda que ferido na garganta quanto lutava ao lado dos milicianos de esquerda, em maio de 1937, ele foi, justamente por não ser um enquadrado, considerado um fora-da-lei pelos comunistas espanhóis alinhados a Moscou.

Depois, Orwell estava se recuperando em Barcelona quando assistiu, em junho de 1937, a liquidação, por fuzilamento ou encarceramento, do POUM (uma milícia pró-trotsquista que foi colocada na ilegalidade pelos comunistas espanhóis, supervisionados pela GPU de Stalin). As batalhas de rua travadas entre os socialistas e comunistas contra os anarquista e os integrantes do POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista) foram por ele vivamente registradas nas páginas do seu Homage to Catalonia (Lutando na Espanha, pela tradução brasileira feita pela Editora Civilização Brasileira), escrito logo após a sua volta a Londres. Aquela absurda carnificina entre as esquerdas, que se tiroteavam e se ofendiam em frente a um inimigo comum, era o resultado da política stalinista. O ditador soviético, na época dos processos de Moscou, tinha transferido sua luta contra Trótski e outros oposicionistas, para dentro da guerra civil da Espanha. Como era ele quem abastecia os republicanos espanhóis com as armas e suprimentos com que lutavam contra Franco, ninguém pôde demovê-lo da intenção de exterminar com os dissidentes, ainda que, até aquele momento, lutassem ombro a ombro contra o inimigo comum.

Então abalado, Orwell, retornando à Grã-Bretanha, aos poucos arquitetou a vingança contra os comunistas. Primeiro foi a sátira Animal Farm (A revolução dos bichos), publicado em 1945, no qual, à moda de La Fontaine, que socorria-se de história de bichos para expor os homens, fez uma devastadora crítica ao regime soviético. Livro, que correu o mundo alimentado pelas paixões acesas pela guerra fria. Em seguida, em 1949, um ano antes de morrer tuberculoso, editou o Nineteen Eigthy-Four (“1984”), o grande clássico da desilusão de um esquerdista com o comunismo.

1984 foi inspirado na pequena novela “Nós” de Eugênio Zamiatin, de 1920/1, escrita em plena União Soviética, Orwell, com recursos literários bem superiores, colocou o regime de Stalin sob execração universal. Enquanto o ex-bolchevique Zamiatin, que foi o verdadeiro profeta da sociedade anti-utópica, chamou de benfeitor o ditador do seu Estado Uno, Orwell batizou-o de Big Brother. Era o Grande Irmão, que tudo via, tudo sabia e tudo previa, o invisível senhor de uma máquina política totalitária que movia guerra ao mundo e aos seus poucos opositores. Também recorreu a outro best-seller da distopia (isto é uma anti-utopia ou contra-utopia, que visualiza o futuro como um pesadelo), o Brave New World, o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que descrevia o funcionamento de uma sociedade pavloviana inteiramente controlada por recursos biológicos e farmacêuticos, publicado em 1931.

Tendo o controle das comunicações, fazendo da televisão, o seu poderoso olho policial, o Grande Irmão dobrava todos à sua vontade. O lema do regime era Big Brother is Watching You, o Grande Irmão te vigia. Nada, portanto, lhe escapava. Invertendo a lógica do aparelho televisor, obrigatoriamente ligado, sem outras alternativas de programas, era por meio do tubo que ele controlava os cidadãos rebaixados a servos obedientes.

Pode-se dizer que, a coesão interna do sistema era obtida não só pela opressão. Lá fora, além do perímetro da Oceania, como Orwell designou aquele paraíso da repressão, o regime enfrentava os seus inimigos eternos sustentando uma guerra interminável na Eurásia e na Eastasia, tudo justificado pela invenção de uma nova linguagem: a novilíngua. Este idioma totalitário, obra-prima dos filólogos a serviço do Grande Irmão – parente próximo do politicamente correto dos nossos dias -, tinha o dom de transmudar em outra coisa todas as palavras com significado desagradável ao regime. Não contente com isso, o Grande Irmão, para extravasar as emoções, promovia sessões de ódio, nas quais, numa tela gigante, aparecia a imagem do principal inimigo dele (Emanuel Goldstein, isto é, Trótski) para que todos descarregassem a fúria sobre aquele inimigo. Situações estas intercaladas com outras cenas enternecedoras, nas quais os súditos, perfeitamente lubrificados pela eficaz e condicionante engrenagem da propaganda, lançavam loas e agradecimentos mil ao Grande Irmão.

As intenções gerais de Orwell com o livro 1984, além de ser uma espécie de acerto de contas com o regime comunista, era tecer certas considerações sobre a experiência socialista até então conhecida. Basicamente ele assegurou que:

A guerra, movida perpetuamente pelo regime, era importante para consumir os produtos do trabalho humano, pois se tal tipo de trabalho for usado na incrementar o padrão de vida, o controle do partido sobre o povo decai, pois a guerra é a base de uma sociedade hierárquica, visto que a guerra contínua, tinha a função de garantir a ordem interna do regime. Desta forma Guerra significava Paz;

Logo, a paranóia do regime stalinista tinha uma função clara de mobilizar os recursos nacionais permanente em função da interminável guerra contra o capitalismo, servindo isto de pretexto para a continuidade da ditadura partidária e do domínio absoluto do chefe sobre o todo;

Havia uma necessidade emocional em acreditar na vitória final do Grande Irmão. Para poder suportar o clima opressivo, as mentes deveriam estar concentradas num perspectiva psicológica otimista;

Coletivismo não significa socialismo, já que a riqueza pertence a uma nova “classe alta”, formada pela burocracia e pelos administradores. O coletivismo assegurou a permanente desigualdade;

A riqueza não é transmitida de pessoa a pessoa, mas controlada pelo grupo dominante.

Por isso, diz-se que é no final desse século que o mundo de Orwell poderia vir à tona. Com os megablocos, a novilíngua e a tríade que sustenta o duplipensamento: guerra é paz; liberdade é escravidão; e ignorância é força. Para acreditar nessas diretrizes é preciso duplipensar – cada um dos lemas pode ser usado em sentido oposto, dependendo do seu uso. Para entender o duplipensar é necessário duplipensar.

No livro, o personagem principal, Winston Smith, que trabalha no Ministério da Verdade, é uma crítica à imprensa e sua tarefa é adulterar o passado, contribuindo para a manutenção do Partido no poder. O Ministério da Verdade e o controle de dados da população é fundamental, pois quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado.

Existiam ainda mais três Ministérios, o da Paz (equivalente as forças da paz da ONU), o da Fartura, responsável pelo forjamento de números e metas e pelo entusiasmo da população, assim como o nosso racionamento de energia, e o do Amor, onde os suspeitos eram levados para tortura.

Orwell descreveu um mundo dividido em megablocos, onde os indivíduos eram controlados todo o tempo através de teletelas e dos aparatos de denúncia do estado totalitário. O atual cenário cennário macro-econômico ainda engatinha para essa reformulação politico-econômica. A Oceania, englobava a Alca e o Reino Unido, ou Pista de Pouso nº1 (a definição não era pejorativa segundo o autor, entretanto é uma crítica a pátria colonizadora que virou colonizada). Os ingleses estariam de fora do megabloco da Eurásia (Europa continental e países da Ex-URSS) da mesma forma que atualmente descartam o Euro. Orwell não precisava ser vidente para projetar uma unidade européia sem a Inglaterra. A Lestásia era o terceiro-bloco formado pela união dos tigres asiáticos, China e Japão. Já os outros países integrantes do Oriente Médio, África e do sul da Ásia formariam um quadrilátero geográfico sem unidade. Esses países seriam o motivo de guerra entre os três megablocos. Não muito diferente da situação do Afeganistão, Filipinas, Palestina, Iraque.

Assim como os megablocos, a redução drástica do idioma e o contole total da população estão na “pré-história”. A informática é o setor mais necessário e o que mais avança para que transformação da ficção em realidade seja completa. O totalitarismo através do controle da população depende exclusivamente dos avanços tecnológicos.

Orwell criticava o totalitarismo de Estados, o qual poderá ser substituído pelo das grandes corporações. No livro, os membros do partidos eram vigiados em todos os lugares através das teletelas com medo de serem capturados. Orwell era experiente nisso: em 1949, ele denunciou, numa lista, 130 pessoas suspeitas de comunismo ao governo britânico, incluindo Charles Chaplin e Bernard Shaw. Assim, o indivíduo não terá defesa se a realidade caminhar para o mundo de “1984”. Mesmo que haja uma oposição, a possibilidade de ela ser efetiva é nula. A oposição pode existir desde que não incomode. Orwell projeta o futuro numa crítica a falta de opção no presente. Se na ficção o cidadão reagisse, ele cometia crimidéia, o que bastava um pensamento ou um ato suspeito diante das teletelas e até dos próprios filhos, incentivados pelo Partido a denunciarem os pais suspeitos. Ao cometer crimidéia, o indivíduo passava a ser alvo fácil do Ministério do Amor, sendo vigiado e caçado pela Polícia do Pensamento. Tornava-se impessoa. Foi o que aconteceu com Winston, que tinha atitudes contrárias ao Partido como anotar num caderno suas idéias. Quando alguém se tornava “Impessoa” ela desaparecia e todos os seus registros eram apagados. Aquela pessoa nunca existira…

Portanto, 1984 não é apenas uma crítica, mas uma metáfora do que está sendo pavimentado pela novilíngua, pelo crimidéia e pelo duplipensar; presentes em 1948, possivelmente em nosso época, em 2004.

A Expressão Livre no Aprendizado da Língua Portuguesa

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Maria Lucia dos Santos relata, no livro, seu descontentamento com o ensino formal da Língua Portuguesa ao ingressar, em 1968, no magistério oficial. Buscando caminhos alternativos para ensinar Língua Portuguesa, na pós-graduação conheceu mais aprofundadamente as idéias pedagógicas de Freinet e, na França, teve contato com tal trabalho nas salas de aula freinetianas. De volta ao Brasil, em 1975, passou a adotar as técnicas de Freinet para suas aulas em escolas públicas, o que deu origem ao livro em questão.

A autora parte do texto livre, espontâneo para trabalhar tópicos como correção gramatical, interpretação e aperfeiçoamento coletivo. Enfim, o conteúdo deve ser livre, mas a forma trabalhada.

Outras técnicas utilizadas para o ensino de português são o jornal escolar (que permite ao aluno participar de um trabalho social produtivo), o jornal falado (que permite aos colegas argumentarem), a correspondência interescolar (para que o aluno perceba a função social da escrita e reconheça sua importância, utilidade e exigência), a festa de aniversário (com números artístico-culturais, jogos e brincadeiras), a dramatização, o projeto (muito utilizado atualmente, envolvendo desde o planejamento ate a execução/exposição do mesmo) e o relatório de aula (no qual, em cada aula, um voluntário registra no caderno de relatórios as atividades desenvolvidas).

Seguindo o preceito de Freinet, a autora defende o método natural para aprendizado da gramática, que se caracteriza pela inversão do procedimento adotado pelo método tradicional. Defende chegar à aquisição do conhecimento por meio do tateio experimental. Para tal, algumas propostas são dadas, a saber: o fichário autocorretivo (individual, com gabarito) e a ficha para treino ortográfico.

No que tange à avaliação, Santos ressalta ser esta um instrumento valioso para o professor e positivamente significativo para o aluno. Destaca ainda a necessidade de coerência entre os objetivos educacionais, a linha didática e os recursos pedagógicos utilizados. São importantes os trabalhos individuais e os coletivos.

Ao referir-se ao método natural de leitura, a autora ressalta que este deve ser baseado na vivência das crianças e se inscrever numa perspectiva de educação global.

Assim, com a prática da atividade lingüística e a observação do funcionamento da língua em diferentes situações de uso, efetiva-se a aprendizagem da língua falada ou escrita.

Em seguida, o livro destaca, primeiramente, que é preciso preocupar-se com as necessidades que as pessoas têm de expressar-se, comunicar-se, criar, agir, conhecer, organizar-se e avaliar-se. Em segundo lugar, que tanto a postura autoritária do professor como a daquele que não intervém são prejudiciais à aprendizagem.Ordem e disciplina são importantes. Em seguida, a importância da infra-estrutura: a sala de aula precisa constituir um meio estimulante e rico para o desenvolvimento da aprendizagem.

Por fim, aparecem dispostos os acontecimentos e momentos significativos da pedagogia Freinet no Brasil. Merece destaque a chegada de Michel Launay, em 1972, ao Departamento de Letras da USP, onde iniciou a prática da pedagogia Freinet no ensino superior.

O livro de Santos é interessante aos educadores em geral que estão cansados da pedagogia do giz e da saliva. Além disso, a obra é leitura obrigatória aos interessados no método Freinet de aprendizagem.

SANTOS, Maria Lucia dos. A expressão livre no aprendizado da Língua Portuguesa. Scipione, 1991.

A Arte da Guerra

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Autor: Sun Tzu, com adaptação de James Clavell;

Editora: Record, 8ª edição.

I – Introdução:

Infelizmente pouco se sabe do autor ou de quando escreveu os treze capítulos de seu livro. Alguns o situam mais ou menos em 500 a. C., no Reino de Wu, na China, outros em 300 a. C., mas sabe-se que Sun Tzu foi um filósofo antes de se tornar um general. Um de seus comentadores, Su-ma Ch’ien, em 100 a. C., Aproximadamente, relata que seu livro “A Arte da Guerra”, que discute todos os aspectos da guerra, do tático ao humano, chamou a atenção de Ho Lu, Rei de Wu, que o nomeou general. E a partir de então e durante quase duas décadas, até a morte de Sun Tzu e do rei, os exércitos de Wu venceram os seus inimigos tradicionais.

É um notável documento, escrito originalmente em chinês há aproximadamente 2.500 anos, cujos ensinamentos mantêm-se atualizados até nossos dias, podendo ser aplicados tanto na formação de militares como ao mundo dos negócios e na vida cotidiana de cada um. É um livro para ser lido não só por militares, mas por qualquer pessoa, pois aplica-se a todo e qualquer conflito, alcançando cada indivíduo com seu opositor, uma empresa com outra, concorrente ou aliada, e até mesmo o amante com sua amada.

II – Desenvolvimento:

Este extraordinário livro, escrito a mais de 2.500 anos, na China, começa assim:

“A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim, em nenhuma circunstância deve ser negligenciada”.

O livro que começa com o capítulo dedicado a preparação dos planos; passa ao sobre a guerra efetiva; em seguida ao intitulado “A Espada Embainhada”, que traz um dos grandes ensinamentos do autor, segundo o qual “o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”; depois discorre sobre os pontos fracos e fortes de um exército; a maneira de manobrá-lo; táticas especiais para situações especiais; o exército em marcha; os diversos tipos de terrenos; quando atacar e quando não atacar; ataque pelo fogo; e termina com o capítulo sobre o emprego de espiões, totalizando treze capítulos, repletos de ensinamentos e experiências de combates e de vida, que foram registradas nessa obra por um filósofo que se tornou general, é um documento de grande valor para toda a humanidade e que merece ser lido e estudado por todos aqueles que buscam o conhecimento e principalmente a paz.

Em seu primeiro capítulo, um dos mais ricos em ensinamentos, que trata da preparação dos planos, Sun Tzu relata que a arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que são: a lei moral; o céu ; a terra; o chefe; o método e a disciplina. Depois de detalhar cada um desses fatores determina que estes devem ser familiares a cada general, e que quem os conhecer será vencedor, e quem não os conhecer fracassará. E afirma que pode prever a vitória ou a derrota analisando as seguintes comparações:

– Qual dos soberanos está impregnado com a lei moral?

– Qual dos dois generais tem mais competência?

– Com quem estão as vantagens oriundas do céu e da terra?

– Em que lado a disciplina é mais rigorosamente aplicada?

– Qual o exército mais forte?

– De que lado há oficiais e soldados mais bem treinados?

– Em que exército existe a absoluta certeza de que o mérito será mais apropriadamente recompensado e o demérito punido sumariamente?

Mas ensina que os planos devem ser modificados de acordo com as circunstâncias. E que toda operação militar tem o logro como base. E que por isso, quando formos capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe, devemos fazê-los acreditar que estamos perto. Que devemos preparar iscas para atrair o inimigo. Devemos fingir desorganização e esmagá-lo. Que se ele estiver protegido em todos os pontos, devemos estar preparados para isso. Que se ele tem forças superiores, devemos evitá-lo. Que se o seu adversário é de temperamento irascível, deve procurar irritá-lo. Deve fingir estar fraco para que ele se torne arrogante. Se ele estiver tranqüilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado. E apareça quando não estiver sendo esperado.

No capítulo sobre a guerra efetiva o autor detalha os custos de organização de um exército e os efeitos desastrosos de uma guerra longa.

Quando passa ao intitulado “A Espada Embainhada”, ensina que “a gloria suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”, e que precisamos saber que há cinco coisas fundamentais para a vitória:

1 – será vencedor quem souber quando lutar e quando não lutar;

2 – será vencedor quem souber como manobrar tanto as forças superiores como as inferiores;

3 – será vencedor aquele cujo exército estiver animado do mesmo espírito em todos os postos;

4 – será vencedor quem, autopreparado, espera para surpreender o inimigo despreparado; e

5 – será vencedor quem tiver capacidade militar e não sofrer a interferência do soberano.

Sun Tzu afirma que “se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas”.

Sobre as “tática”, observa que “os bons guerreiros de antigamente primeiro se colocaram fora da possibilidade de derrota e depois esperaram a oportunidade de derrotar o inimigo”, e com sabedoria explica que “o verdadeiro mérito é planejar secretamente, deslocar-se sub-repticiamente, frustar as intenções do inimigo e impedir seus planos, de maneira que, finalmente, o dia possa ser ganho sem o derramamento de uma gota de sangue”.

Discorrendo sobre a “energia”, o filósofo general determina que o guerreiro inteligente deve procurar o efeito da energia combinada e não exigir muito dos indivíduos. Deve levar em conta o talento de cada um e utilizar cada homem de acordo com sua capacidade. E que não se deve exigir perfeição dos sem talento.

Importantes ensinamentos estão contidos no capítulo que trata dos “pontos fracos

e fortes”, onde o autor afirma que mesmo que o inimigo seja mais forte em tropas, podemos impedi-lo de combater. Que devemos planejar de forma a descobrir seus planos e a sua probabilidade de sucesso. Devemos provocá-lo e descobrir a base da sua atividade ou inatividade. Devemos força-lo a revelar-se, de forma a exibir seus pontos vulneráveis. Devemos comparar meticulosamente o exército adversário com o nosso, de forma a saber onde a força é superabundante e onde é deficiente.

No importante capítulo intitulado “Manobras”, enquanto Sun Tzu ensina como manobrar um exército para se defender de ataques inimigos ou para tomar o ofensiva no combate, ele detalha princípios como o “artifício do desvio”; “a arte de estudar os humores”; “a arte de conservar o autodomínio”; “a arte de economizar forças”; e a “arte de examinar as circunstâncias”.

Há um capítulo dedicado a considerações sobres a “Variação de Táticas”, onde ensina que quando em região difícil, não devemos acampar. Quando em regiões onde cruzam-se boas estradas, devemos nos unir aos aliados. Que não devemos nos demorar em posições perigosamente isoladas. Que em situações de cerco, devemos recorrer a estratagemas. Que numa posição desesperada, devemos lutar. Que há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas.

Afirma também que há exércitos que não podem ser atacados; posições que não podem ser discutidas; ordens do soberano que não devem ser obedecidas. E conclui “o general que compreende

inteiramente as vantagens que acompanham as variações de táticas, sabe como comandar seus soldados. O que não compreende, por mais que esteja familiarizado com a configuração do terreno, não será capaz de transformar seu conhecimento em prática”. E Segundo Sun Tzu, há cinco erros que podem determinar a ruína de um general:

1 – a negligência, que leva à destruição;

2 – a covardia, que leva à captura;

3 – a debilidade da honra, que é sensível à vergonha;

4 – temperamento impetuoso, que pode ser provocado com insultos; e

5 – excesso de solicitude com seus soldados.

Ao escrever sobre “o exército em marcha”, Sun Tzu relata detalhadamente os diferentes tipos de terrenos por que passa um exército em marcha e ensina as meios de se utilizar suas características em proveito tanto da defesa quanto do ataque ao inimigo, e observa que quando o exército acampar, deve passar rapidamente pelas montanhas e ficar nas proximidades dos vales. E que deve-se também, acampar em lugares altos e de frente para o sol.

Quanto ao “terreno”, o autor o divide em seis tipos: o acessível; o complicado; o retardador; os desfiladeiros; os cumes escarpados; e posições a grande distância do inimigo. Também observa que há situações que deixam um exército exposto a calamidades e que são da responsabilidade do general, como: fugas; insubordinação; colapso; ruína; desorganização; e derrota total. Afirma que há seis formas de atrair a derrota: negligenciar o cálculo da força do inimigo; falta de autoridade; treinamento imperfeito; ira injustificável; não observância da disciplina; e incapacidade de usar homens escolhidos.

Afirma também que “a formação natural da região é o melhor aliado do soldado, mas a capacidade de estimar o adversário, de comandar as forças da vitória e de calcular astutamente as dificuldades, perigos e distâncias, constitui o teste de um grande general. Quem conhecer essas coisas e, no combate, puser em prática esses conhecimentos, vencerá seus combates”.

Para Sun Tzu a arte da guerra reconhece nove variedades de terreno: o dispersivo; o fácil; o controverso; o aberto; o de estradas cruzadas; o sério; o difícil; o orlado; e o desesperador. E dedica o capítulo intitulado “as nove situações” para explicá-los detalhadamente. Ensinando que a rapidez é a essência da guerra. Que devemos tirar partido da falta de preparação do inimigo e marchar por caminhos onde não se é esperado, atacando pontos desprotegidos.

O “ataque pelo fogo” é um capítulo que merece especial atenção, pois o autor estabelece que há cinco maneiras de atacar com fogo, e detalha cada uma delas, e afirma que ao atacar com fogo, devemos estar preparados para enfrentar cinco possíveis desdobramentos. E ao detalhar esses desdobramentos ele determina que ao iniciar um incêndio, deve-se estar em favor do vento e nunca a sotavento.

Sun Tzu explica e justifica o emprego de espiões em seu capítulo XIII, onde afirma que o emprego de espiões é o único meio para se chegar a “previsão”, pois entende que as disposições do inimigo só são averiguadas por meio de espiões. Ele os divide em cinco tipos: os espiões locais; os espiões internos; os espiões convertidos; os espiões condenados; e os espiões sobreviventes. Sendo que, após explicar detalhadamente cada um desses tipos, ele conclui que o espião convertido é essencial e o mais importante deles. Justifica ainda, que a finalidade e a intenção de espionar em todas as cinco variedade é o conhecimento do inimigo. E encerra seu livro afirmando que “os espiões são os elementos mais importantes de uma guerra, porque neles repousa a capacidade de movimentação de um exército”.

III – Conclusão:

Este livro escrito a vinte e cinco séculos, mantém-se atualizado e é capaz de mostrar com clareza o que ainda continua sendo feito errado e porque alguns países, exércitos, empresas e pessoas têm tanto sucesso em determinadas áreas e outros não. Ele indica, com simplicidade, como tomar a iniciativa e combater o inimigo, qualquer inimigo. Nesse sentido, Sun Tzu escreveu: “Se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates”. As verdades de Sun

Tzu podem mostrar-nos o caminho da vitória em todas as espécies de conflitos, desde conflitos comerciais comuns, batalhas em salas de diretoria e na luta diária pela sobrevivência, até na guerra dos sexos. Pois todas são formas de guerra, todas combatem sob as mesmas regras e preceitos que Sun Tzu tão bem traduziu em palavras e deixou para sempre registradas em seus treze capítulos de ensinamentos, conhecimentos e experiências de uma vida voltada para os combates e para a guerra, mas também voltada para a observação e estudo de sua realidade e do próprio ser humano, que só um filósofo com uma mente brilhante e inteligência aguçada como Sun Tzu poderia fazer.

ALTERAÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS EM PACIENTES COM AIDS

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Autor: Gercélia dos Santos Ramos

ALTERAÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS ENCONTRADAS EM PACIENTES COM AIDS: UM LEVANTAMENTO REALIZADO NO C.H.C.F., NA CIDADE DE JOÃO PESSOA

1. INTRODUÇÃO

Fonoaudiologia é uma ciência cujo objetivo está voltado para os problemas da comunicação humana, fator importante no desenvolvimento do ser humano. Problemas nessa área são conseqüências de muitas doenças, podendo resultar de anormalidades em diferentes níveis.

Uma dessas doenças é a infecção por HIV, que atinge milhares de indivíduos e para qual não há cura, até o momento. Representa, atualmente, um dos maiores problemas de Saúde Pública e tem causado a morte de milhares de pessoas em todo mundo, na sua maioria jovens, em seus anos de maior produtividade.

O número de pessoas infectadas pelo HIV, no Brasil, aumentou consideravelmente nos últimos vinte anos. Segundo Ministério da Saúde, 210452 pessoas são portadoras de AIDS atualmente em todo Brasil.

A AIDS é causada pelo HIV, vírus da Imunodeficiência Adquirida que provoca uma destruição das defesas naturais do corpo de forma que o organismo vai se enfraquecendo aos poucos, levando ao indivíduo a possibilidade de adquirir uma série de doenças oportunistas, como pneumonia, herpes simples, infecções por fungos do tipo Cândida (sapinho), doenças intestinais, tumores e outras, influenciando de forma prejudicial, todo o sistema estomatognático do individuo (deglutição, respiração, mastigação e sucção).

Os problemas causados pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida são tantos que, por mais que tenham sido estudados, ainda há muito a ser elaborado e descoberto. No campo da Fonoaudiologia, poucas foram as conclusões apresentadas, motivo pelo qual a serem elaborados trabalhos sérios de experimentação em tão empolgante assunto.

Diante do exposto, e levando em consideração a escassez de literatura específica, sentiu-se a necessidade de diagnosticar as possíveis alterações estomatognáticas encontradas nos pacientes com AIDS. Além disso, este trabalho pretende, ser um veículo de informação, abrangendo um assunto do interesse das pessoas que, de uma forma ou de outra, estejam convivendo com o HIV/AIDS.

Esta monografia esta dividida em embasamento teórico, resultados e discussões, metodologia e considerações finais. No embasamento teórico, subdividimos em dois capítulos, um sobre AIDS e outro sobre Funções Estomatognáticas, expondo definições, sintomas e alterações que a AIDS pode causar no individuo. Já, o segundo capítulo, está dividido em cada função estomatognática, ou seja, mastigação, respiração, deglutição, articulação e fala, expondo o normal e patológico de cada função.

2. EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1. AIDS

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), envolve uma série de conceitos medicinais muitas vezes difíceis de compreender. Sua definição é apresentada em cada palavra que constitui sua sigla. A palavra síndrome é conjunto de sintomas que ocorrem mais ou menos simultaneamente, tendo uma ou várias causas comuns. A palavra imunodeficiência é a deficiência do sistema imunológico. A imunidade é a capacidade que tem o organismo para reconhecer e destruir “invasores” que o “atacam”. Deficiência, porque é peculiar dessa doença deixar o organismo sem funcionar, ficando exposto a uma multiplicidade de agentes infecciosos, muitos dos quais habitualmente inofensivos, mas que, nessas condições, conseguem atingir seu pleno desenvolvimento nocivo.

Para completar o significado amplo desta patologia, a palavra adquirida, significa que a imunodeficiência da AIDS se dá por contágio, ou seja, o agente infeccioso penetra no organismo através do sangue, do esperma ou de certas secreções de um outro organismo no qual se encontra presente.

A AIDS é definida como síndrome porque não tem uma manifestação única, caracteriza-se pela aparição de várias doenças sucessivas e simultâneas, que “ocultam” a verdadeira doença. É justamente uma doença do sistema imunológico, que causa um desabamento geral das defesas orgânicas.

O MINISTÉRIO DA SAÚDE (1999), expõe, ainda que, a AIDS é uma doença contagiosa, imunodepressiva e letal, causada pelo vírus HIV (Human Immunodeficiency Vírus). Esse vírus infecta as células do sistema imune e do sistema nervoso central, sendo capaz de destruir células importantes no sistema de defesa do organismo onde a pessoa pode desenvolver, com maior ou menor gravidade, doenças como pneumonia, herpes simples, infecções por fungos do tipo Cândida (sapinho), doenças intestinais, tumores e outras.

No Brasil, o aparecimento da AIDS se deu pela primeira vez em 1982, quando o diagnóstico foi feito em sete pacientes. A epidemia que, em sua primeira fase (1980 a 1986), caracterizava-se pela preponderância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada, em sua segunda fase (1987 a 1991), passou a caracterizar-se pela transmissão sanguínea, especialmente na subcategoria de usuários de drogas injetáveis (UDI), dando inicio, nesta fase, a um processo mais ou menos simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de pequenas cidades do interior estavam infectados.

Finalmente, em sua terceira fase (1992 até os dias atuais), um grande aumento de casos por exposição heterossexual vem sendo observado, assumindo cada vez maior importância a introdução de casos do sexo feminino (feminização da epidemia).

Como muitas patologias, a AIDS apresenta sintomas, dentre eles podemos destacar: perda de peso, náuseas ou vômitos, ulcerações mucocutâneas, aftas, paralisia facial, entre outros. A debilitação neurológica é geralmente autolimitada, passando de um quadro assintomático até déficits neurológicos persistentes. Os portadores do vírus HIV também desenvolvem sinais ou sintomas no seu aspecto emocional.

As manifestações clinicas de uma infecção por HIV são muito variáveis, afirma VERONESI (1991). Atualmente, segundo uma sugestão dos Centers for Disease Control (CDC), é possível caracterizar quatro estágios principais da evolução da doença.(ALVES, 2001)

O estágio um engloba a sintomatologia da infecção aguda por HIV. Caracteriza-se por mal-estar geral, fadiga, febre, cefaléia e dores localizadas nos membros, irritação da mucosa de orofaringe, erupção cutânea e linfadenomegalia. O estágio dois é descrito como infecção HIV assintomática, onde aqui não se verifica sinais ou sintomas de doença. O estágio três é descrito como uma linfadenopatia generalizada e persistente.

Por último, o estagio quatro, no qual os participantes da pesquisa encontravam-se, é caracterizado pela gama da sintomatologia do quadro completo da AIDS. Neste estágio, os pacientes apresentam sintomas constitucionais, ou seja, febre de origem desconhecida, perda de peso, (diarréia persistente), sintomas neurológicos, caracterizados pelos distúrbios de concentração e memória, lentidão psicomotora, perda progressiva da capacidade intelectual e motricidade fina e infecções oportunistas do tipo: pneumonias, diarréias crônicas, infecções intestinais, infecções por toxoplasmose no sistema nervoso central, candidíase esofágica, apresentando implicações sobre a alimentação, respiração e voz (LEMOS, 1992), brônquica ou pulmonar, infecções por citomegalovírus, infecções mucocutâneas crônicas ou disseminadas por herpes-simples-virus.

O MINISTÉRIO DA SAÚDE (1999), afirma ainda que, outras infecções, anteriormente, não estavam incluídas na definição clássica da AIDS, algumas delas são: a tuberculose, candidíase oral e doenças infecciosas oportunistas representantes de todas as áreas de micróbios patogênicos humanos: bactérias, fungos, parasitas, helmintos e vírus e doenças tumorais associadas ao quadro completo da AIDS (sarcoma de kaposi, malignomas do sistema hematopoéico).

As manifestações gastrintestinais são consideradas as mais freqüentes, causando perda de peso, e conseqüentemente, desnutrição grave. A incidência das doenças gastrintestinais, principalmente a doença diarréica, é mais elevada nos pacientes com disfunção imunológica severa e nas regiões onde as condições socioeconômicas são menos favoráveis.

As células do trato digestivo são suscetíveis à infecção pelo HIV; a partícula viral já foi identificada desde o esôfago até o cólon; e o tecido linfóide do intestino é considerado um reservatório importante do vírus no organismo. O processo infeccioso causado desencadeia inúmeros fenômenos imunopatogênicos que podem estimular a infecção de células sãs, pois aumentam a expressão do HIV e são responsáveis por sintomas como febre, náusea, vômito e diarréia.

Nas infecções virais de vias aéreas superiores apresentam sintomas clássicos: coriza serosa, tosse seca, hiperemia conjuntival e febre pouco elevada. As otites costumam ser de repetição, e as sinusites, bem freqüentes.

As pneumonias bacterianas adquiridas apresentam-se com febre elevada, tosse, taquipnéia e toxemia relativa. A tuberculose possui alta incidência; o quadro clínico costuma ser crônico e inespecífico, composto por febre prolongada, perda de peso, tosse crônica com ou sem insuficiência respiratória e pneumonias.

As manifestações orais em indivíduos infectados pelo HIV são comuns e podem ocorrer como as infecções por fungos, bactérias, vírus, neoplasmas ou manifestações de etiologia desconhecida, dentre elas pode-se destacar: candidíase, estomatite herpética, cáries, gengivoestomatite ulcerativa necrotizante aguda, hipertrofia de parótida, quelite angular, abscesso dentário, leucoplasia pilosa, úlcera aftosa, neoplasia. Estas manifestações podem ser de extrema importância no diagnóstico precoce da infecção por HIV.

2.2. FUNÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS

“O sistema estomatognático identifica um conjunto de estruturas bucais que desenvolvem funções comuns, tendo como característica constante a participação da mandíbula, daí o nome de gnática, do grego gnatos = mandíbula. Como todo sistema, tem características que lhe são próprias, mas depende do funcionamento ou está intimamente ligado à função de outros sistemas como o nervoso, o circulatório, e todos em geral, porque não constitui uma unidade separada do resto do organismo. Diferentes tecidos e órgãos fazem parte deste sistema, como músculos, ossos, dentes, articulações, glândulas, mucosas e o aporte correspondente”. (DOUGLAS, 1994, p.833)

Segundo FERRAZ (2001), são considerados funções estomatognáticas: mastigação, deglutição, sucção, respiração e fonação e articulação. Exceto a respiração, todas as outras funções são exclusivas do sistema estomatognático.

GRASSI (1994) afirma que os indivíduos portadores da infecção por HIV, além de manifestarem alterações quanto a deglutição, mastigação, apresenta alterações na musculatura orofacial.

Segundo MARCHESAN (1999), o reflexo de sucção visa a ingestão do leite materno, único alimento do recém-nascido, função esta, que não foi avaliada, pois os pacientes desta pesquisa utilizavam da mastigação para se alimentarem.

Para entender e identificar as alterações estomatognáticas nos pacientes com AIDS é fundamental o conhecimento dos padrões normais e alterados destas funções.

2.2.1. Deglutição

A deglutição tem como principal função a propulsão do alimento da boca para o estômago. DOUGLAS (1994) define a deglutição como o ato de engolir, isto é, o transporte do bolo alimentar ou de líquidos, da cavidade oral até o estômago. É uma atividade neuromuscular muito complexa, que pode ser iniciada conscientemente, o que se completa mediante a integração no sistema nervoso central de impulsos aferentes e eferentes organizados no centro da deglutição, como explicam MARCHESAN & JUNQUEIRA (1998).

A deglutição faz parte do sistema estomatognático, o qual age conjuntamente envolvendo as estruturas anatômicas que o compõe. Participam da deglutição estruturas ósseas como o maxilar, a mandíbula, a coluna cervical e o osso hióide; estruturas cartilaginosas como as cartilagens da laringe; estruturas musculares como a língua e mais 31 pares de músculos, principalmente os supra-hióideos, como o digástrico e o estilo-hióideo, e os infra-hióideos e por fim as estruturas neurais como 6 pares cranianos e os nervos cervicais assim explica MACEDO FILHO (1999).

O processo da deglutição é programado e executado por refinado controle neuromuscular, com mecanismos de controle cortical e do tronco cerebral. Caracteriza-se por uma sucessão de fenômenos inter-relacionados, durando de 3 a 8 segundos. Possui três fases: a oral, a faríngea e a esofágica, como refere DOUGLAS (1994).

A fase oral inclui a mordida e a mastigação que transforma o alimento num bolo homogêneo. Este bolo alimentar é deslocado para um canal transversal no dorso da língua, os lábios se aproximam e os músculos elevadores da mandíbula (masseter, temporal e pterigóideo medial) se contraem. A língua eleva e encosta sua ponta na papila retroincisiva e a face palatina dos incisivos superiores. Ocorre neste momento, a contração do músculo milo-hióideo, e esta faz com que a parte anterior da língua pressione o palato duro e a base se deprima, deslocando o bolo alimentar para trás através dos movimentos ondulatórios da língua de frente para trás. A pressão exercida pelo bolo alimentar nos pilares anteriores da faringe, na base da língua e palato mole gera impulsos nervosos e disparam o reflexo da deglutição.

A fase faríngea é um estágio involuntário. DOUGLAS (1994), escreve que neste instante os músculos supra-hióideos, faríngeos e linguais se contraem. O caminho do ar, a glote, é fechado para prevenir a aspiração interrompendo a respiração. A válvula do esôfago abre-se para receber o bolo. Ocorre a elevação do palato mole e a úvula, fechando a nasofaringe para evitar o reflexo nasal. A musculatura de faringe se contrai e conduz o bolo alimentar até o esôfago.

A fase esofágica ocorre, quando o bolo alimentar passa para o esôfago. O músculo milo-hióideo relaxa-se e o osso hióideo desce. A laringe volta a sua posição original, abre-se a glote, o véu do palato desce, a língua retorna a sua posição de repouso e a mandíbula volta a sua posição postural. Neste momento, reinicia-se a respiração normal que foi interrompida durante um segundo ou menos, na fase faringo-laríngea. Através de movimentos peristálticos reflexos, o bolo alimentar é conduzido para o estômago.

Para que a deglutição ocorra de maneira normal é necessário um equilíbrio entre todos os elementos que participam desse processo. Durante a fase oral da deglutição há participação efetiva e conjunta de várias estruturas como: lábios, língua, mandíbula, maxila, dentes, palato e receptores existentes na boca. Qualquer intercorrência em uma destas estruturas poderá afetar diretamente a deglutição.

Segundo informações colhidas, quando há alteração no processo de deglutição na fase oral utiliza-se o termo “deglutição atípica”. Muitas são as características para que se possa definir uma deglutição atípica, são elas: o pressionamento atípico da língua; a participação da musculatura perioral; movimentos de cabeça durante a deglutição; alteração na articulação de fonemas; língua volumosa, alargada; cuspir ou acumular saliva nos cantos da boca; baba noturna; dificuldades de deglutir pílulas e dificuldades de deglutir com os lábios separados.

HANSON (apud ALLTMANN, 1993) acrescenta ainda que a deglutição atípica envolve todas as alterações musculares e funcionais dos órgãos fonoarticulatórios que a ela se associam tais como alteração das posturas labial, lingual e mandibular; alteração da motricidade dos órgãos fonoarticulatórios; inadequação da força muscular de lábios, língua, bochechas e músculos elevadores da mandíbula e respiração bucal.

No entanto, há polêmicas a respeito do termo “deglutição atípica” para “alterações de deglutição” já que nem sempre se trata de uma atipia e sim de uma adaptação às possibilidades funcionais do indivíduo. Por este motivo, apresentaremos os resultados da avaliação de deglutição, realizados na pesquisa, utilizando o termo “alterações de deglutição”.

2.2.2. Mastigação

“A mastigação é processo fisiológico, relativamente complexo, resultado de uma atividade neuromuscular e digestiva. Nesse processo se integra várias partes do sistema mastigatório, que inclui os dentes, suas estruturas de suporte, músculos, articulações têmporo-mandibulares, lábios, bochechas, o paladar, a língua e a secreção salivar”.(BEUTTENMULLER, 1995, p. 33)

MARCHESAN (1999) aborda as três etapas desta função que são: a incisão, a trituração e a pulverização. DOUGLAS (1994) acrescenta que um ciclo mastigatório é composto pelas fases de abertura e fechamento da boca e fase oclusal. Relata que a duração deste ciclo varia de acordo com a consistência do alimento, que influencia diretamente na mastigação, adaptando-a ao tipo de alimento ingerido, modificando a intensidade da força, a pressão e a quantidade de golpes mastigatórios. Salienta ainda, que durante o processo mastigatório, a produção de saliva ocorre de maneira reflexa na incisão e trituração e dela depende a eficiência da mastigação, amolecimento e formação do bolo alimentar.

Na primeira fase, incisão, seu objetivo é o corte de traços grandes, facilitado pela reduzida superfície oclusal dos incisivos, quase linear. Possuem ação de faca (DOUGLAS, 1994). A língua recebe o alimento e leva-o até a face oclusal dos dentes posteriores para iniciar-se a segunda fase (BIANCHINI, 1998).

A trituração ocorre principalmente nos pré-molares, uma vez que sua pressão intercuspideana é elevada, maior que a dos molares, pois sua superfície oclusal é razoavelmente grande, menor que a dos molares e maior que a dos incisivos. Sendo assim, é mais fácil moer nos pré-molares as partículas maiores que oferecem resistência. (DOUGLAS, 1994) Esta fase trata-se da transformação das partes grandes do alimento em partes menores. A salivação age facilitando na eficiência desta fase.

Na ultima fase, pulverização, segundo DOUGLAS (1994), acontece como moenda final das partículas pequenas, transformando-as em elementos minúsculos que não oferecem resistência nenhuma para as superfícies oclusais ou mucosa oral. Ocorre principalmente em molares.

Finalmente, DOUGLAS (1994) descreve que, existindo harmonia funcional do sistema estomatognático, a mastigação será bilateral, levando ao equilíbrio da força mastigatória, da oclusão e da musculatura envolvida.

Mas se faltam os dentes? Como mastigar? A perda dentária é muito significativa, pois altera todo o sistema estomatognático devido à destruição de parte do esqueleto facial, altera a morfologia e neuromusculatura, o que dificulta a realização das funções de deglutição, mastigação e fala (CUNHA, FELÍCIO, BATAGLION, 1999).

A principal causa da perda de dentes entre adultos é a periodontite, ou seja, doença periodontal. A falta de higiene faz com que acumule placa bacteriana junto à gengiva, entre os dentes, nas emendas de restaurações ou de coroas e estas placas são a causa da cárie e da doença periodontal.

Podemos, então, reiterar a importância dos dentes na mastigação, pois se os dentes estiverem ausentes, com certeza os alimentos não serão mordidos de forma adequada, não serão bem triturados e o indivíduo irá engolir pedaços inteiros. Esse indivíduo irá mastigar, mas esta mastigação será adaptada à falta dentária e poderá ser unilateral, o que provocará um desequilíbrio de forças entre os lados de trabalho e balanceio.

O ideal é uma mastigação bilateral para que ocorra a estimulação dos músculos mastigadores, da membrana periodontal e articulações têmporomandibulares. Além de interferir na mastigação, a ausência de dentes torna a pronúncia das palavras alteradas e altera as outras funções do sistema estomatognático (respiração, deglutição, sucção). Portanto, é de fundamental importância tomar os cuidados precisos para manter uma boa dentição e conservar as funções dos dentes e assim as funções do sistema estomatognático.

2.2.3. Respiração

O sistema respiratório está constituído por um conjunto de órgãos tubulares e alveolares situados na cabeça, pescoço e cavidade torácica. Eles são os elementos do nosso organismo responsáveis pela respiração. Os pulmões são os órgãos mais importantes para que se efetue a respiração e estão situados na cavidade torácica. São dois e ocupam a linha pleural do tórax, um em cada lado da linha mediana, e quando separados um do outro, por um espaço chamado mediastino, onde estão o coração, os grandes vasos, a traquéia, o esôfago e alguns troncos nervosos.

Cada pulmão apresenta uma base, um ápice e três faces (costal, medial e diafragmática) e está coberto por um envoltório delicado, mas forte, que é o saco pleural. A passagem de ar faz-se pela parte interna do nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios.

Existem tipos e modos respiratórios, quanto ao tipo de respiração, encontramos na literatura referencias a quatro tipos básicos: clavicular ou superior, a abdominal ou inferior, média, mista ou torácica e a completa ou costo-diafragmática. Já os modos compreendem a respiração bucal e nasal elucidadas mais abaixo.

A respiração do tipo superior, também denominada respiração clavicular, caracteriza-se por apresentar elevação de ombros acompanhada ou não por uma anteriorização do pescoço. Respiração contra-indicada devido não apresentar suporte aéreo suficiente para a produção da voz. Pode ocorrer uma tensão ao nível do pescoço (na região laríngea) e cintura escapular, e ser acompanhada de uma respiração invertida.

Na respiração Inferior ou abdominal há ausência de movimentos na região superior da caixa torácica, a capacidade respiratória encontra-se reduzida. Caracteriza-se devido o respirador inferior apresentar: atrofia muscular, postura inadequada e ombros caídos.

Em relação à respiração mista, conhecida como respiração torácica, apresenta suporte aéreo adequado para o uso da fala coloquial, há uma expansão equilibrada da caixa torácica. Pode apresentar predomínio superior ou inferior.

Por último, na respiração costo-diafragmática, há uma expansão global da caixa torácica. Utilizada por profissionais da voz. A expansão da caixa torácica ocorre de forma equilibrada.

Quanto ao modo respiratório, MARCHESAN (1999), relata que a respiração normal é feita pela via nasal acrescentando ainda que a respiração bucal interfere negativamente na postura adequada da língua em repouso ou em ação.

Muitos são as conseqüências de uma respiração bucal. FERRAZ (1984) apresentou alguns efeitos que uma respiração incorreta (respiração bucal) poderia acarretar, são eles: aumento das infecções próprias do aparelho respiratório; estreitamento da arcada superior, do palato e das narinas, tornando o palato ogival; lábio superior hipotônico, curto e elevado com alteração, dada a pouca irrigação sangüínea; gengiva hipertrófica; língua com postura anormal, deixando de exercer sua função modeladora, do palato e também com sua tonicidade prejudicada, como também, má oxigenação cerebral, ocasionando dificuldade de atenção e concentração e conseqüentemente problemas de aprendizagem.

2.2.4. Articulação e Fala

A função mastigatória é uma preparação da musculatura oral para a articulação dos fonemas, pois os seus movimentos grosseiros iniciais, é que vão desenvolver os movimentos refinados da fala.(GOMES, PROENÇA, LIMONGI, 1989).

Varias são as estruturas que são utilizadas na articulação da fala, como os lábios, dentes, mandíbula, palato e língua, principal órgão para a fala articulada.

A língua é composta por músculos intrínsecos facilitando sua mudança de forma (afilada, alargada, enrolada) e, também, de músculos extrínsecos fazendo com que a mesma possa realizar movimentos de protrusão, retração, elevação e abaixamento. Sem a precisão destes movimentos causados pelos músculos, não poderá haver qualquer fala articulada. (BOONE, 1994).

Para MARCHESAN (1999), a articulação depende da posição de língua e de sua capacidade de se movimentar, da presença e da posição dos dentes e também da movimentação dos lábios e das bochechas. A mesma relata que a articulação dos sons é realizada pelos órgãos fonoarticulatórios, que determinam modificações do som produzido inicialmente nas cordas vocais.

A língua constitui o órgão principal de articulação, operando em conjunto com os dentes, palato e mandíbula. A língua constitui o órgão principal da articulação, operando em conjunto com as estruturas citadas acima.

Segundo ISSLER (1996) caso ocorra alteração na mobilidade da língua por alteração na função dos músculos, levará a uma inadequada articulação dos fonemas.

Outras estruturas utilizadas na articulação da fala são os lábios. São as estruturas mais visíveis da boca sendo facilmente alterados e moldados para propagar diversas expressões faciais. Também constituído por músculos, este órgão tem a possibilidade de contrair, expandir ou formar um circulo, onde podemos citar um dos músculos mais importantes, o orbicular dos lábios. As alterações dos fonemas bilabiais (/p/, /b/, /m/) podem ser decorrentes de estrutura labial fraca.

Os dentes são estruturas importantíssimas no papel mastigatório (seu principal objetivo), como também, apresentam funções na articulação dos fonemas. Chamamos de labiodental, o lábio inferior sendo comprimido pelos incisivos centrais superiores, onde precisamos desse ato para a produção dos sons fricativos, /f/ e /v/. Contudo, para a produção dos sons /n/, /s/, /z/, /t/ e /d/, é necessário o contato da ponta da língua na protuberância alveolar por trás dos dentes maxilares.

A perda de elementos dentários e o uso de próteses também podem prejudicar a fala. Com a falta de alguns dentes a língua se posicionará na região desdentada, com a finalidade de estabilizar a mandíbula, contudo, problemas de fala e de estabilidade do arco dental residual podem resultar dessa ação muscular. Mais especificamente, se os dentes posteriores são perdidos não haverá muita distorção da fala, mas as perdas anteriores provocam omissão e substituição dos sons, o que muitas vezes exige compensações para os fonemas labiodentais e linguodentais (CHIERICI e LANSON, 1973).

Para que a articulação dos sons da fala seja realizado de forma normal, é fundamental que a mandíbula, realize seus movimentos corretamente, contribuindo para as mudanças do tamanho da cavidade oral, necessário para a produção de diferentes vogais.

MARCHESAN (1999) define os músculos mastigatórios como elementos ativos e dinâmicos do sistema estomatognático, estes movimentam a mandíbula em diversos sentidos, dependendo das características de inserção e orientação de suas fibras.

As articulações têmporomandibulares (ATM) possibilitam os movimentos da mandíbula como o de abrir, fechar, lateralizar, protruir, retrair e os movimentos rotatórios que são os próprios movimentos da mastigação (BIANCHINI, 1998).

A liberdade dos movimentos mandibulares possibilita as funções de respiração e postura, sucção, mastigação, deglutição, fala e produção da voz. Uma desordem na harmonia do sistema estomatognático pode provocar uma disfunção têmporomandibular (DTM), em que os músculos e as articulações não trabalham harmonicamente, causando comprometimentos musculares como: espasmo, tensão, dor e comprometimento das estruturas ósseas (TENÓRIO CABEZAS, 1997).

Uma DTM pode causar prejuízo ao sistema estomatognático levando em consideração os seguintes fatores: problemas degenerativos (artrite, osteoporose, esclerose múltipla); traumas na articulação causados por acidentes de trânsito ou esportivos; alterações esqueléticas; problemas oclusais (os quais durante toda a vida do indivíduo estão em freqüentes modificações por perdas ou desgastes dentários, cáries, próteses mal-adaptadas e restaurações dentárias inadequadas) e Radioterapia (BIANCHINI,1998).

Além da dor, outros sintomas em pacientes com DTM’s são crepitações, ruídos nas ATM’s, limitações na abertura bucal, travamento articular, desvios mandibulares, alterações dos órgãos fonoarticulatórios (OFA’s), zumbido ou sensação de ouvido tapado e alterações funcionais (mastigação, deglutição, fala e voz).

Por ultimo, o palato, formado pelo palato ósseo e palato mole, contribui para a ressonância oral importante na vocalização das consoantes nasais. É importante lembrar que, um palato muito alto pode levar a um desvio de septo, interferindo na respiração nasal, que conseqüentemente acarretará num tipo de respiração incorreta.

3. METODOLOGIA

Os sujeitos desta pesquisa compreenderam 11 pacientes, desconsiderando a faixa etária e o sexo, infectados pelo HIV, apresentando manifestações clínicas da doença, que se encontram internos no C.H.C.F., na cidade de João Pessoa – PB, no período de 22 a 24 de Novembro de 2001.

Como instrumentos foram utilizados: anamnese específica contendo questões abertas abordando sobre inicio da doença, piora do quadro e dificuldades quanto às funções estomatognáticas e uma avaliação especifica realizada para investigar, minuciosamente, as funções estomatognáticas.

Antes de iniciar a realização da avaliação, foi enviado a Diretoria do C.H.C.F. um oficio solicitando a permissão da autora da pesquisa dentro do referido local para realizar tais investigações. Por conseguinte, foram entregues um termo de compromisso aos pacientes, solicitando sua participação, expondo os objetivos da pesquisa e informando-os o anonimato.

Partido do pressuposto de que no estado da Paraíba há uma escassez de pesquisas relacionadas ao tema alterações oromiofuncionais encontradas em pacientes com AIDS, procuramos desenvolver uma pesquisa que sirva como linha norteadora para estudos posteriores. Não obstante esta importância foi necessário a princípio, realizar um levantamento literário sobre o tema em questão, observando os assuntos encontrados na literatura atual, para que nos auxiliem na análise criteriosa dos dados.

A coleta de dados da pesquisa será realizada por uma estagiária do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, no Complexo Hospitalar Clementino Fraga, localizado na Rua Ester Borges, em Jaguaribe.

Em seguida, os indivíduos selecionados serão orientados quanto à finalidade e a sistemática da avaliação e só participarão da pesquisa mediante a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Não será feita divulgação das identidades dos pacientes, onde, somente, será exposto no resultado da pesquisa.

Será utilizado o método indutivo e o método de procedimento o estudo comparativo, pois pretendemos comparar os resultados obtidos, através dos dados coletados, à teoria base utilizada em nossa pesquisa.

Os dados serão analisados de forma sistemática, onde serão registrados em uma ficha própria e, depois do exame de todos os pacientes, os resultados serão analisados descritivamente.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Ao propormos a realização de uma pesquisa quantitativa, objetivamos apresentar inicialmente, a descrição da amostra avaliada para posteriormente discutir sobre os resultados obtidos.

Os sujeitos desta pesquisa compreenderam todos os pacientes que se encontravam internos no C.H.C.F no período de 22 a 24 de novembro de 2001. A partir desta informação prévia da Diretoria do referido local, a amostra final ficou constituída por 11 pacientes de ambos os sexos entre 14 e 51 anos.

Esta pesquisa foi relatada através de uma avaliação realizada com base nas queixas mencionadas pelos pacientes durante a anamnese, investigando minuciosamente as funções do sistema estomatognáticos.

Para analisarmos e discutirmos os resultados, se fez necessário utilizarmos como base de raciocínio a teoria já citada anteriormente, e somente enumerar algumas considerações que se destacaram nesta pesquisa.

4.1. Interpretação dos resultados

Inicialmente, com a realização da anamnese específica, foi constatado que 100% da amostra avaliada não mencionou data para inicio da doença, referindo piora nos últimos seis meses. Já em relação as dificuldades nas funções estomatognáticas, 9% dos pacientes relataram dificuldades na mastigação devido a falta de dentes; 18% mencionaram dificuldades de respiração; 55% dificuldades na deglutição relatando odinofagia e engasgos, e 27% referiram alteração de fala tornando-a após a doença, “devagar”. Outra queixa em 46% dos pacientes foi a mudança de voz, porém a avaliação desta alteração não foi realizada devido ao objetivo da pesquisa.

Após a concretização das avaliações, foi realizada a análise dos dados, considerando-se a presença ou ausência de alterações estomatognáticas em cada paciente avaliado.

As alterações encontradas nos pacientes infectados pelo HIV foram divididas em: mastigação, deglutição, respiração e articulação e fala, sendo evidenciados, também, as estruturas duras e moles que fazem parte dessas funções.

Gráfico 1. Apresentação da porcentagem de indivíduos segundo alterações de mastigação.

Este primeiro gráfico caracteriza toda a amostra distribuída pelo numero de pacientes que apresentaram alterações na mastigação.

Dos pacientes avaliados, 36% apresentaram mastigação normal e 91% alteração na mastigação, onde estes mesmos pacientes mostraram falta de dentes do lado oposto ao da mastigação.

Foi observado ainda que, as estruturas duras que fazem parte da mastigação (mandíbula e palato) apresentaram alterações. Foram evidentes desvios de mandíbula para o lado direito em 45% dos pacientes, para o lado esquerdo 28% dos pacientes e os outros participantes, 27%, não apresentaram desvios. Nenhum dos pacientes relataram acidentes envolvendo a mandíbula.

Em relação ao palato, 73% apresentaram palato normal e 27% palato ogival. Outra notável alteração desses pacientes foi a falta de força muscular durante a mastigação, onde 82% dos avaliados apresentaram musculatura orofacial hipotônica (fraca).

Este primeiro gráfico caracteriza toda a amostra distribuída pelo numero de pacientes que apresentaram alterações na mastigação.

Dos pacientes avaliados, 36% apresentaram mastigação normal e 91% alteração na mastigação, onde estes mesmos pacientes mostraram falta de dentes do lado oposto ao da mastigação.

Foi observado ainda que, as estruturas duras que fazem parte da mastigação (mandíbula e palato) apresentaram alterações. Foram evidentes desvios de mandíbula para o lado direito em 45% dos pacientes, para o lado esquerdo 28% dos pacientes e os outros participantes, 27%, não apresentaram desvios. Nenhum dos pacientes relataram acidentes envolvendo a mandíbula.

Em relação ao palato, 73% apresentaram palato normal e 27% palato ogival. Outra notável alteração desses pacientes foi a falta de força muscular durante a mastigação, onde 82% dos avaliados apresentaram musculatura orofacial hipotônica (fraca).

Este primeiro gráfico caracteriza toda a amostra distribuída pelo numero de pacientes que apresentaram alterações na mastigação.

Dos pacientes avaliados, 36% apresentaram mastigação normal e 91% alteração na mastigação, onde estes mesmos pacientes mostraram falta de dentes do lado oposto ao da mastigação.

Foi observado ainda que, as estruturas duras que fazem parte da mastigação (mandíbula e palato) apresentaram alterações. Foram evidentes desvios de mandíbula para o lado direito em 45% dos pacientes, para o lado esquerdo 28% dos pacientes e os outros participantes, 27%, não apresentaram desvios. Nenhum dos pacientes relataram acidentes envolvendo a mandíbula.

Em relação ao palato, 73% apresentaram palato normal e 27% palato ogival. Outra notável alteração desses pacientes foi a falta de força muscular durante a mastigação, onde 82% dos avaliados apresentaram musculatura orofacial hipotônica (fraca).

Gráfico 2. Apresentação da porcentagem de indivíduos segundo alterações de respiração.

Durante a avaliação da respiração observou-se que 81% dos pacientes apresentaram respiração superior, 19% respiração média e nenhum dos pacientes apresentaram respiração inferior nem costo-diafragmática.

Foi observado também que 36% desses pacientes apresentaram respiração predominantemente bucal.

Foram observadas, também, alterações de limitações no padrão expiratório, associadas com a capacidade diminuída para produzir pressões intra-orais adequadas.

Gráfico 3. Apresentação da porcentagem de indivíduos segundo alterações de deglutição.

Foram notáveis as alterações na deglutição em 82% dos pacientes, onde 15% desses pacientes não conseguiram deglutir alimentos de consistência sólida.

Gráfico 4. Apresentação da porcentagem de indivíduos segundo alterações de Articulação e Fala

Os achados em relação a fala, também mostraram-se evidentes. Dos pacientes avaliados, 73% apresentaram uma articulação imprecisa, sem a movimentação dos órgãos fonoarticulatórios corretos para cada fonema. Observou-se, também, uma hipernasalidade acentuada.

4.2. Comparação entre os resultados

A partir dos resultados obtidos da avaliação, verificou-se que houveram alterações significantes nas funções estomatognáticas.

Como citado anteriormente por CUNHA, FELÍCIO, BATAGLION (1999), a falta de dentes dificulta a realização das funções de deglutição, mastigação e fala. Dos pacientes avaliados que apresentaram mastigação unilateral, 91% apresentaram falta de dentes onde podemos dizer que ocorreram, sugestivamente, devido a periodontite, que faz parte das doenças infecciosas oportunistas representantes de todas as áreas de micróbios patogênicos humanos associadas ao quadro completo da AIDS, ou até mesmo pela falta de higiene devido a problemas sociais.

Os dentes também fazem partas das estruturas que são utilizadas na articulação da fala. Estas foram observadas com alterações em 73% dos pacientes, onde foi notável as alterações na articulação dos fonemas dificultando a inteligibilidade da fala, porem para que a articulação da fala seja realizada de forma normal, também é necessário que a mandíbula esteja realizando seus movimentos corretamente.

Foram notáveis as alterações de ATM visto que possíveis problemas de oclusão dentária devido a perda ou desgaste de dentes, cáries, próteses mal-adaptadas poderiam acarretar um DTM, que foi observado em 73% dos pacientes.

GRASSI (1994) referiu que os indivíduos portadores da infecção por HIV, além de manifestarem alterações quanto a deglutição e mastigação, apresenta alterações na musculatura orofacial. Destarte, 82% dos avaliados apresentaram musculatura orofacial hipotônica dificultando a deglutição visto que esta necessita da participação efetiva e conjunta de maneira normal de estruturas como: lábios, língua, mandíbula, maxila, dentes, palato e receptores existentes na boca, dificultam também a mastigação devido ao desequilíbrio da força mastigatória, da oclusão e da musculatura envolvida fazendo com que esta ocorresse bilateralmente.

Já em relação ao palato 27% dos pacientes apresentaram palato ogival devido a respiração encontrar-se de modo bucal, como causa dessa alteração de palato e/ou aumento das infecções próprias do aparelho respiratório; estreitamento da arcada superior, do palato e das narinas, tornando o palato ogival.

Dos pacientes avaliados, 81% apresentaram respiração superior, visto que as infecções oportunistas do sistema respiratório (pneumonias, bronquites) apresentam implicações sobre a respiração e voz (LEMOS, 1992).

Alterações de limitações no padrão expiratório, associadas com a capacidade diminuída para produzir pressões intra-orais adequadas devido a esse tipo de respiração encontrada nos pacientes avaliados, dificultaram a fonação dos mesmos.

As alterações de deglutição foram observadas em 82% dos pacientes que apresentaram contração da musculatura orofacial, movimentos associados de cabeça como também pressionamento atípico da língua pela falta dentária, contudo qualquer intercorrência em uma das estruturas que são utilizadas na deglutição (lábios, língua, mandíbula, maxila, dentes, palato e receptores existentes na boca) afeta diretamente a deglutição.

Para que aconteça uma boa articulação da fala é necessário que estruturas como: lábios, dentes, mandíbula, palato e língua, estejam em normal funcionamento. Não é o que observamos nestes pacientes. Dos pacientes avaliados, 73% apresentaram uma articulação imprecisa, sem a movimentação dos órgãos fonoarticulatórios corretos para cada fonema.

A falta de dentes provocou alteração na articulação dos sons da fala, principalmente nos fonemas labiodentais e linguodentais. Com a falta dentária, notou-se também que a língua se posicionou na região desdentada, causando problemas de deglutição.

Outra alteração que tornou a articulação da fala imprecisa foi as disfunções têmporomandibulares encontradas em 73% dos pacientes.

O mecanismo articulatório é afetado de maneira similar a outros sistemas musculares, como a perda de movimentos espontâneos, a incapacidade para transmitir um ato e a expressão mascarada.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Antigamente pensava-se que só homossexuais, viciados em drogas e quem tivesse vários parceiros sexuais, corriam o risco de ser portador do vírus HIV. Isso mudou! Quem não se previne, não se cuida, é um alvo fácil e ingênuo.

Deixe o orgulho de lado, abra os olhos e enxergue a realidade. A AIDS não escolhe aparência física, cor, religião, raça, o próximo pode ser qualquer um de nós, sim!

A AIDS não tem uma manifestação única, caracteriza-se pela aparição de várias doenças sucessivas e simultâneas, que “ocultam” a verdadeira doença. É uma doença contagiosa, imunodepressiva e letal, causada pelo vírus HIV.

Este trabalho teve como objetivo verificar a ocorrência das alterações estomatognáticas em pacientes portadores de AIDS, visto que esta doença esta inserida num dos maiores problemas de saúde publica apresentando, também, uma escassez de literatura especifica.

Tal pesquisa ocorreu no período de 22 a 24 de Novembro de 2001, com 11 pacientes portadores do HIV internos no C.H.C.F., na cidade de João Pessoa – PB. Foram realizadas entrevistas com os pacientes como também uma avaliação fonoaudiológica das funções estomatognáticas.

Os resultados encontrados referem-se alterações de mastigação em 91% dos pacientes visto que a falta dentária, causada, sugestivamente, pela periodontite que faz parte das doenças infecciosas oportunistas representantes de todas as áreas de micróbios patogênicos humanos associadas ao quadro completo da AIDS, ou até mesmo pela falta de higiene bucal devido a problemas sociais, dificultando a mastigação onde estes não estão presentes.

Tendo em vista que os dentes também fazem partas das estruturas que são utilizadas na articulação da fala, estas foram observadas com alterações em 73% dos pacientes, sendo notável as alterações na articulação dos fonemas dificultando a inteligibilidade da fala.

Outra alteração evidenciada durante a avaliação foi DTM em 73% dos pacientes, onde podemos concluir que possíveis problemas de oclusão dentária devido a perda ou desgaste de dentes, cáries, próteses mal-adaptadas podem causar esse tipo de alteração.

Dos pacientes avaliados, 81% apresentaram respiração superior, já que as infecções oportunistas do sistema respiratório (pneumonias, bronquites) apresentam implicações sobre a respiração e voz (LEMOS, 1992).

As alterações de deglutição foram observadas em 82% dos pacientes que apresentaram contração da musculatura orofacial, movimentos associados de cabeça como também pressionamento atípico da língua pela falta dentária, contudo qualquer intercorrência em uma das estruturas que são utilizadas na deglutição (lábios, língua, mandíbula, maxila, dentes, palato e receptores existentes na boca) afetando a deglutição.

Como foi mencionado anteriormente, para que aconteça uma boa articulação da fala é necessário que estruturas como: lábios, dentes, mandíbula, palato e língua, estejam em normal funcionamento. Não é o que observamos nos pacientes avaliados, no qual 73% dos pacientes apresentaram uma articulação imprecisa, sem a movimentação dos órgãos fonoarticulatórios corretos para os fonemas labiodentais e linguodentais.

Com base nestes resultados, concluiu-se que os portadores do HIV podem apresentar alterações em suas funções estomatognáticas na presença ou não de manifestações orais em conseqüência de tal patologia.

É claro, que o fonoaudiólogo precisa saber muito mais acerca das doenças e anomalias que existem e sobre as manifestações fonoaudiológicas dessas anormalidades tendo maior conhecimento dos sistemas de fala e suas complexas alterações.

Por fim, esta simples pesquisa com certeza contribui para o enriquecimento de informações sobre as alterações estomatognáticas em pacientes com AIDS nos fornecendo dados importantes, impulsionando as pessoas, a cada vez mais investir nas pesquisas científicas mostrando que a fonoaudiologia ainda tem um percurso longo na área da saúde até alcançarmos o dia em que a fonoaudióloga não mais será considerada como uma técnica que realiza exercícios repetidas vezes sob ordem de um médico.

Claro que estes pensamentos já mudaram nestes últimos 10 anos, mas ainda é pouco para um profissional que também publica artigos científicos e tem um título de especialista em curso de pós-graduação, mestrado e doutorado como qualquer outro médico.

Ao concluir os resultados da referida pesquisa cabe ainda comentar alguns aspectos que se evidenciaram nestes relatos. Alterações de voz foram evidentes nestes pacientes, motivo pelo qual se faz necessário novas pesquisas para avaliar tais alterações.

BIBLIOGRAFIA

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VAN RIPER, C. Correção da Linguagem. Rio de Janeiro, 1997.

VERONESI, R. Doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro, 1991.

ANEXO 1

TERMO DE COMPROMISSO

Eu, ____________________________________________________ , após ser informado que:

A pesquisa de que irei participar intitula-se ALTERAÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS ENCONTRADAS EM PACIENTES COM AIDS: UM LEVANTAMENTO REALIZADO NO C.H.C.F., NA CIDADE DE JOÃO PESSOA – PB, e está sendo desenvolvida por aluna do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário de João Pessoa;

O objetivo desta pesquisa é realizar uma anamnese e avaliação nos pacientes acometidos de AIDS para apresentar as possíveis alterações estomatognáticas encontradas nos mesmos;

Minha participação na pesquisa é voluntária e, portanto, não sou obrigado a fornecer as informações requeridas;

Se decidir não participar da pesquisa, ou resolver posteriormente desistir da participação, não sofrerei nenhum dano ou prejuízo;

Por ocasião da publicação dos resultados da pesquisa, será assegurado o meu anonimato;

Este documento assinado por mim será guardado em porder da responsável pela pesquisa e em, nenhuma circunstancia, ele será dado a conhecer a outra(s) pessoas.

dou o meu comprometimento para participar da pesquisa.

João Pessoa, _____ de _____ de 2001

__________________________________

Participante

__________________________________

Estagiária

ANEXO 2

ANAMNESE ESPECIFICA

Identificação

Nome: Data de nascimento:

Profissão: Data:

Histórico do problema

Como surgiu o problema ?

Quando piorou ?

Já fez transfusão sangüínea?

Usa drogas ou usou? De que forma?

Apresenta sangramentos?

OBS.:__________________________________________

Outras Informações

Como é seu estado geral de saúde ?

Já sofreu algum acidente, envolvendo a face ou mandíbula?

Já teve ou tem asma? Rinite? Sinusite?

Tem dificuldade de mastigar os alimentos?

Tem dificuldade de deglutir sólidos ou líquidos? De que forma?

Tem dificuldade para respirar ? Já teve pneumonia ? Há quanto tempo ?

OBS.:___________________________________

Fala

Houve alguma alteração na fala?

De que forma houve mudança na sua fala?

Estas mudanças foram lentas ou progressivas?

O que mais prejudicou sua fala?

__________________________________

Estagiária

__________________________________

Fonoaudióloga

ANEXO 3

AVALIACAO ESPECIFICA

Língua

Posição, volume, tamanho, tônus

OBS.:________________________________________ Lábios

Posição, tônus (inferior e superior)

OBS.:________________________________________ Mandíbula

Características mandibulares

OBS.:__________________________________________ Palato

Duro e mole, outras anomalias (ex. Fissura)

OBS.:_______________________________________

Exame das funções motoras

Mobilidade

Língua, lábios, bochechas, mandíbula (ATM), velo

OBS.:______________________________________________

Funções neurovegetativas

Respiração (modo, tipo, capacidade)

Sucção

Mastigação (uni, bi)

Deglutição (típica, atípica, adaptada)

OBS.:______________________________

Considerações finais

Já se submeteu a terapia fonoaudiológica?

Há quanto tempo?

Que resultado obteve? Houve melhoras?

Relate você hoje.

OBS.:_________________________________

__________________________________

Estagiária

__________________________________

Fonoaudióloga

ANEXO 4

GLOSSÁRIO

Candidíase – É uma infecção fúngica produzida pelo Cândida albicans que vive nas mucosas e só causa doença quando existem condições que favoreçam o seu crescimento.

Candidíase brônquica – Inflamação dos bronquios provocada pelo fungo Cândida albicans.

Candidíase esofágica – Inflamação no esófago provocada pelo fungo Cândida albicans.

Candidíase oral – Inflamação na cavidade oral provocada pelo fungo Cândida albicans.

Candidíase pulmonar – Inflamação nos pulmões provocada pelo fungo Cândida albicans.

Estomatite herpética – Inflamação da mucosa bucal causada pelo Herpesvirus hominis (Herpesvirus simplex).

Gengivoestomatite ulcerativa necrotizante aguda (GUNA) – É uma infecção bacteriana na gengica, na gengiva com formação de ulcera necrosante.

Gengivite e Periodontite – São achados periodontais em indivíduos infectados pelo HIV que vão desde uma gengivite caracterizada por uma faixa eritematosa até uma periodontite, freqüentemente localizada, destrutiva e necrosante do periodonto de inserção.

Herpes simples – vírus contraído por uma pessoa que se encontra com baixa defesa de imunodade.

Hiperemia conjuntival – Conjutiva ocular avermelhada.

Infecções por citomegalovírus – É uma infecção provocada pelo vírus denominado Citomegalovirus (CMV) pertencente à família dos herpesvírus

Infecções por fungos do tipo cândida (sapinho) – O sapinho, ou monilíase, é uma infecção fúngica bucal causada por um fungo semelhante a uma levedura, Candida albicans.

Infecções por toxoplasmose no sistema nervoso central – A toxoplasmose é uma doença causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii que pode causar morte fetal, aborto, deficiência neurológicas e visuais.

Leucoplasia pilosa – É considerada um sinal precoce da presença do vírus HIV. Pode ocorrer em qualquer área da mucosa bucal apresentando placas esbranquiçadas, bem delimitadas, geralmente planas, de dimensões variáveis, não infiltradas.

Linfadenomegalia – Aumento dos glaglios na cadeia gangionar.

Linfadenopatia – Inflamação da cadeia gangionar.

Malignomas do sistema hematopoéico – Doenças de caráter maligno do sistema hematológico.

Neoplasia – (neo=novo; plasia=crescimento, formação) É uma proliferação anormal de células com um crescimento relativamente autônomo que pode ser causada por agentes químicos, físicos ou biológicos, alterando irreversívelmente o genoma da célula.

Pneumonia – Inflamação dos pulmões provocada por vírus e ou bactéria.

Quelite angular – Inflamação na comussira angular dos lábios.

Sarcoma de Kaposi – Manchas de coloração azul-arroxeada ou vermelho-arroxeada que não desaparecem quando exercidas pressões sobre as mesmas. Está presente no palato com maior freqüência e apresenta-se com coloração avermelhada, azulada ou de nódulos roxos, podendo estar associado a ulcerações

Taquipnéia – Aumento nos movimentos respiratórios

Toxemia relativa – Infecção generalizada (em todos os órgãos) de forma relativa

Tuberculose – Doença infecciosa causada por Bacilo Álcool-Ácido-Resistente (BAAR) que localiza-se nos alvéolos pulmonares e podem ser transportados para outras partes do corpo.

Úlcera aftosa – Úlcera (ferida aberta) provocada por uma afta.

AFASIA

0

Autor: Evelise Aline Soares

Introdução

É um comprometimento verbal em nível lingüistico. Isto implica em distúrbios de vocabulário ou expressões verbais ou de problemas quanto a compreensão de linguagem.

A afasia possui as mesmas etiologias da disartria, a maior causa o AVCI ou AVCH, que compromete as áreas corticais relacionadas com a linguagem.

O processo fásico está vinculado ao processo de aquisição de linguagem de linguagem, processos este que de compreensão, formulação e associação de idéias.

Etiologia:

Problemas cardiovasculares (AVE/AVC);
Neoplasmas;
Causam compõe são do cérebro;
Aumento de tamanho;
Rompem vasos sangüíneo adjacentes;
Trauma craniano;
A linguagem verbal é um fenômeno complexo do qual participam áreas corticais e subcorticais (fora do córtex), mas o córtex cerebral tem papel mais importante. Admite-se duas áreas corticais relacionadas com a linguagem, que são as seguintes :

Área de Broca – é anterior e corresponde a área 45 de Brodmann e está relacionada com a expressão da fala. Lesões desta área pode levar a uma quadro denominado afasia motora, de expressão ou de Broca onde o indivíduo é capaz de compreender a linguagem escrita ou falada, porem não consegue expressar adequadamente, falando ou escrevendo.
Área de Wernicke – é posterior correspondendo a área 22 de Brodmann e esta relacionada com a percepção da linguagem. Lesões desta área pode causar afasia sensitiva, de compreensão ou de Wernicke onde o indivíduo não é capaz compreender a fala ou escrita, não consegue compreender nem mesmo o que fala.

Classificação das AFASIAS

A afasia pode ser classificada de inúmeras formas, o que notamos com base na literatura, porém as mais comuns na prática clínica são três: Afasia de Broca ou expressão, afasia de recepção ou de Wernicke e a Afasia mista.

1 – AFASIA DE BROCA OU DE EXPRESSÃO OU MOTORA (NÃO FLUENTE) – Nesta forma de afasia não há defeitos na percepção da palavra falada ou escrita. O que mais caracteriza esta afasia é a capacidade que o paciente tem de reconhecer os erros que ocorrem durante a própria expressão, chegando a até ficar irritado com a situação, procura corrigi-lo mas o faz de maneira inadequada.

O vocabulário geralmente é limitado, alguns paciente dispõem-se de muitas poucas palavra, que são utilizadas esteriotipadamente sem qualquer nexo ou situação.

Na afasia de expressão notamos claramente empregos automáticos e voluntários da linguagem. Come feito, observa-se que estes pacientes são freqüentemente capazes de utilizar certas expressões automáticas – interjeição, expressões religiosas ou palavras calão – em flagrantes constantes com escassez de vocabulário, permanece o vocabulário que o paciente está acostumado.

Observa-se também nestes pacientes as Parafasias literais, ou seja, utilização de palavras adequadas pronunciadas de maneiras incorretas.

O paciente faz uso de soluções facilitantes, uma simplificação das palavras, de maneira semelhante aquela da criança quando está aprendendo a fala.

Nota-se uma diminuição no impulso de falar, pois o paciente fica com medo de cometer os erros na sua fala.

A escrita também está perturbada. Alguns pacientes são capazes de copiar, não somente a copia servil, como também mudando a letra de impressa para cursiva. Sob o ditado a escrita bastante imperfeita, o que é mais evidente na escrita espontânea, esta fica limitada a expressões esporádicas, que algumas vezes podem ser corretas.

A compreensão dos textos lidos é preservada.

Em geral a afasia de expressão possui as seguintes sinais :

Compreensão melhor da fala;
Produção verbal reduzida;
Dificuldade em solucionar palavras;
Anomia;
Omissão de palavras;
Esforço para dizer algo, eliminando palavras funcionais como artigos e conjunções;
Fala telegráfica;
Prosódia ausente;
Esteriotipias;
Parafasias fonéticas e semânticas;

2 – AFASIA DE WERNICKE OU DE COMPREENSÃO OU SENSITIVA (FLUENTE) – Esta afasia caracteriza-se pela dificuldade que o paciente tem em compreender o que vê ou lê, bem como perceber o próprio erro.

Algumas vezes a incapacidade é total então a fala torna-se inconsolável, de tal maneira desligada do interlocutor.

Ao contrário do afásico de expressão, este paciente fala muito e não percebe os erros cometidos. Uma pergunta que pode ser respondida com poucas palavras, tais pacientes expõem longas respostas, que são cheias de esteriotipias, repetições de palavras e incoerências. Observa-se parafasias verbais, embora satisfatoriamente articuladas, sem dissociação fonética.

A leitura é muito perturbada. Algumas vezes o paciente consegue entender palavras isoladas do texto que lhe é oferecido, e tenta adivinhar o sentido do restante.

A escrita é em grande parte quase totalmente inteligível.

Em geral a afasia de compreensão possui as seguintes sinais :

Perseveração de idéias
Neologismo;
Falta de compreensão da linguagem verbal e escrita;
Pobreza de discurso ou ausência de clareza;
Jargões;
Boa articulação das palavras produzida;
Circunlóquio;

3 – AFASIA MISTAS – teremos as características tanto da afasia de Broca quanto da de Wernicke, ou seja, ambas as áreas de linguagem foram lesadas.

Referência:

CAUDRY, M.J.H. Diário de Narciso. São Paulo: Martins Pontes, 1988.

LAMÔNIA, D. A. C.; PEREIRA, A C. M. M; & FERREIRA, G. C. Conversando sobre afasia: Guia familiar. Boletim Cultural USC, 2000.

ROWLAND, L.P. Tratado de Neurologia. 7º ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986.