Lucíola

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Logo depois da proclamação da Independência, em 1822, o prestígio de D. Pedro I era muito grande, já que o povo e a maioria dos políticos o admiravam muito. Mas, aos poucos, essa situação foi se alterando. Por volta de 1830, o Brasil enfrentava sérios problemas econômicos, que tinham se agravado com a falência do Banco do Brasil, em 1829, e com a Guerra da Cisplatina, que durou três anos, de 1825 a 1828. Com isso, D. Pedro I, vendo sua popularidade decaindo cada vez mais, foi obrigado a abdicar em favor de seu filho, em abril de 1831. Ele voltou a Portugal e em seu lugar ficou a Regência Trina Provisória, constituída de políticos que substituiriam seu filho e herdeiro do trono, D. Pedro de Alcântara, então com 5 anos. 
José Martiniano de Alencar nasceu em 1.º de maio de 1829, em Mecejana, Ceará, filho do padre José Martiniano de Alencar (deputado pela província do Ceará) ele foi o fruto de uma união ilícita e particular do padre com a prima Ana Josefina de Alencar. Quando criança e adolescente, era tratado em família por Cazuza, mais tarde, adulto, ficou conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil.

O pai de José de Alencar assumiu o cargo de senador do Rio de Janeiro em 1830, o que obrigou a família a se mudar para lá. Mas quatro anos depois a família voltou ao estado natal pois Martiniano foi nomeado governador do Ceará. Alguns anos mais tarde a família voltou ao Rio de Janeiro, desta vez para fica. O pai assumiu novamente seu cargo de senador e o menino começou a frequentar a Escola e Instrução Elementar.
Filho de político, jovem Alencar assistia a tudo isso de perto. Assistia e, certamente, tomava gosto pela política, atividade em que chegou a ocupar o posto de ministro da Justiça. Mas isso ocorreria bem mais tarde.
Em meio à agitação de uma casa frequentada por muita gente, como era a do senador, passou pelo Rio um primo de Cazuza. O jovem dirigia-se a São Paulo, onde completaria o curso de Direito, e Alencar resolveu acompanhá-lo. Ia seguir a mesma carreira.
Fria, triste, garoenta, apresentando uma vida social que dependia quase exclusivamente do mundo estudantil, graças à existência de sua já famosa faculdade de Direito: assim era São Paulo em 1844, quando nela desembarcou o cearense José Martiniano de Alencar, para morar com o primo e mais dois colegas numa república de estudantes da Rua São Bento.
Na escola de Direito discutia-se tudo: Política, Arte, Filosofia, Direito e, sobretudo, Literatura. Era o tempo do Romantismo, novo estilo artístico importado da França. Esse estilo apresentava, em linhas gerais, as seguintes características: exaltação da Natureza, patriotismo, idealização do amor e da mulher, subjetivismo, predomínio da imaginação sobre a razão. Mas o Romantismo não era apenas um estilo artístico: acabou tornando-se um estilo de vida. Seus seguidores, como os acadêmicos de Direito, exibiam um comportamento bem típico: vida boêmia, regada a muita bebida e farras. As farras, segundo eles, para animar a vida na tediosa cidade; a bebida, para serem tocados pelo sopro da inspiração.
Introvertido, quase tímido, o jovem Alencar mantinha-se alheio a esses hábitos, metido em estudos e leituras. Lia principalmente os grandes romancistas franceses da época. 
O jovem cearense jamais se adaptaria às rodas boêmias tão assiduamente frequentadas por outro companheiro que também ficaria famoso: Álvares de Azevedo.
Terminado o período preparatório, Alencar matriculou-se na Faculdade de Direito em 1846. Tinha 17 anos incompletos e já ostentava a cerrada barba que nunca mais raparia. Com ela, a seriedade de seu semblante ficava ainda mais acentuada.
O senador Alencar, muito doente, voltava para o Ceará em 1847, deixando o resto da família no Rio. Alencar viajou para o Estado de origem, a fim de assistir o pai. O reencontro com a terra natal faria ressurgir as recordações de infância e fixaria na memória do escritor a paisagem da qual ele jamais conseguiria se desvincular inteiramente. É esse o cenário que aparece retratado em um de seus romances mais importantes: Iracema.
Surgiram na época os primeiros sintomas da tuberculose que infernizaria a vida do escritor durante trinta anos. No seu livro Como e por que sou romancista, Alencar registrou: “… a moléstia tocara-me com a sua mão descarnada. . . ”.
Transferiu-se para a Faculdade de Direito de Olinda. O pai, bem de saúde, logo voltava ao Rio, e Alencar, a São Paulo, onde terminaria o curso. Dessa vez morava numa rua de prostitutas, gente pobre e estudantes boêmios. Alencar continuava desligado da boemia. Com certeza preparando sua sólida carreira, pois seu trabalho literário resultou de muita disciplina e estudo.
Aos 18 anos, Alencar já tinha esboçado o primeiro romance – Os contrabandistas. Segundo depoimento do próprio escritor, um dos inúmeros hóspedes que frequentavam sua casa usava as folhas manuscritas para… acender charutos. Verdade? Invenção? Muitos biógrafos duvidam da ocorrência, atribuindo-a à tendência que o escritor sempre demonstrou a dramatizar excessivamente os fatos de sua vida. O que ocorreu sem dramas ou excessos foi a formatura, em 1850. No ano seguinte, Alencar já estava no Rio de Janeiro, trabalhando num escritório de advocacia. Começava o exercício da profissão que jamais abandonaria e que garantiria seu sustento. Afinal, como ele próprio assinalou, ” não consta que alguém já vivesse, nesta abençoada terra, do produto de obras literárias”.
Um dos números do jornal Correio Mercantil de setembro de 1854 trazia uma seção nova de folhetim – “Ao correr da pena” – assinada por José de Alencar, que estreava como jornalista. O folhetim, muito em moda na época, era um misto de jornalismo e literatura: crônicas leves, tratando de acontecimentos sociais, de teatro, de política, enfim, do cotidiano da cidade.
Alencar tinha 25 anos e obteve sucesso imediato no jornal onde trabalharam posteriormente Machado de Assis (dez anos mais jovem que ele) e Joaquim Manuel de Macedo. Sucesso imediato e de curta duração. Tendo o jornal censurado um de seus artigos, o escritor desligou-se de sua função. 
Começaria nova empreitada no Diário do Rio de Janeiro, outrora um jornal bastante influente, que passava naquele momento por séria crise financeira. Alencar e alguns amigos resolveram comprar o jornal e tentar ressuscitá-lo, investindo dinheiro e trabalho.
Nesse jornal aconteceu sua estréia como romancista: em 1856 saiu em folhetins o romance Cinco minutos. Ao final de alguns meses, completada a publicação, juntaram-se os capítulos em um único volume que foi oferecido como brinde aos assinantes do jornal. No entanto, muitas pessoas que não eram assinantes do jornal procuraram comprar a brochura. Alencar comentaria: ” foi a única muda mas real animação que recebeu essa primeira prova. Tinha leitores espontâneos, não iludidos por falsos anúncios”. Nas entrelinhas, percebe-se a queixa que se tornaria obsessiva ao longo dos anos: a de que a crítica atribuía pouca importância a sua obra.
Com Cinco minutos e, logo em seguida, A viuvinha, Alencar inaugurou uma série de obras em que buscava retratar (e questionar) o modo de vida na Corte. O que aparece nesses romances é um painel da vida burguesa: costumes, moda, regras de etiqueta… tudo entremeado por enredos onde amor e casamento são a tônica. Nessas obras circulam padrinhos interesseiros, agiotas, negociantes espertos, irmãs abnegadas e muitos outros tipos que servem de coadjuvantes nos dramas de amor enfrentados pelo par amoroso central. É o chamado romance urbano de Alencar, tendência em que se enquadram, além dos acima citados, Lucíola, Diva, A pata da gazela, Sonhos d’ouro e Senhora, este último considerado sua melhor realização na ficção urbana. Além do retrato da vida burguesa na Corte, esses romances também mostram um escritor preocupado com a psicologia dos personagens, principalmente os femininos. Alguns deles, por isso, são até chamados de “perfis de mulheres”. Em todos, a presença constante do dinheiro, provocando desequilíbrios que complicam a vida afetiva dos personagens e conduzindo basicamente a dois desfechos: a realização dos ideais românticos ou a desilusão, numa sociedade em que ter vale muito mais do que ser. Alguns exemplos: em Senhora, a heroína arrisca toda sua grande fortuna na compra de um marido. Emitia, o personagem central de Diva, busca incansavelmente um marido mais interessado em amor que em dinheiro. Em Sonhos d’ouro, o dinheiro representa o instrumento que permitiria autonomia de Ricardo e seu casamento com Guida. A narrativa de A viuvinha gira em torno do compromisso assumido por um filho no sentido de pagar todas as dívidas deixadas pelo pai. Lucíola, finalmente, resume toda a questão de uma sociedade que transforma amor, casamento e relações humanas em mercadoria: o assunto do romance, a prostituição, obviamente mostra a degradação a que o dinheiro pode conduzir o ser humano. 
Entre Cinco minutos (1856) e Senhora (1875), passaram-se quase vinte anos e muitas situações polêmicas ocorreram.
Alencar estreou como autor de teatro em 1857, com a peça Verso e reverso, em que focalizava o Rio de Janeiro de sua época. No mesmo ano, o enredo da peça O crédito antecipava um problema que o país logo iria enfrentar: a desenfreada especulação financeira, responsável por grave crise político-econômica. Desse ano data ainda a comédia O demônio familiar.
Em 1858, estreou a peça As asas de um anjo, de um Alencar já bastante conhecido. Três dias após a estréia, a peça foi proibida pela censura, que a considerou imoral. Tendo como personagem central uma prostituta regenerada pelo amor, o enredo ofendeu a sociedade ainda provinciana de então. (O curioso é que o tema era popular e aplaudido no teatro da época, em muitas peças estrangeiras). Alencar reagiu, acusando a censura de proibir sua obra pelo simples fato de ser ”. . . produção de um autor brasileiro. . .” Mas a reação mais concreta viria quatro anos mais tarde, por intermédio do romance em que o autor retoma o tema: Lucíola. 
Profundamente decepcionado com a situação, Alencar declarou que iria abandonar a literatura para dedicar-se exclusivamente à advocacia. É claro que isso não aconteceu.- escreveu ainda o drama Mãe, levado ao palco em 1860, ano em que morreu seu pai. Para o teatro, produziu ainda a opereta A noite de São João e a peça O jesuíta.
A questão em torno de As asas de um anjo não era a primeira nem seria a última polêmica enfrentada pelo escritor. De todas, a que mais interessa para a literatura foi anterior ao caso com a censura e relaciona-se ao aproveitamento da cultura indígena como tema literário. Segundo os estudiosos, foi este o primeiro debate literário ocorrido no Brasil.
Certamente, quando resolveu assumir o Diário do Rio de Janeiro, Alencar pensava também num veículo de comunicação que permitisse a ele expressar livremente seu pensamento. Foi nesse jornal que travou sua primeira polêmica literária e política. Nela, o escritor confronta-se indiretamente com ninguém menos que o imperador D. Pedro II. 
Gonçalves de Magalhães (que seria posteriormente considerado como o iniciador do Romantismo brasileiro) tinha escrito um longo poema intitulado A confederação dos Tamoios, em que faz um exaltado elogio à raça indígena. D. Pedro II, homem voltado às letras e artes, viu no poema de Magalhães o verdadeiro caminho para uma genuína literatura brasileira. Imediatamente, o imperador ordenou que se custeasse a edição oficial do poema. Alencar, sob o pseudônimo “Ig “, utilizando seu jornal como veículo, escreveu cartas a um suposto amigo, questionando a qualidade da obra de Magalhães e o patrocínio da publicação por parte do imperador: “As virgens índias do seu livro podem sair dele e figurar em um romance árabe, chinês ou europeu (…) o senhor Magalhães não só não conseguiu pintar a nossa terra, como não soube aproveitar todas as belezas que lhe ofereciam os costumes e tradições indígenas…”.
No início, ninguém sabia quem era o tal Ig, e mais cartas foram publicadas sem merecer réplica. Após a quarta carta, alguns escritores e o próprio imperador, sob pseudônimo, vieram a público na defesa de Magalhães. Ig não deixou de treplicar.
A extrema dureza com que Alencar tratou o poeta Magalhães e o imperador parece refletir a reação de um homem que se considerava sempre injustiçado e perseguido. Alguns críticos acham que Alencar teria ficado furioso ao ser ”passado para trás” num plano que considerava seu, pois já tinha pensado em utilizar a cultura indígena como tema de seus escritos. As opiniões sobre a obra de Magalhães denunciariam, portanto, o estado de espírito de alguém que se sentira traído pelas circunstâncias.
Qualquer que tenha sido o motivo, essa polêmica tem interesse fundamental. Discutia-se de fato, naquele momento, o que seria o verdadeiro nacionalismo na literatura brasileira, que até então tinha sofrido grande influência da portuguesa. Alencar considerava a cultura indígena como um assunto privilegiado, que, na mão de um escritor hábil, poderia tornar-se a marca distintiva da autêntica literatura nacional. Mas veja bem: na mão de um escritor hábil. 
Aos 25 anos, Alencar apaixonou-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes fortunas da época. Mas o interesse da moça era outro: um rapaz carioca também muito rico. Desprezado, custou muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido. Somente aos 35 anos ele iria experimentar, na vida real, a plenitude amorosa que tão bem soube inventar para o final de muitos aos seus romances. Desta vez, paixão correspondida, namoro e casamento rápidos. A moça era Georgiana Cochrane, filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara a fim de se recuperar de uma das crises de tuberculose. Casaram-se em 20 de junho de 1864. Muitos críticos vêem no romance Sonhos d’ouro, de 1872, algumas passagens que consideram inspiradas na felicidade conjugal que Alencar parece ter experimentado ao lado de Georgiana.
Nessa altura, o filho do ex-senador Alencar já se achava metido – e muito – na vida política do Império. Apesar de ter herdado do pai o gosto pela política, Alencar não era dotado da astúcia e da flexibilidade que tinham feito a fama do velho Alencar.
Seus companheiros da Câmara enfatizam sobretudo a recusa quase sistemática de Alencar em comparecer a solenidades oficiais e a maneira pouco polida com que tratava o imperador. A inflexibilidade no jogo político fazia prever a série de decepções que de fato ocorreriam.
Eleito deputado e depois nomeado ministro da Justiça, Alencar conseguiu irritar tanto o imperador que este, um dia, teria explodido: ”É um teimoso esse filho de padre”. Só quem conhecia a polidez de D. Pedro seria capaz de avaliar como o imperador estava furioso para referir-se assim ao ministro José de Alencar.
Enquanto era ministro da Justiça, contrariando ainda a opinião de D. Pedro II, Alencar resolveu candidatar-se ao senado. E foi o mais votado dos candidatos de uma lista tríplice. Ocorre que, de acordo com a constituição da época, a indicação definitiva estava nas mãos do imperador. E o nome de Alencar foi vetado.
Esse fato marcaria o escritor para o resto da vida. Daí para diante, sua ação política traz os sinais de quem se sentia irremediavelmente injustiçado. Os amigos foram aos poucos se afastando e sua vida política parecia ter terminado. Mas era teimoso o suficiente para não abandoná-la.
Retirou-se para o sítio da Tijuca, onde voltou a escrever. Desse período resultam O gaúcho e A pata da gazela (1870). Tinha 40 anos, sentia-se abatido e guardava um imenso rancor de D. Pedro II. Eleito novamente deputado, voltou à Câmara, onde ficaria até 1875. Nunca mais, como político, jornalista ou romancista, iria poupar o imperador.
Em 1865 e 1866 foram publicadas as Cartas políticas de Erasmo. Partindo da suposta condição de que D. Pedro ignorava a corrupção e a decadência em que se achava o governo, Alencar dirige-se ao imperador tentando mostrar a situação em que se encontrava o país, com seus inúmeros problemas, entre eles o da libertação dos escravos e o da Guerra do Paraguai (1865-1870).
Comentando aquela guerra, a mais sangrenta batalha que já ocorrera na América do Sul, na qual o Brasil perdera cem mil homens, Alencar deseja ao chefe do gabinete governamental: “E ordene Deus conceder-lhe compridos anos e vigor bastante para reparar neste mundo os males que há causado”.
No entanto, foi a questão dos escravos que mais aborrecimentos trouxe ao escritor. Manifestando-se contra a Lei do Ventre Livre (1871), tomava ele posição ao lado dos escravocratas, despertando a ira de grande contingente de pessoas que, no país inteiro, consideravam a aprovação dessa lei uma questão de honra nacional.
Foi então que no Jornal do Comércio publicaram-se as Cartas de Semprônio (o pseudônimo escondia a figura do romancista Franklin Távora) a Cincinato (o escritor português José F. de Castilho, que Alencar um dia chamara de “gralha imunda”).
Pretextando analisar a obra de Alencar, o que se fazia era uma injuriosa campanha contra o homem e o político. Távora e Castilho não escreveram, de fato, crítica literária válida quando julgaram as obras de Alencar como mentirosas e frutos de exageros da imaginação.
A crítica atual não tem nenhuma dúvida a respeito da importância fundamental dos romances de Alencar – principalmente os indianistas – para compreendermos o nacionalismo em nossa literatura.
Além do romance urbano e do indianista, o escritor ainda incorporaria outros aspectos do Brasil em sua obra. Romances como Til, O tronco do ipê, O sertanejo e O gaúcho mostram as peculiaridades culturais da nossa sociedade rural, com acontecimentos, paisagens, hábitos, maneiras de falar, vestir e se comportar diferentes da vida na Corte.
Assim é que em O gaúcho a Revolução Farroupilha (1835/1840) serve como pano de fundo à narrativa. O enredo de O tronco do ipê traz como cenário o interior fluminense e trata da ascensão social de um rapaz pobre. Em Til, o interior paulista é o cenário da narrativa.
Mas Alencar não se limitou aos aspectos documentais. O que vale de fato nessas obras é, sobretudo, o poder de imaginação e a capacidade de construir narrativas bem estruturadas. Os personagens são heróis regionais puros, sensíveis, honrados, corteses, muito parecidos com os heróis dos romances indianistas. Mudavam as feições, mudava a roupagem, mudava o cenário. Mas, na criação de todos esses personagens, Alencar perseguia o mesmo objetivo: chegar a um perfil do homem essencialmente brasileiro. 
Não parou aí a investigação do escritor: servindo-se de fatos e lendas de nossa história, Alencar criaria ainda o chamado romance histórico. “… o mito do tesouro escondido, a lenda das riquezas inesgotáveis na nova terra descoberta, que atraiu para ela ondas de imigrantes e aventureiros, as lutas pela posse definitiva da terra e alargamento das fronteiras…”, segundo o crítico Celso Luft, aparecem em tramas narrativas de intensa movimentação. Nessa categoria estão Guerra dos mascates, As minas de prata e Os alfarrábios.
Em Guerra dos mascates, personagens ficcionais escondem alguns políticos da época e até o próprio imperador (que aparece sob a pele do personagem Castro Caldas). As minas de prata é uma espécie de modelo de romance histórico tal como esse tipo de romance era imaginado pelos ficcionistas de então. A ação passa-se no século XVIII, uma época marcada pelo espírito de aventura. É considerado seu melhor romance histórico.
Com o romance histórico, Alencar completava o mapa do Brasil que desejara desenhar, fazendo aquilo que sabia fazer: literatura.
Na obra de Alencar há quatro tipos de romances: indianista, urbano, regionalista e histórico. Evidentemente, essa classificação é muito esquemática, pois cada um de seus romances apresenta muitos aspectos que merecem ser analisados: é fundamental, por exemplo, o perfil psicológico de personagens como o herói de O gaúcho, ou ainda do personagem central de O sertanejo. Por isso, a classificação acima prende-se ao aspecto mais importante (mas não único) de cada um dos romances.
Em 1876, Alencar leiloou tudo o que tinha e foi com Georgiana e os seis filhos para a Europa, em busca de tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visitou a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agravou e, muito mais cedo do que esperava, voltou ao Brasil. 
A pesar de tudo, ainda havia tempo para atacar D. Pedro II. Alencar editou alguns números do semanário O Protesto durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1877. Nesse jornal, o escritor deixou vazar todo o seu antigo ressentimento pelo imperador, que não o havia indicado para o Senado em 1869.
Mas nem só de desavenças vivia o periódico. Foi nele que Alencar iniciou a publicação do romance Ex homem – em que se mostraria contrário ao celibato clerical, assunto muito discutido na época. Escondido sob o pseudônimo Synerius, o escritor faz questão de explicar o título do romance Ex homem: ” Literalmente exprime o que já foi homem “.
Alencar não, teve tempo de passar do quinto capítulo da obra que lhe teria garantido o lugar de primeiro escritor do Realismo brasileiro. Com a glória de escritor já um tanto abalada, morreu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Ao saber de sua morte, o imperador D. Pedro II teria se manifestado assim: “Era um homenzinho teimoso”. Mais sábias seriam as palavras de Machado de Assis, ao escrever seis anos depois: “… José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana” . 
Texto original por Carlos Faraco
OBRAS DO AUTOR
ROMANCE 
Cinco minutos – 1856; O guarani; A viuvinha – 1857; Lucíola – 1862; Diva – 1864; Iracema; As minas de prata – l.º vol. – 1865; As minas de prata – 2.º vol. – 1866; O gaúcho; A pata da gazela – 1870; Guerra dos mascates – l.º vol. ; O tronco do ipê – 1871; Sonhos d’ouro; Til – 1872; Alfarrábios; Guerra dos mascates – 2º vol. -1873; Ubirajara – 1874; Senhora; O sertanejo – 1875; Encarnação – 1893
TEATRO
O crédito; Verso e reverso; Demônio familiar – 1857; As asas de um anjo – 1858; Mãe – 1860; A expiação – 1867 ; O jesuíta – 1875
CRÔNICA 
Ao correr da pena – 1874
AUTOBIOGRAFIA INTELECTUAL
Como e porque sou romancista – 1893

CRÍTICA E POLÊMICA

Cartas sobre a confederação dos Tamoios- 1856; Ao imperador: Cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo – 1865 ; Ao povo: Cartas políticas de Erasmo: O sistema representativo – 1866
Características do estilo presentes na obra
– A crítica brasileira distingue em Lucíola um dos melhores romances do nosso Romantismo;
“- o amor purifica e dá sempre um novo encanto ao prazer. Há’ mulheres que amam toda a vida; e o seu coração, em vez de gastar-se e envelhecer, remoça como natureza quando volta a primavera.”
“Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem; hoje depois de cinco anos de infâmia, sinto que não teria a coragem de profanar a castidade de minha alma. Não sei o que sou, sei que começo a viver, que ressuscitei agora., disse Lúcia após sentir a afeição de Paulo.” 
Enredo

Ambiente: Rio de Janeiro
“ A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855.”
Personagens: Paulo, Lucia (Maria da Gloria), Sá, Ana, Nina, Laura, Cunha, Couto, Rochinha, Jacinto e Jesuína.
Foco Narrativo: 1ª pessoa: Paulo, o narrador participa da história.
“ Quis responder-lhe imediatamente, tanto é o apreço em que tenho o tato sutil e esquisito da mulher superior para julgar de uma questão de sentimento”.
Tempo: Cronológico.
“ No momento em que passava o carro diante de nós, vendo o perfil suave e delicado que iluminava a aurora de um sorriso raiando apenas no lábio mimoso, e a fronte límpida q eu á sombra dos cabelos negros brilhava de viço e juventude, não me pude conter de admiração”.

Responda ás questões
a) Na obra, Lúcia apresenta dois extremos de mulher: ao modelo da igreja como Virgem Maria e como Eva (mulher demônio). Apresente trechos do livro que comprovem essa afirmativa.
Maria: Como as aves de arribação, que tornando ao ninho abandonado, trazem ainda nas asas o aroma das árvores exóticas em que pousaram nas remotas regiões, Lúcia conservava do mundo a elegância e a distinção que se tinham por assim dizer impresso e gravado na sua pessoa.”
Eva: “Eis a minha vida… deixara-me arrastar ao mais profundo abismo da depravação; contudo, quando entrava em mim, na solidão de minha vida íntima, sentia que eu não era uma cortesã como aquelas que me cercavam. Ficaram gravados no meu coração certos germes de virtudes…”
b) O que acontece na vida de Lúcia que a levou á prostituição?
Seu nome verdadeiro era Maria da Glória e, quando em 1850 houve um surto de febre amarela, toda sua família caiu doente, do pai à irmãzinha. Para poder pagar os medicamentos necessários para salvá-los, Lúcia se deixou levar por Couto, quem a partir disso ela passou a desprezar profundamente. Nessa época ela tinha 14 anos, e seu pai, ao descobrir, a expulsou de casa. Ela fingiu então sua própria morte quando sua amiga Lúcia morreu, e assumiu este nome. Agora, com o dinheiro que conseguia, pagava os estudos de Ana, sua irmã mais nova.
c) Lúcia se apaixona, inicia um processo de redenção. Narre esse processo
Nas paredes havia quadros de mulheres nuas, e como era Lúcia uma prostituta, a pedido e pagamento dos cavalheiros, ela ficou nua diante dos presentes. Para Paulo aquela não era a imagem que ele havia visto na casa e na cama de Lúcia, esta era repugnante e vulgar, aquela bela e fantástica, não era Lúcia que ali estava, aquela jovem meiga que conhecera, e sim Lucíola, a prostituta mais cobiçada do Rio de Janeiro.Então Paulo retirou-se, alegando que já havia visto paisagens melhores. Lúcia arrependeu-se do que fez e eles se reconciliaram. Paulo a amava desesperadamente de forma bela e pura, Lúcia em seus conturbados sentimentos, decidiu então dedicar-se inteiramente a esse amor para que sua alma fosse purificada por ele. Então vendeu sua luxuosa casa e foi morar em uma menor e mais modesta.
d) Comente o final utilizado pelo autor para Lúcia na obra
Paulo ficou muito comovido com a historia de Lúcia. Ele sempre a visitava e numa noite de amor ela engravidou, mas adoeceu. Lúcia acreditava que a doença era devido ao fato de seu corpo não ser puro. Confessou seu amor a Paulo e que pertencia a ele, queria que Paulo casasse com Ana, que tinha vindo morar com eles. Paulo recusou-se assim como Lúcia também recusou o aborto. E por isso ela morreu. Após 5 anos, Ana passou a ser como uma filha para Paulo, que a amparava. E 6 anos depois da morte de Lúcia, Ana casou-se com um homem de bem e Paulo continuou triste com a morte do único amor da sua vida. Lucíola é um romance urbano, em que Alencar transforma a cortesã em heroína, esta purifica sua alma com o amor de Paulo. Ela não se permite amar, por seu corpo ser sujo e vergonhoso, e ao fim da vida, quando admite seu amor, declara-se pertencente a Paulo. É a submissão do amor romântico, onde a castidade valorizada. Percebe-se também uma crítica social e moral ao preconceito. O romance causou comentários na sociedade. Paulo se viu dividido entre o amor e o preconceito. A atração física superou essa barreira, mas até o final ela se sentia indigna do amor de Paulo e do sentimento de igualdade que deveria existir entre os amantes.

QUANDO TUDO ACONTECEU…

1829: No dia primeiro de Maio nasce José de Alencar em Mecejana, Ceará, Brasil. – 1830: A família Alencar muda-se para o Rio de Janeiro. – 1846: José de Alencar matricula-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. – 1847: Esboça Os Contrabandistas, seu primeiro romance. – 1854: No Correio Mercantil, assina o folhetim Ao Correr da Pena; apaixona-se por Chiquinha Nogueira. – 1856: No Diário do Rio de Janeiro, com o folhetim Cinco Minutos, e logo a seguir com A Viuvinha, estreia-se como romancista; polêmica a propósito do livro A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães. – 1857: Publica o romance O Guarani. Estreia-se como autor teatral com a peça Verso e Reverso. – 1860: É encenado o seu drama Mãe. – 1861: É publicado o seu romance Lucíola. – 1864: Casa-se com Georgina Cochrane. – 1865: Publica o romance Iracema. – 1869: O Imperador D. Pedro II recusa-se a indicar José de Alencar para o Senado. – 1870: Baseando-se no romance de José de Alencar, o compositor Carlos Gomes apresenta a ópera O Guarani no Scala de Milão. – De 1870 a 1877 José de Alencar publica os livros Guerra dos Mascates, Til, O Tronco do Ipê, Sonhos D’Ouro, O Gaúcho, A Pata da Gazela, Senhora.- 1873: Polêmica de Alencar com Joaquim Nabuco. – 1876: Buscando tratamento para a sua tuberculose, Alencar vende tudo o que tem e com Georgina e os seus filhos viaja para a Europa. – 1877: Tuberculoso, a 12 de Dezembro, no Rio de Janeiro, morre José de Alencar.

O Profissional Arquivista e o Marketing

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PROBLEMA

Hoje com a globalização em alta e os avanços tecnológicos as empresas estão enfrentando obstáculos em diversos âmbitos e serviços. E se tratando de documentação a situação é muito pior; em algumas instituições a massa documental cresce assustadoramente e estão se perdendo sem a mínima chance de serem encontradas na hora da busca causando muito prejuízo para a instituição. Além disso, seus serviços não são divulgados para atrair novos usuários potenciais. 
O arquivo publico é uma instituição que guarda boa parte da documentação da administração publica e é visto como celeiro da história. Mesmo a frente do funcionamento dos serviços desta instituição é preciso compreender como seus serviços são disponibilizados.
Desta forma o problema se expressa por meio das questões: qual as dificuldades dos usuários em relação aos serviços oferecidos pelo arquivo publico de Londrina? E quais os benefícios que o profissional arquivista pode oferecer para satisfazer as suas necessidades informacionais?
Trata se enfim, que a instituição precisa prestar bons serviços para atrair e conquistar novos usuários. Esses serviços podem ser disponibilizados por um arquivista que é a pessoa ideal para atuar no arquivo junto com os outros profissionais no trabalho de gestão de documentos. Portanto se faz necessário saber como usar o marketing para divulgar os serviços e produtos e também a imagem da instituição, sendo que muitas vezes é mal vista pela sociedade por falta de conhecimento ou a carência da publicação dos serviços prestados.

JUSTIFICATIVA

Toda instituição tem a mesma finalidade, que é oferecer seus serviços e produtos ao consumidor, do mesmo jeito oferecer informações. Ultimamente o arquivo é uma instituição que se tornou popular ao prestar serviços informacionais para os usuários, mas nem sempre as informações são disponibilizadas com exatidão na hora que eles precisam. 
Sendo assim, o Arquivista precisa estar atento as mudanças, seus serviços devem ser desenvolvidos conforme o seu publico, voltadas ás necessidades informacionais deles. Pois a sociedade em geral precisa se envolver com as atividades informacionais oferecidas de forma a inteirar-se nas constantes transformações. 
Este estudo ajuda na organização do entendimento cientifico no campo da Arquivologia, mostra a importância do Arquivista dentro de uma instituição atuando e interagindo com os usuários, pois é fundamental o trabalho desse profissional no gerenciamento das informações no arquivo, propondo estratégias que levam em consideração os serviços informacionais arquivísticos que envolvam a melhoria na qualidade dos serviços prestados. Com isso, há a possibilidade de conhecer diversos aspectos administrativos que permite a empresa se destacar no mercado e a ter uma organização que lhe ajuda tomar decisões e que a torne mais competitiva.

REVISÃO DA LITERATURA

Nesta seção serão vistos alguns pensamentos de autores que por meio de estudos em literatura com livros, Internet, periódicos servirão para dar apoio ao tema desse trabalho. Segundo Araújo (2004, p. 21) A fundação teórica visa estabelecer uma abordagem dos aspectos que norteiam o assunto estudado, considerando suas características e dados sobre assunto referido.

Princípios arquivísticos
Os arquivos são uma ferramenta de apoio da administração. Com a utilização de suas informações, viraram produtos dos procedimentos do funcionamento da administração. Por conseqüência, eles testemunham políticas, decisões, funções, atividades e transações das instituições. Deste modo, as documentações institucionais ganham um caráter oficial e um estatuto jurídico, propriedades que diferem de outros documentos. (CABRAL; MATOS E NUNES apud EVANS, 1998, P. 16).
A vida dos documentos arquivísticos divide em três períodos:

Atividade: que são os documentos de primeira idade, que ficam junto a administração sendo usados diariamente.
Semi atividade: são documentos pouco usados, e já esperam um destino final.
Inatividade: são documentos com grande valor histórico e administrativo, porém são guardados para provar algo e para tomada de decisão.
Rousseau (1998, p. 14) argumenta:
Como apoio teórico deste ciclo que reparte a vida dos documentos produzidos por uma pessoa física ou moral em três fases precisas, é importante classificar os conceitos das três idades e as noções dos sem valor.
A imparcialidade é a primeira característica dos registros documentais. As informações são verdadeiras e os documentos são provas originais, revelam fatos e atos. Porém a arquivística está classificada e alguns princípios:
– Autenticidade que é a criação dos documentos e há uma ligação entre a manutenção e a custódia. São autênticos porque são criados, mantidos e conservados sob custódia. Também é natural porque são acumulados no curso das transações conforme com as necessidades.
– Inter relacionamento; Cada documento está relacionado com os demais documentos dentro ou fora do grupo, mas estão preservados.
– Unicidade: cada documento é único, cada qual tem o seu lugar único na estrutura documental no grupo que pertence. (DURANTI, 1993, P.61 e 62).

Arquivo
Os desenvolvimentos intelectuais da sociedade fizeram mudanças nas empresas atuais. Antigamente, Como destaca Schellenberg (2004, p. 25) os documentos eram guardados no templo da mãe dos deuses, onde eram conservados na forma de rolos de papiros.
Desde os tempos primitivos as pessoas já tinham uma preocupação com as informações, sabiam que era preciso guardar para quando precisassem da informação a mesma poderia ser resgatada para tomada de decisão. Assim, historicamente foram surgindo os arquivos onde deram origem aos arquivos de hoje.
Silva destaca (1999)
Hoje, a importância de se discutir as linhas de acervo que devem ser definidas pelos centros de memória e documentação, é porque se trata de questão estratégica, fundamental já que assim se organiza o conhecimento. O conhecimento é especializado, as pessoas acessam as informações dessa maneira. Por isso esses centros só realizam sua função essencial se estiverem em sintonia com o modo como o conhecimento está sendo construído hoje. Num primeiro momento, a própria sociedade contemporânea exigiu o surgimento desses centros, que se aproveitavam de informações já produzidas sobre conjuntos bibliográficos, arquivísticos etc. para dar um apoio informacional ao pesquisador, ao empresário, ao governo e ao político.
Os arquivos não têm só a função de guardar documentos, mas de disponibilizar informações para o publico em geral da empresa que necessitam delas para pesquisa e tomada de decisão. (Os arquivos são as documentações informações registradas em suportes) que uma empresa comporta.
Conforme ressalta Fonseca (1999)
O dicionário internacional de terminologia arquivística publicado pelo conselho internacional de arquivos cita que arquivo é o conjunto de documentos, quaisquer que sejam suas datas, suas formas ou seus suportes materiais, produzidos ou recebidos por pessoas físicas e jurídicas de direito publico ou privado, no desempenho de suas atividade.
Hoje com a modernidade e o crescimento das empresas, o arquivo não é só uma sala onde ficam esquecidos os documentos. O arquivo está em todos os setores da empresa e os documentos são tramitados e usados diariamente pelas pessoas que precisam da informação para tomada de decisão. Quando acaba o valor primário do documento, o mesmo espera seu destino final, sendo eliminado ou guardado para sempre no arquivo central que precisa ser um bom ambiente que o preserve como fonte do passado e é preciso que esse documento seja tratado e disseminado para na hora da busca ser resgatado com facilidade.
Os valores inerentes aos documentos públicos modernos são de duas categorias: valores primários param a própria entidade onde se originam os documentos, e valores secundários, para outras entidades e utilizadores privados. Os documentos nascem do cumprimento dos objetivos para os quais um órgão foi criado administrativos, fiscais, legais e executivos. Esses usos são de primeira importância. Mas os documentos oficiais são preservados em arquivos para apresentarem valores que persistirão por muito tempo ainda depois de cessado seu uso corrente e porque os seus valores serão de interesse para outros que não os utilizadores iniciais. (SHELLENBRG, 2004, p.18)
Deste modo, são no arquivo da empresa que ficam guardados os documentos no qual visa atender as necessidades dos usuários que precisam de uma informação para simples pesquisa e até mesmo para tomada de decisão.
È preciso saber quem são os usuários para saber quais suas necessidades informacionais por meio de estratégias para assim desenvolver mudanças na área do arquivo.
O arquivo pode ser publico ou privado e também pessoal, porém todos tem a mesma finalidade de disponibilizar informações a seu publico, exceto que sejam informações não sigilosas. O arquivo privado é criado por pessoas físicas de direito privado, normalmente não é aberto para pesquisa ao publico externo, somente aos usuários internos que atuam dentro da empresa. Em muitos casos nem mesmos eles podem ter acesso a esses arquivos por ter informações restritas. Bellotto (2007, p. 253) afirma que Os arquivos privados são documentos recebidos e criados dentro da empresa por pessoas físicas e jurídicas no decorrer de suas atividades.
Segundo Schellemberg (1974 p. 11).
O arquivo publico é o local onde estão os documentos da administradores do Estado. São documentos de vários órgãos do governo que devem ser preservados para tomada de decisão. São procurados pela sociedade em geral denominados usuários da informação. O documento das instituições publica, mesmo os mais antigos são necessários na medida em que refletem a origem e crescimento de um governo ou instituição. Contém provas de obrigações financeiras legais que devem ser preservadas com o objetivo de protege-los. Os arquivos se constituem em alicerces sobre os quais se ergue a estrutura de uma nação. 
O arquivo é considerado um instrumento de auxilio ao usuário, sendo um meio indispensável para o desenvolvimento da pesquisa, possibilitando condições de acessar e utilizar as informações nele disponível. Assim atende as necessidades básicas do assunto a ser pesquisado, deve dar ao publico materiais diversificados, que atendam suas necessidades e para de cidadão critico e consciente na sociedade. Dessa forma ressalta Araújo (2004 p.24). 
Muitas pessoas vêem uma unidade de informação, como um depósito de materiais e não a reconhecem como local de investigação e de conhecimento. Porém, é necessário lembrar sua importância e sua contribuição na formação de leitores e no desenvolvimento da capacidade e interesse do usuário em aprender e conhecer os recursos que as unidades de informação possui utilizando a como apoio á pesquisa. (ARAÚJO, 2004 p. 24).
O arquivo como um centro de informação precisa comprometer se na missão institucional apresentando de forma responsável os seus serviços com o objetivo de disponibilizar informações para suas pesquisas, cultura e também um ambiente adequado a essas atividades. (Pinheiro e Godoy, 2002).
Para Schellenberg (2004, p. 36 e 37)
Sir hilary Jen kinson, no seu manual inglês intitulado, edição de 1937 definiu arquivos como documentos… Produzidos ou usados no curso de um ato administrativo ou executivo (publico ou privado de que são parte constituinte e preservados sob custódia da pessoa responsável por aqueles atos e por seus legítimos sucessores para sua própria informação. Em uma publicação intitulada Archivkunde, publicada em Leipzig, 1953, define arquivos como o conjunto de papéis e de documentos que promanam de atividades legais ou de negócios de uma pessoa física ou jurídica e se destinam á conservação permanente em determinado lugar como fonte e testemunho do passado.
Para a história de um país os arquivos são importantíssimos, pois tem campo para pesquisa e ajuda na história contemporânea. (SANTOS 1996, p. 175). 
Conforme FEIJÒ (1988, p.16)
O arquivo é algo de sumo importância, pois, na sua organização está implícito o fato de documentar e comprovar todas as informações emitidas. Isto significa a guarda dos documentos de forma tal que os registros possam ser conferidos conseqüentemente comprovados quando as situações assim o exijam.Na realidade só existe na medida em que uma série de documentos exija permanente conservação. Alguém, não no sentido vago que o termo possa sugerir, deve ter conhecimento perfeito do arquivo e da forma de arquivamento. Dizemos alguém por coerência com a objetividade das proposições aqui consignadas e que nos lembram das muitas realidades que impedem a existência de um arquivista, que seria o ideal.
Para que os objetivos propostos sejam realizados no arquivo, a instituição precisa de um arquivista com conhecimentos formais na área de gestão de documentos devendo conhecer quem realmente é o seu publico para então desenvolver estratégias, mostrar seus serviços para que todos o utilizem e fiquem satisfeitos, podendo retornar e trazer com eles novos usuários para a instituição.

Usuários de informação arquivística
É impossível oferecer um produto se não houver o cliente, assim acontece no arquivo se não tiver o usuário para disponibilizar serviços de informações. Pois este deve existir para que a empresa se desenvolva e se torne conhecida. A instituição precisa se planejar para dar bom atendimento aos seus usuários, por outro lado, o usuário pode migrar para outro mercado, a fim de obter satisfação de suas necessidades. Porquanto o usuário tem grande valor para a instituição, por ser o consumidor de seus produtos e é ele quem leva conhecimentos sobre os serviços e produtos a outras pessoas. 
Junior apud Vergara (2009, p. 22) define usuários como sendo qualquer pessoa que seja transformada pelo produto ou serviço, eles podem ser internos e externos e variam amplamente em importância econômica.
Os usuários de arquivo são segundo Bellotto (2007 p. 28);
O administrador, aquele que produz o documento e dele necessita para sua própria informação na complementação do processo decisório, o cidadão interessado em testemunhos que possam comprovar seus direitos e o cumprimento de seus deveres para com o Estado; o pesquisador, historiador, sociólogos ou acadêmicos em busca de informações para trabalho de analise de comportamentos e eventos passados, podendo ser incluído nessa categoria o estudioso em geral; o cidadão comum, aqui não mais o interessado em dados juridicamente válidos, mas o cidadão não graduado, p aposentado, a dona de casa etc. a procura de cultura geral, de entretenimento, campos em que pode haver lugar para o conhecimento da história.
Em muitos casos, os usuários se deparam com uma barreira dentro da empresa quando vão as buscas de informação, mas não encontram, outra barreira que encontram é quando não sabem expressar para o arquivista qual a informação desejada, por isso o arquivista deve conhecer os usuários e interpretar suas necessidades de informação. 
Para Joos (2008) O usuário em primeiro lugar tem que ter uma atitude necessária para que as empresas obtenham o sucesso esperado, tendo com objetivo atender as demandas dos seus clientes. O usuário desenvolve expectativa conforme os serviços oferecidos na instituição e pelos anúncios, publicações que são feitas, principalmente, quando há forte impressão de outras pessoas sobre eles. Portanto a disponibilização dos serviços devem ser conforme as expectativas adquiridas. A grande satisfação dos usuários do arquivo é quando chega a conclusão que suas necessidades foram atendidas conforme o esperado.
O papel do Arquivista nas empresas
É papel do profissional que atua nos arquivo, prestar serviços de referências aos usuários, dando a eles orientação e incentivarão a pesquisa, oferecendo a eles meios de descobrir o que querem. Além disso, o arquivista é o responsável pelas documentações administrativas quanto às histórias da instituição, esse profissional é o gestor da informação, pois é necessário conhecimentos arquivísticos, técnica de marketing para divulgar os serviços, mostrando a imagem da instituição. 
o trabalho do profissional arquivista é um pouco complexo, além da responsabilidade com suas atividades com as demais tarefas que envolvem os usuários, existe também a ética nos seus serviços, quanto a assuntos sigilosos que não podem ser abertos ao publico em geral. È necessário que se crie um modelo profissional que atenda as necessidades dos usuários e que esteja de acordo com as possibilidades deles. Lopes (1996 p. 52). O gestor da informação segue uma ética profissional que lhe orienta a atuar no sentido de responder aos interesses do seu cliente imediato, no caso da empresa e empresário. (INFORMAÇÃO & INFORMAÇÃO).
JAMENSON (1964, p. 284) ressalta;
O arquivista para ser perfeito, deve ter um pouco de outros profissionais, sem contar as condições especialíssimas de boa vista, paciência, perspicácia, habilidade para lidar com outrem.
Hoje o arquivista é o gestor da informação, ele tem que estar preparado para enfrentar vários desafios, esse profissional precisa conhecer toda empresa, saber quais os serviços oferecidos, quem são os fornecedores e quais as necessidades que os usuários têm de informação. Além disso vai gerenciar informações, para disponibilizar aos usuários quando eles vão à busca da mesma para tomada de decisão.
Com o aumento da tecnologia e da globalização as informações vão surgindo e a massa documental cresce assustadoramente e vão se acumulando sem nenhuma organização e chances de serem encontrados na hora da busca. Aos arquivistas cabe parte desta falha, muita desses profissionais não sabem como desenvolver pesquisa do seu mercado, promover os seus produtos e serviços profissionais por meio de divulgações, e não treinam usuários de modo que eles possam utilizar os recursos todos montados para seu uso. (Figueiredo, 1979).
Conforme Bellotto (2007, p.31)
O arquivista é o profissional do futuro, tem sido chamado justamente a melhor assegurar a conservação dos documentos para os usuários da empresa e também precisa se preparar para muitos desafios que aparecerão a sua frente, é necessário que gerencie as informações e as mostre para as pessoas quais são os seus objetivos que é cuidar da preservação das informações, criar serviços que ajude os usuários a encontrarem as informações com facilidade.
O Arquivista é pessoa que cuida dos serviços de conservação de documentos e esta hoje esta comparado ás demais funções públicas. Como outros profissionais, ele tem suas atribuições definidas, precisa ter sua credencial própria para atuar no arquivo moderno, pois não é mais um depósito de papéis esquecidos ao abandono. (Jameson. 1964 p.284).
De acordo com Ferreira apud Teixeira filho (1998, p.2) 
O arquivista é o responsável pelo acervo de documentação da empresa, abrangendo textos, periódicos, artigos, livros, manuais, plantas, especificações técnicas, estruturando e mantendo a memória organizacional. Ou até mesmo o profissional de marketing, preocupado com a pesquisa, capacitação, seleção, qualificação, análise e comunicação das informações sobre o mercado, o empenho da empresa e da concorrência.
È fundamental que a sociedade fique em contato com as informações disponíveis, para terem vontade e prazer na pesquisa, pois é primordial que ganhem experiência positiva, para assim despertar nele a vontade de conhecer e buscar novos conhecimentos. Ao contrário, o usuário perde o interesse pela pesquisa podendo não frequentar mais o arquivo.
Dentro da instituição no trabalho do arquivo, o arquivista junto com os outros profissionais precisa desenvolver estratégias, buscar recursos para amenizar o problema enfrentado pelos usuários que não sabem utilizar os serviços oferecidos, enfrentam obstáculos quando estão a frente do arquivista, não sabendo com expressar o que realmente desejam. Em muitos casos o arquivista também não consegue interpretar suas necessidades.
Santos e Souza apud faria (2005) argumenta; O profissional da informação pode inserir-se como ativo e agente criativo, capitalizando sua competência informacional para as estratégias da organização em que atua. Torna-se necessário então compreender o perfil, as competências, habilidades e atitudes requeridas para que este profissional possa ocupar um espaço amplo e diversificado na era do conhecimento onde as tecnologias são ferramentas de suma importância.
O serviço de referência e informação, em especial nas unidades de informação públicas, apresenta se como o espaço em que se realiza a relação usuário informação. Talvez fosse melhor dizer o espaço onde se pretende a relação usuário informação, a relação necessidade informacional e informação. O talvez é motivado pelo fato de que em grande parte das vezes essa relação não existe. (OSVALDO, 2003, p. 39).
Uma das razões mais simples que as pessoas não usam as unidades de informação é que eles não sabem da existência dos centros voltados aos seus interesses, outros são vagamente sabedores dos serviços, mas não sabem os pontos de acesso ou os benefícios em potencial. (FIGUEIREDO. 1977 P. 88).
De acordo com Shellenberg (2004, p174), 
Para o êxito de qualquer programa de arquivo é essenciais um corpo de funcionários com formação profissional. O arquivista deve possuir em primeiro lugar uma boa base em algum campo de conhecimento, e em seguida, conhecimentos especializados quanto aos princípios e técnicas de arquivo.
Para realizar seu papel que é cuidar da gestão da informação e ajudar na busca de conhecimentos e desenvolvimento intelectual do usuário, é preciso que o arquivo seja conhecido e visitado por sua comunidade. (ARAÙJO, 2004, p. 31).
Sendo assim o arquivista precisa estar preparado para acompanhar as transformações que ocorrem na sociedade, com o objetivo de atender as necessidades do seu publico, dando a eles satisfação, conhecimento e ajudar no desenvolvimento da instituição, divulgando seus serviços e imagem possibilitando que a mesma se torne mais competitiva.

Marketing
Toda empresa para atrair clientes, faz propaganda para vender seus produtos e serviços. E é por meio do marketing que essa divulgação é feita para chamar atenções da sociedade.
O Marketing é um processo central das instituições, que desenvolve com objetivo de atender a necessidade humana. É por meio do marketing, que o usuário adquire conhecimentos e orientação, pois assim sabem quais medidas tomar a fim de conseguir por em dia suas pesquisas, proporcionando contentamento da realização intelectual atingida. (CORTEZ, 1985, P.15).
Segunda kotler e Fox (1994, p. 47)
Marketing destaca a satisfação dos consumidores ao responder as suas necessidades e desejos. Uma instituição educacional que responde ao mercado fazendo todos esforços para sentir, atender e satisfazer as necessidades e aos desejos de seus consumidores e publico dentro das restrições de missão e orçamento. Cada instituição deve determinar qual nível de resposta deseja e, depois, implementar programas para alcançar este nível de satisfação.
Sabe-se que dentro do processo do marketing, as necessidades das pessoas ficam em primeiro lugar, essa é a idéia essencial do marketing, já que o homem e suas necessidades são múltiplas e diferentes de acordo com a própria constituição. (JÚNIOR, 2009 apud COBRA, 2000). A idéia de marketing, é satisfazer as necessidades dos usuários e outras obrigações sociais. No decorrer desse segmento, o planejamento de marketing requer a consideração das necessidades dos usuários como consumidores. (KASSARJAN e BENNETT, 1975, P. 14).
Assim, Kassarjan e Bennett (1975, p. 35) ainda ressaltam:
A demanda do consumidor é a quantidade de um bem serviço que ele está disposto a comprar a diversos preços. Veremos que a demanda do consumidor pode ser derivada da teoria do comportamento do consumidor.
A necessidade é uma carência que a pessoa sente e se transforma em um desejo que quando se relaciona ao poder aquisitivo torna-se uma demanda. A criação de produtos e serviços oferece para os usuários grande valor que é o entretenimento que diferencia entre os benefícios e os custos. (JÚNIOR, 2009, p.3).
Para uma instituição a proporção de um serviço faz parte da sua capacidade face a sua competição, para achar a procura dos seus usuários. Portanto, a concorrência acontece quando a instituição tiver uma vantagem estratégica, seja pela presença distintivas que a distingue de suas concorrências, seja pela produtividade que lhe da vantagem de custo. (ZENONE, 2007, P.24). Se o produto tem um bom valor, a satisfação logo virá e a qualidade significa esta satisfação que o usuário deseja. (JÚNIOR, 2009, P.14).
O cliente tem satisfação, quando adquire um bom produto, e assim sucede o processo da troca que é a realização de suas necessidades com o desejo. Desse modo, com o marketing acontece uma transação entre duas partes, e com essa ligação das partes é desenvolvido um grupo de usuários reais e potenciais de um produto e serviço. 
De acordo com Cortez (1985, p. 64)
Marketing é o conjunto de estudos, medidas e orientações para os usuários que tem como retaguarda e objetivo de produzir a satisfação de suas necessidades e desejos, garantindo o bom êxito das metas organizacionais.
Um dos desafios que um gestor enfrenta é o seu ver, que precisa ser desenvolvido de modo que, com suas ferramentas e dados disponíveis os usuários detectam tendências e toma decisões eficientes no tempo certo. (ZENONE, 2007, P.66). Um dos desafios do marketing é o de fazer parte na mesma estratégia, a filosofia voltada ao usuário, proporcionado o aos interesses da instituição. Porém uma empresa existe para atender os seus interesses internos. (ZENONE, P. 124).
Las Casas (2006, p. 48) diz que:
Para alcançar os objetivos e metas, a administração desenvolve estratégias e táticas, que são planos de ação que partem de uma analise do meio ambiente, onde se determinam oportunidades e ameaças do mercado, observando se os pontos fortes e fracos para aproveitamento das oportunidades ou proteção quanto às ameaças detectadas. A diferença que alguns autores estabelecem é que a estratégia é sempre mais geral, envolvendo todas as partes da empresa, enquanto a tática é mais relacionada com um setor específico que é o do marketing.
O campo do conhecimento é que envolve todas as ações ligadas a troca, orientadas para a satisfação das necessidades dos usuários, procurando alcançar determinados objetivos da instituição e estimando sempre o meio ambiente de atividades e impacto que essa faz no bem estar das pessoas. (JÚNIOR, 2009, P. 14).
No interior de uma instituição, o marketing é conceituado como a função que estabelece as necessidades e vontades dos usuários alvo que a instituição pode servir melhor. Além de projetar serviços, produtos e atividades a esses mercados. (JÚNIOR, 2009, P. 14).
De acordo com Zenone apud Sâmara (2007, p. 101)
Quando o marketing visa conhecer mais fundo estas necessidades do consumidor, através do processo conhecido como pesquisa do consumidor. São encontradas diferentes áreas que sofrem maior ou menor influência pelo marketing e principalmente programas de publicidade como: influencia social status, influência pessoal, familiar, do domicilio e situacional. Este estudo concede que a criação de valor para o usuário é uma estratégia na demandas deles. Dessa forma o cumprimento de ação que abrange o marketing é um instrumento para criação de serviços na instituição. 
É primordial que as instituições divulguem seus serviços e produtos usando as técnicas de marketing, pois essa é a melhor estratégia voltada aos seus usuários. Dessa forma, a empresa ganha status e novos usuários para usufruir seus produtos e serviços.

Sociolinguística

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A sociolinguística é a área que estuda as relações entre linguagem e sociedade, pois os seres humanos vivem organizados em sociedades e faz parte de um plano de comunicação oral, uma língua.

Língua e sociedade

Essa relação é mais marcante do que se imagina. A própria língua como sistema acompanha de perto a evolução da sociedade e reflete de certo modo os padrões de comportamento, que variam em função do tempo e do espaço. Inversamente. Pode-se supor que certas atitudes sociais ou manifestações do pensamento sejam influenciadas pelas características que a língua da comunidade apresenta.

Estudiosos da Linguística

Para Saussure, a língua e um fato social, no sentido de que é um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social. Ele aponta a linguagem como faculdade natural que permite ao homem constituir uma língua, com isso, a língua se caracteriza por ser um produto social da faculdade da linguagem. Segundo ele: o estudo dos fenômenos linguísticos externos e muito frutíferos, mas e falso dizer que sem estes não seria possível conhecer o organismo linguístico interno. A linguagem é adquirida e construída pelo homem.
Segundo Meillet, A língua é, ao mesmo tempo, linguística e social, ele utiliza em seus estudos linguísticos uma orientação diacrônica, mas acredita que a historia das línguas é inseparável da historia da cultura e da sociedade.
A verdadeira historia da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo fato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal realizada da enunciação ou das enunciações. A intenção verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. Afirma Bakhtin.
Dizia Jakobson que no principio a igualdade do código linguístico, postulado por Saussure, e adotado pela linguística, não passa de uma ficção desconcertante, já que todo individuo participa de diferentes comunidades linguísticas e todo código linguístico é multiforme e compreende uma hierarquia de subcódigos diversos, livremente escolhidos pelo sujeito falante.
Jakobson privilegia os aspectos funcionais da linguagem e identifica como fatores constitutivos de todo ato de comunicação verbal: o remetente, a mensagem, o destinatário, o contexto, o canal e o código.
Defensor da necessidade de um diálogo entre as ciências humanas, Cohen afirma que: os fenômenos linguísticos se realizam no contexto variável dos acontecimentos saciais. Para ele os estudos dos aspectos externos e internos de uma língua devam ser separados e assume a questão das relações entre língua e sociedade a partir de fatores externos.
Cohen estabelece temas de interesse para estudos sociológicos da linguagem, a partir do estudo das relações entre as divisões sociais e as variedades de linguagem, que permite abordar tópicos como: a distinção entre variedades rurais, urbanas e classes sociais, os estilos de linguagem (variedades informais e formais), as formas de tratamento, a linguagem de grupos segregados (jargão de estudantes, de marginais, de profissionais, etc.).
Na concepção de Benveniste língua e sociedade não podem ser concebidas uma sem a outra. e dentro da, e pela língua que o individuo e a sociedade se determinam mutuamente, dado que ambos só ganham existência pela língua.
A língua é a manifestação concreta da faculdade humana de simbolizar. É pelo exercício da linguagem, pela utilização da língua, que o homem constrói sua relação pela natureza e com os outros homens.
A linguagem sempre se realiza dentro da língua, de uma estrutura linguística definida e particular.
Para Benveniste sociedade e língua são grandezas de ordem distintas, que tem organizações estruturais diversas: a língua se organiza em unidades distintas, que são em números finitos, combináveis e hierarquizadas; o que não se observa na organização social.
A língua permite que o homem se sitie na natureza e na sociedade, o homem se situa necessariamente em uma classe, seja uma classe de autoridade ou uma classe de produção […] revela o uso particular que grupos ou classes de homem fazem dela […] e as diferenciações que daí resultam no interior de uma língua comum.
A língua é o instrumento de comunicação que deve ser comum a todos os membros da sociedade e é também o instrumento próprio para descrever, para interpretar tanto a natureza quanto a experiência. 

William BRIGHT e a Sociolinguística


A proposta de Bright para a sociolinguística é a que ela deve demonstrar a covariação sistemática das variações linguísticas observáveis em uma comunidade as diferenciações existentes na estrutura social desta mesma sociedade.
Segundo ele: o objeto de estudo da sociolinguística é adversidade linguística.

Willian LABOV Sociolinguística Variacionista

O termo sociolinguística fixou-se em 1964, com Willian Labov, que fixou um modelo de descrição e interpretação do fenômeno linguístico no contexto social de comunidades urbanas conhecido como Sociolinguística Variacionista ou Teoria da Variação.
Labov sublinha o papel decisivo dos fatores sociais na explicação da variação linguística (diversidade linguística) e relaciona fatores como idade sexo, ocupação, origem étnica e atitude ao comportamento linguístico.

Objeto da sociolinguística

As pesquisas na área de sociolinguística são feitas por entrevistas e/ou amostragem.
O objeto da sociolinguística é a língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso. Seu ponto de partida é a comunidade linguística, um conjunto de pessoas que interagem verbalmente e que compartilham um conjunto de normas a respeito aos usos linguísticos.
Uma comunidade de fala se caracteriza não pelo fato de se constituir por pessoas que falam do mesmo modo, e sim por indivíduos que se relacionam por meio de redes comunicativas diversas e que orientam seu comportamento verbal por um mesmo conjunto de regras.

A variação linguística: um recorte

Todas as línguas do mundo são sempre continuações históricas gerações sucessivas de indivíduos legam a seus descendentes o domínio de uma língua particular. As mudanças temporais são parte da história das línguas.
No plano sincrônico, as variações observadas na língua são relacionáveis a fatores diversos: dentro de uma mesma comunidade de fala, pessoas de origem geográfica, de idade, de sexo diferente falam distintamente.
Não há casualidade entre o fato de nascer em uma determinada região, ser de uma classe social e falar de certa maneira.

ALKMIM, Tânia Maria. Sociolingüística In: MUSSALIN, Fernanda (org.). Introdução á Lingüística. São Paulo: Cortez. 2006
MUSSALIM, Fernanda e BENTES, Ana C. (org.). Introdução à lingüística: Domínios e
Fronteiras. Vol.1. São Paulo: Cortez, 2001. 

A Educação no Trânsito voltada à Sustentabilidade Ambiental

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A maneira do homem viver na cidade é um fator que tem influenciado significativamente nos intempéries ambientais (ondas de calor, inundações, poluição sonora etc.) e nas emissões de gases de efeito estufa, que, hoje, são problemas que preocupam a Humanidade. A falta de consciência de muitos motoristas tem contribuído muito para isso. Substâncias como o gás carbônico e compostos sulfurosos liberados na queima do combustível, as emissões de ruídos das buzinas e motores dos veículos, o lixo descartado pelos motoristas ou passageiros nas vias públicas, entre outras atitudes, são causadores de diversos problemas ambientais e complicações à saúde da população urbana. Este estudo tem a proposta de analisar como a questão ambiental na educação para o trânsito está sendo trabalhado pelos Centros de Formação de Condutores de Vazante/MG. Para isso, é feita uma pequisa com dirigentes dessas auto-escolas acerca da maneira que é empregada a questão ambiental na formação dos motoristas vazantinos. Diante dos diversos os problemas ambientais, no Brasil, relacionados à falta de conhecimento e de preparo da maioria dos condutores de veículos, justifica-se a importância de se estudar a problemática ambiental ocasionada pelo trânsito de veículos. A pesquisa deixa evidente que há uma preocupação por parte desses Centros em formar condutores de veículos com consciência ambiental.
Palavras-chave: Auto-escolas. Meio ambiente urbano. Motoristas. Poluição ambiental

INTRODUÇÃO

Atualmente, as questões ambientais têm preocupado o mundo inteiro. Nesse contexto, torna-se imprescindível que o homem reveja sua maneira de lidar com o meio ambiente, buscando alternativas que visem sua conservação como bem de uso comum, essencial à qualidade da vida e à sustentabilidade do planeta. A proposta da educação ambiental é formar indivíduos capazes de compreender o mundo e agir nele de forma crítica e consciente, sempre com vistas à melhoria da qualidade ambiental.
A poluição ambiental causada pelos falta de consciência de muitos motoristas é, hoje, um problema enfrentado em muitas cidades brasileiras. O alto índice de gases poluentes liberados na atmosfera tem provocados sérios danos à camada de ozônio. As emissões de ruídos (buzinas e motores) produzidos pelos veículos têm trazido várias complicações à saúde do homem moderno. O lixo descartado pelos motoristas ou passageiros nas vias públicas ocasiona diariamente inúmeros acidentes, sem falar nos incêndios causados pelas bitucas de cigarro que são jogadas nos acostamentos. Diante disso, a alternativa encontrada é a educação no trânsito voltada à formação do motorista crítico sobre a problemática ambiental.
Abordando essa temática, este estudo tem a proposta de analisar como os Centros de Formação de Condutores de Vazante/MG têm trabalhado a questão ambiental na educação para o trânsito. Para isso, serão feitas duas pesquisas, sendo uma de revisão bibliográfica, buscando identificar os principais fatores da relação trânsito/meio ambiente que podem interferir na qualidade ambiental; e a pesquisa de campo com os instrutores dos Centros de Formação de Condutores de Vazante/MG sobre a maneira de como trabalham a questão ambiental na educação dos motoristas.
Para uma melhor compreensão da temática proposta, este estudo está dividido em três capítulos. O primeiro capítulo busca discutir a educação para o trânsito no Brasil, abordando aspectos importantes relacionados à legislação de trânsito e à política do Sistema Nacional de Trânsito e os órgãos e entidades que o compõem. O segundo capítulo evidencia os problemas ambientais que desafiam o homem do século XXI, discutindo as agressões mais comuns causados pelo homem ao meio natural e as conseqüências dessas agressões. No terceiro capítulo, é abordada a pesquisa de campo com os instrutores dos Centros de Formação de Condutores de Vazante/MG, visando identificar a maneira que está sendo trabalhada a relação trânsito/meio ambiente.
Sabemos que, no Brasil, são diversos os problemas ambientais que estão relacionados à falta de conhecimento e de preparo da maioria dos condutores de veículos. Tendo em vista a preocupação mundial com o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera, sobretudo, os liberados pelos veículos automotores, compreende-se ser importante a discussão dessa temática. O veículo automotor é um grande agente poluidor do meio ambiente, principalmente, na emissão desses gases e na poluição sonora. Diante desse quadro, a alternativa é propor a educação no trânsito voltada à promoção do respeito ao meio ambiente.

1 A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO: HISTÓRICO, CONCEITOS E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA DE TRÂNSITO

A preocupação com a qualidade de vida nas cidades tornou-se um tema de grandes discussões no meio político e científico a partir de 1960, devido ao crescimento rápido e desordenado das cidades brasileiras. Em linha contrária ao imenso progresso e avanço tecnológico alcançados pelo homem, esse crescimento gerou também uma variedade de problemas nos centros urbanos, como a ocupação de áreas de preservação ambiental, emissão de gases poluentes, a poluição sonora, entre outros. As grandes concentrações urbanas, os altos índices de poluição e a degradação sócio-ambiental exigem, hoje, que cada um de nós faça uma reflexão sobre nosso comportamento como ocupantes dos espaços públicos.
Nas últimas décadas, um dos problemas urbanos que figura entre as preocupações da sociedade global é a poluição atmosférica causada pelo aumento da frota de automóveis. Essa poluição influencia muito na deterioração da qualidade de vida das pessoas (CRUZ, 2002). O veículo automotor é um grande agente poluidor do meio ambiente, principalmente, na emissão de gases poluentes e poluição sonora. Diante desse quadro, a alternativa é propor a educação para o trânsito, de modo que promova nos motoristas e pedestres o respeito ao meio ambiente.

1.1 A educação para o trânsito: aspectos históricos e conceituais

Historicamente, a educação de trânsito apareceu no propósito de reduzir a violência do trânsito em conseqüência dos inúmeros acidentes de tráfego. As medidas legais tinham caráter normativo e educativo, mas não eram suficientes para evitar problemas nas vias públicas. As primeiras referências sobre educação de trânsito surgiram, na década de 1920, nos Estados Unidos, com a prerrogativa de habilitar o cidadão a dirigir veículos automotores e assegurar-lhe o conhecimento sobre o funcionamento do trânsito e a legislação pertinente. Na verdade, esse interesse em educar para o trânsito partia das companhias de seguro, que visavam a aumento da venda de veículos, buscando com isso reduzir as altas despesas com as indenizações (RODRIGUES, 2009).
Em termos de legislação de trânsito, os Estados Unidos e a Inglaterra foram os primeiros países a disciplinar o trânsito de pessoas e de veículos, através de dispositivos legais, que organizavam o tráfego de veículos e pedestres e coibiam os abusos praticados pelos motoristas. De acordo com Rodrigues (2009), até o final da década 1950, não havia programas educativos direcionados à educação para o trânsito.
Na década de 1970, a questão da segurança viária passou a ser tratada com prioridade por muitos países desenvolvidos, como França, Japão e Austrália. As medidas tomadas por países desenvolvidos demonstram uma época de saturação do tráfego nas vias públicas e da violência, devido ao aumento expressivo do número de acidentes de trânsito. A partir dessa época, influenciado pelos países desenvolvidos, o Brasil começou a adotar políticas de segurança no trânsito (RODRIGUES, 2009).
Segundo Rodrigues (2009), a primeira preocupação brasileira com medidas de caráter educativo, que abrangeu todo país, foi observada a partir da Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), que instituiu a Semana Nacional de Trânsito e orientou campanhas no sentido de conscientizar a população da prática segura do trânsito, abordando temas sobre a administração do trânsito, comportamento e deveres dos usuários e sinalização viária, além do aspecto moral e cultural que pode influenciar na ordem do trânsito.
Após as primeiras campanhas, é observado que os discursos a respeito da educação para o trânsito não condiziam com a realidade brasileira, visto que os diagnósticos apresentados sobre o trânsito do país, muitas vezes, não tinham embasamento em estudos técnicos do problema. Desse modo, a segurança e a violência no trânsito eram diagnosticadas a partir da imprensa, que compreendia tais problemas como decorrentes do comportamento dos motoristas, sem levar em consideração o distanciamento existente entre ele e a realidade do trânsito brasileiro, que podia ser qualificada de caótica em virtude do aparecimento em massa do automóvel. O modelo de educação visava levar informações à população a fim de que ocorresse uma mudança de comportamento envolvendo motoristas e pedestres. A Engenharia de Tráfego tinha a incumbência de promover as campanhas sobre o trânsito, que eram feitas através da distribuição de panfletos informativos. Vale observar que as principais falhas nessas campanhas foram a ausência de uma educação contínua para o trânsito e o não envolvimento das escolas.
O trânsito, na concepção de Barbosa (2007, p. 12) pode ser definido como a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupo, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga e descarga. Portanto, para esse autor, a educação para o trânsito deve promover o desenvolvimento do cidadão de forma sistemática, fornecendo-lhe conteúdos, por meio de discussões, campanhas e, sobretudo, na sensibilização do indivíduo para os temas fundamentais do trânsito como uma atividade humana.
Em se tratando do conceito de trânsito, é válido compreender:
O trânsito um fenômeno humano que procura manter a sociedade ativa e produtiva. Sendo este, o trânsito, o momento máximo da interação humana nos últimos tempos, dos encontros e desencontros de uma espécie ( o ser humano) que pretende assim permanecer em constante mobilidade, constituindo as relações e estabelecendo os parâmetros para as trocas no seu meio social (AMARANTES, 2005, p. 6).
Para Rodrigues (2009), atualmente, diante do exacerbado quadro de violência no trânsito brasileiro, promover a educação de trânsito tem sido o grande desafio dos órgãos e entidades executivos que compõem o Sistema Nacional de Trânsito, desde a implementação do atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no início de 1998. Nesse Código, é dedicado um capítulo exclusivamente à educação para o trânsito, mas existe um longo percurso para mudar essa situação, que exige ações geradoras de melhor qualidade de vida e mais segurança e de atitudes cooperativas entre pedestres e motoristas. É importante frisar que a problemática do trânsito está associada à educação tanto do motorista quanto do pedestre, que, geralmente, desconhece as regras de trânsito.

1.2 A educação para o trânsito na legislação brasileira

Hoje, o trânsito brasileiro está regulamentado na Lei 9.503/97, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e nas Resoluções complementares. Cabe observar que, além do CTB e das Resoluções, os Estados podem complementar a legislação por meio de Portarias e Decretos, tendo os órgãos de trânsito municipais também têm autonomia para normatizar o trânsito, que são diferenciados de cidade para cidade. Em síntese, o CTB aponta as competências dos diversos órgãos e entidades, as diretrizes para a Engenharia de Tráfego e as normas de condutas, infrações e penalidades, fundamentado na segurança do trânsito, no respeito à vida e na defesa e preservação do meio ambiente. Além disso, o CTB, no art. 320, institui o Fundo Nacional de Segurança e Educação para o Trânsito (FUNSET) com a proposta de manter as despesas do Departamento Nacional de Trânsito relacionadas à segurança e educação para o trânsito (RODRIGUES, 2009).
A Educação para o Trânsito está crescendo em importância em todos os países em desenvolvimento. Os problemas que têm surgido no trânsito brasileiro são enfrentados pelo Estado através da Engenharia, da Fiscalização e da Educação (RODRIGUES, 2009). De acordo com o CTB, a educação para o trânsito é um ensino obrigatório nas escolas brasileiras, devendo seus conteúdos permear todas as disciplinas, não sendo, portanto, uma disciplina específica. Nesse sentido é importante observar:
Art. 74. A educação para o trânsito é direito de todos e cosntitui dever prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito. (…)§2º Os órgãos ou entidades executivos de trânsito deverão promover, dentro de sua estrutura organizacional ou mediante convênio, o funcionamento de Escolas Públicas de Trânsito, nos moldes e padrões estabelecidos pelo CONTRAN. (…) Art. 76. A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação (BRASIL, 2005, P. 31-32)
Neste aspecto, vale dizer que o Código Nacional de Trânsito (Lei n. 9.503/1997), em vigor desde janeiro de 1998, com profundas modificações na legislação anterior, impondo novas regras, restrições, direitos e obrigações a todos os usuários do trânsito brasileiro, destinando um capítulo específico à educação para o trânsito. Cabe esclarecer que o artigo 76, do CTB, não apresenta essa educação como nova disciplina escolar, mas como proposta interdisciplinar às áreas curriculares, de modo a formar pessoas conscientes e comprometidas com a segurança no trânsito.
Em se tratando de educação para o trânsito, a Resolução n. 265, de 14 de dezembro de 2007, do Conselho Nacional de Trânsito, dispõe sobre a implementação de uma atividade extracurricular que pode ser oferecida aos alunos do Ensino Médio, extra-turno ou de acordo com a determinação da escola, com carga horária mínima de noventa horas. A autorização, o controle e a fiscalização dessa atividade é de responsabilidade do órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, podendo a escola firmar parceria com este órgão ou entidade para lhe auxiliar na implementação da atividade extracurricular (RODRIGUES, 2009).

1.3 A gestão do trânsito brasileiro

O trânsito brasileiro é de responsabilidade dos órgãos e entidades executivos do trânsito, que devem o estabelecido pelo CTB e pela Política Nacional de Trânsito. Segundo Leite (2009), o CTB elaborou uma série de elementos importantes à organização e planejamento do trânsito, que exigem total implementação para que o trânsito possa ser um direito seguramente usufruído por condutores de veículos e pedestres.
Sobre a competência dos órgãos e entidades executivos do trânsito que compõem a gestão do trânsito brasileiro, o quadro 1, demonstrado abaixo, as definem com mais clareza.

Cabe destacar que o Sistema Nacional de Trânsito é coordenado pelo Ministério das Cidades, estando subordinando ao Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). O CONTRAM também está vinculado ao Ministério das Cidades. De acordo com Amarantes (2005), o Sistema Nacional de Trânsito (SNT) é constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que se subdividem em órgãos Consultivos e/ou Normativos, Executivos e Recursais.

É necessário ressaltar que a Juntas Administrativas de Recursos de Infrações são colegiados que competem, dentre outras atribuições, apreciar e julgar os recursos interpostos por pessoas autuadas por infrações no trânsito, podendo ser constituída nos três níveis de governos. Porém, sendo a JARI do Município, esta deve ser credenciada junto ao Conselho Estadual de Trânsito. Compete dizer ainda que as Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal tem a atribuição de fiscalizar o trânsito, no âmbito de circunscrição, mediante convênio (BARBOSA, 2007).

1.4 O trânsito e o papel do cidadão

Ser cidadão é o indivíduo ter consciência do seu papel na sociedade, No trânsito, ser cidadão se trata de conhecer os seus direitos e deveres nas vias públicas, comportando-se bem como condutor de veículos ou pedestre. A cidadania é a qualidade concebida ao indivíduo que, no gozo de sua capacidade civil, está habilitada a usar e desfrutar seus direitos políticos no país (BARBOSA, 2007).
É válido compreender que tanto o pedestre quanto o condutor de veículos deve conhecer os limites, as normas e regras, bem como algumas definições da dinâmica do trânsito, para poder usufruir das vias públicas. De acordo com CTB, todo condutor de veículo automotor deve ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que, assim, pode ser definida:
São documentos de habilitação a Carteira Nacional de Habilitação e a Permissão para Dirigir, que serão apuradas por meio de exames que deverão ser realizados junto ao órgão ou entidade executivos do Estado ou do Distrito Federal, do domicílio ou residência do candidato, ou na sede estadual ou distrital do próprio órgão. As informações do candidato à habilitação serão cadastradas no RENACH (AMARANTES, 2005 p. 13).
Cabe acrescentar ainda que o candidato pode se habilitar nas categorias ACC, A, B, C, D e E.

A maioria dos problemas ocorridos no trânsito está associada ao relacionamento humano. Existem diversos fatores que ocasionam problemas no trânsito. Para Barbosa (2007), egoísmo, valorização da máquina como instrumento de força, vaidade e competição, falta de controle emocional e de domínio dos impulsos, descasos às normas e regulamentos são alguns desses fatores. Portanto, para adquirir a habilitação, é necessário o candidato se submeter a exames pelo órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal.
Com relação aos exames a que são submetidos os candidatos para a habilitação de condutor de veículo, Amarantes (2005) orienta que é preciso que os candidatos à Carteira Nacional de Habilitação façam exame de aptidão física e mental, psicológico, escrito sobre a legislação de trânsito e de direção veicular nas vias públicas, em veículo da categoria que estão pleiteando.
Existem vários meios de transporte nas vias públicas, sendo os mais comuns: caminhão, ônibus, moto, bicicleta, carros populares etc. Para todos esse meios, existem normas e regras que formam as leis e permitem que todos circulem de maneira segura e eficiente. Os acidentes de trânsito ocorrem quando essas normas e regras não são estabelecidas. O condutor do veículo é responsável pela sua segurança e a dos demais usuários da via pública.
No pensamento de Barbosa (2007), exercer a cidadania no trânsito significa o condutor de veículo ou pedestre proceder com civilidade; fazer uso da comunicação amigável; ser tolerante e solidário; ter a compreensão com o erro dos outros; e respeitar a legislação do trânsito e também a ambiental relacionada ao trânsito. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito do CTB, da legislação complementar ou das Resoluções do CONTRAN. Segundo esse autor, a auto-crítica ao volante é uma forma de se tornar um bom condutor.
Na relação trânsito e meio ambiente, os problemas que mais se destacam são: a poluição atmosférica, incêndios devido cigarros jogados dos veículos, mortes de animais silvestres, provocadas por excesso de velocidade e descaso à sinalização, poluição sonora, entre outros. Existem, porém, algumas atitudes que podem ser incorporadas no cotidiano de muitos condutores e pedestres, tornando o trânsito mais humano e seguro.

2 OS PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS QUE DESAFIAM O HOMEM, NO SÉCULO XXI

Hoje, as questões ambientais se apresentam como um dos maiores desafios a ser enfrentados pelo homem, durante toda a sua existência. A ocupação e a exploração dos recursos naturais pelo homem já demonstram sinais inequívocos de esgotamento, exigindo que o mundo globalizado reflita melhor sobre suas premissas de crescimento econômico. O respeito ao meio ambiente precisa fazer parte dos processos produtivos e do comportamento cotidiano das sociedades modernas, uma vez que a poluição que tem causado sérios prejuízos á atmosfera, à água, ao solo e à biodiversidade do planeta, além de colocar em risco a saúde humana (HESS, 2002).

2.1 O homem e a poluição atmosférica

O ar é a camada atmosférica que fica em contato com a superfície da Terra, com aproximadamente doze quilômetros de espessura, denominada de troposfera. A camada atmosférica circula ao redor do planeta, transportando substâncias que nela foram lançados para diversas regiões. O tempo de permanência dessas substâncias na atmosfera depende de fatores, como a temperatura e a pressão, que determinam as chuvas, as interações que ocorrem durante seu transporte e sua absorção pelos seres vivos, águas e solos (EDUCAÇÃO, 2001).
O ar atmosférico é indispensável à sobrevivência dos seres humanos, animais e vegetais no planeta, pois, além de fornecer a matéria-prima para a formação dos seres vivos, possui ainda a atribuição de proteger a superfície terrestre das radiações solares, os quais são capazes de causar danos aos seres vivos. Trata-se de um conjunto de gazes complexo e dinâmico essencial à biosfera terrestre. Nesse sentido, pode-se conceituar:
O ar atmosférico é uma mistura de gases e constitui um dos maiores reservatórios de substâncias essenciais à vida, principalmente: oxigênio, gás carbônico, nitrogênio e vapor de água. O oxigênio, por exemplo, é mobilizado pela respiração animal e vegetal; o gás carbônico, que é incorporado aos seres vivos por meio da fotossíntese, passa a fazer parte da cadeia alimentar. Além disso, o ar protege a Terra de radiações nocivas e retêm o calor do Sol (SILVA & MATTOS, 2004, p. 55).
A poluição atmosférica se trata da contaminação do ar que respiramos com a introdução, através da ação humana, de químicos, partículas e materiais biológicos, trazendo desconforto às espécies vivas ou danos ao meio ambiente. Essas substâncias são denominadas de poluentes atmosféricos, sendo classificados em poluentes primários, que são os originários de fontes poluidoras, como a poeira, a névoa, o monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO2), o óxidos de nitrogênio (NO2 e NO), e os compostos de enxofre, hidrocarbonetos (derivados do petróleo) e clorofluorcarbonos (CFCs); e poluentes secundários, que surgem na própria atmosfera, a partir de reações químicas que ocorrem entre os poluentes primários (BUENO, 2005).
De modo geral, pode-se dizer que a poluição atmosférica se trata de uma composição perigosa de gases residuais, poeira e de outras minúsculas partículas que se formam na atmosfera, cujos efeitos são danosos à saúde humana, como a irritação dos olhos e mucosas, doenças respiratórias e a diminuição da visibilidade. Nos últimos 150 anos, em virtude do desenvolvimento das atividades humanas, gases como o CO2 aumentaram explosivamente a presença na atmosfera (cerca de 30%), enquanto novos gases com potencial de efeito estufa passaram a ser produzidos, principalmente pela indústria, e dispensados no ar. As conseqüências dessa poluição podem manifestar-se em pequena escala, com efeito local (apenas nas proximidades), ou causar alterações em todo o sistema da biosfera, ou seja, poluição de efeito global (REVISTA PLANETA, 2006).
De acordo a organização Mundial da Saúde (OMS), quase dois milhões e meio de pessoas morrem anualmente por problemas de saúde relacionados à poluição do ar. Estudos têm comprovado que muitas mortes por pneumonia estão relacionadas à poluição atmosférica causada por veículos automotores. Cabe destacar que os maiores problemas de poluição atmosférica estão associados ao lançamento de gases tóxicos pelas indústrias e veículos movidos a combustíveis fósseis, além dos compostos tóxicos formados a partir de componentes desses gases, mediante a intervenção da luz solar (EDUCAÇÃO, 2001).
Para Bueno (2005), a poluição atmosférica é um fenômeno predominantemente urbano-industrial, sendo uma das preocupações da sociedade moderna que mais influencia na qualidade de vida das pessoas, principalmente das que moram nos grandes centros urbanos. Nas grandes cidades, os principais poluentes atmosféricos nocivos à saúde do homem são compostos sulforosos, compostos nitrogenados e o óxido de carbono, que causam a inversão térmica e o desequilíbrio do ar atmosférico. Os veículos automotores se encontram entre os grandes causadores da poluição do ar, devido principalmente à liberação de gases poluentes a partir da combustão e ao aumento expressivo da frota mundial.
Em se tratando dos poluentes atmosféricos prejudiciais à saúde humana.

Na concepção de Leff (2001), são várias as reservas de oxigênio existentes na atmosfera. A circulação constante do ar atmosférico ao redor da Terra, através do vento, correntes de ar etc., faz com que não ocorram altas concentrações de gás carbônico. Nos grandes complexos urbanos, esse processo, muitas vezes, se inverte, gerando à população um ar saturado de poeira e de gases tóxicos, ou seja, poluído. É válido compreender que esse ar poluído expõe as pessoas às doenças respiratórias crônicas e alérgicas, como a renite e a bronquite que acometem, sobretudo, crianças e idosos.

2.1.1 A destruição da camada de ozônio e o aquecimento global

O ozônio é um gás invisível que existe em toda a atmosfera, sendo mais concentrado a aproximadamente trinta quilômetros de altura, na estratosfera, que possui a função de proteger a superfície terrestre de 99% da radiação utravioleta (UV-B), provenientes dos raios solares. Portanto, o ozônio funciona como um escudo protetor que impede a parte indesejável da radiação solar. A radiação solar, em geral, é constituída de 50% de raios infravermelhos (IV), 40% de luz visível e 10% de ultravioleta (VALLE, 2004).
Os estudiosos desse assunto acreditam que, nos últimos invernos, a camada de ozônio tem se dissipado da atmosfera, na Antártida, logo acima do pólo sul, formando um enorme buraco, que, a cada ano, tem aumentado de tamanho, principalmente no mês de setembro, quando quase metade do ozônio é misteriosamente sugada da atmosfera, deixando a mercê dos raios ultravioleta uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados (15% de toda a superfície do planeta), maior que toda a América do Sul. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível. De 3 a 7% do ozônio que compunham a atmosfera já foram destruídos pela ação humana (SILVA & MATTOS, 2004).
Sobre a destruição da camada de ozônio, é importante explicar:
Isso tem sido explicado pelo fato de que alguns gases utilizados pelo homem reagem com o gás ozônio, produzindo compostos. Entre esses gases está o freon, ou clorofluorcarbono (CFC), utilizado principalmente para refrigeração. Esse gás, ao chegar na estratosfera, encontra-se com grande quantidade de radiação ultravioleta, sendo decomposto e dando origem a átomos de cloro. O cloro reagem rapidamente com o gás ozônio, produzindo os buracos na camada de ozônio (SILVA & MATTOS, 2004, p. 56).
A diminuição da camada de ozônio está ocorrendo devido ao aumento da concentração na atmosfera de compostos organo-halogenados ou CFC (clorofluorcarbono) usados, principalmente, na indústria de refrigeração, nas embalagens de aerossóis, nos solventes para a indústria eletrônica, nas espumas sintéticas e nos extintores. Segundo Valle (2004), o aumento permanente desses gases na atmosfera, resultante das atividades humanas, causa uma diminuição potencial da camada de ozônio. Entre os problemas causados pela diminuição do ozônio na atmosfera destaca-se a incidência do câncer de pele e de cataratas.
A radiação solar que atinge a face terrestre é absorvida pelos oceanos, solo e pela própria atmosfera, além de causar ventos, evaporações e correntes oceânicas. Nesse processo, parte do calor produzido retorna ao espaço, na forma de radiação infravermelha. Entretanto, alguns gases, como o gás carbônico, possuem moléculas que vibram na mesma freqüência da radiação infravermelha, absorvendo o calor que deveria voltar para o espaço. Assim, o planeta mantém-se aquecido numa temperatura média de 15% C, funcionando como uma estufa natural, semelhante à estufa para plantas (VALLE, 2004).
O efeito estufa é muito importante para a biosfera terrestre. Porém, a alta concentração de gases de efeito estufa (bloqueiam a saída de calor), tem feito com que uma maior quantidade de radiação térmica fique aprisionada na atmosfera, conseqüentemente tornando a temperatura média terrestre mais alta (aquecimento global). O problema é que O homem tem lançado gases de efeito estufa que não compõem naturalmente a atmosfera. O aumento da emissão de gases nocivos ao ozônio se deve em grande parte ao aumento da frota de carros, no século XX . Em decorrência de maior demanda energética, os países do primeiro mundo são os que mais contribuem para o aumento do CO2 na atmosfera (VALLE, 2004).
O Brasil, como outros países menos industrializados, contribui relativamente pouco à poluição atmosférica mundial, ocupando a 19ª lugar de maior poluidor do mundo, com 332,3 milhões de toneladas de CO2, mas sofre igualmente aos outros países os efeitos dessa poluição, uma vez que os gases lançados na atmosfera são espalhados pelo mundo através dos ventos. A conseqüência mais grave do aumento do efeito estufa é a elevação da temperatura global da Terra (aquecimento global).
As conseqüências previstas em decorrência do aumento do efeito estufa são as grandes secas causadas pela alta temperatura, que acelera a evaporação da água e altera o ciclo das chuvas; a proliferação de insetos, fungos e microorganismos característicos das áreas quentes, resultando no aumento de perdas de safra e na elevação de doenças, típicas de regiões tropicais; a elevação do nível do mar, resultante da água advinda do derretimento do gelo dos pólos, provocando inundações costeiras, entre muitas outras. É estimado que, até 2025, o aquecimento global elevará os níveis dos mares de trinta centímetros a dois metros, podendo causar inundações de cidades e ilhas, a contaminação dos lençóis de água subterrâneos com sal, a inundação de estradas costeiras e mangues (LOVELOCK, 2007).

Segundo Briza (2005), o aquecimento global é o aumento da temperatura média superficial global. Esse fenômeno climático ainda é discussão entre cientistas do mundo inteiro. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, no Inglês) tem monitorado a temperatura do planeta, desde 1860. De acordo com o IPCC, no decorrer do século XX, o planeta sofreu um aumento médio na temperatura de 0,6 graus a dois graus Celsius, com um maior aumento nas últimas décadas passadas. Para os cientistas do clima, no século XXI, a temperatura do planeta aumentará em média oito graus Celsius nas regiões temperadas e cinco graus nos trópicos, transformando grande parte da Terra em deserto.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), as mudanças climáticas, que são conseqüências do aquecimento global, são responsáveis anualmente por mais de 150 mil mortes em todo o mundo, sendo os países tropicais e subdesenvolvidos os mais vulneráveis aos seus efeitos. É responsável por 1,4% dos casos de diarréia e 2% dos de malária que acontecem no mundo todo. Os cientistas estão pessimistas quanto às conseqüências das mudanças climáticas, nas próximas décadas, quando calculam que cerca de 300 mil pessoas possam vir a morrer por esse motivo (LOVELOCK, 2007).
No Brasil, os efeitos do aquecimento global podem ser devastadores, até o final do século XXI, resultando no desaparecimento de 60 a 70% da Floresta Amazônica, constantes incêndios florestais, extensos períodos de seca e pouca chuva, a extinção de 90% das espécies comerciais dos mares, o aumento da acidez na água dos oceanos, redução da área plantável no país (mesmo com irrigação), aumento da temperatura; o desaparecimento total da Mata Atlântica, a desertificação de 15% do território brasileiro e o desaparecimento de aproximadamente 80% dos peixes de água doce, além da possibilidade de se formar no Planalto Central uma extensão da savana venezuelana.

2.1.2 O Protocolo de Kyoto

Diante da preocupação mundial com a poluição atmosférica do planeta, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu algumas propostas para reduzir emissão de gases poluentes na atmosfera terrestre sem provocar prejuízos na economia global. Uma proposta que se destacou foi o Tratado de Kyoto (Japão), em 1997. Esse Protocolo se trata de um acordo internacional que visa reduzir o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera por países industrializados, garantindo um modelo de desenvolvimento limpo aos países em desenvolvimento. A base desse acordo é que, entre 2008 e 2012, os países desenvolvidos reduzam a emissão de gazes de efeito estufa em 5,2% com relação aos níveis levantados em 1990 (BRIZA, 2005).
Diante da problemática ambiental, surgiu o crédito de carbono que se trata de uma idéia brasileira que foi disseminada pelos norte-americanos, tornando a emissão de carbono uma commodity1, ou seja, com valor comercial.Diante da problemática ambiental, surgiu o crédito de carbono que se trata de uma idéia brasileira que foi disseminada pelos norte-americanos, tornando a emissão de carbono uma commodity, ou seja, com valor comercial. Na definição de Trindade (2009, p. 7), os créditos de carbono são certificações emitidas por agências de proteção ambiental reguladoras que possibilitam a emissão de toneladas de SO2 (dióxido de enxofre), CO (monóxido de carbono), CO2 (dióxido de carbono) e outros gases poluentes. A partir do levantamento das empresas que mais poluem, são estabelecidas metas para a diminuição do lançamento desses gases na atmosfera. O principal objetivo desse sistema é possibilitar que cada empresa disponha de adequações às leis ambientais, para isso ganham bônus que podem ser negociados nas Bolsas de Valores e de Mercadorias.

2.2 A ação humana e o solo terrestre

O solo é parte integrante da superfície terrestre composta de uma mistura variável de minerais, matéria orgânica e água, que são importantes na sustentação da vida no planeta. Surgiu a partir da decomposição de rochas e restos de plantas e de animais, que, após as ações biológicas e as reações químicas, se tornam nutrientes importantes para a vida vegetal no planeta. A parte sólida do solo produtivo é composta por, aproximadamente, 5 % de matéria orgânica e 95 % de matéria inorgânica. A camada mais fértil, denominada de húmus é a parte orgânica. Argila, areia e calcário são os principais compostos de origem mineral. Além disso, o solo possui também populações de bactérias, fungos e animais que nele sobrevivem (MOURTHÈ JR., 2006).
Segundo Mourthè Jr. (2006), as principais fontes de poluição do solo estão relacionadas à agricultura, devido ao uso de inseticidas no combate às pragas e técnicas rudimentares ainda utilizadas, como as queimadas, que expõe diretamente o solo à chuva, sol e vento, ocasionando a perda de seus nutrientes e sua erosão. O lixo doméstico também é um forte agravante da questão ambiental que, devido a sua grande quantidade e composição, contamina o solo e, até mesmo, as águas subterrâneas.
No Brasil, o desmatamento e as queimadas também têm causado a destruição do solo. Sobre essas agressões, explica-se:
As florestas são desmatadas por vários motivos, como a conversão delas em áreas de pastagens ou de agricultura, a produção de carvão, a indústria de madeira etc. (…) Sem a vegetação, o solo recebe o aquecimento direto dos raios solares, á água das camadas superficiais evapora, os sais de ferro e outros minerais se depositam e tornam o solo impermeável, com crostas duras como ladrilhos e o solo racha (AMARANTES, 2005, p. 82).
A eliminação da camada vegetal que cobre a superfície terrestre é a causa de muitos fenômenos que vêm ocorrendo no planeta, como a formação de torrentes, de erosões, quedas de barreiras, inundações e uma alteração generalizada do ciclo natural das águas, além de provocar alterações climáticas no meio. O desmatamento e a queimada causam o desequilíbrio hidrogeológicos, visto que a terra deixa de reter as águas pluviais e de produzir oxigênio. As plantas são importantes para a proteção do solo, pois impedem a ação direta das chuvas e dos ventos, que causam o escoamento de seus nutrientes pelas enxurradas, provocando o processo chamado erosão ou desagregação por assoreamento (BUENO, 2005).

Cabe ainda comentar que os desmatamentos e as queimadas ocasionam também perdas significativas a muitos exemplares da fauna (animais) e da flora (vegetais) que dependem do meio natural para sobreviver (VALLE, 2004). Mesmo removendo apenas as árvores maiores, a vegetação nativa jamais se recuperará, pois o frágil ecossistema não resistirá a alteração ambiental.
Entre as preocupações mundiais com o meio ambiente, encontra-se o agravamento da questão do lixo que resulta do desenvolvimento industrial, bem como dos hábitos de consumo. Os centros urbanos são consumidores coletivos e geram volumes gigantescos de lixo, que, muitas vezes, vão parar no meio ambiente, poluindo-o e pondo em risco a população e o planeta. Segundo Mourthè Jr. (2006), no Brasil, o lixo recolhido nas cidades são depositados em lixões a céu abeto ou na forma de aterro sanitário. No sistema de céu aberto, o lixo exposto resulta em maus odores, proliferação de insetos, roedores e transmissores de doenças e a poluição da água superficial e subterrâneas, através do chorume, além causar a desvalorização das áreas próximas. No Brasil, em torno de 70% do lixo é lançado a céu aberto, sendo mais da metade materiais orgânicos.
Os montes acumulados de lixo e o esgoto doméstico lançados no solo contêm muita matéria orgânica, que serve de nutrientes para bactérias e fungos decompositores, além de animais que transmitem doenças. Entre essas doenças, destacam-se: febre tifóide, salmonelose, desinterias, malária, dengue, febre amarela, giardíase, leptospirose etc. (MOURTHÉ JR., 2006). Infelizmente, no Brasil, as soluções encontradas para acondicionamento, coleta, transporte e destino final do lixo ainda possuem várias irregularidades e exigem aprimoramento urgente.

2.3 A ação humana e a poluição das águas

A água é um bem que corre risco de se tornar escasso em virtude das atividades das sociedades modernas. Segundo especialistas do mundo inteiro, o abastecimento de água irá tornar-se grande desafio à humanidade no futuro próximo, se continuar o homem agindo da maneira que está. As maiores causas são os desmatamentos e a poluição. Por falta de consciência ou por ambição comercial, o homem tendo sido o maior causador de poluição e contaminação desse bem. A proteção da água doce é objetivo da ONU, desde a Conferência de Estocolmo, em 1972 (SILVA & MATTOS, 2004).
De acordo com Amarantes (2005, p. 81), considera-se como água poluída aquela que está contaminada com agentes químicos, físicos (calor por exemplo) ou biológico (bactérias, fungos etc.), que a tornam imprópria para uma determinada finalidade. Adverte esse autor que existem casos de contaminação em a água fica imprópria para qualquer fim. O aumento da população fez com aumentasse também o consumo de alimentos, exigindo com isso uma área maior destinada à agricultura, e a quantidade de esgotos domésticos.
O quadro 5, demonstrado abaixo, apresenta as fontes e os resíduos mais comuns que poluem as águas brasileiras.

O esgoto doméstico é o maior poluidor das águas. Isso ocorre devido a uma parcela significativa das águas que, após serem utilizadas no abastecimento e nos processos produtivos, retornam aos cursos dágua, sem tratamento. Por outro lado, há também milhões de toneladas de compostos químicos sintéticos, muitos deles resistentes à biodegradação, empregados na produção de papel, plásticos, fibras sintéticas, borracha sintética, pesticidas, que vão parar nas águas, tornando-se poluentes. Estima-se que, nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, 80 % das doenças e mais de um terço das mortes estejam associadas à utilização de águas contaminadas, sendo a principal causa de hepatite infecciosa, cólera, desinteria e da febre tifóide (SILVA & MATTOS, 2004, p. 63).
Quanto melhor é a água, maior deve ser os esforços para preservá-la, pois só assim garantirá o abastecimento futuro, além de ser mais barato o seu tratamento e, com isso, a população menos favorecida só tem a ganhar. Mas o que se percebe, no contexto geral, o homem investe mais no tratamento para o reaproveitamento da água, do que em medidas de preservação do meio ambiente.

3 A EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO VOLTADA AO MEIO AMBIENTE: UMA PESQUISA NOS CENTROS DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES, EM VAZANTE/MG

No Brasil, existem muitos problemas ambientais que estão relacionados à falta de consciência ambiental e despreparo da maioria dos condutores de veículos. A falta de consciência ambiental dos motoristas e pedestres que utilizam as vias públicas tem causado sérios prejuízos ao meio ambiente, como incêndios nas margens das rodovias, lixo jogado dos veículos, emissão de gases poluentes, poluição sonora, entres outros. Nesse contexto, compreende-se ser importante investigar os problemas ambientais relacionados ao trânsito, apontando as atuais propostas dos Centros de Formação de Condutores com relação à questão ambiental no trânsito. É esperado que a educação para o trânsito voltada ao respeito com o meio ambiente seja uma das alternativas encontradas para reverter esse quadro.
Visando conhecer melhor as atuais propostas dos Centros de Formação na educação para o trânsito voltada à sustentabilidade ambiental do planeta, foi realizada uma pesquisa de campo com o diretor responsável de cada auto-escola existente em Vazante/MG.

3.1 A metodologia empregada na pesquisa

De acordo com os objetivos propostos, este estudo foi desenvolvido nos seguintes critérios: uma pesquisa de campo com os diretores dos Centros de Formação de Condutores, em Vazante/MG, totalizando-se quatro escolas, com aproximadamente nove anos de existência no mercado. Para obtenção de dado, utilizou-se o questionário, que foi aplicado num único dia, buscando evidenciar a relação entre o trânsito e o meio ambiente e identificar as formas como essa questão está sendo trabalhados com os candidatos à habilitação para o trânsito, em Vazante/MG. As informações obtidas nessa pesquisa encontram-se analisadas a seguir, buscando a fundamentação teórica no material bibliográfico levantado e exposto nos dois capítulos anteriores.

3.2 Discussão da pesquisa de campo

A pesquisa foi de abordagem qualitativa, gerando dados de acordo com a perspectiva de cada participante sobre o assunto questionado. De acordo com os dados obtidos na pesquisa, cabe observar o seguinte:

3.2.1 O número de condutores habilitados, em 2009

A primeira abordagem feita aos participantes da pesquisa foi sobre o número de condutores de veículos que são habilitados anualmente por cada Centro de Formação.

Considerando as respostas das auto-escolas, observa-se que, no ano de 2009, foram habilitados aproximadamente 1.050 motoristas. Tendo em vista o número de condutores habilitados anualmente, é possível considerar que, a cada dia mais, as auto-escolas têm buscado mostrar a importância de se transitar pelas vias públicas com respeito ao meio ambiente. É importante frisar que o o trânsito é regido por um conjunto de leis.
Para Barbosa (2007, p. 19), o bom cidadão geralmente também é bom condutor, porque as qualidades para ambos são as mesmas. Mas, para esse autor, atualmente, é possível assistir por parte dos motoristas ações no trânsito que sinalizam desrespeito, provocações, agressividade…, esquecendo-se da sua responsabilidade com o meio ambiente.

3.2.2 As auto-escolas trabalham a questão ambiental com os alunos

A segunda pergunta da pesquisa buscou informar se as auto-escolas, no seu processo educativo, trabalham os problemas ambientais que estão associados ao trânsito. As resposta apresentadas nessa questão encontram-se registradas no gráfico 2, exposto abaixo.

Nessa questão, 100% das auto-escolas disseram que a temática do meio ambiente é trabalhada no processo educativo dos motoristas. Como pode ser observado, há uma preocupação por parte das auto-escolas de Vazante/MG em conscientizar os motoristas da importância do seu comportamento na relação trânsito/meio ambiente. Para Barbosa (2007), o maior desafio imposto aos cidadãos contemporâneos é adequar-se a um modo de vida sustentável, e, por conseguinte, reduzir a degradação ambiental que, hoje, enseja a extinção das espécies vivas na terra.
Em análise da relação trânsito/meio ambiente, cabe lembrar que os veículos automotores consomem energia fóssil, vegetal e hídrica, que causam poluição atmosférica e sonora, afetando direta e indiretamente a saúde das pessoas. De acordo com Amarantes (2005), existe também a poluição ambiental causada pelo abandono de resíduos poluentes nas vias, tais como, pneus velhos, óleo, lubrificantes entre outros, além da fabricação e uso do automóvel consumir recursos naturais. Os poluentes emitidos pelos automóveis ficam presentes no ar por muitos anos, tendo essa poluição efeitos locais e globais.

3.2.3 A maneira que é trabalhada a questão ambiental, nas auto-escolas

Nessa questão, a pesquisa abordou as formas que as auto-escolas orientam seus alunos ao uso das vias públicas, com respeito ao meio ambiente.

De acordo com os dados apresentados na pesquisa, constata-se que 75% das auto-escolas trabalham a temática do meio ambiente nas aulas teóricas, utilizando-se de ilustrações feitas por vídeos e aulas práticas no trânsito de Vazante. Para 25% das auto-escolas pesquisadas, a conscientização dos motoristas sobre a questão ambiental no trânsito é feita apenas através de aulas teóricas. Para Barbosa (2007), A educação é a ferramenta mais eficiente para a melhoria do trânsito.
Como foi visto na discussão teórica, devido aos gases liberados a partir da combustão dos veículos automotores, o trânsito tem trazido diversos problemas para o meio ambiente, como poluição atmosférica, incêndios devido cigarros jogados dos veículos, mortes de animais silvestres, provocadas por excesso de velocidade e descaso à sinalização, poluição sonora, entre outros. A mudança de comportamento dos motoristas depende da educação que é recebida nos centros de formação de condutores (AMARANTES, 2005). É necessário que os motoristas incorporem no cotidiano a preocupação com o meio ambiente, visto que os veículos são considerados os maiores poluidores do meio ambiente.
No Brasil, a legislação de trânsito tem prescrições no sentido de buscar padrões da qualidade do ar envolvendo o controle da emissão de poluentes pelos veículos que transitam diariamente pelas vias públicas, do mesmo modo que também estabelece limites para a emissão de ruídos. Segundo Amarantes (2005), atualmente, os poderes públicos têm procurado reduzir os impactos do trânsito sobre o meio ambiente e à saúde da população, através de normas de qualidade para os combustíveis e componentes automotivos. Entretanto, o que inexiste ainda é uma fiscalização eficiente no país.
Diante do atual cenário do trânsito brasileiro, que é caótico e violento, cabe dizer que as auto-escolas precisam enfatizar mais a conscientização dos usuários das vias públicas dos problemas ambientais que estão associados ao seu comportamento, como atropelamento de animais, lixo nas vias públicas, falta de regulagem do motor, etc. A educação ambiental aplicada nos cursos preparatórios de condutores de veículos é fundamental para reverter esse contexto. É necessário observar que a educação para o trânsito voltada à questão ambiental é uma medida de longo prazo, mas com certeza fará uma grande diferença num futuro sem muitas expectativas de sustentabilidade ambiental.

3.2.4 Desenvolve campanhas de conscientização ambiental dos motoristas e pedestres

Por último, foi questionado sobre as campanhas realizadas pelas auto-escolas na conscientização ambiental dos motoristas e pedestres.

Na última abordagem da pesquisa, constata-se que 75% das auto-escolas de Vazante fazem campanhas de conscientização ambiental com usuários de veículos automotores e pedestres. 25% das auto-escolas afirmaram que, mesmo sendo importante e necessária a conscientização dos usuários da vias públicas, ainda não realizam esse tipo de campanha com o público vazantino. Para Barbosa (2007), campanhas de conscientização ambiental no trânsito envolvendo toda a população, sobretudo os espaços escolares, são alternativas que podem gerar o respeito do cidadão com o meio ambiente.
Para Amarantes (2005), através de atividades que levem à reflexão sobre como as pessoas se comportam com relação ao trânsito/meio ambiente, pode-se transmitir noções de cidadania, formando pedestres, motoristas e passageiros mais conscientes da preservação da natureza. Acredita esse autor que a mudança de comportamento dos usuários das vias públicas, no Brasil, depende de uma mudança também cultural e social, bem como de programas de educação no setor. É importante lembrar que o espaço público é um ambiente que precisa ser utilizado com responsabilidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o objetivo proposto, este estudo permitiu esclarecer que o trânsito é um setor da sociedade que também tem causados danos ao meio ambiente. A falta de consciência de motoristas e pedestres com relação ao meio ambiente é motivo de preocupação no mundo inteiro. A liberação na atmosfera de gazes poluentes derivado da queima de combustíveis, as emissões de ruídos, o atropelamento de animais nas rodovias, o lixo descartado dos veículos, incêndios causados por cigarros jogados dos veículos em rodovias, entre outras, são agressões feitas ao meio ambiente por falta de consciência de motoristas e pedestres. Entre os resultados dessas agressões se destaca os danos à camada de ozônio, ocorrido principalmente devido ao aumento da frota de automóveis no planeta e o descaso dos condutores com o meio ambiente.
É importante considerar também que o presente estudou demonstrou que a educação para o trânsito com respeito ao meio natural ainda não é uma realidade expressiva, principalmente no Brasil. No trânsito, ser cidadão se trata de conhecer os seus direitos e deveres nas vias públicas, comportando-se bem como condutor de veículos ou pedestre. A educação para o trânsito voltada à sustentabilidade ambiental forma condutores de veículos capazes de agir de maneira crítica e consciente nas vias públicas.
Em suma, o presente estudo permitiu compreender a questão ambiental no trânsito é um problema de educação, tanto do motorista quanto do pedestre. Nesse caso, a alternativa é disseminar as regras de trânsito nas escolas e campanhas de conscientização com toda a comunidade, uma vez que todos os cidadãos são pedestres e, em sua maioria, irão conduzir automóveis no futuro. Vale saber que a educação para trânsito é uma medida de longo prazo, mas certamente trará, no futuro, expectativas melhores com relação á sustentabilidade ambiental do planeta. A responsabilidade na relação trânsito/meio ambiente cabe a todos e exige mudança de comportamento, tanto dos motoristas quanto dos pedestres.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BARBOSA, Chárliston de Oliveira. Educação Ambiental no Trânsito: desenvolvendo a cidadania e a educação ambiental nas vias de Vazante. 2007. 36 f. Monografia (Graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental). Faculdade de Educação e Estudos Sociais de Vazante/MG.
BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro. Belo Horizonte: CENTEC, 2005
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VALLE, Cecília. Terra e universo, 5ª série. 1.ed. Curitiba: Positivo, 2004. (Coleção Ciências)

Alfabetização nas series iniciais

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A relevância deste trabalho é contribuir com o processo de alfabetização dos alunos nas séries iniciais. Um outro eixo tem como objeto o que poderíamos denominar de materiais e métodos de ensino de ciências, destinados às Séries Iniciais. Em muitos casos os trabalhos localizados neste eixo se articulam com aqueles do eixo de formação de professores através de distintos níveis de aproximação. Tanto produzindo, testando e avaliando material instrucional destinado ao aluno e ao professor das Séries Iniciais, como relativos a processos de avaliação dos livros didáticos utilizados nas Séries Iniciais, estes trabalhos também têm uma trajetória, da qual se constituem.
Por considerar-se que uma educação de qualidade depende principalmente da ação pedagógica desenvolvida em sala de aula e que essa ação, por sua vez, está diretamente ligada à formação do professor, propõe-se, neste texto, uma reflexão sobre o contexto de formação do professor alfabetizador, com base na Lei 9394/96 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O estudo possibilitou a constatação de que, apesar de polêmica e de suscitar críticas, a LDB trouxe avanços à formação docente, abrindo espaço principalmente para a formação em serviço, na qual o professor amplia o seu “saber fazer” e passa a melhor compreender o “para que fazer”.Toda criança tem direito a uma educação de qualidade, a qual mostra não só o sucesso do aluno, como também o da própria escola.
Entretanto, apesar do reconhecimento desse direito e das muitas medidas que vêm sendo tomadas para garanti-lo, ainda existem elevados índices de evasão e repetência escolar. E, de modo geral, constata-se que o fracasso escolar se constitui, em última instância, no fracasso da alfabetização, hoje entendida como expressão e compreensão de significados através da linguagem escrita.
Pode-se dizer que a alfabetização é o uso que as pessoas fazem da leitura e da escrita em seu contexto social. Convivendo com uma variedade muito grande de informações, almeja-se que as pessoas saibam compreender os significados que os textos propiciam, incorporando-os na sua prática social. O indivíduo poderá fazer uso competente e freqüente da leitura e da escrita em seu trabalho, em casa, no seu lazer, etc.
É nossa compreensão que esta conceituação de alfabetização, será de fundamental importância para o entendimento da alfabetização científica para as Séries Iniciais. A categoria letramento em Ciências refere-se à forma como as pessoas utilizarão os conhecimentos científicos, seja no seu trabalho ou na sua vida pessoal e social, melhorando a sua vida ou auxiliando na tomada de decisões frente a um mundo em constante mudança.
Assim sendo, a alfabetização está sendo proposta preocupa-se com os conhecimentos científicos, e sua respectiva abordagem, que sendo veiculados nas primeiras séries do Ensino Fundamental, se constituam num aliado para que o aluno possa ler e compreender o seu universo. Pensar e transformar o mundo que nos rodeia tem como pressuposto conhecer os aportes científicos, tecnológicos, assim como a realidade social e política. Portanto, a alfabetização nas Séries Iniciais é aqui compreendida como o processo pelo qual a linguagem adquire significados, constituindo-se um meio para o indivíduo ampliar o seu universo de conhecimento, a sua cultura, como cidadão inserido na sociedade.
A partir desta compreensão propomos a abordagem sistemática de um amplo leque de atividades, articulado com o planejamento escolar. O pressuposto é que a escola, dissociada do seu contexto, não dá conta de alfabetizar cientificamente. Permeando-a existe uma série de espaços e meios que podem auxiliar na complexa tarefa de possibilitar a compreensão do mundo. Garante-se, no entanto, a especificidade do trabalho educativo escolar na medida em que a atuação docente, mais que solicitada, é necessária para o planejamento e condução do que se propõe.

  1. OBJETIVOS

3.1. Objetivo Geral

Compreender qual a melhor metodologia trabalhada com esses alunos da 1ª série da escola Carrossel.

3.2.Objetivos Específicos

Verificar a metodologia utilizada pelo professor na escola.
Identificar a participação dos alunos quanto à metodologia utilizada.
Analisar o rendimento dos alunos de acordo com a metodologia utilizada.

4- HIPÓTESES

Os fundamentos da formação dos profissionais da educação;
Os níveis de formação docente exigidos para a atuação dos professores na educação básica;
As competências dos Institutos Superiores de Educação;
O tempo mínimo para a prática de ensino, na formação dos docentes da educação básica;

5- Fundamentação Teórica

Segundo Lorenzettii o tema ensino de ciências nas Séries Iniciais da educação fundamental, ainda que relativamente pouco explorado, está presente em trabalhos desenvolvidos no Brasil pela área de ensino e pesquisa em ensino de ciências. Um levantamento preliminar evidenciou uma produção acumulada desde o início da década de 80. Este levantamento que é representativo dos principais aspectos e questões investigadas aos quais os pesquisadores e grupos de ensino vêm se dedicando. Destacam-se trabalhos que podem ser classificados em dois grandes eixos, segundo os aspectos que privilegiam no seu enfoque do tema.
A formação de professores tem uma trajetória percorrida ao longo das duas últimas décadas, tanto no que se refere à pesquisa como através de propostas de intervenção. Tais iniciativas são decorrentes do enfrentamento de problemas relativos às especificidades do ensino de ciências nas Séries Inicias por professores no perfil de formação e atuação é bem caracterizado e conhecido.
Segundo Ferreiro (1985), a maneira como a criança concebe a leitura e a escrita é ponto de partida para que o professor possa propor uma linha de ação que contemple tais concepções. Assim sendo, desenvolvemos trabalhos voltados para pesquisas sobre aquisição da lecto-escrita ao longo dos primeiros anos do ensino básico, buscando compreender as concepções apresentadas pelas crianças, bem como, acompanhar seus desempenhos ao longo deste processo.
Neste sentido, buscamos apontar, a partir de estudos, estratégias de trabalho que possam propiciar experiências com múltiplos portadores de texto, além de diversificados materiais e/ou jogos voltados para a alfabetização, letramento e linguagem, envolvendo acadêmicos do Centro de Educação (Pedagogia e Educação Especial) da UFSM, os professores das escolas participantes e os alunos dos anos iniciais.
No Brasil o analfabetismo é um assunto que atravessa séculos preocupando educadores, escritores, políticos, intelectuais etc. Todos conhecem os problemas da escola e os fracassos desta em tentar alfabetizar. Mas, ao mesmo tempo em que os problemas são reais, em meio disso encontramos soluções em algumas pesquisas sobre Alfabetização.
Franchi diz que a maioria das crianças cuja linguagem estuda no período final do pré, dentre as atividades de linguagem que desenvolvemos juntos durante o ano letivo, uma grande parcela se incluía entre as estratégias para a alfabetização, estendidas aqui no sentido mais estrito de aquisição e domínio dos processos de representação gráfica. O ponto fundamental dessa descoberta está em que, um processo pedagógico no qual, apesar da variedade dos métodos, sempre se considerou como passiva a perspectiva do sujeito da aprendizagem e como nula a sua contribuição, foi possível descobrir uma linha evolutiva que procede por conflitos cognitivos constitutivos de outras noções fundamentais.
A alfabetização, para Soares (1985), é um processo permanente, que se estenderia por toda a vida, que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. Faz parte da natureza humana a busca incessante por novos conhecimentos, e esta busca permanente faz com que o homem produza novos conhecimentos constantemente, sempre mediados pela linguagem, oral ou escrita. É preciso diferenciar os processos de aquisição da língua (oral e escrita) e o desenvolvimento da língua (oral e escrita). O desenvolvimento da língua é um processo que não tem fim, e que dura a vida toda.
Cagliari (1988), ao discutir a leitura nas Séries Iniciais, afirma que os professores deveriam ler algo diariamente para seus alunos. Não ler só histórias, mas também coisas sérias, como uma notícia, um texto científico ou tecnológico, por exemplo, a história de quem inventou a lâmpada, a máquina de escrever, etc. Ler não apenas uma história onde os personagens são animais…. mas também texto de zoologia a respeito dos animais.
Ferreiro (1994), ao ingressar na série onde começa a ocorrer o ensino sistemático das letras a criança já detém uma grande competência lingüística que não é considerada, cabe ao professor alfabetizador introspectivamente refletir sobre tão complexa e importante à tarefa de promover o uso comunicativo dos textos, e de todo o resto; reflexão, compreensão, automatização, enfim, da promoção de experiências educadoras de natureza distintas, invariavelmente segmentadas para os conteúdos observáveis e em conformidade com o planejamento.
O que acontece, no âmbito do ensino de alfabetização e séries iniciais,na escola Carrossel comunidade aonde observamos durante alguns meses esta relação de trabalho em educação, é que temos definido proposições sem uma análise profunda relativa ao processo sistemático de alfabetização. Precisamos tornar ou eleger a alfabetização como uma base de sustentação para o prosseguimento de uma vida escolar.
Cagliari (1988), ao discutir a leitura nas Séries Iniciais, afirma que os professores
deveriam ler algo diariamente para seus alunos. Não ler só histórias, mas também coisas
sérias, como uma notícia, um texto científico ou tecnológico, por exemplo, a história de quem inventou a lâmpada, a máquina de escrever, etc. Ler não apenas uma história onde os personagens são animais…. mas também texto de zoologia a respeito dos animais. (Cagliari,1988: 09).
Os autores aqui citados falaram como é a alfabetização nas séries iniciais, e como são trabalhados eles incrementaram discussões e ações no âmbito de ensino das séries iniciais, neste projeto foi apresentado varias formas de trabalhar com alfabetização na formação dos alunos.

6- Metodologia

Esta pesquisa trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo que tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Essa pesquisa envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) análise de dados.
A análise desses dados foi feita de forma qualitativa, avaliando os pontos positivos da escola e dos professores na presença da família no processo de desenvolvimento cognitivo de crianças na alfabetização, de forma a ampliar-lhes os conhecimentos e o amadurecimento.

7- Referências bibliográficas

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semestral da associação de Leitura do Brasil, n. 12, ano 7, Campinas-SP.
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
FERREIRO, Emília. Construtivismo de Piaget a Emília Ferreiro. 3ª ed.1994.
FRANCHI, Eglê Pontes, Pedagogia da Alfabetização: da oralidade à escrita/Eglê Pontes Franchi-7.ed.- São Paulo: Cortez, 2001.
LORENZETTI, Leonir; DELIZOICOV, Demétrio, Alfabetização Científica no contexto das Séries Iniciais, jun.2001. Disponível em http://www.fae.ufmg.br/ensaio/v3_n1/leonir.PDF/ Acesso em 08 nov. 2009.
SOARES, M. B. (1985). As muitas facetas da alfabetização. In: Cadernos de Pesquisa, São
Paulo, n. 52, p. 19 – 24.

Contra a Desumanização da Medicina

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CONTRA A DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA

RESUMO

O artigo apresenta todo sistema terapêutico que pode ser compreendido como uma forma de articulação entre uma intervenção biológica e uma intervenção sociologia. Partindo do pressuposto de que cada tipo de intervenção deve restabelecer uma boa aliança, equilibrada, entre os elementos próprios ao plano biológico, de uma parte, e os elementos psíquicos e simbólicos, de outra.
No paradigma da dádiva, o dom aparece como um operador por excelência da aliança. É ele que transforma os rivais e inimigos em parentes e aliados. O médico é aquele que se situa entre os dois campos opostos para favorecer suas alianças e pacificações.

PALAVRAS-CHAVE: Medicina Desumanização. Humanização. Sociologia.

INTRODUÇÃO

A figura do médico moderno é uma das melhores análises tipológicas, sociológicas do assunto, era estruturada por uma imagem de sábio, daquele tipo que possui uma competência propriamente técnica, sancionada pelos diplomas, mas também uma competência humanista: a capacidade de fazer do seu tempo e de sua pessoa um dom aos pacientes. 
O estudo das relações entre medicina e sociedade, não é ainda muito freqüente pelo Brasil, mas a sociologia médica apresenta no seu histórico alguns ilustres colaboradores, como os sociólogos norte-americanos Talcott Parson, Erving Goffman e Howard Becker, dentre vários outros sendo os anos 50 e 60 decisivos para a afirmação desse subcampo da sociologia.
Entre os franceses não podemos deixar de registrar a contribuição de Marcel Mauss que, nos anos vinte, produziu originais reflexões sobre as relações entre técnica e magia, que são bastante sugestivas para a compreensão do simbólico na doença e na cura.
A partir dos anos oitenta do século XX, com a generalização do utilitarismo econômico dentro da medicina oficial, o equilíbrio precário entre utilitarismo e humanismo se rompeu. Buscou a lógica econômica pôr a seu serviço tanto a razão científico-instrumental como a razão burocrático-legal, o que trouxe problemas importantes dos pontos de vista ético e político. 
Criou-se uma medicina de órgãos, pela qual as patologias são classificadas a partir de um sistema de cálculos que leva em conta o custo por unidade de cada doente, sistema que é próprio à lógica do mercado.
Por outro lado, a generalização do utilitarismo material dentro do campo médico provocou um redirecionamento da pesquisa tecnológica: as pesquisas sobre endemias passam para segundo plano, sendo os financiamentos direcionados, para aquelas atividades de pesquisa de maior rentabilidade econômica, como as cirurgias de correção estéticas.
No momento em que a tecnização e a parcelização do método anatomoclinico radicalizaram o distanciamento entre curador e doente em favor de procedimentos fundados no cálculo, observou-se um esvaziamento paralelo das bases sociais da medicina dominante.

1 DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA MODERNA

A Medicina teve em sua história processos diversos de desumanização. As origens médicas estão nos magos e shamans das sociedades pré-literatas e, posteriormente com os sacerdotes egípcios, persas e da Mesopotâmia. Suas curas visavam a vida interior, psicológica e a vida exterior, social, visavam curas do corpo e da alma através de magias ou orações e invocações milagrosas. 
O grande processo de desumanização  deu-se paradoxalmente com o seu progresso científico. Cresceu aos poucos um pensamento reducionista em relação a fatos meramente objetivos. 
A ciência desvendou, pouco a pouco, o organismo humano enquanto a religião continuava “dona” das atividades psicológicas e psiquiátricas. O ser humano, aos poucos era reduzido à sua dimensão biológica aos olhos da Medicina. Mesmo Freud, o “libertador” da psique, procurava explicações neurológicas para os fenômenos mentais. (NUNES, 1999, p. 293)

Os grandes responsáveis pela nova tendência menos reducionista e mais holística (mesmo que essa palavra esteja desvalorizada por usos incompletos e incorretos) da Medicina são os físicos e correlatos. 
As novas teorias desenvolvidas trouxeram novas visões ao mundo material e cartesiano e começam a influir positivamente na Medicina: o estudo do eletromagnetismo com Michael Faraday, a teoria dos quanta de Max Planck, a teoria da relatividade de Albert Einstein, a teoria da incompletude de Kurt Gödel, a teoria da complementaridade de Niels Bohr, a teoria da incerteza de Werner Heisenberg e principalmente a teoria geral dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy. 
A biomedicina cartesiana afirmou-se, inicialmente, por essa mesma operação realizada no plano institucional, visando substituir a Igreja pela Ciência na produção do discurso secular sobre a verdade. A preocupação metafísica de Descartes era com a presença de um espírito capaz de penetrar, pela observação, o corpo sensível, fazendo enfim a experiência do conhecimento. (MARTINS, 2003, p. 110)
Todas essas teorias trazem novas luzes ao pensamento linear de causa-efeito, ao reducionismo materialista e à consideração puramente orgânica das doenças em suas causas, evoluções e tratamentos.
O modelo do capitalismo biotécnico funciona bem para os produtores de bens e serviços médicos, mas é desfavorável para os consumidores e pacientes. A imposição da lógica individualista e utilitarista no campo médico repercute negativamente sobre os cidadãos por meio de problemas como:
a) existências e psicológicos (uma experiência partilhada coletivamente de medo, abandono e solidão);
b) técnicos (perda de eficácia dos tratamentos e medicamentos e inutilidade prática de muitas inovações tecnocientíficas);
c) econômicos (aumento dos custos médicos para se pagarem os altos investimentos tecnológicos e de maquinas e os lucros das empresas que, em grande parte, dependem da lógica das bolsas de valores;
d) políticos (ameaça direta à experiência da democracia e cidadania plural nas áreas da saúde);
e) culturais (desaparecimento dos referenciais morais e normativos estruturantes das representações simbólicas da vida e da morte);
f) sociais (esgarçamento da significação da medicina como expressão de uma ecologia social complexa e igualitária).
Os efeitos negativos dessa subordinação da práticas médicas à lógica econômica e utilitária atingem tanto os doentes como os quadros profissionais que atuam nas instituições de saúde. (NUNES, 1999, p. 310)

O seguinte depoimento de uma enfermeira no setor de saúde Francês sobre a precarização da situação do doente é marcante: 
A doença é intimada a si etiquetar, a si controlar, a si perfilar uma rubrica, as melhores sendo aquelas que geram mais orçamentos em um mínimo de tempo. Tal intimação não tardou a produzir seu efeito: alguns doentes ficam sem cuidados por serem portadores de doenças prolongadas, de patologias muito caras para o orçamento ou muito pesadas para as equipes de profissionais que conhecem perpétuo déficit de efeitos. (MARTINS, 2003, p. 165)

As solidariedades no interior dos hospitais e clínicas médicas são desfeitas em nome de uma responsabilização individual de grande risco, aumentando o estresse dos profissionais.
A atividade médica na esfera privada traz embutida uma maior possibilidade de conflitos éticos. Capitalismo está perdendo sua possibilidade de sobrevivência assim como comunismo perdeu a sua. São, duas doutrinas que feneceram por não terem saído de seu “dogmatismo” inicial. Ambas, belas teorias que não resistiram ou não resistem à prova prática. 
Assim, ao falarmos de medicina podemos nos referir unicamente a certas significações instituídas, como, por exemplo, o conjunto de elementos implicados na formulação dos modelos de saúde vigentes (organizações públicas e privadas envolvidas, regulamentações jurídicas e profissionais, crenças teóricas etc.). Essas significações instituídas são bem conhecidas: o Ministério da Saúde, os hospitais públicos e privados, os médicos famosos de cada cidade, os medicamentos de laboratórios mais difundidos pelos meios de comunicações, etc. (MARTINS, 2003, p. 87)

A moral do cálculo econômico favorece a expansão de uma medicina fundada na comercialização de tudo que pode ser objeto de mercantilização, inclusive os órgãos, desconhecendo o fato de que por meio desses órgãos existe um sujeito que olha, sente e atribui significações positivas e negativas a tudo que resulta de criação humana, inclusive a fundação da medicina mercantil como obra histórica e social. Por conseguinte, a presença do capital médico dentro do campo da saúde redefina prioridades que vão no sentido oposto à aqueles da sociedade medicalizada instituído pelo Estado do bem-estar social, na Europa. (MARTINS, 2003, p. 87)

Ao invés de corrigir seus conceitos à medida que a experiência se desenrolava preferem reforça-los às custas das evidências alargando assim o fosso entre o ideal e o real, entre teoria e realidade. Mas, a médio ou longo prazo, ganha sempre a realidade. 
Os azares do Capitalismo estão mostrando suas entranhas, sua crueza, sua perversidade e começam a unir as mentes, não apenas de teóricos e ideólogos, mas a mente de grande parcela da população mundial. Caiu, não a União Soviética, mas o pensamento teórico que ela supunha abrigar. Acredito que logo veremos mudanças semelhantes no Capitalismo Total e nos seus defensores se esses não se conscientizarem logo da realidade mundial. (MARTINS, 2003, p. 149)

Do ponto de vista sociológico, a mera mudança de paradigmas observada dentro do campo científico constitui uma condição necessária, mas insuficiente, para que mudanças políticas mais profundas ocorram nos planos dos ensinamentos científicos, das prioridades acadêmicas e dos usos sociais dessas inovações. 
As mudanças de paradigmas na modernidade médica, no século XX, têm expressões diferentes, que extrapolam o universo restrito da Ciência com implicações sociais e políticas importantes.
As medicinas paralelas, já foi dito, fundam-se num novo paradigma, o da dádiva de cura. Por esse novo paradigma, o nascimento de novas disciplinas não responde a uma necessidade de especializar o conhecimento para melhor repartir os organismos do corpo humano, visto como uma máquina manipulável. Essas novas disciplinas nascem pela busca de singularização da cura, a partir de um processo que tem implicações diretas nas experiências pessoais do terapeuta e do paciente no resgate de uma troca circular de dons de cura que se realiza nos planos simbólico (das fantasias, das emoções, dos sentimentos, das representações) e do material (das trocas de cuidados, de medicamentos, de favores, de experiências). (MARTINS, 2003, p.283)O caráter especulativo das pesquisas e inovações tecnológicas sob controle do capital médico associado à valorização de uma moral utilitarista e pragmática, teria necessariamente que gerar reações sociais contrarias, levando a medicina oficial a conhecer importante ruptura epistemológica e institucional. 
Do ponto de vista epistemológico, a medicina sofisticada aparece como um ganho histórico inegável da medicina moderna, ela constitui, um pensamento simplificado quando se trata de uso social.

2 A HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

O processo de humanização da Saúde tem suas origens nos movimentos de reformas sanitárias, nas Conferências de Saúde e nos grupos militantes voltados à ações em prol do desenvolvimento de uma consciência cidadã e cujas atuações se tornaram, a partir da década de 1980, gradativamente influentes, estruturadas e articuladas. Na realidade, a reordenação do conceito de saúde, pedra de toque do movimento de reforma sanitária, incorpora, entre seus determinantes, as condições de vida e desloca no sentido da comunidade
a assistência médico-hospitalar como diretriz da atenção à saúde.
A institucionalização desse processo, com a Constituição de 1988 e a estruturação do SUS, inaugurou o reordenamento teórico, paradigmático e operacional da Saúde que a levou a ser compreendida no âmbito da Segurança Social. Nesse contexto, a idéia de Humanização passou a ser entendida como “a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de Saúde”. (NUNES, 1999, p. 321)Destaca-se, na definição, que o esforço de humanização é concebido como um aporte de valor positivo alocado ao sujeito implicado na produção da Saúde, embora, no entendimento comum, não seja raro que designe o usuário ou cliente externo como principal, quando não único, alvo da humanização.
Quaisquer que sejam as antropologias que sejam consideradas na sustentação da noção de sujeito, tem se que no âmbito da humanização em saúde, ela se plasma em uma dimensão que transcende a idéia de pessoa, funcionário, servidor ou usuário, aproximando-se da noção de instância ou de lugares institucionais. 
Isso, por outro lado, não significa que ela venha ignorar a dimensão particular dos sujeitos. Ao contrário, pelo fato da humanização em saúde definir-se pelo valor atribuído ao esforço dos sujeitos na produção da saúde, quando se contemplam a autonomia, o protagonismo, a co-responsabilidade e a vinculação das instâncias, põe em evidência (dada a noção de valor) a dimensão da subjetividade e da singularidade. Categorias como vínculo, responsabilidade, autonomia destacam a ênfase na subjetividade, posto que não são categorias do mundo inerte, mas próprias do sujeito.
No plano de sua realização político-institucional, a humanização recebeu acolhimento, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a implantação do Programa Nacional de Humanização, e continuidade e incremento, no Governo do Presidente Lula, quando o Programa foi alçado a uma dimensão de Política Nacional de Humanização. Esse passo não foi sem importância, como se refere explicitamente o Ministro Humbert Costa: “para isto estamos construindo uma política que nomeamos Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde Humaniza – SUS”. (NUNES, 1999, p. 347)Contudo, a despeito de sua maior visibilidade de esforço voltado a sua implementação bem como do grau de realidade envolvido em suas propostas e do compromisso oficial traduzido em empenho de organização e formalização, a política de humanização encontra-se longe de constituir-se em realidade. Em seus esforços de implementação não raro observamse desequilíbrios, que ocorrem até como conseqüência da falta de assistência endêmica instalada no setor Saúde. 
O fato é que a ênfase dada ao empenho de humanização na saúde pende, amiúde, para o lado das necessidades imediatas do usuário ou cliente externo, de acordo com uma lógica dicotômica de confrontação alimentada por uma tradição paternalista, cujo efeito mais direto se traduz na opacidade dos serviços. (NUNES, 1999, p. 403)Nesse caso, é a própria essência da política de humanização que se vê comprometida nessa má ponderação, uma vez que se alteram os preceitos de co-responsabilidade, vinculação solidária e participação coletiva no processo de gestão. A integralidade, numa acepção mais ampla e livre, implica mais do que uma lógica definidora do objeto saúde entendido como entidade bio-psicosocial, mas uma compreensão do próprio processo de produção de saúde e de seus sujeitos. 
O próprio Ministério da Saúde enfatiza essa concepção integral das instâncias presente na política de humanização quando salienta que parte importante do encaminhamento do processo de humanização apóia-se “no estilo de gestão e na estrutura de poder das instituições de saúde”, uma vez que estilo e estrutura “determinam e condicionam posturas e comportamentos relativos aos vínculos profissionais de saúde e usuário, bem como entre os profissionais de saúde entre si”. (NUNES, 1999, p. 452)

CONCLUSÃO

Percebemos que a desumanização da Medicina é a falta de noção de que o paciente seja um ser humano em toda a sua complexidade biopsicossocial.  Existe uma tendência a se encarar o diálogo médico-paciente como algo lógico e completo quando na verdade a lógica apresentada está colorida por simbolismos e outros sentimentos. 
De se encarar a realidade biológica como a única a ser abordada, diagnosticada e tratada pela Medicina. O preparo do médico e, principalmente, do estudante ainda é tímido nessas áreas. Existe uma tendência para se estender a necessária objetivação do paciente para além dos tempos necessários para exames diagnósticos e procedimentos terapêuticos. 
A chave para a humanização passa principalmente pela anamnese bem feita por médicos preparados para apreender e desenvolver a psicodinâmica do encontro clínico e o real significado da ligação entre médico e paciente. E, sem dúvidas, conscientes do que seja uma missão médica. 
A tecnologia é simplesmente o braço armado das ciências médicas: geralmente olhos e ouvidos nos diagnósticos, braços e mãos nos tratamentos. O paciente ganha com o uso da tecnologia e perde, e muito, com seu abuso. O abuso da tecnologia  ou o seu uso em substituição à clínica encarecem e são causas de iatropatogenias, ou seja, males causados pelos usos impróprios ou errados da atividade médica. A Medicina é uma atividade de relação interpessoal; e o cérebro humano é a “tecnologia” soberana e insubstituível nessa atividade. Portanto, ganha o paciente cujo médico com ele souber se relacionar e que usa prioritariamente sua capacidade de raciocínio e sua sabedoria para compreender e encaminhar os seus males nas esferas física, psíquica e social.
Assim, compreender os rumos atuais da medicina moderna constitui um importante desafio para a imaginação sociológica. Afinal de contas, os preços dos medicamentos e serviços médicos, os usos e manipulações das novas tecnologias ou, então, a transformação do sofrimento e da doença em mercadorias e objetos de lucro incessante, aparecem como temas que tiram o sono diário do brasileiro. Os noticiários dos jornais o testemunham.

SUMMARY 

The article provides all therapeutic system that can be understood as a relationship between an intervention and an organic intervention sociology. Assuming that each type of intervention must restore a good alliance, balanced, and the elements themselves to the biological plan, in part, and the psychic and symbolic elements of another. 
In the paradigm of the donation, the gift appears as an operator of the alliance par excellence. It is he who transforms the rivals and enemies in relatives and allies. The doctor is one that lies between the two opposing camps to encourage their alliances and pacificações.

KEY-WORDS: Medicine Desumanização. Humanização. Sociology.

REFERÊNCIAS

MARTINS, Paulo Henrique. Contra a desumanização da medicina: crítica sociológica das práticas médicas modernas. Petrópolis:Vozes, 2003. P. 85-206.

NUNES, E. D. Sobre a Sociologia da Saúde. São Paulo: Hucitec, 1999. p. 293-467.

Principais Filósofos – Vai cair no Enem!

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1. René Descartes (1596 – 1650)

Descartes foi um filósofo e matemático francês. Ele nasceu em 31 de março de 1596 e viveu até 11 fevereiro de 1650.

Conhecido como o pai da Filosofia Moderna, uma de suas obras mais famosas foi “Discurso sobre o Método”. René Descartes, um da lista dos filósofos  famosos ,era conhecido por seu ceticismo, tanto que foi o autor da frase “penso, logo existo”.

Nas últimas 5 edições do Enem, o filósofo apareceu 4 vezes – uma em 2016, outra em 2014, outra em 2013 e em 2012. Por isso, fique muito atento e revise as principais teorias do autor.

(ENEM 2016) Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da:

a) investigação de natureza empírica.
b) retomada da tradição intelectual.
c) imposição de valores ortodoxos.
d) autonomia do sujeito pensante.
e) liberdade do agente moral.

Resolução

Descartes vive um momento de transição, em que a razão e o raciocínio estão muito presentes. O sujeito precisa usar sua própria mente. Antes de Descartes, na Idade Média, o conhecimento era centralizado. A partir do liberalismo o conhecimento e o raciocínio podem ser comuns.

Lembre-se que Descarte formulou a máxima:

“Penso, logo existo”

Só essa máxima já nos permite ver o grau de importância dada à autonomia do sujeito pensante.

Resumo método da dúvida cartesiana – método dedutivo 

A dúvida cartesiana também é conhecida como ceticismo cartesiano, dúvida metódica, ceticismo metodológico, Dúvida Universal ou dúvida hiperbólica.

A dúvida cartesiana é um processo sistemático de ser cético (ou duvidar) sobre as crenças de alguém, que se tornou um método característico na filosofia.

Este método de dúvida foi amplamente divulgado na filosofia ocidental por René Descartes, que procurou duvidar da verdade de todas as suas crenças, a fim de determinar quais as crenças que ele poderia estar certo serem verdadeiras.

A dúvida cartesiana é metodológica. Seu objetivo é usar a dúvida como uma rota para um certo conhecimento, encontrando aquelas coisas que não poderiam ser dúvidas. A falibilidade dos dados sensoriais em particular é um assunto de dúvida cartesiana.

Existem várias interpretações quanto ao objetivo do ceticismo de Descartes. Entre estes destaque é um relato fundacionalista que afirma que o ceticismo de Descartes visa eliminar todas as crenças de que é possível duvidar, deixando apenas Descartes com crenças básicas (também conhecidas como crenças fundamentais).

A partir dessas crenças básicas indubitáveis, Descartes tenta obter mais conhecimento.

Passo a passo do método da dúvida hiperbólica de Descartes:

  1. aceitar apenas informações que você conhece serem verdadeiras
  2. quebrar essas verdades em unidades menores
  3. resolver os problemas simples primeiro
  4. fazer listas completas de outros problemas

O conhecimento, no sentido cartesiano, significa conhecer algo além não de qualquer dúvida, mas além de todas as dúvidas possíveis.

LETRA D

2. Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)

Outro pensador que costuma cair com bastante no Enem é o filósofo Aristóteles – ele apareceu 3 vezes nos últimos 5 anos (2014, 2013 e 2012). Ele nasceu na Macedônia em 384 a.C., foi discípulo de Platão, tornou-se tutor de Alexandre Magno e faleceu em 322 a.C.

 

Um dos pensamentos mais importantes do filósofo foi o conceito de Metafísica. Para Aristóteles, existem dois mundos: o mundo sensível e o mundo metafísico (onde você va encontrar a origem de todas as coisas).

(ENEM 2013) A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.

Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como:

a) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
b) plenitude espiritual e ascese pessoal.
c) finalidade das ações e condutas humanas.
d) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
e) expressão do sucesso individual e reconhecimento público.

Ora, qualquer um que já tenha lido pelo menos o começo do tratado “A Política” ou da “Ética a Nicômaco” certamente está farto de saber que o interesse de toda filosofia prática de Aristóteles é teleológico, ou seja, pergunta pelo fim (finalidade) das ações e condutas humanas.

Segundo Aristóteles, a felicidade está ligada à virtude intelectual, o bem maior, sendo necessário, para alcançá-la, levar uma vida prazerosa, política e filosófica. Trata-se de um bem perfeito alcançado no agir, objetivando o que todos desejam.

LETRA C

3. Friedrich Nietzsche (1844 – 1900)

Nietzsche é um pensador que vem aparecendo frequentemente no Enem. Nos últimos 5 anos, ele caiu tanto em 2016 quanto em  2015. O filósofo alemão nasceu em 15 de outubro de 1844 e viveu até 25 de agosto de 1900.

Friedrich Nietzsche fez grandes críticas ao pensamento clássico de Platão e Sócrates, principalmente em relação ao mundo das ideias. O intelectual alemão defendeu que a “verdade”, como conceito, não existe.

(ENEM 2015)  A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas, em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um.

O que, de acordo com Nietzche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?

a) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais.
b) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
c) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
d) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
e) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.

Resolução:

Veja o começo do texto de Nietzche: “A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda”. Em seguida ele mostra a ideia da água como matriz de todas as coisas, e explica a razão desse pensamento estar correto. Ou seja, ele mostra que o início da filosofia grega se deu com a necessidade de buscar a causa primeira das coisas, principalmente sem usar mitologia ou ideias religiosas.

Letra C

4. Nicolau Maquiavel (1469 – 1527)

Maquiavel foi um filósofo, historiador e político italiano durante o período conhecido como Renascimento. Ele nasceu em Florença em 3 de maio de 1469 e morreu em 21 de junho de 1527.

Sua obra mais famosa chama-se “O Príncipe” e foi escrita em 1513 (porém, sua publicação só aconteceu depois de sua morte, em 1532). Maquiavel defendia que é melhor um governante ser temido do que amado por seu povo. No livro, o autor mostra como um príncipe deveria agir diante de seus subordinados.

No Enem, Maquiavel caiu duas vezes durante as últimas 5 edições – uma em 2013 e outra em 2012. 

(ENEM 2012) Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao

a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.

Resolução:

O texto extraído da obra “O Príncipe”, de Maquiavel, refletindo sobre o exercício do poder em seu tempo, apresentou a relação existente entre o pensamento político e o humanismo próprio do renascentismo. Assim, afirma a confiança na razão autônoma quando aborda a questão do livre-arbítrio. A sorte não pode decidir sozinha nossos atos, deve ser corroborada pela razão

O que o autor quis falar nesse trecho é que a confiança na razão autônoma é um dos fundamentos da ação humana no mundo.

Maquiavel, enquanto acredita que uma parte dos acontecimentos em nossas vidas vem ao acaso, ele também acredita e afirma que possui confiança na própria razão humana como força de mudança, independentemente dos valores religiosos e relacionados a sorte.

LETRA C

5. Immanuel Kant (1724 – 1804)

Assim como Maquiavel, Kant também marcou presença duas vezes durante esse período no Enem – em 2013 e 2012. O filósofo alemão nasceu em 23 de abril de 1724 e faleceu em 12 de fevereiro de 1804.

Kant era muito interessado em estudar temas como a epistemologia, moral e limites da razão. Uma de suas principais obras foi “Crítica a Razão Pura”, de 1781. Para ele, nós trazemos conceitos que não são originados apenas pelas nossas experiências.

(ENEM 2013) Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafisica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que:

a) Assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
b) Defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
c) Revelam a relação de interdependência os dados da experiência e a reflexão filosófica.
d) Apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
e) Refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.

Resolução:

A questão fala sobre duas formas de interpretação do conhecimento, a tradicional – em que existe uma primazia dos objetos em relação as ideias e a proposta pelo filósofo alemão Imannuel Kant – primazia das ideias em detrimento dos objetos.
No livro Crítica da Razão Pura, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), faz uma crítica à real natureza do conhecimento. Acreditava que em uma primazia das ideias sobre os objetos para a produção do conhecimento, como é demonstrado no texto.

LETRA A

Você está escrevendo seu TCC errado, veja a Técnica TSAC

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Você está escrevendo seu TCC errado, entenda como 4 parágrafos montados corretamente podem deixar seu TCC blindado, veja a Técnica TSAC

A técnica TSAC faz um parágrafo proteger o outro.

Quando estava na faculdade reparei algo interessante nos livros de redação dissertativa. Percebi que haviam 4 tipos de parágrafos que se unidos da forma correta, ficavam impossíveis de ser contestados pela banca.

Daí resolvi juntá-los e testá-los no meu TCC, pois já não tinha mais tempo e estava apavorado. Para minha surpresa onde usei a técnica não houve revisão da banca TCC.

Isso porque, ela determina uma forma de produzir textos para que seja possível tirar uma ótima nota e atingir o objetivo final.

Aprenda Como Funciona a Técnica TSAC

No começo pode ser que não seja tão fácil entender, mas o importante não é isso. O detalhe central é reduzir as revisões do seu orientador, pois se conseguir essa façanha fará muito mais rápido. Afinal, ficar adivinhando o que seu orientador quer é que vai consumir tempo.

Muitos livros utilizam a técnica TSAC, portanto, se você quer realmente construir um TCC de qualidade e seguro de que não terá problemas com plágios, é ideal que você aprenda como funciona a técnica TSAC, que significa:

  • Tópico frasal;
  • Sustentação;
  • Argumentação;
  • Conclusão.

O tópico frasal é a oração que introduz a ideia inicial. A ideia que apresenta a promessa inicial do que será dito no parágrafo. Pode ser feita de três formas, com uma citação direta curta, com uma citação indireta ou com as próprias palavras do autor.

A sustentação é onde o estudante pesquisa por citações de livros ou pesquisas já concluídas. Nele o mesmo coloca uma citação para fortalecer sua tese, podendo ser direta com menos de oito linhas ou uma citação indireta.

A argumentação é um texto dissertativo do aluno. Onde discutirá o porquê daquele assunto ser tão importante. Ele pode optar por uma citação indireta ou uma citação direta curta.

A conclusão é o desfecho do que foi dito. Com isso em pensamento será possível analisar o exemplo a seguir onde cada uma das partes é mostrada com uma cor diferente:

De forma que um ponto essencial para que você aprenda como funciona a técnica TSAC, é que entenda que ela consiste em estruturar o conteúdo em blocos em três partes (as 3 primeiras citadas acima), um sustentando o outro e por fim só concluir a ideia.

E assim, o parágrafo precisa contar com 4 frases, cada qual de acordo com um desses blocos. Porém, há casos em que é possível contar com menos, dependendo muito do contexto. Mas nunca menos do que duas frases.

Qual é o truque ?

O truque é muito simples. O Monografis tem esses modelos como base de seu algoritmo para realizar a orientação de escrita em blocos.

Ao invés de você ficar tentando adivinhar o que seu orientador quer, seguindo um método desse, seu orientador não terá o que revisar.

O aluno manda um capítulo para seu orientador, então ele devolve com várias correções para fazer, aí, o aluno corrige e devolve, então o orientador retorna com mais correções do que antes. Essa rotina perdura por semanas em apenas um capítulo.

Usando os modelos de escrita em blocos, em primeiro lugar mesmo que você escreva lentamente, como resultado, seu orientador não terá o que corrigir.

A técnica TSAC na prática

Tópico Frasal é a introdução ao tema do capítulo, já a sustentação será uma citação direta ou indireta de fontes bibliográficas com intenção de embasar o que você falou no tópico frasal.

A argumentação será a parte mais complicada, pois você terá que argumentar sobre o que foi dito nos parágrafos acima mostrando pontos fontes e fracos, criticando alguma coisa, mostrando algum destes dados:

  • Estatísticos
  • Históricos
  • Questionamentos
  • Comparações
  • Exemplificações
  • Causa e consequência
  • Enumeração
  • Contra argumentação
  • Através de citação.

Na argumentação pelo menos um dos elementos acima deve ser identificado.

Vamos por em prática o método TSAC, para isso, vamos fazer de conta que o título do capítulo é: INTRODUÇÃO AO MARKETING.

Veja acima que no tópico frasal você conceitua o tema. Na sustentação será citado um trecho embasando “para que serve”. O argumento você procura responder qual a importância disso. Depois na conclusão fecha a ideia.

Técnica TSAC exemplo

Frase 1 – TÓPICO FRASAL:

O que é Marketing ?

R: Marketing é um processo usado para determinar que produtos ou serviços possam interessar aos consumidores, assim como a estratégia que será utilizada nas vendas, comunicações e no desenvolvimento do negócio.

Obs.: Pegue o gravador do celular, se pergunte o que é Marketing e responda. Grave sua resposta, depois ouça e transcreva. Assim você vai garantir que não copiará nada dos autores. Lembrando que o exemplo aqui é Marketing, você vai trocar para o seu tema.

Frase 2 – SUSTENTAÇÃO:

Para que serve o Marketing de acordo com algum autor?

R: Para Bazzo e Pereira (2009) o Marketing serve para promover a troca saudável entre pessoas, busca a solução de necessidades das pessoas, a fim de resolver possíveis problemas.

Obs.: Pegue o livro mais relevante de e procure responder para que serve o Marketing? Depois, leia, mentalize e escreva o que lembrar.

Frase 3 – ARGUMENTAÇÃO:

Por que o Marketing é importante?

R: A importância do marketing é buscar equilibrar esforços em preço, produto, distribuição e promoção de modo a melhorar o relacionamento empresa-consumidor

Obs.: Escreva o que você sabe. Use o gravador mais uma vez. Imagine que alguém está te perguntando e o que você responder grave para escrever aqui. Foque em falar da citação anterior. Se sentir inseguro e quiser ler algo antes, então tem que ser o livro da frase 2 e cite o autor.

Frase 4 – CONCLUSÃO:

Concluir conectando o conceito, função e importância.

R: Fica evidente, diante desse quadro que para uma publicidade honesta, portanto levando o que as pessoas precisam no momento exato da vida dela é isso determina a estratégia de vendas e o desenvolvimento do negócio, finalmente equilibrar os esforços em relacionados a preço e distribuição melhorando a forma de comunicação da empresa com o cliente.

Método TCC em blocos na prática?

Para facilitar o entendimento, vejamos como um capítulo do referencial teórico deve ser escrito. Nesse exemplo será um capítulo conceitual, ora que, serve para conceituar sobre o tema abordado. Considere um capítulo chamado: Conceito de Marketing.

MODELO BÁSICO CONCEITUAL DO MONOGRAFIS

 

BLOCOS Item TSAC Explicação do parágrafo
BLOCO 1 Tópico Frasal – O que é Marketing ? Você conceitua o tema do capítulo da sua cabeça, sem tirar a ideia de algum livro.

  • Permitido aqui uma citação direta curta.
  • Duas (2) frases são o suficiente para esse parágrafo.
BLOCO 2 Sustentação – Para que serve Marketing? Neste parágrafo você reafirma o que foi dito acima, porém com uma citação indireta.

  • Citar um autor que reafirme o que você falou no parágrafo anterior.
  • Você deve ler o que o autor disse, interpretar e escrever com suas palavras.
  • Duas (2) frases bastam neste parágrafo.
BLOCO 3 Argumentação – Identificar dois (2) pontos mencionados acima e argumentar sobre eles. Você precisa dar uma lida nos dois (2) parágrafos anteriores procurando afirmações que alguém possa contestar e falar sobre eles.

  • Levantar dois (2) problemas ou pontos fortes e argumentar sobre eles.
  • Falar sobre o reflexo disso na atualidade.
  • De duas (2) a três (3) frases nesse parágrafo bastam.
BLOCO 4 Sustentação – Citação indireta de outro autor. Procure responder a pergunta: Qual o objetivo do Marketing ? Nesse parágrafo você vai aparar as arestas citando a mesma coisa do BLOCO 2 ou do BLOCO 1, porém com outro autor. Isso vai credibilizar mais seu trabalho.

  • Citação indireta nesse bloco.
  • Duas (2) frases bastam.
BLOCO 5 Argumentação – Cruzar ideias dos autores. Existem várias formas de argumentação e uma delas é através de citação. Para argumentar usando uma citação, basta cruzar ideias de autores e tirar disso uma conclusão. Se fizer isso, já fez uma boa argumentação.

  • Não há necessidade de citação.
  • Caso queira citar, faça uma citação direta curta apenas.
BLOCO 6 Argumentação – Depois da argumentação do autor, faça sua consideração crítica aqui. Faça sua própria argumentação aqui. Trata-se de por em vista sua opinião em relação ao lido. ATENÇÃO! Não é sua opinião pessoal, mas sim, opinião baseado no que você leu e comparou, algo tipo imparcial e jornalistico.

  • Pode usar uma citação direta curta aqui se preferir.
  • Duas (2) frases já bastam.
BLOCO 7 Sustentação – Citação direta longa reafirmando tudo que foi dito até aqui. Procure algo que responda a seguinte pergunta: Por que o Marketing é importante ? Agora é hora de pegar no seu principal livro uma citação que fale o Objetivo do Marketing. Uma citação direta é o texto igualzinho você encontrou no livro, então basta transcrever para seu TCC e citar o autor, ano e pagina.

  • No máximo 8 linhas para a citação direta longa.
  • Procure no livro algo sobre a importância do tema.
BLOCO 8 Argumentação – Para toda citação direta longa, logo abaixo vem uma argumentação. Tenha isso como regra. Argumente sobre a citação direta acima, você pode concordar ou discordar, tudo isso com base no que foi dito até agora no capítulo.

  • O objetivo aqui é apontar dentro da citação direta trechos interessantes para o leitor.
  • Você escreve algo tipo: Perceba que o autor diz…
  • Force o leitor a ler a citação direta longa chamando atenção sobre alguma coisa.
BLOCO 9 Conclusão – Você reafirma tudo que foi dito nos blocos A (argumentação). Volte a mencionar tudo que foi dito nos blocos de argumentação.

  • De duas (2) a três (3) frases bastam.
  • A ultima frase faça um fechamento da ideia que indique fim do que está sendo abordado. Tipo: Por fim, […]

 

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Agora imagina um Assistente Virtual com vários desses modelos, seria surreal, não seria ?

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Recapitulando

Ao fazer uma análise sobre como os livros são estruturados, Tybel verificou que todos utilizam uma técnica TSAC. Ela consiste em estruturar os blocos em três partes onde uma sustenta a outra.

  • Tópico frasal;
  • Sustentação;
  • Argumentação;
  • Conclusão.

Sendo que o tópico frasal nada mais é do que a frase que introduz a ideia do parágrafo, podendo ser feito tanto pelas próprias palavras do autor, como também por meio de citação direta e indireta.

Já a sustentação é um dos momentos que mais justificam que você aprenda como funciona a técnica TSAC, uma vez que é ela a hora de fortalecer a base do parágrafo por meio de citações realmente consistentes.

Depois, é a hora de realizar a argumentação.

Que nada mais é do um texto dissertativo em que o aluno alega o porquê de ser tão importante o que ele está abordando. É importante que seja muito bem diretamente ligado a sustentação, podendo contar até mesmo com uma citação indireta ou direta curta, o que importa mesmo é que explique de forma correta o quanto é essencial abordar esse assunto.

Em poucas palavras, a técnica TSAC é uma metodologia que muitos autores utilizam para estruturar seus livros. Os orientadores e a banca TCC já sabem que isso acontece, porém os alunos não, entrando em discordância por meses.

 

 

 

GEORGES SEURAT

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Georges Seurat

(Paris, 1859-id., 1891) pintor francês. Ele entrou muito jovem na oficina de Lehmann, onde aprendeu teorias sobre luz e cor inspirado pelo classicismo de Ingres. Mais tarde, ele co-fundou o Salão de artistas independentes, que reuniu artistas de novas tendências como o neo-impressionismo e corrente pontilhismo do que foi o iniciador. Seurat levou ao limite a experiência impressionista, em vez de reproduzir os efeitos da luz, ele começou a pintar e captura isolado tocando em reduzida às suas formas características essenciais. Em um período de sete anos, ele fez suas pinturas mais importantes: Banhistas em Asnières (1884), Um domingo à tarde na Ilha de La Grande Jatte (1886), sua obra-prima, e Parada Circus (1888), entre muitos outros. Os aspectos técnicos do seu trabalho influenciaria os fauvistas, e seus estudos teóricos rigorosos os cubistas.

O estudo científico da cor e da divisão sistemática de tons cromáticos foram os princípios essenciais que fundamentam a busca metódica para os pintores do Neo-Impressionista ou pontilhistas auto-descritos. Estes artistas levou para suas abordagens lógicas, mais intuitivamente, tinha desenvolvido os impressionistas. Interessado por avanços no estudo da cor (feita por Eugène Chevreul, Charles Blanc e Oden Rood), Georges Seurat experimentou fenômenos em torno de óptica, tais como a decomposição da luz eo efeito de intensificar a percepção produzida pela presença simultânea cores complementares.

A fim de capturar a exibição pictórica destes princípios, Georges Seurat fez uma diminuição progressiva do curso para reduzi-la a pequenos pontos de cor pura, sem mistura, que se fundem na retina da tabela do espectador um efeito de alto brilho e intensidade cor. A leitura desses autores e sua própria pesquisa com “mistura óptica” o levou a buscar a tradução de cores secundárias brilhantes (por exemplo, verde) através de cores primárias (azul e amarelo) não são realmente mista, mas próxima de modo que é o olho humano que, à distância, ver a cor procurado. Paul Signac , em seu livro de Delacroix a Neo-impressionismo, revelou os segredos desta técnica, com base no princípio de que a cor preta não existe no natureza e, portanto, recebe os tons de cinza, sem recorrer a ele. O “pontilhismo” , designação que não foi apreciado pelos seus criadores, é nomeado após os pontos justapostos e linhas curtas que compõem o tecido desta pintura.

As ideias de Seurat foram seguidos por Signac; os dois se encontraram no Salon des Indépendants em Paris em 1884, onde expôs os artistas ainda desconhecidos, que não reconheceram a Academia Francesa qualidade suficiente para expor na amostra oficial. Em 1885 eles se juntaram por Camille Pissarro; três pintores formaram o núcleo do grupo que viria a ser conhecido como os neo-impressionistas ou pontilhista. Como os impressionistas procurou expressar as qualidades essenciais de luz e cor. Mas, apesar visando objetivos semelhantes, esses dois movimentos pictóricos se opunham.

As obras de Georges Seurat com a música de fundo de Vivaldi

O impressionismo deu a pintura novas liberdades. Ele tinha alargado a paleta com tons frescos e radiantes; era para fugir das convenções de qualquer escola, para abolir inibições sobre a pintura. Os impressionistas foram lançados o excesso de contemplação e de raciocínio construtivista de usar: a intenção de capturar o momento fugaz, sua transitoriedade, seus matizes em mudança. O pontilhista reagiu contra essa transitoriedade. Em vez de uma abordagem instintiva de procedimentos mais ou menos improvisados, eles queriam encontrar uma fundamentado técnica, regulatória, perene. Seurat tinha estudado cuidadosamente os clássicos (Poussin, Delacroix , Ingres e outros), para finalmente dar a maior importância à composição: tinha de ser, ele disse, extremamente meticuloso. Suas teorias de como eles devem ser colocados pequenos pontos de cor para criar os diferentes tons foram baseados nas mais recentes descobertas sobre a luz e visão.

A influência do pontilhismo foi ampla, mas de curta duração, como o rigor das regras em conflito com a sensibilidade de cada artista. Além disso, as próprias idéias eram difíceis de implementar e teoria deixou muitos problemas por resolver. Quando pequenos pontos não for gerida derreter, produzindo o mesmo efeito que um mosaico. No entanto, mesmo se o pontilhismo foi rapidamente abandonada, obteve muitas conquistas, entre os quais incluem o de encorajar a crença de que a arte deve ser baseada no conhecimento científico, uma ideia que, de alguma forma, levou ao nascimento do cubismo e arte abstrata.

Georges Seurat
Banho em Asnières

O início do Neo-Impressionismo ou Pontilhismo pode ser datada de 1883, quando Georges Seurat, incentivado pela aceitação de duas de suas obras no Salão daquele ano , ele fez uma extensa série de desenhos e esboços, por ocasião da apresentação das Banhistas em Asnières ( 1883-1884, National Gallery, Londres) para o Hall of 1884. o trabalho, embora fosse uma composição harmoniosa feita com o máximo rigor foi rejeitado e, posteriormente, apresentado no primeiro Salão de Artistas independentes.

Com uma casa de banho em Asnières, Seurat tentou comparação com os impressionistas, de frente para um tema bastante comum entre eles: recreação ao ar livre. efeitos de iluminação, como o reflexo do céu na água, são tratados em grande detalhe, e pelo grande volume e seus arredores, bem como a composição premeditada, nos referimos a Piero della Francesca. Da mesma forma que Cézanne , Seurat tende a realização de elementos geométricos, embora elegantemente estilizado. Sua maneira de fazer a pintura também foi completamente diferente da dos impressionistas: ele trabalhou a cena em seu estúdio por um longo período de tempo, e usou as duas anotações feitas como impressionista como desenhos cuidados e quase acadêmico para todos os detalhes da imagem, incluindo banhistas roupas à esquerda no chão. O resultado é uma pintura permanente e de qualidade clássica, cada linha, cada cor, são calculados com precisão científica e onde não há nada acidental.

Georges Seurat
Tarde de Domingo

Na exposição impressionista oitava e última (1886), Seurat apresentado com grande sucesso, um outro projeto ambicioso: Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte (1884-1886, Art Institute, Chicago). No momento em que Georges Seurat pintou esta tela, a classe mais respeitável parisienses se reuniram domingo à tarde na ilha de La Grande Jatte no Sena, para passear. Após muitas horas de observação e inúmeros esboços do lugar (sessenta estudos e esboços deste trabalho são conhecidos), Seurat imortalizada um desses momentos.

Seu esquema de composição é mais complexa do que a de uma casa de banho em Asnières, dada a necessidade de integrar-se harmoniosamente quarenta caracteres em uma paisagem panorâmica. Neste trabalho monumental, o pintor radicalizou a sua proposta para se opor a um espaço diferenciado na frente do esquema bidimensional de figuras cujos contornos estão claramente definidos. No trabalho de um elemento simbólico aparece como o primeiro plano macaco, apesar de ser um animal de estimação atual no momento, tem sido tradicionalmente apresentado como o epítome do erotismo. O tecido exerceria uma grande influência sobre alguns de seus artistas contemporâneos, tais como o holandês Vincent Van Gogh.

Georges Seurat
A Parada no Circo

Em Parar (1888, Museu Metropolitano, New York), Seurat representou uma noite iluminada pelo espaço gaslight sob uma atmosfera densa e escura. Desta vez, formas geométricas desumanizar os personagens, dando-lhes alguma rigidez arcaico. No geral, a sua obra é caracterizada por suas figuras hieráticas lembra, de certa forma, escultura egípcia e Piero della Francesca. Suas pinturas são uma rejeição clara da natureza pintura “romântica” cultivada por Manet, e seu trabalho colocou as instalações do que mais tarde se tornou o fauvismo e do cubismo.

VAN GOGH

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Van Gogh (1853-1890)

Foi um importante pintor holandês, um dos maiores representantes da pintura pós-impressionista.

Vincent Willem Van Gogh (1853-1890) nasceu em Zundert, uma pequena aldeia holandesa. Filho de um pastor calvinista foi uma criança rebelde e insociável. Em 1869 ingressa num internato provinciano. Em 1869 vai para Haia trabalhar com o tio que abriu a sucursal da Galeria Goupil, uma importante empresa que comerciava obras e livros. Depois de três anos é mandado para Bruxelas, onde passa dois anos. Depois vai para Londres, sempre a serviço da galeria.

Em 1875, van Gogh consegue sua transferência para Paris, onde julgava poder libertar-se de todas as suas frustrações. Em abril de 1876, após indispor-se com os clientes, é demitido do grupo Goupil. Vai para Inglaterra onde aceita o cargo de professor em escolas primárias de pequenas cidades. Nesse mesmo ano, em dezembro, vai para Etten, onde encontra sua família, mas suas relações familiares continuam difíceis, só sente-se compreendido por Theo, seu irmão mais novo.

Van Gogh torna-se depressivo e sofre seguidas crises nervosas, passa longos períodos de solidão. Em 1877 consegue emprego em uma livraria em Dordrecht, até que decide seguir a carreira do pai. Ingressa no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdã. Reprovado por falta de base ingressa na Escola Evangélica, em Bruxelas. Consegue o lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica. Em 1879 é demitido, pois prega pouco e preocupa-se demasiadamente com os doentes e as crianças.

Em 1880 vai para Bruxelas, e com o dinheiro que o irmão lhe manda, estuda anatomia e perspectiva. Passa os dias desenhando. Em 1881 muda-se para Haia, onde é acolhido pelo pintor Mauve. Pinta aquarelas, onde aparecem marinheiros, pescadores, camponeses. Escreve para o irmão “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”.

Van Gogh
Pai Tanguy

Em julho de 1882 pinta seu primeiro quadro a óleo. No ano seguinte volta para casa dos pais, onde passa os dias lendo e pintando.

Em 1985 seu pai morre repentinamente. Nesse mesmo ano pinta “Os Comedores de Batata”, em um ambiente sombrio e tons escuros. Em novembro viaja para Antuérpia, onde em janeiro de 1886 inicia estudos na Academia local. Em fevereiro é acolhido por Theo, em Paris, que dirige a Galeria Goupil. Nessa época pinta “Pai Tanguy” (1887). Encontra-se com Pissarro, Degas, Gauguin, Seurat. Em dois anos pinta 200 quadros, entre eles, o “Auto Retrato” (1887).

Van Gogh encontra-se com a saúde precária e segue os conselhos de Toulouse-Lautrec, vai para o campo, em fevereiro está em Arles, pintando ao ar livre. Pinta mais de 100 quadros, entre eles, “Os Girassóis” (1888) e “Armand” (1888). Convida Gauguin para trabalharem juntos, mas Van Gogh tem crises de humor. Há relator que sua amante teria se envolvido com Gauguin e ao descobrir discute e agride o amigo com uma navalha. Arrependido corta um pedaço de sua orelha e manda num envelope para a mulher que motivou a briga. É recolhido para o hospital. Vai para casa e pinta o “Auto Retrato com a Orelha Cortada” (1888).

Em maio de 1989 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai para o Hospital de Saint-Rémy e transforma seu quarto em um ateliê. Fez mais de duzentos novos quadros, centenas de desenhos, e todos revela sua luta. Theo é chamado, mas não pode visitar o irmão, pois sua mulher espera o primeiro filho. Pede a Signac, um amigo pintor, que vá visitá-lo. Signac sai impressionado com a pintora de Van Gogh que leva alguns amigos à casa de Theo para ver alguns quadros. O jornal Mercúrio de França faz elogios ao pintor. Uma exposição na Galeria de Bruxelas é organizada, mas só vende um quadro “A Vinha Vermelha”, o único que seria vendido durante a vida do pintor.

Van Gogh deixa Sant-Rémy em maio de 1890. Vai para Auvers, sob os cuidados do Dr. Gachet que o examina e diz que a situação é grave. Pinta mais de 200 desenhos e mais de 40 quadros, entre eles, “Os Ciprestes”, “Trigal com Corvos” e “Retrato do Dr. Gachet”. No dia 27 de julho de 1890 Van Gogh sai para o campo de trigo com um revolver na mão e no meio do campo dá um tiro no peito e é socorrido.

Van Gogh morreu em Alvers, França, em 29 de julho de 1890. No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros amontoavam-se sem comprador. A fama só veio após sua morte. Grande parte de sua historia está descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo, e que evidenciava a forte ligação entre os dois.

Obras de Van Gogh

A Igreja em Nuenen, 1884
Os Comedores de Batata, 1885
A Casa Paroquial de Nuenen, 1885
Caveira com Cigarro Aceso, 1886
Guinguette de Montmartre, 1886
A Italiana, 1887
A Ponte Debaixo da Chuva, 1887
Natureza Morta com Absinto, 1887
Dois Girassóis Cortados, 1887
Auto-Retrato com Chapéu de Palha, 1887
Pai Tanguy, 1887-1888
Auto-Retrato Dedicado a Gauguin, 1888
Terraço do Café na Praça do Fórum, 1888
A Casa Amarela, 1888
Barcos de Saintes-Maries, 1888
O Velho Moinho, 1888
La Mousmé, 1888
A Vinha Vermelha, 1888
Os Girassóis, 1888
O Quarto de Van Gogh em Arles, 1889
Noite Estrelada, 1889
Auto-Retrato com Orelha Cortada, 1888
Oliveiras, 1889
Os Ciprestes, 1889
A Sesta, 1890
A Ronda dos Prisioneiros, 1890
Amendoeiras, 1890
A Igreja de Auvers, 1890
Trigal com Corvos, 1890
Retrato de Dr, Gachet, 1890