Projeto Descobrindo o Sabor de Cozinhar com Amor

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1.INTRODUÇÃO

Esse projeto trata da implantação de curso profissionalizante no município de Nioaque.
A concentração de uma população de baixo nível de renda e escolaridade, e a falta de uma base econômica capaz de absorver parte da força de trabalho, são fatores que agravam o quadro de carência e exclusão social.
O Projeto Descobrindo o Sabor de Cozinhar Com Amor, buscará contribuir para a melhoria das condições de vida da população, com o intuito de inserir famílias/indivíduos em situação de risco social em atividades de capacitação e geração de trabalho e renda, garantindo autonomia e elevação do padrão de qualidade de suas famílias, contribuindo, dessa forma, para a abertura de frentes de trabalho compatíveis com a vocação econômica do município.
Tendo em vista que a economia de Nioaque baseia-se na criação de bovinos, com pecuária de corte e leite e agricultura de sobrevivência, com poucas atividades comerciais e industriais, boa parte da população fica alheia ao mercado de trabalho, tendo de desenvolver outras atividades para obter renda. Aliado ao mercado de trabalho escasso, a população nioaquense apresenta baixa escolaridade, o que dificulta sua inclusão. Ante a realidade posta, o curso de geração de renda busca oportunizar essa população para que desenvolvam uma profissão e dela obtenham renda.
Inicialmente será realizado curso de culinária. A quantidade de pessoas que serão potencialmente beneficiadas pelo projeto é de aproximadamente 40 pessoas, que serão qualificadas para o mercado de trabalho e para o auto-emprego. 
Para definição dos critérios de elegibilidade e na indicação das beneficiárias, o Centro de Referência da Assistência Social CRAS, considerará o público dos programas sociais do Governo Federal e Estadual que estão inseridos no CadÚnico.

2.JUSTIFICATIVA

Localizado a 161 km da capital do estado, o município de Nioaque conta com uma população de 18.064 habitantes (IBGE, 2006). Dentre essa população,
Historicamente a cidade vem oferecendo poucas oportunidades de trabalho e renda para seus moradores, identificamos que há no município bastante força de trabalho sem qualificação, que estão sem exercer atividade laboral rentável. Além disso, existem mulheres que realizam atividades autônomas, trabalhando como salgadeiras, mas que não realizaram cursos, tendo pouca qualificação encontramos pessoas que exerce atividades autônomas em diversos trabalhos, mas que não tem seus produtos valorizados, sem organização conjunta, sentem dificuldade para comercialização, ou seja, na geração de renda. 
A família/indivíduo carente, com menos acesso a qualificação, necessita se profissionalizar nas diversas áreas, para prestar serviços de qualidade que satisfaçam à população.
Nesse sentido, o Projeto Descobrindo Sabor de Cozinhar Com Amor, tem muito a contribuir para a elevação da qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade social no município, uma vez que oportunizará em média 40 mulheres com participação no curso de Doces e Salgados.
Que atendem seus próprios anseios e que irá qualificá-las para realizar atividades laborais que gerem renda. 
A partir desse projeto, pretende-se posteriormente, utilizar das Feiras do pequeno agricultor aos sábados e implantar barracas de comercialização e venda dos Doces e Salgados, fomentando a divulgação e comercialização e incentivando as potencialidades que existem no município.
Com este projeto acreditamos que as beneficiárias terão além de uma profissão, um aumento na renda familiar, tendo melhores condições para viver.

3.OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral:

Contribuir significativamente para melhoria das condições de vida da população socialmente vulnerável, promovendo o desenvolvimento humano e social.

3.2 Objetivos específicos:

– Promover a qualificação profissional de aproximadamente 40 mulheres criando alternativas para geração de trabalho e renda, contribuindo para a construção da autonomia econômica das famílias beneficiadas;
– Criar condições para estimular a participação e o convívio social a fim de desenvolver/recuperar a auto-confiança e auto estima, tornando as beneficiárias protagonistas;
– Subsidiar, financeira e tecnicamente iniciativas que lhes garantam meios, capacidade produtiva e de gestão, viabilizando a transição de pessoas/famílias e grupos em situação de vulnerabilidade e risco de autonomia, garantindo as condições mínimas de sobrevivência e elevação do padrão de qualidade de vida.

4.METODOLOGIA

4.1 Seleção das beneficiárias:

– As inscrições serão realizadas no Sindicato Rural, com o preenchimento de cadastro.
– A seleção das potenciais beneficiárias será realizada pela SMAS/CRAS tendo como referência o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com base no Índice Geral de Potencialidade Socioeconômica (IGPS).

4.2 Preparação para realização dos cursos:

– O local para realização dos cursos trata-se do prédio do Sindicato Rural, contendo 01 salão com várias mesas, e uma cozinha e dois banheiros. 
– Curso será ministrado pelas acadêmicas, com apoio de profissionais da região com experiência na área para ministrar cursos;
– Serão adquiridos equipamentos e materiais necessários para implantação do projeto, como materiais de consumo;
– Será definida, na palestra com o grupo de beneficiárias, a proposta de trabalho e cronograma de atividades, sendo que o curso será realizado no período matutino e vespertino com carga horária 08 horas diária com duração de no máximo cinco dias.

4.3 Execução do Projeto será no Estágio III:

– Serão realizadas, durante a execução do projeto, dinâmicas, palestras, trabalhos em grupo, a fim de provocar a participação, a motivação, recuperar a auto-estima, incentivar o protagonismo, entre outros. Para tanto, buscaremos outros profissionais, além da equipe do CRAS, para desenvolver essas atividades.
O desempenho e a participação das beneficiárias serão acompanhados através do controle de freqüência;
– Serão promovidas ações para a mobilização da sociedade e do comércio local e regional no intuito de abrir portas aos futuros profissionais, uma vez que, verifica-se que há no município e região, padarias e lanchonetes necessitam de profissionais, podendo ser uma forma para que as beneficiárias possam desenvolver a profissão que aprenderam, além de poderem também empreender seu próprio negócio, individualmente ou em grupo. 
– Posteriormente para incentivar a comercialização na feira do pequeno agricultor que acontece aos sábados na praça central, será feita divulgação na rádio comunitária local;
– Este projeto será acompanhado diretamente pela Secretaria Municipal de Assistência Social e pela equipe técnica do CRAS e estagiarias que executou o projeto. Pretende-se realizar as ações com a participação das beneficiárias na tomada de decisão.

4.4 Cronograma de Execução 

4.5 Metas:

– O Projeto Descobrindo Sabor de Cozinhar com Amor pretendem realizar curso de qualificação como: Forno e Fogão (Doces e salgados), para um público estimado em 40 mulheres no período de 05 dias.

4.5Orçamento Detalhado:

5. EXECUÇÃO DO PROJETO NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO – III, NA SEMANA 23 À 27/08/2010.

5.1 Equipe Técnica:

Luciene Paz Mendonça Secretária Municipal de Assistência Social:
Caberá à Secretária Municipal articular as ações de geração de trabalho e renda no município, buscando apoio da administração municipal para viabilizar o projeto; além de contratar os profissionais para realização dos cursos e acompanhar a execução.

5.2 Cristina de Souza Assistente Social CRAS e Supervisora de Campo

Coordenar o projeto: acompanhar todas as etapas para implantação e execução do projeto, tais como: adaptações no local no espaço físico, divulgação do projeto, seleção das beneficiárias, elaboração da proposta de trabalho, elaboração e realização das atividades com o grupo, acompanhamento e orientação às beneficiárias, buscar parcerias para promover a participação e divulgação, visando à emancipação das beneficiárias, acompanhar o andamento e continuidade do projeto, realizar a avaliação do projeto, e acompanhar as beneficiárias após o término do curso, entre outras atribuições.

5.3 Ilca Corral Mendes Domingos, Lucilene dos Santos Costa, Marlene Terezinha da Costa, Odília Echeverria Gil e Ramona Regina Aguillar Vieira Acadêmicas do Curso Serviço Social:
Apoiar a coordenação: na seleção das beneficiárias, elaboração da proposta de trabalho, elaboração e realização das atividades com o grupo, acompanhamento e orientação às beneficiárias, realização da avaliação do projeto, entre outras.

7.RESULTADOS ESPERADOS

Com a execução do 1º objetivo almeja-se obter profissionais qualificados para o mercado de trabalho e para o auto-emprego; com pelo menos 50% das beneficiárias exercendo a atividade que aprenderam, tendo uma renda ou aumento da mesma em aproximadamente R$130,00/mês. (Esse valor é uma base para avaliação, pois devemos levar em consideração que á formação terá seus custos e demandas distintas).
Em relação ao 2º objetivo que trata do estímulo à participação e ao convívio social, o que se busca é a elevação da auto-estima das beneficiárias, potencializando um círculo virtuoso capaz de fomentar a expansão destas e de outras atividades geradoras de emprego e renda para outras pessoas do município. Assim como maior autonomia das beneficiárias do projeto frente ao seu processo de trabalho.
Com o 3º objetivo pretende-se alcançar a participação e aproveitamento satisfatório dos cursos visando à capacidade de iniciativa, de pelo menos 60% das participantes, visando ainda à ampliação da capacidade de autogestão econômica e social das beneficiárias, como também maior comercialização dos produtos.

8.SUSTENTABILIDADE

Para que o projeto tenha continuidade, a Secretaria Municipal de Assistência Social manterá as atividades de capacitação através de recursos municipais e além de recursos municipais, a Secretaria de Assistência Social poderá utilizar o recurso Federal do Índice de Gestão Descentralizada (IGD).
A pretensão é que após a formação dos profissionais, adquiram experiência de trabalho onde a renda adquirida será utilizada para compra de material para continuidade de suas atividades e o restante para uso pessoal. 
O projeto executado pelas Acadêmicas do 5º semestre Curso Serviço Social da Universidade Anhanguera, tem total apoio da administração municipal, e o que se almeja é a implantação de outros cursos para profissionalizar a população.

9.MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

O monitoramento e avaliação serão realizados pela equipe técnica do CRAS juntamente com as acadêmicas e contemplará formas participativas com as beneficiárias. Os meios de verificação se interligam entre os objetivos propostos. 
Para realizar o monitoramento e avaliação do Projeto se utilizará de relatórios técnicos e fotográficos, controle de freqüência, ficha de registro de atividades em cumprimento com cronograma e orçamento.
A participação e o aumento da auto-estima serão acompanhados e avaliados a partir das listas de presença nas reuniões e palestras com as beneficiárias, dos cadastros com os registros de acompanhamento individual e desempenho. 
Para monitorar e avaliar o alcance do terceiro objetivo se utilizará dos relatórios mensais das atividades e pesquisa quali-quantitativa, buscando verificar o desenvolvimento das beneficiárias no que tange a iniciativas, envolvimento e perspectivas, assim como suas opiniões e sugestões.

RECEITAS MACAÚBA

Receitas Desenvolvidas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS
Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico CNPq

RECEITAS DE MACAÚBA

1.Vitamina de macaúba
Ingredientes: Farinha de macaúba; leite; açúcar.
Modo de preparo: fazer a mistura na porção de um copo de leite para um a colher de sopa de farinha. Deixar em infusão por cerca de meia hora antes de bater bem a mistura no liquidificador. Servir gelado.

2.Sorvete I
Ingredientes:
2 colheres (sopa) de farinha de macaúba
1 litro de leite 
Rapadura ou açúcar
Liga de sorvete 
Modo de preparo: Ferver o leite com a farinha de macaúba. Colocar açúcar a gosto. Deixar bem e engrossar com a liga de sorvete. Bater no liquidificador e em seguida levar ao congelador. Retirar e bater mais três vezes, sempre retornando ao congelador.

3.Bolo de macaúba I
Ingredientes: 
2 xícaras de farinha de trigo 
2 xícaras de açúcar 
1 xícara de farinha de macaúba 
1 xícara de leite
2 colheres (sopa) de manteiga
1 colher (sobremesa) em pó
2 ovos
Modo de preparo: bata o açúcar e a manteiga até obter um creme, acrescente os ovos e continue a bater o creme. Adicione a farinha de trigo, a farinha de macaúba e o leite, alternadamente. Adicione o fermento. Coloque para assar em uma forma untada e polvilhada. Leve ao forno com temperatura de 180°C por aproximadamente 30 minutos ou até dourar o bolo.

4.Sorvete II 
Ingredientes: 
Polpa de 24 bocaiúvas 
2 litros de leite
2 colheres (sopa) de maisena
1 colher (sopa) de liga de sorvete
Açúcar a gosto
Modo de preparo: Colocar a polpa de macaúba no liquidificador. Acrescentar meio litro de leite e bater bem. Levar o restante do leite com açúcar e maisena ao fogo para fazer um creme. Deixar cozinhar, misturar esse creme com a polpa batida e a liga de sorvete e bater no liquidificador. Levar á geladeira, deixar congelar e bater mais três vezes.

5.Bolo de macaúba II
Ingredientes: 
1 xícara (chá) de manteiga; 
2 xícaras (chá) de açúcar;
1 xícara(chá) de farinha de macaúba;
1 xícara (chá) de liete;
4 ovos; 
3 xícaras (chá) de farinha de trigo;
1 colher (sopa) de fermento em pó;
Modo de preparo: bata a manteiga com o açúcar, coloque a farinha de macaúba e torne a bater. Junte as gemas e bata novamente. Coloque o leite. A farinha de trigo peneirada com o fermento em pó e por ultimo as claras batidas em neve. Torne a bater e coloque em forma untada e polvilhada. Leve ao forno para assar.

6.Cocada em tablete
Ingredientes: 1 medida de amêndoa; 2 medidas de rapadura em raspa 
Modo preparo: quebrar os cocos e retirar as amêndoas. Pilar ou passar no liquidificador. Juntar a rapadura do fogo. Mexer até aparecer o fundo da panela. Retirar do fogo e bater bem. Colocar em superfície lisa e deixar esfriar, depois cortar em tabletes.

7.Creme de macaúba
Ingredientes: farinha de macaúba, leite; rapadura ou açúcar.
Modo de preparo: misturar o leite com o açúcar a gosto. Em seguida acrescentar a farinha de macaúba. Levar ao fogo e mexer até engrossar.

8.Pudim de bocaiúva
Ingredientes: 
½ litro de leite; 
6 ovos; 
4 colheres de farinha de Bocaiúva; 
½ copo de trigo; 3 copos de açúcar; 
1 colher de margarina; 
4 colheres de coco ralado
Modo de fazer: Bata tudo no liquidificador, coloque em forma caramelizada e leva para assar em banho-maria por 50 min.

9.Farofa pantaneira
Ingredientes:
250g. de carne de sol
250g. de torresmo
250g. de linguiça de porco
200g. de farinha de bocaiúva ou 200g de castanha de bocaiúva torrada.
01 Cebola Grande
Alho e sal á gosto
01 xícara de óleo
01kg de farinha de mandioca
Modo de fazer: Frite todos os ingredientes separados, por último misture as farinhas 
Obs. Serve para rechear peixe.

10. Patê salgado de bocaiúva
Ingredientes:
02 xícara de leite
01 peito de frango cozido e batido no liquidificador com leite.
Com o leite e 02 colheres da farinha de bocaiúva;
Sal á gosto
Modo de Fazer: Frite dois dentes de alho com duas colheres de manteiga e depois coloca tudo na panela e leve ao fogo baixo para cozinhar.

Psicóloga Walkyria

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Cabeça baixa, olhar atento ao que está ao seu redor, e um “Boa tarde, eu sou a psicóloga Walkyria. Vocês me acompanham?” foi o suficiente para fazer com que Paulo se encolhesse ainda mais na cadeira e apertasse, com força, seu “Homem Aranha”. Nossos olhares (meu e de Paulo) se encontram, e estava nítido que a angústia que tomara conta dele também era a minha. Era como se disséssemos: “Socorro!… e agora?”.

O presente artigo tem por objetivo apresentar o manejo que tive diante de um atendimento onde a criança se recusava a ir sozinha para a sala. Estava claramente estabelecido: “Só vou se minha mãe for!”.

Como lidar com esta situação? Como agir? Qual a postura que devemos ter? Que conduta ter diante de uma criança que se recusa em ir para a sala de atendimento? Que técnicas usar? Sedução? Convencimento? Ameaça? Força física? Autoridade? Precisava encontrar uma forma de estabelecer contato com a criança, e se agisse de forma impositiva, forçando-o a ir até a sala comigo, só aumentaria ainda mais suas defesas e angústia, além de reforçar seu sintoma; se utilizasse a sedução, não estaria sendo terapeuta, não estaria “olhando” para Paulo O que fazer, então? A conduta adotada foi aceitar a condição imposta e estabelecer vínculo com a mãe de Paulo para então chegar até ele.

Queixa: Paulo fica apavorado com alguns barulhos: estouro de bexiga, bombas, rojões, trovões e chuva forte. “Se estiver fora de casa quando isso acontece, faz um verdadeiro ‘escândalo’ até voltarmos para casa”. (SIC – mãe)

Um pouco da história: Paulo tem 5 anos e está na pré-escola. Fica irritado com facilidade e quando contrariado nas mínimas coisas, logo fica nervoso. Os pais de Paulo estão morando juntos há cinco anos, no entanto, brigam muito, e geralmente Paulo presencia as discussões. Segundo a mãe, Paulo é muito apegado a ela, e tem medo do pai, pois este faz uso de álcool com freqüência. “Ele fica outra pessoa quando bebe… agressivo e ignorante. Com isso, Paulo fica ainda mais distante dele. Fica só olhando, assustado” (SIC). Atualmente, de 6 meses para cá, está dormindo novamente na cama dos pais, pois há um parente “morando temporariamente” na casa. Antes, Paulo tinha a sua própria cama e dividia o quarto com o irmão de 18 anos (filho do primeiro casamento da mãe).

Breve relato das sessões: Foram, no total, nove sessões, sendo uma sessão de entrevista com os pais e oito com Paulo e a mãe.

Durante a entrevista com os pais, Paulo fica o tempo todo no colo da mãe, com os olhos fixos em mim. O pai pouco se coloca. Ao sair, Paulo diz que não virá na semana que vem, pois não quer brincar comigo.

Primeira sessão: Paulo se nega a me acompanhar. Finge que não me vê e quando falo com ele, vira o rosto para o lado oposto. Diz que só vai se a mãe for também. Eu concordo. Ao subir as escadas, diz que não vai brincar comigo. Chegando na sala, mostro-lhe a caixa lúdica, e ele chama a mãe para brincar. Escolhe um jogo e a mãe tenta me incluir na brincadeira, ao que Paulo responde com um categórico “não”. Quando ela insiste, pedindo que jogue comigo para que conheça o jogo e ensine para ela, faz menção em sair da sala, e diz: “Então vamos trocar de jogo!… pode guardar que eu não quero mais esse!!”. Paulo literalmente me ignora.

Segunda sessão: Novamente se recusa a entrar na sala. Proponho, depois de muito argumentar, que a mãe o acompanhe. Ele sequer me responde. Fica sentado no chão, atrás da cadeira. Dirijo-me à mãe e ele ameaça sair de trás da cadeira, mas quando percebe que meu olhar se volta para ele, se afasta ainda mais, ficando, inclusive, de costas para mim. Digo que estarei na sala aguardando, pois já sabem o caminho, e que se decidir subir com a mãe, estarei esperando os dois. Como na outra sessão, entram os dois e me mantenho em silêncio, deixando-os à vontade com os brinquedos da caixa. A mãe tenta novamente me incluir nas brincadeiras, e até simula estar “apertada” para ir ao banheiro, com o pretexto de sair da sala e deixar Paulo comigo. Isso irrita profundamente Paulo, pois ele sai logo em seguida, e vê que ela está indo para a recepção, e não para o banheiro. A sessão termina ai. Neste dia, Paulo se recusa a subir, mesmo acompanhado da mãe.

Terceira sessão: Cumprimento e chamo a mãe para a sala. Paulo me olha desconfiado e confuso. Volta seu olhar para a mãe. Digo a ele, que se quiser nos acompanhar, sabe o caminho. Paulo nos acompanha. Durante toda a sessão me reporto à mãe; proponho desenho a ela, e convido Paulo. Ele não aceita, dizendo que vai brincar de outra coisa. Enquanto desenhamos, converso informalmente com ela, sobre o que gosta de fazer, como foi sua semana. Aos poucos Paulo vai se aproximando. Sem dizer nada a ele, estendo uma folha em branco em sua direção. Continuo conversando com a mãe, e observo que Paulo estava com os olhos fixos em mim. Lentamente senta na cadeira ao lado da mãe e começa a copiar pedaços dos nossos desenhos. Ofereço-lhe os lápis de cor da mesma maneira que fiz com a folha, como se só colocasse ao seu alcance. Paulo se acomoda melhor na cadeira e fica conosco.

Novamente a mãe age como na outra sessão, tentando sair da sala e deixar Paulo comigo. Ele se comporta de forma idêntica: fica irritado, cruza os braços e começa a chorar, dizendo “não, não”. Peço à mãe que fique, que nosso horário daqui a pouco iria terminar, daí ela poderia ir ao banheiro. Ela concorda e Paulo se acalma. Não dirijo uma só palavra a ele. Meu contato durante toda a sessão é com a mãe.

Quarta sessão: Abordo os dois como um só. “Vamos?” A mãe se levanta e Paulo faz o mesmo. Ao entrarmos na sala, digo a ela que trouxe um brinquedo novo (duas espadas) e pergunto se gostaria de brincar. Paulo já estava com elas nas mãos. Fica com uma e estende a outra para a mãe, convidando-a para brincar. Ambos “lutam”. Paulo se diverte ao bater forte na espada da mãe, e por vezes verbalizava “Você está com medo? Quer continuar? Você acha que é forte, não é?… então você vai ver…”. A mãe repreende-o por estar batendo forte, e pergunta se estava bravo ou com raiva. Mantive-me em silêncio durante toda a sessão.

As três próximas sessões: Paulo ao me ver chegar na recepção já se põe em pé e sai correndo em direção à sala. “Lutam” a sessão toda e por vezes me estende a espada para que eu lute com ele. Outras vezes, colocava-nos para lutar (eu e a mãe). Sempre sem me dizer nenhuma palavra, só à mãe, e eu fazia o mesmo. A mãe era o nosso meio de comunicação. Dizia a ela as coisas que eu gostaria de dizer a ele, como por exemplo, que estava divertido brincar de “lutar”, o quanto era forte, o que poderíamos fazer na próxima sessão…

Quase no final da sétima sessão, a mãe diz que não poderá mais dar continuidade ao atendimento por questões financeiras. Paulo olha para ela com uma expressão de decepção. Manifesto que lamentava não poder mais vê-la. Faço considerações a respeito do que já havia observado, colocações que me abstenho de relatar por não ser objetivo deste artigo. Agendo, porém, mais uma sessão, que seria o nosso encerramento.

Última sessão: Como das outras vezes, lutamos espada (ele e a mãe; eu e a mãe; eu e ele), e por fim, já cansado, Paulo faz um desenho, que me entrega no final da sessão: um peixe e um tubarão.

Algumas considerações das sessões:

Não discorrerei sobre a teoria existente a respeito, no entanto, é possível fazer algumas considerações:

Partindo do princípio teórico que a angústia é uma reação à perda do objeto e o medo de perder um objeto altamente valioso, o que assustava Paulo era perder o amor da mãe.

Quando o ego reconhece o perigo de castração, dá o sinal de angústia e inibe, através da instância prazer-desprazer, o iminente processo de investimento do id; ao mesmo tempo, forma-se a fobia.

A angústia de castração é dirigida a um objeto diferente e se expressa de forma distorcida, de modo que Paulo não teme ser castrado, mas sim, teme trovões, bombas e chuva forte.

Pois bem, Paulo estava em plena vivência edípica. Reage com um sintoma fóbico por impossibilidade de lidar com a possível perda desse amor. Sabe-se que as vivências de amor e ódio do Édipo e o temor da perda do amor do objeto aparecem condensados, e a saída do ego para dar conta da pulsão vem na forma de uma fobia.

Como bem coloca Pereira (1990), “se toda angustia é angustia dita de castração, é certo que a criança só terá condições de simbolização após o complexo de castração e a elaboração do Édipo. O complexo de castração é um organizador simbólico”. Paulo estava vivenciando um conflito por ambivalência: amor e ódio ao mesmo tempo pela mãe; apego à mãe, medo de ficar sem ela, de perder o objeto amado, mas ódio por sentir esse apego que o impedia de crescer; medo de fundir-se a ela, o que significava, em última análise, deixar de existir. A proteção de sua mãe era sinal que havia algo assustador que precisava ser contido, porém isso era tão ruim quanto se fundir a ela e deixar de existir, ou seja, não existir era tão assustador quanto o que tinha que ser contido.

Assim, Pereira (1990) esclarece:

“A angústia é uma reação a uma situação de perigo. O ego atua para evitar essa situação ou para afastar-se dela; criam-se sintomas para evitar a angústia ou, mais especificamente, para evitar a situação de perigo assinalada pela angústia….
A castração pode ser demonstrada na experiência da perda do seio no desmame do bebê, ou no cotidiano da perda das fezes que se separam do corpo. Mas a experiência de morte é inédita e nada que se possa experienciar se assemelhará a ela.
Assim, o medo da morte deve ser considerado como análogo ao medo da castração; a situação à qual o ego está reagindo é de ser abandonado pelo superego protetor, ficando à mercê dos perigos que o cercam.” (pg. 45)

Paulo encontra uma forma de manifestar sua agressividade e hostilidade. Através das espadas, seu ódio era colocado para fora. Quando ele batia com força, ela dizia: “Nossa… está bravo? Porque está com raiva? Não faça assim… cuidado… assim machuca… você quer machucar a mamãe?” Dizendo isto, a mãe deixava claro que ele podia destruí-la (o objeto amado!).

Conforme Pereira (1990) destaca, segundo Melanie Klein, a angústia provém da falta de defesas da criança frente à pessoa de sua mãe e do temor de ter destruído alguém de quem depende, por projeção de impulsos sádicos. Contudo, “brigar” e “lutar” com a mãe lhe traria a diferenciação, já que poderia perceber que seu ódio não destruía o objeto amado. A diferenciação era algo desejado, mas temido, e a mãe precisava “autorizá-lo” a fazer isso.

A minha conduta, de não focar atenção em Paulo e me vincular à sua mãe tinha o intuito de não pressioná-lo e não aumentar ainda mais suas defesas. Era assustador para ele se vincular a outra pessoa que não a mãe. Exemplo disso é quando Paulo deixava transparecer que gostava de vir para as sessões e a mãe complementava “ele conta os dias para chegar na 5ª feira”, ficava muito bravo e logo dizia que queria ir embora. Clarificava para a mãe, ao final de todas as sessões, o que tinha acontecido, o comportamento dele, inclusive o dela, principalmente quando tentava nos deixar a sós. Quando ela tenta me incluir na relação desta maneira, deixava-o no desamparo.

Em relação ao desenho que Paulo me entrega no final da última sessão (um peixe e um tubarão), considero que estava deixando comigo “seus bichos”, que poderiam devorar e destruir! A meu ver, estava aí estabelecido o nosso vinculo. A total e categórica “castração” que Paulo me fazia sentir nos atendimentos foram, aos poucos, sendo minimizados. Desta forma, ele pôde ver que seus impulsos não eram destrutivos. Posso supor que logo não precisaria mais que a mãe fosse o nosso meio de comunicação.

Quando a mãe anuncia o término dos atendimentos, ficou muito claro para mim que não estava suportando ver Paulo crescer. Eu estava estimulando a diferenciação. Era preciso castrá-lo, porém, ela castra a mim!!!… e haja ego para suportar a angústia diante de tanta castração!!

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Pereira, Maria Luiza D’Ávila (1990). Da angústia ou de quando indicar análise a uma criança. São Paulo: EDUC: Cortez; Curitiba: UFPR

* Psicóloga clínica com especialização em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de São Paulo, atuando em consultório particular no atendimento a crianças, adolescentes e adultos.

Álcool

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Para grande parte das pessoas, droga é somente aquela substancia cujo consumo é ilícito, no entanto, é importante lembrar que existem as drogas licitas como o álcool. O álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central, ou seja, ele atua no cérebro diminuindo, lentificando seu funcionamento.
Seus efeitos podem ser divididos em 2 momentos distintos:
No 1º momento o álcool age como um estimulante, deixando a pessoa eufórica, desinibida, falante e com sua auto – crítica diminuída.
No 2º momento o álcool age como um depressor da atividade cerebral, acarretando com isso, falta de coordenação motora, fala pastosa, lentificaçao dos reflexos, sonolência e prejuízos na capacidade de raciocínio e concentração.
Estes efeitos dependem da quantidade de álcool que o individuo bebe. Doses moderadas de álcool podem provocar sensação de bem estar, relaxamento e desinibição. Mas com o aumento das doses, os reflexos ficam prejudicados e você pode se envolver em acidentes.
No organismo humano, o uso crônico de álcool provoca diversos problemas tais como: aumento da pressão arterial, pancreatite, hepatite e cirrose alcoólica alem de distúrbios neurológicos graves, alterações de memória e lesões no sistema nervoso central.
O uso regular de álcool faz com que o individuo se torne “tolerante” a muito de seus efeitos. A tolerância é a necessidade de quantidades cada vez maiores para se ter o mesmo efeito, esta é uma característica de onde começa o alcoolismo.
Aspectos históricos:
Toda a historia da humanidade esta permeada pelo consumo de álcool. Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 A.C., sendo portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substancia divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do habito de beber ao longo do tempo. Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como por exemplo o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pêlos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas na sua forma destilada. Nesta época, este tipo de bebida passou a ser considerado como um remédio para todas as doenças, pois ”dissipavam as preocupações mais rapidamente do que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alivio mais eficiente da dor”, surgindo então a palavra whisky (do gálico “usquebaugh”, que significa “água da vida”). A partir da Revolução Industrial, registrou-se um grande aumento na oferta deste tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, conseqüentemente, gerando um aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema devido ao uso excessivo de álcool.

Alcoolismo

O individuo que ingere bebidas alcoólicas, de modo excessivo, pode desenvolver ao longo do tempo a dependência do álcool. Abaixo seguem alguns sinais que demonstram quando o consumo está evoluindo para a dependência.
• Aumento da freqüência de consumo e da quantidade consumida.
• Tolerância.
• Forte desejo de beber.
• Dificuldade para controlar o consumo.
• Abandono de outros interesses em favor do uso.
• Aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado horas sem beber (síndrome da abstinência).
Hepatites relacionadas ao álcool
Mais de 2 milhões de americanos sofrem de doenças do fígado relacionadas ao álcool. Alguns desenvolvem hepatite alcoólica ou inflamação do fígado, como resultado de bebida intensa por longo – prazo. Seus sintomas são febre, icterícia (amarelamento exagerado da pele, olhos e urina escura) e dor abdominal. A hepatite alcoólica pode levar à morte se o individuo continuar a beber. Se ele parar de beber, esta situação é frequentemente reversível. Cerca de 10 a 20 % de bebedores pesados desenvolvem cirrose alcoólica ou degeneração do fígado. A cirrose alcoólica pode levar à morte se continuar a beber. Embora a cirrose não seja reversível, em se parando de beber, a chance de sobrevivência e a qualidade de vidada pessoa melhoram consideravelmente. Os acometidos de cirrose, frequentemente, sentem – se melhor e o funcionamento do fígado pode ate melhorar caso não bebam nada. Embora o transplante de fígado seja necessário como um ultimo recurso, muitas pessoas com cirrose que param de beber talvez nunca precisem fazer transplante. E ainda, existe o tratamento para as complicações caudas pela cirrose.
Cardiopatias 
Beber moderadamente pode trazer efeitos benéficos ao coração, especialmente entre aqueles com maior risco para ataques cardíacos, como homens acima de 45 anos e mulheres após a menopausa. Entretanto, quantidades maiores que as moderadas, consumidas por anos, aumentam o risco de hipertensão, cardiopatias e alguns tipos de derrame.
Câncer
Quantidades maiores de bebidas alcoólicas a longo prazo aumentam o risco do desenvolvimento de certos tipos de câncer, especialmente no esôfago, boca, garganta e cordas vocais. As mulheres tem um risco ainda maior de desenvolver câncer de mama se beberem dois ou mais drinques por dia. A bebida também pode aumentar o risco de câncer de intestino.
Pancreatite
O pâncreas é o órgão que ajuda a regular os níveis de açúcar no corpo, produzindo insulina. O pâncreas também desempenha papel importante na digestão de diversos alimentos. Bebida intensa no longo – prazo pode levar à pancreatite. Os sintomas são dor abdominal aguda e perda de peso, podendo até ser fatal.

Abuso de álcool

O abuso de álcool é diferente do alcoolismo porque não inclui uma vontade incontrolável de beber, perda do controle ou dependência física. E ainda, o abuso de álcool tem menos chances de incluir tolerância do que o alcoolismo. O abuso de álcool está definido como sendo o padrão de beber acompanhado por uma ou mais destas situações ( dentro de um período de 12 meses) :
• Fracasso nas responsabilidades no trabalho, na escola ou em casa;
• Beber em situações fisicamente perigosas, como enquanto dirige ou opera maquinas; 
• Ter problemas legais devido ao álcool, como ser preso por dirigir alcoolizado ou por ter causado lesões em alguém enquanto alcoolizado;
• Continuar a beber apesar de ter problemas de relacionamento causados ou agravados pelos efeitos do álcool.
Enquanto o abuso de álcool é basicamente diferente do alcoolismo, é importante notar que muitos efeitos do abuso de álcool também são demonstrados por dependentes de álcool.

Álcool e Trânsito

O consumo de álcool, mesmo que em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos. Vários estudos indicam que grande parte dos acidentes são provocados por motoristas que estavam alcoolizados.
Mesmo que você preste muita atenção e tome cuidado, seu organismo estará funcionando com os reflexos retardados, quer dizer, sua reação para brecar ou desviar o carro vai ser mais lenta.
De acordo com o nosso Código de Trânsito será penalizado o motorista que apresentar mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue, isto equivale a 2 doses de uísque ou 2 copos de vinho ou 2 copos ou 2 latas de cerveja de 
300 ml. A alcoolemia é o teor de álcool no sangue que varia dependendo da altura, peso e sexo de quem bebeu. Os mesmos dois copos de cerveja podem significar alto risco acidente e multa para uma pessoa e não muito problema para outra. A infração, neste caso, é considerada gravíssima com uma multa de R$ 865,00 alem de perder 7 pontos na carteira de habilitação e dependendo da situação, apreensão do veiculo e suspensão do direito de dirigir. A checagem da infração é feita através do bafômetro que é a maneira mais eficaz de detectar a alcoolemia.

Álcool e Gravidez

O consumo de álcool durante a gravidez expõe o feto aos efeitos do álcool, principalmente no inicio da gravidez. Mulheres que consomem 2 a 3 doses de bebida alcoólica por dia tem 11% de chance de ter uma criança com Síndrome Fetal pelo álcool, ou seja, com deformidades faciais e da cabeça, anormalidades labiais, deficiência de crescimento, problemas cardíacos, retardo ou déficit mental gerando problemas de aprendizado no futuro. O consumo de 4 ou mais doses diárias, aumenta o risco para 20%.

Álcool e envelhecimento

Pesquisas sugerem que adultos mais velhos bebem menos e são menos propensos a abusar de álcool do que adultos mais jovens ( National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism [NIAAA], 1998). Como em outras faixas etária, homens de idade são mais propensos a beber regularmente do que as mulheres de idade, mas as mulheres que bebem regularmente tendem a beber em demasia tanto quanto os homens( Wattis e Seymour, 1994).
Além dos danos que o álcool pode causar em qualquer idade ele é especialmente perigoso para os adultos mais velhos. A sensibilidade ao álcool e a suscetibilidade à intoxicação parecem aumentar com a idade; assim, pessoas de mais idade podem ser incapazes de tolerar a quantidade de bebida que costumavam consumir. O álcool pode ter interações danosas com as medicações. Ele aumenta os riscos de depressão e de suicídio, alem de aumentar o risco de colisão para o motoristas mais velhos.
O uso intenso de álcool pode acelerar os efeitos normais do envelhecimento e causar perda prematura ou redução do tecido cerebral. Alterações no cerebelo relacionadas com o álcool podem contribuir para a instabilidade no equilíbrio. 
O álcool também pode aumentar o risco de quedas e de fraturas nos quadris, diminuindo a densidade óssea ( NIAAA,1998). Adultos mais velhos com problemas com álcool respondem ao tratamento ao menos tão bem quanto adultos mais jovens, especialmente se o consumo problemático começou em idade avançada ( Atkinson, Ganzini e Bernstein, 1992; Horton e Fogelman, 1991; NIAAA, 1998).

Miopia Alcoólica

O míope é aquele que consegue enxergar muito bem de perto, mas tem dificuldade de enxergar de longe.
O termo miopia alcoólica foi criado exatamente para descrever os efeitos do álcool no raciocínio ou no processo de aprendizagem de quem bebe: sob o efeito do álcool, as pessoas tendem a enxergar muito bem a realidade imediata, mas tem muita dificuldade de enxergar longe, ou seja, de antecipar conseqüências futuras de suas reações no presente.
A “miopia alcoólica” explica muitas relações sexuais sem proteção para prevenir a gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis. Sob efeito de bebidas, a realidade imediata da atração física predomina e as conseqüências futuras de uma gravidez indesejada ou contaminação de doenças não são processadas mentalmente como algo significativo. 

Teor alcoólico

As bebidas variam quanto à quantidade de álcool puro que contêm. Segue abaixo o teor alcoólico aproximado de cada tipo de bebida:

Cerveja e Chope – 4% a 6%
Vinho – 12%
Licores – 15% a 30%
Destilados – 45% a 50%. 
Recursos Comunitários
Centro de informações/ orientação/ atendimento

•SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas
Palácio do Planalto – Anexo ll – Sala 267
CEP: 70.150-901 – Brasília – DF
Central de atendimento – 0800-614321
www.senad.gov.br
• Conselhos Estaduais de Entorpecentes/ Antidrogas
– CONEN’s/ CEAD’s
• Conselhos Municipais de Entorpecentes/ Antidrogas
– COMEN’s/ COMAD’s
www.obid.senad.gov.br
• Conselhos Tutelares
• Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDCA
• Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA 
• Conselho Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente – CONANDA
www.presidencia.gov.br/sedh
• Secretaria Estadual de Saúde
Conselho Estadual da Saúde
Secretaria Municipal de Saúde
Conselho Municipal de Saúde
www.conselho.saude.gov.br
• Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas – CAPSad
Disque Saúde: 0800 61 1997
www.saude.gov.br
• Agencia de Noticias dos Direitos da Infância
www.andi.org.br
• Alcoólicos Anônimos
Central: Av. Senador Queiroz, 101, 2º andar, cj 205
Caixa Postal 3180 São Paulo CEP 01060-970
Tel: (11) 3315-9333
www.alcoolicosanonimos.org.br
• Al-Anon e Alateen (Grupos Familiares do Brasil)
www.al-anon.org.br
• Narcóticos Anônimos
Central: (11) 5594-5657
www.na.org.br
• Amor – Exigente (para pais e familiares de usuários de drogas)
Para todo o Brasil: (0xx19) 3252-2630 (Secretaria Nacional – Febrae)
www.amorexigente.org.br 

Leituras recomendadas

•Doces Venenos: Conversas e desconversas sobre drogas. Lídia Rosenberg Arantangy. São Paulo: Olho D’ Água, 1991.

•123 Respostas Sobre Drogas – Coleção Diálogo na Sala de Aula. Içami Tiba. São Paulo: Editora Scipione, 2003.

•Liberdade é poder decidir. Maria de Lurdes Zemel, FTD, 2000.

•Depois Daquela Viagem. Valeria Piassa Polizzi. Editora: Àtica, 2003.

Filmes

•A corrente do bem, 2000.
Direção: Mini Leder

•Diário de um adolescente, 1995.
Direção: Scott Kalvert

•28 dias, 2000.
Direção: Betty Thomas

•Quando um homem ama uma mulher, 1994.
Direção: Luis Mandoki

Curiosidades

Existe um padrão sensato para se beber, o ideal é você beber de modo que isto não afete sua saúde, suas ocupações diárias e sua segurança ou a dos outros.
Não é aconselhável você beber para enfrentar situações desagradáveis, para fazer coisa que considera difícil ou para se embriagar. O aconselhável é você regular sua bebida para evitar a intoxicação servindo – a em forma de doses, diluindo – a ao invés de bebê – la pura, beber pausadamente, alternar bebidas alcoólicas com não alcoólicas, evitar beber de estomago vazio e não beber diariamente.
O álcool mata mais do que todas as drogas ilegais juntas pois ele causa desde de cirrose hepática a ataques cardíacos.
A bebida aumenta o desejo sexual mas estraga o desempenho. É importante lembra que um “drink” pode te ajudar a relaxar e / ou sentir –se mais desinibido, mas não é um afrodisíaco ou uma poção mágica. 
Depois da bebedeira nem o café ou o banho frio ajudarão a fazer você ficar sóbrio, isto é uma questão de tempo. Sendo o fígado o órgão responsável pela modificação do álcool em outras substancias, o café e o banho frio somente vão te manter acordado, molhado porém ainda bêbado.
As mulheres costumam ser menos resistentes a bebidas alcoólicas do que os homens pois ela possuem maiores concentrações de gorduras e menos quantidade de água no corpo, do que os homens. E como o álcool é amplamente distribuído para os compartimentos aquosos do organismo, com menos água no corpo para diluir o álcool , a níveis de álcool no sangue e seus efeitos são maiores nas mulheres.

Entrevista com a profissional da área

Nome da profissional: Mara Cristina Ferreira Plati
Idade: 34 anos
Formação: Psicóloga, especialista na área de álcool e drogas na Universidade de Guarulhos – UNG
Tempo de carreira: 2 anos
Tempo de atuação na área: 1 ano
Instituição em que atua: Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
Departamento de Psicologia/ Departamento de Psiquiatria/ Departamento do Sol: UDED – Unidade de Dependência de Drogas.

Questionário feito a profissional

Geralmente qual idade as pessoas começam a abusar do álcool?
“Hoje em dia as pessoas começam a beber na adolescência em conseqüência das “baladas”, porém o alcoolismo só começa a se manifestar de 10 a 15 anos depois pois o álcool é uma droga que demora a se instalar no organismo.
Os profissionais dividem o abuso do álcool, dependência e abuso de drogas em critérios do DSN4, que é um código que lida com doenças onde eles pegam um nº de série e vêem o que a pessoa tem e depois eles dividem o tratamento entre as pessoas que abusam e as que são dependentes.”
Qual o tipo de bebida que é mais utilizado?
“Os adolescentes de classe média – alta usam muito a mistura de bebidas destiladas com energético, mas o tipo de bebida utilizado depende muito da classe social a qual a pessoa pertence.”
Qual o motivo para a pessoa começar a abusar do álcool?
“O motivo é biopsicossocial, BIO – Genética, que é quando os pais já eram alcoólatras e o filho também se torna alcoólatra pois o alcoolismo já está no “sangue”, PSICO – Psicológica, que é quando usam o álcool como fuga dos problemas e SSOCIAL – Social, que é quando a pessoa sofre influencia dos pais, amigos ou o ambiente onde vive.”
Qual a maneira mais eficaz para não ser dependente do álcool?
“ A maneira mais eficaz é identificar os fatores de risco para a pessoa abusar do álcool. Exemplo: A pessoa está triste e usa mais quantidade de álcool, então o fator de risco é a tristeza ou a pessoa bebe sempre aos sábados em um bar com os amigos, portanto o fator de risco nesse caso é a rotina da pessoa sair sempre aos sábados para beber. A partir daí formamos estratégias para a pessoa diminuir a quantidade de álcool consumido.” 
O seu objetivo como psicóloga é fazer os indivíduos regenerarem suas vidas em relação a dependência do álcool?
“O uso do álcool é um comportamento aprendido então o meu objetivo como psicóloga é fazer a pessoa “desaprender” a usar o álcool, ou substituir a função do álcool na vida da pessoa por outra coisa ou eliminar a função dele.”

Quais os casos mais importantes da sua carreira?
“Um dos casos que mais marcou minha carreira foi o de um senhor de 52 anos que estava em um padrão de não ser dependente mas quando ele tinha problemas pessoais se entregava a bebida, mas só se intensificou quando sua namorada terminou um relacionamento de 6 anos, suas crises eram geralmente de 2 em 2 meses onde ele ficava 4 dias bebendo, se machucava, brigava, pois já não tinha consciência de seus atos. Bastava ele se sentir só que essa crise acontecia novamente, e ele era uma pessoa de boa aparência e condição monetária estável, outro caso foi de uma mulher de 40 anos que era rica e desde sua adolescência acostumou – se a beber todos os dias com seus pais, depois que se casou ela teve consciência de que estava dependente do álcool então ela perdeu o marido e sua fortuna, hoje ela mora em um cortiço, está desempregada, com problemas no fígado, pressão alta e síndrome do pânico, porém está em tratamento e já está abstinente a 3 meses.” 
Você espera algo surpreendente ao decorrer do seu trabalho como psicóloga nessa área?
“Eu espero que todos os meus pacientes se recuperem, como uma forma de conquista pessoal, onde já tive alguns sucessos como o caso de um rapaz de 22 anos que aprendeu a usar o álcool com o pai e após o tratamento comigo ele já está a 1 ano sem abusar do álcool, então isso é como uma vitória para mim.”
Qual o tratamento mais adequado para quem possui a dependência do álcool?
“A mais adequada é a terapia comportamental, onde eu escolhi essa área por este motivo e nela trabalhamos em conjunto com um psiquiatra pois é ele quem administra os remédios para o tratamento das pessoas dependentes pois ela geralmente tem problema de pressão, ansiedade e entre outros sintomas causados pela abstinência e outra forma eficaz para o tratamento é a terapia comportamental coletiva – TCC, porém na psicologia nada é genérico porque o tratamento varia de pessoa para pessoa.”

Informações da Instituição

Histórico
A UDED (Unidade de Dependência de Drogas), setor da Disciplina de Medicina e Sociologia do Abuso de Drogas (DIMESAD) do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP, coordenado inicialmente pela Profa. Dra. Jandira Masur, iniciou suas atividades de pesquisa clínica em 1988. A UDED foi criada com a finalidade de promover pesquisas básicas e clínicas na área de abuso e dependência de drogas e assistência a usuários com problemas. Os projetos de pesquisa visam, fundamentalmente, avaliar a efetividade de diferentes técnicas empregadas no diagnóstico e tratamento de dependentes de álcool e/ou outras drogas, aperfeiçoamento e/ou desenvolvimento de novas metodologias e instrumentos e promoção da formação de recursos humanos, através da capacitação e do suporte técnico aos profissionais da área.
A partir de 1990, a UDED passou a ser coordenada pela Profa. Dra. Maria Lucia O. Souza Formigoni. A UDED, juntamente com o CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), outro setor da DIMESAD do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP, foi considerada Centro de Excelência do CONFEN (Conselho Federal de Entorpecentes) em 1989. Em 1999, com a extinção do CONFEN e a criação da Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, o Departamento de Psicobiologia (UDED e CEBRID) passou a ser considerado um dos Centros de Excelência da SENAD.
O primeiro projeto desenvolvido na UDED, “Avaliação da Efetividade da Técnica de Intervenção Breve”, foi realizado em parceria com o Addiction Research Foundation, centro de pesquisas ligado à Universidade de Toronto, Canadá, atualmente CAMH (Centre for Addiction and Mental Health). A finalidade era testar e avaliar, no Brasil, a efetividade daquele tipo de intervenção no tratamento de dependentes de álcool e outras drogas. O projeto foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar que incluía médicos, psicólogos, biomédicos, enfermeiras e outros profissionais da área de saúde.
O histórico detalhado do projeto, assim como seus resultados e conclusões, foram publicados no livro “A Intervenção Breve na Dependência de Drogas – A Experiência Brasileira”. Os resultados dessa primeira avaliação levaram ao desenvolvimento de vários projetos no sentido de se fazerem adaptações da técnica inicial à realidade de nossa população e avaliar sua efetividade. 

Filosofia
A equipe da UDED considera a dependência de álcool e outras drogas um comportamento aprendido, que sofre influências biológicas, psicológicas e sociais, e que é passível de modificação. Este processo de mudança é facilitado pela intervenção de profissionais de saúde devidamente treinados, sendo essencial a participação ativa do paciente. No tratamento, é proposta uma abordagem dos problemas relacionados ao uso de álcool e/ou outras drogas, com a utilização de técnicas cognitivas e comportamentais. Como a inclusão da família no tratamento é considerada importante no processo de recuperação, ela é convidada a participar, tanto na fase de diagnóstico como durante o tratamento. Essa participação se dá em sessões de orientação, nos casos de terapia individual, ou em psicoterapia familiar.

Assistência: 
É oferecida a pessoas com abuso ou dependência de drogas, que se disponham voluntariamente a participar de tratamento ambulatorial. Inclui acompanhamento psiquiátrico e terapêutico, individual ou familiar. 

Tratamento 

Seleção telefônica: primeiro contato do paciente com a instituição. 


Admissão: após a seleção telefônica, os pacientes, juntamente com seus familiares, são convidados para participar dos Grupos de Acolhimento para falar de suas expectativas, receber informações sobre todo o processo de tratamento e orientações.
Em seguida, são agendadas a entrevista com o Serviço Social e as consultas para diagnóstico clínico psiquiátrico e desintoxicação. Posteriormente, é feito o diagnóstico familiar e iniciado o tratamento, que pode ser intervenção breve, terapia cognitiva breve individual ou familiar. 

Fases do tratamento: Avaliação inicial: A fase inicial de diagnóstico e desintoxicação dura cerca de 1 mês e é constituída por duas entrevistas semanais, com 1 hora de duração cada uma, com um psiquiatra. Nessa fase também é realizada uma entrevista social para avaliação sócio-econômica, orientação para procura de trabalho e lazer, de acordo com as necessidades e condições do paciente. Também é elaborado um diagnóstico familiar, pela equipe de terapeutas. Este se constitui de entrevistas específicas e da aplicação de instrumentos para avaliação do funcionamento familiar. Os resultados são discutidos posteriormente com as famílias e servirão como diretrizes para o planejamento do tratamento. A proposta de tratamento, individual ou familiar, é baseada nos resultados da avaliação e na disponibilidade de paciente e familiares em participar. Também são realizadas duas sessões de orientação aos familiares para que exponham suas percepções do problema e de que forma poderão colaborar com o tratamento.
Terapia: O foco do tratamento é a mudança de hábitos relacionados ao consumo de álcool e/ou drogas. O tratamento tem a duração de 16 sessões, distribuídas em 5 meses: 12 sessões semanais (3 meses) e 4 sessões quinzenais (2 meses). As sessões individuais têm duração de 1 hora cada e as de terapia familiar, 1h30min. 

Marcação de Consulta: O paciente deve procurar o serviço, por telefone, e marcar a participação no Grupo de Acolhimento. Considera-se que já há um envolvimento do paciente com sua recuperação quando é ele quem tem a iniciativa para buscar o tratamento. Telefone: (11) 5549-2500, horário comercial

Consultoria e Supervisão:

A UDED conta com profissionais capacitados para fornecer consultoria e supervisão a escolas e empresas interessadas em desenvolver projetos de prevenção às drogas. 
Os projetos são propostos a partir de um levantamento das demandas características de cada local e se desenvolvem com a formação e instrução de equipes multiplicadoras, que são constituídas por indivíduos das comunidades. O serviço também é oferecido a grupos de profissionais atuantes na área de dependência, que desejam orientação ou capacitação para avaliação do trabalho desenvolvido ou para elaboração de novos serviços de assistência, em seus locais de origem.

Colaboração com outras instituições:
A UDED desenvolve pesquisas em parceria com outros órgãos, no Brasil e no exterior, tais como:
• Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Paraná
Dra. Roseli Boerngen de Lacerda [email protected]

• CAMH – Centre of Addiction and Mental Health – Toronto, Canadá
Dr. Saulo Castel [email protected]

• OMS/PSA – Program on Substance Abuse – Organização Mundial da Saúde
Dra. Maristela Goldnadel Monteiro [email protected]

• SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas – www.senad.gov.br

Bibliografia

– Folheto desenvolvido pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED) do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
– www.unifesp.br/dpsicobio/uded 
– www.al-anon.org.br
– www.senad.gov.br
– www.obid.senad.gov.br
– www.presidencia.gov.br/sedh
– www.conselho.saude.gov.br
– www.saude.gov.br
– www.andi.org.br
– www.alcoolicosanonimos.org.br
– www.na.org.br
– www.amorexigente.org.br

Álcool
Ir e vir… mas não a cair!
Diga não ao álcool!
Álcool, não! Porque é uma intoxicação.
A noite não se esgota numa bebida.
Agarra a vida. Não bebas.
Antes de beber, pense no que vai fazer!
Conduzir ou beber, há que escolher!
Se conduzir, não beba.
Diga não ao álcool.
Não penses que o álcool te vai ajudar e aos problemas deixar!
Álcool é uma droga!

Álcool
Ir e vir… mas não a cair!
Diga não ao álcool!
Álcool, não! Porque é uma intoxicação.
A noite não se esgota numa bebida.
Agarra a vida. Não bebas.
Antes de beber, pense no que vai fazer!
Conduzir ou beber, há que escolher!
Se conduzir, não beba.
Diga não ao álcool.
Não penses que o álcool te vai ajudar e aos problemas deixar!
Álcool é uma droga!

Curso de Licenciatura em Pedagogia

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 
2 RELATÓRIO DOS COMPONENTES CURRICULARES E PRÁTICA DOCENTE 
2.1 PRDUÇÕES PSICO-PEDAGÓGICAS
2.2 FUNDAMENTOS EDUCACIONAIS
2.3 CONTEÚDOS DE ENSINO APRENDIZAGEM
2.4 METODOLOGIAS DE ENSINO
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
REFERÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO

A educação é reconhecida como um das esferas mais importantes para o desenvolvimento de uma nação, assim é notório que quanto mais se investe na área, mais o país tende a progredir; a constituição brasileira estabelece que educação seja direito de todos, mas sabemos que a luta para que esta aconteça efetivamente e positivamente é dever de todo o cidadão que almeja por melhores condições de vida. Deste modo, várias são as teorias que infundi o mundo acadêmico para uma perspectiva de formar cidadãos preparados e realizados. Baseando-se nestas e no atual quadro educacional brasileiro seguiu o nosso curso, enfocando também fundamentos sobre a real prática pedagógica. Para tanto, principiouse, sobre a finalidade da educação dentro do nosso contexto social, econômico e cultural. 
Assim este presente trabalho denominado como Relatório Final do Curso de Formações de Professores, tem como objetivo principal desenvolver uma síntese de toda a trajetória do Curso de Pedagogia, elaborados como requisito parcial à conclusão de curso na Universidade Estadual Vale do Acaraú. Este está sistematizado a partir de trabalhos práticos, experiências e acontecimentos vividos pelas alunas Inglésia Maria da Silva Sousa, Jeane Matias Cabral e Karla Tatiana Rodrigues de Oliveira.
Foram três longos anos de dedicação. Apresentamos aqui apenas um resumo das questões centrais de cada disciplina estudada de acordo com seu campo teórico, agrupados como: Produções Psico-pedagógicas, Fundamentos Educacionais, Conteúdos de Ensino-Aprendizagem e Metodologias de Ensino. Assim, de acordo com cada campo teórico e seus componentes curriculares será fundamentado o nosso Trabalho de Conclusão de Curso. Neste vamos retratar todo percurso vivido como aprendiz da na arte de educar, uma forma de ligação entre teoria e prática.
Quanto às práticas de ensino (em anexo), estas compõem todo o nosso processo de ensino e aprendizagem. Aqui serão abordadas como produções propostas que nos permitiu construir uma grande bagagem teórica e uma verdadeira prática contínua. Utilizaremos as práticas traçando um paralelo entre as teorias existentes e também as experiências obtidas no decorrer do ofício como docente.
Ao longo deste relatório estará descrita a importância do compromisso que o docente tem para com o pleno exercício de educar. Destacando também a problemática assistida na educação e as nossas expectativas a favor de um ensino centrado no aluno, especialmente no que se refere à busca por um profissional integrado. Segundo o nosso objeto de estudo este será o docente esperado pelo aluno, aquele que reúne teoria e prática e tem como prioridade sua formação contínua.
Nosso TCC finaliza destacando a importância do curso pedagógico e as razões que nos motivou chegar até o final; descreveremos as perspectivas almejadas como educadoras, ressaltando o quanto pode ser favorável aprofundar outras linhas de atuação para que o nosso ofício torne-se valorizado e respeitado por todos. 

2 RELATÓRIO DOS COMPONENTES CURRICULARES E PRÁTICA DOCENTE.

2.1 PRODUÇÕES PSICO-PEDAGÓGICAS

Nas produções psico-pedagógicas estará enfatizada todo o conhecimento adquirido e proposto das diferentes ciências humanas, ou seja, tudo que foi compreendido sobre os variados processos ao aprender humano, no decorrer do curso. Para tanto, faz-se necessário a integração e síntese das disciplinas a seguir: Didática e Metodologia do Ensino Fundamental, Psicologia da Infância e da Adolescência, Psicologia da Aprendizagem e Orientação Educacional.
A disciplina que iniciamos o nosso relato é designada como Didática e Metodologia do Ensino Fundamental, que tinha como especialista Glenda Bezerra da Silveira. A didática como uma produção psico-pedagógica teve como meta inicial conscientizar a fim de retificar sobre os modos metodológicos de ensino antigos, ou seja, fórmulas pedagógicas ultrapassadas para que estas sejam melhoradas segundo falhas que obtiveram no aproveitamento de aprendizagem do aluno. Esta disciplina foi posta como a arte de ensinar. Tudo o que foi exposto, teve o objetivo de transformar o que não era interessante para o aluno em algo prazeroso e que assim fizesse com que ele aprendesse realmente.
A professora se embasou na comparação de planejamentos de ensino designados como: tradicional e renovado. O primeiro consistia em um apego aos artifícios de ensino que eram dados antigamente, estes eram procedimentos rígidos, onde o professor dava a matéria e o aluno era apenas o ouvinte. Não existia nenhuma hipótese de adaptar os conteúdos a realidade e as especificidades dos alunos, ou seja, as diferentes dificuldades de aprendizagem e também as características de personalidade do aluno (timidez, egocentrismo, etc.). É sabido que o aluno ao passar por dificuldades ao aprender, se retraia, pois não tem espaço para manifestar suas diferenças, assim fica com dúvidas e não aprende. 
O planejamento renovado consiste em uma metodologia melhorada, onde foi tentado corrigir os erros do método tradicional de ensino. Essa metodologia tenta fazer uma análise do aluno e tudo o que lhe circunda. Esta vê o aluno como resultado do conjunto, formado pela família, escola e sociedade. E é na escola que este vai reconhecer-se como pessoa, uma vez que, teve seu espaço e atenção articulada como ser único. Então o ser humano por ser diferente, aprende de forma diferente. Renovar vem proporcionar a idéia acima, como uma proposta de rejuvenescimento e modernização. 
Em todas as didáticas aplicadas no ensino fundamental cada uma delas tem um modo peculiar e característico de aplicação de conteúdo, metodologia e avaliação. E todos estes foram nos apresentados como opções para melhor estudarmos e elaborarmos um plano de aula a partir da vivência e realidade de cada aluno. De modo que, identifique e justifique a abordagem de ensino elegida para construção do referido plano de aula.
Outro campo do conhecimento estudado foi à disciplina de Psicologia da Aprendizagem regida pela professora Virginia Teles Carneiro esta trouxe como foco geral o processo de aprendizagem do ser humano e todas as teorias praticadas por estudiosos do assunto. Primeiro foi dado o conceito de aprendizagem com amplos significados no que se refere a ensinar e a aprender. Na disciplina anterior a esta estudarmos os períodos e estágios do desenvolvimento infantil de acordo com a teoria de Piaget. Agora é neste campo que vamos conhecer os diferentes conceitos estabelecidos por especialistas de diferentes concepções a respeito do ser humano ao longo da história.
O professor ao se conectar com o aprender do aluno, ele grava como o aluno aprendeu, ou seja, passo a passo da sua compreensão de teoria na prática. Devido a tais observações postas com conceitos empíricos, decorreu ao longo dos estudos uma retificação de conceitos de aprendizagem aonde se chegou às abordagens do ensino- aprendizagem.
As abordagens foram classificadas em: comportamentalista que define ser humano como desprovida totalmente de essência pessoal podendo ser facilmente moldado para adequar-se a uma sociedade melhor como um remédio para o mau comportamento; abordagem humanista enaltece o indivíduo como responsável pelo seu próprio desenvolvimento pessoal e controlador de suas condições orgânicas do ser humano e sua identificação com o meio; abordagem histórico-cultural se baseia na teoria de Vygotsky, que concluiu que toda aprendizagem do indivíduo é a relação de conhecimento delas em uma interação total com o mundo em que vive.
Todas essas abordagens foram endossadas, contextualizadas e confrontadas pelo pensar crítico Paulo Freire.
As dificuldades de aprendizagem e suas teorias serviram de base para o estudo atual do fracasso escolar e suas possíveis soluções.
Na disciplina Psicologia da Infância e da Adolescência regida pela professora Maria de Lourdes. Esta enfatizou e direcionou o estudo de suas aulas, nas teorias de Jean Piaget, que pesquisou sobre todo o comportamento Infantil segundo as interferências hormonais e de maturidade de cada criança. Ela também deu uma atenção especial a parte da teoria que diz que apesar de toda criança se encaixar em uma fase, onde está pronta para desenvolver certas atividades, toda sua potencialidade já vem estabelecida geneticamente.
Os principais estágios dessa teoria são: sensório motor (de 0 a 2 anos aproximadamente) que descreve o conhecimento adquirido pela criança pelo contato desta com o objeto; pré operatório (de 2 a 7 anos aproximadamente) que acrescenta a interferência humana com a construção do conhecimento da criança; operações concretas (de 7 a 9/12 anos aproximadamente); lógico formal (a partir de 12 anos aproximadamente) define a criança como capaz de trabalhar em atividades abstratas.
Outro autor adotado pela professora para o estudo sobre Psicologia Infantil foi Freud. Este tem todo um histórico de estudos teóricos sobre sexualidade humana, tanto a adulta como a infantil. Ele afirma que o indivíduo desde sua formação no útero já vem portado de sexualidade durante a infância e adolescência, traçará sua postura sexual futura.
Baseado nesses e em outros autores, a professora explicou os mecanismos da consciência, tentando conceituá-la. Esses estudos sobre como se dá a consciência são a consequência da formação da personalidade do indivíduo.
Todos os aspectos psicológicos do desenvolvimento da criança foram pelo menos citados; Desde psicomotor, onde a criança se desenvolve física e mentalmente de acordo com a sua prontidão para assim passar de um conhecimento para o outro, até todos os problemas de ordem psicológica que afetam este indivíduo quando entra na puberdade: mudanças físicas e suas consequências, dramas dessa fase, e fatos acontecidos durante a infância que puderam complicar ainda mais essa fase.
Por fim a professora fez um estudo sobre crianças com necessidades educativas especiais: hiperatividade; deficiência visual; retardo mental; deficiência auditiva; deficiência física; deficiências múltiplas; condutas típicas; altas habilidades. Esse estudo culminou nas crianças ou alunos com distúrbios e necessidades educativas especiais. Nos últimos anos foram levantados dados sobre o assunto e concluído que é preciso atender essas crianças, melhorando o conhecimento dos docentes em relação a isso formando uma integração educacional com inclusão escolar dessas crianças.
Outra disciplina estudada foi Orientação Educacional regida pela professora Fabiana de Cássia Almeida que trouxe como ementa todo aparato que diz respeito a esta área, assim como: seus fundamentos, objetivos e evolução histórica. O objetivo principal da disciplina é refletir sobre a formação do educador frente à realidade educacional, além de ver este ofício sob uma perspectiva transformadora. 
Segundo assuntos estudados as concepções tradicionais a OE tem o papel de ajustar o aluno à escola, à família e à sociedade, para este torna-se cidadão. Na concepção progressista a OE estava presente como mediadora entre indivíduo e a sociedade, atuando na relação pedagógica da escola e promovendo as condições para que professores e alunos a efetivem.
A professora nos trouxe dados em relação ao ensino ainda deficiente do Brasil como: estudos da Fundação Getúlio Vargas afirmam que 35% das desigualdades sociais brasileiras podem ser explicadas pela desigualdade no ensino; de acordo com o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), o Brasil está sempre em último lugar em leitura, matemática e ciências; em 26 de outubro de 2006, a UNESCO publicou em seu relatório anual “Educação para Todos” colocou o país na 72º posição, em um ranking de 125 países e com a velocidade de desenvolvimento atual, o país só atingiria o estágio presente de qualidade dos países mais avançados em 2036.
Assim a professora complementou sobre o quanto a problemática é visível, pois a quantidade de teorias e práticas explicam o quanto a educação é complexa: formulações sucessivas e constantes modificações nas propostas pedagógicas vigentes, bem como os métodos de ensino. Então estas precisam ser compreendidas com bastante clareza para que não sejam aplicadas de forma errada. Para tanto é necessário conhecer, estudar e refletir sobre todos os caminhos que direcionam o ensino-aprendizagem.
Diante do contexto educacional atual ela nos orientou sobre a função do pedagogo ou estudante de pedagogia, pois este durante o processo ou na real prática diária passa a perceber que por excelência é um gerenciador no processo educativo. E sim precisam ser intermediário para que tal quadro negativo nao permaneça no cenário educacional. 
Por fim esta disciplina vem nos dar um alerta sobre o papel do pedagogo acerca de toda a problémática explícita no contexto escolar atual.
Todos os esforços da nossa professora se concentraram em mostrar a real função do orientador educacional que é a de integrar as diferenças sócio-cultural-econômica do aluno, ou seja, que faça com que o aluno não se sinta excluído pelas suas diferenças e que estas não interfiram no seu aprendizado. É este o papel do orientador harmonizar o aluno em todo o contexto escolar, abrangendo toda sua vida social.

2.2 FUNDAMENTOS EDUCACIONAIS

Neste campo teórico serão abordadas áreas do saber, que fundamentam a essência da educação e do processo educativo. São elas: Estrutura e Funcionamento da Educação Básica; Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação; Sociologia da Educação; Política Educacional; Currículos e Programas; Avaliação da Aprendizagem.
Na disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação Básica regida pela professora Marília Marques, que trouxe como objeto de estudo a educação básica brasileira desde a sua política, história, fundamentos e, principalmente, as concepções da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394). Foram apresentando também os princípios, finalidades, objetivos e rumos da educação além de indicar os alicerces e a estrutura de sustentação dos sistemas de ensino e funcionamento da educação escolar.
A princípio ela nos descreveu dois pontos sobre a história da educação no Brasil para logo assim entendermos sobre todo o funcionamento do sistema educacional atual: 
Desde o período jesuítico até a república nova o ensino brasileiro lidou com grandes rupturas em prol de uma melhor qualidade de ensino; 
A partir do Estado Novo foi que aconteceu o surgimento das primeiras iniciativas voltadas para educação popular, como a Lei de Diretrizes e Bases, que garantiu assim o direito à educação em todos os níveis, além de criar o Conselho Nacional de Educação, entidade que busca concertar deficiências dentro do cenário educacional.
Segundo a LDB em seu Capítulo II Art. 22 A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. A educação básica torna-se, dentro do artigo 4º da LDB, um direito do cidadão à educação e um dever do Estado de atendê-lo mediante oferta qualificada. 
A professora ressalta também a importância dessas leis, pois representam mudanças na manutenção e desenvolvimento da educação básica e, sobretudo na valorização dos profissionais da Educação. 
Baseada nestas leis ainda hoje segue programas e projetos voltados especificamente para cada problemática na educação. Muitos desses ainda desencontrados no que diz respeito as suas propostas.
Outro ponto levantado pela professora foi sobre o cumprimento das leis vigentes, ou melhor, se estas estão sendo executadas em nossas escolas; de forma que esta instituição esteja preparada para atender o aluno, para que este acompanhe as fortes mudanças que a sociedade vem passando nos últimos anos.
Para este fim ela falou sobre a organização e gestão do sistema escolar que zelam pela melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem dos alunos. Baseado nesta temática foi realizado nosso trabalho prático que consistiu em um levantamento de dados acerca da organização e gestão de uma escola privada e outra pública.
A partir de tais temáticas esta disciplina nos mostrou que a autonomia da escola não se constrói apenas com normas e regulamentos, mas com princípios e estratégias, amplamente discutidas com todos que fazem a escola.
A disciplina de Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação teve como professora regente a docente Glenda Bezerra da Silveira. Esta apresentou a especificidade da filosofia como um meio de o homem compreender e interpretar a universalidade das coisas, ou melhor, todos os fundamentos ligados ao mundo e ao homem; historicamente a filosofia trilha teorias que buscaram ou buscam entender ou distinguir sobre a realidade, o conhecimento, o significado, o valor, o ser e a verdade. 
Nesta disciplina foi explicado que invenção da filosofia nasceu da curiosidade de homem saber sobre a existência das coisas e os seus por quês; logo mais filósofos tentavam entender pensamentos distintos; depois outros buscavam explicações sobre teorias e acontecimentos; em seguida venho à necessidade de entender sobre o contexto social e histórico do indivíduo. Desta forma nos faz perceber o quanto à filosofia esteve presente na vida do homem e o quanto pode nos favorecer em razão de conhecimento.
A professora nos mostrou fundamentos que declaram a filosofia como líder nos processos de ensino, pois esta vai de encontro ao educador e ao educando e abri possibilidades para o conhecimento, ampliando valores e rejeitando idéias ultrapassadas; na importância da filosofia para o ensino mostrou-nos que educação e filosofia estão sempre associadas; de modo que toda teoria pedagógica é baseada em uma concepção filosófica, além do mais, muitas correntes filosóficas deram contribuições na construção da educação. 
Observamos então que todas as teorias filosóficas estudadas são consideradas de cunho sugestivos para a otimização da educação. Neste caso, baseando-se nestas correntes a filosofia da educação nos impele a ser curiosos, críticos, a conhecer, a buscar e, sobretudo a pensar.
Por fim a docente nos ascendeu à mente para o pensar filosófico, embasando que é necessário que o educador pense filosoficamente, ou seja, é urgente despertar para o conhecer filosófico e, sobretudo compreender a filosofia; deste modo, o educador estará aberto a conhecer novos métodos que possibilitem o ensino pleno, ou melhor, a novas metodologias de ensino e um conceito melhor de educação.
Na disciplina de Sociologia da Educação regida pela professora Patrícia Barbosa Dantas que trouxe como temática inicial: a definição de sociologia; e também sociologia e educação. A partir do principio que segue a Sociologia entendermos a finalidade da Sociologia da Educação.
A professora nos apresentou a Sociologia como sendo uma ciência humana que estuda as partes que compõe a sociedade: grupos, instituições, associações etc. Citou também nomes de estudiosos que dedicaram a estudar as transformações e consequências da vida humana, são eles: Augusto Comte, Herbert Spencer, Émile Durkheim, Karl Marx, Friedrich Engels, etc. Dentre estes o que mais se destacou foi Durkheim considerado o criador da sociologia da educação.
A professora nos ajudou a entender as teorias do estudioso Durkheim, pois para este a educação é um processo que deve ser entendido com uma contribuição a ordem social. Nesse sentido nos faz lembrar que a prática da socialização percorre diversos espaços e grupos. Assim impera a importância do cenário escolar ou instituição escolar, já que este, segue preparando o indivíduo para o ser social; objetivando assim, a concepção de que a sociedade e a educação devem caminhar juntas. 
Baseado em todo o conteúdo trazido pela professora Patrícia nos fez refletir sobre todo contexto social atual e no professor como agente formador do ser social: a vida escolar, a vida familiar e a vida em sociedade; no caso do professor como agente formador é preciso que este saiba do seu compromisso para com o seu aluno e logo para com a sociedade. 
A professora frisou também em suas aulas o papel da escola como instituição social e qual seria a proposta curricular destas. Baseando-se nessas seguintes temáticas constituiu o nosso trabalho prático: levantamento de dados acerca da função social na perspectiva de sua proposta curricular de uma escola pública e de uma escola privada.
Dados levantados:
Escolha dos conteúdos programáticos;
Compatibilidade dos conteúdos com as necessidades dos alunos.
Participação da família e alunos nas escolhas dos conteúdos.
Tendências Pedagógicas adotadas;
Organização da Matriz Curricular;
Planejamento didático.
Por fim, ficou entendido que a escola é produtora de ações e valores, mas esta não pode trabalhar sozinha, mas em conjunto, com família e a comunidade. Na medida em que o núcleo escolar se empenha em uma postura educativa positiva, este será o primeiro passo para o aluno crescer como ser social participativo. 
A matéria de Políticas Educacionais foi todo um apanhado sobre a história das ações políticas educacionais e sociais segundo os acontecimentos econômicos no Brasil refletido pelo mundo globalizado, esta foi devidamente ministrada pelo professor Sérgio.
A História da educação brasileira foi dividida em quatro períodos: educação colonial, voltada para os Índios; a educação imperial que servia apenas aos fidalgos; em seguida veio o Estado Novo que continuou com uma educação elitista e promoveu uma educação técnica para a formação de pessoas que atendessem ao mercado de trabalho da época sem formação superior; e ao final do estado novo pode- se chamar de um movimento no qual foi reivindicado um ensino justo e de qualidade para todos. E assim surgiram as políticas de ensino para atender, melhorar e justificar o ensino no Brasil. 
Todo esse histórico foi dado para nos permitir repensar nosso papel de educador, como seres humanos ensinando outros, em uma sociedade em constante mudança.
Esse pensar do educador vem a ser: como preparar essa criança que já está sendo afetada ou beneficiada pelas políticas educacionais vigentes. Esta vinda de um cenário em mutação da sociedade pelas políticas sociais, deve se transformar em um adulto capaz de questionar e se manifestar reincidindo todos os direitos que lhe assiste. É a construção da cidadania.
Todos os pontos frisados pelo professor serviram para garantir o nosso aprendizado no saber crítico. Esse saber parte quase sempre do professor e depois do aluno. Mas essa análise e postura crítica que devemos passar ao nosso aluno devem ser embasadas de todas as informações dos fatos estudados, e nunca só de uma vertente informacional.
Para se atualizar o professor expôs a proposta do estado que quase sempre é influência por interesses internacionais de grandes grupos capitalistas. Também enfocou o estudo direcionado para exercer uma função viável neste mundo globalizado, claro que sem perder o foco do ser cidadão possuidor de direitos principalmente.
Currículos e Programas é uma disciplina que consiste analisar e refletir sobre as teorias, os pressupostos ideológicos, culturais e políticos que cercam as práticas pedagógicas nas representações curriculares. Este campo teórico possibilita ao estudante de pedagogia entender a real dimensão do Currículo Escolar em nossas escolas.
Segundo Nelson Piletti em sentido restrito currículo escolar é o conjunto de matérias a serem ministradas em determinado curso ou grau de ensino. Neste sentido, o currículo abrange dois outros conceitos importantes: o de plano de estudos e o de programa de ensino.
Para melhor embasamento e compreensão da disciplina não tivemos abordagem de forma que todo fundamento aqui apresentado nos foi cedido pela professora Cleonice Teixeira. Esta trouxe como ementa: Currículo entendido como atividades desenvolvidas dentro da escola; Currículo como sendo a de explicar o projeto as intenções e o plano de ação que preside as atividades educativas escolares; Currículo como portador das informações concretas sobre o que ensinar, quando ensinar e que, como e quando avaliar.
Dentro do plano de aula trazido pela professora, tinha como objetivo específico: propiciar reflexão no que tange as exigências educacionais e de formação provindas do processo de desenvolvimento pessoal dos alunos e as provêm do projeto social e cultural que se deseja promover.
Na disciplina de Avaliação da Aprendizagem ministrada pela professora Cleonice Teixeira, foi nos aberto uma gama de contexto político e social que aflige o aluno ao ser avaliado, com isso toda elaboração de técnicas e adoção de métodos avaliativos serão adaptados e flexionados com a situação particular de cada grupo de estudantes ou cada indivíduo.
Todo o assunto estudado sobre aprendizagem enfocou a avaliação como um processo contínuo que deve ser estudado da mesma forma que todas as outras metodologias aplicadas para o ensino são: esse estudo vem a ser uma ciência em aberto, onde todas as práticas aplicadas são tentativas de entender qual foi o aprendizado do aluno.
Os principais pontos levantados para estudarmos continuamente ao longo de nossa vida profissional foram: como e quando acontece o aprendizado, para que com a nossa preparação e capacidade não venhamos cometer nenhuma injustiça que venha acarretar danos na vida do nosso aluno.
A professora Cleonice descreveu, para iniciarmos o processo avaliativo, um padrão de reconhecimento do aluno para depois darmos uma avaliação prévia sobre a melhor avaliação a ser adotada para este aluno.
Ela frisou a disciplina como ponto a ser avaliado, pois segundo esta sem ordem não é possível ensinar ou aprender.
E na pós avaliação, todo o processo de recuperação deve ser real, ou seja, o aluno deve recuperar de fato o que não aprendeu. Isso engloba outro processo de avaliação que é feito em conjunto a primeira avaliação. Isso acontece porque os alunos não aprendem ao mesmo tempo, então sua avaliação pode ser negativa por ter sido feita no momento diferente do seu aprendizado, daí a importância da junção da avaliação e recuperação como processos contínuos na aprendizagem.

2.3 CONTEÚDOS DE ENSINO APRENDIZAGEM

O apêndice que agora segue consiste nas matérias do ensino fundamental e tem o objetivo de dar uma especial atenção a importância do saber teórico e contextual de cada matéria existente no Ensino Fundamental. Todas as disciplinas que seguem foram explicadas para que nós como professores-pedagogos realmente saibamos que mesmo com a modernização do ensino e a priorização do eu do aluno na Educação atual, é imprescindível o domínio do conteúdo a ser ensinado. 
Gramática da Língua Portuguesa foi uma matéria exposta em revisão pela professora para nó assim podermos melhor aplicá-la em sala de aula aos alunos. Nessa revisão foram apresentados e enfocados estudos atuais sobre Gramática e o seu contexto.
O intuito da professora Lourdes foi o de enaltecer os significados de toda a comunicação estabelecida no Brasil como Língua Portuguesa. Ela quis dizer que quando se é coerente e claro ao falar e fazendo-se entender, essa pessoa é fluente na Língua Portuguesa. Neste aspecto foi ilustrado na aula textos com momentos onde se usava a variedade padrão e todas as outras possibilidades de comunicação com perspectivas válidas para o ensino fundamental. Os aspectos semânticos, lingüística textual, análise do discurso e as variedades lingüísticas a serem utilizadas pelos interlocutores. 
Foi revisada toda a gramática normativa com ima perspectiva de contextualização e utilidade textual para um melhor esclarecimento das idéias.
Nessa modernização da gramática normativa sem alterar seus fundamentos, a professora discutiu um sistema comunicativo vivo e dinâmico.
Assim poderemos interar nossos alunos aos mais diferenciados textos, sabendo quando se é permitido usar termos coloquiais e quando se é permitido usar a norma culta de forma organizada, correta e esclarecedora. Esse foi o objetivo dessa disciplina: capacitar o aluno a produzir e compreender todos os tipos de textos contemporâneos desde todas as formas de notícias, publicidade, quadrinhos, placas informativas, etc. E neles discernir qual a melhor maneira de aplicar os conteúdos gramaticais ao nosso aluno. 
Na disciplina sobre Métodos e Técnicas de Alfabetização, foi proposto um estudo histórico sobre as diferenças dos termos: alfabetizar e letrar. Tudo isso foi endossado pelo acompanhamento e identificação do processo alfabetizador sofrido pelo aluno.
A professora Maíza começou sua ministração na disciplina fazendo um estudo sobre a história da alfabetização, letramento e seus conceitos. Ela explicou que a prática de alfabetizar era de apenas ensinar a criança tecnicamente a juntar as letras formando palavras e frases. E com isso ela faria sua tarefa de casa como criança alfabetizada. Mas ela nos explicou que a importância de compreender o mundo em que vivemos, para participarmos dele e nos capacitar a modificá-lo: é a alfabetização como instrumento letrador.
A docente dessa matéria nos deu exemplos de estudos Paulofreirianos de certas culturas da nossa população que obteve esse processo de alfabetização e letramento em conjunto. Nesse caso as crianças desde cedo viam seus pais reivindicando seus direitos, como cidadãos e seres humanos, e aprendiam sobre suas realidades, direitos e postura. Antes, às vezes, até de serem alfabetizadas.
Todas as aulas dadas pela professora foram ilustradas por textos atuais e sensíveis buscando nossa compreensão acerca do tema a fim de que consigamos submeter o nosso aluno a todo esse processo letrador. E que este venha participar de todos os significados das palavras e do mundo em que vive de forma rica em conhecimento, esclarecimento para consequentemente alcançar toda sua potencialidade humana. 
Leitura e produção textual, ministrada pela docente Rosilene Félix é uma disciplina que segue o objetivo alfabetizador e letrador, pois é na organização e produção textual que a criança terá todos os seus manifestos intelectuais e construídos devidamente efetivados. Isso levará o aluno a ter uma boa colocação social em discernimento e postura coletiva e consequentemente intrapessoal.
O ponto aberto para o primeiro estudo foi o de noção de texto explicando todo conceito sobre essa importante etapa para uma plena comunicação escrita e assim desenvolver a capacidade de produção de texto e de leitura na criança.
Outro ponto enfatizado pala professora foi de que o hábito da leitura na criança é essencial para uma boa produção textual. E é tarefa do professor pedagogo experimentar e promover situações em que ela adquira esse hábito. E com esse intuito ela debateu estratégias de leitura na sala de aula, desde bilhetes até resumos de filmes e de aulas.
Para organizar a produção textual, a professora nos fez compreender os gêneros textuais, os aspectos caracterizadores das principais modalidades discursivas e discutir sua aplicação no ensino fundamental.
O nosso trabalho de prática foi proposto pela professora como uma alternativa e também proposta de iniciação à leitura pelas crianças. Então montamos e desenvolvemos esse trabalho como um processo de assimilação do mundo com todas as suas coisas, seres, formas e Ceres relacionadas. Isso acontece para mostrar ao aluno, mesmo que ele não perceba, a partir do momento que seja esse ato de ver, sentir, processar e registrar algo é a efetiva leitura. E assim nos tornarmos capacitados a partir desse mundo como ser atuante e em constante evolução.
Agora chegou a vez de Artes. Esta é uma matéria à parte, onde a professora destacou a importância do interesse pela Arte para que ela possa ser possível. Pois a docente descreveu Arte como algo possível a qualquer ser humano desde que ele desenvolva técnicas e habilidades e pratique inúmeras vezes até chegar ao ponto de arte.
Esse resultado final pode ser aplicado em qualquer manifestação artística seja ela dança pintura, escultura, etc.
Ela nos ensinou também sobre a história da arte paraibana e seus principais nomes como Pedro Américo. Que Foi um notável pintor de reconhecimento mundial pelas suas obras, principalmente pelos retratos e a sua prescrição peculiar sobre aspectos da paisagem brasileira.
Suas aulas tiveram muitas atividades com formas, desenhos e cortes, além das visitas às casas de exposição artísticas.
Com isso percebemos que sua proposta como matéria pedagógica a ser dada por nós nas séries fundamentais, é a de promover muitas atividades artísticas, a fim de que o aluno se interesse por algumas e queria desenvolver algumas, e as leve em sua vida, pois a arte e a cultura andam simultaneamente na vida de todos nós, ou deveria andar. 
A professora Dedice Ramos Tomaz começou sua ministração em Estudos Sociais questionando e explicando o porquê de sabermos dos acontecimentos sobre o mundo e quais são esses saberes e conhecimentos e para quê servem. Depois ela relacionou e conceituou História e Geografia de forma introdutória para no decorrer das próximas aulas, embasar e melhor ilustrar essa matéria a fim de nos melhor preparar para nossa aplicação como pedagogas aos nossos alunos.
Tudo o que envolve a vida no planeta foi estudado de forma relacionada e interativa, quer dizer que todas as manifestações do homem no meio ambiente tiveram mudanças como consequências. Essas mudanças, muitas vezes foram negativas, pois o ser humano interferiu no andamento natural do e de equilíbrio da terra. O meio ambiente do planeta foi alterando mudando o clima, relevo, hidrografia, vegetação e solo. 
Na parte humana, a professora fez um estudo da população brasileira; como se estruturou economicamente e seu histórico político cultural até os dias de hoje. Esta ao ministrar, fez um estudo mais profundo acerca das atividades econômicas e desigualdades sociais brasileiras citando os principais objetivos de cada um dos governos do século passado.
A docente também fez uma associação de acontecimentos brasileiros relacionados com aspectos geográficos, culturais e políticos como a seca no nordeste, planalto da Borborema e a postura das autoridades em relação a esses pontos.
E por fim traçou uma ponte histórica de fatos políticos econômicos e culturais para descrever esses mesmos assuntos na sociedade brasileira.
Ciências foi à matéria ilustrada pelo professor Robson José Cavalcanti que teve como principais pontos os processos de desenvolvimento dos seres humanos, animais e vegetais em equilíbrio com a natureza e o meio ambiente influenciando a vida destes.
Nas primeiras aulas o professor nos ensinou que para a criança começar realmente a aprender Ciências, o professor dela tem de lhe expor a origem da vida na terra traçando assim a visão científica do aluno. 
O professor iniciou seu conteúdo revisando o estudo da célula, sua organização e funcionamento. A partir daí compôs cada etapa de estrutura até o conjunto do organismo vivo. Depois mostrou os seres vivos e suas classificações. E também estudou e ministrou profundamente os seres e vegetais mais evoluídos.
Este também nos ensinou acerca do que compõe e dos problemas que fazem parte do meio ambiente tais como: poluição dos rios e solo e a falta de saneamento básico, servindo assim para mostrar as consequências nos alimentos e depois à população. Isto acontece se danificarmos o meio ambiente contaminando e poluindo rios e solos.
Falando da problemática da poluição do meio ambiente pelos seres humanos, o professor pode fazer um pequeno estudo ecológico com suas divisões, cadeias alimentares, diversidades e relações entre os seres vivos.
Por fim mostrou algumas doenças mais comuns de nossa época com suas causas e consequências para podermos ensinar ao nosso aluno a importância da preservação do planeta e consequentemente da nossa vida nele.
Matemática é a matéria que organiza e ordena todas as coisas desse mundo. O professor Leopoldo se embasou em todo o contexto histórico da necessidade do surgimento dos números com suas devidas práticas que são a de operar, contar, medir e efetuar etc.
O professor salientou a importância do efetivo aprendizado da Matemática no ensino fundamental. E mostrou através de cálculos de base o valor para a continuação do aprendizado desse aluno na Matemática enfatizando o ensino de todos os princípios de obediência aprendizagem dessa matéria.
Primeiramente o professor começou explicando o processo de evolução do desenvolvimento da matemática na sua aplicação pela necessidade de organizar, para facilitar a vida, os seres humanos.
Ele ensinou conjuntos desde os seus princípios até os seus conceitos para que com essa compreensão façamos uma melhor abordagem da matéria. Nos seminários que promoveu, o docente nos mostrou conteúdos de Matemática de cada série fundamental com o objetivo de nos orientar a ter certificação sobre o nosso conhecimento correto a respeito da matéria.
Esse cuidado tido pelo professor foi com o intuito de nos alertar para o perigo de um repasse errado de conceitos e operações matemáticas ao aluno. E que para agirmos com responsabilidade e compromisso com o futuro acadêmico e profissional do aluno, é precioso um conhecimento correto, consistente dessa matéria com uma postura flexível, paciente e persuasiva. 

2.4 METODOLOGIAS DE ENSINO

Neste último campo teórico denominado metodologias de ensino, serão apresentadas formas de procedimentos de ensino da disciplina em destaque e embasado também a importância destas estarem sendo aplicadas de forma corretas em nossas escolas, são elas: Metodologia do Trabalho Científico; Metodologia da Língua Portuguesa; Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino dos Estudos Sociais; Metodologia do Ensino de Ciências e Projetos Pedagógicos.
Na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico ministrada pela professora Lebiam Tamar que trouxe como objetivo principal nos proporcionar o conhecimento desta, para elaboração de trabalhos acadêmicos e especificamente do nosso trabalho de conclusão.
No decorrer da disciplina a professora nos trouxe como conteúdo programático: as formas de conhecimento (senso comum e conhecimento científico); definição sobre método científico; a importância da Metodologia Científica na Universidade e as Técnicas para estudo acadêmico: o resumo, o fichamento e relatório.
Esta disciplina nos conferiu o auto-aprendizado sobre o saber pesquisar e também o saber sistematizar os conhecimentos obtidos nas técnicas de leitura, exercício baseado nos seguintes métodos: indutivo, dedutivo e hipotético-dedutivo, de forma que as nossas informações conseguidas possam ser compreendidas ou explicadas. Baseado em tais subsídios nos foi possível entender e aprender como se constrói um Projeto de Pesquisa.
Um caminho para se chegar a metodologia científica foi apresentado pela professora Lebiam como estratégias para tornar o nosso estudo e aprendizagem mais eficazes: é a técnica de fichamento. Esta consiste na forma de organizar todo o conteúdo selecionado com seus respectivos registro bibliográfico (referências, anotações, citações, resumos e comentários). Nos foi apresentado também tipos de fichamento: ficha de indicação bibliográfica, ficha de assunto, ficha de transcrição, ficha de resumo e ficha de comentário.
Para entendimento técnico a professora trouxe como material de apoio as normas que destina-se a orientar e preparar a produção de trabalhos acadêmicos: as NBRs específicas, regulamentadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas). Dentro deste assunto ela enfatizou a importância destas normas técnicas na elaboração do nosso TCC.
Por fim a disciplina em argumento foi concluída com a construção de um Projeto de Pesquisa empregando seguramente as diretrizes e normas acadêmicas.
Na disciplina de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa ministrada pelo professor Clênio Marcos de Lima Santos que trouxe como ementário a análise do ensino de Português, enfatizando a importância da língua verbal (oral e escrita) e a Língua Portuguesa na concepção dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).
O professor objetivou a instrução da Língua Portuguesa nos passando a importância de estudarmos os principais fatores que asseguram o desenvolvimento de um ensino eficaz, para este fim, abordou os seguintes pontos: a importância da gramática internalizada; as variedades linguística; novas formas de ensinar/aprender a gramática do dialeto padrão e estratégias de leitura.
Dentro do tema Estudo de Métodos, o docente nos apresentou os níveis pré-silábico, silábico e alfabético de acordo a psicogênese da língua escrita. Neste estudo nos fez entender como a criança pode ler e escrever e como se constrói a escrita para a criança. 
Assim, para emtendimento das diversas buscas de métodos que melhor se aplicavam no ensino da leitura e da escrita o professor embasou o tema psicogênese citando a estudiosa Emília Ferreiro, esta desvendou os mecanismo pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever. Para Emília a criança constrói seu próprio conhecimento, e no que se refere à alfabetização, cabe ao educador organizar as atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita. 
Então para fechamento da disciplina o professor enfatizou a temática sobre as variedades linguísticas que cerca nossa língua portuguesa e também as novas formas de ensinar de forma que aconteça positivamente o ensino da gramática. Para isto ele ressalta as estratégias de leitura: músicas, filmes, gravuras, histórias em quadrinhos, cordéis, contos, fábulas, lendas, parábolas, mitos. Ou melhor, ideias que despertem no aluno o interesse pelo o mundo das letras e o mundo letratado.
Baseado nestas novas formas de aprender foi elaborado o nosso trabalho prático: um plano de aula a partir de um texto literário podendo ser de histórias em quadrinhos, cordéis, contos, etc. A partir deste, foi apresentada uma aula prática centrado num procedimento incentivador, de forma que chamasse a atenção do ouvinte, para que este aprendesse de verdade.
Na disciplina da Metodologia do Ensino da Matemática ministrada pelo professor José Leopoldo de Souza este trouxe como principal temática os pressupostos teóricos para o ensino de matemática segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Básico e também os seguintes temas: A importância do aperfeiçoar contínuo da Formação em Matemática e Metodologia do Ensino da Matemática.
A princípio o professor definiu a matemática como uma das mais importantes ferramentas precisa ao homem; assim abarcar e utilizar ideias básicas da matemática é direito de todos, e não apenas daqueles que têm afinidade para com este saber. Assim, é pela importância desta em nossa vida diária que o ensino de matemática precisa estar integrado a outras áreas do saber.
Dos conceitos a real prática o professor falou das dificuldades encontradas por alunos e professores no ensino-aprendizagem da matemática. Dentro dessa problemática citou dois pontos: o aluno como o principal prejudicado, já que este saber o aluno não consegue alcançar; e a insatisfação do professor diante dos resultados não desejados. 
Entretanto, nos foi posto e ressaltado que mesmo diante da problemática visível em nossas escolas, o professor está consciente de seu ofício e sabe que precisa buscar novos meios para despertar no aluno o gostar da matemática. Partindo desse pressuposto ele abordou a necessidade de o professor rever e refletir sobre suas práticas no ensino de matemática de forma que na sua tarefa diária crie condições para que o aluno aprenda matemática com mais significado e prazer. Diante disso, consistiu o nosso trabalho prático nesta disciplina, que foi elaborar um plano de aula seguindo de uma aula que chamasse a atenção do aluno, fazendo com que este se sentisse motivado ao novo conhecimento lançado.
Por fim, o professor Leopoldo priorizou as idéias básicas no ensino da matemática: o professor de matemática aparece como facilitador, orientador, estimulador e incentivador deste ensino; caberá ao professor desenvolver a autonomia do aluno, o fazendo descobrir e pensar; e que a sala de aula seja um recanto para o diálogo na busca de trocas de ideias entre professor e aluno.
Na disciplina de Metodologia do Ensino dos Estudos Sociais ministrada pela docente Maria Dedice Ramos que trouxe como ementa os seguintes temas: Um novo olhar sobre a História e a Geografia; Os PCNs de História e Geografia e Educação e Ideologia.
A professora partiu do princípio que o educando necessita ter uma formação intelectual plena, de forma que possa compreenda os conceitos fundamentados em princípios que transforme o aluno em sujeito ativo, para que este saiba reagir diante das exigências e desafios que estão presente na nossa realidade sócio-político-cultural. A professora Dedice abordou o valor da história como patrimônio cultural e frisou a importância que o ensino dos estudos sociais assegura dentro do contexto educacional, pois estes estão ligados a vida cidadã. 
Outro ponto relevante apresentado pela docente foi às inovações na área do ensino da história e da geografia, são propostas que dizem respeito ao aluno, ao professor e ao processo de ensino-aprendizagem. Dentre as mudanças acontecidas: o aluno é visto como sujeito que trás consigo um conhecimento prévio de acordo com sua história de vida familiar e social; o professor é reconhecido como mediador entre o conhecimento científico e o conhecimento prévio trazido pelo aluno; no processo de ensino-aprendizagem o conteúdo escolar referente aos estudos sociais ganhara uma nova dimensão, passando a ter mais significados para aquisição de valores, habilidades e competências, e, todo este conhecimento adquirido trás como parâmetro o reconhecimento e o respeito ao outro.
A professora ressaltou também como ensinar história e geografia nas series inicias e fundamentais de acordo com os PCNs; Para este fim é necessário que o educador busque abordagens atuais de forma que os alunos possam aprender a explicar e compreender.
Para conclusão da disciplina nos foi conferido à elaboração e prática de um plano de aula com o tema A importância da formação continuada dos professores de escolas públicas. A partir deste, precedido de pesquisas e estudos nos foi permitido saber ainda mais sobre a realidade enfrentada pelos professores e as políticas e programas existentes para formação continuada.
Na disciplina da Metodologia do Ensino de Ciências ministrada pelo professor Robson José Cavalcanti que trouxe como temática inicial todo o aparato que compõe o ensino técnico e prático da disciplina, além das propostas sugeridas nos PCNs.
A princípio o professor iniciou suas aulas tendo como eixo a proposta do PCN do Ensino de Ciências, já que esta sugere ideias para a facilitação da abordagem dos seus conteúdos de ensino.
Nesta perspectiva citada acima o professor partiu do ponto que o ensino de ciência estar ligado à associação do homem com o mundo, dessa forma, é a escola que dará condições para o aluno construir o conhecimento ou conceito de mundo, ou melhor, a criança em fase de desenvolvimento construirá seu próprio modelo de mundo.
Entretanto, o professor nos trouxe dados de como o ensino de Ciências tem pouca ênfase em nosso país, apesar de ser uma área ligada à tecnologia e de cunho científico. Um ponto importante foi lembrado pelo professor, é que um bom ensino de ciências atrai talentos para carreiras científicas, então seria de grande precisão que desde cedo nossas crianças estivessem familiarizadas com o mundo das ciências; de forma que através da exploração do meio, a criança aumentasse seu conhecimento de mundo. 
Outra característica do ensino de ciências foi à deficiência deste que ainda impera em nossas escolas públicas, o descaso para com os conteúdos limitados, a despreparação do professor para abordar certos conteúdos e a falta de recursos materiais simples e tecnologicamente avançados, prejudicando assim a aprendizagem do aluno e o privando de está ligado ao mundo tecnológico-ciêntifíco.
A partir desta limitação que cerca o ensino de ciências o professor fala das ideias e atenções voltadas para o ensino pleno desta disciplina que seria: professor com novo perfil para o ensino, com visão interdisciplinar, baseando-se certamente nas dimensões sociais, políticas e econômicas que permeiam as relações entre a ciência, tecnologia e sociedade.
Em vista desse novo perfil de profissional foi solicitado nosso trabalho prático que consistiu na observação de uma aula de ciência em escola campo, depois desta a elaboração de um plano de aula e sua realização individual e observada pela professora regente da sala de aula.
A última disciplina a ser descrita em nosso trabalho é nomeada como Projetos Pedagógicos. Campo teórico que visa transformar espaço escolar em um espaço harmonioso, aberto ao real e as suas múltiplas dimensões. 
De acordo com estudos nossos foi compreendido que o projeto pedagógico inserido em nossas escolas nasce a partir de um cenário marcado pelas disparidades, ou melhor, de uma necessidade que busca a concretização dos anseios coletivos. Para o estudioso Moacir Gadotti:
Não se constrói um projeto sem uma direção política, um norte, um rumo. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é também político. O projeto pedagógico da escola é, por isso mesmo, sempre um processo inconcluso, uma etapa em direção a uma finalidade que permanece como horizonte da escola.
Diante disso, nasceu o PPP (Projeto Político Pedagógico), para com a finalidade de organizar todo o trabalho administrativo e pedagógico de uma escola caminhando na perspectiva para uma educação cidadã.
Nesta disciplina foi trazida pela professora Cleonice Teixeira eixos programáticos que fundamentam a disciplina, são eles: Conceituação, Objetivos, Características, Dimensões e Pressupostos dos Projetos Pedagógicos; Procedimentos para o desenvolvimento do método de Projetos; Tipos de projetos de aprendizagem; e Passos e etapas para a construção de projetos de aprendizagem. Dentre todas as temáticas não houve abordagem prática.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por três anos consecutivos foi regido o nosso curso, aprendemos o possível sobre todo o universo infantil; o quê e como a criança pensa, e todo o seu processo de aprendizado. Este conhecimento nos permitiu entender e lidar melhor com a criança, vendo esta com dona sentimentos, personalidades e influências diárias do seu contexto familiar e social. A partir disso, aprendemos a elaborar e ministrar aulas aproximando o conteúdo com a realidade deste aluno.
Porém, no ensino básico ainda existe percalços que nem sempre nos deixa alcançar os objetivos traçados no ensino-aprendizagem entre o aluno e nós professores. Não é tarefa fácil ter que lidar e satisfazer direção, coordenação e pais de alunos, e ainda assim exercer todas as nossas funções no processo educativo. E foram todos os campos teóricos estudados durante o curso que nos embasou e nos capacitou para o exercício da prática pedagógica.
E é no paradoxo citado acima que ficou concentrada toda a bagagem do aprendizado desse curso, quer dizer, estamos preparados para exercer a pedagogia, mas junto a adversidades que encontraremos.
Para tentar reparar estas falhas na educação nós aprendemos durante o curso sobre possíveis soluções acerca das políticas educacionais existentes no ensino público no Brasil. Seguindo esta linha nos foi passado à importância para um bom funcionamento do ensino a escola precisa estar integrada com toda a organização que regem e regulam todos os aparatos técnicos e humanos necessários para compor o sistema de ensino.
Por fim, entendemos que o principal objetivo desse curso foi a de percebermos que sem amor não há pedagogia, apesar de tantas teorias, práticas, questionamentos e suas respectivas conclusões, apenas habilidades e competências não nos conferem a efetiva prática da docência; lidaremos com seres humanos, crianças em plena fase de desenvolvimento, da qual não podemos errar; principalmente no que se refere e nos compete a ajudar: a moldar seu caráter, embasar sobre o mundo em que vive e principalmente ajudá-lo a se relacionar bem com ele mesmo e com seu próximo. Assim é na prática da pedagogia com amor que semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a ação; semeia a ação e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o caráter (Tihamer Toth).

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental – Parâmetros Curriculares Nacionais: artes. -Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental- Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências. 1º ed. Brasília: MEC/DP & A Editora, 1997.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental – Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. Brasília, MEC/SEF. 2001.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental – Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução. -Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL, Secretaria de educação fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais: matemática. Brasília: MEC/ SEF, 1997.
GRINISPUN, M. P. S. Z. Orientação educacional: conflitos de paradigmas e alternativas para escola. 3. Ed. São Paulo. Cortez, 2006.
HOUAISS, Antônio; GEIGER, Paulo. Grande Enciclopédia. Rio de Janeiro: Delta Larousse, 1978.
LIBÂNIO, JC. Tendências Pedagógicas na Prática Escolar. São Paulo, Cenafor, 1983.
PENTEADO, Heloísa Dupas. Metodologia do Ensino de História e Geografia. São Paulo: Ed. Cortez, 1993.
PILLETI, Nelson. Estrutura e funcionamento do Contexto Escolar. São Paulo: Ática. 2002.
PORTAL DO MEC. Ministério da Educação. Disponível em: [ http://portal.mec.gov.br/index.ph]. Acesso em: 10 de fev. 2010.
RODRIGUES, Neidson. Por uma nova escola: o transitório e o permanente na educação. São Paulo: Cortez, 1995.
SALEMA, M. H. Ensinar e Aprender a pensar. Revista Noesis, São Paulo, 27, p.20-22, 1993
SANTOS, Boaventura S. A Globalização e as Ciências Sociais. 2ºed. São Paulo: Cortez, 2002.
SAVIANI, D. Escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1985.
SILVA. Paulo Maurício. Oficina de Ciências: Projetos de Criação Didática. São Paulo: IBEP, 2000.

O Exame da Ordem dos Advogados do Brasil

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1 INTRODUÇÃO:

O Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, ao contrário do que possa parecer, não é um assunto novo. Ele já existe desde 1963, regulamentado pelo antigo Estatuto da Advocacia (Lei 4.215 de 1963), na forma de um exame ao final do estágio profissional obrigatório.
Evidente que os moldes daquele estatuto eram diversos dos que atualmente estão em vigor. A regulamentação para o exercício da advocacia, prevista no artigo 8º, inciso IV, da Lei 8.906/94, expressa-se na exigência da aprovação do bacharel de direito em exame de ordem como requisito para inscrição junto ao quadro de advogados, de acordo com o Provimento nº 109, de 05.12.2005, instituído com o objetivo de selecionar profissionais qualificados para exercer a advocacia com proficiência, em prol da sociedade.
Deste modo, a idéia básica desta pesquisa é destacar o início do Exame da Ordem no Brasil e abordar os motivos para sua aplicação, mostrando os momentos marcantes da história da advocacia em nosso País, a fundação do Instituto dos Advogados Brasileiros e, enfim, a instalação da Ordem dos Advogados do Brasil, no ano de 1930, através do decreto 19.408.
O Bacharel em direito, presente em nossa sociedade desde os tempos do Brasil Império com a criação dos cursos de Ciências Jurídicas, pela Lei de 11 de agosto de 1827, é um estudante que submeteu-se a 5 (cinco) anos mínimos das mais diversas avaliações periódicas, regulamentadas e fiscalizadas pelo Estado, o que, em tese, tornaria o discente apto ao exercício da profissão por ele elegida, garantia fundamental prevista em nossa carta magna, em seu art. 5º, desde que atendidas as qualificações exigidas por lei, que, no caso da advocacia, é regulamentada pela Lei da Advocacia.
Desta forma, está pautada a constitucionalidade do Estatuto da Advocacia, em relação à exigência do Exame da Ordem, buscando verificar a legitimidade na sua regulamentação.
Esta pesquisa servirá como um verdadeiro termômetro, a medida em que o assunto vai se tornando cada vez mais freqüente em nosso ordenamento jurídico, que já possui um universo de correntes, contrárias e favoráveis, constantes em doutrinas, jurisprudência dominante, entrevistas, decisões judiciais e pareceres oficiais. Há o compromisso de destrinchar estes entendimentos e trazer uma solução para o conflito de interesses.

O Problema a ser investigado na presente pesquisa é: A aplicação do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil está em consonância com os dispositivos constitucionais?

2 JUSTIFICATIVA DO TEMA:

O projeto apresentará as questões controvertidas sobre a constitucionalidade da aplicação do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, uma vez que está constantemente em pauta junto aos Tribunais Federais, bem como perante o Supremo Tribunal Federal, em mandados de segurança, agravos de Instrumento e ações diretas de Inconstitucionalidade, estando inclusive em curso o Projeto de Lei do Senado número 186/2006, que prevê a abolição do Exame de Ordem dos Advogados do Brasil.
A motivação para escolha deste tema deve-se ao intrigante critério adotado pela OAB para elaboração do Exame da Ordem, o que nos causa espanto, com o exorbitante número de bacharéis de direito reprovados anualmente cujo índice já alcança o patamar de 94% (noventa e quatro porcento) em uma média nacional, a exemplo desta própria faculdade, que, no primeiro semestre de 2009, dos 182 (cento e oitenta e dois) candidatos inscritos, 19 (dezenove) foram aprovados na primeira fase e apenas 13 (treze) foram aprovados na segunda, o que representa inexpressivos 7,14% de estudantes aptos ao exercício profissional, resultados que põem em dúvida a competência das instituições de ensino.
O tema é de extrema relevância social, uma vez que é sustentada pelos operadores de direito, dentre eles os bacharéis prejudicados pelo Exame da Ordem dos Advogados, a inconstitucionalidade da Lei nº 8.906/94, sob a alegação de que a norma atentaria contra os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade, do livre exercício das profissões e contra o próprio direito à vida, uma vez que o Bacharel em direito estaria qualificado para o exercício da advocacia e esta qualificação derivaria de seu diploma – conferido por instituição devidamente credenciada junto ao MEC. Nesta linha de raciocínio, nenhuma outra instituição teria competência para qualificar os bacharéis ao exercício de suas profissões, nem mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil. Por expressa delegação do Estado brasileiro (art. 207 da Constituição Federal de 1.988 e Lei 9.394/96, art. 53, VI), somente os cursos jurídicos deteriam a prerrogativa legal de outorgar ao aluno o diploma de Bacharel em Direito, que certifica a sua qualificação para o exercício da advocacia. 
Se, por um lado, temos profissionais do direito sustentando a inconstitucionalidade do Exame da Ordem dos Advogados, temos também quem se posicione em sentido contrário, e, assim, demonstraremos a defesa de sua manutenção, que levantam a relevância do exame, diante da desenfreada proliferação de cursos jurídicos no Brasil – o que é irrefragável. Sendo a qualidade de ensino em nosso país deficiente, a OAB teria competência para avaliar os cursos jurídicos, o que contrariaria a competência do poder público para avaliação da qualidade do ensino, nos termos do art. 209, II, da Constituição Federal. Por fim, a OAB ergue a bandeira da Presunção de Constitucionalidade da norma, já que ainda não houve uma decisão judicial declarando a inconstitucionalidade do Exame de Ordem e que, por esse motivo, ele é válido, constitucional e continuará a ser aplicado.
Desta forma, cabe a este projeto de pesquisa acadêmica trazer à lume a correta solução para o problema, contribuindo para um deslinde rápido dos processos em pauta quanto a constitucionalidade do Exame da Ordem, bem como sugerir modificações em sua aplicação, garantindo o reconhecimento da importância do advogado para a sociedade e nosso ordenamento jurídico.

3 OBJETIVOS:

Este projeto de monografia se insere na área CONSTITUCIONAL e tem o objetivo geral de encontrar uma solução para as desenfreadas reprovações com a aplicação do Exame da Ordem, bem como demonstrar sua sintonia com o texto constitucional, dúvida que hoje habita a consciência de todos os cidadãos e macula a imagem do profissional advogado perante a sociedade.
De uma forma específica, conheceremos a fundo a história do Exame da Ordem no Brasil e os objetivos teleológicos na época de sua vigência, identificando as necessidades da sociedade em todos os tempos. Levantaremos ainda, com igual dedicação, a importância da Ordem dos Advogados do Brasil para o nosso Estado, traçando um verdadeiro paradigma entre o início da advocacia no Brasil, acompanhando os diplomas constitucionais, até os dias de hoje.
Descobriremos as justificativas dos 2 (dois) pólos (OAB e Bacharéis de Direito) para manutenção ou extinção do Exame da Ordem para o exercício da profissão de advogado, analisando-as uma a uma e determinando quais as idéias que mais se enquadram a solução do problema.
Testaremos a citada Norma Federal em relação aos princípios norteadores de Controle de constitucionalidade, desde a elaboração da lei, evidenciando possíveis infrações constitucionais, como poderiam ser sanadas e quem estaria legitimado a argüir sua inconstitucionalidade, quais os tipos de inconstitucionalidade e os prejuízos que seriam imputados à sociedade com a eficácia da norma.
Prestaremos, ainda, diversos questionamentos quanto aos motivos que levam a Ordem dos Advogados do Brasil a elaborar uma prova com altíssimo grau de dificuldade, sob o argumento de evitar um possível saturamento no mercado de trabalho, no afã de evitar que maus profissionais tivessem injusto acesso às prerrogativas advocatícias, além de trazer à lume a verdadeira enxurrada de cursos preparatórios que avassalam nosso País.

4 METODOLOGIA:

As fontes de pesquisa deste projeto não serão nada convencionais. Ou melhor: há a expectativa de superarem as convencionais. Tratando-se de um assunto ainda novo no mundo jurídico apesar dos problemas apresentados já existirem há quase 14 (quatorze) anos, as referências ainda são pouco acessíveis; o universo de material jurídico, consiste em decisões das instâncias Federais de 1ª instância e tribunais superiores, principalmente em Mandados de Segurança movidos pelos Bacharéis em Direito em face da Autarquia em tela; textos de autores, juristas e demais operadores de direito, na internet, revistas e jornais; transcrições de vídeos e gravações, bem como entrevistas com as partes envolvidas no assunto e diversos projetos de leis e diplomas legais em vigor que envolvem o tema das mais variadas formas.

5 REFERENCIAL TEÓRICO:

O tema é bastante polêmico e divide as opiniões entre diversas esferas jurídicas.
A teoria do Senador Gilvan Borges, autor do projeto de Lei em pauta perante a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, é a de que o exame deve ser abolido, por ser inconstitucional material e formalmente, além de atentar contra o princípio da razoabilidade, pois o desgaste na saúde dos candidatos que prestam o exame é desnecessário e não tem qualquer objetivo pedagógico, senão terrorista.
Já o atual presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Nemer Damous Filho, defende a teoria de que o exame é extremamente necessário e útil à sociedade, uma vez que afasta os maus profissionais do mercado, nocivos ao exercício da advocacia, bem como evita o saturamento do mercado de trabalho.
Em parecer elaborado pelo Senador Marconi Perillo, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, não defende a abolição pura e simples do Exame da Ordem dos Advogados, mas sim alterar a sua aplicação e estender a validade de suas provas, amenizando a carga de stress para os candidatos e ônus financeiro à sua economia, com as reiteradas reprovações.
Será traçado o caminho pelo qual os Autores supracitados chegaram às suas conclusões, o que servirá de base para a conclusão final deste projeto.

6 SUMÁRIO DA MONOGRAFIA:

A pesquisa monográfica conterá a seguinte estrutura:

1-Introdução.
Será abordado um breve histórico da OAB no Brasil, sua importância para nosso ordenamento jurídico e nossa sociedade atual, o início da aplicação dos Exames de Ordem, a mudança com o advento da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a alteração do estatuto da advocacia e o atual modelo de Exame adotado pela Autarquia.
2-Capítulo I – A polêmica da aplicação do Exame da Ordem.
O tópico irá abordar a polêmica causada com a aplicação do Exame da Ordem, o alto índice de reprovação dos candidatos, a massificação dos cursos preparatórios e as armas utilizadas pelos prejudicados na luta por seus interesses.
3-Capítulo II Das possíveis infrações constitucionais do Exame da Ordem.
Traremos uma apresentação das formas de arguição de inconstitucionalidade em nosso ordenamento pátrio, a legitimidade da propositura das ações de inconstitucionalidade, as espécies de inconstitucionalidade e quais os pontos do atual Estatuto da Advocacia estariam em contrariedade com o texto Constitucional.
4-Capítulo III Das justificativas para manutenção do Exame da Ordem.
Se por um lado temos os interesses dos prejudicados, mais do que justo trazermos à baila a opinião da própria Autarquia para a manutenção do Exame, a sua importância para a sociedade e seu papel como também guardiã da CRFB.
5-Conclusão.
Finalizando a pesquisa acadêmica, será apresentada a resposta do problema, ou seja, uma solução adequada à resolução do conflito entre os bacharéis prejudicados e a OAB.

7- REFERÊNCIAS:

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05.10.1988.
BRASIL. Lei Federal nº 8.906 de 1994. (dispõe sobre o Estatuto da Advocacia).
BRASIL. Projeto de Lei do Senado nº 186 de 2006 (dispõe a alterar a Lei Federal nº 8.906 de 1994).
FILHO, Edio Marques do R. Controle de Constitucionalidade. Rondônia: Instituição Unirondon, 2007.
SILVA LIMA, Fernando Machado da. A Inconstitucionalidade do exame de Ordem. Disponível em <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8651>. Acesso em: 30 de Out. de 2009.
SILVA, Douglas Mendes da. A Inconstitucionalidade do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Disponível em <http://www.soartigos.com/articles/1585/1/A-INCONSTITUCIONALIDADE-DO-EXAME-DA-OAB-ORDEM-DOS-ADVOGADOS-DO-BRASIL/Page1.html>. Acesso em: 30 de Out. de 2009.

Dificuldade Enfrentada por Pessoas com Deficiência

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Introdução

Dificuldade enfrentada por pessoas portadoras de deficiência vem desde o inicio das civilizações, avanços conseguidos sobre a atenção especial para a melhoria de vida destes cidadãos, através de entidades governamental, profissional e de conscientização da própria sociedade.
Desenvolvimento
Nos registros que temos sobre pessoas com deficiência mostra que essas
pessoas a mais de 2000 mil anos a.c.sofriam exclusão eram isolados da sociedade e eram consideradas criaturas demoníacas.
Já no cristianismo ainda continuava a descriminação das pessoas com deficiência, porque se era cultuado a idéia do ser perfeito pois se Deus tinha criado o homem seu semelhante e se tinha a idéia de um ser perfeito, então todos aqueles que possuíam alguma anormalidade passava a ser considerado como não humanos e eram isolados e ate sacrificado pois tinha a idéia de que essas pessoas podiam contaminar as outras, que eram consideradas normais;e essa iniciativa de exclusão era apoiada ate pela igreja , que também chegou a associar a deficiência com culpa como uma punição de Deus por pecados cometidos no antepassado. Só no século X a.c.que surgiu através de São Tomas de Aquino uma outra teoria para a deficiência como um fato natural e não como punição ou criação demoníaca como se tratava esses casos.
Já no século XVII e XVIII com o período renascentista que se deu um passo importante para o melhor entendimento sobre a pessoa deficiente, foi quando a filosofia da religiosidade de separar e assim foi desenvolvido estudos científicos para a explicação desse assunto, então foram deixados os mitos de lado e se desenvolveram estudos científicos sobre o assunto.
A partir da comprovação de que deficiência e um fato natural que acontece em todos as classes social em todos as nações do mundo, começaram a se criara meios para promover melhorais de vida, que pudessem dar atenção e apoio a essas pessoas.
No Brasil as primeiras entidades a nível nacional que se criou voltada a pessoas com deficiência foi a partir da década de 1950. Entidades essas que desenvolviam serviços mais de caráter assistencial de apoio a essas pessoas, mas eram necessárias mediada mais avançadas de caráter mais abrangente para procurar assegurar os direitos que essas pessoas tem como cidadão, então a partir daí surge na década de 1970 entidades de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência. Esses movimentos vieram junto com a grande movimentação popular que estava acontecendo na época, pois se tratavam lutas em busca de redemocratização do País. Conseqüentemente em 1980 a assembléia geral da ONU declarou o ano de 1981 como ano internacional das pessoas com deficiência e no dia 21 de setembro foi instituído o dia nacional de luta.
Chegando ao ano de 1988 com a promulgação da nova constituição brasileira que teve em sua elaboração a participação muito positiva para que fosse feita mudança que pudesse assegurar aos deficientes o direito de ter tratamento que pudesse enceri-lo de forma participativa na vida social e não receber apenas atendimento assistencial básico de saúde pois essas pessoas como cidadão deve ter direito de participação na vida social, assim como os outros somos todas pessoas humanas com direito e dignidade, a partir de então no ano de 1999 sob o decreto nº 3.076 de 01 de junho de 1999 foi criado através do ministro da justiça o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadora de Deficiência CONAD com a finalidade de avaliar as políticas nacionais voltada para atenção das pessoas portadoras de deficiência procurando assegurá-los os direitos setoriais como saúde, trabalho, lazer e outros.
E esperamos que seja logo concretizado, aprovado, no congresso o estatuto da pessoa com deficiência e que sirva para corrigir falhas que ainda existe nesse sentido e que tenha mais atenção por parte dos governantes ao que desrespeita aos direitos da pessoa com deficiência.
Pois nem os governantes nem a própria sociedade pode continuar ignorando e sem reconhecer essa grande parcela da sociedade que hoje no Brasil soma aproximadamente 25 milhões de pessoas. Como podemos definir essas pessoas?”como aquelas que sofreu perda ou possua anormalidades de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica” que venha gerar uma incapacidade para o desempenho de uma atividade dentro do padrão considerado normal para o homem,podendo sua gênese, estar associada a umas deficiências físicas, visuais, auditivas e menta, que seja permanente ou temporária gerando assim uma incapacidade acentuada de integração social tendo então que recorrer a equipamentos ou tratamentos especiais para promover o seu bem estar pessoal e ao desempenho das funções ou atividades a ser exercida.
Sabemos que os avanços conseguidos são muito lentos demora muito para se conseguir mudanças e o profissional que atua na área social deve estar bem preparado para se deparar com as mais variadas situações deve ser conhecedor dos direitos já conseguidos e que estão vigorado por lei para poder fiscalizá-los e conduzir as situações para que estes sejam colocados em pratica realmente e estar sempre observando os pontos que podem ser melhorados para que seu trabalho seja mais positivo a cada dia, procurar passar a sociedade o Maximo de informações sobre o assunto e essa por sua vez tem um papel muito importante para que haja inclusão e respeito aos direitos dos outros, pois não adianta apenas criar leis se a própria sociedade no seu âmbito não tiver consciência respeito por esses direitos.
Considerações Finais
Pois só pode haver uma efetiva inclusão e participação de todos os indivíduos na sociedade com igualdade de direito quando se for retirado às diferenças, pois sabemos que cada um de nos somos único portanto somos todos deferentes e então não podemos excluir temos que aprender a conviver e respeitar os direitos de cada um, para poder garantir os seus próprios, assim podemos ter uma sociedade mais justa e que garanta os direitos de cidadania de cada um. 

Referência

BRASIL. Decreto n. 3.076 de 1º de junho de 1999.Cria no âmbito do Ministério da Justiça, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência – CONADE, e dà outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 1999.
Lei n. 3.289, de 20 de dezembro de 1999.
Regulamenta a Lei n. 7.853, de 24 de outubro de 198, dispõe sobre Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e da outra dá outras providencias. Diário Oficial [da] da Republica Federativa do Brasil, Brasília 21 de dez. 1999.
Lei n. 7.853, de 24 de outubro de 1989.
Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da pessoa portadora de deficiência – corde, institui a tutela jurisdicional de interesse coletivos ou difusos dessa pessoa, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outra providencias. Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil, Brasília, 21out. 1989. 
Site Google.com.br 

Memórias de um Suícida

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A história do livro (Memórias de um Suicida) começa no século XVII, quando nasce um jovem em terras portuguesas numa família pobre, mas que sonhava ser rico, culto e poderoso. 
Este jovem procurou um pároco e contou seu sonho. O pároco então, passou a ensinar-lhe quanto sabia.
Diante das suas ambições, o jovem despertou a vontade de ser um sacerdote. Mas o pároco, disse que o rapaz não tinha vocação para o sacerdócio, e aconselhou-lhe que exercesse o sublime sacerdócio construindo um lar, com respeito, justiça e amando sempre o próximo.
O conselho do pároco calou fundo, e os planos foram adiados.
O jovem então, apaixonou-se por Maria Magda com fervor. Ambos faziam planos matrimoniais, quando Magda conhece um outro rapaz, Jacinto de Ornelas y Ruiz, apaixona-se, casa-se e muda-se para Madrid.
O jovem sentiu-se humilhado, cheio de ódio, rancor, despeitado e jurou vingança. Diante do desgosto, ele reativou a idéia de ser sacerdote e a realizou.
Serviu às leis de Inquisição. Perseguia, denunciava, caluniava, fazia intriga, mentia, condenava, torturava e matava. 
Quinze anos depois do casamento de sua amada Maria Magda, o sacerdote vai para Madrid a mando da Igreja. O acaso então, os colocou novamente frente a frente, trazendo muito ódio à lembrança, mas sentindo que ainda a amava.
Tentou cativa-la, mas não conseguiu. Ela resistiu com dignidade. Jacinto, percebeu o assédio do sacerdote à sua esposa. Preparou-se para deixar Madrid, buscando refúgio no estrangeiro para si próprio como para a família. Pois, o medo do oficial do Santo-Ofício era grande.
Mas, o sacerdote descobriu, denunciou Jacinto de Ornelas ao tribunal, com muitas acusações.
Jacinto foi preso, processado e entregue ao sacerdote, por ordem dos seus superiores.
Jacinto foi levado à masmorra infecta, onde passou martirizantes privações e torturas: arrancaram-lhe as unhas e os dentes, fraturaram os dedos, deslocaram os pulsos, queimaram a sola dos pés.
Maria Magda, sofria pensando o que poderia estar acontecendo ao marido. Por isso, procurou o sacerdote entre lágrimas, suplicou trégua e compaixão.
Ele então, prometeu o marido de volta com uma condição, de que ela se entregasse à ele.
Ela relutou, mas acabou aceitando. Pois sabia que se não fizesse o acordo, seu marido seria morto.
Dias depois do pacto, Magda vai à sala de torturas, contempla o marido, desespera-se, e não consegue ocultar o ódio pelo sacerdote.
Ele notou o desprezo, sentiu-se cansado em lutar por um bem inatingível, pois não conseguia entender aquele sublime amor que cobria as mãos de Jacinto com beijos e lágrimas.
E por não conseguir o amor de Magda, a inveja, o despeito, o ciúme, tomou-lhe o coração. As tendências maléficas do passado, vieram-lhe na lembrança, quando no ano 33 gritou junto ao povo para condenar Jesus de Nazaré em favor da liberdade do bandoleiro Barrabás. Ele então, vazou os olhos de Jacinto perfurando-os com pontas de ferro incandescido. 
Jacinto inconformado com a situação, não querendo tornar-se estorvo à querida companheira, suicidou-se dois meses depois de obter a liberdade.
Magda voltou para a terra natal com os filhos, desolada e infeliz. Nunca mais viu o sacerdote ou obteve notícias. 
O arrependimento não tardou iniciar ao mesquinho ser do sacerdote. Não dormia com tranqüilidade, vivia nervoso e a imagem de Jacinto o atordoava. Ele passou a evitar cumprir as tenebrosas ordens de seus superiores, até que mais tarde foi levado ao cárcere perpétuo. 
Da Segunda metade do século XVII até o século XIX, ele começou a expiar, na Terra como homem e na erraticidade como Espírito, os crimes e perversidades cometidos sob a tutela do Santo-Ofício.
Na Segunda metade do século XIX, reencarnou em Portugal, como escritor famoso, Camilo Castelo Branco, para a última fase das expiações inalienáveis: a cegueira.
O mesmo horror que Jacinto de Ornelas sentiu pela cegueira, ele também sentiu. Diante da inconformidade, imitou a gesto, deu um tiro no ouvido, tornando-se em 1890, suicida como Jacinto o fora em meado do século XVII.
A cegueira era uma expiação, mas o suicídio não.
O suicídio foi uma escolha dele, que perdeu a oportunidade que Deus estava dando para que ele reparasse sua falta do passado. Ele fez mal uso do livre arbítrio. 
Camilo Castelo Branco lança neste livro, através da médium Yvonne A . Pereira (que também foi uma suicida na sua encarnação passada) um alerta para aqueles que pensam que a vida termina no túmulo.

Comunicação e Linguagem

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INTRODUÇÃO

Diante da necessidade de compreender a organização dos textos técnicos como gêneros em seu conteúdo e estrutura, este trabalho visa aprofundar conhecimentos específicos sobre os seguintes textos: relatório, parecer e carta comercial. 
Para desenvolver o trabalho foi necessário buscar fontes teóricas que ampliassem meu conhecimento sobre os textos técnicos, tendo por base a teoría de Daniela Costa – professora de literatura e linguagem, Marcos Juvela – supervisão e pesquisa, do livro Escola Viva com apoio do MEC, com o objetivo de facilitar o estudo.
No primeiro momento está descrito sobre os textos: relatório, parecer e a carta comercial e suas formas de estruturação. No segundo momento relata-se a comparação entre os textos, concluindo com as conciderações finais.

RELATÓRIO

O relatório é composto por três partes, sendo elas introdução, contexto e encerramento. A introdução é onde está exposto o motivo de sua elaboração, o contexto é onde estão relatados os fatos, com destaque nos títulos e subtítulos dos tópicos principais, onde deve-se respeitar a sucessão do tema em que se tem a intenção de relatar, no encerramento, para facilitar e leitura e a analise dos textos, os parágrafos podem ser numerados ou ser utilizado marcadores para melhorar a analise dos textos, citações e a compreenção do assunto em pauta.

RELATÓRIO DE SUBSTITUIÇÃO DE
FUNCIONÁRIO EM VIAGEM.

Em comprimento à determinação do OSN nº 5.234, o funcionário em referência viajou para a cidade de cuiabá em substituição ao Tesoureiro, titular da agência, nº 23.214 Sr. José Macedo Albuquerque, em 25 de agosto de 2000, tendo sido registrado o respectivo LLC.

1. Em 28 de agosto, a Sr. José registrou a Ata conforme determinação anteriormente fixada.

2. No transcorrer dos dias 29 e 30 do corrente, realizou todas as visitas propostas, entregando as comunicados com as respectivas assinaturas protocoladas.

3. Lavrou a LLC sem qualquer alteração não prevista.

4. Deu por encerradas as suas atividades em 1º de setembro, retornando no mesmo dia pra apresentação da documentação no dia seguinte.

5. Ao Sr. Diretor.

São Paulo, 5 de setembro de 2000

_____________________
Mário Jorge luís

O assunto relatado no texto é Relatório de Substituição de Funcionário em Viajem. Sendo assim fala de um comprimento à uma determinada substituição a um cargo oferecido em outra cidade, falando sobre a substituição do cargo de tesoureiro para ser titular da agência nº 23.214.

PARECER

O parecer é composto por título e procedência, nome dos interessados, assunto, exposição do fato (relatório), opnião da comissão (parecer) e fecho (data, assinatura do relator). O parecer segue as seguintes normas:
• Deve ser objetivo, claro e preciso;
• Divisão de matérias nos ítens específicos e, em caso de referência, citação das fontes;
• O relator geralmente usa o tratamento, nosso, nossos, nossas, conosco, nos e nós, com os pronomes e os vérbos no primeira pessoa do plurar, porque ele conta com a delegação dos demais membros da comissão, para falar por eles;

PARECER DA COMISÃO FEDERAL DE INVESTIMENTOS

Secretaria do Trabalho
Comissão Especial de Apoio
Processo nº 16-76-MTPS-ªP. Apenso 876-64-SF
Interessado: Clímaco José Barbosa
Assunto: Aplicação do art. 31 da lei de Paridade ao ocupante de cargo em estágio probatório.

Relatório

1. Clímaco José Barbosa, ocupante, em estágio probatório, do cargo de Chefe de Divisão, nível I, CD-7, da Secretaria do Trabalho, no Processo 876-89-SF, alegando contar mais de 12 anos de serviços prestados ao Estado em 12 de janeiro de 1998, requer agora, com fundamento no artigo 25 da lei de Paridade, seja classificado no grau C da respectiva ref., e não no grau A, em que até o presente momento se encontra classificado.

Parecer

2. Realmente, o art. 31 da lei de paridade só se aplica a funcionários públicos. Cabe, portanto, verificar se o requerente tem essa qualidade.
3. A nosso ver, não pode haver a subtração da qualidade de funcionário público, que foi adquirida legalmente quando de sua nomeação.
4. Pelos motivos expostos, o interessado, por ser funcionário público, ainda que estagiário, foi alcançado pelo dispositivo legal.

Voto: Opinamos pelo deferimento do pedido, conforme disposto no art. 31 da lei de Paridade. É o nosso pronunciamento.

José Bento, Relator
Aprovado em sessão de 15 de janeiro de 2000

São Paulo, 17 de janeiro de 2000

___________________
José Rivalia
Presidente em exercício

O texto fala da aplicação do art. 31 da lei de paridade ao ocupante de cargo em estágio probatório, relatando sobre o assunto do Parecer da Comissão Federal de Investimento, falando sobre o parecer deferido pela Comissão Federal de Investimento segundo o art. 31, sobre a adoção do funcionário público.

CORRESPONDÊNCIA (CARTA COMERCIAL)

A carta comercial é dividida por sete ítens sendo eles, data ( local, dia, mês, e ano), nome e endereço do destinatário, saudação inicial, introdução, contexto, fecho e assinatura do remetente (de próprio punho). A linguagem utilizada na carta comercial deve ser precisa, clara e correta.

São Paulo, 20 de julho de 2000

Ilmo. Sr.
J. RIBEIRO – COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.
Rua da Glária, 31
São Paulo – SP

Prezado Senhor

Pela presente comfirmamos o pedido feito por telefone em 18 do corrente mês, ficando a data da remessa do material, na dependência do tempo necessário para produção.

O pedido será atendido em conformidade com o anterior, no que diz respeito ao valor unitário, prazo de pagamento e carência para o primeiro vencimento.

No aguardo de seu pronunciamento, agradecemos o prestígio e a confiança com que nos honram.

———————————
João José Machado
Gerente de Produção
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O texto fala da presente carta comercial confirmando um pedido de mercadoria feito por telefone, onde relata sobre o assunto de confirmação de um pedido de mercadoria, falando sobre o acordo entre duas empresas de uma respectiva mercadoria.

Os três textos são completamente diferentes, mas ambos são bem objetivos, onde possuem uma linguagem específica para facilitar a compreenção dos mesmos.

CONCIDERAÇÕES FINAIS

Diante do estudo realizado compreendi que estes textos técnicos são estruturados para melhorar a compreenção e facilidar a comunicação da linguagem entre as partes interessadas. 
Em todos os textos é necessário utilizar a linguagem formal, tendo coesão e coerência entre os termos segundo a sua estruturação específica, pois a clareza facilita a compreenção da mensagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Escola viva : programa de pesquisa e apoio escolar : o tesouro do estudante. – 1. Ed. – São Paulo : meca, 1998 (edição atual 2005).
• http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&q=textos+tecnicos+&meta=&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai=&fp=667c1ea630b383cf. 
• Strecker, Heidi – Comunicação e linguagem : administração I / Heidi Strecker. – São Paulo : Pearson Prentice Hall, 2009.

Vitamina B2

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Onde pode encontrar a vitamina B2?

O leite é a melhor fonte de vitamina B2. Um copo de leite corresponde a um quarto do Consumo Diário Recomendado – CDR de riboflavina para homens e um terço do CDR para mulheres. Outros alimentos, como queijo, iogurte e sorvete, também são excelentes fontes da vitamina. Carnes, especialmente de fígado, e algumas folhas verdes, também são ricos em riboflavina. Pães e cereais enriquecidos tem riboflavina adicionada.

Calor e oxigênio não destroem a riboflavina com facilidade, mas a luz o faz. O leite pode perder metade ou mais de seu teor de riboflavina quando exposto à luz por quatro a seis horas. Para evitar que isso ocorra, é importante não armazenar o leite em copo claro nem em recipiente plástico transparente.

Benefícios da vitamina B2

Como um liberador de energia, a riboflavina estimula a produção de energia nos vasos sanguíneos do cérebro. Após a realização de algumas pesquisas, começou-se a especular se os suplementos de riboflavina podiam ajudar a diminuir a quantidade de enxaquecas de alguém que sofresse desse problema.
A riboflavina pode ajudar a prevenir a catarata, provavelmente pela sua relação com a glutationa, um antioxidante .
A riboflavina pode ser útil para as pessoas com a anemia falciforme. Doses de 5 mg, duas vezes ao dia, aumentaram a quantidade de glutationa e de ferro no sangue dos pacientes. Em um outro tipo de anemia, por deficiência de ferro, a riboflavina ajudou a melhorar os níveis de ferro quando administrada junto a um suplemento de ferro.
Ajuda no crescimento e na reprodução;
Proporciona pele, unhas e cabelos saudáveis;
Auxilia na cicatrização;
Beneficia a visão e alivia o cansaço dos olhos;
Funciona com outras substâncias para metabolizar os carboidratos, gorduras e proteínas.

Causas da Deficiência

A principal causa da deficiência de vitamina B2 é quanto à digestão da mesma, já que esta é a principal forma de obtenção da mesma. Deve-se lembrar que apesar de ser termoestável, a vitamina B2 é fotossensável, ou seja, pode ser destruída pela exposição á luz solar, principalmente devido à ação da luz ultravioleta.
Deficiência de vitamina B2 Com a deficiência de vitamina B2, a pele fica escamosa e seca. Pode haver rachaduras, ou fissuras, nos cantos da boca, inflamação e sensibilidade dos lábios e leve vermelhidão da língua.
Como a deficiência prolongada de vitamina B2 provoca graves lesões nos olhos em animais, há quem afirme que os problemas oculares nas pessoas, como catarata, podem ser consequência da carência dessa vitamina. Vários estudos descobriram que as pessoas que desenvolvem a catarata apresentam níveis mais baixos de riboflavina no sangue do que as pessoas que não desenvolvem a doença. Justifica-se a suplementando se a pessoa já teve catarata e quer prevenir uma recorrência.
A hipersensibilidade à luz é sinal de deficiência de riboflavina. Como as vitaminas do complexo B trabalham juntas em uma sequência de reações, a deficiência de uma vitamina afeta a sequência inteira .

Consequências

Perda de apetite; 
Crescimento inferior ao normal; 
Ariboflavinose (lesão na boca, lábios, pele e orgãos digitais);
Fotofobia, lacrimação, queimadura e coceira nos olhos e perda da acuidade visual;
Catarata; 
Queratite (processo inflamatório da córnea);
Estomatite (inflamação da mucosa bucal);
Queilose (afecção dos lábios e, principalmente, cantos da boca, popularmente conhecida como boqueira);
Glossite (inflamação na língua);
Inflamações esclerocorneanas;
Anemia; 
Inflamação das gengivas;
Dermatite seborréica (inflamação crônica da pele que geralmente é desencadeada nas áreas de maior produção de oleosidade pelas glândulas sebáceas);
Degeneração de nervos periféricos e da medula;

Quais as suas principais funções no corpo?

Ajuda a libertar a energia dos alimentos, juntamente com outras vitaminas 
Age sobre o crescimento, o bom desenvolvimento e a saúde dos órgãos
Ajuda o organismo a suportar melhor o stress
Vitamina B2: transforma proteínas, lipídios e carboidratos em energia, e participa da formação e manutenção dos tecidos da pele e dos olhos

Algumas Curiosidades / Recomendações

Mulheres que estejam tomando anticoncepcionais, grávidas ou em fase de amamentamento necessitam de uma maior dosagem de vitamina B2;
Se você faz dieta para o tratamento de àlcera ou diabetes ou mantém um baixo índice de ingestão de carne vermelha e laticínios, deve consumir também uma maior quantidade de vitamina B2, sob o risco de desenvolver algum dos sintomas da deficiência;
Se estiver consumindo antineoplásico (medicamento usado no tratamento de câncer) com metotrexate, a vitamina B2 em excesso pode diminuir ou mesmo inibir o efeito do medicamento.

Militância Jovem

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A grande reportagem aqui apresentada tem como tema a militância dos jovens em partidos políticos brasileiros. Através dela, é possível identificar o perfil da juventude que se engaja na Política e compreender o universo da participação juvenil nas questões da sociedade, já que esse assunto é pouco discutido pela grande mídia. Dentre os objetivos, está também a tentativa de reportar aos jovens a importância da participação real na política e a relevância do relacionamento social travado com todos os membros do sistema. Para alcançar tais metas, utilizaram-se pesquisas na Internet, extensa bibliografia e filmografia. Também foram feitas entrevistas com especialistas das ciências políticas, da sociologia, da história e do jornalismo; e com jovens militantes de sete partidos políticos do Brasil – são eles: Democratas, (DEM), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Partido Progressista (PP), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Comunista do Brasil (PC do B). Inicialmente uma reportagem comportamental, o trabalho desdobrou-se para um âmbito mais político e muito propício para ser publicado na revista mensal Rolling Stone.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1 TÉCNICAS DE PESQUISA 
1.1 Entrevistas 
1.1.1 Possíveis entrevistados 
1.1.2 Pauta básica das entrevistas 
1.1.2.1 Especialistas 
1.1.2.2 Jovens militantes 
1.2 Pesquisa bibliográfica 
1.3 Pesquisa videográfica 
1.4 Cronograma

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 PARTICIPAÇÃO E PARTIDOS 
2.2 O JOVEM ONTEM 
2.3 O JOVEM HOJE

3 ESBOÇO DO PRODUTO
3.1 Definição conceitual
3.2 Estrutura 
3.3 Público-alvo
3.4 Linguagem 
3.5 Viabilidade
3.6 Custos

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA 
FILMOGRAFIA

ANEXO 1


INTRODUÇÃO

Falar de política no Brasil é uma tarefa um pouco difícil, principalmente por ser um tema tão controverso. As opiniões se distanciam com facilidade e, quando são discutidas, geralmente há brigas e desacordos. A maioria das pessoas não está feliz com a situação atual de nosso País. A corrupção, a violência extrema, o desemprego são apenas alguns indícios de que alguma coisa não anda bem. Muitos reclamam, opinam, xingam, mas não buscam se interar sobre o que realmente está acontecendo de errado e sobre o que poderia ser feito de fato em prol de soluções ou melhorias. Poucos são aqueles que realmente militam e estão preocupados com ações políticas éticas e que sirvam de instrumento de transformação social. Para o Dicionário de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (1986, p.726), a militância política “se dá através da unidade de vontade, ação e disciplina dentro do partido”. Praticada de forma ideal, pode até ser considerada utópica, pois deve estar desvinculada de ganhos econômicos. Enquanto a maioria da população votante não se lembra em quem votou para deputado, tanto estadual quanto federal, nas eleições de outubro de 2006, o militante luta para que isso não seja mais um fato, e persegue a idéia de que a política é algo que deve ser acessível a todos, caminhando ao encontro da cidadania e trazendo benefícios concretos a ela.
Parte importante no eleitorado, os jovens de hoje muitas vezes são taxados de alienados e sem iniciativa para qualquer coisa que não esteja ligada ao consumismo. A grande mídia vê a atual juventude de forma diferente de como hoje é vista aquela que lutou contra a Ditadura Militar. As capas das principais revistas semanais de informação brasileiras, por exemplo, estão quase sempre ligadas à beleza estética, ao mundo do consumo ou à rebeldia sem causa dos adolescentes. Não se fala daqueles que são engajados por ideologia. 
De acordo com essa visão, a juventude de hoje parece estar sempre ligada a modismos, ao contrário do que acontecia no passado. A consciência estava arraigada à idéia que (no mínimo) a classe média esclarecida fazia de “manifestação”. Isso mudou. Protestar contra George Bush é “legal”. Mas, quantos são os que sabem justificar o porquê do protesto? 
Tendo como pano de fundo essa realidade e esses cenários, entender quem são os jovens que militam nos principais partidos políticos brasileiros e que procuram ter uma atuação mais organizada nos debates que envolvem a sociedade brasileira representa o foco específico desse trabalho. Trata-se de uma grande reportagem que mergulha nesse universo da militância partidária juvenil. Isso é de extrema importância ao se pensar no futuro das relações políticas, não só em nosso país, mas no mundo todo; afinal, são os jovens de hoje que estarão no poder em alguns anos e são eles que defenderão suas idéias em prol da sociedade. 
De acordo com classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os jovens, compreendidos como aqueles que ocupam a faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos, representam 19,8% da população total do país, 169.872.856 de habitantes , e fazem diferença tanto do ponto de vista mercadológico quanto do político . Se houvesse uma eleição hoje, o eleitorado com idade entre 16 e 24 anos representaria 19,62% do total de 126.075.542 pessoas votantes . Seriam 24.747.610 votos.
As organizações jovens existentes dentro de cada partido servem, entre outras coisas, para buscar o atendimento das necessidades dessa parcela da população, lutar por seus direitos, checar o que está sendo feito e divulgar as idéias e propostas relacionadas a eles. Tudo isso fazendo uso da ideologia partidária defendida por cada frente. No trabalho, foram considerados os seis maiores partidos com representação na Câmara dos Deputados: Democratas, antigo PFL (DEM), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Partido Progressista (PP), Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Segundo o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, citado por Izique (2002), se usarmos o padrão freqüentemente utilizado pela mídia e grande parte dos pesquisadores, o DEM e PP estão à direita, PSDB e PMDB ao centro e PT e PDT à esquerda.
Levando-se em conta o critério geral, o Partido Comunista do Brasil (PC do B) ficaria de fora, mas, há muitos anos, esse é o partido que controla o movimento estudantil no Brasil, a direção da UNE (União Nacional dos Estudantes) e tem uma das juventudes partidárias mais organizadas e atuantes do país. Por isso, mereceu ser incorporada ao trabalho – é a exceção que se justifica para dar mais legitimidade e representatividade. 
Movimentos jovens partidários podem ser a chave para que a juventude do Brasil se sinta mais à vontade, mais confiante e até mesmo mais motivada a acreditar na política de nosso país, pois é através desses movimentos que o jovem poderá se ver representado e mais beneficiado. 
Por toda a aparente falta de empenho dos jovens brasileiros para com a política, o objetivo maior desse trabalho é compreender, através da grande reportagem, esse universo ainda não tão discutido pela imprensa e oferecer ao leitor a possibilidade de um contato mais profundo com a juventude militante contemporânea, identificando quem são essas pessoas, como vivem e, entre outras coisas, o que pensam e o que esperam construir em suas vidas.
Dentro dos objetivos secundários, mas não de menor valor, está a tentativa de reportar à população jovem a importância da participação real na política e, conseqüentemente, a relevância em ter um relacionamento social saudável com todos os outros membros do sistema onde se está inserido.
Com toda investigação e pesquisa de casos, tornou-se possível narrar a influência que o jovem exerce e a que ele poderia exercer sobre a política, a partir do momento em que cumpre seus deveres com mais vibração, compromisso e espontaneidade. 
Unindo todos esses elementos, há o intuito de resgatar a imagem da juventude como uma parcela da sociedade que faz diferença e que não pensa só em futilidades. Em momentos históricos importantes, isso já foi provado e, com a ajuda dos personagens da reportagem, vemos que, hoje, isso também é possível. Provavelmente, o jovem seria mais bem interpretado se mostrado de uma maneira diferente da que faz a grande mídia. Ele tem de ser visto a partir do viés de ator político consciente que pode ser, como foi, por exemplo, nas recentes manifestações contra a chamada globalização, e em cenário que marcou outros capítulos de nossa história, como a era Vargas, a já mencionada Ditadura Militar e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O tema se justifica pela interessante mistura do rótulo de alienação política recebido pelo jovem nos dias de hoje e o verdadeiro envolvimento de alguns deles nos partidos políticos. Esse não é somente um assunto atual. É também um assunto para o qual a grande mídia parece não dar importância, ou então só parece achar que vale a pena explorá-lo em épocas de corridas eleitorais. Dá-se crédito pelo poder de consumo da juventude, o que constrói uma imagem generalizada de futilidade.
Isso nos leva à prática do jornalismo cidadão, no qual os fatos apresentados são de interesse público e chegam para acrescentar informações relevantes à população e não só trazer aquilo que a Indústria Cultural faz com que todos queiram.
Para tal, o veículo de divulgação deveria ser bem selecionado. A princípio foi escolhida uma revista mensal nova no mercado brasileiro, que tem como público-alvo a juventude e chegou com fama de ser uma publicação lendária, que mistura cultura e política: a Rolling Stone. A revista veio com a proposta de fazer um jornalismo investigativo, diferenciado e moderno. A maioria de suas pautas envolve música e cinema. As matérias de política têm um tom direto, o que pode até parecer tendencioso, mas “opinião é o que importa”, segundo o fundador da publicação em Nova Iorque, Jann Wenner, citado por Ricardo F. Cruz, editor-chefe da edição brasileira, logo em seu primeiro editorial em outubro de 2006. Como essa é uma grande reportagem que pretende unir o jovem brasileiro à política de forma consciente e militante, combinando diferentes opiniões e partidos políticos, o casamento com a Rolling Stone parece ser perfeito. 
Definir esse tema teve importância significativa já que a possibilidade de continuar a desenvolvê-lo em carreira acadêmica é muito grande. A facilidade e a familiaridade com o assunto têm também caráter de prioridade ao se levar um trabalho como esse adiante.
Presenciar a existência de jovens militantes, que, com seus ideais, contagiam os outros, promove gratificação e motiva qualquer jornalista militante a prosseguir em sua esperança de tentar mudar uma situação desfavorável, em benefício de uma sociedade mais democrática e mais justa.

1 TÉCNICAS DE PESQUISA

Para elaborar essa grande reportagem, as principais técnicas de pesquisa utilizadas serão entrevistas e pesquisas bibliográficas e videográficas.

1.1 Entrevistas

Esse aspecto da metodologia foi fundamental na grande reportagem final. São as entrevistas instrumentos e ferramentas que garantem ao leitor acesso e contato com a essência desse universo da juventude militante nos partidos políticos. Graças a elas é que foi possível organizar e produzir uma narrativa consistente e aprofundada sobre como se organiza essa militância. 
Jovens militantes e atuantes, representando os seis maiores partidos da Câmara dos Deputados, mais o PC do B, foram escolhidos para responder a algumas questões que, reunidas e sistematizadas, constituem um perfil dessa juventude. São os presidentes ou pessoas que ocupam outros cargos de lideranças nas organizações jovens existentes nos partidos políticos e alguns militantes filiados a esses partidos. Seus depoimentos são importantes, pois dão legitimidade à construção desse universo.
Por fim, foi necessário ouvir alguns especialistas, intelectuais, pensadores ligados a história, comunicação social, ciências políticas e sociologia, já que os testemunhos deles contribuíram para oferecer a possibilidade de contextualização e de compreensão mais ampla da reportagem, além de estabelecer nexos, pontes e relações entre as entrevistas dos militantes.

1.1.1 Possíveis entrevistados

Especialistas

– Helena Wendel Abramo. Mestre e Bacharel em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Especializada em assuntos relacionados à juventude. Atualmente, é socióloga da Prefeitura de São Paulo, Assessora da Comissão Especial Permanente da Juventude da Câmara Municipal de São Paulo e membro do Conselho Nacional de Juventude. Autora da obra “Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano” (1994), e organizadora de “Retratos da juventude brasileira. Análises de uma pesquisa nacional” (2005).
– José Paulo Martins Junior. Doutor e Mestre em Ciências Políticas pela USP. Bacharel em Ciências Sociais também pela USP. Atualmente, é Coordenador e Professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Organizador da obra “Introdução à política brasileira” (2007).
– Laura Capriglione. Jornalista do jornal diário Folha de S. Paulo. Responsável pela cobertura da invasão da reitoria da USP, ocorrida em junho de 2007.
– Marco Antônio Villa. Doutor em História Social e Mestre pela USP. Atualmente exerce o cargo de Professor de História na Universidade Federal de São Carlos (UFSC). Autor de diversas obras, entre elas: “Jango, um perfil (1945-1969)” (2004), “O nascimento da República no Brasil. A primeira década do novo regime” (1997), e “A queda do Império, os últimos momentos da Monarquia no Brasil” (1996).

Partido Progressista
– Carlos Renato Cardoso Pires de Camargo. 28 anos. Presidente Estadual da Juventude Progressista e Vice-Presidente Nacional. Cursa Direito na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e é formado em Gestão de Políticas Públicas de Juventude.

– Antônio Haddad Filho. 18 anos. Militante e filiado à Juventude Progressista. Estudante de Administração pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Democratas
– Walter Abrahão Filho. 28 anos. Presidente Estadual e Vice-Presidente Nacional da Juventude Democrata. Formado em Direito pela Universidade Paulista (UNIP).

Partido da Social Democracia Brasileira
– Bruno Covas. 27 anos. Deputado Estadual e Presidente da Juventude Estadual do PSDB. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e Direito pela USP.

Partido do Movimento Democrático Brasileiro
– Marcelo Mondim. 35 anos. Presidente Municipal de São Paulo da Juventude do PMDB. Formado em História pela Universidade do Grande ABC.

Partido dos Trabalhadores
– Leonardo Penafiel Pinho. 28 anos. Secretário Municipal de Juventude do PT. Formado em Sociologia pela PUC/SP.
– Paulo Edison. 31 anos. Militante e filiado da Juventude do PT. Formado em Ciências Sociais pela PUC/SP.

Partido Democrático Trabalhista
– Edney Castilho. 26 anos. Secretário Estadual de Movimentos Estudantis da Juventude Socialista do PDT e Presidente Municipal da Juventude Socialista do PDT em Carapicuíba.
– William Rodrigues Dantas. 17 anos. Militante e filiado da Juventude do PDT no Rio de Janeiro. Formado em um curso técnico de administração.

Partido Comunista do Brasil
– Ricardo Abreu. 39 anos. Secretário Nacional de Juventude do PC do B. Formado em Economia pela USP.
– Fernando Henrique Pestana Borgonovi. 26 anos. Militante e filiado do PC do B e da União da Juventude Socialista (UJS). Formado em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero.

1.1.2 Pauta básica das entrevistas

1.1.2.1 Especialistas

Helena Wendel Abramo
– No geral, quais são as maiores preocupações do jovem brasileiro?
– A juventude é vista como fútil, alienada e vítima do consumismo que estimula as experimentações constantes. A senhora concorda com essa imagem?
– O jovem se preocupa com o futuro das relações políticas do Brasil?
– Na sua percepção, se o jovem não está engajado em um partido político, onde ele está mostrando que ele se importa?
– A sociedade está mais individualista. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, isso se faz presente na “sociedade líquido-moderna” através do consumismo e da transformação de tudo em produto. A senhora estabelece uma relação entre essa afirmação e a falta de interesse na política partidária?
– Quais são os fatores que mais desestimulam o jovem de se engajar na política tradicional?
– O que levaria os jovens às ruas, hoje?
– Essas novas formas de militância são políticas em prol da sociedade em geral, ou elas só visam o bem-estar de determinados grupos?
– O cientista político Kenneth Minogue diz para os jovens se afastarem da política. A senhora também acha que a rebeldia, característica à juventude, pode atrapalhar a atividade partidária?
– O que a senhora diria aos jovens que não dão importância à Política?

José Paulo Martins Junior
– A juventude é vista como fútil, alienada e vítima do consumismo que estimula as experimentações constantes. O senhor concorda com essa imagem?
– Hoje, vemos a juventude dos anos 60, por exemplo, como mais atuante e consciente. Como podemos diferenciá-la do jovem dos dias atuais?
– A Carta Capital divulgou a atual edição do Barômetro Iberoamericano de Governabilidade e, de acordo com essa pesquisa, cerca de 51% dos entrevistados acreditam que há motivos para que o Presidente feche o Congresso. Até que ponto a alienação dos jovens está relacionada com o “desprezo” do Brasil pela democracia? 
– O movimento dos “Caras Pintadas” se insere como na questão da alienação?
– Qual é o significado da invasão da reitoria na USP em junho?
– É possível que o jovem não tenha se afastado da política em si, mas que tenha ficado desiludido devido àquilo que ele vê?
– E os conceitos de direita e esquerda, que se aplicam de forma tão “fluída”, pelo menos nos partidos brasileiros, estão relacionados a essa não-participação?
– O que mais pesa: a desinformação ou a falta de educação política / consciência cidadã?
– Os jovens militantes que estão dentro de partidos políticos podem realmente influenciar aqueles que não se sentem representados na política e que, por isso, não ligam para ela? Como?
– Há alguma outra forma de atuação política, que não seja a tradicional, em que a juventude esteja envolvida?
– As “juventudes” mantidas pelos partidos políticos são de fato representativas ou são apenas mais uma instância burocrática?
– Qual deve ser o papel das juventudes partidárias no cenário político brasileiro?

Laura Capriglione
– A juventude é vista como fútil, alienada e vítima do consumismo que estimula as experimentações constantes. Você concorda com essa imagem?
– Hoje, vemos a juventude dos anos 60, por exemplo, como mais atuante e consciente. Isso graças a livros, reportagens e até depoimentos como o seu do dia 23 de setembro. Nós vemos como esses jovens corriam riscos para lutar por suas ideologias. O fator risco é primordial na comparação desses jovens com a juventude atual? Como podemos diferenciá-los?
– O movimento dos “Caras Pintadas” se insere como na questão da alienação?
– Ao falar à Folha sobre a invasão da reitora na USP em junho, o filósofo Paulo Arantes afirmou que “o período das grandes marchas acabou”. Ao se deparar com um movimento daqueles, é essa também a sua impressão?
– A Carta Capital divulgou a atual edição do Barômetro Iberoamericano de Governabilidade e, de acordo com essa pesquisa, cerca de 51% dos entrevistados acreditam que há motivos para que o Presidente feche o Congresso. Até que ponto a alienação dos jovens está relacionada com o “desprezo” do Brasil pela democracia? 
– É possível que o jovem não tenha se afastado da política em si, mas que tenha ficado desiludido devido àquilo que ele vê?
– Movimentos sociais apartidários atraem mais o jovem do que os partidários? Por quê?
– O que levaria a juventude às ruas nos dias de hoje?
– O historiador Marco Antônio Villa respondeu minhas perguntas e disse que hoje “a leitura da mídia impressa é muito pequena” e que isso influencia a não-participação. Você concorda?
– O que mais pesa: a desinformação ou a falta de educação política / consciência cidadã?

Marco Antônio Villa
– Historicamente, como é possível classificar a participação política dos jovens? Qual a importância deles?
– A juventude é vista como fútil, alienada e vítima do consumismo que estimula as experimentações constantes. O senhor concorda com essa imagem?
– Hoje, vemos a juventude dos anos 60, por exemplo, como mais atuante e consciente. Como podemos diferenciá-la do jovem dos dias atuais?
– A Carta Capital divulgou a atual edição do Barômetro Iberoamericano de Governabilidade e, de acordo com essa pesquisa, cerca de 51% dos entrevistados acreditam que há motivos para que o Presidente feche o Congresso. Até que ponto a alienação dos jovens está relacionada com o “desprezo” do Brasil pela democracia? 
– O movimento dos “Caras Pintadas” se insere como na questão da alienação?
– Qual é o significado da invasão da reitoria na USP em junho?
– É possível que o jovem não tenha se afastado da política em si, mas que tenha ficado desiludido devido àquilo que ele vê?
– A corrupção está ligada à apatia dos jovens? O estado de inércia vem desde o princípio do governo democrático? Somos por natureza um país de corruptos e de “cidadãos inativos”?
– O fato de os partidos não terem tradição influencia a não-participação dos jovens?
– E os conceitos de direita e esquerda, que se aplicam de forma tão “fluída”, pelo menos nos partidos brasileiros, estão relacionados a essa não-participação?
– O que mais pesa: a desinformação ou a falta de educação política / consciência cidadã?
– Os jovens militantes que estão dentro de partidos políticos podem realmente influenciar aqueles que não se sentem representados na política e que, por isso, não ligam para ela? Como?
– Há alguma outra forma de atuação política, que não seja a tradicional, em que a juventude esteja envolvida?
– Essas novas formas de militância são políticas em prol da sociedade em geral ou elas só visam o bem-estar de determinados grupos?
– As “juventudes” mantidas pelos partidos políticos são de fato representativas ou são apenas mais uma instância burocrática?
– Qual deve ser o papel das juventudes partidárias no cenário político brasileiro?

1.1.2.2 Jovens militantes
– Quando e por que você decidiu buscar a militância em partidos, e não em ONGs, como fazem muitos jovens atualmente?
– Quais os motivos de você ter escolhido esse partido?
– Você tem pretensões de seguir carreira política?
– Quem é ou quem foi o maior exemplo (em se tratando de ideologias) do seu partido? Aquele em que a juventude se espelha?
– Como você define o momento político atual do Brasil?
– Hoje, vemos muito mais partidos que se consideram “de esquerda”. Por que quase não há mais legendas que se declaram “de direita”?
– A reforma política poderia mudar esse quadro?
– Muito mais do que em outros tempos a má conduta de alguns políticos está mais em evidência, os escândalos estão sendo revelados com mais facilidade. Por quê?
– Como acontece a participação política dos jovens dentro do seu partido? Há uma idade mínima e máxima para pertencer à Juventude?
– Quais as maiores diferenças entre a sua Juventude e a dos outros partidos?
– Existe uma conexão ideológica entre as propostas do partido e as da juventude?
– Até que ponto a juventude é reconhecida dentro do partido e suas idéias são levadas adiante como políticas partidárias?
– O jovem é conhecido por sua “liquidez”, suas experimentações constantes. Você vê muitos jovens que entram no partido e desistem logo? Como diferenciá-lo daquele que é engajado por ideologia?
– Como você vê o jovem que está fora dos movimentos partidários?
– Para você, o que é ser um cidadão responsável?
– É possível ser engajado e não estar dentro de um partido político?
– Existem outras formas válidas de participação? Quais são elas?
– Movimentos sociais que se dizem apartidários, como o “Cansei”, são legítimos?
– Quem é o jovem brasileiro hoje?
– O jovem do seu partido se diferencia da maioria? Como?
– A juventude está ciente do que a política representa?
– E sobre o caso “Renan Calheiros”, mesmo com toda repercussão, a falta de medidas tomadas prejudica a participação dos jovens na política? O que mais desestimula os jovens?
– O que você espera que os jovens que não gostam de política entendam?

1.2 Pesquisa bibliográfica

A pesquisa bibliográfica foi essencial para a fundamentação teórica do trabalho. Com ela, tornou-se possível agregar conhecimento às entrevistas e aos perfis traçados, deixando a grande reportagem ainda mais equilibrada e coesa. Além disso, as informações apuradas puderam ser confrontadas, articuladas, contestadas e reafirmadas, a partir de leituras e fichamentos. Portanto, as leituras ajudaram a nortear o diálogo que foi travado com os entrevistados.
A Internet foi muito usada para o levantamento de dados, tais como, os números relativos aos eleitores do Brasil, levantados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e na busca de entrevistados nos sites de Universidades como a USP, por exemplo. Além disso, os sites dos partidos políticos (DEM, PP, PSDB, PMDB, PT, PDT e PC do B) e da União Nacional dos Estudantes (UNE) também foram analisados para a obtenção de conhecimento sobre esses organismos. Artigos como “A história dos partidos políticos no Brasil”, do site Política Voz; “Juventude e adolescência no Brasil: referências conceituais”, organizado por Maria Virgínia de Freitas; “Geração 21”, entrevista feita pela revista Shopping Centers; “Leia íntegra do bate-papo com Laura Capriglione sobre a ocupação da USP”, da Folha Online; e “Quero ser grande”, da revista Isto É Online, sobre a juventude do Brasil, todos disponíveis na Internet, também foram consultados.
A mesma importância têm as matérias de jornais utilizadas, como “Classe média se divorciou de Lula, diz analista”, “Ricos não são menos brasileiros que pobres, diz líder do ‘Cansei’”, “25 anos depois, estudante leva a mãe para a invasão”, todos da Folha de S. Paulo; e “Os jovens e a política”, entrevista do cientista político Kenneth Minogue ao repórter Geneton Moraes Neto para o canal Globo News e publicada no site do Jornal da Globo. 
Os livros relacionados à militância política, jovens atuantes na política e afins têm importância crucial no desenvolvimento da reportagem. Alguns exemplos de obras que foram lidas e consultadas são: “Retratos da juventude brasileira”, organizado por Helena Wendel Abramo e Pedro Paulo Martoni Branco; “Jornalistas e revolucionários”, do autor Bernardo Kucinski; “Cartas a um jovem político”, do ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso; “Cale-se”, de Caio Túlio Costa; “O silêncio dos intelectuais”, organizado por Adauto Novaes; “Vida líquida”, de Zygmunt Bauman; “Como exercer sua cidadania”, da Coleção Entenda e Aprenda, da Bei Comunicação; “O que é participação política?”, de Dalmo de Abreu Dallari; “Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi”, de José Murilo de Carvalho; “História dos partidos brasileiros”, de Vamireh Chacon; “Estado e partidos políticos no Brasil: 1930 a 1964”, de Maria do Carmo Campello de Souza; “Partidos políticos: funcionam?”, de Sérgio Praça e Simone Diniz; “Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política”, de Norberto Bobbio; “Dicionário de Ciências Sociais”, da Fundação Getulio Vargas; “Perfis e como escrevê-los” e “O estilo magazine: o texto em revista”, de Sergio Vilas Boas; “A prática da reportagem”, de Ricardo Kotscho; e “Teoria e técnica do texto jornalístico”, de Nilson Lage. A biblioteca da Universidade Anhembi Morumbi foi o principal ambiente de pesquisas.

1.3 Pesquisa videográfica

O cinema tem grande apelo entre os jovens de hoje. Os filmes não retratam apenas uma juventude alienada, muitos dele mostram o engajamento e a militância. Obras como “Os sonhadores”, de Bernardo Bertolucci; “O que é isso companheiro?”, de Bruno Barreto; “Olga”, de Jayme Monjardim; “Estado de sítio”, de Costa-Gavras; “A história oficial”, de Luis Puenzo; “V de Vingança”, de James McTeigue; “Vocação do poder”, de Eduardo Escorel e José Joffily; e o documentário disponível na Internet “vaia.sp.br”, de Maurício Adachi, foram vistas e analisadas para dar margem e basear a narração da reportagem. Essa pesquisa tem grande relevância na construção de repertório, já que, através do cinema de ficção e de documentários, a realidade é escancarada por diferentes lentes e olhares. 

1.4 Cronograma

Fevereiro: definição do tema e do produto jornalístico. Início da procura de materiais relevantes ao trabalho.
Março: escolha do professor orientador do relatório e elaboração das primeiras versões da Introdução. Busca de materiais para a Fundamentação Teórica.
Abril: entrega da Introdução. Pesquisa e análise de autores, obras, personagens e possíveis pautas de entrevistas. Elaboração e entrega da Metodologia e do Cronograma do projeto. Escolha do professor orientador do produto final. Começo da redação da Fundamentação Teórica. Início das leituras e fichamentos das obras escolhidas.
Maio: entrega da Fundamentação Teórica. Montagem e entrega do esboço do produto. Começo da estruturação final do relatório.
Junho: entrega final do relatório completo. Preparação e apresentação para a pré-banca.
Julho a agosto: leitura de mais obras de referência.
Agosto a outubro: entrevistas com os personagens escolhidos e compilação dos dados levantados para a grande reportagem.
Setembro: realização do primeiro esboço do projeto gráfico.
Outubro: redação da matéria e recapitulação de algumas entrevistas. Montagem do projeto gráfico do produto, diagramação, edição e revisão final. 
Novembro: Envio à gráfica. Entrega final da grande reportagem. Preparação para a apresentação à banca e apresentação.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 PARTICIPAÇÃO E PARTIDOS

Uma das formas de se exercer a cidadania é a participação política. Dentro desse nicho, há diversas coisas que o cidadão pode fazer para acompanhar o que acontece em toda a estrutura econômica, social e política de seu país. O começo de tudo se dá na consciência de cada um sobre os problemas que a sociedade enfrenta e sobre como esse indivíduo pode colaborar para possíveis mudanças. Da mesma forma que um intelectual primeiro se distancia do objeto a ser estudado e o pensa para então dissertar sobre ele (NOVAES, 2006), as pessoas precisam iniciar seu engajamento no mundo das idéias, mas depois precisam se aproximar do real e agir. O fato de um intelectual escrever sobre suas conclusões pode ser comparado ao ato de um cidadão que se engaja dentro de sua sociedade, isso é o “fazer”. A consciência é o início de tudo para ambos os casos, o “pontapé” inicial. O distanciamento das situações só deve acontecer em função de uma análise que irá propiciar chegar mais perto dos dilemas propostos. Mesmo que haja uma situação que seja considerada utópica, pensar a seu respeito e em como tudo deveria ser para atingi-la, já nos abre um caminho que deve ser seguido à frente, sem medos.
Socialmente, participa-se atuando em grupos que tenham quaisquer finalidades para com o bem-estar social. Só o fato de defender algum tipo de ideal e transformá-lo em projetos ou em iniciativas concretas já é um bom princípio. Nos dias atuais, é possível abrir discussões sobre temas que ninguém pensava no passado, como combate ao racismo, feminismo, meio ambiente. Um exemplo: dentro de muitas empresas, há grupos de funcionários que discutem com seus líderes sobre diversas coisas e, com as soluções propostas, podem até evitar confrontos mais graves para os empregadores, como as greves. E pelo fato de antes serem excluídos desse tipo de manifestação, hoje muitos dos que participam são as mulheres e os jovens (CARDOSO, 2006). Além disso, há a militância partidária, que “se dá através da unidade de vontade, ação e disciplina dentro do partido”1 e transforma aspirações individuais em ações coletivas. 
Individualmente, pode-se participar fazendo cobranças, pedidos, sugestões àqueles que têm realmente algum poder de decisão. É possível discutir idéias com outros e incentivá-los também a querer colocar suas opiniões em prática (DALLARI, 1999). É sozinho que se começa a ter idéias de como agir e ser um cidadão político, mas em grupo tudo faz mais sentido, porque aprende-se a lidar com outras pessoas e, dessa forma, a perceber os interesses daqueles que estão a nossas voltas.
O voto é um dos meios mais importantes da participação política. É através dele que se elegem os governantes de um país. No Brasil, o voto é obrigatório, e isso o deixa muito mais parecido com um dever do que com um direito. Para que ele seja bem feito, é necessário que haja total informação dos eleitores e, principalmente, consciência crítica. Mesmo que o processo eleitoral seja tão desenvolvido no país, ainda é difícil dizer que temos um povo, em sua maioria, que sabe votar, ou seja, que vota de forma consciente. Essa informação se faz mais real se concluirmos que um bom voto é aquele que respeita nossos ideais e nossas concepções. E para muitos teóricos isso significa não eleger um candidato específico, mas um partido político (PRAÇA e DINIZ, 2005).

“Partidos políticos são organizações criadas por líderes para disputar eleições. Partidos políticos são frutos dos anseios de parte específicas da sociedade, unidas em torno de interesses comuns. Partidos políticos têm um objetivo principal: vencer eleições. Partidos políticos são canais de participação política usados pela sociedade civil para tornar possível a realização de demandas populares” (Ibidem, p. 5).

Se pensarmos no funcionamento dos partidos políticos do Brasil como organismos que devem abranger ideologias e propostas e transmiti-las aos eleitores, para que dessa forma eles possam se identificar com esse órgão e então votar, as coisas não estão se desenvolvendo muito bem. O brasileiro tem votado em um determinado candidato e não em um partido. Mesmo levando em conta que no caso de deputados federais e estaduais há a possibilidade do voto em uma legenda, em 2002, as legendas partidárias foram votadas por apenas 9,9% dos eleitores, segundo Maria D’Alva KINZO (apud PRAÇA e DINIZ, 2005, p. 19). 
Quando há uma identificação partidária, o eleitorado fica menos suscetível aos discursos elaborados por candidatos de má índole e pode definir o que é, na sua opinião, prioridade ao se eleger alguém. Ao mesmo tempo, quando não há esse relacionamento entre partido e eleitores, muitas vezes, vota-se simplesmente pelo fato de ser obrigatório e aí esse ato já não se caracteriza mais como participação política consciente.

“Os eleitores com identificação partidária chegam às campanhas com disposições preestabelecidas, e as campanhas mobilizam esses laços partidários. O desalinhamento partidário implica que um menor número de eleitores inicie o ciclo eleitoral com tal predisposição, o que os torna mais suscetíveis às polêmicas e temas de curto prazo da campanha” (PRAÇA e DINIZ, 2005, p. 08).

O ato de eleger um candidato sem que seu partido seja importante é chamado de voto pessoal e pode ocorrer por diversos motivos. Um deles é que os meios de comunicação estão ganhando cada vez mais espaço na propaganda eleitoral. Isso faz com que, cada vez menos, o eleitor procure as informações necessárias diretamente com os partidos políticos. O tempo de cada partido se torna efêmero nas televisões ou no rádio, se formos analisar tudo o que cabe a um governo fazer. 
Outra coisa que influencia muito o voto pessoal são as campanhas que visam um grupo específico de pessoas, como a propaganda de um candidato que seja homossexual, que assuma isso e que peça diretamente o voto daqueles que são homossexuais. De acordo com Bruce CAIN, John FEREJOHN e Morris FIORINA, “o voto pessoal refere-se à porção do apoio eleitoral de um candidato que se origina em suas qualidades pessoais, qualificações, atividades e desempenho” (apud PRAÇA e DINIZ, 2005, p. 24). O eleitor que votar nesse candidato o fará por uma opção pessoal, por simpatia àquele indivíduo e não por seu programa ou por suas estratégias políticas.

“De acordo com essa definição, o cidadão que votou em Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno das eleições presidenciais de 1994 porque o Plano Real debelou a inflação (…) não deu um voto pessoal ao candidato. (…) No entanto, inversamente, quem reelegeu José Eduardo Martins Cardozo (PT) vereador por São Paulo em 2000 devido a sua atuação na CPI que julgou a ‘máfia dos fiscais’ (…) deu, sim, um voto pessoal. Elegeu Cardozo por gostar tanto de suas qualidades pessoais (…) quanto de seu desempenho na comissão parlamentar de inquérito” (Ibidem, p. 25).

Muitos brasileiros são vítimas da educação básica precária e essa é uma das causas que está inclusa no fato de não sabermos votar. De acordo com KINZO (Ibidem, p.17), aqueles com mais escolaridade tendem a assimilar melhor o “jogo partidário”. Dados pesquisados por ela, em 2002, na região metropolitana de São Paulo, revelam que a preferência partidária, por escolaridade, é, entre os eleitores de baixa educação, 35,9%; entre os de média educação, 47%; e entre os de alta educação, 57,1%; sendo que a média total dos eleitores que têm preferências por algum partido é de 45,8%.
Outro aspecto relacionado a isso é a falta de informação política. Isso é preocupante, principalmente pelo fato de que “a pessoa que não tem domínio do presente não pode sonhar em controlar o futuro” (Pierre BOURDIEU apud BAUMAN, 2006, p. 166). Uma outra pesquisa, dessa vez de 2004, realizada por Humberto Dantas e José Paulo Martins Jr., sem relacionar escolaridade, indica que, de 0 a 5, sendo 5 o maior nível de informação política, apenas 22,7% dos entrevistados estão entre os níveis 4 e 5 do índice.

“Se extrapolarmos dados da amostra do Estudo Eleitoral Brasileiro para a população como um todo, notaremos que cerca de 80 milhões de brasileiros estão contidos no grau baixo de informação e participação, enquanto 2,5 milhões procuram se informar e participar” (DANTAS e MARTINS JR. apud PRAÇA e DINIZ, 2005, p. 14).

Mais uma agravante no caso brasileiro é que os partidos políticos não têm tradição. As mudanças de sistema afetaram muito as legendas. As do Império se eliminaram com a formação de novos partidos durante a República e esses acabaram com a Revolução de 30. A Ditadura Militar trouxe novamente à nossa nação o bipartidarismo, fazendo com que qualquer outra organização fosse ilegal e clandestina e, “no fim dos anos 1970, a reforma partidária (…) extinguiu essas duas legendas. Nunca houve continuidade nenhuma!” (LAMOUNIER, apud PRAÇA e DINIZ, 2005, p.14). 
Portanto, quando se escolhe um partido, além da simpatia ideológica e sistemática que se tem por ele, é necessário conhecer suas histórias, suas origens.
A origem dos partidos políticos atuais se deu, quase em sua totalidade, após o ano de 1985, pois é a partir daí que se torna livre a criação de novas legendas e a regulamentação de organismos mais tradicionais que foram considerados ilegais durante a Ditadura Militar, como o Partido Comunista do Brasil. Em 1988, os partidos tornaram-se órgãos privados e, dessa forma, passaram a determinar suas próprias regulamentações sem a interferência do governo, o que deu um tom de legitimidade à nova democracia. 
Consideram-se, hoje, como os seis maiores partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados, segundo o cientista político Leôncio Martins RODRIGUES, citado por IZIQUE (2002), o Democratas (DEM) e o Partido Progressista (PP), à direta; o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ao centro; o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), à esquerda, onde pode ser incluído também, o Partido Comunista do Brasil (PC do B).
As diferentes ideologias políticas são expressas, há mais de dois séculos, pelas palavras “direita” e “esquerda”. Hoje, mais do que nunca, esses conceitos são discutidos e se questiona muito sobre a continuação de seus usos. Pode-se alegar uma “crise das ideologias”, afirmando que mesmo nos diferentes partidos elas mais se complementam do que se diferenciam. Para BOBBIO (2001), a questão das ideologias é que elas não desaparecem, elas se renovam, além de existir toda uma contraposição de programas, de interesses e de valores a serem seguidos. Quando olhamos para a situação atual de nosso país, certamente identificamos legendas consideradas antagônicas, mas com as mesmas propostas e idéias, sem haver diferenças ideológicas ou programáticas, e com algumas pequenas discrepâncias, como o quadro de representantes de cada partido. À direita fica mais fácil de encontrarmos componentes vindos de camadas sociais mais altas, como empresários. Nos organismos de esquerda, a evidência vai àqueles que são assalariados e trabalhadores pertencentes à classe média em sua maioria. Ao centro, a situação já é mais balanceada, mas os quadros são compostos, geralmente por “profissionais liberais, executivos e diretores de empresas” (IZIQUE, 2002). Esses são elementos pequenos que diferenciam os lados da política. 
Entretanto, “o critério mais freqüentemente adotado para distinguir a direita da esquerda é a diversa postura que os homens organizados em sociedade assumem diante do ideal de igualdade” (BOBBIO, 2001, p. 111). Do lado direito, vemos que há uma tendência maior ao tradicional, ao conservador, e isso faz com que a naturalidade seja mais aceita e que a direita possa ser chamada de inigualitária. Do lado esquerdo, temos uma “não-aceitação” da situação. A esquerda igualitária sabe que pode mudar as coisas, que aquilo que uma sociedade vive pode ser alterado.

“O igualitário parte da convicção de que a maior parte das desigualdades que o indignam, e que gostaria de fazer desaparecer, são sociais e, enquanto tal, elimináveis; o inigualitário, ao contrário, parte da convicção oposta, de que as desigualdades são naturais e, quanto tal, inelimináveis” (Ibidem, p. 121).

Cada um dos lados “rivais” vê as características do outro como se fossem “defeitos ideológicos”. Ainda falando da igualdade como principal meio para se diferenciar a esquerda da direita, podemos ver que os lados – quando bem definidos – mantêm suas posturas firmes quanto aos seus ideais:

“Para um partidário da direita, a igualdade como elemento tradicional da ideologia de esquerda torna-se nivelamento; para um partidário da esquerda, a desigualdade, entendida como fato não ideologicamente conotado na definição de direita, torna-se ordenação hierárquica” (Ibidem, p. 87).

A idéia de “centro” pode ser assumida como uma solução àquelas combinações partidárias que unem idéias tanto da direita quando da esquerda, além do que, atualmente, os problemas são tantos e tão diferenciados que nada mais justo do que encontrarmos um novo conceito para incorporá-los. 
Hoje, a situação política do Brasil nos revela que muitos partidos têm englobado em suas filosofias a idéia do ‘ser igualitário’. Há crises ideológicas que se iniciam dentro dos órgãos partidários e são refletidas pela sociedade que está de fora. Grande parte dos cidadãos desconfia das legendas principalmente por achar que elas são todas iguais e só visam a corrupção e o mal geral. Tudo isso faz com que, cada vez mais, as pessoas – e principalmente os jovens – se afastem da política. Certamente a sociedade é composta por uma pequena parcela que ainda acredita em mudanças e que vai atrás delas. É possível ouvir rumores, em tons bem baixos, de manifestações em prol de reformas partidárias e políticas, e até mesmo em busca de uma renovação da esquerda. 
O sistema partidário brasileiro, como já foi dito, é extremamente frágil desde seus primórdios. No início da República, as propostas de cidadania eram questionadas por representantes de outros países que não acreditavam no potencial político dos cidadãos brasileiros. Um deles foi Frederick ADAM, representante da Inglaterra, que, em 1891, afirmou que no Brasil “o grosso da população não se interessa por política” (apud CARVALHO, 1987, p. 67).

“No Rio não há nem povo, nem operários, nem artífices, [apenas] alguns grupos de pessoas de cor, fáceis pretorianos cujas aclamações se compram a baixo preço” (AMELOT apud CARVALHO, 1987, p. 67).

Até intelectuais brasileiros questionavam a participação brasileira na política. Raul POMPÉIA não confiava nem naqueles que eram mais inclinados às manifestações e os considerava os movimentos criados fugazes: “nascem da surpresa, do disparate, ninguém sabe como nem por quê; mas também, com o mesmo estouvamento e inopinado, desaparecem e à francesa vão-se embora” (apud CARVALHO, 1987, p. 73). 
Quase sete anos depois do fim da República Velha, o Brasil se encontrava sob um regime autoritário controlado por Getúlio Vargas e, junto à força que se somava contra o Estado Novo, estava a necessidade da atuação de partidos políticos, mas eles nasceram em condições que asseguraram sua fragilidade por todo esse tempo. Podemos dizer que três fatores foram fundamentais para que isso se sustentasse:

“a concepção de vida parlamentar e partidária mantida pela grande maioria da elite política brasileira, o peso inibidor da estrutura institucional do Estado Novo marcada pela centralização e hipertrofia do Poder Executivo e, finalmente, a conjuntura na qual se deu a queda de Vargas, cujas circunstâncias peculiares não amenizaram o efeito atrofiador dos primeiros fatores sobre o nascimento e evolução do sistema partidário” (SOUZA, 1983, p. 64).

Os políticos e legisladores que se encarregaram da formulação partidária eram os mesmos que na década de 30 se adaptaram às “doutrinas antiliberais” e os partidos implantados em 1945 se estruturam sobre a noção de que “o país não se encontrava ainda “maduro” para um regime democrático” (Ibidem, p. 81). Desde então, a instabilidade dos partidos é visível e, como agravante, tivemos a Ditadura Militar em 1964 que forçou o bipartidarismo, que, por sua vez, levou as legendas à clandestinidade até que pudessem se restabelecer a partir dos anos 1980. 
O PP, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PT e o PC do B se assemelham em alguns aspectos e talvez por terem sido todos regulamentados com o final da Ditadura Militar; todos eles enxergam na democracia um objetivo fundamental e inquestionável. Ao traçarmos suas trajetórias, vemos que seus caminhos estão ficando cada vez mais semelhantes, o que pode ser a causa para a perda de legitimidade que as legendas têm sofrido.
O atual Democratas (DEM) nasceu em 1985 e foi fundado como Partido da Frente Liberal (PFL) por Aureliano Chaves, Marco Maciel e Jorge Bornhausen. A mudança de nome ocorreu apenas recentemente, em maio de 2007, e seu novo presidente é Rodrigo Maia. Sua principal atuação política se deu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, já que o vice-presidente da República era Marco Maciel. O DEM representa, atualmente, uma das maiores oposições ao atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Além de propor uma mudança significativa na Constituição, tem como objetivos em seu programa a defesa da democracia, do liberalismo social e econômico. Os próprios membros do partido não mais o consideram de direita e sim um partido que se encontra ao centro2. 
O Partido Progressista (PP) é resultado de diversas fusões, acontecidas desde 1985. Em 1993, a fusão do Partido Democrático Social (PDS) com o Partido Democrata Cristão (PDC) resultou no Partido Progressista Reformador (PPR). Em 1995, o PPR se funde com um já existente PP; nasce, então, o Partido Progressista do Brasil (PPB), que, com o final do governo de Fernando Henrique, passou a chamar-se, novamente, apenas Partido Progressista, o PP. Como um dos principais componentes da legenda está Paulo Maluf, personagem polêmico, que, mesmo após protagonizar diversos escândalos, foi o deputado federal mais votado no Brasil nas eleições de 2006, com 739.827 votos contabilizados3. Hoje, o partido pode ser considerado parte da base aliada ao governo do PT dentro do Congresso Nacional. O PP defende em seu programa a democracia, a economia livre e a liberdade. Prega, também, o fortalecimento da Federação, fomentando a privatização das atividades econômicas. 
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) surgiu em 1988, e, desde então, tem entre seus principais componentes o sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. No seu quadro de representantes políticos, já esteve Mário Covas e tem hoje José Serra, atual governador de São Paulo; Geraldo Alckmin, que concorreu ao cargo de Presidente da República junto a Luiz Inácio Lula da Silva; e Aécio Neves, o atual governador de Minas Gerais. O PSDB tem como característica a representação da social-democracia e a defesa da livre participação das empresas privadas na economia de mercado, regulamentada pelo Estado. De acordo com seu programa de 2001, a economia brasileira precisa tanto do livre mercado quanto do Estado, um não pode ser superior ao outro. Para eles, é necessário pensar naquilo que o momento pede, levando em conta as necessidades da economia e do cidadão-consumidor. Apesar de ser considerada uma legenda importante de oposição ao governo atual, seus componentes identificam o partido como sendo de ordem central, mas com uma inclinação à esquerda. Há discordâncias, especialmente vindas da parte de simpatizantes da esquerda, que afirmam que as características do PSDB são de direita, pois nele enxergam tendências neoliberais. 
Em 1979, foi regulamentado o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que tornou-se PMDB em 81. Foi expressivo na campanha das “Diretas Já” em 1983. A principal liderança dos peemedebistas se deu na figura de Ulysses Guimarães, falecido em 1992. Tem como característica fundamental de seu programa a defesa da democracia, e essa luta começou durante a Ditadura Militar, já que o MDB era o único partido que confrontava o ARENA (partido dos militares) e que podia lançar contracandidatos naquela época de bipartidarismo. O PMDB visa o desenvolvimento pleno do país como solução. Prega a “liberdade, o bem-estar social, a igualdade de oportunidades e de participação nos bens materiais que a riqueza e o desenvolvimento do país já permitem”4. É uma legenda considerada de centro e uma das mais heterogêneas do cenário político brasileiro. Seus componentes têm posições diferenciadas a respeito do atual governo. 
O esquerdista Partido Democrático Trabalhista (PDT) teve sua regulamentação em 1981 e foi inspirado na Declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas, na carta testamento de Getúlio Vargas e na Carta de Lisboa, elaborada durante o “Encontro dos trabalhistas do Brasil com os trabalhistas no exílio”, em Lisboa, em 19795. Defende em seu programa a democracia, o nacionalismo e o socialismo. “Somente a participação popular nas decisões da vida nacional pode levar a um nacionalismo e socialismo fraternos e em liberdade” (CHACON, 1985, p. 673). Nas eleições de 2006, o partido lançou a candidatura à presidência de Cristovam Buarque e, no segundo turno, apoiou Lula. Hoje, o PDT também se encontra na base de aliados do governo, apesar de discordância durante o primeiro mandato do presidente – a aliança dos dois partidos foi rompida em 2002 sob o comando de Leonel Brizola, ex-líder do PDT. 
O Partido dos Trabalhadores (PT) surgiu em 1980 da necessidade de intervir na vida social e política do país. “(…) nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilégios” (Ibidem, p. 694). Pregava, em seu programa original, a independência nacional; contra a dominação imperialista; política externa independente; e combate a exploração pelo capital internacional. Criticava a postura da social-democracia, baseada em princípios marxistas, mas, com o passar do tempo, o PT tornou-se mais maleável às ideologias capitalistas e, durante os governos de Lula, a legenda se posicionou de forma mais conservadora. Em 2003, membros do partido, como a Senadora Heloísa Helena e os Deputados João Batista (Babá), João Fontes e Luciana Genro, foram expulsos por não concordarem com o inclinamento econômico ortodoxo e conservador do governo. Diante do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT continua com uma política econômica conservadora e com interesses mais corporativos. 
Saído da ilegalidade em 1985, o Partido Comunista do Brasil (PC do B) tem suas bases instaladas no marxismo e no leninismo. Defende a democracia e o socialismo científico – é contra as propriedades privadas de produção e a favor das sociais. Apoia-se no trabalho livre e no desenvolvimento de técnicas que assegurem o crescimento do país. Continua, até hoje (desde 1989), aliado ao PT, mesmo discordando da postura econômica tomada pelo governo. O PC do B tem forte influência nos ambientes estudantis e tem como braço a União da Juventude Socialista, a UJS. 
O bipartidarismo da Ditadura Militar tornava as coisas mais fáceis àqueles que desejavam adentrar na carreira política, mas em nada se relacionava com a democracia. Hoje, vivendo em um sistema democrático, as opções de partidos são diversas e fica cada vez mais difícil optar, já que todos têm apenas detalhes que os diferenciam. O contexto histórico atual deve ser observado para que soluções pertinentes sejam tomadas. Não o fazer é um erro que não pode ser cometido por aqueles que pretendem se colocar de forma prática na militância política, seja ela dentro de um partido ou não.
Com tantos abusos rondando a política em nosso país, as pessoas preferem se omitir dessa atividade quando poderiam fazer justamente o contrário. O jovem, que representa o futuro, tem que se preocupar mais com isso. Participar de forma honesta e consciente pode qualificar uma melhora da situação. De acordo com Fernando Henrique Cardoso (2005), o jovem é menos conformista e tem “mais energia para mudar as coisas”. Afirmações como “nosso país não tem solução” não devem ser encaradas como verdades absolutas. A utopia e as idealizações são necessárias e constroem questionamentos úteis na caminhada em direção às mudanças.

“Os jovens” das décadas de 60 e 70 “iluminaram um caminho novo, como uma espécie de batedores dos movimentos de massa pró-democracia. Ajudaram a erigir os pilares de futuras formações partidárias, cujo desenlace culmina no PT, de esquerda, e no PSDB, de centro-esquerda. Alguns foram para o MDB, que se tornou PMDB, também de centro-esquerda – é bom pontuar, mesmo que no começo do século XXI essas denominações soem fora de moda” (COSTA, 2003, p. 294).

E quanto à provável perda dos ideais dos jovens de hoje, grande parte da culpa por isso ter acontecido vem da própria política e da falta de saber político.

“A ignorância política tem a capacidade de se autoperpetuar, e uma corda feita de ignorância e inação vem a calhar quando a voz da democracia corre o perigo de ser sufocada ou ter suas mãos atadas. 
Precisamos da educação ao longo da vida para termos escolha. Mas precisamos dela ainda mais para preservar as condições que tornam essa escolha possível e a colocam ao nosso alcance” (BAUMAN, 2007, p. 166).

Para que essa situação seja revertida, é necessário que a juventude veja que é possível mudar e que ela pode estar representada dentro ou fora dos partidos políticos, por aqueles mais velhos ou, ainda e de forma mais importante, por si mesma (CARDOSO, 2005).

2.2 O JOVEM ONTEM

Para falar de um jovem que “tinha seus ideais intactos”, nos remeter a uma época já tão comentada, mas nunca esgotada, é inevitável. A repressão no Brasil mostrou a expressividade do jovem na política e em prol do bem-estar social. 
Ao contrário de muitos que viam na Ditadura Militar apenas o desenvolvimento, a segurança e o ‘milagre econômico’, sem se dar conta dos assassinatos cometidos, da tortura e das injustiças, muitos jovens que tinham como ídolos cantores e compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso, entre outros, se organizavam para tentar combater aquele regime da única maneira que imaginavam: através da luta armada. 
Realmente, havia aqueles que pegavam em armas e que usavam de táticas de guerrilha, como o MR8 – Movimento Revolucionário 8 de outubro; e a ALN – Ação Libertadora Nacional, que “surgiu como uma facção discordante do Partido Comunista Brasileiro” (COSTA, 2003, p. 27). Essas organizações eram chamadas de terroristas pelos militares no poder e, a partir daí, a violência só aumentava em ambas as partes. Por outro lado, havia aqueles que se reuniam, clandestinamente, apenas para discutir a situação, mas o regime não perdoava e os prendia e torturava sob o pretexto da segurança nacional.
A Universidade de São Paulo (USP) reunia diversos movimentos estudantis e se mantinha constantemente na mira dos agentes ditatoriais. Alexandre Vannucchi Leme foi uma das vítimas. O estudante de Geologia militava na ALN e foi preso e torturado no ano de 1973.

“Aquele Alexandre era o Minhoca, porque pequeno e franzino, 22 anos, tinha 1 metro e 62 centímetros de altura, 60 quilos, míope, dispensado de servir ao exército (…), estudante de Geologia na USP, muito popular e querido entre os colegas. Sim: militante da ALN junto à universidade, (…). Só dissera o seu nome, não abrira nada” (Ibidem, p. 24).

Naquela época, os anos 60 e 70, ser militante político representava um alto risco. Até a execução de Alexandre, já haviam sido contabilizados mais de 38 assassinatos pelo regime. A ALN não era popular entre as pessoas, e nem mesmo a imprensa estava disposta a colaborar. O maior número de recrutas vinha das universidades. Mesmo assim, era muito difícil manter o controle da situação. Com o endurecimento da Ditadura Militar, os movimentos estudantis passaram a ser cada vez mais controlados e as manifestações nas ruas já não aconteciam mais. 
A União Nacional dos Estudantes (UNE) teve um papel importante na batalha contra a Ditadura Militar. Fundada em 1937, visava a criação de uma entidade legítima que abrigasse os estudantes do Brasil. A partir de 1964, o órgão se tornou ilegal, mas não deixou de atuar contra as freqüentes atrocidades que aconteciam na sociedade. Muitos de seus membros foram presos, torturados e exilados, entre eles José Dirceu, um dos fundadores do PT, ex-presidente do partido e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula. Honestino Monteiro Guimarães, da mesma turma que Dirceu, “ficou no Brasil, entrou para a clandestinidade e assumiu a presidência da proscrita União Nacional dos Estudantes” (COSTA, 2003, p. 130). 
Junto aos jovens e, geralmente feita por eles, a imprensa também comparecia.

“A imprensa alternativa surgiu da articulação de duas forças igualmente compulsivas: o desejo das esquerdas de protagonizar as transformações que propunham e a busca, por jornalistas e intelectuais, de espaços alternativos à grande imprensa e à universidade” (KUCINSKI, 2003, p. 16).

Com sua importância explicitada após o golpe de 64, a mídia alternativa apresentava não só características inovadoras quanto ao seu formato, mas também, esses veículos alternativos, presentes em todos e quaisquer momentos de contravenção, tentavam burlar a censura e publicavam matérias com conteúdo revolucionário, cheias de mensagens subliminares para que a população pudesse ter noção do que estava acontecendo.

“Em contraste com a complacência da grande imprensa para com a ditadura militar, os jornais alternativos cobravam com veemência a restauração da democracia e do respeito aos direitos humanos e faziam crítica do modelo econômico. Inclusive nos anos de seu aparente sucesso, durante o chamado ‘milagre econômico’, de 1968 a 1973” (Ibidem, p. 13).

Ao contrário da mídia que obedecia às ordens dadas pelo governo militar, a imprensa alternativa era perseguida e submetida à censura prévia. Mesmo assim, muitas edições das publicações foram apreendidas e editores foram presos em prol da segurança nacional contra o avanço comunista.
Dentro dos ‘alternativos’ havia aqueles que se mostravam essencialmente políticos, que usavam de uma linguagem mais pedagógica e dogmática para valorizar o nacional e o popular; e havia os jornais que eram inspirados nos movimentos de contracultura norte-americanos (KUCINSKI, 2003).
Nessas publicações que visavam a “ruptura cultural”, o principal caminho para a transmissão das informações era o humor e uma linguagem mais coloquial, que mudaram os textos jornalísticos e publicitários. Como uma das principais publicações da época, podemos citar o jornal O Pasquim, que tinha uma diagramação leve e uma linguagem que visava atingir os jovens em geral. Contavam com intelectuais, músicos, políticos, jovens e mulheres, além dos próprios jornalistas. E, ao final, eram poucos os que não sofriam as conseqüências.

“O Pasquim mudou hábitos e valores, empolgando jovens e adolescentes nos anos de 1970, em especial nas cidades interioranas que haviam florescido durante o milagre econômico, encapsuladas numa moral provinciana” (Ibidem, p. 15).

A vida dos jornais alternativos era curta. “Do universo levantado de cerca de 150 jornais, um em cada dois não chegava a completar um ano de existência” (Ibidem, p. 24). Talvez essas publicações só tinham sentido quando atreladas à Ditadura Militar. “Sua única razão de existir era a Resistência” (Ibidem, p. 25). 
A influência da política no jornalismo e o engajamento jornalístico que eram refletidos pelas publicações vinculadas a partidos políticos foram se esmorecendo ao longo dos anos 80 e passaram a ser vistos apenas nas próprias legendas e em sindicatos.
“O desaparecimento quase total e repentino da imprensa alternativa parece ter sido premonitório, corroborando a tese de que essa imprensa, por estabelecer pontes entre organizações e a sociedade, antecipa as grandes transformações. Nesse caso, por raciocínio inverso, podemos entender o próprio surgimento da imprensa alternativa dos anos de 1970 como uma das últimas grandes manifestações da utopia no Brasil. Estimulado pelo surgimento da ditadura, mas com direito próprio de existência na história” (Marco Aurélio GARCIA apud KUCINSKI, 2003, p. 28).

Mesmo correndo riscos extremos, muitos jovens mostravam seus rostos na luta para um país melhor e mais justo. Talvez, justamente pelos perigos enfrentados por essa juventude engajada e corajosa, seja mais fácil identificá-los como militantes da causa política. Os atos revolucionários ‘apagaram’ da história aqueles que não se interessavam, que estavam alienados e que poderiam ser chamados de fúteis.

“Aquilo ali era o espectro da morte. Lá, qualquer um de nós estava a um passo da morte. E sem referência nenhuma. Emagreci quase 30 quilos. Não tinha esse negócio de sair e fazer análise em seguida. A nossa cultura era de classe média. Análise era uma coisa muito da elite. A gente achava que a revolução ia curar tudo isso” (Adriano DIOGO apud COSTA, 2003, p. 275).

O que podemos enxergar nos dias atuais é o contrário. Uma maioria vista como ‘anestesiada’ impede a percepção de que os jovens de hoje, mesmo que poucos, também podem ser caracterizados como engajados.

2.3 O JOVEM HOJE

São muitos os nomes dados pela mídia aos jovens de hoje. Geração Coca-Cola, Zapping e Yeppies são alguns exemplos. Esse último representa a Young Experimental Perfection Seekers, uma geração criada pelos Yuppies dos anos 80 que buscavam dinheiro acima de tudo. Criados sobre bases que não oferecem referências nos dias atuais, esses jovens buscam novas identidades e se entregam ao não comprometimento6. O mercado espera que esse seja realmente o retrato da juventude, afinal, eles consomem de modo desenfreado, a “economia de consumo também deve ser uma economia de envelhecimento rápido, obsolescência quase instantânea e veloz rotatividade” (BAUMAN, 2007, p. 36).

“A geração atual vive em um ambiente claramente pós-moderno, ou seja, fluido e fragmentado, em que, da moda à sexualidade, do trabalho à música, não há referência sólida para absolutamente nada. Mesmo assim, ela foi educada segundo valores do século passado, em que todas as coisas eram caracterizáveis, rotuláveis e classificáveis. Em evidente conflito, ela sabe quase instintivamente que o valor atual está na combinação de elementos – roupas, conhecimentos, referências culturais, relações afetivas e experiência profissional – os mais variados possíveis” (LIMA, 2006, p. 8).

Mesmo consumindo dessa maneira, essa juventude não consegue se satisfazer com nada. Tudo é muito rápido e ela sente a necessidade de experimentar cada vez mais. Essa sociedade de consumo que o filósofo Zygmunt Bauman chama de “líquido-moderna”, “despreza os ideais de ‘longo prazo’ e da ‘totalidade’” (BAUMAN, 2007, p. 63). Há uma busca desenfreada por algo que “lhes aumente o significado e a perspectiva de vida” (LIMA, 2006, p. 10). Um exemplo de que, nesse caso, nem o dinheiro passa a ter tanta importância é que muitos jovens ricos estão procurando trabalho em áreas não-convencionais, como os voluntários e em ONGs. 
Essa vida de imediatismos, de inconstâncias pode também ser caracterizada por sua liquidez. “A vida líquida é uma sucessão de reinícios, e precisamente por isso é que os finais rápidos e indolores, sem os quais reiniciar seria inimaginável, tendem a ser os momentos mais desafiadores e as dores de cabeça mais inquietantes” (BAUMAN, 2007, p. 08). Em todos os tipos de relacionamento aqueles que vivem essa vida começam e recomeçam infinitas vezes e as experiências vividas passam a ser lixo. Lixo produzido e descartado, que não terá finalidade alguma. Exatamente como ocorre com as mercadorias. Os produtos daquilo que se viveu tornam-se mercadorias e perdem sua utilidade.

“A cultura líquido-moderna não se percebe mais como uma cultura do aprendizado e do acúmulo, como as outras registradas nos relatos de historiadores e etnógrafos. Parece, em vez disso, uma cultura do desengajamento, da descontinuidade e do esquecimento” (Ibidem, p. 84).

O que podemos esperar é que com o tempo venha a experiência que satisfaça e que ela tome o lugar da experimentação constante, mas, mesmo assim: “o espírito questionador e inquisidor tenderá a formar um adulto mais tolerante e aberto às mudanças sociais” (LIMA, 2006, p. 11).
O jovem vive em realidades diferentes no Brasil; uma grande maioria tem que trabalhar para conseguir seu próprio sustento e, algumas vezes, o sustento de toda família. A visão que a mídia tem do jovem como exclusivamente agente consumidor é errônea e só ilustra seus próprios interesses, mas só pode ser confrontada por aqueles que têm acesso às pesquisas, como a produzida pelo Projeto Juventude em 2003. “Hoje o alerta inicial é o de que precisamos falar de juventudes, no plural, e não juventude, no singular, para não esquecer as diferenças e desigualdades que atravessam esta condição” (ABRAMO, 2005, p. 43).
O projeto coordenado pelo Instituto Cidadania foi revelado na obra “Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional” (2005), que, por sua vez, foi coordenado por Helena Wendel Abramo e Pedro Paulo Martoni Branco.

“A noção de condição juvenil remete, em primeiro lugar, a uma etapa do ciclo de vida, de ligação (transição, diz a noção clássica) entre a infância, tempo da primeira fase de desenvolvimento corporal (físico, emocional, intelectual) e da primeira socialização, de quase total dependência e necessidade de proteção, para a idade adulta, em tese a do ápice do desenvolvimento e de plena cidadania, que diz respeito, principalmente, a se tornar capaz de exercer as dimensões de produção (sustentar a si próprio e a outros), reprodução (gerar e cuidar dos filhos) e participação (nas decisões, deveres e direitos que regulam a sociedade)” (Ibidem, p. 40).

Desse modo, o recorte utilizado quanto à idade será de 15 a 24 anos, o mesmo utilizado na pesquisa do Instituto Cidadania e por instituições de pesquisa, como o IBGE, mas é importante frisar que esses são números relativos, já que as experiências pessoais subordinadas às desigualdades sociais levam a caminhos também diferenciados. 
Quem é o jovem brasileiro? Agora que sabemos a idade em que se encontram, podemos agrupar vários dados obtidos na pesquisa para traçarmos um perfil da juventude.

“A moderna condição juvenil na sociedade ocidental sempre foi caracterizada pela manutenção de relações importantes, embora diversas, entre duas agências primordiais da reprodução social: a família e a escola” (SPOSITO : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 89).

Quando entra em pauta a escolaridade, 42% dos entrevistados foram até o ensino fundamental, enquanto 52% têm até o ensino médio (completo ou não) e apenas 6% se encontram no nível do ensino superior, ou acima dele. 81% dos jovens moram em meio urbano, 48% vivem com os pais e 78% dos que participaram da pesquisa são solteiros. Os jovens – em sua maioria – se dizem muito satisfeitos com suas famílias, com sua sexualidade, com sua saúde e aparência física, com seus amigos, com a casa em que moram e com a capacidade de tomar decisões. O número vai baixando quando se fala em amor e, principalmente, nas possibilidades de trabalho nos dias de hoje.
A adolescência espelha uma situação confusa, cheia de sentimentos confusos. É paradoxal vermos que em uma sociedade onde 36% dos jovens está trabalhando e 32% já trabalhou e está desempregado (ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 372, gráfico 3), 45% deles acham que a melhor coisa de ser jovem é não ter preocupações ou responsabilidades (Ibidem, p.379, gráfico 18). O trabalho, considerado por 39% dos jovens uma necessidade, não parece receber também o significado de responsabilidade.
Logo abaixo da violência (55%), o desemprego é o que a juventude mais teme (52%).

“Quase universal é a preocupação com o desemprego: altíssima para todos os grupos pesquisados. Três em quatro jovens se dizem muito preocupados com o desemprego, e mais de um quinto se diz um pouco preocupado. (…) se a necessidade e o tipo de trabalho variam de acordo com a situação social, o medo da sua falta atinge todos os setores. Pode-se dizer mesmo que aparece como uma forte marca geracional” (ABRAMO, 2005, p. 54).

Outras preocupações dos jovens são drogas, educação, saúde, fome/miséria, família, crise financeira, assuntos pessoais, questões sociais e só então a administração política no Brasil, ainda acima de meio ambiente, moradia e sexualidade. Os jovens gostam de suas vidas. Gostam de ser jovens. 74% deles acham que têm mais coisas boas no fato de serem jovens. Quando questionados sobre as piores coisas de ser jovem (ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 380, gráfico 19), 26% responderam que não têm nada de ruim, 23% acham que é conviver com os riscos e 22% consideram a falta de liberdade como algo perturbador.
A liberdade é algo que a juventude aprecia. Eles gostam de ir ao cinema, jogar bola, ir a shows de música, à igreja, culto ou missas, ir à praia, ao shopping, participam de festas na casa de amigos, vão a bares, namoram, viajam nos finais de semana e todas as outras coisas que podem ser consideradas “naturais” para um jovem ou um adolescente fazer (Ibidem, p. 418, gráfico 83).

“É principalmente nos tempos livres e nos lazeres que os jovens constroem suas próprias normas e expressões culturais, ritos, simbologias e modos de ser que os diferenciam do denominado mundo adulto. No contexto de menor controle das gerações adultas, os jovens elaboram subjetividades coletivas em torno de culturas juvenis” (BRENNER, DAYRELL e CARRANO : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 176).

O uso de drogas lícitas e ilícitas está, também, constantemente atrelado ao fato de ser jovem. É nessa fase que acontece, na maioria das vezes, a experimentação dessas substâncias. Dos 26% que afirmaram fumar ou já ter fumado tabaco, 7% começaram entre 14 e 15 anos e 6% entre 16 e 17 anos. No caso das bebidas alcoólicas, dos 68% que bebem ou já beberam, 13% começaram com 15 anos, 12% com 16 anos e outros 12% com 18 anos ou mais. Dos 12% que assumiram já ter experimentado o uso da maconha, 21% o fizeram quando tinham entre 15 e 16 anos e 29% com 17 ou 18 anos. Apenas 3% dos entrevistados confirmaram já ter usado crack ou cocaína e a média da idade em que começaram é de 16 anos e 8 meses. O jovem faz parte da “população que mais tem potencial de aumentar o consumo e é sensível a mensagens que associem o uso desses produtos a uma identidade geracional” (CARLINI-MARLATT : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 305). Faz-se necessário que a informação sobre os danos que todas as drogas causam seja cada vez mais acessível à população. Por serem considerados tão volúveis e tão manipuláveis, os jovens precisam de mais segurança, pois, de acordo com a pesquisa, 72% dos entrevistados conhecem algum usuário de maconha e 32% conhecem usuários de crack ou cocaína.
Mesmo que o “o quadro do consumo de drogas ilícitas no Brasil, quando comparado com o cenário internacional”, seja “discreto”, isso vem aumentando ao longo dos anos (Ibidem, p. 309). Os efeitos disso podem ser vistos não só nas ruas como também na alta sociedade, que se aliena cada vez mais em busca desse prazer instantâneo e fugaz que as drogas oferecem.
Mas, nas discussões de Paul Singer e de Paulo Krischke a respeito da mesma pesquisa, fica claro que os jovens, independentemente da classe social, são otimistas e afirmam que podem mudar o mundo. Singer percebe ainda que para eles isso se dá pela ação direta e, de certa forma, individual e não através da militância política. “A juventude deseja ajudar o mundo a mudar e pensa em fazê-lo menos mediante a militância política do que pela ação direta” (SINGER : in ABRAMO E BRANCO, 2005, p. 35). Dentro dos 54% dos jovens que acreditam que política é muito importante e dos 33% que acham que esse é um assunto mais ou menos importante (Ibidem, p. 406, gráfico 65), apenas 53% têm sua preferência na democracia. Uma agravante para isso é que esse nível tem se mantido estável, de acordo com pesquisas anteriores feitas por José MOISÉS nos anos 1989 e 1993 para sua obra “Os brasileiros e a democracia. Bases sociais da legitimidade democrática” (apud KRISCHKE : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 327). Para Bauman “a democracia não pode sobreviver por muito tempo diante da passividade dos cidadãos em função da ignorância e indiferença políticas”. (BAUMAN, 2007, p. 164). E ainda sobre essa indiferença, 50% dos entrevistados não acreditam poder influir na vida política do país, número que poderia ser mudado se esses jovens tivessem plena consciência de que é possível participar dessas atividades políticas.

“Vimos então que o índice de opção formal da juventude pela democracia tem se mantido estável na última década e divide meio a meio o espaço de opções com aqueles que não manifestam compromisso explícito com o regime democrático” (KRISCHKE : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 348).

Participação política, para a juventude, ainda é algo que precisa ser divulgado e explicado. A pesquisa do Instituto Cidadania entrevistou 3.501 jovens e apenas 15% afirmaram participar de algum tipo de associação e, dentre elas, nomearam as de jovens de igreja, de música, dança, teatro e futebol (ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 400, gráfico 56). Como resultado mais expressivo, temos os 84% dos jovens que nunca fizeram e nem gostariam de fazer parte de partidos políticos, em oposição aos 12% que não fazem, mas gostariam, e 1% que o faz (Ibidem, p. 401, gráfico 58). A chama da rebeldia que vemos nos jovens dos anos 60 parece realmente ter se apagado.

“A partir dos anos 70, ocorre uma grande modificação no cenário. Os movimentos estudantis retomam a possibilidade de organização e manifestação pública e participam ativamente da luta pelo fim do regime militar instaurado em 1964; mas em seguida, no processo de redemocratização, vão perdendo paulatinamente sua força e capacidade de representação e legitimidade social” (ABRAMO, 2005, p. 23).

Para SINGER, as mudanças no cenário da militância jovem passaram a ocorrer entre 1971 e 1979 quando o comunismo soviético foi “desmascarado”.

“Grande parte do povo, sobretudo os jovens, estava insatisfeita e desesperada, disposta mesmo a morrer em protesto contra regimes pelos quais outros jovens se deixaram matar uma geração antes” (SINGER : in ABRAMO e BRANCO, 2005, p. 31).

Ver a política ir para um lado diferente de tudo aquilo pelo que lutaram desanimou e desiludiu toda uma juventude. “A desilusão com a via política para a revolução foi acompanhada por profundas mudanças econômicas e sociais: as fronteiras nacionais deixaram cada vez mais de ser barreiras às trocas comerciais e aos fluxos de capitais” (Ibidem). Hoje, são poucos os jovens que ainda lutam por seus ideais, mas eles existem dentro e fora dos partidos políticos. Torna-se cada vez mais fácil encontrarmos aqueles que buscam outras plataformas de participação. As ONGs, os blogs, as comunidades em sites de relacionamentos, os movimentos sociais que surgem ao nosso redor têm grande freqüência daqueles que se cansaram de uma “forma clássica” de se fazer política.
A recente invasão da USP, que durou cinqüenta dias e exigia uma posição da reitoria sobre as medidas restritivas tomadas pelo governo de José Serra, exemplifica a nova forma de se fazer política. “O período das grandes marchas acabou”, afirmou o filósofo Paulo Arantes7.

“No conteúdo, não há nenhuma alternativa política substantiva. Na forma, é uma ação política inédita, que tende a se multiplicar, como fórmula, independentemente do conteúdo. O contágio então vem da tecnologia política, do modo de fazer. O conteúdo está na forma” (ARANTES apud MACHADO, 2007).

Essa camada da população, a juventude, precisa saber que o engajamento é importante, mas com consciência de que não são apenas eles os responsáveis por possíveis mudanças sociais (ABRAMO, 2005). Aqueles jovens que já participam e, principalmente, militam de forma organizada dentro de alguma legenda podem e ajudam a divulgar a importância de seus trabalhos. 
A UNE, tão atuante na vida política do País, continua a exercer suas funções. Hoje, ela organiza a rede do movimento estudantil que visa a reivindicação dos pontos de vista de seus participantes, “cobra do poder público e busca mobilizar os jovens para participar e influenciar os rumos da educação do país”8. Qualquer um pode fazer parte dessa organização. Sua proximidade com a esquerda se dá “porque é comprometida com o povo e com suas necessidades”9. Houve mudanças na UNE, mas o próprio ensino também mudou. Com o aumento das universidades particulares, a UNE teve que ampliar sua área de atuação e se adaptar ao novo estilo de vida dos estudantes. Na década de 60

“mais de 80% dos alunos estudavam nas universidades públicas, em período integral (…). Atualmente, na sociedade de massas, além do novo perfil do estudante trabalhador (…), mais de 70% das vagas concentram-se na rede privada (…). Nestas instituições privadas e recentes, muitas vezes sequer é permitida a organização do movimento estudantil”10.

É de extrema importância que a juventude se reconheça nas atividades políticas, para que dessa forma haja menos desconfiança e mais ação, afinal:

“por mais desmoralizada que seja atualmente a atividade política, alguém tem que se ocupar da tarefa de governar o Brasil. Porque o Brasil, como qualquer outra nação, precisa ser governado. E se os melhores não cuidarem disso, a atividade política fica nas mãos dos piores, ou dos medíocres” (CARDOSO, 2006, p.12). 
A vida se faz de momentos e de situações políticas e todos têm que, no mínimo, entendê-los para poder questioná-los e, assim, dar andamento à consolidação da democracia que nos custou tantas vidas e sofrimentos.

3 ESBOÇO DO PRODUTO

3.1 Definição conceitual

Desde o princípio da execução do Projeto Experimental em Jornalismo, definiu-se, junto com o tema, que a forma de apresentação do conteúdo seria uma grande reportagem para ser publicada em uma revista mensal, a Rolling Stone. Através de perfis construídos, os leitores saberão mais sobre a vida e a rotina de jovens militantes.

“A grande reportagem rompe todos os organogramas, todas as regras sagradas da burocracia – e, por isso mesmo, é o mais fascinante reduto do Jornalismo, aquele em que sobrevive o espírito de aventura, de romantismo, de entrega, de amor pelo ofício” (KOTSCHO, 1995, p. 71).

Esse gênero de apresentação se caracteriza pelas altas produções necessárias; pelas longas pesquisas; por investimentos e sacrifícios feitos tanto pelo repórter, quanto pelos donos do meio em que a reportagem será publicada; além disso, uma característica essencial da grande reportagem é o seu tamanho, que, normalmente, estende-se por muito mais linhas do que uma notícia.
Para Nilson Lage, outra coisa que difere, fundamentalmente, a notícia da grande reportagem é que uma “expõe um fato ou seqüência de fatos” e a outra é “o relato detalhado” de um acontecimento. “A intensidade, profundidade e autonomia do jornalista no processo de construção da matéria são, por definição, maiores na reportagem do que na notícia” (LAGE, 2005, p. 139).
Na grande reportagem, o tempo já não é tão importante. A notícia requer algo muito mais imediato do que uma matéria mais extensa, já que a segunda precisa de mais dados, de mais informações, precisa do ‘desenrolar’ dos fatos. Nela deve-se “explorar um assunto em profundidade, cercando todos os seus ângulos” (KOTSCHO, 1995, p. 71). 
Sobre revistas semanais, ou até mesmo as mensais, Sérgio Vilas Boas diz que:
“As revistas fazem jornalismo daquilo que ainda está em evidência nos noticiários, somando a estes pesquisa, documentação e riqueza textual. Isso possibilita a elaboração / produção de um texto prazeroso de ler, rompendo as amarras da padronização cotidiana” (BOAS, 1996, p. 9).

Para essa grande reportagem aplica-se, principalmente, a essência do gênero do jornalismo interpretativo. Com a ajuda de perfis construídos, de entrevistas executadas e de informações teóricas levantadas, foram elaborados textos que oferecerão ao leitor uma interpretação dos fatos. Ele próprio poderá analisar aquilo que está lendo. No nicho interpretativo, o jornalista deve observar “os limites do raciocínio” e tomar cuidado com a criatividade. “Você raciocina para elaborar bem, escrever honesta e claramente, dar o toque de refinamento necessário e ainda agradar (…) o público da revista” (BOAS, 1996, p. 103). Mesmo que o espaço de uma revista seja privilegiado para a criatividade, deve-se prestar atenção para não deixar que seu texto ofereça apenas a interpretação do autor e sim todas as que os leitores possam estabelecer.
Em uma “reportagem individual” – inserida no jornalismo interpretativo – deve-se “dar a informação sem opinar, expondo ao leitor o quadro completo de uma situação atual” (Ibidem, p. 77).

Quem irá narrar um fato deve ter cuidado para “não repetir uma história já contada. Depois é montar com muita calma um roteiro. Saber direito quem você deve procurar em cada ponto desse roteiro, quais são os personagens, situações e lugares mais ricos – o que vier a mais, de imprevisto, é lucro” (KOTSCHO, 1995, p. 72).

Os perfis que foram traçados representam “um papel importante que é exatamente gerar empatias” (BOAS, 2003, p. 14). Com tamanho de texto menor que o de uma biografia, o perfil tem de ser traçado com a combinação de elementos como a “memória, conhecimento, imaginação, sínteses e sentimentos” para que as idéias reflitam as sensações de quem as formula. (Ibidem, p. 13). Uma das maneiras de se traçar um perfil é acompanhar o dia-a-dia do personagem escolhido. Esse foi o recurso utilizado na reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia”. Através desse procedimento, tornou-se possível conhecer profundamente a rotina de uma juventude que milita organizadamente em partidos políticos do Brasil, afinal “os perfis jornalísticos expressam uma trajetória, por mais sintética. O perfil é explicitado pela história narrada, com um passado e um presente” (BOAS, 2003, p. 19).

3.2 Estrutura

A grande reportagem com o título de “Militância jovem: o fim da anestesia” é composta de quatro partes principais, mais as ilustrações.
Como capa, seguindo a linha de diagramação da publicação escolhida, a revista mensal Rolling Stone, uma ilustração ocupa a página da esquerda. Essa ilustração apresenta um intertexto com o filme de produção estadunidense e alemã “V de vingança” – V for Vendetta no original – com direção de James McTeigue. A obra dos irmãos Wachowski, também conhecidos pela trilogia Matrix, tornou-se referência para jovens do mundo todo por sua linguagem caótica e postura política revolucionária. Jovens usando máscaras de seus ídolos partidários serão retratados durante uma manifestação que tem como fundo elementos que identificam a Capital do Brasil, Brasília. Márcio Ikematsu, identificado na reportagem como Xixa, é publicitário formado pela Universidade Anhembi Morumbi e é o artista responsável por todas as ilustrações e pelo projeto gráfico total da grande reportagem.
A matéria principal é sobre os jovens que militam de forma organizada em partidos políticos. Dentro dela, o leitor encontrará dados sobre o que é a militância partidária, como ser mais participante na sociedade, e poderá ler os perfis traçados com base no acompanhamento da rotina de jovens que se envolveram com o Democratas (DEM), o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido Progressista (PP), o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B). 
O tema relativo à situação do jovem de hoje e a diferença entre ele e os jovens de gerações passadas são apresentados através de um box contendo uma entrevista com a socióloga Helena Wendel Abramo.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) também tem seu espaço em um box inserido na reportagem. Nele, sua história é narrada brevemente.
Haverá, ainda, um terceiro box ao longo da matéria principal que narra, de forma sucinta, a história dos partidos indicados.

3.3 Público-alvo

A Rolling Stone americana atinge hoje 12,1 milhões de leitores. Por se tratar de uma publicação nova no Brasil, ainda é difícil obtermos com precisão o mesmo dado com as proporções nacionais. A revista, lançada em nosso país em outubro de 2006, tem hoje uma tiragem de 100.000 exemplares. 
Quem são aqueles que lêem a Rolling Stone mensalmente? Estima-se que os assinantes e compradores de bancas e revistarias sejam homens e mulheres de uma faixa-etária que vai dos 18 aos 30 anos, possibilidade essa que se afasta um pouco dos que são considerados jovens pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para esse órgão, os jovens são compreendidos como aqueles que ocupam a faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos1. 
Em relação ao poder aquisitivo dos leitores dessa publicação, pelo custo da revista – R$8,90 – pode-se concluir que pertencem à classe média-alta da sociedade. Vale lembrar que entre as outras publicações que têm como tema principal a música, a Rolling Stone é a mais barata. A revista Bizz, da Editora Abril, sua principal concorrente, custa R$14,90.
A Rolling Stone é uma revista que, desde sua fundação nos Estados Unidos, em 1965, tem como prioridade falar de música e comportamento, mas faz isso entendendo que seu público é inteligente, perspicaz e capaz de discutir sobre assuntos que permeiam a sociedade em que vivem. Isso faz com que as matérias de política e de atualidades presentes no magazine sejam pertinentes. Essa publicação é fruto e símbolo da contracultura, o movimento de protesto que uniu jovens contra a guerra do Vietnã, influenciou e, até hoje, emociona gerações. A Rolling Stone vê a música como instrumento de transformação e transmite isso através de suas pautas atuais, como por exemplo, as matérias “Vida Loka Vida”2, um perfil sobre o rapper “Cascão”, que passou de ex-assaltante de bancos a advogado; “Manual do pé-de-meia”3, uma reportagem sobre os salários milionários dos Deputados Federais; a entrevista exclusiva com José Dirceu ,“Um homem apressado demais” ; e um especial sobre política, com a reportagem “O mito e o Ministro”, sobre os quatro anos de poder de Gilberto Gil, e os artigos “Eleições 2010”, que trazem as especulações já feitas para as próximas eleições, “Por que Lula ganhou” e “A cristianização de Alckmin” .
Mesmo tendo pouco tempo de vida no Brasil, é possível dizer que ser uma revista considerada específica leva a grandes dificuldades para manter leitores fiéis. Quando o assunto é música, por exemplo:

“Devem compor, para justificar o investimento e os anúncios, paixões aparentemente incompatíveis. De um lado rock-eruditos; de outro, adolescentes apaixonados por conjuntos pop. (…) Em todos os casos, trata-se de indivíduos de um núcleo que se supõe ‘consciente’ e ‘formador de opinião’, e de um grupo numericamente maior de pessoas que os primeiros consideram ‘alienados’ e ‘pouco esclarecidos’” (LAGE, 2005, p. 151).

LAGE alerta ainda que, ao se propor um assunto a pessoas que sabem muito sobre ele, a revista “é forçada a ter sério compromisso com os temas que propõe”, caso contrário, os leitores não tardarão em “punir” esses “desvios de conduta”.

3.4 Linguagem

“A periodicidade é fator determinante do estilo de texto de uma revista. As revistas de informação geral (…) precisam de atrativos que as diferenciem do jornalismo dinâmico e veloz de todos os dias. O texto (…) é um desses atrativos. Utiliza recursos que, nos limites do posicionamento político-empresarial, são a conciliação da prática de noticiar com a de narrar” (BOAS, 1996, p. 101).

Em uma revista que tem como focos um elemento da cultura (a música), o comportamento e a política, a linguagem é de extrema importância. Boas noções de gramática e sintaxe ou vastos vocabulários não são tudo na hora de escrever um texto. Para Humberto Werneck, jornalista, ex-redator-chefe da revista Playboy, e escritor, o importante hoje – e o que espero fazer na execução de meu produto – é a “busca da elegância, do ritmo harmonioso, da graça, da leveza, do bom humor. (…) já há sinais de retorno a um texto que, sendo mais pessoal, mais autoral, abre espaço para que se trabalhe também no sentido da beleza” (WERNECK apud BOAS, 1996, p13). 
Para alcançar tal objetivo, aplica-se na reportagem o uso dos recursos já utilizados pela redação da revista Rolling Stone: uma linguagem leve e precisa, sem elementos rebuscados. O uso de gírias não será evitado e um tom mais irônico também será aceito. Mesmo com o apoio de técnicas literárias, o ‘estilo jornalístico’ será respeitado. Ele “consiste exatamente em transformar a informação bruta em notícia legível e compreensível” (BOAS, 1996, p. 39). Procura critérios para o processo de informação, dá legibilidade, unidade e identidade ao texto. 
Como exemplo, seguem dois trechos de matérias já publicadas na Rolling Stone, para que sejam identificados apenas alguns elementos de linguagem pertinentes à publicação e ao texto que será elaborado:

“Faz tempo que deixei de ser da turma que se emociona até com bumbo de banda. Portanto, foi duro agüentar o day after pseudocívico do primeiro turno das Eleições 2006 com toda aquela malta de jornalistas engravatados, cientistas políticos redundantes, historiadoras equivocadas e analistas entediantes usando chavões como ‘festa da democracia’, ‘festa patriótica’ e outros bolodórios para definir o primeiro turno das eleições 2006”. (SOARES, out. 2006, p. 56).

Nesse primeiro destaque, abertura do artigo “Brasília: um circo sem festa”, do editor da publicação, Ricardo Soares, deve-se focar o uso de uma linguagem informal que conta até com uma expressão em língua inglesa. Ao ler esse trecho, pode-se identificar que o texto que segue é leve e flui quase como uma conversa.

“Zé Dirceu tem pressa. Pressa para cumprir a agendam pressa para provar sua inocência, pressa para almoçar, pressa em se manter e parecer ocupado. Ele apressa também seus assessores e, apesar da agenda apressada, nos recebeu para esta entrevista com a benevolência possível em Zé Dirceu” (NETTO, CRUZ e SOARES, jan. 2007, p. 47).

No segundo trecho – extraído da entrevista exclusiva de José Dirceu à redação da Rolling Stone –, destaca-se a semelhança do texto com o discurso literário. O uso da repetição da palavra “pressa” traz ênfase a ela sem que isso deixe pesada a leitura. Nota-se aqui como é possível fazer, de um texto informativo, algo poético. 
Depois da apuração de dados, depois de traçados perfis e estabelecidos contatos, o texto da reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia” torna-se essencial para que o leitor possa compreender esse universo retratado. A linguagem e o estilo caminham juntos, de uma forma jovial e descontraída, mas sem perder a legitimidade de um texto jornalístico que carrega tantos possíveis significados para cada um que o lê.

3.5 Viabilidade

Para que a grande reportagem seja considerada viável, tem-se que contabilizar os gastos que o veículo teria com a publicação da matéria e os ganhos obtidos com a venda de espaço para publicidade. Na grande reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia”, será considerada a quantidade aproximada de 50.240 caracteres e 26 laudas, obtidas com a participação de 15 fontes. Depois de diagramado, o texto caberá em seis páginas de um veículo de formato standard. Os valores a seguir foram baseados nos números disponibilizados pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo6 e pela própria revista Rolling Stone7. 
A redação de uma reportagem de uma lauda com 1.400 caracteres, incluindo espaços, que tenha mais de quatro fontes tem o custo de R$364,50, portanto, o valor atribuído à grande reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia” é de R$9.477,00.
A edição por página do texto publicado em um veículo com formato standard custa R$165,00. O valor total final, então, é de R$990,00.
A revisão de cada lauda custa R$10,50, o que implica o valor final de R$273,00. Já a tradução dessa mesma lauda tem o custo de R$32,00 – no caso dessa reportagem, R$832,00.
A diagramação por página apresenta o valor de R$138,00 em um veículo standard, o que totaliza em R$828,00. O projeto gráfico, também por página, tem custo de R$534,00 e para a reportagem de seis páginas o valor fica em R$3.204,00.
As ilustrações coloridas têm valores que variam de acordo com seus tamanhos. No caso da capa, podem custar até R$857,00. Meia página ilustrada custa R$429,00 e um desenho com tamanho equivalente a um quarto de página custa R$257,00. Levando em conta que foram usadas uma ilustração de capa, mais meia página e mais duas imagens que totalizam dois quartos de página, o valor final a ser pago ao ilustrador deve ser de R$1.800,00.
Somando todos os valores finais, de acordo com a tabela do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o total a ser gasto com a elaboração dessa grande reportagem é de R$17.404,00.
A Rolling Stone cobra R$88.000,00 pelo anúncio de página dupla na segunda capa e na terceira página. Uma página simples custa ao anunciante R$39.000,00. Divulgar seu produto na terceira capa tem o valor de R$49.000,00 e, na quarta capa, o preço sobe para R$58.000,00. Portanto, o total de ganhos da revista com a publicidade é de R$234.000,00.

3.6 Custos

Durante a elaboração da grande reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia” foram usados recursos financeiros pessoais para que o projeto fosse concluído.



CONCLUSÃO

Terminar um trabalho tão complexo quanto esse traz uma sensação de grande alívio. Foram muitos contratempos, mas com calma tornou-se possível resolvê-los. A parte mais difícil foi a execução das entrevistas, já que nem sempre os escolhidos estiveram disponíveis. A procura por personagens jovens militantes nos partidos políticos começou em agosto e, no caso do PMDB, apesar da insistência e da persistência, o entrevistado só se manifestou poucos dias antes do fechamento da reportagem. Apenas no caso do PP, do PT, do PDT e do PC do B conseguiu-se o contato com jovens sem nenhum vínculo com o partido além da filiação. Quanto aos especialistas, a maior dificuldade se apresentou com a socióloga Helena Abramo, que demorou muito a retornar os contatos.
A reportagem foi redigida com afinco e não houve grandes problemas nessa etapa. O tempo correu rápido, mas esse era um fator com o qual já se esperava. A parte mais controversa da execução da reportagem foi o box relacionado à UNE. A falta de fontes fez com que o texto parecesse um artigo opinativo e essa não era a proposta do quadro; portanto, precisou-se reescrevê-lo, apurando melhor os dados, mesmo sem personagens ligados à instituição.
Diagramar e ilustrar o projeto foi um capítulo à parte, e os maiores problemas aqui nasceram do fato de a reportagem não contar com fotografias. Por sorte, o veículo escolhido permite o uso das ilustrações, e isso deu margem para o ilustrador, Xixa, usar toda a sua criatividade nas páginas do trabalho.
Depois de superadas as dificuldades, redigida a reportagem, diagramada e impressa, o produto final proporciona orgulho e satisfação. Com todos os objetivos alcançados, há a certeza de que esse trabalho é relevante e pode fazer a diferença ao ser comparado com matérias de comportamento, mesmo porque, nessa reportagem – a princípio comportamental, mostrou-se intrínseco seu caráter político, superando diversas expectativas. Durante a redação do texto, temeu-se que o produto final ficasse superficial, apreensão que se deu principalmente pela grande dificuldade da autora em acompanhar diariamente notícias da política atual. Entretanto, constantes indicações fizeram com que o interesse pela Política de fato aumentasse e, a partir disso, tornou-se possível contornar esse fato e trazer mais conteúdo à reportagem. 
Um último dado que tornou o projeto tão prazeroso foi perceber a atualidade do assunto tratado. Antes de dar início a essa empreitada, pouco se via sobre a juventude que se engaja nos dias de hoje. Ao longo do semestre, dados foram surgindo, como a queda do número de eleitores de 16 e 17 anos, e tornaram a discussão estabelecida na reportagem essencial para entender um pouco melhor o mundo em que esses jovens vivem.
A última etapa ainda causa aflição. A apresentação à banca será um momento intenso, mas, com todo o repertório e conhecimento que se obteve durante todo o processo, não será difícil defender um trabalho que, apesar de preocupações, trouxe tantas alegrias e tanto orgulho. 
A partir de agora, o período mais árduo será a espera pelo momento de se ver a continuidade pretendida alcançada: a reportagem “Militância jovem: o fim da anestesia” nas bancas.

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Anexo 1:

A GRANDE REPORTAGEM

MESMO COM GRANDES DIFERENÇAS CULTURAIS, VIVÊNCIAS DISTINTAS E OPINIÕES DIVERSAS SOBRE INFINITOS ASSUNTOS, ALGUNS JOVENS AINDA PREFEREM SE REUNIR PARA DEBATER A POLÍTICA NACIONAL E PARA PROPOR SOLUÇÕES QUE BENEFICIEM A SOCIEDADE COMO UM TODO E NÃO APENAS DETERMINADOS GRUPOS

Ser jovem é ser espontâneo e influenciável. É estar feliz e melancólico. É ter disposição e preguiça. A juventude é um paradoxo. Época da vida quando o que mais se deseja é ser livre para fazer o que quiser. Essa é uma etapa de transição entre a infância e a vida adulta, quando o indivíduo se prepara para se tornar independente. É aí que se passa por infinitos questionamentos, rebeldias inexplicáveis e impaciência constante. Há sede em se começar e terminar projetos com rapidez para fazer cada vez mais coisas.
Falar de uma juventude no Brasil é impossível, porque não se pode esquecer que o jovem daqui passa por níveis elevados de desigualdade. A pluralidade do país reflete exatamente isso, a pluralidade da sociedade. 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) assume que jovem é aquele com idade compreendida entre 15 e 24 anos, mas é importante frisar a relatividade desses números, já que todos passam por experiências pessoais diferentes, o que leva a caminhos também distintos.
Uma das etapas do Projeto Juventude, coordenado pelo Instituto Cidadania, deu origem ao livro “Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional” (2005), organizado pela socióloga Helena Wendel Abramo e o economista Pedro Paulo Martoni Branco. Na pesquisa, foram feitas 3.501 entrevistas que ajudaram a traçar o perfil dos jovens brasileiros. A maioria (48%) vive com os pais. Quanto à educação, 42% dos entrevistados estudaram até o ensino fundamental; 52% têm o ensino médio; e apenas 6% se encontram no nível do ensino superior ou acima dele. 
Há mais coisas boas do que ruins em ser jovem. Para 45% deles, a melhor coisa é não ter preocupações ou responsabilidades enquanto para 40% é aproveitar a vida e viver com alegria. Contrapondo esses números, há a juventude que trabalha – 39% consideram isso uma responsabilidade e 36% estão trabalhando. 
Seus medos são muitos. Os jovens temem a violência, o desemprego, as drogas, a fome, entre outras coisas. A administração política do Brasil é uma das últimas preocupações, acima apenas do meio ambiente, da moradia e da sexualidade.
Paulo mora com sua companheira em São Paulo. Estudou em escola pública e se formou em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP). Ele ouve samba, pagode, MPB, RAP e música instrumental.
Ricardo fez o ensino fundamental em escola pública e o médio em um colégio particular. Formou-se em economia pela Universidade de São Paulo (USP). Também gosta de samba, MPB e bossa nova. É casado e pai coruja de duas meninas.
Cacá estudou em colégios tradicionais de São Paulo, cursa direito na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), é solteiro e ouve desde música clássica à eletrônica. 
Leonardo também é solteiro e de São Paulo, começou seus estudos em colégios particulares e terminou o ensino médio em escola pública. Formou-se em sociologia pela PUC/SP. Ouve punk music, mas também é muito interessado em hip hop e em samba de raiz. 
Walter gosta tanto de rock quanto de música sertaneja. Nascido no bairro de Higienópolis, teve o ensino fundamental em instituições particulares e o médio em uma escola estadual. É formado em direito pela Universidade Paulista (UNIP). Hoje mora na Casa Verde.
Edney é solteiro, mas tem um filho de 2 meses. Cursa administração na UNIP e escuta samba, pagode e MPB.
Fernando Henrique mora em São Paulo, é solteiro e é freqüentador assíduo de rodas de samba desde pequeno. É formado em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero.
Bruno é da cidade de Santos. É casado e estudou em escolas particulares e é formado em duas faculdades: direito pela USP e economia pela PUC/SP. 
Antônio, solteiro, faz faculdade na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Ele cursa economia. Mora em Higienópolis e estudou em colégio particular. Gosta de música eletrônica. 
William é do Rio de Janeiro. Formou-se em curso técnico de administração. Está solteiro e prefere ouvir samba e MPB. 
Marcelo também escuta MPB. É casado e mora em São Paulo. Estudou em escolas públicas e é licenciado em história pela Universidade do Grande ABC. 
Paulos, Ricardos, Cacás, Leonardos, Walteres, Edneys, Fernandos, Brunos, Antônios, Williams e Marcelos, que vivem em realidades tão diferentes, que passam por experiências diferentes, que até ouvem músicas diferentes, têm em comum um interesse que deveria ser de todos os jovens.
Esses jovens, que são muitas vezes taxados como alienados e sem iniciativa para qualquer coisa que não esteja ligada ao consumismo, são os Presidentes Nacionais, Estaduais, Municipais; Vices; e Secretários de Juventude de seis partidos políticos do Brasil, mas nenhum deles é jovem se for adotada a classificação do IBGE. Mas, para a atividade Política, eles são jovens. Para alguns, como o cientista político Kenneth Minogue, o inimigo dos jovens na Política, eles são jovens até demais. Em recente entrevista ao canal Globo News, ele afirmou que os movimentos jovens são perigosos – “comunistas, nazistas, fascistas – todos eram movimentos jovens”. 
Edney Castilho, 26 anos e estudante de administração da UNIP, é fã de Elis Regina e Djavan. Entre outras coisas, como Tesoureiro Estadual do Movimento Negro, Presidente Municipal da Juventude Socialista do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Carapicuíba, e Secretário-Geral do PDT na mesma cidade, é Secretário Estadual de Movimentos Estudantis do PDT de São Paulo. Na entrevista concedida por e-mail devido às incompatibilidades na agenda, Edney revelou que seu sonho é seguir a carreira Política. “Comecei na Política porque acredito que posso mudar o país e que há pessoas e políticos honestos e sérios”. Edney já tem seus planos feitos. Pretende tornar-se vereador aos 28 anos, deputado estadual aos 40, “o primeiro prefeito negro de Carapicuíba” aos 50 e, depois, com 60 anos, deputado federal.
Bruno Covas, 27 anos, é formado em economia pela PUC/SP, e em direito pela USP. Ele leva a Política no nome, já que é neto do ex-deputado, senador, prefeito e governador do estado de São Paulo, Mário Covas. Bruno, além de ser o Presidente Estadual da Juventude do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), é Deputado Estadual; inclusive sua entrevista foi realizada rapidamente em seu gabinete na Assembléia Legislativa de São Paulo. O entra e sai de pessoas que procuram por Bruno na sala é constante. O telefone também não dá trégua. As secretárias confirmam compromissos, ouvem reclamações e respondem às mais diversas perguntas a toda hora. Como seu avô, Bruno quer levar a carreira adiante: “eu gosto de fazer Política, gosto de atuar nela. Enquanto as pessoas estiverem me dando um voto de confiança, a gente vai estar aqui fazendo Política”. 
As culturas jovens despertaram Leonardo Pinho, 28 anos, para a politização. Leo tem o passado como anarquista e o presente como punk da vertente Straight Edge e Secretário Municipal de Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT). O sociólogo formado pela PUC/SP afirma que vai continuar fazendo Política “porque é através dela que nós podemos alterar as instituições. Eu já não faço aquilo que chamo de Política tradicional, aquela lógica de que o líder é quem manda. Eu gosto de fazer Política com arte, com produção cultural independente, na área de economia popular solidária e organizando cooperativas populares”. O gosto pela cultura fica claro a qualquer um que entra no pequeno e pacato escritório, localizado em um prédio na avenida símbolo de São Paulo, a Paulista. Pôsteres de filmes brasileiros estendem-se nas paredes: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha; e “Batiman e Robim” (1992), de Ivo Branco. A decoração simples e cinemática transmite um ar “militante cult”, mas sem deixar que se perceba que a real intenção do lugar é reunir aqueles que se engajam em formas variadas de fazer política. 
Também tem 28 anos o Presidente Estadual e Vice-Presidente Nacional da Juventude do Partido Progressista (PP), Carlos Camargo, o Cacá. Formado em Gestão de Políticas Públicas de Juventude e cursando direito na FMU, Cacá é eclético quando o assunto é música. Ele especifica só não gostar de sertanejo e de forró. Mesmo querendo seguir carreira, achou melhor recusar o convite para ser candidato nas próximas eleições: “estou esperando o tempo certo. Estou esperando crescer primeiro dentro do partido”, atesta Cacá na sala da Liderança Jovem Progressista na Assembléia Legislativa, onde acontecem as empolgadas reuniões da Juventude, que contam com a presença de mais membros do diretório. Quando alguém entra na sala e vê aqueles homens (sim, não havia mulheres) reunidos e falando alto, não dá nem para desconfiar que eles estão ali para brincar.
Frente à Vice-Presidência Nacional e à Presidência Estadual da Juventude Democrata do Partido Democratas (DEM) de São Paulo, está Walter Abrahão Filho, 28 anos, formado em direito pela UNIP. É como Diretor Comercial e Social da COHAB-SP (Cia. Metropolitana de Habitação de São Paulo) que Walter vive seu dia-a-dia. A entrevista aconteceu em uma sala grande de seu escritório na Rua São Bento, bem no centro da cidade; um ambiente sério com jeito de “escritório de gente grande”. A responsabilidade do trabalho que envolve a habitação popular é grande e isso pode ser visto estampado nos rostos das pessoas que andam pra lá e pra cá pelos corredores do andar. Como Cacá, ele preferiu adiar o projeto pessoal político para trabalhar mais o projeto partidário. “Como eu sou Presidente da Juventude, se eu me postulo candidato, os demais diretórios vão ficar constrangidos. Eles vão me ajudar ou vão ser candidatos?”. Walter, ao contrário do representante do PP, gosta de “todo tipo de sertanejo” e alterna essa preferência com os Beatles e com os Rolling Stones. “Nasci na época errada”, diz ele.
Marcelo Mondim, 35 anos, é o Presidente Municipal de São Paulo da Juventude do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Começou a se interessar por política em 1984, com o Movimento das “Diretas Já” e, antes de entrar no partido, participava de uma ONG. “Diferente do trabalho de uma ONG, onde a atuação é limitada, dentro de um partido político o poder de decisão e influência na política é muito mais amplo”, explica ele – “Muitas pessoas extremamente engajadas nos movimentos sociais não são filiadas a uma sigla partidária, porém, em algum momento, lá está o partido representado por alguém dentro desse movimento”. Marcelo, que cursou história na Universidade do Grande ABC, em São Paulo, pretende continuar na política dentro de sua área, voltada para formação política; não quer seguir carreira e candidatar-se. 
Já Ricardo Abreu, o mais velho dos seis, com 39 anos, prefere a música popular brasileira, o samba e a bossa nova. Ele ouve Toquinho e Vinicius, Caetano Veloso, Gilberto Gil e “todos aqueles que tentam resgatar nossa cultura”, como Antônio Nóbrega. Alemão, como é conhecido internamente no Partido Comunista do Brasil (PC do B), é formado em economia pela USP e exerce suas atividades como Secretário Nacional da Juventude no comitê central do partido, localizado no Jardim Paulista (um dos bairros mais nobres de São Paulo), ironicamente, pois vale frisar e ressaltar a ideologia Marxista de igualdade existente na legenda. Em relação a sua idade, Alemão explica: “a executiva do partido é composta por aqueles que já passaram pela juventude e têm mais experiência”. O PC do B prefere que esse grupo seja mais velho – “enquanto os jovens dirigem a UJS [União da Juventude Socialista] com autonomia plena até os 29 anos”. Quando o assunto é a carreira no partido, ele conta que o PC do B tem uma visão diferente sobre isso: “não somos um partido eleitoral, valorizamos a militância e a militância escolhe quem tem as melhores condições de se eleger para ser candidato. Eu pessoalmente não tenho muita vontade”.
Além dos membros executivos, os partidos contam com outros jovens que se filiam às legendas e participam das atividades propostas pelos organismos de juventude. Paulo Edison, o Índio, tem 31 anos, é cientista social formado pela PUC/SP e é filiado ao PT. Ele diz que, nessa carreira, o mais importante é ter o reconhecimento vindo das outras bases e que, ao longo de sua militância, vai saber se deverá ou não ser candidato. “A gente busca sempre a vida política. Talvez não como um candidato, mas trabalhando na assessoria ou em diferentes projetos”, diz ele. Como Leo Pinho, Índio se dedica ao Centro Cultural Popular Consolação (C.C.P.C.), uma organização recém-inaugurada que visa à produção de cultura e à exibição de manifestações culturais de grupos independentes, unindo os movimentos sociais à Política. É assim que, na opinião de Índio, a Política deve ser. 
Fernando Henrique Pestana Borgonovi, 26 anos, é militante desde 1999. Ele é filiado ao PC do B e à UJS. “Eu não tenho motivos para achar que sou ‘mais engajado’ ou ‘menos’ do que uma pessoa que atua em uma ONG, em um grupo de jovens de uma igreja, ou em um projeto social. Por outro lado, acredito que mudança de fato vem pela política, gostem ou não dela. Por isso, atuo num partido”, declara ele. Na entrevista concedida por e-mail, Fernando relembra que, na escola, uma de suas matérias preferidas era História – “já nessa época tinha uma preocupação com as causas populares”. Ele escolheu a militância no PC do B pela luta do partido a favor do socialismo e sempre acreditou que as transformações sociais só podiam acontecer através da política e do engajamento das pessoas. Afirma não ter interesse na carreira parlamentar, mas que continuará exercendo sua militância pelo partido. O jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero diz que, para o PC do B, o movimento estudantil é a “‘menina dos olhos’ por sua tradição e por estar sempre presente nas grandes lutas políticas do país”. Na opinião de Fernando, os núcleos jovens dos partidos devem fornecer as informações necessárias sobre o partido e sua ideologia àqueles que decidem se filiar, afinal, “a grande maioria dos jovens que procuram um partido, o faz por um sentimento ainda difuso, mas muito positivo, de buscar contribuir para mudar a sociedade”.
Antônio Haddad Filho, 18 anos, é militante da Juventude Progressista e estuda economia na FAAP. Nós nos encontramos no Shopping Higienópolis, pois ele estava fazendo suas aulas práticas de direção. Para ele, o maior exemplo da ideologia do Partido Progressista é o ex-prefeito da cidade de São Paulo, Paulo Maluf. O atual Deputado Federal foi o mais votado nas últimas eleições, com 739.827 votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As características de Maluf que Antônio mais preza são a persistência e seu amor pela cidade de São Paulo. Para ele, o Deputado provou sua devoção à cidade “fazendo obras maravilhosas que deram uma cara nova à São Paulo, com projetos sociais que ajudaram a população mais carente e mostraram que ele é um político que assume responsabilidades, não faz igual aos outros que usam São Paulo como trampolim político e só pensam na reeleição. Ele é um político que trabalha com amor pelo que faz”. Quanto à carreira, Antônio afirma: a Política “é um caminho que eu tenho muita vontade de seguir. Minha ideologia é totalmente focada nele [Paulo Maluf], e se um dia eu chegar aos pés dele, para mim vai ser sensacional”, admira Antônio.
O mais novo personagem militante dessa reportagem é William Rodrigues Dantas, 17 anos. É formado em um curso técnico em administração e é filiado ao PDT no Rio de Janeiro – devido a isso, a entrevista de William também foi dada por e-mail. Para ele, é muito importante acreditar nas idéias do partido ao se filiar. “Quando você lê no manifesto, no programa e no estatuto de um partido político tudo aquilo em que você acredita, é impossível não querer abraçá-lo”. Ele acredita em “um modelo próprio de nação, sem importações de ideologias”, na soberania do país, na preservação dos direitos humanos e na educação sobre todas outras coisas. Para dormir e “até mesmo para estudar”, William ouve Legião Urbana, Ana Carolina e, entre outros, Cazuza, músicas que acredita serem políticas e nada alienantes. Suas preferências na carreira partidária são relacionadas aos bastidores – “assessor parlamentar, subprefeito, quem sabe secretário do governo? Acredito que o político deve servir ao povo e não se servir da Política”. 
Esses são alguns militantes partidários jovens do Brasil. Em quase todos os partidos citados, eles participam através de “Juventudes”, criadas pelas próprias legendas. Em alguns casos, como o do PC do B, a militância acontece através de um órgão independente, a UJS, e para fazer parte desse grupo não é necessário ser filiado ao partido. Fernando Henrique explica que o jovem que está inserido na UJS pode contribuir na área que tiver mais afinidade, pois a instituição está inserida em diversos movimentos que envolvem os jovens – “Procuramos formar núcleos de militantes por área de atuação e, no caso dos estudantes, núcleos por universidades e por escolas”.
O historiador e cientista político Marco Antonio Villa afirma que as “Juventudes”, mantidas por partidos, são instâncias burocráticas, não são relevantes e que “algumas podem até servir como trampolim político para o presidente da seção”. Ao contrário do que diz Villa, os que participam delas dizem que têm inúmeras funções dentro das legendas. “O principal papel é promover a inclusão dos jovens no processo”, indica Walter Abrahão do DEM. Além disso, há sempre a busca por novas lideranças e há o interesse em se renovar os quadros partidários. Cacá, do PP, afirma que antes havia muito essa visão: “’precisa encher alguma coisa, chama os jovens’. Não queremos atuar assim. Queremos fazer parte e temos espaço de liderança partidária”, diz ele. 
Em todos os partidos analisados, existe uma conexão ideológica entre as propostas dos jovens e as das legendas, elas são alinhadas. Edney conta que a Juventude tem espaço inclusive no Diretório Nacional do PDT – “até na hora de escolher nosso candidato à Presidência da República, a Juventude fez diferença”. Marcelo do PMDB afirma: “a juventude, como os outros núcleos partidários, existe para ser uma instância de diálogo constante do partido com os seus respectivos setores”.
Mas, isso nem sempre é fácil. Na opinião de Bruno Covas do PSDB, a participação dos jovens é sempre muito difícil. “Espaço político nunca é dado, é sempre conquistado. Quem está no comando partidário não quer ceder espaço, então, a juventude tem dificuldade em se impor”. Índio concorda e cita como motivo das dificuldades o choque de gerações; afinal, os jovens querem sempre romper com as gerações passadas e o partido é dirigido por essas pessoas mais experientes. “Os jovens são impacientes em relação ao que os mais velhos pensam, são impacientes diante de coisas que estão estabelecidas há séculos”, afirma Kenneth Minogue. E muitas posições da juventude são incompreendidas pelo partido, como por exemplo, no caso do PP. Segundo Cacá, os membros mais experientes da legenda não gostam de dizer que fazem parte de um partido de direita, pois temem a associação da imprensa com a Ditadura Militar; enquanto a Juventude não vê problemas em alegar que suas ideologias são compatíveis com o pensamento da direita. Isso mostra a força dos jovens no partido e a sede que têm para defender o que pensam. 
Esses órgãos oferecem cursos de formação Política e/ou cultural para os jovens que se filiam. Tanto os que têm interesse em levar a carreira Política eleitoral adiante quanto aqueles membros que pensam apenas em seguir novas propostas, sugerindo novos meios de se fazer políticas, sejam elas partidárias ou públicas, são beneficiados. No caso do PMDB, Marcelo diz que, nos últimos 4 anos, o quadro da juventude está sendo renovado através de encontros de formação política e discussões com as lideranças partidárias sobre a importância da Juventude. “Não adianta ter política pública pensada por técnico porque elas não terão identidade. Nós precisamos de políticas públicas que são para a juventude, construídas com a juventude e dirigidas por elas”, analisa Leo Pinho do PT. 
Esse tipo de engajamento partidário ainda é pouco visto por aqui. A pesquisa do Projeto Juventude revelou que apenas 1% dos entrevistados faz parte de partidos políticos; 3% já fizeram parte; 12% não fazem parte, mas gostariam de fazer; e 84% nunca fizeram parte e não gostariam de participar de partidos políticos. 
A “cara” da participação mudou. Os movimentos sociais que se dizem apartidários atraem muito mais o jovem do que as “Juventudes” partidárias. Em tese, não são mais as ideologias que reúnem os jovens. Eles se organizam “principalmente em movimentos culturais, em tribos ou em organizações que forneçam identificação”, explica Índio do PT. Fernando Henrique, do PC do B, considera: “é uma tendência exaltar o aspecto individual em detrimento do coletivo – que atinge a todos -, que é muito mais forte e mais importante”. A repórter do jornal Folha de S. Paulo, Laura Capriglione – uma das responsáveis pela cobertura da invasão da reitoria na USP em junho de 2007 –, concorda e para ela essas atividades “têm mais proximidade com as reivindicações práticas ‘do cara’. Se ele é um jovem pobre de periferia que passa por blitz todo fim-de-semana só porque é preto, ele tende a ter uma identidade política com o que está dizendo o Mano Brown dos Racionais, por exemplo”. Ela também afirma que o Estado precisa ter sensibilidade para perceber aquilo que está sendo colocado nesses movimentos. “Atuação política não é atuação no Congresso ou nos partidos tradicionais. Se a gente for pensar em participação política no sentido ‘caretão’ partidário, acho que as pessoas não estão interessadas nisso, ou só nisso”, comenta Laura. Marcelo vê o engajamento de qualquer pessoa como uma decisão política – “é muito difícil desvincular uma coisa da outra. Qualquer posicionamento do indivíduo é político”. 
A renovação da Política depende da participação dos jovens nos partidos e quem diz isso é José Paulo Martins Junior, cientista político. “Essa militância é importante, mas é insuficiente. As pessoas têm várias coisas para pensar; por último, e quando pensam, está a Política partidária”, afirma José Paulo. Para Villa, “falta uma visão coletiva”. Essas associações que existem “não são organizadas em cadeias ou em redes, elas são individualistas”, concorda Índio. 
Durante a Ditadura Militar, havia uma luta de ideologias. Aqueles que eram contra o regime dominante tinham que se unir. “A Ditadura servia para unificar aquilo que sob uma democracia seriam vários movimentos de várias naturezas. Paradoxalmente era o que unificava. A gente era todo mundo (sic) contra a Ditadura”, relembra Laura, “numa democracia essas pessoas não são mais contra uma força, elas têm um embate umas contra as outras”. 
Sobre o mesmo período, José Paulo afirma que havia utopias que hoje, mesmo que não superadas, foram esquecidas, deixaram de existir. “Que tipo de manifestação Política os jovens poderiam fazer hoje em termos de um outro modelo de governo?”, pergunta o cientista político. Para ele, o que fala mais alto hoje é o Liberalismo, a ideologia do consumo: “não há uma perspectiva de transformar o mundo”. Na concepção de William do PDT, o espírito militante acabou depois da derrubada do ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1992 – “infelizmente, depois da redemocratização e do Fora Collor a juventude brasileira caiu em um ostracismo perigoso”, alerta ele. 
O jovem de hoje cuida mais do individualismo. Na obra “Vida líquida” (2007), do filósofo Zygmunt Bauman, é proposto que a sociedade em geral busca o bem-estar individual de forma frenética e sempre ligado ao consumo. O engajamento através de ONGs, por exemplo, estaria condicionado apenas à vontade de viver em um mundo melhor para si mesmo, não para o coletivo. Nesse sentido, é muito comum, em momentos de crise, ver cidadãos exaltados, com opiniões marcantes, fazendo passeatas raivosas e até movimentos desaforados, mas tudo isso se torna fugaz. O documentário “vaia.sp.br”, disponibilizado na Internet (http://video.google.com/videoplay?docid=-5707333790060184335), com direção de Maurício Adachi, ilustra isso. O vídeo registrou a passeata contra o Governo Lula que aconteceu na Avenida Paulista em São Paulo, no último dia 04 de agosto, logo após o ápice da “crise aérea” deflagrado pela queda do avião da TAM – “a elite paulista se aproveitou do sofrimento de famílias atingidas pela fatalidade de um acidente aéreo para cumprir o seu papel de sempre na história do Brasil: de uma elite conservadora, reacionária, preconceituosa e apartada dos sentimentos nacionais”, argumenta Fernando Henrique. No vídeo em questão, a elite revoltada protesta e alega que realmente é a elite que está na manifestação. Um dos entrevistados, não identificado, afirma que “o povo é analfabeto e não lê jornal, por isso o país é o que é. O Lula é o pai dos pobres, por isso é que isso aqui é um movimento de elite. É o pessoal que lê jornal e sabe o que está acontecendo”. O protesto chamou a atenção da mídia, mas os que estavam ali presentes não apresentaram propostas, não se alinharam a algum órgão que pudesse resolver as insatisfações gritadas. Não é possível dizer quantos dos jovens manifestantes eram membros de um organismo que luta ativamente na política, mas, talvez, algumas pessoas assumam que todo aquele barulho soou apenas como baderna.
De acordo com a matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no dia 07 de outubro de 2007 – “Jovens se afastam das urnas, e TSE lança campanha na TV” – o número de eleitores de 16 e 17 anos caiu, e o professor de psicologia adolescente da PUC/SP, Miguel Perosa, considerou o dado interessante “porque na hora que a cultura propõe debate coletivo, esse jovem embarca imediatamente”. Parece mesmo que o jovem gosta de entrar em discussões sem ter conhecimentos aprofundados…
Até mesmo a música sofre as conseqüências do egoísmo e da ânsia de experimentações constantes. Não há mais espaço para grandes ícones da atualidade. O que se pode ver são artistas que ficam no alto das paradas por no máximo alguns meses. Manter a sua banda no topo, sendo que em pouco tempo surgirá outra com um “quê” a mais, é uma tarefa árdua. A busca desenfreada pela identidade produz muito mais lixo do que reconhecimento legítimo.
As tentativas e os erros dão origem às desistências e não mais às persistências; afinal, tudo pode ser substituído, inclusive o conhecimento. Disponibilizar novos assuntos e informações a cada segundo é uma das características mais marcantes da Internet. A notícia postada há cinco minutos pode ser deletada e mandada para o lixo, pois já foram postadas coisas mais relevantes. Ora, tem-se em mãos um veículo que seria de espetacular ajuda na luta contra o esmorecimento da memória, mas que é usado para divulgar cada vez mais, mais e mais. No final, o que resta é menos. Menos lembranças. 
De acordo com Bauman, para que a memória e o repertório sejam mantidos, as informações têm que estar sempre entrando de formas “repaginadas” para que não se tornem obsoletas e irrelevantes – “no ambiente líquido-moderno, a educação e a aprendizagem, para terem alguma utilidade, devem ser permanentes e realmente ocorrer ao longo da vida”, escreve o pensador. 
A educação faz-se essencial para a manutenção da democracia. “A democracia não pode sobreviver por muito tempo diante da passividade dos cidadãos em função da ignorância e indiferenças políticas”, teoriza Bauman.
Essa teoria que soa tão pessimista se faz visível nos dados obtidos na pesquisa do Projeto Juventude: apenas 53% dos entrevistados concordam que a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo e 54% deles acham que a Política é muito importante em suas vidas. Um pouco menos que a metade dos jovens questionados não sabe que a vida por si só é um ato político. “O jovem precisa ser um pouco mais antenado e mais participativo. Ele sabe o que está acontecendo no geral, mas não procura se aprofundar, não tem total noção de que eles precisam participar disso para mudar”, indica Cacá. Walter desabafa: “dou palestra em colégios públicos desde os meus 16 anos. Sempre falava de cidadania e perguntava o que é um vereador. Ninguém sabia. O fato de um político honesto não ter votos e aquele que rouba e não apresenta nenhuma solução ser muito votado desmotiva. Eu mesmo não quero ser candidato nesse cenário”.
Bruno vê a situação de uma forma um pouco diferente. Em sua opinião, há poucos jovens que não sentem algo em relação às necessidades de mudanças, mas eles são “anti-políticos” e não vêem essa atividade como uma forma de mudança. Algo que colabora para isso, na opinião de Marcelo, é a mídia que fomenta a construção de uma política suja, corrupta e sem valores éticos e morais. Para Fernando Henrique, o jovem está sujeito a uma sociedade que impõe o individualismo, o consumismo, a violência, o difícil acesso à universidade, entre outros. Por outro lado, ele opina: o jovem é “aquele que tem energia para lutar contra tudo isso, que tem vontade de construir um outro país”.
Algo que precisa ser levado em conta é que as Políticas partidárias e a forma de administração do Brasil são consideradas complexas por algumas pessoas como Índio – “eu diria que nem alguns adultos sabem o que a Política representa, ainda mais o jovem”. 
Quem mais pode ter culpa na questão da alienação dos jovens quanto à militância na Política com “P” maiúsculo são as próprias instituições. A descrença instaurada nelas tem o seu papel. De acordo com a mesma pesquisa do Projeto Juventude, nem a família não é mais 100% confiável. O que dirá a Política! Os partidos políticos são dignos de credibilidade para 3% dos entrevistados e o mesmo número é atribuído àqueles que dão crédito aos deputados e senadores do Congresso Nacional. Essa é a visão de William: “vivemos em um caos político que afunda a credibilidade do Congresso e gera uma onda de indignação e, às vezes, repudio a essa atividade”. Villa também argumenta que “a despolitização da juventude ocorre, em partes, devido à desmoralização da Política como um todo e também porque suas entidades foram aparelhadas”. Ao mesmo tempo, ele afirma que essa possível desilusão pode ser apenas uma resposta conveniente para justificar esse “abstencionismo cívico” – “tivemos outros momentos com acusações de corrupção que apresentaram muita mobilização”. Para José Paulo, viver é fazer Política, “tudo que não funciona desilude, sim”.
Os movimentos ditos individualistas são, por exemplo, o hip hop, o contra o preconceito a Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT), os contra violência policial, os contra ou a favor do aborto, os a favor da liberação da maconha, entre outros. Você pode até dizer que eles são coletivos e que visam o bem-estar de todos, mas, para pensadores como Bauman, é aí que mora o problema. Eles visam o “bem-estar” de cada um. Eles defendem ideologias pessoais e não Políticas. Os manifestantes estão defendendo aquilo que eles acham ser melhor para eles mesmos. Isso é muito bom. Os cidadãos têm realmente que lutar pelos seus direitos, mas sem esquecer que vive-se no coletivo e que a Política deve ser o meio de comunicação entre um e todos os outros.
Nessa “sociedade líquido-moderna” em que os indivíduos só vão às ruas por movimentos individualistas, a Política partidária tem que se adaptar. “O mundo moderno exige um novo meio de fazer Política e esse jeito leva em consideração os estilos de vida das pessoas, o que ela gosta de consumir e isso é um desafio para quem quer fazer Política nesse cenário”, afirma Leo Pinho. Para ele, os partidos políticos ainda não conseguiram alcançar todos e dialogar com essas novas formas de participação da juventude. O colega de partido, Índio, considera que o PT precisa achar uma forma de tornar as passeatas mais atuais – “temos que colocar mais elementos artísticos, mais atividades para que o jovem se sinta chamado, para que a discussão seja agradável” – tomar essa atitude se torna essencial para todos os partidos, pois muitos estudantes estão preocupados apenas com movimentos individuais, que são importantes, mas que devem ser complementados com as reais propostas que só um partido pode trazer ao Governo. José Paulo explica que há organizações que tentam minimizar os sintomas dos problemas vividos, “mas ainda não há organizações de poder, de lobby para atuar junto ao Congresso Nacional”. Leo concorda com Índio quando ele diz que “aquele que milita só no partido é chamado de burocrata”. Os movimentos organizados conseguem fazer pressão, chamar atenção da mídia. Sem eles na Política partidária, o maior problema se torna o diálogo. 
Villa considera esses departamentos de minorias “conversa fiada”. Nesse caso, o importante é a prática Política unitária, cotidiana, ativa, propositiva e que se insere nas lutas das comunidades. As “Juventudes” partidárias podem e tentam mostrar aos jovens que isso é possível, que a Política não tem que ser “careta”. Fernando Henrique vê a situação pelo mesmo viés de Villa: “não acredito na fragmentação das lutas. Os problemas da sociedade – desde as taxas de desemprego até o aquecimento global – compõem um mosaico, são peças de um mesmo quebra-cabeça: o sistema capitalista, que precisa ser superado pela humanidade. Essa superação virá através da união dos esforços, das lutas em prol da transformação social”.
Se ser jovem é viver em uma antítese, é querer algo agora, mas achar que isso pode ser feito depois, para a Política, esse tempo não existe, não pode existir. A impaciência da juventude mostra-se explícita aqui também. A militância, as formas de participação e o engajamento estão sendo diversificados para se adaptarem às inconstâncias típicas juvenis. Até que ponto isso é benéfico à sociedade pode ser uma questão, já que a Política deveria ser feita sem distinções e segregações. Entretanto, ver uma parte da população jovem se empenhando por alguma coisa já será de algum proveito.

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Partidos Políticos

DEMOCRATAS – DEM:

– Nasceu em 1985 como Partido da Frente Liberal (PFL). 
– A mudança de nome ocorreu apenas recentemente, em maio de 2007, e seu novo presidente é Rodrigo Maia.
– O governo de Fernando Henrique Cardoso foi um ponto alto para partido, já que o vice-presidente da República era Marco Maciel.
– O atual Prefeito de São Paulo é Gilberto Kassab, membro nato do partido.
– Para fazer parte da Juventude Democratas é preciso ter entre 16 e 35 anos.
– Página na internet: http://www.democratas.org.br/
– Página da Juventude Democratas: http://www.juventudedemocratas.org.br/

PARTIDO PROGRESSISTA – PP:

– O Partido Progressista é resultado de diversas fusões, acontecidas desde 1985.
– Um dos principais componentes da legenda é Paulo Maluf, personagem polêmico, que foi o deputado federal mais votado no Brasil nas eleições de 2006, com 739.827 votos contabilizados, de acordo com Tribunal Superior Eleitoral.
– “A juventude do PP é a única que se considera de direita. A juventude não tem medo disso e se assume de direita mesmo”, diz o militante da Juventude Progressista, Antônio Haddad Filho, 19.
– A idade mínima para ser militante da Juventude Progressista é 16 anos e a máxima 35.
– Página na internet: http://www.pp.org.br/
– Página da Juventude Progressista: http://www.jp.org.br/

PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA – PSDB:

– O PSDB surgiu em 1988.
– Tem entre seus principais componentes o sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
– No seu quadro de representantes políticos, já esteve Mário Covas e tem hoje José Serra, atual governador de São Paulo; Geraldo Alckmin; e Aécio Neves, atual governador de Minas Gerais.
– De acordo com o Estatuto da Juventude Tucana, pode fazer parte dela qualquer pessoa com idade entre 14 e 32 anos.
– Página na internet: http://www.psdb.org.br/
– Página da Juventude PSDB: http://www.psdb.org.br/juventude/juventude.asp

PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO – PMDB:

– Em 1979, foi regulamentado o MDB, que tornou-se PMDB em 81.
– A principal liderança dos peemedebistas se deu na figura de Ulysses Guimarães, falecido em 1992.
– Tem como característica fundamental de seu programa a defesa da democracia.
– Sua luta começou durante a Ditadura Militar. O MDB era o único partido que confrontava o ARENA (partido dos militares) e que podia lançar contra-candidatos naquela época de bipartidarismo.
– É uma legenda considerada de centro e uma das mais heterogêneas do cenário político brasileiro.
– A idade mínima para fazer parte da JPMD é 16 anos e, de acordo com o Estatuto do partido, a idade máxima é 35 anos. 
– Página na internet: http://www.pmdb.org.br/
– Página da Juventude do PMDB: http://www.jpmdb.com.br/site/

PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA – PDT:

– Teve sua regulamentação em 1981. 
– Foi inspirado na Declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas.
– Nas eleições de 2006, o partido lançou a candidatura à presidência de Cristovam Buarque.
– O PDT se encontra na base de aliados do governo.
– Um de seus maiores líderes foi Leonel Brizola, falecido em 2004.
– Para participar da Juventude Socialista do PDT, é preciso ter entre 14 e 32 anos.
– Página na internet: http://pdt12.locaweb.com.br/inicial.asp
– Página da Juventude Socialista do PDT: http://www.jspdt.org/

PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT:

– Surgiu em 1980. Perseu Abramo, Henfil e Sérgio Buarque de Holanda são alguns nomes de fundadores do PT.
– A figura mais expressiva do PT é Luiz Inácio Lula da Silva, que, de líder sindical dos metalúrgicos, chegou à Presidência da República em 2002.
– Lula disputou todas as eleições presidenciais desde a primeira eleição direta em 1989 até as eleições de 2002.
– Em seu programa original, criticava a postura da social-democracia, baseado em princípios marxistas. 
– Em 2003, membros do partido foram expulsos por não concordarem com o inclinamento econômico ortodoxo e conservador do governo.
– Durante o ano de 2007, foram criados movimentos sociais como o “Cansei” e “A grande vaia” para criticar a crescente onda de corrupção e de grandes crises que o país vem enfrentando. 
– Para fazer parte da Juventude do PT não há limite de idade, basta ser filiado ao partido.
– Página na internet: http://www.pt.org.br/sitept/index_files/index.php
– Página da Juventude do PT: http://www.jpt.org.br/sp/
– Blog da JPT de São Paulo: http://www.jptsp.blogspot.com/

PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL – PC do B:

– Saiu da ilegalidade em 1985.
– Tem suas bases instaladas no marxismo e no leninismo. 
– Defende a democracia e o socialismo científico – é contra as propriedades privadas de produção e a favor das sociais.
– Até hoje (desde 1989) é aliado ao PT, mesmo discordando da postura econômica tomada pelo governo.
– Tem forte influência nos ambientes estudantis e tem como braço a União da Juventude Socialista, a UJS.
– Para ser filiado à UJS, não é necessário ser filiado ao PC do B.
– Os jovens podem militar na UJS até os 29 anos. 
– Página na internet: http://www.vermelho.org.br/pcdob/
– Página da UJS: http://www.ujs.org.br/index.asp

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UNE – A MORADA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL

Pela presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) já passaram grandes nomes como José Serra, Honestino Guimarães, Aldo Rebelo e Lindberg Farias. A gestão de Gustavo Petta chegou ao fim no dia 08 de setembro de 2007, dando espaço à nova presidente, a gaúcha e filiada do PC do B, Lúcia Stumpf de 26 anos. 
A UNE foi fundada em 1937 com a intenção de ser uma entidade legítima que abrigasse os estudantes do Brasil. O objetivo maior da entidade estava presente na procura por um diálogo com outros movimentos de lideranças da sociedade. Em tempos de repressão e de totalitarismo, tiveram sucesso com a filiação e a participação de muitos jovens nos movimentos fomentados pela UNE.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os estudantes apoiaram o combate da propagação das ideologias do nazi-fascismo; na campanha “O Petróleo é Nosso”, incentivaram a criação da Petrobrás (1947); e defenderam propostas de reformas universitárias no governo de João Goulart (1961-1964).
O papel mais importante da entidade foi na batalha contra a Ditadura Militar. A partir de 1964, o órgão tornou-se ilegal, mas não deixou de atuar contra as freqüentes atrocidades que aconteciam na sociedade, como no protesto expressivo da Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro (1968). Muitos de seus membros foram presos, torturados e exilados, entre eles José Dirceu, um dos fundadores do PT, ex-presidente do partido e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula. 
Reorganizada em 1979, a UNE apoiou a candidatura à Presidência da República de Tancredo Neves durante a campanha das “Diretas Já” (1984). Em 1992, sob a liderança de Lindberg Farias, participou com força total do “Fora Collor”, movimento que influenciou a opinião pública e tornou real o primeiro Impeachment de um Presidente no Brasil. 
No governo Fernando Henrique, a UNE criticou o avanço do neoliberalismo e a falta de atenção com a qualidade da educação. A entidade apoiou a eleição de Lula em 2002 e, de acordo com a própria UNE, se mantém independente. 
Hoje, essa instituição alega que sua maior luta é pelo investimento no ensino público e na mudança no sistema universitário do país.

Página da UNE na internet: http://www.une.org.br/

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Entrevista: Helena Wendel Abramo

Ela é Socióloga da Prefeitura de São Paulo, Assessora da Comissão Especial Permanente da Juventude da Câmara Municipal de São Paulo e membro do Conselho Nacional de Juventude. Helena Wendel Abramo é também uma das coordenadoras do livro “Retratos da juventude brasileira. Análises de uma pesquisa nacional” (2005 – Editora Fundação Perseu Abramo); e autora de “Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano” (1994 – Editora Scritta).
Em uma entrevista por telefone, ela conta um pouco sobre os jovens brasileiros e fala de formas novas de militância política.

No geral, quais as maiores preocupações do jovem brasileiro?

Entre os quesitos que preocupam os jovens, têm muito destaque as questões da violência e das dificuldades no mundo do trabalho. Na verdade, o desemprego aparece como grande fonte de preocupação depois da violência. Tem outras coisas também, como a miséria no mundo. Mas esses são os mais recorrentes, que têm a ver com a conjuntura histórica, claro.

A juventude é vista como fútil, alienada e vítima do consumismo que estimula as experimentações constantes. A senhora concorda com essa imagem?

Eu nunca concordei. Acho que essa é uma visão superficial. Assim como há jovens alienados em todos os outros segmentos, há jovens interessados e engajados em uma série de questões. Isso não quer dizer que essa geração é alienada. E depois quando se faz essa comparação “os jovens de hoje são alienados”, ela é feita com outras gerações, como a dos anos 60/70. Só que a gente está comparando dados não comparáveis. A conjuntura histórica, as questões que mobilizam os jovens e as maneiras deles se mobilizarem são outras. Há outros temas, outros desafios e outros lugares de mobilização.

O jovem se preocupa com o futuro das relações políticas do Brasil?

Eu acho que os jovens em geral se preocupam e as pesquisas feitas no levantamento do “Perfil da Juventude Brasileira” mostram que os jovens sabem que a política é importante e estão ligados nas informações. Isso não significa que todos eles estejam engajados em processos políticos. Mas é muito difícil fazermos perguntas genéricas nesse sentido: “ou os jovens estão, ou os jovens não estão”. Há jovens que estão envolvidos e há jovens que não. Como em todos os outros segmentos, como entre os adultos também.

Na sua percepção, se o jovem não está engajado em um partido político, onde ele está mostrando que ele se importa?

Se você for medir a porcentagem de jovens que está inscrito em alguma instituição, os números são baixos. Mas também são baixos para o resto da população, minha ressalva é essa. Não há tantos jovens engajados em partidos, mas há uma parcela envolvida em entidades estudantis, jovens envolvidos em torno de movimentos rurais, em grupos vinculados a uma religião, os que estão em ONGs, os que defendem direitos de orientação sexual… Historicamente, há momentos que uma parcela da população se dispõe a produzir uma atuação coletiva na busca de uma reivindicação. Acho que, nesse sentido, as informações que temos sobre os jovens brasileiros não mostram nem um intenso engajamento dessa geração e nem uma intensa desmobilização e apatia, diferente de outros períodos.

O individualismo atual se faz presente através do consumismo e da transformação de tudo em produto. A senhora estabelece uma relação entre essa afirmação e a falta de interesse na política partidária?

É evidente o aumento do consumo como organização dos desejos das pessoas nessa fase do capitalismo. Sem a menor dúvida, os jovens estão bastante atravessados por esse traço. Acho que não fazem parte do único segmento; os adultos também fazem, basta ver as prioridades que as famílias elegem para ter o carro novo, sacrificando uma série de outras coisas. Isso assume uma importância singular entre os jovens, principalmente no sentido de que as atividades de lazer, de diversão, de cultura são muito relevantes nessa fase. Através delas se constroem o fundamental de sua sociabilidade e parte de suas identidades, por isso o investimento em roupas e em símbolos de construção dessa imagem. Mas nem sempre esse investimento no consumo está do lado oposto da mobilização e da atuação coletiva. Algumas mobilizações até usam esses consumos simbólicos como meios de constituir pressão. Pode haver uma orientação ideológica muito distante. Os partidos de esquerda, por exemplo, que se opõem a esse modo de organização da vida social, que querem uma sociedade com outros princípios, menos baseados no consumismo, vão elaborar referências diferentes daquelas que apostam que o seu bem-estar e sua felicidade vêm através do consumo. Talvez, alguns jovens presos nesses referenciais de consumo não consigam construir identidades com essas proposições. Os jovens tomados por essas referências da esquerda se engajarão em qualquer processo de transformação. Mas a maior parte dos jovens que transita, que lida com esses mundos, dá importância ao consumo ao mesmo tempo em que é capaz de se mobilizar em alguma manifestação coletiva e de transformação.

Quais são os fatores que mais desestimulam o jovem de se engajar na política tradicional?

O que tem desestimulado os jovens é menos o fato de eles estarem presos a esse mundo de consumo do que uma certa desaprovação das formas de atuação política. Isso é o que mais desestimula aquele jovem já organizado, já mobilizado em torno de alguma coisa. Parte da dificuldade da organização em partidos tem a ver com uma crítica ao modo como eles atuam hoje.

O que levaria os jovens às ruas, hoje?

Acabei de ler um relatório sobre os movimentos pelo passe-livre ou contra o aumento das passagens de ônibus em Salvador em 2003. Os estudantes ficaram 20 dias nas ruas, paralisaram a cidade e em outras capitais esses movimentos se repetiram. Depende do que se fala que é “levar às ruas”. Centenas de jovens no país inteiro tem ido às ruas fazer formas de protesto, de denúncia, através de suas manifestações. Temos os jovens do MST [Movimento dos Sem-Terra] e temos outras coisas que acontecem. A presença dos jovens nos Fóruns Sociais Mundiais, na discussão de uma transformação é importante. Não está muito claro para ninguém que parcela do jovem tem se mobilizado e se há uma bandeira que mobiliza todos os jovens ao mesmo tempo. Talvez não.

As novas formas de militância são políticas em prol da sociedade em geral ou só visam o bem-estar de determinados grupos?

Eu não faria essa divisão entre bandeiras e não acho que essas idéias reforçam a existência de individualismo. É necessário que haja uma reivindicação para a transformação da sua situação, que não será só do seu indivíduo, mas do seu coletivo. 
Jovens engajados em manifestações gerais, como os que estão no Acampamento Intercontinental da Juventude, querem um outro mundo, organizado sobre outros princípios. Esse grande processo também é composto de grupos menores que têm bandeiras mais peculiares. O movimento operário começa se mobilizando por alterações em suas condições de base. Isso é uma questão individual, ou uma questão coletiva? Isso tem implicações na sociedade como um todo? O MST tem uma bandeira específica que tem a ver com a posse e o uso da terra, mas a conquista dessa bandeira significa toda uma transformação social mais ampla. É nesse sentido que poderíamos entender as demandas dos jovens. Os jovens que estão discutindo as verbas para educação, por exemplo, estão fazendo uma demanda que tem a ver com eles, mas que também implicam algo mais geral, como a distribuição de recursos, quais políticas devem ser prioritárias, que papel a educação deve ter na sociedade.

O cientista político Kenneth Minogue diz para os jovens se afastarem da política. A senhora também acha que a rebeldia característica à juventude pode atrapalhar a atividade partidária?

De forma nenhuma! Primeiro, eu acho que a rebeldia não é atributo só do jovem. Segundo, nem todos os jovens são rebeldes. Essa é a desmistificação que a gente tem que fazer. A participação dos jovens nos partidos é fundamental para a renovação da própria vida partidária, e para permitir novas idéias, novas práticas. Dessa maneira, os partidos poderão incorporar as suas pautas às questões que os jovens têm trazido.

O que a senhora diria aos jovens que não dão importância à Política?

Eu não diria nada. Acho que a importância da política tem que ser percebida através da própria experiência. Claro que processos de formação e de informação são fundamentais para a percepção de que não atuar na política é uma forma de postura política, que é a forma da omissão. A insatisfação com as coisas que incomodam só pode ser modificada pela ação das pessoas. Se afastar porque acha que esse jeito de fazer política é ruim, é apenas uma maneira de dar o aval. Quem critica uma hora deve ter consciência de que essas coisas só mudam se alguém interferir. O engajamento orgânico é essencial, mas há outras formas de se interferir.